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Numero do processo: 16327.721267/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - PLANO DE OPÇÃO PARA COMPRA DE AÇÕES- STOCK OPTIONS - NATUREZA SALARIAL - DESVIRTUAMENTO DA OPERAÇÃO MERCANTIL - CARACTERÍSTICAS DOS PLANOS AFASTAM O RISCO
Em ocorrendo o desvirtuamento do stock options em sua concepção inicial, seja, pela adoção de política remuneratória na forma de outorga de ações, possibilidade de venda antecipada, estabelecimento do custo de R$1,00, correlação com o desempenho para manutenção de talentos, fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração.
Na maneira como executado, como a minimização do risco pelo baixo custo e possibilidade de venda, sem nem mesmo ter o direito a totalidade das ações, passa a outorga de ações a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o trabalhador a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria estabelecido valores tão baixos.
Correta a indicação de base de cálculo como o ganho real, (diferença entre o preço de exercício, previamente estipulado, e o preço de mercado no momento da compra de ações.) desde que constatado a natureza salarial da verba.
PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES - STOCK OPTIONS - PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS.
O fato gerador no caso de plano de stock options ocorre com o efetivo exercício do direito de adquirir ações, posto que, constatado o ganho do trabalhador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiros. Para efeitos de aferir a natureza salarial do benefício, não há necessidade de que o trabalhador tenha recebido dinheiro, mas qualquer ganho auferido, mesmo na forma de utilidades, pode constituir remuneração e por consequência salário de contribuição para efeitos previdenciários.
IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR - DATA DA CARÊNCIA ANTECIPADA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES - VÍCIO NO LANÇAMENTO.
O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas.
Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações.
IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR - IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTOS BASEADOS NOS MESMOS FUNDAMENTOS - AUTOS DE INFRAÇÃODE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS CONEXOS E CORRELATOS N. 37.346.306-5 E 37.346.307-3.
Sendo declarada a improcedência do lançamento, face vício na indicação do fato gerador, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, considerando que os demais Autos de Infração, lançados sobre o mesmo fundamento, também devem ser declarados improcedentes.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. II) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, votaram pelas conclusões os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que concordaram com o equivoco na indicação do momento da ocorrência do fato gerador. Fará declaração de voto o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Na maneira como executado, como a minimização do risco pelo baixo custo e possibilidade de venda, sem nem mesmo ter o direito a totalidade das ações, passa a outorga de ações a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o trabalhador a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Não fosse essa a intenção da empresa, por qual motivo a recorrente teria estabelecido valores tão baixos. Correta a indicação de base de cálculo como o ganho real, (diferença entre o preço de exercício, previamente estipulado, e o preço de mercado no momento da compra de ações.) desde que constatado a natureza salarial da verba. PLANO DE OPÇÃO PELA COMPRA DE AÇÕES STOCK OPTIONS PARA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR INDEPENDE SE AS AÇÕES FORAM VENDIDAS A TERCEIROS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 67 /2 01 2- 33 Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 O fato gerador no caso de plano de stock options ocorre com o efetivo exercício do direito de adquirir ações, posto que, constatado o ganho do trabalhador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiros. Para efeitos de aferir a natureza salarial do benefício, não há necessidade de que o trabalhador tenha recebido dinheiro, mas qualquer ganho auferido, mesmo na forma de utilidades, pode constituir remuneração e por consequência salário de contribuição para efeitos previdenciários. IDENTIFICAÇÃO DO FATO GERADOR DATA DA CARÊNCIA ANTECIPADA INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS AÇÕES VÍCIO NO LANÇAMENTO. O fato gerador de contribuições previdenciárias em relação ao plano de Stock Options ocorre pelo ganho auferido pelo trabalhador (mesmo que na condição de salário utilidade), quando o mesmo exerce o direito em relação as ações que lhe foram outorgadas. Improcedente o lançamento quando parte a autoridade fiscal de uma premissa equivocada de que o fato gerador no caso de stock options seria a data de vencimento da carência, independentemente do exercício das ações. Não há como atribuir ganho, se não demonstrou a autoridade fiscal, o efetivo exercício do direito de ações. IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTO PELA INDEVIDA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR IMPROCEDÊNCIA DE LANÇAMENTOS BASEADOS NOS MESMOS FUNDAMENTOS AUTOS DE INFRAÇÃODE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS CONEXOS E CORRELATOS N. 37.346.3065 E 37.346.3073. Sendo declarada a improcedência do lançamento, face vício na indicação do fato gerador, desnecessário apreciar as demais alegações do recorrente, considerando que os demais Autos de Infração, lançados sobre o mesmo fundamento, também devem ser declarados improcedentes. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 3 3 ACORDAM os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. II) Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, votaram pelas conclusões os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que concordaram com o equivoco na indicação do momento da ocorrência do fato gerador. Fará declaração de voto o conselheiro Igor Araújo Soares. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Relatório O presente Auto de Infração abrange os seguintes lançamentos: · Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.346.3057, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no período compreendido entre 12/2007 a 12/2008. · Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.346.3065, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas a terceiros, apuradas sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período compreendido entre 12/2007 a 10/2008. · Auto de Infração, lavrado sob o n. 37.346.3073, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, mais precisamente: Os fatos geradores omitidos da GFIP referemse a valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais sob a forma de Programas de Opções de Ações – STOCK OPTIONS. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 265 e seguintes, o débito teve como origem o levantamento de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social incidentes sobre remunerações na forma de Opções de Compra de Ações (Stock Options). Destacou o auditor como informações relevantes a respeito do lançamento no termo de verificação fiscal: • o contribuinte incorporou a sociedade Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S/A, CNPJ 08.936.812/000155.À época da incorporação a razão social da sociedade incorporadora era Nova Bolsa S/A. Em 08/05/2008 foi realizada Assembléia Geral Extraordinária AGE na sociedade incorporadora, na qual foram aprovados, por unanimidade:"Protocolo e Justificação de Incorporação" firmados pelos administradores da Companhia e da BM&F em 17/04/2008; Laudo de Avaliação, bem como os valores nele indicados quanto ao acervo líquido da BM&F; e Incorporação da sociedade Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S/A, CNPJ 08.936.812/000155; • foi constatado que tanto a sociedade incorporada quanto a sociedade incorporadora, ora autuada, remuneraram seus administradores e empregados em função dos serviços que lhes prestaram através da outorga de opções de ações Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 4 5 (Stock Options), opções essas que dão direito à aquisição de ações da companhia, desde que atendidas certas condições contratualmente estabelecidas. Esta situação foi inicialmente detectada através da análise do Estatuto Social da sociedade incorporada, consolidado em 2007, e também no Estatuto Social da sociedade incorporadora, consolidado em 2008; • em função da incorporação ocorrida em 08/05/2008, a sociedade incorporadora assumiu as obrigações decorrentes da outorga de opções de ações efetuadas pela sociedade incorporada, conforme se observa no item 6 ata da AGE de 08/05/2008. A Lei n° 6.404/76 Lei das Sociedades Anônimas, em seu artigo 168, § 3º, estabelece que o Estatuto Social pode prever que a companhia outorgue opções de compra de ações a seus administradores ou empregados; • foram analisadas: Demonstrações Financeiras publicadas pela sociedade incorporada referentes ao exercício de 2007, e Plano para Outorga de Opções de Ações; Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis n° 16 (dezesseis) Benefícios a Empregados Stock Option; Demonstrações Financeiras publicadas pela sociedade incorporadora referentes ao exercício de 2008 Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis n° 02 (dois) Elaboração e Apresentação das Demonstrações Financeiras Lei 11.638/07 e Medida Provisória 449/08; Nota Explicativa às Demonstrações Contábeis n° 19 (dezenove) Benefícios a Empregados Stock Option BM& F S.A. (Plano migrado para BM&FBOVESPA); Plano de Opções de Compra de Ações da sociedade incorporada Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S.A. ("Plano de Opções BM&F S.A."), aprovado na Assembléia Geral Extraordinária da BM&F S.A. de 20/09/2007; • o contribuinte foi regularmente intimado através do Termo de Intimação Fiscal n° 01, a apresentar os documentos relacionados aos Planos de Outorga de Opções de Compra de Ações, prestando esclarecimentos; • da análise do comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações aos Funcionários, temos o que segue, nos termos utilizados pela empresa: "Um dos principais ativos da BM&F está em seus funcionários. Assim, em reconhecimento aos esforços e à dedicação dessas pessoas, foi aprovado para eles um plano de opção de compra de ações. Com isso, os funcionários poderão participar diretamente de mais essa etapa da história da BM&F. Para tanto, na primeira quinzena de dezembro os funcionários que na data da desmutualização da BM&F (1°/10/2007) haviam sido contratados há pelo menos seis meses serão chamados para a assinatura do contrato pelo qual receberão as suas opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado. Por ocasião da assinatura do contrato serão esclarecidos também os critérios para a determinação do número de opções que cada um receberá, bem como outras informações relevantes". • o contribuinte foi intimado (Termo de Intimação Fiscal n° 02) a apresentar, em relação aos Planos de Outorga de Opções de Compra de Ações, os Contratos firmados individualmente com determinados beneficiários. Em resposta foram apresentados os contratos individuais solicitados; Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 • o contribuinte foi regularmente intimado (Termo de Intimação Fiscal n° 07) a apresentar esclarecimentos acerca do Plano de Opções BM&F S.A., sendo questionado o fato de que, apesar da previsão contratual da data de carência coincidir com a data da concessão das opções (12/2007) no limite de 25% (vinte e cinco por cento) do total outorgado individualmente, em alguns casos a carência ocorreu em 01/2008, em outros em 02/2008 e, ainda, o fato de o limite de 25% (vinte e cinco por cento) não ter sido eventualmente respeitado. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 07 foi apresentada uma planilha retificando alguns dados e prestados esclarecimentos; • após discorrer sobre a distinção entre as Opções de Ações Comuns e as Opções de Ações para Trabalhadores, que é a que se refere o plano mantido pelo sujeito passivo, o Auditor Fiscal faz análise do vínculo entre o trabalhador e a empresa e seus reflexos sobre as opções e ações para trabalhadores, conforme segue: “O vínculo que une o trabalhador à empresa e vice versa pode ser representado da seguinte forma: a empresa precisa dos serviços prestados pelo trabalhador; este precisa da remuneração paga por aquela. Se os serviços prestados não são de interesse da empresa, o trabalhador é demitido ou nem sequer contratado. Se a remuneração não for suficiente ao trabalhador, ele se demite ou nem sequer aceita ser contratado. Se a única coisa que os une é a prestação de serviço, todo ou qualquer fluxo de caixa entre os dois se deve a esta relação de trabalho. Existe a alegação de que um outro fluxo de caixa pode acontecer entre os dois: o caixa de uma transação comercial. Se um funcionário compra uma televisão na empresa em que trabalha, por exemplo, uma loja de eletrodomésticos e aparelhos eletrônicos, esta transação é uma operação comercial faz parte dos objetivos desta loja vender televisão. Mas se esta empresa não as vendesse, mas comprasse televisões para vender com subsídios a seus trabalhadores, esta operação não seria meramente comercial. O contribuinte ora autuado não têm como objetivo principal a venda de opções de ações. Muito menos ainda têm como objetivo a venda de opções que, conforme demonstrado acima, lhes trará perda como é o caso das Opções de Ações para Trabalhadores. Ele pode até negociar Opções de Ações Comuns, mas nestes casos visam a proteger a si e a seus clientes de variações indesejadas de preços. Então, os lançamentos de Opções de Ações para Trabalhadores não são operações comerciais até porque os objetivos da empresa ao lançálas não são, definitivamente, comerciais, isto é, não têm por finalidade a obtenção de lucro. Então, quais são os objetivos do contribuinte ao lançar as opções para trabalhadores? São vários e todos, sem exceção, dependem de que os trabalhadores sejam bem remunerados para que possam ser alcançados. Vejamos: • Motivar trabalhadores a alcançar performance de alto nível; • Reter trabalhadores e permitir a contratação de novos talentos; • Vincular a remuneração de trabalhadores à performance da empresa • Diminuir os conflitos, ao alinhar os interesses dos trabalhadores aos da empresa, principalmente no longo prazo; Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 5 7 • Estabelecer critérios de avaliação sobre as quais os trabalhadores têm controle, como a lucratividade da empresa e dos acionistas. Os planos de opções de ações para trabalhadores criam um sentido mais forte de envolvimento por parte desses trabalhadores, tornamnos mais interessados no valor e no bem estar da empresa e levaos a trabalhar mais, melhorando o fluxo de informações e contribuindo para desenvolver um espírito empresarial. Provavelmente mais importante do que o seu papel como incentivo geral para os trabalhadores é o papel que os planos de opções de ações têm para atrair e reter pessoal chave. Os planos de opções de ações para trabalhadores têm o efeito de reter o pessoal na empresa, uma vez que, habitualmente, a aquisição de direitos apenas se verifica após vários anos e esses direitos são freqüentemente anulados se um trabalhador deixar a companhia contra a vontade dela. Mesmo que as opções de ações não se anulem com a saída da empresa, mas apenas tenham que ser exercidas pouco depois do momento da saída, elas podem ter um efeito "algemas de ouro", se houver uma concessão repetida (por exemplo, anualmente) de opções. Os planos de opções de ações não são concedidos apenas para reter certos profissionais difíceis de substituir. São também usados para proteger o investimento em capital humano. Além disso, serão oferecidos a trabalhadores potenciais que a companhia pretende atrair, especialmente pessoal altamente qualificado. Atualmente, os profissionais muito procurados ou os gestores de topo esperam frequentemente receber planos de opções de ações para trabalhadores como parte do seu salário variável e as empresas que não os oferecem estão em desvantagem ao concorrerem para conseguir esse tipo de pessoal. Os planos de opções de ações para trabalhadores são a eles oferecidos como recompensa pelo seu trabalho, sendo, assim, um componente integrante da remuneração. E assim o é, pois, conforme demonstrado anteriormente, trata se de uma operação sem riscos para o trabalhador, ou seja, ele nunca perde patrimônio em função da outorga de opções que a companhia faz, uma vez que não há nem custos diretos (prêmio), pois o empregado não terá que pagar por esses planos. Partes da remuneração têm objetivos de curto prazo, como é o caso de salários e pró labore, mas há muito tempo as empresas perceberam o enorme valor e a necessidade de remunerações de médio e longo prazos. Remunerações tais como as Opções de Ações para Trabalhadores visam desenvolver lealdade de longo prazo para com a empresa. Se o único vínculo entre a empresa e seus trabalhadores é a prestação de serviços remunerados e se, inegavelmente, não há objetivos comerciais, mas, buscase alinhar os interesses dos trabalhadores aos da empresa, resta saber se as Opções de Ações para Trabalhadores são para o trabalho ou pelo trabalho. Não nos estenderemos neste ponto por tão óbvio: os trabalhadores não precisam das Opções de Ações para realizar seu trabalho. Elas são outorgadas a eles claramente pelo trabalho realizado.” • o Auditor Fiscal faz análise do Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, afirmando que a outorga de opções de compra de ações para seus administradores e empregados tem caráter salarial, sendo uma Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 espécie de remuneração a curto, médio e longo prazos, devendo integrar o salário de contribuição (base de cálculo) para fins de incidência das contribuições previdenciárias, concluindo que as opções de ações concedidas devem integrar o salário de contribuição, pois: nas Demonstrações Contábeis da sociedade incorporada, em sua Nota Explicativa n° 16 (dezesseis) Benefícios a Empregados Stock Option, é afirmado que o Plano de Opções de Compra de Ações tem o objetivo de permitir que administradores, empregados e prestadores de serviço da companhia ou de outras sociedades sob seu controle, segundo determinadas condições, adquiram ações da companhia, com vistas em: (a) estimular a expansão, o êxito e a consecução de seus objetivos sociais; (b) alinhar os interesses dos acionistas aos de administradores, empregados e prestadores de serviços da companhia ou de outras sociedades sob seu controle; e (c) possibilitar à companhia ou outras sociedades sob seu controle atrair e manter a ela vinculados administradores e empregados. Afirma ainda que as opções de compra de ações outorgadas nos termos do plano poderão conferir direitos de aquisição sobre um número de ações, a título de reconhecimento e retenção dos atuais administradores e funcionários da companhia; nas Demonstrações Contábeis da sociedade incorporadora, em sua Nota Explicativa n° 19 (dezenove) Benefícios a Empregados Stock Option BM&F S.A.(Plano migrado para BM&FBOVESPA), reproduzida anteriormente, é afirmado, a respeito do plano da sociedade incorporada, que ele foi concebido com o objetivo preponderante de conferir aos administradores e empregados da antiga BM&F (i) a retribuição por serviços prestados por seus beneficiários ao longo do período anterior ao processo de desmutualização e, também, (ii) a retenção dos profissionais ao longo dos quatro anos após a aprovação do Plano e ao IPO; no comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A. Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações aos Funcionários, reproduzido anteriormente, é afirmado que em reconhecimento aos esforços e à dedicação dos funcionários, foi aprovado para eles um plano de opção de compra de ações, através do qual receberão opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado; • conforme consta do Plano de Opções de Compra de Ações da sociedade incorporada Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F S.A. ("Plano de Opções BM&F SA"), aprovado na Assembléia Geral Extraordinária da BM&F S.A. De 20/09/2007, este i) tem por objetivo permitir que administradores, empregados e prestadores de serviços adquiram ações da Companhia, com vistas a estimular a expansão, o êxito e a consecução dos objetivos sociais da Companhia, alinhar os interesses dos acionistas da Companhia aos de administradores, empregados e prestadores de serviço e possibilitar à Companhia atrair e manter a ela vinculados administradores e empregados; ii) será administrado pelo Conselho de Administração, que terá amplos poderes para tomar todas as medidas necessárias e adequadas para a sua administração, incluindo o estabelecimento de metas relacionadas ao desempenho dos administradores e empregados, a eleição dos Beneficiários do Plano e a autorização para outorgar opções de compra de ações em seu favor; iii) prevê que no momento da concessão das opções de compra de ações 25% (vinte e cinco por cento) do total das opções outorgadas podem ser imediatamente exercidas, ou seja, não carência para o seu exercício; Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 6 9 • portanto, o próprio sujeito passivo, em diversos documentos, societários e informativos, reconhece o caráter remuneratório que norteia a outorga de opção de ações aos seus administradores e empregados, cuja finalidade principal é a retenção de determinados profissionais e a contratação de outros, quantificando as opções outorgadas diretamente a metas relacionadas ao desempenho dos beneficiários; • o Pronunciamento n° 10 do CPC, de observância obrigatória para o contribuinte, em diversos momentos caracteriza a outorga de opções de compra de ações como sendo uma parcela da remuneração, um acordo para pagamento de bônus, sendo mensurada em função dos serviços prestados pelos beneficiários; • a outorga de opções de compra de ações deve integrar o salário de contribuição por ser algo concedido aos empregados e aos administradores, primeiramente pelo fato de trabalharem para o contribuinte, e então em função dos serviços que prestaram e como contraprestação a eles, e, ainda, sem custo; • as opções foram outorgadas ao preço de exercício fixo de R$ 1,00 (um real), exercício esse que coincidiu, por vezes em parte (25%) e por vezes totalmente, com a data da própria outorga, ou seja, 18/12/2007. Nessa data, segundo informações prestadas pelo contribuinte, o preço de mercado da ação foi de R$ 23,06 (vinte e três reais e seis centavos). Excluise, assim, qualquer natureza mercantil dessa operação, visto que possui características peculiares e também vantagens delas decorrentes oferecidas aos empregados e aos administradores, situações essas não disponibilizadas ao investidor comum. Portanto, a outorga de opções de compra de ações aos empregados e administradores do contribuinte possui, integralmente, natureza salarial, remuneratória; • a outorga das opções de compra de ações para trabalhadores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, pois no momento da outorga apenas há uma expectativa de direito com relação ao exercício das opções, direito este condicionado a uma situação temporal (cumprimento do prazo de carência) e a uma situação laborativa (manutenção da prestação de serviço do trabalhador). Ou seja, como regra geral, só poderão ser exercidas as opções cujos detentores, ao final do prazo de carência, ainda estejam prestando serviços à companhia. Como resultado do exercício da opção de compra, o trabalhador adquire ações da companhia, que são bens economicamente apreciáveis e que se integram ao seu patrimônio. Tratase, portanto, de um contrato pendente de condição suspensiva, que é aquele que somente se aperfeiçoa com o implemento dessas condições; • em se tratando de situação jurídica, considerase ocorrido o fato gerador desde o momento que ela esteja definitivamente constituída. E, em se tratando de situação jurídica pendente de condição suspensiva (como é o caso das outorgas de opções de ações para trabalhadores), o negócio jurídico reputase perfeito e acabado desde o momento do implemento da condição; • assim, as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputamse perfeitas e acabadas na data em que ocorre o vencimento do prazo de carência, que é o momento do implemento da condição suspensiva contratual. Não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções que detinha. À luz do Código Civil (art. 125), o direito do trabalhador está constituído nesta data (vencimento da carência) e, de acordo com o CTN (art.117, inciso I), aí ocorreu o fato gerador sobre esse direito; Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 • portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. No caso, o vencimento do prazo de carência ocorreu em três situações distintas, todas previstas no Plano de Outorga de Opções mantido pelo contribuinte: (i) nos momentos das outorgas das opções (competência 12/2007); (ii) (ii) no momento da concessão adicional de opções de compra de ações realizada nos termos do item 5.2 do Plano de Opção de Compra de Ações da BM&F S.A. (competência 02/2008); e (iii) (iii) nos momentos em que houve antecipação dos vencimentos dos prazos de carência (competências 08/2008, 09/2008, 10/2008 e 12/2008); • no momento em que se esgota o prazo de carência, o trabalhador tem constituído o direito de exercer as opções de ações, recebendo em troca uma ação da companhia para cada opção que possui. Nesse momento, portanto, têmse os seguintes parâmetros para aferir a base de cálculo: preço de exercício da opção no dia do vencimento do prazo de carência e o valor de mercado (Bolsa de Valores) da ação no dia do vencimento do prazo de carência. O contribuinte apresentou à fiscalização uma planilha relacionando esses valores; • assim, a base de cálculo das contribuições previdenciárias é calculada multiplicandose a quantidade de opções outorgadas e passíveis de exercício pela diferença entre o valor de mercado da ação e o preço de exercício da opção, ambos referentes à data de vencimento do prazo de carência. Não importa se o trabalhador exerceu ou não as opções, isso ficou a seu critério. À luz do Código Civil (art. 125), o direito do trabalhador está constituído nesta data (vencimento da carência) e, de acordo com o CTN (art. 117, inciso I), aí ocorreu o fato gerador sobre esse direito; • conforme explicitado nas Notas Explicativas apresentadas pelo contribuinte, a data de carência em dezembro de 2007 coincide com a data da outorga das opções, ou seja, dia 18/12. Nas demais competências apuradas são utilizadas as datas apresentadas pelo contribuinte; • com relação ao valor de mercado da ação, é utilizado na apuração da base de cálculo o seu valor médio referente ao dia em que o prazo de carência foi cumprido. Exemplificativamente, podemos ter a seguinte situação: cumprido o prazo de carência, o trabalhador pode exercer 1.000 (mil) opções de compra que detém por R$ 10,00 (dez reais) cada uma, recebendo em troca 1.000 (mil) ações ao valor de mercado de R$ 25,00 (vinte e cinco reais) cada. Nesse exemplo a base de cálculo seria: 1000 x (25,00 10,00) = R$ 15.000,00; • no caso, a partir das informações prestadas pelo contribuinte, e levandose em conta a metodologia de cálculo apresentada, temse os seguintes valores referentes à base de cálculo das contribuições previdenciárias, apurados em cada data de vencimento dos prazos de carência: Data Base de Cálculo (em R$) 12/2007 157.033.161,42 Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 7 11 02/2008 10.807.244,49 08/2008 26.219.940,00 09/2008 10.389.639,00 10/2008 882.165,00 12/2008 2.061.450,00 EM RELAÇÃO AO AIOA –AI 68 • a empresa apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social GFIP com os dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, infringindo o disposto no artigo 32, inciso IV da Lei n° 8.212/91 e no artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. No caso, a empresa deixou de declarar os valores resultantes das outorgas de opções de compra de ações para seus empregados e administradores. As caracterizações dos fatos geradores apurados como verbas sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias torna obrigatória a declaração em GFIP. Pelo descumprimento da obrigação acessória prevista em lei, foi lavrado o Auto de Infração Debcad n°37.346.3073, parte integrante do presente Processo Administrativo Fiscal; • a multa por descumprimento da obrigação acessória é aplicada no Auto de Infração Debcad n° 37.346.3073 em todas as competências do lançamento tributário por se mostrar mais benéfica ao contribuinte. Em anexo encontramse planilhas demonstrativas do cálculo efetuado para a aplicação da multa, denominadas "Cálculo da Multa Acessória Valor Devido não Declarado", "Cálculo da Multa Acessória Multa Aplicada" e "Cálculo da Multa Acessória Comparativo de Multas". Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 25/10/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 07/11/2012. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 340 a 406. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 657 e seguintes, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2008 PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS).SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O valor relativo à outorga de ações aos beneficiários eleitos pela empresa para participar do Plano de Opção de Compra de Ações integra o salário de contribuição, eis que pagos em função do contrato de trabalho em retribuição aos serviços prestados e nas condições estipuladas pelo empregador. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FUNÇÃO. O Relatório de Vínculos tem por finalidade apenas listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais ou não do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, desde que comprovadas as hipóteses do art. 135, inc. III do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/10/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. OBRIGAÇÃO DE INFORMAR TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 715 e seguintes, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 1. Preliminarmente, indevida a desconsideração indireta do plano de opções de ações da recorrente. 2. NO MÉRITO• 3. a implantação de Planos de Opção de Compra de Ações está regulamentada pela Lei das Sociedades Anônimas (art. 168 da Lei n° 6.404/76), e a recorrente, com base na Assembléia Geral Extraordinária da BM&F S.A., sua sucedida, realizada em 20/09/07, estabeleceu as condições gerais da outorga de opções de compra de ações de sua emissão, cujas características deveriam ter sido consideradas pela fiscalização para apuração da natureza jurídica do direito concedido por intermédio do Plano de Opção de Compra de Ações da recorrente, que: 3.1. implica a outorga do direito de adquirir, em quantidade e preço predeterminados, ações de emissão da recorrente; 3.2. gera, para a recorrente, a obrigação de entregar ao beneficiário, quando do exercício da opção de compra, no futuro, mediante pagamento, ações de sua emissão, desde que o beneficiário (i) possua/possuísse relação de trabalho com a empresa numa determinada data (período de carência), (ii) manifeste seu interesse pela aquisição das ações, e (iii) pague o preço fixado para a aquisição das ações; Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 8 13 3.3. gera, para o beneficiário, o direito de exercer, se atendidas todas as condições antes mencionadas, e se assim desejar, as opções outorgadas pela recorrente, por um valor previamente fixado, recebendo em razão desse exercício as ações correspondentes; 3.4. a mera outorga de opções pela recorrente aos beneficiários, nos termos do Plano, não resulta em geração de ganho financeiro, tendo em vista que pela outorga o beneficiário recebe o direito de exercício futuro, a seu critério, da opção; 3.5. a recorrente não efetua qualquer espécie de pagamento aos beneficiários do Plano. Os valores que tenham sido eventualmente recebidos pelos beneficiários em razão da alienação das ações resultantes do exercício das opções de compra advêm de fonte totalmente diversa e desvinculada da recorrente, eis que foram/são/serão alienadas para terceiros no mercado de ações; 3.6. os administradores da recorrente são proibidos de alienar as ações adquiridas pelo prazo de 6 (seis) meses; 4. há, de fato, a outorga de um direito condicionado ao transcurso de um determinado prazo (o chamando vesting) e de manutenção de um determinado status (relação de trabalho), sem o que a opção não se perfaz. Neste contexto, a condição imposta para a eficácia da opção somada à restrição de negociação revelam que, antes do implemento da condição temporal imposta (vesting), o que há é uma mera expectativa de direito que pode ser tanto materializado, como frustrado (a depender do cumprimento da condição). Esta restrição de negociação retira qualquer possibilidade de apreciação econômica da opção outorgada. O prêmio, neste contexto, seria igual a zero (valor de uma mera expectativa de direito); 5. uma vez implementada a condição, o direito passaria a ser apreciável economicamente, mas, ainda assim, não nas mesmas condições das opções comuns, justamente pelo fato de ser mantida a restrição de negociação da opção. Mesmo nessa hipótese, esta eventual apreciação econômica não reflete um ganho realizado antes do exercício da opção e respectiva alienação do ativo subjacente, não havendo que se cogitar da incidência de contribuições previdenciárias; 6. Ao contrário do que entendeu o auditor e julgador o plano de ações não prevê a outorga das ações, mas tão somente a outorga das opções de compras de ações, opções que precisam ser aceitas e exercidas, para que pagando o valor previsto, adquira as ações. Ou seja, no primeiro caso até poderseia falar que se trataria de retribuição pelo serviço prestado, o que não é o caso da recorrente. 7. citando os artigos art. 195, I, a, e o § 11, do art. 201, ambos da Constituição Federal, e o art. 22, I da Lei nº 8.212/91, argumenta que a análise desta legislação apresenta uma premissa básica para a solução da lide, qual seja: qualquer verba somente ensejará o recolhimento de contribuições previdenciárias se, e somente se, (i) for paga, devida ou creditada com a finalidade de retribuir os serviços prestados (retributividade) ou (ii) se tratar de utilidade concedida com habitualidade; 8. a retributividade deve refletir uma contraprestação proporcional ao trabalho executado e a função desempenhada pelo empregado. No que diz respeito à habitualidade, a norma faz alusão à motivação e periodicidade com que determinada utilidade é concedida. Só há habitualidade se uma determinada utilidade decorrer de um mesmo fato do cotidiano do Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 beneficiário ou que acabe, por outros motivos, por constituir uma expectativa positiva de recebimento; 9. reitera algumas das disposições contidas no Plano de Opção de Compra de Ações (1.1 Objetivos), que denotam a total desvinculação com a prestação de serviços e a remuneração dos beneficiários; 10. a Fiscalização presumiu, sem fundamento, que todo e qualquer benefício concedido a um trabalhador trataria de remuneração, o que não é verdade. 11. Efetivamente, os valores eventualmente recebidos pelos beneficiários do Plano de Opção de Compra de Ações (cujo pagamento não foi realizado pelo recorrente) não possuem qualquer relação com os serviços prestados pelos beneficiários, com a remuneração eventualmente devida ou qualquer outro elemento inerente à relação de trabalho eventualmente existente. 12. Exemplo disso são os casos em que ocorreu a antecipação do vestíng por ocasião do desligamento dos beneficiários, nos períodos de agosto, setembro e outubro de 2008 (detalhados na planilha "outorga de opções" que instrui o Termo de Verificação Fiscal); 13. se o raciocínio da Fiscalização estivesse correto, os beneficiários deveriam ter trabalhado de forma mais intensa quando de sua demissão nos referidos período de 2008, uma vez que ali receberam a totalidade de suas opções de ações! Nada mais incorreto, pois o recebimento dessa totalidade de ações quando da demissão decorre da verificação de uma condição contratual, que não guarda nenhuma relação com o trabalho do beneficiário, nem se relaciona com a remuneração por este percebida. O cumprimento de uma obrigação contratual, de natureza mercantil, não guarda qualquer tipo de correlação com a relação de trabalho entre recorrente e beneficiário! O Plano também não trata da atribuição de uma utilidade concedida em retribuição pelos serviços prestados; 14. portanto, ausente a retributividade e a habitualidade, não há que se falar na configuração de uma das hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias. 15. apresenta exemplo de como os tribunais superiores têm interpretado o conceito de "rendimentos do trabalho", afirmando que eventuais ou potenciais ganhos que os beneficiários recebam em decorrência do Plano de Outorga de Opções não são passíveis de tributação pelas contribuições previdenciárias, exceto se sobrevier norma legal específica dispondo em sentido contrário (norma que até então não existe). 16. Tratase de contrato entre o recorrente e os beneficiários, que possuem 3 características marcantes: a voluntariedade (aceitação pelo beneficiário das opções, e decisão exclusivamente sua sobre exercer o não as opções), onerosidade (para exercer as opções o beneficiário deve dispor de recurso próprios, bem por isso é que é um contrato marcado pela voluntariedade, e risco do investimento por ele realizado. 17. quanto à ocorrência do fato gerador, o entendimento da Fiscalização é contraditório e incompatível com a legislação. Conforme se verifica do disposto no artigo 52, da IN RFB n° 971/09, o momento da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias é verificado quando (i) da existência da prestação de serviços (empregado ou contribuinte individual), e (ii) da existência de remuneração paga, devida ou creditada (empregado) ou remuneração paga ou creditada (contribuinte individual) em relação aos serviços prestados, levandose em consideração o que ocorrer primeiro; Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 9 15 18. no presente caso, apesar do Plano estabelecer como condição de elegibilidade a existência da relação de prestação de serviço, entre a empresa concedente (ora recorrente) e os beneficiários o que decorre de autorização contida no artigo 168, da Lei n° 6.404/76 a definição das pessoas beneficiadas e a quantidade de opções que lhes foi atribuída não decorreu ou estava atrelada à prestação dos serviços, tampouco à sua remuneração; 19. os critérios utilizados para definição do valor de exercício da opção de compra das ações não estão atrelados à prestação de serviços ou à remuneração dos beneficiários. Logo, os elementos necessários à configuração do fato gerador não estão concretizados no presente caso; 20. não obstante a Fiscalização tenha considerado que o fato gerador das contribuições previdenciárias teria ocorrido no momento em que se encerrou o transcurso do prazo para a obtenção do direito de adquirir as ações da recorrente, se contradisse ao apontar que "como resultado do exercício da opção de compra, o trabalhador adquire ações da companhia, que são bens economicamente apreciáveis e que se integram ao seu patrimônio", acabando por reforçar o fato de que não há geração de ganho ao beneficiário antes do exercício; 21. notese que o transcurso do prazo para que o beneficiário possa exercer as opções não implica a automática e incontroversa aquisição das ações. A aquisição das ações depende de expressa manifestação de vontade do beneficiário e do dispêndio dos valores previstos no Plano. Em outras palavras, a data em que o beneficiário passa a ter o direito de adquirir as ações da recorrente pode não coincidir com a data do exercício deste direito. A possibilidade de exercício de um direito não pode ser considerada como a data da efetiva fruição dos benefícios que decorreriam de seu exercício. Exemplo do que se alega está configurado nos casos em que os beneficiários do Plano exerceram o direito de adquirir ações em momento distinto da sua outorga. Logo, o entendimento da Fiscalização não reflete a realidade e, portanto, não pode prosperar; 22. Ademais, no caso específico das opções outorgadas pela recorrente, mesmo com o implemento da condição temporal, o direito (agora não mais expectativa não se torna apreciável economicamente, seja porque sua materialização depende do ato de vontade, a cargo do beneficiário, que é o exercício da opção, ou porque, mesmo que cumprido o vesting, há que se considera também a restrição de negociação, que impede a apreciação econômica da opção pelo fato de que o beneficiário não pode alienála nos mercados organizados, como faria com uma opção comum. 23. Ao contrário do que defende a DRJ, se houver alguma apreciação econômica no exercício de uma opção, ela só ocorrerá após o exercício da própria opção, em caso de eventual alienação posterior do ativo (a ação), mas nunca antes do exercício. 24. não fosse por isso, podese concluir que o entendimento da Fiscalização conduz para a consideração de que teria ocorrido o fato gerador previdenciário na data da aquisição da mera possibilidade de exercício da opção com consequente aquisição das ações da recorrente (que surge com o transcurso do período de carência). 25. Ocorre que, analisandose as hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias, o expediente adotado pela Fiscalização não está ali enquadrado, nem mesmo por analogia; Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 26. o transcurso do prazo para que o beneficiário obtenha o direito de exercer uma opção para adquirir ações da recorrente não gera, por si só, uma vantagem financeira ao beneficiário do Plano. Ademais, as opções vinculadas ao Plano em questão não possuem valor de mercado porque são inegociáveis, por força de previsão expressa contida no Plano. E, ainda, o direito de adquirir ações da recorrente pode não se concretizar, uma vez que, conforme já exposto, é de total controle do beneficiário o exercício da opção, a qual pode não ser exercida. Cita exemplo em que o beneficiário perdeu o direito de exercer suas opções de compra em decorrência de seu desligamento da empresa; 27. mesmo supondo que a atribuição do direito de aquisição das ações implicaria o automático e infalível exercício deste direito (o que se admite apenas a título de argumentação), destaca que o único fluxo financeiro envolvido nesse negócio jurídico seria o pagamento, do beneficiário à recorrente, do preço de exercício da opção para aquisição das ações. Logo, a tentativa de configurar a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias com base na mera aquisição do direito do beneficiário adquirir ações da recorrente, representa rematado absurdo; 28. o exposto conduz para a conclusão de que o lançamento fiscal está maculado pela inocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, não podendo prosperar; 29. ao eleger como base de cálculo a diferença entre o valor médio da ação no mercado e o valor do preço de exercício da opção, a Fiscalização incorreu em diversas irregularidades. A primeira delas foi a de que a Fiscalização indevidamente presumiu a ocorrência de um gasto (pagamento pelo exercício das opções) e de um ganho (alienação das ações adquiridas) por parte do beneficiário. O exercício da opção de compra de ações depende da manifestação de vontade do beneficiário, a qual pode nunca ocorrer ou, então, ocorrer em momentos distintos (inclusive após a aquisição do direito de exercer as opções). Ora, não existindo remuneração paga, devida ou creditada, também não há base de cálculo passível de apuração! 30. em segundo lugar, a Fiscalização desconsiderou o fato de que os valores por ele considerados como base de cálculo nunca foram pagos pela recorrente aos Beneficiários do Plano. Na realidade, a eventual diferença entre o valor pago pelo exercício de opção e o valor da ação alienada trata de fluxo financeiro entre o beneficiário do plano e um terceiro (adquirente da ação a mercado), sem qualquer ingerência ou controle por parte da recorrente); 31. esse racional, aliás, possui amparo na legislação, que elegeu como ocorrido o fato imponível, para a tributação do ganho envolvido numa operação de exercício de opção de compra de ações, a alienação das ações adquiridas em decorrência do exercício. Vide o artigo 49 da Instrução Normativa RFB n° 1.022/2010; 32. desta forma, mesmo na sistemática de ganhos líquidos a incidência do imposto de renda pressupõe, não apenas o exercício, mas também a alienação do ativo subjacente à opção. Nos termos do § 1º acima mencionado, não ocorrendo a venda do ativo subjacente no mercado à vista na data do exercício, este ativo terá como custo de aquisição o preço de exercício da opção (strike), que será utilizado para o cálculo de eventual ganho ou de uma perda (a depender da oscilação de preço) na data da eventual alienação; 33. em terceiro lugar, a metodologia adotada pela Fiscalização desconsiderou que a ação da recorrente sofreu grandes variações de cotação nos últimos anos, tratandose, assim, de um ativo extremamente volátil. Inclusive, que nos dias de verificação da carência e Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 10 17 possibilidade de exercício das opções pelos trabalhadores a ação da recorrente sofreu forte variação, conforme planilha transcrita; 34. nesse sentido, impossível aceitar a presunção estabelecida pela Fiscalização no sentido de determinar a base de cálculo com base na diferença entre o preço de exercício e o preço médio das ações na data do vesting, assumindo que todos os trabalhadores que exerceram o direito que lhes foi conferido com a verificação da carência auferiram o mesmo benefício econômico. Ao escolher a diferença entre o preço de exercício e o preço médio das ações, a Fiscalização acabou elegendo uma base de cálculo típica de tributo incidente sobre alienação de bens e direitos (ganho de capital/ganho líquido), que em nada se relaciona ou serve à mensuração de remuneração por um trabalho prestado, como supôs a Fiscalização ter ocorrido com a entrega de opções pelo recorrente aos trabalhadores; 35. nesse sentido, não há como se considerar correta a exigência. Transcreve doutrina e decisões das Delegacias de Julgamento da Receita Federal por intermédio das quais resta claro que o ganho de capital (representado pela diferença entre o valor de aquisição e de alienação de determinado bem), em relação à pessoa física, está sujeito tão somente à incidência do imposto sobre a renda; 36. a fiscalização acabou por definir a base de cálculo do tributo mediante procedimento de arbitramento, já que o fez de forma justificada e fundamentada, razão pela qual se verifica que o lançamento fiscal carece de liquidez; 37. a fiscalização também incorreu em erros na apuração do tributo supostamente devido. Na planilha denominada "outorga de opções de compra de ações" se verifica que a Fiscalização segregou os valores autuados considerando (i) a qualificação do beneficiário ("diretores" ou "empregados") e (ii) a data da carência; 38. contudo, ao analisar o "Discriminativo do Débito", se verifica que a Fiscalização indevidamente enquadrou os prestadores de serviço beneficiados pelo Plano como empregados da recorrente, o que gerou a cobrança a maior do tributo (21% ao invés de 20%). 39. Ressaltese, nesse aspecto, que à Fiscalização foram disponibilizadas todas as informações necessárias a averiguação de que os prestadores de serviços não integram o quadro de empregados da recorrente, especialmente: folhas de pagamento e GFIPs; 40. na mesma linha de irregularidade, a Fiscalização desconsiderou o fato de que os diretores da recorrente são contratados sob a égide da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), indevidamente considerados contribuintes individuais, não obstante lhe tenham sido prestadas todas as informações necessárias para que não tivesse incorrido em tal erro; 41. diante da irregularidade na materialização do lançamento fiscal, em total afronta ao disposto no artigo 142, do Código Tributário Nacional, se conclui que o lançamento fiscal carece de validade e, portanto, não pode prosperar; 42. há, ainda, que se observar a situação dos Administradores da recorrente que foram contemplados com o Plano. A recorrente assinou em 07/11/07 um contrato pelo qual ingressou em um segmento especial para negociação de ações, denominado Novo Mercado (documento anexo), criado à época pela Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). Uma das obrigações relacionadas à assinatura desse contrato e ingresso no Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 Novo Mercado diz respeito à observância das condições estabelecidas no Regulamento de Listagem, conforme contrato anexo. De acordo com o Regulamento de Listagem do Novo Mercado, entendese por Administradores os Diretores e Membros do Conselho de Administração; 43. o referido Regulamento de Listagem do Novo Mercado, no que se refere à possibilidade de negociação de ações por parte dos Administradores da companhia, determina uma vedação. De acordo com os referidos documentos, resta claro que à época da outorga das Opções pela recorrente, bem como da verificação da carência, os Administradores da recorrente, contemplados pelas Opções e que as exerceram, estavam impedidos de realizar a alienação dessas ações pelo período de 6 meses (lock up); 44. ainda que se pudesse aceitar que essa diferença apurada pela Fiscalização entre o preço de exercício e o preço médio das ações no mercado, no dia da carência, serviria à mensuração do direito atribuído aos Outorgados, isso não pode ser aplicado aos Administradores, já que na referida data eles sequer podiam submeter suas ações ao mercado e auferir esse suposto benefício. Mesmo adotando o raciocínio da Fiscalização, para os Administradores deverseia buscar essa diferença entre preço de exercício e valor de mercado na data em que tais Administradores pudessem alienar suas ações, ou seja, com o encerramento do lock up; 45. no que tange às opções concedidas aos Administradores da recorrente, sujeitos a lock up, a base de cálculo adotada totalizou R$ 91.017.001,04. Isso porque, a Fiscalização calculou a diferença entre o preço de exercício das opções e o valor de mercado delas em 18 de dezembro de 2007 (R$23,60), na data da carência. No entanto, se considerada a data que os referidos Administradores efetivamente poderiam dispor das ações adquiridas com o exercício das opções, que se deu somente em maio de 2008 (fim do lock up), usando a metodologia de cálculo da Fiscalização, chegaríamos a uma suposta base de cálculo no valor de R$72.202.970,00, já que naquela data o valor médio das ações era de R$18,50, como se confere da planilha explicativa. Supondose que as Ações não tenham sido alienadas pelos Administradores após o lock up, teriam experimentado oscilações ainda mais severas nos momentos seguintes, tendo as Ações alcançado o piso de R$3,90 em 21/11/2008. Pois bem, se houvessem alienado nesta data, o acréscimo patrimonial experimentado não estaria na casa dos R$ 91 milhões sugeridos pela autuação fiscal, mas o de bem menos expressivos R$ 11 milhões; 46. portanto, ainda que não se aceitem os argumentos levantados quanto a não incidência das contribuições previdenciárias e ao erro na identificação e apuração da base de cálculo, o que se alega apenas a título argumentativo, requerse que essa Turma Julgadora considere os argumentos aqui expostos quanto ao evidente equívoco cometido quanto à base de cálculo eleita pela Fiscalização, determinando, assim, o cancelamento da autuação; 47. são improcedentes os argumentos da Fiscalização: 48. Argumento 1: DISTINÇÃO ENTRE O PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES COMUNS E O PLANO DE AÇÕES DA IMPUGNANTE SUPOSTA PRESENÇA DE BENEFÍCIO DE NATUREZA SALARIAL 48.1. de acordo com a Fiscalização, o fato do trabalhador não pagar pelas opções de compra de ações lhe imputaria natureza salarial. Contudo, esse raciocínio não pode prosperar, porque, em primeiro lugar, o Plano de Opção de Compra de Ações instituído pela recorrente em favor dos seus trabalhadores possui finalidade distinta de uma Opção de Compra de Ações praticada em condições de mercado; Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 11 19 48.2. de fato, o Plano para os trabalhadores da recorrente não exige o pagamento pela concessão das opções porque, em contrapartida, impõe restrições de tempo (para o exercício das opções de compra) e de possibilidade de negociação no mercado (já que não podem ser transferidas, cedidas ou alienadas), bem como exige que haja (ou que tenha havido) relação de trabalho (ou vinculação por contrato de prestação de serviços) entre as partes. São, portanto, institutos que não podem possuir as mesmas características, porque seus objetivos são distintos; 48.3. ademais, a Fiscalização, apesar de reconhecer que é lídima a instituição de um Plano de Opção em favor dos trabalhadores exige que ele possua as mesmas condições de mercado de opções (entendase a fixação de preço para a concessão das opções); 48.4. no entanto, o raciocínio da Fiscalização vai de encontro às suas próprias manifestações, além do que, exigir que tais situações (Plano e opção de mercado) possuam características idênticas significa que tais institutos possuem a mesma finalidade, o que não condiz com a realidade. Logo, o argumento não poderá prosperar; 49. Argumento 2: OPERAÇÃO COMERCIAL E O PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES DA RECORRENTE 49.1. A DRJ deixou de manifestar frente a robustez dos argumentos apresentados. 49.2. com base no entendimento da Fiscalização, o Plano não poderia ser considerado uma operação "comercial", na medida em que não se relacionaria com o objeto social da recorrente. Este entendimento é totalmente desprovido de lógica e legalidade. O fato de determinado negócio jurídico estabelecido entre empresa e trabalhador ocorrer no âmbito do objeto social da empresa, não é capaz de definir a sua natureza jurídica; 49.3. suponhase, no exemplo utilizado pela Fiscalização, que as televisões fossem vendidas pela loja de eletrodomésticos ao trabalhador por valor abaixo do custo inicial de produção, sendo posteriormente revendidas pelo trabalhador à própria empresa pelo valor de mercado (superior ao valor da venda ao trabalhador). Se adotado o entendimento da Fiscalização, se estaria diante de um negócio meramente comercial; 49.4. ademais, o fato de uma operação não ser considerada "comercial", não significa que se está diante de uma operação voltada à atribuição de remuneração ao trabalhador. Como visto no tópico anterior, para que se configure como remuneração deve haver clara e inequívoca demonstração de que se presta a retribuir o trabalho, o que não ocorreu no presente caso; 50. Argumento 3: SUPOSTA AUSÊNCIA DE RISCO FINANCEIRO 50.1. segundo a Fiscalização, o beneficiário do Plano não correria risco financeiro, o que denotaria a ausência de caráter mercantil do negócio jurídico; 50.2. o entendimento da Fiscalização não condiz com a realidade porque, apesar da recorrente não exigir pagamento pela concessão das opções (o que, aliás, nem poderia fazêlo, por conta da ausência de valor negocial, decorrente da impossibilidade de cessão, transferência ou alienação), eventual ganho ou prejuízo só é mensurável por ocasião da alienação das ações adquiridas pelo trabalhador, em decorrência do exercício da opção; Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 50.3. cita exemplos para demonstrar que o beneficiário, uma vez cumprida a condição temporal do Plano, e tendo exercido a Opção que lhe foi outorgada, sujeitase ao risco de mercado da ação, ficando a seu critério (condição volitiva) a alienação do ativo, quando e a que valor melhor lhe provier. Portanto, o controle sobre o ganho, inclusive sobre a inexistência deste, é de total responsabilidade do beneficiário; 50.4. ressalta que não efetua qualquer espécie de pagamento aos beneficiários do Plano; os valores que tenham sido eventualmente recebidos pelos beneficiários os quais não possui meios para apurar advêm de fonte totalmente diversa e desvinculada da recorrente. As ações adquiridas pelos beneficiários, mediante exercício da opção de compra, foram/são/serão alienadas para terceiros, no mercado de ações; 50.5. a relativização do ganho em relação a cada beneficiário decorre de sua própria manifestação, sendo inconcebível que tais valores, decorrentes ativos oriundos de uma relação mercantil, sejam considerados como remuneração; 51. Argumento 4: FLUXO DE CAIXA REPRESENTARIA REMUNERAÇÃO 52. afirma a Fiscalização que todo e qualquer fluxo de caixa existente na relação de trabalho representaria remuneração em favor do trabalhador. Ocorre que apenas os pagamentos destinados a retribuir o trabalho estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias; 53. o fato de existir um fluxo financeiro entre empresa e trabalhador não permite presumir que se está sempre diante do pagamento de remuneração. A afirmação da Fiscalização desconsidera a existência de parcelas que, apesar de constituírem fluxo de caixa entre empresa e trabalhador, possuem natureza indenizatória (tais como: a indenização por dispensa sem justa causa, a indenização pela ausência do gozo das férias e etc.) e jamais poderão sofrer a incidência de contribuições previdenciárias, bem assim outras que não se inserem no conceito de remuneração para os fins da Lei n° 8.212/1991 (como, por exemplo item recebido por um funcionário em razão de sorteio promovido pela empresa entre seus funcionários); 54. logo, o argumento da Fiscalização carece de fundamentação legal que lhe dê suporte, motivo pelo qual não pode subsistir; 55. Argumento 5: A OUTORGA DE OPÇÕES DECORRERIA DO TRABALHO REALIZADO 55.1. dispôs a Fiscalização que as opções seriam outorgadas aos trabalhadores em virtude do trabalho realizado. A afirmação da Fiscalização não condiz com a realidade porque, apesar das opções serem outorgadas pela recorrente para pessoas que possuem (ou possuíam) relação de trabalho, isto não significa que se trata de benefício decorrente do trabalho realizado. Pelo contrário, a relação de trabalho/serviços é condição para a participação do beneficiário no Plano e posterior celebração de contrato, mas não de que há um trabalho a ser realizado para a sua aquisição; 55.2. o fato de um benefício ser prescindível para a realização do trabalho, não permite afirmar que se trata de algo voltado à retribuição do trabalho. Citese, como exemplo, o seguro de vida concedido aos trabalhadores. Em regra, o seguro de vida não é concedido para que o trabalho seja realizado e, nem por isso, pode ser considerado parcela integrante da remuneração do trabalhador; Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 12 21 55.3. demais, não há no Termo de Verificação Fiscal qualquer indício ou prova que vincule os serviços prestados à outorga das opções. Na realidade, estas são conferidas com base em um Plano aprovado pelos acionistas da companhia, os quais decidem ter seu patrimônio diluído em prol de um benefício à companhia; 56. Argumento 6: RECONHECIMENTO DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DO PLANO CPC n° 10 57. de acordo com o entendimento do Agente Fiscal, a Deliberação n° 562/2008 da Comissão de Valores Mobiliários, por ocasião da aprovação do CPC 10, descreveria a visão geral daquele órgão acerca da natureza das opções de compra de ações, o que confirmaria o entendimento acerca do caráter supostamente remuneratório; 58. todavia, a pretensão do Agente Fiscal carece de fundamento legal porque, em primeiro lugar, as disposições contidas no CPC n° 10 só passaram a ser aplicáveis a partir do ano de 2008, por conta da entrada em vigor da Lei n° 11.638/07, ou seja, em momento posterior ao da ocorrência dos supostos fatos geradores de contribuições previdenciárias em discussão. Além disto, mesmo que pudéssemos considerar aplicável ao caso as disposições do CPC n° 10, fato é que este produz efeitos meramente contábeis, de mensuração do patrimônio da companhia, não produzindo efeitos para fins fiscais. Cita acórdão do CARF; 59. especial interesse para o presente caso é a constatação de que as despesas apropriadas com as opções de compra de ações decorrem da avaliação a valor justo das opções concedidas, no momento da outorga. A avaliação a valor justo, por sua vez, é um preceito contábil incorporado ao IFRS de clara feição prospectiva: o foco é fornecer ao acionista a melhor estimativa possível sobre o valor justo de certos ativos e passivos, sendo que as contrapartidas a esta avaliação são registradas como receitas ou despesas que não estão imbuídas pela nota da definitividade (não há renda realizada, receita ou despesa efetiva, mas sim grandezas econômicas estimadas/ presumidas); 60. por estes motivos é que o CPC 10 mostrase absolutamente incompatível com os preceitos que regem o Direito Tributário. Enquanto no IFRS a preocupação é prospectiva, o Direito Tributário, ao contrário, colhe fatos/situações efetivamente ocorridos/materializadas, não incidindo sobre fatos futuros e incertos; 61. conforme se verifica, as disposições contidas no CPC n° 10 não se prestam a fundamentar a autuação fiscal dos valores relativos ao Plano de Opção de Compra de Ações da recorrente, por total falta de subsídio legal nesse sentido; 62. por outro lado, o fato de o CPC n° 10 determinar o registro da despesa com a outorga de opções de compra, pelo seu valor justo, em contrapartida a um aumento de conta de patrimônio líquido (instrumentos patrimoniais outorgados), não afasta a constatação de que, do ponto de vista societário, quem arca com o ônus das opções outorgadas é o acionista e não a companhia. Dizse que quem arca com o ônus é o acionista, pois a deliberação e aprovação do Plano é de competência da assembleia de acionistas, sendo certo que as ações entregues no Plano decorrem de emissões e ou ações em tesouraria que diluem o patrimônio do acionista e sua participação na companhia (vale destacar que, nos termos da Lei das S.A., os acionistas não possuem direito de preferência nesta diluição); Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 63. justamente por não se tratar de uma despesa efetiva sob o ângulo fiscal ou em termos societários (mas de uma estimativa, com características de uma provisão, daí a indedutibilidade da despesa), não se pode cogitar que neste momento tenha ocorrido o pagamento de qualquer espécie de remuneração que pudesse dar ensejo ao recolhimento de contribuições previdenciárias (e/ou desencadear a obrigação de reter o IR/Fonte); 64. assim, em que pese a inaplicabilidade do CPC n° 10 para o presente caso, os conceitos por ele trazidos possuem limitação para fins contábeis, não gerando efeitos para fins fiscais, razão pela qual as premissas contábeis não podem ser aplicadas para a construção de uma hipótese tributária, ainda mais quando esta não encontra amparo em base legal. Transcreve doutrina e jurisprudência; 65. MULTA GFIP: NECESSIDADE DE REVISÃO DO VALOR DA MULTA 65.1. as multas relativas ao processo administrativo fiscal previdenciário sofreram relevantes alterações por intermédio da Medida Provisória n° 449/08, posteriormente convertida na Lei n° 11.941/09. A intenção foi a de unificar a metodologia de cálculo das multas. Para os casos que tratam de multa punitiva decorrente de suposto descumprimento de obrigação tributária acessória, a multa que antes era calculada com base na contribuição previdenciária exigida (limitada a um teto legal) passou a ser de R$ 20,00 (vinte reais) por cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; 65.2. quanto à definição de qual multa deve ser aplicada, em conformidade com o artigo 106, II, "c" do Código Tributário Nacional, a nova multa só alcança fatos pretéritos se for mais benéfica ao contribuinte. Nesses termos, se conclui que a nova metodologia (R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas) é mais benéfica à recorrente; 65.3. o procedimento para definir a multa mais benéfica vai de encontro à lei. Além de tal medida não possuir respaldo legal, já foi rechaçada em voto proferido por Julgador da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo com extrema assertiva; 65.4. portanto, o valor da multa punitiva (GFIP) aplicada no presente caso deve ser revista por esta Turma Julgadora, a fim de se adequar ao disposto no artigo 106, II, "c", do Código Tributário Nacional; 66. ILEGALIDADE DA MULTA PROGRESSIVA 66.1. apontese que a cobrança da multa de mora progressiva no tempo (tal como estava prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91) restou revogada com a edição da Medida Provisória n° 449 de 2008. E, nem se alegue que as alterações veiculadas pela Medida Provisória n° 449/08 não se aplicariam de forma retroativa, com base na suposição de que a multa de mora em questão não possuiria caráter punitivo. Isso porque, nos termos do que prescreve a Súmula n° 565 do Supremo Tribunal Federal, "a multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência"; 66.2. conclusivamente, a multa de mora exigida no presente caso não pode ser superior a 20% (vinte por cento), sob pena de ilegalidade; 67. JUROS SOBRE MULTA 67.1. os juros considerados no cálculo do pretenso crédito tributário não poderão incidir sobre a multa de mora e a multa punitiva aplicadas, por absoluta ausência de previsão legal. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 13 23 Isso porque, o artigo 13 da Lei nº 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos; 67.2. demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por essa Turma Julgadora; 68. se permitido que os juros incidam sobre a multa de mora aplicada no presente processo, se estará agindo em evidente afronta ao Princípio constitucional da Legalidade. Nesse sentido já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 69. por qualquer ângulo que se analise a questão, se verifica que não poderão ser exigidos juros sobre a multa, sob pena de ilegalidade; 70. MULTA NA SUCESSÃO – inovando alega que ainda que tivesse ocorrido qualquer infração à legislação tributária, o que se admite meramente a título argumentativo, é certo que o recorrente não pode ser responsabilizada pela multa de ofício atribuída, pois os supostos fatos infracionais foram praticados pela empresa sucedida. 71. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS 71.1. refuta a indevida imputação de responsabilidade solidária dos seus diretores, pois, de acordo com a legislação em vigor, as únicas hipóteses em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias estão previstas nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, hipóteses estas que não ocorreram no caso presente e não podem ser presumidas; 71.2. ressalta que de acordo com o art. 13, parágrafo único da Lei n° 8.620/93 (revogado pela Lei n° 11.941/2009), a responsabilidade solidária dos sócios ou gerentes darseá somente quando provado pelo Fisco a inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa, sendo que tanto um como a outra jamais restaram configurados; 72. DIANTE DE TODO O EXPOSTO, REQUER O RECORRENTE: 72.1. (i) seja declarada a nulidade dos Autos de Infração, em razão da impossibilidade de descaracterização dos planos; 72.2. (ii) caso assim não se entenda, sejam anuladas as autuações, diante da incorreta apuração do pretenso crédito tributário; face a ausência de configuração da hipótese de incidência, decorrente da incompatibilidade da legislação que trata da incidência das contribuições em questão com o plano criado pelo recorrente. 72.3. (iii) sejam julgados integralmente improcedentes os lançamentos fiscais, uma vez que os argumentos apresentados pela Fiscalização e DRJ não são suficientes para atribuir aos Planos de Opção de Compra de Ações da recorrente natureza remuneratória; e Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 72.4. (iv) independente do acolhimento dos pedidos acima, que seja vedada a aplicação de juros sobre a multa, bem como determinada a exclusão dos diretores da recorrente no pólo passivo da autuação fiscal e declarada a ilegalidade da multa aplicada. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 14 25 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1373. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO – AIOP E AIOA QUANTO A DESCARACTERIZAÇÃO DOS PLANOS DO TRABALHO DO AUDITOR O primeiro ponto trazido pelo recorrente é que o único meio que poderia autorizar a exigência das contribuições previdenciárias seria a desconsideração do acordo firmado entre a empresa e seus empregados e administradores para outorga de ações. Não pode o lançamento fundarse em mero palpite ou desconfiança. Conforme mencionado pelo recorrente, comumente questionase a competência da autoridade fiscal para desconsiderar pactos entre os empregados e empregadores ou contratantes, seja quanto a possibilidade de desclassificar planos de STOCK OPTIONS, PLR, desconsiderar pessoas jurídicas, formar vínculos de emprego nos casos em que constata os requisitos da condição de empregado, desenquadramento do sistema SIMPLES etc. Ou seja, discutise quais as limitações do trabalho do auditor. Nesse ponto, é plausível a argumentação dos contribuintes, tendo em vista que a interpretação dada pela autoridade fiscal, muitas vezes mostrase diametralmente oposta ao que o recorrente interpreta da legislação, ou mesmo pactua com seus empregados. Contudo, o papel da auditoria, no exercício da atividade vinculada de verificar o cumprimento da legislação previdenciária (da qual não pode escusarse), é não apenas identificar o efetivo recolhimento da contribuições sobre os fatos geradores declarados pelo contribuinte, mas, especialmente, em realizando a auditoria contábil, verificar a existência de outros pagamentos que, mesmo pactuados em sentido diverso, constituam fato gerador de contribuições previdenciárias. É nesse ponto, que autorizado está o auditor ao identificar pagamentos outros, dos mais diversos títulos, como no caso da outorga de opções de ações (STOCK OPTIONS), intimar o contribuinte a apresentar os fundamentos para o referido pagamento. Ao depararse com esses instrumentos (ACORDOS), os fatos encontrados durante o procedimento e considerando as alegações da empresa para o pagamento em questão, verificar se aquele pagamento é ou não fator gerador de contribuições previdenciárias. Não se trata, portanto de descaracterização dos planos ou acordos firmados, ou interferir nas tratativas ali acordadas, MAS TÃO SOMENTE, IDENTIFICAR SE O PLANO ATENDE AS EXIGÊNCIAS LEGAIS QUANTO AO PAGAMENTO DESVINCULADO DO CONCEITO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 Entendo ao contrário do que busca demonstrar o recorrente que não houve por parte da fiscalização a efetiva descaracterização dos planos, mas sim a interpretação acerca do caráter remuneratório da outorga de opção pela compra de ações, buscando demonstrar, por meio de diversos argumentos, os motivos pelos quais identificou na outorga fato gerador de contribuições previdenciárias. CONCLUSÃO: AFASTO A NULIDADE PRETENDIDA PELA AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA PARA DESCARACTERIZAÇÃO DO PLANO. NULIDADE PELA AUSÊNCIA DA CONFIGURAÇÃO DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Requer ao final do seu recurso a nulidade do feito, por entender que a autoridade fiscal não se desincumbiu de configurar a hipótese de incidência. Contudo, nesse primeiro momento, sem adentrar ao mérito, se os “supostos ganhos” constituem salário de contribuição, afasto a nulidade pretendida pelo recorrente. No caso, ao apreciarmos o relatório fiscal, observase que o auditor descreveu não apenas o que entendeu ser o “ganho” ou “pagamento” feito pela empresa aos empregados e contribuintes individuais, como detalhou como foi, no seu ver a constituição do plano de opção por ações e em que momento passou a constituir salário de contribuição. Assim, acredito que a divergência do recorrente quanto ao mérito da incidência de contribuições sobre o stock options, não implica considerar a nulidade do lançamento pela ausência de configuração do fato gerador ou hipótese de incidência. Descreveu o auditor devidamente em seu relatório: I) o que entendeu ser o “ganho” ou benefício concedido, sendo que o mesmo não se encontra no rol de exclusão do salário de contribuição; II) quando ocorreu o fato gerador de acordo com informações prestadas pelo próprio recorrente; III) qual o dispositivo legal que fundamenta o lançamento em relação aos contribuintes individuais e empregados, bem como os motivos que o levaram a inclusão do stock options no conceito de salário de contribuição. Dessa forma, não há a nulidade a ser acatada em relação ao lançamento. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação ou mesmo configuração do salário de contribuição, entendo que razão não assiste ao recorrente. Superadas as preliminares, passo ao exame das questões de mérito. DO MÉRITO No mérito, foi atacado basicamente o caráter remuneratório do plano de Opção por Ações, a inocorrência do fato gerador, o momento da indicação do fato gerador, a base de cálculo apurada, a aplicação de multa sobre juros e a exclusão dos diretores como corresponsáveis, e em relação ao auto de infração pela não informação em GFIP, a multa aplicada. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS De acordo com o previsto no art. 28, I e III da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado contribuinte individual, entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 15 27 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 16 29 de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Pelo exposto, tanto o conceito de salário de contribuição para o segurados empregados, como para o contribuintes individuais envolvem uma gama de retribuições, sejam em dinheiro ou utilidades e apenas a analise da natureza de cada uma será capaz de identificar se a verba encontrase ou não excluída do conceito de salário de contribuição. Ressaltese, que o art. 28, § 9º da lei 8212/91, acima transcrito não prevê expressamente o Plano de Stock Options, como excluído da base de cálculo, razão pela qual, passamos a analisar mais profundamente essa modalidade de benefício. Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 30 DA DEFINIÇÃO DO STOCK OPTIONS Doutrinariamente, Stock Option Plan (Plano de Opção de Compra de Ações) representa um plano que determina regras e critérios para outorga a determinador trabalhadores da possibilidade de aquisição de ações da empresa. Esses trabalhadores podem encontrase na situação de empregados, autônomos, administradores (contribuintes individuais para a previdência social). A opção por ações proporciona ao beneficiário o direito de compra de ações por uma valor prédeterminado, após um período de carência previamente determinado (permanência na empresa) e a possibilidade de vendêlas no mercado de capitais auferindo lucro ao final desse prazo. No ordenamento jurídico brasileiro, a opção de compra de ações esta prevista no § 3º do artigo 168 da Lei nº 6.404/76, verbis: Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle. Para elucidar a definição do Plano de Opção de Compra de Ações, podemos citar o texto da lavra de “CALVO, Adriana Carrera. A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, Brasília DF: 25 ago. 2007”, que assim aborda a matéria: 1. Introdução Nas últimas décadas, o sistema de remuneração adotado pelas empresas brasileiras modificouse drasticamente, devido à transferência de investimentos de empresas estrangeiras para o Brasil, principalmente da área de tecnologia. Tal fato alterou o nosso cenário empresarial e influenciou diretamente a nossa política de recursos humanos. A nova política de remuneração abandonou como modelo único o sistema de salário fixo e introduziu o sistema remuneração variável. A mais importante estratégia de remuneração variável passou a ser a promessa da distribuição agressiva de planos de opções de compra de ações por preço prefixado (“employee stock options”). No início, estes programas foram implementados no Brasil com o intuito de manter os benefícios que os expatriados possuíam quando eram empregados da matriz da empresa no exterior. Posteriormente, passou a ser comum a oferta destes benefícios não somente aos empregados estrangeiros, como também aos novos gerentes contratados no Brasil. Mais tarde, passou a ser estendido também aos demais empregados brasileiros da empresa. Segundo o dicionário Barron’s Dictionary of Legal Terms, o termo “stock option” significa; “a outorga a um individuo do direito de comprar, em uma data futura, ações de uma sociedade Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 17 31 por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. O plano de opção de compra de ações permite que o empregado tenha uma participação na valorização futura da empresa. O intervalo de tempo entre a atribuição das opções e a compra de ações transforma o plano em típico sistema de remuneração diferida, na medida em que quem recebe as opções de ações não pode dispor imediatamente do valor dessa remuneração. Esta prática permite alcançar 2 (dois) grandes objetivos primordiais para o sucesso de qualquer empresa: retenção dos empregados considerados “talentos” da empresa e o atingimento de resultados por meio de uma parceria entre os acionistas e empregados da empresa. É à busca da verdadeira relação do tipo “ganhaganha” no ambiente de trabalho. 2. O plano de opção de compra de ações O sistema de “stock options” consiste no direito de comprar lotes de ações por um preço fixo dentro de um prazo determinado. A empresa confere ao seu titular o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da empresa para o qual trabalha ou na grande maioria da sua controladora no exterior, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral da empresa. Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. Quanto ao prazo de carência é definido como um número mínimo de tempo de serviço na empresa, que costuma variar de 3 (três) a 5 (cinco) anos. A prática de mercado é de um prazo máximo de termo de opção que varia de 5 (cinco) a 10 (dez) anos da data da concessão da opção de compra. Segundo o dicionário 'Barrons Dictionary of Legal Terms', o termo stock option significa: “a outorga a um indivíduo do direito de comprar, em uma data a futura, ações de uma sociedade por um preço especificado ao tempo em que a opção lhe é conferida, e não ao tempo em que as ações são adquiridas”. Assim, as opções representam o direito de comprar ações a um preço fixo, definido na data em que as opções são concedidas (preço de exercício). Após um determinado período (prazo de carência, também chamado de 'vesting'), Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 32 esse direito de opção de compras pode ou não ser exercido, já que não se trata de obrigação, como mencionado acima e envolve risco para o empregado, Ou seja, em termo conceituais, no entender desta relatora, conceitualmente, stock option é mera expectativa de direito do trabalhador (seja empregado, autônomo ou administrador), consistindo em um regime opção de compra de ações por preço préfixado, concedida pela empresa aos contribuintes individuais ou mesmo empregados, garantindolhe a possibilidade de participação no crescimento do empreendimento (na medida que o sucesso da empresa implica, valorização das ações no mercado), não tendo, em sua concepção original, caráter salarial, sendo apenas um incentivo ao trabalhador após um período prédeterminado ao longo do curso da prestação de serviços (seja no contrato de trabalho, seja em contrato autônomo) desde que respeitada a natureza do plano. Assim, não parto da premissa, de que qualquer plano de stock options teria natureza salarial, como também não há como se afirmar que ao atribuir a nomenclatura de "stock options", estará a empresa desobriga de incluir tal verba na base de alculo de contribuições previdenciárias. No mesmo sentido, temse encaminhado os renomados doutrinadores trabalhistas brasileiros, dentre eles citese a professora Alice Monteiro de Barros (in Curso de Direito do Trabalho, 6.ª ed., São Paulo: LTR, 2010, p. 783): "As stock option constituem um regime de compra ou de subscrição de ações e foram introduzidas na França em 1970, cujas novas regras encontramse na Lei n. 420, de 2001. Não se identificam com a poupança salarial. O regime das stock option permite que os empregados comprem ações da empresa em um determinado período e por preço ajustado previamente. É no mesmo sentido, que entendo que o simples fato de uma empresa ofertar aos seus trabalhadores, um plano de outorga de opção pela compra de ações de forma onerosa, não pode ser fundamentação isolada para a configuração de fato gerador de contribuições previdenciárias, partindo da premissa de que toda a forma de STOCK OPTIONS, tende a remunerar, premiar o trabalhador pela prestação de serviços. Embora, o contrato de concessão da opção por ações possa ter decorrido da prestação de serviços, tratase, em sua origem conceitual, em regra, de típico contrato mercantil, desde que envolva riscos desde a sua concepção, submetendo o trabalhador, a volatilidade do mercado e a risco que estariam totalmente fora do controle da empresa e do próprio trabalhador. Também expressa a ilustre professora Vólia Bomfim Cassar, sua visão acerca dos Stock Options ((in Direito do Trabalho, 5.ª ed., Rio de Janeiro: Ed. Impetus, 2011, p. 888): “Alguns empregadores oferecem aos seus empregados o direito de adquirir ações da companhia por um custo abaixo do mercado (stock option). Uma vez adquiridas voluntariamente pelo trabalhador, será possível a venda quando da valorização de seu valor econômico. Esse exercício de opção de compra de ações da empresa empregadora envolve riscos, pois o empregado poderá ganhar ou perder com a operação. Por isso entendemos que “ganho” eventualmente obtido pelo trabalhador com a venda das ações de sua empregadora não tem natureza salarial, pois é espécie de operação financeira no mercado de ações. Ademais, pago em razão do negócio, e não da prestação de serviços.” Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 18 33 Entendo que ao contrário dos prêmios, que são concedidos de forma gratuita, bastando o atingimento de metas, ou situação particular da prestação de serviços, no stock options (conceitualmente falando) o trabalhador pode ou não obter benefícios, e caso a opção lhe seja vantajosa, terá que pagar o preço de exercício estipulado, donde o seu caráter oneroso, afastaria a pretensão de reconhecimento da natureza de prêmio do plano de compra de ações. Neste mesmo sentido, temse encaminhados os julgamentos da matéria no âmbito do TST. Citese acórdãos a respeito do tema. SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO. A Turma a quo consignou expressamente que, diante do exame das provas produzidas, o fornecimento do veículo ao empregado se deu para o desempenho de seu labor, muito embora também utilizado para fins particulares. Incidência da Súmula 126 do TST. Ademais, o fato de o Reclamante fazer uso do veículo também para uso pessoal não transmuda a finalidade para o qual foi concedido, qual seja, a execução do contrato de trabalho, consoante a Súmula 367, I, do TST. Recurso de Revista não conhecido. SEGURO DE VIDA. SEGUROSAÚDE. REEMBOLSOS DE ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA.O art. 458, § 2º, da CLT estabelece que a assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde, assim como seguros de vida não são considerados salário utilidade. Recurso de Revista não conhecido. GRATIFICAÇÃO ANUAL. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO.O eg. Tribunal Regional consignou expressamente que a verba gratificação anual não era concedida por mera liberalidade do empregador, mas, na verdade, dependia dos resultados obtidos pela empresa ao longo do exercício e do cumprimento de metas individuais pelos empregados. Para se chegar a conclusão diversa, seria necessário o reexame do conjunto fático probatório dos autos, procedimento vedado nessa instância recursal, nos termos da Súmula 126 do TST. Recurso de Revista não conhecido. BONIFICAÇÃO EM AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. Apesar da verba "bonificação em ações" ser concedida anualmente, não pode ser considerada como uma gratificação propriamente dita, já que para o seu "recebimento" o Reclamante deveria investir na compra das ações e estava a mercê das oscilações do mercado financeiro. Recurso de Revista não conhecido. (grifei) DANO MORAL. A controvérsia suscitada pelo Autor encontra óbice na Súmula 126 do TST, uma vez que a análise de suas alegações recursais envolveria o revolvimento do conjunto fáticoprobatório. Recurso de Revista não conhecido. ACÚMULO DE FUNÇÕES.ADICIONAL.Consta do v. acórdão que o Reclamante não comprovou acúmulo de funções. Desse modo, a aferição da alegação recursal ou da veracidade da assertiva do Tribunal Regional depende de nova análise do conjunto fáticoprobatório dos autos, procedimento vedado nesta Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 34 instância recursal, nos termos da Súmula 126 do TST. Recurso de Revista não conhecido. (Processo:RR 106500 98.2000.5.02.0070Data de Julgamento:08/10/2008,Relator Ministro:José Simpliciano Fontes de F. Fernandes, 2ª Turma,Data de Publicação: DEJT24/10/2008.) AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. QUITAÇÃO. SÚMULA 330 TST. Pela leitura do acórdão de fls. 296/299, inferese que em nenhum momento o Órgão Colegiado a quo se manifestou a respeito da tese de contrariedade ao conteúdo do art. 477, §1o da CLT, tanto é que o Agravante sequer transcreveu ou mencionou o trecho pertinente em suas razões do Agravo. Ademais, não opôs embargos declaratórios no momento oportuno objetivando o pronunciamento sobre este tema. Incidência da Súmula n. 297, por falta de prequestionamento. ABONO ANUAL. Partindo do quadro fático probatório delineado pelo Tribunal, cuja reapreciação encontra óbice na Súmula 126 do TST, não há qualquer alteração ilícita do contrato de trabalho (art. 468 da CLT) ou supressão de indenização por rescisão de contrato por prazo indeterminado (art. 468 da CLT). Dispositivos legais invocados não ofendidos. AÇÕES. NÃOINTEGRAÇÃO. REMUNERAÇÃO. A não integração dos "stock options" ou ações na remuneração do empregado decorre da literalidade do disposto no §1o do art. 457 da CLT. Agravo de Instrumento a que se nega provimento. ( AIRR 3874045.2003.5.15.0045 , Relator Ministro: Carlos Alberto Reis de Paula, Data de Julgamento: 24/09/2008, 3ª Turma, Data de Publicação: 17/10/2008. Contudo, a análise realizada acima, teve por escopo aspectos doutrinários do termo “STOCK OPTIONS”, sendo que a conclusão acerca da procedência do lançamento, ou seja, sobre a efetiva natureza salarial do plano de outorga ora apresentado, merece uma análise não apenas conceitual, mas especialmente, se o pagamento feito pela recorrente encontrase em perfeita consonância com a concepção original descrita acima, afastandose a natureza remuneratória, conforme argumentado pelo recorrente. DA APRECIAÇÃO DO PLANO DE COMPRA DE AÇÕES NO ÂMBITO DA BM&F BOVESPA S/A BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS CONFIGURAÇÃO DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DO STOCK OPTIONS Assim como descreve a doutrina, o recorrente e o próprio auditor fiscal, o surgimento do Plano de Opção pela Compra de Ações – chamado de stock options, deuse na lei da S.A em seu art. 128, o que lhe conferiu inicialmente caráter mercantil. Mas, o objetivo desse lançamento e de toda a discussão acerca do tema, é se o fato de a previsão para outorga de ações ter se dado na lei das S.A, afastaria qualquer possibilidade de considerar o benefício como salário indireto, e por conseguinte, incluílo na base de cálculo de contribuições? Acredito que não! O fato da legislação das S.A ter previsto essa modalidade de pagamento, não a excluiu do conceito do salário de contribuição. Nesse ponto, entendo oportuno a indicação do auditor que a verba não está contida no rol de exclusões do art. 28, §9º, mas devemos nos Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 19 35 aprofundar nos fatos indicados no relatório fiscal para constituição do crédito ora sob análise. Tal fato mostrase relevante para evitar que as empresas passem a adotar sistemáticas de remuneração indireta, passando as chamálas de stock options. Vimos, no decorrer dos últimos anos, nascer, disseminar, e morrer diversas formas de pagamentos indiretos, como é o caso das empresas de premiação, que surgiram como ideias legítimas de satisfação dos empregados, ou mesmo de diminuição dos custos das empresas. É certo que o planejamento estratégico, muito presente nos dias atuais tanto na contratação de trabalhadores, como organização das empresas, impulsiona os empresários a buscar formas de vencer no mercado, com a consequente diminuição de custos e aumento da eficiência. Não condeno essa prática, mas, não podemos entender que o simples uso de uma nomenclatura seja capaz de excluir determinado benefício do conceito de remuneração. Ademais, não é a simples nomenclatura atribuida pelo contribuinte que afasta a natureza remuneratória de uma verba, devendo a autoridade fiscal e órgão julgador verificar se na essência o pagamento cumpriu sua premissa básica, aquela na qual original encontravase consubstanciado. Assim, não interessa a nomenclatura atribuída a verba conferilhe carater indenizatório, se o pagamento da mesma consubstanciase em verba com cunho remuneratório. Como defendeu a autoridade fiscal, o caráter remuneratório nasce, na medida que se observa que o benefício concedido surge como um meio indireto de satisfazer o trabalhador, fidelizálo, ou simplesmente oferecerlhe um atrativo, de forma, que o mesmo veja no trabalho prestado na empresa uma possibilidade de remuneração indireta. Destaco, porém, que embora, não concorde com a frase dita de forma isolada, no contexto apresentado pelo auditor, entendo que a conclusão mostrase acertada. E aqui, conforme descrito acima, não importa se estamos falando de empregado, ou mesmo prestador de serviços contribuinte individual. O termo “remuneração” deve ser tomado em sua acepção mais ampla, como qualquer pagamento tendente a remunerar o trabalho prestado ou o tempo a disposição do empregador. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL NORMATIZANDO O PAGAMENTO O grande problema acerca da interpretação sobre a natureza tributária dos benefícios concedidos aos trabalhadores à título de compra de ações, repousa na ausência de legislação própria, capaz de normatizar a forma como deve se dar a concessão, e principalmente, os limites para o seu exercício. Vejamos, trecho do relatório fiscal, acerca do objetivo do plano implementado: • o contribuinte foi regularmente intimado através do Termo de Intimação Fiscal n° 01, a apresentar os documentos relacionados aos Planos de Outorga de Opções de Compra de Ações, prestando esclarecimentos; • da análise do comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A. Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 36 Compra de Ações aos Funcionários, temos o que segue, nos termos utilizados pela empresa: "Um dos principais ativos da BM&F está em seus funcionários. Assim, em reconhecimento aos esforços e à dedicação dessas pessoas, foi aprovado para eles um plano de opção de compra de ações. Com isso, os funcionários poderão participar diretamente de mais essa etapa da história da BM&F. Para tanto, na primeira quinzena de dezembro os funcionários que na data da desmutualização da BM&F (1°/10/2007) haviam sido contratados há pelo menos seis meses serão chamados para a assinatura do contrato pelo qual receberão as suas opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado. Por ocasião da assinatura do contrato serão esclarecidos também os critérios para a determinação do número de opções que cada um receberá, bem como outras informações relevantes". Realmente analisando pela ótica trazida pelo auditor, que transcreveu trecho de comunicado da própria empresa acima, fazendo referência a “reconhecimento dos esforços e dedicação”, poderseia atribuir caráter salarial a verba, mas entendo que não é simplesmente a “nomenclatura” utilizada, seja pelo recorrente ou pelo próprio comunicado que deve servir de fundamento para identificar a natureza do pagamento. Conforme já defendi em outras oportunidades, a essência do pagamento, sua natureza é que será determinante na identificação do caráter salarial do benefício, ou fato gerador de contribuições previdenciárias. Se assim não o fosse, bastaria atribuir a um benefício concedido uma das nomenclaturas descritas no art. 28, § 9º da lei 8212/91, para afastar a natureza salarial da verba. O FATOR DETERMINANTE PARA QUE O STOCK OPTIONS SE AFASTE NA NATUREZA MERAMENTE REMUNERATÓRIA – O RISCO Acredito, conforme descrito anteriormente, que o argumento consistente para que a opção de compra de ações se afasta da natureza remuneratória é o fato do risco atribuído ao empregado ou contribuinte individual, quando lhe é feita a opção pela compra de ações. No caso, destacou o auditor em seu relatório: as opções foram outorgadas ao preço de exercício fixo de R$ 1,00 (um real), exercício esse que coincidiu, por vezes em parte (25%) e por vezes totalmente, com a data da própria outorga, ou seja, 18/12/2007. Nessa data, segundo informações prestadas pelo contribuinte, o preço de mercado da ação foi de R$ 23,06 (vinte e três reais e seis centavos).Excluise, assim, qualquer natureza mercantil dessa operação, visto que possui características peculiares e também vantagens delas decorrentes oferecidas aos empregados e aos administradores, situações essas não disponibilizadas ao investidor comum. Portanto, a outorga de opções de compra de ações aos empregados e administradores do contribuinte possui, integralmente, natureza salarial, remuneratória; Ora, não fossem outros argumentos trazidos pelo auditor para demonstrar a natureza remuneratória da verba, entendo que esse fato já seria o suficiente para descrever a natureza salarial da verba e o distanciamento da concepção original de contrato mercantil, qual seja "o risco". Com a atribuição do valor de R$ 1,00 podemos identificar a ausência do risco, o Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 20 37 que demonstra que a opção pela compra sempre beneficiará o trabalhador, passando neste caso, afastado o risco inerente ao negócio a constituir uma simples forma de remunerar indiretamente o empregado, já que dificilmente o preço da ação estaria abaixo desse patamar. Notese, ainda, que não há pagamento no momento da possibilidade de opção, o que corroborado ao preço de exercício, demonstra a intenção de atribuir o ganho ao beneficiário. Ou seja, nem mesmo estabeleceu a empresa um valor ou antecipação no momento da contratação da outorga, demonstrando que o recorrente simplesmente atribuiu a possibilidade de aquisição (digase que não é obrigatório), a um preço baixo. Não estou falando aqui, que o recorrente tenha que ter “bola de cristal”, adivinhando um valor que seja próximo da realidade de mercado, mas não consigo enxergar que o valor atribuído no presente caso, oferta o risco previsto em um plano de ações com natureza meramente mercantil. Ademais, outro ponto identificado pelo auditor que mostrase relevante é o fato que na data da outorga não houve qualquer dispêndio por parte do beneficiário, limitando se ao pagamento pelo exercício das ações quando do vencimento antecipado. Esse fato mostra se relevante, quando em outras oportunidades (outros planos de stock options) identificase um desembolso no momento da outorga, sem nesse momento exercer qualquer tipo de direito, mas tão somente para ter direito de futuramente exercêlas por um preço previamente estipulado. A atribuição de um valor no momento de assinatura do contrato,isso denota um risco, pois se o trabalhador futuramente não tiver interesse em exercer o direito de comprar, não terá direito ao reembolso do valor. Quando tratamos da definição de Stock Options, citamos as palavras de Adriana Carrera. Calvo, in A natureza jurídica dos planos de opções de compra de ações no direito do trabalho – “employee stock option plans”. Clubjus, BrasíliaDF: 25 ago. 2007”, onde a mesma bem retrata a questão do valor de exercício da ação para não desconfigurar a natureza mercantil: Em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Neste aspecto, vale destacar que o referido valor do desconto ou prêmio não pode ser tão significativo que elimine o risco da operação futura, pois implicaria em gratuidade na concessão do plano, critério típico do salárioutilidade. (grifei) Na lição de Paulo Cezar Aragão, exsuperintendente jurídico da Comissão de Valores Mobiliários, a respeito do tema: (...) a companhia não efetua pagamento algum ao empregado quando lhe outorga opções de compra de ações, mas simplesmente permite que ela subscreva ações a um preço determinado. O possível ganho de capital decorreria de fato alheio à companhia e ao contrato de trabalho, e seria pago pelo terceiro comprador. Concluindo, entendo ser o valor atribuído, não estendido ao mercado, o argumento mais consistente trazido pelo próprio auditor para definição do caráter salarial, ou seja, à medida que a empresa interfere no plano de opções de ações de forma a afastar o risco Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 38 do seu beneficiário fica evidente a intenção de afastar (ou minimizar) o risco atribuído ao próprio negócio, caracterizando uma forma indireta de remuneração. Ou seja, passa o negócio a transparecer, que a verdadeira intenção era ter o empregado a opção de GANHAR COM A COMPRA DAS AÇÕES. Por fim, ao ler os termos do Contrato, outro ponto me chama a atenção, embora não citado expressamente pelo auditor. "4.2 Na forma desta cláusula a própria BM&F poderá emprestar os recursos para o pagamento do exercício, cujo valor deverá ser restituido (...).. Contudo, dita questão serve apenas como fato capaz de solidificar meu entendimento de que o plano em questão não oferece risco ao beneficiários. CONCLUSÃO: os valores atribuídos pela empresa no presente programa afastam o risco do negócio. ESTABELECIMENTO DE METAS PARA EXERCÍCIO DA OUTORGA, Entendo ainda, que existe outro ponto que corrobora o entendimento de que os valores configurariam salários indiretos. Trouxe o auditor em seu relatório, transcrevendo trechos dos próprios contratos individuais com os empregados, fls. 276, do termo de verificação fiscal, que o valor desembolsado pela empresa para conceder a seus empregados e administradores opções de compra de ações é parcela remuneratória decorrente dos serviços que lhe foram prestados, visto que concedido em função do vínculo laboral, como se demonstra através do item abaixo transcrito, extraído do INSTRUMENTO PARTICULAR DE OUTORGA DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. Vejamos, trecho do referido contrato: 2. CONDIÇÕES DA OUTORGA 2.1. A outorga das Opções referentes às ações integrantes dos Lotes 2, 3 e 4 relacionados no Anexo II deste Instrumento ficará condicionada: (a) ao cumprimento de metas de performance, estabelecidas pelo Diretor Geral, que permitam, periodicamente, avaliar a eficiência e a responsabilidade profissional do Beneficiário, levanto em conta, dentre outros, parâmetros sobre: controle de despesas correntes; contribuição à geração de receitas operacionais e/ou financeiras; contribuição à imagem institucional da BM&F; atitude próativa frente aos desafios profissionais e postura cooperativa com seus pares; (b) à avaliação de desempenho do Beneficiário, quando Gerente, pelos demais gerentes de sua Diretoria e pelo respectivo Diretor e, quando Diretor, pelos demais Diretores da Companhia; e (c) à avaliação de desempenho pelo Diretor Geral. 2.2. Caberá ao Diretor Geral estabelecer as metas de produtividade e de redução de custos referidas na cláusula 2.1. acima, bem como os critérios de aferição de desempenho do Beneficiário, a ser feita pela Diretoria da Companhia. Tal constatação encontrase às fls. 235 dos autos, onde encontramse descrito no item 2 Condições da outorga, que as mesmas ficarão condicionadas tanto ao cumprimento de metas, como a avaliação de desempenho. Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 21 39 Concordo com o fato de que a legislação não prevê quem seriam os destinatários, contudo, atrelar a opção pela compra ao desempenho profissional, (como já abordado), torna evidente que se buscar premiar o desempenho, o que não se coaduna com operação meramente mercantil. A indicação dos trabalhadores que poderão efetivar a outorga, como dito anteriormente, tem na sua concepção a manutenção de profissionais, contudo, após essa escolha, ainda condicionar o número de ações a serem outorgadas a desempenho, faz com que, nitidamente, o benefício esteja condicionado ao exercício profissional., ratificando, novamente a natureza salarial da verba. Analisando os documentos colacionados aos autos pelo auditor (acima transcritos), mencionados tanto no relatório, como na decisão de primeira instância, observase que a instituição do programa, também passa essa idéia de atrelar a concessão do stock options a metas, o que no meu entender, afasta sua natureza meramente mercantil. Um dos argumentos doutrinários para afastar a natureza remuneratória do plano de opção por compra de ações é que o mesmo não se assemelha a prêmio (que possui natureza salarial), nem a participação nos lucros, posto que nos dois casos, identificase que o pagamento do benefício condicionase ao desempenho do empregado, ou do trabalhador no geral, como no caso dos contribuintes individuais. Ao descrever no plano, como condição para o seu exercício, o alcance de metas coletivas e individuais, acaba novamente por desvirtuar sua natureza, atribuindolhe feição salarial. Aliás, a empresa só vai ofertar o plano aos que entende ter interesse em manter, posto que já são “talentos”, por isso não se faz necessário a vinculação de metas na concepção original do benefício. Cito os autores Francisco Ferreira Jorge Neto e Jouberto de Quadros Cavalcante, in Direito do Trabalho, Tomo I, 5 edição, Ed. Lumem Juris, fl. 586: O employee stock option não pode ser visto como uma forma de participação nos lucros. O direito de opção de compra relacionase com o valor da ação da empresa à época d efetivo exercício do direito e não com a existência ou não de lucros ou resultados positivos da empresa. Vale dizer, o empregado não tem metas ou produtividade a ser implementada, como ocorre, geralmente na participação nos lucros, para fins de se exercitar o direito de opção de compra de ações negociáveis da empresa no mercado de capitais. Também não pode ser visto como um prêmio na medida em que a opção nada tem a ver com o esforço do empregado. Stock Option não é um salário condição, como ocorre com o prêmio. O empregado somente poderá aguardar o implemento do prazo de carência para adquirir o direito a opção. CONCLUSÃO: Assim, ao condicionar a opção de compras de ações e o número de ações a serem outorgadas a condições relacionadas ao desempenho profissional, o recorrente acaba por desnaturar a operação mercantil do Stock options aproximando sua concessão a de um mero prêmio, demonstrando sua feição salarial (tão evidenciada pela autoridade fiscal), vez que acaba vinculando o seu pagamento ao implemento da prestação de serviços. Aqui ressalto, questão abordada no início deste voto, qual seja, não devemos nos ater apenas a nomenclatura utilizada pelo contribuinte para definição do salário de contribuição, mas identificar como, na prática davase o pagamento. Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 40 DA POLÍTICA REMUNERATÓRIA DESCRITA NOS COMUNICADOS ACERCA DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. Um ponto, que embora isoladamente apreciado não seria capaz de conferir caráter remuneratória são os pronunciamentos técnicos elaborados, mas precisamente o CPC 10, trasncrito pelo auditor em seu relatório, senão vejamos: • o Auditor Fiscal faz análise do Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, afirmando que a outorga de opções de compra de ações para seus administradores e empregados tem caráter salarial, sendo uma espécie de remuneração a curto, médio e longo prazos, devendo integrar o salário de contribuição (base de cálculo) para fins de incidência das contribuições previdenciárias, concluindo que as opções de ações concedidas devem integrar o salário de contribuição, pois: nas Demonstrações Contábeis da sociedade incoporada, em sua Nota Explicativa n° 16 (dezesseis) Benefícios a Empregados Stock Option, é afirmado que o Plano de Opções de Compra de Ações tem o objetivo de permitir que administradores, empregados e prestadores de serviço da companhia ou de outras sociedades sob seu controle, segundo determinadas condições, adquiram ações da companhia, com vistas em: (a) estimular a expansão, o êxito e a consecução de seus objetivos sociais; (b) alinhar os interesses dos acionistas aos de administradores, empregados e prestadores de serviços da companhia ou de outras sociedades sob seu controle; e (c) possibilitar à companhia ou outras sociedades sob seu controle atrair e manter a ela vinculados administradores e empregados. Afirma ainda que as opções de compra de ações outorgadas nos termos do plano poderão conferir direitos de aquisição sobre um número de ações, a título de reconhecimento e retenção dos atuais administradores e funcionários da companhia; nas Demonstrações Contábeis da sociedade incorporadora, em sua Nota Explicativa n° 19 (dezenove) Benefícios a Empregados Stock Option BM& F S.A. (Plano migrado para BM&FBOVESPA), reproduzida anteriormente, é afirmado, a respeito do plano da sociedade incorporada, que ele foi concebido com o objetivo preponderante de conferir aos administradores e empregados da antiga BM&F (i) a retribuição por serviços prestados por seus beneficiários ao longo do período anterior ao processo de desmutualização e, também, (ii) a retenção dos profissionais ao longo dos quatro anos após a aprovação do Plano e ao IPO; no comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A. Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações aos Funcionários, reproduzido anteriormente, é afirmado que em reconhecimento aos esforços e à dedicação dos funcionários, foi aprovado para eles um plano de opção de compra de ações, através do qual receberão opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado; Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 22 41 Às fls. 287 e seguintes, promove o auditor na apenas transcrições de trechos dos comunicados realizados pela própria empresa, como conclui que a forma como realizado o programa da empresa, leva a conclusão de que o benefício na maneira como concedido enquadrase na acepção ampla de remuneração. Isto posto, ao considerar que, na maneira como disponibilizado, a opção pela compra de ações, visou remunerar indiretamente os empregados e contribuintes individuais, correta a indicação da autoridade fiscal, de que o benefício não se encontra no rol de exclusão do conceito de salário de contribuição, descrito no art. 28, § 9º da lei 8.212/91, razão pela qual entendo corretos os fundamentos (em sua maioria, com as observações descritas no voto) para manutenção do crédito. DA DESVINCULAÇÃO COM O TRABALHO DESENVOLVIDO AUSÊNCIA DE RETRIBUTIVIDADE Rechaço o argumento do recorrente de que o pagamento em questão não possui correlação com o trabalho prestado, ou mesmo não caracterizase como contraprestação pelo serviço prestado. Qual seria outra forma de enquadrar o pagamento do STOCK OPTIONS , como feito pelo recorrente, que não contraprestação pelo serviço prestado. Tanto o é, que se estabelecem metas de trabalho, desempenho, como forma de estímulo para que o empregado e contribuinte individual, produza cada vez mais, e por conseguinte, sintase recompensado e queira manter o vínculo com a empresa. Não estou dizendo com isso que qualquer plano de outorga de ações é salário (como exaustivamente apreciado). Nem tampouco, acato os argumentos de que não se tratam de valores provenientes do trabalho. Respeito o posicionamento defendido pelo recorrente, contudo, possuo entendimento inverso a respeito do tema, como foi devidamente destacado pela autoridade fiscal e julgadora. Na maneira como concedido pelo recorrente o engajamento do trabalhador renderá frutos não apenas sobre o crescimento do negócio, mas lhe proporcionará pagamentos na modalidade de ações, cuja outorga (conforme previsto no próprio contrato), está relacionada ao alcance de metas e avaliação do beneficiário.É nesse sentido, que discordo do recorrente de que encontrase desvinculado do trabalho. DA HABITUALIDADE NO PAGAMENTO Argumentar que a verba não era paga com habitualidade, mas apenas eventualmente, também não demonstra equivoco no lançamento. Aliás, o conceito de habitual, no presente caso, não reportase a idéia de pagamentos constantes, mas, relacionados ao desempenho profissional, afastandose da idéia serviço sem qualquer relação de continuidade. A interpretação de ausência de habitualidade não deve indicar pagamentos contínuos, mas devem ser diferenciados de pagamentos eventuais, ou seja, aqueles que não tem qualquer relação com a prestação do serviços ou pelo vínculo de emprego. Estariam excluídos pela ausência de habitualidade aqueles benefícios decorrentes de um infortúnio. A habitualidade será determinante quando buscar a definição do conceito de remuneração para reflexos em outras verbas trabalhistas, tais com férias, 13 salário. Já para incidência de contribuições previdenciárias, o fatos determinante é a natureza em si da verba, donde buscamos caracterizar a verba como salarial, ou indenizatória se a mesma vinculase ao contrato de trabalho. QUANTO AO INDEVIDO ENQUADRAMENTO DE PRESTADORES DE SERVIÇO COMO EMPREGADOS E DIRETORES VINCULADOS A CLT COMO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 42 Quanto a este argumento vejamos o que argumenta o recorrente em sua impugnação, fls. 379 Na planilha denominada "outorga de opções de compra de ações, anexa ao Termo de Verificação Fiscal, se verifica que a fiscalização segregou os valores autuados considerando (i) a qualificação do beneficiário (diretores ou empregados) e (ii) a data da carência. E, com base nessas informações, a d. fiscalização calculou as contribuições previdenciárias supostamente devidas, aplicando a alíquota de 20% para os beneficiários considerados diretores e a alíquota de 21% (20% + 1% RAT) para os beneficiários considerados empregados. Contudo ao analisar o DAD, se verifica que a d. fiscalização indevidamente enquadrou os prestadores de serviços beneficiados pelo plano como empregados da impugnante, o que gerou a cobrança a maior do tributo (21% ao invés de 20%). Ressaltese, nesse aspecto, que à fiscalização foram disponibilizados todas as informações necessárias a averiguação de que os prestadores de serviços não integram o quadro de empregados da impugnante, especialmente: folhas de pagamento e GFIP. E, na mesma linha de irregularidade,a fiscalização desconsiderou o fato de que os diretores da impugnante são contratados sob a égide da CLT, indevidamente considerados contribuintes individuais, não obstante lhe tenham sido prestados todas as informações necessárias para que não tivesse incorrido em tal erro. Desta forma, diante da irregularidade na materialização do lançamento fiscal, em total afronta ao disposto no art. 142 do CTN, se conclui que o lançamento fiscal carece de validade e , portanto, não pode prosperar. Quanto a este ponto, debruceime sobre o lançamento na busca de informações que levassem a identificar os erros apontados pelo recorrente, contudo não obtive êxito. A alegação de que houve a troca quanto a identificação do tipo de segurado tornase inócuo se não apontado pela recorrente os erros cometidos, mas tão somente refutar dizendo que a autoridade fiscal tenha condições de identificar. No recurso, novamente refutou de forma genérica o recorrente, o que não nos permite apreciar e excluir (se fosse o caso) possíveis erros no enquadramento dos fatos geradores, razão pela qual, não confiro razão ao recorrente. Notese que mesmo após a DRJ indicar que o recorrente não apresentou qualquer elemento de prova capaz de esclarecer os erros apontados, o recorrente argumenta que se a DRJ tinha dúvidas deveria converter o julgamento em diligência. Ora, para que se tenha dúvida sobre supostos erros de enquadramento, não leva em consideração o julgador apenas argumentos, devendo serem os mesmos fundamentados com qualquer prova ou informação adicional, o que não foi o caso. Dessa forma, concordo com o posicionamento adotado pelo julgador. DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 23 43 Muito discutiu o recorrente argumentando que não houve pagamento ou mesmo ganho, e portanto, a verba não poderia constituir salário de contribuição, sendo indevida o lançamento em relação a este período, o que não venho a concordar. Argumenta que tão somente se o beneficiário vendesse a ação, poderia se vislumbrar alguma espécie de ganho, e mesmo assim, caso ocorresse, seria uma relação desvinculada da autuada, não havendo como estabelecer o liame jurídico, capaz de determinar sua sujeição passiva pelos créditos ora lançados. Acho que o entendimento levado a efeito pela autoridade fiscal, encontrase acertado. Ora, em que momento houve o “ganho”, ou conforme descrito anteriormente a remuneração indireta do trabalhador? Acredito que, no momento em que houve o direito de opção (com o efetivo exercício) pela ações ocorreu, sim, o fato gerador, mesmo que não tenha havido a efetiva venda a terceiro, pois naquela oportunidade o mesmo integralizou a efetiva compra das ações sobre o preço de exercício, valor inferior aquela oportunidade ao preço de mercado, representando um ganho direto do trabalhador. Devemos, identificar que remuneração não é representada apenas por pecúnia, mas qualquer ganho, mesmo na forma de utilidades, como o caso de aquisição de ações. Conforme demonstrado acima, houve o desvirtuamento do stock options em sua natureza inicial, qual seja, mera operação mercantil, razão pela qual procedeu o auditor ao lançamento do ganho real, (diferença entre o preço de exercício e o preço de mercado no momento da opção pela compra de ações.). Não tivesse ocorrido ditos fatos (acima apreciados) não se discutiria a ocorrência do fato gerador, posto que não restaria caracterizada a remuneração indireta. Conforme descrito anteriormente, em geral, o plano de “stock options” contém os seguintes elementos: (1) preço de exercício – preço pelo qual o empregado tem o direito de exercer sua opção (“exercise price”); (2) prazo de carência – regras ou condições para o exercício das opções (“vesting”) e; (3) termo de opção – prazo máximo para o exercício da opção de compra da ação (“expiration date”): O preço de exercício é o preço de mercado da ação na data da concessão da opção, sendo comum estabelecerse um desconto ou um prêmio sobre o valor de mercado. Afasto, dessa forma, o argumento de eventual diferença entre o valor da ação no pregão da bolsa e o valor da ação pago pelo beneficiário do Plano de Opção de Compra de Ações da Recorrente seria irrelevante e imprestável para a cobrança do tributo, vez que em grande parte dos casos não ocorre a efetiva venda a terceiros. Pelo contrário, ao fornecer o benefício ao trabalhador, inclusive com a conseqüente possibilidade de venda imediata, como enfatizado pelo auditor (donde se extrai dos contratos), ofertou a recorrente ao trabalhador um ganho indireto, cuja definição da base de cálculo deuse sobre o ganho auferido pelo beneficiário, seja ele advindo do embolso financeiro ou do ganho a forma de utilidade. Prova disso é o comunicado interno aos funcionários da BM&F (sociedade incorporada) n° 013/2007DG, referente ao IPO da BM&F S.A. Início de Negociação das Ações e Plano de Outorga de Opções de Compra de Ações aos Funcionários, que a seguir se transcreve, com grifos nossos: "Um dos principais ativos da BM&F está em seus funcionários. Assim, em reconhecimento aos esforços e à dedicação dessas pessoas, foi aprovado para eles um plano de opção de compra Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 44 de ações. Com isso, os funcionários poderão participar diretamente de mais essa etapa da história da BM&F. Para tanto, na primeira quinzena de dezembro os funcionários que na data da desmutualização da BM&F (1°/10/2007) haviam sido contratados há pelo menos seis meses serão chamados para a assinatura do contrato pelo qual receberão as suas opções de compra de ações da BM&F S.A., que serão exercidas pelo valor de R$ 1,00 (um real) por ação e serão vendidas, em nome dos beneficiários, por valor de mercado.” Assim, como já demasiadamente descrito, realmente entendo que o ganho inicial pela outorga de ações não constitui salário de contribuição de maneira geral, contudo, na forma como pago, representando um ganho na forma de utilidade, mais uma vez correta aindicação da natureza salarial. DO FATO GERADOR MOMENTO DA VENDA DAS AÇÕES NO MERCADO Ademais, também afasto o argumento de que o fato gerador (se existisse) só se daria no momento da venda a terceiros. O momento da ocorrência do fato gerador, deuse com a concretização da opção, auferindo um ganho indireto. (o direito de compra), que nesse caso específico, coincidiu com o período de carência. Aliás, entendo que a antecipação da carência, inclusive no caso de desligamento da empresa, denota que a intenção da empresa era realmente praticar uma forma de remunueração indireta, assim, como descrito pela própria autoridade julgadora quando tratou da política remuneratória da empresa. Não podemos dizer que se dará apenas com a venda, pois poderemos nos deparar com situações em que o empregado nunca realizasse essa venda, mas, possua o “bem” (direito a ação) direito esse concedido, como no presente caso, pela contraprestação do serviços. Ainda com relação a esse ponto, assim, trouxe o recorrente em seu recurso: "A fiscalização desconsiderou o fato de que os valores por ele considerados como base de cálculo nunca foram pagos pelo recorrente ao beneficiário." Entendo que equivocada a premissa trazida pelo recorrente. Em momento algum a autoridade fiscal disse que houve pagamento, mas sim ganho pelo direito incorporado ao patrimônio do beneficiário. A diferença entre o valor pago e o valor de mercado é que representa o referido ganho e por conseguinte o fato gerador de contribuições previdenciárias. NO momento que a ação é exercida (e só será se a pessoa tiver vantagem), o que no presente caso, tornase provável, considerando o valor estipulado de R$ 1,00, teremos aferido o suposto ganho, sempre que o valor de mercado estiver acima do valor pago. Mas, vale ressaltar, que só será apurada base de cálculo, se restar caracterizado o carater remuneratório da verba. E não me venha falar que esse ganho pode ser incerto, pois depende do preço da ação no futuro, sendo que o valor da ação pode sofrer redução. Concordo, mas importante identificar que ninguém é obrigado a exercer, nem tampouco vender a ação anteriormente exercida em momento de baixa de mercado. O valor do suposto ganho com a venda da ação no fututo não é parâmetro para definição de salário de contribuição (ganho auferido como constraprestação pelo serviço Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 24 45 prestado), mas tão somente para definir ganho de capital para efeito de apuração de imposto de renda. Nesse mesmo sentido já se encaminhou o julgador de primeira instância: Desse modo, temos que o momento da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração a título de opções de compra de ações é a data do vencimento do seu prazo de carência, não importando o exercício das opções pelo beneficiário. Ocorrido o fato gerador, a base de cálculo das contribuições previdenciárias sobre ele incidentes será a mesma data, qual seja, a do vencimento do prazo de carência, conforme cálculo realizado pela auditoria fiscal. Nestes termos, a outorga de opção de ações aos segurados que prestaram serviços à Impugnante, conforme antes exposto, configura remuneração em face do ganho concedido ao beneficiário decorrente do valor da diferença entre o valor estipulado pela ação (R$1,00), fixado no contrato do Plano de Opção de Compra de Ações, e o seu valor de mercado na data do vencimento da carência, a exemplo do Diretor Alcides de Francisco Ferreira: ações outorgadas = 250.000, cumpridas = 62.500, valor de mercado em 18/12/2007 = R$23,06, preço de exercício de R$1,00, portanto, ganho de R$1.378.750,00 (23,06 – 1,00 x 62.500). Verificase da planilha anexa aos autos “Outorga de Opções de Compra de Ações”, que estão listados todos os beneficiários do plano de opção de compra de ações, tendo sido computadas para fins de apuração do salário de contribuição (base de cálculo) tão somente as opções que foram “cumpridas” (no prazo de carência) em relação ao total que foi outorgado a cada beneficiário, conforme relação fornecida à auditoria fiscal pela própria Impugnante. Ressaltese que somente foram computadas para fins do lançamento tributário, tão somente as opções de compra de ações cumpridas no prazo de carência, repitase, conforme relação fornecida à auditoria fiscal pela Impugnante, isto é, foi considerado o momento em que foi implementada a condição suspensiva, e assim sendo, não há que se questionar o feito fiscal, pois houve realmente um ganho ao beneficiário e um custo para a empresa no montante equivalente à diferença entre o valor de mercado das ações na data de vencimento da carência e valor das ações nas opções ofertadas aos beneficiários (R$1,00). Desse modo, o acréscimo patrimonial relativo às opções de compra de ações ocorreu ao fim do prazo de carência, este sim, o momento de ocorrência do fato gerador (implemento da condição suspensiva), razão pela qual para os administradores da Impugnante o encerramento do lock up não desconfigura a ocorrência do fato gerador. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 46 Assim, as Opções de Compra de Ações significam para os trabalhadores efetiva vantagem econômica, a qual não se confunde com o eventual ganho de capital a ser apurado apenas quando da alienação das ações. Conforme até aqui exposto, não se sustentam as alegações da Impugnante no sentido de que não ter efetuado qualquer espécie de pagamento aos beneficiários do Plano de Opção de Compra de Ações, visto que o ato de outorgar um direito de subscrever ações de uma empresa através do Plano de Opção de Compra de Ações por preço inferior ao de mercado em contraprestação ao serviço prestado consiste em remunerar, não importando se o beneficiário exerceu ou não este direito, pois, ao término do prazo de carência o beneficiário adquiriu um bem correspondente a um direito com valor econômico correspondente à diferença entre o valor de mercado da ação, na data do termino de carência (quando as ações poderiam ser adquiridas), e o valor de subscrição, preestabelecido no contrato de outorga das opções, o que lhe gerou inevitavelmente um acréscimo patrimonial. Por fim, em relação a ocorrência do fato gerador para os administradores (diretores), também entendo que o fato de a empresa estabelecer um lock up (6 meses), não interfere na data do fato gerador descrito pelo auditor fiscal. Conforme descrevemos acima, não é a possibilidade de venda das ações e o ganho dela resultante que determina o momento da ocorrência, mas o exercício das ações, que no presente caso, coincide com o data da carência. Não é a possibilidade de venda imediata que determina que haverá ou não ganho. Seja com ou sem lockup o ganho auferido decorre do direito a aquisição da ação (que pode ser total ou parcial). Novamente, o lockup pode interessar para que se identifique o momento do ganho de capital (IRPF), mas não o ganho (benefício in natura) como retribuição pelo serviço prestado.. O exemplo trazido pelo recorrente acerca da volatilidade no valor da ação em épocas futuras só seria relevante, se o fato gerador, para efeitos previdenciários, ocorresse no momento da venda a terceiros, o que não é o caso. Assim, no momento em que exerceu as opções pela ações ocorreu o fato gerador, independente se a possibilidade de dispor das ações adquiridas só ocorresse em momento posterior. DA BASE DE CÁLCULO Quanto a este cálculo também concordo com a posição adotada pela autoridade fiscal. O valor estipulado pela empresa para o exercício não entrou na base de cálculo da contribuição lançada, mas a diferença entre esse valor e a média estipulada pelo mercado no dia da carência antecipada, que nada mais é, no presente caso, do que a data do exercício. A utilização da média do mercado do dia, é mais do que justa, considerando a variação do preço da ação em um mesmo dia. Assim, correto os valores lançados. A planilha indicando a avriação da ação na abertura e no decorrer do dia, apenas demonostra acertada a utilização da média, tanto que no dia 18/12/2007, adotouse como base o valor de R$ 23.06 (planilha), o que reflete o valor abaixo da médio da ação nesse dia. Para definição de remuneração não levamos em consideração apenas os valores fornecidos em dinheiro, bem como qualquer ganho até mesmo na forma de utilidades, razão pela qual o ganho (direito de ações), pode ser também considerado uma espécie de Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 25 47 remuneração. Entendo importante firmar entendimento do papel das utilidades dentro do conceito de salário de contribuição para contribuintes individuais e empregados. Conforme, já transcrito anteriormente a definição de salário de contribuição encontrase prevista no art. 28, III da Lei n° 8.212/1991, para o segurado contribuinte individual: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Dessa forma, pela análise dos dois dispositivos legais, podemos estabelecer que não existe nenhuma distinção entre a base de cálculo da contribuição dos segurados empregados e dos contribuinte individuais. Entendo que o detalhamento do dispositivo com relação aos segurados empregados, visa simplesmente transcrever o que a Consolidação da Leis do Trabalho – CLT, destaca como remuneração para os trabalhadores por ela amparados. A preocupação do legislador trabalhista, reafirmada pelo previdenciário, foi simplesmente enfatizar que tudo aquilo que o empregador der ao seu empregado, como contraprestação pelo trabalho realizado, deve ser incluído no conceito de remuneração seja em dinheiro ou outro tipo de retribuição, como ocorreu no presente caso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 48 profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Pelo exposto, o fato do legislador não ter detalhado o conceito de remuneração para o contribuinte individual é simplesmente porque não é comum se ajustar outra modalidade de pagamento pela prestação do serviço que não dinheiro. Porém resta evidente que qualquer espécie de pagamento feito ao contribuinte individual, caracterizase como contraprestação pelo serviço realizado integrando a base de cálculo de contribuições previdenciárias. Não se pode descartar o fato de que os valores ganhos pela compra de ações abaixo do valor de mercado, sem atribuir ao trabalhador os riscos, não sejam um ganho indireto, obtido por meio da aquisição de ações, mesmo sem haver a conversão em pecúnia. É justamente aí que identificamos o conceito de utilidade, que é a forma de remunerar sem que envolva a transferência de numerário ao trabalhador. Essa modalidade de benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço pactuado. Este tópico, bem afasta o argumento do recorrente que não há nos autos qualquer indício ou evidência de que os valores atrelados ao Plano de Opção se prestavam a substituir ou complementar a remuneração. Não houve presunção do fisco, como argumentado. Pelo contrário o auditor (como já afastado em sede preliminar), bem fundamentou o lançamento, com a correta descrição dos fatos geradores., estando o lançamento em conformidade com a legislação. DA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR QUANTO AO TERMO "INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS OPÇÕES PELO TRABALHADOR" Bom, considerado restar devidamente caracterizada a natureza salarial da verba, restanos, por fim, enfrentar a alegação quanto ao momento da indicação do fato gerador. Para tanto, valhome da descrição trazido pelo auditor em seu relatório: • portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. No caso, o vencimento do prazo de carência ocorreu em três situações distintas, todas previstas no Plano de Outorga de Opções mantido pelo contribuinte: Quanto a este ponto, entendo que não logrou êxito o auditor em indicar da forma mais acertada a ocorrência do fato gerador, demonstrando, verdadeiro equivoco no lançamento. Conforme indiquei como fundamento para definir a natureza salarial da verba, o exercício das opções que foram outorgada ao trabalhador, demonstra um ganho, considerando, dentre outros características o valor definido pela BM&F. Contudo, não tenho como concordar com a premissa trazida pelo auditor, qual seja: "data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 26 49 trabalhador". Até poderíamos acatar, conforme indicado no relatório, que o fato gerador ocorreria na data do vencimento da carência, partindo do raciocínio de que no presente caso, ocorreria a carência antecipada, porém não foi essa a indicação da autoridade fiscal, mas a de que o fato gerador ocorreria independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. O que se conclui do raciocínio ali exposto é que exercendo ou não, o valor da ação seria automaticamente incorporado ao patrimônio do trabalhador, seja empregado ou contribuinte individual, afastando qualquer ato de vontade deste. Não entendo ser possível levar como correto esse raciocínio, pois se acatássemos, estariamos desconstruindo o pagamento como "outorga de ações", desconsiderando tudo narrado pelo auditor e partido da premissa de que os pagamentos seriam simplesmente prêmios, ou gratificações. Da ánalise dos fatos trazidos pela autoridade fiscal, também não consigo afirmar que no dia do vencimento da carência tenham os trabalhadores exercido a totalidade das ações, pois não vejo esse fato narrado nos autos. Tivesse o auditor, mesmo colocando a frase "independentemente do exercício das opções", indicado que os valores lançados seriam apenas aqueles efetivamente exercidos (na data da carência antecipada), sentiriame confortável em manter o lançamento, face a impossibilidade de constarem do lançamentos, valores que na minha opinião não são fatos geradores. Dessa forma, embora para mim, esteja clara a natureza salarial, entendo que não posso ratificar a adoção da fundamentação quanto ao fato gerador, pois tida de forma, isolada, levaria a possibilidade de que nem todas as ações cujo prazo de carência tenha sido cumprido, tenham sido exercidas. Face o exposto, entendo existir um erro essencial na constituição do lançamento, qual seja, a indevida indicação dos fatos geradores, que pela forma trazida pela autoridade fiscal, impossibilitam dizer se os valores lançados correspondem apenas ao ganho obtido sobre ações exercidas, ou foram lançadas as totalidades de valores, independentemente do exercício, razão pela qual, nessa parte entendo exista um vício no lançamento que inviabiliza a manutenção do lançamento na forma como lançado. Ressalto, que considerando o vício apontado, abstenhome de apreciar as demais questões suscitadas pelo recorrente (DA ILEGALIDADE DA MULTA, DA IMPOSIÇÃO DE MULTA A SUCESSORA, SOBRE EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS, DA ILEGALIDADE DA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO), considerando a improcedência da autuação, pelas razões acima narradas, o que leva a improcedência dos demais autos de infração N. 37.346.3065 e 37.346.3073, lavrados na presente autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos em relação aos autos de infração constantes do presente processo, para rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito DARLHES PROVIMENTO É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 50 Declaração de Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Em que pesem os sempre bem lançados fundamentos do voto da ilustre relatora, peço vênias para não acompanhála de forma integral. Conforme já relatado, a fiscalização tributária considerou que o plano de opções de compra de ações instituído pela recorrente em seu estabelecimento, possui a natureza de remuneração indireta, de modo que, sobre os ganhos auferidos por seus empregados quando da adesão ao mesmo, deveriam incidir as contribuições previdenciárias. O relatório fiscal aponta uma série de argumentos, através dos quais o ilustre fiscal autuante entendeu como evidente o caráter remuneratório do plano. Fato é que, como bem apontou a ilustre relatora, além de considerar o plano como dotado do caráter salarial, ao efetuar o lançamento, o fiscal adotou como momento da ocorrência do fato gerador, a data de vencimento do prazo de carência para o exercício da opção, independentemente de cada um dos trabalhadores ter ou não exercido suas respectivas apções. Vejamos, novamente, o que considerou o fiscal em seu relatório fiscal: • portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do vencimento do seu respectivo prazo de carência, independentemente do exercício das opções pelo trabalhador. No caso, o vencimento do prazo de carência ocorreu em três situações distintas, todas previstas no Plano de Outorga de Opções mantido pelo contribuinte E esta turma, ainda capitaneada pelo voto da Em. relatora, entendeu que o momento da efetiva ocorrência do fato gerador para o lançamento ora sob análise não poderia ser o adotado pelo fiscal autuante, conforme restou bem fundamentado pela relatora no tópico “DA INDICAÇÃO DO FATO GERADOR QUANTO AO TERMO "INDEPENDENTE DO EXERCÍCIO DAS OPÇÕES PELO TRABALHADOR", tese esta acolhida forma unânime. Assim, ao eleger de forma incorreta o momento da ocorrência de tal evento, o lançamento realmente não tem o condão de prosperar. A meu ver, tal inconsistência, é questão necessariamente prejudicial à análise dos demais argumentos das partes para decidirse acerca da presença ou não do caráter salarial do plano de opções de compra de ações objeto do presente processo, bem como dos demais argumentos periféricos e constantes no recurso voluntário da parte. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 16327.721267/201233 Acórdão n.º 2401003.891 S2C4T1 Fl. 27 51 Ora, se por tal motivo o lançamento já não pode ser mantido, tendo em vista que um de seus pressupostos intrínsecos deixou de ser observado, a discussão acerca do caráter salarial ou não e demais pontos contidos no recurso, tornase, a meu ver, despicienda. Se, de antemão, já se vislumbra existindo ou não o caráter salarial sobre a verba em questão que um dos critérios adotados para considerar como aperfeiçoado o lançamento, no caso, o momento da ocorrência do fato gerador, foi adotado de forma equivocada, não vejo como esta Turma discutir e manifestarse acerca de possível existência do caráter salarial sobre a verba, já que, no momento eleito pelo fiscal, não ocorreu qualquer ganho comprovado pelos beneficiários do plano. Deixo, portanto, de manifestarme quanto a existência ou não de caráter salarial no plano de opções de compra de ações objeto do presente processo, acompanhando a relatora, tão somente, no que se refere ao equívoco na eleição do momento da ocorrência do fato gerador do lançamento, conforme alhures apontado. Assim, por tais motivos, acompanho a relatora pelas conclusões, para dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 30/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 30/04/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13027.000120/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA COISA JULGADA
É vedado à Administração Pública, no exame de pedido de compensação amparado em título executivo judicial, decidir além do que dispôs o Poder Judiciário da decisão transitada em julgado.
Recurso voluntário desprovido.
Direito creditório não reconhecido.
Numero da decisão: 3102-00.890
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Matéria PIS/PASEP Recorrente BIGOLIN MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIMITES DA COISA JULGADA É vedado à Administração Pública, no exame de pedido de compensação amparado em título executivo judicial, decidir além do que dispôs o Poder Judiciário da decisão transitada em julgado. Recurso voluntário desprovido. Direito creditório não reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13027.000120/200310 Acórdão n.º 3102000.890 S3‐C1T2 Fl. 2 2 Relatório O presente processo trata de pedido de compensação de tributos diversos, decorrentes de decisão judicial. Por bem relatar os fatos e o direito concernente à lide, adoto parte do relatório proferido pela DRJ de origem (fls. 731745): Compõem este processo administrativo, ainda, o demonstrativo Créditos Decorrentes de Decisão Judicial, cópia de CNPJ, extrato de movimentação processual, cópias de partes de medidas judiciais, extratos do Sistema S1NCOR, demonstrativos de pagamentos, cópias de documentos de arrecadação, cópias de DlPJ. Papeletas de Comprovação de Recolhimentos. demonstrativos de cálculos e valores, extratos do Sistema DCTF cópias de DCTFs e extratos do Sistema COMPROT. Às fls. 308/314 está anexado o Despacho Decisório DRF/PFO de 28/0712006, onde o Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo (RS) decidiu: a) reconhecer à empresa um crédito de RS 217.086,90 relativo ao direito declarado no Mandado de Segurança n° 99.12003578 2, atualizado até a data de 01/01/1996, acrescido, a partir daquela data, de juros à taxa SELIC; b) homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido, desde que objeto de DComps apresentadas após 17109/2003 e somente com débitos de PIS; c) nãohomologar as compensações efetuadas pela empresa onde foi utilizado crédito oriundo do Mandado de Segurança n° 99.120035782, objeto de DComps apresentadas no período compreendido entre 01/10/2002 e 17/09/2003, bem como as que envolvam tributos de espécie diferente do PIS. Depreendese dos autos que a compensação foi indeferida em primeira análise porque os períodos entre 01/10/2002 e 23/04/2003 teriam sido requeridos antes do trânsito em julgado da ação. Quanto aos demais pedidos de compensação, a autoridade fiscal afirmou que o seu acolhimento não estaria amparado pela coisa julgada formada no Mandado de Segurança n° 99.120035782, que permitiu apenas a compensação com débitos do mesmo tributo, qual seja, o PIS. A DRJ indeferiu o pedido de compensação, por meio de decisão assim ementada: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13027.000120/200310 Acórdão n.º 3102000.890 S3‐C1T2 Fl. 3 3 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003 ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NORMAS E ATOS. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou ilegalidade de normas ou atos praticados pela administração fiscal, bem como a afronta a princípios constitucionais, é privativa do Poder Judiciário. DCOMP. ANÁLISE. ELEMENTOS. Na realização da análise de declarações constantes de DComps, a autoridade administrativa deve se ater aos elementos contidos no processo, não sendo sua obrigação carrear aos autos recursos benéficos à interessada. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2003 DCOMP. CRÉDITO OBJETO DE AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. Necessário que haja o trânsito em julgado da decisão que disponha sobre compensação de tributo para que essa seja implementada (art. 170A do CTN). PIS. DCOMPS. AÇÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIVERSOS. A compensação de créditos de PIS deve ser operacionalizada de acordo com o determinado em decisão judicial transitada em julgado. PROVIMENTO JURISDICIONAL. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA NA RELAÇÃO JURIDICA. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. Disso decorre que a contribuinte não pode, ao executar o provimento jurisdicional alcançado, transbordar seus limites, observandose que a sentença pesa sobre ela como norma jurídica individual e concreta, de observância obrigatória. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13027.000120/200310 Acórdão n.º 3102000.890 S3‐C1T2 Fl. 4 4 SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. Contra a referida decisão, a empresa apresentou recurso voluntário (fls.751 a 788), onde reitera os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário merece conhecimento, na medida em que interposto no prazo legal por procurador regularmente habilitado. Contudo, no mérito, o pedido do contribuinte não deve prosperar. Como bem colocou a DRJ, a compensação foi indeferida em primeira análise porque os períodos entre 01/10/2002 e 23/04/2003 teriam sido requeridos antes do trânsito em julgado do Mandado de Segurança n° 99.120035782 Por outro lado, não prospera o argumento do Contribuinte de que o direito ao crédito teria sido reconhecido pela Ação Ordinária nº 93.00.124447, da Justiça Federal da 4ª Região. Ocorre que o Contribuinte não amparou o seu pedido de restituição ou compensação com créditos Oriundos dessa ação ordinária. Na verdade, o Contribuinte apontou a existência dessa ação pela primeira vez no momento do recurso voluntário. Em sede de apreciação de pedido de compensação lastreado em título executivo judicial, à Autoridade Administrativa cabe analisar o direito ao crédito tributário nos limites em que julgado e provido pelo Poder Judiciário. Não pode inovar no exame da lide, sob pena de ofender a coisa julgada constituída. Assim, no que se refere à possibilidade de compensação dos créditos com débitos de outros tributos, cumpre verificar que o Mandado de Segurança n° 99.120035782 permitiu a compensação somente com débitos de COFINS. O Fisco não pode prover pedido de compensação contrário ao que foi determinado pelo Poder Judiciário. Pelo exposto, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 3 de fevereiro de 2011. Beatriz Veríssimo de Sena Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13027.000120/200310 Acórdão n.º 3102000.890 S3‐C1T2 Fl. 5 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 04/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
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Numero do processo: 10715.005900/2010-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
SUCESSÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR.
RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA
A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CABIMENTO.
O registro extemporâneo dos dados de embarque no Siscomex, realizado em momento em que não esteja em curso o despacho aduaneiro e antes da formalização de procedimento fiscal tendente a apurar a infração, configura denúncia espontânea e exclui a aplicação da multa pecuniária pela não observância do prazo para o registro.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 SUCESSÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CABIMENTO. O registro extemporâneo dos dados de embarque no Siscomex, realizado em momento em que não esteja em curso o despacho aduaneiro e antes da formalização de procedimento fiscal tendente a apurar a infração, configura denúncia espontânea e exclui a aplicação da multa pecuniária pela não observância do prazo para o registro. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 SUCESSÃO. OBRIGAÇÃO ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA A responsabilidade tributária de que trata o art. 132 do CTN não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas que, por representarem penalidade pecuniária de caráter objetivo, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CABIMENTO. O registro extemporâneo dos dados de embarque no Siscomex, realizado em momento em que não esteja em curso o despacho aduaneiro e antes da formalização de procedimento fiscal tendente a apurar a infração, configura denúncia espontânea e exclui a aplicação da multa pecuniária pela não observância do prazo para o registro. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário reconhecendose o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 59 00 /2 01 0- 21 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: A presente autuação referese à exigência da multa capitulada no art. 107, IV, alínea "e", do DecretoLei n.° 37/66, com a redação da Lei n.° 10.833/2003, no valor de R$10.000,00, aplicada por veículo/viagem, identificado pelo respectivo vôo, por não prestar as informações sobre a carga transportada no prazo estabelecido na IN SRF n.° 28/1994, alterada peia IN SRF n.° 510/2005. Consta no Auto de Infração, às fls. 10, uma relação com as informações acerca dos embarques e datas dos registros dos respectivos dados, bem como das DDE's e número dos vôos. Intimada da autuação, a interessada apresentou a impugnação de fls. 16/37, alegando, em síntese, o que segue: 1)Preliminarmente alega erro na identificação do sujeito passivo, já que a empresa autuada incorporou a empresa Gol Transportes Aéreos S/A em data posterior às infrações praticadas por aquela empresa. As operações ocorreram em fevereiro de 2008, período em que as duas companhias em questão, a empresa GOL Transportes Aéreos S/A. e a VRG LINHAS AÉREAS S/A, atuavam separadamente no mercado de transporte aéreo brasileiro. Somente em setembro de 2008 fora aquela empresa incorporada pela empresa VRG LINHAS AÉREAS S/A, ora Impugnante, conforme, inclusive, consta do próprio cartão do CNPJ da empresa incorporada. Em outras palavras, pretende a fiscalização penalizar, neste momento, a ora Impugnante por uma eventual infração cometida pela empresa incorporada quando a mesma teve mais de 08 meses antes da incorporação para autuar a própria GOL Transportes Aéreos S/A. No presente caso a pessoa jurídica que cometeu a infração foi a empresa GOL TRANSPORTES AÉREOS S/A, extinta por incorporação em setembro de 2008. Portanto, a Impugnante, na qualidade de incorporadora, não poderia ser responsabilizada pela infração, pois é principio pátrio que somente o próprio agente pode ser responsabilizado pela infração, ou seja, não há no direito brasileiro sucessão de penalidade. De acordo com o artigo 132 do CTN, a legislação pátria impõe ao sucessor por incorporação a responsabilidade apenas e tão somente por eventuais tributos devidos, excluindose, as multas decorrentes, sejam elas de caráter moratório ou punitivo. Assim, a multa aplicada após a incorporação não pode ser exigida do Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 5 4 sucessor. Cita também o art. 137, do CTN sobre a responsabilidade do agente, colacionando alguns Acórdãos do CARF e STF. Portanto o presente auto foi lavrado em face de sujeito passivo ilegítimo, o que contamina de nulidade a presente autuação. 2)Protesta pela observância ao princípio da legalidade e da tipicidade. As informações acerca da forma e do prazo são essenciais para a definição da infração tributária imputada à impugnante, compondo, portanto, o tipo penal tributário, razão pela qual as mesmas somente poderiam estar veiculadas em lei, em sentido estrito, e nunca através de mera Instrução Normativa expedida pela Secretaria da Receita Federal. 3)Alega que ocorreu a denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 102, do DecretoLei n.° 37/66 e 138 do Código Tributário Nacional, tendo procedido aos registros de embarque antes da aplicação da autuação. 4)Argumenta que a caso tal obrigação não seja observada, isto é, caso o sujeito passivo deixe de prestar as informações competentes acerca das operações de transporte de cargas internacionais por ele executadas, estaria o infrator sujeito a aplicação de uma única penalidade no estrito e expresso montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).. 5) Ainda que assim não fosse, melhor sorte não teria a exação em comento. Isso porque, os fatos, tais como relatados no presente auto de infração dariam ensejo a plicação de outra penalidade, especificamente a descrita no inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n° 37/1966, mais especificamente na alínea "c" do referido instrumento normativo por se consubstanciar em um efetivo caso de embaraço à fiscalização. 6)Solicita, ao final, caso não seja acolhida a impugnação, o encaminhamento do presente processo ao Secretário da Receita Federal do Brasil para apreciação do presente pedido de relevação da pena, o qual encontra amparo no artigo 736, do Regulamento Aduaneiro/2009, já que no caso em comento não houve qualquer dano ao Erário, bem como por restar patente a ausência de dolo por parte do contribuinte. 7)Posteriormente a interessada aditou a impugnação para requerer o cancelamento do Auto de Infração, tendo em vista que a conduta autuada deixou de ser definida como infração, nos termos da IN RFB n.° 1.096/2010, que ampliou o prazo para prestação de informações de 02 para 07 dias, por aplicação do art. 106, II, "a", do CTN. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, sendo o acórdão recorrido dispensado de ementa nos termos da Portaria SRF n.° 1.364/2004: Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 6 5 espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devendose aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente, quanto alegação de ilegitimidade passiva da recorrente, vejamos. A recorrente requer a nulidade do auto de infração tendo em vista o erro na identificação do sujeito passivo, já que a infração foi praticada pela empresa Gol Transportes Aéreos em data anterior à incorporação daquela pela autuada. Desta forma o lançamento teria sido efetuado contra pessoa jurídica que não praticou a infração. Pelo que consta nos autos, a empresa Gol Transportes Aéreos S.A. foi baixada em 30/09/2008 tendo em vista a sua incorporação pela autuada VRG Linhas Aéreas S.A, sendo lavrado o presente auto de infração, cuja ciência ocorreu em 22/09/2010. O art. 132 do CTN assim dispõe: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Apesar da referência a tributos no referido artigo, o que, a princípio, impede a aplicação às multas, a jurisprudência entende que a responsabilidade alcançaria inclusive as multas, seja ela de caráter moratório ou punitivo, conforme ementas abaixo: “RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR... I – ‘Os arts. 132 e 133, do CTN, impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. É devida, pois, a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo; é ela imposição decorrente do não pagamento do tributo na época do vencimento’ (REsp nº 592.007/RS, Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 22/03/2004).” (STJ, 1ª T., REsp 554.377/SC, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, out/05) No caso sob exame, a obrigação tributária, caracterizada pelo dever de prestar a informação à administração aduaneira na forma e no prazo estabelecidos, já existia anteriormente ao evento sucessório e foi transmitida à sucessora no momento da incorporação, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 8 7 não importando a data do lançamento, conforme decidiu o STJ no REsp 959.3897, assim ementado: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. [...] MULTA TRIBUTÁRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. OBRIGAÇÃO. ANTERIOR E LANÇAMENTO POSTERIOR. RESPONSABILIDADE DA SOCIEDADE SUCESSORA. [...] 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas abrange as multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem penalidade pecuniária, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Segundo dispõe o artigo 113, § 3º, do CTN, o descumprimento de obrigação acessória faz surgir, imediatamente, nova obrigação consistente no pagamento da multa tributária. A responsabilidade do sucessor abrange, nos termos do artigo 129 do CTN, os créditos definitivamente constituídos, em curso de constituição ou "constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data", que é o caso dos autos.( STJ, 2ª Turma, REsp 959.389/RS, Rel. Min. Castro Meira, 07/05/2009. DJ 21/05/2009)(grifado) Assim, entendo ser o sucessor plenamente responsável pelas multas da sucedida, devendo ser afastada a preliminar argüida de ilegitimidade passiva. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 9 8 Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 10 9 A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 11 10 Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 12 11 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto ao pedido de relevação de penalidade, que na verdade é dirigido ao Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil, é defeso a este Colegiado para apreciálo por absoluta falta de previsão legal para tanto, cuja competência é tão somente para dizer da subsistência, ou não, do lançamento, tendo como conseqüência a devolução dos autos à Receita Federal do Brasil, órgão diverso deste Tribunal e também integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, então competente para apreciar qualquer pedido de relevação de pena, por meio de seus próprios canais de apreciação, e não por provocação deste Conselho Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Transcrevo novamente, com grifos meus, o art. 102, do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966, alterado pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 20/12//2010: “Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento.”(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010.) A norma é clara ao excluir as penalidades tributárias ou administrativas nos casos em que ocorrer a denúncia espontânea. É clara também ao não considerar espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, ou após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Se a norma diz quais denúncias devem ser consideradas espontâneas e quais sanções devem ser excluídas pela denúncia espontânea, não cabe ao intérprete aumentar ou restringir estes alcances, o do conceito de “denúncia espontânea” e o das sanções a serem excluídas. Ressalvese que os membro do CARF devem observar o seu Regimento Interno, que determina a observância das Súmulas editadas pelo pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo a Súmula CARF nº 49, aprovada em sessão de 29/11/2010, uma delas. Porém, esta súmula deve ser afastada nos casos em que se aplica a Lei nº 12.350, de 20/12/2010, pois, esta, além de tratar especificamente de infrações aduaneiras, é posterior à apreciação da súmula. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 14 13 Para melhor elucidar o conteúdo da norma em apreço, vejamse trechos da Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 497, de 27/7/2010 (EMI nº 111 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT, de 23/7/2010), que se converteu na Lei nº 12.350, de 2010: “40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. 41. No que diz respeito ao mérito da inclusão da alteração na proposta de incentivo à exportação, cabe destacar que a indefinição jurídica relacionada à matéria tem sido, conforme relatado por diversas entidades representativas de importadores e exportadores brasileiros, o principal óbice à participação de grandes empresas ao programa de Despacho Aduaneiro Expresso Linha Azul e, como consequência, ao regime aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF, em função da exigência de ingresso naquele programa como requisito de habilitação a esse regime aduaneiro. 42. Destaquese que o RECOF já é um dos principais regimes de industrialização voltada à exportação do País. No ano de 2008, antes da crise econômica global, as empresas beneficiárias do RECOF exportaram o valor de aproximadamente 13 bilhões de dólares dos Estados Unidos da América. Em 2009, mesmo com a crise mundial, as exportações do RECOF representaram aproximadamente 8 bilhões de dólares. 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 15 14 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao não pagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória. Com a alteração no art. 102, do DecretoLei nº 37, de 1966, visouse ao esclarecimento de que a denúncia espontânea alcançaria todas as penalidades pecuniárias, inclusive as vinculadas ao descumprimento de obrigações acessórias. Tal alcance estava de acordo com o interesse da Administração Tributário Aduaneira no desenvolvimento da chamada “Linha Azul” e do Recof, que esbarrava em dificuldades pela aplicação do art. 711 do Regulamento Aduaneiro então vigente. A ampliação do campo de aplicação da denúncia espontânea não poderia restringirse apenas às empresas que pleiteavam o enquadramento nos procedimentos de Linha Azul e no regime de Recof, sob pena de afronta, em especial, ao princípio da isonomia. Assim, impõese a conclusão de que, uma vez caracterizada a denúncia espontânea, esta se aplica em todas as infrações regidas pelo DecretoLei nº 37, de 1966, em que a sanção aplicada é pecuniária. Excetuamse, portanto, os casos em que a sanção é o perdimento e aqueles em que o próprio DecretoLei considera como não caracterizadores da espontaneidade, tais como as denúncias apresentadas no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, ou após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. No presente caso, entendo caracterizada a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade aplicada, pois: a contribuinte procedeu ao registro das informações em momento em que não estava em curso o despacho aduaneiro e antes da formalização de qualquer procedimento fiscal tendente a apurar a infração; a sanção imputada é pecuniária; a Fl. 206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.005900/201021 Acórdão n.º 3801005.248 S3TE01 Fl. 16 15 infração não se enquadra em nenhuma outra norma excludente da caracterização da denúncia espontânea de observância obrigatória pelos membros do CARF, observandose que a Lei nº 12.350, de 2010, é posterior à edição da Súmula CARF nº 49, logo, prevalece sobre esta. Por estas razões, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 207DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado dig italmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007125/2007-97
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS.
Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95.
A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento parcial.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95. A exigência de comprovação do efetivo pagamento das despesas é medida excepcional, que só se justifica quando há indícios de inidoneidade dos recibos apresentados, o que não ocorreu no caso. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos e declarações firmados pelos profissionais que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento parcial. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 71 25 /2 00 7- 97 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente da turma), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Na sessão de julgamento, a Conselheira Relatora, Julianna Bandeira Toscano, apresentou o seguinte relatório: "Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 2003, decorrente da glosa da dedução com despesas médicas, resultando em cobrança suplementar de IRPF, no valor de R$12.457,75, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Conforme se depreende da descrição dos fatos e do enquadramento legal do auto de infração (fls. 08), o lançamento foi justificado pela falta de comprovação do efetivo pagamento pelos serviços prestados. O contribuinte apresentou impugnação contestando a glosa com despesas médicas, sustentando ter apresentado à fiscalização documentação hábil a comprovar a realização dos serviços. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte manteve integralmente a glosa da dedução das despesas médicas, sob o fundamento de que o contribuinte não logrou comprovar o efetivo pagamento das mesmas, em acórdão cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Para gozar de deduções a titulo de despesas médicas, o contribuinte deve comprovar de forma inequívoca a efetividade do serviço e respectivo pagamento, não bastando a simples exibição de recibos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte apresenta recurso voluntário sustentando em preliminar a nulidade da decisão da DRJ, tendo em vista que a mesma não teria se pronunciado expressamente sobre o argumento da impugnação em alega que a redação do caput do artigo 11 do DecretoLei nº 5.844 restringe a aplicação dos seus parágrafos a determinado tipo de despesas, as quais não são as deduzidas em sua DIPF. No mérito, o contribuinte alega que efetuou as deduções com despesas médicas sob o amparo e de acordo com os limites impostos pela Lei nº 9.250/95 e que o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 apenas impõe a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas caso não haja documentação relativa à despesa deduzida. É o relatório". Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10680.007125/200797 Acórdão n.º 2802002.739 S2TE02 Fl. 93 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc Reproduzo abaixo o voto apresentado pela Conselheira Relatora na sessão de julgamento: "O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como se observa, o litígio gira em torno da necessidade da comprovação do efetivo pagamento de despesas médicas, em que a autoridade fiscal considerou insuficientes os recibos apresentados pelo contribuinte, sem vinculação com o pagamento. A DRJ Belo Horizonte manteve o lançamento por entender ser válida a exigência da comprovação do pagamento quando os valores deduzidos a título de despesas médicas forem considerados relevantes. Destacase do acórdão de fls. 64/68, o seguinte: “A defesa alega que “é de conhecimento de todos que a maneira mais usada de se comprovar a efetividade de um pagamento é com um recibo emitido e assinado pelo beneficiário de tal pagamento...”. Sim, é verdade, porém, esta maneira mais usada somente se aplica a situações também usuais, comuns. A situação das despesas médicas glosadas neste Auto de Infração é atípica: a realização de despesas com dentistas, psicólogos e fisioterapeutas do vulto das aqui analisadas, num mesmo exercício, não é comum. Em conseqüência, para sua comprovação não bastam simples recibos. São necessárias provas adicionais da efetividade dos serviços, como por exemplo: ficha clinicas dentárias, odontogramas, laudos médicos, exames laboratoriais, raio X, etc; bem como provas adicionais do efetivo pagamento, tais como: cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados em relação aos pagamentos em questão. Além, das provas exemplificadas anteriormente poderia o autuada trazer outras provas em direito admitidas, desde que capazes de produzir os efeitos pretendidos. Vêse, pois, que a situação fática trazida à julgamento deste Colegiado possui características que exigem provas mais contundentes, que possam complementar as declarações particulares constantes dos recibos exibidos durante a ação fiscal e na fase de defesa.. Sem a complementação da instrução probatória pelo autuado é impossível se dar por comprovada a efetividade dos serviços e pagamentos que o defendente alega terem existido. Assim, e considerando que o art. 29 do Decreto n° 70.235/72, estabelece que na apreciação da prova, autoridade julgadora formará livremente sua convicção, considero que os documentos dos autos não são suficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços e seus respectivos pagamentos, ou seja, para comprovar as despesas cujas deduções são pleiteadas pelo contribuinte. Logo devem ser mantidas as glosas de despesas médicas em questão.” Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 Nesse aspecto, tenho o entendimento de que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Apenas na hipótese de ausência dos recibos na forma determinada pela Lei nº 9.250/95, ou em havendo fortes indícios de que a documentação apresentada seria inidônea, estaria a autoridade lançadora autorizada a exigir a prova do efetivo pagamento. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam as formalidades legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, independentemente da comprovação do efetivo pagamento. Com efeito, pela documentação acostada aos autos, entendo estarem presentes os requisitos exigidos pela Lei nº 9.250/95 para a dedução das seguintes despesas declaradas pelo contribuinte: PROFISSIONAL VALOR COMPROVANTE EDSON FERREIRA MARTINS 15.600,00 Fls. 35/41 e 44 DALVINO CANDIDO LOBO FILHO 1.500,00 Fls. 15/19 e 47 ADRIANA BOUZAS LOUREIRO 11.000,00 Fls. 13/14 e 42 RONY DE ARAÚJO SOARES 4.600,00 Fls. 24/28 e 43 CLAUDIA MARA DE OLIVEIRA 5.600,00 Fls. 20/23 PATRÍCIA ANDRADE MAIA 7.000,00 Fls. 29/34 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e a ele dar provimento para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$45.300,00, relativas ao exercício de 2003. Julianna Bandeira Toscano Relatora" (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, na qualidade de redator ad hoc Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/05/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 14/05/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 11080.003540/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2003
DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA. REGRA GERAL.
No caso de tributos cujo lançamento opera-se pela homologação do pagamento antecipado pelo obrigado, a extinção do crédito depende da efetiva antecipação do pagamento, sem a qual o lançamento não concretiza, restando a decadência do direito do Fisco constituir o crédito regulada pelas disposições contidas no artigo 173 do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO REPETITIVO.
As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Repetitivo, sistemática prevista no artigo 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Na falta do pagamento efetuado pelo contribuinte, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial do direito do Fisco efetuar o lançamento do crédito tributário inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o mesmo já poderia ter sido realizado.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC.
Súmula CARF nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento ou declaração inexata será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento, por expressa previsão legal.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.565
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Helder Kanamaru votou pelas conclusões.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2003 DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. AUSÊNCIA. REGRA GERAL. No caso de tributos cujo lançamento operase pela homologação do pagamento antecipado pelo obrigado, a extinção do crédito depende da efetiva antecipação do pagamento, sem a qual o lançamento não concretiza, restando a decadência do direito do Fisco constituir o crédito regulada pelas disposições contidas no artigo 173 do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. DECISÃO PROFERIDA PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO REPETITIVO. As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Repetitivo, sistemática prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Na falta do pagamento efetuado pelo contribuinte, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial do direito do Fisco efetuar o lançamento do crédito tributário iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o mesmo já poderia ter sido realizado. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. Súmula CARF nº 4 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento ou declaração inexata será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento, por expressa previsão legal. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Helder Kanamaru votou pelas conclusões. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Helder Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de auto de infração para exigência do IOF no período acima referido, com arrimo no art. 13 da Lei 9.779/99 e Decreto 4.494/2002, ante a falta de declaração e recolhimento do mesmo. O Relatório de Ação Fiscal (fls. 08/14) informa que as operações de mútuo realizadas através da conta caução coligadas/controladas não são suportadas por contrato, “sendo realizadas na forma de contacorrente entre as empresas”. Informa, ainda, que “o contribuinte apurou o Fl. 499DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003540/200884 Acórdão n.º 310201.565 S3C1T2 Fl. 3 3 IOF em relação a essas operações de mútuo utilizando o saldo das contas envolvidas no final de cada mês, multiplicando pelo número de dias do mês e aplicando a alíquota de 0,0041 %”, conforme valores reproduzidos à fl. 13. O contribuinte pagou os valores do imposto lançado referente aos meses de março a maio de 2003, consoante DARF e comprovantes de pagamento que anexa (fls. 434/439). Contudo, em relação aos meses de janeiro e fevereiro, irresignase contra sua cobrança, alegando “se operaram sobre eles os efeitos da decadência”, uma vez decorridos cinco anos da data da ocorrência dos fatos geradores do imposto e a data da ciência do lançamento, em 31/03/2008, em desacordo com o art. 150, § 4º do CTN, acerca do qual discorre em sua peça impugnatória. Demais disso, insurgese contra a multa de ofício no percentual de 75%, por entendêla confiscatória, em afronta ao art. 150, IV, da CF. E, por fim, alega que não pode a taxa SELIC ser aplicada aos créditos tributários, uma vez não ter sido criada para esse fim. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2003 DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regido pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Porém, a incidência dessa regra supõe hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que a lei prevê o pagamento antecipado do tributo por conta do contribuinte. Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, quando a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A multa aplicada pelo Fisco decorre de lei vigente e eficaz, descabendo ao agente fiscal perquerir se o percentual escolhido pelo legislador é exacerbado ou não. Para que se afira a alegada natureza confiscatória do percentual da multa aplicada é necessário que se adentre no mérito da constitucionalidade da mesma, competência esta que falece aos órgãos administrativos julgadores. TAXA SELIC JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Impugnação ao Lançamento. É o relatório. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. Discutese no processo a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário para os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e fevereiro de 2003, em face do comando contido no artigo 150 do Código Tributário Nacional; a multa exigida, no percentual de 75% do valor devido, e os juros de mora à Taxa Selic. Conforme preceitua o Código Tributário Nacional, o direito de constituir o crédito tributário expira no prazo de cinco anos contados, em regra geral, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal providência já poderia ter sido tomada. Nos casos de tributos cujo lançamento operase por homologação, o dia de início da contagem do prazo é antecipado, nos termos do artigo 150 do Código. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Embora o disposto no Código dê ensejo a diferentes interpretações, tendo por base a possível finalidade pretendida pelo legislador, qual fosse a de antecipar a contagem do prazo sempre que notório o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador do imposto, não há como escapar à condição especificada no § 1º, indicando o pagamento antecipado pelo obrigado como ação necessária à extinção do crédito sob condição resolutória, sem o qual o próprio lançamento por homologação não operase, restando o mesmo regulado pelas disposições contidas no artigo 173, conforme a seguir transcrito. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003540/200884 Acórdão n.º 310201.565 S3C1T2 Fl. 4 5 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Se não há pagamento, não há o que homologar, até porque, quando assim acontece, como é o caso do vertente litígio, o lançamento é feito de ofício. Neste mesmo diapasão decisão proferida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, em Recurso Repetitivo, RESP 973733. RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 502DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 6 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições revidenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Superada essa questão, temse que o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º, dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.º 9.065/95 prevê, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não havendo, portanto, razão para protesto. Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. CAPÍTULO VIII Das Penalidades e dos Acréscimos Moratórios Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei nº 9.065, de 1995 II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003540/200884 Acórdão n.º 310201.565 S3C1T2 Fl. 5 7 § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.(Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002). Ainda mais, tratase de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Finalmente, deve ser mantida a multa de ofício exigida, por expressa previsão legal – artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96 e alterações posteriores. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. No que se refere às argüições de desrespeito a princípios constitucionais, tal como efeito confiscatório da multa aplicada, o fato é que falece competência a este tribunal administrativo para deixar de aplicar uma lei por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados, assim é que consta da Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por essas razões, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 18 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10882.902907/2008-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 29 07 /2 00 8- 46 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902907/200846 Acórdão n.º 3801004.995 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10735.901045/2008-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição no prazo de 5 anos. O Art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar a o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o pedido de restituição.
RECURSO
Numero da decisão: 3801-005.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do pedido de restituição no prazo de 5 anos. O Art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar a o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o pedido de restituição. RECURSO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 10 45 /2 00 8- 28 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (I):g Trata o processo de declaração de compensação Dcomp nº 40598.05420.170906.1.7.046501 (fls.7/11), por meio da qual o interessado compensa o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior de programa de integração social PIS (Darf no valor de R$ 35.000,00, código 6912, recolhido em 10/01/2004) com diversos débitos. 2. A DRF Nova Iguaçu/RJ por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 14, emitido em 20/05/2008, não homologou a compensação declarada, uma vez que o Darf discriminado na Dcomp não foi localizado nos sistemas da Receita Federal do BrasilRFB. 3. Cientificado da decisão em 29/05/2008 (fl.17), o interessado apresentou em 30/06/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 18/35, acompanhada dos documentos de fls. 36/42, alegando, em síntese, que: os créditos utilizados na compensação estão relacionados no pedido de restituição nº 13748.000436/200368, de 24/09/2003; incorreu em erro material, gerada pela inexperiência no uso do programa PERDCOMP, que apenas aceitava um único Darf, quebrando todo o processo de levantamento e utilização de formulários de compensação em papel que permitia transcrever quaisquer quantidades de Darf e créditos; como detém os créditos que seriam objeto da compensação, solicita que a declaração de compensação seja refeita, agregandose os juros e multa legais, utilizandose dos créditos relacionados no processo de restituição; Analisando o caso, a DRJ no Rio de Janeiro (I) entendeu por bem manter o indeferimento do pleito, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO DE PIS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É defeso ao contribuinte retificar a DCOMP após a ciência da decisão administrativa. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10735.901045/200828 Acórdão n.º 3801005.310 S3TE01 Fl. 12 3 Inconformado, o contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, no qual traz argumentação diferente da que restou apresentada na Manifestação de Inconformidade. Neste Recurso, alega, em síntese, que houve homologação tácita do pedido de restituição dos créditos, uma vez que não houve análise pela Receita Federal do Brasil dentro do prazo de 05 anos, contados da data de protocolo. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso Voluntário foi apresentado no prazo legal e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, cumpre consignar que o Recurso Voluntário ora analisado é bastante confuso, sem nenhuma correlação lógica entre os fatos e os argumentos apresentados, o que dificulta sobremaneira o trabalho do julgador administrativo. Ademais, em um primeiro momento, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o Recorrente alegou que o não reconhecimento do seu crédito se deu por erro no preenchimento do pedido de compensação. Não tendo sido acolhida a argumentação lançada pelo acórdão recorrido, em Recurso confuso, o Recorrente traz extensa argumentação acerca da necessidade de reconhecimento da homologação tácita do pedido de restituição apresentado, uma vez que decorrido prazo de 05 anos, sem que fosse proferida qualquer decisão administrativa. Pois bem. Em julgados anteriores, esta Turma de Julgamento já se posicionou pela possibilidade de haver retificação das declarações posteriormente à decisão administrativa. Contudo, a retificação deve vir com a comprovação documental da origem dos créditos, até mesmo para que haja elementos nos autos capazes de aferir o direito creditório do contribuinte. Contudo, no presente caso, não há nos autos qualquer comprovação do direito creditório, nem mesmo as declarações retificadoras do Recorrente. Inclusive, como restou consignado no acórdão recorrido, antes de ser proferido o despacho decisório, foi dada a oportunidade ao Recorrente de justificar a origem do seu crédito e, se fosse o caso, retificar as suas declarações, o que, entretanto, não foi feito. Como se não bastasse, a princípio desprezando a linha de defesa exposta em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente alega no Recurso Voluntário que houve a homologação tácita do pedido de restituição dos créditos, uma vez que transcorrido prazo de 05 anos, contados da data do protocolo do pedido. Contudo, não há como acatar tal linha de defesa, uma vez que o Código Tributário Nacional regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 4 ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. Quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Contudo, essa linha de raciocínio não pode ser utilizada nos casos de pedido de restituição, como pretendeu o Recorrente. O pedido de restituição não pode ser confundido com o pedido de compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. Por isso a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento (quando não atrelado a um pedido de compensação), e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. É sabido que os contribuintes vêm sofrendo prejuízos financeiros e danos morais decorrentes da morosidade da Administração Tributária Federal em proferir decisões sobre os requerimentos apresentados perante as repartições fiscais de sua circunscrição. Contudo, o Princípio Constitucional da razoável duração do procedimento administrativo, nos termos do artigo 5o, inciso LXXVIII da Carta Magna de 1.988, não pode ser aplicado como se regra fosse. Deve, sim, nortear o agente administrativo e todos os seus atos, mas não há, ainda, na legislação vigente, nenhuma norma que o obrigue a efetuar a análise de um pedido de restituição no prazo de 2, 3 ou 5 anos, por exemplo, sob pena de seu acatamento sem maiores delongas. Por conseguinte, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos (os interesses de todos nós, cidadãos), nada o impede de, depois de transcorridos mais de 05 anos após o pedido de restituição formulado pela Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4o., do CTN, como defende o Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. Considerando que o Recorrente se limitou a arguir a homologação tácita do pedido de restituição, com base no artigo 150, § 4o., do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. Por essas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10735.901045/200828 Acórdão n.º 3801005.310 S3TE01 Fl. 13 5 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 06/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Numero do processo: 15165.001378/2003-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 24/09/2001
EX TARIFÁRIO. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
Tratando-se de hipótese de redução do Imposto de Importação, somente pode ser beneficiada com ex tarifário a mercadoria que corresponder exatamente àquela descrita no ato que concede o benefício. Aplicação do art. 111, II, do CTN. Jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EX TARIFÁRIO. CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO.
Para que a tributação de uma mercadoria seja destacada de um determinado código fiscal para um Ex tarifário, é necessário que suas características essenciais adequem-se perfeitamente às especificações estabelecidas no referido Ex. Qualquer discrepância entre as características da mercadoria que se pretende destacar com aquelas descritas no Ex pretendido impossibilita o enquadramento no destaque tarifário.
PRENSAS HIDRÁULICA PARA CONFORMAÇÃO DE PEÇAS PLÁSTICAS.
Classifica-se no código 8477.59.11 a prensa hidráulica cuja função principal seja a conformação de peças plásticas, reforçadas com fibra e pré-formas metálicas, com capacidade igual ou inferior a 30.000kN.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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INTERPRETAÇÃO LITERAL. Tratandose de hipótese de redução do Imposto de Importação, somente pode ser beneficiada com “ex” tarifário a mercadoria que corresponder exatamente àquela descrita no ato que concede o benefício. Aplicação do art. 111, II, do CTN. Jurisprudência do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. “EX” TARIFÁRIO. CONDIÇÕES DE ENQUADRAMENTO. Para que a tributação de uma mercadoria seja destacada de um determinado código fiscal para um “Ex” tarifário, é necessário que suas características essenciais adequemse perfeitamente às especificações estabelecidas no referido “Ex”. Qualquer discrepância entre as características da mercadoria que se pretende destacar com aquelas descritas no “Ex” pretendido impossibilita o enquadramento no destaque tarifário. PRENSAS HIDRÁULICA PARA CONFORMAÇÃO DE PEÇAS PLÁSTICAS. Classificase no código 8477.59.11 a prensa hidráulica cuja função principal seja a conformação de peças plásticas, reforçadas com fibra e préformas metálicas, com capacidade igual ou inferior a 30.000kN. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 13 78 /2 00 3- 76 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Contra a interessada acima epigrafada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 01 a 14, os quais constituíram, de ofício, as exigências de Imposto de Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de multa de ofício e de juros de mora, além da exigência da multa por erro de classificação tarifária. Conforme a descrição dos fatos de fls. 03 a 05 a interessada submeteu a despacho de importação, através da Declaração de Importação no 01/09421501, registrada em 24/09/2001, uma prensa hidráulica de comando numérico computadorizado (CNC), marca Dieffenbacher, modelo DYU 2500/300, para conformação de chapas metálicas por estiramento, com dois cabeçotes para fixação da chapa, molde acionado hidraulicamente e capacidade máxima de 30.000 kN, completa com seus acessórios, parcialmente desmontada para efeito de transporte, classificandoa no código NCM/TEC 8462.91.19. O importador solicitou o “EX” tarifário no 05, referente ao código NCM/TEC 8462.91.19, para a mercadoria, previsto na Resolução Camex no 32, de 29/08/2001. No entanto, a autoridade lançadora entendeu que a mercadoria efetivamente importada não se enquadra no referido “EX”, haja a vista a conclusão contida na Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA no 111, de 12 de agosto de 2002 (fls. 19 a 24), ratificada pela Decisão contida às fls. 25 a 36, decorrente do Pedido de Revisão da referida consulta, expedida em 15/08/2003. A conclusão da consulta formulada pela interessada indica que a mercadoria é adequadamente classificada no código NCM/TEC 8477.59.11. A autoridade autuante esclarece que a nova classificação se justifica pelo fato de que a prensa importada se destina exclusivamente para a conformação de matéria plástica reforçada com fibra de vidro, e não apresenta Comando Numérico Computadorizado (CNC), e sim Controlador Lógico Programado (CLP), e ainda, não foi importada com molde, como havia sido descrito na DI, sujeitando também a autuada à multa ora exigida. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 57 a 84, alegando, em síntese, que: apresentou um pedido de despacho antecipado nos termos do art. 453, do RA/85 e art. 43, da IN/SRF no 69/96, para a importação de diversos bens, que embora fossem constituídos de elementos distintos (ligados e separados por condutos, dispositivos, peças próprias, e outros), possuíam função única, e por isso teriam classificam fiscal única; Fl. 640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15165.001378/200376 Acórdão n.º 3202001.086 S3C2T2 Fl. 640 3 a autoridade aduaneira, ao apreciar o pedido de despacho antecipado, discordou da classificação fiscal utilizada, por entender que as mercadorias teriam classificações distintas, e opinou no sentido de que a impugnante deveria formular processo de consulta, a fim de sanar dúvidas quanto à classificação fiscal do bem; formulada a consulta sobre a classificação da prensa hidráulica, e tento a SRF se manifestado no sentido de que cada parte possui classificação distinta, optou por classificála no código NCM 8462.91.19 – “EX” 005, constante na Resolução Camex no 32/01, no qual a máquina está perfeitamente descrita; em 08/11/2001 juntou laudo técnico elaborado por engenheiro certificante da Receita Federal, o qual concluiu que a máquina examinada apresenta as características técnicas conforme mencionado na declaração de importação; foi realizada diligência fiscal no seu estabelecimento para que fosse esclarecido se o equipamento importado servia para trabalhar chapas metálicas, termoplásticas ou ambas, mas que na ocasião da verificação o equipamento não estava em funcionamento, tendo a autoridade diligenciadora optado por colher informações do Diretor Industrial da empresa, o qual não entendeu o alcance da pergunta que lhe foi formulada, e declarou que a aplicação da máquina está restrita a materiais plásticos; a solução de consulta determinou classificação diversa daquela pretendida, com fundamento na declaração do Diretor Industrial; inconformada, apresentou pedido de revisão da solução proferida, pois o Diretor deixou de mencionar que o equipamento tem capacidade também para trabalhar metais, porque isso não lhe foi indagado; por solicitação da DIANA, foi emitido segundo laudo técnico, elaborado por engenheiro credenciado pela SRF, o qual descreveu as diversas possibilidades de utilização da máquina; em 27/08/2003 foi intimada a recolher a diferença dos tributos incidentes na DI no 01/09421501, tendo em vista que a solução de consulta foi mantida; não se conformando ainda com a decisão, protocolizou recurso na Superintendência da Receita Federal e na COANA, com base no art. 16 da IN/SRF no 230/02; apesar da pendência quanto ao julgamento do Recurso, foi lavrado o presente Auto de Infração, exigindolhe os impostos e multas, ferindo os princípios do contraditório e do duplo grau de jurisdição; a decisão da autoridade que solucionou a consulta não merece prosperar, pois são equivocados os motivos que a levaram ao entendimento sobre a classificação fiscal no código NCM/TEC 8477.59.11; o equipamento importado é constituído de prensa hidráulica de comando numérico computadorizado (via PC), que possui capacidade de conformar chapas metálicas e termoplásticas, com dois cabeçotes para fixação da chapa, com molde acionado hidraulicamente com pressão de 30.000 kN, tendo perfeita identidade com o “EX” requerido; o Departamento de Comércio Exterior concedeu a licença no 01/09744877, nos moldes ora descritos, após ter analisado a leitura técnica referente à máquina; Fl. 641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 de acordo com o disposto no Ato Declaratório Normativo CST no 14/92, os atos pelos quais são alteradas alíquotas “ad valorem” do Imposto de Importação referemse de maneira objetiva aos produtos que mencionam, não estando a aplicação de tais atos condicionada à qualidade do Importador ou à destinação dos bens; a autoridade fiscal considerou informações extraídas da internet, as quais são destinadas ao público, e podem receber variadas interpretações, em detrimento dos laudos periciais, que são informações objetivas, nos quais é afirmado que a máquina se enquadra no “EX”; o engenheiro mecânico credenciado e indicado pela DIANA, Sr. Guilherme Pianovski Junior certificou que a máquina importada é uma prensa que pode trabalhar plásticos ou metais, dependendo do tipo de molde utilizado, porém a utilização principal de uma máquina desta capacidade é na conformação de chapas metálicas; a autoridade que solucionou a consulta utiliza argumentos que dizem respeito a conceitos próprios de “capacidade” e “potência” da máquina no intuito de rebater o entendimento do engenheiro credenciado, no entanto, não podem prosperar tais entendimentos, para desconsiderar o que tanto o engenheiro credenciado quanto o engenheiro indicado pela impugnante afirmaram; a resposta do fabricante Dieffenbacher não deveria prevalecer sobre a resposta dos engenheiros que atuaram diretamente no caso, somente porque se mostrou favorável ao entendimento do Fisco; ainda que se entendesse que ocorreu erro na classificação fiscal, é inaplicável a multa prevista por erro de classificação tarifária, posto que todos os elementos necessários à identificação da mercadoria encontramse presentes; comprovada a total ausência de máfé ou dolo no comportamento do importador resta afastada a exigibilidade da multa por desclassificação fiscal, já que foram observadas as Regras de Classificação Fiscal pertinentes e, sobretudo, o Ato Declaratório (Normativo) no 14/92; a exigência de juros de mora calculados pela taxa Selic não merece prosperar, dada a inconstitucionalidade do § 4o, do artigo 39, da Lei no 9.250, de 1995, uma vez que a referida taxa não foi criada por lei para fins tributários. Diante do exposto, a impugnante requer seja declarada a insubsistência dos Autos de Infração, porque lavrados segundo decisão proferida em procedimentos eivados de vícios. Por meio do expediente de fls. 107, o processo foi remetido a esta DRJ para prosseguimento e apreciação. No curso regular do processo, esta autoridade julgadora determinou a realização de diligência, para que fosse juntado a este o processo no 15165.000866/200102, no qual se encontram os laudos técnicos, os quais contêm informações esclarecedoras sobre a prensa hidráulica importada (fls. 108). Em atendimento ao determinado, a autoridade diligenciadora fez juntar aos autos os documentos de fls. 110 a 428. Por meio do despacho de fls. 430, o processo foi novamente remetido a esta DRJ para prosseguimento do feito. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15165.001378/200376 Acórdão n.º 3202001.086 S3C2T2 Fl. 641 5 Outrossim, foi providenciada a juntada parcial dos textos de que tratam da Resolução Camex no 32, de 2001 (fls. 432 a 434), conforme Termo de Juntada de fls. 431.” A DRJFlorianópolis/SC julgou procedente o lançamento (efls. 467/474), nos termos da ementa transcrita adiante: “Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 24/09/2001 Ementa: PRENSA HIDRÁULICA. DESTAQUE EX. Tornase inaplicável a redução tarifária pleiteada pelo importador quando o laudo técnico atesta que o produto não se identifica com o produto descrito na Resolução Camex no 32, de 29/08/2001. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 24/09/2001 Ementa: DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. DECISÃO EM PROCESSO DE CONSULTA. Uma vez formulada a consulta, o sujeito passivo obrigase a adoção da classificação fiscal indicada na correspondente solução, e ao recolhimento do tributo no prazo de 30 dias da ciência, a partir do qual fica o consulente sujeito a penalidades, inclusive multa por erro na classificação fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 24/09/2001 Ementa: JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (efls.481/490), alegando, em síntese: a nulidade da solução de consulta, por cerceamento do direito de defesa, vez que trata de mercadoria distinta daquela da qual foi objeto da autuação; que a mercadoria importada foi classificada pelo fisco em razão do emprego eventual a ela dado em ao por aquilo que realmente ela é; que o enquadramento no “ex” da mercadoria importada independe da classificação adotada; que a decisão recorrida preferiu a opinião do engenheiro Pianowski e ignorou à do engenheiro Athos Silva, que afirma categoricamente que a prensa em questão que a máquina é dotada de comando numérico computadorizado. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Pede a nulidade da solução de consulta, por cerceamento do direito de defesa e requer o enquadramento da mercadoria na classificação fiscal adotada na DI, inclusive o “ex”. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Tratase de Autos de Infração, lavrados em 19/09/2003, contra a contribuinte já qualificada nos autos, para exigência do II, IPI , multa de ofício, juros de mora e mura de 1% sobre o valor aduaneiro por classificação incorreta na NCM, no valor total de R$ 852.262,23. A contribuinte submeteu a despacho de importação, através da Declaração de Importação no 01/09421501, registrada em 24/09/2001, a mercadoria assim descrita: “Prensas hidráulicas de comando numérico computadorizado (CNC), para conformação de chapas metÁlicas por estiramento, com 2 cabeÇotes para fixação da chapa, molde acionado hidraulicamente e capacidade máxima igual ou superior a 5.000 kN mas não superior a 35.000 kN, SENDO: PRENSA HIDRÁULICA DE COMANDO NUMÉRICO COMPUTADORIZADO (CNC) MARCA DIEFIENBACHER, MODELO DYU 2500/300, PARA CONFORMAÇÃO DE CHAPAS METÁLICAS POR ESTIRAMENTO, COM 2 CABEÇOTES PARA FIXAÇÃO DA CHAPA, MOLDE ACIONADO HIDRAULICAMENTE E CAPACIDADE MÁXIMA DE 30.000 INCOMPLETA, COM SEUS ACESSÓRIOS. PARCIALMENTE DESMONTADA PARA EFEITO DE TRANSPORTE.” Para tal mercadoria, procedeu a classificação fiscal no código 8462.91.19, fazendo uso da redução do II para 4%, em razão da exceção tarifária 005 (“Ex” 005) estabelecida pela Resolução CAMEX nº. 32, de 29/08/2001, cujo texto é o seguinte (efls: 463): 8462.91.19 "Ex" 005 Prensas hidráulicas de comando numérico computadorizado (CNC), para conformação de chapas metálicas por estiramento, com 2 cabeçotes para fixação da chapa, molde acionado hidraulicamente e capacidade máxima igual ou superior a 5.000 kN mas não superior a 35.000 kN A Fiscalização, entretanto, fundamentada na Solução de Consulta SRRF/9ªRF/DIANA nº 111, de 12 de agosto de 2002 (efls. 22/27), em consulta formulada pela mesma contribuinte (cuja razão social antiga era “Rütgers Automotive do Brasil Ltda”), nos autos do processo administrativo n° 15165.000866/200102 (cópias às efls. 115/457), houve por bem proceder à reclassificação fiscal da mercadoria para o código 8477.59.11 prensa hidráulica de comando numérico computadorizado (CNC), com capacidade máxima de 30.000kN, própria para conformação por estiramento de chapas de plástico (polipropileno), reforçadas com fibra de vidro, dotada de sistema hidráulico para retirada da peça acabada, utilizada na fabricação de peças de veículos, tais como suporte de radiador, protetor de assoalho e cápsula defletora, apresentada em conjunto com sistemas de sinalização e segurança,escadas, passarelas e corrimãos. Para as mercadorias classificadas neste código, a alíquota do II à época era de 14%. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15165.001378/200376 Acórdão n.º 3202001.086 S3C2T2 Fl. 642 7 A reclassificação deveuse ao entendimento da autoridade autuante de que a prensa importada não estava de acordo com a descrição formulada pelo importador na DI: i. destinavase exclusivamente à conformação de matéria plástica reforçada com fibra de vidro, e não de chapas metálicas, ii. não apresentava Comando Numérico Computadorizado (CNC) e sim Controlador Lógico Programado (CLP); e iii. não havia sido importada com molde, como havia sido descrito pelo importador na DI. Postos os termos da controvérsia, passo, pois, à solução do litígio. Da Nulidade da Solução de Consulta Alega a recorrente nulidade da Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DIANA nº. 111, de 12/08/2002. Aduz que referida Solução de Consulta trata de mercadoria distinta daquela importada e, em razão disso, requer a sua nulidade. Os argumentos utilizados pela recorrente são os seguintes: “(...) Ora, em diligência no estabelecimento da Recorrente, a autoridade solucionadora da consulta obteve a informação de que ali, in casu, a máquina seria utilizada para conformar material plástico. De posse de tal informação, exarou a solução que, na verdade, se refere a máquina distinta da que foi objeto da consulta, ou seja, urna máquina “própria para conformação por estiramento de chapas de plástico (polipropileno) reforçadas com fibra de vidro". Não se discute, realmente, se a classificação indicada pela SRRF/9ª. RF é ou não a correta para a mercadoria descrita em sua ementa, e nem é isto materialmente relevante para o caso em lide, simplesmente porque a mercadoria constante da ementa da solução da consulta NÃO É a importada pela recorrente. Em outras palavras, data maxima venha, a Recorrente importou uma prensa cuja função principal é conformar chapas metálicas, apresentou consulta sobre sua classificação fiscal, e recebeu em resposta solução que indica a classificação de uma outra máquina.” Vejase que a recorrente alega que as máquinas são distintas somente pelo fato de ter descrito a mercadoria, na consulta formulada, como sendo uma prensa cuja função principal era conformar chapas metálicas e a Solução de Consulta, ao analisar a mercadoria, haver concluído que não se tratava de prensa cuja função principal era conformar chapas metálicas. Ora, esse é exatamente um dos pontos do litígio: a recorrente afirma que se trata de prensa para conformar chapas metálicas e a SRFB afirma que a prensa se presta para conformar plástico. Não há indicação, pela contribuinte, de que os modelos das máquinas sejam diferentes, mas apenas um inconformismo com as conclusões a que se chegou na Solução de Consulta, que concluiu que a mercadoria descrita pela contribuinte não se prestava para a função indicada. Por óbvio, não reside nisso qualquer causa de nulidade. Não houve qualquer cerceamento ao direito de defesa da contribuinte no processo de consulta. Esta foi realizada sob rito próprio, sendo oportunizado à contribuinte o exercício da ampla defesa, tanto que a contribuinte apresentou pedido de revisão da Solução de Fl. 645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 Consulta, e, após não obter sucesso na revisão, ainda ofereceu recurso perante a COANA, que também negoulhe o pleito. Demais disso, não cabe neste processo administrativo fiscal rediscutir os termos do processo de consulta, que seguiu seu próprio rito, onde foram oferecidos os recursos que eram cabíveis, não servindo este processo como instrumento de recurso em face daquele outro processo. Assim, mostrase incabível a preliminar argüida. Do Enquadramento no ExTarifário No mérito, para a solução do litígio, necessário se faz entender qual a função de um “Ex” tarifário na classificação de mercadoria. Como é de todos sabido, para se chegar à alíquota de um produto, primeiramente, devese verificar qual sua classificação fiscal, pois, regra geral, as alíquotas são estabelecidas não por produto individualmente, mas, sim, por código fiscal da Tabela de Incidência, de tal sorte que todos os produtos classificados em um determinado código estão sujeitos à mesma alíquota. Todavia, se a Fazenda Nacional quiser diferenciar a tributação de um determinado produto dentre os classificáveis em um mesmo código fiscal, criase um destaque para esse código ao qual se denominou “Exceção tarifária” ou, simplesmente, “Ex” – detalhandose quais as características especiais da mercadoria cuja tributação se quer diferenciar, e fixase, então, a pretendida alíquota diferenciada. Assim, o “Ex” tem por finalidade destacar uma mercadoria específica dentre as várias classificadas em um determinado código, para que se possa diferenciarlhe a tributação das demais. Para que a tributação de uma mercadoria seja destacada de um determinado código fiscal para um “Ex” tarifário, é necessário que suas características essenciais adequem se perfeitamente às especificações estabelecidas no referido “Ex”. Qualquer discrepância entre as características da mercadoria que se pretende destacar com aquelas descritas no “Ex” pretendido impossibilita o enquadramento no destaque tarifário. Isso porque a interpretação do “ex” tarifário é sempre "literal". Cabe aqui relembrar o norte hermenêutico do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, que, regulamentando o art. 111, II do CTN, dispôs: Art. 129. Interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre a outorga de isenção ou redução do imposto de importação (Lei nº 5.172/66, art. 111, II). Tal posicionamento encontra respaldo na legislação em vigor, bem como na reiterada jurisprudência desta Corte. Confirase: Acórdão CSRF nº 0306.081, de 08/09/2008 O Extarifário é uma redução de Imposto de Importação de caráter geral. A descrição prevista em um "EX" especifico deve corresponder exatamente com a mercadoria que é importada. Aplicase ao Ex tarifário a disposição contida no art. 111, inciso II, do CTN. Acórdão CSRF 0304.441 de 08/08/2005 – CLASSIFICAÇÃO “EX" TARIFÁRIO. A interpretação da legislação que outorga beneficio fiscal deve ser feita de forma literal. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15165.001378/200376 Acórdão n.º 3202001.086 S3C2T2 Fl. 643 9 Acórdão no. 30329555 de 04/12/2000 IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO "EX" TARIFÁRIO. Para ter direito à tributação pela alíquota reduzida do Imposto sobre a Importação prevista para um determinado "ex" tarifário,instituído por meio de Portaria do Ministério da Fazenda, o produto importado deverá ter uma perfeita identidade com o descrito na norma concessiva do beneficio. Acórdão 30130309 de 20/08/2002. BENEFÍCIOS FISCAIS. EX "TARIFÁRIO. Não restando devidamente comprovado que o equipamento importado exerce as funções previstas no "ex" tarifário, não está o mesmo amparado pela alíquota reduzida, devendo sujeitarse o contribuinte ao recolhimento dos impostos calculados sob a alíquota estabelecida para a respectiva classificação fiscal, vigente na data do fato gerador, bem como ao recolhimento das multas e acréscimos legais. No caso em questão, o “Ex” 005 do Código TEC 8462.91.19, destacou, dentre as diversas máquinas classificadas nesse código, as que tivessem as seguintes características: 8462.91.19 "Ex" 005 Prensas hidráulicas de comando numérico computadorizado (CNC), para conformação de chapas metálicas por estiramento, com 2 cabeçotes para fixação da chapa, molde acionado hidraulicamente e capacidade máxima igual ou superior a 5.000 kN mas não superior a 35.000 kN Dentre todas as máquinas classificadas no Código 8462.91.19, somente as que tiverem as especificações elencadas acima é que se enquadrarão no “"Ex" 005” e, por conseguinte, terão a tributação nele prevista. As que não atenderem a qualquer das especificações arroladas no referido texto do “Ex” não terão a tributação diferenciada ali prevista e serão tributadas normalmente pela alíquota fixada no código 8422.40.90. Vejamos, portanto, se a máquina atende aos requisitos estabelecidos no texto do “Ex”. Em atendimento à diligência requerida pela então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, foi elaborado laudo, em 10/08/2000, pelo LACTEC – Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento, do Centro Politécnico da UFPR, em Curitiba/PR, o qual põe por terra todas as dúvidas porventura existentes, deixando claro que a máquina importada é de uso universal, não se podendo dizer que tenha como função principal a conformação de chapas metálicas, mas sim de plásticos e fibra de vidro, vez que a utilização para conformação de chapas metálicas depende da utilização de ferramentas Vejase: 1. A máquina importada pela recorrente, modelo DYU 25001300, fabricante Dieffenbacher, trabalha com chapas de metal e de plástico? R: Entendendo se tratar do modelo DYU 3000/2500, (conforme item 1, página 4 deste laudo), no recorrente a máquina trabalha operando na conformação de materiais compósitos de polímeros (plásticos) e fibra de vidro. Um dos componentes fabricados é composto de manta de material compósito e partes de material metálico préconformado. A operação da prensa consiste em conformar esta manta através de Fl. 647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 moldes aquecidos, promovendo assim a união do material compósito (fibra de vidro e polímero) com as partes metálicas. Durante as etapas de prensagem pode ocorrer também pequena deformação nas chapas de aço. A Figura 4 apresenta a sequência de fabricação do componente em questão e a Figura 5 o produto acabado. (...) Conforme encarte do fabricante, adicionado ao processo, folhas 226 a 229, especificamente na folha 229, o equipamento tipo DYU (mesma séria do modelo em questão) é apresentado como uso em "aplicação universal". Portanto, empregandose ferramenta (moldes) adequado, o mesmo poderia trabalhar com chapas metálicas. Vejase que a identidade com a mercadoria descrita do texto do “Ex” deve ser perfeita para que se possa ali enquadrar o produto. No caso, o “ex” 005 não prevê o enquadramento de prensas hidráulicas de comando numérico computadorizado (CNC), para conformação de chapas metálicas e/ou chapas de plástico e fibra de vidro, por estiramento. O texto do “Ex”é claro: o benefício é dirigido para as prensas destinadas à conformação de chapas metálicas por estiramento. Ponto. Não há previsão para conformação de outros tipos de chapas. Demais disso, para enquadrarse no “Ex” 005 do código 8462.91.19, é preciso que a máquina seja operada por meio de um comando numérico computadorizado (CNC), conforme descrito no texto da Exceção Tarifária. Quanto a isso, ferindo de morte a pretensão da recorrente, também o referido Laudo é cristalino: a máquina opera por meio de controlador lógico programável (CLP), e não por meio de CNC: 5. A máquina importada é operada por meio de um comando numérico computadorizado (CNC) ou por um controlador lógico programável (CLP)? R: A máquina opera através de controlador lógico programável (CLP).(...) Não há, portanto, correspondência entre a mercadoria importada e o “Ex” pretendido. Ressaltese, por fim, que o Parecer Técnico do Professor Engenheiro Sr. Cesar Olivier Dalston, juntado pela recorrente (efls. 603/635), não pode ser admitido como elemento de prova nestes autos. Primeiro, porque representa laudo particular, elaborado a pedido da interessada, não sendo laudo oficial, elaborado por perito credenciado junto à Receita Federal. Demais disso, a diligência destinase a firmar a convicção do julgador, que determina as diligências que entender cabíveis conforme estatui o art. 29 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 29 – Na apreciação da prova, autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender cabíveis. A fase recursal não é momento adequado para a contribuinte produzir as provas que ela própria entender cabíveis, que devem ser juntadas quando da apresentação da impugnação, conforme estabelece o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: §4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15165.001378/200376 Acórdão n.º 3202001.086 S3C2T2 Fl. 644 11 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas nos autos. Por outro lado, o Parecer extrapola o campo de competência do parecerista, que desborda os aspectos técnicos aos quais deveria aterse e adentra na realização da classificação fiscal da mercadoria, da apreciação da decisão da DRJ e da Solução de Consulta, enfim, soluciona o litígio como se autoridade julgadora fosse, o que, de forma alguma, lhe caberia. Da Classificação Fiscal Pretendida pela Fiscalização Definido que a mercadoria não se enquadra, sob forma alguma, na exceção tarifária pretendida pela recorrente, cabe analisar a classificação fiscal adotada pela Fiscalização. A princípio, poderia parecer ser possível classificar a mercadoria na posição 8462, visto que, de acordo com Laudo anteriormente referido, a máquina em questão, com a utilização de ferramentas adequadas, também pode trabalhar com chapas metálicas. Entretanto, o mesmo Laudo deixa claro: a função principal da máquina é a conformação de peças plásticas reforçadas com fibra e préformas metálicas. E mais, esclarece o Laudo que, mesmo sendo possível a conformação de matériaprima exclusivamente metálica, ainda assim a máquina possui diversos recursos destinados à conformação de materiais plásticos, representando um custo mais elevado, o que a tornaria economicamente desinteressante para exercer primordialmente a conformação de chapas metálicas, conforme alega a recorrente.Vejase: 2. Se trabalha com ambas, qual a sua função principal? A máquina foi essencialmente concebida para conformação de plásticos ou de metais? R: A aplicação principal é a conformação de pecas plásticas reforçadas com fibra e préformas metálicas. (...) A máquina foi concebida para o processamento de produtos cuja matéria prima envolva material plástico (não exclusivamente), já que no caso do produto final ser um material plástico reforçado ou não com fibras, é necessário aquecimento do molde e um controle específico do carregamento, que deve ser mantido durante um determinado período de tempo para promover a cura desta matéria prima. A máquina em questão está equipada com os recursos necessários para a produção de materiais plásticos. É possível a conformação de matériaprima exclusivamente metálica. Esta aplicação não exigiria a utilização de vários dos recursos existentes no equipamento para a conformação de materiais plásticos, tornando a operação economicamente pouco atrativa. Assim, por aplicação da RGI 1 e 3b, em razão de sua função principal da máquina, qual seja, a conformação de peças plásticas, entendo correta a classificação da mercadoria pretendida pela Fiscalização, na posição 8477, cujo texto é máquinas e aparelhos para trabalhar borracha ou plásticos ou para fabricação de produtos dessas matérias, não especificados nem compreendidos em outras posições deste capítulo.Nesta posição, temse a perfeita identificação da mercadoria no código 8477.59.11, que corresponde às prensas com capacidade igual ou inferior a 30.000kN Fl. 649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 31/03/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10283.902875/2009-19
Data da sessão: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.166
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto
vencedor.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, relator. Designado o Conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/03/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou o crédito de R$ 70.870,77, resultante de Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.902875/200919 Resolução n.º 330200.166 S3C3T2 Fl. 188 2 pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 5856, do período de apuração de 03/2005, no valor originário de R$ 213.318,27. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.03.2009 (fl. 05), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 02/04/2009, a interessada apresentou, em 04.05.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 09/16): "A ora peticionária apurou (...) equivocadamente, um débito de COFINS (...) conforme DCTF transmitida à Receita Federal do Brasil (...). Com base no referido equívoco, a peticionária promoveu o recolhimento do montante supostamente devido, conforme se verifica do DARF ora apresentado (...). (...) Desta forma, verificase que a peticionária agiu devidamente, conforme determina a legislação, uma vez que, após ter reconhecido o pagamento indevido, retificou a DCTF e promoveu a devida compensação de um crédito seu, com um débito próprio. Entretanto, a peticionária recebeu, com surpresa, o despacho decisório o qual não reconheceu a compensação dos valores devidos (...). (...) Nesse sentido, é forçoso que a Receita Federal do Brasil reconheça o direito creditório da peticionária e homologue a compensação efetuada, tendo em vista que a apuração do débito de COFINS originouse de um equívoco, o qual não pode perpetuar em nome da verdade material que deve prevalecer no processo administrativo. É o que se vê, aliás, da jurisprudência pacifica do antigo Conselho de Contribuintes (...). (...) Negarlhe o direito a compensação ou impedir a restituição de pagamento indevido efetuado constituiria apropriação indébita por parte do Fisco Federal. Diante do exposto, requer a ora peticionária (...) seja conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade (...)." Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, em acórdão que assim ficou ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 188DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.902875/200919 Resolução n.º 330200.166 S3C3T2 Fl. 189 3 Anocalendário: 2006 CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como 6 o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada em 04/08/2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente. É o relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES, Redator Designado. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Tratase de indeferimento de pedido de compensação de crédito de COFINS com débito de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica em razão do suposto pagamento indevido do primeiro tributo. A Receita Federal indeferiu a compensação por entender que os alegados créditos encontravam totalmente alocados a débitos declarados pelo próprio recorrente. O acórdão exarado pela DRJ assim consignou: “a desconstituição do credito tributário formalizado pelo pagamento e anteriormente confessado em DCTF não depende apenas de DCTF Retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de eu houve o pagamento indevido ou a maior”. Ou seja, alegou que a Recorrente não fez prova suficiente do seu direito uma vez que não trouxe aos autos a sua contabilidade. A Recorrente, por sua vez, afirma que é possuidora de pagamento a maior decorrente de cálculo equivocado do quantum devido a titulo de COFINS tento inclusive promovido à retificação de sua DCTF. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10283.902875/200919 Resolução n.º 330200.166 S3C3T2 Fl. 190 4 Muito embora a DCTF retificadora tenha sido apresentada após a emissão do despacho decisório por parte da Receita Federal, isto não pode afastar o direito do contribuinte ao credito que este pode fazer jus, caso reste devidamente comprovado que de fato houve um pagamento indevido. Em se tratando de alegação de pagamento a maior, entendo que devem ser exauridas por parte das autoridades administrativas, todas as possibilidades a seu alcance para determinar a efetiva existência deste pagamento indevido. Nunca se deve esquecer que é assente na jurisprudência administrativa e judicial que o processo administrativo possui, entre seus princípios norteadores, o principio da verdade material, que impõe à autoridade administrativa a busca incansável dos fatos que envolvam o recolhimento dos tributos, garantidose que não haja o enriquecimento ilícito do Estado. Por este motivo, tendo por norte o principio da verdade material, entendo por bem converter o presente julgamento em diligencia, para que a autoridade fiscal verifique a veracidade das informações prestadas e dos créditos alegados pelo Recorrente em suas DCTF e DACON retificadoras, verificando: a) a existência dos créditos alegados, informando se o “quantum” apurado é suficiente para fazer frente às compensações efetuadas; b) se existem outras informações que julgue serem importantes para o deslinde do presente processo. Por fim, a Recorrente deverá ser instada a se manifestar sobre o resultado da diligência. ALEXANDRE GOMES – Redator Designado. (assinado digitalmente) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por WALBER JOSE DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/06/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/06/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digita lmente em 14/06/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.004455/2004-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003. 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS. INCORREÇÕES. FALTA DE EMISSÃO. NULIDADE. INOCORRENCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de
planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ocorrência de vicios, incorreções ou omissões não acarretam nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que nos termos da Lei, possui competência para tanto. Tampouco a instauração do procedimento sem previa emissão do Mandado trará esse tipo de consequencia
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003. 2004
BASE DE CALCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98, ART. 3º § 1º
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, sistematica prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta decorrente das atividades operacionais típicas da pessoa juridica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.765
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntario, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Relator, e Nanci Gama, que acolhiam a preliminar de vicio formal em vista das irregularidades observadas no Mandado de Procedimynto Fiscal MPF e, no mérito, davam parcial provimento ao Recurso, para admitir exclusivanente a tributaçno de receitas de aluguéis a partir do inicio da vigência da Lei n° 10.833 de 2003. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003. 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS. INCORREÇÕES. FALTA DE EMISSÃO. NULIDADE. INOCORRENCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ocorrência de vicios, incorreções ou omissões não acarretam nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que nos termos da Lei, possui competência para tanto. Tampouco a instauração do procedimento sem previa emissão do Mandado trará esse tipo de consequencia Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003. 2004 BASE DE CALCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98, ART. 3º § 1º INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime de Repercussão Geral, sistematica prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta decorrente das atividades operacionais típicas da pessoa juridica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntario, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Relator, e Nanci Gama, que acolhiam a preliminar de vicio formal em vista das irregularidades observadas no Mandado de Procedimynto Fiscal MPF e, no mérito, davam parcial provimento ao Recurso, para admitir exclusivanente a tributaçno de receitas de aluguéis a partir do inicio da vigência da Lei n° 10.833 de 2003. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
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VÍCIOS. INCORREÇÕES. FALTA DE EMISSÃO. NULIDADE. INOCORRENCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administratk o de planejamento e controle das atividades de fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ocorrência de vicios, incorreções ou omissões não acarretam nulidade do auto de infração lavrado por autoridade clue. nos termos da Lei, possui competência para tanto. Tampouco a instauração do procedimento sem previa emissão do Mandado trará esse tipo de conseq iiênci a. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Colins A no-ca lendário: 2003. 2004 BASE DE CALCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98, ART. 3 0 § 1 0 . INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, em Regime dc Repercussão Geral, sistematica prevista no artigo 543B do C6diuo de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inconstitucional o § 1 0 do artigo 3 0 da Lei 9.718/98, a Contribuição para o Financiamento da SeLntridade Social Cofins incide apenas sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta decorrente das atividades operacionais típicas da pessoa juridica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA .osa — Presidente em exercício e Redator Desi12,nado o Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntario, nos termos do Relatório e Votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Relator, e Nanci Gama, que acolhiam a preliminar de vicio formal em vista das irregularidades observadas no Mandado de Procedimynto Fiscal MPF e, no mérito, davam parcial provimento ao Recurso, para admitir exclusivanente a tributaçno de receitas de aluguéis a partir do inicio da vigncia da Lei n° 10.833 de 200,Desiitnado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator. EDITADO EM: 27/03/2015 Participaram da sessno de julimmento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (Presidente). Nanci Gama. Ricardo Paulo Rosa. Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Winderley Morais Pereira. Ausente. justilicadamente. o Conselheiro Jacques Mauricio Veloso. Relatório Trata-se de recurso voluntario visando a reforma do acórdno n° 019080 da Turma da DRJ/BEL, que julgou procedente o lançamento. De acordo com o relatório da decisno recorrida se pode observar que: Trata o process() de lancomento de Collies. no 'nonionic de RS 1.744.749.39, 'testes incluhlos ci multa oficio de 75N e os juros mora calculodos oh"! 30/07/2004. 2. F1111C1C1111e711011-.S0 constatctção de . falta recolhimento Ju (.'ontribuktio. de receitas decorrelneS aluguéis cic imóveis comerciais, escrituraclos, mas mio declarados, conforme clemonstrado no Termo de rerilicuoio Fiscal 367/180. ('onstatou-se, ciii PCS111110: a) A auntada (Condominio Amazonas CAT.' 63.692.057/000119) escrnura em nome próprio receitas aluguéis, luvas e outros vctlores previstos nos con/ice/os de locaç.c7o (como ex -emplo o que foi firmado pela autuada coin o Lullys Atelier e Armarinhos, clóu.sula 5.0), juntamente coin as respectircis despesas eletticidas iiO cmlerimento des.se.s aluguL;is. SZIO lanibém escrituradas cio ¡tome do Conclonihno Amazwlas as recvinis e (lespesas relativas ao Fund() de Promoo7o e Propaganda. prel'iSIUS 1105 COIIIIVIOS de loca“-io (co/no exemplo, o (pm, fdi firmaclo com a Lullv's Atelier e Arnictrinhos, cicinsula 8.0, 10 Apc.sar de se ter constituído ilideVidrillICIlle Cuillo "COlicloillhli0 c/c CcIlliCtlyie.,s"". 0 Colldoillinio .1111(1011(1.S CArP.1 63.692.057/0001-19 é snieno passivo decorrente do prótico de 2 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() n" 10283.001155/2004-61 S3-C1T2 Acórdão n." 3102-001.765 Fl. 2 citividocle econômic«, posmindo comic:0(1de tributaria passiva, nos termos do art. 126, III, do CTN, para figurar como contribuinte dos respectivo.s. tributos devidos em consequc3 ncict de Silo citividade econômica, qual seja, explora“-io de aluguúis cle comerciais existentes no Amazonas Shopping Center. 3. A interessocla opresentou impugna0o (11s. 505/527), em que alega (J'ue: a) 0 Agente Fiscal equivocou-se finidanie1lto0o legal, cometendo grave erro, eivando o ato achninistrcitivo vício insanavel. 111UL-o1/ capitulaccrio iiiXi5lH'liI de 11.10.718/87, ido encontra(la orclencimentoptriclico. 1?) Houve descumprimemo prazo para a execuccio do .11PF 0220100.2001.00126.11. A prorrogaccio clo .11PF somente cientificada ao repre.yentaine do Condoininio Amozonas em data, 16/12/2003, ben; posterior Cl expircTCio pra:o para cumprimenio do procedimentoli.sccil. 0 ii 1/'.F' cilado determina fiscalizcvio dos períodos .janeiro de 1998 a clezembru de 1998, enquanto que fiscal alumni Os periodos de janeiro de 200$ a junho de 2004. A portaria n, 1.265, (lc 22 de novembro de 1999, determina quo o :11P1- se exthwue pelo decurso prazo previsto, H em coso cle evtinoio, CI amoridade dove delerminar a emis5c70 de novo A1PF, que por si/cl vez deve ser execmado poi. Auditor ri,scal chlerente cio que exeemou o ..11PE anteriormente extinto. Ouestiona a constinicionalidacle du Lei 9,71898. a (purl aileron a concvillicic(70 chi base ric cc .i/c/i/0 Cojins c.slubefeciac1 pela Lei Complemental. 11" 70 91. .-lancla IHI ordinaria nao Se aplicarici enliclade ncio .Sei• C011.11ael't pes.soajuridica pelct aplicavel. (1) Teria havido quebra do princípio cla ,Vcio seria possível a trilmlacao de conclominio (onic) pessoa juridica, por jaha previsao legal. Desta finma feria entendido o Conselho Contrilmimcs. e) 0 conclonnnio nao .yeria sociedade empre.saria, podendo ser tribillazlo COMO eSla .10414.'4.1(0C. ,Ve-10 Seria 11111a peSSOa 1111d ¡Ca, 111a5 ape IlaS . 10% CI' %all() a I convençao par(' Cl cla proprieclude dos poles signatarias sobre a fray-lc) ideal de terreno, areas e instaloOes commis, pertinentes lojas imegrantes do /LIJAZONA,S. SHOPPING CEA'TER. .1) Os proprickirios do Amazonas ,S'hopping Center sc -io os emprecncledores. As receitas H de.spe.sas siio de litulariclade !Mica e exclusiva dos empreencledores condóminas. , segundo previsrio clausula (Juarto, item -1.3, do Conven“-10 Colidolltillio (11s. 2-1 /25). g) 0 auto de inlrao'io te/li potencial Protesto por todos os meios de provas. Após analisar a impui_umOo da Contribuintc, decidiu a l)1Z,I, por jult),m- improcedente a manirestag,tio dc inconformidade nos termos da ementa abaixo: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Assim/o. Process() Adminisimiivo Fiscal ilno-calendório: 2003, 200-1 NUL1DADE OC 0 RR EN C L4 N DA DO DE PROCEDLIIENTO FISCAL — O ,111)F constilui-se em elemento de comrole administra0o tributeirict, disciplinado por ato achninisfralivo. A eventual inob.yervcincia do norma inkalegal 100 pode gerar nulidades I/O cimbilo do processo fiscal CO1VD Oil iRuo Exercendo a própria atividade comercial, (life seria dos coproprielórios, a impugnante, mesmo nomeando-se condominio edificio.s, pop ter adquirido disponihilidade económica renda e ankrido lucro liquid() e receita configurou-se como pessoa juridica contribuinte do Imposto de Renck', do CSLL, du Contribuic(o papa o PIS e dci ('oln's. Lal7yalle1710 PrOCeelente Em sett recurs° voluntário a contribuinte alen cmsuma, que: 1) É nulo o lançamento por ser baseado em MPF com prazo expirado, ja que o prazo para sua execução era até 13/01/2002. enquanto o representante do condomínio apenas tomou ciência cio procedimento em 16/12/2003: 2) Nulo também o lançamento já que o MPF estabelece como período fiscalizado o ano de 1998. enquanto o lançamento compreende o período de dezembro de 2002 e junho de 2004. 3) A fiscalização considerou como - receita os valores recebidos a titulo de: 1) locação das lojas do shopping: 2) encargos condominiais destinados a custear as despesas das areas comuns: 3) Fundo de Promoção de Propaganda e divulgação do Shoppinu, Center: 4) Apenas as receitas decorrentes da locação de lojas são destinadas aos proprietários e empreendedores do shopping. as demais são integralmente para custear despesas de areas comuns e de publicidade do shopping center, as quais stio apenas repasses para pagamento de agua. energia. sei_mrança, limpeza. manutenção. etc. 5) 0 Condomínio é um ente despersonalizado. portanto não é sujeito passivo de tributos; 6) 0 Condomínio não é proprietário de nenhum imóvel localizando no amazonas shoppint2, center. os proprietários são os empreencleclores; 7) É inconstitucional a Lei IV 9.718/98 e incompatível com o CTN; E o relatório. Voto Vencido 4 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Proces:,o n" 10283.004455/2001-61 53-C112 Acórao n.' 3102-001.765 H. 3 Conselheiro Alvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matL:ria de compet&cia da terceira sessao. Preliminar — Nulidade do Lançamento Argui a recorrente a nulidade do lançamento sob argumento de que houve descumprimento do prazo descrito no Mandado de Procedimento Fiscal, conm tambem pelo período do lançamento divergir do período do MPF. Ern 1999 roi disciplinada a utilizagilo dos mandados de procedimento fiscais, para fiscalizaçao dos tributos administrados pela SRF, com o objetivo de estabelecer o controle da programaçao dos trabalhos fiscais pela contribuinte. cientificando-o dos atos da Quando do presente lançammto O MPF era disciplinado pelo decreto n" 3.724/2001, corn sua reda0o original, a qual em seu art. 2' § 2° disciplinava que a "a li.sva/izaç:(70 so)/ieme ler(i inicio per . força de ordem cspecilica denominada eVlanclado de Procedimenlo Fiscal (_111'F) - ..,j(i o § 5° apresentava os requisitos nos 1\ 1PF: 5" Para fins deste artigo, o A /PE devera oh.svrrar o que se segite: I - a (111101'idade C'0111pCICIIIC »UM eXpCall' 0 MIT se/ti ocupante do cargo de Coorelenador-Geral. ,S'uperintenclente, Delegado ou 111SpClol', 1111C,t1*(1111C (1O i.'Slrolltra (1C CUrgOS C . fitnções da SecreIctria da Receita Fettered; 11 - C0711(21.( .1. no 1111'1111110, (iS ¡I/P. )1'171(10CA'; a) a denominação do tribato ou da conlribui0o ()Net() do procedimento de fisc..ttlização a ser exectaado, hem assim o period() de apuração correspontlente; b) prazo para a realização tio procedimento de fiscalização, prorrogórel ajuizo du autoridade que expediu o W.F.; nome e nuuricula dos .-Inditores-Fiscai.s. ,h, Roceil(, rederdt responsóvei%. pela execu“-io do .11PP: (0 Howe, 1111111CM (10 IC1C1OlIC C endereço jUncional do cheje imediato clos Auditores-Fiscuis Receint Federal, a que se refer(' a cilium anterior: e) twine, matriculct e assinatura da autoridade que expediu o .1) c(itfig0 tie acCSNO C.1 Internet (pie permitirei ao sujeito passive), °bide) do procedimento de . fiscaliz.ação. identificar o .11PF. 6" Não se (Oleo o exame de que tram o copra (10 procedimento de fiscetlização relerido fio inciso do § -I" deste artigo. Observando a norma acima , percebe- se que a Receita ao emitir o MPF deve atender aos procedimentos descritos, pois qualquer vicio podera invalidar o lançamento. Sobre o tema 6. oportuno citar as lições de 1\ larcos Vinicios Neder e Maria Teresa Nlartinez: Fl. 702DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA "0 :11PF, conluclo. Moroi' ao dap conhecimento conteímh) dessas diretrizes interims contribuinte. Trato-se de um instrument() que visa permitir oo fiscctlizado avsegurar-se cmtenticidade contra se. instouroda, pois dti-lhe conhecimento do tribut() que será objeto de investivtçõo, dos períodos a serem investizados, do prazo parer a realizaçao do procedimento fiscal e do agente que procederá . fiscolização. Nasce, a por/ir da cic3nciu, o &Pell° .subjetivo de que esse procedimento scja ektivameme obedecido no CID'S() (10S 11111411110S. 0 fato de esse :Ilandado ter Aid() in.slituido por ato administrotivo nCto exime a Admini.vnwrio dv cuinpri-lo, a Fazenda pode se autolimitar de mo(1() garomir maior transparc 3ncia no v.vercicio da funoio pUblica. Sella. no 1111'1111110, i11101*(11 ci ..-1(11111111.S11'(10%0 C1111111' 11111 (110 C111 Se C0111p1'0111(!k? (1 l'et111:01 delel'111111((10 (q..;ir em beneficio do adminisliado e depois 1111iloteralmemc elescumprir o que ibra prom elido." Corroborando es.ve posicionamento, Roque Antonio C'arrozza ,Suslenht que o Ale uulado Ic Procedimento Fiscal jOrmalidade imprescindivel para validade autuocc-to fiscal. -12 Acluz. que "... A lunched() Proceelimento (,I1Ph) Icni el neaurezet juridic(' de Lao aelministrativo, implicanclo 'ordeal especifica' parer a instouracõe, Auclitores-Fiscais cIi Receita Federal, dos procedimentos fiscais reta//vos aos Iributos e contribuiOes administrados pela SRFl pooh. criaçiio . figura MI', em suos vários modalidades., o agir jitzendOrio, ester(' ji ,derul, soften expressivo que este documento 101.110u-se juridicamente imprescindivel ti validade dos procedimentos liscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SR F, (/ lie sejam instaurados descoberto do competente sõo inválidos e, nesta medida, tisnam de irremeditivel nulidade providencias fiscais' eventualmente adoludas contra Os contribuintes. " No caso dos ztutos. resta analisar Sc ()missões do NIPF, coin() a auséncia de intima0o da prorrognçno NIPF c a cliverLt'éncia entre o período &suit() do procedimento e aquele objeto do lançamento. podem actin -etar a nulidade do lançamento. Vejamos. Através do MIT n" 0220100.2001.001261(ns. 01). roi dado inicio a sendo cientilicado o contribuinte em 03/04/2001. a linalidade do MIT era analisar o IRP.1 referente ao período de 001/1998. o prazo inicial seria até 27/07/2001 decorrido tempo o MIT foi reiteradas vezes prorrogado. tendo como natureza da alteraçilo apenas a mudança de prazo, sendo prorrogado pela sétimo vez até 27/02'2002. desse Ultimo o contribuinte foi noticiado em 16/12/2003. A partir do mandado complementar n". 8. teve inicio a exclusAo e incluso auditores para procederem a fiscaliza0o, no MPFC n°. 10, manteve-se como tributo fiscalizado o IR RI modificando apenas o período para 01/1999 a 12/2002, ja no MPF — C IV. 11, Ibi incluída CSLL como tributo a ser liscalizado , referente ao período de 04/1999 a 06/1999 e 01/2000 a 03/2000. I. NWI.IR . Marcos Viicius. Processo administratko cornoutado / Marcus Vinicius Neder. Nlaria . I'cresa Nlartinez I,opcz - 3 cd. - S)o Di:Lilco. 2010. Analisando o termo de vc‘rificaço fiscal (11s.361/480). pode-se aferir as informações acima delineados quanto a objeto do NIIT. como a afirmaçao de que através do MIT n° 02201002001001261oi realizada a1iscaliza(i7o de 'RH, rejerente cros 'alas geracfores ocorridos período de janeiro/1999 o dezembro/2002" den monstra ainda clue "incluin Fl. 703DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() n" 10283.004 155/200.1-61 53-C112 Acórao 3102-001.765 Jiscaliza“70 CSLI. relaliva ao 2. Iriniestre ano-calendario de 1999 0 0 I" trime.wre ano-calendario de 2000 - . Apesar do contribuinte no ser intimado da prorrogação do MIT, a fiscalização continuou ate a conclusão de seus trabalhos culminando no presente lançamento. Ressalte-se que a intimação referente à prorrogação do N'11) 17 apenas ocorreu em 16/12/2003. Observa-se. portanto. que houve a intimaçao do MIT, quanto a intimação do MIT C(prorrogação) 6 necessário analisar o que disciplina a portaria 11 0 1.265/99: Art. 12. Os illPF terc-io os segnintes prazos intiximos de validade: 1- conic) e rime dias, nos cosos ci .111TI ," o elo Al.PFE; II trinta &as. 110 Caso .111'FD. Art. 13. prorrogetç.ito (10 pro=o de (pie water 0 wage) (interior poelerci ser efi , lituda polo ottlorielude 011lor,4 2 1111c, hinters vezes (mantas necesscirias. observado, a cadet alo, o prazo inci.vinto (le trinlet (flay. (1?eclace7o (ludo polo 1)011(1110 ,S7/F ti" -107, do 17/04/2001) Petr("1 ,..nytfo pror7'0goc(70 (10 prazo c/c' volidade do 1111).F .ser(Vbrinalizada mediante a enti.rslio (lo A IPEC. /Ill. 14. Os prazos a line co l'elerelll OS arts. 12 e 1$ sere-to continuos, o.vcIttindo-se tie" .wki coinage'', o diet do inicio e incluinclo-se o c/c) vencimento, nos termos do (11 .1. 5" do Decreto 11'70.235, de 1972. Pur(igrafo nnico. comugem (lo praf,o do AlPFE for-,se-cí pooh. da claht do inicio procodimento Art. 15. 0 .111T extingne: - »do conchisao do procedimento fiscal, registrado em term() próprio: 11 itel() elecitr.,o dos precos et (pie se rcj,.'reiii oS ort.s. 12 o 13; Art. 16. hip(5tesc (pc irate' 0 hiciso 11 (10 ortigo anterior niio milielaLle dos (nos praticados, podendo a ctutoridelde pi,h, ,\!„17 ,10,10 exl imo ( 1 Ierm itior oi entissiio (le novo 111.1)F 'taro 11 C'011C1115a0 (lo procodimento fiscal. 1or(igra10 tune°.c\'a emi.ssito cio intro :1,11)F de (pte into e,ste ortigo, 100 poderei Act' inclicado o me.vitio responstivel polo exec:lice-7o do :11andado o.rtinto. Observando o texto da portaria. identi lieu-se que o art. 16 não disciplina sobre os casos emissão do M1)17 C. e sim sobre a extinção do MIT em razão do decurso do prazo, determinando assim a expedição de novo N11)1 7 com outro auditor fiscal como responsável. Ora, quando não decorrido o prazo regulamentar. cabe a expedição de MINT, permanecendo o mesmo auditor, não havendo nenhuma exig,ncia na norma quanto notilicação cio contribuinte sobre a expedição do MITC dentro do prazo regulamentar. Sobre o tema este conselho já se posicionou no seguinte sentido: 7 Fl. 704DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA PROCESSO /I allIAISTRA171i0 FISCAL NULIDA DE DO LANÇAMENTO VICIOS NO MAND. WO DE PROCEDIAIENTO ELSVAL - Portaria 1.265/99 estalui a possibilidade de prorrovicao do 1111'F inediante a formalizactio de 11.11'1.- C denim do prazo re:zulamentar, nao exit;indo que notificacao (10 contribuinte do 111PF C tamb(an SC faca neste prazo. PRO(.'ESS() ,11).111.VISTRATIVO FISCAL .V1t7,1 DA DE CERCEIAIENTO AO DIREITO DE DEFESA - Ntio Iicí (pie se «legar cerceomento Ic (fetes(' pot. erro couptudrconento /',Lc 1/ 1/0 Auto de Inlractio. tplantlo nit , menriono,lo c/c jOrmo stoisfutória e complent. 1RPF CANI10 DII CAPI IAL Apitrodo pelt( FiscolLuvio gonho mio horenclo nos woos cptalquer element() calm:: de deseuracieriai-lo, é ser montido exncia. IRPF GA:V/10 DE CAPITAL ISENC-TO PARA O ÚNICO IAIOVEL A regra isentivo oil/go 23, du Lei n" 9.250/95 somente .se oplico quctmlo reslor comprovttdo (ph , o alleluia() era o tittl('() (ph! U contrilminte possnitt, O que lid() re.slon demonstrudo no coso concrelo. IRPF (1.-1N110 DE C'AIVIAL DEDUO-0 DE CUSTOS COSI REPORA LIS. Nos lermos dos ortigos 16, 18 ti 22, du Lei n" 7 7 13/N 5 , son/elite dedmireis, ctintr4tç . ito günho (lc copitol, Os disp2ndio5 ejetirconeme comprovadu.s. I//PP 0:15/1-10 DE CAPE1A1. PERCENTUAL DE REDliC. ,TO O percent /101 de recht(cio »tyro a opuractio gonho de c.cipittil, de (pie trunt o artigo IN, do lei /I " 7 713/55' , pode ser toili:odo en, imórel adtptirido opós 1".01.19N9, ircio harcnao propels cle (pie o caso concreto se emptculro no hipótese legul. PA 1" A IULTA DE OFJCIO 1 andm cL lanouncnto (?ficio de -55' tern previscio lq.,,c11 expresso e vigor (orti,(..?» 11, inciso I. tlu Lei n" 9.-130/96, corn 0 reduç'cio dodo pelo Aledidu Provisoriu it" 30$ , de 2.006), min poclendo ser olitsvocla (.001 base em mero jui=o vubjetivo c/c' carciter económico. JUROS 7AXA SEL/C A portir de I" de (11)111 de 1995, os jitros morcoórios incidentes sobe tILV)itos trilnotirios administrodos pelo ,Secreturia Recciut Federal Rio derides, no period() inodimplc 3ncio, ci tract rekrencial do .Vistemo Especittl Lignicluçtio e C'astódio Sal(' pant fíl ///os/ec/e/'uis. (SOnittlo P' CC n" -I) Preliminctre.s rejeihttlos. Recurs() roltuntirio neguclo. 2 (t4rifi) nosso) Superada a questão da aus,.^mcia da notifica0o. quando ocorrida a prorrogação do MN'. resta saber se a divergência entre o período descrito no N/11)1: e aquele objeto do lançamento acarreta nulidade. como ttunbC2m se a diverunciti entre O tributo descrito no MN' e o descrito no lanytimento. já que o N11)17 previa apenas 11:P.1 e (.'SL1,. enquanto o lançamento exige a COFINS. O art. 2" § 5" da portaria n° 1.265/99. prescrevia em seu Ii alinea a que o N/11)1' deverá observar a "a) a clenontimvio do tribal() ou contrilnikao °Net() do procedimento jiscaliza(c7o a ser execiamlo, hem O pell0d0 (4' opuroçao correAponclente:". 2 - Prinleiro C'onselllo C'oritrihuinics. •1" "I unna Ac6aLlo 11" 10 , 122213 Llo Process() 101660111502003.10 Apesar do posicionamento majoritário do CARL ao entender que a não menção no MK' do tributo descrito no lançamento e de seu period() não constituem causa de nulidade, sob argument() de que o MN' e utilizado para discipliitar a execução dos procedimentos 1iscais. e assim qualquer ralha cm till:1 (21111SSIO 11(lo Lililli2,C a competCmcia dos auditores, ouso discordar e acompanha a posição hoje minoritária. 8 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() n" 10283.00.1.155/200-1-61 Actirao n." 3102-001.765 H. 5 Ora, ao serem estabelecidas normas administrativas que definem requisitos para formalização de uni procedimento fiscal a ser implementado. tais regras devem ser obedecidas. permitindo ao contribuinte ter prévio conhecimento do tributo e período que sera analisado , como também o prazo que perdurara a investigação e quem irá realizar, caracterizando uma investigação com lisura e transparência. Atender no MPF. obedecer ás diretrizes do ato administrativo definidas em portaria expedida pelt' SRI. portanto ao contrariar portaria. estar-se-á dermindo que as mesmas de forma irrestritas podem ser violadas. sobre o tema são oportunas as Nikivrts da professora Mary Flbe Queiroz: Ou bent as portarias valet,' e ohrigam ou nenhuma porlaria role obriga. Nao Sc' pode deixar ao Hype critt ;rio suNetiro cada um e,svolher ci portaria (pre t; obrigatórict, aplicarel e deve ser cumprida ott 1 17 . nenhunkt porictrict 0hri,;;,1, o Regiment() 'memo clos Conselhos Contribuinte, cla Ccimara Superior (le Recursos Fiscais, cht Secreturia da Receila lc lera! ncio obrigam valet), e podem set . de.scumpridas pot . todos. " Analisando o assunto este conselho, apesar de não ser o posicionamento hoje predominante. já afastou os lançamentos por vícios no NI PC: A c( 5rd,-.10 10/94116 _ Norma, processuais _ Nulidade _ Ajora hipótesex cle e.vpressa cli.Npensa (10 o lculytmenlo (le crt;dito fributítrio jOrmalizaclo pot . agente (10 Fisco relativo i tributo mio intlicado no MPH'', bent citja.s irregularidatle.s apurthlas tu-to repousam nos memno.s . elementos de proret clue .\errirain (lc base a lanç.amentos de tributo expressamente inclicttdo no mcmda(lo. Pelas razões acima, ao observar que o lançamento tem com objeto a exigência da COF1NS referente ao exercício de 2003 e 2004. enquanto o MIT restringiu a 1999/2002. especificamente quanto a IRP.I e CS LL. acolho a preliminar arguida para decretar nulidade do lançamento. MÉRITO Ultrapassada a preliminar , cabe discutir se OS valores recebidos pela recorrente. na qualidade de condomínio clue administra uni Shopping Center, decorrente da locação de lojas. encargos condominiais destinados a Mantel - as areas comuns e o Fundo de promoção de propaganda e divulgação. são ou não " receitas". C. portanto. devem ser base de cálculo da COF1NS. 3 - ()111.;11:07.. Nl.dr ■ [11)e. Artigo intitukhlo " 0 Nlnuchiclo de Procedimento Fjii como prestiposto de Intotiruç;lo e Rellularidade do Procedimento Fiscztl" di\tilgado lo silk) .CC;11.11RISil.00111. COI l/) de mzirço de 2008. CONDOMÍNIO SUJEIÇÃO PASSIVA Derenda a recorrente que na qualidade de condomínio 6. um ente despersonalizado. não sendo sujeito passivo de tributos. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA O condomínio, nas palavras dc Silvio Salvio Venosa. possui personalidade jurídica anômala , e, portanto lhe ê conferida a existência formal: 0 condeminio de edificios poss.ui o (pie denominamos pers0nifica00 Oualificum0-10 (wino emi(lade com personifica“-io anómala. 0 CPC, no art. 12. estahelece como representadas ((tiro 0 pa ■ siramente 1V pes.soas juridic:as. () ¡lids() do lei ailictint atrihni ao shidico 1.0presennic (70 procesrual do comlominio. Destarte. 100 nega sure personificaçO), j0m -n1/eno (pie super() e. extrapoht. evidentememe, a simples eskrct processmll. 0 condondnio calla 110 1'IA1 C01110 qualquer pessuci jurídica. denim de sell iimbito de anukiio. .4 pet di, huh, admite mara .sol11ec7o. 0 condomínio tem. poricmh). existi;ncia . 1i)rmal (ST.1 - 4" T. RE 9. 5N-I.V), Rel. .11in. EIg lielreao, .11/co l(317/0 Negi•Cio , (76,1/go proce,s.so civil e lcislacao processual ern nota 23 (to art. 12). Sim personificaecio mitigaart C imrlashivel. Su() personalidchle piridica C reconhecido e.xpressamente, por e.vemplo, na jr c lncesa. cuja domrina o (onic) ulna cria“-lo original clo Percebe-se que nao ha como afastar o condomínio da sujeiçao ao pálo passivo da obrigacao tributaria, ressalte-se que com a ediçao da lei n 0 10.833/2003, o condomínio passou a atuar conic) responsabilidade. sendo sujeito passivo da obrigaçao tributaria. IASI DE CALCULO A Lei n". 10.833/2003 estabeleceu que a COE! NS. com incidência nao cumulativa. tem como fato gerador o raturamento mensal, sendo este o total de receitas auferidas, independentemente de sua denominaçao ou classiticaçao eontabil, compreendendo assim a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O inicio da vigência da referida lei roi a partir de abril de 2004. respeitado o prazo nonauesimal. Antes da lei 10.833/2003. pode-se idirmar que o Decreto IV 4.524/2002. que regulamentou a contribuiçao para o 1>1S/PASLP e Cotins. em seu art. 10. deline com base de calculo o valor do faturamento. o qual segundo a referida norma corresponde Cl" receita bruta. entenaiact lotoliaode do.s receilas aulericlos, inaepenaententemc (la aliviaoae po/. clasexerciads e au oclotocla pora U escrituro0o aas receitas - tal delinicao decorre do § 1" do art. 3' da lei IV 9.718/1998. Acontece que o Supremo Tribunal Federal. ao juluar recurso Extraordinario n" 346.0846 5 . entendeu que a referida norma fere o art. 195 da Constituiçao Federal e o art. 110 do Códiuo . fributario Nacional. ao ampliar o conceito de laturamento. Ressalte-se que no RF. 585235. o SIF reconheceu a repercussao geral da matéria. devendo tal posicionamento ser seguido por este coleuiado em atençao ao art. 62A do Regimento Interno do Carr. .1 - VIA\1011, Silvio Sal \ lo I)ircito Civil. 3 c(I. 2003. p. Nesse contexto. é possível identi Pear a base de calculo da contribuicao observando o art. 2' da I ci complementar IC 70/1991_ in rerhis: Art 2- .4 contribukcio (pie tram 0 a111g,0 anterior .vera de dois por 001110 e sohre 0 . fitturamento mensal, as.s.im 10 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() n 10283.004155/2004-61 S3 -Cl 12 Acórao n." 3102-001.765 I. considerado a receita brula das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Portanto. pode-se atirmar que a base de calculo da Cofins e Pis, ate 31/03/2004. é o faturamento. considerado esse. como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestaçao de serviço. a partir dai passou a base de cálculo a ser o !aturamento entendido este como o total de receitas auferidas. independentemente de sua denominação ou classificação contãbil, compreendendo assim a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Como o period() do lançamento compreende dezembro de 2002 a junho de 2004 e de acordo com o termo de verilicayao fiscal( Hs. 468) o lançamento decorre de "receitas de alugueis, luvas e outros valores decorrentes da locação de salas comerciais localizadas no edificio Amazonas Shopping, sern que tais receitas fossem oferecidas regulamente ã tributação", sendo esses -outros valores" provenientes de encargos condominiais destinados a manter as áreas cornuns e o fundo de promoçao de propaganda e divulgaçao. desde jú alista-se o lançamento referente no período de dezembro de 2002 até março de 2004. cm atençao ao posicionamento firmado pelo S . 1 . 1: acima delineado. Após o relendo periodo, cabe analisar se Os valores decorrentes de dos alugueis das salas comerciais: das receitas do FPP - Fundo de Promoçao e Propaganda e outro valores decorrentes da locaçao de salas. so receitas e sujeitas a incidência da Cofins. Em razão da ausência de uma definição legal de shoppine center. é oportuno observar o conceito apresentado pela Associação 13rasileira de Shopping Center -- A131:ASC1: Ce11110 1)1(111(lailO Soh 11111‘1 cl(fiiliIiislrclç'/?11 li/lice. CO1111)0.110 (le e_17)101"(tç,00 ceniercuil i. ( .1 pr(?SltIÇO0 (le .s.erviços, .slijeilas Cl nornw.s. contratuttis padronizadas, 11(1)0 111(1111C1' O (Ye. rta e (la funcionalichide, cr.ss. egurando a c()nrivc.%ncia rc1101' (le coniOrmidade com o . latyramcnto. 5 - RE ii 3-16 0846 coNsrm -cloA.loalol. Akm,y) L011.:.\ 0.1 CHAS-1111Y \''' 2(1. 1)1.: 15 1)1.: 1)1 ../E.11111 ■ 0 da con.stitucionalidade superveniente. IR1811.1. 1 ■10 1).1 1.L.1 A" 9. 7 I'■ nr. 2 - 1)1: .901701BRO 1)1.: 199s 199,.. sisicura juridic() brasileiro nao e(micmpla ci ligura 'JOE EXPRI...S.>OLS 1. 1 .0( ..-1 . lit LOS SEA 171.)0. .1 "norma pedagógica lo (wag() 110 do Código 1 ribincirio Nacional ressalla a imposibiliclacle c/c' a lei tributiiricr alterar a clelini0o, contelido e o aleance de C017.1i1QPCIcIOS Nil Os, conceitos e .fOrmas direito privodo utilizados e.rpressa ou implicitamente. Sobrepik-se 110 aspect() formal o principio chi realidade, considerado. ■ os elememos tribuhirios. CONTRIBUIC.-TO SOCIAL PLS. RECE17.-1 131 ■ (..11 NOCJO 1N( 'OVS1117X10.V.11.11).111R 1'1)0 .181'1(1'0 3" D.1 LEI 9.718 9S. ,4 jurisprudC,ncio do Supremo. awe reclayio artigo 195 cla Carta Federal onh:rior F.Menda Constnucional ir 20 91/. c(Msoliclou-se tio senildo 11)01(11 cvi e.V1)1V.■ .vric'N' Peeei 1)17 , 1(1 1' Rif .'01110 M.17011i 11111g111(10-a5 4 .1 Wilda de illerUldOriaS, SCITIVOS (In de liter( ad011‘IS !WHIN! 11(7,)111,*1 di •■ • I" 41(1 arngo 3" cla Lei 11" 9. - IS 9,5, ito JUC wirp/itnt (') ColICei r) rere ti pard elll'ONCI• cl 10101 !Wade da.V ((Li pOr peSSOUS IllidiCUS, 1/cl ativhhhle por elas desenvolviela e da classificaoio contabil (idolcula Percebe-se que a relação entre lojistas e shopping é de natureza contratual, quanto a natureza desses contratos há urna grande divergência doutrinária. A primeira sustenta. com base no art. 54 6 da lei n" 8.245/91. que o legislador atribui ao contrato celebrando entre lojas e shopping center a natureza juridica de contrato de locação convencional. Fifiretanto. parece acertada a parte da doutrina que defende que esse tip() de locação nao correspondei urna locação - pura- . pois possui diversas relações juridicas estabelecidas entre as partes. 4 ......-- 11 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Analisando quaisquer desses contratos. constatar-se-á que o preço pago pelo lojista não decorre única e exclusivamente do uso do imóvel , esses contratos estabelecem inclusive variações de acordo com o lucro do lojista. No caso em liça , analisando o contrato transcrito no termo de verilicaçao fiscal. verifica-se um aluguel minino estipulado , o qual. no ms de dezembro sera o dobro , esse minimo é utilizado quando o - faturamento ou venda bruta mensal - do lojista não atingi-lo. Tarnb,:ln é pago um percentual de 20%( vinte por cento) sobre o aluguel mini 1110 para custear o Fundo de Promoção c Propaganda do Amazonas Shopping, e, de acordo corn item 13.1 do contrato. os lojistas pagam as despesas comuns. as quais serão divididas por todos observando a respectiva area. Percebe-se que os valores pagos pelos lojistas para custearem as areas comuns do condomínio. bem como o fundo promoção de propaganda de divulgação , não integram a base de calculo da Corms. pois não são receitas dos mesmo e sim utilizados para custearem despesas e publicidade comum. DA INCONSTITUCIONAL1DAE. DA 1.E1 n° 9.718/98. Quanto ao argumento da recorrente de que a lei n' 9.718/98 seria incompatível coin o C l N. e. portanto inconstitucional. basta ratificar o posicionamento deste colegiado quanto a impossibilidade de discutir a inconstitucional idade das normas, nos termos da súmula n°. 2 do CARE'. cabendo apenas observar aplicabilidade da norma ao 'aso em concreto. Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntario , para a listar a incidência da Co (ins sobre os valores pagos pelos lojista para custearem as areas comuns do condoininio. hem como 0 fund() promoção de propaganda de divulgayao. Sala de sessões 26 de Cevereiro de 2013. Alvaro Arthur Lopes de Almeida Fill io - Relator 6 - Lei It' 8.245 1991- Art .5 -/ reli (iies eutre loastas e en ij ieeiicIe, 6 n e. te shoppnlg center, prevaleceriio as c01t46es livremenIc pactuadas 110V C01111VIGS loca(iio respectivos e as disposic»;es procedimentais previ.slas fiesta lei. 7 - .Çfimula CIRF n" 2: 0 CIRF nao L competent(' paro At'prontinciar .sohre cl incoastinteamulidztdc de lei tributtirin. Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa 12 Fl. 709DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() 11" 102S3.00.1155/200.1-61 53-C 11 . 2 Acórdilo Ii. 3102-001.765 H. 7 Em que pese o elogivel desenvolvimento lógico exposto pelo i. Relator do Processo, apresento a seguir minims divergências. No que concerne i preliminar de nulidade por alegada exacerbayiio dos poderes confiados pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MN' e problemas com a data da conclusao do procedimento. penso que algumas considerações gerais devam preceder as questões mais especilicas. O artigo 59 do Decreto 70.235/72 estabelece que sio nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e Os despachos e decisões proreridos por autoridade incompetente ou praticados coin pretericlio do dircito de deresa. Art. 59. Sao nulos: - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Ii - os despachos e decisões prol eridos por autoridade incompetente ou com preteriçao do direito de deresa. (•••) 1-16 patente delimita0o contida na norma em relayao ao universo dos acontecimentos atingidos pela nulidade. De litto , logo a seguir essa reserva ê conlirmada pela recomendayao de que as demais irregularidades incorreções e omissões sejam sanadas. Decreto 70.235/72 Art. 60. As irregularidades. incorreções e omissões dirorentes das rereridas no artigo anterior into importarao em nulidade e serao sanadas quando resultarem em prejLlizo para o saicito passivo, sa l‘. o SC este lhes houver dado causa, on quando nao iii tliiireiii ia solth,:ao do lit ieiu Firmado nesta premissa. foco a anúlise na garantia de (IC lesa e na competência da autoridade que praticou o ato. No CR1C se rerere au inexpugnilvel direito que o sujeito passivo tent de defender-se da exigência que lhe ê imposta_ elementar destacar. desde logo, que a rase litigiosa do procedimento. como ninguém desconhece. inicia-se com a impugnayilo no auto de infraçiio. Art. Ii. A impuguayao da exigência instaura a rase litigiosa do procedimento. Haverilo de ser menos provaveis as rallms acontecidas ainda na rase de formalizayilo da exigência que tragam prejuizo ao direito de detest' do contribuinte, uma vez que. impugnado o auto de infritOo_ tem inicio a etapa ao longo da qual serilo contestadas as acusações contidas no processo. garantindo. jusulmente. que a parte defenda-se das acusações que lhe sac) imputadas. Neste contexto. de ser observar. de inicio , que. em carater suplementar i'ts ponderações sobredi tits. o Mandado de Procedimento Fiscal riio ê mais do que um instrumento de controle da atividade fiscal. tal conto disposto na legisla0o que lhe originou , a distante Portaria 1.265. de 22 de novembro de 1999. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Como se depreende do seu texto normativo. o Mandado estava inserido em um conjunto de outras regras que tinham o propósito de consolidar critérios de planejamento e normas para execu0o do procedimento Fiscal no ilmbito da Secretaria da Receita Federal. 0 enunciado: Dispõe sobre o planejamento das idades fiscais e estabelece normas para execuçao de procedimentos riscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Neste desiderato. a Portaria estabeleceu, em seu artigo segundo. que os procedimentos fiscais seriam instaurados mediante ordem especilica. Ant. 2" Os procedimentos relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRI' sera() exectuados. ciii tome desta. pelos Auditores Fiscais da Receita Federal - R.1 7 e instaurados mediante ordem especilica denominada Mandado de Procedimento Fiscal MM'. (grirei) Trata-se de tinia medida inserida dentro de programa de implementaçilo de uma nova metodologia para o planejamento e controle da atividade fiscal. De sublinhar clue, a todo rigor, o Mandado de Procedimento Fiscal jamais 1 .01 pensado como instrumento garantidor do direito de defesa do administrado. Flavern de se reconhecer que ele atribui moralidade no exercício da atividade Fiscal e maior segurança nas relações liseo-contribuinte. tuas daí até allrmar-se que aspectos relacionados aos poderes nele outorgados e z.is condições nele especilicadas possam acarretar preteri0o do direito de tlefesa hú tuna dim:mein abissal. Noutro giro. conforme determinaçao expressa na Lei 5.172/66. o Código Tributúrio Nacional. que. como se sabe. tem status de Lei Complemental - . a competência para constitui0o do crédito tributúrio é da autoridade ítdministrativa. Art. 142. Compete privativamente a autoridade administrativa constituir o crédito tribtmirio pelo lanyamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrénein do ram gerador da obrigaçao correspondente, determinar a matéria tril outtivel, calcular o montante do tributo devido, identilicar o sujeito passi\ o e, sendo caso, propor a tiplienyao da penalidade cabível. Parauaro (mico. A atividade administrativa de lançamento inculada e obri$2,atóritt, sob pena de responsabilidade runeional. For sua vez. a Lei n" 10.5)3/2002, com alterações posteriores. disciplina a investidura no cargo e especillca as competCmeins dentro da Carreira de Auditoria du Receita Federal do 13rasil. Art. 3" 0 ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta 1.ei rir-se-a no primeiro padrao da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de proN as Oh l (lc provas e títulos. exigindo-se curs() superior em uivei de .graduacao concluído ou habilitayao legal cquiN alente. Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil Art. 5" Fica criada a Carreira de Auditoria da Receita Federal do Brasil. composta pelos cargos de uivei superior de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e de Analista 'rributario da Receita Federal do Brasil. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process° a' 10283.001155,2001-61 S3-CIT2 H. S AcÓRIAo a.' 3102-001.765 Art. 6" SAo atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: 1 - no exereicio da competCmcia da Secretaria da Receita Federal do Brasil e eta carater privati\ o: a) constituir. mediante lançamento. o credit() tributtirio e de contribuições; (grilos met's) h) elaborar e proferir decisões Ou delas participar em process() administratk o- fiscal. bem como em processos de consulta, restituiçao on eompensaçao de tributos e contribuições e de reconhecimento de benericios liscais: executar procedimenios de liscalizaçao. praticando os atos dermidos na legislaçao especílica. inelusk e OS relacionados coin o controle aduaneiro. apreensao de mercadorias. IR ros, documentos. materiais. equipamentos e assemelhados: (I ) examinar a contabilidade de sociedades empresariais. empresarios, órgaos, entidiales. fundos e demais contribuintes. uno se lies aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Co il e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal: e) proceder A orientaçao do sujeito passo o no tocante ti interpretaçao da legislaçao tributaria: I) super\ isionar as demais atividades dc oriunLiyao ao L:ontribuinle; A conclusAo insofismtivel n que nenhuma oillisstlo. impreeistio ou qualquer outra de falha cometida ita em iss:to do Nlandado de Procedimento Fiscal trar,"1 conto conseqWencia a nulidade do ato praticado. Nem mesmo o lato de a liscalizaç:to ter sido instaurada sem ordem expressa da autoridade competente haven't de ter esse eleito. Tratam-se de questões de cunho eminentememe administrativo. Desses incidentes n:to decorre preterVio ao direito de delesa. nem subtrac:lo da competnein do agente responsavel pela condtty:lo do procedimento. Passo ao merito. A 1,ei 9.718/9S. ninguem desconhece. promoveu o que restou conhecido como o alargamento na base de calculi() das Contribuições para o PIS/Pasep e ('ohms. incluindo na base imponivel toda e qualquer receita. independentemente da classilicaçtio contabil adotada. A ri. 2" As contribuições para o 1)1S/PASEI) e a COHNS, de\ idas pelas pessoas juridicas de direito pro ado. serio calcultidas coin base no set' faturamento, observadas a legislaytio vigente e as alterações introdu/idas por esta Lei. Art. 3° C) raturamento a que se refere o artigo anterior corresponde ii receita bruta da pessoa juridica. § 1" 1.niendo-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa juridica. sendo irrele\ antes o tipo de ati \ idade por ela exercida e a classilicayao contabil para as receitas. A inconformidade dos contribuintes alcançados pelo alargamento: contudo. levou o assunto ao Poder Judiciúrio. A materia terminou por ser decididV elo Supremo Tribunal Federal. ern Regime de Repercussilo Geral. nos seguintes termos. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA 1)ecis50: 0 Tribunal. por unanimidade. resolveu CILICSO de ordem no sentido de reconhecer a repercussao geral da questao constitucional, rea f irmar a jurisprudencia do Tribunal acerca da inconstitueionalidade do § 1" do artie,o 3" da Lei 9.718/98 e !legal . pros imento ao recurso da Fazenda Nacional , tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente. o Senhor Ministro Marco Aur6Ho, que entendia ser necessaria a inclusiio do processo em pauta. Fui seguida, o 'Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para ediçilo de siimula vinculante sobre o tema. e cujo teor sera cleliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Nlarco Aurelio. que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta Comissao de Jurisprudência. Votou o Presidente. Ministro Gilmar Mendes. Ausentes. justilleadamente. o Senhor Ministro Celso de NMI°, a Senhora Ministra 17.1len Gracie C. neste julgamento. o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenario, 10.09.2008. RE 585.235 - Q(), Cear Peluso 0 artigo 62-A do Regiment() Interim deste Conselho, CollIbrme alterayo introduzida pela Portaria 586/10 e 545/13. dispõe que as matérias de repercussão geral doverão ser reproduzidas no julgamento do recurs() apresentado pelo contribuinte. "Art. 62-A. As decisões delinitivas de merito, protéridas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de .Justiça em matéria infraconstitucional. na sistematiea prevista pelos artigos 54313 e 543C da Lei n" 5.869, de I I de janeiro de 1973, Cõdigo de Processo Civil, dever5o ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no imuchio do CARL" A eonclusiio é de que a deci ;no prolerida no Recurso Extraordinário n" 585.235 6. de observação obrigatória nos I itiwos que versem sobre o assunto. O (111e Se discute 110S Milos, e o assunto nCto é novo_ diz respeito ao preciso efeito da declaração de inconstinicionulidode do parágrafo I do artigo 3° du Lei 9.718/98, uma vez clue, em nenhum momento. as decisões tornados 110 ambit° do Supremo Tribunal Federal estenderam esse juizo à ilteração introduzida pelo caput do artioo 3'. assim como por todos os demais critérios dc apuração especiticaLlos nos p:iragrolbs e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Cum eleito. de sabença que a Supremo Corte do Pais. na pessoa do Lxino. Sr. Ministro Cezur Peluso, fez expressa mcnção à constitucional idade do coput do artigo 3° da Lei 9.718/98. a teor do pronunciamento encontrado, pelo menos. nos Recursos Extraordinários n". 346.084. 357.950. 358.273 e 390,840. A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Colitis tinha base de calculo definida na I.ei Complementar n° 70/91 como sendo o raturamento decorrente das vendas de mercadorias. de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza , iá as Contribuições para o PIS e para o l'ASL1' contavam coin follies do financiamento advindos de diversas origens. conforme I.eis Complementares 07 e 08 de 1970 1 . dentre elas o faturamento A constituiço da República redertak it do lirasil de 1988. no Ato this Disposições ConstitucionAis 1 . ransitOriat, art. 72. inciso V. destinou tuna parcela da Contribuiçao para o NS des ida pelas instituições linanceiras ao 1:111 o Social de Ernen4ência. lixando aliquotas e delinindo a base de calculo como sendo a receita bruta operacional. Lei 9.701/98 autorizou determinadas exclusões 011 deduções dessa base. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() n" 10283.0u-1155/2004-61 S3-C'F1'2 Acórd50 la" 3102-001.765 fl O das empresas e demais entidades especilicadas Has Leis. onde estavam textualmente incluídas as instituições financeiras 2 . Ao instituir a nova base tributavel por meio da Lei 9.718/98. o legislador ordinfirio. embora tenha mantido o raturamento como deriniç5o elementar do Fenômeno econômico-conthbil gravado pela tributaçao. especificou-o. contórme dito antes, como sendo toda a receita bruta auferida pela pessoa juridica. irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida c a classilica0o contabil adotada. conceito que conflitou com o disposto no inciso do artigo 195 da Constituiçflo Federal que. antes da Emenda Constitucional n° 20. de 20 de dezembro de I 998. previa o finank.‘iftmento da seguridade social corn base no valor arrecadado pelas contribuições sociais incidentes sobre ii ui lia de salfArios. o raturamento e o lucro 3 . sem nenhuma men0o i receita. F. precisamente neste ponto que se encontra a origem de toda a discussio em torno da inconstitucionalidade do conceito insculpido no parzigraro artigo 3 0 da Lei 9.718/98. transbordando as delimitações contidas no texto constitucional na data da entrada em viLtor da legisla0o novel. Ainda que. para efeitos tributhrios. ja houvesse urna tenancia ao reconhecimento de certa equivalCsncin entre o conceito de faturamento e receita (observe-se que. muito antes de se fain! . na EM 20 , 98. a própria LC 70/91 .jti especificava a base de chlculo como sendo a receita) , a expansIlo promovida pelo paragralb primeiro foi para muito ft1C.tin daquilo que estava e ainda esth sedimentado na doutrina e na jurisprudncia coin() sendo o possível conceito de faturamento empresarial para Ems de incidência tributhrift. De rundamental importfincia. neste cenhrio. observar e compreender com precisiio o verdadeiro problema identiticado pelos Ministros do Supremo Tribunal Federal no acolhimento da nova deliniçflio de faturamento introduzida pela Lei 9.718/98. Nos preeitados Recursos Extraordinzirios. tornaram-se de amplo conhecimento as considerações Feitas sobre o assunto pelo Nlinistro Cesar Peluso. estabelecendo os limites da deliniçíio possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3 0 da Lei 9.718/98. confórme segue (todos os grilos acrescentados). § 2." - As instituições tinaneeirus. sociedade; seguradoras e °tarns empresas que nõo realicam operaçCies de vencias de mercadorias parlicipitr'Ao do 1'1 . 01:Tama de Integruc:f)o Social coin uma comribuiço ao Fund() de Participaç5o de. recursos próprios de valor icIntico do que Ibr apurado nu rorma do puragrató anterior. 0 texto untes e depois dii 11:V1 209S. Art. 195. A seguridade social sera Finiinciada por tocla a sociedade, de Forma direta e indireta, nos termos da lei. mediante recursos provenientes dos orçamentos da dos Estudos. do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições socials: 1 - dos empregadores. incidente sobre a tolha de salzirios. o raturamento e o lucro: 11 - dos trabalhadores; Art. 195. A seguriclade social scrõ Financiacia por toda a sociedade. de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Uniilo, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seyuintes contribuições sociais: 1 - do empregador, da empresa e cal entidade ii ela equiparada ia Corinu da lei, incidentes at a rolha de salUrios e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados. a qualquer titulo. õ pessoa [he preste serviço. mesmo sem \ inculo empreg,titicio: 0) a receita ou o litturamento: C) o lucro: Fl. 714DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Por todo o exposto, .julgo inconstitucional o pat -Agri -11'o I" do art. 3 0 da Lei 9.718/98. por ampliar o conceit() de receita bruta para "toda e qualquer receita". cujo sentido afronta it ioçio de faturitmento pressuposta no art. 195. I, da Constittii0o da República, c. ainda , o art. 195. par:igrafo -I". se considerado pm esse eleito de nova limits de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3 0 , julgo-o constitucional. para life dar interpretagao conforme ii Constituieo, nos termos do .julgamento proferido no RE n" I 50755/PE, que tomou a locuçi .io receita bruta conto sin(iniino de faturamento, on seja. no significado de "receita bruta de venda de mercadoria e de prestalo de serviços", adotado ida Icgisla0o anterior, e clue. a men juizo. se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das ati \ idades empresariais. Sr. Presidente. gostaria de enliniiiir incu panto de sai. pura clue niTlo tique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceit() construido sobretudo no RI: 150.755. sob a express;io "receita bruta de vencia de mercadorias e prestnlio de scrviçoi, quis . signilicar que tal_conceito estai igado A ideii) de produto do exercício de atividades empresariais tipicas , on seja, que nessa express5o Sc inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício atividades c.c." a,.v.c.a(..es empresariais típicas. Se determinadas instituiçOes pres . tain tipo de ser\ iço cuja reinunerity5o entra na classe das receitas cl miadas linanceiras. isso MI° desnatura a renumeraçiio de• ati\ idade própria do campo empresarial. de modo que tal produto entra no conceito de "receita bruta Likud ít faturamento." 6. (...) Faturamento nesse sentido. isto 6, entendido como resultado cconOmico dos operaçOcs cinpresariais típicas. constitui a base de calculo da contribuiço, enquanto representayAo quantitati \ a do titio econC)mico tributado. Noutras palitvras, o fato germlor constitucional da COHNS sú() its operityOes econ6micas clue se exteriorizam tio Ilituramento (suit base dc cAlculo). porque MI° poderia nunca corresponder ao ato de emitir Lituras , coisa que, como ilternativa setniintica possivel. seria de todo absurda, pois bastaria empresa tOlo emitir faturas para se timrtart tributityao. - grifamos. Uma vez clue o Ministro ('czar Peluso tenha sido parcialmente vencido na deeisao da causa. se tent criticado o uso dc suas manifestações (e as dc outros Nlinistros caw também foram total ou parcialmente vencidos) tia fundamentaçfio de decisões envolvendo os efeitos da &elm -nil° de inconstitueionalidade do parúgrafo primciro do artip,o 3" da Lei 9.718/98. Quanto a isso. de utinde relevo que se situe COM elMVZZI a intitria que estava enttio sub judice na Suprema Corte, as considerações que lhes emprestaram n5o apenas o Nlinistro Cesar Peluso mas todos os demais imeL , rantes do Tribunal e em que assunto e aspectos. especificamente. tins e outros se viram vencedores out cncidos. Analisa-se um dos precedentes apontados no Recurso Fxtraordim)rio n" 585.235 que concedeu Regime de Repercusso Geral ú questo: RE 346.084-6/PR. da Relatoria do Ministro Ilmar Galvtio. Relator para acórd:lo Ministro Marco Aurélio. 0 Relatório do Ministro 11 mar Galva() delimita com rapidez e preci<Tio os liames da lide. RELA . ! ()RIO Fl. 715DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n" 10283.00.1.155/200-1-6I S3 - C1T2 Accia n." 3102 -001.765 l'1. 10 O SENII0IZ MINISTRO II,MAR G.1I,VA0 - (Relator) : Recurso que. pela tetra a do permissivo constitticional. lol interposto contra acordi'io que concluin pela legitimidade da amplia0o da base de cnIeulo da COFINS até enFio restrita ns "venclas cIO mercadorias, mercadorias e servios e cle servio de (»whiner nantreza" conlorme delinido pela I,ei Complementar n.° 70/91 (art. 2. 0), para nela lazer coin preemie! . "cl to/u/idodd, aos receitos wt. /c. v . /Was pc/o pessoujuridico. .s.endo irre/crunicv o lily) cuividucle por exercida clossificuccio adoiada pupa Ccc Pecehos", eletuada por meio de lei ordlinziria (Lei n.' 9.718/98, art. 3.°, § alteraçi'to que te\ e por \ igente a partir de I." dc levereiro de 1999. como estabeleci lo no art. 17. I. do relendo diploma noon:Inv°. Sustenta recorrente que. no assim decidir. o ficórdilo olendeu o inciso I e o § do ao. 195 e. por consecifiéncia. di inciso 1 do art. 15-I, ambos da CF. Sustenta. ainda. liner a clecis5o recorrida contrariado , por igual, o § 6.° do mencionado art. 195. por haver considerado que a alteraçCio passou a produzir cleito a part ir da eclie:a° da primeira medida pro\ isoria e nlio da EC' 20, de IS de dezembro de 1998 . clue, a sell vet -. nao poderia constitucionalizar nonna editada com olensa Constituicio. Regularmente processado, roi o recurso admitido na origem, havendo a douta Procuradoria-Geral da Repnlilica_ cm parecer do Dr. Roberto Monteiro Gurgel Santos, opinado pelo nao-conhecimento. É o relatório. Se hem posso traduzir em poucas palavras o relatório aeima transerito. diria tratar-se de um litígio que se trovou Cm torno da constitucionalidade do alargamento da base de cnIculo, It luz do conceito de 111turamento vigente época da Formulayi-to da exit2,Cmcia ilseal e (ii) da possibilidade dc que se reconhecesse ti constitucionalidade superveniente da Lei 9.718/98 em race da modilicnno introduzida pela Emenda Constitucional n 0 20. A cinema do clecisum coillirma 0 circunseriOo da lide nos termos em que estn acima CONS . I illiCIONALIDA SUPERVFNINNI - 1:, AR1100 3 2 . § l. DA Lid N'' 9.718. DE 27 DE NOVENIBRO DE. 1998 - EMENDA CONSTITUCIONAL N' 20. DE 15 DE DEZLIVIBRO DE 1998. O sistema _juridic° brasileiro n5° contempla Figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INS'l ITUTOS - EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma peclaii . ogica do anigo 110 do Código Tributnrio Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributnria alterar a delIIIWO, o contendo e o alcance de cunsagrado iSlilutos. conceitos e lormas de direito privado milizados expressa on implicitamente. Sobrepõe-se ao aspect° lormal o principio da realidade. considerados os elementos tributarios. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL - PIS - RECLI FA BRUTA - NOÇÁO - INCONSTITUCIUNAI ADAM'. DO § I" DO ARTIGO a DA LEI N'' 9.718/98. A jurispruancift do Supremo. ante a rednçAo do artigo 195 da Carta Federal anterior It Emenda Constitticional n" 20 98. consolidou-se 110 sentido de tomar as expressões receita bruin e laturamcnto como sinoniinas. jungindo-fis Ii venda de mercadorias, de sen\ iyos ou de merefidorias e serviços. E inconstitucional o § I' do artigo 3 da n' 9.718/98. no clue ampliou O conceito de receita bruto para envoi\ er 11 totalido Fl. 716DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA das receitas auferidas por pessoas juridicas. independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classilicaçao contabil adotada. Ulna VC/. CSneCi FICad0 0 quo havia por decidir iio linbito do Recurso Extraordimirio IV 346.084-6. relevante que se observe o conteúdo das decisões parciais proferidas após o Voto de cada um dos Ministros quo participaram do processo de formaca) do Ato Decisório , até o ultimo F.xtrato de Ata emitido pela Secretaria. cm 00 de novembro de 2005. PLENÁRIO EXTRATO DE AIA RECURSO EXTRAORDINÁRIO 346.084-6 PRUCLD.: PARANÁ RELATOR ORIGINÁRIO: NIIN. ILMAR GALVA° REI .A roi: PARA O ACÚRDAO: MIN. MARCO AURELIO REC . ! N.: DIVESA DISTRI11111DORA Cl1RITIIIANA DE VEÍCULOS S/A ADVDOS.: MARCELO MARQUES MUNI IOZ E OUTROS ADV.(A/S): RODRIGO LEPORACE FARRET N OUTROS RECUA.: UNIÃO ADV.: PEN - RICARDO PY GOMES DA SILVEIRA Deeisao: Após o voto do Senhor Ministro Ilmar Galva°, Relator, conhecendo e provendo parcialmente o extraordinario. para lixar, como termo inicial dos 90 (no\ emit) dias. I" de fe\ ereiro de 1999. pediu \ ista o Senhor Ministro Gillum- Nlendes. Falaram , pela recorrente.. o Dr. 1 lelenilson Cunha Ponies, e. pela recorrida. o Dr. Francisco Targino da Rocha Nick). Procurador da Fazenda Nacional. Presidénein do Senhor Ministro Marco Aurélio. Plen(rio. 12.12.201)2. Decisao: Após O \ oto do Senhor Nlinistro limar Galva°. Relator. conhecendo e provendo 1 -1treialmente o oNtraordinario. para lixar , como termo inicial dos 90 (novt...ntii) I de reveiviro (le 1999. e dos \ atos dos Senlaires Ministros Gilinar Mendes Presidente. Ministro Maurício Corréa„ que conheciam (lo recurso. i nas provimento. pediu \ kin dos autos o Senhor Ministro Cc/in . Peluso. participou da \ otaçi.io o Senhor ,\l 115110 Carlos Britt() por suceder ao Senhor Ministro limar Galva() que proferira voto anteriormente. Plenario, 01.04.2004. ),ecisi'i o: Renovado o pedido de \ ista do Senhor NI inistro (*czar Peluso, justificadamente. nos termos do §I do itrtigo I da Resoluyao n" 278, de 15 de deienikro de 2003. Presidencia. cm exereieio, do Senhor Nlinistro Nelson Jobim, Viee-Presidente. Plenario, 13.05.200-1. Decisilo: Altos os votos dos Senhores Nlinistros Ce/ar Peluso. N laico Aurélio, Carlos Velloso, Celso de Mello e Septil\ edit Pertence, conhecendo e provendo o recurso. nos termos dos seus respectivos I otos, pediu I ista dos autos o Senhor Nlinistro Eros Grau. Ausente._justificialameine. neste .itill.,,itmento. o Senhor Ministro Nelson Jobint (Presidente). Presidéncia da Senhora Nlinistra Ellen Gracie (Vice- Presidente). Plenario. 18.05:2005. Decisilo: Reno ado o pedido de I ista do Senhor Nlinistro Eros Grau, justifieitdamente. nos termos do § I artigo 1" da Resoluy3() n' 278. de 15 de dezembro de 2003. Presidencia do Senhor Nlinistro Nelson Jobim. Plenario, 15.06.2005. rribuimi. por unimimiditde. conheceu do recurso extraordinario por mitioria, deu-lhe pro\ imento. em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1 . do artigo 3 da Lei ii 0.718. de 27 de no\ embro de 1998, \ eneidos. pareialmente. os Senhores linistros lutar Galvao (12elinor), Peluso e Cejso 20 Fl. 717DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() 10283.001.155 211(1-1-61 S3-C 11'2 AcórdAn n." 31112-001.765 I. 11 de Mello e. integralmente, os Senhores Nlinistros Gilmar Mendes, Mauricio Corra, Joaquim Barbosa_ e o Presidente (Nlinistro Nelson Jobim). Reformulou parcialmente o voto o Senhor Ministro Sepúlveda Pertence. Vto participaram da otaçao Os Senhores Ministros Carlos Britt() e Eros Grail por serem sucessores dos Senhores NI bistros limar Galv5o e Nlauricio CorrCm que prol'eriram voto. Ausente, justilicadamente. a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenario. 09.11.2005:. PresiEncia do Senhor Ministro Nelson Jobint. Presentes sessio os Senhores Ministros Sep/ik eda Pertence. Celso de Mello. Carlos Velloso. Marco Aurélio. Giltuir Mendes. Ce -tar Peluso, Carlos Bruno. Joaquim Barbosa c Eros Procurador-Geral da. Repnblica. Dr. Antânio Fernando Barros e Silva de Souza. Lu ii Tonuiiiaisii Secretario Perecbe-se acima que. o ntkIco da diseuss'ao at que o Ministro Cezar Peluso pedisse vista dos ttutos. t.tirova cm torno da constitucionalidade superveniente da Lei 9.718N5 em face da modilica0o introduzida pela Emendo Constitucional n" 20. Essa circunstancia esta estampada no excerto a seguir reproduzido. extraído do próprio Vow do Nlinistro Cezar Peluso. Admitido o recurso, o relator. Min. II,NIAR GykINÃO, deu-lhe parcial provimento , para jtilgar inconstitucional a majornefto da base de calculo da COI:INS, na lbrma do art. 3 9 da Lei n' 9.718/98, até a ediçao da EC n' 20/98, que "reio emprestar-lhe o embasamento constimcional de que carecicf, ao (lar nova reclaoio ao art. 195 C'arfa para divor ('01 ,7,\S pi i( trio inch/h. sobrc 1)) (/ recena oft (1 laturamentow. () (;11,INIA1Z MENDES, C111 S010-\ kin. ciliclicicu constitucional a majortiçi-to. pelos seguintes ruud;tinentos: Este entendimento foi ticompanhado pelo NI in. MAURÍCIO CORREA, que, antecipando voto. julgou constitucional ti majortu»io. Nessa l'ase do juIgamento. kn. justamente o Ministro Cezar Peluso que. como se lê nos transcrições acima. abriu a diVe11.1011CiLl na decistio CILIC vinha sendo proposta a lide , para externar seu entendimento e decidir pela inconstitucionalidode do "parergivfo / 0 (10 art. 3° cla Lei 9. - por (implicit . o conceit() (le receila ()Hutt para flocht e qualquer cuje .yenticlo alronfu 0 noçOo . 1(. tturamenfo pressupo.sta all. I 95, I, (la Consiltukcio (10 RepUblica, e, aincla, o art. 19.5. parcigralb 4", se consiilerchlo para esse ekito C/C nova jimie cle cusieio (10 seguridacle social". Ante tais evidi.'neitts cullidits dos registros iieiiosao long() do julgamento. pareee-me impróprio minorar o yelevancio dos Fundomentos do Ministro C'estir Peluso na soluyao da lide. Foi _justamente o Nlinitro clue primeiro destoou do entendimento. ate ent':to prevalente. de que o alargamento promovido pela I.ei 9.718/98 havia sido constitueionalizado pela Emendo C'onstitueional n" 20. determinondo novo rumo ao julgamento e decisao que ao final haveria de ser proposta. Ainda mais. conto adiante se pretendera demonstrar, foi o Ministro Cezar Peluso quem mais fund() foi no estudo du questClo posta. tondo sido chock) por quase todos os demais Ministros em :,;,; respectivos votos. 2 1 Fl. 718DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA A redoçAo Cilml do AcúrdAo nao perto te sober exutamente em que assunto o Ministro Cezar Peluso licou vencido. mos. sem mamem de dúvida , ele nAo se refere Hem decisão de considerar inconstitucionol apenas o pm-Ow -oft) primeiro do artigo 3° da Lei 9.718/98. tampouco A dedicada incursAo que fez ao signilicado do vernactilo faturamento 4 . Com efeito, de grande importAncia sublinhar que. ao longo de todo o julgomento, nAo se logra ixito em encontrar no corpo do c/ecistim qualquer dissonAncia entre os integrantes da Corte Supremo acerca disponibilidade concedida pelo Curto Politico ao legislador ordinArio para Cixaciio do que devo ser considerado Ihturomento para fins tributOrios. Outrossim. identifica-se. ao longo de todo o process() decisório uma única menc5o. de lavra do Ministro Celso de Mello, propondo a ineonstitucionalidude do artigo 3° como um todo. 0 \linistro, contudo. assim como 0 :Ministro Cezor Pk:luso. Pai. ao liiiol declarado parcialmente vencido. de grande interesse conhecer. da leitura dos excertos clue seguem. como os Ministros se maniCestoram a respeito do conceito de Coturamento para fins tributArios. assunto respeito do quo]. repita-se. nAo ha registro de di \ crgCmcio, i■ li nistro lIntar 0 recorrente considera que tais precedentes uno seriam apliea\ eis ao caso, haja ism 1.CH:A C:It:IbCICCLIO SI11011hIlla ClItre I .: IllIrallIC1110 C receita bruta quando Lois expressões designa\ am receitas oriundas de endas de bens e.rou serN iços. Tal leitura nil° correta. A Corte. ao admitir tal equiparayao. em erdade assentou i a legitimidade constitucional (la atuaç'Zio do legislador ordinario para densilicar uma norma constitucional aberta. nIio estabelecendo a vinculayiio pretendida pelo recorrente cm relaçfio operações de venda. Ao contrario do que pretende o rceu -wrente. a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais pr6-concepyt5es doutrinarias ntio incorporadas e\pres ,;amenIc nO te\to constitucional. S .junais disse que havia um especilico conceito constitucional de raturamento. Ao contrario. reconheceu que legislador caberia lima- tal conceito. tambem nusio disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os imicos possk eis. Nao Cose assim. teriamos que admitir que a composiyao legislativa de 1991 pOtitillia um poder extraordinario. Por meio cIa I.ei Complemental . n' 71. teriam aqueles legisladores fixado ulna interpretaçrio dotada da mesma hierarquiti da norma constitucional. interpretaytlo esm clue estaria inlensa a qualquer aheraçCio. sob pena de inconstitucionalidade. rhu turefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculay:R) de determinados conteúdos ao texto constitucional eleoítiuomm. "rodtk ia, pretender eternizar iuumu CSNCHICO conteúdo em detriment() de todos os outros sentidos compatíveis com unia nornitt aberta constitui. isto sum unia violayao ú l'orya normatk a da Constinii..;;I L haia \ ism as neces s idades de unualitaytio e idaptuty;i0 da Carta Política u realidade. 'hi perspectk a 6 sobretudo antidemocratica, uma vez que impõe ls gerações ruturas tuna deeisao majoritaria adotada em ulna cireunst5ncia Interessante obserNar. inelusive. que o Ministro Carlos Velloso. apontado (..uono Nenecdor no Acónklo, k ç acompanhou o mi„,siro ce,...,)„,.. cm usa dceisUo. 22 " Concluo o moeu voto. Con' it v6iliti do cininente Rylator. que..ja 'tau esta aqui. :Iconlyvanho O voto do i\ I inistro C6sar Peluzo. Nos denmis recursos extmordi6rios. coin o Lluiliente Nlinistro-Relator. Nlinistro M arco Fl. 719DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA O recorrente considera que ta is precedentes nib ° seriam aplicaveis ao caso, haja N H;1 que o Sit : teria estabelecido sinonimia entre raturamento e receita bruta (Hand° his pivsIsCR..› designavtint receitas oritindas de \ endas de bens e/ou ser\ icos. Tal leitura correta. A Corte, ao admitir tal equiparayao, cm venda assentou a legitimidade constitucional da atuayCio do legislador orclinario pa 23 Processo n'' 10283 OM 155,201)1-01 S3-(' l'1'2 Acórclito n. 3102-001.765 11 12 especifica, que pode ni10 representar a melhor via de coneretizacfio do texto constitucional. (...) iVlinistro Alendcs Nessa breve historia lecislativa da COFINS percebe-se, desde logo. clue ji:t sob o regime da Lei Complemental - de 1991 a ticepço dc Ilituramento adotada pelo legislador n3o correspondia Oquela usualmente adotada nas relações comerciais. Ou sejo, It sob o imprio da Lei Complementar n° 70 se veriticara o abandon() do conceito tradicional de faturamento, especialmente naquela acepção comercittlista que se reFere. gosso modo. a operações de vendo de mercadorias jt) concluidas e registradas cm ratura. Esse conceito técnico- comercial ó invocado expressamente pelos recorrentes. Precedentes do STF A cliscusszio (intuit° It legitimidade dessa perspecti \ a adotada pelo legislador, de abandon) de C\ entuais pre-concepc6cs \la express'ao "raturamento", n5o estranha para este Tribunal. No RE 150.755. da relutoria do 'l ilustro Carlos Venus° (redator do aeOrdo o Sept)1\ cda Pertenca em que se discutia a constitucionalidade da contribuiciio do FINSOC1AL. tal como \nda no art. 28 da Lei II' 7.738. de 1989, admitiu-se como legitima a assimilac5o do conceito de receita bruta ao de faturamento. Nesse precedente. registra a parte Final da ementa: 8. conirihni“-io SOCial SC ciiIrc os prcrishi.Y all. 195, I, CI: e sua porhinio cliveilso a lei complcinemar: no oil. 28 do 80. o "reccila brula", como hasc (lc calculo (II) fribillo, par(' conlOrnior-Ac" do oil. 195. 1„lo Conslitukao. ha ser clacmlicla segunclo Cl (lo 1)1. 2.30 - 8 7. (pic ccpilpor(it'cl 110.;4 -10 cOrrCIIIC de 1011iraMC1110" ads cmj)iysos ;lc serviço." Lspecificamente sobre a alcgac:ao de que o tributo previsto art. 28 da Lei n° 7.738 illo ue enquadraria derinic;io constitticional dc litturamento. assentou o Ministro S.:pill\ cia Pertence: " (. ) 13. C())/1 , , ,nci-mc. olc (ph' U siihsloncial prelCiicliatt mire reccilo brido - cif/Cl procco'Ciic'io Ic(jrico 100 (IIicstiouo elICOHIrci rc'Spoltio (pra(lro i/o pox/tiro i)ertinente Cl CSpkiC, (to mcnos, cm lcrnios iwtplivocoA quc 110u:ism', scm alternative!, incoil.wituciomiliaa(le do lei. -II. 11(11A -oar' pant ttlaplar a Icgiqu k.Cio clo impasio sol)re tI reircht ii 1.ci Jos. 'ociecht,les por (li.spri.rcra o 1)1. 1.598, 26.12.77: Fl. 720DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA densilkar uma norma constitucional aberta. iiiio estabelecendo a vinculaçCio pretendida pelo recorrente em relaçilo ís operações de Vell(111. Ministro Eros Gran -06. No caso. titturamento lera sido tornado como termo de ulna das Valias noções que existent as noções de raturamento na e com urna de suas signilicações usuais atualmente. Sabemos de antemno que .ja niio se a toma como ittinente ao lino de - emitir linuras]. Ns a toniamos. hoje. em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econ6mico. como •receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e ser\ iços de qualquer natureza' [art.22 do decreto-lei n. 2.397/87]. Esse entendimento boi consagrado no RE 150.76-1. Relator o Ministro 11_,N1AR GALVAO. e na Al)(' n. I. Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Doi porque tudo parece bem dart): cm 11111 primeiro moment() diremos Lil1C ÍZI(.111'allIC1110 e 0 11110 110111e WIdt.) 11:1/4:Cil:t Nitta &IS clickts e serviços do agent,: econ6mico. Nssa ulna das signi licações usuais do voeabulo [LC., a noçi-to da qual o vocabulo 6 termo 6 precisamente esta linuramento 6 receita bruta das vendas e ser \ iyos do agente econômico]. A analise dos precedentes aponta. no entanto - isso 6 prolicientemente indicado cmii parecer dc I JUN 'BERT° AVILA no sentido de inversilo dos termos: a lei tributaria chamou de receita bruta, para eleitos do FINS0( 1 AI.. o que ô liiturainento: o conceito de receita bruta receita da \ enda de inercadorias e da prestaçno (le ser\ içoH. ia lei, C (Inc coincide coin a noçzio de linuramento. mia Constituiço. 08 .Ora, o artigo 3'' (la Lei n. 9.71898 n:io di,. mais tlo que isso. Seu § I" 6 clue vai alCm. para alirmar tiue ali e ali 11 -to se cogita dc linuramento. mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auleridas pela pessoa juridiea, sendo irrelevantes o tipo de ad\ idade por eia exereitla e a classitiençUo contabil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) bis o que ai se tem, nesse § 1" do artigo 3'' e da Lei 11 0 9.71898. ulna detini0o jurídica de receita bruin: a totalidade das receitas auleridas pela pessoa juridieit. sendo irrelevantes o tipo de atividade por via e\ercida e a classiliea0o contithil tidotatla para tai, receitas. .Cumpre entzio indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa delini0o de receita bruta. A Constituiçrio anteriormente NC 2098. clueii seg.tiridade social seria Einanciada. entre outros. mediante recurso, pro\ enientes de eontribuiç;lo social "dos empregadores. in,:identc sobre a folha de salarios. o Inuit -aim:in() e os lucros" art. 195. IL A NC 20/98 alterou o preceito. para afirmar que essa mesma contribuiçiio incidira sobre a rolha de salarios e outros rendimentos do trabalho, sobre "a receita on 0 liutiramento" C sobre o lucro. A lei C anterior m NC 20.98. no tempo cm que o artigo 195 . I da Constituiçno alirmaya que a contribuiçno incithrin "sobre a folha de salarios, o faturamento e os lucros''. 12. A alteraçno 110 text() da Constituiçïio aparentemente. mas nUo necessariamente. indien altcraço campo de inciancia da contribui0o. A emenda ao rererir receita ou (.1 raturamento". poderia estar tomar receita como sin6nimo de tíliuuiiiiiei)il e Ilituraincnto Lodi° sinônimo de receita. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Process() a" 10283.uo.1155 200-1-61 S3-C1T2 Acin-L1110 n."3102-001.765 11. 13 Auterionnente r.0 20/9S ela itCiLlia sobre a receita da venda de mercadorias C da prestaçao de serviços H receita bruta]. (pie coincidia. qual afirmou esta Corte, coin a noçilo de fat uramento. Após a F.0 20/98 ela incide sobre "a receita ou o laturamento". Ora, se receita bruta receita da cada de mercadorias e da prestayfio de ser\ iços1 coincide. (pal alinnou esta Corte, coin a noyao de ffituramento, a inserçao do termo de um outro conceito "receita" no texto constitucional ha de estar referindo outro conceito. que n;lo o que coincide coin a nocao de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento Coln a conelusao: receita cofio das receitas aufericitts pela pessoa juridica , sendo irrelevante para a determinaçao dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classilica0o contabil i(lotada para tais receitas. enio u receita bruta. tenno de 11111 conceito. C l'Cs2Cila bruta, termo de outro conceit°. No primeiro caso. receita bruta (me enquadrada na no0o de faturamento, receita bruta das vendas e ser \ iços do agente econOmico. isto t,. pro\ enicnte das operações do set' objeto social. No segundo. receita bruta que en\ ol e, ak .ent da receita bruta da; endas e serviços do aueute econiimico isto ml . das operações do seu objeto soe in! aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõe-se ent51 distinguinnos: de LIIII Lido teremos receita bruta/faturamento; de outro , a receita bruta que excede a noyao de Caturamento, introduzida pela LC 20:98, para a determinayo de cuja totalidade Sao irrele\ antes O tipo de atividade que di lugar a sua pereepOo c a classilicaytio eonta)il adotada. 13. Dir-se-a CHIC a Con ao nisto dcliuir raturinnento. incorporou noçtlo que dele se tinha iiepoca. Na verdade incorporou nula das noções que dele it Cpoca se tinha. A Constititiçao po6lcrin [sick mais do que incorporar. poderia ter contemplado Willi (101 -1111C0 • uriclici_ de faturamcnto. Nib ° o tendo feito, prevaleceu LIIII dos entendimentos possi\ cis. aquele HOS ICI*1110s do (111111 reCCILI brnti coincide coin a nova() de faturamento Cuclitanto receita da \ enda de mercadorias C da prestaçao de serviços. Poderia ter prevalecido outro. 1.1 cumpre aqui dedicar especial atençao it futPlamentayiio do voto do Ministro Relator Marco Aurelio, Line. ainda clue (Ilya inenyto ao concei to de fat uramento como sendo a receita vinculada ii \ endu de mercadorias. serviços ou ambos. eonrorme explicitado na Açilo Deelaratória de Constitucionalidade ii 1-1/1)1: (leitura empregada em data muito anterior it Lei 9.718/98), deixa claro clue o problema esta no conceito veieulado pelo paragralb primeiro: 0 pciSSO 1110s11'011-SC CIC111040(1(11110171C luio. (...) por 117Cillir 170 0011001710 IOCIO quolgoco apOile c'011/01511L7C1(10 pCla L'111p1VSt1, p011C0 i111p011011;10 ci Origi'111, C111 Vi. c' Cl ClOSSiliCcV70 (pie ih/va .yer levodo conto .Yoh o (ingulo contrrhil. Quer vlizer , a nonna transgrecll o ordenamento jurídico ao transbordar a noçao tecnico-juridica possível dc Caturamcnto e inio ao delliti-lo Como sendo resullado outras operações empresariais típicas. Ministro reo Aurmlhio (Relator) IENainino, eiliao. a probleint'ilica rererentc ii Lei Aqui Ita de se perceber o emprstimo dc sentido 10(10 prOprio 110 conceito de faturamento. [is o teor da lei en\ ok ida I ia CSIN:IC;C: Art. 2 2 As contribuições para o PISTASEP e a COFINS. de\ idas pela, pessons juridic:I; de direito privado. serrio calculadas coin base no seu faturamento. obser\ idas a legislacao \igente C as zilterações introduzidas por esta lei. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Tivesse o legislador parado nessa disciplina. aludindo rzituramento seio dar- lhe. no campo da Freya() juridica. conotaytio discrepante da consagrada por doutrina e jurisprudimcia. ter-se-in soluyao identica i concernente a Lei n' 9.715/98. Tomar-se- ia o laturamento tal como \ cio a ser explicitado ia Açao Declaratoria de Constitucionalidade ii - F'Dr, ou seja. a envolver o conceito de receita bruta das vendas de mercadorias. de mercadorias e serviços e de serviços. Respeitado estaria o Diploma Maior ao estabelecer , no inciso I do artigo 195, o calcific) da contribuiçao para o linanciamemo dt ■ seguridade social de\ ida pelo empregador. considerado raturamento. km tiltima analise , ter-se-ia a observancia da ordem natural das coisas, do conceito do instituto que o latitramento. caminhando-se para o atendimento da jurisprudencia desta Corte. No Fosse o § 1 que se seguiu. ter-se-ia a observancia da .jurisprudencia desta Corte, no que na Aytio Declaratória de Constitucionalidade n I- 1/DF. a sinonimia dos \ oeabulos "laturamento" e "receita bruta". Toda \ ia, o § veio a derinir esta Última de rorma toda propria: § I - Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas aureridas pela pessoa juridica , sendo irrelevantes o tipo de atividade por eta exercida e a classilicacao contahil tulotada para as receitas. 0 passo mostrou-se Jemasiadamente largo. oh idando-se. por completo, ntio só a lei Fundamental como tamhem a interpretaçao desta .jú proclamada pelo Supremo rribunal Federal. Fez-se incluir no conceito de receita bruta todo e qualquer aporte contabilizado pela empresa. pouco importando a origem, eia si, e it clasiilienyao que deva ser le\ ada cio conta sob o fingulo contabil. A al tertlyao promovidtt pela 1-imenda Constitucional n" 20.08 teve por escopo justamente permitir que it receita. /tile ';i. Ii. fosse alcançada petits contribuiyóes para o linanciamento da seguridade social. Como tbi obser\ ado pelo Exmo. fillistro Carlos liritto, a autorizaçao introduzida pela Lmenda autoriza. justamente. ti incid3ncia sobre as receitas que estariam especilicadas no paragralb primeiro do artigo 3" da Lei 0.718/08. A concluso a que se ellega é que depois da Lei 0.718/98 e da declara0o da inconstitucionalidade do paragralb r de seu artigo 3"• arenas a receita tipica da pessoa juridica nib o a totalidade das receitas auleridits por ela poderiam integrar it base de ctilculo das Contribuições. Nilo se desconhecem os diversos Acbrdaos do Supremo Tribunal Federal que, depois da decisi7to pela inconstitucionalidade do parilgrafo primeiro. fazem remissLio ao conceito de faturamento que pareeia antes cia entradtt em vigor da Lei 9.718/98, o da I,ei Complementar 70 '91. Sobre o assunto. imperioso pout liar que emerge inconrundivel das manifestações colhidas dos volos dos Ministros quo Firtic.'ipitram dos !coding cos(' do Recurso F.Ntraordiniirio 585.235. que é nítido o entendimento de que jtunais pretendeu-se ' - o comilincionatizaçOo cIo preconecpc.ries donfrinc"trios n(?o incorpormlas exprcssomentc no fe.v/o convitucionar. nem o reconhceimetito de -um c.\pcci/ico conccho constnuciono/ de . filniromenlo' .. . A decluçl) remissiva ao status anterior da base imponivel encontrada em muitos aeórdaos decorre da destina0o das decisões onde eles se encontram. em processos nos quais discutia-se o direito do contribuinte de afiistar o inconsti .mcionnl alargamento da base de - — A S ouas remissões :Antes reprociii7idw Ministro 26 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA Processo n" 102S.3.01).1155 2()(J1 - 61 S3-( '1'1'2 Acórch n." 3102-001.765 H. 1.1 ctilculo e nao a amplitude do conceito dc raturamento que. me arrisco dizer. nao foi objeto daquelas lides. For todas essas raZiles. VOr0 por negar provimento ao Recurso Volunttirio. Brasilia. 26 dc dc 2013. Ricardo Paulo 27 Fl. 724DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por FERNANDO ANDRADE SILVA
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