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Numero do processo: 10380.727580/2012-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RECURSO DE OFICIO. CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. Recurso de Ofício Não Conhecido
RECURSO VOLUNTÁRIO. MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR.
Proposta no voto a confirmação e adoção da decisão recorrida e em não havendo novas razões de defesa perante a segunda instância é possibilitado ao Relator, a transcrição integral daquela decisão de primeira instância, a teor do § 3º do artigo 57 do RICARF.
GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM CONJUNTO.
No caso de casamento com comunhão de bens, o ganho de capital será imputado a qualquer um dos cônjuges, mesmo havendo DAA em conjunto, haja vista que a propriedade é comum. O recolhimento do imposto pode ser rateado em cinqüenta por cento, em nome de cada cônjuge.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO DL 1.510/76. NÃO DEMONSTRAÇÃO.
Para o aproveitamento da isenção conferida pelo DL 1.510/76, há de se demonstrar que a participação societária alienada ingressara ao patrimônio o alienante antes a 1983 e lá permaneceu por, no mínimo, 5 (cinco) anos.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Para efeito de apuração do ganho de capital na alienação de participações societárias, o custo de aquisição das ações ou quotas é apurado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses títulos.
Outros valores podem integrar o custo de aquisição, quando expressamente autorizados por lei e comprovados por documentação hábil e idônea, discriminados na DAA.
CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. RESERVA DE CAPITAL E RESERVAS DE LUCROS. DISTINÇÃO. CONCEITO, NATUREZA E FINALIDADES DISTINTAS.
Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida.
As reservas de capital não se confundem com as reservas de lucros, vez que conceitualmente têm natureza contábil e fiscal distintas e atendem a finalidades completamente diferentes.
A incorporação ao capital social das reservas de capital não permite o aumento do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. VALOR DA ALIENAÇÃO .
Na operação de alienação, com ganho de capital, considera-se valor de alienação o preço efetivamente recebido pelo vendedor.
Numero da decisão: 2402-006.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, por não conhecer do recurso de oficio, por não atingimento do limite de alçada, e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir do preço de venda o valor retido a título de fidúcia, proporcional à participação do contribuinte e de sua esposa. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Denny Medeiros da Silveira e Luís Henrique Dias Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA.Não deve ser conhecido o recurso de oficio em que o crédito tributário exonerado não atinge o limite de alçada. Recurso de Ofício Não Conhecido RECURSO VOLUNTÁRIO. MESMAS RAZÕES DE DEFESA. ACÓRDÃO RECORRIDO. ADOÇÃO DAS RAZOES DE DECIDIR. Proposta no voto a confirmação e adoção da decisão recorrida e em não havendo novas razões de defesa perante a segunda instância é possibilitado ao Relator, a transcrição integral daquela decisão de primeira instância, a teor do § 3º do artigo 57 do RICARF. GANHO DE CAPITAL. SOCIEDADE CONJUGAL. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL EM CONJUNTO. No caso de casamento com comunhão de bens, o ganho de capital será imputado a qualquer um dos cônjuges, mesmo havendo DAA em conjunto, haja vista que a propriedade é comum. O recolhimento do imposto pode ser rateado em cinqüenta por cento, em nome de cada cônjuge. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO DL 1.510/76. NÃO DEMONSTRAÇÃO. Para o aproveitamento da isenção conferida pelo DL 1.510/76, há de se demonstrar que a participação societária alienada ingressara ao patrimônio o alienante antes a 1983 e lá permaneceu por, no mínimo, 5 (cinco) anos. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Para efeito de apuração do ganho de capital na alienação de participações societárias, o custo de aquisição das ações ou quotas é apurado pela média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses títulos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 75 80 /2 01 2- 54 Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.016 2 Outros valores podem integrar o custo de aquisição, quando expressamente autorizados por lei e comprovados por documentação hábil e idônea, discriminados na DAA. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE RESERVAS E LUCROS. EFEITOS. RESERVA DE CAPITAL E RESERVAS DE LUCROS. DISTINÇÃO. CONCEITO, NATUREZA E FINALIDADES DISTINTAS. Somente o aumento de capital, mediante a incorporação de lucros ou de reservas constituídas com lucros, possibilita o incremento no custo de aquisição da participação societária, em valor equivalente à parcela capitalizada dos lucros ou das reservas constituídas com esses lucros que corresponder à participação do sócio ou acionista na investida. As reservas de capital não se confundem com as reservas de lucros, vez que conceitualmente têm natureza contábil e fiscal distintas e atendem a finalidades completamente diferentes. A incorporação ao capital social das reservas de capital não permite o aumento do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. VALOR DA ALIENAÇÃO . Na operação de alienação, com ganho de capital, considerase valor de alienação o preço efetivamente recebido pelo vendedor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, por não conhecer do recurso de oficio, por não atingimento do limite de alçada, e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir do preço de venda o valor retido a título de fidúcia, proporcional à participação do contribuinte e de sua esposa. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Denny Medeiros da Silveira e Luís Henrique Dias Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.017 3 Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foi lavrado Auto de Infração em face do recorrente para exigência do IR na monta de R$ 4.068.934,97 (principal) sobre o Ganho de Capital GCAP experimentado na alienação de ações da empresa AGRIPEC em 13.08.2007 à empresa CSRPAR PARTICIPAÇÕES S/A, com interveniência das empresas NUFARM AUSTRALIA LIMITED e NUFARM NEW ZEALAND LIMITED, sócias da própria AGRIPEC, com 49,90% de seu capital social. O contribuinte detinha 56,16% de participação no capital social da empresa DELPHIA que, por sua vez, detinha 50,10% do capital social da então alienada AGRIPEC, o que lhe garantiria participação indireta da ordem de aproximadamente 28,14% do capital desta última. O recorrente apurou e declarou o GCAP nessa operação, recolhendo o IR na monta de R$ 11.180.157,85 (alienação de sua participação) e R$ 2.533.227,43 (alienação da participação de sua cônjuge). Apresentou Impugnação às fls. 726/760, que foi julgada parcialmente procedente às fls. 826/885. Interpôs Recurso Voluntário às fls. 893/929, aduzindo o que segue: 1 Nulidade do Lançamento na parte que toca ao crédito constituído em desfavor de sua cônjuge. Que ambos os alienantes, recorrente e sua cônjuge, deveriam ter sido intimados ao longo do procedimento, eis que seriam pessoas distintas, além de não estarem presentes os requisitos para lhe fosse imputada a condição de substituto ou responsável pelo tributo. Que não haveria dispositivo legal que o nomeasse como responsável tributário pelo tributo devido por outro contribuinte, mesmo que a declaração de ajuste tivesse sido apresentada em conjunto. 2 Aplicação do DL 1.510/76. 3 Glosa indevida do valor adicionado ao custo Reserva de Capital Ágio Investimento. Sustenta o acerto, legalidade e propósito negocial que teria dado azo à constituição da Reserva de Ágio. Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.018 4 4 A indevida adição da importância de R$ 7.500.000,00 ao valor de alienação. Que referido valor se referiria à garantia fiduciária retida pelos compradores 5 Acréscimos legais indevidos. Juros caráter indenizatório. Multa de Ofício Confiscatória, desarrazoada e desproporcional. É, em resumo, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A autuada tomou ciência do acórdão de piso em 31.1.13, consoante se denota de fls. 891 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 4.3.13 (fls. 893). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. Quanto ao recurso de ofício, vale destacar que a DRJ exonerou do principal e multa de ofício lançados, a importância de R$ 1.720.112,99, consoante se nota do quadro a seguir. Acontece que o limite de alçada atual para a interposição de recurso de ofício corresponde a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), segundo definido pela Portaria MF nº 63, de 9/2/17. Vejamos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Ademais, nos termos da Súmula CARF nº 103, o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso, em segunda instância: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. LANÇAMENTO DRJ EXONERADO PRINCIPAL 4.068.934,97 3.086.013,26 982.921,71 JUROS 2.003.950,47 2.003.950,47 MULTA 3.051.701,23 2.314.509,95 737.191,28 TOTAL=> 9.124.586,67 5.400.523,21 3.724.063,46 PRINC + MULTA => 7.120.636,20 5.400.523,21 1.720.112,99 Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.019 5 Portanto, tendo em vista que o crédito exonerado de R$ 1.720.112,99 se encontra abaixo do limite de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 2017, não cabe o conhecimento do presente recurso de ofício. Preliminar Nulidade do lançamento. Em preliminar, sustenta o recorrente a nulidade do lançamento na parte que toca ao crédito constituído em desfavor de sua cônjuge. Como tese de defesa, aduz que ambos os alienantes, recorrente e sua cônjuge, deveriam ter sido intimados ao longo do procedimento, eis que seriam pessoas distintas, além de não estarem presentes os requisitos para lhe fosse imputada a condição de substituto ou responsável pelo tributo. Que não haveria dispositivo legal que o nomeasse como responsável tributário pelo tributo devido por outro contribuinte, mesmo que a declaração de ajuste tivesse sido apresentada em conjunto. Menciona ainda que o artigo 117 do RIR/99 conduziria à conclusão que a apuração, tributação e recolhimento do GCAP devem ser promovidos pelo próprio contribuinte em seu CPF. Sobre a matéria, o recorrente renova as razões de defesa de sua Impugnação, fazendo com que este relator adote como razões de decidir excerto do voto da decisão recorrida, a teor do § 3º do artigo 57 do RICARF. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.020 6 Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.021 7 Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.022 8 Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.023 9 Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.024 10 Da aplicação do DL 1.510/76. De início, pugna o recorrente pelo reconhecimento da isenção conferida pelo DL 1.510/76 na medida em que, conforme alega, referidas ações teriam sido adquiridas a partir de 1967. Todavia, em resposta às intimações fiscais, o recorrente havia apresentado o quadro a seguir, como representativo da evolução das ações alienadas que detinha no capital social da AGRIPEC. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.025 11 Em outra oportunidade (fls 324), apresentou o quadro a seguir como sendo o histórico detalhado das aquisições das ações da AGRIPEC, com expressa discriminação de cada movimentação parcial das subscrições, bonificações, etc, suas datas e seus respectivos custos de aquisição, bem como suas eventuais baixas ocorridas desde o período inicial aquisitivo. Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.026 12 De fato, a partir da Ata da AGE de 17.6.07, relativa à empresa DELPHIA, notouse que em função da redução de seu capital social em R$ 183.056.423,84, foram canceladas 5.251.785 ações ordinárias, tendo sido substituídas, dali em diante, por ações da AGRIPEC, consoante a distribuição abaixo: Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.027 13 Na sequência, na AGE de 2.7.07, relativa à AGRIPEC, houve a emissão de 542.638 novas ações ordinárias, resultante do aumento de Capital de R$ 68.567.808,63, que passou a R$ 161.969.879,10. Percebase que seja em função do histórico acima, seja em função de o próprio contribuinte ter tributado o significativo GCAP apurado nessa operação, não há evidência nos autos de que as ações alienadas em agosto de 2007 teriam sido adquiridas antes de 1983 e mantidas no patrimônio do alienante por no mínimo 5 (cinco) anos, não havendo que se falar, assim sendo, no aproveitamento da isenção conferida por aquele decretolei, sequer com relação à parte dessas ações alienadas. Nesse mesmo sentido caminhou a decisão de piso, que pode ser verificado nos trechos a seguir: (...) Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.028 14 Não assiste razão ao recorrente neste ponto. Quanto à apuração do ganho, o cerne da discussão em tela reside na sistemática e cálculo do GCAP decorrente da operação alhures mencionada. Antes porém, vale frisar que o acórdão de piso já expurgou do lançamento o valor de R$ 2.269.966,00, adicionado ao valor de alienação, por entender que não faria parte do valor negocial, ajustando o crédito tributário principal ao montante de R$ 3.086.013,27. Como bem colocado no Recurso Voluntário, o Fisco promoveu a "subtração, do custo de aquisição das ações, de parcela correspondente à incorporação da reserva de ágio na emissao dessas participações, o que não foi aceito pelos auditores; e a adição, ao ganho de capital, do valor retido em fidúcia, pelo adquirente das participações." Com vistas a melhor compreensão do caso, procurei demonstrar, em números, a controvérsia nos pontos a seguir. Confirase: DADOS DA ALIENAÇÃO GERAL VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO => 350.000.000,00 RETENÇÃO EM FIDÚCIA => 7.500.000,00 LÍQUIDO => 342.500.000,00 QUANTIDADE DE AÇÕES VENDIDAS => 1.685.681 EVOLUÇÃO DOS CUSTOS DE AQUISIÇÃO PROCESSO CONTRIBUINTE DATA Nº AÇÕES CUSTO AQUISIÇÃO RECORRENTE 31/01/2005 1 RECORRENTE 17/06/2007 794.015 102.800.869,56 RECORRENTE 01/07/2007 39 RECORRENTE 02/07/2007 152.699 19.294.981,35 RECORRENTE 10/08/2007 2 TOTAL=> 946.678 122.095.850,91 SUA CÔNJUGE 17/06/2007 190.931 24.719.833,71 SUA CÔNJUGE 02/07/2007 36.698 4.642.093,85 TOTAL=> 227.629 29.361.927,56 Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.029 15 APURAÇÕES PARTICIPAÇÃO QUANTIDADE CUSTO DE VALOR DE GCAP IR IR PAGO NO CAPITAL DE AÇÕES AQUISIÇÃO ALIENAÇÃO CONTRIBUINTE 56,16% 946.678 122.095.850,91 192.347.908,65 70.252.057,74 10.537.808,66 11.180.157,85 FISCO 56,16% 946.678 106.271.689,14 196.559.906,65 90.288.217,51 13.543.232,63 SUA CÔNJUGE 13,50% 227.629 29.361.927,56 46.250.110,49 16.888.182,93 2.533.227,44 2.533.227,44 FISCO 13,50% 227.629 25.555.113,76 47.262.886,63 21.707.772,88 3.256.165,93 TOTAL FISCO => 1.174.307 131.826.802,90 243.822.793,28 111.995.990,38 16.799.398,56 13.713.385,29 IR SUPLEMENTAR TOTAL APURADO PELO FISCO () TOTAL PAGO => 3.086.013,27 Da glosa do valor adicionado ao custo Reserva de Capital Ágio Investimento. Nesse ponto e inicialmente, sustenta o recorrente, remetendo à leitura de sua defesa apresentada no processo 10380723303/200977, o acerto, a legalidade e o propósito negocial que animou as partes envolvidas naquela operação, na medida em que teria se dado em consonância ao estabelecido na Lei 6.404/76. Em resumo, o processo encimado tratou de operação que teria alcançado 49,90% das ações da AGRIPEC, entendida pelo Fisco como alienação dissimulada às empresas do Grupo NUFARM em janeiro de 2005, com apuração de GCAP da ordem de R$ 183.942.876,62, correspondente a 875.762 ações do recorrente, ao passo que a discussão ora sob exame, da alienação dos restantes 50,10% das ações. Naquele contencioso, sustentou o recorrente que a operação tratavase de mero ingresso de investimento promovido pela empresa BRAMANS HOLDING S/A, com vistas à reestruturação da AGRIPEC para o recebimento do investimento das empresas do Grupo NUFARM e da entrada dessas empresas no quadro societário da empresa "investida" (AGRIPEC). Entretanto, ao analisar os contornos daquela operação, o Fisco concluiu, lá naquele procedimento, que teria havido, em verdade, a alienação de 49,90% das ações que compunham o capital social da AGRIPEC, e não o mero recebimento de investimentos como quis fazer crer o recorrente. Constatouse que aquela alienação não teria sido direta, como de costume (sócio da AGRIPEC transferindo suas ações para as empresas do Grupo NUFARM) mas teria havido planejamento tributário evasivo, na espécie de simulação relativa, arquitetado pelos alienantes, sócios da AGRIPEC, e pelas empresas adquirentes (empresas do Grupo NUFARM), que consistiu na elaboração de um investimento, usandose um Memorando de Entendimento, um Contrato de Investimento, um Acordo de Acionistas e a criação de duas empresa veículos: BRAMANS e DELPHIA. Os documentos, atos societários e os fatos contábeis, tidos como simulados, noticiam que a empresa AGRIPEC teria recebido, em 2005, investimento estrangeiro (através de subscrição de novas ações) das empresas do grupo NUFARM, no valor total de R$ 319.436.500,00, equivalente a US$ 120.000.000,00, que corresponderiam a 49,90% de seu capital social. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.030 16 O conclusão fiscal, além de se basear na prova indireta indício consubstanciada na contratação da BROADSPAN CAPITAL NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, empresa especializada em planejamento tributário, tomou acertadamente como relevante, as notícias econômicas que foram publicadas em revistas e jornais nos anos de 2005 e 2007, dando conta da venda da AGRIPEC para o grupo empresarial NUFARM, pelo valor total de R$ 670.000.000,00 em duas etapas: em janeiro de 2005, pelo valor de R$ 319.436.500,00 (US$ 120.000.000,00); e em agosto de 2007, pelo valor de R$ 350.563.499,80. Ainda apurou o Fisco que após idas e vindas, o capital social da AGRIPEC apresentou a seguinte configuração, antes e depois daquele primeiro negócio: FINAL DE 2004 EM 31/JAN/2005 AGRIPEC 2.167.900 AÇÕES AGRIPEC 2.822.052 AÇÕES JORGE ALBERTO 62,19% 1.348.217 NUFARM AUSTRALIA 17,46% 492.871 CARLOS ALBERTO 21,50% 466.099 NUFARM NEW ZEALAND 32,44% 915.333 AGP CONTRUÇÕES 16,31% 353.584 DELPHIA PART S/A 50,10% 1.413.848 total=> 100,00% 2.167.900 total=> 100,00% 2.822.052 Vale destacar que a tese fiscal naquele processo 10380723303/20097 no sentido de que teria havido, de fato, a alienação das ações foi expressamente reconhecida pelo acórdão de piso e, de forma definitiva e tácita, penso eu, pelo órgão julgador de segunda instância, quando decidiu pela aplicação da isenção conferida pelo DL 1.510/76, na alienação daqueles 49,90 % das ações da AGRIPEC. Prosseguindo na análise, importante destacar que o Fisco aceitou, na quantificação do custo das ações então alienadas em 2007, a evolução patrimonial das empresas AGRIPEC e DELPHIA, a partir de 2005. Contudo, efetuou a glosa do valor de R$ 28.177.748,36, que, segundo o recorrente, seria parte da reserva de ágio incorporada ao capital social da DELPHIA em 16.06.2007, sem emissão de novas ações, com participação do recorrente e sua cônjuge de 56,16% e 13,51%, respectivamente. Dessa forma, foram efetivamente glosados a esse título os valores de R$ 15.824.623,48 e R$ 3.806.813,80, nas apurações do recorrente e de sua cônjuge. No dia seguinte, em 17.06.2007, os valores capitalizados na DELPHIA foram devolvidos aos sócios, mediante o cancelamento de 5.251.785 ações, com a entrega do equivalente a 1.413.894 ações de emissão da AGRIPEC. Daí, restou demonstrado que as 794.015 e 190.931 ações recebidas pelo recorrente e sua cônjuge em 17.6.07, em função da entrega citada acima, ao custo aproveitado de R$ 102.800.869,56 e R$ 24.719.833,71, contemplavam parcela daqueles 28.177.748,36 anteriormente capitalizados na DELPHIA provenientes de Reserva com Ágio. Na origem, referida reserva de capital havia sido constituída como proveniente de ágio pago na subscrição de ações pela empresa BRAMANS HOLDINGS S/A, quando da alienação daqueles 49,90% do patrimônio da AGRIPEC em janeiro de 2005. Todavia, como ficou comprovado nos autos, referido aporte não se tratava de investimento, mas sim de compra e venda de parte das participações societárias detidas à época por várias pessoas físicas, dentre elas o recorrente e sua cônjuge. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.031 17 Em outras palavras, tais valores referiamse ao preço pela alienação das ações por aquelas pessoas físicas. Ademais, por amor ao debate, cumpre ressaltar a impossibilidade legal de se adicionar ao custo de aquisição das ações, valores capitalizados que não fossem decorrentes de lucros ou de reservar constituídas a partir desses lucros, pelo simples fato de a lei assim não o autorizar. Pelo contrário, há expressa restrição no vigente à época § único do artigo 10 da Lei 9.249/95, verbis: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Percebase, a pretensão em se aumentar o custo de aquisição, que implicará, em última análise, redução do IR devido sem que para tanto haja um permissivo legal expresso, tende a afrontar, penso eu, o disposto no artigo 111 do CTN. Nessa linha, peço venia para reproduzir excerto do voto proferido na sessão de 13/09/2018, no julgamento do processo 10120.722096/201712, de relatoria do Conselheiro Luis Henrique Dias Lima, que, após discussão envolvendo tema semelhante ao destes autos, contou com o seguinte acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Desta forma, o cerne do questionamento em tela concentrase na possibilidade de se utilizar (ou não) a reserva de capital na composição do custo de aquisição de ações para fins de apuração do ganho de capital quando de sua alienação. Preliminarmente, é oportuno resgatar o fenômeno contábil de aumento de capital mediante incorporação de reservas, previsto no art. 169 da Lei n. 6.404/76, verbis: Art. 169. O aumento mediante capitalização de lucros ou de reservas importará alteração do valor nominal das ações ou distribuições das ações novas, correspondentes ao aumento, entre acionistas, na proporção do número de ações que possuírem. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.032 18 § 1º Na companhia com ações sem valor nominal, a capitalização de lucros ou de reservas poderá ser efetivada sem modificação do número de ações. § 2º Às ações distribuídas de acordo com este artigo se estenderão, salvo cláusula em contrário dos instrumentos que os tenham constituído, o usufruto, o fideicomisso, a inalienabilidade e a incomunicabilidade que porventura gravarem as ações de que elas forem derivadas. § 3º As ações que não puderem ser atribuídas por inteiro a cada acionista serão vendidas em bolsa, dividindose o produto da venda, proporcionalmente, pelos titulares das frações; antes da venda, a companhia fixará prazo não inferior a 30 (trinta) dias, durante o qual os acionistas poderão transferir as frações de ação. Entretanto, as reservas em tela possuem conceito, natureza e finalidades distintas. As reservas de capital são constituídas com valores recebidos pela empresa e que não transitam pelo resultado, por não se referirem à entrega de bens ou serviços pela empresa. Tais reservas devem refletir, essencialmente, as contribuições feitas pelos acionistas que estejam diretamente relacionadas à formação ou ao incremento do capital social. Assim, não são constituídas a partir dos lucros auferidos pela empresa, e, portanto, não se caracterizam como reserva de lucros. Com efeito, o art. 182, §§ 1°., 2°. e 4°., da Lei n. 6.404/1976, é elucidativo ao esclarecer que: [...] § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) até 31/12/2007 ex vi Lei n. 11.638/2007 o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) até 31/12/2007 ex vi Lei n. 11.638/2007 as doações e as subvenções para investimentos. Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.033 19 § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto nãocapitalizado. [...] § 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. [...] A Lei n. 6.404/1976 classifica como reservas de lucros as seguintes reservas: i) reserva legal; ii) reservas estatutárias; iii) reservas para contigências; iv) reserva para incentivos fiscais; e v) reserva de lucros a realizar. Por sua vez, o art. 200 da Lei n. 6.404/1976 delimita a utilização das reservas de capital, verbis: Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); II resgate, reembolso ou compra de ações; III resgate de partes beneficiárias; IV incorporação ao capital social; V pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada (artigo 17, § 5º). Parágrafo único. A reserva constituída com o produto da venda de partes beneficiárias poderá ser destinada ao resgate desses títulos. Nessa perspectiva, não há qualquer resquício de dúvida que as reservas de capital não se confundem com as reservas de lucros, vez que conceitualmente têm natureza contábil e fiscal distintas e atendem a finalidades completamente diferentes. Não à toa, a Solução de Consulta n. 10 Cosit, de 03 de fevereiro de 2016, com bastante propriedade, esclarece que a incorporação ao capital social das reservas de capital não permite o aumento do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital, e, que admitir essa possibilidade traria como conseqüência a redução da base de cálculo do ganho de capital apurado no negócio, devendose recordar que a redução de base de cálculo de tributos é matéria reservada exclusivamente a dispositivo de lei, conforme determinação do art. 150, § 6º, da Constituição Federal, e do art. 97, inciso IV, do CTN. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.034 20 Em face do disposto no art. 16, § 2°., da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, em vigor até os dias atuais, estabelecendo que, no caso de ações ou quotas recebidas em bonificação em virtude de incorporação de lucros ou reservas ao capital social da pessoa jurídica, considerase custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista ou sócio, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa, esclarece a Solução de Consulta n. 10 Cosit, de 03 de fevereiro de 2016, que, considerando a isenção somente concedida ao valor da parcela da reserva de lucro capitalizada que corresponder ao sócio, estabelecida no parágrafo único (atualmente § 1º) do art. 10 da Lei n. 9.249, de 1995, somente resta concluir que o art. 16 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001, e o art. 8º da Instrução Normativa RFB n. 1.500/2014, ao mencionarem “incorporação de reservas ao capital”, estão se referindo somente às reservas constituídas com lucros. O raciocínio esposado na Solução de Consulta n. 10 Cosit, de 03 de fevereiro de 2016, abarca, por óbvio, o disposto no art. 47, § 1°., da Instrução Normativa RFB n. 1.022/2010, resgatado pela Recorrente em virtude de sua contemporaneidade com o fato gerador, vez que o retrocitado dispositivo, essencialmente, é mera reprodução do art. 16, § 2°., da Instrução Normativa SRF n. 84/2001: Art. 47. Nos mercados à vista, o ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição, calculado pela média ponderada dos custos unitários. § 1° No caso de ações recebidas em bonificação, em virtude de incorporação ao capital social da pessoa jurídica de lucros ou reservas, considerase custo de aquisição da participação o valor do lucro ou reserva capitalizado que corresponder ao acionista ou sócio, independentemente da forma de tributação adotada pela empresa. [...] Desta forma, não prospera a alegação da Recorrente, vez que a a reserva de capital não se presta para o aumento do custo de aquisição para fins de apuração do ganho de capital. Nessa perspectiva, não há reparo a fazer na decisão a quo no que tange à apuração do ganho de capital, tendo em vista que o custo de aquisição e o valor de alienação das ações foram devidamente quantificados pela Fiscalização da RFB no lançamento em litígio." Por fim, ainda sobre o tema, releva destacar excerto do voto condutor do acórdão 2401005.254, de relatoria do Conselheiro Rayd Santana Ferreira, que examinado a mesma operação, mas com relação a outro alienante, assim concluiu: Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.035 21 Quanto a esse ponto, sem reparos no lançamento. Da importância de R$ 7.500.000,00 adicionada ao valor de alienação. Na sequência, pugna o recorrente seja expurgada do valor de alienação a parcela relativa aos R$ 7.500.000,00, a título de "garantia fiduciária", na medida em que a sua tributação violaria o regime de caixa que rege o IRPF, uma vez que não teria recebido tal parcela. Consoante já demonstrado acima, tal importância integrou, na proporção de 56,16 % e 13,10%, o valor de alienação utilizado pelo Fisco, o que resultaria no GCAP e respectivo IR da ordem de R$ 5.194.500,00 e R$ 779.175,00, respectivamente. Confirase: SUJ PASSIVO PART GARANTIA GCAP IR RECORRENTE 56,16% 7.500.000,00 4.212.000,00 631.800,00 SUA CONJUGE 13,10% 7.500.000,00 982.500,00 147.375,00 TOT=> 69,26% 5.194.500,00 779.175,00 Denotase do Contrato de Compra e Venda de Ações às fls. 238/264, que o valor da alienação teria sido acordado em R$ 350.000.000,00, sendo que haveria uma retenção fiduciária, por parte da compradora, da ordem de R$ 7.500.000,00, para garantir a satisfação pelos vendedores de suas obrigações de indenização prevista no contrato. Em sua defesa, o recorrente acosta cópia de sentença proferida pelo Tribunal de Arbitragem em 2.11.12, por meio da qual teria sido determinada a liberação, pelos adquirentes, da importância então retida em favor dos replicantes, dentre eles o recorrente e sua cônjuge, ajustada pelo IGPM de 14.8.07 a 13.8.12 e, desta data em diante até o pagamento, pela Selic. Vejase: Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.036 22 Por sua vez, o artigo 123 do RIR/99 é expresso ao determinar que considera se valor de alienação, para fins do cômputo do GCAP, o preço efetivo da operação, nos termos do § 4º do art. 117 do mesmo diploma, que, a seu turno, estabelece que "na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Nesse contexto, há autorização legal para que seja deduzido do valor da alienação, é dizer, do valor efetivo da operação, apenas a importância paga a título de corretagem, desde que o ônus não tenha sido transferido ao adquirente. Ao final, cumpre destacar a observação promovida pela decisão de piso, no sentido de que o contribuinte, quando da apuração de seu GCAP, declarou o valor de alienação como sendo R$ 196.630.698,12, aparentando alinharse ao entendimento do Fisco que determinou tal importância como sendo de R$ 196.559.906,65. Assim sendo, neste aspecto, penso que melhor sorte não socorre o contribuinte. Dos acréscimos legais. Aduz ainda o recorrente que a multa de ofício aplicada em seu patamar ordinário seria desproporcional, desarrazoada e confiscatória. Sobre a matéria, vale lembrar que a multa aplicada tem expressa previsão em dispositivo de lei (Art. 44, I, da Lei 9.430/96), de observância obrigatória por este Colegiado. Ademais, quanto ao seu suposto caráter confiscatório, não custa rememorar que tal comando constitucional é, a rigor, dirigido ao legislador. Assim sendo, toda e qualquer Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.037 23 análise tendente à não aplicação do dispositivo ao argumento de seu caráter confiscatório, importaria afastar sua aplicação em função de afronta à constituição, o que é, de igual sorte, terminantemente vedado a este Colegiado. Por fim, no que toca ao pleito de exclusão dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, releva trazer à colação o conteúdo da Súmula CARF nº 4. Confirase: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Face ao exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER o Recurso de Ofício; CONHECER do Recurso Voluntário, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Voto Vencedor João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado Com o devido respeito, divirjo do ilustre relator, para dar parcial provimento ao recurso voluntário, a fim de deduzir do preço de venda o valor retido a título de fidúcia (R$ 7.500.000,00), proporcional à participação do contribuinte. A incidência do imposto de renda sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos está fundamentada nos arts. 117 e seguintes do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) vigente à época dos fatos geradores, com a redação da Lei 7713/88. Basicamente, o ganho de capital é determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição (art. 138) e estará sujeito ao pagamento do imposto à alíquota de quinze por cento (art. 142). E, na dicção do art. 2º da Lei 7713/88, o imposto de renda é devido mensalmente, na medida em que os ganhos de capital forem sendo percebidos, devendo o imposto ser apurado no mês em que os ganhos forem sendo auferidos (vide § 2º do art. 117 do Regulamento). Desta forma, a parcela de R$ 7.500.000,00 somente poderia ter sido tributada se fosse efetivamente recebida pelos vendedores e quando do seu recebimento. De acordo com a Solução de Consulta nº 282 Cosit 2014, "a parcela do valor da operação de alienação de participação societária auferida a título de valor suplementar integra o preço de venda da participação societária e deverá ser tributada como ganho de capital quando do seu auferimento, independentemente de tal valor suplementar ter sido fixado mediante sentença arbitral ou acordo entre as partes solucionando conflito Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.038 24 instaurado em razão da rescisão de contrato de gestão". É que o imposto de renda da pessoa física está sujeito ao regime de caixa, de conformidade com o art. 2º antes mencionado. Expressandose de outra forma, se o valor ficou retido e não foi efetivamente recebido pelo contribuinte, é incabível a sua tributação. A incidência do imposto de renda somente pode ocorrer se houver efetivo acréscimo de riqueza nova, jamais sobre uma eventual expectativa de seu auferimento, que sequer se concretizou no mundo real. Vejase as seguintes assertivas incontroversas formuladas pelo sujeito passivo: Vejase, igualmente, o que consta expressamente do relatório da decisão recorrida, no ponto relativo à impugnação: Logo, não pode haver a incidência do imposto sobre tal quantia. Questão idêntica, e relativa a outro vendedor, foi tratada no acórdão 2401005.254 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, onde, por unanimidade, decidiuse o seguinte: No que diz respeito o valor de alienação, merece acolhimento o pleito do contribuinte, uma vez que o valor retido pela empresa adquirente das ações da AGRIPEC a titulo de fidúcia não constituía uma disponibilidade para os sócios. Houve a retenção, por parte da empresa compradora, como uma garantia de pagamento a título de indenização, se acaso não se cumprissem as cláusulas previstas no Contrato de Compra e Venda das Ações. A empresa compradora liberaria os 7.500.000,00, decorridos cinco anos do fechamento do negócio, acaso se cumprissem as cláusulas. Caso contrário, os sócio pagariam a título de indenização o valor de R$ 7.500.000,00. Conforme o Contrato de Compra e Venda de Ações, ficou estabelecido pagamento a titulo de indenização por parte dos vendedores acaso não se cumprissem as cláusulas contratuais. Ficou estabelecido um prazo de cinco anos a partir da data de fechamento do negócio, em 13 de agosto de 2007, para avaliação do cumprimento das cláusulas. Ficou estabelecido que a empresa compradora reteria um Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.039 25 valor de R$ 7.500.000,00, a título de retenção em fidúcia, como garantia. Percebese, facilmente, que a retenção em fidúcia constituía em uma indisponibilidade para os vendedores. Assim, entendo que merece reforma o lançamento; não em relação ao valor da alienação em si, mas sim a respeito dos valores efetivamente recebidos pelo recorrente. Pois o imposto sobre a renda da pessoa física é regido pelo regime de caixa. O regime de caixa, como o próprio nome indica, privilegia o aspecto financeiro dos negócios jurídicos, de modo que os efeitos fiscais das mutações patrimoniais só serão reconhecidos quando houver a realização financeira deles. O regime de caixa é o que melhor se harmoniza ao conceito constitucional de renda, porquanto identifica, com maior precisão, o conceito de acréscimo patrimonial disponível. Isso porque implica exigir o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos pela pessoa física, independentemente de quando tenha surgido o direito a eles. Só é tributado o que efetivamente ingressa para o patrimônio do contribuinte. Na apuração do imposto de renda pelo regime de caixa, aplicável às pessoas físicas, somente ocorrerá o acréscimo patrimonial se houver a efetiva disponibilidade financeira. Logo, nas alienações a prazo de bens e direitos e/ou com cláusulas "suspensivas", caso concreto, o fato gerador do ganho de capital ocorrerá no recebimento de cada uma das parcelas pactuadas. Bem por isso é que o art. 2º da Lei nº 7.713/1988 está descrito nos seguintes termos: [...] A leitura do art. 2º da Lei nº 7.713/1988 evidencia que o imposto de renda da pessoa física, por opção do legislador, tem na percepção dos rendimentos ou dos ganhos de capital o próprio aspecto temporal da hipótese de incidência, o que significa dizer que, pelo regime de caixa, não surge obrigação tributária sem que haja a efetiva disponibilidade dos rendimentos ou dos ganhos de capital. Nas palavras de Geraldo Ataliba (Hipótese de Incidência Tributária, Malheiros, 5ª edição, p. 84), “A mais importante função do aspecto temporal diz respeito à indicação – necessariamente contida na hipótese de incidência – do momento em que se reputa ocorrido o fato imponível (e, pois, nascida a obrigação tributária)”. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10380.727580/201254 Acórdão n.º 2402006.866 S2C4T2 Fl. 1.040 26 Neste diapasão, estando comprovado a indisponibilidade do valor depositado como fidúcia, merece acolhimento o pleito do contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, a fim de deduzir do preço de venda o valor retido a título de fidúcia (R$ 7.500.000,00), proporcional à participação do contribuinte. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1040DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.001823/00-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO.
O prazo para homologação da compensação declarada é de cinco anos contados a partir da declaração. Dentro desse prazo, a Fazenda Pública pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos alegados, indeferindo aqueles ilegais ou inexistentes, de qualquer período, conforme teor do artigo 170 do CTN.
COMPENSAÇÃO. VALOR PROBANTE DA DOCUMENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Em processos de restituição/compensação, o ônus da prova é do contribuinte, nos termos dos artigos 36 da Lei 9.784/99 e 373, I, do CPC. O Fisco tem o dever de aferir a correção e idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos dos artigos 142, 195 e 197 do CTN. A declaração ou escrituração do contribuinte não performam prova suficiente, se intimado pelo Fisco a apresentação dos respectivos lastros, conforme artigos 219 e 226 do Código Civil.
PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. PRINCÍPIOS PROCESSUAIS.
A Impugnação marca o momento de apresentação de razões de defesa e provas pertinentes. A apresentação posterior de provas deve demonstrar as circunstâncias ensejadoras previstas no §4º do art. 16 do mesmo Decreto.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. O prazo para homologação da compensação declarada é de cinco anos contados a partir da declaração. Dentro desse prazo, a Fazenda Pública pode e deve aferir a certeza e liquidez dos créditos alegados, indeferindo aqueles ilegais ou inexistentes, de qualquer período, conforme teor do artigo 170 do CTN. COMPENSAÇÃO. VALOR PROBANTE DA DOCUMENTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em processos de restituição/compensação, o ônus da prova é do contribuinte, nos termos dos artigos 36 da Lei 9.784/99 e 373, I, do CPC. O Fisco tem o dever de aferir a correção e idoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos dos artigos 142, 195 e 197 do CTN. A declaração ou escrituração do contribuinte não performam prova suficiente, se intimado pelo Fisco a apresentação dos respectivos lastros, conforme artigos 219 e 226 do Código Civil. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL. PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. A Impugnação marca o momento de apresentação de razões de defesa e provas pertinentes. A apresentação posterior de provas deve demonstrar as circunstâncias ensejadoras previstas no §4º do art. 16 do mesmo Decreto. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 18 23 /0 0- 60 Fl. 3606DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Cuidam os autos de Pedido de Restituição, formalizado em 02/10/2000, no montante de R$ 33.210.955,35 recolhidos indevidamente a título de PIS, com base nos DecretosLeis 2.445 e 2.449/1988, no período de 07/1988 a 09/1995. Posteriormente, em 2009 e 2010 apresentou Declarações de Compensação para aproveitamento daquele crédito. A autoridade administrativa decidiu não reconhecer o crédito informado e por via de conseqüência não homologou as compensações realizadas, por falta de comprovação do direito creditório alegado (fls. 2.916). Irresignada com aquela decisão a contribuinte alega que: O despacho decisório está eivado de nulidade vez que a fiscalização desconsiderou toda a documentação apresentada, concluindo e decidindo à margem dos fatos e comprovações constantes dos autos, infundadamente e sem qualquer motivação. A nulidade, no caso em tela também é imperiosa a teor do que dispõe a norma do art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72, que corrobora os princípios do devido processo legal e da ampla defesa. Nesse sentido já decidiu a DRJ/RJ e o CARF; O despacho decisório emanado, na análise dos PER/Dcomp em discussão, resta fulminado pela decadência. É evidente que o direito do Fisco avaliar fatos ocorridos há mais de cinco anos, a fim de contestar as bases de cálculo e valores informados como recolhidos, está decaído, pois os créditos se referem a pagamentos realizados entre 07/88 e 09/95 cuja análise poderia ocorrer, respectivamente, até 07/93 e 09/00; Assim, para o caso em tela, não é possível que o Fisco avalie, passe a exigir documentos, ou muito menos desconsidere Fl. 3607DF CARF MF Processo nº 13811.001823/0060 Acórdão n.º 3201004.855 S3C2T1 Fl. 3 3 operações e recolhimentos ocorridos a maior, pois os fatos geradores ocorreram há mais de cinco anos; Contrariamente ao decidido, toda a documentação suficiente e possível para se apurar o crédito foi apresentada, mas acabou sendo ignorada e desconsiderada pelo Sr. AFRFB, vez que se pretendeu chegar ao PIS devido com base no IPI apurado e todos os registros apresentados, o que é totalmente adequado e possível, senão necessário no caso; Apresentou suas informações de IPI, inclusive em demonstrativo detalhado referente ao período de janeiro/1988 a março/95, com o fito de comprovar a composição da base de cálculo do PIS. Isso porque, como é sabido, diante de tais registros, é possível se constatar e comprovar os valores das operações de venda, devoluções etc. (faturamento), os quais, após as exclusões (Livros Diários), condizem com o valor da base de cálculo do PIS, objeto do presente pedido de compensação. Ademais, cabe ressaltar que foram fornecidas cópias de todas as DIPJ apresentadas, ora reapresentadas, sendo que as normas que regulam a entrega de informações da DIPJ obrigam que o contribuinte informe o faturamento mensal de PIS, logo, pelas duas formas é possível se conhecer o crédito pleiteado. Diante disso, invoca as normas do processo administrativo fiscal, especialmente, o princípio da verdade material, requerendo autorização para a juntada de novos documentos e a realização de diligências eventualmente necessárias, e perícia contábil, inclusive para cálculo dos créditos através dos Livros de Apuração de IPI e Livros Diários. A 4ª Turma da DRJ/Brasília/DF, por meio do Acórdão 03072.104, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARGÜIÇÃO REJEITADA. Não há que se falar em cerceamento da defesa quando a decisão da autoridade administrativa se sustenta em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO SOLICITADO, POR ISSO INEXISTENTE. A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo. No caso, não foi comprovada a existência do crédito pleiteado, portanto, inexistente. Fl. 3608DF CARF MF 4 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo demonstrar, por meio de provas hábeis, a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. No Recurso Voluntário, a empresa reforça os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta pedido de nulidade da decisão recorrida, por ter violado, segundo entende, o direito da recorrente de apresentação de provas. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieria, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar de nulidade do acórdão recorrido por violação ao direito de prova A recorrente pede a nulidade da decisão recorrida, por entender que as provas trazidas aos autos seriam suficientes para o deferimento do pleito e que a exigência de outros documentos estaria lhe negando o direito de defesa, na medida em que é permitida a prova por todos os meios, cf. art. 369 do CPC. Transcrevo pequeno excerto do seu recurso (fl. 3.507): Importa salientar que o Livro Razão, exigido como "indispensável" para a comprovação do crédito, nem sequer era obrigatório até 01/01/1992, o que configura nítido óbice ao direito de prova e obstáculo instransponível à RECORRENTE! Todavia, tal matéria foi o fundamento da decisão recorrida para negar o provimento, de modo que o tema confundese com o mérito, que trata, justamente, somente de provas. Mérito 1 – Decadência Sob esse título a recorrente pede para que a restituição/compensação seja deferida pela passagem do tempo. Argumenta que os fatos geradores são do período de 1988 a 1995. Transcrevo excertos: Fl. 3.511: Nesse contexto, esclareçase que a RECORRENTE não se insurge quanto à possibilidade de verificação/confirmação do crédito, mas sim da intenção de se confirmar se a apuração do PIS conforme os Decretoslei foi correta ou não. Ora, essa questão é facilmente solucionada por meio da análise das DIPJs dos respectivos períodos, as quais se encontram Fl. 3609DF CARF MF Processo nº 13811.001823/0060 Acórdão n.º 3201004.855 S3C2T1 Fl. 4 5 carreadas na defesa, vez que demonstram que foi considerada como base de cálculo para pagamento do PIS aquela declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (PIS MENSAL com a alíquota de 0,65% incidente sobre a receita bruta operacional, conforme disposto nos DecretosLei n^ 2.445/88 e n^ 2.449/88). E é exatamente essa apuração que constituiu o crédito tributário que impede que neste momento o valor apurado de PIS seja revisitado, devendo o pagamento ser o ponto de partida para apuração do indébito, pelo confronto dos DARFs efetivamente pagos com o valor de PIS que seria devido se aplicada a sistemática da LC 07/70, qual seja, alíquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior à competência, tal como reconhecido pelo STF. Portanto, clara é a decadência no presente caso, pois a análise do PIS pago esbarra no óbice do art. 150, § 4o, do CTN, sendo dever da administração pública apenas confrontar o valor pago com aquele que seria devido nos exatos termos do acórdão proferido pelo STF. Não lhe assiste razão. Não existe decadência de informações contábeis. Qualquer indébito alegado somente pode ser deferido se revestido de legalidade estrita. Em hipótese alguma um crédito ilegal poderá ser deferido pela passagem do tempo. O que se impede, pela passagem do tempo, é a constituição do crédito tributário (lançamento) ou sua cobrança, para os fins da segurança jurídica. Jamais a passagem do tempo ensejará o deferimento de crédito/indébito ilegal. Assim, qualquer requerimento de restituição ou ressarcimento, enseja a auditoria de sua legalidade, desde sua origem. Ocorre que, ainda que o indébito seja ilegal, se tiver havido Declaração de Compensação, e ultrapassados 5 anos, não se pode mais cobrar o débito compensado, porém, jamais se restituirá o crédito ilegal. A legislação da compensação tributária é expressa em estabelecer o prazo de 5 anos para a homologação da compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Não se homologa pedido de crédito ou restituição: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 3610DF CARF MF 6 (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Por óbvio, se o prazo de homologação da compensação é contado a partir da Declaração de Compensação, o indébito poderá ser anterior a 5 anos. Portanto, afasto a preliminar suscitada. 2 Provas As afirmações e reafirmações do direito à restituição, reconhecida pelo STF, são inócuas, porque não se contestou a tese, mas a prova do pagamento indevido. Nesse ponto, o argumento central da recorrente é o de que as provas já juntadas aos autos seriam suficientes para a auditoria e deferimento dos pretendidos indébitos. Copio trecho do recurso nesse sentido: 46. Nesse contexto, sem maiores esforços, com base nos Livros de Registro e Apuração do IPI, é possível aferir o valor do faturamento do 69 mês anterior ao respectivo mês de competência que consubstancia a base de cálculo do PIS, sobre a qual deve ser aplicada alíquota de 0,75%, nos termos do art. 35, alínea b, e artigo 69 da LC 07/709: 47. Vejam que a RECORRENTE, no Pedido de Restituição, ainda acrescenta outras receitas no cômputo da base de cálculo, ao passo que a interpretação literal do acórdão proferido pelo STF induz à consideração exclusiva do faturamento como base de cálculo, o que ainda poderia evidenciar crédito a maior do que o pleiteado. 48. Ademais, acrescentese que a RECORRENTE é pessoa jurídica de direito privado, com atividade industrial no ramo de metais sujeita à incidência do IPI, sendo certo que todas as suas vendas são de produtos industrializados. 49. Assim, é inconteste que seu faturamento é registrado no Livro de Registro e Apuração do IPI, de modo que este Livro Fiscal obrigatório também pode ser considerado para fins de demonstração do faturamento e, por consequência, da base de cálculo do PIS. 50. Assim, no citado exemplo, para conferir a base de cálculo utilizada para a competência 06/90, considerando que a RECORRENTE apresentou Livro de Apuração de IPI do mês 12/89, com valor total de vendas no importe de R$ NCz$ 57.426.949,07, bastava à autoridade fiscal, aplicar a alíquota de 0,75% sobre esse montante, para apurar o PIS devido pela semestralidade e dele subtrair o DARF de pagamento. 51. Nesse ponto, importante destacar que foram fornecidas cópias digitalizadas de 15 Livros de IPI, das 4 empresas detentoras originárias dos créditos de 1988 a 1995, e não de 13 como afirmado pela autoridade fiscal, os quais representam toda a movimentação realizada pelas empresas, na medida em que os Fl. 3611DF CARF MF Processo nº 13811.001823/0060 Acórdão n.º 3201004.855 S3C2T1 Fl. 5 7 demais estabelecimentos não apresentaram movimentação no período. 52. No entanto, a autoridade fiscal e a DRJ/BSB quedaramse silentes diante dos pagamentos realizados sob a égide da norma declarada inconstitucional, haja vista que não analisaram o mínimo possível, qual seja, o faturamento (Livros de Registro e Apuração do IPI) x pagamento realizado DARFs, de modo que, por via transversa, vão de encontro à decisão do STF, o que é inadmissível. 53. Por fim, repisese que os Livros Razão requisitados pela autoridade fiscal e reiterados pela DRJ/BSB se tornaram obrigatórios somente a partir de 01/01/199210,ou seja, como exigir estes livros como única prova capar de provar o faturamento se eles sequer eram obrigatórios? 54. Vale dizer, tal fato por si só materializa a possibilidade de provar o faturamento pelo Livro de Apuração do IPI e pelos Livros Diários, no mínimo, até essa data, sendo certo que a RECORRENTE protesta pela juntada posterior de LAUDO CONTÁBIL que irá retratar os Livros Razão, de forma a afastar, definitivamente, qualquer dúvida que possa, eventualmente, ainda existir, a respeito da comprovação de seu direito. 55. Portanto, concluise que com base nos Livros de Registro e Apuração do IPI, DARFs e DIPJs apresentados, resta evidenciado o lastro do indébito pleiteado, devendo ser reformado o v. acórdão para homologar integralmente as compensações em questão. Em resumo, afirma a recorrente que os Livros RAIPI e Diário, além da DIPJ, supririam a documentação suficiente para a aferição do indébito. Não lhe assiste razão. A base de cálculo do Pis, na LC 07/70, à época dos fatos geradores, o faturamento, engloba, além da venda de produtos, também a prestação de serviços e outras receitas operacionais, que não constam nos Livros RAIPI. A DIPJ contém declaração da recorrente, assim como as planilhas, mas o dever do Fisco é conferir as declarações dos contribuintes, aferir sua idoneidade, confrontar com os respectivos lastros documentais. A escrituração contábil/fiscal difere de meras planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Fl. 3612DF CARF MF 8 Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. O livro Razão é imprescindível para a auditoria, porque traz os lançamentos organizados por contas, onde é possível, a partir do plano de contas e balancetes, conferir os lançamentos por conta. Isto é impossível com o Livro Diário em papel, onde os lançamentos são organizados por ordem cronológica. Isto é, o Diário em papel, da empresa, noticiado como tendo mais de 518.000 folhas, não é auditável. Não se pode conferir nem a prestação de serviços, nem as exclusões da base de cálculo do Pis, a partir do Livro Diário em papel. O livro Razão, diferentemente do que afirma a recorrente, é obrigatório pelo menos desde a vigência do DecretoLei 1.598/77, conforme seu art. 8º, II: Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 13811.001823/0060 Acórdão n.º 3201004.855 S3C2T1 Fl. 6 9 (...)II razão auxiliar em ORTN (art. 42). Refere ao mesmo Livro os Regulamentos do Imposto de Renda vigentes no período, Decreto 85.450/80, em seu art. 161, IV3, e Decreto 1.041/94, artigo 206, V4. A recorrente, mesmo intimada a apresentar o livro Razão, como visto, imprescindível, não o fez, e não o apresenta até o momento. Assim, se mostra incompreensível tal relutância. Após o Recurso Voluntário, a recorrente apresentou, por petição, laudo, contendo planilhas de cálculos (fls. 5.585 e seguintes). A prova apresentada após o recurso, o laudo, é intempestiva e incompleta. Intempestiva porque não apresentada durante a fiscalização, quando a empresa foi intimada, e nem na Impugnação, onde deve apresentar todas as provas, cf. art. 16, §4º do PAF. Incompleta, porque, novamente, tratase de informação que, caso apresentada tempestivamente, teria de ser ainda auditada e confrontada com os Livros e respectivos lastros, conforme já assentado. O caso não está abrangido pela dialética processual, no qual fatos novos surgem em momentos processuais posteriores, permitindo ao contribuinte a apresentação de novas provas para contestar novas exigências ou novos fundamentos. Aqui isso não se deu. E ainda, a pretendida diligência não se revela pertinente, posto que não se trata de procedimento para suprir a omissão do contribuinte em apresentar tempestivamente os documentos apropriados. Reabrir prazo e retornar às fases anteriores ao julgamento, nessa circunstância, deixaria o controle da temporalidade do processo à mercê do interessado, 3 Art. 161. A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir (Lei n° 154/47, art. 2°, e DecretoLei n° 1.598/77, art. 8°). I livro para registro de inventário; II livro para registro das compras; III livro de apuração do lucro real; IV livro razão auxiliar em ORTN, para as pessoas jurídicas referidas no parágrafo 2° do art. 348. 4 Art. 206. A pessoa jurídica, além dos livros de contabilidade previstos em leis e regulamentos, deverá possuir os seguintes livros (Leis n°s 154/47, art. 2°, 7.799/89, art. 15, e 8.383/91, art. 48, e DecretoLei n° 1.598/77, arts. 8° e 27): (...) V Razão Auxiliar em Ufir diária; Fl. 3614DF CARF MF 10 subvertendo diversos princípios processuais da Lei 9.784/99, art. 2º, tais como a eficiência (caput), interesse público (caput), impulsão de ofício (inciso XII). 3 Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 3615DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000394/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2003
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão somente sua transferência para o Fisco.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha efetuado pagamento, mesmo que parcial, e não tendo se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Esta regra aplica-se também às contribuições sociais em face da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ONUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto a ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados
Numero da decisão: 1301-003.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e a arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão somente sua transferência para o Fisco. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha efetuado pagamento, mesmo que parcial, e não tendo se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Esta regra aplicase também às contribuições sociais em face da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ONUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto ò Código Tributário Nacional AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 94 /2 00 8- 40 Fl. 324DF CARF MF 2 outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Aplicação da Súmula CARF nº 4. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto a ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e a arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 15956.000394/200840 Acórdão n.º 1301003.477 S1C3T1 Fl. 325 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 968.131,74 (fl. 02) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) de R$ 348.527,42 (fl.07), acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 3.193.030,11 (fl. 01), em virtude de omissão de receita caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, conforme demonstrativo de fls. 12/18. O procedimento fiscal iniciouse em 24/05/2006 com a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização de fl. 20, por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar, relativamente ao anocalendário de 2003, os livros Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração do ICMS, Registro de Apuração do IPI, Registro de Apuração do Lucro Real, livros Diário e Razão e Notas Fiscais emitidas, entre outros. Além disso, solicitou a apresentação dos extratos bancários relativos as contas mantidas no BANKBOSTON Banco Múltiplo S/A e no Banco Itau S/A, bem como os livros Razão e Diário com a escrituração da movimentação financeira e os documentos que lhe deram suporte. Conforme Termo de Verificação e Intimação Fiscal (fls. 40/41), a contribuinte apresentou os livros Razão e Diário, balancetes contábeis, além dos livros fiscais. Em razão da não apresentação dos extratos bancários foram emitidas as "Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira" contendo intimação ao BANKBOSTON Banco Múltiplo S/A e ao Banco Itau S/A para apresentação de dados relativos às contascorrentes movimentadas pela empresa fiscalizada no período de 2003, o que foi atendido com a apresentação dos extratos bancários. A Fiscalização, de posse das informações prestadas pelos bancos (doc. de fls. 32/33, após excluir as transferências entre contas da empresa, os estornos, as taxas cobradas pelos bancos, as aplicações financeiras, etc, apurou os valores reais ingressados nas contas bancárias correspondentes as receitas da atividade da empresa que se encontram consignados em duas planilhas intituladas de "DEMONSTRATIVO DOS VALORES LANÇADOS A CRÉDITO NA CONTA CORRENTE DA EMPRESA" (fls. 42/44), cujos valores, segundo informou, não foram computados na base de cálculo do IRPJ apurado com base no lucro real e que, em tese, representariam receita da atividade da empresa. Intimada em 16/03/2007 (AR de fl. 45) a comprovar a origem dos valores creditados nas contascorrentes relacionados no demonstrativo de fls. 42/44, a contribuinte, após solicitar prorrogação de prazo e ser novamente intimada em 04/04/2007 para o mesmo fim, apresentou os esclarecimentos de fls. 51/53 informando que 07 (sete) dos depósitos bancários na conta bancária mantida no Banco Itaú, no montante de R$ 680.000,00, referemse integralização de capital social da empresa, conforme quadro demonstrativo de fl. 52, e que os lançamentos efetuados sobre a rubrica "empréstimos de terceiros" consistem na realidade de Fl. 326DF CARF MF 4 movimentações financeiras advindas de relações comerciais havidas entre empresas, onde deveria ser utilizado os termos "adiantamento de clientes/adiantamento a fornecedores". Intimada em 23/04/2007 (fls. 54/56) a comprovar que os citados depósitos correspondem as operações de "adiantamento de clientes/adiantamento a fornecedores", a empresa, por meio do expediente de fls. 61/962, apresentou diversas notas fiscais, conforme consta no Termo de Encerramento (fl. 234), emitidas pela empresa Smar Equipamentos Industriais Ltda em favor da fiscalizada, alegando que se tratam de depósitos de adiantamento de clientes/adiantamento a fornecedores. Posteriormente, apresentou um demonstrativo (fls. 64/65) que, segundo alegou, conteria as explicações solicitadas pela Fiscalização. Após análise de toda a documentação, a Fiscalização concluiu que a empresa apresentou documentos com explicação sobre os valores relativos A. saída de recursos da empresa (aplicação dos recursos), porém não apresentou documentos hábeis de modo a comprovar a origem dos recursos ingressados em suas contas correntes, ou sei a, não comprovou que os depósitos/créditos são decorrentes de valores outros que não receitas de sua atividade, razão pela qual procedeu o levantamento dos valores totais depositados em suas contas bancárias e elaborou o "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS RECEITAS AUFERIDAS EM CONTACORRENTE DA EMPRESA" (fls. 12/17). Elaborou também o "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS RECEITAS NÃO OFERECIDAS A TRIBUTAÇÃO" (fl. 18), no qual a Fiscalização confrontou os valores totais das receitas contabilizadas e oferecidas à tributação com os valores totais dos créditos/depósitos nas contas bancárias e a diferença obtida foi considerada receita não oferecida à tributação a qual foi levada A. tributação para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Inconformada, a contribuinte, por intermédio de seus procuradores legalmente constituídos, apresentou a impugnação de fls. 238/268 aduzindo como razões de defesa o seguinte: Nulidade do lançamento. Prova ilícita. Alegou que a Fiscalização utilizouse de provas ilícitas, uma vez que os extratos bancários foram obtidos diretamente das instituições financeiras sem ordem judicial e que a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, não afasta o prévio exame do Poder Judiciário sobre o cabimento da quebra do sigilo, transferindo tal prerrogativa 6. própria administração pública, razão pela qual requereu a nulidade do procedimento fiscal. Decadência. Alegou que, consoante o disposto no art. 42, §1°, da Lei n° 9.430, de 1996, "o fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa fisica para fins de tributação quando da existência de omissão de receita lançada por presunção com base em extratos bancários será o mês em que houver o crédito pela institui cão financeira." No entender da contribuinte, sendo o fato gerador mensal, os períodos entre 01/2003 a 11/2003 estariam decaídos, nos termos do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN). Presunção de omissão de receita. Alegou que a autoridade fiscal lavrou o auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato tributário. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 15956.000394/200840 Acórdão n.º 1301003.477 S1C3T1 Fl. 326 5 Argumentou que não basta a simples presunção ad hominis levantada pela autoridade administrativa de que houve omissão de receitas para dar fundamento ao auto de infração, é preciso que a fiscalização apresente elementos comprobatórios seguros de houve omissão de receita, o que não foi feito. Acrescentou que, certamente, existirão lançamentos em duplicidade, transferências entre contas de mesma titularidade que foram tributados, mas que estaria a impugnante impossibilitada de demonstrar, já que a ela não foi encaminhado planilha discriminando os depósitos bancários, um a um, que foram utilizados na apuração da omissão de receita e que, pelo valor global, não tem a impugnante condições de justificálos. Requereu, caso não seja aceita sua tese ventilada, a realização de intimação com o encaminhamento de planilha onde se discriminam os depósitos bancários, um a um, que foram utilizados na apuração da exigência ou, a menos, a realização de diligência para se discriminar tais depósitos e possibilitar, posteriormente, a apresentação, dentro de prazo razoável, justificativas. Tributação reflexa. Reiterou todos os argumentos já ventilados, negando o crédito tributário. Juros de mora Contestou a utilização da taxa Selic alegando que apesar de estar prevista em norma de patamar de lei ordinária, contraria norma de escaldo hierárquico superior e que qualquer exigência em descompasso com o art. 161, §1°, do CTN, é totalmente improcedente. Multa aplicada. Alegou que a multa de 75% ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5 0, LIV) e da proibição do confisco (art. 150, IV), previstos na Constituição Federal, devendo a multa ser reduzida ao patamar de 20%, em conformidade com o art. 61, §2°, da Lei no 9.430, de 1996. A autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 281 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ONUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o emus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituida por meras alegações. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo"tempo, fato gerador de vários tributos, implicam na obrigatoriedade Fl. 328DF CARF MF 6 de constituição dos respectivos créditos tributários. A decisão quanto A: ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha efetuado pagamento, mesmo que parcial, e não tendo se utilizado de dolo, fraude ou simulação, se extingue no prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Esta regra aplicase também às contribuições sociais em face da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 24/08/2010, o contribuinte apresentou, fl. 299 e segs, em 27/08/2010, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 15956.000394/200840 Acórdão n.º 1301003.477 S1C3T1 Fl. 327 7 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fatos Tratase de autos de infração em que se exige o IRPJ e CSLL, acrescidos de juros de mora e multa de oficio de 75%, em virtude de omissão de receita caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 Preliminar Nulidade violação ao contraditório e ampla defesa Conforme relatado, a Recorrente alegou que o lançamento é nulo porque não houve a oportunidade de manifestarse acerca dos depósitos bancários e também não houve a devida comprovação dos valores identificados nos extratos bancários com os valores lançados em sua contabilidade, tanto que alguns valores sequer foram considerados pela Fiscalização quando da apuração, citando como exemplo, dois valores que seriam decorrentes de vendas efetuadas e que estariam contabilizados. Contrariamente ao afirmado pela Recorrente, há nos autos planilha de fls. 42/44 em que são mencionados os depósitos que não estavam escriturados e que não foram computados na base de cálculo do IRPJ. Há, ainda, prova de intimação da contribuinte em 16/03/2007 (AR de fl. 45) a comprovar a origem dos valores creditados nas contascorrentes relacionados na referida planilha. Acerca dos dois valores que seriam decorrentes de vendas efetuadas, nada mais natural do que não estarem mencionados na autuação, pois a Fiscalização ao apurar a omissão de receita levou em consideração todos os valores contabilizados e oferecidos tributação e tributou como omissão de receita apenas a diferença entre os depósitos/créditos bancários e a receita oferecida à tributação. Enfim, verificase que o lançamento decorreu de fiscalização regular, com as peças impositivas tendo sido lavradas rigorosamente nos termos da lei, no caso, o art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), observando ainda todos os requisitos constantes do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. Evidente também que não se configurou nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, mostrandose válido, para todos os efeitos legais, os lançamentos efetuados pela fiscalização, razões pelas quais é de se rejeitar as preliminares suscitadas. Fl. 330DF CARF MF 8 Nulidade prova ilícita obtida por quebra de sigilo bancário Conforme relatado, a Recorrente alegou que a Fiscalização utilizouse de provas ilícitas, uma vez que os extratos bancários foram obtidos diretamente das instituições financeiras sem ordem judicial e que a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, não afasta o prévio exame do Poder Judiciário sobre o cabimento da quebra do sigilo, transferindo tal prerrogativa a própria administração pública, razão pela qual requereu a nulidade do procedimento fiscal. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar n° 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pelo contribuinte. Nulidade Decadência dos períodos de 01/03 a 11/03 Conforme relatado, a Recorrente alegou que, consoante o disposto no art. 42, §1°, da Lei n° 9.430, de 1996, "o fato gerador do imposto sobre a renda de pessoa física para fins de tributação quando da existência de omissão de receita lançada por presunção com base em extratos bancários será o mês em que houver o crédito pela instituição financeira." No entender da contribuinte, sendo o fato gerador mensal, os períodos entre 01/2003 a 11/2003 estariam decaídos, nos termos do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional (CTN). O contribuinte, apegandose à letra do § 1° do art. 42 da Lei n° 9.430/ 1996, sustentou que houve decadência quanto aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2001, aplicandose ao caso o art. 150, § 4°, Código Tributário Nacional. Eis o dispositivo invocado pela recorrente: Art. 42. [...] § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Em se tratando de pessoa física, o valor considerado, por força da presunção, como rendimento omitido é tomado, para fins de tributação, como recebido no mês em que realizado o depósito, incidindo o tributo no próprio mês. Não obstante, à semelhança do que ocorre com os demais rendimentos, fica ele sujeito à tributação na declaração de ajuste anual. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 15956.000394/200840 Acórdão n.º 1301003.477 S1C3T1 Fl. 328 9 Assim, a lei cingiuse a estabelecer uma presunção, na qual não se pode ver uma forma específica de tributação. Dessa forma, conforme referiu a DRJ de origem, temse que o fato gerador ocorre ao final do anocalendário. Assim, em relação ao anocalendário 2001, iniciandose, caso aplicável ao contribuinte a regra mais favorável (a contida no art. 150 § 4° do CTN), em 1° de janeiro de 2002 a contagem do prazo decadencial, findando em 31/12/2006, não tendo se exaurido este antes da notificação do lançamento que ocorreu em 18/09/2006. Cumpre salientar que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF n° 38). Assim, seja pela aplicação do art. 150 § 4° do CTN ou do art. 173, inciso I, também do CTN, temse por não configurada a decadência. Mérito Presunção de omissão de receitas impossibilidade Conforme relatado, a Recorrente alegou que a autoridade fiscal lavrou o auto de infração tendo, exclusivamente, por supedâneo, a mera presunção, sem demonstrar, cabalmente, como era de sua competência, os elementos que compõem o fato tributário. Argumentou que não basta a simples presunção ad hominis levantada pela autoridade administrativa de que houve omissão de receitas para dar fundamento ao auto de infração, é preciso que a fiscalização apresente elementos comprobatórios seguros de houve omissão de receita, o que não foi feito. Acrescentou que, certamente, existirão lançamentos em duplicidade, transferências entre contas de mesma titularidade que foram tributados, mas que estaria a impugnante impossibilitada de demonstrar, já que a ela não foi encaminhado planilha discriminando os depósitos bancários, um a um, que foram utilizados na apuração da omissão de receita e que, pelo valor global, não tem a impugnante condições de justificálos. Requereu, caso não seja aceita sua tese ventilada, a realização de intimação com o encaminhamento de planilha onde se discriminam os depósitos bancários, um a um, que foram utilizados na apuração da exigência ou, a menos, a realização de diligência para se discriminar tais depósitos e possibilitar, posteriormente, a apresentação, dentro de prazo razoável, justificativas. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 332DF CARF MF 10 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Conforme previsão do art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo da contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Para a DRJ de origem os documentos presentes nos autos não foram totalmente suficientes para provar de maneira inequívoca os valores que circularam em conta bancária da contribuinte já foram tributados. Ocorre que é necessário comprovar individualizadamente depósito por depósito, demonstrando a origem do recurso, de modo a comprovar, se for o caso, que os valores que ingressaram na conta do contribuinte possuem origem. E que a origem já foi Fl. 333DF CARF MF Processo nº 15956.000394/200840 Acórdão n.º 1301003.477 S1C3T1 Fl. 329 11 tributada ou que, por alguma fundamentação, seria rendimento isento, não tributável ou sujeito a alguma tributação específica. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Juros SELIC e multa confiscatória Conforme relatado, a Recorrente contestou a utilização da taxa Selic alegando que apesar de estar prevista em norma de patamar de lei ordinária, contraria norma de escaldo hierárquico superior e que qualquer exigência em descompasso com o art. 161, §1°, do CTN, é totalmente improcedente. Ainda, a Recorrente alegou que a multa de 75% ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5 0, LIV) e da proibição do confisco (art. 150, IV), previstos na Constituição Federal, devendo a multa ser reduzida ao patamar de 20%, em conformidade com o art. 61, §2°, da Lei no 9.430, de 1996. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Além disso, estabelece a Súmula CARF n° 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Deste modo, não há como acolher a tese do recorrente, não merecendo provimento o recurso do contribuinte também quanto a esta matéria. No que se refere a multa, e cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e a arguição de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 334DF CARF MF 12 Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902711/2016-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.569
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 71 1/ 20 16 -1 7 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13851.902711/201617 Resolução nº 3402001.569 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13851.902711/201617 Resolução nº 3402001.569 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13851.902711/201617 Resolução nº 3402001.569 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.917141/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.384
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 41 /2 01 3- 81 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.917141/201381 Acórdão n.º 3302006.384 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1451.433, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.917141/201381 Acórdão n.º 3302006.384 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917141/201381 Acórdão n.º 3302006.384 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720398/2017-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância do contraditório e da ampla defesa.
SERVIDORES TEMPORÁRIOS, AUTÔNOMOS E COMISSIONADOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL
Os servidores temporários, autônomos e comissionados são classificados no Regime Geral da Previdência Social vinculados ao Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal.
SERVIDORES EFETIVOS ABRANGIDOS PELO RPPS
O município de Capanema possui regime próprio comprovado.
Demonstrado através do conjunto probatório dos autos que alguns servidores indicados nas tabelas da fiscalização foram nomeados por concurso público e estão sujeitos ao regime próprio da previdência social, devem ser excluídos da base de cálculo da exigência tributária.
Numero da decisão: 2401-005.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo as remunerações dos servidores concursados que constam nas portarias de nomeação de fls. 594/601 e 604/619 que estejam incluídos nas tabelas de fls. 40/357.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente)
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância do contraditório e da ampla defesa. SERVIDORES TEMPORÁRIOS, AUTÔNOMOS E COMISSIONADOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Os servidores temporários, autônomos e comissionados são classificados no Regime Geral da Previdência Social vinculados ao Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal. SERVIDORES EFETIVOS ABRANGIDOS PELO RPPS O município de Capanema possui regime próprio comprovado. Demonstrado através do conjunto probatório dos autos que alguns servidores indicados nas tabelas da fiscalização foram nomeados por concurso público e estão sujeitos ao regime próprio da previdência social, devem ser excluídos da base de cálculo da exigência tributária.
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NÃO OCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância do contraditório e da ampla defesa. SERVIDORES TEMPORÁRIOS, AUTÔNOMOS E COMISSIONADOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Os servidores temporários, autônomos e comissionados são classificados no Regime Geral da Previdência Social vinculados ao Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal. SERVIDORES EFETIVOS ABRANGIDOS PELO RPPS O município de Capanema possui regime próprio comprovado. Demonstrado através do conjunto probatório dos autos que alguns servidores indicados nas tabelas da fiscalização foram nomeados por concurso público e estão sujeitos ao regime próprio da previdência social, devem ser excluídos da base de cálculo da exigência tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo as remunerações dos servidores concursados que constam nas portarias de nomeação de fls. 594/601 e 604/619 que estejam incluídos nas tabelas de fls. 40/357. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 03 98 /2 01 7- 13 Fl. 1135DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (DRJ/BEL) que julgou a Impugnação improcedente mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 0134.693 (fls. 709/715): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DO DEVER DE COLABORAÇÃO. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. OBJETIVO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. 1. Diante da ocorrência do fato gerador e do não cumprimento do dever de colaboração por parte do sujeito passivo consistente na apresentação parcial de livros e documentos solicitados a Administração Tributária não poderia quedar inerte e com isso beneficiar quem não cumpriu seu dever de colaboração. 2. Para não ruir o Sistema Tributário Nacional diante de situações como essa, o ordenamento jurídico responde com a técnica do arbitramento, inclusive em sede de lei complementar e de leis ordinárias. O principal efeito lógico, jurídico e processual do lançamento das contribuições a partir da aferição indireta, devidamente motivada e com metodologia transparente, é a inversão do ônus da prova. Caberia ao Impugnante comprovar que entregou todos os documentos solicitados ou demonstrar em que medida os valores apurados não correspondem aos eventos ocorridos, ou seja, que a base de Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10280.720398/201713 Acórdão n.º 2401005.902 S2C4T1 Fl. 3 3 cálculo arbitrada não está correta, a partir de provas hábeis e idôneas para cada competência lançada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de dois Autos de Infração, lavrados em 20/03/2007, referentes ao período de 01/2013 a 12/2013, incluindo o 13º Salário, relativos às: 1. Contribuições Previdenciárias, parte patronal, e GILRAT, no valor total de R$ 14.900.183,57 (fls. 02/13); 2. Contribuições Previdenciárias dos Segurados, no valor total de R$ 2.622.646,93 (fls. 15/21). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 24/38): 1. Foi constada a falta de pagamento de Contribuições Previdenciários a cargo do ente estatal e dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações recebidas por segurados empregados e contribuintes individuais, "tendo como parâmetro os registros contábeis relacionados a despesas com pessoal, extraídos do balanço financeiro fornecido pelo TCM/PA e dados da DIRF"; 2. As folhas de pagamento disponibilizadas e as GFIP enviadas pelo sujeito passivo não registraram as remunerações de todos os segurados ou registraram em valores inferiores à efetivamente pagas; 3. Em resposta ao pedido de esclarecimentos sobre os dados constantes em folha de pagamento e à sugestão para eventuais retificações, foi exibida folha de pagamento com o mesmo conteúdo disponibilizado inicialmente e não foram realizada as alterações solicitadas; 4. Foram realizadas novas intimações solicitando documentos mas, transcorrido o prazo estipulado, e até o encerramento do procedimento fiscal, os elementos requisitados não foram entregues ou quando os foram não atenderam aos requisitos pleiteados. O Órgão Público não conseguiu comprovar a regularidade do regime próprio de previdência do município; 5. A falta da entrega de documentos solicitados resultou no arbitramento por aferição indireta das Contribuições Previdenciárias; 6. O Órgão Público não informou em GFIP, em nenhuma competência abrangida pelo procedimento fiscal, a categoria de contribuintes individuais, em razão disso o lançamento se originou da diferença entre os valores informados na DIRF e os encontrados na conta 33390360000 Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física, extraída do Balanço Financeiro. Fl. 1137DF CARF MF 4 Em 24/03/2017 o Contribuinte tomou ciência da Notificação, via Correio (AR fl. 579) e em 24/04/2017, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 583 a 589, instruída com os documentos nas fls. 590 a 704. Diante da impugnação tempestiva o processo foi encaminhado à DRJ/BEL para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0134.693, em 01/09/2017 a 4ª Turma afastou a nulidade e em razão da insuficiência de provas apresentadas, julgou improcedente a Impugnação e manteve integralmente os Autos de Infração. Em 13/09/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 1132) e em 13/10/2017 interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 717 a 738, instruído com os documentos relacionados nas fls. 739 a 1131. Em razões recursais faz um breve relato dos fatos (fls. 718/719) para, em seguida, asseverar o seguinte: 1. A nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa, tendo em vista que não foram juntados aos autos o relatório dos registros contábeis extraídos do balanço financeiro fornecidos pelo TCMPA e os dados da DIRF que serviram de base para o arbitramento; 2. O lançamento por arbitramento é uma exceção, sendo que o município de Capanema teve mudança em sua gestão governamental, o que dificultou as respostas das intimações apresentadas; 3. Afirma que essa mudança de gestão desencadeou uma série de problemas, uma vez que o município foi sucateado nos seus sistemas de trabalho, com sistemas operacionais de alguns computadores desinstalados, sistemas de contabilidade e finanças desativados, com exclusão de arquivos digitais, comprometendo a verificação por parte da nova gestão; 4. Argumenta sobre a possibilidade de apresentação de provas posteriormente à fase de impugnação e da análise de novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos Princípios da Verdade Material e da Instrumentalidade dos atos administrativos; 5. Assevera que foram juntados aos autos os documentos que comprovariam a regulação do regime próprio de previdência do município, bem como a admissão dos servidores em cargos de provimento efetivo. Finaliza seu Recurso Voluntário, preliminarmente, requerendo a nulidade ou cancelamento dos Autos de Infração e, alternativamente, demonstrada a insubsistência e improcedência da Ação Fiscal, que o recurso seja acolhido para o fim de cancelamento do débito fiscal. É o relatório Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10280.720398/201713 Acórdão n.º 2401005.902 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa O Recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por preterição do direito de defesa, tendo em vista que não foram juntados aos autos o relatório dos registros contábeis extraídos do balanço financeiro fornecidos pelo TCMPA e os dados da DIRF que serviram de base para o arbitramento. Alega que desconhece as razões determinantes do lançamento, bem como os elementos em que ele se apóia. Pois bem. Durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado diversas vezes para a apresentação de documentos pelo fato de existirem incompatibilidades nas folhas de pagamento, conforme constatado por dados oriundos do TCM. No Relatório Fiscal destacamse os seguintes trechos das tentativas de esclarecimentos por parte da fiscalização: 3.3. Como a Folha de Pagamento, posta à disposição, não trazia informações a respeito da totalidade dos contribuintes individuais autônomos que lhe prestaram serviços sem vínculo empregatício, situação constatada por dados oriundos do TCM, foi requisitado arquivo contendo tais informes, haja vista terem sido disponibilizados em meio físico, com cadernos intitulados “PRESTADORES DE SERVIÇOS”, contendo cópias dos movimentos, notas e ordem de pagamento relacionadas aos empenhos correspondentes (Termo de Intimação Fiscal nº 02). 3.4. Por amostragem, foram requisitadas portarias de homologação de concursos públicos e de nomeação de servidores, incluindose o cargo de Agente Comunitário de Saúde. (Termo de Intimação Fiscal nº 03). 3.5. Findos os prazos estipulados para atendimento das demandas contidas nos termos de intimação, e como não houve manifestação do contribuinte, foi emitido o termo de nº 4, incorporando o teor incluso naqueles não atendidos. Fl. 1139DF CARF MF 6 3.6. Expirado o prazo, e como as demandas continuaram a não serem atendidas, foi enviado o Termo de Intimação Fiscal nº 05. 3.7. Com ofício datado de 23/02/2017, e reportandose ao Termo de Intimação Fiscal nº 4, a prefeitura apresenta Folha de Pagamento em arquivo digital. 3.7.1. Ao serem analisadas as informações prestadas em meio digital, relacionadas à Folha de Pagamento, certificouse que seu teor continua o mesmo dos apresentados anteriormente. 3.7.2. Alegando a situação crítica encontrada pela nova administração, informa que no prazo máximo de 15 (quinze) dias, emitiria as portarias de homologação de concursos públicos e de nomeação de servidores, incluindose o cargo de Agente Comunitário de Saúde. 3.7.3. Transcorrido o prazo estipulado e, até o encerramento do procedimento fiscal, os elementos requisitados não foram entregues ou quando os foram não atenderam aos requisitos pleiteados. No Relatório Fiscal encontramse detalhadas todas as informações atinentes à apuração do crédito tributário. Compulsando os autos, verificase que constam planilhas com os dados detalhados de cada trabalhador (fls. 40/466), além do balanço financeiro fornecidos pelo TCM PA (fls. 562/574). Nos autos de infração estão descritos o Demonstrativo de Apuração de Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregado, o cálculo da multa e dos juros de mora. Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância do contraditório e da ampla defesa. Com efeito, o contribuinte apresentou sua defesa, com plena compreensão da matéria objeto do lançamento, ocasião em que teve oportunidade de juntar documentos relacionados à demanda em litígio, inclusive portarias de nomeações de servidores decorrentes de aprovação em concurso público. Assim, não verifico o alegado cerceamento ao direito de defesa ou mesmo qualquer mácula que possa comprometer a validade do lançamento. Dessa forma, rejeito a preliminar suscitada. Lançamento por arbitramento O Recorrente alega que o lançamento por arbitramento é uma exceção e que o município de Capanema teve mudança em sua gestão governamental, o que dificultou as respostas das intimações apresentadas. Afirma que esse fato desencadeou uma série de problemas, uma vez que o município foi sucateado nos seus sistemas de trabalho, com sistemas operacionais de alguns computadores desinstalados, sistemas de contabilidade e finanças Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10280.720398/201713 Acórdão n.º 2401005.902 S2C4T1 Fl. 5 7 desativados, com exclusão de arquivos digitais, comprometendo a verificação por parte da nova gestão. Realmente, os fatos narrados relacionados ao trato com a coisa pública são graves e, segundo afirmou o contribuinte, estão sendo apurados pela autoridade civil competente. No entanto, as alterações na administração do ente público não influenciam na concepção da continuidade da pessoa jurídica e na necessidade do cumprimento da obrigação tributária em face da ocorrência do fato gerador do tributo e/ou multa correspondente. Assim, ocorrido o fato previamente descrito na norma de incidência, basta para o nascimento da obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida (art. 113, § 1º e 114 do CTN), cabendo à autoridade administrativa, em face do princípio da legalidade, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). Cabe ainda registrar que a infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Com efeito, no caso em apreço, de acordo com o que se depara no Relatório Fiscal, após comparação entre as informações oriundas do Balanço Financeiro, DIRF, RAIS, Folha de Pagamento e GFIP, ficou evidenciado a existência de informações divergentes entre as citadas bases de cálculo, o que ensejou as várias intimações do contribuinte para a apresentação de documentos. Dessa forma, foi realizado o arbitramento tendo em vista que o sujeito passivo deixou de apresentar a documentação exigida para a apreciação da regularidade dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, o que ensejou a aplicação da aferição indireta, utilizando metodologia de apuração nos termos preceituados no art. 33 da lei 8.212/1991. Assim, ressai evidenciado a legitimidade do cabimento do lançamento por arbitramento. Organização de custeio – Regime Geral Regime Próprio para servidores titulares de cargos efetivos comprovação do regime próprio previdenciário do município de Capanema No que tange à apresentação posterior de documentos, é cediço que ao sujeito passivo é permitido proceder a juntada aos autos dos meios de prova que entenda necessários à confirmação do alegado na defesa, objetivando, assim, a apuração da verdade material no âmbito do processo administrativo fiscal, cabendo ao julgador a análise dos documentos apresentados, nos termos preceituados por lei. Afirma o Recorrente que foram juntados aos autos os documentos que comprovariam a regulação do regime próprio de previdência do município, bem como a admissão dos servidores em cargos de provimento efetivo (fls. 731 e seguintes). Fl. 1141DF CARF MF 8 Primeiramente, há de se destacar que a Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII), a qual será financiada por toda a sociedade, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das contribuições sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, senão vejamos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Nesse sentido, a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o Plano de Custeio, estabelece em seu artigo 15, que os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias: Art. 15. Considerase: I – empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Pois bem. Com o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 1988, que incluiu o § 13 no art. 40 da Constituição Federal, ocorreram profundas modificações no regramento jurídico relativo à vinculação dos servidores temporários obrigatoriamente ao RGPS, conforme se destaca a seguir: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) [...] § 13 – Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) A redação estabelecida no § 13 deixa claro que, a partir da publicação da EC nº 20, em 15/12/1998, os servidores ocupantes de cargo em comissão, bem como de cargo temporário, ao lado dos empregados públicos, vinculamse obrigatoriamente ao RGPS. Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 10280.720398/201713 Acórdão n.º 2401005.902 S2C4T1 Fl. 6 9 Essa regra foi corroborada com a edição da Lei nº 9.717/1998, através da qual o legislador ordinário concedeu o direito de participação em regimes próprios de previdência social em caráter exclusivo somente aos servidores titulares de cargos efetivos, verbis: "Art.1º. Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: [...] V – cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Nesse diapasão, a Lei nº 8.212/91 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o Plano de Custeio, assim determinou acerca dos segurados obrigatórios e dos que são excluídos do Regime Geral de Previdência Social: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Pois bem. Além de toda a legislação juntada pelo município para a comprovação da regulação do seu regime próprio de previdência, em pesquisa no sitio do Ministério da Previdência Social, através do Sistema de Informações dos Regimes Públicos de Previdência Social, constatase que o município de Capanema tem regime próprio, conforme se extrai da tela abaixo: Fl. 1143DF CARF MF 10 (https://cadprev.previdencia.gov.br/Cadprev/pages/publico/pesquisarEnteCrp.xhtml) Assim, deve ser analisada a comprovação dos servidores efetivos abrangidos pelo regime próprio da previdência social. Destarte, os servidores temporários, autônomos e comissionados são segurados obrigatórios da Previdência Social vinculados ao Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal. Os lançamentos consideraram as remunerações pagas a servidores não efetivos, não abrangidos pelo RPPS. No entanto, compulsando os autos, constatase que foram juntadas portarias de nomeações decorrentes de aprovação em concurso público com a indicação do nome das pessoas aprovadas (fls. 594/601, 604/619) e que constam nas planilhas de remuneração juntadas pela fiscalização como não informada em folha e que serviram de base para o lançamento tributário. Assim, tendo em vista a comprovação de que as pessoas físicas nomeadas (fls. 594/601, 604/619) estão sujeitas ao regime próprio da previdência social, referidos servidores devem ser excluídos da base de cálculo da exigência tributária. Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 10280.720398/201713 Acórdão n.º 2401005.902 S2C4T1 Fl. 7 11 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir da base de cálculo as remunerações dos servidores concursados que constam nas portarias de fls. 594/601 e 604/619 que estejam incluídas nas tabelas de fls. 40/357. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1145DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.910108/2012-69
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 19/01/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa, Müller Nonato Cavalcanti Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 08 /2 01 2- 69 Fl. 254DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 42853.08184.190112.1.3.042014 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor R$ 8.021,19, referente ao período de apuração (PA) de jan/10. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática não cumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 27/10/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13896.910108/201269 Acórdão n.º 3003000.106 S3C0T3 Fl. 3 3 retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. Fl. 256DF CARF MF 4 No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, a qual me curvo para adotála neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13896.910108/201269 Acórdão n.º 3003000.106 S3C0T3 Fl. 4 5 necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os documentos apresentados, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que pudessem reduzir seus débitos apurados e informados nas declarações originais. Nesse sentido, a simples juntada de notas fiscais variadas, sem qualquer explicação e demonstração de como influenciam a apuração das contribuições sociais, não é suficiente para comprovar e elucidar os fundamentos da retificação realizada no DACON e DCTF. Para comprovar seu direito, a recorrente deveria ter apresentado demonstrativo de apuração das contribuições sociais, contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, indicando todos os documentos que comprovem sua natureza e valor, e demonstrando sua escrituração contábilfiscal. Do material probatório apresentado, não há como saber a natureza e extensão de eventuais deduções na apuração da contribuição social de que resultou o crédito pleiteado nos autos. Não há demonstrativo de apuração, não há escrituração contábil e fiscal, não há elucidação analítica para explicar a suposta redução do débito informado nas declarações retificadas. Sublinhese que notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, quando desacompanhadas de outros elementos que demonstrem sua escrituração e, sobretudo, seu cômputo na apuração do tributo devido, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. A compensação tributária impõe a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recorrente, apesar de juntar notas fiscais diversas sem documentos contábeis e fiscais que demonstrem sua escrituração , não faz qualquer vinculação de tais notas a eventuais contas de despesas dedutíveis no regime da nãocumulatividade que poderiam servir para a redução do tributo devido. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". Quanto a tal questão, registrese que a recorrente teve toda a possibilidade de Fl. 258DF CARF MF 6 apresentação dos citados documentos em seu recurso. Não o fez. Neste caso, ocorreu a preclusão do direito de apresentar prova documental além daquela trazida no recurso voluntário. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral formulado no Recurso Voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator (assinado digitalmente) Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.933029/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Correta a decisão que indefere pedido de restituição quando o crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido totalmente utilizado em outras declarações de compensação.
Numero da decisão: 3401-005.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO. Correta a decisão que indefere pedido de restituição quando o crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido totalmente utilizado em outras declarações de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 30 29 /2 01 3- 98 Fl. 104DF CARF MF 2 Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório do DRJ de Ribeirão Preto/SP (efls. 42 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: “Trata o presente de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins, referente ao fato gerador de junho/2005. A DeratSP, por meio do despacho decisório de fl. 5, indeferiu o pedido por inexistência do crédito, porquanto o Darf indicado no PER/DCOMP já havia sido totalmente utilizado em outros PER/DCOMP e para extinguir a própria contribuição. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 10/14, alegando, em resumo, que, relativamente ao fato gerador de junho de 2005, possuía um crédito de Cofins no valor de R$ 190.055,24, pleiteado no PER/DCOMP final 2857, em análise no presente. Posteriormente, utilizou tal crédito para compensação de débitos de PIS e Cofins por meio dos PER/DCOMP finais 7379 e 4684, que foram expressamente homologados pela autoridade administrativa. Assim, e, isso porque é prérequisito para homologação da compensação a validade e suficiência do crédito e não se poderia admitir o indeferimento do pedido de restituição. Frisa ainda que a “Requerente não busca, aqui, a restituição em espécie de qualquer valor na medida em que, conforme já reconhecido, já utilizou o crédito para compensação de débitos, de sua titularidade, procedimento este, inclusive, já homologado.” Portanto, autoridade deveria ter deferido o crédito, “abstendo se, contudo de promover a sua restituição em espécie vista a sua utilização integral na compensação de débitos, conforme PER/DCOMP's n°s 41753.66436210610.1.3.047379 e 30424.68970.210610.1.3.044684.” A DRJ de piso, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, de acordo com a seguinte ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. INDEFERIMENTO. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.933029/201398 Acórdão n.º 3401005.423 S3C4T1 Fl. 105 3 Correta a decisão que indefere pedido de restituição quando o crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido totalmente utilizado em outras declarações de compensação Tomou ciência do acórdão em 12/11/2015 (efl. 70) e o desafiou interpondo recurso voluntário em 25/11/2015 (efl. 46), no qual, em síntese repete as alegações tecidas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele toma se conhecimento. A questão foi adequadamente decidida pela decisão de piso, fazendo parte integrante e servindo de razões de decidir – de acordo com § 3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos §§1º e 2º, do art. 50, da Lei nº 9.784/99 , merendo destaque: Segundo o despacho de fl. 5, a contribuinte teria um débito de Cofins do período de junho/2005, no valor de R$ 25.877,24 e recolheu um Darf no valor de R$ 243.270,04, resultando em um indébito no valor de R$ 217.392,80. Posteriormente, foram apresentadas as Declarações de Compensação (Dcomp) finais 7379, 4684 e 9002, que utilizaram a totalidade do crédito. Assim, não haveria saldo a restituir na Dcomp ora analisada, final 2857. A manifestante alega que detinha um crédito no valor de R$ 190.055,24, que foi utilizado integralmente nas Dcomp finais 7379 e 4684. Apesar de partir de um crédito menor e não citar a Dcomp final 9002, também de acordo com a contribuinte não haveria saldo a restituir. Fl. 106DF CARF MF 4 A própria requerente afirma que a autoridade deveria se abster de promover a restituição em análise porquanto o crédito postulado já foi utilizado em outras Dcomp. Portanto, não merece reparos a decisão da autoridade a quo ao indeferir o pedido de restituição por inexistência do crédito, pois tratase de pedido de restituição cujo crédito já foi utilizado para compensar/extinguir vários débitos. Equivocase a manifestante ao vincular a homologação de compensação ao deferimento do crédito no presente, pois no processo de compensação primeiramente se analisa o crédito para somente homologála se o crédito for devidamente comprovado. Assim, não há necessidade de se analisar novamente o crédito em processo diverso, de pedido de restituição, até porque o crédito já não mais existe porquanto já foi utilizado para compensar débitos da contribuinte. Portanto, impossível o pleito de deferimento do crédito concomitante com o pedido que a autoridade se abstenha de restituílo em espécie, pois como se trata de um pedido de restituição, sendo este deferido não restaria à autoridade outra alternativa que não restituílo. No entanto, como no caso concreto não há crédito, não há que se falar em deferimento do pedido, tampouco de restituição de valores. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o entendimento da decisão ora recorrida.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002760/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. 173, I, CTN.
O crédito decorrente de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é constituído pelo lançamento de ofício, motivo pelo qual se submete à regra geral de decadência constante do art. 173, I, CTN.
Tratando-se, contudo, de multa fixa, cujo valor independe do número de infrações cometidas, tem-se que o reconhecimento da decadência parcial não influencia no valor da penalidade aplicada.
DECADÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
Não tendo sido a obrigação principal completamente desconstituída, não há que se afastar a multa fixa cominada.
Numero da decisão: 2202-004.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. 173, I, CTN. O crédito decorrente de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é constituído pelo lançamento de ofício, motivo pelo qual se submete à regra geral de decadência constante do art. 173, I, CTN. Tratando-se, contudo, de multa fixa, cujo valor independe do número de infrações cometidas, tem-se que o reconhecimento da decadência parcial não influencia no valor da penalidade aplicada. DECADÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo sido a obrigação principal completamente desconstituída, não há que se afastar a multa fixa cominada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. 173, I, CTN. O crédito decorrente de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é constituído pelo lançamento de ofício, motivo pelo qual se submete à regra geral de decadência constante do art. 173, I, CTN. Tratandose, contudo, de multa fixa, cujo valor independe do número de infrações cometidas, temse que o reconhecimento da decadência parcial não influencia no valor da penalidade aplicada. DECADÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo sido a obrigação principal completamente desconstituída, não há que se afastar a multa fixa cominada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 60 /2 00 8- 13 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 15504.002760/200813 Acórdão n.º 2202004.898 S2C2T2 Fl. 73 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por APIS ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que rejeitou a impugnação e manteve a multa exigida no auto de infração nº 37.085.3288. Transcrevo, no que importa, trechos do mencionado acórdão (fls. 50/52), por bem sintetizarem a querela ora sob escrutínio: Tratase de infração ao disposto no § 5° do art. 31 da Lei n. 8.212, de 24.07.1991, na redação dada pela Medida Provisória n° 1.663 15, de 20/10/98, convertida na Lei n° 9.711, de 20/11/98, por ter a autuada, cedente de mãodeobra, deixado de elaborar folhas de pagamento distintas para cada estabelecimento ou obra executadas no período de 06/2000 a 12/2002, conforme fls. 20 e discriminativo de fls. 22. De acordo com as fls. 01 e o Relatório Fiscal da Multa Aplicada, fls. 21, a multa, fundamentada no artigo 283, capuz' e 5S 3 0, e no art. 373, ambos do RPS, e nos artigos 92 e 102 da Lei n.° 8.212/91, corresponde ao valor de R$ 1.195,13 (hum mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), conforme Portaria do MPS n° 142 de 11/04/2007. (...) Ainda que prevalecesse a decadência quinquenal arguida pela autuada, existem obrigações acessórias descumpridas em período não alcançado por tal decadência, permanecendo o valor da multa aplicada, visto tratarse de multa única. (sublinhas deste voto) Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 11/05/2009, recurso voluntário (fls. 57/59), sustentando, em apertada síntese, que os créditos cobrados não são mais exigíveis, uma vez que foram completamente atingidos pela decadência – seja por aplicação do art. 150, § 4º, CTN, seja pela aplicação do art. 173, I, CTN. Argumenta que não seria possível conceber a procedência de uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando se tem a improcedência da exigência relativa à obrigação principal. É o relatório. Voto Fl. 74DF CARF MF Processo nº 15504.002760/200813 Acórdão n.º 2202004.898 S2C2T2 Fl. 74 3 Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Conforme entendimento majoritário deste Conselho, a multa por descumprimento de obrigação acessória submetese ao lançamento de ofício. Justamente por isso, lhe é aplicável a regra do art. 173, I, do CTN, segundo a qual o prazo quinquenal de decadência é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A título de exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO. CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, inciso I do CTN. (...). (CARF. Acórdão nº 2402006.097 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 04 de abril de 2018; sublinhas deste voto). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CFL 30. MULTA POR INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...). (CARF. Acórdão nº 2202004.304, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 3 de outubro de 2017; sublinhas deste voto). Desta feita, considerando que a autuação abrangeu o período de 05/2000 a 12/2002 e que a cientificação do lançamento ocorreu em 22/08/2007, temse que as competências de 05/2000 a 11/2001 foram atingidas pela decadência. Entretanto, tal circunstância não é suficiente para provocar uma redução do valor da multa cominada, uma vez que tem valor fixo e independe do número de infrações cometidas. Isso significa que, ainda que a infração seja apurada em uma única competência, já Fl. 75DF CARF MF Processo nº 15504.002760/200813 Acórdão n.º 2202004.898 S2C2T2 Fl. 75 4 é cabível a aplicação da penalidade, cujo valor só é majorado ou reduzido na existência de atenuantes/agravantes. Esse entendimento, que fundamenta a decisão da DRJ, é majoritário no neste Conselho, conforme possível depreender dos seguintes excertos: (...) Rejeitase a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, por ser fixa, como constatada no caso vertente. (CARF. Acórdão nº 2301004.222 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 06 de novembro de 2014). (...) A multabase não varia em função da quantidade de objetos da infração, ou seja, não importa se o objeto da infração foi um documento ou dez documentos, a multabase será a mesma, de modo que o reconhecimento quanto à insubsistência parcial da infração, pela verificação da decadência, não influencia no valor da multa aplicada. (CARF. Acórdão nº 2402004.351, – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de outubro de 2014). Anoto ainda que o argumento da recorrente no sentido de que a decadência da obrigação principal resultaria no afastamento da exigência da multa não merece prosperar, uma vez que a obrigação principal, no caso, não foi completamente atingida pela decadência. É que (...) não ocorrendo a desconstituição total do lançamento da obrigação principal, não se pode acolher o argumento da recorrente de que o acessório não poderia prevalecer em face da extinção do principal pela decadência (Acórdão n. 2402003.478 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 13 de março de 2013). Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000491/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CORRELATA. MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119).
Numero da decisão: 2301-005.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial e desconsiderar do cálculo da multa, na sistemática vigente à época dos fatos geradores, as parcelas incidentes sobre o vale-transporte e sobre o bônus de admissão pago em pecúnia, e determinar o cálculo da multa de acordo com o Súmula CARF 119.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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MESMA DESTINAÇÃO DO AIOP A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF 119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 (Súmula CARF nº 119). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Tratase de julgar Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face do Acórdão nº 0341.313 (efls 3.824/3.851), prolatado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em BrasíliaDF, em sessão de julgamento realizada em 25 de janeiro de 2011. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (efls 01), a exigência fiscal consiste em AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória), DEBCAD n° 35.847.7239, de 17/01/2006, em vista do de pretenso descumprimento do dever instrumental estatuído no artigo 32, IV e §§ 3º e 5º da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97. 3. O Recurso Voluntário interposto (efls 4045/4064) já foi submetido à apreciação prévia pelo Colegiado na sessão de julgamento realizada em 19 de setembro de 2012, tendo exarado a Resolução nº 2301000.282 (efls 4068/4072), propondo a reunião de feitos conexos. 3.1. Transcrevemse trechos do Relatório e Voto contidos em tal Resolução: O presente processo trata do descumprimento da obrigação acessória de apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O processo que cuida da obrigação principal não foi distribuído para este Relator. Observamos que os fatos que ensejaram o presente lançamento ensejam a conexão do presente com o processo que cuida da obrigação principal pelos motivos que abaixo serão expostos. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). (...) (...) De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por dependência para a Câmara e para o Relator. (...) Fl. 4090DF CARF MF Processo nº 17546.000491/200717 Acórdão n.º 2301005.704 S2C3T1 Fl. 4.090 3 No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento por falta de provas nos autos, uma vez que, em geral, o processo que cuida da obrigação principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização. Como cuidamos de julgamento de penalidade por deixar de apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, a identidade com o contexto dos fatos que envolvem a obrigação principal é óbvia de modo a restar evidenciada a conexão. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o RECURSO VOLUNTÁRIO e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA de modo que sejam cumpridos os arts. 47, caput e 49, §7º do RICARF 3.2. Em prosseguimento, em 29/08/2014, foi exarado Despacho (efls 4075), assinado pelo então Senhor Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção. Seguese o inteiro teor do despacho: Estando de acordo com os termos da Resolução 2301000.282 (Relator: Mauro José Silva – 1ªTurma Ordinária/3ª Câmara), fls.4.068, que em rápida conclusão vota no sentido de apensar o processo indicado acima ao processo 17546.000495/200797, defiro a conexão e distribuase conforme o Regimento Interno do Carf. 4. Em 12/12/2017, foram distribuídos a este Relator o presente processo (AIOA) e o processo principal nº 17546.000495/200797 (AIOP). 5. Fazse necessário menção a atos processuais praticados nos autos do processo principal. 5.1. Inicialmente, seguese o teor de despacho de devolução (efls 6990/6992); PROCESSO PRINCIPAL: 17546.000495/200797 (AIOP) 1. Do exame das peças do processo, verificase que a exigência fiscal se refere a AIOP (Auto de Infração de Obrigação Principal ), lavrado contra a Recorrente, tendo por origem a NFLD DEBCAD nº 35.847.7255, lavrada em 16/01/2006. 1.1. Em sessão de julgamento realizada em 12/03/2015, o Colegiado já apreciara as questões suscitadas nos recursos de ofício e voluntário, tendo sido exarado o Acórdão nº 2301004.364 (efls 6959/6973), de que se pode destacar trecho conclusivo do voto do Relator: Diante do acima exposto, como os presentes Recursos Voluntário e de Ofício atendem os pressupostos de admissibilidade, deles conheço para no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e, quando ao Recurso Voluntário, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: 1) reconhecer que não incide contribuição previdenciária em pagamento de valetransporte, nos moldes da Súmula CARF 89, excluindoo do lançamento; 2) em excluir do lançamento o bônus de admissão, pela ausência de comprovação da existência do fato gerador. Fl. 4091DF CARF MF 4 1.2. Em 16/04/2015, a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial (e fls 6975/6986) para questionar a matéria relativa à incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento do chamado "bônus de admissão", recurso este, pendente de apreciação. 1.3. Em vista da competência regimental estabelecida no artigo 9º, Anexo II do Regimento Interno, verificase a necessidade de proceder a devolução do processo principal, para que o mesmo seja redirecionado à Divisão de Análise de Retorno e Distribuição de Processos Dipro, vinculada à CoordenaçãoGeral de Gestão do Julgamento Cojul (Equipe: DiproCojul2ª Seção3ª Câmara) de maneira a adotar as medidas necessárias ao preparo da análise de admissibilidade do referido recurso especial. PROCESSO APENSADO: 17546.000491/200717 (AIOA) 2. Ao processo principal (AIOP) está apensado processo relativo a AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) pela pretensa omissão de fatos geradores em GFIP (Código de Fundamentação Legal 68). Tratase do processo nº 17546.000491/200717. 2.1. O exame dos documentos do processo (AIOA), como a Resolução nº 2301000.282 (efls 4068/4072) e o Despacho de Conexão (efls 4075), confirma que a solução do AIOA depende da decisão do processo conexo, AIOP nº 17546.000495/200797 (NFLD DEBCAD nº 35.847.7255). 2.2. Destacase trecho conclusivo da citada Resolução (efls 4072): No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento por falta de provas nos autos, uma vez que, em geral, o processo que cuida da obrigação principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização. Como cuidamos de julgamento de penalidade por deixar de apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, a identidade com o contexto dos fatos que envolvem a obrigação principal é óbvia de modo a restar evidenciada a conexão. 2.3. Seguese a transcrição do citado Despacho de Conexão (efls 4075): Estando de acordo com os termos da Resolução 2301000.282 (Relator: Mauro José Silva – 1ª Turma Ordinária/3ª Câmara), fls.4.068, que em rápida conclusão vota no sentido de apensar o processo indicado acima ao processo 17546.000495/200797, defiro a conexão e distribuase conforme o Regimento Interno do Fl. 4092DF CARF MF Processo nº 17546.000491/200717 Acórdão n.º 2301005.704 S2C3T1 Fl. 4.091 5 Carf. 2.4. Evidenciada, pois, a relação de prejudicialidade entre a solução do AIOA (em sede de recurso voluntário) e a conclusão do AIOP (em sede de recurso especial). Distribuição simultânea de processos vinculados 3. Em vista das circunstâncias delineadas, a distribuição simultânea dos dois processos vinculados AIOP e AIOA ao Colegiado, culmina por configurar situação anômala, por inviabilizar tanto o andamento do processo principal (matéria estranha à competência regimental das turmas ordinárias da 2ª Seção) como o do AIOA, em vista da relação de prejudicialidade apontada. 4. De modo a restabelecer o fluxo processual adequado, fazse necessário proceder a devolução do processo principal (nº 17546.000495/200797) para que, em primeiro lugar, seja feito o regular o processamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. 4.1. Encerrada a tramitação na instância especial, prolatada a decisão definitiva no processo principal (AIOP), registrese a necessidade de determinar o retorno dos autos a este Colegiado para dar prosseguimento ao julgamento do recurso voluntário nos autos do processo nº 17546.000491/200717 (AIOA). 5. Diante do exposto, propõese, com fundamento no artigo 9º, do ANEXO II do Regimento Interno do CARF, a devolução do processo (AIOP) à Dipro/Cojul para adoção das medidas necessárias ao preparo da análise de admissibilidade do recurso especial interposto, mantendose sobrestado o julgamento do AIOA (17546.000491/200717) até a conclusão do julgamento do AIOP. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Sávio Nastureles, Conselheiro De acordo. Encaminhese conforme proposto. (ASSINADO DIGITALMENTE) João Bellini Júnior Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento. 5.2. Em segundo lugar, o despacho de retratação (efls 7006/7007 dos autos do processo principal): Em 22/05/2018, emiti despacho determinando (a) que o processo 17546.000495/200797 (que veicula AIOP) foi remetido à 2ª Turma da CSRF, para fins de admissibilidade de recurso especial e (b) o sobrestamento do processo anexo 17546.000491/200717 (que veicula AIOA) até a Fl. 4093DF CARF MF 6 conclusão do julgamento do AIOP. Eis o dispositivo do referido despacho: Diante do exposto, propõese, com fundamento no artigo 9º, do ANEXO II do Regimento Interno do CARF, a devolução do processo à Divisão de Sorteio e Distribuição Disor, vinculada à Coordenação de Gestão do Acervo de Processos Cegap, para, observadas as regras de competência, proceder a distribuição do AIOP (17546.000495/200797) à 2ª Turma da CSRF, mantendose sobrestado o julgamento do AIOA (17546.000491/200717) até a conclusão do julgamento do AIOP. No processo 17546.000495/200797 houve o despacho de admissibilidade do recurso especial do contribuinte. Revendo o caso, entendo que o processo anexo 17546.000491/200717 (que veicula AIOA) NÃO DEVE CONTINUAR SOB SOBRESTAMENTO. Isso por que o descompasso procedimental existente entre os dois processos irá aumentar se o recurso especial no processo principal 17546.000495/200797 for julgado antes do processo apenso 17546.000491/200717. Ao contrário, o julgamento priorizado do processo apenso 17546.000491/200717 regularizará o fluxo processual, pois ambos passarão a tramitar conjuntamente. Diante do exposto, impõese a devolução do processo anexo 17546.000491/200717 para o conselheiro relator, Antônio Sávio Nastureles, para continuidade do julgamento do recurso voluntário nele veiculado. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 7. Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário apresentado, dele conheço e passo a sua análise. 8. A questão central do recurso voluntário sob exame consiste, pois, em decidir sobre a procedência ou não do autodeinfração (AI DEBCAD 35.847.7239) lavrado pela auditoria fiscal, por omissão em GFIP dos fatos geradores apurados no processo principal, AIOP (17546.000495/200797). 9. Do relatório contido da decisão de primeira instância podese extrair o trecho que se segue (efls 3826): Fl. 4094DF CARF MF Processo nº 17546.000491/200717 Acórdão n.º 2301005.704 S2C3T1 Fl. 4.092 7 10. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionada ao resultado dos autos de infração de obrigações principais AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. 11. Em vista da fase processual em que se situa o processo principal (17546.000495/200797, AIOP DEBCAD nº 35.847.7255), parecenos razoável manter a relação de coerência entre o desfecho do presente AIOA, com a decisão exarada pelo Colegiado à época da prolatação do Acórdão 2301004.364 (subitem 5.1 supra). 12. Como se observa, em relação ao AIOP, a decisão exarada afastou a incidência de contribuições previdenciárias incidentes sobre o valetransporte pago em pecúnia e sobre o bônus de admissão, sob o fundamento de que este possuira caráter indenizatório, matéria que atualmente está para ser apreciada pela Câmara Superior. RREETTRROOAATTIIVVIIDDAADDEE BBEENNIIGGNNAA.. CCRRIITTÉÉRRIIOOSS DDOO CCÁÁLLCCUULLOO DDAA MMUULLTTAA MMAAIISS BBEENNÉÉFFIICCAA 13. No caso concreto, havendo a lavratura de AIOP e AIOA, verificase a aplicabilidade do enunciado da Súmula CARF nº 119: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 14. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso e desconsiderar do cálculo da multa, na sistemática vigente à época dos fatos geradores, as parcelas incidentes sobre o valetransporte e sobre o bônus de admissão pago em pecúnia, e determinar o cálculo da multa de acordo com o Súmula CARF 119. É como voto. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 4095DF CARF MF 8 Fl. 4096DF CARF MF
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