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Numero do processo: 10240.001586/2008-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-cal end ário: 2003
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO
Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da. decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código 'tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-000.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, poi unanimidade de votos, em não recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos„ conhecer do julgado. Acordam os membros do colegiado, poi unanimidade de votos, em não recurso, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente Fster atques Lins de Sousa Piicntc,, Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa., João Francisco Bianco, Jose de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kiebel e André Almeida Blanco. Proces n" I 0240 001586/2008- I 6 SI-•TE02 Acórda) n " 1802-00.765 I 278 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA„ que considerou procedente o lançamento realizado para constituição dc crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Juridica – IRPI, li Contribuição para. o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre O Lucy° Liquido CS1i, e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - C01.1.NS, conlOrme autos de infração de ils. 156 a 178, nos valores de R$ 158553,83, R$ 12.134,19, R$ 20,032,79 e R$ 56.004,15, respectivamente, nrcluindo-se nesses .montantes multa dc o ficio qualificada de 150% e os juros moratórios. Pot muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instancia, Acórdão n' 01-13..532, As fls. 234 a 243: Contra a emprvsa acima qualificada foram lavrados 08 Aulas de Infração do Imposto sobre a Renda de Pe s. soa Jurídica • ••• • JRPJ da Contribuição para o .Programa de Integração Social -- PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social --- Co/ins e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, formalizando-se um crédito no montante de R$ 246.724,96 (valores principais, multas e ¡tiros caleukidos até 29/08/2008) A irifração tem fundamento na omissão de receita ou de rendimento decor rente de depósitos bancários de origem flat) comprovada. Por rid() terem sido entregues os livros. e docurnemos solicitathis, o lucro, base de calculo do IRP,I e da CSLL, fin arbitrado no ano-calendario 2003 Foi aplicada multa de 150% em razão de o contribuinte ter prestado fidsa declaraty7o, tuna vez' que apresentou declaração de inatividade, quando teve movimentação banearia no ono- calendário fiscalizado. InconfOrmad(r, a empresa apresentou impugnação em 14/11/2008., as As. 191 a 222, alegando. em síntese, que: I) No caso sob litígio, a ,falta de comunicação ao contribuinte das prorrogações do Mancha° de Procedimento Fiscal, na forma determinada pelo § 2 0 do art. 1,3 da Portaria n° 3.007, de 26,11,2001, ofende 0.5 Princípios da legalidade e da Moralidade Administrativa, de sonic que o lançamento efetuado em tal circunstancia padece de vários irremediáveis impondo, assim, (1 anulação do ato cxacional. 2) Foi dado conhecimento aos- Agentes Fis-cais de que a empresa estava mais de 10 anos e que por isso não havia mais Processo n° I 0240.001586/2008-16 S1 -T AcOnfilio IC' 1802410.765 N 279 livros nem documentos• fiscais a se em apre.sentados„ àe..v.ceção das declarações de inatividade: 3) .4 impugnante realmente pensara ijue, pelo fat() de estar inativa há nzuitos anos, lido mais havia a necessidade de guardar consigo os livros c documentos O simples fato de não mais estar ern funcionamento, dificulta que cc' guarde documentos antigos, 4) Ao ter ciência do Mandado de Procedimento Fiscal e do Termo de Reintimação Fiscal, a impugnante demonstrou sua boa vontade em atender as solicitações do FisLY) Federal e lhes dell conhecimento das verdadeiras circunstâncias ein que se encontrava a pessoa jurídica, inform(1ndo, contudo, já ter apresentado os extratos bancários solicitados em 08/01/2007, 5) 05 /1,5i!entes iscais obtiveram, sem suit (tutorização, os mes•mos• extratos bancários. relativos à conta que manteve no .Banco Brerdesco; 6) Corn relação à quebra de .seu sigilo bancário pelos Agentes Fiscais da Receita Federal do Brasil, a impugnetnte vem infOrmar que não apresentou os extratos bancários .solicitados• por estai • seguindo orientação de seus advogado s, 7) Os lançamentos a c.:r&lito relacionados nos extratos bancários• não representam a verdadeira base de cálculo dos tributos em questão; 8) Os Agentes Fiscais tributaram os valore.s quando foram creditados nas contas bancárias, lavrando autos de infração de IRP1, PI5 CSLL e COHNS; 9) Quando os recursos foram debitadas, ou .seja, saíram das comas bancárias, os Agentes Fiscais tributaram novamente, lavrando um auto de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte; 10) .4. todo.s parece justo que WWI vez tendo os recurs•os sido tributados pelo Imposto de Renda e pelas Contribuições, ao ingressarem nas contas bancárias, ainda que discorde do lançamento frito corn base somente nos extratos bancários, esses- 111e.S1110 recursos não poderiam .ser novamente tributadas quando deixaram as mesmas comas bancárias; 11) A impugnante i nto apresentou Declaração de Inativa com o objetivo de sonegar qualquer tributo, devendo ser desqualificada a multa de 1.50%; 12) No período fiscalizado não houve venda, não houve compra nem qualquer outra operação que diga respeito (705 .-çoss objetivos sociais. O fat° de ter emprestado suas contas bancarias e nelas terceiros ter em realizado depósitos e saques não configura movimento ou atividade. Como mencionado, a DRJ Belem/PA considerou procedente o lançamento., expressando suas conclusões emu a seguinte ementa: Processo n" 10210 001580/2008-I 6 ti I- I E02 Act'n .ISo n " 1802-00365 H. 280 ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário 2003 SIGILO BANCÁR IO É licito ao fisco, mormente apó.s a edição da Lei Complementar n" 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições . financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de de.pásitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerado.s indispensáveis, independentemente de autorizactio judicial. A obtenção de irifOrmaçães junto as instituições financeiras, por par le da administraç.ão tributária, não implica quebra de .sigilo bancária 11105 simples transferencia desk', porquanto em contrapartida está o .sigilo fiscal a quest' obrigam os agentes fiscais por dever de oficia DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSJO DE RECEITAS Os valores creditado.s ern eonta de depósito mantida junto a instituição financeira, em rein cue aos quais o titular., regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações sat) caracterizados como omissão de rec.:vitas MUL771 QUA LIFIC./.1DA A apresentação de dechuação de inatividade, ao permitir subtração da incidência tributária tios resultados e receitas auleridos no desempenho OU nao da atividade da empresa e, ainda, a sua aparente regularidade fiscal, tern o condão de provar' a natiTg da contribuinte, por estar conii,gurada a falsa deelaração, tendente a retardar o conhecimento por parte da autoridade firzendár ia da ocor lato gerador, CSIJ„ COPINS DECORRÊNCIA Orlando há harmonia cram as provas e irregularidades que arnpararam os lançamentos do IRPI e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos Ian çamento.s destas. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciacia cm 16/06/2009, por meio de edital, a Contribuinte apresentou cm 04/08/2009 o recurso voluntário de Hs, 256 a 275, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnac5o, conforme descrito nos parágrafos anteriores Além disso, alega que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, apontando problemas em relação ao Termo de Inicio de Fiscalizacdo e ao Mandado de Procedimento Fiscal , relativamente ui ciEncia e ao objeto mencionado nestes documentos. Segundo a Recorrente, o cerceamento do direito de defesa também decorreria da falta de Processo n° I 0210 00 1586/2008- I O S I -TE02 Acórch'io n." 1802-00.165 Fl 281 Ciência das prorrogações do MIT, do fato de a auditoria ter sido realizada fora das dependências da empresa, e ainda por terem sido inseridos elementos inexatos no termo de encerramento da ao0 fiscal Em seu recurso voluntário, a Contribuinte trata também do lançamento dc IR fonte sobre pagamento a beneficiário nib o identificado ou sem causa, matéria essa que é objeto de outro processo, de n° I 0240,002899/2008-9l Este é o Relatório. Proccsso 11 10240 0015M/2008-16 AcóRho ii 1802-00..765 SI -TM H. 282 Voto Conselheiro Relator, Jose de Oliveira Ferraz Correa Nib há condição para Sc conhecer do Recurso.. 0 prazo para sua apresentação 6 de 30 dias, nos termos do art.. 33 do Decreto 70235/72, mas a contribuinte o protocolizou depois de esgotado o lapso temporal permitido. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 16/06/2009, por edital, e o recurso so foi apresentado em 04/08/2009, portanto, a destempo.. Ilá nos autos, inclusive, um Termo de Peuempção, à II. 251.. Ent duas ocasiões a decisão de primeira instancia fo.i enviada para o endereço cadastral da Contribuinte, por via, postal, conforme documentos de lis, 244 a 249, mas os AR voltaram com a marcação "desconhecido". Apesar de a Contribuinte vir alegando que já estava inativa há muito tempo, ela respondeu inúmeras vezes as intimações enviadas para esse mesmo endereço, Além disso, já na fase final do procedimento de auditoria, o representante da pessoa juridica, Sr, Antônio Spegiorin Tavares, CPF 328.331.721/0001 -68, compareceu ii Delegacia da Receita Federal em Porto Velho para indicar/contirmar o mesmo endereço cadastral, ou seja, a Av,. .Pinheiro Machado, n" 2..133, São Cristóvão, Porto Velho/RO, com a finalidade de recebimento de intimações/correspondências, confbrme Termos de Cis.. 153/154.. 0 próprio conteúdo do recurso voluntário evidencia a validade do referido endereço para O encaminhamento de intimações e correspondências: PELA 7EMPES71 V1DADE 0 presente Recurso e Iempestivo, nos ter mos do (111 .33 do pi citado Decreto 70 235/72, uma vez que a Recorrente não fin cientificada oficialmcnte da Decisdo da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento cm Belem, contra a qual o memo Sc? interpõe Ocorre que, tendo recebido a ciência, por via postal, da decisão prVerider no processo 10240.002899/200S-91, originado da mesma ai;do fiscal, o vocio Antônio Spegiorim Tavares compareceu a sede da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Velho e obteve copia do Acórdão n' 01-13 532, proferido pela primeira firma da DRI/Belem„ ocaião em que tornou ciência do referido Acórdão O Process° n" I 0240 001586/2008- I o Si -TE02 Acnrffio ii " 1802-00 .765 I I 283 Assim, é de se concluir que a decisão dc primeira instância foi encaminhada para o devido endereço, e por duas vezes.. Mas como resultou improficuo o meio de intimação adotado, correta foi a intimação realizada por edital, conforme prevê o art. 2.3 do Decrcto 7(1235/1972 --PAR. Deste modo, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, / 7- J, sé. de Oliveira 1.erraz Corra 7
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005152/2005-89
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) PREJUÍZO FISCAL. PARCELA COMPENSÁVEL. LIMITAÇÃO LEGAL. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (art. 15, Lei nº 9.065/95). LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DIPJ. ÔNUS DA PROVA. Para desconstituir o lançamento tributário calcado em dados informados pela própria empresa em DIPJ, mister é a apresentação de documentação comprobatória capaz de ilidir a tributação erguida. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. Fl. 199 DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:)
Numero da decisão: 1801-000.700
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) PREJUÍZO FISCAL. PARCELA COMPENSÁVEL. LIMITAÇÃO LEGAL. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (art. 15, Lei nº 9.065/95). LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DIPJ. ÔNUS DA PROVA. Para desconstituir o lançamento tributário calcado em dados informados pela própria empresa em DIPJ, mister é a apresentação de documentação comprobatória capaz de ilidir a tributação erguida. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. Fl. 199 DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:)
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INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) PREJUÍZO FISCAL. PARCELA COMPENSÁVEL. LIMITAÇÃO LEGAL. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (art. 15, Lei nº 9.065/95). LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DIPJ. ÔNUS DA PROVA. Para desconstituir o lançamento tributário calcado em dados informados pela própria empresa em DIPJ, mister é a apresentação de documentação comprobatória capaz de ilidir a tributação erguida. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula nº 2/Carf:) MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE Não pode órgão integrante do Poder Executivo deixar de aplicar penalidade prevista em lei em vigor, cuja inconstitucionalidade não foi reconhecida pelo STF. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (Súmula nº 02 do CARF) JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula nº 4/Carf:) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1219.530/08 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, fls. 156 e ss, que manteve em parte a autuação sofrida, consubstanciada no Auto de Infração lavrado para a exigência fiscal de IRPJ relativa aos anoscalendários de 2000 e 2001, no total de R$ 59.257,52, incluídos os juros e a multa de ofício regular pertinentes. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: “Conforme descrição dos fatos, às fls. 112/113, foram apuradas as seguintes infrações: 2.1. Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real apurado nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001, do lucro inflacionário realizado sem observância do percentual de realização mínima previsto na legislação de regência. [...] 2.2. Diferença de R$ 9.016,70 entre o IRPJ informado na DIPJ e declarado na DCTF. Irresignado, o interessado apresentou a impugnação de fls. 129/136, alegando, em síntese, o que se segue: nulidade da ação fiscal, pois, da análise do auto de infração à fl. 107, percebese que os valores foram apurados por amostragem; Fl. 200DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 197 3 o valor indicado como diferença não declarada foi compensada com o imposto de renda retido na fonte, operação contabilmente demonstrada no livro Diário; na realidade, poderia ser multada pela apresentação errônea da DCTF ou ser obrigada a pagar a diferença entre o valor compensado (R$ 8.709,00) e o valor encontrado pelo Fisco (R$ 9.016,700), ou seja, R$ 307,70; ainda assim possui saldo de IRRF para compensar a suposta diferença; logo, improcede o lançamento de ofício; a adição do lucro inflacionário as declarações de IRPJ 2000/2001 não altera a base de cálculo das mesmas, tendo em vista que possui prejuízo acumulado muito alto; a irregularidade levantada pelo autuante pode ser regularizada através de uma DCTF retificadora, que por não resultar na diminuição ou exclusão de tributo, não se sujeita ao limite estabelecido no art. 147, §1°, do Código Tributário Nacional; o Fisco aplicou a taxa SELIC de forma capitalizada, o que configura ilegalidade; a multa aplicada é excessiva, consubstanciando flagrante confisco; requer a produção de prova pericial, para tanto indica perito e formula os quesitos a serem respondidos. A) Sobre a exigência lastreada na ausência de recolhimento de IRPJ por não realização do lucro inflacionário, ao percentual de 10% a.a. A turma julgadora de primeira instância cancelou a exigência de crédito tributário a pagar relativamente ao ano de 2000, nos seguintes termos: “Exvi do art. 449 do RIR/1999, a partir de 01/01/1996, o interessado deveria realizar, no mínimo, 10% do lucro inflacionário existente em 31/12/1995. Em sendo assim, nos anoscalendário de 2000 e 2001, é devida a realização mínima de R$ 126.677,91 (R$ 1.266.779,08 x 10%). Assiste razão ao interessado ao afirmar que, relativamente ao anocalendário de 2000, nenhum valor é devido a título de IRPJ, em face do prejuízo fiscal apurado na DIPJ/2001 de R$ 5.351.451,07 (fl.74). Nesse caso, reduziuse, apenas, o prejuízo declarado de R$ 5.351.451,07 para R$ 5.224.773,16.” (grifos não pertencem ao original) Observo que não há imposto a exigir, mas a infração reflete no saldo do prejuízo acumulado da contribuinte. Também restou observado no decisório que, após o lançamento fiscal, o próprio sistema de controle de lucro inflacionário e prejuízos fiscais ajustou os saldos em razão de “baixas por decadência” de períodos anteriores, sendo as matérias tributáveis originalmente exigidas, reduzidas. In verbis: “Verificase que, posteriormente ao lançamento, o Fisco expurgou do saldo do lucro inflacionário acumulado as parcelas já decaídas, identificandoas no demonstrativo do SAPLI como "Baixa por decadência" (fls.141/145), apurando, assim, novo saldo de lucro inflacionário a realizar em 31/12/1995, no valor de R$ 1.266.779,08.” Fl. 201DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 No que respeita ao anocalendário de 2001, restou IRPJ a pagar, conforme explicitado e já considerado o novo saldo de prejuízo acumulado, devidamente realizados os ajustes em função do percentual legalmente admitido (30%): “O mesmo não se pode dizer em relação ao anocalendário de 2001, posto que foi apurado lucro real na DIPJ (fl.35). Ainda que o interessado possua substancial saldo de prejuízo fiscal de anoscalendário anteriores, a compensação do prejuízo está limitada a 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, por força do disposto no art. 15 da Lei n° 9.065, de 20/06/1995. Assim sendo, é devido o IRPJ no valor de R$ 13.301,18, conforme a seguir: [tabela de cálculos] (grifos não pertencem ao original) B) Sobre a exigência lastreada na diferença entre o valor de IRPJ informado na DIPJ e aquele informado em DCTF A contribuinte informou IRPJ a pagar no valor de R$ 9.016,70 versus 0,00 na DIRF correlata. Assim dispôs o voto: “De plano, cabe destacar que o montante de R$ 9.016,70 não se refere a "valor encontrado pelo Fisco", mas sim de valor informado pelo próprio interessado na ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) da DIPJ/2002, anocalendário de 2001, a título de imposto de renda a pagar. Uma vez que os débitos consignados na DIPJ/2002, não informados na DCTF, não são considerados débitos confessados, dado que a DIPJ, instituída pela IN SRFn0 127, de 1998, passou a ser meramente informativa, não mais ostentando atributo de confissão de dívida, a falta de pagamento do IRPJ declarado no valor de R$ 9.016,70, não confessado na DCTF, justificou a exigência do débito com imposição de multa de ofício. Em sua defesa, o interessado alega que o valor não declarado na DCTF foi compensado com o IRRF, no valor de R$ 8.709,00, conforme comprovaria o livro Diário de fl. 138. Alega, ainda, que possui saldo atinente a IRRF, para compensar com a suposta diferença deR$ 307,70. Entretanto, pela cópia do lançamento juntada aos autos, não é possível concluir que o valor de R$ 8.709,00 referese, de fato, à compensação de IRRF. Isso porque o histórico do lançamento não faz qualquer referência a respeito ("VLR QUE SE TRANSF. REF. COMPENSAÇÃO IRPJ/2001 PROV. IMPOSTO DE RENDA "), e sem o plano de contas não é possível identificar a conta creditada (1.1.3.02.0002).” (grifos não pertencem ao original) Todavia, no tocante a esta matéria tributável, a turma julgadora a quo reduziu o valor lançado (grifei) por considerar, ex officio, os valores de impostos retidos (IRRF) pelas fontes pagadoras acusados no sistema interno da Receita Federal do Brasil (RFB), informados em DIRF: “Por outro lado, há que se observar que na Declaração do Imposto de Renda Retido na FonteDIRF do anocalendário de 2001 (fls. 146/149), as fontes pagadoras informaram as seguintes retenções de IR: Fl. 202DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 198 5 [tabela de cálculos] Basicamente, os rendimentos são decorrentes de aplicações financeiras, cujas receitas correspondentes integraram o lucro real (linha 24 da ficha 06 A da DIPJ à fl.34). De acordo com a legislação de regência, o imposto retido na fonte é considerado antecipação do devido para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real. Assim sendo, não obstante o erro no preenchimento da DIPJ, exigese do interessado apenas a diferença de R$ 3.789,48 (R$ 9.016,70 R$ 5.227,22). (grifos não pertencem ao original) C) Pedido de perícia Indeferiuse o pedido de perícia formulado pela impugnante, nos seguintes termos: “Indefiroo, por entender estarem presentes nos autos todos os elementos necessários para formar minha convicção. Ademais, a perícia não é meio próprio para comprovação de fatos que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete ao contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados.” (grifos não pertencem ao original) A empresa, tempestivamente, interpôs o Recurso de fls. 176 e ss, preliminarmente argüindo nulidade da decisão prolatada por cerceamento de defesa causado pelo indeferimento da perícia solicitada, que ao seu ver, se realizada, comprovaria, no mérito, o IRRF contabilizado no Livro Diário no valor de R$ 8.709,00 e saldo de IRRF que implicam no cancelamento da exigência fiscal. No demais, reprisa os termos da defesa exordial: a) acusa o Auto de Infração de padecer de nulidade por carecer de liquidez e certeza, não demonstrar cabalmente as infrações tributárias, carecer de veracidade por não se ater à realidade fática e de elementos concretos, carecer de fundamentação; invoca citações doutrinária, ementas de jurisprudência, princípios da moralidade administrativa, razoabilidade, proporcionalidade; b) a respeito da parcela de realização mínima do saldo de lucro inflacionário, insta em argumentar que possui saldo de prejuízo suficiente para inibir a exação fiscal e que o problema poderia ter sido solucionado pela retificação, de ofício, da DCTF entregue; c) combate veemente a aplicação da multa por sua natureza confiscatória e discorre sobre a inaplicabilidade dos juros moratórios calculados à taxa Selic. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 É o suficiente para o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. I) Das preliminares I.a) Nulidade da decisão de primeira instância – cerceamento de defesa Ao indeferimento do pedido de perícias, a empresa pugna pela nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento na sua defesa. Diz que a perícia é necessária para comprovar o valor de IRRF a ser compensado com o valor de IRPJ que está sendo exigido na autuação, que este valor está contabilizado no Livro Diário e que o erro ao não informálo na DCTF acarretaria mera retificação nas informações inseridas nesta declaração. Todavia, as argumentações da recorrente não merecem acolhida. Primeiramente, porque as retificações de declarações, ou entrega destas, após iniciado o procedimento fiscal, não surtem qualquer efeito. Esta matéria tem entendimento assente neste tribunal administrativo e já foi inclusive sumulada: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. A entrega de DCTF implica em confissão do débito informado nesta declaração e tendo já sido objeto de auditoria, a recorrente não pode eximirse da multa de ofício, regular. A constituição do crédito tributário, na ausência do procedimento espontâneo do contribuinte, é feita através do Auto de Infração, e, por força legal, acompanhada dos acréscimos legais (multa de ofício e juros moratórios), tal qual foi realizado no presente caso. Quanto à existência de IRRF passível de compensação e da necessidade da realização de perícia para comproválo, entendo, preliminarmente ser esta desnecessária, acompanhando as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância. A despeito dos contribuintes terem o direito processual potestativo de solicitar perícias ou realização de diligências, estas podem, diante das circunstâncias de cada caso, serem consideradas desnecessárias para formar a convicção do julgador, sem que isto signifique ofensa ou prejudique a sua defesa. É o caso. O mero registro contábil no Livro Diário de valor que indica haver a empresa sofrido retenção de imposto de renda por fonte pagadora, desacompanhado do documento em que se fundamente a escrituração é inábil para comprovar a efetiva retenção. Toda a escrituração contábil é ‘espelho’ das atividades comerciais e negociais da pessoa jurídica e deve estar comprovada em documentação hábil e idônea. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 199 7 Os procedimentos de perícias ou realização de diligências são custosos à Fazenda Nacional. A perícia é totalmente descabida, pois serve para elucidar ponto obscuro e que demande conhecimento específico, o que não se aplica ao caso em concreto. E a realização de diligência – para que se verifique o documento correspondente ao registro contábil – deve, como foi, ser indeferida pois tratase de prova que a recorrente deva possuir e passível de juntada aos autos, o que até o presente momento não foi, fazendo supor que não é hábil para ilidir a tributação imposta. Ressalto ainda, que o ônus probatório neste caso é da empresa autuada, visto que as declarações entregues ao fisco – que devem retratar fielmente a sua contabilidade – não foram preenchidas devidamente, segundo alega. Daí que para modificar, ou cancelar, a presente autuação a recorrente deve apresentar documentação comprobatória convincente em contrário àqueles dados informados de forma espontânea e que originaram a tributação ora debatida. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso II, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: [...] II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), em seu artigo 923 disciplina: Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (grifos não pertencem ao original) A recorrente não apresenta os documentos correspondentes aos valores que invoca ao seu favor, a título de retenções efetuadas por fontes pagadoras passíveis de compensação com o IRPJ a pagar informado em DIPJ, e esta atitude não demanda qualquer diligência do fisco a ser realizada. O § único do art. 420 do CPC assim dispõe: Parágrafo único. 0 juiz indeferirá a perícia quando: I aprova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 E sobre o indeferimento do pedido de provas o artigo 18, caput, do PAF reza: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). (grifos não pertencem ao original) Destarte, a decisão de primeira instância não padece de qualquer vício que possa lhe imputar a nulidade aventada, sobretudo por cerceamento de defesa. I.b) Nulidade do lançamento tributário A recorrente argumenta que o lançamento tributário padece de vários vícios e que sequer a autoridade fiscal verificou os assentamento contábeis da empresa. Cumpre esclarecer que, in casu, tratase de auditoria sumária realizada em revisão da DIPJ entregue pela empresa em confronto com os dados arquivados nos sistemas informatizados da RFB, estando todo o procedimento fiscal respaldado na legislação tributária. Consoante explicitado no relatório do aresto combatido, as infrações tributárias verificadas na revisão de malha fiscal, são simples. Parcela mínima do saldo do lucro inflacionário não realizada nos anoscalendários de 2000 e 2001, sendo que, o próprio sistema SAPLI expurgou as parcelas decaídas e ajustou o referido saldo e exonerou a recorrente com relação ao ano de 2000, e falta de pagamento/confissão do saldo de IRPJ a pagar (AC 2001). Basta verificar dos autos que a empresa foi devidamente intimada a esclarecer sobre estes dois pontos (“Termo de Intimação – Revisão DIPJ” fls. 03 e 04), bem como ler o Auto de Infração de fls. 107 a 114, no qual as referidas infrações tributárias foram minuciosamente explicitadas, a fundamentação legal foi exposta, os valores das matérias levadas à tributação também estão expressos, os demonstrativos de cálculos, inclusive dos acréscimos moratórios, enfim, todos os elementos materiais e formais constam da autuação, consoante exige o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto aos elementos materiais, e o artigo 10 do PAF, quanto aos elementos formais: Lançamento – art. 142, caput, CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72 – art. 10, PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 206DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 200 9 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Infundadas, por conseguinte, as alegações de que o Auto de Infração lavrado contra a recorrente possui quaisquer vícios, ou omissões, que possam acarretar a nulidade do lançamento tributário. As infrações tributárias tanto foram explicitadas que a recorrente se defendeu com conhecimento de cada um dos pontos da autuação. No que concerne às citações doutrinárias e jurisprudenciais trazidas pela recorrente, não se aplicam ao caso, conforme ora explicitado, visto estar a autuação em estrita observância ao princípio da legalidade. Quanto aos invocados princípios da razoabilidade e da proporcionalidade não são aplicáveis no âmbito do julgamento administrativo que está adstrito às normas legais vigentes. Dispõe a Súmula nº 02 do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. II) Do mérito A recorrente não confronta o valor exigido a título de parcela mínima realizável do saldo do lucro inflacionário, nem a fundamentação legal da exigência, mas argumenta que nenhum valor poderia lhe ter sido exigido, de ofício, em razão do relevante saldo de prejuízo fiscal que possui. A turma julgadora a quo não somente explicou os termos da legislação tributária no que respeita à utilização do saldo de prejuízos acumulados, mas também demonstrou os cálculos de aproveitamento deste prejuízo para o anocalendário em questão, respeitando o limite legal. Assim restou fundamentado no aresto – fls. 162 e 163: “Ainda que o interessado possua substancial saldo de prejuízo fiscal de anos calendário anteriores, a compensação do prejuízo está limitada a 30% do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, por força do disposto no art. 15 da Lei n°9.065, de 20/06/1995.” Transcrevo, por oportuno, o artigo 15, caput, retro citado: Lei nº 9.065/95 Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e Fl. 207DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. (grifos não pertencem ao original) A recorrente no que respeita este tópico não logra comprovar que os cálculos efetuados no acórdão vergastado estão equivocados, razão pela qual o valor de IRPJ a pagar, recalculado, considerase correto. II.b) Do saldo de IRPJ a pagar – diferença entre os valores da DIPJ e da DCTF Praticamente a apreciação das razões contestatórias da recorrente a respeito deste item foram feitas juntamente com a preliminar de nulidade do acórdão aventada pela empresa, no item “I.a” deste voto. A empresa embora alegue que possui IRRF no valor de R$ 8.709,00 passíveis de compensação com o IRPJ informado na DIPJ (ac 2001), trouxe aos autos somente o registro contábil deste valor, desacompanhado de documentação hábil e idônea sobre a qual a escrituração foi realizada. De ofício, a turma julgadora reconheceu que a empresa erroneamente preenchera a DIPJ não informando no campo próprio as retenções sofridas, acusadas nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras das quais constou como beneficiária (fls. 164) fazendo os ajustes necessários, e apurando o saldo remanescente de IRPJ a pagar no valor de R$ 3.789,48, para o anocalendário de 2001. Por falta de documentação que comprove a empresa possuir outro valor a este título – IRRF – passível de compensação com o IRPJ declarado (DIPJ/02), não merece reparo o lançamento tributário, além daquilo que foi devidamente ajustado pela decisão de primeira instância. III) Da natureza confiscatória da multa de ofício e dos juros moratórios calculados à taxa Selic No que respeita às argüições de inconstitucionalidade das normas tributárias em vigência, é defeso a este colegiado administrativo de julgamento se pronunciar sobre o assunto, sendo mansa e pacífica a jurisprudência firmada neste sentido, conforme se depreende da Súmula n. 02 recepcionada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já transcrita, editada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, à qual se vincula esta turma julgadora, nos termos do artigo 72, caput, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF n. 256/09). Especificamente tratandose dos juros – Selic, o CARF editou a Súmula nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 208DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10980.005152/200589 Acórdão n.º 180100.700 S1TE01 Fl. 201 11 Destarte, tratandose de matérias sumuladas por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por todo o exposto, voto em afastar as nulidades suscitadas pela recorrente, e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos deste voto. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 209DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000312/99-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Descabe conhecer do recurso, quando verificado que o acórdão tomado por paradigma não se presta para configurar a divergência.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 9900-000.132
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso extraordinário, por não restar configurada a divergência jurisprudencial arguida, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego (Relatora), Leonardo de Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Jose Adão Vitorino de Moraes (Suplente Convocado), que conheciam e enfrentavam o mérito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Praga.
Nome do relator: Adriana Gomes Rêgo
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Numero do processo: 11543.720267/2015-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. PAGAMENTO. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
O pagamento da Notificação de Lançamento implica a extinção do respectivo crédito tributário, configura fato impeditivo do direito de contestar o lançamento fiscal e importa a desistência do processo administrativo tributário em curso.
Numero da decisão: 2401-005.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Recorrente MAURÍCIO ALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. PAGAMENTO. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. O pagamento da Notificação de Lançamento implica a extinção do respectivo crédito tributário, configura fato impeditivo do direito de contestar o lançamento fiscal e importa a desistência do processo administrativo tributário em curso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 02 67 /2 01 5- 91 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 107 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 108 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), cujo dispositivo não conheceu a impugnação. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0654.856 (fls. 68/71): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECOLHIMENTO. DESISTÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO. O recolhimento do imposto lançado em Notificação de Lançamento, após a apresentação da defesa, importa em desistência da impugnação. Impugnação Não Conhecida 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2013/413670235788220, relativa ao anocalendário 2012, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada pela fiscalização omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, originados da Caixa Econômica Federal, na importância de R$ 72.673,97 (fls. 35/38). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificado da notificação por via postal, em 08/06/2015, às fls. 23, o contribuinte impugnou a exigência fiscal, em 29/06/2015 (fls. 5/10). 4. A impugnação do sujeito passivo à Notificação de Lançamento sem atendimento à intimação prévia foi examinada, em uma primeira fase, pela própria unidade lançadora, no contexto da possibilidade de revisão de ofício do lançamento, quanto às questões de fato alegadas na petição. 4.1 Diante da constatação do pagamento integral do crédito tributário, em 21/08/2015, mantevese o lançamento, porém com declaração da extinção da exigência fiscal pelo pagamento. Foi emitido despacho decisório, com base no termo circunstanciado (fls. 42/46). 5. Com relação ao termo circunstanciado e despacho decisório, o sujeito passivo tomou ciência via postal em 26/11/2015, apresentando contestação sobre o conteúdo (fls. 48/50 e 52/60). Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 109 4 6. Na sequência, a impugnação foi submetida a julgamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, juntamente com a manifestação do contribuinte relativa ao despacho decisório. 7. Intimado em 29/06/2016, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 73/75, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 05/07/2016, com as seguintes alegações de fato e de direito (fls. 80/87). (i) ao sentirse acuado e coagido pelos atos de cobrança do débito pela unidade local da RFB, e não visualizando uma opção momentânea de solução legal ao lançamento realizado pela autoridade fiscal, decidiu efetuar o pagamento do crédito tributário exigido; (ii) entretanto, o pagamento efetuado não significa, em hipótese nenhuma, concordância com o lançamento fiscal, não tendo caráter de anuência ou desistência das defesas apresentadas; e (iii) as decisões anteriores foram omissas, porquanto deixaram de apreciar os argumentos quanto à não incidência do Imposto sobre a Renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, cujo cálculo deveria ser elaborado em conformidade com a adoção do regime de competência. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 110 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 8. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 9. Em face do acórdão recorrido, a questão controvertida reside nos efeitos do pagamento do crédito tributário lançado de ofício, por meio da Notificação de Lançamento, relativamente à possibilidade de apreciação das razões de defesa contra a pretensão fiscal no curso do contencioso administrativo fiscal. 10. O pagamento representa causa da extinção do crédito tributário e, por consequência, do próprio lançamento de ofício realizado pelo agente fazendário, conforme prevê o inciso I do art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN): Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; (...) 11. Não há a figura do pagamento condicional, de maneira que o cumprimento da exigência fiscal pelo sujeito passivo opera imediatamente os efeitos estabelecidos no CTN. 11.1 A toda a evidência, o pagamento é um instituto incompatível com a discussão administrativa no que tange ao mérito do lançamento fiscal, porque a fase litigiosa do procedimento é inerente à existência de um crédito tributário contestado. 11.2 Por sua vez, o ato de pagamento implica a extinção do crédito tributário, em que há a satisfação da obrigação tributária pelo sujeito passivo, com desaparecimento da relação jurídicotributária entre as partes. 12. À vista disso, o pagamento configura fato impeditivo do direito de contestar ou recorrer e obsta, sem possibilidade de flexibilização, a apreciação das questões de mérito deduzidas pelo sujeito passivo quanto à improcedência do crédito tributário constituído pela Notificação de Lançamento. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11543.720267/201591 Acórdão n.º 2401005.064 S2C4T1 Fl. 111 6 13. De modo sincero, não compreendo a razão pela qual o recorrente optou em efetuar o pagamento integral da Notificação de Lançamento, quando assevera com ímpeto que nunca teve a intenção de desistir da fase administrativa e havia apresentado tempestivamente a contestação ao lançamento de ofício, a qual estava apenas pendente de análise pelas autoridades competentes e, portanto, suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 14. É importante realçar que a coação que vicia a declaração de vontade não se presume, demandando prova da ameaça. No caso em apreço, não restou evidenciada a alegada imposição pela unidade da RFB de quitação do crédito tributário a ponto de não deixar alternativas ao recorrente, senão proceder ao pagamento da exigência fiscal. 15. Em resumo, não merece reforma o Acórdão nº 0654.856, proferido pela instância julgadora "a quo". Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão recorrida, que não conheceu da impugnação. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722932/2009-23
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patricia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patricia da Silva - Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patricia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 29 32 /2 00 9- 23 Fl. 200DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 16/02/2016, foi dado provimento unânime ao Recurso Voluntário em epígrafe, consubstanciado no Acórdão nº 2402004990 (fls.124/134), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA NA FASE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário, o que importa não conhecimento da matéria não impugnada. NULIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO Na dicção do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, procedimento este menos oneroso para as partes e para a administração pública em geral. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA REFAZER O LANÇAMENTO. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido. Não compete ao CARF refazer o Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 201 3 lançamento com outros critérios jurídicos, mas apenas cancelar a exigência. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado à PGFN em 17/3/16 (fls.135). De acordo com o disposto no RICARF, anexo II, artigo 79, § 2º, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreria em 18/4/16. Mas, ainda em 18/3/16, a PGFN apresentou o presente Recurso Especial visando rediscutir a questão dos rendimentos recebidos acumuladamente regime de caixa x regime de competência Na origem, o lançamento ocorreu porque, segundo a fiscalização: a) o contribuinte teria omitido rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 21.858,59; b) dos documentos da RT 02350199200505002, apresentados pelo contribuinte, teriam sido apurados o valor bruto de R$ 82.873,05, IRRF de R$ 16.047,73, INSS de R$ 0,00 e rendimento tributável de R$ 62.010,51, sendo que o contribuinte não teria apresentado o recibo dos honorários advocatícios o contribuinte ainda teria recebido rendimentos do trabalho assalariado no valor de R$ 26.333,52, conforme comprovante de rendimentos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social (Petros), de tal modo que o total dos rendimentos tributáveis a declarar seria de R$ 88.344,03; c) o contribuinte teria compensado indevidamente IRRF no valor de R$ 481,25, correspondente à diferença entre o IRRF declarado (R$ 16.539,52) e o IR efetivamente retido na fonte (R$ 16.058,27), dos quais R$ 16.047,73 seriam atinentes à RT e R$ 10,54 seriam atinentes ao comprovante de rendimentos da Petros. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que: a) teria se equivocado ao informar que a fonte pagadora dos rendimentos da RT seria a Petros, ao invés da Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), o que caracterizaria erro material sanável através dos documentos em anexo; b) conforme planilha de cálculo da RT, teria recebido verbas trabalhistas da Petrobras no valor de R$ 83.354,42; c) os rendimentos tributáveis seriam de R$ 61.934,37, sobre os quais teria incidido o IRRF no valor de R$ 16.529,10, de tal forma que a quantia líquida recebida seria de R$ 66.825,32, conforme recibo de alvará em anexo; d) do valor recebido, R$ 21.420,05 se referiria a verbas indenizatórias não tributáveis, conforme cálculo da Justiça do Trabalho; Fl. 202DF CARF MF 4 e) quanto ao IRRF, estaria demonstrada nas planilhas em anexo que o valor efetivamente retido seria de R$ 16.529,10; f) o valor real dos rendimentos tributáveis a serem declarados e retificados seria de R$ 36.928,08 (=R$ 61.934,37 R$ 25.006,32, referentes aos rendimentos tributáveis e os honorários advocatícios), o que seria até menor do que o valor declarado na DIRPF retificadora, de R$ 40.151,92; g) por equívoco, teria deixado de deduzir na DIRPF retificadora o valor total dos honorários pagos, conforme recibos de fls. 13 e 14; h) a soma dos rendimentos tributáveis seria de R$ 63.261,60, dos quais R$ 36.928,08 relativos à RT e R$ 26.333,52 relativos à Petros, o que seria até menor do que o montante declarado na DIRPF. Diante do julgado, visa a Fazenda Nacional rever o recorrido e cientificado o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Importante pressuposto para o deslinde da presente questão é a Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, entendo não caber provimento ao Recurso Especial, mantendo como razão de decidir os fundamentos constantes do acórdão a quo,por irrepreensíveis: O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte deste Conselho. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 202 5 nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. (destacou se) Nessa toada, considerandose a nulidade absoluta do ato inconstitucional, e considerandose que a declaração de inconstitucionalidade alcança atos pretéritos praticados com base na lei destituída de carga de eficácia jurídica, devese conhecer de ofício da matéria que se passa a analisar e julgar logo abaixo. No caso concreto, vêse que os rendimentos cuja omissão foi apurada pela fiscalização são atinentes a uma reclamatória trabalhista movida em face da Petrobras. Da descrição dos fatos e enquadramento legal, vêse que os rendimentos foram "recebidos acumuladamente" e tributados no mês do recebimento. Essa matéria, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Fl. 204DF CARF MF 6 Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26/11/2014 PUBLIC 27/11/2014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 203 7 "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12ª à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anos calendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, ao ano calendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época Fl. 206DF CARF MF 8 em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao recorrente. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, deve ser cancelada a exigência. Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 204 9 Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62ª do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos , mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Sobreleva ressaltar que os fundamentos acima são suficientes para embasar a decisão, não sendo necessário enfrentar, um a um, os argumentos da parte recorrente. Isto é, a prestação jurisdicional foi dada na medida exata da pretensão deduzida, sendo inútil e desnecessário analisar os demais fundamentos recursais. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 208DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Reitero aqui, inicialmente, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória, auferida através de reclamatória trabalhista. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 06, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10580.722932/200923 Acórdão n.º 9202005.643 CSRFT2 Fl. 205 11 gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001466/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
EMBARGOS DO CONSELHEIRO. CONTRADIÇÃO
Considerando que inadmitidos embargos anteriormente opostos, vez que superado o desencontro da fundamentação com o dispositivo, impende proceder-se a anulação do Acórdão 1402-002.364 suprimindo-se, assim, a contradição no processamento do feito.
EMBARGOS DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO.
Não há omissão da decisão quando não atendida a pretensão do recorrente na medida em que os motivos apresentados não são suficientes para afastar na CSLL a glosa ante ao excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas ano-base 2008.
Numero da decisão: 1402-002.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro relator, com efeitos infringentes para anular Acórdão 1402-002.364 e negar provimento aos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo contra o Acórdão 1402-001.135.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vice-presidente), Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei.
Nome do relator: Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DO CONSELHEIRO. CONTRADIÇÃO Considerando que inadmitidos embargos anteriormente opostos, vez que superado o desencontro da fundamentação com o dispositivo, impende proceder-se a anulação do Acórdão 1402-002.364 suprimindo-se, assim, a contradição no processamento do feito. EMBARGOS DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO. Não há omissão da decisão quando não atendida a pretensão do recorrente na medida em que os motivos apresentados não são suficientes para afastar na CSLL a glosa ante ao excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas ano-base 2008.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro relator, com efeitos infringentes para anular Acórdão 1402-002.364 e negar provimento aos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo contra o Acórdão 1402-001.135. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vice-presidente), Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 EMBARGOS DO CONSELHEIRO. CONTRADIÇÃO Considerando que inadmitidos embargos anteriormente opostos, vez que superado o desencontro da fundamentação com o dispositivo, impende procederse a anulação do Acórdão 1402002.364 suprimindose, assim, a contradição no processamento do feito. EMBARGOS DO CONTRIBUINTE. OMISSÃO. Não há omissão da decisão quando não atendida a pretensão do recorrente na medida em que os motivos apresentados não são suficientes para afastar na CSLL a glosa ante ao excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas anobase 2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração interpostos pelo Conselheiro relator, com efeitos infringentes para anular Acórdão 1402002.364 e negar provimento aos embargos de declaração interpostos pelo sujeito passivo contra o Acórdão 1402001.135. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 66 /2 01 0- 60 Fl. 1583DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vicepresidente), Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei. Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16327.001466/201060 Acórdão n.º 1402002.497 S1C4T2 Fl. 1.583 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela PGFN que vislumbrou suposta contradição na fundamentação do acórdão e seu dispositivo. Em sede de informações o relator de então deu por superados os "embargos" na medida em que presente mero erro formal de digitação sendo esses, portanto, inadmitidos. No entanto, tal feito foi pautado e julgado na sessão de 24/01/2017 ignorando que os embargos não tinham sido admitidos vez que superado o desencontro da fundamentação com o dispositivo ao que impende procederse a anulação do Acórdão 1402002.364 suprimindose, assim, a contradição no processamento do feito. Temse, ainda, Embargos anteriormente opostos pelo contribuinte nos quais pretende efeitos infringentes com alegação de suposta omissão quanto à análise das razões veiculadas em sede do Recurso Voluntário a indicar a inexistência de excesso de despesas quanto às contribuições do PIS e COFINS devidos no anobase 2008 conforme pode ser evidenciado pelo documento da "Composição da Base de Cálculo da Contribuição Social"; elucidativo para exoneração do crédito tributário lançado de CSLL. É o relatório. Fl. 1585DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator No que trata aos Embargos opostos por este signatário impende procederse sua anulação na medida em que o Conselheiro que me antecedera na relatoria do presente feito já havia superadoo entendendo trataremse os Embargos opostos pela Fazenda Nacional por inadmissíveis em função de tratarse de mero erro material prontamente retificado. Por um equívoco deste signatário realizouse indicação de pauta e proferimento de voto que fora acolhido por este colegiado; o que merece, assim, ser corrigido com a anulação do acórdão n.1402002.364 tendo em conta que os embargos já haviam sido inadmitidos pelo conselheirorelator anterior. No entanto, consta ainda dos autos Embargos opostos pelo contribuinte que ora merecem ser julgados na medida em que admitidos pela Presidência desta T.O. Alega o contribuinte, em sede de embargos, que a decisão proferida restou omissa quanto à análise das razões veiculadas em sede do Recurso Voluntário a indicar a inexistência de excesso de despesas quanto às contribuições do PIS e COFINS devidos no ano base 2008 conforme pode ser evidenciado pelo documento da "Composição da Base de Cálculo da Contribuição Social"; elucidativo para exoneração do crédito tributário lançado de CSLL. No julgamento do recurso de ofício quanto à suposta dedução em excesso do PIS e da COFINS em valores maiores que aqueles declarados em DCTF esta 2ª T.O. entendeu por negar provimento ao reexame necessário mantendo a decisão da DRJ no sentido da improcedência das glosas fiscais realizadas apenas com relação ao IRPJ na medida em que comprovados os valores lançados na DCTF pela DIPJ 2009 (f.1264) ao contrário da CSLL na medida em que o contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova. Em sede do Recurso Voluntário o contribuinte sustenta que as mesmas razões adotadas para o cancelamento da autuação no IRPJ aplicamse para exoneração da CSLL cobrada, no entanto, esta Eg. 2ª T.O. entendeu que "...embora alegue que na DIPJ/2009 adotou para a CSLL os mesmos procedimentos do IRPJ, não traz qualquer documento contábil apto para infirmar a decisão recorrida (tal qual fez na impugnação, vide juntada do LALUR, fls.923 943, limitandose a informar que constam da DIPJ2009 (ficha17)." (f.1271). O acórdão proferido ao contrariar o interesse da recorrente, na medida em que mantém a autuação quanto à CSLL, não padece de omissão alguma na medida em que o contribuinte não se desincumbiu de demonstrar que não houve na apuração da CSLL excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas anobase 2008. Oportuno observar que mesmo indicando em sede do Recurso Voluntário que o documento da "Composição da Base de Cálculo da Contribuição Social" seria instrumento apto para demonstrar o equívoco da autoridade tributária o contribuinte não trouxe fundamentação suficiente para demonstrar que não houve excesso; ao contrário do que empreendeu no que toca ao IRPJ no qual restou cristalino pelo LALUR não sendo crível pretender a aplicação automática mutatis mutandis para o cancelamento da glosa também na CSLL. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16327.001466/201060 Acórdão n.º 1402002.497 S1C4T2 Fl. 1.584 5 Nesse contexto, não há omissão no voto condutor do aresto. Simplesmente entendeuse que os motivos apresentados não são suficientes para afastar na CSLL a glosa ante ao excesso de despesas quanto às contribuições PIS e COFINS devidas anobase 2008. 3. Conclusão: Diante do exposto entendemos pela procedência dos Embargos opostos pelo Conselheiro signatário para anulação do acórdão n. 1402002.364 e pela improcedência dos Embargos opostos pelo contribuinte com a manutenção, assim, da decisão proferida em sede do acórdão n. 1402001.135. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 1587DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.001441/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS.
A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos.
Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo.
Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito de negativa e por outros meios idôneos.
Numero da decisão: 1301-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 INCENTIVO FISCAL FINOR. REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dando-se a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito de negativa e por outros meios idôneos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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REQUISITOS ART. 60 DA LEI 9.069/1995. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. COMPROVAÇÃO NOS AUTOS. A regularidade fiscal do sujeito passivo, com vistas ao gozo do incentivo, deveria ser averiguada em relação à data da apresentação da DIRPJ, onde o contribuinte manifestou sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos. Uma vez deslocado o marco temporal para efeito de verificação da regularidade fiscal, há que se admitir também novos momentos para o contribuinte comprovar o preenchimento do requisito legal, dandose a ele a oportunidade de regularizar as pendências enquanto não esgotada a discussão administrativa sobre o direito ao incentivo. Não deve persistir o indeferimento do PERC quando o contribuinte comprova sua regularidade fiscal através de certidão negativa ou positiva, com efeito de negativa e por outros meios idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 14 41 /2 00 3- 13 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11831.001441/200313 Acórdão n.º 1301002.515 S1C3T1 Fl. 244 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1622.846, proferido pela 7ª Turma da DRJ/SP1, na sessão de 17 de setembro de 2009, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião da decisão de primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), relativo ao ano calendário de 1999, exercício de 2000, formulado em 28/02/2003, pela empresa acima identificada (fl. 01). Em Despacho Decisório exarado em 29/08/2008 (fl. 126), concluiuse que a interessada não fazia jus ao beneficio fiscal do FINOR, tendo sido o pleito indeferido pelo não atendimento as intimações que solicitaram a regularização de pendências de débitos controlados pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) e pela Secretaria da Receita Federal (RFB), com fulcro no art. 60 da Lei n° 9.069/1995. Cientificada em 18/11/2008 (fl. 127 verso), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, protocolizada 17/12/2008 (fls. 128/130), alegando, em síntese: • o débito inscrito na PGFN sob o no 80.6.02.04841515 está garantida por depósito judicial e, portanto, com exigibilidade suspensa por medida judicial, conforme prevê o inciso II do art.151 do CTN (doc.3); • Quanto as pendências com o FGTS apresenta Certificado de Regularidade do FGTS (doc.04); • Pede o deferimento integral de seu PERC. Ao apreciar as razões apresentadas, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PERC Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal no âmbito da RFB condicionase à comprovação pelo contribuinte, seja pessoa Mica ou jurídica, à quitação de tributos e contribuições federais. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11831.001441/200313 Acórdão n.º 1301002.515 S1C3T1 Fl. 245 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, a empresa ingressou com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), relativo ao anocalendário de 1999, e teve seu pedido indeferido, tendo em vista a falta de comprovação de regularidade fiscal. Ressaltese que os incentivos fiscais de aplicação do imposto de renda em investimentos regionais e setoriais destinam parte do imposto, efetivamente pago pelas pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real e apurado em dado anocalendário, para aplicação em projetos considerados de interesse para o desenvolvimento e o incremento de atividades regionais, sendo que os recursos assim alocados são geridos por fundos de investimentos. Nesses termos, na real verdade, estes incentivos levam os contribuintes que os fruem a assumir compromissos que, em última análise, têm mais a ver com os interesses do Estado que como os deles próprios1, gerando ao Estado maiores vantagens financeiras do que previamente arrecadasse tributos para, depois, aplicálos aos gastos públicos. Daí o caráter extrafiscal do caso em análise. As pessoas jurídicas optam pelo incentivo fiscal e, uma vez preenchidos os requisitos necessários, adquirem o direito ao incentivo fiscal, gerandolhes direitos, que somente podem ser suprimidos, nos termos da Lei. Pois bem. Como demonstram os autos, em momento algum foi feita uma análise específica da existência de débitos ativos em face da decorrente no momento da opção ao benefício para o FINOR (DIPJ 1999). Todas as manifestações das Autoridades Fazendárias se voltaram a analisar todas as pendências constantes do sistema da Receita Federal do Brasil, sem, inclusive, haver preocupação de se investigar e demonstrar que estas existiam ou não à época do opção efetuada pelo Contribuinte. A título de exemplo, ao analisar em 2003 pedido o contribuinte, o fisco apontou débito de 2002, ainda que a opção tenha ocorrido em 1999, sendo assim, inquestionável que o indeferimento do PERC se deu em razão da existência de débitos no momento em que os decisórios ocorreram. 1 Roque Carrazza, Imposto sobre a Renda (perfil constitucional e temas específicos), 3ª edição, p. 143. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11831.001441/200313 Acórdão n.º 1301002.515 S1C3T1 Fl. 246 4 Nestes termos, certamente, o v. Acórdão colide com o teor da Súmula nº 37 a seguir transcrita: Súmula CARF nº. 37 " Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72." O sentido da norma (artigo 60 da Lei nº 9069/95) não é tolher o direito do contribuinte ao usufruto dos benefícios em questão; pelo contrário, possui a intenção final de fomento econômico regional, condicionando apenas o seu gozo à quitação ou regularização de eventuais débitos e pendências fiscais em aberto na época em que ocorreu a opção. Assim, ainda que novos débitos surjam após a data da entrega da declaração, estes apenas terão relevância para a concessão de benefícios nos períodos posteriores, temporalmente correspondentes a tais créditos tributários ativos. Superada a ponderação de necessidade de reforma do v. Acórdão, a qual se mostra imperiosa, deve ser feita a análise devida da documentação constante dos autos, seja trazida pelo contribuinte, seja acostada pelos Órgãos de Fiscalização, à luz da Súmula mencionada. A empresa recorrente fez acostar ao seu recurso extrato (fls. 195) emitido pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, noticiando que existem 6 (seis) inscrições e que todas se encontram na situação "ativa ajuizada garantia". Além disso, há nos autos prova de regularização perante a CEF/FGTS, em conformidade com as certidões requeridas pela autoridade fiscal (fls. 117/122). Assim, não há obstáculo para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC) apresentado pelo contribuinte, pois do exame do citado extrato, constato que não há tributo federal que obste a certidão positiva com efeitos de negativa, posto que todos os débitos inscritos e representados pelas seis inscrições encontramse ajuizados e com a respectiva garantia. Com referência ao FGTS, como se viu, há nos autos certidão emitida. Tal prova basta, por si, segundo meu juízo, para atestar a regularidade exigida pelo artigo 60 da Lei nº 9.069/95, como termo para o usufruto do benefício pretendido pelo contribuinte, vez que seria, então, a única suposta pendência remanescente da empresa. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão recorrido e deferir o Pedido de Revisão de Incentivo Fiscal, em seus termos, concedendo integralmente ao contribuinte o benefício pretendido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11831.001441/200313 Acórdão n.º 1301002.515 S1C3T1 Fl. 247 5 Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720392/2007-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 NULIDADE Não restando caracterizado nenhum fato ou circunstância que pudesse macular a autuação com o vício da nulidade, especialmente os previstos no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa, cabe rejeitar as preliminares. OMISSÃO DE RECEITA - AQUISIÇÕES JUNTO A FORNECEDORES - PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO Restou comprovado, por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores, que o sujeito passivo adquiriu mercadorias e não escriturou parte destas compras em sua contabilidade. A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado com recursos provenientes de receitas omitidas.
Numero da decisão: 1802-000.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2003 NULIDADE Não restando caracterizado nenhum fato ou circunstância que pudesse macular a autuação com o vício da nulidade, especialmente os previstos no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa, cabe rejeitar as preliminares. OMISSÃO DE RECEITA - AQUISIÇÕES JUNTO A FORNECEDORES - PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO Restou comprovado, por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores, que o sujeito passivo adquiriu mercadorias e não escriturou parte destas compras em sua contabilidade. A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado com recursos provenientes de receitas omitidas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 NULIDADE Não restando caracterizado nenhum fato ou circunstância que pudesse macular a autuação com o vício da nulidade, especialmente os previstos no art. 59 do Decreto 70.235/1972 PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa, cabe rejeitar as preliminares. OMISSÃO DE RECEITA AQUISIÇÕES JUNTO A FORNECEDORES PAGAMENTO NÃO ESCRITURADO Restou comprovado, por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores, que o sujeito passivo adquiriu mercadorias e não escriturou parte destas compras em sua contabilidade. A não escrituração de pagamento efetuado pela empresa autoriza a presunção legal de que o mesmo foi realizado com recursos provenientes de receitas omitidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 192 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho . Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 193 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 69 a 122, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 66.169,29, R$ 66.169,29, R$ 104.062,10, R$ 208.124,30 e R$ 425.854,40, respectivamente, incluindose nestes montantes os juros moratórios e a multa de 75%. O Relatório de Encerramento dos trabalhos de fiscalização (fls. 123/124) apresenta os seguintes fundamentos para a autuação a presente fiscalização originouse de demanda interna, quando foi verificado pela SAPAC que o contribuinte, no ano calendário 2003, informou uma Receita, na PJSIMPLIFICADA 2004 — SIMPLES, em descompasso com as informações contidas no Dossiê Integrado Compras DIPJ Terceiros; o fiscalizado foi cientificado do Termo de Início em 10 de maio de 2007. Transcorrido o prazo apresentou parte dos documentos solicitados; dando continuidade a ação fiscal, já iniciada, intimamos novamente o contribuinte a apresentar todos os documentos e comprovantes já solicitados através do Termo de Início de Fiscalização, cuja ciência ocorreu em 13 de junho de 2007. Em resposta ao termo, o fiscalizado apresentou parte dos documentos solicitados; Em 24 de agosto de 2007, intimamos novamente a PJ para apresentar as Notas Fiscais de Compras, bem como data e valor dos pagamentos referentes a cada compra/NF, do período 01/01/2003 a 31/12/2003; Em 05 de outubro de 20007, e 14 de novembro de 2007, intimamos a citada empresa para apresentar duplicatas, ordem bancária, cheques etc. visando a perfeita execução da Ação Fiscal, ora em desenvolvimento, no intuito de apurar o cometimento, em tese, de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica fiscalizada, e em prestígio ao princípio da verdade material, solicitamos Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo em nome dos Fornecedores: Real Especialidades Têxteis Ltda., CNPJ: 53.859.526/000198, Malharia Caryma Ltda, CNPJ: 79.386.678/000104, Têxtil Everest Ltda, CNPJ: 44.995.926/000130, Campeã S/A Ind. Têxtil., CNPJ: Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 194 4 84.686.443/000178, Douat Cia Têxtil, CNPJ: 82.610.726/0001 00, Vicunha Têxtil S/A, CNPJ: 07.332.190/000940, Excim Imp. Exp. S/A, CNPJ: 02.384.871/000181, Ima Tecidos da Moda Limitada, CNPJ: 21.126.271/000168, Kanxa Ind. Ltda, CNPJ: 55.812.200/000130, Linhanyl Paraguaçu S/A, CNPJ: 00.139.737/000270, Tecelag J.P. SA, CNPJ: 68.303.54410001 66, para que nos apresentasse os efetivos pagamentos realizados no período de 01/01/2003 a 31/12/2003, a empresa, objeto desta ação fiscal; em resposta aos Termos, as Pessoas Jurídicas, fornecedoras, apresentaram Notas Fiscais Faturas, cobranças vinculadas, contas correntes, etc., bem como planilhas contendo: n° das NF, data de emissão, vencimento, parcelas recebidas, data do recebimento; à vista dos documentos apresentados pelos fornecedores, elaboramos uma planilha, sendo consolidado os pagamentos efetivamente pagos mensalmente, ensejando uma nova Intimação para o contribuinte “comprovar/apresentar registro contábil, contendo compras e pagamento efetuados aos FORNECEDORES, bem como a origem dos recursos utilizados para esses pagamentos, no período de 01/01/2003 a 31/12/2003”; o fiscalizado apresentou registros contábeis, contendo compras e pagamentos aos fornecedores, onde detectamos que o mesmo logrou comprovar somente parte da origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras, conforme xerocópia do Livro Razão em anexo. Isto posto, e observado que o fiscalizado só logrou comprovar parte da origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras, procedemos ao lançamento com base na infração “OMISSÃO DE RECEITAS POR OMISSÃO DE COMPRAS”, com fulcro no Art. 281, inciso II, do RIR/99, falta de escrituração de pagamento efetuados, sendo apurado crédito tributário de R$ 870.379,40 (oitocentos e setenta mil, trezentos e setenta e nove reais e quarenta centavos). Informamos que houve a exclusão da fiscal que iniciou o procedimento, e inclusão desta AFRFB signatária em 11 de dezembro de 2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal Complementar em anexo a este Processo. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 128 a 133, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0115.669 (fls. 164 a 171), a Contribuinte apresentou as seguintes razões de defesa: 4. Foi penalizado de forma fictícia, com base em informações de terceiros, que nem sequer teve acesso, prejudicando o contraditório e a ampla defesa, por desconhecimento de supostas provas nas quais foram baseados todos os levantamentos que levaram a autuação. Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 195 5 5. Ocorreram falhas no rito processual do Mandado de Procedimento Fiscal. Pede a sua nulidade. 6. Acessou o site da Receita Federal em 12/09/2007 e 18/09/2007, e a resposta foi que não havia ação fiscal em andamento ou MPF emitido disponível para o CNPJ 83.918.979/000109. 7. Aponta a existência de outro MPF, de número 0210100 2007 004240, que o informou sobre a circularização das pessoas jurídicas fornecedoras de mercadorias. Foram solicitadas as mesmas informações já respondidas em 31/08/2007, o que demonstrava uma desorganização nos trabalhos que vinham sendo executados, ao seu ver, arbitrariamente, uma vez que não se obteve a confirmação se o MPF havia sido expedido ao Administrado, conforme consulta feita pela internet. Aproveitaramse informações direcionadas a um MPFF que não se concluiu por não ter nem mesmo se iniciado de direito. 8. A informação que embasou a autuação, sendo interna constante na base de dados da Receita Federal, em nenhum momento foi apresentada ao administrado. A autuação desconsiderou todas as informações prestadas através de Notas Fiscais, Balanços, Balancetes, Livros Diário e Razão, Declaração de Imposto de Renda, em detrimento de relatórios alegadamente enviados pelas empresas fornecedoras de materiais ao administrado, trilhando assim o caminho das presunções, que muitas vezes se confunde com ficções. 9. Aventa que seu nome pode estar envolvido em fraude impetrada por terceiros que poderiam ter utilizado seus dados cadastrais. 10. Anexa Termo de Conclusão de Fiscalização expedido pela Secretaria Executiva da Fazenda do Pará, com base em fiscalização de profundidade referente ao período fiscalizado 01/01/2002 a 31/12/2003, que em nada se manifesta acerca de omissão de receitas por omissão de compras. 11. Anexa Relatório de Projeto Fronteira, documento de uso interno da Secretaria Executiva da Fazenda do Pará – solicitado oficialmente àquele órgão, que aponta as efetivas entradas de mercadorias no território paraense, ratificando as informações constantes nos Livros Fiscais e Contábeis do Administrado, que em nenhum momento foram constestados pela AFRB. 12. Em nenhum momento a fiscalização glosou os livros fiscais do autuado. 13. Requer a improcedência total dos autos de infrações. Como mencionado, a DRJ Belém/PA considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Simples Nacional Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 196 6 Exercício: 2004 Ementa: OMISSÃO E RECEITAS. NOTAS FISCAIS DE COMPRAS Comprovado por intermédio de documentos coletados junto a fornecedores que o sujeito passivo recebeu mercadorias e não escriturou as respectivas notas fiscais na contabilidade, procede o lançamento por omissão de receitas da atividade. MPF. FALHAS PROCEDIMENTAIS. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA. Eventual desrespeito às regras relativas ao MPF não implica a nulidade dos atos administrativos posteriores, haja vista seu caráter subsidiário. DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em violação do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do auto de infração. No decurso da ação fiscal não existe litígio ou contraditório. Art.14 do Decreto n.° 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 29/12/2009, a Contribuinte apresentou em 27/01/2010 o recurso voluntário de fls. 178 a 185, desenvolvendo argumentos sobre os tópicos abaixo. DO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA: equivocouse a Autoridade Julgadora em 1ª Instância, quando em seu parecer alega que o Administrado elegeu o instituto do cerceamento ao seu direito de defesa ainda na fase fiscalizatória do procedimento fiscal. O que de fato se ponderou, por ocasião da lavratura dos Autos de Infrações, foi a ausência documental de supostas provas (notas fiscais) enviadas pelos fornecedores do Administrado à autoridade fiscalizadora, uma vez que somente planilhas demonstrativas por este (AFRFB) confeccionadas foram apresentadas; indagase ainda a legitimidade dessas supostas informações se nenhum procedimento fiscal estava em vigor anteriormente a 13/12/2007, e de que forma foram obtidas, uma vez que os fatos jurídicos serão aqueles enunciados que puderem sustentarse em face das provas em direito admitidas; é oportuno ainda ressaltar que conforme disposto no Artigo 7° do Decreto 70.235/1972, “o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de oficio escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo ...” o que segundo o entendimento da Autoridade Julgadora somente ocorreu em 13/12/2007; dessa forma, de que legalidade se revestem as planilhas apresentadas pelo AFRFB, que vitimizaram o Administrado, quando lhes faltam juridicidade, uma vez que inexiste ato jurídico perfeito para a percepção das mesmas junto aos fornecedores do Administrado? Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 197 7 ultrapassada esta questão jurídica, como afirmar categoricamente que o Administrado recebeu as supostas mercadorias enviadas pelos seus fornecedores, se nem sequer tomou conhecimento das possíveis notas fiscais? Havia algum canhoto de nota fiscal assinado ou mesmo conhecimento de transporte firmado atestando o fato? É impossível no ordenamento comercial vigente que se compre utilizandose o nome de outra pessoa, pagando se os títulos religiosamente no prazo? Quantos empréstimos consignados em nome de pessoas idôneas já foram feitos de forma fraudulenta, tendo esses descoberto somente quando perceberam seus rendimentos menores? O que se falar das fraudes envolvendo benefícios e aposentadorias concedidos pela Previdência social, descobertos e cancelados muito tempo depois? DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL: quanto às irregularidades em relação ao MPF, o que se verifica na análise do julgador, é a completa inobservância ao rito processual, querendo fazer crer que os direitos fundamentais do Administrado não foram atingidos. Lembrase que em matéria tributária, a literalidade da norma jurídica é o único e exclusivo dado objetivo para os integrantes do processo em litígio; a Autoridade Julgadora entendeu que a falta de notificação de prorrogação do MPF motivou o pedido de nulidade do lançamento, quando na realidade o Administrado é que não tomou ciência de todos os procedimentos inerentes ao processo que vinha sofrendo, incorrendo a Administração Pública na prática do inciso II do Artigo 59 do Decreto 70.235/1972; como já fortemente debatido e pacificado no mundo jurídico tributário, absterse dos impulsos da subjetividade e manterse no nível físico da literalidade textual, é o procedimento a ser seguido para se concretizar o fim epistemológico a que o legislador se propôs, não se admitindo interpretação extensiva ou analógica; se a Autoridade Julgadora de 1ª Instância entendeu que o procedimento fiscal se iniciou com o MPF de n° 02.1.01.002007007681, o qual o Administrado tomou ciência em 13/12/2007, o que dizer então do MPF de n° 02.1.01.00 2007004240, assinado pela Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, Sra. Marly G. C. Guimarães, matrícula 26.346, cujo Administrado tomou ciência em 10 de maio de 2007, bem como de todas as intimações inerentes ao mesmo, que foram atendidas a contento (apresentandose também os Livros Diário e Razão), inclusive uma datada de 24/08/2007, respondida em 31/08/2007 e outra de 22/10/2007 ? concluise, então, que por mais de 05 meses (maio a outubro de 2007), a Receita Federal do Brasil agiu de forma arbitrária para com o Administrado, uma vez que nenhum Mandado de Procedimento Fiscal pode ter sua veracidade confirmada no sítio da Secretaria da Receita Federal, não existindo nenhum valor legal quaisquer informações obtidas. DA FISCALIZAÇÃO: a Autoridade Julgadora insiste na tese de que o Administrado deixou de escriturar supostas notas fiscais de compras querendo imputar ao mesmo o dever de arcar com o ilícito, incorrendo ainda na aberração de afirmar, sem conhecimento de causa, que um Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 198 8 relatório de uso interno da Secretaria de Estado da Fazenda — SEFA, denominado Projeto Fronteira, na realidade é uma cópia das informações enviadas pelo contribuinte àquele órgão; o relatório, de fato e de direito, é um instrumento de fiscalização de que dispõe o Estado, que registra todas as aquisições de mercadorias que adentram o solo paraense, justamente para confrontar com os registros fiscais produzidos pelos contribuintes; quanto ao Termo de Encerramento de Fiscalização expedido pela SEFA/PA, juntado aos autos como mais uma prova do desbabimento em imputar ao Administrado aquisições que não efetuou, seria extremamente desconcertante ao fisco estadual não ter identificado tamanha discrepância apontada pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, uma vez que aquele fisco também se vale de relatórios mensais de entradas e saídas de mercadorias, tanto através do Projeto Fronteira como através do Sintegra. DO MÉRITO: como afirmado pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância, a presente lide se iniciou com o Mandado de Procedimento Fiscal de n° 02.1.01.002007007681, do qual o administrado tomou ciência em 13/12/2007, que foi modificado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, de número 02.1.01.0020070076811, devido a uma incorreção naquele que tratava de IRPJ e não do SIMPLES, o tributo a ser inspecionado, o qual se deu ciência em 17/12/2007, data efetiva legal do início do procedimento fiscal; nenhuma outra notificação foi expedida ao Administrado concernente à ação fiscal em tela, quanto aos procedimentos subseqüentes de fiscalização, conforme disposto no artigo 8° do Decreto 70.235/1972, que não o seu Termo de Encerramento, datado de 27/12/2007; dessa forma, quaisquer procedimentos adicionais não abraçados por esse dispositivo se constituem em cerceamento a seu direito de defesa, consoante artigo 59 do citado Decreto, uma vez que colima com a falta de intimação ao contribuinte acerca de ato processual sobre o qual deveria se manifestar; não há que se falar, então, do MPF n° 02.1.01.00 2007004240, datado de 10 de maio de 2007, também impugnado em 1ª Instância, tendo em vista ter sido a peça inicial de todo o processo fiscalizatório, mas que não existiu de direito, por não cumprir com as formalidades legais. Ato nulo não gera efeitos tributários, é como se não existisse na ótica tributária. Provas porventura produzidas por meio de um ato nulo serão consideradas ilegítimas, por ferirem rito processual, que também têm características de ilícitas, por afrontarem o inciso LVI do artigo 5° da Constituição Federal; reiteramos a tese de que o Administrado se viu vitimizado pelo uso indevido de seu cadastro fiscal, onde se utilizaram de seu nome para efetuarem compras sem o seu conhecimento, elegendo uma vez mais como prova evidente o Relatório de Projeto Fronteira fornecido pela Secretaria Executiva da Fazenda do Estado do Pará, anexado ao processo e, infelizmente, por falta de conhecimento legal, refutado por ocasião do julgamento em 1ª Instância. Ao final do recurso, a Contribuinte faz uma síntese dos pontos de discordância acima apontados: Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 199 9 a) cerceamento ao direito de ampla defesa em processo administrativo, com base no disposto nos Artigos 8° e 59, Inciso II, do Decreto 70.235/1972; b) nulidade do MPF n° 02.1.01.002007007681, que se utilizou de ato inexistente e nulo, personificado no MPF n° 02.1.01.00 2007004240, procurando substituílo, conforme explicitado na impugnação em 1ª Instância; c) descaracterização das compras em nome do Administrado pelo uso fraudulento do seu nome Este é o Relatório. Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 200 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 2003. A autuação está fundamentada em omissão de receitas, apurada com base na presunção legal contida no art. 281, II, do RIR/1999 – falta de escrituração de pagamentos efetuados. De acordo com a Fiscalização, a Contribuinte só logrou comprovar parte da origem dos recursos utilizados nas compras que realizou junto a seus fornecedores. Quanto às preliminares suscitadas pela Recorrente, não vislumbro nenhuma das hipóteses que poderiam macular as autuações pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 – PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. Especificamente em relação ao cerceamento do direito de defesa, importa mencionar que vício dessa espécie é mais comumente verificado nas decisões, uma vez que estas são proferidas na fase litigiosa, quando o Contribuinte vem exercer o seu direito de defesa. Assim, quando constatado, este tipo de nulidade normalmente se dá pela falta de apreciação dos argumentos apresentados nas peças de defesa. Isso não significa, entretanto, negar a possibilidade de que este tipo de nulidade ocorra já no ato de lançamento. Pior do que não ter um argumento de defesa apreciado, é não ter como se defender. E é exatamente por isso que o ato administrativo de lançamento deve estar muito bem fundamentado, com a minuciosa apresentação dos fatos que motivaram a prática do ato, e das conseqüências jurídicas decorrentes destes fatos. No caso concreto, observo que a Contribuinte teve a ciência de todos os termos e autos de infração que compõe o processo, e que neles estão claramente descritos os fatos que motivaram o lançamento e as infrações que lhe foram imputadas, bem como as disposições legais infringidas. Vêse que no curso da auditoria, várias empresas fornecedoras de produtos da área têxtil, em atendimento à fiscalização, apresentaram uma séria de documentos referentes a vendas que realizaram para a autuada (notas fiscais, extratos de cobranças, relatórios de contas correntes, etc., bem como planilhas contendo n° das NF, data de emissão, vencimento, parcelas recebidas e datas de recebimento). Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 201 11 Todas estas informações foram consolidadas em planilhas, e a empresa fiscalizada foi intimada a “comprovar/apresentar registro contábil, contendo compras e pagamento efetuados aos FORNECEDORES, bem como a origem dos recursos utilizados para esses pagamentos, no período de 01/01/2003 a 31/12/2003”. Contudo, a Fiscalização constatou que somente uma parte destas operações havia sido escriturada no Livro Razão, o que motivou a autuação por omissão de receitas com base na falta de escrituração de pagamentos efetuados, os quais estão muito bem detalhados nos inúmeros documentos que antecederam o auto de infração. A Contribuinte, portanto, possuía plenas condições para exercer o seu direito de defesa, e não tem razão de ser a alegação de cerceamento deste direito. Também não procede a alegação de ilegalidade da ação fiscal, por ter sido deflagrada sem que fosse precedida de um MPF válido. Como já mencionado, a fiscalização foi iniciada em 10/05/2007, conforme AR de fl. 8, pelo qual foram encaminhados por via postal tanto o Termo de Início de Ação Fiscal, quanto o MPF nº 2007/004240. No curso da fiscalização, este primeiro MPF foi substituído pelo MPF nº 2007/004810, cientificado à Contribuinte em 20/06/2007, também por via postal, conforme AR de fls. 11. E para a conclusão do procedimento, foi emitido ainda um outro MPF, de nº 2007/007681, com ciência pessoal à Contribuinte em 13/12/2007 (fl. 01), pelo qual foi designado um outro Auditor Fiscal, que concluiu os trabalhos de auditoria. Embora os dois primeiros MPF tenham sido encaminhados por via postal, e devidamente recebidos pela Contribuinte, percebese que ela procura explorar o fato de estes instrumentos terem sido novamente entregues em 13/12/2007, desta vez pessoalmente, junto com o terceiro MPF. De imediato, cabe mencionar que os antigos Conselhos de Contribuintes pacificaram o entendimento no sentido de que o MPF possui a natureza de um instrumento meramente administrativo, e que eventual irregularidade em relação a ele não contamina o lançamento que tenha obedecido as regras do Processo Administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/1972, conforme ementas transcritas abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades, tampouco deslocar a data do inicio do procedimento fiscal no âmbito do processo administrativo. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF um instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão 1024791, de 21/09/2006) Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 202 12 PIS. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento meramente administrativo. Eventual irregularidade em relação ao mesmo não contamina o lançamento que tenha obedecido às regras do Processo Administrativo Fiscal. (Acórdão 20177550, de 17/03/2004) Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.A despeito da correta emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal MPF, este se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto nº 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 201 79542, de 24/08/2006) PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. O MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, na medida em que a competência que o auditor fiscal tem para realizar o trabalho de lançamento decorre da Lei. Ademais, continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita, tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de n° 1265/1999 e 3007/2001. (Acórdão 10808696, de 25/01/2006) Realmente, a competência dos Auditores Fiscais está definida em Lei, em sentido estrito, e as repercussões de eventuais irregularidades cometidas em relação ao MPF limitamse às relações entre a Administração Tributária e seus integrantes, no âmbito específico do Direito Administrativo. Não bastassem essas razões para refutar as alegações da Recorrente, vêse que todo o procedimento de auditoria sempre esteve amparado em MPF válido. A Contribuinte alega que a consulta realizada no sítio eletrônico da Receita Federal, durante a fase de auditoria, não confirmou a emissão do MPF. Não há prova disso nos autos, mas ainda que houvesse um problema dessa natureza, por uma falha nos sistemas eletrônicos, bastaria que a Contribuinte diligenciasse junto à Delegacia da Receita Federal para confirmar que a ordem para a instauração do procedimento fiscal (MPF) havia sido realmente emitida, e assinada por pessoa competente, conforme os documentos de fls. 3 ou 4, os quais, inclusive, já havia recebido por via postal, como já mencionado. Nesse sentido, também são improcedentes as alegações de que nenhuma outra intimação válida foi feita, além das realizadas nos dias 17/12/2007 e 27/12/2007. Todas as intimações anteriores, respondidas tanto pela Contribuinte, quanto por seus fornecedores, foram validamente expedidas, não havendo qualquer vício em relação à prova coletada pela Fiscalização. A Contribuinte também alega que não tomou ciência de todos os procedimentos inerentes à fiscalização que vinha sofrendo, o que, no seu entendimento, também acarretaria cerceamento do direito de defesa. Fl. 1615DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 203 13 Vêse, contudo, que os documentos obtidos junto aos fornecedores foram consolidados em planilhas, e que a Contribuinte foi intimada a comprovar o registro das aquisições que efetuou, bem como a origem dos recursos utilizados nestas operações, pelo que, também nesse caso, as críticas ao trabalho fiscal são inconsistentes. Mesmo assim, vale lembrar que no procedimento/processo administrativo fiscal o contraditório é normalmente diferido para a fase litigiosa, sem qualquer prejuízo à ampla defesa da Contribuinte, eis que a fase dos trabalhos de auditoria é regida pelo princípio inquisitorial, não havendo a necessidade de a Contribuinte nem mesmo ser cientificada das informações que estão sendo coletadas junto a terceiros, ressalvados os casos expressamente previstos em lei, o que não é o caso. Deste modo, todas as preliminares suscitadas devem ser rejeitadas. Quanto ao mérito, a Contribuinte não traz elementos de prova suficientes para refutar a grande quantidade de informações que constam dos Anexos I, II e III do presente processo, referentes às operações que realizou junto a seus fornecedores. Ela optou por se concentrar mais nas questões formais de nulidade. Com relação às operações propriamente ditas, que embasaram o lançamento, a Contribuinte reitera a tese de que foi vítima de uso indevido de seu cadastro fiscal; que se utilizaram de seu nome para efetuar compras sem o seu conhecimento; e elegeu novamente como prova disso o Relatório do “Projeto Fronteira”, fornecido pela Secretaria Executiva da Fazenda do Estado do Pará (fls. 146 a 157). Para obter este relatório, a Contribuinte apresentou ao Fisco Estadual o requerimento de fls. 147, nos seguintes termos: COTTOMALHAS TECIDOS LTDA., com Inscrição Estadual n° 15.181.6450 e CNPJ n° 83.918.979/000109, situada (...), vem à presença de V. Sa., solicitar que lhe seja fornecida uma cópia do relatório designado “Projeto Fronteira”, relativo ao período de 01/01/2003 à 31/12/2003, pelo motivo que passa a expor abaixo, agradecendo desde já a gentileza no atendimento do seu pleito, que em muito irá contribuir para que se faça justiça: 1 — Em maio de 2007, a Secretaria da Receita Federal iniciou um procedimento de fiscalização relativamente ao ano de 2003, conforme Termo de Início de Ação Fiscal número 02101002007 004240, que culminou, em 27/12/2007, em uma autuação por “omissão de receitas por omissão de compras”; 2 — Indagado pelo contribuinte em questão, a fiscalização da Receita Federal informou que a autuação baseouse em relatórios fornecidos pela Secretaria da Fazenda Estadual (SEFA), no qual foram informadas aquisições superiores às declaradas pelo contribuinte. Tendo em vista que todas as Notas Fiscais de aquisições de mercadorias são devidamente lançadas no livro próprio, conforme cópia em anexo, solicitamos para efeito de defesa junto à Receita Federal os Relatórios de Fronteiras referentes ao Ano de 2003 gerados por este órgão Fl. 1616DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 204 14 para que possamos sustentar legalmente nossa escrituração e a veracidade das informações prestadas através da DIEF. Atenciosamente. BelémPa, 14 de Janeiro de 2008. O primeiro ponto a destacar é que a Fiscalização da Receita Federal não se baseou “em relatórios fornecidos pela Secretaria da Fazenda Estadual (SEFA), no qual foram informadas aquisições superiores às declaradas pelo contribuinte”, como consignado no documento acima. Ao contrário, o lançamento dos tributos federais está fundamentado em extensa e detalhada documentação obtida junto aos fornecedores da autuada, consistente em notas fiscais, extratos de cobranças, relatórios de contas correntes, etc., bem como planilhas contendo n° das NF, data de emissão, vencimento, parcelas recebidas e datas de recebimento. O mencionado relatório, por sua vez, é um espelho das informações prestadas pela própria Contribuinte à Secretaria de Fazenda do Pará, e não o resultado de um procedimento de fiscalização desenvolvido pelo Fisco Estadual, como sugerido no recurso. Mas ainda que representasse as conclusões de uma fiscalização desenvolvida pelo Fisco Estadual, esse relatório de notas fiscais não seria suficiente para refutar todas as informações colhidas pela Fiscalização da Receita Federal. É importante destacar que parte das operações informadas pelos fornecedores estava escriturada no livro Razão da autuada. Com efeito, a omissão de receitas correspondeu apenas a uma parte das compras, ou seja, às compras que não estavam escrituradas. Portanto, não há dúvidas de que estes terceiros realmente eram fornecedores da autuada. Além disso, as mencionadas empresas prestaram informações muito detalhadas sobre as vendas que realizaram para a interessada, e esta sequer diligenciou junto àquelas para identificar quem estaria utilizando indevidamente o seu nome. A Contribuinte simplesmente traz uma alegação genérica de que foi vítima de uso indevido de seu cadastro fiscal; que utilizaram seu nome para efetuar compras sem o seu conhecimento, mas não traz qualquer elemento de prova que pudesse dar um mínimo de sustentação a tais alegações. Deste modo, não ilidida a presunção legal de omissão de receitas, deve ser mantida a autuação. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10280.720392/200766 Acórdão n.º 180200.973 S1TE02 Fl. 205 15 Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 17/10/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.979321/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 21 /2 00 9- 71 Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979321/200971 Acórdão n.º 1201001.731 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979321/200971 Acórdão n.º 1201001.731 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979321/200971 Acórdão n.º 1201001.731 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10880.979321/200971 Acórdão n.º 1201001.731 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 35DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720777/2013-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
REGISTROS CONTÁBEIS
Uma vez comprovado que as técnicas contábeis utilizadas pelo sujeito passivo não ensejaram redução indevida do lucro, deve ser exonerada a autuação.
Numero da decisão: 1401-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 77 /2 01 3- 45 Fl. 2068DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A MATÉRIA LITIGIOSA Por meio dos Autos de Infração de fls. 424/440 da DEFIS São Paulo foi lançado o crédito tributário discriminado na tabela abaixo, referente a fatos geradores ocorridos em 31/12/2008 e 31/12/2009: Descrição Tributo (R$) Multa (%) Juros Fl. Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 22.695.156,70 150 Taxa Selic 432 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 8.170.256,41 150 Taxa Selic 440 2. A Fiscalização entendeu que houve exclusões indevidas e faltas de adição na apuração das bases de cálculo. O lançamento, no valor total de R$ 89.485.070,25 (fl. 3), foi integralmente impugnado. B FISCALIZAÇÃO B.1 PROCEDIMENTO FISCAL 3. Em atenção ao Termo de Intimação Fiscal (TIF) n° 1 (fl. 37), a Contribuinte apresentou a planilha da fl. 66 com a composição das exclusões lançadas na linha 09A/40 da DIPJ 2010 no montante de R$ 1.403.710.553,20 e informou que adota o procedimento de apurar o lucro real e a base de cálculo da CSLL através da movimentação dos saldos de ativo e passivo. Esse procedimento consiste na adição dos saldos patrimoniais e exclusão desses saldos no exercício subsequente (fl. 63). 4. No TIF n° 5 (fls. 49/50), a Fiscalização solicitou esclarecimentos, conforme segue: 1) Consta na linha 40, da Ficha 09 A, da DIPJ/2010 (anocalendário 2009) referente a "Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis" o valor de R$ 1.403.710.553,20. E como se sabe a composição da linha 40 é o "montante dos saldos das provisões não dedutíveis (no valor de R$ 1.328.653.081,07; valor informado na Ficha 17, linha 05, da DIPJ/2009)" com o "montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados". Dai é necessário o contribuinte comprovar a regularidade dos elementos que compõem o "montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados" no valor de R$ 75.057.472,13; 5. A Contribuinte respondeu (fl. 90) que o art. 13 da Lei 9.249/95 proíbe que na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL sejam deduzidas provisões, exceto as expressamente autorizadas pela legislação. Logo, as despesas com a constituição de provisões indedutíveis devem ser adicionadas ao lucro líquido para apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Contudo: Fl. 2069DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.027 3 (...) ao invés de adicionar apenas a diferença de provisão constituída em determinado período de apuração, a Requerente exclui todo o saldo adicionado no ano anterior e exclui (adiciona) todo o saldo de provisões existente ao final do período de apuração, tendo como resultado final a adição efetiva apenas da diferença de provisão constituída no período. (...) Neste caso específico, a Requerente já havia informado em resposta ao TIF n° 01/2012, item02, que no anocalendário de 2009, exercício 2010, e em planilha apresentada à fiscalização, que havia procedido à exclusão fiscal no montante de R$ 1.403.710.553,20 e adicionado o montante de R$ 1.314.501.651,58, informando têlo feito exatamente com base na metodologia acima descrita. (...) Solicita a Requerente, assim, que se observe a planilha anexa (DOC 1) [fls. 99/100], em que estão discriminadas todas as contas de provisão, sem distinção, e suas respectivas nomenclaturas constantes da contabilidade da Requerente no anoscalendários de 2008 e 2009 e que podem ser facilmente verificadas em sua escrituração digital acessível a essa fiscalização. Também se observa quatro colunas, em que constam valores adicionados e excluídos nos anoscalendários de 2008 e 2009. São elas: "Adição 2009", "Exclusão 2009" e "Adição 2008", "Exclusão 2008". Segundo a sistemática acima descrita, utilizada pela Requerente, o valor do saldo da conta de provisão adicionado fiscalmente num ano é integralmente excluído no ano seguinte, procedendose à adição do valor com o novo saldo da conta. Assim, o que a planilha anexa (DOC. ) demonstra é que os valores dos saldos das provisões adicionados no anocalendário de 2008 ("Adição 2008") corresponde exatamente ao valor excluído em 2009 ("Exclusão 2009"). Há, porém, algumas exceções, em que há diferenças na planilha originalmente entregue a essa fiscalização entre os valores da coluna "Adição 2008" e "Exclusão 2009", cujas explicações seguem abaixo: (fls. 91/92) 6. As diferenças a que a Contribuinte se refere são mostradas na tabela abaixo (dados extraídos da planilha de fls. 99/100 (doravante denominada "Planilha")): Exclusão 2009 Adição 2008 Diferença Linha Conta Descrição (1) (2) (1) (2) 15 18300011 023.025 Provisão Reav. de Bens Rec. Destin. Vda 2.942.740,23 2.969.018,37 26.278,14 20 20500030 023.044 Provisão Ctas a Rec.exZen IN003CisaTrad 1.680.368,64 0,00 1.680.368,64 35 13200117 023.062 Provisão Variação Cambial Adiant. Cliente 10.648.571,55 10.062.670,91 585.900,64 38 13200112 023.066 Provisão Perda Ctas Corr. Receb. Terc. 7.499,36 1.687.868,01 1.680.368,65 39 10400101 023.069 Provisão p/ Dev. Vendas Estoque 208.698.866,72 127.366.793,41 81.332.073,31 42 13200120 023.073 Provisão Notas Crédito USDVC 241.204,27 18.922,00 222.282,27 47 13200121 023.081 Provisão de Juros Barter a Apropriar 8.774,96 3.994.545,74 3.985.770,78 57 14400072 050.002 Provisão p/ MTM Hedge Ativo 18800036/38 60.782.264,27 57.407.557,43 3.374.706,84 60 Nihil 023.080 Provisão p/ inventário Imobilizado Depreciação 0,00 6.445.442,00 6.445.442,00 7. Sobre as diferenças das linhas 15, 47 e 60, a Contribuinte alega que a exclusão de 2009 foi menor que a adição de 2008, logo não houve qualquer prejuízo para o Fisco. Fl. 2070DF CARF MF 4 8. Sobre as diferenças das linhas 20 e 38: b) Conta 20500030 (Descrição 023.044), no valor de R$ 1.680.368,64: o valor excluído em 2009 relativamente a esta conta deve ser considerado em conjunto com aqueles lançados na Conta 13200112 (Descrição 023.066), de forma que, se somadas as exclusões de 2009 lançadas em ambas as contascontábeis acima citadas encontraremos o valor de 1.687.868,01, exatamente o valor que se encontra na "Adição 2008" vinculada à Conta 13200112 (Descrição 023.066). (fl. 92) 9. Sobre a diferença da linha 39: c) Conta 10400101 (Descrição 023.069), no valor de R$ 81.332.073,31: esta conta contábil está relacionada na planilha originalmente entregue equivocadamente, pois na verdade, em que pese a nomenclatura adotada pela conta, não se trata de uma "provisão", mas de um ajuste contábil com o objetivo de reconhecer as devoluções de vendas efetuadas. Essa conta possui natureza devedora, pois representa, em realidade, uma previsão de acréscimo patrimonial decorrente da devolução de vendas, com contrapartida no resultado (crédito) que, por não representar um acréscimo patrimonial efetivo (tratase apenas de previsão), é excluído pela Requerente de sua apuração fiscal. Portanto, esses valores não seguem a sistemática até agora aplicável de se excluir em 2009 o saldo adicionado em 2008, razão pela qual os valores informados na coluna "Adição 2008" da planilha originalmente entregue a essa fiscalização não espelhou, de forma mais didática, a sistemática fiscal aplicada a essa conta. (...) Apenas para esclarecer a sistemática adotada para essa conta contábil, haja vista sua natureza peculiar, a Requerente, diferentemente do procedimento adotado para provisões efetivas, exclui de sua apuração fiscal ao final do ano o saldo da conta 104001001 (pois se trata de um mero ajuste contábil, sem acréscimo patrimonial efetivo) e adiciona o saldo existente dessa mesma conta contábil no final do ano anterior (valores que haviam sido excluídos na apuração fiscal do ano anterior). 10. A diferença da linha 57 resultaria de um ajuste contábil da mesma natureza: e) Conta 14400072 (Descrição 050.002), no valor de R$ 3.374.706,84: neste caso também se trata de um ajuste contábil de mesma natureza daquele já explicado no item "c" acima, razão pela qual pede pela desconsideração da planilha originalmente apresentada e a consideração da que ora se anexa ao presente. (fl.93) 11. Sobre o método de contabilização da conta 10400101 (linha 39), a Contribuinte acrescentou que decorre do Pronunciamento Contábil n° 30 (CPC 30) e apresentou o exemplo abaixo: 8) Vamos partir de um exemplo conceitual para entender a contabilização acima referida. Para isso, adotaremos como premissa uma venda a ser feita pela Syngenta a um distribuidor de R$ 1000,00 de uma mercadoria contabilizada no estoque a R$ 600,00. No momento da venda, teríamos o registro da baixa "Conta de Estoque" contra a despesa lançamento (1), no valor de R$ 600,00 e do "Contas a receber" em contrapartida da Receita lançamento (2), no valor de R$ 1000,00 resultando numa receita efetiva de R$ 400,00 e que é efetivamente tributada, conforme abaixo: Fl. 2071DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.028 5 7 Fls. 1.887 9) Ainda neste exemplo conceitual, em decorrência do ajuste contábil acima descrito, a Syngenta faz uma estimativa de que dos R$ 1000 em mercadorias alienadas ao seu distribuidor (já tributados como acima demonstrado) 20% das vendas (R$ 200) não foram realizadas ao consumidor final. Contabilmente, a Requerente assim procederá: 10) Ou seja, através dos lançamentos (3) e (4), a Requerente realiza o seu ajuste contábil, diminuindo o seu "Contas a receber" em R$ 200 (estimativa de vendas que não foram realizadas pelo distribuidor ao consumidor final) lançamento (4). O impacto deste ajuste no resultado (diminuindo a receita) é adicionado no LALUR, mantendo íntegra a tributação da receita decorrente da venda feita ao distribuidor (R$ 1000). Já o "Custo da Mercadoria Vendida (CMV)" também é ajustado proporcionalmente à previsão de 20% (R$ 120) e é excluído no LALUR para preservar o valor real do custo (...) 11) É por isso que se disse na resposta ao TIF n° 0005 que não há que se comparar o valor da coluna "Exclusão 2008", de R$ 236.665.724.30, com o valor da coluna "Exclusões 2009", de R$ 208.698.866,7 da planilha então apresenta à fiscalização, pois a natureza deste lançamento especifico é outra. (fls. 86/87) 12. Nas respostas de fls. 89/98 e 84/88, não se encontrou explicação específica para as diferenças das linhas 35 e 42, entretanto a Contribuinte afirma que se expurgarmos os efeitos dos itens "a" a "f" acima, verificaremos que o valor dos saldos adicionados em 2008 ("Adição 2008") é substancialmente menor que o valor excluído em 2009 ("Exclusão 2009"), resultando no montante a título de Fl. 2072DF CARF MF 6 diferença não excluída de R$ 5.663.537,24, o que revela não ter ocorrido qualquer prejuízo ao fisco (fl. 93). O valor mencionado equivale à soma das diferenças das linhas 15, 35, 47 e 60. 13. A Fiscalização constatou também, com base na planilha da fl. 165, as diferenças assinaladas na tabela abaixo, referentes aos anoscalendário de 2009 e 2010: Conta Descrição Exclusão 2010 (1) Adição 2009 (2) Diferença (1) (2) 13200117 023.062 Provisão Variação Cambial Adiant. Cliente 1.058.523,44 0,00 1.058.523,44 13200120 023.073 Provisão Notas Crédito USD VC 40.499,59 2.279,49 38.220,10 B.2 SOBRE A POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DOS SALDOS DAS PROVISÕES 14. A Fiscalização entende que: Como é sabido a reversão da provisão constituirá também uma receita que deve ser classificada como operacional no demonstrativo do Resultado Exercício (no grupo “Outras Receitas Operacionais”). Como conseqüência a empresa deverá baixar o valor correspondente na parte B e excluílo na parte A do LALUR. (...) (...) Entretanto, quando a provisão constituída não chega a ser utilizada ou for utilizada, só parcialmente, o seu saldo, por ocasião da apuração dos resultados do período de apuração seguinte, deverá ser revertido a crédito de resultado desse período de apuração. (...) Portanto, este saldo não pode ser excluído na parte A do LALUR, pois não ocorreu a reversão integral, pois este saldo, não utilizado ou utilizado parcialmente, não corresponde a uma recuperação de despesa. (fl. 414) 15. Logo, as diferenças de R$ 26.278,14, R$ 3.985.770,78 e R$ 6.445.442,00 não foram, nem poderiam ter sido excluídas em 2009, pois representam provisões não utilizadas. 16. O comentário da Fiscalização destinase apenas a se contrapor ao entendimento da Contribuinte segundo o qual os valores em questão seriam excluíveis, e que, em conjunto com a diferença da linha 35, totalizariam um montante não excluído de R$ 5.663.537,24, que deveria ser compensado com eventuais faltas de adição ou exclusões indevidas. 17. Da mesma forma, os valores de R$ 120.039,62, R$ 21.820.264,14, R$ 78.754,89 e R$ 15.944.105,52 não foram nem poderiam ter sido excluídos do lucro líquido em 2010, porque representam provisões não utilizadas. B.3 AUTUAÇÃO 18. Nos Autos de Infração, são apontadas as seguintes faltas de adição e exclusões indevidas (fls. 422/423): Conta Falta de adição em 2009 Exclusão indevida em 2009 Falta de adição em 2008 20500030 0,00 1.680.368,64 1.680.368,64 10400101 0,00 0,00 81.332.073,31 14400072 0,00 0,00 3.374.706,84 13200117 0,00 585.900,64 585.900,64 Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.029 7 1.058.523,44 0,00 0,00 0,00 222.282,27 222.282,27 13200120 38.220,10 0,00 0,00 Total 1.096.743,54 2.488.551,55 87.195.331,70 19. A motivação apresentada foi, em suma, a que segue: 19.1 Conta 20500030 (Item 2.2 do TVF) Provisão indedutível de R$ 1.680.368,64 não foi adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no exercício de sua constituição (anocalendário 2008), e foi excluída indevidamente no exercício seguinte, já que não utilizada. 19.2 Conta 10400101 (Item 2.3 do TVF) Os R$ 81.332.072,31, que a Contribuinte alega serem uma previsão, compõem os R$ 208.698.866,72 que foram excluídos em 2009, logo deviam ser adicionados em 2008: R$ 81.332.072,31 (falta de adição 2008) = R$ 208.698.866,72 (exclusão 2009) R$ 127.366.793,41 (adição 2008) 19.3 Conta 14400072 (Item 2.5 do TVF) A Contribuinte alega que os R$ 3.374.706,84 não foram lançados como provisão, mas como ajuste contábil, de modo que não caberia a adição em 2008. Entretanto, em 2009, aquele valor foi excluído do lucro real a título de reversão dos saldos das provisões não dedutíveis. Como foi excluído em 2009, deveria ter sido adicionado em 2008. R$ 3.374.706,84 (falta de adição em 2008) = R$ 60.782.264,27 (exclusão 2009) R$ 57.407.557,43 (adição 2008) 19.4 Conta 13200117 (Item 3.1 do TVF) A provisão indedutível de R$ 585.900,64 não foi adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no exercício de sua constituição (anocalendário 2008), e foi excluída indevidamente no exercício seguinte, já que não utilizada. 19.5 Conta 13200117 (Item 4.1 do TVF) A planilha da fl. 165 comprova que R$ 1.058.523,44 deixaram indevidamente de ser adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de sua constituição (2009). 19.6 Conta 13200120 (Item 3.2 do TVF) A provisão indedutível de R$ 222.282,27 não foi adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no exercício de sua constituição (anocalendário 2008), e foi excluída indevidamente no exercício seguinte, já que não utilizada. 19.7 Conta 13200120 (Item 4.2 do TVF) A planilha da fl. 165 comprova que R$ 38.220,10 deixaram indevidamente de ser adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de sua constituição (2009). 19.8 Contas Diversas (Item 4.3 do TVF) Os valores de R$ 120.039,62, R$ 21.820.264,14, R$ 78.754,89 e R$ 15.944.105,52 não foram nem poderiam ter sido excluídos do lucro líquido em 2010, porque representam provisões não utilizadas. 20. A Fiscalização ainda afirma que: 20.1 As normas dos CPC 30 só foram implementadas em 2010, logo não justificam os procedimentos contábeis de 2008 e 2009. (fl. 417) Fl. 2074DF CARF MF 8 20.2 a SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA efetuou operações indevidas de postergação e redução na base de cálculo de IRPJ e da CSLL, conforme preceitua o art. 273 do Regulamento do Imposto de Renda/99. (fl. 422) 20.3 Foi aplicada a multa administrativa qualificada de 150%, pois está configurado em tese o dolo específico previsto no art. 44, § 1° Lei n° 9.430/1996 (Redação dada pela Lei n°11. 488/2007) c/c o art. 72 da Lei n° 4.502/1964. (fl. 422) B.4 TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA (TSPS) 21. A motivação apresentada para atribuir responsabilidade a 5 (cinco) pessoas físicas foi a seguinte: 2 CONSTATAMOS que Vossa Senhoria era um dos dirigentes da empresa no ano calendário 2008 e 2009, portanto, época da ocorrência dos fatos apurados pela fiscalização, conforme consta no Estatuto Social e pesquisa no sistema da Junta Comercial do Estado de São Paulo. 3 Com isto, e tendo em vista o disposto nos artigos 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional CTN , fica Vossa Senhoria CIENTIFICADA da exigência tributária de que trata os Autos de Infração lavrados de IRPJ e CSLL, devidos contra o sujeito passivo supra referido, relativos ao período de apuração(01/01/2008 a 31/12/2009). (TSPS, fls. 445, 447, 449, 451 e 453) C 1ª IMPUGNAÇÃO, DA CONTRIBUINTE C.1 DO VÍCIO DE REPRESENTAÇÃO E SEU SANEAMENTO 22. A Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração em 27/05/2013 (fl. 443) e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 465/504, momento em que foi intimada a regularizar sua representação, conforme despacho transcrito abaixo: Contribuinte orientado sobre a procuração não conter prazo de validade limitado, conforme estabelece o § 3° da cláusula 7ª do ato constitutivo registrado da pessoa jurídica, e orientado a apresentar de imediato a ratificação expressa. Sujeito a indeferimento. (Cód. Civil, art. 46, item III, e art. 662). (fl. 465) 23. O referido parágrafo tem a seguinte redação: Parágrafo 3º As procurações outorgadas pela Sociedade serão assinadas por dois diretores em conjunto e, além de mencionarem expressamente os poderes conferidos, deverão, com exceção daquelas para fins judiciais, conter período de validade limitado. (fl. 537) 24. A procuração apresentada, fls. 515/516, não contém termo final de validade. 25. Em 27/06/2013, a Contribuinte apresentou a petição de folhas 1.321/1.322, alegando que: 3.1 Assim, muito embora a procuração em questão tenha sido utilizada em um processo administrativo, o instrumento de mandato foi outorgado com a cláusula "ad judicia et extra", ou seja, tanto para fins judiciais quanto outros, não se lhe aplicando, portanto, referida limitação. 4 Não obstante a inaplicabilidade da referida restrição, a Requerente, por razões de cautela e a fim de evitar quaisquer percalços no andamento do presente processo administrativo, apresenta anexo novo instrumento de mandato, ratificando todos os Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.030 9 atos anteriormente praticados, nos termos do artigo 662 do Código Civil. (Grifos no original) 26. O referido instrumento, de fls. 1.323/1.324, foi outorgado sem período de validade limitado. Um dos mandatários, Antonio Alexandre Cruz Felippe, substabeleceu (fls. 1.325/1.326) parte dos poderes que recebeu a Marcos de Carvalho, signatário da Impugnação, limitando a validade da outorga a 31/03/2014. 27. A Contribuinte argumenta que a primeira procuração apresentada não se sujeitaria à limitação estabelecida na cláusula 7, § 3°, do seu Contrato Social porque o instrumento de mandato foi outorgado com a cláusula "ad judicia et extra", ou seja, tanto para fins judiciais quanto outros. 28. Contudo, a referida cláusula 7 dispõe que as procurações outorgadas pela sociedade deverão conter um período de validade limitado, com exceção daquelas para fins judiciais. Ou seja, se o instrumento de mandato for outorgado para fins judiciais e nãojudiciais, deverá ter um período de validade limitado para fins nãojudiciais. Logo, como a procuração apresentada não contém período de validade limitado, não pode ser usada em processo administrativo. 29. Dessa forma, os autos foram encaminhados à Delegacia Especial de Fiscalização de Comércio Exterior e Indústria em São Paulo (DELEX), Divisão de Fiscalização, DIFIS Indústria – EFVI, a fim de que a Contribuinte fosse intimada a regularizar sua representação, sob pena de não conhecimento da Impugnação (despacho de fls. 1785/1786). 30. A Contribuinte regularizou sua representação apresentando a procuração de fls. 1856/1857, outorgada por dois de seus diretores, com validade até 30/04/2017. Um dos outorgados, Gustavo Duarte Paes, OAB/SP 206.756, é o signatário do documento de fls. 1828/1829, em que se ratificam todos os atos anteriormente praticados. C.2 DAS EXCLUSÕES INDEVIDAS E FALTAS DE ADIÇÃO 31. A Contribuinte alegou, em síntese, que: 19 Um exame do Termo de Constatação Fiscal que acompanha os autos de infração revela que contas contábeis relativas a efetivas provisões são tratadas da mesma forma que outras contas contábeis cujo objetivo é reconhecer e contabilizar ajustes decorrentes da adoção das normas internacionais do International Financial Reporting Standards ("IFRS"). (fl. 472) 31.1 As contas 2050030, 13200117 e 13200120 seriam de provisão, e as 10400101 e 1440072, de ajuste. 24 No tocante às contas cujo objetivo é a harmonização dos antigos critérios contábeis ao IFRS, devese destacar que foram efetuados lançamentos iniciais para o anocalendário de 2008 cuja contrapartida se deu em contas de patrimônio líquido, em observância ao que dispõe o item 3 do CPC 13. (fl. 474) 32. A Contribuinte passa a se manifestar sobre cada conta em que teria havido falta de adição ou exclusão indevida: Fl. 2076DF CARF MF 10 C.2.1 RUBRICA CONTÁBIL 10400101 RECONHECIMENTO DE RECEITAS E CUSTOS (AJUSTE DE CUSTO DE MERCADORIA VENDIDA IN CHANNEL) 28.1 A presente conta tem como objetivo registrar a ajuste no estoque, como redução do CMV, em decorrência dos ajustes efetuados por conta do estorno da receita contabilmente realizada como determina o CPC 30. (fl. 475) 33. Embora o CPC 30 só tenha sido aprovado em 7 de agosto de 2009, foi elaborado a partir do IAS 18 Revenue (IASB), que entrou em vigor em 01/01/1984. 33.4 (...) Logo, os procedimentos adotados pela Impugnante para o reconhecimento de suas receitas de venda para o anocalendário de 2008 e 2009 já seguiam a orientação contábil internacional, não sendo uma inovação ou um ajuste unilateralmente aplicado pela Impugnante como parece crer a D. Autoridade Fiscal. 34. A Contribuinte apresenta um Laudo (doc. 4, fls. 602/659, com anexos de fls. 660/1.136), em que consta o seguinte posicionamento sobre a natureza dos estornos: Notase que não se trata de provisão para devolução de vendas calculada com base em expectativa de retornos. O procedimento em questão visa, de fato, à adequação das receitas registradas nas demonstrações financeiras face ao benefício econômico que as mesmas resultaram para a entidade, conforme dispõem a norma internacional do IFRS (IAS 18) e do CPC 30. (...) Consequentemente, os lançamentos contábeis decorrentes do estorno de receita e custo de produtos vendidos a distribuidores mas ainda não comercializados devem ser considerados como ajustes decorrentes das novas normas contábeis e, portanto, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, seus efeitos devem ser neutralizados nos termos do art. 16 da Lei n° 11.941/09. 35. Conclui a Contribuinte que: 34 Assim, resta claro que os lançamentos efetuados na conta 10400101 não correspondem a uma provisão mas sim à ajustes de harmonização ao IFRS, razão pela qual a lógica adotada pela D. Autoridade Fiscal para comparar os valores de adição e exclusão não merece prosperar. 36. De forma simplificada, utilizandose valores hipotéticos, apresentase no Laudo um exemplo de como os estornos afetam a demonstração do resultado e não afetam a apuração do IRPJ e da CSLL: Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.031 11 Verificase, assim, que a Syngenta adota o procedimento de efetuar os lançamentos contábeis em dois grupos, quais sejam (i) estorno de receitas; e (ii) estorno dos custos correspondentes. (fl. 622) Apenas para fins elucidativos, a rubrica contábil 14000101 (Provisão p/ Dev. Vendas Estoque) com relação à qual a autoridade fiscal concluiu que a exclusão efetuada no ano calendário de 2009 deveria representar uma adição no ano calendário de 2008 corresponde, no exemplo dado acima, ao valor de $ 20,00. Notase que tal exclusão não configura uma provisão contábil mas sim a aplicação da neutralidade fiscal do RTT de um ajuste contábil efetuado com base nas novas normas contábeis brasileiras. (fls. 622/623) (...) Transcrevemos a seguir o quadro de adições e exclusões relativas à conta contábil 10400101 nos anos calendários de 2008, 2009 e 2010. Fl. 2078DF CARF MF 12 Constatamos que o procedimento adotado pela Syngenta para neutralizar o efeito do reconhecimento contábil do estorno de custos foi adequado e não resultou em redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos seguintes termos: Em 2008 a Syngenta (i) adicionou ao resultado tributável o valor correspondente à adoção inicial, no montante de R$ 127.366.793,41 (vide quadros 7 e 8 e Anexo III.1.1). Como explicado no tópico 4.1.2, tal valor foi contabilmente lançado diretamente a crédito em conta de patrimônio líquido. Não obstante, tendo em vista o procedimento adotado pela Syngenta de excluir da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL o saldo final do período de apuração, foi necessário adicionar o valor da adoção da Lei 11.638 nas apurações das referidas bases de cálculo para evitar exclusão indevida; e (ii) excluiu do resultado tributável o saldo final da conta, no valor de R$ 236.665.724,30. Tal exclusão em 2008 correspondeu a uma adição de mesmo montante em 2009, como se verifica no QUADRO 9 acima. Em 2009 a Syngenta (i) adicionou ao resultado tributável o valor de R$ 236.665.724,30, correspondente ao saldo final de 2008/saldo inicial de 2009 que havia sido excluído no ano anterior; e (ii) excluiu do resultado tributável o valor de R$ 208.698.886,72 (Anexo III.2.1), correspondente ao saldo final de 2009, posteriormente adicionado em 2010. (fls. 627/628) 37. Segundo a Contribuinte: 41 Resta evidente, portanto, o equivoco cometido pela D. Autoridade Fiscal na análise da conta contábil n° 10400101 (Ajuste de Custo de Mercadoria Vendida In Channel), não havendo que se falar na adição do valor de 81.332.073,31 na apuração do IRPJ e da CSLL para o anocalendário de 2008. Tratase, como amplamente demonstrado cima, de conta contábil utilizada para harmonização das demonstrações financeiras às normas contábeis internacionais cujo saldo excluído em determinado anocalendário é adicionado ao anocalendário seguinte. (fl. 484) C.2.2 RUBRICA CONTÁBIL 14400072 AVALIAÇÃO DE INSTRUMENTOS FINANCEIROS A VALOR JUSTO (HEDGE) (AJUSTE DE HEDGE) 38. Sobre a conta em epígrafe, a Contribuinte alega que: 43 (...) o lançamento contábil ora questionado, conforme constou no Termo de Verificação Fiscal, encontrase equivocado em relação ao número da conta contábil utilizada. 43.1 De fato, a D. Autoridade Fiscal apontou a conta 14400072 como sendo a conta contábil relativa ao controle do Hedge quando a operação em questão é contabilizada por meio das contas n°s 18800036 e 18800038 (Ajuste de Hedge). (...) 45 A presente conta contábil, assim como detalhado em relação ao item anterior, não é uma mera conta de provisão como entendeu a D. Autoridade Fiscal, mas sim uma conta utilizada para fins de harmonizar a contabilidade aos princípios e normas do IFRS. (fl. 485) 39. A Contribuinte transcreve trechos do Laudo, do qual extraímos o que segue (fls. 633 e segs.): Com base nas análises efetuadas e documentos disponibilizados, observase que a Syngenta tem como política interna efetuar a contratação de instrumentos financeiros com fins de proteção de seus ativos e passivos lastreados em moeda estrangeira contra riscos de perda financeiras frente às oscilações da taxa de Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.032 13 câmbio. Tais instrumentos financeiros são denominados pela Syngenta como "hedge". Para fins de registro contábil dessas operações, a Syngenta adota o procedimento de efetuar a avaliação do valor justo de seus instrumentos financeiros de hedge, sendo que as variações no valor desses instrumentos são registradas contabilmente para atender ao disposto na legislação contábil para harmonização das normas brasileiras ao padrão internacional do IFRS, especialmente no que tange ao disposto nos CPCs 14 e 38. Sob a ótica fiscal, os lançamentos contábeis decorrentes dos procedimentos descritos acima são neutralizados para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de forma que a Syngenta efetua uma adição do valor de perdas provisionadas e efetua uma exclusão do valor de ganhos registrados, com o objetivo de garantir a neutralidade fiscal (...). Nos períodos de apuração seguintes, o valor ajustado na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano calendário anterior é revertido, ou seja, o valor adicionado das perdas provisionadas é excluído e o valor excluído dos ganhos registrados é adicionado. Concomitantemente, apurase qual o valor de perdas provisionadas no ano e se efetua uma adição, bem como se apura o valor de ganhos e efetuase uma exclusão. Tal procedimento visa assegurar que a movimentação das rubricas contábeis destinadas ao registro dessas operações que transitou no resultado do período seja neutralizada para fins fiscais nos termos do Regime Tributário de Transição previsto no art. 16 da Lei n° 11.941/09, o qual fora abordado em maiores detalhes no tópico IV deste Laudo. (...) 4.2.2. Verificação dos lançamentos contábeis do hedge para atender as práticas contábeis vigentes A Syngenta adota o procedimento de registrar as variações no valor justo dos instrumentos financeiros de hedge em observância do disposto nos itens 57 e 58 do CPC 14 abaixo transcritos. Procedimento este também comumente denominado como "Marcação a Mercado (MTM)": "57. As operações com instrumentos financeiros derivativos destinadas a hedge nos termos deste Pronunciamento devem atender, cumulativamente, às seguintes condições: (...) 58. O nãoatendimento, a qualquer tempo, das exigências previstas no item [57] implica a aplicação e observância dos critérios previstos nos itens 17 e 18 deste Pronunciamento e na imediata transferência, para o resultado do período, no caso do hedge defluxo de caixa, dos valores acumulados na conta de patrimônio líquido (ajustes de avaliação patrimonial) decorrentes da operação de hedge (...)." (...) Assim, enquanto não realizadas as transações para as quais foram contratados os instrumentos de hedge, as marcações a mercado devem ser registradas em Fl. 2080DF CARF MF 14 contrapartida da rubrica de Ajustes de Avaliação Patrimonial (AAP) no Patrimônio Líquido da Syngenta. (...) Todavia, destacase o disposto no item 58 do CPC 14 que grifamos acima, no que tange ao tratamento contábil a ser dispensado aos valores acumulados na conta de AAP nos casos em que há descumprimento dos requisitos dos previstos no item 57 desse pronunciamento. Segundo esse dispositivo, nessa hipótese, os valores dessa conta deverão ser transferidos para o resultado do período. Sobre o assunto, como veremos adiante, constatamos que a Syngenta registra os resultados da marcação a mercado em contrapartida da conta de AAP. Porém, uma parcela de operações cujos requisitos não foram cumpridos é registrada diretamente em contas do resultado do período dentro das normas técnicas especificadas pelo CPC. Tendo esclarecido o procedimento contábil adotado pela Syngenta para fins de registro das operações de hedge, verificamos, por meio dos balancetes e razões contábeis, que os lançamentos são realizados da seguinte forma: Para facilitar a visualização desses lançamentos nas demonstrações financeiras, demonstramos, a seguir, tais registros em forma de razonetes contábeis considerando os valores hipotéticos abaixo: 1. Adoção Inicial da Lei 11.638 marcação a mercado 2007 R$ 200 2. Marcação a mercado Hedge R$ 100 3. Marcação a mercado Hedge accounting R$ 50 Fl. 2081DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.033 15 Por se tratarem de lançamentos contábeis de harmonização das normas contábeis brasileiras às normas internacionais, o efeito de tais contabilizações no resultado da empresa deverá ser neutralizado para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, nos termos do Regime Tributário de Transição RTT. Para atingir tal objetivo, a Syngenta efetua uma adição na apuração do IRPJ e da CSLL do valor de efeitos do hedge que afetam o resultado de forma devedora (despesa) e, da mesma forma, efetua uma exclusão dos efeitos credores que afetam o resultado (receita) de modo a manter a neutralidade fiscal. Com o objetivo de confirmar o procedimento de contabilização e seu reflexo fiscal acima descrito, elegemos a rubrica contábil 18800036 (a qual foi objeto do auto de infração) para demonstrar detalhadamente os lançamentos contábeis realizados para o cumprimento das normas contábeis de conversão para o IFRS. Os valores do QUADRO 12 abaixo foram extraídos dos razões contábeis do ano calendário de 2008 dessa conta. A íntegra dos razões contábeis consta nos Anexos V.1 (págs. 23, 4647 e 59) e V.2 (pág. 59) desse documento. [Os anexos V.1 e V.2 encontramse às fls. 947/1.041 e 1.042/1.136] Fl. 2082DF CARF MF 16 (...) Porém, os lançamentos realizados em contrapartida do resultado do período de apuração, nas contas 43660049 e 43590026, as quais registram perdas e ganhos de hedge no MTM, nos valores de R$ 2.946.682,45 e R$ 32.667.206,77, respectivamente, totalizaram em resultado positivo líquido de R$ 29.720.524,32. (...) Assim, resumidamente, a movimentação da rubrica contábil 18800036 consistiu no lançamento de adoção inicial da Lei n° 11.638/07 e nos registros de operações do ano calendário de 2008 em contrapartida do resultado do período e/ou na conta do patrimônio líquido de AAP, conforme demonstrado abaixo: 4.2.3. Verificação da neutralidade fiscal dos lançamentos contábeis de MTM de operações de hedge Conforme descrito no tópico III desse laudo, para neutralizar os impactos fiscais decorrentes dos lançamentos contábeis do CPC 14 e 38 (equivalente ao IAS 39 e IAS 32 do IFRS), a Syngenta utilizou metodologia que consiste, na prática, em computar, fiscalmente, por meio de adição, no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), parte "A", o saldo integral das contas de ativo existente ao final do período de apuração, excluindo, por outro lado, o valor que havia sido adicionado na competência anterior. (...) (...) como notaremos a partir da análise do QUADRO 14 abaixo, cujos valores foram extraídos das apurações do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL de 2008, a Syngenta efetuou adequadamente a neutralização dos lançamentos contábeis realizados nesse período de apuração. Fl. 2083DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.034 17 Ao adicionar e excluir referidos montantes, foi apurada redução das bases de cálculo no valor líquido (Adição menos Exclusão) de R$ 29.720.524,28 (Anexo III.1.1) correspondente à neutralização fiscal do impacto positivo no resultado do período de apuração conforme demonstrado no QUADRO 13 do tópico 4.2.2, causado pelos lançamentos contábeis que visam à harmonização das regras brasileiras ao padrão internacional de contabilidade do IFRS no que atine a avaliação a valor justo de instrumentos financeiros de que trata o CPC 14. 40. A Contribuinte conclui que: 47 Como se verifica do Laudo KPMG o resultado positivo de marcação a mercado (MTM) de Hedge obtidos pela Impugnante em decorrência da adoção para o ano calendário de 2008 do IFRS resultaram em um montante de R$29.720.524,28 (conforme Quadro 12 acima). 47.1 Esse valor, no entanto, em decorrência da neutralidade fiscal que deve ser observada por força da adoção de tais normas contábeis, foi excluído da apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL por meio dos lançamentos de adição e exclusão no Lalur como detalhado no Quadro 14 acima. 47.2 Logo, temse que o efeito fiscal dos lançamentos de hedge na conta contábil sob comento não impactaram na apuração do lucro tributável da Impugnante. (fls. 487/488) C.2.3 RUBRICA CONTÁBIL 20500030 PROVISÃO CTAS A REC. EXZEN IN003 CISATRAD (FUNRURAL CISA TRADING) 51 (...) devese destacar que não procede a alegação constante do Termo de Verificação Fiscal de que o montante de R$1.680.368,64 foi indevidamente excluído no anocalendário de 2009 por não ter sido adicionado no anocalendário de 2008. 51.1 De fato, ao examinar o LALUR de 2008 verificase a existência de uma adição no valor de R$1.680.368,64 na conta "Ajuste de Provisão Perda Contas Correntes Receb. Terceiros de Setembro de 2008". 51.2 Dessa forma, não há como se determinar que a Impugnante adicione novamente o mesmo valor à apuração do seu lucro tributável sob pena de tributação em duplicidade do mesmo valor. (fl. 489) 41. No Laudo, procurase demonstrar que os lançamentos efetuados na conta em epígrafe e na de n° 13200112, se considerados em conjunto, não afetaram o lucro real nem a base de cálculo da CSLL (fls. 644/647). Fl. 2084DF CARF MF 18 C.2.4 RUBRICAS CONTÁBEIS 13200117 (VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANTAMENTOS) E 13200120 (VARIAÇÃO CAMBIAL NOTAS DE CRÉDITO) VARIAÇÃO CAMBIAL 61 No tocante à contabilização, conforme se verifica do Laudo KPMG, com exceção dos registros iniciais (saldos iniciais de abertura que, como explicado no item 24 acima são lançados contra contas de patrimônio líquido), todos os demais lançamentos contábeis foram realizados em contrapartida do resultado do período, como se verifica dos quadros 19 e 20 do referido laudo. 61.1 Ressaltese que os lançamentos iniciais (saldos de harmonização), nos valores de R$ 18.922,00 e R$ 416.731,00, foram efetuados em contrapartida da conta de patrimônio líquido 37400070, conforme se constata do item 4.4.1 do Laudo KPMG. 62 Assim, a fim de garantir a neutralidade dos registros contábeis efetuado por meio das contas ora analisadas a Impugnante procedeu aos respectivos ajustes por meio de adições e exclusões no Lalur. (fl. 493) 42. Do Laudo consta ainda que: Como demonstrado nessas rubricas contábeis (Anexo V.1 págs 2535, 3441, 8889, 9094 e Anexo V.2 págs. 6975, 7778, 82, 84, 8889, 9094), observase que, com exceção dos registros efetuados para o saldo inicial de harmonização de práticas contábeis, os lançamentos foram realizados em contrapartida do resultado do período de apuração, conforme exemplificamos no Anexo V.2 (págs. 6975, 7778, 82, 84, 8889, 9094), os quais foram anulados fiscalmente por meio de adições e exclusões na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL dos anos calendários de 2008 e 2009. (...) Com a finalidade de garantir que qualquer impacto em resultado fosse anulado fiscalmente, a Syngenta efetuou ajuste à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL das contas #13200120 e #13200117. O procedimento adotado foi o de efetuar ajustes (adições e exclusões) pelos saldos patrimoniais destas contas contábeis. Porém, conforme demonstrado no QUADRO 21 a seguir, o valor líquido entre adições e exclusões efetuadas pela Syngenta na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL corresponde, exatamente, ao valor que transitou pelas contas de resultado no período nos anos calendários de 2008 e 2009 que foram objeto do auto de infração. Como pode ser constatado no quadro acima, os valores registrados nas contas #13200120 e #13200117 foram anulados fiscalmente através da adição de seus saldos na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL (Anexo III.1.1). Fl. 2085DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.035 19 O referido procedimento foi também adotado para o ano calendário de 2009, conforme demonstrado no quadro a seguir: Notase que as movimentações contábeis nessas rubricas que afetaram diretamente o resultado do anocalendário de 2009 conforme demonstrado nos quadros 19 e 20 desse laudo foram anuladas fiscalmente por meio de adições/exclusões dos saldos do ano anterior e do ano corrente (Anexo III.2.1). (fls. 655/657) C.3 INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA (§§ 68/78 DA IMPUGNAÇÃO) 43. Em momento algum foi tipificada a conduta da Contribuinte passível de aplicação da multa qualificada. O TVF menciona apenas a existência de dolo específico que, na opinião da Fiscalização, configuraria "em tese" a conduta passível de qualificação da multa. 44. Há que se ter em mente que no presente caso discutese apenas a classificação contábil e os efeitos dos registros contábeis efetuados pela Contribuinte nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 45. Ressaltese que os procedimentos contábeis e fiscais da Contribuinte foram auditados por renomadas empresas de auditoria, tendo sido confirmado a regularidade dos registros. 46. Em casos inclusive mais graves que o presente, em que se constata omissão deliberada de receita, o CARF entende que não se aplica a multa qualificada (Súmula CARF n° 14). C.4 ERROS NA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO FALTA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO DO PRÓPRIO PERÍODO DE APURAÇÃO (§§ 79/82) 47. A Fiscalização deixou de considerar a compensação dos prejuízos do período (linha 72 da Ficha 09A da DIPJ/2009), no montante de R$ 2.317.351,48. ERROS NA BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO POSTERGAÇÃO 86. Caso o contribuinte venha a apurar lucro e recolher tributo em exercício posterior, e antes da ação fiscal, resta clara a existência da postergação, na medida em que existe um recolhimento, ainda que a posteriori, de valores que seriam devidos em datas passadas. Fl. 2086DF CARF MF 20 86.1 Nessa situação não é correta a exigência do tributo no período de competência, quando a empresa já procedeu ao seu recolhimento em períodos seguintes. 86.2 No caso dos autos, verificase claramente que a Impugnante apurou tributo devido para os anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. Portanto, no presente caso, ocorreu mera postergação do tributo lançado no auto de infração, na medida em que o tributo que deixou de ser pago no anocalendário de 2008 e 2009, foi pago pela Impugnante nos anoscalendário subsequentes. (fl. 500) C.5 INAPLICABILIDADE DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO (§§ 88/93) 48. De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre apenas da obrigação principal e, nos termos do art. 113, § 1°, do CTN, esta surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo. A penalidade pecuniária não faz parte da obrigação principal, pois é decorrente de uma sanção pelo não pagamento do tributo. 49. Consoante o art 161 do CTN, o crédito não pago no vencimento pode sofrer acréscimos de juros de mora, que são cumuláveis com as penalidades pecuniárias. 50. A jurisprudência do CARF já se firmou no sentido de que não incidem juros de mora sobre multa de ofício, uma vez que o art. 61 da Lei 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. C.6 DILIGÊNCIA (§ 98) 51. Caso este órgão julgador entenda necessário, poderá determinar a realização de diligências, razão pela qual apresenta desde já seus quesitos e nomeia assistente técnico. D 2ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL JORGE BUZZETO 52. Jorge Buzzeto tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 27/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.137/1.145, alegando, em síntese, o que segue: 52.1 No TSPS não se faz qualquer referência à razão pela qual lhe foi imputada a responsabilidade solidária (§ 8). 52.2 Consoante a Portaria RFB 2.284/2010, sempre que houver pluralidade de sujeitos passivos, caberá à Fiscalização reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis (§ 11). 52.3 A mera indicação de dispositivos legais, in casu, os arts. 124, 134 e 135 do CTN, não satisfaz a exigência de demonstrar a perfeita adequação do fato à infração prevista em lei (§§ 14/15). 52.4 Não foi demonstrado o interesse comum do Impugnante na situação que constitui o fato gerador, nem indicado o dispositivo legal que prevê a sua solidariedade (hipóteses do art. 124 do CTN). O art. 134 do CTN não prevê a responsabilização dos dirigentes de pessoas jurídicas. O art. 135 também não se aplica porque não restou configurada a prática de qualquer infração por parte do Impugnante, inexistindo, dessa forma, dolo ou culpa que justifiquem sua responsabilização (§§ 18/21). Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.036 21 52.5 O STJ entende que o mero inadimplemento fiscal não caracteriza infração à lei apta a deflagrar a responsabilização dos dirigentes da pessoa jurídica (REsp 1.339.565). 52.6 O TSPS é nulo porque não foi instruído com provas da ocorrência de qualquer das situações previstas nos dispositivos legais que menciona (§ 24). 52.7 O lançamento em questão não merece prosperar, como demonstrado pela Syngenta em suas razões de impugnação. Para evitar maiores delongas, o Impugnante faz referência à citada Impugnação, bem como às provas que a embasaram, em especial o Laudo Técnico da KPMG (§§ 26/27). 52.8 Pelos motivos que apresentou, pede o cancelamento do TSPS e, subsidiariamente, o cancelamento do lançamento, pelas razões constantes na Impugnação da Contribuinte. E 3ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL DANIEL BACHNER 53. Daniel Bachner tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 27/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.173/1.181, com as mesmas alegações e pedidos da Impugnação de Jorge Buzzeto, já relatada. F 4ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL LAÉRCIO VALENTIN GIAMPANI 54. Laércio Valentin Giampani tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 27/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.210/1.218, com as mesmas alegações e pedidos da Impugnação de Jorge Buzzeto, já relatada. G 5ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL WAGNER LOURENÇO REINAS 55. Wagner Lourenço Reinas tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 28/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.246/1.254, com as mesmas alegações e pedidos da Impugnação de Jorge Buzzeto, já relatada. H 6ª IMPUGNAÇÃO, DO RESPONSÁVEL ANTONIO CARLOS MOTTA GUIMARÃES 56. Antonio Carlos Motta Guimarães tomou ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária (TSPS, fls. 445/454) em 27/05/2013 (fls. 455/459), e, em 26/06/2013, interpôs a Impugnação de fls. 1.285/1.293, com as mesmas alegações e pedidos da Impugnação de Jorge Buzzeto, já relatada. I DILIGÊNCIAS 57. Para esclarecer obscuridades diversas, o julgamento foi convertido em diligência, por meio da Resolução 12.000.375, de 06/06/2014, fls. 1385/1410. Além disso, foi solicitado à Fiscalização que auditasse a documentação apresentada pela Contribuinte a fim de verificar (i) se as metodologias contábeis adotadas cumpriam a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração das bases de cálculo dos tributos; em caso positivo, (ii) se aquelas metodologias foram corretamente aplicadas; e (iii) se houve postergação. Fl. 2088DF CARF MF 22 58. Intimada, a Contribuinte ofereceu a Resposta de fls. 1420/1434, acompanhada de Laudo Complementar (fls. 1435/1467) e 34 anexos (fls. 1468/1673). Às fls. 1771/1772, a Fiscalização apresentou Informação Fiscal, de 10/02/2015, com o resultado da diligência. 59. Na Manifestação de fls. 1782/1783, datada de 09/03/2015, a Contribuinte demonstra ter tomado ciência pelo sistema ECAC do teor da Informação Fiscal, e requereu o acolhimento da Impugnação anteriormente interposta. 60. Pelo Despacho de fls. 1785/1786, a Presidência dessa 9ª Turma de Julgamento devolveu os autos do processo à autoridade preparadora a fim de que a Contribuinte fosse intimada a regularizar a sua representação. 61. A Intimação encontrase à fl. 1795, e as Respostas da Contribuinte, às fls. 1797/1799 e 1825/1826. Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento deu provimento integral aos recursos voluntários dos responsáveis para afastar a sujeição passiva de todos e parcial ao recurso voluntário (fls. 18801927), nos termos que se seguem. Exclusões indevidas Com relação à autuação de exclusões indevidas, a DRJ, com base no manual de "perguntas e respostas da pessoa jurídica", afastou a imposição tributária com os seguintes fundamentos: 66. Nos casos em que a Fiscalização constatou, com base na Planilha, que a exclusão 2009 superou a adição 2008, a diferença foi tratada tanto como falta de adição em 2008 quanto como exclusão indevida em 2009, conforme tabela abaixo: Conta Adição 2008 (1) Exclusão 2009 (2) Falta de adição 2008 Exclusão indevida 2009 (2) (1) 20500030 0,00 1.680.368,64 1.680.368,64 13200117 10.062.670,91 10.648.571,55 585.900,64 13200120 18.922,00 241.204,27 222.282,27 67. De pronto, devese destacar que a diferença só poderia ser tratada como falta de adição ou como exclusão indevida, mas nunca como duas infrações independentes, pois se fosse corrigida a falta de adição não haveria exclusão indevida, e viceversa. 68. Contudo, a Fiscalização entendeu que as infrações seriam autônomas porque a falta de adição decorreria da exclusão efetuada no ano seguinte, ou seja, se houve exclusão, devia ter havido a prévia adição. Já as exclusões indevidas, foram assim consideradas por se tratarem de saldos não utilizados de provisões, Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.037 23 conforme justificativas apresentadas nos itens 2.2, 3.1 e 3.2 do TVF. No entanto, como vimos, o fato de o saldo não ter sido utilizado não afasta a possibilidade de exclusão da respectiva reversão, logo é improcedente a parte do lançamento que decorre das glosas de exclusões. Sobre as faltas de adição, trataremos na seção seguinte. Não adições A DRJ analisou, para cada item de provisão, a alegação da defesa de que adotou métodos de registro equivalentes ao de adicionar as despesas indedutíveis do período. Assim, analisou tais métodos diante da prova apresentada para cada um dos itens de provisão. Com relação aos itens de autuação (i) "CONTA 20500030 DESCRIÇÃO 023.044 PROVISÃO CTAS A REC EXZEN IN003CISATRAD FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 1.680.368,64 EM 2008", (ii) "CONTA 10400101 DESCRIÇÃO 023.069 PROVISÃO P/ DEV. VENDAS FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 81.332.073,31 EM 2008", (iii) "CONTA 14400072 (18800036/38) DESCRIÇÃO 050.002 PROVISÃO P/ MTM HEDGE ATIVO FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 3.374.706,84 EM 2008", (iv) "CONTA 13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 585.900,64 EM 2008", e (v) "CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 222.282,27 EM 2008", julgou procedente a impugnação, conforme apresentaremos com mais minúcias no voto, e da sua decisão recorreu de ofício. Já em relação a estas duas últimas contas, ou seja, "CONTA 13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE" e "CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC", julgou improcedente a impugnação para as faltas de adição relativas ao anos de 2009, sob o fundamento de que o contribuinte não comprovou suas alegações. Também em relação ao argumento de postergação, negou provimento a impugnação uma vez que, no curso da diligência fiscal, a própria defesa aduziu que se tratou de um simples argumento adicional de defesa, sem demonstrar a sua efetiva ocorrência. De igual sorte, manteve a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Por fim, desqualificou a multa por considerar que a autoridade lançadora não motivou a imposição da penalidade majorada com base em fatos específicos capazes de se subsumirem à definição legal. Por razões, similares também afastou a imposição das responsabilidades tributárias, uma vez que a autoridade apenas aduziu que as pessoas físicas trazidas ao pólo passivo da relação tributária eram diretores da pessoa jurídica. Recorreu de ofício da desqualificação da multa e da exoneração de responsabilidade das pessoas físicas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Apesar de todos cientificados, só a pessoa jurídica apresentou recurso voluntário, às fls. 1.987 a 2.002. Na peça, reafirma as razões da decisão quanto à matéria sujeita ao recurso de ofício e aduz as seguintes considerações em relação à falta de adição de Fl. 2090DF CARF MF 24 valores para o anocalendário de 2009, relativamente às contas "13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE" e "CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC", conforme abaixo se segue. Em síntese, reitera os procedimentos contábeis que adotou e assevera que provavelmente a DRJ se equivocou na análise dos documentos apresentados, que correspondem ao livro razão e a laudo contábil. Em relação a esse último documento, aduz que a DRJ deve ter se equivocado ao considerar o laudo complementar e não o laudo original, em que constam todas as explicações acerca dos procedimentos adotados. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Do recurso de ofício Exclusões indevidas Conforme vimos no relatório, a DRJ afastou a autuação quanto a esse item com base nas seguintes razões esteadas nas orientações formuladas no manual de "perguntas e respostas": 66. Nos casos em que a Fiscalização constatou, com base na Planilha, que a exclusão 2009 superou a adição 2008, a diferença foi tratada tanto como falta de adição em 2008 quanto como exclusão indevida em 2009, conforme tabela abaixo: Conta Adição 2008 (1) Exclusão 2009 (2) Falta de adição 2008 Exclusão indevida 2009 (2) (1) 20500030 0,00 1.680.368,64 1.680.368,64 13200117 10.062.670,91 10.648.571,55 585.900,64 13200120 18.922,00 241.204,27 222.282,27 67. De pronto, devese destacar que a diferença só poderia ser tratada como falta de adição ou como exclusão indevida, mas nunca como duas infrações independentes, pois se fosse corrigida a falta de adição não haveria exclusão indevida, e viceversa. 68. Contudo, a Fiscalização entendeu que as infrações seriam autônomas porque a falta de adição decorreria da exclusão efetuada no ano seguinte, ou seja, se houve exclusão, devia ter havido a prévia adição. Já as exclusões indevidas, foram assim consideradas por se tratarem de saldos não utilizados de provisões, conforme justificativas apresentadas nos itens 2.2, 3.1 e 3.2 do TVF. No entanto, como vimos, o fato de o saldo não ter sido utilizado não afasta a possibilidade de Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.038 25 exclusão da respectiva reversão, logo é improcedente a parte do lançamento que decorre das glosas de exclusões. Sobre as faltas de adição, trataremos na seção seguinte. De fato, se a provisão é indedutível, todos os efeitos do seu registro em contrapartida do resultado do exercício devem ser anulados. A sua constituição (e aumento) tem como contrapartida um registro de despesa que reduz o lucro comercial, logo impõe a adição equivalente para fins de apuração do lucro real. Por outro lado, a sua reversão tem como contrapartida um registro de receita e, assim, autoriza ao contribuinte excluir o valor para fins de determinação do lucro real. Não há, pois, reparos a fazer no procedimento adotado pelo sujeito passivo quanto a esse item. A decisão recorrida que afastou a autuação deve ser mantida pelos seus próprios e corretos fundamentos. Não adições Conforme expomos no relatório, a DRJ analisou cada item de provisão para verificar se o contribuinte promoveu corretamente as adições das despesas indedutíveis. Passamos a analisar especificamente cada um desses itens. CONTA 20500030 DESCRIÇÃO 023.044 PROVISÃO CTAS A REC EXZEN IN003CISATRAD FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 1.680.368,64 EM 2008 A DRJ afastou a autuação relativamente a este item com base nas seguintes razões: 77. Com base na Planilha, linha 20, a Fiscalização considerou que houve falta de adição de R$ 1.680.368,64 em 2008, correspondente à exclusão 2009 menos a adição 2008. A Contribuinte, ao encaminhar a referida Planilha, alegou que a conta em epígrafe deveria ser analisada em conjunto com a de n° 13200112 (linha 38 da Planilha), pois, assim procedendo, a Fiscalização constataria que os totais das exclusões e adições referentes às duas contas eram iguais a R$ 1.687.868,01. 78. Nos itens 2 e 2.2 do TVF, a Fiscalização afirma que a provisão indedutível de R$ 1.680.368,64 deveria ter sido adicionada ao lucro líquido, mas não o foi, conforme resposta ao TIF n° 05/2012 (Doc. 01, fls. 99/100). Contudo, analisando a resposta da Contribuinte, o que se verifica é que na conta n° 13200112, linha 38, houve uma exclusão de R$ 7.499,36 e uma adição de R$ 1.687.868,01; e que, se somarmos esses valores à exclusão de R$ 1.680.368,64 registrada na conta 20500030, linha 20, o resultado é uma exclusão de 1.687.868,00 e uma adição de R$ 1.687.868,01. 79. A Fiscalização considerou que o método M1, além de válido, foi aplicado corretamente, pois não questionou os ajustes feitos em contas cujas exclusões de um ano eram iguais às adições do ano anterior, segundo informações contidas na Planilha. Vale dizer, a Fiscalização entendeu que só havia infração nos casos em que as exclusões registradas na referida Planilha não coincidiam com as adições anteriores. Logo, de acordo com esse mesmo critério, não há fundamento para afirmar que a Contribuinte deixou de adicionar R$ 1.680.368,64 em 2008, pois a tabela em foco indica apenas que houve a adição do valor correto por meio de conta diversa da que registrou a sua exclusão. Como o efeito de adicionar "X" Fl. 2092DF CARF MF 26 pela conta "Y" é igual ao de adicionar "X" pela conta "Z", o lançamento é, na parte sob análise, improcedente. A planilha a que a DRJ se refere e que a autoridade utilizou para embasar a autuação é a que consta da fl. 99100. Nela é claramente aferível o que a DRJ esclareceu com rigor na sua decisão, ou seja, que a contabilização da mesma provisão foi realizada por meio de duas contas diversas, o que levou a autoridade fiscal a erro. Abaixo, reproduzo duas linhas pertinentes ao caso: Notase que o último valor da linha 28 (resultado da diferença entre os dos primeiros valores) corresponde, com a diferença de um único centavo, ao valor da linha 20. Seria uma coincidência irrealizável na prática que tais itens, a despeito das descrições não guardarem uma correlação perfeitamente identificável, correspondesse a provisões distintas. Nego, assim, provimento ao recurso de ofício quanto a esse item para manter a decisão de primeiro grau pelos seus próprios fundamentos. CONTA 10400101 DESCRIÇÃO 023.069 PROVISÃO P/ DEV. VENDAS FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 81.332.073,31 EM 2008 Após uma longa análise acerca dos critérios adotados pela autoridade fiscal para promover o lançamento com base nas informações prestadas pela autuada, sobretudo por meio das planilhas de fls. 66 e 99100, a DRJ aduziu as seguintes razões: 88. Especificamente sobre a conta 10400101, foi dito que: possui natureza devedora, pois representa, em realidade, uma previsão de acréscimo patrimonial decorrente da devolução de vendas, com contrapartida no resultado (crédito) que, por não representar um acréscimo patrimonial efetivo (tratase apenas de previsão), é excluído pela Requerente de sua apuração fiscal. (fl. 92) 89. A previsão é registrada por meio de lançamento a débito da conta Estoque e a crédito de Custo de Mercadoria Vendida (CMV, lançamento 3, fl. 87). Apenas para esclarecer a sistemática adotada para esta conta contábil, haja vista sua natureza peculiar, a Requerente, diferentemente do procedimento adotado para provisões efetivas, exclui de sua apuração ao final do ano o saldo da conta 104001001 (pois se trata de um mero ajuste contábil, sem acréscimo patrimonial efetivo) a adiciona o saldo existente dessa mesma conta contábil no final do ano anterior (valores que haviam sido excluídos na apuração fiscal do ano anterior). 90. Ou seja, a Contribuinte alega que, adotando uma segunda metodologia (M2), faz uma estimativa de recuperação de custos, que é registrada com um lançamento a débito de estoque e crédito de CMV. Como não se trata de uma recuperação efetiva, o crédito poderia ser excluído na apuração do lucro real, mas, em vez Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.039 27 disso, é feita a exclusão do saldo final e a adição do saldo existente na mesma conta no final do período anterior. 91. M2 guarda semelhança com M1, sendo que em decorrência da contabilização das provisões surge uma despesa indedutível, que deve ser adicionada ao lucro líquido, enquanto na previsão existe uma recuperação de custos não tributável, que pode ser excluída. Assim, adaptando os razonetes que usamos com as provisões temos: (...) 92. Consequentemente o efeito de excluir (subtrair) as recuperações de custos é igual ao de excluir o saldo final do período e adicionar o saldo final do período anterior. Se este saldo tiver sido excluído no período anterior, o efeito de excluir as recuperações de custos é igual ao de excluir o saldo final e adicionar o saldo excluído no período anterior. Portanto, para este tipo de conta e de acordo com a metodologia M2, esperase que o saldo adicionado num período seja igual ao excluído no período anterior. Assim, segundo a Contribuinte, não se poderia afirmar que houve falta de adição de R$ 81.332.073,31 em 2008 porque não haveria igualdade entre a exclusão 2009 e a adição 2008. 93. De fato, para contas em que se adota M2, não se espera que a exclusão 2009 seja igual à adição 2008, mas que a adição 2009 seja igual à exclusão 2008. Além disso, observando M2, o efeito de excluir o saldo final e adicionar o saldo excluído no período anterior equivale ao de excluir as recuperações de custos. 94. Sendo assim, o julgamento foi convertido em diligência para que a Contribuinte comprovasse: (i) de quanto foi a recuperação de custos lançada a débito da conta 10400101 e a crédito do resultado em 2008; e (ii) que as adições e exclusões efetivamente realizadas na apuração das bases de cálculo dos tributos produziram efeito equivalente ao de excluir, no máximo, a recuperação de custos comprovada em (i). 95. A Contribuinte apresentou a Resposta de fls. 1420/1432 acompanhada do Laudo Complementar de fls. 1435/1467 e dos Anexos I a XXXIV de fls. 1468/1673. Para a conta 10400101, foi apresentado o quadro abaixo, segundo o qual foram lançados R$ 109.298.930,89 (=R$ 236.665.724,30 R$ 127.366.793,41) a débito da conta em questão e a crédito de contas de resultado. Fl. 2094DF CARF MF 28 96. A Contribuinte informou que, para comprovar os lançamentos contábeis detalhados acima, foram anexados ao Laudo Complementar o resumo das informações constantes do SPED (Anexos mencionados no quadro). O ajuste nas bases de cálculo dos tributos teria sido feito no LALUR por meio de uma exclusão de R$ 236.665.724,30 (fl. 546) e de uma adição de R$ 127.366.793,41 (fl. 544), que equivalem exatamente à exclusão dos R$ 109.298.930,89 lançados a crédito e contas de resultado. 97. Em atenção aos questionamentos contidos no item 62.2 da Resolução 12.000.375 e após análise da documentação apresentada, a Fiscalização concluiu: (i) que a metodologia adotada pela Contribuinte cumpre a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração do IRPJ e da CSLL dos anos calendário 2008 e 2009; e (ii) que a referida metodologia foi corretamente aplicada (Informação Fiscal de fls. 1771/1772). 98. Sendo assim, devese exonerar a Contribuinte da parte do lançamento que se refere à conta 10400101. Conforme acima explicado, esse item de autuação foi diligenciado e o seu resultado, confeccionado pela própria autoridade diligenciante, foi integralmente favorável ao contribuinte. Desse modo, também nego provimento ao recurso de ofício quanto a esse item para manter a decisão de primeiro grau pelos seus próprios fundamentos. CONTA 14400072 (18800036/38) DESCRIÇÃO 050.002 PROVISÃO P/ MTM HEDGE ATIVO FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 3.374.706,84 EM 2008 A DRJ afastou a autuação relativamente a este item com base nas seguintes razões: 99. Segundo consta da Impugnação, a parcela sob análise referese às contas contábeis 18800036 e 18800038, o não à conta 14400072, como informado pela Fiscalização (fl. 485, § 43.1). 100. O equívoco de fato ocorreu, mas, ao contrário do que afirma a Contribuinte, não foi causado pela Fiscalização, mas por ela mesma, quando, numa de suas respostas à Fiscalização (fl. 93), fez referência à "Conta 14400072 (Descrição 050.002)". Observando a Planilha, linha 54, notamos que a descrição da conta 14400072 não é 050.002, mas "023.093 Provisão de Risco 14400072". Nessa mesma planilha, é possível perceber que a Contribuinte insere o n° da conta no final de sua descrição, de tal forma que a diferença de R$ 3.374.706,84, linha 57, referese às contas 18800036/38. 101. Assim, para evitar qualquer equívoco, fica esclarecido que estamos tratando da diferença de R$ 3.374.706,84, observada pela Fiscalização na linha 57 da Planilha, para a conta cuja descrição é "050.002 Provisão p/ MTM Hedge Ativo 18800036/38". 102. A Contribuinte incluiu a conta em questão no rol das exceções à metodologia M1 (fl. 93) e informou à Fiscalização que a diferença de R$ 3.374.706,84 se trata de um ajuste contábil de mesma natureza daquele já explicado no item "c" acima. O referido item "c" diz respeito à conta 10400101, já analisada neste voto. 103. Por considerar insuficiente a explicação, a Fiscalização tratou a "Provisão p/ MTM Hedge Ativo" como se fosse uma provisão indedutível, ou seja, entendeu que Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.040 29 a adição 2008 deveria ser igual à exclusão 2009, conforme a regra de contabilização adotada pela Contribuinte (M1). Verificando, porém, que não existia a igualdade, concluiu que houve falta de adição. 104. Para entender o novo método de contabilização que a Contribuinte afirma adotar para a conta em questão, utilizamos os razonetes abaixo, que se baseiam nas explicações encontradas no Laudo (fl. 638): (...) 105. Sendo assim, ao contrário do que ocorre com as contas que seguem a metodologia M1, a exclusão de A3 e a adição de A4, ou a exclusão de A3 A4, não pode ser feita pela exclusão de Sf(X) Sf(X1), pois este valor não é igual à diferença entre aqueles somatórios. A metodologia contábil adotada para esta conta (M3) consistiria em excluir A3 e adicionar A4 na apuração do lucro real. Essa conclusão está de acordo com o Laudo, segundo o qual o ajuste no lucro líquido para essas contas não é feito por adição ou exclusão de saldos, mas por adição de perdas e exclusão de ganhos: Sob a ótica fiscal, os lançamentos contábeis decorrentes dos procedimentos descritos acima são neutralizados para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de forma que a Syngenta efetua uma adição do valor de perdas provisionadas e efetua uma exclusão do valor de ganhos registrados, com o objetivo de garantir a neutralidade fiscal (...). (Laudo, fls. 633/634) 106. Consta ainda do Laudo que: Com o objetivo de confirmar o procedimento de contabilização e seu reflexo fiscal acima descrito, elegemos a rubrica contábil 18800036 (a qual foi objeto do auto de infração) para demonstrar detalhadamente os lançamentos contábeis realizados para cumprimento das normas contábeis de conversão para o IFRS. (fls. 636/638) 107. Embora a própria Contribuinte informe que as operações de hedge envolvem as contas 18800036 e 18800038, o movimento efetivamente ocorrido nesta última não foi tratado na Impugnação nem no Laudo. 108. Sendo assim, como não se tratou da conta 18800038, e por serem insuficientes as comprovações apresentadas, a Contribuinte foi intimada, na diligência anteriormente mencionada, a comprovar (i) quanto foi lançado a crédito e a débito da conta 14400072 em contrapartida a contas de resultado para 2008, ou seja, quanto valem A3 e A4; e (ii) que adicionou ao lucro líquido, no mínimo, A4 A3 caso A4 seja maior que A3, ou que excluiu, no máximo, A3 A4 caso A4 seja maior que A3. 109. Em sua resposta, a Contribuinte explicou inicialmente que a conta 18800038 não teve movimentação em 2008 e, sobre a conta 18800036, informou que A3 equivale a R$ 35.825.487,34, e A4, a R$ 6.104.963,02 (R$ 2.946.682,45 + R$ 3.158.280,57), conforme quadro da fl. 1425, abaixo reproduzido: Fl. 2096DF CARF MF 30 110. A Contribuinte informou que, para comprovar os lançamentos contábeis detalhados acima, foram anexados ao Laudo Complementar o resumo das informações constantes do SPED (Anexos mencionados no quadro). 111. Como A4 é menor que A3, a Contribuinte poderia excluir do lucro líquido, no máximo, R$ 29.720.524,32 (=R$ 35.825.487,34 R$ 6.104.963,02). O efetivo ajuste no lucro líquido teria sido feito por meio de uma exclusão de R$ 87.128.081,71 e uma adição de R$ 57.407.557,43, que equivalem a uma exclusão de R$ 29.720.524,28, ou seja, R$ 0,04 a menos que o máximo admitido. 112. Em atenção aos questionamentos contidos no item 62.2 da Resolução12.000.375 e após análise da documentação apresentada, a Fiscalização concluiu: (i) que a metodologia adotada pela Contribuinte cumpre a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2008 e 2009; e (ii) que a referida metodologia foi corretamente aplicada (Informação Fiscal de fls. 1771/1772). 113. Sendo assim, devese exonerar a Contribuinte da parte do lançamento que se refere à conta 10400072. Da mesma forma que os itens precedentes, o presente foi diligenciado e o seu resultado, confeccionado pela própria autoridade diligenciante, foi integralmente favorável ao contribuinte. Pelas mesmas razões, nego provimento ao recurso de ofício quanto a esse item para manter a decisão de primeiro grau pelos seus próprios fundamentos. CONTA 13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 585.900,64 EM 2008; E CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 222.282,27 EM 2008 A DRJ afastou a autuação relativamente a este item com base nas seguintes razões: 114. Por serem insuficientes os esclarecimentos apresentados, a Contribuinte foi intimada, na diligência anteriormente mencionada, a comprovar (i) que metodologia foi usada para neutralizar os lançamentos feitos nas contas 13200120 e 13200117 em contrapartida a contas de resultados; e (ii) que a metodologia em questão produziu efeito equivalente ao de, Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.041 31 simultaneamente, adicionar, no mínimo, as despesas indedutíveis lançadas a débito de resultado e excluir, no máximo, as receitas não tributáveis lançadas a crédito. 115. Em sua resposta, a Contribuinte explicou inicialmente que, para as contas em foco, utilizou metodologia semelhante à descrita para a conta 10400101. Recordamos que, para esta conta, a Contribuinte usava a metodologia M2, que consiste em excluir o saldo final e adicionar o saldo inicial, excluído no período anterior. 116. Em 2008, salvo o lançamento de harmonização, todos os outros na conta 13200120 teriam contas de resultado como contrapartida, conforme relação abaixo: 117. Dessa forma, teria havido um movimento total de R$ 16.642,51 (=R$ 213.980,20 R$ 197.337,69) a débito de contas de resultado, que deveriam ser adicionados ao lucro líquido. O ajuste teria ocorrido por meio de adição de R$ 18.922,00 e exclusão de R$ 2.279,49, conforme se verificaria no LALUR (fls. 894 e 896). 118. Para a conta 13200117, salvo o lançamento de harmonização, todos os outros teriam ocorrido em contrapartida à conta de resultado 43590098, conforme tabela abaixo, que indica um débito total de R$ 10.062.670,91 para ser adicionado ao lucro líquido de 2008: 119. A referida adição constaria do LALUR na forma das parcelas R$ 416.731,00 (fl. 894) e R$ 9.645.939,91 (fl. 896). Fl. 2098DF CARF MF 32 (...) [o parágrafo 120 omitido trata do anocalendário 2009, que será analisado no trecho do voto relativo ao recurso voluntário] 121. Em atenção aos questionamentos contidos no item 62.2 da Resolução 12.000.375 e após análise da documentação apresentada, a Fiscalização concluiu: (i) que a metodologia adotada pela Contribuinte cumpre a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2008 e 2009; e (ii) que a referida metodologia foi corretamente aplicada (Informação Fiscal de fls. 1771/1772). 122. Sendo assim, devese exonerar a Contribuinte da parte do lançamento que se refere às contas 13200117 e 13200120, e diz respeito a faltas de adição em 2008. (...) Mais um item similar aos anteriores, pois foi diligenciado e o seu resultado, confeccionado pela própria autoridade diligenciante, foi integralmente favorável ao contribuinte. Pelas mesmas razões, nego provimento ao recurso de ofício quanto a esse item para manter a decisão de primeiro grau pelos seus próprios fundamentos. Aqui, porém, o lançamento foi mantido em relação ao anocalendário de 2009. Dessa forma, será esse tópico tratado na parte abaixo do voto dedicada ao recurso voluntário. Multa qualificada Como damos provimento ao recurso voluntário, logo abaixo neste voto, esse item ficaria prejudicado. De todo modo, ainda que fosse mantido o crédito tributário relativo ao valor principal, seguramente, como decido pela DRJ, não deve prosperar a qualificação. Além de a autoridade lançadora não ter consignado na sua fundamentação as razões específicas para a qualificação da multa, estas razões, nem por um esforço hermenêutico podem ser aferidas das peças do processo. Afinal, na pior das hipóteses, o que foi afastado em grande medida pela própria DRJ, estariam configurados erros no registro de provisões e não atos deliberados do contribuinte para se evadir da tributação. Deve ser negado o recurso de ofício também em relação a esse ponto. Responsabilidades Por fim, relativamente ao recurso de ofício, também concordamos com a decisão recorrida que exonerou as responsabilidades. Afinal, o fato de ser diretor não impõe diretamente a responsabilidade por tributos da pessoa jurídica, especialmente no caso de não caracterização de uma prática dolosa. Do recurso voluntário Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.042 33 CONTA 13200117 DESCRIÇÃO 023.062 PROVISÃO VARIAÇÃO CAMBIAL ADIANT. CLIENTE FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 1.058.523,44 EM 2009; E CONTA 13200120 DESCRIÇÃO 023.073 PROVISÃO NOTAS CRÉDITO USD VC FALTA DE ADIÇÃO DE R$ 38.220,10 EM 2009 A DRJ manteve esse único item de autuação com base nas seguintes razões: 120. Quanto a 2009, a Contribuinte informou simplesmente que foi utilizada a mesma metodologia, ou seja, para a conta 13200120, adicionouse o saldo inicial (R$ 2.279,49) e excluiu se o final (R$ 241.204,27), enquanto, para a conta 132000117, houve uma adição de R$ 10.648.571,55. Não consta da Resposta nem do Laudo Complementar a relação de lançamentos feitos nas contas em questão no anocalendário 2009, e os 34 anexos só se referem a 2008. 121. Em atenção aos questionamentos contidos no item 62.2 da Resolução 12.000.375 e após análise da documentação apresentada, a Fiscalização concluiu: (i) que a metodologia adotada pela Contribuinte cumpre a função de ajustar adequadamente o lucro líquido para apuração do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2008 e 2009; e (ii) que a referida metodologia foi corretamente aplicada (Informação Fiscal de fls. 1771/1772). 122. Sendo assim, devese exonerar a Contribuinte da parte do lançamento que se refere às contas 13200117 e 13200120, e diz respeito a faltas de adição em 2008. Contudo, para 2009, em relação a essas duas contas e apesar da opinião externada pela Fiscalização, o lançamento deve ser mantido, pois a Contribuinte limitouse a afirmar que utilizou o mesmo procedimento descrito para 2008, sem comproválo. É curioso o fato de a DRJ não concordar com a conclusão da diligência realizada pela autoridade fiscal (relatório consta das fls. 17711772), em que consta expressamente que também para o anocalendário de 2009 o procedimento de registros utilizada pelo contribuinte anula os efeitos das provisões indedutíveis na apuração do lucro real. De fato, no laudo complementar (fls. 1435/1.467), consta uma longa explanação acerca da metodologia adotada para o anocalendário de 2008, em que o perito trabalha com os valores dos registros contábeis e fiscais para demonstrar que não houve apropriação no lucro real de provisões indedutíveis, enquanto, para o ano de 2009, tece apenas a afirmação de que "O mesmo procedimento foi também adotado para o ano calendário de 2009 e seguintes". Não nos parece, contudo, que nem o perito e nem a defesa foram omissos. Teceram com detalhes apenas um dos anos como técnica de demonstração, uma vez que a simples inferência já nos levaria à conclusão de que o contribuinte adotou o mesmo método para o anocalendário de 2009. Fl. 2100DF CARF MF 34 E mais do que isso, o procedimento adotado pelo contribuinte foi atestado pela autoridade fiscal. Evidentemente, a interpretação da autoridade que fez a diligência não pode sobrepujar à da autoridade julgadora. Claro que o julgador não tem que se submeter a uma interpretação emanada por outra autoridade. Nada obstante, não estamos tratando de interpretações acerca de questões de direito ou da leitura de provas documentais. A autoridade diligenciante atesta que o contribuinte registrou em 2009 as provisões ora debatidas com o mesmo método adotado em 2008. Se o julgador concordou com o método para 2008, deveria ter concordado com o método também para 2009; do contrário, está negando força probatória à investigação feita pelo próprio agente fiscal. Ao rejeitar a conclusão da autoridade diligenciante, o julgador de primeiro grau não promove uma interpretação diversa da posta por aquela autoridade, ele efetivamente desqualifica a sua capacidade para atestar uma prova. Para tal, deveria, no meu entender, se debruçar sobre documentos carreados aos autos que negassem a afirmação da autoridade diligenciante ou determinar nova diligência para infirmar a primeira. Dizer que não há prova a favor do contribuinte, quando a própria autoridade fiscal diligenciante afirma que o oposto, é, no meu sentir, uma apreciação equivocada acerca dos meios probatórios. Afinal, não é incomum a determinação de diligência para que a autoridade fiscal ateste a ocorrência de fatos por meio da verificação dos registros contábeis e documentos sem que se determine a juntada desses documentos ao feito. A ação da autoridade diligenciante é justamente para atesta fatos que seriam de verificação mais difíceis pela autoridade julgadora. Enfim, uma vez que todos os demais itens de autuação foram decorrentes da compreensão equivocada da autoridade lançadora acerca do procedimento adotado pelo sujeito passivo, que os presentes itens foram escriturados corretamente, segundo a legislação tributária para o ano de 2008, que um laudo técnico atesta que tal procedimento foi adotado também para o ano de 2009 e, finalmente, que um agente fiscal, na condição de diligenciante, faz a mesma afirmação, não me cabe além de dar provimento à defesa também quanto a este item e, desse modo, dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e dou provimento ao recurso de voluntário com o fito de afastar a autuação remanescente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 19515.720777/201345 Acórdão n.º 1401001.992 S1C4T1 Fl. 2.043 35 Fl. 2102DF CARF MF
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