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Numero do processo: 10830.723109/2011-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem encaminhar o processo à 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o processo 16643.000274/2010-53.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem encaminhar o processo à 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o processo 16643.000274/201053. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 23 10 9/ 20 11 -6 1 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 12 2 RELATÓRIO EATON LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 54.625.819/000173, com domicílio fiscal na cidade de Valinhos Estado de São Paulo Bairro Macuco, Rua Clark, nº 2.061, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 137/158, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 137/158. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, em 03/08/2011, o Auto de Infração para a aplicação da multa isolada em razão de compensação indevida de tributos (fls. 03/05), com ciência em 17/08/2011 (fl. 74), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 14.512.558,60, a título de multa regulamentar, relativo ao exercício de 2011, correspondente ao anocalendário de 2010. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de revisão interna, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver compensação indevida de valores através da apresentação de declaração de compensação. Infração capitada nos arts. 74, § 17, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei n° 12.249, de 2010. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário esclarece o lançamento através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 06/11, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, nos referidos processos, o contribuinte em questão, com sede na Rua Clark, 2.061, Prédio 54, Macuco, Valinhos – SP apresentou as DComp objetivando extinguir os débitos ali arrolados pela compensação de supostos créditos advindos dos saldos credores de CSLL e IRPJ, por ele apurados para o anocalendário 2008; que o motivo da não homologação teve sua gênese no resultado da fiscalização autorizada pelo MPF nº 08.1.7.1.002009001127, em que se apontou a escrituração indevida de despesa de amortização de ágio nos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008. Como conseqüência, no que tange ao anocalendário em foco (2008), constatouse que as bases de cálculo da CSLL e do IRPJ, apuradas na respectiva DIPJ (nº 1744807), estavam maculadas, inferiores a real; que, isto posto, no que se refere à compensação do saldo negativo da CSLL apurada pelo sujeito passivo em sua DIPJ2009, temse que nenhuma DComp foi homologada, em face de inexistência de crédito aproveitável. Relativamente à pretensão compensatória do saldo negativo do IRPJ, pelo resultado da operação levada a cabo nos autos do processo administrativo nº 10830.720915/201187, a não homologação recaiu sobre as DComp nº 06138.19370.220410.1.3.025623; Fl. 216DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 13 3 que, conforme visto, o contribuinte pretendeu compensar os saldos negativos da CSLL e do IRPJ por ele apurados em sua DIPJ2009; que, assim, na hipótese vertente, tendo sido não homologadas as respectivas Declarações de Compensação, a Lei nº 12.249/10, de 11/06/2010, publicada no D. O. U. de 14/06/2010, em seu art. 62, que promoveu a inclusão do § 17 ao art. 74, da Lei nº 9.430/96, impõe o lançamento de multa de ofício de 50% sobre o crédito objeto do documento não homologado; que por tratarse de procedimento de revisão interna, fica dispensada a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, com base no art. 10, inciso IV, da Portaria RFB nº 11.371, de 12/12/2007; que cumpre ainda salientar que, por não pairarem dúvidas acerca do caso em pauta – lançamento de multa isolada sobre créditos objeto de DComp não homologadas apresentadas pelo sujeito passivo após 14/06/2010 , abstiveme de intimálo a prestar maiores esclarecimentos, nos termos do que dispõe a Súmula CARF nº 46 “o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.”. Em sua peça impugnatória de fls. 75/92, instruída pelos documentos de fls. 93/133, apresentada, tempestivamente, em 15/09/2011, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a impugnante, no entanto, não pode concordar com a autuação em exame, na medida em que (i) a não homologação das Declarações de Compensação apresentadas pela impugnante está sendo questionada na esfera administrativa nos autos dos processos administrativos nº 10830.721022/201159 e nº 10830.720915/201187 e (ii) a multa em questão não pode ser validamente exigida no caso corrente, pois ofende diversos princípios constitucionais como da vedação ao confisco e da isonomia, bem como o direito de petição; que nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, a impugnante apurou saldos negativos de IRPJ e CSLL e, assim, apresentou Declarações de Compensação visando à utilização desses créditos para a compensação de débitos tributários federais; que as autoridades fiscais, no entanto, decidiram não homologar as referidas compensações, sob o argumento de que a apuração do IRPJ e da CSLL deveria ser revisada, tendo me vista o auto de infração relativo ao processo administrativo nº 16643.000274/2010 53, que determinou a glosa de despesas de amortização de ágio incorridas no período de 2005 a 2008; que, com efeito, a despeito de o referido auto de infração exigir o recolhimento de IRPJ e CSLL calculados sobre o valor total da glosa das despesas de ágio, as autoridades fiscais que analisaram as Declarações de Compensação decidiram recompor as bases de cálculo desses tributos em razão da referida glosa, o que resultou no aumento do lucro real tributável e a conseqüente redução do saldo negativo de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008; que a não homologação das Declarações de Compensação foi, então, imediatamente questionada pela impugnante, gerando seis processos administrativos distintos. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 14 4 Especificamente com relação aos créditos de IRPJ e CSLL do anocalendário 2008, foram gerados os processos administrativos nº 10830.720915/201187 e nº 10830.721022/201159, atualmente pendentes de julgamento de primeira instância; que, como exposto acima, o presente processo administrativo versa sobre a aplicação de multa isolada diante da não homologação de Declaração de Compensação apresentadas pela Impugnante após 14 de junho de 2010, data na qual passou a vigorar a legislação que introduziu a penalidade ora questionada; a clara e estreita relação entre a multa isolada em exame, as compensações não homologadas e o auto de infração da glosa das despesas de ágio e absolutamente evidente, visto que tal fato consta, inclusive, do próprio Termo de Verificação Fiscal; que da leitura do trecho acima fica claro que (i) a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2008 foi majorada pela glosa de despesas de amortização de ágio, (ii) a alteração na base de cálculo do IRPJ e da CSLL acabou por reduzir o saldo negativo de IRPJ e CSLL, ensejando a não homologação das declarações de Compensação e (iii) a não homologação das compensações resultou na presente autuação para exigência da multa isolada sobre o crédito utilizado nas referidas Declarações de Compensação; que, consequentemente, caso o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconheça a dedutibilidade das despesas de amortização do ágio, os saldos negativos de IRPJ e CSLL originalmente informados na DIPJ da impugnante devem ser reconhecidos e as compensações homologadas. Consequentemente, a multa ora discutida deverá ser integralmente cancelada; que, por outro lado, caso o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entenda procedente a glosa das despesas de amortização de ágio, deverá decidir se era manter as exigências de IRPJ e CSLL sobre o valor integral das despesas glosadas (como proposto no auto de infração) ou se irá reduzir o valor apurado com base na reapuração das bases do IRPJ e da CSLL (como proposto nos Despachos Decisórios das declarações de Compensação); que da necessidade de apensamento do presente processo aos processos administrativos de compensação ou, alternativamente, de sobrestamento destes autos, como o presente processo administrativo versa sobre a aplicação de multa isolada diante da não homologação de Declaração de Compensação apresentadas pela Impugnante após 14 de junho de 2010, data na qual passou a vigorar a legislação que introduziu a penalidade ora questionada; que a Impugnante entende que os julgadores devem reunir ou sobrestar o presente processo administrativo. Não obstante, não pode deixar de demonstrar a inexigibilidade da multa isolada exigida pelas dd. Autoridades fiscais no presente caso; que, no que diz respeito à inexigibilidade da multa isolada, é de se dizer, que como exposto acima, as dd. Autoridades fiscais lavraram o presente auto de infração para cobrança da multa prevista no artigo 74, § 17 da Lei n° 9.430/96; que, os créditos de IRPJ e CSLL pleiteados pela Impugnante foram exatamente aqueles apurados em sua DIPJ e devidamente comprovado com base na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL e nos pagamentos desses tributos no curso do anocalendário; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 15 5 que a não homologação das correspondentes Declarações de Compensação, portanto, não foi motivada pela inexistência dos saldos negativos de IRPJ e CSLL com base na apuração fiscal da Impugnante, mas por auto de infração que determinou a glosa de despesas de amortização de ágio e, conseguintemente, o aumento do lucro tributável e a redução do saldo negativo de IRPJ e CSLL originalmente apurado; que as dd. autoridades fiscais confirmaram todos os demais elementos que compuseram o saldo negativo de IRPJ e CSLL da Impugnante, de forma que o indeferimento desses créditos decorreu, apenas e tão somente, da divergência iniciada pela d. fiscalização sobre a dedutibilidade de amortização de ágio, o que está sendo devidamente discutido na esfera administrativa, com sólidos argumentos de fato e de direito; que, assim sendo, está claro que a Impugnante não compensou créditos inexistentes mas, muito pelo contrário, compensou créditos de IRPJ e CSLL devidamente apurados e declarados em DIPJ. A Impugnante também não compensou créditos expressamente vedados em lei, não procedeu com declaração falsa e não infringiu as demais normas que regulamentam o procedimento de compensação. Em resumo, não houve qualquer ato que demonstrasse máfé por parte da Impugnante ou mesmo o intuito de obter vantagem indevida de compensação de créditos questionáveis; que a multa isolada ora questionada tem por origem, repitase, a lídima e sólida disputa da glosa de despesas de ágio deduzidas pela Impugnante, endereçada em auto de infração em apartado e que foi devidamente contestado. Afora os sólidos argumentos jurídicos a demonstrar que, no caso da Impugnação, a dedutibilidade dessas despesas é legal e válida, nem mesmo o fisco negaria concordar que, no mínimo, referido assunto é objeto de aprofundamento debate jurídico nas esferas administrativas e judicial; que a aplicação de mais essa multa de 50% sobre os créditos compensados fere, portanto, o princípio que veda confisco, estabelecido no artigo. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Com base em tal principio o legislador buscou afastar a possibilidade de Poder Público instituir carga tributaria excessiva, que impossibilite aos contribuintes exercerem regularmente suas atividades; que, não é demais ressaltar que a vedação ao confisco não está restrita aos tributos, aplicandose, também, às multas, como já observado pelo Supremo Tribunal Federal; que, as compensações em questão deramse em um cenário sem fraude ou sem a intenção de prejudicar os cofres públicos, como ocorre na compensação de crédito sabidamente inexistentes ou seja utilização é vedada pela legislação de regência. De outro lado, retomese a conclusão de que tanto com o cancelamento do auto de infração em que houve a glosa da despesa de ágio como com sua manutenção (e das exigências de IRPJ e CSLL sobre o valor integral das despesas glosadas) haverá o reconhecimento do saldo negativo desse tributos originalmente informados pela Impugnante e, com eles, a necessária homologação das compensações efetuadas e o conseqüente cancelamento da autuação em exame; que, portanto, diante de um claro cenário em que não há prejuízo causado aos cofres públicos, a aplicação da multa de 50% no caso corrente não é razoável ou proporcional. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fl. 219DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 16 6 Julgamento em Campinas – SP concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a manifestante requer, em preliminar, o apensamento do presente processo aos autos de nº 16643.000274/201053, 10830.721022/201159 e 10830.720915/201187, por entender existir relação de dependência entre os processos mencionados. Alternativamente, requer o sobrestamento do feito até o desfecho do auto de infração tratado no processo de nº 16643.000274/201053; que, defende, ainda, que a multa prevista no art. 18, § 2º, inciso I da Lei 10.833, de 2003 exigiria para sua incidência a ocorrência de evidente intuito de fraude, não se aplicando ao caso em tela; que, inicialmente, quanto ao apensamento do feito, insta registrar que segundo informações constantes dos sistemas informatizados da RFB (eprocesso), o referido lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL do anocalendário de 2008, já teria sido apreciado administrativamente em primeira instância, tendo a 5º Turma da DRJ São Paulo I, no acórdão nº 1630.605 de 05 de abril de 2011, mantido o lançamento, nos moldes em que efetuado. Consta, ainda, do mesmo sistema a existência de recurso voluntário ao CARF; que, estando os feitos em fases processuais distintas, não se vislumbra a possibilidade de juntada nos moldes em que pleiteado; que, até porque não há previsão na Portaria nº 666, de 24 de abril de 2008, a qual dispõe sobre a formalização de processos relativos aos tributos administrados pela RFB, para que se efetue o apensamento; que reconhecida a dependência entre os litígios em comento, cabível registrar que os processos de nº 10830.721022/201159 e 10830.720915/201187 já encontramse julgados em 1ª instância, através dos acórdãos de nº 0538.423, de 12 de julho de 2012, e 0538.388, de10 de julho de 2012, de lavra desta julgadora; que observese, inclusive, que consoante se extrai do acórdão expedido nos autos do processo de nº 10830.721022/201159, o despacho decisório exarado pela DRF Campinas fora mantido, não havendo que se falar de direito creditório naquele processo; que em relação ao processo de nº 10830.720915/201187, onde buscado saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário 2008, no valor de R$ 25.736.574,43, fora reconhecido direito creditório no total de R$ 550.430,95, dos quais R$ 262.140,44 já haviam sido concedidos pelo despacho decisório da DRF/Campinas nº 0578/2011; que uma vez que o crédito de saldo negativo reconhecido pelo acórdão nº 0538.388, de10 de julho de 2012, encontrase integralmente nelas utilizado, cumpre verificar que também nenhuma influência decorreu do referido acórdão em relação ao litígio ora em análise; que a contribuinte requer, de forma subsidiária, o sobrestamento do feito até que definitivas as exigências formalizadas nos autos de infração de IRPJ e de CSLL. Contudo, inviável acatar o pleito; Fl. 220DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 17 7 que, isto porque, não há, entre as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, previsão alguma que contemple a suspensão de seu prosseguimento, visto que o PAF é regido por princípios, dentre os quais, o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final; que a lei prevê apenas a possibilidade de suspensão da exigibilidade (cobrança) do crédito tributário, se presente alguma das hipóteses contidas no art. 151 do CTN, e não a suspensão do processo administrativo fiscal ou de sua apreciação; que enquanto existente qualquer uma das causas previstas no referido art. 151, não terá o contribuinte contra si instaurado qualquer procedimento de cobrança, mas isto não autoriza a suspensão do curso processual, que deve prosseguir até seu termo final; que se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe a suspensão do andamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa final em processo de autuação no período relativo aos créditos tributários apontados; que seja a decisão resultante do auto de infração em comento, não há que se falar de prejuízo à contribuinte, uma vez que, ainda que reconhecido no referido processo eventual direito quanto à dedução da base de cálculo do ágio apurado, poderá ela exercer seu direito à restituição do suposto indébito com fulcro na nova decisão, quando definitiva na esfera administrativa, cabendo, ainda, o cancelamento da multa lançada, ou sua restituição, caso eventualmente recolhida anteriormente à decisão naqueles autos; que, entretanto, resta inviável a reapreciação, no âmbito dos presentes autos, dos fundamentos fáticos e jurídicos que teriam levado à glosa da amortização do ágio decorrente de reestruturação societária realizada pelas empresas do grupo Eaton, no ano calendário de 2008, efetuada no âmbito do processo nº 16643.000274/201053. O mesmo se diga em relação à não homologação das DCOMP em voga; que quanto aos questionamentos direcionados à lavratura da multa isolada, é possível depreender das razões apresentadas que a contribuinte defendese da aplicação do art. 18, § 2º, da Lei 10.833 de 2003, entendendo que o citado artigo, com as alterações levadas a efeito pela Medida provisória nº 472/09, posteriormente convertida na Lei nº 12.249/2010, somente seria aplicável nos casos em que apurada conduta ardilosa, com intuito de fraudar a arrecadação tributária; que, além disso, a exposição de motivos mencionada, apesar de realmente determinar a aplicação da multa isolada, prevista no art. 18, § 2º, da Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003, quando da não homologação de compensação cuja falsidade na declaração reste comprovada, cujo percentual previsto é de 150%, não fora apontada como a base legal para a instituição da multa isolada autuada; que, patente, portanto, o equívoco em que incorreu a impugnante, posto que a multa ora em análise restringese à hipótese prevista no art. 74 da Lei 9430/96, sendo o seu percentual de 50% do crédito objeto da declaração de compensação não homologada; que, neste contexto, nenhum vício há no procedimento em análise que suscitasse o cancelamento dos lançamentos. Até porque, o entendimento defendido pela Fl. 221DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 18 8 impugnante acerca de eventual ilegalidade no enquadramento legal das exigências dirigese à atividade do legislador, sendo, portanto, impertinente à presente causa; que estando o lançamento de conformidade com a legislação tributária vigente à época de ocorrência dos fatos geradores, não cabe qualquer alegação de inconstitucionalidade e legalidade no contencioso administrativo, vez que não compete à autoridade administrativa examinar a validade de dispositivo regularmente inserido no sistema tributário nacional, sendo tal atribuição do Poder Judiciário; que somente aos membros do Poder Judiciário permitese negar aplicação à lei a pretexto de ser ela contrária à Constituição. No âmbito do processo administrativo não cabe, à autoridade fiscal, emitir juízo de valor a respeito de legalidade ou constitucionalidade de normas legais que embasam o ato praticado, sob pena de responsabilidade funcional por desrespeito aos comandos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN; que não serão aqui apreciadas as questões suscitadas pela impugnante a respeito da constitucionalidade e/ou legalidade dos preceitos que fundamentam a exigência fiscal, cumprindo aos órgãos julgadores apenas verificar se no ato administrativo foram devidamente observadas as previsões contidas na legislação tributária; que a autoridade administrativa não está autorizada a avaliar, sob qualquer princípio, a aplicação da lei. Consoante o art. 37 da Constituição Federal de 1988, a legalidade está inserta como princípio geral da Administração Pública. No âmbito tributário, o art. 142 do Código Tributário Nacional dispõe que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional por parte do agente do Fisco, cumprindo à autoridade administrativa aplicar as determinações contidas na legislação de regência. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 BASE DE CÁLCULO. No âmbito do processo de lançamento de ofício de multa isolada por declaração de compensação não homologada, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de ofício, relativo à base de cálculo do tributo no mesmo período, ou análise das Dcomp, objetos de julgamento em outro processo. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 74, § 17 , da Lei nº 9430, de 1996, alterada pela Lei 12.249 de 11 de junho de 2010, é aplicável aos casos Fl. 222DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 19 9 de compensação considerada não homologada em que não apurada falsidade quanto à declaração apresentada pelo sujeito passivo, e incide no percentual de 50% sobre o valor do crédito objeto da declaração não homologada. CONSTITUCIONALIDADE. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para análise de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, de apreciação exclusiva do Poder Judiciário, restringindose o contencioso administrativo ao controle de legalidade dos atos praticados pelos agentes do fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/07/2012, conforme Termo constante à fl. 166, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (28/09/2012), o recurso voluntário de fls. 170/184, instruído pelos documentos de fls. 185/189, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito da necessidade manutenção do apensamento do presente processo aos processos administrativos de compensação n.° s 10830.720915/201187 e 10830.721.022/201159, é de se dizer, que o presente processo administrativo versa sobre a aplicação de multa isolada diante da não homologação de Declarações de Compensação apresentadas pelas Recorrente após 14 de junho de 2010, data na qual passou a vigorar a legislação que introduziu a penalidade ora questionada; que é absolutamente evidente a clara e estreita relação entre a multa isolada em exame, as compensações não homologadas e o auto de infração da glosa das despesas de ágio, as dd. autoridades julgadoras reconheceram a necessidade de apensamento do presente processo aos processos administrativos n.° s 10830.720915/201187 e 10830.721.022/201159; que, dessa forma, caso esse E.Conselho reconheça a dedutibilidade das despesas de amortização do ágio, os saldos negativos de IRPJ e CSLL originalmente informados pela Recorrente devem ser reconhecidos, as compensações homologadas e, consequentemente, a multa isolada deverá ser integralmente cancelada; que os saldos negativos de IRPJ e CSLL originalmente informados na DIPJ da Recorrente serão reconhecidos, as respectivas compensações homologadas e a multa isolada integralmente cancelada; que, não obstante as razões acima, tendo em vista que o mérito do presente processo acabou sendo analisado pelas dd. autoridades julgadoras, a Recorrente não pode deixar de reiterar a inexigibilidade da multa isolada exigida no caso; que, no que diz respeito da inexigibilidade da multa isolada, é de se dizer, que, sendo assim, as dd. autoridades fiscais lavraram o presente auto de infração para cobrança da multa prevista no artigo 74,§ 17 da Lei n.° 9.430/96; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 20 10 que, não há como se concordar com a cobrança da multa isolada ora questionada, uma vez que as compensações objeto do presente caso não regulares e não decorrem de fraude ou de qualquer ato praticado pela Recorrente para ludibriar o erário Federal ou para gerarlhe vantagem indevida; que, os créditos de IRPJ e CSLL pleiteados pela Recorrente foram exatamente aqueles apurados em sua DIPJ e devidamente comprovados com base na apuração do lucro real e da base de calculo da CSLL e nos pagamentos desses tributos no curso do anocalendário (estimativas mensais, retenções na fonte e incentivos fiscais); que a não homologação das Declarações de Compensações, portanto, não foi motivo pela inexistência dos saldos negativos de IRPJ e CSLL com base na apuração fiscal da Recorrente, mas por auto de infração que determinou a glosa de despesas de amortização de ágio e, conseqüentemente, o aumento do lucro tributável e a redução do saldo negativo de IRPJ e CSLL originalmente apurados; que as dd. autoridades fiscais confirmaram todos os demais elementos que compuseram o saldo negativo de IRPJ e CSLL da Recorrente, de forma que o indeferimento desses créditos decorreu, apenas e tãosomente, da divergência iniciada pela d. fiscalização sobre a dedutibilidade de amortização de ágio, o que está sendo devidamente discutido na esfera administrativa; que, como se não bastasse, a multa em exame, no caso concreto, claramente ofende princípios e direitos constitucionais, como o da vedação ao confisco, da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, alem de ofender o direito de petição; que o presente caso a situação é ainda mais grave, pois, na medida em que a não homologação das compensações foi motivada pela lavratura de um auto de infração e que a glosa das despesas de ágio estão sendo questionadas, foi ainda aplicada à Recorrente a multa de 150%, reduzida em primeira instancia administrativa, tendo e vista a comprovada ausência de fraude; que as compensações em questão não se deram em um cenário de créditos sabidamente inexistente, ou seja, utilização é vedada pela legislação de regência. De outro lado, retomese a conclusão de que tanto como cancelamento do auto de infração em que houve a glosa da despesa de ágio como com sua manutenção (e das exigências de IRPJ e CSLL sobre o valor integral das despesas glosadas) haverá o reconhecimento do saldo negativo desses tributos originalmente informados pela Recorrente e, com eles, a necessária homologação das compensações efetuadas e o conseqüente cancelamento da autuação em exame; que é evidente que o contribuinte, por mais seguro que esteja quanto a seu direito creditório, poderá deixar de efetuar a compensação e, por conseqüência, de utilizar o credito que possui contra a Receita Federal, com receio de ser penalizado através da multa ora guerreada. Há, nesse sentido, clara vedação, ainda que de maneira indireta, ao exercício regular do direito de compensação; que, por todo o exposto, verificase claramente que a multa isolada em exame não pode ser aplicada em casos como o presente, em que o contribuinte, agindo de boafé, utilizouse de crédito de IRPJ e CSLL devidamente apurado em DIPJ. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 21 11 VOTO Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Trata o presente processo do auto de infração, lavrado em 03/08/2011, abrangendo o lançamento de multa de ofício isolada no percentual de 50%, tendo em vista a NÃO HOMOLOGAÇÃO de Declarações de Compensação – DCOMP, transmitidas no período de 23/06/2010 a 23/12/2010, buscando saldos negativos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, ambos apurados no anocalendário 2008, resultando em crédito tributário no valor total de R$ 14.512.558,60. Observase, que as DCOMPs que motivaram a exigência foram apreciadas pela DRF/Campinas, através dos despachos decisórios nº 0494, de 06 de maio de 2011, e nº 0578, de 16 de maio de 2011, exarados nos autos dos processos administrativos de nº 10830.721022/201159 e 10830.720915/201187, respectivamente. Preliminarmente, requer a Impugnante sejam os presentes autos apensados ao processo de nº 16643.000274/201053, bem como aos processos de nº 10830.721022/201159 e 10830.720915/201187, entendendo que o resultado do presente possui relação de dependência com os processos mencionados ou que seja sobrestado até que se decida o processo nº 16643.000274/201053. A recorrente alega não pode concordar com a autuação em exame, na medida em que a não homologação das Declarações de Compensação apresentadas pela recorrente está sendo questionada na esfera administrativa nos autos dos processos administrativos nº 10830.721022/201159 e nº 10830.720915/201187. De fato, os processos administrativos nº 10830.721022/201159 e nº 10830.720915/201187 (Declaração de Compensação), foram distribuídos para este Relator e ainda não foram julgados, cujos fatos estão vinculados ao presente processo. Todavia, resta claro da leitura dos autos, que (i) a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no anocalendário de 2008 foi majorada pela glosa de despesas de amortização de ágio, (ii) a alteração na base de cálculo do IRPJ e da CSLL acabou por reduzir o saldo negativo de IRPJ e CSLL, ensejando a não homologação das declarações de Compensação e (iii) a não homologação das compensações resultou na presente autuação para exigência da multa isolada sobre o crédito utilizado nas referidas Declarações de Compensação. Assim, se faz necessário, que primeiro seja julgado o processo que trata da glosa de despesas (glosa de despesas de amortização ágio na aquisição de participações societárias), ou seja, o Processo Administrativo Fiscal nº 16643.000274/201053, que atualmente está na situação de “para relatar” na 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF . Fl. 225DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10830.723109/201161 Resolução nº 1402000.205 S1C4T2 Fl. 22 12 Ora, caso o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao julgar o processo nº 16643.002274/201053, reconheça a dedutibilidade das despesas de amortização do ágio, os saldos negativos de IRPJ e CSLL originalmente informados na DIPJ da recorrente devem ser reconhecidos e as compensações homologadas. Consequentemente, a multa ora discutida deverá ser integralmente cancelada; Por outro lado, caso o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entenda procedente a glosa das despesas de amortização de ágio, deverá decidir se era manter as exigências de IRPJ e CSLL sobre o valor integral das despesas glosadas (como proposto no auto de infração) ou se irá reduzir o valor apurado com base na reapuração das bases do IRPJ e da CSLL (como proposto nos Despachos Decisórios das declarações de Compensação). Como visto, para se proferir uma decisão justa, neste processo, se faz necessário que a matéria do Processo Administrativo Fiscal nº 16643.000274/201053 seja julgada primeiro, já que o resultado deste processo tem influência sobre o presente processo. A vista disso seja o presente processo encaminhado à 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção, para julgamento em conjunto com o processo 16643.000274/201053. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 226DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13020.000224/2002-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece do recurso quando a análise do exame de erro é superado pela matéria de direito superveniente.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Maria Teresa Martínez López - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Maria Teresa Martínez López - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 371 1 370 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13020.000224/200203 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.025 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2012 Matéria IPI Ressarcmento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ARAÇA MÓVEIS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. Não se conhece do recurso quando a análise do exame de erro é superado pela matéria de direito superveniente. Recurso Especial da Fazenda Nacional Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto vencedor. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Henrique Pinheiro Torres e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto Rodrigo da Costa Pôssas Relator Maria Teresa Martínez López Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 0. 00 02 24 /2 00 2- 03 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 372 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardozo e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial Interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário. A DRJ Porto Alegre homologou apenas parcialmente compensações comunicadas em Declarações de Compensação (Dcomp) entregues em 14 de outubro de 2002 (fls. 59 a 63). Nela, a empresa informou que se considerava detentora de crédito passível de ressarcimento no montante de R$ 12.874,25, originado de crédito presumido de IPI instituído pela Lei n° 9.363/96, e o estava utilizando para liquidar débitos vencidos nos anos de 2001 e 2002 de outros tributos. Essas declarações foram examinadas pela DRF Caxias que homologou integralmente as compensações comunicadas em despacho decisório exarado em 10 de julho de 2005 pelo chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort, por delegação de competência. Esse despacho (fl. 73) foi proferido apenas com base nos documentos constantes no processo administrativo, sem exame da efetiva apuração do montante do crédito registrado na escrita fiscal. Para tanto, a DRF intimou a empresa a apresentar o recibo de entrega da DCTF do terceiro trimestre de 2002, a que se refere a Dcomp, bem como a demonstração aí realizada da apuração do crédito presumido. Também a folha do livro de apuração do IPI em que constasse o estorno do crédito. Com esses documentos, a autoridade considerouse suficientemente embasada para homologar integralmente as compensações comunicadas e assim o fez, embora com a ressalva “contudo, fica reservado à Fazenda Nacional, no interesse da fiscalização, a verificação posterior da exatidão da escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica”. De fato, mesmo já homologadas, dessa forma, as compensações, foram efetuadas, já em 2007, verificações do montante postulado em ressarcimento, agora sim levando em conta a escrituração fiscal do contribuinte. Concluiu, então, a fiscalização que a empresa o havia postulado em duplicidade pois não descontava do montante até o mês consideração aquilo que já havia sido postulado anteriormente. Em outras palavras, a cada trimestre a empresa postulada o saldo acumulado até ali. Com isso, em relação ao terceiro trimestre de 2002, objeto deste processo, do montante postulado – de R$ 12.874,25 – deveria ter sido abatido o crédito presumido já postulado nos processos relativos ao primeiro e segundo trimestres – R$ 9.650,31. Restavam, portanto, apenas R$ 3.223,94 a serem ressarcidos, tudo conforme demonstrativo de fls. 113/114. Com base nessas informações produzidas pela fiscalização da DRF em Caxias do Sul, seu chefe da Seort – mesma autoridade que prolatara o primeiro despacho — Fl. 372DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 373 3 proferiu nova decisão (fls. 117/120) anulando o despacho decisório anterior, “desomologando” as compensações ali homologadas na parte excedente – R$ 9.650,31 – e determinando a cobrança dos débitos que haviam sido extintos por compensação dois anos antes. Como fundamentação, aduziu o princípio da legalidade e a possibilidade, e dever, da Administração Pública de rever, de oficio, os seus atos e anulálos quando eivados de ilegalidade. Bastaria, para tanto, que o fizesse no prazo de cinco anos previsto no CTN. Contra esse novo despacho, de que teve ciência em 05/10/2007, insurgiuse o contribuinte, mas os argumentos do despacho reformador foram integralmente referendados pela DRJ Porto Alegre. Complementarmente, na decisão de que se recorre, o i. relator afastou a alegação de decadência do direito da Fazenda à exigência dos débitos sob o argumento de que não se processara lançamento daquelas exações, providência que seria desnecessária por estarem eles todos declarados em DCTF, e serem, pois, passíveis de cobrança sem necessidade de novo lançamento. Também afirmou que não cabe falar em decadência quanto ao direito da Fazenda de analisar o direito creditório do contribuinte e que “o exame da documentação que comprove a veracidade e a liquidez do crédito reclamado” pode ser feito “pela autoridade fiscal, a qualquer tempo”. O recurso tempestivamente ofertado insiste na tese de que o crédito que se lhe pretende cobrar já estava afetado pela decadência e que o despacho inicial não poderia ser alterado, pois consubstanciou mero entendimento da administração tributária sobre a matéria, e que tais “entendimentos não podem ser alterados da noite para o dia sem que haja um prejuízo para às (sic) pessoas em geral”. Defende que em 2007 houve “alteração do posicionamento da autoridade”e que a empresa não pode ser compelida, por isso, a pagar acréscimos moratórios sobre os débitos já compensados. Repete, por fim, a postulação de realização de perícia para demonstrar que “os cálculos se anulam”, bem como a necessidade de se compensar, ao menos, os débitos exigidos em carta de cobrança com aqueles que incidiram sobre o próprio crédito presumido deferido e reconhecido pela empresa como receita (IRPJ, CSLL PIS e COFINS). É o relatório Recurso Especial da Fazenda Nacional às fls. 344 a 354. Despacho de admissibilidade às fls. 356 a 358. O sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conheço o recurso e passemos à análise do mérito. Embora não ter sido objeto do presente recurso, faremos uma breve análise da extinção do direito da fazenda de rever o ato e cobrar as diferenças porventura existentes. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 374 4 Em que pese a ocorrência do fato gerador ter se dado em março, junho e setembro de 2002, informados na declaração de compensação, sem ter apresentado as DCTF relativas ao período, e o despacho reformador ter sido exarado em 2007, com ciência em 05/10/2002, sendo esse o fundamento da alegação de decadência do contribuinte em sede de recurso voluntário, existe a previsão de homologação tácita dos débitos informados nas declarações de compensação, após 5 anos contados da data da entrega da declaração de compensação, conforme § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que foi incluído pela Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, hipótese que não se aplica ao presente caso, posto que as declarações de compensação, de fls. 01/03, foram entregues em 14/10/2002, e a ciência do despacho decisório reformador ocorreu 05/10/2007, fl. 162, portanto, ainda dentro do prazo para exame pela autoridade administrativa. Também não há que se falar em prescrição porque houve uma interrupção da contagem do prazo do prazo em 9 de outubro de 2002, com a apresentação da DCOMP. Independentemente da declaração ter ou não o efeito de confissão de débito, previsto na Lei 10.833, houve uma clara manifestação de reconhecimento do débito que, por si só, já é suficiente para a interrupção do prazo prescricional. Essa é a inteligência do art. 174, parágrafo único, IV, do CTN. Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I pela citação pessoal feita ao devedor; I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Como não há comprovação da apresentação de DCTF, não há como comprovar a data da constituição definitiva do crédito, tanto que o relator da instância ordinária, Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferiu o seu vot com proposta de diligência para que se comprovasse a data da constituição definitiva do crédito e de alguma medida que por ventura tenha ocasionado uma interrupção do prazo prescricional. Como foi vencido essas informações não foram acostadas aos autos. Porém a apresentação da DCOMP interrompeu o prazo, conforme exposto acima. Já a extinção do crédito tributário, de que trata o § 2° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, somente se dá sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Isso significa que a entrega da Declaração de Compensação pelo contribuinte não extingue os débitos ali informados, mas dependem, ainda, de uma fase posterior, qual seja, do exame desta Declaração pela autoridade administrativa, a qual irá homologar/validar ou não a compensação dos débitos declarados. Agora devemos delimitar de modo preciso o objeto da lide. Neste caso este colegiado deverá decidir apenas sobre a possibilidade de a autoridade que homologou Fl. 374DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 375 5 expressamente uma compensação (DCOMP), expedir um outro ato (Despacho Decisório) anulando o anterior sob a alegação de constatação de que o contribuinte postulou em duplicidade, levando em conta a escrituração fiscal do contribuinte. O primeiro Despacho decisório foi baseado em declaração apresentada pelo contribuinte pela DRF Caxias sem o concurso de sua fiscalização. Com efeito, naquela unidade o chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária – Seort, após requerer que a empresa juntasse aos autos o recibo de entrega da DCTF do segundo trimestre de 2002, a que se refere a Dcomp, bem como a demonstração realizada da apuração do crédito presumido, assim como a folha do livro de apuração do IPI em que constasse o estorno do crédito, proferiu despacho decisório homologando integralmente as compensações comunicadas pela empresa. Fez constar mesmo assim a ressalva: “contudo, fica reservado à Fazenda Nacional, no interesse da fiscalização, a verificação posterior da exatidão da escrituração contábil e fiscal da pessoa jurídica”. Em um segundo despacho decisório foi apurado que o contribuinte, com base na análise da documentação apresentada pelo contribuinte, que os pedidos de ressarcimento foram solicitados a maior. Como a atividade de lançamento é vinculada o Delegado da RFB, não só pode como deve corrigir os seus atos que foram emitidos com inexatidão. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O segundo despacho decisório corresponde a uma revisão de lançamento. Tal possibilidade está prevista no art. 145 c/c com o art. 149, ambos do CTN. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de Fl. 375DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 376 6 atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. É indiscutível que a lei que trata de incidência tributária deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. Caso o erro em questão fosse a favor do contribuinte, também deveria ser revisto. Suponhamos que ao analisar os documentos entregues pelo sujeito passivo a autoridade fiscal verificasse que houve em erro que resultou em um gravame maior para o contribuinte. Ele teria a obrigação de rever o ato, atendendo assim, ao princípio da legalidade. Ora, em sentido oposto o ato também deve ser revisto. Ou seja, o erro contra o Estado também deve ser revisto, pelo mesmo princípio da legalidade. O povo é o elemento pessoal do Estado e o seu interesse também deve ser resguardado. Pó r isso existe o princípio da indisponibilidade do interesse público Fl. 376DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 377 7 Sabemos que os princípios são a base do ordenamento jurídico. A violação de princípios, por si só, já é motivo de nulidade dos atos administrativos. Os requisitos de validade do ato administrativo são: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. O requisito da finalidade pública foi frontalmente violado, pois foi violado o princípio da legalidade e do interesse público. Sendo assim o ato de torna nulo. De modo diferente estaria sendo violado o princípio do interesse público para beneficiar o particular. Assim o ato viciado deve ser anulado pela autoridade o deve ser produzido outro saneado os vícios do ato anterior. Não resta dúvida que violação de princípio é um vício do ato administrativo. E ato viciado deve ser anulado. A possibilidade de anulação é jurisprudência pacífica no STF, que, inclusive, tem súmula publicada sobre o assunto. Súmula 473 A ADMINISTRAÇÃO PODE ANULAR SEUS PRÓPRIOS ATOS, QUANDO EIVADOS DE VÍCIOS QUE OS TORNAM ILEGAIS, PORQUE DELES NÃO SE ORIGINAM DIREITOS; OU REVOGÁLOS, POR MOTIVO DE CONVENIÊNCIA OU OPORTUNIDADE, RESPEITADOS OS DIREITOS ADQUIRIDOS, E RESSALVADA, EM TODOS OS CASOS, A APRECIAÇÃO JUDICIAL. Constatamos que a autoridade deve fazer a revisão, mesmo no caso de Declaração de Compensação com homologação expressa. O art. 149, IV, prevê a possibilidade de revisão quando houver erro na declaração prestada pelo contribuinte. Foi o que ocorreu no presente caso. A declaração continha valores maiores do que os que efetivamente ensejariam a restituição no montante homologado em Despacho anterior. Também podemos afirmar que o primeiro despacho decisório é ilegal porque foi exarado com base em premissas falsas, que foram as informações incorretas prestadas pelo contribuinte. Como o lançamento é um ato vinculado e deve ser feitos nos estritos limites da lei, podemos afirmar que a ilegalidade contida no primeiro despacho decisório pode e deve será sanada. É o poderdever do administrador de rever os atos administrativos ilegais. A decisão da instância a quo, foi pela impossibilidade da anulação do despacho decisório que homologou expressamente a DCOMP apresentada, sob a seguinte ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. ANULAÇÃO .INCABÍVEL. É incabível a anulação de despacho homologatório de compensação declarada, que implementa a condição resolutiva Fl. 377DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 378 8 da extinção do crédito tributário, para fazer renascer o crédito tributário extinto na forma da lei. A legislação e a doutrina pátria são deficientes quando se trata das nulidades no processo administrativo fiscal. A Lei 9.784/99 deverá ser usada subsidiariamente para os casos omissos. O art. 53 da referida lei é explícito ao dizer que a administração tem o poder de anular os seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade. Tanto o recém publicado Decreto nº 7.574/11 como o Decreto 70.235/72, possuem artigos, cujos excertos reproduzimos abaixo, que tratam da nulidades dos atos administrativos tributários. DECRETO Nº 7.574, DE 29 DE SETEMBRO DE 2011. (...) Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art. 13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art. 14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61). DECRETO 70.235/72 (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 379 9 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.(grifei) Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Podemos perceber que as hipóteses de anulação de atos que não contém vícios de validade em sua origem são muito restritas. Porém fora dessas restritas possibilidades, temos os princípios jurídicos que, violados, ensejam a anulação do ato. Esse é o pensamento majoritário na doutrina e jurisprudência pátrios. No art. 59 não consta como capaz de motivar a invalidação do ato administrativo tributário a verificação posterior de fatos que possam modificar o conteúdo dos atos, exceto os hipóteses nele previstas. O art. 60 corrobora o entendimento do art. Anterior de se considera exaustivas as hipóteses de invalidação do ato. Porém o próprio art. 60 traz uma única hipótese de anulação do ato fora das hipótese do art. 60 e que possa trazer prejuízo ao sujeito passivo. È quando o contribuinte der causa às irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do PAF. Nesse caso o ato poderá ser anulado fora das hipóteses desse artigo. Nesse caso foi o contribuinte que deu causa a invalidação, quando fez constar na DCOMP declarações inexatas, que foram percebidas somente quando se verificou documentação da empresa. Nesse caso específico a autoridade prolatora do ato não só pode como deve anular o ato e editar outro sanando as incorreções apuradas. Mesmo que o delegado da DRF tenha homologado expressamente a DCOMP originária, ele fez a ressalva de que o ato poderia ser revisto quando da análise da escrituração contábil ou a apuração de outros elementos que comprovassem a inexatidão dos dados inseridos na DCOMP e informados pelo sujeito passivo. Temse claro desse modo que a situação fática ora posta se enquadra perfeitamente na exceção prevista na lei (art. 59 do PAF) e permite a anulação do ato produzido com incorreções materiais e a sua substituição por outro com os dados fidedignos Fl. 379DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 380 10 apurados posteriormente em escrituração contábil. O art. 53 da Lei 9.784/99 e a Súmula 473 do STF corroboram esse entendimento. Em face do exposto, voto pelo provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo a decisão da DRJ. Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheira Maria Teresa Martínez López, Redatora Designada Ouso discordar do ilustre Relator. Penso, que antes de discutir o mérito propriamente, deve ser analisado a admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, discordando do acórdão dos Conselhos, interpôs recurso especial, sustentando, em síntese, ter ocorrido contrariedade às provas. 1 Defende que, “estando provado nos autos, que ocorrera erro anterior, é dever da Administração retificar seus atos, sob pena até mesmo de falta funcional.” A ementa da decisão recorrida está assim redigida: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DECLARADA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. ANULAÇÃO. INCABÍVEL. É incabível a anulação de despacho homologatório de compensação declarada, que implementa a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, para fazer renascer o crédito tributário extinto na forma da lei. NORMAS GERAIS. TRIBUTOS RECOLHIDOS FORA DE PRAZO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Sobre os tributos e contribuições não recolhidos no prazo legal são devidos os acréscimos moratórios, consubstanciados em multa e juros de mora, previstos no art. 61 da Lei n° 9.430/96. NORMAS PROCESSUAIS. ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete 1 RICSRF Portaria 147/2007 "Art. 15. 0 recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou a evidencia da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária a Fazenda Nacional. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 381 11 à parte ré a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A partir da edição da Lei n° 10.637/2002, a compensação de tributos e contribuições, por iniciativa do contribuinte, requer a apresentação de Declaração à SRF. Recurso provido. Consta do voto vencedor da decisão recorrida, o que a seguir peço vênia para reproduzir: Divirjo do Ilustre Conselheiro Relator quanto à possibilidade de anulação do despacho decisório que homologou as compensações declaradas pela recorrente e passo a expor as razões que conduziram minha divergência. Inicialmente, esclareçase que não consta dos autos que tal despacho decisório padeça de vício de nulidade ab initio, estandose, pois, tratando de anulação de ato legitimo da Administração Pública. Tampouco estáse tratando de irregularidade na constituição do crédito tributário, não cabendo, pois, invocar o art. 156, parágrafo único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Com esses esclarecimentos, passase ao exame da questão, que reclama que não se olvide que a compensação autorizada por lei, em observância ao art. 170 do CTN, ocorre sob determinadas condições e garantias e constitui modalidade de extinção do crédito tributário, conforme art. 156, inc. II, desse mesmo código. Importante ressaltar então que as compensações de que aqui se trata, objeto de Declarações de Compensação (Dcomp) protocolizadas em (...) 2003, estavam submetidas à regência do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com as alterações promovidas pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, oriunda da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, publicada em 30 de agosto de 2002. Ora, o § 2° do indigitado art. 74 assim dispõe: Art. 74. (..) §2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Logo, certo é que a compensação declarada à Administração Tributária extingue o crédito tributário sob condição resolutiva e o ato cuja anulação é tratada nestes autos corresponde exatamente ao ato que implementa essa condição, ou seja, o ato de homologação da compensação. Assim, o que ao cabo se discute é se, uma vez operada a condição resolutiva da extinção Fl. 381DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 382 12 do crédito tributário, de forma a confirmar tal extinção, pode ele voltar a ser exigível mediante anulação do ato que homologara a compensação. Grifos, não do original Cumpre notar então que a lei atribuiu à compensação homologada o efeito de extinguir o credito tributário e, portanto, a obrigação que lhe dera origem. Assim, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, que deve nortear a Administração Pública, não se pode admitir a anulação do ato homologatório da compensação para fazer renascer crédito tributário já extinto na forma da lei. A meu ver, eventuais equívocos cometidos pela autoridade fiscal no despacho homologatório de compensação de que teve ciência a contribuinte somente são passíveis de reparo com observância da forma e dos meios próprios do processo administrativo regulado pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que atribui o caráter de definitividade aos despachos decisórios após a fluência do prazo para manifestação de inconformidade, sem que esta tenha sido apresentada. Por oportuno, cabe lembrar que a Lei n° 10.833, de 2003, oriunda da Medida Provisória n° 135, de 20 de outubro de 2003, publicada em 31 de outubro de 2003, alterou o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, para fixar prazo para homologação da Dcomp, estabelecendo, assim, a homologação tácita da compensação Observese que, uma vez decorrido o referido prazo, que está previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, sem pronunciamento da autoridade fiscal sobre a compensação declarada pelo sujeito passivo, temse por homologada a compensação e extinto o crédito tributário correspondente e não cabe mais à autoridade fiscal examinar a respectiva Dcomp. Ora, se assim ocorre na homologação tácita, com maior razão não se pode admitir a revisão da Dcomp apresentada na vigência da Lei nº 10.637, de 2002, que tenha sido objeto de expressa homologação pela autoridade competente. (grifos, não do original) De se notar ainda que o procedimento para as compensações tributárias ora vigentes guarda semelhança com o lançamento por homologação, em que, a homologação expressa ou a fluência do prazo decadencial extinguem o crédito tributário, não havendo previsão legal para que o crédito tributário extinto por homologação expressa possa renascer com toda a força de sua exigibilidade, mediante anulação do ato homologatório. Pelas razões expostas, voto por dar provimento ao recurso. Como exposto, o recurso especial foi interposto com fundamento nos artigos 7º, inciso I, § 1º, e 15, do Regimento Interno da CSRF, em razão de suposta contrariedade da prova (erro). No entender desta Conselheira, independentemente da análise das provas, o que se discute aqui é matéria de direito. Certo é que a compensação declarada à Administração Fl. 382DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13020.000224/200203 Acórdão n.º 9303002.025 CSRFT3 Fl. 383 13 Tributária extingue o crédito tributário sob condição resolutiva e o ato cuja anulação é tratada nestes autos corresponde exatamente ao ato que implementa essa condição, ou seja, o ato de homologação da compensação. Assim, o que necessariamente se discute é se, uma vez operada a condição resolutiva da extinção do crédito tributário, de forma a confirmar tal extinção, pode ele voltar a ser exigível mediante anulação do ato que homologara a compensação. A posteriori, vejase que o acórdão examinou outra questão fundamental, independente da análise de ter ocorrido erro (prova). Confirase novamente excertos do voto: Por oportuno, cabe lembrar que a Lei n° 10.833, de 2003, oriunda da Medida Provisória n° 135, de 20 de outubro de 2003, publicada em 31 de outubro de 2003, alterou o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, para fixar prazo para homologação da Dcomp, estabelecendo, assim, a homologação tácita da compensação Observese que, uma vez decorrido o referido prazo, que está previsto no art. 74, § 5°, da Lei n° 9.430, de 1996, sem pronunciamento da autoridade fiscal sobre a compensação declarada pelo sujeito passivo, temse por homologada a compensação e extinto o crédito tributário correspondente e não cabe mais à autoridade fiscal examinar a respectiva Dcomp. Ora, se assim ocorre na homologação tácita, com maior razão não se pode admitir a revisão da Dcomp apresentada na vigência da Lei nº 10.637, de 2002, que tenha sido objeto de expressa homologação pela autoridade competente. (grifos, não do original) Neste contexto, desnecessário reexaminar matéria que diga respeito à matéria superada (neste caso, a ocorrência de erro), principalmente porque não é esta a questão primordial, conforme voto acima transcrito. Em outras palavras, a análise dos erros invocados foi superado pela matéria de direito superveniente. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Maria Teresa Martínez López Fl. 383DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assina do digitalmente em 17/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15563.000776/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
Ementa:
PERÍCIA. PROVA PERICIAL. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE.
A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentá-las espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se houve dissolução irregular da sociedade.
MULTA QUALIFICADA. DEVIDA
Configurada a conduta proativa da Recorrente, bem como o confessado uso de pessoa jurídica para a prática da omissão de receitas, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da infração à lei.
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA.
Em se tratando de omissão de receitas em que haja conduta proativa do contribuinte na não declaração ou oferta de receitas à tributação, considera-se como termo a quo da decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto do Art. 173, I.
PIS-COFINS - SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA - REVENDA DE COMBUSTÍVEIS - LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 - ART. 4°.
Em se tratando de combustíveis, a legislação prevê a incidência monofásica do PIS e COFINS, no momento da saída dos produtos das refinarias de petróleo. Não há se falar em incidência de PIS e COFINS sobre a receita omitida, tendo-se em vista que estes são objeto de tributação monofásica, por substituição tributária, e suportados exclusivamente pela refinaria de petróleo, na condição de produtora.
Numero da decisão: 1401-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade e, no mérito, NÃO CONHECERAM do recurso em parte, em relação à imputação de responsabilidade tributária e, na parte conhecida,, DERAM provimento PARCIAL ao recurso nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, DERAM provimento para cancelar o PIS e a Cofins; II) por maioria de votos, NEGARAM provimento quanto à qualificação da multa de ofício. Vencido o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna que a desqualificava; e III) Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento em relação às demais matérias.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: PERÍCIA. PROVA PERICIAL. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentálas espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se houve dissolução irregular da sociedade. MULTA QUALIFICADA. DEVIDA Configurada a conduta proativa da Recorrente, bem como o confessado uso de pessoa jurídica para a prática da omissão de receitas, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da infração à lei. DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. Em se tratando de omissão de receitas em que haja conduta proativa do contribuinte na não declaração ou oferta de receitas à tributação, considerase como termo a quo da decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto do Art. 173, I. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 07 76 /2 00 9- 78 Fl. 972DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 PISCOFINS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA REVENDA DE COMBUSTÍVEIS LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 ART. 4°. Em se tratando de combustíveis, a legislação prevê a incidência monofásica do PIS e COFINS, no momento da saída dos produtos das refinarias de petróleo. Não há se falar em incidência de PIS e COFINS sobre a receita omitida, tendose em vista que estes são objeto de tributação monofásica, por substituição tributária, e suportados exclusivamente pela refinaria de petróleo, na condição de produtora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar de nulidade e, no mérito, NÃO CONHECERAM do recurso em parte, em relação à imputação de responsabilidade tributária e, na parte conhecida,, DERAM provimento PARCIAL ao recurso nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, DERAM provimento para cancelar o PIS e a Cofins; II) por maioria de votos, NEGARAM provimento quanto à qualificação da multa de ofício. Vencido o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna que a desqualificava; e III) Por unanimidade de votos, NEGARAM provimento em relação às demais matérias. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativos aos anos calendário 2004 e 2005, por meio do qual a Autoridade Fiscal identificou omissão de receitas a partir de extratos bancários, aplicandose a presunção do art. 42 da lei nº 9.430/96, lançados por arbitramento pela não entrega da documentação fiscal pertinente, acrescido de multa qualificada de 150%. Foi, ainda, lavrado termo de sujeição passiva solidária contra os sócios de direito da empresa, Srs. Sílvio Bernardo de Mello e Horárcio Antonio Fernandes; bem como para os procuradores que detinham poderem amplos, gerais e irrestritos de administração da empresa, Srs. Durival dos Santos Petiz e Alessandro Ferraresi Rodrigues Jimenes, sob a acusação de extinção irregular da empresa contribuinte. Por bem detalhar os fatos do presente processo, adoto e transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in litteris: No Termo de Verificação Fiscal lêse: a) embora o interessado não tenha apresentado DIPJ dos anos calendário de 2004 e 2005, "as informações contidas nos arquivos da RFB apontam para a existência de elevada movimentação financeira: R$ 42.907.759,52 e R$ 122.695.598,07"; b) a correspondência que lhe foi enviada foi devolvida; c) o interessado não foi encontrado em seu endereço, no qual restou confirmado que funcionava outra pessoa jurídica. 4 Lêse, ainda, que a intimação enviada para o sócio Silvio Bernardo de Mello foi devolvida com a indicação "não procurado", e, a para o sócio Horácio Antonio Fernandes não foi respondida. Foram enviadas intimações, também, para os procuradores Durival dos Santos Petiz (doravante Sr. Durival) e Alessandro Ferraresi Rodriguez Jimenez (doravante Sr Alessandro), sendo que os procuradores destes últimos informaram que eles não possuíam qualquer documento do interessado, e que, após meados de 2005, não tiveram qualquer contato com o interessado ou com os funcionários deste. 5 Também segundo o Termo de Verificação Fiscal, foram emitidas Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) aos bancos Santos, Bradesco, Pine S/A, Mercantil do Brasil, Unibanco, e Safra, que forneceram extratos (fls.22/81), com base nos quais, atendidos os pressupostos legais, foi elaborada planilha de movimentação financeira, na qual, foram atendidos os pressupostos legais e não foram incluídas operações que não representavam ingressos (fls.95/127). Fl. 974DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 6 De acordo com o dito Termo, intimados, a comprovar a origem dos valores creditados na sobredita planilha, os sócios não atenderam A intimação, enquanto os procuradores declararam que só representaram o interessado até meados de 2005, e, que possuíam autorização apenas para movimentação bancária, sem poder de gestão ou gerência. Temse, ainda, que o interessado, por procuração pública, conferiu poderes amplos, gerais e ilimitados ao Sr. Durival, para que este o representasse perante qualquer estabelecimento bancário, poder que este substabeleceu, com reserva de iguais poderes, ao Sr. Alessandro. 7 Em face dos sobreditos fatos, a autoridade autuante concluiu que ocorreu a dissolução irregular da empresa, verbis (fls.247/248): c) a empresa encontrase omissa quanto à apresentação das DIPJ dos anos calendário de 2004 e 2005, apesar de apresentar expressiva movimentação financeira naqueles anoscalendário (R$ 42.907.795,52 e R$ 122.695.598,07, respectivamente), caracterizando evidente dolo quando da omissão de informações; d) ocorreu a dissolução irregular da sociedade, de vez que, entendese como dissolução irregular, que não deixa de ser infração a lei, a inexistência de fato da PJ, ou seja, sua extinção ou mudança de paradeiro do estabelecimento sem noticia da alteração e em desrespeito ás formalidades vigentes e, reza o art. 135, III, do CTN, que haverá responsabilidade solidária dos gestores, sócios ou não que agirem dolosamente e cometerem infração à lei, contrato social ou estatuto, excetuandose a necessidade de dolo no caso de dissolução irregular da PJ;(.) h) foi promovida ainda a qualificação da multa de oficio, uma vez que restou caracterizada a conduta prevista no inciso I do art. 2" da Lei n" 8.137/90, conforme item ( c ) acima, bem como a dissolução irregular da sociedade (item d), evidenciando também a coresponsabilidade dos sócios e procuradores já citados anteriormente. 8 A autoridade fiscal encaminhou o Termo e os Autos de Infração aos sócios e aos procuradores do interessado (fls.290/293), responsabilizandoos. Lavrou, ao final, a representação fiscal para fins penais (processo n° 15563.000779/200910). 9 Iniciada em 16.05.2008 (fls.2/4), e instruída com os documentos de fls.1/293 e os Anexos I (fls.1/146) e II (fls.1/168), a ação fiscal foi encerrada em 29.12.2009 (fls.294). 10 Em impugnação As fls.298/334, os procuradores, Sr. Alessandro e Sr. Durival, dizem que: a) no termo de verificação, não há argumento que se coadune com a conduta descrita no inciso III do art. 135 do CTN; b) apenas os sócios podem responder por dividas tributárias, ainda assim, em ato vinculado ao fato gerador, Fl. 975DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 4 5 sendo imprescindível que a Fazenda comprove que o ato foi cometido com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto; c) só a autoridade judiciária tem competência para aplicar a teoria da desconsideração da personalidade jurídica, cujo pressuposto, na forma do art.50 do Código Civil, é o desvio da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial; d) ainda que se admita que houve dissolução irregular da sociedade pelo fato de não ter havido pagamento dos tributos e mudança de paradeiro do estabelecimento, tal não constitui motivo para serem responsabilizados; e) a responsabilidade de procuradores não tem abrigo na legislação e só poderia ser atribuída, após autorização judicial, a sócios com poderes de administração, e, ainda assim, se estes agissem com excesso de poderes, infração A lei, contrato social ou estatuto; f) não respondem pelo interessado e não têm qualquer poder de gestão sobre a empresa para determinar a entrega das declarações; Como podem responder por débitos tributários se não têm qualquer poder de gestão ou administração? h) o auto de infração, lavrado em 29.12.2009, é nulo por conter valores já alcançados pela decadência, fatos geradores de março2004 a novembro2004, que devem ser excluídos; i) a quebra do sigilo bancário depende de autorização judicial, e, que a possibilidade de quebra do sigilo através de procedimento administrativo, trazida pela Lei Complementar n° 105/2005, é manifestamente inconstitucional, e mesmo após a edição desta lei, a jurisprudência reconhece a necessidade de autorização judicial, do que se conclui que os extratos bancários, obtidos em flagrante violação aos direitos fundamentais, configuram prova ilícita, razão por que o auto de infração é nulo; j) o auto de infração é nulo porque se fundamenta unicamente em depósitos bancários, que não podem ser considerados renda, para fins de tributação, porque não traduzem o aspecto material da regra matriz do IRPJ; k) sendo empresa cujo código de inscrição é o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador retalhista, o fiscal errou ao utilizar o coeficiente de 9,6%, já que o correto, para a determinação da base de cálculo, é 1,95% (1,60 + 20%), devendo ser reconhecida a nulidade do auto, ou então, a retificados os cálculos; 1) o agente fiscal, de forma arbitrária, impôs a multa de 150%, que, além de ilegal e confiscatória, é incabível, Fl. 976DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 porque não foi demonstrado o intuito de fraude ou dolo, devendo, portanto, ser afastada ou reduzida. 11. Reproduzem jurisprudência administrativa e judicial e pedem: a) seja acolhida a alegação de ilegitimidade passiva; b) seja anulado o auto de infração, por acolher valores atingidos pela decadência, ou, caso não acolhida a nulidade, sejam excluídos os valores alcançados pela decadência; c) seja reconhecida a nulidade do auto de infração, por ter sido lavrado com base apenas em depósitos bancários; d) reconhecida a nulidade do auto de infração, porque os valores estão incorretos, ou então, reduzido o coeficiente para 1,95%; e) seja a multa afastada ou reduzida. 12. Em impugnação As fls.345/377, o interessado (Suprema), reproduz jurisprudência administrativa e judicial, apresenta as mesmas razões e pedidos dos ditos procuradores, alegando: a) decadência; b) ilegitimidade passiva dos sócios e dos procuradores; c) impossibilidade de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial; d) ilegitimidade do lançamento com base em depósitos bancários, sem a comprovação de efetivo acréscimo patrimonial; e) erro na base de cálculo do arbitramento, por aplicação de coeficiente diverso; f) não demonstração do dolo/fraude na aplicação da multa qualificada, cuja natureza é confiscatória. 13 Com as impugnações, vieram procurações e cópias do contrato social (fls.335/340 e 378/386). Nesta Turma, foram acostadas as consultas de fls.389/392. Colocado o feito em julgamento perante a DRJ do Rio de Janeiro/1, o lançamento tributário foi integralmente mantido, bem como as atribuições de responsabilidade tributária, tendo a decisão sido assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA. Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a lei de regência. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões de segunda instância administrativa, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares de Direito Tributário e não vinculam os órgãos julgadores de primeira instância. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS Fl. 977DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 5 7 As decisões judiciais só fazem coisa julgada As partes, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. A requisição pelo Fisco de informações As instituições financeiras está autorizada em lei, independe de autorização judicial e preserva o sigilo bancário. (sic) DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. MANDATÁRIOS. Não elidida a dissolução irregular, mantémse a imputação de responsabilidade a sócios e a mandatários. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005. ARBITRAMENTO. A não apresentação de livros e documentos autoriza o arbitramento do lucro. BASE DE CÁLCULO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É legitima a adoção de depósitos bancários de origem não comprovada como base para cálculo do lucro arbitrado. LUCRO ARBITRADO. DISTRIBUIDORAS DE COMBUSTÍVEIS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. As distribuidoras de combustíveis derivados de petróleo e de álcool etílico devem determinar a base de cálculo do imposto de renda, com base no lucro arbitrado, mediante aplicação do percentual de 9,60% sobre a receita bruta. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a multa qualificada se não elididos os fatos que lhe deram causa. PIS. CSLL. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Inexistindo razões especificas, aplicase As exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento do IRPJ, por força da relação de causa e efeito entre eles.(sic) A notificação da decisão foi remetida à Contribuinte Suprema em 15/09/2010, tendo a mesma sido devolvida com o aviso de “mudouse” (fls. 459e). Assim foi publicado edital de notificação em 07/10/2010. Também foram remetidas notificações aos responsáveis, com o seguinte resultado: Fl. 978DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 a) A notificação do Sr. Sílvio Bernardo de Mello foi devolvida após três tentativas de entrega (fls. 465e), pelo que o mesmo foi notificado por edital afixado em 02/12/2010; b) O Sr. Durival dos Santos Petiz foi notificado por AR em 17/09/2010; c) O Sr. Alessandro Ferraresi R. Jimenes foi notificado por AR em 17/09/2010; d) O Sr. Horácio Antonio Fernandes foi notificado por AR em 16/09/2010; A Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 472e a 516e, postado em 15/10/2010 em que aduz o seguinte: a) Decadência do lançamento no período de janeiro de 2004 a novembro de 2004, pois a notificação do lançamento ocorreu em 29 de dezembro de 2009, aplicandose o disposto no art. 150, §4º do CTN; b) Nulidade do lançamento por não ter tomado o lucro do período para fins de lançamento tributário do IRPJ e CSLL; c) Ilegitimidade passiva dos sócios e procuradores; d) Impossibilidade de quebra do sigilo financeiro sem autorização judicial; e) Impossibilidade de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de efetivo acréscimo patrimonial; f) Aplicação de coeficiente diverso para fins do arbitramento; g) Substituição tributária de PIS e COFINS, pelo que não há incidência de referidos tributos nas atividades desenvolvidas pela Contribuinte; h) Inaplicabilidade e efeito confiscatório da multa qualificada. Os responsáveis Alessandro Ferraresi R. Jimenes e Durival dos Santos Petiz apresentaram recurso voluntário de fls. 519e a 564e em 15/10/2010, em que aduzem o seguinte: a) Ilegitimidade passiva dos procuradores, umas vez que “a desconsideração da personalidade jurídica tem sua aplicação limitada ao âmbito do Poder Judiciário, conforme se verifica pela leitura do art. 50 do CC/2002, retro que expressamente atribui dita competência ao juiz.”; b) Que os responsáveis procuradores não tinham poder de gestão, mas apenas poder de representação perante instituições financeiras; c) Que só prestaram serviços à empresa até o ano de 2005, não podendo os mesmos serem responsabilizados por sua dissolução irregular; d) Que o Sr. Durival somente recebeu poderes pela procuração em 25 de outubro de 2004 e o Sr. Alessandro, por substabelecimento, em 22 de dezembro de 2004, devendo a eventual responsabilidade ser cotejada por período; e) Decadência do lançamento no período de janeiro de 2004 a novembro de 2004, pois a notificação do lançamento ocorreu em 29 de dezembro de 2009, aplicandose o disposto no art. 150, §4º do CTN; Fl. 979DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 6 9 f) Impossibilidade de quebra do sigilo financeiro sem autorização judicial; g) Impossibilidade de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de efetivo acréscimo patrimonial; h) Aplicação de coeficiente diverso para fins do arbitramento; i) Substituição tributária de PIS e COFINS, pelo que não há incidência de referidos tributos nas atividades desenvolvidas pela Contribuinte; j) Inaplicabilidade e efeito confiscatório da multa qualificada. Os senhores Sílvio Bernando de Mello e Horácio Antonio Fernandes não apresentaram recurso voluntário. É o relatório, no necessário. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Recurso Voluntário da Contribuinte QUESTÃO DE ORDEM. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DOS SÓCIOS (responsabilidade dos procuradores será analisada mais à frente) Aduz, a Contribuinte, a ilegitimidade passiva dos sócios para figurar como responsáveis pelos débitos da empresa. Nesse particular, não entendo que tenha, a Contribuinte, legitimidade para pleitear e postular em nome de terceiros. De fato, o termo de verificação fiscal, ao atribuir responsabilidade aos sócios da empresa por sua extinção irregular, atribuiu aos mesmos uma acusação que somente pode ser defendida pessoalmente, e não por intermédio de terceiros. É farto, nesse sentido, o posicionamento deste Conselho. Vejase: EMENTA: (...) DIREITOS DE TERCEIROS Inadmissível a pretensão, por falta de legitimidade, de uma empresa pleitear restituição e/ou compensação em nome de outra. (...)Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 20176666 do Processo 108250015069818. Data:28/01/2003 Diante do exposto, deixo de conhecer do recurso quanto a preliminar de ilegitimidade passiva dos sócios. Quanto aos demais temas, o recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. PRELIMINAR – DECADÊNCIA Em sede preliminar, aduz a contribuinte e os responsáveis procuradores a decadência de parte do lançamento, com aplicação do disposto no art. 150, §4º do CTN. No entanto, para a identificação do termo inicial da decadência, se o previsto no art. 150, §4º, ou se o disposto no art. 173, inciso I do CTN, faz necessário verificar a existência de dolo ou fraude, pelo que a matéria será objeto de decisão ao final do presente julgado, após a verificação da presença dos requisitos para qualificação da multa de ofício. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LUCRO DO PERÍODO PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E CSLL. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 7 11 A apuração do lucro para fins de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, no presente caso, deuse por arbitramento, por meio do qual a lei defere à autoridade administrativa, na ausência das informações e escriturações contábeis e fiscais suficientes, a aplicação de um percentual sobre a receita bruta da empresa. Nos casos de arbitramento, não há falarse em contraposição de receitas e despesas ou custos, pois o lucro, como o próprio nome diz, é arbitrado nos termos e percentuais definidos pela lei. O regime de tributação pelo lucro arbitrado, no qual a parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revelase apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL na ausência de informações precisas da composição do lucro, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita. Isso porque, o que se visa tributar é a renda e o arbitramento do lucro cumpre essa função, eis que, conhecida a receita, presumemse as despesas incorridas na atividade, encontrandose o lucro tributável, sobre o qual devem recair as exigências de IRPJ e CSLL. O arbitramento nada mais é do que uma das formas de apuração do lucro tributável, quando da impossibilidade de utilização ou opção pelo Lucro Real ou Presumido, não tendo efeito de penalidade. Inclusive, é interessante destacar que, embora o arbitramento seja uma modalidade mais gravosa de apuração do lucro, o que se pretende, na verdade, é identificar com razoabilidade o lucro tributável, sobre o qual irá incidir o IRPJ e a CSLL. Com esses fundamentos, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. MÉRITO IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DO SIGILO FINANCEIRO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL Os Recorrentes alegam ser inconstitucional e ilegal a “quebra de sigilo bancário” levado a efeito pela Autoridade Fiscal. Segundo seu entendimento a Lei Complementar nº 105/2001 seria inconstitucional ao permitir, à Fazenda Pública, o acesso às informações bancárias no curso do processo de fiscalização sem a interveniência do Poder Judiciário. Vejamos. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 Recorrente é uma empresa que apura o imposto de renda pessoa jurídica – IRPJ pelo sistema de lucro presumido, competindolhe a identificação da ocorrência do fato imponível, apuração do tributo devido, e a realização do seu respectivo pagamento. Ainda, fica o mesmo obrigado a manter escrita fiscal regular, com a identificação da origem dos recursos apresentados à tributação. Assim, é imperioso que a Autoridade Fiscal seja dotada de poderes para, em cada uma destas etapas, identificar os elementos formadores da relação jurídicotributária, de forma a confirmar ou infirmar a regularidade dos pagamentos realizados pelo contribuinte. Tanto que o art. 195 do CTN garante que “para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos”. Com isso, a Autoridade Fiscal deverá, no procedimento de fiscalização, identificar as entradas financeiras da empresa para, em um segundo momento, contrapondoas à escrita fiscal ou à documentação hábil e idônea apresentada pelo contribuinte, identificar a receita bruta da pessoa jurídica fiscalizada. No caso dos autos, a questão levantada nos recursos se refere à legalidade do procedimento adotado na identificação das entradas financeiras da pessoa jurídica, tendo em vista ter havido a requisição administrativa de informações bancárias, ante a recusa, por inércia, da apresentação dos extratos bancários pela Recorrente. Segundo entendimento dos Recorrentes, tal requisição consistiria violação ao dever de sigilo que alberga os dados financeiros da empresa, pelo que a constituição do crédito tributário em apreço estaria eivado pelo vício na forma de aquisição das informações acerca da receita bruta da empresa. Importa saber, assim, se houve 1) quebra de sigilo bancário e 2) ilegalidade na eventual quebra de referido sigilo. O sigilo bancário pode ser conceituado como o dever legalmente imposto a pessoa que possua informação acerca da movimentação bancária de outra de não tornar públicos referidos dados, sob pena de responsabilização pessoal. A questão é regulada, no direito pátrio, pela Lei Complementar nº. 105, de de 10 de janeiro de 2001, firmando, logo em seu art. 1º, que “as instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados”. A referida lei complementar, por outra vez, relaciona 1) hipóteses em que o intercâmbio de informações bancárias não constitui quebra de sigilo bancário e 2) hipóteses em que será realizada a quebra do sigilo bancário. A quebra do sigilo bancário, nos termos do parágrafo quarto do artigo 1º, poderá ser decretada “quando necessária para apuração de ocorrência de qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial”. Ainda, “a quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis” (art. 10 da LC 105/2001). Resta saber se a requisição administrativa de informações bancárias por Autoridade Fiscal, no curso do processo administrativo, consistira a tal quebra de sigilo bancário. Dispõe, a lei complementar nº 105/2001, o seguinte: Art. 1º (...) Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 8 13 § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. (sem grifos no original) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Ainda, segundo o disposto no art. 197 do CTN: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A dicção do art. 1º, parágrafo 3º, inciso VI e do art. 6º da LC 105/2001, c/c o art. 197 do CTN torna evidente não ser, a disponibilização de informações bancárias à Autoridade Fiscal no curso de procedimento administrativo de fiscalização, quebra de sigilo bancário a impedir a utilização de referidas informações. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 Tenho, assim, que a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensando, nesta ordem, a interveniência do Poder Judiciário para a aquisição de referidas informações. Importante ressaltar que as informações fiscais também estão albergadas, ao lado das informações bancárias, por dever de sigilo, nos termos do art. 198 do CTN. Desta feita, a aquisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal não tornam públicos os dados da pessoa jurídica. De fato, se se pensasse que a disponibilização das informações ao Fisco tornassem públicos os dados bancários da empresa, estaríamos diante da ilegal quebra do sigilo definida na lei complementar nº 105/2001. Mas não é este o caso: o dever de sigilo fiscal protege as informações bancárias apuradas no curso do procedimento de fiscalização. Ainda, verifico que o acesso às informações bancárias da empresa é essencial para o exercício da atividade de fiscalização tributária. De fato, não se pode restringir o acesso do Fisco à identificação das entradas financeiras, de forma a permitir a verificação da veracidade da receita bruta apresentada à tributação pela pessoa fiscalizada. Este é o entendimento sufragado no âmbito deste 1º Conselho de Contribuintes, ressaltandose os seguintes precedentes: PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO FUNDAMENTAÇÃO ILEGAL PRELIMINAR SIGILO BANCÁRIO Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário, aqui não se trata, de quebra de sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. (Acórdão 10614199 SEXTA CÂMARA rec. 140.882) No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento pela possibilidade de requisição administrativa de informações bancárias no curso de processo administrativo tributário. Vejamos a jurisprudência daquela casa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. LEI 8.021/90 E LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. VIOLAÇÃO DO ART. 535, I e II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O Codex Tributário, ao tratar da constituição do crédito tributário pelo lançamento, determina que as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata (artigo 144, § 1º, do CTN), pelo que a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, atingem fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo Fl. 985DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 9 15 bancário de contribuinte durante período anterior a vigência dos aludidos dispositivos legais. Precedentes da Corte: AgRg nos EDcl no REsp 824.771/SC, DJ 30.11.2006; Resp 810.428/RS, DJ 18.09.2006; EREsp 608.053/RS, DJ 04.09.2006; e AgRg no Ag 693.675/PR, DJ 01.08.2006). (...) 4. A LC 105/2002 dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinando que não constitui violação do dever de sigilo, entre outros, o fornecimento à Secretaria da Receita Federal de informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações artigo 11, § 2º, da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF , e a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, e 9º, da lei complementar em tela (artigo 1º, § 3º, III e VI). 5. Em seu artigo 6º, o referido diploma legal, estabelece que: "As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.". 6. Nesse segmento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal." (REsp 685.708/ES, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 20.06.2005). 7. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurála. 8. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 9. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. A regra do sigilo bancário deve ceder todas as vezes que as transações bancárias Fl. 986DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 16 são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. (...) (Resp nº. 943.304/SP, 1a Turma do STJ, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 06/05/2008). Por outro lado, não vejo ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa quando da requisição administrativa de referidas informações. É certo que as entradas financeiras identificadas na movimentação bancária da empresa podem não constituir, em sua totalidade, em receita bruta integrante da base para incidência do percentual definido para a identificação do lucro presumido. Assim, os dados bancários não autorizam, em um primeiro momento, a imputação direta de que todas as entradas na conta corrente seriam receita tributável da empresa. Ao contrário, a autoridade fiscal, diante das informações bancárias, deve contrapôlas à escrita fiscal da empresa e demandar, no caso de divergências, a comprovação da origem dos recebimentos por meio de documentação hábil e idônea. E este procedimento foi seguido no caso destes autos: a empresa foi intimada e reintimada a apresentar sua escrituração fiscal e documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos depósitos identificados na conta corrente. E, em todas as oportunidades, a Recorrente furtouse a apresentar qualquer documentação. Por fim, no que toca à arguição de inconstitucionalidade da lei complementar, afasto a sua verificação, seja pela ausência de pronunciamento neste sentido por parte do Supremo Tribunal Federal, seja pela aplicação da súmula nº 2 do CARF. Com entendimento reflexo, não vejo a possibilidade de questionar a constitucionalidade da requisição realizada pela Autoridade Fiscal, posto que 1) o direito ao sigilo bancário não é absoluto, sendo permitidas exceções definidas em lei; e 2) o procedimento em apreço seguiu o procedimento definido na lei complementar nº 105/2001. Assim, rejeito a argumentação apresentada pelos Recorrentes. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE EFETIVO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL Aduzem, os Recorrentes, a impossibilidade de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de efetivo acréscimo patrimonial. Sem razão, nesse particular. In casu, aplicase especificamente a hipótese de presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Art.42. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 10 17 aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Com a edição da referida lei, a existência de depósitos bancários não identificados, e cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte, adquiriu status de presunção legal juris tantum de omissão de receita, e, por tal razão, transferiuse ao contribuinte o ônus da prova da inexistência de correspondência entre os depósitos bancários e a receita alegadamente omitida. No caso concreto, após procedimento fiscal instaurado, e cumprido o devido procedimento fiscal, a autoridade fiscal requereu a apresentação de extratos bancários às instituições financeiras às quais a Contribuinte estava vinculada. Aliás, verifiquese que tanto o Poder Judiciário, quanto este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), admitem a possibilidade de lançamento no caso de ausentes elementos probatórios que afastem a presunção legal de omissão de receitas, com base em extratos bancários, senão vejase: CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL AGRAVO DE INSTRUMENTO TUTELA ANTECIPADA INDEFERIDA PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS PROVENIENTES DE VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, E DE NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS ACESSO DE DADOS BANCÁRIOS DOS CONTRIBUINTES PELO FISCO CONTROVÉRSIA JURISPRUDENCIAL REQUISITOS DA TUTELA ANTECIPADA AUSENTES. 1. Na hipótese vertente, a autoridade administrativa deflagrou procedimento administrativo fiscal n 10580722.273/200844 para apuração de atos atribuídos à parte autora (omissão de receitas provenientes de valores de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, e de notas fiscais não escrituradas, relativamente ao anocalendário de 2005, assim como por ter ultrapassado o limite de receita bruta previsto para empresas de pequeno porte neste mesmo ano) e concluiu pela prática das infrações capituladas no art. 24, da Lei n. 9.249/95, no art. 2, § 22, art. 3, § l, "a", art. 52, art. 42, da Lei n. 9.430/96, dispositivos da Lei n. 9.317/96, art. 3, da Lei n. 9.732/98, arts. 186, 188 e 199, do RIR/99, tendolhe aplicado multa punível com sanção pecuniária prevista em lei. 2. Os atos administrativos praticados por autoridade competente gozam de presunção de validade e somente se justifica a intervenção do Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 18 Poder Judiciário para afastarlhes os efeitos quando constatados vícios capazes de deflagrar o reconhecimento de sua nulidade. Ao menos neste primeiro exame de vista, não há nada que desautorize a atuação administrativa, eis que não se fazem presentes elementos de prova contundentes que conduzam ao convencimento acerca da verossimilhança da nulidade alegada. Precedentes. 3. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico no sentido de ser possível a quebra do sigilo bancário com fulcro na Lei Complementar n.º 105/01 e na Lei n.º 10.174/01, sem necessidade de prévia autorização judicial e com aplicação imediata, ainda que recaiam sobre fatos geradores ocorridos em data anterior à vigência das referidas normas. Assim, sendo constatado que a requisição de informações à instituição bancária foi devidamente precedida do respectivo procedimento fiscal exigido pelo art. 6º, da LC n.º 105/01, não há que se falar, em princípio, em qualquer ilegalidade na conduta do Fisco destinada à apuração de ilícito fiscal. 4. Ainda que existam precedentes dando pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo pelo Fisco, sem autorização judicial (RE 389808, Relator Min. MARCO AURÉLIO, DJe086 de 10052011, a matéria ainda não se encontra pacificada no Judiciário e o RE nº 601314 /SP (repercussão geral) ainda está pendente de julgamento, circunstâncias que não autorizam a liminar na linha do bom senso. Precedentes deste Tribunal. 5. O exame das condições concretas da manutenção da empresa no Simples é matéria que exige dilação probatória. 6. Agravo regimental não provido. Decisão mantida. (TRF1. AGA 002332497.2013.4.01.0000 / BA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.550 de 04/10/2013) Neste sentido, no tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantenho o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho. APLICAÇÃO DE COEFICIENTE DIVERSO PARA FINS DO ARBITRAMENTO Com relação ao coeficiente utilizado pela Autoridade Fiscal para fins do arbitramento, tenho que a questão está expressamente definida em lei. O art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, regulamentado pelo art. 519, § 1 0, inciso I, do RIR11999, assim dispõe: Art.15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, sera determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts.30 a 35 da Lei n" 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 11 19 § 1º. Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo sera: I — um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; (..) A atividade da Contribuinte está especificamente regulada pelo dispositivo supra elencado, não havendo como afastálo. Afasto, assim, o pleito de revisão do percentual de arbitramento. PISCOFINS – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA – REVENDA DE COMBUSTÍVEIS Com relação à impossibilidade de tributação reflexa da receita omitida pelas contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, tenho que, neste caso, assiste razão à Contribuinte. Com efeito, em se tratando de combustíveis, cuja revenda em atacado representa a atividade principal da Contribuinte, a legislação prevê a incidência monofásica do PIS e COFINS, no momento da saída dos produtos das refinarias de petróleo. Verifiquese, na legislação de regência (LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998), que há clareza no sentido de que ocorre a incidência do PIS e da COFINS somente com relação aos produtores – o que é o caso das refinarias – e importadores de derivados de petróleo, senão vejase: Art. 4º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelos produtores e importadores de derivados de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2006 A 31/12/2006. EMENTA: (...) PIS E COFINS RESTITUIÇÃO INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COMÉRCIO VAREJISTA. ALÍQUOTA ZERO.A PARTIR DE 01/07/2000, OS COMBUSTÍVEIS PASSARAM DO REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA DO PIS E DA COFINS PARA O REGIME MONOFÁSICO INCIDINDO, APENAS, SOBRE A RECEITA DE VENDA DAS REFINARIAS. FORAM REDUZIDAS A ZERO AS ALÍQUOTAS DESSAS CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE OS COMBUSTÍVEIS Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 20 VENDIDOS PELOS DISTRIBUIDORES E COMERCIANTES VAREJISTAS QUANDO JÁ TRIBUTADOS ÀS ALÍQUOTAS ESPECIAIS INSTITUÍDAS (...) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão nº 330100516 do Processo 13839000892200712 Data: 29/04/2010) Além disso, reconheçase que, para haver o arbitramento da receita bruta para fins de tributação pelo IRPJ, tomase como premissa a presunção legal, decorrente do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, de que tal receita decorre da atividade principal do contribuinte. Diante disso, tendose em vista que a atividade do contribuinte é a revenda (distribuição) de combustíveis, não há se falar em incidência de PIS e COFINS sobre a receita omitida, tendose em vista que estes são objeto de tributação monofásica, por substituição tributária, e suportados exclusivamente pela refinaria de petróleo. Em se admitindo o contrário, estarseia tributandose duplamente o mesmo fato, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. Dou provimento, neste particular, ao recurso, para excluir a tributação de PIS e COFINS. INAPLICABILIDADE E EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA QUALIFICADA. Defende a Contribuinte ser inaplicável ao caso concreto a multa aplicada porquanto esta tenha caráter supostamente confiscatório. No entanto, não há razão em suas alegações. Isto porque, ao fundamentar a aplicação da multa de ofício, na sua modalidade qualificada (150%), a fiscalização ponderou que a contribuinte teve a intenção de ocultar do Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições, mediante a ausência de escrituração de consideráveis quantias depositadas junto a contas bancárias da pessoa jurídica, o que caracterizou a fraude, e justificou a exigência da penalidade mais gravosa, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Portanto, os valores omitidos e a totalidade de operações financeiras não refletidas na escrituração deixam claro que a Recorrente ocultou dolosamente tais informações com intenção de não pagar tributo. Assim, configurado está o animus, isto é, a vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo. Tal conduta justifica a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996. No meu entendimento, a multa por infração somente deve ser qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando ficar efetivamente comprovada a existência de uma das condutas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, isto é, fraude, dolo ou simulação, condutas estas que exigem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. É dizer: para que seja tolerada a qualificação da multa de ofício, é preciso que haja a efetiva comprovação da autoria da prática do fato delituoso. Isso porque, em matéria de delito não é admissível a presunção: ou existe prova concreta da autoria quanto à prática do fato delituoso ou, na dúvida, aplicamse as disposições do artigo 112, III, do CTN que determina que quando a lei tributária define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 12 21 da maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). De fato, tenho que a Recorrente incorreu em prática dolosa ao omitir da base da tributação a totalidade de suas movimentações bancárias; deixar de proceder à escrituração de suas receitas; e dissolverse irregularmente, sem comunicar às autoridades competentes, como Relatado pela DRJ: No Termo de Verificação Fiscal lêse: a) embora o interessado não tenha apresentado DIPJ dos anos calendário de 2004 e 2005, "as informações contidas nos arquivos da RFB apontam para a existência de elevada movimentação financeira: R$ 42.907.759,52 e R$ 122.695.598,07"; b) a correspondência que lhe foi enviada foi devolvida; c) o interessado não foi encontrado em seu endereço, no qual restou confirmado que funcionava outra pessoa jurídica. 5 Também segundo o Termo de Verificação Fiscal, foram emitidas Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) aos bancos Santos, Bradesco, Pine S/A, Mercantil do Brasil, Unibanco, e Safra, que forneceram extratos (fls.22/81), com base nos quais, atendidos os pressupostos legais, foi elaborada planilha de movimentação financeira, na qual, foram atendidos os pressupostos legais e não foram incluídas operações que não representavam ingressos (fls.95/127). (...) c) a empresa encontrase omissa quanto à apresentação das DIPJ dos anos calendário de 2004 e 2005, apesar de apresentar expressiva movimentação financeira naqueles anoscalendário (R$ 42.907.795,52 e R$ 122.695.598,07, respectivamente), caracterizando evidente dolo quando da omissão de informações; (...) Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 22 h) foi promovida ainda a qualificação da multa de oficio, uma vez que restou caracterizada a conduta prevista no inciso I do art. 2" da Lei n" 8.137/90, conforme item ( c ) acima, bem como a dissolução irregular da sociedade (item d), evidenciando também a coresponsabilidade dos sócios e procuradores já citados anteriormente. Assim, configurada a conduta proativa da Recorrente, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da omissão de receita. DECADÊNCIA No que tange à alegação de decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento ora impugnado pelo Recurso Voluntário em análise, alega o Recorrente que o débito exigido pelo Fisco é objeto de decadência. Porém, não há razão no argumento do contribuinte, visto o que se passará a discorrer. Devemse identificar, de início, os termos ad quem e a quo para fins de análise da decadência do crédito tributário, bem como verificar a disciplina legal dada ao instituto da decadência na sistemática do tributo sujeito à lançamento por homologação. Com efeito, segundo o disposto no Art. 142 do CTN, considerase efetuado o lançamento quando se dão, cumulativamente: i) a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente; ii) a determinação da matéria tributável; iii) o cálculo do montante do tributo devido; e iv) a identificação – e intimação – do sujeito passivo. No presente caso, o lançamento do crédito tributário devido ocorreu quando do término da ação fiscal levada a efeito em face do Recorrente, na qual se constatou a omissão de receitas dolosa, cujo fim se formalizou por meio do Termo de Encerramento Fiscal , do qual o Recorrente foi devidamente notificado, sendo este o termo ad quem da decadência do direito de lançar. Via de regra, no caso do IRPJ, adotase o lançamento que é efetuado com base em declaração do sujeito passivo, por meio da qual o contribuinte presta à autoridade administrativa informações sobre os fatos imponíveis ocorridos no período, e, feito isto, gera a guia de pagamento e recolhe o crédito tributário devido (lançamento por homologação). A Lei nº 9.430/96 previu como dever do contribuinte a declaração de todas as receitas apuradas em determinado mês, a qual serve de base para o cálculo do tributo devido. O Art. 149 do CTN, por sua vez, descreve que é cabível o lançamento de ofício quando: (...) III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 13 23 Diante do que prevê o dispositivo legal supracitado, é evidente que o lançamento levado a efeito pela autoridade fiscal, quanto ao montante não declarado pelo Recorrente, em virtude de omissão dolosa de receitas em DIPJ, possui natureza de lançamento de ofício. Demais disso, Como bem relatou a DRJ, em sede de Termo de Verificação Fiscal, restou demonstrado que não foi apresentada DIPJ dos anoscalendário de 2004 e 2005, e, não obstante, foram apontadas movimentações financeiras elevadas e omitidas do Fisco, senão verifiquemse trechos do Relatório que fazem referência àquele Termo: (...) embora o interessado não tenha apresentado DIPJ dos anoscalendário de 2004 e 2005, "as informações contidas nos arquivos da RFB apontam para a existência de elevada movimentação financeira: R$ 42.907.759,52 e R$ 122.695.598,07 c) a empresa encontrase omissa quanto à apresentação das DIPJ dos anos calendário de 2004 e 2005, apesar de apresentar expressiva movimentação financeira naqueles anoscalendário (R$ 42.907.795,52 e R$ 122.695.598,07, respectivamente), caracterizando evidente dolo quando da omissão de informações; Verificase que a conduta deliberada e confessada da contribuinte, no sentido de omitir a totalidade das receitas da pessoa jurídica representadas por movimentações bancárias não infirmadas por aquela, configura infração à lei suficiente ao lançamento de ofício das receitas omitidas. Assim, não tendo havido o prévio pagamento de tributos sobre a receita omitida, contase o prazo decadencial de lançamento a partir do primeiro dia do exercício seguinte. Tal é o entendimento esposado pelo STJ no que tange ao reconhecimento do prazo decadencial em casos similares ao presente, em sede de Recurso Especial sujeito ao rito do Art. 543C do CPC: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 24 AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. 12 de agosto de 2009(Data do Julgamento) Tambem este Conselho firmou jurisprudência no sentido de que nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação, senão vejase: Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 14 25 anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral, prevista no art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91. Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anoscalendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%. (...) (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10709311 do Processo 15586000464200572. 05/03/2008) Deveras, conforme redação do Art.173, I do CTN, adotado no caso em comento, considerase extinto o direito de o Fisco lançar o crédito tributário em cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual poderia ter lançado. No caso, a omissão de receitas do Recorrente ocorreu no anocalendário de 2004. No caso, tratandose do ano calendário 2004, considerandose que o lançamento poderia ter sido efetuado no exercício de 2005, o prazo decadencial começou a fluir em 1° de janeiro de 2006 e se encerraria apenas em 31/12/2010. Como a ciência dos Autos de Infração ocorreu em 31.12.2009, 04.01.2010 e 05.01.2010 (fls.290/293), concluise que não foi caracterizada a decadência. Assim, não há se falar em decadência no direito de lançar, razão pela qual deve ser mantido o lançamento realizado. Recurso Voluntário dos Procuradores Os responsáveis Alessandro Ferraresi R. Jimenes e Durival dos Santos Petiz apresentaram recurso voluntário de fls. 519e a 564e em 15/10/2010. PRELIMINAR – DECADÊNCIA Vide voto proferido em sede do Recurso Voluntário da contribuinte. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LUCRO DO PERÍODO PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E CSLL. Vide voto proferido em sede do Recurso Voluntário da contribuinte. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 26 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA DOS PROCURADORES Quanto à tese de ilegitimidade passiva dos mandatários dos sócios da contribuinte, tenho que não lhes assiste razão. Com efeito, o Art. 135 do CTN traz disciplina própria, específica do instituto da responsabilidade tributária, e diversa do instituto jurídico da desconsideração da personalidade jurídica, tipicamente civil e prevista no art. 50 do CC/02. Nestes termos, não há se aplicar os ditames do diploma civil para aferição da sujeição passiva dos mandatários ora Recorrentes, considerados, em fiscalização, gestores de fato da contribuinte. Mencionado dispositivo do CTN dispõe, in litteris, que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Conforme disposto no art. 135, caput, e incisos II e III, os mandatários e diretores (de fato ou de direito) são, em tese, pessoalmente responsáveis por créditos tributários gerados por atos praticados com infração à lei. No caso em comento, foi identificada, após procedimento fiscal regular, que a contribuinte incorreu em omissão de receitas com origem em movimentações bancárias; que os administradores da contribuinte não escrituraram quaisquer receitas dos anoscalendário relativos ao período fiscalizado; e que a sociedade se dissolveu irregularmente. Por outro lado, foi constatado que os mandatários, ora recorrentes, possuíam poderes de gestão e controle da pessoa jurídica, constantes de procuração pública válida ao tempo dos fatos geradores de IRPJ. Nesse sentido, tanto para fins de verificação da sujeição passiva dos Recorrentes, quanto para apuração de sua responsabilidade, necessário se faz investigar o alcance dos poderes a si conferidos pela sociedade e pelos sócios desta. Cabe, então, aferir se os poderes conferidos em mandato trariam consigo a possibilidade de atribuição de responsabilidade tributária aos procuradores dos sócios da Contribuinte, o que será discorrido mais adiante, posto que se confunde com o mérito da autuação. Desta forma, rejeito a preliminar, em razão do disposto no Art. 135, II e III do CTN, e teço a seguir considerações a respeito da responsabilidade tributária dos Recorrentes. MÉRITO Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 15 27 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS PROCURADORES – ADMINISTRADORES DE FATO DA EMPRESA Uma vez atestada a sujeição passiva dos Recorrentes quanto aos lançamentos realizados, cumpre analisar se estes praticaram atos infracionais à lei que permitem a responsabilização tributária destes. Em procuração pública constante de fls. 47, verificase que os procuradores possuíam poderes amplos e gerais de gestão para representação perante instituições bancárias, inclusive para recolher impostos, taxas e contribuições, e, ainda: “ poderes amplos, gerais e ilimitados para o fim especial de representar a outorgante perante qualquer estabelecimento bancário, inclusive Banco do Brasil S/A E Caixa Econômica Federal e junto a estes abrir, movimentar e encerrar contas correntes bancárias, podendo emitir, endossar, descontar, prorrogar, sacar c assinar cheques, levar a protestos, letras de câmbio, duplicatas, notas promissórias, borderaux c outros títulos de crédito, receber, passar recibos e dar quitação; retirar talonários e extratos, recolher impostos, taxas c contribuições, reclamar dos indevidos e receber restituições, retirar senha, cartão magnético e toda a correspondência registrada ou não, com ou mil valor, colis posteux e reembolso; efetuar cadastros, renovações e recadastrar contas, fazer depósitos ou retiradas mediante recibos , dar instruções sobre aplicações financeiras o solicitar os respectivos resgates, total ou parciais, e tudo o mais que necessário for ao bom c fiel desempenho do presente mandato, substabelecendo a presente no seu todo ou cm partes com ou sem reserva de iguais poderes. A constatar isto, consta do TVF às fls. 248249, in litteris: Analisando a referida Procuração, constatamos que os poderes conferidos ao Sr. Durival não diferem em nada dos poderes concedidos aos sócios Sr. Silvio e Sr. Horácio, através do Contrato Social; Em 22/12/2004, o sr. Durival substabelece os direitos que lhe foram conferidos, COM RESERVA DE IGUAIS PODERES, na pessoa do SR. ALESSANDRO FERRARESI RODRIGUEZ JIMENEZ; Em que pese à alegação de que os responsáveis procuradores não tinham poder de gestão, mas apenas poder de representação perante instituições financeiras, não prospera, visto que o a procuração pública de fls. 45 atesta a atribuição de poderes para a condução dos negócios da empresa perante as instituições financeiras, e para cumprimento de obrigações tributárias. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 28 O Contrato Social da Contribuinte (fls. 19), prevê a possibilidade de outorga de poderes de gestão a terceiros, senão vejase: (...) SÉTIMA: Os sócios administradores Srs. SILVIO BERNARDO DE MELLO e HORÁCIO ANTONIO FERNANDES, já qualificados, poderão nomear através de procuração particular ou Pública, procurador que irá representar a sociedade Ativa e Passiva, judicial e extrajudicialmente, ficando o nomeado investido dos mais amplos e gerais poderes nos termos da procuração delegada a fim de garantir o funcionamento dos negócios e a realização dos objetivos sociais (...) Demais disso, a existência de poderes representação da sociedade perante instituições financeiras, o que os próprios Recorrentes confirmam, e outras atribuições, representa de maneira inequívoca a capacidade para direcionar um sem número de negócios e atos de direção da sociedade, procuração esta que tem prazo indeterminado, visto que ausente qualquer ressalva em sentido contrário. Nesse sentido, trazse à baila trecho do Acórdão da DRJ: No caso, o interessado não funciona no endereço registrado nesta Secretaria e registrado na Junta Comercial; não apresentou qualquer livro ou documento; não respondeu a qualquer intimação; não apresentou DIPJ (a última apresentada, como se 18 As fls.389, foi a do anocalendário de 2003), nem DCTF (a última apresentada, como se lê As fls.390/392, foi a do primeiro trimestre de 2004, e sem qualquer informação sobre débitos). Tais fatos não foram elididos em sede desta impugnação, razão pela qual a desconsideração da pessoa jurídica — que, sublinhese, não se confunde com aquela determinada pelo Poder Judiciário, que, ao final, é quem decide, em caso de execução, sobre quais bens esta deve recair — aventada pelo autuante, com o fim especifico de imputar responsabilidade solidária a sócios e procuradores, deve ser mantida Assim, tendose constatado a existência de poderes de gestão e a perduração destes no tempo, é de considerar responsáveis os Recorrentes pela dissolução irregular da sociedade, o que configura infração à lei apta aos efeitos do Art. 135 do CTN, senão verifique se o disposto na Súmula 435 do Superior Tribunal de Justiça: Súmula 435. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. No caso, foi demonstrado pela fiscalização que os Recorrentes tomaram as vezes de gerentes da sociedade, o que permite aplicarse o mesmo raciocínio constante da referida Súmula, combinado com o disposto no CTN. Com efeito, os procuradores não demonstraram que ao tempo da ocorrência dos fatos geradores lançados não eram representantes da sociedade contribuinte, o que afastaria sua responsabilidade. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15563.000776/200978 Acórdão n.º 1401001.403 S1C4T1 Fl. 16 29 Outrossim, tendose em vista que o ato infracional (dissolução irregular) e a omissão dolosa de receitas ocorreu em período posterior ao início da vigência do mandato dos Recorrentes, estes devem responder por todo o período omitido. Nesse sentido, devese imputar aos mandatários Alessandro Ferraresi R. Jimenes e Durival dos Santos Petiz a responsabilidade tributária nos termos previstos no art. 135 do CTN, em virtude da prática de atos de infração à lei sob a gestão de fato e por mandato da sociedade, como o descumprimento de obrigações acessórias de oferta de receitas à tributação nos anoscalendário de 2004 e 2005, conduta próativa no sentido de fraudar a fiscalização tributária e omitir a totalidade das receitas da sociedade apurada em movimentação bancária no período citado, e a dissolução irregular da sociedade. IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DO SIGILO FINANCEIRO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL Questão já decidida. Vide voto proferido em sede do Recurso Voluntário da contribuinte. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE EFETIVO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL Questão já decidida. Vide voto proferido em sede do Recurso Voluntário da contribuinte. APLICAÇÃO DE COEFICIENTE DIVERSO PARA FINS DO ARBITRAMENTO Questão já decidida. Vide voto proferido em sede do Recurso Voluntário da contribuinte. PISCOFINS – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA – REVENDA DE COMBUSTÍVEIS Questão já decidida. Vide voto proferido em sede do Recurso Voluntário da contribuinte. INAPLICABILIDADE E EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA QUALIFICADA. Questão já decidida. Vide voto proferido em sede do Recurso Voluntário da contribuinte. DECADÊNCIA Questão já decidida. Vide voto proferido em sede do Recurso Voluntário da contribuinte. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 30 Desta feita, voto por não conhecer parcialmente do recurso da contribuinte e conhecer do recurso dos mandatários e, na parte conhecida, pelo provimento parcial dos Recursos Voluntários interpostos pela Contribuinte e mandatários, para afastar a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas omitidas. (Assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10314.003873/2002-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/11/2001, 17/04/2002
SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS
O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal não é motivo suficiente para imposição de multa por falta de licença de importação. Cumpre a autoridade fiscal demonstrar que o equívoco na indicação do código tarifário prejudicou a aplicação do controle administrativo das importações.
Recurso Negado
Numero da decisão: 9303-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do Procurador.
assinatura digital
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
assinatura digital
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martinez López e Carlos Alberto de Freitas Barreto. A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/11/2001, 17/04/2002 SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal não é motivo suficiente para imposição de multa por falta de licença de importação. Cumpre a autoridade fiscal demonstrar que o equívoco na indicação do código tarifário prejudicou a aplicação do controle administrativo das importações. Recurso Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do Procurador. assinatura digital Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente assinatura digital Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martinez López e Carlos Alberto de Freitas Barreto. A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/11/2001, 17/04/2002 SIMPLES ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS O exclusivo erro na indicação da classificação fiscal não é motivo suficiente para imposição de multa por falta de licença de importação. Cumpre a autoridade fiscal demonstrar que o equívoco na indicação do código tarifário prejudicou a aplicação do controle administrativo das importações. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do Procurador. assinatura digital Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente assinatura digital Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martinez López e Carlos Alberto de Freitas Barreto. A Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 38 73 /2 00 2- 64 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de segunda instância, que passo a transcrever. A empresa acima qualificada submeteu a despacho, através das Declarações de Importação 11597921 e 03395799, registradas em 28/11/2001 e 17/04/2002, a mercadoria descrita nas fls. 39 e 51 como "distribuidor de conexão para redes WS C6509 com 9 slots", classificandoa no código 8471.80.14, como "unidades distribuidoras de conexões para redes", C0111 alíquota de 3% (três por cento) para o Imposto de Importação e de 15% (quinze por cento) para o IPI. A fiscalização entendeu, em razão da Solução de Consulta DMNA/SRRF/8a RE 53, de 26/07/2002, que a correta classificação tarifária para o produto importado é 8471.80.19, relativa a outras unidades de controle ou de adaptação e unidades conversoras de sinais, cuja ai/quota do imposto de Importação maior. Essa Solução de Consulta definiu como correto enquadramento para o produto importado. o código 8471.80.19 em razão de tratarse de LAN SWITCH,• .com a função de distribuição e direcionamento de pacotes de dados entre micros, servidores e outros sistemas de processamento de dados. Dessa forma, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 1 a 3 e 11 a 12. O primeiro para exigência de imposto de importação, da multa de oficio prevista no art. 44, inciso I da Lei 9430/96, da multa prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Dec. 91.030/85, e da multa referente ao art. 84 da M.P. 2158/2001, e o segundo para exigência de juros de mora de multa, de oficio prevista no art. 80, 1 da Lei 4502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei 9430/96. Discordando parcialmente da exigência fiscal, uma vez que afirma que está providenciando o recolhimento do imposto de importação e do 1P1, acrescido de multa de oficio e da multa do art. 84 da M.P. 2158, a autuada impugnou o Auto de Infração (fls. 29 a 33) apenas relativamente a multa prevista no art. 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Dec. 91.030/85, alegando que descreveu corretamente as mercadorias, citando em seu favor o ADN/COSIT 12/97 e jurisprudência do Conselho de Contribuintes. A DRJ SAO PAULO II/SP julgou procedente o lançamento, lançando a seguinte ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/11/2001, 17/04/2002 Ementa: Matéria não impugnada. Os tributos e seus acréscimos legais não contestados pela impugnante tem sua exigibilidade mantida. Multa por falta de licenciamento de importação cabível a penalidade administrativa em razão de descrição incompleta da mercadoria na declaração de importação, sem todos os elementos necessários à sua identificação. Lançamento Procedente. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10314.003873/200264 Acórdão n.º 9303003.311 CSRFT3 Fl. 423 3 Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 70 e seguintes, onde basicamente repete os argumentos apresentados na impugnação. A parte não impugnada foi transferida para outro processo, remanescendo neste apenas a parcela relativa à multa do controle administrativo das importações, fl. 113. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação de Colegiado do Terceiro Conselho de Contribuintes, conforme despacho de fi. 133. Assim a Turma recorrida sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/11/2001, 17/04/2002 Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação. Licenciamento de importação. Penalidade. Guia e licenciamento de importação, documentos nãocontemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2" da Lei 6.562, de 1978. Recurso Voluntário Provido. Irresignada com a decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial, folhas 321 e seguintes (eProc), que foi admitido, conforme despacho às folhas 352 e seguintes. Às folhas 371 e seguintes, as contra razões apresentadas pela empresa. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Discutese exclusivamente a multa no percentual de trinta por cento do valor da mercadoria importada, por importar mercadoria sem guia de importação ou documento equivalente artigo 169, I, "b", do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. Sendo certo que não se ventilou, nem no auto de infração nem na decisão de 1ª instância a ocorrência de intuito doloso ou máfé por parte da importadora, a meu ver, a solução do presente litígio exige que se avalie: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 4 1 a legalidade, em abstrato, da imposição da multa do art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, das hipóteses de ausência de licenciamento; 2 se o erro na indicação da classificação tarifária implica ausência de licenciamento. Pois bem, no Auto de Infração, a Fiscalização Federal explica a ocorrência identificada, nos seguintes termos. 001 SIMPLES DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA O importador, por meio das DIs de n 2 01/11597921 e 02/03395799, registradas em 28/11/2001 e 17/04/2002, submeteu a despacho 01 unidade de distribuidor de conexão para redes modelo CATALYST 6509 em cada uma delas, classificadas na Tarifa Externa Comum no código 8471.80.14, tendo recolhido o imposto de importação (II) à alíquota de 4% . Ocorre que a classificação fiscal declarada está incorreta, sendo que deveria ter sido aposta a seguinte: 8417.80.19 de acordo com a solução de consulta DIANA/SRRF/8a. RF Nr.53 de 26 de julho de 2002 exarada no processo 10880.001032/200115, e para a qual é prevista a alíquota de II de 28%. Mas por ter declarado corretamente referida mercadoria, incorreu em uma das hipóteses previstas no Ato Declaratório(Normativo) COSIT nº 10/97 ou 36/95 ou 38/94. Sendo assim, cobrase a diferença de imposto, apurada em face de tal incorreção, somado aos acréscimos legais devidos. A partir da descrição acima, chego à conclusão de que a exigência aqui debatida não pode persistir. De fato, para mim não há dúvida de que, diferentemente do que restou assentado no acórdão recorrido, a multa litigiosa enquadrase perfeitamente no art. 169 do Decretolei nº 37, de 1966, que, em sua atual redação, diz: Art. 169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei nº 6.562, de 18/09/1978) I importar mercadorias do exterior: a) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Admitindo que, à época dos fatos, já se encontrava implantado o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) e a Guia de Importação fora substituída pela Licença de Importação, a avaliação da legalidade de tal penalidade não pode prescindir da delimitação do universo dos “documentos equivalentes” àquele que foi extinto. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10314.003873/200264 Acórdão n.º 9303003.311 CSRFT3 Fl. 424 5 No plano da nomenclatura, tal dúvida é respondida pela simples leitura do artigo 6º, caput e parágrafos do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992: Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. § 2° Outros documentos emitidos pelos órgãos e entidades da Administração Direta e Indireta, com vistas à execução de controles específicos sob sua responsabilidade, nos termos da legislação vigente, deverão ser substituídos por registros informatizados, mediante acesso direto ao Sistema, pelos órgãos encarregados desses controles. (grifei) Vêse, portanto, que a partir desse novo sistema, todas as exigências inerentes ao processo de nacionalização1, seja sob o ponto de vista tributário, com enfoque na verificação da correta incidência dos tributos, seja sob o ponto de vista administrativo, que engloba as exigências cambiais, sanitárias, dentre outras, foram concentradas em único ambiente informatizado, onde convivem dois documentosbase: a Declaração de Importação, onde são tratadas as informações relativas ao controle tributário e a Licença de Importação, por meio da qual interagem os chamados Órgãos Anuentes, responsáveis pela condução dos controles administrativos. Ocorre, entretanto, que o Fisco não logrou êxito em demonstrar que o erro na indicação da classificação fiscal fez com que a mercadoria deixasse de obter o correto licenciamento. Como é cediço, os dispositivos legais que tratam do controles nãotarifários sobre o comércio exterior foram tacitamente derrogados pelo Acordo sobre Procedimentos para o Licenciamento de Importações (APLI), negociado no âmbito da Rodada do Uruguai, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, em cujo artigo 1 se lê: Artigo 1º Disposições Gerais 1. Para os fins do presente Acordo, o licenciamento de importações será definido como os procedimentos administrativos utilizados na operação de regimes de licenciamento de importações que envolvem a apresentação de um pedido ou de outra documentação (diferente daquela necessária para fins aduaneiros) ao órgão administrativo competente, como condição prévia para a autorização de 1 Procedimento que permite "Tornar nacional, por equiparação jurídica, a mercadoria procedente do estrangeiro", segundo conceituado por Roosevelt Baldomir Sosa, in Glossário de Aduana e Comércio Exterior. São Paulo, Aduaneiras, 2001, p.228. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 6 importações para o território aduaneiro do Membro importador. (destaquei) Ou seja, os controles que antes eram exercidos por meio das medidas necessárias à expedição de Guia de Importação passaram a ser realizados no bojo desse novo procedimento. Nesse contexto, sendo certo que tanto do ponto de vista conceitual quanto da finalidade do documento, a Licença de Importação efetivamente substituiu a Guia de Importação, tornando possível, a meu ver, o seu enquadramento na locução “documento equivalente” insculpida no art. 526, II do RA/1985, bem assim a regulamentação proposta no Art. 633, II, “a” do RA/20022. Ocorre que o documento que substituiu a Guia de Importação, como instrumento de controle nãotarifário, foi exclusivamente a Licença de Importação emitida de maneira nãoautomática. Como se verá a seguir, a legislação inferior que atualmente disciplina esse controle: Portaria Secex nº 21, de 1996 e Comunicado Decex nº 12/97, incorporou os conceitos do APLI mas os aplicou em descompasso com a norma hierarquicamente superior que dá suporte à exigência de licenciamento prévio para as operações de importação. Na vigência do APLI, parte significativa das operações de comércio exterior deixa de ser alvo de licenciamento prévio, que somente passa a ser exigido de maneira residual. Com efeito, analisando os artigos 2º e 3º do citado acordo, responsáveis, respectivamente, pelo disciplinamento do Licenciamento Automático e NãoAutomático, vêse que, em verdade, ambas as modalidades definidas naquele ato negocial alcançam o universo de mercadorias que estão sujeitas à alguma modalidade de controle administrativo. Nas hipóteses em que esse controle não é exercido, não há que se falar em licenciamento. Vejase a redação da alínea “b”, do item 2 do art. 2º do Acordo: (b) os Membros reconhecem que o licenciamento automático de importações poderá ser necessário sempre que outros procedimentos adequados não estiverem disponíveis. O licenciamento automático de importações poderá ser mantido na medida em que as circunstâncias que o originaram continuarem a existir e seus propósitos administrativos básicos não possam ser alcançados de outra maneira. Por outro lado, esclarece o art. 3º: Artigo 3º Licenciamento Não Automático de Importações 2 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados nº regime comum de importação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei nº 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2º); e Fl. 468DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10314.003873/200264 Acórdão n.º 9303003.311 CSRFT3 Fl. 425 7 1. Além do disposto nos parágrafos 1º a 11 do Artigo 1º, as seguintes disposições aplicarseão a procedimentos não automáticos para o licenciamento de importações. Os procedimentos nãoautomáticos para licenciamento de importações serão definidos como o licenciamento de importações que não se enquadre na definição prevista no parágrafo 1º do Artigo 2. Segundo a definição do parágrafo 1º do art. 2º: 1. O licenciamento automático de importações será definido como o licenciamento de importações cujo pedido de licença é aprovado em todos os casos e de acordo com o disposto no parágrafo 2(a). Ou seja, segundo o Acordo, o que diferencia a LI automática da não automática, não é a ausência de controle prévio ou a sua concessão por meio de ferramentas computacionais, como o nome empregado poderia sugerir, mas a natureza desse controle. O licenciamento automático é sempre concedido, desde que cumpridos os ritos definidos pela legislação do Estadoparte. O nãoautomático, normalmente utilizado para controle de cotas, pode ser concedido ou não. Comparando esses dispositivos com o contexto do licenciamento realizado no âmbito do Siscomex, disciplinado pela Portaria Secex nº 21, de 1996, cujos procedimentos foram alvo do Comunicado Decex nº 12, de 1997, chegase à conclusão de que o regime que se convencionou denominar licenciamento automático, representa, em verdade, a dispensa desse controle administrativo, o qual, relembrese, segundo o art 1º do APLI, alcança exclusivamente controles que envolvam “a apresentação de um pedido ou de outra documentação diferente daquela necessária para fins aduaneiros”. Nesse aspecto, é importante trazer à colação o que dispõe o art. 4º da Portaria Interministerial nº 109, de 12 de dezembro de 1996, que versa sobre o processamento das operações de importação no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex. Art. 4º Para efeito de licenciamento da importação, na forma estabelecida pela SECEX, o importador deverá prestar as informações específicas constantes do Anexo II. § 1º No caso de licenciamento automático, as informações serão prestadas por ocasião da formulação da declaração para fins do despacho aduaneiro da mercadoria. § 2º Tratandose de licenciamento não automático, as informações a que se refere este artigo devem ser prestadas antes do embarque da mercadoria no exterior ou do despacho aduaneiro, conforme estabelecido pela SECEX. § 3º As informações referidas neste artigo, independentemente do momento em que sejam prestadas, e uma vez aceitas pelo Sistema, serão aproveitadas para fins de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante a indicação, pelo importador, do respectivo número da Fl. 469DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES 8 licença de importação, no momento de formular a declaração de importação. Extraise do referido ato interministerial pelo menos três elementos que, a meu ver, corroboram com o entendimento ora defendido: a) no “controle” que os órgãos governamentais nacionais denominaram licenciamento automático, conforme consignado no § 1º, não se exige qualquer informação ou procedimento diverso da declaração de instrução do despacho de importação; b) quando necessárias, as providências inerentes ao controle administrativo, por definição, são sempre adotadas em data anterior ao embarque da mercadoria. Cabe aqui lembrar a multa especificada no art. 526, VI3, do regulamento aduaneiro vigente à época do fato. Se a LI automática tivesse realmente substituído a Guia de Importação, todas as mercadorias sujeitas àquela modalidade de licenciamento estariam sujeitas à penalidade, já que a “LI” é “solicitada” juntamente com registro da Declaração de Importação que, regra geral, só ocorre após a chegada da carga; c) na hipótese do chamado licenciamento automático, não é gerado qualquer documento, físico ou informatizado, que o identifique, até porque, como se viu, nenhum órgão anuente intervém nesse processo. Dessa forma, forçoso concluir que na égide da Portaria Secex nº 21/1996, aquilo que os atos administrativos que disciplinam o funcionamento do Siscomex denominaram licenciamento automático, em verdade, alcança as hipóteses em que a mercadoria não está sujeita ao licenciamento. Nesse diapasão, não vejo como imputar a multa em questão à importação de mercadorias sujeitas exclusivamente a controle tarifário. Se a mercadoria não estava sujeita a controle administrativo, salvo melhor juízo, seria um contrasenso aplicar uma penalidade própria do descumprimento deste último controle. Destaquese, como se viu alhures, o Fisco não traçou qualquer argumento no sentido de que a mercadoria litigiosa encontravase sujeita a qualquer controle administrativo a cargo de qualquer dos órgãos anuentes. Ou seja, não afirmou sequer se a mercadoria encontravase sujeita a licenciamento Em assim sendo, não vejo como manter a exigência litigiosa nem, consequentemente, como acolher o recurso especial. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso especial. Sala de Sessões, em 25 de março de 2015. Henrique Pinheiro Torres Relator 3Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: (...) VI embarque da mercadoria antes de emitida a guia de importação ou documento equivalente: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10314.003873/200264 Acórdão n.º 9303003.311 CSRFT3 Fl. 426 9 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 26/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 13811.003458/2002-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
PIS - DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1212/1995.
Foi decido pelo STF na Ação judicial ajuizada pela recorrente que o PIS É devido nos termos da MP n° 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei n° 9.715/98, cuja eficácia deu-se a partir do período de apuração de março dc 1996, e, não estando o contribuinte respaldado em medida judicial, impõe a fiscalização constituir o crédito tributário.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-003.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado,
Informações Adicionais: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 PIS - DECISÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1212/1995. Foi decido pelo STF na Ação judicial ajuizada pela recorrente que o PIS É devido nos termos da MP n° 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei n° 9.715/98, cuja eficácia deu-se a partir do período de apuração de março dc 1996, e, não estando o contribuinte respaldado em medida judicial, impõe a fiscalização constituir o crédito tributário. Recurso Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Informações Adicionais: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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APLICAÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1212/1995. Foi decido pelo STF na Ação judicial ajuizada pela recorrente que o PIS É devido nos termos da MP n° 1.212/1995 e suas reedições convertida em Lei n° 9.715/98, cuja eficácia deuse a partir do período de apuração de março dc 1996, e, não estando o contribuinte respaldado em medida judicial, impõe a fiscalização constituir o crédito tributário. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Informações Adicionais: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 34 58 /2 00 2- 98 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão que manteve parcialmente o crédito tributário referente ao PIS/Pasep do período de apuração de 01.07.1997 a 21.12.1997, tendo sido afastado a Multa de Ofício pela aplicação da retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. O contribuinte buscou amparo em ação declaratória para apurar e recolher o PIS com base na Lei Complementar nº 7/70 e não nos termos estabelecidos pela Medida Provisória 1.212/1995, convertida na Lei nº 9.715/98, obteve antecipação de tutela, a qual foi confirmada pelo Tribunal Federal, e, posteriormente julgada improcedente pelo STF que afirmou a constitucionalidade e o reconhecimento de que apuração davase com arrimo na Medida Provisória impugnada. Em procedimento de revisão interna em DCTF foi constatada ausência de pagamento, motivo pelo qual foi lavrado auto de infração parametrizado. A título de enriquecimento dos fatos, transcrevese o relatório da decisão recorrida: “Relatório. Em ação fiscal levada a efeito cm face da contribuinte acima identificada foi apurada falta dc recolhimento da contribuição para o PIS/Pascp relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho de 1997 a dezembro dc 1997. declarados na DCTF, pois foi constatado "Pgto não localizado'', razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de lis. 08 c 09, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros dc mora. calculados até 3 1/05/2002. perfazendo o total de R$ 669.199,00 (seiscentos c sessenta e nove mil c cento e noventa c nove reais), com o seguinte enquadramento legal: Art. Io c 3 o , alínea '"b", da Lei Complementar n° 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art. Io , Lei 9.249/95; art. 2 e inc. 1. par Un, 3, 5. 6 e 8 inc. I, MP 1495/96 11 e art. 2 e inc. I c par 1. c arts. 3. 5, 6 c 8. inc. I MP 1546/96 e art. 2 o c inc. I, par Un., 3, 5, 6 c 8 inc. I, MP 1623/97 com redação. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 12/06/2002 (AR à II. 127), a contribuinte protocolizou, cm 10.07.2002, a impugnação de lis. 01 a 05. acompanhada dos documentos dc lis. 06126. na qual alega: 2.1. Em preliminar, desde logo, a RYDER argúi a inépcia do Auto dc Infração, na medida cm que ele foi aparelhado à distância c sem a necessária perquirição previa dos elementos hábeis à sua sustentação, na forma do disposto no art. 911 do RIR/99. 2.2. Parece à RYDER dc qualquer maneira, que a Autoridade lançadora, a seu bel talante, invertendo um ônus da prova, que efetivamente é seu, desde logo autua e assim materializa crédito tributário para, depois, carrear ao sujeito passivo a prova da Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13811.003458/200298 Acórdão n.º 3403003.597 S3C4T3 Fl. 6 3 correção do seu procedimento, ao invés de, a priori, buscar a coleta de informações que. Como no caso dos autos, já macularia o lançamento. 2.3. “A RYDER optando por discutir judicialmente a exigibilidade desta exação, ajuizou uma Ação Declaratória n” 96.00102813, processada pelo rito ordinário, perante a 2: 1 Vara da Justiça Federal Cível, cm São Paulo, Capital, em face da União Federal (doe. n° 4), na qual foi deferida, em sede de Agravo dc Instrumento n° 96.03.0576085 (doe. n° 5/5A/5B), a tutela antecipada para permitir que a RYDER pudesse continuar a recolher a Contribuição ao PIS nos moldes da LC n° 7/70. Em 13/1 1/1997, sobreveio a sentença nos autos da Ação Declaratória n° 96.00102813 (doe. n° 6), aclarada cm 20/05/1998 (doe. n° 7). julgando procedente o pedido inicial, afastando a aplicação da Medida Provisória n° 1212/95 e suas reedições posteriores, assegurando à RYDER o direito de recolher o PIS consoante disposições da LC n° 7/70. Finalmente, por acórdão proferido em 20/09/2000 (doe. n" 8). Da 4ªa Turma do E. Tribunal Regional Federal da 3a Região, à unanimidade, confirmouse a sentença monocrática. determinando que, ate a entrada em vigor da Lei n° 9.715. de 22/11/1998, ou seja, ate março de 1999, a RYDER deveria observar os termos da LC n° 7/70. 2.4. No tocante ao período de agosto dc 1997 a dezembro de 1997 houve apuração do lucro real. Porém a RYDER efetuou os pagamentos do PIS, dos períodos retro mencionados, com atraso (31/01/1998), motivo pelo qual sobre o montante principal foram recolhidas a multa c os juros, consoante demonstrativo cm anexo (doe. n° 21) e respectivos comprovantes de pagamento (does. n° 22 a 26). 2.5. Esclarece a RYDER que nas DCTF deste período, equivocadamente, o PIS foi lançado como "total de debito apurado " quando, o correto seria o preenchimento tias DCTF no campo "exigibilidade suspensa", tendo cm vista o recolhimento do PIS consoante determina a LC n" 7/70, por força da referida medida judicial. Por esta razão, a RYDER efetuou a devida retificação nas DCTF, substituindoas, consoante comprovam os documentos cm anexo (does. n° 27 a 32). 2.6. Por fim, requer o acolhimento da presente Impugnação. 3. No Despacho da EQAM.l (11. 138) consta: "Apesar da vinculação a pagamentos, em impugnação, o contribuinte traz à baila a Ação Ordinária 96.00102813 ". "O objeto da Ação era afastamento do PIS conforme MP 1.212/95 e reedições, para manutenção do pagamento conforme LC 07/70". "O contribuinte juntou cópia de sentença e acórdão que lhe foram favoráveis". "Todavia, a decisão que transitou em julgado foi a exarada em sede de Recurso Extraordinário no Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 STF, favorável à União". "Ou seja, quanto à medida judicial, os débitos lavrados neste AIDCTF são passíveis de cobrança imediata (fls. ¡35/136)". 4. E o relatório.” Em sede recursal afirma que imediatamente após o trânsito em julgado da decisão do Colendo STF promoveu o pagamento do débito ora cobrado, na forma do art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430/96 por meio de Declaração de Compensação, com seus créditos acumulados da COFINS não cumulativa – Exportação. Argumenta, ainda, que a referida Declaração de Compensação fez gerar o Processo Administrativo nº 19679.010704/200569, que teriam sido compensados com os débitos exigidos neste processado, homologado as declarações de compensações até o limite do crédito reconhecido, razão pela qual motivou a interposição de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, pendente ainda de decisão. Em face de esse fato qualificao como superveniente, sendo assim entende que autuação não merece prosperar. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende as demais formalidades necessárias ao conhecimento. Diante da decisão do Colendo STF de que no período da apuração da contribuição aqui discutida, a regra é aquela ditada pela Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98, e, não as normas da Lei Complementar nº 7/1970. Definitivamente, a resistência demonstrada quanto o modo de apurar a contribuição devida para o PIS deixou de existir. Como se vê, o lançamento deuse em conformidade com os ditames da legislação em vigor ao tempo dos fatos, por isso a decisão recorrida não merece reparo, devendo, portanto, manter o crédito tributário nos moldes que foram apurados. O que se busca é extinguir a dívida constituída pelo Auto de Infração com os créditos pleiteados em Declaração de Compensação, como matéria de fundo do recurso. Como se sabe a compensação não serve de matéria de defesa. Constatado existência de crédito a favor da Recorrente, cabe a Autoridade Administrativa Fiscal imputar os créditos aos débitos desse processado, portanto, não há como acudir o pleito e reconhecer a quitação da dívida em sede recursal. Em sendo assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendo o crédito tributário. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13811.003458/200298 Acórdão n.º 3403003.597 S3C4T3 Fl. 7 5 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10380.001142/2006-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE.
A existência de processo judicial discutindo a inconstitucionalidade e a ilegalidade da incidência da PIS/Pasep e da Cofins sobre atos cooperativos típicos, na forma do art. 79 da Lei n° 5.764/1971 não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-004.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A existência de processo judicial discutindo a inconstitucionalidade e a ilegalidade da incidência da PIS/Pasep e da Cofins sobre atos cooperativos típicos, na forma do art. 79 da Lei n° 5.764/1971 não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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POSSIBILIDADE. A existência de processo judicial discutindo a inconstitucionalidade e a ilegalidade da incidência da PIS/Pasep e da Cofins sobre atos cooperativos típicos, na forma do art. 79 da Lei n° 5.764/1971 não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 11 42 /2 00 6- 14 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação ao auto de lançamento apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado (fls. 318): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE A arguição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é contestável na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. O presente auto de infração foi lavrado para fins de prevenção de decadência, em razão da existência de decisão no processo n° 2002.81.000026662 suspendendo a exigibilidade do crédito, conforme o termo de verificação fiscal (fls. 20): A COOPEN, todavia, ajuizou ação ordinária perante a 10º Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará (processo n° 2002.81.000026662) que, julgado em grau de apelação pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, restou assim ementado: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEI N° 9.718/98 E MP N° 1.8586/99. Não incidem o PIS e a COFINS sobre atos cooperativos próprios, de prestação de serviço pela cooperativa aos seus associados. Ausência de fim lucrativo”. Em face do constatado, procedese ao lançamento de ofício da CSLL e, visando prevenir a decadência, da COFINS e do PIS, estas duas últimas, porém, com a exigibilidade suspensa e sem a aplicação da multa de oficio, de acordo com o artigo 63 da Lei n° 9.430/96. A Recorrente, nas razões de fls. 336 e ss., alega que os créditos tributários estariam com exigibilidade suspensa, em razão de decisão no referido nos autos do processo judicial em epígrafe. Sustenta também a ilegalidade da incidência da PIS/Pasep e da Cofins sobre atos cooperativos típicos, praticados na forma do art. 79 da Lei n° 5.764/71. Requer o provimento do recurso voluntário. É o Relatório. Voto Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10380.001142/200614 Acórdão n.º 3802004.097 S3TE02 Fl. 401 3 Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 17/04/2014 (fls. 329), ao passo que o recurso foi protocolizado em 20/05/2014 (fls. 336), dentro do prazo legal. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso deve ser conhecido. Inicialmente, no que concerne ao mérito da incidência do PIS/Pasep e da Cofins sobre atos cooperativos típicos, praticados na forma do art. 79 da Lei n° 5.764/1971, à medida que se trata de questão objeto de processo judicial (autos n° 2002.81.00002662, em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 5° Região), deve ser aplicado o entendimento consolinado na Súmula CARF nº 01, que assim dispõe: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A matéria, portanto, não pode ser conhecida. Por outro lado, em relação à alegada impossibilidade de constituição do crédito tributário, deve ser mantida a decisão recorrido. Isso porque, como se sabe, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1994, é perfeitamente lícita a lavratura de auto de infração visando à prevenção de decadência: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Tratase de entendimento pacificado no CARF (Súmula nº 17) e no âmbito jurisprudencial, consoante se depreende do seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2005, DJ 05/09/2005, p. 199). Votase, assim, pelo conhecimento parcial do recurso e pelo seu integral desprovimento, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 413DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 16/04/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002112/2005-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. Não há omissão no acórdão quanto aos itens 5 e 6 do Auto de Infração, pois a decisão embargada demonstrou as razões que a fundamentam, inclusive em declaração de voto.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE. NÃO CABIMENTO. Não cabem embargos de declaração, relativamente à apreciação do item 7 do Auto de Infração pela decisão recorrida, pois se trata de mero inconformismo da parte, a qual busca a rediscussão da matéria envolvida.
Numero da decisão: 1101-001.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Mateus Ciccone.
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NÃO OCORRÊNCIA DE OMISSÃO. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS. Não há omissão no acórdão quanto aos itens 5 e 6 do Auto de Infração, pois a decisão embargada demonstrou as razões que a fundamentam, inclusive em declaração de voto. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IRRESIGNAÇÃO DA PARTE. NÃO CABIMENTO. Não cabem embargos de declaração, relativamente à apreciação do item 7 do Auto de Infração pela decisão recorrida, pois se trata de mero inconformismo da parte, a qual busca a rediscussão da matéria envolvida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 12 /2 00 5- 75 Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR 2 Relatório No julgamento do Recurso Voluntário em destaque, conforme Voto manifestado em sessão de julgamento, a então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 10197.083, decidiu, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, conforme ementa a seguir: “IRPJ – Decadência – Contagem de Prazo – Homologação – De acordo com as normas contidas no CTN, nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4º, o que pressupõe o seu pagamento antecipado. Variação Cambial de Investimento no Exterior – Dedutibilidade – Tendo em vista as razões contidas na mensagem de veto ao artigo 46 do projeto de conversão da MP 135/03, a variação cambial de investimento no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável, indicando necessidade de lei expressa nesse sentido. Participações Não Dedutíveis Atribuídas a Debêntures – A remuneração das debêntures sob forma exclusiva de participação nos lucros, comprometendo 50% ou 80% dos mesmos, foge ao padrão de normalidade. Evidenciando que o objetivo e consequência única da operação foi a redução substancial da carga tributária, fica o fisco autorizado a considerar a operação como planejamento a ele inoponível, requalificar os fatos e glosar as despesas deduzidas a título de remuneração de debêntures. Glosa de Prejuízos Fiscais – AnosCalendários 2001 e 2003 – Provada a existência de saldos compensáveis de prejuízos fiscais, deve ser cancelada a exigência fiscal que exigiu indevidamente o tributo desconsiderado o saldo de prejuízo passível de compensação. Amortização Sobre Prêmio de Debêntures – Glosa – O valor de face das debêntures deve ser classificado em conta do Ativo Circulante ou do Realizável a Longo Prazo ou em conta do Ativo Permanente – Subgrupo Investimentos, enquanto que o valor do prêmio pago na sua aquisição deverá ser classificado no Ativo Permanente da Debenturista, Subgrupo Ativo Diferido, sendo dedutível a amortização dos valores correspondentes, por se tratarem de gastos necessários ao investimento. Distribuição de Lucros e Dividendos – Usufruto de Ações – Não sofrem a incidência do IRPJ e da CSLL os ganhos decorrentes do recebimento de lucros e dividendos na condição de usufrutuário, eis que não é alterado o instituto jurídico previsto no artigo 10 da Lei nº 9.249/95 que exclui a base de cálculo dos tributos do beneficiário referidas rubricas. Exclusões/Compensações Não Autorizadas – Exclusões Indevidas – Receitas Decorrentes do Exercício do Direito de Usufruto de Ações/Quotas de Capital Alienadas – A autuada, quando vendeu sua participação no capital social da investida Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1101001.285 S1C1T1 Fl. 3 3 para o adquirente, desfezse da condição de sócio/acionista em relação às ações/quotas de capital alienadas, recebendo, em contrapartida, o valor da venda, mais o direito de usufruto temporário, como forma de integral pagamento equivalente ao valor econômico das quotas/ações vendidas. Isto significa que os rendimentos recebidos pela autuada (usufrutuária), em suma, constituem contrapartida pela alienação de sua participação no capital social. Sendo assim, tais valores auferidos são receitas de venda de sua participação até então no capital social e devem ser adicionadas para efeito de apuração do lucro real. Tributação Decorrente – CSLL – PIS – Cofins. Em se tratando de exigências fundamentadas nas irregularidades apuradas em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos consequentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.” A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, Embargos de Declaração, às fls. 2.029/2.033. Em suas razões, apontou a ocorrência de omissão no exame de três itens do lançamento de ofício pelo Acórdão proferido pela então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: a) Item 5. Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real, Anos Calendário 1999 a 2003. Amortização de Prêmio de Debêntures: omissão, “na medida em que a questão não foi analisada sob a ótica apresentada pela fiscalização.” (fl. 2.029v); b) Item 6. Exclusões/Compensações não Autorizadas na Apuração do Lucro Real – Exclusões Indevidas. Receitas Decorrentes de Usufruto de Ações/Quotas de Capital Alienadas: omissão, pois não houve apreciação dos argumentos utilizados pela fiscalização. c) Item 7. Adições – Preço de Transferência – Juros e Variações Cambiais Pagos a Controladas no Exterior – País com Tributação Favorecida: omissão, porque foram acolhidas as alegações do contribuinte “sem a indicação das provas e sua subsunção à hipótese dos autos.” (fl. 2.032v). É o relatório. Voto A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, pois vislumbrou a ocorrência de omissão do acórdão recorrido, quanto à análise dos itens 5, 6 e 7 do Auto de Infração. Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR 4 No tocante ao item 5, tenho certo que não houve omissão do Acórdão recorrido. Segundo a Embargante, o Acórdão recorrido teria deixado de examinar os argumentos referentes à ausência de propósito negocial na operação de emissão de debêntures em foco. Ora, na substanciosa Declaração de Voto da lavra da i. Conselheira Sandra Faroni, o tema encontrase detalhadamente analisado, in verbis: “Outra questão levantada pela fiscalização é quanto à inexistência de razão econômica para justificar a realização de operação de aquisição de debênture de empresa do mesmo grupo, com ágio de 500%. Concluiu a autoridade fiscal que a única motivação foi a redução de base de cálculo dos tributos envolvidos, proporcionada pela amortização do prêmio, e que a ação do contribuinte é anormal, inusual e desnecessária ao objetivo proposto na emissão de debêntures. Quanto a essa questão, um primeiro ponto a ser ultrapassado é se o fisco pode, 14 de dezembro de 2005, impugnar negócios realizados em junho de 1997. Porém, mesmo que ultrapassada essa questão, a questão há que ser vista sob o prisma de planejamento oponível ou não ao Fisco. Do que consta do Termo (fls. 1501), vêse que influenciaram no entendimento da fiscalização os seguintes aspectos: (...) O primeiro aspecto acima, por si só, não basta para desconsiderar os efeitos do negócio. A questão teria que ser analisada à luz das demonstrações financeiras e documentos contemporâneos (laudos de rentabilidade futura) ao negócio. Como o prêmio teria sido pago para adquirir direito que proporcionaria ao debenturista participar, por 10 anos, com 80% dos lucros da sociedade emissora, seria necessário verificar se suas perspectivas de lucro justificavam a aplicação dos recursos. Ainda que a amortização do prêmio tivesse sido superior e anulado o efeito tributário dos rendimentos das debêntures, se esse fato não era previsível não é possível, ‘a posteriori’, classificar o negócio como inoponível ao fisco. A perda em negócios representa a álea ordinária do risco empresarial. Os demais aspectos (itens II, III e IV acima) como se vê, dizem mais respeito à sociedade emissora das debêntures que à adquirente.” (fls. 2.023/2.024). Conforme estabelecido no artigo 63, parágrafo 7º, do Regimento Interno desse Eg. Conselho, a Declaração de Voto de fls. 2.023/2.025 é parte integrante do Acórdão recorrido, inexistindo, assim, a omissão erroneamente apontada pela Embargante. Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR Processo nº 16327.002112/200575 Acórdão n.º 1101001.285 S1C1T1 Fl. 4 5 Quanto ao item 6, do Auto de Infração, a Embargante alega que houve omissão do Acórdão recorrido porque o argumento utilizado pela fiscalização, de que “os valores recebidos a título de permissão para uso e fruição de direitos devem ser apropriados como sendo receitas operacionais, equivalentes ao aluguel”, não teria sido devidamente examinado. A Embargante, inclusive, colaciona manifestação da Receita Federal do Brasil, na qual é afirmado que “as importâncias recebidas pela cessão do exercício do usufruto são consideradas como aluguéis e tributadas como tal.” Mais uma vez, entendo que não há qualquer omissão do Acórdão recorrido. Em fls. 2007/2008, o tema é claramente examinado, inexistindo quaisquer dúvidas sobre o descabimento dos embargos declaratórios. Vejase: “Cabe ressaltar que, em relação aos rendimentos auferidos pelo exercício do usufruto de participações societárias, para efeitos de tributação, a cessão do direito de usufruto, que se trata de direito real, tem tratamento diferenciado do caso relativo a cessão do exercício do direito de usufruto, que se trata de direito obrigacional. Como é sabido, não há usufruto sem propriedade e todos os direitos que são próprios a outrem, são transferidos para uso e gozo com as mesmas qualidades e atribuições.” Outrossim, a Embargante aponta omissões relacionadas com o item 7 do Auto de Infração, pois “diversos pontos não foram apreciados pelo julgado”, inclusive porque não teria havido “a detida análise dos documentos juntados aos autos.” (fls. 2032v/2033). Tratase de alegação de omissão por demais genérica e que, obviamente, não merece prosperar. Os embargos de declaração objetivam suprir obscuridade, omissão e contradição porventura verificados na decisão recorrida, enquanto, na verdade, na presente hipótese pretende a Embargante reabrir a discussão sobre a matéria apenas porque inconformada com o resultado do julgamento. Portanto, não tendo havido quaisquer das omissões apontadas pela Embargante, voto pelo não acolhimento dos embargos de declaração interpostos. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por BENEDICTO CEL SO BENICIO JUNIOR
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Numero do processo: 16561.720059/2012-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA para que a Fiscalização esclareça, no tocante aos produtos para os quais o contribuinte apurou pelo PIC e PRL, os motivos pelos quais não aceitou o método PIC.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA para que a Fiscalização esclareça, no tocante aos produtos para os quais o contribuinte apurou pelo PIC e PRL, os motivos pelos quais não aceitou o método PIC. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Acordam os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento do presente recurso em DILIGÊNCIA para que a Fiscalização esclareça, no tocante aos produtos para os quais o contribuinte apurou pelo PIC e PRL, os motivos pelos quais não aceitou o método PIC. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 65 61 .7 20 05 9/ 20 12 -4 4 Fl. 16503DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720059/201244 Resolução nº 1301000.273 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Tratase de autos de infração, fls.13887 a 13899, relativo ao IRPJ e CSLL do anocalendário 2007, no valor total de R$ 34.326.010,93 (inclusos multa de oficio de 75% e juros de mora à taxa Selic, calculados até outubro/2012), em face da empresa autuada Cummnis Brasil Ltda. Consoante Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 13839 a 13886, a fiscalização apurou ajustes nos preços de transferências relativa a custos na importação de bens de pessoa vinculada no exterior no valor de R$ 45.220.206,08 (base de cálculo). As principais diferenças foram apuradas em virtude da aplicação dos critérios estabelecidos na Instrução Normativa SRF 243/2002, conforme asseverado no aludido TVF (fl. 13866). No caso a empresa fiscalizada adotou para os cálculos dos preços de transferência a metodologia da IN SRF 32, de 2001, em detrimento da IN SRF 243, de 2002, sem apresentar, para tanto, nenhuma razão jurídica. Para os recálculos necessários a fiscalização dividiu os insumos em dois grupos: aqueles que não sofreram agregação de valores no país e simplesmente foram revendidos (PRL20) e aqueles que sofreram agregação de valores antes de serem vendidos (PRL60), englobando neste último grupo os casos mistos (revenda + produção). Para os itens que não foram localizados nas memórias de cálculo da contribuinte, o método adotado pela fiscalização foi o PRL, dividindoos nos mesmos grupos citados no último parágrafo, de acordo com sua aplicação (revenda, produção e revenda + produção). Os preços parâmetro foram calculados de acordo com o item "a" do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Os preços praticados foram calculados levandose em conta que as quantidades importadas de insumos, de empresas vinculadas e respectivos valores devem ser ponderadas com as quantidades e respectivos valores dos estoques iniciais, conforme determinado pelo § 3o do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002 (vide "Demonstrativo do Preço Praticado PRL20"). Assim sendo, pelo método PRL60, nos termos da IN SRF nº 243/2002, foi apurado o valor de ajuste de R$ 45.141.606,15, já deduzidos os valores de ajustes declarados pelo contribuinte no LALUR. Valor do ajuste pelo método PRL20 monta R$ 78.699,93. Impugnada, a matéria restou decidida pela DRJ/RIBEIRÃO PRETO (SP), através do Acórdão 1444.541, de 30/08/2013, considerada a impugnação improcedente, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ. Fl. 16504DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720059/201244 Resolução nº 1301000.273 S1C3T1 Fl. 13 3 Anocalendário: 2007 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Em decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete e seguro cujo ônus tenha sido do importador. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização (nem aos órgãos julgadores). PEDIDO DE PERÍCIA. É de ser indeferido o pedido de perícia feito quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. JUROS DE MORA A TAXA SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE O PRINCIPAL E MULTA DE OFICIO. Tratandose de lançamento de oficio, os juros de mora incidem tanto sobre o principal quanto sobre a multa de oficio, ambos a partir do vencimento. Nos termos da legislação em vigor, tais juros são calculados com base na taxa Selic acumulada. É o relatório. Fl. 16505DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720059/201244 Resolução nº 1301000.273 S1C3T1 Fl. 14 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. No presente julgamento a matéria posta em discussão cingese com relação aos cálculos dos preços parâmetros (em diversos produtos) efetuados pela contribuinte recorrente tanto pelo método PIC como pelo método PRL. No caso, a autoridade fiscal desconsiderou o método PIC conforme apresentado e, ao meu ver, neste sentido, para o prosseguimento do feito (julgamento), requerse alguns esclarecimentos adicionais, como veremos adiante. Inicialmente, a recorrente alega que a fiscalização "claramente viola a obrigação de valerse do método mais favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 18, § 4o. do artigo 12 da Lei 9.430/96". Aduz, mais, "que apresentou à fiscalização diversos documentos utilizados para obtenção do preço parâmetro segundo a sistemática do PIC, bem como, junta Parecer Técnico. Não obstante, tais documentos, bem como os cálculos da recorrente, foram arbitrariamente desconsiderados pela autoridade fiscal, sendo utilizado o PRL60 de acordo com os critérios da IN SRF 243, de 2002. E que a fiscalização aceitou referido método (PIC) para cálculo do preço parâmetro, nos casos em que ele foi o único método indicado pela contribuinte durante a fiscalização; o parágrafo 4o. do artigo 18 da Lei 9.430/96 determina que em situações como esta (possibilidade de utilização da mais de um método para cálculo do preço parâmetro) seja utilizado o método mais benéfico ao contribuinte; não se discute a necessidade da D. Fiscalização apurar os preços de transferência por mais de um método para escolher o mais favorável ao contribuinte, mas sim de que adote o mais benéfico na hipótese do contribuinte apresentar mais de um método, considerando as informações prestadas pelo contribuinte; à época dos fatos não havia limite temporal para que o contribuinte indique qual método pretende aplicar." Enfim, com a apresentação de Parecer Técnico alega a recorrente que, dentre um universo de 494 itens para os quais a D. Fiscalização utilizou o PRL60, para pelo menos 366 deles há documentação suporte consistente para utilização do método PIC. Conclui, em síntese, requerendo a revisão dos cálculos pelo método PIC no qual o resultado seria uma base tributável de R$ 15.810.152,03, muito menor que os R$ 45.220.306,08 calculados pela D. Fiscalização, ou alternativamente converter o julgamento em diligência para tal mister. Neste ponto, por pertinente, extraise do TVF o seguinte: Da análise das informações prestadas, e com base na DIPJ do AC 2007, pudemos verificar que o contribuinte utilizou os métodos "PRL" e "PIC", para os cálculos dos preços parâmetros (em suas operações de importações para o período fiscalizado. Com relação ao método "PIC", pudemos verificar que, nos cálculos dos preços parâmetros e praticados, para diversos itens, a empresa apresentou mais de um valor de preço praticado e preço parâmetro: um ou mais preço pelo método "PIC" e um ou mais preços pelo método "PRL", em dissonância com a legislação brasileira de preços de transferência que não admite que insumo ou matéria prima tenha mais de um preço praticado e parâmetro. Exemplifica [...]Noutra linha, existem itens para os quais a Fl. 16506DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16561.720059/201244 Resolução nº 1301000.273 S1C3T1 Fl. 15 5 empresa empregou somente o "PIC", mas apresentou diversos preços praticados para o mesmo preço parâmetro, em função dos diferentes fornecedores dos insumos, como é o caso do item "3019175"... Constatase, também, distintos preços praticados para o mesmo preço parâmetro com relação ao método "PRL" e, diversos itens em que a empresa aplicou erroneamente a margem de 20% (revenda) ao invés de 60% (produção). Assim, a fiscalização, em relação aos itens citados, desconsiderou o método "PIC" e adotou o "PRL", nos termos do art. 40, da IN/SRF 243/2002. Pois bem. Diante dos fatos, entendo, necessário converter o presente julgamento em diligência para que a Fiscalização esclareça, no tocante aos produtos para os quais o contribuinte apurou pelo PIC e PRL, os motivos determinantes da não aceitação dos cálculos apresentados pelo método PIC; considerando que constam dos autos (Relatório de Acompanhamento de Procedimento Fiscal, item 33) o recebimento em 14/06/2012, do Arquivo "CummnisMemória de CálculoDIPJ" contendo os cálculos do PRL e do PIC (preços praticados e preços parâmetro) e, considerando, ainda mais, tratarse do exame de matéria que exige análise da documentação comprobatória atestada em Parecer Técnico trazido aos autos. Após, conclusão da diligência, indicar os motivos da não aceitação, bem como, informar os valores do IRPJ e da CSLL que devam subsistir no lançamento ora examinado, bem como, cientificar a recorrente do conteúdo das conclusões, com intimação para se manifestar, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Após, retorno a este CARF para julgamento do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 16507DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 10/ 04/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 10469.728428/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 3102-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar.
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Luis Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário protocolado após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar. RICARDO PAULO ROSA Presidente. MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Luis Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Adoto, em razão de retratar a realidade dos autos, o relatório utilizado pela D. Delegacia de origem no julgamento da Impugnação, ocasião em que o lançamento foi considerado procedente: “Relatório Do Lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 84 28 /2 01 3- 08 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 10469.728428/201308 Acórdão n.º 3102002.378 S3C1T2 Fl. 404 2 O Município de João Câmara, pessoa jurídica de direito público interno, está localizado no Estado do Rio Grande do Norte. A presente ação fiscal teve como finalidade apurar a regularidade dos recolhimentos do PASEP Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2010 e resultou em Auto de Infração lavrado contra o Município de João Câmara. O procedimento fiscal foi determinado pelo MPF nº 04.2.01.002013 004480 e a ação fiscal teve início com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, cuja ciência ao sujeito passivo foi dada em 22/04/2013 (fls. 16/17) e encerrou em 07/11/2013, com o recebimento do Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal – TEPF (fl.345). O contribuinte foi intimado a apresentar informações e a documentação necessária à execução do procedimento fiscal por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e dos Termos de Intimação Fiscal TIF 04 e 06 (fls. 19 a 23). No lançamento do débito ora constituído, as contribuições ao PASEP foram apuradas a partir da análise da documentação apresentada pelo sujeito passivo à fiscalização, dentre as quais destacase o Balancete Mensal de Despesas de 2009 e 2010, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF e o Demonstrativo de Distribuição de Arrecadação (fonte: Banco do Brasil), além de consultas aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e ao endereço da internet do Banco do Brasil. A Contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, instituída pela Lei Complementar n° 8, de 3 de dezembro de 1970, e posteriormente unificada com a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, passandose a denominar PIS/PASEP, encontra a sua base de cálculo definida, para as pessoas jurídicas de direito público interno, pelos arts. 2° e 7° da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, nos seguintes termos: "Art. 2° A contribuição para o PIS/Pasep será apurada mensalmente: (...) III — pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art. 7° Para efeitos do inciso III do art. 2°, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas." Fl. 404DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 10469.728428/201308 Acórdão n.º 3102002.378 S3C1T2 Fl. 405 3 A Lei n° 9.424 de 24 de dezembro de 1996, ao instituir o FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), e a Lei 11.494, de 20 de junho de 2007, ao instituir FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), estabeleceram em seu art. 1°, que se tratam de fundos de natureza contábil, geridos pelos Estados, Distrito Federal e Municípios. Esses recursos serão repassados, automaticamente, de acordo com coeficientes de distribuição estabelecidos e publicados previamente, para contas únicas e específicas dos Governos Estaduais, do Distrito Federal e dos Municípios, vinculadas ao Fundo, instituídas para esse fim e mantidas na instituição financeira de que trata o art. 93 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. O FUNDEF e o FUNDEB, segundo se extrai das Leis n° 9.424/96 e n° 11.494/07, respectivamente, tratamse de fundos de natureza contábil, sem personalidade jurídica, que são geridos pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. Consoante disposto no art. 7° da Lei 9.715, de 1998, somente podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição ao PASEP as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Com efeito, temse que os valores repassados ao FUNDEF e ao FUNDEB não poderão ser excluídos da base de cálculo da contribuição para o PASEP incidente sobre as receitas do Município, visto não se enquadrarem no conceito de transferências. Apuração e Levantamento do Débito Ressalta a Fiscalização que os valores correspondentes às receitas e transferências correntes encontramse detalhados na planilha "Apuração de Receitas e Transferências Correntes anos 2009 e 2010". Da análise dos Balancetes Mensais de Receita apurouse a parcela da base de cálculo das contribuições para o PASEP, relativamente às receitas e transferências correntes e transferências de capital conforme consolidado na planilha "Demonstrativo de base de cálculo e da Contribuição para o PASEP anos 2009 e 2010”. A contribuição devida é de 1% sobre a base de cálculo do PASEP, consoante a referida planilha. A partir do extrato bancário do Banco do Brasil, "Demonstrativo de Distribuição da Arrecadação" foram apurados os valores de PASEP retidos do contribuinte conforme consolidado na última planilha mencionada. Do cotejo entre os valores devidos e aqueles efetivamente recolhidos e/ou retidos apurouse o montante das contribuições devidas e não recolhidas pelo contribuinte conforme consolidado na referida planilha. O resultado da apuração está detalhado na planilha “Demonstrativo de base de cálculo e da Contribuição para o PASEP anos 2009 e 2010”, onde estão Fl. 405DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 10469.728428/201308 Acórdão n.º 3102002.378 S3C1T2 Fl. 406 4 discriminados os montantes devidos e não recolhidos, ora lançados por meio desse auto de infração, acrescidos dos juros de mora previstos na legislação de regência (art. 9° da Lei n° 9.715, de 1998; art. 161 do CTN; art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996) e de multa de ofício. O Contribuinte deixou de declarar em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, os débitos a título de PASEP, até o limite dos valores recolhidos antes do início do procedimento fiscal, mesmo tendo sido intimado a apresentálo através do Termo de Intimação Fiscal n° 04, de 10/07/2013, e reintimado pelo Termo de Intimação Fiscal n° 06, de 22/07/2013. Encontrase anexa informação obtida através dos Sistemas da RFB, demonstrando a ausência de débito declarado em DCTF. Multa de Ofício A aplicação da multa de ofício às pessoas jurídicas de direito público interno foi normatizada pela Coordenação Geral de Tributação (COSIT), da Receita Federal do Brasil, por meio da Nota Cosit n° 236, de 20 de março de 2004. Segundo o referido ato normativo, corroborado pela Nota PGFN/CAT n° 998/2004, de 10 de novembro de 2004, emitida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN, adotouse o entendimento exposto no Parecer do AdvogadoGeral da União (AGU) n° AC 16/2004, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 15 de julho de 2004, segundo o qual "as multas previstas em lei são aplicáveis às pessoas jurídicas de direito público" e "aplicamse apenas aos fatos geradores ocorridos a partir da data da publicação do referido Parecer". Representação Fiscal Para Fins Penais Concomitantemente à lavratura do presente Auto de Infração foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais e encaminhada à autoridade competente, para que sejam tomadas as providências cabíveis, em virtude do sujeito passivo deixar de inserir em DCTF Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, os totais dos valores das contribuições para o PASEP ano calendário 2009 e 2010, o que constitui, em tese, crime contra a ordem tributária, nos termos do art. 1°, inciso I da Lei 8.137/90. Da Impugnação A ciência da autuação se deu em 07/11/2013 (fl. 345). A impugnação foi interposta em 02/12/2013 (fl. 349) alegando, em síntese, os seguintes fundamentos jurídicos: Ilegalidade da multa efeito confiscatório; Irresponsabilidade do prefeito pelo preenchimento das informações das receitas (sic); Ao final, postulase: Seja dado provimento à impugnação para julgar improcedente a multa com pedido sucessivo de sua redução para não mais de 20% (vinte por cento); Fl. 406DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 10469.728428/201308 Acórdão n.º 3102002.378 S3C1T2 Fl. 407 5 Seja afastada a responsabilidade do Prefeito em face do preenchimento das “informações das receitas” (sic) não se estabelecer entre as suas atribuições constitucionais. Feito o breve relato, passase ao voto.” Após o relatório acima transcrito, a Delegacia de origem decidiu por manter incólume o lançamento, sendo que o acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. É devida pelas pessoas jurídicas de direito público a contribuição ao PASEP, incidente sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional. PREFEITO. FASE ADMINISTRATIVA. SUJEIÇÃO PASSIVA. INEXISTÊNCIA. O Município figura no pólo passivo da lide, visto que possui relação direta com os fatos geradores. A indicação de seus administradores pela Fiscalização visa apenas à manutenção dos dados cadastrais do contribuinte, não promovendo a sua inclusão como sujeito passivo da exigência na fase administrativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DO AGENTE FISCAL. . A interessada foi intimada do referido acórdão em 18/08/2014 (segunda feira), conforme AR juntado aos autos, realizando a interposição do Recurso Voluntário no dia 19/09/2014 (sextafeira), no 32º (trigésimo segundo) dia após a intimação. Ao verificar as datas de intimação e protocolo, a D. Delegacia de origem lavrou o termo de encaminhamento no qual consignou “Cientificado em 18/ago/2014 do Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento/Salvador/BA por meio postal (fl. 380), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 19/set/2014 (fls.383 a 395). Por Fl. 407DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA Processo nº 10469.728428/201308 Acórdão n.º 3102002.378 S3C1T2 Fl. 408 6 força do disposto no art. 35 do Decreto nº 70.235/1972, proponho o encaminhamento do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise e julgamento.” Vale o registro que o mencionado art. 35 do Decreto nº. 70.235/72 afirma que “O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” É o relatório. Passo a votar. Voto Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora: Verifico, liminarmente, que o Recurso Voluntário apresentado em 19/09/2014 foi protocolado fora do trintídio regulamentar, contado da data da intimação da decisão de primeira instância. Conforme atesta o Aviso de Recebimento constante do processo eletrônico, a ciência ocorreu em 18/08/2014 (segundafeira). Assim, o prazo para recorrer iniciouse em 19/08/2014 (terçafeira) e findouse em 17/08/2014 (quartafeira). Todavia, a petição foi protocolizada somente em 19/09/2014 (sextafeira), conforme carimbo de recepção da DRF/Natal, que, com propriedade, apontou a perempção. Portanto, não há como conhecer das razões recursais, pois é manifestamente intempestivo o recurso, razão pela qual tornouse definitiva a decisão proferida pela Delegacia de origem, no sentido da manutenção, em sua integralidade, do crédito tributário exigido. Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz Fl. 408DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalment e em 06/04/2015 por MIRIAM DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por RIC ARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16327.902612/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.104
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
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MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.902612/200690 Resolução n.º 330200.104 S3C3T2 Fl. 145 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário (fls. 47 a 58) apresentado em 28 de outubro de 2008 contra o Acórdão no 1618.532, de 15 de setembro de 2008, da 10ª Turma da DRJ São Paulo I / SP (fls. 38 a 42), cientificado em 26 de setembro de 2008, que, relativamente a declaração de compensação de PIS do período de maio de 2003, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não havendo nos autos comprovação do erro alegado, não se reconhece direito creditório em favor do contribuinte. Solicitação Indeferida O pedido foi apresentado em 13 de junho de 2003 e inicialmente apreciado pelo despacho decisório de fl. 3. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida em 13/06/2003(fls. 07/12) para utilização de crédito de PIS apurado na DIPJ/2003, com o valor devido a título de PIS, código. 4574, vencimento em 13/06/2003, no valor de R$ 28.210,27(fl.11). DO DESPACHO DECISÓRIO O Despacho Decisório foi proferido pela DEINF nos seguintes termos (fls.03): ‘Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP : R$ 27.930,96. A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.’ ... Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 02 de maio de 2008, conforme AR de fls.04, o interessado apresenta manifestação de inconformidade, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.902612/200690 Resolução n.º 330200.104 S3C3T2 Fl. 146 3 protocolizada em 30 de maio de 2008, com os argumentos de fls. 01 e 02, como segue: Não poderá prevalecer o Despacho Decisório de não reconhecimento de crédito declarado de R$ 28.210,27 (doc. 02). Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda, foi recolhido a maior o valor, porém como não houve a retificação da DCTF não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP, conforme documento em anexo. Ao considerarmos o valor acima apontado na DCTF retificadora, perceberseá que o Requerente tinha crédito para liquidar o débito do mês de Maio de 2003, código 4574. Diante do exposto, é a presente para requerer que seja (i) retificada a DCTF de ofício, de modo que conste o valor explicitado no quadro retrocitado, (ii) bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista que a compensação procedida por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála." No recurso, a Interessada alegou o seguinte: Após promover os ajustes da base de cálculo do PIS, por equívoco, a Recorrente deixou de retificar a DCTF do 2° trimestre de 2003, de modo que permaneceram como exigíveis os valores declarados naquela oportunidade. Certamente, por essa razão, a Recorrida não visualizou o crédito utilizado nas PER/DCOMP enviadas e não homologou a compensação pretendida. Ao entregar a DCTF referente ao 2° trimestre de 2.003 (doc. 7), a Recorrente constituiu e adimpliu o crédito tributário de PIS (abril) no valor de R$ 64.109 94. A auditoria constatou que a Recorrente havia erroneamente lançado uma reversão de provisão no COSIF n° 7.3.9.99.007 Outras Rendas , não Operacionais quando o correto seria na conta n° 7.1.9.90.998 Reversão de Provisões Operacionais. Esse erro de fato resultou no aumento das receitas tributáveis e, consequentemente, no valor do PIS apurado e recolhido no mês de abril de 2003. Apenas para elucidar, vejamos o quadro abaixo: DCTF 2° TRIMESTRE DE 2003 antes da revisão depois da revisão Tributo Abril Abril PIS R$ 64.109,94 R$ 36.178,98 Assim, ao apurar os saldos de pagamentos a maior, a Recorrente procedeu à atualização da diferença, e na data do vencimento da obrigação realizou a compensação com débito de PIS de maio de 2003, conforme informado na DCTF do 2° trimestre/03 (doc. 8) e na declaração de compensação anteriormente mencionada (doc. 9). Em que pese a lisura dos procedimentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve a decisão exarada Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.902612/200690 Resolução n.º 330200.104 S3C3T2 Fl. 147 4 pela DEINF e apontou como pendência exatamente o valor compensado (PIS no valor histórico de R$ 27.930,96 e atualizado de R$ 28.210,27). A seguir, afirmou que seria necessário analisar os documentos contábeis juntados ao recurso para respeitar a ampla defesa, citando entendimento da doutrina. Por fim, esclareceu o seguinte, antes de defender a legalidade da compensação realizada: Ao apurar a base de cálculo do PIS, equivocadamente, a Recorrente considerou como receita o montante atinente a reversão de provisão na Conta COSIF n° 7.3.9.99.007 Outras Rendas não Operacionais do balancete mensal e do razão contábil, efetuando pagamento dessa contribuição em valor manifestamente superior ao que séria efetivamente devido. Na realidade, o lançamento contábil da reversão deveria ter sido realizado na Conta COSIF no 7.1.9.90.998 Reversão de Provisões Operacionais/Outras, conforme demonstrado no Balancete Analítico (doc. 13) e no Livro_Razão (doc. 12) acostados aos autos. Pois bem. Como é possível observar do Razão (planilha de apuração da base de cálculo do PIS) de abril de 2003, facilmente constatamos que na conta n° 7.3.9.99.007 a Recorrente lançou o valor de R$ 4.297.070,20 como se receita fosse. Por se tratar de reversão de provisão não operacional, esse montante deveria integrar as contas de EXCLUSÕES do livro razão e não as contas de RECEITAS como informado inicialmente. Requereu que, diante de eventual impossibilidade de deferir o pedido, fosse realizada diligência. É o relatório. VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Do que foi relatado, concluise que o indeferimento do crédito da Interessada baseouse no fato de a Interessada não teria retificado a DCTF. Requereu a retificação de ofício da DCTF, o que é impossível, uma vez que se trata de declaração sempre de iniciativa do sujeito passivo. Como obrigação acessória, a falta de retificação não pode, por si só, restringir o direito de restituição. Entretanto, para ser possível a restituição, é imprescindível a demonstração do direito de crédito. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.902612/200690 Resolução n.º 330200.104 S3C3T2 Fl. 148 5 No caso dos autos, a Interessada alegou que teria efetuado uma inclusão indevida na base de cálculo, relativamente a uma reversão de provisão de receita não operacional. Diante do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização verifique exatamente a que tipo de provisão referiuse o lançamento contábil e se, de resto, a Interessada tem razão em relação à alegação, no tocante aos valores e ao direito alegado, devendo, ao final, lavrar relatório de diligência, dando ciência à Interessada para manifestação no prazo de trinta dias. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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