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Numero do processo: 13804.004033/99-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade.
PREJUDICIAIS AFASTADAS. ANÁLISE DE MÉRITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
Afastadas as prejudiciais à análise de mérito suscitadas pelo julgador a quo e aceita excepcionalmente a alteração da causa de pedir do pleito de compensação, determina-se à autoridade administrativa que analise o mérito do direito creditório alegado.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-004.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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AGRO MERCANTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998 DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade. PREJUDICIAIS AFASTADAS. ANÁLISE DE MÉRITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Afastadas as prejudiciais à análise de mérito suscitadas pelo julgador a quo e aceita excepcionalmente a alteração da causa de pedir do pleito de compensação, determinase à autoridade administrativa que analise o mérito do direito creditório alegado. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 40 33 /9 9- 83 Fl. 1727DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo (SP), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não homologando os encontros de contas assinalados nas declarações de compensação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1996, 1997, 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO CIENTIFICADA AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Decidido o pleito em declaração de compensação e disto dado ciência ao Contribuinte, não se admite aproveitar daquele processado para, por via de nova declaração de compensação e de modo indireto, lá pleitear alteração/retificação de aspecto que seja. D’outra ainda, visto tal segundo pleito autonomamente, contra este continuam a correr os prazos preclusivos do direito (na espécie, o prazo decadencial como previsto nos arts. 165 e 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, c/c art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005), de ordem que não aproveita ao Contribuinte na segunda oportunidade, repitase a situação que lhe ficou assegurada contra o transcurso do prazo decadencial, isso quando do processado compensatório original. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Originalmente versavam os autos sobre pedidos de restituições do IR sobre receitas financeiras retido no anocalendário de 1998, bem como de compensações desses valores com outros débitos. Os pleitos da contribuinte foram indeferidos mediante o Despacho Decisório das efls. 382/384, vez que os valores eventualmente devidos mensalmente por estimativa não foram corroborados por documentação fiscal comprobatória, não restando confirmado se o IR retido na Fonte seria efetivamente superior ao IR devido. No entanto, tal Despacho decisório foi declarado nulo pelo ACÓRDÃO DRJ/SPOI N° 5.853, de 09 de setembro de 2004. Posteriormente foi proferido novo Despacho Decisório (efls. 679/682) com o deferimento parcial do pedido de restituição e homologação das compensações até o limite do valor do direito creditório reconhecido, do qual a contribuinte foi cientificada em 02/02/2005. Posteriormente, a autoridade administrativa intimou a contribuinte a quitar os débitos em cobrança final no processo 13807.010353/200254, no prazo de 15 (quinze) dias, findo o qual, caso não houvesse manifestação, o crédito apurado seria utilizado para compensação de ofício com os débitos em aberto, conforme dispunha a IN SRF nº 460/04, sem prejuízo da continuidade da cobrança de eventual saldo devedor a ser quitado. A contribuinte foi cientificada dessa intimação em 18/01/2006 e declarou a aquiescência com o procedimento de compensação de ofício (efl. 721). Na sequência, a DRF efetuou o despacho de arquivamento do processo. Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Acórdão n.º 3402004.975 S3C4T2 Fl. 1.728 3 Ocorre que, a partir de 09/12/2005, a contribuinte transmitiu várias declarações de compensação, nas quais alega direito creditório decorrente dos presentes autos, razão pela qual foi proferido outro Despacho Decisório (efls. 986/990), nos seguintes termos: (...) 3. Em novo Despacho Decisório às fls. 630 a 633, foi reconhecido direito creditório acumulado de 1993 a 1998. Esse crédito foi empregado na compensação de diversos débitos conforme informação do Sincor/Profisc (extrato às fls. 667 a 670). Entretanto, como foi constatada a existência de outros débitos da interessada, esta foi intimada a se manifestar quanto ao emprego de saldo existente para a liquidação destes débitos (fls. 672). 4. Desta forma, o saldo remanescente foi empregado nos débitos ainda em aberto ligados ao processo n° 13807.010.353/200254, com a aquiescência do contribuinte em 18/01/2006 (fls. 672), fato que exauriu todo crédito reconhecido, conforme se verifica em pesquisas no sistema Sief às fls. 662 a 685, cujos extratos registram a inexistência de qualquer crédito que possa ser empregado em compensações. Desta forma, constatase que todo crédito possível apurado neste processo já foi exaurido em compensações, por conseguinte, proponho que NÃO SEJAM HOMOLOGADAS as compensações informadas nos Per/Dcomps de números: (...) A partir da ciência deste despacho fica o contribuinte intimado a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, o pagamento dos débitos indevidamente compensados, facultada a apresentação de Manifestação de Inconformidade no prazo referido. Caso não haja pagamento nem apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo acima, os débitos serão encaminhados à PFN, para inscrição em Divida Ativa da União, conforme artigo 17 da Lei n° 10.833/03. (...) A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em face deste último Despacho Decisório, alegando, em síntese: Deveria ser reconsiderada a extinção por compensação de débitos de sua responsabilidade e pertinentes à Contribuição ao PIS e à Cofins, para os períodos de apuração compreendidos entre e inclusive 11/2000 a 08/2001, tendo em vista que, no cálculo dos referidos débitos, fizera incluir em suas bases de cálculo “receitas financeiras e variações ativas”, as quais não se compreenderiam no conceito de receita bruta e/ou faturamento, conforme veio de firmar o Supremo Tribunal Federal quando decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Com isso, no momento em que se implementam as compensações pleiteadas, haveria um equívoco: terseia gasto mais crédito da contribuinte – do que o necessário, certo que os débitos de Contribuição ao PIS e de Cofins, excluído o efeito do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, não se apresentariam na monta que originalmente indicados nos pedidos de compensação. Fl. 1729DF CARF MF 4 Assim, a partir de 09/12/2005, sabendo que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3° da Lei n° 9.718/98 para determinar que a base de cálculo do PIS e da COFINS não incidiria sobre as receitas financeiras e variações monetárias ativas, a contribuinte transmitiu declarações de compensação baseados nos valores recolhidos a maior de PIS e COFINS referentes aos períodos de dezembro de 2005, março de 2006, abril a setembro, novembro e dezembro de 2009 e fevereiro e março de 2010, para serem compensados com débitos de sua titularidade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, sob os seguinte fundamentos: O fundamento de direito colacionado pelo Contribuinte é procedente: não tem espaço no ordenamento jurídico brasileiro o que disposto no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, mas desde que ainda não consolidada a situação decorrente de sua aplicação, isso em função das formas preclusivas do Direito. Decidido o pleito compensatório e disto cientificado o Contribuinte, sobre ele não cabe mais tencionar qualquer retificação, ainda que pela via indireta, como ora se intenta. De novo: as declarações de compensação transmitidas (via programa PER/DCOMP) em 09/12/2005, 10/03/2006, 20/04/2009, 20/05/2009, 26/05/2009, 29/05/2009, 15/06/2009 e 30/06/2009 (como listadas à fl. 984; referidas pelo despacho recorrido de fls. 986/990; mencionadas pelo Contribuinte às fls. 1024/1025), tencionam, indiretamente, modificar o que já analisado, decidido e cientificado, em 02/02/2005, ao Contribuinte em pregresso pleito compensatório (aquele de fls. 111, 132/134, 136, 142/143 e 158/159, formalizado em 13/03/2001, 10/08/2001 e 25/09/2001). Além disso, não é possível pleitear, a partir de 09/12/2005 (datas das transmissões das últimas PER/DCOMP's), ainda que indiretamente e em autos distintos daqueles em que processado o primeiro pleito compensatório, qualquer alteração/retificação sobre este, isso porque já transcorrido o prazo decadencial, tomado por referência os anos de formação do alegado direito creditório, isto é, anoscalendário de 1996 a 1998. Mais que ultrapassado o prazo dos arts. 165 e 168 do CTN, c/c art. 3º da LC nº 118, de 2005, considerados, numa ponta, os anoscalendário de 1996/1998 e, n’outra extremidade, a data em que formalizada a primeira das declarações de compensação como listadas à fl. 984, referidas pelo despacho recorrido de fls. 986/990, mencionadas pelo Contribuinte às fls. 1024/1025, isto é, 09/12/2005. E, observese ainda mais, que na presente vertente a decadência é ocorrente mesmo considerado o julgado que ganha corpo (ainda não há trânsito em julgado) nos autos do RE sob nº 566.621, no âmbito do qual o STF reconheceu a repercussão geral da matéria ali tratada. Até então vem de se decidir pela inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118, de 2005, mas considerandose válida a fixação do termo a quo como previsto pelo seu art. 3º às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 28/05/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/06/2012, aduzindo, em síntese, que: Os débitos de PIS e COFINS foram declarados nas DCTF's referentes ao 4° trimestres de 2000 e ao 1º , 2° e 3° trimestres de 2001 (de 11/2000 a 08/2001). Ocorre que, após a extinção desses débitos pela compensação, a recorrente notou que esses tributos foram recolhidos a maior, uma vez que a base de cálculo de referidas exações incluiu as receitas financeiras e variações ativas. Ou seja, da compensação homologada em 02/02/2005 originouse um pagamento indevido, nascendo a pretensão de compensação ou restituição desse valor pago a maior, nos termos do artigo 168, I do Código Tributário Nacional. Os pedidos de compensação não se tratam de uma retificação/alteração do pedido de compensação homologado em 02/02/2005. Tais pleitos, apresentados a partir de 09/12/2005, são novos pedidos de compensação que têm por base o pagamento a maior de PIS e de COFINS extintos pelas compensações homologadas referentes aos períodos de 11/2000 a 08/2001. Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Acórdão n.º 3402004.975 S3C4T2 Fl. 1.729 5 Em 02/02/2005 houve a extinção do crédito tributário de COFINS e PIS relativo ao período de 11/2000 a 08/2001, por meio de compensação. Portanto, essa a data inicial da contagem do prazo decadencial, pois nesse momento caracterizouse o "pagamento a maior" das contribuições mencionadas (por meio de compensação), uma vez que na base de cálculo delas incluiuse as receitas financeiras e as variações monetárias ativas, nos termos do § 1°, do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, declarado inconstitucional pelo C. Supremo Tribunal Federal. Conforme se verifica do artigo 168 do Código Tributário Nacional, o prazo para requerer a restituição/compensação de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário. Desse modo, como a data da extinção do crédito tributário foi em 02/02/2005, data correspondente a homologação das compensações realizadas, essa é a data para inicio da contagem do prazo decadencial. Em sendo assim, como as per/dcomp foram entregues em 09/12/2005, 10/03/2006, 20/04/2009, 26/05/2009, 29/05/2009, 15/06/2009 e 30/06/2009, não se operou a decadência suscitada pelo v. acórdão recorrido. A Lei n ° 9.718/98 ampliou a base de cálculo das contribuições PIS e da COFINS, distanciandose do conceito de "faturamento" invocado no texto constitucional, violando o art. 195, em sua redação original, bem como o art. 239, ambos da Constituição de 1988. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a questão, nos autos dos recursos extraordinários nºs 346.0846, 358.273, 357.950 e 390.8405, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, por entender que o conceito de faturamento está limitado a receita obtida com a venda de mercadorias e serviços, não se enquadrando, portanto, na definição de receita bruta. Demonstrada a obrigatoriedade de reconhecimento pela Administração da inaplicabilidade do art. 3°, §1° da Lei n° 9.718/98, deve, pois, ser aplicada a regra da prescrição quinquenal do Código Tributário Nacional. Equivocase o julgador a quo, entendendo que a compensação estaria relacionada ao pedido inicial do processo, que se refere à utilização de saldo negativo de IRPJ. Na verdade, o direito creditório utilizado nessa fase processual nasce de outra relação jurídica, qual seja: após o pagamento do PIS e da COFINS com o saldo negativo, um novo recolhimento a maior surge, pois na base de cálculo dessas contribuições está inserida a receita financeira da sociedade. Nas planilhas acostadas é possível verificar o recolhimento a maior do PIS e da COFINS, uma vez que foram incluídas na base de cálculo dos referidos tributos as receitas financeiras, as variações monetárias ativas e outras receitas operacionais. Em sendo assim, esse é o direito creditório que está sendo pleiteado no presente processo, cuja origem se deu em 02.02.2005, pois essa a data da extinção do crédito tributário e do recolhimento a maior. Mediante a Resolução nº 1802000.503, a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, de 6 de maio de 2014, apresentou suas considerações em relação ao pleito de compensação e declinou da competência em favor desta 3ª Seção, vez que a matéria em análise diz respeito a crédito de Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O processo foi sorteado e distribuído a esta Relatora em 26/01/2017. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Fl. 1731DF CARF MF 6 Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. A presente lide trata tão somente das declarações de compensação apresentadas pela contribuinte a partir de 09/12/2005, tendo em vista que os pedidos de restituição/compensação, apresentados no início do processo, dos créditos relativos a IRPJ com outros débitos, já foram definitivamente resolvidos no âmbito administrativo. Como se observa nas declarações de compensação apresentadas a partir 09/12/2005, vide exemplo abaixo, elas tiveram como fundamento pretenso crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior informado no processo administrativo nº 13804.004033/99 83, ora sob análise: Dessa forma, andou bem a autoridade administrativa quando decidiu por não homologar estas últimas declarações de compensação tendo em vista a ausência de saldo de créditos no presente processo em favor da contribuinte, eis que esse havia se exaurido com a homologação das primeiras compensações declaradas pela contribuinte e com a compensação de ofício com débitos do processo nº 13807.010353/200254 com concordância expressa da contribuinte (efl. 721). Na manifestação de inconformidade veio a contribuinte informar que, na verdade, o crédito informado nestas últimas PER/DCOMP's seria a título de PIS e Cofins incidente sobre as receitas financeiras e variações monetárias ativas nos períodos de 12/2005 a 03/2010, em face da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, sendo que tais valores, declarados nas DCTF's referentes ao 4º trimestre de 2000 e ao 1º, 2° e 3° trimestres de 2001, constaram como débitos nas primeiras declarações de compensação do presente processo, tendo sido extintos pela homologação das primeiras compensações em 02/02/2005, originandose, assim, a pretensão da contribuinte de compensação ou restituição desse valor pago a maior com base no art. 168, I do Código Tributário Nacional. A questão da impossibilidade de inovação do pedido original de reconhecimento de direito creditório já foi tratada por esta Relatora no Acórdão nº 3402 004.3131, de 25 de julho de 2017, na esteira dos entendimentos constantes nos Acórdãos nºs 3201001.794 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária e 1803000.676 – 3ª Turma Especial. 1 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004, 2005 COMPENSAÇÃO. PEDIDO ORIGINAL. MODIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1732DF CARF MF Processo nº 13804.004033/9983 Acórdão n.º 3402004.975 S3C4T2 Fl. 1.730 7 Na situação sob análise, embora os esclarecimentos apresentados na manifestação de inconformidade acabem acarretando a alteração da causa de pedir da restituição/compensação solicitada a partir de 09/12/2005, entendo que a questão merece ser relevada considerandose que o PER/DCOMP é um formulário eletrônico cujo pedido de restituição/compensação se efetua com o preenchimento de campos específicos e determinados, sendo de difícil enquadramento a peculiar causa de pedir da recorrente, relativa a "pagamento a maior" em face de declaração de inconstitucionalidade do dispositivo de lei que fundamentava a exigência do débito, que foi extinto pela compensação (art. 156, II do CTN). Quanto à questão da supressão de instância, ela pode ser superada com a autorização para correção da causa de pedir na forma apontada pela então manifestante, sem a análise da certeza e liquidez do crédito neste momento processual, o que ficaria a cargo da autoridade administrativa. Ademais, a questão da alteração da causa de pedir nas declarações de compensação transmitidas a partir de 09/12/2005 não foi suscitada pelo julgador a quo, que deixou de analisar o mérito do pedido sob os fundamentos da decadência e da impossibilidade de retificação, pela via indireta, das primeiras compensações. Não se trata de retificação pela via indireta das primeiras compensações, como afirmado na decisão recorrida, mas de pedido de restituição/compensação relativo a "pagamento" a maior do que o devido com fundamento em declaração de inconstitucionalidade de dispositivo de lei. No que concerne à decadência, decidiu recentemente este Colegiado, sob o voto condutor da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, no Acórdão nº 3402004.908– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 1º de fevereiro de 2018, que: "O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução do Senado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento". Portanto, assiste razão à recorrente quanto a não incidência da decadência nas declarações de compensação apresentadas a partir de 09/12/2005, eis que somente em 02/02/2005 foi efetuada a ciência do despacho decisório que homologou as primeiras compensações que teriam gerado o alegado "pagamento a maior" do que o devido. Dessa forma, entendo que não prosperam as prejudiciais à análise de mérito suscitadas pelo julgador de primeira instância. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar à Unidade de Origem que, considerando o detalhamento, na Além da vedação, disposta na legislação tributária, de retificação da declaração de compensação após o despacho decisório, não se poderia admitir, por meio do recurso voluntário, a alteração do pedido original ou da sua causa de pedir, por questões relativas à própria delimitação da lide com o pedido, do devido processo legal e da segurança jurídica, mormente quando a modificação pleiteada pela recorrente está desacompanhada da documentação que lhe sustentaria. Recurso Voluntário Negado Fl. 1733DF CARF MF 8 manifestação de inconformidade, da causa de pedir das declarações de compensação transmitidas a partir de 09/12/2005, analise o direito creditório alegado sob fundamento da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e proceda, se for o caso, à homologação das compensações na medida correspondente. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1734DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13859.000279/00-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2201-004.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 9. 00 02 79 /0 0- 83 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13859.000279/0083 Acórdão n.º 2201004.130 S2C2T1 Fl. 122 2 Tratase de Pededido de Reconsideração interposto contra a decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no excerto do relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fls. 05 a 07, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 1995, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 17.476,97 dos quais R$ 5.925,00 referemse a imposto, 4.443,75 correspondem à multa proporcional e R$ 7.108,22 a juros de mora calculados até 29 de setembro de 2000. Em procedimento de ofício para a verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foi efetuado o lançamento de ofício tendo em vista a apuração das seguintes infrações: OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS. O contribuinte deixou de levar à tributação os ganhos de capital incidentes sobre a alienação ocorrida em 13/07/1995 ao dar em pagamento de imóvel, um caminhão Mercedes Benz, ano de fabricação e modelo 1979, vermelho por R$ 30.000,00, e um automóvel GM Kadett, ano de fabricação 1993, cor prata, por R$ 9.500,00. Os dados foram extraídos da declaração de ajuste anual (fls. 44 a 50) e do Contrato Particular de Compromisso de Cessão e Transferência de Direito Aquisitivo por Compra e Venda (fls. 39 a 43). Os valores, datas e enquadramentos legais das infrações encontramse descritas no corpo do Auto de Infração (fl.07). A DRJ julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte sob o argumento principal de que: Não há nulidade em Auto de Infração lavrado em repartição pública, nos termos do artigo 10 do Decreto 70.235/72; Há divergência entre as datas da declaração de ajuste anual e dos instrumentos particulares de compra e venda, devendo prevalecer as datas constantes nos intrumentos particulares e esclarecimentos prestados pelo contribuinte, constantes nas fls. 39 a 43, 34 a 38 e 13 a 18; Não houve o cumprimento do disposto no artigo 16, IV, §1º e §4°, alíneas “a” a “c”. Portanto, negados os pedidos de perícia e de produção de novas provas; A aplicação da taxa SELIC e multa estão respaldadas na lei, inexistindo qualquer motivo para rever a suas aplicações. Cientificado do acórdão da DRJ em 08/01/2009, o contribuinte apresentou Pedido de Reconsideração encaminhado ao Delegado da Receita Federal em 20/02/2009, alegando em síntese que: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13859.000279/0083 Acórdão n.º 2201004.130 S2C2T1 Fl. 123 3 O valor remanescente deve ser baixado dos cadastros do fisco, uma vez que preenche os requisitos da MP 449/08. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade De acordo com o relatado, o Pedido de Reconsideração recebido como Recurso Voluntário fora interposto após os 30 (trinta) dias previstos na legislação, sem qualquer justificativa plausível que leve a relativização do referido prazo. Preceitua o artigo 33 do Decreto 70.235/72: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Acerca do tema, trago à baila o acórdão 1202000.298, desse CARF, de relatoria do Conselheiro Carlos Alberto Donassolo: RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância. Todavia, em face do valor envolvido deve a Unidade Preparadora verificar se não se aplica ao caso o instituto da remisão. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário em face de sua intempestividade. Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932222/2009-05
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3002-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 22 22 /2 00 9- 05 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 87 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por Construtora Patrão Ltda contra acórdão de nº 1447.935 da r. 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/09/2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Em 18.06.2009 o sujeito passivo transmitiu Declaração de Compensação de nº 24543.18595.180609.1.7.041194 (fls 44 a 48), declarando a compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS, relativo ao período de apuração de agosto/2004, proveniente de adequação do valor devido de tal tributo em decorrência da declaração, pelo STF, da inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Em 12.02.2010, depois de várias tentativas de frustradas de cientificar o contribuinte por meio de correspondência registrada, foi afixado, na unidade da Delegacia da Receita Federal do domicílio do sujeito passivo, edital para cientificação da emissão de Despacho Decisório (fls 06 a 43) sobre a Declaração de Compensação transmitida. O Despacho Decisório concluiu pela NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento mencionado havia sido "integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Foi protocolada MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 49 a 54), cuja síntese dos argumentos foi: a) Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo STF no RE 357950; b) Que o valor das receitas financeiras auferidas no período de apuração em comento foi de R$9.658,61, que submetido a alíquota de 3%, resultou em um recolhimento a maior de COFINS no valor de R$289,76; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 88 3 c) Que no processamento do referido PER/DECOMP o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras, no valor de R$289,76; d) Que segundo o disposto no art. 170 do CTN, art. 74 da Lei nº 9.430/96 e também segundo a jurisprudência do CARF (acórdão 20402819) e do TRF da 4 região (Apelação em MS 2006.71.08.0007709/RS), a compensação com crédito legítimo é uma das formas de extinção do crédito tributário; e) Ao fim, requer a homologação da compensação efetuada. Por meio do Acórdão nº 1447.935, a 14ª Turma da DRJ/RPO decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, sob a alegação de que: ... a contribuinte não apresenta qualquer razão ou documento que comprove que seu recolhimento foi indevido ou a maior. Nenhuma apuração, documentação ou outro indício que desse suporte às suas alegações. Cientificado desta decisão em 19.01.2015, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF em 12.02.2015, alegando em sua defesa que: a) O direito creditório em comento pode ser verificado pelas declarações apresentadas regularmente para a Receita Federal (DIPJ), onde se pode verificar a existência de "outras receitas" contabilizadas pelo contribuinte, bem como pela cópia do Livro Razão Analítico da recorrente presente no Anexo II; b) Houve afronta ao princípio da verdade material e cerceamento do direito de defesa; c) Seja homologada a declaração de compensação em litígio, tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. d) Anexou Planilha de Cálculo da COFINS e Página de Razão Contábil da Conta Rendas de Aplicações Financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 89 4 I Do ônus probatório e da preclusão. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do contribuinte. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio contribuinte, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará em detalhes o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurado o processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Resta evidente que todas as contendas que chegam para julgamento a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais se enquadram na etapa de verificação documental, sujeitas, portanto, a todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 90 5 transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. No caso em estudo, ao declarar que o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 289,761, o contribuinte reconhece ter emitido declarações contraditórias ao fisco, dando azo à não homologação da compensação durante a etapa de verificação eletrônica. Ocorre, contudo, que até a decisão de primeira instância o contribuinte não apresentou qualquer prova documental que evidencie a efetiva inclusão de receitas financeiras na apuração da COFINS referente ao mês de agosto/2004, comprometendo a análise do direito ao crédito utilizado na compensação e prejudicando o andamento processual. Nos termos do §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, a prova documental deve ser trazida aos autos juntamente com a impugnação. No presente caso, deveria o contribuinte ter produzido suas provas por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade. A desobediência a este comando enseja a preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual. Nessa senda, a divergência entre as declarações apresentadas pelo contribuinte ao fisco (DCTF e DCOMP), combinada com a falta de apresentação de provas documentais da certeza e liquidez do crédito tributário no momento oportuno, dificultou a análise da autoridade fiscal, ofendendo, ainda, aos princípios da celeridade e da economicidade processual. Não há comprovação do atendimento a qualquer dos requisitos previstos nas alíneas a) a c) do §4º do art. 16 do DEL 70.235/72, que permitiriam justificar a admissão de novas provas documentais neste momento processual. Não pode o princípio da verdade material ser utilizado como argumento para o afastamento injustificado das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, de modo a acobertar a inércia do contribuinte em comprovar as suas alegações. Nesse sentido entendeu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226. "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode 1 Trecho extraído da Manifestação de Inconformidade, folha 51. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 91 6 o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Pelo exposto, não pode prosperar a alegação do recorrente, de que caberia ao fisco o impulso para a produção de provas da certeza e liquidez do direito creditório pretendido. Isso porque, por ocasião da manifestação de inconformidade, o interessado sequer apresentou indícios da efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, tendo se limitado a fazer a alegações de direito. Tivesse o contribuinte apresentado alguma prova de liquidez e certeza do direito alegado junto à manifestação de inconformidade, ainda que insuficiente por si só, admitirseia, em homenagem ao princípio da verdade material, a juntada de novas provas no mesmo sentido em fase recursal. Portanto, não se pode conhecer de provas trazidas ao processo somente em fase recursal, sob pena de afronta aos demais princípios e normas que regem o processo administrativo fiscal. II Da Não Comprovação da Certeza e Liquidez do Crédito Pleiteado nos autos do PAF. Tendo em vista que a preclusão do direito de produção de novas provas, em momento posterior à manifestação de inconformidade, ainda é objeto de divergência entre conselheiros, a fim de evitar a interposição de novos recursos, comprometendo ainda mais a celeridade e a eficiência do processo administrativo, este julgador analisou os documentos trazidos pelo contribuinte junto ao Recurso Voluntário. No presente caso, ainda que admitida fosse a apresentação de provas documentais juntamente com o Recurso Voluntário, deixou o contribuinte de anexar documentos que comprovem que as receitas financeiras relativas ao período de agosto/2004 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo período. Vejamos. Foram apresentados, juntamente com o Recurso Voluntário: a) Planilha de Cálculo da COFINS; b) Razão Analítico da Conta "RENDAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS". Destacase que planilhas, declarações ou demonstrativos elaborados ou preenchidos pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo e confirmem a sua exatidão, não possuem força probatória para constituir direito creditório oponível à fazenda pública. Ocorre, contudo, que valor do recolhimento da COFINS, referente ao período de agosto/2004, declarado na Planilha de Cálculo da COFINS (R$15.618,77, fl. 81), diverge daquele informado na DCOMP em relação ao mesmo período (R$15.908,53, fl. 46), materializando a inexatidão da planilha apresentada e comprometendo sua força probatória. Ademais, não foi apresentado nenhum outro documento que detalhe quais os valores que efetivamente compuseram a base de cálculo da apuração de COFINS relativa ao período em comento. Assim, não ficou provado nos autos que as receitas financeiras relativas ao período de agosto/2004 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.932222/200905 Acórdão n.º 3002000.036 S3C0T2 Fl. 92 7 período, razão pela qual não foram comprovadas a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 92DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.916065/2011-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.168
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 65 /2 01 1- 43 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 13888.916065/201143 Acórdão n.º 9303006.168 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.834, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13888.916065/201143 Acórdão n.º 9303006.168 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 13888.916065/201143 Acórdão n.º 9303006.168 CSRFT3 Fl. 5 4 Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13888.916065/201143 Acórdão n.º 9303006.168 CSRFT3 Fl. 6 5 todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.916065/201143 Acórdão n.º 9303006.168 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11891.000109/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 18/10/2006
CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO. IMPROCEDENTE.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
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RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. NULIDADE. FALTA DE APRECIAÇÃO. IMPROCEDENTE. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 01 09 /2 00 7- 51 Fl. 189DF CARF MF 2 Relatório Por bem transcrever os fatos e ser sintético, adotase o relatório da DRJ/Fortaleza, fls. 118 e seguintes1: Tratase de Autos de Infração referentes a COFINSImportação e PIS/PASEPImportação, nos valores de R$ 14.726,62 e R$ 3.197,23, acrescidos de juros de mora e multa de ofício, que não foram recolhidos por ocasião do despacho aduaneiro, em razão de o contribuinte ter contestado judicialmente a legalidade dessas contribuições. O lançamento foi formalizado com exigibilidade ativa, pois não houve decisão dispensando o pagamento dos tributos em litígio nem o depósito integral deles, e teve sua validade questionada, instaurandose assim a lide ora apreciada. Da Autuação Conforme consta na descrição dos fatos, os Autos de Infração foram lavrados com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1. A empresa autuada, por meio da Declaração de Importação (DI) nº 06/12590628, registrada em 18/10/2006, submeteu a despacho de importação as mercadorias ali descritas, mas não recolheu as contribuições COFINSImportação e PIS Importação incidentes nessa operação. Optou por impetrar mandado de segurança, protocolado na 15ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais sob o nº 2006.38.00.0266753, objetivando, em sede liminar, o desembaraço das mercadorias sem a incidência das referidas contribuições. Ocorre que a liminar foi indeferida em 18/10/2006 (fls. 23/24). 2. Em 24/10/2006, foi efetuado depósito judicial dos tributos supracitados, mas sem incluir os acréscimos legais devidos, tendo em vista que os valores foram depositados posteriormente à data de registro da DI, quando deveriam ter sido pagas as mencionadas contribuições, conforme determina o art. 13, I, da Lei nº 10.865/2004. Assim, o depósito judicial efetuado pelo contribuinte não corresponde à integralidade do montante devido, não suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Diante desses fatos, a autoridade lançadora lavrou os Autos de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação Irresignada com o lançamento, do qual tomou ciência em 17/4/2007, a autuada apresentou impugnação (fls. 7142), em 15/5/2007, na qual aduz os seguintes argumentos. a) Quando da lavratura do Auto de Infração, os tributos estavam com a exigibilidade suspensa, em face de depósito judicial, conforme o art. 151, inciso III, do CTN. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11891.000109/200751 Acórdão n.º 3302005.155 S3C3T2 Fl. 3 3 Contudo, apesar do depósito integral do crédito tributário supostamente devido, visando a sua suspensão, foi lavrado Auto de Infração, sob a alegação de que o depósito não incluiu a multa de 75% aplicável sobre o valor das contribuições, pois foi realizado após a data de registro da DI, embora dentro do mesmo mês. b) O valor dessa multa, por sua elevada porcentagem, tem caráter nitidamente confiscatório, o que é vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro, mesmo não se tratando de tributo. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou nesse sentido, conforme trechos citados dos Recursos Extraordinários (RE) 92165/MG e 91707/MG. c) O depósito realizado há de ser considerado válido, visto que os valores cobrados a título de multa são ilegais e arbitrários, além do mais, como será demonstrado, os tributos exigidos no Auto de Infração não são devidos, razão pela qual os acréscimos legais, por serem acessórios, também não poderão existir. d) É inconstitucional a exigência das contribuições sociais COFINSImportação e PISImportação, estabelecida pela Lei nº 10.865/2004, tendo em vista que a instituição desses tributos, além de afrontar à vedação constitucional de bis in idem, possui falha na fundamentação legal do PIS, não foi realizada por meio de lei complementar e desrespeita o conceito de “valor aduaneiro”. Após apresentar suas alegações a impugnante requereu que o lançamento fosse julgado improcedente e arquivado. A DRJ/Fortaleza conheceu em parte a impugnação e, na parte conhecida, a julgou improcedente, vide ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/10/2006 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, no tocante à matéria discutida judicialmente, em relação à qual o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no Poder Judiciário. Caso haja matéria diferenciada no processo administrativo, esta deve ser apreciada, ainda que a eficácia da decisão fique subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. EXAME PRIVATIVO DO PODER JUDICIÁRIO. Fl. 191DF CARF MF 4 É vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei em pleno vigor, a pretexto de suposta inconstitucionalidade, pois essa competência é privativa do Poder Judiciário, conforme determina a Constituição Federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/10/2006 DEPÓSITO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE SUSPENSÃO DE SUA EXIGIBILIDADE. É inapto para suspender a exigibilidade do crédito tributário o depósito que não abranger a sua totalidade, inclusive acréscimos, pois a lei exige expressamente que ele seja integral, e não há previsão normativa para a suspensão parcial do referido crédito. A contribuinte, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, questionando tão somente a legalidade e inconstitucionalidade da base de cálculo do PISimportação e da COFINSimportação. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 21 de fevereiro de 2014, fls. 133, e o recurso foi protocolado em 19 de março de 2014, fls. 134. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da concomitância e da renúncia à esfera administrativa A Recorrente em seu Recurso Voluntário questiona a legalidade e inconstitucionalidade da base de cálculo do PISimportação e da COFINSimportação, trazendo à baila o RE 599.937/RS sob o regime de repercussão geral. Como a própria Recorrente afirma, ela impetrou Mandado de Segurança para questionar a incidência de tais contribuições, informando, posteriormente, no âmbito do processo administrativo sobre a decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, fls. 179. É certo que quando o contribuinte opta pela esfera judicial, automaticamente, ele renuncia à esfera administrativa, vide súmula Carf: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11891.000109/200751 Acórdão n.º 3302005.155 S3C3T2 Fl. 4 5 No mesmo sentido, vide o Decreto nº 7574/2011: Decreto nº 7574/2011 Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Esta turma já decidiu nos seguintes termos, vide acórdão nº 3302002.957, Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/05/1992 a 31/12/1995 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DEFINITIVIDADE DA EXIGÊNCIA. A opção pela via judicial quanto ao questionamento da incidência do IPI sobre os cartões com tarja magnética importa renúncia à instância administrativa, tornando definitiva, nesta esfera, a discussão da matéria sub judice. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. PROVIDÊNCIAS DE COMPETÊNCIA DA UNIDADE. Existindo decisão judicial transitada em julgado, favorável ao contribuinte, declarando a não ocorrência do fato gerador do IPI, compete à unidade as providências no âmbito de sua competência. Portanto, como no Recurso Voluntário não há matéria que seja estranha aos limites da lide judicial, observase uma concomitância de temas, o que faz com que o Recurso Voluntário não seja conhecido. 3. Conclusão Diante do exposto, não conheço o Recurso Voluntário. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 193DF CARF MF 6 Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.661490/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ).
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.107
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária ou por via diplomática (art. 192 do Código de Processo Civil ). Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus, Jorge Lima Abud e Sarah Maria L.de A. Paes de Souza, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus, Jorge Abud Lima e Diego Weis Jr. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 14 90 /2 01 2- 52 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10880.661490/201252 Acórdão n.º 3302005.107 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de declaração de compensação não homologada em razão de que o DARF já havia sido alocado a outro débito, conforme despacho eletrônico. Em manifestação, a recorrente alegou que, em razão da publicação da Lei nº 11.452/2007, cujo artigo 21 retroagiu os efeitos do artigo 20 para 1º/01/2006, especificamente quanto a não incidência da CIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, sem contundo proceder à retificação de DCTF, a qual foi requerida posteriormente mediante processo administrativo. Por sua vez, a Décima Quinta Turma da DRJ/RJ1 no Rio de Janeiro julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12068.500. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando as razões aduzidas em impugnação, juntando ao recurso voluntário a documentação referente à comprovação de seu direito, a saber: contrato comercial com a ACI, contratos de câmbio e invoices. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.100, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.661481/201261, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.100): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A matéria em litígio diz respeito à alegação de restituição de pagamento indevido, em razão da não incidência de CIDE sobre royalties decorrentes de direitos autorais em contratos de licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, fundado no artigo 20 da Lei nº 11.452/2007, abaixo transcrito: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.661490/201252 Acórdão n.º 3302005.107 S3C3T2 Fl. 4 3 .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. A recorrente não procedeu à retificação da DCTF, em meio digital, protocolando processo administrativo em papel, cuja decisão foi assim expedida: "Confrontando a data de protocolo do pedido com o período a que se refere a DCTF, concluo que o direito de pleitear a retificação se encontrava extinto. Ademais, havendo decisão relativa à Declaração de Compensação proferida antes do pedido de retificação da DCTF, deve a questão ser discutida por meio de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, de forma a se evitarem discussões administrativas paralelas sobre o mesmo assunto. Esta turma já se pronunciou em diversas ocasiões sobre a desnecessidade de se retificar a DCTF, quando o contribuinte consegue provar o direito alegado, mediante documentação hábil e idônea, em homenagem ao princípio da verdade material. Nos casos de auto de infração eletrônico de DCTF, entendo que este princípio atrai a possibilidade de se conhecer de provas apresentadas em recurso voluntário, uma vez que apenas na decisão de DRJ surge o fundamento da falta de provas em vista da não retificação de DCTF, bem como, até o momento daquela decisão, o contribuinte não recebeu qualquer intimação exigindo a documentação necessária para provar o direito alegado. No caso dos autos, a decisão recorrida especificou as provas que considerava necessárias para a comprovação do direito alegado. Porém, mesmo ciente da necessidade de apresentação das referidas, a recorrente não se desincumbiu adequadamente de seu ônus, deixando de apresentar contrato comercial com a GOLDEN GATE SOFTWARE INC., bem como apresentando o contrato comercial com a ACI WORLDWIDE INC. sem tradução juramentada, impossibilitando o conhecimento do documento em inglês, conforme artigo 157 do antigo CPC (Lei nº 5.869/1973, artigo 192 da Lei nº 13.105/2015 (NCPC), artigo 224 da Lei nº 10.406/2002 (CC), artigo 18 do Decreto 13.609/1943, artigo 22 da Lei nº 9.784/1999 e artigo 13 da Constituição Federal, abaixo transcritos: Lei nº 5.869/1973 (antigo CPC), artigo 157: TÍTULO V DOS ATOS PROCESSUAIS CAPÍTULO I DA FORMA DOS ATOS PROCESSUAIS Seção I Dos Atos em Geral Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.661490/201252 Acórdão n.º 3302005.107 S3C3T2 Fl. 5 4 [...] Art. 157. Só poderá ser junto aos autos documento redigido em língua estrangeira, quando acompanhado de versão em vernáculo, firmada por tradutor juramentado. Lei 13.105/2015, artigo 192: Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Lei nº 10.406/2002, artigo 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. Decreto nº 13.609/1943: Art. 18. Nenhum livro, documento ou papel de qualquer natureza que fôr exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartições da União dos Estados e dos municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade dêste regulamento. Parágrafo único. estas disposições compreendem também os serventuários de notas e os cartórios de registro de títulos e documentos que não poderão registrar, passar certidões ou públicasformas de documento no todo ou em parte redigido em língua estrangeira. Lei nº 9.784/1999: Art. 22. Os atos do processo administrativo não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. § 1o Os atos do processo devem ser produzidos por escrito, em vernáculo, com a data e o local de sua realização e a assinatura da autoridade responsável. Constituição Federal, artigo 13: Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. Destacase que não se tratam de expressões ou palavras de fácil e notório conhecimento da língua inglesa ou de texto de fácil compreensão, mas de contrato de licenciamento de uso de sofware, com mais de trinta páginas de contrato original e aditivos com diversos termos técnicos, sendo imprescindível a tradução juramentada para se avaliar o alcance do contrato e a existência de eventual transferência de tecnologia. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.661490/201252 Acórdão n.º 3302005.107 S3C3T2 Fl. 6 5 Neste sentido, citamse os acórdãos abaixo e ementas parciais, proferidos por este Conselho: Acórdão nº 1301002.260: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGADA. DOCUMENTOS ESTRANGEIROS DESACOMPANHADOS DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. Os documentos em idioma estrangeiro anexados ao processo pelo contribuinte não podem ser avaliados, pois devem ser traduzidos para o português por tradutor juramentado. Acórdão nº 1301002.097: GLOSA DE DESPESAS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CONSULTORIA PAGOS A EMPRESA LIGADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PROVA. Procedente a glosa de despesas por serviços de assistência técnica e consultoria pagos a empresa ligada no exterior, na situação em que resta incomprovada a efetividade da prestação desses serviços. Documentos em língua estrangeira, desacompanhados da respectiva tradução juramentada, não podem ser aceitos como prova. Os poucos documentos em língua portuguesa são insuficientes para provar a efetividade da prestação dos serviços. Acórdão nº 3202000.546: PROVA. DOCUMENTO ELABORADO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA SEM TRADUÇÃO ELABORADA POR TRADUTOR JURAMENTADO. NÃO CONHECIMENTO. Não se toma conhecimento de documento em idioma estrangeiro desacompanhado da respectiva tradução juramentada, seja ele produzido pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária (art. 157 do Código de Processo Civil). Sem tal tradução, o documento não possui valor efeito probante no processo administrativo, acarretando o indeferimento da compensação por falta de provas, já que o contrato comercial é elemento primordial na análise da existência ou não de transferência. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.661490/201252 Acórdão n.º 3302005.107 S3C3T2 Fl. 7 6 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000513/2010-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista.
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO.
O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.134
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. Recorrente SORANA COMERCIAL E IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de PER/DCOMP transmitidas visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º do art. 74 da Lei n. 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. PRAZO DECISÃO ADMINISTRATIVA. ART. 24, 5º DA LEI Nº 11.457/2007. 360 (TREZENTOS E SESSENTA) DIAS. INAPLICABILIDADE NOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. O prazo previsto no art. 24, § 5º da Lei nº 11.457/2007 é aplicado aos julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 05 13 /2 01 0- 56 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 12585.000513/201056 Acórdão n.º 3302005.134 S3C3T2 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ/FOR, que manteve a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento formulado pela contribuinte recorrente, relativo a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receitas tributadas à alíquota 0(zero) no mercado interno. O despacho decisório estava assim ementado: AQUISIÇÃO PARA REVENDA. MÁQUINAS, VEÍCULOS E AUTOPEÇAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DE CRÉDITO. Não geram créditos as aquisições para revenda de máquinas, veículos e autopeças sujeitos à incidência monofásica ainda que a pessoa jurídica adquirente esteja sujeita à nãocumulatividade e que a sua respectiva receita de venda seja sujeita à alíquota zero. (art. 3º, I, b, c/c o art. 2º, §1º, III e IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003) Cientificado do decisório o contribuinte manifestou inconformidade na qual pede o crédito de ressarcimento, com base nas seguintes razões: · Como se passaram mais de cinco anos entre a apresentação do PER e a ciência do Despacho Decisório, não caberia mais à Administração Tributária denegar o crédito pleiteado, devendo ser ele reconhecido tacitamente, por força do §5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 (art. 37, §5º, da Constituição Federal); Fl. 261DF CARF MF Processo nº 12585.000513/201056 Acórdão n.º 3302005.134 S3C3T2 Fl. 4 3 · O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, possibilita o creditamento que gera a existência do crédito pleiteado. A 4ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 08033.397. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.113, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 12585.000491/201024, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.113): "O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Como dito anteriormente, estamos diante de Recurso Voluntário que insurgise contra a decisão da DRJ de Fortaleza, que manteve o indeferimento de suposto crédito em favor da contribuinte recorrente, relacionados a crédito de COFINS nãocumulativa/mercado interno, vinculado a receita tributadas com alíquota 0 (zero), referente ao 3º trimestre de 2004, bem como a inexistência da figura da homologação tácita de pedido de restituição/ressarcimento realizado por contribuintes. I Pedido de Ressarcimento. Homologação Tácita Sustenta a contribuinte que teria ocorrido a homologação tácita do crédito objeto do pedido de ressarcimento, tendo em vista ter transcorrido o prazo quinquenal, previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Pois bem. A Lei n. 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei n. 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que é aplicável aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 12585.000513/201056 Acórdão n.º 3302005.134 S3C3T2 Fl. 5 4 No regime acima referido, a extinção do crédito tributário se dá de forma tácita após o decurso do prazo de 5 anos, nos exatos termos do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, conforme podemos observar abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administradas por aquele órgão. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Medida Provisória n. 135, de 2003, depois convertida na Lei n. 10.833/2003). Conforme podemos observar, o prazo de 5 anos para a homologação tácita não diz respeito aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato de os pedidos de ressarcimento/restituição serem transmitidos pelo mesmo sistema em que é feita a transmissão dos pedidos de compensação não autorizam a necessidade de se obedecer tal prazo pelo Fisco. Vale dizer, nos pedidos de ressarcimento/restituição não existe a extinção de uma dívida tributária, o que se visa com tal procedimento é o reconhecimento de um direito do contribuinte. Para que o pedido de ressarcimento/restituição seja deferido, fazse necessária a comprovação de sua existência por parte do contribuinte, não havendo a comprovação não ha que se falar em homologação, muito menos em homologação tácita. Desta forma, pela necessidade de haver a contribuição direta do contribuinte em sua comprovação, não existe prazo legal para que o fisco reconheça ou não a existência dos créditos sobre os quais recaia o pedido de ressarcimento/restituição. Nesse sentido, peço vênia para transcrever parte do voto do I. Conselheiro Jorge Olmiro Loch Freire, no Acórdão nº 3402004.569, que tratou da mesma matéria, vejamos: " (...) Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, Fl. 263DF CARF MF Processo nº 12585.000513/201056 Acórdão n.º 3302005.134 S3C3T2 Fl. 6 5 ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação (...)". A contribuinte recorrente alega que a autoridade fiscal deveria obedecer os prazos previstos no Decreto nº 70.235, e no § 5º do art. 24 da Lei n. 11.457/2007 para apreciar o seu pedido de ressarcimento. É o texto do mencionado artigo: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos). Da simples leitura do dispositivo transcrito, seja por sua redação, seja por estar inserido no Capítulo II da Lei n. 11.457/2007 que trata sobre as regras as serem observadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quando esta for parte em litígios tributários, concluise que o prazo reclamado pela contribuinte não é pertinente, já que o prazo previsto se aplica para os julgamentos de processos administrativos instaurados, que não se assemelha ao pedido de ressarcimento apresentado pela contribuinte. E tal conclusão parte da premissa que o legislador não economiza e também não apresenta em opulência os termos contidos na lei e, portanto, quando estipula o prazo de 360 dias, o fez a contar da apresentação de petições, defesas e recursos administrativos, e não incluiu os pedidos de ressarcimento/ restituição. Desta forma, não se acolhe o pleito da contribuinte recorrente quanto a possibilidade de existência de suposta homologação tácita do pedido de ressarcimento/restituição. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 12585.000513/201056 Acórdão n.º 3302005.134 S3C3T2 Fl. 7 6 II Tributação Monofásica e a Impossibilidade de Apuração de Crédito de PIS/COFINS A Lei 10.485/02, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04, instituiu regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação de alíquota majorada para fabricantes e importadores de máquinas e veículos nas classificações indicadas e aplicação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses produtos por parte dos revendedores, ou seja, dos comerciantes atacadistas ou varejistas. As Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 trouxeram situações que devem ser observadas a tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS e COFINS, respectivamente. Entretanto, no caso dos produtos sujeitos ao recolhimento na sistemática monofásica, quando adquiridos para revenda, não há direito a crédito, por expressa vedação legal, nos exatos termos do art. 3o , inciso I, alínea "b” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei n° 10.865/04, que estabelece expressamente que não darão direito a crédito, as mercadorias e produtos referidos no § 1º, do artigo 2º, das mencionadas leis, quando adquiridas para revenda. Desta forma, adquirindo a contribuinte para revenda máquinas e veículos nas classificações destacadas, não poderá se creditar, para fins de apuração do PIS e da COFINS nãocumulativa, dos custos de aquisição dos referidos produtos. Para melhor compreensão transcrevemos os artigos pertinentes das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, com a redação dada pela Lei nº 10.865/04: Lei nº 10.637/02 Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 12585.000513/201056 Acórdão n.º 3302005.134 S3C3T2 Fl. 8 7 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; Lei nº 10.833/03 Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei;[...] Segundo as alegações da contribuinte recorrente o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, quando determina que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, este teria autorizado o creditamento pretendido. No entanto, quando nos debruçamos para analisar o artigo acima citado, é fácil perceber que não é possível sustentar a conclusão utilizada pela contribuinte, vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O referido artigo, como se observa, é uma regra geral, que coexiste, sem qualquer incompatibilidade, com as vedações de creditamento constantes de regras específicas, referentes a situações específicas (tais como a “tributação Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12585.000513/201056 Acórdão n.º 3302005.134 S3C3T2 Fl. 9 8 monofásica” e as aquisições de bens não tributados); notese que o art. 17 fala em “manutenção” de créditos, no entanto, por força da referida vedação legal, esses créditos sequer existem. Salientese que também é essa a posição sustentada pelo STJ, conforme observase do julgado colacionado a seguir: AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.109.354 SP (2017/01242898) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES AGRAVANTE : RIZATTI & CIA LTDA ADVOGADOS : JOSÉ LUIZ MATTHES SP076544 FABIO PALLARETTI CALCINI E OUTRO(S) SP197072 LUÍS ARTUR FERREIRA PANTANO SP250319 AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3 DO STJ. PIS E COFINS. ART. 17 A LEI Nº 11.033/2004. REGIME MONOFÁSICO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA Nº 568 DO STJ. 1. Nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 02/04/2014; REsp 1.267.003/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 23/10/2013. 2. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012. DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012. 3. Agravo interno não provido. ACÓRDÃO Fl. 267DF CARF MF Processo nº 12585.000513/201056 Acórdão n.º 3302005.134 S3C3T2 Fl. 10 9 Vistos, relatados e discutidos esses autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, o seguinte resultado de julgamento: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo interno, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." A Sra. Ministra Assusete Magalhães (Presidente), os Srs. Ministros Herman Benjamin e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília (DF), 05 de setembro de 2017. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator Desta forma, com base em todos os ensinamentos e julgado acima relacionados, entendo que não há como garantir o ressarcimento/restituição pretendido pela contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto, negarlhe provimento, mantendose em sua totalidade a decisão de piso. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, ressalvada a minha posição pessoal pelas conclusões em relação à matéria concernente à aplicação do artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900318/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2004
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.203
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 18 /2 01 2- 18 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10865.900318/201218 Acórdão n.º 3301004.203 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.738. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10865.900318/201218 Acórdão n.º 3301004.203 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900318/201218 Acórdão n.º 3301004.203 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.728987/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3401-004.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CARF. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 89 87 /2 01 3- 41 Fl. 386DF CARF MF 2 Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 283 a 2931, lavrado em 07/10/2013 (com ciência em cf. AR à fl. 295, em 16/10/2013), para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente a insuficiência de declaração e recolhimento/parcelamento nos anoscalendário de 2008 e 2009, no valor de R$ 4.539.528,85 a título de principal, acrescido de juros de mora e multa de ofício (75%), totalizando R$ 9.681.038,60. Narra a fiscalização que, intimado a apresentar esclarecimentos sobre o não recolhimento/parcelamento e a não declaração em DCTF do IPI referente ao período de novembro de 2008 a dezembro de 2009, em relação a valores constantes em planilha de diferenças apuradas pela fiscalização, o contribuinte não se manifestou. Às fls. 301 a 314, figura impugnação datada de 18/11/2013, na qual alega a empresa que: (a) houve violação ao art. 153, § 3o, I da Constituição Federal de 1988, que estabelece que o IPI será seletivo em função da essencialidade do produto, sendo o açúcar produto essencial, conforme Decretolei no 399/1938, não podendo sofrer tributação de IPI à alíquota de 5%, estando a discussão sobre as alíquotas da canadeaçúcar possui repercussão geral reconhecida, no RE no 567.948/RS, substituído pelo RE no 592.145/SP, que aguarda julgamento; e, alternativamente, (b) é possível o creditamento em relação a insumos adquiridos com suspensão do IPI, por força do art. 29 da Lei no 10.637/2002, tendo em vista o princípio da nãocumulatividade, e que “não há que se exigir o efetivo recolhimento de tributo aos cofres públicos para que surja para o contribuinte o direito de creditarse do IPI pago nas operações anteriores” (como entendeu o STF no RE no 350.446/PR). Em 26/09/2016 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 335 a 339), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) a autoridade administrativa não é competente para examinar alegação de inconstitucionalidade; (b) o impugnante não apresentou quaisquer valores de créditos do IPI aos quais julgue ter direito e que não constem da escrita fiscal, para fins análise no presente julgamento; e (c) não houve glosa de créditos do IPI a qualquer título (inclusive suspensão), tendo havido, exclusivamente, formalização de exigência tendente ao recolhimento dos saldos devedores apurados pelo próprio estabelecimento, em sua escrita fiscal. Cientificada da decisão de piso em 20/10/2016 (AR à fl. 382), a empresa apresenta recurso voluntário, em 18/11/2016 (fls. 347 a 362), basicamente reproduzindo a impugnação. No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em outubro de 2017. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10120.728987/201341 Acórdão n.º 3401004.456 S3C4T1 Fl. 387 3 O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A fiscalização, à luz dos Livros de Apuração de IPI e outros documentos, objetivamente afirma, na autuação, que intimou o sujeito passivo a justificar as razões de não ter declarado em DCTF os valores devidos de IPI devidos de novembro de 2008 a dezembro de 2009 e nem recolhido ou parcelado os valores correspondentes. A intimação consta às fls. 138/139: E, ciente da intimação em 09/08/2013 (fl. 141), a empresa jamais a atendeu. Para contrapor a imputação específica, a defesa apresenta argumentação genérica, que sequer possui vínculo direto com a matéria autuada, suscitando inconstitucionalidades e trazendo alegações de direito sobre temas que não foram objeto de glosa pela fiscalização (aquisições com suspensão, ou créditos básicos). Como bem destacou a DRJ, no início do voto condutor do julgamento de piso (fl. 338): Ao que parece, nos autos, a empresa escriturou os débitos, mas simplesmente não os declarou em DCTF (instrumento que constitui confissão de dívida) nem pagou. E quando instala a justificar tal conduta, silenciou. E, em sua defesa inicial, levantou debates jurídicos genéricos sobre IPI, que não se prestam a contrapor os argumentos específicos da autuação. Quanto às alegações de inconstitucionalidade (em que pese serem inconsistentes com a própria escrituração da empresa), é cediço que os tribunais administrativos não detêm competência para sua análise, o que está plasmado, nesta corte administrativa, na Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 388DF CARF MF 4 E, no que se refere aos demais temas, apenas se endossa o já exposto pela DRJ e não enfrentado em sede recursal: a autuação tomou em conta todos os créditos escriturados pela empresa, não sendo a eles adicionado nenhum na defesa. Em relação ao questionamento efetuado na intimação fiscal que motivou a autuação, ainda ecoa o silêncio da autuada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13951.000150/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1999
DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E ETJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE.
A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento.
Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG).
Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito.
DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. INALTERABILIDADE. CONTAGEM DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO POR PAGAMENTO.
O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução doSenado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E ETJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. DECADÊNCIA. PRAZO. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO DO SENADO. INALTERABILIDADE. CONTAGEM DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO POR PAGAMENTO. O prazo decadencial do direito ao pleito da restituição de indébito tributário ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 1. 00 01 50 /2 00 8- 81 Fl. 54DF CARF MF 2 pagamento (artigo 165, inciso I, c/c artigo 168, inciso I, c/c artigo 156, inciso I do CTN), inclusive, na hipótese de o indébito ter origem em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal e com a sua execução suspensa por Resolução doSenado Federal, atribuindo efeito erga omnes ao julgamento. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de contribuição para o PIS/Pasep, 11. 01, protocolizado em 10/03/2008, o qual, consoante planilhas e demonstrativos de fls. 02/15, corresponde a retenções ou pagamentos efetuados nos meses de outubro de 1995 a fevereiro de 1999, no montante atualizado de R$ 354.817,39. À fls. 01, no quadro destinado à descrição do motivo do pedido constam os seguintes esclarecimentos: "PIS/PASEP — valores recolhidos indevidamente, em virtude de interpretação e aplicação de critérios de fato e/ou de, direito (jurídicos), considerando o art. 15 der MP n. 1.212195 e suas reedições, e art. 18 da Lei Federal n" 9,715198 que forcem declarados inconstitucionais pela Egrégia Suprema Corte, através do RE n ° 232.89631PA (STF, Rel. Min. Carlos Velloso, 02.08.1999), tendo mais recentemente sido suspensa sua execução pela Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13951.000150/200881 Acórdão n.º 3402004.918 S3C4T2 Fl. 112 3 Resolução do Senado Federal n. 10/2005, in verbis: Art. 1 ° É suspensa a execução da disposição inscrita no art. 15 da 11edida Provisória Federal n° 1.212, de 28 de novembro de 1995 — 'aplicados aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995' — e de igual disposição constante das medidas provisórias reeditadas e do art. 18 da Lei Federal n° 9, 715, de 25 de novembro de 1998, declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 232.8963 — Pará. " Em 28/03/2008, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR, despacho decisório às fls. 17/23, em face da decadência do direito, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 04/04/2008 (11s. 24/25), a interessada interpôs, em 28/04/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 26/31, cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, discorre sobre as disposições do Decreto n. 4.524, de 2002, que versam sobre o prazo para a constituição do crédito, pelo lançamento. A título conclusivo, afirma que —se o prazo para a Fazenda Nacional constituir o crédito das contribuições em destaques é de 10 (dez) anos, sob pena de ferir o princípio da isonomia, o prazo para restituição do tributo pago indevidamente não pode ser menor." A seguir, tece considerações sobre o termo inicial para a contagem do prazo de 10 anos. Conclui, assim, que é incontroverso, até por decisão administrativa definitiva de caráter normativo, que o termo inicial para cálculo do prazo de decadência é a data da resolução do Senado Federal, Resolução 10/2005, de 23/05/2005.'' Quanto à afirmação contida no despacho decisório acerca da inexistência de pagamentos indevidos, entende tratarse de equívoco, afinal, os artigos julgados inconstitucionais são os que versam justamente sobre a vigência da norma. Ao final, pede o recebimento da manifestação e o acolhimento das razões apresentadas, além da consequente restituição dos valores pagos indevidamente. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls 35 a 39), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Fl. 56DF CARF MF 4 Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 43 a 50, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade com relação à não ocorrência da extinção de seu direito à repetição do indébito em razão da decadência. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Notificada do julgamento a quo em 27 de junho de 2011, conforme AR de fls 42 a 50, a Contribuinte apresentou seu recurso voluntário 27 de julho de 2011. Assim, o recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relato acima, a questão fulcral a ser aqui solucionada é ocorrência ou não de decadência do direito do contribuinte à restituição do indébito. Sobre a decadência, é válido lembrar que a questão do prazo para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação passou por algumas reviravoltas jurisprudenciais. Inicialmente a posição que prevalecia no Superior Tribunal de Justiça (STJ) era a interpretação redacional do artigo 156, VII, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual somente com a homologação é que se daria a extinção do crédito tributário e, portanto, o início do computo do prazo para a repetição de indébito do artigo 168. Dessa forma, somandose o prazo de cinco anos para a homologação, com mais cinco anos para a repetição, o contribuinte detinha prazo de dez anos para pleitear a restituição de tributos. Tratavase da conhecida tese dos cinco mais cinco. Contudo, o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 (LC 118/2005), afirmando que, para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de (artigo 150, § 1º), o STJ reviu a questão. Em seus novos julgamentos (e.g. Recurso Especial 982.985, Relator: Ministro Luiz Fux. Julgamento: 10 jun. 2008. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJe, 07 ago. 2008), decidiu que não obstante a LC 118/2005 se autointitular interpretativa, evidentemente inovou a ordem jurídica tributária, alterando por completo o entendimento solidificado pelo STJ sobre o prazo prescricional para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (tese dos cinco mais cinco). Dessa forma, foi deliberado que, a partir de sua entrada, passaram a existir dois regimes jurídicos distintos: i) os recolhimentos indevidos feitos a partir da sua entrada em vigor (9 de junho de 2005) passaram a ter como prazo para sua restituição cinco anos contados a partir do instante em que é feito o pagamento antecipado; ii) já os pagamentos indevidos que ocorreram anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05 permanecem sob a disciplina que imperava à época, vale dizer, que a contagem do prazo de cinco anos para a restituição só se inicia a partir da homologação, expressa ou tácita, feita pelo fisco. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13951.000150/200881 Acórdão n.º 3402004.918 S3C4T2 Fl. 113 5 Este último entendimento apresentado pelo STJ, entretanto, foi parcialmente modificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao analisar a matéria (RE 566.621/RS, Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie. j. 04.08.2011, julgado sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC), 1 que entendeu como relevante não a data dos pagamento indevidos, mas sim a dada da formulação dos pedidos de restituição, para a contagem do prazo dos contribuintes. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621, julgado por meio do rito dos recursos repetitivos. Nesse sentido, destaco a ementa do REsp n. 1.269.570/MG: Ementa CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 1 Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 58DF CARF MF 6 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543 B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1269570 / MG, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Data do Julgamento 23/05/2012, Data da Publicação/Fonte, DJe 04/06/2012 RT vol. 924 p. 802.) Pois bem. No presente caso, o contribuinte indicou no Pedido de Restituição que o indébito era referente a pagamentos efetuados entre 10/1995 e 02/1999. Todavia, o pedido de restituição da Municipalidade somente foi formalizado em 10/03/2008. Uma vez que o artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, 2 prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal com reconhecimento de repercussão geral e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos, concluise que está de fato decaído o direito da Recorrente. Afinal, o pedido de restituição foi formulado em 10/03/2008, vale dizer, em data posterior a 09/06/2005, que segundo a jurisprudência acima destacada, é data 2 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13951.000150/200881 Acórdão n.º 3402004.918 S3C4T2 Fl. 114 7 para a qual já se utiliza o prazo de cinco anos para a contagem do prazo decadencial/prescricional. Como não há nenhum pagamento posterior a 10/03/2003, todo o montante requerido por meio do presente processo administrativo está decaído. No que tange à argumentação da Recorrente a respeito da utilização da Resolução do Senado como dies a quo do prazo decadencial de seu direito, melhor sorte não lhe assiste. A Resolução do Senado foi positivada no artigo 52, inciso X da atual Constituição, nos seguintes termos: “compete privativamente ao Senado Federal: […] suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal.” Tal instrumento está presente no direito brasileiro desde a promulgação da Constituição de 1934. Tratase, paralelamente à “súmula vinculante” e à “repercussão geral”, de forma a dar eficácia ampla às decisões proferidas em grau de recurso com caráter definitivo pelo controle de constitucionalidade incidental (difuso e concreto) do STF. Assim, os efeitos que eram somente inter partes passam a ser erga omnes, depois de editada a resolução do Senado. 3 Nesse sentido, a resolução do Senado constitui meio de reconhecimento do indébito tributário, como decorrência da declaração de inconstitucionalidade da lei que institui o tributo, com efeito erga omnes e, por isso, já foi tida pela jurisprudência, tanto judicial (REsp 553.887/RJ; Agravo Regimental no REsp 267.718/DF; REsp 509.897/DF) como administrativa (Acórdão 10246584, Acórdão 201.78172), como marco inicial para a contagem do prazo de do direito à restituição de indébito decorrente da declaração de inconstitucionalidade de lei, nos moldes do artigo 168 do CTN. Contudo, aqui mais uma vez o entendimento das Corte Superiores e do CARF foi alterado. Com efeito, conforme os EmbDiv no Resp 435.835 e Resp 617.536, o STJ passou a entender que a decisão de inconstitucionalidade não tem o condão de renovar prazos extintivos, haja vista que tal efeito geraria enorme insegurança jurídica, contrariando, inclusive, a lógica da própria existência desses tipos de prazo (decadência e prescrição), bem como a literalidade do artigo 168, inciso I do CTN, que fala da "data da extinção do crédito tributário", a qual é justamente o pagamento do tributo (artigo 156, inciso I) e não a sua declaração de inconstitucionalidade. Vejase: RECURSO ESPECIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. NÃOAPLICAÇÃO DO ART. 3º DA LC N. 118/2005 ÀS AÇÕES AJUIZADAS ANTERIORMENTE AO INÍCIO DA VIGÊNCIA DA MENCIONADA LEI COMPLEMENTAR. 3 Com os novos instrumentos para a expansão dos efeitos da decisão proferida em ações individuais julgada pelo Supremo, atualmente é raro o uso resolução do Senado. Todavia, não foi sempre assim. A Resolução n. 10/2005, citada pela Recorrente, é um exemplo do uso desse instrumento. Fl. 60DF CARF MF 8 ENTENDIMENTO DA COLENDA PRIMEIRA SEÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIVERSOS SOMENTE APÓS O ADVENTO DA LEI N. 10.637/2002. COMPENSAÇÃO COM PARCELAS VENCIDAS E VINCENDAS. CABIMENTO. No entender deste Relator, nas hipóteses de restituição ou compensação de tributos declarados inconstitucionais pelo Excelso Supremo Tribunal Federal, o termo a quo do prazo prescricional é a data do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou a publicação da Resolução do Senado Federal, caso a declaração de inconstitucionalidade tenhase dado em controle difuso de constitucionalidade (vejase, a esse respeito, o REsp 534.986/SC, Relator p/acórdão este Magistrado, DJ 15.3.2004, entre outros). A egrégia Primeira Seção deste colendo Superior Tribunal de Justiça, porém, na assentada de 24 de março de 2004, houve por bem afastar, por maioria, a tese acima esposada, para adotar o entendimento segundo o qual, para as hipóteses de devolução de tributos sujeitos à homologação declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, a prescrição do direito de pleitear a restituição se dá após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita (EREsp 435.835/SC, Rel. p/acórdão Min. José Delgado – cf. Informativo de Jurisprudência do STJ 203, de 22 a 26 de março de 2004). Salientese, outrossim, que é inaplicável à espécie a previsão do artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 9 de fevereiro de 2005, uma vez que a douta Seção de Direito Público deste Sodalício, na sessão de 27.4.2005, sedimentou o posicionamento segundo o qual o mencionado dispositivo legal se aplica apenas às ações ajuizadas posteriormente ao prazo de cento e vinte dias (vacatio legis) da publicação da referida Lei Complementar (EREsp 327.043/DF, Rel. Min. João Otávio de Noronha). Dessarte, na hipótese em exame, em que a ação foi ajuizada anteriormente ao início da vigência da LC n. 118/2005, deve sermantido o entendimento da Corte de origem, que fixou o prazo prescricional qüinqüenal a partir da homologação tácita ou expressado lançamento. […] Recurso especial provido em parte, a fim de afastar a compensação do FINSOCIAL com tributos de natureza diversa.” (Recurso Especial 741.272/PE. Relator: Ministro Franciulli Netto. Julgamento: 09 ago. 2005. Órgão Julgador: Segunda Turma. Publicação: DJ, 21 mar. 2006, p. 119). O CARF também passou a proferir decisões segundo as quais “o direito à restituição de tributos pagos a maior ou indevidamente, seja qual for o motivo (inconstitucionalidade de lei tributária, pagamento indevido por erro do sujeito passivo, etc.) extinguese o prazo de cinco anos contados da extinção do crédito tributário pelo pagamento, a teor do artigo 168, I do CTN.” (Acórdão 20401422). Inclusive este Colegiado já decidiu por unanimidade nesse sentido, conforme se depreende da ementa do Acórdão a seguir colacionado: Ementa(s) Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13951.000150/200881 Acórdão n.º 3402004.918 S3C4T2 Fl. 115 9 REPETIÇÃO DE INDÉBITO/COMPENSAÇÃO Período de apuração: 01/03/1994 a 31/10/1995 PIS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. A decadência do direito de pleitear o reconhecimento de direito creditório, para fins de restituição/compensação, ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e retirada do mundo jurídico por Resolução do Senado Federal. COMPENSAÇÃO REQUISITOS Só há que se falar em compensação quando os eventuais créditos do contribuinte são certos quanto à sua existência e líquidos quanto ao seu valor. (Processo 10805.000948/200576, Data da Sessão 03/02/2010, Relator(a) Jorge Lock Freire, Acórdão 3402 00.436) Sobre o acerto do citado entendimento, este já foi anteriormente objeto de minha manifestação, a qual reproduzo a seguir4 O dever de o Fisco restituir tributos inconstitucionais está contido no artigo 165, inciso I do Código Tributário, dentre as espécies de “cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido”, o que torna imperiosa a utilização da regra estampada no artigo 168 inciso I do CTN para a contagem do referido prazo, haja vista que este último expressamente impõe sua utilização para as hipóteses de indébito previstas no artigo 165, inciso I. A leitura conjunta dos dispositivos em comento esclarece o ponto. (...) Em suma: por se tratar de caso de restituição de tributo inconstitucional, constante do artigo 165, inciso I do CTN, imperiosa se faz a utilização do artigo 168, inciso I, do mesmo Codex para a contagem do prazo de prescrição. Por conseguinte, necessariamente há de se contar a partir do extinção do crédito tributário” os cinco anos estabelecidos como limite antes da ocorrência do fenômeno da prescrição. (...) Dentre as causas extintivas do crédito tributário, o “pagamento” foi o marco escolhido pelo sistema jurídico para delimitar o início do prazo prescricional das ações de repetição de indébito, inclusive aquelas advindas de pagamento de exações inconstitucionais. 4 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015, p. 263 a 266. Fl. 62DF CARF MF 10 Dessarte, mais uma vez constatase a decadência in casu, uma vez que a existência de Resolução do Senado sobre a matéria não altera o prazo decadencial do contribuinte requerer administrativamente a restituição do indébito tributário decorrente de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Estando fulminado pela decadência o direito à restituição do indébito, despicienda a análise da existência ou não de pagamento in casu. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 63DF CARF MF
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