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Numero do processo: 19679.000178/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS.
Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao
próprio tratamento e ao de seus dependentes.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação.
Hipótese em que o recorrente demonstrou ter declarado as despesas médicas erroneamente como despesas de instrução, e teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.517
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para admitir deduções a título de despesas médicas no valor de R$23.158,57.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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Podem ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Hipótese em que o recorrente demonstrou ter declarado as despesas médicas erroneamente como despesas de instrução, e teve sucesso em comprovar parte das deduções pleiteadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para admitir deduções a título de despesas médicas no valor de R$23.158,57. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 69 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Eivanice Canário da Silva (Suplente). Ausente o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 5 a 7, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para glosar despesas com instrução, cancelando o Imposto a Restituir de R$1.576,02 e formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$6.717,58, acrescido de multa e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 13), que “houve erro de preenchimento na sua declaração, já que informou o valor total das despesas médicas a serem deduzidas (R$ 30.158,57), no campo referente a despesas com instrução”, “que não houve nenhuma despesa com instrução e que o valor total declarado naquele campo confere com a soma dos pagamentos informados na Relação de Pagamentos da citada Declaração.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, pois o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem as despesas médicas deduzidas, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 12 a 15): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, cabendo ao contribuinte produzir as provas necessárias para justificar suas alegações. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS LEGAIS. São dedutíveis, a título de despesas médicas, os pagamentos feitos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, Fl. 74DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 70 3 relativos ao contribuinte e a seus dependentes, desde que comprovados por documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 7/10/2009 (fl. 18v), o contribuinte apresentou, em 23/10/2009, o recurso de fls. 21 a 66, onde afirmou: a) que, quando da entrega da sua solicitação de revisão de lançamento, em janeiro de 2005, não foi informado da necessidade de anexar documentos, tendo sido orientado a aguardar eventuais exigências adicionais da comissão que julgaria o caso; b) que traz agora os documentos comprobatórios das despesas médicas; c) que a maioria das despesas médicas se refere à assistência dada a sua esposa Aparecida da Silva Granizo, que é sua dependente; d) que não dispunha de comprovação do valor de R$ 7.000,00 pago ao Dr. Henrique Guedes. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 67, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. O contribuinte deduziu, em sua declaração de ajuste do exercício de 2004 (fls. 3 a 4v), R$ 30.158,57 de despesas com instrução, que foram glosadas por superar o limite legal. A impugnação esclarece que as deduções se referem a despesas médicas, fato apontado na declaração com uma seta indicativa. O julgador a quo aceitou as explicações, mas não admitiu a dedução por falta de apresentação de documentos comprobatórios. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 71 4 No voluntário, o sujeito passivo esclarece que não tinha apresentado documentos anteriormente por ter sido orientado a aguardar exigências adicionais, e acosta a documentação comprobatória. Inicio por admitir as novas provas apresentadas no recurso. Penso que, nas fiscalizações de pessoas físicas, em regra sem formação jurídica e contábil, devese mitigar um pouco o rigor do direito processual, e flexibilizar o direito à produção de provas. E, no caso, vêse que o sujeito passivo efetivamente informou as despesas médicas na relação de pagamentos efetuados, preenchendo o campo errado na planilha de cálculo da declaração, que informou o fato em sua impugnação, e que apresentou os documentos com base no exigido pelo julgamento recorrido. O recorrente pleiteia a dedução das seguintes despesas médicas: BENEFICIÁRIO VALOR PLANO DE SAÚDE SAMCIL 4.390,60 CONVÊNIO IESP x SAMCIL HOLLERITHE 1.604,33 HOSPITAL SÍRIOLIBANÊS 16.033,64 CLÍNICA DR.CÂNDIDO E DR.MAURÍCIO S/C LTDA. 700 DR. OMAR E. BOTTER 150 DR. HENRIQUE J. GUEDES 280 23.158,57 Todas essas despesas haviam sido informadas na declaração de ajuste (fl. 3 v), que informava ainda um pagamento ao Dr. Henrique Guedes no valor de R$7.000,00, que o contribuinte afirma não possuir comprovação. Acrescentese que a Sra. Aparecida da Silva Granizo, CPF no 165.912.468 94, foi declarada como dependente nesse anocalendário. Para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 72 5 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais. Observese que a dedução exige a efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. No caso em tela, resta verificar se os documentos apresentados servem para comprovar as deduções pleiteadas, o que se faz a seguir. a) PLANO DE SAÚDE SAMCIL – R$4.390,60: Valor comprovado pelos boletos de pagamento a PRO SAUDE ASSISTENCIA MEDICA (SAMCIL), em nome de Aparecida da Silva Granizo (fls. 23 a 33), que correspondem a dez parcelas de R$395,81 e uma de R$432,50, totalizando R$ 4.390,60. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 19679.000178/200529 Acórdão n.º 2101001.517 S2C1T1 Fl. 73 6 b) CONVÊNIO IESP x SAMCIL HOLLERITHE – R$1.604,33: Valor correspondente às rubricas “Seguro Saúde” nos contracheques do contribuinte (fls. 34 a 39), correspondentes a onze parcelas de R$116,73 e uma de R$320,30, totalizando R$ 1604,33. c) HOSPITAL SÍRIOLIBANÊS – R$16.033,64: Valor comprovado com os recibos e notas fiscais de fls. 40 a 62, que demonstram pagamentos de R$1.323,16, R$6.000,00, R$4.290,38, R$77,37, R$77,37, R$41,99, R$41,99, R$3.660,86 e R$520,52, efetuados nos meses de novembro e dezembro de 2003, totalizando R$ 16.033,64, sendo beneficiária a Sra. Aparecida da Silva Granizo. d) CLÍNICA DR.CÂNDIDO E DR.MAURÍCIO S/C LTDA – R$700,00: Valor comprovado pelos recibos de fls. 63 a 64, totalizando R$700,00. e) DR. OMAR E. BOTTER – R$150,00 Valor comprovado pelo recibo de fl. 65. f) DR. HENRIQUE J. GUEDES – R$280,00 Valor comprovado pelo recibo de fl. 66. g) DR. HENRIQUE J. GUEDES R$7.000,00 Valor sem comprovação. Desta forma, restam comprovadas despesas médicas que totalizam R$23.158,57. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir deduções a título de despesas médicas no valor de R$23.158,57. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/ 03/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917102/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/03/2002
COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO.
Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos
referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal
tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que
tenha transitado em julgado a respectiva decisão.
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO.
IMPOSSIBILIDADE.
É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar
tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de
inconstitucionalidade.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 15/03/2002
SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO.
Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins
relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões
regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.457
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2002 COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO. Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2002 SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado
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E ADVOGADOS S/C Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2002 COFINS. SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. REPERCUSSÃO GERAL E SOBRESTAMENTO DO RECURSO. Somente é cabível o sobrestamento do julgamento dos recursos em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NORMA. AFASTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado, no âmbito do Carf, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2002 SOCIEDADES CIVIS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, a isenção da Cofins relativa às sociedades civis de prestação de serviços de profissões regulamentas foi revogada pela Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 50 a 57) apresentado em 15 de abril de 2009 contra o Acórdão no 1333.441, de 16 de fevereiro de 2011, da 4ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 43 a 46), cientificado em 07 de abril de 2011, que, relativamente a declaração de compensação de Cofins dos períodos de 15 de março de 2002, considerou improcedente a manifestação de inconformidade da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins, prevista no inciso II do art. 6º da LC 70/1991, foi revogada pelo art. 56 da Lei 9.430/1996. RECOLHIMENTO DEVIDO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo sido constatadas a correção do recolhimento efetuado e a inexistência de crédito em relação a esse pagamento, não há que se reconhecer o direito da interessada ao pretenso crédito. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As argüições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciá las. Manifestação de Inconformidade Improcedente A declaração de compensação foi transmitida em 29 de outubro de 2004. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.917102/200851 Acórdão n.º 330201.457 S3C3T2 Fl. 90 3 Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 13090.65742.291004.1.3.04 0642, em 29/10/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/2/2002, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (cód. 2172), atinente ao período de apuração 1/2002 no valor original de R$ 58.946.386, com débito de CSLL(23721) referente ao período de 3º trim./2004, no valor original de R$ 85.185,96. 2. Por meio do Despacho Decisório nº 781147056, emitido eletronicamente (fl. 9), o Delegado da Derat/Rio de Janeiro, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. 3 Cientificada, em 25/08/2008 (fl.9), a Interessada, inconformada, ingressou, em 11/09/2008, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 12, na qual alega, em síntese, que: 3.1 O presente processo objetiva compelir o suplicante ao pagamento de crédito fiscal já compensado; 3.2 O despacho decisório considera que o pedido deve ser indeferindo diante da existência de crédito; 3.3 O pagamento referente a este processo já foi realizado em DARF anexo; 3.4 Qualquer impugnação ao crédito conforme art. 150, § 4º do CTN só poderia ser realizada até 2006. Por conseguinte, o pagamento se tornou definitivo em razão da decadência; 3.5 Como este foi o único fundamento para o indeferimento do pedido de compensação e a suplicante junta em anexo o comprovante do DARF respectivo, a decisão recorrida tem de ser revista para que se dê o pagamento como realizado, até porque é impossível contestálo, quer materialmente em função da comprovação do recolhimento, quer juridicamente em função da decadência; 3.6 O pagamento se refere à Cofins. Segundo o enunciado da Súmula 276 do STJ, em 14.05.2003: “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da cobrança para o financiamento da seguridade social (Cofins), independente do regime tributário adotado. Com base na súmula todas as sociedades civis de profissões regulamentadas poderão buscar direito de não pagar a Cofins e pedir restituição ou compensação dos valores pagos indevidamente a partir de 1996”; 3.7 Como a suplicante se enquadra exatamente nas condições referidas na aludida decisão, o pagamento reputase indevido e o crédito apurado pode ser usado para quitação de tributos por compensação, como ocorreu; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 3.8 Ressalta, porém, que este ponto não foi levantado para fundamentar o indeferimento do pedido de compensação, que é discutido e aponta apenas a inexistência do pagamento feito; 4. Por estas razões, a suplicante está certa de que a questão será melhor examinada e a decisão recorrida reformada. 5. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. No recurso, inicialmente a Interessada alegou haver ocorrido homologação tácita. Acrescentou que, quando houve o pagamento, vigorava a Súmula STJ n. 276, segundo a qual “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS irrelevante o regime tributário adotado”. Citou, ainda, os arts. 100 e 144 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que não se trata de auto de infração, mas de não homologação de compensação. Ainda assim, segundo dispõe o art. 74, § 5º, da Lei n. 9.430, de 1996, o prazo de homologação tácita é de cinco anos, contados da transmissão da declaração: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No caso, conforme esclarecido no relatório, a declaração de compensação foi transmitida em 03 de fevereiro de 2004 e o despacho decisório foi exarado em 09 de maio de 2008, dentro do prazo legal. O equívoco da Interessada foi considerar como termo de início do prazo a data de recolhimento da contribuição, o que não se coaduna com a lei. Quanto ao mérito, sua pretensão esbarra em outra questão, que se inicia pela não aplicação ao presente caso da disposição do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf Ricarf (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009, alterada pela Portaria MF n. 586, de 2010): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.917102/200851 Acórdão n.º 330201.457 S3C3T2 Fl. 91 5 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Em relação a tal matéria, a Portaria Carf n. 1, de 2012, esclareceu que somente caberia o sobrestamento de processos administrativos, nos casos de o STF houver determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários: Art. 1°. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. No caso dos autos, voltando à análise da isenção, a repercussão geral da matéria foi decidida no RE n. 575.093 (STF, < http://www.stf.jus.br/ portal/ diarioJustica/ verDiarioProcesso.asp? numDj =92&dataPublicacaoDj =23/05/2008 &incidente =3747060 &codCapitulo =2&numMateria =12&codMateria =7>, acesso em 03 fev 2012): COFINS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LEI Nº 9.430/96 PROCESSO LEGISLATIVO ISENÇÃO DISCIPLINA MEDIANTE LEI ORDINÁRIA RESERVA DE PLENÁRIO. Possui repercussão geral controvérsia sobre a observância do processo legislativo e do princípio da reserva de Plenário, considerada revogação de isenção por meio de lei ordinária. Entretanto, no referido RE, não foi determinado o sobrestamento dos demais RE que trataram da matéria, de forma que descabe o sobrestamento dos processos administrativos que versem sobre a matéria. Nesse contexto, aplicase, no entanto, o art. 62 do Ricarf e a Súmula Carf n. 2: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. [...] Súmula CARF n. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É certo que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse na conclusão de que o regime de apuração do imposto de renda não condicionaria a isenção da Cofins prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar n. 70, de 1991, que não fez ressalvas s relativas à isenção. A principal premissa desse entendimento é o fato de que a opção pela forma de tributação não pode alterar a natureza da sociedade civil, à vista do estritamente disposto no art. 1º do Decreto nº 2.397, de 1987. Entretanto, a Lei nº 9.430, de 1996, revogou expressamente a referida isenção. O Superior Tribunal de Justiça posicionou pela impossibilidade de uma lei ordinária revogar disposição instituída por lei complementar, pela suposta existência de hierarquia entre lei complementar e ordinária. No entanto, tratase de questão de natureza constitucional, matéria cuja competência para apreciação é do Supremo Tribunal Federal. De fato, desde a Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, de 1993, o STF já havia se posicionado pela inexistência de hierarquia entre lei complementar e ordinária e, mais ainda, pelo entendimento de que a LC nº 70, de 1991, teria natureza material de lei ordinária, podendo, portanto, ser revogada por uma lei formalmente ordinária. No âmbito dos recursos extraordinários 377.457 e 381.964, o Tribunal posicionouse pela constitucionalidade da revogação (DJe241, DIVULG 18122008, PUBLIC 19122008, EMENT VOL0234608, PP01774): EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.917102/200851 Acórdão n.º 330201.457 S3C3T2 Fl. 92 7 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. Portanto, o entendimento do STF temse firmado em sentido contrário ao do STJ e deve, assim, não há como, administrativamente, considerar que a referida isenção não tenha sido revogada. Nesse contexto, o STJ reviu seu posicionamento anterior, alinhandose ao entendimento do STF, conforme demonstra a ementa a seguir reproduzida (AgRg no Ag 1248980 / DF 2009/02187450, Relator(a): Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento: 16/08/2011, Data da Publicação/Fonte: DJe 19/08/2011): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. COFINS. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. ISENÇÃO. LC N. 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56 DA LEI N. 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE SE ORIENTA NO SENTIDO DA JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO N. 377.457/PR. DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DA REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO. 1. No tocante à decadência/prescrição do crédito tributário, essa matéria sequer foi objeto de conhecimento pelo Tribunal de origem, o que acarreta a ausência de prequestionamento, conforme o teor do entendimento consubstanciado na Súmula 282/STF. 2. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, em 17/9/2008, ao concluir o julgamento do RE 377.4573/PR, decidiu que não existe relação hierárquica entre lei complementar e lei ordinária e que a possibilidade de revogação da isenção concedida pela LC 70/91, por meio da Lei 9.430/96, encerra questão exclusivamente constitucional concernente à distribuição material entre as espécies legais. Na mesma oportunidade, o Pretório Excelso, ponderando preceitos constitucionais relativos à matéria tributária (arts. 195, I, e 239), afirmou que a LC 70/91 é materialmente ordinária. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 3. Considerando que as leis confrontadas (art. 6º, II, da LC 70/91 e art. 56 da Lei 9.430/96) são materialmente ordinárias e ostentam normatização incompatível em si, é de se concluir pela prevalência do diploma mais moderno e, por conseguinte, pela legitimidade da revogação da isenção da Cofins (art. 2º, § 1º, da LICC lex posterior derrogat priori). 4. Agravo regimental não provido. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 27/02/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10670.001982/2002-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1998
ÁREA DE PASTAGENS E COMPROVAÇÃO DE REBANHO.
Cumpre ao contribuinte comprovar a existência de área de pastagens e de rebanho ao tempo do fato gerador do imposto, mediante a apresentação de prova documental hábil e idônea, sob pena de ser reduzida a sua área utilizada.
ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO O IMÓVEL RURAL. ESTADO DE EMERGÊNCIA X CALAMIDADE. DIFERENCIAÇÃO. ANALOGIA. INAPLICABILIDADE.
Com fulcro no artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, somente presumir-se-á o grau de utilização do imóvel rural ao percentual de 100% (cem por cento), para fins da determinação da alíquota do cálculo do imposto devido, quando devidamente comprovada a decretação de estado de calamidade, c/c a frustração de safras ou pastagens, não se prestando à caracterizar aludida situação o reconhecimento pelo Poder Executivo do estado de emergência, em virtude de constituir-se requisito literalmente
inserido na legislação de regência, não se cogitando em lacuna na lei para efeito da aplicação da analogia, de maneira a abarcar outras hipóteses não contempladas no bojo na norma legal.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1998 ÁREA DE PASTAGENS E COMPROVAÇÃO DE REBANHO. Cumpre ao contribuinte comprovar a existência de área de pastagens e de rebanho ao tempo do fato gerador do imposto, mediante a apresentação de prova documental hábil e idônea, sob pena de ser reduzida a sua área utilizada. ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO O IMÓVEL RURAL. ESTADO DE EMERGÊNCIA X CALAMIDADE. DIFERENCIAÇÃO. ANALOGIA. INAPLICABILIDADE. Com fulcro no artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, somente presumir-se-á o grau de utilização do imóvel rural ao percentual de 100% (cem por cento), para fins da determinação da alíquota do cálculo do imposto devido, quando devidamente comprovada a decretação de estado de calamidade, c/c a frustração de safras ou pastagens, não se prestando à caracterizar aludida situação o reconhecimento pelo Poder Executivo do estado de emergência, em virtude de constituir-se requisito literalmente inserido na legislação de regência, não se cogitando em lacuna na lei para efeito da aplicação da analogia, de maneira a abarcar outras hipóteses não contempladas no bojo na norma legal. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CCSSRRFFTT22 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS PPrroocceessssoo nnºº 10670.001982/200298 RReeccuurrssoo nnºº 329.464 Especial do Contribuinte AAccóórrddããoo nnºº 920202.101 – 2ª Turma SSeessssããoo ddee 09 de maio de 2012 MMaattéérriiaa ITR RReeccoorrrreennttee ALV PARTICIPAÇÕES LTDA. IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 ÁREA DE PASTAGENS E COMPROVAÇÃO DE REBANHO. Cumpre ao contribuinte comprovar a existência de área de pastagens e de rebanho ao tempo do fato gerador do imposto, mediante a apresentação de prova documental hábil e idônea, sob pena de ser reduzida a sua área utilizada. ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO O IMÓVEL RURAL. ESTADO DE EMERGÊNCIA X CALAMIDADE. DIFERENCIAÇÃO. ANALOGIA. INAPLICABILIDADE. Com fulcro no artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, somente presumirseá o grau de utilização do imóvel rural ao percentual de 100% (cem por cento), para fins da determinação da alíquota do cálculo do imposto devido, quando devidamente comprovada a decretação de estado de calamidade, c/c a frustração de safras ou pastagens, não se prestando à caracterizar aludida situação o reconhecimento pelo Poder Executivo do estado de emergência, em virtude de constituirse requisito literalmente inserido na legislação de regência, não se cogitando em lacuna na lei para efeito da aplicação da analogia, de maneira a abarcar outras hipóteses não contempladas no bojo na norma legal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte [fls. 332/400] em face da decisão da então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas pela Interessada. No mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas em relação à área de preservação permanente, por meio do Acórdão n. 30237.813 [fls. 264/280], de 12/07/2006, , cuja ementa transcrevo: ILEGITIMIDADE DE PARTE PASSIVA. Havendo declaração na escritura pública, de apresentação da certidão de quitação de tributos e contribuições federais administradas pela Secretaria da Receita Federal em nome dos outorgantes, nos moldes preconizados pelo art. 130, in fine, do Código Tributário Nacional, evidenciase a responsabilidade da alienante e não procede a preliminar de ilegitimidade de parte passiva. ERRO MATERIAL. CÁLCULO DO VTN. Nada obstante haver impugnação parcial do cálculo do VTN, pois à medida em que a recorrente pretende comprovar a existência do rebanho em sua propriedade, também intenta provar a existência de pastagens e, por via de consequ .ncia, a mantença do valor daquelas no seu cálculo do VTN; o valor das benfeitorias (que a fiscalização reduziu para ZERO para ficar de acordo com a Área Ocupada com Benfeitorias declarada pela contribuinte) somente agora, em sede recursal, veio de ser apontado pela requerente como erro material, e destarte não pode ser sanado nesta via recursal, até porque não há provas nos autos que lastreienz o indigitado erro material. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. Impossível o reconhecimento de calamidade pública, pois o decreto municipal trazido é de estado de emergência; ademais, não foi reconhecido pelos Poderes Públicos estadual e federal, Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001982/200298 Acórdão n.º 920202.101 CSRFT2 Fl. 2 3 consoante legislação de regência, requisito esse que se justifica na medida em que uma esfera de Poder não pode imiscuirse nos assuntos tributários de outra. ÁREA DE PASTAGENS E COMPROVAÇÃO DE REBANHO. Cumpre ao contribuinte comprovar a existência de área de pastagens e de rebanho ao tempo do fato gerador do imposto, mediante a apresentação de prova documental hábil e idónea, sob pena de ser reduzida a sua área utilizada. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão na base cie cálculo do ITR, inclepende da apresentação do ADA no prazo estabelecido, uma vez que seu reconhecimento pode ser feito por meio de outras provas documentais idôneas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE O cerne da questão discutida no presente processo referese a Auto de Infração no qual é cobrado da contribuinte Imposto Territorial Rural — ITR do ano de 1998. Em procedimento de análise da documentação apresentada e das informações constantes da DITR / 1998, segundo a fiscalização foi constatada a ausência do requerimento do ADA junto ao IBAMA, e considerou, ainda, não comprovada, a transferência do rebanho. Fatos estes que culminou na glosa das áreas declaradas como de preservação permanente (390,0 ha), e a área utilizada com pastagens (2.000,0ha), com consequ entes aumentos do Valor da Terra Nua (VTN). A recorrente tendo recebido ciência da decisão do acórdão em 12/04/2007, conforme o AR de fl. 286, apresentou embargos de declaração de fls. 287/290, por entender que houve dois equívocos no acórdão referido, sendo o primeiro, a omissão que ocorreu de no ter sido apreciada a alegação de que todo o imóvel houvera sido decretado área de interesse ecológico; e o segundo, e o erro material, pelo fato de haver engano na análise dos documentos trazidos com o fito de comprovar a ilegitimidade passiva da recorrente, anexada aos autos de fls. 291 a 311. No ponto, os embargos declaratórios foram acolhidos a título de existência de dúvida. No julgamento ocorrido em 07/08/2007, acórdão 30238.833, fls. 321/324, decidiram os membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes negar provimento aos embargos de declaração, posto que não foi vislumbrado nenhum dos dois fatos citados pela recorrente, ou seja, na análise feita não foi constatado erro material e nem omissão no acórdão embargado. Com fulcro no artigo 7º, inciso II c/c art. 15, ambos do Regimento Interno do CSRF, aprovado pela Portaria MF n. 147, de 25/06/2007, a Interessada recorreu para que haja reforma do acórdão recorrido e, por conseguinte, prevaleça o que foi decidido nos acórdãos paradigma apresentados a seguir pela Contribuinte, cancelandose, com isso, a exigência fiscal em apreço. Alega, em síntese, que entre os paradigmas e acórdão recorrido existe bases fáticas praticamente idênticas, e os caminhos foram completamente opostos. Argumenta que não pode ser responsabilizada pelo ITR eventualmentel devido, pois o decreto municipal de emergência n° 611/95, é suficiente para ensejar a aplicação Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 do art. 10, § 6", da Lei 9.393/96 à hipótese dos autos. Ainda em sua defesa, aduz que não prospera a posição exposta no acórdão recorrido quanto à questão de ilegitimidade. Por fim, e põe que, quanto à área de pastagem/ rebanho bovino, foi analisado caso praticamente idêntico ta própria contribuinte ALV PARTIPAÇOES LTDA. pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que acatou os contratos de comodato celebrados e as conclusões o parecer técnico preparado pelo mesmo engenheiro agrônomo que assina o laudo utilizado nos presentes autos. Para comprovar a divergência alegada, a recorrente apresenta, dentre vários os acórdãos paradigmas, os de n° 30131.637, 30334.078 e o 30131.583, cujas ementas transcrevo: ITR. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO. A imissão prévia na posse, de forma consensual, com animus domini, em cumprimento a disposição de lei especifica (Decreto n' 93.238/86) que declarou de utilidade pública e interesse social, para fins de desapropriação pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco — CHESF, áreas de terras situadas nos Estados de Pernambuco e Bahia, destinadas a Projetos Especiais de Irrigação e necessárias ao reassentamento de parte da população a ser atingida pelo Reservatório de Itaparica, às margens do rio São Francisco, nos estados de Pernambuco e da Bahia, seguida da transferência da titularidade dos imóveis, em razão do parcelamento da área desapropriada, qualifica os imitidos na posse prévia como sujeitos passivos do ITR. SUJEITO PASSIVO. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título (art. 31 do CTN c/c o art. 4 0 da Lei n° 9.393 de 19/12/96). POSSE JUSTA. É justa a posse que não for violenta clandestina ou precária. RECURSO PROVIDO. (Acórdão 30131.637, da 1" Câmara do 3° CC, em sessão de 27/01/2005, RelatorPresidente: Otacílio Dantas Cartaxo). Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1998 Ementa: SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA. ANALOGIA. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Comprovada a gravidade da situação, através de Decreto Municipal, as disposições legais atinentes à declaração do estado de calamidade pública se estendem, por analogia e, em observância aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, à situação de emergência, hipótese do caso concreto. Recurso provido. (Acórdão 30334.078, da 3" Câmara do 3° CC, em sessão de 27/02/2007Cons. Relator: Nilton Luiz Bartoli). ITR. TRIBUTAÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001982/200298 Acórdão n.º 920202.101 CSRFT2 Fl. 3 5 A comprovação da área de preservação permanente, para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, não depende tão somente de seu reconhecimento pelo IBAMA por meio de Ato Declaratório Ambiental ADA ou da protocolização tempestiva de seu requerimento, uma vez que a sua efetiva existência pode ser comprovada por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas trazidas aos autos. ÁREA DE PASTAGEMACEITA. Aceitase, a título de área utilizada como pastagens, a área que no ano anterior ao da entrega da DIAT, tenha comprovadamente, servido de pastagem para animais de grande e médio porte, observados os índices de lotação por zona pecuária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO PROFERIDA EM 1" INSTÂNCIA. EFICÁCIA. É válida a decisão proferida por autoridade que detinha, em razão da matéria, competência, expressamente atribuída em norma legal, para julgar o processo. RECURSO PROVIDO POR UNANIMIDADE. (Acórdão 30131.583, da 1" Câmara do 3" CC, em sessão de 01/12/2004, Cons. Relatora: Atalina Rodrigues Alves). Em 05 de dezembro de 2008, a então Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes realizou o exame de admissibilidade do Especial interposto [Despacho n. 302.339 – fls. 402/407] tendo, em síntese, dado seguimento parcial, conforme se observa abaixo: Em consulta a página do CC, os acórdãos acima mencionados como paradigmas, nada consta na CSRF, sendo assim, não foram reformados, cumprida com a exigência do § 5 do art. 15 do RICSRF. Analisando os acórdãos apresentados como paradigmas, e o acórdão recorrido, para demonstrar a existência ou não da divergência alegada pela recorrente, concluo que: 1 — Para ser afastada a ilegitimidade passiva alegada pela recorrente, três requisitos a de ser observado: primeiro (a) não ser o proprietário na época da ocorrência do fato gerador; (b) que não tenha auferido rendimento econômico; (c) provar que o ITR foi pago pelo possuidor. O paradigma apresentado trata de desapropriação, sendo assim inadequ do para ser utilizado como paradigma de divergência, visto que, a desapropriação tem instituto próprio, existindo toda urna legislação de regência a ser observada, ou seja,diferente do que estabelece o artigo 31, do CTN. Já a questão apresentada para análise, a meu ver, está regida pelo direito das obrigações contratuais do Código Civil, tratandose, desta forma, de um negócio jurídico bilateral, tal qual verificada no relatório que trata da existência de contratos de comodato , ou seja, de transferências de titularidade por venda. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Por todo o exposto, concluo que as hipóteses fáticas postas em confronto não oferecem a necessária similitude, visto que, uma trata de transferência de titularidade por enda e a outra, cuida de transferência de titularidade por razão muito específica, que é a desapropriação. 2 Concernente à questão do estado de emergência, o posicionamen o do paradigma trazido pela recorrente é de que a legislação exige apenas que a ocorrência de calamidade pública seja decretada pelo poder público, e não determina em momento algu que o reconhecimento seja por parte do "Governo Federal, ou mesmo pelo Governo Estadual". Aduz ainda que o fenômeno ecológico prejudica e até mesmo arrasa o crescimento de plantações e produção agropecuária, temse que uma situação de emergência assemelhase por demais à situação de calamidade pública. Por outro lado, o acórdão recorrido entendeu que não pode ser reconhecido o decreto trazido aos autos como de calamidade pública, visto que o documento é de estado de emergência. Comenta, ainda, que tal decreto não foi reconhecido pelo poder público Estadual e Federal, consoante legislacao de regência. Como se pode observer, existe divergencia entre o paradigm e o acórdão recorrido, a respeito da materia. 3 — Quanto à área de pastagem, no paradigma considerouse que o laudo de avaliação de imóvel para fins tributário elaborado por engenheiro agrônomo de acordo com a NBR 8.799 da ABNT e acompanhado da ART, consta que a destinação do imóvel se caracterizava, no ano base, pela exploração da pecuária, que naquele ano houve o empastamento de cabeças de gado bovino. Mesmo o contribuinte não tendo apresentado a cópia do cartão de vacina da IMA, e tendo apresentado contratos de comodato sem registro no cartório competente, a area de pastagem foi aceita pelo laudo técnico apresentado. Assim, fica demonstrada a divergência referente à área de pastagem, uma vez que para o acórdão recorrido o Laudo Técnico não foi levado em consideração visto que os contratos de comodato trazidos pela recorrente, por cópia reprográfica simples, não estão registrados em qualquer registro público e sequer contam com reconhecimento das firmas dos signatários. Com relação à fixação do VTN, a recorrente nada expôs no seu recurso especial. Finalmente, no uso das atribuições que me confere o § 6" do artigo 15, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, DOU SEGUIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL interposto pelo sujeito passivo, somente com relação à questão do Estado de Calamidade Pública e a da área de Pastagem / Comprovação de Rebanho. [Grifo nosso] Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001982/200298 Acórdão n.º 920202.101 CSRFT2 Fl. 4 7 Devidamente intimada para se manifestar, a PGFN apresentou contrarrazões que pugna, primeiramente, pelo nãoconhecimento, ou, caso este Colegiado assim não entenda, que no mérito lhe seja negado provimento, mantendose a decisão proferida pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes [fls. 410/421]. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Conheço do recurso interposto por cercase dos requisitos necessários para o seu seguimento – tempestividade [intimação em 09/10/2007 (fl. 329) e não consta a data do protocolo do Especial; considerei a data 24/10/2007 – fl. 332] , conforme o disposto no art. 67 do Regimento Interno do CARF. Segundo consta dos autos, a então Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes realizou o exame de admissibilidade do Especial interposto [Despacho n. 302.339 – fls. 402/407] tendo, em síntese, dado seguimento parcial, em relação as seguintes matérias: […]DOU SEGUIMENTO PARCIAL AO RECURSO ESPECIAL interposto pelo sujeito passivo, somente com relação à questão do Estado de Calamidade Pública e a da área de Pastagem / Comprovação de Rebanho. [Grifo nosso] Dito isso, passo a análise das matérias separadamente. 1 DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À ÁREA DE PASTAGEM/REBANHO BOVINO Em relação às áreas de pastagem declaradas, o acórdão recorrido afirma que: Quanto às questões de fundo propriamente ditas, noto que o lastro principal da. defesa repousa no laudo de avaliação de imóvel para fins tributários, fis. 194 e seguintes, juntado agora, em momento de recurso. A esse passo, devo analisar ab initio a material concernente à área de pastagens e comprovação de rebanho, porquanto detectei um problema deveras grave no aludido Laudo, justamente no que pertine à pretensa comprovação de rebanho de terceiros no imóvel da autuada. Às fls. 237/238, o Laudo apresenta os dados do efetivo pecuário e o demonstrativo da situação do rebanho durante o ano de 1997, os quais deviam ser secundados pelas fichas de controle do criador, emitidas pelo Instituto Estadual de Saúde Animal, em nome dos comodatários (que celebraram contrato de comodato com a comodante, ora recorrente) fls. 246, 248, 250, 252 e 256; entretanto, as indigitadas fichas infirmam o quanto dito no Laudo, uma vez que os rebanhos ali constantes já estão vinculados a outros imóveis, de propriedade dos próprios comodatários ou de outras pessoas que não a recorrente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Assim é que temse agora a peça probatória caindo em contradição com o afirmado nela anteriormente, protagonizando verdadeiro e total descrédito da conclusão pericial. Ora, a força probante de um laudo técnico está em que suas afirmações estejam suportadas pelas informações dos documentos acostados, todas convergindo num só sentido, porquanto não pode pairar qualquer dúvida em relação ao afirmado na conclusão pericial. Na medida em que as afirmações estejam em testilha com as informações dos documentos, resta imprestável a prova. Dessarte, com espeque no art. 29 do Decreto n° 70.235/72, que trata da apreciação da prova por parte da autoridade julgadora, de acordo com o sistema da livre convicção racional, deixo de levar em consideração o laudo de fls. 200 e seguintes, pelos motivos retroexplicitados. Insta apontar, ainda, outros elementos existentes no processo que não me convencem da prova de existência de área de pastagens e comprovação de rebanho — primeiramente, cumpre dizer que comodato não é arrendamento nem parceria (os dois tipos de contrato que dão direito ao proprietário de "valerse dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro) nos exatos termos do § 4º, do art. 10, da Lei no 9.393/96; ademais, o contrato de comodato trazido pela recorrente, por cópia reprográfica simples, não está registrado em qualquer registro público e sequer conta com reconhecimento das firmas dos signatários, faltandolhes o mínimo de formalidade jurídica para poderem ser reconhecidos por qualquer Corte deste País. [Grifo nosso] Em sentido contrário, alega o Contribuinte [fls. 341 e ss] que o acórdão recorrido rejeita o laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo com base nas normas da ABNT e com a respectiva ART, considera os contratos de comodato imprestáveis para demonstrar a existência de gado no imóvel e, com isso, mantém a glosa constante do AI. E segue: Analisando caso praticamente idêntico da própria contribuinte ALV Participações Ltda., a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes acatou os contratos de comodato celebrados e as conclusões do parecer técnico preparado pelo mesmo engenheiro agrônomo que assina o laudo utilizado nos presentes autos. Consequ entemente, aquele colegiado afastou a glosa da área de pastagem declarada. Para não haver dúvida da semelhança entre os dois casos ora confrontados, vale transcrever trecho do Acórdão no 30131.583: 'No tocante à glosa da área de 2.900,0 ha declarada a título de pastagem, em decorrência da glosa de 734 cabeças de animais de grande porte informado no DIA T, por não ter sido apresentado cartão de vacina do IMA ano 1996, também, esta não procede. Conforme consta da "Descrição dos fatos e Enquadramento(s) Legal(is), fls. 04, o contribuinte "declarou um rebanho de 734 animais de grande porte. Intimado a apresentar a cópia do cartão de vacina do IMA do ano de 1996, para comprovar a existência desse rebanho, não a apresentou. Destarte apresenta quatro contratos de comodato. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001982/200298 Acórdão n.º 920202.101 CSRFT2 Fl. 5 9 Porém não registrou nenhum deles no cartório competente." Verificase, assim, que a glosa decorre do fato de o contribuinte não ter comprovado a existência do rebanho declarado por meio do cartão de vacina do IMA e, tampouco ter registrado os "Contratos de Comodato" que a contribuinte cede aos Srs. Adilson Aguiar Barbosa (fls. 22/23), Antônio José Martins Braga (fls. 25/26), Francisco Barbosa da Costa (fls. 28/29) e Antônio Lopes de Oliveira, a título gratuito a "Fazenda Barreiro Novo" destinada a pastagem de bovinos, a partir de janeiro e fevereiro de 1996 até o prazo máximo de dois anos. Nas "Fichas de Controle do Criador'; relativa ao controle das vacinas de febre affosa e de brucelose, assinadas pelo médico veterinário chefe do escritório regional do IMA em São Francisco, consta que no ano de 1996, os comodatários vacinaram contra a febre amarela o número de bovinos a seguir discriminado: (.,) Por sua vez, no item 3 do "Laudo de Avaliação de Imóvel para Fins Tributários" (fl. 206), elaborado por engenheiro agrônomo de acordo com a NBR 8.799 da ABNT e acompanhado da ART, consta que a destinação do imóvel se caracterizava, no ano base de 1996, pela exploração da pecuária, que naquele ano teve o empastamento médio de 673 cabeças de gado bovino, sendo que o comodatário Antônio José Martins Braga concorreu com 370 cabeças de gado bovino no primeiro semestre e com 300 no segundo; o comodatário Francisco Barbosa da Costa concorreu com 20 cabeças de gado bovino no primeiro semestre e com 12 no segundo; o comodatário Antônio Lopes de Oliveira concorreu com 256 cabeças do gado bovino no primeiro semestre e com 300 no segundo e o Adilson Aguiar Barbosa concorreu com 40 cabeças de gado bovino no primeiro semestre e com 43 no segundo. Resta, portanto, comprovado nos autos, por meio de Laudo Técnico, que no anobase de 1996 a propriedade rural teve empastamento médio de 673 cabeças de gado bovino, o qual deve ser considerado para fins de apuração da efetiva área de pastagem e, em decorrência, apurar o grau de utilização em relação à área efetivamente utilizada e a área aproveitável, para fins de cálculo do ITR devido no exercício de 1997. Não obstante as alegações da Contribuinte quanto à prestabilidade do laudo apresentado, entendo que persiste incólume sem impugnação – a fundamentação constante do decisum [destacado acima], qual seja: Insta apontar, ainda, outros elementos existentes no processo que não me convencem da prova de existência de área de pastagens e comprovação de rebanho — primeiramente, cumpre dizer que comodato não é arrendamento nem parceria (os dois tipos de contrato que dão direito ao proprietário de "valerse dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário ou parceiro) nos exatos termos do § 4º, do art. 10, da Lei no 9.393/96; ademais, o contrato de comodato trazido pela recorrente, por cópia reprográfica simples, fls. 24/25, não está registrado em qualquer registro público e sequer conta com reconhecimento Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 das firmas dos signatários, faltandolhes o mínimo de formalidade jurídica para poderem ser reconhecidos por qualquer Corte deste País: (fls. 269270). Dessa forma, mantenho o entendimento colacionado no acórdão recorrido. 2 DIVERGÊNCIA EM RELAÇÃO À DECRETAÇÃO DE ESTADO DE EMERGÊNCIA O deslinde desta controvérsia passa pela possibilidade de, por analogia, estender as disposições legais atinentes à declaração do estado de calamidade pública à situação de emergência. Entretanto, a 2ª Turma da CSRF já pacificou o entendimento acerca da impossibilidade de aplicação de analogia no presente caso. Precedente CSRF: Acórdão nº 920200.499, Relator: Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, assim ementado: Ementa: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL – ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA. DESNECESSIDADE APRESENTAÇÃO. De conformidade com os dispositivos legais que regulamentam a matéria, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, notadamente a Lei nº 9.363/1996, inexiste previsão legal exigindo a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA para fruição da isenção do ITR relativamente às áreas de preservação permanente. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. INSTRUÇÕES NORMATIVAS. LIMITAÇÃO LEGAL. Às Instruções Normativas é defeso inovar, suplantar e/ou coarctar os ditames da lei regulamentada, sob pena de malferir o disposto no artigo 100, inciso I, do CTN, mormente tratandose as IN’s de atos secundários e estritamente vinculados à lei decorrente. ITR. GRAU DE UTILIZAÇÃO O IMÓVEL RURAL. ESTADO DE EMERGÊNCIA X CALAMIDADE. DIFERENCIAÇÃO. ANALOGIA. INAPLICABILIDADE. Com fulcro no artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, somente presumirseá o grau de utilização do imóvel rural ao percentual de 100% (cem por cento), para fins da determinação da alíquota do cálculo do imposto devido, quando devidamente comprovada a decretação de estado de calamidade, c/c a frustração de safras ou pastagens, não se prestando à caracterizar aludida situação o reconhecimento pelo Poder Executivo do estado de emergência, em virtude de constituirse requisito literalmente inserido na legislação de regência, não se cogitando em lacuna na lei para efeito da aplicação da analogia, de maneira a abarcar outras hipóteses não contempladas no bojo na norma legal. De modo que, a fim de evitar tautologia, reportome a excertos do voto condutor do acórdão supra mencionado, de relatoria do conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que apreciou o tema com a atenção que merece: DAS ÁREAS DE PASTAGENS E PRODUTOS VEGETAIS No que tange as glosas acerca das áreas de pastagens e produção vegetal, entendeu o v. Acórdão recorrido que a decretação de estado de emergência do município no qual se localizam, seria capaz de ensejar a presunção de utilização de 100% relativamente àquelas áreas, com arrimo na analogia entre emergência e calamidade pública. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001982/200298 Acórdão n.º 920202.101 CSRFT2 Fl. 6 11 Por outro lado, argüiu a Fazenda Nacional a divergência entre a decisão recorrida e outras tomadas pelas demais Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes, traduzidas no Acórdão nº 30133.093, o qual entendeu pela impossibilidade da utilização da analogia para fins da presunção do grau de utilização de 100% da área, sob pena de malferir o disposto no artigo 10, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.393/1996, o qual exige a declaração de estado de Calamidade Pública para o ano anterior, in casu, 1996, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde fora decretado estado de emergência, senão vejamos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. [...]§ 6º Será considerada como efetivamente utilizada a área dos imóveis rurais que, no ano anterior, estejam: I comprovadamente situados em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, de que resulte frustração de safras ou destruição de pastagens;” (grifamos) A fazer prevalecer seu entendimento, infere, ainda, que a legislação de regência, ao dispor “resulte frustração de safras ou destruição de pastagens”, para a presunção de 100% de utilização da terra, exige a comprovação de sua utilização para safra ou pastagem. Isso não logrou a contribuinte a comprovar. Depreendese, portanto, que o Acórdão guerreado entendeu que a situação de emergência decretada assemelhase ao estado de calamidade pública, de modo a atrair a incidência do comando legal supra. Convém lembrar que há dois tipos de "estados" que podem ser decretados: os que se referem à segurança nacional (de defesa e de sítio) e os relativos a desastres naturais (estado de observação, alerta, emergência e calamidade pública). Especificamente ao objeto do presente recurso, esclarecese que a categoria relativa aos desastres naturais se presta a classificar situação decorrente de eventos como chuvas fortes e grandes estiagens, que podem atingir áreas restritas (como uma cidade) ou até um país inteiro. Logo, emergência e calamidade públicas são, em princípio, situações de anormalidade decorrentes de um ou mais eventos da natureza ou desastres, reconhecidos pelo Poder Executivo, e que podem vir a ser determinados pelos Municípios, Estados ou mesmo um País. Por sua vez, o artigo 10º, § 6º, inciso I, da Lei nº 9.363/96, ao dispor sobre os casos em que as áreas de imóveis rurais serão consideradas como efetivamente utilizadas, para os efeitos da incidência do ITR, determina claramente que deve haver a ocorrência conjunta de duas situações. A primeira delas deve ser a decretação do estado de calamidade pública e a segunda, da frustração de safras ou pastagens. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Na hipótese dos autos, da leitura do Decreto Municipal n. 611/95, às fls. 316, extraise o seguinte: “[...]O PREFEITO MUNICIPAL DE SÃO FRANCISCO DE MINAS GERAIS[...]CONSIDERANDO a estiagem prolongada que vem assolando este município, comprometendo seriamente os poucos mananciais de superfície e afetando a vazão dos poços artesianos, os quais encontramse com seus níveis próximos aos limites mínimos toleráveis, CONSIDERANDO que o município de São FranciscoMG, no qual prevalecem as atividades econômicas vinculadas exclusivamente a atividades agropastoris, encontrase visivelmente prejudicado e com iminentes riscos de acerbamento do êxodo rural, DECRETA: Art. 1º Fica declarado “Estado de Emergência” em todo o território do Município de São FranciscoMG. Art. 2º As Secretarias Municipais de Agricultura e de Desenvolvimento Urbano e Rural deverão promover esforços conjuntos no sentido de buscar soluções objetivando minorar a caótica situação da população rural do Município, através da criação de uma Comissão Municipal de Combate à Seca.” (grifamos) Referido Decreto perdurou até agosto de 1996, quando veio a ser promulgado o Decreto 638/96, às fls. 317, que revigorou o estado de emergência e assim o justificou: “[...]O prefeito Municipal de São Francisco, Estado de Minas Gerais, no pleno exercício de seu cargo e tendo em vista a competência prevista no art. 136, inciso IV, da Lei Orgânica do Município, CONSIDERANDO a estiagem prolongada que vem castigando este município de São FranciscoMG há vários meses, comprometendo seriamente os poucos mananciais de superfície e diminuindo drasticamente a vazão dos poços tubulares, sendo que muitos deles encontramse com seus níveis próximos aos limites mínimos toleráveis, e provocando constantes frustrações de safras, com enormes e insuportáveis prejuízos para os agricultores e pecuaristas; CONSIDERANDO que o município, cuja base econômica está vinculada quase que exclusivamente as atividades agropastoris, encontrase profunda e visivelmente prejudicado e com iminentes riscos de acerbamento do êxodo rural, sem que o poder público municipal possa reverter, sozinho,os efeitos decorrentes da grava anormalidade apontada, RESOLVE: Art. 1º Fica decretada “SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA” por 150 (cento e cinqüenta dias), em todo o território deste Município de São FranciscoMG. Art. 2º Determinar que a Secretaria Municipal de Agricultura e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural promovam esforços conjuntos no sentido de efetuar profundo levantamento dos danos provocados pela prolongada estiagem, e apresentar sugestões objetivando a busca de soluções para minorar a caótica situação da população rural do Município.” (grifamos) Em face de aludidos Decretos, o v. Acórdão atacado achou por bem afastar a divergência da terminologia do “estado de emergência” e “estado de calamidade pública”, para entender que, diante da caótica situação por que passava o Município em Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10670.001982/200298 Acórdão n.º 920202.101 CSRFT2 Fl. 7 13 decorrência da seca, em face dos comprovados prejuízos, o imóvel era efetivamente utilizado, tendo considerado indevidas as glosas efetuadas pelo Fisco. Contudo, ao analisar a documentação colacionada aos autos pela contribuinte, concluise ter razão a Fazenda Nacional em seu pleito, apesar de pessoalmente considerar que diante dos prejuízos acumulados pelo Município que se sustenta da atividade agropastoril, foi infeliz o Poder Público ao decretar o estado de emergência, quando restam demonstrados, a meu sentir, características intrínsecas da decretação do estado de calamidade pública, principalmente pelo fato do município não deter meios de contornar a situação sem a ajuda do Poder Público Federal ou Estadual. Entrementes, a decretação do estado de emergência e de calamidade, possuem, em si, diferenças objetivas e subjetivas, de modo que estas devem ser analisadas pelo Poder Executivo, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela defesa civil, que já elaborou manual para aferição, dentro do contexto sócio econômico de cada região, de critérios que determinam estar constatada uma ou outra situação, não cabendo a este Conselho vir a entender na hipótese da decretação do estado de emergência, por mais que assim não o pareça, como ou mesmo semelhante ao estado de calamidade pública. Logo, na hipótese dos autos, em se tratando de situações anormais de natureza e contornos diversos, não há como se negar a divergência em sua terminologia, para assim assemelhar ambos os casos, como decidiu a Câmara recorrida, devendo ser aplicado in totum o entendimento constante no Acórdão paradigma trazido à colação pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo em vista que espelham o determinado na Lei n. 9.363/96, a qual expressamente exige que tenha sido decretado o ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA para que pudesse ser presumida a utilização de 100% da áreas em comento, determinante à aplicação das alíquotas para fins de cálculo do imposto devido. Mais a mais, a utilização da analogia na aplicação da legislação tributária, ou seja, da subsunção da norma ao fato, somente poderá ser levada a efeito quando se constatar lacuna na lei, sendo vedada a interpretação extensiva. É o que nos ensina o renomado doutrinador Leandro Paulsen, que assim preleciona: “ I – analogia; Lacuna x “silêncio eloqüente” . “...só se aplica a analogia quando, na lei, haja alguma lacuna, e não o que os alemães denominam de ‘silencio eloqüente’ (beredtes Schweigen), que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” (excerto do voto do Min. Moreira Alves quando do julgamento, pela 1a Turma do STF, do RE 130.552/SP, jun/91, RTJ 136/1342)] Analogia e interpretação extensiva. Não se pode confundir a analogia com a chamada interpretação extensiva. Na analogia, há integração da legislação tributária mediante aplicação da lei Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 a situação de fato nela não prevista, embora semelhante àquela a qual a lei se refere expressamente; na interpretação extensiva, não há integração da legislação tributária, pois se trabalha dentre dos lindes da sua incidência.”(DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência” – 10ª edição, Porto Alegre: Livraria do Advogado:ESMAFE, 2008, pág. 858) In casu, inexiste à toda evidência lacuna na lei ao contemplar a presunção da utilização de 100% das áreas de pastagens de produção vegetal, o que somente será admitido quando comprovado o estado de calamidade. Vejase, pois, que a legislação de regência é clara e precisa ao tratar da matéria não comportando analogia ou mesmo interpretação extensiva da norma, de maneira a acobertar fatos não inseridos nos dispositivos legais que regulamentam o tema. Pretendesse o legislador abarcar o estado de emergência como hipótese de presunção do grau de utilização de 100% de referidas áreas, teria feito de forma precisa no bojo da norma legal encimada. Assim não o tendo procedido, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, impondo a retificação do decisum atacado. Voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 13DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 11128.003679/98-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 07/05/1998
IPI. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Não deve ser conhecido o recurso especial quando a matéria de fato do paradigma apresentado não encontra semelhança com o caso objeto do recurso, mormente quando a matéria de direito da decisão recorrida não tem total coincidência com o paradigma apresentado como representante da divergência.
Recurso da Fazenda Nacional não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-001.909
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso especial, por falta de divergência.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcos Aurélio Pereira Valadão
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RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Não deve ser conhecido o recurso especial quando a matéria de fato do paradigma apresentado não encontra semelhança com o caso objeto do recurso, mormente quando a matéria de direito da decisão recorrida não tem total coincidência com o paradigma apresentado como representante da divergência. Recurso da Fazenda Nacional não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial, por falta de divergência Otacílio Dantas Cartaxo _ Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Fl. 0DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações, para maior clareza, o Relatório da decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes: Tratam os presentes autos de pedido de restituição do IPI indevidamente debitado da contacorrente da contribuinte em epígrafe (doravante denominada Interessada), no valor de R$ 86.247,85 (oitenta e seis mil duzentos e quarenta a sete reais e oitenta e cinco centavos). Segundo consta, tanto da defesa apresentada pela Interessada (fls. 190/195), quanto do relatório elaborado pela instância recorrida (fls. 207/208), o pedido de restituição tem por base o cancelamento de declarações de importação emitidas e registradas, com respectivos débitos, na contacorrente do importador, em duplicidade em relação à declaração de importação n° 98/04315696, diante de um erro do sistema de informática da Receita Federal. 0 pedido de cancelamento das DIs foi acatado (fl.63 e fls. 170/186), conforme informações prestadas pelos agentes responsáveis, com a devida restituição do Imposto de Importação, restando, contudo, negada em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados. Argumentouse, para tanto, que a Interessada deveria provar que não repassou o encargo tributário aos destinatários da operação, de acordo com o artigo 166 do Código Tributário Nacional. Vejase as intimações não cumpridas de fls. 172 e 173. Diante dessa negativa, a Interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 190/195, na qual alega, essencialmente, que se as DIs canceladas não representam verdadeiras operações alfandegárias, eis que emitidas em duplicidade na tentativa de suprir um erro do sistema de informática, não faz sentido falar em repercussão do tributo. Em outras palavras, se ela não representa verdadeiras mercadorias, não haveria no que embutir o tributo, provocando seu repasse. Alegou também que ‘compareceu pessoalmente àquele órgão, representada pelo signatário desta, e passou a esclarecer à pessoa responsável que tal comprovação seria impossível, uma vez que as DI's em questão haviam sido emitidas a mais e por erro de sistema, reconhecido, ou seja, não espelhavam uma operação efetivamente realizada, pelo que foram canceladas. Entretanto, tais considerações não foram levadas em consideração.’ E que ‘deixou de apresentar à época qualquer documento formalizando os esclarecimentos então prestados, pois todos os elementos comprobatórios disso já constavam destes autos.’ Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 11128.003679/9874 Acórdão n.º 930301.909 CSRFT3 Fl. 276 3 A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, a seu turno, ao conhecer das razões apresentadas pela Interessada, entendeu por bem manter a negativa ao pedido de restituição, sob o fundamento seguinte (fls. 206/209): “É cediço que os pagamentos indevidos não espelham operações realizadas, nem de mercadorias comercializadas, portanto não há o que se falar em repasse a terceiros, quanto a esse aspecto assiste razão ao interessado. Todavia, sendo o IPI um imposto não cumulativo, por ordem constitucional, sujeito ao sistema de partidas dobradas (débito e crédito) a cada nova operação, cabe saber se o interessado não registrou o crédito a que tinha direito em sua escrita fiscal e, se o fez, procedeu com o devido estorno. Pela inteligência do artigo 166 do Código Tributário Nacional, o ônus dessa prova cabia ao interessado na restituição que permaneceu silente quanto a este fato. Pelas razões expostas, voto no sentido de manter o teor da decisão recorrida.” Ciente da dessa decisão em 12/02/2007 (fl. 211), a Interessada apresentou, em 05/03/2007, o Recurso Voluntário de fl. 216/221, no qual reitera os argumentos anteriormente apresentados em sua defesa. A decisão recorrida foi ementada nos seguintes termos pela 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/05/1998 IPI. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. É devida a restituição do tributo pago em duplicidade, vez que, aceito o pedido de cancelamento, pela Receita Federal, das Declarações de Importação emitidas em duplicidade, verificase a inocorrência do fato gerador da obrigação tributária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial por divergência, às fls. 244/258, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. A divergência argüida fundase no argumento de que, para conceder a restituição pleiteada pelo sujeito passivo, é necessária a observância do que prescreve o artigo 166, do Código Tributário Nacional, ou seja, a comprovação de que o requerente não repassou o encargo financeiro do tributo a outrem ou, se o fez, de que está por este autorizado a solicitar a restituição. O recurso foi admitido pelo presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 265/266. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 Intimado por edital, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão No presente caso há que se perquirir da admissibilidade recursal com base nos paradigmas apresentados, que devem configurar divergências em matéria de fato e em matéria de direito. Nos termos do RICARF, analiso somente os dois primeiros paradigmas apresentados, como também foi feito na análise de admissibilidade (fls. 265/266). O primeiro paradigma tem a seguinte ementa: Acórdão nº 30127825 IPI. TRIBUTO INDIRETO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO DO TRIBUTO. REJEIÇÃO DO PLEITO. Segundo previsto no artigo 166 do CTN, a restituição de tributos indiretos depende do contribuinte comprovar que assumiu, com exclusividade, o encargo financeiro referente à exação, ou que tendolhe transferido a terceiro foi por este autorizado ao reembolso. Recurso negado. Ocorre que, aparentemente conflitante com a decisão guerreada, na verdade o Acórdão nº 30127825 se baseia em fatos diferentes da decisão do presente processo pelos seguintes motivos: 1) no caso do Acórdão nº 30127825 houve pagamento indevido referente à duas DIs; no caso presente houve pagamento em duplicidade, havendo DIs duplicadas para a mesma importação que foram canceladas, porém debitadas automaticamente na conta corrente do importador, que no mesmo mês havia solicitado a restituição (a operação se deu em 07/05/1998 e o pedido de cancelamento/restituição em 20/05/1998); 2) no caso do Acórdão nº 30127825 houve diligência e ficou demonstrado que na escrituração contábil houve lançamento do IPI pago a maior como despesa na conta “Outros impostos – Grupo de Despesas Tributárias”, que segundo o contribuinte seria reclassificado quando da restituição; no caso presente, a decisão da DRJ foi de que o ônus da prova caberia ao interessado, e o contribuinte quando intimado para apresentar a prova da não escrituração de DIs que foram canceladas (fls. 172 e 173), não o fez tempestivamente e depois no recurso voluntário alegou que não teria como provar o que não fez pois as DIs foram canceladas. O suposto paradigma apresentado trata, portanto, de matéria fática totalmente diversa da debatida no presente processo, e, mesmo em matéria de direito, a coincidência não é total, visto que em uma analisase o lançamento do imposto indireto pago a maior em conta de despesa e sua repercussão, e no presente caso a negativa se dá com base puramente na repercussão do tributo indireto, pago em duplicidade. O segundo paradigma segue abaixo transcrito: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 11128.003679/9874 Acórdão n.º 930301.909 CSRFT3 Fl. 277 5 Acórdão nº 20310388 Ementa:IPI. TRIBUTO INDIRETO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ASSUNÇÃO DO ÔNUS FINANCEIRO DO TRIBUTO. REJEIÇÃO DO PLEITO. Segundo previsto no artigo 166 do CTN, a restituição de tributos indiretos depende do contribuinte comprovar que assumiu, com exclusividade, o encargo financeiro referente à exação, ou que tendolhe transferido a terceiro foi por este autorizado ao reembolso. Recurso negado. Neste caso a imprestabilidade do paradigma é ainda mais evidente pois se trata (ou tratarseia) de tributos pagos a maior por microempresa (MÓVEIS BRASILIANO DE RIO CLARO LTDA ME) em operação de saídas internas, que nada tem a ver com operações de importação. Em vista do exposto, considero que os paradigmas apresentados, e considerados na análise de admissibilidade como representantes de divergência, não se prestam a tal fim. Desta forma, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, ficando mantida a decisão recorrida. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000070/2005-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. ABONO VARIÁVEL RECEBIDO POR MEMBROS DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
O abono variável percebido pelos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro tem a mesma natureza daqueles pagos à Magistratura Federal, sendo, pois, isentos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.919
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ABONO VARIÁVEL RECEBIDO POR MEMBROS DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. O abono variável percebido pelos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro tem a mesma natureza daqueles pagos à Magistratura Federal, sendo, pois, isentos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 27/04/2012 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15521.000070/200579 Acórdão n.º 210201.919 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra GERALDO DA SILVA BATISTA JUNIOR foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2000, exercício 2001, no valor total de R$ 4.463,72, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2005. A infração apurada pela autoridade fiscal foi classificação indevida de rendimentos na Declaração de Ajuste Anual (DAA). O contribuinte considerou isentos os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, a título de abono variável. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 41/47, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/RJOII nº 1318.540, de 14/01/2008, fls. 70/74. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 08/05/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 77, o contribuinte apresentou, em 02/06/2008, recurso voluntário, fls. 78/84, no qual traz as alegações a seguir resumidas: É evidente a natureza indenizatória do "abono variável" de magistrados estaduais, tal como reconhecido pela Resolução n° 245/2002 do Supremo Tribunal Federal, devendo ser afastada a incidência do imposto de renda sobre tais valores. O mesmo tratamento tributário dispensado ao abono variável dos magistrados federais deve ser estendido ao rendimento de mesma natureza jurídica recebido pelos magistrados estaduais por força do disposto no art. 151, II da Constituição Federal de 1988. É o Relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15521.000070/200579 Acórdão n.º 210201.919 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, em sessão realizada em 08/06/2011, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.334, de 08/06/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15521.000070/200579 Acórdão n.º 210201.919 S2C1T2 Fl. 4 4 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento do abono variável aos Membros da Magistratura fluminense, na forma da Lei estadual nº 4.631/20051, tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois a Magistratura fluminense não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios da magistratura local). Veio a Lei estadual nº 4.631/2005 e ofertou aos Magistrados fluminenses diferenças salariais iguais a do abono variável do art. 5º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, como igualmente fizera a Lei federal nº 10.477/2002, esta para os Membros do MPF. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas à Magistratura fluminense com esteio na Lei estadual nº 4.631/2005. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado do Rio de Janeiro – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei estadual nº 4.631/2005 são idênticos, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pela magistratura fluminense com base na Lei estadual nº 4.631/2005, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. 1 LEI nº 4.631, DE 27 DE OUTUBRO DE 2005. DETERMINA A APLICAÇÃO AOS MEMBROS DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DE DISPOSITIVOS A LEI FEDERAL N° 10.474, DE 27 DE JUNHO DE 2002 E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. A Governadora do Estado do Rio de Janeiro, Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1° Aplicase aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o disposto no art. 2°, caput, e § 1°, da Lei Federal n° 10.474, de 27 de junho de 2002. Art. 2° Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2005. ROSINHA GAROTINHO Governadora Fl. 96DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 15521.000070/200579 Acórdão n.º 210201.919 S2C1T2 Fl. 5 5 Em reforço, ao entendimento acima exarado, vêse o REsp nº 1187109, da relatoria da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Nessa conformidade, devese cancelar o crédito tributário exigido no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 97DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10245.003679/2008-35
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Anocalendário:
2004, 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. EXTINÇÃO DE PASSIVO. VARIAÇÃO
PATRIMONIAL. JUROS DE EMPRÉSTIMOS DO EXTERIOR.
Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, deverão ser
adicionados ao lucro presumido ou arbitrado, salvo se o contribuinte
comprovar não os ter deduzido em período anterior tributado pelo lucro real
ou se refiram a período tributado pelo lucro presumido ou arbitrado. A
inexistência de registro contábil de juros passivos sobre empréstimos
contraídos no exterior, impede a ocorrência de variação patrimonial ativa no
caso de perdão unilateral dos encargos incidentes.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
2004, 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTOS DECORRENTES OU REFLEXOS.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase
o decidido em relação ao IRPJ
aos lançamentos decorrentes ou reflexos de CSLL, PIS e COFINS.
Numero da decisão: 1803-001.255
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. EXTINÇÃO DE PASSIVO. VARIAÇÃO PATRIMONIAL. JUROS DE EMPRÉSTIMOS DO EXTERIOR. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior tributado pelo lucro real ou se refiram a período tributado pelo lucro presumido ou arbitrado. A inexistência de registro contábil de juros passivos sobre empréstimos contraídos no exterior, impede a ocorrência de variação patrimonial ativa no caso de perdão unilateral dos encargos incidentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES OU REFLEXOS. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido em relação ao IRPJ aos lançamentos decorrentes ou reflexos de CSLL, PIS e COFINS.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1965; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 1.177 1 1.176 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10245.003679/200835 Recurso nº 920.700 Voluntário Acórdão nº 180301.255 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2012 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente WAZAKÁ AGROSILVOPASTORIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. EXTINÇÃO DE PASSIVO. VARIAÇÃO PATRIMONIAL. JUROS DE EMPRÉSTIMOS DO EXTERIOR. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior tributado pelo lucro real ou se refiram a período tributado pelo lucro presumido ou arbitrado. A inexistência de registro contábil de juros passivos sobre empréstimos contraídos no exterior, impede a ocorrência de variação patrimonial ativa no caso de perdão unilateral dos encargos incidentes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES OU REFLEXOS. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido em relação ao IRPJ aos lançamentos decorrentes ou reflexos de CSLL, PIS e COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10245.003679/200835 Acórdão n.º 180301.255 S1TE03 Fl. 1.178 2 Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório WAZAKÁ AGROSILVOPASTORIL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELÉM (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. A autuação descrita neste processo abrange os tributos IRPJ. no valor de RS 64.787,37; PIS, no valor de RS 2.277,95; COFINS, no valor de RS 10.516,10; CSLL, no valor de RS 31.371,30; e IRRF, no valor de RS 269.521,77. Acerca de irregularidades, alegou a fiscalização que a Impugnante teria realizado pagamentos sem causa, nos seguintes termos: a) pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado: diminuição do saldo em caixa entre 1/2006 e 31/07/2007 (fl. 308). Pelo conjunto indissociável dos fatos relatados, a saída do caixa no valor de RS 269.426,45, diferença entre o valor RS 4.337,86, montante constante no caixa em 31/07/2007 conforme informação do contribuinte, e valor de RS 273.764.31, escriturado no último Balanço Patrimonial da empresa (transcrito no Livro Diário do AC 2005 Anexo II, fls 151 e 152) teve destituição diversa, uma vez que não houve a comprovação da saída destes valores, resultando em pagamento sem causa, ou por operação não comprovada, com apuração de oficio do IRRF em 31/07/2007. No tocante a estas infrações, temse que elas se fundamentam em um único dispositivo legal, qual seja, o art. 61. § 1º o da Lei no 8.981. de 20 de janeiro de 1995. que assim dispõe: "Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1° A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não. quando não Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10245.003679/200835 Acórdão n.º 180301.255 S1TE03 Fl. 1.179 3 for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o 20, do art. 74. da Lei n° 8.383, de 1991. §2° Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3o O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. " Houve, também, outra infração caracterizada pela presunção de omissão de receitas tributáveis em razão da extinção de exigibilidade de juros sobre empréstimos, conforme texto abaixo extraído à fl. 309/310 do presente processo. "Analisandose os Livros Razão da empresa, constatamos que não houve o provisionamento dos juros relativo ao empréstimo concedido pela Florana Stiftung. Quando da extinção da exigibilidade da obrigação de pagar os juros, ocorrida em 24/05/2004, a empresa deveria ter reconhecido como receita financeira os juros calculados até aquela data, e nos meses seguintes, os juros que seriam incorridos em cada período, o que não ocorreu. Como a dispensa dos juros constitui um acréscimo patrimonial a empresa, e representam receitas financeiras tributáveis que não foram oferecidas à tributação, os valores constantes nas tabelas a seguir, detalhadas por contrato, serão lançados como omissão de receita com os devidos acréscimos legais. " Foram exigidos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre as quantias "perdoadas", que encontramse descritas no relatório da fiscalização (fls. 312/313). Para ambas as infrações apuradas, a fiscalização aplicou a multa de ofício de 75%. Inconformada com as exigências que lhe foram impostas, a Impugnante: apresentou solicitação (fls.320/322) à unidade de origem na qual solicita prazo de 90 (noventa) dias para apresentação de sua impugnação à vista da dificuldade de no prazo de 30(trinta) dias reunir as condições de defesa; A unidade de origem, através do ofício n° 0960/2008/DRF/BVT7 Sacat (fls.323/325) indeferiu o pedido por falta de previsão legal, apontando o prazo prescrito em lei. Indeferida a solicitação de prorrogação do prazo de defesa, a impugnante apresentou sua contestação aos Autos de Infração lavrados (fls. 326/370), onde esclarece (fls.326/349) acerca do empreendimento Walter Vogel; as peculiaridades das operações societárias, entendendo desfazer as suspeitas que cercam a atividade da qual a impugnante faz parte, assim como procurando demonstrar que não se tratam de crimes as atividades realizadas pelo grupo Walter Vogel; Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10245.003679/200835 Acórdão n.º 180301.255 S1TE03 Fl. 1.180 4 argumenta, acerca do direito, fls. 349/370. que: a) em relação à autuação por "pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, em relação à diminuição do saldo de caixa entre 01/10/2005 e 31/07/2007". para que o fisco presuma a ocorrência do fato gerador (pagamentos) e cumpra o seu dever de formalizar a exigibilidade do crédito tributário, é necessário despertar um sentimento robusto de segurança: que é impossível comprovar a existência, ou não. dos pagamentos, ou para quem foram feitos, pois o Poder Público suprimiu a possibilidade de comprovação em contrário, "dando sumiço em documentos da impugnante", pois alega que nem todos os documentos apreendidos na operação foram devolvidos, havendo divergência na quantidade de documentos devolvidos (fl.352); b) em relação à Omissão de Receitas Extinção da Exigibilidade de juros sobre empréstimos: a fiscalização não considerou o tipo tributário adotado pela impugnante (lucro presumido) e do regime de reconhecimento das receitas (caixa); se pudessem ser exigidas, as exações só poderiam ocorrer para os fatos geradores no exercício de 2004, a partir do mês de janeiro daquele ano; esta argumentação faz o impugnante crer que os juros até maio de 2004. quando houve o perdão, já estariam alcançados pela decadência. Ao final, requer: a) anulação do lançamento por terem sido notificados 17 (dezessete) autos de infração, pois teria violado a possibilidade de defesa do contribuinte, afrontando o princípio do contraditório, e da ampla defesa, em virtude da negativa de dilação do prazo recursal; b) anulação do lançamento do IRRF por pagamento a beneficiário não identificado, por conter vício insanável, decorrente de violação do devido processo legal; contraditório, e da ampla defesa, pois não foram permitidos acesso a todos os documentos colhidos na busca e apreensão realizada nas dependências da impugnante; c) improcedência do lançamento tributário relativo à Omissão de Receitas pela extinção da exigibilidade de juros sobre empréstimos, por insubsistente o fato gerador, lastreado em mera suposição, ou caso esse argumento seja superado, por ferir o lapso temporal de ocorrência dos fatos, como sobejamente demonstrado linhas atrás, seja reconhecido em parte. A DRJ BELÉM (PA), através do acórdão nº 0122.066, de 16 de junho de 2011 (fls. 607/620), julgou procedente em parte o lançamento, ementando assim a decisão: Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10245.003679/200835 Acórdão n.º 180301.255 S1TE03 Fl. 1.181 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE I R RF Anocalendário: 2004. 2005, 2006. 2007 OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. POTENCIALIDADE DE SIMULAÇÃO. Não basta a potencialidade de simulação; a efetividade de simulação de operações entre empresas do mesmo grupo deve ser provada para se caracterizar negócio jurídico simulado. RECIBOS E ESCRITURAS. ASSINATURA MESMA PESSOA NOS PÓLOS DA OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. Pessoas jurídicas são entidades diversas das de seus sócios ou diretores. Não há irregularidade em uma mesma pessoa figurar nos pólos passivo e ativo de uma obrigação, como diretor de pessoas jurídicas diversas, desde que os fatos descritos nos documentos existam e sejam provados no plano exterior à organização interessada. NEGÓCIO JURÍDICO. FORMA INCOMUM. Características incomuns de negócios jurídicos dependem da natureza de cada atividade. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. VERDADE MATERIAL. A verdade material, salvo previsões legais, preside a condução do processo administrativo tributário, desde a instauração do procedimento fiscal até o deslinde do contencioso administrativo tributário; em conseqüência, o do fato gerador deve estar contido na realidade das atividades exercidas pelo fiscalizado. FATO GERADOR. PAGAMENTOS SEM CAUSA. Não foi deferido pela legislação o instituto da "presunção legal" para o fato gerador do art. 61, § 1º, da Lei 8.981; assim, deve ser provada a existência de "pagamentos", que não podem ser presumidos por mera redução de saldo da conta caixa ao final do exercício analisado. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. FATO INDICIÁRIO. PROVAS EM CONTRÁRIO. Havendo provas em relação aos os indícios autorizadores da presunção de Omissão de Receitas, deve prevalecer a presunção legal, por provado o fato indiciário. PERDÃO DE JUROS DE MORA. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão de juros não tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como "outras receitas operacionais". PERDÃO DE JUROS DE MORA. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10245.003679/200835 Acórdão n.º 180301.255 S1TE03 Fl. 1.182 6 PERSONALIDADE JURÍDICA. EFEITOS. ENTE PERSONALIZADO. O sujeito personalizado pode fazer tudo que não está proibido em lei: o despersonalizado somente o essencial ao cumprimento de sua função ou os atos expressamente autorizados na lei que regula sua atividade. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CONDICIONANTES. As condicionantes subjetivas autorizadoras da "desconsideração da personalidade jurídica" são a fraude e o abuso de direito; a condicionante objetiva,, a confusão patrimonial. Ciente da decisão em 13/07/2011, de forma pessoal conforme documento (fl. 1.140), apresentou o recurso voluntário em 10/08/2011 fls. 1.161/1.165 (eproc), onde reitera os argumentos da inicial em relação a matéria remanescente. É o relatório. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10245.003679/200835 Acórdão n.º 180301.255 S1TE03 Fl. 1.183 7 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativo aos anos calendários 2004, 2005, 2006 e 2007, cuja matéria remanescente se refere a omissão de receitas decorrentes do perdão de dívidas sobre juros de empréstimo (mútuo oneroso) do exterior. Alega a recorrente em síntese: a) Que a renúncia de juros por parte da mutuante no exterior, não configura fato gerador do imposto de renda para a mutuaria no Brasil, configurandose situação descrita nos artigos 116, I e 117, I do Código Tributário Nacional; b) Que deve ser dado ao presente processo o mesmo desfecho do processo nº 10245.003681/200812, em nome da pessoa jurídica ligada CAMPO GRANDE SILVOPASTORIL LTDA, no qual o CARF excluiu a matéria tributável relativo ao perdão ou renúncia dos juros decorrentes de mútuo contratado no exterior. Tratase como visto de exigência fiscal pela qual a autoridade fiscal conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 303/314), apurou omissão de receitas decorrente do perdão ou renúncia de juros devidos por empréstimo tomado no exterior. Afirma a autoridade fiscal que a recorrente efetuou em 07/05/2001 a contratação de um empréstimo no exterior no montante de US$ 99.970,00, com juros de 12% a.a e com prazo de 06 (seis) anos para liquidação (Anexo III – fls. 143/144). Que em 24/05/2004 a credora informou (fl. 90) que não cobraria qualquer encargo a título de juros, renunciando ao valor destes. Em 26/07/2006 a fiscalizada enviou ao Banco Central do Brasil correspondência informando a liberação dos juros, fato que foi devidamente registrado pela autoridade monetária e cambial. Prossegue a autoridade fiscal assinalando que não foi constatada na escrituração da contribuinte qualquer apropriação contábil a título de juros sobre o empréstimo contratado no exterior. Ao final conclui a autoridade fiscal que conforme dispõem as normas contábeis o perdão de juros corresponde a uma receita ou acréscimo patrimonial que deve ser reconhecido pela contribuinte, tendo natureza jurídica de receitas financeiras. Inicialmente, é imperativo reconhecer que efetivamente a redução de um passivo contábil, não acompanhado da redução de valor correspondente do ativo ou aumento do mesmo valor no passivo, representa um acréscimo patrimonial sujeito em regra à tributação na pessoa jurídica. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10245.003679/200835 Acórdão n.º 180301.255 S1TE03 Fl. 1.184 8 Também as regras fiscais (arts. 392, II (lucro real), 521, § 3º (lucro presumido) e 536, § 3º (lucro arbitrado) do RIR/99) classificam como receita tributável a recuperação de custos incorridos com as exceções contidas nos mencionados dispositivos. No entanto, impende verificar a situação fática estabelecida para que as regras gerais sejam confirmadas e aplicáveis aos fatos narrados na acusação fiscal. Com efeito, conforme a própria autoridade fiscal menciona em seu Termo de Verificação Fiscal, a recorrente jamais apropriou em sua escrituração contábil, qualquer valor a título de juros sobre o empréstimo tomado no exterior. Outrossim, conforme se verifica no Anexo I (fls. 20/130 e 131/137), a recorrente estava submetida no período de contratação do empréstimo (2001) até o último período objeto do lançamento (2007), sujeita ao regime de tributação pelo lucro presumido e arbitrado. Desta forma, inexiste a possibilidade aventada pela autoridade fiscal de existência de acréscimo patrimonial ou mesmo de recuperação de custos, pois tratandose de empresa sujeita a tributação pelo lucro presumido e arbitrado, eventual recuperação de custos somente deve ser adicionada à base de cálculo, se os valores tenham sido deduzidos em período submetido ao lucro real (art. 521, § 3º e 536, § 3º do RIR/99). Por derradeiro, constatase que tendo sido o perdão dos juros estabelecido ainda em 24/05/2004, não tem qualquer sentido reconhecer a existência de qualquer receita nos períodos subseqüentes (2005, 2006 e 2007) conforme considerou a autoridade fiscal. Destarte, no caso em tela não se vislumbra a possibilidade de ocorrência seja de acréscimo patrimonial pela redução do passivo supostamente incorrido ou seja a título de recuperação de custos. Nas mesmas conclusões também chegou a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª SEJUL do CARF em acórdão proferido no processo 10245.003681/200812, que eximiu integralmente a matéria tributável correspondente. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso em relação ao IRPJ e pela íntima relação de causa efeito, também em relação a CSLL, PIS e COFINS. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10245.003679/200835 Acórdão n.º 180301.255 S1TE03 Fl. 1.185 9 Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 30/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 30/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10480.015491/2001-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA -IRPF
Ano-calendário: 1998, 1999
OMISSÀO DE RENDIMENTOS - DEPOSITOS BANCÁRIOS -
Caracterizam omissão de rendimentos valores remanescentes creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Todavia, é nulo por vicio formal o lançamento quando a
fiscalização deixa de intimar um dos co-titulares da conta corrente beneficiária de tais depósitos.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.135
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do Recurso. Ausente, momentaneamente, Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA -IRPF Ano-calendário: 1998, 1999 OMISSÀO DE RENDIMENTOS - DEPOSITOS BANCÁRIOS - Caracterizam omissão de rendimentos valores remanescentes creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Todavia, é nulo por vicio formal o lançamento quando a fiscalização deixa de intimar um dos co-titulares da conta corrente beneficiária de tais depósitos. Recurso especial não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-14T13:52:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 8; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-14T13:52:40Z; Last-Modified: 2011-09-14T13:52:41Z; dcterms:modified: 2011-09-14T13:52:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:872535bf-e3b3-42e0-b013-18a9870eafb1; Last-Save-Date: 2011-09-14T13:52:41Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-14T13:52:41Z; meta:save-date: 2011-09-14T13:52:41Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-14T13:52:41Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-14T13:52:40Z; created: 2011-09-14T13:52:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-09-14T13:52:40Z; pdf:charsPerPage: 1250; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-14T13:52:40Z | Conteúdo => 4. 0406, ill itas Barreto ._--- A # , 'I esa re Julio Carlo Presidente n Comes — Relator CSRF-T2 - H I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10480.015491/2001-81 Recurso n" 148.726 Especial do Procurador Acórdão n" 9202-01.135 — 2 Turma Sessão de 19 de outubro de 2010 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LUIZ JORGE PESSOA CALDAS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA -IRPF Ano-calendário: 1998, 1999 OMISSÀO DE RENDIMENTOS - DEP6S1TOS BANCÁRIOS - Caracterizam omissão de rendimentos valores remanescentes creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Todavia, é nulo por vicio formal o lançamento quando a fiscalização deixa de intimar um dos co-titulares da conta corrente beneficiária de tais depósitos. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do i ecurso. Ausente, momentaneamente, Conselheira Susy Gomes Hoffinann. EDITADO EM: Q7 DEL 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Comes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, com fulcro no art, 7°, inciso II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria ME n° 147, de 25 de junho de 1998. Insurge-se a Fazenda Nacional contra o acórdão que, por unanimidade, cancelou a exigência decorrente da não comprovação da origem dos depósitos bancários, omissão de rendimentos por presunção legal. No caso, o cancelamento da exigência se deu pelo fato de não ter sido intimado urn dos co-titulares da conta-bancária., Segundo a recorrente a decisão contraria o §6° do art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996, acrescentado pela Lei n°. 10.637, de 30,12,2002: deveria ser mantido parcialmente o lançamento na proporção dos co-titulares devidamente intimados, ou seja, 50% da exigência.. E, ainda que assim não se entenda, tratando-se de presunção local que não comporta tat exceção dever-se-ia então realizar novo lançamento para que seja cobrado do co-titular devidamente intimado a metade da exigência total, considerando que a questão é procedimental e não material. Em síntese, que mantida a decisão de mérito, o lançamento então deveria ter sido cancelado mas sim anulado por vicio formal. Nos embargos opostos pela recorrente, integralmente rejeitados, buscou-se esclarecimentos quanto ao termo cancelamento do lançamento, constante na parte dispositiva do acórdão recortido, e defendeu-se que seu sentido seria de nulidade por vicio formal. Sobre essas questaes, transcrevo trechos do recurso especial com a indicação do acórdão paradigma: A ,fim de afastar qualquer dúvida quanto a ocorrência de divergência jurisprudencial entre., os acórdãos em cotejo, transcreve-se a ementa e trecho do voto condutor do acórdão IV 104-22.607, ora apresentado como paradigma, EMENTA. "LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — CONTA CONJUNTA — PROCEDIMENTO — No caso de conta bancária conjunta, cujos- titulares apresentam declaração de rendimenios em separado, os rendimentos omitidos devem ser divididos igualmente entre todos os titulares." ■ VOTO: "Como são dois os titulares da ánica conta bancária cujos depósitos de ot igem não comprovada serviram de base para o lançamento, a base de cálculo deve, então, ser reduzida metade. 2 Processo n" 10480 015491/2001-81 CSRF-T2 Acei ciAo n.° 9202-01,135 Fl 2 recorrido: Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos para re-ratificar o acórdão n 104-20.699, de 19 de março de .2005 desta Quarta Camara, rejeitar as preliminares e, 170 mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir metade a base de cálculo do langamento." (grifos acrescidos) Pot fim, em atenção ao principio da eventualidade, caso esta Co/cada Turma decida por manter a decisão a quo de anular o auto de infração, apresenta, ainda, como acórdãos paradigmas, os proferidos pelas Sexta e Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que expressamente consigna que a falta de cumprimento de requisitas de lei consiste em requisito formal do auto de infração: 1) Acórdão n° 106-10 087, de 15104/1998: "NORMAS PROCESSUAIS - AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS - ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vicio de forma o auto de inflação que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto 70.235/72. Acolher a preliminar de nulidade do lançamento." 2) Acórdão n° 103-20,711, de 19/09/2001. "NULIDADE - Os requisitos estabelecidos no art. 142 do CTN e 110 art. 10 do Decreto n° 70.235/72 constituem fornialidades essenciais a serem observadas nos lançamentos constitutivos de créditos in sob pena de nulidade. Sendo formal o motivo determinante da nulidade, tem aplicação o art, 1 73, II do CTN (DOU 11/10/01) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ex afficio Do exposto, requer a Unido (Fazenda Nacional) seja admitido o presente recurso, em razão das divergências apontadas, e, no mérito, que lhe seja dodo provimento para reformar o r. acórdão recorrido, restaurando-se o lançamento promovido. Acaso não seja este entendimento desta Colenda Turma, requer seja reformado o acórdão, para declarar que se trata de anulação por vicio de/ou -una. Seguem trechos, respectivamente, da ementa e do voto vencedor do acórdão EMENTA: OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA - Em caso de conta conjunta e obrigatório intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo renda exclusiva de um dos conentistas. 3 Ao atribuir a integi alidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regra-matriz do § 60 do artigo 42 da Lei ii 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado Exigência cancelada. O ecia so do conttibuinte prende-se única e exclusivamente a questão elativa à imputação que lhe foi fella em relação aos depósitos bancários, não fazendo qualquer referência a glosa de receitas médicas, razão pela qual, neste ponto, pres111)10 que tenha acolhido a decisão da DAT. Quanto à omissão de rendimentos recebidos' de pessoas jurídicas no ' valor de R$ 10.800,00, tal matéria também não sera objeto de apreciagdo eis que não articulada no recurs() e por ter o contribuinte, na primeira oportunidade em que se manifestou, reconhecido exp e.ssantente tal imegulat idade. Tratando-se de conta conjunta, o § 6°. do art 42, da Lei n° 9.430, de 1996, acrescentado pela Lei n° 10.637, de 30 12.2002, dispõe que nestas hipóteses devent ser intimados todos os titulates da conta pata que comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas apelações. Somente na hipótese de não comprovação da origem dos recursos é que o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares O caso dos autos revela situação de conta conjunta do recorrente e de Matta de Fatima de Mendonça Caldas que não consta na Declaração de Ajuste Anual como dependente do recorrente (fl 296). 0 recorrente e a Sra. Maria de Fátima de Mendonça Caldas também não apresentaram declaração em conjunto. O auto de infração, em I elação aos depósitos bancários, ao adotar canto base de calcitic o valot integral, sent a intimação de um dos Initial es da conta corrente em debate para se manifestam sobre a origem dos mencionados depósitos havidos na conta bancária que também lhe pertence, esta eivado de vicio. Ao atribuir a integt alidade dos depósitos a nin único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecido pela regra-matt iz do § 6', do at ligo 42 da Lei 9,430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. Regularmente intimado do Acórdão, do recurso especial interposto e do despacho que lhe deu seguimento, o conttibuinte não apresentou contra-razões., É o breve relato, 4 Processo n° 10480 015491/2001-81 CSRF-T2 Acórc n° 9202-01.133 I. 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Sendo tempestivo e comprovada a divergência com acórdão não reformado pela Camara Superior de Recursos Fiscais -CSRF, conheço do recurso. Chega a esta turma da Camara Superior de Recursos Fiscais CSRF para julgamento a questão do cancelamento da exigência fiscal decorrente da não comprovação da origem dos depósitos bancários, omissão de rendimentos por presunção legal, quando a decisão teve por fundamento o fato de não ter sido intimado urn dos co-titulares da conta-bancária e a cobrança ter sido pela totalidade da exigência . No caso, constato que se trata de matéria sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF: Súmula CARF n" 29: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na .fase que precede à lavratura do auto de ii!fração com base na presunção legal de omissão de recently ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento, Acórdão n°106-17009, de 06/08/2008 Acórdão n°102-48460, de 26/04/2007 Acórdão n" 102-48163, de 26/01/2007 Acórdão n" 104-22117, de 07/12/2006 Acórdão n'' 104-22049, de 09/11/2006 Assim sendo, deve ser cumprida a determinação no artigo 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Independente de seu entendimento pessoal sobre a matéria, compete ao julgador tão somente verificar a subsunção dos fatos kregra jurídica contida na Súmula e anunciar a sua aplicação: Art. 72.. As decisiies reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em stimzila de observtincia obrigatória pelos membros do CARF, §4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARR Quanto à parte decisória do acórdão recorrido que veio a cancelar o lançamento, entendo que a matéria não está submetida a reexame c, portanto, não deva ser conhecida. Isto porque os embargos opostos, segundo a decisão da turma recorrida, não atenderam os pressupostos para seu conhecimento e processamento. Entendeu a turma que a nulidade se deu por vicio material e dai o cancelamento do lançamento. 5 Para o conhecimento do recurso especial nesta parte seria necessária a comprovação da divergência, o que não foi feito. O acórdãos apresentados como paradigma apenas trazem considerações genéricas sobre as diferenças entre vícios formal e material, sem indicação de que tenham tratado do ato processual de intimação da parte. Por tudo, voto pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional..
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Numero do processo: 10980.005181/2005-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2005
Ementa: EXCLUSÃO. MÚLTIPLAS ATIVIDADES.
Mesmo que conste dos objetivos sociais atividade impeditiva do direito de optar pelo Simples, não deve prosperar a exclusão quando o contribuinte comprovar, de um lado, o não exercício da referida atividade; e, de outro lado, o exercício de atividade autorizada para efeito de opção pelo Simples.
Numero da decisão: 1102-000.697
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 Ementa: EXCLUSÃO. MÚLTIPLAS ATIVIDADES. Mesmo que conste dos objetivos sociais atividade impeditiva do direito de optar pelo Simples, não deve prosperar a exclusão quando o contribuinte comprovar, de um lado, o não exercício da referida atividade; e, de outro lado, o exercício de atividade autorizada para efeito de opção pelo Simples.
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MÚLTIPLAS ATIVIDADES. Mesmo que conste dos objetivos sociais atividade impeditiva do direito de optar pelo Simples, não deve prosperar a exclusão quando o contribuinte comprovar, de um lado, o não exercício da referida atividade; e, de outro lado, o exercício de atividade autorizada para efeito de opção pelo Simples. ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos,DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. assinado digitalmente. IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO –Presidente e Relatora EDITADO EM:26/03/2012. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Otavio Oppermann Thomé,Silvana Rescigno Guerra Barretto, Gleydson Kleber Lopes de Oliveira, Leonardo de Andrade Couto, Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice Presidente) Relatório Processo nº 10980.005181/200541 Acórdão n.º 110200697 S1C1T2 Fl. 2 2 O Ato Declaratório Executivo N° 416, de 10/10/2007, do Delegado da Receita Federal em CuritibaPR, excluiu a Recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/05/2005, informando como causa, o exercício de atividade econômica vedada de representação comercial, em afronta ao disposto no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996. Na manifestação de inconformidade,f1.15/20, a Recorrente inicia pedindo a declaração de nulidade do ADE, porque ao solicitar seu registro no CNPJ comunicou ao fisco suas atividades e teve a inscrição liberada. Argumenta que o procedimento da Receita Federal o fez incorrer em erro, pois acreditava estar em conformidade com a lei. Reclama da demora na crítica à sua adesão. E diz não ter exercido a atividade de representação comercial,bem como a retirara do contrato social, na segunda alteração.Pede reconsideração para ser admitido no SIMPLES ou, alternativamente, que os efeitos do ato se operem a partir de sua publicação. Sobrevém a decisão de fls.33/34, acórdão 0622.029 2a.Turma da DRJ/CTA, de 30 de abril de 2009, assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO • PORTE SIMPLES Ano calendário: 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do procedimento fiscal, quando comprovado que não houve cerceamento do direito de defesa, e foram cumpridos os demais requisitos previstos no Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235, de 1972). EXCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiuse indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS. TERMO INICIAL DE VIGÊNCIA. Tratandose de exercício de atividade vedada prevista no art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, a exclusão do Simples surte efeitos a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente. Ciente em 28 de maio de 2009, fls.37, oferece as razões de recurso, em 26/06/2009, fls. 40/49, instruído com os documentos de fls.50/77. Processo nº 10980.005181/200541 Acórdão n.º 110200697 S1C1T2 Fl. 3 3 Informa que na constituição da pessoa jurídica CENTRO AUDITIVO EV LTDA. (24/04/2005), constava de seu contrato social formalmente a possibilidade de exercício de atividade não permitida para o regime do Simples Tributário, tal qual a atividade de "representação". Mas, através da 2a.. Alteração de seu contrato social.; ocorrida na data de 01/11/2006, retirou a clausula impeditiva de sua permanência no sistema. Ainda, na mesma data da apresentação do "Documento Básico Entrada do CNPJ", no dia 24 de maio de 2.005, a Técnica da Receita Federal da Agência Portão, através da "Representação" de fls.03, solicitou análise técnica da possibilidade ou não de sua permanência nesse regime tributário. [Que foi recebida em 25/05/2005, pelo Sr. Chefe da CAC/Portão conforme vêse da citada fls. 03, a qual gerou o "Memo(rando) CAC/Portão 217/2005, expedido no dia 31/05/2005, subscrito no dia 01/06/2005 e efetivamente protocolado no SECAT no dia 02/06/2005 (fls. 02, do referido procedimento administrativo)]. Ainda, no dia 06/06/2005 foi determinada a formalização de processo, através do despacho de fls. 01, subscrito pelo Agente Fiscal da Receita Federal do Brasil Chefe da Eqcad. Contudo, a partir da abertura do procedimento administrativo ocorrido na data de 07/06/2005, conforme "folha capa" do referido procedimento e até a data de 10 de outubro de 2.007, data em que foi proferido o "Despacho Decisório" de fls. 10/11, mais de 28 (vinte e oito) meses, ou mais de 800 (oitocentos) dias depois, não houve qualquer movimentação no referido procedimento administrativo. (destaque das razões). Repete as razões oferecidas nas razões iniciais, ou seja, seu pedido para que fosse declarado improcedente o ADE, ou, ao menos, que a produção de seus efeitos se operasse a partir de sua expedição (10/ .10/2007) e não do mês subseqüente aquele em que a empresa iniciou suas atividades (01/05/2005). Reclama da conclusão do aresto combatido quando afirmou, no item 14 daquele instrumento, declarou que os efeitos da alteração contratual se daria a partir da data do seu registro (01/11/2006) e mais, deveria ainda, promover nova opção e que não teria juntado as provas de que não exercera a atividade de representante comercial. Referese aos diversos precedentes administrativos que, em caso semelhante decidiram a favor do Contribuinte, transcreve as ementas dos acórdãos e junta inteiro teor dos mesmos, e numera os anexos, a exemplo, : Ac. 30236651, de 27/01/2005 (doc. 03);Acórdão n.° 301 30810, de 05/11/2003 (doc. 04). Comenta que os princípios utilizados nessas decisões são os mesmos do seu caso, tais sejam: 1°.) restou reconhecido no v.acórdão prolatado (caso concreto, ora examinado) que a pessoa jurídica 'CENTRO AUDITIVO EV LTDA. superou o "impedimento" da atividade proibitiva ao editar uma 2a.Alteração Contratual que vigorou a partir de 01/11/2006. Entretanto, tal decisão não reconheceu no bojo daquele recurso que o "Ato Declaratório Executivo" em referência foi editado semente no dia 10/10/2007, quase um ano após, o que nos termos do primeiro precedente jurisprudencial administrativo ora apresentado inclusive em seu inteiro teor (doc. 03) não retiraria o direito da mesma em verse mantida no regime do Simples Tributário; Processo nº 10980.005181/200541 Acórdão n.º 110200697 S1C1T2 Fl. 4 4 2°.) a alegada "falta de provas" a demonstrar a inexistência de atividade de "representação" durante o período compreendido entre a constituição da empresa (24/04/2005) e a vigência da cláusula proibitiva (31/10/2006) não pode ser imputada ao próprio contribuinte, no caso, CENTRO AUDITIVO EV LTDA., dispondo a própria organização fazendária de meios fiscalizatórios de comprovar o exercício de tal atividade; 3°.) a pessoa jurídica em referência afirmou categoricamente que jamais exerceu qualquer atividade de "representação", mesmo no período em que seu "contrato social" aventava a possibilidade hipotética de desempenho de atividade de "representação", conforme 2°. Parágrafo de fls. 18 dos autos, com o seguinte teor: "Ainda assim, apesar do fato de constar no contrato social que a pessoa jurídica exercia atividade de representação, isto nunca ocorreu, ..." (Itálicos e negritos meus). 4°.) ademais, conforme fazem prova os atos processuais administrativos demonstrados no presente caderno formal, entre o pedido de "exclusão" do contribuinte (ora Recorrente) formalizado pelo CAC (Centro de Atendimento ao Contribuinte) da Delegacia da Receita Federal do Brasil de 'Curitiba e o despacho decisório que ensejou a expedição do "ADE" transcorreram cerca de 28 . (vinte .'e oito) meses, ou seja, mais de dois anos após. Em face de todo o exposto, requer: a) conhecer do presente Recurso Voluntário interposto, em face de sua manifesta tempestividade e, b) no mérito, em darlhe integral provimento, no sentido de promover ampla reforma do acórdão ora recorrido, para os seguintes fins: b.1) declarar a nulidade do ADE (Ato Declaratório Executivo) expedido contra o contribuinte (ora Recorrente), em face do grande tempo transcorrido entre a Representação da unidade fiscal e a sua expedição, considerando, ainda, que ao tempo desta .(10/10/2007) fls. 12 dos autos o Recorrente não mais tinha contido em seu contrato social a possibilidade da prática de atividade proibitiva para o regime do simples tributário, conforme 2'. Alteração de seu contrato social devidamente acostado ao presente caderno processual(ocorrida em 01/11/2006 – fls.28/31 dos autos); b.2) alternativa e sucessivamente, em considerar automaticamente o contribuinte (ora Recorrente) aderido ao sistema do simples tributário a partir da data de 01/11/2006, oportunidade em que registrou perante a Junta Comercial do Paraná sua 2a.(Segunda)alteração de Contrato Social, onde não mais constou a atividade proibitiva de representação, deixando o período anterior a partir da constituição formal do contribuinte (ora Recorrente) perante a Junta Comercial do Paraná (JUCEPAR) 24/04/2005 e. até a data de 31/10/2006 (dia imediatamente anterior à sua 2. Alteração de Contrato Social) Processo nº 10980.005181/200541 Acórdão n.º 110200697 S1C1T2 Fl. 5 5 sujeito à fiscalização por parte da Delegacia da • Receita Federal do Brasil em Curitiba, de modo a ser constatado se foi exercida qualquer atividade de representação, para fins de serem aplicados os tributos .respectivos (em caso de confirmação da atividade, o que o contribuinte/Recorrente nega peremptoriamente); b.3) se for o caso, antes de ser, emitido qualquer veredito no presente recurso voluntário, o contribuinte/Recorrente coloca toda a sua documentação fiscal à disposição desse Egrégio CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), seus órgãos unitários ou quaisquer agentes de fiscalização da Receita Federal do Brasil, para as conferências e apurações que se fizerem necessários. Despacho de fls.78 encaminha os autos para o CARF. Os recebo para relato, por sorteio. É o Relatório. Voto Processo nº 10980.005181/200541 Acórdão n.º 110200697 S1C1T2 Fl. 6 6 O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e dele conheço. Tratase de pedido de reingresso no do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/05/2005, por exercício de atividade econômica vedada, representação comercial, em afronta ao disposto no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996. A Recorrente, desde suas razões iniciais, propugna pelo cancelamento do Ato Declaratório Executivo N° 416, de 10/10/2007, alegando que jamais exerceu a atividade de represente comercial, bem como, antes da emissão do ADE, já retirara do seu instrumento societário a cláusula que dizia respeito à atividade impeditiva de sua permanência no SIMPLES. A redação original do contrato social que motivou a exclusão se fez na seguinte ordem: (...) Cláusula Terceira: O objeto social será a exploração dos ramos de importação, exportação de aparelhos auditivos, ortopédicos e equipamentos de audiologia e otorrinolaringologia; comércio varejista de aparelhos auditivos, ortopédicos, equipamentos de audiologia e otorrinolaringologia; manutenção de aparelhos auditivos e representação.(fls.25 de 14/04/2005). Antes de qualquer procedimento fiscal, na segunda.alteração contratual, a cláusula terceira ficou assim redigida: Cláusula Terceira: O objeto social será a exploração dos ramos de importação, exportação de aparelhos auditivos, ortopédicos e equipamentos de audiologia e otorrinolaringologia; comércio varejista de aparelhos auditivos, ortopédicos, equipamentos de audiologia e otorrinolaringologia; manutenção de aparelhos auditivos.( Fls.29, em 09/10/2006). Compulsando os autos, às fls. 03, consta a Representação, da autoridade preparadora, datada em 24/05/2005 e recepcionada em 25/05/2005, a qual a Recorrente se referiu em suas razões de recurso, como se “consulta” fosse, assim vazada: A empresa CENTRO AUDITIVO EV LTDA CNPJ 07 389 691/000106, solicitou inscrição ,CNPJ consta como optante do SIMPLES. Na inscrição contratual consta como atividade econômica; Importação, Exportação de Aparelhos auditivos, ortopédicos e equipamentos de audiologia e otorrinolaringologia, comercio varejista de aparelhos auditivos, ortopédicos, equipamentos de audiologia e otorrinolaringologia, manutenção de aparelhos auditivos e representação, conforme cópia em anexo. Solicito que seja encaminhado ao setor competente para análise e verificar se a Empresa pode continuar sendo tributada no SIMPLES e se for o caso que seja feito á exclusão de oficio. Processo nº 10980.005181/200541 Acórdão n.º 110200697 S1C1T2 Fl. 7 7 Ou seja, a exclusão se deu tão somente pelo fato de constar no contrato social a possibilidade de exercer a atividade de representação comercial. Mas a efetividade do exercício dessa atividade vedada não foi objeto de análise da ação fiscal. No Colegiado Administrativo várias decisões existem no sentido de só admitir a exclusão da Pessoa Jurídica optante pelo SIMPLES, quando restar efetivamente comprovado o exercício de atividade vedada. E não apenas quando a empresa tem múltiplas atividades em seu NIRE. Como exemplo o acórdão CSRF 910101.059, de 28/06/2011, cuja ementa foi reproduzida neste processo, na ordem seguinte: EXCLUSÃO DO SIMPLES Mesmo que conste dos objetivos sociais atividade impeditiva do direito de optar pelo Simples, não deve prosperar a exclusão quando o contribuinte comprovar, de um lado, o não exercício da referida atividade; e, de outro lado, o exercício de atividade autorizada para efeito de opção pelo Simples. A i.Conselheira Karem Jureidini Dias, consignou em suas razões de decidir que o fato de conter mera previsão de exercício de atividade (não exercida de fato) no contrato social, não é motivo de exclusão do seu enquadramento no SIMPLES e assim comentou: (...) Neste ponto, transcrevo trecho do voto que menciona o Boletim Central COSIT nº 55/97, que esclarece algumas questões: "Se constar no contrato social que a PJ pode exercer alguma atividade que impeça a opção pelo SIMPLES, ainda que não venha a obter receita dessa atividade, tal fato é motivo que impeça sua opção por esse regime de tributação? Se no contrato social constarem unicamente atividades que vedam a opção, a pessoa jurídica deverá alterar o contrato para obter a inscrição no Simples, valendo a alteração para o anocalendário subseqüente. Excepcionalmente, será admitida alteração do contrato social, para adaptála ao Simples, até 31/3/1997, desde que, neste ano de 1997, não tenha obtido receitas de atividades impeditivas. Admitirseá, no entanto, a existência no contrato social das atividades impeditivas juntamente com não impeditivas condicionandose neste caso, porém, a possibilidade de opção e permanência no Simples, ao exercício tão somente das atividades não vedadas. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social.” Como os autos não foram instruídos com documentos que confrontassem as alegações e os documentos trazidos pela Recorrente, que apontam para o exercício de atividade permitida para inscrição no SIMPLES, é de se cancelar o ato de exclusão. Nessa ordem de juízo, DOU provimento ao recurso. Processo nº 10980.005181/200541 Acórdão n.º 110200697 S1C1T2 Fl. 8 8 assinado digitalmente. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro.
score : 1.0
Numero do processo: 13771.000741/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO VOLUNTÁRIO.
AUSÊNCIA DE INTERESSE.
Sendo reconhecida a intempestividade da impugnação apresentada, não se inaugura a fase litigiosa, segundo consta do art. 14 do Decreto n.º 70.235/72, motivo pelo qual, por falta de interesse, não deve ser conhecido o recurso interposto, que sequer atacou o único fundamento do acórdão recorrido, que se mantém, portanto, por seu próprio fundamento.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.554
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por falta de interesse recursal, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INTERESSE. Sendo reconhecida a intempestividade da impugnação apresentada, não se inaugura a fase litigiosa, segundo consta do art. 14 do Decreto n.º 70.235/72, motivo pelo qual, por falta de interesse, não deve ser conhecido o recurso interposto, que sequer atacou o único fundamento do acórdão recorrido, que se mantém, portanto, por seu próprio fundamento. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por falta de interesse recursal, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13771.000741/200613 Acórdão n.º 2101001.554 S2C1T1 Fl. 77 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 61/63) interposto em 03 de agosto de 2009 contra o acórdão de fls. 47/51, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que, por unanimidade de votos, não conheceu da impugnação apresentada em face do auto de infração de fls. 23/28, lavrado em 01 de abril de 2005, em decorrência de deduções indevidas com dependentes e de despesas de instrução e médicas, verificadas no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 INTIMAÇÃO POR EDITAL. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, para a adoção da intimação por edital, basta que reste improfícuo um dos meios de intimação previstos na legislação de regência sobre a matéria. Em assim sendo, comprovada a regularidade da intimação pela autuada por edital, não há que se acolher a preliminar de tempestividade de impugnação, por apresentada a destempo. Impugnação não Conhecida” (fl. 47). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 61/63, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator A despeito de ser tempestivo, o recurso não preenche outro pressuposto de admissibilidade, qual seja, o interesse recursal. Como é cediço, os pressupostos recursais de admissibilidade se subdividem em (i) extrínsecos e (ii) intrínsecos. Incluemse no primeiro grupo o preparo (nas ações judiciais), a tempestividade e a regularidade formal, ao passo que, no segundo, têmse o cabimento, o interesse recursal e a legitimidade para recorrer. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13771.000741/200613 Acórdão n.º 2101001.554 S2C1T1 Fl. 78 3 O interesse de agir, transposto para a seara recursal, também se manifesta por meio do binômio necessidadeutilidade, carecendo o Recorrente principalmente desta última. Isto porque, consoante foi afirmado na decisão recorrida, a ausência de apresentação de impugnação tempestiva sequer faz com que seja instaurada a fase litigiosa do contencioso administrativo, nos termos do art. 14 do Decreto n.º 70.235/72. Assim, descabível falarse em interesse recursal quando o procedimento sequer foi iniciado, mormente por desídia imputável única e exclusivamente ao contribuinte, que sequer atacou o único fundamento do acórdão recorrido, que se mantém, portanto, por seu próprio fundamento. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NÃO conhecer do recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003218/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA.
A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está
condicionada à comprovação de sua ocorrência. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento.
Recurso voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. A dedução das despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação de sua ocorrência. A argumentação desprovida de provas não é suficiente para alterar o lançamento. Recurso voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator EDITADO EM: 15/03/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atílio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2005 (fls. 20 a 23), referente glosa de R$ 17.270,00 (dezessete mil e duzentos e setenta reais) deduzidos a títulos de despesas médicas, com imposto suplementar de R$ 4.749,25 (quatro mil, setecentos e quarenta e nove reais e vinte e cinco centavos). O contribuinte apresentou impugnação solicitando a improcedência do lançamento, tendo em vista ser destituído de fundamentação legal, na medida que a exigência de outros elementos, além dos recibos, não encontra respaldo na legislação, e que os recibos são suficientes para comprovar os pagamentos efetuados. Informa o endereço dos beneficiários dos recibos com as quais fez tratamento para ATM, RPG, fisioterapia e psicologia. A 11ª Turma de Julgamento da DRJ/SPO II, por meio do Acórdão nº 17 45.944 julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado em 9 de fevereiro de 2011 (fl. 39), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia 10 do mês subsequente (fls. 40/51), alegando que: a) os comprovantes das despesas médicas foram apresentados nos termos da lei, cumprindose todas as exigências legais, com a apresentação de recibos, prontuários médicos e exames complementares; b) foram desconsiderados os princípios constitucionais da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, verdade real, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público; c) conforme preconiza o Código Civil, arts. 212, 219, 319, 320 e 334, o fato jurídico é provado por documento e as declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários e a quitação da dívida; d) o recibo é o documento idôneo para comprovar o pagamento das obrigações de dar e fazer, pois designa o objeto do pagamento, o nome do devedor, o tempo e lugar do cumprimento da obrigação, além da assinatura do credor; e) a posse de um recibo faz presunção de que houve uma prestação por conta do credor, emissor, e o pagamento pelo devedor; f) pelos documentos apresentados restou comprovado que faz tratamento para ATM há diversos meses e, por ser acometido por hérnia de disco, que necessita de fisioterapia semanal e RPG, bem como que fez tratamento psicológico em família; e g) a Lei nº 9.250, de 1995, e a IN SRF nº 15, de 2001, são claras quanto aos requisitos para comprovação das despesas médicas. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 13839.003218/200951 Acórdão n.º 210201.797 S2C1T2 Fl. 57 3 O contribuinte não faz juntada de novos documentos, além daqueles juntados na impugnação: “Declaração” de folha 17, emitida em 3 de novembro de 2009, informando que o contribuinte e seus dependentes são pacientes regulares da clinica do Dr. Edmilson Frizzo desde 1999, e o resultado da “Ressonância Magnética da Coluna Vertebral Segmentos Lombo Sacro”, de 6 de junho de 2009 (fls. 18/19), emitido por convênio Unimed. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A exigência fiscal em teve origem em procedimentos de fiscalização, em revisão interna de Declaração de Ajuste Anual, na qual a autoridade lançadora entendeu ter havido dedução indevida de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, correspondente ao exercício 2005, tendo em vista a falta de comprovação da efetividade dos serviços médicos prestados. Este processo está sendo analisado em conjunto com dois outros do mesmo contribuinte, de números 13839.003220/200921 e 13839.003219/200904, que tratam, respectivamente, do imposto de renda dos exercícios 2006 e 2007. Nos processos em análise foram glosadas as deduções com despesas médicas, nos seguintes exercícios e valores: a) exercício 2005 – do total declarado de R$ 19.572,00, foram glosados R$ 17.270,00, referente aos recibos abaixo: 1. R$ 3.000,00, emitido por Silvana Cristina Sonsin; 2. R$ 3.040,00, emitido por Solange Sonsin Xavier da Silveira; e 3. R$ 11.230,00, emitido por Tânia Galego Frizzo. b) exercício 2006 – do total declarado de R$ 19.415,28, foram glosados R$ 15.480,00, referente aos recibos abaixo: 1. R$ 3.800,00, emitido por Júlia Mara Orfali; 2. R$ 2.820,00, emitido por Solange Sonsin Xavier da Silveira; 3. R$ 6.060,00, emitido por Maria Ondina M de Almeida; e 4. R$ 2.800,00, emitido por Renato M dos Passos. c) exercício 2007 – do total declarado de R$ 22.718,64, foram glosados R$ 19.800,00, referente aos recibos abaixo: 1. R$ 10.200,00, emitido por Tânia Galego Frizzo; e 2. R$ 9.600,00, emitido por Kelly C. da Silva Martins. Em relação às deduções, assim está expresso na Lei nº 9.250, de 1996: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 13839.003218/200951 Acórdão n.º 210201.797 S2C1T2 Fl. 58 5 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Não resta dúvida que são dedutíveis os pagamentos com despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, condicionados a comprovação nos termos da § 2º do art. 8º da Lei 9.450/1996. Em principio, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, são admitidos como prova idônea de pagamentos. Entretanto, havendo dúvida quanto à idoneidade do documento, podese solicitar provas do pagamento e também dos serviços prestados pelos profissionais, por meio de laudos ou outros documentos vinculados ao tratamento. Ou seja, é responsabilidade do beneficiário do recibo provar que realmente efetuou o pagamento do valor nele constante, bem como fazer prova do serviço prestado, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. De acordo com o art. 73 e § 2º do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, se forem exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, e podem ser glosadas sem a audiência do contribuinte. A inversão legal do ônus da prova transfere ao contribuinte o dever de comprovar e justificar as deduções declaradas. Isso implica trazer elementos que não deixem dúvidas em relação ao fato questionado. E, em não fazendo isso, cabe as consequências legais do não cabimento das deduções. Assim, nesse contexto, verificando que as deduções são elevadas, caberia de fato ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, condicionando a dedução à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Foi isso que fez a autoridade lançadora. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 A questão seria facilmente resolvida se o requente, atendendo a solicitação da auditoria, tivesse juntado aos autos suas contrarrazões calcadas em provas concretas da efetividade da prestação dos serviços questionados ou do pagamento. O interessado foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a efetividade dos serviços prestados, relativo aos valores pagos e lançados como despesas médicas, o que não o fez, permitindo, assim, ao fisco, efetuar a glosa por falta de comprovação da efetividade da prestação dos serviços. O requerente poderia ainda trazer aos autos os elementos que auxiliassem a elucidar o caso na fase impugnatória e na recursal. Entretanto, ao contrário, resumese apenas a contestar a exigência de outros elementos probantes e a informar que os recibos preenchem os requisitos da lei e que o fisco somente poderia considerálos inidôneos se provasse que efetivamente não ocorreu serviço, isto é, se a fiscalização provasse que o médico forneceu recibo sem prestar serviço algum em troca. O contribuinte subsidia sua argumentação nos dispositivos do Código Civil (arts. 212, 219, 319, 320 e 334) para a manutenção da prova. Porém, não cabe ao fisco obter as provas da inidoneidade do recibo, mas, ao recorrente apresentar elementos que dirimam as dúvidas a respeito dos recibos. Os rendimentos declarados pelo contribuinte são predominantemente recebidos de pessoa jurídica, cujos pagamentos são efetuados por intermédio de instituição bancária. Portanto, ainda que as despesas médicas tivessem sido pagas em espécie, as informações dos saques, com datas e valores aproximados, auxiliariam para reforçar a convicção do pagamento dos serviços contratados. Ao se recusar ou se omitir a apresentar essa prova, assume o risco da não comprovação da despesa, suficiente, portanto, para o embasamento legal da tributação, eis que plenamente configurado o fato gerador. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 5/03/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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