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Numero do processo: 10469.720173/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA - OPERAÇÃO BEACON HILL - AUSENCIA DE PROVA DE AUTORIA DE REMESSA IMPOSSIBILIDADE.
A presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados impõe à administração tributária a obrigação de comprovar a autoria dos pagamentos.
REMESSAS PARA O EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não se verificando nos autos qualquer elemento que comprove a efetiva titularidade dos valores apurados pela contribuinte, é de se reconhecer a insuficiência da prova e, com isso, a insubsistência integral do lançamento.
Numero da decisão: 1301-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
documento assinado digitalmente
Carlos Augusto de Andrade Jenier
Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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A presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados impõe à administração tributária a obrigação de comprovar a autoria dos pagamentos. REMESSAS PARA O EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não se verificando nos autos qualquer elemento que comprove a efetiva titularidade dos valores apurados pela contribuinte, é de se reconhecer a insuficiência da prova e, com isso, a insubsistência integral do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas, que davam provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 01 73 /2 00 6- 06 Fl. 729DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 730 2 Relator “documento assinado digitalmente” Carlos Augusto de Andrade Jenier Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 731 3 Relatório O presente processo já foi objeto de apreciação por esta Primeira Turma Ordinária, motivo pelo qual sirvome do Relatório elaborado pelo Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha por ocasião da edição da Resolução nº 1301000.201, de 11 de novembro de 2010. SUNSET VIAGENS TURISMO E CÂMBIO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1119.367, de 22/06/2007, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: I DA EXIGÊNCIA FISCAL. Contra a empresa acima qualificada foram lavrados, em 19/12/2006, os Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ano calendário 2001, fls. 05 a 11, da Contribuição para o PIS, ano calendário 2001, fls. 12 a 15, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, ano calendário 2001, fls. 16 a 19, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e multa isolada, ano calendário 2001, fls. 20 a 26 e do Imposto de Renda Retido na Fonte, ano calendário 2001, fls. 27 a 30, conforme demonstrativo a seguir: Crédito Tributário Em R$ NATUREZA Imposto/Contribuição Juros de Mora Multa Proporcional Multa Isolada Total do CT IRPJ 68.782,79 57.179,13 103.174,18 6.452,12 235.588,25 PIS 2.219,81 1.899,60 3.329,70 7.449,11 COFINS 10.425,34 8.767,50 15.368,00 34.380,84 CSLL 30.736,08 25.550,89 46.104,12 2.766,25 105.157,34 IRRF 183.891,06 160.083,99 275.836,58 619.811,63 TOTAL 1.002.387,17 Os referidos autos de infração são decorrentes de ação fiscal efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infrações à legislação do IRPJ, do IRRF, do PIS, da COFINS e da CSLL, cujos enquadramentos legais encontramse discriminados nos respectivos autos de infração. No Termo de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 31 a 34), o autuante descreve todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: (i) Do Procedimento Fiscal O procedimento de fiscalização originouse da Representação Fiscal n.º 504/05, encaminhada pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Fl. 731DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 732 4 Portaria SRF n.º 463/04, na qual se identificou operações financeiras nas quais o contribuinte aparece como ordenante de remessa de divisas através das subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova Iorque por Beacon Hill Service Corporation. Em 23/08/2006 a empresa foi intimada a esclarecer a origem e a finalidade das transferências de divisas, abaixo relacionadas, através da subconta LARA ENTERPRISES, n.º 530972417: Data Valor (US$) 19/09/2001 55.000,00 26/11/2001 35.473,00 27/11/2001 14.527,00 05/12/2001 26.792,00 Em sua resposta a empresa informa que tais remessas não são do seu conhecimento e que nunca efetuou transferência de recursos ao exterior. Novamente intimada, a contribuinte volta a responder que desconhece a LARA ENTERPRISES e seus controladores. Em seguida, a empresa foi intimada a apresentar seus livros contábeis referentes ao ano calendário 2001 e os comprovantes da escrituração das contas 3.1.2.003.02208 – Variação Cambial Ativa – Dólar dos Estados Unidos e 3.1.2.003.09782 – Variação Cambial Ativa – Euro, no mês de dezembro de 2003. A contribuinte apresenta os livros solicitados e uma planilha demonstrativa do cálculo da variação cambial. (ii) Do Lançamento Após tecer um breve histórico das investigações acerca da Beacon Hill Service Corporation, a fiscalização, na ausência de comprovação da origem e da natureza das operações com o exterior, considerou como omissão de receitas as remessas de divisas efetuadas pela Sunset, nos termos do art. 40 da Lei n.º 9.430/1996. A fiscalização também considerou os valores das referidas remessas como pagamento efetuado a beneficiário não identificado ou recursos entregues a terceiros sem a comprovação da operação ou a sua causa, sujeitando a empresa à incidência do IRRF conforme art.64 do RIR/99. Foi aplicada multa de ofício qualificada de 150%, por estar configurado o evidente intuito de fraude, caracterizado pela falta de escrituração das operações levantadas pela fiscalização, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de fato gerador da obrigação tributária. A ação fiscal foi encerrada parcialmente, tendo a sua continuidade prosseguida nos termos do MPF n.º 2006/002311. II DA IMPUGNAÇÃO. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 733 5 Contestando os autos de infração do presente processo a contribuinte apresentou sua impugnação de fls. 247 a 267, alegando em síntese que: 1 – Preliminares. Decadência. A impugnante afirma que IRPJ e CSLL são recolhidos de forma trimestral, o PIS e a COFINS apuração mensal, enquanto o IRRF tem como data de ocorrência do fato gerador o dia do pagamento. Nos termos do § 4º do art.150 do Código Tributário Nacional, solicita a decadência, uma vez que o último fato gerador ocorreu em 15/05/2001 (IRRF), enquanto a notificação do lançamento se deu apenas em 18/12/2006. 2 – Da Inocorrência do Fato Gerador. Afirma a impugnante que o lançamento é carente de provas, sendo imprestável para as hipóteses de presunção legal, haja vista que não se trata de créditos efetivados em conta bancária da contribuinte, mas apenas de meros registros em mídia eletrônica, onde se atribui a empresa a condição de ordenante, em contexto duvidoso, seja pelas incongruências quanto à razão social e endereço, seja pela possibilidade de terceiros utilizarem dados da defendente para efetivar as ditas operações. O §5.º do art. 42 da lei n.º 9.430/96 determina que para a constituição de crédito tributário em relação a recursos transitados em contas de terceiros, a comprovação de que tais valores pertençam aos seus supridores e não aos titulares efetivos ou beneficiários. Não houve a apresentação de provas, quanto a autoria e materialidade, e nem tampouco do motivo ligando a impugnante às operações financeiras narradas pela fiscalização. O próprio Laudo apresentado pela fiscalização, no item 19, admite que a pessoa que aparece como “ordenante”, não constitui necessariamente o remetente original, ou seja, admite o preenchimento deste campo de forma aleatória e inconseqüente. O mesmo Laudo em seu item 9 declara não haver realizado exames físicos nos documentos e ordens de pagamentos. Não há qualquer garantia de que a SUNSET Viagens Turismo e Câmbio Ltda. foi realmente a ordenante dos recursos enviados ao exterior. Não há nem o nome e nem o endereço correto da impugnante. Segundo a impugnante, a prova anexada ao lançamento não passa de uma montagem produzida pelo autuante com a logomarca da própria Secretaria da Receita Federal. As provas fabricadas pelo Fisco na defesa de seus interesses não gozam da presunção de certeza e liquidez. Não há um único elemento de prova capaz de demonstrar que os recursos enviados ao exterior realmente pertençam à impugnante. Afirma em seguida que “Por outro lado, as decisões judiciais proferidas nos autos dos processos judiciais indicados no termo de encerramento, autorizando o compartilhamento do Material relativo ao MTBCBCHudson Bank, Lespan e Safra Bank, sequer foram juntadas aos autos. Depois, não consta nenhum documento da Força Tarefa encaminhando ao Fisco os elementos constantes dos autos, o que torna a prova ilícita”. De acordo com a contribuinte, a prova baseada em arquivos magnéticos e mídias eletrônicas, por si só não são suficientes para um lançamento tributário, em função da sua fragilidade quanto a possíveis equívocos de digitação ou adulteração Fl. 733DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 734 6 voluntária/involuntária ou de máfé. Os arquivos magnéticos são indícios que se prestam a municiar o Fisco para que se proceda a uma verificação mais rigorosa nos documentos que atestam a ocorrência dos fatos jurídicos tributários. Assim só a evidência incontestável, de prova plena, é capaz de suportar a incidência da norma tributária e tornar eficaz a autuação e o lançamento. 3 – Do “BIS IN IDEM” Em relação a tributação do IRRF, baseado no art.674 do RIR/99, afirma a empresa que “Não se afigura, pois, legal ou razoável, sob pena de ofensa ao postulado do bis in idem, do confisco e da capacidade contributiva, haver nova constituição de crédito tributário sobre os mesmos fatos geradores, mediante a alegada omissão de receita”. Reclama que a carga tributária total excede em quase 300% a movimentação financeira objeto do lançamento, e afirma a ocorrência de “bis in idem” na aplicação concomitante da multa isolada com multa de ofício, pois ambas as multas são diferentes e excludentes, não comportando aplicação conjunta. Cita ementas do Conselho de Contribuintes. 4 – Da Inexistência de Fraudes. A imposição de penalidade exacerbada só é possível com o evidente intuito de fraude , devendo sua prova estar demonstrada nos autos, o que não ocorreu pois a impugnante desconhece completamente o fato apresentado pela fiscalização, já que dele não participou. Inexistindo a comprovação da autoria não há razão para aplicação de multa qualificada. Cita ementa do Conselho de Contribuintes. 5 – Excesso de Exação, Ofensa a Capacidade Contributiva e Confisco. Afirma que a carga tributária decorrente do lançamento é inconstitucional por violar os princípios da capacidade contributiva e do não confisco. A 4ª Turma da DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1119.367, de 22/06/2007 (fls. 289/308), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÕES LEGAIS. Caracterizamse como omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, que regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROVA. LAUDOS TÉCNICOS DO INSTITUTO NACIONAL DE CRIMINALÍSTICA INC. Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal SRF, decorrentes de Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística INC, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 735 7 MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO. Por determinação expressa da Instrução Normativa nº 93, de 1997, constatada a falta de pagamento do imposto por estimativa, devem ser exigidas as multas sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, e o imposto apurado pelo ajuste anual, acrescido da multa de ofício pelo seu não recolhimento. DECADÊNCIA. IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. De acordo com o § 4º do art. 150 do CTN, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação do pagamento e a extinção definitiva do crédito Tributário, não se aplica se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA – MULTA ISOLADA. Aplicase a atos ainda não definitivamente julgados a lei tributária que lhes comine pena menos severa que a vigente ao tempo de sua prática. AUTOS REFLEXOS. CSLL, IRRF, PIS e COFINS. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Por relevante, esclareço que a procedência parcial se deveu tão somente à aplicação do princípio da retroatividade benigna em termos de penalidades, fazendo com que as multas isoladas, originalmente no percentual de 75%, passassem a ser exigidas ao percentual de 50%, em face da alteração legislativa superveniente ao lançamento. No mais, o crédito tributário foi mantido. Ciente da decisão de primeira instância em 16/07/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 312, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/07/2007 conforme carimbo de recepção à folha 313. No recurso interposto (fls. 314/336), a interessada, inicialmente, insiste em seus argumentos acerca da decadência, com base no art. 150, § 4º, do CTN, em face da ausência de efetiva comprovação de dolo, fraude ou simulação. Estariam alcançados pela decadência, por sua ótica, os fatos geradores de IRPJ e CSLL ocorridos até o terceiro trimestre de 2001; de PIS e COFINS, até o mês de novembro de 2001; e de IRRF, até o dia 05/12/2001. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: A recorrente reafirma que o lançamento seria carente de prova. Os documentos acostados aos autos pelo Fisco trariam incongruências na razão social e nome de fantasia e, ainda, em relação aos endereços. Aventa a possibilidade de homônimos e de que terceiros possam ter utilizado seus dados para efetivar as operações financeiras apontadas pela fiscalização. Questiona o documento de fls. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 736 8 66/67, o “Roteiro de Identificação do Sujeito Passivo”, e o “Laudo do Exame EconômicoFinanceiro”. Sustenta que o laudo diria que o remetente original não necessariamente é aquele que aparece como ordenante. Conclui, então, que tudo não passa de meras presunções, imprestáveis para aplicabilidade do art. 40 e do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Não haveria comprovação de que a recorrente teria praticado os fatos que lhe são imputados. Transcreve doutrina que entende sustentar sua tese. No que toca à exigência do IRRF, sustenta a impossibilidade de tributação exclusiva na fonte dos pagamentos tidos por sem causa, ao mesmo tempo que se constitui crédito tributário por omissão de receitas. Tal procedimento ofenderia os postulados do bis in idem e do confisco. Colaciona jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes nesse sentido. Também ocorreria bis in idem na aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício, em repetição da sanção tributária. Segundo a interessada, as hipóteses de aplicação dessas multas seriam diferentes e excludentes, não comportando aplicação conjunta. Também aqui invoca jurisprudência do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes. A seguir, a recorrente questiona a multa de ofício de 150% aplicada. Por sua ótica, não restaria provado nos autos a prática de qualquer das condutas dolosas, típicas das situações de agravamento de penalidades. Adicionalmente, afirma que a penalidade aplicada seria inconstitucional, a violar o princípio da capacidade contributiva e a vedação ao confisco. Conclui com o pedido de total improcedência da ação fiscal, pelas razões expostas. Conforme referenciado, esta Primeira Turma Ordinária já havia apreciado o presente processo em sessão de julgamento anterior. Na ocasião, resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: 1. fosse efetuada diligência no endereço que consta nos documentos representativos das remessas ao exterior (RUA VOLUNTÁRIOS 100RN NATAL), com o objetivo de identificar o ocupante (proprietário, locatário ou outro) do imóvel em questão, à época das remessas, entre 26/11/2001 e 05/12/2001; 2. fosse efetuada diligência também para apurar e informar, se existente, o vínculo entre aquele ocupante e a pessoa jurídica SUNSET VIAGENS TURISMO E CÂMBIO LTDA., interessada no presente processo; e 3. fossem acrescentados os documentos comprobatórios obtidos no cumprimento dos itens 1 e 2, acima, bem assim outros documentos e/ou informações julgadas relevantes. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Natal trouxe aos autos o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 722, consignando, in verbis: Nas funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, realizamos a diligência solicitada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, com a finalidade de identificar o ocupante do imóvel situado na Rua Voluntários, 100, Natal/RN, e apurar, se existente, o vínculo entre esse ocupante e o contribuinte acima identificado. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 737 9 Consultando o Portal da Prefeitura do Natal na Internet, consulta aos Mapas de Arruamento do Município do Natal, arquivo em Autocad, disponível no endereço http://www.natal.rn.gov.br/semurb/paginas/ctd106.html, constatei que não existe rua com tal nome no município do Natal. O nome do logradouro que mais se aproximou do pesquisado foi a Rua Voluntários da Pátria. Devido à semelhança de nome com a rua procurada, efetuamos a diligência nesse local com o intuito de identificar o imóvel de número 100. A Rua Voluntários da Pátria é uma pequena rua do centro de Natal, limitada pelas ruas Cel. Cascudo e Padre Pinto. Após percorrer toda a extensão dessa rua, não consegui localizar nenhum imóvel gravado com o número 100. Em consulta aos sistemas da Receita Federal DW e INFORMAR (ferramenta previdenciária semelhante ao DW), também não foi localizado nenhum contribuinte, pessoa física ou jurídica, nesse endereço. Pelo exposto, fica prejudicada a realização da diligência, tendo em vista haver sido improfícua a tentativa de localização do imóvel situado na Rua Voluntários, 100, Natal/RN. Cientificada das conclusões esposadas no referido Termo de Encerramento de Diligência, a contribuinte aportou aos autos o documento de fls. 723/724, em que, renovando argumentos expendidos na peça recursal, sustenta que “é inquestionável que os argumentos e documentos exibidos pela fiscalização não são suficientes para comprovar que a impugnante (SUNSET VIAGENS TURISMO E CÂMBIO LTDA.) praticou os fatos geradores imputados a mesma.” É o Relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 738 10 Voto Vencido Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. A exigência fiscal em debate está representada por lançamentos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para a Seguridade Social – COFINS), Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF e MULTA ISOLADA, relativos ao anocalendário 2001. Citados lançamentos tiveram por suporte a imputação de omissão de receitas, caracterizada pela ausência de contabilização de pagamentos efetuados (art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996), a realização de pagamentos a beneficiários não identificados e a falta de recolhimento de antecipações obrigatórias. No que diz respeito à imputação de omissão de receitas, a conclusão derivou da análise de operações em que, supostamente, a contribuinte fiscalizada teria sido ordenante de remessa de divisas para o exterior. Entendendo que na conduta adotada pela fiscalizada restou configurada a presença do dolo, a autoridade fiscal promoveu a qualificação da penalidade aplicada. Apreciando a impugnação interposta pela fiscalizada, a Turma de Julgamento de primeira instância manteve parcialmente as exigências, vez que legislação superveniente à ocorrência dos fatos reduziu o percentual da denominada MULTA ISOLADA de 75% para 50%. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de recurso voluntário SUJEIÇÃO PASSIVA E COMPROVAÇÃO DOS FATOS Penso que, em primeiro lugar, devese apreciar os elementos que serviram de suporte para: i) indicar a contribuinte fiscalizada como sujeito passivo das obrigações tributárias formalizadas e; ii) comprovar a prática da infração. Relata a Fiscalização (Termo de Encerramento – fls. 31/35) que a ação fiscal retratada nos autos foi instaurada a partir de REPRESENTAÇÃO FISCAL Nº 504/05, na qual foram descritas operações financeiras em que consta a contribuinte fiscalizada como ORDENANTE de divisas para o exterior por meio de subcontas mantidas e administradas no BANCO CHASE DE NOVA YORK por BHSC – BEACON HILL SERVICE CORPORATION. Referidas remessas teriam sido realizadas nos anos de 2001 e de 2002. Ainda de acordo com o Termo de Encerramento, a REPRESENTAÇÃO que serviu de suporte para a instauração do procedimento fiscal foi elaborada com base em Fl. 738DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 739 11 LAUDO Nº 675/02 do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal. Abaixo, reproduzo fragmentos do referido Termo de Encerramento, a partir dos quais é possível identificar o contexto em que a infração imputada à fiscalizada foi apurada. Em 28/06/2002 foi elaborado o Laudo n° 675/02INC, cujo objeto foi a movimentação financeira de 137 contas da extinta agência do BANESTADO na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, abrangendo o período de abril/96 a dezembro/97, momento em que se identificou a empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION como intermediária de diversas ordens de pagamentos. A Beacon Bill era empresa sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas e jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP MORGAN CHASE BANK, administrando contas ou subcontas específicas, dentre as quais a conta LARA ENTERPRISES, n° 530972417. Em 04/08/2003, o Departamento de Policia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba, estado do Paraná, por meio do Oficio n° 120/03 PF/FT/SR/DPF/PR, a quebra do sigilo bancário no exterior desta empresa. Em 09/09/2003, a Promotoria do distrito de Nova Iorque (District Attorney's of he Country of New York), apresentou mídias e documentos contendo dados financeiros, por meio de Ofício, relativos à empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION. O trabalho pericial objetivou descrever os documentos de relevância para o Inquérito Policial, identificar seus titulares, procuradores ou representantes da conta LARA ENTERPRISES, n° 530972417, assim como verificar os relacionamentos existente e consolidar a movimentação financeira, a fim de trazer elementos de prova necessários a subsidiar a justa solução e a esclarecer os fatos. Na parte conclusiva desse laudo, os peritos identificaram os titulares e/ou representantes da conta investigada, verificaram os relacionamentos existentes com outras (sub)contas, casas de câmbio ou de remittance, consolidaram as movimentações financeiras, ocorridas na subconta n° 530972417, denominada LARA ENTERPRISES, e apresentaram, de forma analítica, as ordens eletrônicas de pagamento remetidas e recebidas, conforme demonstrado nos anexos do laudo. Com bases nestes elementos, foram identificadas operações em que a empresa Sunset Viagens Turismo e Câmbio LTDA, CNPJ 70.037.486/000118, aparecia como ordenante de recursos ao exterior, conforme formalizado na Representação Fiscal acima mencionada. [...] ... a Representação Fiscal foi elaborada com base nos dados constantes das mídias eletrônicas, legalmente enviados ao Brasil pela Promotoria Distrital de Nova Iorque, Estados Unidos da América, e previamente submetidos à perícia técnica especializada do Instituto Nacional de Criminalista do Departamento de Polícia Federal e objeto de laudo pericial conclusivo que prova o envio de remessas de recursos ao exterior pela empresa Sunset Câmbio. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 740 12 Cabe ressaltar que a citada Representação Fiscal foi instruída com a transcrição das operações em que aparece a fiscalizada, bem como do Laudo Pericial, elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística da Policia Federal, indicando cada conta ou subconta onde foram localizadas essas transações. A Representação Fiscal que serviu de suporte para a autuação, relativamente à identificação do ordenante e ao montante da operação, indica (fls. 66/67): SUNSET CAMBIO AV HERMES DA FONSECA NATAL/RN BRASIL US$ 55.000,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL BRAZIL US$ 35.473,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL SÃO PAULO BRAZIL US$ 14.527,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL BRAZIL US$ 26.792,00 SUNSET RUA RIO CHUELA 5 SANTA BARBARA DE OESTE S. PAULO BRAZIL US$ 75.000,00 SUNSET RUA RIA CHULA 5 SANTA BARBOSA D’OESTE BRAZIL US$ 75.000,00 A autuação, entretanto, alcançou, apenas, as remessas em que foram constatados identidade de nome e da cidade do domicílio do ordenante, quais sejam: SUNSET CAMBIO AV HERMES DA FONSECA NATAL/RN BRASIL US$ 55.000,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL BRAZIL US$ 35.473,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL SÃO PAULO BRAZIL US$ 14.527,00 SUNSET CAMBIO RUA VOLUNTÁRIOS 100 RN NATAL BRAZIL US$ 26.792,00 Da análise dos documentos que compõem o processo, deduzse que a definição da sujeição passiva tomou por base o denominado ROTEIRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, conforme referência feita no Termo de Intimação Fiscal de fls. 42/43. O Roteiro em questão, anexado aos autos às fls. 44, consigna, em síntese, que “o nome da empresa foi identificado, por corresponder a um só nome (único no Brasil) constante do sistema CNPJ, quando procurado pelos nomes SUNSET CÂMBIO.” Esclarece, ainda, que, “em outros casos, quando procurado pelo nome SUNSET no sistema CNPJ, embora com homônimos, foi vinculado a um endereço, também constando da mídia, que era de empresas a que estivesse vinculado.” Intimada a prestar esclarecimentos acerca das operações descritas na Representação Fiscal (fls. 38), a contribuinte informou que as desconhecia, visto que nunca tinha efetuado transferências de recursos ao exterior (fls. 40). Reiterada a intimação (fls. 42/43), a contribuinte renovou a argumentação no sentido de que não havia remetido recursos ao exterior. Na ocasião, embora tenha negado terminantemente a realização das operações, admitiu que em relação a uma das operações foram corretamente apontados o seu nome fantasia (SUNSET CÂMBIO) e a rua, cidade e estado correspondentes ao seu endereço (AV. HERMES DA FONSECA, NATAL, RIO GRANDE DO NORTE) – fls. 47. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 741 13 Cumpre destacar que o LAUDO DE EXAME ECONÔMICO FINANCEIRO Nº 1288/04, do INSTITUTO NACIONAL DE CRIMINALÍSTICA do DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL do MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, atesta, conforme transcrição abaixo, que, para garantir a inviolabilidade dos dados e garantir a fidedignidade das informações, foram adotadas medidas de elevado grau de segurança. [...] Anexos em Mídia Computacional Os dados elaborados nas planilhas foram gravados em meio digital de armazenamento denominado “CDR (Compact Disc Recordable), tipo de mídia óptica que permite a gravação permanente de informações sem a possibilidade de alterações posteriores. Além disso, para garantir a integridade das informações armazenadas no CDR, foi efetuada autenticação eletrônica dos arquivos que deram base a este trabalho, utilizandose, para isso, de programa que implementa o algoritmo de domínio público MD5. O citado algoritmo funciona como uma função matemática que trabalha sobre o conteúdo de um arquivo e produz um resultado específico. A integridade do conteúdo é garantida em razão da ínfima probabilidade de que dois ou mais arquivos produzam mesmo resultado. [...] Comparando os elementos reunidos ao processo, identifico, de um lado, a acusação formalizada pela Fiscalização, devidamente acompanhada de documentação comprobatória da prática da infração por parte da contribuinte fiscalizada (especialmente o LAUDO DE EXAME ECONÔMICOFINANCEIRO – fls. 68/78), do outro, a contribuinte, que limitase a negar a autoria das operações. Não se trata de apuração com base em meras ilações, como quer crer a contribuinte, eis que, como visto, a documentação que serviu de base para a imputação resultou de amplo processo investigativo e envolveu autoridades fiscais, policiais, representantes do Ministério Público e do Poder Judiciário, tanto do Brasil como dos Estados Unidos da América. A tentativa de desqualificar a documentação em referência denota, tão somente, ausência de compreensão acerca da gravidade, da complexidade e da profundidade das investigações empreendidas. Releva destacar que o documento tido como apócrifo pela Recorrente, em que pese o fato de conter anotações em português, o que facilita a sua compreensão, em sua essência representa o que foi extraído de mídias e documentos fornecidos pela promotoria do Distrito de Nova Iorque. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 742 14 Alega a Recorrente que a Turma Julgadora a quo equivocouse na interpretação do art. 40 da Lei nº 9.430/96, pois, se ela não reconhece que efetuou o pagamento, não cabe falar em escrituração. Adita que, em tempo algum, tal dispositivo legal retirou do Fisco a responsabilidade de provar de forma inconteste a efetiva existência do pagamento e a sua autoria. O raciocínio empregado pela fiscalizada é pertinente, pois, de fato, se ela não reconhece que fez o pagamento, descabe falar em escrituração desse mesmo pagamento. Entretanto, uma vez ultrapassada a questão acerca da autoria (questão exaurida no item que tratou da sujeição passiva), a ausência da escrituração dos valores remetidos constitui a própria infração a ela imputada, ou seja, é na combinação desses dois fatores que reside a controvérsia ora sob apreciação (a remessa de divisas e sua autoria). Os elementos reunidos ao processo, como já dito, revelamse suficientes à comprovação de que foram efetuadas variadas remessas de divisas para o exterior e, ao menos em relação a uma delas, que o responsável foi a SUNSET CÂMBIO, nome fantasia de SUNSET VIAGENS TURISMO E CÂMBIO LTDA., ora Recorrente. A Recorrente faz referência ao parágrafo 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, dispositivo que não guarda relação com a infração que lhe foi imputada, eis que o presente processo não trata de depósitos bancários de origem não comprovada. Nesse contexto, tenho por satisfatória a documentação reunida pela fiscalização para comprovar que a contribuinte fiscalizada efetivamente enviou divisas ao exterior, na forma descrita na peça acusatória. Entendendo que a documentação acostada aos autos é suficiente à caracterização da autoria e à prática da infração, tenho por desnecessário o aporte aos autos dos documentos reclamados pela Recorrente (cópia autenticada da mídia eletrônica – CD/CDR, Laudos nºs 675/02 e 1.095/04 e anexos II a V do Laudo nº 1.288/04). Não obstante, tomando por base as informações trazidas ao processo pela Delegacia da Receita Federal por meio do Termo de Encerramento de Diligência de fls. 722, penso que a definição de autoria das operações questionadas só encontra respaldo seguro em relação à remessa efetuada em 19 de setembro de 2001, no montante de US$ 55.000,00. Para as demais, penso que a Fiscalização deveria ter empreendido verificações complementares, de modo a comprovar a real vinculação entre os endereços ali mencionados e as atividades exploradas pela contribuinte fiscalizada. DECADÊNCIA E MULTA QUALIFICADA Para que se possa apreciar adequadamente a questão da decadência, releva, primeiro, analisar a questão da aplicação da multa qualificada. Nessa linha, me parece cristalino que, ao ultrapassar a questão da sujeição passiva, isto é, ao esposar o entendimento de que se encontram reunidos nos autos elementos que tornam indubitável que foi a Recorrente a responsável pela entrega dos recursos, no exterior, a terceiros, a caracterização do intuito de fraude prescinde de maior dilação probatória. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 743 15 À evidência, a remessa de divisas à margem de qualquer controle oficial, sem qualquer registro de natureza contábil, reflete a intenção da contribuinte de retardar, ou mesmo impedir, o conhecimento por parte da autoridade fiscal acerca do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A conduta, pois, amoldase às disposições do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, autorizando, assim, a exasperação da penalidade. Concluindose pela procedência da aplicação multa qualificada, rejeitase, a partir daí, os argumentos da Recorrente acerca do prazo de caducidade estampado no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, vez que, presente o intuito de fraude, a regra de decadência aplicável é a prevista no art. 173 do mesmo diploma legal. Visto sob essa ótica, descabe falar em caducidade do direito de a Fazenda constituir os créditos tributários, vez que os lançamentos tributários foram efetivados em 19 de dezembro de 2006, conforme aviso de recebimento de fls. 242, e, nos termos do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), a data limite para tal era 31 de dezembro de 2006. Cabe destacar que ainda que se considere a ocorrência de qualquer fato gerador na data da remessa, qual seja, 19 de setembro de 2001, a data limite em referência (31 de dezembro de 2006) persiste, eis que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, a que se reporta o inciso I do art. 173 do CTN, está representado no caso vertente pelo dia 1º de janeiro de 2002. BIS IN IDEM E MULTA ISOLADA Fazendo referência à incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte com base nas disposições do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, sustenta a Recorrente que a tributação empreendida pela autoridade fiscal não se afigura lícita ou razoável, sob pena de ofensa ao postulado do bis in idem e do confisco. Diz que, no caso, há nova constituição de crédito tributário sobre o mesmo fato gerador, mediante alegação de omissão de receita. Equivocase a Recorrente. O lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi efetuado com base nas disposições do art. 40 da Lei nº 9.430/96 (art. 281, II, do RIR/99), visto ter sido apurado que a contribuinte entregou recursos a terceiros e não contabilizou as respectivas operações. Tratase, aqui, de presunção legal no sentido de que os recursos aplicados são provenientes de receitas omitidas. O lançamento do Imposto de Renda Retido na Fonte, por sua vez, tem por fundamento o artigo 61 da Lei nº 8.981/95 (art. 674 do RIR/99), sendo a incidência decorrente de fato seguinte à percepção da renda que foi remetida ao exterior, qual seja, a entrega desses recursos a terceiros. A presunção aqui é de que a renda auferida pelos terceiros beneficiários deveria ter sido submetida à incidência do imposto, eis que tributável. Se não se identifica o beneficiário, a natureza da operação ou a sua causa, opera a citada presunção, recaindo a responsabilidade pelo pagamento do imposto sobre aquele que efetuou os pagamentos. Verificase, assim, que os lançamentos foram efetuados com base em presunções legais, mas, é importante destacar, não se trata de aplicação de uma presunção sobre a outra, eis que os fatos que ensejam a aplicação delas são absolutamente distintos. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 744 16 Tratandose de presunções legais relativas, como é cediço, o ônus de ter de demonstrar que os fatos presumidos (omissão de receita e entrega a terceiros de recursos sujeitos à incidência do imposto) não se realizaram passa a ser do contribuinte. Com a devida permissão, discordo dos que adotam entendimento no sentido de que a aplicação do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, não pode ser feita concomitantemente com hipótese que encerre presunção legal de omissão de receita. Não encontro óbice, pois, para que, constatada a existência de pagamentos não escriturados, possa se aplicar a presunção legal de que os recursos empregados nessas aplicações decorram de receitas omitidas (art. 40 da Lei nº 9.430/96) e, constatado que esses pagamentos foram utilizados em operações que não se conheça a causa ou mesmo o beneficiário, que se aplique a presunção legal de que a renda auferida por quem quer que seja era de natureza tributável e, portanto, que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto passe a ser da respectiva fonte pagadora (art. 61 da Lei nº 8.981/95). Não é merecedora de acolhimento, assim, a alegação da Recorrente de que, no caso, estamos diante de bis in idem, cabendo destacar que, nos termos do disposto na súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A Recorrente alega ainda que também ocorre bis in idem na aplicação concomitante de multa isolada com multa de ofício. Embora reconheça que a questão da aplicação da multa isolada, nas circunstâncias versadas nos presentes autos, constitui matéria controversa, alinhome ao entendimento de que, no caso, inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois, na situação sob análise, se está diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto em razão da apuração de omissão de receitas; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas), devidas a partir da recomposição das correspondentes bases de cálculo. Penso que a norma legal aplicada (art. 44 da Lei nº 9.430/96) revela obrigações distintas que, uma vez inobservadas, podem ensejar a aplicação das sanções nela previstas. A primeira, consubstanciada no dever de recolher imposto e contribuição com base em estimativa a que se submetem as pessoas jurídicas que, por opção, apuram o resultado tributável anualmente. A segunda, decorrente da opção em questão, surge em consequência da eventual apuração de saldo positivo no resultado tributável anual. O simples fato de as infrações terem sido apuradas por meio de um mesmo procedimento revela, apenas, concomitância de verificação das irregularidades, não constituindo, contudo, causa capaz de fazer desaparecer a infração antes cometida. A variação do aspecto temporal da apuração reflete a evidência de que, no caso, estamos diante de duas infrações absolutamente distintas. Tomese, por exemplo, a situação em que, no curso do períodobase de incidência, apurouse receita omitida e, em razão disso, aplicouse a multa isolada em virtude da insuficiência de recolhimento das estimativas devidas. Noutro momento, restou verificado que a mesma receita, antes omitida, também não foi considerada nas bases de cálculo do tributo devido. Fica claro que, nessa circunstância, o tributo será lançado com a multa de ofício Fl. 744DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 745 17 correspondente, não havendo que se falar, nesse caso, em duplicidade de sanção sobre o mesmo fato. Procedente, pois, a multa isolada aplicada. Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para afastar as exigências correspondentes às remessas efetuadas em 26/11/2001, 27/11/2001 e 05/12/2001. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 745DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 746 18 Voto Vencedor Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Em que pese o brilhantismo peculiar dos votos produzidos pelo ilustre senhor relator, ouso divergir da conclusão por ele apresentada nos presentes autos. Pelo que se verifica, a discussão havida no presente feito referese à imputação de responsabilidade, de empresas brasileiras, por supostas remessas de divisas ao estrangeiro, nas hoje conhecidas “Operações Beacon Hill”, que se consubstancia na efetivação de lançamentos pelas autoridades fazendárias brasileiras, exclusivamente, a partir de informações repassadas pelo Fisco Norteamericano, destacando que, na contabilidade das empresas lá fiscalizadas (BANCO CHASE DE NOVA YORK e BHSC – BEACON HILL SERVICE CORPORATION), constava como “ordenante” a contribuinteautuada. Na análise desenvolvida nos autos pelo ilustre Sr. Relator, foram rechaçados quase todos os apontamentos indicados pelos agentes da fiscalização, sendo mantida, entretanto, um único registro, que seria aquele em que a contribuinte, embora reiterasse seus argumentos de que nunca teria promovido remessas de recursos ao exterior, teria então expressamente reconhecido a indicação correta de seu “nome fantasia” (SUNSET CÂMBIO) e também o endereço de seu estabelecimento (AV. HERMES DA FONSECA, NATAL, RIO GRANDE DO NORTE), conforme documento de fls. 47. A partir desse apontamento, entendeu então o Sr. Relator que, em relação a quase todas as referidas informações, deveriam os agentes da fiscalização ter empreendido maiores investigações, expressamente não admitindo como válido o lançamento exclusivamente com base na referida informação. Entretanto, apesar disso, entendeu ainda pela manutenção do lançamento relativo à remessa efetuada em 19 de setembro de 2001, no montante de US$ 55.000,00, entendendo que, pela manifestação da contribuinte, restara pois então superada a questão da identificação de sua titularidade. Entretanto, em que pese todo o cuidado empreendido pelo Sr. Relator no tratamento das questões contidas nestes autos, é relevante destacar que, diversamente do que por ele considerado, entendo que da manifestação da contribuinte não se extrai, absolutamente, o reconhecimento da titularidade da referida operação. Na verdade, ao afirmar a contribuinte o integral desconhecimento das operações apontadas, destacava então que, de todas as informações apresentadas pelos agentes da fiscalização, a única operação em que (supostamente) haveria a indicação “correta” de seu “nome fantasia” e “endereço” era aquela então referenciada como a da remessa no valor de US$ 55.000,00, datada de 19 de setembro de 2001. Ora, ao contrário do que então considerado, em momento algum se verifica que a contribuinte afirma, expressamente, reconhecer a titularidade da apontada operação. O que faz, pelo contrário, é demonstrar a completa fragilidade das provas ao destacar que, na quase totalidade dos casos, não se verifica sequer a correta indicação de suas referências, inexistindo, de fato, qualquer outra prova que demonstra, objetivamente, a titularidade ou mesmo o envolvimento nas referidas operações. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 747 19 Nessas circunstâncias, com todas as vênias, observo que os idênticos fundamentos adotados para a desconsideração de todos os outros registros, aplicase, com perfeição, àquele indicado como de possível manutenção pelo próprio relator, sobretudo porque, conforme se verifica, não se encontra nos autos qualquer prova que demonstre, cabalmente, a titularidade das referidas remessas ou mesmo a participação da contribuinte nas referidas operações, não se podendo assim, de forma alguma, admitir como válida a imputação realizada. A inadmissibilidade da imposição de responsabilidade tributária da contribuinte sem a necessária comprovação material de sua participação nas referidas operações Beacon Hill, é tema já de pacífica jurisprudência desta Corte Administrativa, sendo relevante destacar, a esse respeito, mesmo que aqui apenas a título de amostragem, os seguintes arestos: Número do Processo 19515.003149/200672 Contribuinte JAIME PINSKY Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Nº Acórdão 2101002.306 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, darlhe provimento, nos termos do voto da relatora. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, Francisco Marconi de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO. É na impugnação da exigência que se instaura a fase litigiosa do procedimento. Não havendo contestação específica na impugnação sobre um determinado ponto, nesse não se instaura a controvérsia. Na impugnação, o contribuinte expressamente concordou com parte do lançamento. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OPERAÇÃO BEACON HILL. RECORRENTE APONTADO COMO BENEFICIÁRIO DE RECURSOS EM CONTA BANCÁRIA NO EXTERIOR. Cabe à Fiscalização comprovar de forma inequívoca a titularidade da conta no exterior, na qual foram depositados recursos considerados como rendimentos omitidos. Hipótese em que inexistem provas da vinculação do recorrente com a conta bancária no exterior. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de 1.º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa Fl. 747DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 748 20 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF n.° 4. Número do Processo 10283.720340/200689 Contribuinte 3 B PRODUTOS DE INFORMATICA COM E REPRES Tipo do Recurso RECURSO DE OFÍCIO Data da Sessão 01/02/2012 Relator(a) JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Nº Acórdão 1201000.654 Tributo / Matéria IRPJ AF omissão receitas demais presunções legais Decisão ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ementa DECADÊNCIA DO PIS, COFINS E CSLL – SÚMULA VÍNCULANTE Nº 8: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” DECADÊNCIA DO IRPJ – TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – PAGAMENTO – PRAZO DE 5 (CINCO) ANOS CONTADOS DO FATO GERADOR. No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento com antecedência o termo inicial da contagem do prazo decadencial é da ocorrência do fato gerador. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA – OPERAÇÃO BEACON HILL – AUSENCIA DE PROVA DE AUTORIA DE REMESSA IMPOSSIBILIDADE – A presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados impõe à administração tributária a obrigação de comprovar a autoria dos pagamentos. A partir dessas considerações, verificando inexistir nos autos qualquer efetiva comprovação de que a empresacontribuinte fosse, de fato, a verdadeira e específica titular dos montantes da suposta remessa irregular de divisa, não admitindo como suficiente a indicação destacada pelo ilustre Sr. Relator, entendo que, em relação ao montante apontado (US$ 55.000,00, de 19/09/2001), também descabe considerálo como de propriedade e titularidade da contribuinterecorrente, reconhecendo, assim, na integralidade, pela insuficiência de prova para o lançamento efetivado. Por essas razões, com a mais respeitosa vênia, encaminho o meu voto no sentido de DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, determinando assim a total desconstituição do lançamento, nos termos e fundamentos aqui então devidamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Redator designado. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10469.720173/200606 Acórdão n.º 1301001.303 S1C3T1 Fl. 749 21 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 06/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por WILSON FE RNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10580.911759/2009-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2005
Direito ao crédito não conhecido.
Ausência da prova do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3802-003.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Ausência da prova do crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 17 59 /2 00 9- 36 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos, julgou pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, tendo em vista que, na ótica fazendária, o contribuinte não conseguiu comprovar o direito ao crédito e, por via de conseqüência, não houve a homologação da compensação pleiteada. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à identificação e exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme decisão em seu favor, ainda não transitada em julgado, perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal sob o número 2009.34.00.0314472, de modo a manter a integralidade do crédito declarado e a homologar a compensação pleiteada por intermédio do PER/DCOMP. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que os requisitos de admissibilidade do presente recurso se fazem presentes, é de rigor dele tomar conhecimento e analisar o mérito da questão. Mérito Consultando os autos do processo noticiado pelo contribuinte, se verifica que houve a propositura de mandado de segurança coletivo, impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimentos e Serviços, com o objetivo de suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores feitas pela Lei nº 10.548/02, de modo a isentar ou impedir a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clínicas substituídos. Nessa decisão de primeira instância do Pode Judiciário em favor ao recorrente, a qual está em segundo grau de jurisdição, a segurança foi concedida para Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911759/200936 Acórdão n.º 3802003.487 S3TE02 Fl. 112 3 determinar à autoridade fiscal que se abstivesse de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicação, bem como foi declarado o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. A partir da decisão judicial proferida pelo Justiça Federal, surge a seguinte situação: o contribuinte cumpre a determinação judicial e, por sua conta e risco, adota esse novo modelo tributário para o futuro e aqui sempre é bom lembrar que essa decisão judicial ainda não é definitiva, pois comporta recursos de ambas as partes envolvidas no processo até o seu ultimato da marcha processual. E, por outro lado, em relação ao passado, o contribuinte se antecipa e requer a compensação dos direitos decorrentes da própria decisão judicial. Pois bem! Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do artigo 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária dáse nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Não é possível o encontro de contas se o contribuinte não demonstrar, previamente, estes dois requisitos. No presente caso, o recorrente tem ao seu favor uma decisão judicial precária que suspende a exigibilidade do PIS e da COFINS proveniente de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações posteriores, bem como declaração do direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e da COFINS sobre a receita de medicamentos. Esta situação, por sua vez, não implica no reconhecimento da liquidez e da certeza dos créditos tributários. A compensação de tributos devidos com créditos do particular em face do fisco é permitida em nossa legislação, desde que satisfeitos certos requisitos para tanto. Inicialmente, é interessante lembrar que a matéria está prevista no Código Tributário Nacional, no caput do art. 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desde logo se verifica que o CTN é expresso ao afirmar que a lei poderá permitir a compensação, desde que seja ela feita com a utilização de créditos líquidos e certos. Não basta, assim, que existam hipotéticos pagamentos de um tributo posteriormente julgado indevido: é preciso que exista a certeza do pagamento, bem como o valor atualizado do seu montante. Por via de conseqüência, qualquer decisão judicial que autorize a compensação de créditos ilíquidos ou incertos estará violando o art. 170 do CTN. Interessante observar que o dispositivo transcrito acima não condiciona a compensação a uma necessária intervenção do Poder Judiciário. Não exige o CTN, assim, que somente possa compensar créditos aquele que tenha uma autorização judicial para tanto. O caput do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/91, autoriza a compensação prevista no art. 170 do CTN: "Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes." Expressamente se verifica, inicialmente, que há de haver pagamento indevido ou a maior de tributos para que possa surgir o direito à compensação. Além disso, como mencionado acima, os créditos precisam ser líquidos e certos. Assim, se inexiste pagamento indevido ou a maior, não é possível compensar (art. 66 da Lei nº 8.383/91). Nesse sentido, se não há a certeza da existência dos pagamentos devidos, ou se estes não são líquidos, não é possível compensar (art. 170 do CTN). Presentes esses requisitos, tem o contribuinte o direito à compensação. Se não estão presentes esses requisitos, não tem o contribuinte o direito à compensação. Tendo em vista que, no presente caso, o contribuinte tem em seu poder uma decisão judicial passível de reforma, já que não houve o acertamento tributário definitivo, sou pelo CONHECIMENTO do presente recurso e dele NEGOLHE provimento para manter a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10768.101877/2003-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2001
INCENTIVOS FISCAIS. CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. POSSIBILIDADE.
A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9101-001.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dos votos, recurso provido. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Plínio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc
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CONCESSÃO. REGRAS DE ADMISSIBILIDADE. PERC. COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. POSSIBILIDADE. A concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dos votos, recurso provido. Ausente, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Plínio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente - Substituto (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez – Redator Ad Hoc - Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, José Ricardo da Silva, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 577DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (suplente convocado), Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), João Carlos de Lima Júnior e Orlando José Gonçalves Bueno (suplente convocado). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Plínio Rodrigues de Lima, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório BRADESCO SEGUROS S/A., contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob o nº 33.055.146/0001-93, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro - Estado do Rio de Janeiro, na Rua Barão de Itapagipe, nº 225 - Bairro Rio Comprido, jurisdicionado a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro - RJ, inconformado com a decisão de Segunda Instância prolatada pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 1802-00.359, de 26/01/2010 (fls. 472/475) cuja decisão, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, recorre, tempestivamente, a esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do seu Recurso Especial, datado de 01/07/2010 (fls. 483/490). O pleito do Contribuinte busca amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que o contribuinte protocolou, em 05/11/2003, o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC (fls.01/02), referente ao exercício de 2001, correspondente ao ano-calendário de 2000, no valor de R$ 1.922.804,18, cuja base de cálculo é de R$ 10.682.245,46, opção pelo FINAN = 18%. Em 25/08/2004, a Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro - RJ, através de Despacho Decisório de fls. 154, indeferiu o Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, em síntese, sob os argumentos abaixo listados: - que, por questão de ordem, cabe inicialmente ressaltar que o pedido é tempestivo, uma vez que o mesmo foi protocolizado em 4 de novembro de 2003 (fls. 1), logo, em data anterior A data fatal, qual seja, 28 de novembro de 2003 (Ato Declaratório Executivo Corat n° 52, de 30 de julho de 2003; - que com relação à ocorrência supracitada, vale transcrevê-la, para uma melhor clareza, tendo em vista que a mesma motivou o cancelamento de emissão automática do incentivo fiscal em questão: "11 — CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS E/OU COM IRREGULARIDADES CADASTRAIS (LEI N° 9069/95, ART. 60)". - que ocorre que levantamento atualizado da situação fiscal do interessado, realizado em conformidade com as disposições da IN SRF n° 93, de 23 de novembro de 2001, confirma a existência de débitos exigíveis em nome do contribuinte acima qualificado, não atestando, deste modo, sua regularidade fiscal perante a Administração Pública Federal; - que extratos, anexados As fls. 142/152, corroboram o anteriormente afirmado e revelam três inscrições em Divida Ativa da União em cobrança: - Inscrição ativa Fl. 578DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 3 3 em Divida Ativa da Unido n° 70 2 04 000207-29, sob CNPJ n° 33.055.161/0001-31, sociedade empresária sucedida (fls. 149/150); Inscrição ativa em Divida Ativa da União n° 70 7 04 000087-92, sob CNPJ n° 33.055.146/0001-93 (fls. 145/146); - Inscrição ativa em Divida Ativa da Unido n° 70 2 03 007585-99, sob CNPJ n° 60.846.847/0001-13, sociedade empresária sucedida (fls. 151/152); - que considerando que o referido contribuinte não atende os requisitos necessários para o gozo do incentivo fiscal, em especial, o disposto no artigo 60, da Lei n° 9.069/95, INDEFIRO o presente pedido. Inconformado com a decisão, cuja ciência se deu em 01/07/2004 (fls. 155/156), o contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade, tempestivamente, em 01/07/2004 (fls. 158/160), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: - que não resta dúvida que quando da prolação do r. Despacho Decisório, a empresa não era devedora das dividas cobradas por estarem elas pagas, razão pela qual há de ser reconsiderada a decisão, sob pena de ser a contribuinte injustamente penalizada, não podendo gozar do beneficio fiscal a que tem direito; - que, por todo o exposto, tendo comprovado que se encontram devidamente quitadas as obrigações tributárias que obstaram o gozo do beneficio fiscal pedido, a contribuinte requer a reconsideração do r. Despacho Decisório no sentido de determinar a integral Emissão dos Incentivos Fiscais (PERC 2001/2000) objeto do Processo Administrativo n° 10768.101877/2003-50, de forma a reconhecer o direito da empresa injustamente negado. Em 14/12/2006, após resumir os fatos constantes da decisão da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro - RJ e as principais razões apresentadas pelo requerente em sua Manifestação de Inconformidade, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ I, por unanimidade de votos, decide julgar improcedente o pedido do contribuinte indeferindo a sua solicitação (fls. 382/387), com base, em síntese, no argumento de que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributos e contribuições, administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 24/01/2004, conforme Termo constante às fls. 391/392, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 22/02/2007, o seu Recurso Voluntário (fls. 393/403), instruído pelos documentos de fls. 404/470, o qual, ao ser apreciado pela 2ª Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 1802-00.359, de 26/01/2010 (fls. 472/475), teve, por unanimidade de votos, rejeitado o seu provimento, conforme se verifica de sua ementa: ANO-CALENDÁRIO: 2000 INCENTIVO FISCAL. REQUISITOS - ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo fiscal, deve ser averiguada em relação à data da Fl. 579DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 apresentação da DIPJ, momento em que o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, descabe o indeferimento do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Cientificado, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 16/06/2010, conforme Termo constante às fls. 482, o Contribuinte interpôs, de forma tempestiva (01/07/2010), o seu Recurso Especial de fls. 483/490, com amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: - que a Recorrente fez opção por incentivos fiscais (FINAN) em sua Declaração de Imposto de Renda do ano-calendário 2000, exercício 2001. A referida opção foi indeferida, tendo sido apresentado o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC; - que o referido pedido foi indeferido pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro (fls. 155) sob a alegação da existência de supostos débitos exigíveis inscritos em Divida Ativa da Unido (IDA n° 70 2 04 000207-29, 70 7 04 000087-92 e 70 2 03 007585-99), o que foi devidamente rechaçado pela ora Recorrente (fls. 158) demonstrando que os débitos decorrentes dos referidos processos foram pagos ou objetos de revisão em razão de erros de preenchimento de DCTF; - que ao apreciar as razões da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, entendeu por bem indeferir o PERC ao fundamento de que a Recorrente não se encontrava em sua situação fiscal regular à época da opção ou do processamento do referido incentivo, de tal sorte que não atendia aos requisitos previstos no art. 60 da Lei 9.069/95, apontando, ainda, outras inscrições em Divida Ativa; - que inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário demonstrando que seja no momento da opção dos incentivos quando da entrega de sua DIPJ, seja quando do processamento do referido incentivo, ela sempre se apresentou regular perante o Fisco, posto que sempre lhe foram emitidas Certidões Negativas pela Receita Federal e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, como se pode ver no documentos juntados as fls. 450/470; - que apreciado pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Ilmo. Conselheiro Relator houve por bem negar provimento ao recurso voluntário. Em sua análise, consolidou o entendimento que o momento para dispor de regularidade fiscal seria o momento da opção ao incentivo fiscal, ou seja, na entrega da DIPJ/2000 e, sendo assim, a Recorrente possuía débitos com vencimento anterior a data da entrega da DIPJ o que lhe impedira o gozo do incentivo fiscal; - que ocorre, todavia, que não obstante a Recorrente tenha apresentado Certidões Negativas à época da opção pelo incentivo fiscal, demonstrando assim sua regularidade fiscal no momento da entrega da DIPJ/2000, seu Recurso Voluntário não foi Fl. 580DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 4 5 provido no mérito, o que se espera seja reformado por essa E. Câmara Superior de Recursos Fiscais; - que a matéria objeto do presente Recurso Especial é a condição das certidões negativas fazerem prova da regularidade fiscal ou não da Recorrente. E nesse ponto, o assunto foi devidamente pré-questionado no Recurso Voluntário da Recorrente, na forma do disposto no § 3º, do art. 67, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, devendo ser Recurso Especial conhecido; - que, no mérito, o provimento se justifica pelo fato de, em dois casos semelhantes aos do presente, o Primeiro Conselho de Contribuintes houve por bem acolher as razões expostas pelas respectivas recorrentes, que são semelhantes A. questão aqui posta, como e pode ver das duas ementas anexas (doc. 03 e 04) extraídas do sitio do CARF, cujos acórdãos são submetidos à apreciação de V.Sas., a teor do art. 67, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009; - que nos referidos casos as Certidões Negativas de Débitos juntadas pelos recorrentes foram aceitas pelo Conselho de Contribuintes para se comprovar a regularidade fiscal, a fim de fazerem jus ao gozo dos incentivos fiscais regionais; - que resta aqui demonstrado com os paradigmas apresentados que há divergência no entendimento acerca da matéria atinente a comprovação da regularidade fiscal pela Recorrente. Segue abaixo os acórdãos paradigmas apresentados (fls. 508/519), do qual transcrevo as respectivas ementas nas partes que interessam: Acórdão 107-09362: PERC. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A apresentação de Certidão Positiva com feito de Negativa faz prova da quitação dos tributos e contribuições federais, exigida como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Acórdão 107-09.202: PERC. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A apresentação, por ocasião do protocolo do PERC, de Certidão Negativa com Efeito de Positiva faz prova da regularidade fiscal em relação à quitação dos tributos e contribuições federais. Débitos fiscais posteriores não justificam o indeferimento do pedido. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exarou o Despacho nº 1200-00.292/2011, de 03/03/2011 (fls. 522/524) dando seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Encaminhado os autos para ciência da Fazenda Nacional, nos termos regimentais, em 03/03/2011 (fls. 526), foram apresentadas, em 15/03/2011, as contrarrazões (fls. 528/533), baseado, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 - que é importante ressaltar que reconhecimento de qualquer incentivo fiscal, é necessário que a contribuinte comprove a quitação de tributos e contribuições federais, conforme previsto no art. 60 da Lei 9.069, de 29 de junho de 1995; - que as certidões negativas constantes dos autos não foram emitidas ao tempo da opção pelo beneficio, o que torna incerta e duvidosa qualquer afirmação a respeito da regularidade fiscal do contribuinte naquela época, mesmo diante da superveniência de outras certidões posteriores. Nem seria preciso dizer, pois parece bastante obvio, que uma certidão negativa emitida em momento posterior não tem o condão de atestar a quitação de tributos no período que a antecede; - que todas as certidões foram extraídas em momento posterior. As certidões positivas com efeitos de negativa emitidas pela Secretaria da Receita federal são de data muito posterior à data do PERC; - que no momento em que a autoridade administrativa indeferiu o PERC, o recorrido não havia comprovado ter adimplido as suas obrigações tributárias em âmbito federal. As certidões positivas com efeitos de negativas posteriormente apresentadas não lhe servem ao propósito; - que é evidente que, para se obter um incentivo fiscal, o contribuinte deve ter todas as condições legais para este lhe ser concedido. O art. 60 da Lei 9.069/95, que dispõe acerca do beneficio em exame, estabelece como condição essencial para o seu gozo, a comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Redator Ad Hoc Designado Inicialmente é de se ressaltar, que em face da necessidade da formalização da decisão proferida no acórdão nº 9101-01.494, de 24 de outubro de 2012, processo de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais faz parte de nenhum dos colegiados que integram o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o Presidente da 1ª Turma da CSRF resolveu designar este conselheiro como redator ad hoc, para formalizar o acórdão já proferido, nos termos do item III do art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Tendo o Contribuinte tomado ciência do decisório recorrido em 16/06/2010 (fls. 482) e protocolizado o seu Recurso Especial de Divergência, em 01/07/2010 (fls. 483/490), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidencia-se a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos do processo verifica-se, que ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo recorrente (fls. 483/490), o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por intermédio do Despacho nº 1200-00.092/2011, de 24/02/2011 (fls. 522/524), o admitiu, Fl. 582DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 5 7 considerando que o recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas relativo ao Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC. É de se observar, que o Contribuinte, cumpriu os requisitos previstos no RI- CARF para interpor Recurso Especial de Divergência, já que acostou aos autos cópia de ementas divergentes de decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, bem como demonstrou analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se tratam das mesmas matérias fáticas e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, refere-se a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é relativo ao Pedido de Revisão da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC. Assim, o mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Enquanto, os acórdãos paradigmas defendem a tese de que apresentação de Certidão Positiva com Efeito de Negativa faz prova da quitação dos tributos e contribuições federais, exigida como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Por sua vez, o acórdão recorrido ao contrário defende a tese de que a regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo fiscal, leve ser averiguada em relação a data da apresentação da DIPJ, momento em que o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Não havendo nos autos comprovação da existência de pendências fiscais nesta data, descabe o indeferimento do PERC. O confronto dos fundamentos expressos nos enunciados (acórdãos: recorrido e paradigmas) evidencia que o recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, tendo em vista que em situações fáticas idênticas chegou-se a conclusões distintas, com diferentes interpretações dadas à legislação tributária. Assim sendo, o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreende-se do relatado que o Contribuinte ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI-CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, insurgindo-se contra decisão da Segunda Turma Especial da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exarado pelo Acórdão 1802-00.359, de 26/01/2010, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Como visto do relatório, trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, referente ao exercício de 2001, correspondente ao ano- Fl. 583DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 calendário de 2000, no valor de R$ 1.922.804,18, cuja base de cálculo é de R$ 10.682.245,46, opção pelo FINAN = 18%. Constata-se, que o pedido deve-se ao fato do recorrente ter feito opção por aplicação no FINAN e o extrato ter sido emitido com os valores de incentivo "zerados", tendo em vista, que a autoridade fiscal revisora entendeu, constar débito de tributos e contribuições federais em nome do mesmo, quando da emissão do referido extrato. Constata-se, ainda, que foram juntados pelo contribuinte cópias das Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União e Certidão Quanto a Dívida Ativa da União Positiva com Efeito de Negativa (fls. 450/470). É de se ressaltar, que no caso em análise, os valores informados pelo contribuinte na ficha 10 de sua declaração IRPJ/2001 (Aplicações em Incentivos Fiscais), foram corretamente calculados, sendo os mesmos apurados pelo sistema IRPJOEIF (valores declarados são iguais aos valores "normalizados"). Em relação ao pagamento do imposto devido para o exercício em análise não houve problemas, tendo sido considerado pelo sistema o percentual de 100% dos valores devidos. Observa-se, que o motivo dos valores terem sido zerados no extrato dos incentivos fiscais, foi o fato do contribuinte, no entender da Secretaria da Receita Federal, possuir débito de tributos e contribuições federais na data da entregue do DIPJ. Como visto, o ponto nodal do presente feito consiste em saber a data em que deve ser verificada a regularidade fiscal da empresa, se na data da apresentação da DIPJ ou no momento do despacho no PERC ou se ainda pode ser em algum momento posterior durante o trâmite do processo. A decisão recorrida posiciona-se no sentido de que para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), é indispensável à regularidade fiscal da empresa na data do despacho. Firmo a minha convicção de que a data mais correta é o momento da opção pelo incentivo, qual seja: a data da entrega da Declaração de Rendimentos, podendo, em casos excepcionais, ser admitida a certidão positiva com efeito de negativa para fazer jus ao incentivo. É fato, que a lei condiciona a concessão ou reconhecimento de benefícios fiscais à comprovação, pelo contribuinte, da quitação de tributos e contribuições federais, senão vejamos: Lei nº 9.069, de 1995 Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal, relativos a tributes e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais Tal disposição legal é semelhante à contida no artigo 27, da Lei nº 8.036, de 11/05/1990, vejamos: Fl. 584DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 6 9 Art. 27. A apresentação do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal, é obrigatória nas seguintes situações: c) obtenção de favores creditícios, isenções, subsídios, auxílios, outorga ou concessão de serviços ou quaisquer outros benefícios concedidos por órgão da Administração Federal, Estadual e Municipal, salvo quando destinados a saldar débitos para com o FGTS. No campo do direito constitucional, o parágrafo 3°, do artigo 195, também dispõe: I - A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. Como se vê, a disposição legal é cristalina: cabe ao contribuinte a obrigação de comprovar a quitação de tributos e contribuições federais. Não há dúvidas de que face às condições dinâmicas da atividade a situação do postulante ao beneficio pode variar de "sem debito em aberto" a "com debito em aberto", propiciando o surgimento de situações não isonômicas no tratamento dado aos contribuintes pela administração tributária. Assim, dependendo da data em que seja verificada a situação do contribuinte, pode ser ou não concedido o beneficio pleiteado. Essa incerteza no tempo com relação à situação fiscal não satisfaz aos ditames do principio da segurança jurídica. Assim, se faz necessário adotar um único momento para avaliar as condições de regularidade fiscal do contribuinte, pleiteante de benefícios fiscais. Da análise atenta do dispositivo em discussão, percebe-se não haver, de forma expressa, qualquer definição com relação ao momento no qual devem ser verificadas as condições de regularidade com relação à quitação de tributos e contribuições federais. Levando em conta da necessidade se interpretar a legislação de forma não haver palavras desnecessárias no texto legal, é possível se interpretar, o dispositivo em discussão, como definindo dois atos distintos: a concessão e o reconhecimento. Dessa forma, aceitado o principio, há a definição de duas datas diferentes: a data da concessão e a data do reconhecimento. Concessão é o ato ou efeito de conceder, é o consentimento, a permissão. Ocorre no momento do processamento da declaração (DIPJ) onde consta a opção feita pelo contribuinte. E reconhecimento é o ato ou efeito de reconhecer, podendo, ainda, em termos jurídicos ter a acepção de ato através do qual alguma coisa é admitida como verdadeira. Dessa forma, concessão poderia estar ligada ao primeiro momento, época do processamento da declaração com a opção do contribuinte, enquanto que o reconhecimento se daria numa etapa posterior, quando da análise do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC. A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem-se manifestado da seguinte forma: Fl. 585DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Acórdão nº 101-95.809: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — Para obtenção de benefício fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias no momento em que é protocolado o pedido perante SRF. Não se pode exigir posterior comprovação da regularidade fiscal se quando do pedido o contribuinte possuía situação fiscal regular. Acórdão nº 101-96.15: IRPJ - INCENTIVOS FISCAIS — PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — A lei estabelece que a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação, pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Todavia, se constatada a juntada de certidões de regularidade fiscal no curso do processo, considerar-se-á satisfeita a condição, desde que tais certidões tenham sido juntadas aos autos durante o período de sua validade. Acórdão nº 103-23.569: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Ementa: PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL. Para obtenção de beneficio fiscal, o artigo 60 da Lei 9.069/95 prevê a demonstração da regularidade no cumprimento de obrigações tributárias em face da Fazenda Nacional. Em homenagem à decidibilidade e ao princípio da segurança jurídica, o momento da aferição de regularidade deve se dar na data da opção do beneficio, entretanto, caso tal marco seja deslocado pela autoridade administrativa para o momento do exame do PERC, da mesma forma também seria cabível o deslocamento desse marco pelo contribuinte, que se daria pela regularização procedida enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao beneficio fiscal. Acórdão nº 107-09.362: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 PERC. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A apresentação de Certidão Positiva com Efeito de Negativa faz prova da quitação dos tributos e contribuições federais, exigida como condição para a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal. Feitas estas referências legais e administrativas, conclui-se assim que, para fins de obtenção de favores fiscais, como o do caso em exame, a regularidade fiscal do Fl. 586DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.101877/2003-50 Acórdão n.º 9101-001.494 CSRF-T1 Fl. 7 11 contribuinte, no que se refere aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal podem ser atestadas pela própria administração, através de despacho constante do processo, emitido pela Inspetoria ou Delegacia encarregada de apreciar o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. De modo diverso, contudo, cabe ao contribuinte a apresentação dos seguintes documentos à autoridade tributária encarregada de analisar o seu pedido, segundo se depreende da leitura dos dispositivos legais referenciados: Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal; Certidão Negativa emitida pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Certidão Negativa emitida pelo Instituto Nacional de Seguridade Social -- INSS, quanto às contribuições para a previdência social. Em 22 de fevereiro de 2007, o recorrente juntou aos presentes autos a Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União e da Certidão Quanto à Dívida Ativa da União Positiva com efeito de Negativa (fls. 450/470). Ora, se o Recorrente apresenta Certidões Positivas com Efeito de Negativas atestando a inexistência de débito em aberto expedidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como da Dívida Ativa da União, não há razão para que se glose o gozo do beneficio dos incentivos fiscais. Do exposto, comprovada a regularidade fiscal do contribuinte é de se acolher o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, para restabelecer o incentivo fiscal pleiteado. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial de Divergência do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 587DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10283.901849/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
PIS. PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA.
De acordo com o art. 170 do CTN faz jus à restituição/compensação quem tem crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. O contribuinte não logrou demonstrar a certeza e liquidez do crédito solicitado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Fábia Regina Freitas e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Fábia Regina Freitas e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 180 1 179 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.901849/201015 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.380 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria PERDCCOMP PIS Recorrente COMÉRCIO E TRANSPORTES HERNANDES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PIS. PAGAMENTO A MAIOR. LIQUIDEZ E CERTEZA. De acordo com o art. 170 do CTN faz jus à restituição/compensação quem tem crédito líquido e certo contra a Fazenda Nacional. O contribuinte não logrou demonstrar a certeza e liquidez do crédito solicitado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Fábia Regina Freitas e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Paulo Puiatti, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 18 49 /2 01 0- 15 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10283.901849/201015 Acórdão n.º 3301002.380 S3C3T1 Fl. 181 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 28.12.2006, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de PIS/Pasep referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 05), no valor original de R$ 3.858,60. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 08), indeferiu o pedido de restituição e considerou “não homologada” a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa.. 3. Cientificada em 20.09.2010 (fl. 11) a interessada apresentou, tempestivamente, em 18.10.2010, manifestação de inconformidade (fl. 17) na qual, em síntese, alega: “Após análise chegamos a conclusão que as informações contidas na PerdComp N° 17619.51342.281206.1.3.040341 transmitida em 28/12/2006 estão corretas, houve equívoco da nossa parte no preenchimento da DCTF Original referente ao 1º Semestre de 2005 que foi devidamente retificada conforme detalhada a seguir, ocorre que, houve Pagamento Indevido ou a maior conforme pode ser constatado pelo DARF referente ao PIS do PA 28/01/2005 no valor de R$ 4.873,34 e que o real valor devido era de R$ 1.014,74 valor este, declarado na DCTF retificada em 18/10/2010 conforme o recibo No. 07.69.16.17.3305. Segue em anexo Despacho Decisório sob o n° de rastreamento 880488785, emitido em 06092010, juntamente com cópia do DARF'Correspondente ao valor informado no referido despacho e a DCTF referente ao 1º Semestre / 2005 retificada conforme recibo n° 07.69.16.17.3305 transmitida em 18/10/2010.” A DRJ/BelémPA, indeferiu a manifestação de inconformidade sob o principal argumento de que a correção de débito declarado em DCTF dependerá de comprovação inequívoca com a utilização de documentos hábeis e idôneos a tal fim. Transcrevese abaixo e ementa do Acórdão da DRJ: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10283.901849/201015 Acórdão n.º 3301002.380 S3C3T1 Fl. 182 3 O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual dispõe em apertada síntese: que a decisão da DRJ não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público. Faz uma breve explanação sobre cada um dos princípios elencados; suscita genericamente preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância em face da comprovação do crédito existente; que a RFB tem poder para examinar livros e documentos fiscais e por isto com poder e obrigação de proceder a levantamento criterioso dos créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior; o crédito está comprovado nos autos com a juntada do DARF no valor de R$ 4.873,34, do período de apuração de fev/2005, quitado em 15/03/2005 e das DCTF original apresentada em 07/10/2005 e retificadora em 18/10/2010; a origem do direito creditório teve princípio com a publicação da Lei nº 10.865/2003, quando a alíquota de seus produtos, hortifrutigranjeiros, foi reduzida a zero. Informa ainda que desconhecia que seus produtos hortícolas e frutas, classificados nos capítulos 7 e 8, e ovos, na posição 04.07, da TIPI tiveram suas alíquotas reduzidas a zero e, por isto, a origem do pagamento a maior; que demonstra por meio de planilha anexa os dados referentes ao seu faturamento e o correspondente valor do PIS devido e o valor pago a maior; volta abordar genericamente os princípios constitucionais que teriam sido desrespeitados e solicita a anulação do despacho decisório, após análise minuciosa da documentação anexada no recurso. Ao final, fl. 103, informa a relação de documentos anexados. Em análise do citado recurso, esta turma de julgamento proferiu a Resolução nº 3301000176, de 27/06/2013, por meio da qual solicitouse a realização de diligência, para que fossem juntados ao presente processo os conteúdos das mídias digitais noticiadas no “Termo de Existência de Mídia Digital (CD)” de fl. 163. Neste sentido, o Seort/DRF/Manaus atendeu o pedido de diligência, conformese depreende do Termo de Juntada de fl. 179. É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10283.901849/201015 Acórdão n.º 3301002.380 S3C3T1 Fl. 183 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O presente recurso foi apresentado tempestivamente e atende os demais pressupostos recursais. A principal alegação do contribuinte é que recolheu a maior a contribuição ao PIS referente ao fato gerador de fev/2005, pois desconhecia que seus produtos hortifrutigranjeiros tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pela Lei 10.865/2004. De fato, o art. 28, inciso III, da Lei nº 10.865/2004 reduziu a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI. No mesmo sentido o art. 8º, §12, inciso X, para as hipóteses de importação dos mencionados produtos. É pacifico o entendimento de que os dispositivos retrocitados aplicamse para os contribuintes que utilizem a sistemática do lucro presumido para o cálculo do Imposto de Renda. Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: (...) III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI; A decisão da DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de o contribuinte não ter demonstrado em momento algum, de forma inequívoca, o erro de preenchimento de sua DCTF. De fato até aquele momento não havia sido apresentado qualquer prova de suas alegações. Aliás, o contribuinte nem havia informado em sua manifestação de inconformidade o motivo do preenchimento incorreto de sua DCTF original e, por conseqüência, a razão do recolhimento a maior do PIS. Só veio trazer estas informações no âmbito do presente recurso voluntário. Porém, percebese pela leitura do Contrato Social, fl. 111, que o objeto da sociedade é “comércio atacadista de hortifrutigranjeiros e cereais e transporte de cargas”, trazendo ao processo bastante verossimilhança de verdade nas alegações do contribuinte. Neste sentido, em nome do princípio da verdade material, foi solicitado diligência para que o processo fosse saneado com a digitalização dos documentos de prova que o contribuinte teria apresentado por ocasião do recurso voluntário. Da análise dos documentos juntados em diligência, não é possível concluir se houve efetivamente pagamento a maior. Foram apresentadas notas fiscais relativas ao fato gerador de fevereiro/2005 que são referentes aos produtos beneficiados com alíquota zero de PIS, mas não é possível afirmar que foram apresentadas todas as notas fiscais emitidas em fevereiro/2005, ou seja, não é possível aferir a base de cálculo do PIS devido somente com base nestas notas fiscais. Também não é possível retirar estes elementos do livro registro de saídas. Apesar de no recurso voluntário, constar referência à apresentação de uma planilha demonstrativa da base de cálculo do PIS, esta não se encontra nos presentes autos e nem nos arquivos juntados em diligência. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10283.901849/201015 Acórdão n.º 3301002.380 S3C3T1 Fl. 184 5 Em que pese a alegação de erro de fato no preenchimento das DCTF, o seu pleito não pode prosperar, uma vez que tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não apresentou os documentos essenciais para o reconhecimento de seu crédito, de sorte que o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve ser homologado. Com efeito, a simples apresentação de uma declaração retificadora não produz os efeitos pretendidos pela interessada, visto que seu crédito não goza de liquidez e certeza. Convém ressaltar que não há óbice legal para a retificação da DCTF após a emissão do despacho decisório, porém a simples retificação deste documento não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Além do mais, o art. 333 do Código de Processo Civil preceitua que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Ora, tendo alegado que efetuou pagamento a maior de Contribuição em face da redução a zero da alíquota das contribuições PIS e Cofins sobre a receita bruta decorrente da venda de produtos hortícolas, frutas e ovos, a recorrente tinha por obrigação legal de colacionar ao processo administrativo os respectivos documentos comprobatórios que sustentariam seu direito. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para a compensação que o crédito seja líquido e certo, in verbis: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda.” (grifouse) No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não o comprovou por meio de provas documentais hábeis. A simples retificação de DCTF é insuficiente para se comprovar o direito creditório, sendo que os documentos apresentados, por si só, não são suficientes para apurar a existência de indébito tributário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/ 07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 13227.721075/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITAS.
Tendo em vista a presunção legal desencadeada pela não comprovação da origem dos depósitos bancários não escriturados e não declarados, bem como o arbitramento do lucro promovido pela Fiscalização, não traz o contribuinte prova que afaste a presunção.
Numero da decisão: 1301-001.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros:Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. Tendo em vista a presunção legal desencadeada pela não comprovação da origem dos depósitos bancários não escriturados e não declarados, bem como o arbitramento do lucro promovido pela Fiscalização, não traz o contribuinte prova que afaste a presunção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente), presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente em exercício (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 72 10 75 /2 01 2- 67 Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros:Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Substituto Convocado), Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contribuinte acima identificada contra decisão proferia pela 1ª Turma da DRJ em Belém/PA. Extraise do presente processo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração (fls. 1.788 – 1.829), relativos ao IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, relativos ao anocalendário 2009. De acordo com Relatório Fiscal (fls. 1.832 – 1.843), a recorrente teria omitido receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (presunção legal). O lucro do contribuinte foi arbitrado em razão de sua escrituração apresentar vícios que impediram a identificação da movimentação bancária e sobre a exigência principal foi aplicada a multa de ofício de 75 %. A recorrente foi devidamente cientificada da exigência (fl. 1.867) e apresentou Impugnação (fls. 1.872 – 1.884, 1.937 – 1.958, 2.012 – 2.026 e 2.082 – 2.095), alegando em síntese que os Autos de Infração são nulos, por ausência de fundamentação, eis que a autoridade lançadora não teria especificado a conduta que ensejou a materialização da infração e a exigência da multa e juros é indevida, pois a falta de recolhimento dos tributos deveuse à falha do escritório de contabilidade que não apresentou os guias de recolhimento. Aduziu ainda que solicitou prazo para recolhimento do tributo devido, cujo pedido negado pela autoridade lançadora e que as bases cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ, devem estar sujeitas ao coeficiente de presunção de 16 % sobre a receita bruta, fato que não foi observado pela fiscalização e que após isso, o PIS deve ser cobrado sob a alíquota de 0,65%, a COFINS, 3%, a CSLL, 1,08%, e o IRPJ, 1,2%. Defendeu que a multa e juros aplicados têm caráter de confisco e atenta contra os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, sendo a multa indevida porquanto não houve fraude por parte do sujeito passivo, mencionando ainda, que a aplicação dos juros desde o fato gerador fere o princípio da irretroatividade e que os juros são indevidos pois não podem incluir os próprios juros em sua base de cálculo e que não foi discriminada sua natureza jurídica (moratório ou compensatório), sendo que o crédito principal não foi reconhecido pelo sujeito passivo que somente se torna exigível após o exaurimento da via administrativa. A 1ª Turma da DRJ em Belém/PA, nos termos do acórdão e voto de folhas 2.157 a 2.164, julgou o lançamento procedente em aresto que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ESPONTANEIDADE. EFEITOS. Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13227.721075/201267 Acórdão n.º 1301001.479 S1C3T1 Fl. 3 3 O procedimento fiscal que se inicia com a ciência do primeiro ato de ofício, escrito, junto ao sujeito passivo, suspende a espontaneidade. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável pelo cumprimento da obrigação tributária. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decidido para o IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS é o faturamento mensal, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 Ementa: BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é o faturamento mensal, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando seus argumentos, sustentando, preliminarmente, a nulidade da autuação por ausência de fundamentação, alegando que sua conduta não foi descrita de forma minudente, no mérito, defende que não houve conduta fraudulenta de sua parte, que a falta de recolhimento ocorreu por falha humana, afirmando que pretende regularizar sua situação, porém, os valores lançados, com juros e multas, inviabilizam tal intenção. Defendeu por fim, que foram utilizados índices incorretos nas apurações dos tributos, demonstrando os patamares aplicados no caso do lucro presumido, reputando as multas como confiscatórias. É o relatório. Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13227.721075/201267 Acórdão n.º 1301001.479 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Considerada a preliminar de nulidade aventada pela contribuinte, de rigor pontuar que o feito não padece de qualquer vício, na descrição dos fatos contida no bojo do auto de infração (vide fl. 1.789 em diante), a Fiscalização expôs as razões pelas quais a contribuinte teve o lucro arbitrado no período de 2009, sendo em resumo, o fato de a escrituração do contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes contendo vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive, bancária. Mais adiante indicouse a omissão de receitas, calcada em presunção legal, oriunda de depósitos bancários cuja origem, intimada a fazêlo, a contribuinte não comprovou. Estas são, portanto, as matrizes fáticas sobres as quais se funda o lançamento ora discutido, sendo oportuno registrar que não houve multa qualificada ou agravada, lançandose o patamar mínimo de 75%. Não prospera a preliminar de nulidade, mormente ao se verificar que não houve qualquer das hipóteses contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual rejeito a alegação preliminar, considerando adequadas as descrições fática realizadas pela Fiscalização. Quanto ao mérito, tendo em vista a presunção legal desencadeada pela não comprovação da origem dos depósitos bancários não escriturados e não declarados, bem como o arbitramento do lucro promovido pela Fiscalização, invalidam os questionamentos da contribuinte quanto aos patamares do lucro presumido. Ademais, seu pleito por reconhecimento de ausência de dolo, abusividade de multa de ofício esbarram nos fundamentos reconhecidos pela decisão recorrida. Com efeito, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável pelo cumprimento da obrigação tributária, consoante regra do art. 136, do CTN, sendo que na espécie não houve a qualificação da multa, sendo o patamar mínimo aplicado, o qual subiste ante a estrita legalidade que vincula o pronunciamento administrativo. Diante disso, voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 09 de abril de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES 6 Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 20/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/09/2014 p or WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 19515.001293/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada, em especial quando esta nega os fatos.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 1402-001.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada, em especial quando esta nega os fatos. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 93 /2 00 6- 74 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório SUNTUR TURISMO E CÂMBIO LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Contra a empresa em epígrafe foram lavrados, em 26/06/2006, os autos de infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de fls. 157 a 176, relativos ao anocalendário de 2000, em razão de omissão de receitas, por ter sido apurada falta de contabilização e de comprovação da origem de recursos movimentados no exterior. Foi ainda efetuado lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), sobre Pagamentos a Beneficiários Não Identificados (fls. 177 a 182). 2. Foram apontados como infringidos os seguintes dispositivos legais: 2.1 IRPJ: artigo 24 da Lei n° 9.249/1995, artigos 249, inciso II, 251, caput e parágrafo único, 278, 279, 280, 281, inciso II, 288, 674, 845, 902 e 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR, Decreto n° 3.000/1999) e artigo 45 da Lei n° 8.212/1991; 2.2 PIS: artigos 1o e 3o da Lei Complementar n° 7/1970, artigo 24, § 2o, da Lei n° 9.249/1995, artigos 2o, inciso I, 8o, inciso I, e 9o da Lei n° 9.715/1998 e artigos 2o e 3o da Lei n° 9.718/1998; 2.3 COFINS: artigo 1o da Lei Complementar n° 70/1991, artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249/1995 e artigos 2o, 3o e 8o da Lei n° 9.718/1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/1999 e suas reedições e da Medida Provisória n° 1.858/1999 e suas reedições; 2.4 CSLL: artigo 2o, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei n° 9.249/1995, artigo 1o da Lei n° 9.316/1996, artigo 28 da Lei n° 9.430/1996 e artigo 6o da Medida Provisória n° 1.858/1999 e reedições; 2.5 IRRF: artigo 674 do RIR/1999. 3. Da ação fiscal em referência resultou a apuração do crédito tributário a seguir discriminado, já incluída a multa de lançamento de ofício, bem como os juros de mora calculados até 31/05/2006: IRPJ.........................R$ 1.956.697,36 PIS...........................R$ 57.081,17 COFINS..................R$ 263.452,02 CSLL.......…............R$ 749.700,87 IRRF........................R$ 4.746.256,69 4. No Termo de Verificação de fls. 151 a 156, integrante dos autos de infração, foram consignados os seguintes fatos: “1 – O procedimento de fiscalização do IRPJ, decorreu da Representação Fiscal da EEF – Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF – Secretaria da Receita Federal n° 463/04, e dos documentos anexos, incluindo relação das ordens de pagamentos das contas bancárias no Fl. 330DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 3 exterior, nas operações financeiras em que o contribuinte SUNTUR TURISMO E CÂMBIO LTDA., CNPJ 58.013.210/000102, figurou como ordenante de remessas ao exterior, por meio de contas tituladas por domiciliados no exterior. 2 – O contribuinte foi intimado em 17/01/2006 a apresentar os livros Diário e Razão, extratos de contas bancárias e aplicações financeiras, bem como cópias das documentações das remessas de recursos enviados para o exterior, ou recebimentos de recursos provenientes do exterior, do ano calendário 2000. 3 – Em correspondência datada de 26/01/2006, o contribuinte esclareceu que: ‘1referente ao ano base de 2000, não houve nenhuma transferência financeira de valores para o exterior. 2Não houve nenhuma aplicação financeira, no respectivo exercício’. 4 – Efetuamos Termo de Intimação datado de 01/02/2006 e 10/02/2006, para o contribuinte apresentar esclarecimentos, escrituração, documentação comprobatória da origem dos recursos utilizados nas operações listadas na tabela abaixo, relativos a operações de transferência de recursos financeiros por meio de conta titulada por residente ou domiciliado no exterior; bem como esclarecer sobre a motivação das transferências e outras informações que julgar necessária. (tabela) 5 – Em correspondência datada de 20/02/06, o contribuinte esclareceu que: ‘1Conforme exposto anteriormente, não houve qualquer transferência financeira de valores para o exterior; 2Com referência às ordens de pagamento (BO), jamais houve qualquer autorização para que alguém usasse o nome da Suntur’. 6 (...)” 5. O Termo de Verificação segue apresentando um “Breve histórico das investigações relativas ao MTBCBCHudson Bank e outros”, bem como um relato dos trabalhos da Equipe Especial de Fiscalização (fls. 152 a 154). 6. Às fls. 198 a 211, consta a impugnação, apresentada em 26/07/2006, por procurador legalmente habilitado (fls. 07 a 11 e 193). 7. Alega a autuada, preliminarmente, que, tanto o IRRF quanto o IRPJ e a CSLL seriam sujeitos ao lançamento por homologação. Transcreve os artigos 899, 218, 220 e 856 do RIR/1999, bem como entendimentos doutrinários e a Nota MF/SRF/Cosit n° 577, de 24 de agosto de 2000, no intuito de buscar respaldo a sua tese. Aponta o período de 17/02/2005 a 21/10/2005 como de extinção do IRRF e, para o IRPJ e a CSLL, o dia 31/03/2006, ou seja, considera que o termo inicial para aplicação do artigo 150 do Código Tributário Nacional seria a data de vencimento da obrigação tributária. 8. Quanto ao mérito, argumenta, em síntese, que: 8.1 a Fiscalização considerou como prova a tradução de informações obtidas a partir de planilhas e não de documentos bancários oficiais; não houve laudo pericial das operações; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 4 8.2 nos documentos gerados a partir das mídias eletrônicas, o primeiro nome da empresa constou como ordenante de remessas para o exterior, mas a empresa não está relacionada no Laudo 1609/04 – INC, nem tampouco em qualquer dos documentos examinados (fls. 109 a 119); 8.3 não há provas da participação da Suntur nessas operações; além do mais a informação constante da mídia eletrônica é informal e pode se referir a outras empresas com atividades e nomes similares (exemplifica); 8.4 a Fiscalização considerou, sem provas documentais, que o montante dos recursos relacionados numa planilha eletrônica se referiam a pagamentos realizados pela empresa, tendo presumido que a falta de registro dos referidos pagamentos caracterizava receitas omitidas pela impugnante; 8.5 mesmo que tivesse ordenado os pagamentos, a empresa teria obtido apenas receitas de intermediação, uma comissão ou uma taxa de serviço, e não uma receita igual ao volume das remessas; 8.6 a veracidade das informações pode ser confirmada pelo exame de sua escrita contábil e de suas contas bancárias; 8.7 a Fiscalização aceitou a escrita contábil da empresa e os prejuízos fiscais existentes, tanto que a tributação baseouse no Lucro Real; 8.8 a presunção de omissão de receitas e a tributação com base no Lucro Real são incompatíveis e demonstram o objetivo de penalização do contribuinte, além da prática de confisco, vedada pela Constituição Federal, em seu artigo 150, inciso IV (compara os valores autuados com os dados da escrita contábil); 8.9 se os valores da omissão fossem verdadeiros, a escrituração seria imprestável para a apuração do lucro real, o que obrigaria o autuante a determinar o imposto com base no lucro arbitrado, nos termos do artigo 530, inciso II, do RIR/1999; 8.10 a tributação pelo lucro arbitrado seria mais benéfica ao autuado (artigo 532 do RIR/1999), caracterizandose, dessa forma, a cobrança de valor superior ao devido; 8.11 houve excesso na aplicação da multa qualificada, posto que a tributação realizada é baseada integralmente em presunções, não há prova documental da omissão, menos ainda prova de fraude, mesmo porque não houve fraude, muito menos evidente intuito de fraude (transcreve decisões administrativas que esclareceriam as condições legais para a qualificação da multa). 9. Às fls. 247 e 248, informa a Fiscalização que não houve a formalização da Representação Fiscal para Fins Penais, por se tratar de investigação conduzida pela Polícia Federal, hipótese em que, conforme dispõe o artigo 1o, § 7o, da Portaria SRF n° 326/2005, é suficiente a comunicação dos fatos apurados àquele órgão, que teria sido efetuada. A decisão recorrida está assim ementada: LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Presente, em tese, o evidente intuito de fraude, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento deixa de ser regida pelo disposto no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional e passa a ser disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. MEIOS DE PROVA. PROVA DIRETA. Os elementos disponibilizados pelas autoridades no exterior às autoridades brasileiras constituem prova direta das remessas de divisas realizadas pelo sujeito passivo. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 5 OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A falta de escrituração de remessas de divisas efetuadas pelo contribuinte no exterior autoriza a presunção legal de que foram realizadas com recursos mantidos à margem da tributação. MULTA DE OFÍCIO. INFRAÇÃO QUALIFICADA. Havendo fortes indícios do intuito de fraude, impõese a aplicação da multa de 150%, por infração qualificada. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de PIS, COFINS, CSLL e IRRF, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre eles. Lançamento Procedente. Cientificada da aludida decisão em 28/11/2007, fl. 285, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/12/2007 (fls. 286 e seguintes), no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, afirma e requer: “(...) Corno demonstrado, houve excesso por parte do Auditor Fiscal: na presunção da presunção, na apuração do lucro real contra a as determinações legais, na qualificação da multa, assim corno na exigência indevida de tributo, cujo crédito tributário já estava fulminado pela decadência muito antes da lavratura do Auto de Infração. Do Pedido De tudo o que foi exposto, solicita o cancelamento o Auto de Infração do Imposto de Renda e dos Autos decorrentes, assim corno o arquivamento definitivo do processo administrativo fiscal. (...)” É o relatório. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Desta forma, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame das questões suscitadas Inicialmente, para evitar omissões ou equívocos quanto à eventual análise de possíveis questões relacionadas à decadência e à tempestividade do recurso, registro que o caso diz respeito a lançamento de crédito tributário correspondente ao ano calendário de 2000, sendo que o auto de infração está às fls. 178 e seguintes, acompanhado do termo de verificação fiscal de fls. 170/175. A notificação deuse em 26/06/2006 (fl.175), com impugnação às fls. 221/233 e julgamento pela DRJ por meio do acórdão de fls.270/283. A parte interessada foi intimada em 28/11/2007 (fl. 306) e apresentou o recurso de fls. 308/320, protocolizado em 19/12/2007, o que quer dizer que observou o prazo recursal de que trata o art. 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972. A empresa autuada é tributada com base no Lucro Real Anual, e a autuação está a exigir IRPJ, CLSS, PIS, COFINS, IRRF e multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre as bases estimadas, em face das infrações abaixo indicadas: Omissão de imposto de renda e reflexos do anocalendário de 2000 com multa de 150%, sendo que as datas dos fatos geradores e base de cálculo consta da fl. 178 e seguintes, no auto de infração. Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, com multa de 150%, sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa, sendo que as datas dos fatos geradores e base de cálculo consta da fl. 236, no auto de infração. Tratase da conhecida operação denominada BEACON HILL. Segundo o histórico à fl. 114, o Laudo 675/021NC cujo objeto foi a movimentação financeira de 137 contas da extinta agência do BANESTADO na cidade de Nova Iorque nos Estados Unidos, abrangendo o período de abril/96 a dezembro/97, momento em que se identificou a empresa BEACON HILL SERVICE CORPORATION que atuava corno preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do JP Morgan Chase Bank, administrando contas ou subcontas específicas, entre as quais a subconta n° 311012, denominada PESCARA. À fl. 179 a autoridade fiscal destaca que em face da operação acima denominada identificouse a empresa autuada como ordenante de remessas ao exterior, por meio de contas tituladas por domiciliados no exterior. A contribuinte foi Intimada em 17/01/2006 a apresentar os livros Diário e Razão, extratos de contas bancárias e aplicações financeiras, bem como cópias das documentações das remessas de recursos enviados para o exterior, ou recebimentos de recursos provenientes do exterior, do anocalendário 2000. Em correspondência datada de 2610112006, a contribuinte esclareceu que: Fl. 334DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 7 1 referente ao anobase de 2000, não houve nenhuma transferência financeira de valores para o exterior; 2 Não houve nenhuma aplicação financeira, no respectivo exercício. Nos itens 09 a 14 do termo de verificação fiscal a autoridade descreve os procedimentos realizados pelas autoridades americanas e brasileiras, na troca de informações e à partir do item 15 conclui que a autuada remeteu as quantias que indica ao exterior e, por não têlas declarado em sua contabilidade está caracterizado a omissão de receita. No mais, como não estão identificados os beneficiários, ou descrito a causa, segundo a autoridade autuante, resulta caracterizada, de forma concomitante, a existência de pagamento sem causa, justificando a exigência de IRFonte, com alíquota de 35% e base de cálculo reajustada. A decisão recorrida manteve integralmente a exigência, com a multa qualificada, basicamente pelos seguintes fundamentos: “(...) Conforme já se destacou, a fiscalização realizada no contribuinte teve origem em representação fiscal formalizada pela Equipe Especial de Fiscalização instituída pela Portaria SRF n° 463/04, que verificou os documentos e a mídia eletrônica disponibilizados às autoridades brasileiras pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque, Estados Unidos da América. Com base nesses elementos, bem como no Laudo Pericial elaborado pelo Departamento da Polícia Federal, evidenciouse que a autuada figura como ordenante em diversas remessas de divisas. Uma vez que a contribuinte não escriturou as remessas em questão, bem como não comprovou a origem dos recursos utilizados nessas operações, os fatos narrados no Termo de Verificação configuram, em tese, o evidente intuito de fraude, capitulado na Lei nº 4.502/1964, em seus artigos 71 a 73 (...)” Pois bem, compulsando os autos verificase que a Fiscalização, embora tenha intimado a contribuinte para prestar esclarecimento e obtido como resposta o desconhecimento das remessas por parte dos representantes da autuada, não trouxe aos autos qualquer prova de que tais pagamentos ou remessas foram mesmo efetuadas pela contribuinte. No julgamento de outros processos relativos a essa operação Beacon Hills este Conselho tem deparado com situações em que o Fisco consegue, ainda que por amostragem, provas de que os remessas foram mesmo realizadas pela contribuinte autuada. Em outras situações empresas admitem a remessa e procuram fazer prova da origem lícita e tributada dos recursos. É certo que as remessas foram feitas ao exterior. No entanto, inexiste provas de qualquer tipo ou natureza de que realmente partiu da empresa essas remessas. Em momento algum se identificou em contas bancárias da contribuinte a saída dos mencionados recursos. Sequer há prova de que a contribuinte possuía valores de tamanha grandeza. Assim, diante da negativa da contribuinte quanto a autoria das remessas, caberia a fiscalização fazer essa prova. Ora, a rigor, qualquer pessoa, física ou jurídica, conhecedora da razão social e CNPJ da contribuinte poderia ter realizado essa remessa. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 8 Não desconheço que por se tratar, em tese, de valores mantidos à margem da contabilidade, a prova fiscal é dificultada. Porém, também é certo que a recorrente não tem como fazer prova negativa de suas alegações. Inexiste nos autos qualquer outra prova ou indício, colhida da contribuinte ou pessoas/empresas com quem transacionou diretamente, que corrobore a acusação fiscal. Frisese: o ônus da prova cabe a quem acusa. Citese outros acórdãos deste Conselho, relativa a mesma operação “Beacon Hill” em que pela insuficiência de provas foi cancelada a exigência: PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA – OPERAÇÃO BEACON HILL – AUSENCIA DE PROVA DE AUTORIA DE REMESSA IMPOSSIBILIDADE–A presunção legal de omissão de receitas a partir de pagamentos não escriturados impo à administração tributária a obrigação de comprovar a autoria dos pagamentos. (Acórdão 1201000.654 de 1/2/2012). OMISSÃO DE RECEITAS. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre a Fiscalização Instruir o processo com provas da efetivas da infração atribuída ao contribuinte. O fato de constar em registros aprendidos junto a terceiros que o contribuinte seria responsável por remessas de recursos ao exterior, à margem de sua contabilidade, não autoriza, por si só, a conclusão de que os pagamentos ou remessas tenham sido realizados pela autuada. (Acórdão 140200.546 de 25/05/2011). FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO A atividade da fiscalização deve ser exercida sempre que se tratar de possibilidade de lesão ao Erário, por força de descumprimento das regras tributárias. A aplicação de presunções, todavia, somente pode ser realizada na hipótese em que houver prova contundente dos indícios que cumpram os requisitos de gravidade, precisão e concordância, passando, então, a caracterizarem se como verdadeiros elementos probantes. (Acórdão 120200.486 de 22/02/2011). Deixo de apreciar as preliminares suscitadas pela recorrente, em face do entendimento consagrado neste Conselho no sentido que uma vez decido o mérito a favor do contribuinte, superaramse as preliminares, à inteligência do art. 59, §3o. do Decreto 70.235/1972. Conclusão Voto no sentido de dar provimento o recurso para cancelar integralmente a exigência. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001293/200674 Acórdão n.º 1402001.621 S1C4T2 Fl. 0 9 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 22/04/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13310.000044/2001-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito.
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N2 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A
INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA
INDEFERIMENTO.
O ressarcimento autorizado pela Lei n2 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.043
Decisão: ACORDAM os Membros da 1° CÂMARA / 1° TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pelas conclusões. Fez sustentação Oral o Dr°sergio Silveira Melo
Nome do relator: Antonio Zomer
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Recorrida DRJ em Belém - PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - I PI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 PEDIDO DE PERÍCIA APRESENTADO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que nada acrescentaria aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para o julgamento do feito. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N2 9.363/96. EMPRESA EQUIPARADA A INDUSTRIAL. RESSARCIMENTO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. O ressarcimento autorizado pela Lei n2 9.363/96 vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos, que indiquem a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o seu indeferimento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da P CÂMARA / V TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, indeferido o pedido de perícia e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso acompanha pe sei elusões. Fez sustentação Oral o D - _io Silveira Melo. • as a • O MARCOS CÂNDID P esidente o Processo e 1331(000044/2001-77 S2-CIT1• Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 917 aek Fik p NVOMER Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martínez López. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, relativo ao I° trimestre de 2001, apresentado em 25/06/2001, com fimdamento na Lei n2 9.363/96. O processo de industrialização da requerente desenvolve-se em estabelecimentos de terceiros, desde o beneficiamento do couro, feito por curtumes especializados, até a fabricação dos calçados, feita pela Cocalqui — Cooperativa de Calçados Quixeramobim Ltda. Analisando a documentação contábil da empresa, o Auditor-Fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/132 e Informação Fiscal de fls. 325/326, constatou que não havia controle individualizado das operações de industrialização por encomenda e intimou a requerente a elaborá-los. Depois de reiteradas intimações sem que a empresa lograsse apresentar e comprovar a existência de controles apropriados, propôs o indeferimento total do pleito. A Delegacia da Receita Federal em Fortaleza - CE, acatando o parecer da fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, registrando em seu despacho de fl. 327 que a motivação da decisão foi a falta de comprovação do direito aos créditos pleiteados, de acordo com a legislação pertinente. Irresignada, a requerente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: I - o Agente Fiscal, com um pouco mais de bom senso, com base nos dados que sempre estiveram à sua disposição, poderia constatar onde e para que finalidade teriam sido utilizados todos os insumos adquiridos; 2 - para comprovar o crédito presumido alegado, o Agente Fiscal deveria ter verificado se: a) as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem com direito a crédito foram adquiridas no mercado nacional; b) as aquisições mencionadas estão suportadas por documentos fiscais hábeis e idôneos, devidamente registrados nos livros contábeis e fiscais; 2' Processo n° 13310.000044/2001-77 S2-CI TI Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 918 c) as exportações informadas foram efetivamente realizadas (Registro de Exportação — RE e SD); d) as receitas totais correspondem aos valores informados pela contribuinte em outras obrigações acessórias, como, por exemplo, na DIPJ; e) o cálculo da relação Receita de Exportação/Receitas Totais foi realizado corretamente; e O o cálculo do Crédito Presumido informado pela Contribuinte estava - correto; 3 - o Auditor-Fiscal não teria levado em conta as centenas de notas fiscais de compra de matérias-primas e de demais insumos de produção colocadas à sua disposição e nem verificado as dezenas de notas fiscais de exportação, B/Ls, REs, SDs, contratos de câmbio de exportação, etc; 4 - o crédito presumido deveria ser calculado com base nas aquisições de insumos e no percentual de participação das receitas de exportação na receita total da empresa exportadora, não havendo necessidade de se saber quais teriam sido os insumos aplicados nas exportações realizadas; 5 - o valor dos insumos poderia ser calculado somando-se o estoque no início de um determinado período às aquisições, e diminuindo-se as saídas não aplicadas na produção e o estoque final do mesmo período; 6 - a solicitação de documentos feita pelo Auditor-Fiscal somente poderia ter sido realizada por alguém com algum distúrbio psíquico ou de má-fé. Mesmo assim, teria disponibilizado ao Auditor-Fiscal os seguintes documentos, os quais seriam mais do que suficientes para confirmar as exportações realizadas e a aquisição dos insumos utilizados na produção: livros fiscais de entradas e saídas de mercadorias, livros de inventário, documentos comprobatórios da efetivação da exportação (RE, SD, BL, Contrato de Câmbio), livros diário e razão e fichas técnicas de produção; 7 - se a fiscalização tinha alguma dúvida em relação a quais insumos e suas respectivas quantidades foram utilizados na fabricação dos calçados exportados, bastaria ter multiplicado a quantidade de calçados exportados de cada modelo pela quantidade de insumos definidos nas fichas de custos dos materiais por modelo; e 8- os pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI requeridos antes de 2001 foram deferidos sem que a fiscalização levantasse qualquer problema. Por fim, requereu a contribuinte: (1) a realização de perícia para esclarecer os quesitos que constam das fls. 327/328; (2) a reforma da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza - CE para se deferir o pedido de ressarcimento; e 3 -a Processo e 13310.000044/2001-77 S2-CITI Acórdão o.° 2101 .00.043 Fl. 919 (3) a atualizado do valor pleiteado pela taxa Selic desde a data do protocolo do processo até a data do efetivo ressarcimento. A DRJ em Belém — PA manteve inalterado o despacho decisório, indeferindo o pedido de perícia e negando o direito ao ressarcimento e às compensações, por falta de comprovação da liquidez e certeza dos créditos. No recurso voluntário, ao qual foram juntados diversos documentos, a empresa repisa e reforça os seus argumentos de defesa, reiterando a alegação de que produziu e exportou milhares de pares de calçados, fazendo jus ao crédito presumido solicitado. Reitera, também, o pedido de realização de perícia, para o fim de confirmar o seu direito ao ressarcimento, elaborando uma série de quesitos que, a seu ver, precisariam ser respondidos. Por fim, requer o deferimento integral do pedido de ressarcimento, devidamente atualizado pela taxa Selic, bem como a homologação das compensações inerentes a este processo. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para ser admitido, pelo que dele tomo conhecimento. O ressarcimento do IPI é beneficio fiscal que pode ser deferido apenas para a empresa que seja contribuinte deste imposto. E contribuinte do IPI é o estabelecimento responsável pela operação industrial, mesmo que realizada em estabelecimento de terceiro, alugado, arrendado ou por qualquer outro meio cedido para a fabricação de seus produtos (PN n2 124/74). Quando a industrialização é feita em estabelecimentos de terceiros, a empresa não é contribuinte direta mas por equiparação. A operação que equipara a recorrente a estabelecimento industrial e, portanto, que a toma contribuinte do IPI, está prevista inciso IV do art. 92 do RIPI/98 e do RIPI12002, nos seguintes termos: "Art. 9" Equiparam-se a estabelecimento industrial: IV - os estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiro, mediante a remessa, por eles efetuada, de matérias-primas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos (Lei n" 4.502, de 1964, art. 4", inciso III, e Decreto-Lei n°34, de 1966, art. 2", alteração 332." 4 Processo n° 13310.000044/2001-77 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 920 Todo contribuinte deve atentar para as normas constantes do Regulamento do IPI (Decreto n2 2.637/98 — RIP1198 e Decreto n2 4.544/2002 — RIPI12002), pois que, sem a sua observância, não se pode receber os incentivos fiscais relativos a este imposto, como o ressarcimento de créditos, sejam eles básicos ou presumidos. As normas de controle dos insumos, quando a industrialização é feita fora estabelecimento adquirente e exportador dos produtos fabricados por terceiros, são ainda mais rígidas do que aquelas que devem sem cumpridas pelos estabelecimentos industriais. Na industrialização por encomenda, o direito de escrituração dos créditos exige do equiparado a industrial um rigoroso controle documental das operações industriais, sem o qual não haverá direito a ressarcimento/compensação. O Auditor-Fiscal não inventa os controles contábeis que exige da empresa. Ao contrário, só exige aqueles que estão previstos nas normas pertinentes à escrituração das empresas que pretendem requerer o ressarcimento de créditos do IPI. Não tem sentido, pois, a reclamação de que houve excessivo rigor formal por parte da fiscalização, quando esta registrou a falta de coerência da escrituração contábil da empresa, no que tange à emissão de notas fiscais, ao controle de estoques e à movimentação de insumos e produtos acabados entre o seu estabelecimento e o da prestadora dos serviços de industrialização. Em se tratando de industrialização por encomenda, o controle da produção é, sem dúvida, muito mais trabalhoso para a empresa, uma vez que, aos controles exigidos dos contribuintes normais do IPI, agrega-se a documentação que deve ser emitida quando da movimentação dos insumos e dos produtos acabados entre os estabelecimentos da encomendante e do industrializador. Neste passo, as remessas de matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem, recipientes, moldes, matrizes ou modelos devem ser cuidadosamente registradas e controladas na contabilidade das duas empresas, por meio da emissão dos documentos fiscais próprios, principalmente as notas fiscais de remessa. Este controle deve estender-se ao processo de fabricação, com acompanhamento efetivo da utilização dos insumos, e alcançar o retorno dos produtos industrializados, com registro em separado da devolução dos insumos/produtos. No presente caso, a fiscalização requereu a apresentação dos controles efetuados pela empresa e constatou que eles eram inexistentes ou muito precários, provavelmente devido à proximidade física dos estabelecimentos da encomendante e do industrializador, separados unicamente por uma rua. Em vista desta proximidade, estabeleceu- se uma confusão entre os estabelecimentos da Calçados Aniger e da Cocalqui, gerando uma grande gama de irregularidades, registradas pela fiscalização em pormenores no Termo de Verificação Fiscal de fls. 103/132. Entre elas, destaca-se a emissão de notas fiscais que não poderiam corresponder a efetivos retornos de produtos industrializados, pois não havia a correspondente remessa dos insumos e vice-versa. Se a requerente do crédito de IPI não mantém os controles exigidos pelas normas regulamentares, não logrando nem mesmo comprovar de forma adequada a realização da industrialização por encomenda, e mais, que os insumos foram, de fato, utilizados na fabricação dos produtos exportados, não há que se falar em direito ao ressarcimento do crédito presumido. 5 Processo n° 13310.000044/2001-77 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.043 A. 921 Neste contexto, as notas fiscais de aquisição de insumos não são suficientes para garantir o direito ao ressarcimento, assim como não o são os livros contábeis e fiscais de entradas, saídas, de apuração do IPI e os diversos contratos de câmbio de exportação. Sem a necessária vinculação entre estas peças, por meio dos registros e demonstrativos exigidos pelo regulamento do IPI, não exsurge o direito ao ressarcimento. O que se tem é uma empresa que adquiriu insumos e exportou calçados, registrando estas operações nos livros contábeis próprios. Não se tem, todavia, a prova de que o processo industrial foi, de fato, desenvolvido pela Cocalqui sob encomenda da Calçados Aniger, porque não se tem nem mesmo a comprovação de que os insumos adquiridos por esta foram utilizados no processo de industrialização realizado por aquela. O bom senso das autoridades fiscais não pode ir além do que dispõe o regulamento do IPI e as demais normas que tratam da matéria. Em se tratando de incentivo fiscal, a prova não se faz por presunção mas de forma direta. E os documentos examinados pela fiscalização e aqueles juntados aos autos pela empresa não foram suficientes para demonstrar onde e para que finalidade foram utilizados os insumos adquiridos por meio das notas fiscais apresentadas. A falta dessa comprovação, outrossim, não pode ser suprida pela visita do Auditor-Fiscal ao estabelecimento fabril da recorrente, que se presta para a averiguação da existência efetiva do processo industrial, constatação esta que, por si só, não garante o direito ao ressarcimento. O indeferimento do ressarcimento, de outra feita, não significa que a autoridade fiscal está afirmando que não houve a compra de insumos por parte da requerente, ou que não tenha havido a industrialização de calçados pela Cocalqui, ou que não tenha havido exportações de calçados pela Aniger. O que se concluiu foi que os controles existentes, efetuados de maneira precária e desvinculada das remessas de insumos e do retorno dos produtos acabados, não permitiu a aferição do direito ao crédito e, conseqüentemente, ao ressarcimento, porque não se comprovou a incorporação dos insumos aos produtos exportados. Também não socorre a recorrente o fato de ter ocorrido o deferimento de outros pleitos seus, relativos a períodos anteriores, tanto de crédito presumido quanto de créditos básicos, pois a comprovação do direito deve ser feita período a período, processo a processo, mormente quando a empresa possui mais de um estabelecimento industrial, como é o caso da recorrente, que se situa em Quixeramobim — CE e possui pelo menos uma filial industrial, situada no sul do país, no município de Campo Bom - RS. Para a continuidade do deferimento dos pedidos nos anos subseqüentes não é suficiente que a empresa seja a mesma ou que não tenha havido alteração do processo produtivo. A verificação fiscal, por decisão da autoridade administrativa, pode ser realizada apenas nos livros e documentos, como no caso anterior, ou in loco, como no caso presente. Decisões em sentido contrário podem surgir, não porque os Auditores-Fiscais são distintos, mas porque os períodos são diferentes e os exames podem ser mais ou menos aprofundados. Por conseqüência, também não se pode afirmar que uma decisão está correta e outra errada, ou vice-versa, pois ambas são proferidas à vista das provas produzidas nos respectivos processos. Quanto à reiteração do pedido de perícia, feita no recurso voluntário, há que se registrar que não cabe ao julgador determinar a produção de novas provas, mas apenas investigar sobre a exatidão e veracidade daquelas existentes nos autos, produzidas pelas partes. •je . Processo n°13310.000044/2001-77 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 922 Se o Fisco examinou o processo industrial das empresas envolvidas na operação industrial (Calçados Aniger e Cocalqui) e concluiu pela inexistência ou total imprestabilidade dos controles mantidos por ambas, para o fim de demonstrar a incorporação dos insumos aos produtos vendidos ou exportados, cabia à recorrente ilidir esta acusação, por meio da apresentação de documentação comprobatória de suas alegações. No entanto, enxertaram-se nos autos uma enormidade de documentos, como laudos do processo produtivo, notas fiscais de aquisição de insumos, contratos de câmbio de exportação, etc., que nada têm a ver com o motivo do não reconhecimento do direito ao ressarcimento, que foi a inexistência de controles rígidos, que permitam a identificação da realização de industrialização por encomenda, nos moldes preconizados pelo Regulamento do I P I. Por outro lado, a documentação que acompanhou o recurso voluntário também não trouxe qualquer elemento que demonstre a existência de controles confiáveis da movimentação dos insumos e dos produtos fabricados, entre a recorrente e o estabelecimento industrializador. A realização de mais um exame na mesma documentação não seria capaz de modificar a realidade dos fatos, registrada nos autos e caracterizada, inclusive, pela falta ou atraso injustificado no atendimento das intimações expedidas pela fiscalização. A questão da necessidade de realização de perícia é prerrogativa do julgador, conforme dispõem os arts. 18 e 29 do Decreto n2 70.235/72, a seguir transcritos: "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine". (Redação dada pelo art. 1"da Lei n" 8.748193). "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." A regra do processo administrativo fiscal é que são conhecidos todos os documentos que instruírem a impugnação ou manifestação de inconformidade, formalizada por escrito e tempestivamente. É da essência da relação processual (arts. 14, 15 e 16, inciso III, do Dec. n2 70.235/72, com as alterações posteriores) que as alegações estejam devidamente comprovadas. Desta forma, compete ao contribuinte municiar-se das provas necessárias para refutar a acusação fiscal, não se admitindo a juntada posterior de novos documentos, salvo nas hipóteses taxativamente excepcionadas pelo § 42 do art. 16 do Dec. n2 70.235/72. Portanto, existindo nos autos elementos suficientes para a solução do litígio, e não podendo a autoridade julgadora suprir eventual falta do contribuinte, no que conceme à formação das provas de suas alegações, mantém-se o indeferimento do pedido de perícia. Por fim, registra-se que o pedido de atualização do ressarcimento pela taxa Selic restou prejudicado, em face do indeferimento do direito, na análise de mérito. 7 • Processo n°13310,000044/2001-77 S2-C1T1• Acórdão n.° 2101-00.043 Fl. 923 Ante todo o exposto, em preliminar, indefere-se o pedido de perícia e, no mérito, nega-se provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2009. c - 11 A 1/4+ AN : 1 101131 R Page 1 _0076100.PDF Page 1 _0076200.PDF Page 1 _0076300.PDF Page 1 _0076400.PDF Page 1 _0076500.PDF Page 1 _0076600.PDF Page 1 _0076700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.726181/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção.
IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal.
MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considera-se que houve boa-fé do contribuinte e exonera-se a multa de ofício.
Numero da decisão: 2101-002.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: Relator
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ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considerase que houve boafé do contribuinte e exonerase a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 81 /2 00 9- 14 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário visa reverter a decisão do Acórdão 1523.310 3ª Turma da DRJ/SDR, que manteve integralmente o lançamento tributário do contribuinte. Na autuação foram lançadas as parcelas mensais recebidas em 36 parcelas iguais, de janeiro/2004 a dezembro 2006 (exercícios 2005, 2006 e 2007), a título de URV, relativamente aos períodos 1/04/1994 a 31/08/2001. Tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/2009, o recurso foi sobrestado para aguardar o julgamento do recurso 614.406/RS que versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente, conforme Resolução 2101000.076. Contudo, em virtude da revogação desse dispositivo de sobrestamento pela Portaria MF 545/2013, estáse procedendo o julgamento do recurso voluntário. No recurso voluntário, o contribuinte apresenta os seguintes argumentos. a) A parcela recebida acumuladamente referese à recomposição salarial, correção do capital, porque não implementada no tempo certo. Essa parcela referese à diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. b) Isonomia com o estabelecido na Resolução/STF nº 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais. c) Entende que se os valores fossem calculados mês a mês, e refazendo as DIRF´s (2004, 2005 e 2006) poderia ser beneficiado. d) Valores pertinentes a 13o. salário e férias indenizadas estariam sujeitos à tributação exclusiva e, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do lançamento. e) Ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não deveriam ser tributados os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória. f) Mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamenta em lei Estadual. Colaciona decisões sobre o assunto e também pareceres administrativos (PGFN, AGU). g) O lançamento deve ser considerado nulo tendo em vista vício de forma na apuração da base de cálculo do tributo, tendo em vista o entendimento do STJ referente ao assunto. h) Falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado. Esta questão não teria sido enfrentada na primeira instância. i) Quebra da capacidade contributiva do contribuinte. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726181/200914 Acórdão n.º 2101002.531 S2C1T1 Fl. 3 3 Por último, colaciona julgados deste Conselho sobre o assunto e requer a improcedência do auto de infração e, caso seja mantida a ação fiscal, que seja excluída a multa no importe de 75% do débito e os juros de mora. Importante observar que o auto de infração já considerou o cálculo do tributo tendo em vista jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. No novo cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, foram levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. É o relatório. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, e atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminarmente o contribuinte alega ilegitimidade ativa da União para cobrar imposto de renda com base no art. 157, I da Constituição Federal de 1988. A Turma a quo assim se pronunciou sobre o assunto: "É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União". Grifei Não merece reparos a decisão a quo quanto a esse aspecto, pois a competência constitucional para instituir e legislar (além de fiscalizar, cobrar, autuar, etc.) sobre o imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza é da União, conforme art. 153, inc. III da CF/88 e art. 6 da lei 5172/66. Tal competência é indelegável. Mais ainda, como a competência legislativa sobre o tributo em questão é única e exclusiva da União, não se reconhece, no âmbito deste processo administrativo federal tributário, diplomas legais que não sejam oriundos de tal competência, como por exemplo, legislação estadual que teria considerado tal verba como indenizatória. Também não deve prosperar o argumento de isonomia com os magistrados federais, tendo em vista a Resolução/STF 245/2002. Tal resolução não é lei federal (i.e. obedeceu os trâmites previstos para a elaboração e aprovação dentro das casas legislativas que compõem o Congresso Nacional) e abrange apenas membros do Poder Judiciário da União. Portanto, não pode ser considerada no âmbito deste processo administrativo tributário federal. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Relativamente ao mérito, o contribuinte alega que a natureza da URV é indenizatória, porque visava corrigir o poder aquisitivo do cruzeiro real em relação à URV. Assim, a nova moeda (URV) não seria contaminada pelo ciclo inflacionário e evitaria a perda do poder aquisitivo da moeda antiga, o cruzeiro real. Em que pese o argumento da defasagem salarial ante o aumento da inflação e, neste caso a correção salarial não representaria aumento de patrimônio ou renda, mas manutenção dos mesmos observase que não existem dispositivos legais que definam, em caso de aumento salarial, o que seria reposição salarial e o que seria aumento de renda/patrimônio e tampouco essa distinção na forma de tributação. São tributados igualmente os aumentos salariais que corrigem defasagem em relação à inflação e aqueles aumentos de salário reais, que realmente significam aumento de patrimônio do trabalhador. Assim, não se pode considerar o argumento do contribuinte por falta de previsão legal. Considerar o reajuste salarial motivo do rendimento recebido acumuladamente como parcela indenizatória, seria tratar de forma não isonômica os contribuintes que recebem reajustes salariais para corrigir o valor da inflação e têm esses valores tributados como se aumento salarial fosse. Sob outro ângulo, o par. 2, art. 108 do Código Tributário Nacional estabelece que "o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do devido tributo" e, no caso deste processo, não há que se falar em quebra da capacidade contributiva, pois os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sendo tributados conforme legislação federal vigente no País. Não tributar tais rendimentos, seria dispensar tratamento diferenciado ao contribuinte, o que não condiz com um Estado Democrático de Direito. Observase ainda que o constituinte elegeu como direitos dos trabalhadores (art. 7, IV, CF/88) "salário mínimo nacionalmente unificado,... com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo..", contudo, não definiu qualquer dispositivo isentivo de imposto de renda para os tais reajustes periódicos que somente preservariam o poder aquisitivo do salário. Entendo que as diferenças salariais decorrentes da URV são acréscimos salariais (não importando se seriam reajustes em decorrência da inflação ou aumento real de salário) que não teriam sido incorporados aos salários na época própria. Contudo, a partir do momento em que são recebidos, se constituem em renda tributável cujo fato gerador é definido pelo art. 43 do Código Tributário Nacional. Caso tivessem sido recebidos na época certa, teriam sido devidamente tributados. Então, os valores do principal recebidos acumuladamente são sim produto do trabalho e, como tal, devem ser tributados. O art. 43 da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional) define como fato gerador do imposto a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda (o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza, (quaisquer acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior). Mais ainda, no par. 1o. do mesmo artigo fica claro que "a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento". Com relação ao lançamento do tributo que deveria ter sido retido na fonte, o entendimento consolidado deste Conselho está expresso na Sumula CARF n. 12 que determina: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726181/200914 Acórdão n.º 2101002.531 S2C1T1 Fl. 4 5 Compulsandose os autos, verificouse que a fonte pagadora realmente fez constar no informe de rendimentos os valores recebidos acumuladamente como não tributáveis e o próprio contribuinte entende que tais valores realmente não seriam tributáveis. Não obstante, a existência de um dispositivo legal considerando a verba não tributável foi decisiva para que o requerente adotasse o procedimento incorreto. Desta forma, entendo que o erro é escusável, em acordo com a súmula 73 do CARF, a seguir transcrita. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Os valores devidos já estão conforme o parecer PGFN/CRJ N. 287/2009, que está em consonância com a Jurisprudência do STJ, ou seja, os valores recebidos pelo contribuinte foram tributados pelo regime de competência, conforme ementa do referido parecer: "Tributário. Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça." Há que se esclarecer que o recolhimento mensal do tributo cuja retenção seja feita na fonte constituise numa antecipação do imposto devido a ser calculado definitivamente na declaração de ajuste anual. Assim, caso tenha sido retido um valor mensal inferior ao necessário, haverá que ser compensado no imposto a pagar da declaração de ajuste anual. Observase ainda que o acórdão de primeira instância explicitou a forma de cálculo dos valores devidos enfatizando que, "nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão". O acórdão a quo excluiu da base tributável os valores recebidos cuja tributação de imposto de renda é isenta ou exclusiva. Assim nada há que ser reparado nesse sentido. O contribuinte se insurge contra a tributação dos juros recebidos acumuladamente. Entretanto, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; O presente processo não trata de verbas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho e, portanto, não se lhe pode aplicar o decidido no REsp 1089720/RS. Recurso voluntário provido em parte para exonerar o contribuinte da multa de ofício por erro escusável, consoante jurisprudência deste Conselho. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11128.000907/2002-29
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 27/09/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. DIVERGÊNCIA.
Classifica-se no código NCM 3701.30.21, Chapa fotográfica sensibilizada e não impressionada, com polímero fotossenssível, apresentando suporte de alumínio e destinada à confecção de fotocomposições para processos gráficos.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A adoção de critério jurídico, conforme consta do art. 146 do CTN, no que se refere à classificação fiscal, só ocorre quando a referida classificação fiscal está devidamente estabelecida em legislação normativa específica, processo de consulta ou no lançamento de ofício, o que não ocorreu.
MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA.
Caracterizada a descrição incompleta da mercadoria na Licença de Importação, em consequência, configura-se a infração capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, fundamentado no inciso I, alínea b do art. 169 do Decreto-lei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, pela falta de Licença de Importação para a mercadoria efetivamente importada, bem como existência de tratamento administrativo para o código NCM 3701.30. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pela conclusão, em relação à não caracterização de mudança de critério jurídico, os Conselheiros Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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DIVERGÊNCIA. Classificase no código NCM 3701.30.21, Chapa fotográfica sensibilizada e não impressionada, com polímero fotossenssível, apresentando suporte de alumínio e destinada à confecção de fotocomposições para processos gráficos. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A adoção de critério jurídico, conforme consta do art. 146 do CTN, no que se refere à classificação fiscal, só ocorre quando a referida classificação fiscal está devidamente estabelecida em legislação normativa específica, processo de consulta ou no lançamento de ofício, o que não ocorreu. MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA. Caracterizada a descrição incompleta da mercadoria na Licença de Importação, em consequência, configurase a infração capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, fundamentado no inciso I, alínea “b” do art. 169 do Decretolei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, pela falta de Licença de Importação para a mercadoria efetivamente importada, bem como existência de tratamento administrativo para o código NCM 3701.30. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pela conclusão, em relação à não caracterização de mudança de critério jurídico, os Conselheiros Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 09 07 /2 00 2- 29 Fl. 825DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “A interessada foi autuada em face das infrações “declaração inexata de mercadoria”, “importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente”, “infração à Medida Provisória 215835, de 24 de agosto de 2001” e “falta de recolhimento do imposto sobre produtos industrializados por declaração inexata de mercadoria”. Foram lançados multa por falta de licença de importação, multa por classificação incorreta, imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados e respectivos juros de mora e multas de ofício. Em síntese, a autoridade aduaneira alega que os produtos constantes das adições 1 e 2 da declaração de importação 01/09581614 foram classificados incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conforme descrição dos fatos às fls. 211, e que as descrições informadas não possuem os elementos previstos na legislação (fl. 13). Intimada em 12/03/02, a interessada apresentou em 11/04/02 impugnações e documentos, juntados às fls. 90238. Alega, em síntese: É ilegítima a desclassificação das mercadorias procedida pelo fisco pois o laudo em que se baseia não indica a classificação fiscal dos produtos, mas apenas os descreve. A classificação pretendida pelo fisco não decorre desse laudo, mas apenas de mera interpretação do agente fiscal. Preliminarmente. Ante a divergência de critérios interpretativos contidos nos laudos (oficial e os anexos à impugnação), a impugnante requer perícia técnica complementar — “para análise e comparação desses laudos, e definição adequada de critérios de enquadramento correto nas posições fiscais (…), para verificarem as mercadorias, compararem os laudos, e em parecer completo e abrangente atestarem a qualificação e a destinação específica dos produtos de importação da ora Impugnante, objeto da autuação, e sua correta classificação fiscal, em atendimento às regras de classificação fiscal no item da TIPI e NBM, como adotados pela Impugnante” (fls. 92 e 162) — e indica assistente técnico. Fl. 826DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 826 3 Mérito. Submeteu as “chapas para policromia – EGGEN SP ‘7’ e EGGEN SN ‘5’” a exame pericial. Diante das análises técnicas laboratoriais, com exame físico e químico, e verificação de uso, o perito classificou o produto no código 3701.30.10 (doc. 3, fls. 12640 e 20216). Os produtos “TYPON FILMS’ (“rolos de filmes de matéria plástica sintética”) também foram submetidos a exame pericial. Em face das análises efetuadas, o mesmo perito concluiu pela classificação de alguns produtos no código 3702.44.10 e outros no 3702.43.10 (fls. 14158 e 21734). A classificação adotada pela impugnante é correta e é reiteradamente apontada por atos administrativos ao longo dos anos, os quais se constituem em normas complementares e determinam que a Fazenda Nacional não pode pretender cobrar correção monetária, juros nem penalidade de qualquer espécie. Cita artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN) e julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ). As mercadorias estão perfeita e adequadamente indicadas e descritas nos documentos de importação e nos laudos periciais. A discrepância de classificação fiscal decorre, exclusivamente, da aplicação de regras ou critérios de interpretação das normas. Há tentativa de a autoridade fazendária rever o lançamento praticado por motivo de “suposto erro de direito”. Essa hipótese, por tratar apenas de divergências de interpretação, não se subsume a nenhum dos itens arrolados no artigo 149 do CTN. Cita manifestações da doutrina contra o lançamento em razão de nova orientação ou critério jurídico (fls. 10715 e 17784). Cita também o artigo 146 do CTN. Somente é admitida retificação de lançamento em face de erros materiais, observadas as disposições dos artigos 145 e 149 do CTN. Conclui que nenhum tributo nem acréscimo podem ser exigidos. É ilegítima a aplicação de penalidades pois a eventual discrepância na classificação fiscal decorre de mera interpretação divergente das regras aplicáveis, tendo sido as mercadorias adequadamente descritas e identificadas, inclusive, por seu nome comercial, não havendo dolo nem máfé. Cita decisões do Terceiro Conselho de Contribuintes, do STJ e dos Tribunais Regionais Federais da 1ª e 4ª Regiões. Requer o cancelamento do crédito tributário. É o relatório.” O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPO II no 1717.262, de 19/01/2007, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: Fl. 827DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 “Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 27/09/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. 1. Chapa fotográfica sensibilizada e não impressionada, com polímero fotossenssível, apresentando suporte de alumínio e destinada à confecção de fotocomposições para processos gráficos classificase no código NCM 3701.30.21. 2. O auto de infração deve ser instruído com todos os elementos de prova. Reenquadramento de parte dos produtos na NCM, efetuado pela fiscalização, fundado em laudo técnico inconclusivo. Falta de prova. 3. Procedente o lançamento da multa por falta de licença de importação (DL 37/1966, artigo 169, I, “b”) em face da descrição incompleta. 4. Procedente o lançamento de II e IPI, acrescidos de juros e multa de ofício, bem como da multa tipificada na MP 2.15835/01, artigo 84, I, para os produtos reclassificados. Lançamento Procedente em Parte.” O julgamento foi no sentido de desconsiderar a reclassificação fiscal para adição 02 da declaração de importaçãoDI n° 01/09581614, tendo em vista o laudo estar inconclusivo e manutenção da reclassificação fiscal para o produto da adição 01, conforme quadro demonstrativo, abaixo: Lançado Mantido Exonerado Multa falta LI 72.022,26 72.022,26 Multa MP 2.158 2.400,74 1.554,85 845,89 II 28.808,90 18.658,18 10.150,72 Juros 1.682,43 1.089,63 592,80 Multa de ofício 21.606,68 13.993,64 7.613,04 IPI 5.185,57 3.358,45 1.827,12 Juros 302,83 196,13 106,70 Multa de ofício 3.889,18 2.518,84 1.370,34 Total 135.898,59 113.391,98 22.506,61 Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória para a parte procedente. Foi convertido o JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, conforme Resolução n° 310200.002, de 25/03/2009. Objetivo da mesma fosse para que a empresa apresentasse novo laudo junto ao IPT. E, em complemento, fosse explicado o motivo da não exclusão parcial da multa ao controle administrativo para adição 02 e aproveitando, foi solicitado, também, informar, que com a reclassificação fiscal da adição 01 (3701.30.21), à época do fato gerador em 27/09/01, se a mercadoria estava sujeita a Licença de Importação (licenciamento de forma automática ou nãoautomática ) (Portaria Secex n° 21/96). Em resposta, à parte da produção do novo laudo junto ao IPT, a recorrente (fl. 790 e ss (pdf)) argumenta que já produziu, em seu favor, as provas que julgava necessárias e não concorda em arcar com os custos de um novo laudo (motivando desconhecimento do valor que seria cobrado). O processo foi baixado em diligência para complemento, do demandado anteriormente, através da Resolução 3201000.414, de 21/08/2013 para atendimento de: Fl. 828DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 827 5 SOLICITADA EXPLICAÇÃO PELA NÃO EXCLUSÃO PARCIAL DA MULTA AO CONTROLE ADMINISTRATIVO PARA ADIÇÃO 02, ou seja, no quadro final da DRJ, ficou mantida a totalidade da multa por falta de licença de importação. Pois, a base de cálculo da adição 2 é R$ 84.589,34, ou seja, aplicada 30% sobre esta base de cálculo, tem como resultado o valor de R$ 25.376,80. INDAGADA, SE À ÉPOCA DO FATO GERADOR (27/09/2001), RECLASSIFICANDO A ADIÇÃO 1, ESTA, ESTARIA, DE FATO SUJEITA À LICENÇA DE IMPORTAÇÃO Em resposta, às fls 808/816, foi muito bem esclarecido, dessa forma: Questão 1 ........ Ante o exposto, confirmo que a multa por falta de licenciamento, capitulada no artigo 169, inciso I, alínea “b”, do DecretoLei nº 37/1966, foi mantida no julgamento da DRJ/São Paulo, 2ª turma, para a adição 2, em razão de a descrição da mercadoria informada na DI não permitir “perfeita identificação e caracterização” da mercadoria, nem informar “todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado”. Questão 2: informação de que “com a reclassificação fiscal da adição 01 (3701.30.21), à época do fato gerador em 27/09/01, se a mercadoria estava sujeita a licenciamento de forma automática ou não automática”. Constatouse que, na descrição declarada, faltaram elementos necessários e essenciais a identificação e ao enquadramento tarifário das mercadorias, aos quais se refere o Ato Declaratório Normativo nº 12, de 21 de janeiro de 1997. Por outro lado, este julgador efetuou pesquisa no Siscomex – Consulta Tratamento Administrativo/Histórico, NCM 3701.30.21, a fim de complementar os fatos consignados no auto de infração. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Identificouse a existência de tratamento administrativo para o código NCM 3701.30, previsto pelo Comunicado Decex nº 12/1997 (DOU de 14/5/1997, seção III),conforme segue: “O Diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior – DECEX, no uso das atribuições que lhe confere o art. 17, inciso II do Anexo I do Decreto nº 1.757, de 22 de dezembro de 1995, e tendo em vista o disposto no art. 10 da Portaria SECEX nº 21, de 12 de dezembro de 1996, torna público: 1. ...................................................................................... 2. Estão relacionados no Anexo II deste Comunicado os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento não automático. (…) Anexo II (…) Descrição da NCM Destaque da NCM Descrição do Destaque da NCM 3701.30 OUTRAS CHAPAS E FILMES CUJA A DIMENSÃO DE PELO MENOS UM DOS LADOS SEJA SUPERIOR A 25 MM Tratamento Administrativo: Importação sujeita a Licenciamento não Automático, a ser analisada pela Secretaria de Comércio Exterior A recorrente foi intimada e não se manifestou, conforme informação à fl. 822. O processo foi digitalizado e redistribuído a esta Conselheira para prosseguimento. É o relatório. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 828 7 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Considerando que a decisão de primeira instância julgou procedente em parte, tendo em vista desconsiderar a reclassificação fiscal para adição 02 da declaração de importação 01/09581614, pois laudos foram considerado inconclusivos (faltaram elementos probatórios suficientes para comprovar as características merceológicas que justificassem a reclassificação fiscal) e manutenção da reclassificação fiscal para o produto da adição 01. Trata o presente processo de reclassificação fiscal da mercadoria descrita pela importadora, referente á adição 01. Foram lançados multa por falta de licença de importação (mantida para adição 2), multa por classificação incorreta, imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados e respectivos juros de mora e multas de ofício. O litígio diz respeito ao enquadramento tarifário dado pela fiscalização — códigos NCM 3701.30.21 (adição 01 ) da declaração de importaçãoDI 01/09581614. A recorrente indicou código NCM 3701.30.10. O enquadramento de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, em que se baseiam a Tarifa Externa Comum TEC e a Tabela de Incidência do IPI — TIPI, obedece a critérios universais que decorrem da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias celebrado em Bruxelas, em 14/06/1983. No Brasil foi ratificada pelo Decreto Legislativo n° 71, de 11/10/1988 e promulgada no âmbito interno pelo Decreto Presidencial n° 97.409, de 23/12/1988. Os referidos critérios sobre classificação de mercadorias estão consubstanciados nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) e Regra Geral Complementar (RGC), integrantes do texto da NCM. Cujas regras devem ser aplicadas seqüencialmente. Assim, prescreve a RGI n° 1: "Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapitulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes (Regras 2 a 6.) Observase que o produto classificase na subposição 3701.30. A questão é o detalhamento em nível de item e subitem. “3701 CHAPAS E FILMES PLANOS, FOTOGRÁFICOS, SENSIBILIZADOS, NÃO IMPRESSIONADOS, DE MATÉRIAS DIFERENTES DO PAPEL, DO CARTÃO OU DOS TÊXTEIS; FILMES FOTOGRÁFICOS PLANOS, DE REVELAÇÃO E COPIAGEM INSTANTÂNEAS, SENSIBILIZADOS, NÃO IMPRESSIONADOS, MESMO EM CARTUCHOS Fl. 831DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 .................................. 3701.30 Outras chapas e filmes cuja dimensão de pelo menos um dos lados seja superior a 255mm 3701.30.10 Para fotografia a cores (policromos) (recorrente) 3701.30.2 Chapas sensibilizadas com polímeros fotossensíveis 3701.30.21 De alumínio (fiscalização) 3701.30.22 De poliéster 3701.30.29 Outras ..................................” (Grifos acrescidos) O problema é definir se os produtos são “chapas para fotografia a cores (policromos)” ou se são “chapas sensibilizadas com polímeros fotossensíveis” e, no caso da segunda hipótese, determinar o material constituinte da “chapa”. A decisão a quo conclui no contexto sobre os laudos apresentados, nos seguintes termos: ........................ Tais produtos constam da declaração de importação com uma descrição genérica aplicável a todos os produtos e cada item está identificado pelo código respectivo (fls. 3840): “outras chapas cuja dimensão de pelo menos um dos lados seja superior a 255 mm, para fotografia a cores (policromos) Y10630 SP11 510 x 400 x 0,15 mm”. Notase da reprodução dos laudos técnicos que é incontroverso entre os peritos que o produto objeto da adição 1 constitui chapa fotográfica sensibilizada e não impressionada, com polímero fotossenssível, apresentando suporte de alumínio e destinada à confecção de fotocomposições para processos gráficos. A única divergência consiste em que para o perito oficial o produto não gera fotografias mono nem policromáticas, ao passo que, para o perito da impugnante, o produto é próprio para fotografias a cores. Ademais, destaco que a conclusão do perito da impugnante quanto ao enquadramento tarifário não constitui prova técnica a teor do disposto no artigo 30, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972. A divergência entre os peritos não decorre de eventual erro no exame do produto, mas deriva da forma pela qual decidiram manifestarse em face de suas leituras pessoais do texto da nomenclatura. Constatase em ambos os laudos que as chapas geram fotocomposições que são posteriormente empregadas em processos de impressão gráfica. Outrossim, o método de obtenção das fotocomposições, como bem descrito pelo perito da impugnante (item “d” acima), é realizado mediante a gravação de cada cor (preto, magenta, ciano e amarelo) individualmente em quatro filmes diferentes. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 829 9 Por sua vez, a nota do capítulo 37 dispõe: “2. No presente Capítulo, o termo fotográfico qualifica o processo pelo qual imagens visíveis são formadas, direta ou indiretamente, pela ação da luz ou de outras formas de radiação, sobre superfícies fotossensíveis.” Assim sendo, pela explicação acima, bem como, a gravação é realizada de forma individual, uma cor para cada filme, chegase à conclusão que os produtos são destinados a fotografia monocromática. Logo, os produtos enquadramse no item 3701.30.2 e, sendo de alumínio, no subitem 3701.30.21 da NCM, pela aplicação da Regra Geral 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI1) combinada com a Regra Geral Complementar 1 do Mercosul (RGC1). QUANTO Á ALEGAÇÃO DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO A recorrente alega que há mudança de entendimento por parte do Fisco, sendo impossível a revisão de lançamento. O procedimento de revisão aduaneira não dá azo à mudança de critério jurídico. Se assim o fosse, o disposto no art. 54 do DecretoLei nº 37, de 1966 seria contraditório ao disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional, e isso não é verdade. Confirase: DecretoLei nº 37, de 1966 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Código Tributário Nacional Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A fiscalização realizando procedimento de revisão aduaneira nas mercadorias importadas e discordar da classificação fiscal adotada pelo importador, não quer dizer que estará modificando retroativamente o critério jurídico até então adotado. O Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 4.543/02, em seu artigo 570 regulamentou o contido no artigo 54 do DecretoLei n° 37/66, por sua vez dispõe: (art.455 do RA/85. Decreto n° 91.030/85, época dos fatos geradores em questão): Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos Fl. 833DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação. § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente; e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.(Grifos acrescidos) Convém ressaltar que a conferência aduaneira pode ocorrer de várias formas, conforme o canal de parametrização aplicado às mercadorias importadas: o verde dispensa qualquer conferência documental ou física; o amarelo exige a conferência documental; o vermelho exige a conferência documental e física; e o cinza desencadeia o procedimento especial para a verificação de operações irregulares. Pois bem, os procedimentos de conferência realizados no curso do despacho não têm o condão de homologar o lançamento, tendo em vista a previsão de revisão aduaneira enquanto não decair o direito para levantamento do crédito tributário. Assim, adotar a tese da Recorrente é admitir que a fiscalização aduaneira jamais poderá rever os seus atos, sem modificar o critério jurídico, ainda que tenha sido vermelho o canal de parametrização da conferência das mercadorias por ela importadas. Por óbvio, essa tese não pode prosperar. É oportuno transcrever alguns arestos do CARF que tratam do tema: REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico. (Acórdão nº 3202000.484, Rel. Cons. Irene Souza da Trindade Torres, Sessão de 25/04/2012) ......................................................................................................... ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO ADUANEIRA QUANTO À CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REJEIÇÃO. A revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal, visando à correta determinação da matéria tributável e à apuração dos tributos devidos, é instituto previsto em lei e não constitui modificação do critério jurídico utilizado Fl. 834DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 830 11 no fato gerador da obrigação tributária relativa à importação de mercadorias. (Acórdão nº 3202000.407, Rel. Cons. Jose Luiz Novo Rossari, Sessão de 21/11/2011) ......................................................................................................... REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. Não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). (Acórdão nº 3102000.798, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 27/10/2010) Com base nos precedentes transcritos acima, é de se concluir que a decisão recorrida não deve ser reformada nesse particular. MULTA DE OFÍCIO No tocante à MULTA DE OFÍCIO aplicada. É devida a multa de ofício, com fundamento no inciso I do artigo 44 e artigo 45 da Lei n° 9.430/96 (75% da diferença de Imposto) para os casos de falta de pagamento de tributo/declaração inexata, ainda que inexistindo ato doloso ou praticado com má fé. O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que, expressa e objetivamente, prevê: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (…)” (Grifouse.) ....................................... Art. 45. O art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: ‘Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória,sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: Fl. 835DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; .......................................’” A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 75 % o legalmente previsto para a situação descrita no Auto de Infração e seus anexos. APLICAÇÃO MULTA DO INCISO I DO ARTIGO 84 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835, DE 24/08/2001 Da mesma forma, a Recorrente não tem razão em relação à multa mínima de R$ 500,00 por erro de classificação, pois independe de a mercadoria ter ou não sido corretamente descrita ou de qualquer outro fator. É aplicada pelo simples fato de haver erro de classificação. Assim sendo, a multa aplicada por erro na classificação fiscal da mercadoria, quando incorreta a classificação fiscal,é cabível a multa decorrente dessa infração, tipificada no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, inclusive comentada acima, in verbis: “Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; “ MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES Em resposta à resolução solicitada, para adição 2, em razão de a descrição da mercadoria informada na DI não permitir “perfeita identificação e caracterização” da mercadoria, nem informar “todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado”, logo é considerada devida, a teor do estabelecido no Ato Declaratório (Normativo) nº 12/97, isso porque: a ausência de licença de importação ou documento equivalente decorreu de reclassificação tarifária do produto, cuja descrição na DI não permitir perfeita identificação e caracterização da mercadoria, nem informar todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, bem como existência de tratamento administrativo para o código NCM 3701.30. A aplicação da multa ao controle administrativo das importações está prevista no art. 526, inc. II do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85 (RA/85) (à época dos fatos), pela falta de licença de importação para a mercadoria efetivamente importada. O referido dispositivo legal é fundamentado no inciso I, alínea “b” do art. 169 do Decretolei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78, que constitui infração administrativa ao controle das importações “importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais”. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11128.000907/200229 Acórdão n.º 3802003.309 S3TE02 Fl. 831 13 Pois, com o advento do SISCOMEX, a guia de importação foi substituída pela Licença de Importação. A Portaria SECEX nº 21/96, no Capítulo III – DO SISTEMA DE LICENCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES determina no art. 14 que a “descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto”. Tal obrigatoriedade é reafirmada § 1º do art. 11 da Portaria SECEX nº 17/2003, publicada no DOU em 02/12/2003, que revogou a de nº 21/96, in verbis: “Art. 11. O pedido de licença deverá ser registrado no Siscomex pelo importador ou por seu representante legal ou, ainda, por agentes credenciados pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior Decex, da Secretaria de Comércio Exterior e pela Secretaria da Receita Federal. § 1º A descrição da mercadoria deverá conter todas as características do produto e estar de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM.” (grifos acrescidos) Por sua vez, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97 dispõe “ que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante” , o que não ocorreu no caso presente.. Pelo exposto, caracterizada a descrição incompleta da mercadoria na Licença de Importação, em conseqüência, configurase a infração capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, fundamentado no inciso I, alínea “b” do art. 169 do Decretolei nº 37/66, com a redação do art. 2º da Lei nº 6.562/78; bem como a exigência de tratamento administrativo para adição 01. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 838DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13807.004926/2001-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ -ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF - Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
IRPJ/CSLL - DECADÊNCIA - O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9101-001.434
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido, para enfrentar as demais questões de mérito.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ – ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ/CSLL DECADÊNCIA – O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, ou parágrafo único, também do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos ao colegiado recorrido, para enfrentar as demais questões de mérito. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 407DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Ponto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 10322.936, da então Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendário de 1995 (fato gerador em 31/12/1995) e 1997 (trimestral), cuja ciência foi dada ao contribuinte em 15/04/2001. Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que o julgou procedente. Interposto Recurso Voluntário, o acórdão da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência relativo ao anocalendário de 1995, e, no mérito, deu provimento ao recurso. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1995, 1997. IRPJ/CSLL – DECADÊNCIA – Em Consonância com a jurisprudência deste colegiado, decai o lançamento com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador. ARBITRAMENTO DE LUCRO (ANO CALENDÁRIO DE 1997) A inexatidão dos dados registrados nos Livros e Documentos da escrituração contábil, por ocasião da autuação, justifica o arbitramento do lucro calculado sobre os valores das receitas da Empresa. INCONSTITUCIONALIDADE – “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (Súmula 1º CC nº 2) Preliminar de decadência acolhida e recurso provido. Publicado no D.O.U. nº 57, de 25/03/2008. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, no qual (i) para o IRPJ, requer seja aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que o contribuinte não efetuou recolhimento de tributo; (ii) para a CSLL, requer seja aplicado o artigo 45 da Lei nº 8.212/91; (iii) seja mantido o arbitramento. O despacho de fls. 370372 deu seguimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à decadência do IRPJ. Intimada a Fazenda Nacional às fls. 373, não houve interposição de agravo. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls.380/398. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 3 3 É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional, na parte em que admitido pelo despacho de fls. 370/372, versa sobre a decadência do IRPJ, relativo aos anoscalendário de 1995, cuja ciência foi dado ao contribuinte em 15/04/2001. De se esclarecer que, devidamente intimada, a Fazenda Nacional não impugnou o despacho de admissibilidade, razão pela qual é objeto do presente julgamento apenas a decadência do IRPJ do anocalendário de 1995, para o qual a Recorrente requer seja aplicado o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. De outra parte, não é matéria objeto deste recurso a decadência da CSSL, já que como razão recursal foi alegado apenas o prazo decadencial da Lei nº 8.212/91 e, portanto, o Recurso não foi nesta parte conhecido. Ainda, o Recurso Especial não foi conhecido quanto à questão do arbitramento do lucro no ano calendário de 1997, parte em que mantido o provimento do Recurso Voluntário no mérito. Delimitada a lide, importa esclarecer que, apesar do provimento no mérito, esse o foi apenas no que tange ao arbitramento, o qual é relativo ao anocalendário de 1997, razão pela qual, para o anocalendário de 1995, a d. Fazenda Nacional tem interesse recursal no que tange à matéria da decadência, sendo certo que se, eventualmente provido recurso, o mérito deve ainda ser objeto de julgamento pela Câmara a quo. Muito bem, no que tange à matéria objeto do Recurso Especial – decadência do IRPJ, temos que: (i) o acórdão recorrido aplicou o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional; (ii) o acórdão recorrido, nesse passo, cancelou a exigência fiscal, para o IRPJ do anocalendário de 1995; (iii) Não houve imposição de multa qualificada; (iv) o Recurso Especial pugna pela aplicação do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, requerendo seja afastada a decadência. Tendo em vista a alteração do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II, do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 5 5 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 6 6 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Neste passo, a despeito do posicionamento que sempre adotei, em razão da atual previsão regimental do CARF, manifestome por acolher o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da norma aplicável referente ao prazo decadencial. Interpretando de forma fidedigna as razões de decidir do Recurso Especial Representativo de Controvérsia em questão, verifico que não havendo acusação de dolo e havendo pagamento parcial, de se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, não se verificando o pagamento parcial, deve ser aplicado o artigo 173, do Código Tributário Nacional. Analisando a decisão, percebo, ainda, que a aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional tem contornos distintos conforme a situação, sendo que o dies a quo pode ser aquele previsto em seu inciso I ou em seu parágrafo único. Para elucidar a questão, em suas razões, o Recurso Representativo de Controvérsia, citando ementa do Resp nº 216.758, de relatoria do próprio Min. Luiz Fux, referese a cinco hipóteses de contagem da decadência, baseado na doutrina do Prof. Eurico Marco Diniz de Santi: “(i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210).” E conclui a ementa do referido acórdão que “as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos”. No caso da aplicação do artigo 173, o dies a quo é distinto dependendo se há ou não medida preparatória para o lançamento. É o que se depreende do item 01 da ementa do Recurso Representativo de Controvérsia, no qual se afirma que o prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, “nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 7 7 Ou seja, para a aplicação do dies a quo previsto no inciso I do artigo 173 (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado) é necessário que (i) o lançamento seja por homologação (há obrigação de pagamento antecipado); (ii) não haja antecipação de pagamento; (iii) inexista acusação de dolo, fraude ou simulação; e (iv) não haja declaração parcial prévia do débito (vale dizer, não há medida preparatória para o lançamento). Entendese que declaração prévia é a declaração insuficiente (parcial), uma vez que, se a declaração fosse integral, estarseia enfrentado prazo prescricional e não prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Enquanto instrumento de constituição do crédito tributário, a declaração prévia parcial enquadrase no conceito de medida preparatória ao lançamento, constante no parágrafo único do artigo 173 e a que alude o Recurso Representativo de Controvérsia. Esclarecido que do artigo 173 do Código Tributário Nacional extraise mais de uma hipótese de dies a quo para contagem do prazo decadencial, temos que inexistindo pagamento parcial cumulativamente à existência de declaração parcial do débito tributário, de se aplicar o artigo 173, parágrafo único do Código Tributário Nacional (e não o seu inciso II), de modo a antecipar o dies a quo para a data da entrega da declaração prévia, desde que obviamente seja aquela que possibilite a constituição do crédito tributário, enquadrandose, portanto, no conceito de medida preparatória do lançamento. Essa conclusão se verifica na interpretação dada pelo Recurso Representativo de Controvérsia, em trecho que cita o já mencionado Resp nº 216.758, de relatoria do próprio Min. Luiz Fux, onde se afirma “nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN.” Portanto, a despeito de não restar dúvidas, no que tange à aplicação do Recurso Representativo em questão, de que no caso de inexistência de pagamento parcial há que se aplicar o artigo 173 do Código Tributário Nacional, fazse necessário verificar a existência ou não de declaração prévia, de modo a se considerar como dies a quo, respectivamente, a data de entrega da declaração (artigo 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional) ou o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). Especificamente sobre a aplicação do artigo 173, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, já me manifestei anteriormente nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais e que, nesta parte não diverge do entendimento adotado pelo Recurso Representativo de Controvérsia. Peço vênia para reproduzir as razões expostas no Processo Administrativo nº 16707.006042/200479: “ (...) Ora, a regra do artigo 173 do Código Tributário Nacional não é apenas a interpretação isolada da dicção do caput e seu inciso I, mas do conjunto de todo o texto, incluindose, por óbvio, a redação do parágrafo único do mesmo dispositivo legal. Ou seja, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado, sendo que qualquer medida preparatória Fl. 413DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 8 8 indispensável ao lançamento antecipa este prazo, como é o caso da entrega da Declaração de Rendimentos. Devese, portanto, observar, in casu, o parágrafo único do artigo 173 do referido codex, uma vez que a entrega da Declaração de Rendimentos é anterior ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado e se constitui em medida preparatória indispensável para se efetuar o lançamento, devendo, portanto, ser adiantado o termo inicial para contagem do prazo decadencial. Neste sentido, já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRPJ – EXERCÍCIO DE 1990 – ANO BASE DE 1989 – LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – O Imposto de Renda, antes do advento da lei nº 8.383, de 30/12/91, era tributo sujeito a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade antecipavase para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN, art. 173 e seu § único). Tendo sido o lançamento de ofício efetuado na fluência do prazo de cinco anos contados a partir da entrega da declaração de rendimentos, improcede a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Nacional lançar tributo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – DECADÊNCIA – Consoante jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aplicase o mesmo critério observado em relação à exigência tributária principal de imposto de renda pessoa jurídica, face ao princípio da decorrência em sede tributária. – Recurso especial provido (Acórdão 0104.241, Rel. Conselheiro Manoel Antônio Gadelha Dias, sessão de 15/10/02). IRPJ DECADÊNCIA LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1) O Imposto de Renda, antes do advento da Lei nº 8.381, de 30/12/91, era um tributo sujeito a lançamento por declaração, operandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional. A contagem do prazo de caducidade seria antecipado para o dia seguinte à data da notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento ou da entrega da declaração de rendimentos (CTN., art. 173 e seu par. ún., c/c o art. 711 e §§ do RIR/80. 2) Tendo sido o lançamento de ofício efetuado, em 30/12/97, após a fluência do prazo de cinco anos contado da data da entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica, ocorrida em 14/05/92, operouse a caducidade do direito de a Fazenda Nacional Fl. 414DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13807.004926/200120 Acórdão n.º 910101.434 CSRFT1 Fl. 9 9 lançar o tributo. (Acórdão CSRF/0104.936, Rel. Carlos Alberto Gonçalves Nunes, sessão de 12/04/2004). Portanto, melhor analisando as razões de decidir do Recurso Representativo de Controvérsia a ser aplicado por esta Corte Administrativa, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, há que se verificar, além da existência ou não de pagamento e de dolo/fraude, também a existência ou não de declaração prévia, porque se trata de medida preparatória do lançamento, cuja consequência é a aplicação do dies a quo do prazo decadencial previsto no artigo 173. No presente caso, verifico que o lançamento do anocalendário de 1995 tem fundamento no “excesso de compensação de prejuízos fiscais”, haja vista a não observância do limite do artigo 42 da Lei nº 8.981/95. Tendo em vista que o lançamento envolveu a redução de prejuízos fiscais, não há que se falar em recolhimento parcial, razão pela qual de se aplicar o prazo decadencial previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional. De outra parte, verifico que houve a entrega de DIPJ do anocalendário de 1995, conforme consta de informação da autoridade fiscal às fls. 56: “analisei as INFORMAÇÕES PRESTADAS À SRF em atendimento à intimação de 04.01.2001, e constatei divergência entre valores informados das bases de cálculo do PIS e da COFINS quando comparados com os valores contidos nas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos calendário de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999”. No entanto, independentemente das razões expostas, se aplicado o artigo 173, inciso I ou seu parágrafo único, não há que se falar em decadência para o anocalendário de 1995, uma vez que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 15/04/2001. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo para julgamento do mérito relativo ao anocalendário de 1995. É como voto. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 415DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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