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Numero do processo: 15868.720046/2012-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
COFINS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMOS. PROVA.
Na apuração de PIS/Cofins não-cumulativo, a prova da existência do direito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamento com os dados que se encontram ao seu alcance.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. PERÏCIA.
Depois de realizado o lançamento com base nos dados fornecidos pelo próprio contribuinte, torna-se dever do contribuinte apresentar as provas e fazer a demonstração pontual dos erros em que porventura teria incorrido a Fiscalização na apuração, demonstrando o valor que entenderia ser o correto para o direito de crédito. A realização de perícia submete-se ao critério de necessidade do julgador, de maneira que, não havendo nenhuma prova contundente em sentido contrário ao da apuração procedida, e entendendo o julgador pela existência de elementos de prova suficientes para formar sua convicção, pode e deve deixar de realizar a perícia, promovendo desde logo o julgamento.
RESPONSABILIDADE PESSOAL EXCLUSIVA DOS DIRIGENTES DA EMPRESA SUCEDIDA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A apuração errada do tributo, por si mesma, não configura infração de lei ou do estatuto social, capaz de configurar a hipótese de responsabilidade pessoal exclusiva prevista no art. 135, III, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO.
A sucessão por incorporação implica na transferência da responsabilidade em relação ao crédito tributário como um todo, incluindo a multa de ofício e os juros de mora, independente do lançamento ter ocorrido antes ou depois da sucessão. Inteligência do art. 132 c/c art. 129 do CTN.
CREDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
A alegação de erro no lançamento em relação à forma de cálculo do crédito presumido foi argüida de maneira inédita no recurso voluntário, razão pela qual não pode ser apreciada, por restar configurada a preclusão, visto que tal matéria não foi alegada na impugnação. Sua análise também implicaria em supressão de instância, pois a questão não foi submetida ao julgamento de Primeira Instância.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Adriana Ribeiro, que votou por dar provimento parcial para excluir a multa e os juros de mora em razão da sucessão. Sustentou pela recorrente a Dra. Carolina Yamaguchi, OAB/SP 195.705.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Adriana Ribeiro.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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CRÉDITO. INSUMOS. PROVA. Na apuração de PIS/Cofins nãocumulativo, a prova da existência do direito de crédito incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração por parte do contribuinte, deve a Fiscalização promover o lançamento com os dados que se encontram ao seu alcance. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. PERÏCIA. Depois de realizado o lançamento com base nos dados fornecidos pelo próprio contribuinte, tornase dever do contribuinte apresentar as provas e fazer a demonstração pontual dos erros em que porventura teria incorrido a Fiscalização na apuração, demonstrando o valor que entenderia ser o correto para o direito de crédito. A realização de perícia submetese ao critério de necessidade do julgador, de maneira que, não havendo nenhuma prova contundente em sentido contrário ao da apuração procedida, e entendendo o julgador pela existência de elementos de prova suficientes para formar sua convicção, pode e deve deixar de realizar a perícia, promovendo desde logo o julgamento. RESPONSABILIDADE PESSOAL EXCLUSIVA DOS DIRIGENTES DA EMPRESA SUCEDIDA. NÃO CONFIGURAÇÃO. A apuração errada do tributo, por si mesma, não configura infração de lei ou do estatuto social, capaz de configurar a hipótese de responsabilidade pessoal exclusiva prevista no art. 135, III, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 00 46 /2 01 2- 68 Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 A sucessão por incorporação implica na transferência da responsabilidade em relação ao crédito tributário como um todo, incluindo a multa de ofício e os juros de mora, independente do lançamento ter ocorrido antes ou depois da sucessão. Inteligência do art. 132 c/c art. 129 do CTN. CREDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. A alegação de erro no lançamento em relação à forma de cálculo do crédito presumido foi argüida de maneira inédita no recurso voluntário, razão pela qual não pode ser apreciada, por restar configurada a preclusão, visto que tal matéria não foi alegada na impugnação. Sua análise também implicaria em supressão de instância, pois a questão não foi submetida ao julgamento de Primeira Instância. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Adriana Ribeiro, que votou por dar provimento parcial para excluir a multa e os juros de mora em razão da sucessão. Sustentou pela recorrente a Dra. Carolina Yamaguchi, OAB/SP 195.705. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Luiz Rogério Sawaya Batista e Adriana Ribeiro. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a constituição de crédito tributário de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 2072/2079) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 2080/2087), apurados no regime não cumulativo, quanto a fatos geradores ocorridos entre 10/2007 a 12/2007. A notificação aconteceu em 23/05/2012 (fls. 2073 e 2081). A motivação do lançamento reside em que, “após o desconto de créditos da referida contribuição, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração Fiscal, de 21/03/2012, que faz parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração, restou contribuição (...) a pagar” (fls. 2082 e 2074). Consta do referido Termo de Verificação (fls. 2043/2070) o seguinte: 1. que a fiscalização teve como ponto de partida os diversos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação amparadas em créditos de PIS/Cofins não Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15868.720046/201268 Acórdão n.º 3403002.905 S3C4T3 Fl. 2.390 3 cumulativos, os quais foram apresentados pela Bertin S/A, que foi incorporada pela JBS S/A; 2. que se trata da fiscalização de mesmo período que já fora objeto de fiscalização anterior, a qual foi encerrada sem exame, tendo sido, agora, expressamente autorizada a realização de novo exame; 3. o presente processo está correlacionado com os Processos Administrativos nºs 12585.00034/201030 e 12585.00029/201027, que consubstanciam os pedidos de ressarcimento relativos, sucessivamente, ao PIS e à Cofins do 4º trimestre de 2007; 4. houve intimações reiteradas ao contribuinte para que demonstrasse a apuração dos valores informados nos Dacons, bem como apresentasse os documentos requeridos pela fiscalização, o que não foi atendido pelo contribuinte, o que levou a Fiscalização a promover a apuração a partir dos dados fornecidos pelo contribuinte até então, conforme o seguinte procedimento: Em relação aos valores Informados na linha 02 (Bens Utilizados como Insumos) das fichas 06A e 16A dos Dacons de outubro a dezembro de 2007, diante do todo o acima já exposto, ficou claro para esta fiscalização que a apuração dos créditos foi realizada de forma totalmente incorreta pelo sujeito passivo. Diante disso, com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo sujeito passivo, partindo da analisa detalhada do» dado» constantes das planilhas 2 e 3; planilhas estas que foram elaboradas com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo próprio sujeito passivo e a ele encaminhadas previamente para conferência e manifestação; fizemos a apuração da base de cálculo dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, linhas 01 (Bens para Revenda), 02 (Bens Utilizados como Insumos), 03 (Serviços Utilizados como Insumos) e 12 (Devolução de Vendas Sujeitas à Alíquota de 1,65% / 7,6%) das fichas 06A e 16A dos Dacons, bem como da linha 26 (Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais Calculados à Alíquota de 0.5775% no caso do PIS/Pasep e de 2,66% no caso da Cofins) das mesmas fichas, conforme demonstrado nas planilhas em excel assim denominadas: a) Planilha 5 (Discriminação total das aquisições dos bens e serviços utilizados como insumos e de devoluções de vendas, antes da análise da fiscalização Dezembro de 2007 Retificada); o) Planilha 6 (Discriminação dos estabelecimentos transferidos em razão da cisão parcial e dos que restaram na Bracol em 2007); c) Planilha 7 (Discriminação das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos oriundos de pessoas físicas, não consideradas pela fiscalização para a apuração de créditos Novembro e Dezembro de 2007); Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 d) Planilha 8 (Gado bovino adquirido de pessoas físicas listados INCORRETAMENTE como tendo sido adquiridos de pessoas jurídicas nas planilhas 2 e 5 Novembro e Dezembro de 2007); e) Planilha 9 (Discriminação das aquisições não consideradas pela fiscalização bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas e bens para revenda Novembro e Dezembro de 2007); f) Planilha 10 (Devoluções de vendas Novembro e Dezembro de 2007); g) Planilha 11 (Serviços utilizados como insumos Novembro e Dezembro de 2007); h) Planilha 12 (Aquisições para revenda Novembro e Dezembro de 2007); i) Planilha 13 (Insumos que dão direito ao crédito presumido agroindústria, aquisições de pessoas jurídicas e físicas cm novembro de 2007); j) Planilha 14 (Insumos que dão direito ao crédito presumido agroindústria, aquisições de pessoas jurídicas e físicas em dezembro de 2007); k) Planilha 15 (Resumo dos valores das aquisições de bens e serviços, bens para revenda, valores não considerados, devoluções de vendas e base de cálculo do crédito presumido da agroindústria apurados pela fiscalização Novembro de 2007); e I) Planilha 16 (Resumo dos valores das aquisições de bens e serviços, bens para revenda, valores não considerados, devoluções de vendas e base de cálculo do crédito presumido da agroindústria apurados pela fiscalização Dezembro de 2007). Algumas considerações sobre as planilhas acima mencionadas serão feitas a seguir. Nas planilhas 2 e 3 (que foram anteriormente encaminhadas ao sujeito passivo para conferência e manifestação) estão discriminadas todas as aquisições de bons para revenda, de bens o serviços utilizados como insumos o devoluções de vendas, antes da análise detalhada da fiscalização. Para a elaboração de tais planilhas extraímos dos arquivos digitais apresentados pelo sujeito passivo todos os registros com códigos f cais de operação "CFOP" passíveis de serem considerados como base de cálculo de créditos nas linhas 01 (Bens para Revenda). 02 (Bens Utilizados como Insumos), 03 (Serviços Utilizados como Insumos), 12 (Devolução de Vendas Sujeitas à Alíquota de 1,65% / 7,6%) e 26 (Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais calculados às alíquotas de 0,5775% PIS/Pasep e 2,66% Cofins) das fichas 06A e 16A do Dacons, A partir destas planilhas iniciamos as análises e elaboramos diversas outras para demonstrar tanto os valores não considerados como os valores considerados para apuração das bases de cálculo dos créditos a descontar. Tendo em vista que esta fiscalização constatou que os arquivos digitais apresentados pelo sujeito passivo continham vários registros em duplicidade, somente depois de ler encaminhado as Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15868.720046/201268 Acórdão n.º 3403002.905 S3C4T3 Fl. 2.391 5 planilhas 2 e 3 ao sujeito passivo para conferência e manifestação, fato este por ele reconhecido na resposta escrita datada de 06/02/2012, foi necessário retificar os dados constantes da "planilha 3'. Desta forma elaboramos a "planilha 5* considerando os novos arquivos digitais dos registros fiscais do mês de dezembro de 2007 referentes ao CNPJ de n° 09.112.489/000249. Assim, a 'planilha 3" foi substituída pela "planilha 5". A 'planilha 5", foi elaborada para substituir a 'Planilha 3", pelos motivos mencionados no parágrafo anterior. Nela estão discriminadas todas as operações relativas ao mês de dezembro de 2007 que, em principio, dão direito ao crédito da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A •planilha 6* foi elaborada para discriminar os estabelecimentos da Bracol Holding Ltda. que foram transferidos para a Bertin S/A em razão da cisão parcial, bem como os que permaneceram com a Bracol Holding Ltda. Nas planilhas 7 e 9 estão discriminadas as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, bem como de bens para revenda que não podem ser consideradas na apuração da base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. As razões pelas quais esta fiscalização não as considerou estão descritas de forma sintética ao final _de cada uma das referidas planilhas Na "planilha 8" os'.ao discriminadas as acusações do gado bovino de pessoas físicas. Tal planilha foi elaborada para demonstrar as aquisições de gado bovino de pessoas físicas em novembro e dezembro de 2007, tendo em vista que nos registros fiscais dos arquivos digitais apresentados pelo sujeito passivo constam INDEVIDAMENTE como sendo aquisições de pessoas jurídicas. Foi feita para a apuração do valor do FUNRURAL, que foi calculado após a totalização do mês de novembro e dezembro de 2007, considerandose a alíquota de 2,3%. Isso se fez necessário porque no corpo das notas fiscais consta o desconto correspondente ao FUNRURAL. No entanto, apesar do desconto constar nas notas fiscais, os arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo sujeito passivo não consideraram tal desconto. Na 'planilha 10" estão discriminadas as devoluções de vendas, que consideramos para o preenchimento da linha 12 (Devoluções de Vendas Sujeitas à Alíquota de 7.6%) das fichas 06A e 16A dos Dacons. Tal planilha contempla os meses de novembro e dezembro de 2007. Na "planilha 11" estão discriminadas as aquisições de serviços de pessoas jurídicas que consideramos para o preenchimento da linha 03 (Serviços Utilizados como Insumos) das fichas 06A e 16A dos Dacons. Do valor total de cada mês (novembro e dezembro de 2007) deduzimos os valores correspondentes às aquisições demonstradas na "planilha 9". que não foram consideradas por esta fiscalização. Fl. 2394DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Na "planilha 12" estão discriminadas as aquisições de bens para revenda (meses de novembro e dezembro de 2007), que consideramos para o preenchimento da linha 01 (Bens para Revenda) das fichas 06A e 16A dos Dacons. Do valor total de cada mês deduzimos os valores correspondentes às aquisições demonstradas na 'planilha 9", que não foram consideradas por esta fiscalização. Nas planilhas 13 e 14 estão discriminadas as aquisições de gado bovino de pessoas físicas e jurídicas, bem como do demais Insumos que dão direito à apuração de crédito presumido da agroindústria. Dos valores totais destas planilhas diminuímos o valor do FUNRURAL, cujo cálculo está demonstrado na "planilha 8". Como já dissemos anteriormente, as notas fiscais apresentadas pelo sujeito passivo integram o processo administrativo digital n° 15868.7200467201268. São inúmeras notas fiscais referentes ás aquisições de gado bovino de pessoas físicas e jurídicas. Para apurarmos o valor dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep multiplicamos o custo de aquisição (valor total constante na última linha de cada uma das planilhas) por 0,5775% (1,65% x 35%). Para apurarmos os créditos da Cofins. multiplicamos por 2.66% (7,6% x 35%). Os valores assim apurados (tendo por base as planilhas 8, 13 e 14) foram considerados para preenchimento da linha 26 das fichas 06A e 16A dos Dacons. respectivamente. Aqui importante destacarmos que a "mercadoria adquirida" é o animal vivo. Isto é o que consta nas inúmeras notas fiscais apresentadas pelo sujeito passivo, que foram digitalizadas e juntadas no processo administrativo digital n° 15868.720046/201268. Em todas elas constam "bois para abale', "novilhos precoces para abate11 ou "vacas para abate' como sendo produto adquirido. O percentual de apuração da alíquota aplicável sobre os créditos, prevista no art. 8o. § 3º, da Lei n° 10.925, de 2004, é determinado em função do produto adquirido e não do fabricado. De acordo com a legislação vigente para os períodos de apuração ora verificados o percentual corresponde a 35%. Nas planilhas 15 e 16 estão resumidos todos os valores apurados pela fiscalização. Nelas estão discriminados tento os valores não considerados como os passíveis de serem considerados como base de cálculo de créditos nas linhas 01, 02, 03. 12 e 26 das fichas 06A e 16A dos Dacons. Na última linha de cada uma das planilhas (15 e 16) consta o valor que consideramos para o preenchimento da linha 02 (Bens Utilizados como Insumos) das fichas 06A e 16A dos Dacons. Em relação às linhas 04 (Despesas de Energia Elétrica), 05(Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica). 07 (Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda), 08 (Despesas de Contraprestações de Arrendamento Mercantil), 10 (Sobre Bens do Ativo Imobilizado Com Base no Valor de Aquisição) e 13 (Outras Operações com Direito a Crédito) das fichas 06A e 16A dos Dacons. o sujeito passivo, apesar do intimado e reintimado, não apresentou quaisquer Fl. 2395DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15868.720046/201268 Acórdão n.º 3403002.905 S3C4T3 Fl. 2.392 7 elementos que pudesse subsidiar a apuração dos créditos por esta fiscalização. Após a apuração da base de cálculo dos créditos a descontar, bem como dos créditos presumidos — atividades agroindustriais na forma acima consignada, utilizamos o próprio programa disponibilizado pala Receita Federal do Brasil e elaboramos os Dacons completos (de outubro a dezembro de 2007) para demonstrar o total de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins quo o sujeito passivo tem direito, bem como os demais valores que devem constar em todas as demais fichas dos Dacons. Todas as fichas dos Dacons elaborados por esta fiscalização acompanham os autos de infração (PIS/Pasep e Cofins) e também foram juntadas por cópia ao processo administrativo digital n° 15868.720046/201268. Na elaboração dos Dacons mencionados no parágrafo anterior, para distribuição dos valores nas colunas receita no mercado interno e receita de exportação das fichas 06A e 16A, consideramos a relação percentual demonstrada no quadro abaixo: Importante deixar registrado que para fazermos a apuração demonstrada no quadro acima consideramos como valor da 'receita sem incidência da contribuição exportação' os valores constantes da escrituração contábil do sujeito passivo que está registrado na conta 911010000010301 Vendas a Prazo. De tal procedimento, pois, resultou a glosa da diferença existente entre o valor de crédito informado em Dacon pelo contribuinte e o valor de crédito que foi apurado pela Fiscalização. Esta glosa implicou em que o valor de crédito fosse inferior ao valor de contribuição devida, razão pela qual foram lavrados os autos de infração deste processo, para a cobrança da diferença de valor. A contribuinte apresentou Impugnação (fls. 2089/2108) argumentando, em síntese, que: a. a autoridade fiscal de Araçatuba não teria competência para promover o lançamento, visto que a JBS S/A tem sua sede em São Paulo/SP; b. o Mandado de Procedimento Fiscal MPF seria nulo, porque expedido sem a autorização do Superintendente da Receita Federal do Brasil para procedimento de fiscalização em outra unidade da RFB; Fl. 2396DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 c. houve cerceamento de defesa diante do fato de que a autoridade que promoveu a lavratura do lançamento encontravase a aproximadamente 600 km da sede da contribuinte; d. a responsabilidade pelo crédito tributários seria exclusiva dos dirigentes da empresa incorporada, Bertin S/A, por aplicação do art. 135, III, do CTN, em razão de que teria havido clara infração ao estatuto social, o qual previa a necessidade de orientação, controle e fiscalização dos negócios da companhia pelo conselho de administração e da diretoria; e. no mérito, alega de maneira genérica que teria direito de crédito em relação aos insumos adquiridos e que a fiscalização não teria conseguido afastar a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela Bertin S/A; f. deve ser deferida a realização de perícia, para a análise dos documentos fiscais da Impugnante; g. em respeito ao art. 132 do CTN, o incorporador apenas poderia responder pelos tributos, mas não pela multa, enquanto sanção de ato ilícito. A Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1438.983, de 18 de outubro de 2012 (fls. 2298/2317), julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento, conforme o seguinte entendimento, resumido na sua ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 2397DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15868.720046/201268 Acórdão n.º 3403002.905 S3C4T3 Fl. 2.393 9 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. INCORPORAÇÃO. A multa de ofício e os juros de mora integram a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NULIDADE. Tratandose de auto de infração lavrado por pessoa competente, não tendo havido preterição do direito de defesa da contribuinte e não tendo sido feridos os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não cabe o acatamento da preliminar de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando os Auto de Infração (AI) e seus anexos integrantes são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando estejam discriminados, neste, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de sustentação oral em sessão de julgamento na primeira instância administrativa pela falta de previsão na legislação que trata do processo administrativo fiscal, em especial o Decreto n° 70.235/72. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Fl. 2398DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 2340/2384), no qual reitera os mesmos fundamentos de sua Impugnação, destacando apenas o fato de que a DRJ não teria enfrentado adequadamente a sua alegação de que haveria responsabilidade pessoal exclusiva dos dirigentes da suscedida Bertin S/A, por aplicação do art. 135, III, do CTN, tendo a DRJ confundido com o tema da impossibilidade de sucessão em relação às multas, por aplicação do art. 132 do CTN. Acrescenta os argumentos de que a necessidade de diligência seria reforçada pelo equívoco da Fiscalização em apurar o crédito presumido do art. 8º da Lei nª 10.925/2004 tomando como critério o produto adquirido, quando o correto seria tomar como critério as mercadorias que são produzidas; e que não haveria qualquer justificativa para as demais glosas procedidas pela Fiscalização em relação às demais alterações na base de cálculo do crédito requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 07/02/2013 (fl. 2340), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu em 09/01/2013, por meio da abertura de arquivo no domicílio eletrônico do contribuinte (fl. 2334). Por ser tempestivo e por conter fundamentos de reforma contra o acórdão da DRJ, conheço do recurso. 1. As alegações de nulidade do lançamento. Alega o Recorrente que a autuação seria nula (a) em razão da incompetência do Auditor Fiscal que emitiu o Mandado de Procedimento Fiscal por não haver Portaria de delegação de competência que assim o permitisse, (b) em razão da incompetência do Auditor Fiscal que emitiu o MPF para determinar procedimentos de fiscalização em outra unidade da RFB e (c) porque haveria evidente cerceamento de defesa no fato de a fiscalização ter sido realizada a aproximadamente 600 km da sede da Impugnante. Em primeiro lugar, cumpre deixar claro que o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle da própria Administração Tributária em relação a seus agentes e não limita de nenhuma forma o exercício do lançamento fiscal, cuja realização é dever de ofício do Auditor Fiscal. Nenhum tipo de falha ou inconsistência no MPF, ou relativa à competência territorial ou hierárquica da autoridade fiscal que o tenha emitido, é capaz de infligir ao lançamento fiscal qualquer tipo de vício, visto que o lançamento goza de autonomia, tratando se de atividade plenamente vinculada, na forma do art. 142 do CTN. Fl. 2399DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15868.720046/201268 Acórdão n.º 3403002.905 S3C4T3 Fl. 2.394 11 Manifestei este mesmo entendimento no seguinte julgado: Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FUNÇÃO E EFEITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. O MPF é instrumento de controle da própria Receita Federal do Brasil em relação à atividade de fiscalização, proporcionando transparência e segurança ao contribuinte. A relevância do objeto e do momento do início da fiscalização, constantes no MPF, são importantes para determinar a espontaneidade do contribuinte, mas não apresentam qualquer implicação em relação à validade do auto de infração. É indiferente para a validade do lançamento o fato de o procedimento de fiscalização tratarse de um desdobramento de outra fiscalização, ou mesmo do primeiro MPF ter sido intitulado de Complementar ou da data em que houve sua ciência. (Acórdão 340300.380, PA 10830.009571/200261, j. 25/05/2010) Neste mesmo sentido se consolidou o entendimento desta Turma, conforme ilustra o seguinte precedente: (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL, INEXISTÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA VALIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento fiscal MPF não é requisito de validade do auto de infração, funcionando como simples instrumento de controle administrativo, de modo que sua ausen̂cia não importa em qualquer vício do ato administrativo de lançamento. (...) (Acórdão 340300.530, PA 13312.000587/200417, Relator Cons. Robson José Bayerl, j. 26/08/2010) Portanto, nem mesmo no caso de ausência do MPF se poderia cogitar da nulidade do lançamento, que é ato administrativo autônomo, no sentido de que sua validade não depende de nada que se refira ao MPF. De outro lado, quanto à alegação do cerceamento de defesa em razão da distância entre a sede da empresa sucessora e o local da lavratura do auto de infração, onde situada a sede da empresa suscedida, antes da sucessão, a leitura dos autos leva a acreditar que isto em nenhum momento significou uma dificuldade para que a contribuinte desse resposta às intimações da Fiscalização. Alterado o domicílio tributário da pessoa jurídica no andamento da fiscalização, é possível e legítimo que pleiteie o deslocamento do procedimento para o novo domicílio de sua sede, mas nada impede que os atos continuem tomando lugar no mesmo local onde já vinham sendo praticados, desde que, é claro, isto não turbe ou restrinja o direito de defesa do contribuinte. Fl. 2400DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Mas esta restrição ao direito de defesa não pode ser presumido, no sentido de que não decorre do simples fato de ter alterado o endereço, devendo ser demonstrado objetivamente pelo contribuinte, que deve alegálo a tempo e a modo. Verificase que no presente caso a contribuinte permaneceu recebendo regularmente as intimações no mesmo endereço no qual se iniciou a fiscalização, as quais sempre foram regularmente respondidas pela contribuinte, antes e depois da sucessão, sem nenhuma insurgência ou ressalva no sentido de que tais atos ou a referida distância causaria qualquer tipo de limitação ao exercício do seu direito de defesa. A Recorrente também sustenta a necessidade de realização de perícia, argüindo a nulidade do julgamento de Primeira Instância que a indeferiu. Entendo que a realização de perícia submetese ao critério de necessidade do julgador, quando esbarra na existência de provas contraditórias a respeito de um mesmo fato, ou da existência de provas que dependam da análise de um expert para a sua devida qualificação ou interpretação. Não tendo o contribuinte apresentado nenhuma prova contundente em sentido contrário ao da apuração procedida pela Fiscalização, bem como entendendo o julgador pela existência de elementos de prova suficientes para formar sua convicção, pode e deve deixar de realizar perícia, promovendo desde logo o julgamento. Também não vejo como acolher a alegação de nulidade pela falta de notificação dos administradores da Bertin na época para prestar informações, pois os atos, informações e documentos pertinentes à apuração do crédito tributário referemse a atos praticados pela pessoa jurídica, em nada se referindo às pessoas físicas dos exsócios. É dever da pessoa jurídica, independente dos seus sócios, manter a guarda e responsabilizarse por prestar as informações e documentos solicitados à Administração Tributária. Por tais razões, entendo que não procedem as alegações de nulidade. 2. Responsabilidade pessoal exclusiva dos dirigentes da empresa sucedida. A apuração equivocada do tributo, em si mesmo, não configura infração de lei ou do estatuto social, não configurando a hipótese de responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN. A atribuição de responsabilidade exclusiva do dirigente em relação ao crédito tributário, com fundamento no art. 135, III, do CTN, reclama a individualização da conduta do responsável e da sua tipificação como violadora da lei e do contrato social. Se o simples fato de deixar de recolher tributo não configura a violação de lei prevista no referido dispositivo do CTN, conforme jurisprudência reiterada do Superior Tribunal de Justiça, então muito menos se configurará no caso de apuração e recolhimento realizados de forma equivocada, sem a demonstração de qualquer conduta dolosa dos dirigentes ou administradores da pessoa jurídica. A propósito do tema, esta Turma já manifestou o seguinte entendimento: Fl. 2401DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15868.720046/201268 Acórdão n.º 3403002.905 S3C4T3 Fl. 2.395 13 (...) CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIOS E MANDATÁRIOS DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. EXISTÊNCIA DE DOLO. NECESSIDADE. A responsabilidade pessoal inserta no art. 135, III do Código Tributário Nacional, para sua aplicação, exige a comprovação do caráter doloso da conduta daqueles agentes quando pratiquem atos com excesso de poder ou que infrinjam a lei, contrato social ou estatutos da pessoa jurídica lançada, não se qualificando como doloso o simples inadimplemento de obrigação tributária, como remansoso na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. (...) (Acórdão 340300.530, PA 13312.000587/200417, Relator Cons. Robson José Bayerl, j. 26/08/2010) Entendo, por isso, que não se pode cogitar da aplicação do art. 135, III, do CTN. 3. Mérito: a apuração e o direito de crédito. O Recorrente, em duas páginas, explica que adquiriu diversos estabelecimentos em 2007 e que as providências necessárias para formalizar as diversas exigências burocráticas demandam razoável tempo, sendo que a maior parte dos créditos glosados seria proveniente destes novos estabelecimentos. Isto implicaria em que a maior parte dos valores escriturados no per~iodo da autuação podem referirse a aquisições cujos documentos fiscais foram emitidos em nome da antiga proprietária dos estabelecimentos. Mas que, por força do princípio da verdade material, independente do nome em favor de quem as notas fiscais tenham sido emitidas, deverseia reconhecer a integralidade do direito de crédito. Ocorre que a contribuinte apenas faz esta alegação geral, tal como se o único problema fosse em nome de quem estariam determinadas notas fiscais, quando na verdade não há demonstração detalhada e precisa de cada uma das hipóteses de crédito. A Fiscalização promoveu o levantamento detalhado da apuração da contribuição, segregando as hipóteses de creditamento. Cumpria ao contribuinte apresentar as alegações de direito e a demonstração pontual em relação a cada uma destas hipóteses, o que não aconteceu. 4. A responsabilidade por sucessão em relação à multa de ofício e aos juros. Embora o comando do art. 132 do CTN se refira apenas à responsabilidade pelos tributos, não citando nominalmente a multa e os juros, o art. 129 do CTN, que inaugura a mesma Seção II do Capítulo V – a qual trata da Responsabilidade dos Sucessores – deixa claro que “O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data”. Fl. 2402DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Diante disso, a sucessão por incorporação implica na transferência da responsabilidade em relação ao crédito tributário como um todo, incluindo a multa de ofício e os juros de mora, independente do lançamento ter ocorrido antes ou depois da sucessão. É neste mesmo sentido da jurisprudência deste Conselho, conforme se confere dos seguintes jogados: (...) RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada. (...) (Acórdão 20400.861, PA 11080.005813/200159, Rel. Cons. Adriene Maria de Miranda, j. 06/12/2005) (...) MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. APLICAÇÃO. O art. 132 do CTN deve ser interpretado em harmonia com o art. 129 do mesmo diploma legal, sendo a sucessora responsável, perante o Fisco, pela regularização da situação fiscal da sucedida. Entendimento diverso significaria privilégio superior ao instituto da denúncia espontânea, incompatível com o sistema coercitivo de cumprimento da norma. Ademais, a mera alteração do quadro societário e eventual alteração da razão social não constituem sucessão, pois o sujeito passivo permaneceu o mesmo, posto que pessoa jurídica é distinta dos sócios que a compõem. (...) (Acórdão 20179.603, PA 19740.000057/200413, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 20/07/2006) Entendo, pois, que devem ser mantidas no lançamento a multa de ofício e os juros de mora. 5. Preclusão. A alegação de erro no lançamento em relação à forma de cálculo do crédito presumido foi argüida de maneira inédita no Recurso Voluntário, ou seja, não foi alegada na Impugnação, e por isso mesmo não foi alvo de julgamento pela DRJ. Tal fundamento de defesa não pode ser apreciada, por restar configurada a preclusão a seu respeito, em âmbito administrativo. Sua análise diretamente pela Segunda Instância administrativa também implicaria em supressão de instância, visto que a matéria não foi submetida ao julgamento de Primeira Instância. Este vem é o mesmo entendimento que apliquei nos seguintes julgados de minha relatoria: CRITÉRIOS E VALORES PRESENTES NA DECISÃO DA DRF E QUE NÃO FORAM ATACADOS PELA MANIFESTAÇÃO DE Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15868.720046/201268 Acórdão n.º 3403002.905 S3C4T3 Fl. 2.396 15 INCONFORMIDADE. ART. 17 DO PAF. VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Os critérios e valores que são apresentados na decisão da DRF que homologa apenas em parte a compensação, reduzindo o direito de crédito, tem de ser atacados pela manifestação de inconformidade, sob pena de se considerar não impugnado, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal). Ainda que o contribuinte apenas se dê conta de determinados critérios ou valores no momento em que toma conhecimento do acórdão da DRJ, se tais dados já estavam na decisão da DRF, não há como pretender reformálos por meio de recurso voluntário ao CARF. Não há como pretender a discussão, em segunda instância administrativa, de matéria de direito que deixou de ser argüida na defesa dirigida à primeira instância, e que não configura erro material nem questão de ordem pública. Precedentes. Recurso não conhecido. (Acórdão 3403001.807, PA 13866.000148/200286, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 24/10/2012) (...) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição. (...) (Acórdão 340300.385, PA 10680.008629/200309, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 25/05/2010) Por tais razões, deixo de apreciar o fundamento inédito, veiculado no Recurso Voluntário, em razão da preclusão do momento processual adequado para fazêlo. 6. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10855.000492/97-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1994 a 31/07/1994
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. VOTO CONDUTOR. DECISÃO. OCORRÊNCIA.
Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. São cabíveis quando verificada a contradição apontada.
Numero da decisão: 3803-006.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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DE LATEX SAO ROQUE S/A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1994 a 31/07/1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. VOTO CONDUTOR. DECISÃO. OCORRÊNCIA. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e visam a sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. São cabíveis quando verificada a contradição apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 04 92 /9 7- 88 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 A DRF/Sorocaba apresenta obscuridade em face da contraditoriedade entre a decisão consignada no Acórdão nº 380300.031, de 10 de agosto de 2009, e o dispositivo do voto condutor. a decisão desta Terceira Turma Especial, instalando no processo um impasse que tem impossibilitado a sua execução. Este processo é constituído por auto de infração de Cofins, lavrado em 23 de abril de 1997, com exigibilidade suspensa, por forca da liminar restabelecida no processo nº. 95.03.0622719, relativamente aos fatos geradores junho e julho/94. Em 22 de outubro de 2001, foi proferido o Acórdão nº 322/2001, da DRJ/Ribeirão Preto, exonerando o débito de junho/94 e majorando o débito de julho/94, de 15.032,52 UFIR para 18.522,87 UFIRs. Em sua impugnação, a Interessada argumentou que os débitos lançados estão compensados com créditos de CSLL discutidos judicialmente, incluindo a discussão o critério de correção monetária desses créditos. Em 5 de fevereiro de 2002, sobreveio recurso voluntário. Em 29 de janeiro de 2003, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu decisão pelo não conhecimento da matéria submetida ao judiciário e, na parte conhecida, pelo cancelamento da multa de ofício. Em decorrência do cumprimento da decisão judicial, pela DRF de origem, surgiu conflito referente aos critérios jurídicos de correção monetária. Em seguida, o débito lançado referente a julho/94 foi migrado para o processo de representação nº 13877.000025/200640, permanecendo neste apenas o valor majorado pelo acórdão nº 322/2001. Despacho da Sacat/DRF/Sorocaba para a ARF/São Roque, , de 13 de janeiro de 2006, propôs: a) Abertura de processo de representação, que deverá conter cópia na integra do presente processo administrativo, inclusive deste despacho. Após a abertura de tal processo de representação, adotar os seguintes procedimentos: i. Efetuar a transferência para o mesmo, do saldo devedor de 15.032,52 UFIR; ii. Providenciar a conversão em renda da Unido, do depósito recursal de folhas 91, alocandoo ao respectivo débito; iii. Dar seguimento na cobrança do saldo devedor apurado após a alocação citada no item ii acima, uma vez que o mesmo não está, com a sua exigibilidade suspensa, conforme explanação contida nos parágrafos 06 a 22. Na intimação a ser "encaminhada ao contribuinte, visando efetuar a cobrança, deve ser solicitado ao mesmo que comprove: 1. O recolhimento dos tributos; ou, alternativamente; 2. Comprove a existência de fatos, não constantes do presente processo administrativo, que suspendam a exigibilidade do crédito tributário. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10855.000492/9788 Acórdão n.º 3803006.463 S3TE03 Fl. 295 3 3. Não havendo a comprovação solicitada através do termo de intimação citado na letra "iii" acima, tomar as providências cabíveis visando à cobrança executiva dos créditos tributários constantes do processo de representação; b) Em relação ao saldo de 3.490,35 UFIR, mantido no presente processo administrativo após a transferência citada na letra "a", item "i" acima, suspender o mesmo por impugnação e encaminhar o presente processo à DRJ/RIBEIRÃO PRETO, com amparo no artigo 32 do Decreto 70.235/72, para que seja verificado a possibilidade de revisão do acórdão DRJ/RPO N° 322/2001, em razão dos fatos expostos nos parágrafos 22 a 35 retro. Tal revisão, no nosso entendimento, seria no tocante aos seguintes aspectos: i. Manutenção do credito tributário referente junho/1994, uma vez que tal período de apuração foi objeto de compensação amparada em medida judicial, sendo que o tratamento do mesmo dependerá do andamento de tal medida judicial. Observese que, caso o contribuinte venha a sucumbir na judicial, a Fazenda Nacional não poderá efetuar a cobrança do crédito tributário referente o citado período de apuração uma vez que o mesmo foi cancelado pelo citado acórdão. ii. Retificação do valor do débito de julho/1994, uma vez que o valor correto é aquele que foi objeto do auto de infração, ou seja, 15.032,52 UFIR, isto sem falar que o citado acórdão aumentou o valor lançado do período de apuração referido, sem a utilização do instrumento adequado para tal, ou seja, a lavratura de auto de infração suplementar. Em 27 de outubro de 2006, foi proferido novo Acórdão, n° 1414.003, pela DRJ/Ribeirão Preto, conforme a proposta da DRF/Sorocaba, reformando o Acórdão nº 322/2001 e que tornouse objeto de novo recurso voluntário. Anotese que dito acórdão, nº 322/2001, já havia sido reformado pelo Acórdão nº 2017006.707, de 29 de janeiro de 2003, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. O acórdão n° 1414.003, da DRJ/Ribeirão Preto, proferido em face deste novo recurso voluntário, foi ementado como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1993 a 31/07/1993, 01/06/1994 a 31/07/1994 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Fl. 507DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 A competência para majorar exigência constituída por meio de auto de infração, pertence à. autoridade lançadora, por meio de lançamento complementar, impedido o órgão julgador de fazê lo. Apresentado o recurso voluntário não tem o órgão colegiado de primeira instância poder para reformar a decisão recorrida. Vicio de nulidade da decisão reformadora de primeira instância. O dispositivo do voto condutor no Acórdão nº 380300.031, de 10 de agosto de 2009, desta Terceira Turma Especial, teve a seguinte dicção: Pelo exposto, voto: a) para anular o Acórdão n° 322, de 22 de novembro de 2001, da DRJ/Ribeirão Preto; b) para anular o Acórdão n° 2017006.797, de 29 de janeiro de 2003, da Primeira Câmara do Segundo Conselho; c) para declarar a nulidade do Acórdão n° 1414.003, de 27 de outubro de 2006, da DRJ/Ribeirão Preto; d) por não conhecer do recurso voluntário; e) para determinar a juntada, por anexação, do processo de representação n° 13877.000025/200640 a este processo, com a conseqüente transferência dos débitos nele, cadastrados no PROFISC, para este processo, conforme o registro da tela de fl. 60. f) para que se remetam estes autos, após os procedimentos acima, para a DRJ/Ribeirão Preto para proferir nova decisão, dandose com esse ato nova sequência a este processo, uma vez restabelecido o status quo ante. E a decisão foi registrada na forma abaixo: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO de JULGAMENTO, por unanimidade, anular o processo a partir da decisão da DRJ, para que a autoridade tributária com jurisdição sobre o recorrente dê à matéria: a) afeta ao Poder Judiciário o tratamento determinado pela tutela que transitar em julgado no processo judicial respectivo, e; b) discutida nesta esfera administrativa o tratamento que ficou decidido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes no Acórdão n° 20176.797, de 27/02/2003. Devolvido o processo à Unidade de origem, Esta, cumprida a parte que lhe fora determinada, encaminhou o processo para a DRJ/Ribeirão Preto para que procedesse à nova decisão, segundo a disposição contida no voto condutor. A Delegacia de Julgamento objetou quanto ao cumprimento, após arrazoar em torno da contradição entre os dispositivos do voto condutor e o da decisão, tendo afirmado quer o teor da decisão é que deveria ser cumprido. Ante a discrepância que identificou, presumiu ter o Relator ad quem curvadose ao entendimento final da turma consignado no acórdão. Retornados os autos, a DRF/Sorocaba vê instalado o impasse e encaminha o processo para o CARF, tendo em vista dirimir a obscuridade. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10855.000492/9788 Acórdão n.º 3803006.463 S3TE03 Fl. 296 5 Submetida a exame de admissibilidade, anotado que o vício da obscuridade é categorizado também como decisão exposta ou disposta de maneira confusa, em face de contraditoriedade, no caso entre os dispositivos do voto e o da decisão, foi proposto que a objeção fosse recepcionada como embargos de declaração, não obstante a DRF/Sorocaba não tenha materializado sua exposição e petição nesta forma. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Conforme apreciado no exame de admissibilidade, estão presentes no acórdão os vícios da obscuridade e da contraditoriedade apontados. Assim, tendo em mira a necessidade de saneamento do feito, com vistas à concretização do princípio da eficiência da Administração e pacificação final do conflito que constitui o presente processo, a objeção deve ser processada como embargos de declaração, com fulcro no princípio da fungibilidade. Pelo que deles conheço. Necessário para o deslinde uma reconstituição parcial dos fatos juridicizados no processo. Ação judicial manejada por este Sujeito Passivo, que constituiu o processo nº 94.001.07625, não autorizou na primeira instância a compensação pleiteada, entre outros, dos débitos de Cofins dos meses de junho e julho de 1994. Por meio da Ação Cautelar, processo n° 94.0005857, foi concedido o efeito suspensivo à apelação interposta. Na sequência destes fatos é que foi autuada esta Contribuinte, relativamente aos aludidos meses, para prevenção da decadência, sendo o auto lançado com multa de ofício. Recebida a impugnação, a DRJ/Ribeirão Preto requisita à DRF/Sorocaba que formulasse o demonstrativo de compensação dos créditos de CSLL com a Cofins, o que foi feito por meio dos documentos de fls. 69 (Listagem de Créditos), 70 a 75 (Demonstrativo Analítico de Imputação) e 76 (Listagem de Débitos), com saldo devedor final de 18.522,87 UFIR, referente ao débito de Cofins de julho de 1994. Mesmo executando o procedimento requisitado, a DRF/Sorocaba lembrou à DRJ/Ribeirão Preto que não deveria julgar esta parte da controvérsia em discussão no Judiciário , mas que cuidasse apenas da matéria que não fosse concomitante. Desconsiderando o aviso, o Colegiado a quo exonerou o lançamento referente mês de junho/1994 e manteve o referente ao mês de julho/1994, tendoo majorado em 3.490 UFIRs, para alcançar o valor apurado no Demonstrativo Analítico de Imputação, 18.522,87 UFIRs. Não houve embargos de declaração contra o acórdão, que poderia ter sido interposto com indicação de omissão na apreciação do fundamento fático de existência da ação judicial em que a Autora pugnava pelo direito de compensar seus créditos de CSLL com a Cofins. Os argumentos pelo provimento da impugnação foram os que compuseram o objeto da ação judicial. Por isso, reiterado no recurso voluntário apresentado, o acórdão do Colegiado ad Fl. 509DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 quem não conheceu da matéria submetida à via judicial, e na parte que conheceu exonerou a multa de ofício, porquanto o lançamento fora efetuado para prevenir decadência, fl. 109. Da decisão, lavrada em 29 de janeiro de 2003, temse que a ilegalidade da majoração do débito de julho/1994, incorrida pela DRJ/Ribeirão Preto, fora mantida pelo acórdão de segunda instância. Ressalvada a interposição de embargos e recurso especial, após a ciência da Contribuinte, que ocorreu em 03 de novembro de 2005, o processo estava encerrado, findo o prazo legal de interposição de cada um desses recursos. Não houve interposição de recurso especial pelas partes interessadas; tampouco houve embargos de declaração por quaisquer dos habilitados, por qualquer nomeação que se desse à objeção, em que ficasse indicado ter havido omissão, contradição ou obscuridade no acórdão de segunda instância, após a ciência. Houve apenas intimação à pessoa jurídica, e seu cumprimento, para que informasse o andamento das ações judiciais.. Na execução do julgado, a DRF/Sorocaba segregou do valor originalmente lançado, R$ 15.032,52, com ele constituiu o processo de nº 13877.000.025/200640 para efetivação da cobrança deste valor, mantendo neste processo apenas o valor majorado pela DRJ/Ribeirão Preto, R$ 3.490,35, como se vê das imagens a seguir. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10855.000492/9788 Acórdão n.º 3803006.463 S3TE03 Fl. 297 7 Em 10 de fevereiro de 2006, o DESPACHO DRF/SOR/SACAT N° 019/2006, aprovado pelo chefe da SACAT, propõe: (i) a revisão do acórdão nº 322/2001, da DRJ/Ribeirão Preto; (ii) que corrigisse o julgamento para considerar a concomitância e manter o débito do mês de junho; e (iii) e excluísse do lançamento o valor da majoração, 3.490,35 UFIRs.[1] Arrimado na proposição da DRF/Sorocaba, a DRJ/Ribeirão Preto julga novamente a impugnação, reconhece o error in judicando do acórdão nº 322/2001, e prolata nova decisão e reativa o débito de junho/1994, cancela a majoração efetuada no débito de julho/1994 e deixa de conhecer a matéria da compensação levada ao Judiciário. Era de todo insubsistente a propositura do Despacho da DRF/Sorocaba, como, de resto, e indevida a reforma do Acórdão nº 322/2001 pelo Acórdão nº 1414.003, de 27 de outubro de 2007, ambos da DRJ/Ribeirão Preto. Isso porque a decisão de primeira instância deixa de ter eficácia com a apresentação de recurso voluntário, e é substituída definitivamente pela que lhe sobrevém na segunda instância. O processo anda para frente, compondo uma sucessão de atos logicamente encadeados. Desse rito exsurge o princípio da 1 b) Em relação ao saldo de 3.490,35 UFIR, mantido no presente processo administrativo após a transferência citada na letra "a", item "i" acima, suspender o mesmo por impugnação e encaminhar o presente processo à DRJ/RIBEIRÃO PRETO, com amparo no artigo 32 do Decreto 70.235/72, para que seja verificado a possibilidade de revisão do acórdão DRJ/RPO N° 322/2001, em razão dos fatos expostos nos parágrafos 22 a 35 retro. Tal revisão, no nosso entendimento, seria no tocante aos seguintes aspectos: i. Manutenção do credito tributário referente junho/1994, uma vez que tal período de apuração foi objeto de compensação amparada em medida judicial, sendo que o tratamento do mesmo dependerá do andamento de tal medida judicial. Observese que, caso o contribuinte venha a sucumbir na judicial, a Fazenda Nacional não poderá efetuar a cobrança do crédito tributário referente o citado período de apuração uma vez que o mesmo foi cancelado pelo citado acórdão. ii. Retificação do valor do débito de julho/1994, uma vez que o valor correto é aquele que foi objeto do auto de infração, ou seja, 15.032,52 UFIR, isto sem falar que o citado acórdão aumentou o valor lançado do período de apuração referido, sem a utilização do instrumento adequado para tal, ou seja, a lavratura de auto de infração suplementar. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 preclusão, tido por Liebman como a perda ou a extinção do direito de praticar ato processual. Assentese que uma vez decididas as questões em primeira instância e tendo a parte usado do direito de recorrer, o órgão a quo não mais dispõe de competência para reapreciar a matéria que esteve sob seu crivo. ( CPC art. 473 ). Logo é passível de anulação o Acórdão nº 14 14.003/2006. Por sua vez, o Acórdão nº 20176.797, de 29 de janeiro de 2003, da Primeira Câmara do Segundo Conselho, é anulável, por passar ao largo de matéria na qual, de ofício, deveria ter se manifestado: a competência da DRJ/Ribeirão Preto para lançar tributo. A permanecer este acórdão, conforme está na decisão no Acórdão nº 380300.031, de 10 de agosto de 2009, desta Turma, divergente que está do dispositivo do seu voto condutor, manter seá a majoração do lançamento, exigência tributária constituída por órgão incompetente (3.490,35 ufirS) que corresponde a um ato administrativo nulo, nos termos do art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72. Quanto ao Acórdão nº 322/2001, ele continha vício tanto na parte em que julgou matéria sob apreciação do Judiciário, como na que usurpou da sua competência de órgão julgador, efetuando lançamento complementar mediante a decisão. Sabese que o processo administrativo é informado, entre outros, pelo princípio da informalidade. Contudo, há de se convir que não se deve extremar tal princípio para ignorar regras de competência e de andamento processual, fazendose tábula rasa tanto do rito previsto no Decreto nº 70.235/72, como das disposições do Código de Processo Civil, que o subsidia. Com olhar nestes fundamentos, de fato e de direito, é que o voto condutor dispôs pela anulação de todas as decisões antecedentes. Todavia, bastava que o voto determinasse a anulação do processo a partir do Acórdão nº 322, de 22 de novembro de 2001, para que outra decisão fosse proferida pela DRJ/Ribeirão Preto, sem os vícios incorridos. Assim decidido, todos os atos a ele subsequentes deixam de surtir efeitos, restabelecido o status quo ante. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso, com efeitos infringentes, para sanear a contradição e harmonizar o voto condutor no Acórdão nº 380300.031, de 10 de agosto de 2009, desta Turma, com a decisão e a ementa, devendo figurar: a) no dispositivo do voto condutor: “Pelo exposto, voto por anular os atos processuais a partir do Acórdão nº 322, de 22 de novembro de 2001, inclusive, para que outra decisão seja proferida pela DRJ/Ribeirão Preto”; b) na decisão: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular os atos processuais a partir Acórdão nº 322, de 22 de novembro de 2001, inclusive, para que outra decisão seja proferida pela DRJ/Ribeirão Preto”. c) na ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1993 a 31/07/1993, 01/06/1994 a 31/07/1994 LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA. ÓRGÃO JUDICANTE. VEDAÇÃO. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10855.000492/9788 Acórdão n.º 3803006.463 S3TE03 Fl. 298 9 A competência para majorar exigência constituída por meio de auto de infração, pertence à autoridade lançadora, por meio de lançamento complementar, impedido o órgão julgador de faze 1o. Apresentado o recurso voluntário não tem o órgão colegiado de primeira instância poder para reformar a decisão recorrida. Vicio de nulidade da decisão reformadora de primeira instância. Sala das sessões, 16 de setembro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 513DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10935.902401/2012-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/01/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/01/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/01/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 01 /2 01 2- 51 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.706, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 32074.15095.161107.1.2.042670, rastreamento nº 029224659, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 23.470,46, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/12/2004, efetuado em 14/01/2005, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902401/201251 Acórdão n.º 3802002.556 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 14/01/2005 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902401/201251 Acórdão n.º 3802002.556 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902401/201251 Acórdão n.º 3802002.556 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902401/201251 Acórdão n.º 3802002.556 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/0 9/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10880.678165/2009-23
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 81 65 /2 00 9- 23 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678165/200923 Acórdão n.º 3801004.095 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678165/200923 Acórdão n.º 3801004.095 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo, contra o acórdão julgado na sessão de 26 de agosto de 2011, pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SPI), em julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa, transmitida eletronicamente pela empresa SÁFILO DO BRASIL LTDA, com o propósito de compensar débito propósito de compensar débito com suposto crédito de COFINS oriundos de pagamento indevido ou a maior que teria em 11/11/205. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 1, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Tomando ciência da decisão, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade, na qual tece os seguintes argumentos: a) Salienta de início que a interposição do recurso em apreço suspende de imediato a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b) Alega que, em virtude de inclusão indevida de IPI relativo às vendas realizadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, recolheu essas contribuições em valores substancialmente superiores ao que seria devido, sendo notório que tal imposto não faz parte de sua base de cálculo; c) Afirma que, ao se aperceber do erro, efetuou um levantamento do referido indébito, apurando créditos no de (PIS) e de (COFINS), os quais passou a compensar por meio de vários PER/DCOMP transmitidos em datas diversas; d) No entanto – prossegue – devido a falha administrativa interna, deixou de retificar e retransmitir eletronicamente, por meio do sítio da RFB, as DCTF e os DACON relativos a esse período – o que levou a Fazenda Federal, ante a Fl. 249DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678165/200923 Acórdão n.º 3801004.095 S3TE01 Fl. 14 4 impossibilidade de reconhecer os pagamentos a maior, a não homologar as compensações realizadas; e) Acrescenta que, desejando regularizar tal pendência, transmitiu as DCTF e os DACON retificadores; f) Passando a tratar especificamente do processo em exame, descreve com minúcias a natureza e o valor do débito e do crédito compensados na DCOMP objeto do despacho decisório impugnado e observa estar à disposição das autoridades fiscais “toda a documentação comprobatória relativa aos recolhimentos e compensações efetuadas”; g) Assevera que o crédito utilizado na DCOMP realmente existe e deve ser reconhecido, citando em seguida dois acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas tratam de erro material no preenchimento de DCTF e mencionam o princípio da verdade material; h) Concluindo, requer a reforma do despacho decisório e apresenta, na última folha da impugnação, uma lista de documentos que traz aos autos. É o relatório” A DRJ de São Paulo I/SP (DRJ/SPI) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ai sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante com fito de reduzir tributo – mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar – só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678165/200923 Acórdão n.º 3801004.095 S3TE01 Fl. 15 5 DCOMP. SUSPENSÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66) Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando do contraditório e da ampla defesa, alega aplicabilidade da verdade material e a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678165/200923 Acórdão n.º 3801004.095 S3TE01 Fl. 16 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificados, nem transmitidos no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 23/11/2009, ou seja, cerca de um mês após o despacho que indeferiu a homologação do pedido de compensação, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Conforme o disposto nos §§ 1, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, é necessário para que os efeitos da retificadora sejam plenos a apresentação de prova inequívoca da ocorrência de erro. Colacionase os referidos dispositivos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas Fl. 252DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678165/200923 Acórdão n.º 3801004.095 S3TE01 Fl. 17 7 Hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCT retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe desses saldo; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal §3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário Logo, não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificados constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos faltos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas rações recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de São Paulo I/SP: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o Fl. 253DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678165/200923 Acórdão n.º 3801004.095 S3TE01 Fl. 18 8 despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado,então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678165/200923 Acórdão n.º 3801004.095 S3TE01 Fl. 19 9 Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Apesar de não haver qualquer consideração no recurso voluntário sobre a DCTF e o DACON retificadores constantes destes autos, o que exclui deste Colegiado a necessidade de apreciálos, observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 255DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678165/200923 Acórdão n.º 3801004.095 S3TE01 Fl. 20 10 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10840.003173/2003-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 1999
DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional. As penalidades previstas na legislação de regência (artigo 5º, parágrafo 3º do Decreto-lei n° 2.124, de 13/06/1984), incidem à falta de apresentação de declaração de rendimentos ou à sua apresentação fora do prazo fixado.
Numero da decisão: 9101-001.596
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, recurso
conhecido. Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Valmar Fonseca de Menezes.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do Código Tributário Nacional. As penalidades previstas na legislação de regência (artigo 5º, parágrafo 3º do Decreto-lei n° 2.124, de 13/06/1984), incidem à falta de apresentação de declaração de rendimentos ou à sua apresentação fora do prazo fixado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, recurso conhecido. Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Valmar Fonseca de Menezes. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente - Substituto (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc - Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres Presidente (Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Fl. 150DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Suplente Convocado), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Valmar Fonseca de Menezes. Relatório TERMOTÉCNICA INSPEÇÃO E CONSULTORIA LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob o nº 44.399.954/0001-94, com domicílio fiscal na cidade de Mococa - Estado de São Paulo, na Rua das Paineiras, nº 250, Bairro Jardim Morro Azul, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas - SP, inconformada com a decisão de Segunda Instância prolatada pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 302-37.476, de 27/04/2006 (fls. 71/74) cuja decisão, por unanimidade de votos, negou provimento ao seu Recurso Voluntário (fls. 41/63), recorre, em 17/07/2006, a esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do seu Recurso Especial (fls. 81/103). O pleito da contribuinte busca amparo no então art. 5º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 1998, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que contra a contribuinte foi lavrado, em 04/05/2003, o Auto de Infração – Multa por atraso na entrega da DCTF/1999, com ciência, em 07/08/2003 (fls. 32) exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.500,00, a título de multa por atraso na entrega da DCTF, relativo ao ano-calendário de 1999. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu que a contribuinte entregou fora do prazo estipulado na legislação de regência as DCTFs, relativo ao ano-calendário de 1999. Infração capitulada no art. 10 do Decreto- Lei nº 2.065, 1983; art. 30 da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 79 da Lei nº 10.426, de 2002. Impugnado o lançamento, de forma tempestiva, em 09/09/2003 (fls. 01/14), instruído pelo documentos de fls. 15/23 e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas - SP decide, em 10/09/2004, julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 34/36), amparado, em síntese, no argumento básico de que a denúncia espontânea contemplada no art. 138 do Código Tributário Nacional, é inaplicável porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração de tributos federais (DCTF), que se toma ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 15/10/2004, conforme Termo constante às fls. 34/36, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, tempestivamente, em 11/11/2004, o seu Recurso Voluntário (fls. 41/63), instruído pelos documentos de fls. 64/68, o qual, ao ser apreciado pela então Terceira Câmara do Terceiro Fl. 151DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10840.003173/2003-01 Acórdão n.º 9101-001.596 CSRF-T1 Fl. 3 3 Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 302-37.476, de 27/04/2006 (fls. 70/73), teve seu provimento negado, por unanimidade de votos, conforme se verifica de sua ementa e decisão: DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS — DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A cobrança de multa por atraso na entrega de DCTF tem fundamento legal no artigo 5º, parágrafo 3º do Decreto-lei n° 2.124, de 13/06/84, não violando, portanto, o principio da legalidade. A atividade de lançamento deve ser feita pelo Fisco uma vez que é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não é aplicável às obrigações acessórias a exclusão de responsabilidade pelo instituto da denúncia espontânea, de acordo com art. 138 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificado da decisão de Segunda Instância, em 05/07/2006, conforme Termo constante às fls. 77/79, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 17/07/2006, o seu Recurso Especial (fls. 81/103), no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: - que a divergência argüida está no alcance do instituto da denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN, haja vista o artigo 136 do mesmo CTN não diferenciar infração formal ou material, face à interpretação sistemática da Seção VI, do Capítulo V, Titulo II, apoiada na expressão trazida "se for o caso", isto é, em relação a esta expressão a admissão de se considerar válida a denúncia espontânea em situações que não estejam vinculadas a pagamento de tributo, obrigação principal; - que a decisão ora recorrida não merece prosperar, pois, "data vênia", não agiu com acerto ao julgar procedente a exigência fiscal, determinando a cobrança do crédito tributário reclamado; - que o levantamento de débito efetuado pelo Sr. Fiscal não procede em nenhum aspecto, relativamente ao atraso na entrega da DCTF no ano de 1999, pois a ora Recorrente realizou as referidas entregas de forma espontânea, isto é, antes de qualquer procedimento fiscal exigindo-as, conforme passa-se a demonstrar; - que ao analisarmos o disposto no artigo 138 do CTN, observa-se claramente que o legislador não fez qualquer restrição a aplicação do mesmo em casos de obrigações acessórias, assim como não faz qualquer citação de que é cabível apenas em situações que envolvem pagamento de tributo; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 - que na descrição do voto, observa-se o equívoco do ilustre julgador ao considerar a DCTF como uma obrigação acessória desvinculada de natureza tributária, pois é certo que as informações prestadas na referida declaração (DCTF) são situações tributárias ocorridas na empresa. Se exige informações das situações tributárias ocorridas na empresa, como desvinculá-la da ocorrência do fato gerador dos tributos; - que incabível esse raciocínio, pois sem as situações tributárias não há o que ser informado na DCTF, assim como através da DCTF é que a administração fazendária toma conhecimento dessas situações tributárias; - que, assim, por essa outra razão é que deve ser reformada a decisão recorrida e julgado improcedente o referido Auto de Infração e conseqüente exigência fiscal do crédito tributário. O contribuinte indicou como paradigmas os acórdãos abaixo relacionados, cuja ementa se transcreve na parte que interessa (fls. 107/123): Acórdão nº 301-30.556 DENUNCIA ESPONTÂNEA - DCTF. A multa por atraso na entrega da DCTF é alcançado pelo instituto da denúncia espontânea art. 138 do CTN, que, em seu art. 136 se refere a infração à legislação tributária sem distinguir entre Infração formal ou material Interpretação sistemática da Seção IV, do Capitulo V, Titulo II. e expressão "se for o caso", do art. 138 do CTN. Recurso provido por maioria Acórdão nº 201.71.410 DCTF - DENÚNCIA ESPONTÂNEA - A apresentação espontânea da Declaração de Contribuições e Tributos Federais, obrigação acessória, mesmo fora do prazo, exclui a responsabilidade e afasta a exigência de multa, nos termos do art. 138, parágrafo único, do CTN - Código Tributário Nacional. Recurso provido. Ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela recorrente (fls. 81/103), o Presidente da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por intermédio do Despacho nº 302-0.232, de 18/09/2006 (fls. 125/129), o admitiu, considerando que a recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas. Encaminhado, em 04/04/2007, os autos para ciência da Fazenda Nacional, nos termos Regimentais (fls. 130), foram apresentadas, em 04/04/2007, as contrarrazões (fls. 130/133), argumentando, em síntese: - que havemos de considerar que o cerne da questão trazida no recurso voluntário pelo contribuinte diz respeito â frágil alegação de que o instituto da denúncia espontânea esposado no artigo 138 do Código Tributário Nacional teria cabimento nos casos de atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF; Fl. 153DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10840.003173/2003-01 Acórdão n.º 9101-001.596 CSRF-T1 Fl. 4 5 - que o instituto da denúncia espontânea, consagrado no art. 138 da Lei n° 5 172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), e invocado pelo recurso especial, não é aplicável ao caso dos autos, como bem acentuou o v acórdão de fls.. Com efeito, o pressuposto lógico da denúncia espontânea ê a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não se dá no atraso na entrega da DCTF, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a entrega da declaração; - que, por outro lado, segundo a jurisprudência pacifica do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o instituto da denúncia espontânea não alcança as obrigações acessórias autônomas, sem nenhum vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo; - que, dessa forma, ha de persistir a cobrança da multa imposta pelo descumprimento do prazo de entrega da DCTF, vez que a sua dispensa viola o artigo 11 do Decreto-Lei nº1. 968/82, com a redação dada pelo Decreto-Lei n° 2.065/83, que prevê a aplicação da multa, assim como o artigo 138 do Código Tributário Nacional; - que, portanto, a decisão recorrida está em perfeita consonância tanto com a lei como pelas decisões judiciais e administrativas, razão porque deve ser mantida, nos termos do acórdão prolatado. É o relatório Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no acórdão nº 9101-01.596, de 20 de fevereiro de 2013, processo de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Depreende-se do relatado, que a Contribuinte ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo no então art. 5º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 1998, atualmente regido pelos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Tendo o Contribuinte tomado ciência do decisório recorrido em 05/07/2006 (fls. 77/79) e tendo protocolizado o presente apelo em 17/07/2006 (fls. 81/103), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidencia-se a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Da análise dos autos do processo verifica-se, que ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela recorrente (fls. 81/103), o Presidente da então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por intermédio do Despacho nº 302-0.232, de 18/09/2006 (fls. 125/129), o admitiu, considerando que a recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas. É de se observar, que o Contribuinte cumpriu com os requisitos previstos no RI-CARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se tratam das mesmas matérias fáticas e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, refere-se a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a discussão sobre a abrangência da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, nos casos de aplicação de multa por atraso na entrega das DCTFs, entregues com atraso, porém, antes de qualquer iniciativa por parte do fisco. Enquanto, os acórdãos paradigmas defendem a tese da inaplicabilidade da multa por atraso na entrega das DCTF em razão da denúncia espontânea, ou seja, a apresentação espontânea da Declaração de Contribuições e Tributos Federais, obrigação acessória, mesmo fora do prazo, exclui a responsabilidade e afasta a exigência de multa, nos termos do art. 138, parágrafo único, do Código Tributário Nacional – CTN, o acórdão recorrido ao contrário expressou o entendimento de que não é aplicável às obrigações acessórias a exclusão de responsabilidade pelo instituto da denúncia espontânea, de acordo com art. 138 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto do relatório, o cerne da questão cinge-se à discussão sobre o alcance da expressão “denúncia espontânea” prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN. O acórdão proferido pela então Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, negou provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte por considerar que não é aplicável às obrigações acessórias a exclusão de responsabilidade pelo instituto da denúncia espontânea, de acordo com art. 138 do Código Tributário Nacional. Por outro lado, entende a recorrente, que a divergência argüida está no alcance do instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN, haja vista o art. 136 do mesmo Código não diferenciar infração formal ou material, face a interpretação sistemática da Seção VI, do Capítulo V, Titulo II, apoiada na expressão trazida "se for o caso", isto é, em relação a esta expressão a admissão de se considerar válida a denúncia espontânea em situações que não estejam vinculadas a pagamento de tributo, obrigação principal. De nossa parte, não duvidando da dificuldade que o assunto oferta, entendemos que seja incontestável que o instituto da denúncia espontânea é uma oportunidade Fl. 155DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10840.003173/2003-01 Acórdão n.º 9101-001.596 CSRF-T1 Fl. 5 7 que a lei concede aos devedores de tributos e obrigações acessórias para regularizarem sua situação, facilitando o trabalho da fiscalização. Diz o Código Tributário Nacional, em seu Capítulo de Responsabilidade Tributária: Art. 138 - A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único – Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da exegese do mandamento acima, verifica-se que tal dispositivo pertencente ao Código Tributário Nacional, que traça normas ou diretrizes à lei ordinária, prevê e estimula a denúncia espontânea pelo infrator, dispensando-o da penalidade estabelecida em lei. Entretanto, tratando-se de obrigação de fazer, em prazo certo estabelecido pelo ordenamento jurídico tributário vigente à época, seu descumprimento, demonstrado nos autos e admitido explicitamente pelo impugnante, resulta em inadimplemento à aludida norma jurídica obrigacional sujeitando o responsável às sanções previstas na legislação tributária, notadamente à multa estabelecida no artigo 5º, parágrafo 3º do Decreto-lei n° 2.124, de 13/06/84, do citado diploma legal. A suplicante estava obrigada a apresentar a Declaração de Contribuições e Tributos Federais, como também está provado, no processo, que o mesmo cumpriu fora do prazo estabelecido na legislação de regência a obrigação acessória de apresentação de DCTF. É cristalino que a obrigação tributária acessória diz respeito a fazer ou deixar de fazer no interesse da arrecadação ou fiscalização do tributo. Sendo óbvio que o suplicante pode ser penalizado pelo seu não cumprimento, mesmo não havendo tributo a ser exigido do mesmo. A multa em questão é de natureza moratória, ou seja, é aquela que se funda no interesse público de compensar o fisco pelo atraso no cumprimento de uma obrigação tributária, sendo que a denúncia espontânea da infração só tem o condão de afastar a aplicação das multas punitivas, não incidindo nos casos de multa de mora. Defendo a aplicabilidade da multa independentemente do contribuinte ter apresentado a DCTF fora do prazo de forma espontânea ou não. Posição esta mantida na Câmara Superior de Recursos Fiscais. No mesmo sentido se tem decidido na área judicial, conforme é possível se constatar nos julgados da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso especial nº 195161 de 26 de abril de 1999: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. INCIDÊNCIA ART. 88 DA LEI 8.981/95. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 1 – A entidade “denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2 - As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3 - Há de se acolher à incidência do art. 88 da lei nº 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4 – recurso provido A matéria já foi objeto de contradições e controvérsias junto aos Conselhos de Contribuintes e na própria Turma da CSRF, firmando-se o entendimento, à maioria de votos, de não ser aplicável o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional, a descumprimento de obrigações acessórias (formais), como no caso, a apresentação intempestiva da Declaração de Contribuições e Tributos Federais. Com devido respeito às opiniões em contrário, entendo aplicável a multa mesmo nos casos de denúncia espontânea, já que o atraso na entrega de informações à autoridade administrativa atinge de forma irreversível a prática da administração tributária, em prejuízo do serviço público ou ao interesse público em última análise, que não se repara pela simples autodenúncia da infração ou qualquer outra conduta positiva posterior. Sendo este prejuízo o fundamento da multa prevista em lei, que é o instrumento que dota a exigência de força coercitiva, sem a qual a norma perderia sua eficácia jurídica. É sabido, que todo contribuinte, sendo ou não sujeito passivo da obrigação tributária principal, está obrigado a certos procedimentos que visem facilitar a autuação estatal. Uma vez não atendidos esses procedimentos estaremos diante de uma infração que tem como conseqüência lógica à aplicação de uma sanção. As sanções pela infração e inadimplemento das obrigações tributárias acessórias são as mais importantes da legislação tributária, pois conforme previsto no Código Tributário Nacional quando descumprida uma obrigação acessória, esta se torna pessoal e independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ora, da mesma forma é sabido que a multa de mora tem natureza indenizatória, visa essencialmente recompor, ainda que parcialmente, o patrimônio do Estado pelo atraso no adimplemento da obrigação tributária e a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, é uma pena de natureza tributária. Convém, ainda, ressaltar que as circunstâncias pessoais do sujeito passivo não poderão elidir a imposição de penalidade pecuniária, conforme prevê o artigo 136, do Código Tributário Nacional, que instituiu, no Direito Tributário, o princípio da responsabilidade objetiva, segundo a qual, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, entendo legítima a exigência de multa por atraso na entrega da DCTF, ainda que de forma espontânea. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10840.003173/2003-01 Acórdão n.º 9101-001.596 CSRF-T1 Fl. 6 9 Não existem dúvidas que, no caso concreto, a recorrente entregou, fora do prazo, as DCTFs dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 1999, em 02/07/2002, porém, de forma espontânea, antes de qualquer procedimento da fiscalização para exigi-las. Nestas condições, conheço do recurso especial interposto pelo Contribuinte, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 158DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10830.907407/2011-10
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 74 07 /2 01 1- 10 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 55 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 64), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 55). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907407/201110 Acórdão n.º 3802002.927 S3TE02 Fl. 67 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo desprovimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10880.915918/2008-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2001
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 18 /2 00 8- 14 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 8109; fato gerador: 31/12/2001). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: PisNão Cumulativo; código de receita: 6912; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 6.556,73 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 10 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 13 4 pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915918/200814 Acórdão n.º 3801003.849 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18088.720353/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício:2008,2009,2010
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
JUROS DE MORA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos (1) negar provimento ao recurso voluntário em relação à exigência de IRPJ e (2) dar provimento em parte ao recurso voluntário em relação à exigência de CSLL para exonerar o crédito tributário referente aos anos-calendário de 2007 e 2008, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício:2008,2009,2010 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos (1) negar provimento ao recurso voluntário em relação à exigência de IRPJ e (2) dar provimento em parte ao recurso voluntário em relação à exigência de CSLL para exonerar o crédito tributário referente aos anos-calendário de 2007 e 2008, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
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A condição para que se aplique o entendimento normativo de que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, é que tenha o mesmo objeto do processo administrativo. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. A legislação de regência da matéria expressamente prevê que para usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos no caso de pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços hospitalares, a pessoa jurídica prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício:2008,2009,2010 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. A legislação de regência da matéria expressamente prevê que para usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos no caso de pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços hospitalares, a pessoa jurídica prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício:2008,2009,2010 NULIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 53 /2 01 2- 14 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 417 2 No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. JUROS DE MORA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos (1) negar provimento ao recurso voluntário em relação à exigência de IRPJ e (2) dar provimento em parte ao recurso voluntário em relação à exigência de CSLL para exonerar o crédito tributário referente aos anoscalendário de 2007 e 2008, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório O processo nº 18088.720354/201269 foi juntado a este por apensação, fl. 376. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 418 3 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – Processo Principal nº 18088.720353/201214 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 302319, com a exigência do crédito tributário no valor de R$460.178,12 a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2009 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. O lançamento fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, uma vez que houve aplicação incorreta do percentual de determinação de 8% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que acarretou as diferenças a menor de IRPJ apurado pela Recorrente, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 296 301. O valor do IRPJ apurado de ofício foi compensado o valor calculado pela Recorrente utilizando o coeficiente de 8% sobre o lucro presumido, fls. 302319. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 518 e art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 326344, com as seguintes alegações: A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, devidamente constituída, e que possui como objeto social a prestação de serviços especializados de anestesia, analgesia e inaloterapia. Assim, e por exercer regularmente as atividades previstas em seu contrato social, se submete ao recolhimento de uma série de tributos junto aos órgãos do erário, sendo que, dentre estes, destacamse o IRPJ e a CSLL, que são de competência da União Federal, e que servem de objeto a presente discussão. Desta forma, vinha recolhendo regularmente tais tributos, à base de cálculo de lucro presumido de 32% sobre a receita bruta, regime este que, digase, foi adotado quando da elaboração de suas declarações de Imposto de Renda, a luz do disposto na Lei 9.430/96. Ocorre que, por entender se enquadrar na classe das empresas prestadoras de serviços hospitalares, buscou a concessão de benefício fiscal para cálculo do montante devido referente a aludidos tributos, com base no previsto pelo art. 15 da Lei 9.249/95. Tal pretensão, mister dizer, foi materializada através de impetração de Mandado de Segurança junto à Justiça Federal de Araraquara/SP, sendo que o Egrégio Tribunal Regional Federal da 3a Região, quando chamado a decidir a controvérsia, proferiu decisão favorável à ora Impugnante, fazendoo nos seguintes termos: "A redução do tributo prestigiada pela norma sob comento voltase à natureza mesma do serviço prestado, essencial à população, considerandose que a Carta Política tem a saúde pública como direito fundamental, a teor do Artigo 6.°. Temse Fl. 477DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 419 4 por excluídos do favor fiscal as simples consultas e atividades de cunho meramente administrativo. No caso, tratase de entidade que presta serviços médicos de anestesia, analgesia e inaloterapia, enquadrandose tais atividades no conceito de "serviços hospitalares". Ou seja, no entendimento dos nobres Desembargadores, a Impugnante se enquadra no conceito de empresa prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus, portanto, a redução conforme legalmente previsto. Contudo, mesmo ante a este cenário favorável ao contribuinte, o Sr. Fiscal da Receita Federal em Araraquara deu início aos procedimentos de fiscalização e controle das declarações e recolhimentos efetivamente realizadas pela ora Impugnante, o que, digase, possuía lastro na decisão acima colacionada. E daí resultou a lavratura do Auto de Infração ora combatido, onde se exige o pagamento de R$460.178,12 [...], montante consolidado em junho do corrente ano. De salutar relevância se destacar que o procedimento fiscal vergastado foi instaurado, inicialmente, para verificar as apurações do período compreendido entre 04/2007 e 12/2009. E após o Sr. Fiscal ter tomado ciência da documentação apresentada pela ora Impugnante, houve a retirada das exigências referentes ao recolhimento de IRPJ das competências entre 04/2007 e 12/2008, uma vez que prevaleceu o entendimento de que a decisão proferida pelo TRF da 3ª região produziria efeitos somente à tais débitos, tendo em vista a entrada em vigor, em nosso ordenamento, da Lei 11.727/08. Em suma, através do Auto de Infração em lume, o Erário pugna pelo recolhimento de IRPJ referente ao ano calendário 2009, no importe acima mencionado que é resultantes da diferença entre os valores apurados, e aqueles que o Fisco considera devidos. Sendo assim, não há outro meio para Impugnante fazer valer seus direitos senão por meio da presente manifestação, e assim o faz com base nas razões abaixo aduzidas. II – DO DIREITO. II. 1 DO CABIMENTO DA IMPUGNAÇÃO E DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO SUPOSTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. [...] Assim, a efetiva apresentação [da impugnação], suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõe o artigo 151 do Código Tributário Nacional: [...] Portanto, cristalino que a autoridade competente tem o poderdever de tomar as medidas cabíveis para que as exações ora discutidas não constem como restrições à Impugnante. Aliás, conforme o posicionamento firmado pelos Tribunais, o que, certamente, corrobora com a própria natureza do instituto em questão, a suspensão do crédito tributário, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, não só impossibilita a propositura de novas demandas, mas impede o prosseguimento daquelas já em curso, ocasionando, assim, o seu sobrestamento [...]. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 420 5 Assim, resta claro que a presente possui o condão de suspender a exigibilidade dos créditos tributários ora vergastados, conforme dispõe o Art. 151 do Código Tributário Nacional. II. 2 DAS EXIGÊNCIAS REFERENTES À REDUÇÃO SUPOSTAMENTE INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ Como acima ventilado, a ora Impugnante, até o ajuizamento do Mandado de Segurança n.° 000511866.2004.4.03.6120, vinha recolhendo IRPJ à base de cálculo de 32% da receita bruta, como devido pelas sociedades empresarias optantes pelo regime do lucro presumido de um modo geral. Ocorre que com a sobrevinda da decisão proferida pelo TRF da 3a Região, acima colacionada, a Impugnante teve reconhecido o direito da redução da base a 8%, benefício previsto pelo Art. 15 da Lei 9.249/95, [...] E assim procedia quando do recolhimento e apuração de mencionado imposto, inclusive durante os períodos que serviram de objeto de análise da auditoria fiscal realizada. Com efeito, no mencionado procedimento, realizado pela Secretaria da Receita Federal em Araraquara, o Sr. Fiscal optou por autuar a empresa, lavrando o Auto de Infração ora guerreado, exigindo, de tal modo, o recolhimento da diferença dos valores referentes ao ano calendário 2009. E assim procedeu em função das alterações trazidas pela Lei 11.727/08, que em seu Art. 29 inseriu alterações no Art. 15 da Lei 9.249/95, [...] Desta feita, no entendimento do Sr. Fiscal, a decisão exarada pelo Tribunal Regional Federal só possuiria efeitos aos débitos anteriores à 1º de janeiro de 2009, data em que mencionada alteração passou a produzir efeitos, motivo pelo qual as exigências referentes ao ano calendário de 2009 seriam perfeitamente possíveis e devidas. Contudo, este não é o posicionamento que se deve adotar na presente discussão. Isto porque, como se vê, a decisão em questão foi proferida pela Nobre Desembargadora em 12 de fevereiro de 2010, ou seja, após as alterações introduzidas pela Lei 11.727/08, sem ter feito qualquer tipo de ressalva quanto à sua aplicabilidade e extensão. E em sendo assim, não pode o Sr. Fiscal, na contramão do que decidido pelo Poder Judiciário, constituir tais créditos. Aliase a isto, ainda, o fato de que a mansa jurisprudência [...] considerando que o que o legislador efetivamente pretendia com o comando legal, era conceder o benefício fiscal a todos aqueles que militassem na área da saúde, não importando, portanto, a estrutura social das empresas. Nesta esteira, o Superior Tribunal de Justiça, quando chamado a decidir a questão em Recuso Especial submetido ao regime da Repercussão Geral [REsp 1116399. Rel: Benedito Gonçalves. DJ 28/10/09], assim entendeu: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA Fl. 479DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 421 6 PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, podese restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1°, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". (...) Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. [...] Concluise, assim, da análise dos julgados colacionados, que, digase, são todos posteriores à entrada em vigor 11.727/08, que o benefício em discussão se estende, em verdade, a todos aqueles que exercem atividades profissionais relacionadas a serviços hospitalares, excetuandose apenas as simples atividades de consultas médicas, porquanto tratase, a saúde, de um direito fundamental, constitucionalmente previsto no Art. 6º de nossa Carta Maior. Desta forma, evidente que a exigência referente ao anocalendário 2009 não deve subsistir, tal como sucedeu com aquelas referentes a 2007 e 2008, uma vez que a ora Impugnante se enquadra nos requisitos necessários para concessão do benefício fiscal em lume, conforme, inclusive, reconhecido em decisão judicial. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 422 7 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o que foi exposto, requerse seja a presente impugnação conhecida e regularmente processada, suspendendose nos termos do artigo 151, inciso III do CTN, a exigibilidade do crédito tributário, dandose a esta completo PROVIMENTO, de modo que se julgue, consequentemente, o Auto de Infração TOTALMENTE IMPROCEDENTE. Caso eventualmente não sejam aceitas as argumentações aqui apresentadas, requerse seja determinada a abertura de prazo legal para os recursos cabíveis, de modo que se garanta a ampla defesa, observando as disposições contidas no Decreto 70.235/72. Requerse, ainda, a intimação da Impugnante na pessoa de seu representante legal infra assinado, para oportuna SUSTENTAÇÃO ORAL, quando do julgamento da referida Impugnação, bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada. Por fim, pugnase para que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Marginal Pinheiros n° 5200, Condomínio América Business Park, Edifício Montreal, 6º andar, Jardim Morumbi, São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 05.693000, telefone (11) 33302299, sob pena de nulidade. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 43.708, de 12.08.2013, fls. 377384: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 481DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 423 8 Notificada em 02.09.2013, fl. 389, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.09.2013, fls. 391406, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que apresenta o recurso voluntário no prazo legal. Suscita que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa: Sendo assim, é imperiosa a necessidade de suspensão da exigibilidade dos valores ora discutidos enquanto pendente de apreciação o presente recurso, não podendo constituir óbice à expedição da certidão de regularidade fiscal [inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional e art. 33 do Decreto 70.235, de 05 de março de 1972]. Cuidase de processo administrativo através do qual se discute a redução da base de cálculo presumida, utilizada pela Recorrente no momento da apuração e recolhimento de seu IRPJ anocalendário 2009. Isto porque a empresacontribuinte utilizouse do percentual de 8% para aferição da base de cálculo incidente, quando no entender da administração tributária, deveria fazêlo em 32%. Regularmente intimada do Auto de Infração lavrado, a ora Recorrente apresentou sua competente peça de defesa, alegando, em apertada síntese, que, por entender que se enquadrava na classe das empresas prestadoras de serviços hospitalares, ingressou com medida judicial visando a obtenção de provimento jurisdicional apto a lhe garantir o direito de redução da base de cálculo (para 8%) nos termos do disposto pelo Art. 15 da Lei. 9.249/95. Desta forma, e tendo obtido sucesso em seu pleito, através de decisão judicial exarada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, utilizouse da base de cálculo reduzida em comento. A DRJ, quando chamada a decidir a demanda, optou por julgar improcedente a Impugnação apresentada pela então Autuada, mantendo a exigência fiscal combatida, sob o argumento de que a decisão judicial acima ventilada não se aplicaria para a exação referente ao anocalendário 2009, uma vez que, a partir de 01 de janeiro daquele ano deverseia aplicar as disposições contidas na Lei 11.727/2008, que teriam alterado a sistemática até então vigente. Deste modo, e diante do fato de que a Recorrente não se enquadraria no rol de empresas prestadoras de serviços hospitalares, por falta de observância de vários requisitos necessários para tanto, e elencados na novel redação dada à alínea "a", III, §1° do Art. 15 da Lei 9249/95, o auto de infração mantevese subsistente. IV DO DIREITO. Em que pese toda a linha de argumentação utilizada pela administração tributária, no sentido de descaracterizar a empresacontribuinte como prestadora de serviços hospitalares para fins de redução da base de cálculo presumida do IRPJ, a mesma não deve prevalecer. Isto porque quando o legislador incluiu a possibilidade deste benefício para as empresas prestadoras de serviços hospitalares, assim o fez visando estimular a prestação de serviços desta natureza, e não a organização societária e física dos contribuintes que porventura exercessem tais atividades. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 424 9 A jurisprudência pátria, aliás, possui posicionamento uníssono neste sentido, inclusive por meio de decisões exaradas pelo Superior Tribunal de Justiça, como se vê por meio dos REsp 956.122/RS, REsp 939.321/SC, REsp 951.251/PR, dentre outros. Demais disso, salta aos olhos, ainda, a argumentação de que as alterações promovidas pela Lei 11.727/2008 impediriam a utilização da decisão judicial concessiva do direito à utilização da base de cálculo reduzida, quando da apuração do valor devido a título de IRPJ para o anocalendário 2009. O mesmo STJ, quando chamado a decidir caso análogo ao presente, em recurso paradigma e afetado ao regime dos Recursos Repetitivos (REsp 1.116.399/BA), manifestouse [em seu favor]. [...] Demais disso, é curial se reconhecer que tais decisões não vinculam os órgãos da Secretaria da Receita Federal, já que não há parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional se manifestando expressamente neste sentido, necessidade instituída por meio da Lei 12.44/2013. [...] Tendo os julgados em referência sido operados na sistemática dos Recursos Especiais, nos termos do Art. 543C do Código de Processo Civil, é medida de direito a aplicação da Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o Art. 62A no Regimento Interno do Conselho. [...] Concluise assim que o benefício em discussão se estende, em verdade, a todos aqueles que exercem atividades profissionais relacionadas a serviços hospitalares, excetuandose apenas as simples atividades de consultas médicas, porquanto tratase, a saúde, de um direito fundamental, constitucionalmente previsto no Art. 6º de nossa Carta Maior. Desta forma, evidente que a exigência referente ao anocalendário 2009 não deve subsistir, uma vez que a ora Recorrente se enquadra nos requisitos necessários para concessão do benefício fiscal em lume, conforme, inclusive, reconhecido em decisão judicial. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ante todo o exposto, resta demonstrada subsistência dos argumentos acima esposados, motivo pelo qual deve o presente Recurso ser julgado totalmente procedente, julgandose, ao final, o auto de infração totalmente insubsistente. Requerse, outrossim, a intimação da Recorrente na pessoa de seu representante legal infra assinado para oportuna SUSTENTAÇÃO ORAL, quando do julgamento do referido Recurso Voluntário; bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito. Por fim, requerse, sob pena de nulidade, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Nações Unidas, n° 12.901 Centro Empresarial Nações Unidas Torre Oeste 17° andar salas 1701/1702 Bairro: Brooklin Novo CEP: 04578000, telefone (11) 33302299. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 425 10 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Processo nº 18088.720354/201269 Juntado por Apensação ao Processo Principal nº 18088.720353/201214 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 302330, com a exigência do crédito tributário no valor de R$355.216,21 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) juros de mora e multa de ofício proporcional referente aos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007, aos quatro trimestres do anocalendário de 2008 e aos quatro trimestres do anocalendário de 2009 apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido. O lançamento fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, uma vez que houve aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 12% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que acarretou as diferenças a menor de CSLL apurada pela Recorrente, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 296301. O valor da CSLL apurada de ofício foi compensado o valor calculado pela Recorrente utilizando o coeficiente de 12% sobre o lucro presumido, fls. 302319. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 37 da Lei nº 10.637, de 20 de dezembro 2002, art. 2º e art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro 1988, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 337355, com as seguintes alegações: A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, devidamente constituída, e que possui como objeto social a prestação de serviços especializados de anestesia, analgesia e inaloterapia. Assim, e por exercer regularmente as atividades previstas em seu contrato social, se submete ao recolhimento de uma série de tributos junto aos órgãos do erário, sendo que, dentre estes, destacamse o IRPJ e a CSLL, que são de competência da União Federal, e que servem de objeto a presente discussão. Desta forma, vinha recolhendo regularmente tais tributos, à base de cálculo de lucro presumido de 32% sobre a receita bruta, regime este que, digase, foi adotado quando da elaboração de suas declarações de Imposto de Renda, a luz do disposto na Lei 9.430/96. Ocorre que, por entender se enquadrar na classe das empresas prestadoras de serviços hospitalares, buscou a concessão de benefício fiscal para cálculo do montante devido referente a aludidos tributos, com base no previsto pelo Art. 15 da Lei 9.249/95. Tal pretensão, mister dizer, foi materializada através de impetração de Mandado de Segurança junto à Justiça Federal de Araraquara/SP, sendo que o Fl. 484DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 426 11 Egrégio Tribunal Regional Federal da 3a Região, quando chamado a decidir a controvérsia, proferiu decisão favorável à ora Impugnante, fazendoo nos seguintes termos: "A redução do tributo prestigiada pela norma sob comento voltase à natureza mesma do serviço prestado, essencial à população, considerandose que a Carta Política tem a saúde pública como direito fundamental, a teor do Artigo 6.°. Temse por excluídos do favor fiscal as simples consultas e atividades de cunho meramente administrativo. No caso, tratase de entidade que presta serviços médicos de anestesia, analgesia e inaloterapia, enquadrandose tais atividades no conceito de "serviços hospitalares". Ou seja, no entendimento dos nobres Desembargadores, a Impugnante se enquadra no conceito de empresa prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus, portanto, a redução conforme legalmente previsto. Contudo, mesmo ante a este cenário favorável ao contribuinte, o Sr. Fiscal da Receita Federal em Araraquara deu início aos procedimentos de fiscalização e controle das declarações e recolhimentos efetivamente realizadas pela ora Impugnante, o que, digase, possuía lastro na decisão acima colacionada. E daí resultou a lavratura do Auto de Infração ora combatido, onde se exige o pagamento de R$355.216,21 [...], montante consolidado em junho do corrente ano. De salutar relevância se destacar que o procedimento fiscal vergastado foi instaurado, inicialmente, para verificar as apurações do período compreendido entre 04/2007 e 12/2009. Em suma, através do Auto de Infração em lume, o Erário pugna pelo recolhimento de CSLL do período compreendido entre 04/2007 e 12/2009, equivalente ao valor acima mencionado, que é resultante da diferença entre os valores apurados, e aqueles que o Fisco considera devidos. Sendo assim, não há outro meio para Impugnante fazer valer seus direitos senão por meio da presente manifestação, e assim o faz com base nas razões abaixo aduzidas. II – DO DIREITO. II. 1 DO CABIMENTO DA IMPUGNAÇÃO E DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO SUPOSTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. [...] Assim, [o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972] cumulado com a efetiva apresentação [da impugnação], suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõe o artigo 151 do Código Tributário Nacional: [...] Portanto, cristalino que a autoridade competente tem o poderdever de tomar as medidas cabíveis para que as exações ora discutidas não constem como restrições à Impugnante. Aliás, conforme o posicionamento firmado pelos Tribunais, o que, certamente, corrobora com a própria natureza do instituto em questão, a suspensão do crédito tributário, nos termos do artigo 151 do Código Tributário Nacional, não só impossibilita a propositura de novas demandas, mas impede o prosseguimento daquelas já em curso, ocasionando, assim, o seu sobrestamento [...]. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 427 12 Assim, resta claro que a presente possui o condão de suspender a exigibilidade dos créditos tributários ora vergastados, conforme dispõe o Art. 151 do Código Tributário Nacional. II. 2 DAS EXIGÊNCIAS REFERENTES À REDUÇÃO SUPOSTAMENTE INDEVIDA DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL [...] Ao lavrar o Auto de Infração discutido, optou por constituir o crédito com base em todas as competências analisadas, ou seja, incluindo os períodos compreendidos entre 04/2007 e 12/2009. E assim o fez por considerar que o Mandado de Segurança impetrado pela ora Impugnante, de número 000511866.2004.4.03.6120, e anteriormente mencionado, não possuía como pedido a redução da base de cálculo da CSLL. Destarte, não estando a contribuição social abarcada pela decisão proferida nos autos do mencionado processo, não haveria que se falar em qualquer tipo de exclusão das exigências, até porque, segundo o fiscal, a empresa, até mesmo antes das alterações da Lei 11.727/08, não faria jus à redução da base de cálculo. Frisese, porém, que se trata de entendimento que não deve ser agasalhado por este r. órgão julgador. Ora, se a Lei 9249/95, em sua redação original não fazia qualquer especificação para concessão do benefício fiscal analisado, referindose apenas à empresas prestadoras de "serviços hospitalares", não pode o Erário, sem qualquer suporte legal, fazer exigências unilaterais neste sentido. Neste contexto, ao contrário do entendimento esposado pela Autoridade administrativa lançadora, embora no Mandado de Segurança acima citado a redução da CSLL não figure como objeto de discussão, houve o reconhecimento, por parte do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que trata a ora Impugnante de sociedade prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus, portanto, aos benefícios fiscais concedidos às empresas do ramo. [...] De salutar relevância ressaltar, mais uma vez, que o legislador, antes das alterações promovidas pela Lei 11.727/08, e até mesmo depois dela, pretendia, em verdade, beneficiar as sociedades prestadoras de serviços hospitalares, pouco importando sua organização societária, ou se exerce suas atividades em estabelecimento próprio ou não. Isto porque o benefício recai é sobre a natureza do serviço prestado. Desta forma, ainda que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não tenha sido objeto do Mandado de Segurança mencionado, evidente que a exigência referente à aludida espécie tributária não deve subsistir, ante a nítida natureza de serviços hospitalares prestados pela Impugnante, pois, ao contrário do equivocado entendimento esposado pela autoridade administrativa, tratase a Impugnante, na condição de pessoa jurídica, embora prestando serviço na sede do hospital, todos os equipamentos utilizados, são de propriedade da Impugnante. Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 428 13 Conclui Por todo o que foi exposto, requerse seja a presente impugnação conhecida e regularmente processada, suspendendose nos termos do artigo 151, inciso III do CTN7, a exigibilidade do crédito tributário, dandose a esta completo PROVIMENTO, de modo que se julgue, consequentemente, o Auto de Infração TOTALMENTE IMPROCEDENTE. Caso eventualmente não sejam aceitas as argumentações aqui apresentadas, requerse seja determinada a abertura de prazo legal para os recursos cabíveis, de modo que se garanta a ampla defesa, observando as disposições contidas no Decreto 70.235/72. Requerse, ainda, a intimação da Impugnante na pessoa de seu representante legal infra assinado, para oportuna SUSTENTAÇÃO ORAL, quando do julgamento da referida Impugnação, bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada. Por fim, pugnase para que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Marginal Pinheiros n° 5200, Condomínio América Business Park, Edifício Montreal, 6o andar, Jardim Morumbi, São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 05.693000, telefone (11) 33302299, sob pena de nulidade. Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1443.709, de 12.08.2013, fls. 394408: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2007, 2008, 2009 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem caráter empresarial e estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007, 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Notificada em 02.09.2013, fl. 412, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.09.2013, fls. 414430, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 429 14 Acrescenta que apresenta o recurso voluntário no prazo legal. Suscita que o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa: Sendo assim, é imperiosa a necessidade de suspensão da exigibilidade dos valores ora discutidos enquanto pendente de apreciação o presente recurso, não podendo constituir óbice à expedição da certidão de regularidade fiscal [inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional e art. 33 do Decreto 70.235, de 05 de março de 1972]. Cuidase de processo administrativo através do qual se discute a redução da base de cálculo presumida, utilizada pela Recorrente no momento da apuração e recolhimento da CSLL nos anoscalendário de 2007 a 2009. Isto porque a empresacontribuinte utilizouse do percentual de 12% para aferição da base de cálculo incidente, quando no entender da administração tributária, deveria fazêlo em 32%. Regularmente intimada do Auto de Infração lavrado, a ora Recorrente apresentou sua competente peça de defesa, alegando, em apertada síntese, que, por entender que se enquadrava na classe das empresas prestadoras de serviços hospitalares, ingressou com medida judicial visando a obtenção de provimento jurisdicional apto a lhe garantir o direito de redução da base de cálculo nos termos do disposto pela Lei. 9.249/95. Desta forma, e tendo obtido sucesso em seu pleito, através de decisão judicial exarada pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região, utilizouse da base de cálculo reduzida em comento. A DRJ, quando chamada a decidir a demanda, optou por julgar improcedente a Impugnação apresentada pela então Autuada, mantendo a exigência fiscal combatida, sob o argumento de que a decisão judicial acima ventilada não seria aplicável à CSLL, uma vez que o processo judicial em referência albergava apenas o IRPJ. Além disso, mesmo que fosse aplicável, não englobaria o anocalendário 2009, pois a partir de 01 de janeiro daquele ano deverseia aplicar as disposições contidas na Lei 11.727/2008, que teriam alterado a sistemática até então vigente. Deste modo, e diante do fato de que a Recorrente não se enquadraria no rol de empresas prestadoras de serviços hospitalares, por falta de observância de vários requisitos necessários para tanto, e elencados na novel redação dada à alínea "a", III, §1° do Art. 15 da Lei 9249/95, o auto de infração mantevese subsistente. IV DO DIREITO. Em que pese toda a linha de argumentação utilizada pela administração tributária, no sentido de descaracterizar a empresacontribuinte como prestadora de serviços hospitalares para fins de redução da base de cálculo presumida da CSLL, a mesma não deve prevalecer. Isto porque, embora, de fato, a decisão judicial favorável à empresa não tenha como objeto a CSLL, é fato inconteste que declarou sua qualidade de empresa prestadora de serviços hospitalares, apta, portanto, ao aproveitamento do beneficio em questão. Explicase: o ordenamento atual é claro ao estabelecer que as normas aplicáveis à apuração da CSLL devem ser as mesmas das utilizadas quando do cálculo do IRPJ. [...] Fl. 488DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 430 15 Portanto, é medida de direito a utilização das razões esposadas na decisão judicial em comento para redução da base de cálculo presumida também para a CSLL. E em sendo assim, necessário se destacar, que as alterações promovidas pela lei 11.727/2008 não podem impedir a utilização da decisão judicial concerne ao direito à utilização da base de cálculo reduzida quando da apuração do valor devido a título de CSLL para o anocalendário 2009, como sustenta o acórdão combatido. Quando chamado a decidir caso análogo ao presente, O STJ, em recurso paradigma e afetado ao regime dos Recursos Repetitivos (REsp 1.116.399/BA), manifestouse neste sentido. [...] Se isso não fosse o suficiente, e caso se reconheça a possibilidade de apuração de ambos os tributos com base em regras distintas, hipótese somente admitida por amor ao debate, é medida de direito que se reconheça o fato de que a Recorrente se enquadra no rol das empresas que possuem o direito à utilização da base de cálculo reduzida. Isto porque quando o legislador incluiu a possibilidade deste benefício para as empresas prestadoras de serviços hospitalares, assim o fez visando estimular a prestação de serviços desta natureza, e não a organização societária e física dos contribuintes que porventura exercessem tais atividades. A jurisprudência pátria, aliás, possui posicionamento uníssono neste sentido, tanto para as discussões que se travam no judiciário, como se vê por meio dos REsp 956.122/RS, REsp 939.321/SC, REsp 951.251/PR [...]. Evidente assim que a pretensão fazendária carece de pilares aptos a lhe sustentarem. Por fim, é curial se reconhecer que tais decisões não vinculam os órgãos da Secretaria da Receita Federal, já que não há parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional se manifestando expressamente neste sentido, necessidade instituída por meio da Lei 12.44/2013. [...] Tendo os julgados em referência sido operados na sistemática dos Recursos Especiais, nos termos do Art. 543C do Código de Processo Civil, é medida de direito a aplicação da Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, que introduziu o Art. 62A no Regimento Interno do Conselho. [...] Concluise assim que o benefício em discussão se estende, em verdade, a todos aqueles que exercem atividades profissionais relacionadas a serviços hospitalares, excetuandose apenas as simples atividades de consultas médicas, porquanto tratase, a saúde, de um direito fundamental, constitucionalmente previsto no Art. 6º de nossa Carta Maior. Desta forma, evidente que as exigências em voga não devem subsistir, uma vez que a ora Recorrente se enquadra nos requisitos necessários para concessão do benefício fiscal em lume, conforme, inclusive, reconhecido em decisão judicial. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Fl. 489DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 431 16 Ante todo o exposto, resta demonstrada subsistência dos argumentos acima esposados, motivo pelo qual deve o presente Recurso ser julgado totalmente procedente, julgandose, ao final, o auto de infração totalmente insubsistente. Requerse, outrossim, a intimação da Recorrente na pessoa de seu representante legal infra assinado para oportuna SUSTENTAÇÃO ORAL, quando do julgamento do referido Recurso Voluntário; bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito. Por fim, requerse, sob pena de nulidade, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono NELSON WILIANS FRATONI RODRIGUES, inscrito na OAB/SP sob n° 128.341, com escritório matriz na Avenida Nações Unidas, n° 12.901 Centro Empresarial Nações Unidas Torre Oeste 17° andar salas 1701/1702 Bairro: Brooklin Novo CEP: 04578000, telefone (11) 33302299. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) – Processo Principal nº 18088.720353/201214 A Recorrente discorda do procedimento fiscal argumentando que discute matéria objeto dos lançamento de ofício no Mandado de Segurança n.° 0005118 66.2004.4.03.6120, que foi ajuizada na TRF da 3ª Região da Justiça Federal. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 432 17 Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial1, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 1. Consta no objeto do Mandado de Segurança n.° 2004.61.20.0051186, fls. 424473: Assim, em face das razões ora apresentadas, e como medida salutar do Estado de Direito que vigora no país, preenchidos os requisitos exigidos pela Lei do Mandado de Segurança, requerse, digne Vossa Excelência, conceder a presente medida liminar inaudita altera parte, DETERMINANDO A IMEDIATA SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DA ALÍQUOTA DE 32% PARA APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO, AUTORIZANDO A IMPETRANTE A APLICAR A ALÍQUOTA DE 8%, comunicando a ordem à autoridade impetrada para que encete providências para não exigir a malfadada retenção, mesmo que por vias oblíquas ou reflexas, através de imposição de penalidades. [...] Por fim, requerse, processado o presente writ, seja a presente julgada integralmente procedente, concedendo a segurança pleiteada para: 1) determinar que a autoridade coatora não pratique qualquer ato tendente a exigir da IMPETRANTE a aplicação da alíquota de 32% para apuração do seu lucro presumido, enquanto perdurar a situação de fato que deram origem ao presente pleito; Tem cabimento transcrever excertos da Apelação Civil nº 2004.61.20.0051186/SP com a seguinte decisão2: EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DIREITO À SAÚDE CONSTITUCIONALMENTE PRESTIGIADO (ART. 6º). LEI Nº 9.249/95, ART. 15, § 1º, III, "A". EXEGESE E ALCANCE. SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS EM DIAGNÓSTICOS. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PRECEDENTES (STJ, RESP 951251/PR, REL. MIN. CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 22.4.2009, DJE 3.6.2009; STJ AGRG NO RESP 893835/RS SEGUNDA TURMA REL. MIN. HERMAN BENJAMIM J. 01/09/2009 P. 08/09/2009; STJ RESP 1081441/PR SEGUNDA TURMA REL. MIN. CASTRO MEIRA J. 04/08/2009 P. 31/08/2009; STJ RESP 1082101/RS SEGUNDA TURMA REL. MIN. HUMBERTO MARTINS J. 23/06/2009 P. 01/07/2009). APELO A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO. ACÓRDÃO 1 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. 2 Disponível em : <http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/285984> . Acesso em 29 abr.2014. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 433 18 Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação da impetrante, nos termos do relatório, voto e notas precedentes, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 21 de janeiro de 2010. Salette Nascimento Desembargadora Federal [...] RELATÓRIO A Senhora Desembargadora Federal Salette Nascimento (Relatora): Tratase de apelação em sede de "writ" impetrado por SAARA ANESTESIA ANALGESIA E INALOTERAPIA S/C LTDA., objetivando assegurar o direito de recolher o IRPJ pela alíquota de 8% (oito por cento), incidente sobre a base de cálculo específica para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares, bem assim, compensar os valores recolhidos a tal título no período de novembro/99 a abril/2004, devidamente corrigidos. Indeferida a medida "initio litis", sobreveio a r. sentença denegatória da ordem. Irresignada, apela a Impetrante sustentando, em síntese, que presta serviços médicos especializados de anestesia, analgesia e inaloterapia, atividades essas equiparadas a serviços hospitalares, de acordo com a IN/SRF nº 306/03, possuindo o direito de aplicar a alíquota de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ, nos termos do art. 15, § 1º, III, "a", segunda parte, da Lei nº 9.249/95. Aduz, mais, o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos com parcelas de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos últimos 10 anos, contados da data da distribuição da demanda, acrescidos de juros de 1% a partir de cada recolhimento indevido, nos termos do art. 59, da Lei nº 8.383/91, e art. 3º da Lei nº 8.620/93, e TRD no período de 01/01/91 a 31/12/94, e SELIC para o período após 01/01/96, conforme a Lei nº 9.250/95. Pugna, a final, pela reforma do julgado. Opina o Ministério Público Federal, em parecer da lavra do I. Procurador Henrique Herkenhoff, pelo improvimento do recurso. Com contrarazões, vieram os autos a esta Corte. É O RELATÓRIO. VOTO A Senhora Desembargadora Federal Salette Nascimento (Relatora): Fl. 492DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 434 19 Tenho que é de ser dado parcial provimento ao recurso. A questão debatida consiste em verificar se a ora Apelante, ao prestar "serviços de anestesia, analgesia e inaloterapia" (fls. 64/76), se enquadra no conceito de "serviços hospitalares" inserto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, que estabelece a base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica, pelo regime do lucro presumido. [...] A redução do tributo prestigiada pela norma sob comento volta se à natureza mesma do serviço prestado, essencial à população, considerandose que a Carta Política tem a saúde como direito fundamental, a teor do art. 6º. Têmse por excluídos do favor fiscal as simples consultas e atividades de cunho meramente administrativo. No caso, tratase de entidade que presta serviços médicos de anestesia, analgesia e inaloterapia, enquadrandose tais atividades no conceito de "serviços hospitalares". [...] Isto posto, dou parcial provimento à apelação da impetrante. É COMO VOTO. Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 296301 cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: RELATÓRIO FISCAL [...] 16) Porém, o contribuinte é beneficiário de decisão judicial de 2° instância (apelação civil 2004.61.20.0051186 SP) – fls 272/291, que lhe dá direito a utilizar a alíquota de 8% para a base de cálculo presumida de IRPJ, e não 32% nos termos da Lei 9.249/95 17) Notase que a referida decisão beneficia o contribuinte quanto ao IRPJ e é omissa quanto à CSLL. Apesar de intimado (fls 2/3) e reintimado (fls 267) a apresentar TODOS os documentos do processo (petição inicial, decisões de primeira instância, recursos, etc), o contribuinte apresentou somente a decisão de 2° instância (fls 272/291) e a certidão de objeto e pé (fls 268/271). 18) Nos documentos apresentados pelo contribuinte, constam que a ação referese ao IRPJ, conforme descrito adiante: 18.1) No item 7 da certidão de objeto e pé (fls 268/271) consta como “objeto”: 7 – Objeto: afastar a exigibilidade da alíquota de 32% para apuração do lucro presumido nos termos da Lei nº 9.249, autorizando a impetrante a aplicar a alíquota de 8%, bem como a compensação do indébito tributário nos últimos 10 (dez) anos. 18.2) No relatório inicial do acórdão (fls 272/291), consta: Fl. 493DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 435 20 Tratase de apelação em sede de "writ" impetrado por SAARA ANESTESIA ANALGESIA E INALOTERAPIA S/C LTDA., objetivando assegurar o direito de recolher o IRPJ pela alíquota de 8% (oito por cento), incidente sobre a base de cálculo específica para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares, bem assim, compensar os valores recolhidos a tal título no período de novembro/99 a abril/2004, devidamente corrigidos. 18.3) No voto da MM Desembargadora Federal, consta a seguinte redação: A questão debatida consiste em verificar se a ora Apelante, ao prestar "serviços de anestesia, analgesia e inaloterapia" (fls. 64/76), se enquadra no conceito de "serviços hospitalares" inserto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, que estabelece a base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica, pelo regime do lucro presumido. 19) Tanto na certidão de objeto e pé, como no voto, consta apenas IRPJ. Portanto, inferese que objeto da ação do contribuinte envolve o IRPJ e não alcança a CSLL. Cabe salientar que a presunção da CSLL também é 32%, sendo que, em alguns casos, é de 12% (sociedades empresárias que atendam as normas da ANVISA e que prestam serviços hospitalares e/ou as atividades elencadas no artigo 29 da lei 11.727/2008). 20) Ainda quanto ao IRPJ, a ação do contribuinte visou combater os artigos da Lei 9.249/95. A legislação foi posteriormente alterada, a partir de 01/01/2009, pela Lei 11.727/2008, conforme descrito no item 3.3 deste relatório. Assim, sob o efeito da nova lei, o contribuinte não tem decisão judicial que o beneficie. Cotejando os termos da ação judicial e do lançamento restou demonstrado que a ação judicial ajuizada não tem o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, o que não importa desistência do recurso voluntário interposto. O provimento jurisdicional referese a matéria antes de 01.01.2009, data em que entraram em vigor as alterações promovidas pelo artigo 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que deu nova redação ao inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente discorda do procedimento fiscal da apuração do lucro presumido. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. I 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 436 21 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta, inclusive para serviços hospitalares. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso de prestação de serviços em geral o coeficiente previsto na legislação tributária é de 32% (trinta e dois por cento), de acordo com o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Notese que a legislação tributária que trata de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, de modo que não cabe conferirlhe efeito retroativo, por falta de previsão normativa. Por esta razão, somente a partir de 01.01.2009, ocasião em que a alínea “a” do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, começou a produzir efeitos na ordem jurídica, um contorno normativo mais abrangente foi conferido à prestação de serviços hospitalares englobando o auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Fl. 495DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 437 22 Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA4, que cujo trânsito em julgado ocorreu em 08/11/2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF5. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, já que houve aplicação incorreta do percentual de determinação de 8% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que acarretou as diferenças a menor de IRPJ apurado pela Recorrente referente aos quatro trimestres do anocalendário de 2009. A partir de 01.01.2009, a legislação de regência da matéria expressamente prevê que para usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos no caso de pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços hospitalares, a pessoa jurídica prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 1ª Condição – Sociedade Simples A sociedade de natureza simples tem fundamentação legal no Código Civil. As espécies societárias existentes são (a) sociedade simples pura e (b) sociedade simples limitada, que devem ter tem seus atos constitutivos, de alteração e de extinção registrados no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Na sociedade simples pura os sócios respondem ilimitadamente pelas dívidas contraídas pela pessoa jurídica e pode haver sócio que participe apenas com serviço. Por sua vez, na sociedade simples limitada, os sócios respondem limitadamente ao valor do capital social, desde que totalmente integralizado e o nome empresarial prescinde de que conste parte do objeto social e não pode ter sócio que participe apenas com serviço6. Consta no Contrato Social, fls. 0750: "INSTRUMENTO PARTICULAR DE ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL DE SOCIEDADE SIMPLES LIMITADA, SOB A DENOMINAÇÃO 4 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de outubro de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=6898628&sReg=20090006481 0&sData=20100224&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 5 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 6 Fundamentação legal: art. 982, art. 983, artigos 997 a 1038, artigos 1052 a 1087 e artigos 1179 a 1195 do Código Civil. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 438 23 SOCIAL DE "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S LTDA." PARA SOCIEDADE SIMPLES PURA, SOB A DENOMINAÇÃO SOCIAL DE "SAARA ANESTESIA E ANALGESIA. S/S. ARARAQUARA ESTADO DE SÃO PAULO CNPJ51.806.057/000111 Entre os abaixo assinados, como outorgantes e sócios reciprocamente outorgados: Dr. LUIZ TSUHA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 1.911.418SSPSP, CPF n.° 011.982.70853 e CRM/SP n.° 10.316, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 700 apto. 62 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. LUIZ CARLOS DELLA ROVERE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 3.575.502SSPSP, CPF n.° 191.269.99749 e CRM/SP n.° 17.721, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Casemiro Peres,n.° 822 Vila Harmonia CEP. 14.802600; Dr. JOSÉ HENRIQUE SCABELLO, brasileiro, casado sob o regime de comunhão de bens,médico, portador da cédula de identidade RG n.° 3.139.283 SSPSP, CPF n.° 542.707.31834 e CRM/SP n.° 18.790, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida D.Pedro II, n.° 1327 Carmo CEP. n.° 14.801040; Dra. INÊS HARUKO CHINEN DE BARROS, brasileira, casada sob o regime de comunhão parcial de bens, médica, portadora da cédula de identidade RG n.° 5.996.586SSPSP, CPF n.° 930.576.87849 e CRM/SP n.° 31.931, residente e domiciliada nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Carlos Gomes, n.° 1884 Centro CEP. n.° 14.801340; Dr. ABELARDO FERRAREZI DE ANDRADE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 4.859.284SSPSP, CPF n.° 239.671.10672 e CRM/SP n.° 31.625, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Circular Gastão Vidigal, n.° 139 Jardim Primavera CEP. n.° 14.802408; Dr. JOSÉ AMÉRICO SARTORI, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial debens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 9.345.273SSPSP, CPF n.° 048.322.20896 c CRM/SP n.° 45.332, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Elisa Sambias e Bacchi, n.° 90 Centro CEP. n.° 14.801.239 Dr. FÁBIO DE SOUZA E SILVA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 7.662.871SSPSP, CPF n.° 033.481.59830 e CRM/SP n.° 53.263, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Professor Eugênio Francisco Malamn, n.° 980 – Santa Angelina CEP. n.° 14.802080; Dr. ADIB ISMAEL GESE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 7364.070SSPSP, CPF nº 072.047.75813 e CRM/SP n.° 57.921, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Circular Doutor Gastão Vidigal, n.° 295 Jardim Primavera CEP. n.° 14.802408; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 439 24 Dr. ROBERTO BIANCHI, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.144.910SSPSP, CPF n.° 096.161.55830 e CRM/SP n.° 81.313, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Henrique Lupo, n.° 719 Vila Harmonia CEP. n.° 14.802440; Dr. LUIZ TSUHA JÚNIOR, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.573.4923 SSPSP, CPF n.° 138.631.61807 e CRM/SP n.° 83.133, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 700 apto. 62 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. EMERSON CARLOS, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.986.3560SSPSP, CPF n.° 105.311.64896 e CRM/SP n.° 83.215, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Pedro Álvares Cabral, n.° 636 São José CEP. n.° 14.800210; Dr. MARCUS VINÍCIUS PLATZER DO AMARAL, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.573.4224SSPSP, CPF n.° 269.682.71842 e CRM/SP n.° 95.279, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Professor Fleury Charmillot, s/n.° apto. 21 CEP. 14.804012 Jardim Residencial Paraíso; Dr. GUSTAVO FELLONI TSUHA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 19.598.2381SSPSP, CPF n.° 205.499.84860 e CRM/SP n.° 95.591, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 780 apto 54 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. FLÁVIO LUIZ DO AMARAL, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 25.599.2865SSPSP, CPF n.° 199.607.20802 e CRM/SP n.° 98.697, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida José Zilioli, n.° 61 apto. 103 B Jardim das Roseiras CEP. n.° 14.806005; Dr. VAMBERTO RAPHAEL VICENTE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 24.221.9585SSPSP, CPF n.° 196.437.00860 e CRM/SP n.° 99.711, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mariangela Pucci Ananias, n.° 552Santa AngelinaCEP. n.° 14.802050; Dr. GUILHERME FELÍCIO BERGARA, brasileiro, SOLTEIRO, MAIOR, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 23.338.5940SSPSP, CPF n.° 183.330.30831 e CRM/SP n.° 99.594, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Dr. Lei Moraes, n.° 543 – Vila Xavier CEP. n.° 14.810 120; Dr. FERNANDO LUIZ PLATZER DO AMARAL, brasileiro, casado sob regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 24.221.5579SSPSP, CPF n.° 267.519.06838 e CRM/SP n.° 2963 Santa Angelina CEP. n.° 14.802300. Únicos sócios componentes da Sociedade Simples Limitada, que gira nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Voluntários da Pátria, n.° 2040 Centro CEP. n.° 14.801320, com o ramo de "PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA" sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S LTDA." com Fl. 498DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 440 25 contrato social devidamente registrado e arquivado perante o 1º Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas da Comarca de Araraquara, SP, sob n.° 249 em 06/04/1.982, e posteriores alterações de n.°s 01 e 02 ambas m 30/01/1.987, n.° 03 em 13/10/1.989, n.° 04 em 08/10/1.998, n.° 05 registrada sob o n.° 38.882 em 20/05/2.004, e a última sob o n.° 38976 em 30/07/2.004. Ficou justo e combinado por este instrumento e na melhor forma de direito, a alteração de seu contrato social, que sofrerá as modificações, que mutuamente aceitam e outorgam, a saber: I) A sociedade que girava sob a modalidade de Sociedade Simples Limitada, sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA EINALOTERAPIA S/S LTDA.", que possui sua sede social nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Voluntários da Pátria, n.° 2040 Centro CEP. n.° 14.801 320, neste ato e por este instrumento passa a girar sob a modalidade de "SOCIEDADE SIMPLES PURA", regida pelas cláusulas deste contrato e pelos artigos 997 ao 1.038 da Lei Federal n.° 10.406/2.002 – Código Civil, sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S." II) Por este ato e por este instrumento, deliberam as partes em alterar a razão social da empresa para "SAARA ANESTESIA E ANALGESIA S/S." III) Pelo presente instrumento, deliberam as partes em alterar o objetivo da sociedade, que passa a ser a : "ATIVIDADE MÉDICOHOSPITALAR, ESPECIALIZADAS NAS ÁREAS DE ANESTESIA E ANALGESIA ." III) Parágrafo Único da Cláusula Segunda: A direção, organização, assistência e execução dos serviços médicos são de inteira responsabilidade dos sócios, profissionais devidamente habilitados, os quais terão ampla e total autonomia no desempenho de suas funções técnicoprofissionais. Restou comprovado assim que a Recorrente é uma sociedade simples e por essa razão não pode usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos, ainda que se dedique à prestação de serviços hospitalares. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. 2ª Condição – Normas da Anvisa A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002 e alterações determina: Parte II [...] 2.1 – Atribuições de Estabelecimentos Assistenciais [...] 1 Prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia atenção à saúde incluindo atividades de promoção, prevenção, vigilância à saúde da comunidade e atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada; Fl. 499DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 441 26 2 Prestação de atendimento imediato de assistência à saúde atendimento a pacientes externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de vida (emergência); 3 Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior a 24 horas (pacientes internos); 4 Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto); 5 Prestação de serviços de apoio técnico atendimento direto a assistência à saúde em funções de apoio (contato indireto); 6 Formação e desenvolvimento de recursos humanos e de pesquisa atendimento direta ou indiretamente relacionado à atenção e assistência à saúde em funções de ensino e pesquisa; 7 Prestação de serviços de apoio à gestão e execução administrativa atendimento ao estabelecimento em funções administrativas; 8 Prestação de serviços de apoio logístico atendimento ao estabelecimento em funções de suporte operacional. As quatro primeiras são atribuições fim, isto é, constituem funções diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde. As quatro últimas são atribuições meio para o desenvolvimento das primeiras e de si próprias. [...] 3 DIMENSIONAMENTO, QUANTIFICAÇÃO E INSTALAÇÕES PREDIAIS DOS AMBIENTES [...] A presente norma não estabelece uma tipologia de edifícios de saúde, como por exemplo posto de saúde, centro de saúde, hospital, etc., aqui se procurou tratar genericamente todos esses edifícios como sendo estabelecimentos assistenciais de saúde EAS, que devem se adequar as peculiaridades epidemiológicas, populacionais e geográficas da região onde estão inseridos. Portanto, são EASs diferentes, mesmo quando se trata de edifícios do tipo centros de saúde, por exemplo. O programa arquitetônico de um centro de saúde irá variar caso a caso, na medida em que atividades distintas ocorram em cada um deles. Desta forma, as diversas tabelas contidas no documento permitem que sejam elaborados programas arquitetônicos dos mais diversos. Para tanto se deve, a partir da definição da listagem das atividades que o EAS irá realizar, escolher os ambientes próprios para realização das mesmas. Assim, identificandose na listagem de atribuições/atividades do capítulo 2 o número da atividade que se irá realizar, devese procurar na primeira coluna de cada tabela esse número e consequentemente o ambiente correspondente àquela atividade. Exemplo: caso tenhase definido que o EAS executará a atribuição de internação e mais precisamente as atividades de internação de pacientes em regime de terapia intensiva, devese procurar a tabela de unidade funcional internação, subgrupo internação intensiva. Nesta tabela serão encontrados os ambientes fins “relativos à UTI/CTI. Logicamente um programa arquitetônico de uma UTI não será composto somente por esses ambientes. Portanto, devese procurar nas tabelas relativas as atividades de apoio os ambientes complementares, como por exemplo banheiros, copas, etc. Esses ambientes encontramse listados abaixo das tabelas, com a denominação ambientes de apoio. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 442 27 Embora intimada mediante o Termo de Início de Fiscalização, a Recorrente apresentou tãosomente o documento de Licença de Funcionamento da Prefeitura de Araraquara, fls 136, que não supre a comprovação de que preenche os requisitos do subitem 2.1 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Ainda a Recorrente não comprova ter a estrutura física de um estabelecimento assistencial de saúde que atenda os requisitos do item 3 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) – Processo nº 18088.720354/201269 Juntado por Apensação ao Processo Principal nº 18088.720353/201214 A Recorrente discorda do procedimento fiscal argumentando que discute matéria objeto dos lançamento de ofício no Mandado de Segurança n.° 0005118 66.2004.4.03.6120, que foi ajuizada na TRF da 3ª Região da Justiça Federal. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial7, de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 1. Consta no objeto do Mandado de Segurança n.° 2004.61.20.0051186, fls. 424473: Assim, em face das razões ora apresentadas, e como medida salutar do Estado de Direito que vigora no país, preenchidos os requisitos exigidos pela Lei do Mandado de Segurança, requerse, digne Vossa Excelência, conceder a presente medida liminar inaudita altera parte, DETERMINANDO A IMEDIATA SUSPENSÃO DA EXIGÊNCIA DA ALÍQUOTA DE 32% PARA APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO, AUTORIZANDO A IMPETRANTE A APLICAR A ALÍQUOTA DE 8%, comunicando a ordem à autoridade impetrada para que encete 7 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 443 28 providencias para não exigir a malfadada retenção, mesmo que por vias oblíquas ou reflexas, através de imposição de penalidades. [...] Por fim, requerse, processado o presente writ, seja a presente julgada integralmente procedente, concedendo a segurança pleiteada para: 1) determinar que a autoridade coatora não pratique qualquer ato tendente a exigir da IMPETRANTE a aplicação da alíquota de 32% para apuração do seu lucro presumido, enquanto perdurar a situação de fato que deram origem ao presente pleito; Tem cabimento transcrever excertos da Apelação Civil nº 2004.61.20.0051186/SP com a seguinte decisão8: EMENTA CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. DIREITO À SAÚDE CONSTITUCIONALMENTE PRESTIGIADO (ART. 6º). LEI Nº 9.249/95, ART. 15, § 1º, III, "A". EXEGESE E ALCANCE. SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS EM DIAGNÓSTICOS. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PRECEDENTES (STJ, RESP 951251/PR, REL. MIN. CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 22.4.2009, DJE 3.6.2009; STJ AGRG NO RESP 893835/RS SEGUNDA TURMA REL. MIN. HERMAN BENJAMIM J. 01/09/2009 P. 08/09/2009; STJ RESP 1081441/PR SEGUNDA TURMA REL. MIN. CASTRO MEIRA J. 04/08/2009 P. 31/08/2009; STJ RESP 1082101/RS SEGUNDA TURMA REL. MIN. HUMBERTO MARTINS J. 23/06/2009 P. 01/07/2009). APELO A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação da impetrante, nos termos do relatório, voto e notas precedentes, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 21 de janeiro de 2010. Salette Nascimento Desembargadora Federal [...] RELATÓRIO A Senhora Desembargadora Federal Salette Nascimento (Relatora): Tratase de apelação em sede de "writ" impetrado por SAARA ANESTESIA ANALGESIA E INALOTERAPIA S/C LTDA., objetivando assegurar o direito de recolher o IRPJ pela alíquota de 8% (oito por cento), incidente sobre a base de cálculo 8 Disponível em : <http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/285984> . Acesso em 29 abr.2014. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 444 29 específica para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares, bem assim, compensar os valores recolhidos a tal título no período de novembro/99 a abril/2004, devidamente corrigidos. Indeferida a medida "initio litis", sobreveio a r. sentença denegatória da ordem. Irresignada, apela a Impetrante sustentando, em síntese, que presta serviços médicos especializados de anestesia, analgesia e inaloterapia, atividades essas equiparadas a serviços hospitalares, de acordo com a IN/SRF nº 306/03, possuindo o direito de aplicar a alíquota de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ, nos termos do art. 15, § 1º, III, "a", segunda parte, da Lei nº 9.249/95. Aduz, mais, o direito de compensar os valores indevidamente recolhidos com parcelas de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos últimos 10 anos, contados da data da distribuição da demanda, acrescidos de juros de 1% a partir de cada recolhimento indevido, nos termos do art. 59, da Lei nº 8.383/91, e art. 3º da Lei nº 8.620/93, e TRD no período de 01/01/91 a 31/12/94, e SELIC para o período após 01/01/96, conforme a Lei nº 9.250/95. Pugna, a final, pela reforma do julgado. Opina o Ministério Público Federal, em parecer da lavra do I. Procurador Henrique Herkenhoff, pelo improvimento do recurso. Com contrarazões, vieram os autos a esta Corte. É O RELATÓRIO. VOTO A Senhora Desembargadora Federal Salette Nascimento (Relatora): Tenho que é de ser dado parcial provimento ao recurso. A questão debatida consiste em verificar se a ora Apelante, ao prestar "serviços de anestesia, analgesia e inaloterapia" (fls. 64/76), se enquadra no conceito de "serviços hospitalares" inserto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, que estabelece a base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica, pelo regime do lucro presumido. [...] A redução do tributo prestigiada pela norma sob comento volta se à natureza mesma do serviço prestado, essencial à população, considerandose que a Carta Política tem a saúde como direito fundamental, a teor do art. 6º. Têmse por excluídos do favor fiscal as simples consultas e atividades de cunho meramente administrativo. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 445 30 No caso, tratase de entidade que presta serviços médicos de anestesia, analgesia e inaloterapia, enquadrandose tais atividades no conceito de "serviços hospitalares". [...] Isto posto, dou parcial provimento à apelação da impetrante. É COMO VOTO. Está registrado no Relatório Fiscal, fls. 296301 cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: RELATÓRIO FISCAL [...] 16) Porém, o contribuinte é beneficiário de decisão judicial de 2° instância (apelação civil 2004.61.20.0051186 SP) – fls 272/291, que lhe dá direito a utilizar a alíquota de 8% para a base de cálculo presumida de IRPJ, e não 32% nos termos da Lei 9.249/95 17) Notase que a referida decisão beneficia o contribuinte quanto ao IRPJ e é omissa quanto à CSLL. Apesar de intimado (fls 2/3) e reintimado (fls 267) a apresentar TODOS os documentos do processo (petição inicial, decisões de primeira instância, recursos, etc), o contribuinte apresentou somente a decisão de 2° instância (fls 272/291) e a certidão de objeto e pé (fls 268/271). 18) Nos documentos apresentados pelo contribuinte, constam que a ação referese ao IRPJ, conforme descrito adiante: 18.1) No item 7 da certidão de objeto e pé (fls 268/271) consta como “objeto”: 7 – Objeto: afastar a exigibilidade da alíquota de 32% para apuração do lucro presumido nos termos da Lei nº 9.249, autorizando a impetrante a aplicar a alíquota de 8%, bem como a compensação do indébito tributário nos últimos 10 (dez) anos. 18.2) No relatório inicial do acórdão (fls 272/291), consta: Tratase de apelação em sede de "writ" impetrado por SAARA ANESTESIA ANALGESIA E INALOTERAPIA S/C LTDA., objetivando assegurar o direito de recolher o IRPJ pela alíquota de 8% (oito por cento), incidente sobre a base de cálculo específica para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços hospitalares, bem assim, compensar os valores recolhidos a tal título no período de novembro/99 a abril/2004, devidamente corrigidos. 18.3) No voto da MM Desembargadora Federal, consta a seguinte redação: A questão debatida consiste em verificar se a ora Apelante, ao prestar "serviços de anestesia, analgesia e inaloterapia" (fls. 64/76), se enquadra no conceito de "serviços hospitalares" inserto no art. 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, que estabelece a base de cálculo do imposto de renda de pessoa jurídica, pelo regime do lucro presumido. 19) Tanto na certidão de objeto e pé, como no voto, consta apenas IRPJ. Portanto, inferese que objeto da ação do contribuinte envolve o IRPJ e não alcança a CSLL. Cabe salientar que a presunção da CSLL também é 32%, sendo que, em alguns casos, é de 12% (sociedades empresárias que atendam as normas da ANVISA Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 446 31 e que prestam serviços hospitalares e/ou as atividades elencadas no artigo 29 da lei 11.727/2008). 20) Ainda quanto ao IRPJ, a ação do contribuinte visou combater os artigos da Lei 9.249/95. A legislação foi posteriormente alterada, a partir de 01/01/2009, pela Lei 11.727/2008, conforme descrito no item 3.3 deste relatório. Assim, sob o efeito da nova lei, o contribuinte não tem decisão judicial que o beneficie. Cotejando os termos da ação judicial e do lançamento restou demonstrado que a ação judicial ajuizada não tem o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, o que não importa desistência do recurso voluntário interposto. O provimento jurisdicional referese a matéria tãosomente de IRPJ e antes de 01.01.2009, data em que entraram em vigor as alterações promovidas pelo artigo 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que deu nova redação ao inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente discorda do procedimento fiscal da apuração do lucro presumido. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais9. I Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas 9 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 447 32 deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Via de regra, o lucro presumido é apurado mediante a aplicação do coeficiente de 12% (oito por cento) sobre a receita bruta, inclusive para serviços hospitalares. Para as atividades expressamente relacionadas, entretanto, o coeficiente é distinto, já que o parâmetro de fixação relacionase diretamente aos custos e às despesas incorridas para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso de prestação de serviços em geral o coeficiente previsto na legislação tributária é de 32% (trinta e dois por cento), de acordo com o art. 15 e o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Notese que a legislação tributária que trata de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, de modo que não cabe conferirlhe efeito retroativo, por falta de previsão normativa. Por esta razão, somente a partir de 01.01.2009, ocasião em que a alínea “a” do inciso III do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, começou a produzir efeitos na ordem jurídica, um contorno normativo mais abrangente foi conferido à prestação de serviços hospitalares englobando o auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA10, que cujo trânsito em julgado ocorreu em 08.11.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF11. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Temse que o lançamento fundamentase na aplicação indevida no coeficiente de determinação do lucro presumido, uma vez que houve aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 12% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de prestação de serviços, quando o correto, para esta atividade, seria 32%, o que 10 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1116399/BA. Ministro Relator:Benedito Gonçalves, Primeira Seção, Brasília, DF, 28 de outubro de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=6898628&sReg=20090006481 0&sData=20100224&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 11 Fundamentação legal: Fundamentação legal: art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.art. 29 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 448 33 acarretou as diferenças a menor de CSLL apurada pela Recorrente referente aos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2007, aos quatro trimestres do anocalendário de 2008 e aos quatro trimestres do anocalendário de 2009. Assim, em relação ao coeficiente de aplicação sobre a receita bruta para fins de apuração da CSLL, no período referente aos segundo, terceiro e quarto trimestres do ano calendário de 2007, aos quatro trimestres do anocalendário de 2008 são considerados serviços hospitalares, para fins do disposto na legislação tributária e do entendimento vinculante do STJ, inclusive a atividade referente aos “prestação de serviços de atendimento médico hospitalar nas áreas de diagnósticos por imagens”, tais como aquela desenvolvida pela Recorrente, pois se vincula à atividade desenvolvida pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Aplicando os atos vinculados constantes na legislação tributária de regência, a Recorrente pode aplicar o coeficiente de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta por não se tratar de serviços hospitalares na acepção normativa e jurisprudencial vinculante. Em outras palavras, caracterizase como aplicação correta do coeficiente de determinação do lucro presumido a adoção de 12% (doze por cento) sobre a receita bruta originária de prestação de serviços de diagnósticos por imagens executados dentro de uma clínica. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, se comprova, nesse período. A partir de 01.01.2009, a legislação de regência da matéria expressamente prevê que para usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos no caso de pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviços hospitalares, a pessoa jurídica prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 1ª Condição – Sociedade Simples A sociedade de natureza simples tem fundamentação legal no Código Civil. As espécies societárias existentes são (a) sociedade simples pura e (b) sociedade simples limitada, que devem ter tem seus atos constitutivos, de alteração e de extinção registrados no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Na sociedade simples pura os sócios respondem ilimitadamente pelas dívidas contraídas pela pessoa jurídica e pode haver sócio que participe apenas com serviço. Por sua vez, na sociedade simples limitada, os sócios respondem limitadamente ao valor do capital social, desde que totalmente integralizado e o nome empresarial prescinde de que conste parte do objeto social e não pode ter sócio que participe apenas com serviço12. Consta no Contrato Social, fls. 0750: "INSTRUMENTO PARTICULAR DE ALTERAÇÃO DE CONTRATO SOCIAL DE SOCIEDADE SIMPLES LIMITADA, SOB A DENOMINAÇÃO SOCIAL DE "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S LTDA." PARA SOCIEDADE SIMPLES PURA, SOB A DENOMINAÇÃO SOCIAL DE "SAARA ANESTESIA E ANALGESIA. S/S. ARARAQUARA ESTADO DE SÃO PAULO –CNPJ 51.806.057/000111 12 Fundamentação legal: art. 982, art. 983, artigos 997 a 1038, artigos 1052 a 1087 e artigos 1179 a 1195 do Código Civil. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 449 34 Entre os abaixo assinados, como outorgantes e sócios reciprocamente outorgados: Dr. LUIZ TSUHA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 1.911.418SSPSP, CPF n.° 011.982.70853 e CRM/SP n.° 10.316, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 700 apto. 62 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. LUIZ CARLOS DELLA ROVERE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 3.575.502SSPSP, CPF n.° 191.269.99749 e CRM/SP n.° 17.721, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Casemiro Peres,n.° 822 Vila Harmonia CEP. 14.802600; Dr. JOSÉ HENRIQUE SCABELLO, brasileiro, casado sob o regime de comunhão de bens,médico, portador da cédula de identidade RG n.° 3.139.283 SSPSP, CPF n.° 542.707.31834 e CRM/SP n.° 18.790, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida D.Pedro II, n.° 1327 Carmo CEP. n.° 14.801040; Dra. INÊS HARUKO CHINEN DE BARROS, brasileira, casada sob o regime de comunhão parcial de bens, médica, portadora da cédula de identidade RG n.° 5.996.586SSPSP, CPF n.° 930.576.87849 e CRM/SP n.° 31.931, residente e domiciliada nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Carlos Gomes, n.° 1884 Centro CEP. n.° 14.801340; Dr. ABELARDO FERRAREZI DE ANDRADE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 4.859.284SSPSP, CPF n.° 239.671.10672 e CRM/SP n.° 31.625, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Circular Gastão Vidigal, n.° 139 Jardim Primavera CEP. n.° 14.802408; Dr. JOSÉ AMÉRICO SARTORI, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial debens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 9.345.273SSPSP, CPF n.° 048.322.20896 c CRM/SP n.° 45.332, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Elisa Sambias e Bacchi, n.° 90 Centro CEP. n.° 14.801.239 Dr. FÁBIO DE SOUZA E SILVA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 7.662.871SSPSP, CPF n.° 033.481.59830 e CRM/SP n.° 53.263, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Professor Eugênio Francisco Malamn, n.° 980 – Santa Angelina CEP. n.° 14.802080; Dr. ADIB ISMAEL GESE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 7364.070SSPSP, CPF nº 072.047.75813 e CRM/SP n.° 57.921, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Circular Doutor Gastão Vidigal, n.° 295 Jardim Primavera CEP. n.° 14.802408; Dr. ROBERTO BIANCHI, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.144.910SSPSP, CPF n.° 096.161.55830 e CRM/SP n.° 81.313, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Henrique Lupo, n.° 719 Vila Harmonia CEP. n.° 14.802440; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 450 35 Dr. LUIZ TSUHA JÚNIOR, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.573.4923 SSPSP, CPF n.° 138.631.61807 e CRM/SP n.° 83.133, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 700 apto. 62 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. EMERSON CARLOS, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.986.3560SSPSP, CPF n.° 105.311.64896 e CRM/SP n.° 83.215, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Pedro Álvares Cabral, n.° 636 São José CEP. n.° 14.800210; Dr. MARCUS VINÍCIUS PLATZER DO AMARAL, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 18.573.4224SSPSP, CPF n.° 269.682.71842 e CRM/SP n.° 95.279, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Professor Fleury Charmillot, s/n.° apto. 21 CEP. 14.804012 Jardim Residencial Paraíso; Dr. GUSTAVO FELLONI TSUHA, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 19.598.2381SSPSP, CPF n.° 205.499.84860 e CRM/SP n.° 95.591, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mauá, n.° 780 apto 54 Centro CEP. n.° 14.801190; Dr. FLÁVIO LUIZ DO AMARAL, brasileiro, solteiro, maior, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 25.599.2865SSPSP, CPF n.° 199.607.20802 e CRM/SP n.° 98.697, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida José Zilioli, n.° 61 apto. 103 B Jardim das Roseiras CEP. n.° 14.806005; Dr. VAMBERTO RAPHAEL VICENTE, brasileiro, casado sob o regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 24.221.9585SSPSP, CPF n.° 196.437.00860 e CRM/SP n.° 99.711, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Mariangela Pucci Ananias, n.° 552Santa AngelinaCEP. n.° 14.802050; Dr. GUILHERME FELÍCIO BERGARA, brasileiro, SOLTEIRO, MAIOR, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 23.338.5940SSPSP, CPF n.° 183.330.30831 e CRM/SP n.° 99.594, residente e domiciliado nesta cidade de Araraquara, SP, à Avenida Dr. Lei Moraes, n.° 543 – Vila Xavier CEP. n.° 14.810 120; Dr. FERNANDO LUIZ PLATZER DO AMARAL, brasileiro, casado sob regime de comunhão parcial de bens, médico, portador da cédula de identidade RG n.° 24.221.5579SSPSP, CPF n.° 267.519.06838 e CRM/SP n.° 2963 Santa Angelina CEP. n.° 14.802300. Únicos sócios componentes da Sociedade Simples Limitada, que gira nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Voluntários da Pátria, n.° 2040 Centro CEP. n.° 14.801320, com o ramo de "PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA" sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S LTDA." com contrato social devidamente registrado e arquivado perante o 1º Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas da Comarca de Araraquara, SP, sob n.° 249 em 06/04/1.982, e posteriores alterações de n.°s 01 e 02 ambas m 30/01/1.987, n.° 03 em 13/10/1.989, n.° 04 em 08/10/1.998, n.° 05 registrada sob o n.° 38.882 em 20/05/2.004, e a última sob o n.° 38976 em 30/07/2.004. Ficou justo e combinado Fl. 509DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 451 36 por este instrumento e na melhor forma de direito, a alteração de seu contrato social, que sofrerá as modificações, que mutuamente aceitam e outorgam, a saber: I) A sociedade que girava sob a modalidade de Sociedade Simples Limitada, sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA EINALOTERAPIA S/S LTDA.", que possui sua sede social nesta cidade de Araraquara, SP, à Rua Voluntários da Pátria, n.° 2040 Centro CEP. n.° 14.801 320, neste ato e por este instrumento passa a girar sob a modalidade de "SOCIEDADE SIMPLES PURA", regida pelas cláusulas deste contrato e pelos artigos 997 ao 1.038 da Lei Federal n.° 10.406/2.002 – Código Civil, sob a denominação social de "SAARA ANESTESIA, ANALGESIA E INALOTERAPIA S/S." II) Por este ato e por este instrumento, deliberam as partes em alterar a razão social da empresa para "SAARA ANESTESIA E ANALGESIA S/S." III) Pelo presente instrumento, deliberam as partes em alterar o objetivo da sociedade, que passa a ser a : "ATIVIDADE MÉDICOHOSPITALAR, ESPECIALIZADAS NAS ÁREAS DE ANESTESIA E ANALGESIA ." III) Parágrafo Único da Cláusula Segunda: A direção, organização, assistência e execução dos serviços médicos são de inteira responsabilidade dos sócios, profissionais devidamente habilitados, os quais terão ampla e total autonomia no desempenho de suas funções técnicoprofissionais. Restou comprovado assim que a Recorrente é uma sociedade simples e por essa razão não pode usufruir do coeficiente de apuração do lucro presumido para fins determinação dos tributos, ainda que se dedique à prestação de serviços hospitalares. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. 2ª Condição – Normas da Anvisa A Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002 e alterações determina: Parte II [...] 2.1 – Atribuições de Estabelecimentos Assistenciais [...] 1 Prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia atenção à saúde incluindo atividades de promoção, prevenção, vigilância à saúde da comunidade e atendimento a pacientes externos de forma programada e continuada; 2 Prestação de atendimento imediato de assistência à saúde atendimento a pacientes externos em situações de sofrimento, sem risco de vida (urgência) ou com risco de vida (emergência); 3 Prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação atendimento a pacientes que necessitam de assistência direta programada por período superior a 24 horas (pacientes internos); Fl. 510DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 452 37 4 Prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde (contato direto); 5 Prestação de serviços de apoio técnico atendimento direto a assistência à saúde em funções de apoio (contato indireto); 6 Formação e desenvolvimento de recursos humanos e de pesquisa atendimento direta ou indiretamente relacionado à atenção e assistência à saúde em funções de ensino e pesquisa; 7 Prestação de serviços de apoio à gestão e execução administrativa atendimento ao estabelecimento em funções administrativas; 8 Prestação de serviços de apoio logístico atendimento ao estabelecimento em funções de suporte operacional. As quatro primeiras são atribuições fim, isto é, constituem funções diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde. As quatro últimas são atribuições meio para o desenvolvimento das primeiras e de si próprias. [...] 3 DIMENSIONAMENTO, QUANTIFICAÇÃO E INSTALAÇÕES PREDIAIS DOS AMBIENTES [...] A presente norma não estabelece uma tipologia de edifícios de saúde, como por exemplo posto de saúde, centro de saúde, hospital, etc., aqui se procurou tratar genericamente todos esses edifícios como sendo estabelecimentos assistenciais de saúde EAS, que devem se adequar as peculiaridades epidemiológicas, populacionais e geográficas da região onde estão inseridos. Portanto, são EASs diferentes, mesmo quando se trata de edifícios do tipo centros de saúde, por exemplo. O programa arquitetônico de um centro de saúde irá variar caso a caso, na medida em que atividades distintas ocorram em cada um deles. Desta forma, as diversas tabelas contidas no documento permitem que sejam elaborados programas arquitetônicos dos mais diversos. Para tanto se deve, a partir da definição da listagem das atividades que o EAS irá realizar, escolher os ambientes próprios para realização das mesmas. Assim, identificandose na listagem de atribuições/atividades do capítulo 2 o número da atividade que se irá realizar, devese procurar na primeira coluna de cada tabela esse número e consequentemente o ambiente correspondente àquela atividade. Exemplo: caso tenhase definido que o EAS executará a atribuição de internação e mais precisamente as atividades de internação de pacientes em regime de terapia intensiva, devese procurar a tabela de unidade funcional internação, subgrupo internação intensiva. Nesta tabela serão encontrados os ambientes fins “relativos à UTI/CTI. Logicamente um programa arquitetônico de uma UTI não será composto somente por esses ambientes. Portanto, devese procurar nas tabelas relativas as atividades de apoio os ambientes complementares, como por exemplo banheiros, copas, etc. Esses ambientes encontramse listados abaixo das tabelas, com a denominação ambientes de apoio. Embora intimada mediante o Termo de Início de Fiscalização, a Recorrente apresentou tãosomente o documento de Licença de Funcionamento da Prefeitura de Araraquara, fls 136, que não supre a comprovação de que preenche os requisitos do subitem 2.1 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 453 38 Ainda a Recorrente não comprova ter a estrutura física de um estabelecimento assistencial de saúde que atenda os requisitos do item 3 da Parte II da RDC da Anvisa nº 50, de 2002. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto em parte. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, está justificada em parte. Argumentos Congruentes A Requerente requer que seja deferida a sustentação oral. Em conformidade com as normas processuais, na sessão, o julgamento de cada recurso é facultado à Recorrente ou ao seu representante legal fazer sustentação oral por quinze minutos, prorrogáveis por igual período. Essa prerrogativa regimental em segunda instância de julgamento no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referentes a tributos administrados pela RFB tem como fundamento de validade os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes13. A pretensão aduzida pela defendente tem possibilidade jurídica, desde que observadas as formalidades legais. A Requerente solicita que seja intimada por meio do seu representante legal. Tendo como fundamento os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes há previsão de julgamento em segunda instância no CARF dos recursos que versem sobre aplicação da legislação referente a tributos administrados pela RFB14. O pressuposto é de que a intimação por via postal válida é efetivada, com prova de recebimento pessoal ou no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ainda que eletrônico. Por esta razão é que a Recorrente deve ser notificada dos atos no seu domicílio fiscal. A pretensão aduzida pela defendente não tem possibilidade jurídica por não estar contemplada nas formalidades legais. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de 13 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 55 e art. 58 do Regimento Interno do CARF. 14 Fundamento legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de maço de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 454 39 jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador15. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, nos estritos termos no art. 142 do Código Tributário Nacional. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo está regularmente motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos de modo explícito, claro e congruente, em conformidade com a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 199916. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado na decisão de primeira instância de julgamento administrativo e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento, pois não se caracterizou a suposta ausência de motivação, já que foram rigorosamente observados os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês17. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 15 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 16 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 17 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 455 40 recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200918 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF19. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos20. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância21. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo 18 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 19 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 20 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 21 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 456 41 que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso22. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade23. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por (1) negar provimento ao recurso voluntário em relação à exigência de IRPJ e (2) dar provimento em parte ao recurso voluntário em relação à exigência de CSLL para exonerar o crédito tributário referente aos anoscalendário de 2007 e 2008. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 22 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 23 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 18088.720353/201214 Acórdão n.º 1803002.258 S1TE03 Fl. 457 42 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10508.001143/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido
Súmula CARF nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 3102-001.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Jacques Maurício Veloso.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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CONTAGEM DE PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA. REGRA GERAL. No caso de tributos cujo lançamento processase por homologação do pagamento, a extinção do crédito sob condição resolutória depende da efetiva antecipação do pagamento, sem a qual o próprio lançamento não operase, restando regulado pelas disposições contidas no artigo 173. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 REGIME ADUANEIRO DE DRAWBACK SUSPENSÃO. MATÉRIA PRIMA IMPORTADA. PRODUTO EXPORTADO. VINCULAÇÃO FÍSICA. OBRIGATORIEDADE. Na comprovação do adimplemento do Regime Aduaneiro de Drawback suspensão será exigida a comprovação de que a matériaprima importada foi utilizada na fabricação da mercadoria exportada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 11 43 /2 00 7- 66 Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Jacques Maurício Veloso. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Do lançamento Tratase de lançamento do Imposto sobre as Importações — II, acrescido dos juros de mora previstos no art. 61, § 3°, da Lei 9.430/96, bem como da multa de ofício tipificada no inciso I do art. 4° da Lei n° 8.218/91, combinada com o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, perfazendo, na data da autuação (25/12/2007), crédito tributário no valor total de R$ 18.860.953,56. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.599 3 A ação fiscal teve por objeto 6 (seis) atos concessórios de drawback suspensão (nºs 601/0000037, 297801/0000210, 297801/0000296, 20020019254, 20020124600 e 20020179677 — conforme fls. 166), cujo exame demonstrou o descumprimento parcial do regime, posto que os insumos importados não teriam sido aplicados integralmente nos bens exportados, tendo sido apurada ofensa ao princípio da vinculação física, cuja observação, segundo a autoridade lançadora, seria obrigatória por força do disposto no artigo 314, inciso I, do Regulamento Aduaneiro ,à época vigente (Decreto n° 91.030, de 05/03/1985). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 175/209 (parte integrante do auto de infração de fls. 165/210), a auditora fiscal autuante, depois de abordar questões atinentes ao procedimento fiscal em si e de trazer aspectos legais relacionados ao incentivo de drawback suspensão, tratou do princípio da vinculação física como um requisito fundamental ao gozo do regime, tendo justificado tal entendimento no artigo 78, inciso II, c/c art. 75, inciso I, ambos do Decretolei n° 37/66, no artigo 21 da Portaria SECEX n° 04/1997, e no Parecer Normativo CST n° 12/1979. Ressalta que a necessidade de obediência a dito princípio mantevese inalterada pelo legislador, posto que o mesmo continuou vigente no artigo 341 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Nesse diapasão, ressaltou que a empresa fiscalizada se deszelou da observação do referido princípio, tendo constatado, baseada em informações fornecidas pela própria empresa, que esta (v. fls. 180): [..] 1) não segrega estoques de amêndoas de cacau adquiridas no mercado interno (cacau Bahia) daquelas adquiridas no exterior, com incentivo fiscal; 2) abastece a sua linha de produção de forma aleatória, ora com cacau Brasil, ora com cacau África, ora com cacau Indonésia, ora com a mistura de dois, ou mesmo, dos três tipos de cacau, sem estabelecer qualquer fator de proporcionalidade entre as quantidades de um e outro produtos (% de mistura); e que, finalmente, 3) não segrega, da linha de produtos acabados, aqueles destinados à exportação daqueles que seguirão para o mercado interno; [.. ] Diante de tais constatações assevera que "[..] a única conclusão plausível a que se pode chegar é a de que, necessariamente, uma parte dos insumos importados com o incentivo fiscal, que integra (fisicamente) os produtos industrializados pelo beneficiário do regime, não é destinada à exportação, mas, vendida no mercado interno ou recebendo outra destinação qualquer, em operações, é certo, não vinculadas à exportação. Tratase o raciocínio em questão, não de mera conjetura, mas da aplicação, ao caso concreto, de princípios experimentados pelas ciências exatas, assegurados pelas leis da física e da matemática" (grifos e destaques do original — fls. 180). Por conta de tais conclusões, a autuante estimou os quantitativos de matériaprima importada não utilizada na industrialização dos produtos exportados, portanto, destinados indevidamente ao mercado interno, estimativa esta que foi baseada, principalmente, nos dados constantes do documento denominado pelo sujeito passivo de "Controle da Produção e do Estoque" (fls. 128/164), bem como de dados extraídos do sistema SISCOMEX, conforme descrito às fls. 180/181 dos autos. Depois de trazer jurisprudência administrativa concernente à necessidade de observação do princípio da vinculação física no regime de drawback (cf. fls. 181/182), a auditora fiscal responsável pelo lançamento aborda a contagem do prazo decadencial inerente ao direito de a Fazenda Pública examinar o adimplemento do regime e que, segunda referida autoridade, deverá observar a regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (v. fls. 182). Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 No tópico relacionado às irregularidades e infrações apuradas (fls. 183/186), a autoridade lançadora descreve, de forma mais detalhada, os problemas que culminaram com o lançamento tributário objeto da lide, com destaque para os seguintes pontos: a) a empresa não efetuava nenhum controle das amêndoas de cacau com base na sua origem, as quais eram misturadas indiscriminadamente para alimentar seu processo produtivo; b) os produtos industrializados não eram submetidos a "[...] qualquer tipo de seleção/segregação no que diz respeito à produção destinada à exportação ou ao mercado interno"; c) a autuada "[...] mantinha uma única linha de produção, que se iniciava com a limpeza das amêndoas e se encerrava com a embalagem dos produtos industrializados [...]" d) "[...] durante o processo produtivo, todas as amêndoas de cacau (importadas e nacionais) se fundem transformandose em uma massa de cacau denominada liquor. O liquor, além de ser um dos produtos acabados integrantes da linha de produção da empresa, é a base para a produção dos demais itens comercializados pelo contribuinte, a saber: manteiga de cacau; pó de cacau e torta de cacau". Diante dos fatos acima relatados, concluiu a autoridade fiscal que "[...] ocorreu substituição, nas operações vinculadas aos AC, da matériaprima importada pela nacional, e, nas vendas não vinculadas, da matériaprima nacional pela importada com beneficio fiscal", fato este que caracterizaria" [...] desvio da finalidade da matéria prima importada com o beneficio da suspensão dos tributos, uma vez que esta deveria ter sido total e exclusivamente utilizada, em sua identidade fisica, na produção dos produtos exportados em cumprimento aos compromissos assumidos perante os Atos Concessórios sob fiscalização". Mais adiante, se contrapõe aos argumentos da fiscalizada no sentido de que as amêndoas de cacau nacionais e importadas não necessitariam estar submetidas a controle de estoque em separado por se tratarem de matériasprimas fungíveis, ressaltando, nesse sentido, a obrigatoriedade legal de observação do princípio da vinculação física, devendo as normas relacionadas à isenção tributária ser submetidas a interpretação literal. Posteriormente, descreve com maiores detalhes o procedimento através do qual fora estimado o percentual de utilização das amêndoas de cacau importadas nos produtos industrializados pela empresa, tendo se baseado, para tanto, numa média ponderada obtida a partir das entradas e das saídas dos insumos durante um período de três anos (ver fls. 184/186). Essa metodologia redundou na elaboração do Anexo III, intitulado "Índice de Utilização de Insumos Importados (Amêndoas de Cacau)" (fls. 206/207), onde está consignado o percentual de 37,26%, que foi considerado como "[..] o percentual de matériaprima importada com incentivo fiscal efetivamente empregado/consumido na industrialização dos produtos comercializados pelo contribuinte (indistintamente se destinados ao mercado interno ou ao externo)". Com base nesse percentual foi estimada a quantidade de amêndoas importadas que não foi aplicada nas operações de exportação vinculadas a cada ato concessório examinado (conforme Anexo IV — fls. 208), tendose utilizado para tanto, além do citado percentual de 37,26%, "[..] dos índices de relação entre os fatores `insumos importados' e produtos exportados', obtidos a partir dos dados fornecidos pela empresa quando da solicitação de concessão do regime perante a SECEX". Finalmente, diante dos quantitativos dos insumos importados não aplicados nos Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.600 5 produtos exportados (representativos da inadimplência parcial do regime), foram levantadas as bases de cálculo do Imposto sobre as Importações II inerentes a cada DI — conforme demonstrado no Anexo V (fls. 209) —, sobre as quais foram aplicadas as alíquotas incidentes à época de cada importação, nos termos do demonstrativo de apuração do imposto (fls. 169/171), bem como da multa e dos juros de mora (fls. 172/175). Da impugnação Cientificada do lançamento em 27/12/2007 (fls. 211), a autuada insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 24/01/2008, a impugnação de fls. 225/274 (vol. II), onde, após descrever os fatos (fls. 225/234), apresenta suas razões de defesa, na sequência relatadas. Em sede de preliminar, aduz que a lavratura do auto de infração seria descabida, posto que os créditos tributários objeto do mesmo já teriam sido previamente constituídos através de termo de responsabilidade. Fundamenta sua tese em jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça (conf. fls. 235), nos artigos 674 e 676 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543, de 26/12/2002), e no artigo 368 do Regulamento do IPI (Decreto n° 4.544/2002). Defende que os créditos tributários objeto da lide teriam sido "reconstituídos", fato este que ensejaria a declaração da insubsistência dos mesmos, "[.,] pois se mantidos gerariam uma dupla constituição do crédito tributário". Ainda em sede de preliminar, e depois de colacionar os princípios insculpidos no artigo 2% caput, e incisos VI, VII, IX e X da Lei n° 9.784/99, assevera que o procedimento de fiscalização conduzido contra si teria maculado os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, posto que, se por um lado "[...] foi levado a efeito por 2 (dois) anos, de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, para análise de milhares de documentos e informações", por outro lhe fora concedido "[..] o exíguo prazo de 30 (trinta) dias para a defesa [...]", prazo este tido como insuficiente pela impugnante em face de um trabalho fiscal com a aludida envergadura. Critica a concentração do lançamento que, no seu pensar, deveria haver sido subdividido em grupos menores de DI, cenário que, se houvesse sido adotado, teria permitido à autuada exercer seu amplo direito de defesa. Contudo, a opção por concentrar a persecução dos créditos tributários em um único ato, além de desarrazoada e desproporcional à estreita via de defesa, encerrou em nítido cerceamento ao amplo direito de defesa, contrariando a CF188 e a Legislação Federal. (conforme fls. o 238). Tais fatos ensejariam a nulidade do lançamento. No entanto, se este entendimento não for acolhido pelas autoridades julgadoras, afirma que "[...] a impugnante apresentará sua defesa, esclarecendo, entretanto, que não será possível, pelas limitações já consignadas, refutar ponto aponto o trabalho fiscal, no grau de detalhamento que seria de se esperar". A nulidade do lançamento seria justificada também pelo equívoco da autoridade lançadora ao mencionar código NÇM que "[.,] nada tem a ver com a amêndoa importada pela Impugnante" (código 8101.00.00 outros metais comuns, ceramais; obras dessas matérias), já que a mercadoria importada — amêndoas de cacau —, é classificada no código NCM 1801.00.00 (cacau inteiro ou partido, bruto ou torrado). Noutra linha de argumentação, a reclamante aduz que a Receita Federal do Brasil não seria competente para imputar a inadimplência do compromisso de exportar vinculado a ato concessório de drawback, posto que tal competência seria Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 da SECEX que, aliás, teria homologado o cumprimento integral do regime por parte do sujeito passivo. Fundamenta seu argumento no artigo 2° da Portaria MEFP n° 594, de 25/08/1992, assim como na Portaria SECEX n° 4, de 11/06/1997. Ressalta que [...] os órgãos de controle do comércio exterior, nos termos do artigo 328, do RA185, dispunham de livre acesso, a qualquer tempo, à escrituração fiscal e aos documentos contábeis da empresa, bem como ao seu processo produtivo, a fim de possibilitar o controle da operação. Portanto, havendo a SECEX, órgão competente para tanto, verificado o adimplemento do compromisso de exportar, não cabe ao Fisco desconsiderar tal conclusão e exigir tributo indevido. Admitir tal hipótese contrairia as normas legais que delegam competência exclusiva à SECEX. Assim, enquanto não informado pela SECEX à RFB o inadimplemento do compromisso de exportar, a RFB está impedida de exigir o pagamento de qualquer tributo. Posto isso, diante da incompetência da RFB para alegar o inadimplemento dos compromissos assumidos pela beneficiária para a concessão do Regime de Dr~back (compromissos estes que já foram homologados pela SECEA), imperiosa se torna a decretação de nulidade do presente Auto de Infração. Com esteio no item 27.3 do Comunicado DECEX n° 21, de 11/07/1997, defende que a ação fiscal encontrarseia maculada pela "[...] ausência de diligência que lhe é imprescindível, qual seja, a comunicação formal, pelo SECEX ou pelo Banco do Brasil [...] quanto ao descumprimento do Regime de Drawback, ou, pelo menos, a busca de qualquer elemento que suprisse tal falta". A falta do comunicado da SECEX, que seria prérequisito para o início da ação fiscal, tornaria o lançamento "nulo de pleno direito". No item II.5 de sua impugnação (fls. 241/244) a reclamante propugna pela extinção, por decadência, do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Nesse sentido, aduz que deveria haver sido aplicada ao caso a regra do artigo 150, § 4% do CTN, e • que, considerando tal disciplinamento, já estaria extinto o direito da Fazenda Pública relativamente a todas as DI objeto da lide. Traz em sua defesa jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ, ressaltando que não haveria previsão expressa capaz de autorizar a suspensão do prazo decadencial nos casos de incentivo condicionado, como no caso do drawback. Adicionalmente, alega que, mesmo se considerada a regra de suspensão do prazo decadencial utilizada pela autoridade lançadora, também teria sido extinto o direito relativamente aos atos concessórios ri' 601/0000037, 297801/0000210 e 2978 01/000029 6, cujos prazos de vencimento foram, respectivamente, em 28/06/2002, em 03/10/2002, e em 21/12/2002. Assim, e com base na regra do art. 150, § 4% do CTN, a decadência se consumara, na mesma ordem dos citados atos concessórios, em 28/06/2007, em 03/10/2007 e em 21/12/2007. Finalmente, ainda no tocante a decadência, ressalta que a autoridade lançadora, no cálculo dos juros de mora, considerou" “ [...] a data do fato jurídico tributário, e não do vencimento do Ato Concessório, fato este que comprova que o prazo para a constituição do crédito tributário (decadência) começou a contar justamente da data da ocorrência do fato jurídico tributário. Se assim não fosse, os juros de mora só deveriam incidir a partir da data do vencimento do Ato Concessório". A autuada entende que o lançamento "[..] é nulo também por ser ilíquido e incerto [...]", e estaria, portanto, em desacordo com o art. 142 do CTN. A alegada iliquidez e incerteza seria decorrente do método estimativo adotado pela autoridade Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.601 7 lançadora para compor a base de cálculo do imposto, critério este que seria estranho à legislação tributária de regência. Nos argumentos expendidos às fls. 244/250 ressalta a autuada que a auditora fiscal responsável pelo lançamento não poderia ter feito uso de "[..] princípios experimentados pelas ciências exatas, assegurados pelas leis da física e da matemática ", para compor a base de cálculo do tributo, posto que "[..] a Ciência do Direito não é regida pelas leis da física e da matemática, mas, sim, pelas normas jurídicas, constantes dos textos de Direito Positivo, razão pela qual deveria valerse de atos normativos [..]para compor a base de cálculo do tributo supostamente devido [...]". Alega que o uso de estimativas representaria verdadeira confissão de que o trabalho fiscal "[..] carece de precisão e de exatidão [...]", o que tornaria "[..] o crédito tributário totalmente ilíquido e incerto e, sem qualquer critério legal, mas, sim, com critério elaborado de forma pessoal, baseados nos seus [da fls 11 próprios entendimentos físicos e matemáticos". Transcreve trechos do relatório fiscal onde a metodologia de levantamento da base de cálculo do imposto é descrita, e ressalta que aludida metodologia fere "[..] princípios basilares do sistema jurídico tributário, como o da estrita legalidade, da vinculação dos atos administrativos, da verdade material, da segurança jurídica, da capacidade contributiva etc. ". Cita a obrigatoriedade de o lançamento tributário contemplar a matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devido (art. 142 do CTN), e assevera que "[..] (o lançamento não pode ser feito deforma estimada, como ocorreu no presente caso)". Ainda no tocante à alegada iliquidez e incerteza do crédito tributário formalizado contra a autuada, esta colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ (fls. 248) que, entende, corrobora seus argumentos, e ressalta que a necessidade da liquidez e certeza se deduz, também, diante desses requisitos representarem condição essencial para a inscrição dos créditos tributários na Dívida Ativa da União. Nesse sentido, reproduz jurisprudência do STJ segundo a qual o extravio do processo administrativo fiscal correspondente torna inexeqüível o título representativo da dívida ativa, por cercear o direito de defesa do executado. Contesta, ao final, os valores apurados pela fiscalização, e requer "[...] seja anulada a autuação em razão da ausência de liquidez e certeza”. No tópico III de sua impugnação, a reclamante, depois de fazer uma breve introdução concernente ao regime de drawback, afirma haver cumprido com todas as obrigações que lhe foram legalmente impostas, de sorte que "O órgão competente para a concessão do Regime de Drawback considerou válida (sic) as comprovações apresentadas pela Impugnante, mas a RFB, que não detém competência, considerou o Regime inadimplido". A conclusão "imediata” seria, pois, "[..] que o regime deferido foi plenamente cumprido. No ítem III. 1.1 da contestação da reclamante (fls. 253/268) são abordados questionamentos através dós quais esta defende ser inadmissível o princípio da vinculação física associado ao drawback, tendo ressaltado, também a fungibilidade existente entre os insumos provenientes de diferentes fontes, e utilizados no seu processo produtivo. Primeiramente, depois de resumir o entendimento da autoridade lançadora sobre a questão, aduz que o cumprimento dos compromissos assumidos no âmbito do regime de drawback suspensão "[.. ] em nada depende da vinculação física absoluta de um determinado insueto importado, por exemplo, a outro bem exportado, até porque, com relação a alguns bens, tal vinculação se torna inviável, por conta de sua própria natureza e do tipo de processo produtivo ao qual está Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 sujeito”. Cita exemplo de industrialização de produto com insumos fungíveis, destacando a falta de razoabilidade de se exigir a separação de tais insumos apenas com base em sua procedência. E defende que a matériaprima utilizada no seu processo industrial seria fungível, o que tornaria desnecessária a segregação da mesma, além de não ser viável operacionalmente e, principalmente, por dita separação não ser exigida pela lei que rege o regime de drawback. Alega que o item 26 do Comunicado DECEX n° 21/97 prevê apenas a exportação do "[..] produto previsto em valor, quantidade e dentro do prazo fixados", requisitos os quais teriam sido plenamente observados pela beneficiária do regime, a qual, inclusive, teria extrapolado em muito o montante por exportar comprometido. Em sintonia com sua tese, reproduz excertos de voto da relatora Susy Gomes Hoffmann, quando do julgamento do Recurso Voluntário n° 133.853, no âmbito do Terceiro Conselho de Contribuinte (conf . fls. 256/258). E ressalta que a legislação em que se fundamentou a autoridade lançadora (art. 78, II, do Decreto lei n° 37/66, art. 314, I, do RA/85, e art. 319 do RA 2002, por exemplo) não exigiria "[...] os controles apontados pela Autoridade Fiscal, muito menos dispõe acerca da necessidade de que haja vinculação física efetiva entre o insumo importado, amparado pelo benefício fiscal, e o produto exportado, quando se trata de bens fungíveis". Ressalta também não haver infringido o artigo 75, parágrafo 1°, do Decretolei n° 37/66, que exige apenas "a utilização dos bens dentro do prazo da concessão e exclusivamente nos fins previstos", nem o disposto no artigo 21 da Portaria SECEX n° 04/97, que determina apenas "[..] que sejam exportados produtos na quantidade e valor determinados no AC, o que foi efetuado pela Impugnante". Ressalta também que o Parecer Normativo CST n° 12/79 não poderia se sobrepor à lei. Aduz ainda o seguinte, verbis: No que tange à alegação da Autoridade Fiscal no sentido de que o CTN, em seu artigo 179, e o RA185, em seu artigo 134, determinam que o beneficiário do Regime, a fim de obter o reconhecimento do beneficio e conseqüentemente exclusão do crédito tributário por isenção, deve fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão', a despeito da ausência de pertinência das referidas citações com a matéria ora em debate, também é totalmente inoportuna, uma vez que a Impugnante fez prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei em relação ao Regime Especial de Drawback de que se beneficiou. Tanto o fez que o órgão competente para tanto efetuou a baixa do beneficio por considerálo cumprido. Aduz que a exigência de controle dos insumos em separado, por não estar prescrita em lei, representaria ofensa ao princípio constitucional da legalidade (art. 5% inciso II, da Constituição Federal). Afirma que, apesar de anteriormente ser exigida a observação do princípio da vinculação física, tal exigência decorria da confusão do incentivo de drawback como favor fiscal — que exigiria interpretação literal (CTN, art. 111) —, e não como incentivo à exportação, entendimento aceito hoje, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes, reproduzida às fls. 260/261. Utiliza tais argumentos para criticar a aplicação ao caso concreto da interpretação literal objeto do artigo 111 do CTN, e alega que o disposto no Ato Declaratório COSIT n° 20, de 17/05/1996, permitiria o uso de matériaprima nacional em substituição à importada, no âmbito do drawback, e desde que em quantidade e qualidade equivalente, não configurando, tal uso, um desvio de finalidade. Colaciona jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que já teria se manifestado "[..] no sentido de que a ausência ou imprecisão na vinculação física das mercadorias não descaracteriza o Regime" (v. fls. 262/265), e cita diversos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, além de reproduzir excertos de Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.602 9 julgados do STJ e do TRF da 4' Região, que teriam adotado semelhante entendimento (cf. fls. 265/267). Alega que os documentos emitidos pela SECEX e o disposto no artigo 18 da Portaria DECEX n° 24/92 não implicavam afirmar que o órgão anuente do regime desconhecia que os insumos importados seriam misturados aos nacionais no processo de fabricação dos produtos exportados, e que, caso a realização da mistura tivesse sido expressa, a SECEX teria majorado os compromissos de exportação. A justificativa para tanto seria decorrente da aprovação, pela SECEX, dos "[..] pleitos de baixa dos ACs, mediante a comprovação efetiva das exportações e das entradas de divisas compromissadas". No item 111. 1.2 se sua defesa (fls. 269/270), a reclamante aduz que cumpriu efetivamente com o fim objetivado na concessão do regime de drawback, posto que "[..] exportou os produtos exatamente na quantidade e prazos a que havia se comprometido”. Ressalta também, textualmente: Ademais. a D. Autoridade Fiscal Autuante cometeu um equívoco ao utilizar, na realização de seus cálculos, apenas os dados referentes à ( sic) exportações vinculadas aos ACs, quando, conforme era do conhecimento da referida autoridade, a ImpuPnante efetuou muito mais exportações durante o período de validade dos ACs em questão (nos anos de 2001 a 2004). Ou seja, a Autoridade Fiscal deveria ter levado em consideração na realização de seus cálculos a totalidade das exportações realizadas nela Impurnante no período em questão. Assim, para que uma pá de cal paire sobre o assunto, o empenho da Impugnante torna possível verificar a composição do sobredito resultado, exportação a exportação que foi realizada, tonelada a tonelada que foi remetida para o exterior! Neste sentido, confirase a planilha anexada à presente (doc. 13). Portanto, a Impugnante demonstra através da planilha (doc. 13 que ainda aue considerado o índice apurado nela Autoridade Fiscal de 37.26% exportou muito além do que havia se comprometido, de modo a consolidar de forma intransponível tudo o quanto se fundamenta para demonstrar a infelicidade do lançamento impugnado. Exemplificando, utilizando o índice apontado pela D. Autoridade Fiscal (37,;26%), verificase que a Impugnante deveria ter comprovado a exportação'de,13t051 toneladas de produtos acabados para o adimplemento do AC n 6011000003 ~ no período ali mencionado (primeira linha da planilha que consolida todos os cálculos). Ocorre que, conforme se depreende da planilha anexa (doc. 13),¡ a qual contém a totalidade das exportações realizadas pela Impugnante para este per=íodo, a quantidade de produtos exportados (27.876 toneladas) é muito superior àquela a qual a Impugnante se comprometeu quando da concessão do AC em comento, o que resulta em um excedente positivo de 14.825 toneladas favoravelmente à Impugnante. No entanto, conforme consta da coluna "C" do Anexo IV do Termo de Verificação Fiscal de 24.12.2007, a D. Autoridade Fiscal se limitou a considerar, para a realização de seus cálculos, no que tange ao AC em comento, a quantidade de 6.156,443 toneladas, quando deveria ter considerado a totalidade das exportações da Impugnante para o período de validade do AC em questão. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 A superioridade das exportações em questão decorre de que a Impugnante tem por atividade preponderantemente a exportação de produtos, conforme se constata da análise de seus balancetes e de suas Declarações de Imposto de Renda (DIPI) relativas aos anos de 2001 a 2004, as quais demonstram que as receitas auferidas pela Impugnante são principalmente advindas de operações realizadas no âmbito do comércio exterior (docs. 14 a 17). Por fim, a Impugnante informa que juntou apenas, a título exemplificativo, algumas cópias dos REs demonstrando as exportações que realizou de 2001 a 2004, período dos ACs (doc, 18). No entanto, ressalta que devido ao volume da totalidade dos REs relacionados ao referido período não efetuou ajuntada de todos, mas os disponibiliza em sua sede para que qualquer perícia fiscal possa efetuar tal checagem. Com respeito à taxa SELIC (objeto do tópico IV da defesa da reclamante), alega que a mesma não poderia ser utilizada como juros moratórios incidentes sobre débitos tributários, posto que sua natureza seria meramente de remuneração do capital investido pelo aplicador em títulos da dívida pública federal, função para a qual fora criada. Baseada em entendimentos doutrinários, defende que referida taxa desrespeita o mandamento contido no § 1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional, e ainda, que iria de encontro ao princípio da reserva legal contido no artigo 5% inciso I, da Constituição Federal, posto que não fora criada por lei, mas por resoluções do BACEN. Reforça seus entendimentos com respeitáveis entendimentos doutrinários e jurisprudenciais (vide fls. 271/273). Requer seja realizada perícia contábil, indicando como seu perito o contador Jairo Silva de Araújo, brasileiro, RG n° 1.269.682, CPF/MF n° 218.564.86591, CRC n° 15.978/07, tendo elaborado, para tanto, os seguintes quesitos (cf. fls. 273/273): (i) Relativamente ao cálculo efetuado pela D. Autoridade Fiscal, favor esclarecer quais exportações foram consideradas se apenas as exportações vinculadas aos ACs em comento ,ou todas as exportações realizadas, no período, pela Impugnante? (ii) Se apenas as exportações vinculadas aos ACs foram consideradas para efeito do cálculo apresentado pela D. Autoridade Fiscal, caso tivesse sido considerada a totalidade das exportações realizadas pela Impugnante, a conclusão seria diferente daquela apresentada pela Fiscalização? (iii) Por fim, na hipótese do quesito (ii), é possível concluir que houve cumprimento, em sua totalidade, do Regime de Drawback relativo aos ACs em comento, considerando a totalidade das exportações realizadas pela Impugnante no período? Finalmente, depois de protestar pela eventual necessidade de formulação de quesitos suplementares, e com base nos fundamentos acima relatados, requer seja julgado improcedente o lançamento formalizado através do auto de infração objeto da lide. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.603 11 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. REQUISITO DO TÍTULO EXECUTIVO. Liquidez e certeza se diz em relação ao título executivo derivado do crédito tributário lançado e definitivo, quando aí este passa a gozar da presunção relativa de liquidez e certeza, podendo, a partir de então, ser executado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. MATÉRIA DE OBSERVAÇÃO COMPULSÓRIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Independentemente da complexidade da ação fiscal, o prazo para apresentação da impugnação pelo sujeito passivo é de trinta dias, contados da data da intimação da exigência. Referido prazo é preclusivo, previsto em ato normativo com força de lei, sendo de observação compulsória por parte da autoridade administrativa, não podendo esta transigir quanto à sua aplicabilidade. Inexistência de cerceamento ao direito de defesa da impugnante. ERRO DE DIGITAÇÃO DE CÓDIGO NCM DE MERCADORIA. INEXISTÊNCIA DE QUALQUER PREJUÍZO AO ENTENDIMENTO COMPLETO DOS FATOS QUE MOTIVARAM O LANÇAMENTO. NULIDADE POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADA. A nulidade do lançamento por eventual cerceamento ao direito de defesa do autuado necessita seja demonstrada a ocorrência de prejuízo ao entendimento dos fatos e da fundamentação da autuação por parte do sujeito passivo. A mera inversão de dígitos no código NCM da mercadoria importada pela impugnante, constatada no relatório da fiscalização, não caracteriza cerceamento ao referido direito, principalmente diante de extensa e detalhada impugnação da reclamante demonstrando claro entendimento acerca de todas as razões que ensejaram a constituição de ofício do crédito tributário. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. RECUSA. Será indeferido o pedido de perícia quando os elementos que integram os autos demonstrarem ser suficientes para a plena formação de convicção e o conseqüente julgamento do feito. LANÇAMENTO. ABORDAGEM DE TODAS AS DEÇLARAÇOES DE IMPORTAÇÃO VINCÚLADAS AOS ATOS CONCESSÓRIOS DE DRAWBACK FISCALIZADOS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA FISCALIZADA. O crédito tributário será formalizado em um único processo quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Assim, deverão estar contempladas no mesmo processo todas as Declarações de Importação vinculadas aos atos concessórios de drawback fiscalizados. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. DRAWBACK SUSPENSÃO. 1NADIMPLEMENTO DO REGIME. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO, SUJEITO A PRAZO DECADENCIAL, E NÃO PRESCRICIONAL. TERMO DE RESPONSABILIDADE FIRMADO NO ÂMBITO DO DRAWBACK. FALTA DOS REQUISITOS MINIMAMENTE NECESSÁRIOS À CARACTERIZAÇÃO DE UM LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO. MERO TERMO DE COMPROMISSO QUE ESTÁ EM DESUSO.IMPRÓPRIA COMPARAÇÃO COM A DCTF. A formalização de termo de responsabilidade no regime aduaneiro especial de drawback não tem o condão de constituir crédito tributário, posto que, diante das informações nele contidas, demonstra tratarse dito documento de mero termo de compromisso, que não traz as mínimas informações indispensáveis e necessárias à materialização de um lançamento por declaração, mesmo se associado às declarações de importação em que houve importação de insumos com suspensão tributária. É inapropriada a comparação do procedimento relacionado ao termo de responsabilidade firmado no Drawback suspensão com a DCTF, posto que no primeiro, por estarse diante de evento futuro e incerto — adimplemento ou não do regime —, nada se diz sobre eventuais créditos devidos; diferentemente, a DCTF representa confissão de créditos tributários devidos, líquidos e certos, passíveis de inscrição na dívida ativa da União. As importações vinculadas ao drawback suspensão são declaradas como isentas, sob condição resolutória, existindo inúmeras causas que podem redundar no inadimplemento ou no adimplemento apenas parcial do regime, as quais necessitam estar fundamentadas em auto de infração, sob pena de cerceamento ao direito de defesa do beneficiário do regime. Desde 2004 não mais se exige formalização de termo de responsabilidade nos regimes aduaneiros especiais de drawback suspensão e isenção. Referido termo somente foi mantido no drawback solidário, e, mesmo assim, totalmente desprovido dos mínimos requisitos necessários a um instrumento hábil a caracterizar um lançamento por declaração. Nos tributos incidentes sobre a importação, mesmo diante do regime aduaneiro especial de drawback, o lançamento é por homologação. A insuficiência ou inexistência do necessário pagamento pelo adimplemento parcial ou inadimplemento do regime requer que o crédito tributário seja constituído através de lançamento de ofício, com lavratura de auto de infração, sujeito, portanto, a prazo decadencial, e não prescricional. DRAWBACK SUSPENSÃO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para o lançamento de ofício decorrente do descumprimento dos requisitos inerentes ao drawback suspensão será determinado com base na regra de que trata o art. 173, inciso I, do CTN. A contagem do referido prazo deverá se dar a partir do trigésimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.604 13 estabelecido, no respectivo ato concessório, para o cumprimento das obrigações assumidas pelo beneficiário. DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULADAO FÍSICA. DESCUMPRIMENTO. EXIGÊNCIA PROPORCIONAL DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. A ausência de controles de estoques, em separado, de matériasprimas nacionais e importadas distintas, utilizadas na industrialização de produtos exportados sob o regime aduaneiro especial de drawback suspensão ou destinadas ao mercado interno, exige a formalização de lançamento para a exigência dos tributos incidentes na importação, o que se dará com base em estimativa do percentual dos insumos importados não utilizados nas mercadorias destinadas à exportação. DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação a ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. ASSUNTO: OBRIGAÇÓES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/01/2001, 23/04/2001, 23/07/2001, 22/02/2002, 09/09/2002, 19/11/2002 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legítima a aplicação da taxa do SELIC para fixação dos juros moratórios no recolhimento do crédito tributário em atraso. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Afirma que o julgamento de primeira instância não deu a devida importância aos protestos consignados na impugnação ao lançamento, relacionados à improcedência da reconstituição do crédito em Auto de Infração. Advoga que à Autoridade Julgadora compete “analisar os pontos levantados pelo Impugnante e fundamentar as suas decisões”. Defende que “não pode prevalecer uma nova constituição do crédito tributário por meio do auto de infração outrora impugnado, uma vez que a efetiva entrega da DI (assim como acontece com a DIPJ e DCTF), devidamente acompanhada pelo Termo de Responsabilidade, constituiu o crédito tributário, sendo, portanto, descabida a lavratura do Auto de Infração por parte da RFB”. A esse respeito, cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Que, uma vez comprovado o adimplemento do Regime de Drawback perante a SECEX e obtida a baixa, não caberia à Secretaria da Receita Federal do Brasil “se sobrepor ao entendimento da SECEX e imputar seu inadimplemento por meio de autuação fiscal”. Referese à legislação que dá suporte a esse entendimento. Outrossim, considera ter decaído o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, em relação a todas as Declarações de Importação incluídas na autuação. Defende, “Nos lançamentos por homologação, cujo regime jurídico é definido pelo artigo 150, § 4º do CTN e que é aplicável ao tributo aqui em discussão, o sujeito passivo procede à atividade de lançamento, sem o prévio exame da autoridade administrativa, operandose o lançamento pela posterior homologação do Fisco, expressa ou tácita”. Quanto a isso, considera irrelevante ter ocorrido ou não o pagamento dos tributos na data do registro das Declarações de Importação. Entende que o que é homologado “é a atividade do sujeito passivo no sentido de determinar e quantificar a prestação tributária”. Refuta a alegação de que existência de incentivo condicionado teria o condão de suspender a contagem do prazo. Considera que, além de ausência de previsão legal para tanto, “a contagem de prazos com natureza decadencial não se sujeita à interrupção ou suspensão, consoante posição que e firmada pelo E. Superior Tribunal de Justiça”. Cita jurisprudência. Ausência de liquidez e certeza na autuação fiscal. Ao compor a base de cálculo do Imposto de Importação a Fiscalização Federal teria adotado “critérios estranhos à legislação tributária de regência, resultando na criação de um método inédito e de sua própria autoria, que não seria, segundo ele, mera conjectura, mas aplicação de princípios experimentados pelas ciências exatas, asseguradas pelas leis da física e da matemática”. Afirma, De fato, não se pode esquecer que, enquanto as leis da física e da matemática são regidas por uma relação de causa e efeito natural ou por uma lógica calcada em axiomas e premissas próprias, as leis jurídicas geram normas que trabalham com uma relação de causa e efeito eleita pelo próprio homem, regulando as condutas como permitidas, proibidas e obrigatórias (lógica deôntica), razão pela qual o Sr. Agente Fiscal deveria terse utilizado, no caso concreto, de princípios jurídicos e não de princípios físicos e matemáticos, pois esses princípios em nada alteram a aplicação da norma jurídica, principalmente, a norma jurídica tributária. Ainda a esse respeito, que a Autoridade Julgadora de primeira instância inovou a fundamentação do Auto de Infração ao alegar que o artigo 148 do Código Tributário Nacional, não citado pela Fiscalização Autuante na Descrição dos Fatos, seria suficiente para fundamentar o critério de apuração da base de cálculo. Por outro lado, demonstra que esse artigo não pode ser aplicado ao caso concreto. No mérito, defende que, embora a legislação de regência tenha determinado que os produtos importados sejam utilizados na industrialização de mercadorias exportadas, o cumprimento do Regime, que tem por finalidade precípua a suspensão tributária como Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.605 15 incentivo às exportações, “em nada depende da vinculação física absoluta de um determinado insumo importado [...]”. Defende que a segregação física da matériaprima exigida pela Autoridade Fiscal e referendada pela Turma Julgadora é (i) desnecessária em razão da fungibilidade dos insumos empregados no processo produtivo (amêndoa de cacau), (ii) inviável operacionalmente e (iii) não é exigida na legislação que rege o Regime Especial de Drawback. Cita item 26 do Comunicado DECEX n.º 21/97 no qual é determinada a exportação de produto em valor, quantidade e prazo fixados no Ato Concessório, compromisso que argumenta ter atendido. Que a legislação não estabelece obrigatoriedade de utilização de controles de estoque específicos para os produtos importados vinculados ao regime, “tampouco dispõe acerca da necessidade de que haja vinculação física efetiva entre o insumo importado, amparado pelo benefício fiscal, e o produto exportado, quando se trata de bens fungíveis”. Mais tarde, retorna ao assunto para esclarecer que a totalidade das exportações realizadas no período, 27.876 toneladas, é muito superior àquela a qual se comprometeu e que, no entanto, “conforme consta da coluna "C" do Anexo IV do Termo de Verificação Fiscal de 24/12/2007, a D. Autoridade Fiscal se limitou a considerar, para a realização de seus cálculos, no que tange ao AC em comento, a quantidade de 6.156.443 toneladas, quando deveria ter considerado a totalidade das exportações da Recorrente para o período de validade do AC em questão”. Que o artigo 319, do RA/85, “é claro ao determinar que o pagamento dos tributos suspensos, somente se torna obrigatório quando as mercadorias deixem de ser empregadas no processo produtivo dos bens exportados, o que não ocorreu no caso em comento”. Cita e transcreve Ato Declaratório Cosit nº 20/96 que admite, em alguns casos, que se afaste a obrigação da vinculação física entre mercadoria importada e produto exportado. Relembra que o “Relatório de Comprovação de Drawbck, que foi anexado à peça impugnatória, dá conta da exportação dos produtos que lhe incumbiam, devidamente baixados pelos órgãos da SECEX, e demonstra, de forma cabal, o cumprimento do Regime Especial [...]”. Para corroborar o entendimento que defende, cita e transcreve jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça. Ao fim, protesta contra a aplicação da Taxa Selic que, segundo entende, tem natureza remuneratória. Considera inconstitucional e ilegal sua aplicação com a finalidade pretendida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 16 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. De início, cumpre rejeitar os protestos dirigidos à decisão de piso pela alegada ausência de exame e fundamentação acerca da impertinência de constituição do crédito tributário objeto do presente litígio em Auto de Infração, pelo fato de ele já haver sido constituído em Termo de Responsabilidade quando da apresentação das Declarações de Importação correspondentes. Como é possível verificar da leitura do Voto Condutor da decisão recorrida, nada menos do que nove folhas foram dedicadas ao exame da matéria. Irrelevante que nelas tenha sido exposto entendimento versado em outro momento. Tratase de estudo desenvolvido pelo próprio Relator do processo, que serviu para fundamentação da decisão proposta neste processo. Por outro lado, na essência da questão suscitada, não vejo porque considerar indevida a constituição do crédito em Auto de Infração. Fosse a exigência consumada pela execução dos Termos de Responsabilidade, como parece preferir a Recorrente, e restaria o direito à defesa reduzido à discussão no âmbito judicial, já que, como bem descrito na peça impugnatória, as confissões de dívida seriam encaminhadas de forma sumária à dívida ativa, sem chance de reforma ainda durante a tramitação do processo administrativo fiscal. Outrossim, a constituição do crédito em Auto de Infração garante a integridade na formalização da exigência, prevenindo o risco de que venha a ser declarado ilegal ou indevido o meio escolhido para cobrança e, como já dito, garantindo o amplo direito à defesa. Também não pode prosperar a alegação de que, comprovado o adimplemento e obtida a baixa do Regime perante a SECEX, não caberia à Secretaria da Receita Federal do Brasil “se sobrepor ao entendimento da SECEX e imputar seu inadimplemento por meio de autuação fiscal”. A Recorrente defende que o artigo 2º, da Portaria MEFP n° 594, de 25/08/92, confirma esse entendimento. Contudo, é da própria Portaria o comando cristalino que garante à Secretaria da Receita Federal, então Departamento da Receita Federal, a competência para aplicação do regime, fiscalização dos tributos, compreendido o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. Transcrevo a seguir o texto normativo. O MINISTRO DE ESTADO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, inciso II, da Constituição e com base no art. 333, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto no 91.030, de 5 de março de 1995, resolve: DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º A concessão e a aplicação do regime aduaneiro especial de "drawback" nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, previstas nos incisos I e II, do art. 314, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto no 91.030, de 5 março de 1985, se regem pelo disposto nesta Portaria. Parágrafo único. O regime de "drawback" poderá ser concedido conforme previsto no art. 315, do Regulamento Aduaneiro. Art. 2º Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2o, da Lei no 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.606 17 compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Art. 3o Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DpRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. (grifos meus) Em relação à Portaria SECEX n° 04, de 11/06/97, também citada no Recuso Voluntário, cumpre inicialmente esclarecer que a mesma não se constitui expediente hábil à regulamentação de procedimentos de competência da Secretaria da Receita Federal, uma vez que restrita ao âmbito da SECEX. Ainda assim, nela nada há que possa ser interpretado como limitador das competências da Fiscalização Aduaneira. Como a seguir se observa, seu artigo 2º apenas garante ao Departamento de Operações de Comércio Exterior – DECEX a atribuição de acompanhar e verificar o adimplemento do compromisso, prerrogativa que não vejo razões para que fosse dela excluído. Art. 2º Constitui atribuição do Departamento de Operações de Comércio Exterior (DECEX) a concessão do Regime de Drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Todas essas disposições convergem a um mesmo fim e encontram, no também citado item 27.3 do Comunicado do Departamento de Comércio Exterior nº 21/97, o outro elo da cadeia de controle. 27.3 O inadimplemento será formalmente comunicado à Secretaria da Receita Federal e aos demais órgãos envolvidos ". Como bem interpretado e exposto pelo i. Relator da decisão a quo, a SECEX exerce um controle baseado, fundamentalmente, em informações documentais prestadas pelo próprio beneficiário do Regime. Por isso a importância de que a Fiscalização Federal tenha acesso às circunstâncias materiais e ateste sua correspondência com as declarações prestadas pelo administrado. Não foi o que aconteceu no caso concreto. Embora os documentos demonstrassem a exportação de mercadorias em quantidade suficiente à comprovação do compromisso, os Auditores, pela verificação in loco, chegaram à conclusão de que certos requisitos não foram atendidos, assunto que será mais tarde examinado. Também em preliminar, alega a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário sub judice. Em linhas gerais, assim entende por que considera aplicável o artigo 150 do Código Tributário Nacional, que define que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo para constituição da exigência se inicia na data de ocorrência do fato gerador correspondente. Conforme preceitua o Código, o direito de constituir o crédito tributário expira no prazo de cinco anos contados, em regra geral, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal providência já poderia ter sido tomada. Nos casos de tributos cujo lançamento operase por homologação, o dia de início da contagem do prazo é antecipado. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 18 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Embora essa regra dê ensejo a diferentes interpretações, tendo por base a possível finalidade pretendida pelo legislador, qual fosse a de antecipar a contagem do prazo sempre que notório o conhecimento, pela autoridade fiscal, da ocorrência do fato gerador do imposto, não há como escapar à condição especificada no § 1º, indicando o pagamento antecipado pelo obrigado como ação necessária à extinção do crédito sob condição resolutória, sem o qual o próprio lançamento por homologação não operase, restando o mesmo regulado pelas disposições contidas no artigo 173, conforme a seguir transcrito. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ainda mais, no caso específico de aplicação do Regime Aduaneiro de Drawback, há uma questão adicional a ser levada em consideração. Não me parece existir nenhuma lógica a justificar a homologação de um lançamento para o qual as circunstâncias materiais ainda não foram completadas. A obrigação ou não de recolher tributos aos cofres públicos, assim como a matéria tributável e o prazo para recolhimento dependem de fatores que só podem ser apurados muito tempo depois do registro da declaração de importação com tributos suspensos. Assim, a obrigação de antecipar o pagamento em referência não acontece por ocasião do registro das importações, mas em até trinta dias do prazo fixado para exportação. A Recorrente considera a autuação fiscal desprovida de liquidez e certeza, tendo em vista os “critérios estranhos à legislação tributária” adotados pela Fiscalização Federal na composição da base de cálculo dos tributos exigidos no Auto de Infração. Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.607 19 Extraise do Auto de Infração qual a metodologia de cálculo empregada na apuração do quantum de matériaprima importada com suspenção do pagamento de tributos, destinada ao mercado interno. Para tal, baseandonos nas informações, prestadas pela empresa, de que não havia segregação entre as amêndoas de cacau por sua origem/procedência e de que havia uma equivalência (em termos de qualidade) entre elas para fins de industrialização, e, principalmente com base nos dados inseridos no documento intitulado "Controle da Produção e do Estoque", apresentado pelo contribuinte, e, finalmente, naqueles dados extraídos do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, módulos Importação e Exportação, por intermédio do aplicativo DW Aduaneiro, estimamos um percentual de mistura a partir da aplicação de uma proporção entre amêndoas de origem estrangeira (importadas com benefício fiscal) e de origem nacional disponíveis para alimentar o processo produtivo da empresa, mês a mês. É de se observar, em relação ao caso em análise, que, mesmo não tendo sido objeto de auditoria os Atos Concessórios emitidos no anocalendário 2000 (pelas razões aludidas na introdução deste Termo de Verificação Fiscal), trabalhamos, para obtenção do percentual em causa, também com as entradas e saídas da produção registradas para o ano de 2000. O procedimento em questão se deu com o único propósito de aplicar ao trabalho números de produção, o mais próximos possível do real, uma vez que a média ponderada obtida a partir das entradas e saídas da produção alcançaria um período de três anos. A respeito desse assunto, é fundamental que fique claro a impossibilidade de se afirmar com certeza, seja qual for a situação encontrada, qual foi a quantidade de matéria prima realmente empregada na produção de produtos exportados. Tratase de um evento passado e, por isso mesmo, intangível. O instrumento de aferição da regularidade das operações, no que concerne ao princípio da vinculação física exigido no Drawback, sempre terá natureza contábil. A auditoriafiscal irá basearse nas disponibilidades, apuradas com base nas importações realizadas e, considerando a proporção insumo/produto, calculará o saldo em estoque para cada período, glosando as exportações utilizadas na comprovação do adimplemento do Regime sempre que constatar indisponibilidade momentânea de matéria prima. No caso vertente, há uma particularidade. Em regra geral, aplicase o critério mais favorável ao contribuinte. Se há saldo de matériaprima em estoque, considerase que as mercadorias exportadas foram fabricadas com elas. Contudo, a realidade observada na empresa fiscalizada, tendo em conta as próprias declarações prestadas por seus representantes à Fiscalização Federal, dá conta de que não havia segregação entre as amêndoas de cacau por sua origem/procedência. Assim, não seria, mesmo, razoável que fosse aventada a possibilidade de que os produtos exportados tivessem sido produzidos com insumos integralmente constituídos por amêndoas importadas com benefício. Para tanto, seria necessário imaginar que resultasse da mistura das amêndoas de diferentes origens, porções com concentração específica de uma origem e, ainda, que as porções de concentração de material importado é que tenham sido empregadas na fabricação de produtos exportados. Inconcebível. Foi por essa razão, a Fisco lançou mão de critérios matemáticos na apuração da quantidade de insumos não utilizados nos fins para que estavam destinados. Calculou o percentual de material importado em estoque, com base na média ponderada, obtido a partir de dados históricos, considerando as fichas de controle de estoque, as importações, os saldos registrados na contabilidade, da maneira como consta criteriosamente demonstrado no Auto de Infração. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 20 Como disse, a quantidade de matériaprima importada efetivamente empregada nos fins para os quais foram importadas não tem como ser atestada. Ela estará sempre baseada em dados contábeis. A diferença do caso concreto em relação às situações normalmente observadas, é que aqui não havia porque nem como considerar que as disponibilidades em estoque tenham sido empregadas na produção do material exportado, apenas um percentual delas. De fato, relevante observar que nenhum outro critério de apuração seria viável no caso concreto. Uma vez que os insumos foram misturados, só faz sentido falarse em uma estimativa do quantum utilizado na fabricação de bens exportados, tal como fez a Fiscalização Federal. Por outro lado, o fato de Delegacia da Receita Federal de julgamento ter referido o artigo 148 do Código Tributário Nacional como base legal para utilização do critério acima comentado constitui inovação no lançamento. O i. Relator do processo apenas considerou que o artigo dá respaldo à Fiscalização. Inovar seria empregar novo critério, não confirmalo por novos argumentos. No mérito, os fatos apurados e as normas tributárias também não favorecem ao sujeito passivo. Como reconhecido pela própria defesa, a legislação de regência determinada a utilização dos produtos importados na industrialização de mercadorias exportadas. Contudo, ao contrário de como entende, o fato de ser finalidade precípua da suspensão tributária o incentivo às exportações em nada modifica essa exigência. A condição veiculada no item 26 do Comunicado DECEX nº 21/97, em relação ao compromisso de exportação de produto em valor, quantidade e prazo fixados no Ato Concessório, constitui um dos requisitos para o adimplemento do Regime. Não pode ser interpretado como excludente dos demais. Também não é de se esperar que a legislação estabeleça obrigatoriedade de utilização de controles de estoque específicos para os produtos importados vinculados ao regime, ou que disponha acerca da necessidade de que vinculação física entre o insumo importado e o produto exportado especificamente para os casos de bens fungíveis. Essas obrigações são decorrentes do comando genérico que consagra o princípio da vinculação física no Drawback, como a seguir se lê. Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decretolei no 37, de 1966, art. 78, e Lei no 8.402, de 1992, art. 1o, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; (grifos meus) E nem se diga que se trate de interpretação exageradamente rigorosa ou demasiadamente literal da norma. Ainda que a situação autorize essa linha de interpretação, por tratarse de caso de exclusão de crédito tributário, há outros fortes indicativos de que os bens precisam necessariamente ser empregados na fabricação do produto destinado ao exterior. As exceções confirmam a regra. Art. 336. O regime de drawback poderá ser concedido a: (...) Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.608 21 § 1o O regime poderá ainda ser concedido: I para matériaprima e outros produtos que, embora não integrando o produto exportado, sejam utilizados na sua fabricação em condições que justifiquem a concessão; ou (...) Art. 339. O regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido e comprovado, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, com base unicamente na análise dos fluxos financeiros das importações e exportações, bem assim da compatibilidade entre as mercadorias a serem importadas e aquelas a exportar. No que concerne à inviabilidade operacional de segregação, penso que o assunto tenha sido bem abordado pela AuditoraFiscal. Oportuno, ainda, observar a propósito de eventual questionamento acerca da concessão do regime especial pela SECEX mediante os Atos Concessórios auditados, mesmo diante da capitulação legal acerca do referenciado princípio que: da análise dos documentos emitidos por aquele órgão e à vista do que dispõe o artigo 18 da Portaria DECEX 24, de 1992, que prevê um "termo de responsabilidade" declarando que as mercadorias a serem exportadas "são estritamente necessárias" à produção dos bens a exportar, inferese que o órgão em referência, no momento do emissão dos Atos Concessórios, desconhecia o fato de que os insumos a serem importados com o benefício seriam misturados aos nacionais para a fabricação dos produtos a serem exportados. Caso a realização do mistura tivesse sido expressa e devidamente comunicada à SECEX, os compromissos de exportação certamente seriam majorados, de forma a garantir o total consumo das amêndoas importadas nos produtos a exportar. Quanto ao Ato Declaratório Cosit nº 20/96, além do reconhecimento expresso pela defesa de que não aplica às mercadorias importadas, tratase, como bem esclarecido na decisão de piso, de Ato Normativo regulador das operações de Drawabck isenção e não suspensão. No que concerne à jurisprudência colacionada, de se lembrar que apenas as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática de Repercussão Geral ou Recurso Repetitivo, conforme o caso, são de observação obrigatória por este Colegiado, tal como disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, alteração introduzida pela Portaria 586/10. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 22 Quanto aos juros de mora, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º, dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.º 9.065/95 prevê, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não havendo, portanto, razão para protesto. Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. CAPÍTULO VIII Das Penalidades e dos Acréscimos Moratórios Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei nº 9.065, de 1995 II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.609 23 § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002). Ainda mais, tratase de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere às argüições de desrespeito a princípios constitucionais, o fato é que falece competência a este tribunal administrativo para deixar de aplicar uma lei por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 26 de fevereiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 24 Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator Designado. Em que pese o respeitável voto do e. relator, divirjo do entendimento quanto a existência de erro na base de cálculo utilizada para o lançamento tributário. O Auto de Infração que originou o processo em discussão, teve origem em auditoria de Drawback e na análise realizada pela autoridade de primeira instância não foi possível a comprovação do cumprimento das obrigações referentes ao benefício tributário. O julgamento da primeira instância detalha o modelo de apuração por estimativa, adotado durante o procedimento fiscal, considerando a validade deste procedimento, conforme consta da ementa do acórdão, da qual extraio o trecho abaixo. "DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULADAO FÍSICA. DESCUMPRIMENTO. EXIGÊNCIA PROPORCIONAL DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. A ausência de controles de estoques, em separado, de matérias primas nacionais e importadas distintas, utilizadas na industrialização de produtos exportados sob o regime aduaneiro especial de drawback suspensão ou destinadas ao mercado interno, exige a formalização de lançamento para a exigência dos tributos incidentes na importação, o que se dará com base em estimativa do percentual dos insumos importados não utilizados nas mercadorias destinadas à exportação."(griffo nosso) Portanto a motivação do lançamento, explicitada no Auto de infração, aconteceu com base em estimativa do percentual dos insumos importados. A decisão recorrida decidiu pela manutenção do lançamento ao arrimo que a exigência dos tributos suspensos por força da aplicação do regime de drawback, poderia ser exigido com base em estimativa do percentual dos insumos importados. O Drawback é modalidade de isenção solicitada pelo contribuinte, que se submete às regras para fruição deste benefício fiscal, utilizando o ato concessório do regime para promover a importação de mercadorias que após submetidas a transformação no Pais serão exportadas. O importador ao utilizar o regime já tem conhecimento da sua obrigação de comprovar a exportação destas mercadorias. Condição indispensável para a fruição do benefício. Ao fim do regime, cabe ao contribuinte comprovar a efetiva exportação dos produtos importados cabendo o ônus da prova ao beneficiário do regime. Na ausência de comprovação da exportação das mercadorias importadas, considerase não cumprido o benefício fiscal, sendo exigível os tributos que estavam suspensos. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10508.001143/200766 Acórdão n.º 3102001.766 S3C1T2 Fl. 1.610 25 Independente das dificuldades de controle que possa ter o contribuinte para comprovar a exportação das mercadorias importadas. Esta exigência faz parte do regime de Drawback e cabe ao contribuinte realizar todos os controles necessário e cuidar de garantir as provas para comprovar o cumprimento do regime. Quando da auditoria, se o contribuinte não consegue comprovar a efetiva exportação dos produtos, não há outro caminho à fiscalização que não seja a exigência dos impostos suspensos. O fato das mercadorias importadas serem fungíveis não ilide ou atenua a obrigação de comprovar a exportação destes produtos. Se o contribuinte não consegue apresentar sistema de controle que demonstre clareza quais os produtos exportados, não há como a fiscalização da Receita Federal suprir esta falta de comprovação, sendo devido todo o tributo suspenso cuja as exportações não foram comprovadas. No caso em tela, o contribuinte beneficiário do Drawback quando intimado pela fiscalização a comprovar a exportação de mercadorias não conseguiu comprovar a exportação dos produtos, alegando que todos os produtos adquiridos tanto importados como aqueles adquiridos no mercado interno eram armazenados juntamente, tornando impossível realizar a diferenciação dos produtos e portanto, a comprovação da exportação. Destarte, em não existindo a comprovação das exportação, cabe a exigência integral dos tributos. A fiscalização entendeu de forma diferente, definindo critérios de apuração para quantificar os produtos que teriam sido exportados. Entendo, que se o contribuinte não comprovou a exportação, não cabe a definição por parte da fiscalização de modelos para auferir o cumprimento da obrigação. A responsabilidade pela comprovação da exportação das mercadorias importadas é obrigação do beneficiário do regime, que quando intimado deve apresentar os documentos fiscais e provas que comprovam a exportação, não cabendo nenhum mudança ou utilização de critério alternativo de apuração de possíveis bases de cálculo a serem utilizadas na a exigência do tributo. Assim, entendo que o Auto de Infração não pode prosperar, em razão da utilização de bases de cálculo projetadas a partir de presunções que não correspondem efetivamente às mercadorias importados que deixaram de ser exportados. A exigência da correta apuração da base de cálculo consta do art. 148 do Código Tributário Nacional e em que pese a possibilidade do arbitramento, esta permissão não se faz possível no caso em tela, visto a obrigatoriedade da comprovação ser ônus do beneficiário do regime e a falta de comprovação das exportações implica na exigência integral dos tributos suspensos. Diante do exposto, em que foi verificado que a base de cálculo, para efeito da exigência tributária, não foi confirmada, voto no sentido de cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 26 Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 13808.000151/00-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1995
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
O lançamento em apreço versava sobre duas matérias: i) rendimento tributável referente a ganho de capital; e ii) ao acréscimo patrimonial a descoberto.
Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional insurgiu-se contra a decadência que fora declarada no Acórdão 3402-00.031, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte.
Por seu turno, acórdão embargado (Acórdão nº 9202-02.174), deu provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões.
Ocorre que, conforme aponta a embargante, a discussão acerca do rendimento tributável referente a ganho de capital não se encontrava em litígio em sede de recurso especial, uma vez que esta parcela já fora afastada pela decisão de primeira instância e, conseqüentemente, não foi objeto de apreciação no recurso voluntário interposto pelo contribuinte.
Destarte, ao se afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, em verdade, deu-se total provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
Assim sendo, devem ser acolhidos os embargos de declaração opostos, a fim de que seja saneado o feito e seja proferida correta conclusão acerca do litígio em questão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 9202-003.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado passando a dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo os autos retornarem à Câmara de origem, para apreciação das demais matérias trazidas no recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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O lançamento em apreço versava sobre duas matérias: i) rendimento tributável referente a ganho de capital; e ii) ao acréscimo patrimonial a descoberto. Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional insurgiuse contra a decadência que fora declarada no Acórdão 340200.031, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Por seu turno, acórdão embargado (Acórdão nº 920202.174), deu provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões. Ocorre que, conforme aponta a embargante, a discussão acerca do rendimento tributável referente a ganho de capital não se encontrava em litígio em sede de recurso especial, uma vez que esta parcela já fora afastada pela decisão de primeira instância e, conseqüentemente, não foi objeto de apreciação no recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Destarte, ao se afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, em verdade, deuse total provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim sendo, devem ser acolhidos os embargos de declaração opostos, a fim de que seja saneado o feito e seja proferida correta conclusão acerca do litígio em questão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 01 51 /0 0- 14 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado passando a dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo os autos retornarem à Câmara de origem, para apreciação das demais matérias trazidas no recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 12/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados tempestivamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo contra o Acórdão n.º 920202.174, da lavra da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo sua ementa: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO . CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Nítida é a contradição entre o resultado do julgamento constante no acórdão e os fundamentos e a parte dispositiva de seu voto condutor. A contradição que autoriza a oposição do recurso declaratório deve ser interna à decisão, verificada entre os fundamentos do julgado e a sua conclusão, o que de fato ocorreu no caso em tela. Tendo o julgado ora embargado assentado dar provimento parcial ao recurso, para afastar a decadência relativa ao ganho de capital, devem ser acolhidos os presentes embargos de declaração para, sanando a contradição apontada, com fulcro no art. 65 do anexo II do RICARF, afirmar o provimento parcial para afastar a decadência referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, devendo os presentes autos retornarem ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário do contribuinte. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13808.000151/0014 Acórdão n.º 9202003.249 CSRFT2 Fl. 5 3 Embargos acolhidos.” A decisão embargada, por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração, com alteração do resultado do julgamento para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões. Afirma que o acórdão embargado se deu após a interposição de Recurso Especial pela PGFN, frente ao Acórdão n.° 340200.031, cuja ementa será descrita a seguir: "DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. 0 fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). Decadência acolhida. Recurso Provido." Observa que o Acórdão n.° 920202.174 deu provimento parcial, quando deveria ser provimento total, pois reverteu a decadência anteriormente acolhida relacionado ao acréscimo patrimonial descoberto. Frisa que não está em questão a decadência de rendimento tributável referente a ganho de capital, pois esta foi extinta no julgamento DRESPOII do acórdão 1717.438— 5a turma da DRJ/SPOII. Ao final, requer o acolhimento dos presentes Embargos para que o colegiado se manifeste em relação ao provimento parcial, a fim de possibilitar a correta execução e cumprimento do decidido pela 2ª turma da CSRF. Aprovadas as informações em embargos de declaração, pelo Presidente da CSRF, o processo foi incluído em pauta. Eis o breve relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O lançamento em apreço versava sobre duas matérias: i) rendimento tributável referente a ganho de capital; e ii) ao acréscimo patrimonial a descoberto. Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional insurgiuse contra a decadência que fora declarada no Acórdão 340200.031, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Por seu turno, acórdão embargado (Acórdão nº 920202.174), deu provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto com retorno à Câmara "a quo" para análise das demais questões. Ocorre que, conforme aponta a embargante, a discussão acerca do rendimento tributável referente a ganho de capital não se encontrava em litígio em sede de recurso especial, uma vez que esta parcela já fora afastada pela decisão de primeira instância e, conseqüentemente, não foi objeto de apreciação no recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Destarte, ao se afastar a decadência em relação ao acréscimo patrimonial a descoberto, em verdade, deuse total provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim sendo, devem ser acolhidos os embargos de declaração opostos, a fim de que seja saneado o feito e seja proferida correta conclusão acerca do litígio em questão. Pelo exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para votar pelo provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência declarada, com retorno ao colegiado a quo para apreciação das demais matérias suscitadas no recurso voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 279DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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