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Numero do processo: 10680.915836/2009-07
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado.
DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
Numero da decisão: 3803-004.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF quando retificada após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável sua comprovação através da escrita fiscal e contábil do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 58 36 /2 00 9- 07 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de PER/DComp transmitido em 30/10/2006, que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente ou a maior de PIS, competência outubro de 2003, com débitos de PIS referentes a setembro de 2006, no valor total de R$ 662,15. A DRF em Belo Horizonte/MG através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo, pois, apesar de localizar o pagamento indicado verificou que o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos, não restando saldo suficiente. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou que: 1 A empresa possui créditos referentes ao Pis sobre Faturamento e Cofins recolhidos a maior no período de novembro de 2002 a setembro de 2005. 2 – Após a constatação dos créditos em virtude de recolhimento a maior dos impostos acima mencionados, a partir de 28/12/2005 procedemos a compensação de impostos federais utilizando os creditos mencionados através das Per/dcomps conforme legislação em vigor. 3 Por um lapso de nossa parte não retificamos a DCTF numero 0000.100.2004.11954220 de 13/02/2004 a qual deveria constar o valor correto do Pis e da Cofins a serem recolhidos. 4 Na data de 20/05/2009 efetuamos a retificação da DCTF mencionado no item 03, conforme recibo de entrega numero 25.34.10.65.49. Ao final requer homologação da compensação enviada. A DRJ/BHE julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, ementando como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.915836/200907 Acórdão n.º 3803004.650 S3TE03 Fl. 11 3 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde, preliminarmente, atesta o cumprimento de prazos, no mérito alega que errou ao preencher DCTF e apresenta retificação. Afirma demonstrar a liquidez e certeza do alegado através de relatório sintético e analítico que comprovam o valor total de peças sob alíquota zero. Pede o acolhimento do recurso e homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Do direito creditório. O contribuinte buscou compensar créditos de PIS/COFINS, porém reconhece erro no preenchimento da DCTF do período, fato que inviabilizou a compensação requerida. Após ciência do despacho decisório o contribuinte alega ter retificado a DCTF. O fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito, entretanto, é indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”Grifamos. O sujeito passivo não apresentou provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido uma vez que desprovidos de elementos de prova indispensáveis. Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Como alega a recorrente, é bem verdade que a simples entrega de uma obrigação acessória de forma equivocada não retira o direito de crédito que o contribuinte possa ter, contudo, é indispensável que o contribuinte faça prova do crédito pretendido, para isso é imprescindível que a liquidez e certeza do crédito tributário seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme se extrai do art. 923 do RIR: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).” O recorrente firmou sua defesa exclusivamente na afirmação de que apenas a DCTF retificadora seria suficiente para comprovar a existência do seu crédito, perdendo a oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, No processo administrativo federal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 333 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão O contribuinte anexa sua declaração retificada, posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, porém, apenas traz aos autos relatórios sem valor contábil, quando deveria apresentar livros fiscais, livros contábeis e outros documentos que comprovem o crédito alegado, assim, concluímos não ter sido comprovado o direito creditório pretendido. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10680.915836/200907 Acórdão n.º 3803004.650 S3TE03 Fl. 12 5 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 27/ 01/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13899.001314/2006-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADA. REJEIÇÃO.
Rejeita-se os embargos de declaração opostos, quando não constatada contradição no acórdão embargado.
RESOLUÇÃO EMITIDA POR TURMA DO CARF. CARÁTER MANDAMENTAL.
As decisões emitidas pelas Turmas de julgamento do CARF, por meio de Resolução, tem caráter mandamental e não tem o condão de pôr fim ao julgamento de matéria aventada no recurso voluntário.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIRMADA. ACOLHIMENTO.
Acolhe-se os embargos para sanar a omissão, quando verificado que o acórdão embargado deixou de se manifestar a respeito de matéria trazida pela defesa, mesmo que para declará-la preclusa.
Numero da decisão: 1202-001.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos, para sanar a omissão apontada sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1202-00.335 proferido por esta turma julgadora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADA. REJEIÇÃO. Rejeita-se os embargos de declaração opostos, quando não constatada contradição no acórdão embargado. RESOLUÇÃO EMITIDA POR TURMA DO CARF. CARÁTER MANDAMENTAL. As decisões emitidas pelas Turmas de julgamento do CARF, por meio de Resolução, tem caráter mandamental e não tem o condão de pôr fim ao julgamento de matéria aventada no recurso voluntário. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIRMADA. ACOLHIMENTO. Acolhe-se os embargos para sanar a omissão, quando verificado que o acórdão embargado deixou de se manifestar a respeito de matéria trazida pela defesa, mesmo que para declará-la preclusa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos, para sanar a omissão apontada sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 1202-00.335 proferido por esta turma julgadora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1.831 1 1.830 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13899.001314/200616 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1202001.055 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de novembro de 2013 Matéria EMBARGOS Embargante NATURA COSMÉTICOS SA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADA. REJEIÇÃO. Rejeitase os embargos de declaração opostos, quando não constatada contradição no acórdão embargado. RESOLUÇÃO EMITIDA POR TURMA DO CARF. CARÁTER MANDAMENTAL. As decisões emitidas pelas Turmas de julgamento do CARF, por meio de Resolução, tem caráter mandamental e não tem o condão de pôr fim ao julgamento de matéria aventada no recurso voluntário. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIRMADA. ACOLHIMENTO. Acolhese os embargos para sanar a omissão, quando verificado que o acórdão embargado deixou de se manifestar a respeito de matéria trazida pela defesa, mesmo que para declarála preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos, para sanar a omissão apontada sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.335 proferido por esta turma julgadora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 9. 00 13 14 /2 00 6- 16 Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13899.001314/200616 Acórdão n.º 1202001.055 S1C2T2 Fl. 1.832 2 Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Recebidos os EMBARGOS nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que o sujeito passivo alega contradição e omissão no Acórdão nº 120200.335 proferido por esta 2ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, sessão de 06 de julho de 2010, relativamente às seguintes matérias: CONTRADIÇÃO, porque o acórdão embargado decidiu pela impossibilidade do aproveitamento IRRF na compensação com o IRPJ lançado, enquanto que em decisão anterior dessa Turma de Julgamento, exarada por meio da Resolução n° 120200.008, sessão de 17 de junho de 2009, que converteu o julgamento do recurso em diligência, teria sido reconhecido o direito à dedução do IRRFonte, com retorno do processo ao órgão de origem unicamente para a quantificação desses valores de IRRF; CONTRADIÇÃO e OMISSÃO, porque o acórdão embargado deixou de se manifestar a respeito dos fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão da DRJ/Campinas, que teria requalificado as “despesas consideradas indedutíveis” para “lucros distribuídos”, sem incidência do IRRFonte, motivo pelo qual o IRRF seria dedutível da autuação. Diz, ainda, a embargante, fls. 1822: “A argumentação de que seria impossível a dedução do IRPJ lançado no caso concreto com os valores de IRFonte, por ser este último imposto de terceiro, é matéria estranha ao processo, jamais discutida ou suscitada nos autos e vai além dos fundamentos constantes do acórdão da DRJ, não guardando, portanto, qualquer relação com a matéria objeto do Recurso de Oficio. A questão arguida pelo acórdão embargado não é matéria do Recurso de Oficio porque foge aos fundamentos e à razão de decidir ali consignados. A matéria objeto do Recurso de Oficio, tal como decidida pela DRJ, não poderia ter ensejado a reforma do acórdão proferido pela DRJ, exceto se o acórdão apresentasse qualquer fundamentação que justificasse a incidência do IRFonte sobre lucros distribuídos, o que não ocorreu!!! [...] Desta feita, mostrase evidente a necessidade de oposição dos presentes Embargos de Declaração pela contradição constante no acórdão embargado quanto Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13899.001314/200616 Acórdão n.º 1202001.055 S1C2T2 Fl. 1.833 3 aos fundamentos por ele utilizados para dar provimento ao Recurso de Ofício, já que tais fundamentos são integralmente dissociados da matéria do referido Recurso, além do acórdão embargado ser omisso quanto aos reais fundamentos que ensejariam a reforma da decisão da DRJ e, ainda, por colacionar fundamento inovador aos autos, o que o torna uma decisão ultra ou extra petita em relação à matéria objeto do Recurso de Oficio.” OMISSÃO, porque o acórdão embargado não teria se manifestado a respeito da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Da análise dos autos, entendo estarem presentes os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo Relator Os embargos são tempestivos e nos termos da lei, portanto dele se toma conhecimento. Inicialmente, cumpre esclarecer o alcance do voto vencedor do acórdão embargado, fls. 1789:. “De acordo com o resultado da votação, em relação ao recurso de oficio, pelo voto de qualidade, foi dado provimento quanto à matéria compensação do IRR Fonte e, por unanimidade, foi negado provimento em relação à decadência do ano calendário de 2000. Já em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, foram rejeitadas as preliminares suscitadas, de decadência do anocalendário de 2001, e de cerceamento ao direito de defesa e, quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, foi negado provimento ao recurso. Assim, restaram duas matérias, vencidas pelo voto de qualidade, a serem enfrentadas por este redator designado: i) compensação do IRRFonte retido dos beneficiários dos rendimentos de déb^^entures com o IRPJ lançado na autuação; e ii) dedutibilidade das despesas com remuneração de debêntures.” De acordo com o relatado, a primeira “contradição” apontada pela embargante diz respeito a “mudança de posição” do órgão julgador quanto à possibilidade de dedução do IRRF com o IRPJ ora autuado. A Resolução n° 120200.008, aprovada por esta Turma Julgadora, encaminhou os autos à unidade de origem para quantificação do IRRF, o que ficaria subtendido, por uma decorrência lógica, ter decidido pelo seu aproveitamento no presente lançamento. Já o Acórdão nº 120200.335, ora embargado, decidiu que não seria possível o aproveitamento do IRRF, daí a contradição apontada. Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13899.001314/200616 Acórdão n.º 1202001.055 S1C2T2 Fl. 1.834 4 O Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em seu art. 58 e parágrafos, disciplina a forma de julgamento dos recursos. As decisões proferidas pelas turmas julgadoras ocorrem com a emissão de um ato administrativo formalizado em um “acórdão”. Esse é o ato que descreve os fatos e se utiliza de fundamentos para a emissão da decisão que dá fim ao julgamento dos recursos voluntário e de ofício. Em relação ao “acórdão” emitido pela turma julgadora do CARF é que existe a possibilidade, ainda, da impetração de recursos, embargos de declaração e recurso especial, nos termos do art. 64 e seguintes do RICARF. Dito isso, esclareçase ainda que, no âmbito dos julgamentos administrativos, existe também a possibilidade da emissão de outro ato administrativo, denominado “Resolução” (art. 63 do RICARF). A emissão desse ato, pelo colegiado, ocorre pela necessidade de esclarecer determinada questão que se encontra mal explicada/documentada ou para efetuar determinados cálculos, porque necessários para possibilitar um melhor julgamento pela turma. No entanto, a Resolução não possui caráter de decisão final da turma em relação às matérias aventadas nos recursos (voluntário ou de ofício), mas sim, possui característica estritamente mandamental, com o retorno ao órgão de origem para esclarecer/apurar determinado(s) fato(s). O art. 63, § 5º, do RICARF é bastante claro ao estabelecer que a decisão em “forma de Resolução” é cabível quando a turma deva pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior: Art. 63. As decisões das turmas, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo relator, pelo redator designado e pelo presidente, e delas constarão o nome dos conselheiros presentes e os ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. [...] §5° A decisão será em forma de resolução quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior. (destaques meus) É o caso dos autos. O pronunciamento final da turma a respeito das matérias aventadas no recurso voluntário ocorreu em momento posterior à Resolução n° 120200.008, com a aprovação do Acórdão nº 120200.335, ora embargado. Não é por outra razão que o art. 63, § 6º, do RICARF manda reapreciar, após a realização da diligência, as questões preliminares e prejudiciais já examinadas. Se as questões preliminares e prejudiciais devem ser reexaminadas, com mais razão devem ser reapreciadas as questões de mérito. Vejase a transcrição do art. 63, § 6º do RICARF: Art. 63. As decisões das turmas, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo relator, pelo redator designado e pelo presidente, e delas constarão o nome dos conselheiros presentes e os ausentes, especificandose, se Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13899.001314/200616 Acórdão n.º 1202001.055 S1C2T2 Fl. 1.835 5 houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. [...] § 6° No caso de resolução, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, após a realização da diligência. (destaquei) Em síntese, a Resolução que propôs a diligência emitida pela turma julgadora não tem caráter decisório das questões aventadas nos recursos, possuindo apenas caráter mandamental. Somente os Acórdãos é que tem força de decisão terminativa, pondo fim ao exame das matérias aventadas nos recursos de ofício e voluntário. Por fim, cumpre esclarecer que a composição dos membros das turmas julgadoras, que aprovou a Resolução, e aquela que aprovou o Acórdão embargado, é distinta. Daí porque as decisões emitidas, se acaso ambas tivessem a mesma natureza de decisão, poderiam ser diferentes em relação a mesma matéria. Em face do exposto, verificase que inexiste impedimento da turma julgadora em decidir: i) no que foi “determinado” pela Resolução (quantificação do IRRF); e ii) no que “decidido” no Acórdão embargado (impossibilidade de aproveitamento do IRRF), de modo que devem ser rejeitados os embargos quanto à ocorrência dessa primeira contradição. Quanto ao segundo ponto, diz a embargante que teria ocorrido “contradição” e “omissão” porque o acórdão desta turma julgadora deixou de se manifestar a respeito dos fundamentos utilizados no voto condutor do acórdão da DRJ/Campinas, que teria requalificado as “despesas consideradas indedutíveis” para “lucros distribuídos”, de modo que estes últimos não sofrem a incidência do IRRF, motivo pelo qual o IRRF poderia ser aproveitado (deduzido) na autuação. Sem razão a embargante. A base legal da autuação (fls. 133/135 e 141), os fundamentos do acórdão recorrido para manter o lançamento (fls.1034) e os fundamentos do acórdão embargado (fls. 1808) são os mesmos. Vale dizer. A infração apurada foi a “glosa de despesas” consideradas não necessárias, porque não atendidos os critérios de usualidade e normalidade ao tipo de transação previstos no art. 299 do RIR/99. A requalificação aduzida pela embargante, ocorrida no acórdão da DRJ/Campinas, foi feita na realidade em benefício da autuada, matéria, no entanto, que foi objeto de recurso de ofício, porque a decisão a quo entendeu por adotar os mesmos fundamentos de outro acórdão, de nº 10194.986, sessão de 19/05/2005, do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. Vejase a conclusão do referido acórdão, fls. 1043: “Entendo, todavia, que por uma questão de razoabilidade, deve ser deduzida da exigência o valor pago a titulo de imposto de renda retido na fonte. E que, ao se considerar como indedutiveis as despesas correspondentes aos rendimentos de debêntures, na realidade estáse tratando os valores contabilizados a titulo de remuneração de debêntures como lucros distribuídos. Nesse caso, não cabe o imposto de renda retido na fonte, e uma vez que se trata Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13899.001314/200616 Acórdão n.º 1202001.055 S1C2T2 Fl. 1.836 6 de incidência exclusiva, não compensável na declaração dos beneficiários, deve o respectivo valor ser deduzido da presente exigência. (destaquei) No entanto, como se viu da transcrição acima, a dedução autorizada carece de sustentação legal e foi adotada “por uma questão de razoabilidade”. E essa questão foi devidamente enfrentada/fundamentada no acórdão embargado, fls. 1790verso/1791: Ern primeiro lugar, porque essa compensação/dedução carece de qualquer fundamento legal. E vejase, que nesse ponto, o acórdão recorrido não apresentou qualquer base legal que justificasse a dedução do IRPI lançado. E o fundamento legal para essa compensação não existe, porque se estaria deduzindo do imposto de renda da pessoa jurídicaIRPJ devido pela autuada, um imposto de renda na fonteIRRFon que incidiu sobre rendimentos de terceiros, no caso os beneficiários da remuneração das debentures, que são os sócios, o que, como já dito, carece de qualquer fundamento legal. No caso em tela, em que ocorreu a indedutibilidade da despesa com a remuneração das debentures emitidas, o imposto de renda é exigido da autuada na condição de "contribuinte" do IRPJ. Já no caso da retenção do imposto de renda na fonteIRRFonte, a autuada atua como "responsável" por essa retenção, uma vez que os contribuintes são os sócios beneficiários dos rendimentos das debêntures. Assim, não há como efetuar a dedução do IRPJ de um contribuinte (autuado) utilizandose do IRRFon pertencente à outro contribuinte (sócios). Além disso, o próprio Acórdão n° 10194.986, sessão de 19/05/2005, do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que foi utilizado para fundamentar parte da decisão de primeira instancia, também não possui fundamento legal amparando a pretendida compensação do IRR Fonte com o IRPJ do autuado, o que só vem a reforçar a impossibilidade dessa pretensão. Por fim, ainda no que se refere à compensação do IRRFonte com o imposto a pagar, o artigo 231 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 19990), exige que a receita, correspondente ao IRRFonte que venha a ser deduzido, tenha sido computada no cálculo do lucro real, fato que obviamente não ocorreu no caso ora analisado:” Como se percebe da transcrição, os motivos de ter sido dado provimento ao recurso de ofício são claros. Naturalmente, se foi dado provimento ao recurso, os fundamentos utilizados no acórdão da DRJ e no acórdão desta turma julgadora haverão de ser distintos. Em face do exposto, inexiste qualquer contradição ou omissão entre o acórdão da DRJ/Campinas e o acórdão embargado quanto aos fundamentos por este utilizados para dar provimento ao recurso de ofício, de modo de que devem ser rejeitados os embargos quanto à ocorrência de contradição e omissão. Por fim, alega a embargante a ocorrência de “omissão” porque o acórdão embargado não teria se manifestado a respeito da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. De fato, no “Relatório” do acórdão desta turma julgadora do CARF, consta a menção de que teria sido contestada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, fls. 1780: Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13899.001314/200616 Acórdão n.º 1202001.055 S1C2T2 Fl. 1.837 7 “ (...) que, por autorizado pelo art. 3°, inciso III da Lei no. 9.784/99 requer que seja apreciado o argumento da não incidência dos juros "selic" sobre a multa de oficio, perante a exoneração pretendida em parte sobre a autuação, citando ementas deste órgão fazendário de julgamento, inclusive o acórdão CSRF/0203.133 (processo no. 18471.001680/200430); Essa questão efetivamente deixou de ser apreciada pelo acórdão embargado. No entanto, compulsando os autos, verificase que a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício não foi questionada, nem na “impugnação” e nem no “recurso voluntário”. A manifestação a esse respeito somente ocorreu por ocasião da apresentação, pelo contribuinte, da resposta à diligência que havia sido proposta por esta turma julgadora, fls. 1737 e seguintes. Com efeito, matéria não contestada no momento processual adequado, na fase impugnatória ou recursal, encontrase preclusa e não pode ser conhecida por esta turma julgadora, de modo que a mesma deve ser considerada definitivamente constituída, na esfera administrativa, consoante art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim, devem ser acolhidos os embargos nessa parte, para sanar a omissão apontada e fazer constar/incluir, no voto vencedor do acórdão embargado, os fundamentos para não conhecer da matéria “incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício”, por preclusa, bem como a respectiva ementa, conforme transcrição a seguir: “Compulsando os autos verificase, no entanto, que a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício não foi questionada, nem na impugnação e nem no recurso voluntário. A manifestação a esse respeito somente ocorreu por ocasião da apresentação, pelo contribuinte, da resposta à diligência que havia sido proposta por esta turma julgadora, fls. 1737 e seguintes. Com efeito, matéria não contestada no momento processual adequado, na fase impugnatória ou recursal, encontrase preclusa e não pode ser conhecida por esta turma julgadora, de modo que a mesma deve ser considerada definitivamente constituída/julgada, na esfera administrativa, consoante art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” “Ementa: MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitivamente constituída/julgada, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada.” Em face do exposto, voto no sentido de que sejam acolhidos parcialmente os embargos opostos, para sanar a omissão apontada sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão nº 120200.335 proferido por esta 2ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF. Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13899.001314/200616 Acórdão n.º 1202001.055 S1C2T2 Fl. 1.838 8 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício da 2ªTO/2ªCam/1ªSejul e Relator Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 14/11/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 15374.724342/2009-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1549; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 902 1 901 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.724342/200994 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.508 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 22 de outubro de 2013 Assunto COMPENSAÇÃOCOFINS Recorrente PETROBRAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre compensação de créditos decorrentes de recolhimento a maior de COFINS (4 DCOMP transmitidas entre 12/05/2006 e 13/11/2006 fls. 5 a 211) com 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 34 2/ 20 09 -9 4 Fl. 920DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.724342/200994 Resolução nº 3403000.508 S3C4T3 Fl. 903 2 débitos de CIDE e CSLL (DCOMP de final 7483 crédito utilizado de R$ 17.067.695,06), PIS e COFINS (DCOMP de final 9327 crédito utilizado de R$ 5.538.142,91, DCOMP de final 9327 crédito utilizado de R$ 11.825.160,11, e DCOMP de final 9327, exclusivamente COFINS crédito utilizado de R$ 198.186,19). No despacho decisório de fl. 159, não é reconhecido o direito creditório e, por consequência, não são homologadas as compensações, passandose a cobrar os débitos no processo administrativo no 15374.724343/200939 (apensado ao presente), cabendo ainda destacar a pertinência com o processo correspondente de PIS (no 10768.720171/200715). No parecer que ampara o despacho (fls. 148 a 158), sustentase que: (a) o pagamento a maior, relativo a COFINS de dezembro de 2002, efetuado em 15/01/2003, no valor de R$ 241.946.033,36, decorreu de retificação de DCTF em 2004 (que alterou o valor devido de R$ 221.915.980,15 para R$ 207.316.849,09), havendo ainda diferença de valores em relação ao declarado em DIPJ; (b) intimada a prestar esclarecimentos sobre a DCTF retificadora, apresentando cópia de balancetes e dos Livros Diário e Razão, a empresa respondeu que até dezembro de 2006 o recolhimento da COFINS era feito antes do fechamento da contabilidade, com base em estimativa, havendo diferenças em todos os meses, e que teria dificuldade em compor o valor estimado (devido a problemas de sistema e oscilações do dólar), mas as diferenças deviamse a contabilizações efetuadas após o recolhimento da COFINS, enviando cópia da planilha de oscilação entre valores estimados e definitivos, e balancete patrimonial de dezembro de 2002; (c) segundo o art. 147 do CTN, a retificação da declaração pelo contribuinte que vise a reduzir tributo só é admissível mediante comprovação do erro; (d) os documentos apresentados apresentam divergências em relação aos verificados na diligência efetuada no âmbito do processo no 10768.720171/200715 (referente a PIS, para o mesmo período), e anexados ao presente processo; (e) a partir da diligência, é possível estabelecer os valores totais de receita tributável advinda da venda de produtos (já excluídos exportações, devoluções, descontos incondicionais e receitas sujeitas a alíquota zero), cf. tabela de fl. 153, e no que se refere às demais receitas, cf. tabela de fl. 154, tendo havido compensações efetuadas diretamente pela empresa em período no qual isso era vedado pela legislação (Lei no 10.637/2002); (f) na planilha apresentada pelo contribuinte para justificar as divergências, percebese que a maior parte das divergências decorre de dedução de variações cambiais (que são receitas ou despesas financeiras, cf. art. 9o da Lei no 9.718/1998), não influenciando a COFINS cumulativa; (g) no que se refere a gasolina, óleo diesel, GL e querosenes (que são produtos tributados com alíquotas diferenciadas), apurouse o valor devido, cf. tabela de fl. 156, a partir da planilha entregue pela empresa; e (h) expurgandose da base tributável as quantias tributadas com alíquotas diferenciadas, cf. tabela de fl. 157, chegase, após a dedução da CIDE declarada pela empresa (tabela ainda à fl. 157), ao valor total devido pela empresa: R$ 265.846.104,16, sendo o valor pago insuficiente para saldar os débitos (cabendo destacar que a partir da planilha entregue pela empresa, chegarseia a um valor ainda maior). Em sua manifestação de inconformidade (fls. 172 a 188), a empresa sustenta que: (a) a gasolina (produto 623) de aviação é tributada à alíquota de 3%, apesar de ser contabilizada na mesma conta da gasolina; (b) o propeno (produto 614) também é tributado à alíquota de 3%, apesar de ser contabilizado como GLP; (c) também os querosenes em geral são tributados à alíquota 3%, diferentemente dos de aviação (alíquota de 5,8%); (d) há gasolina e diesel vendidos para consumidores “liminaristas”; (e) a venda de nafta petroquímica para central petroquímica é tributada pela alíquota zero, cf. Lei no 10.336/2001, art. 14; (f) não incidem as contribuições (PIS e COFINS) sobre vendas de querosene de aviação a distribuidoras, cf. Lei no 10.560/2002, art. 3o; (g) a base de cálculo foi ajustada em função da variação cambial devedora, tendo a receita sido contabilizada indevidamente e estornada para Fl. 921DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.724342/200994 Resolução nº 3403000.508 S3C4T3 Fl. 904 3 regularização; (h) não podem ser desconsideradas as deduções relativas a variações cambiais positivas, pois elas não representam acréscimos patrimoniais, conforme entende majoritariamente a doutrina e a jurisprudência (administrativa e judicial), sendo a liquidação da obrigação que convola tal expectativa de receita em receita, sendo o resultado positivo; (i) o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, que trazia conteúdo ampliado do conceito de receita, com repercussão geral, vinculando inclusive a Administração, não podendo nesse contexto ser considerada como receita a variação cambial positiva; e (j) levando em consideração os ajustes efetuados na manifestação de inconformidade, o valor pago a maior a título de COFINS foi de R$ 34.629.479,66. Em 26/04/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 810 a 826), no qual se acorda unanimemente pela parcial procedência da manifestação de inconformidade. Em relação: (a) às receitas provenientes de venda de gasolina, não são apresentados documentos comprobatórios de venda (notas fiscais), havendo inclusive em seu corpo a mensagem “não vale como documento fiscal”, tendo a planilha utilizada no despacho decisório já considerado os ajustes extra contábeis do contribuinte, o mesmo acontecendo em relação ao propeno e ao querosene, e à nafta petroquímica vendida a centrais petroquímicas; (b) a exclusão das receitas referentes a venda às empresas “liminaristas” não poderia ter sido efetuada, pois a decisão judicial não era definitiva, e não se pode solicitar compensação com base em créditos decorrentes de ação judicial antes do trânsito em julgado; (c) o art. 3o da Lei no 10.560/2002 não ampara a não incidência em relação às vendas de querosene de aviação a distribuidoras; e (d) diante da inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, mister a exclusão da base de cálculo do item “outras receitas” (que abarca a variação cambial positiva), incluídas de ofício pela autoridade fiscal, mantendose somente o valor espontaneamente informado pelo contribuinte em sua DIPJ (R$ 640.368.272,90), ao invés do utilizado no despacho decisório (R$ 1.459.758.423,86). Ao final, recompõese o cálculo com base nas exclusões efetuadas pelo julgador a quo (fl. 826), chegandose à existência de um pagamento a maior de R$ 681.633,73, efetivo direito creditório do contribuinte decorrente de COFINS relativa a dezembro de 2002. A DRJ rechaça ainda a apresentação posterior de provas e documentos, por força do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. Cientificada da decisão de piso em 16/03/2013 (por decurso do prazo de 15 dias da disponibilização em caixa postal, no módulo eCAC do sítio da RFB fl. 838), a empresa apresenta recurso voluntário (fls. 840 a 859), em 27/02/2013, sustentando que: (a) a gasolina de aviação é tributada à alíquota de 3% (informando que a documentação apresentada é cópia fidedigna das notas fiscais, tendo em conta que houve dificuldade para obter toda a documentação de suporte); (b) o propeno é tributado à alíquota de 3%, e é excluído do regime de tributação diferenciada do GLP (aplicandose as mesmas considerações efetuadas sobre a cópia de notas fiscais referentes a gasolina); (c) também os querosenes em geral são tributados à alíquota 3%, diferentemente dos de aviação (alíquota de 5,8%); (d) a venda a liminaristas não é para compensação de créditos da recorrente, pois a recorrente efetuou recolhimentos aos cofres públicos, indevidos tendo em vista a suspensão obtida com as liminares em mandado de segurança; (e) a venda de nafta petroquímica para central petroquímica é tributada pela alíquota zero, cf. Lei no 10.336/2001, art. 14 (também tendo sido acostadas aos autos cópias fidedignas das notas fiscais, pois houve dificuldade para obter toda a documentação de suporte); e (f) não incidem as contribuições (PIS e COFINS) sobre vendas de querosene de aviação a distribuidoras. Repetese, ainda, no Recurso Voluntário, a argumentação sobre as variações cambiais ativas, matéria que já havia recebido acolhida na DRJ, em função da inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. A recorrente manifesta ainda Fl. 922DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.724342/200994 Resolução nº 3403000.508 S3C4T3 Fl. 905 4 contrariedade ao entendimento da DRJ sobre dilação probatória, protestando novamente pela juntada posterior de documentos ou outras provas. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Tendo em vista a exclusão das glosas de “outras receitas” (em sua maior parte decorrentes de variações cambiais ativas) pela DRJ, restam contenciosas as questões referentes a alíquotas diferenciadas (para gasolina, propeno e querosene), a vendas a liminaristas, a venda de nafta petroquímica para central petroquímica e a venda de querosene de aviação a distribuidoras. Há, contudo, questão relevante o que se refere ao tema probatório, que merece considerações preliminares. Nos processos relativos a compensação, o ônus probatório é do solicitante. Cabe a ele comprovar a liquidez e a certeza do crédito tributário, requisitos à compensação fulcrados no art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) É certo que as análises fiscais (inclusive as relativas a pedidos de compensação) partem dos registros contábeis e declarações prestadas pela empresa ao fisco. Contudo, em vários casos (como o que se apresenta neste processo) as declarações e registros contábeis revelam inconsistências e divergências. Vejase que no presente processo há divergências entre DCTF e DIPJ, conforme relatado de início. Apesar de a empresa ter pago R$ 241.946.033,36 referentes à COFINS de dezembro de 2002, o valor indicado inicialmente como devido em DCTF era R$ 221.915.980,15. E após a retificação da DCTF passou a R$ 207.316.849,09. Assim, grande parte do crédito que a recorrente alega possuir decorre de retificação da DCTF, feita em 2004. Também nesse caso o CTN é enfático (art. 147, § 1o): “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1o A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...)” (grifo nosso) Fl. 923DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.724342/200994 Resolução nº 3403000.508 S3C4T3 Fl. 906 5 Não remanesce, do exposto, qualquer dúvida em relação ao papel probatório a cargo do postulante da compensação. Com essa premissa em mente, passase a analisar individualmente os pontos que permanecem controversos. Da gasolina de aviação Alega a recorrente que a gasolina de aviação (produto 623) é tributada à alíquota de 3%, mas foi contabilizada na mesma conta da gasolina, e que o fundamento da DRJ para o indeferimento foi a não apresentação de notas fiscais (visto que as cópias anexadas ao processo apresentam frase: “NÃO VALE COMO DOCUMENTO FISCAL”). E justifica a ausência de apresentação dos originais “pela grande dificuldade para obter toda a documentação de suporte”, mas atesta que os documentos fiscais são cópias fidedignas das notas fiscais, constituindo “meios de prova para comprovar as alegações” da recorrente. Retrocedendo ao julgamento de primeira instância, vêse que a ausência de documentação foi importante, mas não o único argumento para a não acolhida das pretensões da recorrente: “Com relação à pretendida exclusão, depreendese dos argumentos do contribuinte em sua manifestação de inconformidade, da cópia do balancete e demonstrativo apresentado à fiscalização, que a empresa não mantém em sua contabilidade, conta específica para o registro das operações de venda da gasolina de aviação, supostamente escriturando os valores correspondentes a tais vendas na mesma conta contábil utilizada para a venda de gasolina. Inicialmente devese observar que o valor da receita bruta da venda de gasolina considerado no Parecer Conclusivo corresponde àquele informado pelo contribuinte na planilha apresentada durante o procedimento de diligência (fl. 139), relacionado à conta 3110102 (gasolina). Referida planilha já contempla os ajustes extra contábeis informados pelo contribuinte, analisados e aceitos pela fiscalização, não havendo ali qualquer informação acerca da alegada inclusão numa mesma conta contábil de receitas de vendas de produtos diversos. Ressaltese ainda que durante o procedimento de diligência efetuado, foi solicitado ao responsável pela contabilidade da empresa esclarecimentos quanto às divergências detectadas entre os dados informados no demonstrativo da base de cálculo apresentado e os dados registrados no balancete da empresa e para tanto, foram realizadas duas reuniões, tendo sido informado, na ocasião, que devido às peculiaridades de negócios da empresa e ao seu tamanho, algumas receitas são controladas em planilhas extra contábeis, planilhas estas apresentadas à autoridade fiscal, analisadas e aceitas. Em nenhum momento, contudo, o contribuinte mencionou os fatos levantados na manifestação de inconformidade, ou seja, o registro contábil em uma única conta, de receitas decorrentes de vendas de produtos sujeitos à incidência tributária diferenciada. Na manifestação de inconformidade apresentada, contudo, a empresa alega que, no período a que se refere o crédito, o valor correspondente Fl. 924DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.724342/200994 Resolução nº 3403000.508 S3C4T3 Fl. 907 6 a venda da gasolina de aviação é de R$ 11.092.722,92. Com a finalidade de comprovar o alegado juntou à manifestação de inconformidade cópia dos documentos de fls. 256/285. No entanto, não foram apresentadas as notas fiscais representativas das vendas efetuadas, mas sim documentos sem valor fiscal, conforme informação aposta nos próprios documentos. Se a empresa opta por manter um sistema de contas contábeis que não permite segregar as receitas decorrentes de vendas de produtos sujeitos a diferentes regimes de tributação, que se caracterizam pela incidência da contribuição em tela mediante aplicação de alíquotas diversas, deve necessariamente ser capaz de comprovar tal fato e demonstrar a base de cálculo apurada de forma segregada por produto, o que, contudo, não foi providenciado.” (grifo nosso) A empresa poderia ter segregado, na escrituração, os produtos sujeitos a diferentes regimes de tributação. Não o fazendo, deveria ao menos em suas planilhas extra contábeis (apresentadas ao fisco e aceitas), efetuar a distinção. Não o fazendo novamente, deveria na manifestação de inconformidade juntar a documentação comprobatória. A justificativa apresentada, de que há grande dificuldade para obter toda a documentação de suporte, dificuldade essa que assola todas as empresas, especialmente as de grande porte (que, por isso, deveriam possuir sistema eficiente de armazenamento dos documentos) está longe de permitir a prova com a simples anexação de documentos que atestam literalmente não possuir valor fiscal. Contudo, em nome da verdade material, é de se considerar que a documentação apresentada faz surgir dúvida em relação à existência do crédito. Os documentos apresentados não comprovam que as vendas tenham sido contabilizadas na conta 3110102, mas apontam para 30 notas fiscais de venda exatamente no período analisado, e que tratam de produto (gasolina de aviação) tributado com alíquota de 3%. Embora não possam ser tomadas como elementos conclusivos em matéria probatória, as 30 cópias de notas fiscais “que não valem como documento fiscal” apresentadas fazem nascer dúvida no julgador quanto a ter ocorrido mero erro de lançamento contábil, ocasionando tributação idêntica a produtos que deveriam ser distintamente tratados (gasolina de aviação e demais gasolinas). Assim, em adição a nossas considerações de ordem probatória, passamos a tratar de uma terceira categoria de processos, no que se refere à compensação. A primeira categoria (na qual o contribuinte efetua a prova, sendo cabível a homologação) e a segunda (na qual indiscutivelmente não se faz presente a prova) possibilitam a plena convicção do julgador no momento da apreciação do processo. Mas a terceira (e última) categoria é aquela na qual o julgador, ao analisar os elementos apresentados pelo postulante da compensação (seja em primeira instância, ou em segunda instância, quando dentro do disposto no art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972), fica em dúvida sobre o direito creditório, demandando esclarecimentos, a serem fornecidos em sede de diligência. A diligência, como é cediço, não se presta a suprir deficiência probatória (seja do fisco, na autuação, seja do postulante, na compensação). E, no presente processo, o postulante apresenta, ainda na sua manifestação de inconformidade, 30 cópias de notas fiscais, com todos os dados que deveriam constar em uma Fl. 925DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.724342/200994 Resolução nº 3403000.508 S3C4T3 Fl. 908 7 nota fiscal (aparentando ser realmente fiel cópia de notas fiscais emitidas), mas que contêm a menção expressa de que “não valem como documento fiscal”. É certo que soa anormal uma empresa do porte da recorrente não ter controle do armazenamento de suas notas fiscais originais, mas também não nos parece que as 30 notas fiscais (no estado em que apresentadas) sejam fruto da imaginação da empresa, ou de simulação. Contudo, o fisco pode checar isso, em sede de diligência. Entendese que os documentos apresentados, por gerarem dúvida, demandam verificação, a ser efetuada em sede de diligência, na qual o fisco deverá se manifestar expressamente sobre: (a) a existência das vendas amparadas pelas 30 notas fiscais apresentadas (fls. 256 a 285); (b) de qual forma tais operações de venda, se existentes, foram tomadas em consideração na análise efetuada pelo fisco sobre os pedidos de compensação; e (c) o tratamento tributário aplicável a tais vendas, recompondo, se forem efetivas as vendas, as bases de cálculo, aplicandose sobre cada parcela as alíquotas corretas. Tal postura foi semelhante à adotada em processo referente à Contribuição para o PIS/PASEP (no 10768.720171/200715), apreciado por esta Turma em 26/02/2013 (baixado em diligência por meio da Resolução no 3403000.420, para exame dos documentos apresentados e eventual recomposição das bases de cálculo). Do propeno Em relação ao propeno a situação é semelhante. Alega a recorrente que a venda do propeno (NCM 29012200), apesar de ser contabilizada no grupo GLP (monofásico), é tributada pela alíquota geral da COFINS. Sustenta ainda que a própria decisão recorrida reconhece a sujeição do propeno à alíquota geral, embora não aceite a exclusão do propeno do regime de tributação diferenciada aplicável ao GLP (tendo em vista a escrituração ter sido efetuada em tal conta). Da mesma forma que no tópico anterior (e sob a mesma justificativa), são anexadas ao processo apenas cópias de notas fiscais (fls. 287 a 393) com a mensagem de que não valem como documentos ficais. A DRJ, ao analisar a questão, à luz das regras de classificação fiscal, da legislação infralegal vigente, e de solução de consulta demandada pela própria recorrente, conclui que: “De acordo com a legislação e a Solução de Consulta citadas, constata se que, de fato, o regime de tributação concentrado aplicável em relação à venda de GLP não alcança a receita proveniente da venda do produto em questão, que possui definição e características próprias, bem como classificação distinta na NCM. Por outro lado, é de se observar que não há sentido na opção da empresa em adotar um plano de contas que admita o registro da receita de venda de produtos distintos em uma mesma conta, principalmente quando tais produtos encontramse submetidos a um regime de tributação diferenciado. E neste sentido, o contribuinte não foi capaz de comprovar que, de fato, assim proceda. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.724342/200994 Resolução nº 3403000.508 S3C4T3 Fl. 909 8 Notese que embora não haja conta específica referente à venda de propeno, observase que no balancete da empresa, além de contas específicas para diversos produtos comercializados, consta também a conta 3110199 “outros produtos nacionais”, tendo sido registrado no mês de dezembro de 2002, receita bruta de venda no valor de R$ 224.904.824,11. A receita auferida com a venda de propeno, em tese, pode estar inserida nesta conta genérica e não na conta destinada ao registro da venda de GLP, uma vez que se trata de produto diverso, não havendo nos autos prova em concreto que ateste o fato alegado.” (grifo nosso) Não nos parece, pela argumentação da recorrente no recurso voluntário, e pela soma dos valores correspondentes às cópias de notas fiscais apresentadas, que tenha havido cômputo na conta 3110199. Pelo contrário, em sede de recurso voluntário alegase classificação na conta 3110107 (descrita no balancete, à fl. 772, como “gases liquefeitos nacionais”). Assim, presente novamente a dúvida em relação à notas fiscais (cópias sem valor fiscal) apresentadas, e com a mesma motivação expressa no tópico anterior, recomendável a baixa em diligência para que o fisco se manifeste expressamente sobre: (a) a existência das vendas amparadas pelas 107 notas fiscais apresentadas (fls. 287 a 393); (b) de qual forma tais operações de venda, se existentes, foram tomadas em consideração na análise efetuada pelo fisco sobre os pedidos de compensação; e (c) o tratamento tributário aplicável a tais vendas, recompondo, se forem efetivas as vendas, as bases de cálculo, aplicandose sobre cada parcela as alíquotas corretas. Da venda de nafta petroquímica para centrais petroquímicas Também nesse tópico a discussão é probatória: a venda de nafta petroquímica para central petroquímica é tributada pela alíquota zero, cf. Lei no 10.336/2001, art. 14. E a recorrente alega (também acostando aos autos cópias de notas fiscais “sem valor fiscal”), que efetuou operações ao amparo de tal dispositivo legal. A DRJ, em relação ao alegado, conclui que: “Aqui também é importante registrar que o valor da receita bruta da venda de nafta considerado no Parecer Conclusivo corresponde àquele informado pelo contribuinte na planilha apresentada durante o procedimento de diligência nas contas 3110106 (naftas nacionais) e 3110206 (naftas importadas). Referida planilha já contempla os ajustes extra contábeis informados pelo contribuinte, analisados e aceitos pela fiscalização, não havendo ali qualquer informação quanto a receitas sujeitas a alíquota zero, embora haja coluna específica para este fim. Também por ocasião das reuniões realizadas no procedimento de diligência com responsáveis pela contabilidade nada foi mencionado, razão pela qual o Parecer contestado não analisa a questão. Em sua defesa, o contribuinte alega que a receita de venda sujeita a alíquota zero foi de R$ 559.699.545,79. Mais uma vez, contudo, junta à manifestação de inconformidade, documentos que, de forma semelhante ao que ocorre nos itens anteriormente analisados, não possuem valor fiscal, não possuindo, portanto, valor de prova Fl. 927DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15374.724342/200994 Resolução nº 3403000.508 S3C4T3 Fl. 910 9 suficiente ao reconhecimento do direito creditório pretendido. Assim sendo, mantémse, neste item, a apuração realizada no Parecer Conclusivo.” Demandase, assim, sob as mesmas justificativas já explicitadas nos tópicos anteriores, diligência para que o fisco se manifeste expressamente sobre: (a) a existência das vendas amparadas pelas 166 notas fiscais apresentadas (fls. 571 a 736); (b) de qual forma tais operações de venda, se existentes, foram tomadas em consideração na análise efetuada pelo fisco sobre os pedidos de compensação; e (c) o tratamento tributário aplicável a tais vendas, recompondo, se forem efetivas as vendas, as bases de cálculo, aplicandose sobre cada parcela as alíquotas corretas. Demais tópicos Por fim, tendo em vista o exposto na decisão da DRJ e no recurso voluntário, entendese estarem presentes as condições para apreciação das demais matérias controversas (venda de querosenes, venda de gasolina e diesel para distribuidoras “liminaristas”, e venda de querosene de aviação), dispensada a realização de diligência. Pelo exposto, voto pela conversão em diligência, para que o fisco se manifeste expressamente sobre: (a) a existência das vendas amparadas pelas 303 notas fiscais apresentadas (fls. 256 a 285, fls. 287 a 393, e fls. 571 a 736); (b) de qual forma tais operações de venda, se existentes, foram tomadas em consideração na análise efetuada pelo fisco sobre os pedidos de compensação; e (c) o tratamento tributário aplicável a tais vendas, recompondo, se forem efetivas as vendas, as bases de cálculo, aplicandose sobre cada parcela as alíquotas corretas. Após a emissão do relatório de diligência, dêse ciência à recorrente, observandose os ditames do parágrafo único do art. 35 do Decreto no 7.574/2011, para que se manifeste em trinta dias, devolvendose os autos a este colegiado. Rosaldo Trevisan Fl. 928DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10480.905406/2011-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que deve ser expressa, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA TOTALIDADE DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO PARCIALMENTE HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante.É defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA TOTALIDADE DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO PARCIALMENTE HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 54 06 /2 01 1- 40 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905406/201140 Acórdão n.º 3801002.266 S3TE01 Fl. 78 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905406/201140 Acórdão n.º 3801002.266 S3TE01 Fl. 79 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 11/14, interposta aos 15/07/2011 em face do Despacho Decisório com rastreamento nº 932682177, do qual a contribuinte tomou ciência aos 17/06/2011, fl. 10, proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife – DRF/REC/PE, fl. 07, por intermédio do qual fo iparcialmente homologada a compensação objeto da Declaração de Compensação DCOMP nº 02319.74116.291007.1.7.040010 (fls. 02/06). 2. Segundo se verifica às fls. 02/06, o ora recorrente, por meio de supradita DCOMP, declarou a compensação do débito ali descrito com conjecturado crédito, no montante original inicial de R$ 4.453,59, derivado de alegado pagamento a maior da COFINS (código de receita: 2172), período de apuração: 31/03/2007, vencimento: 20/04/2007, realizado aos 25/05/2007 no valor total de R$ 57.943,39.. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl. 07, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei nº5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e no art. 74, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, foi parcialmente homologada a supradita compensação, pois o pagamento acima discriminado, embora localizado nos sistemas informatizados da RFB, havia sido utilizado, em parte, para a extinção do débito da COFINS, código de receita: 2172, atinente ao período de apuração de março/2007, após o que restou saldo original do pagamento de apenas R$ 376,22, cujo direito a compensação foi reconhecido 4. No recurso interposto, articula o manifestante que teria apurado “créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior”, que foi corretamente informado na DCOMP aqui tratada. 5. Alude ter recebido Despacho Decisório por meio do qual é noticiado que o pagamento descrito na DCOMP, apesar de localizado, fora parcialmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível insuficiente para supradita compensação. 6. Sustenta que “Tratase então, de apenas proceder às retificações das respectivas DCTFs – Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior” e afirma que “exerceu seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905406/201140 Acórdão n.º 3801002.266 S3TE01 Fl. 80 4 compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias”. 7. Ademais, o recorrente discorreu acerca do direito à compensação na forma do art. 74, caput e §§1º, 2º, 3º e 5º, da Lei nº 9.430/96, e, com esteio nestes dispositivos, diz ter direito à compensação referente a “pagamento a maior ou indevido” de tributo administrado pela RFB, até mesmo porque não configurada nenhuma das vedações deste § 3º. 8. Externa que obedeceu a forma de realização da compensação determinada pelo art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/96 (envio da Declaração de Compensação), cabendo, assim, à RFB o direito de analisar citada Declaração e os documentos a ela concernentes e, deste modo, fazer a homologação do procedimento no prazo de 05 (cinco) anos. 9. Mais adiante, comenta que, em síntese, são “os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) Da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo DARF; b) Do direito em retificar as DCTFs e demais obrigações acessórias”. 10. Ao final, pugnou pelo acolhimento da Manifestação de Inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. PRODUÇÃO CONCRETA DE EFEITOS. DESCONSTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO NA CONFISSÃO. Para desconstituir a confissão de dívida em DCTF que surtiu efeitos concretos quando foi utilizada pela Administração Tributária em Despacho Decisório que decidiu direito à compensação de pagamento indevido ou maior que o devido, é Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905406/201140 Acórdão n.º 3801002.266 S3TE01 Fl. 81 5 necessário que o sujeito passivo comprove a existência de erro na confissão. INDÉBITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE SUA TOTALIDADE. COMPENSAÇÃO. PARCIAL HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação da totalidade do indébito implica a homologação parcial da compensação em que ele foi utilizado e a conseqüente cobrança do saldo de débito indevidamente compensado.. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 APRECIAÇÃO DE PEDIDOS DE RETIFICAÇÃO DE DCTF E DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCOMPETÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para apreciar pedidos de retificação de DCTF e de obrigações acessórias Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho alegando, em síntese, que o seu direito creditório decorre de mandado de segurança coletivo movido pelo Sindhospe Sindicato dos Hospitais de Pernambuco voltado à permissão de compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos, ante à suspensão da exigibilidade de tais tributos, cuja sentença lhe foi favorável, tendo, inclusive, transitado em julgado. Alega ainda que ingressou com um pedido administrativo de habilitação de crédito, o qual gerou o processo n° 10480.732928/201205, que teria permitido a compensação de créditos decorrentes do pagamento do Pis e da Cofins sobre a venda de medicamentos, reconhecidos na referida ação judicial. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905406/201140 Acórdão n.º 3801002.266 S3TE01 Fl. 82 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme relatado, a recorrente transmitiu PERDCOMP no qual pleiteia a compensação de débitos com um suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição PIS e COFINS. Posteriormente, em sede de recurso voluntário, alegou que o seu direito creditório decorre de ação judicial na qual havia sido reconhecido o direito à compensação de créditos oriundos de Pis e Cofins incidentes sobre a venda de medicamentos. Conforme Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a compensação declarada foi parcialmente homologada sob a seguinte fundamentação: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficientes para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O direito creditório foi parcialmente reconhecido, segundo despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam vinculados a débitos já declarados e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza do restante dos indébitos. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Quanto ao mérito do direito creditório alegado em sede recursal, devemos atentar ao disposto no Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905406/201140 Acórdão n.º 3801002.266 S3TE01 Fl. 83 7 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Tais dispositivos refletem o princípio da Preclusão presente no PAF, ou seja, a impugnação do contribuinte estabelece os limites do litígio, não podendo haver inovação em sede de recurso voluntário. Entretanto, este princípio muitas vezes é sopesado pela busca da verdade material, sendo admitida a apresentação de novas provas destinadas à comprovação de alegações já postas. No caso em tela, a recorrente inovou em relação as alegações apresentadas à 1ª Instância, bem como, não juntou nenhuma documentação comprobatória que pudesse embasar o seu direito. A recorrente alega ainda que o seu direito creditório foi reconhecido pela própria Receita Federal do Brasil através do despacho decisório exarado no Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, com cópia nos autos. No entanto falece razão à recorrente nesse aspecto, pois não é essa a finalidade do citado procedimento. No procedimento de habilitação se realizam as verificações constantes no art. 71, § 4º, da IN/RFB 900/08 sendo que nessa fase não se realizam os cálculos para apurar o direito creditório, visto que nessa fase não se instaura o contencioso: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905406/201140 Acórdão n.º 3801002.266 S3TE01 Fl. 84 8 reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo administrado pela RFB; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 5º Será indeferido o pedido de habilitação do crédito nas seguintes hipóteses: I as pendências a que se refere o § 2º não forem regularizadas no prazo nele previsto; ou II não forem atendidos os requisitos constantes do § 4º. § 6º O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso nem alteração do prazo prescricional quinquenal do título judicial referido no inciso IV do § 4º.(grifamos) O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Significa apenas autorização para transmissão do PER/DComp. O valor constante do pedido de habilitação é informativo e de responsabilidade do contribuinte. Não implica reconhecimento de direito creditório desse valor, quando deferido o pedido. Somente após a inserção de todos esses dados no sistema CPERDCOMP é que o contribuinte conseguirá transmitir os PER/DComp correspondentes ao crédito habilitado, sendo que no caso vertente as declarações de compensação foram transmitidas muito antes do referido Pedido de Habilitação e, inclusive, anteriormente ao próprio trânsito em julgado da decisão judicial na qual a recorrente alega ter embasado o seu direito creditório . Quanto à verdade material, muito embora no processo administrativo o julgador não pode se contentar apenas com a verdade formal, ou seja, aquela verdade que Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 10480.905406/201140 Acórdão n.º 3801002.266 S3TE01 Fl. 85 9 resulta das provas e alegações trazidas aos autos pelas partes, tal dever atribuído ao julgador não pode ser estendido para além dos limites do rito procedimental a não ser quando entender que as provas trazidas tempestivamente não espelham a realidade dos fatos. No mais, considerandose que as informações prestadas no PERDCOMP situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Salientamos que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, é defeso a apreciação em sede recursal de matéria não suscitada na instância a quo, bem como, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose a homologação parcial das compensações. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/02/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 13646.000133/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.443
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência.
JOEL MIYAZAKI - Presidente
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Ausente, momentaneamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por UNANIMIDADE de votos, em converter o julgamento em diligência. JOEL MIYAZAKI - Presidente CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Ausente, momentaneamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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JOEL MIYAZAKI Presidente CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino e Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Ausente, momentaneamente, a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto RELATÓRIO e VOTO Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase o presente de Autos de Infração do PIS/Pasep, fls. 99 a 103, e da Cofins, fls. 104 a 108, que resultaram no ajuste das bases de cálculo dos créditos das respectivas contribuições sob o regime não cumulativo, referente ao período de janeiro a dezembro de 2005, e não gerou apuração de crédito tributário. Conforme destacado no item "III — CRÉDITOS APURADOS INDEVIDAMENTE" do Auto de Infração, a fiscalização discriminou a apuração indevida dos créditos de PIS e da Cofins, de 2005, apropriados em 12/2006 e 03/2008, nos Relatórios Fiscais Parciais RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 46 .0 00 13 3/ 20 10 -1 2 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13646.000133/201012 Resolução nº 3201000.443 S3C2T1 Fl. 354 2 "Crédito Extemporâneo P' e "Crédito Extemporâneo II", respectivamente, cujas glosas • foram assim resumidas: [...] Cientificada da autuação em 07/07/2010, (fls. 103 e 108), a interessada apresentou a impugnação de fls. 113 a 134, na qual: após breve relato dos fatos, esclarece que os créditos da contribuição ao PIS e da Cofins, embora referentes ao período de janeiro a dezembro de 2005, foram apurados extemporâneamente, tendo sido lançados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais — Dacon dos meses de dezembro de 2006 e março de 2008; destaca as diferenças entre as sistemática da não cumulatividade das contribuições ao PIS e da Cofins e do IPI e a ausência de dispositivo determinando, para fins de apuração dos créditos das referidas contribuições, a aplicação subsidiaria da legislação do IPI; alega que não encontra amparo legal a diretriz das Instruções Normativas SRF n° 247, de 2002, e 404, de 2003, no sentido de que somente são insumos as matériasprimas, os produtos intermediários, as embalagens e quaisquer outros bens que sofram alteração, durante o processo produtivo dos bens da pessoa juridica. passa aos argumentos específicos acerca das glosas efetuadas. Ao final, requer a improcedência dos autos de infração e protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e a juntada de documentos. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL • Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido de juntada de novas provas e, uma vez que os elementos contidos nos autos são suficientes para o deslinde da questão, é prescindível a realização de perícia ou diligência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/1212005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos Fl. 354DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13646.000133/201012 Resolução nº 3201000.443 S3C2T1 Fl. 355 3 intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais • como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. 1NSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime nãocumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. CREDITO SOBRE DEPRECIAÇAO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13646.000133/201012 Resolução nº 3201000.443 S3C2T1 Fl. 356 4 Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. O auto de infração decorre da glosa de créditos apurados pelo regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sendo objeto do litígio as glosas decorrentes de diversas despesas. Em análise dos autos, constatase a necessidade da realização de diligência, com a finalidade de verificar se as aquisições e despesas cujos créditos foram glosados pela fiscalização relacionamse ou não ao processo produtivo da recorrente. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que unidade preparadora jurisdicionante do domicílio fiscal da recorrente providencie o que segue: 1) Intime a recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos itens cujos créditos foram glosados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; e 2) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização ou não dos itens cujos créditos foram glosados no processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, deve ser concedido o prazo de trinta dias para que a recorrente e a PGFN se manifestem acerca do tema. Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 356DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/12/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10783.905283/2008-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 09/12/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/05/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 09/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo.
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DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE Recorrente TELEVISÃO VITÓRIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 52 83 /2 00 8- 37 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.905283/200837 Acórdão n.º 9303002.644 CSRFT3 Fl. 215 2 EDITADO EM: 09/12/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A sociedade empresária acima identificada formalizou diversas declarações de compensação visando utilizar como direito creditório a COFINS recolhida sobre o “desconto de agência”, recolhimento que entendeu indevido. Todas elas são anteriores à edição da Lei 12.232/2010. As compensações não foram homologadas pela DRFB Vitória, o que ensejou a apresentação de manifestações de inconformidade, que foram analisadas e decididas pela DRJ Rio de Janeiro II contrariamente à pretensão da interessada. Tanto a manifestação quanto o julgamento pela DRJ também ocorreram antes da edição da Lei 12.232, de modo que em ambos não há qualquer referência a ela. Em virtude dessa decisão, apresentou ela recurso voluntário em que apenas reitera os mesmos argumentos já expostos em sua cópia da manifestação de inconformidade e devidamente contraditados no acórdão então recorrido. Embora datado de julho de 2010, quando já vigia a Lei 12.232, o recurso voluntário também não faz a ela qualquer referência. A ele, a 2ª Turma Ordinária da Primeira Câmara desta Terceira Seção do CARF negou provimento com os mesmos argumentos já expendidos pela DRJ e que não haviam sido especificamente contraditados pela recorrente, mas acresceu um último tópico enfrentando especificamente a aplicabilidade da Lei 12.232, que sequer constara do recurso voluntário. Ainda insatisfeita, apresenta agora ela recurso especial no qual aponta que a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Terceira Seção entendeu que o tal desconto não deve ser incluído na base de cálculo por aplicação do mesmo dispositivo da Lei 12.232 que havia sido mencionado “de ofício” na decisão recorrida. O recurso limitase a demonstrar a divergência e postular a aplicação do entendimento a que chegou a Quarta Câmara sem sequer se dar ao trabalho de expender algum argumento na direção do postulado de modo a se opor àqueles esposados no acórdão que pretendia contestar. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.905283/200837 Acórdão n.º 9303002.644 CSRFT3 Fl. 216 3 Como procurei demonstrar no relatório, o processo apresenta como “peculiaridade” o fato de que a decisão recorrida se manifestou sobre matéria não argüida pelo contribuinte. Entretanto, fêlo não para conceder o que não fora pedido, o que configuraria, a princípio, hipótese de decisão ultrapetita, mas para negálo (?). Em outras palavras, o único efeito de tal inclusão foi propiciar a apresentação do recurso especial que ora analisamos, visto que é exatamente sobre essa parte do acórdão que se instaura a divergência que veio a ser aceita no exame de admissibilidade. Assim, apesar dessa estranheza quanto à inclusão da matéria não deduzida na defesa, concordo que o recurso especial deve ser admitido na medida em que, uma vez incluída ela, resta patente a divergência de entendimentos entre a câmara recorrida e a quarta câmara. Dele conheço, pois. E sem maiores delongas, a ele nego provimento com os argumentos expendidos pelo conselheiro Henrique Pinheiro Torres em julgamento de recursos em tudo semelhantes realizados na última reunião dessa Câmara Superior. Peço vênia, pois, para transcrevêlos na íntegra a seguir, considerandoos bastantes na medida em que o recorrente nada de novo traz em relação ao seu recurso voluntário, a não ser a pretensão de ver aplicada a mencionada Lei 12.232 argumento muito bem enfrentado pelo dr. Henrique, a quem rendo minhas homenagens. Transcrevo: A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art. 19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplica se, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.905283/200837 Acórdão n.º 9303002.644 CSRFT3 Fl. 217 4 tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, á época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade, comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veiculo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra o a anunciante quanto à da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.905283/200837 Acórdão n.º 9303002.644 CSRFT3 Fl. 218 5 Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associada ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.905283/200837 Acórdão n.º 9303002.644 CSRFT3 Fl. 219 6 a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do desconto padrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. E assim também façoo eu aqui. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16707.003394/2007-15
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.218
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, no sentido de que seja solicitado à autoridade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil informações e cópias do processo administrativo tributário inaugurados pelo lançamento de AUTO DE INFRAÇÃO - AI - DEBCAD No. 37.053.925-7, de forma a se precisar o conteúdo, andamento processual,
localização e as decisões que houver a respeito dos mesmos, retornando os autos ao presente relator.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, no sentido de que seja solicitado à autoridade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil informações e cópias do processo administrativo tributário inaugurados pelo lançamento de AUTO DE INFRAÇÃO - AI - DEBCAD No. 37.053.925-7, de forma a se precisar o conteúdo, andamento processual, localização e as decisões que houver a respeito dos mesmos, retornando os autos ao presente relator. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.003394/2007-15 Resolução n.º 2803-000.218 S2-TE03 Fl. 376 2 Relatório Os autos tratam de aplicação de multa por descumprimento de obrigação instrumental, na forma do art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991, com a redação anterior à da MP 449/2008, que segundo a parte, bem como afirmado na decisão recorrida, teriam relação e conexão ao objeto material da ao que fora lançado no AUTO DE INFRAÇÃO - AI – DEBCAD No. 37.053.925-7, todos compreendendo lançamentos fiscais para constituição de crédito relativo ao descumprimento de obrigação tributária principal (glosa de valores pagos supostamente a título de Programa de Alimentação do Trabalhador, contribuintes individuais e outros), por meio de aferição indireta. Considerando que as penalidades aplicadas por descumprimento ao art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991, na forma da redação anterior e posterior da MP n. 449/2008, são fundadas no próprio valor do crédito tributário oriundo da obrigação principal, que fora constituído naqueles autos, e sobre eles há claro questionamento O julgamento foi convertido em diligência, no sentido de que seja solicitado à Secretária da 3 a . Câmara (3 a . SECAM) da 2 a . Seção de Julgamento do CARF/MF informações e cópias do processo administrativo tributário inaugurados pelo lançamento de AUTO DE INFRAÇÃO - AI – DEBCAD No. 37.053.925-7, de forma a se precisar o conteúdo, andamento processual, localização e as decisões que houverem a respeito dos mesmos. Entretanto em resposta, a 3 a . SECAM respondeu que não tem instrumentos para localização e fornecimento das informações dos autos pretendidos, especialmente por não ter acesso ao sistema de informações DEBCAD, devolvendo o presente processo. Assim, com base desses dados, é o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16707.003394/2007-15 Resolução n.º 2803-000.218 S2-TE03 Fl. 377 3 Voto Observando-se que existe forte probabilidade de conexão do presente auto de infração com o que fora lavrado no lançamento de AUTO DE INFRAÇÃO - AI – DEBCAD No. 37.053.925-7, todos compreendendo lançamentos fiscais para constituição de crédito relativo ao descumprimento de obrigação tributária principal (glosa de valores pagos supostamente a título de Programa de Alimentação do Trabalhador, contribuintes individuais e outros), por meio de aferição indireta. Considerando que as penalidades aplicadas por descumprimento ao art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991, na forma da redação anterior e posterior da MP n. 449/2008, são fundadas no próprio valor do crédito tributário oriundo da obrigação principal, que fora constituido naqueles autos, e sobre eles há claro questionamento. Bem como, com a resposta da 3 a . SECAM de que não tem instrumentos para localização e fornecimento das informações dos autos pretendidos, especialmente por não ter acesso ao sistema de informações DEBCAD, devolvendo o presente processo. Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que seja solicitado à autoridade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil informações e cópias do processo administrativo tributário inalgurados pelo lançamento de AUTO DE INFRAÇÃO - AI – DEBCAD No. 37.053.925-7, de forma a se precisar o conteúdo, andamento processual, localização e as decisões que houver a respeito dos mesmos, retornando os autos ao presente relator. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 30/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13839.900637/2009-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
Numero da decisão: 3801-002.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1763; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 113 1 112 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.900637/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.456 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BIC BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 37 /2 00 9- 33 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900637/200933 Acórdão n.º 3801002.456 S3TE01 Fl. 114 2 Relatório A Contribuinte transmitiu em 13/01/2005 sua DCOMP compensando débito de Cofins do período de apuração de dez/2004 com vencimento em 14/01/2005, com suposto crédito de Cofins decorrente de pagamento indevido ou a maior, referente ao período de apuração de abril/2000, vencido e arrecadado em 15/05/2000.. Uma vez eletronicamente confrontadas as informações, o pleito foi indeferido por meio do Despacho Decisório de fls., sob alegação de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.”. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que seus créditos teriam origem em pagamentos realizados à maior decorrentes do estreitamento da base de cálculo da PIS e da COFINS em vista da possibilidade de exclusão das receitas oriundas da venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, uma vez reconhecida a inscontitucionalidade do artigo 14, § 2°, inciso 1º, da Medida Provisória n.º 2.03724, atual Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001 em sede de liminar concedida nos autos da ADIN n°. 2.3489, acostando aos autos planilha demonstrativa dos valores pagos. A DRJ de origem julgou improcedente a defesa apresentada, com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 COFINS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. DESCABIMENTO A isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, para vendas realizadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Tal isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Não existindo norma de desoneração aplicável, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900637/200933 Acórdão n.º 3801002.456 S3TE01 Fl. 115 3 Irresignada com o indeferimento de seu pleito, apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário, através do qual renova os argumentos utilizados em sede de Manifestação de Inconformidade, com as devidas atualizações legislativas concernentes ao tema e requerendo, por fim, a reforma da decisão recorrida e a homologação da compensação efetuada. É o que importa relatar. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900637/200933 Acórdão n.º 3801002.456 S3TE01 Fl. 116 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O Recurso é tempestivo e comporta os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Já é de conhecimento dessa turma o meu posicionamento acerca da impossibilidade de se tributar as vendas para a Zona Franca de Manaus pelas contribuições para o PIS e a COFINS, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que as equiparou às exportações. Contudo, merece exame preliminar a questão final abordada pelo acórdão recorrido, que diz respeito à comprovação do direito creditório alegado, senão vejamos: Registrese que, ainda que se admitisse a tese da contribuinte, não existem neste processo provas de que as referidas operações foram, de fato, operações destinadas à Zona Franca de Manaus nem comprovação, suportada por documentação contábil fiscal, da inclusão das receitas decorrentes dessas operações na base de cálculo do pagamento formador do apontado indébito. A contribuinte, limitouse a trazer aos autos, às fls. 10, planilha com mera menção de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Cofins e a informar que as notas fiscais de venda para a Zona Franca de Manaus encontramse à inteira disposição da Fiscalização, nada provando. Em que pese o fato deste Conselheiro compactuar com a tese meritória, há que se reconhecer, no entanto, que estamos diante de um pedido de compensação e que caberia ao contribuinte, no mínimo, demonstrar satisfatoriamente a origem de seu crédito. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de documentos o valor e a origem do seu crédito. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Fl. 115DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900637/200933 Acórdão n.º 3801002.456 S3TE01 Fl. 117 5 Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral, a saber: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos tivessem sido carreadas aos autos. No caso em tela, a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possui o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Não sendo apresentadas provas das alegações através de documentação hábil há que se negar o pedido realizado. Ante o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19647.006044/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL RECONHECIDO.
A contribuinte pleiteou exclusão do lucro líquido na apuração da base de cálculo da CSLL, o valor referente à "Receita para Recomposição Tarifária". Considerando que a própria Receita Federal, em diligência, atestou a contabilização dessa receita, requisito formal para sua exclusão, não há como negar o direito creditório.
Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Marcos Vinicius Barros Ottoni.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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SALDO NEGATIVO DE CSLL RECONHECIDO. A contribuinte pleiteou exclusão do lucro líquido na apuração da base de cálculo da CSLL, o valor referente à "Receita para Recomposição Tarifária". Considerando que a própria Receita Federal, em diligência, atestou a contabilização dessa receita, requisito formal para sua exclusão, não há como negar o direito creditório. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 60 44 /2 00 6- 70 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 571 2 Tratase de pedido de compensação de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL do exercício de 2001 (período de 01/2001 a 07/2001), no montante de R$ 4.112.888,68 (valor originário do crédito conforme declarado em DIPJ – Retificadora entregue em 27/10/2006). Vejamos com detalhes os fatos na descrição no relatório de informação fiscal: 4. Inicialmente, é importante observar que a empresa apresentou diversas declarações DIPJ/2001 situação especial (período de 01/01 a 31/07/2001), inclusive tendo entregue as duas últimas DIPJ Retificadoras em 27/10/2006 (arquivadas na RFB sob os ND 1238611 e 1238612), i. é., em data além dos 5 (cinco) anos contados a partir do encerramento do período (31/07/2001). Portanto, a última declaração recebida pela RFB ainda dentro do prazo permitido pela legislação foi em 13/04/2006 (arquivada sob o ND 1233985), no entanto, a partir dessa DIPJ, não existem alterações nos valores de apuração da CSLL. 5. Conforme informado na última Declaração de Informações EconômicoFiscais do ano calendário de 2001 situação especial (período 01/01 a 31/07/2001) DIPJ/2001 (Retificadora) entregue pela empresa em 27/10/2006 e recepcionada pela RFB sob o ND 1238612, esta restou com um crédito da CSLL de R$ 4.112.888,68. 6. No entanto, o montante deste crédito a que chegou esta fiscalização nos trabalhos diligenciais foi de R$ 2.276.316,68. 7. A divergência apresentada devese ao fato de que, nesta DIPJ Retificadora / Ativa, a empresa veio pleitear (indevidamente) uma exclusão do lucro líquido na apuração da base de cálculo da CSLL no valor de R$ 20.406.355,53, referente à "Receita para Recomposição Tarifária"; quando, tal receita não se encontrava contabilizada de forma a compor o lucro líquido desse período (01/01 a 31/07/2001). 8. De fato, a receita gerada pela aplicação da chamada "sobretarifa de energia elétrica" autorizada pelo artigo 4° da Medida Provisória n°. 14, de 21/12/2001 (transformada na lei 10.438, de 2002), deve compor a apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda, da CSLL, da COFINS e do PIS/PASEP dos respectivos períodos de apuração em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da "sobretarifa", na medida e proporção de sua efetivação. Essa é a conclusão a que chega o Parecer Cosit n°. 26, de 26/09/2002, com base legal nos arts. 133, § 1°; 117 e 144 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 6°, §§ 5°c 6°, do Decreto Lei 1.598, de 1977. 9. Logo, a empresa, uma vez tendo registrado esta receita na sua contabilidade (em atendimento à Resolução ANEEL n° 72, de 07/02/2002), poderia proceder à sua exclusão na apuração das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, diferindo a tributação para o(s) período(s) de ocorrência dos fatos geradores. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 572 3 10. Nesse sentido, com relação à exclusão do lucro líquido na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL efetuada no valor de R$ 20.406.355,53, a empresa foi intimada (em 15/06/2007) a esclarecer e apresentar a documentação de lastreio, bem como, os registros de sua apropriação contábil como receita operacional do período (01/01 a 31/07/2001). 11. Em resposta à nossa intimação, a empresa tentou justificar ter registrado a "receita de Recomposição tarifária" nesse período através de lançamentos na conta 611033102F (Receita de 411, Comercialização — Operações com Energia Elétrica — Suprimento MAE — Curto Prazo), sem apresentar qualquer documentação que comprovasse que os referidos lançamentos não se tratavam de Receitas oriundas do MAE (conforme dizem os seus históricos) e sim da dita "sobretarifa". Ademais, esses lançamentos foram estornados no período seguinte (como também foram outros tantos lançamentos dessa conta), sem compor qualquer ligação com a conta de receita de recomposição tarifária (611033101R — "Fornecimento não Faturado — Racionamento"). 12. O que podemos observar é que, na conta de receita 611033101R — "Fornecimento não Faturado — Racionamento" inexiste qualquer lançamento, quer de receita originária, quer de reclassificação, no período de apuração 01/01 a 31/07/2001, senão somente em 12/2001 (ou seja, no período de apuração de 01/08 a 31/12/2001), quando a empresa vem computar o valor de receita de R$ 168.454.897,49. 13. É importante ainda observar que a Medida Provisória que criou a "Recomposição Tarifária Extraordinária" (MP 14, de 2001) somente foi editada em 21/12/2001, e por sua autorização, a Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, através da Resolução n°. 480, de 29/08/2002, homologa para a Companhia Energética de Pernambuco — CELPE o montante de receita de recomposição tarifária de exatos R$ 141.806.553,78 para o período de racionamento de energia elétrica de 01/06 a 31/12/2001. 14. Assim sendo, havemos de promover a glosa da exclusão indevida efetuada pela empresa no valor de R$ 20.406.355,53; o que resulta numa redução da CSLL a Compensar / Restituir declarada nesse período de R$ 1.836.572,00 (passando de R$ 4.112.888,68 para R$ 2.276.316,68); valor este, que será objeto da lavratura de auto de infração específico, por esta fiscalização. 3. DA UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO DA CSLL DO ANO CALENDÁRIO DE 2001 SITUAÇÃO ESPECIAL (PERÍODO DE 01/01 A 31/07/2001) 15. A partir do valor originário do crédito da CSLL do ano calendário de 2001 Situação Especial (período de 01/01/2001 a 31/07/2001), como admitido por esta Fiscalização, e com base nas PER/DCOMP apresentadas e relacionadas neste processo, nos valores declarados nas DCTF e nas informações prestadas Fl. 572DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 573 4 pela empresa, elaboramos o "Demonstrativo da Compensação do Crédito da CSLL do Ano Calendário de 2001 (01/01/2001 à 31/07/2001)", onde estão detalhadas as compensações efetuadas e os saldos existentes deste crédito. 16.Como resultado das análises efetuadas, fica demonstrado que a empresa, quando em 13/04/2006, através da PER/DCOMP 21010.14368.130406.1.3.039900 vem declarar uma compensação de débito da COFINS (código 5856) do período de apuração de março/2006 no valor de R$ 3.374.700,99, vinculando ao crédito sob análise, já não possuía saldo suficiente, visto que, esse somava então apenas R$ 1.884.294,80; implicando na admissão da compensação apenas parcialmente, até o limite do crédito existente, devendo ser levantada para cobrança a parte do débito da COFINS compensada indevidamente no valor de R$ 1.490.406,19, por insuficiência do crédito. 17. A partir de então, as demais PER/DCOMP enviadas pela empresa utilizando este mesmo crédito para compensação hão de ser não homologadas por inexistência do credito da CSLL do ano calendário de 2001 Situação Especial (período de 01/01/2001 a 31/07/2001). Diante disso, a DRF homologou parcialmente o pedido de extinção do crédito, ficando de fora da compensação os débitos de Cofins de março de 2006, CSLL – estimativa mensal de outubro de 2005, CSLL – estimativa mensal de novembro de 2005 e Cofins de outubro de 2006, num total de débitos não compensados de R$ 3.453.877,05. Contudo, esse caso está relacionado com os autos do processo administrativo n° 19647.01051/200783, que foi julgado por essa Colenda Turma, tendo como resultado de julgamento o seguinte acórdão: Relatório: Para melhor entendimento do trabalho fiscal, vejamos os detalhes dos fatos e das imputações nas transcrições abaixo, extraídas do Relatório Fiscal: 1) Exclusão indevida do lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da receita de recomposição tarifária (RTE) Nesse período de apuração, a empresa apresentou diversas declarações DIPJ/2001 — situação especial, referente ao período de 01/01 a 31/07/2001, inclusive tendo entregado as duas últimas declarações retificadoras em 27/10/2006 (arquivadas na RFB sob os ND 1238611 e 1238612), i.é., em data além dos 5 (cinco) anos a partir do encerramento do período de apuração (31/07/2001). De sorte que, a última declaração recebida pela RFB ainda dentro do prazo permitido pela legislação foi em 13/04/2006 (arquivada sob o ND 1233985); no entanto, a partir dessa, não houveram alterações nos valores informados na apuração do IRPJ e da CSLL. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 574 5 Conforme informado na sua DIPJ, a empresa pleiteou (indevidamente) uma exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no valor de RS 20.406.355,53, que, conforme explicitado no seu Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, referiuse a exclusão de uma "Receita para Recomposição Tarifária", sendo que, tal receita não se encontra registrada na sua contabilidade para compor o lucro liquido desse período de apuração. De fato, considerada a origem da receita como sendo a gerada pela aplicação da chamada "sobretarifa de energia elétrica" autorizada pelo artigo 4° da Medida Provisória n° 14, de 21/12/2001 (transformada na lei n° 10.438, de 2002), esta somente deve compor a apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda, da CSLL, da COFINS e do PIS/PASEP dos respectivos períodos de apuração em que ocorrer o efetivo consumo de energia sobre o qual incidiu a cobrança da "sobretarifa", na medida e proporção de sua efetivação. Essa é a conclusão a que chega o Parecer Cosit n° 26, de 26/09/2002, com base legal nos arts. 133, § 1°; 117 e 144 do Código Tributário Nacional (CTN) e art. 6°, §§ 5° e 6°, do Decreto Lei 1.598, de 1977. Dessa forma, uma vez a empresa tendo registrado esta receita na sua contabilidade (em atendimento à Resolução ANEEL n° 72, de 07/02/2002), poderia proceder à sua exclusão na apuração das bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, diferindo assim a tributação para o(s) período(s) de ocorrência dos fatos geradores. Visto que não foram encontrados os lançamentos dessas receitas na contabilidade da empresa, esta foi intimada, em 15/06/2007, a esclarecer e apresentar os registros das apropriações contábeis dessas receitas nesse período de apuração (01/01 a 31/07/2001). Em resposta, o contribuinte tenta justificar que, nos meses de junho/2001 e julho/2001, os lançamentos de receita na conta 611033102 (Receita de Comercialização — Operações com Energia Elétrica — Suprimento MAE — Curto Prazo) se referiram à "receita de Recomposição tarifária"; no entanto, não conseguiu apresentar documentação hábil que comprovasse que os referidos lançamentos não se tratavam de Receitas oriundas do MAE (conforme dizem os seus históricos) e sim da dita "sobretarifa". Ademais, observamos que esses lançamentos (na conta de MAE, nos meses de junho e julho de 2001) foram estornados no período de apuração seguinte (logo, teve sua tributação revertida contabilmente), sem compor qualquer ligação com a conta de Receita de Recomposição Tarifária — RTE (conta: 611033101R — "Fornecimento não Faturado — Racionamento"). Com relação à conta de receita 611033101R — "Fornecimento não Faturado — Racionamento" inexiste qualquer lançamento nesse período de apuração de 01/01 a 31/07/2001, quer de Fl. 574DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 575 6 receita originária, quer de reclassificação; somente havendo lançamentos registrados nessa conta em 12/2001 (ou seja, no período de apuração de 01/08 a 31/12/2001), quando a empresa vem computar o valor dessa receita de R$ 168.454.897,49. Outrossim, é importante observar que a Medida Provisória que criou a chamada "Recomposição Tarifária Extraordinária" (MP 14, de 2001) só veio a ser editada em 21/12/2001 e, por sua autorização, a Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, através da Resolução n° 480, de 29/08/2002, homologou para a Companhia Energética de Pernambuco — CELPE o montante de receita de recomposição tarifária de exatos R$ 141.806.553,78 para o período de racionamento de energia elétrica de 01/06 a 31/12/2001. A DRJ solicitou diligência para responder quesitos sobre as operações, visto que haviam algumas questões a serem esclarecidas. Em resposta à diligência, a DRF informou: Ante o exposto, apresentamos nossas respostas relativamente aos questionamentos que se formam necessários para esclarecer o Pedido de Diligência; a saber: 1) Verificar se a empresa efetivamente registrou em sua contabilidade, no período de 01/01 a 31/07/2001, a chamada Receita de Recomposição Tarifária — RTE, de que trata o art. 4° da Medida Provisória — MP n° 14 de 21/12/2001 (transformada na Lei n° 10.438/2002), no valor de R$ 20.406.355,53, em atendimento à Resolução ANEEL n° 72, de 07/02/2002, de forma a poder ter excluído esse valor do seu Lucro Líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Resposta: De fato, considerando a totalidade das alegações da empresa em sua impugnação sobre esse item, bem como, os demonstrativos e demais elementos de prova trazidos aos autos (que constatamos serem autênticos), podemos concluir que: i) No período de 01/01 a 31/07/2001 (1° período de apuração desse ano calendário de 2001), em virtude de que, em sendo momento anterior às expedições das normas autorizatórias do "diferimento" da Receita de Recomposição Tarifária (RTE), as "sobras de energia" geradas para a sua distribuição em função do racionamento imposto pelo Poder Público (igualmente às demais "sobras" porventura existente em normais condições negociais) foram registradas como receita do Mercado Atacadista de Energia — MAE (conta 611033102F Receita de Comercialização — Operações com Energia Elétrica — Suprimento MAE — Curto Prazo). ii) Do saldo dessa conta em 31/07/2001 (= R$ 40.814.061,09), a empresa simplesmente "extraiu" o valor de R$ 20.406.355,53 para excluir da tributação do IRPJ e da CSLL (no seu 1° período Fl. 575DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 576 7 de apuração do ano de 2001 — 01/01 a 31/07/2001), a título de "Receita de Recomposição Tarifária RTE"; visto que, naquele momento, a sua contabilidade não possuía, no seu "Plano de Contas", a conta especifica: 611033101R — "Fornecimento não Faturado — Racionamento", que somente foi cadastrada em momento posterior, ainda nesse ano calendário de 2001, porém, além desse período de apuração. iii) No período de 01/08 a 31/12/2001 (2° período de apuração desse ano calendário de 2001), a empresa veio adequar a sua contabilidade aos novos preceitos normativos instituídos, e o fez através de um plexo de lançamentos de receitas e estornos de receitas, que, ao final do ano calendário de 2001, resulta estornado todo o valor da Receita de Recomposição Tarifária (RTE) que havia sido registrado na conta do MAE (611033102F), restando nessa conta um saldo de R$ 26.018.663,56 (donde podemos apurar que: R$ 20.407.705,56 referemse ao período de apuração de 01/01 a 31/07/2001 e R$ 5.610.958,00, ao período de apuração de 01/08 a 31/12/2001), e registra na conta de RTE (611033101R ) um total (anual) de R$ 168.454.897,49 (donde podemos apurar que: R$ 20.406.355,53 referemse ao período de apuração de 01/01 a 31/07/2001 — já excluído da tributação do IRPJ e da CSLL no 1° período e R$ 148.048.541,96, ao período de apuração de 01/08 a 31/12/2001). iv) Ou seja, fica evidenciado que os R$ 20.406.355,53 excluídos da tributação do IRPJ e da CSLL no 1° período de apuração (01/01 a 31/07/2001) foram efetivamente contabilizados pela empresa (na conta 611033102F), o que nos posiciona no sentido de considerarmos correta esta exclusão. 2) Verificar se, ao se elaborar a tributação desse fato, houve erro na apuração do 'quantum' tributário, tendo em vista que a empresa havia declarado possuir um crédito de IRPJ (R$ 13.779.628,73) e de CSLL (R$ 4.112.888,68) que lido foram considerados. Resposta: De fato, ao analisarmos a confecção do Auto de Infração relativamente a essa tributação (período de apuração de 01/01 a 31/07/2001), nos damos conta de que, por lapso, deixamos de proceder à compensação dos créditos de IRPJ e CSLL declarados pela empresa em sua DIPJ, muito embora ter sido esse o entendimento e a vontade desta fiscalização; haja vista, os Demonstrativos de Apuração do IRPJ e da CSLL desse período de apuração (01/01 a 31/07/2001) e os Relatórios de Informação Fiscal que foram acostados aos processos de Dcomp nos 19647.006045/200614 e 19647.006044/200670. Por se tratar de erro de fato cometido, deve ser corrigido por esta administração, até mesmo independente de iniciativa do contribuinte impugnante, tendo em vista o Princípio da Verdade Material. Outrossim, em se admitindo que a matéria tributada nesse período de apuração (01/01 a 31/07/2001) restou indevida, como é concluso no item acima relatado, o erro no quantum tributário Fl. 576DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 577 8 quando da elaboração do auto de infração, no tocante à compensação dos créditos de IRPJ e CSLL, fica automaticamente sem efeito, ao se restabelecer a situação como declarada pela empresa em sua DIPJ, ou seja, existência de um crédito de IRPJ no valor de R$ 13.779.628,73 e de CSLL no montante de R$ 4.112.888,68. Realizadas as diligências propostas, concluímos pela procedência das alegações da impugnante com relação à infração em epígrafe e passamos a entender que a impugnante efetivamente contabilizou a chamada "Receita de Recomposição Tarifária — RTE" no período de apuração de 01/01 a 31/07/2001 fato que lhe autorizou excluir esse valor na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL desse período de apuração. Assim sendo, tendo em conta que não houve outra infração detectada nesse período de apuração (01/01 a 31/07/2001), entendemos ser insubsistente a tributação lançada nesse período, devendo ser restabelecida a situação fiscal como declarada pela empresa. Outrossim, alertamos que as conclusões aqui chegadas, se acatadas pelo órgão julgador, trazem repercussões nos processos administrativos de Dcomp: n°s 19647.006045/200614 e 19647.006044/200670, que tratam das compensações dos créditos de IRPJ e CSLL do período de apuração de 01/01 a 31/07/2001 deste contribuinte; portanto, têm uma interdependência direta com o resultado do julgamento do presente processo administrativo. Finalmente, ainda atendendo ao que foi solicitado pela DRJ no seu Pedido de Diligência (fls. 1.255 a 1.259), damos ciência a impugnante do inteiro teor do presente Relatório Fiscal para que essa, querendo, apresentese aos Autos com outras alegações que achar necessárias quanto ao assunto aqui tratado. A DRJ acolheu o resultado da diligência em seu acórdão. Houve Recurso de Ofício e foi proferido o seguinte acórdão pelo CARF: 1) Exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da receita de recomposição tarifária (RTE) Quanto ao Recurso de Ofício, entendo que o mesmo não deve provido, visto que se constatou erro de fato na fiscalização quando da baixa dos autos em diligência a pedido da DRJ. O pleito foi respondido pela DRF, que confirmou a falta de compensação dos créditos de IRPJ e CSLL declarados pela empresa em sua DIPJ quando da apuração do lançamento relativo ao período de janeiro a julho de 2001. A imputação fiscal foi reformada em decisão da DRJ, reconhecendo que a empresa registrou em sua contabilidade a Fl. 577DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 578 9 receita para recomposição tarifária, permitindo, com isso, a exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real. Portanto, estamos diante de matéria de comprovação de erro no lançamento, reconhecida pela própria DRF, não merecendo reparos o trabalho de retificação, seja pelo instituto da compensação, seja em atendimento ao princípio da legalidade tributária. Vejamos abaixo os detalhes quanto ao erro de fato corrigido pela DRF: (...) Diante do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício, adotando no presente acórdão os fundamentos trazidos na resposta à diligência pela fiscalização. Portanto, observase que o Recurso Voluntário do contribuinte interposto nos autos do processo administrativo n° 19647.01051/200783 foi provido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando em apertada síntese o seguinte: Além dos argumentos anteriormente aduzidos, suficientes para o cancelamento do auto de infração em apreço, a Requerente também demonstrou, na impugnação apresentada nos autos do processo administrativo n° 19647.010151/200783, que não haveria a base de cálculo necessária para a fiscalização constituir o crédito tributário da CSLL naquele caso, caso fosse, de fato, indevida a exclusão da RTE no período de apuração encerrado em 31/07/01. Isto porque, a fiscalização não recompôs, nos autos do processo administrativo em comento, a base de cálculo desta contribuição no período em questão. De fato, caso tivesse sido adotado tal procedimento, a fiscalização procederia apenas a redução do saldo negativo da CSLL de R$ 4.112.888,68 para R$ 2.276.316,68, como restou decidido no despacho decisório proferido no presente processo, mas jamais calcularia a CSLL devida (R$ 1.836.571,99) sobre o valor da RTE correspondente à R$ 20.406.355,03. Ante essas considerações, concluise que o procedimento adotado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Recife no presente caso está equivocado, eis que o reconhecimento do saldo de base negativa da CSLL apurado pela Requerente depende das alegações suscitadas e do resultado final do processo administrativo n° 19647.010151/200783. Com efeito, caso a autuação em questão seja cancelada, será reconhecido o direito creditório da Requerente (saldo de base negativa da CSLL) no valor de R$ R$ 4.112.888,68. Como conseqüência, todas as compensações realizadas até o limite deste valor deverão ser homologadas. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 579 10 Verificase, assim, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Recife precipitouse ao reconhecer o crédito da Requerente no montante de apenas R$ 2.276.316,68 e homologar parte das compensações realizadas até esse valor, antes do encerramento do processo administrativo n° 19647.010151/200783. Noutras palavras, enquanto não encerrado o processo administrativo acima mencionado, não poderia a Delegacia da Receita Federal quantificar o crédito da Requerente, posto que a suposta infração cometida pela Requerente (exclusão da RTE do lucro líquido apurado em 31/07/01) está sub examine, em razão da impugnação apresentada. Antes da decisão da DRJ, à fl. 397 dos autos, foi proferido o seguinte despacho: O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório proferido às fls. 188/189 em 27/09/2007, conforme fl. 190. Em 25/10/2007, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 193/200. Verificase que o crédito reconhecido não foi objeto de restituição/compensação anterior conforme extratos do sistema SIAFI às fls. 273/380. Informo que a compensação foi inicialmente registrada no sistema SIEF — Processo, conforme fls. 381/384. Ocorre que a compensação . foi indevidamente realizada, tendo em vista que o período do crédito foi informado como sendo anual e não o período de 01/01/2001 a 31/07/2001. Assim sendo, esta compensação foi desfeita conforme fl. 385. Posteriormente, a compensação foi realizada no sistema SIAFI, conforme demonstrativo às fls. 386/389 e extratos às fls. 390/395. Desta forma, encaminho o presente processo à DRJ/Recife para julgar a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. À consideração superior. A DRJ manteve a decisão da DRF quanto à homologação parcial, sob o seguinte fundamento: Ocorre que, antes que fosse apreciada a pretendida compensação, a contribuinte foi alvo de fiscalização promovida pela Delegacia da Receita Federal em Recife, no período em questão, ensejando lançamento de auto de infração formalizado no Processo n° 19647.010151/200783, no qual foi verificada uma exclusão indevida do lucro líquido referente à "Receita para Recomposição Tarifária" de R$ 20.406.355,53, quando tal receita não se encontrava contabilizada de forma a compor o lucro líquido do respectivo período, ensejando na redução do Fl. 579DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 580 11 saldo negativo da CSLL de R$ 4.112.888,68, para R$ R$2.276.316,68. O citado auto de infração, constante do processo n° 19647.010151/200783, foi objeto de julgamento pela 5ª Turma de Julgamento desta DRJRecife, através do Acórdão no 11 23.277 de 30/06/2008, o qual acatou as alegações da impugnante restaurando os saldos negativos declarados pela contribuinte relativo ao período em questão, consoante trecho do Acórdão transcrito a seguir: (...) No entanto, o Acórdão acima citado foi objeto de Recurso de Oficio tendo em vista que o crédito tributário exonerado excedeu ao limite de alçada previsto na Portaria MF n.° 3, de 03/01/2008, portanto, o crédito restaurado pela citada decisão de ia instância ainda não pode ser considerado líquido e certo pois se encontra aguardando a análise do Recurso de Oficio por parte do 1° Conselho de Contribuintes, onde se encontra o processo desde 12/11/2008, consoante consulta anexa às fls. 399/400. Diante do acima exposto, há de ser mantida a decisão denegatória do crédito suplicado. Isto porque, à época do despacho, já fora lavrado o auto de infração, tendose então a circunstância de que, naquele momento, como agora, inexistiam créditos líquidos e certos a amparar a compensação pleiteada, em face do que se tinham por não atendidos os pressupostos estabelecidos no art. 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, que assim dispõe: (...) A argüição da impugnante no sentido de que a decisão proferida neste processo deveria aguardar o trâmite do processo supracitado, de n° 19647.010151/200783, queda desamparada. Primeiro, porque não há, na legislação de regência, previsão para o rito pretendido. Segundo, porque, já a partir do despacho exarado pela Delegacia da Receita Federal em Receita, temse a circunstância de que os créditos lá postulados careciam dos atributos de liquidez e certeza, em face do que não poderiam, à luz do art. 170 do Código Tributário Nacional, ser utilizados na compensação de débitos neste ou em qualquer processo. O rito processual cabível é o constante na Lei n° 9.430/96 (artigos 73 e 74), não cabendo a suspensão do processo nos termos do art.265 do CPC citado pela interessada. Vale ressaltar que, de acordo com o disposto no inciso III do art. 151 do CTN se encontra suspensa a exigibilidade dos débitos objetos de compensação no presente processo até a decisão definitiva desse julgado. Relativamente às alegações trazidas contra a consideração de exclusão indevida do lucro líquido referente à "Receita para Fl. 580DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 581 12 Recomposição Tarifária" não será apreciada no presente processo tendo em vista não fazer parte da lide. Ressaltese que, tal matéria já foi apreciada no processo n° 19647.010151/2007 83, conforme citado anteriormente. Conclusão. Ante o exposto, voto por indeferir a solicitação, para manterse a decisão de fls.188/189, que homologou parcialmente a compensação pleiteada. A contribuinte foi cientificada da decisão da DRJ em 22/09/2009 e apresentou Recurso Voluntário em 20/10/2009, alegando, em linhas gerais, o seguinte: a) necessidade do sobrestamento do feito até o desfecho final do processo administrativo n° 19647.010151/200783, devendo ser aplicada regra subsidiária, qual seja o CPC, artigo 265, inciso IV; b) a RTE somente poderia ser reconhecida na medida em que ocorresse o efetivo consumo de energia elétrica, ou seja, na medida em que houvesse a efetiva disponibilidade jurídica da renda, que passou a ocorrer a partir de janeiro de 2002, nos termos do Parecer COSIT n° 26/2002; c) por tal motivo, os valores que foram contabilizados pela Recorrente a título de RTE nos meses de junho (R$ 8.570.681,12) e julho (R$ 11.835.674,41) de 2001 foram regularmente excluídos do lucro líquido, com a apresentação da DIP3 retificadora, não havendo, portanto, motivos para prosperar a glosa da exclusão desta receita realizada pela fiscalização; d) a ilegalidade da taxa selic como juros de mora; e) a ilegalidade da taxa selic sobre a multa. Este é o relatório! Voto Conselheiro Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Entendo que a decisão recorrida merece total reparo, seja porque não foi coerente com a própria decisão da DRJ proferida nos autos do Processo n° 19647.010151/200783, seja porque usou argumento fora de contexto, partindo para uma instabilidade do processo, a despeito de existir diligência da própria Receita Federal atestando o crédito tributário, o que foge da razoabilidade e legalidade. Nestes termos, entendo por reconhecer o direito creditório com base em três fundamentos extraídos do Processo n° 19647.010151/200783: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 582 13 1) A diligência proferida pela Receita Federal: 1) Verificar se a empresa efetivamente registrou em sua contabilidade, no período de 01/01 a 31/07/2001, a chamada Receita de Recomposição Tarifária — RTE, de que trata o art. 4° da Medida Provisória — MP n° 14 de 21/12/2001 (transformada na Lei n° 10.438/2002), no valor de R$ 20.406.355,53, em atendimento à Resolução ANEEL n° 72, de 07/02/2002, de forma a poder ter excluído esse valor do seu Lucro Líquido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Resposta: De fato, considerando a totalidade das alegações da empresa em sua impugnação sobre esse item, bem como, os demonstrativos e demais elementos de prova trazidos aos autos (que constatamos serem autênticos), podemos concluir que: i) No período de 01/01 a 31/07/2001 (1° período de apuração desse ano calendário de 2001), em virtude de que, em sendo momento anterior às expedições das normas autorizatórias do "diferimento" da Receita de Recomposição Tarifária (RTE), as "sobras de energia" geradas para a sua distribuição em função do racionamento imposto pelo Poder Público (igualmente às demais "sobras" porventura existente em normais condições negociais) foram registradas como receita do Mercado Atacadista de Energia — MAE (conta 611033102F Receita de Comercialização — Operações com Energia Elétrica — Suprimento MAE — Curto Prazo). ii) Do saldo dessa conta em 31/07/2001 (= R$ 40.814.061,09), a empresa simplesmente "extraiu" o valor de R$ 20.406.355,53 para excluir da tributação do IRPJ e da CSLL (no seu 1° período de apuração do ano de 2001 — 01/01 a 31/07/2001), a título de "Receita de Recomposição Tarifária RTE"; visto que, naquele momento, a sua contabilidade não possuía, no seu "Plano de Contas", a conta especifica: 611033101R — "Fornecimento não Faturado — Racionamento", que somente foi cadastrada em momento posterior, ainda nesse ano calendário de 2001, porém, além desse período de apuração. iii) No período de 01/08 a 31/12/2001 (2° período de apuração desse ano calendário de 2001), a empresa veio adequar a sua contabilidade aos novos preceitos normativos instituídos, e o fez através de um plexo de lançamentos de receitas e estornos de receitas, que, ao final do ano calendário de 2001, resulta estornado todo o valor da Receita de Recomposição Tarifária (RTE) que havia sido registrado na conta do MAE (611033102F), restando nessa conta um saldo de R$ 26.018.663,56 (donde podemos apurar que: R$ 20.407.705,56 referemse ao período de apuração de 01/01 a 31/07/2001 e R$ 5.610.958,00, ao período de apuração de 01/08 a 31/12/2001), e registra na conta de RTE (611033101R ) um total (anual) de R$ 168.454.897,49 (donde podemos apurar que: R$ 20.406.355,53 referemse ao período de apuração de 01/01 a 31/07/2001 — já Fl. 582DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 583 14 excluído da tributação do IRPJ e da CSLL no 1° período e R$ 148.048.541,96, ao período de apuração de 01/08 a 31/12/2001). iv) Ou seja, fica evidenciado que os R$ 20.406.355,53 excluídos da tributação do IRPJ e da CSLL no 1° período de apuração (01/01 a 31/07/2001) foram efetivamente contabilizados pela empresa (na conta 611033102F), o que nos posiciona no sentido de considerarmos correta esta exclusão. 2) Verificar se, ao se elaborar a tributação desse fato, houve erro na apuração do 'quantum' tributário, tendo em vista que a empresa havia declarado possuir um crédito de IRPJ (R$ 13.779.628,73) e de CSLL (R$ 4.112.888,68) que lido foram considerados. Resposta: De fato, ao analisarmos a confecção do Auto de Infração relativamente a essa tributação (período de apuração de 01/01 a 31/07/2001), nos damos conta de que, por lapso, deixamos de proceder à compensação dos créditos de IRPJ e CSLL declarados pela empresa em sua DIPJ, muito embora ter sido esse o entendimento e a vontade desta fiscalização; haja vista, os Demonstrativos de Apuração do IRPJ e da CSLL desse período de apuração (01/01 a 31/07/2001) e os Relatórios de Informação Fiscal que foram acostados aos processos de Dcomp nos 19647.006045/200614 e 19647.006044/200670. Por se tratar de erro de fato cometido, deve ser corrigido por esta administração, até mesmo independente de iniciativa do contribuinte impugnante, tendo em vista o Princípio da Verdade Material. Outrossim, em se admitindo que a matéria tributada nesse período de apuração (01/01 a 31/07/2001) restou indevida, como é concluso no item acima relatado, o erro no quantum tributário quando da elaboração do auto de infração, no tocante à compensação dos créditos de IRPJ e CSLL, fica automaticamente sem efeito, ao se restabelecer a situação como declarada pela empresa em sua DIPJ, ou seja, existência de um crédito de IRPJ no valor de R$ 13.779.628,73 e de CSLL no montante de R$ 4.112.888,68. Realizadas as diligências propostas, concluímos pela procedência das alegações da impugnante com relação à infração em epígrafe e passamos a entender que a impugnante efetivamente contabilizou a chamada "Receita de Recomposição Tarifária — RTE" no período de apuração de 01/01 a 31/07/2001 fato que lhe autorizou excluir esse valor na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL desse período de apuração. Assim sendo, tendo em conta que não houve outra infração detectada nesse período de apuração (01/01 a 31/07/2001), entendemos ser insubsistente a tributação lançada nesse período, devendo ser restabelecida a situação fiscal como declarada pela empresa. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 584 15 Outrossim, alertamos que as conclusões aqui chegadas, se acatadas pelo órgão julgador, trazem repercussões nos processos administrativos de Dcomp: n°s 19647.006045/200614 e 19647.006044/200670, que tratam das compensações dos créditos de IRPJ e CSLL do período de apuração de 01/01 a 31/07/2001 deste contribuinte; portanto, têm uma interdependência direta com o resultado do julgamento do presente processo administrativo. Finalmente, ainda atendendo ao que foi solicitado pela DRJ no seu Pedido de Diligência (fls. 1.255 a 1.259), damos ciência a impugnante do inteiro teor do presente Relatório Fiscal para que essa, querendo, apresentese aos Autos com outras alegações que achar necessárias quanto ao assunto aqui tratado. 2) A decisão da DRJ: 14. Conforme relatamos, esta DRJ resolveu baixar os autos em diligência, a fim de que as autoridades autuantes fossem confrontadas com parte das alegações suscitadas pelo contribuinte, que levantou dúvidas sobre o acertamento da autuação, especificamente quanto à contabilização da RTE, cuja exclusão do lucro líquido considerouse indevida. 15. Ao efetuarem a diligência, aquelas autoridades, pelas razões já bem explicitadas no Relatório — motivo por que desnecessário aqui reproduzilas —, puseram fim ao litígio, pois. expressamente concordaram que o valor de R$ 20.406.355,53, excluído da tributação no 1° período de 2001 — procedimento que antes fora considerado indevido —, foi corretamente contabilizado pelo contribuinte, na conta 611033102F, no 2 0 semestre do mesmo anocalendário (doc. 01; fl. 1267), de sorte que, considerando, ao menos nesta parte, procedente as alegações de defesa, todo o crédito tributário que decorrer do primeiro auto de infração (IRPJ), assim como de seu lançamento reflexo (CSLL), deve ser excluído do valor ao final exigido. 16. Alertaram, ademais, que as conclusões a que chegaram cariam repercussões sobre outros processos administrativos, que tratam de pedidos de compensação, formulados pelo mesmo contribuinte, de créditos de IRPJ e CSLL, alegação que, contudo, somente em tais processos deverá ser enfrentada. 17. De agora, passamos a verificar se procedem os demais autos de inflação, registrando, contudo, que a improcedência, aqui reconhecida, do primeiro lançamento não resulta qualquer interferência nos valores exigidos nos segundo e terceiro lançamentos, como se pode constatar dos Demonstrativos da Compensação de Prejuízos Fiscais de lis. 35/40, que consubstancia o segundo, do Histórico de Compensação de Prejuízos Fiscais_ acostado às fis. 1321/1323, e da própria matéria discutida no terceiro. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 585 16 3) A decisão proferida por este relator em sede de acórdão que analisou o Recurso de Ofício: 1) Exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da receita de recomposição tarifária (RTE) Quanto ao Recurso de Ofício, entendo que o mesmo não deve provido, visto que se constatou erro de fato na fiscalização quando da baixa dos autos em diligência a pedido da DRJ. O pleito foi respondido pela DRF, que confirmou a falta de compensação dos créditos de IRPJ e CSLL declarados pela empresa em sua DIPJ quando da apuração do lançamento relativo ao período de janeiro a julho de 2001. A imputação fiscal foi reformada em decisão da DRJ, reconhecendo que a empresa registrou em sua contabilidade a receita para recomposição tarifária, permitindo, com isso, a exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real. Portanto, estamos diante de matéria de comprovação de erro no lançamento, reconhecida pela própria DRF, não merecendo reparos o trabalho de retificação, seja pelo instituto da compensação, seja em atendimento ao princípio da legalidade tributária. Vejamos abaixo os detalhes quanto ao erro de fato corrigido pela DRF: (...) Diante do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício, adotando no presente acórdão os fundamentos trazidos na resposta à diligência pela fiscalização. Diante do exposto, conheço do Recurso, para no mérito DARLHE provimento, reconhecendo o direito creditório do contribuinte. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 585DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 19647.006044/200670 Acórdão n.º 1201000.834 S1C2T1 Fl. 586 17 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 09/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 13/12/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/12/2013 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 10920.006800/2007-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/12/2006
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO.
Nos termos da legislação de regência, o atraso na apresentação de DCTF enseja a aplicação da penalidade.
Numero da decisão: 1103-000.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Nos termos da legislação de regência, o atraso na apresentação de DCTF enseja a aplicação da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso por unanimidade, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 68 00 /2 00 7- 91 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.006800/200791 Acórdão n.º 1103000.978 S1C1T3 Fl. 38 2 Relatório Tratase de auto de infração para exigência de Multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao 2º semestre do ano calendário 2006 (fl.2), no valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais). O lançamento foi considerado procedente pela Terceira Turma da DRJ – Curitiba (PR), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.27/28): DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A pessoa jurídica que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal, está sujeita à multa estabelecida na legislação de regência. Devidamente cientificado em 5/4/10 (fl.31), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 28/4/10 (fls.92), alegando, em síntese, que, excepcionalmente, permitiuse, por meio da Instrução Normativa SRF nº 730, de 22/3/07, a entrega da DCTF, relativa ao 2º trimestre de 2006, até o quinto dia útil do mês de maio de 2007, sendo que até 9/4/07, a DCTF era mensal. Ao final requereu o cancelamento da multa ou a redução ao percentual de 50% (cinquenta por cento). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. A multa por atraso na entrega de DCTF foi aplicada com base no art.7º da Lei nº 10.426, de 24/4/02, no valor mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), conforme estabelecido no parágrafo 3º, inciso II: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ..... Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.006800/200791 Acórdão n.º 1103000.978 S1C1T3 Fl. 39 3 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” Sustenta o sujeito passivo que o vencimento da multa seria o quinto dia útil de maio de 2007, por força da IN SRF nº 730/07. Não procede tal afirmação, pois tal hipótese foi dirigida às pessoas jurídicas imunes e isentas, autarquias, fundações públicas e órgãos públicos da administração direta dos Estados, Distrito Federal e Municípios, conforme art.14 da IN SRF nº 695, de 14/12/06, alterado pela art.1º da IN SRF nº 730/07: Art. 1º Os arts. 9º , 12 e 14 da Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, passam a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 14 Excepcionalmente, as pessoas jurídicas imunes e as isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar seja inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), as autarquias e as fundações públicas e os órgãos públicos da administração direta dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios deverão apresentar as DCTF relativas aos 1º e 2º semestres de 2006 até o quinto dia útil do mês de maio de 2007. O contribuinte, conforme contrato social, é uma sociedade que não se enquadra nas hipóteses acima. Nos termos da IN SRF nº 583, de 20/12/05, obrigavase a entregar DCTF semestralmente. Vejamos: “Art.2º As pessoas jurídicas em geral, inclusive as equiparadas, as imunes e as isentas, deverão apresentar, de forma centralizada, pela matriz: I – mensalmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Mensal (DCTF Mensal), observado o disposto no art. 3º; ou II – semestralmente, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Semestral (DCTF Semestral), observado o disposto no art. 4 º . Fl. 39DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.006800/200791 Acórdão n.º 1103000.978 S1C1T3 Fl. 40 4 Art.3º Ficam obrigadas à apresentação da DCTF Mensal as pessoas jurídicas: I – cuja receita bruta auferida no segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais); II – cujo somatório dos débitos declarados nas DCTF relativas ao segundo anocalendário anterior ao período correspondente à DCTF a ser apresentada tenha sido superior a R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais). §1º Permanecem obrigadas à apresentação da DCTF Mensal no anocalendário de 2006 as pessoas jurídicas que estavam obrigadas a sua apresentação no anocalendário de 2005, em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados. §2º Fica obrigada à apresentação da DCTF Mensal a pessoa jurídica sucessora nos casos de incorporação, fusão ou cisão total ou parcial, ocorridos: I – no anocalendário de 2005, quando a incorporada, fusionada ou cindida estava sujeita à mesma obrigação, nesse período, em decorrência de seu enquadramento nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados; II – nos anoscalendário de 2004 ou de 2005, em que a incorporada, fusionada ou cindida se enquadraria nos parâmetros de receita bruta auferida ou de débitos declarados nos termos dos incisos I ou II do caput deste artigo. §3º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Art. 4º As pessoas jurídicas não enquadradas no disposto no art. 3º deverão apresentar a DCTF Semestral.” (destaquei) Nos termos da IN SRF nº 583/05, a DCTF relativa ao segundo semestre deveria ter sido entregue até o quinto dia útil do mês de abril do ano subsequente: “Art. 8º As pessoas jurídicas deverão apresentar: ..... II – DCTF Semestral: a) até o quinto dia útil do mês de outubro, no caso de DCTF relativa ao primeiro semestre do anocalendário; b) até o quinto dia útil do mês de abril, no caso de DCTF relativa ao segundo semestre do anocalendário anterior.” (destaquei) Fl. 40DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10920.006800/200791 Acórdão n.º 1103000.978 S1C1T3 Fl. 41 5 É incontroverso que a DCTF foi entregue em 8/5/07, com débitos que totalizaram R$ 275,55 (duzentos e setenta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos) (fl.3). Sendo assim, em razão da intempestividade, correto foi o lançamento à luz da legislação de regência. Tendo a multa sido aplicada no valor mínimo, deixase de se proceder à análise dos efeitos decorrentes das alterações do art.57 da MP nº 2.15835/01, realizadas pelas Leis nº 12.766/12 e nº 12.873/13. Quanto ao pleito de redução em 50% (cinquenta por cento), o Recorrente sequer apontou o dispositivo para fundamentálo. À míngua de previsão legal, não pode ser acolhido. Esclareçase, conforme posto no corpo do auto de infração, que tal redução poderia ter sido concedida caso o pagamento, à vista, houvesse sido realizado até a data da notificação. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 41DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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