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Numero do processo: 10580.001878/2003-93
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2004
Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES. O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. INFORMAÇÕES AO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO. O acesso às informações bancárias por parte do Fisco não configura quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e que passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: INOCORRÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. LEI ADJETIVA. As leis meramente adjetivas, que apenas instituem novos processos de fiscalização ou ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, são todas externas ao fato gerador, no sentido de que não alteram quaisquer dos aspectos da hipótese de incidência tributária, afetando apenas a atividade do lançamento, são aplicáveis na data em que é exercida a atividade, sendo irrelevante que alcancem fatos geradores pretéritos, e diferem das leis materiais, as quais integram o próprio objeto do lançamento. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nas hipóteses de comunhão de interesses de duas ou mais pessoas na situação em que se traduza o fato gerador, todas essas pessoas, caso tenham concorrido para sua efetiva realização, ressalvadas aquelas cuja participação não reste suficientemente comprovada, devem figurar como sujeitos passivos solidários. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta corrente, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. No caso de inexistência ou de falta de apresentação da escrituração a que estiver obrigado o sujeito passivo, fica autorizado o arbitramento do lucro apurado com base no valor das receitas omitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/FATURAMENTO Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do imposto ou da contribuição, de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento).
Numero da decisão: 107-07754
Decisão: Por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do lançamento pela aplicação retroativa à Lei Complementar nº: 105/2001 e Lei nº: 10174/01, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero e Octávio Campos Fischer e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da imputação de responsabilidade as pessoas indicadas no voto do relator
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello

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Recorrida : r TURMA/DRJ-SALVADOR/BA Sessão de : 12 de agosto de 2004. Acórdão n° : 107-07.754 INCONSTITUCIONALIDADES. O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. INFORMAÇÕES AO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO. O acesso às informações bancárias por parte do Fisco não configura quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e que passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: INOCORRÊNCIA DE OFENSA AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. LEI ADJETIVA. As leis meramente adjetivas, que apenas instituem novos processos de fiscalização ou ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, são todas externas ao fato gerador, no sentido de que não alteram quaisquer dos aspectos da hipótese de incidência tributária, afetando apenas a atividade do lançamento, são aplicáveis na data em que é exercida a atividade, sendo irrelevante que alcancem fatos geradores pretéritos, e diferem das leis materiais, as quais integram o próprio objeto do lançamento. SUJEITO PASSIVO. RESPONSACIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nas hipóteses de comunhão de interesses de duas ou mais pessoas na situação em que se traduza o fato gerador, todas -9 eive MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 essas pessoas, caso tenham concorrido para sua efetiva realização, ressalvadas aquelas cuja participação não reste suficientemente comprovada, devem figurar como sujeitos passivos solidários. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta corrente, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. No caso de inexistência ou de falta de apresentação da escrituração a que estiver obrigado o sujeito passivo, fica autorizado o arbitramento do lucro apurado com base no valor das receitas omitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/FATURAMENTO Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino. FRAUDE. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do imposto ou da contribuição, de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NJS PARTICIPAÇÕES LTDA. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA -•-er, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES *já' ,s-Oft SÉTIMA CAMARA ';;;e"Pri• Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade do lançamento pela aplicação retroativa à Lei Complementar n°: 105/2001 e Lei n°: 10174/01, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero e Octavio Campos Fischer e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir da imputação de responsabilidade as pessoas indicadas no voto do relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MAR• O" V ICIUS NEDER DE LIMA PR =SI NTE MARCOS RODRIGUES DE MELLO RELATOR FORMALIZADO EM: 2? CUT 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LUIZ MARTINS VALERO, NATANAEL MARTINS, NEICYR DE ALMEIDA e CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA e • • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • t" • 't SÉTIMA CÂMARAno" Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Recurso n° : 140324 Recorrente : NJS PARTICIPAÇÕES LTDA. RELATÓRIO Trata o processo em questão de Autos de Infração, referentes ao ano-calendário de 1998, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, às fls. 10 a 14, no valor de R$4.243.051,41 (quatro milhões, duzentos e quarenta e três mil, cinqüenta e um reais e quarenta e um centavos); de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, às fls. 15 a 18, no valor de R$288.914,90 (duzentos e oitenta e oito mil, novecentos e quatorze reais e noventa centavos); de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, às fls.19 a 22, no valor de R$888.968,98 (oitocentos e oitenta e oito mil, novecentos e sessenta e oito reais e noventa e oito centavos); e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, às fls. 23 a 26, no valor de R$426.705,12 (quatrocentos e vinte e seis mil, setecentos e cinco reais e doze centavos), acrescidos das cominações legais pertinentes. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de arbitramento do lucro, nos quatro trimestres do ano-calendário de 1998, com base em depósitos bancários não contabilizados, cuja origem não foi comprovada, em virtude de a Contribuinte não apresentar seus livros e documentos contábeis e fiscais, conforme Termo de Verificação Fiscal e documentação, em anexo. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 47, inciso III, da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995; como também aos artigos 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Houve o agravamento da multa de lançamento de oficio para o percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996, em virtude da alegada caracterização de fraude, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e no processo de n° 10580.001956/2003- 50, relativo à Representação Fiscal para Fins Penais, apensado ao presente processo. O Auto de Infração relativo ao PIS decorreu da falta de recolhimento dessa contribuição, nos meses de janeiro a dezembro de 1998, detectada na fiscalização do imposto de renda. O enquadramento legal aponta infração ao artigo 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07, de 7 de setembro de 1970; Titulo 5, capitulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n°142, de 15 de julho de 1982; artigo 24, § 4 es.1>r MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 2°, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; artigos 2°, inciso 1, 30, 8°, inciso I, e 9° da MP n° 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998. O Auto de Infração relativo à COFINS foi proveniente da falta de recolhimento dessa contribuição, nos meses de janeiro a dezembro de 1998, detectada na fiscalização do imposto de renda.. O enquadramento legal aponta infração aos artigos 1° e 2° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e artigo 24, § 2°, da Lei n°2.249, de 1995. O Auto de Infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido decorreu da falta de recolhimento dessa contribuição, nos quatro trimestres do ano-calendário de 1998, com enquadramento legal apontando infração aos artigos 2° e §§ da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; artigos 19 e 24 da Lei n°9.249, de 1995; e artigo 29, inciso I, da Lei n°9.430, de 1996. Ressalte-se que foram tributariamente responsabilizados os Srs. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, Jorge Luiz Christ Mussumesci, Rafael Lustig — esses considerados seus verdadeiros sócios —, Aloísio Sandes Santana, Marcus Aurélio Sandes Nunes, João Reis Batista dos Santos e a Sra. Ângela Isabel Gomes Aguiar. O Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar foi, também, apontado como responsável perante a Secretaria da Receita Federal. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 28 a 45, as Autuantes, resumidamente, relatam que: • constatamos a existência das seguintes irregularidades: I — utilização de interpostas pessoas, as quais tiveram suas assinaturas falsificadas; II — movimentação de conta bancária, no montante superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais), no ano de 1998, através de procuração inidõnea, incluindo procuração pública na qual consta assinatura inautêntica; III — realização de operações envolvendo câmbio de moedas estrangeiras, acordadas com terceiros, pessoas físicas e, sobretudo, jurídicas, cujos valores transitaram por contas bancárias em nome da fiscalizada; IV — existência de uma rede de relações constituída para operacionalizar a prática das irregularidades acima. Tais irregularidades ensejaram o não pagamento de tributos, caracterizando a sonegação fiscal; DADOS CADASTRAIS • o termo de inicio de ação fiscal datado de 27/03/2001 (fls. 127/128) foi encaminhado ao endereço constante no cadastro da Receita Federal, tendo sido devolvido pelos correios, em 02/04/2001, com a informação de que o contribuinte era desconhecido (fls. 129/131). Em 11/04/2001, encaminhamos o mesmo termo (fls. 132/133) para o endereço do sócio, e representante • 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4•4.1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • 1"' .---**-.rf1/2 SÉTIMA CÃMARA 41/24-tif> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 perante a SRF, Sr. Romildo Nascimento de Souza, que o teria recebido (fls. 134). Em 18/05/2001, não obtendo resposta, enviamos novo termo de intimação (fls. 135/136) ao Sr. Romildo Nascimento de Souza, reiterando o teor do termo anterior, tendo sido, então, devolvido pelos correios com a informação de que o sócio havia se mudado (fls. 137/139). Desta forma, consideramos que não havíamos localizado o Sr. Romildo Nascimento de Souza, e que não podíamos estar certas de que ele havia de fato recebido o primeiro termo entregue pelos correios no seu endereço cadastral; • em 26/07/2001, comparecemos ao endereço cadastral da empresa (rua Lauro de Freitas, 177, São Cristóvão, Salvador/BA) e não localizamos o número indicado. Lavramos, pois, nesta mesma data, termo de constatação (fls. 140) com a Sra. Itânia Femandes Araújo Fiúza, que reside no n° 148 da referida rua há, aproximadamente, 20 anos, e que nos informou ser a numeração da rua irregular, bem como desconhecer a empresa sob fiscalização. Vez que a Interessada, assim como seu responsável perante a SRF, não foram localizados em seus endereços cadastrais, elaboramos representação fiscal, protocolizada sob o número 10580.004787/2001-48, na qual sugerimos que a fiscalizada fosse declarada inapta (fls. 141/163). Através do Ato Declaratório Executivo n° 104, datado de 18/10/2001, publicado no Diário Oficial da União em 24/10 /2001 (fls. 159), a Interessada foi declarada inapta; • tendo-nos sido fornecido (fls. 164/ 73) pela Junta Comercial do Estado da Bahia, cópia dos atos arquivados em nome Interessada, observamos que não fora registrada qualquer alteração contratual e que o endereço do Sr. Romildo Nascimento de Souza ali constante (fl. 171) era Travessa Sambra, 5E, Salvador/BA, divergindo, portanto, daquele constante dos nossos cadastros. Observamos, também, que o endereço do outro sócio, Sr. Roque Reis de Jesus Gonçalves, constante do contrato social (fls. 171), também divergia daquele constante dos nossos cadastros (fls. 174); • em 18/10/2001, fomos procuradas pelo Sr. Romildo Nascimento de Souza, que nos informou, conforme termo de constatação de fis .175/176, o que se segue: jamais foi sócio da empresa sob fiscalização, não tendo assinado o contrato de constituição da empresa e nunca tendo movimentado valores em nome desta; não outorgou poderes a terceiro para assinar documentos ou movimentar valores em seu nome; desconhece o endereço cadastral da empresa, e nunca ouviu falar dela; desconhece o outro sócio da Interessada, Sr. Roque Reis de Jesus Gonçalves; tendo comparecido ao Banco do Brasil e ao Bradesco, observou que as assinaturas ali constantes não foram realizadas por ele; está desempregado no momento e já teve seus documentos de identificação extraviados; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 • solicitamos (fls. 180/181), de acordo com os incisos VIII e XI do artigo 3° do Decreto n° 3.724, de 2001, a emissão de Requisição de Informações Financeiras (RMF) para o Banco do Brasil e para o Banco Bradesco (fls. 182/183 e 200/201), os quais nos encaminharam (fls. 184 e 202) informações cadastrais (fls. 185/199 e 203/213) e extratos bancários da fiscalizada, em meio magnético; de posse desses extratos, eliminamos todas as transferências entre as contas, resgates e aplicações, financiamentos, estornos e valores irrelevantes; DADOS FORNECIDOS PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS • verificamos constar do cadastro do Banco do Brasil (fls. 185 e 188), como sede da empresa, ora a rua dos Algibebes, 06, Comércio, ora o n° 167 da rua Lauro de Freitas, em São Cristóvão; como grupo empresarial junto ao Banco do Brasil, consta "Ultra Intelig S/A"; como referência para outras informações cadastrais, a empresa "Travel Importação"; e como testemunhas, os senhores Marcos Aurélio Nunes e Marcelo Oliveira Landim (fls. 188). O contabilista responsável pelo balanço patrimonial apresentado ao Banco do Brasil é o Sr. José Everaldo Maia, CPF n° 176.934.115-34 (fls. 189). Intimado, em 11/02/2003 (fls 548/550), a comparecer á sede da DRF- Salvador, ele deixou de fazê-lo, bem como de se pronunciar; • essa instituição financeira, além de cópia do contrato social (fls. 191/193), que tem como data 02/12/1997, apresentou-nos cópias de procurações públicas (fls. 194/195), registradas no Tabelionato do 6° Oficio de Notas da Comarca de Salvador, datadas de 05/02/1998 e 15/01/1999, através das quais o Sr. Romildo Nascimento de Souza, supostamente, teria outorgado poderes ao Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, para movimentar contas bancárias em nome da fiscalizada. O Banco do Brasil nos forneceu, ainda, cópia dos cartões de autógrafos, em nome dos sócios cadastrais da empresa (fls. 196, 198 e199) e do procurador, Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar (fl. 197), sendo que o Sr. João Reis Batista dos Santos aparece como testemunha das assinaturas dos sócios cadastrais; • cabe ressaltar que as assinaturas constantes do cadastro dessa instituição financeira, em nome de Romildo Nascimento de Souza, sejam nos cartões de autógrafos (fls. 196 e 199), sejam na ficha cadastro de abertura de conta (fl. 188), divergem bastante daquelas constantes do próprio contrato social (fl. 193) e das procurações públicas (fls. 194/195) em poder do Banco do Brasil, causando-nos estranheza que se pudesse ter crido terem sido realizadas pela mesma pessoa. As assinaturas constantes do contrato social e das procurações públicas guardam semelhança com as constantes dos documentos de identidade que nos foram apresentados pelo Sr. Romildo Nascimento de Souza (fl. 179), bem como com aquelas efetuadas por ele em nossa presença — e que constam do termo de constatação datado de 7 1-3.7 . , MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES-• 1 SÉTIMA CÂMARA 1, t i 'CP Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 18/10/2001 (fl. 176) —, embora, como veremos a seguir, sejam inautênticas. Enfatizamos, pois, que as assinaturas constantes dos documentos bancários junto ao Banco do Brasil (ficha de cadastro, cartão de autógrafos e mesmo cheques), em nome de Romildo Nascimento de Souza divergem bastante dos próprios documentos apresentados a esta instituição financeira em nome deste senhor (procuração pública e contrato social); • no cartão de autógrafos em nome de Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, fornecido pelo Banco do Brasil, consta como endereço a av. ACM, 3.247/203, Ed. Empresarial Delta (fl. 197). Esse endereço é o mesmo endereço cadastral da empresa Travei Importação Exportação e Assessoria Ltda (fl. 653). Essa empresa, por sua vez, tem como sócios (fl. 654) os senhores Marcus Aurélio Sandes Nunes e João Reis Batista dos Santos — testemunhas da fiscalizada e de seus sócios cadastrais junto ao Banco do Brasil, conforme já mencionado —, já tendo participado do seu quadro societário, na sua constituição, o Sr. Aloisio Sandes Santana (fls. 656/663); • nos dados do procurador, Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, fornecidos pelo Banco Bradesco, observamos constar como seu endereço a rua Graviola, Ed. Marina di Napoli, apt. 601, Caminho das Árvores, Salvador/Ba. (fl. 206). O Banco Bradesco também nos forneceu cópia das procurações públicas e dos cartões de autógrafos em nome de Romildo Nascimento de Souza e Luiz Marcelo Pereira de Aguiar (fls. 209/213), sendo aplicáveis a estes documentos as mesmas observações que tecemos ao analisarmos os dados que nos foram apresentados pelo Banco do Brasil, inclusive quanto à divergência dos padrões gráficos das assinaturas em nome do sócio cadastral; • solicitamos, através de RMF (fls. 475/478 e 484) aos Bancos Itaú, Bradesco e do Brasil, cópia dos documentos de identificação apresentados pelas pessoas físicas, desde a abertura da conta corrente até o seu encerramento. Observa-se que as assinaturas dos sócios constantes da proposta de abertura de conta corrente apresentada ao Banco Itaú (fls. 487/490, 494, 499 e 506) também não correspondem àquelas constantes das fichas de identificação fornecidas pelo Instituto de Identificação Pedro Mello, em nome de Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves, sendo, mesmo, bastante divergentes. Verifica-se que o padrão gráfico das assinaturas em nome de Romildo Nascimento de Souza, constantes dos cartões de autógrafos junto às instituições financeiras, bem como da proposta de abertura de conta bancária, é bastante semelhante ao padrão gráfico do Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes; • consta do depósito de fl. 280, como favorecido, não a fiscalizada, mas sim o Sr. Marcos Sandes. Constam como testemunhas, junto ao Banco Itaú, Maria do Carmo Viegas Ramos, CPF n° 506.016.285-00, e Sheilla M. Azevedo 8 , MINISTÉRIO DA FAZENDA IL :44 - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ."* SÉTIMA CÂMARA •10/zr •Cir Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Aguiar, CPF n° 335.940.905-16 (fl. 489). O Sr João Reis Batista dos Santos, bem como a empresa Uno Turismo Ltda., constam, junto a essa instituição financeira, como referências do Sr. Romildo Nascimento de Souza (fl. 494). Junto ao Banco Itaú, como bens dos sócios, constam veículos de luxo e importados, como o modelo Cherokee, da marca Chrysler (fl. 494), o que é incompatível com a formação e endereço dos sócios cadastrais; EXISTÊNCIA DE PROCURAÇÃO PÚBLICA • comparecemos ao Tabelionato do 6° Oficio de Notas da Comarca de Salvador, tendo sido recebidas pela tabeliã titular, Sra. Ivanise Pinto Varela, a qual reconheceu, conforme termo de constatação de 22/02/2002 (fl. 214), como autênticos os instrumentos de procuração em nome da fiscalizada, cujas cópias nos haviam sido fornecidas pelas instituições financeiras. A tabeliã nos informou, também, que o Sr. Romildo Nascimento de Souza não possuía firma registrada nesse tabelionato; • comparecemos, em 01/03/2002, ao endereço constante do cadastro do Bradesco, em nome do Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar — rua Graviola, Ed. Marina di Napoli, apt. 601, Caminho das Árvores, Salvador/Ba. —, e fomos recebidas pelo Sr. Aloísio Sandes Santana — ex-sócio da "Travei" —, o qual nos informou, conforme termo de constatação (fl. 352), ser inquilino do imóvel há, aproximadamente, 7 anos, e que Luiz Marcelo Pereira de Aguiar não mais residia no local há cerca de 3 anos, sendo mesmo amigo da família e tendo ali residido para estudar, desconhecendo, porém, sua atual residência. Solicitamos (fls. 353/354), então, ao Instituto de Identificação Pedro Mello, cópia das fichas de identificação ali arquivadas, em nome de Romildo Nascimento de Souza, Roque Reis de Jesus Gonçalves, Luiz Marcelo Pereira de Aguiar e Aloísio Sandes Santana. De posse desses documentos (fls. 355/359), observamos que, como endereço do Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, constava, também, o da rua Graviola, no Caminho das Árvores; • fomos procuradas — provavelmente em face de informação que lhe fora dada pelo Sr. Aloisio Sandes Santana — pelo Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, no dia 05/03/2002, que nos informou, conforme termo de constatação (fls. 360/361), que: em 1998, foi procurado pelos Srs. Jorge Pinheiro e Rafael, originários de São Paulo, que lhe propuseram, tendo ele aceito, trabalhar como procurador, para movimentar conta bancária e receber, para tanto, a quantia de R$ 500,00; assinou cartões de autógrafos, junto ao Banco do Brasil e ao Banco Bradesco, e em torno de 10 talões de cheques, em nome da empresa "NJS Ltda", entregando-os àqueles senhores; desconhece tanto o endereço da empresa quanto os endereços residenciais e comerciais dos dois senhores, só tendo estado em companhia destes por cerca de 4 vezes; o contato com eles era feito através de ligações de telefones públicos para 9 el"fr • „ MINISTÉRIO DA FAZENDA eztle.:k4 - --' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES it SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 seus aparelhos celulares, não mais recordando seus números; assinou procuração e a entregou aos mencionados senhores; não forneceu aos bancos ou aos citados senhores qualquer endereço seu e jamais lhes forneceu qualquer documento comprobatório de residência; em 1997, morava na rua Graviola, 327, Ed. Marina di Napoli, apt. 601, Caminho das Árvores, local onde reside sua irmã, Ângela Isabel Gomes Aguiar, tendo ali residido por apenas seis meses; sua irmã desconhece as suas atividades como procurador da fiscalizada; o Sr. Aloisio Sandes Santana é namorado de sua irmã; desconhece qualquer pessoa com o nome de Romildo; RELAÇÕES COM A UNO CÂMBIO E TURISMO LTDA. • em 18/04/2002, tendo intimado o Sr. João Reis Batista dos Santos, na qualidade de responsável perante a SRF por outra empresa então sob fiscalização — a "Travei" —, a qual aparece como referência para informações cadastrais da fiscalizada junto ao Banco do Brasil, fomos informadas por ele (fls. 364/365), com relação à fiscalizada, que: fora convidado, em 1996, pelo Sr. Aloísio Sandes Santana a trabalhar na empresa Uno Cambio e Turismo Ltda, a qual funcionava na Av. ACM; 3.247, Ed. Empresarial Delta, 1° andar; na "Uno", onde também trabalhavam o Sr. Aloisio Sandes Santana, o Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes e a Sra. Vilsara Sandes Santana Araújo, os dois últimos sobrinhos do primeiro; a "Uno", necessitando utilizar uma conta bancária, solicitou a abertura de uma nova empresa que, em seu nome, movimentasse valores; o Sr. Aloisio Sandes Santana ofereceu — em reunião em que estavam presentes, além dele, os sócios da "Uno", Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig — a empresa "Travei", para que, em seu nome, fossem movimentados valores da "Uno"; o Sr. Aloisio Sandes Santana convidou o Sr. João Reis Batista dos Santos, que aceitou, a compor o quadro societário da "Travei", vez que os sócios desta apresentavam problemas de cadastro; foram então abertas contas bancárias em nome da "Travel", e os talões de cheques lhes eram apresentados pela Sra Vilsara Sandes Santana Araújo — antiga sócia da 'Travel", de quem ele, supostamente, teria adquirido a participação na empresa — e, assinados em branco, eram entregues a ela ou ao Sr. Aloisio Sandes Santana; desconhece as operações que deram origem à movimentação financeira, bem como os destinatários dos cheques, sabendo apenas que eram operações feitas em dinheiro ou cheques, não sendo utilizados cartões de crédito; em virtude do montante movimentado nas contas, em 1998, o Sr. Aloisio Sandes Santana propôs que se encerrassem tais contas bancárias, tendo, também, sido dada baixa na inscrição da empresa junto à SRF; os sócios da "Uno" moravam no Rio de Janeiro, vindo, ocasionalmente, a Salvador, sendo o Sr. Aloisio Sandes Santana o responsável pelo estabelecimento de Salvador e pelos contatos com os sócios da "Uno"; to MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES áb SÉTIMA CÂMARA .vp ;SIN. Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 • verifica-se (fls. 648 e 650) que a "Uno", com inscrição no CNPJ sob o número 35.819.382/0001-64, e endereço no Rio de Janeiro, teve, em 1996, a sua razão social alterada para Winter Turismo e Câmbio Ltda e, em 1999, foi cancelada sua inscrição no CNP J. A filial 0003 (fl. 647) dessa empresa, "Winter", com endereço na Av. ACM, 3.247, sala 103, Salvador/Ba, ou seja, também no Ed. Empresarial Delta, foi constituída em 1995 e cancelada em 1997. Havia, também, uma filial em São Paulo (0002), constituída em 1994 e cancelada em 1999 (fl. 646). Em 1996, foi alterado o CPF do responsável pela 1/Vinter" perante a SRF, o qual deixou de ser o Sr. Sergio Martins Vilhena e passou a ser o Sr. Jorge Luiz Christ Mussumesci (fls. 651/652); • nessa mesma data, 18/04/2002, lavramos termo de constatação e intimação fiscal (fl. 366) com o Sr. João Reis Batista dos Santos, para registrar as informações fornecidas por ele de que desconhecia Luiz Marcelo Pereira de Aguiar e a empresa "NJS", bem como os senhores Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves, e intimá-lo a esclarecer as razões pelas quais abonou junto ao Banco do Brasil as assinaturas dos dois últimos, os quais lhes são desconhecidos. Em resposta (fl. 368), datada de 24/04/2002, o Sr. João Reis Batista dos Santos ratificou desconhecer Romildo Nascimento e Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves e atribuiu o abono de suas assinaturas a solicitação por parte do gerente do banco ou de qualquer funcionário da instituição financeira ou mesmo de algum conhecido seu. Assim, foi solicitado (fls. 220/264 e 303/333) aos bancos, através de nova RMF, os documentos apresentados quando da abertura da conta corrente e documentos que deram origem a lançamentos a crédito e a débito, conforme demonstrativo em anexo elaborado por nós, no qual levamos em consideração as transferências entre contas, resgates, aplicações, financiamentos, estornos e valores irrelevantes; • INFORMAÇÕES DE TERCEIROS QUE REALIZARAM OPERAÇÕES BANCÁRIAS COM A FISCALIZADA — CÂMBIO DE MOEDA ESTRANGEIRA • de posse dos mais de 4.000 documentos comprobatórios dos débitos e créditos fornecidos pelas instituições financeiras, elaboramos demonstrativo, no qual consta o beneficiário do débito ou responsável pelo crédito na conta da fiscalizada. Realizamos pesquisas nos sistemas cadastrais (CPF e CNPJ) da SRF e identificamos pessoas físicas e jurídicas responsáveis pelos créditos ou beneficiárias dos débitos nas contas bancárias da fiscalizada. Intimamos, então (anexos I a V, onde os termos de intimação fiscal, seus avisos de recebimento e respostas dos contribuintes estão organizados por ordem alfabética), tais contribuintes a identificar as operações que deram causa ao pagamento/recebimento dos valores em questão (documentos bancários constam dos anexos VI a IX, ordenados por ordem alfabética), 11 • • ' MINISTÉRIO DA FAZENDA 4.14:•:0 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CAMARA p. • Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 identificar os responsáveis pela empresa com os quais foram mantidos contatos e identificar o local onde foram realizadas as operações; • parte dos contribuintes deixou de responder a nossos questionamentos. Quanto aos que nos responderam, suas respostas convergem para a realização de operações de câmbio de moeda estrangeira, acordada com terceiros, tendo sido utilizada, para tanto, a conta bancária da fiscalizada, como veremos a seguir (demonstrativo de fls. 113/122). Diversos contribuintes, inclusive pessoas jurídicas, responderam não se recordar da operação e não possuir comprovantes de qualquer transação realizada com a fiscalizada. Outros afirmaram tratar-se de pagamento a credores, por empréstimos tomados, desconhecendo a fiscalizada, tendo efetuado o depósito por solicitação e indicação dos credores. Algumas pessoas físicas, como os senhores Antonio Carlos Francisco de Oliveira e Jailton Balbino da Silva, sacaram diversos cheques em valores elevados, não tendo sido possível localizá-los, vez que as correspondências retornaram ou eles deixaram de atender nossa intimação. Tais beneficiários não apresentam em seus dados constantes do cadastro da SRF compatibilidade com o montante recebido, e suas assinaturas demonstram grafismo simplificado, fazendo-nos crer tratar-se de interpostas pessoas, que foram utilizadas tão-somente para retirada dos valores das instituições financeiras; • o Sr. Gileno Gomes Passos, tendo sido o destinatário de cheques nominais em total superior a R$4.000.000,00, durante o ano de 1998, compareceu (fls. 664/668) à sede DRF-Salvador, em 28/10/2002, e nos informou (fls. 669/671) que: trabalhando como moto-boy autônomo junto a um delivery de comida chinesa, foi convidado por dois senhores, chamados Rafael Lustig e Jorge, para trabalhar com eles, sacando dinheiro junto ao Banco do Brasil; aceitou o trabalho, passando a ser contatado por telefone celular e comparecendo à agência do Banco do Brasil, no Caminho das Árvores, em Salvador, quando lhe era entregue, pelos citados senhores, o cheque a ser sacado e a carta de solicitação da disponibilização dos valores pela instituição financeira, os quais eram apresentados ao caixa; após realizar o saque, entregava o dinheiro aos Srs. Rafael e Jorge, recebia a quantia de R$100,00 pelo serviço prestado, observando que os dois senhores dirigiam-se à sala reservada da agência bancária; desconhece os endereços deles, sabendo apenas ser um de São Paulo e outro do Rio de Janeiro; • observando que o Sr. João Reis Batista dos Santos recebeu R$80.000,00 da fiscalizada, através de cheque nominal, o intimamos (fls. 673/675) a esclarecer o fato, tendo ele respondido (fl. 676) não ter maiores informações sobre o referido cheque, que foi depositado em sua conta bancária, pois, como já dissera antes, essa conta era movimentada pelos senhores Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig; 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SÉTIMA CÂMARA '41 •%;‘.41.):1> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 • a empresa Adeltur Agência de Viagens Ltda nos informou ter sido procurada pelo Sr. Jorge Luiz Christ Mussumesci, sócio gerente da "Winter", para comprar dólares de turistas que visitaram Porto Seguro, onde está localizada a agência de viagens, e que acreditava que os depósitos em sua conta bancária fossem efetuados diretamente pela "Winter", só tomando conhecimento de que a fiscalizada fora a responsável por tais créditos em sua conta corrente com o recebimento do nosso termo de intimação fiscal; • todas as respostas obtidas estão consolidadas no demonstrativo de fls. 113 a 122. Além das já citadas acima, algumas delas serão aqui relatadas (vide itens 60 a 98 do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 36 a 39). Observa-se a convergência dos que prestaram informações ao Fisco, no sentido de que as operações realizadas através da conta bancária da fiscalizada reportarem-se a operações de câmbio com moeda estrangeira. Além disso, as respostas afluem para a empresa "Uno", cuja razão social foi alterada para "Winter"; • através do Oficio Decif/Gabin 2002/236 (fls. 677/683), datado de 28/04/2002, o Banco Central do Brasil comunicou à SRF que a empresa Votoserv Empreendimentos e Participações Ltda realizou operações de venda de câmbio, classificadas como Investimento Direto no Brasil — Participações em Empresas no País ou em subsidiárias/filiais no País, relativas à integralização de seu capital subscrito por sua sócia Vindat Trade Sociedade Anônima (Uruguai); todavia, os recursos em moeda nacional provenientes de tais contratos foram destinados a inúmeras contas correntes, entre as quais a conta da "NJS". Consta, ainda, do referido Oficio: "cabe registrar que a "Votoserv" fomentou transferências internacionais irregulares em moeda nacional, a título de disponibilidades no exterior ou investimentos em títulos externos (...)". Verifica-se, pois, mais uma vez, o aparecimento de indicativos a operações de câmbio relacionadas com movimentação financeira em conta da fiscalizada; EXISTÊNCIA DE UMA TEIA DE RELAÇÕES • na declaração de rendimentos do Sr. Aloísio Sandes Santana, relativa ao exercício de 1999 (fls. 604/608), constam como bens quotas da empresa Unitour Turismo e Cambio Ltda, US$22.100,00 (vinte e dois mil e cem dólares norte americanos) — como saldo da aquisição de US$61.000,00 junto à Cash Tour — e dinheiro em espécie, no valor de R$175.000,00, sendo bastante implausível a guarda desta quantia em moeda nacional fora de instituições financeiras, sendo que, no ano seguinte, este valor aumenta para R$215.000,00. Em 1999, o Sr. Aloísio Sandes Santana foi excluído do quadro societário da "Unitour", passando esta a ter como sócios Vilsara Sandes Santana Araújo (fls. 642/644) — que também já fez parte do quadro societário da "Travel" (fls. 659/661) e foi citada, pelo Sr. João Reis Batista dos Santos, como a pessoa para quem eram entregues os cheques 13 Jr. MINISTÉRIO DA FAZENDA”?. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Y& k 4!4 CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 assinados em branco desta empresa (fls. 364/ 65) — e Marcos Antonio Brito de Araújo; • tais elementos demonstram a existência de operações envolvendo câmbio de moeda estrangeira, o que vem ao encontro das informações prestadas por pessoas que realizaram operações vinculadas a lançamentos nas contas bancárias da Interessada. Da análise dos documentos connprobatórios dos lançamentos fornecidos pelas instituições financeiras, observamos, entre outros, que o Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar fora beneficiado com valores que giram em tomo de R$270.000,00 (fls. 270/279), e não com R$500,00, como nos havia afirmado (fls. 360/361). Intimamos (fls. 396/397), em 09/07/2002, o Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar a comparecer à sede da DRF-Salvador, para prestar esclarecimentos, o que ele veio a fazer em 31/07/2002, ratificando todas as informações que nos foram prestadas anteriormente, constantes do termo de constatação lavrado em 05/03/2002, inclusive quanto a ter recebido, por sua participação nas atividades da empresa sob fiscalização, tão-somente a quantia de R$500,00, e afirmou ter assinado apenas cheques em nome da "NJS" (fl. 398); • verifica-se, também, que a Sra. Angela Isabel Gomes Aguiar, irmã de Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, ao contrário do que este afirmara, com relação a sua ignorância de suas atividades como procurador da fiscalizada, foi beneficiária de créditos oriundos da Interessada (fls. 283/290). Diante da existência de correspondências, em papel timbrado, em nome da fiscalizada, dirigida à instituição financeira (fls. 340/341), assinadas pelo Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, através das quais foi solicitada a movimentação de valores, fica constatado que ele faltou com a verdade ao prestar esclarecimentos ao Fisco, pois este fato contradiz suas declarações quanto à forma de operar com a conta bancária e mesmo quanto a assinar tão- somente cheques em nome da Interessada; • podemos observar, nas declarações de rendimentos de Aloisio Sandes Santana (fls. 590/612), identificado como namorado de sua irmã pelo Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, que ele possuía sala comercial no mesmo endereço que o informado pelo procurador ao Banco do Brasil — Ed. Empresarial Delta, na Av. ACM —, sendo este também o endereço cadastral da "Travel" e da "Winter" (nova razão social da "Uno"), em Salvador. Ressaltamos que o Sr. Aloísio Sandes Santana, como já mencionado, reside, juntamente com a Sra. Angela Isabel Gomes Aguiar, no imóvel de propriedade desta, conforme declaração de rendimentos apresentada por esta (fls. 557/567), cujo endereço foi fornecido pelo procurador, Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, irmão desta senhora, ao Banco Bradesco, visando ao recebimento de correspondências. Pelo acima relatado, verificamos haver coincidência de endereços (comerciais e residenciais) entre o Sr. Luiz 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA LM• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' té;- - í SÉTIMA CÂMARA•,:fr -pra Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Marcelo Pereira de Aguiar e o Sr. Aloísio Sandes Santana, denotando a existência de interesses em comum; • verifica-se, também, conforme declaração de rendimentos apresentada por Aloísio Sandes Santana (fls. 606), que este teria vendido, no ano de 1998, a Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, sete linhas telefônicas, o que, além de apontar para relações comerciais entre os dois, indica que o Sr. Luiz Marcelo não teria razões para utilizar telefones públicos ao telefonar para os dois senhores, que, segundo ele, o teriam convidado a participar da movimentação financeira da Interessada. Na mesma data, 31/07/2002, intimamos (fls. 399/472) o Sr. Luiz Marcelo a pronunciar-se acerca do teor do termo de constatação lavrado com o Sr. Romildo Nascimento de Souza, bem como a justificar valores lançados a crédito em contas bancárias da Interessada, e a identificar os beneficiários dos lançamentos a débito em tais contas; • em 04/06/2002, ele respondeu (fls. 473/474) não ter qualquer conhecimento de quem seja o Sr. Romildo Nascimento de Souza, desconhecer a destinação dos cheques e não saber identificar as operações relativas à movimentação financeira nas contas bancárias. Acrescenta, ainda, que localizou umas anotações suas, e que, dentre as mesmas, estava um papel contendo o nome e CPF dos Srs. Jorge P. Christ Mussumesci, que se apresentava como Jorge Pinheiro, CPF n° 838.526.727-00, e Rafael Lustig, CPF 093.360.038-51, porém, não mais teve qualquer contato com eles. Observa-se que estes senhores são os sócios da "Winter", nova razão social da "Uno"; • enviamos termo de intimação (fls. 542/547) ao Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, sócio da "Travei", citado como favorecido em um depósito bancário realizado em conta da fiscalizada, tanto para o seu endereço constante do cadastro da SRF, quanto para o constante da procuração pública, cuja cópia nos foi fornecida pelas instituições financeiras, tendo ambas retornado, uma delas com a informação de que o endereço era desconhecido e outra que o endereço era insuficiente. Enviamos, também, correspondências (fls. 371/394) para os endereços cadastrais dos sócios da "Winter", que retomaram com a informação de que eles haviam se mudado. Cabe ressaltar que algumas dessas correspondências foram recebidas e, posteriormente, devolvidas com a informação acerca da mudança do destinatário. Tendo sido informadas pelo Sr. João Reis Batista dos Santos (fl. 676) de novos endereços dos sócios da "Winter", enviamos correspondências para tais endereços (fls. 530/541). A intimação enviada para o Sr. Rafael Lustig foi devolvida com a informação de que ele era desconhecido. Já o termo de intimação fiscal enviado para o Sr. Jorge Luiz Christ Mussumesci, foi rer 15 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SÉTIMA CÂMARAz».-7-z4zt '4;178-t> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 recebido em 20/12/2002 pela Sra. Caroline G. Mussumesci, porém ele não se pronunciou; RELAÇÕES COM A "TRAVEL" • Existem diversos elementos que aproximam a Interessada da empresa "Travel", dentre os quais citamos, além dos já relatados acima: o contador das duas empresas é o Sr. José Everaldo Maia, CPF 176.934.115-34 (fls. 189 e 645); os beneficiários dos débitos e responsáveis pelos créditos nas contas bancárias coincidem por diversas vezes (conforme demonstrativo de fls. 123/126); as agências bancárias onde as duas empresas mantiveram contas são coincidentes, sendo que sócios da 'Travei" serviram de testemunhas para as assinaturas dos sócios da fiscalizada, e mesmo o nome da "Travei" foi citado como referência; a "Travel" encerrou suas atividades, sugerindo que as contas da "NJS" passaram a ser utilizadas nas atividades que, até então, eram da primeira; há coincidência de endereços para correspondência, seja de sócios, procuradores, ou mesmo das empresas; os nomes das pessoas envolvidas efou citadas apresentam muita coincidência, formando mesmo uma rede de relações; constam em alguns documentos fornecidos pelas instituições financeiras depósitos em conta da fiscalizada, tendo como beneficiário a "Travei", cujo nome foi riscado e preenchido o da "NJS", citando-se, como exemplo, o depósito realizado em 04/03/1998 (fl. 281); existem, também, documentos relativos a depósitos em conta da fiscalizada, onde fora preenchido como beneficiário o Sr. Marcus Sandes (fl. 280), que faz parte do quadro societário da "Travei"; no verso de alguns cheques emitidos pela fiscalizada há a observação: "conf. Marcus"ou "Confirmado com Marcus tesoureiro" (fls. 342/351); CARACTERIZADA FALSIDADE IDEOLÓGICA • fomos procuradas pelo Sr. Romildo Nascimento de Souza, em 19/03/2002, que nos informou (fls. 509/510) ter descoberto, ao solicitar certidão de ações cíveis e criminais, estar sendo utilizado como "laranja" em mais duas empresas: AG Materiais de Construção Ltda, CNPJ n° 16.374.365/0001-16 e Bellofrios Comercial de Alimentos Ltda, CNPJ n° 42.081.778/0001-12, tendo como sócio em todas elas o Sr. Roque Reis de Jesus Gonçalves. Afirmou também ter prestado queixa junto à Delegacia de Crimes Econômicos e contra a Administração Pública — DECECAP, a qual solicitou ao Instituto de Criminalistica Afrânio Peixoto a realização de exames para se detectar a autenticidade gráfica de documentos que teriam sido por ele assinados. Foi- nos fornecida cópia (fls. 511/515) do laudo de exame pericial ICAP n° 2002.006933 01, realizado pelo referido Instituto, no qual fica constatado que as assinaturas em nome de Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves, constantes do contrato social da fiscalizada, não foram realizadas por seus respectivos punhos, ou seja, foram falsificadas; 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA ,t A:44 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 • em 16/08/2002, intimamos (fls. 516/522) Roque Reis de Jesus Gonçalves, que compareceu à sede da DRF-Salvador, em 27/08/2002, e nos afirmou (fl. 523): não ser sócio da empresa sob fiscalização, não reconhecendo como suas as assinaturas constantes do contrato social da empresa e do cartão de autógrafo em seu nome fornecido pelo Banco do Brasil; desconhecer o endereço cadastral da Interessada, bem como seus verdadeiros sócios ou suas atividades; só ter ouvido falar da fiscalizada, bem como de Romildo Nascimento de Souza, ao ser intimado a comparecer à DECECAP, em virtude de denúncia feita por este; desconhecer os senhores João Reis Batista dos Santos e Luiz Marcelo Pereira de Aguiar; • solicitamos (fls. 525/529) ao Instituto de Criminalística Afrânio Peixoto que fosse realizado exame grafotécnico, para se detectar a autenticidade das assinaturas em nome dos sócios da Interessada, constantes do contrato social, dos cartões de autógrafos e das procurações públicas através das quais foram outorgados poderes a Luiz Marcelo Pereira de Aguiar. O laudo ICAP n° 2002.01908 01 (fls. 684/721) aponta para a inautenticidade das assinaturas em nome de Romildo Nascimento dos Santos e Roque Reis de Jesus Gonçalves, constantes do contrato social, das procurações públicas e dos cartões de autógrafos, o que indica a intenção clara da inserção de elementos não verdadeiros em tais documentos; CARACTERIZAÇÃO DE DOLO • diante do exposto, está demonstrada a existência de acordo entre diversas pessoas físicas e jurídicas visando à utilização de contas bancárias em nome de terceiros — o que, por si só, já caracteriza o dolo. Diversos outros aspectos dos procedimentos adotados pelos responsáveis pela movimentação financeira através das contas bancárias da fiscalizada denotam a intenção de iludir e de evitar suas reais responsabilidades. Para atingir seus objetivos — esquivar-se a suas responsabilidades, ou realizar operações não permitidas — os responsáveis praticaram diversas ações irregulares, como falsificar assinaturas, realizar operações em nome de interpostas pessoas e prestar informações falsas a funcionários públicos no exercício de suas funções; TRIBUTAÇÃO • o contribuinte não apresentou DCTF referente ao ano de 1998, tendo apresentado declaração de inatividade para o período. Tendo em vista que ele não apresentou qualquer livro ou documento, não nos resta outra alternativa a não ser arbitrarmos o lucro pela não apresentação de livros e documentos (artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99). Em conformidade com o artigo 42 da Lei 9.430/96, valores creditados em conta bancária cuja origem não foi 17 •. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SÉTIMA CÂMARA St. 4`P414.1> a's Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 justificada são considerados omissão de receitas. Foi aplicado o percentual de 38,4 To (serviços em geral), conforme previsto no artigo 532 do RIR/99 e encontrado o lucro arbitrado, base de cálculo para o Imposto de Renda; • da análise dos fatos acima relatados, observa-se ter havido dolo nos procedimentos adotados pelo contribuinte, ficando ele sujeito à aplicação das penalidades cabíveis. Aplicamos a multa prevista no artigo 957, inciso II, do RIR199, vez que fica, caracterizada a fraude, com a utilização de artifícios, tais como falsificação de assinaturas, prestação de informações falsas às autoridades fiscais, produção de documentos inidôneos, existência de interpostas pessoas ("laranjas"), reunião de diversas pessoas e empresas com finalidades escusas e apresentação de declaração falsa de inatividade, com o objetivo de burlar o fisco e evitar suas responsabilidades perante terceiros; RESPONSABILIDADES • procederemos à alteração cadastral, de oficio, no quadro societário da empresa, passando os Srs. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, CPF n° 613.652.385-04, Jorge Luiz Christ Mussumesci, CPF n° 834.526.727-00, e Rafael Lustig, CPF n° 093.690.038-51, a compor o referido quadro. Entendemos que os Srs. Aloísio Sandes Santana, CPF n° 003.293.125-53, Marcus Aurélio Sandes Nunes, CPF n° 504.919.205-63, João Reis Batista dos Santos, CPF n° 028.941.815-15, e Ângela Isabel Gomes Aguiar, CPF n° 263..700.935-72, colaboraram para a realização dos atos acima relatados, tendo conhecimento de sua irregularidade, sendo, pois, responsáveis pelos mesmos, juntamente com os senhores citados em primeiro lugar. Como o Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar é, de fato, o responsável pela movimentação financeira em nome da Interessada, tendo, inclusive, obtido proveito financeiro com tais operações, deixando de colaborar para melhor esclarecimento dos fatos, passa ele, de oficio, a constar como responsável pela empresa perante a SRF. Às fls. 734 a 758, Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, Aloisio Sandes Santana, Marcus Aurelio Sandes Nunes, João Reis Batista dos Santos e Ângela Isabel Gomes Aguiar —representados por procurador legalmente constituído — inconformados com a responsabilidade que a autoridade lançadora lhes atribui, em relação à empresa NJS PARTCIPAÇÕES LTDA, apresentam impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: PRELIMINAR 11.01 embora as pessoas acima mencionadas não aceitem a responsabilidade que a fiscalização lhes atribuiu, pelas razões de direito abaixo mencionadas, ainda assim, ad argumentando tantum, procurarão contestar o 18 Nie „ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA grtti> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 lançamento, com vistas a resguardar os seus direitos, na eventualidade de lhes ser negado o direito de serem excluídas do processo; OS FATOS 11.02 a autuação busca o pagamento do imposto de renda e contribuições sob a alegação de omissão de rendimento no exercício de 1998, evidenciada pelos depósitos bancários efetuados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras. Alega a autoridade lançadora que a origem dos recursos utilizados nessas operações não foram comprovados mediante documentação hábil e idônea. Dito lançamento deve ser declarado improcedente pelas razões a seguir; DO DIREITO SOBRE A OMISSÃO DE RENDIMENTOS 11.03 a pretensão do fisco procura estribo no art. 42 da Lei n° 9.430/96 (transcreve). O dispositivo transcrito pretendeu criar uma presunção legal. Com efeito, a presunção, como lembra Alfredo Augusto Becker (Teoria Geral do Direito Tributário, p.508), "é o resultado do processo lógico mediante o qual o fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência e provável”. Em resumo, entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concretização; 11.04 no que respeita às pessoas físicas, é evidente essa inadequação na presunção legal do citado art. 42. Várias razões militam contra a possibilidade de materialização dessa correlação lógica: a) a experiência demonstra que não há uma correlação natural entre depósitos e rendimentos omitidos, pois o fato desconhecido pode ser de outra natureza, por exemplo: uma doação; um empréstimo; operações de factoring; movimentação conjunta de uma associação de pequenos comerciantes; compra e venda de dólar; agenciador de aquisição de gado; etc. Nestes casos, a movimentação bancária não implica em omissão de renda, pois esta, segundo preceitua o art. 43, inciso I, do CTN, é "o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos". Ora, a tributação do depósito implica na tributação do capital e não do produto deste; b) a permissão legal deferida pela lei complementar (art. 143, CTN) ao legislador ordinário é tributação de fatos geradores que resultem em aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda O depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial; c) nesse sentido, tem decidido a jurisprudência administrativa e judicial; 11.05 bastante elucidativo é o artigo "Os Depósitos Bancários de Pessoas Físicas como base para a Presunção Legal de Omissão de Rendimentos" 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA t.‘Z.14 twn ti. • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • SÉTIMA CÂMARA ""i$14 4 :;W4a Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 (transcreve trecho), de autoria do ilustre Prof. Antônio Airton Ferreira, ex- Delegado de Julgamento da Receita Federal. Esse entendimento foi confirmado pela Câmara Superior de Recursos, como exemplifica o Acórdão CSRF/01-0, cuja ementa transcreve. Na área Judicial, consoante a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos — TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários. Conclui-se, portanto, que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatou-se não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Em síntese, a experiência desaconselha a adoção dessa indigitada presunção; 11.06 além desse vício de origem, essa presunção encontra sérios obstáculos técnicos. Para Aires Femandino e Cléber Giardino, a caracterização do sinal de riqueza, para fins de descoberta do sinal exterior de riqueza, depende de vários requisitos, que os depósitos bancários, por si sós, não satisfazem, a saber: perfeita identificação do sinal; fixação da renda tributável relacionada com o sinal; demonstração da natureza tributável do rendimento; demonstração de que tal renda já não foi tributada. O Ministro Carlos Mário da Silva Velloso, da Suprema Corte, assim também entende, quando afirma que os depósitos representam o marco inicial de investigação, pois subjacentes a tais valores pode estar, por exemplo, presente um empréstimo, uma doação, uma atividade comercial indevidamente exercida em nome da pessoa física, a movimentação financeira de atividades proibidas (doleiros, agiotas), etc. Ora, se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da aludida presunção legal, vale dizer, esses depósitos não podem sustentar uma presunção legal, posto que, além da ausência de correlação natural exigida na instituição desse artifício legal, tal providência implicaria na transferência integral do encargo probatório para o contribuinte. Para uma pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pelo Fisco, essa prova não poderá ser produzida; 11.07 no tocante à pessoa física, a presunção legal estribada nos depósitos bancários encontra os seguintes óbices: não está calcada na experiência anterior; não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos; o encargo probatório é totalmente transferido para contribuinte, com manifesta impossibilidade dessa prova ser produzida. Assim, não deve o lançamento prosperar, em respeito ao fato de depósito e renda serem inconfundíveis. Não é juridicamente possível fundar, exclusivamente sobre depósitos, uma presunção de omissão de rendimentos pela inexistência de correlação natural entre renda (fluxo) e depósito bancário (estoque). Esses depósitos poderiam ser apenas indício de omissão. A autoridade lançadora deveria ter aprofundado a investigação da verdade com vistas a determinar a renda nz.tr" 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• yr SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 resultante dessas operações, em conformidade com os artigos 43 e 44 do CTN (transcreve); 11.08 assim, só permite a lei complementar (CTN, art. 44) que se tribute o montante real, presumido ou arbitrado, de renda ou de acréscimos patrimoniais. Ora, para atender à letra, à finalidade e ao sentido da lei maior, a autoridade lançadora deveria ter investigado qual o saldo bancário (em todos os bancos) existente ao final do ano, quais os bens imóveis adquiridos pelos autuada, quais os veículos possuídos pela mesma, etc, a fim de aquilatar, com propriedade, o montante da renda e dos acréscimos patrimoniais que reverteram em beneficio da mesma. Somente após essa investigação é que se poderia chegar ao montante tributável. Como o procedimento da fiscalização está em gritante descompasso com a lei complementar que permite, apenas, a tributação de renda ou de acréscimo patrimonial não justificado o lançamento deve ser declarado improcedente; QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO E A IRRETROATIVIDADE DA LEI. 11.09 a ilegalidade está presente, também, quando a autoridade lançadora quebra o sigilo bancário do contribuinte sem a sua permissão, e contraria o disposto no art. 11, § 3 0 , in tine, da Lei n° 9.311/96 (transcreve), que instituiu a CPMF. Dita proibição vigorou desde o ano de 1996 até a publicação da Lei n° 10.174/2001, em janeiro de 2001, cujo art. 11, § 3° (transcreve), permitiu fossem essas informações utilizadas para instauração de procedimento fiscal. Então, a proibição, que vigorou até o advento dessa lei, resultava para o contribuinte numa garantia legal de que a SRF não se utilizaria desses dados para o lançamento de outros tributos. Essa garantia redunda num direito do contribuinte, oponível à SRF, de não ser tributado no período em que vigorou dita proibição. Estamos, portanto, tratando de direitos adquiridos, cuja revogação não pode ser retroativa por força dos princípios constitucionais da irretroatividade e da não surpresa; 11.10 no que respeita à retroatividade do art. 60 da LC 105/2001, podemos argumentar que ninguém de sã consciência pode duvidar que todos os cidadãos brasileiros tinham, até a sua publicação, o direito adquirido à inviolabilidade do seu sigilo bancário. Esse direito foi-lhes reconhecido em inumeráveis decisões dos tribunais superiores. A lei nova não pode, agora, retroagir para alcançar situações protegidas por direito que já se incorporou ao patrimônio da impugnante e que dele já fazem parte. Pois bem, se estamos discutindo direito adquirido, estamos na esfera do direito substantivo e não do direito adjetivo. A revogação da proibição de utilização das informações obtidas através da CPMF, veiculada pela Lei n° 10.174/2001, art.11, § 3°, e a possibilidade de quebra do sigilo bancário pelas autoridades e agentes do fisco, concedida pelo art. 6° da LC 105/2001, são normas de direito substantivo, criam situações jurídicas novas que atingem direitos subjetivos. A norma de regência, pois, é o caput, e não o § 1° do art. 144 do CTN. A regra do parágrafo é aplicável somente às alterações de procedimento administrativo, quando não estão em jogo direitos adquiridos. O lançamento contra 21 %ri) MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "i";. SÉTIMA CÂMARAypj.•;,‘,4, re-ÉPat4fr Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 o qual se rebelam os reclamantes está em discordância com a jurisprudência assente nos Tribunais Superiores (transcreve acórdãos); DESRESPEITO AO PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA 11.11 também, não se respeitou o princípio constitucional da capacidade contributiva insculpido no art. 145, § 1°, da Carta Magna (transcreve). Ora, a administração tributária usou, indevidamente, os seus poderes para quebrar o sigilo bancário da "NJS". Mas, quando devia diligenciar para aquilatar a capacidade contributiva da mesma não o fez. Como se pode inferir pela declaração de bens dos impugnantes e pelos imóveis em que residem (a maioria de aluguel), a sua capacidade contributiva é tão pequena que soa como disparate o lançamento fiscal no montante realizado. Para que a Constituição seja cumprida à risca, é dever do fisco proceder com a mesma diligência com que se dedicou ao exame dos extratos bancários do contribuinte e investigar minuciosamente seu patrimônio, seus rendimentos e suas atividades econômicas, para que o lançamento resultante seja condizente com esse principio constitucional; DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA a) A Lei a Doutrina e a Jurisprudência: 11.12 mesmo que admitamos a validade do lançamento, ainda assim, a exigibilidade do crédito seria somente contra a pessoa jurídica titular dos depósitos bancários e não contra terceiros que não são sócios, administradores, mandatários, etc, da empresa responsável pelos depósitos. Relembrando o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, o responsável pelo crédito tributário é sem dúvida, no presente caso, a sociedade "NJS". A responsabilidade tributária é sempre do contribuinte, salvo naqueles casos em que a Lei atribua a terceiros, necessariamente vinculados ao fato gerador da obrigação tributária, como reza o art. 128 do CTN. Desse dispositivo, resulta evidente: a) que só a Lei pode atribuir a terceira pessoa a responsabilidade pelo crédito tributário; b) que essa terceira pessoa deve estar diretamente vinculada com o fato gerador da respectiva obrigação; c) que a atribuição de responsabilidade a terceira pessoa exclui a responsabilidade do contribuinte ou lhe atribui esta em caráter supletivo. Estas conclusões podem ser obtidas também do art. 121 e parágrafo único do CTN (transcreve), quando define o sujeito passivo da obrigação principal; 11.13 Ora, no caso da tributação de depósitos bancários como omissão de receita, o art. 42 da Lei n° 9.430/96 refere-se tão-somente ao titular da conta. Este, portanto, o único responsável pelo crédito tributário dai decorrente. É impossível atribuir responsabilidade pelo crédito tributário a terceiras pessoas sem que haja disposição expressa de lei. Como não existe nenhuma lei atribuindo responsabilidade a terceiros pelo crédito tributário referente a depósitos bancários considerados como omissão de receita, é inevitável concluir-se que falta 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA ettiPt- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA 4%;~ Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 embasamento legal à atribuição de responsabilidade tributária, aos impugnantes, pela digna autoridade lançadora; 11.14 resta-nos examinar a hipótese do art. 135, do CTN, já que não há razão para se falar em sucessão (arts. 129/133) ou em Responsabilidade de Terceiros (art. 134). Trata este artigo 135 daquelas hipóteses em que o crédito tributário deixa de ser responsabilidade do contribuinte principal para ser responsabilidade de terceiros qualificados pelos artigos 134 e 135. Na hipótese dos autos, em que o sujeito passivo é uma sociedade limitada, diz o artigo 135 que os sócios, os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de: a) atos praticados com excesso de poderes, ou b) atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatuto. Ora, em nenhum momento a digna autoridade lançadora tentou ou conseguiu demonstrar que algum dos impugnantes tenha procedido com excesso de poderes, ido de encontro ao contrato social da "NJS" ou tenham agido com infração de lei; 11.15 transcreve a lição do renomado mestre Prof. Renato Lopes Becho, colhida na sua obra Sujeição Passiva e Responsabilidade Tributária. Transcreve, também, comentário de Sacha Calmon Navarro Coelho sobre o art. 135 do CTN, concluindo que somente os atos praticados com excesso de poderes, ou atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatuto por sócios, mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes são passíveis de imputação de responsabilidade pelo pagamento das obrigações resultantes desses atos. Somente essas pessoas e não outras podem ser responsabilizadas por créditos tributários, desde que fique plenamente provada a prática dos atos com excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatuto, e, o que é mais importante, que ditos atos sejam individualizados. Sim, porque sendo a responsabilidade pessoal do agente, ele somente poderá ser responsável por atos próprios e não de terceiros; 11.16 resta-nos, nesse passo, verificar se os impugnantes satisfazem essas condições estabelecidas em lei; se satisfizerem, se os atos foram devidamente caracterizados; se caracterizados, se foi atribuída a cada impugnante, individualmente, somente a responsabilidade pelos atos praticados ou se a autuação atribuiu, generalizadamente, a todos a responsabilidade pelo crédito tributário apurado; b) A autuação: 11.17 o auto de infração foi lavrado contra a "NJS Participações", em cujo nome foram efetuados os depósitos considerados como omissão de receita. Os responsáveis legais pela "NJS" seriam os seus sócios Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves. Segundo apurou autoridade lançadora, ditas pessoas negam esse fato e, também, que tenham assinado contrato social, 23 MINISTÉRIO DA FAZENDA -4' • h. 42, ;-, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 passado procuração ou outorgado "poderes a terceiros para assinar documentos ou movimentar valores e seus nomes". Quem teria, então, forjado toda a documentação para a operacionalização da "NJS"? Isso a fiscalização não conseguiu apurar; 11.18 mas, num exaustivo trabalho de investigação, ouviu dezenas de pessoas físicas e jurídicas que depositaram dinheiro nas contas bancárias da "NJS" ou cujas contas bancárias recebem créditos dessa empresa e concluíram que: as repostas convergem para a empresa "Uno", cuja razão social foi alterada para "Winter"; as operações realizadas através das contas bancárias da fiscalizada dizem respeito a operações envolvendo câmbio com moedas estrangeiras; os nomes dos Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig são citados inúmeras vezes; que a "Uno" era uma empresa com sede no Rio de Janeiro, com filiais em Salvador e São Paulo e Miami, e que aqueles senhores são sócios da "Winter"; 11.19 das informações colhidas pela fiscalização, fica evidente que a "Uno" trabalhava com uma rede de hotéis em todo o País. Observa-se que a "NJS" é apenas uma das pernas dessa organização, que tinha como principal finalidade a movimentação bancária de parte dos seus negócios. Essa organização tinha como sócios somente os senhores Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, como apontam todos os depoimentos colhidos pela fiscalização. Sua estratégia consistia em movimentar grandes quantias, sempre em nome de terceiros inocentes, com vistas a que seus negócios escusos, mas aparentemente legais para esses terceiros, não pudessem ser ligados aos seus nomes. Assim, foram usados os nomes de empresas como a "Travel" e os nomes do Sr. Gileno Gomes Passos, do Sr. Luiz Marcelo Pereira Aguiar e de outras tantas pessoas que, inadvertidamente, em busca de alguma receita que completasse o seu orçamento, acabavam sendo envolvidas em operações de legalidade duvidosa; 11.20 eis, Srs. Julgadores, como agiam esses senhores. A eles, e somente a eles, deve ser atribuída responsabilidade penal e tributária. Enquanto sócios ostensivos, gerentes e únicos responsáveis da empresa "Uno" — "Winter" — em cujo nome os depósitos eram realizados, embora em conta da "NJS". Face ao exposto, como aceitar a atribuição de responsabilidade tributária ao Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, ao Sr. Aloísio Sandes Santana, ao Sr. João Reis Batista dos Santos, ao Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, ou ainda à Sra. Ângela Isabel Gomes Aguiar, se contra eles não existe prova de que tenham sido sócios ostensivos ou ocultos, diretores, gerentes, representantes, mandatários ou prepostos da "NJS" ou da "Uno"? Onde está o fundamento legal? Examinemos qual foi a participação de cada uma dessas pessoas aos olhos da fiscalização, seguindo de perto os itens do Termo de Verificação Fiscal; 11.21 Luiz Marcelo Pereira de Aguiar: imputa-se-lhe o fato de ser procurador da "NJS" para movimentar a conta bancária, o que é verdade. Ele próprio declara que aceitou o trabalho em troca do pagamento de R$ 500,00. Sua atividade nunca 24 n/- , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES WI SÉTIMA CÂMARA :A Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 foi além disso: procurador para movimentar conta bancária. Em umas poucas ocasiões sacou cheques em seu nome, mas o dinheiro foi depositado em conta de pessoas indicadas pelo Sr. Rafael Lustig. Se a procuração não era legítima a culpa não foi sua. Ela lhe foi entregue pelos Srs. Jorge Pinheiro e Rafael. No exercício desse mandato não praticou nenhum ato com excesso de poderes. Também não se tem notícia de que tenha infringido nenhuma lei pertinente à economia da sociedade. Não se pode falar nem mesmo em responsabilidade penal. A procuração que recebeu em nome da "NJS", que a fiscalização argüi seja falsa, não se lhe pode atribuir culpa alguma; 11.22 com efeito, admitindo-se que conhecesse a assinatura dos sócios (que não conhecia), ainda assim, não poderia descobrir que estava sendo enganado, pois as assinaturas constantes do contrato social e das procurações públicas são tão semelhantes que tanto a fiscalização como os peritos criminalistas ficaram em dúvida sobre a sua falsidade. A fiscalização observa que há semelhança com as constantes dos documentos de identidade que nos foram apresentados pelo Sr. Romildo, bem como com aquelas efetuadas por ele em nossa presença. Já os peritos criminalistas concluem, no primeiro caso, pela inautencidade gráfica, em vista dos padrões gráficos apresentados, enquanto, no segundo caso, afirmam que são inautênticas. E que dizer do Tabelião que atestou a autenticidade das assinaturas nas procurações? E os funcionários dos três bancos foram capazes de constatar alguma diferença entre as assinaturas do contrato social e a do cartão de autógrafo, ou entre estas e as constantes das procurações? Ora, se os técnicos, e até mesmo os peritos, encontraram dificuldade em averiguar autenticidade desses documentos, que esperar de um leigo, um jovem de 24 anos, estudante, inexperiente, que acabava de chegar do interior? 11.23 Aloísio Sandes Santana: contra ele pesa o fato de haver participado, em 1996, da "Travel"; o fato de o Sr. Luiz Marcelo haver morado por seis meses com a irmã, Sra. 'Angela Isabel Gomes Aguiar, sua companheira há mais de sete anos; o fato de trabalhar na empresa "Uno"; e, finalmente, o fato de haver declarado, em 1999, quotas da empresa Unitour Turismo e Câmbio Ltda., no valor de R$24.000,00, saldo de US$ 22.100,00 adquiridos da Cash Tour, e cerca de R$ 175.000,00 em dinheiro. Os dois primeiros fatos são irrelevantes. O auto de infração é contra a "NJS" e não contra a 'Travel". O período fiscalizado é o ano-calendário de 1998, e ele foi sócio da "Travei" somente até fevereiro de 1997. Logo, não há como estabelecer qualquer correlação entre esses fatos. Quanto ao fato de o Sr. Luiz Marcelo haver morado por seis meses, quando chegou a Salvador, com sua irmã, que vive maritalmente com o Sr. Aloísio, também não significa coisa alguma. Entre esses fatos e os depósitos efetuados na conta da "NJS", não existe nenhuma relação jurídica ou de causa e efeito que se possa, daí, inferir qualquer tipo de responsabilidade tributária ou penal. São juridicamente irrelevantes; 11.24 resta analisar a participação do Sr. Aloísio na "Uno". Já vimos que os Srs. Rafael Lustig e Jorge eram os únicos sócios dessa Empresa e que eles 25 •ir . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES * SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 administravam diretamente os seus negócios, a ponto de os saques pessoais serem acompanhados pessoalmente, enquanto o Sr. Gileno Gomes Passos (moto- boy) efetuava os saques. Logo, também, não era gerente. Nos autos, não há nenhuma referência de que ele pudesse ser qualificado como diretor, gerente, representante, mandatário, preposto, nem tampouco, que tivesse praticado algum ato com excesso de poder, infração de lei (societária), contrato social ou estatutos. Também, não há nenhum registro de queixa dos sócios ou da sociedade contra atos praticados com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos que se pudesse invocar para responsabilizá-lo pelo pagamento de qualquer crédito tributário devido pela "Uno". O auto de infração é contra a "NJS" e não contra a "Uno". O fato de prestar serviços a uma, não implica em responsabilidade tributária pelas infrações cometidas pela outra, apesar de os sócios da segunda serem responsáveis, como já vimos, pelos atos praticados pela primeira; 11.25 finalmente, o fato de haver declarado ter em moeda, em 31/12/1998, cerca de R$200.000,00, sendo parte em reais (R$ 175.000,00) e outra em dólares (US$ 22.100,00), equivalentes, na época, a R$24.752,00, não pode, nem deve, causar nenhuma espécie. O que deveria causar estranheza seria o fato de o contribuinte possuir o dinheiro e não declarar, e não o fato de havê-lo declarado. Mas a razão é muito simples. O Sr. Aloísio Sandes é portador de cardiopatia grave, conforme documentos constantes do Anexo 02, e já foi, várias vezes, aos EUA para tratamento de saúde, algumas em caráter de urgência. Com receio de que volte a precisar viajar em caráter emergencial, mantinha, por precaução, uma reserva em moeda corrente. Uma parte em dólares e outra em reais. No final de 1998, o saldo em reais estava elevado porque coincidiu com o período em que seu estado de saúde agravou-se, mas, felizmente, teve uma melhora e só voltando aos EUA em 2000 e 2001, conforme documentos constantes do Anexo 03. O fato em si poderia ser objeto de uma investigação nas declarações da pessoa física do Sr. Aloisio, com vistas a averiguar seu aumento patrimonial. Assim, o Sr. Aloísio não comete nenhuma infração tributária ou penal no âmbito destes autos, não tendo, portanto, porque se lhe atribuir qualquer tipo de responsabilidade; 11.26 João Reis Batista dos Santos: contra ele aponta-se o fato de ser testemunha da fiscalizada e de seus sócios junto ao Banco do Brasil e constar como fonte de referências da Empresa junto ao Banco ltaú; o fato de ser sócio da "Travei"; e o fato de ter recebido da "NJS" cheque no valor de R$ 80.000,00. Ora, Emérita Turma, abonar o cartão de autógrafo de uma pessoa, ou de ser fonte de referência em qualquer estabelecimento bancário não significa compactuar com os negócios realizados por essa pessoa. É comum gerentes e subgerentes solicitarem para clientes abonarem um cartão de autógrafo de outro, ou servir de testemunha num contrato de empréstimo, etc. Sabe-se, também, do empenho dos estabelecimentos bancários na abertura de novas contas de depósito, mormente se o correntista declara possuir veículos de luxo importados, como foi o caso. Pode-se 26 f»Pr- .3+ , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES blW-'arf SÉTIMA CÂMARAwrc'S .;Pitst Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 imaginar o empenho do funcionário do banco em consumar a abertura de uma conta tão promissora. Não. Definitivamente isso não é prova suficiente; 11.27 quanto ao fato de ter sido sócio da "Travei", não há referências no auto de negócios realizados entre a "Travel" e a "NJS". Logo, não há porque o sócio da "Travel" responder por operações realizadas pela "NJS". Finalmente, o fato de o Sr. João Reis haver recebido um cheque no valor de R$ 80.000,00 da autuada. Como prestador de serviço da "Uno", acabou conhecendo os Srs Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, que lhe propuseram efetuar alguns depósitos e saques em sua conta bancária. Entre os depósitos efetuados, já levantados pelo fisco, encontrava-se esse cheque emitido pela "NJS". Esse fato em si não o torna responsável pelos débitos da "NJS", não fora assim todas as pessoas que de alguma forma realizaram qualquer operação com a "NJS" deveriam ter sido, também, responsabilizados; 11.28 Marcus Aurélio Sandes Nunes: contra este senhor consta o fato de ser sócio da empresa "Trave!"; o padrão gráfico das assinaturas constantes de cartões de autógrafos e proposta de abertura de conta bancária ser bastante semelhante ao padrão gráfico do Sr. Marcus; depósito no valor de R$ 150,00, em que ele aparece como favorecido; em alguns cheques emitidos pela "NJS" há a observação "conf. Marcus" e em outro cheque consta no verso "Confirmado com Marcus tesoureiro". Quanto ao fato de ter sido sócio da "Travei", repetimos que não há referências no auto de negócios realizados entre a 'Travel" e a "NJS". A alegação de semelhança do padrão gráfico da assinatura do Sr. Marcus e as assinaturas constantes em cartões de autógrafos, para ser considerada, deveria vir respalda com uma prova conclusiva. Na falta desta, a suspeita não deve ser considerada. Não existe depósito, no valor de R$ 150,00, em que o Sr. Marcus aparece como favorecido. O equivoco é evidente. Não é o Sr. Marcus quem aparece como favorecido, mas a própria "NJS". O Sr. Marcus foi apenas o depositário. A Conta creditada é a 295.401-X. (ver cópia do depósito à fl. 280 dos autos). 11.29 alega a autoridade fiscal que, em alguns cheques, há a observação "conf. Marcus" ou "Confirmado com Marcus Tesoureiro". Com efeito, entre as centenas de cheques emitidos ela "NJS" consta no verso de apenas quatro deles "conf. Marcos" e em apenas 1 (um) "Confirmado com Marcos tesoureiro". Note-se que Marcos, nos cinco cheques, está grafado com "o" e não com "u". A autoridade fiscalizadora, por dever de oficio, tem obrigação de ser fiel nas suas transcrições. Essa anotação, em si, não quer dizer quase nada. Em primeiro lugar, não está assinada; em segundo, o Sr. Marcos poderia ser o tesoureiro da agência em que o cheque foi descontado; em terceiro, mesmo que esteja a referir-se ao Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, essa anotação entre centenas de cheques é pouco relevante; em quarto, mesmo que estivesse caracterizada a condição de Marcus como tesoureiro da "NJS", o que não está, a autoridade fiscalizadora teria de provar que ele, na condição de empregado, agiu com excesso de poder, infração de lei ou contrato social, a teor do que dispõe o art. 135 do CTN; 27 .35)r . . MINISTÉRIO DA FAZENDA itt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA .441.4.1°I> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 11.30 finalmente, contra a Sra. Ângela Isabel Gomes Aguiar, consta o "crime" de ser irmã do Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar e companheira do Sr. Aloísio Sandes Santana. O primeiro, por ter morado com ela durante seis meses, quando chegou do interior, e o segundo por residir no mesmo teto numa convivência de mais de sete anos. Se isso é motivo suficiente para que uma pessoa seja responsabilizada com crédito tributário de terceiros, então se mude a lei. O outro fato em que se arrima a fiscalização, para justificar a eleição da Sra. Angela Isabel como responsável, é ela ter sido beneficiária de três cheques nos valores de: R$ 15.000,00, em 02/04/1998, R$ 10.000,00 e R$ 10.000,00, ambos em 15/05/1998 (fls. 283/290). No afã de incriminar a Sra. Ângela, a fiscalização junta duas cópias do mesmo cheque, de R$ 10.000,00, de n° 000158, emitido em 15/05/1998 (fls. 287/290). O depósito de R$ 7.200,00, de fls. 285, foi efetuado na conta 295.401-X, cuja titularidade é da "NJS"; 11.31 assim, a Sra. Ângela somente foi titular de dois cheques entre os milhares de cheques emitidos pela "NJS", e não de três cheques, e um depósito. Esses dois cheques foram depositados em sua conta a pedido do Sr. Aloísio Sandes, seu companheiro, pela venda, à "Uno", de parte dos dólares que sobraram de sua recente viagem aos EUA, ocorrida em 22/02/1998. Bem, se o fato de haver sido beneficiária de dois cheques, no valor de R$ 25.000,00, é motivo para figurar como responsável pelos créditos tributários da "NJS", então o mesmo deveria ocorrer com todas as pessoas cujos nomes constam dos autos e que realizaram operações com a "NJS". De acordo com o critério da fiscalização, todas essas pessoas devem ser arroladas como responsáveis solidários pelo montante do crédito, em atenção ao princípio constitucional da isonomia; c) Conclusão: 11.32 é evidente que a responsabilidade tributária só pode resultar da lei. Que o CTN disciplinou essa matéria no Capítulo V, artigos 128 a 138. Vimos que as hipóteses levantadas pela fiscalização estão sob a regência do art. 135, que limita a responsabilidade tributária aos sócios, mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privados, se, e somente se, as obrigações tributárias resultarem de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Vimos, também, que o STF, seguindo a Doutrina, já assentou que infração de lei não é infração de qualquer lei, mas àquela que diz respeito à economia da sociedade. Vimos, finalmente, que os impugnantes não reúnem as condições estabelecidas pelo art. 135 do CTN. Os atos praticados por eles não configuram as relações jurídicas qualificadas pelo legislador complementar como aptas para suscitar a incidência do art. 135 citado. Destarte, não existe fundamento legal para mantê-los na condição de responsáveis tributários pelo crédito devido pela "NJS"; DO PEDIDO 28 „ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ws--4;:-fr SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 11.33 requer seja declarada a improcedência do lançamento e/ou excluídos todos os impugnantes do rol de responsáveis pelo crédito tributário por falta de amparo legal. 12. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 759 a 792. A DRJ proferiu decisão ementada como abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1998 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADES. O afastamento da aplicabilidade de lei ou de ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando sua inconstitucionalidade. INFORMAÇÕES AO FISCO. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO. O acesso ás informações bancárias por parte do Fisco não configura quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e que passa a ser mantido pelas autoridades administrativas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: INOCORRÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. LEI ADJETIVA. As leis meramente adjetivas, que apenas instituem novos processos de fiscalização ou ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas, são todas externas ao fato gerador, no sentido de que não alteram quaisquer dos aspectos da hipótese de incidência tributária, afetando apenas a atividade do lançamento, são aplicáveis na data em que é exercida a atividade, sendo irrelevante que alcancem fatos geradores pretéritos, e diferem das leis materiais, as quais integram o próprio objeto do lançamento. 29 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA "10 Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nas hipóteses de comunhão de interesses de duas ou mais pessoas na situação em que se traduza o fato gerador, todas essas pessoas, caso tenham concorrido para sua efetiva realização, ressalvadas aquelas cuja participação não reste suficientemente comprovada, devem figurar como sujeitos passivos solidários. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam-se como omissão de receitas os valores creditados em conta corrente, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. No caso de inexistência ou de falta de apresentação da escrituração a que estiver obrigado o sujeito passivo, fica autorizado o arbitramento do lucro apurado com base no valor das receitas omitidas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/FATURAMENTO Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Caracterizada a ocorrência de ação dolosa tendente a impedir a ocorrência do fato gerador do imposto ou da contribuição, de modo a evitar o seu pagamento, é cabível a aplicação da multa agravada de 150% (cento e cinqüenta por cento). 30 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA ';Prelti)- Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Em recurso de fls. 867 a 885, os contribuintes Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, Aloísio Sandes Santana, Marcus Aurélio Sandes Nunes e João Reis Batista dos Santos, aos quais foi atribuída responsabilidade tributária, de forma genérica, reafirmam a argumentação desenvolvida na impugnação e, de forma especifica, se insurgem contra a responsabilidade tributária a eles atribuída. Com relação à responsabilidade tributária os recorrentes argumentam: - "como a autoridade fiscalizadora não encontrou um fundamento para responsabilizar os recorrentes, a autoridade julgadora para justificar a autuação ..., lança mão da hipótese de solidariedade prevista no inciso I, do artigo 124, do CTN." (fls. 869); - "antes de aprofundarmos o seu exame, vejamos o que é o instituto da solidariedade no Direito Civil, tendo em mira o disposto no art. 110, do CTN, segundo o qual "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado..." - "que o artigo 896 do Código Civil de 1916 reza: A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes." - Que, em resumo, a solidariedade não se presume, que tem como fontes exclusivas o contrato e a lei e que a obrigação solidária resulta, necessariamente, de uma coincidência de interesses. Vale dizer, do fato gerador da obrigação devem participar, necessariamente, pessoas que tem um fim comum." - Que a solidariedade prevista no inciso I do art. 124 somente ocorrerá quando duas ou mais pessoas participarem de uma mesma situação (fato gerador concreto) da qual resulte em renda para elas (renda=interesse comum).; - Que trata-se de auto de infração contra Pessoa Jurídica. Os depósitos foram efetuados pela pessoa jurídica ou por dezenas de pessoas que com ela realizaram negócios, conforme consta dos autos.; 31 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA cc - --• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • tti, ter: -a, SÉTIMA CÂMARAms,-*.;zt Processo no : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 - Que cada depósito realizado, de origem não comprovada, configura uma situação jurídica constitutiva do fato gerador do imposto de renda. Para que se configure a solidariedade pretendida pela autoridade julgadora, seria necessário que estivesse provado nos autos a participação conjunta de todos os recorrentes em cada um dos depósitos efetuados e a renda auferida por cada um deles a cada depósito efetuado, pois, como vimos, em se tratando de imposto de renda, o interesse comum que denota a solidariedade é auferir renda conjunta e simultaneamente à ocorrência do fato gerador do imposto; - Pedem ao final a exoneração do crédito tributário e o afastamento da responsabilidade tributária com relação aos recorrentes. É o relatório. 32 . • . , MINISTÉRIO DA FAZENDA ittr:77, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .4"st SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 VOTO Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Relator. Os recorrentes foram intimados da decisão de 1 a instância em 17/03/2004 e apresentaram recurso em 16/04/2004, sendo, portanto, o mesmo tempestivo. Nos documentos de fls. 886 a 894 demonstra-se a apresentação bens a arrolar. Assim sendo, deve o recurso ser conhecido. Inicialmente se deve esclarecer que os recorrentes não enfrentam diretamente a decisão de 1 0 instância, afirmando apenas que: ''reafirmamos toda a argumentação desenvolvida na impugnação, que passa a fazer parte integrante deste recurso, e apresentamos o presente recurso face ao enquadramento pretendido pela digna autoridade julgadora". Prestigiando os princípios da ampla defesa e do contraditório, recebo o recurso da forma solicitada, tornando a impugnação parte integrante do mesmo. Na impugnação, os recorrentes insurgem-se contra a utilização da presunção legal trazida pelo artigo 42 da Lei 9.430/96, trazendo doutrina e jurisprudência contrária à utilização desta presunção pela fiscalização. Neste ponto não cabe razão aos recorrentes, pois é permitido e até mesmo essencial a utilização de presunções pelo fisco, desde que estas estejam previstas em lei, requisito este cumprido no caso concreto. A presunção não transformou o fato movimentação financeira em renda, mas permitiu ao fisco que, havendo movimentação financeira cuja origem não fosse comprovada, concluísse que aqueles depósitos tiveram origem em receita omitida. Tendo o contribuinte sido intimado a apresentar a comprovação da origem dos depósitos e não o fazendo, correta a postura do fisco em aplicar o dispositivo legal citado. Com relação ao argumento de que seria ilegal a quebra de sigilo bancário pois a lei 10.174/2001 teria retroagido para atingir fatos anteriores à sua 33 en>"" . . J. MINISTÉRIO DA FAZENDA - = PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4,n SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 vigência, também não assiste razão à recorrente. Tratando tal norma de regra procedimental, que explicita poderes da fiscalização, aplica-se o art. 144 do CTN, podendo a nova regra atingir fatos anteriores à sua vigência. O que o sistema jurídico pátrio não permite na área tributária é que a nova regra que traga componentes da regra-matriz de incidência possam atingir fatos pretéritos e isso não ocorreu com a citada lei. Quanto à violação do princípio da capacidade contributiva, também não há como dar razão á recorrente, pois este princípio foi bem aplicado não somente pelo legislador da norma geral e abstrata como também pelo aplicador, criador da norma individual e concreta. No caso, e recorrente está se referindo ao não respeito ao principio pelo aplicador. No entanto, o exaustivo trabalho fiscal buscou justamente o respeito ao principio citado, ao diligenciar no sentido de identificar os reais interessados nos atos praticados pela empresa autuada, que, segundo as provas dos autos teria sido utilizada como interposta pessoa. Quanto ao mérito da atribuição da responsabilidade tributária, deixo para uma melhor análise posterior. Não se insurgindo o contribuinte contra outros pontos do lançamento e não sendo aceitos os argumentos acima citados, pode-se concluir que o lançamento está prefeito no que se refere ao critério quantitativo, restando analisar o aspecto pessoal do mesmo. Importante ressaltar que a fiscalização arbitrou o lucro da empresa autuada, tendo identificado a receita a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada. Quanto ao critério pessoal, importa salientar que o lançamento foi realizado tendo como sujeito passivo a empresa NJS e tendo os recorrentes como responsáveis tributários. Outros dois responsáveis, Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig não apresentaram recurso. O fisco demonstrou à exaustão que a empresa autuada foi utilizada como interposta pessoa para movimentação de valores que na verdade pertenciam a outras empresas, no caso as empresas Uno, Travel e Winter. Isso foi provado não somente pela inexistência de fato da autuada, mas também como resultado da 34 . . MINISTÉRIO DA FAZENDA 0-`411- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 circularização realizada entre os depositantes e beneficiários de recursos oriundos da conte corrente da fiscalizada. Decidiu-se, então, realizar o lançamento na empresa e responsabilizar pelo pagamento as pessoas físicas que tiveram participação na atividade da empresa (procurador, sócios das empresas Uno, Travel Winter, gerente de fato da Uno). Exposto isso, passo a fazer algumas considerações sobre a posição adotada pelo fisco. Inicialmente, esclareço que não é item essencial de um lançamento tributário a inclusão dos responsáveis, embora seja desejável, pois facilita o trabalho a ser realizado posteriormente pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No entanto, a falta da identificação dos responsáveis não impede que a Procuradoria venha a redirecionar a execução a outras pessoas, desde que tenham praticado os atos relacionados nos artigos 129 a 137 do CTN. O que se quer aclarar é que o lançamento será feito no contribuinte e, não sendo possível a este satisfazer a obrigação tributária, a fazenda poderá incluir outras pessoas na execução, mesmo que estas não constem do lançamento tributário. No caso presente, o fisco decidiu realizar o lançamento na própria empresa, mesmo tendo evidências da interposição de pessoa e, já no lançamento, incluir os responsáveis tributários. Esta inclusão, em nada afeta o lançamento, que se encontra pronto e acabado, pois está provada a ocorrência do fato gerador (por presunção), definida a base de cálculo, a aliquota e estão definidos os sujeitos ativo e passivo. Como o fisco incluiu também os responsáveis e deu ciência do lançamento a estes, toma-se possível abordar também esta questão na decisão. Mas deve ficar claro que a Procuradoria poderá incluir outras pessoas no momento da execução, desde que sejam aquelas previstas no CTN. Com relação ao recorrente Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, ficou demonstrado que o mesmo agia como procurador da autuada e que era remunerado para essa atividade. Diferentemente dos sócios formais Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves, que demonstraram desconhecer sua "participação" no quadro societário da autuada e que não participaram de qualquer ato de gestão da empresa, o Sr. Luiz Marcelo confessa 35 , MINISTÉRIO DA FAZENDA• --- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 't SÉTIMA CÂMARA 4-; Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 que agia como procurador da empresa e que era remunerado para esta atividade. Se o valor que recebia para exercer tal tarefa era de R$500,00 ou se atingiu R$270.000,00, como demonstrado pela fiscalização, pouco importa para qualificar o comportamento do recorrente. O que foi demonstrado pela fiscalização é que o recorrente era quem movimentava a conta corrente da empresa. Quanto à alegação de que "apenas" assinava os cheques a pedido dos senhores Jorge Luiz e Rafael, em nada altera a responsabilidade pelos tributos e pelos ilícitos praticados. É uma máxima do direito brasileiro de que ninguém alegar o desconhecimento da lei para justificar seu descumprimento, sendo apenas uma causa de redução de pena no direito penal. No caso concreto, trata-se de um jovem, na época com o 2° grau completo, longe, portanto de poder ser considerado desinformado a ponto de ser utilizado de boa-fé em uma trama que movimentou valores tão vultosos. Ficou demonstrado que o Sr. Luiz Marcelo geria a conta bancária da autuada utilizando uma procuração materialmente falsa, pois as assinaturas apostas na mesma não eram dos sócios da empresa, como demonstrado pelos laudos acostados. Diante desses fatos a fiscalização considerou o recorrente como sócio de fato da empresa e, tendo em vista as irregularidades praticadas que configuram violação à lei e ao contrato social da autuada, permitindo que se responsabilize o recorrente pelos tributos e penalidades decorrentes dos atos praticados pela empresa, com participação direta do recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de manter-se a responsabilidade do recorrente Luiz Marcelo pelos tributos e penalidades aplicadas no auto de infração lavrado contra a empresa NJS, considerando-o sócio de fato da mesma e responsável por irregularidades que levam à responsabilidade pessoal do contribuinte. Quanto à atribuição de responsabilidade tributária aos contribuintes Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, embora os mesmos não tenham se pronunciado sobre o lançamento e sobre a atribuição de responsabilidade tributária, em respeito ao principio da verdade material e da necessidade de controle da legalidade dos atos da administração, considero que deve este Conselho se manifestar sobre a questão.Ficou provado nos autos que os contribuintes Jorge 36 ., MINISTÉRIO DA FAZENDA te- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CAMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Luiz e Rafael eram os maiores interessados nos atos praticados pela autuada e que utilizavam a mesma para acobertar atos de empresas de titularidade dos dois (Uno e Winter). Também fica evidenciado que eles estavam no comando dos atos praticados pelo Sr. Luiz Marcelo Pereira de Aguiar e que a própria criação da empresa autuada atendeu aos interesses deles e de suas empresas. Assim sendo, correta a posição da fiscalização em identifica-los como sócios de fato da empresa autuada e de atribuir-lhes responsabilidade pelos atos praticados e, como conseqüência, pelos tributos e penalidades lançados. Desta forma, voto no sentido de manter a responsabilidade tributária dos contribuintes Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig. Já com relação ao contribuinte Aloísio Sandes, a quem foi atribuída responsabilidade tributária a situação é diferente. A fiscalização demonstra que o contribuinte respondeu pelo estabelecimento da Winter até 1997 e que ele se relacionava diretamente com os senhores Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, sócios da Uno, que viria a utilizar a conta bancária da autuada para mascarar suas operações próprias. Que também, o Sr. Aloísio nada recebia pelo trabalho na Winter. Que o contribuinte declarou recursos em espécie nos valores de R$35.000,00 em 1997, R$175.000,00 em 1998 e R$215.000,00 em 1999 e que a manutenção desses valores em espécie não era crível. Que foi o Senhor Aloisio quem convidou o Senhor João Reis Batista dos Santos para participar do quadro societário da Travei e que também foi ele quem decidiu encerrar as contas bancárias da Travei, em virtude do grande volume de recursos movimentado nas mesmas. Que a estreita relação do Sr. Aloísio Sandes Santana com os Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig está comprovada, não sendo exagero afirmar que ele era o braço direito daqueles senhores em Salvador. Que a atividade da Winter nesta cidade era conduzida pelo Sr. Aloísio Sandes. Como se observa, embora se faça diversas afirmações sobre o comportamento do Senhor Aloísio, nenhum destes fatos narrados tem ligação direta com as atividades da autuada e também não há elementos de prova de que o citado contribuinte tenha se beneficiado dos atos praticados na autuada. Também não houve motivação para 37 e-3yr No-o• , t . MINISTÉRIO DA FAZENDA As..4. , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ""n 't SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 enquadrar o recorrente como sócio ou responsável pela empresa, nem que tenha exercido qualquer das funções enumeradas nos artigos 134, 135 e 137 do CTN. Assim sendo, embora os fatos descritos pela fiscalização sejam indiciários de que o contribuinte possa ter participado dos atos ilícitos que levaram à autuação, não se mostram esses indícios suficientes para a responsabilização tributária. O afastamento da responsabilidade, no entanto, não impede que a Procuradoria, obtendo provas suficientes, venha a responsabilizar o contribuinte, redirecionando contra ele a execução fiscal. Voto, portanto, pelo afastamento da responsabilidade tributária do Sr. Aloisio Sandes, por falta de provas que permitam enquadra-lo nas situações descritas nos artigos 128 a 137 do CTN. Não merece melhor sorte a responsabilização do recorrente Marcus Aurélio Sandes Nunes pelos tributos e penalidades lançadas contra a empresa NJS. A demonstração de que ele serviu de testemunha das informações cadastrais da autuada junto ao Banco do Brasil; de que o padrão gráfico das assinaturas falsas em nome de Romildo Nascimento de Souza é de semelhança inconteste com a grafia do Sr. Marcus Sandes e que isso poderia ser comprovado por um teste grafotécnico, que não foi realizado porque o Sr. Marcus deixou de responder às intimações que lhe foram encaminhadas; que o Sr. Marcus trabalhou na Uno e que participou do quadro societário da Travei; e que houve um depósito de R$150,00 (fls. 280) que tinha como beneficiário o Sr. Marcus e no entanto a conta corrente era da NSJ, tudo somado, leva a existência de indícios de que o Sr. Marcus possa ter trabalhado na empresa e, até mesmo que tenha tido algum beneficio da atividade da mesma. No entanto, como reconhece a decisão de 1° instância, não foi realizado o exame grafotécnico, ficando prejudicada a ilação de que o recorrente possa ter falsificado as assinaturas do Sr. Romildo, pois, a prova disso seria, necessariamente, o exame. Também me parece insuficiente o fato de ter sido empregado da Uno ou sócio da Travei, pois o presente processo trata da NSJ e não destas. Voto, portanto, no sentido de afastar a responsabilidade tributária do Sr. Marcus Aurélio Sandes Nunes, acrescentando a ressalva da possibilidade de sua posterior inclusão pela Procuradoria, se obtiver novas provas. 38 .• MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SÉTIMA CÂMARA Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Em relação ao Sr. João Reis Batista dos Santos, a fiscalização afirma que o mesmo assinou, como testemunha, as fichas cadastrais, no Banco do Brasil, das duas interpostas pessoas utilizadas como sócios da autuada (Romildo Nascimento de Souza e Roque Reis de Jesus Gonçalves) e que seu nome consta como referência do Sr. Romildo; e que ele trabalhou na empresa Winter e que foi sócio da Travel, de quem a Uno também utilizou contas bancárias para movimentar recursos próprios; e que foi encontrado cheque da autuada na conta bancária do recorrente no valor de R$80.000,00e que esta afirmara (doc. de fls. 676), que essa conta era movimentada pelos Srs. Jorge Luiz Christ Mussumesci e Rafael Lustig, não sabendo informar a razão do depósito. Embora o Sr. João Reis Batista seja confessadamente um "laranja" dos Srs. Luiz Christ e Rafael e, realmente trabalhou para empresas dos mesmos, não me parece possível atribuir-lhe responsabilidade tributária por débitos da NJS. Vejamos: o fato de ter assinado como testemunha as fichas cadastrais, realmente pode leva-lo a ser investigado pelo crime de falso; por ter trabalhado na empresa Winter e ter sido sócio da Travei, pode levar a indício de que participava dos ilícitos praticados por Luiz Christ e Rafael, mas o único vínculo objetivo com a NJS foi o cheque de R$80.000,00 que, não comprovado que foi devidamente tributado, levaria à tributação da pessoa física do recorrente. No entanto, apenas um cheque, mesmo neste valor, não leva ao beneficiário à responsabilidade tributária, pois, embora haja indícios, faltam provas de que tenha se beneficiado dos fatos atribuídos à autuada e que tenha sido sócio, procurador, gerente ou qualquer das pessoas enumeradas nos artigos 129 a 137 do CTN. Assim sendo, voto pelo afastamento da responsabilidade tributária do Sr. João Reis Batista dos Santos, ressalvado o direito da Procuradoria, havendo novas provas, incluí-lo em posterior execução. Pelo exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade do lançamento pela aplicação retroativa à Lei Complementar n°: 105/2001 e Lei n°: 10174/01, mantendo integralmente o lançamento tributário mantendo a responsabilidade tributária de Luiz Marcelo Pereira de Aguiar, Jorge Luiz Christ 39enyr • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QW1i-:.1 SÉTIMA CÂMARA '4; ‘41Z7> Processo n° : 10580.001878/2003-93 Acórdão n° : 107-07.754 Mussumesci e Rafael Lustig e afastando a responsabilidade tributária dos demais citados. Sala das Sessões - DF, em 12 de agosto de 2004. MARCOS RODRIGUES DE MELLO 40 Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1 _0038400.PDF Page 1 _0038500.PDF Page 1 _0038600.PDF Page 1 _0038700.PDF Page 1 _0038800.PDF Page 1 _0038900.PDF Page 1 _0039000.PDF Page 1 _0039100.PDF Page 1 _0039200.PDF Page 1 _0039300.PDF Page 1 _0039400.PDF Page 1 _0039500.PDF Page 1 _0039600.PDF Page 1 _0039700.PDF Page 1 _0039800.PDF Page 1 _0039900.PDF Page 1 _0040000.PDF Page 1 _0040100.PDF Page 1 _0040200.PDF Page 1 _0040300.PDF Page 1 _0040400.PDF Page 1 _0040500.PDF Page 1 _0040600.PDF Page 1 _0040700.PDF Page 1 _0040800.PDF Page 1 _0040900.PDF Page 1 _0041000.PDF Page 1 _0041100.PDF Page 1 _0041200.PDF Page 1 _0041300.PDF Page 1 _0041400.PDF Page 1 _0041500.PDF Page 1 _0041600.PDF Page 1 _0041700.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.013667/2002-12
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PROGRAMAS DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO OU INCENTIVADO (PDV/PDI) - VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE INCENTIVO À ADESÃO - NÃO INCIDÊNCIA - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA - JUROS MORATÓRIOS - TAXA SELIC - TERMO INICIAL DE INCIDÊNCIA - As verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual. Assim, reconhecida a não incidência tributária, inexiste fato gerador do imposto, razão pela qual no cálculo da restituição do imposto de renda na fonte retido indevidamente, sobre estas verbas indenizatórias, deve ser agregada a atualização monetária desde a data da retenção indevida ou maior até 31/03/95, e após essa data, dos juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Recurso provido.
Numero da decisão: 104-19.781
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol que negava provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Nelson Mallmann

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Assim, reconhecida a não incidência tributária, inexiste fato gerador do imposto, razão pela qual no cálculo da restituição do imposto de renda na fonte retido indevidamente, sobre estas verbas indenizatórias, deve ser agregada a atualização monetária desde a data da retenção indevida ou maior até 31/03/95, e após essa data, dos juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LUIZ MÁRIO DOS SANTOS FILHO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Remis Almeida Estol que negava provimento ao recurso. LEILA MARI SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE e c49 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 ett EL 70 - FORMALIZADO EM: 19 MAR 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ROBERTO WILLIAM GONÇALVES, MEIGAN SACK RODRIGUES, ALBERTO ZOUVI (Suplente convocado) e OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR., 2 sy".. MINISTÉRIO DA FAZENDA •-• 'V aVil— t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 Recurso n°. : 136.093 Recorrente : LUIZ MÁRIO DOS SANTOS FILHO RELATÓRIO LUIZ MÁRIO DOS SANTOS FILHO, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o n.° 070.466.005-97, residente e domiciliado na cidade de Salvador, Estado da Bahia, à Rua 24 de Janeiro, n° 10— Bairro Roma, jurisdicionado a DRF em Salvador - BA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 16/18, prolatada pela Terceira Turma da DRJ em Salvador - BA, recorre a este Primeiro Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 20/21. O requerente apresentou através da retificação da declaração de IRPF/1997, pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, sobre valores pagos por pessoa jurídica, a título de incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV). A DRJ em Salvador BA apreciou e concluiu que o pedido de restituição era procedente, porém, a SEORT da DRF em Salvador concluiu que o valor a ser restituído só seria acrescido da taxa SELIC a partir do mês de maio de 1997 (data limite para apresentação da declaração de ajuste anual relativo ao exercício de 1997). 3 e bn ‘4i MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 lrresignado com a decisão da autoridade administrativa singular, o requerente apresenta, tempestivamente, em 10/04/03, a sua manifestação de inconformismo de fls. 12/13, solicitando que seja revisto a decisão para que seja declarado procedente o pedido de correção pela taxa SELIC desde do pagamento indevido do tributo, com base, em síntese, no argumento que não concorda com a correção monetária a partir da data de entrega da declaração de ajuste anual e sim a partir da data da rescisão contratual que ocorreu em 30/09/96. Após resumir os fatos constantes do pedido de revisão do cálculo da incidência de correção monetária a ser aplicada a partir da data da retenção do imposto de renda na fonte, sobre o valor restituído em decorrência da caracterização da verba indenizatória recebida, quando da adesão ao Programa de Demissão Voluntária, como rendimento tributável e as razões de inconformismo apresentadas pela requerente a Terceira Turma da DRJ em Salvador — BA, resolveu julgar improcedente a reclamação apresentada contra a Decisão da DRF em Salvador - BA, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que a argumentação do interessado, parte da premissa de que não haveria ocorrido a hipótese de incidência tributária. Não ocorrendo o fato gerador, o indébito não se caracterizaria com antecipação na fonte do imposto de renda, mas sim como pagamento indevido. Sobre a sua restituição incidiria a taxa SELIC a partir da data do pagamento, conforme prevê o artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250, de 1995. Não se submeteria assim ás regras específicas para a compensação do imposto de renda na fonte de pessoa física, ou seja, através da declaração anual de ajuste; - que esta premissa não é válida, pois não leva em conta a natureza jurídica das normas administrativas que autorizaram a revisão dos lançamentos, no caso de PDV; es-7 4 tw" `-• . ;95". MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 - que em decorrência de decisões definitivas das Primeira e Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, por meio do despacho de 17 de setembro de 1998, publicado no Diário Oficial da União de 22 de setembro de 1998, baseado no Parecer PGFN/CRJ n° 1278/1998, devidamente aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, dispensou a interposição de recursos e determinou a desistência dos já interpostos nas ações que cuidam, no mérito, exclusivamente, da não- incidência do imposto de renda na fonte sobre verbas indenizatórias referentes a programas de demissão voluntária: - que o valor retido sobre o incentivo à participação em PDV não deixou forrnalmente de submeter-se às normas relativas ao imposto de renda na fonte, especialmente no que se refere à forma de sua restituição através da declaração de ajuste anual. Além disso, a Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, em seu artigo 6°, prevê que a restituição do imposto de renda da pessoa física se fará através da declaração de ajuste anual. Deste modo, o imposto retido deve ser compensado na declaração e, em obediência às regras específicas, restituído com o acréscimo de juros SELIC calculados a partir da data limite para entrega da declaração; - que firmando este entendimento no âmbito administrativo, a Norma de Execução SRF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n° 02, de 02 de julho de 1999, dispõe, em seu item 9, que, no caso do PDV, a restituição será acrescida de juros SELIC, correspondentes ao período compreendido entre o primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para entrega tempestiva da declaração até o mês anterior ao da liberação da restituição, e de 1% no mês em que o recurso for colocado no banco à disposição do contribuinte. 5 • 4 s 4r. h. 4) 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA afl i jo:tf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 05/06/03, conforme AR constante às fls. 19, e, com ela não se conformando, o requerente interpôs, em tempo hábil (12/06/03), o recurso voluntário de fls. 20/21, no qual demonstra irresignação contra a decisão acima mencionada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na peça de manifestação de inconformidade. É o Relatório. 6 • ji 11. 0.1 '• 'e. MINISTÉRIO DA FAZENDA wrzej:Str, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 VOTO Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. Não há argüição de qualquer preliminar. Discutem-se, nestes, autos, tão-somente, o termo inicial e final de incidência da taxa referencial SELIC, incidente sobre o imposto de renda na fonte retido indevidamente sobre as importâncias pagas a título de indenizações, nos casos de demissões voluntárias, em razão de incentivo à adesão a programas de redução de quadro de pessoal. Da análise dos autos do processo se verifica que o interessado requer que a restituição do imposto de renda que incidiu sobre as verbas de incentivo a participação em programa de demissão voluntária seja paga com o acréscimo da taxa SELIC a partir da data da retenção do imposto na fonte e não da data prevista para a entrega da Declaração de Ajuste Anual, conforme entendeu a autoridade julgadora em Primeira Instância. Ora, é pacífica a jurisprudência administrativa que a partir de 1° de janeiro de 1996, a restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou maior que o devido até o mês anterior da restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA we4“2.*:1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,flyào.). QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 Entendimento este consolidado no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 1999, nos seguintes dispositivos: "Art.894. O valor a ser utilizado na compensação ou restituição será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente (Lei n° 9.250, de 1995, art. 39, § 4°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 73): I — a partir de 1° de janeiro de 1996 até 31 de dezembro de 1997, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês que estiver sendo efetuada; II — após 31 de dezembro de 1997, a partir do mês subseqüente do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição, e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada; Art. 895. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá optar pelo pedido de restituição do valor pago indevidamente ou a maior, observado o disposto nos arts. 892 e 900 (Lei n°8.383, de 1991, art. 66, § 2°, e Lei n°9.069, de 1995, art. 58). § 1° Entende-se por recolhimento ou pagamento indevido ou a maio aquele proveniente de: I — cobrança ou pagamento espontâneo de imposto, quando efetuado por erro, ou em duplicidade, ou sem que haja débito a liquidar, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II — erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao recolhimento ou pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória." 8 je4ilÀ MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘1").„,- • .(1; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 Como se depreende do texto legal acima, a obrigatoriedade da apresentação da Declaração Retificadora para solicitar a restituição do imposto de renda retido indevidamente, nada mais foi que um mecanismo utilizado pela Secretaria da Receita Federal e não opção do requerente, razão pela qual não procede o argumento de que o presente processo se trata de imposto apurado em declaração de ajuste anual. É de se ressaltar, que ao determinar a revisão do lançamento à própria Secretaria da Receita Federal reconheceu que o imposto de renda retido sobre o valor recebido a título de indenização por adesão ao Programa de Demissão Voluntária era indevido. Ora, se o imposto é indevido por dedução lógica ele é indevido desde o momento que foi recolhido para os cofres da União. Inadmissível a tese defendida pela autoridade julgadora de Primeira Instância de que este imposto se tomou indevido por ocasião da declaração anual. Além do mais, a legislação de regência prevê atualização monetária e juros moratórios sobre débitos vencidos, desde a data do vencimento do tributo, nada mais lógico e racional que seja dada ao contribuinte idêntica prerrogativa por uma questão de justiça. Nessa linha de raciocínio, não há dúvidas que se o rendimento, por expressa disposição legal, não se sujeitar à retenção ou na declaração de rendimentos, o valor do imposto indevidamente retido deverá ser restituído àquele que, indevidamente, teve seu patrimônio desfalcado, acrescido dos juros SELIC. Como também não há dúvidas, que os rendimentos tributáveis, são passíveis de pagamento de imposto de renda, ainda que possam gerar restituição por '" 7 .. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA •L'Aid." PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES t..;-94,7 QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.013667/2002-12 Acórdão n°. : 104-19.781 isenção quando da apresentação da declaração de ajuste anual. Porém, as verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato por dispensa incentivada têm caráter indenizatório, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte e nem na Declaração de Ajuste Anual. Assim, em casos de retenção indevida, ao valor da restituição do imposto de renda na fonte retido indevidamente, sobre estas verbas indenizatórias, deve ser agregada a atualização monetária desde a data do pagamento indevido ou maior que o devido até 31/03/95, e após essa data, dos juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais até o mês anterior ao da restituição e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Assim, nos termos do artigo 39 § 3°, da Lei n.° 9.250/95 e Parecer AGU GQ96, de 11/01/96, o valor da restituição pleiteada, até o limite da retenção do imposto incidente sobre o valor da indenização decorrente da demissão incentivada, deve ser corrigido desde a data do pagamento indevido. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para reconhecer o direito à atualização do imposto de renda retido na fonte, relativo ao PDV, a partir da data do pagamento/retenção indevido, cujo valor será apurado na execução do presente acórdão. Sala das Sessões - DF, em 29 de janeiro de 2004 . N S-e. CriA N Nr7 10 Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.000856/00-56
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: INCOMPETÊNCIA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. O art. 94 da Lei 10.833/2003, publicada no D.O.U de 30/12/2003, revogou expressamente o art. 75 da Lei 9.532/97. Este era o dispositivo em que se assentava a competência da SRF para administrar, cobrar e arrecadar a Contribuição dos servidores ativos e inativos para o Plano de Seguridade Social. O art. 39 da Lei 10.833/03 determina que a competência para a ser do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MOG). Não sendo a CPSSS da competência da SRF, foge também à competência do Conselho de Contribuintes.
Numero da decisão: 303-31.347
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a incompetência da Câmara, para apreciar a matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN

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INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. O art. 94 da Lei 10.833/2003, publicada no DOU de 30/12/2003, revogou expressamente o art. 75 da Lei 9.532/97. Este era o dispositivo em que se • assentava a competência da SRF para administrar, cobrar e arrecadar a Contribuição dos servidores ativos e inativos para o Plano de Seguridade Social. O art. 39 da Lei 10.833/03 determina que a competência passa a ser do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MOG). Não sendo a CPSSS da competência da SRF, foge também à competência do Conselho de Contribuintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, declarar a incompetência da Câmara, para apreciar a matéria, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 14 de abril de 2004 • JOÃO LANDA COSTA Presidie te Ir",-...1,4" D LOIBMAN R Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ANELISE DAUDT PRIETO, IRINEU BIANCHI, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS, PAULO DE ASSIS, NILTON LUIZ BARTOLI e FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional ANDREA KARLA FERRAZ. une MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.358 ACÓRDÃO N° : 303-31.347 RECORRENTE : JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA RECORRIDA : DRJ/SALVADOR/BA RELATOR(A) : ZENALDO LOIBMAN RELATÓRIO E VOTO Por meio do auto de infração de fls. 02 e 10, foi exigida do interessado acima identificado a importância de R$ 601.899,11 a título de Contribuição para o Plano de Seguridade Social do Servidor — CPSSS, referente a • fatos geradores ocorridos nos meses de dezembro/1997 a dezembro/I998. Com base no documento de fl. 03, Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal verifica-se que a autuação se deu em razão de insuficiência de recolhimento da CPSSS, conforme demonstrativo de fl. 15. A partir do período-base de dezembro/1997 o interessado recolheu a parcela referente à contribuição do órgão para a CPSSS, relativa a alguns servidores, à alíquota de 6% (seis por cento), quando a legislação estabelece o percentual de 11% (onze por cento). Pretendeu beneficiar-se supostamente de decisões judiciais movidas por referidos servidores, dando, no entanto, às tais decisões um alcance que não possuíam. O enquadramento legal destacado foi o art. 1° da MP n° 1.482/96; art. 1° da MP 1.646-47/96; art. 1° da Lei 9.630/98. • Irresignada com a ação fiscal, o interessado apresentou a impugnação de fls. 30/34, tempestivamente. Inicialmente, transcreve as informações prestadas pelo Juiz Federal Diretor do Foro em exercício, o qual relata a decisão emanada do egrégio Conselho de Justiça Federal, proferida em 24/04/1997, que determinava o recolhimento da CPSSS à alíquota de 6% (seis por cento). Entretanto, na mesma exposição, noticia o DD. Presidente em exercício do Tribunal Regional Federal da l' Região, em decisão no processo administrativo de n° 5.376/97, que determinou ad referendum do Conselho, que o recolhimento fosse efetuado com base na alíquota de 11% (onze por cento), nos termos da MP 1.482/97 — uma das reedições da MP 560/94. O recolhimento em tais bases passou a ocorrer a partir do mês de dezembro de 1997. Entende o interessado que falece legalidade para que a Receita Federal possa autuar a União, até porque na qualidade de ente despersonalizado, 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.358 ACÓRDÃO N° : 303-31.347 integra a mesma pessoa jurídica e inexiste lei autorizativa para tanto na medida em que feriria os mais elementares princípios da lógica. Argumenta ainda que a douta Procuradoria da Fazenda Nacional estaria autorizada a proceder à apuração e inscrição da Dívida Ativa da União, todavia, a questão em debate encerra uma suposta dívida passiva da União (e não ativa), logo nem sequer poderá ser inscrita como dívida ativa. Afirma também que a execução contra a Fazenda Pública obrigatoriamente deverá se basear em título judicial, sob pena de inviabilidade, até porque a norma constitucional (art.100) estabelece como requisito básico a presença de sentença judicial, de modo que, se título executivo houvesse in casu, mesmo assim, seria inexigível ante a impossibilidade de execução contra a União (art. 741, II c/c art. 745, ambos do CPC - • Código de Processo Civil). A peça impugnatória informa em seguida que se a exeqüente entende basear-se a presente execução em inscrição da "Dívida Ativa" da União é forçoso reconhecer a extinção da obrigação em face da confusão (art. 1.049 do Código Civil), na medida em que a suposta credora se confundiria com a devedora. Lembra que o recolhimento a menor deve ser cobrado daqueles que legalmente deveriam contribuir, sob pena de enriquecimento ilícito. A decisão de primeira instância proferida pela DRJ/Salvador/BA foi no sentido de julgar procedente o lançamento tributário no valor de R$ 422.991,98. Fundamentou sua decisão principalmente nos seguintes argumentos: 1. Antes da análise do mérito, são necessárias algumas considerações iniciais acerca da competência da SRF para a fiscalização e arrecadação da CPSSS. A autuação pelo fisco, in casu, teve suporte na Lei 9.532/97, • art. 75, decretada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Presidente da República. O fisco tem nesta situação mais que um poder, um dever legal. O procedimento a ser adotado não é de execução fiscal mas, tão somente de cobrança administrativa, razão pela qual não se impõe ao caso o previsto no art. 1049 do C.C. 2. Observa-se que o interessado não discute o quantum devido, ou seja, não discorda dos valores da Contribuição levantados pela fiscalização, da qual é sujeito passivo, seja na qualidade de contribuinte relativamente à parte que lhe cabe no custeio do Plano de Seguridade Social do Servidor, seja na qualidade de responsável no tocante à parte devida pelo servidor, nos termos do art. 121, inciso I do CIN (Lei 5.172/66). 3. Ressalta-se que o lançamento tributário é atividade vinculada e obrigatória, na qual a discricionariedade da autoridade administrativa é afastada em prol do princípio da legalidade e da subordinação hierárquica a que estão submetidos os órgãos e agentes da administração pública. O ato administrativo do lançamento é 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.358 ACÓRDÃO N° : 303-31.347 necessário por ser o instrumento adequado para a constituição do crédito, tomando-o líquido e certo. 4. As leis possuem efeito vinculante para o agente administrativo, que delas não se pode afastar. Questionar a validade das leis lhe é absolutamente vedado. Ademais o controle da constitucionalidade das leis é da exclusiva competência do Poder Judiciário. Assim é defeso aos órgãos julgadores administrativos reconhecer a alegação (implícita) de inconstitucionalidade da lei que fundamentou o lançamento sob o pretexto de deixar de aplicá-la ao caso concreto. 5. Quanto ao argumento de que a Receita Federal não pode impor • multa à União, posto que integra a mesma pessoa jurídica de direito público, verifica- se no presente caso que não houve aplicação de multa punitiva. A legislação indicada no enquadramento legal autoriza a incidência dos juros de mora (equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC), acompanhando o principal, ou lançados isoladamente, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 10 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica. A incidência dos juros moratórios não se aplica apenas em caso de atraso no pagamento de tributos. Também a Receita Federal restitui e compensa créditos tributários pagos a maior ou indevidamente, independente de tratar-se de ente público ou privado, acrescido de juros de mora. 6. Transcreve-se às fls. 41/42 alguns parágrafos do Parecer L-038, de 18 de novembro de 1974, publicado no DOU de 02/12/94, da Consultoria Geral da República que ao lado de estabelecer a inaplicabilidade de multas entre pessoas jurídicas de direito público, reconhece a possibilidade jurídica da cobrança de débito, • de uma a outra entidade pública ser abrangente de juros moratórias, concepção já expressada anteriormente nos Pareceres H-717 e H-718. 7. No mesmo sentido o Parecer DTN/CONED n° 356/92 aprovado pelo Diretor do Departamento do Tesouro Nacional, no qual manifesta-se favoravelmente à cobrança de juros moratórios e correção monetária nas relações contratuais com órgãos públicos, devendo em cada caso ser apuradas as razões da mora, aplicando-se a imposição de responsabilidade a quem lhes tenha dado causa quando ocorrer desídia, negligência ou culpa de qualquer natureza. 8. A ATA/TCU n° 23/92, publicada no DOU de 02/06/92 esclarece que os juros e a correção monetária não têm caráter de punição, e igualmente dispõe o art. 161 do CTN. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.358 ACÓRDÃO N° : 303-31.347 9. Sendo verdade que não cabe a imposição de multa punitiva, de oficio, entre pessoas de direito público, por outro lado a exegese dos textos acima identificados não deixa dúvida quanto à validade da cobrança de juros de mora no campo de atuação da administração pública. Assim, por estar o procedimento fiscal balizado nas normas vigentes deve ser mantida a exigência. 'resignada a interessada após ciência da decisão proferida, ingressou tempestivamente com o recurso voluntário de fls. 47/54 assinado por Advogado da União e pelo Procurador-Chefe da Advocacia Geral da União Substituto. Preliminarmente adverte que o fato do recolhimento a menor não animou-se somente na decisão do Conselho da Justiça Federal, mas sim na própria• Lei, visto que à época a MP 1.646, convertida na Lei 9.630/98, ao dispor sobre a contribuição da União para o custeio do PCSSS, determinava que a contribuição mensal seria de valor idêntico à contribuição de cada servidor; se o servidor se encontrava amparado por decisão judicial que lhe fixava alíquota de 6%, não há dúvida que a contribuição da União seria idêntica à fixada para o servidor, uma vez que o artigo que disciplinava a fixação de 11% estava afastado do universo jurídico. Acrescenta-se que o período apurado no presente processo, de dezembro/97 a dezembro/98 conflita com as decisões do Conselho de Justiça Federal e do TRF-1 Região no Processo Administrativo n° 5.376/97, o que por si só invalida a autuação. Como bem salientou o TRF-1* Região, nos termos do art. 5 0, parágrafo único da Lei 8.472/92: "As decisões do Conselho da Justiça Federal serão de observância obrigatória no âmbito da Justiça Federal". Assim a Diretoria do Foro da Justiça Federal norteou-se pelo princípio da legalidade cumprindo determinação do 1111 Conselho de Justiça Federal. O julgador no seu relatório transcreveu as razões de impugnação, mas em sua decisão não enfrentou referidas razões, e, curiosamente, conclui pela procedência do auto de infração no valor de R$ 422.991,98 quando já havia inicialmente indicado no início do relatório o débito na importância de R$ 601.899,11. Antes, porém, de analisar a fundamentação e conclusão do ilustre Delegado de Julgamento da Receita Federal, convém enfatizar as alegações da impugnação não enfrentadas pelo julgador de primeira instância administrativa: 1. Falece legalidade para que a Receita Federal possa multar a União, posto que enquanto ente despersonalizado integra a mesma pessoa jurídica e inexiste lei autorizativa para tanto; MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.358 ACÓRDÃO N° : 303-31.347 2. Apenas por amor ao argumento, admita-se por absurdo que se desse prosseguimento ao teratológico procedimento de cobrança da suposta dívida não adimplida voluntariamente pela administração, é cediço que a douta Procuradoria da Fazenda Nacional tenha competência para proceder à apuração e inscrição de débito na Dívida Ativa da União, todavia a questão debatida encerra uma suposta Dívida Passiva da União (e não ativa), logo nem sequer será passível de inscrição. Ademais a presumível certidão da dívida deveria obrigatoriamente conter o fundamento legal para a sua inscrição, e então se pergunta qual lei autorizaria a inscrição das Dividas Passivas da União por parte da PGFN? 3. A execução contra a Fazenda Pública deverá obrigatoriamente se • basear em título judicial sob pena de inviabilidade, visto que o art. 100 da CRFB/88 estabelece como requisito básico a existência de sentença judiciária. Mesmo se título executivo houvesse, in casu, ainda assim seria inexigível ante a impossibilidade de execução contra a União (art. 741, II c/c art. 745, ambos do CPC) 4. De toda sorte é forçoso reconhecer a extinção da obrigação em face da CONFUSÃO (art. 1049 do CC), na medida em que a parte suposta credora se confunde com a devedora. É o quantum satis. Não é despiciendo lembrar que se houve recolhimento a menor, deve ser cobrada a diferença daqueles que legalmente deveriam contribuir, sob pena de enriquecimento ilícito. 5. A União não contesta a competência da SRF para fiscalizar o Plano de Seguridade Social do servidor público civil ativo e inativo. É, no entanto, contraditória a afirmação do julgador de que a autuação não visa à execução fiscal mas tão-somente à cobrança administrativa em face do que dispõe o PAF no art. 21, § 3°,que determina que esgotado o prazo de cobrança amigável sem pagamento, seja providenciada a cobrança executiva; • 6. Ao contrário do afirmado na decisão recorrida a União questiona os valores cobrados, mesmo porque afirma que o não recolhimento e a compensação da contribuição se deram por decorrência de determinação do Conselho da Justiça, com arrimo nas Leis 9.630/98 e 8.072/92, conforme acima mencionado, e se a parte referente aos servidores foi recolhida a menor, isso se deu porque estavam protegidos por decisão judicial. Ainda assim se a Receita Federal entender devida a contribuição na íntegra, haverá de cobrar a diferença dos servidores e não do ente despersonalizado que é a Justiça Federal de Primeira Instância; 7. A autuação bem como a decisão administrativa se esqueceram ou ignoraram que a Justiça Federal de Primeira Instância não possui personalidade jurídica, não é nem contribuinte, nem responsável tributário, é parte do Poder Judiciário, é a própria União, não se aplicando no caso os pareceres que arrimaram a decisão hostilizada.; 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 125.358 ACÓRDÃO N° : 303-31.347 8. Finalmente a decisão recorrida é nula de pleno direito, pois indica no seu bojo dois valores como devidos, um maior constante do relatório, e um segundo menor, inserido na conclusão, como noticiado na letra "h" do item 7 desta peça. Desta forma requer a União seja dado provimento ao presente recurso para reconhecer e declarar a nulidade do auto de infração em tela ou sua total improcedência.' É o relatório. • A administração da Justiça Federal de primeira instância não recolheu na fonte a CPSSS à aliquota de 11%, mas apenas à aliquota de 6%, levando em conta decisão judicial favorável aos servidores do judiciário. Posteriormente a decisão foi modificada e o STF decidiu pela aliquota de 11%. A DRF autuou a Justiça Federal, alegando ser seu dever fazê-lo. A Justiça Federal retruca que é também UNIÃO, e não poderia ser autuada, nem, muito menos, executada no caso de não pagamento, que nem sequer é parte legitima, alega que o procedimento deveria ser outro, a saber cobrar diretamente aos servidores. A administração (Executivo) e o Judiciário compõem a União, a mesma pessoa de direito público. Preliminarmente apresento questão prejudicial de mérito. O art. 94 da Lei 10.833/2003, publicada no DOU de 30/12/2003, revogou expressamente o art. 75 da Lei 9.532/97. Este era o dispositivo em que se assentava a competência da SRF para administrar, cobrar e arrecadar a Contribuição dos servidores ativos e inativos para o Plano de Seguridade Social. O art. 39 da Lei 10.833/03 determina que a competência passa a ser • do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MOG). Não sendo mais a CPSSS da competência da SRF, foge também à competência do Conselho de Contribuintes. Entendo que a repartição de origem deva tomar as providências adequadas ao encaminhamento da lide pelas instâncias competentes. Diante do exposto proponho que não se tome conhecimento do mérito por estar a lide fora da competência do Conselho de Contribuintes. Sala das Sessões, em 14 de abril de 2004 ZENALO 01 MAN -Relator 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - . Processo n°: 10580.000856/00-56 Recurso n°: 125358 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 2° do art. 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Terceira Câmara do Terceiro Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 303-31347. Brasília, 12/08/2004 JOAO 14 ' A COSTACOSTA Preside • te da Terceira Câmara • Ciente em id ctxt)\\50 a? gLoocfi gdousprik>,_ _ t,-.\ • acAtuxmoLi f000,,,wasio,,a .c,,,ende. Lu u Jon c I o44344C-- (05 .49 Page 1 _0006500.PDF Page 1 _0006600.PDF Page 1 _0006700.PDF Page 1 _0006800.PDF Page 1 _0006900.PDF Page 1 _0007000.PDF Page 1 _0007100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10435.001731/00-71
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS -DESCARACTERIZAÇÃO Não cabe aos agentes da Receita Federal a descaracterização da sociedade cooperativa, para, a partir daí, tributar todo o seu resultado, se resta claro que a sociedade também praticou atos cooperados, abrigados pela não incidência do imposto de renda. COFINS - ATOS NÃO COOPERADOS - TRIBUTAÇÃO - A tributação das sociedades cooperativas deve incidir sobre o resultado obtido com os atos não compreendidos no conceito de cooperativismo, cuja parcela deve ser identificada nos seus livros contábeis e fiscais. Sendo impossível ao fisco atingir o desiderato, pode-se lançar mão de critérios de proporcionalidade, à semelhança dos já definidos em atos normativos. Recurso provido.
Numero da decisão: 108-08.426
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Margil Mourão Gil Nunes

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ementa_s : COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS -DESCARACTERIZAÇÃO Não cabe aos agentes da Receita Federal a descaracterização da sociedade cooperativa, para, a partir daí, tributar todo o seu resultado, se resta claro que a sociedade também praticou atos cooperados, abrigados pela não incidência do imposto de renda. COFINS - ATOS NÃO COOPERADOS - TRIBUTAÇÃO - A tributação das sociedades cooperativas deve incidir sobre o resultado obtido com os atos não compreendidos no conceito de cooperativismo, cuja parcela deve ser identificada nos seus livros contábeis e fiscais. Sendo impossível ao fisco atingir o desiderato, pode-se lançar mão de critérios de proporcionalidade, à semelhança dos já definidos em atos normativos. Recurso provido.

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Recorrida : r TURMA/DRJ-RECIFFJPE Sessão de :10 DE AGOSTO DE 2005 Acórdão n°. :108-08.426 COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS - DESCARACTERIZAÇÃO Não cabe aos agentes da Receita Federal a descaracterização da sociedade cooperativa, para, a partir dai, tributar todo o seu resultado, se resta claro que a sociedade também praticou atos cooperados, abrigados pela não incidência do imposto de renda. COFINS - ATOS NÃO COOPERADOS - TRIBUTAÇÃO - A tributação das sociedades cooperativas deve incidir sobre o resultado obtido com os atos não compreendidos no conceito de cooperativismo, cuja parcela deve ser identificada nos seus livros contábeis e fiscais. Sendo impossível ao fisco atingir o desiderato, pode-se lançar mão de critérios de proporcionalidade, à semelhança dos já definidos em atos normativos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por UNIMED - PERNAMBUCO CENTRAL - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. . ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a i)jitegrar o presente julgado. DORIV • PAD % -ANji PRE /D T / 1 k A-GIL *Ir.' O GIL NUNES RELATOR FORMALIZADO EM: • 3 SET 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÕSSO FILHO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO, JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA e JOSÉ HENRIQUE LONGO. , • MINISTÉRIO DA FAZENDA '` • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1;;Cfl-h,7;'). OITAVA CÂMARA, Processo n°. :10435.001731/00-71 Acórdão n°. : 108-08.426 Recurso n°. :140.596 Recorrente : UNIMED - PERNAMBUCO CENTRAL - COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA. o RELATÓRIO Contra a empresa UNIMED PERNAMBUCO CENTRAL COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO LTDA., foi lavrado em 05/12/2000 o auto de infração de Contribuição para Programa de Integração Social, doc.fls. 03/13, pela falta de recolhimento da COFINS nos meses de outubro de 1995 a dezembro de 1999, apurados pelos segundo registros contábeis em levantamento efetuado de 1995 à 1999. O fisco elaborou o Relatório de Auditoria, doc. fls. 117/138, onde descreve os fatos, analisa a legislação concernente às atividades cooperadas, aponta as irregularidades que entende como ocorridas e, conclui pela tributação das receitas da pessoa jurídica. Consta do Relatório de Auditoria Fiscal os entendimentos do fisco para efetuar o lançamento, dentre os quais destaco os abaixo transcritos. No terceiro parágrafo, fls. 122, diz o fisco: "A legislação cooperativa brasileira é pela bilateralidade do ato cooperativo só reconhecendo como tal os atos praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, desde que associadas e, ainda, quando visarem exclusivamente seus objetivos sociais. Desse modo, não deu abertura o texto legal para a unilateridade, ou seja, não considerando atos cooperativos os praticados com outras pessoas estranhas a sociedade cooperativa." 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA .1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. 10435.001731/00-71 Acórdão n°. : 108-08.426 No caso da UNIMED Caruaru podemos constatar que somente os prestadores de serviço são cooperados, enquanto que os beneficiários dos serviços não o são, fato este caracterizador das operações típicas de Atos não Cooperados, cuja receita está perfeitamente alcançada pela incidência tributária. 2.3.2. — Autos Não Cooperativos Legalmente Permitidos A segunda categoria correspondente a alguns atos não cooperativos, cuja prática o legislador considerou tolerável, por servirem ao propósito de pleno preenchimento dos objetivos sociais, mas sujeita-os, por isso mesmo, à escrituração em separado e à tributação regular dos resultados obtidos? E, continua o fisco em seu relatório, fls. 123: "Ora, o objetivo social da UNIMED é a congregação dos Integrantes da profissão médica para a sua defesa econômica-social, proporcionando-lhes condições para o exercício de sua atividade e aprimoramento do serviço de assistência médica, não podendo-se entender, de acordo com o parecer sobredito, que a venda de planos de saúde, possa ser considerado como sendo um ato cooperativo legalmente permitido. Os dispositivos legais definem e delimitam as operações com não associados que as cooperativas poderão efetuar. Se ela praticar operações sociais não permitidas em lei, isto é, efetuar operações não previstas na Lei 5.764/71, ela perderá a natureza jurídica de cooperativa e passa a ser sociedade comercial ou civil com fins lucrativos, tendo suas operações inseridas no campo da incidência tributária dos tributos e contribuições. Além do que a sociedade cooperativa que pratica , em caráter habitual, atos não cooperativos, descaracteriza-se como tal, sujeitando-se todos os seus resultados às normas que gerem a tributação das demais sociedades? E, por fim, conclui o auditor fiscal, fls. 128: 'Depreende-se, por conseguinte, interpretando-se a legislação acima mencionada, mas precisamente o Parecer Normativo CST no 38/80, que a fiscalizada por contratar com a clientela, a preço global não discriminativo, o fornecimento de serviços de terceiros e/ou a 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ::".:(Ltiti:fr OITAVA CÂMARA Processo n°. :10435.001731/00-71 Acórdão n°. :108-08.426 cobertura de despesas com: (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviçus de labor atóiio, nos termos do sub-item 3.2 do citado parecer, pratica na realidade na realidade ato jurídico não- cooperativo, diversos dos legalmente permitidos e com características de seguro-saúde. Desta forma, podemos concluir, que a receita da UNIMED — PERNAMBUCO CENTRAL COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, advém de mensalidades de seus diversos planos de saúde, e sujeitas portanto, à tributação." O fisco apurou na escrituração contábil as receitas auferidas pela fiscalizada advindo da venda de planos de saúde a pessoas físicas e jurídicas e repasses de outras UNifviEDs por intercâmbio entre estas. Após' estes levantamentos, considerou os efeitos tributários sobre os resultados positivos e receitas operacionais e lavrou autos de infração Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Programa de Integração Social (PIS), sendo este último objeto deste julgamento. Inconformada com a exigência a autuada apresentou impugnação protocolizada em 29 de janeiro de 2001, em cujo arrazoado de fls. 143/202, alega • ém apertada síntese o seguinte: Preliminarmente, pleiteia a nulidade do lançamento, dizendo que a autuação foi preconceituosa e genérica, método condenável frente aos preceitos constitucionais e infraconstitucionais, conforme relato no Termo de Encerramento e Relatório de Auditoria Fiscal. Sendo demonstrado a perseguição e a pessoalidade dos autores dos feitos ao citar a UNIMED Caruaru. Diz a impugnante que houve a decadência para o ano calendário 1995, tendo o auto de infração sido recebido no dia 02 de janeiro de 2001. 4 .4•F , 4-_-t MINISTÉRIO DA FAZENDA 144» 57-4, kin PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10435.001731/00-71 Acórdão n°. :108-08.426 No mérito, procura demonstrar as peculiaridades da sociedade cooperativa e os equívocos cometidos pelos auditores fiscais, não observando o tratamento diferenciado da Lei 5.764/71, artigo 4°. Em 7 de novembro de 2003 foi prolatado o Acórdão DRJ/REC n° 6.565, doc. fls. 268/279, onde a Autoridade Julgadora "a quo" considerou procedente a exigência, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negar-lhe execução. DECADÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de apurar e constituir o crédito, nos casos de Contribuições Sociais para a Seguridade Social, só se extingue após 10(dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE O FATURAMENTO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incide sobre o faturamento das Sociedades Cooperativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como também a atividade administrativa de julgamento pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento? Pelo acórdão retro citado a Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Recife rejeitou as preliminares argüidas, e considerou procedente a 5 •• tr,11. t. , MINISTÉRIO DA FAZENDA \* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES:=4,•„.„ OITAVA CÂMARA Processo n°. :10435.001731100-71 Acórdão n°. :108-08.426 exigência fiscal com entendimento de que as receitas decorrentes de operações praticadas com não associados sujeitam-se a tributação da COFINS. • Cientificada em 15 de janeiro de 2004 da decisão de primeira instância e novamente irresignada, apresenta seu recurso voluntário, protocolizado em 13 de fevereiro de 2004, em cujo arrazoado de fls. 290/292, traz os seguintes argumentos: Em preliminar diz ser incompetente a Secretaria da Receita Federal para fiscalizar o cumprimento dos atos cooperativos e descaracterizar as sociedades cooperativas. No mérito requer a reapreciação das alegações e razões de direito na peça impugnatória. Para reforçar seus fundamentos trouxe cópias da ementa de dois acórdãos desta Câmara, doc. fls.3221325, cujos recursos voluntários foram providos. A recorrente efetuou o arrolamento para seguimento do recurso voluntário pelos doc. fls. 306/321. É o Relatório. 6 ef"..t. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESNs,t OITAVA CÂMARA Processo n°. :10435.001731/00-71 Acórdão n°. :108-08.426 VOTO Conselheiro MARGIL MOURÃO GIL NUNES, Relator O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade, e dele tomo conhecimento. O acórdão recorrido, relativo ao auto de Infração da COFINS calculado sobre o valor das receitas operacionais da cooperativa, embora não decorrente do Auto de Infração IRPJ (informado pelo auditor fiscal em seu relatório), e lavrados simultaneamente, de fato tem a mesma natureza — a descaracterização da UNIMED como cooperativa e, por conseguinte, a tributação de todas suas operações como uma pessoa jurídica comercial, prestadora de serviços, portanto dentro do campo da incidência para os tributos e contribuições federais (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Tenho assim, como competente esta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para apreciar a matéria objeto desta contenda, por tratar-se discussão quanto a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica. A autoridade julgadora recorrida entendeu que a cooperativa de médicos atua primordialmente para buscar a captação de clientela para aos médicos cooperados. Quando, entretanto, a UNIMED Pernambuco Central realiza a venda dos chamados Planos de Saúde" recebe receitas não dos cooperados, mas de pessoas contratadas como usuárias de plano de saúde. E conclui em seu voto: "Na 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA w ` s-f--"W PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' ::,(Çxt> OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10435.001731/00-71 Acórdão n°. :108-08.426 verdade, as cooperativas são constituídas por pessoas que se obrigam reciprocamente a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade comum, sem objetivo de lucro, conforme dispõe o art. 3 c' da lei em foco. A partir do momento que operam com terceiros não associados, estas operações estão sujeitas à incidência dos tributos". Entendo como indevidos, tanto o entendimento dos auditores quando da lavratura dos respectivos autos de infração, como a manutenção da exigência pelo acórdão recorrido. Trata-se de matéria já julgada por este Conselho, em especial no processo 10435.001798/00-42, Auto de Infração IRPJ Exercícios 1996 a 2000 cuja recorrente era a UNIMED Pernambuco. A Sétima Câmara deste Conselho pelo Acórdão 107-06.652 de 19 de junho de 2002, em julgamento do recurso voluntário interposto pela UNIMED Pernambuco Central Cooperativa de Trabalho Médico relativamente ao auto de infração IRPJ, proveu por unanimidade, exarando a seguinte ementa: "COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS DESCARACTERIZAÇÃO Não cabe aos agentes da Receita Federal a descaracterização da sociedade cooperativa, para, a partir daí, tributar todo o seu resultado, se resta claro que a sociedade também praticou atos cooperados, abrigados pela não incidência do imposto de renda. IRPJ - ATOS NÃO COOPERADOS - TRIBUTAÇÃO - A tributação das sociedades cooperativas deve incidir sobre o resultado obtido com os atos não compreendidos no conceito de cooperativismo, cuja parcela deve ser identificada nos seus livros contábeis e fiscais. Sendo impossível ao fisco atingir o desiderato, pode-se lançar mão de critérios de proporcionalidade, à semelhança dos já definidos em atos normativos. 8 • , MINISTÉRIO DA FAZENDA '" • •-:* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '11/ • C C."; > OITAVA CÂMARA Processo n°. 10435.001731/00-71 Acórdão n°. :108-08.426 IRPJ - MULTA ISOLADA - ESTIMATIVA - COOPERATIVAS - Não cabe a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, quando a Declaração do Imposto de Renda do ano-calendário, embora sem preenchimento das Fichas próprias, indica a opção pela apuração trimestral do imposto que é a regra. Caberia ao fisco identificar as receitas ou os resultados dos meses de janeiro e fevereiro de 1997, quando as estimativas eram devidas, mesmo no regime de apuração trimestral? Adoto também o teor do voto proferido pelo ilustre Conselheiro, Luiz Martins Valero, no retro citado acórdão, que a seguir transcrevo: Freqüentemente aqueles que militam na área fiscal deparam-se com o tema da não incidência tributária outorgada às cooperativas (mais propriamente aos resultados auferidos com o ato cooperativo), instituto escolhido pelo legislador ordinário para o atendimento ao mandamento constitucional de adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado por essas sociedades. O ingrediente complicador não raro está associado à ténue linha que separa os atos cooperativos (abrigados pela não incidência na pessoa jurídica), dos atos chamados "auxiliares" (tributados), nas chamadas cooperativas de trabalho. Aquele que é chamado a interferir nesta questão tem que ter em mente algumas premissas básicas, sob pena de incorrer em erro: O que motiva um grupo de profissionais do mesmo ramo a se associarem em cooperativa é a necessidade comum de melhorar as condições em que seus serviços são prestados, viabilizando a criação de uma estrutura que permita maior afluxo de usuários, atraídos pelas diversas especialidades reunidas nessa estrutura (cooperativa); Na definição da Lei, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias. Assim não tem sentido falar-se em faturamento, ou lucro da cooperativa; Quem se beneficia da lucratividade é o profissional cooperado que, individualmente e de forma quantificada, a ela presta seus serviços; por isso, a renda por ele auferida, mediante participação nas sobras liquidas, é sempre tributada em sua declaração de rendimentos. Filio-me à tese daqueles que defendem que o fato de uma cooperativa de trabalho utilizar-se dos serviços de terceiros não cooperados, mas conveniados, não a desvirtua como tal, desde que 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA " -11 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10435.001731/O0-71 Acórdão n°. :108-08.426 estes serviços tenham sido requisitados pelo profissional cooperado que deles necessita, acessoriamente, para bem atender ao usuário. Mesmo na presença de cobrança dos terceiros conveniados ou contratados da chamada taxa de administração, descontada quando do pagamento das faturas por eles emitidas, muitas vezes a título de reembolso de despesas com cadastro", não há desvirtuamento, pois a receita gerada por essa taxa representa verdadeira diminuição de custos da cooperativa, em benefício da renda tributada nos cooperados pessoas físicas. Mas há uma particularidade nestas cooperativas que merece tratamento diferenciado. É que a receita da maioria delas, caso da recorrente, provém das mensalidades de planos de saúde, ou seja, não representam exata contraprestação por serviços prestados aos usuários, pode ser mais, assim como pode ser menos. É uma atividade de risco. Se o montante recebido dos usuários num determinado período for mais que suficiente para cobrir os custos e despesas resultantes do atendimento a eles prestados, incluindo aqueles prestados por terceiros não cooperados, haverá um resultado positivo englobado na sobra líquida. Esta sobra, após a dedução das parcelas relativas à formação dos fundos obrigatórios por lei, devem ser destinadas, conforme deliberação da Assembléia Geral, à constituição de reservas e ao rateio entre os cooperados. Havendo rateio, o valor distribuído deve ter a mesma natureza dos valores pagos por serviços prestados, ou seja, devem ser sempre objeto de tributação na fonte como antecipação do devido na declaração de rendimentos do cooperado. Da mesma forma, se as sobras líquidas forem utilizadas para a aquisição de bens que representem inversão de capital (ativo imobilizado), estas deverão ser, pelo menos contabilmente, consideradas distribuídas e, ato continuo, contabilizadas como subscrição de capital. Se assim não for, aí sim estaremos diante de um tratamento desigual entre contribuintes, com ferimento ao princípio constitucional da isonomia. Jamais poderá ser atribuída natureza de lucro" às sobras distribuídas, com a pretensão de abrigá-las na não incidência permitida pelo art. 10 da Lei n° 9.249195, pois esta é deferida aos resultados já gravados pela tributação na pessoa jurídica que os auferiu. De outra parte, sempre que a cooperativa se responsabilizar pelas despesas de usuários de planos de saúde com prestadores de to n. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '11:V.tf9i OITAVA CÂMARA Processo n°. :10435.001731/00-71 Acórdão n°. :108-08.426 serviço não cooperados, ainda que conveniados, contratados ou de livre escolha, sem que o encaminhamento tenha sido requisitado por profissional cooperado, por ser necessário e auxiliar ao tratamento sob a sua inteira responsabilidade, não haverá ato cooperativo. Nesta hipótese a cooperativa estará praticando atividade tipicamente empresarial pois presentes o fim lucrativo e a habitualidade, configurando-se uma perfeita organização voltada à circulação de bens e serviços com assunção de risco. Sem entrar no mérito se esse comportamento contraria a Lei do Cooperativismo, tarefa que não cabe à fiscalização da Receita Federal, há necessidade, para fins tributários, de segregar as receitas respectivas. Inexistindo segregação contábil a fiscalização deve recorrer à utilização da proporcionalidade, cujos critérios podem assemelhar-se aqueles dados pelo Parecer Normativo CST n° 38/80. Mas não se pode aceitar procedimentos fiscais como este que limitam-se a impor a tributação sobre o total dos resultados apurados quando resta claro que há atos cooperativos abrigados pela não incidência. Cabe ao fisco identificar nos livros contábeis e fiscais da cooperativa o resultado passível de tributação. Sendo impossível atingir tal desiderato, pode-se lançar mão de critérios de proporcionalidade, à semelhança dos já definidos em atos normativos, mas jamais tributar-se a totalidade do resultado, sem levar em conta que tais resultados, ainda que parcialmente, foram distribuídos aos cooperados e tributados em suas declarações de imposto de renda das pessoas físicas." Não vejo como proibitiva a utilização de serviços não cooperativos em sociedade cooperativa. Existe a permissividade legal para tal, como estabelece os artigos da Lei 5.764/71, devendo apenas haver a segregação destes valores: "Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social e serão t Vet ; 1±..re: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10435.001731/00-71 Acórdão n°. :108-08.426 contabilizados em separado, de modo a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar.' Reforçando os entendimentos deste julgador, temos os Acórdãos números 101-92.476/98, DO 25/02/99 e 92.648/99, DO 29/06/99 do Primeiro Conselho, assim ementados: "DESCARACTERIZAÇÃO DE SOCIEDADE COOPERATIVA (EX. 91/4) Não são alcançados pela incidência do imposto de renda os resultados dos atos cooperativos. O resultado positivo de operações praticadas com a intermediação de terceiros, ainda que não se incluam entre as expressamente previstas nos artigos 86 a 88 da Lei 5.764/71, é passível da tributação normal pelo imposto de renda. Se, todavia, a escrituração não segregar as receitas e despesas/custos segundo sua origem (atos cooperativos e não cooperativos), ou, ainda, se a segregação feita pela sociedade não estiver apoiada em documentação hábil que a legitime, o resultado global da cooperativa será tributado, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. Se a exigência se funda exclusivamente na descaracterização da cooperativa, pela prática de atos não cooperativos diversos dos previstos nos artigos 85 e 86 da Lei 5.764/71, não pode a mesma prosperar". De todo o exposto, concluo e voto dando provimento ao recurso voluntário, considerando: A) a prática de atos não cooperativos, diferentes daqueles expressamente arrolados nos artigos 85, 86 e 88 da Lei n° 5.764/71, não autoriza a descaracterização da cooperativa; 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10435.001731/00-71 Acórdão n°. :108-08.426 B) a Secretaria da Receita Federal não tem competência para controlar ou fiscalizar o cumprimento de normas não tributárias e, portanto, não tem competência para descaracterizar a sociedade cooperativa; C) de qualquer modo, os atos praticados pelas UNIMED, ao encaminhar pacientes (usuários) a não associados (hospitais, clinicas ou laboratórios), são atos não cooperativos enquadrados no artigo 86 da Lei n° 5.764/71, e seu resultado sujeita-se à tributação; D) não prevalece o lançamento que se fundamentou exclusivamente na descaracterização da sociedade cooperativa. Sala das Sessões - DF, em 10 de agosto de 2005. e IL.MARGIL MOU O GIL NUNES 13 Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020100.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1

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4654037 #
Numero do processo: 10469.218604/98-17
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPJ - RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - Não pode ser admitida como declaração retificadora, para fins de suspender a inscrição de débito na dívida ativa da União, por inadimplência no recolhimento dos valores regularmente declarados, a apresentação de formulário preenchido com rasuras e em desacordo com as orientações normativas emanadas da administração tributária. Recurso negado.
Numero da decisão: 105-13382
Decisão: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Luis Gonzaga Medeiros Nóbrega

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-18T19:43:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-18T19:43:20Z; Last-Modified: 2009-08-18T19:43:21Z; dcterms:modified: 2009-08-18T19:43:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-18T19:43:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-18T19:43:21Z; meta:save-date: 2009-08-18T19:43:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-18T19:43:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-18T19:43:20Z; created: 2009-08-18T19:43:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-08-18T19:43:20Z; pdf:charsPerPage: 1307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-18T19:43:20Z | Conteúdo => -1- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10469.218604/98-17 Recurso n° : 124.387 Matéria : IRPJ — EX.: 1994 Recorrente : CHALITA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida : DRJ em RECIFE/PE Sessão de : 05 DE DEZEMBRO DE 2000 Acórdão n° : 105-13.382 IRPJ — RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — Não pode ser admitida como declaração retificadora, para fins de suspender a inscrição de débito na divida ativa da União, por inadimplência no recolhimento dos valores regularmente declarados, a apresentação de formulário preenchido com rasuras e em desacordo com as orientações normativas emanadas da administração tributária. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CHALITA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. VERINALDO IQUE DA SILVA - PRESIDENTE C"."\ \ LUI ONZA A MEkIROS L5BREGARELATOR FORMALIZADO EM: 29 JAN 2001 Participaram, ainda, do presente julgamenttos Conselheiros: IVO DE LIMA BARBOZA, ÁLVARO BARROS BARBOSA LIMA, ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, NILTON PÉSS e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. Ausente a Conselheira MARIA AMÉLIA FRAGA FERREIRA. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 2 Processo n° : 10469.218604/98-17 Acórdão n° : 105-13.382 Recurso n° : 124.387 Recorrente : CHALITA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. RELATÓRIO O contribuinte acima qualificado recorre a este Colegiado, da Decisão de fls. 118/120, prolatada pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento em Recife — PE, que manteve o indeferimento de sua solicitação para que fosse retificada a declaração de rendimentos (DIRPJ) por ele apresentada para o exercício de 1994, correspondente ao ano-calendário de 1993, da qual tomou ciência em 28/06/2000, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fls. 121. A solicitação da retificação de que se cuida, formalizada através do Processo n° 10469.004533/98-68, juntado aos presentes autos às fls. 21140, foi motivada pela inscrição, em dívida ativa da União, de débitos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) originalmente declarado para o aludido período, não recolhido pelo contribuinte, conforme documentos de fls. 01/15. Sob o fundamento de que não restaram comprovados os erros que teriam sido cometidos no preenchimento da declaração original, requisito indispensável para o deferimento do pedido, segundo os artigos 880, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/01/1994 (RIR/94), e 832, do RIR199, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, o Delegado da Receita Federal em Natal — RN, indeferiu o pleito da interessada, tendo demonstrado, em sua decisão de fls. 101/103, uma série de inconsistências nos dados alterados, contendo a declaração retificadora, rasuras em seu preenchimento, utilização indevida de campos do formulário e incorreções nos valores do IRPJ e da Contribuição Social devidos por estimativa, no ano-calendário a ela correspondente. Regularmente cientificado do aludido despacho decisório, o contribuinte ingressou tempestivamente com a sua manifestação de inconformidade de fls. 10 Irt lgmnvit 40, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 3 Processo n° : 10469.218604/98-17 Acórdão n° : 105-13.382 mediante a entrega de uma nova declaração retificadora (fls. 107/116), e justificando os erros apontados por aquela autoridade, como meros lapsos cometidos por ocasião do preenchimento do formulário. Em decisão de fls. 118/120, o Delegado da Receita Federal de Julgamento de Recife - PE manteve o indeferimento do pleito, sob o fundamento de que a declaração retificadora de fls. 23/31 não só contém rasuras, como também o seu preenchimento se acha incorreto, por contrariar as normas constantes do Ato Declaratório COTEC/COSAR/COFIS/COSIT n° 01, de 28/06/1995, quanto à indicação de valores expressos em cruzeiros reais. Já no que conceme ao novo formulário entregue pela interessada, o julgador singular se abstém de apreciá-lo, sob o argumento de que tal declaração retificadora deverá se submeter primeiramente à análise do Delegado da Receita Federal em Natal — RN. Assim, não tendo o contribuinte comprovado os alegados erros cometidos na declaração de rendimentos originalmente entregue à Repartição, conforme previsto nos artigos 147, § 1°, do Código Tributário Nacional — CTN, 21, do Decreto-lei n° 1.967/1982, e 880, do RIR/94, não lhe assiste razão em seu pleito, não se justificando a revisão de lançamento decorrente da pretendida retificação da declaração. Na petição de fls. 122, apresentada em 24/07/2000, interpretada pela Repartição de origem, como Recurso Voluntário (vide despacho de fls. 134), a interessada faz a juntada de uma terceira declaração retificadora para o ano-calendário de 1993, justificando o erro cometido na declaração original, nos seguintes termos ein verbiC\ hrt Igmn _ — MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 Processo n° : 10469.218604/98-17 Acórdão n° : 105-13.382 'A DIFERENÇA DA RETIFICADORA: ' — A original por erro de preenchimento nas linhas 12 nos Quadros 15 e 16 do Formulário I, apresentou o Imposto de Renda e Contribuição Social a pagar. O correto era para deixar em branco, tendo em vista que depois das compensações do Imposto de Renda e Contribuição Social por estimativa conforme mostra o anexo 3 do Quadro 04 das linhas 15 e 21, o resultado ficou Negativo, com este resultado não há Imposto e Contribuição a pagar? É o relatório. tut Ignin MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5 Processo n° : 10469.218604/98-17 Acórdão n° : 105-13.382 VOTO Conselheiro LUIS GONZAGA MEDEIROS NÓBREGA, Relator O recurso é tempestivo e, atendendo os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. Diante do relato dos fatos procedido, resta claro que a pretensão do contribuinte, ao retificar a sua declaração de rendimentos relativa ao ano-calendário de 1993, teve o objetivo único de suspender a inscrição do débito em dívida ativa da União, procedimento que se achava em curso, motivado pelo não recolhimento integral dos valores originalmente declarados a título de imposto de renda e contribuição social devidos no período, tanto que a decisão de fls. 101/103, concluiu pela manutenção da inscrição dos referidos débitos, em conseqüência do não acatamento da retificação pretendida. A apresentação, pelo contribuinte, de novos formulários preenchidos com o fim de retificar a declaração originalmente apresentada, a cada vez que tomava ciência das decisões das autoridades administrativas indeferindo o seu pleito, não poderia, a rigor, ser acatada como manifestação de inconformidade ou recurso voluntário contra o julgamento efetuado, uma vez que as apreciações levadas a efeito nas respectivas oportunidades, se restringiram ao pedido inicial do sujeito passivo, o qual, ao retificar de outras formas a declaração de rendimentos, inovava a cada vez que buscava na instância seguinte, alterar o julgamento procedido, sem, no entanto, se contrapor às suas fundamentações. No entanto, considerando que um dos princípios que norteiam o processo administrativo fiscal, é o da informalidade — o que o diferencia, sobremaneira, do processo judicial — pode-se concluir que o contribuinte ainda que não tenha se utilizado apropriadamente do instrumento recursal, para fazer valer o seu direito, demonstrou a intenção de se contrapor ao julgamento realizado pela instância inferior, ao se dirigir a alo, razão pela qual mlniib a petição o voluntário hrt 091 !gr= C\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 6 Processo n° : 10469.218604/98-17 Acórdão n° : 105-13.382 interposto contra a decisão de 1° grau, em face do conteúdo do citado princípio processual. Quanto ao mérito do litígio, tendo em vista que a decisão do julgador singular se limitou a apreciar a primeira declaração retificadora apresentada pela interessada, tendo mantido o indeferimento do pleito pelas razões sintetizadas no relatório, não contraditadas pela defesa, não há como deixar de negar provimento ao recurso, nos termos em que foi formulado, já que os motivos determinantes do não acatamento do pleito inicial se mantiveram incólumes, devendo prevalecer nesta oportunidade. No entanto, ainda que seja negado provimento ao recurso, tal fato não impede que o Delegado da Receita Federal de Natal — RN, aprecie novamente o pedido de retificação da DIRPJ de que trata os presentes autos, baseado nos novos formulários apresentados pelo contribuinte, tendo em vista as recentes alterações na legislação de regência (Medida Provisória n° 1.990-32, de 08/06/2000 e suas reedições, artigo 18; Instrução Normativa SRF n° 166/1999; e Ato Declaratório SRF n° 10, de 23/02/2000), considerando-se ainda, que os requisitos de certeza e liquidez do débito a ser inscrito na dívida ativa, podem ser ilididos pelo sujeito passivo, na forma do parágrafo único, do artigo 204, do CTN. Dessa forma, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar-lhe provimento, sem prejuízo do reexame da matéria pela autoridade competente, em face da apresentação de uma nova declaração retificadora, conforme esposado acima. Sala das Sessões em Brasília — DF, 05 de dezembro de 2000 QNZAkMEDJR0--S Nóà&EGA hrt Igirm Page 1 _0024100.PDF Page 1 _0024200.PDF Page 1 _0024300.PDF Page 1 _0024400.PDF Page 1 _0024500.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.002239/2002-64
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2005
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Verificada a existência de contradição ocorrido no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO SEM JUROS MORATÓRIOS - Considera-se espontânea a denúncia que precede o início de ação fiscal, e eficaz quando acompanhada do recolhimento do tributo acrescido de juros de mora, se for o caso. Desta forma, o contribuinte, que denuncia espontaneamente, ao fisco, o seu débito fiscal em atraso, recolhendo somente o tributo devido, sem o acréscimo dos juros de mora, não encontra amparo no instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN. TRIBUTO RECOLHIDO APÓS VENCIMENTO SEM ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA - É cabível a exigência da aplicação da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada prevista, no artigo 44, inciso I, § 1º, item II, da Lei nº. 9.430, de 1996, sob o argumento do não recolhimento da multa moratória de que trata o artigo 61 do mesmo diploma legal, visto que, para dispensa dessas penalidades, impõe-se respeitar expresso princípio ínsito em Lei Complementar - Código Tributário Nacional - artigo 138. Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 104-20.507
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão n°. 104-19.428, de 01 de julho de 2003, restabelecendo-se a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso I, § 1°, item II, da Lei n°. 9.430, de 1996, constante do item 1 do Auto de Infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: Nelson Mallmann

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QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Recurso n°. : 133.886 Matéria : EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante : LEILA MARIA SCHERER LEITÃO Embargada : QUARTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. Sessão de : 16 de março de 2005 Acórdão n°. : 104-20.507 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Verificada a existência de contradição ocorrido no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO SEM JUROS MORATÓRIOS - Considera-se espontânea a denúncia que precede o inicio de ação fiscal, e eficaz quando acompanhada do recolhimento do tributo acrescido de juros de mora, se for o caso. Desta forma, o contribuinte, que denuncia espontaneamente, ao fisco, o seu débito fiscal em atraso, recolhendo somente o tributo devido, sem o acréscimo dos juros de mora, não encontra amparo no instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN. TRIBUTO RECOLHIDO APÓS VENCIMENTO SEM ACRÉSCIMO DE MULTA DE MORA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA - É cabível a exigência da aplicação da multa de lançamento de oficio exigida de forma isolada prevista, no artigo 44, inciso I, § 1°, item II, da Lei n°. 9.430, de 1996, sob o argumento do não recolhimento da multa moratória de que trata o artigo 61 do mesmo diploma legal, visto que, para dispensa dessas penalidades, impõe-se respeitar expresso princípio insito em Lei Complementar - Código Tributário Nacional - artigo 138. Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de embargos interpostos por LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão n°. 104-19.428, de 01 de julho de 2003, restabelecendo-se a aplicaçãà,u1/4o MINISTÉRIO DA FAZENDA tstkr-7.1t"- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES4,;kt-so> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 da multa isolada prevista no art. 44, inciso I, § 1°, item II, da Lei n°. 9.430, de 1996, constante do item 1 do Auto de Infração, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ri_e_i_LsterL4a.,04‘„ MARIA HELENA COTTA CARDOZO PRESIDENTE trà ELAT FORMALIZADO EM: 2 2 ABR 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MEIGAN SACK RODRIGUES, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR e REMIS ALMEIDA ESTOL. 2 t,1X,A1 MINISTÉRIO DA FAZENDAf -'41:--,ttr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 Recurso n°. : 133.886 Embargante : LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO Interessada : CITIBANK DISTR. DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S.A. RELATÓRIO A matéria em discussão se refere a Embargos de Declaração, apresentados pela Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão, presidente desta 4° Câmara, assentado no argumento da existência de evidente contradição no julgado, buscando amparo legal no artigo 27 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria n.° 55, do Ministro de Estado da Fazenda, de 16 de março de 1998. O Acórdão questionado foi julgado na Sessão de 01 de julho de 2003, onde os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, acordaram, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência tributária a aplicação da multa isolada (multa de ofício isolada aplicada pela falta de recolhimento da multa de mora e multa de ofício isolada aplicada pela falta de retenção e recolhimento de imposto de renda na fonte). Diante do resultado, a Conselheira-presidente apresenta os Embargos de Declaração de fls. 230/233, alegando, em síntese, o seguinte: - que o Acórdão manifesta-se no sentido de que o artigo 138 do CTN estatui que, no caso de denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do imposto devido e dos juros moratórios, dispensa-se à multa de mora; - que não obstante, quando do julgamento dos juros de mora, especificamente em relação ao item 4do Relatório (fls. 194), sob o título "FALTA DE 3 "" MINISTÉRIO DA FAZENDA •ktar PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES.ctread› 1**,,c=1:: QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 RECOLHIMENTO DOS JUROS DE MORA: Falta de recolhimento dos juros de mora sobre o imposto de renda recolhido com atraso o Acórdão ora embargado sustenta: " Quanto aos juros de mora lançados de forma isolada itens 003 e 004 do Auto de Infração, não prospera os argumentos do suplicante, já que é cabível, a partir de 10 de janeiro de 1997, os juros de mora previsto no artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação."; - que se pode destacar a evidente contradição no julgado. Quando do julgamento da aplicação do art. 138 do CTN, consta no Acórdão que a denúncia espontânea tem aplicação quando o sujeito passivo antecipa à ação fiscal e paga o imposto devido e os juros de mora; - que, no caso, ao validar o art. 138 vislumbrou-se também o pagamento espontâneo dos juros de mora visto o provimento à multa de mora quando do pagamento espontâneo; - que não obstante, floresce a argüida contradição quando o Acórdão mantém o lançamento a titulo de juros moratórios incidentes sobre o pagamento espontâneo, mas em atraso. Ou seja, não houve o pagamento de juros. Por fim, a presidência da Câmara entende evidenciada a contradição determinando o retomo dos autos ao conselheiro relator Nelson Mallmann, para a devida apreciação em plenário. É o Relatório. 4 . - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 VOTO. Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator Inicialmente, se faz necessário, ressaltar que a discussão refere-se ao Despacho de n.° 104-0.103/04, de 31 de agosto de 2004, determinando o retorno dos autos ao Conselheiro-relator para a devida apreciação em plenário sobre os fatos relatados às fls. 230/233, relativo ao Acórdão n.° 104-19.428, de 01 de julho de 2003 (fls. 181/212). A matéria em discussão refere-se aos Embargos Declaratórios, apresentados pela Conselheira-Presidente Leila Maria Scherrer Leitão, assentado no argumento da existência de contradição nos fundamentos do acórdão n.° 104-19.428, fundamentado no texto do artigo 27 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria n.° 55, do Ministro de Estado da Fazenda, de 16 de março de 1998. Impressionou a Conselheira-Presidente embargante o fato de constar no voto condutor do acórdão questionado que o art. 138 do CTN limita a responsabilidade nos casos de denúncia espontânea apenas para o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, por outro lado o Acórdão mantém o lançamento a título de juros moratórias incidentes sobre o pagamento espontâneo, mas em atraso, ou seja, quando do pagamento do imposto em atraso não houve pagamento de juros. Não restam dúvidas, que existe a contradição levantada, desta forma, concluo que ocorreu fato previsto no artigo 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n.° 55, de 16 de março de 1998, no julgamento que 5 4". MINISTÉRIO DA FAZENDAit‘ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 culminou com o Acórdão n.° 104-19.428, de 01 de julho de 2003, de sorte que se faz necessário que a falha seja retificada pela Câmara. Assim, é de se observar que quanto à multa isolada aplicada nos termos do artigo 44, inciso I, § 1°, item II, da Lei n.° 9.430, de 1996, relativo aos itens 001 e 002 do Auto de Infração, ou seja, item 001 - aplicação da multa de lançamento de ofício de 75% exigida de forma isolada, em virtude do recolhimento de imposto de renda na fonte após o vencimento do prazo legal, sem o recolhimento da multa de mora; e item 002 - aplicação da multa de lançamento de oficio de 75% exigida de forma isolada, em virtude da insuficiência na retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte devido a titulo de antecipação pela fonte pagadora, verificado depois de encerrado o ano-calendário do fato gerador, entendo que cabe, somente, razão parcial ao recorrente em razão dos embargos apresentados. Senão vejamos: Quanto ao item 001 - aplicação da multa de lançamento de oficio de 75% exigida de forma isolada, em virtude do recolhimento de imposto de renda na fonte após o vencimento do prazo legal, sem o recolhimento da multa de mora, se faz necessário um esclarecimento em razão do voto proferido por este relator no acórdão embargado. No voto do Acórdão embargado, toda a análise foi efetuada como se o suplicante tivesse recolhido juntamente com o tributo em atraso os juros de mora correspondentes. Naquele voto este relator afirmava, que é entendimento deste Tribunal Administrativo à inaplicabilidade da multa moratória quando houvesse denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 6 zirtrii MINISTÉRIO DA FAZENDA .s#:zir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4:szt,St., QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 Naquela oportunidade manifestei-me da seguinte forma: "A sua inaplicabilidade estaria amparada no argumento chave de que a exigência não pode ser mantida porque padece de vicio de ilegalidade, uma vez que a denúncia espontânea é um beneficio legal outorgado pelo legislador tributário, voltado à exclusão da responsabilidade por infração, e a interpretação do artigo 138 do Código Tributário Nacional é muito clara e dela não podem restar dúvidas, ou seja, que a lei determina a exclusão da responsabilidade com o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, não havendo penalidade imputada ao contribuinte, além dos juros de mora, se houver espontaneidade de sua parte ao denunciar a infração cometida. De nossa parte, não duvidando da dificuldade que o assunto oferta, entendemos que seja incontestável que o instituto da denúncia espontânea é uma oportunidade que a lei concede aos devedores de tributos para regularizarem sua situação, facilitando o trabalho da fiscalização. Diz o Código Tributário Nacional, em seu Capítulo de Responsabilidade Tributária: "Art. 138 - A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único — Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração: Da exegese do mandamento acima, verifica-se que tal dispositivo pertencente ao Código Tributário Nacional, que traça normas ou diretrizes à lei ordinária, prevê e estimula a denúncia espontânea pelo infrator, dispensando-o da penalidade estabelecida em lei. Não existem dúvidas que, no caso concreto, o recorrente recolheu o tributo com atraso, porém antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração. 7 • `4"..=;:::-.;•-, MINISTÉRIO DA FAZENDA sinz...P.5; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 É conclusivo que a razão está com o recorrente, já que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária, ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Sob pena de afronta aos princípios de hermenêutica legal que veda no intérprete distinguir onde o legislador não distingue, a auto denúncia exclui a responsabilidade da infração cometida. Só posso concordar no sentido que a interpretação do dispositivo em questão é muito clara e dela não podem restar dúvidas. A lei determina a exclusão da responsabilidade com o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou seja, não haverá penalidade imputada ao contribuinte, além dos juros de mora, se houver espontaneidade de sua parte ao denunciar a infração cometida, já que sofrer uma penalidade significa a responsabilização do faltoso pela infração cometida e se o artigo 138 do CTN exclui a responsabilidade daquele que auto denúncia uma infração fiscal, logo não poderá o infrator confesso sofrer uma penalidade. Ora, o art. 138 do CTN limita a responsabilidade nos casos de denúncia espontânea apenas para o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, é de se ter desde logo como revogado qualquer dispositivo de lei que, à data da vigência do Código Tributário Nacional, diferentemente dispusesse para exigir também a multa de mora, já que quando o contribuinte procura a repartição antes de qualquer procedimento fiscal para sanar uma irregularidade que confessadamente praticou, no fundo presta um importante serviço ao fisco já que, nesta hipótese, não há necessidade de nenhuma ação fiscal para o recebimento do crédito tributário. Diante disto, os Ministros Membros do Superior Tribunal de Justiça, vêm decidindo sistematicamente que a denúncia espontânea exclui a aplicação da multa moratória, conforme se verifica nos julgados abaixo: 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA lt.;;;Or- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES *st----k-r> QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.00223912002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 "TRIBUTÁRIO. ICM. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. Na forma da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a denúncia espontânea exclui a aplicação da multa moratória (CTN, 138), mesmo em se tratando de imposto sujeito a lançamento por homologação. Recurso especial não conhecido." (Recurso Especial n.° 172.816, de 25/08/98, que deu origem ao Acórdão n.° 98/0030969). "TRIBUTÁRIO. ICM. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA. O Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e mora simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal, sendo inexigível no caso de denúncia espontânea, por força do artigo 138, mesmo em se tratando de imposto sujeito a lançamento por homologação. Recurso Especial conhecido e provido." (STJ, Segunda Turma , RE n.° 169.977, DJU de 04/08/1998). "TRIBUTÁRIO. IRPJ. ATRASO DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. DESCABIMENTO. ART. 138-CTN. PRECEDENTES. 1 . O art. 138-CTN afasta a responsabilidade do contribuinte quando denunciada, espontaneamente," a infração antes de qualquer procedimento administrativo do Fisco, sendo incabível a aplicação da denominada "multa moratória." 2 — Recurso Especial conhecido, porém, improvido." (STJ, Segunda Turma, Resp n.° 208.101, DJU de 21/08/2001). Esse entendimento consolidado do mais alto órgão do Poder Judiciário, na matéria, estabelecendo que a denúncia espontânea exclui a aplicação da multa moratória nos casos de recolhimento de tributos ou contribuições fora do prazo, porém antes do início do procedimento fiscal, importa em reconhecer que os lançamentos de constituição de créditos tributários decorrentes de multa moratória não poderiam ser exigidos, já que o valor jurídico desse ato é desprovido de qualquer eficácia no pleno de direito. Ora, se várias ações foram propostas por contribuintes contra a Fazenda Nacional, objetivando a exclusão da multa moratória em pagamentos ou recolhimentos fora do prazo e o Superior Tribunal de Justiça declarou a não procedência dos processos instaurados pela Secretaria da Receita Federal, órgão responsável pela constituição dos créditos tributários, através do lançamento, tal declaração passa imediatamente a ter validade para 9 .4":4C•44, MINISTÉRIO DA FAZENDA ',4tSS' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 todos os cidadãos, por se tratar de decisão final, irrecorrível e imutável, ou seja, estas decisões são insusceptíveis de alteração, uma vez que não cabem embargos infringentes, porque não são julgados proferidos em apelação ou em ação rescisória, nem embargos de divergência, já que as Turmas do Superior Tribunal de Justiça não divergem entre si nesta matéria. Assim, não há dúvida que ações que versem sobre o mesmo tema, a decisão do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal será a mesma. Já não há mais como se manter tal ônus para o contribuinte, primeiro porque as Cortes Máximas já se pronunciaram pela inaplicabilidade da multa moratória no caso de denúncia espontânea, de outro lado à própria Câmara Superior de Recursos Fiscais vem, de longa data, acolhendo a tese da denúncia espontânea, ou seja, o débito em atraso, acompanhado do pagamento do imposto corrigido e dos juros moratórios, nos termos do art. 138 do CTN, ilide a exigência da multa moratória, conforme se verifica no julgado abaixo transcrito: "DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO — MULTA DE MORA — INAPLICABILIDADE — Denunciado espontaneamente ao Fisco o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, descabe, nos termos do Artigo 138 do CTN, a exigência da multa de mora prevista na legislação tributária. Recurso do Procurador negado." (Acórdão n.° CSRF/02-0.379, DJU de 16/07/97). Da mesma forma, é a jurisprudência nas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme os julgados abaixo transcritos: "IRPJ — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — ATRASO NO PAGAMENTO DE TRIBUTO — DISPENSA DA MULTA DE MORA — O disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional concede o perdão da multa de mora ao contribuinte que, antes de iniciada a ação fiscal, informa seu atraso e recolhe o tributo. (Acórdão n.° 108-06.187, de 20 de outubro de 2000). DENÚNCIA ESPONTÂNEA — MULTA DE MORA POR ATRASO NO PAGAMENTO DE IMPOSTO — Segundo as diretrizes estabelecidas no artigo 138 do Código Tributário Nacional sobre o instituto da denúncia espontânea, o pagamento de imposto ou diferença de imposto devido, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, exclui a aplicação de penalidade, io 1...4 MINISTÉRIO DA FAZENDAitt ti:4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.00223912002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 compreendida nesse conceito genérico a multa de mora. (Acórdão n.° 107- 05.296, de 23 de setembro de 1998). Do exposto, observa-se que não só na esfera judicial foi acolhida a tese da inaplicabilidade da multa moratória, mas também já na própria esfera administrativa, o que, inclusive, redunda em economia processual, pois evita o recurso dos contribuintes ao Judiciário para haver seus direitos. O despacho proferido pelo ilustre Desembargador Federal - Juiz Hermenito Dourado - Presidente do Egrégio Tribunal Federal da 1° Região, que, em sede de Recurso Especial no Processo n.° 92.01.21817-6, contra os argumentos da Fazenda Pública sobre os efeitos das decisões INTER PARTES ou ERGA OMNES, e mais o disposto no art. 52, inciso X, da Constituição Federal, publicado no Diário da Justiça da União de 12 de novembro de 1993, dispensa qualquer comentário a respeito da vinculabilidade das decisões terminativas do Colendo Supremo Tribunal Federal "in verbis": "Por outro lado, embora em nosso sistema jurídico a jurisprudência não obrigue além dos limites objetivos e subjetivos da coisa julgada, sem vincular os Tribunais inferiores aos julgamentos dos Tribunais Superiores, em casos semelhantes ou análogos, os precedentes desempenham, nos Tribunais ou na Administração, papel de significativo relevo no desenvolvimento do Direito. É usual, apesar de desobrigados, os juizes orientarem suas decisões pelo pronunciamento reiterado e uniforme dos Tribunais Superiores. A própria Administração Federal, através do seu órgão próprio - a antiga Consultoria Geral da República -, tem reafirmado ao longo dos tempos o posicionamento de que a orientação administrativa não há de estar em conflito com a jurisprudência dos Tribunais em questão de direito." Conquanto a decisão do STJ não tenha efeitos "erga omnes", ela é definitiva, porque exprime o entendimento do Guardião Maior da Justiça. Oportuno se faz transcrever o ensinamento lapidar de LEOPOLDO CÉSAR DE MIRANDA LIMA FILHO, Consultor- Geral da República, no período de 20/10/60 a 06/02/61, recomendando não prosseguisse o Poder Executivo "a vogar contra a torrente de decisões judiciais" - Parecer C-15, de 13/12/63: "O precedente não obriga a decisão igual, mas apenas a insinua; não impõe a sua observância em casos análogos ou semelhantes se evidente a sua desconformidade com a lei. Ao aplicador da lei, administrador ou juiz, corre o 11 cnri- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 dever de catar-le respeito, que não às decisões proferidas em hipóteses iguais non exemplis sed legibus judicandum est. Sem dúvida, os precedentes, administrativos ou judiciários, devem-se ter em conta, como subsídio prestimoso, no exame de casos semelhantes, merecendo considerados os argumentos, os raciocínios que deram na conclusão que expressam ou sintetizam. Não se hão de desprezar sem razões sérias, meditadas. Ainda que reiterados, constantes, devem considerar-se, sim, mas não se obedecer cegamente, e menos se ver com força de obrigar, de afastar a variação criteriosa e fundamentada da orientação que espelham. Expressam-se errônea compreensão da lei, forçoso será abandoná-los para lhe restabelecer o império. Não dão, à mente que emprestam à lei, o condão de infalibilidade, o selo de irrecorribilidade. (...). O Poder Judiciário não decide sobre as conseqüências ou efeitos possíveis de uma lei considerada em abstrato, mas exclusivamente em face do caso individual levantado ao seu exame. Declara a lei entre as partes; aplica- se no caso concreto, definido. Daí que os preceitos estabelecidos no julgado se circunscrevem aos litigantes para os quais a sentença "terá força de lei nos limites das questões decididas" (art. 287 do Código de Processo Civil). A decisão judicial em dado pleito, portanto, ainda que do Pretório Máximo, não obriga a Administração além do seu exato cumprimento em relação àquele ou àqueles que o suscitaram. Apesar dela, quando chamada a decidir hipóteses iguais, em que outros os interessados, livre será de permitir na orientação adotada, em que pede a opinião contrária do Poder Judiciário. Ante um ou alguns raros julgados, salvo se convencida do acerto, da excelência dos seus fundamentos, a lhe recomendarem adote a orientação judicial, abandonando a que esposaram até então, razão inexistirá para ceder a Administração no sentido que emprestou à lei, passando a perfilhar, ao decidir casos iguais, o que lhe deu o Poder Judiciário. Muito ao contrário, deve insistir no seu ponto de vista, recorrendo, inclusive, aos meios que lhe propiciam as leis para tentar fazê-lo vitorioso nos tribunais. Se, entanto, através de sucessivos julgamentos, uniformes, sem variação de fundo, tomados à unanimidade ou por significativa maioria, expressam os 12 t.k..:-;:t•;;;» MINISTÉRIO DA FAZENDA tor.--,;4Y: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 Tribunais à firmeza de seu entendimento relativamente a determinado ponto de direito, recomendável será não renita a Administração, em hipóteses iguais, em manter a sua posição, adversando a jurisprudência solidamente firmada. Teimar a Administração em aberta oposição à norma jurisprudêncial firmemente estabelecida, consciente de que seus atos sofrerão reforma, no ponto, por parte do Poder Judiciário, não lhe renderá mérito, mas desprestígio, por sem dúvida. Fazê-lo será alimentar ou acrescer litígios, inutilmente, roubando-se, e à Justiça, tempo utilizável nas tarefas ingentes que lhes cabem como instrumento da realização do interesse coletivo." As citadas decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, interpretou, em caráter definitivo, a legislação vigente sobre a matéria de que trata da inaplicabilidade da multa moratória em casos de denúncia espontânea, de modo que, adotar a decisão antes referida, não caracteriza a extensão dos efeitos da mesma contrários à orientação estabelecida pela administração a que se refere o art. 1° do Decreto n.° 73.529/74. Adotar a decisão do STJ, significa, apenas, interpretar a lei na conformidade da interpretação dada pelo mais alto tribunal do País. Ademais, a Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, ao tratar do Auto de Infração sem tributo dispôs: "Art. 43 — Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente à multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 44 — Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 13 e seAk, "-re 'fr • MINISTÉRIO DA FAZENDA t-1.1t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - •, Ir QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.00223912002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 II — (omissis). § 1° - As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II — isoladamente quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III — (...)" Mais adiante, ao tratar da aplicação de acréscimos de procedimento espontâneo, o referido legal dispôs: "Art. 47 — A pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subsequente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já lançados ou declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo." Donde se conclui que, para aquele contribuinte em mora com os tributos e contribuições, a lei estabelece um limite temporal para que ele satisfaça a exigência fiscal apenas com a multa de mora, ao passo que, para o contribuinte que já havia recolhido o tributo ou contribuição fora do prazo, antes do início do procedimento fiscal, mas sem o acréscimo da multa de mora, é penalizado com multa de ofício de 75% sobre a totalidade da exigência tributária, como se nunca houvesse recolhido valor algum. É de se observar que o oferecimento da denúncia espontânea elide a ação fiscal já que a antecipação do contribuinte supera o lançamento de oficio que se impõe para a cobrança de qualquer crédito tributário em face de obrigação descumprida.". Entretanto, não restam dúvidas, nos autos do processo, que o suplicante recolheu somente o valor do tributo, sem os devidos juros de mora, neste caso em especial, entendo inaplicável o art. 138 do CTN, já que os juros de mora não foram recolhidos na 14 t. n .. - .. -itÀ4, t'egt ;; ,- MINISTÉRIO DA FAZENDA tl 3 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10580.002239/2002-64 Acórdão n°. : 104-20.507 época oportuna , tanto é que estão sendo cobrados de ofício neste lançamento a titulo de juros de mora exigidos de forma isolada. Considera-se espontânea a denúncia que precede o início de ação fiscal, e eficaz quando acompanhada do recolhimento do tributo acrescido de juros de mora, se for o caso. Desta forma, o contribuinte, que denuncia espontaneamente, ao fisco, o seu débito fiscal em atraso, recolhendo somente o tributo devido, sem o acréscimo dos juros de mora, não encontra amparo no instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional - CTN. Assim sendo, é cabível a exigência da aplicação da multa de lançamento de ofício exigida de forma isolada prevista, no artigo 44, inciso I, § 1°, item II, da Lei n. ° 9.430, de 1996, sob o argumento do não recolhimento da multa moratória de que trata o artigo 61 do mesmo diploma legal, visto que, para dispensa dessas penalidades, impõe-se respeitar expresso principio insito em Lei Complementar — Código Tributário Nacional — artigo 138, fazendo-se necessário restabelecer a tributação do item 01 do Auto de Infração, por correta aplicação do dispositivo legal ali mencionado. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça, voto no sentido de ACOLHER os embargos apresentados para RERRATIFICAR o Acórdão n°. 104-19.428, de 01 de julho de 2003, para RESTABELECER o item 01 do Auto de Infração (multa de oficio isolada pela falta de recolhimento da multa de mora). Sala das Sessões - DF, em 16 de março de 2005 ir /CN Si rs neNNer. 15 Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1 _0004900.PDF Page 1 _0005000.PDF Page 1 _0005100.PDF Page 1 _0005200.PDF Page 1 _0005300.PDF Page 1 _0005400.PDF Page 1 _0005500.PDF Page 1 _0005600.PDF Page 1

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Numero do processo: 10580.002487/96-14
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 1998
Ementa: FINSOCIAL - DERIVADOS DE PETRÓLEO - Embora a Contribuição para o FINSOCIAL tenha sido recepcionada pela atual Constituição Federal como imposto inominado, a recorrente não logrou comprovar e demonstrar separadamente o montante do faturamento referente à venda das mercadorias classificadas como derivados de petróle. TRD - Os juros de mroa equivalentes à Taxa Referencial Diária somente tem lugar a partir do advento do artigo 3, inciso I, da Medida Provisória nr. 298, de 29/07/91, convertida na Lei nr. 8.218, de 29/08/91. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 201-71628
Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Valdemar Ludvig

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O. U. -- 1 ...)'-^ cs2-0 OS ! 19 50 1 c 4 a 5 C 1 t--- Rubrica •^' • ;•', '4 ‘,(`;n MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES., Processo : 10580.002487/96-14 Acórdão : 201-71.628 Sessão • . 15 de abril de 1998 Recurso : 101.224 Recorrente : CESTÃO SUPERMERCADOS LTDA. J, Recorrida : DRJ em Salvador — BA t , FINSOCIAL - DERIVADOS DE PETRÓLEO - Embora a Contribuição para o FINSOCIAL tenha sido recepcionada pela atual Constituição Federal como imposto inominado, a recorrente não logrou comprovar e demonstrar separadamente o montante do faturamento referente à venda das mercadorias classificadas como derivados de petróleo. TRD - Os juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária somente tem lugar a partir do advento do artigo 3°, inciso I, da Medida Provisória n° 298, de 29/07/91, convertida na Lei n° 8.218, de 29/08/91. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CESTÃO SUPERMERCADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência os encargos da TRD no período de 04.02 a 29.07.91. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Geber Moreira. Sala das Sessões, em 15 de abril de 1998 /14 #igi Luiza , en / a t : ..,•4 - de Moraes Preside ta nIV,<,AIIIIII",,,,, te - .• . _. „ , Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Serafim Fernandes Corrêa, Ana Neyle Olipio Holanda, Jorge Freire e Sérgio Gomes Velloso. Eaal/cf/gb 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10580.002487/96-14 Acórdão : 201-71.628 Recurso : 101.224 Recorrente : CESTÃO SUPERMERCADOS LTDA. RELATÓRIO A empresa acima identificada impugna a exigência consignada no Auto de Infração de fls. 03/09, no valor de 145.243,81 UFIR, acrescida de juros de mora e multa de oficio, referente ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, correspondente aos períodos de março de 1991 a março de 1992. Em sua impugnação apresentada tempestivamente, a contribuinte contesta o lançamento da exação sobre a venda de derivados de petróleo, com base no que dispõe o § 3 0 do artigo 155 da Carta Magna. Insurge-se, também, contra a indexação pela TR no período de abril a dezembro de 1991, e pela UFIR no período de janeiro a março de 1992. A autoridade julgadora singular indefere a impugnação apresentada em decisão sintetizada na seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNDO DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL - FINSOCIAL — FATURAMENTO. As pessoas jurídicas comerciais são contribuintes da Contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, incidente sobre a receita de vendas e serviços, em conformidade com o Decreto-lei n° 1.940/82, Decreto n° 92.698/86, e Medida Provisória n° 1.110/95 e posteriores reedições, que encontram-se plenamente em vigor, estando a Administração obrigada a exigir esta contribuição, nos termos desses diplomas legais e dos atos normativos, praxes ou rotinas relacionados com esta Contribuição." Inconformada com o decidido pela autoridade monocrática, a recorrente apresenta recurso a este Colegiado, reiterando suas razões de defesa já apresentadas na fase impugnatória, referentes à cobrança da TRD, e sobre a incidência do FINSOCIAL sobre a venda de produtos derivados de petróleo. Às fls.54, encontram-se as Contra-Razões apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. É o relatório. 2 4 ? . AM‘''.), ,,,,,,,,, MINISTÉRIO DA FAZENDA AWO '~ SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10580.002487/96-14 Acórdão : 201-71.628 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALDEMAR LUDVIG Tomo conhecimento do recurso por tempestivo e apresentado dentro das formalidades legais. A contribuinte insurge-se contra a exigência da Contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, incidente sobre a venda de produtos derivados de petróleo, com base no que dispõe o § 3° do art. 155 da Constituição Federal, bem como da cobrança da TRD, como juros de mora, no período de março a dezembro de 1991. Em que pese a imunidade constitucional estabelecida pelo citado § 3° do art. 155 e o reconhecimento do Poder Judiciário de que o FINSOCIAL, incidente sobre atividades das empresas comerciais referidas no artigo 1° § 1° do Decreto-Lei n° 1.940/82, com as alterações subseqüentes, tenha sido recepcionado, provisoriamente, na condição de imposto, pelo art. 56 do ADCT, a recorrente busca ai refúgio, sem, no entanto, trazer aos autos nenhum documento que comprove e demonstre o faturamento incidente sobre produtos derivados de petróleo, se restringindo ao campo das alegações. No que se refere à TRD, este Colegiado já consolidou o entendimento de que os juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária somente tem lugar a partir do advento do artigo 3°, inciso I, da Medida Provisória n° 298, de 29.07.91 (DOU de 30.07.91), convertida na Lei n° 8.218, de 29.08.91. Em face do exposto, e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir os encargos da TRD no período de 04.02 a 29.07.91. É o voto. S. . • ,essões, em 15 de abril de 1998 _ /„, i4.-- a .;,, e -----"Ígi~ 4°' S. 3

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4657019 #
Numero do processo: 10580.000336/98-20
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2000
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - EMBARGOS DECLARATÓRIOS - ERRO MATERIAL - ALEGAÇÕES SUBSISTENTES - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO - Verificada a ocorrência de equívoco em acórdão prolatado pela Câmara, retifica-se a sua decisão para adequá-la à realidade da lide, consoante parágrafo 2º do artigo 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do MF. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS LIMITADA A 30% - LANÇAMENTO PROCEDENTE - A compensação de prejuízos anteriores da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido do exercício é integral. As Leis 8.981/95 e 9.065/95 apenas determinaram o percentual e, consequentemente, o momento desta compensação. Os prejuízos de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo não são elementos inerentes da base de cálculo do período de apuração. A limitação, em no máximo, 30%, evidentemente traduz (no primeiro momento) aumento de imposto ou de tributo, porém aumentar imposto não é, em si, inconstitucional, desde que observados os princípios constitucionais. (STJ - REsp. 188.855/GO). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO - DIREITO ADQUIRIDO - INSUBSISTENTE CONFIGURAÇÃO EM FACE DE LEI ULTERIOR - RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA - LEI NOVA E FATOS DE NATUREZA DIVERSA - PRECEDENTES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NÃO ACOLHIDA PELO STF - O controle da constitucionalidade das leis, de forma cogente e imperativa em nosso ordenamento jurídico é feito de modo absoluto pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. A relação jurídica de tributação da Contribuição Social sobre o Lucro é continuativa, incidindo, na espécie, o art. 471, I, do CPC. A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros (STF). A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos postos na Carta Magna, a destacar o da isonomia (STJ - RESP.96213/MG). A Lei n.º 8.034, de 13.04.1990, ao resgatar edições legais pretéritas, erigiu, ao mesmo tempo, exacerbadas inovações na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, distanciando-a, dramaticamente, da prescrita pela Lei n.º 7.689/88. Desta forma e manifestamente atendeu-se ao dualismo que se aponta indispensável. LEI N.º 8.981/95 - INCONSTITUCIONALIDADES DE SUA VIGÊNCIA E EFICÁCIA - PRINCÍPIOS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANUALIDADE - Quando o jornal for colocado à disposição do público, pode ser invocado para efeitos de criar direitos e impor obrigações. Com a publicação fixa-se a existência da lei e identifica-se a sua vigência (STF - 1ª TURMA /97). CSSL - DEPRECIAÇÃO - RESERVA ESPECIAL DE CORREÇÃO MONETÁRIA - LEI 8.200/91 - DECRETO N.º 332/91 - A restrição, como redutor do lucro e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para fins fiscais das parcelas dos encargos de depreciação implica aumento da carga tributária sem autorização legal, ofensa ao regime de competência dos exercícios sociais e alteração do conceito de lucro de que trata o artigo 43 do CTN. (Publicado no D.O.U de 20/06/2000).
Numero da decisão: 103-20287
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, INTERPOSTOS POR MEMBRO DA CÂMARA, PARA RE-RATIFICAR A DECISÃO CONTIDA NO ACÓRDÃO Nº 103-20.267, DE 12/04/2000, QUE PASSA A SER: PÓR UNANIMIDADE DE VOTOS, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E, NO MÉRITO, POR MAIORIA DE VOTOS, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO PARA EXCLUIR DA TRIBUTAÇÃO A VERBA CORRESPONDENTE À DIFERENÇA DO IPC/BTNF, VENCIDOS OS CONSELHEIROS MÁRCIO MACHADO CALDEIRA E MARY ELBE GOMES QUEIROZ MAIA (SUPLENTE CONVOCADA) QUE PROVIAM A MAIOR PARA ADMITIR A COMPENSAÇÃO INTEGRAL DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. DECLAROU-SE IMPEDIDO O CONSELHEIRO VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE. ACOMPANHOU O JULGAMENTO EM NOME DA RECORRENTE O DR. MANOEL MOTA FONSECA, INSCRIÇÃO OAB/BA Nº 503-B.
Nome do relator: Neicyr de Almeida

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MINISTÉRIO DA FAZENDA O' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10580.000336/98-20 Recurso n° 119.348 Matéria : CSSL -ANOS-CALENDÁRIO DE 1993 a 1996 Recorrente : PRONOR PETROQUÍMICA S/A. Recorrida : DRJ em SALVADOR/BA Sessão de : tO de maio de 2000 Acórdão n° :103-20.287 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - EMBARGOS DECLARATÓRIOS - ERRO MATERIAL - ALEGAÇÕES SUBSISTENTES - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO - Verificada a ocorrência de equivoco em acórdão prolatado pela Câmara, retifica-se a sua decisão para adequá-la à realidade da lide, consoante parágrafo 29- do artigo 27 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do MF. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS LIMITADA A 30% - LANÇAMENTO PROCEDENTE - A compensação de prejuízos anteriores da base de cálculo ria Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido do exercício é integral. As Leis 8.981/95 e 9.065/95 apenas determinaram o percentual e, consequentemente, o momento desta compensação. Os prejuízos de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo não são elementos inerentes da base de cálculo do período de apuração. A limitação, em no máximo, 30%, evidentemente traduz (no primeiro momento) aumento de imposto ou de tributo, porém aumentar imposto não é, em si, inconstitucional, desde que observados os princípios constitucionais. (STJ - REsp. 188.855/G0). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO - DIREITO ADQUIRIDO INSUBSISTENTE CONFIGURAÇÃO EM FACE DE LS ULTERIOR - RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA - LEI NOVA E FATOS DE NATUREZA DIVERSA - PRECEDENTES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES - INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NÃO ACOLHIDA PELO STF - O controle da constitucionalidade das leis, de forma cogente e imperativa em nosso ordenamento jurídico é feito de modo absoluto pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. A relação jurídica de tributação Jia Contribuição Social sobre o Lucro é continuativa, incidindo, pa espécie, o art. 471, 1, do CPC. A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros (STF). coisa julgada em matéria tributária nâç produz efeitos além dos 119.34B/MSW06/08C0 Áli , ;:. • 1 e ej.4I MINISTÉRIO DA FAZENDA, : cif-4 ot PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .sset--ei'. --k- -;-: i Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 princípios pétreos postos na Carta Magna, a destacar o da isonomia (STJ — RESP.96213/MG). A Lei n.° 8.034, de 13.041990, ao resgatar edições legais pretéritas, erigiu, ao mesmo tempo, exacerbadas inovações na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, distanciando-a, dramaticamente, da prescrita pela Lei n.° 7.689/88. Desta forma e manifestamente atendeu-se ao dualismo que se aponta indispensável. LEI N.° 8.981/95 - INCONSTITUCIONALIDADES DE SUA VIGÊNCIA E EFICÁCIA - PRINCÍPIOS DA IRRETROATIVIDADE E DA ANUALIDADE - Quando o jornal for colocado à disposição do público, pode ser invocado para efeitos de criar direitos e impor obrigações. Com a publicação fixa-se a existência da lei e identifica-se a sua vigência (STF - 1' TURMA /97). CSSL - DEPRECIAÇÃO - RESERVA ESPECIAL DE CORREÇÃO MONETÁRIA - LEI 8.200191 - DECRETO N.° 332/91 - A restrição, como redutor do lucro e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido para fins fiscais das parcelas dos encargos de depreciação implica aumento da carga tributária sem autorização legal, ofensa ao regime de competência dos exercícios sociais e alteração do conceito de lucro de que trata o artigo 43 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PRONOR PETROQUÍMICA S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos de declaração interpostos por membro da Câmara, para re-ratificar a decisão contida no Acórdão n° 103-20.267, de 12/04/2000, que passa a ser: por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da tributação a verba correspondente à diferença IPC/BTNF, vencidos os Conselheiros Márcio Machado Caldeira e Mary Elbe Gomes Queiroz Maia (Suplente Convocada) que proviam a maior para admitir a compensação integral da base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro i\f,‘ • 119.348/M5R*06/06/C0 2 k , . ,, ' • 'e: I .,», •-,';'..2. - ; MINISTÉRIO DA FAZENDA,, • -:: ir 15 P; - n 1" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336198-20 Acórdão n° :103-20.287 Victor Luís de Saltes Freira Acompanhou o julgamento em nome da recorrente o Dr. Manoel Mota Fonseca, inscrição OAB/BA n° 503-8. t-:::~-17e.....r.,•"--°-'7,-,r;---i4P5-e77: C • n 1: 1, • RODR GU . BER - • R SIDENTE À NEIC nzE ALMEIDA RE i it" / FORMALIZADO EM: 09 JUN 2000 LUIZ 4 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ANDRÉ LUIZ RANCO DE AGUIAR, SILVIO GOMES CARDOZO e LÚCIA R SA SILVA SANTOS. , 119.34381SR•06.36/00 3 k • . r, MINISTÉRIO DA FAZENDA \I • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES --, Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 Recurso n° : 119.348 Recorrente : PRONOR PETROQUÍMICA S/A. RELATÓRIO Retomam a esta Câmara os presentes autos - objeto de apreciação através do Acórdão n.° 103-20.267, prolatado em 12 de abril do ano 2.000, tendo em vista os embargos de declaração do ilustre Conselheiro Márcio Machado Caldeira e o Despacho da lavra do Senhor Presidente desta Câmara ao determinar a recondução do presente processo a julgamento, com fulcro nos artigos 28 e 34, inciso II, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF n.° 55/98. Trata-se, segundo o seu autor, de contradição entre o fechamento do voto e os fundamentos contidos na preliminar argüida e enfrentada pela Câmara, além de omissão no que concerne à matéria abarcando a compensação da base de cálculo negativa da Contribuição Social s/ o Lucro Liquido. Em face do exposto, mister se impõe reproduzir todos os cometimentos do Acórdão inicial, objetivando não comprometer o seu entendimento. Ei-lo: PRONOR PETROQUÍMICA S/A., empresa identificada nos autos deste processo recorre a este Colegiado da decisão proferida pela autoridade monocrática que negou provimento ao seu pleito impugnatório. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUC O. Auto de Infração, de fls. 01/12, no montante de R$ 13.434.297,86, decorr de: 119.348/M5R*06/06/03 4 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES > Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 1) - Consoante Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, de fls. 08/11, a contribuinte deixou de adicionar ao lucro líquido os valores dos encargos de depredação, amortização, exaustão, e do custo de bem baixado a qualquer título, computados em conta de resultado nos referidos exercícios, e que corresponderam à diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF, do ano de 1.990. 2) - Com base no disposto no artigo 58 da Lei n.° 8.981/95, para efeito de determinação da base de cálculo da CSSL, no ano-calendário de 1995, considerou- se, como redução do lucro líquido ajustado - por compensação da base de cálculo negativa - apurada em períodos-base anteriores, o limite máximo de 30% e, no ano- calendário de 1996, todo o valor da base de cálculo negativa remanescente, devidamente corrigida. Ressalve-se a existência de Medida Judicial, onde se questiona a constitucionalidade da CSSL, por parte do contribuinte, através do Mandado de Segurança n.° 8911273-8, em que houve, inclusive, decisão transitada em julgado que lhe foi favorável. Todavia, em conseqüência desta ação, seguiram-se a Apelação em Mandado de Segurança n.° 89.01.16774-3/BA e a Ação Rescisória n.° 93.01.32809- 7/DF, proposta pela União Federal. Cientificada das exigências, em 22.01.1998, manifesta-se irresignada, interpondo a sua impugnação em 19.02.1998. Em síntese são essas as razões de defesa extraídas da peça decisória de primeiro grau: a) houve erro da autuante quando afirmou que foi encerrada em definitivo a Ação Rescisório interposta pela Procuradoria da Fazenda Nacional, pois o que houve foi lulgamento do Recurso Especial por ela interposto na Ação Rescisória o que, todavia não implicou n cessariamente a constitujçAo de COISA JULGADA FORMAL"; 119.34BMSR •0605/03 5 . • .0 9:4 MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘; ?' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336198-20 Acórdão n° : 103-20.287 b) "a decisão do Superior Tribunal de Justiça, e não do Supremo Tribunal Federal como denunciado no auto de infração, negando provimento ao recurso supra, deu-se de forma não unânime, o que de logo abriu oportunidade de nova discussão da matéria mediante o recurso nominado EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA", tendo sido, também, interposto perante o mesmo STJ, Recurso Extraordinário ao Supremo Tribunal Federal, os quais, ainda se encontram pendentes de julgamento; c) assim o sendo a decisão judicial originária, que fez coisa julgada material (e que dispensou a lmpugnante de recolher a C.S.L.L.) permanece imaculada, forte e irradiando seus efeitos contra o fisco; d) estando protegido por uma sentença transitada em julgado, a obrigação tributária não se formou, posto que, para ser exigível, é necessário a sua certeza e liquidez, e, enquanto o fato estiver pendente de discussão no âmbito judiciário, não se cristalizou a certeza e a liquidez da referida obrigação; e) se o artigo 62 cio Decreto n.° 70.235/72 em consonância com o artigo 59 da Constituição Federal impede a Administração Federal de constituir o crédito tributário quando a exigibilidade estiver suspensa, "não há qualquer sombra de dúvida de que o fisco não pode autuar o contribuinte que goza de uma decisão definitiva (transitada em julgado) cujo caráter de provisoriedade foi definitivamente afastada pela superveniánda da coisa julgada"; O enquanto a ação rescisória ainda estiver em tramitação, ou seja, não houver uma sentença definitiva, entende que está dispensada de cumprimento de quaisquer obrigações tributárias (quer principal quer acessória), afigurando-lhe cristalina a ofensa à coisa julgada pelo lançamento de ofício dos AFTN's; g) "apesar da vedação legal acima exposta e das sanções impostas em lei determinando a punição no âmbito Penal de prepostos da Fazenda Pública que excedem o seu 'munus' efetuando cobranças indevidas ou exarceba das, há uma insistência pôr parte do autuante, insensível às informações prestadas pela impugnada, acerca da pendência de recurso na ação rescisório, em levar a cabo os seus atos ilegais, incorrendo, sem sombra de dúvida, na prática do CRIME DE EXCESSO DE EXAÇÃO, crime este de natureza pública incondicionadaN; h) "apenas no intuito de não deixar sem resposta as alegações de fiscalização constante do auto de infração que impugnamos, pôr amor ao debate, ressaltamos que, mediante intimação da Secretaria da Receita Federal, procedemos a um 'exercício aritmético/fiscal' de fornecemos uma suposta base de cálculo da CSLL, caso a contribuição fosse devid,apela empresa, utilizando- 119.343/MSR'06/06/C0 6 , ; • • , - 41 - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336198-20 Acórdão n° : 103-20.287 nos da forma de cálculo e apuração que julgamos ser a procedente, tendo em vista uma interpretação sistemática e jurídica de toda a legislação de regência quer norteia a matéria"; r) "os efeitos inflacionários reconhecidos pela Lei n.° 8.200/91 são aplicáveis também à CSLL, pois essa Lei nada mas fez do que reconhecer a inflação de fato existente à época e que não foi refletida na sua integralidade nos índices oficiais, o que impactaria o recolhimento da CSLL, caso houvesse sido assimilado pelo índice. Portanto, onde a lei não concedeu tratamento diferenciado (e a Lei 8.200/91 não restringiu a extensão dos seus efeitos somente ao IR) não cabe ao decreto (hierarquicamente inferior) fazê-lo;" e j) no tocante a dedução integral da base de cálculo negativa, "entende que caso fosse lançar a CSLL teria o direito adquirido a realizar tal dedução, de acordo com a legislação vigente à época da apuração da base negativa, que corresponde à época da ocorrência do fato gerador.° Finalizando, requer a improcedência e o conseqüente cancelamento do auto de infração em epígrafe. A autoridade monocrática, através do seu Ato Decisório, sob o n.° 807, de 30.11.1998, lavrou a seguinte sentença, sintetizada em suas ementas de fls. 166/67: "Coisa Julgada. Sentença Rescisório. Efeitos. Lavratura do Auto de Infração. Cabimento. Rescindida a sentença que desobrigava do recolhimento da Contribuição Social slo Lucro por força dos juízos ali expressos: o "rescidens", de natureza constitutiva; e o "rescisorium", de natureza declaratórá; os seus efeitos são sex nunc" e "ex tunc", sendo, portanto, restabelecido o vinculo jurídico obrigacional "ex lege", e, em face do disposto no art. 497 do Código de Processo Civil, não é necessário se esperar pelo trânsito em julgado da sentença rescisório para a realização do lançamento; ademais se não se verificou nenhuma das hipóteses de suspensão de exigibilidade do crédito tributário prevista no artigo 151 do CTN. Diferença de correção entre o IPC e o BTN fiscal. Oferecimento à tributação. Legalidade do § 22 do art. 41 Dec. 332/91. A lei n.° 8.200/91 ao permitir o reconhecimento da diferença entre o IPC e o BTN Fiscal, ocorrida no período-base de 1990, somente para fins fiscais e no âmbito do Lucro Real, restringiu sua aplicação a 119.343/MSR*06/0610) 7 g. :" t MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 apuração do Imposto de Renda, não contemplando a base de caiai. da Contribuição Social s/o Lucro. Assim; é inaplicável ao caso alegação de ilegalidade daqueles dispositivos que, regulamentando z. matéria, determinaram a adição, na base de cálculo da Contribuição Social sio Lucro, dos encargos de depreciação, amortização e baixa de bens resultante da diferença de correção entre o IPC e o BTN Fiscal computados nas contas de resultado para se anular a influência destes ajustes no lucro líquido. Compensação da Base de Cálculo Negativa da Contribuição social sio Lucro. Limitação de 30% do Lucro Líquido Prevista no Artigo 58 da Lei n.° 8.981/95. • Ofensa ao Direito Adquirido. Descabimento. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência, mas dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Argüição de ofensa ao direito adquirido descabida por tratar-se de matéria de natureza constitucionaL" Cientificada da decisão singular em 10.02.1999, por via postal (AR de fls. 172), apresentou a sua peça recursal em 12.03.1999, constante de fls. 178/204. Em síntese são estas as razões recursais: a) Que a recorrente, apercebendo-se de máculas que atestavam a inconstitudonalidade da nova exação, ajuizou ação, buscando ver declarada a total inconstitucionalidade da novel legislação em comento. Tal pleito foi totalmente acolhido pelo Poder Judiciário, através da decisão proferida pelo TRF da 1 ! Região, já transitada em julgado; b) diante de tal decisão, e à vista da orientação final do S.T.F., que declarou a inconstitucionalidade da exação tão-somente em relação ao período-base de 1988, a Procuradoria da Fazenda Nacional ajuizou a Ação Rescisóri n.° 93.01.32811-9, buscando reformar os efeitos do Acórdão já tran do em julgado. 1 19.343/114 SR*06/06AX) 8 n MINISTÉRIO DA FAZENDA . 4r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336198-20 Acórdão n° : 103-20.287 c) em 18.10,1994, a referida Ação Rescisório foi julgada procedente pela 2§ Turma do TRF da 1 4 Região, por cinco votos a quatro; d) segue-se interposição de Recurso Especial perante o Superior Tribunal de Justiça e Recurso Extraordinário perante o Supremo Tribunal Federal, ambos com efeito suspensivo, que ora se encontram no aguardo de novo pronunciamento judicial. O Exm° Ministro Dr. Ari Pargendler, apreciando o efeito suspensivo do Recurso Especial interposto pela recorrente assim afirmou de forma categórica: 'Até que o Recurso Especial seja definitivamente julgado — ou o recurso extraordinário, se for o caso — a Fazenda Pública efetivamente não pode cobrar tributo que um acórdão, com trânsito em julgado, diz inexigível." Verifica-se, pois, que a decisão transita em julgado continua a irradiar seus efeitos até a presente data, só devendo ser desconstituida após decisão definitiva proferida no âmbito da Ação Rescisório ft° 93.01.32811-9. Isto posto, verifica-se que o referido lançamento fiscal carece de suporte legal. e) A proteção à coisa julgada é dada pela Constituição Federal de 1988) explicitando o seu artigo 52, inciso XXXVI; colaciona o inteiro teor do artigo 62 do Decreto n.° 70.235112. Portanto, o fisco não poderia autuar contribuinte que goza de uma decisão definitiva, transitada em julgado; f) cita em sua defesa, parecer da Douta Procuradora Regional da República, Déborah Macedo Duprat de Britto Pereira, proferido em Mandado de Segurança n.° 1997.01.00.043624/Ba., quando assinala que os efeitos da coisa julgada se estendem até o julgamento definitivo da ação rescisório, inviabilizando a constituição de crédito tributário e a sua respectiva cobrança até que tal 'são se verifique. E 119.3481MSR"06106/03 9 e 1 .4. " . - ''' • . el MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,• 2 ..,%.:. yult, .) -3; 4 ..;'n Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 I continua: Considerando que, na hipótese, ainda pendem de julgamento recursos extraordinário e especial contra acórdão proferido em ação rescisória, os efeitos da coisa julgada anteriormente verificada ainda persistem. , Quanto ao mérito da exigência, assevera que o trabalho fiscal deixou de levar em conta os efeitos da Lei n.° 8.200/91 sobre a base de cálculo da CSSL. Como é sabido, com o advento da Lei n.° 8.200/91, houve reconhecimento por parte do legislador de que os índices referentes ao BTNF não mediram de forma correta a inflação do período. Colaciona várias ementas deste Conselho acerca da temática. Por fim, a recorrente discorda da decisão proferida também no que tange à questão de limitação de 30% na compensação de bases de cálculos negativas. Tal limitação fere princípios basilares do Direito Tributário, tais como o princípio da continuidade, o direito adquirido à compensação integral, contrariando frontalmente o conceito de lucro, calcado no princípio da capacidade contributiva, bem como o princípio da anterioridade. I Bem ao contrário, o modo de utilização das bases de cálculo negativas apuradas até o ano-base de 1994, há de ser regido pelo sistema então vigente —e não pelo sistema novo. Cuidando-se de bases de cálculo negativas já apuradas, ou, 1 noutros termos, de fatos jurídicos já realizados, a recorrente já havia adquirido o direito de compensá-las em sua integridade com as bases positivas dos tributos a que se referem, respeitado tão-somente o limite temporal da lei antiga. A situação jurídica daqueles prejuízos já estava consolidada quando do advento d. Medida Provisória n.° 812/94, que procurou desvirtuá-la. i , 119.348/MSR*06/06/C0 10 • 1t . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - Processo n° :10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 Sem acréscimo patrimonial efetivo, afinal, não pode haver lucro, razát que determina a necessidade da compensação integral das bases de cálculo negativas. O entendimento de que o direito à compensação de bases positivas e negativas não é um beneficio gratuito que o fisco concede aos contribuintes, mas fato que decorre da própria continuidade da pessoa jurídica e do conceito de lucro. A restrição legal, quando aplicada, descapitaliza a sociedade e transforma a CSSL em contribuição sobre o patrimônio, ofendendo o conceito de lucro, mas ainda a própria capacidade contributiva da recorrente. Por derradeiro, o diploma legal ora em análise (Lei n.° 8.981/95), foi inserida no Diário Oficial de 31 de dezembro de 1994 - um Sábado, portanto, dia em que as repartições públicas não funcionam - mas, como noticiou a imprensa, só foi efetivamente trazida ao público no dia 2 de janeiro do ano em curso, porque a impressão só teve termo às 19:30 min. da data do Diário que a veiculou. Dessa forma, as restrições sobre o limite de prejuízos apurados só poderiam vigorar a partir do ano seguinte ao de sua real publicação, ou seja, a partir de 1996. O art. 150, III, b, da CF/88, garante à recorrente, de um lado, a não incidência da lei tributária publicada num mesmo exercício financeiro; o art. 84, determina, por seu turno, a necessidade da publicação como condição de eficácia do ato normativo — necessidade que, de resto, já seria intuitiva, por comum a todo ato jurídico em relação ao seu destinatário. Requer, no capítulo denominado Do Pedido, seja dado provimento ao presente recurso voluntário. Colaciona, às fls. 205/211, Liminar em Mandado de Segurança, exonerando-a do depósito recursal de que trata a Medida Provi ória n.° 1.621/97. É o relatório. 119.348AISRXXX600 11 ( s ' MINISTÉRIO DA FAZENDA g' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES > Processo n° :10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 VOTO Conselheiro NEICYR DE ALMEIDA, Relatar O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Em atenção ao Despacho do ilustre Presidente desta Câmara, em face dos Embargos Declaratórios tecidos pelo I. Conselheiro Dr. Márcio Machado Caldeira, apresso-me em esclarecer as dúvidas apontadas. Não há o que objetar quanto aos embargos argüidos acerca do Acórdão103-20.267, de 12.042000 - Recurso n° 119.348. Dessa forma, impõe-se reproduzir toda a matéria tecida e ajustar a sua decisão à manifestação unânime da Câmara. I - PRELIMINAR DE NULIDADE. a) DA OFENSA À COISA JULGADA MATERIAL. Trago à colação cópia de voto já proferido por este relator em inúmeros julgados, versando sobre a mesma matéria. Ei-lo: O ponto basilar em que se apoia a peça recorrida reside, na órbita do direito positivo, na exegese do artigo 156 do Estatuto Tributário, em seu inciso X. In verbis, assim se posiciona o comando legal: "Artigo 156 - Extinguem o crédito tributário: (4; X- a decisão judicial passada em julgado." O Egrégio Supremo Tribunal Federal em sessão plenária, de 06.10.1992,decidindo o RE-135047/PE, DJ de 20.11.1992, apffftp se expressou: 119.343/MSW0506/013 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 `1 - Inconstitucionalidade, apenas, do art.8. da Lei 7.689, de 15.12.88. RREE n.° 146.733-SP, relator Ministro Moreira Alves, 29.06.92, e 138.284-CE, Relator Ministro Carlos Valioso, 01.07.92. II - R.E. conhecido (letra "b") e provido, em parte; reconhecida a inconstitucionalidade, apenas, do art. 8. Da lei n.° 7.689/88." Nessa mesma direção, o notável voto do Ministro Relator Gados Mário Valioso, do STF, RE n.° 138284-8/CE, quando, por unanimidade, EM 01.07.1992 - DJ de 28.08.92, declarou-se a inconstitucionalidade do art. 8 2 da Lei n.° 7.689/88 por ofensa ao princípio da irretroatividade (DJ de 28.08.1992): "EMENTA: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI N.° 7.689, DE 15112/1988. - Contribuições parafiscais: contribuições sociais, contribuições de intervenção e contribuições corporativas. CF, art. 149. Contribuições sociais de seguridade social. CF, atis. 149 e 195. As diversas espécies de contribuições sociais. II - A contribuição da Lei 7.689, de 15112/1988, é uma contribuição social instituída com base no art. 195, 1, da Constituição. As contribuições do art. 195, 1, da Constituição, não exigem, para a sua instituição, lei complementar. Apenas a contribuição do § 4 2 do mesmo art. 195 é que exige, para a sua instituição, lei complementar, dado que essa instituição deverá observar a técnica da competência residual da União (CF art. 195, § 4 2, CF, art. 154, I). Posto estarem sujeitas à lei complementar do art. 146, III, da Constituição, porque não são impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes (CF, art. 146, III, a). III - Adicional ao imposto de renda: classificação desarrazoada. IV - Irrelevância do fato de a receita integrar o orçamento fiscal da União. O que importa é que ela se destina ao financiamento da seguridade social (Lei 7.689/88, art. 12). V - Inconstitucionalidade do art. ffl, da Lei 7.689/88, por ofender o princípio da irretroatividade (CF art. 150, III, a) qualificado pela inexigibilidade da contribuição dentro do prazo de noventa dias da publicação da lei (CF, art. 195, § Vigência e eficácia da lei: distinção. VI - Recurso extraordinário conhecido mas improvido; declarado ; inconstitucionalidade apenas do art. EP da Le' 7.689, de 1988." II 9.348/NISR*06/06/C0 13 I. .4. ""4. ...I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES nciir; Processo n° :10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 A Resolução do Senado Federal sob o n° 11, de 04 de abril de 1995, conferindo efeitos erga omnes à decisão declaratória incidental de constitucionalidade extirpou do mundo jurídico, por sua vez, o artigo 82 da Lei 7.689, de 5 de dezembro de 1988, a seguir transcrito- 'Art. 82 - A contribuição social será devida a partir do resultado apurado no período-base a ser encerrado em 31 de dezembro de 1988.31 Dessa forma, o plenário do STF reputou válida a instituição da Contribuição Social sobre o Lucro, salvo o seu comando sob o signo do artigo 82 considerado inexigível retroativamente sobre o lucro do exercício de 1988, por contrariar a regra de inconstitucionalidade mitigada, contida no artigo 195, § 62, da Constituição Federal de 1988. Tem-se, então, não-configurada a violação integral da norma em face do dispositivo constitucional, erigindo-se a ocorrência do seu fato gerador, sem quaisquer cumulatividades e convalidado por veiculo normativo ordinário. A questão basilar do presente processo não escapou à acuidade da douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando, através do Parecer PGFN / CRJN / n.° 1.277/94, reverberou, pertinentes, as ricas manifestações jurisprudenciais que, a seguir, transcreve-se: 'Decisão Judicial em ação ordinária, com alegação de coisa julgada contrária a Fazenda Nacional, acerca da Contribuição Social sobre o Lucro das Pessoas Jurídicas, mas em desacordo com posterior Acórdão do STF, que considerou constitucional os preceitos da Lei n.° 7.689, de 15.12.88, com exceção do art. EP. Tendo sucedido alterações nas normas, de cuja incidência a relação tributária decorre, justifica-se o lançamento e a cobrança do crédito em relação a fatos geradores ocorridos posteriormente às modificações legislativas, incidindo, na espécie, o art. 471, I, do CPC. A Delegada da Receita Federal no Distrito Federal noticia que o Ban de Brasília S.A. - BR8 - não vem recolhe a Contribuição Socia 119.348/M8R*06/06/00 14 1 .• : • "1 ,f; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 sobre o Lucro, por força do Acórdão da 3 11 Turma do Egrégio Tribunal Federal da 1° Região, de 11 de novembro de 1991, que, por ocasião do Julgamento de remessa ex officio n.° 89.01.16151-6-DF, decidiu pela inconstitucionalidade da Lei n.° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, que instituiu a referida exação, tendo sucedido o trânsito em julgado em 18 de fevereiro de 1992 Admite a inviabilidade do ajuizamento de ação rescisório, tendo em vista o transcurso de dois anos contados do trânsito em julgado da Decisão, muito embora, o Excelso Tribunal Constitucional do País tenha julgado constitucional a Lei n.° 7.689/88, a partir dos fatos geradores ocorridos em 1989. Solicita a esta Procuradoria-Geral informações quanto ao procedimento a ser adotado para a cobrança do gravame. De início, noticie-se que, em tema de ação declarató ria, a 1° Turma do Augusto Pretória no Julgamento do RE n.° 99.435-1, Relator Ministro RAFAEL MAYER, decidiu que "a declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros". (in "R. LI." 106/1.189) Esse entendimento foi ratificado pelo Plenário, no julgamento da Ação Rescisório n.° 1.239-9-MG, cujo Relator, o Ministro CARLOS MADEIRA, acolheu o Parecer do então Procurador-Geral da República, o hoje Ministro SEPCILVEDA PERTENCE, pela improcedência da ação. No referido julgado, o Emérito Ministro MOREIRA ALVES esclareceu que "não cabe ação declaratória para efeito de que a declaração transite em julgado para os fatos geradores futuros, pois a ação dessa natureza se destina à declaração da existência, ou não da relação jurídica que se pretende já existente. A declaração da impossibilidade do surgimento de relação jurídica no futuro porque não é esta admitida pela Lei, ou pela Constituição, se possível de ser obtida pela ação declaratória, transformaria tal ação em representação de interpretação ou de inconstitucionalidade em abstrato, o que não é admissivel em nosso ordenamento jurídico." (in "Revista Jurídica" n.° 159 - jan/91, p.39) Mesmo se admitíssemos a tese da restrição da Súmula n.° 239 do S.T.F., no sentido de que se de uma decisão transitada em julgado, numa ação declaratória, que se coloca no plano da relação de direito tributário material, para dizer da inconstitucionalidade da pretensão do Fisco, decorre coisa julgada a impossibilitar a renovação, em cada exercício, de novos lançamentos e cobranças do tributo, impende ponderar, por outro lado, que tal efeito não prevalece na hipótese de advir mudanças das relações jurídico-tributária - pelo advento de novas 119.348/MSR*06106/C0 15 1 .4' MINISTÉRIO DA FAZENDA ..."-'•, ;r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 normas jurídicas e de alterações nos fatos, com os seus novos condicionantes. Assim, a sres judicata" proveniente de decisão transitada em julgado em uma ação declaratória, em que se cuidou de questões situadas no plano do direito fiscal material, não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência, tratando-se de relação jurídica continuativa, como preceitua o inciso I, do art. 471, do C.P.C. • Adapta-se corno uma luva ao que acabamos de dizer a segunda parte da Ementa do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no Julgamento do Recurso Extraordinário a° 83.225-SP, 'ipsis verbis": "2) A coisa julgada não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Embargos rejeitados" (In "R.T.J." 921707). Cumpre também, noticiar o entendimento do Procurador-Regional da Fazenda Nacional em Pernambuco Dr. ANTÔNIO GALVÃO CAVALCANTI FlLBO, exposto no Ofício PRFN/PE n.° 406192, no sentido de que, tomando-se mansa e pacífica a jurisprudência que reconhece a constitucionalidade da legislação da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, verificar-se-ia mudança no estado de fato em relação jurídica de trato sucessivo, hospedada no art. 471, I, do Código de Processo Civil, não havendo de antepor, na matéria, a couraça impermeável da coisa julgada, passando a ter, pois, fomento jurídico a cobrança da exação, independentemente de ação rescisória, ressalvados os efeitos jurídicos dos fatos efetivamente consumados. Reforça esta posição, a transcrição de trecho do voto do Ministro COSTA LEITE, no Julgamento da la. Turma do sempre Egrégio Tribunal Federal de Recursos da AC n.° 81.915-RJ (in RTFR 160/59/61), "verbis": "A coisa julgada, como ensina Frederico Marques, é suscetível de um processo de integração, decorrente de situação superveniente, a que deve o juiz atender, tendo em conta a natureza continuativa da relação jurídica decidida." Aliás, a primeira parte da Ementa da AC supracitada traz o seguinte entendimento: "Tratando-se de relação jurídica de caráter continuativo, não prospera a exceção de coisa julgada, nos termos do art. 471, do CPC°. Neste ponto, vale ressaltar que a Lei n.° 7.689, de 15.1288, foi alterada por preceptivos jurídicos novos de vários Diplomas Legais, cabendo citar, apenas a titulo ilustrativo, os arts. 41, § Y e 44 da Lei n.° 8.383, de 30 de dezembro de 1991; e o art. 11 da Lei Complementar n.° 70, de 30 de dezembro de 1991, c/c os arts. , § 19 e 23 § 19, da Lei a° 8.212, de 24 de julho de 1991. 1 9.34811ASECOMI6/03 18 t's'cu MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4-144, Processo n° : 10580.000336198-20 Acórdão n° :103-20.287 Ressalte-se, outrossim, que a Lei Complementar n.° 70/191, no seu att 111 manteve as demais normas da Lei n.° 7.689/88 com as alterações posteriormente introduzidas. Ademais, desde a Decisão do Excelso Pretório no Julgamento do Recurso Extraordinário n.° 138284-8-CE, a jurisprudência pátria passou a reconhecer mansa e pacificamente a constitucionalidade da Lei n.° 7.689/88, com a exceção do seu art. EP. Impende transcrever recente Decisão do Pretório Excelso, confirmando o entendimento de decisões anteriores no que respeita ao âmbito dos efeitos da coisa julgada em ação declaratória: "Coisa julgada - âmbito - Mesmo havendo decisão em que se conclui pela inexistência de relação jurídica entre o Fisco e o contribuinte, não se pode estender seus efeitos a exercícios fiscais seguintes." (Plenário do STF - E. Ded em Em. Diver. em RE n.° 109.073-1-SP, Rel. Min. ILMAR GAL VÃO Jul. 11.293). Desse modo, penso que seda do interesse público o lançamento de créditos da Contribuição Social sobre o Lucro em relação ao BRB e e conseqüente cobrança administrativa, ocasião em que seria expresso o entendimento da Administração da não prevalência da coisa julgada em benefício do BRB, diante de alterações nos fatos e nas normas, e tendo em vista, ainda, que a relação jurídica de tributação da Contribuição Social sobre o Lucro á continuativa, incidindo, na espécie, o art. 471, 1, do CPC. Sofrendo o contribuinte a notificação dos lançamentos pertinentes, poderá anuir com argumento de que não seria beneficiado, no caso, com a exceção da coisa julgada, pagando os créditos decorrentes, ou poderá impugnar os lançamentos até esgotar a via administrativa, sendo-lhe facultada o acesso ao Poder Judiciário para ver esclarecido o mal alcance do Acórdão transitado em julgado do Tribunal Federal da 1° Região, tendo em vista que a matéria não se mostra assentada. Insta ponderar que, em relação às decisões transitadas em julgado, antes da jurisprudência pátria se tomar assente acerca da constitudonalidade da legislação da Contribuição Social sobre o Lucro das empresas, não seria cabível ação rescisória fundada em ofensa a literal disposição da Lei n.° 7.689/88, tendo em vista os verbetes das Súmulas n.° 343 do Supremo Tribunal Federal e a° 134, do Egrégio Tribunal Federal de Recursos. Transcrevam-se as Súmulas supracitadas: Súmula n.° 343 do STF - "Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais". Súmula n.° 134 do TFR - "Não cabe rescisória por violação de literal disposição de lei se, ao tempo em que foi prolatada a sentença 119.343/MSR*06/0603 17 çck . ' , . • ' • . • . . O )4k 4, . • ..1 '-. -. , MINISTÉRIO DA FAZENDA.!.:1-"$ Yfr ---;.? PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 rescindenda, a interpretação era controvertida nos tribunais, embora se tenha fixado favoravelmente à pretensão do autor". Contudo há entendimentos no sentido de que essas Súmulas não podem ser invocadas em matéria constitucional. Sugere-se, por fim, o envio de ofícios à Procuradoria da Fazenda Nacional no Distrito Federal e à Procuradoria-Regional da Fazenda Nacional na 1° Região, para que informem sobre os recursos interpostos no caso examinado, ou os motivos de omissão. Diante do exposto, conclui-se que, tendo havido alterações das normas que disciplinam a relação tributária continuativa entre as partes, não seda cabível, no caso, a alegação da exceção da coisa julgada em ralação a fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas, sendo do interesse público o lançamento e a cobrança administrativa ou judicial dos créditos decorrentes.° Como se depreende dos autos, a recorrente ao fulminar as Leis n.°. ,7.689/88 e 7.737/89, esta datada de 03.07.1989, teve a sua tese acolhida por acórdão que transitou em julgado, em 25 de fevereiro de 1992. Ocorre que a Lei n.° 7.856, de 24.10.1989, superveniente, em seu artigo 22 e parágrafo único, restabeleceu, a partir do exercício seguinte (1990), a exação das instituições financeiras, especificamente, quando restou exigido o aumento da alíquota da citada contribuição de 12% (doze por cento) para 14% (quatorze por cento) - aquela definida no artigo 3 2 da Lei n° 7.689/88. No mesmo sentido se pontificaram as Leis n.° 7.738, de 09 de março de 1989 e. 8.034, de 12.04.1990 (alteração da base de cálculo). Portanto, a coisa julgada a que se refere a contribuinte não tem pertinência com a exação da Lei 7.856/89, ou com as Leis n° 7.738/89 e 8.034190 - aquela primitiva, até então, com eficácia nos domínios dos anos-base de 1988 e 1989. Do Sr. Ministro do STF, Moreira Alves, no RE (100.888-1, destaca-se o seguinte trecho: '‘k 119348/MS"653p7 59 18 , • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,,,t(tef> Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 'A declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de norm atividade a abranger eventos futuros.' Na mesma diretriz, a manifestação unânime da Primeira Turma do Colendo Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o RESP. 194276/RS, relativamente ao processo n.° 98/0082416-2, DJ de 29.03.1999, de cujo voto condutor do eminente Ministro José Delgado extrai-se a seguinte ementa: 2 A Súmula a° 343, do STF, há de ser compreendida com a mensagem específica que ela contém: a de não ser aplicada quando a controvérsia esteja envolvida com matéria de nível constitucional. 3.A coisa julgada tributária não deve prevalecer para determinar que o contribuinte recolha tributo cuja exigência legal foi tida como inconstitucional pelo Supremo. O prevalecimento dessa decisão acarretará ofensa direta aos princípios da legalidade e da igualdade tributárias. 4. Não é concebível se admitir um sistema tributário que obrigue um determinado contribuinte a pagar tributo cuja lei que o criou foi julgada definitivamente inconstitucional, quando os demais contribuintes a tanto não são exigidos, unicamente por força da coisa julgada." Do voto do relator, colaciona-se o seguinte trecho: NA soberania do Poder Judiciário em construir a coisa julgada não é absoluta. Ela há de ser exercida até os limites postos pela Carta Magna. Não entendendo-se assim, se outorgar ao juiz força maior do que a possuída pela Constituinte, por se reconhecer que a decisão por ele, juiz, proferida, mesmo contrária à Constituição, prevalecerá. Venho afirmando em meus escritos e decisões, com a devida vénia dos que têm entendido diferente, que a função do direito aplicado pelo Poder Judiciário é, exclusivamente, a de ordenar, impondo segurança e con fiabilidade nas relações jurídicas. Essa missão torna-se mais categórica quando o Poder Judiciário é chama o para regular relações 119.348/MSW06O90Z 19 ,- ttt MINISTÉRIO DA FAZENDA ?-• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 jurídicas de direito público, em face de não lhe ser possível criar comportamentos que fujam dos limites impostos pela legalidade objetiva e prestigiada pela CF. Não concebo o atuar de qualquer ordenamento jurídico que não seja na forma de Sistema. Se assim não atuar não é ordenamento e não expressa função harrnonizadora a ele exigida. Impossível, consequentemente, que uma decisão judicial importe em criar privilégios no âmbito das relações jurídicas, impositivos tributários, permitindo que uma empresa não pague determinado tributo, mesmo que o seja por período certo, enquanto outras empresas são obrigadas a pagá-lo, apenas, porque, de modo contrário ao assentado pelo Supremo Tribunal Federal, uma decisão judicial assim impõe. O prevalecimento da sentença transita em julgado, em tal hipótese, quando atacada por ação rescisória, seria provocar um desrespeito à ordem jurídica, cuja estrutura e finalidade estão voltadas para a promoção da justiça. Esta, por sua vez, só será alcançado se a todos for emprestado o sentimento da igualdade e de segurança. Não se invoque, como é comum se fazer, a segurança jurídica estabelecida pela coisa julgada. A segurança jurídica, por ela tratada é a de natureza processual, isto é, a surgida em decorrência do pronunciamento judicial, não sujeita, portanto, a modificações se não existir uma razão superior de ordem constitucional a descaracterizar essa força. É de ser lembrado que a Constituição Federal, fiel a esse sistema hierárquico que se acaba de demonstrar, protege a coisa julgada, apenas, face aos efeitos de lei ordinária e ele posterior. Essa característica bem demonstra o cunho processual da segurança jurídica estabelecida pela coisa julgada, tornando-se instável perante a vontade legislativa, por se prestigiar a independência do Judiciário como poder, não se permitindo que outra lhe tire os efeitos de suas , decisões. Não me impressiona, nem me influencia a alegado aplicação da Súmula n.° 343 do STF, sobre a questão em debate. Entendo que ela, em se tratando de tema envolvendo constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não tem eficácia. Outrossim, ela só se faz presente, ao meu pensar, quando se trata de texto legal de, interpretação controvertida nos tribunais e referente a relações jurídicas de direito privado. Estas, como é sabido, não ão sujeitas a princípios 119.349/4SWO6C69 20 e • e e • 'Y MINISTÉRIO DA FAZENDA %‘; $ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 cogentes, presentes no corpo da Carta Magna, salvo o concernente ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e a coisa julgada. No trato de confronto de lei com a Constituição Federal, de acordo com o nosso sistema imposto pela nossa Carta Magna, só o Supremo Tribunal Federal tem competência absoluta para se pronunciar, declarando, com força obrigatória, a sua constitucionalidade ou inconstitucionalidade. A declaração de inconstitucionalidade assumida pelos tribunais de segundo grau, não tem a mesma potencialidade de imperatividade da oriunda pelo Supremo Tribunal Federal pela ausência de efeito definitivo absoluto e por aqueles não terem a competência outorgada pela Carta Magna de serem obrigados a guardarem a Constituição, como a possuída pela Colenda Corte (art. 102, CF)? Convém sobrelevar que um dos pilares para a propositura da ação judicial a que se alude, onde fundamentalmente se animou a contribuinte como causa peticionária, reside no fato de a Lei n° 7.689/88 ter criado imposto e não contribuição social (fls. 10, 35 e seguintes). A decisão transita em julgado agasalhando a fundamentação acolheu o desiderato em sede de ação Ordinária. Permanecendo perfilhado à tese esposada pelo Egrégio Tribunal, vale dizer, em plena correspondência com o pedido e o julgado, há de se avocar a súmula 239, de 16.12.1963, do Excelso Pretório que, In verbis, assim se manifesta em seu decisório: "Decisão que declara indevida a cobrança de imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores." Não há como desprezar, alinhando-se ao suscitado, a exegese do artigo 468 do Código de Processo Civil (CPC) que se transcreve, in totum: "Art. 468 - A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas? Ora, se o tratamento dado pela impetrante à CSSL era o de imposto - pçoposição acolhida integralmente pela decisão transitada pm julgado, infere-se 119.341/M8R*0610303 21 .7 • MINISTÉRIO DA FAZENDA -* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ••; • Processo n° :10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 estarmos, agora, com a superveniência das Leis n° 7.856/89 e 7.738/89, frente a legislação distinta e fatos de natureza diversa - aquela entendida pelo S.T.F. como exação inserta no gênero tributo (não da espécie imposto). Eis, diante de nós, dois pilares básicos que objetam o pleito recursal. Ao reverso do afirmado pela litigante, estou convencido, a par do exposto, que a sentença a que se alude por certo também não apreciou a eventual incidência da norma sobre fatos futuros, ou sobre créditos vincendos (após 1989). Tomemos a exegese da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988, mais especificamente em seu artigo 22, normatizada pela IN-SRF n° 198, de 29.12.1988: 'Art. 22 - A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda,- Obs.: A IN/SRF n.° 198/88 definiu a base de cálculo como o valor positivo do resultado do exercício, já computado o valor da contribuição social devida (...). °§11? - Para efeito do disposto neste artigo: a) - será considerado o resultado do período-base encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) - no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) - o resultado do período-base, apurado com observância da legislação comercial será ajustado pela: 1. exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de património líquido; 2. exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como . receita; 3. exclusão do lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art. 12, § 12, do Decreto-lei n.° 2.413, e 10 de fevereiro de 119.343MISR*06K6C0 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA sk PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 1988, apurado segundo o disposto no art. 19 do Decreto-lei n.° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e alterações posteriores. 4. adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido." A Lei n.° 8.034, de 12.04.1990, com eficácia a partir de 14 de julho de 1990, resgatou edições legais pretéritas a esse teor e inovou, significativamente, a composição da base de cálculo até então vigente para as pessoas jurídicas submetidas à apuração do lucro real, enfatizando-se as seguintes inclusões defluentes de seu texto legal (art. 29): ?...); 1. adição do valor da reserva de reavaliação, baixado durante o período-base, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do período; 2. adição do valor das provisões não dedutíveis na determinação do lucro real, exceto a provisão para o imposto de renda; • 3. (.-.); 4. (..,); 5. exclusão do valor das provisões adicionadas, na forma do item 3 que tenham sido baixadas no curso do período-base; 6. dedução das participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados (art. 72 da IN n.° 90, de 15-07-92)." Observe-se que as alterações a esse título não se quedaram incólumes, merecendo destaques outras modificações anteriores, tais como as prescritas pelo art. 42, §42 da Lei n° 7.799, de 10.07. 1989; art. 72 da Lei n° 7.856, de 24.10.1989; e art. 1 .9, inciso II da Lei n.° 7.988, de 28.12.1989. Como corolário, a coisa julgada resta descaracterizada pela tangência de dois vetores indissociáveis: lei superveniente e fatos de natu a diversa. A Lei 1 19.3461MSR*060X0 23 •• MINISTÉRIO DA FAZENDA ;bY PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo ri° :10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 n° 8.034, de 13,041 990, ao erigir uma nova base de cálculo para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, dramaticamente distante da regida pela Lei ri? 7.689/88, manifestamente atendeu ao dualismo que se aponta indispensável. Portanto, a coisa julgada a que se refere a contribuinte não tem pertinência com a exação imposta, pois o seu caráter não se irradia a outros exercidos e nem ataca lei nova, a exemplo das Leis 7.738/89 (arts. 16 e seguintes), 7.799/89 (art. 42), 7.856/89 (arts. r e 72), 7.988189 (art. 1 2), 8.034/90 (art. ri), 8.114/90 (art. 11), Decreto n.° 332/91 (art. 41), 8.212/91 (arts. 22 e 23), 8.383/91 (arts. 44 e 45), 8.541/92 (arts. 38 e 39), Complementar n.° 70/91 (art. 11), Emenda Constitucional de Revisão n.° 1194 (art. 1 2), 8.981/95 (arts. 57 a 59), 9.065/95 (arts. 1 2 e 16), 9.249195 (arts. 22, 19 e 20), Emenda Constitucional n.° 10, de 04 de março de 1996 (art. r), 9.316/96 (todos os artigos), 9.430/96 (arts. 92 a 14 e 28) - mas se aprisiona na dimensão temporal da sentença contemplativa dos exercícios abarcados pela Lei 7.689/88; melhor dizendo: goza de eficácia nos anos-base de 1988 e 1989. Ademais, a Lei n.° 4.657, de 04 de setembro de 1942 (LICC), em seu artigo 1 2, § 42, salienta que as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. Trago à colação, o magistério do ínclito tributarista José Carlos Barbosa Moreira, em artigo publicado na Revista Forense, vol. 246, pág. 31: "A titulo de ilustração, vale a pena aplicar a algumas hipóteses o princípio expressamente consagrado pelo novo código. A) O contribuinte X propõe contra o Fisco ação declaratória negativa de dívida tributária, em relação a determinado exercício, argüindo a inconstitucionalidade da lei que instituíra o tributo. O juiz acolhe o pedido, por entender que tal lei era realmente inconstitucional. A solução dessa questão de direito constitui motivo da decisão: sobre ela se forma a coisa julgada. Com referência a outro exercício e a outra dívida -, é licito ao órgão judicial reapreciar a questão, eventualmente para considerar constitupfonal a mesma lei e j Igar, por isso, que o tributo é devido por X 119.348/MS11'06/C603 4 .. •• . . . . • • • e; L • 4_ MINISTÉRIO DA FAZENDA . ,, • ..:- 4 n - 44 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° :10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 Das lições do eminente doutrinador, professor Gilmar Ferreira Mendes, extraio o seguinte trecho de seu estudo sobre Coisa Julgada e Efeitos Vinculantes: A declaração de nulidade de urna lei não obsta à sua reedição, ou seja, a repetição de seu conteúdo em outro diploma legal Tanto a coisa julgada quanto a força de lei específica (eficácia 'erga omnes, não lograram evitar esse fato. Como fecho dos julgados, assinale-se a ementa ao EDRESP 939651DF (1996/0024656-4) - DJ, de 09.12.1997, STJ, Relator Ministro Ari Rargendler: 'Processo Civil. Ação Rescisório. Matéria Constitucional. Saiu. 343/8TF. Se o pretório excelso declarou constitucional lei que, antes, o TRF havia reputado inválida, aja/gado deste deve ser rescindido ainda que, à época, o tema fosse controvertido (SUM. 343/STF); a procedência da ação rescisório, nesse caso, independe da juntada aos autos do acórdão proferido pelo plenário do Tribunal "a qual no incidente de inconstitucionalidade. Embargo de Declaração Rejeitados." , Ainda que no limite extremo do hipotético prevalecessem os argumentos expendidos pela contribuinte, essa não ficaria a salvo eternamente da obrigação tributária a que recusa submissão, a não ser com um abominável desrespeito ao principio pétreo da igualdade o qual consiste em dar tratamento igual aos iguais. Enfim, o julgado não tem caráter de imutabilidade para os eventos fiscais futuros, frise-se. Isto posto, rejeito esta preliminar meritória suscitada. b) INCONSTITUCIONALIDADES DA VIGÊNCIA E EFICÁCIA DA LEI N.° 8.981/95 (Medida Provisória n° 812/94) t119.3413/MSRM6C6/C0 25 , S I • . • , .4) - MINISTÉRIO DA FAZENDA :N P PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 Não obstante as argumentações trazidas à baila pela autoridade monocrática, subsistem, acerca do tema, as mesmas inconformações preambulares dispostas pela recorrente, em sede de recurso. Imperioso enfrentá-la a despeito das conclusões finais acerca das indagações pontuais da exação. Em face do exposto, em defesa do meu voto trago à colação, ementa da lavra do ínclito Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dr. limar Gaivão, em seu voto prolatado no Recurso Extraordinário n.° 205.726-6/PE, em 14.10.97 - Primeira Turma, e que, por unanimidade de votos, acordaram os seus membros em não tomar conhecimento do recurso extraordinário interposto pela empresa Mama Importação Exportação e Construção Ltda.: 'Imposto de Renda. Atualização pela UFIR. Lei n.° 8.383/91. Eficácia. Inexistência de afronta aos Princípios da Irretroatividade e da Anualidade." • Publicada a Lei n.° 8.383 no dia 31.12.91, quando o jornal foi colocado à disposição do público, pode ser invocada para efeitos de criar direitos e impor obrigações. Com a publicação fixa-se a existência da lei e identifica-se a sua vigência. O argumento da recorrente no sentido de que o Diário Oficial que a publicou circulara efetivamente em outra data, além de não haver sido provado nos autos, é irrelevante para o caso. Perfilho-me, pois, aos que sufragam o princípio de que a lei entra em vigor na data de sua publicação, e não de sua circulação, verificando-se que a publicidade da lei repousa mais precisamente na ficção jurídica - artificialidade do conhecimento da lei, do que propriamente no exato conhecimento da mesma a quem é destinada. Superado este preâmbulo, percorramos as veredas a exigência fiscal. itiperninein 26 1%; - • . . MINISTÉRIO DA FAZENDA• C.". PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • -2.r;.: • Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 li-QUANTO AO MÉRITO. a) DIFERENÇA DO IPC/BTNF. A matéria de fundo, no âmbito deste Colegiado, não tem comportado divergência, mercê de sua interpretação disseminada e uníssona defluente de suas diversas Câmaras, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Também esposam o mesmo desfecho as decisões judiciais exaradas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por suas diversas Turmas, e por unanimidade. Colaciono, mais uma vez, trechos dos reiterados votos por mim proferidos em casos análogos. Ei-los: Por julgar tangido pelo mesmo desígnio, transcrevo parte do voto do preeminente Ministro Celso de Mello do Supremo Tribunal Federal no exercício de Relator em Ação Direta de Inconstitucionalidade - 712/DF, de 07.10.92, acerca da constitudonalidade da Lei n° 8.200/91, aprovado por unanimidade pelo Tribunal Pleno daquela Corte: Assim se posicionou a decorrente Ementa, reproduzida, aqui, parcialmente: "O exercício do poder tributário, pelo Estado, submete-se por inteiro, aos modelos jurídicos positivados no texto constitucional que, de modo explícito ou implícito, institui em favor dos contribuintes decisivas limitações à competência estatal para impor e exigir, coativamente, as diversas espécies tributárias existentes. Os princípios constitucionais tributários, assim, sobre representarem importante conquista político-jurídica dos contribuintes, constituem expressão fundamental dos direitos individuais outorgados aos particulares pelo ordenamento estatal. Desde que existem para impor limitações ao poder de tributar do Estado, esses postulados tem por destinatário exclusivqç poder estatal, que se subm e à imperatividade de suas restrições. 119.348/MS1MS/06A:O 27 • . . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA • .1t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10590.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 O princípio da irretroatividade da lei tributária deve ser visto e interpretado, desse modo, como garantia constitucional instituída em favor dos sujeitos passivos da atividade estatal no campo da tributação. Trata-se, na realidade, à semelhança dos demais postulados inscritos no art. 150 da Carta Política, de princípio que - por traduzir limitação ao poder de tributar - e tão-somente oponível pelo contribuinte à ação do Estado. Em princípio, nada impede o poder público de reconhecer em seu texto formal de lei, a ocorrência de situações lesivas à esfera jurídica dos contribuintes e de adotar, no plano do Direito Positivo as providências necessárias à cessação dos efeitos onerosos que, derivados, exemplificativamente, da manipulação, da substituição ou da alteração de índices, hajam tornado mais gravosa a exação tributária imposta pelo Estado. A competência tributária da pessoa estatal investida do poder de instituir espécies de natureza fiscal abrange, na latitude dessa prerrogativa jurídica, a possibilidade de fazer editar normas legais que, beneficiando o contribuinte, disponham sobre a suspensão ou, até mesmo sobre a própria exclusão do crédito tributário." Como fonte secundária de regras jurídicas, o decreto regulamentar tem, por escopo, a explicitação das leis não auto - aplicáveis, dando-lhes curso operacional, mormente quando os textos legais não permitirem, isoladamente, a sua execução. É a conclusão que se retira da dicção do artigo 99 do Estatuto Tributário, aqui transcrito, in verbis: "O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta lei? O tributarista ROQUE ANTONIO CARRAZA traça os seguintes comentários a respeito da lei e da faculdade regulamentar, em sua obra 'Curso d direito constitucional tributário", Malheiros Editores, 4. ed., São Paul 1993, p. 198/199, "in verbis": 11 9.34S/MSR*06/06C0 28 I . . v, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES R !"; > Processo n° :10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 'O princípio da Legalidade foi rebustecido na nova Constituição, por seu art. 49, V, que atribui ao Congresso Nacional (..) competência para sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do Poder Regulamentar ou dos limites da delegação legislativa. Em suma, os regulamentos, no Brasil, devem apenas executar a lei. Também em matéria tributária, o único regulamento aceito por nossa Constituição é o executivo que, subordinando-se inteiramente à lei (lato sensu) limita-se a prover sua fiel execução isto é, a dar-lhe condições de plena eficácia, sem, porém, criar ou modificar tributos. O regulamento (veiculado por decreto ou instrução) deve estar, em nosso sistema jurídico, sempre subordinado à lei a qual se refere. Não podem ser contra legem nem praeter lecrem. nem ultra levem. nem, é claro, extra lecrem, mas, exclusivamente intra tecem e secundum levem Assente estes cenários prévios - jurisprudencial e legal, passemos, estritamente, à consideração da peça impositiva: A primeira exação consubstancia-se no artigo 3 2 da Lei n° 8.200/91 e no art. 41 do Decreto 332/91. A segunda, estriba-se nos artigos r e 45 (caput) e § 32, respectivamente da mesma Lei e Ato regulamentador. Ambos têm, como origem confluente, o artigo 39 do Decreto n.° 332/91 que, a seguir, reproduzo na integra: "Para fins de determinação do lucro real, a parcela dos encargos de depreciação, amortização, ou do custo de bem baixado a qualquer título, que corresponder à diferença de correção monetária pelo IPC e pelo BTN Fiscal, somente poderá ser deduzida a partir do exercício financeiro de 1994, período-base de 1993." A teor, pois, do artigo 39 em comento, criou-se, ao arrepio da lei, diferimento de dedutibilidade dos custos/despesas em tela. Repudi e, por outro lado, usaamvps/osto 29 '. . . . . .. . 20 c'-.k.. 2-'* : ;.,* MINISTÉRIO DA FAZENDA • • • xr ...;".• • . / - ...e PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • ', :14.•,;;; d- Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 qualquer extensão interpretativa do artigo 3 2 da Lei n° 8.200/91 acerca do tratamento a ser dado aos encargos de depreciação ou amortização, já que este artigo, de duvidosa carga de legalidade como já se demonstrou, só adiou a dedutibilidade do saldo devedor da correção monetária. Portanto, com maior razão, rechaço, de plano, a invocação deste e daquele artigo para consumação do desiderato acusatório. Contrário senso, seria admitir-se, por decreto, a revogação, ainda que tácita, da regra insculpida no art. 57 da Lei 4.506/64 - matriz legal do artigo 198 do RIR/80, reiterado pelo artigo 248 do RIR/94, determinando-se que os custos incorridos pelo uso e desgaste do ente permanente da empresa fossem reconhecidos em períodos subsequentes, contrariando o regime de competência consagrado na literatura fisco-tributária, sobrelevando-se exemplar carga de inconsistência nas demonstrações financeiras da contribuinte, sem falar em ofensa ao conceito de lucro derivado do artigo 43 do C.T.N. Se não-revogada, como se conclui, estaríamos convivendo com legislações, a um só tempo, disciplinadoras de entes que não se harmonizam - 1 antagonizam-se, timbrando, no âmbito de sua pertinência, de mixórdia legal a colimação impositiva. 1 No dizer do eminente Ministro Celso de Mello, em Acórdão retro- colacionado, o conceito da irretroatividade da Lei n.° 8.200/91 deve ser visto e interpretado como garantia constitucional instituída em favor dos sujeitos passivos. Quando o poder público reconhece em lei, a ocorrência de situações lesivas à esfera jurídica dos contribuintes, deve, neste mesmo ou por outro veiculo afim, instrumentalizar remédios para erradicação dos efeitos onerosos da manipulação, da ik substituição ou da alteração de índices que tomem mais gravos s exações. 1 itorsireasysoa 30 , , . . . -t# MINISTÉRIO DA FAZENDA • fr '".At PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES :;.a•t:t> Processo n° : 10580.000336198-20 Acórdão n° :103-20.287 Ora, se a Lei n° 8.200/91, ainda que intempestiva, objetivou escoimar tais discrepâncias, consagrando o principio da neutralidade em sua adoção, não pode o decreto regulamentador, ainda mais extemporâneo, inovar e subtrair-lhe tal conquista, arvorando-se na esteira da ilegalidade, como se demonstrou, contrariando, frontalmente, o que dispôs o STF - Pleno, em Acórdão já assinalado. De outro lado, o Superior Tribunal de Justiça, pela sua Primeira Turma, esposa, similarmente, a mesma interpretação aqui expendida: sol - Recurso Especial n.° 170394/CE, DJ de 23.11.1998, p. 130: Ementa: TRIBUTÁRIO. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. LEI 8200/91 E DECRETO N.° 332/91. Relator Ministro José Delgado. Decisão unânime: 'O artigo 41, por sua vez, estabelece em seu corpo restrições não explicitadas pela Lei n.° 8.200/91. Restrição imposta pela norma regulamentadora a tais posições extrapola a função específica a ser exercida no mundo jurídico.' 02 - Recurso Especial 174410/CE, DJ de 21.09.98, p. 096: Ementa: TRIBUTÁRIO. DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS. ANO-BASE DE 1990. DIFERENÇA DE CORREÇÃO ENTRE O IPC E BTNF. ART. 32, I, DA LEI 8.200/91. ARTS. 39 E 41 DO DECRETO 332191. 'O art. 41, do Decreto 332/91, por sua vez, dispõe que o resultado da correção monetária não influirá na base de cálculo da contribuição social (Lei n.° 7.689188) e do imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido (Lei n.° 7.713188, art. 35).Mas de forma diferente dita a lei regulamentada: o § 5-9, do art. 22, da Lei n.° 8.200/91, determina: "O disposto nos §§3Q e 42, deste artigo aplica-se, inclusive, à determinação da base de cálculo da contribuição social (Lei n.° 7.689, de 15 de dezembro de 1988), e do imposto de renda na fonte incidente sobre o lucro líquido (Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 35)". Em consequência, vislumbra-se a restrição imposta pela norma regula mentadora, o que ext pola a sua funçãà específica a ser exercida no mundo juridico'." 119.34144SR•0610500 31 i é (4, 24 ' ; ' e MINISTÉRIO DA FAZENDA„ n .=," ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES :;•;rifer¡i Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20287 Em face do exposto não vejo como prosperar tais exigências, salvo se olvidar o mais comezinho principio de submissão à lei e à sua melhor interpretação. b) DO LIMITE À COMPENSAÇÃOA DO PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSSL. Como já se discorreu, preliminarmente, a matéria suscitada não desborda das questões eminentemente de direito. Inúmeros são os julgados do egrégio Superior Tribunal de Justiça — todos na mesma direção, ao sedimentar de forma inquestionável a procedência dos dispositivos legais consubstanciados nos artigos 58 e 16, respectivamente das leis 8.981195 e 9.065/95. A seguir, transcrevo dentre as várias, algumas dessas ementas: "RESP 1683791PR - Proc. 98/0020692 -DJ Data: 10/08/1998 - PG: 00037 Relator Ministro Garcia Vieira - PRIMEIRA TURMA Ementa: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOAS JURÍDICAS - COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS - LEI N° 8.921/95. A Medida Provisória n° 812, convertida na Lei n* 8.981/95, não contrariou o princípio constitucional da anterioridade. Na fixação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais excedentes a 30% poderá ser efetuada, integralmente, nos anos calendários subsequentes. A vedação do direito à compensação de prejuízos fiscais pela Lei n° 8.981/95 não violou o direito adquiri o, vez que o fato 119,34e8S1r0603C0 32 • , a:* MINISTÉRIO DA FAZENDA• Nk PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • > Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 gerador do imposto de renda só ocorre após o transcurso do período de apuração que coincide com o término do exercício financeiro. RESP n° 188.855/G0 - Proc. 9813068783-1 Relator Sr. Ministro Garcia Vieira - PRIMEIRA TURMA Ementa: TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO - PREJUÍZOS FISCAIS - POSSIBILIDADE A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31/12194 não compensados, poderá ser utilizada nos anos subsequentes. Com isso, a compensação passa a ser integral." • Do voto do relator, destacamos: *Como se vê, referidos dispositivos legais limitaram a redução em, no máximo, trinta por cento, mas a parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31/12/94, não compensados, poderá ser utilizada nos anos subsequentes. Com isso, a compensação passa a ser integral. Esclarecem as informações de fls. 65/72 que: Outro argumento improcedente é quanto à ofensa a direito adquirido. A legislação anterior garantia o direito à compensação dos prejuízos fiscais. Os dispositivos atacados não alteraram este direito. Contínua a impetrante podendo compensar ditos prejuízos integralmente. É certo que o art. 42 da Lei 8.981/95 e o art. 15 da Lei 9.065195 impuseram restrições à proporção com que estes prejuízos podem ser apropriados a cada apuração do lucro real. Mas é certo, que também, que este aspecto não está abrangido pelo direito adquirido invocado pela Impetrante. Segundo a legislação do imposto de renda, o fato gerador deste tributo é do tipo conhecido como complexivo, ou seja, ele apenas se perfaz após o transcurso de determinado período de apuração. A lei que haja sido publicada antes deste momento está apta a alcançar o fato gerador ainda pendente e obviamente o Muro. A tal respeito prediz o art. 105 do CTN: "An'. 105 - A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim enten os aqueles cuja 119.34940R.06106100 33 - , » • MINISTÉRIO DA FAZENDA j PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • L ga:„ '; Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do art. 116.' A jurisprudência tem se posicionado nesse sentido. Por exemplo, o STF decidiu no R. Ex. n° 103.553-PR, relatado pelo MIN. OCTAVIO GALLOTTI, que a legislação aplicável é vigente na data de encerramento do exercício social da pessoa jurídica. Nesse mesmo sentido, por fim,' a Súmula n°584 do Excelso Pretório: 'Ao imposto calculado sobre os rendimentos do ano-base, aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração.' Assim, não se pode falar em direito adquirido porque não se caracterizou o fato gerador. Por outro lado, não se confunde O ILICM real e o lucro societário. O primeiro é o lucro líquido do preço de base ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pelo Regulamento do Imposto de Renda (Decreto-lei n° 1.585177, artigo 60). Esclarecem as informações (fis. 69111) que: 'Quanto à alegação concernente aos arts. 43 e 110 do CTN, a questão fundamental, que se impõe, é quanto à obrigatoriedade do conceito tributário de renda (lucro) adequar-se àquele elaborado sob as perspectiva econômicas ou societárias. A nosso ver, tal não ocorre. A lei 6.404/76 (Lei das S.A) claramente procedeu a um corte entre a norma tributária e a societária. Colocou-as em compartimentos estanques. Tal se depreende do conteúdo do § 2°, do art. 177: Art. 177 (...) § 2°. A companhia observará em registros auxiliares, sem modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objetivo, que prescrevam métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem a elaboração de outras demonstrações financeiras.' (destaque nosso) Sobre o conceito de Lucro o insigne Ministro ALIOMAR BALEEIRO assim se posiciona, citando RUBENS GOMES DE SOUZA: 'Como pondera RUBENS GOMES DE SOUZA, se a Economia Política depende do Direito para impor praticamente suas conclusões, o Direito não depende da Economia, nem de qualquer ciência, para se tornar obrigatório: o conceito de renda é fixa o livremente pelo 119.348/MSR*06/06C0 34 ^ . • 4 k.MÇ-. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20287 legislador segundo considerações pragmáticas, em função da capacidade contributiva e da comodidade técnica de arrecadação. . Serve-se ora de um, ora de outro dos dois conceitos teóricos para fixar o fato gerador". (in Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 1995, pp. 183-184)' (destaque nosso). Desta forma, o lucro para efeitos tributários, o chamado lucro real, não se confunde com o lucro societário, restando incabível a afirmação de ofensa ao art. 110 do CTN, de alteração de institutos e conceitos do direito privado, pela norma tributária ora atacada. O lucro real vem definido na legislação do imposto de renda, de forma clara, nos arts. 193 e 196 do RIRI94, 'in verbis': "Art. 193 - Lucro real é o lucro líquido do período-base ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Regulamento (Decreto-lei n° 1.598/77, art. 6°) § 2° - Os valores que, por competirem a outro período-base, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro liquido do período-base em apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período base competente, excluídos do lucro liquido ou a ele adicionados, respectivamente, corrigidos monetariamente. (Decreto-lei n° 1.598/77, art. 6°, 54'). Art. 196 - Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro do período-base (Decreto-lei 1.598/77, art. 6°, 53°): til - o prejuízo fiscal apurado em períodos-base anteriores, limitado ao lucro real do período da compensação, observados os prazos previstos neste Regulamento (Decreto-lei 1.598/77, art. 6°).' (grifamos). Faz-se mister destacar que a correção monetária das demonstrações financeiras foi revogada, com efeitos a partir de 1°.01.96 (arts. 4° e 35 da Lei 9.249/95). Ressalta-se, ainda, quanto aos valores que devam ser computados na determinação do lucro real, o que consta de normas supervenientes ao R1R/94. Há que compreender-se que o art. 42 da Lei 8.981/95 e o art. 15 da Lei 9.065,95 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gera sor, no seu aspecto 119 348/MSR*06/06903 35 - . • `o. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -;41 Processo n° : 10580.000338198-20 Acórdão n° : 103-20.287 temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributa-se. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. 'Dal que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivos bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores." Conclui-se não ter havido vulneração ao artigo 43 do CTN ou alteração da base de cálculo, por lei ordinária. A questão foi muito bem examinada e decidida pelo venerando acórdão recorrido (fls. 136/137) e, de seu voto condutor, destaco o seguinte trecho: "A primeira inconstitucionalidade alegada é a impossibilidade de ser a matéria disciplinada por medida provisória, dado principio da reserva legal em tributação. Embora a disciplina da compensação seja hoje estritamente legal, eis que não mais sobrevivem os dispositivos da MP 812/95, entendo que a medida provisória constitui instrumento legislativo idôneo para dispor sobre tributação, pois não vislumbro na Constituição a limitação apontada pela Impetrante. O mesmo se diga em relação à pretensa retroatividade da lei e sua não publicação no exercício de 1995. Como dito, a disciplina da matéria está hoje na Lei 9.065195, e não mais na MP n° 812194, não cabendo qualquer discussão sobre o Imposto de Renda de 1995, visto que o mandado de segurança foi impetrado em 1996. Publicado o novo diploma legal em junho de 1995, não se pode validamente argüir ofensa ao princípio da irretroatividade ou da não publicidade em relação ao exercício de 1996. De outro lado, não existe direito adquirido à imutabilidade das normas que regem a tributação. Estas são mutáveis, como qualquer norma jurídica, desde que observados os princípios constitucionais que lhes são próprios. Na hipótese, não vislumbro as alegadas inconstitucionalidades. Logo, não tem a Impetrante direito adquirido ao cálculo do Imposto de Renda segundo a sistemática rRvoQada. ou seja, 119.3481MSR,36/0603 36 +. . MINISTÉRIO DA FAZENDA t‘ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES (41> Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° :103-20.287 compensando os prejuízos integralmente, sem a limitação de 30% do lucro líquida Por último, não me convence o argumento de que a limitação configuraria empréstimo compulsório em relação ao prejuízo não compensado imediatamente. Para sustentar sua tese, a impetrante afirma que o lucro conceituado no art. 189 da Lei 6.404/76 prevê a compensação dos prejuízos para sua apuração. Contudo, o conceito estabelecido na Lei das Sociedades por Ações reporta-se exclusivamente à questão da distribuição do lucro, que não poderá ser efetuada antes de compensados os prejuízos anteriores, mas não obriga o Estado a somente tributar quando houver lucro distribuído, até porque os acionistas poderão optar pela sua não distribuição, hipótese em que, pelo raciocínio da Impetrante, não haveria tributação. Não nega a Impetrante a ocorrência de lucro, devido, pois, o Imposto de Renda. Se a lei permitia, anteriormente, que dele fossem deduzidos, de uma só vez, os prejuízos anteriores, hoje não mais o faz, admitindo que a base de cálculo do IR seja reduzida, pelo mecanismo da compensação, em no máximo 30%. Evidente que tal limitação traduz aumento de imposto, mas aumentar imposto não é, em si, inconstitucional, desde que observados os princípios estabelecidos na Constituição. Na espécie, não participo da tese da Impetrante, cuja alegação de inconstitucbnalidade não acolho. CONCLUSÃO: Oriento o meu voto no sentido de se acolher os Embargos Declaratórios, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para excluir da base tributável as verbas atinentes à diferença de correção monetária IPC/BTNF aqui exigidas. Sal -\* e Sess. -s - DE, em 10 de maio de 2000 NEICY MEIDA 119.34MASR,5W 37 • • " •. MINISTÉRIO DA FAZENDA• J • ..‘ 41. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10580.000336/98-20 Acórdão n° : 103-20.287 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria Ministerial n° 55, de 16/03/98 (D.O.U. de 17/03/98). Brasília - DF, em 09 JUN 2000 • CÂNDIDO RODRI UEB NEUBER PRESIDENTE Ciente em, 1 74 jUNI NUA AP EVANDR• COSTA MA PROCURADOR DA ' AZENDA NACIONAL 119.345/MSR*06/C6C0 38 Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023100.PDF Page 1 _0023300.PDF Page 1 _0023500.PDF Page 1 _0023700.PDF Page 1 _0023900.PDF Page 1 _0024100.PDF Page 1 _0024300.PDF Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024900.PDF Page 1 _0025100.PDF Page 1 _0025300.PDF Page 1 _0025500.PDF Page 1 _0025700.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1 _0027300.PDF Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1

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4654246 #
Numero do processo: 10480.002902/00-52
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IR-FONTE - PRELIMINAR DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA - Descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e comprovação está a cargo do sujeito passivo. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO - A pessoa jurídica que não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços referidos em documentos emitidos por pessoas jurídicas consideradas ou declaradas ineptas, ou ainda, pagamentos respaldados em documentos, tributariamente, ineficazes, sujeitar-se-á ao pagamento do imposto de renda na fonte. Preliminar rejeitada. Recurso negado.
Numero da decisão: 102-45585
Decisão: Por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Valmir Sandri

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T18:03:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T18:03:53Z; Last-Modified: 2009-07-07T18:03:54Z; dcterms:modified: 2009-07-07T18:03:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T18:03:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T18:03:54Z; meta:save-date: 2009-07-07T18:03:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T18:03:54Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T18:03:53Z; created: 2009-07-07T18:03:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2009-07-07T18:03:53Z; pdf:charsPerPage: 1719; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T18:03:53Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA . 4 • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘.n • SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10480.002902/00-52 Recurso n°. : 126.003 Matéria : IRF - ANOS: 1996 a 1998 Recorrente : TERMOFÉRTIL SIA. Recorrida : DRJ em RECIFE - PE Sessão de : 09 DE JULHO DE 2002 Acórdão n° : 102-45.585 1R-FONTE — PRELIMINAR DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — INOCORRÊNCIA — Descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e comprovação está a cargo do sujeito passivo. BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO — A pessoa jurídica que não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços referidos em documentos emitidos por pessoas jurídicas consideradas ou declaradas ineptas, ou ainda, pagamentos respaldados em documentos, tributariamente, ineficazes, sujeitar-se-á ao pagamento do imposto de renda na fonte. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TERMOFÉRTIL S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, AFASTAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO 15È FREITAS DUTRA PRESIDENTE 1111L, ° ANDRI RELATOR FORMALIZADO EM: 23 Ar:102082 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros AMAURY MACIEL, NAURY FRAGOSO TANAKA, CÉSAR BENEDITO SANTA RITA PITANGA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO e LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA (SUPLENTE CONVOCADO). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES e MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO. MINISTÉRIO DA FAZENDA . e l• • • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10480.002902100-52 Acórdão n°. :102-45.585 Recurso n°. : 126.003 Recorrente : TERMOFÉRTIL SIA. RELATÓRIO Trata o presente processo de Auto de Infração formulado contra a empresa acima identificada, por meio do qual é exigida a importância de R$ 17.276.339,18, a título de Imposto de Renda na Fonte, mais acréscimos legais, totalizando um crédito tributário de R$ 44.482.446,23. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 03, consta que a exigência, cujos fatos geradores ocorreram em meses dos anos-calendário de 1995 a 1997, decorreu da constatação, pela fiscalização, de falta de recolhimento do IR Fonte s'obre pagamentos a beneficiário não identificado, sem causa ou de operação não comprovada e que o valor foi apurado conforme subitem 1.2 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 09/15) e subitens 3.2 e 2 do Relatório de Atividade Fiscal (fls. 16/48). Conforme explicitado no subitem 1.1 do termo de Ação Fiscal (fls. 09/15): Do confronto dos valores integralizados em moeda corrente por cada um dos sócios, pessoas físicas, com d disponibilidade de renda constante das Declarações de Rendimentos das pessoas físicas dos sócios relativas aos anos- calendário de 1994 a 1997, constatou-se que eles não tinham disponibilidade para integralização dos aumentos de capital na autuada, discriminados no subitem 3.1 do Relatório de Atividade Fiscal. Em relação ao sócio, pessoa jurídica, Morena Agroindústria Mercantil Ltda., foram feitos todos os esforços para localizar dita empresa, 2 41~-7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :10480.002902/00-52 Acórdão n°. : 102-45.585 entretanto, conforme especificado no subitem 3.1 do referido relatório, isto não foi possível, tendo sido declarada inapta, pelo Delegado da Receita Federal, em Recife- PE, a sua inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), por meio do Ato Declaratório n.° 14, de 13.10.99; Referido AD considerou inidõneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos emitidos pela citada empresa a partir de 20.08.97; Todavia, tendo em vista que a empresa Termofértil SIA encontrava- se em fase pré-operacional, em caso de suprimento de origem não comprovada, a tributação recaiu sobre o sócio supridor, pessoa física ou jurídica. Quanto à ocorrência, efetivamente, considerada na autuação em tela, de acordo com o subitem 1.2 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fia 09/15): a) diversas obras e serviços, fornecimentos de materiais/equipamentos constantes e discriminados nas notas fiscais relacionadas no quadro Demonstrativo das Inversões Fixas, apresentadas pela autuada, para dar cobertura e lastro aos seus assentamentos contábeis, não foram executados pelas empresas Alight Com. E. Engenharia Ltda.; Josué C. de Andrade; Planagro Planejamento Técnico, Arborização e Hortas Ltda.; Straatmann Becker S/A. e Tagus Incorporação Ltda.; b) todas as empresas supracitadas (com exceção da Straatmann Becker, que teve falência decretada em 27109/1995) tiveram as suas inscrições no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) 3 4Ir~ MINISTÉRIO DA FAZENDA k PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ---, Processo n°. 10480.002902100-52 Acórdão n°. :102-45.585 declaradas inaptas pelo Delegado da Receita federal, o qual considerou inidôneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos emitidos pelas referidas pessoas jurídicas a partir das datas mencionadas no quadro de fl. 10, onde constam também os Atos Declaratórios correspondentes; c) não foi possível identificar os reais beneficiários dos respectivos pagamentos, tendo em vista a não apresentação, pela contribuinte, dos documentos solicitados, bem como a não autorização pelo Poder Judiciário para a quebra do sigilo bancário da empresa e dos sócios envolvidos; d) assim, a fiscalização concluiu que os pagamentos efetuados às referidas empresas foram considerados como feitos a beneficiários não identificados e sem causa que lhe dessem origem. Como infringido foi dado o art. 61 e parágrafos da Lei 8981/95. Impugnando o feito às fls. 1.03211.037, a autuada alegou, em síntese: a) que desde 28.08.97 mantém parceria com a SUDENE, através do FINOR, para implantação, no Porto de SUAPE, de indústria de fertilizantes, empreendimento de grande porte que, apesar de estar praticamente concluído, ainda se encontra em fase pré-operacional, dependendo o seu funcionamento de repasse de alguns recursos; b) que, apesar de manter sua escrituração rigorosamente regular, nos anos objeto da autuação, as possíveis irregularidades não week 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :10480.002902100-52 Acórdão n°. :102-45.585 representavam nada de relevante que inquinasse de imprestáveis os seus registros fiscais e contábeis; c) que, como não foi possível a exigência do IRPJ, e como a autuação dos acionistas, pessoas físicas e uma pessoa jurídica, supridores dos recursos ao empreendimento, seria insuficiente para justificar o laborioso trabalho fiscal, optaram os autuantes por inovar, adotando uma prática comum em tempos passados, consubstanciada no art. 570 do RIR/80, repetidamente reconhecida de aplicação inviável nos procedimentos fiscais similares (cita acórdão); d) que é mister a interpretação arguta do art. 61 da Lei 8981/95, que deu suporte ao Auto de Infração em foco, principalmente nas frases "ressalvado o disposto em normas especiais" e "quando não for comprovada a operação ou a sua causa", para a solução do presente caso; e) que ademais, é claramente reconhecido que o lançamento tributário é ato do direito posto e enseja correta interpretação da lei, caracterização do fato previsto na forma em que se assente e a sua completa subsunção à mesma; f) que a regra matriz de incidência, objeto da autuação, determina que o IR Fonte incide apenas "quando não for aprovada a operação ou a sua causa", sendo que a causa lógica dos pagamentos é o próprio empreendimento, ou seja, o amplo e moderno parque fabril construído pela empresa; 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA 4 • 'f". PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES IN, SEGUNDA CÂMARA -)>;3 Processo n°. : 10480.002902100-52 Acórdão n°. :102-45.585 g) que, assim, uma máquina adquirida e instalada na fábrica é o comprovante mais eloqüente da operação, e por conseqüência, do pagamento, haja vista que na empresa não entrou nenhum bem que não tenha tido um custo e que não tenha sido pago; h) que, dessa forma, fica claro que o evento indicado pelo Fisco como única causa da autuação, efetivamente, não ocorreu, na estrita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa (art. 61 da Lei 8981/95); i) que a referida norma legal se aplica nos casos em que as pessoas jurídicas desviam os recursos do negócio comprovadamente sem qualquer causa aparente, através dos sócios ou acionistas ou mesmo de terceiras pessoas e quando o fato não tiver previsão em norma especial; j) que não pode ser estendido o comando legal à simples ineficiência na justificação de um dispêndio (custo/despesa), pois houve simples deficiência formal na justificativa dos pagamentos, cuja causa (existência física dos bens e serviços adquiridos) restou bem evidenciada, o que é prejudicado pela simples não- apresentação de cópias de cheques aos autuantes; k) que a SUDENE jamais fez qualquer restrição à sua escrituração contábil, razão pela qual os recursos destinados à implantação do empreendimento sempre foram liberados regularmente; I) que recebeu, inclusive, o certificado de implantação da SUDENE, no qual é atestado ter conseguido implantar mais de 75% do projeto; 6 Or. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5‘, SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :10480.002902100-52 Acórdão n°. : 102-45.585 m) que, portanto, a não localização e entrega aos autuantes das cópias de significativa parte dos cheques relativos aos pagamentos destinados à instalação do empreendimento estaria superadá pela apresentação dos contratos respectivos, das notas fiscais, dos registros contábeis e, fundamentalmente, pela presença física de todos os bens objeto dos questionados pagamentos, fato que o Fisco inexplicavelmente desprezou; n) que os próprios autuantes apresentaram, no Relatório da Atividade Fiscal, quadros demonstrativos dos serviços prestados e dos bens (equipamentos industriais) fornecidos pelas empresas, sendo ali discriminados individualmente, em conformidade com o que consta de cada nota fiscal questionada; o) que todas as máquinas fornecidas pela Straatmann Becker S/A., bem como pelas demais empresas, estão inquestionavelmente instaladas na autuada; p) que desafia ao Fisco a realizar perícia nas suas instalações industriais, pois não encontrará um único bem ou serviço que tenha sido pago e que não esteja instalado no empreendimento; q) que, além da existência física dos bens, foram apresentadas ao Fisco cópias das notas fiscais e dos contratos respectivos, deixando de ser apresentadas cópias de alguns cheques, por haverem sido extraviados quando da ocorrência na 5a Delegacia de Plantão de Cordeiro; 7 ~App--n"" MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :10480.002902/00-52 Acórdão n°. :102-45.585 r) que caberia ao Fisco provar que aqueles bens e serviços adquiridos e pagos não existiriam, pois a prova, no âmbito do procedimento administrativo tributário, há de ser feita em toda a sua extensão, consoante esquemas rígidos de aplicação das regras atinentes. Concluiu solicitando a realização de vistoria nas instalações industriais da empresa, para que sejam inquiridos os autuantes a responderem donde surgiram os recursos com os quais foram feitos os serviços e compras de bens e equipamentos para as empresas. Requer o reconhecimento da absoluta impertinência da exigência fiscal em questão, porquanto as circunstâncias materiais e legais do fato não conduzem à dita imposição fiscal. Na decisão recorrida (fls. 1.064/1.073), o julgador singular afastou a aplicação, ao art. 61 da Lei 8981/95, do critério previsto no art. 112 do CTN (interpretação de maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida). E declarou procedente o lançamento, concluindo, sinteticamente, que "fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, bem como aqueles em que não for comprovada a operação ou a sua causa." Às fis. 1.074/1.084 se vê o recurso voluntário, por meio do qual a autuada, preliminarmente, alega cerceamento do direito de defesa, por ter sido negado o pedido de diligência, o que implicou desconsiderar prova por ela requerida. Quanto ao mérito, a recorrente alega, em síntese o seguinte: 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA -• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES- .r .K SEGUNDA CÂMARA • Processo n°. :10480.002902/00-52 Acórdão n°. :102-45.585 a) que o julgador singular tentou afastar a incidência da norma determinadora da forma de interpretação da lei tributária, mais especificamente o art. 112 do Código Tributário Nacional; b) que, para tanto, alegou que mencionado dispositivo somente tem aplicação quando houver prática de infração "ou" cominação de penalidades, o que não seria o caso do art. 61 da Lei 8981/95; c) que, todavia, o art. 60 da Lei 8981/95 prevê a aliquota de 5% para retenção de IR Fonte, quando há clara indicação do beneficiário do pagamento e da operação sobre a qual incide a retenção; em contrapartida, no mesmo diploma legal, em caso de beneficiário não identificado, quando não comprovada a operação ou sua causa, a alíquota aumenta para 35%, ou seja, sete vezes, numa clara penalização, ficando evidente que se trata de uma penalidade imposta para conduta não desejada pelo Estado; d) que, desse modo, não há como se alegar que a norma de interpretação do art. 112 do CTN não tem aplicabilidade sobre o caso em tela, especialmente quando no item II do diploma legal indicado se faz explicitação de que o que gera dúvida para aplicação pode ser "a natureza ou as circunstâncias do fato, ou a natureza ou extensão de seus efeitos"; e) que, no entanto, quanto à incidência do § 1° do art. 61 da Lei 8981195, bem como do parágrafo único do art. 82 da Lei 9430/96, estes dão, respectivamente, em favor do contribuinte a opção alternativa de comprovar a operação ou sua causa e fazer tal comprovação pela prova do efetivo pagamento do preço e o 9 41111110, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10480.002902100-52 Acórdão n° :102-45.585 recebimento dos bens ou utilização dos serviços, sem referência específica a qual meio de prova alternativo, incidindo a ampla defesa prevista na Carta Magna; f) que, diante da existência dos bens, de parte da escrita contábil e da verdade material de que se trata de uma indústria moderna em fase de implantação, cujas máquinas, equipamentos e edificações necessitam de modernidade, logo os valores compatíveis com os dos pagamentos contabilizados, fica evidente que os pagamentos forma feitos, restando apenas a quantificação exata pelos documentos formais exigidos pela Fazenda; g) que, na aplicação do preceito da dúvida, a interpretação deve ser a mais benéfica para o contribuinte, que, no caso, além de pagar o valor dos bens e serviços, fica sobretaxado em 35%; h) que se trata de ilícito tributário, passível de penalidade, qual seja, a sobretaxa da alíquota do imposto, além da substituição tributária pela imposição da solidariedade da autuada com os ditos beneficiários não identificados — por isso, o art. 112 do CTN seria claramente aplicável; i) que, de outro lado, a decisão recorrida fundamenta-se no relatório fiscal dos autuantes, o qual se baseia, em síntese, nos Atos Declaratórios que declararam inaptas as inscrições das empresas beneficiárias dos pagamentos, mas que estes atingem fatos pretéritos ao fundamento legal que os autoriza (Lei 9430/96), até janeiro de 1991, retroagindo sobremaneira para prejudicar a io mo- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ?” SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10480.002902/00-52 Acórdão n°. :102-45.585 Recorrente, a qual já foi fiscalizada, inclusive com referência aos anos-bases de 1991 em diante, tendo sido a documentação das mesmas empresas consideradas idônea; j) que o relatório de Atividade Fiscal foi lavrado em 21 de junho de 1999, ou seja, 4 meses antes de serem editados os Atos Declaratórios utilizados como base da desconsideração das notas fiscais e recibos; k) que, portanto, a desconsideração foi totalmente ilegal, não devendo produzir efeitos jurídicos em relação à Recorrente, especialmente para a aplicação de uma multa de quase 50% de todo o seu patrimônio; 1) que, em suma, o auto de Infração é ilegal em sua totalidade, como caráter eminentemente confiscatório, baseado em auto ilegal de desconsideração de documentos sem o devido Ato Declaratório de emissão exclusiva do Ministro da Fazenda. As fls. 1.084 a Recorrente apresenta arrolamento de bens e direitos para fins de cumprimento da garantia recursal. É o Relatório II MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 5‘, SEGUNDA CÂMARA •Iks' Processo n°. :10480.002902100-52 Acórdão n°. :102-45.585 VOTO Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator O recurso é tempestivo. Dele, portanto, tomo conhecimento, havendo preliminar a ser analisada. Com relação a preliminar de cerceamento ao direito de defesa argüida pela recorrente, entendo importante trazer, neste momento, à colação parte do decidido, assim redigido: - "não logrou a interessada comprovar, por outros meios, nos termos do § único do art. 82 da Lei 9430/96, a efetivação dos pagamentos em foco. As máquinas, as instalações, o empreendimento em si, não comprovam a efetividade de tais pagamentos, tanto no seu aspecto qualitativo como quantitativo. A prova cabal mais contundente de tais pagamentos seria os extratos bancários, ou cópias dos cheques, os quais não foram apresentados, demonstrando, inequivocamente, que aqueles não tiveram causa e foram efetuados a beneficiários não identificados." (lis. 1071). - "No tocante à alegação de que caberia ao fisco provar que aqueles bens e serviços adquiridos e pagos não existiram, faz-se necessário esclarecer, mais uma vez, que a existência de máquina e instalações industriais não comprovam as operações consubstanciadas na prestação de serviços e/ou fornecimento de bens, que deram suporte às inversões fixas e registros na escrituração contábil da interessada. Tampouco, cabe aos autuantes responderem de onde surgiu o dinheiro para a aquisição das máquinas e instalações industriais. Desta forma, não há como atrelar-se os mencionados pagamentos àquelas operações, ficando os mesmos sem causa. Com efeito, negamos o pedido de perícia formulado nesse sentido, com fulcro no art. 18 do Decreto 70.232/72, por ser o mesmo completamente desnecessário." (fis. 1072) 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • Processo n°. : 10480.002902/00-52 Acórdão n°. 102-45.585 O requerimento que redundou na reclamação de cerceamento de direito de defesa, diz respeito ao desejo de demonstrar a Recorrente, por vistoria, a realidade de seu empreendimento, apresentação de prova documental porque antes esta havia sido objeto de furto e fechamento de um banco. Com a devida vênia, entendo que não, o alegado cerceamento ao seu direito de defesa. Isto porque, os documentos, se encontrados, porque haviam sido furtados - segundo alegação da empresa -, deveriam ter vindo aos autos. Se não encontrados, não seria a presença de um perito na sede da Recorrente que iria alterar o fato, o mesmo valendo para o banco com atividades encerradas. Com relação á existência de máquinas, obras de caráter civil e instalações no local, não foi a negativa destes que redundou no lançamento, mas a falta de prova de que os pagamentos realizados o foram às pessoas físicas e jurídicas noticiadas em documentos considerados inidõneos. Por isso, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa suscitada. No mérito, entendo que melhor sorte não está reservada Recorrente, não lhe servindo o que indica por verdade material para sanar as irregularidades descritas no trabalho do Fisco. A leitura atenta da peça de recursos nos leva ao entendimento seguinte: A Recorrente é uma empresa de interesse ao Nordeste, pois equivale a contribuir para a sua industrialização num campo altamente competitivo e 13 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES íf SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :10480.002902/00-52 Acórdão n°. :102-45.585 dominado por multinacionais, sustentada por incentivos fiscais SUDENE/FINOR — que desde 1987, encontra-se em regime pré-operacional, conforme mostra, inclusive as suas declarações de rendimentos juntadas. Diante disso, quando se preparava para iniciar suas atividades, eis que o Fisco, em total descompasso com a realidade e interesse regional, vem de lhe aplicar uma multa capaz de comprometer o sucesso do empreendimento. Ou seja, embora não feita a prova que lhe cabia, muito simples, demonstrar que pagou pelas suas instalações, maquinários e obras, o valor registrado em documentos, e a quem teria eles emitidos, a existência física dos mesmos seria suficiente para colocar a verdade material em vantagem à verdade formal. Assim, para a Recorrente os fins justificariam os meios, razão pela qual, com a prova feita através de fotos integrantes de seu recurso voluntário, suprido estaria o fato de que pagou a quem não tinha existência fática, não tinha endereço, não estava falida, etc. À Recorrente basta a realidade de sua existência para que tudo o mais, requerido pelo Fisco, se dê por superado, mesmo porque em seu entender, estaria ela, portanto, amparada pelo disposto no art. 112 do CTN. Daí ser inaplicável o disposto nos artigos 61 da Lei 8981/95 e 82 da Lei 9430/96. Antes de uma conclusão sobre o tema, passo a fazer um breve relato da minuciosa e diligente ação do Fisco antes de autuar, segundo comprovado nos autos e constante do Termo de Encerramento de Ação Fiscal, ação esta nascida em 02/09/98. O Termo de Encerramento é de 13/03/2000. Os fatos geradores envolvem o período de 16/03/95 a 31/12/97 (fl. 03). 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA ;"; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10480.002902/00-52 Acórdão n°. :102-45.585 Diz o Termo de Encerramento: a) que os aumentos de capital da Recorrente não tinham a legitimá- los, disponibilidades dos sócios, muitos deles omissos em suas obrigações de declarações; b) que a pessoa jurídica MORENA AGROINDUSTRIAL MERCANTIL LTDA, embora as diligências efetuadas, não foi encontrada, a qual foi declarada inapta a partir de 20/08/87; c) que em razão da fase pré-operacional da Recorrente, a tributação recaia sobre os supridores; d) que as diversas obras e serviços, fornecimentos de materiais/equipamentos discriminados em quadro próprio, envolvendo as "empresas": Alight Comércio e Engenharia Ltda.; Josué C. de Andrade; Anagro — Planejamento Técnico, Arborização e Hortas Ltda.; Straatmann Becker S/A; e Tagus Incorporação Ltda., declaradas inaptas por atos declaratórios, com exceção da Straatmann, falida desde 09/75, com o talão de notas que serviu à Recorrente furtado, tiveram a acobertar pagamentos, documentos falsos, espúrios, inidõneos, e) que não foi possível determinar quem foram os reais recebedores dos pagamentos realizados, não obstante todo o esforço realizado, mesmo porque o pedido de quebra do sigilo bancário da Recorrente foi indeferido; f) que decorre daí o entendimento que os pagamentos foram feitos a neficiários não identificados; 15 ~si I r r . MINISTÉRIO DA FAZENDA -4= PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES- tí SEGUNDA CÂMARA '-NW 4 Processo n° : 10480.002902/00-52 Acórdão n°. :102-45.585 g) que o quadro de fls. 13, elenca os pagamentos, sobre os quais, considerados líquidos, ajustados, devem incidir o IR/FONTE; h) que foram procedidas as seguintes diligências: h.1) início da fiscalização em 02/09/98, com diversos pedidos de prorrogação de prazos, sem a devida comprovação dos aportes de capital; apresentação de extratos de bancos, sendo parte entregue do Banco Nordeste do Brasil S/A. e nenhum do Banco Progresso e Rural; h.2) que as fls. 21/23, encontrava-se a lista com a composição dos quotistas da Recorrente, constatando-se ser a maior (mais de 90%), a empresa MORENA AGROINDUSTRIAL MERCANTIL LTDA; h.3) que as fís. 25/28, constam as diligências buscando a empresa MORENA, jamais de fato encontrada, onde misturam-se seus sócios e sócios da própria Recorrente; 114) que as diligências, várias em busca da empresa ALIGHT, resultaram infrutíferas, sendo que diversos de seus sócios eram também sócios da Recorrente, assim como um seu responsável legal, sendo que junto à Prefeitura, em 09/95, apresentara talões em branco, sendo que a inscrição estadual daquela fora cancelada em 03103/95, h.5) que o valor de R$ 1.744.307,04, declarado como pago à ALIGHT, foi considerado, tendo sido, em verdade, entregue a beneficiário desconhecido; 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA .4= PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :10480.002902100-52 Acórdão n°. :102-45.585 h.6) que intimada por AR postal, a empresa individual JOSUÉ C. DE ANDRADE, para comprovar a real existência das operações declaradas pela Recorrente, quedou-se em silêncio, sendo que era omissa na entrega de declarações de imposto de renda de 1994 a 1997; h.7) que no bairro onde deveria estar a sede de JOSUÉ, reside pessoas, uma delas há mais de 26 anos, ninguém sabe da referida firma, que estava inscrita na Prefeitura local como Empreiteiro de Montagem Industrial, daí porque também considerado o valor de R$ 3.600.414,00, como pago a terceiros não identificados; „ h.8) que a PLANAGRO, não foi localizada nos diversos endereços diligenciados, nem encontrados os seus sócios, que o endereço constante do cadastro mercantil era o mesmo da empresa ALIGHT e TERMOFERTIL; h.9) que era omissa junto à Receita Federal, daí porque também considerado pago a terceiro não identificado o valor R$ 1.689.445,00; h.10) que a Straatmann Becker SIA., era uma empresa desativada à época dos fatos, conforme diligência procedida pelo Fisco do RS, com falência decretada em 27/09/95, tendo a síndica informado que as notas tomadas pela Recorrente haviam sido furtadas, daí considerar-se com pagamento a terceiros não identificados o valor de R$ 6.761.883,00; h.11) que na TAGUS também foram infrutíferas todas as tentativas de localização, conforme farta discriminação a fls. 44/47, onde nos 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,=,•n---“: SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :10480.002902/00-52 Acórdão n°. :102-45.585 locais em que esta teria ocupado, nunca dela se ouviu falar, seus sócios não atenderam as intimações, suas declarações de rendimentos nunca registraram operações, decorrendo mais uma vez, daí, que o valor de R$ 18.812.117,21, declarado como pago a ela o foi a terceiros não identificados. Em rápida análise do que consta as fls. 16/48, leva à conclusão, porque amparado o relato em farta documentação formando os volumes do processo, há de se concluir que não exagerou o julgador monocrático quando a fls. 1072, afirmou: "Também não cabe assentimento ao argumento em que afirma que sempre manteve sua organização (a Recorrente) contábil apenas e fundamentalmente para auxiliá-la na prestação de contas à SUDENE, e que este órgão nunca questionou acerca de tais pagamentos, tendo inclusive lhe dado o competente certificado, no qual é atestado ter conseguido implantar mais de 75% do projeto. O acatamento pela SUDENE dos lançamentos que deram suporte à liberação de recursos em nada modifica a peculiaridade dos mencionados pagamentos terem sido efetuados a beneficiários não identificados, como comprovado. Apenas para argumentar, é do conhecimento público que diversas obras financiadas por aquele órgão, através do FINOR, nunca foram concluídas, sendo os recursos desviados por meio das mais levianas formas. No presente caso, ante as explicações postas pelos autuantes no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 16 a 48, não se concebe como recursos de tai monta foram liberados, ante as diversas irregularidades apontadas". O argumento constante do recurso voluntário a fls. 1085, no sentido de que: "fica mais uma vez evidente que, como a prova requerida pela DEFENDENTE/RECORRENTE levaria, no mínimo à dúvida, ou mesmo à descaracterização do tipo tributário indicado, o que se buscou na decisão foi afastar a possibilidade de dúvida, para mente o absurdo Auto de Infração aplicado, em valor 18 MINISTÉRIO DA FAZENDA : PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES; SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10480.002902/00-52 Acórdão n°. : 102-45.585 astronômico, que certamente conta pontos para a Regional", não serve, pois a prova requerida era prova que devia ser feita pela mesma, já que o Fisco cuidara de fazer a sua. A existência de obras, instalações e máquinas, foi demonstrada já por ocasião da impugnação ao lançamento (fotos). O que não foi esclarecido é o quanto foi gasto e a quem foi devidamente pago. Veja-se que a fls. 1032, afirma a Recorrente que o empreendimento já consumiu aproximadamente R$ 100.000.000,00 (cem milhões de reais), enquanto as notas fiscais apontadas envolvem aproximadamente R$ 32.000.000,00 (trinta e dois milhões de reais). Atente-se para o fato de que não está negando o Fisco tenha havido o desembolso, só que este não teve por beneficiários os indicados pela Recorrente. Na falta, justificou a imputação no art. 61 da Lei 8981/95, por entender ser a figura própria e não aplicável a do art. 60. Não socorre a Recorrente, sequer, a tese da boa-fé ou aparência de direito que pudesse justificar a dúvida pretendida com a aplicação do fixado pelo artigo 112 do CTN. É que aquelas, para surtirem efeito a favor do sujeito passivo deve, no dizer de Vicente Rão, in "Ato Jurídico". "A aparência de direito se caracteriza e produz os efeitos que a lei lhe atribui, somente quando realiza determinados requisitos objetivos e subjetivos. São seus requisitos essenciais objetivos: a) uma situação de fato cercada de circunstâncias tais que manifestamente a apresentem como se fora uma segura situação de direito; b) uma situação de fato que assim possa ser considerada segundo a ordem geral das coisas; c) e, que nas mesmas condições acima, apresente o titular aparente como se fora titular legítimo, ou o direito como se realmente existisse. .0.01011 19 400V-- MINISTÉRIO DA FAZENDA " • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10480.002902/00-52 Acórdão n°. :102-45.585 São seus requisitos subjetivos essenciais: a) a incidência em erro de que, de boa-fé, a mencionada situação de fato como situação de direito considera; b) a escusabilidade desse erro apreciada segundo a situação pessoal de quem nele incorreu. Como se vê, não é apenas a boa-fé que caracteriza a proteção dispensada à aparência de direito. Não é tampouco, o erro escusável, tão somente. São esses dois requisitos subjetivos inseparavelmente conjugados como os requisitos objetivos referidos acima, - requisitos sem os quais ou sem algum dos quais a aparência não produz os efeitos que pelo ordenamento lhe são atribuídos". (pág. 243 — Saraiva). Em verdade, o julgado constante do acórdão citado pela Recorrente, de n° 107-04847, de 19/03/98, assim transcrito, conforme ementa: "IMPOSTO DE RENDA FONTE - AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA - PAGAMENTOS SEM CAUSA - LEI 7.713188, ART. 47, E LEI N°8383/91, ART. 74, I. As circunstâncias materiais de que os pagamentos não foram efetuados aos fornecedores indicados devem estar calcadas em provas contundentes para firmar o ilícito de beneficiário não identificado. II. A falta de nexo causal entre a materialidade dos fatos e os dispositivos legais descritos como infrin gidos, inquina o cancelamento da medida fiscal". Pelo menos com relação à sua primeira parte, não ajuda a Recorrente, considerando a prova robusta feita pelo Fisco. A penalização corno posta no artigo 61, da Lei 8.981/95, decorre do fato de que o valor recebido por quem não é identificado é valor colocado à margem, que não sofrerá tributação na pessoa do recebedor. Por isso há a incidência na fonte, nada mais. ~MI 20 •-• MINISTÉRIO DA FAZENDA 24; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA c.. Processo n°. : 10480.002902100-52 Acórdão n°. 102-45.585 Portanto, era de prova que necessitava a Recorrente, nela não tratou adequadamente, pelo menos quanto aos fatos descritos. A exigência de obras, máquinas e instalações não a salvam da responsabilidade que lhe foi imputada pelo Fisco. À vista do acima exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade, para no mérito, NEGAR provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 09 de julho de 2002. iR DRI 21 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1

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Numero do processo: 10480.015369/2001-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Tue Aug 10 00:00:00 UTC 2004
Ementa: DRAWBACK. SUSPENSÃO. II/IPI VINCULADO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O prazo de cinco para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decorrente do regime de Drawback é o consagrado no art. 173-I do CTN, cuja contagem só pode ocorrer após a emissão do relatório de comprovação emitido pelo órgão administrador do benefício. A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78, DL 37/66). O descumprimento da obrigação estabelecida no art. 325 do RA, que determina a utilização do benefício no documento comprobatório da exportação, implica a descaracterização do regime e a exigência dos tributos suspensos relativamente aos bens importados que lhe corresponderam . CONCESSÃO. FISCALIZAÇÃO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. É de competência exclusiva da SECEX a concessão do regime de drawback quando efetivamente cumpridas a formalização, o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, fase esta que confirma a condição do regime, que até então se encontrava sob condição resolutória. (inteligência do art. 2º da Port. MF nº 594/92 c/c a Port. SECEX nº 4/97). É da competência da SRF a aplicação do regime, a fiscalização dos tributos suspensos e a constatação do regular cumprimento pela importadora dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente, compreendendo esta última, após a verificação da SECEX. (inteligência do art. 3º da Port. MF nº 594/92 c/c a Port. SECEX nº 4/97 ADIMPLEMENTO. INEXISTÊNCIA. Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. (Inteligência do Comunicado DECEX nº 21/97, item 19.1). Na falta de vinculação dos Atos Concessórios de Regime de Drawback aos Registros de Exportação deverão ser exigidos os tributos suspensos na importação, acrescidos de multa de ofício e dos juros de mora. Comporta juros e multa de mora quando da nacionalização de mercadorias sobre tributos suspensos, antes do início de procedimento fiscal. Iniciado o procedimento cabe multa de ofício. RECURSO NEGADO.
Numero da decisão: 301-31373
Decisão: Decisão: Por maioria de votos, rejeitou-se a preliminar de decadência, vencido o conselheiro José Lence Carluci. Por unanimidade de votos, rejeitou-se a preliminar de nulidade por incompetência legal. No mérito: 1) Por maioria de votos, negou-se provimento quanto a multa de ofício e mora, vencido o conselheiro José Lence Carluci. 2) Por unanimidade de votos, negou-se provimento quanto as demais materias recursais.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO

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MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 10480.015369/2001-12 SESSÃO DE : 10 de agosto de 2004 ACÓRDÃO N° : 301-31.373 RECURSO N° : 126.943 RECORRENTE : COMPANHIA ALCOOQUÍMICA NACIONAL RECORRIDA : DRJ/FORTALEZA-CE DRAWBACK. SUSPENSÃO. II./IPI VINCULADO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O prazo de cinco anos para a Fazenda Pública constituir o • crédito tributário decorrente do regime de Drawback é o consagrado no art. 173-1 do CTN, cuja contagem só pode ocorrer após a emissão do relatório de comprovação emitido pelo órgão administrador do beneficio. A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78, DL 37/66). O descumprimento da obrigação estabelecida no art. 325 do RA, que determina a utilização do beneficio no documento comprobatório da exportação, implica a descaracterização do regime e a exigência dos tributos suspensos relativamente aos bens importados que lhe corresponderam. CONCESSÃO. FISCALIZAÇÃO. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. • É de competência exclusiva da SECEX a concessão do regime de drawback quando efetivamente cumpridas a formalização, o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, fase esta que confirma a condição do Ao( regime, que até então se encontrava sob condição resolutória. AP, (Inteligência do art. 2° da Port. MF n° 594/92 c/c a Port. SECEX n° 4/97). É da competência da SRF a aplicação do regime, a fiscalização dos tributos suspensos e a constatação do regular cumprimento pela importadora dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente, compreendendo esta última, após a verificação da SECEX. (Inteligência do art. 30 da Port. MF n° 594/92 c/c a Port. SECEX n° 4/97). ADIMPLEMENTO. INEXISTÊNCIA. Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. (Inteligência do Comunicado DECEX n° 21/97, tem 19.1). Na falta de vinculação dos Atos Concessórios do Regime de Drawback aos Registros de Exportação deverão ser exigidos os lfn • • • • - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.943 ACÓRDÃO N° tributos suspensos na importação, acrescidos de multa de oficio • e dos juros de mora. Comporta juros e multa de mora quando da nacionalização de mercadorias sobre tributos suspensos, antes do início de procedimento fiscal. Iniciado o procedimento cabe multa de oficio. RECURSO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. • Brasília-DF, emoOrLagosto de 2004. n\ OTACÍLIO D 11/4. S CARTAXO. Relator e Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: • 2 Ifn • • . • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . • • : PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.943 ACÓRDÃO N° RECORRENTE : COMPANHIA ALCOOQUIRECA NACIONAL RECORRIDA : DRJ/FORTALEZA-CE RELATOR : OTACILIO DANTAS CARTAXO RELATÓRIO O litígio versa sobre o descumprimento de normas aplicáveis ao Regime Aduaneiro Especial Drawback, na modalidade suspensão, o que caracterizaria o inadimplemento do compromisso de exportar, bem como ao conflito entre as competências das instituições Secretaria da Receita Federal e Secretaria de Comércio Exterior do Banco do Brasil — SECEX, relativamente à fiscalização e ao • controle no que concerne ao cumprimento do drawback. A autuada, sob o amparo do Regime Aduaneiro especial de Drawback, na modalidade suspensão, importou matérias-primas e outros insumos constantes de atos concessórios de lavra da Secretaria de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.A. — SECEX, discriminados em auto de infração de fls. 01/15. A DRF/Recife-PE autuou a interessada já identificada pelo inadimplemento do compromisso de exportar e pelo descumprimento de obrigação acessória qual seja a falta de recolhimento de multa de mora correspondente à nacionalização de 435.872 Kg de Ácido Acético Glacial, cuja importação fora beneficiada com suspensão de tributos. Impugnando o feito a autuada contra argumenta alegando que havendo efetuado importações entre 1995 e 1997, amparada pelo regime de Drawback-suspensão de pagamento de II/IPI, relativamente ao produto "Ácido Acético Glacial (NCM 2915.21.00) através de Atos Concessórios já discriminados, cumpriu com todos os requisitos e condições necessárias para a fruição dos incentivos perante a SECEX, órgão concedente, o qual considerou o compromisso de exportar (AC's) perfeitamente adimplido, que sendo as exportações idôneas não poderia as mesmas ser contestadas pela SRF, eis que compete a SECEX a concessão do regime de Drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, de acordo com o artigo 22 do Dec. 68.904/71, que expressamente permite ao Conselho de Política Aduaneira delegar competência a órgão da Administração direta para conceder incentivos ao drawback mediante Resolução homologada do Min. da Fazenda, através da Resolução n° 1.033/71, o qual por sua vez através da Portaria MF n° 36/82 (Acs. 302-33.120, 301-28.112), estabeleceu as normas de aplicação ao controle do regime aduaneiro especial do drawback nas suas várias modalidades, e, no item 02 da referida portaria, encontra-se expresso que a concessão dos benefícios fiscais de suspensão e isenção de tributos, 3 tfn • : • • • . • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • : PRI/vIEIRA CÂMARA • • • RECURSO N° : 126.943 ACÓRDÃO N° bem como a verificação do adimplemento do compromisso de exportar serem • atribuições da CACE,X bem como ao item 20 onde "o compromisso de exportação será liquidado pela CACEX mediante comprovação de exportação da quantidade total de mercadorias previstas no Ato Concessário", argüindo ainda o que se sucede: • Preliminares de ocorrência de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativamente às infrações cometidas pelo descumprimento de obrigações, no seu entendimento, acessórias, eis que a obrigação de exportar fora adimpfida, com fundamento no § 4° do art. 150 do C'IN, para tributos cobrados através de lançamento por homologação, cujos cinco anos para transcurso do prazo decadencial, são contados a partir da ocorrência do fato gerador, in casu, da data do registro da DI na repartição preparadora; • De competência exclusiva da CACEX/SECEX para verificação do cumprimento do drawback; • Do descabimento da multa de oficio, inclusive, àquela por falta • de recolhimento da multa de mora, concernente à mercadoria não exportada e nacionalizada, fora do prazo (item 11 do auto), conforme previsto no art. 138 do CTN e Ac. 104-7.618. • No mérito argüi o adimplemento do drawback (obrigação principal) com base no art. 113, § 1° do C1N, eis que a própria autuante não questionou a falta de exportação do produto industrializado pela autuada, e que a obrigação acessória não se reverte em principal, apenas porque informou nos RE's o código 80.000 (exportação normal) quando o correto deveria ser o código 81.104 e, no mesmo sentido, alguns dados de notas fiscais de venda com o fim específico de exportação da impugnante para a empresa Trading Company que faltaram, documentos esses aceitos pela CACEX. • A extinção do crédito tributário, com fulcro no art. 156-IX do CTN. • O deferimento de pedido de perícia, indicando o profissional competente, o endereço e os quesitos formulados às fls. 1071/1072, sobre o percentual de adimplemento/inadimplemento de cada ato concessório; sobre a possibilidade de vinculação entre os documentos de fls. 45 a 1040 e os RE's e notas fiscais de venda para a Trading Company e respectivos atos concessórios; da idoneidade dos documentos fiscais para fins de comprovação das exportações, vendas efetuadas e do compromisso de drawback; sobre a lisura da escrituração dos livros fiscais para fins de comprovação dos procedimentos concernentes à exportação, além de outros. A decisão de primeira instância, motivada pelas desvinculações entre os insumos importados e os produtos exportados relativamente aos Registros de Exportações e respectivos Atos Concessórios de Drawback, do não enquadramento, no SISCOMEX das exportações efetuadas em operações próprias de drawback; da importação por Trading Company, argüindo a inexistência de decadência em razão de que o prazo de contagem se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão do Relatório Final de Comprovação de Drawback 4 Ifn • -. • • • - • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES : P1UMEIRA CÂMARA ' . RECURSO N° : 126.943 ACÓRDÃO N° . (Parecer COSIT n° 53/99, itens 7.0 a 7.6); que a SRF é competente quanto à aplicação ' e fiscalização do regime drawback mediante o reconhecimento do beneficio pela SECEX, a quem compete à concessão e os procedimentos quanto ao exame documental das questões relativas ao plano de exportação, da vinculação dos insumos importados ao produto a ser exportado, processo produtivo e prazo para a exportação (Portaria MEFP n° 594/92, arts. 6° e 8° e Parecer COSIT n° 53/99, itens 6.5 a 6.13); que o pedido de perícia não atendera aos requisitos previstos na legislação de regência (art. 16-IV do Dec. 70.235/72 c/ redação do art. 10 da Lei 8.748/93); que o descumprimento das condições estabelecidas em ato concessório e na legislação regente enseja a cobrança de tributos relativos às Mercadorias importadas no regime aduaneiro de drawback suspensão, acrescidas de multas de oficio e de juros de mora (art. 44-1, Lei 9.430/96), inclusive sobre as mercadorias nacionalizadas sobre as quais não houve o recolhimento de multa de mora (art. 61, Lei n° 9.430/96); além da matéria não impugnada (art. 17, Dec. 70.235/72 c/ redação do art. 67 da Lei 9.532/97), julgou procedente o lançamento efetuado. 111 Insurgindo-se contra a decisão prolatada pelo Juízo a quo, em 21/06/02, a interessada interpõe em 05/07/02, tempestivamente, o seu recurso voluntário (fls. 1.125/1.147), reiterando os termos contidos na peça vestibular, além de outros, a saber: 1. Sustenta a tese da preliminar de cadência com fundamento no § 4° do CM, argüindo que a regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento, mencionando os julgados constantes dos Ac. 108-05.093/98, 302-33.301, 301- 27.235 e 301-27.488; que aplicar urna regra de decadência para importações não sujeitas ao regime de drawback é violar os princípios da legalidade, da segurança jurídica e da isonomia de tratamento. 2. Que a aplicação do regime drawback pela repartição aduaneira basear-se-á nas informações contidas em documento específico fornecido pela SNE, atual SECEX, não havendo, no caso vertente, qualquer manifestação da SECEX quanto ao . inadimplemento, nem para que a SRF procedesse a verificações e ao auto de infração. • 3. Que diante disso, a autuação lavrada, invadiu a competência exclusiva da SECEX, não merece prosperar, posto que nula de pleno direito. 4. Que todas as infrações relacionadas são de natureza meramente acessória que não implica no descumprimento do objetivo maior do drawback que é exportar. Logo, há que se considerar o caráter subordinativo das obrigações acessórias à obrigação principal, principalmente quanto à graduação da pena. 5. Que improcede a exigência a multa de oficio eis que adimpliu o drawback, inclusive naquela parte referente ao não recolhimento da multa de mora, por seu caráter punitivo (art. 138, CTN), posto que não cometeu ilícito. Requer o deferimento do pedido de perícia e a improcedência do auto de infração. É o relatório. 5 lfn ' • • • - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • - PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.943 ACÓRDÃO N° VOTO O litígio versa sobre o descumprimento de normas aplicáveis ao Regime Aduaneiro Especial Drawback, na modalidade suspensão, o que caracterizaria o inadimplemento do compromisso de exportar, bem como ao conflito entre as competências das instituições Secretaria da Receita Federal e Secretaria de Comércio Exterior do Banco do Brasil — SECEX, relativamente à fiscalização e ao controle no que concerne ao cumprimento do drawback. A Recorrente afirma haver adimplido o compromisso de exportação, por conseguinte, do drawback, consoante comprovado junto a CACEX, excetuado o Ato Concessório n° 18-96/402-8, sobre o qual recolheu os tributos devidos e os juros de mora. Entretanto por ocasião da defesa apresentada, a recorrente em nenhum momento não logrou comprovar a existência de vinculação física entre os insumos importados e os produtos exportados, ou seja, a vinculação entre os Atos Concessórios e os Registros de Exportação, consoante legislação aplicável a espécime, não rebateu os argumentos construídos por ocasião da lavratura do auto de infração e mantidas pela decisão de primeira instância quais sejam: a falta de vinculação do Ato concessório de Drawback no documento de exportação (RE); que as exportações glosadas pela fiscalização não guardam relação como os atos concessórios analisados; do não enquadramento, no SISCOMEX, das exportações efetuadas na operação própria de drawback, da contradição entre datas de insumos importados produtos constantes do Registro de Exportação e; da exportação por Trading Company, limitando-se em afirmar que houvera adimplido o compromisso de exportar perante a atual SECEX. O Comunicado DECEX n° 21/97, que consolida as normas do Regime de Drawback, no Capítulo V, que trata da comprovação do desse regime, na modalidade suspensão, item 19.1, estabelece que "somente serão aceitos Declaração • de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drmvback". (Destaquei). Quanto à existência de conflito de competência entre as instituições Secretaria da Receita Federal e Secretaria de Comércio Exterior do Banco do Brasil — SECEX, relativamente à administração do Regime Aduaneiro Especial Drawback, na modalidade suspensão, tem-se que a partir da edição do Dec. 68.904/61 e das Port. MF n° 27/79 e 36/82 ficaram definidas as atribuições da Carteira de Comércio Exterior — CACEX, hoje substituída pela Secretaria de Comércio Exterior - SECEX, do Banco do Brasil, e pela Secretaria da Receita Federal — SRF, confirmadas pela Port. DECEX/SNE n° 427/92 e pela Port. MEFP n° 594/92 e, mais recentemente, pela Port. SECEX n° 4/97. 6 -• .- • •• • - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -* PRIMEIRA CÂMARA , . RECURSO N° : 126.943 ACÓRDÃO N° . Conclui o art. 20 da Port. MF n° 594/92 c/c a Port. SECEX n° . 4/97, que esta última tem a competência exclusiva para a concessão do regime de drawback quando efetivamente cumpridas a formalização, o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, fase esta que confirma a condição do regime, que até então se encontrava sob condição resolutória. Posteriormente, se extrai do art. 3° da Port. MF 594/92, ser da competência da SRF: (i) a aplicação do regime, (ii) a fiscalização dos tributos suspensos, i. é, o lançamento do crédito tributário, se for o caso, ou a sua exclusão em razão do reconhecimento do beneficio pela SECEX e, (iii) a constatação do regular cumprimento pela importadora dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente, compreendendo esta última, após a verificação da SECEX. O entendimento expressado no texto supramencionado terminou por estabelecer o deslinde da querela, senão vejamos: • Em suas assertivas a recorrente demonstra que a SECEX é o órgão competente para a formalização, o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, o que significa dizer que esses procedimentos nada mais são do que os requisitos necessários ao ensejo do usufruto do beneficio fiscal qual seja a suspensão do I.I. e do IPI na realização do ciclo operacional do drawback, o que representa uma etapa do processo descentralizada concernente à parte burocrata, que consiste na verificação da consistência dos documentos apresentados pela interessada. A outra etapa, de competência da Secretaria da Receita Federal, consoante os termos adiante firmados pela própria autuada, trata da fiscalização dos tributos suspensos e da constatação do regular cumprimento pela importadora dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente, ou seja, da verificação da regularidade dos procedimentos tributários executados pela interessada, que culminaria com a isenção, se considerados de acordo com a • legislação vigente, ou na sua exclusão do beneficio anteriormente concedido pela SECEX, implicando no recolhimento dos tributos outrora suspensos, acrescidos dos encargos legais. (Destaquei). É exatamente isso o que ocorreu. A SECEX em cumprimento da sua parte nesse processo, após verificar os documentos fornecidos pela interessada, expediu para a Secretaria da Receita Federal o Relatório de Comprovação de Drawback referente ao correspondente ato concessório. A Fiscalização da Receita Federal, por sua vez, agindo no interesse da salvaguarda e do zelo com o trato da coisa pública, no estrito cumprimento da lei, em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela recorrente, com o fim de verificação da regularidade dos procedimentos fiscais por ela realizados, ao contrário do que a recorrente afirmara, comprovou cabalmente o descumprimento do compromisso de exportação de um ato 7 M lfn • • • • - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA . • RECURSO N° : 126.943 ACÓRDÃO N° concessório, além do descumprimento de obrigações acessórias concernentes ao ciclo operacional do drawback, já mencionados, não restando comprovada a vinculação insumo/produto exportado. Encontra-se, pois, refutada e descartada a pretensão da recorrente quanto à existência de conflito de competência entre as instituições SECEX e SRF. Nesse passo, ainda no que concerne às normas de regência do drawback, em havendo condição resolutiva para a concessão de beneficio fiscal, cabe aqui o registro constante capta e dos §§ 1° e 3° do art. 317 do RA, litteris: "Art. 317 — Na modalidade de suspensão do pagamento de tributos o beneficio será concedido após o exame do plano de exportação do beneficiário, mediante expedição, em cada caso, de ato concessário do qual constarão: • I° - Para o desembaraço aduaneiro da mercadoria objeto do beneficio de que trata nesta Seção será exigido Termo de Responsabilidade. sç 30 - A Secretaria da Receita Federal dará ciência das importações efetuadas nos termos desta Seção ao órgão que centralizar o controle das operações, bem como tomará as providências para, se realizadas as exportações conforme plano aprovado, dar baixa nos termos de responsabilidade correspondentes." (Grifei e destaquei). Depreende-se do texto legal que a Secretaria da Receita federal também é competente para desembaraçar tanto as mercadorias com suspensão de tributos através de Termo de Responsabilidade quanto proceder a baixa do respectivo termo depois de realizadas as exportações, o que representa a sua participação nas fases inicial e final do ciclo operacional ora em debate. Logo não há como alegar que a Secretaria da Receita Federal não seja órgão anuente no processo que culmina na concessão de beneficio fiscal ou na autuação ex officio, por ocasião da constatação de irregularidade como é o caso vertente. Demais disso, registre-se que a suspensão da exigibilidade, caso adimplida a condição resolutiva, converte-se em isenção, que não sendo concedida em caráter geral, é efetivada em cada caso, em que o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão (inteligência do art. 179 do CTN). Quanto ao marco inicial para a contagem de prazo decadencial, apenas após a manifestação da Secretaria de Comércio Exterior — SECEX, considerando-se a data-limite para o adimplemento do drawback, é que se pode cogitar da baixa no Termo de Responsabilidade. Significa dizer que até esse 8 Ifn TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CÂMARA • . . • RECURSO N° : 126.943 ACÓRDÃO N° momento não houve pagamento antecipado de tributo, que a interessada usufrui a • presunção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a considerar-se o plano de exportação previamente traçado com a anuência do órgão competente, pois enquanto não houver o inadimplemento do drawback, não é possível a Fazenda Pública constituir o referido crédito, posto que ainda não plenamente exercitável o seu direito de efetuar o respectivo lançamento. Logo, há que se concluir: • No caso em comento não foi efetuado pagamento antecipado dos tributos devidos, posto que suspensos. • No caso de Drawback Regime de Suspensão, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial se dá a partir do momento em que a Fazenda Nacional poderia ter efetuado o lançamento, ou seja, da data-limite para comprovação do adimplemento integral de exportação, que coincide com a data de baixa do Termo de Responsabilidade, não havendo, portanto, que se • cogitar de decadência no presente caso. • Que o interessado, relativamente ao adimplemento do drawback, não logrou provar o cumprimento dos requisitos previstos em lei, consoante argüidos pela fiscalização. • Que na falta de vinculação dos Atos Concessérios do Regime de Drawback aos Registros de Exportação deverão ser exigidos os tributos suspensos na importação, inclusive a multa de oficio e os juros de mora. • Que comporta juros e multa de mora quando de nacionalização das mercadorias sobre tributos suspensos antes do inicio de procedimento fiscal. Iniciado o procedimento cabe multa de oficio. Ante todo o exposto, conheço do recurso em razão de preencher os requisitos à sua admissibilidade, para rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. • É assim que voto. Sala de Sessões, em 10 agosto de 2004. Otacílio Dan .. Cartaxo Relator e Pres'. ente 9 lfn Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1

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