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Numero do processo: 10930.907068/2011-35
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 14/06/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 14/06/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 68 /2 01 1- 35 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.472, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 16873.18501.300605.1.2.042803, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472264). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 151,52, referente ao pagamento efetuado em 14/06/2002, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 20.527,11. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109, do período de apuração de 31/05/2002, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907068/201135 Acórdão n.º 3802004.149 S3TE02 Fl. 93 3 Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/06/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907068/201135 Acórdão n.º 3802004.149 S3TE02 Fl. 94 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907068/201135 Acórdão n.º 3802004.149 S3TE02 Fl. 95 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Conclusão Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005330/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ISENÇÃO. PORTADOR DE DOENÇA DE ALZHEIMER.
Estando comprovado que a doença de Alzheimer da qual o contribuinte padece ocasiona demência, reconhece-se estado de alienação mental apto a caracterizar a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação tributária.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS.
Rendimentos de aluguéis não estão abrangidos pela norma isentiva disposta nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/88.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar a exigência fiscal no que se refere aos rendimentos recebidos pela contribuinte em 2006 das fontes pagadoras Subdiretoria de Pagamento de Pessoal do Comando da Aeronáutica e Telos Fundação Embratel de Seguridade Social.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PORTADOR DE DOENÇA DE ALZHEIMER. Estando comprovado que a doença de Alzheimer da qual o contribuinte padece ocasiona demência, reconhecese estado de alienação mental apto a caracterizar a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação tributária. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. Rendimentos de aluguéis não estão abrangidos pela norma isentiva disposta nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 53 30 /2 00 9- 10 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar a exigência fiscal no que se refere aos rendimentos recebidos pela contribuinte em 2006 das fontes pagadoras Subdiretoria de Pagamento de Pessoal do Comando da Aeronáutica e Telos Fundação Embratel de Seguridade Social. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10768.005330/200910 Acórdão n.º 2402004.696 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJ2, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), exigindo crédito tributário no valor total de R$ 18.876,44 relativo ao anocalendário 2006 (fls. 4/8). O processo foi distribuído para julgamento a ser realizado, inicialmente, pela Segunda Turma Especial da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Contudo, em sessão de julgamento datada de 12/3/2015, foi exarada por aquela Turma a Resolução nº 2802000.229, convertendo o julgamento em diligência. Quando do seu retorno à segunda instância recursal, o processo foi distribuído para este Conselheiro, em observância ao disposto nos §§ 6º e 7º do art. 49 do Regimento Interno do CARF (RICARF), Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Esclarecidos esses fatos preliminares, passo a reproduzir o Relatório constante na precitada Resolução: O lançamento deuse face à constatação de omissão de rendimentos recebidos da TELOS e do Comando da Aeronáutica, bem como de omissão de rendimentos de aluguéis. Em sede de impugnação foi alegado que os rendimentos são isentos por ser a contribuinte portadora de Alzheimer e que requereu a isenção a que fazia jus apenas em 2006, apesar de a doença ter sido diagnosticada em 2003 (fl.3). Colacionados documentos (fls. 4/27). A Notificação foi mantida pelo aresto de primeira instância, frisandose que a doença em questão não estava previsto na lei isentiva, e não se adentrando na análise da natureza dos rendimentos percebidos. Observouse, ao final, que os rendimentos de aluguéis não estão abarcados pela isenção em tela. A contribuinte interpôs o recurso voluntário em 16/5/2009, aduzindo, em síntese que há laudos oficiais comprovando a doença diagnosticada desde 2003, dentre eles laudos do SUS que afirma ser federal e que o mal de Alzheimer é conhecido como alienação mental conforme julgado em Tribunais Superiores, juntando documentos. O recurso foi admitido como tempestivo à ocasião da prolação daquela Resolução, porém, verificandose que inexistia qualquer elemento nos autos que permitisse aferir a natureza dos rendimentos declarados pela contribuinte como percebidos da Subdiretoria de Pagamento de Pessoal do Comando da Aeronáutica, CNPJ nº 00.394.429/0082 76 (fls. 25/27), sequer havendo sido juntada cópia da respectiva Dirf pela autoridade lançadora, o julgamento foi convertido em diligência, para fins de que fosse: (...) intimada a contribuinte a juntar o comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte emitido pelo Comando da Aeronáutica, CNPJ nº 00.394.429/0082 76, assim como quaisquer outros documentos que esclareçam a natureza desses Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 rendimentos; no tocante a essa fonte, que seja juntado pela repartição de origem a Dirf na qual a contribuinte em epígrafe conste como beneficiária. (..) Ao final, foi determinado que, após a realização de intimação da contribuinte para se manifestar, se assim desejasse, no prazo de trinta dias, o processo retornasse ao CARF para prosseguimento do julgamento, o que ora se sucede. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10768.005330/200910 Acórdão n.º 2402004.696 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, cabendo transcrever as razões já expendidas pela sua extinta 2ª Turma Especial da 2ª Seção quando da prolação da Resolução nº 2802000.229, as quais passam a integrar a fundamentação do presente julgado: "A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Então, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Assim sendo, cabe afastar desde já a possibilidade de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas serem objeto da norma isentiva, estando então escorreito o lançamento, no particular. Por sua vez, a matéria referente à natureza dos rendimentos não chegou a ser escopo de abordagem específica na decisão atacada, razão pela qual passo a enfrentar primeiramente a controvérsia a respeito da comprovação da condição de portadora de moléstia grave. Consta nos autos à fl. 4 declaração assinada em 16/6/2009 pelo neurocirurgião José Luiz Abbott, CRM nº 19445 RJ, em papel timbrado da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Cabo Frio RJ, atestando que a contribuinte é portadora da doença de Alzheimer CID 10: F100.1, em tratamento clínico, conforme diagnóstico feito em setembro de 2003. Já na folha 5 se apresenta laudo médico emitido pelo Hospital Geral de Bonsucesso em 28/6/2006 sendo este hospital público federal, vinculado ao Ministério da Saúde no qual também é asseverado que a recorrente é portadora da doença de Alzheimer CID 10: F100.1 desde 30/9/2003, com comprometimento importante das atividades e contínua vigilância da família. Cumpre esclarecer que tal CID corresponde à "Demência na doença de Alzheimer de início tardio", sendo que, conforme os Manuais de Perícias Médicas no âmbito do Poder Executivo Federal estabelecem, são necessariamente casos de alienação mental os estados de demência (Portaria Normativa Nº 1174/MD, de 06 de Setembro de 2006 e http://www.servidor.gov.br/seg_social/arq_down/manual_pericia_30012007.pdf). Nesse rumo, é forçoso reconhecer que, estando a alienação mental no rol das moléstias discriminadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88, preenche a interessada a condição de portadora de moléstia grave. Vale anotar que diversos outros elementos de prova carreados nos autos apontam no mesmo sentido, a saber os documentos de fls. 10/15, e 65/70 laudos, atestados, exames, etc. A par disso, é possível concluir do exame dos documentos de fls. 13/19 que os rendimentos percebidos da Telos Fundação Embratel de Seguridade Social têm a natureza de proventos de aposentadoria, o que é condizente com a idade da recorrente, nascida em novembro de 1928 (completando 77 anos no anocalendário 2006). De sua parte, a dúvida concernente ao caráter dos rendimentos declarados pela contribuinte como percebidos da Subdiretoria de Pagamento de Pessoal do Comando da Aeronáutica, CNPJ nº 00.394.429/008276 (fls. 25/27) foi dirimida com a realização da diligência, havendo sido juntados tanto a Dirf dessa fonte pagadora (fl. 87) quanto Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção na Fonte do anocalendário 2006, sendo que neste último consta explicitado que esses rendimentos têm a natureza de pensão (fl. 89). Por conseguinte, tais rendimentos também estão beneficiados pelas disposições isentivas dos. incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713/88, mais acima transcrito. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10768.005330/200910 Acórdão n.º 2402004.696 S2C4T2 Fl. 5 7 Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para fins de cancelar a exigência fiscal no que se refere aos rendimentos recebidos pela contribuinte em 2006 das fontes pagadoras Subdiretoria de Pagamento de Pessoal do Comando da Aeronáutica e Telos Fundação Embratel de Seguridade Social. Ronnie Soares Anderson. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 22/12/20 15 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728046/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157, I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-003.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado ad hoc.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157, I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 80 46 /2 00 9- 11 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 2802003.365 S2TE02 Fl. 141 2 APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE. É de se rejeitar a alegação de nãoincidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado ad hoc. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 2802003.365 S2TE02 Fl. 142 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico e Ronnie Soares Anderson. Ausente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão, razão pela qual fui designado como Redator ad hoc, conforme despacho de fls. 139. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. Tratase de auto de infração (fls. 02 e ss.) relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareça se que se trata de rendimentos recebidos em razão da Lei Estadual baiana de número 8730/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração do contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Registrese que serviram de fundamento à referida Lei Estadual as Ações Ordinárias nos 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 49 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou o contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 2802003.365 S2TE02 Fl. 143 4 (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; (ix) que se trata de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xi) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xii) que o STF fez expedir a Resolução nº 245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais. Em sessão realizada em 18/05/11 pela DRJ/SDR, a turma julgou IMPROCEDENTE a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, afirmando que as diferenças reconhecidas tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial. Quanto ao art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão de o impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 2802003.365 S2TE02 Fl. 144 5 percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. A impugnante destacou que o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV12/2007. Entretanto, a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante. Da mesma forma, a Nota Técnica Cosit nº 4, de 29 de abril de 2009, que subsidiou tal informação, não vincula o presente julgamento, por não se tratar de norma complementar, nos termos do art. 100 do CTN. Quanto à Nota AGU/AV12/2007 mencionada no Parecer PGFN/CAT/nº 179/2009, que conclui pela não incidência de multa no imposto devido pelos servidores do TRE SP, em razão de recebimento da verba referente a URV, cabe observar que se trata de um comando de abrangência restrita, e não uma norma de caráter abstrato que vincule a presente Turma de Julgamento. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Intimado da supramencionada decisão (fls. 97), interpôs tempestivamente o recurso de fl. 98 e ss., repisando argumentos esgrimidos na impugnação, reafirmando a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer que afirma vinculante, acima mencionado, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração do contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para apurarse adequadamente suposto imposto a pagar. É o relatório. Voto Fl. 144DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 2802003.365 S2TE02 Fl. 145 6 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc O Relator originário, Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, está impossibilitado de formalizar o presente acórdão. Tendo sido nomeado ad hoc para formalização do acórdão, registro que não necessariamente concordo com a conclusão ou com os fundamentos do Relator. Reproduzo o conteúdo lido em sessão pelo Relator e disponibilizado no repositório oficial do CARF. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão ao Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado Fl. 145DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 2802003.365 S2TE02 Fl. 146 7 da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que se trata de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República, sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter Fl. 146DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 2802003.365 S2TE02 Fl. 147 8 ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos: “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “(...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “(...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 2802003.365 S2TE02 Fl. 148 9 Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF nº 256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado em 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado ad hoc Fl. 148DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.728046/200911 Acórdão n.º 2802003.365 S2TE02 Fl. 149 10 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/12/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10640.002392/2006-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2201-000.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Heitor de Souza Lima Junior - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Heitor de Souza Lima Junior Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4a Turma da DRJ/JFA (Fls. 107), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.03/08 lavrado pela Fiscalização em 02/10/2006, contra a contribuinte retro identificada, do qual resultou na cobrança do crédito no montante de RS 23.739,50, sendo R$ 9.462,75 de imposto de renda, R$ 9.572,05 de multa proporcional (passível de redução), e R$ 4.704,70 de juros de mora calculados até 29/09/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 02 39 2/ 20 06 -6 3 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.002392/200663 Resolução nº 2201000.201 S2C2T1 Fl. 133 2 O lançamento efetuado, referente aos exercícios financeiros de 2003 e 2004, decorreu da apuração, pela autoridade revisora, de “dedução indevida de dependentes”, “dedução indevida de despesas de instrução” e “dedução indevida de despesas médicas”, ocorridas nos anoscalendário de 2002 e 2003, tudo conforme consta no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do Auto de Infração ora contestado e Termo de Verificação Fiscal de fls.O9/16. Foi aplicada a multa proporcional agravada para 150 % (cento e cinqüenta por cento) sobre a fração do imposto de renda incidente sobre a “dedução indevida de despesas médicas” relativa ao profissional liberal Dr. Marinho de Queiroz Rodrigues, por ter concluído o fiscal autuante que se encontra configurado, em tese, nessa parcela da infração, a ocorrência de crime contra a Ordem Tributária, conforme expresso no Termo de Verificação Fiscal acima mencionado, sendo que a fração restante do imposto de renda foi aplicada a multa proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Em sua peça impugnatória de fls.75/78, com juntada de documentos de fls.79/94, a autuada contesta o lançamento efetuado, quando, após registrar sua concordância com a glosa dos valores relativos ao menor Icaro M Pereíra e do médico Dr. Marinho de Queiroz Rodrigues, argumenta, em síntese, que: 1) Apresenta documentação comprobatória dos pagamentos do Centro Cenecista Educacional de Muriaé, fazendo prova que as importâncias foram pagas através daquela instituição escolar; 2) Não tem a guarda judicial de sua neta Ivine Nantes Jurcak mas “afirmo que a partir do momento de seu nascimento até a data de hoje ela vive sob minha guarda, fato este que aconteceu no momento em que minha filha deu a luz à minha neta com apenas 15 anos de idade”, 3) Apresenta recibo e declaração firmados pelo Dr. José Clóvis Dornelas Cavalher para comprovar os procedimentos odontológicos efetuados por ele; 4) As despesas com instrução são relativas às mensalidades escolares de sua neta. Conforme informação prestada pela ARF/Cataguases/MG no despacho de fls.l02, O imposto de renda incidente sobre a parcela não impugnada do lançamento em foco foi apartado do presente processo. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/JFA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DEPENDENTES. Para a neta, sem arrimo dos pais, ser considerada dependente na declaração de rendimentos da avó, até completar vinte e um anos, é necessário que a declarante~detenha.a sua guarda judicial.. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Mantémse a glosa efetuada pelo Fisco quando o contribuinte, na fase impugnatória, não apresentar provas que invalidem o feito fiscal. DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido à falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.002392/200663 Resolução nº 2201000.201 S2C2T1 Fl. 134 3 por parte do contribuinte, somente há justificativa para seu restabelecimento com a confirmação do efetivo desembolso. Cientificado em 25/08/2010 (Fls. 117), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/09/2010 (fls. 123 e 124), argumentando em síntese: (...) 3. No entanto, em que pese o conhecimento dos ilustres julgadores, a Recorrente manifestase na presente para ver reformado o acórdão no tocante aos valores glosados referentes às despesas médicas com plano de saúde UNIMED, no exercício de 2002. Destacase, desde já, que o presente recurso ataca tão somente a glosa das despesas efetuadas com a UNIMED. de modo que os demais valores estabelecidos no acórdão serão pagos oportunamente. 4. Devese observar, primeiramente, que a decisão ora recorrida considerou “que o fiscal autuante não glosou os pagamento efetuados à UNIMED pela contribuinte” (fl. 107), o que não é verdade, vez que mencionado valor, além de glosado, fora impugnado. 5. Ocorre que, em virtude de terem os i. julgadores considerado que não ocorreu a glosa do pagamento efetuado à UNIMED, a impugnação a tal glosa acabou não sendo apreciada. Certamente o que levou os julgadores a considerar como não glosadas as despesas relacionadas à UNIMED foi a documentação apresentada pela Recorrente, que juntou aos autos prova idônea das despesas realizadas, como declaração do Centro Cenecista Educacional de Muriaé (fl. 88), que demonstra que o pagamento fora feito por meio daquela instituição escolar, bem como relação fornecida pela própria UNIMED, devidamente assinada pelo responsável pela área contábil (cópia autenticada às fl. 89). 7. Se é assim, isto é, se há nos autos do processo em epígrafe prova cabal e inconteste do pagamento das despesas havidas com a UNIMED, jamais poderia ter ocorrido a glosa destes valores. E se houve, por algum equívoco, certamente deve este ser corrigido, sob pena de ser a Recorrente onerada injustamente, sem qualquer suporte fático ou jurídico. (...) É o Relatório. Voto. Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 10640.002392/200663 Resolução nº 2201000.201 S2C2T1 Fl. 135 4 Inicialmente verificase que trata o litígio de dedução indevida de dependentes, dedução indevida de despesas de instrução e dedução indevida de despesas médicas, ocorridas nos anoscalendário de 2002 e 2003. Por ocasião de seu recurso, a contribuinte contestou somente em relação aos valores glosados referentes às despesas médicas com plano de saúde UNIMED. Desta feita, observase que permanece em litígio apenas em relação a referida glosa. Importante observar que a parte incontroversa foi transferida para o processo 18l83.000l53/201000 para prosseguimento da cobrança, conforme informado às Fls. 131. Passo então a analisar o referido litígio. A contribuinte, desde sua impugnação, trata de afirmar que a RFB glosou valores referentes às despesas médicas com plano de saúde UNIMED. Compulsando os autos, às fls.16, verificase que houve a glosa, no entanto, o documento anexado pela Recorrente às fls. 91; que indicaria os dados e valores em litígio encontrase ilegível. Assim, considerando esse fato como óbice para prosseguir com o julgamento, voto por baixar o processo em diligência à unidade de origem, para que se solicite a contribuinte que anexe aos autos documento legível, onde conste a quem se refere os pagamentos e os valores referentes às despesas médicas com plano de saúde UNIMED. Tomadas as providências acima, os autos devem retornar a este Colegiado para apreciação. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/ 02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIM A JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10930.907082/2011-39
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 12/04/2001
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 12/04/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 82 /2 01 1- 39 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.482, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 13992.88244.300605.1.2.048025, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472220). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 561,46, referente ao pagamento efetuado em 12/04/2001, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 13.408,17. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109, do período de apuração de 31/03/2001, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3802004.159 S3TE02 Fl. 93 3 Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 12/04/2001 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3802004.159 S3TE02 Fl. 94 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907082/201139 Acórdão n.º 3802004.159 S3TE02 Fl. 95 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Conclusão Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 16366.000099/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Dec 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.
O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem.
Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva.
Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.
Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação.
Realidade em que foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como insumo de peças de reposição, rolamentos, retentores, mancais, kits de regulagem, e demais peças utilizadas na limpeza, na manutenção e no reparo de máquinas utilizadas no processo de beneficiamento de couros.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 3301-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento integral ao recurso. A Conselheira Semíramis de Oliveira Duro acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. ENQUADRAMENTO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMO NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à concepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Assim, devem ser considerados como insumos os bens utilizados diretamente no processo produtivo (fabril) da empresa, ainda que não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas que guardem estreita relação com a atividade produtiva. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica, e sem base legal, no sentido de dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 00 99 /2 00 8- 04 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo de que trata a legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que foram acostados aos autos elementos suficientes para a caracterização como insumo de peças de reposição, rolamentos, retentores, mancais, kits de regulagem, e demais peças utilizadas na limpeza, na manutenção e no reparo de máquinas utilizadas no processo de beneficiamento de couros. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que dava provimento integral ao recurso. A Conselheira Semíramis de Oliveira Duro acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Curitiba (fls. 165/177), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a parte que não foi reconhecida de seu pedido de ressarcimento de aduzidos créditos do PIS/PASEP relativo ao quarto trimestre de 2007. Por bem descrever os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (n.º 06256.15215.230108.1.1.087893, fls. 02/04)do montante de R$ 141.311,29, referente a créditos da Contribuição para o PIS nãocumulativa, decorrentes Fl. 296DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16366.000099/200804 Acórdão n.º 3301002.674 S3C3T1 Fl. 296 3 das operações da interessada com o mercado externo, relativos ao quarto trimestre de 2007. Valendose do Termo de Diligência Fiscal de fls. 112/121, que explicita as glosas nos valores dos créditos pleiteados pela interessada, a Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina (Saort/DRF/LON) emitiu o Parecer n.º 183/2008 de fls. 123/124 e o Despacho Decisório de fl. 125, com a seguinte decisão: “(...) – DEFERIR PARCIALMENTE o Pedido de Ressarcimento – PER n.º 06256.15215.230108.1.1.087893, de fls. 02/05, e RECONHECER à interessada o direito ao crédito de PIS/PASEP relativo ao 4º trimestre de 2007, no valor de R$ 116.676,02 (cento e dezesseis mil seiscentos e setenta e seis reais e dois centavos) (...)”. Cientificada em 14/04/2008 (AR à fl. 134), a contribuinte encaminhou, em 02/05/2008 por intermédio de procurador (mandato à fl. 140), a manifestação de inconformidade de fls. 135/139, a seguir sintetizada. Inicialmente, faz breve relato sobre os fatos que levaram a emissão do despacho decisório, após o que, sob o título “da justificativa da fiscalização para as glosas efetuadas”, depois de reproduzir o item 10.1.1 do Termo de Diligência Fiscal, onde é descrito que a glosa diz respeito ‘a partes e peças de reposição que não se consomem na ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação’ (fl. 117); sobre isso, diz que há equívoco no procedimento do fisco, assim justificando tal assertiva: “ao admitir apenas as peças de reposição que se consomem na ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, pois as peças de reposição glosadas são consumidas pelo funcionar das máquinas e totalmente indispensáveis sua reposição sob pena de sua paralisação” (fl. 137). À guisa de comprovação, junta cópias de 05 notas fiscais, emitidas entre os anos de 2003 e 2007, que seria uma amostragem das peças que não foram aceitas pela fiscalização, as quais se referem a “rolamentos, retentores, mancal, kits com peças para regular altura do corte do couro de máquinas, dentre outras peças de reposição consumidas na operação das máquinas no preparo de couros.”; quanto a tais documentos fala ainda que as peças adquiridas fazem parte do custo com manutenção de máquinas, e, portanto, não integram o ativo imobilizado. Transcreve, a propósito, trecho da Solução de Consulta n.º 459, de 02/10/2007, emitida no âmbito da 8ª Região Fiscal da RFB, e publicada no DOU de 05/11/1997, bem como o art. 66 da IN SRF n.º 247, de 2002, citado na base legal da referida solução de consulta. Argumenta que o custo total do período entre dezembro/2002 e setembro/2007 atingiu o montante de R$ 4.076.130,52, que multiplicados pelo percentual de 1,65%, propiciaria um crédito de PIS de R$ 67.256,15, mas que, em virtude da glosa, que considera indevida, aquele montante foi reduzido para R$ 2.366.153,56, o que redundou em um crédito de R$ 39.041,53; reafirma que o valor glosado (R$ 28.214,62), diz respeito às partes e peças que foram usadas na manutenção das máquinas, que sem elas não funcionariam. Por fim, pede a reconsideração do despacho decisório, com a concessão do direito ao creditamento do PIS no tocante “às aquisições de peças consumidas pelas máquinas, conforme demonstrado acima, amparado na Fl. 297DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 Solução de Consulta 459/2007 / 8ª RF e na IN SRF n.º 247/2002, art. 66, por ser um direito da contribuinte.”. Não obstante, os argumentos aduzidos pela reclamante não foram acolhidos pela primeira instância, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito de pedido de ressarcimento, é ônus da interessada a comprovação minuciosa da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 02/05/2011 (vide AR de fls. 180), a interessada, em 20/05/2011, apresentou o recurso voluntário de fls. 181/194, onde reitera os argumentos apresentados à primeira instância, e requer, ao final, seja dado provimento ao recurso, com o consequente reconhecimento integral do crédito cujo ressarcimento fora requerido. Alternativamente, requer seja produzida prova pericial para comprovação da aquisição e escrituração dos bens de uso e consumo cujo crédito é pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Amplitude do conceito de insumo diante das atividades exercidas pela suplicante. Conforme relatado, a lide decorre de pedido de ressarcimento do PIS/PASEP do quarto trimestre de 2007, reconhecido apenas em parte pela unidade de origem, e cuja manifestação de inconformidade foi considerada improcedente pela DRJ Curitiba. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16366.000099/200804 Acórdão n.º 3301002.674 S3C3T1 Fl. 297 5 O direito em discussão diz respeito ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, instituído, respectivamente, pelas Lei nos 10.637, de 30/12/2002, e 10.833, de 29/12/2003. Assim, aludido regime de incidência nãocumulativa foi inaugurado em relação ao PIS/Pasep, fruto da Medida Provisória no 66, de 2002, posteriormente convertido na Lei nº 10.637/2002. Os efeitos do regime em tela, alusivos à nãocumulatividade do PIS/Pasep, passaram a atingir os fatos geradores a partir de 1o de dezembro de 2002. Quanto à não cumulatividade da COFINS, objeto da Lei nº 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135/2003), a vigência do regime se deu a partir de 1º de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, de fato, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). As leis em evidência, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem algumas ressalvas ao direito de creditamento em tela1. O inciso II do artigo 3o das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) – nãocumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004 – nãocumulatividade da COFINS –, segundo os quais, para fins de aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, deverão ser assim concebidos, aqueles: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação 1 Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Especificamente sobre o critério adotado pela IN SRF no 404/2004 para a definição de insumo, releva destacar que [...] não é válida a equiparação [à legislação do IPI] realizada pela instrução normativa. A contribuição não incide apenas sobre operações que tenham por objeto produtos industrializados. Tais negócios jurídicos abrangem parte da materialidade da exação, que é muito mais ampla e alcança todos os atos de acréscimo ao patrimônio líquido do contribuinte (receita bruta). Desse modo, a aplicação do conceito de insumo da legislação do IPI gera como efeito prático a limitação da não cumulatividade da contribuição a uma parcela dos fatos tributados, mantendo o efeito cascata em relação às demais receitas auferidas pelo contribuinte. Ao mesmo tempo, compromete de forma irremediável a maior virtude da legislação: a previsão de um conceito amplo de insumo, capaz de garantir uma salutar e indispensável maleabilidade da lei em face do dinamismo da atividade empresarial. Uma restrição dessa natureza somente poderia ser prevista em lei formal, diretamente na Lei no 10.833/2003, inclusive porque, ao reduzir o montante do crédito dedutível, a instrução normativa implica o aumento do valor do tributo devido por meio de analogia, o que é vedado pelo art. 108, § 1o, do Código Tributário Nacional. (SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regimes de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 315) Defende ainda o i. professor que a Lei no 10.833/2003 adotaria “[...] um conceito de insumo claramente ligado à noção de custo de produção prevista de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 13, § 1o; Decreto no 3.000/1999, arts. 290 e 291)”2. Há ainda os que apregoam a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins3, em sintonia com a tese sustentada pela recorrente. Segundo ele, pelo fato de as contribuições em comento alcançarem a receita total das entidades, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Para Marco Aurélio Greco4 os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção 2 ob. cit., p. 315316. 3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 4 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Fl. 300DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16366.000099/200804 Acórdão n.º 3301002.674 S3C3T1 Fl. 298 7 material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS5, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há também outras teses doutrinárias sobre esse que é um dos mais intrincados assuntos relacionados ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Particularmente, no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um posicionamento justo para a lide, entendemos que se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, posição a qual defendemos, muito embora reconheçamos que parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, contudo, não encontra alicerce na legislação pertinente. Quanto ao alcance do conceito de insumo segundo o regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, entendemos que a acepção correta é aquela ligada à essencialidade do bem ou do serviço para o exercício da atividade empresarial: fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou prestação de serviços. Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 5 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 Desde já, afastase a tese da recorrente que procura dar ao conceito de insumo uma amplitude seguindo o parâmetro de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda. Feito o registro concernente ao alcance das normas alusivas ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, passase à análise das demais questões pontualmente aduzidas no recurso. Das glosas de aquisições de bens não considerados como insumos A suplicante tem como objeto social a “industrialização de couros para exportação". Sem dúvida, a natureza da atividade exercida pela interessada é relevante para a caracterização, como insumo, dos custos e despesas apresentados. Segundo o Termo de Diligência Fiscal de fls. 113/122, a glosa ocorreu em parte dos custos aproveitados "[...] tendo em vista que se referem a partes e peças de reposição que não se consomem na ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação [...]" (conf. item 10.1.1.). Vêse, de pronto, que o critério adotado pela autoridade fiscal foi aquele proclamado pela legislação do IPI, adotado pelas instruções normativas SRF nº 247, de 2002 – nãocumulatividade do PIS/Pasep – e 404, de 2004 – nãocumulatividade da COFINS. Tais instruções normativas foram utilizadas como fundamento para a análise do pleito por parte da autoridade fiscal. Mas tendo como norte a essencialidade como pressuposto para a consideração de determinado bem como insumo, entendo que as partes e peças de reposição adquiridas pelo sujeito passivo podem, sim, ser admitidas para fins de creditamento. Em exame dos autos, especialmente dos documentos acostados à manifestação de inconformidade, pude constatar que não há nenhum elemento que desacredite as justificativas apresentadas pela interessada no sentido de que os bens adquiridos pela empresa, acima elencados, devem sim estar relacionados às correspondentes finalidades mencionadas. Num rápido exame das notas fiscais apresentadas com a manifestação de inconformidade (fls. 157/161), verifiquei que as mesmas dizem respeito a aquisições de rolamentos, retentores, mancais, kit regulador, etc. Me parece que tais produtos guardam correlação com a finalidade declarada pela recorrente no recurso voluntário: As Glosas referemse a peças de reposição, rolamentos, retentores, mancal, kits com peças para regular a altura do corte do couro de máquinas, pequenos reparos, mangueiras, correias, limpeza, dentre outras peças de reposição consumidas na operação das máquinas de preparo do couro. Evidentemente, a análise quanto à aplicação dos produtos acima na atividade industrial da interessada, e, portanto, sua possível caracterização como insumo, é superficial, já que este conselheiro não tem conhecimento técnico específico em relação ao processo produtivo de couros. Mesmo assim, entendo que a questão não merece sejam os autos baixados em diligência, uma vez que a premissa adotada pela autoridade fiscal obedeceu aos ditames traçados pelas instruções normativas nos 247/02 (para o PIS/Pasep vide § 5º do artigo 66) e 404/04 (para a COFINS vide incisos I e II do § 4º do artigo 8o), as quais, como vimos, seguem conceituação de insumo demasiadamente restritiva por equiparar sua acepção à que é adotada pela legislação do IPI, o que, conforme defendemos, não é adequado ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 16366.000099/200804 Acórdão n.º 3301002.674 S3C3T1 Fl. 299 9 Assim, diante da fundamentação adotada pela autoridade fiscal, e considerando que o parâmetro aqui adotado é o de dar à acepção de insumo um caráter de essencialidade à concretização da razão de ser do empreendimento, e por fim, fundado nas explicações trazidas pela recorrente e na documentação acostada aos autos, penso que deverão ser admitidos os créditos calculados em relação a peças de reposição, rolamentos, retentores, mancais, kits de regulagem do corte do couro, e demais peças utilizadas na limpeza, na manutenção e no reparo das máquinas utilizadas no processo produtivo. Produtos não utilizados nas especificações acima citadas, ou não escriturados, não deverão ser considerados para fins de apuração do crédito em tela. Da conclusão Com estas considerações, voto para dar provimento em parte ao recurso voluntário interposto pela interessada, reconhecendo o direito creditório sobre os bens escriturados que se caracterizem como peças de reposição, rolamentos, retentores, mancais, kits de regulagem do corte do couro, e demais peças utilizadas na limpeza, na manutenção e no reparo das máquinas utilizadas no processo produtivo. Sala de Sessões, em 08 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 303DF CARF MF Impresso em 29/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 19563.000083/2007-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA.
É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificá-los do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento as recurso voluntário para reconhecer nulidade do lançamento. Vencidos a relatora e os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Junior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Alice Grecchi - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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COOPERATIVA DE TRABALHO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA: RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO EMPRESAS EM GERAL. Recorrente CLEAN SERVICE SERVIÇOS GERAIS LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 56 3. 00 00 83 /2 00 7- 74 Fl. 806DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Acórdão os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento as recurso voluntário para reconhecer nulidade do lançamento. Vencidos a relatora e os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Junior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Alice Grecchi Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19563.000083/200774 Acórdão n.º 2301004.372 S2C3T1 Fl. 807 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Clean Service Serviços Gerais Ltda em face do Acórdão n.º 0113.121 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belém (PA), fl. 681696, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lavrada sob o Debcad no 35.794.3945. De acordo com o relatório fiscal de fl. 199218, e anexos, o lançamento trata de exigência de: 1) contribuições patronais e a cargo dos segurados empregados, devidas à Seguridade Social, inclusive a contribuição destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), incidentes sobre: a) as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, extraídas das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 04/1999 a 12/2004, b) as remunerações aferidas indiretamente pela diferença entre o valor declarado em GFIP e o percentual de 20% das notas fiscais de serviços, no período de 04/2002 a 12/2004, conforme demonstrativo de fls. 219220, c) os valores pagos a título de gratificação natalina, nas competências 13/2002, 13/2003 e 13/2004, extraídos das folhas de pagamento. 2) contribuições da empresa e a cargo dos segurados contribuintes individuais, devidas à Seguridade Social, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos sócios, a título de prolabore, e a outros contribuintes individuais, conforme declarado em GFIP, e valores pagos a título de aluguéis, sob a forma de utilidade, ao sócio Carlos Maurício Carpes Ettinger, no período de 01/2003 a 12/2003, conforme recibos em anexo. 3) contribuição social de responsabilidade da empresa tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra ou empreitada, correspondente a 11% do valor bruto das notas fiscais ou faturas emitidas pela empresa prestadora de serviços Conservadora Atlântica Ltda, no período de 04/2004 a 12/2004, conforme notas fiscais anexas. 4) contribuição social de que trata o art. 22, IV, da Lei 8.212/91, incidente sobre o valor dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, no período de 11/2002 e 03/2003. 5) acréscimos legais sobre contribuições previdenciárias recolhidas em atraso, conforme discriminado no anexo Diferença de Acréscimos Legais (DAL), fls. 170177. Foram arrolados como sujeitos passivos do lançamento tributário, na condição de contribuinte, Clean Service Serviços Gerais Ltda, CNPJ 02.428.026/000160, e na condição de responsável solidário, por integrar grupo econômico de fato, com base no art. 30, IX, da Lei 8.212/91, a empresa Service Brasil Serviços Gerais. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Clean Service Serviços Gerais Ltda foi cientificada do lançamento em 20/10/2005, conforme Aviso de Recebimento dos correios (AR) às fl. 585, e teve ciência da decisão de primeira instância em 16/10/2009, nos termos do AR de fls. 715. Clean Service Serviços Gerais Ltda apresentou impugnação ao lançamento, fls. 582683, contendo os seguintes pontos controvertidos: a) decadência de cinco anos; b) cobrança indevida de contribuições já recolhidas; c) duplicidade de lançamento; d) cerceamento de defesa, e) ilegalidade do arbitramento decorrente da desconsideração de contabilidade idônea; f) ilegalidade do critério do arbitramento; g) não incidência de contribuições sobre o aluguel pago ao sócio, conforme § 9o do art. 214 do RPS/99; h) inconstitucionalidade da contribuição decorrente da retenção de 11% sobre o valor da nota fiscal ou fatura de serviço prestado mediante cessão de mão de obra ou empreitada, i) inconstitucionalidade da contribuição sobre os serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa; j) inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a gratificação natalina (13o salário); k) inconstitucionalidade da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); l) não incidência de contribuição sobre os valores pagos aos contribuintes individuais aposentados pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS); m) não incidência de contribuição sobre os valores pagos aos sócios a título de distribuição de lucros; n) ilegalidade dos juros e da multa progressiva. Requereu a realização de prova pericial, formulando quesitos. A DRJ indeferiu o pedido de perícia e julgou a impugnação parcialmente procedente, excluindo o crédito tributário do período de 04/1999 a 09/2000, em razão da decadência, e as competências 06, 09 e 11/2004, por ter havido comprovação do recolhimento dos valores lançados. Em 10/11/2009, Clean Service Serviços Gerais Ltda interpôs recurso voluntário, fl. 716769, solicitando o cancelamento do crédito tributário e apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são: Alega invalidade do acórdão recorrido, por ter deixado de enfrentar a questão da inexistência de grupo econômico e por ter indeferido o pedido de prova pericial, essencial para a solução da lide; alega também invalidade do lançamento por cerceamento de defesa, em razão da apreensão de seus documentos pela Policia Federal, em procedimento ocorrido na sede do escritório contábil que lhe presta serviços. Alega que são indevidas as exigências das contribuições lançadas nas competências 04/2004, 06/2004, 09/2004 e 11/2004, as quais já foram recolhidas, e que são indevidas as contribuições das competências 01/2003 a 05/2003, lançadas no estabelecimento filial 000322, considerando que o crédito tributário relativo aos fatos geradores desse estabelecimento foram constituídos no lançamento relativo ao estabelecimento matriz. Sustenta que a aferição indireta é ilegal porque possui contabilidade idônea, e que a fiscalização deixou de observar os critérios de arbitramento estabelecidos pelos arts. 602 e 603 da Instrução Normativa SRP 03/2005. Argumenta que o pagamento de aluguel decorre da necessidade do serviço, de modo que não integra o salário de contribuição, e que também não há incidência sobre os fatos mencionados no relatório fiscal, nos itens 3.5.2.1, 3.5.2.5, 3.5.4.1, 3.5.6.3, 3.5.6.4, 3.5.7.2, 3.5.7.1, 3.5.9.2, 3.5.9.3, incluindo transferências entre contas, itens 3.5.1.1, 3.5.1.3, 3.5.2.4, 3.5.5.2, 3.5.6.2, 3.5.7.5. Fl. 809DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19563.000083/200774 Acórdão n.º 2301004.372 S2C3T1 Fl. 808 5 Afirma que não há incidência de contribuições sobre o valor pago a título de aluguel da residência do sócio Carlos Mauricio Ettinger, que decorre da necessidade do serviço, nos termos do art. 214, § 9o, do RPS/99. Alega que a NFLD não especifica as contribuições a cargo dos empregados, nem identifica esses trabalhadores, entendendo ser necessária a realização de diligência para suprir essa omissão. Esclarece que não fez o desconto da remuneração do trabalhador, de modo que não há o que ser repassado ao Fisco. Sustenta que a contribuição relativa à retenção de 11% de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.711/98, só pode ser exigida caso a empresa contratada não tenha efetuado o pagamento das contribuições a seu cargo. Também suscita a inconstitucionalidade e ilegalidade dessa contribuição, por entender que se trata de exigência sem respaldo no art. 128 do CTN e art. 195 § 4o da Constituição Federal. Alega que não cabe retenção das contribuições dos contribuintes individuais aposentados pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Quanto às contribuições devidas sobre a prestação de serviços por cooperados intermediada por cooperativa de trabalho, sobre a gratificação natalina, sobre as remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais de que trata a Lei Complementar 84/96 e a contribuição ao SAT, prevista no art. 22, II, da Lei 8.212/91, entende que são inconstitucionais. Insurgese contra os juros calculados com base na taxa selic e contra a multa progressiva. É o relatório. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Ausência de intimação do Responsável Tributário. Saneamento do Processo No relatório fiscal foi declarada a responsabilidade solidária da empresa Service Brasil Serviços Gerais pelo adimplemento do crédito tributário constituído no presente lançamento, em razão da constatação de existência de grupo econômico, com base no art. 30, IX, da Lei 8.212/91, conforme elementos fáticos caracterizadores de responsabilidade tributária descritos nos itens 7 e 8 do relatório fiscal. Entretanto, não constam, dos autos, o termo de sujeição passiva emitido em face do responsável tributário, nem a prova de que foi intimado acerca da declaração de responsabilidade, a qual foi realizada juntamente com o lançamento, tão pouco a prova de que foi intimado dos atos processuais seguintes, incluindo o acórdão recorrido. Quando a responsabilidade tributária é declarada na fase de constituição do crédito tributário, a pessoa jurídica, desde este momento, revestese da condição de sujeito passivo, por força do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, que define que todo responsável é sujeito passivo tributário, e, nessa condição, é essencial a sua intimação para participar do Processo Administrativo Fiscal (PAF), conforme determina o inciso V do art. 10 do Decreto 70.235/72: Decreto 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: ... V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Este entendimento é adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme consta da Portaria RFB nº 2284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados por seus agentes fiscais, quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária: Portaria RFB 2284/2010 Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19563.000083/200774 Acórdão n.º 2301004.372 S2C3T1 Fl. 809 7 § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. Entretanto, considerando o tempo decorrido desde a constituição do crédito tributário, por cautela, passo a avaliar se neste momento é viável o saneamento do processo, notadamente pela possibilidade de se invocar eventual extinção do direito de a Fazenda Pública cobrar a dívida em face do responsável solidário. Em relação a essa matéria, filiome à corrente que entende que, nos casos de responsabilidade tributária, o marco da contagem do prazo decadencial é a data da ciência do lançamento fiscal pelo sujeito passivo direto, sendo irrelevante, para esse fim, a data da ciência do lançamento pelos responsáveis solidários. É que a responsabilidade tem natureza de relação jurídica de garantia, distinta da relação jurídica decorrente da obrigação tributária, embora a ela seja vinculada. Esse entendimento encontra amparo na regra insculpida no artigo 125, III, do CTN, que dispõe acerca dos efeitos da solidariedade em relação à obrigação tributária e os demais coobrigados. CTN Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais.(grifei) Apesar da norma não mencionar expressamente o instituto da decadência, é certo que também o abrange, considerando a similitude dos efeitos dos institutos da decadência e da prescrição, e, ainda, o fato de o artigo 156 do CTN prever a decadência como uma das causas de extinção do crédito tributário, juntamente com o pagamento, a remissão e a prescrição, todos abarcados pelo artigo 125 do CTN. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Convém registrar que este entendimento é adotado pela doutrina de Luciano Amaro1: Finalmente, cuida o art. 125 dos efeitos da interrupção da prescrição nas obrigações solidárias (item III), estabelecendo que esses efeitos atingem todos os obrigados, ainda que o evento causador da interrupção tenha ocorrido em relação a um deles apenas (v. CC/2002, art. 204, § 1º). Isso significa que o ato de reconhecimento da dívida (art. 174, parágrafo único, IV), feito por um dos devedores solidários, implica a interrupção da prescrição também em relação aos demais devedores solidários. Embora se fale em “prescrição”, o princípio informador da norma deve aplicarse aos prazos extintivos em geral; por exemplo, no que respeita às normas sobre decadência, se o sujeito ativo notifica um dos codevedores, nos termos do art. 173, parágrafo único, e, com isso, dá início ao curso da decadência do direito de lançar, esse prazo deve entenderse aplicável também em relação aos demais devedores solidários. (grifei) Essa tese também é corroborada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça2 que admite a declaração da responsabilidade em momento posterior ao da constituição do crédito tributário, inclusive na fase judicial, mediante redirecionamento da execução fiscal. Ao deixar de intimar todos os responsáveis tributários acerca da sua condição, a Administração Tributária incorreu em vício, por desatender aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, tornando inválidos os atos processuais praticados após o ato viciado, atingindo, por decorrência, o acórdão recorrido e atos posteriores, eis que o Decreto 70.235/72, em seu art. 59, inciso II, confere nulidade às decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Portanto, é inválida a decisão proferida pelo órgão julgador de primeira instância antes da intimação de todos os sujeitos passivos do lançamento, cujo defeito compromete a sua validade por ofensa ao aspecto substancial da garantia do contraditório e ao duplo grau de jurisdição. Conclusão Com base no exposto, voto por anular o Acórdão n.º 0113.121 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belém (PA), cabendo, ao órgão julgador de primeira instância, proferir nova decisão após intimação de todos os responsáveis tributários assim declarados no auto de infração. Luciana de Souza Espíndola Reis 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2012. 2 Cf. Súmula STJ 435: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio gerente. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19563.000083/200774 Acórdão n.º 2301004.372 S2C3T1 Fl. 810 9 Voto Vencedor Conselheira Alice Grecchi, Relatora designada. Com a devida licença da nobre Relatora da matéria, Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, permitome divergir do entendimento acerca da nulidade da decisão de primeira instância a fim de sanar a ausência de intimação dos responsáveis solidários tributários declarados no Auto de Infração. Com efeito, consta do Relatório Fiscal, em fls. 210/2015 (213/218 PDF), declaração de responsabilidade solidária da empresa Service Brasil Serviços Gerais, com fundamento no art. 124, I, par. único, do CTN e art. 30, IX. da Lei nº 8.212/91, bem como dos coresponsáveis pelas empresas, assim declarados coresponsáveis pelo crédito tributário constituído no presente lançamento, conforme excertos extraídos do Relatório, abaixo transcritos: "8.9 DA SOLIDARIEDADE DO GRUPO ECONÔMICO Quanto à solidariedade tributária, que pertine ao tema, tratase de instituto previsto no art. 124 do CTN, recepcionado pelo art. 30, inciso IX da Lei 8.212191, através do qual, o sujeito ativo do crédito tributário pode exigir a satisfação do tributo, tanto do contribuinte, como do responsável tributário, isto porque ambos são solidários, não cabendo a argüição de ordem ou preferência, na exigência fiscal, sobre quem o fisco deve chamar a cumprir a obrigação principal tributária. Por certo que, estando demonstrada a constituição, ainda que informal, do GRUPO ECONÔMICO, entre as empresas, é inegável que presente estará também a solidariedade tributária entre elas, inerente à condição de interesse comum perseguido pelas empresas integrantes do GRUPO, situação patente na relação estabelecida entre elas. [...] Assim, demonstrada a SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA entre as empresas e pelo fato da ação fiscal ter se desenvolvido na empresa Clean Service, está sendo arrolada, e portanto também notificada, como DEVEDORA SOLIDÁRIA, pelos créditos previdenciários lançados a empresa, Service Brasil. O devedor solidário, Service Brasil está sendo responsabilizada e notificada, exclusivamente em relação às contribuições devidas à SEGURIDADE SOCIAL, que são as seguintes : parte do empregado; parte da empresa, diretamente devidas à Seguridade Social e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. 9 DOS CORESPONSÁVEIS PELO DÉBITO Fl. 814DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Os coresponsáveis, encontramse elencados no relatório demonstrativo Relação de Coresponsáveis, anexo a Notificação Fiscal de Lançamento de Debito (NFLD). (grifei)" Da análise dos autos, verificase que não constam dos mesmos, como bem analisou a nobre Relatora, "o termo de sujeição passiva emitido em face do responsável tributário, nem a prova de que foi intimado acerca da declaração de responsabilidade, a qual foi realizada juntamente com o lançamento, tão pouco a prova de que foi intimado dos atos processuais seguintes, incluindo o acórdão recorrido." Desse modo, sendo a responsabilidade solidária declarada na fase dos procedimentos preparatórios da constituição do crédito tributário, revestemse os responsáveis tributários da condição de sujeitos passivos da obrigação, nos termos do art. 121, parágrafo único, II, do CTN, sendo condição essencial a validade do lançamento a intimação de todos, restandolhes abertas as vias administrativas para impugnar o ato, conforme determina o inciso V do art. 10 do Decreto 70.235/72, sob pena de ofensa aos princípios da ampla defesa e contraditório e do devido processo legal. In verbis: Decreto 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Frisase que a cientificação de todos os autuados, a fim de possibilitar que cada um deles apresente impugnação, é entendimento inclusive adotado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Portaria RFB nº 2284, de 29 de novembro de 2010, que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados por seus agentes fiscais, quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, como se verifica no presente caso: Portaria RFB 2284/2010 Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19563.000083/200774 Acórdão n.º 2301004.372 S2C3T1 Fl. 811 11 Parágrafo único. Na hipótese do caput, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. (grifei) A Constituição Federal em seu artigo 5º, inciso LV, traz a garantia expressa do exercício do contraditório e da ampla defesa, tanto no processo judicial quanto no administrativo. A efetiva comunicação à parte interessada de qualquer ato do processo afigura se imprescindível ao exercício do direito garantido constitucionalmente. Desse modo, é dever legal e constitucional da Administração Tributária de proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Inexistindo a perempção para constituição definitiva do crédito tributário, estarseia autorizando que a conclusão do procedimento administrativo tributário perdurasse indefinitivamente. Nesse sentido, cabe transcrever excertos dos comentários ao artigo 173 do Código Tributário Nacional, extraído do Livro do Desembargador Federal Leandro Paulsen, "Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência", 13ª edição, 2011, pag. 1262: Entendendo que o parágrafo único institui prazo de perempção para a constituição definitiva do crédito. "... a postulação de uma interpretação no sentido da inexistência de prazo para a conclusão do procedimento administrativo traz em si três consequências inaceitáveis, quais sejam: a) neutralização de toda a sistemática de prazos, pois estes poucos significariam, especialmente o de prescrição, se o processo administrativo pudesse demorar quinze ou vinte anos, ou mesmo indefinidamente; b) deixar a critério do credor (Fisco) a definição do momento em que tem início o prazo prescricional que correria contra ele próprio; e c) perenização das pendências, pois o contribuinte a rigor não saberia durante quanto tempo ainda poderlheia ser exigido um tributo relativamente a um fato gerador ocorrido no passado, o que atinge o princípio da segurança das relações jurídicas. Por fim, esclareço que, no meu entendimento não pode ser aplicado, ainda que por analogia o art. 125, inciso III, do CTN, vez que no caso de integrar grupo econômico, conforme constatado pelo Fisco, é imprescindível que os contribuintes realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. Assim, por serem solidários, sem direito ao benefício de ordem, o direito de constituir definitivamente o crédito tributário é contado do fato gerador até a ciência do último responsável solidário, o que não ocorreu, de forma que resta fulminado pela decadência. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso para, reconhecer a nulidade do lançamento. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 12 (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Fl. 817DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por ALICE GRECC HI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 16682.720061/2011-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
MULTAS INDEDUTÍVEIS. Necessidade, usualidade e normalidade são conceitos que devem ser observados no registro contábil de despesas, evidenciando-se correta a interpretação de que multas por infrações são indedutíveis, também, na apuração da base de cálculo da CSLL.
PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração.
Numero da decisão: 1101-000.796
Decisão: Acordam os membros do colegiado, 1) em preliminar, por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; e 2) no mérito: 2.1) relativamente às glosas de provisões e multas, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; e 2.2) relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Ricardo da Silva.
Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão.
Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o redator designado para redigir o voto vencedor, José Ricardo da Silva, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto vencedor e do presente Acórdão, o que se deu na data de 11 de setembro de 2015.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Devem ser adicionados ao lucro líquido do período, para fins de determinação da base de cálculo da contribuição social, os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por força de medida judicial. Precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. MULTAS INDEDUTÍVEIS. Necessidade, usualidade e normalidade são conceitos que devem ser observados no registro contábil de despesas, evidenciando-se correta a interpretação de que multas por infrações são indedutíveis, também, na apuração da base de cálculo da CSLL. PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de ofício, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de ofício sobre uma mesma infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, 1) em preliminar, por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; e 2) no mérito: 2.1) relativamente às glosas de provisões e multas, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Junior, Nara Cristina Takeda Taga e José Ricardo da Silva e votando pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro; e 2.2) relativamente à multa isolada por falta de recolhimento de Fl. 525DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 441 2 estimativas, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Ricardo da Silva. Considerando: i) que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão; ii) que a 1ª Turma da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF); e, iii) as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 1ª Câmara/1ª Seção Marcos Aurélio Pereira Valadão que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o redator designado para redigir o voto vencedor, José Ricardo da Silva, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado redator ad hoc responsável pela formalização do voto vencedor e do presente Acórdão, o que se deu na data de 11 de setembro de 2015. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para formalização do acórdão (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Redator "ad hoc" designado para formalização do voto vencedor e acórdão Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice- presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 442 3 Relatório BRASIL VEÍCULOS COMPANHIA DE SEGUROS, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro - I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 19/01/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 6.691.686,17. A exigência aqui veiculada decorre da glosa, na apuração da base de cálculo da CSLL, de despesas correspondentes a tributos exigibilidade suspensa, e decorrentes de multas fiscais não compensatórias e de natureza não tributária. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 125/137, a autoridade fiscal desenvolve extensa argumentação para justificar as glosas promovidas, identificando o alinhamento existente entre a apuração da base de cálculo da CSLL e do lucro real, inclusive no que diz respeito aos princípios de dedutibilidade de despesas e provisões, e interpretando que a referência ao art. 47 da Lei nº 4.506/64 pelo art. 13 da Lei nº 9.249/95 evidencia que os requisitos de dedutibilidade de despesas na apuração do IRPJ foram acolhidos pela legislação pertinente à CSLL. Reportou-se, ainda, à Instrução Normativa SRF nº 390/2004, a decisões em processos de consulta e a jurisprudência administrativa, destacando que os tributos com exigibilidade suspensa têm o caráter de provisão. Além de promover a glosa dos referidos valores na apuração anual de 2007 e 2008, a autoridade lançadora impondo o regime de competência às glosas de despesa apuradas neste procedimento, aplicou multa isolada sobre as estimativas que restaram devidas mensalmente. Impugnada a exigência, foi ela integralmente mantida pela autoridade julgadora de 1 a instância, em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. INDEDUTIBILIDADE. Os tributos e contribuições com exigibilidade suspensa são indedutíveis da base de cálculo da CSLL. CSLL. MULTAS INDEDUTÍVEIS. Aplica-se à CSLL o mesmo critério de indedutibilidade de multas utilizado na apuração do IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. REDUÇÃO/SUSPENSÃO INDEVIDA. Incide a multa isolada sobre as estimativas mensais de CSLL indevidamente reduzidas ou suspensas Fl. 527DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 443 4 Cientificada da decisão de primeira instância em 12/05/2011 (fl. 381), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 10/06/2011 (fls. 383/399. Invoca posicionamento da 3 a Turma Ordinária desta 1 a Câmara que, em sessão de 06/07/2010, entendeu que os valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa, por força de decisão judicial, devem ser contabilizados como despesas incorridas e não meras provisões. No mesmo sentido também já teria se manifestado esta 1 a Turma, consoante expresso na ementa que reproduz do Acórdão nº 1101-00.178. Opõe-se à aplicação da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, na medida em que ela inovou e criou novas exigências não previstas em lei, e também discorda da aplicação do art. 41 da Lei nº 8.981/95, válido apenas em relação à apuração do IRPJ. Quanto às multas, assevera que foram em sua maioria aplicadas por órgãos como a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e pelo PROCON, sendo, evidentemente, despesas dedutíveis no âmbito da CSLL, na medida em que a prática contábil não veda seu registro. Ademais, a acusação seria superficial neste ponto. Discorre sobre a distinção da sistemática de apuração do IRPJ e da CSLL, observando que esta contribuição tem por referência o lucro contábil, e reporta-se a doutrina e jurisprudência para evidenciar a impossibilidade de se transportar, para a apuração da CSLL, restrições previstas para a apuração do lucro real. Aponta a manifesta ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 390/04, em especial de seus arts. 3 o , 56 e 57, que pretenderam aplicar normas de apuração do IRPJ à CSLL sem base legal, providência condenada reprovada por extensa doutrina e jurisprudência que transcreve. Assevera que o auto de infração seria nulo porque fundamentado em dispositivos inaplicáveis à hipótese, tais como o art. 41 da Lei nº 8.981/95. Observa que a autoridade fiscal teve amplo acesso às informações necessárias para o lançamento, e que não poderia agir como fez, na esperança de que a falha defesa do sujeito passivo termine por tornar líquida e certa, pela omissão ou impossível prova negativa, a matéria tributável. Aborda, por fim, a conseqüente improcedência da cobrança da multa isolada, mas também faz referência à jurisprudência administrativa contrária à sua aplicação concomitante com a multa de ofício proporcional. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 444 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente, tem razão a recorrente quando observa que o art. 41 da Lei nº 8.981/95 tem efeitos, apenas, na apuração da base de cálculo do IRPJ, não se prestando o art. 57 da mesma lei a ampliar seus efeitos, de modo a alterar a apuração da base de cálculo da CSLL. De toda sorte, tal referência é insuficiente para ensejar a nulidade do lançamento, pois há outros fundamentos legais coerentes com a motivação fática desenvolvida pela autoridade lançadora, cabendo apenas apreciar se, no mérito, esta fundamentação é hábil à manutenção da exigência. Por estas razões, REJEITA-SE a arguição de nulidade do lançamento. O presente lançamento tem por fundamento o art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, que assim dispõe: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I - de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; [...] (negrejou-se) A recorrente invoca posicionamento da 3 a Turma Ordinária desta 1 a Câmara que, em sessão de 06/07/2010, entendeu que os valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa, por força de decisão judicial, devem ser contabilizados como despesas incorridas e não meras provisões. Trata-se do acórdão nº 1103-00.261, proferido nos autos do processo administrativo nº 16327.000628/2005-85, de cuja ementa extrai-se: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – DEDUTIBILIDADE Provisão passiva representa urna obrigação incerta, ou certa mas ilíquida. O ato legal, a lei, tem presunção de constitucionalidade e de legitimidade. A obrigação ex lege tributária desfruta desse atributo e só com o trânsito em julgado favorável ao contribuinte têm-se derruídas a certeza e a liquidez: obrigação tributária com exigibilidade suspensa não traduz contabilmente uma provisão, mas um contas a pagar - diversamente, por ex., de um passivo relativo a uma reclamação trabalhista ainda em curso. As interpretações literal, lógica e sistemática conduzem à exegese de que as despesas com tributos com exigibilidade suspensa permanecem dedutíveis, para a determinação da base de cálculo da CSLL. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 445 6 No voto condutor do referido acórdão, o I. Conselheiro Eric Castro e Silva adotou as razões de decidir do I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata, no julgamento do processo administrativo nº 16327.001969/2006-59 (Acórdão nº 1401-00.058), nas quais ele observa que provisão representa uma obrigação incerta ou certa mas ilíquida, e que a obrigação tributária, em razão da presunção de constitucionalidade e de legitimidade da lei, é certa e líquida enquanto não se der o trânsito em julgado favoravelmente ao contribuinte, o qual, em verdade, exige a reversão do passivo antes contabilizado. Discorda, assim, que o fato de se ingressar com ação judicial contra certa lei tributária ou contra a legalidade de uma obrigação tributária transforme o passivo representativo desta obrigação em provisão, e afirma o acerto o item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, aprovado pela Deliberação CVM nº 489/2005. Referido Pronunciamento assim estabelece no Sumário que integra seu Anexo I: DEFINIÇÕES 6. Os termos a seguir são utilizados nesta NPC com os seguintes significados: (...) ii. Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos. O termo provisão também tem sido usado no contexto de contas retificadoras, como depreciações acumuladas, desvalorização de ativos e ajustes de valores a receber. Esses ajustes aos valores contábeis de ativos não são abordados nesta NPC. iii. Provisões derivadas de apropriações por competência são passivos por mercadorias ou serviços que foram recebidos ou fornecidos, mas que não foram faturados ou acordados formalmente com o fornecedor, incluindo montantes devidos a empregados (por exemplo, os montantes relativos à provisão para férias), os devidos pela atualização de obrigações na data do balanço, entre outros. Embora às vezes seja necessário estimar o valor ou o tempo das provisões derivadas de apropriações por competência, o que poderia assemelhar-se conceitualmente a uma provisão, a diferença básica está no fato de que as provisões derivadas de apropriações por competência são obrigações já existentes, registradas no período de competência, sendo muito menor o grau de incerteza que as envolve. [...] vi. Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. [...] Ocorre que os conceitos de provisão e obrigação legal podem se tocar e se confundir em determinadas circunstâncias. O próprio Pronunciamento acima referido cogita desta possibilidade ao assim estabelecer, também no Anexo I: Provisões 10. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a. uma entidade tem uma obrigação legal ou não formalizada presente como conseqüência de um evento passado; b. é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e Fl. 530DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 446 7 c. o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. Se qualquer uma dessas condições não for atendida, a provisão não deve ser reconhecida. É importante notar, por outro lado, a diferença existente entre provisões e outros passivos e contingências passivas, conforme os itens 7, 8 e os exemplos no Anexo II a esta NPC, notadamente aqueles incluídos no item 4. No presente caso, as decisões judiciais favoráveis à contribuinte afetam não só o direito do Fisco de exigir o crédito tributário, mas também suspendem a obrigação legal da contribuinte de pagá-lo. Há não só incerteza quanto ao seu recebimento por parte do Fisco, como também em relação ao seu pagamento por parte da contribuinte. Daí a possibilidade, como citado no voto do I. Conselheiro Marcos Shigueo Takata, de reversão deste passivo ao final do litígio judicial, prática comum no âmbito das provisões. Caso se tratasse de uma obrigação legal, líquida e certa, a decisão judicial final favorável ao contribuinte ensejaria o reconhecimento de uma receita por insubsistência passiva, semelhante a um perdão de dívida, e não mera reversão de provisão. Quanto ao referido item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, não se vislumbra, ali, um reconhecimento explícito de que tributos com exigibilidade suspensa por decisão judicial seriam qualificados como obrigação legal e não como provisão. Veja-se: ANEXO II EXEMPLOS DE TRATAMENTO A SER DADO ENVOLVENDO CONTINGÊNCIAS ATIVAS E CONTINGÊNCIAS PASSIVAS O objetivo deste anexo é auxiliar no entendimento da NPC sobre Provisões, contingências ativas e contingências passivas e deve ser lido no contexto completo da NPC, não devendo ser considerado isoladamente. [...] 4. Tributos a. A administração de uma entidade entende que uma determinada lei federal, que alterou a alíquota de um tributo ou introduziu um novo tributo, é inconstitucional. Por conta desse entendimento, ela, por intermédio de seus advogados, entrou com uma ação alegando a inconstitucionalidade da lei. Nesse caso, existe uma obrigação legal a pagar à União. Assim, a obrigação legal deve estar registrada, inclusive juros e outros encargos, se aplicável, pois estes últimos têm a característica de uma provisão derivada de apropriações por competência. Trata-se de uma obrigação legal e não de uma provisão ou de uma contingência passiva, considerando os conceitos da NPC. Em uma etapa posterior, o advogado comunica que a ação foi julgada procedente em determinada instância. Mesmo que haja uma tendência de ganho, e ainda que o advogado julgue como provável o ganho de causa em definitivo, pelo fato de que ainda cabe recurso por parte do credor (a União), a situação não é ainda considerada praticamente certa, e, portanto, o ganho não deve ser registrado. É de se ressaltar que a situação avaliada é de uma contingência ativa, e não de uma contingência passiva a ser revertida, pois o passivo, como dito no item anterior, é uma obrigação legal e não uma provisão ou uma contingência passiva. [...] c. Ao obter decisão final favorável sobre um ganho contingente, a entidade deverá observar o momento adequado para o seu reconhecimento contábil. Não havendo mais possibilidades de recursos da parte contrária, o risco da não-realização do Fl. 531DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 447 8 ganho contingente é considerado "remoto", e, portanto, a entidade deve reconhecer contabilmente o ganho quando a decisão judicial final produzir seus efeitos, o que ocorre, normalmente, após a publicação no Diário Oficial. Isso significa dizer que, a partir desse momento, o ganho deixará de ser contingente e se tornará um direito da entidade. Antes do registro do ganho contingente, porém, e periodicamente após seu registro, a administração da entidade deve avaliar a capacidade de recuperação do ativo, uma vez que a parte contrária pode tornar-se incapaz de honrar esse compromisso, ou pode ser que sua utilização futura seja incerta. No primeiro contexto, abordado no item “a”, observa-se que, embora proposta uma ação judicial, nada se fala da existência de decisão hábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. O mesmo ocorre na seqüência do desenvolvimento do exemplo, no qual a análise tem em conta, apenas, decisões judiciais ainda não definitivas, sem qualquer referência acerca da eficácia imediata destes atos judiciais. Em tais condições, não há dúvida que o tributo devido representa uma obrigação legal da contribuinte, passível de exigência a partir de seu vencimento, e que pode vir a constituir um ganho futuro, caso haja certeza suficiente do sucesso da interessada na ação judicial proposta. Aqui, porém, a incerteza está presente ante a existência de decisões judiciais hábeis a suspender a exigibilidade do crédito tributário, impedindo, por prazo indeterminado, que o Fisco receba ou execute seu direito que decorreria do fato gerador praticado. Acrescente-se que em nada favorecem a recorrente os esclarecimentos trazidos na Interpretação Técnica IBRACON nº 02/2006, que teve por objeto o Pronunciamento IBRACON NPC nº 22. Do trecho no qual o referido ato reporta-se ao primeiro contexto abordado no item 4 do Anexo II do referido Pronunciamento, destaca-se: Nesse caso, enquanto vigorar a lei, existe uma relação jurídica que estabelece uma obrigação legal entre o contribuinte e a União. Em razão da existência dessa relação jurídica, os respectivos efeitos produzidos pela vigência da norma devem ser registrados contabilmente como contas a pagar. A obrigação legal, anteriormente descrita, somente deixará de existir quando a relação jurídica que a originou deixar de produzir, definitivamente, os efeitos que lhe são pertinentes. Essa relação jurídica terminará quando houver decisão definitiva acerca de sua inconstitucionalidade proferida em instância competente, ou caso haja o seu efetivo cumprimento por meio de pagamento ou outra forma de extinção da obrigação tributária. Note-se que a suspensão da exigibilidade do pagamento da obrigação tributária, provocada por meio de recursos legais iniciados pela entidade, não afeta a existência dessa obrigação. A obrigação legal existe, mas não é, no momento, exigível. Ocorre que não está em discussão a existência da obrigação, mas sim a sua certeza que decorre, justamente, de sua exigibilidade. Como dito, o passivo deve ser contabilizado, é originariamente uma obrigação legal, mas a retirada de um de seus atributos relevantes, que é a exigibilidade, altera sua natureza para provisão, e enseja a sua indedutibilidade no âmbito da apuração da CSLL. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 448 9 Pertinente a transcrição de excertos do voto da I. Julgadora Denise Freire Lorenzoni em decisão de 1 a instância proferida nos autos do processo administrativo nº 16327.720407/2010-94, atacada por recurso voluntário também distribuído para relatoria desta Conselheira: Oportuno transcrever, neste ponto, doutrina invocada na decisão recorrida, extraída do Manual de Contabilidade Societária, da FIPECAFI, ed. Atlas, 2010, cap. 19 (Provisões, passivos contingentes e ativos contingentes), p.p. 339/341. Os autores dessa obra, manifestando-se precisamente sobre o exemplo 4-a do Anexo II da NPC 22 do Ibracon, consignam que: Ao afirmar que se trata o caso de uma obrigação legal e não de uma provisão, foi criada, no nosso entender, uma ideia inexistente na norma: a de que uma obrigação de natureza legal não pode ser reconhecida como provisão, ou então não pode ser considerada de natureza possível ou remota, e sim tem que, obrigatoriamente, ser registrada como passivo líquido e certo, a pagar, independentemente da característica de probabilidade de desembolso futuro. E isso contraria frontalmente o texto da própria norma, como já visto. Isto porque, na introdução do tema, os autores comparam o Pronunciamento IBRACON NPC nº 22 com o entendimento expresso pelo IASB e assim concluem: Em primeiro lugar, a NPC deriva da IAS 37 emitida pelo IASB, e esta não contém o referido exemplo, e ele não se coaduna, no nosso julgamento, com o conteúdo das próprias normas, nem com a NPC 22 e nem com a IAS 37. No corpo da IAS 37 não há qualquer distinção entre "obrigação legal" e "obrigação não formalizada" (constructive obligation) para fins de reconheci- mento de uma provisão. Veja-se na parte inicial relativa às Definições, dentro do § 6a-, da NPC 22: “(v) Um passivo é uma obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. (vi)Uma obrigação legal é aquela que deriva de um contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos), de uma lei ou de outro instrumento fundamentado em lei. (vii)Uma obrigação não formalizada é aquela que surge quando uma entidade, mediante práticas do passado, políticas divulgadas ou declarações feitas, cria uma expectativa válida por parte de terceiros e, por conta disso assume um compromisso.” A partir dessas três definições pode-se construir que: "Um passivo é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade." Ainda nas definições, há o conceito de provisão: "(ii) Uma provisão é um passivo de prazo ou valor incertos." Substituindo a definição de passivo nessa da provisão, chega-se então a: "Uma provisão é uma obrigação legal ou uma obrigação não formalizada presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, de prazo ou valor incertos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos." Nestes termos, portanto, obrigação legal não é um conceito excludente de provisão. É possível que uma obrigação legal represente uma provisão, caso seja incerto, como no presente caso, o prazo para seu pagamento. Logo, o fato de a doutrina mencionada afirmar que compete à administração da companhia avaliar a situação na qual está inserida e fazer refletir da melhor forma essa avaliação em suas Fl. 533DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 449 10 demonstrações é irrelevante para alterar a natureza atribuída ao passivo aqui em debate. Acrescente-se, ainda, a conclusão do outro texto doutrinário citado na decisão recorrida, elaborado por Ricardo Mariz de Oliveira (“O Alcance e o Sentido Sistemático da lndedutibilidade dos Depósitos de Tributos em Processos Fiscais – A Dedutibilidade dos Depósitos em Processos de Consignação em Pagamento”, in Direito Tributário Atual- volume 12 IBDT-USP e da Resenha Tributária, 1995): [...] E nenhuma lógica existe na atitude do contribuinte, de dizer que não deve o tributo quando vierem lhe cobrar, mas dizer na contabilidade que o deve, assim como na declaração de rendimentos para deduzi-lo fiscalmente. Num primeiro momento ele opõe ao fisco suas razões para não reconhecer o débito, e num momento seguinte, que deveria ser conseqüente, ele, inconseqüentemente, opõe ao fisco o direito de deduzir o tributo, que só existe se este for devido. [...] Assim, se o contribuinte não reconhece o débito não deve registrá-lo pura e simplesmente como uma despesa a pagar, como o faria em circunstâncias normais. O que ele deve fazer é registrar o risco em reserva ou provisão, que é indedutível. [...] O essencial, portanto, dentro dos preceitos relativos ao chamado "regime de competência", é que a dúvida lançada sobre o débito redunda em reserva ou provisão indedutível, e não em conta de despesa devida e a pagar, correspondente à despesa fiscalmente dedutível. A recorrente também se reporta a julgamento favorável à sua tese, contido no Acórdão nº 1101-00.178, ainda não disponível nos sistemas de consulta do CARF. Transcreve o seguinte excerto atribuído àquele julgamento: “Na apuração de tributos o regime da competência é fator principal e no regime do Código Tributário Nacional, além de elemento necessário o fato gerador ocupa a posição de elemento suficiente para a existência da obrigação tributária. Desta forma, é responsabilidade do passivo da empresa o tributo o qual esta suspensa sua exigibilidade pelo judiciário, não sendo apenas uma provisão de riscos. Com isto, a aplicação da norma do artigo 13, I da Lei 9.249/95 acabou ficando prejudicada. De outra forma, a ampliação das regras de apreciação do IRPJ para a CSLL (artigo 57 da Lei 8.981/95) só se aplicaria a regras gerais, que contivessem todos gastos e todos os ganhos, mas não para regras específicas (com resultado garantido no aumento dos tributos), e que prenunciada unicamente par ao IRPJ, nos termos do artigo 42 da Lei 8.981/95. Como já dito, não está em debate, aqui, a ampliação das regras de apuração do IRPJ, com fundamento no art. 57 da Lei nº 8.981/95, mas, tão só, a definição da natureza do registro contábil de despesas de tributos com exigibilidade suspensa. Por sua vez, a norma tributária não precisa submeter-se, necessariamente ao regime de competência contábil, pois o legislador pode opor-se à redução do tributável por despesas que a norma contábil orienta, especialmente por conta do princípio do conservadorismo, assim como pode considerar não tributável receitas que juridicamente já foram auferidas pelo sujeito passivo, mas sem a disponibilidade financeira considerada suficiente para incidência tributária. Aliás, boa parte das adições e exclusões definidas para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL têm por objetivo, justamente, afastar o regime de competência para somente admitir o impacto, Fl. 534DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 450 11 no âmbito tributário, de despesas e receitas com maior efetividade. Assim, demonstrado que tributos com exigibilidade suspensa revestem a natureza de provisão, ante a incerteza inerente nestes casos, não há porque negar a aplicação do dispositivo legal que veda sua dedução na apuração da base de cálculo da CSLL. Acrescente-se que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão unânime e posterior ao Acórdão nº 1401-00.058, posicionou-se contrariamente à pretensão de contribuinte autuada, consoante expresso na ementa do Acórdão nº 9101-00.592: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 1998, 1999, 2000 Ementa: CSLL. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzir-se em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Do voto condutor do I. Conselheiro Claudemir R. Malaquias extrai-se: O entendimento que tem se firmado neste Conselho é de que os tributos que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, devem ser provisionados contabilmente, não se confundindo, portanto, com o registro de despesas incorridas. Os tributos cuja exigibilidade esteja suspensa por uma das hipóteses previstas no citado art. 151 devem ser contabilizados pelo regime de caixa, ou seja, considerados como despesa somente por ocasião de seu efetivo pagamento. Enquanto provisão, está vedada a sua dedução na apuração da base de cálculo de qualquer tributo, devendo, portanto, neste caso, serem integralmente adicionadas à base de cálculo da CSLL. Afinal, este é o disciplinamento previsto no art. 41, § 1 o da Lei nº 8.981/95 e no art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95. Este posicionamento foi muito bem apresentado no voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortês, a quem peço vênia para sua transcrição: "(..) Entretanto, ao que pese o argumento despendido pela contribuinte, entendo que ó mesmo não tem como prosperar, até porque, se a mesma entendesse que o crédito tributário questionado judicialmente era devido, não teria se aventurado a uma demanda judicial morosa e infrutífera. Se o fez, é porque entendia que as leis que instituíram ou majoraram as obrigações questionadas, traziam em seu bojo flagrantes ilegalidades e inconstitucionalidades, e sendo assim, não há o que se falar em contas a pagar, até porque, tal obrigação nasce de modo incondicional, ao passo que as características dos tributos com exigibilidade suspensa, são obrigações fiscais condicionadas à exigência futura e incerta. Portanto, por configurar uma situação de solução indefinida a data do encerramento do ano-calendário a que se refere, dependente de eventos futuros que poderão ou não ocorrer, subsume-se a uma situação de contingência que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa Fl. 535DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 451 12 jurídica, ou seja, à época do balanço, tal ganho ou perda é apenas potencial, não representando, evidentemente, uma obrigação incondicional. (...) Logo, decorre dai a necessidade da formação da provisão para o registro contábil dos tributos com exigibilidade suspensa em função de sua contingência passiva em exercício futuro, cujos, valores, apropriados como despesa no ano-calendário, devem ser adicionados ao lucro liquido para fins de apuração do lucro real, bem como para a determinação da base de cálculo da CSLL, por força do disposto no art. 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95. Nesta linha de argumentação, deve-se asseverar ainda que não encontra guarida no melhor direito a alegação da recorrente (fls. 369) no sentido de que a indedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa aplicar-se-ia, exclusivamente, à determinação do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e não à CSLL. Com efeito, pelo disposto no art. 13, inciso I da Lei nº 9.249/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro restou vedada a dedução de quaisquer provisões. Nestas estão incluídas aquelas constituídas em função de tributo com exigibilidade suspensa, excetuando-se apenas as provisões para pagamento de férias e décimo-terceiro salário e as provisões técnicas exigidas pela legislação especial de determinadas instituições. Da análise efetuada, conclui-se com o mesmo entendimento do acórdão recorrido que decidiu pela impossibilidade de ser deduzida da base de cálculo da CSLL a parcela relativa às contribuições para o PIS objeto de questionamento judicial e com exigibilidade suspensa. A dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Correta, portanto, a glosa dos tributos com exigibilidade suspensa que afetaram a apuração da base de cálculo da CSLL no período autuado. No que tange à glosa de multas por infrações, a autoridade fiscal alinha a apuração da base de cálculo da CSLL e do lucro real, no que diz respeito aos princípios de dedutibilidade de despesas e provisões. Entende que o art. 47 da Lei nº 4.506/64 é aplicável, também, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, e ressalta que esta interpretação foi adotada pela Instrução Normativa SRF nº 390/2004, que reconheceu a necessidade de adição, à base de cálculo da CSLL, das multas fiscais não compensatórias e as multas de natureza não tributária. A recorrente afirma que a acusação é superficial neste ponto, mas, do relato fiscal, resta claro que a glosa das multas se deu em razão do entendimento de que tais despesas não são necessárias, usuais e normais, na forma do art. 47 da Lei nº 4.506/64, fundamento implícito da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, que assim dispõe: Art. 56. Não são dedutíveis, como custo ou despesas operacionais, as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Art. 57. As multas impostas por transgressões de leis de natureza não tributária são indedutíveis como custo ou despesas operacionais. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 452 13 A recorrente alega que as multas foram em sua maioria aplicadas por órgãos como a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e pelo PROCON, sendo, evidentemente, despesas dedutíveis no âmbito da CSLL, na medida em que a prática contábil não veda seu registro. Todavia, este não é o entendimento defendido, por exemplo, por Ricardo Mariz de Oliveira, em sua obra Fundamentos do Imposto de Renda, São Paulo: Editora Quartier Latin, 2008, p. 978/979. Diz o referido autor: Muito embora as despesas indedutíveis para fins do IRPJ somente sejam também indedutíveis para fins da CSL se a lei sobre esta contribuição assim o determinar, é exigido que as despesas em geral sejam efetivamente integrantes do lucro líquido, vale dizer, elas não podem ser despesas estranhas à empresa. E claro, também, que essas despesas devem ser comprovadas e contabilizadas, para que possam ser verificadas como despesas típicas da empresa e possam compor o lucro líquido, que é o ponto inicial para a determinação da base de cálculo da CSL. Neste sentido, pode-se recorrer subsidiariamente ao conceito de "despesas necessárias" constante do art. 47 da Lei n. 4506, de 30.11.1964, explicado na referida seção XII.5, que, como visto, é norma de explicitação do conceito de "lucro" ou dele derivada. Igualmente se pode recorrer ao que lá está dito em geral quanto à comprovação (embora algumas regras especiais sobre esta sejam relativas apenas ao IRPJ) e à contabilização, e também quanto à distinção entre custos e despesas. Refletindo as características essenciais das despesas dedutíveis da base de cálculo da CSL, o acórdão n. 108-06301, de 29.11.2000, da 8 a Câmara do 1 o Conselho de Contribuintes, manifestou o entendimento de que, muito embora a lei distinga despesas que somente são indedutíveis para fins do imposto de renda, as despesas em geral, para serem deduzidas do lucro líquido tributável pela CSL, devem ser efetivas e comprovadas, entendendo que devem elas ser dotadas das características de despesas necessárias segundo as exigências do art. 47 da Lei n. 4506. Não obstante, a jurisprudência administrativa predomina no sentido de dizer que a norma do art. 47 não é aplicável à CSL toda vez que a dedutibilidade de alguma despesa é questionada com base nele. São muitos os julgados neste sentido9. Assim, é possível o entendimento de que uma despesa que não reúna os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade não deveria, sequer, estar registrada contabilmente, quanto mais afetar o lucro tributável. Não é razoável exigir que o legislador fixe expressamente a indedutibilidade de todos os valores desvinculados da atividade do sujeito passivo. Válida, portanto, a interpretação veiculada nos arts. 56 e 57 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, bem como a interpretação adotada no presente lançamento, devendo ser mantida a glosa de multas indedutíveis. Por fim, quanto à multa isolada, trata-se de penalidade imposta aos contribuintes que, optando pela apuração anual do lucro real, deixem de recolher estimativas ao longo do ano-calendário. Sua aplicação é cabível durante e depois de encerrado o ano- calendário, na medida em que não se confunde com o crédito tributário devido no ajuste anual, sendo irrelevante, inclusive, se o ajuste anual se mostra inferior à soma das estimativas devidas mensalmente. Constatado o descumprimento daquela obrigação acessória, é devida a penalidade aqui exigida, não se verificando cumulação com a multa de ofício, devida em razão da falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 453 14 Diante do exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 538DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16682.720061/2011-66 Acórdão n.º 1101-000.796 S1-C1T1 Fl. 454 15 Voto Vencedor Tema: Multa isolada JOSÉ RICARDO DA SILVA – Redator designado. PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Considerando que o redator designado para redigir o voto vencedor, José Ricardo da Silva, não mais integra o quadro de Conselheiros do CARF, este Conselheiro, nos termos do artigo 17, inciso III, do RICARF, foi designado ad hoc para a formalização do presente Acórdão e redação do voto vencedor na parte em que restou vencida a I. Relatora. Tendo em vista não constar dos autos quaisquer informações acerca das razões de decidir do Conselheiro originalmente designado e que o levaram a prover o recurso voluntário em relação à imposição da multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais, este Redator ad hoc adotará a posição estampada na ata da sessão em que foi realizado o julgamento para consecução do voto vencedor, consignando, porém, que o faz meramente para efeito de formalização do Acórdão e que não está vinculado a nenhuma das posições manifestadas pelos conselheiros que participaram e votaram na sessão, com as quais pode ou não concordar em situações concretas. Pois bem, como se vê no extrato da ata, o Conselheiro discordou da Relatora e da decisão recorrida, dando provimento ao recurso voluntário de modo a afastar a aplicação da chamada multa isolada, seguindo linha de pensamento oposta à da relatora e da decisão da DRJ. Neste trilho, FOI DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à matéria “MULTA ISOLADA” decorrente de falta ou insuficiência de recolhimentos de estimativas mensais. JOSÉ RICARDO DA SILVA – Redator designado. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Redator “Ad Hoc” designado. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado dig italmente em 11/09/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Relatório Voto
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Numero do processo: 13053.000269/2005-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA AVÍCOLA.
A indumentária de uso obrigatório na industria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins.
CRÉDITO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS.
O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofins.
CRÉDITO. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA APLICADA NA PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO DE BENS.
Os valores pagos a outra pessoa jurídica em decorrência da locação de mão-de-obra aplicada na produção ou na fabricação de bens destinados à venda geram direito a créditos da Cofins, desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência.
CRÉDITO. OUTRAS DESPESAS.
Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, para reconhecer o direito ao crédito relativo às despesas com aluguel de guincho e indumentária; por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito relativo às despesas com locação de mão-de-obra. Vencidos, nessa parte, os conselheiros Walber José da Silva (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó; pelo voto de qualidade, não se reconheceu o direito ao crédito relativo às despesas com estivas e capatazia na exportação. Vencidos, nessa parte, os conselheiros Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor quanto ao crédito das despesas com locação de mão de obra.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INDUMENTÁRIA. INDÚSTRIA AVÍCOLA. A indumentária de uso obrigatório na industria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito do PIS/Cofins. CRÉDITO. ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS. O dispêndio realizado com o aluguel de equipamento utilizado em qualquer atividade da empresa dá direito ao crédito do PIS/Cofins. CRÉDITO. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA APLICADA NA PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO DE BENS. Os valores pagos a outra pessoa jurídica em decorrência da locação de mão deobra aplicada na produção ou na fabricação de bens destinados à venda geram direito a créditos da Cofins, desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência. CRÉDITO. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 02 69 /2 00 5- 35 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 313 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: por unanimidade de votos, para reconhecer o direito ao crédito relativo às despesas com aluguel de guincho e indumentária; por maioria de votos, para reconhecer o direito ao crédito relativo às despesas com locação de mãodeobra. Vencidos, nessa parte, os conselheiros Walber José da Silva (relator) e Maria da Conceição Arnaldo Jacó; pelo voto de qualidade, não se reconheceu o direito ao crédito relativo às despesas com estivas e capatazia na exportação. Vencidos, nessa parte, os conselheiros Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor quanto ao crédito das despesas com locação de mão de obra. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da COFINS (formulário instituído pela IN SRF n° 460, de 2004) relativo ao terceiro trimestre de 2005, totalizando o valor de R$ 11.229.825,89, cumulado com Declarações de Compensação (apresentadas em formulário fls. 01, 16, 18, 20/22), tendo a contribuinte apresentado, também, os demonstrativos Créditos da COFINS (fls. 03/05), as cópias de DACON (fls. 06/13) e documento de procuração (fl. 14). A Seção de Fiscalização diligenciou no sentido da confirmação do direito ao ressarcimento pleiteado, tendo produzindo o Relatório da Ação Fiscal de fls. 36/43, onde relata ter constatado irregularidades fiscais relativas a receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros que não foram incluídas na apuração da base de cálculo da contribuição, bem como o desconto indevido de créditos na aquisição de bens e serviços sem previsão legal (capatazia, serviços de guincho, indumentárias, locação de mãodeobra e elaboração de projetos). À fl. 47 consta o Despacho Decisório DRF/NHO/2006, de 17/02/2006, onde o Sr. Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (RS) reconheceu direitos creditórios em favor da interessada relativamente a saldo credor de COFINS, com incidência nãocumulativa, passível de ressarcimento/compensação, tendo autorizado a adoção dos procedimentos cabíveis para ressarcimento/compensação dos valores pleiteados até o limite do saldo credor a ressarcir/compensar (R$ 10.897.331,66). Fl. 313DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 314 3 Foi anexada cópia de PERDCOMP transmitido pela contribuinte em 10/03/2006 (fls. 49/52), tendo sido juntados extratos do sistema PROFISC, tela de controle e Extratos de Processo. A seguir foram anexados documentos relacionados ao Mandado de Segurança n° 2006.71.08.0029122, tendo sido emitida a Intimação de fl. 89 e juntados documentos relativos à situação fiscal e cadastral da empresa. Novamente constam documentos relativos à ação judicial citada. A seguir houve nova verificação pela Fiscalização com a produção do Relatório da Ação Fiscal de fls. 115/117, onde foi verificada a possibilidade de ressarcimento de créditos presumidos da COFINS, entendendo a autoridade fiscal que os mesmos somente seriam passíveis de dedução do débito da contribuição no período. A DRF de origem emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2006, de 06/04/2006 (fl. 120), onde o Sr. Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (RS) revisou de ofício o Despacho Decisório proferido anteriormente e reconheceu direitos creditórios constantes do Relatório Fiscal, que aprovou, em favor da interessada, relativamente a saldo credor de COFINS nãocumulativa, passível de ressarcimento/compensação, tendo autorizado a adoção dos procedimentos cabíveis para ressarcimento/compensação dos valores pleiteados até o limite do saldo credor a ressarcir/compensar (R$ 9.866.775,58). Novamente foram anexados documentos relativos à situação fiscal e cadastral da empresa, tendo sido apurado débito para com a SRP, sendo autorizado o ressarcimento do montante de R$ 6.99 6.5 57, 58 (fl 142) . A contribuinte foi cientificada em 24/04/2006 (fls. 144/145) e, não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou, através de procuradora, em 23/05/2006 fls. 146/155 sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS · a empresa apresentou Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS não cumulativa, relativo ao 3° trimestre de 2005 (exportações), no valor de R$ 11.229.825,89, sendo que a RFB procedeu à verificação da legitimidade dos créditos, tendodecidido não reconhecer a totalidade do pleito, sob a alegação da existência de supostas irregularidades fiscais. Registra quais as irregularidades constatadas pela Fiscalização; · por não concordar com o decidido administrativamente, a empresa passa a expor suas razões, que comprovarão a sua boa fé e licitude dos procedimentos que adotou. Salienta que não irá se manifestar a propósito da glosa referente às receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros, bem como a relativa ao crédito presumido da contribuição, tendo em vista que a matéria será submetida à discussão judicial. DO DIREITO AOS CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS · a pessoa jurídica que efetuar exportações, inclusive aquela que efetuar vendas à comercial exportadora com fim específico de exportação, poderá solicitar o ressarcimento de créditos de PIS que remanescerem em sua escrita fiscal após a dedução dos débitos da própria contribuição e da compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB; Fl. 314DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 315 4 · a normatização da incidência nãocumulativa do PIS é prevista pela Lei n° 10.276/2001 (sic). Por sua vez, a IN 543, de 2005, alterada pela IN SRF 600, de 2005, regulamenta o ressarcimento de créditos do PIS e da COFINS; · com base nas regras em vigor, a empresa entende que não merecem substituir as supostas glosas apontadas pela Fiscalização. DA SUPOSTA UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS · a empresa entende ilegal a pretensa tributação da COFINS. Registra parcialmente as Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (arts. 3°, 5° e 6°), além da IN SRF n° 404, de 2004 (art. 8°), dizendo ser insofismável que as empresas devem aproveitar os créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; · a RFB, através da IN SRF n° 404, de 2004, definiu o que se deve entender por insumo, instituto que abarca matéria prima, produto intermediário, material de embalagem, outros bens que sofram alterações, além de serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, quando utilizados na fabricação ou produção de bens destinado à venda. Da mesma forma, o conceito de insumos compreende os bens aplicados ou consumidos na prestação dos serviços, além dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, quando utilizados na prestação de serviços; · é indubitável que a autoridade fiscal agiu ao arrepio da legislação federal que dispõe acerca do direito ao creditamento de PIS ou COFINS pela sistemática não cumulativa, a qual, inclusive, possui IN regulada pela própria RFB; · especifica, a seguir, os itens acerca dos quais se operou a glosa. Entende que a empresa possui direito ao ressarcimento. ESPECIFICAÇÃO DAS CONTAS COM GLOSAS ESTIVAS E CAPATAZIA · a empresa se utiliza de estivas e capatazia nas suas operações portuárias de vendas para o exterior. Tais serviços são prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições, já que são utilizados como insumos, nos termos da IN SRF n° 404, de 2004. Também se caracterizam como custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior; · a decorrência destes custos é o direito ao respectivo crédito, com base na regra do inciso II do § 3° do art. 3° das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que reproduz; · considerandose que a empresa tomou créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos, decorrentes do custo incorrido por força da sua atividade, entende, na forma da legislação em vigor, que merece ser afastada a glosa, por falta de previsão legal. SERVIÇOS DE GUINCHO · no exercício de suas atividades produtivas, a empresa, não raras vezes, se sujeita à aquisição de serviços de guincho, sendo tais serviços prestados por pessoas Fl. 315DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 316 5 jurídicas domiciliadas no País e dão direito a crédito calculado sobre as respectivas aquisições, já que são utilizados como insumos, nos termos da IN SRF n° 404, de 2004. Também se caracterizam como custos que são arcados pela empresa para o envio de suas mercadorias para o exterior e logística; · a decorrência destes custos é o direito ao respectivo crédito, com base na regra do inciso II do § 3° do art. 3° das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que reproduz; · considerandose que a empresa tomou créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos, decorrentes do custo incorrido por força da sua atividade, entende, na forma da legislação em vigor, que merece ser afastada a glosa, por falta de previsão legal. DESPESAS COM INDUMENTÁRIAS · para atender as exigências contidas na legislação editada pela ANVISA, a empresa adquiriu vestimentas, calçados, luvas, capacetes e outros itens para a indumentária de seus empregados, usada em sua atividade produtiva, realizando despesas cujos créditos podem ser descontados, na forma do art. 3°, inciso II, das Leis n°s 10 637 de 2002, e 10.833, de 2003, que reproduz. Entende que a glosa não pode subsistir DESPESAS COM LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TERCEIRIZADA · da mesma forma que as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, a empresa entende que a locação de mãodeobra aplicada na sua produção configura custo, o que legitima o ressarcimento dos respectivos créditos. Requer, com base nos arts. 3° das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, sejam afastadas as glosas. ELABORAÇÃO DE PROJETOS · para o desenvolvimento de suas atividades e produção, à empresa é indispensável a contratação de serviços de elaboração de projetos executados por pessoas jurídicas, os quais são utilizados como insumo e caracterizam custos incorridos na atividade, garantido, assim, o ressarcimento dos respectivos créditos; · a decorrência destes custos é o direito ao respectivo crédito, com base na regra do inciso II do § 3° do art. 3° das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que reproduz; · considerandose que a empresa tomou créditos decorrentes do custo incorrido por força da sua atividade, entende, na forma da legislação em vigor, que merece ser afastada a glosa, por falta de previsão legal. DAS PROVAS · a empresa pretende provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, em especial pela produção eficaz de provas documentais. DO PEDIDO · a empresa requer seja recebida a manifestação de inconformidade, ordenando se, de imediato, a reforma do Despacho Decisório guerreado, para o fim do deferimento do crédito que foi pleiteado, haja vista a comprovação da sua legitimidade; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 317 6 · pede deferimento. Após a manifestação de inconformidade estão anexados os documentos de fls. 156/174. A seguir o processo foi encaminhado à DRJ/Porto Alegre (RS), tendo retomado à DRF/Santa Cruz do Sul (RS) para cumprimento do Mandado de Segurança n° 2006.7l.08.008375O/RS. Foi, então, expedido o Termo de Intimação Fiscal de fl. 190, recebido pela empresa em 12/07/2007 (cópia de AR de fl. 191), tendo sido anexada informação apresentada pela mesma à fl. 194. Posteriormente foi proferido o Despacho de fl. 195 encaminhando o processo a esta DRJ. Atendendo solicitação, esta DRJ devolveu o processo à DRF/Santa Cruz do Sul (RS) que anexou o Pedido de Ressarcimento de Créditos da COFINS de fl. 199 e os documentos de fls. 200/201. A seguir foi emitido o Despacho Decisório de fl. 204, que não admitiu o PERDCOMP retificador, tendo a contribuinte sido cientificada em 30/10/2007 (AR de fl. 206). Foi emitido o Despacho Decisório DRF/SCS/RS n° 41/2008 (fl. 209) e anexados documentos, além da autorização de pagamento de fl. 231. O processo retomou a esta DRJ (fl. 236). A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Santa Maria RS indeferiu a Manifestação de Inconformidade da recorrente, nos termos do Acórdão no 1810.729, de 15/05/2009, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos no regime da não cumulatividade, somente serão considerados insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. PEDIDO DE RESSARCIMENTO INDEFERIMENTO PARCIAL. COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. A declaração de compensação de tributos e contribuições administrados pela RFB fundada em crédito cujo pedido foi parcialmente indeferido, não pode ser homologada na integralidade. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 15/06/2009, conforme AR de fl. 278, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 15/07/2009, com Recurso Voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. No ida 18/11/2009, a Fazenda Nacional apresenta suas contrarrazões para defender que os custos de venda dos bens fabricados não geram direito a crédito, bem como as despesas objeto das glosas efetuadas pela Fiscalização, por falta de previsão legal. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 318 7 É o Relatório do essencial Voto Vencido Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, trata o presente processo de PERDCOMP no qual a Recorrente está pleiteando o ressarcimento de créditos da COFINS do terceiro trimestre de 2005 e declara a compensação que realizou. O crédito pleiteado foi reconhecido parcialmente em razão da constatação, pela Fiscalização, de que as receitas com créditos de ICMS transferidos para terceiros que não foram incluídas na apuração da base de cálculo da contribuição, bem como o desconto indevido de créditos na aquisição de bens e serviços sem previsão legal (capatazia, serviços de guincho, indumentárias, locação de mãodeobra e elaboração de projetos). A discussão sobre a inclusão na base de cálculo da Cofins dos créditos de ICMS transferidos a terceiros foi deslocada para o âmbito do Poder Judiciário, restando em discussão, neste processo, as glosas de créditos efetuadas pela Fiscalização. O ressarcimento de crédito de Cofins está previsto no § 2º do art. 6º da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzido: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 319 8 § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (grifei). § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O disposto no § 3º, acima reproduzido, não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, previstos e apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, passíveis de ressarcimento são aqueles “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação” e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado. É o caso das despesas com frete na operação de venda e armazenagem de mercadorias exportadas, que não são insumos usados na produção, mas dão direito ao crédito passível de ressarcimento por serem despesas vinculadas à receita de exportação (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03). Portanto, a despesa realizada, prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03, que gera direito a crédito de Cofins passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Bastam essas duas condições (dar direito ao crédito e está vinculada à receita de exportação) porque é só isso que a lei exige. Atendido essas condições, o crédito pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto nos parágrafos 1º, 2º e 3º do art. 6º da Lei nº 10.833/03. A recorrente enganase quando afirma que a venda dos produtos por ele fabricado é uma das etapas da produção a que alude o art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Produção de bens e venda de bens são atividades econômicas completamente distintas, embora possam ser exercidas por uma mesma empresa, como é o caso das empresas industriais que produzem e comercializam o resultado da produção. Portanto, todos os custos com a venda dos bens fabricados pela recorrente, que não estão previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, não geram direito a crédito da Cofins e, mesmo que estejam vinculados à receita de exportação, não há que se falar em ressarcimento. É o caso das despesas com estivas e capatazia que não geram direito a crédito, pelos fundamentos da decisão recorrida. Quanto às despesas com elaboração de projetos, entendo que o produto/serviço adquirido (o próprio projeto) não é insumo, posto que não é usado na produção ou industrialização dos bens fabricados pela recorrente. O fato de servir para melhorar, ampliar ou aperfeiçoar o processo produtivo da recorrente não significa que os projetos sejam insumos ou serviços usado na fabricação de bens pela recorrente. Relativamente às despesas com locação de mãodeobra terceirizada, entende a recorrente que, da mesma forma que as despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, previstos no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, tais despesas dão direito ao crédito e estão vinculadas à fabricação dos bens exportados. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 320 9 Sobre este tema, não vejo a semelhança apontada pela recorrente entre máquina e homem. E mesmo que houvesse, inexiste previsão legal para o crédito sobre as despesas com locação de homens e mulheres, incorridas pela recorrente. Quanto às despesas com indumentárias, concordo com a recorrente quando afirma que representam produtos intermediários, necessários à produção por força de exigência de autoridade sanitária. A indumentária usada pelos operários na fabricação de alimentos não se confunde com fardamento/uniforme, este é de livre uso e escolha de modelo pela empresa e aquele é de uso obrigatório e deve seguir modelos e padrões estabelecidos pelo Poder Público. Fardamento/uniforme não é insumo. A indumentária acima referida é insumo necessário e indispensável na indústria frigorífica. Com relação às despesas com aluguel ou serviço de guincho usado para carregar caminhões com os produtos fabricados pela recorrente, entendo que tem razão a recorrente porque a legislação autoriza o crédito deste tipo custo, independente da atividade onde o equipamento foi empregado, conforme expressamente determina o inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/03, abaixo transcrito. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (grifei). Portanto, a condição para o creditamento é que o equipamento alugado seja utilizado “nas atividades da empresa” (no plural) e não na atividade industrial da empresa. Neste caso, há semelhança com o crédito da energia elétrica, que não é só a energia usada na atividade industrial da empresa que dá direito ao crédito. É o caso, também, das contraprestações de arrendamento mercantil, que independe do bem arrendado. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos da Cofins relativo às despesas com indumentária e aluguel de guincho. (assinado digitalmente) 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (. . .) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 321 10 WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à impossibilidade de apuração de crédito da nãocumulatividade de Cofins em relação ao custo com a locação de mãodeobra paga a pessoa jurídica, aplicada na etapa de produção. A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Embora concordase com o relator quanto à falta de subsunção do fato à hipótese de creditamento contida no incido IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, a locação de mãodeobra configura serviço utilizado como insumo, que por ser pago a pessoa jurídica e utilizada no processo produtivo, gera crédito de Cofins nãocumulativa. A Solução de Consulta Interna Cosit nº 13/2012, versando sobre opção ao SIMPLES NACIONAL, utiliza como sinônimos os termos cessão ou locação de mãodeobra, denotando tratar de serviço prestados por pessoa jurídica contratada para fornecer a mãode obra requerida. Destacamse os seguintes excertos da referida solução: “Esta Coordenação, por meio do Parecer Cosit nº 69, de 10 de novembro de 1999, havia assentado o entendimento de que a pessoa jurídica que se dedicasse à locação de mãodeobra, empreitada exclusivamente de mãodeobra ou cessão de mão de obra estaria impedida de exercer a opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 322 11 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal), instituído pela Lei n 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 15.1. Os conceitos de cessão de mãodeobra e empreitada têm utilização corrente na área previdenciária, sendo pouco comum nos demais ramos do direito tributário. Por essa razão, buscou se na legislação previdenciária a compreensão e o alcance desses conceitos para solucionar a consulta em tela. 15.2. O referido Parecer Cosit, acertadamente, equiparou os conceitos de locação de mãodeobra ao de cessão de mãode obra. Entretanto, pouco aprofundou o estudo sobre as características da empreitada, restringindose a diferenciála daqueles institutos quanto à apresentação do resultado. (grifos não originais) 15.3. Decerto, a principal diferença entre a cessão ou locação de mãodeobra e a empreitada também de mãodeobra reside no resultado a ser alcançado. E é justamente daí que decorrem as dissimilitudes conceituais. 15.4. Diferentemente da cessão de mãodeobra, a empreitada não visa à realização de serviços de maneira continuada. Embora comporte exceções, o contrato de empreitada é utilizado quando há o desejo das partes de alcançar um fim específico. Ou seja, o contratante quer ver a obra ou tarefa pronta, e a contratada ao término desta fará jus ao quantum ajustado.” Adotando a definição como serviço, a Lei nº 10.833/2003 previu no artigo 33 que os pagamentos efetuados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas pela prestação de serviço de locação de mãodeobra estão sujeitos a retenções na fonte de PIS/Pasep e Cofins, bem como o artigo 1º da IN SRF nº 381/2003, regulamentando o dispositivo: Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Art. 1º Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos à retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 323 12 Pontuese que o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o REsp 1.141.065/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), considerou como serviços a locação de mãodeobra de que trata a Lei nº 6.019/1974, cuja ementa parcialmente, transcrevese: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEIS COMPLEMENTARES 7∕70 E 70∕91 E LEIS ORDINÁRIAS 9.718∕98, 10.637∕02 E 10.833∕03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019∕74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. 1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7∕70 e 70∕91 ou Leis ordinárias 10.637∕2002 e 10.833∕2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019∕74 e pelo Decreto 73.841∕74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários. 2. Isto porque a Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 847.641∕RS, perfilhou o entendimento no sentido de que: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEI COMPLEMENTAR 70∕91 E LEIS 9.718∕98, 10.637∕02 E 10.833∕03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019∕74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. [...] 13. Os princípios que norteiam a eficácia da lei no tempo indicam que, nas demandas que versem sobre fatos jurídicos tributários anteriores à vigência das Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, revelase escorreito o entendimento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS (faturamento mensal∕receita bruta), devidos pelas empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária, regidas pela Lei 6.019∕74, contempla o preço do serviço prestado, "nele incluídos os custos da prestação, entre os quais os encargos trabalhistas e Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 324 13 previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados" (Precedente da Primeira Turma acerca da base de cálculo do ISS devido por empresa prestadora de trabalho temporário: REsp 982.952∕RS, Rel. Originário Ministro José Delgado, Rel. p∕ Acórdão Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 02.10.2008, DJ 16.10.2008). (grifos não originais) [...] 15. Conseqüentemente, a conjugação do regime normativo aplicável e do entendimento jurisprudencial acerca da composição do preço do serviço prestado pelas empresas fornecedoras de mãodeobra temporária, conduz à tese inarredável de que os valores destinados ao pagamento de salários e demais encargos trabalhistas dos trabalhadores temporários, assim como a taxa de administração cobrada das empresas tomadoras de serviços, integram a base de cálculo do PIS e da COFINS a serem recolhidas pelas empresas prestadoras de serviço de mãodeobra temporária (Precedentes d oriundo da Segunda Turma do STJ: REsp 954.719∕SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 13.11.2007).” [...] 3. Deveras, a definição de faturamento mensal∕receita bruta, à luz das Leis Complementares 7∕70 e 70∕91, abrange, além das receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, concepção que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718∕98 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal que assentaram a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS pela Lei 9.718∕98: RE 390.840, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.2005, DJ 15.08.2006; RE 585.235 RGQO, Rel. Ministro Cezar Peluso, Tribunal Pleno, julgado em 10.09.2008, DJe227 DIVULG 27.11.2008 PUBLIC 28.11.2008; e RE 527.602, Rel. Ministro Eros Grau Rel. p∕ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 05.08.2009, DJe213 DIVULG 12.11.2009 PUBLIC 13.11.2009). 4. Por seu turno, com a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovida pelas Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários subsumemse na novel concepção de faturamento mensal (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil). 5. Conseqüentemente, a definição de faturamento∕receita bruta, no que concerne às empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019∕74), engloba a totalidade do preço do serviço prestado, nele incluídos os encargos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados, que constituem custos suportados na atividade empresarial. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 325 14 6. In casu, cuidase de empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária (regida pela Lei 6.019∕74 e pelo Decreto 73.841∕74, consoante assentado no acórdão regional), razão pela qual, independentemente do regime normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 7. Outrossim, o artigo 535, do CPC, resta incólume quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Hamilton Carvalhido e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 09 de dezembro de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator De modo similar, citase acórdão deste conselho, tratando sobre a incidência de PIS/Pasep sobre a prestação de serviços de locação de mãodeobra: Acórdão nº 3301002.412, proferido em 14/10/2014 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA TEMPORÁRIA. INCLUSÃO. Os valores recebidos por empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária e repassados a título de pagamento de salários e encargos sociais, integram a base de cálculo da contribuição ao PIS. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Fl. 325DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 326 15 Por fim, destacamse soluções de consulta interna emitidas pelas Superintendências da 6º Região e 7º Região Fiscal, especificamente sobre a possibilidade de creditamento das contribuições quanto aos dispêndios com a contratação de locação de mão deobra, desde que aplicadas no processo produtivo ou na prestação de serviços: Solução de Consulta Interna SRRF06/disit nº 136/2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA APLICADA DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO DE BENS. DIREITO A CRÉDITO. Desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência, geram direito a créditos da Contribuição para o PIS/Pasep os valores pagos a outra pessoa jurídica em decorrência da locação de mãodeobra diretamente aplicada na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3º, II; IN SRF nº 247/2002, art. 66, caput, I, ‘b’, e § 5º, I, e art. 67. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA APLICADA DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO DE BENS. DIREITO A CRÉDITO. Desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência, geram direito a créditos da Cofins os valores pagos a outra pessoa jurídica em decorrência da locação de mãode obra diretamente aplicada na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2002, art. 3º, II; IN SRF nº 404/2004, art. 8º, caput, I, ‘b’, e § 4º, I, e art. 9º. Solução de Consulta Interna SRRF07/disit nº 342/2012: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins INSUMO. CRÉDITO. SERVIÇOS. Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Geram direito a crédito da Cofins não cumulativa, por serem considerados despesas com insumos, os valores pagos à pessoa jurídica prestadora de serviços de impressão e manutenção de equipamentos, em decorrência da locação de mão de obra especializada em gestão e manutenção de impressoras Fl. 326DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13053.000269/200535 Acórdão n.º 3302002.855 S3C3T2 Fl. 327 16 diretamente aplicadas na atividadefim da locatária, desde que atendidos os demais requisitos exigidos pela legislação de regência. Não geram direito à crédito da Cofins as despesas decorrentes da locação de mão de obra para a gestão e a manutenção das impressoras empregadas nas atividades administrativas da empresa, por não poderem ser caracterizadas como insumos pela legislação pertinente nem estarem enquadradas em outra hipótese de creditamento das mencionadas contribuições. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de apuração de crédito da nãocumulatividade de Cofins em relação ao custo com a locação de mãodeobra paga a pessoa jurídica, aplicada na etapa de produção. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 327DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/04 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10120.722726/2012-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2008
IOF. OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE PESSOA JURÍDICA E PESSOAS FÍSICAS. EMPRESA NÃO FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos a parte relacionada, como pagamento por bem ou serviço a ser entregue futuramente, não se encontra na hipótese de incidência do IOF.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-002.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Sustentou pela recorrente o advogado Paulo Adriano Elias Magalhães, OAB/GO 18.758.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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OPERAÇÕES COMERCIAIS ENTRE PESSOA JURÍDICA E PESSOAS FÍSICAS. EMPRESA NÃO FINANCEIRA. NÃO INCIDÊNCIA. A Lei 9.779, em seu art. 13, definiu como fato gerador do IOF a em que figure como fornecedora do crédito pessoa jurídica não financeira, mas desde que essa operação corresponda a mútuo de recursos financeiros. Assim, o simples adiantamento de recursos a parte relacionada, como pagamento por bem ou serviço a ser entregue futuramente, não se encontra na hipótese de incidência do IOF. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Sustentou pela recorrente o advogado Paulo Adriano Elias Magalhães, OAB/GO 18.758. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 27 26 /2 01 2- 36 Fl. 4342DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Brasília/DF, que julgou procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão (relativo ao ano de 2008, lavrado em 20/03/2012 e com ciência ocorrida em 23/03/2012), no importe de R$ 14.717.081,70, compreendendo principal, juros de mora e multa qualificada no percentual de 150%. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: (...)Integra o referido auto de infração o Termo de Verificação Fiscal de fls. 878/896, que relata os procedimentos adotados pela fiscalização e a constatação de infrações à legislação do imposto de renda e das diversas contribuições sociais. De acordo com a autoridade fiscal, a pessoa jurídica fiscalizada emprestou dinheiro a seus sócios Domingos Ferreira de Ávila Júnior, CPF n° 303.130.31134, e Henrique Pereira de Ávila, CPF n° 198.417.10110, efetuando os lançamentos contábeis nas contas de passivo n° 22401.00001 e 22401.00002, as quais permaneceram com saldo devedor durante todo o ano de 2008. Segundo o agente fiscal, apesar de serem contabilizadas no passivo, tais contas nunca deixaram de apresentar saldo devedor; portanto representam empréstimos concedidos aos sócios. Informa ainda o autuante: “(...) Exigida documentação comprobatória dos créditos com pessoas ligadas no valor de R$ 43.227.459,70 item 5 do termo de início, o contribuinte apresentou a Exposição de motivo 05, informando tratar se de adiantamentos e reembolsos entre a empresa e pessoas ligadas. Tendo em vista que a concessão de empréstimo ou adiantamento se sujeita à incidência do IOF imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguros ou relativo a títulos ou valores imobiliários, apresentamos no Anexo I o Demonstrativo de Apuração do IOF. Por se tratar de empréstimos sem definição de prazo e de valor, a base de cálculo do IOF é o saldo devedor diário, inclusive nos dias não úteis, apurado mensalmente; a base de cálculo do adicional de IOF é o acréscimo diário do saldo devedor, também apurado mensalmente. A base de cálculo e alíquota tem por fundamentação legal: a) IOF Decreto n° 6.306/2007, art. 7°, inciso I, alínea 2, com redação dada pelo Decreto n° 6.339/2008; b) adicional de IOF – Decreto n° 6.306/2007, art. 7o, § 15, incluído pelo Decreto n° 6.339, de 2008." Conclui a autoridade fiscal: Fl. 4343DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10120.722726/201236 Acórdão n.º 3402002.987 S3C4T2 Fl. 4.343 3 “Apesar da imposição legal, o contribuinte deixou de apurar e recolher o IOF, durante todo o anocalendário 2008. A omissão reiterada exterioriza o dolo, de modo que lavramos a representação fiscal para fins penais protocolizada sob n° 10120.722788/201248, bem como aplicamos a multa qualificada de 150% sobre o imposto lançado." Cientificado dos autos de infração em 23/03/2012, o sujeito passivo apresentou em 24/04/2012 a extensa peça de impugnação de fls. 918/940, de onde se extraem, em síntese, as seguintes razões de defesa: 1. O que a autoridade lançadora diz ser empréstimos, configura, na verdade, venda antecipada de gado bovino ou promessa de sua entrega futura, ou seja, operação comercial, para cuja efetivação os Senhores Domingos e Henrique emitiram Cédulas de Produto Rural (CPR). 2. Tais vendas não se caracterizam como operações de crédito, mas sim operações comerciais e, portanto, sobre elas não incide o IOF. 3. Os Senhores Domingos e Henrique exercem profissionalmente a atividade pecuária em regime intensivo, promovendo, inclusive, o confinamento de bois na entressafra, e dela extraem a quase totalidade de sua renda. 4. Os Senhores Domingos e Henrique incrementaram expressivamente a sua atividade pecuária no anocalendário de 2007 e, principalmente, no de 2008. 5. No ano de 2003, os Senhores Domingos e Henrique constituíram a COTRIL ALIMENTOS LTDA, cuja constituição não visou senão a agregar mais valor ao agronegócio, no qual já se inseria a atividade pecuária explorada por eles. 6. No ano de 2007, visando a incrementação do seu agronegócio com vistas ao fechamento do ciclo de recria e engorda de gado bovino, os Senhores Domingos e Henrique, necessitando de aporte de capital, buscaram investidores no mercado. 7. Após detalhar a constituição de empresas no âmbito das negociações entre os investidores, informa que ficou avençado que a CONFAL PARTICIPAÇÕES S/A passaria a deter parte do capital social da COTRIL ALIMENTOS LTDA, e que em 15/06/2007 foi celebrado Contrato de Investimento da COTRIL ALIMENTOS LTDA entre os Senhores Domingos, Henrique, Thiago e Diego; a COTRIL AGROPECUÁRIA LTDA, ora impugnante; e a CONFAL PARTICIPAÇÕES S/A. 8. Formouse, então, um grande círculo virtuoso no agronegócio do Estado de Goiás, pois, agora com mais aporte de capital, a impugnante COTRIL AGROPECUÁRIA LTDA e seus sócios Senhores Domingos e Henrique fecharam o ciclo de recria e engorda de gado bovino até a atividade de industrialização, comércio, importação e exportação de carnes verdes, frigorificadas, congeladas e conservadas e de seus Fl. 4344DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 derivados e subprodutos de origem animal, a ser realizada pela COTRIL ALIMENTOS S/A. 9. A partir de então, o planejamento era manter em estoque permanente nas propriedades rurais exploradas pela impugnante e pelos seus mencionados sócios aproximadamente 1.000.000 (um milhão) de cabeças de gado bovino em regime de recria e de engorda destinado ao abate. 10. Ademais, com as negociações entabuladas e finalizadas com sociedades devidamente autorizadas pela CVM para administrar fundos de investimentos, gerir carteiras de títulos e valores mobiliários, abriramse oportunidades para a impugnante e os referidos sócios buscarem recursos no mercado destinados a mais investimentos e custeio de sua atividade pecuária. 11. Para tanto, a partir de 2007 e durante o anocalendário de 2008, os Senhores Domingos e Henrique passaram a vender antecipadamente gado bovino à impugnante ou prometeram a sua entrega futura, operações essas representadas por CPR de expressivos valores. A defendente, por sua vez, com lastro nessas CPR, emitiu Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), cujos beneficiários eram fundos de investimentos. 12. Esclarece que a data de emissão das CPR pelos Senhores Domingos e Henrique coincide com a de emissão dos CDCA pela impugnante. 13. Explica que, quando da emissão das CPR, a impugnante efetuava os seguintes lançamentos contábeis, nos respectivos valores: a) a débito da conta gráfica contábil "11222.000003 Cédula de Produtor Rural CPR", subgrupo "Títulos a Receber", grupo "Ativo Circulante Direitos Realizáveis a Curto Prazo"; e b) a crédito da conta gráfica contábil "21901.000003 Domingos P. de Avila Jr. C. P. R." e "21901.00004 Henrique Pereira de Ávila C. P. R.", conforme o caso, ambas do subgrupo "Contas Correntes Diversas", grupo "Passivo Circulante Outros Débitos. 14. Esclarece que, emitidas as CPR, a impugnante então emitia, na mesma data, os CDCA para captar os recursos financeiros junto aos investidores. (...) 16. Esclarece que não repassava, de uma vez só, a integralidade dos recursos financeiros aos Senhores Domingos e Henrique na data da emissão das CPR, tampouco na data da emissão dos CDCA, nem na data do recebimento dos respectivos valores dos investidores. 17. Informa que os recursos financeiros, após depositados pelos investidores em conta bancária da impugnante, eram repassados em parcelas aos Senhores Domingos e Henrique, na medida de sua necessidade, razão pela qual não se encontrarão lançamentos de valores, considerados isoladamente, a débito das contas gráficas contábeis n°s 22401.00001 e 22401.00002 que correspondam exatamente aos valores das CPR. Fl. 4345DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10120.722726/201236 Acórdão n.º 3402002.987 S3C4T2 Fl. 4.344 5 18. Informa, por fim, que nenhum recurso financeiro foi repassado pela impugnante aos Senhores Domingos e Henrique que não tenha sido registrado na contabilidade da defendente a débito das contas gráficas contábeis n°s 22401.00001 e 22401.00002 e a crédito de contas representativas de disponibilidades financeiras. 19. Ad argumentandum tantum, sustenta que, ainda que se considere tratar o caso de empréstimos concedidos pela defendente aos seus sócios, a alíquota do IOF deveria ser reduzida a zero, nos termos do o art. 8°, inciso IV, do Decreto n° 6.306/2007, com a redação em vigor à época da autuação. 20. Também em homenagem ao princípio da eventualidade, protesta pelo afastamento da aplicação da multa qualificada de 150%. 21. Sustenta que, em momento algum, a autoridade fiscal lançadora logrou demonstrar conduta dolosa da defendente, pois o caso revelaria, quando muito, mero erro de interpretação e aplicação das normas tributárias referentes ao IOF por parte da impugnante. 22. Ademais, todas as informações com base nas quais o agente fiscal realizou o lançamento foram extraídas dos livros Diário e Razão da impugnante, prontamente apresentados àquela autoridade sempre que solicitados. Cita jurisprudência dos antigos 1º e 2º Conselhos de Contribuintes que confirmariam a improcedência da qualificação da multa de ofício no presente caso. Sobreveio então o Acórdão 0349.298, da 2ª Turma da DRJ/BSB, dando provimento à impugnação do contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: OPERAÇÕES DE CRÉDITO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO IOF. Não configuram empréstimos da pessoa jurídica autuada a seus sócios, os lançamentos contábeis em contas de passivo que apresentaram saldo devedor durante todo o ano fiscalizado, uma vez comprovado que tais lançamentos se inserem no contexto de venda antecipada de gado bovino ou promessa de sua entrega futura, ou seja, operação comercial, não sujeita à incidência de IOF, para cuja efetivação os sócios emitiram Cédulas de Produto Rural (CPR). Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Após sua chegada ao CARF para a apreciação do recurso de ofício, o processo foi baixado em diligência, em 21/08/2013 (fls. 3.978/3.983), para que a autoridade lançadora tomasse as providências citadas abaixo (em negrito), às quais já atrelo em seguida as respectivas respostas (em itálico) apresentadas pela repartição fiscal de origem (fls.4.242/4.245): 1 “1. Intimar a empresa a: 1. apresentar as Cédulas de Produto Rural ainda não juntadas aos autos, devidamente inscritas no Cartório de Registro de Imóveis do domicílio do emitente, nos termos do artigo 12 da Lei nº 8.929/1994 (o registro será 1 Com ciência do contribuinte, em 09/06/2014, fls. 4.254/4.255. Fl. 4346DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 necessário, inclusive, para aquelas que já foram juntadas aos autos), suficientes e necessárias para comprovar todos os valores que alega serem referentes à venda antecipada de gado bovino ou de promessa de sua entrega futura junto aos seus sócios, para o período fiscalizado; UNIVERSO DE CPRS Todas as CPRs emitidas durante 2008 foram juntadas entre folhas 1.320 e 3.806, conforme resposta do contribuinte (fl. 4022). AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS (...) A planilha de fls. 4202 e 4203 indica a fl. de cada CPR, onde consta a averbação no cartório de registro de imóveis. Deixou de ser comprovada a averbação das CPRs nº 019/2008, 031/2008 e 013/2008. Apesar da falta de comprovação, nesta diligência considerei válidas as 3 CPRs, em face do conjunto probatório: contabilização das CPRs, apresentação das CPRs à fiscalização, suporte à emissão de CDCAs e sua negociação com instituições financeiras, bem como o recebimento dos recursos financiados. 1.2. elaborar e apresentar planilha confrontando os valores lançados no auto de infração com todas as Cédulas de Produto Rural que dariam guarida para os pagamentos/repasses efetuados aos seus sócios Domingos Ferreira de Ávila Júnior e Henrique Pereira de Ávila, para o período fiscalizado. Para tanto informar, para cada “fato gerador” e valor apurado apontado pela fiscalização (vide efolhas 900 e 901), o número da Cédula de Produto Rural, valor recebido, data de emissão e do recebimento do valor, bem como os dados bancários da transferência/pagamento dos recursos (datas, valores, contascorrentes envolvidas, agências e nome dos bancos); CONFRONTO CPR X EMPRÉSTIMO AOS SÓCIOS (...) O contribuinte apresentou, entre fls. 4048 e 4084, planilha onde procurou demonstrar, para cada CPR, os pagamentos realizados aos sócios. Quando ausente valor nas colunas “Agência” e “Conta” na “Conta de Destino (Mutuário)”, explicou a recorrida que a pessoa jurídica mutuante pagou contas pessoais dos sócios diretamente aos fornecedores de insumos destinados à criação e engorda de gado, contabilizando os desembolsos em empréstimos aos sócios, de maneira que o recurso não transitou pela conta do sócio. Perguntado à recorrida o motivo pelo qual a somatória dos desembolsos atribuídos a determinada CPR superou o valor da CPR atribuída, revelounos a recorrida que os documentos contábeis não tinham elementos para atribuir o desembolso a determinada CPR. À vista dos elementos fornecidos com a impugnação e coletados durante a presente diligência, passo a adotar critério próprio para apurar o IOF remanescente. 2. Com base nas Cédulas de Produto Rural e demais documentos apresentados (juntados aos autos e apresentados quando da diligência) e na planilha referida no item 1.2 acima, a fiscalização deverá elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados Fl. 4347DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10120.722726/201236 Acórdão n.º 3402002.987 S3C4T2 Fl. 4.345 7 na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos.” EMPRÉSTIMO COBERTO POR CPR (...) Enquanto a CPR está em poder da empresa e da instituição financeira, as contas nº 21901.00003 e 21901.00004 se mantêm credoras em determinado nível. Acima deste teto, o empréstimo ao sócio não está acobertado por CPR. No momento em que todas as CPRs forem devolvidas aos sócios, as contas nº 21901.00003 e 21901.00004 devem ser zeradas, posto que a empresa não possui dívida de título (CPR) com os sócios. Demonstrado que o quantum emprestado aos sócios supera o valor da CPR emitida, o mútuo se restringe a configurar adiantamento para entrega futura de gado, na exata medida do valor da CPR entregue à empresa. Acima deste limite, o pagamento de despesas dos sócios se torna mútuo não acobertado por CPR. Dentro dessa linha de raciocínio, extraímos das folhas nº 1263 até 1269 do razão em formato txt (efls. 4204 a 4217), os saldos diários da conta nº 21901.00003 e a confrontamos com os saldos diários da conta nº 22401.00001, bem como confrontamos os saldos diários das contas nº 21901.00004 e 22401.00002. A partir do excesso de mútuo em relação ao valor das CPRs, passamos a demonstrar a apuração do IOF e seu adicional (efls. 4218 até 4241). O contribuinte apresentou manifestação sobre o resultado de diligência (fls.4.258/4.334), argumentando, em síntese, que: i. a autoridade revisora do lançamento errou na realização da diligência, efetuando uma majoração indevida da base de cálculo do IOF. Aponta que a própria autoridade revisora concorda com tudo que havia sido informado e comprovado pela Recorrente em sua impugnação, conjuntamente com os demais documentos apresentados por requerimento do CARF, mas chega a diferença de conta gráfica que pretende cobrar. Passa então a trazer argumentação sobre a forma de contabilização e a natureza dos valores que circularam atrelando a Recorrente aos seus sócios, além de erros no trabalho da fiscalização ao elaborar suas planilhas, concluindo então ser incabível considerar o débito informado na planilha intitulada “Demonstrativo de Empréstimo NãoLastreado em CPR e IOF Remanescente” caracterizam empréstimos passíveis de gerar o dever de recolhimento de IOF. ii. Ainda sobre o lançamento complementar, apresenta questões preliminares a. Incorre em inovação no lançamento original, uma vez que os valores considerarados na diligência fiscal, extraídos das Contra Gráficas 21901.0003 – Domingos P de Avila Jr – C.P.R e 21901.00004 – Henrique Pereira Avila – C. P.R., não faziam parte do lançamento original (fls 989 – 908); b. Encontrase decaído o direito da fazenda efetuálo, uma vez que o fato gerador do IOF é diário, sendo o mais recente datado de 31/12/2008. Assim, lançamento complementar, efetuado em 08/06/2014 já não encontravase mais dentro do prazo de 5 anos, contados na forma do artigo 173, inciso I do CTN; Fl. 4348DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 c. Ainda que se entendesse pela natureza de empréstimo das operações, nenhum IOF poderia ser cobrado, tendo em vista que o artigo 8º, inciso IV do Decreto 6.306/2007 reduziu a zero a alíquota do imposto para operações de crédito rural, destinadas a investimento, custeio e comercialização. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O lançamento tributário apreciado pela DRJ de Brasília, cujo acórdão traz a este C. Conselho a necessidade de apreciação de recurso de ofício em nome da Fazenda Nacional, deve de fato ser cancelado, como foi feito pelo acórdão recorrido. Isto porque o mérito resguarda o direito do contribuinte, que praticou operações comerciais (venda antecipada de gado bovino ou promessa de sua entrega futura) que foram indevidamente qualificadas pela Autoridade lançadora como operações de crédito (empréstimos/mútuo), quando da análise da sua contabilidade, culminando na lavratura do auto de infração guerreado pela Recorrida. O direito da Recorrida foi ampla e cabalmente demonstrado na impugnação, a qual apresentou explicação minuciosa sobre i) a evolução societária pela qual a empresa passou; ii) a forma pela qual operações entre os Sócios Henrique e Domingos se davam com a empresa Recorrida; iii) como a contabilidade, em especial as contas do livro razão da Recorrida, espelhava com fidedignidade o ciclo comercial efetuado, através de títulos de crédito e participação de fundo de investimento, para o financiamento/fomento da atividade empresarial (pecuária). Peço licença para utilizar as palavras do Relatório de Diligência Fiscal, que sintetizou claramente as operações em questão: Focalizando as contas de passivo nº 21901.00003 e 21901.00004, estas representam a obrigação da empresa para com os sócios em decorrência da entrega da CPR. O título emitido pelo sócio dá suporte à emissão de CDCA, a qual vem a ser entregue às instituições financeiras, em troca de adiantamento de recursos monetários. A empresa paga as despesas de produção dos sócios – criação e engorda de gado – e contabiliza a débito nas contas nº 22401.00001 e 22401.00002. Os sócios entregam o gado à empresa, que o revende aos frigoríficos. Parte do resultado da revenda é entregue à instituição financeira, para quitação da CDCA e sua devolução à autuada. Esta devolve a CPR ao sócio e lança a débito nas contas nº 21901.00003 e 21901.00004, de maneira a encerrar o ciclo. Cumprindo seu ônus probatório (a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária, nos termos do artigo 333 do Código de Processo Civil), a Recorrida juntou diversos documentos à sua peça de impugnação, quais sejam: Fl. 4349DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10120.722726/201236 Acórdão n.º 3402002.987 S3C4T2 Fl. 4.346 9 i. todas as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF do exercício de 2007 a 2009) dos Sócios que comprovam a relação comercial alegada, em especial que os lançamentos nas contas n° 22401.00001 e 22401.00002 são absolutamente compatíveis com as receitas da sua atividade pecuária auferida no ano de 2008; ii. as alterações do contrato social da Recorrida; iii. Ata da Assembleia de transformação da empresa em sociedade por ações (S.A); bem como Ata de Assembleia geral de constituição da Confal Participações S.A e respectivos estatuto social; iv. Contrato de investimento entre a Cotril Alimentos Ltda e seus Sócios (dentro outros, estipulada a Parceria Agrícola entre as partes, para engorda, regime de confinamento intensivo e abate de bovinos); v. Acordo de acionista da Cotril alimentos S.A. celebrado entre os Srs. Domingos Henrique, Thiago e Confal Partipações S.A; vi. CPR’s (Cédula de produto rural) emitidas pelos Senhores Domingos e Henrique e respectivas CDCA’s (Certificado de direito creditório do agronegócio), cujos termos do item 1.1.1. expressamente vinculam o direito creditório da primeira (representativo da promessa de entrega de produto agrícola boa gordo) à segunda. Outrossim, as certidões com os respectivos registros em cartório foram trazidos aos autos em função da diligência demandada por este Conselho, bem como há nos autos a cópia das contas do livro razão (fls 766 e seguintes) que interessam à autuação fiscal em tela. Os documentos citados são indiscutivelmente hábeis para provar as alegações da Recorrida, acima citadas, como bem constatou a decisão da DRJ. 2 Assim, não há dúvidas de que os débitos das contas gráficas contábeis n. 22401.00001 e n.22401.00002 correspondem a operações comerciais (venda para entrega futura de cabeças de gado bovino), entre pessoas físicas e jurídica relacionadas, não se sujeitando, portanto, à incidência do IOF, imposto federal que incide sobre operações de crédito correspondentes à mútuo (artigo 13 da Lei n. 9.779/1999 e artigos 2º e 3º do Decreto n. 6.306/2007). Não há empréstimo, uma vez que o valor confiado aos sócios configura pagamento por uma mercadoria/serviço, que será futuramente entregue à pessoa jurídica, não havendo, portanto, posterior restituição do dinheiro em espécie, requisito para configuração do mútuo (artigo 586 do Código Civil). 3 2 "A uma porque os valores envolvidos nos aludidos lançamentos contábeis nas contas de passivo n° 22401.00001 e 22401.00002 são absolutamente compatíveis com as receitas da atividade pecuária auferidas pelos Senhores Domingos e Henrique no ano de 2008. (...) A duas porque os documentos anexados por amostragem pela suplicante confirmam que, durante o anocalendário de 2008, os Senhores Domingos e Henrique passaram a vender antecipadamente gado bovino à impugnante ou prometeram a sua entrega futura , operações essas representadas por CPR de expressivos valores. A defendente, por sua vez, com lastro nessas CPR, emitiu Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), cujos beneficiários eram fundos de investimentos (...) A três porque o Fisco não apontou quaisquer inconsistências nos diversos lançamentos contábeis promovidos pela autuada no contexto dessas operações, e muito menos cogitou de prática de atos simulados, limitandose a concluir, equivocadamente, que os lançamentos contábeis nas contas de passivo n° 22401.00001 e 22401.00002 configuravam empréstimos, por apresentarem saldo devedor durante todo o ano de 2008.” 3 Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Fl. 4350DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 10 Destaco que foi exatamente esta a ratio firmada pelo CARF no Acórdão n. 340200.472. Lá julgouse inexistir mútuo em contrato de contacorrente puro (em que havia adiantamento de recursos a fornecedor de serviços regularmente contratado, a ser quitado por meio da execução de serviço). O mesmo se diga em relação ao Acórdão n. 0105.472, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que analisou contrato cujos saldos eram compostos por valores de cobrança de duplicadas sacadas pela empresa, decorrentes da prestação de serviços comuns às empresas ligadas. Vale destacar trecho do voto do Conselheiro Relator Julio Cesar Alves Ramos, quando do julgamento do Processo 10746.001486/200394 (Recurso n° 237.710 Voluntário, Acórdão n° 340200.472), cuja lógica aplicase claramente ao presente caso: Por isso, ainda que se possa entender que a operação consistente nos adiantamentos é diversa da contratação das obras, e assim também penso, o máximo que se pode considerá la é modalidade de financiamento pelo contratante. Como bem se sabe, distinguese tal modalidade daquela prevista na Lei n° 9.779 pelo fato de estar vinculada à elaboração de um bem ou realização de serviço, por meio da qual o adiantamento é pago. Já o mútuo, como citado no recurso, é modalidade diversa de crédito e tem expressa definição no Código Civil (art. 586). Nela a obrigação do mutuário é devolver, em quantidade determinada, coisa da mesma espécie e qualidade que lhe fora entregue pelo mutuante. A modalidade mais comum, por óbvio, é o mútuo de dinheiro, em que dinheiro, portanto, tem de ser devolvido. (grifei) Por essas razões, entendo ser incólume o acórdão recorrido quando afastou a incidência do IOF no presente caso, vale dizer, sobre o quanto as contas de passivo nº 21901.00001 e 22401.00002 (pagamento da venda para entrega futura aos sócios), são compatíveis aos lançamentos nas contas 21901.00003 e 21901.00004, pois não está configurada operação de crédito apta a enseja tal tributação, como amplamente comprovado nestes autos. Finalmente, pela comparação entre os fundamentos da autuação e os fundamentos utilizados para a cobrança de IOF e seu adicional pela autoridade fiscal quando da apresentação do relatório de diligência, constatase existir inequívoca alteração dos fundamentos de fato do lançamento tributário, implicando em agravamento da exigência inicialmente discutida nestes autos. Com efeito, tanto o TVF (fls 882) quanto o auto de infração (fls 898) são expressos e pontuais sobre o objeto de lançamento de ofício do IOF: “a pessoa jurídica fiscalizada emprestou dinheiro a seus sócios Domingos Ferreira Ávila Júnior, CPF n. 303.130.31134, e Henrique Pereira de Ávila, CPF n. 198.417.10110, efetuando os lançamentos tributários contábeis nas contas de passivo n. 22401.00001 e 22401.00002, as quais permaneceram com saldo devedor durante todo o ano de 2008.” A seu turno, a Autoridade Fiscal responsável pela diligência (Fls 4242 e seguintes), diante de todo o contexto apresentado e devidamente comprovado pelo Contribuinte culminando na conclusão da DRJ de que os valores contabilizados nas contas de passivo n. 22401.00001 e 22401.00002 são adiantamento de venda de gado aos seus sócios, na medida em que estão abarcados pelas CPRs , passou a adotar nova metodologia para o lançamento fiscal, qual seja, extração dos “saldos diários da conta nº 21901.00003 e a confrontamos com os saldos diários da conta nº 22401.00001, bem como confrontamos os saldos diários das Fl. 4351DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 10120.722726/201236 Acórdão n.º 3402002.987 S3C4T2 Fl. 4.347 11 contas nº 21901.00004 e 22401.00002. A partir do excesso de mútuo em relação ao valor das CPRs, passamos a demonstrar a apuração do IOF e seu adicional (efls. 4218 até 4241).” Isto porque, lembrese as contas de passivo nº 21901.00003 e 21901.00004, representam a obrigação da empresa para com os sócios em decorrência da entrega da CPR, e, à medida que os valores de tais contas foram diferentes dos lançamentos nas contas nº 21901.00001 e 22401.00002, a Fiscalização entendeu que o “excesso” caracteriza “empréstimo”, a ser tributado pelo IOF. Em síntese, a autuação que se limitava à autuação global das contas de passivo n. 22401.00001 e 22401.00002 como base do IOF (empréstimo de Recorrida aos sócios), quando da lavratura do auto de infração, passou a abarcar novo argumento pela fiscalização, qual seja, a relação destas contas com as contas de passivo nº 21901.00003 e 21901.00004, no que excedentes. Fica patente, assim, a modificação pelas alterações nos pressupostos de fato do trabalho fiscal. Não por outra razão que a petição do contribuinte de fls 4258 (resposta ao relatório de diligência) traz toda uma nova argumentação de defesa, inclusive sobre preliminar de decadência e erros de apuração de base de cálculo, que não existiam anteriormente. Tal situação não pode prosperar, uma vez que tratase de verdadeira tentativa de salvar o lançamento tributário claramente improcedente, sem motivo jurídico e fático para tanto. CONCLUSÃO Por tudo quanto exposto, voto pela improcedência do recurso de ofício, mantendo o cancelamento da exigência formalizada no auto de infração objeto de recurso fazendário. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 4352DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
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