Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 15586.001578/2010-05
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/07/2010
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/07/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 15586.001578/2010-05
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200633
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.186
nome_arquivo_s : Decisao_15586001578201005.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15586001578201005_5200633.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
id : 4539022
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395482099712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001578/201005 Recurso nº 15.586.001578201005 Voluntário Acórdão nº 2803002.186 – 3ª Turma Especial Sessão de 13 de março de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente ICAPEL INDÚSTRIA CAPIXABA DE PAPEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/07/2010 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. 1. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. 2. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 15 78 /2 01 0- 05 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001578/201005 Acórdão n.º 2803002.186 S2TE03 Fl. 3 2 Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001578/201005 Acórdão n.º 2803002.186 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por infringência ao artigo 33, §§ 2º e 3º da lei 8.212/1991, na redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c artigo 233, parágrafo único do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, tendo em vista que a empresa deixou de exibir documentos ou livros relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 30 de junho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. Ao deixar de exibir à Fiscalização documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, a empresa incorre em infração à legislação e descumpre a obrigação acessória. Art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/1991, c/c arts. 232 e 233, § único do Decreto 3.048/1999. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A Auditoria informa que não teria sido possível contatar a empresa no endereço indicado como domicílio tributário desde a sua fundação. Assim, notifica do último termo de posse da administração (fls. 70), em nome do Sr. Emílio Gonçalves Filgueiros, como Diretor financeiro, sendo este o único componente da diretoria desde então. De acordo com o Relatório Fiscal, a auditoria fez contato telefônico com acionista não investido da função de administrador à época, sendo solicitado que a empresa apresentasse à Fiscalização o comprovante de inscrição no CNPJ; DARF; GPS; DIRF; DIPJ, Estatuto Social; Recibo de férias; Registro de Ponto, livros Diário nºs 16, 17 e 18/2007; Livros Razão nºs 15, 16 e 17/2007; acordos coletivos e convenções e comprovantes de parcelamento de contribuições previdenciárias. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001578/201005 Acórdão n.º 2803002.186 S2TE03 Fl. 5 4 Diante do exposto, requer dignese Vossa Senhoria em: a) Receber o presente, haja vista ser adequado e tempestivo, mantendo a suspensão do crédito tributário ex vi do artigo 151, inciso III, do CTN; b) Conhecer o presente Recurso Voluntário para reformar a decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, julgando totalmente provido o recurso para reconhecer a violação do princípio da segurança jurídica, declarando a nulidade do procedimento fiscal e insubsistência do auto de infração por ausência de subsunção do fato a norma, bem como a não ocorrência do fato gerador ficto ou real do gravame, afastando a incidência da multa punitiva e, assim, cancelar do débito fiscal. c) Subsidiariamente, que seja declarada a responsabilidade tributária por sucessão da INSEPA INDÚSTRIA SERRANA DE PAPEL LTDA, nos termos do art. 133 do CTN. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001578/201005 Acórdão n.º 2803002.186 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o item 6.5 (fl. 81) da decisão recorrida, o contribuinte recebeu os TIPF e TIF por intermédio de procurador constituído pelo presidente da empresa fiscalizada. Consta ainda na decisão recorrida, no seu item 6.4, o seguinte: Diferentemente do alegado pela impugnante, tais documentos solicitados e não apresentados são, como se observa a seguir, profundamente “vinculados com o suporte fático à identificação e quantificação do fato gerador” das contribuições previdenciárias lançadas, razão por que improcede a tentativa da defesa de desqualificar o trabalho fiscal. Como se pode observar, o contribuinte descumpriu exigência prevista na legislação de regência, não exibindo a documentação requerida pela fiscalização. Pelo motivo delineado no parágrafo anterior, de acordo com a fiscalização, a empresa incorreu em infração ao art. 33, §§ 2º e 3º, da lei nº 8.212/91, c/c os art. 232 e art. 233, parágrafo único do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A apresentação de documentos de forma deficiente ou a sua não apresentação é motivo para a fiscalização efetivar o lançamento. Nestes autos, independentemente de as verbas terem ou não natureza tributária, a recorrente é obrigada a apresentar a documentação requisitada pela fiscalização. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe da culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei nº 8.212/91 está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando, pois, totalmente válida e devendo ser obedecida pelas autoridades administrativas. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001578/201005 Acórdão n.º 2803002.186 S2TE03 Fl. 7 6 Por último, a autuação objeto do presente recurso foi executada de acordo com os preceitos legais atinentes à matéria e o Auto de Infração lavrado contém todos os elementos essenciais à sua validade, conforme dispõe o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, devendo ser mantido na sua integralidade, tendo em vista que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 5/03/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10218.000101/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO.
Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, devendo ser retirado do pólo passivo da obrigação tributária a pessoa interposta por não ser responsável pelo débito, mantendo-se o devedor principal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.358
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para excluir Virginia Márcia Machado de Sousa do pólo passivo do crédito tributário, mantendo integralmente o crédito tributário em relação ao responsável Antonio Lucena Barros.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, devendo ser retirado do pólo passivo da obrigação tributária a pessoa interposta por não ser responsável pelo débito, mantendo-se o devedor principal. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10218.000101/2006-92
conteudo_id_s : 5213339
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.358
nome_arquivo_s : Decisao_10218000101200692.pdf
nome_relator_s : RUBENS MAURICIO CARVALHO
nome_arquivo_pdf_s : 10218000101200692_5213339.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para excluir Virginia Márcia Machado de Sousa do pólo passivo do crédito tributário, mantendo integralmente o crédito tributário em relação ao responsável Antonio Lucena Barros.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
id : 4565640
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395485245440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 723 1 722 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.000101/200692 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 210201.358 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de junho de 2011 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente VIRGINIA MARCIA MACHADO DE SOUZA ANTONIO LUCENA BARROS RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, devendo ser retirado do pólo passivo da obrigação tributária a pessoa interposta por não ser responsável pelo débito, mantendose o devedor principal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para excluir Virginia Márcia Machado de Sousa do pólo passivo do crédito tributário, mantendo integralmente o crédito tributário em relação ao responsável Antonio Lucena Barros. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10218.000101/200692 Acórdão n.º 210201.358 S2C1T2 Fl. 724 2 EDITADO EM: 16/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 620 a 624 da instância a quo, in verbis: Trata o presente processo de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) referente ao exercício de 2004. A Fiscalização apurou a seguinte infração: a) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. 2. Inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 24.02.2006 (fl. 297, verso), o contribuinte apresentou impugnação em 15.03.2006 (fls. 306/324) alegando: a) Que a descrição dos fatos contida no auto de infração não traria o relato claro, preciso, objetivo e pormenorizado dos fatos que deram origem ao lançamento, o que caracterizaria cerceamento do direito de defesa; b) Que os valores que constam do auto de infração não corresponderiam aos discriminados no Termo de Verificação Fiscal; c) Que os valores referentes aos períodos de janeiro a março seriam relativos ao anocalendário de 2004, e não ao de 2003; d) Que o lançamento seria nulo em decorrência do cerceamento do direito de defesa; e) Que teria havido erro na identificação do sujeito passivo, pois os valores depositados pertenceriam exclusivamente ao Sr. Antônio Lucena Barros; f) Que todos os valores depositados foram utilizados para pagamentos de despesas e obrigações do Sr. Antonio Lucena Barros; g) Que exerceria o cargo de secretária executiva do Sr. Lucena, e que agiria como uma espécie de tesoureira, efetuando pagamentos referentes à funcionários, obrigações fiscais, despesas de manutenção e outros gastos necessários ao andamento de suas atividades agropecuárias; Fl. 2DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10218.000101/200692 Acórdão n.º 210201.358 S2C1T2 Fl. 725 3 h) Que, por gozar de absoluta confiança do Sr. Lucena, utilizaria procurações para movimentar suas contas bancárias e também as contas de suas empresas, a fim de efetuar os pagamentos que fossem necessários; i) Que manteria um relatório geral de controle dos depósitos feitos pelo Sr. Lucena; j) Que teria juntado aos autos amostras da origem dos depósitos e das saídas das contas bancárias. 3. Por fim, requereu: a) Que fosse declarada, preliminarmente, a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e por erro na identificação do sujeito passivo; b) Que, caso fossem ultrapassadas as preliminares, fosse o lançamento considerado improcedente; c) Que, se os documentos juntados fossem considerados insuficientes, fosse determinada a realização de diligência. 4. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de cerceamento de defesa e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, retirando da base de cálculo os depósitos de anocalendário posterior ao lançamento, mantendo parcialmente o crédito consignado no auto de infração, considerando que os demais argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos remanescentes postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. DILIGÊNCIA. A realização de diligência não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10218.000101/200692 Acórdão n.º 210201.358 S2C1T2 Fl. 726 4 Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls.634 a 644 e fls. 671 a 722, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. A impugnante ratifica a existência de NULIDADE DO LANÇAMENTO, em razão de vício formal no procedimento de fiscalização que vicia totalmente o processo, já que é flagrante o erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária capitulada no presente processo, conforme adiante será demonstrado. II. Desde o início da fiscalização, bem como na peça de impugnação, a recorrente sempre afirmou que os recursos que transitaram pelas contas bancárias auditadas não lhe pertenciam mas, sim, ao Sr. Antonio Lucena Barros, entretanto, estranhamente, muito embora o próprio AFRFB tenha concluído pela existência de "solidariedade passiva" do aludido contribuinte, sequer o polarizou no auto de infração, o que, aliás, também passou totalmente desapercebido pela decisão singular que, simplesmente, desconsiderou as assertivas da impugnante, ora recorrente, de que era evidente o erro na identificação do sujeito passivo. III. que todos os depósitos selecionados pelo fisco na ação fiscal ora impugnada tiveram origem na pessoa do Sr.° Antônio Lucena Barros para cobertura de despesas relacionadas com suas atividades agropecuárias e outras, as quais ficavam a cargo da recorrente, que desempenhava as funções de secretária executiva, conforme se demonstrou acima e nos documentos constantes dos autos, o que, repetese, já era do pleno conhecimento da auditoria fiscal desde seu início, conforme se pode verificar do "Termo de Verificação Fiscal" que acompanhou o auto de infração. Com o Recurso apresentou novos documentos para comprovar as suas razões, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Da análise do processo, de fato, durante o procedimento fiscal, a Fiscalização, no intuito de confirmar as alegações do contribuinte de que sua movimentação financeira no período examinado teve origem na atividade de secretária/tesoureira do Sr.° Antônio Lucena Barros para cobertura de despesas relacionadas com suas atividades agropecuárias e outras comercial, lavrou o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 289/290 atestando que foi verificado pela documentação apensada aos autos que o Sr. Antonio Lucena de Barros teve relação direta e teve total responsabilidades com os fatos geradores constantes na autuação. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10218.000101/200692 Acórdão n.º 210201.358 S2C1T2 Fl. 727 5 Os referidos documentos são contratos de compra e venda, cessões de direito, declarações registradas em cartório, notas fiscais, comprovantes de depósitos, procurações públicas, pagamentos de GPS, pagamentos de notas fiscais, recibos, boletos bancários, quitações de rescisão trabalhista, tudo em nome do Sr. Antônio Lucena Barros. Por exemplo, á fl. 591, há prova direta que a autuada quitou via sua conta bancária conta das Centrais Elétricas do Pará S.A. do Sr. Antônio Lucena Barros diretamente da sua conta bancário no Banco do Brasil, 25179, cujos depósitos foram considerados omissos. Dos fatos acima narrados e da análise dos autos, é forçoso concluir que a contribuinte efetivamente desenvolveu e utilizou a sua contacorrente exclusivamente na atividade de secretária/tesoureira atuando nos negócios e em nome do Sr. Antônio Lucena Barros. Entretanto, embora conhecedora dos fatos acima narrados, a autoridade autuante, sem conhecimentos dos documentos anexados após a autuação, encerrou o procedimento fiscal e lavrou o Auto de Infração, exigindo da contribuinte imposto de renda sobre omissão de rendimentos, caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada.. Ocorre que a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, diz o seguinte: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5oQuando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Dessa forma, caracterizada a Sra. Virginia Márcia Machado De Souza, como interposta pessoa, voto pela sua retirada da sujeição passiva do presente lançamento, conforme o que reza o §5o do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, supra. De outro lado, permanece como responsável tributário pela exação, o Responsável Solidário, o Sr. Antônio Lucena Barros conforme o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 289/290. Ressalto que considerando a ausência de qualquer manifestação impugnativa, por parte do Sr. Antônio Lucena Barros, desde a sujeição passiva e da ciência da respectiva autuação, fl. 295verso, datada de 24/02/2006, declaro precluso seus direitos de recurso administrativo e determino a exigência tributária definitiva, devendose prosseguir na cobrança administrativa em nome do Sr. Antônio Lucena Barros. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja retirada do pólo passivo Sra. Virginia Márcia Machado de Souza, permanecendo o responsável Sr. Antônio Lucena Barros. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10218.000101/200692 Acórdão n.º 210201.358 S2C1T2 Fl. 728 6 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 16/03/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000362/2009-29
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que autoridade lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Recorrente. Após a manifestação da autoridade fiscal, determina-se que a recorrente seja intimada a manifestar-se no prazo de 30(trinta) dias, para somente depois, com ou sem manifestação, devolva-se os autos para julgamento.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 13864.000362/2009-29
conteudo_id_s : 6424261
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 15 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2803-000.154
nome_arquivo_s : 280300154_13864000362200929_201301.pdf
nome_relator_s : GUSTAVO VETTORATO
nome_arquivo_pdf_s : 13864000362200929_6424261.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que autoridade lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Recorrente. Após a manifestação da autoridade fiscal, determina-se que a recorrente seja intimada a manifestar-se no prazo de 30(trinta) dias, para somente depois, com ou sem manifestação, devolva-se os autos para julgamento.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
id : 4555025
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395514605568
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-03-30T11:21:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: APV2803_13864000362200929_Diligencia.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 0.9.3; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: Administrador; dcterms:created: 2013-03-30T14:21:06Z; Last-Modified: 2013-03-30T11:21:06Z; dcterms:modified: 2013-03-30T11:21:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: APV2803_13864000362200929_Diligencia.pdf; xmpMM:DocumentID: 8f94a0c4-9ba0-11e2-0000-5b94b8ad80e1; Last-Save-Date: 2013-03-30T11:21:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 0.9.3; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-03-30T11:21:06Z; meta:save-date: 2013-03-30T11:21:06Z; pdf:encrypted: true; dc:title: APV2803_13864000362200929_Diligencia.pdf; modified: 2013-03-30T11:21:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: Administrador; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: Administrador; meta:author: Administrador; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-03-30T14:21:06Z; created: 2013-03-30T14:21:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2013-03-30T14:21:06Z; pdf:charsPerPage: 2824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: Administrador; producer: GPL Ghostscript 8.54; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 8.54; pdf:docinfo:created: 2013-03-30T14:21:06Z | Conteúdo => S2-TE03 Fl. 6.751 1 6.750 S2-TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000362/2009-29 Recurso nº 13.864.000362200929Voluntário Resolução nº 2803-000.154 – 3ª Turma Especial Data 23 de janeiro de 2013 Assunto Solicitação de Diligëncia Recorrente ENGESEG - EMPRESA DE VIGILÂNCIA COMPUTADORIZADA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que autoridade lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Recorrente. Após a manifestação da autoridade fiscal, determina-se que a recorrente seja intimada a manifestar-se no prazo de 30(trinta) dias, para somente depois, com ou sem manifestação, devolva-se os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O GE RA DA N O PG D- CA RF PR OC ES SO 13 86 4.0 00 36 2/2 00 9- 29 Fl. 6.751 Fl. 6.751 RE SO LU ÇÃ O GE RA DA N O PG D- CA RF PR OC ES SO 13 86 4.0 00 36 2/2 00 9- 29 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 13.864.000362200929Voluntário 13.864.000362200929Voluntário 3ª Turma Especial3ª Turma Especial 23 de janeiro de 2013 23 de janeiro de 2013 Solicitação de Diligëncia Solicitação de Diligëncia ENGESEG - EMPRESA DE VIGILÂNCIA COMPUTADORIZADA LTDA. ENGESEG - EMPRESA DE VIGILÂNCIA COMPUTADORIZADA LTDA. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que autoridade julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que autoridade lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Fl. 6751DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 13864.000362/2009-29 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2803-000.154 S2-TE03 Fl. 6.752 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão que manteve lançamento por AIs - Autos de Infraçções nº 37.180.842-1 (13864.000362/2009-29) e 37.180.843-0(13864.000364/2009-18), os lançamentos referem-se a créditos relativos às contribuições previdenciárias (parte patronal) e destinadas a terceiras entidades, relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nas competências de janeiro de 2005 a dezembro de 2005. Tanto em impugnação quanto em recurso voluntário, a recorrente alega, em síntese, que: - as normas sindicais dos Estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul não dispõem sobre a assistência médica/odontológica; - houve erro material na apuração da base de cálculo, como se verifica do cotejo das folhas de pagamento com a Planilha 2, parte integrante do Auto de Infração; - deve ser reconhecida a incompetência material do Auditor-Fiscal para proceder a análise de escrituração contábil, uma vez que o mesmo não possui vínculo junto ao Conselho de Contabilidade; - há conexão do presente com os processos nº 13864.000364/2009-18 e nº 13864.000363/2009-73, razão pela qual devem ser julgados em conjunto; - o legislador complementar, ao tratar das situações jurídicas tributárias afetas aos diferentes estabelecimentos, colacionou, no inciso II, do artigo 127 do Código Tributário Nacional, expressa autonomia e independência jurídica, sobretudo nas situações capazes de ensejar o nascimento de obrigação tributária; - o inciso IV do § 2º do art. 458 da CLT afastou, expressamente, qualquer tentativa de configurar assistência médica/odontológica como resquício de salário in natura; e - as decisões dos Tribunais têm sido nesse sentido, ou seja, que a assistência médica/odontológica possui natureza indenizatória. Assim, os autos vieram à apreciação desta Turma Especial. É o relatório. Fl. 6752DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 13864.000362/2009-29 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2803-000.154 S2-TE03 Fl. 6.753 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I - O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Contudo, a decisão a quo ao apreciar a alegação de diferenças de apuração da base de cálculo, apenas analisou a questão legal, deixando de diligenciar sobre a diferença apontada claramente pela parte, inclusive com apresentação de documentos. Devido ao grande volume de documentos e dados que fundamentam o auto de infração, de dados em contraposição colocados pela parte, bem como pela ausência de instrumentos computacionais de análise disponibilizados aos Conselheiros do CARF/MF, entende-se que o presente julgamento seja convertido em diligência. O objetivo de tal conversão seria a obtenção de manifestação por parte da autoridade lançadora sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação trazida pela Recorrente. A negativa de tal diligência pode incorrer em ofensa ao princípio da verdade material. III – Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência, no sentido de que autoridade lançadora manifeste-se sobre o confronto informação a informação que fundamentou o lançamento com a documentação e diferenças das bases de cálculo apuradas e apontadas pela Recorrente. Após a manifestação da autoridade fiscal, determina-se que a recorrente seja intimada a manifestar-se no prazo de 30(trinta) dias, para somente depois, com ou sem manifestação, devolva-se os autos para julgamento. Sala de Sessões, 23 de janeiro de 2013. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 6753DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 31/03/2013 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/03/2013 por GUSTAVO VETTORATO
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000107/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004,
31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONDOMINIAIS. RESSARCIMENTOS E REEMBOLSOS. RECEITA DA ATIVIDADE. CARACTERIZAÇÃO.
Na apuração do IRPJ pelo lucro presumido, a base de cálculo resulta da aplicação de um percentual definido em lei sobre a receita bruta auferida no período de apuração.
As quantias cobradas dos clientes para arcar com despesas necessárias à realização das operações exigidas pela atividade da empresa prestadora de serviços, integram o preço dos serviços prestados, caracterizando receita da atividade.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. PRAZO PREVISTO NO ART. 24
DA LEI N° 11.457/2007. INAPLICABILIDADE. EXTINÇÃO DO
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.
O art. 24 da Lei nº 11.457/2007, ao fixar o prazo de 360 dias para que sejam proferidas as decisões administrativas, não introduziu nova norma de extinção do crédito tributário. Normas desta natureza são objeto de Lei Complementar (art. 146, III, "b", da Constituição Federal).
Trata-se de prazo impróprio, porquanto inexiste disposição legal que determine sanção aplicável quando constatado o seu descumprimento, ou que o defina como hipótese de extinção do direito da Fazenda sobre o crédito tributário discutido no processo.
Numero da decisão: 1201-000.696
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONDOMINIAIS. RESSARCIMENTOS E REEMBOLSOS. RECEITA DA ATIVIDADE. CARACTERIZAÇÃO. Na apuração do IRPJ pelo lucro presumido, a base de cálculo resulta da aplicação de um percentual definido em lei sobre a receita bruta auferida no período de apuração. As quantias cobradas dos clientes para arcar com despesas necessárias à realização das operações exigidas pela atividade da empresa prestadora de serviços, integram o preço dos serviços prestados, caracterizando receita da atividade. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. PRAZO PREVISTO NO ART. 24 DA LEI N° 11.457/2007. INAPLICABILIDADE. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. O art. 24 da Lei nº 11.457/2007, ao fixar o prazo de 360 dias para que sejam proferidas as decisões administrativas, não introduziu nova norma de extinção do crédito tributário. Normas desta natureza são objeto de Lei Complementar (art. 146, III, "b", da Constituição Federal). Trata-se de prazo impróprio, porquanto inexiste disposição legal que determine sanção aplicável quando constatado o seu descumprimento, ou que o defina como hipótese de extinção do direito da Fazenda sobre o crédito tributário discutido no processo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 15889.000107/2007-61
conteudo_id_s : 5213294
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.696
nome_arquivo_s : Decisao_15889000107200761.pdf
nome_relator_s : CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
nome_arquivo_pdf_s : 15889000107200761_5213294.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4565594
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395539771392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2204; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 219 1 218 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000107/200761 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 120100.696 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de maio de 2012 Matéria NULIDADES OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE Recorrente CONSISTE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONDOMINIAIS. RESSARCIMENTOS E REEMBOLSOS. RECEITA DA ATIVIDADE. CARACTERIZAÇÃO. Na apuração do IRPJ pelo lucro presumido, a base de cálculo resulta da aplicação de um percentual definido em lei sobre a receita bruta auferida no período de apuração. As quantias cobradas dos clientes para arcar com despesas necessárias à realização das operações exigidas pela atividade da empresa prestadora de serviços, integram o preço dos serviços prestados, caracterizando receita da atividade. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. PRAZO PREVISTO NO ART. 24 DA LEI N° 11.457/2007. INAPLICABILIDADE. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. O art. 24 da Lei nº 11.457/2007, ao fixar o prazo de 360 dias para que sejam proferidas as decisões administrativas, não introduziu nova norma de extinção do crédito tributário. Normas desta natureza são objeto de Lei Complementar (art. 146, III, "b", da Constituição Federal). Tratase de prazo impróprio, porquanto inexiste disposição legal que determine sanção aplicável quando constatado o seu descumprimento, ou que o defina como hipótese de extinção do direito da Fazenda sobre o crédito tributário discutido no processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 220 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias, Rafael Correia Fuso e Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto com fundamento no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, em face do Acórdão nº 1434.982, de 22.08.2011, proferido pela e. 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto(SP). Os autos de infração foram lavrados para constituição do crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) (fls. 05/15) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls.16/25), apurados com base no lucro real, no ano calendário 2003, e pelo lucro presumido nos anoscalendário de 2004 e 2005, em razão das seguintes irregularidades apuradas: a) omissão de receitas caracterizada por receitas de prestação de serviços não contabilizadas e não declaradas; e b) falta/insuficiência de recolhimento de imposto de renda e contribuição social, decorrente da falta de declaração em DCTF dos valores a pagar. Regularmente cientificada em 17.04.2007, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 154/180), tendo seu pleito indeferido pela órgão julgador de primeira instância (fls. 262/275). Ante a decisão desfavorável, cientificada em 13.10.2011 (AR de fls. 298), a contribuinte recorre a este Conselho por meio do recurso voluntário (fls. 300/335), protocolizado em 09.11.2011. Em seu apelo, onde reprisa a linha argumentativa tecida na impugnação, apresenta os seguintes questionamentos, em síntese: Preliminarmente: Fl. 343DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 221 3 a) que foi “ultrapassado o prazo de 360 dias previsto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, para que a autoridade administrativa profira decisão administrativa nas defesas e recursos apresentados pelo contribuinte, devendo, pois, ser cancelado o lançamento tributário”; b) que a decisão de primeira instância é nula, já que não foi oportunizada a realização de uma imprescindível perícia contábil no caso em tela; c) que, “ainda que a Recorrente tenha sido excluída do parcelamento celebrado, não houve a necessária imputação dos pagamentos realizados dentro do acordo, devendo, no mínimo, haver o recálculo do débito e a sua comprovação, apropriandose tudo o que já foi pago no parcelamento em questão.” No mérito: d) que “a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não pode abranger valores percebidos a título de ressarcimentos/reembolsos, na media em que não configuram ‘receita bruta’ da empresa”; e) que “com relação ao lucro real do ano de 2003, diante da impossibilidade de aceitação da DIPJ retificadora, por ser intempestiva, deveriam ter sido considerados pela Autoridade Fiscal os valores originalmente declarados pelo contribuinte, que, conforme reconhecido pelo próprio Julgador Tributário, batem exatamente com aqueles valores lançados nos autos de infração”; f) que “devem ser revistos (para maior) os valores pagos e retidos na fonte, mediante a produção de prova pericial (conversão do julgamento em diligência), com o consequente desconto dos valores que eventualmente forem mantidos”; g) que “os valores já autolançados pelo contribuinte (parte incontroversa, correspondente à ‘comissão de administração’) devem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”; e Subsdiariamente: h) que “a tese subsidiária de inconstitucionalidade da desvinculação de 20% da CSLL (DRU) não pode deixar de ser analisada, até porque a Recorrente não almeja a declaração de inconstitucionalidade da exação, mas, justamente, a observância e aplicação do teto constitucional em detrimento da cobrança levada a cabo.” Requer seja provido integralmente seu recurso e totalmente cancelados os autos de infração. É o relatório no essencial. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 222 4 Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/1972 (PAF), razão pela qual dele tomo conhecimento. De início, cumpre consignar que a Recorrente apresenta extenso arrazoado na tentativa de desconstituir os fundamentos da decisão da DRJ. No entanto, releva assinalar que apesar do enfrentamento de várias questões de fato, a defesa deixou de juntar provas documentais de suas alegações. Ainda que seja grande o empenho dos julgadores em verificar a legalidade da atividade de lançamento em sua integralidade, no caso dos autos, o exame estará restrito aos elementos constantes do processo, juntados na fase instrutória. Questões Preliminares a) Prazo de 360 dias para julgar as impugnações Quanto às considerações sobre o art. 24 da Lei nº 11.457/2007, que fixou um prazo de 360 dias para que sejam proferidas as decisões administrativas, cabe esclarecer que esse dispositivo não tem o escopo de promover a extinção ou caducidade do crédito tributário, como pretende a recorrente. Primeiramente, porque este tipo de consequência envolveria matéria a ser tratada por Lei Complementar, conforme art. 146, inciso III, “b”, da Constituição Brasileira. Por outro lado, esse dispositivo não está inserido nem mesmo no capítulo III da referida lei, que trata do Processo Administrativo Fiscal, mas sim no capítulo II, que trata da atuação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, portanto, inaplicável à disciplina deste processo. Como diversos prazos existentes na lei processual brasileira, o prazo do aludido art. 24, é um prazo denominado impróprio, porque a lei não estabelece nenhum tipo de sanção quando constatado o seu descumprimento, muito menos uma sanção que pudesse influenciar o destino do crédito tributário em litígio. De fato, inexiste disposição legal determinando sanção aplicável quando constatado o seu descumprimento, ou que o defina como hipótese de extinção do direito da Fazenda sobre o crédito tributário discutido no processo. Não há dúvida de que é louvável a iniciativa do legislador em exigir eficiência da Administração Pública. No entanto, o dispositivo não é aplicável ao processo administrativo fiscal federal, quando em curso pelas delegacias de julgamento da Receita Federal ou neste Conselho. Devese notar que o aludido art. 24 da Lei nº 11.457/07 é disposição pertencente ao Capitulo II (Da Procuradoria da Fazenda Nacional), ao passo que o Capitulo III é dedicado ao processo administrativo fiscal federal referenciando o Decreto 70.235/72. E nenhum dispositivo há na Lei nº 11.457/07, seja nesse capitulo, seja em outro que Fl. 345DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 223 5 estabelece que o art. 24 seja aplicável ao processo administrativo fiscal federal, regido pelo Decreto 70.235/72. É de se reconhecer, contudo, o excesso de prazo para julgamento da impugnação apresentada. No caso presente, a demora no julgamento (4 anos) não traz perdas consideráveis ao contribuinte, pois a exigibilidade do tributo encontrase suspensa e não há nenhuma consequência negativa desta demora. Ao Fisco, porém, poderá ocorrer prejuízos, uma vez que interessa à Fazenda Pública a pronta solução dos litígios desta natureza. Por tais fundamentos, deve ser afastada esta preliminar. b) Negativa do pedido de perícia A Recorrente requer seja declarada nula a decisão de primeira instância ante a negativa pela autoridade julgadora de seu pedido de perícia contábil. Segundo a defesa, a medida é necessária para se “verificar, com exatidão, os valores que foram retidos pelas fontes pagadoras (clientes), a título de IRRF”. Caso assim não se decida, requer seja o julgamento convertido em diligência. Não obstante as ponderações da defesa, deve ser corroborado o entendimento da DRJ, no sentido de que, no caso dos autos, a perícia não se faz necessária à solução do litígio. Conforme o disposto no Decreto nº 70.235/1972, em seu art. 18, a perícia contábil será realizada quanto a autoridade julgadora entender necessária à adequada instrução processual: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993)” No âmbito do PAF, a prova produzida por meio da perícia ou da diligência, antes de qualquer outro motivo, tem como objetivo firmar o convencimento da autoridade julgadora, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiarse de mais elementos de prova. A perícia é prova de caráter especial, cabível nos casos em que a interpretação dos fatos demanda parecer técnico específico, para o qual o julgador não tenha conhecimento ou não esteja capacitado. A diligência é um procedimento com o objetivo de esclarecer algum ponto obscuro na autuação ou preencher alguma lacuna na descrição dos fatos. Como bem pontuou a autoridade julgadora de primeira instância, “os termos da norma “quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis” estão claramente dirigidos à autoridade julgadora, que, apenas e tão somente quando julgar serem, diligências ou perícias, necessárias, as determinará. Não se trata, portanto, de algum direito do reclamante que deverá, obrigatoriamente, ser respeitado.” Fl. 346DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 224 6 No caso dos autos, por considerar o presente processo munido de todas as informações e documentos necessários e suficientes à formação da convicção daquele órgão julgador, o pleito da Recorrente foi regularmente indeferido, sem que se configurasse cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma e com mais razão, deve ser também indeferido o pedido de conversão do julgamento em diligência, uma vez que a defendente limitouse a pugnar pelo procedimento, sem comprovar nos autos sua efetiva necessidade para a solução do litígio. A necessidade de verificação dos valores exatos que foram retidos pelas fontes pagadoras, deveria ser justificada, ao menos, com a indicação precisa de incorreções verificadas por parte da autoridade fiscal, o que não ocorreu neste caso. Ante estas razões, devese afastar esta preliminar de nulidade da decisão recorrida. c) Não consideração das parcelas pagas no parcelamento Em defesa preliminar a Recorrente, reprisando a argumentação tecida na fase impugnatória, alega cobrança em duplicidade dos tributos. Sustenta que apesar da autoridade julgadora ter reconhecido a existência do parcelamento e de terem sido pagas oito parcelas, “inexiste nos Autos de Infração ora guerreados qualquer demonstrativo de imputação dos pagamentos realizados (...), tornando a cobrança absolutamente ilíquida”. As alegações da Recorrente não encontram guarida no direito aplicável. De início, cumpre registrar que a contribuinte não informa quais os valores efetivamente foram objeto de parcelamento e quais parcelas quitadas foram consideradas indevidamente nos autos de infração. A simples alegação, sem a necessária indicação da suposta incorreção na determinação da base de cálculo pela autoridade lançadora, não é suficiente para apreciação da matéria, caso assim se entendesse, o que não é o caso. Os valores eventualmente pagos pelo contribuinte, conforme apreciação a ser feita pela sua unidade de jurisdição, poderão ser reconhecidos com indébitos tributários e utilizados na compensação dos débitos existentes, inclusive os oriundos deste processo administrativo. A obrigação tributária decorre da lei, cabendo ao contribuinte adimplilas no prazo estabelecido. Não o fazendo, sujeitase ao lançamento de ofício dos valores ainda não oferecidos à tributação. A matéria incluída em parcelamento, em regra, não compõe o montante exigido pelo lançamento, o que não ocorre quando o parcelamento vem a ser cancelado, restituindose a exigibilidade dos débitos na situação anterior. Eventuais valores pagos poderão, caso não tenham ainda sido alocados, ser utilizados para o pagamento de outros débitos da Recorrente. No entanto, este procedimento, a ser realizado pela unidade da administração tributária, não cabe à autoridade julgadora de primeira instância e tampouco a este Conselho. Afasto, portanto, esta preliminar. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 225 7 Mérito Segundo a defesa, a autoridade julgadora de primeira instância teria interpretado erroneamente os seguintes pontos: a) Base de cálculo: exclusão dos valores recebidos a título de ressarcimentos e reembolsos Sustenta a Recorrente que a base de cálculo do IRPJ e da CSLL não pode abranger valores percebidos a título de ressarcimentos/reembolsos, na medida em que não configuram “receita” ou “acréscimo patrimonial” da empresa. A autoridade fiscal teria lançado os tributos nos anoscalendários de 2004 e 2005 considerando uma base de cálculo superior a receita bruta efetiva da Recorrente. Argumenta que discrimina, em suas notas fiscais, os valores percebidos a título de “comissão de administração” daqueles outros recebidos a título de simples “recebimentos com pessoal, encargos e outros” e de “cesta básica/vale transporte” e que tais valores entram apenas transitoriamente pelo caixa da Recorrente, pois, ao mesmo tempo em que aparecem em seus ativos, há um registro de “passivo” correspondente, de igual valor, para o pagamento dos salários e dos encargos. Informa que no caso de suas atividades, a prestação do serviço é remunerada unicamente através das “comissões” e os outros valores cobrados de seus tomadores de serviços, a título de reembolsos, não podem ser confundidos e tratados sob a mesma rubrica. Ao final, a Recorrente acrescenta que “combina com seus clientes a prestar os serviços de fornecimento de mãodeobra (portaria, limpeza, vigilância) mediante uma certa retribuição (proporcional ou fixa, dependendo do contrato e do cliente, chamada de “comissão de administração”), deslocando contratualmente para os seus clientes o pagamento/reembolso pelas despesas decorrentes dos salários e encargos dos empregados.” Quanto a este ponto, entendo que não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Como bem destacado pela autoridade julgadora de primeira instância, para fins de apuração IRPJ e da CSLL, quer no caso de lucro real, quer presumido, quer arbitrado, o conceito de receita bruta é o que está no art. 31, e parágrafo único, da Lei nº 8.981/1995: “Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” (destacouse) Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 226 8 O conceito de receita bruta para fins de imposto de renda abrange, em relação às empresas prestadoras de serviços, o “preço” dos serviços prestados. Assim é que, para fins de apuração do imposto devido, a base de cálculo inclui o chamado “preço dos serviços” na exata acepção dada pela lei, sem qualquer dedução além daquelas legalmente autorizadas. De acordo com o art. 44 do CTN, a base de cálculo do imposto é o montante real, presumido ou arbitrado da renda ou dos proventos tributáveis. No regime de apuração pelo Lucro Presumido, a base de cálculo é determinada, em cada trimestre, mediante a aplicação do percentual correspondente à atividade, sobre a receita bruta auferida no período de apuração. No caso concreto, a Recorrente possui como objeto social “a prestação de serviços de administração, conservação e manutenção de condomínios, conservação e limpeza; carga e descarga; portaria; mãodeobra rural e de construção civil; e outros serviços afins”, conforme os termos constantes no ato de constituição da sociedade. Frente aos documentos juntados aos autos, não se sustenta a argumentação da defesa no sentido de que a receita tributável, por atuar no ramo de prestação de serviços de administração condominiais, seria composta apenas pelo valor correspondente à comissão de administração e que os demais itens, escriturados nas notas fiscais em separado, não integrariam a base de cálculo do imposto, em face de terem sido cobrados de empresas tomadoras do serviço a título de reembolso dos salários, encargos sociais e outros. Reiterese que o conceito de receita bruta aplicável para fins do imposto de renda é o previsto no art. 31 da Lei n° 8.981, de 1995, acima reproduzido, não comportando qualquer dedução na apuração do lucro presumido. O custo da mãodeobra, cobrado destacadamente segundo a defesa, na verdade, integra o preço dos serviços por ela prestados, e o seu destaque na nota fiscal é mera formalidade escritural, o que não autoriza a Recorrente deduzir os pagamentos recebidos de seus clientes da receita bruta auferida. Para fins de incidência tributária, a denominação dada pelo contribuinte de ressarcimento (reembolso) de despesas, não desnatura a base de cálculo do imposto. Tais valores são, na verdade, custos e despesas incorridos na realização dos serviços que presta. E, por ausência de disposição legal expressa, não podem ser deduzidos da base de cálculo. Ademais, o entendimento de que os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores, inclusive temporários, não podem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, esta pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme se verifica pelo Acórdão proferido no Resp nº 1.176.749/PR, da relatoria do Ministro Luiz Fux, sessão de 20.04.2010, cuja decisão restou assim ementada, verbis: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DESTINADAS AO CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. "FATURAMENTO" E "RECEITA BRUTA". LEIS COMPLEMENTARES 7/70 E 70/91 E LEIS ORDINÁRIAS 9.718/98, 10.637/02 E 10.833/03. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO QUE OBSERVA REGIMES NORMATIVOS DIVERSOS. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO DE LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA (LEI 6.019/74). VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 227 9 DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO, PELA PRIMEIRA SEÇÃO, DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (RESP 1.141.065/SC). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL E IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES DESTINADOS AO PAGAMENTO DE SALÁRIOS E DEMAIS ENCARGOS TRABALHISTAS DOS TRABALHADORES TEMPORÁRIOS. 1. A base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do regime normativo aplicável (Leis Complementares 7/70 e 70/91 ou Leis ordinárias 10.637/2002 e 10.833/2003), abrange os valores recebidos pelas empresas prestadoras de serviços de locação de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74), a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1.141.065/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 09.12.2009, DJe 01.02.2010). 2. Deveras, a definição de faturamento mensal/receita bruta, à luz das Leis Complementares 7/70 e 70/91, abrange, além das receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, concepção que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal que assentaram a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS pela Lei 9.718/98: RE 390.840, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09.11.2005, DJ 15.08.2006; RE 585.235 RGQO, Rel. Ministro Cezar Peluso, Tribunal Pleno, julgado em 10.09.2008, DJe227 DIVULG 27.11.2008 PUBLIC 28.11.2008; e RE 527.602, Rel. Ministro Eros Grau Rel. p/ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 05.08.2009, DJe213 DIVULG 12.11.2009 PUBLIC 13.11.2009). 3. Por seu turno, com a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovida pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários subsumemse na novel concepção de faturamento mensal (total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil). 4. Consequentemente, a definição de faturamento/receita bruta, no que concerne às empresas prestadoras de serviço de fornecimento de mãodeobra temporária (regidas pela Lei 6.019/74), engloba a totalidade do preço do serviço prestado, nele incluídos os encargos trabalhistas e previdenciários dos trabalhadores para tanto contratados, que constituem custos suportados na atividade empresarial. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 228 10 5. In casu, cuidase de empresa prestadora de serviços de locação de mãodeobra temporária (regida pela Lei 6.019/74 e pelo Decreto 73.841/74, consoante assentado na instância ordinária), razão pela qual, independentemente do regime normativo aplicável, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 6. Outrossim, os valores recebidos a título de pagamento de salários e encargos sociais dos trabalhadores temporários não podem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que: ... todos os tributos em discussão tem por base de cálculo montantes equiparados ou reflexos, isto é há uma base de cálculo maior (faturamento) da qual derivam parcelas dessa mesma base de cálculo (lucro real e líquido) e a solução a ser dada deve ser coerente com essa realidade, salvo se existente alguma peculiaridade na legislação específica de regência. (...) ... não é a circunstância da prestação do serviço que autoriza a dedução ou não da receita da base de cálculo do tributo, mas o ingresso dessa receita a título próprio, que embora sirva para cobrir despesas administrativas, obrigações fiscais e trabalhistas posteriores não desqualifica a destinação da receita: compor o faturamento da pessoa jurídica. Somente havendo previsão legal é que se admite a repercussão jurídica do tributo, o que não é o caso das legislações dos tributos em referência na hipótese de cessão de mãodeobra quando o rendimento auferido (lucro líquido e receita total) pela prestação do serviço é auferido integralmente pela prestadora que também suporta integralmente o ônus fiscal." (REsp 1.088.802/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 24.11.2009, DJe 07.12.2009) 8. Conseqüentemente, em virtude do disposto no artigo 111, do CTN (interpretação restritiva da legislação tributária que verse sobre isenção ou exclusão do crédito tributário), as aludidas parcelas não podem ser excluídas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez inexistente previsão legal expressa. 9. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. 10. Recurso especial empresarial desprovido.” (destacouse) Conforme assentou o Tribunal Superior, não é a circunstância da prestação do serviço que autoriza a dedução ou não da receita da base de cálculo do tributo, mas o ingresso dessa receita a título próprio, que embora sirva para cobrir despesas administrativas, obrigações fiscais e trabalhistas posteriores não desqualifica a destinação da receita que é compor o montante da receita bruta da pessoa jurídica. Por estas razões, rechaço esta argumentação da defendente. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 229 11 b) Do equívoco da autoridade fiscal no cálculo do lucro real do período de 2003 Pretende a Recorrente afastar a exigência relativa ao último trimestre do ano calendário de 2003, período que a autuada apurou o imposto pelo lucro real, aduzindo que a autoridade fiscal não poderia considerar as informações constantes da DIPJ retificadora, apresentada em 09.03.2005, mas os valores da declaração original. Argumenta que a declaração intempestiva não poderia ser aceita, segundo as próprias normas da Receita Federal, pois, em vista dos “Termos de Intimação nº 17761 e 17762” de setembro de 2004, o procedimento fiscal já havia sido instaurado e, desta forma, a declaração retificadora não poderia ter sido recepcionada. Ao final da argumentação, a Recorrente requer a anulação da autuação do IRPJ e da CSLL de 2003, “pois tais valores já foram declarados na DCTF ‘original’ (não retificada)”. Apesar das alegações, nenhum documento foi juntado ao recurso. Tampouco foi comprovada a alegação de que a DCTF do período contempla os valores alcançados pelo lançamento de ofício. Quanto aos termos de intimação, que supostamente teriam retirado a espontaneidade da contribuinte para apresentação da declaração retificadora, o documentos acostados aos autos comprovam justamente o contrário. O procedimento de fiscalização que resultou no presente processo foi autorizado conforme Mandado de Procedimento Fiscal expedido em 27.11.2006, e iniciado conforme Termo lavrado em 01.11.2006, tendo a autuada sido cientificada de ambos em 03.11.2006 (fls. 01 e 32), após, portanto, a entrega da declaração retificadora, cujos efeitos a Recorrente pretende indevidamente afastar. Quanto ao lançamento indevido de valores já declarados, a defesa não logrou êxito em demonstrar quais os valores teriam sido considerados incorretamente pela autoridade fiscal. Por estes motivos, afasto a argumentação da defesa no sentido de que houve equívoco no lançamento, na parte relativa ao período de 2003. c) Da necessidade de prova pericial para conferir os valores retidos pelas fontes pagadoras Alega a defesa, que devem ser revistos (para maior) os valores pagos e retidos na fonte, mediante a produção de prova pericial (conversão do julgamento em diligência), com o consequente desconto dos valores que eventualmente forem mantidos pelo julgamento. Argumenta, em síntese, que a prova pericial é necessária em razão do “grande volume de notas fiscais”, o que teria inviabilizado a sua juntada ao processo. Diz, ainda, que a autoridade fiscal desprezou as referidas notas na apuração do débito e que teria se baseado unicamente nas DIRF constantes dos sistemas da SRF. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 230 12 Apesar do esforço em persuadir o julgador acerca da necessidade da realização da perícia, mediante a conversão do julgamento em diligência, os argumentos trazidos pela defesa não se sustentam. Não há, em sua peça recursal, a indicação precisa de que houve qualquer equívoco por parte da autoridade fiscal, bem como a demonstração, mediante a colação de documentos exemplificativos, de que há valores que deveriam ser reconhecidos pela autoridade lançadora e não o foram. Ademais, tratandose de valores retidos pela fonte pagadora, que consistem em pagamento antecipado do imposto, não há óbice jurídico a que tais importâncias, supostamente não consideradas no lançamento de ofício, venham a ser pleiteadas posteriormente pela Recorrente junto à administração tributária. Observandose os procedimentos regulamentares pertinentes, poderá compensar ou restituir tais valores, caso seja comprovado o indébito. Assim, se mostra incabível o acolhimento do pleito da defesa. d) Da exclusão dos valores “autolançados” (comissão administrativa) Pugna a defesa pela exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores autolançados pela contribuinte. Tratase aqui das mesmas divergências relatadas de forma genérica pela Recorrente, tais como valores cobrados em duplicidade, valores pagos/retidos na fonte, supostamente considerados a menor pela fiscalização e valores lançados em 2004 e 2005, constantes da DIPJ e DCTF, supostamente não abatidos da exigência fiscal. Novamente a defesa alega, sem demonstrar, que para se chegar a tais valores “basta deduzir do valor ‘cheio’ autuado (valor bruto recebido pelo contribuinte) a parte declarada pelo contribuinte (parte incontroversa), correspondente à comissão de administração.” A argumentação em si, não é suficiente para infirmar os pontos sobre os quais se baseou a decisão recorrida. Deveria a defendente aportar aos autos documentos que comprovassem especificamente as incorreções na apuração dos valores lançados de ofício. As alegações lançadas sem a correspondente demonstração não devem e não podem ser acolhidas no julgamento, ante a ausência dos elementos considerados necessários para o reexame. Deste modo, é forçoso o afastamento da argumentação da Recorrente. Pedido subsidiário e) Da inconstitucionalidade da desvinculação de 20% da CSLL (DRU) Por fim, alega a Recorrente que a tese subsidiária de inconstitucionalidade da desvinculação de 20% da CSLL deixou de ser analisada pelo órgão julgador. Segundo a defesa, a CSLL exigida no presente processo deve ser reduzida em 20%, eis que estão sendo cobrados Fl. 353DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 231 13 com a natureza jurídica de imposto (sem destinação específica), violando o disposto no art. 167, inciso IV da Constituição Federal. Pugna pela observância e aplicação do texto constitucional em detrimento da cobrança levada a cabo. Tratase de discussão jurídica acerca da destinação dos recursos arrecadados pela União por meio das contribuições instituídas para o financiamento da seguridade social e, portanto, nitidamente estranha ao processo administrativo fiscal, cujo escopo exclusivo é o controle da legalidade da atividade de lançamento tributário. Mesmo que a discussão não fosse externa aos limites deste processo, as autoridades administrativas não estão autorizadas a se manifestar sobre a inconstitucionalidade das normas vigentes. O fato do órgão julgador administrativo absterse de apreciar arguições de inconstitucionalidade decorre de expresso comando legal contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...)” (destacouse) No âmbito deste Conselho, o entendimento de que os órgãos julgadores administrativos não podem manifestarse sobre matéria constitucional foi pacificado por meio da Súmula CARF nº 2, cuja observância é obrigatória pelos seus membros, conforme o art. 72, caput, do Regimento Interno, verbis: Fl. 354DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000107/200761 Acórdão n.º 120100.696 S1C2T1 Fl. 232 14 Súmula Carf nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A autoridade administrativa não possui, portanto, competência legal para apreciar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cuja prerrogativa pertence exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciário. Desta forma, resta prejudicado o pedido subsidiário da Recorrente, seja por que este Conselho não possui competência para apreciar matéria estranha ao processo administrativo (repartição dos recursos arrecadados com as contribuições sociais), seja pela índole eminentemente constitucional da discussão acerca da chamada “desvinculação das receitas da união” (DRU), como fundamento para descaracterizar a natureza tributária da CSLL em 20%. Por todo o exposto, manifestome no sentido de AFASTAR as preliminares suscitadas para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 355DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900115/2008-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme entendimento firmado pelo E. Supremo Tribunal Federal, em sede de Recurso Extraordinário com repercussão geral, o prazo para pleitear a restituição de crédito tributário realizado antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, é de 10 anos. Aplicando a decisão do STF ao caso, o crédito tributário foi apurado em 1998, declarado em 1999, o contribuinte apresentou Pedido de Compensação em 30.06.2004, portanto, tudo dentro do prazo de 10 anos estabelecido pelo acórdão do STF, atendendo inclusive o artigo 6° da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO. Conforme decidido pelo E. Superior Tribunal de Justiça, em acórdão proferido nos termos do art. 543-C do Código de Processo Civil, não se aplica à compensação tributária o disposto no art. 354 do Código Civil. Recurso conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 1201-000.694
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar a decadência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Rafael Correia Fuso (Relator) e Cristiane Silva Costa que davam provimento integral ao recurso.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201205
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme entendimento firmado pelo E. Supremo Tribunal Federal, em sede de Recurso Extraordinário com repercussão geral, o prazo para pleitear a restituição de crédito tributário realizado antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, é de 10 anos. Aplicando a decisão do STF ao caso, o crédito tributário foi apurado em 1998, declarado em 1999, o contribuinte apresentou Pedido de Compensação em 30.06.2004, portanto, tudo dentro do prazo de 10 anos estabelecido pelo acórdão do STF, atendendo inclusive o artigo 6° da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO. Conforme decidido pelo E. Superior Tribunal de Justiça, em acórdão proferido nos termos do art. 543-C do Código de Processo Civil, não se aplica à compensação tributária o disposto no art. 354 do Código Civil. Recurso conhecido e provido parcialmente.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10882.900115/2008-37
conteudo_id_s : 5217085
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.694
nome_arquivo_s : Decisao_10882900115200837.pdf
nome_relator_s : RAFAEL CORREIA FUSO
nome_arquivo_pdf_s : 10882900115200837_5217085.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar a decadência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Rafael Correia Fuso (Relator) e Cristiane Silva Costa que davam provimento integral ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4567093
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395565985792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 84 1 83 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.900115/200837 Recurso nº 503.784 Voluntário Acórdão nº 120100.694 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2012 Matéria COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ Recorrente ORNARE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. Conforme entendimento firmado pelo E. Supremo Tribunal Federal, em sede de Recurso Extraordinário com repercussão geral, o prazo para pleitear a restituição de crédito tributário realizado antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, é de 10 anos. Aplicando a decisão do STF ao caso, o crédito tributário foi apurado em 1998, declarado em 1999, o contribuinte apresentou Pedido de Compensação em 30.06.2004, portanto, tudo dentro do prazo de 10 anos estabelecido pelo acórdão do STF, atendendo inclusive o artigo 6° da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO. Conforme decidido pelo E. Superior Tribunal de Justiça, em acórdão proferido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, não se aplica à compensação tributária o disposto no art. 354 do Código Civil. Recurso conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para afastar a decadência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Rafael Correia Fuso (Relator) e Cristiane Silva Costa que davam provimento integral ao recurso. (documento assinado digitalmente) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.900115/200837 Acórdão n.º 120100.694 S1C2T1 Fl. 85 2 FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. (documento assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Cristiane Silva Costa e Régis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de Pedido de Compensação entregue pela contribuinte em 30.06.2004, em que pleiteia a utilização de saldo negativo de IRPJ apurado em razão de recolhimento de estimativa no ano calendário de 1998, com débitos de IRPJ de dezembro/2003 e maio/2004 e CSLL de dezembro/2003 e maio/2004. A decisão eletrônica da DRF foi recebida pela contribuinte em 19.03.2008, informando que o saldo negativo encontravase decaído em razão do prazo de 5 anos. Com isso, não se homologou a compensação. Em 17.04.2008, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: a) a contagem do prazo decadencial deve ser efetuada a partir do primeiro dia do mês seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, como reza o artigo 173, I, do CTN, ou seja, após o prazo de entrega da DIPJ; b) com isso, considerando que o prazo final para a entrega da DIPJ de 1999, ano calendário de 1998, teve como prazo final de entrega desse documento o dia 29.10.1999, nos termos da IN n° 118/99, o que implica na contagem do prazo decadencial a partir dessa data; c) alega que o prazo para se pleitear a restituição do indébito seria de 10 anos contados do pagamento indevido (tese dos 5 + 5), sendo que o pedido de restituição/compensação ocorreu em data anterior à edição da LC n° 118/2005, que deu interpretação ao disposto no artigo 168, inciso I, do CTN; d) cita jurisprudência da 1ª Seção do STJ; e) afirma que o prazo decadencial de 5 anos só se aplica nas hipóteses de repetição de indébito após a LC n° 118/2005, sendo vedada a retroatividade dessa regra; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.900115/200837 Acórdão n.º 120100.694 S1C2T1 Fl. 86 3 f) com isso, quando da compensação efetuada pela Manifestante, não havia transcorrido o prazo para a restituição do indébito pela compensação; g) menciona ainda a ilegalidade do método de imputação proporcional para compensar o crédito com débito fiscal usado pela fiscalização; h) nesse método, o crédito é rapidamente consumido, mesmo antes de esgotados os juros que o valor principal do crédito rendeu, já se consome o principal, o qual passará a render cada vez menos juros; i) o artigo 354 do Código Civil prevê expressamente que a imputação deve ser feita primeiramente nos juros, para depois ir ao principal; j) sobre essa matéria cita jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes; k) em seu pedido, requereu a reforma do despacho decisório recorrido, e que seja admitida e homologada a compensação. A DRJ de Campinas indeferiu o pedido, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. O direito de pleitear restituição, ou utilizar indébito em compensação, extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 do CTN. SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. As antecipações convertemse em pagamento extintivo do crédito tributário no encerramento do período de apuração, momento a partir do qual, se superiores ao tributo ou contribuição incidente sobre o lucro apurado, constituem indébito passível de restituição ou compensação. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.900115/200837 Acórdão n.º 120100.694 S1C2T1 Fl. 87 4 A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida A contribuinte foi intimada da decisão em 10.09.2009, tendo apresentado Recurso Voluntário em face da decisão em 09.10.2009, alegando em síntese que: a) Afirma que o exercício do direito de compensar o saldo negativo de IRPJ tem seu prazo inicial na data da entrega da Declaração de Rendimentos, pelo qual o contribuinte informa ao Fisco a sua apuração de IRPJ e, consequentemente, o montante de seu saldo negativo; b) Isto porque, é somente com a entrega da referida declaração que se tem conhecimento da ocorrência do lançamento por homologação, tornandose possível ao Fisco revisálo. Uma vez devidamente informada ao Fisco a existência de saldo negativo, podese proceder a sua restituição/compensação; c) É o que se depreende do artigo 6°, da Lei n° 9.430/96. d) Extraise da leitura deste dispositivo que após a entrega da declaração de rendimentos é que se pode proceder à restituição do saldo negativo de IRPJ. Como corolário lógico, o exercício do direito de compensar iniciase nesta mesma data, até porque o artigo 74 desta mesma lei, ao instituir a compensação, determina que se pode compensar somente aqueles valores passíveis de restituição; e) Se somente podese compensar aquilo que é passível de restituição, e o saldo negativo de IRPJ apenas pode ser restituído após a entrega da Declaração de Rendimentos, temse necessariamente que o saldo negativo de IRPJ só pode ser compensado depois da entrega de tal declaração; f) No presente caso, o prazo final para a entrega da declaração de rendimentos referente ao exercício de 1998 foi o dia 29 de outubro de 1999, ao passo que a DCOMP foi apresenta em 30/06/2004, ou seja, antes de completados os 5 (cinco) anos contados da efetiva entrega da declaração de rendimentos, não havendo o que se falar em perda do direito à compensação; g) Segundo o entendimento do Despacho Decisório, corroborado pela D. DRJ, como o saldo negativo de IRPJ referese ao ano calendário de 1998, este poderia ser pleiteado a partir do primeiro dia do exercício seguinte, em 01/01/1999. E, conforme o art. 168, I, do Código Tributário Nacional ("CTN"), o prazo para pleitear a restituição de tributos extinguese em 5 anos a partir da extinção do crédito tributário; h) Por isso, o Despacho Decisório e as Autoridades da DRJ, consideraram que o prazo para pleitear o crédito em questão Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.900115/200837 Acórdão n.º 120100.694 S1C2T1 Fl. 88 5 teria se encerrado em 01/01/2004, motivo pelo qual indeferiram a compensação efetuada pela Recorrente; i) Ocorre que o artigo 168, inciso I, do mesmo diploma legal, dispõe que o direito à restituição do indébito extinguese no prazo de 5 anos, contados da extinção do crédito tributário, que, no presente caso, não ocorreu em 01/01/1999; j) Com efeito, no caso dos tributos cujo lançamento se dá por homologação, como o IRPJ, até a edição da LC n.° 118/05, a extinção do crédito tributário somente se considerava ocorrida quando da homologação expressa por parte da Fazenda, ou no término do prazo de 5 anos concedido a ela para realizar tal homologação, conforme estabelecido no artigo 150, caput e parágrafo 4°, do CTN3; k) Assim, de acordo com o entendimento então pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça ("STJ") anteriormente à entrada em vigor da mencionada LC n.° 118/05, o prazo para a restituição do indébito, pela aplicação conjunta do artigo 150, parágrafo 4°, e artigo 168, inciso I, ambos do CTN, seria de dez anos a partir do pagamento indevido, nos casos em que não houvesse a expressa homologação do pagamento (é a denominada "tese dos cinco mais cinco"); l) Contudo, após a promulgação da LC n.° 118/05, a compensação dos tributos indevidamente recolhidos deve ser pleiteada em até 5 anos do efetivo pagamento, sem que seja levada em consideração a respectiva homologação. E assim se dá em virtude do disposto no artigo 3° da mencionada Lei Complementar, que reduziu o prazo para o pedido de restituição de indébitos; m) Ocorre que esta disposição se aplica apenas e tão somente aos pagamentos efetuados após a vigência da LC n.° 118/05. Desta maneira, no que tange aos pagamentos efetuados a maior antes da entrada em vigor da Lei Complementar em questão, como no presente caso, o prazo para o pleito de Compensação destes valores continua sendo de 5 anos a contar da sua homologação, seja expressa ou tácita; n) Por isso, como no presente caso não houve a homologação expressa do saldo negativo de IRPJ compensado, o prazo para a sua compensação se iniciou 5 anos após a homologação tácita, que se deu em 01/01/2004. Assim, quando da compensação efetuada pela Recorrente no presente caso, não havia transcorrido o prazo para o seu aproveitamento; o) Com efeito, a aplicação retroativa do artigo 3° da LC n.° 118/05, implementada pelo seu artigo 4°, foi afastada em definitivo pelo Poder Judiciário. É o que se depreende do julgamento do EREsp. n.° 644.736/PE, por meio do qual a Corte Especial do STJ declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.900115/200837 Acórdão n.º 120100.694 S1C2T1 Fl. 89 6 Nacional", constante no retrotranscrito art. 4°, segunda parte, da LC n.° 118/05; p) Em síntese, a Recorrente tinha até 1° de janeiro de 2009 para compensar o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1998, segundo o decidido em definitivo pelo STJ, e acompanhado pelo Conselho de Contribuintes; q) Desse modo, impera que esta C. Câmara reconheça a tempestividade da compensação realizada e determine a reforma do Despacho Decisório, a fim de que se homologue a compensação efetuada pela Recorrente; r) Menciona ainda a ilegalidade do método de imputação proporcional para compensar o crédito com débito fiscal usado pela fiscalização; s) Nesse método, o crédito é rapidamente consumido, mesmo antes de esgotados os juros que o valor principal do crédito rendeu, já se consome o principal, o qual passará a render cada vez menos juros; t) O artigo 354 do Código Civil prevê expressamente que a imputação deve ser feita primeiramente nos juros, para depois ir ao principal; u) Sobre essa matéria cita jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes; v) Em seu pedido, requereu o provimento ao Recurso Voluntário, reformando a decisão da DRJ. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Entendo que a decisão da DRJ de Campinas deve ser integralmente reformada, pelas razões a segui expostas. A despeito de não concordar com a tese dos 5 + 5 do STJ, visto que é desprovida de lógica normativa e interpretativa, o fato é que o artigo 62A do Regimento Interno do CARF determina a aplicação das decisões proferidas pelo E. STF em sede de repercussão geral, como ocorreu recentemente com a questão da decadência do direito da repetição de indébito de tributos recolhidos a maior ou indevidamente. Cumpre transcrever ainda o artigo 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.900115/200837 Acórdão n.º 120100.694 S1C2T1 Fl. 90 7 artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, embora o STJ já tenha pacificado a matéria, o fato é que apenas o STF veio dar repercussão geral à questão, vinculando os demais Tribunais quanto ao entendimento da matéria. Vejamos o entendimento consolidado do STJ, julgado pela 1ª Seção, sobre a matéria do prazo decadencial: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos moldes em que pacificado pelo STJ, a corrente dos cinco mais cinco. A ação foi ajuizada em 16/12/1999. Valores recolhidos, a título da exação discutida, em 09/1989. Transcorreu, entre o prazo do recolhimento (contado a partir de 12/1989) e o do ingresso da ação em juízo, o prazo de 10 (dez) anos. lnexiste prescrição sem que tenha havido homologação expressa da Fazenda, atinente ao prazo de 10 (dez) anos (5 + 5), a partir de cada fato gerador da exação tributária, contados para trás, a partir do ajuizamento da ação." Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.900115/200837 Acórdão n.º 120100.694 S1C2T1 Fl. 91 8 (EREsp n.° 435.8351SC, Rel. Ministro José Delgado, 24.03.2004 — os grifos são nossos). Por fim, em 04 de agosto de 2011, o STF encerrou a discussão, reconhecendo o direito dos contribuintes, antes da edição da Lei Complementar n° 118/2005, de repetir indébito tributário no prazo de 10 anos, aplicável tal entendimento ao presente caso (Vide RE 566621, Julgado em 04.08.2011, Rel. Min. Ellen Gracie, Repercussão Geral reconhecida), acórdão esse já transitado em julgado. Aplicando a decisão do STF ao caso em análise, destacase que o crédito tributário foi apurado em 1998, declarado em 1999, o contribuinte apresentou Pedido de Compensação em 30.06.2004, portanto, tudo dentro do prazo de 10 anos estabelecido pelo acórdão do STF, atendendo inclusive o artigo 6° da Lei n° 9.430/96. Por fim, quanto à questão da imputação proporcional, entendo também que assiste razão à Recorrente, considerando o fato da aplicabilidade, de forma subsidiária e para preencher a lacuna legal quanto à metodologia adotada pela Receita Federal, do disposto no artigo 354 do Código Civil. Nesse sentido, é o entendimento da jurisprudência desse E. Tribunal: "IMPUTAÇÃO. Tendo em vista a ausência de lei formal estabelecendo a forma como os contribuintes realizarão a compensação entre créditos e débitos fiscais, notadamente nas situações em que o saldo negativo acumulado for superior ao saldo devedor, é possível a utilização, pela via analógica, das disposições estabelecidas pelo Código Civil, sendo certo que não há como exigirse do contribuinte conduta diversa, uma vez que, como estabelece o inciso II do art. 5° da Constituição Federal "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei", a qual inexiste na situação em tela." (Ac 30238.954, 12.09.2007, g.n.) Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e no mérito DOULHE provimento, para reconhecer o crédito tributário, considerando a não ocorrência da decadência, pois a compensação se deu em 30.06.2004, bem como para considerar que o procedimento de imputação proporcional deva atender o disposto no artigo 354 do Código Civil, por analogia, visto que a legislação tributária não trouxe os arquétipos gerais para que a referida instrução normativa que regulamento o procedimento possa exercer sua funções, não podendo outorgar carta branca ao Secretário da Receita Federal para legislar sobre matéria restrita à lei. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Voto Vencedor Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.900115/200837 Acórdão n.º 120100.694 S1C2T1 Fl. 92 9 Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator designado. Em que pesem as razões expostas pelo ilustre Relator, peço licença para dele divergir quanto à controvérsia sobre a forma de imputação entre créditos e débitos empregada no ato da compensação tributária. Isso porque o abaixo transcrito art. 74, § 12, da Lei nº 9.430/96 (vigente à época dos fatos) expressamente outorgou competência à Secretaria da Receita Federal para disciplinar o disposto no próprio art. 74. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) E no exercício da competência a ela atribuída, a Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, assim disciplinou a questão: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. (...) Isso posto, incabível a aplicação subsidiária do disposto no art. 354 do Código Civil ao caso sob exame, haja vista a existência de norma específica de imputação em matéria de compensação tributária. Esse é também o entendimento do E. STJ, conforme decidido no âmbito do REsp 960239/SC, processado segundo o disposto no art. 543C do CPC, cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10882.900115/200837 Acórdão n.º 120100.694 S1C2T1 Fl. 93 10 COMPENSAÇÃO. IMPUTAÇÃO EM PAGAMENTO. ART. 354 DO CÓDIGO CIVIL. INAPLICABILIDADE. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/09, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. (...) 5. A imputação do pagamento na seara tributária tem regime diverso àquele do direito privado (artigo 354 do Código Civil), inexistindo regra segundo a qual o pagamento parcial imputar seá primeiro sobre os juros para, só depois de findos estes, amortizarse o capital. (Precedentes: REsp 1130033/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2009, DJe 16/12/2009; AgRg no Ag 1005061/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 03/09/2009; AgRg no REsp 1024138/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2008, DJe 04/02/2009; AgRg no REsp 995.166/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/03/2009, DJe 24/03/2009; REsp 970.678/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/12/2008, DJe 11/12/2008; REsp 987.943/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/02/2008, DJ 28/02/2008; AgRg no REsp 971016/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/10/2008, DJe 28/11/2008) (...) Em assim sendo, e em atenção ao disposto no já mencionado art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, esta Turma deverá observar a decisão do E. STJ acima referida. Tendo em vista o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 12/07/2012 por RAFAEL CORREIA FUS O, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.724210/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. Na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997, considera-se custo de aquisição e valor de venda o Valor da Terra Nua - VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14).
Recurso parcialmente procido.
Numero da decisão: 2201-001.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o valor de alienação do imóvel a R$ 2.500.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 26 de fevereiro 2013
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausentes momentaneamente os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira França e Gustavo Lian Haddad.Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. Na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997, considera-se custo de aquisição e valor de venda o Valor da Terra Nua - VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR - DIAT, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). Recurso parcialmente procido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10530.724210/2011-13
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200808
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2201-001.985
nome_arquivo_s : Decisao_10530724210201113.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10530724210201113_5200808.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o valor de alienação do imóvel a R$ 2.500.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 26 de fevereiro 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausentes momentaneamente os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira França e Gustavo Lian Haddad.Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
id : 4539059
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395574374400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1930; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.724210/201113 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.985 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente LEANDRO VOLTER LAURINDO DE CASTILHOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 IRPF. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. Na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997, considerase custo de aquisição e valor de venda o Valor da Terra Nua VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). Recurso parcialmente procido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o valor de alienação do imóvel a R$ 2.500.000,00 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 42 10 /2 01 1- 13 Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 26 de fevereiro 2013 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Rayana Alves de Oliveira França e Ricardo Anderle (suplente convocado). Ausentes momentaneamente os Conselheiros Rayana Alves de Oliveira França e Gustavo Lian Haddad.Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório LEANDRO VOLTER LAURINDO DE CASTILHOS interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSALVADOR/BA (fls. 1279) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 02/09, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a fato gerador ocorrido em 21/10/2008, no valor de R$ 2.393.678,65, acrescido de multa de ofício (qualificada) e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 6.639.346,48. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos. Segundo o relatório fiscal, o ganho de capital referese à alienação do imovel denominado Fazenda Loma, identificado pelo NIRF 3.01914470. O Contribuinte teria adquirido o imóvel, com 3.145 hectares, em 27/11/2003, pelo preço de R$ 550.000,00, e vendido em 21/10/2008, à vista, pelo preço de R$ 21.492.417,00, dos quais, segundo a Escritura Pública, R$ 2.500.000,00 corresponderia à terra nua e R$ 18.992.417,00, às benfeitorias. No ano da aquisição o Contribuinte declarou na DITR o imovel pelo valor total de R$ 1.500.000,00, dos quais R$ 250.000,00 corresponderia ao VTN; no ano da alienação, declarou o imóvel pelo valor total de R$ 12.500.000,00, sendo R$ 2.500.000,00 correspondente ao VTN. Na DIRPF do ano da aquisição, o Contribuinte informou o imóvel na declaração de bens pelo valor de R$ 550.000,00, informação repetida até a DIRPF do anocalendário de 2007, sem que neste período fosse informado qualquer aumento de valor por incorporação de benfeitoria. Na DIRPF do anocalendário de 2008, ano da alienação do impovel, o Contribuinte declarou possuir apenas 30% do imóvel, que declarou pelo valor de R$ 165.000,00 (equivalente a 30% de R$ 550.000,00). A Fiscalização considerou para fins de apuração do ganho de capital a diferença entre o custo de aquisição e o valor de alienação, incluindo neste o valor identificado na escritura de venda como benfeitorias. Observou que o Contriubinte não computou, entre 2003 e 2008, como despesa da atividade rural, valores correspondentes à realização de benfeitorias, hipótese que possibilitaria que, no momento da alienação, o valor correspondente às benfeitorias fossem computados como receitas da atividade rural, apurandose o ganho de capital apenas pela diferença entre o custo de aquisição da terra nua e o valor de alienação da mesma. O lançamento foi realizado com multa qualificada sob a justificativa de que o comprotamento do contribuinte, “tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade tributária federal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e com reflexo na sua obrigação do pagamento do tributo, classificada como sonegação fiscal pelo artigo 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, implica lançamento com multa qualificada, conforme determinado pelo § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.” Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.724210/201113 Acórdão n.º 2201001.985 S2C2T1 Fl. 3 3 O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que devem ser computados os custos dos investimentos realizados no imóvel, devidamente lançados e comprovados, os quais foram custeados exclusivamente com os rendimentos da atividade rural e regularmente deduzidos na apuração do seu resultado; que estes investimentos devem agora ser segregados para a tributação como receitas da atividade rural, em obediência ao princípio da prioridade da verdade material sobre o aspecto formal; que a escritura de venda informa claramente estes investimentos, no total de R$ 18.992.417,00, discriminandoos do valor da terra nua de R$ 2.500.000,00; que tais investimentos compreendem as estruturas fixas, como ascensões e melhoramentos do solo, estruturas, benfeitorias, melhorias e corretivos agregados; que também não foi considerado que detinha somente 30% do imóvel em 2008, como havia declarado, pois fazia parte de um condomínio de pessoas e empresas, com contratos de cessão de direitos e obrigações, com recursos carreados para investimentos e para a exploração das terras, como, por exemplo, pela empresa Agropecuária Tapera Ltda., que assumira o passivo destas atividades e investimentos, como prova a aquisição de pivô de irrigação, conforme Livro Razão em anexo; que não declarou ganho de capital porque não houve ganho, mas sim receita da atividade rural devidamente declarada; que a sua evolução patrimonial, mencionada na autuação, justificase pelas dívidas assumidas, pois na verdade o seu patrimônio líquido se reduzira entre 2003 e 2008. A DRJSALVADOR/BA julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. A partir da análise da legislação aplicável, a DRJSALVADOR/BA resumiu a questão afirmando que a apuração do ganho de capital, no caso da alienação de propriedade rural poderia ser feita de duas formas, conforme as circunstãncias do casos: a) a primeira, como na regra geral da apuração do ganho de capital de outros bens, simplesmentente mediante a apuração da diferença entre o valor total da alienação e o valor total da aquisição; b) a segunda, mediante a comparação entre o custo de aquisição e o valor de alienação apenas do valor da terra nua. Nesta última opção, o Contribuinte teria que ter declarado ao longo do tempo todos os investimentos e benfeitorias como despesas da atividade rural, devendo, quando da alienação, informar o valor correspondente a estes investimentos como receita da atividade rural. Examinando o caso concreto, a DRJ destacou que o Impugnante não integrou qualquer benfeitoria ao custo de aquisição declarado do imóvel, mantendo, ao longo de todo período, o mesmo custo; que também não declarou benfeitorias que diz ter realizado no imóvel nos campos próprios do anexo da atividade rural, como fez com relação a outras fazendas de sua propriedade; que a alegação de que, em 2008, possuía apenas 30% do imóvel não se sustenta, pois não há nenhum documento que comprove a alienação da parte restante, e, ao contrário, na escritura de venda e no registro do imóvel o Contribuinte aparece como único proprietário; que também não se sustenta a alegação de que terceiros teriam assumido passivos na realização de benfeitorias, pela falta de provas, sendo que esta declaração, inclusive, contradiz a alegação anterior de que as despesas com benfeitorias foram deduzidas da atividade rural; que as muitas notas fiscais que apresenta para comprovar os tais investimentos se compõem de notas de compras de despesas correntes, típicas de produção sazonal, que não se incorporam ao valor do imóvel, e como se não bastasse, sua soma é bem inferior aos pretendidos R$ 18.992.417,00. Daí conclui a DRJ que as alegações do Contribuinte não se sustentam nem no plano formal, nem no plano material. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A DRJSALVAROR/BA, em resposta à afirmação do Contribuinte de que não apurou ganho de capital porque não houve tal ganho, afirma que, ainda que se acolhesse a alegação de que foram realizadas as benfeitorias que o Contribuinte diz ter realizado, ainda assim deveria ter sido apurado ganho de capital com base no VTN, e apurado rendimento da atividade rural, mediante declaração como receitas das pretendidas benfeitorias; que no mês da venda, em outubro de 2008, declarou receita da atividade rural de apenas R$ 329.924,00. Quanto à multa qualificada a DRJ concluiu, no mesmo sentido da autoridade lançadora, que a conduta do contribuinte caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a exasperação da penalidade. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 16/01/2012 (fls. 1292) e, em 14/02/2012, interpôs o recurso voluntário de fls. 1294/1307, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Apresenta cópia de livrocaixa da atividade rural referente ao ano de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de exigência de ganho de capital na alienação de imóvel rural. O Contribuinte nada recolheu a título de imposto sobre o ganho de capital, e a fiscalização apurou o imposto considerando a diferença entre o custo total de aquisição do imóvel e o valor total de sua alienação. Cumpre verificar, portanto, à luz dos fatos e da legislação aplicável, se seria devido imposto sobre o ganho de capital e, em caso positivo, qual o seu montante. Examinando a legislação aplicável, verificase que, de acordo com o art. 123 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR), o valor de alienação do imóvel rural é o valor da terra nua, a saber: Art. 123. Considerase valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): (…) § 2º Na alienação de imóvel rural com benfeitorias, será considerado apenas o valor correspondente à terra nua, observado o disposto no art. 136. Já o artigo 136 do mesmo regulamento trata do custo de aquisição dos imóveis rurais: Art. 136. Em relação aos imóveis rurais adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.724210/201113 Acórdão n.º 2201001.985 S2C2T1 Fl. 4 5 considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o Valor da Terra Nua VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19). Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no § 9º do art. 128 (Lei nº 9.393, de 1996, art. 19, parágrafo único). O citado art. 14 da Lei nº 9.393, assim dispõe: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Desse conjunto de normas, fica clara a orientação legal para a apuração do ganho de capital no caso de alienação de imóvel rural: Apurase o ganho de capital apenas com base na diferença entre o custo de aquisição e o valor de alienação da parcela do valor do imóvel correspondente à terra nua, é dizer, o custo de aquisição do imóvel será o Valor da Terra Nua VTN quando da aquisição, e o valor de alienação será o VTN no momento da alienação. Em contrapartida, o contribuinte deveria informar como custo da atividade rural o valor correspondente às benfeitorias realizadas no imóvel durante o tempo de sua propriedade, e como receita da atividade rural o valor correspondente a estas benfeitorias no ano da alienação. Alternativamente, não tendo o Contribuinte lançado as benfeitorias como despesas da atividade rural, estas podem integrar o custo de aquisição. E mais, para imóveis adquiridos a partir de 1997, devem ser considerados na apuração do ITR o VTN informado na DITR do ano da aquisição e da alienação, respectivamente, como custo de aquisição e como valor de alienação. A autoridade lançadora, e, posteriormente, a Turma julgadora de primeira instância, entenderam que, como o contribuinte não registrou como despesas da atividade rural valores correspondentes aos investimentos, e quando da alienação, não lançou como receitas os valores correspondentes às benfeitorias, a apuração do ganho de capital deveria ser feita com base na regra geral para apuração de ganho de capital. É este o entendimento da Secretaria da Receita Federal, manifestado pela Instrução Normativa nº 84, de 2001, a saber: Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Art. 9º Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. § 1º Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. § 2º Os custos a que se refere o § 1º, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Art. 10 . Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8º e 14 da Lei nº 9.393, de 1996. § 1º No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2º Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3º O disposto no § 2º aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). [...] Art. 19 . Considerase valor de alienação [...] VI no caso de imóvel rural com benfeitorias, o valor correspondente: a) exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; b) a todo o imóvel alienado, quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural. Antes de mais nada, cumpre, portanto, verificar qual a metodologia aplicável ao caso de apuração do ganho de capital, se, conforme pretende a autoridade lançadora, com base no valor total da aquisição e alienação, ou se com base na comparação dos valores Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.724210/201113 Acórdão n.º 2201001.985 S2C2T1 Fl. 5 7 correspondentes ao VTN no momento da aquisição e no momento da alienação. O cerne da questão está em se definir se a norma veiculada no artigo 123 do RIR/99 é aplicável em qualquer hipótese ou se apenas, como consta na IN/SRF nº 84/2001, art. 19, VI, “b”, quando o contribuinte deduzir como despesas os valores referentes a investimentos realizados. Pois bem, não vejo como sendo de aplicação condicionada à observância de determinado procedimento a regra segundo a qual o ganho de capital deve ser calculado sobre a diferença do VTN. A lei simplesmente define a forma de apuração do ganho de capital no caso de alienação de imóvel rural sem impor nenhuma condição; não há nenhuma referência na lei à necessidade de que o contribuinte tenha declarado como despesas investimentos eventualmente realizados. Ao contrário, a própria lei faculta que, no caso de não se ter declarado tais investimentos como despesas que estes possam incorporarse ao custo do imóvel, mas nada diz sobre o valor de alienação ser calculado pelo total e não apenas pelo VTN. Da mesma forma, a orientação legal, no caso da apuração do resultado da atividade rural é de que os investimentos são considerados despesas da atividade rural. Esta modificação foi introduzida pela Lei nº 8.023, de 1990. Vejamos: Art. 4º Considerase resultado da atividade rural a diferença entre os valores das receitas recebidas e das despesas pagas no anobase. [...] § 2º Os investimentos são considerados despesas no mês do efetivo pagamento. § 3º Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o disposto no art. 3º, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. [...] Art. 6º Considerase investimento na atividade rural, para os propósitos do art. 4º, a aplicação de recursos financeiros, exceto a parcela que corresponder ao valor da terra nua, com vistas ao desenvolvimento da atividade para expansão da produção ou melhoria da produtividade agrícola. Como se vê, aqui também, ao definir que os investimentos são considerados despesa da atividade rural, a lei disciplina a matéria de forma categórica, definindo que os investimentos integram o conceito de despesa da atividade rural, e não apenas estabelecendo uma opção. Da mesma forma, no § 3º do artigo 4º, ao se referir à alienação de bens utilizados na produção, de forma negativa, a lei define que seu valor integra a receita da atividade rural, “exceto o valor da terra nua”. Assim, parece claro que a Lei nº 8.023, de 1990, estabeleceu uma sistemática de apuração do resultado da atividade rural segundo a qual, entre outras orientações, restou definido que os investimentos, quando realizados, constituem despesa da atividade rural e quando alienados são considerados receitas. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Isto posto, a Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, no seu artigo 19, VI, “b” veicula uma interpretação restritiva das normas, no sentido de que a considera aplicável apenas sob determinadas condições. E, examinando a legislação pertinente, penso que tal interpretação não é a que melhor expressa o sentido e alcance das normas interpretadas. É interessante notar que a própria Secretaria da Receita Federal, por intermédio em Solução de Consulta da 6ª Região Fiscal, veicula entendimento diverso, a saber: Solução da Consulta 106 de 17 de abril de 2011, EMENTA: APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL RURAL. Na apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido até 31 de dezembro de 1996 considerase custo de aquisição o valor constante na Declaração de Bens e Direitos, da Declaração de Ajuste Anual e, valor de alienação, o valor efetivo da operação de venda; no caso de imóveis rurais adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997, considerase custo de aquisição e valor de venda o Valor da T erra Nua VTN, constante do Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Portanto, independentemente de ter o Contribuinte realizado ou não investimentos; de, tendo realizado, ter declarado ou não esses investimentos; e de, quando da alienação, ter declarado ou não os valores correspondentes às benfeitorias como receita da atividade rural, em qualquer caso, a apuração do ganho de capital deve ser feita com base da diferença do VTN quando no ano da aquisição e no ano da alienação. Se o Contribuinte não declarou as benfeitorias como receita da atividade rural, caberia ao Fisco considerar a omissão de rendimentos e, sendo o caso, proceder ao lançamento de ofício. Poderia também o Fisco, proceder à revisão do VTN declarado no ano da alienação e que deve ser considerado na apuração do ganho de capital, se verificar subavaliação. Ocorre que, no presente caso, a autoridade lançadora não fez nem uma coisa, nem outra. Dito isto, a apuração do ganho de capital deve ser refeita, considerandose como valor de alienação o VTN declarado no ano da alienação, isto é R$ 2.500.000,00. Finalmente, sobre a multa qualificada a autoridade lançadora não aponta nenhuma conduta do contribuinte caracterizadora do evidente intuito de fraude. Aliás, na descrição dos fatos a autoridade lançadora limitase a referirse, genericamente, à conduta tendente a esconder do fisco a identificação do fato gerador, mas não descreve esta conduta. Ora, os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, ao definirem sonegação, fraude e conluio, descrevem condutas dolosas, intencionais, deliberadas, com o propósito deliberado de esconder ou retardar o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador. Não se refere por certo a qualquer omissão de informação ou prestação de informação imprecisas, porque, se assim fosse, todo apuração de omissão de rendimentos teria que ser lançada com multa qualificada. Vejamos o teor dos referidos dispositivos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.724210/201113 Acórdão n.º 2201001.985 S2C2T1 Fl. 6 9 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se vê, em todos os artigos aparece o verbete “doloso” na descrição da conduta. É preciso, pois, para se aplicar a qualificação da penalidade que se demonstre o dolo, que se descreva a conduta dolosa, não bastando que se atribua apenas a uma eventual omissão ou a informação inverídica, por presunção, que tal omissão ou informação inverídica decorreu de dolo. Aliás, a jurisprudência do CARF já assentou o entendimento de que a simples omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo indispensável a demonstração do evidente intuito de fraude (Súmula CARF nº 14). No caso concreto, a autoridade lançadora não demonstra e sequer descreve a conduta dolosa. Nessas condições, não deve prevalecer a qualificação da multa. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reduzir o valor do ganho de capital, considerando como valor de alienação R$ 2.500.000,00 e desqualificar a multa de ofício. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CÂMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10530.724210/201113 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 2201 Brasília/DF, 26 de fevereiro de 2013. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10530.724210/201113 Acórdão n.º 2201001.985 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/ 03/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725351/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10580.725351/2011-68
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5201948
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1402-000.169
nome_arquivo_s : Decisao_10580725351201168.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10580725351201168_5201948.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
id : 4552697
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395598491648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 524 1 523 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725351/201168 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.169 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 6 de dezembro de 2012 Assunto RESOLUÇÃO. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGENCIA Recorrente MANATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 35 1/ 20 11 -6 8 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Resolução nº 1402000.169 S1C4T2 Fl. 525 2 RELATÓRIO MANATI S/A, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente a exigência. Pelo que se extrai do auto de infração de fls. 02 e seguintes, o lançamento diz respeito a duas infrações, a saber: 001. CUSTO DE BENS E SERVIÇOS VENDIDOS GLOSA DE CUSTOSA 002 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS A infração de que trata o item 002 dos Autos de Infração de IRPJ e CSLL, referese à apuração de resultados operacionais não declarados, em virtude de ter a fiscalização constatado que a Contribuinte contabilizara a menor a nota fiscal de número 39, emitida em 08/02/2008, referente à venda de gás natural, proveniente do campo de Manati, à empresa Petrobrás, cujo valor da venda é R$41.019.009,86. A Impugnante registrou na conta de receita 51101001 o valor de R$33.561.753,87 (crédito), e débito da conta 13.01.001, o valor de R$41.019.009,86, sendo que a diferença de R$7.457.255,99 foi creditada à conta 216.01.010 Brasoil do Brasil Exploração Petrolífera, diferença esta que está sendo tributada, porque deveria estar contabilizada a crédito de conta de receita operacional. A infração resultante ao item 002 do auto foi cancelada, tendo o acórdão recorrido destacado que os documentos que acompanham a impugnação, juntamente com aqueles anexados por ocasião da diligência realizada, comprovam os argumentos oferecidos pela Impugnante, no sentido de que a referida quantia de R$7.457.255,99 foi considerada para efeito de apuração do lucro líquido contábil do anocalendário de 2008, base para o cálculo do lucro real do período e da base de cálculo da CSLL. Com efeito, está devidamente comprovado o registro contábil da parcela equivalente a R$5.872.589,10, diretamente em resultado, na conta 3.3.8.01.001 (Reversão de Custos de Produção). Quanto ao saldo restante, de R$1.584.666,89, confrontandose os lançamentos efetuados na conta de passivo n° 2.1.3.01.05 (PIS a recolher); conta nº 2.1.3.01.006 (Cofins a recolher) e conta nº 2.1.3.01.007 (ICMS a recolher), com as contas de resultado de n° 5.1.2.02.006 (Despesa c/ PIS), 5.1.2.02.007 (Despesa c/ Cofins) e nº Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Resolução nº 1402000.169 S1C4T2 Fl. 526 3 5.1.2.02.004 (Despesa c/ICMS), confirmase a existência de lançamentos a menor da despesa com impostos sobre venda da nota fiscal n°39 (PIS, Cofins e ICMS), neste mesmo montante. Portanto, na prática, para fins de apuração do lucro líquido e, consequentemente, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os lançamentos contábeis citados no parágrafo anterior produzem efeito contábil e tributário idêntico ao do registro de uma receita de igual valor. Sendo assim, a tributação relativa à infração apontada no item 2 dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, do anocalendário de 2008, não deve prosperar. Da mesma forma, com relação aos lançamentos da Contribuição para o PIS e Cofins, confirmase documentalmente nos autos as arguições expostas na impugnação. De fato, a Contribuinte concedeu um desconto incondicional de R$238.114,52 na nota fiscal n° 39, contabilizado na conta 51204001 (Descontos concedidos), em 30/04/2008. A diferença restante, no valor de R$7.219.141,34 (R$7.457.255,99 R$238.114,52), foi computada na base de cálculo, tanto da Contribuição para o PIS quanto da Cofins, conforme se observa na linha 2, da Ficha 07 A e na linha 2 da Ficha 17 do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) referente ao mês de janeiro de 2008. Na linha 1 das referidas fichas da Dacon do mesmo período de apuração, encontrase declarada a quantia de R$33.561.754,00. Assim, a totalidade da nota fiscal n° 39, após o desconto incondicional concedido, compôs a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins do mês de janeiro de 2008. A tributação das contribuições apuradas em janeiro foi diferida para o mês de março de 2008, período em que ocorreu o pagamento da venda registrada na nota fiscal n° 39. Ressaltese que a própria Contribuinte constatou ter cometido um equívoco ao adicionar o montante da Contribuição para o PIS, cuja tributação foi diferida para o mês de março/2008, que resultou na insuficiência de recolhimento de PIS numa pequena quantia de R$128,77, que já foi recolhida, aproveitando a redução da multa de ofício, e com os juros moratórios, conforme Darf, às fls. 405. Sendo assim, a citada parcela do crédito tributário referente à Contribuição para o PIS também não faz parte do contencioso. Então, deve ser afastada a tributação relativa à parcela da Contribuição para o PIS objeto do litígio e a totalidade da tributação concernente à Cofins. No que diz respeito à infração do item 001, o acórdão recorrido registra textualmente: A Contribuinte não se insurge contra a glosa de custos, no valor de R$24.451.684,52, contabilizados no primeiro período do anocalendário de 2007 (01/01/2007 a 14/12/2007), e considerados inexistentes, pela Fiscalização. Entretanto, discorda do método utilizado pela Autoridade Fiscal para o cálculo do impacto dessa adição na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Argúi que, quando apurou lucro tributável nos exercícios seguintes ao da autuação em análise, utilizouse do benefício do diferimento do lucro obtido em contratos celebrados com entidades governamentais, nos termos do permissivo do artigo 409 do RIR/1999 e, portanto, entende que tal benefício deveria ter sido considerado pela Autoridade Fiscal, o que resultaria IRPJ e CSLL devidos no primeiro período de apuração de 2007 substancialmente inferiores aos valores lançados. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Resolução nº 1402000.169 S1C4T2 Fl. 527 4 Dentro do prazo da defesa, a Contribuinte efetuou o recolhimento nos valores de R$318.997,58 de IRPJ e R$123.479,13 de CSLL, que reconhece devidos, com os acréscimos legais, aproveitandose da redução da multa de ofício, constituindo, portanto, parcelas não impugnadas. Assim, faz parte do contencioso apenas as parcelas remanescentes dos lançamentos de IRPJ e CSLL que, segundo os demonstrativos de cálculos elaborados pela Impugnante, seriam decorrentes do não diferimento da tributação do lucro apurado pela fiscalização, relativo ao primeiro período do anocalendário de 2007. 0 art. 409 do RIR/1999, apontado pela Impugnante para sustentar sua defesa, tem a seguinte dicção: .... Art. 409. No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 10, § 3°, e DecretoLei n° 1.648, de 1978, art. 1°, inciso I): 1 poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. Do texto legal reproduzido, vêse que o diferimento da tributação do lucro, no caso de contratos com entidades governamentais, é uma faculdade do contribuinte, faculdade esta que deve exercida espontaneamente, quando da apuração da base tributável do exercício correspondente, e que requer a estrita observância dos procedimentos indicados nos incisos I e II do citado art. 409 do RIR/1999. No presente caso, a Impugnante, até porque deduziu custos inexistentes que resultaram em prejuízo contábil e fiscal no primeiro período de 2007, não cumpriu com o estabelecido no dispositivo legal citado, porém, pede que seja aceita a apuração dos tributos, considerandose o diferimento da tributação do lucro, conforme consta de um relatório elaborado pela empresa Ernest & Young Terco, anexado na impugnação. Ou seja, quer a Impugnante exercer a destempo uma faculdade legal, sob o argumento de que fez a opção por tal benefício, com relação aos períodos de apuração subsequentes, o que não pode ser aceito. Dessa forma, não tendo a Contribuinte exercido o direito de diferimento da tributação do lucro apurado no primeiro período de 2007, nos termos do art. 409 do RIR/1999, não pode fazêlo agora, após encerrada a ação fiscal, quando já havia perdido sua Fl. 527DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Resolução nº 1402000.169 S1C4T2 Fl. 528 5 espontaneidade, nos termos do § 1° do art. 7° do Decreto n° 70.235, de 1972, Processo Administrativo Fiscal (PAF), a seguir transcrito: (omiss....) Logo, fica mantida a tributação referente à parte impugnada da infração descrita no item 01 dos autos de Infração do IRPJ e da CSLL, relativa ao primeiro período do ano calendário de 2007. A parte interessada foi intimada do acórdão em 06012012 (fl. 504 sexta feira) e em 07022012 ingressou com o recurso de fls. 507 e seguintes alegando, em síntese: a) quando apura o lucro tributável utilizase do benefício do diferimento do lucro previsto no artigo 409 do Regulamento do Imposto de Renda, haja vista que a Petrobrás era sua única cliente na época, fato este incontroverso e registrado no termo de verificação fiscal; b) que em que pese a Fiscalização ter tido acesso às DIPJs dos exercícios posteriores e, portanto, ter tido a oportunidade de verificar o benefício a que faz jus, deixou de aplicar no cálculo de apuração do IRPJ e da CSLL o benefício do detrimento, limitandose, exclusivamente, a adicionar o valor da suposta despesa indedutível, objeto da glosa, ao prejuízo fiscal e à base de cálculo negativa da CSLL até então apurados; c) se a fiscalização tivesse observado as disposições do artigo 409, do Regulamento do Imposto de Renda e da CSLL que entende devidos, teria apurados impostos substancialmente inferiores aos lançados, registrando IRPJ a pagar no valor de R$ 319.997,58 e CSLL no valor de R$ 123.479,13 contra R$ 7.975.481,09 e R$ 2.823.653,19, que respectivamente foram apurados e lançados no auto de infração; d) a recorrente procura demonstrar os valores acima referidos a partir de relatório elaborado pela empresa Ernest & Young Terco; e) destaca a recorrente que, conforme observado nos autos e registrado no acórdão recorrido, dentro do prazo da defesa, efetuou o recolhimento nos valores de R$318.997,58 de IRPJ e R$123.479,13 de CSLL, que reconhece devidos, com os acréscimos legais, aproveitandose da redução da multa de ofício. f) desataca, ainda, que a partir de janeiro de 2008 passou a usufruir do direito à redução de 75% do IRPJ, benefício este instituído pelo artigo 1º da Medida Provisória nº 2.199, de 24 de agosto de 2001. É o relatório. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Resolução nº 1402000.169 S1C4T2 Fl. 529 6 VOTO Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por pela autuada que teve sua pretensão, em parte, desacolhida. Assim, preenchidos os pressupostos recursais, conheço do recurso. Cabe à administração exercer o poder/dever de exigir, de forma integral, os tributos devidos. Assim como não é lícito ao contribuinte adotar de subterfúgios para deixar de pagar os impostos devidos, não pode a Administração adotar procedimentos que posam resultar em dupla tributação sobre a mesma base de cálculo. Não se discute aqui a glosa dos R$24.451.684,52, contabilizados no primeiro período do anocalendário de 2007 (01/01/2007 a 14/12/2007), e considerados inexistentes, pela Fiscalização. No entanto, o que destaca a recorrente é as receitas correspondentes advém de fornecimentos de bens e serviços à empresa pública e que a tributação foi diferida, conforme dispõe o artigo 409, do Regulamento do Imposto de Renda. Quando da sessão de julgamento a parte recorrente entregou memoriais a cada um conselheiro, memoriais estes instruído com Parecer da empresa Ernest & Young Terco e de documentos anexos objetivando destacar, em seu entender, os seguintes elementos: ANEXO I Cálculo do lucro auferido nas operações com a Petrobrás. Neste anexo, em cada um dos meses do anocalendário de 2007, em contas que especifica (5.1.01.001; 5.1.2.02.004; 5.1.2.02.006; 5.1.2.02.007; a recorrente especifica o valor das vendas, a receita bruta, os impostos incidentes sobre a receita, a receita líquida, os custos da operação com a Petrobrás e, ao final, o lucro bruto a diferido nas operações com a Petrobrás. No ANEXO II, apresentado com os memoriais, a recorrente traz demonstrativo da apuração do real e da base de cálculo da CSLL, referente ao anocalendário de 2007. Junto com os memoriais entregues a contribuinte apresenta planilha correspondente à apuração do lucro real no anocalendário de 2008 indicando, já a partir do mês de janeiro e 2008, a realização de lucro auferido com diferimento com entidades governamentais. Junto com a referida planilha a contribuinte juntou 36 folhas extraídas do sítio da Receita, na INTERNET, contendo informações sobre tributos arrecadados, destacando que neste montante estão incluídos o valor correspondente ao que fora diferido em 2007. Além dos documentos acima, os memoriais se fizeram acompanhados de cópias de pedidos de PERDECOM. No caso em tela, se os valores do IRPJ e da CSLL, que estão sendo exigidos da Recorrente, referente ao primeiro período de apuração do ano calendário de 2007, compreendido entre 1º de janeiro e 14 de dezembro daquele ano, já foram objeto de Fl. 529DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10580.725351/201168 Resolução nº 1402000.169 S1C4T2 Fl. 530 7 recolhimento em 2008, por força do diferimento de que trata o artigo 409, do Regulamento do Imposto de Renda, mostrase parcialmente improcedente a autuação. Sim, parcialmente, pois a um valor de R$ 318.997,58 e R$ 123.479,13, a título de IRPJ e CSLL, que mesmo com o diferimento os resultados especificados no relatório, são devidos. Porém, estes valores já foram reconhecidos e recolhidos pela autuada. Apesar dos elementos apresentados com os memoriais, não é possível julgar o processo sem que os mesmos sejam analisados pela autoridade fiscal, em especial se os valores que resultaram na autuação foram oferecidos à tributação em 2008. Conforme destaquei quando da sessão de julgamento, para que a autoridade fiscal possa realizar seu trabalho, a recorrente deverá, por primeiro, apresentar os elementos que entender necessários, à semelhança do procedimento adotado quando da entrega dos memoriais, demonstrando que os rendimentos objeto do litígio foram oferecidos à tributação em 2008, para que a autoridade fiscal possa analisálos, solicitar novas informações, se necessário e, ao final, emitir parecer conclusivo, com posterior intimação da parte para manifestarse e, por fim, a remessa do processo retorne a este Conselho. ISTO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a contribuinte seja intimada a apresentar os elementos que entender necessários para demonstrar que os rendimentos objeto do litígio foram oferecidos à tributação em 2008, como alega, devendo a autoridade fiscal analisálos, solicitar informações complementares, se necessário e, ao final, emitir parecer conclusivo, com posterior intimação da parte para manifestarse antes do retorno dos autos a este Conselho. É o voto (assinado digitalmente) Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 530DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722513/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1998
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE.
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1998 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11080.722513/2010-29
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200060
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2402-003.255
nome_arquivo_s : Decisao_11080722513201029.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 11080722513201029_5200060.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 4538449
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395610025984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722513/201029 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.255 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1997 a 31/12/1998 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 13 /2 01 0- 29 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722513/201029 Acórdão n.º 2402003.255 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), referente ao período de 11/1997 a 12/1998. O Relatório Fiscal (fls. 15/27) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, INSTELMA CONSTRUTORA DE OBRAS LTDA, CNPJ 78.782.042/000119, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 86/100) – acompanhada dos anexos de fls. 101/125 –, alegando, em síntese, que: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722513/201029 Acórdão n.º 2402003.255 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. Posteriormente, a empresa prestadora de serviços, INSTELMA CONSTRUTORA DE OBRAS LTDA, apresentou impugnação (fls. 150/157) na qual alega, em síntese, que: 1. ao menos em relação a prestadora de serviços, operou a decadência de forma indefectível, eis que ela jamais foi notificada do lançamento anulado, tendo tomado conhecimento dos débitos somente agora; 2. a regra contida no artigo 173, II do CTN não pode alcançar sujeito passivo que não figurou, ou sequer foi notificado, do primeiro Auto de Infração anulado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0344.817 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 170/185) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 25/08/2010. Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 233DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722513/201029 Acórdão n.º 2402003.255 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (INSTELMA CONSTRUTORA DE OBRAS LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 16) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais Fl. 234DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 235DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722513/201029 Acórdão n.º 2402003.255 S2C4T2 Fl. 6 9 com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não Fl. 236DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 15/27) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes exclusivamente do levantamento original: SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.6682), remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período anterior a 01/1999. Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 237DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722513/201029 Acórdão n.º 2402003.255 S2C4T2 Fl. 7 11 norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Por sua vez, entendese que não há espaço jurídico para aplicação do enunciado no Parecer AGU nº AC055, de 17/11/2006, cujo teor, em síntese, registra não haver solidariedade da Administração Pública em relação às contribuições para a Previdência Social cujo fato gerador está previsto no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, eis que o seu conteúdo não tem o condão de mudar o que a lei dispõe de forma específica (art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991). A mudança na lei só se admite via outra lei. Ademais, tal enunciado do Parecer AGU nº AC055/2006 não prever a sua aplicação para a sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, pois não poderá haver concessão de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Esse entendimento retromencionado está em conformidade com o princípio da conformidade funcional – segundo o qual a interpretação não deve subverter o mandamento funcional criado pela Constituição – e com o princípio da interpretação conforme a constituição – segundo o qual a interpretação de uma norma deverá ser aquela que apresenta maior compatibilidade com as normas constitucionais, excluindose a pertinência dos demais sentidos que colidirem com a constituição. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” Fl. 239DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722513/201029 Acórdão n.º 2402003.255 S2C4T2 Fl. 8 13 extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente Fl. 241DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722513/201029 Acórdão n.º 2402003.255 S2C4T2 Fl. 9 15 devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do Fl. 242DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo Fl. 243DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001757/2009-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11070.001757/2009-50
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200117
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.674
nome_arquivo_s : Decisao_11070001757200950.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 11070001757200950_5200117.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4538506
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395617366016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 238 1 237 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001757/200950 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803003.674 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria COFINSPER/DCOMP Recorrente REDEMAQ REAL DISTRIBUIDORA DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de COFINS referente ao quarto trimestre/2006. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 57 /2 00 9- 50 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 227/228 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pelo art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 230/232, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 244/245 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3592ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001757/200950 Acórdão n.º 3803003.674 S3TE03 Fl. 239 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade do art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003, que vedou a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001757/200950 Acórdão n.º 3803003.674 S3TE03 Fl. 240 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 315DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001115/2006-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/07/2001 a 10/09/2001
IPI. UTILIZAÇÃO DE SALDO CREDOR APURADO EM UM DADO ESTABELECIMENTO PARA COMPENSAR SALDO DEVEDOR APURADO EM OUTRO. POSSIBILIDADE.
No período compreendido entre a edição da Lei 9.779/99 e a da Lei 10.637/2002, presente já a autorização para compensar o saldo credor trimestral apurado em um dado estabelecimento na forma definida nos arts. 73 e 74 da Lei 9.430 mas ainda não editada a IN SRF 210 que disciplinou tal compensação, é admissível que tal compensação se dê pela transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-001.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Henrique Pinheiro Torres Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201203
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/07/2001 a 10/09/2001 IPI. UTILIZAÇÃO DE SALDO CREDOR APURADO EM UM DADO ESTABELECIMENTO PARA COMPENSAR SALDO DEVEDOR APURADO EM OUTRO. POSSIBILIDADE. No período compreendido entre a edição da Lei 9.779/99 e a da Lei 10.637/2002, presente já a autorização para compensar o saldo credor trimestral apurado em um dado estabelecimento na forma definida nos arts. 73 e 74 da Lei 9.430 mas ainda não editada a IN SRF 210 que disciplinou tal compensação, é admissível que tal compensação se dê pela transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13839.001115/2006-12
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5203922
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9303-001.880
nome_arquivo_s : Decisao_13839001115200612.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HENRIQUE PINHEIRO TORRES
nome_arquivo_pdf_s : 13839001115200612_5203922.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. Henrique Pinheiro Torres Relator Júlio César Alves Ramos - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4555069
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395625754624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2098; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 930 1 929 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13839.001115/200612 Recurso nº 240.641 Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.880 – 3ª Turma Sessão de 7 de março de 2012 Matéria IPI transferência de crédito entre estabelecimentos da mesma firma Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ENGEPACK EMBALAGENS SÃO PAULO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/07/2001 a 10/09/2001 IPI. UTILIZAÇÃO DE SALDO CREDOR APURADO EM UM DADO ESTABELECIMENTO PARA COMPENSAR SALDO DEVEDOR APURADO EM OUTRO. POSSIBILIDADE. No período compreendido entre a edição da Lei 9.779/99 e a da Lei 10.637/2002, presente já a autorização para compensar o saldo credor trimestral apurado em um dado estabelecimento na forma definida nos arts. 73 e 74 da Lei 9.430 mas ainda não editada a IN SRF 210 que disciplinou tal compensação, é admissível que tal compensação se dê pela transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Henrique Pinheiro Torres – Relator Júlio César Alves Ramos Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 11 15 /2 00 6- 12 Fl. 997DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 888 a 896) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 874 a 885) que, por maioria de votos, deu provimento em parte ao recurso voluntário. Por bem descrever a controvérsia, adoto parte do relatório apresentado no v. acórdão recorrido, verbis: “Tratase de auto de infração objetivando a cobrança do IPI relativo aos períodos de 01/07/01 a 10/10/01 em virtude de falta de recolhimento do tributo decorrente de: • utilização indevida de crédito de IPI relativo a aquisição de insumos isentos adquiridos da ZFM; e • utilização indevida de crédito de IPI relativo a transferências de créditos de outro estabelecimento da empresa, decorrentes de aquisições de insumos isentos adquiridos da ZFM. Em virtude da liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.61.05.0061490, o crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa, sem a multa de oficio. A contribuinte apresentou impugnação alegando: 1. o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI gera direito ao creditamento da entrada de produtos isentos; 2. nas transferências de insumos tributados pelo IPI, o direito ao creditamento decorre do fato de ter havido destaque do imposto na operação anterior; 3. o princípio da nãocumulatividade fundamenta a transferência de créditos de um estabelecimento para outro da mesma empresa, sendo que o crédito decorrente das operações anteriores efetuadas pelo contribuinte deverá ser compensado com o débito decorrente das operações posteriores; 4. a autonomia dos estabelecimentos tem a função de facilitar o controle e a administração do imposto, não interferindo, todavia, no direito constitucional de compensação dos débitos e créditos entre os estabelecimentos, já que o contribuinte é a pessoa jurídica e não cada um dos seus estabelecimentos; e 5. requer perícia para que seja demonstrado que na transferência de insumos da matriz para a ora impugnante foi destacado o IPI. A DRJ em Ribeirão Preto/SP manifestouse no sentido de julgar procedente o lançamento. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13839.001115/200612 Acórdão n.º 9303001.880 CSRFT3 Fl. 931 3 A contribuinte, cientificada da decisão, interpôs tempestivamente recurso voluntário no qual alega as mesmas razões da inicial, inclusive em relação ao pedido de diligência formulado na instância anterior, acrescendo ainda: (...)” O recurso voluntário foi julgado pelo Segundo Conselho de Contribuintes. A ementa do v. acórdão recorrido tem, essencialmente, o seguinte teor (Acórdão 20403.200, de 08/05/2008, fls. 874 a 885): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 10/10/2001 (...) CREDITAMENTO DE INSUMOS ISENTOS. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA NAS ESFERAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política. IPI. UTILIZAÇÃO DE SALDO CREDOR APURADO AO FINAL DO TRIMESTRE EM UM ESTABELECIMENTO PARA ABATIMENTO DE SALDO DEVEDOR APURADO EM OUTRO ESTABELECIMENTO DA MESMA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. ART. 11 DA LEI N° 9.779/99. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO DE IPI. Com a entrada em vigor do art. 11 da Lei n° 9.779/99, o saldo credor de IPI, apurado ao final de cada trimestre calendário, pode ser utilizado para quitar, em procedimento de compensação, qualquer débito da mesma pessoa jurídica, inclusive o IPI devido por outro estabelecimento da mesma empresa. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ISENTOS DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO DA MESMA EMPRESA COM DESTAQUE DO IPI. Os insumos adquiridos com isenção (ZFM) por um dos estabelecimentos da empresa não podem ser transferidos para outro estabelecimento da mesma empresa com destaque do imposto na Nota Fiscal de transferência. Recurso voluntário provido em parte. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o mencionado recurso especial, alegando contrariedade à lei e apontando divergência em relação ao Acórdão 20310.011 (cópia de inteiro teor às fls. 897 a 903), que possui a seguinte ementa: IPI. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 O art. 146 da Constituição da República remeteu para a lei complementar definir o fato gerador, o contribuinte e a base de cálculo dos impostos que discrimina. O CTN, nos arts. 46 e 51, estabelece que o fato gerador do IPI é a saída do produto industrializado de qualquer estabelecimento de industrial, o qual considera contribuinte autônomo. A legislação de regência não prevê a transferência de saldo credor entre contribuintes do imposto. Recurso negado. O procurador finaliza seu recurso alegando que a decisão recorrida, ao reconhecer o direito à transferência de saldo credor entre estabelecimentos, contrariou dispositivos legais, dentre eles os artigos 46 e 51 do CTN, e os artigos 291 e 487 do RIPI/98. O recurso especial foi admitido, parcialmente, nos termos do Despacho nº 3400495/2009, fls. 906/908. Embora a matéria objeto do especial tenha sido apenas uma (impossibilidade de transferência de saldo credor do IPI entre estabelecimentos distintos), foi negado seguimento no tocante à alegada divergência jurisprudencial, mas foi dado seguimento quanto à suscitada contrariedade à lei. Cientificado do despacho que deu seguimento ao recurso da Fazenda, fls. 912 a 915, o contribuinte não apresentou contrarrazões. Tampouco interpôs recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, notadamente, no quesito de tratarse de decisão não unânime e de haver sido apontados os dispositivos legais que teriam sido violados, quais sejam: artigos 46 e 51 do CTN, e artigos 291 e 487, inciso IV, do RIPI/98. O citado artigo 291 do RIPI/98 tem por matriz legal o artigo 57 da Lei 4.502, de 1964, enquanto a matriz legal do artigo 487, inciso IV, é o próprio artigo 51 do CTN. Os artigos mencionados são dispositivos da legislação do IPI que versam acerca do conceito de estabelecimento, e sobre o “princípio” da autonomia dos estabelecimentos. Assim, presentes os pressupostos de admissibilidade, devese conhecer do recurso fazendário. Inicialmente, importante esclarecer como ocorreu, de fato, a transferência de créditos do IPI efetuada pela contribuinte, transferência essa que foi aceita pela decisão recorrida. Consta dos autos, à fl. 563, relação, apresentada pela empresa, das notas fiscais emitidas por um dos estabelecimentos da interessada, no caso, a matriz – CNPJ 59.791.9621000159, em Itupeva, transferindo saldo credor do IPI para outro estabelecimento: filial 0010 – CNPJ 59.791.962/001040, em Jundiaí. E à fl. 656 está a cópia de uma destas notas fiscais de transferência de saldo credor. Ou seja, a contribuinte transferiu, mediante emissão de nota fiscal, saldo credor apurado em um determinado estabelecimento para outro estabelecimento. E o estabelecimento recebedor, por sua vez, escriturou essas notas fiscais no RAIPI, creditandose dos montantes transferidos. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13839.001115/200612 Acórdão n.º 9303001.880 CSRFT3 Fl. 932 5 Essa transferência, em princípio, contraria as disposições da legislação do IPI citadas pelo Procurador no recurso especial, pois vai de encontro à regra basilar da autonomia dos estabelecimentos. Dessa forma, presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial da Fazenda merece ser conhecido no que diz respeito à alegada contrariedade à lei. Como mencionado, o cerne do presente litígio consiste em verificar se o procedimento adotado pela interessada, de transferir saldo escritural do IPI entre estabelecimentos distintos, mediante emissão de nota fiscal, encontra respaldo legal. Apenas para identificar corretamente a parcela do lançamento que está sob apreciação desta Câmara Superior, estão em discussão os valores apurados na infração 002, fls. 729/730, que correspondem à glosa dos créditos recebidos em transferência segundo relação de fl. 563. A principal linha argumentativa da decisão recorrida centrase no fato de que, após a edição da Lei 9.779, de 1999, mais precisamente de seu artigo 11, tornouse possível compensar saldo credor do IPI com débitos do próprio contribuinte, o que respaldaria a “compensação” efetuada pela contribuinte. É certo que o artigo 11 da Lei 9.779, indubitavelmente, permitiu a utilização de saldo credor do IPI de conformidade com o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei 9.430, de 1996, artigos esses últimos que tratam da compensação de tributos administrados pela Receita Federal. Todavia, a compensação amparada na Lei 9.430, e alterações posteriores, é procedimento específico, que possui regulamentação e procedimentos também específicos, que não se confunde com o confronto de débitos e créditos do IPI, realizados na escrituração fiscal do imposto (RAIPI). Assim, concordo com o ilustre redator designado do voto vencedor da decisão recorrida, Conselheiro Júlio César Alves Ramos, quando afirmou que a partir da vigência do artigo 11 da Lei 9.779 surgiu a possibilidade de compensar saldo credor do IPI apurado em um determinado estabelecimento, com débitos de quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, o que inclui, obviamente, o IPI de outros estabelecimentos. Mas, frisese: compensação, nos termos dos artigos 73 e 74 da Lei 9.430, de 1996. Para tanto, à época (fatos geradores ocorridos entre julho a setembro de 2001), o contribuinte deveria ter solicitado o ressarcimento do saldo credor apurado em um determinado estabelecimento, mediante requerimento específico (o que implica estornar o valor pleiteado do RAIPI, ou seja, deixar de ser um crédito escritural) e, cumulativamente, solicitar a compensação, também mediante requerimento específico, do débito do IPI apurado por outro estabelecimento. E a compensação assim formulada é procedimento a ser efetuado pela autoridade administrativa, mediante o chamado encontro de contas, nos termos do artigo 73 da Lei 9.430/96. Isso seria perfeitamente possível tendo em vista que “contribuinte”, para fins da compensação disciplinada pela Lei 9.430/96, equivale ao conceito de pessoa jurídica, o qual alcança todos os estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, conceito mais amplo que o de estabelecimento, próprio da legislação do IPI. As disposições normativas que disciplinavam o ressarcimento/compensação vigentes à época eram: IN SRF nº 21, de 1997, notadamente artigos 3º, 5º, 8º e 12, c/c art. 2º da IN SRF nº 33, de 1999. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 É certo que, matematicamente, o procedimento escolhido pela autuada, de transferir saldo credor de um estabelecimento para outro, teria o mesmo efeito de solicitar o ressarcimento cumulado com compensação, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. Todavia, o que está em julgamento é o lançamento de ofício referente à glosa de montantes de saldos credores do IPI recebidos em transferência de outro estabelecimento, procedimento que, no entendimento da fiscalização, não encontra amparo legal. A impossibilidade de transferência de saldos credores do IPI entre estabelecimentos distintos é matéria que encontravase pacificada na esfera administrativa, existindo inúmeros julgados nesse sentido (20216.309, 20216400 e 20310.011, dentre outros). Merece menção especial o acórdão 20310.011, fls. 897 a 903, apresentado como paradigma pela Fazenda. Apesar de não ter sido dado seguimento para apreciar a divergência em relação a esse julgado, citoo apenas como exemplo de entendimento, uma vez que se refere à mesma empresa e ao mesmo procedimento adotado (transferência de saldo credor entre estabelecimentos). A diferença é que o acórdão recorrido se refere a períodos de apuração posteriores à Lei 9.779, de 1999, e o paradigma a períodos anteriores à vigência daquela lei. A impossibilidade de transferência de saldo credor entre estabelecimentos é decorrência da regra da autonomia dos estabelecimentos, o que condiz com a ausência de previsão legal para o creditamento pelo estabelecimento recebedor. O RIPI/98, vigente à época dos fatos geradores do lançamento em discussão (julho a setembro de 2001), não traz dispositivo legal que ampare o creditamento de saldo credor recebido em transferência de outro estabelecimento. Nenhuma das disposições dos artigos 147 a 168 contempla essa hipótese. Da mesma forma, o RIPI/2002, que já havia incorporado alterações decorrentes do artigo 11 da Lei 9.779, de 19991, nas disposições de seus artigos 164 a 179 não contempla a hipótese de transferência de saldo credor entre estabelecimentos distintos. A pergunta que se faz necessária é: teria o artigo 11 da Lei 9.779 mitigado a regra da autonomia dos estabelecimentos do IPI, e, com isso, suprido a ausência de previsão legal a amparar o creditamento efetuado pelo recebedor dos créditos recebidos em transferência? A meu sentir, não. Apenas para citar um exemplo, sempre existiu previsão legal a amparar a transferência de crédito presumido do IPI entre estabelecimentos distintos, antes e depois da Lei 9.779, de 1999, a saber: artigo 2º, § 3º, da Lei 9.363/96. Com a publicação da Lei 10.276, de 2001, foi feita menção2 à necessidade de observação de todas as demais normas estabelecidas na Lei 9.363, de 1996. Se o artigo 11 da Lei 9.779 amparasse a transferência de saldo credor do IPI entre estabelecimentos, não mais haveria a necessidade de existir previsão legal específica para a transferência de crédito presumido, pois que este integra o saldo credor do estabelecimento que o apura (regra geral). Como dito, o RIPI/2002 não trouxe qualquer dispositivo a amparar o creditamento, pelo estabelecimento recebedor, de saldo credor recebido em transferência de outro estabelecimento. Poderseia argumentar que foi publicado pouco tempo após a entrada em vigor da Lei 9.779, de 1999, não tendo ocorrido tempo hábil para refletir sobre essa 1 p.ex., excluiu a obrigação de estorno de créditos relativos a MP, PI ou ME empregados na industrialização de produtos tributados à alíquota zero. 2 Lei 10.276, de 2001. Art. 1º (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13839.001115/200612 Acórdão n.º 9303001.880 CSRFT3 Fl. 933 7 possível alteração. Entretanto, o RIPI/2010 também não trouxe qualquer disposição no sentido de permitir o creditamento de saldo credor recebido em transferência de outro estabelecimento (vide artigos 226 a 246). Diversamente, desde a publicação da Lei 9.363, de 1996, os regulamentos do IPI incorporaram artigos a amparar o creditamento, pelo recebedor, de crédito presumido recebido em transferência (art. 167 do RIPI/98, art. 185 do RIPI/2002). Desta forma, concluo que o artigo 11 da Lei 9.779, de 1999, não derrogou a regra da autonomia dos estabelecimentos. Tampouco supriu a falta de disposição específica, na legislação do IPI, a amparar o creditamento de saldo credor recebido em transferência de outro estabelecimento. Assim, só resta concluir pela procedência da glosa efetuada pela fiscalização, por ausência de previsão legal a amparar os creditamentos efetuados pela contribuinte (fls. 563 e 656). Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para manter o lançamento do imposto descrito na infração 002 (fls. 729/730). Henrique Pinheiro Torres Relator Voto Vencedor Fui distinguido pela Presidência com a missão de redigir o acórdão muito provavelmente por ter sido eu, também, o redator da decisão questionada pela douta PFN. Fáloei pela transcrição das razões que expendi então, das quais não me afastei. Antes, porém, cabe deixar registradas as respostas às questões argutamente levantadas pelo i. relator e nosso Presidente, Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Especificamente: a) teria o artigo 11 da Lei 9.779 mitigado a regra da autonomia dos estabelecimentos do IPI, e, com isso, suprido a ausência de previsão legal a amparar o creditamento efetuado pelo recebedor dos créditos recebidos em transferência? A resposta aqui, em meu entender, se desdobra em duas partes. De fato, entendo que o artigo mencionado mitigou, sim, o princípio da autonomia dos estabelecimentos. Entendo mesmo que esse foi exatamente um dos seus objetivos, ao eliminar a situação que antes ocorria em que uma mesma empresa viase obrigada a acumular, muitas vezes indefinidamente, saldo credor apurado em um estabelecimento mesmo possuindo débitos tributários oriundos de operações realizadas em outros. Ao menos essa conclusão se impõe quando o produto fabricado e o insumo empregado são, ambos, tributados pelo IPI com alíquota maior do que zero. Mas essa primeira resposta afirmativa não leva, obrigatoriamente, a responder também afirmativamente à segunda parte da questão suscitada pelo dr. Henrique. O que estou dizendo é que não entendo que passou a ser possível, sempre e até hoje, transferir créditos entre estabelecimentos por Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 força do art. 11 da Lei 9.779. No acórdão combatido pela PFN procurei deixar claro que, ao contrário, isso se aplica com clareza apenas ao período compreendido entre a edição daquela Lei e a da Lei 10.637. Como se sabe, esta última produziu profundas alterações na sistemática de compensação tributária já prevista na Lei 9.430, criando a figura da declaração de compensação que tem efeitos de extinção dos débitos. E, tão importante quanto, foi apenas após sua edição que a Administração editou ato normativo expressamente prevendo os procedimentos a serem seguidos pelos detentores de direito creditório fundado naquele artigo. Até então, o ato vigente – IN SRF 21/97 – apenas tratava do crédito presumido de IPI previsto na Lei 9.363 e dos créditos incentivados do IPI. E isso porque somente para esses havia, até então, previsão legal de ressarcimento. A IN 210 também confirma o que disse eu no acórdão aqui combatido: nunca houve “proibição legal” para transferência de crédito, sendo ali nominal e taxativamente listadas as hipóteses em que ela é admitida. Mas notese que somente aí está presente tal listagem exaustiva, completamente ausente da IN 21/97. Em conclusão, o meu posicionamento é que durante o período em que vigeu a Lei 9.779 e a edição da IN SRF 210: a) já havia ato legal permitindo o aproveitamento do saldo credor trimestral; b) inexistia ato normativo disciplinandoo São essas duas circunstâncias que me levaram a entender admissível que tal aproveitamento se desse via transferência entre estabelecimentos, pois, como admite o dr. Henrique, matematicamente nenhuma diferença faz. Após a edição da IN 210 não há mais opção. Quanto à ausência de previsão nos diversos regulamentos mencionados pelo Presidente Henrique, acredito que as respostas estão contidas nas perguntas: o RIPI 98 não a poderia prever porque inexistente ainda a Lei 9.779; os de 2002 e 2010, editados após a edição da Lei 10.637, ratificaram o entendimento acima exposto e expresso na IN SRF 210: após aquela Lei o aproveitamento somente se pode dar por meio de apresentação de declaração de compensação. Seguem, em conclusão, as considerações que expendi quando do julgamento na Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, como redator designado: Ousei divergir do bem apresentado voto da i. Relatora, no que fui acompanhado pela maioria do colegiado, apenas no tocante ao que ela designou como "transferência de créditos entre estabelecimentos". Três foram os motivos para essa discordância. Em primeiro lugar, o exame dos autos demonstra que a empresa não fez uma mera transferência de créditos. Em verdade, o que ela fez foi utilizar o saldo credor apurado em uma filial para amortizar o saldo devedor apurado em outra. Em segundo lugar, a observação de que os períodos de apuração aqui discutidos ocorreram no ano de 2001. Em terceiro lugar, por discordarmos da afirmação da d. Conselheira de que "não só inexiste permissivo legal para que se realize transferência de créditos de um estabelecimento para outro, ainda que da mesma empresa como, ao contrário, existe vedação para a transferência de créditos de um estabelecimento para outro da mesma empresa em virtude da autonomia dos estabelecimentos". Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13839.001115/200612 Acórdão n.º 9303001.880 CSRFT3 Fl. 934 9 Começarei pelo último. É que, de fato, há sim autorização legal para transferência de créditos. Cito, apenas a título de exemplo, a que era autorizada ao estabelecimento importador pelo qual não transita a mercadoria importada quando ela segue diretamente da repartição aduaneira para o estabelecimento destinatário (art. 147, VI, do RIPI/98), além de diversas hipóteses na industrialização por encomenda. Isto para não citar o crédito presumido da Lei n° 9.363/96, porque afinal não é crédito de IPI. É certo que se trata de hipóteses de exceção e não da regra, entendido sempre — no que assiste razão à n. Relatora — que a regra seria a manutenção ad infinitum do saldo credor apurado por um estabelecimento, mesmo que a empresa dispusesse de outro estabelecimento contribuinte no qual apurasse saldo credor. Essa regra advinha, como também destacado no voto, da interpretação altamente restritiva que se dava ao "princípio" da autonomia dos estabelecimentos previsto em toda a legislação do IPI, a começar do próprio C'TN. De fato, todos os regulamentos do imposto até o de 1998 sempre restringiram o aproveitamento dos créditos ao abatimento do IPI devido pelas saídas ocorridas no próprio estabelecimento. Sendo o montante dos créditos maior do que o dos débitos, o saldo "passava para o período seguinte", tendo aí idêntico tratamento. Nenhum, porém, afirmou expressamente que a transferência era proibida. Isto porque em nenhum lugar do CTN ou da Lei n° 4.502 está expressa tal proibição. Tudo o que ali se diz é que cada estabelecimento constituise contribuinte autônomo, devendo confrontar, separadamente dos demais, seus créditos e débitos. Ou seja, o que está expressamente proibida é a centralização da apuração do imposto. Note-se que tal proibição sequer alcança o recolhimento, pois no caso dos fabricantes de cigarros o recolhimento é centralizado. Como disse no início, a análise do procedimento da empresa revela que ela apurou sim o imposto em cada estabelecimento, tanto é assim que determinou o saldo credor de um e o devedor do outro. O que fez, em confronto, às normas dos diversos regulamentos até o de 1998 foi utilizar esse saldo credor para amortizar o saldo devedor de outro estabelecimento. Tivesse esse procedimento ocorrido antes da edição da Lei n° 9.779/99, não teríamos dúvida em acompanhar o voto da Dra. Nayra Bastos Manatta. Acontece que, como apontei acima, os períodos de apuração aqui discutidos são posteriores àquela lei e isso, ao meu ver, faz muita diferença. Em especial porque também ocorridos antes da edição da Lei n° 10.637/2002. De fato, a primeira das leis citadas trouxe, em seu art. 11, exatamente a solução para os saldos credores intermináveis. Refirome à possibilidade de compensarse esse saldo credor com débitos do próprio contribuinte. Reproduzo aqui o artigo mencionado: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. No âmbito da própria SRF firmouse o entendimento, expresso na Instrução Normativa n° 33/99, de que a expressão "inclusive isento..." significava que a possibilidade aí versada alcançava também os saldos credores resultantes de saídas de produtos tributados a alíquotas maiores do que zero. Isto é, a Lei teria estendido a estes o que antes já se previa para os saldos credores originados nos chamados "créditos incentivados". Como se sabe, os artigos da Lei n° 9.430 aí citados tratam de compensação com outros tributos. Mas justificase transcrevêlos mais uma vez: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 70 do Decretolei n° 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. É claro que a SRF poderia, ainda assim, continuar a dar interpretação restritiva ao comando legal, já que aí se faz referência a contribuinte. Toda a normatização que se seguiu, porém, equiparou tal expressão a pessoa jurídica, ao admitir a compensação desse saldo com o PIS, a Cofins, a CSLL ou até mesmo o IRPJ. Ora, assim colocadas as coisas, não posso entender que continue vigendo a restrição apontada pela n. Relatora. Isto é, se se pode agora compensar o saldo credor trimestral com débitos tributários da pessoa jurídica, por que não é possível também compensar débitos de IPI da própria pessoa jurídica, ainda que apurados em estabelecimentos diversos? Por fim, também é de relevo o fato de que os períodos de apuração sejam anteriores a 2002. É que, como se sabe, neste ano foi editada a Lei n° 10.637/2002 que restringiu a compensação aos créditos apurados pelo próprio interessado na compensação. Assim, entendo que somente após essa lei podese aventar a impossibilidade da compensação disciplinada na Lei n° 9.779 porque "os contribuintes seriam diferentes", como pretende a n. relatora. Em conseqüência, presentes os pressupostos que autorizam a compensação regida pelo art. 11 da Lei n° 9.779, considero possível o abatimento do saldo credor trimestral apurado em um estabelecimento com o saldo devedor apurado em outro estabelecimento, desde que pertencentes ambos à mesma pessoa jurídica, e com relevo no período entre a edição da lei acima citada e a Lei n° 10.637. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13839.001115/200612 Acórdão n.º 9303001.880 CSRFT3 Fl. 935 11 Esse o voto que proferi, como redator designado, no já longinquo ano de 2008. Como disse no início, não me afastei, desde então, desse posicionamento. Foi por isso que votei por negar provimento ao especial da Fazenda, no que tive a honra de ser acompanhado pela maioria do colegiado, sendo este o acórdão que me coube redigir Júlio César Alves Ramos Redator designado. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/01/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, A ssinado digitalmente em 16/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
