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Numero do processo: 10865.720825/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
DESPESAS. NECESSIDADE. DEBÊNTURES, DISTRIBUIÇÃO E DIVIDENDOS.
Considerando que para a fiscalização o motivo da glosa foi o fato de que a distribuição dos dividendos que se deu em valor superior ao mínimo previsto nos estatutos seria mera liberalidade o que não autorizaria a dedutibilidade proporcional das despesas financeiras com juros sobre as debêntures emitidas, importa registrar que o resultado prático da decisão do contribuinte foi o efetivo pagamento dos dividendos, direito inarredável dos acionistas, e indiscutivelmente necessário à manutenção da fonte produtiva dela contribuinte.
Numero da decisão: 1301-001.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 DESPESAS. NECESSIDADE. DEBÊNTURES, DISTRIBUIÇÃO E DIVIDENDOS. Considerando que para a fiscalização o motivo da glosa foi o fato de que a distribuição dos dividendos que se deu em valor superior ao mínimo previsto nos estatutos seria mera liberalidade o que não autorizaria a dedutibilidade proporcional das despesas financeiras com juros sobre as debêntures emitidas, importa registrar que o resultado prático da decisão do contribuinte foi o efetivo pagamento dos dividendos, direito inarredável dos acionistas, e indiscutivelmente necessário à manutenção da fonte produtiva dela contribuinte.
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Recorrente RENOVIAS CONCESSIONÁRIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 DESPESAS. NECESSIDADE. DEBÊNTURES, DISTRIBUIÇÃO E DIVIDENDOS. Considerando que para a fiscalização o motivo da glosa foi o fato de que a distribuição dos dividendos que se deu em valor superior ao mínimo previsto nos estatutos seria mera liberalidade o que não autorizaria a dedutibilidade proporcional das despesas financeiras com juros sobre as debêntures emitidas, importa registrar que o resultado prático da decisão do contribuinte foi o efetivo pagamento dos dividendos, direito inarredável dos acionistas, e indiscutivelmente necessário à manutenção da fonte produtiva dela contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 08 25 /2 01 2- 70 Fl. 881DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão PretoSP. Depreendese pela análise do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, cuja capitulação legal achase descrita nos termos de apuração respectivos (fls. 173/197). A exigência tributária baseouse em glosa de despesas não necessárias e multa isolada decorrente da falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 156/172) que em diligência de verificação de interesse fiscal detectouse redução do resultado tributável motivada pelo registro de despesas financeiras nos anoscalendário de 2010 e 2011 oriundas de debêntures não participativas e não conversíveis em ações, emitidas pela contribuinte, no valor de R$ 140.000.000,00, com ingresso dos recursos em seu ativo circulante em 10/2/2010. As importâncias relacionadas aos compromissos assumidos com as debêntures, contabilizadas no período de março/2010 a dezembro/2011 perfazem o valor de R$ 32.358.212,04 e estão descritas mensalmente no demonstrativo de fls. 160/161. Registra o TVF a substancial variação das despesas financeiras e de atualização monetária, que nos anoscalendário de 2009 e 2010 totalizaram R$ 14.573.989,40 e R$ 35.152.532,91, respectivamente, implicando na inexistência de alteração significativa das taxas de juros, impondo a conclusão de que o aumento das despesas decorreu do compromisso assumido com o lançamento das debêntures. Segundo a autoridade tributária o fato de que a taxa de juros não discrepar da que era praticada no mercado financeiro não justifica a dedutibilidade de grande parte da despesa incorrida, pois tratase de liberalidade que se prestou a cobrir o pagamento de parte significativa de dividendos objeto de provisão no balanço de 31/12/2009, no montante de R$ 110.000.000,00. Intimada a manifestarse a contribuinte respondeu que atravessou um longo ciclo de investimentos suportados por recursos próprios; dos lucros obtidos apenas uma parte fora distribuída a título de dividendos, restando saldo de lucros acumulados de R$ 134.774.234,63 e que após destinar dividendos de R$ 117.000.000,00 a reserva de lucros Fl. 882DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.720825/201270 Acórdão n.º 1301001.514 S1C3T1 Fl. 3 3 permaneceu superior a 40% do capital social, o que garantiria a integridade do patrimônio da sociedade. Com base no balanço de 31/12/2009 seu capital havia sido elevado para R$ 70.000.000,00, acima do que exige a cláusula 12 do Contrato de Concessão e, considerando que por se tratar de concessionária de serviços públicos, eram reduzidas as possibilidades de realizar novos investimentos fora do alcance do contrato de concessão. Arguiu que se a sociedade não deliberasse pela distribuição dos dividendos a soma de lucros seria superior ao valor do capital social, o que é vedado pelo art. 199 da Lei n° 6.404/1976 (LSA). Assim, a distribuição aos acionistas assegurou a atratividade do empreendimento, proporcionou o retorno que dele se esperava e atendeu seu direito ao dividendo. A fiscalização entendeu que houve liberalidade por parte da contribuinte, que consistiu em captar recursos no mercado financeiro, com geração de despesas redutoras da base de cálculo de tributos para, em seguida, distribuílos em grande parte aos acionistas. Não foram levados em consideração os argumentos apresentados pela contribuinte no sentido de que se houvesse, o pagamento de juros sobre o capital próprio geraria mais despesas financeiras, pois na outra ponta teria gerado receita tributável nas pessoas jurídicas das sócias e, tampouco a tese de que, caso não distribuísse dividendos integrais no início de 2010 as reservas de lucros ultrapassariam o capital social, pois se tivesse optado por distribuir o dividendo mínimo estatutariamente previsto, após as reservas legais, estatutárias e ao aumento do capital social deliberado em 2009, tal fato não se verificaria. Nesta ordem de ideias, foram glosadas as despesas com as debêntures, proporcionalmente aos valores distribuídos aos sócios, na parte que excedeu o dividendo mínimo. Assim, do valor de R$ 110.000.000,00 utilizado para pagamento dos dividendos, foi deduzida a importância de R$ 24.162.293,76, relativa ao dividendo mínimo estatutário, restando R$ 85.837.706,24, correspondente a 61,31% da captação com debêntures. Tal percentual foi aplicado às importâncias mensalmente contabilizadas como despesa, obtendose daí o valor das glosas (fls. 166,371) Em vista de que os desembolsos provocaram redução nas estimativas mensais de IRPJ e CSLL procedeuse ao cálculo da multa isolada, que incidiu sobre os valores que não foram recolhidos oportunamente. Como fundamentação do lançamento considerouse que não se justificava recorrer ao mercado financeiro para captar recursos geradores de dispêndios para remuneração de acionistas, abstraindose a aplicação da norma antielisão em sentido estrito. Em síntese, conforme relatado no termo “atos de mera liberalidade não podem resultar em despesas indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL”. No que se refere à imposição da multa isolada, decorrente da falta/insuficiência de recolhimento por estimativa, aplicada concomitantemente com a multa de ofício que incidiu sobre os tributos lançados, a autoridade fiscal valeuse de voto proferido em julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que considerou tratarse de infrações distintas, cujo lançamento está em consonância com a legislação. Devidamente notificada da imposição tributária, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 217/336, alegou sua tempestiva apresentação, relatou os fatos, concluiu tratarse de indevida ingerência nos atos de gestão dela contribuinte. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Na sequência, alegou que não se trata de atos simulados no âmbito de planejamento tributário decorrente do uso de debêntures participativas, adquiridas exclusivamente pelos próprios acionistas da sociedade e sem transferência de recursos, uma vez que os títulos emitidos foram adquiridos pelo Banco Bradesco S.A., objetivando recomposição de seu caixa, com remuneração compatível com as taxas praticadas no mercado, cuja liquidação não comprometeu seu desempenho ou seus resultados. No tocante aos pagamento de dividendos e dos objetivos das sociedades empresárias, argumentou que a despeito do fato de que os dividendos foram pagos em percentual acima do mínimo obrigatório, ele fora deliberado e aprovado em Assembleia Geral Ordinária, que acolheu recomendação do Conselho de Administração neste sentido, tornando se dívida líquida, certa e exigível, lançada em conta do passivo circulante e sujeita à incidência do prazo prescricional de três anos previsto no art. 206, § 3º, II, do Código Civil (CC). Frisou que desde sua constituição, em 1998, não havia pago sequer os dividendos mínimos obrigatórios, embora houvesse apuração de resultados positivos desde 2004, de sorte que a deliberação de pagar os dividendos fora pertinente. Citou excerto de parecer elaborado pela procuradoria da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que registra ser o ato declaratório da assembleia o delimitador do qual decorre o direito de crédito do acionista. Registrou que seu baixo nível de endividamento e a previsibilidade de sua receita, baseada na arrecadação do pedágio nas rodovias sob concessão, possibilitaramna obter recursos sem o comprometimento de suas atividades, descabendo caracterizarse como ato de mera liberalidade o pagamento de parte dos dividendos que a autoridade considerou não totalmente exigíveis, contrariamente à doutrina especializada e à manifestação da CVM. Arguiu que uma vez aprovados em assembleia os dividendos convertemse em direito essencial dos acionistas, que assegura acesso aos lucros gerados e garante o retorno do investimento, sendo que a legislação, especificamente o art. 981 do CC e o art. 109, I, da LSA, estabelecem que a atividade empresarial tem como objeto a partilha dos resultados, apontando a participação nos lucros como direito essencial do acionista, citando que a CVM, por meio da Instrução CVM n 491/11, considera infração grave o descumprimento do art. 202, § 6º da LSA, que determina a distribuição dos lucros após a constituição das reservas necessárias. Alegou que o direito aos dividendos não é absoluto e sofre restrições de ordem prática e legal, entretanto, não significa que a sociedade deva pagar apenas os dividendos mínimos obrigatórios, sendo aí que residiria a confusão da fiscalização, a ponto de classificar os dividendos acima do mínimo obrigatório de ‘não totalmente exigíveis’. Defendeu que o pagamento de dividendos é inerente à atividade da contribuinte e representa um dos objetivos sociais, consubstanciado na capacidade de gerar lucros e repartilo com seus sócios visando a perpetuidade e manutenção da sociedade empresária, não sendo cabível falarse que seu pagamento é ato de liberalidade, porquanto configurase despesa necessária e dedutível para fins fiscais, conforme preceitua o art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999 (RIR/1999). Segundo arguiu, admitirseia que o pagamento de dividendos é despesa desnecessária na única hipótese em que empréstimos/financiamentos tomados para cumprir tal desiderato implicassem ônus excessivo para a sociedade empresária, o que não é o caso e registrou, que a dedutibilidade fiscal das despesas financeiras está respaldada pela autorização inscrita no art. 374 do RIR/1999 e foi chancelada pela fiscalização, que reconheceu a efetividade e o pagamento das despesas incorridas. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.720825/201270 Acórdão n.º 1301001.514 S1C3T1 Fl. 4 5 No que diz respeito ao precedente administrativo invocado pela fiscalização para amparar o lançamento, defendeu a contribuinte que o caso versado naquele processo referese a emissão de debêntures participativas, geradoras de despesas entre controlada e controladora, sem trânsito de recursos financeiros, diferentemente da matéria tratada nestes autos, em que a operação envolveu partes independentes, com ingresso de novos recursos. Quanto à vinculação entre origem e aplicação dos recursos financeiros, arguiu que o fato de inexistir menção na ata da assembleia geral de que os recursos captados seriam destinados a pagamento de dividendos não significa afronta à deliberação, pois consta do instrumento que os recursos serviriam para recomposição do caixa da companhia, de sorte que as importâncias captadas com a emissão das debêntures ingressaram no caixa e juntamente com os recursos existentes possibilitaram o pagamento de empréstimos e dividendos e a realização de investimentos e a manutenção das necessidades do diaadia, sendo que a escolha de qual fonte de recursos deva atender às necessidades da empresa, se próprio, de terceiros ou gerado pelo empreendimento, depende do custo para sua obtenção e não da destinação que será lhe dada, de modo a atender a racionalidade econômica que a fiscalização não levou em conta. Defendeu que seria sobremodo frágil o lançamento, naquilo em que se reputou suficiente direcionar os recursos obtidos com a emissão das debêntures para realizar investimentos objeto do contrato de concessão e utilizar os recursos próprios, oriundos da cobrança de pedágio para pagar os dividendos que, provavelmente, não teria sofrido a lavratura do auto de infração, porquanto, segundo a defendente, a prevalecer o entendimento da fiscalização, nenhum contribuinte que tenha empréstimos ou financiamentos poderia distribuir dividendos. Ou, sob outra óptica, os dividendos somente poderiam ser pagos com recursos gerados pela própria atividade empresarial. Tornou a defender a impropriedade na imposição, haja vista que a glosa incidiu sobre despesas com emissão e remuneração de debêntures enquanto que o ato de liberalidade dela contribuinte, sob a óptica da fiscalização, decorre de pagamento de dividendos não obrigatórios, registrando que a emissão de debêntures é plenamente vinculada a seus objetivos sociais, pois representaram a busca da melhor estrutura de capital, diminuição de custo, recomposição de caixa e cumprimento de obrigações e investimentos relacionados com sua atividade, a teor do que prescreve o art. 299 do RIR/1999. Citou as razões que ensejaram o pagamento de dividendos, mencionando que por força dos compromissos assumidos no âmbito do procedimento licitatório, até o encerramento do ano de 2009 havia efetuado investimentos no montante de R$ 590.154.281,54, além de pagamentos ao poder concedente, no valor de R$ 206.540.729,05, e, muito embora desde 2004 tivesse resultados positivos, até 2009 não havia efetuado o pagamento dos dividendos mínimos a seus acionistas. Aduziu que a decisão de pagar dividendos não observou circunstâncias meramente fiscais, pois se assim fosse, teria optado pelo pagamento ou por provisionar juros sobre capital próprio para aproveitar a dedutibilidade a que alude a Lei n° 9.249/1995, porém, conquanto, tivesse se valido de capitais de terceiros, obtidos no mercado financeiro, para fazer face aos investimentos e pagamentos da outorga de concessão, no período de outubro/2007 a fevereiro/2010 efetuaramse investimentos que despenderam a soma de R$ 156.602.310,31, com uso de R$ 148.552.310,31 de recursos próprios, sendo que o uso de recursos próprios decorreu da crise financeira mundial, que acarretou retração de crédito e fez com que o custo de capitais de terceiros ficasse mais elevado que o de capitais próprios, circunstância que fez Fl. 885DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 com que os acionistas optassem por financiar as operações da contribuinte com capital próprio, em detrimento da distribuição de dividendos, defendendo que a taxa de remuneração das debêntures era compatível com aquelas praticadas no mercado, conforme identificou a fiscalização, proporcional e razoável à geração de receitas. Insistiu na inexistência de prejuízo ao erário, alegando que não houve prejuízo aos cofres públicos, pois se de um lado os valores despendidos com os encargos das debêntures reduziram seu lucro tributável, de outro tais importâncias aumentaram o lucro tributável do debenturista, titular da renda e que a glosa de suas despesas, e ao mesmo tempo a tributação de tais valores no debenturista, podem representar enriquecimento ilícito do Estado. Tornou a argumentar que houve indevida ingerência nos atos de gestão empresarial, sendo que a glosa representaria intromissão do fisco na gestão financeira de seus negócios, que se materializa na pretensão de atrelar a captação de recurso à sua destinação, em afronta aos princípios constitucionais da livre iniciativa e da legalidade, além de causar efeitos significativos em suas atividades. Escorouse em manifestação doutrinaria e jurisprudência administrativa que entende favoráveis e alegou que não era apenas a importância correspondente aos dividendos mínimos obrigatórios que deveriam ser distribuídos, sob pena de ultrapassar o limite máximo de constituição de reservas de lucros, previsto no art. 199 da LSA. Arguiu que se fossem pagos R$ 24.162.293,76 dos R$ 117.000.000,00 deliberados para pagamento dos dividendos, a diferença de R$ 92.837.706,24 deveria ser alocada nas contas de reservas de lucros. Entretanto, caso tal importância retornasse para a conta de reserva de lucros, aumentando o saldo existente, haveria um excesso de reserva de lucros no valor de R$ 51.815.620,25, considerando o limite previsto no art; 199 da LSA. Após detalhar os saldos de contas de reservas, considerando as importâncias antes referidas, concluiu que o valor de R$ 51.815.620,25 deveria ser distribuído, juntamente com R$ 24.162.293,76, perfazendo o total de R$ 75.977.913,96, o que significa dizer que representaria liberalidade a distribuição de dividendos de R$ 34.022.086,04, a que corresponde percentual de glosa de 24,30%. Alegou que é incabível argumentar que a importância de R$ 51.815.620,25 deveria ser capitalizada, pois não existia razão jurídica, financeira ou econômica para tanto. Defende ainda, que a fiscalização não questionou a efetividade das despesas financeiras incorridas com a emissão de debêntures, manifestando entendimento no sentido de que teria havido liberalidade na destinação dada aos recursos captados, com o que as respectivas despesas financeiras seriam desnecessárias e, portanto, consideradas não dedutíveis para efeito de apuração de IRPJ e CSLL, contudo, o critério de necessidade previsto no art. 299 do RIR/1999 não se aplica na apuração da base de cálculo da CSLL, pois a legislação específica não determina que, para efeito de dedutibilidade, a despesa deva ser necessária. Tampouco o art. 57 da Lei n. 8.981/95, que não trata de regra específica de apuração da base de cálculo e, por conseguinte, não pode ser invocado para sustentar seja o critério de necessidade estendido na determinação da base de cálculo da CSLL, conforme orientação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Aduziu que para efeito de dedutibilidade a legislação relacionada à apuração da base de cálculo da CSLL exige a comprovação da despesa e a identificação do beneficiário do pagamento, o que não foi contestado pela fiscalização. Escorouse em precedente administrativo e ressaltou que no acórdão n. 10706.796, referido pela fiscalização, destacouse que em primeira instância administrativa a exigência da CSLL havia sido cancelada sob o fundamento de que eram inaplicáveis os critérios de necessidade, usualidade e normalidade na apuração da base de cálculo da CSLL, por ausência de fundamento legal. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.720825/201270 Acórdão n.º 1301001.514 S1C3T1 Fl. 5 7 Aduziu que em situação semelhante o Superior Tribunal de Justiça (STJ) deixou claro que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL são distintas, possuindo cada tributo técnicas de apuração também distintas. Por fim, arguiu que o objetivo da multa isolada é assegurar o recolhimento antecipado dos tributos, evitandose que o valor das estimativas de IRPJ e CSLL deixe de ingressar nos cofres públicos e que, segundo as regras que definem a apuração anual de IRPJ e CSLL, a falta de recolhimento das estimativas no curso do anocalendário apenas impede que os valores não pagos sejam utilizados para dedução do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual ou integrem eventuais saldos negativos, o que possibilita concluirse que encerrado o ano calendário, as estimativas não são devidas, de sorte que após o encerramento do anocalendário as estimativas não são devidas, razão pela qual não há falar em exigência de multa isolada, aplicada após o encerramento do anocalendário. Insurgiuse ainda, contra a exigência concomitante de multa de ofício e multa isolada e defendeu a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão PretoSP, no termos do acordão de folhas 636 em diante, julgou o lançamento procedente, reconhecendo a indedutibilidade das despesas em questão ficando o acórdão assim ementado: [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ] Exercício: 2010, 2011 DESPESAS. NECESSIDADE. DEBÊNTURES. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS. Devem ser glosadas as despesas financeiras com debêntures, proporcionalmente aos valores distribuídos aos sócios na parte que excedeu o dividendo mínimo. Tais despesas decorrem de liberalidade do contribuinte, revelandose desnecessárias, não usuais e anormais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO REFLEXO. Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando às alegações comuns. Também à CSLL são aplicáveis as disposições do art. 299 do RIR/1999 atinentes aos limites à dedução de despesas operacionais. Impugnação Improcedente Fl. 887DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Crédito Tributário Mantido [...] A contribuinte foi devidamente cientificada da decisão desfavorável e interpôs o pertinente Recurso Voluntário, reiterando os fatos e os argumentos já relatados e aventando preliminar de nulidade da decisão recorrida, porquanto alega, que teria havido inovação no critério utilizado pela Fiscalização para impor a glosa. É o relatório. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.720825/201270 Acórdão n.º 1301001.514 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A questão posta em análise diz respeito à glosa de despesas financeiras com emissão de debentures promovida pela recorrente e, tal como anotado no relatório acima circunstanciado e bem esquadrinhado no TVF de folhas 156 a 172, a maior parte dos recursos captados por meio da emissão das indigitadas debêntures prestouse ao pagamento de dividendos aos acionistas, em montante superior ao mínimo obrigatório, levando a Fiscalização a censurar a dedutibilidade das despesas financeiras na proporcionalidade aos valores distribuídos aos acionistas acima do limite mínimo dos dividendos. Ou seja, considerouse que as despesas financeiras, para os fins de pagar dividendos acima do limite mínimo, seria mera liberalidade da contribuinte, de sorte que as tais despesas não reuniriam os atributos contidos no artigo 299 do RIR/1999. Este é o exato limite a ser tratado na apreciação do Recurso Voluntário. É preciso verificar os atributos da dedutibilidade de uma despesa financeira, considerado que esta despesa se deu, na parte glosada, para realizar pagamento de dividendos aos acionistas em patamar superior ao mínimo exigido. Quer me parecer que a efetividade das despesas com a emissão das debêntures, bem como sua regularidade de remuneração de acordo com o padrões de mercado, são pontos pacíficos, eis que nem mesmo a fiscalização os questionou. Também me parece que a decisão recorrida, pelo voto divergente e prevalente, extrapolou os limites da imputação ao considerar apenas a destinação, geral, das despesas para os fins de aferir sua dedutibilidade, de sorte que apenas abstraio a preliminar de nulidade invocada pela contribuinte porque entendo que, no mérito, a questão se resolve favoravelmente a ela contribuinte. É preciso ter em mente, considerado o cenário fático posto na espécie, que a contribuinte emitiu as tais debentures tendo em conta a necessidade de efetivar o pagamento dos dividendos aos seus acionistas e, para tanto, serviuse das regras e taxas praticadas no mercado, resultando daí despesas financeiras suportadas e deduzidas pela contribuinte, em clara atitude de repercussão puramente gerencial, insuscetível de ingerência do Fisco. Anotese a temeridade de considerarse o pagamento de dividendos como mera liberalidade, como se as empresas fossem voltadas a outra coisa senão a isso mesmo. Ora, como bem anotou o relator do feito na DRJ, cujo voto foi vencido, é este o cenário de um sistema capitalista. A Fiscalização não lançou uma única suspeita sobre a efetividade das despesas em questão, glosandoas apenas ao mero fundamento de que por serem superiores ao limite legal, os pagamentos de dividendos, não estariam aptos a dar lastro às despesas financeiras fruto de operações realizadas para viabilizalos (pagamentos de dividendos). Fl. 889DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Tal raciocínio, ao meu sentir, desvirtua a própria norma, impondo ao contribuinte que sempre opte por estruturações societárias e econômicas que redundem em majoração da tributação, situação que não se revela suportada pela legislação de regência. Ademais, torno a dizer que as debentures em questão, previstas nas Leis n° 6.385/1976 e n° 6.404/1976, têm exatamente a finalidade de satisfazer as necessidades financeiras da empresa e, em contrapartida, asseguram a seus detentores direito de crédito contra a emissora, ou seja, nutrem o efetivo escopo de captação de recursos financeiros, mediante o atendimento de formalidades legais, que como vimos, nestes autos se deu dentro da mais absoluta normalidade. Ora, se a capitação dos recursos financeiros é legítima, e o pagamento dos dividendos aos acionistas decorre da própria lógica do sistema, não vejo fundamento para a autuação somente porque a contribuinte substituiu o passivo Dividendos a Pagar por aquele gerado com as debêntures, e este produziu despesas financeiras que foram deduzidas do resultado enquanto o primeiro não produziria qualquer resultado dedutível. Para afastar o caráter de mera liberalidade que a fiscalização buscou atribuir às despesas em questão, na linha daquilo que consignou o relator, cujo voto restou vencido, que a lei estabelece o dividendo como inerente à natureza contratual da sociedade, que dá ao acionista o direito de tomar parte nos lucros, na proporção do que participar no capital social, sendo decorrente, o dividendo, de disposição estatutária ou, na sua ausência, do mínimo estatuído pela LSA e como bem se expôs no aludido voto, a regra geral é a de que o dividendo será de metade do lucro líquido, após a dedução da reserva legal e da reserva para contingências e apenas para preservar o acionista, é que as companhias devem distribuir, no mínimo, 25% de seu lucro líquido ajustado, apurado ao final de cada exercício social, podendo o estatuto estabelecer outro piso, desde que não seja inferior àquele determinado na lei. Tais disposições indicam o caráter inarredável do dividendo, que nas espécie, segundo consta, foram distribuídos em duas parcelas, uma delas relativa a reservas de lucros de exercícios anteriores, no valor de R$ 59.413.609,52; outra, dos lucros do exercício de 2009, no montante de R$ 50.586.390,48 (fls. 154 155), sendo que a Ata da Assembleia Geral realizada em 4/2/2009 registra que 25% do lucro líquido seria destinado ao pagamento dos dividendos obrigatórios (fl. 212). Diante disso, novamente considerando que para a fiscalização o motivo da glosa foi o fato de que a distribuição dos dividendos que se deu em valor superior ao mínimo previsto nos estatutos seria mera liberalidade o que não autorizaria a dedutibilidade proporcional das despesas financeiras com juros sobre as debêntures emitidas, importa registrar que o resultado prático da decisão do contribuinte foi o efetivo pagamento dos dividendos, direito inarredável dos acionistas, e indiscutivelmente necessário à manutenção da fonte produtiva dela contribuinte. Sendo assim, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada, de sorte que voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para os fins de julgar insubsistentes as acusações fiscais. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10865.720825/201270 Acórdão n.º 1301001.514 S1C3T1 Fl. 7 11 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 25/11/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/11/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 17460.000019/2007-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002
NORMAS GERAIS. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gustavo Lian Haddad.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gustavo Lian Haddad. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 00 19 /2 00 7- 16 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 9202003.337 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0407, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0397, que decidiu dar provimento parcial a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguinte termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2002 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO. As normas que regem a compensação exigem, na sua operacionalização, que o contribuinte que possui crédito e que pretende utilizálo em operação de compensação, expressamente informe na GFIP o valor compensado. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total das competências até 11/2001 com base no Art. 150, § 4º , CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marcelo Magalhães Peixoto. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão de multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 1. Há decisões divergentes quanto à forma de aplicação da retroatividade benigna, determinada pelo CTN; 2. O acórdão deve ser retificado, conforme a decisão paradigma; 3. Espera acolhimento e provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0453, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 9202003.337 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Sobre a questão de qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 500DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 501DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 9202003.337 CSRFT2 Fl. 5 7 § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 17460.000019/200716 Acórdão n.º 9202003.337 CSRFT2 Fl. 6 9 Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado penalidades determinadas na antiga legislação, com a penalidades determinadas atualmente. Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas e dou provimento ao recurso, nos termos solicitado. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, dou provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 504DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10675.905078/2009-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 07 8/ 20 09 -8 0 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905078/200980 Resolução nº 9303000.034 CSRFT3 Fl. 257 2 Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorado em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096/RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes Fl. 257DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905078/200980 Resolução nº 9303000.034 CSRFT3 Fl. 258 3 RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão LibreOffice Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA Processo nº 10675.905078/200980 Resolução nº 9303000.034 CSRFT3 Fl. 259 4 Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Nanci Gama Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 23/12/2013 por NANCI GAMA
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Numero do processo: 10920.907754/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 54 /2 01 2- 14 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907754/201214 Acórdão n.º 3803006.807 S3TE03 Fl. 66 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 9 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907754/201214 Acórdão n.º 3803006.807 S3TE03 Fl. 67 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907754/201214 Acórdão n.º 3803006.807 S3TE03 Fl. 68 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em junho de 2005 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 31.864,82 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 17.382,25 (conforme índice de juros de 54,55% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 9.560,23, valor esse muito próximo, Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907754/201214 Acórdão n.º 3803006.807 S3TE03 Fl. 69 5 com diferença de apenas R$ 0,79, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 9.559,44). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003506/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.346
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos PAF'S 11065.003478/2010-33 e 11065.003479/2010-88, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, respectivamente.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos PAF'S 11065.003478/2010-33 e 11065.003479/2010-88, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, respectivamente. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência até que se conclua, no âmbito administrativo, o julgamento das demandas objeto dos PAF'S 11065.003478/201033 e 11065.003479/201088, relativos à exclusão da recorrente do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, respectivamente. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .0 03 50 6/ 20 10 -1 2 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.003506/201012 Resolução nº 2302000.346 S2C3T2 Fl. 57 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.003506/201012 Resolução nº 2302000.346 S2C3T2 Fl. 58 3 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o seguinte crédito tributário lançado: (...) autuação decorrente de descumprimento de obrigação acessória prevista nos parágrafos 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212/1991, na redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 19) descreve que o contribuinte deixou de apresentar o Livro Caixa, conforme previsto no artigo 3º, inciso I da Resolução CGSN nº 10, de 28/06/2007, declarando ainda não possuir registros contábeis de suas operações referentes ao período fiscalizado (01/2006 a 02/2010), os quais foram solicitados por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, datado de 06/04/2010, reiterado pelo Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 02, datado de 30/09/2010. Pela infração incorrida foi aplicada a multa de R$ 14.317,78 (quatorze mil, trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos), prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/1991, combinados com os artigos 283, inciso II, alínea “j” e 373 do RPS. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamentação Legal – CFL nº 38. Nesse contexto fiscalizatório, foram encaminhadas representações fiscais para exclusão do contribuinte do Simples e do Simples Nacional. A exclusão de ofício foi formalizada por meio dos Atos Declaratórios Executivos nº 123/2010 (Simples) e nº 124/2010 (Simples Nacional). Após a impugnação da recorrente, como afirmado, a DRJ julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: * embora excluída do Simples Nacional, está apresentando recurso contra acórdão que julgou improcedente a impugnação aos Atos Declaratórios de Exclusão; * no despacho que propôs a emissão do ato declaratório de exclusão, fls. 15, a autoridade fiscal não levou em consideração todos os documentos entregues pela empresa; Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.003506/201012 Resolução nº 2302000.346 S2C3T2 Fl. 59 4 * a empresa comprovou que mantém em boa ordem e guarda os documentos fiscais e contábeis, porém, por erro de interpretação e até “ignorância legal”, deixou de escriturar os Livros Caixa e/ou Diário, por acreditar que estes estavam englobados na dispensa legal de “escrituração comercial”; * a exclusão se deu pelo não cumprimento de uma obrigação acessória (falta de escrituração do livro caixa), não tendo o condão de transformar atos legais em ilegais. Assim, se o ato declaratório for anulado, o presente AI também deverá ser declarado insubsistente; Requer seja a multa reduzida ao mínimo legal, caso não seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.003506/201012 Resolução nº 2302000.346 S2C3T2 Fl. 60 5 VOTO Consta dos autos que a recorrente foi excluída do Simples e do Simples Nacional por meio dos Atos Declaratórios Executivos nº 123/2010 (Simples) e nº 124/2010 (Simples Nacional). Referidas exclusões constituem questões prejudiciais ao mérito recursal, sendo de se ressaltar que não há definitividade de decisões quanto a tais controvérsias (trânsito em julgado administrativo), conforme se verifica dos apensos 11065.003478/201033 (Simples) e 11065.003479/201088 (Simples Nacional) Entendo, portanto, não ser possível prosseguir com este julgamento sem que antes seja decidido acerca da definitividade da exclusão da empresa dos sistemas favorecidos (Simples: 11065.003478/201033 e Simples Nacional 11065.003479/201088), razão pela qual voto pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à origem para aguardar as decisões definitivas, na esfera administrativa, sobre as referidas questões e, somente após tal informação, retornem os autos a este Colegiado, devidamente instruídos com informações a respeito do desfecho de ambos os processos. Repiso que os processos que tratam das questões prejudiciais encontramse encontramse em apenso, com recurso voluntário interposto e pendente de julgamento. Ocorre que a competência para julgamento é da Primeira Seção deste Egrégio Conselho (art. 2°, V, do RICARF), razão pela qual os autos dos processos 11065.003478/201033 e 11065.003479/201088 devem ser desapensados para encaminhamento ao referido órgão. Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento à recorrente e concedido prazo para manifestação. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000525/2005-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/04/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando existente a obscuridade apontada
Numero da decisão: 3401-002.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
Robson José Bayerl - Presidente.
Jean Cleuter Simões Mendonça - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
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OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando existente a obscuridade apontada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Robson José Bayerl Presidente. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 05 25 /2 00 5- 22 Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls.1022/2014) ao acórdão nº 340101.160 proferido por esta Turma de Julgamento (fls. 1010/1019). A Embargante alega a existência de obscuridade pois, segundo ela, foi suprimido texto da conclusão do julgamento, ficando do seguinte modo: “Depósito judicial levantamento deuse por unanimidade”. Com esse argumento a Embargante pediu o conhecimento dos embargos declaratórios a fim de que seja extirpada a obscuridade. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. A obscuridade apontada pela Embargante realmente está presente na conclusão do acórdão, que foi redigido do seguinte modo: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto a matéria submetida ao Poder Judiciário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, deu se provimento parcial ao recurso, para declarar a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos períodos de apuração anteriores a 7/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rodrigo, Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Depósito Judicial levantamento deuse por unanimidade. Quanta a questão madeira em pé, pelo voto de qualidade negouse provimento ao recurso, vencidos Rodrigo Pereira de Mello, Fernando Margues Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro Miranda. Designado o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho para elaborar o voto vencedor. (Grifo nosso) Pela redação do acórdão, não é possível saber qual foi a decisão tomada por unanimidade em relação ao levantamento do depósito judicial. Compulsando os autos, percebese que uma das matérias era quanto à tributação sobre os juros incidentes sobres os depósitos judiciais os quais, apesar de terem sido contabilizados na escrita fiscal da empresa, foram, ao final do processo judicial, convertidos Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 13629.000525/200522 Acórdão n.º 3401002.771 S3C4T1 Fl. 985 3 em renda da União. Ao analisar essa matéria, o então Relator, Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, chegou à conclusão de que o fato gerador só ocorria no momento em que esses depósitos eram devolvidos ao depositante. Nessa linha, o Relator concluiu seu voto dando provimento ao recurso voluntário em relação à matéria da incidência da tributação sobre os juros dos depósitos judiciais. Senão, vejamos: “Frente a todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, dando provimento no que tange à decadência relativa aos períodos anteriores a junho/00; à venda de ativo imobilizado; ao não alargamento da base de cálculo, previsto no §1º do art. 3° da Lei 9.718/98, não considerando as receitas financeiras até a edição da Lei n°.10.833/03; e por fim quanto à incidência de COFINS sobre os juros de depósito judicial ainda não levantado; Negando provimento no que tange à nulidade e à variação cambial após a edição da Lei n°. 10.833/03”. Em relação à matéria da incidência da COFINS sobre os juros dos depósitos judiciais, o Relator não foi vencido, e, nesse ponto, o seu voto foi acolhido por unanimidade. Portanto, devem ser acolhidos os presentes embargos de declaração para afastar a obscuridade concernente ao resultado do julgamento em relação à matéria de incidência da COFINS sobre os juros dos depósitos judiciais, para esclarecer que se deu provimento por unanimidade quanto a esta matéria, afastando o lançamento sobre os juros dos depósitos judiciais não levantados pela Contribuinte. Devendo o acórdão ser retificado para: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso quanto a matéria submetida ao Poder Judiciário. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso, para declarar a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente aos períodos de apuração anteriores a 7/2000. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rodrigo, Odassi Guerzoni Filho e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Quanto aos juros do depósitos judiciais não levantados, deuse provimento por unanimidade. Quanta a questão madeira em pé, pelo voto de qualidade negouse provimento ao recurso, vencidos Rodrigo Pereira de Mello, Fernando Margues Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro Miranda. Designado o Conselheiro Odassi Guerzoni Filho para elaborar o voto vencedor Ex positis, acolho os presentes embargos de declaração para afastar a obscuridade e esclarecer o acórdão embargado na forma disposta acima. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L 4 Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 24 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROBSON JOSE BAYER L
score : 1.0
Numero do processo: 10314.011676/2010-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/08/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/08/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/08/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/08/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 16 76 /2 01 0- 29 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do Fl. 512DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.011676/201029 Acórdão n.º 3803006.668 S3TE03 Fl. 512 3 contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 27/08/2010 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 17/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 01/11/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na Fl. 514DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.011676/201029 Acórdão n.º 3803006.668 S3TE03 Fl. 513 5 importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não Fl. 516DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.011676/201029 Acórdão n.º 3803006.668 S3TE03 Fl. 514 7 sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.011676/201029 Acórdão n.º 3803006.668 S3TE03 Fl. 515 9 intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 520DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10850.909102/2011-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 189 1 188 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.909102/201104 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.729 – 3ª Turma Especial Sessão de 12 de novembro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jacques Maurício F. Veloso de Melo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição às decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente as Manifestações de Inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 91 02 /2 01 1- 04 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909102/201104 Acórdão n.º 3803006.729 S3TE03 Fl. 190 2 apresentadas em decorrência do indeferimento do pedido de restituição e da não homologação da compensação declarada pelo contribuinte supra identificado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, no valor de R$ 196,93. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu o pedido de restituição, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorrera da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Argüiu o interessado que não fora previamente intimado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, tendo sido o despacho decisório prolatado sem que a fiscalização tivesse examinado a situação concreta do pedido de restituição. Requereu, também, o então Manifestante, em respeito ao princípio da economia processual, a reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando terem todos eles o mesmo objeto. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, de planilha por ele elaborada contendo a identificação dos valores das receitas financeiras auferidas no período e de parte do balancete. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 31/10/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909102/201104 Acórdão n.º 3803006.729 S3TE03 Fl. 191 3 Data do Fato Gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Arguiu o relator a quo que, “ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se [desincumbira] de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior”, uma vez que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. Em 09/09/2013, a repartição de origem juntou a este processo, por apensação, o processo administrativo nº 10850.722662/201318, contendo a Declaração de Compensação (DCOMP) do crédito controvertido nestes autos. Submetida a DCOMP à apreciação da autoridade administrativa de origem, emitiuse despacho decisório de não homologação da compensação declarada, considerando que o direito creditório já havia sido indeferido no presente processo. Cientificado, o contribuinte apresentou nova Manifestação de Inconformidade, requereu o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação, repisando os argumentos de defesa. Adicionalmente, o contribuinte trouxe aos autos cópia de parte do livro Razão. A DRJ Ribeirão Preto/SP mais uma vez não reconheceu o direito creditório, tendo sido o novo acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2001 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909102/201104 Acórdão n.º 3803006.729 S3TE03 Fl. 192 4 Não é cabível a rediscussão de direito creditório vinculado a pedido de restituição, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, a restituição/compensação resta impossibilitada por falta de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado das decisões de primeira instância em 18/06/2014, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/07/2014 e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo contestado o argumento da autoridade julgadora de piso relativamente à necessidade de prévia retificação da DCTF para se atestar a liquidez e certeza do crédito, argüindose que tal documento, além de não ser exigido em lei, não é o único apto a comprovar a existência de crédito passível de restituição. Afirmou ainda o Recorrente que apresentara, junto à Manifestação de Inconformidade, cópias de planilha de cálculo, do livro Razão e do balancete, contendo a identificação das receitas financeiras indevidamente incluídas no cômputo da contribuição, tratandose de documentos suficientes à comprovação do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange à alegação de que os despachos decisórios foram prolatados em desconformidade com a legislação de regência, dada a inocorrência de prévia intimação do interessado para prestar esclarecimentos quanto à higidez do crédito tributário, há que se ressaltar que o ato administrativo, muitas vezes, “prescinde da existência de um procedimento específico”, pois, quando “o agente administrativo [detém] todas as informações necessárias à Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909102/201104 Acórdão n.º 3803006.729 S3TE03 Fl. 193 5 configuração do fato imponível e à extração de todas as conseqüências tributárias” 1, ele não necessita colher novas informações ou provas, podendo decidir com base nos elementos presentes nos sistemas internos do órgão, quando suficientes à prolação do despacho decisório. Quanto ao pedido de reunião dos processos identificados na peça recursal para julgamento em conjunto, considerando que todos eles têm o mesmo objeto, há que se salientar que todos os processos presentes no lote em que figurou como interessada a pessoa jurídica Green Star – Peças e Veículos Ltda. foram incluídos na pauta para julgamento na mesma sessão deste 3ª Turma Especial. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição e declaração de compensação relativos a alegado valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 2, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. De acordo com o entendimento do STF3, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, não abrangendo, por conseguinte, outras receitas, como as receitas financeiras alheias ao objeto social da pessoa jurídica. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise, em tese, pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito 1 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 266267. 2 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. 3 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909102/201104 Acórdão n.º 3803006.729 S3TE03 Fl. 194 6 de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909102/201104 Acórdão n.º 3803006.729 S3TE03 Fl. 195 7 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Não se pode ignorar, ainda, que as partes da escrituração não se encontram acompanhadas da identificação e da assinatura do profissional responsável por sua elaboração, não se encontrando as planilhas identificadas como Livro Razão acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento, situação essa que fragiliza ainda mais o conjunto probatório. A mesma falha ocorreu em sede de recurso, pois nenhum elemento de prova adicional foi trazido aos autos, inviabilizandose a comprovação pretendida. A meu ver, essas constatações, por si sós, já impedem que se acatem os pedidos do Recorrente, pois mesmo afastando, em tese, a preclusão acima abordada, não se tem por configuradas as características de liquidez e certeza requeridas em casos da espécie. Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Destaquese que, em razão da incompletude da prova apresentada, um eventual retorno dos autos à repartição de origem para a reabertura da apreciação do presente feito não encontra respaldo na legislação processual tributária, pois, conforme nos leciona James Marins, “[a] flexibilização generalizada do regime de fases e de preclusões processuais fragiliza a segurança do processo e não pode ser admitida mesmo sob invocação do princípio da formalidade moderada, por atingir axioma ínsito ao conceito ontológico do procedimento e do processo entendido cedere pro” 4 (ir para a frente). 4 MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro (administrativo e judicial). 7. ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 293. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.909102/201104 Acórdão n.º 3803006.729 S3TE03 Fl. 196 8 Ora, “o poder instrutório das autoridades de julgamento não pode levar a invasão da esfera de responsabilidade dos interessados em provar os fatos necessários à sua defesa. Segundo Bonilha5, “o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer as suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo” 6. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos. Nesse contexto, por ausência de prova da efetiva existência do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator 5 BONILHA, Paulo Celso B. Da prova no processo administrativo tributário. 2. ed. São Paulo: Dialética, 1997, p. 78. 6 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 449. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13520.000240/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A declaração de rendimentos em conjunto impõe a soma dos rendimentos auferidos pelo casal, abrangendo todos os rendimentos, inclusive os provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, e das pensões de gozo privativo.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 86.
É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A declaração de rendimentos em conjunto impõe a soma dos rendimentos auferidos pelo casal, abrangendo todos os rendimentos, inclusive os provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, e das pensões de gozo privativo. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 86. É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega. Recurso Voluntário Negado
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A declaração de rendimentos em conjunto impõe a soma dos rendimentos auferidos pelo casal, abrangendo todos os rendimentos, inclusive os provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, e das pensões de gozo privativo. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 86. É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 26/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 52 0. 00 02 40 /2 00 7- 61 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13520.000240/200761 Acórdão n.º 2102002.567 S2C1T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 22: Tratase de notificação de lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao ano calendário de 2004, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 3.922,33, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na notificação de lançamento, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada omissão de rendimentos tributáveis de dependente, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 7.965,57. A omissão foi apurada com base em DIRF apresentada pela fonte pagadora. A contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal e apresentou impugnação, às fls. 01/03, alegando, em síntese, o seu esposo foi incluso indevidamente como seu dependente na declaração de rendimentos pelo contador, o que de fato não é, até porque recebe rendimentos, conforme apurado na autuação. Assim, requer a exclusão do seu esposo como dependente, bem como, dos rendimentos apontados como omitidos. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhados de provas suficientes, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO EM CONJUNTO. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente de omissão de rendimentos de um dos conjugues quando a declaração for em conjunto. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 26 a 29, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: Cumpre esclarecer, que na apresentação da declaração de renda da impugnante, ano calendário 2004, em razão de um erro do contador, o Sr. Ariel Fl. 43DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13520.000240/200761 Acórdão n.º 2102002.567 S2C1T2 Fl. 4 3 Fernando Hammarstron inscrito no CPF sob o n° 109.912.63200, foi equivocadamente informado como dependente da • contribuinte impugnante, sendo que, na verdade é cônjuge da mesma e não possui de forma alguma a qualidade de dependente desta, pois é pessoa capaz. O Sr. Ariel foi isento do recolhimento de declaração de importo de renda, no ano calendário 2004, não sendo cabível o lançamento fiscal capaz de constituir crédito tributário, também não caracterizando omissão de rendimentos, visto que o Sr. Ariel era isento do recolhimento de imposto de renda, no ano calendário 2004. Portanto, não houve omissão alguma de rendimentos, por parte da impugnante, eis que o Sr. Ariel não é dependente da impugnante, mas sim cônjuge capaz, sendo que recebera no ano de 2004, da empresa Agrosul Maquinas Ltda. O valor de R$ 7.965,57 (sete mil novecentos e sessenta e cinco reais e cinquenta e sete centavos), em virtude de contraprestação laboral a mesma. A requerente não recebeu rendimentos tributáveis da empresa Agrosul Maquinas Ltda, sob o CNPJ 40.512.337/000100, e o Sr. Ariel também não é dependente da mesma, sendo inexistente a alegada omissão de rendimentos tributáveis, e insubsistente, o lançamento por ora reclamado pela impugnada. Assim, a declaração de renda ano calendário 2004, apresentada pela requerente merece a devida correção, incluindose, o Sr. Ariel, como cônjuge capaz e não dependente, sendo considerado insubsistente a notificação de • lançamento n° 13520.000240/200761, por ausência de fato gerador Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a matéria em discussão, nesta segunda instância, resumese, essencialmente, a questão da inclusão dos rendimentos tributáveis percebidos pelo esposo da declarante em declaração em conjunto e a possibilidade de retificação de declaração. Importa esclarecer que a regra geral de tributação para pessoas físicas é tributar os rendimentos em separado. No caso de contribuintes casados, opcionalmente, poderão os cônjuges apresentar declaração em conjunto, nos termos do art. 8 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) aprovado pelo Decreto n 3.000, de 26 de março de 1999, que assim dispõe: Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou Fl. 44DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13520.000240/200761 Acórdão n.º 2102002.567 S2C1T2 Fl. 5 4 inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos do outro cônjuge, incluídos na declaração, poderá ser compensado pelo declarante. § 2º Os bens, inclusive os gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, deverão ser relacionados na declaração de bens do cônjuge declarante. § 3º O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge. Como se vê, o casal pode tributar em conjunto os rendimentos recebidos por cada um e, neste caso, o cônjuge declarante poderá considerar o outro como seu dependente, o que significa que além dos rendimentos do interessado, os rendimentos do cônjuge também deverão ser adicionados aos rendimentos do declarante na Dirpf anual, conforme determinado no dispositivo legal supracitado. No caso em tela, temse que ao incluir seu cônjuge como dependente, o Recorrente manifestou sua intenção em tributar seus rendimentos e de sua esposa, em conjunto, razão pela qual os rendimentos recebidos e indicados na Dirf de fl. 21, foram realmente omitidos na declaração entregue pelo contribuinte. Ressaltese que os rendimentos percebidos pela dependente são oriundos de trabalho assalariado, código 0561, sendo os mesmos tributáveis nos termos do artigo 43 do Decreto n 3.000/99 (RIR/99), in verbis: Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): De outro lado, acerca do pedido de retirada do Sr. Ariel da declaração da recorrente, cumpre dizer que nesse estágio que se encontra o processo isso não é mais possível. Nesse sentido, essa questão é sumulada nesse Conselho e não mais produz litígio: SÚMULA CARF Nº 86: É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13520.000240/200761 Acórdão n.º 2102002.567 S2C1T2 Fl. 6 5 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720693/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 31/10/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - PAF - NORMAS PROCESSUAIS - COMPETÊNCIA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF - FATOS CUJA APURAÇÃO SERVIU PARA APURAR INFRAÇÕES DE IRPJ - COMPETÊNCIA DA 1ª SEÇÃO DO CARF.
A competência para julgamento de recurso relativo a exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ é da 1ª Seção do CARF.
Numero da decisão: 3402-001.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos não conheceu do recurso para declinar competência para 1ª Seção de Julgamento.
GILSON MACEDO ROSENGURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Nayra Bastos Manatta, Adriana Oliveira e Ribeiro, Mario César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
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GILSON MACEDO ROSENGURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Nayra Bastos Manatta, Adriana Oliveira e Ribeiro, Mario César Fracalossi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 93 /2 01 1- 79 Fl. 628DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão DRJj/SP1 nº 1636.018 exarado em 02/02/12 (fls. 533/554) pela 7ª Turma da DRJ de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedentes” os seguintes lançamentos originais de: a) COFINS (MPF nº 0816600/00183/09 constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico), notificado em 20/06/11, no valor total de R$ 17.958.888,75 (COFINS R$ 8.54.506,23; Juros R$ 3.006.002,85 e Multa de 75% R$ 6.408.379,67) que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento da COFINS no período de 31/10/07 a 31/12/07 conforme descrito no TVF, em razão do que, a d. Fiscalização considerou infringidos os arts. capitulados no AI, e devida a multa de 75% capitulada no art. 44, inc. I, da Lei nº 9430/96, e juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96; e b) Contribuição para o PIS/PASEP (MPF nº 0816600/00183/09 constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico), notificado em 20/06/11, no valor total de R$ 2.918.319,35 (PIS R$ 1.388.482,24; Juros R$ 488.475,44; e Multa de 75% R$ 1041.361,67), que acusou a ora Recorrente de falta de recolhimento do PIS no período de 31/10/07 a 31/12/07 conforme descrito no TVF, em razão do que, a d. Fiscalização considerou infringidos os arts. capitulados no AI e, devida a multa de 75% capitulada no art. 44, inc. I, da Lei nº 9430/96, e juros à taxa SELIC nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. No Termos de Verificação Fiscal (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico), a d. Fiscalização da Delegacia Especial de Instituições Financeiras – DEINF SP, explicita os motivos das autuações nos seguintes termos: “DAS CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES Inicialmente a ação fiscal foi instaurada em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e somente depois ela se estendeu à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), motivada pela falta de recolhimento sobre os ganhos obtidos com as vendas das ações envolvidas nos processos de desmutualização das bolsas. Assim, para a perfeita compreensão da matéria tributável sujeita à incidência das contribuições ao PIS e à COFINS vimos a necessidade de se conhecer, na sua essência, as particularidades desses processos, que estarão sendo abordados nos tópicos seguintes. DOS FATOS Fl. 629DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 3 3 Em 10 de junho de 2008, a contribuinte apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) relativa ao anocalendário de 2007 em que optou pela Apuração Anual do IRPJ e da CSLL. Neste ano calendário ocorreram as operações conhecidas como "desmutualização das bolsas", envolvendo as associações civis sem fins lucrativos Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). A desmutualização da Bovespa ocorreu por deliberação da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 28 de agosto de 2007, data em que a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. era proprietária de 06 (seis) títulos patrimoniais, avaliados e contabilizados pelo valor de R$ 9.413.341,14. No caso da BM&F, a desmutualização ocorreu em 01 de outubro de 2007, e nesta data a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. detinha quatro títulos patrimoniais, sendo um de Membro de Compensação, um de Corretora de Mercadorias e dois de Sócio Efetivo, avaliados e contabilizados pelos valores de R$ 4.961.610,00, R$ 4.898.015,00 e R$ 20.000,00, respectivamente. Ao todo, esses títulos somavam R$ 9.879.625,00. Em decorrência desses dois processos de desmutualização, ela apurou resultados positivos da ordem de R$ 133.587.697,85, contabilizados nas seguintes contas: Contas Valores em Reais 7.3.1.10.00.0013 Receitas Não Operacionais Lucros na Alienação de Investimentos 146.953.050,75 7.3.1.10.00.0020 Receitas Não Operacionais Lucros na Alienação de Investimentos 13.365.352,90 Resultado líquido 133.587.697,85 Na DIPJ 2008 (anocalendário de 2007), os valores acima foram declarados na Ficha 06B Demonstração do Resultado, em duas linhas distintas, uma de receitas e outra de custos, a saber: –Na Linha 52. Receitas de Alienações de Bens e Direitos do Ativo Permanente, foi declarado o valor total das alienações. –Na Linha 55. () Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados, foi declarado o valor total dos custos considerados nas alienações. Cabe aqui observar que nestas linhas os valores declarados abrigaram também outros valores menores, de R$ 1.413.000,00 e R$ 444.379,36, respectivamente, mas que nada tinham a ver com os processos de desmutualização das bolsas. Constatamos, porém, que aos valores envolvidos nestas operações não foi dispensado tratamento tributário adequado, ensejando a adoção de algumas medidas de ofício, conforme Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 teremos a oportunidade de demonstrar ao longo do presente termo de verificação fiscal. DOS PROCESSOS DE DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS Em síntese, os processos de desmutualização das bolsas consistiram na redução substancial da Bovespa e na extinção da BM&F, duas associações sem fins lucrativos. Essas reduções se deram mediante transferências de seus patrimônios e de suas atividades essenciais a favor das duas sociedades empresariais (sociedades anônimas) constituídas para este fim, a Bovespa Holding S.A. e a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A., respectivamente. Nestes processos, os títulos patrimoniais passaram a ter valores ínfimos, no caso da Bovespa, ou foram extintos, no caso da BM&F, mas as pessoas que os detinham, pessoas físicas ou jurídicas, foram recompensadas com o recebimento de ações representativas dos novos capitais, das sociedades constituídas. As desmutualizações contemplavam a necessidade de que fossem promovidas ofertas públicas iniciais, conhecida pela sigla "IPO" (do idioma inglês initial public offering), destinadas à colocação das novas ações no mercado. Oportuno dizer que, "antes" de receber as ações da Bovespa Holding S.A. e da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A., os associados já tinham ciência de tal fato. Isto fica claro quando nos "prospectos preliminares" com o quais foram instruídos os respectivos pedidos de registro das ofertas públicas de distribuição secundária de ações, junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), protocolados em 30 de agosto de 2007, no caso da Bovespa, e em 28 de setembro de 2007, no caso da BM&F, eles já tinham sido nominalmente identificados como "ofertantes" (Bovespa) e "acionistas vendedores" (BM&F), cada um com as respectivas quantidades de ações ofertadas. No prospecto preliminar da Bovespa, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. consta da relação como ofertante de 1.660.445 ações da Bovespa Holding S.A., enquanto no prospecto preliminar da BM&F, apenas o sócio majoritário da referida corretora, Sr. Marcos de Souza Barros, consta como acionista vendedor de 8.891.662 ações da BM&F S.A. É de se chamar a atenção, portanto, para um documento chamado Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no Âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F (Anexo I), de 04 de setembro de 2007, firmado pela Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., no qual a "aderente" assumia todos os direitos e obrigações imputados às partes (associados), inclusive a obrigação referente à alienação de 35% (trinta e cinco por cento) das ações a ela atribuídas no processo de desmutualização. A título de observação, esclarecemos que 10% das ações seria alienado ao investidor estratégico "General Atlantic" e 25% seria destinado à alienação no "IPO". Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 4 5 Sabidamente, os 25% da alienação no "IPO" prevista no referido termo de adesão não viria a ocorrer na forma ali definida, haja vista que a "aderente" sequer constou da relação de acionistas vendedores, no prospecto preliminar com o qual foi instruído o pedido de registro da oferta pública de ações da BM&F S.A., protocolado na CVM dias após a assinatura daquele documento. Em seu lugar constou o nome do sócio majoritário, Sr. Marcos de Souza Barros, como já mencionamos antes, porém, com uma oferta de ações superior àquela inicialmente prevista. Salientese, contudo, que a "formalização" da nova adesão, do Sr. Marcos de Souza Barros, pode ser vista em outro documento firmado em 05 de novembro de 2007, chamado "Anexo IIA — Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física)". Neste documento, a oferta foi de 8.891.662 ações, ou seja, quantidade exatamente igual àquela que constou do prospecto preliminar levado a registro na Comissão de Valores Mobiliários. Voltando à oferta pública de ações da Bovespa Holding S.A., observase que tendo por objetivo disciplinar os casos de alterações das quantidades de ações a serem ofertadas e os casos de desistências de acionistas vendedores, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. firmou com a Bovespa Holding S.A., em data posterior à do protocolo do pedido de registro na CVM, um documento chamado "Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças". Na mesma data, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., através de um instrumento de mandato chamado "Procuração", autorizava formalmente a oferta das 1.660.445 ações da Bovespa Holding S.A. que já constava do prospecto preliminar, outorgando a ela os poderes para atuar na negociação. Sob os efeitos dos compromissos dessa natureza, no mesmo ano calendário em que ocorreram os eventos das desmutualizações, a contribuinte vendeu parte das ações da Bovespa Holding S.A. e a totalidade das ações da BM&F S.A., conforme resumos a seguir: VENDAS DE AÇÓES ORDINÁRIAS DA BOVESPA HOLDING S.A Data NC Tipo Prazo Especificação Quant Preço Venda 24/10/2007 ON D+3 Bovespa Holding ON 1.660,445 23,00 38.190.235,00 Totais 1.660.445 38.190.235,00 VENDAS DE AÇUS ORDINÁRIAS DA BOLSA DE MERCADORIAS & FUTUROS BM&F S.A Data NC Tipo Prazo Especificação Quant Preço Venda 01/11/07 ON Venda antes do “IPO” 8.891.662 11.0000 97.808.282,00 16/11/07 ON Venda antes do “IPO” 987.963 11.0880 10.954.533,75 Totais 9.979.625 108.762.815,75 Observação: Sobre a venda das 8.891.662 ações ocorrida no dia 01 de novembro de 2007, ressaltamos que ela foi feita a favor do acionista da corretora, Sr. Marcos de Souza Barros, antes do "IPO", tratandose, pois, de um caso à parte sobre o qual faremos, oportunamente, alguns comentários mais. Adiantamos, todavia, que o fato de seu nome ter sido contemplado como acionista vendedor, no prospecto preliminar protocolado na CVM em 28 de setembro de 2007, inclusive com a exata quantidade de ações por ele ofertada, constitui uma prova inequívoca de que na pior das hipóteses, naquela data já se sabia da efetiva transação entre a corretora e seu sócio. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Além dos prospectos preliminares, foram firmados outros documentos com os quais a contribuinte formalizara seu compromisso de participar das ofertas públicas iniciais, bem como, de uma alienação isolada ao investidor estratégico GA Latin America Investments, LLC, como segue: Na Bovespa Holding S.A. • Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças, de 27 de setembro de 2007, e Procuração, de mesma data, dos quais destacamos os seguintes pontos: a. A Acionista Vendedora obrigavase a manter inalterada a quantidade de ações ordinárias ofertada, conforme indicada no Mandato, bem como mantêlo em pleno vigor durante todo seu prazo de duração, até a conclusão da Oferta. (cláusula 2.1. do contrato) b. O referido Mandato não poderia ser alterado ou revogado, total ou parcialmente, a qualquer tempo. (parágrafo único da cláusula 2.1. do contrato) c. A Bovespa Holding S.A. (procuradora) poderia atuar na negociação e acompanhamento da formação do preço por ação ordinária no âmbito da Oferta, por meio de procedimento de coleta de intenções de investimento ("Bookbuilding"), ficando autorizada a realizar a oferta de até 1.660.445 ações ordinárias de emissão da Companhia de titularidade da outorgante, desde que o preço por ação ordinária fosse fixado em, no mínimo, R$ 14,50. (poderes conferidos no item "ii" da procuração) Na Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. • Instrumento Particular de Assunção de Obrigações, de 17 de agosto de 2007, ainda quando a Bolsa de Mercadorias & Futuros era apenas uma associação sem fins lucrativos. Desse documento destacamos os seguintes pontos: a. As partes tinham interesse em estabelecer determinados princípios e regras para disciplinar suas relações na qualidade de detentoras de títulos patrimoniais de emissão da BM&F, bem como em estipular determinados princípios e regras que deveriam reger suas relações na qualidade de acionistas da BM&F S.A., notadamente no que se referia às hipóteses de compra e venda de títulos patrimoniais de sua propriedade e das ações que seriam a elas atribuídas. b. As partes concordavam que era do interesse da BM&F S.A. que, após a conclusão do processo de desmutualização, um investidor estratégico, que se dispusesse a deter participação equivalente a, no máximo, 10% (dez por cento) do capital social da BM&F S.A., viesse a ingressar na sociedade. c. As partes tinham conhecimento de que a General Atlantic, fundo de investimento norteamericano apresentara à BM&F uma proposta firme de aquisição das futuras ações de emissão da BM&F S.A., representativa de 10% (dez por cento) do capital social da BM&F S.A. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 5 7 d. As partes também tinham interesse em que, após o IPO, estivessem em circulação no mercado, em poder de outros investidores, ações representativas de, no mínimo, 25% (vinte e cinco por cento) do capital votante da BM&F S.A. e. As partes que firmassem o Termo de Adesão na forma prevista no Anexo I ao referido Instrumento Particular de Assunção de Obrigações (partes alienantes) estariam submetidas aos direitos e obrigações previstos na sua cláusula terceira, comprometendo se, de forma irrevogável e irretratável, a alienar 35% (trinta e cinco por cento) das ações que a elas fossem atribuídas em decorrência do processo de desmutualização da BM&F. f As partes alienantes, desde então já declaravam que tinham conhecimento e manifestavam sua concordância com a proposta firme apresentada por General Atlantic para a aquisição de ações representativas de 10% (dez por cento) do capital social da BM&F S.A. g. No IPO que seria realizado após a conclusão do processo de desmutualização, as partes alienantes já estariam comprometidas a alienar 25% das ações que a elas fossem atribuídas em decorrência da desmutualização da BM&F. Nota: Os destaques retroelencados têm suas correspondências nas letras "d" a "g" dos "considerandos" do Instrumento Particular de Assunção de Obrigações, e também nas cláusulas 3.1, 3.2 e 3.4 do mesmo documento, respectivamente. •Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no Âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F (Anexo I), de 04 de setembro de 2007. Nota: Ao assinar este documento, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., na qualidade de titular dos títulos patrimoniais (um de corretora de mercadorias, um de membro de compensação e dois de sócio efetivo) de emissão da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F, aderia expressamente, passando a integrar o rol de Partes, ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações (documento analisado anteriormente). Assim, declarava ter conhecimento e concordar com todos os seus termos, assumindo todos os direitos e obrigações imputados às Partes daquele instrumento, inclusive no tocante à obrigação prevista na cláusula terceira, referente à alienação, nos prazos e condições estabelecidos, de 35% (trinta e cinco por cento) das ações a ela atribuídas no processo de desmutualização da BM&F. • Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. e Outorga de Poderes, de ?? (dia ilegível) de outubro de 2007, com destaque aos seguintes pontos: a. A Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. (outorgante vendedora) se declarava, irrevogável e irretratavelmente, concordar em alienar 987.963 ações ordinárias (sujeita a ajustes Fl. 634DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 em decorrência de desdobramentos, bonificações de ações, reorganizações, recapitalizações e outros eventos de diluição similares) de emissão da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A., nos termos e condições previstas no Contrato de Aquisição, datado de 20 de setembro de 2007, celebrado entre Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F, a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. e a GA Latin America Investments, LLC. b. A Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. nomeava e constituía como sua bastante procuradora a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A., em caráter irrevogável e irretratável, para representála na alienação das ações ordinárias para a GA Latin America Investments, LLC, conferindolhe amplos e ilimitados poderes para esse fim. Conforme já adiantamos de relance, a despeito de toda essa documentação com a qual se deu o processo de desmutualização da Bolsa de Mercadorias & Futuros, a contribuinte não cumpriu à risca o compromisso assumido através do Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no Âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F (Anexo I), de 04 de setembro de 2007. Essa questão abordaremos oportunamente, mais adiante. DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO A partir da documentação apresentada pela contribuinte, verificamos que por ocasião do processo de desmutualização da Bovespa ela detinha a propriedade de 06 (seis) títulos patrimoniais da Bovespa, avaliados e contabilizados pelo valor de R$ 1.568.890,19 cada um, o que resultava num total de R$ 9.413.341,14. Esse valor constava da conta 2.1.4.10.10.0012 Títulos Patrimoniais Bolsa de Valores de São Paulo. O histórico destes títulos vem desde a data de 19 de dezembro de 1944, quando ainda bem antes da abertura da Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. o sócio fundador fora nomeado "corretor oficial", pelo então governador do Estado de São Paulo. Esse título de "corretor oficial" teria permitido ao sócio fundador da Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., a subscrição de um título patrimonial da Bovespa, em nome da pessoa jurídica, sem qualquer custo financeiro, fato que ocorrera por ocasião da constituição da sociedade, em 17 de outubro de 1967. Depois, por deliberação da Assembléia Geral Extraordinária da Bovespa, realizada em 02 de fevereiro de 2000, houve um processo de desdobramento e a quantidade de títulos patrimoniais passou de um para doze, dos quais a metade já tinha sido vendida há longa data, o que se vê pelo razão contábil de janeiro de 2003 em diante, onde somente os seis títulos remanescentes estavam registrados. No tocante ao procedimento contábil, os valores dos títulos patrimoniais foram sendo atualizados monetariamente através Fl. 635DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 6 9 de cálculos efetuados com base nos balanços e demonstrações financeiras da Bolsa de Valores de São Paulo. As contrapartidas dos lançamentos, registradas diretamente em conta de reserva no patrimônio líquido, sem transitar por contas de resultado, não eram submetidas à tributação do IRPJ e da CSLL. Após uma capitalização parcial de R$ 4.847.000,00 deliberada pela Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30 de março de 2007, porém contabilizada somente em 02 de maio de 2007, a conta 6.1.3.70.00.0016 Reserva de Atualização de Títulos PatrimoniaisReserva de Títulos da Bolsa de Valores de São Paulo ainda abrigou novos lançamentos até o dia 22 de agosto de 2007, quando ficou com saldo de R$ 1.695.853,23, visto também no balanço encerrado em 31 de dezembro daquele ano. Advindo o processo de desmutualização, a contribuinte recebeu 4.240.572 ações da Bovespa Holding S.A., avaliadas em R$ 9.412.822,26, quando simultaneamente o valor de seus títulos foi reduzido a R$ 518,88 (06 títulos a R$ 86,48 cada um), nos termos do OFÍCIO CIRCULAR 225/2007DG BOVESPA. O procedimento contábil das operações envolvendo as baixas dos títulos patrimoniais será objeto de abordagem em tópico à parte, mais adiante. DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BOLSA DE MERCADORIAS & FUTUROS No que tange à BM&F, também verificamos a partir da documentação apresentada pela contribuinte que por ocasião do processo de desmutualização ela possuía quatro títulos patrimoniais de categorias diferentes, contabilizados em contas analíticas de Títulos Patrimoniais de Bolsas de Mercadorias e de Futuros, no montante de R$ 9.879.625,00, a saber: TITULO PATRIMONIAL BM&F NA DATA DA DESMUTUALIZAÇÃO Conta COSIF Títulos Patrimoniais Código Nomenclatura Quant. Vr.unitário Vr Total 2.1.4.10.20.002 2 Sócio efetivo da Bolsa de Mercadorias & Futuros 2 10.000,00 20.000,00 2.1.4.10.20.003 9 Titulo de Corretora de Mercadorias &Futuros 1 4.898.015,00 4.898.015,00 2.1.4.10.20.004 6 Título de Membro Compensação BM&F 1 4.961.610,00 4.961.610,00 Total 9.879.625,00 Verificamos, ainda, que além desses títulos patrimoniais ela também detinha dois títulos de Sócio Efetivo Não Patrimonial, mas dada a inexistência de valor econômico nos títulos dessa categoria, estes casos são desprovidos de implicações perante a legislação tributária, razão pela qual não os abordaremos em nossos trabalhos. Os históricos a respeito desses títulos teriam se perdido ao longo do tempo e com vistas no atendimento à nossa solicitação documental, apenas algumas informações foram obtidas, via "e Fl. 636DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 mail", na BM&F Bovespa S.A. Soubese, assim, que os títulos de corretora de mercadorias e de membro de compensação, detidos pela corretora antes do processo de desmutualização, foram adquiridos em 17 de julho de 1985, nada mais. Também neste caso, o procedimento contábil era idêntico ao adotado em relação aos títulos da Bovespa, exceto no diz respeito aos valores dos "títulos de sócio efetivo", que não eram atualizados monetariamente. Os demais, "título de corretora de mercadorias" e "título de membro de compensação", foram sendo atualizados através de cálculos efetuados com base nos balanços e demonstrações financeiras da Bolsa de Mercadorias & Futuros e as contrapartidas dos lançamentos, registradas diretamente em conta de reserva no patrimônio líquido, sem transitar por contas de resultado, não eram igualmente submetidas à tributação do IRPJ e da CSLL. A mesma Assembléia Geral Extraordinária realizada em 30 de março de 2007, que deliberou sobre a capitalização parcial do saldo da conta 6.1.3.70.00.0016 Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais Reserva de Títulos da Bolsa de Valores de São Paulo, no valor de R$ 4.847.000,00, também deliberou sobre a capitalização parcial do saldo da conta 6.3.1.70.00.0023 Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais Reserva de Títulos da Bolsa de Mercadorias & Futuros, no valor de R$ 5.153.000,00, contabilização também ocorrida somente em 02 de maio de 2007. Juntas, a capitalização foi de R$ 10.000.000,00. No final daquele mês e nos meses seguintes a conta 6.3.1.70.00.0023 Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais Reserva de Títulos da Bolsa de Mercadorias & Futuros ainda abrigou novos lançamentos, até o dia 19 de setembro de 2007, quando ficou com saldo de R$ 6.334.636,04, que também podia ser visto no balanço encerrado em 31 de dezembro daquele ano. Advindo a desmutualização, ocorreram as baixas de todos os títulos, pelos seus valores integrais, que totalizando a importância de R$ 9.879.625,00 se constituíram no custo das 9.879.625 ações ordinárias recebidas da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. ao valor de R$ 1,00 cada uma. O saldo da Reserva de Capital, no entanto, permaneceu na conta, onde podia ser visto até o balanço final, encerrado em 31 de dezembro de 2007. O procedimento contábil das operações envolvendo as baixas dos títulos patrimoniais aqui tratados também será objeto de abordagem em tópico à parte, mais adiante. DAS AÇÕES DA BOVESPA HOLDING S.A. Conforme já dissemos anteriormente, advindo a desmutualização, a contribuinte que na qualidade de associada da Bovespa detinha 06 (seis) títulos patrimoniais recebeu 4.240.572 ações ordinárias da nova sociedade empresarial constituída, Bovespa Holding S.A., no valor de R$ 9.412.822,26, contabilizadas como Ativo Permanente, no grupo de contas Ações e Cotas de Empresas de Liquidação e Custódia Fl. 637DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 7 11 Vinculadas a Bolsas, sob a rubrica 2.1.5.10.10.0060 Bovespa Holding S.A. Ainda como parte do processo de desmutualização, também foram substituídas as ações da CBLC Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, cabendo à Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. o direito a 1.294.244 ações da Bovespa Holding S.A., correspondentes às suas 700 ações daquela sociedade. Lembramos que nos termos da Circular Externa n.° 018/2007 DG, de 15 de agosto de 2007, a CBLC comunicou aos seus acionistas que o Conselho de Administração, em reunião realizada em 10 de agosto de 2007, decidira atribuir aos acionistas que compunham a base acionária daquela data, a título de bonificação, duas ações novas para cada cinco ações possuídas. Com isso, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. que possuía quinhentas ações recebeu mais duzentas, ficando com setecentas. Esclarecemos, outrossim, que no âmbito das considerações acerca da desmutualização, a substituição das ações da CBLC por ações da Bovespa Holding S.A. é fato meramente informativo, uma vez que decorreu do processo de incorporação da CBLC, que já era uma sociedade empresarial. As novas ações recebidas fizeram parte da base de cálculo sobre a qual foi aplicado o percentual mínimo da participação na oferta pública inicial. Nos termos do Instrumento Particular de Contrato de Indenização e Outras Avenças e respectivas procurações, firmados em 27 de setembro de 2007, foram vendidas 1.660.445 ações (30% do total recebido), pelo valor de R$ 38.190.235,00 (valor unitário de R$ 23,00). A venda, via oferta pública inicial, foi contabilizada no dia 24/10/2007, porém, de acordo com a informação prestada pela contribuinte não houve emissão de nota de corretagem. Ao final do processo de desmutualização, as 3.874.371 ações remanescentes ficaram registradas no balancete de 31/10/07 pela importância de R$ 8.133.363,71, assim permanecendo até o balanço final daquele anocalendário, ou seja, até 31/12/07. DAS AÇÕES DA BOLSA DE MERCADORIAS & FUTUROS BM&F S.A. Relativamente à BM&F, a desmutualização proporcionou à associada o direito de fazer parte da nova sociedade empresarial, com número de ações de acordo com os títulos patrimoniais que ela detinha (um título de membro de compensação, um de corretora de mercadorias e dois de sócio efetivo). Assim, ela recebeu 9.879.625 ações ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. pelo valor unitário de R$ 1,00, totalizando R$ 9.879.625,00, valor este contabilizado como Fl. 638DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 Ativo Permanente, no grupo de contas Ações e Cotas de Empresas de Liquidação e Custódia Vinculadas a Bolsas, sob a rubrica 2.1.5.10.10.0077 BM&F S.A., conforme lançamentos seguintes: LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DAS AÇÓES RECEBIDAS NA DESMUTUALIZAÇÃO DA BM&F Data Histórico Valor 01/10/07 Conversão de Títulos Patrimoniais (Sócio Efetivo 20.000,00 01/10/07 Conversão de Título Patrimonial (Corretora de Mercadorias) 4.898.015,00 01/10/07 Conversão de Título Patrimonial (Membro de Compensação 4.961.610,00 Soma 9.879.625,00 Através do "Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. e Outorga de Poderes", datado de ?? (dia ilegível) de outubro de 2007, houve a concordância em alienar 987.963 ações (10% do total recebido). Na realidade, um compromisso nesse sentido já tinha sido firmado anteriormente através do "Instrumento Particular de Assunção de Obrigações", datado de 17 de agosto de 2007, ao qual ela se aderiu mediante assinatura do "Termo de Adesão", em 04 de setembro de 2007. Sob os efeitos de tais compromissos, a venda desses dez por cento ocorreu antes da oferta pública inicial, no mercado de balcão, efetivada em 16 de novembro de 2007, pelo valor total de R$ 10.954.533,75 (valor unitário de R$ 11,088). Com esta venda o saldo das ações da BM&F S.A. ficou reduzido a "zero", pois noventa por cento delas já tinha sido objeto de uma alienação anterior, ao acionista da corretora, Sr. Marcos de Souza Barros, também realizada no mercado de balcão. O "Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças", datado de 1° de Novembro de 2007, com o qual se dera a alienação anterior dos noventa por cento das ações recebidas continha diversas cláusulas que versavam sobre condições resolutivas, destacandose as seguintes: –O preço e a efetivação da compra e venda dependiam essencialmente da consolidação de todas as condições contidas no Contrato de Aquisição celebrado entre a BM&F S.A., a BM&F e a GA Latin America Investments, LLC, em 20/09/2007. (cláusula 5) – O preço ajustado seria pago, integralmente, na mesma data da liquidação financeira que constasse do Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias da BM&F S.A. (cláusula 6) – O negócio ajustado só se aperfeiçoaria com a implementação da vontade das partes, se fosse efetivado, nos seus objetivos e termos contratuais, o mencionado contrato entre a BM&F, a BM&F S.A. e a GA Latin America Investments, LLC. (cláusula 7) Era certo, portanto, que as condições do Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no Âmbito da BM&F, especialmente no que dizia respeito à "Alienação no IPO" (Cláusula Terceira, item 3.4, do contrato), Fl. 639DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 8 13 precisariam ser modificadas, uma vez que a corretora não possuía mais as ações ofertadas. Em outras palavras, o que a "aderente" poderia ainda honrar era apenas no tocante à alienação dos dez por cento, à investidora estratégica GA Latin America Investments, LLC. Assim, o novo adquirente, Sr. Marcos de Souza Barros, formalizou o compromisso de aderir à Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações da BM&F S.A. para vender as 8.891.662 ações que acabara de adquirir da corretora, fato que se deu através do "Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física)", Anexo IIA. A hipótese de alienação de ações nos moldes desta que ocorreu com a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. estava prevista na cláusula quarta do Instrumento Particular de Assunção de Obrigações, de 17 de agosto de 2007, já mencionado em várias ocasiões. Sua implementação, contudo, dependia de que fosse previamente submetida à administração da BM&F e fosse por ela aprovada. Nesse particular, não nos parece remanescer qualquer dúvida de que tudo isso tenha ocorrido, uma vez que no prospecto preliminar apresentado à CVM a própria BM&F S.A. relacionou o Sr. Marcos de Souza Barros no lugar da Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., na qualidade de acionista vendedor, informando inclusive a quantidade de 8.891.662 ações por ele ofertada. Com estas operações, a contribuinte se desfez de todas as ações da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. recebidas no processo de desmutualização. DOS PROCEDIMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS ADOTADOS Atualizações dos Valores dos Títulos Patrimoniais Sabidamente, "expedir normas gerais de contabilidade e estatística a serem observadas pelas instituições financeiras" é uma das competências atribuídas ao Conselho Monetário Nacional, conforme dispõe o artigo 4°, inciso XII, da Lei n.° 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Ao amparo dessa competência verificase no tocante à atualização contábil dos títulos patrimoniais, a imposição de norma editada nos moldes das sociedades anônimas, como dispõe o artigo 10 da Resolução CMN n.° 1656/89, a saber: Art. 1º. Ao término de cada exercício social, o valor do patrimônio social deve ser atualizado com base nas demonstrações financeiras correspondentes, feitas de acordo com os procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas. § 1° O valor do patrimônio, apurado anualmente, dividido pelo número de títulos patrimoniais, computados, inclusive, os que não tenham sido ainda colocados ou que estejam em tesouraria, Fl. 640DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 dará o valor nominal destes, e terá vigor nos 12 (doze) meses subsequentes. Já o artigo 9° do Regulamento anexo à Resolução CMN n.° 2.690, de 28 de janeiro de 2000, que altera e consolida as normas que disciplinam a constituição, a organização e o funcionamento das bolsas de valores, assim dispõe: Art. 9° Ao término de cada exercício social, o valor do patrimônio social deve ser apurado com base nas demonstrações financeiras correspondentes, feitas de acordo com os procedimentos e critérios adotados pelas sociedades anônimas. Sob estes fundamentos, os valores tanto dos títulos patrimoniais da Bovespa quanto dos títulos patrimoniais da BM&F vinham sendo periodicamente atualizados, tomandose por base de cálculo os balanços e as demonstrações financeiras das respectivas associações. Os lançamentos contábeis das atualizações tinham por contrapartidas contas analíticas de Reserva de Capital, no Patrimônio Líquido, em observância ao disposto no Capítulo 1, item 11, subitem 3, parágrafo 3° alínea "a", do COSIF Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional. Vêse, portanto, que as "mais valia" não transitavam por contas de resultado, não produziam efeito na apuração do lucro líquido, nem tampouco eram objeto de ajustes por "adição" para fins fiscais. Consequentemente, não se sujeitavam às incidências do IRPJ e da CSLL, procedimento este que tinha amparo na seguinte portaria ministerial: Portaria MF n.° 785, de 20 de dezembro de 1977: Dispõe sobre o acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social. Não constitui receita nem ganho de capital de sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, e, com fundamento no que dispõe o art. 223 "m" do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.° 76.186/75, RESOLVE: I. O acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração de seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II. Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no Decretolei n.° 1.109/70, art. 3°, § 3°. MÁRIO HENRIQUE SIMONSEN Fl. 641DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 9 15 • Baixas Parciais nos Valores dos Títulos Patrimoniais Bovespa Com base nos critérios de avaliação estabelecidos pelo artigo 10 da Resolução CMN n.° 1656/89, os 06 (seis) títulos patrimoniais da Bovespa estavam contabilizados, na data da desmutualização, pelo valor de R$ 9.413.341,14, como pode ser visto no razão contábil da conta 2.1.4.10.10.0012 Títulos Patrimoniais Bolsa de Valores de São Paulo. Em um dos tópicos precedente intitulado "DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO" já abordamos com maior detalhe, a origem histórica dos referidos títulos patrimoniais, ocasião em que também fizemos algumas observações a respeito das contrapartidas dos lançamentos de atualização dos seus valores, que se constituíam em conta de reserva de capital, no patrimônio líquido, da qual uma parcela já tinha sido capitalizada em março de 2007. No processo da desmutualização da Bovespa, estes títulos tiveram seus valores reduzidos a R$ 86,48 cada um, passando o conjunto a valer R$ 518,88. A redução de valor foi compensada pelo recebimento das 4.240.572 ações da Bovespa Holding S.A., avaliadas em R$ 9.412.822,26, sendo o valor unitário da ordem de R$ 2,2197. Sem adentrarmos ainda na etapa seguinte do processo de desmutualização que envolve também a oferta pública inicial conhecida pela sigla "IPO", mas, limitandonos ao momento em que foram recebidas as ações da nova sociedade empresarial, a baixa dos títulos na contabilidade foi efetuada através do seguinte lançamento: Data: 31/08/2007 Débito: 2.1.5.10.10.0060 Ativo Permanente Investimentos Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e Custódia Bovespa Holding S.A. Crédito: 2.1.4.10.10.0012 Ativo Permanente Investimentos Títulos Patrimoniais de Bolsas de Valores Bolsa de Valores de São Paulo Histórico: Transf de 4.240.572 ações Bovespa Holding. Valor:R$ 9.413.341,14 • Baixas das Ações da CBLC Ainda no contexto da desmutualização da Bovespa, a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia foi incorporada pela Bovespa Holding S.A., de sorte que a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., que na qualidade de acionista da extinta companhia possuía setecentas ações, recebeu 1.294.244 ações da nova sociedade incorporadora. A troca das ações se Fl. 642DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 16 deu pela paridade de 46.223 ações Bovespa Holding S.A. para cada lote de 25 ações da CBLC. Diante deste fato, a baixa das ações da CBLC que estavam contabilizadas na conta 2.1.5.10.10.0046 Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e CustódiaCompanhia Brasileira de Liquidação e Custódia, pelo valor de R$ 2.206.269,35, ocorreu através do seguinte lançamento: Data: 31/08/2007 Débito: 2.1.5.10.10.0060 Ativo Permanente Investimentos Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e Custódia Bovespa Holding S.A. Crédito: 2.1.5.10.10.0046 Ativo Permanente Investimentos Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e Custódia Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia Histórico:Transf de 1.294.244 ações Bovespa Holding. Valor:R$ 2.206.269,35 • Baixas dos Títulos Patrimoniais BM&F Quanto à BM&F, também já dissemos que as contas representativas dos quatro títulos (dois de sócio efetivo, um de corretora de mercadorias e um de membro de compensação) somavam a importância de R$ 9.879.625,00, estando os detalhes históricos sobre suas origens e a disposição contábil de cada um abordados no tópico intitulado "DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DA BOLSA DE MERCADORIAS & FUTUROS". A determinação dos valores de cada título seguia critérios semelhantes àqueles aplicados nos títulos da Bovespa, visto que as normas disciplinadoras eram as mesmas. Vimos também que as contrapartidas dos lançamentos de atualização dos valores desses títulos se constituíram em conta de reserva de capital, no patrimônio líquido, assim como, que parte da reserva fora capitalizada em março de 2007, juntamente com uma parte da reserva originária de atualizações dos títulos da Bovespa. Verificase, contudo, que no processo de desmutualização da BM&F os valores dos seus títulos foram reduzidos a "zero", qualquer que fosse a sua categoria. No presente caso, a perda de valor dos títulos foi compensada pelo recebimento de 9.879.625 ações da BM&F S.A. ao preço unitário de R$ 1,00, num total de R$ 9.879.625,00. Assim, a contabilidade da contribuinte registrou o recebimento das novas ações, em contrapartida a baixas dos saldos das contas representativas dos três títulos patrimoniais, de acordo com os seguintes lançamentos: Pelo recebimento das ações correspondentes aos títulos de sócio efetivo Data: 01/10/2007 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 10 17 Débito: 2.1.5.10.10.0077 Ativo Permanente Investimentos Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e Custódia BM&F S.A. Crédito: 2.1.4.10.20.0022 Ativo Permanente Investimentos Títulos Patrimoniais de Bolsas de Mercadorias & de Futuros Sócio Efetivo da Bolsa de Mercadorias & Futuros Histórico: Conversão de títulos patrimoniais. Valor: R$ 20.000,00 Pelo recebimento das ações correspondentes ao título de corretora de mercadorias Data: 01/10/2007 Débito: 2.1.5.10.10.0077 Ativo Permanente Investimentos Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e Custódia BM&F S.A. Crédito: 2.1.4.10.20.0039 Ativo Permanente Investimentos Títulos Patrimoniais de Bolsas de Mercadorias & de Futuros Título de Corretora de Mercadorias da BM&F Histórico:Conversão de títulos patrimoniais. Valor: R$ 4.898.015,00 Pelo recebimento das ações correspondentes ao título de membro de compensação Data: 01/10/2007 Débito: 2.1.5.10.10.0077 Ativo Permanente Investimentos Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e Custódia BM&F S.A. Crédito: 2.1.4.10.20.0046 Ativo Permanente Investimentos Títulos Patrimoniais de Bolsas de Mercadorias & de Futuros Título de Membro de Compensação da BM&F Histórico: Conversão de títulos patrimoniais. Valor: R$ 4.961.610,00 Alienações de Ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. Conforme aqui já dissemos, os processos de desmutualização das bolsas contemplavam a necessidade de promover uma oferta pública inicial para colocação das novas ações no mercado, Fl. 644DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 18 evento conhecido pela sigla "IPO" (do idioma inglês initial public offering). No caso específico da BM&F havia também um fundo de investimento norteamericano identificado pelo nome General Atlantic, que se apresentava como "investidor estratégico", com proposta firme de aquisição das futuras ações da BM&F S.A., representativa de dez por cento do seu capital social. Assim, a negociação com este fundo de investimento ocorreu no mercado de balcão, alguns dias antes da oferta pública inicial. Sob essas duas formas se dariam as alienações de uma parte das ações recebidas nos processos de desmutualização, mas ainda em relação à BM&F houve uma alienação que antecedeu àquela feita com a General Atlantic. Reservados aqueles dez por cento, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. vendeu as demais ações (noventa por cento) ao Sr. Marcos de Souza Barros, no mercado de balcão. O novo adquirente, por sua vez, foi quem participou da oferta pública inicial, porém não mais com a quantidade inicialmente prevista, e sim, com uma oferta maior, de 8.891.662 ações, ou seja, dos noventa por cento adquiridos da corretora. E foi assim, portanto, que se deram as alienações de parte das ações da Bovespa Holding S.A. e da totalidade das ações da BM&F S.A., cujos lançamentos contábeis foram os seguintes: Pela alienação de 1.660.445 ações da Bovespa Holding S.A. Lançamento 01: (venda de 30% das ações recebidas) Data: 24/10/2007 Débito: 1.8.8.35.00.0023 Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo Outros Créditos Devedores por Compra de Valores e Bens Venda Bovespa Holding S.A. Crédito: 7.3.1.10.00.0013 Receitas Não Operacionais Lucros na Alienação de Investimentos Valor da Alienação Histórico:Venda 1.660.445 ações Bovespa Holding. Valor:R$ 38.190.235,00 Lançamento 02: (apropriação do custo pela venda dos 30% das ações recebidas) Data: 24/10/2007 Débito: 7.3.1.10.00.0020 Receitas Não Operacionais Lucros na Alienação de Investimentos () Custo da Alienação Crédito: 2.1.5.10.10.0060 Ativo Permanente Investimentos Fl. 645DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 11 19 Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e Custódia Bovespa Holding S.A. Histórico:Custo 1.660.445 ações Bovespa Holding Valor:R$ 3.485.727,90 Pela alienação de 9.879.625 ações da BM&F S.A. Lançamento 01: (venda de 90% das ações recebidas, ao Sr. Marcos de Souza Barros) Data: 01/11/2007 Débito: 1.8.8.35.00.0030 Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo Outros Créditos Devedores por Compra de Valores e Bens Venda BM&F S.A. Crédito: 7.3.1.10.00.0013 Receitas Não Operacionais Lucros na Alienação de Investimentos Valor da Alienação Histórico:Venda 8.891.662 ações BM&F S.A. conforme contrato. Valor:R$ 97.808.282,00 Lançamento 02: (apropriação do custo pela venda dos 90% das ações recebidas) Data: 01/11/2007 Débito: 7.3.1.10.00.0020 Receitas Não Operacionais Lucros na Alienação de Investimentos () Custo da Alienação Crédito: 2.1.5.10.10.0077 Ativo Permanente Investimentos Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e Custódia BM&F S.A. Histórico:Venda 8.891.662 ações BM&F S.A. Valor:R$ 8.891.662,00 Lançamento 03: (venda de 10% das ações recebidas, à General Atlantic) Data: 16/11/2007 Débito: 1.8.8.35.00.0030 Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo Outros Créditos Devedores por Compra de Valores e Bens Venda BM&F S.A. Crédito: 7.3.1.10.00.0013 Receitas Não Operacionais Lucros na Alienação de Investimentos Valor da Alienação Fl. 646DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 20 Histórico:Venda 987.963 ações da BM&F S.A. conforme contrato. Valor:R$ 9.858.882,78 Lançamento 04: (apropriação do custo pela venda dos 10% das ações recebidas) Data: 16/11/2007 Débito: 7.3.1.10.00.0020 Receitas Não Operacionais Lucros na Alienação de Investimentos () Custo da Alienação Crédito: 2.1.5.10.10.0077 Ativo Permanente Investimentos Ações e Cotas De Empresas de Liquidação e Custódia BM&F S.A. Histórico:Venda 987.963 ações da BM&F S.A. Valor:R$ 987.963,00 Lançamento 05: (recebimento complementar, da General Atlantic) Data: 04/12/2007 Débito: 1.8.8.35.00.0030 Ativo Circulante e Realizável a Longo Prazo Outros Créditos Devedores por Compra de Valores e Bens Venda BM&F S.A. Crédito: 7.3.1.10.00.0013 Receitas Não Operacionais Lucros na Alienação de Investimentos Valor da Alienação Histórico:Venda ações da BM&F S.A. conforme contrato. Valor:R$ 1.095.650,97 A partir dos lançamentos contábeis retratados neste tópico, além dos demais elementos analisados, chegase às seguintes conclusões: – Nas vendas das ações da Bovespa Holding S.A. os resultados positivos somaram a importância de R$ 34.704.507,10. – Nas vendas das ações da BM&F S.A. os resultados positivos apurados foram da ordem de R$ 98.883.190,75, sendo R$ 88.916.620,00 na operação de 01 de novembro de 2007 e R$ 9.966.570,75 na operação de 16 de novembro de 2007. – Com a prévia oferta dessas ações, em caráter irrevogável e irretratável, elas deveriam ter sido classificadas no ativo circulante e não no ativo permanente, de modo que os resultados obtidos nas vendas foram de fato "operacionais", a despeito de terem sido impropriamente contabilizados como "não operacionais". Isto, contudo, não afeta a determinação do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 12 21 DAS BENESSES FISCAIS E SEUS EFEITOS NAS AVALIAÇÕES DOS TÍTULOS Antes dos processos de desmutualização, a Bovespa e a BM&F eram associações civis sem fins lucrativos, e como ocorre com entidades dessa natureza elas gozavam de certas benesses fiscais no âmbito da legislação tributária federal, notadamente em relação ao IRPJ e à CSLL, desde que observadas algumas regras específicas que lhes eram impostas como, por exemplo, as seguintes: Código Civil, instituído pela Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Art. 56 A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Art. 61 Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1° Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2° Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997: Art. 12 Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; Fl. 648DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 22 b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei n.° 9.718, de 1998) Art. 13 Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14 À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei n.° 9.430, de 1996. Art. 15 Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas que se destinam, sem fins lucrativos. § 1° A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2° Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 13 23 § 3° Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos artigos 13 e 14. Concluise da combinação desses dispositivos, principalmente do § 3° do artigo 15 com a alínea "b" do § 2° do artigo 12, ambos da Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que para gozo da isenção do IRPJ e da CSLL a Bovespa e a BM&F estariam obrigadas a "aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais". Sob os efeitos das mencionadas isenções os resultados positivos (superavits) auferidos pelas bolsas aumentavam os respectivos patrimônios, que por sua vez valorizavam os títulos patrimoniais, na mesma proporção. As "mais valia" dos títulos eram contabilizadas pelos associados também sem incidência tributária, como já dissemos em outra oportunidade. É notório o caráter da "neutralidade tributária" do acréscimo do valor nominal dos títulos das bolsas de valores, atribuído pela Portaria MF n.° 785, de 20 de dezembro de 1977, dada a condição de associação civil sem fins lucrativos, que impunha a elas uma série de quesitos a serem observados para gozo de isenções fiscais. O antigo Código Civil Brasileiro já falava sobre a adoção de "deliberação eficaz" dos sócios ao tratar da extinção de uma "associação de intuitos não econômicos". No atual Código Civil instituído pela Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o § 1° do artigo 61 prevê a possibilidade dos associados receberem em restituição, com a devida atualização, as contribuições que prestaram à formação do patrimônio social, antes da destinação do remanescente, se cláusula estatutária permitir ou se houver deliberação dos associados nesse sentido. Importante ressaltar, todavia, a diferença entre os conceitos de "atualização do valor da contribuição" e de "acréscimo do valor nominal dos títulos patrimoniais das bolsas de valores, em decorrência de alteração de seu patrimônio social". No primeiro caso, temos atualização monetária com base em índice oficial fixado em decorrência de efeitos inflacionários, enquanto no segundo, o acréscimo decorre de atualização feita com base em balanço e demonstrações financeiras das bolsas de valores, onde se incluem os efeitos decorrentes de "superavits" ou de "lucros" apurados nas contas da associação. A portaria ministerial se preocupou em "neutralizar" o efeito da contabilização do acréscimo ao valor nominal do título patrimonial das bolsas de valores, de molde a evitar o ônus da incidência tributária para as sociedades corretoras, no momento em que tal lançamento, por si só, não registrava a ocorrência de fato representativo de disponibilidade econômica, financeira ou jurídica, nem tampouco de efetivo acréscimo patrimonial. Essa medida fazia claro sentido, inclusive sob a ótica da remota e quase improvável realização econômica e/ou financeira daqueles acréscimos, porque havia impedimento legal no sentido Fl. 650DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 24 de que as bolsas de valores, como associações civis isentas, distribuíssem lucros ou quaisquer vantagens aos associados, inclusive na eventual hipótese de sua extinção. Além dessa vedação, vimos também que o mesmo Código Civil instituído pela Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, prevê no seu artigo 56 que a qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário, fato que de per si diminuía bastante a liquidez dos títulos de associações civis sem fins lucrativos, cujos interesses se restringiam às pessoas que deles realmente necessitassem para o exercício de suas atividades. É oportuna a abordagem antecipada desse tema, pois ele vem elucidar a razão pela qual as parcelas advindas dos acréscimos decorrentes das alterações do patrimônio social das bolsas não serão levadas em consideração nos cálculos de apuração dos resultados tributáveis obtidos nos processos de desmutualização. O motivo é exatamente porque embora computados nos valores contábeis dos títulos patrimoniais, eles jamais foram tributados. DOS REPASSES DAS BENESSES FISCAIS A FAVOR DOS ASSOCIADOS No tópico anterior falamos que a Bovespa e a BM&F, enquanto associações sem fins lucrativos e comprometidas com a aplicação integral de seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais, obtiveram "superavits" isentos de IRPJ e da CSLL que aumentaram os respectivos patrimônios e os valores dos seus títulos patrimoniais. Entretanto, é preciso frisar que com as desmutualizações essas benesses fiscais foram indiretamente repassadas a todos os associados, pois, para cada real de título patrimonial, a valor contábil, o associado recebeu igual valor em ações, cabendo a essa assertiva apenas uma pequena ressalva em relação a um ínfimo resíduo. Estando os associados sujeitos à contabilização das "mais valia" dos títulos, esse mecanismo trazia para dentro das suas contabilidades os exatos valores dos "superavits" obtidos pelas bolsas. Como os valores dos títulos patrimoniais agregavam uma grande parcela de "superavits" obtidos ao longo de anos e anos de atividades exercidas pelas "extintas" bolsas, durante todo o período em que elas detinham a condição de instituições isentas, resta claro que tais parcelas foram definitivamente transferidas para os novos acionistas, incluídas nos valores das ações que lhes foram entregues. Os repasses destes "superavits" isentos têm conseqüências tributárias que precisam ser reparadas, e na falta de apresentação dos documentos de origem dos títulos, seus valores contábeis serão considerados como sendo totalmente decorrentes de atualizações efetuadas com fundamento nas normas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional, na forma já explicitada em um dos tópicos anteriores. Este procedimento se dá uma vez que não resta ao Fisco outra alternativa senão a de atribuirlhes custo de aquisição "zero", Fl. 651DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 14 25 nos termos do artigo 923 do Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), que assim dispõe: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou definidos em preceitos legais (DecretoLei n.° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°). DAS DEVOLUÇÕES DE PATRIMÔNIO DE INSTITUIÇÕES ISENTAS A questão da "mais valia" começa a ganhar corpo quando, sem nenhuma contrapartida reservada para si, os patrimônios das "associações" que não tinham fins lucrativos foram vertidos a favor das novas "sociedades empresariais", estas já nascidas com interesses voltados para os lucros. Aqui, entendase por patrimônio o conjunto de diversos elementos (recursos humanos, recursos materiais, recursos financeiros, banco de dados, clientes, tradição, etc.), devidamente estruturados, com os quais as bolsas exerciam suas atividades diárias, embora seu valor em reais, para os fins das desmutualizações, tenha sido somente aquele constante da contabilidade. Nada seria mais natural do que ao verterem seus respectivos patrimônios, fossem as antigas bolsas (associações) as legítimas detentoras do direito ao recebimento das ações emitidas pelas novas sociedades, mas elas, em detrimento das suas "extinções", abriram mão desse direito, permitindo que as referidas ações fossem entregues diretamente aos seus respectivos associados. Ao receberem as novas ações os associados deixaram de ter participações de natureza meramente associativa (títulos de associações sem fins lucrativos), passando a ter participações societárias com "status" de acionistas (ações de sociedades anônimas, com fins lucrativos), sem que para isto eles tivessem qualquer custo financeiro. As trocas se deram pelos valores que figuravam na contabilidade, de acordo com as seguintes paridades: VALOR UNITÁRIO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DIREITO A AÇÕES Categori as VR.Cont ábil Resíd uo Redução Quan t. VR. un. VR.Total Bovespa 1.568.8 90,19 86,48 1.568.80 3,71 706.7 62 2,2 197 1.568.8 03,71 BM&F Membro Compen sação 4.961.6 10,00 0,00 4.961.61 0,00 4.961 .610 1,0 0 4.961.6 10,00 BM&F Corretor a Mercado rias 4.898.0 15,00 0,00 4.898.01 5,00 4.898 .01 1,0 0 4.898.0 15,00 BM&F Sócio Efetivo 10.000, 00 0,00 10.000,0 0 10.00 0 1,0 0 10.000, 00 Quando abordamos os procedimentos contábeis e fiscais adotados na escrituração dos fatos ligados aos processos de desmutualização, vimos que os lançamentos levaram para as Fl. 652DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 26 contas representativas das ações os mesmos valores dos títulos patrimoniais, ficando a exceção por conta dos valores residuais unitários de R$ 86,48, no caso dos títulos da Bovespa. Sem dúvida, nestes processos de desmutualização ficaram plenamente caracterizadas as ocorrências das "devoluções de patrimônio" promovidas pelas instituições isentas, a favor dos seus associados que, por sua vez, viram os valores de seus títulos patrimoniais serem reduzidos a zero, no caso da BM&F, ou a importâncias ínfimas, no caso da Bovespa, sendolhes aplicável os seguintes dispositivos legais: • Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997: Art. 17 Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1° Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso 1 do art. 17 da Lei n.° 9.249, de 1995. § 2° O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3° Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4° Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a)a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b)o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. •Decreto n.° 3.000, de 26 de marco de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99): Art. 239 A diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio, será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que a pessoa jurídica estiver sujeita (Lei n. ° 9.532, de 1997, art. 17, § 3). Fl. 653DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 15 27 DA ALIENAÇÃO DE AÇÕES BM&F S.A. AO SR. MARCOS DE SOUZA BARROS Conforme aventado em tópicos anteriores, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. vendeu a seu acionista majoritário, Sr. Marcos de Souza Barros, 8.891.662 ações da BM&F S.A. ao preço unitário de R$ 11,00. A operação se deu através do documento chamado "Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças", datado de 1° de novembro de 2007. É de se notar, contudo, que a despeito de tal documento só ter sido formalizado em 1° de novembro de 2007, as evidências dos fatos mostram claramente que a negociação fora efetivada em data anterior, inclusive com o conhecimento e a aprovação da BM&F. Senão vejamos: —Em 04 de setembro de 2007, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. assinou o Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no Âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F, passando a integrar o rol das "partes" e assumindo a obrigação de alienar 35% das ações que a ela seria atribuída no processo de desmutualização. —De acordo coma cláusula terceira do referido Instrumento Particular de Assunção de Obrigações, cuja data é de 17 de agosto de 2007, 10% das ações seria destinado à investidora estratégica "General Atlantic" (GA Latin America Investments, LLC) e 25% seria destinado à alienação no IPO. Seu compromisso com o IPO, portanto, era da ordem de 2.469.906 ações. —A Lei do Mercado de Valores Mobiliários (Lei n.° 6.385, de 07 de dezembro de 1976), dispõe em seu artigo 19 que nenhuma emissão pública de valores mobiliários será distribuída no mercado sem o prévio registro na Comissão de Valores Mobiliários. No caso da oferta pública inicial das ações da BM&F S.A., o pedido de registro foi instruído com o prospecto preliminar cujo protocolo na CVM data de 28 de setembro de 2007. —Considerandose, porém, que deste documento já constava como acionista vendedor o Sr. Marcos de Souza Barros, com uma oferta de 8.891.662 ações (com o exercício de Opção de Ações Suplementares), ou de 7.731.880 ações (sem o exercício de tal opção), podemos depreender então que desde 28 de setembro de 2007, pelo menos, a corretora já havia vendido ao sócio as referidas ações. —Não fosse assim, por ocasião do protocolo do pedido de registro da oferta pública a BM&F S.A. ainda não teria como acionista o Sr. Marcos de Souza Barros, no lugar da Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., que então deveria ali ter constado, com urna oferta de apenas 2.469.906 ações. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 28 Outro documento em que fica também evidenciado o comprometimento da corretora com a venda total das ações que ela receberia no processo da desmutualização é o próprio "Extrato de Movimentação de Ativos", documento emitido pela instituição custodiante, Banco Bradesco S.A. No terceiro dia após a "implantação" das ações houve uma "vinculação" do saldo, compreendendo a parte da venda à General Atlantic e a parte da venda ao Sr. Marcos de Souza Barros. Agora, sem mais as eventuais dúvidas sobre a anterioridade da negociação, que antecede até mesmo a data da desmutualização ocorrida em 01 de outubro de 2007, resta concluir que as partes envolvidas na negociação tinham bastante informações a respeito das condições em que provavelmente se daria a oferta pública inicial das ações da BM&F S.A. Passaremos então a uma rápida análise dos fatos: O prospecto preliminar da oferta pública apresentado à CVM no dia 28 de setembro de 2007, estimava um preço unitário de mercado situado entre R$ 14,50 e R$ 16,50, com a possibilidade de que eventualmente fosse fixado um valor fora desta faixa, embora a confirmação do preço ainda estivesse na dependência da realização do procedimento de "bookbuilding", no qual os investidores institucionais apresentariam suas ordens de compra no contexto da oferta. A BM&F S.A. considerou na relação dos acionistas vendedores um preço unitário médio de R$ 15,50. Não obstante o mercado já apontasse para essa faixa de preço por ação, a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., tendo reservado a parcela comprometida com a alienação à General Atlantic, negociou com o Sr. Marcos de Souza Barros todo o remanescente das ações que receberia da BM&F S.A., ao preço unitário de R$ 11,00. A venda, de 8.891.662 ações, foi documentada pelo "Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças", datado de 1° de novembro de 2007. Com evidente intuito de justificar o preço praticado na operação, constou do referido instrumento particular que tal valor era superior ao de mercado, assim reconhecido, tendo em vista o "Contrato de Aquisição", celebrado em 20 de setembro de 2007 entre a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A., a Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e a GA Latin America Investments, LCC, através do qual este fundo de investimento concordava em adquirir ações da BM&F S.A., representando 10% (dez por cento) da participação acionária em uma base de diluição plena por uma valor da compra total de R$ 900.000.000,00 (novecentos milhões de reais) e mais um pagamento especial de R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais). Não resta dúvida de que este valor não era o mais apropriado para ser tomado como valor de mercado, uma vez que sabidamente as tratativas com o grupo General Atlantic já vinha de longa data, apenas foi formalizado com o "Contrato de Aquisição" em 20 de setembro de 2007. É possível, por exemplo, ver no considerando da letra "f" e na cláusula 3.2. do Instrumento Particular de Assunção de Obrigações datado de 17 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 16 29 de agosto de 2007, ao qual as partes se aderiram, que o tal grupo já fazia parte do esquema da desmutualização, na qualidade de investidor estratégico. Ademais, o preço a ser praticado com a General Atlantic envolvia uma operação global da ordem de 90.187.729 ações no valor de R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais), não comparável com a operação aqui analisada, de apenas 8.891.662 ações. O Decreto Lei n.° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, no § 5° do artigo 60, embora tratando de bem negociado frequentemente no mercado, ou em bolsa, fala das vendas efetuadas em condições normais de mercado, que tenham por objeto bens em "quantidade" e em qualidade semelhantes. O instrumento particular relativo à venda promovida pela Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., a favor do Sr. Marcos de Souza Barros, contempla algumas condições resolutivas cujas ocorrências seriam determinantes para a efetivação do negócio. Verificadas essas condições, o preço ajustado de R$ 11,00 por ação seria pago na mesma data da liquidação financeira que constasse do "Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.". –Por outro lado, já no primeiro dia útil seguinte ao da assinatura do instrumento particular da compra, o Sr. Marcos de Souza Barros firmou o "Anexo 1IA – Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Fisica)" aderindo à oferta pública das ações, desde que o preço por ação ofertada fosse fixado no procedimento de "bookbuilding" em valor igual ou superior a R$ 14,00 (quatorze reais). Lembramos que o primeiro documento citado data de 1° de novembro de 2007 e o segundo é de 05 de novembro de 2007, compreendendo neste intervalo de tempo um feriado nacional, seguido de um sábado e um domingo. –Visto por todos estes ângulos, é possível concluir que ao realizar a compra das ações mediante cláusulas contratuais de natureza resolutória o Sr. Marcos de Souza Barros iria auferir um ganho de pelo menos R$ 3,00 (três reais) por ação, valor este que se obtém deduzindose do preço mínimo da oferta no IPO (R$ 14,00) o custo de aquisição ajustado com a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. (R$ 11,00). Ressaltamos que o preço mínimo por ação, aqui considerado, foi aquele que constou do citado "Anexo 11A – Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física)". –Nesta operação o comprador não precisaria dispor de nenhum recurso financeiro próprio, pois tudo se resolveria com um repasse parcial do valor obtido na oferta pública inicial, programado para coincidir com a data daquela liquidação financeira. –Fica claro, portanto, que a venda das 8.891.662 ações da BM&F S.A. feita pela Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., a favor do Sr. Marcos de Souza Barros, tinha o evidente e único propósito de proporcionar um ganho de capital ao Fl. 656DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 30 acionista majoritário, através de sua participação direta no evento da oferta pública inicial. –Considerandose que a alienação no IPO ocorreu pelo preço de R$ 20,00 (vinte reais) por ação, temos então que a pessoa jurídica vendedora deixou de se apropriar de um resultado positivo correspondente a R$ 9,00 (nove reais) para cada ação vendida, isto é, o valor que ela teria obtido com sua participação direta na oferta pública, menos o valor de R$ 11,00 que ela considerou na venda ao acionista, Sr. Marcos de Souza Barros. DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO MEDIANTE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS A operação realizada na forma explicitada no tópico anterior se enquadra no contexto de um caso típico de "planejamento tributário", em que a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., vislumbrava a possibilidade de proporcionar um ganho de capital ao acionista majoritário, Sr. Marcos de Souza Barros, com a menor incidência possível de tributos e contribuições sociais. O esquema operacional adotado neste planejamento tributário consistiu na alienação de uma grande parcela das ações que lhe caberia no processo de desmutualização da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F, a favor do Sr. Marcos de Souza Barros, acionista que na época detinha 99,99% do capital da corretora, para que ele, como pessoa física, participasse da oferta pública inicial das ações da BM&F S.A. O sócio minoritário com 0,01% do capital era seu filho, Sr. Carlos Alberto Botelho de Souza Barros. A expectativa do mercado, na época, era de que no evento que viria a ocorrer em data próxima, as referidas ações fossem negociadas por um preço unitário compreendido na faixa entre R$ 14,50 e R$ 16,50, com já tivemos a oportunidade de mencionar também no tópico anterior. No entanto, pelo preço unitário de R$ 11,00, a corretora vendeu ao sócio majoritário as 8.891.662 ações no valor total de R$ 97.808.282,00, sendo importante ressaltar que o pagamento desta transação ocorreria somente na data da liquidação financeira da oferta pública inicial. Considerandose que a oferta feita pelo Sr. Marcos de Souza Barros estava condicionada à fixação do preço em valor igual ou superior a R$ 14,00 por ação, segundo consta do Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física), a conclusão lógica é no sentido de que seu ganho seria de pelo menos R$ 26.674.986,00 (8.891.662 ações x R$ 3,00 por ação). É oportuno frisar que os diversos preços por ação mencionados ao longo deste termo de verificação fiscal, embora possam confundir um pouco a leitura do texto, derivam de diferentes fontes e por isso variam conforme a correlação estabelecida com o documento a que estiverem sendo referidos. Assim temos: a) Quando referirse ao "Prospecto Preliminar" com o qual foi instruído o pedido de registro da oferta pública inicial (documento elaborado pela BM&F): Fl. 657DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 17 31 –Faixa de Preço: entre R$ 14,50 e R$ 16,50 –Preço das Ações Ofertadas: R$ 15,50 b) Quando referirse ao "Anexo 11A – Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física)" (documento elaborado e assinado pelo ofertante das ações no IP0): –Preço das Ações Ofertadas: valor igual ou superior a R$ 14,00 c) Quando referirse às vendas efetivadas na oferta pública inicial: –Preço das Ações Alienadas (vendidas): R$ 20,00 O alvo principal, portanto, era a transferência de parte do ganho a favor da pessoa física do sócio, no tocante ao que excedesse ao preço unitário de R$ 11,00, neste caso os R$ 26.674.986,00, pelo menos, em detrimento de um ganho menor da corretora. Com isso, verificase também uma vantagem de natureza tributária, uma vez que a incidência de tributos e contribuições sociais na pessoa jurídica é maior do que na pessoa física, pelas seguintes motivos: a)Na pessoa jurídica o ganho líquido seria tributado pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) à alíquota de 15% acrescido de um Adicional de 10%, portanto, haveria uma incidência total de 25%. b)Ainda na pessoa jurídica o ganho líquido sofreria uma incidência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) à alíquota de 9%, além da incidência da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) à alíquota de 0,65% e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) á alíquota de 4%. c) Como ganho de capital da pessoa física a tributação pelo Imposto de Renda Pessoa Física seria de apenas 15%. Com esse subterfúgio e dado o fato de que o preço alcançado na oferta pública inicial foi de R$ 20,00, o valor do ganho transferido para a pessoa física do acionista acabou superando as expectativas, pois, quando se podia contar com pelo menos R$ 26.674.986,00 (8.891.662 ações x R$ 3,00 por ação), ele se efetivou por um valor notoriamente superior, de R$ 80.024.958,00 (8.891.662 ações x R$ 9,00 por ação), aumentando também o valor do benefício fiscal A operação em tela faz parte das chamadas "operações estruturadas", que no presente caso é de fácil compreensão e pode resumidamente ser assim descrita: — A Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. era detentora de alguns títulos patrimoniais de uma associação civil sem fins lucrativos chamada Bolsa de Mercadorias & Futuros, que estava passando por um processo de reestruturação para transformála em uma sociedade empresarial com fins lucrativos Fl. 658DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 32 sob a denominação de Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. Este processo passou a ser conhecido como "Desmutualização da BM&F". Neste processo, os títulos de propriedade da corretora que estavam avaliados pela importância total de R$ 9.879.625,00 lhe assegurava o direito de receber 9.879.625 ações da nova sociedade, pelo valor unitário de R$ 1,00, totalizando R$ 9.879.625,00. Este seria o valor das ações que constaria da contabilidade. Resguardado os dez por cento dessas ações, em virtude do compromisso de venda ao investidor estratégico (Grupo General Atlantic), pelo valor unitário de R$ 11,088, as 8.891.662 ações remanescentes estariam livres para que a corretora as destinasse à oferta pública inicial, que sabidamente ocorreria em breve, uma vez que o pedido de registro junto à Comissão de Valores Mobiliários já tinha sido protocolado no dia 28 de setembro de 2007. A partir desta data, nem mesmo os investidores menos avisados poderiam alegar desconhecimento do preço que as referidas ações poderiam alcançar no mercado, na faixa entre R$ 14,50 e R$ 16,50 por ação (preço médio de R$ 15,50, considerado pela própria BM&F S.A., conforme prospecto preliminar). Assim, mesmo diante de uma clara possibilidade de alienar suas ações pela importância estimada de R$ 137.820.761,00 (8.891.662 ações ao preço unitário de R$ 15,50, previsto no prospecto preliminar) a corretora as vendera ao Sr. Marcos de Souza Barros pelo valor de R$ 97.808.282,00 (8.891.662 ações ao preço unitário efetivo de R$ 11,00), abrindo mão de obter um ganho adicional da ordem de R$ 40.012.479,00. Aqui não havia sequer alguma vantagem financeira temporal para a corretora, visto que contratualmente o pagamento se daria somente no dia da liquidação financeira do IPO, data em que ela poderia receber um valor maior, caso a venda na oferta pública ocorresse em seu próprio nome. A pessoa física (Sr. Marcos de Souza Barros) só faria o pagamento quando recebesse os recursos da venda no IPO. Projetando uma falsa imagem de que a operação estaria sendo realizada a preço de mercado, houve a abordagem desse tema em uma das cláusulas contratuais, mal comparando o preço praticado com aquele que seria o preço da alienação ao investidor estratégico. Dizemos mal comparando, primeiro, porque naquela alienação o valor global chegaria a R$ 1.000.000.000,00 (hum bilhão de reais) para um volume de 90.187.729 ações, o que resultaria em um valor unitário maior, de R$ 11,088, depois, porque aquela era uma operação com características especiais, podendo ser citadas as tratativas que já vinham de longa data, o perfil do comprador que se apresentava como investidor estratégico, o considerável volume de ações envolvendo a transação, e, talvez outras mais que nem precisariam ser aqui mencionadas. Sem qualquer outra motivação de ordem econômica e/ou financeira, resta concluir que a operação foi estruturada para se Fl. 659DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 18 33 prestar única e exclusivamente à transferência de parte do ganho da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio, esta última sujeita a uma incidência tributária menor que a imposta às pessoas jurídicas. A respeito da nova visão sobre as questões ligadas ao planejamento tributário, inclusive como o do presente caso, envolvendo operação estruturada, o professor e doutor Marco Aurélio Greco, autor do livro "Planejamento Tributário", 2" edição, Dialética, São Paulo 2008, nos ensina: Capitulo VI Posicionamento Contextualizado do Planejamento VII Tema Central é a Oponibilidade ao Fisco Durante muitos anos vigoraram dois critérios. O primeiro de caráter 'cronológico', no sentido de que os atos do contribuinte que implicassem redução da carga tributária deveriam ser realizados antes da ocorrência do fato gerador, pois se posteriores, surgiriam quando já nascida a obrigação tributária ou, quando menos, a situação positiva do Fisco que o autoriza a agir no sentido da respectiva cobrança. O segundo é o critério da 'licitude; no sentido de que o efeito deveria resultar de atos lícitos. Este seria, em última análise, o elemento fundamental do planejamento que tornaria os atos ou negócios realizados inquestionáveis pelo Fisco, que não poderia impedir a produção dos efeitos pretendidos pelo contribuinte. Implícito a este modelo – amplamente exposto pela doutrina – estava também o requisito de que as condutas, além de lícitas e anteriores ao fato gerador, não poderiam envolver simulação. Ou seja, a existência de simulação contaminaria o caso e retiraria a proteção jurídica aos efeitos buscados, que decorreria do ordenamento não fora esta patologia do negócio jurídico. A questão fundamental é, então, saber quais as circunstâncias ou requisitos que, por um lado, protegem a conduta do contribuinte especificamente quanto à produção de seus efeitos tributários e, por outro lado, quais os aspectos ou elementos que o Fisco pode questionar quando se depara com determinada conduta do contribuinte. Isto significa que, 'além dos requisitos clássicos' (cronológico, licitude e sem simulação), outros aspectos também merecem análise, pois se lhes acrescentam. O primeiro ponto, que implica mudança do paradigma clássico, está em o foco da análise não estar apenas na licitude dos atos, mas igualmente na sua 'eficácia perante o Fisco'. Em suma, o núcleo do tema é a eficácia fiscal dos atos ou negócios jurídicos realizados, vale dizer, 'não basta ser lícito, é preciso ser eficaz perante o Fisco". VI.2.Espaço em que se põe o Debate sobre Planejamento Fl. 660DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 34 Uma vez excluídas várias figuras, especialmente as infrações ao ordenamento, começa a surgir uma área em que o tema do planejamento se posiciona. Em primeiro lugar, tratase de uma área que tem por requisito inicial ser formada por atos lícitos (primeiro requisito). O requisito da licitude corresponde à primeira exigência para reconhecer a existência de planejamento tributário. Em segundo lugar, esta área é formada por condutas que – para usar uma terminologia de teoria geral do direito – estão negativamente reguladas pelo ordenamento. Vale dizer, não encontram uma previsão expressa autorizandoas como opções ou incentivos, mas também não estão proibidas. Em suma, quando mencionamos planejamento tributário, estamos falando do conjunto de condutas que o contribuinte pode realizar visando buscar a menor carga tributária legalmente possível. Ao dizer legalmente" estou falando de atos lícitos. Mas não estou me referindo apenas á licitude no sentido de não haver agressão a nenhuma norma específica; "conduta legal" neste contexto tem um sentido mais amplo por dizer respeito às condutas que estejam de acordo com a lei (preceitos específicos) e com o Direito (que abrange além das leis, os princípios jurídicos e os valores prestigiados pelo ordenamento). Enfim, o ordenamento constitucional consagra uma liberdade para o cidadão e o planejamento tributário surge a partir da idéia de exercício dessa liberdade de montar os próprios negócios, organizar a própria vida de modo a pagar o menor tributo "validamente" possível considerando as três perspectivas acima mencionadas. Ou seja, o menor tributo legalmente" possível, o menor tributo "efetivamente" (faticamente) possível e o menor tributo legitimamente" possível. Não há duvida de que existe essa liberdade individual. A questão não é esta. O ponto é saber se a simples existência da liberdade é suficiente para justificar qualquer substituição ou montagem jurídica ou se o ordenamento impõe limites ao seu exercício. VI.3. Características do Plano De início, cabe mencionar a circunstância de haver um objetivo escolhido previamente à escolha dos instrumentos a serem utilizados. Vale dizer, o fim (redução de tributo) é definido antes dos meios (contratos etc.). Isto leva ao predomínio do fim sobre o meio, pois este é escolhido unicamente porque e desde que sirva ao objetivo visado. Por objetivo refirome ao resultado prático visado consistente na menor carga tributária vista na sua dimensão pecuniária ou no momento temporal em que ela venha a ser exigida do contribuinte. Plano pode se materializar numa única operação ou num conjunto delas (daí falarse em 'step transaction). No caso de um conjunto, importante é sublinhar que ele deve ser visto como uma unidade formada por uma pluralidade de Fl. 661DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 19 35 negócios, operações ou etapas e não como distintos e autônomos negócios, operações ou etapas. Nestes casos, é freqüente existir um único negócio jurídico que se desdobra em outros negócios instrumentais e dependentes do negócio global do qual são meras etapas de implementação. VI.4. Indicadores da Existência de um Plano A primeira circunstância consiste no encadeamento de etapas, assim reconhecível quando houver um nexo relevante e necessário entre elas. Não se trata de mera justaposição ou sucessão de negócios ou eventos, mas da identificação de situação em que: a)a posterior só existe se ocorrera anterior (e viceversa); e b)a anterior "construir" o pressuposto legal ou de fato do cabimento e da realização da posterior. A segunda consiste na inexorabilidade da seqüência no sentido de que o conjunto não pode deixar de se concluir o que leva à mutua implicação dos atos e declarações de vontade que perdem sua autonomia para deverem ser vistos como frações de uma unidade maior. A terceira é a não celebração dos negócios intermediários com terceiros, no sentido de que ao contribuinte só interessa realizá los daquela forma e com aqueles personagens. A quarta é o uso de institutos em hibernação; vale dizer, buscar no arcabouço legal existente uma estrutura formal que sirva ao objetivo visado ainda que ela seja inusual e, por vezes, até mesmo inadequada ao Caso concreto. A quinta – e muito relevante – é a neutralização de efeitos indesejáveis que adviriam dos negócios celebrados se eles se mantivessem com o perfil que lhes é próprio. A neutralização é importante no bojo do plano, pois o contribuinte, por vezes, utiliza instituto jurídico que, por si só, produz certos efeitos, mas que não são buscados, assumidos" pelo contribuinte. Esta neutralização pode se dar pela introdução nos instrumentos negociais de cláusulas de bloqueio parcial dos efeitos ou de esvaziamento de sua eficácia, sempre como instrumento para não ter de arcar com os efeitos próprios do instituto escolhido. As duas últimas são a ocorrência de "coincidências" (que podem existir, mas é raro) e a realização de condutas aparentemente conflitantes que só se justificam se o conjunto for visto de outra perspectiva que não aquela apresentada pelo contribuinte. Nestas duas hipóteses, a variável "tempo" em que os fatos ocorreram, pode assumir papel relevante para aferir a natureza do negócio global e levar á sua adequada qualificação jurídica. VI.6. Efeitos do Planejamento Visto da Perspectiva Clássica Fl. 662DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 36 A área dentro da qual se encontra o planejamento tributário é desenhada a partir da concepção tradicional dessa figura vista como organização da vida com base na liberdade para diminuir a carga tributária independentemente de haver uma razão extratributária que o justifique. Às vezes, até a única razão que motiva a operação é a tributária, de diminuir o ônus do tributo. De fato, caso se admita estarem protegidos pelo ordenamento, os efeitos fiscais de condutas que atendam apenas aos requisitos da anterioridade em relação ao fato gerador, licitude e sem simulação, o contribuinte passa a ficar numa posição diferenciada em relação a outros contribuintes, sejam eles competidores ou não. Portanto, implica criar situação diferenciada que vai arranhar a isonomia e a liberdade de competir. Este é o núcleo do objeto da presente análise, ou seja, examinar o que acontece dentro da área formada pelos atos lícitos e que, em geral, viabilizam substituições ou montagens jurídicas. A questão fundamental, então, é saber se todos estes casos estão protegidos ou se há outros requisitos e elementos que devem ser encontrados para que o ordenamento aceite proteger os efeitos fiscais do caso concreto. VI.8. Perspectivas de Análise da Realidade Não é possível, no plano abstrato, dar uma resposta conclusiva e categórica quanto à oponibilidade ou não das operações ao Fisco. Não é possível responder em abstrato que determinada conduta está ou não protegida. A resposta dependerá das circunstâncias do caso concreto. No primeiro período do debate sobre elisão e planejamento sempre haveria um "sim ou não': porque todo debate se resumia a uma discussão sobre licitude, vista ela como linha divisória a partir da qual ou estamos de um lado ou de outro; ou é lícito ou ilícito. A evolução da experiência mostra que não existe uma linha divisória, mas sim uma faixa na qual pode ser que caiba e pode ser que não caiba aquela hipótese. A priori' não é possível saber se o caso está dentro ou fora da previsão, se está ou não protegido em seus efeitos. Não há uma resposta pronta; hoje em dia há certo consenso que a interpretação envolve construir a resposta adequada diante do caso concreto. Não existe mais um "produto" bom para obter economia fiscal que possa ser aplicado múltiplas vezes a pessoas diferentes que se encontram em situações díspares. Não existem produtos, existem casos. Não existem teses de planejamento, existe determinada situação individual e cada uma se submeterá a uma série de avaliações a partir de múltiplos critérios de relevância que permitirão chegar a mais de uma solução. Capítulo XVII Operações Preocupantes XVIII. Razão desta Denominação Fl. 663DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 20 37 A experiência no campo do Direito Tributário nos mostra que, muitas vezes, surgem casos em que são desenhadas determinadas operações que exigem uma particular atenção do intérprete antes de emitir um pronunciamento quanto à sua oponibilidade ou não contra o Fisco. XVII.2. Operações Estruturadas em Seqüência Sob esta denominação estão as "step transactions'; vale dizer, aquelas sequências de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negociai encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Neste caso, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. Diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo, examinando ao mesmo tempo os vários aspectos que a cercam, pois o conhecimento e o enquadramento de determinada realidade será a resultante das diversas circunstâncias reunidas no caso concreto. Assim, a postura metodológica mais adequada é aquela que sem perder de vista as peculiaridades de cada etapa ou dos segmentos de que a operação se compõe visualiza o conjunto assim formado e busca determinar o enquadramento que este, globalmente considerado, deve ter perante o ordenamento tributário brasileiro. Vale dizer, ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante analisar a estória (conjunto). No caso concreto em análise, todos os elementos caracterizadores da "Operação Estruturada em Seqüência" estão à mostra, quais sejam: a) A seqüência de etapas, compreendendo: 28/09/2007 Inclusão "antecipada" do comprador (Sr. Marcos de Souza Barros) no prospecto preliminar com o qual foi instruído o pedido de registro da oferta pública de ações da BM&F S.A., com indicação das 8.891.662 ações ofertadas ao preço médio de R$ 15,50 por ação. 19/10/2007 Vinculação "antecipada" de todas as ações recebidas no processo de desmutualização, junto à instituição financeira custodiante, Banco Bradesco S.A., compreendendo as 987.963 da General Atlantic, mais as 8.891.662 anunciadas no prospecto preliminar. O compromisso formal com a oferta Fl. 664DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 38 pública inicial ainda era aquele em nome da Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A., para cerca de 2.469.906 ações (apenas 25% do que ela viria a receber). Somente em 05 de novembro de 2007 é que foi formalizado a adesão em nome do Sr. Marcos de Souza Barros, com a oferta de 8.891.662 ações. 01/11/2007 Formalização da venda através do Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças, relativamente às 8.891.662 ações ao preço unitário de R$ 11,00, com pagamento de R$ 97.808.282,00 previsto para ser efetivado somente no dia da liquidação financeira da oferta pública inicial. Assim, o comprador não precisaria dispor de recursos próprios, pois, o pagamento seria efetuado com parte do valor obtido no IPO, embolsando o restante. 05/11/2007 Formalização da adesão do comprador (Sr. Marcos de Souza Barros) à oferta pública de distribuição secundária de ações ordinárias, para vender as 8.891.662 ações, desde que o preço fosse fixado em valor igual ou superior a R$ 14,00 por ação, conforme Termo de Adesão e Procuração (Pessoa Física). Sem assumir qualquer risco e sem dispor de qualquer recurso próprio ele iria obter um ganho de capital de, pelo menos, R$ 3,00 por ação. 29/11/2007 Alienação relativa a 7.731.880 ações no valor de R$ 154.637.600,00 (preço de R$ 20,00 por ação), na oferta pública inicial, em nome do Sr. Marcos de Souza Barros. Este número de ações corresponde exatamente à quantidade ofertada, sem considerar o exercício de "Opção de Ações Suplementares". A liquidação financeira ocorreu em D+3 (terceiro dia útil), ou seja, no dia 04 de dezembro de 2007. 04/12/2007 Pagamento feito pelo Sr. Marcos de Souza Barros a favor da corretora, correspondente a 7.731.880 ações no valor de R$ 85.050.680,00, com parte dos recursos vindos da venda no IPO. 04/12/2007 Alienação relativa a 1.159.782 ações no valor de R$ 23.195.640,00 (preço de R$ 20,00 por ação), também na oferta pública inicial e igualmente em nome do Sr. Marcos de Souza Barros. Este número de ações corresponde exatamente à quantidade prevista para o exercício de "Opção de Ações Suplementares", perfazendo o volume global da oferta, de 8.891.662 ações no valor total R$97.808.282,00. b) Objetivo da operação: Repasse de uma parte do ganho líquido que a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. iria apurar no evento da oferta pública inicial, pela alienação de ações da BM&F S.A. que ela receberia no processo de desmutualização. O repasse era da pessoa jurídica (Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A.) para a pessoa física do principal acionista (Sr. Marcos de Souza Barros), que detinha 99,99% do seu capital, mas isto deveria ocorrer de tal forma que o ganho não transitasse por contas de resultado, na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 21 39 c) A causa jurídica: Caso a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. participasse diretamente da oferta pública inicial, todo o ganho liquido que fosse apurado na alienação das ações da BM&F S.A. mantidas em seu próprio nome, ficaria sujeito às normas de incidência tributária aplicáveis às pessoas jurídicas, mais onerosas do que as que são aplicáveis às pessoas físicas. Enquanto os ganhos líquidos auferidos pelas pessoas jurídicas estavam sujeitos à incidência de 15% de 1RP.1, 10% de Adicional, 9% de CSLL, 0,65% de PIS e 4% de COFINS, os ganhos de capital auferidos pelas pessoas físicas sofriam uma incidência única de apenas 15%. Nada impedia, no entanto, que após ser tributado na pessoa jurídica o ganho auferido fosse distribuído na forma de lucro. Resta claro, portanto, que a contribuinte buscou na operação estruturada uma maneira de efetuar o repasse do ganho, sem antes submetêlo à incidência tributária pela legislação aplicável às pessoas jurídicas. d) A inexistência de motivos autônomos que justifiquem as seguidas etapas: A corretora dispunha de todas as condições necessárias para participar diretamente da oferta pública inicial onde poderia realizar a pretendida alienação de ações da BM&F S.A., sem se valer de qualquer etapa intermediária. Assim procedendo, ela receberia o valor da operação na mesma data em que receberia o valor da venda efetuada ao Sr. Marcos de Souza Barros, dada a condição resolutiva constante do contrato e que de certo modo justificava a fixação de uma data futura para o pagamento, coincidente com a data da liquidação da oferta pública inicial. A principal diferença neste caso é que sem a etapa intermediária a corretora faria a alienação pelo real preço de mercado, aliás, muito maior do que aquele efetivamente praticado com o acionista. Uma vez apurado o ganho na pessoa jurídica e submetidoo à incidência tributária cabível ela poderia então fazer uma distribuição de lucro no valor desejado. Vêse, pois, que nada justifica a alienação feita a favor do seu principal acionista, às vésperas do evento da oferta pública inicial, principalmente por saberse que os ativos alienados (ações) tiveram origem em títulos patrimoniais mantidos ao longo de anos e anos no ativo permanente da instituição vendedora. Estabelecendo um paralelo entre os ganhos líquidos que seria obtido com o curso normal das 8.891.662 ações alienadas no IPO da BM&F S.A. e a soma dos ganhos de capital obtidos com o curso forçado mediante emprego da operação estruturada, Fl. 666DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 40 teremos uma clara visão do que realmente aconteceu em termos de planejamento tributário, a saber: (...) Aqui entra um outro tema a ser analisado, qual seja, o direito de autoorganização do contribuinte que não é absoluto. O próprio ordenamento jurídico impõe limites ao exercício dessa liberdade, sem o que estaria aberto o caminho para uso das patologias reprimidas pelo Direito, dentre as quais a que diz respeito ao "Abuso do Direito", a todos aqueles que dispusessem de algum recurso para contratar uma assessoria tributária. Aceitar pacificamente uma clara operação estruturada em sequência como a que acabamos de desnudar, evidentemente seria ignorar os limites da liberdade de autoorganização. A operação consistiu em repasse parcial de ganhos líquidos, de uma pessoa jurídica para a pessoa física de um dos sócios, o principal deles, que detém 99,99% do capital, sabendose ainda que o outro sócio com 0,01% da participação societária é filho do primeiro. Também sobre esta questão, o citado livro "Planejamento Tributário" de Marco Aurélio Grego nos traz o seguinte ensinamento: Capítulo IX Segunda Fase do Debate: Liberdade, salvo Patologias Abuso do Direito IX.1. Uma Pergunta que Incomoda A segunda fase do debate sobre planejamento tributário principia com urna pergunta incômoda para os defensores ferrenhos do modelo da primeira fase. Resulta ausente na primeira fase que o contribuinte não pode cometer simulação, pois a simulação é um defeito do negócio jurídico, uma patologia que pode atacálo. Ora, se uma patologia do negócio jurídico contamina (perante o Fisco) o que o contribuinte fizer, perguntase: por que só esta patologia do negócio jurídico contamina? Por que outras patologias do negócio jurídico também não contaminam tributariamente o que o contribuinte fizer? Por que os efeitos tributários benéficos são obtidos apesar de existirem outras patologias no negócio jurídico celebrado pelo contribuinte? Diante desta pergunta tem início a segunda fase do debate na qual o foco abrange não só a simulação, mas também outras patologias do negócio jurídico. Importante sublinhar que a principal consequência da identificação de outras patologias consiste no mesmo efeito provocado pela simulação, ou seja, contaminar o planejamento feito e tornálo inoponível perante o Fisco. Assumem importância nesta análise duas patologias examinadas pela doutrina: o abuso do direito e a fraude à lei. Ao lado delas, por vezes, é feita menção do abuso de formas jurídicas que também contamina os planejamentos tributários. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 22 41 11.2. Panorama do Tema Não é de hoje que o relacionamento entre Fisco e contribuinte tem se caracterizado: de uma lado, pela constante busca de maior eficácia na aplicação das leis visando obter a maior arrecadação possível e, de outro lado, por uma preocupação dos agentes econômicos no sentido de se verem onerados com a menor carga tributária legalmente admissível. No âmbito dessa permanente tensão de justos interesses, especialmente no âmbito do imposto sobre a renda (tributo a respeito do qual são desenvolvidas estas considerações), surgiu – como visto – o que se convencionou chamar de "planejamento tributário" consistente na adoção, pelo contribuinte, de providências lícitas voltadas à reorganização de seus próprios negócios com vistas a dar vida a hipótese que não configuraria (aos olhos do contribuinte) um fato gerador do imposto, ou à sua configuração de um modo que resulte tributo em dimensão inferior à que existiria caso não tivessem sido adotadas tais providências. Esta figura encontrou na doutrina a designação de "elisão fiscal" ou «evasão lícita'; para diferenciála da evasão propriamente dita, assim entendida a figura não legal de redução de carga tributária. Neste contexto, são conhecidas as reorganizações societárias, a celebração de negócios especialmente desenhados para construir o pressuposto legal necessário para haver o aproveitamento de facilidades contidas nas leis fiscais etc. Muitas são as formas adotadas que vão desde formulações adequadas e pertinentes à situação concreta do contribuinte e que encontram razão de ser em motivos econômicos reais e sem desvios ou agressões ao ordenamento, até formulações canhestras e préfabricadas que são indistintamente aplicadas a um universo indeterminado de contribuintes, tendo como intuito único diminuir o montante do imposto devido, independentemente da existência de quaisquer motivos que as justifiquem, beirando, por vezes , à própria evasão (se não à sonegação). Direito de Autoorganização não é Absoluto As manifestações doutrinárias e jurisprudenciais existentes até cerca de cinco anos atrás fixam sua atenção predominantemente nas condições necessárias à configuração do Vireito" de que está investido o contribuinte, e as limitações apontadas dizem respeito à sua existência. Vale dizer, a falta de qualquer dos requisitos mencionados implicaria não existir o direito do contribuinte. No entanto, creio que há outro aspecto a ser ponderado, ao examinar o tema do planejamento tributário (ou da elisão fiscal), e que não se prende, propriamente, à existência do direito, mas 'ao seu uso', ao modo de 'seu exercício: A pergunta que se põe é: admitida a existência do direito de o contribuinte organizar sua Fl. 668DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 42 vida, este direito pode ser utilizado sem quaisquer restrições? Ou seja, tal direito é ilimitado? Todo e qualquer planejamento é admissivel? Minha resposta é negativa. E assim entendo por várias razões. IX.8. A Figura do Abuso de Direito É preciso distinguir entre critérios ligados à existência do direito e critérios ligados ao seu uso. A doutrina até aqui se preocupou com os primeiros, bem identificando os requisitos da existência do direito. Cabe agora examinar se há limites ligados ao plano do 'exercício desse direito: e se existirem (como é minha opinião), quais as consequências que advirão na hipótese de os limites serem ultrapassados e se estes efeitos consistem na ilegalidade do ato, ou, então, na ineficácia fiscal dos atos realizados no exercício desse direito, independentemente de haver ilegalidade ou ilicitude de conduta. Neste passo, tem pertinência o tema do abuso do direito': categoria construída para inibir práticas que, embora possam encontrarse no âmbito da licitude (se o ordenamento positivo assim tratar o abuso), implicam, no seu resultado, uma distorção no equilíbrio do relacionamento entre as partes, (i) seja pela utilização de um poder ou de um direito em finalidade diversa daquela para a qual o ordenamento assegura sua existência, (h) seja pela sua distorção funcional, por implicar inibira eficácia da lei incidente sobre a hipótese sem uma razão suficiente que a justifique. De qualquer modo, seja o ato abusivo considerado lícito ou ilícito a consequência perante o Fisco será sempre a sua inoponibilidade e de seus efeitos. Figura originalmente formulada no campo do Direito Civil que, nesta e em tantas outras questões, é a matriz dos conceitos e principias de Teoria Geral do Direito, vem paulatinamente encontrando sua aplicação em outros campos, e não vejo porque não possa ser pertinente em se tratando de tributação, especialmente no que se refere ao exercício desse "direito à autoorganização". O abuso de direito consiste num "limite funcional do direito" e se configura quando há uma alteração na função objetiva do ato relativamente ao poder de autonomia que o configura em relação às condições às quais está subordinado o exercício desse poder': Recusa de Tutela No âmbito do Direito Privado, como a disciplina da atividade do indivíduo se apóia no princípio da liberdade, no sentido de que toda ação pode ser realizada desde que não venha ferir uma proibição ou contrariar um preceito do ordenamento, a consequência do abuso sempre é vista como ilegalidade, mas, muitas vezes, os efeitos da tipificação de um abuso consistem na 'neutralização' das consequências do ato abusivo e não na sua desconstituição. Em matéria tributária, a identificação de um ato abusivamente praticado apresenta inegáveis consequências. Quando o abuso Fl. 669DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 23 43 de direito não era expressamente considerado ato ilícito, implicava a inibição da eficácia do ato ou a consequência de impedir que se conseguissem ou que se conservassem as vantagens visadas. Assim, configurandose caso de abuso de direito, as consequências que dele podem advir, eventualmente, serão diferentes, umas no âmbito civil, ou comercial, e outras no âmbito tributário. Do ângulo propriamente fiscal, a legalidade ou ilegalidade do ato ou negócio jurídico não é, em si mesma, razão suficiente para inibir a incidência da norma tributária, bastando lembrar a tributação dos atos ilícitos. Mas a ilicitude ou ilegalidade do ato contamina o planejamento feito e impede a produção dos efeitos vantajosos buscados pelo contribuinte, pois um dos requisitos primários exigidos é que todos os atos sejam lícitos. Depois do Código Civil de 2002, como o abuso de direito passou a ser expressamente qualificado como ato ilícito, a questão tributária é muito mais relevante, pois o abuso faz desaparecer um dos requisitos básicos do planejamento, qual seja, o de se apoiar em atos lícitos. Vale dizer, a configuração de um ato ilícito (por abusivo) implica não estarmos mais diante de um caso de elisão, mas sim de evasão. IX:11. Ato com Finalidade predominantemente Fiscal No Brasil, entendo que esta possibilidade de recusa de tutela ao ato abusivo (mesmo antes do Código Civil de 2002) encontra base no ordenamento positivo, por decorrer dos princípios consagrados na Constituição de 1988 e da natureza da figura. Porém, a atitude do Fisco no sentido de desqualificar e requalificar os negócios privados somente poderá ocorrer se puder demonstrar de forma inequívoca que o ato foi abusivo porque sua única ou principal finalidade foi conduzir a um menor pagamento de imposto. IX.15. Limites ao Poder de o Fisco desqualificar e requalificar o Ato Esta faculdade não é absoluta; está sujeita a condições e limites de exercício os quais resultam, exatamente, da conjugação dos valores liberdade e solidariedade para chegar ao valor justiça da tributação. Sustentei acima que toda pessoa tem o direito de dispor de sua vida como melhor lhe aprouver, porém, no exercício desse direito não poderá fazêlo de maneira abusiva, buscando como única ou preponderante finalidade obter um menor pagamento de tributos. Os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente para requalificá los segundo a descrição normativotributária pertinente à Fl. 670DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 44 situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito. Conforme diversas vezes afirmado acima, o contribuinte tem o direito de se autoorganizar; e dispor de sua vida como melhor lhe aprouver; não está obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa. Porém, o que disse acima é que esta reorganização deve ter uma causa real, uma razão de ser, um motivo que não seja 'predominantemente' fiscal. Sublinhei o termo "predominantemente': pois este é o conceito chave. Se determinada operação ou negócio privado tiver por efeito reduzir carga tributária, mas se apóia num motivo empresarial, o 'direito' de autoorganização terá sido adequadamente utilizado. Não haverá abuso! O Fisco nada poderá objetar! Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal, se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a 'inibir as práticas sem causa; que impliquem menor tributação. Por outro lado, isto não significa que o Fisco possa simplesmente invocar o abuso para desqualificar o negócio jurídico. Ao contrário, como o negócio jurídico é resultado do exercício de um 'direito' de autoorganização que se apóia no valor liberdade, os negócios lícitos gozam da presunção de não abusividade. Assim, cabe ao Fisco o 'ônus da prova' da finalidade predominantemente fiscal do negócio para que, aí sim, possa justificara desqualificação. DO ABUSO DO DIREITO EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA No tópico anterior, abordamos a questão dos limites que o ordenamento jurídico impõe ao exercício do direito de auto organização do contribuinte, sem o que estaria aberto o caminho para uso das patologias reprimidas pelo Direito, dentre as quais a que diz respeito ao "Abuso do Direito". Vimos também, naquela oportunidade, os abalizados ensinamentos do ilustre professor e doutor Marco Aurélio Grego, esposados em seu livro "Planejamento Tributário", 2a edição, Dialética São Paulo 2008, a respeito da aplicabilidade dessa limitação em matéria tributária, bem como, as conseqüências decorrentes dos excessos praticados. A figura do "Abuso do Direito" já era discutida na vigência do Código Civil de 1916, mas havia divergências a respeito, todavia, com o advento do Código Civil Brasileiro instituído pela Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, a questão ficou bem mais clara, inclusive com a possibilidade de o abuso de direito ser qualificado como hipótese de ato ilícito, como previsto no artigo 187, que assim dispõe: LIVRO III DOS FATOS JURÍDICOS Fl. 671DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 24 45 TITULO III DOS ATOS ILÍCITOS Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. O artigo 1° da Lei Complementar n.° 104, de 10 de janeiro de 2001, também tratou dessa questão ao incluir o parágrafo único ao artigo 116 do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966), que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (incluído pela Lei Complementar n.° 104, de 10 de janeiro de 2001) DA DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS Cabe, inicialmente, deixar claro que o atos ou negócios jurídicos abordados neste tópico compreendem toda a sequência de atos e operações (conjunto) criada para que noventa por cento das ações da BM&F S.A. que a Corretora Souza Barros S.A. receberia no processo da desmutualização fosse alienada, na oferta pública inicial, em nome do Sr. Marcos de Souza Barros. Estes atos e negócios jurídicos são todos aqueles já exaustivamente examinados em um dos tópicos precedentes intitulado "DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO MEDIANTE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS". Assim, pretendiase que, no conjunto, o ganho líquido ficasse dividido entre uma pessoa jurídica e uma pessoa física, da seguinte forma: –A Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. contabilizaria um ganho líquido equivalente a R$ 10,00 por ação (R$ 11,00 adotado como preço de venda à pessoa física, menos R$ 1,00 de custo contábil), portanto, pelo lote de 8.891.662 ações haveria um ganho de R$ 88.916.620,00. Este valor teria a incidência tributária normal, de acordo com as regras impostas às pessoas jurídicas. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 46 –O Sr. Marcos de Souza Barros ficaria com um ganho de capital de, pelo menos, R$ 3,00 por ação (R$ 14,00 de preço mínimo autorizado em sua oferta para venda no IPO, menos R$ 11,00 que pagaria pela compra da pessoa jurídica). Se a alienação fosse efetivada pelo valor mínimo de R$ 14,00 por ação, seu ganho relativo ao lote de 8.891.662 ações já seria de R$ 26.674.986,00, a ser tributado segundo as regras aplicáveis às pessoas físicas (menos onerosa), mas o beneficio seria tanto maior quanto maior fosse o preço alcançado na negociação. Como visto, toda a seqüência dos atos e negócios jurídicos compreendida neste "planejamento tributário" se volta para uma clara intenção de repassar ao Sr. Marcos de Souza Barros, parte dos ganhos líquidos que a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. poderia auferir na alienação das ações da BM&F S.A., no evento da oferta pública inicial, e tudo isso deveria ocorrer com a menor incidência tributária possível. Contudo, para obter o efeito desejado adotouse o mecanismo que consistiu na venda das próprias ações a serem alienadas na oferta pública inicial, de modo tal que por ocasião deste evento uma parte dos ganhos fosse apurada já na pessoa física do beneficiário do repasse, ficando assim afastada da incidência tributária na pessoa jurídica; a partir daí tudo passaria a ser visto como absolutamente normal. O que não soa nada normal, todavia, é a ocorrência de um fato nunca almejado por qualquer pessoa, seja física ou jurídica, em que ela deva abrir mão de um potencial e anunciado ganho, simplesmente para favorecer a um "terceiro". Isto não seria concebível na seara dos negócios, pois um contrato com este perfil jamais seria celebrado com "terceiros" comuns; no presente caso, a negociação só interessava à corretora se formatado daquele modo e com aquela pessoa física (acionista detentor de 99,99% do capital). Ademais, cada etapa da operação estava atrelada a uma etapa seguinte, ou viceversa. Senão vejamos, novamente: A venda das ações da corretora era a primeira condição para que o Sr. Marcos de Souza Barros pudesse participar diretamente da oferta pública inicial e em seu nome auferir o ganho de capital. Sem esta venda não haveria ações a serem ofertadas pela pessoa física, podendo ainda ser lembrado que o ato de incluílo no prospecto preliminar também dependia dessa negociação. Essa venda se deu mediante contrato com condição resolutiva, condicionando sua efetivação à consolidação de todas as condições contidas no contrato firmado com a GA Latin America Investments, LLC, sem o que, provavelmente, a realização da oferta pública inicial ficaria comprometida. Caso essa hipótese viesse a ocorrer, a venda da pessoa jurídica para a pessoa fisica não faria mais sentido, porque a intenção não era simplesmente vender as ações. Era preciso que o Sr. Marcos de Souza Barros as revendesse no IPO, por um preço maior, e com os recursos da liquidação financeira efetuar, na mesma data, o pagamento à corretora. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 25 47 Vêse, assim, que só com o concurso de todas as etapas do plano o pacto firmado através do "Instrumento Particular de Compromisso de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F e Outras Avenças", datado de 1° de novembro de 2007, já mencionado em outras oportunidades anteriores, viria a se consolidar. É, portanto, plenamente passível de desconsideração, nos termos do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966), os atos e os negócios jurídicos envolvidos nesta operação estruturada em seqüência, porque, como restou demonstrado, farta e exaustivamente, foram praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência dos fatos geradores do imposto e das contribuições da pessoa jurídica e a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. DA CARACTERIZAÇÃO DO ABUSO DO DIREITO E SUAS CONSEQÜÊNCIAS Diante dos temas abordados nos quatro tópicos precedentes, intitulados "DA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES BM&F S.A. AO SR. MARCOS DE SOUZA BARROS", "DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO MEDIANTE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS", "DO ABUSO DO DIREITO EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA" e "DA DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS", resta demonstrado a perfeita caracterização do "Abuso do Direito", presente na operação exposta. Em consequência do "Abuso do Direito" desconsideramos, para fins de aplicação da legislação tributária, todos os atos e negócios jurídicos intermediários envolvidos na mencionada operação, atribuindo à Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. também a parte do ganho de capital auferido em nome do Sr. Marcos de Souza Barros, como se fora ela quem diretamente tivesse participado das alienações no evento da oferta pública inicial. A diferença tributável a ser considerada será, portanto, correspondente ao valor global de R$ 80.024.958,00, já demonstrado no tópico intitulado "DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO MEDIANTE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS", mas que demonstraremos em novo formato no quadro seguinte: DEMONSTRATIVO DA DIFERENÇA TRIBUTÁVEL APURADA NA OPERAÇÃO ESTRUTURADA EM SEQUÊNCIA DATA EVENTOS OCORRIDOS FISCO CONTRIBUINTE DIFERENÇA 01/10/07 Recebimento das ações (desmutualização) 8.891.662,00 8.891.662,00 01/11/07 Alienação para o Sr. Marcos de Souza Barros: Receita 0,00 97.808.282,00 ()Custo das ações vendidas 0,00 8.891.662,00 Ganho líquido auferido na operação 0,00 88.916.620,00 88.916.620,00 29/11/07 Alienação no IPO Fl. 674DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 48 (s/opção de ações suplementares): Receita 154.637.600,00 0,00 ()Custo das ações vendidas 7.731.880,00 0,00 Ganho líquido auferido na operação 146.905.720,00 0,00 146.905.720,00 30/11/07 Ganho líquido no mês de novembro de 2007 146.905.720,00 0,00 57.989.100,00 04/12/2007 Alienação no IPO (opção de ações suplementares): Receita 23.195.640,00 0,00 ()Custo das ações vendidas 1.159.782,00 0,00 Ganho líquido auferido na operação 22.035.858,00 0,00 22.035.858,00 31/12/2007 Ganho líquido no mês de novembro de 2007 22.035.858,00 0,00 22.035.858,00 31/12/2007 Total de ganhos líquidos no ano de 2007 168.941.578,00 88.916.620,00 80.024.958,00 DAS MATÉRIAS TRIBUTÁVEIS E DAS DIFERENÇAS APURADAS Conforme se depreende do exposto até esse momento, repetimos muito do que dissemos em relação à fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, mas tudo isso vem para facilitar o entendimento a respeito da forma como se desenvolveram os processos de desmutualização das bolsas. No primeiro momento tivemos operações que se caracterizaram como "devoluções de patrimônio de instituições isentas" nas quais os bens recebidos pelos associados foram as ações das sociedades Bovespa Holding S.A. e Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. Estas operações, como restou comprovado, geraram ganhos de capital classificáveis como "resultados não operacionais", portanto, não sujeito à incidência do PIS e da COFINS. • Ganhos Líquidos Contabilizados, Auferidos nas Vendas de Ações A questão agora é no que tange às contribuições ao PIS e à COFINS, que começa com a contabilização dessas ações (Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A.) em contas do ativo permanente, indistintamente, nada contra os valores considerados nos lançamentos. Sem adentrarmos muito no mérito da contabilização das ações mantidas em carteira, por não ser objeto desta ação fiscal, trataremos aqui das ações vendidas no anocalendário de 2007. Convém lembrar, para tanto, que os processos de desmutualização das bolsas contemplavam a necessidade de que fossem promovidas ofertas públicas iniciais, com vistas à colocação das novas ações no mercado. Sabiase, também, que no caso específico da BM&F havia um investidor estratégico (fundo de investimento norteamericano) com proposta firme de aquisição de dez por cento das futuras ações. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 26 49 Assim, em caráter irrevogável e irretratável, foram firmados vários documentos nos quais se evidenciavam que antes mesmo de receber as novas ações, a contribuinte assumira compromissos de alienar parte delas. No caso da Bovespa, a quantidade de ações envolvidas nestes compromissos era exatamente igual à quantidade que foi vendida no mês de outubro de 2007, mas, no caso da BM&F, uma venda ao Sr. Marcos de Souza Barros, de noventa por cento das ações recebidas, zerou a carteira antes do evento da oferta pública inicial. Então, fica claro que nunca houve qualquer intenção de permanência em relação às tais ações, de sorte que elas jamais poderiam ter sido classificadas em contas de investimentos, no ativo permanente, pois a classificação correta seria no ativo circulante, como determina a Lei n.° 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades Anônimas), em seu artigo 179, que assim se lê: Art. 179 As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa Logo, os resultados obtidos nas vendas dessas ações deveriam ser tratados como lucro operacional, nos termos do artigo 11 do DecretoLei n.° 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Senão vejamos: Art. 11 Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica. Não resta dúvida também que a compra e venda de ações por conta própria é uma das atividades das sociedades corretoras, prevista no inciso IV do artigo 2° do Regulamento anexo à Resolução do Conselho Monetário Nacional n.° 1.655, de 26 de outubro de 1989, sendolhes vedado adquirir bens não destinados ao uso próprio, como dispõe o artigo 12, inciso III do mesmo regulamento. Eis a seguir a transcrição dos dois artigos: Capítulo I Das Características, da Constituição e do Funcionamento Art. 2°. A sociedade corretora tem por objeto social: IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 50 Capítulo IV Das Normas Operacionais Art. 12 É vedado à sociedade corretora: III adquirir bens não destinados ao uso próprio, salvo os recebidos em liquidação de dívidas de difícil ou duvidosa solução, caso em que deverá vendêlos dentro do prazo de 1 (um) ano, a contar do recebimento, prorrogável até 2 (duas) vezes, a critério do Banco Central. Desta feita, aos ganhos auferidos nas vendas das ações ao acionista Sr. Marcos de Souza Barros e à investidora estratégica General Atlantic (realizadas no mercado de balcão, antes da oferta pública inicial) e nas demais vendas (realizadas por ocasião das ofertas públicas iniciais), aplicamse a incidência de PIS e COFINS, prevista no artigos 2° e 3° da Lei n.° 9.718, de 27 de novembro de 1998, não se lhes aplicando a exclusão do inciso IV do § 2° do artigo 3°, a saber: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. 5 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Como se vê após farta e exaustiva explanação, o histórico dos processos de desmutualização foi decisivo na definição sobre a classificação correta das ações vendidas, fato determinante para que o Fisco discorde da aplicação do artigo 3°, § 2°, inciso IV, da Lei n.° 9.718, de 1998, como fundamento para que não sejam computados na determinação das bases de cálculo do PIS e da COFINS, os ganhos auferidos nas vendas das ações em comento. É claro que também por força de norma do Conselho Monetário Nacional, mais especificamente do Regulamento aprovado pela Resolução n.° 1.655, de 26 de outubro de 1989, as ações havidas pela Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. nos processos de desmutualização não poderiam ser contabilizadas como bens do ativo permanente, dada a vedação imposta pelo seu artigo 12, inciso III. Neste caso, as diferenças tributáveis apuradas já correspondem ao exato valor de R$ 133.587.697,85, considerado pela contribuinte como "Receitas Não Operacionais", valor este resultante do "Valor da Alienação" (R$ 146.953.050,75, contabilizados na conta 7.3.1.10.00.0013) deduzidos do "() Custo da Alienação" (R$ 13.365.352,90, contabilizados na conta 7.3.1.10.00.0020). Estes dois últimos valores foram declarados, respectivamente, na Linha 52Receitas de Alienações de Bens e Direitos do Ativo Fl. 677DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 27 51 Permanente e Linha 55 () Valor Contábil dos Bens e Direitos Alienados, ambas da Ficha 06B da DIPJ 2008, contudo, considerandose que o PIS e a COFINS tem suas apurações por periodicidade mensal, assim faremos o desdobramento: DIFERENÇAS TRIBUTÁVEIS APURADAS NAS VENDAS CONTABILIZADAS Venda Custo baixado Dif.Ganho Data D/M/A Especificação do título Quant. VR 24/10/07 Bovespa Holding ON 3 1.660.445 38.190.235,00 3.485.727,90 34.704.507,10 1)Período de Apuração Out/2007 1.660.445 38.190.235,00 3.485.727,00 34.704.507,10 01/11/07 BM&F (Antes do “IPO”) 8.891.662 97.808.282,00 8.891.662,00 88.916.620,00 16/11/07 BM&F (Antes do “IPO”) 987.963 10.954.533,75 987.963,00 9.966.570,75 2)Período de apuração Nov./2007 9.879.625 108.762.815,75 9.879.625,00 98.883.190,75 3)Totais (01+02) 146.953.050,75 13.365.352,90 133.587.697,85 • Ganhos Líquidos Não Contabilizados A segunda questão diz respeito à parcela dos ganhos auferidos com as alienações das 8.891.662 ações na oferta pública inicial da BM&F, da qual participou o Sr. Marcos de Souza Barros e não a Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. Este fato foi objeto de abordagem em tópicos anteriores, tendo em vista a constatação de houve um planejamento tributário envolvendo a figura do "Abuso do Direito", prevista no artigo 187 do Código Civil Brasileiro, instituído pela Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Em longa exposição, a operação foi tratada nos seguintes tópicos: – DA ALIENAÇÃO DE AÇÕES BM&F S.A. AO SR. MARCOS DE SOUZA BARROS – DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO MEDIANTE OPERAÇÕES ESTRUTURADAS – DO ABUSO DO DIREITO EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA DA DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS – DA CARACTERIZAÇÃO DO ABUSO DO DIREITO E SUAS CONSEQÜÊNCIAS Conforme ficou esclarecido e demonstrado, o planejamento tributário consistiu no repasse de parte do ganho líquido da Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. a favor do Sr. Marcos de Souza Barros, valendose de uma "transferência injustificada" de ações, da primeira para o segundo, que Fl. 678DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 52 permitiu a este último participar do IPO da BM&F S.A. e já em seu nome auferir um previsível ganho de capital. Agindo desse modo, essa parcela do ganho deixou de ser reconhecida na contabilidade da Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. para ser submetida a uma incidência tributária menor na pessoa física do Sr. Marcos de Souza Barros. Face ao exposto, os atos e os negócios jurídicos envolvidos na referida "operação estruturada em sequência" foram desconsiderados, para fins tributários, nos termos do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional (Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966), atribuindose à Corretora Souza Barros Câmbio e Títulos S.A. os resultados auferidos em nome de seu principal acionista, no valor de R$ 80.024.958,00. Consequentemente, isto ensejou o cômputo adicional de R$ 57.989.100,00 na diferença tributável de novembro de 2007 e deu origem a uma diferença tributável no valor de R$ 22.035.858,00 em dezembro de 2007, relativamente ao PIS e à COFINS, como se demonstra no quadro seguinte: DIFERENÇAS TRIBUTÁVEIS APURADAS NA OPERAÇÃO ESTRUTURADA EM SEQÜÊNCIA Valor DISCRIMINAÇÃO 1 Ganho na Alienação de 7.731.880 ações em 29/11/07 (IPO sem a opção de ações suplementares Venda ao preço de R$ 20,00 por ação 154.637.600,00 () Custo das ações vendidas, ao preço de R$ 1,00 por ação 7.731.880,00 Ganho Líquido auferido na operação 146.905.720,00 2 () Ganho declarado na Alienação de 8.891.662 ações em 01/11/07 ao Sr. Marcos de Souza Barros: Venda ao preço de R$ 11,00 por ação 97.808.282,00 () Custo das ações vendidas, ao preço de R$ 1,00 por ação 8.891.662,00 Ganho Líquido declarado na operação 88.916.620,00 3 Diferença tributável apurada em vendas de ações no mês de novembro de 2007 (01— 02) 57.989.100,00 4 Ganho na Alienação de 1.159.782 ações em 04/12/07 (IPO de ações suplementares): Venda ao preço de R$ 20,00 por ação 23.195.640,00 () Custo das ações vendidas, ao preço de R$ 1,00 por ação 1.159.782,00 Ganho Líquido auferido na operação 22.035.858,00 5 Diferença tributável em vendas de ações no mês de dezembro de 2007 (04) 22.035.858,00 6 Diferença tributável total relativa aos ganhos líquidos no ano de 2007 (03 r 05) 80.024.958,00 • Resumo Geral dos Valores Tributáveis Apurados Considerandose, portanto, as matérias analisadas nos tópicos e subtópicos precedentes, passamos então ao resumo geral das diferenças tributáveis apuradas, consolidando os ganhos contabilizados e os não contabilizados, a saber: DIFERENÇA TRIBUTÁVEL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OUTUBRO DE 2007 Data D/M/A Especifica ção do Venda Custo baixado Dif.Gan ho Fl. 679DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 28 53 título Quan t. VR 24/10/07 Bovespa Holding ON 3 1.660 .445 38.190 .235,0 0 3.485.727 ,90 34.704. 507,10 Totais 1.660 .445 38.190 .235,0 0 3.485.727 ,90 34.704. 507,10 DIFERENÇA TRIBUTÁVEL DO PERÍODO DE APURAÇÃO NOVEMBRO DE 2007 VENDA Custo baixado Dif. (Ganho ) Data D/M/ A Especificação do título Quant . Valor 01/1 1/07 BM&F (Antes do “IPO”) 8.891. 662 97.808.28 2,00 8.891.6 62,00 88.916. 620,00 16/1 1/07 BM&F (Antes do “IPO”) 987.9 63 10.954.53 3,75 987.963 ,00 9.966.5 70,75 Subto tais 9.879 .625 108.762. 815,75 9.879.6 24,00 98.883. 190,75 29/1 1/07 BM&F (No “IPO”) 7.731. 880 154.637.6 00,00 7.731.8 80,00 146.905 .720,00 ()Ganho contabilizado 8.891, 662 97.808.28 2,00 8.891.6 62,00 88.916. 620,00 Ganho não contabilizado 57.989. 100,00 Totai s 156.87 2.290,7 5 DIFERENÇA TRIBUTÁVEL DO PERÍODO DE APURAÇÃO DEZEMBRO DE 2007 Venda Custo baixado Dif.Ganho Data D/M/ A Especificação do título Qua nt. VR 04/1 2/07 BM&F (NO “IPO”) 3 115 9.78 2 23.195. 640,00 1.159.7 82,00 22.035.858, 00 () Ganho contabilizado 0,00 0,00 0,00 0,00 Ganho não contabilizado 0,00 0,00 0,00 22.035.858, 00 Totais 22.035.858, 00 Obs.: Obs. O valor do ganho decorrente da alienação ao Sr. Marcos de Souza Barros foi considerado totalmente no mês de sua contabilização, em novembro de 2007. Ao ser intimada a prestar esclarecimentos sobre a existência ou não de recolhimentos de Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e/ou de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relacionados a valores envolvidos nos processos de desmutualização das bolsas (Bovespa e BM&F), a contribuinte apresentou peças processuais relativas ao Mandado de Segurança n.° 2007.61.00.0013373, em trâmite na 7a Vara Cível da Justiça Federal Seção Judiciária do Estado de São Paulo. Esta ação, contudo, não lhe dá guarida para afastar a incidência das questionadas contribuições sobre os ganhos líquidos em comento, como veremos no tópico seguinte, uma vez que a compra e venda de ações por conta própria é uma das atividades das sociedades corretoras, prevista no inciso IV do artigo 2° do Fl. 680DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 54 Regulamento anexo à Resolução do Conselho Monetário Nacional n.° 1.655, de 26 de outubro de 1989, qual seja: Art. 2°. A sociedade corretora tem por objeto social: IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência. Como se não bastasse, o estatuto social da instituição também traz no rol do objeto social a atividade de "comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada a regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e pelo Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência". DO MANDADO DE SEGURANÇA PROCESSO N.° 2007.61.00.0013373 Em 19 de janeiro de 2007 (data do protocolo), a contribuinte impetrou o Mandado de Segurança com Pedido de Medida Liminar, processo n.° 2007.61.00.0013373, em trâmite na 7' Vara Cível da Justiça Federal Seção Judiciária do Estado de São Paulo, com o seguinte pedido: a) Seja concedida a liminar, inaudita altera pars, a fim de que seja determinada a não aplicação do 5 1°, do artigo 3° da Lei n.° 9.718/98, afastando, assim, a aplicação da alteração do conceito de faturamento, relativamente à contribuição do PIS e da COFINS, para que a cobrança se dê tão somente sobre o faturamento das empresas. b) A notificação do impetrado para no prazo de 10 (dez) dias, prestar informações, em conformidade com o disposto no art. 7°, I, da Lei n.° 1.533/51. c) Ao final, seja concedida definitivamente a segurança ora impetrada, a fim de que seja afastada a exigibilidade de contribuição a título de PIS e COFINS, nos moldes do parágrafo 1°, artigo 3° da Lei n. ° 9.718/98. A sentença foi proferida em 25 de junho de 2007, constando inicialmente que a medida liminar foi deferida e, depois, concluída com decisão de seguinte teor: Por estas razões, CONCEDO A SEGURANÇA almejada e extingo o processo sem julgamento de mérito, na forma do disposto no Artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil, para o fim de afastar a exigibilidade do PIS e da COFIAIS, nos moldes previstos no parágrafo 1P do artigo 3° da Lei n.o 9.718/98. Honorários advocatícios indevidos nos termos da Súmula 512 do E. Supremo Tribunal Federal. Custas "ex lege': Na esteira do entendimento do C. STJ (Rec. Especial n. ° 687216) e da 33 Turma do E. T.R.F. da 3g Região, fica esta sentença dispensada do reexame necessário em face do art. 475, § 2° do Código de Processo Civil. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 29 55 Comuniquese ao E. TRF da 3 Região, via email, a sentença proferida, tendo em vista o agravo noticiado, nos termos do artigo 149, III, do provimento COGE nº 64/05. Como se pode depreender da leitura da sentença, ela concedeu a segurança tão somente para afastar a exigibilidade "nos moldes previstos no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98", dispositivo este que entendia por receita bruta a "totalidade" das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ele exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Evidentemente, este não é o caso dos ganhos líquidos em questão, que se enquadram no "caput" do citado artigo e não no seu "parágrafo 1°", decorrendo daí a ineficácia deste mandado de segurança em relação às matérias questionadas neste termo de verificação fiscal. O conceito de faturamento acatado pelo STF exclui tão somente as receitas não operacionais, ou seja, aquelas não decorrentes da atividade regular explorada pela sociedade contribuinte. Em relação às instituições financeiras, integram seu faturamento todas as receitas típicas da atividade de intermediação financeira, como o spread. Assim, se é verdade que as receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para a quase totalidade das pessoas jurídicas, no caso das instituições financeiras essas receitas decorrem diretamente da consecução de seu objeto social. Por esses motivos, o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1°, do artigo 3°, da Lei n.° 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, não afasta, pura e simplesmente a incidência em relação às instituições financeiras ou entidades a elas equiparadas. A incidência é afastada apenas quanto às receitas não provenientes das atividades típicas e características de intermediação financeira. No presente caso, restou plenamente comprovado que, de fato, os ganhos líquidos auferidos nas vendas das ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. decorreram da atividade regular explorada pela contribuinte e da consecução de seu objeto social sendo, portanto, "receitas operacionais" que compõem as "receitas brutas da pessoa jurídica". DOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO A inobservância às regras estabelecidas na legislação fiscal em vigor enseja a adoção de medidas fiscais de oficio, nos termos do art. 149, incisos I e VI, da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). O crédito tributário será constituído e exigido através dos autos de infração da Contribuição ao Programa de Integração Social e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, Fl. 682DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 56 lavrados com base no artigo 10 do Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, dos quais o presente termo de verificação fiscal fará parte integrante. As apurações foram efetuadas de acordo com o art. 149, inciso I, da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), combinado com o art. 911 do Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/99, por inobservância aos artigos 2° e 3° da Lei n.° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Nos campos "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", constantes dos autos de infração e de seus respectivos demonstrativos de cálculo, encontramse mencionados outros dispositivos legais que complementam os citados no presente termo, inclusive no tocante a juros de mora e a penalidades aplicáveis. DA CONCLUSÃO A ação fiscal se ateve exclusivamente aos fatos aqui abordados, ressalvandose à Fazenda Nacional o direito de sempre proceder a novos exames, diante de elementos supervenientes que os justifiquem. Do que, para constar e produzir os efeitos legais, lavramos o presente termo em três vias de igual teor e forma, uma das quais é entregue neste ato ao representante da empresa.” Por seu turno, reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 533/554 da 7ª Turma da DRJ de São Paulo SP houve por bem “julgar procedentes” os lançamentos de PIS e de COFINS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 RECEITA DECORRENTE DA VENDA DE AÇÕES DAS SOCIEDADES BOVESPA HOLDING S/A E BM&F S/A, RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DA DESMUTUALIZAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES BOVESPA E BM&F. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES NO ATIVO CIRCULANTE. O recebimento de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, em decorrência das operações de desmutualização das bolsas de valores, caracterizase como aquisição de ativo, e não como mera troca ou substituição. Demonstrada desde o início a intenção de venda no curto prazo, devem as ações serem classificadas no ativo circulante, e não no ativo permanente, não cabendo a exclusão da receita decorrente de sua venda da base de cálculo do PIS. DESMUTUALIZAÇÃO DAS BOLSAS DE VALORES. VENDA DAS AÇÕES DA BM&F S/A NA OFERTA PÚBLICA INICIAL PELA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. Não produzem efeitos perante o Fisco as operações realizadas sem propósito negocial, com o único intuito de economia Fl. 683DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 30 57 tributária, especialmente quando se constata a ocorrência de abuso de direito, vício que macula o negócio jurídico de ilicitude. Mantémse a desconsideração da venda das ações da BM&F S/A realizada pela pessoa física do sócio da corretora, tributandose a pessoa jurídica pelos ganhos obtidos. CONCEITO DE FATURAMENTO DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E ASSEMELHADAS. INCLUSÃO DAS RECEITAS DA ATIVIDADE EMPRESARIAL TÍPICA. INAPLICABILIDADE DE DECISÃO JUDICIAL QUE AFASTA APENAS O §1° DO ART. 3° DA LEI N° 9.718/98, PARA FINS DE CANCELAR A MULTA DE OFÍCIO LANÇADA. O faturamento deve ser entendido como a totalidade das receitas decorrentes da atividade empresarial típica, o que, no caso das corretoras de câmbio e títulos, inclui a compra e venda de ações de carteira própria. Tais receitas estão albergadas no “caput” do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, não tendo sido afastadas por decisão judicial que apenas considerou inconstitucional o §1° do referido artigo. Mantémse a incidência da multa de ofício de 75%, tendo em vista inexistir causa suspensiva da exigibilidade do tributo. LANÇAMENTO DE COFINS. Aplicamse ao lançamento da COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do PIS, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas a ora Recorrente sustenta a insubsistência parcial da r. decisão recorrida na parte em que manteve a exigência fiscal tendo em vista: a) preliminarmente a impossibilidade de decisão isolada em relação ao PIS e COFINS oriundos de ações fiscalizatórias de IRPJ e CSLL, com exigibilidades normal e suspensa, que na mesma data, foram julgados pela mesma DRJ/SP1, e que foram, que cuidam de cobranças tributárias que têm como premissa o pretenso "abuso de formas ou de direito" na desmutualização das Bolsas de Valores de São Paulo, em 2007 (Processo no 16327.720692/2011¬24, Acórdão 1635.928 7a Turma da DRJ/SP1, Assunto: Imposto de Renda sobre a Renda de Pessoa Física IRPJ e Processo no 16.327.720691/201180, Acórdão 1635.927 7a Turma da DRJ/SP1, Assunto: Exigibilidade suspensa); b) que o v. Acórdão exarado pelo Poder Judiciário em Mandado de Segurança impetrado, anexo ao Recurso e ainda não definitivamente julgado à data da r. decisão recorrida teria exonerado a Recorrente dessas contribuições sociais sobre o faturamento com a mesma extensão que livrou as empresas não financeiras; c) a inaplicabilidade do art. 116 do CTN eis que seria norma de eficácia contida que dependeria de regulamentação, o que impediria a desconsideração de negócios jurídicos e autuação por abuso de forma pela d. Fiscalização; d) impossibilidade da alegação de ganhos garantidos pelo sócio pessoa física, em função do "conhecimento que o preço esperado do IPO estaria entre R$ 14,50 e R$ 16,50, para justificar a falta de qualquer propósito negocial; e) que o conceito utilizado pelo D. AFTN é contraditório com aquele que o mercado adota numa relação de compra e venda de posições relevantes, que são as transferências de controle por exemplo; f) que os valores pactuados pela RECORRENTE eram razoáveis naquela data e que Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 58 se fossem usados os parâmetros de preço estabelecidos nesta operação independente, os ganhos seriam até maiores para o acionista, o que se conclui que se a operação realizada tivesse como intuito o planejamento tributário, as suas características seriam outras conversíveis em ações com direito a voto, cessão de direitos de subscrição de ações e de outros títulos ou direitos relativos a valores mobiliários conversíveis em ações que venham a resultar na alienação de controle acionário da sociedade; g) que pela dissolução parcial da Corretora Souza Barros ocorrida em março de 2002, cuja ação foi interposta em 30/08/02, um litígio se instaurou entre os sócios, principalmente com referência aos valores devidos ao sócio excluído,razão pela qual a alegação de ato ilícito de forma a invalidar os atos praticados pela empresa nos termos do artigo 187, não tem como se manter; h) que diferentemente do que sustenta a RFB e seus representantes (AFTN "s), não houve devolução de capital às corretoras na desmutualização das bolsas, mas a natureza jurídica adequada da operação é de substituição de títulos sociais por ações, figura da lei societária, que não tem parâmetro na lei civil ou tributária, mas que certamente não equivale à baixa, alienação, permuta, etc.; i) que a cisão tem a natureza sucessória para fins de classificação contábil dos ativos, de forma que um ativo permanente da cindida continua sendo um ativo permanente na sucessora e, portanto a conversão dos títulos em ações, pela própria Bolsa, foi mera substituição de ativos de pouca liquidez por outros ativos, equivalentes, de maior liquidez, porém sempre dentro da mesma esfera de propriedade; j) que as Corretoras não adquiriram ações da BOVESPA, mas substituíram os títulos patrimoniais pelas ações, tampouco trocaram esses ativos (hipótese em que haveria aquisição) porque a BOVESPA não poderia permutar os títulos de seu próprio "capital", como ato de gestão ordinária, e portanto foram as próprias Corretoras, como associadas da BOVESPA, que determinaram em AGE a substituição dos títulos por ações. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator Consoante esclarecem o TVF, e a própria Recorrente o MPF inaugural da ação fiscal, visava auditoria de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e tinha como premissa o pretenso "abuso de formas ou de direito" na desmutualização das Bolsas de Valores de São Paulo, em 2007, resultando exigências originalmente afetas a IRPJ e CSSLL (Processo no 16327.720692/2011¬24, Acórdão 1635.928 7a Turma da DRJ/SP1, Assunto: Imposto de Renda sobre a Renda de Pessoa Física IRPJ e Processo no 16.327.720691/201180, Acórdão 1635.927 7a Turma da DRJ/SP1, Assunto: Exigibilidade suspensa). Portanto, desde logo verifico que a matéria tratada nestes autos versa sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, cuja competência para julgamento pertence à 1ª Seção do CARF, consoante expressamente dispõe o Regimento Interno do CARF, no Anexo II, em seu art. 2º, “in verbis”: “Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) Fl. 685DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.720693/201179 Acórdão n.º 3402001.914 S3C4T2 Fl. 31 59 IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (...) VI penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e (...)” Dos preceitos expostos, não resta dúvida que tratandose de autuação que tem por objeto supostas exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, a matéria submetida a julgamento é da competência é da 1ª Seção do CARF, não cabendo manifestação desta 3ª Seção. Isto posto, preliminarmente voto no sentido de não conhecer da matéria relativa a exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, ora submetida à apreciação desta C. Câmara e declinar a competência, para seu exame pela 1ª Seção, sendo que após ciência do acórdão à interessada, os autos deverão ser encaminhados à 1ª Seção do CARF. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de setembro de 2012. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 686DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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