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Numero do processo: 13981.000069/2001-78
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS.
A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. (Ac. CSRF/02-01.336).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, José Adão Vitorino de Morais e Carlos Alberto Freitas Barreto (Relator), que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo Cardozo Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. (Ac. CSRF/02-01.336). Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. (Ac. CSRF/0201.336). Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, José Adão Vitorino de Morais e Carlos Alberto Freitas Barreto (Relator), que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 00 69 /2 00 1- 78 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000069/200178 Acórdão n.º 9303000.458 CSRFT3 Fl. 276 2 Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo Cardozo Miranda, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Versam os autos sobre pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9363/1996. A Câmara recorrida deu provimento ao recurso voluntário e, dentre outros, reconheceu o direito à inclusão, na base de cálculo do incentivo, do valor pertinente às matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens adquiridos de não contribuintes, mais especificamente, de pessoas físicas e de cooperativas. A Procuradoria da Fazenda Nacional recorreu desse decisum, no tocante à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, do valor pertinente às matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens adquiridos de não contribuintes. O apelo fazendário foi admitido pelo presidente da Câmara recorrida. O sujeito passivo apresentou, tempestivamente, contrarrazões. O julgamento deste recurso tem como paradigma o Recurso nº 223.228, julgado na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicado mesma conclusão daquele julgado, nos termos do art. 47 do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Não obstante, pessoalmente, defenda o entendimento de que o direito ora em discussão não deva ser reconhecido, este voto segue as disposições do § 2º, in fine, do art. 47 do anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Para tanto, adoto a tese do julgamento do recurso nº 223.228, paradigma para o caso em discussão, na parte relativa à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, do valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagem adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas. “Para melhor elucidar a questão, mister transcreverse o dispositivo que criou referido benefício para fomento das exportações, qual seja, o art. 1º, da Lei n.º 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000069/200178 Acórdão n.º 9303000.458 CSRFT3 Fl. 277 3 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Pois bem, o objetivo da lei é bastante claro: desonerar a carga tributária do PIS e da Cofins, incidentes em cascata, nas mercadorias destinadas à exportação. Aliás, declinado objetivo veio expresso na Exposição de Motivos da Lei nº 9.363/96. Tratase da Exposição de Motivos nº 120, de 23 de março de 1995, confirmada pela Mensagem nº 175, do Excelentíssimo Senhor Presidente da República, que precedeu a MP nº 948, que assim verbera: A Medida Provisória n.º 905, de 21 de fevereiro de 1995, dispôs sobre a desoneração fiscal da COFINS e PIS/PASEP incidente sobre os insumos, objetivando possibilitar a redução dos custos e o aumento da competitividade dos produtos brasileiros exportados, dentro da premissa básica da diretriz política do setor, no sentido de que não se deve exportar tributos. Em seu elemento motriz, a proposta em comento dispunha que sobredita desoneração deveria ser feita mediante ressarcimento em dinheiro desses encargos a favor do exportador nacional. 2. Sendo as contribuições da COFINS e PIS/PASEP incidentes em cascata, sobre todas as etapas do processo produtivo, parece mais razoável que a desoneração corresponda não apenas à última etapa do processo produtivo, mas sim às duas etapas antecedentes, o que revela que a alíquota a ser aplicada deve ser elevada para 5,37%, atenuando ainda mais a carga tributária incidente sobre os produtos exportados, e se revelando compatível com a necessidade de ajuste fiscal. (Grifouse) Ora, a redação não permite devaneios. Negar o crédito sob a argumentação de que não incidiu PIS e Cofins na última etapa de produção, ou representa desconhecimento da lei, ou uma tentativa falaciosa de negar o crédito a que o contribuinte tem direito. Note que a própria Exposição de Motivos diz que foram consideradas as últimas DUAS etapas do processo produtivo. É exatamente por isso que se fixou uma alíquota de 5,37%, pois representa a carga tributária das mencionadas contribuições nas duas últimas etapas do processo produtivo (1,0265)² – 1= 0,0537 ou 5,37%. Por fim, cabe frisar que, mais uma vez a lei é cristalina quanto à base de cálculo do incentivo. Senão vejamos: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13981.000069/200178 Acórdão n.º 9303000.458 CSRFT3 Fl. 278 4 Art.2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. (Grifo nosso) Ora, é evidente que o termo “valor total” não comporta nenhuma exclusão. Caso contrário, não seria valor total! Não é preciso maiores delongas para chegarse à conclusão, portanto, de que as exclusões previstas nas IN’s SRF nºs 23 e 103, ambas de 1997, são absolutamente ilegais, pois somente a lei, strictu sensu, poderia prever tais exclusões; jamais uma norma complementar, consoante art. 100, I, do CTN. Frisese, ainda, que a Egrégia Segunda Turma já solucionou a matéria de forma acertada e definitiva, consoante demonstra a ementa do Aresto abaixo transcrita: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI REFERENTE AO PIS E A COFINS. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96), sendo irrelevante ter havido ou não incidência das contribuições na etapa anterior, pelo que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas e cooperativas estão amparadas pelo benefício. (Ac. CSRF/0201.336, Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer) (...).” Nos termos do voto paradigma transcrito linhas acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 277DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10073.900692/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/06/2004 a 20/06/2004
INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO.
A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindível, sem que isso gere nulidade do processo.
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
In casu, a Contribuinte foi intimada a apresentar as informações acerca da origem do crédito e os documentos que o comprovam. Após analisar os documentos fiscais obrigatórios, a delegacia de origem negou o direito creditório, fundamentadamente, com base em matéria de fato e em matéria de direito. Logo, não existiu o cerceamento de defesa alegado e não há motivo para declarar a nulidade do despacho decisório.
IPI. VTM (VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO). APLICABILIDADE.
O valor tributável mínimo tem previsão legal na Lei nº 4.502/64, que continua vigente. Portanto, é legal a exigência de valor mínimo em operações com incidência do IPI.
Numero da decisão: 3401-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ n. 121.112.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/06/2004 a 20/06/2004 INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindível, sem que isso gere nulidade do processo. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. In casu, a Contribuinte foi intimada a apresentar as informações acerca da origem do crédito e os documentos que o comprovam. Após analisar os documentos fiscais obrigatórios, a delegacia de origem negou o direito creditório, fundamentadamente, com base em matéria de fato e em matéria de direito. Logo, não existiu o cerceamento de defesa alegado e não há motivo para declarar a nulidade do despacho decisório. IPI. VTM (VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO). APLICABILIDADE. O valor tributável mínimo tem previsão legal na Lei nº 4.502/64, que continua vigente. Portanto, é legal a exigência de valor mínimo em operações com incidência do IPI.
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Recorrida DRJ JUIZ DE FORA/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/06/2004 a 20/06/2004 INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindível, sem que isso gere nulidade do processo. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. In casu, a Contribuinte foi intimada a apresentar as informações acerca da origem do crédito e os documentos que o comprovam. Após analisar os documentos fiscais obrigatórios, a delegacia de origem negou o direito creditório, fundamentadamente, com base em matéria de fato e em matéria de direito. Logo, não existiu o cerceamento de defesa alegado e não há motivo para declarar a nulidade do despacho decisório. IPI. VTM (VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO). APLICABILIDADE. O valor tributável mínimo tem previsão legal na Lei nº 4.502/64, que continua vigente. Portanto, é legal a exigência de valor mínimo em operações com incidência do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 06 92 /2 00 8- 53 Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Bianca Ramos Xavier, OAB/RJ n. 121.112. Relatório Trata o presente processo de PE/DCOMP transmitida em 14/12/2004 (fls. 03/07), pela qual a Contribuinte pretende o ressarcimento de crédito do IPI, no valor de R$ 186.613,98, recolhido, supostamente, indevidamente ou a maior, em junho de 2004, para compensar com débito também do IPI do segundo decêndio de novembro de 2004, no valor de R$ 197.885,46. Intimada pela autoridade fiscal a justificar a origem do crédito pleiteado, a Recorrente respondeu o seguintes, nas fls.28/31: “Quando de sua chegada ao Brasil, a Requerente importava veículos de sua matriz francesa para revendêlos no mercado nacional e, devido às circunstâncias, buscava divulgar sua marca no mercado nacional e conquistar novos consumidores. Em razão disso, adotou a estratégia de comercializar seus veículos importados a valores inferiores àqueles praticados quando da importação, de modo a possibilitar um preço ao menos competitivo com os veículos de outras marcas já comercializados no país. (...) Inobstante, a Requerente realizou indevidamente o estorno dos créditos do IPIimportação, proporcionalmente à diferença entre os valores de entrada e de saída. Com isso, seus débitos de IPI periodicamente apurados eram recolhidos a maior em favor da Fazenda Nacional, visto que deles não abatia os créditos escriturais pertinentes, vez que estornados. Posteriormente, ciente do equívoco cometido, a Requerente recuperou os créditos estornados, que então ensejaram créditos de IPI recolhidos a maior passíveis de compensação, que foram, em parte, utilizados na DCOMP originária”. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.900692/200853 Acórdão n.º 3401002.884 S3C4T1 Fl. 255 3 Ainda na petição de fls. 28/31 a Contribuinte sugeriu uma diligência. A pergunta sugerida demonstra que os estornos são relativos às vendas tributadas pelo VTM (valor tributável mínimo). Em despacho decisório fl. 97, a Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda/RJ, indeferiu o direito creditório em razão de “o procedimento adotado pela interessada de comercializar seus veículos importados por preços inferiores ao custo de aquisição não encontrar amparo na legislação do IPI”, em razão da existência da base de cálculo mínima; e de a Contribuinte não ter comprovado por documentos fiscais a redução do valor do saldo devedor do IPI que levou à retificação da DCTF. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 193/200), mas a DRJ em Juiz de Fora/MG manteve o indeferimento do crédito, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR QUE O DEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Nos termos das disposições do art. 165 do CTN, não há como reconhecer direito creditório informado como pagamento indevido se não restar comprovado que o valor do pagamento do tributo foi superior ao devido em face da legislação tributária aplicável. Eventual inadequação na forma de tributação do imposto, da qual não resulte pagamento em montante superior ao devido, não enseja direito a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 20/10/2010 (fl.205) e interpôs recurso voluntário em 19/11/2010 (fls.209/237) com as alegações resumidas abaixo: 1 Nulidade do acórdão da DRJ por ter indeferido a realização de perícia contábil; 2 O despacho decisório é nulo em razão de a autoridade fiscal não ter realizado a diligência proposta pela Contribuinte; 3 Nulidade do despacho decisório por falta de motivação e fundamento fático, pois, na decisão, os argumentos do despacho decisório não foram suficientes para fundamentar o indeferimento do crédito, causando cerceamento de defesa; 4 A base de cálculo mínima do IPI é ilegal, pois é determinada pelo art. 136 do Regulamento do IPI, mas o CTN, que é lei complementar e superior ao Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 decreto do regulamento do IPI, em seu art. 47, determina que a base de cálculo deve ser o valor da efetiva operação; 5 Em suas operações, a Recorrente vendia os veículos em valor menor que o valor da importação, escriturava os créditos da entrada, mas, por equívoco, estornava a diferença do valor entre a entrada e a saída. Como não existe previsão legal que obrigue o estorno dessa diferença, a Recorrente tem direito ao crédito que estornou; 6 Todos os créditos estornados foram lançados no LRIPI; 7 O direito ao crédito pode ser comprovado em realização de diligência; Ao fim, a Recorrente pediu a nulidade do acórdão da DRJ, a nulidade do despacho decisório ou a homologação da compensação declarada. Além disso, a Recorrente protestou pela produção de prova pericial. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente pretende o ressarcimento de crédito do IPI supostamente pago de modo indevido ou a maior para compensar com outro débito do IPI. As matérias devolvidas para apreciação foram as seguintes: nulidade do acórdão da DRJ, nulidade do despacho decisório, ilegalidade da base de cálculo mínima do IPI, existência do crédito e necessidade de realização de diligência. Delimitadas as matérias, podese passar à análise. 1 Da nulidade do acórdão da DRJ A Recorrente alega que o acórdão da DRJ é nulo em razão de aquela instância julgadora ter negado a realização de perícia contábil. A DRJ negou a realização de diligência sob dois fundamentos: o primeiro, em razão de, no entendimento da DRJ, o único documento que poderia comprovar o pagamento a maior ser o RAIPI, que foi juntado aos autos e não provou o alegado; o segundo, porque análise do crédito foi dirimida com base em matéria de direito, fazendo prescindível qualquer análise de matéria de fato. Ocorre que o indeferimento de diligência por parte da DRJ não torna o julgamento nulo, haja vista que, nos termos do art. 18, combinado como art. 29, do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligência é questão de livre convicção do julgador. A autoridade julgadora pode negar a realização de diligência se entendêla prescindível, senão, vejamos: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.900692/200853 Acórdão n.º 3401002.884 S3C4T1 Fl. 256 5 “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine”. “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Portanto, o acórdão da DRJ não é nulo. 2 Nulidade do despacho decisório A Recorrente pede a nulidade do despacho decisório por dois motivos: (1) porque foi indeferida diligência proposta; (2) porque, segundo a Recorrente, a motivação do indeferimento foi insuficiente e gerou cerceamento de defesa. O despacho decisório não contém nenhum vício que o torne nulo. Quanto ao indeferimento da diligência, como já fundamentado no tópico anterior, ela não é obrigatória. Além disso, durante a análise do crédito, a Recorrente foi intimada a justificar a origem do crédito e a apresentar os documentos que o comprovam (fl. 22). Logo, foi dada à Contribuinte a oportunidade de provar a existência do crédito. Em relação à motivação, o indeferimento do crédito teve base em um fundamento de direito e um fundamento de fato: falta de previsão legal para vender abaixo do valor importado e falta de prova da existência do recolhimento a maior. A Recorrente pode até discordar dos fundamentos apresentados pela delegacia de origem, mas eles foram bem expostos e não geraram qualquer cerceamento de defesa. Desse modo, não existe motivo para declaração de nulidade do despacho decisório. 3 Da ilegalidade da base de cálculo mínima do IPI A delegacia de origem aplicou a legislação do IPI pertinente à base de cálculo e concluiu que a venda de veículos por um valor inferior ao custo de aquisição não encontra amparo na legislação do IPI. A DRJ interpretou o entendimento da delegacia de origem no sentido de que, na verdade, o que se quis dizer é que a Contribuinte não poderia tributar os Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 veículos na venda em um valor menor que o tributado na aquisição. Como a Recorrente não refutou essa afirmação, a acolho como incontroversa. Sendo assim, cabe apreciar a base de cálculo mínima. A Recorrente alega que o art. 47, do CTN, determina que a base de cálculo do IPI deve ser o valor da efetiva operação e que o valor tributável mínimo é ilegal, por ser determinado pelo decreto que regulamento o IPI, norma inferior ao CTN. Em primeiro lugar, cabe destacar que a previsão do valor tributável mínimo no RIPI 2002 (Decreto nº 4.544/02), vigente na época dos fatos objetos deste processo, tinha base na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, mas que permanece vigente. Vejamos o que diz o art. 15, da Lei nº 4.502/64: “Art . 15. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, quando o produto fôr remetido a outro estabelecimento da mesma pessoa jurídica ou a estabelecimento de terceiro incluído no artigo 42 e seu parágrafo único; (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) II a 90% (noventa por cento) do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso anterior, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo.; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III ao custo do produto, acrescido das margens de lucro normal da empresa fabricante e do revendedor e, ainda, das demais parcelas que deverão ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou do que lhe seja equiparado, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor”. Desse modo, o valor tributável mínimo, previsto no Decreto nº 4.544/02 (RIPI/2002) tem base legal. Afastar a legalidade do VTM em razão do CTN, dependeria de uma análise constitucional da hierarquia das leis, o que não é permitido em decorrência da Súmula nº 2, do CARF, que assim disciplina: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Desse modo, para fins de julgamento administrativo, a VTM deve ser mantido, haja vista ter base em lei vigente. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10073.900692/200853 Acórdão n.º 3401002.884 S3C4T1 Fl. 257 7 Como, em resumo, o que a Recorrente pretende é o ressarcimento da diferença recolhida com base no VTM, sob premissa de que nada deveria recolher por ter vendido os veículos a um custo menor que o da aquisição/importação, o direito não lhe ampara e o pleito deve ser indeferido. Como a questão foi dirimida na análise da matéria de Direito e é incontroverso que os documentos fiscais obrigatórios não apresentam crédito em favor da Recorrente, é inócua a realização de diligência, motivo pelo qual é indeferida. Ex positis, nego provimento ao recuso voluntário interposto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /03/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 12266.722195/2013-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/09/2008, 30/09/2008, 06/10/2008, 11/10/2008, 17/10/2008, 19/10/2008, 21/10/2008, 22/10/2008, 23/10/2008, 26/10/2008, 28/10/2008, 30/10/2008, 02/11/2008, 04/11/2008, 09/11/2008, 23/11/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA
A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração.
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 21 95 /2 01 3- 33 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 3 2 denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 517DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ em Fortaleza (CE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/09/2008, 30/09/2008, 06/10/2008, 11/10/2008, 17/10/2008, 19/10/2008, 21/10/2008, 22/10/2008, 23/10/2008, 26/10/2008, 28/10/2008, 30/10/2008, 02/11/2008, 04/11/2008, 09/11/2008, 23/11/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA. IRREGULARIDADE NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 5 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/09/2008, 30/09/2008, 06/10/2008, 11/10/2008, 17/10/2008, 19/10/2008, 21/10/2008, 22/10/2008, 23/10/2008, 26/10/2008, 28/10/2008, 30/10/2008, 02/11/2008, 04/11/2008, 09/11/2008, 23/11/2008 REGISTRO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO APÓS O PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES. MULTA. A retificação de registro sobre carga transportada, após o prazo legal para prestar informações sobre ela, confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. MULTA. DELIMITAÇÃO DA INCIDÊNCIA. Em conformidade com o disposto no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008 (DOU 1/4/2008), a prestação intempestiva de informação sobre veículo, operação ou carga transportada é punida com multa específica que, em regra, é aplicável em relação a cada escala, manifesto, conhecimento eletrônico ou item incluído ou retificado após o prazo, independentemente da quantidade de campos alterados. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informação sobre veículo, operação ou carga, na forma e no prazo legalmente fixados, é obrigação acessória autônoma, cujo atraso no cumprimento causa dano irreversível e já consuma a infração, razão pela qual não lhe é aplicável a denúncia espontânea. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/09/2008, 30/09/2008, 06/10/2008, 11/10/2008, 17/10/2008, 19/10/2008, 21/10/2008, 22/10/2008, 23/10/2008, 26/10/2008, 28/10/2008, 30/10/2008, 02/11/2008, 04/11/2008, 09/11/2008, 23/11/2008 NORMA EM PLENO VIGOR. INOBSERVÂNCIA POR CONTA DE SUPOSTO VÍCIO NAS OBRIGAÇÕES INSTITUÍDAS. VEDAÇÃO. A IN RFB nº 800/2007 foi regularmente inserida no ordenamento jurídico, razão pela qual não pode ser afastada pelo julgador administrativo, cuja atuação é pautada pelo princípio da legalidade, nem descumprida por conta de suposto vício nas obrigações estabelecidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 519DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 6 5 Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 8 7 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 9 8 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 523DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 10 9 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 11 10 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 12 11 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 13 12 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 527DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 14 13 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 528DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 15 14 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 529DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 16 15 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 17 16 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 18 17 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 12266.722195/201333 Acórdão n.º 3801004.864 S3TE01 Fl. 19 18 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13976.000364/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/05/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESENÇA DOS REQUISITOS. ACOLHIMENTO. Tendo em vista que restou apurada a ocorrência de qualquer dos vícios indicado no art. 65 do RICARF, os embargos opostos, merecem acolhimento
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2401-003.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para re-ratificar o acórdão n. 2401-01.964, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para re-ratificar o acórdão n. 2401-01.964, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Presidente Igor Araújo Soares - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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PRESENÇA DOS REQUISITOS. ACOLHIMENTO. Tendo em vista que restou apurada a ocorrência de qualquer dos vícios indicado no art. 65 do RICARF, os embargos opostos, merecem acolhimento Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para reratificar o acórdão n. 240101.964, mantendo inalterado o resultado do julgamento. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente Igor Araújo Soares Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carlos Henrique de Oliveira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 03 64 /2 00 7- 99 Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Relatório Tratase Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional contra o acórdão nº. 240101.964 proferido por este colegiado nos autos do processo administrativo acima identificado, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. INCIDENTES SOBRE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS. VALES REFEIÇÃO. PAT. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, não houve antecipação de pagamento, pois embora parte do lançamento refirase a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados, houve lançamento englobando as contribuições incidentes sobre a outra parte da remuneração. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 173, I do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em ummesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Mesmo considerando como produção rural própria a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural , mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria" Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401003.918 S2C4T1 Fl. 1.369 3 A PGFN aduz que referido acórdão possui contradição ao passo que a ementa do julgado esboça entendimento no sentido de que deve ser aplicado ao prazo decadencial a forma de contagem prevista no art. 173, I, do CTN enquanto o dispositivo e a parte final do voto dispõem que deve ser aplicado o art. 150, §4º do mesmo diploma legal. Admitidos os embargos por decisão da ilustre Presidência da turma, incluí o feito em pauta de julgamentos. É o que bastava relatar. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. MÉRITO Inicialmente ressalto que a ementa do julgado embargado assim se manifesta quanto a regra do prazo decadencial a ser aplicada in casu: Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 173, I do CTN. Por outro lado, o dispositivo do voto concluiu de forma contrária, aplicando o art. 150, §4o do CTN. Vejamos: VOTO no sentido de conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, acolher a decadência e excluir do presente lançamento valores correspondentes às contribuições do período de 07/1998 a 10/2001, nos termos do artigo 150 § 4º do CTN, e, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO Da análise dos fundamentos do voto verifico que restou apurada a existência de pagamentos, de modo a atrair a incidência da aplicação do art. 150, §4o do CTN. Confirase: No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, houve antecipação de pagamento, devendo se aplicar, ao caso , a regra contida no artigo 150 § 4º do CTN. Assim, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 24/11/2006, as contribuições relativas ao período de 07/1998 a 10/2001 já se encontravam fulminadas pela decadência. Assim, a regra decadencial constante da ementa, não possui correlação com o que efetivamente decido nos autos. Portanto, na ementa, onde se lê: No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, não houve antecipação de pagamento, pois embora parte do lançamento refirase a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados, houve lançamento englobando as contribuições incidentes sobre a outra parte da remuneração. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 173, I do CTN. Leiase: Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401003.918 S2C4T1 Fl. 1.370 5 No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, houve antecipação de pagamentos. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência , a regra contida no artigo 150, 4o do CTN. Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS, para reratificar o v. acórdão 240101.964, nos termos da fundamentação supra, mantendo inalterado o resultado do julgamento. É como voto Igor Araújo Soares Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2015 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/04/2 015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002014/00-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. EXCLUSÃO.
O art. 22, § 7°, da IN SRFB n° 250, de 26/11/2002, prescreve que, no caso de existência de débito inscrito na divida ativa da União ou do INSS, fica assegurada a permanência de pessoa jurídica como optante pelo SIMPLES se o débito inscrito for quitado ou parcelado no prazo de até 30 dias contados da ciência do ato declaratório que efetuar a exclusão de oficio.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Joao Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plinio Rodrigues de Lima e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. O art. 22, § 7°, da IN SRFB n° 250, de 26/11/2002, prescreve que, no caso de existência de débito inscrito na divida ativa da União ou do INSS, fica assegurada a permanência de pessoa jurídica como optante pelo SIMPLES se o débito inscrito for quitado ou parcelado no prazo de até 30 dias contados da ciência do ato declaratório que efetuar a exclusão de oficio. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Joao Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plinio Rodrigues de Lima e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
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ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 SIMPLES. EXCLUSÃO. O art. 22, § 7°, da IN SRFB n° 250, de 26/11/2002, prescreve que, no caso de existência de débito inscrito na divida ativa da União ou do INSS, fica assegurada a permanência de pessoa jurídica como optante pelo SIMPLES se o débito inscrito for quitado ou parcelado no prazo de até 30 dias contados da ciência do ato declaratório que efetuar a exclusão de oficio. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Joao Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plinio Rodrigues de Lima e Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 20 14 /0 0- 26 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 2 Consta da Informação Técnica nº 301507.05/05 (fls. 87/89) que tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional (fls. 63/85), contra a decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento, por unanimidade, ao recurso voluntário, ao determinar a manutenção da Recorrente no SIMPLES, mediante o Acórdão n° 30130624, julgado em 16/04/2003 (fls. 56/61), assim ementado: SIMPLES EXCLUSÃO Comprovada a inexistência de débitos na tramitação do processo administrativo o contribuinte deve ser mantido no SIMPLES. Aplicação do art. 106, inciso II, do CTN e do art. 22, § 70 da IN SRF n.° 250/02. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO POR UNANIMIDADE. E que: Neste processo administrativo fiscal, no que tange à réplica veiculada no recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, discutese essencialmente se a regularização de débitos inscritos na Dívida Ativa, após a exclusão do contribuinte do SIMPLES, pode reverter esta exclusão. O recurso especial foi interposto com fulcro no art. 32, II, do Anexo II da Portaria MF n.° 55, de 16 de março de 1998. A recorrente apresentou como paradigma o Acórdão nº 30235.498, de 15/04/2003, assim ementado: TRIBUTÁRIO SIMPLES EXCLUSÃO. A existência de débito do contribuinte, inscrito em Divida Ativa da União, com exigibilidade não suspensa, e uma das situações que enseja a sua exclusão do SIMPLES (Lei n° 9.31719 art. 9°, inciso XV). A regularização do débito, mesmo pelo pagamento, posteriormente à ciência do Ato Declaratório de exclusão não enseja a anulação do Ato Declaratório e, consequentemente, da exclusão. Cientificada da decisão recorrida e do recurso especial da PFN a contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso especial de divergência apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, merecendo ser conhecido. Conforme relatado, a matéria submetida à apreciação deste Colegiado discute se a regularização de débitos inscritos na Dívida Ativa, após a exclusão do contribuinte do SIMPLES, pode reverter esta exclusão. Consta do relatório da decisão recorrida que Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 3 A ora Recorrente foi excluída do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições — SIMPLES pelo Ato Declaratório n° 275.702 (fl. 06), datado de 02/10/00, com fundamento na existência de "pendências da empresa e/ou sócios junto a PGFN" (SIC). Conforme se vê no demonstrativo à fl. 29 dos autos referida "pendência" era a Inscrição em Divida Ativa n° 90695001153, a qual foi regularizada pela Recorrente em 24/10/00 (fl. 25). Com todas as vênias e por bem apreciar o caso com clareza e lucidez, adoto e transcrevo o voto condutor da decisão recorrida, conforme segue: A celeuma instaurada cingese em determinar se a regularização de débitos inscritos na Divida Ativa, após a exclusão do contribuinte do SIMPLES, pode e reverter esta exclusão. A decisão recorrida entende que não, e fundamenta sua convicção discorrendo que: Por força do § 3° do art. 15 da Lei n°9.317/96, a exclusão de oficio do SIMPLES ocorre por meio de ato declaratório da Administração fiscal A permanência de contribuinte somente se admite se invalidado o ato declaratório. Apenas duas são as formas de invalidação do ato administrativo: anulação em razão de ilegalidade ou revogação por motivos de conveniência e oportunidade. Se existiam fundamentos legais para a edição do ato declaratório excludente, não cabe cogitar a sua anulação. Também não se admite a revogação do ato em razão da regularização posterior de pendências que motivaram a exclusão. Isso porque pressupõe um juizo discricionário que não se harmoniza com o caráter plenamente vinculado da atividade tributária. (Ementa à. fl. 32) A despeito dos judiciosos e ponderáveis argumentos em que se apóia a decisão recorrida inclinome a discordar, posicionandome em sentido contrário. De fato, no caso presente a lei elege como instrumento de exclusão do SIMPLES o Ato Declaratório: Art. 15 (... ) § 3º A exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Entretanto, noto que o mesmo dispositivo que elege a modalidade de ato administrativo eficaz para referida exclusão, assegura expressamente ao contribuinte o direito ao contraditório e á ampla defesa no processo administrativo. E nem poderia ser diferente, uma vez que estes são princípios constitucionalmente previstos na Magna Carta de 1988. Ora, de nada valeriam as garantias de ampla defesa e contraditório se, como aduz a decisão recorrida, o Ato Declaratório eventualmente combatido não pudesse ser revogado pela administração. A administração não só pode como deve rever seus atos, sempre que, ponderando os fatos, considerálos inconvenientes ou inoportunos. Principalmente assim devem proceder os que, em esfera administrativa, estão investidos de poder judicante. A estes sim, mais do que a quaisquer outros agentes da máquina estatal, cabem a obrigação de utilizar o direito em seu sentido mais amplo, vale Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 4 dizer, um conjunto de normas positivas e princípios, implicitos e explícitos, que se entrelaçam formando o ordenamento jurídico. O julgador não é escravo da lei, esta sim lhe serve como um dos instrumentos que, inserido dentro de todo o ordenamento, e aplicada ao caso concreto, possibilita que se faça justiça. Nesta linha de raciocínio, afasto também outra questão, invocada pela decisão recorrida à fl. 36, com a qual ouso discordar. Alegase que o art. 3° do Código Tributário Nacional, ao prescrever que a cobrança de tributos se opera por atividade administrativa plenamente vinculada, impede a apreciação do direito invocado pela Recorrente. Tal argumentação não prospera pois, em primeiro lugar, ponho em dúvida se referido dispositivo do CTN pode ser aplicado no caso presente. Afinal, não se trata aqui de questão que envolva a cobrança de tributo. Discutese sim o enquadramento do contribuinte no regime diferenciado de tributação preconizado pelo art. 179 da Constituição Federal de 1988 e instituído pela Lei 9.317/96. A bem da verdade, se nos termos do art. 3° do CTN formos discutir sobre a cobrança de tributos, a única notícia que os presentes autos nos dão é a de que, se existiu um débito, o mesmo foi pago pela Recorrente (fl. 25). O tributo é obrigação precisamente porque a sua prestação extingue o vínculo jurídico que se estabelece entre o fisco e o contribuinte por ocasião da ocorrência do fato imponível. Morre a obrigação tributária, quando cumprida. Serviria então o art. 3° do C1N para ajudar o contribuinte, exatamente ao contrario do que asseverou a decisão recorrida. Quanto à alegada desobediência de uma das condições trazidas pelo art. 9° da Lei 9.317/96 detenhome a analisar referida vedação: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XV que tenha débito inscrito em Divida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exipibilidade não esteja suspensa ( grifei ) Noto que o legislador, quando obsta o acesso ao SIMPLES pelos contribuintes que estejam em débito para com a União Federal e/ou INSS, confere especial atenção à exigibilidade deste débito. Sem maiores esforços percebo inclusive que é permitido aos contribuintes em débito optar e permanecer no SIMPLES, desde que a exigibilidade desse débito esteja suspensa, concluo, por uma das hipóteses do art. 151 do CTN. O fato é que a lei não se preocupa tanto com a existência de débitos, e sim com a existência de exigibilidade de débitos. Dai questiono aos pares: Qual o interesse em se obstar que o contribuinte seja enquadrado no SIMPLES quando seu débito encontrase com a exigibilidade, mais que suspensa, extinta, satisfeita, face ao pagamento? A meu ver no caso presente o interesse do legislador já foi satisfeito em grau até superior ao que a lei expressamente admite como condição para a adesão. Poderia a Recorrente, por exemplo, depositar em juízo e discutir o débito apontado à fl. 29, e neste caso a lei expressamente lhe asseguraria o direito de permanecer no SIMPLES. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 5 No caso presente entretanto a Recorrente foi além. Pagou, satisfazendo plenamente o interesse da União Federal de arrecadar. Não entendo justo, data maxima venia, que lhe seja obstado o direito de permanecer no SIMPLES. Anotese que o fato de ter pago posteriormente á exclusão não lhe prejudica. Não há na Lei 9317/96 qualquer dispositivo expresso neste sentido, razão pela qual, aplicando ao caso os princípios do informalismo e da verdade real, norteadores do processo administrativo, entendo que deve ser reformada a decisão recorrida, até mesmo porque, como se vê pela certidão de fl. 03, às evidências a Recorrente não possuía, à época, nenhum débito inscrito em Divida Ativa. Se mais não fosse, o art. 22 parágrafo 7° da IN SRF n° 250, de 26/11/02, prescreve que, no caso de existência de débito inscrito na divida ativa da União ou do INSS, fica assegurada a permanência de pessoa jurídica como optante pelo SIMPLES no caso de o débito inscrito ser quitado ou parcelado, no prazo de até 30 dias contados da ciência do ato declaratório que efetuar a exclusão de oficio. Assim, pela aplicação ao fato do art. 106, inciso II do CTN e da norma acima, deve o recorrente ser mantido no SIMPLES. Os argumentos recursais perseveraram nos fundamentos ensejadores da decisão de primeira instância administrativa, os quais já foram devidamente enfrentados pelo voto condutor da decisão recorrida, acima transcrito. Por essas razões e pelos bem lançados fundamentos da decisão recorrida, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO
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Numero do processo: 10166.727800/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
DOLO. COMPROVAÇÃO.
É cabível a imposição de multa qualificada em omissão de receitas oriunda de depósitos de origem não comprovada quando o dolo do sujeito passivo for evidente, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE NO DOMICILIO FISCAL POR ELE ELEITO. VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR TERCEIRO. VALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF Nº 09. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 2: O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1201-001.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que afastavam a qualificação da multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Fará declaração de voto o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
(documento assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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INSUFICIÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. Deve haver arbitramento quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. OMISSÃO DE RECEITAS. APURAÇÃO. Verificado, pelo Fisco, que a empresa deixou de oferecer à tributação parcelas de suas receitas, cabível o lançamento de ofício dos valores devidamente comprovados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. POSSIBILIDADE. Presumese omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 DOLO. COMPROVAÇÃO. É cabível a imposição de multa qualificada em omissão de receitas oriunda de depósitos de origem não comprovada quando o dolo do sujeito passivo for evidente, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 78 00 /2 01 1- 01 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.194 2 NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE NO DOMICILIO FISCAL POR ELE ELEITO. VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR TERCEIRO. VALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF Nº 09. “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO DE EXTRATOS E DADOS BANCÁRIOS DIRETO PELA RFB. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DO CARF. MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 2: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que afastavam a qualificação da multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Fará declaração de voto o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Sergio Luiz Bezerra Presta (Suplente Convocado) e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 739/784) lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, ano calendário de 2008, em razão da constatação de omissão de receita da atividade e omissão de receita por presunção legal (depósitos bancários de origem não comprovada). Consta no Auto de Infração que, no caso, houve arbitramento do lucro com fundamento no artigo 530, II, do RIR/99, pois a fiscalização considerou que a escrituração mantida pelo contribuinte seria imprestável para determinação do lucro real, pelas seguintes Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.195 3 razões: (i) contribuinte era titular de cinco contas bancárias – duas no BRB, uma no BB, uma no Banco Safra e uma no Banco Itaú em 2008, entretanto, nos lançamentos contábeis só constavam as movimentações do BRB e BB e (ii) intimado a esclarecer como procedeu à contabilização dos recursos creditados/depositados durante o ano de 2008 nas contas do Banco Safra e Banco Itaú, não apresentou qualquer esclarecimento. E, no Termo de Verificação fiscal, consta que: (i) Apesar de intimado, o contribuinte deixou de apresentar LALUR, extratos bancários e cópias de folhas do Diário de 2008 em que estariam transcritos os Balanços Patrimoniais, DRE e os Termos de Abertura e Encerramento. E, nesse contexto foi expedida RMF aos bancos nos quais o contribuinte mantinha contas bancárias. De posse de toda a documentação bancária, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a apresentar documentos que comprovassem a origem dos depósitos/créditos existentes em suas contas bancárias, entretanto, os argumentos apresentados não foram suficientes para tanto. Os recursos creditados em contas bancárias de sua titularidade que não tiveram a origem comprovada totalizaram: 1º. Tri/2008 – R$ 6.459.805,35; 2º Trim/2008 – R$ 6.176.020,12; 3º Trim/2008 – R$ 6.314.078,23 e 4º Trim/2008 – R$ 6.735.129,01. (ii) Após análise do livro diário e demonstrativos contábeis, foram constatadas receitas auferidas e não declaradas à RFB: 1º. Tri/2008 – R$ 5.134.341,23; 2º Trim/2008 – R$ 5.532.427,43; 3º Trim/2008 – R$ 5.506.088,14 e 4º Trim/2008 – R$ 5.463.325,32 (iii) constatouse omissão de receita por prova direta (receita contabilizada e não declarada) 1º. Tri/2008 – R$ 5.134.341,23; 2º Trim/2008 – R$ 5.532.427,43; 3º Trim/2008 – R$ 5.506.088,14 e 4º Trim/2008 – R$ 5.463.325,32 – e, no mesmo período, omissão de receita por presunção legal em decorrência da não comprovação da origem de depósitos em contas bancárias, calculada pela diferença entre os depósitos não contabilizados e a receita contabilizada, que foi de: 1º. Tri/2008 – R$ 1.325.464,12; 2º Trim/2008 – R$ 643.592,69; 3º Trim/2008 – R$ 807.990,09 e 4º Trim/2008 – R$ 1.271.803,69. (iv) Sobre as receitas omitidas, tanto as conhecidas por prova direta (escrituradas) quanto as presumidas por prova indireta (depósitos bancários não comprovados), foram laçadas a contribuição para o PIS e a Cofins, apuradas pelo critério cumulativo, oportunizandose ressaltar que, em relação ao ano calendário fiscalizado, a contribuinte transmitiu DIPJ com os valores zerados, não apresentou DCTF e não efetuou nenhum recolhimento espontâneo. Foi apresentada DIPJ retificadora após o início da ação fiscal, considerada inválida em razão da perda da espontaneidade. (v) Quanto à penalidade imposta, sobre as exigências apuradas com base nos valores escriturados nos livros contábeis, foi aplicada a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996, e, sobre as exigências apuradas a partir da movimentação bancária não escriturada, a penalidade foi qualificada para o percentual de 150%, com fulcro no § 1º do mesmo dispositivo legal. A qualificação da penalidade foi motivada pelos fatos de que: (1) a DIPJ foi apresentada com informações falsas, ao conter valores zerados, quando, comprovadamente, a Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.196 4 contribuinte auferiu receita tributável; e (2) foi mantida, à margem da escrituração da contábil da contribuinte, movimentação financeira nos bancos Safra e Itaú, que, no ano calendário, alcança ingressos de recursos (depósitos/créditos) em torno de R$ 7.000.000,00, a respeito dos quais a empresa, embora não comprovando sua origem, apresentou algumas explicações, ainda que superficiais, demonstrando, assim, estar a par da existência dessa movimentação, evidenciando que a omissão foi praticada com o intuito de impedir ou retardar o conhecimento, pela administração tributária, de receitas auferidas em sua atividade empresarial, caracterizando essa conduta o ilícito previsto no art. 71 da Lei nº. 4.502, de 1964. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 295/303), pugnando pela improcedência do lançamento fiscal e anulação dos autos de infração, a partir dos seguintes argumentos: (i) a existência de vício formal e da espontaneidade, pois o procedimento fiscal foi cientificado ao Sr. Samuel Souza de Miranda, pessoa sem qualquer competência ou prerrogativa de representação da impugnante, de sorte que tal ato, por vício formal, não possui eficácia jurídica para a exclusão da espontaneidade prevista no § 1º do art. 23 do Dec. nº. 70.235, de 1972, sendo válido, portanto, o lançamento fiscal feito através da DIPJ entregue em 01/02/2011. (ii) ilegalidade na quebra do sigilo bancário, pois esta teria ocorrido sem motivação e principalmente sem autorização judicial, tendo em vista que não se mostrou no decorrer da fiscalização qualquer tipo de fraude praticada pelo contribuinte ou prática imputada no art. 33 da Lei nº. 9.430, de 1996. E, consequentemente, concluiu pela nulidade do lançamento, pois as bases de cálculo das exigências lançadas foram totalmente fundamentadas nos dados bancários indevidamente requisitados sem autorização expressa da impugnante e são, portanto, prova ilícita. (iii) afirmou que o ato praticado pelo fiscal não atendeu a legalidade, já que deixou de justificar expressamente a necessidade do arbitramento. Além disso, afirmou que a fiscalização utilizou dois parâmetros distintos para fundamentar lançamentos de tributos distintos mas ligados por reflexo, um considerando as escritas contábeis e a outro desconsiderando totalmente a escrita contábil, dita como irregular. Sustentou que não teve oportunidade para exercer a ampla defesa, por meio da qual poderia ter se manifestado sobre os documentos do processo ou esclarecido eventuais dúvidas da fiscalização, entretanto, no caso o agente fiscal optou por lançar o tributo de forma genérica por arbitramento sem sequer observar que tributou fatos que não eram geradores do IR e reflexos, como por exemplo a tributação com alíquota majorada sobre depósitos bancários. Concluiu que o lançamento se mostra improcedente pelo cerceamento da ampla defesa e ilegalidade no arbitramento. (iv) arguiu a ilegalidade da alíquota majorada e da cumulatividade. Observou que, conforme termo de verificação, em razão da previsão contratual da possibilidade de agir como agente financeiro, foi aplicada alíquota majorada e afastada a não cumulatividade. Afirmou que tal ato é arbitrário, pois foi baseado em mera presunção, já que a autoridade fiscal sequer demonstrou indícios que a movimentação financeira tratava de outra atividade que não aquela realmente exercida (comercio varejista supermercadista). (v) sustentou que ao adotar a forma indireta de lançamento, por presunção, o agente Fiscal lançou tributo inexistente, inclusive aplicando alíquota majorada e multa exorbitante que legalmente não se aplicaria ao caso, já que nunca se furtou de suas obrigações ou agiu com dolo perante a administração tributária. Afirmou que restou evidenciado o Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.197 5 confisco, com inobservância da capacidade contributiva da contribuinte, na medida em que se arbitram valores absurdos, sustentados em alíquotas majoradas, sem respaldo legal, além da aplicação de multas exorbitantes sem qualquer justificativa e fundamentação. (vi) quanto à multa qualificada, afirmou que nunca agiu com dolo e não restou evidenciado o intuito de burlar o Fisco, o que se mostra a partir da entrega da DIPJ retificadora. Nessa parte afirmou que a entrega da DIPJ retificadora caracterizou a espontaneidade, pois, o início do procedimento se deu de forma precária, comprometendo seu efeito legal. Ressaltou, ainda, que o dolo não restou evidenciado, pois a própria fiscalização admitiu a possibilidade da aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº.9.430, de 1996. (vii) Por fim, requereu a realização de diligência para verificar a materialidade dos fatos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) deu parcial provimento à impugnação para reduzir a alíquota (aplicável sobre receita bruta conhecida por via direta e indireta) do IRPJ para 9,6% e da CSLL para 12%, conforme acórdão 0348.124 de 27/04/2012, assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2008 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DE MANDATÁRIO. A legislação processual não prevê a realização da intimação no domicílio profissional do mandatário, quando este representa o sujeito passivo na impugnação. INTIMAÇÃO PESSOAL. RECEPÇÃO POR PREPOSTO. É válida a intimação pessoal recepcionada por pessoa que se identifica como preposto do sujeito passivo, mormente quando posteriormente este confirma que foi cientificado do ato. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não cabe a realização de diligência com a finalidade de colher material probatório cujo ônus de produção a lei atribui ao contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Em sede de julgamento administrativo não podem ser apreciadas pelo julgador arguições de inconstitucionalidade. RMF. MOTIVAÇÃO PARA A EMISSÃO. A falta de atendimento a intimação para apresentar os extratos da movimentação bancária configura causa suficiente para motivar a emissão de RMF. ARBITRAMENTO. MOTIVAÇÃO. A falta de escrituração de toda a movimentação bancária, omitindo as operações concernentes a duas Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.198 6 contas correntes de titularidade do contribuinte, é motivo suficiente para implicar arbitramento do lucro da pessoa jurídica. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. Na tributação de omissão de receita fundamenta em depósitos bancários de origem não comprovada, há a inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte produzir as provas documentais necessárias para desfazer a acusação fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO. Não havendo prova cabal de que a pessoa jurídica exerceu atividade que não o comércio varejista supermercadista, incabível a utilização do coeficiente de arbitramento aplicável à atividade de prestação de serviços de correspondente bancário, sob o fundamento de que estava prevista no instrumento contratual. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A omissão da escrituração de movimentação bancária, ocultando do Fisco a identificação da origem dos créditos efetuados nas contas de depósitos, justifica a aplicação da multa de ofício qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA Aplicase ao lançamento da contribuição social o decidido em relação ao imposto de renda lançado a partir da mesma matéria fática. PIS/COFINS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA.À pessoa jurídica que teve o imposto de renda apurado com base no lucro arbitrado não se aplicam as regras da incidência não cumulativa, que são restritas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cumpre destacar alguns pontos do entendimento adotado no acórdão recorrido. Quanto ao arbitramento, foi consignado que foi legal o ato praticado pelo fiscal e não houve violação da ampla defesa, isto porque, na peça acusatória estão suficientemente esclarecidas a motivação do arbitramento e o dispositivo legal que ampara o procedimento, propiciando todas as condições para o exercício da ampla defesa. Destacou que o arbitramento foi “efetuado a partir de dois valores distintos, que de modo algum são reflexos: (a) a receita escriturada nos assentamentos contábeis; e (b) a receita omitida proveniente de depósito bancários de origem não comprovada, mantidos à margem da escrituração regular”. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.199 7 Em relação a adoção da incidência cumulativa, afirmou que se justifica pelo fato de que a incidência não cumulativa não se aplica às pessoas jurídicas tributadas pelo lucro arbitrado. Manteve a qualificação da multa sob o fundamento de que foram suficientes os fatos constatados pelo Fisco, quais sejam: “prestação de declaração falsa ao Fisco, ao informar que não teria auferido qualquer receita o ano calendário de 2008, e, ainda mais, ao ser examinada sua escrituração contábil, a fiscalização constatou flagrante ocultação da movimentação bancária em duas instituições financeiras.” Observou que “esta circunstância difere significativamente daquela em que não houve o agravante da ocultação da receita, a qual embora não submetida à tributação, encontravase devidamente escriturada e visível aos olhos do fisco, e, na hipótese, foi aplicada a penalidade prevista no inciso I do art 44 da Lei 9430 de 1996.” E o voto foi no sentido de manter em parte o crédito tributário impugnado, como segue abaixo: a) manutenção integral das parcelas do crédito relativas ao IRPJ e à CSLL lançados com a multa de ofício de 75%; b) manutenção parcial das parcelas do crédito relativas ao IRPJ e à CSLL lançados com a multa de ofício de 150%, como anteriormente demonstrado e a seguir sintetizado: IRPJ LANÇADO MANTIDO CSLL LANÇADO MANTIDO 31/03/2008 121.244,55 25.811,14 31/03/2008 38.173,37 14.315,01 30/06/2008 55.784,90 9.446,22 30/06/2008 18.535,47 6.950,80 30/09/2008 71.567,05 13.391,76 30/09/2008 23.270,11 8.726,29 31/12/2008 116.093,15 24.523,29 31/12/2008 36.627,95 13.735,48 c) manutenção integral das parcelas do crédito relativas à contribuição para o PIS e a Cofins, com as respectivas penalidades Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1126/1186) no qual repisou os argumentos sustentados em sede de impugnação e acrescentou que teve razão a DRJ ao afastar as alíquotas majoradas, porém foi desacertada a decisão no sentido de manter o lançamento, apenas retificando as alíquotas, o que caracteriza novo lançamento, sendo a DRJ incompetente para tanto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.200 8 O Recurso preenche as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Primeiramente, cumpre a análise das preliminares suscitadas. Relativamente ao alegado vício formal em razão da ciência do procedimento fiscal por pessoa que não tem poderes para representar a empresa, este não merece prevalecer. A jurisprudência administrativa, relativamente à intimação por via postal, é no sentido de se considerar válida a notificação que chega ao endereço do domicílio tributário eleito pelo contribuinte e constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal, mesmo que a assinatura do recebimento não seja do intimado. Tal entendimento foi sumulado por este Conselho, nos termos da súmula CARF nº 09, que dispõe: “É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.” Em relação a ilegalidade da quebra do sigilo bancário, é sabido que as instâncias administrativas de julgamento estão impedidas de afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade, a teor do disposto no artigo 62 da Portaria MF nº 256/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF, conforme abaixo: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do ARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Sobre o tema, aplicase, ainda, o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, é de se rejeitar as preliminares arguidas pelo Recorrente. Passo à análise do mérito. Tratase de Auto de Infração (fls. 739/784) lavrado para constituição de crédito tributário relativo a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, ano calendário de 2008, em razão da constatação de omissão de receita da atividade e omissão de receita por presunção legal (depósitos bancários de origem não comprovada). Em relação ao argumento de que houve indevido arbitramento do lucro, este também não merece ser acolhido. No caso dos autos, a fiscalização constatou que o contribuinte era titular de cinco contas bancárias – duas no BRB, uma no BB, uma no Banco Safra e uma no Banco Itaú, entretanto, não contabilizou as operações verificadas a partir da movimentação das contas nos Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.201 9 Bancos Itaú e Safra. Intimado a justificar a contabilização de tais movimentações bancárias, não apresentou qualquer esclarecimento. Além disso, deixou de apresentar o LALUR, o qual é destinado à apuração extracontábil do lucro real sujeito à tributação para o imposto de renda em cada período de apuração Em relação ao LALUR. Assim, notase que o contribuinte não foi capaz de justificar a discrepância verificada entre as receitas contabilizadas e o montante movimentado pela empresa. Dispõe o artigo 530, caput e II, do Decreto 3.000 de 26 de março de 1999: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º ): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real;” Por força do dispositivo transcrito, o imposto devido no decorrer do ano calendário, será obrigatoriamente determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. É o caso dos autos. Da documentação apresentada pelo contribuinte não foi possível apurar sua receita, já que não houve contabilização dos depósitos bancários identificados durante o procedimento fiscal, bem como não houve contabilização das contas bancárias identificadas pelo fisco, sendo correto o arbitramento. Nesse sentido é a jurisprudência: “ESCRITURAÇÃO VICIADA. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Deve ser arbitrado o lucro nos termos do art. 530, I e II do Decreto 3.000/99 quando constatadas irregularidades insanáveis na escrituração contábil, as quais impedem a determinação do lucro real.” (Processo 12448.730683/201114. Acórdão 1302001.090 – 3a Câmara / 2a Turma Ordinária/1º SEJUL. 08/05/2013) Em relação ao argumento de que a decisão da DRJ de afastar as alíquotas majoradas, retificando os valores lançados foi desacertada, entendo que este não merece prevalecer. Ora, a readequação efetuada pela DRJ não configurou novo lançamento, isto porque houve mera adequação de critério quantitativo. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.202 10 Quanto à omissão de receita, constatouse durante a fiscalização, após análise do livro diário e demonstrativos contábeis, receitas contabilizadas e não declaradas (1º trimestre – R$ 5.134.341,23; 2º trimestre – R$ 5.532.427,43; 3º trimestre – R$ 5.506.088,14 e 4º trimestre – R$ 5.463.325,32). Nessa parte, foi correto o lançamento em razão da omissão de recita diante da prova direta produzida. No tocante à presunção de omissão de receitas, o auto de infração teve como fundamento o art. 42, caput, da Lei 9430/96, que dispõe: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, passa a ser do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Entretanto, no caso dos autos, os argumentos apresentados pelo contribuinte não comprovam a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, bem como não foram capazes de isentálo do cumprimento de suas obrigações tributárias, razão pela qual deve ser mantida a imputação de omissão de receitas caracterizada por movimentação bancária não justificada. Nesta parte, houve aplicação da multa qualificada no percentual de 150% com base na presunção legal de omissão de receitas prevista no artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96. Para que seja aplicada a multa qualificada de 150% deve restar evidenciada nos autos alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, senão vejamos: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.203 11 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. " Como se vê, para que seja aplicada a multa qualificada de 150% é necessário que a fiscalização comprove, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu dolosamente na execução do ato fraudulento, não bastando meros indícios de sua conduta ilícita. No presente caso, inexiste nos autos comprovação de que o Recorrente agiu dolosamente alterando ou ocultando informações com o intuito de impedir ou retardar a tributação e, ressaltese, o evidente intuito de fraude não deve ser presumido e sim provado. Ora, se o Fisco presumiu a existência da omissão de receitas, pois autuou o contribuinte com base no artigo 42 da lei 9430/96, depósitos bancários com origem não comprovada, é porque não tinha prova de sua real existência, vez que o significado da palavra presumir é justamente “Entender, baseandose em certas probabilidades” (Dicionário Aurélio). Uma coisa é oposta a outra, ou temse prova da omissão de receita e então a fraude também está provada, ou temse indício da omissão com a consequente inversão do ônus da prova e, ante a ausência de prova do contribuinte, não se tem prova da omissão e então a fraude também não está provada. Outrossim, diferentemente da omissão de receita, a legislação não autoriza a presunção de fraude, que deve ser provada e não presumida. A súmula CARF nº 25 dispõe: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” Neste sentido, vale transcrever entendimento manifestado por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 10311.865: “(...), para começo de abordagem, é sabido que indícios, data vênia, apenas, não são suficientes para demonstrar a ocorrência concreta de figuras como a simulação, a fraude, a sonegação. Indícios, autorizam, quando muito, a presunção, assim mesmo, não para os tipos supra referidos. Admitemse as presunções, assim mesmo, quando expressamente previstas em lei, para se Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.204 12 concluir no sentido de que a lei a acolhe como base suficiente para o lançamento. (...) Em direito, à guisa de princípio maior, temse assente que a simulação, a fraude, o conluio, etc., não se presumem. (....)” Pelo exposto, restou comprovado que o Fisco não logrou êxito em demonstrar que o Recorrente agiu com o intuito de dolo, fraude ou simulação, para retardar ou obstar que o Fisco tomasse ciência do fato gerador tributável, nos termos dos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei nº 4.502/64, única hipótese capaz de autorizar a aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, razão pela qual voto pela desqualificação da multa aplicada. Do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para desqualificação da multa de ofício. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. Inicialmente cumpre destacar que o presente voto divergente tem como objeto, apenas, a questão da qualificação da multa de ofício. Em relação às demais matérias acompanho integralmente o voto do Relator. Pois bem, a Súmula nº 25 deste Conselho, que serviu como fundamento para o voto do Relator, assim estabelece: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A leitura da referida súmula, a meu ver, não deixa espaço para dúvida: (i) é cabível a imposição de multa qualificada em omissão de receita apurada por meio de presunção legal; (ii) desde que comprovada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. O Relator, entretanto, entende que quando a omissão de receita é apurada apenas com base em presunção legal, não há como comprovarse o evidente intuito de fraude, daí porque seria incabível a qualificação da multa de ofício. Tal entendimento, com a devida vênia que merece o Relator, não deve prosperar. Em primeiro lugar porque, se assim fosse, a redação da mencionada súmula nº 25 seria simplesmente a seguinte: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.205 13 por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício”. Seria, portanto, inteiramente despiciendo o complemento contido naquela súmula. Em segundo lugar porque a prova da omissão de receita (primeiro fato litigioso) não deve ser confundida com a prova do dolo (segundo fato litigioso). Neste sentido, também aqui não pode prosperar o entendimento do Relator quando afirma o seguinte: Uma coisa é oposta a outra, ou temse prova da omissão de receita e então a fraude também está provada, ou temse indício da omissão com a consequente inversão do ônus da prova e, ante a ausência de prova do contribuinte, não se tem prova da omissão e então a fraude também não está provada. Observese que a presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, tal como as demais presunções legais relativas, quando não afastadas pelo sujeito passivo, é prova da ocorrência de omissão de receitas. Em outras palavras, se recursos são depositados na contacorrente bancária do sujeito passivo, e este, intimado para tanto, não comprova a sua origem, temse como provada a omissão de receita. Acaso não se reconhecesse que a omissão de receita decorrente de presunção legal é um fato provado (desde que, é claro, estejam também provados os fatos indiciários), então seria absurdo pretenderse exigir o correspondente IRPJ, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL. Pois, se a infração não está provada, não é possível exigirse os tributos dela decorrentes. No caso dos autos não resta dúvida que está provada a omissão de receitas, uma vez que a contribuinte, regularmente intimada, deixou de comprovar a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes bancárias. Quanto à prova do dolo, ela é sempre realizada por meio indireto (presunção simples), já que a vontade do agente não pode ser provada diretamente. Nos presentes autos há diversos fatos que, tomados em conjunto, comprovam, para além de qualquer dúvida razoável, que o sujeito passivo agiu dolosamente ao omitir receitas do Fisco, o que afasta a possibilidade de serem fruto de mero erro ou negligência. São eles: (i) as contascorrentes onde foram depositados recursos de origem não comprovada não estavam registradas na contabilidade da empresa; (ii) o sujeito passivo apresentou DIPJ com valores “zerados”; (iii) o montante dos depósitos não contabilizados e cuja origem não foi provada são bastante significantes quando comparado com o montante das receitas contabilizadas. Tendo em vista todo o exposto, voto por manter a qualificação da multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Declaração de Voto Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.206 14 Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Na sessão do mês de junho de 2014, o ilustre Conselheiro Relator João Carlos de Lima Junior apresentou as razões do seu voto e o colegiado que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, tendo como relator designado o Conselheiro Marcelo Cuba Netto. Apresento aqui minhas homenagens aos Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Marcelo Cuba Netto, porém tenho algumas considerações a fazer. E para isso vou dividir meus argumentos, de uma forma diversa da apresentada pelo ilustre relator no que tange a qualificação da multa constante dos autos. Neste ponto, sinto em divergir do Ilustre relator designado, tendo em vista que para a aplicação da Multa Qualificada deve esta configurada, de uma maneira cristalina, a prática reiterada de ações durante todo o ano calendário (ou mais de um), que tenham como objetivo mascarar a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. Isso porque, a qualificação da multa depende da existência e demonstração da conduta prevista em lei por parte do sujeito passivo, conforme determina o art. 44 da Lei nº. 9.430/1996, a seguir transcrito: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Pela leitura do dispositivo acima, fica claro que há necessidade de existência e demonstração, pois o lançamento deve ser devidamente motivado, do evidente intuito de fraude. Essa é a posição dos arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/1964, “verbis”: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.207 15 II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Assim, cabe ao Fisco apresentar os elementos que ensejaram a qualificação da multa e, demonstrar claramente a reiteração da conduta da Recorrente. Caso isso não aconteça, entendo que não pode ser imputado ao sujeito passivo da obrigação tributária a demonstração que nas suas ações ou omissões hoje intuito de fraude, nos termos e parâmetros da Lei nº. 9430/1996; isso porque, a elaboração de um planejamento tributário visando pagar menos tributo ou o inadimplemento das obrigações tributárias, não são condutas ensejadoras da aplicação da multa qualificada. Ressaltese que a Recorrente é penalizada pelo inadimplemento do tributo devido, com uma multa de 75% (setenta e cinco pro cento) sobre o valor devido. Porém, para que seja justificada a duplicação dessa penalidade, com a aplicação de uma multa de 150% (cento e cinquenta por cento) deve estar provado nos autos, de forma inequívoca, a absoluta, cabal e evidente certeza, o intuito de fraude e que tais requisitos constem de forma clara na autuação. Veja que não pode o Fisco, para a qualificação da multa, deixar de comprovar as duas características que entendo serem pressupostos validadores na ação do sujeito passivo: (i) O pressuposto evidente Quando a fiscalização comprova a qualidade daquilo que não admite dúvida; e, (ii) O pressuposto intuito – Quando o propósito na realização de um ato visa esconder ou minimizar o fato gerador da obrigação tributária. Ou seja, pela leitura do relato do Fisco deve ficar comprovada, de forma cabal, com absoluta certeza, que o propósito da Recorrente era, ao praticar o ato, de impedir o conhecimento para reduzir o tributo devido. Esse é o entendimento Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, quando do julgamento do Processo nº. 10247.000157/200438, consubstanciado através do Acórdão nº. 10617.015, que peço vênia para reproduzir: “(...) Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.208 16 Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. (...) Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos consequências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. (...) Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: ‘A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo’. Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: (...) PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÓNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.209 17 contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei no. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido”. Desta forma, entendo que a conduta da Recorrente não aponta para o intuito consciente e deliberado de reduzir a base tributável, e sim um erro que tem a sua punição prevista na norma legal. Nessas condições, a multa qualificada deve ser reduzida ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento) por não configurar a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a seguir transcrito: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Referido entendimento encontra amplo respaldo na jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme pode ser visto abaixo: “Ementa: MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A qualificação da multa de ofício depende da demonstração do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. No caso, o evidente intuito de fraude não foi demonstrado e a multa não deve ser qualificada. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão nº 920202.185 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2012) “MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.727800/201101 Acórdão n.º 1201001.053 S1C2T1 Fl. 1.210 18 abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos” (CSRF Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão nº 9101001.393 – 1ª Turma Sessão de 17 de julho de 2012). “Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. CONDUTA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. O agravamento da multa de ofício somente se justifica quando o sujeito passivo busca, com dolo, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Somase a esse fato a relevante constatação de que a ausência de informação não prejudicou a atuação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 13808.001188/200230 Acórdão nº 9202002.229 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2012). Diante de tudo que vimos acima e para que seja agravada a multa deve ser observado um dos princípios balizadores que lastreiam o processo administrativo fiscal: O Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. O Principio da Legalidade determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe. Já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. Assim, para que seja imputada a Recorrente a multa qualificada e também a multa agravada fazse necessário que o auto de infração comprove, com uma clareza meridiana a conduta eivada de dolo, com o objetivo de dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Não tendo comprovada que a Recorrente agiu a margem da legislação visando omitir ou reduzir a base tributável de forma reiterada não se pode manter a inclusão da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento). Desta forma voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA P RESTA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/0 3/2015 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001270/2010-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que o CARF profira decisão nos processos 16561.000147/2007-69 e 16561.000147/2008-40.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento até que o CARF profira decisão nos processos 16561.000147/200769 e 16561.000147/200840. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 27 0/ 20 10 -4 6 Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001270/201046 Resolução nº 1402000.271 S1C4T2 Fl. 1.587 2 Relatório Citrovita Agro Industrial Ltda teve contra si lavrados os autos de infração que originaram o processo em apreço sob a alegação de que não teria promovido o ajuste dos saldos de prejuízos fiscais (IRPJ) e bases de cálculo negativa da CSLL em decorrência das análises pela fiscalização das DIPJs nos processos administrativos de nos. 16561.000147/2007 69 (anocalendário de 2002) e 16561.000147/200840 (anoscalendário de 2003 e 2004). Apresentada impugnação aos autos de infrações em comento, foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, acórdão 1629.074, de 21/01/2011 (fls. 1.252 a 1.267), sob o argumento de que teria havido compensações indevidas nos anos calendário de 2005, 2006 e 2007. Vejase a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PREJUÍZOS FISCAIS. SALDO A SER CONSIDERADO COMPENSAÇÃO INDEVIDA. LANÇAMENTO. Ao analisar as compensações efetuadas pelo contribuinte, a autoridade fiscal deve se basear nos saldos de prejuízos fiscais existentes nos controles da RFB, mesmo que, em face de autuações anteriores, sejam diferentes dos constantes dos controles da contribuinte. Constando compensações indevidas, deve efetuar o lançamento correspondente, mesmo que as autuações estejam pendentes de confirmação, para prevenir a decadência. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MESMA DECISÃO RELATIVA AO IRPJ. Em face da semelhança dos procedimentos relativos à compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base de cálculo negativa da CSLL, o decidido quanto ao IRPJ.aplicase à CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. É o relatório necessário para decidir. Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.001270/201046 Resolução nº 1402000.271 S1C4T2 Fl. 1.588 3 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Do relato vêse que a infração aqui veiculada decorre de alterações de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas promovidas em períodos de apuração anteriores, veiculadas nos processos administrativos n° 16561.000147/200769 e 16561.000147/200840, fato reconhecido pela autuada em impugnação (fl. 334) e recurso voluntário (fl. 1.288). Acontece que o processo administrativo n° 16561.000147/200769, assim como o de n° 16561.000147/200840, foram baixados em diligência, o primeiro, por meio da Resolução nº 1103000.130, de 11/02/2014, da 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária e o último, por meio da Resolução nº 1402000.258, de 03/06/2014, de minha relatoria nesta Turma. Assim, tendo em vista que o deslinde da matéria neste processo depende do que for decidido nos processos 16561.000147/200769 e 16561.000147/200840, proponho o sobrestamento do julgamento no presente processo até que seja decidido neste Conselho os processos supracitados. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11080.918884/2012-76
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/01/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 23/01/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 88 84 /2 01 2- 76 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918884/201276 Acórdão n.º 3801005.072 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918884/201276 Acórdão n.º 3801005.072 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918884/201276 Acórdão n.º 3801005.072 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918884/201276 Acórdão n.º 3801005.072 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918884/201276 Acórdão n.º 3801005.072 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918884/201276 Acórdão n.º 3801005.072 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918884/201276 Acórdão n.º 3801005.072 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918884/201276 Acórdão n.º 3801005.072 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.004367/2001-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
IPI. CRÉDITO DA LEI n° 9.779/99. IN n° 33/99. EXIGÊNCIA DE ESGOTAMENTO DO CRÉDITO DO REGIME ANTERIOR. DESCABIMENTO NO CASO.
Desnecessária a comprovação do esgotamento do crédito de IPI existente em 31.12.1998 para aproveitamento de créditos mais recentes, quando estes comprovadamente são derivados de aquisições ocorridas no ano de 2001. A comprovação do esgotamento só se justifica para evitar a indevida compensação de créditos não sujeitos ao regime da Lei n° 9.779/99 com tributos diversos do IPI.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Júlio César Alves Ramos e Irene Souza da Trindade Torres, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator
Maria Teresa Martínez López - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Irene Souza da Trindade Torres, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RESSARCIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FERMIX INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO DA LEI n° 9.779/99. IN n° 33/99. EXIGÊNCIA DE ESGOTAMENTO DO CRÉDITO DO REGIME ANTERIOR. DESCABIMENTO NO CASO. Desnecessária a comprovação do esgotamento do crédito de IPI existente em 31.12.1998 para aproveitamento de créditos mais recentes, quando estes comprovadamente são derivados de aquisições ocorridas no ano de 2001. A comprovação do esgotamento só se justifica para evitar a indevida compensação de créditos não sujeitos ao regime da Lei n° 9.779/99 com tributos diversos do IPI. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Júlio César Alves Ramos e Irene Souza da Trindade Torres, que davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Teresa Martínez López. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Rodrigo da Costa Pôssas Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 43 67 /2 00 1- 56 Fl. 340DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 341 2 Maria Teresa Martínez López Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Irene Souza da Trindade Torres, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN contra acórdão proferido pelo Segundo Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: IPI. CRÉDITO DA LEI n°. 9779/99. IN n°. 33/99. EXIGÊNCIA DE ESGOTAMENTO DO CRÉDITO DO REGIME ANTERIOR. DESCABIMENTO NO CASO. Desnecessária a comprovação do esgotamento do crédito de IPI existente em 31.12.19?8 para aproveitamento de créditos mais recentes, quando estes comprovadamente são derivados de aquisições ocorridas no ano de 2001. A comprovação do esgotamento só se justifica para evitar a indevida compensação de créditos não sujeitos ao regime da Lei N°. 9779/99 com tributos diversos do IPI. Demonstrado que o crédito é regido por tal lei, não pode ser exigido da contribuinte comprovação que não tem utilidade e não influi na validade do crédito, sob pena de desrespeito ao direito de compensar colocado por lei. Recurso provido. O presente processo versa sobre Pedido de Ressarcimento de IPI, cumulado com Pedido de Compensação, referente a créditos apurados com base na Lei n° 9.779/99 e Instrução Normativa SRF n° 33/99, protocolizado em 19/12/2001, relativo ao 2° trimestre de 2001. A Delegacia da Receita Federal em Guarulhos prolatou a Decisão n° 1.032/2006 (fls. 60/62), indeferindo o pedido de ressarcimento e compensação formulado, pois o contribuinte não comprova o esgotamento do saldo credor existente em 31 de dezembro de 1998, condição necessária para procederse à restituição/compensação, conforme o disposto no art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 33/99. Regularmente cientificada da Decisão, a postulante apresentou, em 05/01/2007, manifestação de inconformidade de fls. 68/70, alegando, em resumo, o seguinte: 1. O indeferimento não procede, uma vez que o pedido de ressarcimento de IPI foi sobre créditos de IPI gerados na escrita fiscal do 2° trimestre de 2001; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 342 3 2. Outros pedidos de ressarcimento de IPI, protocolados com datas de 29/12/1999 e 18/01/2000, já foram deferidos uma vez que também não deixaram de cumprir qualquer item da legislação sobre o assunto; 3. Procedeu ao presente pedido de ressarcimento de créditos de IPI fundamentada na legislação pertinente, ou seja, art. 11 da Lei 9.779/99, art. 4° da IN/SRF 033/99 e arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/02. Por fim, requer o deferimento do pedido de ressarcimento e da compensação. A DRJ julgou a manifestação improcedente, por entender que não houve o atendimento da formalidade exigida pela IN n° 33/99, não tendo sido comprovado o esgotamento dos créditos tributários de 31.12.1998. A PGFN interpôs Recurso Especial alegando contrariedade à lei, pleiteando a reforma da decisão da instância a quo. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou contrarrazões solicitando a manutenção do referido acórdão. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, cingese à questão da possibilidade ou não da norma regulamentadora do art. 11 da n° 9.779/99, no caso IN SRF n° 33/99, estipular a exigência de esgotamento do saldo credor de IPI, existente em 31/12/1998, como requisito para aproveitamento do direito estabelecido na lei mencionada. Como dito, a matéria reporta à possibilidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil regulamentar ou não o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Isto se resolve pela simples leitura do texto do art. 11 abaixo transcrito: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (Grifamos). A decisão recorrida considerou ilegal a exigência de se esgotar os créditos existentes em 31/12/1998, de acordo com o disposto no parágrafo 2º, art. 5º da IN SRF nº Fl. 342DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 343 4 33/99, que dispõe que o aproveitamento dos créditos de IPI nas aquisições de MP, PI e ME, na compensação de débitos decorrentes da saída de produtos acabados existentes em 31/12/1998 e de produtos fabricados em 1999 com insumos que geraram créditos em 1988. Outra alternativa para se considerar esgotado o saldo credor existente em 31/12/1998 é o estorno do saldo conforme o artigo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 15, de setembro de 2002. Artigo único. Será considerado esgotado, nas condições previstas no § 32 do art. 52 da Instrução Normativa SRF n2 33/99, o saldo credor que remanescer do aproveitamento previsto no § 2° do mencionado artigo, quando o contribuinte optar pelo estorno daquele saldo. O contribuinte defende que houve o impedimento do aproveitamento dos créditos, contrariando assim a lei e a Constituição Federal, impondo ao IPI o regime cumulativo. Não parece haver dúvidas quanto à capacidade regulamentar da RFB (então Secretaria da Receita Federal SRF) e em relação à matéria do art. 11 da Lei n° 9.779/99, a não ser que se pretenda inquinar de inconstitucionalidade este dispositivo, o que escapa à competência do CARF (Súmula nº 2 Consolidada do CARF). Isto posto, resta perquirir se o texto da IN SRF n° 33/99, especialmente o contido em seu art. 5º, § 3º, teria extrapolado os ditames legais. Eis o texto atacado da IN SRF n° 33/99: Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. (Grifamos). Primeiramente é necessário analisar se a Lei n° 9.779/99 institui ou não um novo regime de créditos para o IPI. Com o advento da Lei n° 9.779/99, créditos que eram antes de estorno obrigatório (decorentes de insumos que fossem utlizados na fabricação de produtos saídos com isenção ou alíquota zero), passaram a ser mantidos na escrita fiscal juntamente com os outros créditos de insumo desintinados à fabricaçãio de produtos com alíquota maior que zero, e passaram a ser ressarcíves trimestralmente (o que antes só era admitido para os créditos Fl. 343DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 344 5 decorrentes da exportação). Assim, no meu entender não há dúvida que se trata de um novo regime de créditos. Neste sentido, há que se concordar com o argumento da PGFN de que o “regramento [IN n° 33/99 ] objetivou evitar a eficácia retroativa da novel legislação.” Este raciocínio é corroborado pela jurisprudência do CARF, que em sua atual Súmula 16 (consolidada) dispõe: Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Assim, sob esta ótica, não pode haver dúvida da perfeitta adequação do dispositivo do § 3º do art. 5º da SRF IN n° 33/99 aos objetivos pretendiosds pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99. Tal dispositivo visa tãoseomente a sepraração dos dois tipos créditos, que são regulados por regimes diferentes de utilização e aproveitamento. O contribuinte também argumenta que os créditos a serem utlizados são todos derivados de aqsuisições já feitas sob o regime da Lei n° 9.779/9, traz inclusive jurispurdência do Segundo Conselho de Contribuintes neste sentido. Porém, há que se obervar que a norma do 5º, § 3º da IN SRF n° 33/99 não fixa marco temporal. Além disto é justamente isso que o sidposito quer evitar, o aproveitamento dos créditos na modalidade nova antes de esgotados os créditos da modalidade antiga, independentemten de quando isto ocora. Para evitar dúvidas em relação à possibilidade de estorno para configurar o cumprimento à norma, foi esbelecido o entendimento de que o estorno cumpre tal objetivo (isto se aplcia nos casos em que há sempre acumulo de créditos na escrita para as situações onde as alíquotas de saída menores que as de entrada, ou as saídas são isentas ou para exportação). Assim, este argumento não pode prevalecer, pois é sempre necessária a comprovação do esgotamento dos créditos do regime anterior. Isso ocorre porque os créditos do IPI não são “carimbados” fisicamente numa matriz insumoproduto, mas são registrados em ordem de chegada dos insumos ao estabelecimento, dái que o marco temporal é importante e medida preconizada na 33/99 necessária para que não haja ‘mistura” de créditos dos dois regimes. Tanto é assim, que o § 2º do art. 5º da IN 33/99 impôes uma vinculação aos produtos fabricados com os inumos adquiridos antes da aplicação da Lei 9.779/99, considerando uma operação de débitos e créditos “a margem da escrita fiscal do IPI”. Ou seja, é perfeitamente plausível que o estebeleicmento ainda tenha esses crédios na escrita (não esgotados) dois ou três anos depois do início do regime. Com efeito, não há que se falar em ilegalidade, vez que a referida IN não extrapolou o conteúdo normativo da Lei 9.779/99, mas apenas estabeleceu procedimentos para o aproveitamento dos créditos, como a própria lei dispõe em seu art.11: Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados I1PI, acumulado, em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, 'aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o Fl. 344DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 345 6 IPI devido na saída de outros produtos, Poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Não teceremos maiores comentários acerca da possibilidade da autoridade tributária estabelecer obrigações acessórias por meio de atos infralegais. Não há mais dúvidas doutrinárias ou jurisprudenciais acerda desse poder normativo da RFB. A título de exemplo trancrevemos a doutrina de Leandro Paulsen sobre o poder de o fisco impor obrigações acessórias por meio de atos infralegais. “Em matéria tributária, não se pode dizer que os Decretos se limitem à regulamentação estrita das leis nem que outros atos administrativos normativos, especialmente Instruções Normativas e Portarias, sejam, tão somente, normas internas da Administração. Se, de um lado, não podem inovar em matéria sob reserva legal, como a definição dos aspectos das normas tributárias impositivas, de outro, podem validamente dispor sobre o vencimento dos tributos, definir indexador que servirá à correção já determinada por lei, especificar obrigações acessórias como a inscrição no CNPJ, regulamentar procedimentos de fiscalização tributária. Quando não ofendem reserva legal nem contrariam dispositivos legais têm tanta eficácia normativa quanto as normas superiores, vinculando a Administração e os contribuintes. Aliás, o art. 100 do CTN considera os atos normativos expedidos ,pelas autoridades administrativas, as decisões normativas, as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas e os convênios celebrados entre os entes políticos normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos”. As obrigações acessórias não limitam, e nem poderiam, direitos. Tratase apenas de uma certa formalidade necessária para o seu exercício, estabelecido por lei. Se assim fosse, as normas infralegais que tratam da repetição do indébito ou da compensações seriam ilegais, vez que trazem vários procedimentos necessários ao exercício daquele direito. Essa normas são necessárias para o controle pelo fisco dos direitos e deveres do cidadão contribuinte. Ademais, não existe nada na lei que diga ser desnecessária a comprovação do esgotamento do crédito de IPI existente em 31/12/1998 para o aproveitamento dos créditos mais recentes. Não há nenhuma restrição ao direito de compensar, mas somente oo condiciona ao cumprimento de procedimentos formais. O direito de compensação previsto na lei permanece intacto. Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso interposto pela PGFN. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 346 7 Voto Vencedor Conselheira Maria Teresa Martínez López, Redatora Designada Ouso discordar parcialmente das conclusões do ilustre Conselheiro Relator. Tratase de pedido de Ressarcimento do IPI relativo ao 1° trimestre de 2001, no valor de R$ 13.509,74, indeferido pela primeira instância porque o contribuinte não teria comprovado que esgotou o saldo credor de IPI existente em 31/12/1998, através da aplicação dos preceitos. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, foi objeto de análise de outros dois recursos de interesse do mesmo contribuinte, de minha relatoria, nesta mesma sessão de julgamento. Diante da identidade de fatos, reproduzo o decidido nos outros dois processos. Cingese às seguintes questões: da possibilidade ou não da norma regulamentadora do art. 11 da n° 9.779/99, no caso IN SRF n° 33/99, estipular a exigência de esgotamento do saldo credor de IPI, existente em 31/12/1998, como requisito para aproveitamento do direito estabelecido na lei mencionada. a segunda, na linha adotada pela decisão recorrida, diz respeito ao crédito utilizado, ser proveniente, de aquisições do ano de 2001, utilizandose para compensação com tributos de 2000 e 2001. Consta da decisão recorrida voto do ilustre relator AIRTON ADELAR HACK, o que a seguir reproduzo: Notase que a Lei n° 9.779/99 colocou o direito de ressarcir ou compensar o crédito derivado da aquisição de insumos tributados pelo IPI aplicados a produtos não tributados. Tais créditos seriam aqueles acumulados na escrita fiscal que não poderiam ser utilizados para compensar IPI devido em outros produtos fabricados pela contribuinte. Ocorre que tal regime é válido apenas a partir de 1° de janeiro de 1999, sendo vigente para os créditos anteriores a esta data o regime anterior, que não permitia o ressarcimento ou compensação com outros tributos. A lei atribuiu à SRF a tarefa de regulamentar a forma de aproveitamento destes créditos. E a SRF assim o fez, conforme a IN 33/99 cujo art. 5ª foi citado acima. Tal artigo impôs que a utilização dos créditos da forma da Lei n° 9.779/99 só poderia ocorrer após o esgotamento integral dos Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 347 8 créditos existente em 31 de dezembro de 1998, ou seja, créditos sujeitos ao regime anterior de tributação. Tal medida se explica pelo fato de que estes créditos anteriores não poderiam ser compensados com outros tributos ou ressarcidos. Assim, foi estabelecida a presunção de que os primeiros insumos que entraram integraram os primeiros insumos que saíram (sistema PEPS). Tal medida se deve a necessidade de impedir que a contribuinte utilizasse créditos sujeitos ao regime anterior para compensação e ressarcimento. Ocorre que, no caso em questão, notase que o crédito deriva de aquisições do ano de 2001, utilizandose para compensação com tributos de 2000 e 2001. (destaques, não do original) Ora, se os créditos foram todos obtidos em 2001, incide sobre os mesmos integralmente o regime da Lei n° 9.779/99, permitindo seu ressarcimento ou compensação com outros tributos. A formalidade da IN 33/99 se mostra ilegal, uma vez que impede o aproveitamento de um crédito que está integralmente regido pela Lei n° 9.779/99, sendo possível sua compensação com outros tributos diversos do IPI. Não pode ser condicionado a utilização de tal crédito com o esgotamento de crédito do regime anterior. A exigência até se justificaria caso o crédito fosse derivado de aquisições em período próximo do início do ano de 1999. Mas as aquisições que comprovadamente foram efetuadas em 2001 estão claramente sujeitas ao regime da Lei n° 9.779/99, sendo a exigência da IN 33/99 abusiva e ofensiva ao direito da contribuinte de compensar o crédito com outros tributos diversos do IPI. Isso posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, reconhecendo o pedido de compensação formulado. Passo à análise: Primeiramente, vejamos o que diz a legislação. O legislador, reporta à possibilidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil regulamentar ou não o disposto no art.11 da Lei n° 9.779/99. Isto se resolve pela simples leitura do texto do art. 11 abaixo transcrito: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (Grifamos). Fl. 347DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 348 9 Não parece haver dúvidas quanto à capacidade regulamentar da RFB (então Secretaria da Receita Federal – SRF) e em relação à matéria do art. 11 da Lei n° 9.779/99, a não ser que se pretenda inquinar de inconstitucionalidade este dispositivo, o que escapa à competência do CARF (Súmula n° 2, Consolidada do CARF). Na sistemática vigente até 31.12.98, o saldo credor de IPI que remanescesse na escrita fiscal não podia ser compensado com outros tributos federais, salvo situações de exceção, previstas em lei. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal1 firmouse no sentido de que os créditos de IPI registrados na escrita fiscal não tem natureza de crédito tributário, mas de crédito meramente escritural, contábil, não se incorporando ao patrimônio do contribuinte. Dessa forma, o saldo credor remanescente a cada período de apuração, excluídos os créditos incentivados, só podia ser compensado com os débitos de IPI existentes no período de apuração seguinte e, assim, sucessivamente. Empresas que não tivessem saídas de produtos tributados pelo IPI, não teriam como aproveitar o saldo credor acumulado. Isto posto, resta perquirir se o texto da IN SRF n° 33/99, especialmente o contido em seu art. 5º, § 3º, teria extrapolado os ditames legais. Eis o texto atacado da IN SRF n° 33/99: Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1º Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2º O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1º de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3º O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. (Grifamos). Necessário analisar se a Lei n° 9.779/99 institui ou não um novo regime de créditos para o IPI. Entendo que sim, i.e., com o advento da Lei n° 9.779/99, créditos que eram antes de estorno obrigatório (decorrentes de insumos que fossem utilizados na fabricação de produtos saídos com isenção ou alíquota zero), passaram a ser mantidos na escrita fiscal juntamente com os outros créditos de insumo destinados à fabricação de produto com alíquota maior que zero, e passaram a ser ressarcíveis trimestralmente (o que antes só era admitido para os créditos decorrentes da exportação). Assim, no entender desta Conselheira não há dúvida 1 RE nº 148114, de 17.06.1997 e Agravo de Instrumento nº 1988891, Ministro Moreira Alves, 16/06/97, que em determinada passagem declara: “Uma vez abatido o débito, desaparece. Não se incorpora de forma alguma ao patrimônio do contribuinte. Tanto que este, ao encerrar suas atividades, não tem o direito de cobrar seus créditos não escriturados da Fazenda. Esses créditos não existem sem o débito correspondente.” Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 349 10 que se trata de um novo regime de créditos. Neste sentido, há que se concordar com o argumento da PGFN de que o “regramento efetuado pela IN n° 33/99, objetivou evitar a eficácia retroativa da novel legislação.” Este raciocínio é corroborado pela jurisprudência do CARF, que em sua atual Súmula 16 (consolidada) dispõe: Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Assim, sob esta ótica, não pode haver dúvida da perfeita adequação do dispositivo do § 3º do art. 5º da SRF IN n° 33/99 aos objetivos pretendidos pelo art. 11 da Lei n° 9.779/99. Tal dispositivo visa tão somente a separação dos dois tipos créditos, que são regulados por regimes diferentes de utilização e aproveitamento. No entanto, o contribuinte argumenta que os créditos a serem utilizados são todos derivados de aquisições já feitas sob o regime da Lei n° 9.779/99. E isto faz a diferença. Sobre o assunto, a decisão recorrida assim se manifesta: (...) Ocorre que, no caso em questão, notase que o crédito deriva de aquisições do ano de 2001, utilizandose para compensação com tributos de 2000 e 2001. (destaques, não do original) Ora, se os créditos foram todos obtidos em 2001, incide sobre os mesmos integralmente o regime da Lei n° 9.779/99, permitindo seu ressarcimento ou compensação com outros tributos. É verdade que os créditos do IPI não são “carimbados” fisicamente numa matriz insumo produto, mas são registrados em ordem de chegada dos insumos ao estabelecimento, daí que o marco temporal é importante na medida preconizada na IN n° 33/99 necessária para que não haja ‘mistura” de créditos dos dois regimes. Tanto é assim, que o § 2º do art. 5º da IN 33/99 impôs uma vinculação aos produtos fabricados com os insumos adquiridos antes da aplicação da Lei n° 9.779/99, considerando uma operação de débitos e créditos à margem da escrita fiscal do IPI. Ou seja, é razoável, se afirmar que o estabelecimento possua créditos na escrita (não esgotados) por um período depois do início do regime. Mas no caso dos autos, o crédito se refere a um período bem posterior, o que de certo, é razoável se pensar que já na aplicação da Lei n° 9.779/99. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10875.004367/200156 Acórdão n.º 9303002.617 CSRFT3 Fl. 350 11 Destarte, na linha adotada pela decisão recorrida, se o crédito utilizado, é proveniente, de aquisições do ano de 2001, incide sobre os mesmos integralmente o regime da Lei n° 9.779/99, permitindo seu ressarcimento ou compensação com outros tributos. CONCLUSÃO. Em face do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 350DF CARF MF Impresso em 31/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 17/07/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 15/07/2015 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assina do digitalmente em 22/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10680.722080/2013-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
Ementa:MOTIVAÇÃO ADEQUADA E ESPECÍFICA. CUMPRIDOS OS REQUISITOS DO ART. 142 DO CTN.
Estando devidamente motivado o lançamento, não há que se falar no seu cancelamento, com base no art. 142 do Código Tributário Nacional.
GANHO DE CAPITAL. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE IMOBILIÁRIA.
Explorando a atividade imobiliária, a venda de participação em empreendimento imobiliário constituído para exploração da atividade de shopping center e de outros imóveis para sua expansão deve ser tributado como receita da atividade.
FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.
Tendo sido afastada a obrigação principal, não há que se falar em qualificação da multa.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Não cabe ao CARF analisar matéria que não foi objeto do Auto de Infração.
Reflexos: CSL
Aplica-se ao lançamento da CSL a mesma solução que foi dada ao lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1102-001.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório e Jackson Mitsui, que negavam provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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CSLL Recorrentes FAZENDA NACIONAL MK EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 Ementa:MOTIVAÇÃO ADEQUADA E ESPECÍFICA. CUMPRIDOS OS REQUISITOS DO ART. 142 DO CTN. Estando devidamente motivado o lançamento, não há que se falar no seu cancelamento, com base no art. 142 do Código Tributário Nacional. GANHO DE CAPITAL. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. Explorando a atividade imobiliária, a venda de participação em empreendimento imobiliário constituído para exploração da atividade de shopping center e de outros imóveis para sua expansão deve ser tributado como receita da atividade. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Tendo sido afastada a obrigação principal, não há que se falar em qualificação da multa. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não cabe ao CARF analisar matéria que não foi objeto do Auto de Infração. Reflexos: CSL Aplicase ao lançamento da CSL a mesma solução que foi dada ao lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 20 80 /2 01 3- 22 Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório e Jackson Mitsui, que negavam provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Recursos Voluntários e de Ofício interpostos contra o Acórdão nº 0253.783 (fls. 1565/1596), proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE, na sessão realizada em 25/02/2014, que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedentes os lançamentos de IRPJ e de CSL, tãosomente para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada de 150% para 75%. Em suma, tratase de discussão relativa ao enquadramento da venda de participação no shopping e em outros imóveis. A Contribuinte enquadrou tal venda como ativo circulante, tributandoa como receita de atividade imobiliária e submetendoa ao coeficiente de presunção de 8%, enquanto que a Fiscalização enquadrou tal venda como ativo permanente, tributandoa como ganho de capital. Em 24/07/2012, foi formalizado Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 36/38), intimando a Contribuinte para, no prazo de vinte dias, apresentar diversos documentos. Diante disso, a Contribuinte cumpriu com esta intimação e com todas as demais que se seguiram. Ademais, também foram cumpridas com todas as diligências formalizadas perante as empresas Pátio Savassi Administração de Shopping Center Ltda. e Condomínio Pátio Savassi (fls. 40/762). Ao analisar a documentação obtida, em 15/05/2013, a Fiscalização sintetizou, no relatório fiscal (fls. 15/35), as suas conclusões: “O que se pode concluir da DIPJ apresentada é que a MK pretendeu que a venda de sua participação no shopping e nos demais imóveis fosse tratada como receita de atividade imobiliária, sujeita ao coeficiente de presunção de 8%, e ocultar a realização de ganho de capital sobre as alienações descritas” – fl. 29. (...) Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 4 3 “Portanto, a participação no shopping que foi alienada pela MK à Multiplan, vai muito além do valor do imóvel, pois já havia um fundo de comércio constituído, e contratos de aluguel vigentes. No caso em análise, o imóvel do shopping não foi construído para revenda, e houve plena exploração da atividade de shopping center previamente à venda para a Multiplan.” – fl. 29. (...) Os imóveis contíguos, alienados na mesma ocasião, também não se enquadram na categoria de imóveis para revenda, pois foram adquiridos para futuras expansões do shopping. Isso fica claro ao se analisar certidões de inteiro teor dos imóveis, onde se vê que foram adquiridos em condomínio, seja pelos investidores originais – Luna, MK e Clipar, seja pela MK e Multiplan. O produto da venda pela MK também se sujeita à apuração do ganho de capital” – fl. 30. (...) “A multa aplicada será de 150%, conforme §1°, art. 44 da Lei 9.430/96 (com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007), em razão de clara convicção de que o contribuinte não incorreu simplesmente em erro de interpretação do dispositivo legal, mas concorreu com suas ações para a arquitetura aparente de que se tratava de uma atividade imobiliária, comprovando, dessa forma, o evidente intuito de alcançar uma tributação bem mais favorável.” – fl. 31. Com base no Relatório Fiscal, em 23/05/2013, a Representação Fazendária lavrou dois autos de infração (fls. 2/14), para a exigência de IRPJ e CSL, relativos ao período de 30/09/2010, nos seguintes valores: Autos de Infração Fls. 2/14 IRPJ CSLL TOTAL Tributo R$ 9.098.710,54 R$ 3.073.935,80 R$ 12.172.646,34 Multa R$ 13.648.065,81 R$ 4.610.903,70 R$ 18.258.969,51 TOTAL R$ 22.746.776,35 R$ 7.684.839,50 R$ 30.431.615,85 No Auto de Infração de IRPJ, a Fiscalização tipificou a seguinte conduta para a Contribuinte (fl. 11): “001 – APURAÇÃO INCORRETA DO IMPOSTO E/OU ADICIONAL APURAÇÃO INCORRETA DO IMPOSTO Apuração incorreta do imposto, conforme relatório fiscal em anexo. Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 5 4 Fato gerador Imposto (R$) Multa (%) 30/09/2010 9.098.710,54 150 Enquadramento legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2010 e 30/09/2010: Art. 28 da Lei 4.591/64 § 1º, Art. 44 da Lei 9.430/96 com redação dada pela Lei 11.488/2007. Arts. 518 e 841 inciso IV, do RIR/99 Art. 527, inciso II do RIR/99 Art. 260 do RIR/99” Já, no Auto de Infração de CSL, a Fiscalização tipificou a seguinte conduta para a Contribuinte (fl. 5): “001 – FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL OU DO ADICIONAL FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL O contribuinte procedeu com inexatidão à apuração da CSL devida, conforme relatório fiscal que é parte integrante do presente auto de infração. Fato gerador Imposto (R$) Multa (%) 30/09/2010 3.073.935,80 150 Enquadramento legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2010 e 30/09/2010: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 2º da Lei nº 9.249/95Art. 29 da Lei nº 9.430/96 Art. 22 da Lei nº 10.684/03” Em 06/06/2013, foi apensado ao presente processo os autos de n° 10680.722192/2013831 (fl. 763). Cientificada em 10/06/2013 (fls. 764/765), a Contribuinte, em 09/07/2013, apresentou Impugnação (fls. 767/827 e anexos – fls. 828/1561), cujos principais argumentos foram muito bem resumidos, ao final, pela própria Contribuinte e, portanto, encontramse abaixo transcritos (fls. 824/826): 1 Em consulta ao aludido processo no COMPROT, verificouse que se tratava de representação fiscal para fins penais. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 6 5 “(I) os autos de infração são manifestadamente insubsistentes por violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, pois a autoridade administrativa não motivou o lançamento de forma adequada e específica, e não aprofundou o trabalho fiscal; (II) a Impugnante foi constituída, em 2000, para, dentre outras atividades, explorar o mercado imobiliário, objetivando a obtenção de lucro na revenda de imóveis e na venda de empreendimentos imobiliários; (III) a exploração da atividade imobiliária pela Impugnante é realizada, basicamente, da seguinte forma: aquisição do imóvel, aguardo do período de “maturação” (expansão, consolidação e valorização do empreendimento) e venda imobiliária com o propósito negocial de obter lucro; (IV) a atividade explorada pela Impugnante (compra e venda de imóveis) é uma espécie do gênero “atividade imobiliária”; (V) em 2003, a Impugnante, a “Lua” e a “Clipar” formalizaram o projeto de construção, em imóveis próprios, do empreendimento imobiliário denominado “Shopping Pátio Savassi”; (VI) em 2004, foi constituída a pessoa jurídica denominada “Pátio Savassi Administração de Shopping Center Ltda.”, justamente para administrar o “Shopping Pátio Savassi”, tendo em vista que o propósito negocial dos empreendedores era a obtenção de lucro na venda do empreendimento; (VII) já em 2007, a Impugnante firmou “termo de opção de compra ou venda”, formalizando, materialmente, a sua real e efetiva intenção de vender os imóveis para a “Multiplan”; (VIII) em 2009, para adequar o “Balanço Patrimonial” à atividade imobiliária efetivamente explorada, a Impugnante transferiu os imóveis e empreendimentos imobiliários (adquiridos para revenda) registrados no “Ativo Permanente” para o “Ativo Circulante” (conta contábil de “estoques”); (IX) em 2010 (ano da venda), os imóveis estavam, corretamente, registrados no “Ativo Circulante” (conta contábil de “estoques”), refletindo, assim, a atividade imobiliária explorada pela Impugnante, bem como a sua intenção de obter lucro na venda imobiliária; (X) a receita da venda dos imóveis foi regularmente tributada pela Impugnante na sistemática do “Lucro Presumido”, com o cálculo do IRPJ e da CSLL mediante aplicação do correto percentual de presunção sobre o valor da venda dos imóveis; (XI) a multa qualificada de 150% é absolutamente descabida no caso concreto; e (X) não incide juros de mora sobre a multa de ofício.” Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 7 6 Em 25/02/2014, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por meio do Acórdão de nº 02 53.783 (fls. 1565/1596), decidiu, por unanimidade, julgar procedente em parte a impugnação, para (a) rejeitar a preliminar de nulidade invocada pela defesa, (b) reduzir o percentual da multa de ofício aplicada de 150% para 75% e (c) manter integralmente o crédito tributário em litígio decorrente das exigências principais do IRPJ e CSLL, acrescidas de multa de ofício no percentual normal de 75% e juros de mora na forma da lei, o qual restou assim ementado à fl. 1565: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 LUCRO PRESUMIDO. GANHO DE CAPITAL. DETERMINAÇÃO. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: (i) o valor resultante da aplicação do percentual de presunção sobre a receita bruta, nos termos da lei e (ii) o ganho de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas no item anterior e demais valores determinados em lei, auferidos no período de apuração. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, quando restar devidamente caracterizado em procedimento fiscal, o evidente intuito de fraude, nos termos da lei. Caso contrário, afastase a qualificação da penalidade, cabendo exigi la no percentual normal de 75%. JUROS DE MORA. Sobre todos os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Os fundamentos do acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE, podem ser assim resumidos: Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 8 7 DA AUSÊNCIA DE QUALQUER NULIDADE “Enfim, os Autos de Infração lavrados contêm todos os requisitos legais necessários à sua validade, previstos tanto no art. 142, do CTN, como no art. 10, do Decreto nº 70.235/1972. Não há, pois, qualquer imperfeição que macule as exigências, nem qualquer ilegalidade na consecução do presente lançamento, nem qualquer dificuldade para que o contribuinte exercesse o direito constitucional à ampla defesa” – fls. 1588/1589. DO ENQUADRAMENTO COMO ATIVO PERMANENTE E CONSEQUENTE TRIBUTAÇÃO COMO GANHO DE CAPITAL “Feitas essas considerações, muito embora no momento da alienação do “Empreendimento Shopping Pátio Savassi”, ocorrida em 2010, esse estivesse classificado em conta de ativo circulante (“estoques”), inferese dos autos tratarse de investimento permanente da MK que (i) assim o classificou contabilmente do momento da aquisição em 2004 até 2009 (pouco antes da venda), (ii) explorou o imóvel auferindo receitas de aluguel, de 2004 até 2010, e (iii) o précontrato firmado em 2007 entre a MK e a Multiplan não pode ser considerado tipicamente como um contrato de “balcão”, mas de intenção de compra e venda cujo objeto era um investimento permanente e que se concretizou efetivamente em 2010. Portanto, comprovado nos autos que o imóvel alienado era ativo permanente, é cabível, na determinação do lucro presumido, a exigência de ganho de capital na correspondente operação” – fl. 1591. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Entendeu pela redução do percentual da multa aplicada de 150% para 75%, pois não existe “nenhum indício de fraude, falsidade, adulteração, contrafação, utilização de “interposta pessoa” ou inculcação nos documentos que foram o objeto da ação fiscal e que geraram o presente lançamento. Nem se pode dizer que a conduta da Impugnante tenha sido dolosa no sentido de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pela autoridade fiscal, caracterizandose como de máfé, sem outras provas ou indícios veementes que possam confirmar tal imputação. Nada disso está presente nos autos” – fl. 1593. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Defendeu a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, com base nos artigos 3°, 113, §1°, 161 e 139 do Código Tributário Nacional, nos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96, no Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02 de abril de 1998 e na Súmula n° 4 do CARF. Diante do cancelamento de parte do valor lançado, a 2ª Turma da DRJ/BHE recorreu de ofício, submetendo o crédito exonerado à apreciação do CARF, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 (fl. 1566). Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 9 8 Cientificada em 11/03/2014 (fls. 1600/1601), a Contribuinte, em 08/04/2014, interpôs Recurso Voluntário (fls. 1602/1664 e anexos – fls. 1665/1673), sustentando, em síntese, que: DA VIOLAÇÃO AO ARTIGO 142 DO CTN A Contribuinte sustentou o cancelamento dos autos de infração já que a autoridade administrativa não motivou de forma adequada e específica os lançamentos e não aprofundou o trabalho fiscal, vez que simplesmente ignorou (i) a existência de imóveis (especialmente os relacionados à expansão do "Shopping Pátio Savassi”) adquiridos em 2009 e em 2010 (como é o caso dos imóveis localizados na Rua Lavras n° 35, indicados nas págs. 1 e 2 do relatório fiscal), registrados diretamente no “ativo circulante” (conta contábil de “estoques”), não havendo qualquer reclassificação contábil, e revendidos no ano de 2010; (ii) a opção de venda e compra formalizada em 2007, que confirmava a intenção da Contribuinte de revender os bens imóveis, para obter lucro. Em suma, pede que os autos de infração sejam cancelados, por clara infração ao art. 142 do CTN, já que não é aceitável lançamento baseado em mera presunção simples, o que afirma ser o caso dos autos. DO MÉRITO A Contribuinte, desde o momento da sua constituição, visava a obtenção de lucro na venda imobiliária, o que se comprovava (i) pelo balanço patrimonial de 31/12/2003, que demonstrava a aquisição de diversos imóveis e a participação em diversos empreendimentos; e (ii) pela alteração em julho de 2006 do contrato social. Nesse contexto, a Contribuinte adquiria imóveis, aguardava o período de maturação e, no momento oportuno (não necessariamente até o final do exercício social seguinte ao do balanço que estava sendo elaborado), efetivava a revenda imobiliária com o propósito negocial de obter lucro, o que foi demonstrado pela juntada de (i) planilha indicando diversas operações ocorridas; e (ii) clippings, comprovando a sua participação em diversos empreendimentos imobiliários. Como consequência de sua atividade, os imóveis poderiam ser considerados mercadorias e deveriam ser registrados no “ativo circulante” (conta contábil de “estoque”) ou, quando muito, na conta contábil de “estoque” do grupo do “ativo realizável a longo prazo”, mas nunca no grupo do “permanente”. Destacou que a compra e venda de imóveis também é enquadrada como atividade imobiliária, diferentemente do que sustentado pela autoridade fiscal. Salientou que a constituição do condomínio “pro indiviso”, para viabilizar a implementação e a construção do empreendimento imobiliário denominado “Shopping Pátio Savassi”, e a permuta de imóveis, para garantir a participação de cada condômino, não descaracterizaram a atividade imobiliária explorada pela Contribuinte desde sua constituição, bem como seu propósito de lucro com a venda imobiliária. Registrou que a constituição da empresa “Pátio Savassi Administração de Shopping Center Ltda.”, com a nomeação de Administrador não sócio, era mais uma prova de que a intenção da Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 10 9 Contribuinte não era obter lucro com a exploração do “shopping center”, mas, sim, com a revenda do empreendimento. Salientou que não procedeu a venda, em 2007, do “Shopping Pátio Savassi” a Multiplan, pois ele estava em fase de expansão e de consolidação, ou seja, ainda haveria uma valoração, o que se confirmou em 2010, vez que seria pago em 2007, R$ 33.841.489,00, e, em 2010, foi pago R$ 56.000.000,00. Deixou consignado que a existência de compromisso formal, firmado em 2007, para a “opção de venda” ou “opção de compra”, seria prova de que a intenção da Contribuinte era revender os imóveis de sua propriedade para a Multiplan. Não se sustentaria a alegação da Fiscalização de que a Contribuinte não possuía a intenção de venda, pois o parágrafo primeiro do artigo 5° do projeto de lei 1.837/08 vedaria a alienação do potencial construtivo dos terrenos do entorno do Empreendimento Shopping Pátio Savassi, pois tal projeto impediu a venda do direito de construir (potencial construtivo), mas não a venda dos terrenos, o qual decorreria de seu direito de propriedade. Em janeiro de 2009, com o objetivo de corrigir um erro de classificação geográfica no balancete, foram transferidos os imóveis (adquiridos para revenda) e empreendimentos imobiliários registrados no “Ativo Permanente” para o “Ativo Circulante” (conta contábil de “estoques”), como foi recomendado pela MG Auditores Independentes, bem como para atender as novas regras contábeis introduzidas pela Lei n° 11.638/2007 e os atos editados pelo então Comitê de Pronunciamentos Contábeis, prestigiando, assim, o princípio contábil da prevalência da essência sobre a forma. Como consequência do quanto exposto acima, estaria correta a tributação feita pela Contribuinte da receita decorrente da venda dos imóveis utilizados na construção e expansão do “Shopping Pátio Savassi”. O fato de a Contribuinte ter auferido receitas na fase de maturação do empreendimento não alteraria a natureza da atividade imobiliária explorada. O objetivo da Contribuinte nunca foi ter lucratividade com o aluguel, mas, sim, com a venda do empreendimento imobiliário. DA NÃOINCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Na lavratura do auto de infração, não foi formalizada a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Entretanto, ao “conferir os valores apontados no referido DARF, verificou a Recorrente que estão sendo exigidos juros de mora sobre a multa de ofício (doc. 02)” (fl. 1658). Assim, pleiteou que se reconhecesse que não poderia prosperar essa exigência, nos termos do artigo 142 do CTN; ou se reconhecesse a competência deste CARF para conhecer e apreciar a matéria, fazendo o controle da sua legalidade. Subsidiariamente, pede o cancelamento da cobrança de juros sobre a multa por falta de fundamentação legal. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 11 10 Encaminhados os autos a Fiscalização em 28/05/2014 (fl. 1675), a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1676/1695), cujos principais argumentos podem ser assim resumidos: DA PRELIMINAR AUSÊNCIA DE NULIDADE A Fiscalização não ignorou qualquer documento juntado pela Contribuinte, mas entendeu, como a finalidade da aquisição dos imóveis lindeiros ao shopping (incorporação em futuras expansões) era o investimento e, não, o estoque, que a alienação de tais imóveis estaria submetida a apuração de ganho de capital. E, caso assim não se entendesse, não caberia a nulidade do lançamento, mas apenas a glosa da parte correspondente. DO MÉRITO DO RECURSO VOLUNTÁRIO Destacou que, para se definir se um determinado bem pertence ao ativo permanente ou ativo circulante, devese ter em mente a intenção do contribuinte no momento de sua aquisição. O fato de a Contribuinte ter adquirido participações em empreendimentos imobiliários, bem como terrenos e imóveis no ano de 2003 não implicaria que sua atividade fosse a compra e venda de imóveis. Ademais, ainda que ela exercesse a atividade de compra e venda de imóveis àquela época (o que, repitase, não restou comprovado), isto não significaria que todo e qualquer imóvel de sua titularidade estivesse necessariamente destinado à venda. A constituição de uma pessoa jurídica para administrar o shopping atuaria no sentido de reforçar que a intenção das partes que se uniram em condomínio era justamente a exploração do empreendimento e, não, sua venda pura e simples. Aliás, a participação em empresas, inclusive de administração de shopping centers, constava de seu objeto social à época do início do empreendimento, ao contrário da atividade imobiliária, que somente veio a constar em meados de 2006. O registro dos custos de construção do shopping no “Ativo Permanente”, Conta “Investimentos”, Subconta “Participações – Propr.Imobiliárias”, item “Pátio Savassi”, em consonância com o princípio contábil da oportunidade, corroborariam essa conclusão. A alteração contratual de 2006, passando a constar como atividade da empresa a administração de imóveis próprios, só confirmaria ainda mais a pertinência de que ela tivesse, entre os itens do seu ativo permanente, empreendimentos imobiliários como o shopping em questão, reforçando a certeza de que não estava contabilizado no ativo permanente de maneira “equivocada”. Pelos termos do contrato de opção de compra e venda firmado entre a Contribuinte e a Multiplan, a promitente vendedora poderia exercer sua opção perante a promitente compradora a qualquer momento, num prazo de 36 meses. Ela jamais exerceu sua opção de vender. Já a promitente Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 12 11 compradora, poderia exercer sua opção apenas durante o 36º mês após a assinatura do contrato, e assim o fez. Assim, a contratação da opção, portanto, longe de cravar sua intenção inequívoca de vender o item de seu “estoque”, evidenciou que a Contribuinte ainda avaliava a conveniência de alienar o seu investimento – e assumiu o risco, inclusive, de a alienação não ocorrer. Convém lembrar, também, que durante 7 anos a Contribuinte usufruiu de receitas advindas de sua participação no Condomínio Savassi (aluguéis, estacionamento, cessão de direito, etc). Ademais, verificase que ela tributou as receitas de aluguéis como receitas operacionais. Ainda que a atividade de locação constasse de seu objeto social a partir da alteração promovida no contrato social em 2006, isto demonstrou incoerência de sua parte, pois se a empresa entendeu que o shopping deveria ser classificado como estoque, por conseguinte deveria ter tributado os alugueres como outras receitas e, não, como receitas operacionais. Desse modo, concluiu que estaria cabalmente demonstrado que a intenção da empresa era, desde o início, auferir rendimentos a partir dos imóveis que deram origem ao Empreendimento Pátio Savassi e, por conseguinte, que deveria ter tributado o produto de sua alienação como ganho de capital. DO RECURSO DE OFÍCIO Sustentou que deveria ser dado provimento ao Recurso de Ofício para que fosse restaurada a penalidade de 150%, sustentandose no item 8 do próprio relato fiscal, pois a retirada do empreendimento do ativo permanente para o ativo circulante (repitase: às vésperas da alienação) já era uma manobra para encobrir o ganho de capital respectivo e maquiálo como receita operacional, tendo a Contribuinte, para ludibriar o Fisco, produzido, a tempo e hora, livros obrigatórios para o exercício e contabilização da atividade imobiliária, que supostamente a Contribuinte exerceu desde sua constituição. DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Aduziu que nada existiria na legislação que afastasse a incidência da taxa SELIC sobre os débitos de qualquer natureza devidos à União, o que incluiria, por decorrência, a multa de ofício. Em 11/09/2014, a Contribuinte recebeu as cópias das contrarrazões da Fiscalização (fl. 1698), mas nada apresentou. Em 28/01/2018, foi protocolado neste e. CARF petição de juntada de Parecer Técnico elaborado pelo professor Eliseu Martins, bem como de cópia do Acórdão nº 1401 001.225. O Sr. Parecerista defendeu que: 1. “O conceito de estoque permanece o mesmo: ativos mantidos para a venda ou a serem utilizados no seu processo de produção.”; 2. “O prazo de realização da venda não altera a natureza do ativo.”; Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 13 12 3. “Diferentemente dos estoques, os ativos imobilizados não possuem a característica essencial de estarem disponíveis para venda, mas sim de serem utilizados pela entidade para que as suas operações possam ser realizadas.”; 4. “Ativo imobilizado é para ser utilizado, ao menos, por mais de um período.”; 5. “A manutenção de imóveis como estoque pode parecer, à primeira vista, estranha. Mas, ao se olhar com atenção para a atividade da consulente, esse é exatamente o seu estoque: imóveis.”; 6. “Um shopping (ou outro tipo de imóvel comercial) locado vale mais do que vazio. Inclusive, a taxa de ocupação dos shoppings é um fator sempre levado em consideração nas negociações.”; 7. “Além de investimentos em outras empresas e investimentos financeiros, a consulente passou a comprar e vender imóveis com o propósito de auferir lucros nessas negociações. E essa atividade passou a ser a principal da entidade”; 8. “Entre outras fontes, segundo Lage, em dissertação de mestrado defendida na Fundação Getúlio Vargas, o prazo de maturação de um empreendimento do tipo shopping center é ao redor de 4 anos; já segundo Zambarda, em periódico científico, tal período é de até 5 anos.”; 9. “No caso em tela, a locação do shopping nunca foi o objetivo primordial almejado; este sempre foi a venda do imóvel.”; 10. “Ocorre que no ano de 2004, no balanço patrimonial da consulente, o shopping encontravase registrado no ativo permanente, dentro do grupo de investimentos, no subgrupo Participações Societárias. Ora, essa classificação estava claramente equivocada.”; 11. O “equívoco” foi corrigido em 2009, o que não invalida “a essência econômica, com os reflexos contábeis e fiscais apropriados, como adotado pela MK”.; 12. “Em suma, o argumento da autoridade fiscal de que um estoque deve ser negociado no ‘balcão’ e que deve estar classificado no ativo circulante das empresas é uma simplificação enorme da realidade desse tipo de operação.” É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 14 13 I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, dos Recursos Voluntário e de Ofício, fazem se presentes, senão, vejamos. Nos termos do artigo 2º, incisos I e II, do Regimento Interno do CARF, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos voluntário e de ofício interpostos em face de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL), razão pela qual é patente a competência desta C. Turma para apreciação do presente caso. No que tange à legitimidade do Recurso Voluntário, a petição está assinada por advogados habilitados por meio de substabelecimento e procuração outorgados às fls. 830/833, os quais, por sua vez, foram outorgados por pessoa habilitada para tanto (fls. 834/841). Quanto à tempestividade do Recurso Voluntário, a decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/BHE em 25/02/2014 (fl. 1565) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 11/03/2014, uma terçafeira (fl. 1600), e o recurso foi interposto em 08/04/2014 (fl. 1602), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/70, afinal o dies ad quem era 10/04/2014 (quintafeira). No que se refere ao cabimento do Recurso de Ofício, o art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 determina que a autoridade de primeira instância recorrerá sempre que exonerar valor de tributos e encargos de multa em valor igual ou superior a montante determinado por ato do Ministério da Fazenda. O Ministério da fazenda, por sua vez, por meio da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, fixou o limite de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Considerando que a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade, decidiu julgar procedente em parte a impugnação, para reduzir o percentual da multa de ofício aplicada de 150% para 75% (fls. 1565/1596), cancelando o montante de R$ 9.129.484,76, é evidente que restou preenchido o requisito exigido para o Recurso de Ofício. Nesse caminho, recebo os recursos voluntários e de ofício. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos se encontram abaixo devidamente elencados: Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 15 14 Preliminar · O lançamento é nulo, por, supostamente, não atender aos requisitos do artigo 142 do CTN? Mérito · Dos fatos trazidos nos autos, como deveria ser enquadrada a venda da participação no shopping e nos outros imóveis, ou seja, como receita da atividade ou como ganho de capital? · Seria hipótese de qualificação da multa? · Podese exigir juros de mora sobre a multa de ofício, apesar dele não ter sido regularmente constituído no auto de infração? É cabível a exigência de juros de mora sobre a multa? III. DA PRELIMINAR DA AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO Como exposto no relatório, a Contribuinte sustentou o cancelamento dos autos de infração, por clara violação ao artigo 142 do CTN, já que a autoridade administrativa não motivou de forma adequada e específica os lançamentos e não aprofundou o trabalho fiscal, vez que ela simplesmente ignorou (i) a existência de imóveis (especialmente os relacionados à expansão do "Shopping Pátio Savassi”) adquiridos em 2009 e em 2010 (como é o caso dos imóveis localizados na Rua Lavras n° 35, indicados nas págs. 1 e 2 do relatório fiscal), registrados diretamente no “ativo circulante” (conta contábil de “estoques”), não havendo qualquer reclassificação contábil, e revendidos no ano de 2010; e (ii) a opção de venda e compra formalizada em 2007, que confirmava a intenção da Contribuinte de revender os bens imóveis, para obter lucro. Nada obstante, tal argumento não prevalece, vez que a autoridade administrativa motivou de forma adequada e específica os lançamentos e aprofundou o trabalho fiscal, o que se comprova pelo seguinte excerto do relatório fiscal: “O que se pode concluir da DIPJ apresentada é que a MK pretendeu que a venda de sua participação no shopping e nos demais imóveis fosse tratada como receita de atividade imobiliária, sujeita ao coeficiente de presunção de 8%, e ocultar a realização de ganho de capital sobre as alienações descritas” – fl. 29. (...) “A participação no shopping que foi alienada pela MK à Multiplan, vai muito além do valor do imóvel, pois já havia um fundo de comércio constituído, e contratos de aluguel vigentes. No caso em análise, o imóvel do shopping não foi construído para Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 16 15 revenda, e houve plena exploração da atividade de shopping center previamente à venda para a Multiplan.” – fl. 29. (...) Os imóveis contíguos, alienados na mesma ocasião, também não se enquadram na categoria de imóveis para revenda, pois foram adquiridos para futuras expansões do shopping. Isso fica claro ao se analisar certidões de inteiro teor dos imóveis, onde se vê que foram adquiridos em condomínio, seja pelos investidores originais – Luna, MK e Clipar, seja pela MK e Multiplan. O produto da venda pela MK também se sujeita à apuração do ganho de capital” – fl. 30. Pela transcrição do excerto acima, contatase que a autoridade administrativa entendeu que a aquisição da participação do shopping e dos imóveis contínuos deveria ser tributada como ganho de capital. Para fundamentar seu posicionamento, a autoridade administrativa acentuou que a aquisição da participação do shopping não teve como intuito a revenda, pois no empreendimento foi explorada a atividade de shopping center, com a constituição de um fundo de comércio e o recebimento de aluguéis e ainda destacou que a aquisição dos terrenos contínuos também não teve como intuito a revenda, na medida em que eles foram adquiridos para futuras expansões do shopping. Portanto, se encontra devidamente motivado de forma adequada e específica os lançamentos, razão pela qual não há que se falar no seu cancelamento, com base no artigo 142 do Código Tributário Nacional. IV. MÉRITO IV.1. DO ENQUADRAMENTO DA VENDA REALIZADA PELA CONTRIBUINTE Conforme foi devidamente exposto no relatório, a presente discussão recai sobre o enquadramento da venda de participação no shopping e em outros imóveis. A Contribuinte enquadrou aludida venda como receita de atividade imobiliária e submeteua ao coeficiente de presunção de 8%, já a Fiscalização enquadrou aludida operação como venda do ativo permanente, tributandoa como ganho de capital. A Contribuinte aduziu que houve um erro no registro, em 2004, do shopping no “Ativo Permanente”, Conta “Investimentos”, pois ela sempre teve interesse em revendêlo. Como consequência, procedeu a sua correção em 2009 para “estoque” e, em 2010, tributouo como receita da atividade. Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 17 16 Entendendo de maneira diversa, de que não teria havido erro e de que a Contribuinte não teria tido interesse, desde o início, em revendêlo, o Sr. AFRF, no relatório fiscal, assim fundamentou o seu posicionamento: 1. “A MK [...] foi constituída em 04 de maio de 2000, tendo o seu início de atividade previsto para o dia 22 de maio de 2000” – fl. 22; 2. “Em 25 de maio de 2004 foi inaugurado o Shopping Pátio Savassi” – fl. 25; 3. “Em 03 de julho de 2006, na 7ª Alteração Contratual, os sócios decidiram incluir dentre as atividades constantes do objeto social, as atividades relacionadas à compra, venda, locação e administração de imóveis próprios.” – fl. 25; 4. Apresentou o “histórico dos registros contábeis do custo de construção do Shopping Pátio Savassi” nos anos de 2004 a 2008, todos no Ativo Permanente, e a reclassificação para o Ativo Circulante ocorrida em 2009 – fl. 27; e 5. “Ademais, resta provado, que o contribuinte desde maio de 2004, até a data da venda em julho de 2010 explorou o Empreendimento percebendo receitas a título de alugueis das lojas e da utilização do estacionamento do Shopping Pátio Savassi. Não obstante, escriturou preliminarmente o Empreendimento no Ativo Permanente, no grupo investimento, alocando depreciação, comprovando, desta forma, que o imóvel encontravase em uso desde 2004[...]. Também, comprovase, que não havia originariamente a intenção de venda, quando da proposição de projeto de lei 1837 em 2008 entre a Prefeitura, a MK e Multiplan para Operação Urbana Corredor Sul Savassi que consignava no parágrafo primeiro do artigo 5º a vedação de alienação do potencial construtivo dos terrenos do entorno do Empreendimento Shopping Pátio Savassi” – fl. 29. Antes de se posicionar sobre o tema, cumpre analisar os conceitos de “estoque”, “ativo imobilizado” e “investimento” e, depois, verificar se houve um erro por parte da Contribuinte no registro do seu ativo. O item 6 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 16 conceituou “estoque” da seguinte forma: 6. (...) Estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios; (b) em processo de produção para venda; ou (c) na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 18 17 Ampliando o conceito anteriormente dado, o item 8 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 16 acentuou que: 8. Os estoques compreendem bens adquiridos e destinados à venda, incluindo, por exemplo, mercadorias compradas por um varejista para revenda ou terrenos e outros imóveis para revenda. Os estoques também compreendem produtos acabados e produtos em processo de produção pela entidade e incluem matériasprimas e materiais aguardando utilização no processo de produção, tais como: componentes, embalagens e material de consumo. No caso de prestador de serviços, os estoques devem incluir os custos do serviço, tal como descrito no item 19, para o qual a entidade ainda não tenha reconhecido a respectiva receita (ver o Pronunciamento Técnico CPC 30 Receita). Por sua vez, o item 6 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 27 definiu “ativo imobilizado” da seguinte maneira: 6. (...) Ativo imobilizado é o item intangível que: a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e b) se espera utilizar por mais de um período. Em complementação, estabeleceu o artigo 179, IV, da Lei nº 6.404/76, sem as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638/07, pois elas não estavam vigentes à época dos fatos, que: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; Por fim, o item 5 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 28 conceituou “propriedade para investimento” da seguinte forma: 5. (...) Propriedade para investimento é a propriedade (terreno ou edifício – ou parte de edifício – ou ambos) mantida (pelo proprietário ou pelo arrendatário em arrendamento financeiro) para auferir aluguel ou para valorização do capital ou para ambas, e não para: (a) uso na produção ou fornecimento de bens ou serviços ou para finalidades administrativas; ou (b) venda no curso ordinário do negócio. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 19 18 Esclarecendo o que se enquadrava e o que não se enquadrava dentro do conceito de “propriedade para investimento”, os itens 8 e 9 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 28 determinaram que: 8. O que se segue são exemplos de propriedades para investimento: (a) terrenos mantidos para valorização de capital a longo prazo e não para venda a curto prazo no curso ordinário dos negócios; (b) terrenos mantidos para futuro uso correntemente indeterminado (se a entidade não tiver determinado que usará o terreno como propriedade ocupada pelo proprietário ou para venda a curto prazo no curso ordinário do negócio, o terreno é considerado como mantido para valorização do capital); (c) edifício que seja propriedade da entidade (ou mantido pela entidade em arrendamento financeiro) e que seja arrendado sob um ou mais arrendamentos operacionais; (d) edifício que esteja desocupado, mas mantido para ser arrendado sob um ou mais arrendamentos operacionais; (e) propriedade que esteja sendo construída ou desenvolvida para futura utilização como propriedade para investimento. 9. Seguemse exemplos de itens que não são propriedades para investimento, estando, por isso, fora do alcance deste Pronunciamento: (a) propriedade destinada à venda no decurso ordinário das atividades ou em vias de construção ou desenvolvimento para tal venda (ver Pronunciamento Técnico CPC 16 – Estoques), como, por exemplo, propriedade adquirida exclusivamente com vista à alienação subsequente no futuro próximo ou para desenvolvimento e revenda; (b) propriedade em construção ou desenvolvimento por conta de terceiros (ver Pronunciamento Técnico CPC 17 – Contratos de Construção); (c) propriedade ocupada pelo proprietário (ver Pronunciamento Técnico CPC 27), incluindo (entre outras coisas) propriedade mantida para uso futuro como propriedade ocupada pelo proprietário, propriedade mantida para desenvolvimento futuro e uso subsequente como propriedade ocupada pelo proprietário, propriedade ocupada por empregados (paguem ou não aluguéis a taxas de mercado) e propriedade ocupada pelo proprietário no aguardo de alienação; (d) (eliminada); (e) propriedade que é arrendada a outra entidade sob arrendamento financeiro. Dos conceitos expostos acima, concluise que a Contribuinte não poderia enquadrar os terrenos como estoque, pois estoque pressupõe o interesse imediato na revenda e a Contribuinte não tinha interesse em revendêlos assim que os adquiriu, já que, como bem Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 20 19 destacado pela própria Contribuinte, ela aguardava o período de “maturação” (expansão, consolidação e valorização do empreendimento). Desse modo, estava correto o enquadramento da Contribuinte dos terrenos como ativo imobilizado, na medida em que ela esperava utilizálos em mais de um período. Mais correto ainda estava o enquadramento dentro da conta investimento, visto que se tratava de uma propriedade direcionada para a valorização do capital a longo prazo e, não, para venda a curto prazo, no curso ordinário dos negócios. Para que não restem dúvidas, transcrevese trecho do sumario do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 28, que expressamente enquadrou o shopping center dentro de “propriedade de investimento”: “São propriedades para investimento, comumente, os terrenos mantidos para uso futuro e ainda indeterminado ou mantidos para valorização imobiliária, os imóveis mantidos para aluguel como nos shopping centres ou outros etc. Não são propriedades para investimento, por exemplo, os imóveis construídos ou em construção para venda no decurso ordinário das atividades da entidade (entidades de exploração do ramo imobiliário ou de construção civil), as propriedades ocupadas por empregados (mesmo que alugadas a eles) etc.” (destacamos). Assim, pelos motivos expostos acima, forçoso concluir que agiu corretamente a Contribuinte em enquadrar o shopping no “Ativo Permanente”, Conta “Investimentos”, não havendo que se falar na existência de qualquer erro. Nada obstante, a despeito do enquadramento adotado pela Contribuinte ter sido correto, o item 57 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 28 permite a transferência de um bem de “propriedade para investimento” para “estoque”, desde que se configure uma das seguintes hipóteses: (...) 57. As transferências para ou de propriedades para investimento devem ser feitas quando, e apenas quando, houver alteração de uso, evidenciada pelo seguinte: (a) início de ocupação pelo proprietário, para transferência de propriedade para investimento para propriedade ocupada pelo proprietário; (b) início de desenvolvimento com objetivo de venda, para transferência de propriedade para investimento para estoque; (c) fim de ocupação pelo proprietário, para transferência de propriedade ocupada pelo proprietário para propriedade para investimento; (d) começo de arrendamento operacional para outra entidade, para transferência de estoques para propriedade para investimento; ou (e) (eliminada). Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 21 20 Esclarecendo o conteúdo do item 57, (b), do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 28, o item 58 determinou que: 58. O item 57(b) exige que a entidade transfira a propriedade de propriedade para investimento para estoque quando, e apenas quando, houver uma alteração no uso, evidenciada pelo começo de desenvolvimento com ao objetivo de venda. Quando a entidade decidir alienar a propriedade para investimento sem desenvolvimento, ela continua a tratar a propriedade como propriedade para investimento até que seja baixada (eliminada da demonstração da posição financeira) e deixe de tratála como estoque. De forma semelhante, se a entidade começar a desenvolver de novo a propriedade para investimento existente para futuro uso continuado como propriedade para investimento, a propriedade permanece propriedade para investimento, não sendo reclassificada como propriedade ocupada pelo proprietário durante o novo desenvolvimento. Ainda no sentido de explicar tal disposto, o sumario do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 28 asseverou que: A transferência da propriedade para investimento para estoques se dá quando, e apenas quando, houver efetiva alteração no uso, evidenciada pelo começo do desenvolvimento das atividades dirigidas à venda e desde que a propriedade não necessite de quaisquer desenvolvimentos adicionais. A partir da transferência aplicamse todas as regras contábeis próprias aplicáveis ao estoque. Segundos tais dispositivos, deverá ser feita a transferência de um bem de “propriedade para investimento” para “estoque” quando houver efetiva alteração no uso, evidenciada pelo começo do desenvolvimento das atividades dirigidas à venda, e desde que a propriedade não necessite de quaisquer desenvolvimentos adicionais. No presente caso, os terrenos não precisavam de mais nenhum desenvolvimento adicional, o que se comprova pelo fato de já ter sido terminada a construção do shopping e, inclusive, pelo fato de a Contribuinte já estar auferindo rendimentos de aluguéis e de estacionamento. Além disso, constatase que já havia iniciado o desenvolvimento das atividades dirigidas à venda. Por exemplo, a Contribuinte procedeu a alteração do seu contrato social em 2006, para prever a venda de imóveis próprios. O objetivo social era “a administração e participação em capitais de outras empresas, aquisição de ativos, exceto financeiros, bens móveis e valores mobiliários” (fl. 46). Em 2006, o objetivo social passou a ser “a administração e participação em capitais de outras Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 22 21 empresas, aquisição de ativos, exceto financeiros, a compra, venda, locação e administração de imóveis próprios, bens móveis e valores mobiliários” (fl. 86). Outro exemplo que pode ser citado é o fato de que, em 2007, a Contribuinte firmou compromisso formal para a “opção de venda” ou “opção de compra” com a Multiplan, demonstrando sua intenção em vender os imóveis para a Multiplan. Preenchidos os requisitos exigidos pelo item 57, (b), do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 28, correta está a transferência dos terrenos para o estoque em janeiro de 2009, como foi recomendado pela MG Auditores Independentes. Vale notar, como asseverado pelo Prof. Eliseu Martins, em seu parecer, que “o fato de a incorporadora de imóveis realizar o processo de locação de um shopping center não implica dizer que ela não está com seu interesse centrado na venda. Pelo contrário, a ocupação do espaço irá aumentar o preço da venda”. Partilhando desse mesmo entendimento, a Egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, nos autos do Acórdão nº 1401001.225 (Processo Administrativo nº 19515.720977/201217), defendeu que: “o simples fato de o imóvel estar alugado não descaracteriza a destinação de venda e, consequentemente, sua contabilização como estoque. Ao contrário: em algumas hipóteses o fato de o imóvel já estar locado ajudaria na venda e aumentaria o preço (tendose em vista que o comprador levará em consideração os fluxos de caixa futuros).” Sendo permitida esta alteração de propriedade de investimento para estoque, não há que se falar em qualquer irregularidade no fato de, em 2010, a Contribuinte ter procedido a venda a Multiplan do shopping e dos imóveis para expansão e têlos tributado como receita da atividade. Corroborando com esse entendimento, é o disposto na Solução de Consulta da 10ª Região Fiscal DISIT nº 139/2006, confirase: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 139 de 29 de Agosto de 2006 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. BENS PASSÍVEIS DE INTEGRAR O ATIVO CIRCULANTE E O ATIVO IMOBILIZADO. TRANSFERÊNCIA DE CONTAS. A empresa optante pelo lucro presumido que comercializa bens suscetíveis de serem contabilizados tanto no ativo permanente como na conta estoques, em virtude de suas atividades desenvolvidas constarem, em ambos os casos, de seu objeto social, Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 23 22 pode transferir da primeira conta para segunda o respectivo bem a ser destinado para futura comercialização sem a necessidade de apurar o correspondente ganho de capital, contanto que seja adotado um conjunto de procedimentos sistematizados, baseados nas normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos. Ainda nesse sentido, esta E. Turma, de forma unânime, em caso semelhante, de relatoria do I. Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, que ainda se encontra pendente de formalização, entendeu que não configura ilegalidade o contribuinte transferir contabilmente seus bens imóveis do ativo permanente (ali incluído em 1990) para conta de estoque no ano de 2006 e, no mesmo ano, realizar a venda, tributando pelo lucro presumido como receita operacional. Quanto aos imóveis adquiridos em 2009 e 2010, para a expansão do "Shopping Pátio Savassi”, registrados diretamente no “ativo circulante” (conta contábil de “estoques”), não havendo qualquer reclassificação contábil, e revendidos no ano de 2010, tendo em vista a correição do registro na contabilidade, não há que se falar na existência de qualquer irregularidade na tributação como receita da atividade. Portanto, pelas razões expostas acima, entendo que deve ser tributada como receita da atividade a venda dos terrenos onde se realizou a construção do Shopping Savassi e dos demais imóveis utilizados para sua expansão. IV.2 DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA A autoridade administrativa qualificou a multa, conforme §1°, art. 44 da Lei 9.430/96 (com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007), em razão de clara convicção de que o contribuinte não incorreu simplesmente em erro de interpretação do dispositivo legal, mas concorreu com suas ações para a arquitetura aparente de que se tratava de uma atividade imobiliária, comprovando, dessa forma, o evidente intuito de alcançar uma tributação bem mais favorável (fl. 31). Tendo sido afastada a obrigação principal, como consequência, não há como prevalecer a qualificação multa. IV.3 DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, sustentou que, na lavratura do auto de infração, não foi formalizada a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Assim, pleiteou ou que se reconhecesse que não poderia prosperar sua exigência, nos termos do artigo 142 do CTN; ou que se reconhecesse a competência deste CARF para conhecer e apreciar a matéria, fazendo o controle da sua legalidade. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 10680.722080/201322 Acórdão n.º 1102001.329 S1C1T2 Fl. 24 23 Realmente, no auto de infração, não foi formalizada a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Contudo, diferentemente das consequências entendidas cabíveis pela Contribuinte, entendo que a falta de menção a aludida matéria nos lançamentos faz com que este julgador não possa analisala, em virtude do quanto disposto no artigo 460 do Código de Processo Civil. Segundo o artigo 460 do Código de Processo Civil, é proibido ao julgador proferir decisão, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou objeto diverso do que lhe foi demandado. Assim, mencionado dispositivo fixa os limites da lide, os quais devem observar o quanto estipulado na petição inicial, no caso, no Auto de Infração. Desse modo, em virtude dos limites à lide fixados pelo artigo 460 do Código de Processo Civil, não cabe a este julgador analisar matéria, qual seja: a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, que não foi objeto do Auto de Infração. V. CONCLUSÃO Por fim, conheço dos recursos de ofício e voluntário e, no mérito, nego provimento ao primeiro e dou integral provimento ao segundo, para reconhecer a tributação da venda de participação em empreendimento imobiliário constituído para exploração da atividade de shopping center e de outros imóveis para sua expansão como receita da atividade. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 23/07/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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