Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,763)
- Primeira Turma Ordinária (16,221)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,176)
- Primeira Turma Ordinária (16,104)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,797)
- Segunda Turma Ordinária d (14,451)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,381)
- Segunda Turma Ordinária d (12,367)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,422)
- Quarta Câmara (84,834)
- Terceira Câmara (67,389)
- Segunda Câmara (55,826)
- Primeira Câmara (20,245)
- 3ª SEÇÃO (16,176)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,132)
- Segunda Seção de Julgamen (114,469)
- Primeira Seção de Julgame (76,587)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,889)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,487)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,925)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,921)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,515)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,849)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10970.720050/2011-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR E SEGURADO ESPECIAL - RESPONSABILIDADE ADQUIRENTE.
A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº10.256/2001.
Numero da decisão: 9202-007.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia Da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Paula Fernandes.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR E SEGURADO ESPECIAL - RESPONSABILIDADE ADQUIRENTE. A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº10.256/2001.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10970.720050/2011-54
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5926368
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.206
nome_arquivo_s : Decisao_10970720050201154.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10970720050201154_5926368.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia Da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Paula Fernandes.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7512338
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051144865972224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1756; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 546 1 545 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10970.720050/201154 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.206 – 2ª Turma Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GRANJA PLANALTO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR E SEGURADO ESPECIAL ‑ RESPONSABILIDADE ADQUIRENTE. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº10.256/2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia Da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 00 50 /2 01 1- 54 Fl. 556DF CARF MF 2 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 240102.473, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF em 19/06/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: “VENDA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DESTINADA À REPRODUÇÃO. ISENÇÃO. LEGISLAÇÃO REVOGADA. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A partir da alteração do § 3.º do art. 25 da Lei n.º 8.870/1994, pela Lei n.º 9.528/1997, foi extinta a isenção de contribuições previdenciárias sobre a comercialização de produtos rurais destinados à reprodução, sendo legítima a exação sobre tais parcelas, a partir da vigência da referida alteração legislativa. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte.” A Fazenda Nacional colaciona os paradigmas AC 240201.724 e AC 240201.955. Explica que tanto nos paradigmas quanto no aresto recorrido discutiuse sobre a constitucionalidade do instituto da subrogação, em feitos nos quais o fato gerador do crédito tributário teve como origem a comercialização do produto rural adquirido de pessoa física empregador e segurado especial. Observa que todos os lançamentos foram efetuados com lastro na Lei n.º 10.256/2001. Destaca que, enquanto a decisão hostilizada concluiu pela sua inconstitucionalidade, os paradigmas refutaram tal argumentação, mantendo o lançamento. Intimado, o contribuinte pugna pelo não conhecimento do Recurso Especial, tendo em vista em nenhum dos paradigmas apresentados não se analisar a inconstitucionalidade do artigo 30, IV da Lei 8.212/91, com a redação conferida da Lei n.º 9.528/97, conforme o constante no recorrido. Caso conhecido, pugna pela manutenção do a quo. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial pela Fazenda Nacional é tempestivo e, a despeito das alegações do contribuinte, entendo que atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Vejamos: Do mérito Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 9202007.206 CSRFT2 Fl. 547 3 Cingese a controvérsia em relação ao Resp da Fazenda Nacional, para reformar o acórdão recorrido e para que seja dado total provimento ao presente recurso e, conseqüentemente, seja restabelecida a decisão de primeira instância, mantendose a integralidade do lançamento Tratase da Resolução 15/2017 do Senado Federal, nos seguintes termos: “Art. 1º É suspensa, nos termos do artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso VII do artigo 12 da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, e a execução do art. 1º da Leiº 8.540, de 22 de dezembro de 1992, que deu nova redação ao artigo 12, inciso V, ao art. 25, incisos I e II, e ao artigo 30, inciso IV, da Leiº 8.212, de 24 de julho de 1991, todos com a redação atualizada até a Leiº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, declarados inconstitucionais por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852.” Por esta resolução, portanto, há suspensão da execução do inciso VII do artigo 12, da Lei 8.212/1991, bem como artigo 1º, Lei 8.540/92, que deu nova redação ao artigo 12, V, 25, incisos I e II, artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991, com a redação atualizada até a Lei 9.528/97, por força decisão definitiva pelo pleno do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário 363.852 (“caso Mataboi”). Antes de se analisar os efeitos e implicações jurídicas no tocante ao próprio SENAR, algumas ponderações a respeito do ato normativo denominado de resolução (artigo 59, VII, CF/88). Como é de conhecimento, a origem do controle de constitucionalidade judicial no Direito Brasileiro se deu por influência americana, de tal sorte que qualquer juiz teria competência para afastar incidentalmente em um caso concreto uma lei por inconstitucionalidade, produzindo referida decisão efeito entre as partes (difuso; concreto; incidental). Esta forma de controle, todavia, exigia que todo caso concreto fosse submetido ao Supremo Tribunal Federal, mesmo que este já tivesse posicionamento do seu pleno sobre a matéria. Por esta razão houve a criação da Resolução, a partir da Constituição de 1934, com a finalidade de atribuir efeito “erga omnes” à decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal, após comunicação deste àquela Casa Legislativa. Aliás, por esta razão não se tem a necessidade de resolução na hipótese de controle concentrado e abstrato de inconstitucionalidade, pois já possui efeitos erga omnes e vinculante, embora na atualidade até mesmo no difuso se possa discutir esta questão a partir dos novos institutos como súmula vinculante, repercussão geral, entre outros. Atualmente, a Resolução está disciplinada no artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, que enuncia ser de competência do Senado Federal: “suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal”. Fl. 558DF CARF MF 4 O Senado Federal, assim, por sua conveniência e oportunidade, sem qualquer obrigatoriedade, após comunicação do Supremo Tribunal Federal, poderá editar resolução que terá o condão de suspender no todo ou em parte execução de lei declarada inconstitucional de forma definitiva, atribuindo efeito “erga omnes” (contra todos) para decisão que somente possuía vinculação às partes envolvidas. Com sua edição, por conseguinte, temse a vinculação de todos — inclusive Poder Executivo e Judiciário — aos efeitos de referido ato normativo. Não se nega que a resolução possui limites, permitindose a suspensão da execução de lei declarada inconstitucional nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal, com vedação de qualquer tentativa que ultrapasse tais lindes. Esta observação é relevante para se firmar duas consequências jurídicas. A primeira, quanto aos efeitos, pois, se a decisão do Supremo Tribunal Federal declarou uma lei inconstitucional, sem qualquer tipo de modulação, não pode o Senado restringir os efeitos, por exemplo, fixando a partir da publicação (ex nunc), pois estaria desrespeitando a própria decisão do Judiciário. Bem por isso, os efeitos da resolução acompanham os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal. Neste sentido, podemos citar o Decreto 2.346/1997, o qual “Consolida normas de procedimentos a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, regulamenta os dispositivos legais que menciona, e dá outras providências”, dispondo em seu artigo 1º que: “Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal.” Possível notar que há previsão normativa expressa para que a Administração Pública, após edição de Resolução do Senado Federal quanto à declaração de inconstitucionalidade transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, observe de forma obrigatória e uniforme. Mais do que isso, o Decreto é claro no sentido de que os efeitos da resolução seguem os mesmos da declaração de inconstitucionalidade, ou seja, são retroativos (ex tunc) como regra, salvo se houver decisão expressa em sentido contrário. Por outro lado, como segunda consequência no sentido de que o Senado deve ter como limite a decisão do Supremo Tribunal Federal podemos afirmar que somente os dispositivos julgados inconstitucionais pelo Judiciário podem ser objeto de suspensão pela Resolução. Aliás, o que deve o Senado verificar é a parte dispositiva da decisão do Supremo Tribunal Federal, não sendo a motivação que gera vinculação. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 9202007.206 CSRFT2 Fl. 548 5 A partir de tais constatações, passamos à análise os efeitos da Resolução 15/2017 emitida pelo Senado Federal quanto ao SENAR. Para melhor compreensão dos efeitos, devese segregar em duas situações, quais sejam: (i) o adquirente e a subrogação; e (ii) produtor rural pessoa física (contribuinte) e a própria contribuição. Começando pelo adquirente, que, em tese, estaria submetido à subrogação prevista no artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991, qual a implicação da resolução? Entendo que o Supremo Tribunal Federal declarou, formal e materialmente, o artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991, nos termos das Leis 8.540/92 e 9.528/97, inconstitucional, com efeito retroativo. Basta uma simples leitura da ementa e, principalmente, da parte dispositiva da decisão. Seguindo o que o próprio Supremo Tribunal Federal decidiu expressamente a Resolução suspende o artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991. Daí surge a primeira indagação: houve extinção retroativa da subrogação? Subsiste a subrogação? Com a inconstitucionalidade das Leis n. 8.540/92 e 9.528/97, o artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991, retorna à sua redação original, sem as alterações de referidas leis. Sendo assim, até a presente data inexiste previsão legal (princípio da legalidade e artigo 128 do CTN), para se impor a subrogação. Aliás, há de se discutir inclusive se a lei ordinária poderia instituir a subrogação, pois, esta operação não está entre as hipóteses taxativas do artigo 130, do Código Tributário Nacional, de sorte que exigiria lei complementar (artigo 146, CF/88). Em síntese, com a edição da Resolução 15/2017, que produz eficácia vinculante e erga omnes, com efeito retroativo, podemos afirmar: (i) todos os créditos de SENAR exigidos dos adquirentes por força da subrogação na aquisição de produtor rural pessoa física empregador devem ser anulados; (ii) não há previsão na atualidade lei válida e vigente impondo a subrogação (artigo 30, IV, da Lei 8.212/1991), no caso de aquisição de produtor rural pessoa física empregador. Para finalizar, ainda, quanto à subrogação nada há de ser dito no tocante à Lei 10.256/2001, uma vez que esta em momento algum reinstitui ou trata da subrogação, cuidando somente do “caput” do artigo 25, da Lei 8.212/1991, além do fato de que a decisão que julgou referida lei constitucional pelo Supremo Tribunal Federal não trata de adquirente, não discutindo o artigo 30, IV, da Lei 8.212/91. Portanto, inexiste qualquer e aparente divergência entre a Resolução 15/2017 e o julgado no RE 718.874/RSRG. Já, por sua vez, na discussão em relação à própria contribuição denominada de SENAR incidente na comercialização do produtor rural pessoa física empregador (artigo 25, I e II, da Lei 8.212/1991), há maior complexidade. Há dúvidas voltada a discutir se o julgamento do RE 363.852/MG (Mataboi) reconheceu a inconstitucionalidade formal e material dos incisos I e II, do artigo 25, da Lei 8.212/1991. Fl. 560DF CARF MF 6 Pois, se houve declaração de inconstitucionalidade dos incisos do artigo 25, da Lei 8.212/1991 em referido julgado, a suspensão de tais dispositivos normativos pela Resolução 15/2017 não possui qualquer inovação e contradição com a decisão do Supremo Tribunal Federal. Mas, há quem sustente que, diante da constitucionalidade formal e material do artigo 25, da Lei 8.212/1991, com a redação da Lei 10.256/2001 (artigo 2º), conforme RE n. 718.874/RSRG, a contribuição denominada de SENAR continuaria em vigor, limitando os efeitos da Resolução 15/2017. Se partirmos da premissa — a qual sustentamos — de que a decisão no caso Mataboi reconheceu a inconstitucionalidade dos incisos I e II, do artigo 25, da Lei 8.212/1991e, por conseguinte, houve resolução do senado suspendendo referida legislação com efeito retroativo e eficácia vinculante e erga omnes, é preciso verificar se alguma lei posterior “reinstitui” por completo o Funrural, consequentemente a contribuição ao SENAR para o produtor rural empregador pessoa física, especialmente, os incisos que disciplinam a base de cálculo e alíquota. O artigo 2º, da Lei 10.256/2001 cumpre este papel? A declaração de constitucionalidade de referido dispositivo permite a cobrança da contribuição? Entendemos que não. Esta interpretação é simples, a Lei 10.256/2001 (artigo 2º), somente trouxe o caput, não reinstituindo a base de cálculo e alíquotas, pois os incisos foram declarados inconstitucionais formal e materialmente pelo Supremo Tribunal Federal, o que não se pode negar, pois consta expressamente da decisão (ementa) e parte dispositiva. Sem os incisos que não vieram com a Lei 10.256/2001, inexiste possibilidade de exigência do Funrural/SENAR diante da ausência de base de cálculo e alíquota, notadamente, com a edição da Resolução 15/2017. Naturalmente, o Supremo Tribunal Federal, como guardião da Constituição, tem a função e o poder para “dar a última palavra”, que todos respeitaremos, todavia, se fechar os olhos para o que expressamente decidiu no RE 363.852 e os efeitos da Resolução 15/2007, sustentando que a Lei 10.256/2001 é a panaceia e salvação do Funrural e respectiva contribuição ao SENAR, afirmará a tese de que o Judiciário cria tributo, em nítido ativismo judicial, o que não entendo compatível com o espírito republicado e democrático do tribunal, que há de sempre respeitar a Constituição. Ante o exposto, conheço o Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito DARLHE provimento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10970.720050/201154 Acórdão n.º 9202007.206 CSRFT2 Fl. 549 7 Fl. 562DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.002530/2008-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÕES NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE.
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
É ônus do contribuinte comprová-las ou justificá-las, por meio de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer as dedução com dependentes integralmente (R$3.816,00) e parcialmente as deduções de despesas médicas (R$984,00) e com instrução (R$2.767,43, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DEDUÇÕES NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. É ônus do contribuinte comprová-las ou justificá-las, por meio de documentação hábil e idônea.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13116.002530/2008-01
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5935231
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2002-000.475
nome_arquivo_s : Decisao_13116002530200801.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 13116002530200801_5935231.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer as dedução com dependentes integralmente (R$3.816,00) e parcialmente as deduções de despesas médicas (R$984,00) e com instrução (R$2.767,43, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7539315
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051144924692480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 202 1 201 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.002530/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.475 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria IRPF. DEDUÇÕES LEGAIS Recorrente OLEGARIO INDEMBURGO DA SILVA ROCHA VIDAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEDUÇÕES NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE. Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. É ônus do contribuinte comproválas ou justificálas, por meio de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer as dedução com dependentes integralmente (R$3.816,00) e parcialmente as deduções de despesas médicas (R$984,00) e com instrução (R$2.767,43, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 25 30 /2 00 8- 01 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13116.002530/200801 Acórdão n.º 2002000.475 S2C0T2 Fl. 203 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 34/40), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2004. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$10.737,30 para saldo de imposto a pagar de R$22.275,45. A notificação noticia a dedução indevida com dependentes, de previdência privada e Fapi e de despesas médicas e com instrução, por falta de atendimento à intimação. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 16/9/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 9/10/2008, à fl. 2/41 dos autos, na qual o contribuinte reclama de não ter sido previamente intimado, requerendo o restabelecimento de todas as deduções. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSA que, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão assim ementada (fls. 72/76): Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÕES COM DEPENDENTES, DESPESAS MÉDICAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAP1 E INSTRUÇÃO. Todas as deduções informadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação, mediante documentação hábil e idônea. As despesas efetivamente comprovadas são restabelecidas na Declaração de Ajuste Anual. O colegiado de primeira instância restabeleceu integralmente a dedução com previdência privada e Fapi e parcialmente de despesas médicas. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 17/6/2009 (fl. 83), o contribuinte, em 30/6/2009 (fl. 84), apresentou recurso voluntário, às fls. 84/198, no qual alega, em apertado resumo, que deixou de apresentar alguns documentos comprobatórios por inexperiência, mas agora está suprindo as falhas apontadas pela decisão recorrida. Argumenta que a ausência de beneficiário em alguns recibos decorreria do fato de a Receita Federal não exigir para o ano sob análise da especificação do beneficiário da despesa na Declaração de Ajuste. Indica em seu recurso os beneficiários das despesas. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13116.002530/200801 Acórdão n.º 2002000.475 S2C0T2 Fl. 204 3 Ressalta a sua boafé. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito À luz da legislação citada na notificação de lançamento, os contribuintes podiam deduzir do rendimento tributável na declaração de ajuste do exercício de 2004, valores relativos a determinadas despesas, tais como as despesas com dependentes (R$1.272,00, por dependente) e as despesas médicas e com instrução (limite anual individual de R$3.091,35), desde que devidamente comprovadas (art. 73 do RIR/1999). Todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, podendo ser glosadas se os contribuintes não conseguirem comproválas ou justificálas. No caso, após a decisão de primeira instância, remanescem as glosas dos dependentes, das despesas com instrução e parte das despesas médicas. Dependentes O recorrente informou como dependentes Gizele Rocha, Maria Eduarda Rocha e Ana Vitória Rocha (fl.56). Em seu recurso, junta as certidões de fls. 92, 94 e 95, comprovando que a primeira é sua mulher e as outras duas são suas filhas e que contavam no anocalendário 2003 com 11 e 4 anos, respectivamente. Dessa feita, cabe restabelecer a dedução com dependentes. Despesas com Instrução No tocante às despesas com instrução, foram informados os seguintes pagamentos (fls.56): Fundação de Assistência Social de Anápolis R$2.500,00 Pre Esc. Gente Miúda R$ 1.912,88 Pre Esc. Gente Miúda R$ 1.912,88 Sebrae GO R$55,00 Quanto à Fundação de Assistência Social de Anápolis nada foi juntado aos autos. Logo, mostrase correta a glosa da despesa, por falta de comprovação. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13116.002530/200801 Acórdão n.º 2002000.475 S2C0T2 Fl. 205 4 Para comprovar a despesa com Sebrae foi anexada a nota fiscal de fl.33 que consigna se tratar do curso "Como administrar sua pequena empresa" oferecido pela instituição contratado pelo cônjuge do recorrente. A teor do disposto no artigo 8o, inciso II, alínea b, da Lei no 9.250, de 1995, são dedutíveis os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico. A despesa comprovada com Sebrae não se insere entre aquelas dedutíveis nos termos da legislação de regência, não podendo ser acatada. No tocante às despesas informadas com a instituição Pré Escola Gente Miúda, na fase impugnatória, foram juntados documentos de fls.15/21, novamente juntados em seu recurso às fls. 180/186. Inicialmente, é de se observar que o documento de fl.15 foi pago em 2004, não podendo ser deduzido na declaração de ajuste do anocalendário 2003, uma vez que o IRPF é regido pelo regime de caixa, sendo dedutíveis apenas as despesas pagas no ano calendário da declaração. Em seguida, esclareçase que não são dedutíveis pagamentos relativos à aquisição de material e à serviço de transporte. Nesse sentido, transcrevo o artigo 40 da IN RFB nº 15, de 2001, então em vigor: Art. 40. Não se enquadram no conceito de despesas de instrução: I as despesas com uniforme, material e transporte escolar, as relativas à elaboração de dissertação de mestrado ou tese de doutorado, contratação de estagiários, computação eletrônica de dados, papel, xerox, datilografia, tradução de textos, impressão de questionários e de tese elaborada, gastos postais e de viagem; II as despesas com aquisição de enciclopédias, livros, revistas e jornais; III o pagamento de aulas de música, dança, natação, ginástica, tênis, pilotagem, dicção, corte e costura, informática e assemelhados; IV o pagamento de cursos preparatórios para concursos ou vestibulares; V o pagamento de aulas de idiomas estrangeiros; VI os pagamentos feitos a entidades que tenham por objetivo a criação e a educação de menores desvalidos e abandonados; VII as contribuições pagas às Associações de Pais e Mestres e às associações voltadas para a educação. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13116.002530/200801 Acórdão n.º 2002000.475 S2C0T2 Fl. 206 5 Atualmente, encontrase em vigor a IN RFB nº 1.500, de 2014, que, em seu artigo 92, disciplina a matéria da mesma forma. Portanto, os valores pagos a título de material escolar e taxa de transporte serão desconsiderados (fls. 16, 18 e 19). Do exame dos recibos, constatase que alguns dos recibos consignam apenas o nome da dependente Maria Eduarda (fls.18/21) e outros consignam Maria Eduarda c/ Ana Vitória (fls.15/17). Pelo valor dos documentos, é de se concluir que a dependente Ana Vitória frequentou a instituição em parte do ano (parte do segundo semestre). Dessa feita, nos recibos que constam os nomes das duas, será considerado metade do valor para cada uma. Nos demais, configurase em despesa apenas de Maria Eduarda. Justificase tal procedimento uma vez que as despesas com instrução estão sujeitas a um limite anual individual, no ano sob análise de R$1.998,00, e o valor dos gastos que ultrapassar esse limite não pode ser aproveitado nem mesmo para compensar gastos de valor inferior efetuados com o próprio contribuinte ou com outro dependente. Os recibos que consignam as duas dependentes totalizam R$1.538,86 (pagamentos efetuados em agosto, outubro e novembro), sendo de se considerar R$769,43. Aqueles somente em nome de Maria Eduarda somam R$1.807,60 (pagamentos efetuados de janeiro a junho). Assim, é de se restabelecer neste voto a dedução de despesas com instrução no montante de R$2.767,43, sendo R$1.998,00 referente a Maria Eduarda e R$769,43 referente a Ana Vitória. Despesas Médicas Em sua declaração de ajuste, o recorrente informou os seguintes pagamentos (fls.56/57), totalizando R$23.912,00: Edilma da Silva R$5.000,00 Rubia da Silva R$5.000,00 Edneia Nogueira R$ 2.500,00 Emerson Nogueira R$7.500,00 Odonto Image R$130,00 Ortoative R$1.862,00 Unimed Anápolis R$1.920,00 A decisão de piso restabeleceu despesas no montante de R$2.928,00, sendo acatadas integralmente as despesas com Unimed e com Odonto Image e parcialmente com Ortoative (R$878,00). A decisão registra: Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13116.002530/200801 Acórdão n.º 2002000.475 S2C0T2 Fl. 207 6 Impende deixar claro que as deduções de despesas médicas e de instrução limitamse a gastos realizados com o próprio contribuinte e seus dependentes, nos termos dos dispositivos legais antes transcritos. Com efeito, os documentos de fls. 4/13 não conferem direito à dedução de despesas médicas, haja vista que não especificaram os beneficiários dos serviços prestados. Da mesma forma, a dedução correspondente a 50% do valor assentado nas notas fiscais de fls.21/23 também não há de ser deduzida dos rendimentos tributáveis, por ter sido realizado com Maria Eduarda Cordeiro B. Rocha, cuja relação de dependência não foi comprovada com documentos hábeis. ... Importante destacar que a dedução de despesas médicas está condicionada ao cumprimento dos requisitos legais estabelecidos pelo art. 80 do Decreto n° 3.000/1999, antes colacionado, quais sejam, a especificação dos beneficiários dos serviços prestados e, quando apresentados recibos para comprovar o gasto, o endereço dos profissionais que os emitiram. Por outro lado, os documentos representados por 50% da importância das notas fiscais de fls. 21/23, a nota fiscal de fl. 24 e o comprovante de fl. 29 demonstram que o impugnante suportou despesas médicas com o seu próprio tratamento, no valor de R$ 2.928,00, devendo, pois, serem restabelecidas na Declaração de Ajuste Anual. (destaques acrescidos) Em relação à Ortoative, na fase impugnatória, foram juntadas as notas fiscais de fls. 22/24. Em seu recurso, o contribuinte junta novamente essas notas (fls. 170/172) e acrescenta os recibos de fls. 164/165. À vista dos documentos juntados e tendo sido comprovada a relação de dependência de Maria Eduarda, cabe restabelecer a diferença da despesa com Ortoative não acatada pela decisão de piso, no valor de R$984,00 No que concerne às demais despesas, os recibos constam às fls. 5/14, novamente juntados às fls.166/169 e 174/179. A decisão de piso aponta a ausência de indicação do beneficiário das despesas, bem como a ausência do endereço dos profissionais nos documentos emitidos. Em relação à indicação do beneficiário, a Solução de Consulta Interna Cosit nº 23 da RFB, publicada no sitio da Secretaria da Receita Federal do Brasil em 10 de fevereiro de 2014, dispõe que, na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico ter sido emitido em nome do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal foram constatados razoáveis indícios de irregularidades. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13116.002530/200801 Acórdão n.º 2002000.475 S2C0T2 Fl. 208 7 Embora tenha registrado a ausência de especificação do beneficiário do tratamento como um dos fundamentos para a glosa, a autoridade julgadora não chegou a apontar expressamente os indícios de irregularidades que teria apurado. Assim, entendo que tal exigência não poderia prosperar. Entretanto, no que tange aos endereços dos profissionais, é de se destacar que se trata de requisito previsto na lei para a aceitação dos recibos pelo Fisco. A dedução a título de despesas médicas é condicionada ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Deste modo, persiste a falta do requisito legal do documento comprobatório. Quanto a sua boafé, é preciso dizer que no presente lançamento o interessado não está sendo acusado de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96. A penalidade aplicada, no percentual de 75%, é uma sanção pecuniária com origem no descumprimento de obrigação principal consistente na falta de pagamento do imposto. O percentual independe do dolo na conduta do sujeito passivo, incidindo proporcionalmente ao montante do imposto não pago que foi identificado quando do lançamento de ofício. Esclareçase ainda que sua boafé não é suficiente para eximir sua responsabilidade em relação ao feito, conforme disposto no artigo 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer as dedução com dependentes integralmente (R$3.816,00) e parcialmente as deduções de despesas médicas (R$984,00) e com instrução (R$2.767,43). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.900554/2014-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.493
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra, que entendiam ser desnecessária a diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10925.900554/2014-44
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5942353
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.493
nome_arquivo_s : Decisao_10925900554201444.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10925900554201444_5942353.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra, que entendiam ser desnecessária a diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7557083
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051144969781248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1479; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 105 1 104 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.900554/201444 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.493 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de novembro de 2018 Assunto DILIGÊNCIA. CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente BUGIO AGROPECUÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência para apresentação de provas quanto à validade do crédito. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula e Waldir Navarro Bezerra, que entendiam ser desnecessária a diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .9 00 55 4/ 20 14 -4 4 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10925.900554/201444 Resolução nº 3402001.493 S3C4T2 Fl. 106 2 A DRF Joaçaba não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito mesmo período de apuração. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, para alegar que o despacho decisório não teria encontrado saldo de pagamento disponível, pois primeiramente, teria retificado apenas o Dacon, e não a DCTF. A retificação da DCTF teria ocorrido antes da emissão do despacho. O interessado argumentou que seria frigorífico, sendo que sua atividade consistiria da aquisição de suínos vivos, de pessoas físicas, para abate. Estaria abrangido pela hipótese tratada no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Até dezembro de 2010, teria aplicado o dispositivo legal para deduzir crédito presumido, correspondente à 60% da alíquota do PIS e da Cofins, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou cooperado pessoa física Alegou que a partir de janeiro de 2011 teria deixado de fazer tal dedução, motivo pelo qual os pagamentos efetuados no período teriam sido a maior. Esclareceu que o art. 2º da Medida Provisória nº 552/2011 teria alterado o art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para suprimir a dedução, se os bens fossem utilizados em produtos sobre os quais não incidissem o PIS e a Cofins, estivessem sujeitos à alíquota zero ou com a exigibilidade suspensa. Contudo, tal artigo não teria sido recepcionado pela Lei nº 12.655/2012, quando a Medida Provisória foi convertida. O Decreto nº 247/2012 teria tornado sem efeito as relações jurídicas constituídas e decorrentes do art. 8º da MP. O contribuinte concluiu, para defender que desde a edição da Lei nº 10.925/2004 teria direito à dedução tratada em seu art. 8º. Solicitou a realização de perícias e diligências para comprovar as retificações da DCTF e do Dacon. Por fim, requereu a anulação ou revisão do despacho decisório e a homologação da compensação. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP), através do Acórdão nº 14 057.457, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou apenas questões de mérito, apresentando as mesmas argumentações da sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10925.900554/201444 Resolução nº 3402001.493 S3C4T2 Fl. 107 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.491 de 27 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10925.900049/201408, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.491): "Em sessão, ousei divergir do I. Relator por entender que seria cabível, no caso, a conversão do processo em diligência para verificar a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON retificador e DCTF retificadora), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito presumido informado pelo contribuinte (art. 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10925.900554/201444 Resolução nº 3402001.493 S3C4T2 Fl. 108 4 8º da Lei nº 10.925/2004) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito presumido tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração da COFINS devida no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito presumido informado pelo contribuinte (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900018/2008-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA.
O recolhimento de estimativa mensal CSLL somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
Numero da decisão: 1001-001.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal CSLL somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13227.900018/2008-66
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5945096
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.036
nome_arquivo_s : Decisao_13227900018200866.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 13227900018200866_5945096.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7561278
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145014870016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1375; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 47 1 46 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13227.900018/200866 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.036 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente LATICÍNIOS CEREJEIRAS MULTIBOM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. INEXISTÊNCIA. O recolhimento de estimativa mensal CSLL somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em valor superior ao apurado para o mês com fundamento na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 00865.63404.060204.1.3.040869, de 06/04/2004, através da qual o contribuinte pretende AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 00 18 /2 00 8- 66 Fl. 47DF CARF MF 2 compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos (IRPJ, no valor principal de R$ 405,00 segundo DARF com as seguintes características: Código de Receita: 2484 (CSLL Lucro Real Estimativa mensal), PA 29/02/2000, vencimento em: 31/03/2000. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n. 757799012, de 24/04/2008 (efl. 07), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado na quitação de CSLL estimativa PA 02/2000, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efl. 09) alegando que efetuou recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL por estimativa no anocalendário de 2000, mas apurou prejuízo em balanço anual, razão pela qual compensou o imposto devido do mês de dezembro de 2004 com o valores recolhidos referente ao PA 02/2002. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 0119.755 3ª Turma da DRJBEL, e fls. 23/29) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês (e que tal excesso não ficou comprovado nos autos) com fundamento na legislação tributária; e que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Cientificada da decisão de primeira instância em 11/01/2011 (efl. 32) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 31/01/2011 (efl. 33), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Não cabe o pleito do contribuinte para comprovar nestes autos (mesmo que através de escrita contábil) eventual saldo negativo de CSLL no ano calendário em questão (ou apurado em balanço de suspensão), pois o litígio posto nestes autos é a procedência ou não do pagamento do IRPJ por estimativa no mês 02/2000. Ou seja, o requerimento de crédito diverso correspondente a eventual saldo negativo de CSLL no ano calendário deveria ser posto em outro procedimento administrativo, respeitado o prazo prescricional (art. 168 do CTN). Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário demonstrar para a autoridade julgadora de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (CSLL estimativa do período de apuração 02/2000) e confrontar com análise da situação fática referente aquele mês, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13227.900018/200866 Acórdão n.º 1001001.036 S1C0T1 Fl. 48 3 Ou seja, o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. O fato do contribuinte eventualmente ter apurado prejuízo fiscal e saldo negativo CSLL no ano calendário 2000 não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Reforço que recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei n° 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição) . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913818/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.913818/2012-88
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5929225
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.682
nome_arquivo_s : Decisao_10680913818201288.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10680913818201288_5929225.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
id : 7523189
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145061007360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1221; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.913818/201288 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.682 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de outubro de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente M.I. MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 8/ 20 12 -8 8 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.913818/201288 Resolução nº 1302000.682 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano calendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Na primeira oportunidade em que apreciou o Recurso Voluntário do contribuinte, esta Turma Julgadora resolveu converter o julgamento em diligência, para o esclarecimento dos montantes liquidados no âmbito dos processos nº 13009.000190/0046 e 13009.000062/200504. Após a diligência, o processo retornou para julgamento, conforme Relatório de Diligência Fiscal e Manifestação do Recorrente. É o Relatório. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.913818/201288 Resolução nº 1302000.682 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.676, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.676): "Apesar de haver sido realizada a Diligência determinada por esta Turma, conforme relatado, as informações constantes do Relatório de Diligência Fiscal de fls. [...] não esclareceram os pontos questionados, de forma conclusiva. É que o citado Relatório informa, inicialmente, que "o processo 13009.000062/200504, do qual constam as estimativas da CSLL, foi extinto por quitação do parcelamento e controla as estimativas da CSLL do anocalendário de 1999". Mais à frente, informa que o total de débitos parcelados no âmbito do referido processo foi de R$ 258.873,49 e o extrato de fls. [...] revela todos esses débitos extintos, sem, contudo, discriminar quais pagamentos foram utilizados para esta quitação. Além disso, à fl. [...], são listados os pagamentos relativos ao processo nº 13009.000062/200504, sendo que ali há apenas 13 pagamentos no valor principal de R$ 9.810,81, o que não seria suficiente para quitar o saldo parcelado de R$ 258.873,49. Não há qualquer detalhamento de possíveis pagamentos que o sujeito passivo possa ter realizado em relação ao saldo de estimativas parceladas no processo nº 13009.00062/200504, no âmbito do parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (após a rescisão, em agosto de 2006, do parcelamento de que trata o processo nº 13009.00062/200504), bem como no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (após a rescisão do PAEX, em setembro de 2009), de modo a justificar a extinção. Ademais, segundo a Discriminação de débitos a parcelar (Dipar) constante do processo nº 13009.000062/200504, o montante ali parcelado foi de R$ 588.468,60, conforme imagem a seguir: Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.913818/201288 Resolução nº 1302000.682 S1C3T2 Fl. 5 4 Como registrado na Resolução anterior, a quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. É que, ao contrário do afirmado no Relatório de Diligência Fiscal, houve sim, por parte do Recorrente, pedido de restituição/compensação referente ao saldo de CSLL do ano calendário de 1999, tratado no âmbito do processo administrativo nº 13009.000190/0046 e que reconheceu, em lugar de saldo negativo, a existência de saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne, mais uma vez, à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte), para que: a) discrimine a forma de extinção de todas as estimativas de CSLL parceladas no âmbito do processo nº 13009.00062/200504 (diretamente naquele processo ou em parcelamentos especiais posteriores); b) informe sobre eventuais saldos disponíveis dos pagamentos realizados no âmbito do referido processo; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.910328/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/05/2008
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2008
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/05/2008 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2008 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.910328/2012-58
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5939892
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.428
nome_arquivo_s : Decisao_10580910328201258.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580910328201258_5939892.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7550178
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145069395968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1741; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.910328/201258 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.428 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SANTA EMÍLIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/05/2008 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova cabal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2008 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 03 28 /2 01 2- 58 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.910328/201258 Acórdão n.º 3301005.428 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada (DCOMP), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte afirmou que o direito creditório decorria do alargamento da base de cálculo da Contribuição (PIS/Cofins) introduzido pelo art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998, julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o então Manifestante, no recolhimento da contribuição devida no período, foram incluídos indevidamente em sua base de cálculo valores alheios ao faturamento, relativos a receitas financeiras e de aluguéis, atividades essas que não compõem sua atividade de venda de mercadoria ou de prestação de serviços. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.151, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando a falta de comprovação do direito creditório compensado, cujo ônus recai sobre o interessado, a quem cabe a demonstração da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando, em breve síntese, o que segue: a) a discussão sobre a existência de direito de créditos da contribuição incidente sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento está superada; b) o dever do órgão julgador de instruir o processo, solicitando documentos, caso assim entenda como necessário para tomar sua decisão, nos termos dos artigos 29 e 36 da Lei nº 9.784/1999, bem como no art. 27 e 29 do Decreto 70.235/1972; c) foi apresentado documentação para provar a liquidez e certeza de seu crédito. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10580.910328/201258 Acórdão n.º 3301005.428 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.417, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10580.900074/201341, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.417): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. Feita a síntese acima, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; iii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos. I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 1º trimestre de 2009. Desta feita, a DARF do período vinculada à COFINS foi utilizada para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis e fiscais, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.910328/201258 Acórdão n.º 3301005.428 S3C3T1 Fl. 5 4 manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não haveria impedimentos para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrado por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. II) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.910328/201258 Acórdão n.º 3301005.428 S3C3T1 Fl. 6 5 Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manifestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria: Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em sede de julgamento realizado em repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/1973, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Este entendimento, porém, nem é controvertido nos autos, pois admitido pela própria r. decisão guerreada. O fundamento para o não reconhecimento do crédito é a ausência de provas aptas a demonstrar sua liquidez e certeza. Desta feita, caso comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da COFINS no período em referência, demonstrandose a liquidez e certeza do crédito declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. É o que se passa a analisar. III) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no período de apuração em foco (1º Trim./2009), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. No entanto, em que pese a Recorrente ressaltar em seu Recurso Voluntário que a autoridade julgadora pode, de ofício, requerer a instrução do processo e que estas informações já são de conhecimento do Fisco, pois todas já declaradas por obrigações acessórias, por se estar diante de um pedido de compensação, o ônus da prova da legitimidade do crédito é de quem requer. Em seu recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a DIPJ do período, com informações sobre receita bruta. No entanto, não é possível Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.910328/201258 Acórdão n.º 3301005.428 S3C3T1 Fl. 7 6 identificar receitas financeiras e receitas de aluguel tal qual alegado pela Recorrente. Seria necessário a apresentação de outras provas, como demonstrativos contábeis, razão, ou mesmo contratos de aluguel, planilhas, enfim. A DIPJ não possui força probatória isoladamente, desacompanhada de outros documentos oficiais, como registros contábeis e outros documentos fiscais, como o DACON. A afirmação de que o Fisco já detém todas as informações, por todas as obrigações acessórias já cumpridas, bastando baixar em diligência para verificar a informação também não é pertinente, portanto. Nos casos de pedido de restituição e de compensação, como dito, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) A Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu manifestação de inconformidade e recurso voluntário, qualquer prova documental hábil capaz de sustentar a veracidade e existência de seu direito de crédito (escrita contábil e fiscal). Não constam dos autos balancetes e demonstrações contábeis, nem mesmo DACON do contribuinte para evidenciar o quantum de receitas financeiras levadas à tributação da COFINS. Desta feita, diante da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese negar provimento ao presente recurso voluntário Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.910328/201258 Acórdão n.º 3301005.428 S3C3T1 Fl. 8 7 Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903064/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2003 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.903064/2011-11
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924665
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.946
nome_arquivo_s : Decisao_10880903064201111.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10880903064201111_5924665.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7504504
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145290645504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.903064/201111 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.946 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria COFINS Recorrente CENTRO DE PREVENÇÃO DE ODONTOLOGIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 30 64 /2 01 1- 11 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.903064/201111 Acórdão n.º 3302005.946 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16038.294. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.903064/201111 Acórdão n.º 3302005.946 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.903064/201111 Acórdão n.º 3302005.946 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.902970/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória.
Numero da decisão: 1201-002.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/2009-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
assinado digitalmente
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10725.902970/2009-76
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5931331
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.544
nome_arquivo_s : Decisao_10725902970200976.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10725902970200976_5931331.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/2009-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7533089
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145369288704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.902970/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.544 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de setembro de 2018 Matéria Compensação Recorrente ECOS DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. assinado digitalmente Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I que julgou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 29 70 /2 00 9- 76 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10725.902970/200976 Acórdão n.º 1201002.544 S1C2T1 Fl. 3 2 improcedente a manifestação de inconformidade para não reconhecer o direito creditório pleiteado. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido ou a maior de IRPJ visto que, segundo o sujeito passivo, apurou o imposto pelo regime do lucro presumido, aplicando o percentual de 32% sobre a receita bruta enquanto o correto, por se dedicar à prestação de serviços hospitalares diagnósticos por imagem seria o percentual de 8%, conforme previa o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" da Lei 9.249/95 c/c o art.25 da Lei 9.430/96. Pelo segundo despacho decisório, uma vez que o primeiro foi anulado pela DRJ por estar desprovido de fundamentação congruente, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelos seguintes fundamentos: o contribuinte não apresentou documentação hábil para justificar as informações constantes da DCTF retificadora, e, consequentemente, também não demonstrou a origem e a regularidade do crédito decorrente de tal retificação; a única DIPJ transmitida pela interessada não é compatível com as informações transmitidas pela DCTF retificadora e , ainda, por não ter sido a DIPJ alvo da devida retificação a fim de compatibilizála com a DCTF retificadora, a dita DIPJ demonstra débito correspondente ao valor recolhido e a inexistência do crédito; a decisão consignou que a DCTF retificadora foi apresentada fora de prazo, e, por essa razão, assiste razão ao fisco quando não considerou as informações registradas na DCTF retificadora. Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado a nulidade do despacho decisório sob os seguinte fundamentos, verbis: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10725.902970/200976 Acórdão n.º 1201002.544 S1C2T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.543, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.902969/2009 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.543): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. A Recorrente alega, como relatado anteriormente, que o segundo "despacho decisório" que voltou a negar a homologação da compensação foi proferido sem antes oportunizar a contribuinte a devida instrução probatória. Entende que sem a intimação/notificação do contribuinte dandolhe a oportunidade para demonstrar o seu crédito, a autoridade fiscal não poderia negar a homologação da compensação; porém, a fundamentação foi esculpida sem prévios esclarecimentos do contribuinte, contrariamente ao que foi expressamente determinado pela delegacia de julgamento, o que justifica novamente da nulidade da decisão ora recorrida, Quanto à apresentação da documentação, não se vislumbra qualquer cerceamento ao direito de defesa, pois Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10725.902970/200976 Acórdão n.º 1201002.544 S1C2T1 Fl. 5 4 quando da prolação do despacho decisório, abrese prazo para manifestação de inconformidade, período o qual a contribuinte possui para fazer prova do seu direito 1. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o interessado não comprovou a existência do crédito pleiteado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, cujo trecho do voto condutor reproduzo abaixo, o interessado deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado, verbis: Discordo do interessado quando alega que não há prazo fixado em lei para a retificação de declaração (o art. 173 do CTN diz respeito ao prazo decadencial do fisco constituir o seu crédito). Da mesma forma que existe prazo para a Fazenda Pública examinar o conteúdo da DCTF ou da DIPJ, há, também, termo para o interessado retificar estas declarações, sob pena de se permitir alterações em favor do interessado, depois de esgotado o prazo para a Fazenda Pública examinar os dados nela contidos. Ainda, a mera retificação da DCTF, sem comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório. As informações sobre os fatos tributáveis devem estar lastreadas na escrituração contábilfiscal e na documentação do contribuinte. Se houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, este deve ser comprovado, para que fique evidente que o interessado teria declarado em DCTF um montante maior do que o efetivamente devido. O interessado não juntou aos autos nenhum documento que comprovasse o pretendido erro, a ensejar a retificação da DCTF (.....). Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. O Despacho Decisório recorrido deve ser mantido, por não ter o interessado comprovado a existência do crédito pleiteado. 1 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10725.902970/200976 Acórdão n.º 1201002.544 S1C2T1 Fl. 6 5 Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.953415/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.953415/2009-10
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927852
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.536
nome_arquivo_s : Decisao_10880953415200910.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880953415200910_5927852.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7514411
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145402843136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2194; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 120 1 119 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.953415/200910 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.536 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 22 de outubro de 2018 Assunto PER/DCOMP (DDE) COFINS Recorrente GINES SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA (atual denominação de GINES REPRESENTAÇÕES LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 53 41 5/ 20 09 -1 0 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 123 4 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 124 5 o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 125 6 de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.953415/200910 Resolução nº 3401001.536 S3C4T1 Fl. 126 7 se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.001810/99-49
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1994
PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. ADIMPLIDO TODO O TRÂMITE DO PAF TORNA-SE AUSENTE O CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há cerceamento de defesa quando não se comprova efetivamente o malferimento ao deslinde do PAF e o respectivo ônus ao contribuinte, razão pela qual as alegações genéricas não merecem ser acolhidas.
VERDADE MATERIAL. PROVAS SUFICIENTES PARA IDENTIFICAR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO.
Quando há nos autos elementos suficientes para suprir a convicção do órgão julgador no que cinge ao adimplemento tributário, torna-se possível reconhecer o pleito com base na verdade material. Uma vez comprovado documentalmente o erro de preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a autuação pautada nos valores nela declarados. In casu, a autuação deve se ajustar aos valores efetivamente devidos conforme os documentos contábeis.
Numero da decisão: 1002-000.493
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1994 PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. ADIMPLIDO TODO O TRÂMITE DO PAF TORNA-SE AUSENTE O CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa quando não se comprova efetivamente o malferimento ao deslinde do PAF e o respectivo ônus ao contribuinte, razão pela qual as alegações genéricas não merecem ser acolhidas. VERDADE MATERIAL. PROVAS SUFICIENTES PARA IDENTIFICAR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO. Quando há nos autos elementos suficientes para suprir a convicção do órgão julgador no que cinge ao adimplemento tributário, torna-se possível reconhecer o pleito com base na verdade material. Uma vez comprovado documentalmente o erro de preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a autuação pautada nos valores nela declarados. In casu, a autuação deve se ajustar aos valores efetivamente devidos conforme os documentos contábeis.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10940.001810/99-49
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5936090
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.493
nome_arquivo_s : Decisao_109400018109949.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 109400018109949_5936090.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7541235
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145433251840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 889 1 888 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.001810/9949 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.493 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2018 Matéria IRPJ E CSLL PAGAMENTO INSUFICIENTE Recorrente RADIO CENTRAL DO PARANA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1994 PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. ADIMPLIDO TODO O TRÂMITE DO PAF TORNASE AUSENTE O CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa quando não se comprova efetivamente o malferimento ao deslinde do PAF e o respectivo ônus ao contribuinte, razão pela qual as alegações genéricas não merecem ser acolhidas. VERDADE MATERIAL. PROVAS SUFICIENTES PARA IDENTIFICAR MERO ERRO DE PREENCHIMENTO. Quando há nos autos elementos suficientes para suprir a convicção do órgão julgador no que cinge ao adimplemento tributário, tornase possível reconhecer o pleito com base na verdade material. Uma vez comprovado documentalmente o erro de preenchimento da DCTF, deve ser cancelada a autuação pautada nos valores nela declarados. In casu, a autuação deve se ajustar aos valores efetivamente devidos conforme os documentos contábeis. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 18 10 /9 9- 49 Fl. 889DF CARF MF 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 428 à 439) interposto contra Decisão n° 96, proferida na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (efls. 409 à 422), que julgou a exordial parcialmente procedente o lançamento dos Autos de Infração. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório da Decisão a quo n° 96: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, Contribuição Social Sobre o Lucro CSSL e Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, os quais relatamse a seguir, Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ O Auto de Infração do IRPJ (fls. 294/314) exige o recolhimento de R$ 3.162,70 de imposto, R$ 2.371,97 de multa de oficio prevista no art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais. A exigência resulta das seguintes infrações: 01 omissão de receitas saldo credor de caixa: os valores apurados resultam da recomposição da conta caixa no ano calendário de 1994 conforme planilhas de folhas 217/241, tendo como enquadramento legal os arts. 195, II, 197, parágrafo único, 226, 228 e 230 do RIR/1994, aprovado pelo Decreto n.° 1.041/1994, art. 3° da Medida Provisória n.° 492/1994 e suas reedições, convalidada pela Lei n.° 9.064/1995, art. 12, caput e § 2° do Decreto n.° 1.598/1977 e arts. 43 e 44 da Lei n.° 8.541/1992; 02 custos ou despesas não comprovadas: valor apurado em razão da falta de identificação do destinatário e operações lastreadas na 2a ou 3a via das notas fiscais, tendo como enquadramento legal os arts. 195, I, 197, parágrafo único, 243 e 247 do RIR/1994, art. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 890 3 6°, § 2° do Decretolei n.° 1.598/1977 e art. 45, § 2° da Lei n.° 4.506/1964, 03 provisões para créditos de liquidação duvidosa: glosa correspondente à diferença a maior entre os valores escriturados pelo contribuinte e os valores legalmente permitidos, tendo como enquadramento legal os arts. 157 e § 1°, 191, 220 e 387, I do RIR/1980, arts. 195, I, 197, parágrafo único, 242, 276 e 277 do RIR/1994, art. 6°, § 2° do Decretolei n.° 1.598/1977, art. 3° do Decretolei n.° 1.730/1979, arts, 60, I, 61, §§ 1° e 2° da Lei n.° 4.506/1964 e art. 9° da Lei n.° 8.541/1992; 04 omissão de receitas financeiras: o valor apurado corresponde à diferença entre o rendimento escriturado e o constante do extrato bancário do Banco do Estado do Paraná do lançamento do dia 25/04/1994 a título de "Depósito a prazo/Rendimentos", tendo como enquadramento legal os arts. 195, II, 197, parágrafo único, 224, 225 e 317 do RIR/1994, arts. 6°, § 2°, 7° e 11 e §§ do Decretolei n.° 1.598/1977 e art. 2° da Lei n.° 2.354/1954; e 05 despesa indevida de correção monetária: caracterizada pelo saldo devedor de correção monetária maior que o devido, diminuindo o lucro líquido do exercício, tendo como enquadramento legal os arts. 4°, 8°, 10, 11, 12, 15, 16 e 19 da Lei n.° 7.799/1989, art, V da Lei n.° 8.200/1991, art. 4° do Decreto n.° 332/1991, art. 48 da Lei n.° 8.383/1991 e arts. 396, 405, 406, 407, 409, 411 e 414, § 1° do RIR/1994. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS O Auto de Infração do PIS (fls. 315/323) exige o recolhimento de R$ 157,95 de contribuição, R$ 118,38 de multa de oficio prevista no art. 86, § 1° da Lei n.° 7.450/1985 e art. 2° da Lei n.° 7.683/1988 c/c o art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art, 44, I da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais. A exigência decorre do lançamento do IRPJ e resulta dos custos ou despesas não comprovados, da provisão a maior para créditos de liquidação duvidosa, da omissão de receitas financeiras, da despesa indevida de correção monetária e da omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, descritas nos itens O1 a 05 daquele auto de infração, tendo como enquadramento legal o art. 3°, § 2°, da Lei Complementar n.° 07/1970, Título 5, capítulo 1, seção 6, itens I e II, do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria n.° 142/1982, art. 43, § 1° da Lei n.° 8.541/1992 e alterações do art. 3° da Lei n,° 9.064/1995. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins O Auto de Infração de Cofins (fls. 324/331) exige o recolhimento de R$ 150,76 de contribuição, R$ 113,02 de multa de oficio prevista no art. 10, parágrafo único da Lei Complementar n.° 70/1991 c/c o art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art. 44, I da Lei n° Fl. 891DF CARF MF 4 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais. A exigência decorre do lançamento do IRPJ e resulta da omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, descrita no item 01 daquele auto de infração, tendo como enquadramento legal os arts 1°e 2°, da Lei Complementar n.° 70/1991, art. 43, § 1° da Lei n.° 8.541/1992 e alterações do art. 3° da Lei n.° 9.064/1995. Contribuição Social sobre o Lucro CSLL O Auto de Infração de CSLL (fls. 332/342) exige o recolhimento de R$ 1.204,45 de contribuição, R$ 903,29 de multa de oficio prevista no art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5 172/1966, além dos encargos legais. A exigência decorre do lançamento do IRPJ e resulta dos custos ou despesas não comprovados, da provisão a maior para créditos de liquidação duvidosa, da omissão de receitas financeiras, da despesa indevida de correção monetária e da omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, descritas nos itens 01 a 05 daquele auto de infração, tendo como enquadramento legal o art. 2° e §§, da Lei n.° 7.689/1988, arts. 38, 39 e 43 da Lei n ° 8.541/1992, com a redação dada pelo art. 3° da Medida Provisória n.° 492/1994. Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF O Auto de Infração do IRRF (fls, 343/351) exige o recolhimento de R$ 3.335,72 de imposto, R$ 2.501,73 de multa de oficio prevista no art. 4°, I da Lei n° 8.218/1991 e art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/1966, além dos encargos legais. A exigência decorre do lançamento do IRPJ e resulta e da omissão de receita caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa e dos custos ou despesas não comprovados, descritas nos itens 01 e 02 daquele auto de infração, tendo como enquadramento legal o art. 739 do RIR/1994, art. 44, da Lei n,° 8.541/1992 com a redação dada pelo art. 3° da Lei n.° 9.064/1995. Cientificada em 29/11/1999, a interessada apresentou tempestivamente em 14/12/1999 a impugnação de fls. 364/373, instruída com os documentos de fls. 374/382, trazendo as alegações a seguir, em síntese. Inicialmente, levanta preliminar de decadência, relativa aos fatos geradores de fevereiro a outubro de 1994, por força do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional, argumentando que a partir da promulgação do Decretolei n.° 1.967/1982, o imposto de renda da pessoa jurídica se submete ao lançamento por homologação, e que nos meses de janeiro a dezembro de 1994, procedendo de acordo com a legislação de regência em vigor, apurou o IRPJ em bases mensais, de sorte que os fatos geradores daqueles meses ocorreram no encerramento dos balanços mensais, e quando da lavratura do auto de infração já Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 891 5 havia decaído o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, uma vez que já houvera transcorrido o prazo de 5 anos a contar do encerramento do balanço de cada um daqueles meses. No mérito, alega, em relação à omissão de receita por saldo credor de caixa, que na recomposição da conta caixa de fls. 217/241, no dia 25/04/1994 há um apontamento depósito a prazo/rendimentos de CR$ 757.024,04 na coluna "Saída de Caixa", o que alterou para mais os saldos credores apontados no procedimento fiscal, sendo esse lançamento um equívoco, pois não representa nenhuma saída em seu caixa. Em complemento diz que o referido valor é um rendimento de aplicação financeira junto ao Banestado, e que o fisco, com relação a esse valor houvera tributado o diferencial de CR$ 500.000,01, como omissão de receita financeira entre o reconhecido e contabilizado, de CR$ 257.024,03, e o valor de CR$ 757.024,04, fato não contestado. Argumenta que jamais ocorreu essa saída de caixa e que se trata meramente de um lançamento "Extra Caixa" representado por um débito, Banestado e um crédito, Receitas Financeiras e está influenciando o.saldo credor apurado. Aduz que retificando a recomposição do caixa efetuada pelo fisco a partir de 25/04/1994, para excluir o montante de CR$ 757.024,04 como saída de caixa ocorre a inexistência de saldo credor de CR$ 604.023,19, em 02/05/1994, referente ao maior saldo credor do mês de maio; a inexistência de saldo credor de CR$ 298.206,79, em 27/06/1994, referente ao maior saldo credor do mês de junho, e a retificação do saldo credor do mês de julho de 1994 de R$ 779,53 para R$ 504,25 em 30/07/1994. Com respeito aos custos ou despesas não comprovadas alega que foram glosadas, em todos os mesescalendário de 1994, notas fiscais de despesas por não haver discriminação do destinatário e outras por serem segunda ou terceira via de notas fiscais, tratandose de erros meramente formais, mas que as despesas são pertinentes, usuais e normais à sua atividade; que não pode ser base para imposição tributária, porque injusta sobre todos os aspectos. Diz que jamais foi questionado quanto à pertinência, usualidade ou normalidade das despesas contabilizadas, sendo glosadas única e exclusivamente em função de erros documentais formais e que, amoldando as despesas em tela às disposições do art. 242 do RIR/1994, é improcedente a autuação fiscal neste quesito. Relativamente a despesas indevida de correção monetária argumenta que foi apurado, conforme planilhas integrantes do processo, excesso de correção monetária devedora dos balanços encerrados em 31/01/1994, 28/02/1994, 31/05/1995 e 31/08/1994, diferenças essas, entre o contabilizado e os cálculos refeitos, e exigindose sobre esses valores, os tributos Fl. 893DF CARF MF 6 correspondentes; que em todos os outros meses do ano calendário de 1994, apuraramse nas planilhas diferenças que lhe eram favoráveis, mas não se recompôs o lucro tributável para efeitos de compensar os saldos devedores a menor de correção monetária de balanço apurados ex officio, sendo o procedimento fiscal injusto e unilateral, sendo imperioso que sejam refeitos os cálculos, no sentido de compensação dos valores apontados no procedimento fiscal, de maneira que seja refletido o verdadeiro lucro real e tributável, consoante prevê a legislação de regência. Pondera que o lançamento tributário, ao apurar as infrações fiscais, deixou de proceder à correção monetária de balanço sobre os valores tributados num mês, cujos efeitos se refletiriam nos meses seguintes reserva oculta de correção monetária de balanço; que como a tributação envolveu desde os meses de fevereiro a dezembro de 1994, deveria ser recomposta a correção monetária de balanço nesses termos, a partir de março de 1994 e assim sucessivamente. Complementa que o pleito deve alcançar, inclusive, a tributação imposta sobre a omissão de receita por saldo credor de caixa, lançado sob a égide da Lei n.° 8.541/1992, art. 43, § 2°, de caráter ilegal, quanto mais que a sua contabilidade está em condições de demonstrar o lucro real inclusive pelas adições tributárias que lhe foram imputadas; que o dispositivo em tela foi revogado pelos arts. 24 e 36 da Lei n.° 9.249/1995, sendo que o art. 24 manda lançar a omissão de receita de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base de omissão, e que a retroatividade benigna deve ser aplicada ao caso. Solicita, a interessada, que no lançamento tributário sejam considerados os reflexos das parcelas tributadas num mês, liquidas dos tributos sobre elas incidentes, resultando patrimônio líquido, de sorte que sobre este seja calculado a correção monetária de balanço devedora, a fim de amortizar a tributação imposta no mês subsequente e assim sucessivamente. Quanto ao IRRF sobre lucros considerados automaticamente distribuídos alega que a base do lançamento foi o art. 44 da Lei n.° 8.541/1992, revogado pelos arts. 10, 24 e 36 da Lei n.° 9.249/1995, de maneira que eventuais omissões de receita ou redução do lucro líquido da pessoa jurídica não mais sofra a tributação na fonte ou sobre o sócio, sendo pertinente o pleito da retroatividade benigna prevista no § 1° do art, 144 do CTN, ou alternativamente que da base de cálculo do IRRF sejam excluídas as parcelas dos tributos e contribuições sobre ela incidente IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (art. 24, § 2° da Lei n.° 9.249/1995), a fim de evitar o bis in idem. Finalizando requer o acatamento da impugnação, pelos aspectos fáticos e de direito, relativamente ao IRPJ, base do lançamento e, por decorrência, em relação aos reflexos tributários da CSLL, PIS, Cofins e IRRF. A indigitada decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba restou figurada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 892 7 Anocalendário: 1994 Ementa: DECADÊNCIA. Não havendo o que homologar, por não ter ocorrido pagamento de imposto, e tendo sido constituído o crédito tributário dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contados da primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inocorreu a decadência. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A constatação de saldo credor de caixa, não infirmada em sua totalidade pela fiscalizada, validase na presunção legal de que o desembolso, correspondente ao valor negativo verificado, não comprovado com documentação hábil e idônea, deriva de recursos gerados por receitas omitidas na escrituração. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. As despesas para serem aceitas como dedutíveis devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESA INDEVIDA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. Na apuração do saldo de correção monetária de balanço deve haver a compensação do imposto pago a maior em razão de saldos devedores apurados a menor em alguns meses com os apurados a maior nos demais meses em que houve insuficiência de recolhimento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 Ementa: DECORRÊNCIA. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o que tiver sido decidido quanto àquele do qual decorre. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 Ementa: DECORRÊNCIA. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o que tiver sido decidido quanto àquele do qual decorre. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 Ementa: DECORRÊNCIA. Fl. 895DF CARF MF 8 Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o que tiver sido decidido quanto àquele do qual decorre. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1994 Ementa: LEI NOVA. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador, e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, sendo que a retroatividade de lei nova mais benigna alcança apenas as penalidades. DECORRÊNCIA. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento decorrente o que tiver sido decidido quanto àquele do qual decorre. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE (...) CONCLUSÃO Isto posto, resolvo; a) não acolher a preliminar de decadência do IRPJ; b) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 2.765,01 de imposto e R$ 2.073,71 de multa de oficio, além dos encargos legais; c) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 138,11 de contribuição e R$ 103,51 de multa de oficio, além dos encargos legais; d) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 128,03 de contribuição e R$ 96,00 de multa de oficio, além dos encargos legais; e) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa à Contribuição Social sobre o Lucro, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 1.163,43 de contribuição e R$ 872,53 de multa de oficio, além dos encargos legais, f) julgar parcialmente procedente a ação fiscal relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte, determinando que se prossiga na cobrança da exigência de R$ 3.051,38 de imposto e R$ 2.288,48 de multa de oficio, além dos encargos legais; Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 893 9 Em sequência, já em apreciação do Recurso Voluntário, a Terceira Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 20 de março de 2002 prolatou o Acórdão n° 10320.868 (efls. 453 à 449), que sagrou o seguinte resultado (resumidamente): Acordam os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário, vencidos os Conselheiros Victor Luís de Salles Freire (Relator), Alexandre Barbosa Jaguaribe e Julio Cezar da Fonseca Furtado e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Cândido Rodrigues Neuber, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Prosseguindo o PAF, o Contribuinte apresentou Recurso Especial de Divergência (efls. 469 à 483), abordando preliminar de decadência; custos ou despesas não comprovadas; e despesas indevidas e reserva oculta de correção monetária de balanço, sendo que restou proferido Acórdão CSRF/0105.309 (efls. 567 à 575), em sessão de 21 de setembro de 2005, cujo desiderato findou pelo provimento do indigitado Recurso, verbis: DECADÊNCIA — IRPJ e OUTROS — A existência de prejuízos, com a conseqüente ausência de pagamento de tributos ou contribuições, não é razão para que as exações sujeitas a lançamento por homologação tenham o prazo de decadência: contado pelo,art. 173 do CTN , ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4° do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RADIO CENTRAL DO PARANÁ LTDA., ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente processo. Vencidos os Conselheiros Marcos Vinícius Neder de Lima (Relator) e Cândido Rodrigues Neuber, que negaram provimento ao recurso, e Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em. relação ao IRPJ, ao IRFONTE e à contribuição para o PIS.. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes. No deslinde do PAF, o Acórdão retromencionado restou embargado pela própria primeira turma da CSRF, de modo que restou proferido o Acórdão n° 910100.186 (e fls. 584 à 586): EMBARGOS DECLARATÓRIOS Materializada a hipótese prevista no art. 41 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 222, de 04/09//2007, é de se acolher os embargos interpostos pelo sujeito passivo para reratificar o acórdão embargado. Fl. 897DF CARF MF 10 DECADÊNCIA IRPJ e OUTROS A existência de prejuízos, com a conseqüente ausência de pagamento de tributos ou contribuições, não é razão para que as exações sujeitas a lançamento por homologação tenham o prazo de decadência contado pelo art. 173 do CTN, ao invés de adotar o prazo previsto no art. 150, § 4° do mesmo Código, pois o que este dispositivo homologa é a atividade exercida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para rerratificar o Acórdão n° CSRF/0105.309, de 21/09/2005, para reconhecer a decadência em relação ao IRPJ, IRFONTE, ao PIS, à CSLL e à COFINS quanto aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a outubro de 1994, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Em virtude do Acórdão dos Embargos, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Extraordinário (efls. 589 à 600), objetivando a reforma da intelecção circundante à decadência, de modo a estabelecer a contagem do lustro nos termos do art. 173, I, do CTN. Nessa trilha, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 07 de dezembro de 2011 (e fls. 869 à 879), proferiu Acórdão n° 9100000.218, o qual deu provimento ao Recurso fazendário, reconhecendo a inocorrência decadencial; cumpre transcrever seus principais trechos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1995 REGIMENTO INTERNO CARF. DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO STJ ART.62A DO ANEXO II DO RICARF. UTILIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DE PRECEDENTES JUDICIAIS. IDENTIDADE DAS SITUAÇÕES FÁTICAS. NECESSIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho (Art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). O disposto no art. 62A do RICARF não implica o dever do julgador administrativo em reproduzir a decisão proferida em sede de recurso repetitivo, sem antes analisar a situação fática e jurídica que ensejou a decisão do precedente judicial. A finalidade da disposição regimental é impedir que decisões administrativas sejam contrárias a entendimentos considerados definitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática prevista pelo art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 894 11 CTN. TERMO INICIAL. INTERPRETAÇÃO CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC. IMPOSSIBILIDADE. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, nos exatos termos do aludido dispositivo. Recurso Extraordinário Provido. (...) No que diz respeito ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), sessão de 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, consolidou o entendimento daquele Tribunal em decisão assim ementada, verbis: (...) Conforme restou assentado, havendo pagamento parcial ou declaração prévia de débito, devese computar o prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º do CTN e, caso contrário, não se verificando o pagamento parcial e inexistindo declaração prévia de débito ou nos casos de dolo, fraude ou simulação, referido prazo deve ser computado na forma do art. 173, inciso I, do CTN. No caso dos autos, a Contribuinte apurou no período prejuízo fiscal e base negativa da Contribuição Social, conforme se verifica nos autos – inclusive na apuração fiscal que não houve pagamento de tributo relativo ao período que ensejou o lançamento de ofício. Assim, a teor do entendimento consolidado pelo e. Tribunal Superior, no presente caso, ante a ausência de pagamento antecipado, devese iniciar a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, aplicandose a regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. (...) Um primeiro entendimento sustenta que o art. 62A do Regimento exige a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ. Deste modo, em relação a este assunto, o STJ teria afastado a literalidade do art. 173, inciso I do CTN, segundo o qual, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, devendo prevalecer a assertiva constante do acórdão proferido no aludido Resp nº 973.733/SC, no sentido de que, nestes casos, o termo inicial passou a ser o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Fl. 899DF CARF MF 12 correspondente, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível.” O outro entendimento existente no âmbito desta Conselho defende que a análise do contexto fático do acórdão do STJ e a finalidade do art. 62A devem ser devidamente considerados para fins de aplicação do dispositivo. Devese levar em conta, inclusive, a própria jurisprudência daquela Corte, verificada conforme suas decisões posteriores sobre a mesma matéria. Na forma desta segunda linha, a qual reputo mais acertada, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, ou seja, nos exatos termos da redação do aludido art. 173, inciso I do CTN. (...) Diante de tão bem fundamentadas razões, verifico que no caso dos autos, não houve pagamento. Logo, por força das disposições do art. 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguirseia com o transcurso do lapso de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, Logo, por força das disposições do art. 173, I, do CTN, o direito de lançar extinguir seia com o transcurso do lapso de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Os fatos geradores ocorreram nos meses de fevereiro a outubro de 1994, o sujeito passivo apurou prejuízos fiscais nesses meses de 1994, e o lançamento foi efetuado em 29 de novembro de 1999 . Por tais fundamentos, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para afastar a arguição de decadência e determinar o retorno dos autos à Câmara ordinária para apreciação das demais razões do recurso voluntário. Após todo o deslinde acima relacionado, o presente processo veio à relatoria deste Conselheiro que por ora subscreve. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo Fl. 900DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 895 13 administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Da delimitação recursal em virtude da rejeição da preliminar de decadência De início, cumpre dizer que o mérito do presente Recurso já restou em sua grande parte decidido quando do Acórdão n° 10320.868 (efls. 453 à 449). Isso porque a questão residual, que continuou em debate, cinge apenas àquele período em que se discutiu a ocorrência da decadência. Portanto, sob pena de malferimento à coisa julgada administrativa, a linde do presente Acórdão se prenderá unicamente ao espectro outrora não arrematado, por conta da intelecção do lustro, que doravante observa a sistemática do Art. 173, I, do CTN, ou seja, tocante aos lançamentos ocorridos entre fevereiro e outubro de 1994. Sobre tal matéria, a Decisão n° 96, nas efls. 414 à 416 dispôs que: Preliminar de decadência Inicialmente, quanto à preliminar de decadência suscitada, relativa aos fatos geradores ocorridos no período de fevereiro a outubro de 1994, é de se ressaltar que, a partir do anocalendário de 1992, com a edição da Lei n° 8.383/1991, o imposto sobre a renda e a contribuição social sobre o lucro líquido das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real sofreram profunda alteração em suas formas de apuração e cálculo, passando o fato gerador a ocorrer mensalmente e não mais no encerramento do períodobase. À luz do referido dispositivo, o imposto de renda e a contribuição social são devidos mensalmente, à medida em que os lucros forem sendo auferidos, devendo o resultado ser apurado ao final de cada mês mediante o levantamento de balanço ou balancete, com observância das leis comerciais e fiscais. Uma vez que a lei atribui à pessoa jurídica, tributada com base no lucro real mensal, a partir do anocalendário de 1992, o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade, devendo apurar mensalmente os resultados em sua escrituração contábil, ajustados pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação, transcrevendo o valor tributável no LALUR, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipandose a qualquer procedimento da repartição fiscal, certo é que se está diante do lançamento dito por homologação. De fato, nos termos do art. 150 do CTN, citado pela impugnante, a modalidade de lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo devido. sem prévio exame da autoridade administrativa, nesse caso, a atuação que a autoridade administrava tem é posterior, ocorrendo a homologação quando ela, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, de efetuar o recolhimento sem seu prévio exame, expressamente a homologa, ou, se não houver a manifestação expressa do fisco, dentro do prazo estabelecido pela norma, homologada também estará essa atividade, de forma tácita. Fl. 901DF CARF MF 14 Portanto, se houver pagamento, estará, na forma do § 1° do art. 150 do CTN, extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de ulterior homologação do lançamento, assim, na forma do § 4° desse dispositivo legal, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento é de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do respectivo fato gerador, podendo, no caso de recolhimento relativo a cada fato gerador, ocorrer a homologação expressa, se houver a manifestação expressa do fisco, ou, na falta desta, no prazo mencionado, darseá a homologação tácita. Num caso e no outro, extinto estará o crédito. Entretanto, na hipótese de não haver pagamento antecipado do imposto devido, não há como se falar em homologação, e nem em aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, uma vez que a homologação nada mais é do que a declaração de extinção do débito, em face do pagamento antecipado. Nesses casos, impõese a aplicação da regra do art. 173, I, do mesmo Código, iniciando a contagem do prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na situação em análise, a interessada apresentou, em sua declaração de rendimentos, prejuízo fiscal nos períodos de apuração de 01/1994, 02/1994, 04/1994, 07/1994, 08/1994 e 10/1994 (fls. 29 e 30), compensou integralmente com prejuízos fiscais o lucro real dos períodos de apuração 03/1994, 05 e 06/1994 e 09/1994 (fls. 29 e 30), não havendo assim apuração de imposto devido (fls, 26) e, por conseguinte, nesses períodos de apuração, nada se recolheu nem se operou que ensejasse a homologação expressa ou tácita da administração, já que coexiste atividade de recolhimento da contribuinte passível de ser homologada. Sem pagamento do imposto por parte do sujeito passivo, não há fato homologável. Além do mais, cabe transcrever julgado do Superior Tribunal de Justiça, em sessão realizada em 28/04/1999, que, ao analisar os Embargos de Divergência no Recurso Especial n° 132.329 — SP, em relação ao prazo de decadência para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo pagamento, proferiu a seguinte ementa (...) Portanto, improcedentes as alegações apresentadas quanto à decadência. Já em seu Recurso Voluntário, anoto ipsis litteris as alegações do Contribuinte, para conferir maior precisão a este julgamento: 1. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A autoridade singular indeferiu o pleito da recorrente quanto a decadência da constituição do crédito tributário relativa aos fatos geradores ocorridos nos meses de fevereiro a outubro de 1994, argumentando que não houve o pagamento antecipado do tributo devido, não havendo que se falar em homologação e nem aplicação do parágrafo 4 0 do artigo 150 do Código Tributário Nacional, uma vez que a homologação nada mais é que a declaração de extinção do débito em face do pagamento antecipado, devendo, no caso, Fl. 902DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 896 15 imporse a regra do artigo 173 do Código Tributário Nacional, iniciando a contagem do prazo decadencial no / primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda, salientou a apuração de prejuízo fiscal em certos meses do anocalendário de 1994 e compensação integral do lucro real com prejuízos fiscais de outros meses, não havendo assim, a apuração do imposto devido. Citou, por fim, julgado do Superior Tribunal de Justiça amparando a tese da inocorrência do lançamento por homologação se não houver pagamento, quando a decadência se operaria 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Senhores Conselheiros, Como afirma a autoridade monocrática às fls. 401, a recorrente em sua DIRPJ/1995, anocalendário 1994, fls. 29130 apurou prejuízo fiscal nos períodos de apuração 01194, 02194, 04194, 07194, 08194 e 10194 e apurou lucro real nos períodos de 03194, 05194, 06194 e 09194, compensando integralmente com prejuízos fiscais de outros períodos de apuração. Obviamente, nada restou a recolher com relação ao IRPJ e CSSL destes períodos (fls. 26). Releva ressaltar que o contribuinte cumprindo a legislação tributária federal, Lei no 8.383191, apurou mensalmente no encerramento de cada um dos meses do anocalendário de 1994 o Lucro Real, restando como resultado a evidência descrita no parágrafo supra (fls. 29130). Assim, coube ao contribuinte a atividade de determinar a obrigação tributária, a matéria tributável, o cálculo do imposto e o "quantum" devido, independentemente de notificação da autoridade administrativa, o que de fato ocorreu, exceto em relação ao recolhimento dos tributos, porque nada havia a pagar em obediência à legislação tributária que desobriga a tributação e recolhimento quando houver apuração de prejuízo fiscal e faculta ao contribuinte a compensação de prejuízos fiscais anteriores com lucro real nos meses subsequentes. Portanto, não houve recolhimento de tributo (IRPJ e CSSL) nos meses de fevereiro a outubro de 1994, porque simplesmente não havia o que ser recolhido, mas, este fato não tem o condão de transmudar a regra de decadência do IRPJ/CSSL e lançamentos reflexos da regra estatuída no parágrafo 4 0 do artigo 150 do Código Tributário Nacional para o artigo 173, inciso I, do mesmo Código, como pretende a autoridade singular. O referido parágrafo 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional ao fixar o prazo de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador para que a Fazenda Pública se pronuncie no lançamento por homologação, findo o qual está definitivamente extinto o crédito tributário, ressalva deste prazo, tão somente as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso presente. Fl. 903DF CARF MF 16 Aliás, este é o entendimento deste Colendo 1° Conselho de Contribuintes, expresso nos seguintes acórdãos: 1084.211197 — DO 31107197, 4.139 e 4.291197 — DO 03/09/97 e 4.092197 — DO 14110197, 1084.052197 DO 01112197, 1084.974 e 5.093198 DO 15/06/98 e 1083697196 e 3.972197 — DO 27105197, senão vejamos pela transcrição deste último: (...) De sorte, SENHORES CONSELHEIROS, que o lançamento tributário efetuado em 29 de novembro de 1999 não pode alcançar os fatos geradores ocorridos de fevereiro a outubro de 1994, eis que apurados e determinados pelo contribuinte com bases mensais com observância da legislação de regência, estão sujeitos ao lançamento por homologação e foram alcançados pela decadência qüinqüenal prevista no artigo 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional, a contar da ocorrência do fato gerador de cada um dos meses do ano • calendário de 1994. Via de consequência, é indubitável a imprescindível idade de acolhimento pelos Exmos. da preliminar de decadência do direito da Fazenda Pública Federal constituir lançamento em relação aos fato geradores de fevereiro até outubro de 1994. Noutro giro, o Voto Vencedor, exposto no Acórdão n° 10320.868, do extinto Conselho de Contribuintes abordou todos os aspectos de mérito pleiteados pelo Recorrente, negandolhes provimento com hialina razão (efl. 460 à 463): O recurso voluntário apresentado traz à baila a questão preliminar da decadência dos lançamentos por homologação, uma vez que o auto de infração foi cientificado em 2911111999, o que, aplicada a regra do § 4° do artigo 150 do CTN, impediria o fisco de constituir os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos antes de 29/11/1994. Assim, pretende, a suplicante, que seja declarado nulo o lançamento no que diz respeito aos meses de fevereiro a outubro de 1994, por terem sido atingidos pelo instituto. O art. 149 do CTN preceitua que o lançamento será efetuado e revisto de ofício: (...) Várias são as interpretações do artigo, extremamente controvertido. Tenho claro, contudo, que a homologação se dá sobre a "antecipação do pagamento", pois é esta a atividade que é dada a conhecer ao sujeito ativo e, do contrário — na ausência do pagamento —, não se haveria que falar nem sequer em lançamento. Portanto, ausente esta atividade, necessária à espécie, nada há a homologar, afastando a incidência do § 4° do artigo 150 para prevalecer o prazo descrito no artigo 173, inciso I, do CTN, qual seja, o de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 904DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 897 17 Desta forma, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, no caso, somente se extinguiria em 1 0 de janeiro de 2000. Tendo sido efetivado em 29 de novembro de 1999, deve ser considerado legítimo. MÉRITO Insurgese a recorrente contra a glosa de despesas por falta de comprovação, alegando que todas são pertinentes, usuais e normais às atividades da empresa; seus valores são irrelevantes ante a movimentação financeira contabilizada; e, que os documentos são hábeis e idôneos à comprovação das despesas operacionais da sociedade. Nestes autos não se discute a dedutibilidade, tampouco os valores das despesas, mas a comprovação dos lançamentos contábeis efetuados por meio de documentos hábeis e idôneo. O vocábulo "hábil" tem o sentido de "meio legal, amparado pelo direito, para que se intente qualquer coisa" e a palavra "idôneo", o de qualificar "o que é suficiente, eficiente, próprio, ... É tudo o que possui qualidade ou está em condições de atender o objetivo colimado no tocante à responsabilidade, à credibilidade, à solvabilidade" (Vocabulário Jurídico, De Plácido e Silva, 12a Edição, Forense, pg. 371 e 403, respectivamente). Sem embargo, a comprovação deve ser feita com a primeira via de nota fiscal de compra e venda ou de prestação de serviços, devidamente preenchida, o que, definitiva não ocorreu. Mantémse o lançamento neste tópico. Também é objeto deste recurso a glosa de despesas indevidas com correção monetária, pois, segundo a autuada, ao recalcular a correção monetária a autoridade fiscal encontrou diferenças favoráveis e desfavoráveis à recorrente, considerando no lançamento, entretanto, somente as segundas. A peça exordial tributou as diferenças apuradas nos meses de janeiro, fevereiro, maio e agosto de 1994, fls. 313/314, e na planilha de fls. 405/407 da decisão de primeira instância constam somente valores cancelados nos meses de maio e agosto. À primeira vista denota equivoco, mas uma verificação nos demonstrativos de cálculo, fls. 295/301, nos leva a concluir pelo acerto do apresentado, levando em conta que houve compensação de 100% do valor tributável encontrado com prejuízos fiscais da empresa de períodos anteriores, no que toca aos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro. O crédito tributário relativo à fevereiro —constante da planilha, fl. 405 – diz respeito, exclusivamente, à omissão de receitas tributada na forma estabelecida pela Lei n° 8.541, de 1992. Fl. 905DF CARF MF 18 Assim é que o pleito aqui apresentado já foi satisfeito na decisão monocrática, não havendo o pressuposto da sucumbência ou mesmo objeto a recorrer. Quanto ao pedido de reconhecimento de reserva oculta, não assiste razão à contribuinte. Verificase nos autos, fls. 282/290, que a fiscalização refez o cálculo de correção monetária com base na UFIR, encontrando, em alguns meses, um excedente de despesas contabilizado pela autuada — que foram glosadas — e, noutros, uma despesa de correção monetária a menor. Operada a compensação entre os saldos favoráveis e desfavoráveis —item anterior — não há que se falar em reserva oculta, salvo se a empresa a demonstrasse, fruto de alguma incorreção nos cálculos apresentados, o que não ocorreu. Notese que, na matéria em lide, o recálculo da correção monetária enfrentou tanto o ativo quanto o patrimônio líquido e a reserva oculta emerge, via de regra, da tributação da correção monetária do ativo não reconhecida na contabilidade do sujeito passivo que, nos lançamentos realizados a mesmo título em períodos posteriores, não é integrada ao patrimônio líquido, desconsiderandose, deste modo, o saldo devedor que geraria a partir do segundo período objeto da tributação. Não tendo sido este o caso e sem a demonstração e prova por parte da empresa, que limitase a requerer o pretenso direito de forma genérica, nada há que ser corrigido no auto de infração. Finalmente, a base de cálculo do IRRF é descrita no art. 44 da Lei n° 8.541, de 1992, não havendo previsão para a exclusão dos valores das exações relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pelo que deve ser mantida como se encontra originalmente. Deste modo, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ultrapassada a preliminar de decadência (a qual já foi devidamente julgada pela CSRF, restando afastada), notase que o caso sob exame possui quatro vertentes: a) a contrariedade do Contribuinte à glosa de despesas indevidas; b) a respectiva correção monetária; c) o reconhecimento de reservas ocultas; e d) o lançamento reflexo de IRRF sobre lucros. Insta pontuar que todos esses aspectos foram devidamente rechaçados no Acórdão de piso, segundo se extrai da leitura supra. a. Glosa de despesas indevidas Conforme bem ressaltado alhures, a dedutibilidade das despesas não é objeto de análise recursal. Nem mesmo o quantum referente àquelas. O Recorrente busca contrapor as conclusões da Autoridade a quo nos seguintes termos (efl. 432): Fl. 906DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 898 19 Com efeito, todo o documentário glosado, apesar de conter segundas ou terceiras vias (somente quatro notas fiscais) e as demais notas fiscais (quarenta e seis) não conterem a discriminação do destinatário, são pertinentes, usuais e normais às atividades da recorrente. Tais lapsos documentais são meramente formais, decorrentes de falhas funcionais de integrantes da pessoa jurídica, mas o que sobreleva ressaltar é a pertinência das despesas efetivamente ocorridas, bem como os encargos suportados pela autuada. Assim, isto não pode ser base para a imposição tributária, porque injusta sobre todos os aspectos. Enfim, toda a documentação da recorrente, nada tem a ver com recibos avulsos, talões de máquinas registradoras e meros lançamentos desacompanhados de documentação probante como afirma a autoridade monocrática. A única ressalva é um recibo de Tabelionato, que por sua natureza não expede nota fiscal, mas sim recibo de despesas. Ou seja, o cerne da objeção é essencialmente material (probatório). Contudo, em que pese o elaborado teor defensivo, não restou comprovada qualquer mácula ao lançamento contábil. Ao contrapôlo, deve a parte dissidente apontar sua incorreção com efetivos elementos fáticos, o que não foi feito no caso em tela, pois recibos e talões avulsos não dispõem de força probante suficiente a afastar a autuação. Portanto, para que se alcance o pretendido êxito, o pleito deveria ter se lastreado em patente documentação (organizada e categoricamente reunida) apta a sustentar pontualmente o que foi argumentado. Portanto, não merece ser acolhida a irresignação, mantendose o lançamento preconizado. b. Da correção monetária Outro aspecto abordado na peça recursal cinge à suposta despesa indevida de correção monetária, leiase (efls. 434) A decisão monocrática, por sua vez, às fls. 404, diz "assistir razão em parte à interessada, pois os saldos devedores de correção monetária calculados a menor em alguns meses superam os calculados a maior nos demais meses, e assim ocorre a postergação do imposto apurado dos meses de janeiro, fevereiro, maio, agosto e outubro de 1994, com os apurados nos demais meses do anocalendário, devendo essa exigência ser excluída da tributação". Na prática, porém, segundo o arrazoado acima da autoridade monocrática e o Demonstrativo do Crédito Mantido (fls. 4051406) da mesma autoridade, verificase que foram excluídos da tributação como despesa indevida de correção monetária, os valores de CR$ 241.175,25 em 31/05/94 e R$ 162,86 em 31108194, os quais referemse a excesso de correção monetária devedora de balanço, no confronto entre o apurado pelo Fisco e o contribuinte (fls.288/290). Fl. 907DF CARF MF 20 Todavia, o pleito da recorrente não foi atendido, qual seja, que as diferenças apontadas no quadro supra transcrito, resultantes de uma apuração a menor efetuada pelo contribuinte e o aquele demonstrado pelo Fisco continua tributado, não tendo sido levado em conta com as demais rubricas apuradas no Auto de Infração. Assim, o lançamento fiscal é injusto e parcial ao Fisco, na medida em que refazendo os cálculos de correção monetária de balanço (CMB), somente considera no lançamento os excessos devedores da CMB, desprezando seus próprios apontamentos quando os valores determinados no confronto (Fisco X Contribuinte) eram favoráveis ao reclamante. Noutro giro, o Acórdão n° 10320.868 analisou com precisão o referido tema. Por concordar integralmente com seu teor, peço vênia para, com base no § 1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF, extrair trechos daquela decisão onde estão consignados os fundamentos para indeferimento do pleito do Recorrente e adotá los, desde logo, como complemento das razões de decidir: Também é objeto deste recurso a glosa de despesas indevidas com correção monetária, pois, segundo a autuada, ao recalcular a correção monetária a autoridade fiscal encontrou diferenças favoráveis e desfavoráveis à recorrente, considerando no lançamento, entretanto, somente as segundas. A peça exordial tributou as diferenças apuradas nos meses de janeiro, fevereiro, maio e agosto de 1994, fls. 313/314, e na planilha de fls. 405/407 da decisão de primeira instância constam somente valores cancelados nos meses de maio e agosto. À primeira vista denota equivoco, mas uma verificação nos demonstrativos de cálculo, fls. 295/301, nos leva a concluir pelo acerto do apresentado, levando em conta que houve compensação de 100% do valor tributável encontrado com prejuízos fiscais da empresa de períodos anteriores, no que toca aos fatos geradores ocorridos em janeiro e fevereiro. O crédito tributário relativo à fevereiro —constante da planilha, fl. 405 – diz respeito, exclusivamente, à omissão de receitas tributada na forma estabelecida pela Lei n° 8.541, de 1992. Assim é que o pleito aqui apresentado já foi satisfeito na decisão monocrática, não havendo o pressuposto da sucumbência ou mesmo objeto a recorrer. c. Do reconhecimento de reservas ocultas No que concerne ao reconhecimento de reservas ocultas, o Recorrente sustenta que (efl. 435): No nosso entender, o Fisco em seu mister deve proceder à cobrança dos valores devidos, mas deve também, assegurar ao contribuinte aquilo que é de seu direito, no caso em tela, a recomposição da correção monetária de balanço sobre os valores tributados em um mês (líquido dos tributos e Fl. 908DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 899 21 contribuições incidentes), cujos efeitos refletirseão no mês seguinte, sendo conhecido tal procedimento como reserva oculta de correção monetária de balanço. No lançamento, a tributação envolveu desde os meses de fevereiro a dezembro de 1994 e deveria ser recomposta nestes termos, a partir de março de 1994 e assim sucessivamente. O arrazoado da autoridade monocrática de que o Fisco não está obrigado à recomposição do patrimônio líquido, etc, é no mínimo, desrespeitoso ao contribuinte, ao desconhecer dos seus direitos. Num Estado Democrático, ao sujeito ativo são asseguradas as prerrogativas legais, mas isso não pode significar o desconhecimento dos direitos daqueles que têm o dever legal de pagar o tributo. Para que exista uma relação sólida e íntegra entre o Fisco e o contribuinte, esta deve se pautar por uma via de mão dupla, onde ambas as partes tem direitos e obrigações. Assim, pode e deve o Fisco proceder no seu ofício durante os lançamentos tributários, inclusive quanto a este pleito da recorrente, qual seja, a recomposição da correção monetária de balanço advinda da reserva oculta de balanço de rubricas tributadas no mês e que se refletirão no mês seguinte., Pela correta fundamentação, este é o entendimento deste Conselho, refletido no seguinte acórdão: (...) O pleito em questão deve alcançar, inclusive, a tributação imposta sobre a rubrica de omissão de receita por saldo credor de caixa, que lançado sob o pálio da Lei n° 8.541/92, artigo 43, parágrafo 2°, entendia que "o valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo." Apesar da discordância da autoridade monocrática de que conforme o artigo 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, sendo que a retroatividade da lei nova mais benigna, prevista no artigo 106, II, "C', do Código Tributário Nacional atinge apenas as penalidades. Tal dispositivo é de caráter altamente ilegal (artigo 43, parágrafo 2° da Lei n° 8.541/92) , quanto mais que a contabilidade do contribuinte está em condições de demonstrar o lucro real inclusive pelas adições tributárias imputadas pelo Fisco. Tanto é verdade, que o dispositivo em tela foi revogado pelos artigos 24 e 36 da Lei n° 9.249195, sendo que o artigo 24 manda lançar a omissão de receita de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período Fl. 909DF CARF MF 22 base da omissão e, no nosso entender a retroatividade benigna deve ser aplicada ao caso, porque o artigo 144, parágrafo 1° do Código Tributário Nacional assim prescreve, e por tratarse de nova forma de apuração de imposto, in verbis: (...) Assim, requerse que ao lançamento tributário sejam considerados os reflexos das parcelas tributadas num mês, líquidas dos tributos sobre elas incidentes, resultando patrimônio líquido, de sorte que sobre este seja calculado a correção monetária de balanço devedora, a fim de amortizar a tributação imposta no mês subsequente e assim sucessivamente, de março a dezembro de 1994. Outrossim, o Acórdão n° 10320.868 cuidou de rebater com precisão o aludido tema, pelo que sigo tal vertente em totalidade: Quanto ao pedido de reconhecimento de reserva oculta, não assiste razão à contribuinte. Verificase nos autos, fls. 282/290, que a fiscalização refez o cálculo de correção monetária com base na UFIR, encontrando, em alguns meses, um excedente de despesas contabilizado pela autuada — que foram glosadas — e, noutros, uma despesa de correção monetária a menor. Operada a compensação entre os saldos favoráveis e desfavoráveis —item anterior — não há que se falar em reserva oculta, salvo se a empresa a demonstrasse, fruto de alguma incorreção nos cálculos apresentados, o que não ocorreu. Notese que, na matéria em lide, o recálculo da correção monetária enfrentou tanto o ativo quanto o patrimônio líquido e a reserva oculta emerge, via de regra, da tributação da correção monetária do ativo não reconhecida na contabilidade do sujeito passivo que, nos lançamentos realizados a mesmo título em períodos posteriores, não é integrada ao patrimônio líquido, desconsiderandose, deste modo, o saldo devedor que geraria a partir do segundo período objeto da tributação. Não tendo sido este o caso e sem a demonstração e prova por parte da empresa, que limitase a requerer o pretenso direito de forma genérica, nada há que ser corrigido no auto de infração. Aliás, o posicionamento firmado desde a decisão monocrática da DRJ n° 96/2001 já era consentânea com o presente caso (efl. 418), o qual reforça a ausência de lastro probatório produzido pelo Contribuinte a seu favor: Quanto à "Reserva Oculta", cumpre esclarecer que o fisco não está obrigado à recomposição do patrimônio líquido para considerar os efeitos da correção monetária em períodos seguintes, os ajustes contábeis, eventualmente cabíveis, em razão das irregularidades levantadas, são de responsabilidade exclusiva do contribuinte, não cabendo ao fisco estenderse para valores outros não alcançados pela ação fiscal, sendo inadmissível a utilização de correção monetária, num período Fl. 910DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 900 23 posterior, dos pretendidos acréscimos ao patrimônio líquido, para compensar, retroativamente, a matéria tributável apurada em período anterior. De arremate, a suposta ilegalidade, como se sabe, não pode ser objeto de apreciação desde Conselho Recursal, tendo em vista a vedação de pronunciamento sobre a constitucionalidade (ainda que reflexa) de dispositivos legais, conforme disposto na Súmula CARF n° 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". d. Do lançamento reflexo de IRRF sobre lucros distribuídos Ademais, o Contribuinte finaliza seu teor recursal com pedido alusivo ao lançamento reflexo de IRRF sobre os lucros considerados automaticamente distribuídos (efls. 438 e 439): A imposição do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Lucros Considerados Automaticamente Distribuídos prevista na Lei no 8.541/92, afigurase como altamente danosa ao contribuinte, eis que a própria legislação tributária federal reconheceu a improcedência da tributação e a revogou com a edição da Lei na 9.249/95, em seus artigos 10, 24 e 36. De sorte que a apuração de eventuais omissões de receita ou redução do lucro líquido não mais sofre tributação como lucro automaticamente distribuído, sendo que a manutenção da atual exigência, representará um ônus indevido e injusto ante uma nova legislação tributária, que despreza tal tributo. É de se entender que a dinâmica da legislação tributária é no sentido de amoldarse às novas exigências sociais, acomodando situações do Erário Público e dos contribuintes, de modo a evitarse aos segundos ônus indevidos e propiciar ao primeiro o suprimento de necessidades de recursos. Portanto, nada impede que se reconheça a retroatividade benigna prevista pelo parágrafo 1° do artigo 144 do Código Tributário Nacional, por se tratar de nova forma de APURAÇÃO DO IMPOSTO, como a própria autoridade monocrática entendeu no 5° parágrafo, às fls. 405 do seu arrazoado, a fim de excluir do lançamento todo o crédito tributário oriundo do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Lucros Considerados Automaticamente Distribuídos pela Pessoa Jurídica, como maneira de evitar ônus indevidos à recorrente e também por ser medida de justiça fiscal. Se, eventualmente, não for este o entendimento deste Egrégio Conselho, o que requer a recorrente é que da base de cálculo do lucro considerado automaticamente distribuído sejam excluídas as parcelas dos tributos e contribuições do IRPJ, CSSL, PIS e COFINS. Fl. 911DF CARF MF 24 Este pleito é baseado no artigo 24, parágrafo 2° da Lei no 9.249/95 e cujas parcelas o próprio Fisco está a exigir no auto de infração. Contudo, não assiste razão ao Recorrente. Isso porque o Direito Tributário faz valer a máxime do tempus regit actum, devendo o fato gerador obedecer à regra matriz de incidência tributária contemporânea à sua formação. Esta também foi a compreensão formulada no voto vencedor do Acórdão de piso, o qual manteve a aplicação da legislação correta (efl. 463): Finalmente, a base de cálculo do IRRF é descrita no art. 44 da Lei n° 8.541, de 1992, não havendo previsão para a exclusão dos valores das exações relativas ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pelo que deve ser mantida como se encontra Ia originalmente. Por fim, vale rememorar que a retroatividade da lei mais benéfica (art. 106 do CTN) aplicase apenas às penalidades, e não à forma de apuração dos tributos. E, nesse aspecto, a decisão monocrática 096/2001 também foi acertada em seu conteúdo (efl. 419) O lançamento de IRRF é decorrente da mesma matéria apurada em relação ao IRPJ omissão de receita por saldo credor de caixa e custos e despesas não comprovados. A impugnante alega estar o auto de infração fundamentado em legislação que, quando da sua lavratura, em 01/10/1998, já estava revogada, o que em nada lhe beneficia. É que, conforme disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Assim, e tendo em vista tratarse dos períodos de apuração no anocalendário de 1994, agiu com acerto a fiscalização ao formalizar a exigência com base no art. 44 da Lei n° 8,541/1992, tendo em vista ter tal artigo vigido até 31/12/1995, revogado que foi pelo art. 36,. IV, da Lei n° 9.249/1995, com efeitos a partir de 01/01/1996. Vale reprisar o que já foi dito em relação ao IRPJ, de que a retroatividade da lei nova mais benigna, prevista no art, 106, II, "c", do CTN atinge apenas as penalidades, o que não é o caso, por se tratar de forma de apuração do imposto, ou seja, do IRRF devido em face da presunção legal absoluta da automática transferência aos sócios dos recursos representados pela omissão de receitas e pela diferença verificada na determinação do resultado da pessoa jurídica por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido. Dessa forma, e tendo em vista ter sido a matéria tributável parcialmente confirmada, em relação ao lançamento de IRPJ, principal, é de se manter o lançamento de IRRF, decorrente, ante a íntima relação de causa e efeito, prosseguindose na exigência correspondente. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 10940.001810/9949 Acórdão n.º 1002000.493 S1C0T2 Fl. 901 25 Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 913DF CARF MF
score : 1.0
