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Numero do processo: 10980.005504/2008-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Período de apuração de 01.04.2003 a 31.12.2003 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS Período de Apuração: 01.07.2003 a 31.12.2003. Ementa: AUSÊNCIA DE CONFISSÃO DO DÉBITO. FALTA DE RECOLHIMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Impõe constituir o crédito tributário por meio de lançamento diante da ocorrência do fato gerador ter sido deixado de ser declarado e pela falta de pagamento ou inclusão em parcelamento. Ementa: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário importa em renúncia da via administrativa. Ementa: MULTA DE OFÍCIO. MULTA E JUROS DE MORA. Constituído o crédito tributário por meio de lançamento de ofício incide multa de ofício. Os encargos legais previstos na legislação pertinentes são devidos, mesmo quando lançados em DCTF, pago com atraso deve ser acompanhado da multa de mora e juros de moratório, esse último com aplicação da Taxa Selic.
Numero da decisão: 3403-001.706
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade, negar provimento.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Período de apuração de 01.04.2003 a 31.12.2003 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de Apuração: 01.07.2003 a 31.12.2003. Ementa: AUSÊNCIA DE CONFISSÃO DO DÉBITO. FALTA DE RECOLHIMENTO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Impõe constituir o crédito tributário por meio de lançamento diante da ocorrência do fato gerador ter sido deixado de ser declarado e pela falta de pagamento ou inclusão em parcelamento. Ementa: OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário importa em renúncia da via administrativa. Ementa: MULTA DE OFÍCIO. MULTA E JUROS DE MORA. Constituído o crédito tributário por meio de lançamento de ofício incide multa de ofício. Os encargos legais previstos na legislação pertinentes são devidos, mesmo quando lançados em DCTF, pago com atraso deve ser acompanhado da multa de mora e juros de moratório, esse último com aplicação da Taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com o processo judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade, negar provimento. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratam os presentes autos de Auto de Infração lavrada em face da recorrente exigindo diferença entre os valores declarados na DIPJ e os informados na DCTF. Solicitado esclarecimento pela fiscalização foi prestada informação de que os valores não foram declarados em decorrência de propositura de ação judicial discutindo a validade da legislação e não havia pagamento e tampouco depósito judicial. Informou ainda que a sentença de piso foi desfavorável, motivo pelo qual teria interposto recurso de apelação. O crédito tributário constituído se refere à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS atinente ao período de apuração de 01.04.2003 a 31.12.2003 e, para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS relativo ao período de 01.07.2003 a 31.12.2003. Adoto o relatório da decisão hostilizada por espelhar a situação dos autos: “RELATÓRIO Trata o presente processo dos Autos de Infração, lavrados cm 14/04/200 contra a contribuinte em epígrafe relativa a Cofins (fls. 89/93). Com o crédito tributário total de R$ 3.728.898.74. Calculado até março de 2008. Sendo R$ 1.570.632.85 de principal (Contribuição). R$ 1.177.974.62 de multa de ofício e R$ 980.291.27 de juros de mora, relativo aos períodos de apuração de julho a dezembro de 2003 e; Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 94/100) com o crédito tributário total de R$ 2.806.982,75, calculado até março de 2008, sendo R$ 1.176.210.50 de principal (Contribuição), R$ 882.157,82 de multa de ofício e R$ 748.614.43 de juros de mora, relativo aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2003. Referidas exigências tributárias, conforme relatórios fiscais constantes dos quadros ' “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls. 92/93 e 99/100). foram constituídas em decorrência de procedimento de revisão interna, o qual constatou diferenças entre os valores informados na DIPJ do exercício de 2004 (anocalendário de 2003) e os valores declarados em DCTF (conforme demonstrativos de lis. 26 e 28). Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10980.005504/200849 Acórdão n.º 3403001.706 S3C4T3 Fl. 2 3 Intimada, no curso do procedimento fiscal, através do Termo de Intimação de fls. 23, para prestar esclarecimentos, a interessada informou, por meio dos documentos de fls. 33 a 35, que as diferenças apuradas foram objeto da ação ordinária n° 2004.70.00.00.0218281, da Segunda Vara Federal de Curitiba – PR.. A mencionada ação judicial, conforme se verifica pela cópia da inicial (juntada ás fls. 49/77), contesta a constitucionalidade da Medida Provisória n° 2.158/2001, bem como suas prorrogações, e dos artigos 1° a 16 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/03. A argumentação é de que os citados instrumentos legais afrontaram/violaram a Constituição Federal relativamente: ao artigo 246; ao art 195. inciso 1. alínea b c/c art 12 da Emenda Constitucional n° 20/98; ao art. 195. § 9°; ao art. 150. inciso IV: aos princípios constitucionais da Igualdade e do Não Confisco: e a ordem econômica e financeira. Em resumo, entende a contribuinte que a legislação contestada conferiu tratamento desigual a contribuintes do mesmo setor e concorrentes entre si. quais sejam: as agroindústrias, sociedades limitadas (como a autora) ou anônimas; e as sociedades cooperativas. A interessada foi cientificada do lançamento em 29/04/2008 e apresentou em 29/05/2008, por intermédio de procurador, a impugnação de fls. 104/120. Acompanhada de procuração e de cópia da 26a Alteração Contratual Consolidada da empresa. A impugnação, em síntese, repete a mesma argumentação utilizada na ação judicial acima mencionada. Propugna pela inconstitucionalidade da Medida Provisória n° 2.158/2001, bem como suas prorrogações, e da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/03, alegando que as mesmas ofenderam, ou violaram, os dispositivos constitucionais anteriormente citados, e conferiram tratamento desigual entre as agropecuárias e as cooperativas. A interessada insurgese. também, contra a multa de ofício, argumentando que a mesma possui efeito confiscatório e que sua adoção fez com que o débito fiscal atingisse montante irreal, afrontando o princípio da proporcionalidade. Por fim, a contribuinte sustenta que a taxa SELIC foi criada com a finalidade de regular situações relativas à política monetária nacional e sua utilização como taxa de juros de mora para os débitos tributários não pode ser aceita, uma vez que c inconstitucional. Diante das argumentações, a interessada solicita que os autos de infração sejam anulados, uma vez que a multa (sic). no valor de R$ 6.535.881,49, possui natureza confiscatória e afronta o princípio da proporcionalidade, e, também, que os valores recolhidos a título de PIS e Cofins nos períodos estão corretos”. Em razões recursais inova ao alegar diferença atinente à sistemática cumulativa e não cumulativa. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, impondo o seu conhecimento. A matéria trazida no bojo deste caderno processual é singela. A recorrente deixou de declarar a Receita Federal do Brasil em DCTF o valor devido em conformidade com a legislação vigente ao tempo dos fatos geradores, questionada informou à fiscalização que deixou de fazer em razão do seu inconformismo com as normas pertinentes da exação das contribuições devidas para o PIS e a COFINS, motivo pelo qual ingressou com ação judicial buscando provimento capaz de afastar a exigência tributária. Em qualquer situação por força vinculante da norma contida no art. 142 do Código Tributário Nacional o fisco constatando ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente tem que constituir o crédito tributário por meio de lançamento. O Código Tributário Nacional estabelece os casos de suspensão da exigibilidade. Situação essa inexistente neste caderno processual administrativo, o fato da empresa estar em Recuperação Judicial, dificuldade financeira não possui o condão de afastar a obrigação de pagar o tributo devido. Assim, andou muito bem o Julgador Singular ao repelir os argumentos tecidos na fase impugnatória o fato de bater a porta do judiciário não inibe o fisco de constituir o crédito e exigilo. Toda matéria ventilada na impugnação, bem como, no Recurso Voluntário é a mesma trazida a exame fazendo incidir a Súmula Carf nº 1, que veda apreciação em sede administrativa. Da ilegalidade de inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da Taxa SELIC. A aplicação dos juros de mora e a Taxa Selic encontram amparadas pela legislação. Nesse caso a decisão deu contorno jurídico acertado. Assim, inexiste razão capaz de dar suporte a irresignação trazidas no bojo do recurso voluntário, matéria essa que encontra pacificada nesta Corte por meio da Súmula CARF. Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, á taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Também não procede a alegação ilegal da aplicação da Taxa Selic a título de juros de mora. Essa matéria já encontra pacificada neste Conselho. Sobre os débitos tributários Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10980.005504/200849 Acórdão n.º 3403001.706 S3C4T3 Fl. 3 5 para com a União Federal, não pagos nos prazos previstos em lei aplicase juros de mora, calculados com base na Taxa Selic. Diante de vedação expressa da Súmula nº 04 do CARF, rejeito os argumentos e mantenho o que restou decido. Assim como, a Multa de Mora a sua exigência encontra respaldada pela legislação vigente, devendo ser mantida pelos mesmos fundamentos da decisão recorrida. Além do que, em sede administrativa é vedado conhecer matéria de ordem constitucional. Aduz, ainda, erro material em relação à sistemática cumulativa e não cumulativa. Não merece prosperar os argumentos. Em sede de impugnação essa matéria não foi abordada, portanto, encontra plecusa à sua discussão em sede recursal. Portanto, verificado o fato gerador da obrigação e inexistindo declaração correta do valor devido e pagamento ou outra causa da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, impõe a sua constituição. Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002760/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS / DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF
As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica conforme Sumula 68 do CARF.
Numero da decisão: 2101-001.911
Decisão: Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS / DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica conforme Sumula 68 do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 50 1 49 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.002760/200703 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.911 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria IRPF Recorrente SEIR MOREIRA DA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS / DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica conforme Sumula 68 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Tratase de recurso voluntário (fls. 32/33) interposto em 13 de agosto de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II (RJ), (fls. 23/27), do qual o Recorrente teve ciência em 29 de julho de 2008 (fls.31), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 04/09, lavrado em 09 de abril de 2007, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física na declaração de ajuste anual exercício de 2003, anocalendário 2002, formalizando alterações na Declaração de Ajuste Anual – Retificadora , na qual se pleiteou restituição no valor de R$ 5.390,85. O acórdão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS / DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei nº 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Lançamento Procedente. Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 32/33), alegando, em síntese, que retificou sua DIRPF, anocalendário 2002, exercício de 2003, amparado pelas leis nºs 7713/88 e 8.852/94. Por fim, requer a improcedência da ação fiscal, cancelandose o lançamento efetuado. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. Passo a examinar as alegações de direito formuladas pelo Recorrente. A argumentação do Requerente gira em torno do artigo 1º, inciso III, alíneas "b","j","n" e "p", da Lei nº. 8.852, de 4 de fevereiro de 1994, verbis: “Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (...) Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10735.002760/200703 Acórdão n.º 2101001.911 S2C1T1 Fl. 51 3 III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens, nestas compreendidas as relativas à natureza ou ao local de trabalho e a prevista no art. 62 da Lei nº. 8.112, de 1990, ou outra paga sob o mesmo fundamento, sendo excluídas: (...) b) ajuda de custo em razão de mudança de sede ou indenização de transporte; (...) j) adicional de férias, até o limite de 1/3 (um terço) sobre a retribuição habitual; (...) n) adicional por tempo de serviço;” p) adicional de insalubridade, de periculosidade ou pelo exercício de atividades penosas percebido durante o período em que o beneficiário estiver sujeito às condições ou aos riscos que deram causa à sua concessão; Não procede a alegação do Recorrente. Vejamos. As verbas que pretende o Recorrente ver desoneradas de tributação configuram claramente rendimentos do trabalho, subsumindose ao conceito de renda definido no art. 43 do Código Tributário Nacional e à hipótese de incidência veiculada pelo art. 43 do RIR/99. Por se tratar de renda, sua desoneração dependeria, necessariamente, de comando isentivo, tal como aquele regulado nos vários incisos do art. 39 do RIR/99, cuja base legal é o artigo 6º da Lei nº. 7.713, de 1988. Ocorre que não há dispositivo legal prevendo referida isenção. Ao contrário do que pretende o Recorrente, a Lei nº. 8.852, de 1994, não veicula matéria tributária e muito menos isenção de imposto de renda. Tratase de diploma legal editado para regular os artigos 37, XI e XII da Constituição Federal, veiculando classificação dos diversos recebimentos para fins de determinação dos tetos de remuneração dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos, sem qualquer vinculação quanto à matéria do imposto de renda. Dessa forma, restando claro que as alíneas “b”, “j”, “n” e “p”, do inciso III da Lei nº. 8.852/1994 em momento algum configuram hipóteses de isenção ou não incidência do imposto de renda da pessoa física, entendo que deve ser mantido integralmente o auto de infração. Nesse sentido também é a Súmula 68 do CARF, que dispõe que “a Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física”. Isto posto, conheço do recurso para, no mérito, NEGARLHE provimento. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000456/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP
Período de Apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO - AGROINDÚSTRIA
Apresentadas provas que levam a crer que a empresa realizava cumulativamente as atividades previstas no §6°, do art.8°, da Lei n° 10.925/2004, deve ser reconhecido o direito ao crédito presumido.
Processo Administrativo Fiscal
Período de Apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE ADQUIRIU CAFÉ
A apresentação de documentos que demonstrem que a empresa efetivamente comprou café, em especial, seu pagamento, é indispensável para assegurar o direito ao crédito alegado. Assim, apenas deve ser reconhecido o direito relativamente aos fatos provados.
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3301-001.306
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais quer negou provimento a todo o crédito presumido da agroindústria.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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CONTRIBUIÇÃO AO PIS Recorrente L J M COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA.. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA Apresentadas provas que levam a crer que a empresa realizava cumulativamente as atividades previstas no §6°, do art.8°, da Lei n° 10.925/2004, deve ser reconhecido o direito ao crédito presumido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE ADQUIRIU CAFÉ A apresentação de documentos que demonstrem que a empresa efetivamente comprou café, em especial, seu pagamento, é indispensável para assegurar o direito ao crédito alegado. Assim, apenas deve ser reconhecido o direito relativamente aos fatos provados. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais quer negou provimento a todo o crédito presumido da agroindústria. [assinado digitalmente] Fl. 172DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), Maurício Taveira e Silva, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinéz Lopez e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Juiz de Fora que indeferiu o direito creditório declarado pelo contribuinte, por entender que o mesmo não produzia o café que exportava, bem como não provou o pagamento dos produtos adquiridos. A ora Recorrente apresentou pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, relativos à Contribuição ao PIS não cumulativa do segundo trimestre de 2006. A DRF Poços de Caldas/MG proferiu Decisão SARAC/DRF/PCS n° 111/2010, indeferindo integralmente o crédito pleiteado. A decisão se baseou nos seguintes argumentos: (i) a empresa, como comprovantes de pagamento, apresentou microfilmes de cheques e demonstrativo do destino destes cheques. Ocorre que os microfilmes mostram que todos os cheques, sem exceção, foram emitidos nominalmente à própria empresa. Estes documentos, portanto, por si só, não fazem prova do efetivo pagamento a favor do contribuinte, (ii) não foram localizadas as empresas a fim de que pudessem comprovar o pagamento (iii) a única que atendeu a intimação foi a Itaporanga Comércio e Exportação Ltda., que afirmou que recebeu os pagamentos de forma diversa da apresentada no demonstrativo da empresa, (iv) com relação ao crédito presumido agroindústria, não demonstrou que produzia o café que exportou. Regularmente cientificada, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em estreita síntese, que: a) a recorrente é adquirente de boa fé, e conforme documentação acostada, todas as notas fiscais foram perfeitamente emitidas, inclusive com verificação da situação dessas empresas junto ao cadastro de contribuintes do Estado de Minas Gerais que demonstram que as mesmas estão aptas para comercialização. E mais, restam comprovados os pagamentos e as efetivas entradas físicas dos cafés junto ao manifestante; b) quanto aos pagamentos estarem nominais ao próprio contribuinte, ocorre em razão dessas transações serem realizadas por intermédio de corretores. Quando não é possível fazer o pagamento diretamente às empresas vendedoras, seja por transferência bancária ou outra forma, a segurança do contribuinte é emitir os pagamentos nominais a ela mesma, para que o corretor apresente contra a agência bancária e libere a mercadoria; c) o café adquirido é depositado no Armazém Geral para melhor atender à legislação do ICMS. Este Armazém Geral apenas trabalha com depósito de mercadoria, carga e descarga. Não prepara café algum e nem possui maquinário. No que se refere a parte Fl. 173DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 19991.000456/200929 Acórdão n.º 3301001.306 S3C3T1 Fl. 173 3 comercial, todo o maquinário de preparo e classificação da mercadoria é feito pela Recorrente, após adquirilos de seus fornecedores, sejam os que estão depositados no armazém geral ou outros de demais localidades. A DRJ de Juiz de Fora julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, nos seguintes termos: CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, a empresa precisa produzir ela própria o café que revende, considerando como tal o exercício cumulativo das atividades previstas na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado, o contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões apresentadas em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, o não reconhecimento do direito creditório, e a consequente não homologação da declaração de compensação, decorreu, essencialmente, de dois argumentos: (i) relativamente ao crédito presumido, ausência de prova de que a Recorrente produzia, ela própria, o café; e (ii) em relação ao crédito ordinário, falta de prova do pagamento do café que adquiriu ou que o pagou na forma declarada. Pois bem. Como bem colocado pela decisão recorrida, o crédito presumido da agroindústria foi instituído pelo § 10° do artigo 3°, da Lei 10.637/2002, no que se refere à Contribuição ao PIS, e pelo § 5°, do artigo 3°, da Lei 10.833/2003, em relação à Cofins. Posteriormente, referidos enunciados foram alterados pela Lei n° 10.925/2004, a qual, em seu artigo 8°, estabeleceu o seguinte: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4,8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.000702.00.00, 0706.10.00. 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso Fl. 174DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 II do caput do art. 3 das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833. de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física (...) §6° Para os efeitos do capta deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004); § 7° O disposto no § 6º deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas Com suposto fundamento nessas disposições, a DRF e DRJ glosaram o crédito presumido pleiteado, entenderam que a Recorrente não apresentou prova de que produz ela própria o café que revende, considerando como tal o exercício cumulativo das atividades nele previstas. Ocorre que, analisando os documentos apresentados pela Recorrente, juntamente com sua manifestação de inconformidade, verificase que se ela não provou, no mínimo, trouxe indícios fortes de que realiza as atividades previstas no § 6°, do art.8°, da Lei n° 10.925/04. Com efeito, apresentou a Recorrente o cadastro de bens imobilizados, no qual consta a aquisição de máquinas seletoras, selecionadoras e descascadoras de café, torrador para prova de café, balança para pesagem, compressores, máquinas de costura para fazer sacaria etc., ou seja, de máquinas que realizam cumulativamente as atividades de padronização, beneficiamento, preparo e mistura de café para definição de aroma e sabor. Neste ponto importa registrar, ainda, que, como bem colocado pela Recorrente, o beneficiamento na realidade nada mais é do que “descascamento”, ou seja, a retirada da casca do café colhido no pé e levado a esse processo, após secagem, para obtenção do café cru em grão, que é a mercadoria primária ou café propriamente dito, passível de comercialização, industrialização ou exportação. Possuindo esse tipo de maquinário, não se justifica a conclusão da DRF e da DRJ, especialmente quando fundamentada em elementos de outros processos. Daí a razão pela qual entendo que a decisão recorrida merece reforma neste ponto. Passemos à análise do segundo argumento que justificou o indeferimento do crédito. Com efeito, o legislador assegura expressamente a apropriação de créditos ordinários pelas aquisições de produtos junto às pessoas jurídicas. Portanto, apenas duas são as condições colocadas pela lei para o registro do mencionado crédito: (i) a aquisição de produto; e (ii) a qualidade do fornecedor de pessoa jurídica. No caso concreto, o primeiro requisito não restou comprovado relativamente a todas as operações que a Recorrente alega ter realizado. Com efeito, a Recorrente apresentou a microfilmagem de cheques emitidos, sem exceção, nominalmente à sua pessoa. Por conseguinte, isoladamente considerados, não se prestam como prova da efetiva compra das mercadorias. Por conta disso, a fiscalização, na busca da verdade material, tentou localizar os fornecedores indicados, a fim de verificar se os mesmos receberam os alegados pagamentos. Esta tentativa restou infrutífera em relação a alguns dos fornecedores, vez que os mesmos ou Fl. 175DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 19991.000456/200929 Acórdão n.º 3301001.306 S3C3T1 Fl. 174 5 seus sócios não foram localizados nos endereços que constam nos cadastros da SRF. Notese, que o que fundamentou a glosa em questão não foi a inidoneidade dos fornecedores, mas a falta de prova de que as operações em relação as quais se pleiteia o crédito são reais e efetivas. Com efeito, ao disciplinar o processo administrativo fiscal federal, o legislador prescreve expressamente no artigo 9°, do Decreto n° 70.235/72, a necessidade de que o lançamento seja instruído com prova concludente de que o evento tributário ocorreu em estrita conformidade com a descrição da hipótese normativa. Logo adiante, determina, ainda que de forma implícita, que, caso o sujeito passivo apresente defesa contra o ato lavrado pelo Fisco, devidamente acompanhada de provas de suas alegações, o ônus passa a ser novamente da Fazenda, a quem incumbirá comprovar o descabimento da impugnação. Ao assim prescrever, deixou claro o legislador que a linguagem jurídica dos atos de gestão tributária, quando o sujeito competente para expedila seja o Estado Administração, deve estar devidamente respaldada em provas. Ausentes estas, ilegítima aquela. Por outro lado, quando o fato seja alegado pelo próprio particular, a ele compete demonstrar a veracidade de suas afirmações, igualmente por meio de provas. Afinal, também aqui se aplica a máxima processual de que a prova compete a quem alega, prevista expressamente no art. 333, do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo. No caso concreto, a Recorrente alega a existência de direito creditório, competindo, por esta razão, exclusivamente a ela a prova do alegado. Assim, deveria ter apresentados todos os documentos necessários à demonstração da efetiva compra de café, o que não foi feito. Situação diferente se verifica em relação ao fornecedor Itaporanga Comércio e Exportação Ltda., único que atendeu a intimação fiscal. Com efeito, esta empresa confirmou o recebimento dos exatos valores alegados pela Recorrente, porém de forma diversa da que consta no demonstrativo apresentado. Ora, a prova do pagamento é suficiente para demonstrar que a compra efetivamente ocorreu. Se o fornecedor afirma ter recebido valor idêntico ao alegado pela Recorrente, como demonstram os documentos juntados aos autos, é irrelevante o fato de haver discordância apenas em relação a quantidade de parcelas em que o mesmo foi quitado. Sendo assim, entendo que a glosa, relativamente a esta operação, deve ser afastada. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, para afastar as glosas (i) relativas ao crédito presumido e, (ii) com relação ao crédito ordinário, as que se referem às realizadas com a fornecedora Itaporanga Comércio e Exportação Ltda. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 176DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003643/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Exercício: 2008
Ementa:
DIRF. MULTA. ÓRGÃOS E/OU AUTORIDADES PÚBLICAS. A partir de
julho de 2004, nos termos do Parecer nº 16 da Advocacia Geral da União – AGU, cujos efeitos se estendem a todos os órgãos do Poder Executivo Federal, é devida a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias por parte de pessoas jurídicas de direito público
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-001.562
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2008 Ementa: DIRF. MULTA. ÓRGÃOS E/OU AUTORIDADES PÚBLICAS. A partir de julho de 2004, nos termos do Parecer nº 16 da Advocacia Geral da União – AGU, cujos efeitos se estendem a todos os órgãos do Poder Executivo Federal, é devida a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias por parte de pessoas jurídicas de direito público Recurso Voluntário Negado.
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MULTA. ÓRGÃOS E/OU AUTORIDADES PÚBLICAS. A partir de julho de 2004, nos termos do Parecer nº 16 da Advocacia Geral da União – AGU, cujos efeitos se estendem a todos os órgãos do Poder Executivo Federal, é devida a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias por parte de pessoas jurídicas de direito público Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 20/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Relatório Fl. 41DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Contra a PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA, foi lavrado Auto de Infração para exigir multa no valor R$531.084,50 devida pelo atraso na entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF 2008, apresentada após o prazo fixado pela IN SRF nº 784/2007. Inconformado com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação (fls.01/04), cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) argúi que apesar dos problemas na implantação do arquivo de geração das informações, o mesmo foi iniciado e feito o repasse do documento dentro do prazo marcado, às 20:05 horas do dia 15/02/2011; b) contudo, a partir desse momento o sistema da Secretaria da Receita Federal não aceitou o repasse das informações; que efetuou novas tentativas em 16 e 17/02/2008 (sábado e domingo), sem lograr êxito; que o atraso deuse em razão do desligamento do sistema no final de semana em razão do congestionamento da internet; que somente conseguiu transmitir a declaração em 19/02/2008. às 07:16 horas, data em que foi possível acessar o sistema da Receita Federal; c) aduz que a exigência de apresentação do documento em questão para os órgãos públicos è meramente informativa e. apesar do contratempo, foi encaminhado e cumprida a exigência legal; d) que, quando os Estados, o Distrito Federal c os Municípios (art. 158 da CF.) forem, por determinação da lei que regulamenta a cobrança do imposto da renda, obrigados a reterem na fonte o imposto de renda, o produto desta retenção pertence ao agente arrecadador; e) que. além da DIRF ser informativa apenas, nenhuma repercussão de natureza fiscal ocorreu em razão de os valores arrecadados pertencerem ao próprio ente federativo; que, em não havendo repercussão fiscal, a aplicação da multa da tamanha monta deixa de ser medida justificável; que, adotando o princípio da insignificância, temos que o ocorrido não apresenta maiores derivações, uma vez que o Município de Curitiba tem cumprido com suas obrigações, alem de manter com a entidade federal estreito relacionamento cooperativo, por força de convênio celebrado entre as partes para troca de informações; f) ao final, requer o cancelamento do lançamento propugnado pela procedência da impugnação. Após analisar a matéria, os Membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CTA n° 0631.240, de 14/04/2010, fls. 15/17, em decisão assim ementada: “DIRF. MULTA ATRASO. A apresentação da DIRF 2008 após o prazo fixado pela legislação tributária enseja a aplicação da multa por atraso na sua declaração. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10980.003643/200838 Acórdão n.º 220101.562 S2C2T1 Fl. 2 3 Impugnação improcedente.” Cientificado da decisão de primeira instância em 12/05/2012, a interessada apresentou, em 08/06/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls fls.30/34, acompanhado dos documentos de fls.35/38, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Na análise do presente recurso, valhome das bem lançadas razões apresentadas pelo Ilustre Colega Conselheiro, Dr. Pedro Paulo Pereira Barbosa, ao analisar o recurso da Secretária da Fazenda do Estado de Minas Gerais, nos termos do acórdão nº 2201 001.540 de 13/03/2012, as quais, adoto na sua íntegra: “Quanto ao mérito, conforme relatório, tratase da exigência de multa pelo atraso na entrega da DIRF. Quanto ao atraso na entrega do documento, a questão pode ser verificada objetivamente e, portanto, não há dúvida sobre este aspecto. O que se discute é a aplicação, consideradas as circunstâncias específica do caso, especialmente a personalidade jurídica da autuada. Sobre este ponto, embora a questão não tenha sido expressamente argüida, convém deixar explicitado que, segundo orientação da Advocacia Geral da União, cujos efeitos se estendem a todos os órgãos do Poder Executivo Federal, é devida a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigações acessórias por parte de pessoas jurídicas de direito público. Refirome ao Parecer nº 16 da AGU, aplicável a partir de julho de 2004 a saber: EMENTA: AS MULTAS PREVISTAS EM LEI SÃO APLICÁVEIS ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. O FAVORECIMENTO, PELA EXCLUSÃO, CARACTERIZA DESVIO DE PODER. [...] Estou de acordo, nesta linha, com o Parecer AGU/GV01/2004, de modo a propor a revisão dos Pareceres CGR H313 de 1966, H717 de 1968, H782 de 1969 e L038 de 1974, fazendo prevalecer entendimento ora afirmado de que os órgãos e/ou autoridades públicas estão sujeitas a penalidade administrativa correspondente, em caso de mora ou infração, em especial no que respeita à fiscalização do trabalho. Sobre a alegada inconstitucionalidade e ausência de razoabilidade e proporcionalidade da autuação, convém ressaltar que o exame de tais matérias escapa à competência dos Fl. 43DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 órgãos administrativos de julgamento, vinculado que estão à lei e não podem deixar de aplicála com base em juízo subjetivo sobre sua constitucionalidade ou sobre os efeitos econômicos de sua aplicação. Esta posição, a propósito, no âmbito deste Conselho, já está consolidada na Súmula nº 2, segundo a qual “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, finalmente, sobre a alegação de que a autuação implica em supressão de receita, a questão, da mesma forma, alcança a própria Constitucionalidade da norma com relação às pessoas jurídicas de direito público e, de qualquer forma, a questão está superada pela orientação da AGU, acima referida. Enfim, é inequívoco que a declaração foi apresentada com atraso e há previsão legal expressa de incidência da multa para estes casos, multa a qual foi aplicada pela autoridade competente. E, não tendo sido identificados vícios no procedimento fiscal e na autuação dela decorrente, deve ser mantida a exigência.” Pelos mesmos fundamentos, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 44DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001765/2009-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
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CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de COFINS referente ao quarto trimestre/2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 65 /2 00 9- 04 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 126/127 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pelo art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 129/131, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 139/141 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3672ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001765/200904 Acórdão n.º 3803003.682 S3TE03 Fl. 155 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade do art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei n.º 10.833/2003, que vedou a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001765/200904 Acórdão n.º 3803003.682 S3TE03 Fl. 156 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 14/03/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10730.000238/2002-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 1998
CONHECIMENTO. CSRF. DIVERGÊNCIA. DECISÕES COM FUNDAMENTOS DISTINTOS.
Compete à CSRF julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.
Caracteriza-se a divergência quando os acórdãos paradigma e recorrido, em situações fáticas e jurídicas idênticas, concluíram de maneira diversa.
No presente caso não há divergência jurisprudencial, pois as situações que fundamentaram a decisão são diversas.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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CSRF. DIVERGÊNCIA. DECISÕES COM FUNDAMENTOS DISTINTOS. Compete à CSRF julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Caracterizase a divergência quando os acórdãos paradigma e recorrido, em situações fáticas e jurídicas idênticas, concluíram de maneira diversa. No presente caso não há divergência jurisprudencial, pois as situações que fundamentaram a decisão são diversas. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 02 38 /2 00 2- 14 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann ( VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10730.000238/200214 Acórdão n.º 9202002.428 CSRFT2 Fl. 126 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0100, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 085, que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Para esclarecimento, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 1998, anocalendário 1997, por ter sido apurada omissão de rendimentos do trabalho com vinculo empregatício recebido do Ministério da Fazenda, com base em comprovante anual de rendimentos. O procedimento fiscal foi instaurado após ter sido encerrada, com resultado desfavorável ao contribuinte, a ação em que aquele movia contra a União para obter isenção de imposto de renda por possuir mais de 65 anos de idade. Já estando comprovado que a partir de setembro de 1997 o contribuinte era portador de moléstia grave e em razão da ausência de DIRF, a fiscalização dividiu o total dos rendimentos anuais por 12 e aplicou esse resultado de janeiro a agosto de 1997. Por fim, o acórdão recorrido decidiu que o lançamento foi equivocado, pois o rateio foi incorreto, o Fisco possuía as informações para lançar o valor correto no lançamento, afirmando que o lançamento que suporta a presente exação não identificou a matéria tributável adequadamente (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN) e foi elaborado com inexatidão material, não devendo prosperar, pois não compete ao órgão julgador refazer o lançamento, mormente quando agrava a exigência formulada inicialmente pela autoridade fiscal e quando já ultrapassado o termo final do prazo decadencial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Exercício: 1998 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. FATO GERADOR. LANÇAMENTO. ISENÇÃO NO CURSO DO ANO CALENDÁRIO. O lançamento do imposto de renda da pessoa física exige que seja adequadamente identificada a matéria tributável, por meio da descrição dos fatos e do valor do rendimento efetivamente recebido. No caso dos autos, a isenção do imposto de ano calendário já em curso exige que a identificação dos rendimentos tributáveis recebidos até os meses anteriores à isenção correspondam aos rendimentos efetivamente recebidos, vedado o rateio linear do rendimento total anual. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Lúcia Reiko Sakae e Luis Fabiano Alves Penteado votaram pelas conclusões por entenderem que houve agravamento da exigência. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Há divergência jurisprudencial; 2. O erro na matéria tributável não pode levar à anulação do lançamento, nem á sua improcedência; 3. Desnecessário e ilegal o cancelamento da autuação, nos termos ora postos, uma vez que caracterizada a infração imputada pela fiscalização; 4. Dessa maneira, é de se reformar o referido julgado, merecendo reprimenda a conclusão aplicada ao caso concreto; 5. Assinalese, ainda, que, mesmo diante de isenção a partir do mês de setembro de 1997, não se faz necessário o real e efetivo rateio dos rendimentos omitidos durante os meses de janeiro a agosto do ano calendário, para fins de apuração do imposto de renda, cujo fato gerador é anual, pois é sobre o valor total da omissão constatada nos aludidos meses que incide o IRPF; e 6. Ante o exposto, espera o conhecimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0107, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0116, argumentando, em síntese, que o acórdão recorrido deve ser mantido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10730.000238/200214 Acórdão n.º 9202002.428 CSRFT2 Fl. 127 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade, há questão a ser analisada. A PGFN apresenta, como acórdão paradigma, a seguinte decisão: “O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De fato, a matéria tributável foi equivocadamente apurada por ocasião da ação fiscal, e os próprios documentos anexados aos autos (xerox do Livro Caixa às fls. 12 a 24) confirmam que a receita auferida pela recorrente não atinge o montante em que se baseou a auditoria. A matéria é de prova e neste aspecto agiu bem a autoridade monocrática ao excluir as parcelas de Cr$ 4.743.000,00, Cr$ 69.900.000,00 e Cr$ 15.678.100,00 relativos aos meses de janeiro, março e agosto de 1993. Também não merece reparo a decisão recorrida com relação ao imposto de renda retido na fonte. A jurisprudência dominante neste Pretório é mansa e pacífica no sentido de que as disposições do art. 8° do Decretolei n° 2.065/83 vigorou somente até o ano de 1988. A partir do ano de 1989, os lucros apurados pelas pessoas jurídicas sujeitam se à tributação de 8% (oito por cento), independentemente de distribuição, na forma prevista nos arts. 35 e 36 da Lei n° 7.713/88. Neste sentido o entendimento da própria administração tributária exarada no Ato Declaratório Normativo n° 6/96 de que o art. 8° do Decretolei n°2.065/83 foi revogado pelos arts. 35 e 36 da Lei n°7.713/88. Isto posto, nego provimento ao recurso ex officio mantendo a decisão recorrida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos.” Portanto, resta claro que, no acórdão paradigma verificouse valores lançados a mais e, pela análise dos autos, chegouse à conclusão pela retificação do lançamento, com a exclusão desses valores. Já no acórdão recorrido, com todo respeito, a decisão é outra, com outra finalidade e outra solução. Vejamos: “Não há dúvidas de que o valor da omissão apurada no auto de infração é inferior ao valor efetivamente recebido pelo recorrente, nesse ponto não há qualquer margem para acatar a tese defensiva de que houve agravamento da exigência pelo julgador e após o prazo decadencial. A questão central, portanto, não é o suposto agravamento da exigência, uma vez que o valor total da omissão lançada para Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 1997 efetivamente ocorreu. O núcleo da controvérsia é a validade do lançamento que ao invés de segregar de janeiro a agosto o valor efetivamente recebido distribuiu o valor anual proporcionalmente pelos meses de janeiro a agosto de 1997. Penso que como o fato gerador do imposto de renda da pessoa física é complexo, consumandose no dia 31 de dezembro é possível cogitar a validade do lançamento que tomando um valor anual correto para os rendimentos tributáveis, faça a distribuição uniforme ao longo do ano, sem alterar o valor tributável anual e desde que não haja acréscimos legais contados a partir de cada um dos meses do ano em que foi apropriado o rendimento mensal rateado. Ocorre que nesses autos a situação fática possui peculiaridades, uma delas é que nem todos os pagamentos que compõem o rendimento total anual são tributáveis, o que se deve ao fato de ter sido reconhecida a isenção do imposto a partir do mês de setembro de 1997, com isso é inadequado o rateio mensal linear, é necessário que seja identificado o valor efetivamente recebido de janeiro a agosto de 1997. Outrossim, o valor da suposta omissão de rendimentos (identificada pela DRJ) é superior ao que foi apurado no auto de infração em razão de um outro fato que passou despercebido pela fiscalização, qual seja, houve um recebimento no valor de R$44.276,23 no mês de junho de 1997 (contracheque de maio de 1997). É como dito no adágio popular, mirou no que viu e acertou o que não viu. Dessa forma, o lançamento que suporta a presente exação não identificou a matéria tributável adequadamente (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN) e foi elaborado com inexatidão material, não devendo prosperar. Não compete ao órgão julgador refazer o lançamento, mormente quando agrava a exigência formulada inicialmente pela autoridade fiscal e quando já ultrapassado o termo final do prazo decadencial. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso.” Portanto, como está claro na decisão, o provimento do recurso, constante do acórdão recorrido, deuse, em síntese, por equívoco no cálculo do valor lançado e pelo valor lançado ser menor (devido a erro), diferentemente do acórdão paradigma, em que o valor lançado foi maior e a discussão no contencioso administrativo levou à correção desse valor. Assim, as decisões possuem fundamentos diferentes. Nesse sentido, não há como conhecer do recurso da PGFN. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10730.000238/200214 Acórdão n.º 9202002.428 CSRFT2 Fl. 128 7 CONCLUSÃO: EM razão doe exposto, voto em NÃO CONHECER do recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.018257/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E DE LIVRO-CAIXA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA - LANÇAMENTO MANTIDO
Ausentes comprovantes idôneos de despesas médicas, de instrução e de livro-caixa, nos termos das exigências do RIR/99, é de manter-se o lançamento.
Recurso improvido.
Numero da decisão: 2802-001.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF - GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E DE LIVRO-CAIXA - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA - LANÇAMENTO MANTIDO Ausentes comprovantes idôneos de despesas médicas, de instrução e de livro-caixa, nos termos das exigências do RIR/99, é de manter-se o lançamento. Recurso improvido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 14/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
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Recurso improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 14/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 82 57 /2 00 8- 41 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, de fls. 204/213, relativa aos exercício de 2006, 2007 e 2008, anoscalendário de 2005 a 2007, em virtude de suposta dedução indevida de despesas médicas (exercícios 2007 e 2008), por falta de comprovação; dedução indevida de despesas de livrocaixa (exercícios 2006 a 2008), ora por falta de previsão legal, ora por falta de comprovação; e dedução indevida de despesas de instrução (exercício 2007), por falta de comprovação. Cientificado do lançamento, a fl. 218, o contribuinte apresentou impugnação, tempestiva, fl. 221, alegando em síntese, que os profissionais prestadores dos serviços referentes às despesas glosadas sempre prestaram serviços ao contribuinte; que não houve “omissão ao fisco”; que as informações constantes dos documentos apresentados são verdadeiras; que os serviços relativos às despesas deduzidas foram pagos em espécie, não havendo nisso qualquer irregularidade; que o contribuinte sofria de problemas de saúde que demandavam tratamento, vindo a falecer em virtude de tais problemas e junta documentos. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/CTA, em sessão realizada no dia 31/05/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, considerando não impugnada a dedução indevida de livrocaixa e as deduções indevidas de despesas de instrução e rejeitando a impugnação de glosas de despesas médicas, ora por não terem sido trazidos comprovantes aos autos, ora por não preencherem os requisitos do RIR/99, e por considerar a DRJ que os recibos desacompanhados de prova de efetivo desembolso não são hábeis a fundamentar as deduções pretendidas. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.269, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário, a fl. 272, alegando em síntese que, impugna a totalidade do lançamento; que o processo no. 14486000.483/201111, instaurado no tocante à matéria não impugnada deve ser anexado ao presente e sobrestado; a decisão da DRJ é nula pois não houve manifestação sobre o decidido no processo no. 10980.01865/200625, cuja decisão a recorrente juntou aos autos e que comprovaria que os profissionais envolvidos nos presentes autos sempre prestaram serviços ao contribuinte; no tocante a despesas médicas a fiscalização não logou infirmar a higidez dos recibos e declarações acostados aos autos; as despesas apuradas em livrocaixa foram comprovadas no processo 10980.01865/200625, ao qual o presente deve ser reunido, por esta razão; as despesas de instrução devem ser confrontadas com as declarações das instituições de ensino indicadas na DIRPF; que é desnecessária a prova de efetivo pagamento de despesas médicas, quando constam comprovantes idôneos dos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, no particular em que impugna a glosa de deduções de pagamentos com despesas médicas e de instrução e deduções de livrocaixa. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10980.018257/200841 Acórdão n.º 2802001.991 S2TE02 Fl. 285 3 Passo a apreciar o mérito do recurso. Quanto às despesas de instrução deduzidas, referentes ao exercício 2007, não logro localizar nos autos um único comprovante, razão pelas quais é de ser mantida a glosa, de vez que é obrigação legal do contribuinte manter a guarda dos comprovantes e sua exibição quando exigida, não podendo, à falta destes, pretender que a matéria se resolva mediante diligência nas declarações de imposto de renda das respectivas instituições de ensino, de vez que, não havendo se desincumbido do ônus da prova que lhe cabe, a matéria se resolve com base nos elementos constantes dos autos. Quanto às despesas deduzidas a título de livrocaixa, exercícios 2006 a 2008, a fundamentação do lançamento é detalhada e encontrase a fls.248, discriminando de forma especificada quais os comprovantes e valores acolheramse e quais rejeitaramse, não se podendo acolher a alegação da recorrente de que as despesas apuradas em livrocaixa foram comprovadas no processo 10980.01865/200625, ao qual o presente deve ser reunido, por esta razão. Se a contribuinte foi intimada nos presentes autos a apresentar os elementos de prova em questão e não o fez, não pode pretender valerse para este fim de prova emprestada. Quanto às despesas médicas deduzidas, relativas aos exercícios 2007 e 2008, assiste razão à DRJ ao afirmar que os comprovantes e declarações constantes de fls.225236, ou não dizem respeito aos exercícios em questão, ou estão desacompanhados de indicação do endereço dos profissionais que os firmam, não sendo passíveis de serem considerados prova idônea de pagamento, nos termos do RIR/99, não havendo nos autos outros comprovantes das referidas despesas. Isto posto, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 286DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901408/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.DIREITO CREDITÓRIO ORIUNDO DE MULTA MORA. NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Nos termos do REsp 962.379, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF.
No caso dos autos, o contribuinte não logrou comprovar que se subsumia à hipótese, sendo certo que nas compensações, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório.
Numero da decisão: 1801-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.DIREITO CREDITÓRIO ORIUNDO DE MULTA MORA. NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Nos termos do REsp 962.379, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF. No caso dos autos, o contribuinte não logrou comprovar que se subsumia à hipótese, sendo certo que nas compensações, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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NÃO COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Nos termos do REsp 962.379, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF. No caso dos autos, o contribuinte não logrou comprovar que se subsumia à hipótese, sendo certo que nas compensações, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 14 08 /2 00 9- 68 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica n. 19689.89356.310305.1.3.049921, de 31/03/05, relativa a débito de CSLL, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, no valor original de R$1.834,27, referente ao pagamento de multa de mora, de CSLL. Em 31.10.2000 a Recorrente recolheu DARF referente a crédito tributário de CSLL, do período de apuração de 31/07/2000, no valor de R$11.209,28, sendo que o valor de R$1.834,27, a título de multa de mora e R$203,62, de juros de mora. O despacho eletrônico não homologou o crédito tributário sob o fundamento de que foram localizados o pagamento, mas que teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte , não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando que o pagamento realizado em 31.10.2000 foi anterior a qualquer procedimento da fiscalização e da entrega da respectiva DCTF, que constituiu a obrigação tributária, configurandose a hipótese do art. 138 do CTN, de denúncia espontânea, de sorte que transmitiu a DCOMP objeto do presente litígio para reaver os valores indevidamente pagos. A DRJ de Juiz de Fora não homologou o direito creditório da Recorrente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2000 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea não se aplica a pagamento realizado a destempo, de tributo sujeito a lançamento por homologação regularmente declarado (Súmula STJ nº 3600), sendo devida nesse caso a exigência da multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido De acordo com a decisão ora recorrida, Na decisão ora recorrida, a DRJ fez remissão ao REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC, em que se firmou entendimento de que, na hipótese de tributos Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901408/200968 Acórdão n.º 1801001.303 S1TE01 Fl. 9 3 sujeitos a lançamento por homologação, o crédito declarado e constituído pelo contribuinte e pago a destempo, não configura denúncia espontânea. A Recorrente apresentou recurso voluntário em que reitera os argumentos da manifestação de inconformidade, ou seja, que teria realizado o pagamento antes de qualquer procedimento da fiscalização, bem como antes da entrega da DCTF, subsumindose ao entendimento do Superior Tribunal Justiça de configuração da hipótese de denúncia espontânea. Juntou, por ocasião do recurso voluntário, a DCTF do 4o trimestre de 2000, entregue em 15/05/20001. Voto Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora Tratamse os presentes autos de declaração de compensação relativa a crédito de multa de mora, relativo a pagamento de CSLL do período de apuração de 31/07/2000, com vencimento em 31/08/2000. A Recorrente realizou o pagamento a destempo, em 31/10/2000 com os respectivos consectários legais, porém, em momento posterior, entendeu que se enquadrava na hipótese de denúncia espontânea, art. 138 do CTN, de sorte que o pagamento realizado caracterizavase como indevido. A DRJ não reconheceu o direito creditório, sob a alegação de que a Recorrente não se enquadrava nas condições para o gozo da denúncia espontânea, estabelecidas em consonância com a jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça. Nesse passo, importante estabelecer quais os requisitos para se configurar o instituto da denúncia espontânea, em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, especialmente no REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Considerandose o entendimento no recurso especial em referência, de reprodução obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do art. 62A, do Regimento Interno do CARF c/c art. 543C do CPC, que, inclusive é suscitado pela própria Recorrente, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação ou “autolançamento”, na forma do art. 150, §4o do Código Tributário Nacional, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária. Da documentação acostada aos autos, especialmente da declaração de compensação objeto do presente processo, verificase que o DARF de pagamento é datado de 31/10/2000 e referese a CSLL, do período de apuração de 31/07/2000, com vencimento em 31/08/2000 (fls.27). Não obstante, a DCTF acostada aos autos no advento da apresentação do recurso voluntário, apresentada em 14/02/2001, referese ao 4o trimestre de 2000, ou seja, período compreendido entre 01/10/2000 a 31/12/2000, não abarcando o período de apuração do tributo que teria originado o pagamento indevido, que é CSLL de 31/07/2000, o que obsta a apreciação da ocorrência da denúncia espontânea. E, nessa esteira, entendese que apenas a documentação que reflita de maneira inconteste o direito creditório do contribuinte poderá ensejar o reconhecimento de seu direito creditório, pois a compensação é constituída normativamente por declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, ficando sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Por essa razão, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a declaração original. Assim, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10675.901408/200968 Acórdão n.º 1801001.303 S1TE01 Fl. 10 5 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 25/02/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 11075.720024/2010-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005
MULTA ISOLADA. VIOLAÇÃO DO DEVER LEGAL DE ANTECIPAR PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL.
Incide multa isolada sobre os valores do IRPJ e da CSLL devidos por estimativa mensal, apurados com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balancetes mensais de suspensão/redução, que deixaram de ser pagos antecipamente por violação do dever legal de antecipação, ainda que, no
encerramento do ano calendário em 31 de dezembro, tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido.
DEMANDA JUDICIAL EM CURSO. QUESTÃO PREJUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste previsão legal para sobrestamento de processo administrativo tributário, no âmbito do Decreto nº 70.235/72 e do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – RICARF, pelo fato da contribuinte questionar, em juízo, a legalidade do despacho decisório que julgou a compensação tributária “não declarada” e que, reflexamente, implicou a aplicação, via auto de infração, das multas isoladas objeto da lide deste processo administrativo por descumprimento do dever legal de antecipação de pagamento das exações fiscais devidas por estimativa mensal.
O despacho decisório, questionado judicialmente, aplicou o comando normativo do art. 6º, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96 que, no caso de saldo negativo do imposto, permite a compensação somente com débitos de períodos subsequentes, vedando, portanto, a utilização de saldo negativo para compensar débitos de períodos pretéritos, por ser norma específica de compensação tributária, afastando, nessa parte, a incidência do art. 74 da Lei
nº 9.430/96. No âmbito da Justiça Federal, a pretensão da recorrente de afastamento da incidência do art. 6º, §1º, II, da Lei nº 9.430/96, tanto na primeira instância quanto na instância recursal, foi denegada, embora ainda pendente de apreciação Embargos de Declaração contra o Acórdão proferido na Apelação
Cível manejada pela contribuinte. De qualquer forma, enquanto inexistir decisão transitada em julgado no processo judicial, o qual é prejudicial deste processo administrativo, a Fazenda Nacional não poderá exigir o crédito tributário objeto destes autos, se restar mantido por decisão irreformável nesta instância administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.234
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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VIOLAÇÃO DO DEVER LEGAL DE ANTECIPAR PAGAMENTO DO IRPJ E DA CSLL POR ESTIMATIVA MENSAL. Incide multa isolada sobre os valores do IRPJ e da CSLL devidos por estimativa mensal, apurados com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balancetes mensais de suspensão/redução, que deixaram de ser pagos antecipamente por violação do dever legal de antecipação, ainda que, no encerramento do anocalendário em 31 de dezembro, tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido. DEMANDA JUDICIAL EM CURSO. QUESTÃO PREJUDICIAL. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste previsão legal para sobrestamento de processo administrativo tributário, no âmbito do Decreto nº 70.235/72 e do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal – RICARF, pelo fato da contribuinte questionar, em juízo, a legalidade do despacho decisório que julgou a compensação tributária “não declarada” e que, reflexamente, implicou a aplicação, via auto de infração, das multas isoladas objeto da lide deste processo administrativo por descumprimento do dever legal de antecipação de pagamento das exações fiscais devidas por estimativa mensal. O despacho decisório, questionado judicialmente, aplicou o comando normativo do art. 6º, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96 que, no caso de saldo negativo do imposto, permite a compensação somente com débitos de períodos subsequentes, vedando, portanto, a utilização de saldo negativo para compensar débitos de períodos pretéritos, por ser norma específica de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 2 2 compensação tributária, afastando, nessa parte, a incidência do art. 74 da Lei nº 9.430/96. No âmbito da Justiça Federal, a pretensão da recorrente de afastamento da incidência do art. 6º, §1º, II, da Lei nº 9.430/96, tanto na primeira instância quanto na instância recursal, foi denegada, embora ainda pendente de apreciação Embargos de Declaração contra o Acórdão proferido na Apelação Cível manejada pela contribuinte. De qualquer forma, enquanto inexistir decisão transitada em julgado no processo judicial, o qual é prejudicial deste processo administrativo, a Fazenda Nacional não poderá exigir o crédito tributário objeto destes autos, se restar mantido por decisão irreformável nesta instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.96/108 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Santa Maria (fls.80/90) que julgou improcedente a impugnação, mantendo os autos de infração de multa isolada do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2005. Quantos fatos: em 09/03/2010, foram lavrados os autos de infração para exigência, respectivamente, de multa isolada de 50% por falta de pagamento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2005 (fls. 03/10 e 11/17); crédito tributário lançado no montante de R$ 717.867,79, assim especificado: a) multa isolada do IRPJ...................R$ 343.282,52; b) multa isolada da CSLL.................R$ 374.585,27. descrição das infrações imputadas: (...) MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Multa apurada em decorrência da falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. A Declaração de Compensação n° 23950.05304.131107.1.7.02 0053, foi considerada como NÃO DECLARADA, nos termos do Despacho Decisório DRF/URA/Seort n° 6, de 23 de fevereiro de 2010 (em anexo e que passa ser parte integrante deste auto de infração). A indigitada Dcomp utilizava crédito de saldo negativo apurado na DIPJ 2007 e indicava para compensação os débitos de estimativa mensal de IRPJ abaixo arrolados. P.A . IRPJ mar/05 R$ 79.132,83 set/05 R$ 540.419,60 out/05 R$ 33.887,55 nov/05 R$ 33.125,04 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 4 4 Nos termos do disposto no § 13, do artigo 74 da Lei 9.430/96, a compensação considerada "não declarada" não tem o condão de produzir os efeitos explanados no § 2º do citado artigo, ou seja, não extingue o crédito tributário sob condição resolutória. Dessarte, restaram sem recolhimento as estimativas acima colacionadas, acarretando a exigência da multa objeto do presente Auto de Infração. P.A Multa isolada mar/05 R$ 39.566,42 set/05 R$270.209,80 out/05 R$ 16.943,78 nov/05 RS 16.562,52 Total R$ 343.282,51 (...) MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTTMADA Multa apurada em decorrência da falta de pagamento da Contribuição Social, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. A Declaração de Compensação n° 23950.05304.131107.1.7.02 0053, foi considerada como NÃO DECLARADA, nos termos o Despacho Decisório DRF/URA/Seort nº 6 de 23 de fevereiro de 2010 (em anexo e que passa ser parte integrante deste auto de infração). A indigitada Dcomp utilizava crédito de saldo negativo apurado na DIPJ 2007 e indicava para compensação os débitos de estimativa mensal de CSLL abaixo arrolados. P.A. CSLL mar/05 R$530.496,01 set/05 R$194.551,06 out/05 R$ 12.198,44 nov/05 R$ 11.925,01 Nos termos do disposto no § 13, do artigo 74 da Lei 9.430/96, a compensação considerada "não declarada" não tem o condão de produzir os efeitos explanados no § 2 ° do citado artigo, ou seja, não extingue o crédito tributário sob condição resolutória. Dessarte, restaram sem recolhimento as estimativas acima colacionadas, acarretando a exigência da multa objeto do presente Auto de Infração. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 5 5 P.A Multa isolada mar/05 R$265.248,01 set/05 R$ 97.275,53 out/05 R$ 6.099,22 nov/05 R$ 5.962,51 Total R$ 374.585,26 (...) Cientificada dos autos de infração, a interessada protocolizou, tempestivamente, a impugnação na primeira instância de julgamento, aduzindo, em síntese, que: fora surpreendida com a lavratura dos autos de infração, que deram origem a este processo administrativo, por meio dos quais o fisco exige o recolhimento de multa isolada equivalente a 50% sobre estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, quanto aos períodos de apuração de março, setembro, outubro e novembro de 2005, todas consideradas não recolhidas; as referidas antecipações mensais foram regularmente compensadas, mediante a transmissão eletrônica, mediante utilização do programa PER/DCOMP, da Declaração de Compensação n.° 23950.05304.131107.1.7.02 0053, em 13 de novembro de 2007; não obstante, ao analisar tal Declaração de Compensação, a Delegacia da Receita Federal de Uruguaiana emitiu o Despacho Decisório DRF/URA/Seort n.° 6/2010, considerando essa compensação tributária como "não declarada", sob o argumento de que a contribuinte não poderia ter utilizado crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006, para compensar estimativas mensais do IRPJ e da CSLL relativas a períodos do anocalendário de 2005; a penalidade imposta não merece prosperar; que discorda do conteúdo do Despacho Decisório DRP/URA/Seort n.° 6/2010, em que a Declaração de Compensação n.° 23950.05304.131 i 07.1.7.020053 foi considerada como não declarada. Da inexistência de pressuposto fático para a aplicação da multa: que não encontrou na legislação tributária federal qualquer impedimento para utilizar o saldo negativo do anocalendário 2006 para compensar as estimativas mensais do IRPJ e da CSLL relativas ao anocalendário de 2005 que ainda pendiam de pagamento; que a legislação relativa à compensação de tributos prevê expressamente a possibilidade de "compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF " (art. 26 da Instrução Normativa SEF n.° 600/2005, vigente na época); Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 6 6 que, assim, as estimativas mensais do IRPJ e da CSLL relativas a março, setembro, outubro e novembro de 2005 foram regularmente compensadas. Consequentemente, falta pressuposto fático válido para amparar a aplicação da multa isolada. Da impossibilidade da aplicação de multa isolada: que a multa não é devida no presente caso, uma vez que (i) não houve falta de pagamento do IRPJ e CSLL ao final do anocalendário de 2005 e (ii) referida multa está sendo aplicada em exercício posterior àquele ao qual as estimativas se referem; a imposição da penalidade, ora discutida, somente teria razão de existir se (i) após o encerramento do anocalendário de 2005 a contribuinte houvesse deixado de recolher valores do IRPJ e da CSLL ou (ii) se o lançamento da multa ora contestada tivesse sido efetuado no próprio curso do anocalendário de 2005, momento em que as autoridades fiscais ainda não teriam elementos suficientes para verificar o quantum dabeatur do IRPJ e da CSLL relativo ao final do mesmo período de apuração; que as antecipações mensais, que se referem exclusivamente à forma de recolhimento do IRPJ e da CSLL e não a qualquer um dos aspectos da regra de incidência desses tributos, estão totalmente vinculadas ao ajuste anual ou trimestral, não representando, portanto, uma obrigação tributária principal e autônoma; que a contribuinte citou jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em defesa de sua tese; que, ao final, a requerente pediu a improcedência dos autos de infração, para cancelamento, integral, das multas isoladas aplicadas, na medida em que (i) as estimativas mensais de IRPJ e CSLL foram regularmente pagas (compensadas) e, ainda que assim não seja, (ii) não há como se admitir aplicação de multas isoladas em ano calendário posterior ao ano de 2005, no qual, comprovadamente, não houve falta, mas, sim, excesso de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados. A DRJ/Santa Maria, refutando as razões da contibuinte, manteve o lançamento fiscal, conforme Acórdão de 02/09/2010 (fls. 80/90), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. Encerrado o anocalendário, havendo estimativas do IRPJ não recolhidas ou compensadas, correta a imposição da multa de ofício isolada correspondente. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 7 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 ESTIMATIVAS MENSAIS DA CSLL. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. Encerrado o anocalendário, havendo estimativas mensais da CSLL não recolhidas ou compensadas, correta a imposição da multa de ofício isolada correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 04/02/2011 (fl. 95), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 03/03/2011 (fls.96/108), ainda juntando os documentos de fls. 109/111, cujas razões do recurso, em síntese, são as seguintes: da regularidade da compensação das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2005, pois: a) os saldos negativos apurados no anocalendário 2006 poderiam ser compensados, utilizados a partir de janeiro/2007 para compensação tributária com débitos próprios vencidos ou vincendos; b) que a compensação realizada no curso do anocalendário 2007 – na qual utilizou crédito de saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário 2006 para quitação dos débitos de estimativa mensal do IRPJ e da CSLL dos períodos de apuração março, setembro, outubro e novembro/2005 – era absolutamente permitida e amparada pela legislação aplicável (IN SRF nº 600/2005, art. 5º e 26); c) que, entretanto, a decisão a quo, afastou esse argumento com base no artigo 6o, §1°, II, da Lei n.° 9.430/96, que determina que o saldo negativo de IRPJ pode ser "compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior " d) que, a partir da instituição da declaração de compensação, a compensação de saldo negativo do IRPJ e da CSLL somente é permitida mediante PER/DCOMP, não existindo a alternativa de compensação direta na escrituração. da necessidade de sobrestamento deste processo administrativo, pelos seguintes motivos: a) que a compensação julgada “não declarada” DCOMP n° 23950.05304.131107.1.7.020053 está sendo questionada, com base nos mesmos argumentos acima, nos autos do Mandado de Segurança n° 500080850.2010.404.7103, o qual atualmente Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 8 8 aguarda julgamento do recurso de Apelação, interposto pela recorrente perante o Tribunal Regional Federal da 4a Região; b) que resta clara a necessidade de sobrestamento deste processo, conforme art. 265, IV, “a”, do Código de Processo Civil; c) que. não obstante, reitera a impossibilidade de aplicação da multa isolada, pois entende ter demonstrado a regular compensação das estimativas mensais de março, setembro, outubro e novembro de 2005, de forma que não haveria pressuposto fático para a aplicação da multa isolada em exame. Por fim, ante o exposto, a recorrente pediu provimento ao recurso, ou seja, a reforma decisão recorrida, de forma que seja reconhecida a regular compensação das estimativas mensais consideradas como base da multa isolada combatida. Caso esse não seja o entendimento, que, alternativamente, seja determinado o sobrestamento do julgamento do presente processo administrativo até o desfecho do Mandado de Segurança n° 5000808 50.2010.404.7103. Ainda, a recorrente reiterou a alegação de inexigibilidade da multa isolada. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 9 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de crédito tributário a título de multa isolada por falta de pagamento de estimativas menasis do IRPJ e da CSLL, ano calendário 2005. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida, alegando a improcedência da aplicação da multa isolada, com base nos seguintes argumentos: que as estimativas mensais do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2005 teriam sido regularmente pagas (compensadas) com utilização de direito creditório – saldo negativo do IRPJ – do anocalendário 2006; que, então, não haveria pressuposto fático para a imposição e exigência de multa isolada; que, caso se entenda diversamente, não há como se admitir a aplicação de multa isolada em anocalendário posterior ao ano de 2005, no qual, comprovadamente, não houve falta de pagamento do IRPJ e da CSLL , com base na declaração de ajuste anual. A irresignação da recorrente não merece prosperar. A contribuinte tencionou compensar, utilizar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006 (crédito) para quitação de débitos de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2005, mediante utilização do programa PER/DCOMP, conforme DCOMP nº 23950.05304.131107.1.7.020053. Entretanto, essa compensação tributária foi julgada “não declarada” por inobservância da legislação de regência, conforme Despacho Decisório da DRF/URA/Seort n.° 6/2010. Val dizer, a compensação tributária, como forma de extinção da obrigação tributária e sob condição resolutória, só pode ser efetuada nos limites autorizados em lei específica. No caso, a recorrente inobservou o disposto no art. 6º, § 1º, II, da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 10 10 I – (omissis) II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Ainda, o Ato Declaratório SRF n° 003, de 07 de janeiro de 2000, possibilitou a restituição ou compensação do saldo negativo do IRPJ e da CSLL, apurado anualmente, com IRPJ ou CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração. Como visto, o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006 pode ser compensado com o IRPJ ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro de 2007, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a sua restituição. Jamais, o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006 poderia ser utilizado para quitação de débitos pretéritos, mormente do anocalendário 2005. Entretanto, a contribuinte, à revelia da legislação de regência, tentou compensar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2006 (crédito) com estimativas mensais ainda não recolhidas do IRPJ do anocalendário 2005 (débito), infringindo o disposto no art. 6º, § 1º, II da Lei nº 9.430, de 1996. Por isso, da aplicação e exigência da multa isolada do IRPJ e da CSLL em relação às estimativas mensais que restaram não quitadas do anocalendário 2005, em face da compensação julgada “não declarada”. Entretanto, nas razões do recurso, a recorrente alegou que, após o encerramento do anocalendário, sequer se justificaria a aplicação de multa isolada por falta de pagamento das antecipações do IRPJ e da CSLL devidos por estimativas mensais desse ano calendário, pois deveria prevalecer a situação apurada com base no lucro real, no encerramento do anocalendário em 31 de dezembro (declaração de ajuste anual); que, no encerramento do anocalendário 2005, constatou que as antecipações de pagamentos, a título de estimativas mensais dessas exações fiscais, já haviam suplantado os valores apurados com base no lucro real; que houve excesso de antecipações pagas; que não haveria, por conseguinte, pressuposto fático para a imposição da multa isolada. Não procede a argumentação da recorrente. Embora não exista uniformidade de entendimento na jurisprudência deste CARF quanto à multa isolada, no caso de violação do dever legal de fazer antecipação de pgamento do IRPJ e da CSLL devidos por estimativa mensal, o entendimento desta Turma de Julgamento é pela aplicação e exigência da multa isolada, na forma da Lei nº 9.430/96, art. 44, II, “b”, com redação atualizada pela Lei nº 11.488/2007, que assim dipõe, in verbis: (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 11 11 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Entendimento diverso do insculpido na Lei, seria tornála “letra morta”, pelo menos para deleite de uma parcela de contribuintes, em tese, recalcitrantes em cumprilá. Ora, a lei não tem expressões ou palavras inúteis. Não se pode confundir o fato gerador do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, no encerramento do anocalendário em de 31 de dezembro e informados na declaração de ajuste anual, com o fato gerador da obrigação acessória, mensal, de antecipar o pagamento dessas exações fiscais com base na receita bruta mensal e acréscimos ou com base em balancete mensal de suspensão/redução. Como visto são obrigações de natureza diversa. Na primeira situação, está definido na lei o fato gerador da obrigação principal que ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, com base no lucro real anual, quanto ao IRPJ e CSLL; na segunda situação, está definido o fato gerador da obrigação acessória, dever legal de antecipar, mensalmente, o pagamento dessas exações, com base na receita bruta e acréscimos ou com base em balancetes mensais de suspensão/redução. A multa isolada, por falta de antecipação mensal dessas exações fiscais, é devida, ainda que no final do anocalendário a empresa tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. Por conseguinte, é irrelevante, ao final do anocalendário respectivo, se houve prejuízo fiscal ou se já houve pagamento por antecipação em excesso de estimativa mensal, pois acerca dos débitos apurados por estimativa mensal e não pagos por anticipação, incide sim a multa isolada, justamente, pela quebra do dever legal de fazer a antecipação do pagamento. O descumprimento de obrigação acessória (quebra do dever legal de antecipar pagamento de estimativas mensais) convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária, conforme art. 113 do CTN, in verbis: (...) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 12 12 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Ainda, em matéria tributária são inaplicáveis os princípios da consunção ou da absorção, elaborados pela doutrina penalista no campo da teoria do crime, pois aqui não se trabalha com o bem da vida jus libertatis, mas sim com bens de relevância econômicojurídico tributária, pressupostos para incidência de obrigação tributária principal e acessória. Na esfera administrativotributário, a infração “violação de obrigação principal” (falta de pagamento de imposto) não absorve a infração “violação de obrigação acessória (dever legal de antecipar pagamento de exação fiscal devida por estimativa mensal). No campo das infrações administrativotributárias, as penalidades são cumulativas, como regra. Não há espaço para aplicação de teoria da consunção ou da absorção de infração na legislação tributária, sendo irrelevante a classificação ou distinção das infrações administrativotributárias em infração de maior potencial lesivo ou de menor potencial lesivo, para efeito de infração meio ou de infraçãofim. Se fosse admitida a absorção da infração descumprimento de obrigação acessória (violação do dever de antecipar pagamento de estimativa mensal) pela infração – descumprimento de obrigação principal “falta de pagamento de saldo de imposto” na declaração de ajuste anual, haveria subversão da ordem jurídicotributária, quebra da isonomia de tratamento tributário aos contribuintes do lucro real anual, pois para os contribuintes, em tese, relapsos, recalcitrantes ou contumazes descumpridores da lei, que determina a antecipação do pagamento das estimativas mensais, ela seria “letra morta”; porém, seria plenamente válida e eficaz, apenas, para os contribuintes que religiosamente antecipam o pagamento das estimativas mensais. Então, seria patrocinar, no campo tributário, a “Lei de Gerson”, ou seja, “leva vantagem quem for mais esperto”. Porém, o sistema tributário não permite isso. Devese rechaçar, também, a tese de alguns da impossibilidade de dupla penalização pelo mesmo fato econômico de relevância jurídicotributária, pois no campo administrativotributário, como já dito alhures, a cumulatividade de multas é a regra. Por exemplo, se a omissão de receita ou glosa de uma despesa, em determinado mês, implicou violação do dever legal de antecipar pagamento imposto por estimativa mensal nesse mês e, ao mesmo tempo, implicou falta de pagamento de saldo do imposto na declaração de ajuste anual, incidem duas multas de natureza administrativo tributária autônomas, cujos fatos geradores são diversos; uma, por descumprimento de obrigação acessória (violação do dever de antecipar pagamento de exação fiscal por estimativa mensal) e, outra, por descumprimento de obrigação principal (falta de pagamento de saldo de imposto, apurado na declaração de ajuste anual). Em relação ao processo judicial autos do Mandado de Segurança n° 500080850.2010.404.7103 – no qual a contribuinte busca provimento jurisdicional, discutindo Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 13 13 suposta ilegalidade do Despacho Decisório que julgou a compensação como “não declarada” – também não teve melhor sorte, pois tanto na primeira instância da Justiça Federal, quanto na instância recursal – TRF/4ª Região, sua tese foi rejeitada ou denegada. A propósito, em grau de recurso no TRF/4ª Região, muito recentemente foi negado provimento à Apelação da contribuinte, na sessão do dia 14/02/2012. Nesse sentido, transcrevo a ementa e o Acórdão da Egrégia 2ª Turma do TRF/4ª Região, in verbis: APELAÇÃO CÍVEL Nº 500080850.2010.404.7103/RS RELATOR: Des. Federal OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA APELANTE: AES URUGUAIANA EMPREENDIMENTOS SA ADVOGADO: Thales Michel Stucky : MARCOS CALEFFI PONS : Laura Ely de Carvalho APELADO APELADO: UNIÃO FAZENDA NACIONAL MPF: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL EMENTA TRIBUTÁRIO. IRPJ RECOLHIDO POR ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DO PRÓPRIO IMPOSTO APURADOS EM EXERCÍCIO PRETÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 6º, §1º, II, LEI Nº 9.430/96. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA ‘NÃO DECLARADA'. LEGALIDADE DO ATO. ART. 74, §§ 3º E 12º, I, LEI Nº 9.430/96. 1. No caso do saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica, a expressão contida no art. 6º, §1º, inciso II, da lei nº 9.430/96 permite a compensação somente com períodos subsequentes, vedando, portanto, a utilização desse saldo negativo para compensar períodos pretéritos. 2. Diante disso, relativamente aos tributos referentes a fatos geradores anteriores a 31 de dezembro do ano em que foi constatado saldo negativo, o art. 6º, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96 constitui norma específica do imposto de renda de pessoa jurídica que arreda a possibilidade de compensação por meio da declaração prevista no art. 74 daquele diploma legal. Caso fosse intenção do legislador permitir a compensação nos termos em que postulado pela parte, teria no art. 6º, inciso II, da mesma lei, feito mera remissão ao seu art. 74, já que institutos tratados no mesmo diploma normativo. 3. Em havendo norma específica para o imposto de renda da pessoa jurídica tributada pelo lucro real e recolhido por estimativa, o fisco, ao considerar a compensação como 'não declarada', atendeu aos preceitos contidos nos §§ 3º e 12º, I, do art. 74 da Lei 9.430/96. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 11075.720024/201010 Acórdão n.º 1802001.234 S1TE02 Fl. 14 14 4. Logo, não há fundamento legal que autorize a pretensão, uma vez que não se constata qualquer ilegalidade na conduta da autoridade impetrada que indeferiu a utilização do saldo negativo de imposto de renda anocalendário 2006 para compensação com débitos referentes a fatos geradores do ano calendário 2005, pois a norma que trata do tema art. 6º, § 1º, II, Lei 9.430/96. , é explícita sobre tal impedimento. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por maioria, negar provimento à apelação, vencida a Juíza Cláudia Maria Dadico, nos termos do relatório, votos e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. (...) A contribuinte apresentou embargos de declaração, ainda pendente de julgamento pelo TRF/4ª Região, conforme última movimentação registrada em 09/04/2012. Por fim, quanto ao pedido de sobrestamento do presente processo administrativo, até que haja decisão definitiva nos autos do citado processo judicial (alegou questão prejudicial), não há previsão legal de sobrestamento do processo administrativo no Decreto nº 70.235/72 e não há previsão, também, no Regimento Interno do CARF, no caso o RICARF, para essa situação dos autos. De qualquer forma, enquanto inexistir decisão transitada em julgado no processo judicial, o qual é prejudicial deste processo administrativo, a Fazenda Nacional não poderá exigir o crédito tributário objeto destes autos, se restar mantido por decisão irreformável nesta instância administrativa. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000309/2001-79
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/10/2000
RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA.
A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4o, b, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Antônio Carlos Guimarães Gonçalves, OAB/SP nº. 195.691.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Helder Massaaki Kanamaru.
Matéria: II/IE/IPI- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 24/10/2000 RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA. A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4o, b, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado
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RESTITUIÇÃO Recorrente PANASONIC DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/10/2000 RESTITUIÇÃO. ALADI. CERTIFICADO DE ORIGEM. OPERAÇÃO NÃO CONSIDERADA COMO DE EXPEDIÇÃO DIRETA. A não apresentação de documento emitido pela alfândega do país de trânsito, que comprove a vigilância aduaneira sobre a mercadoria, quando requerida no processo de avaliação de origem, implica o não cumprimento do requisito de origem de que trata o art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI e considerar a operação de transporte como não sendo de expedição direta. Descumpridos os requisitos de origem, é descabido o direito ao benefício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou se impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Antônio Carlos Guimarães Gonçalves, OAB/SP nº. 195.691. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Helder Massaaki Kanamaru. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 03 09 /2 00 1- 79 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório Tratam os autos de pedido de restituição (fl. 56), no valor de R$ 32.515,25, referente ao Imposto de Importação, em razão de a interessada, segundo alega, haver recolhido tributo a maior. A contribuinte, em 24/10/2000, promoveu a importação de mercadorias amparada pela DI nº 00/10169398 (fls. 34/37), tendo sido desembaraçadas junto à Alfândega do Porto de Santos/SP. Preditas mercadorias foram produzidas no México e enviadas para os Estados Unidos para embarque no Brasil. Por tratarse de mercadoria produzida por país integrante da ALADI, entendeu a interessada que teria direito à redução do Imposto de Importação de 20% sobre a alíquota normal, independentemente da localização geográfica do exportador, no caso, os Estados Unidos. Tendo a interessada efetuado o recolhimento integral do mencionado imposto, por não ter conseguido, segundo alega, registrar a redução tarifária pretendida no SISCOMEX, entendeu valerse de direito creditório do imposto de importação que teria sido pago a maior, razão pela qual, em 28/12/2000, requereu o reconhecimento do pretenso crédito, com a correspondente restituição. A Alfândega do Porto de Santos indeferiu o pedido da contribuinte (fl. 67/68), ao que a interessada manifestou sua inconformidade por meio da manifestação de inconformidade apresentada às fls.71/85. A DRJFortaleza/CE indeferiu o pleito da requerente (fls. 94/108), por entender que a importação realizada não atendeu às exigências legais para a aplicação da redução tarifária prevista no acordo internacional firmado no âmbito da ALADI. Alegou aquele órgão julgador que as Faturas Comerciais apresentadas (fls. 40/42), bem como a informação nos Certificados de Origem dos números das faturas comerciais emitidas pelo fabricante no México, evidenciavam que as mercadorias tinham sido objeto de comércio entre o produtor do México (paísmembro da ALADI) e a empresa dos Estados Unidos da América (país não membro da ALADI), que as teria revendido para o importador no Brasil. Tal comercialização, envolvendo país de trânsito não pertencente à ALADI, impediria a aplicação da redução tarifária solicitada, por não atender ao requisito previsto no art. 4º, alínea” b”, ii, da Resolução/ ALADI nº. 252. Irresignada, a contribuinte ofereceu Recurso Voluntário a este Colegiado (fls.113/134), onde apresentou, em linhas gerais, os mesmos argumentos expendidos na inicial. Salientou, ainda, que a triangulação efetuada com a empresa dos Estados Unidos deveuse a motivos geográficos e que o trânsito das mercadorias no território americano, pela própria natureza da operação, deuse sob a vigilância da autoridade aduaneira daquele país, com os rigores que lhes são próprios. Ao final, requereu o reconhecimento da existência do crédito tributário passível de restituição. Em sessão de 22 de maio de 2007, a Primeira Câmara do então Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº. 3011.847, decidiu converter o julgamento em diligência, para que fossem juntados aos autos cópias das duas faturas comerciais expedidas pelo produtor no México, de números TA 3841 e TA 3833. (fls.155/159). Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000309/200179 Acórdão n.º 3202000.680 S3C2T2 Fl. 264 3 Em sessão de 12/08/2008, por meio da Resolução nº. 30102.007, diante de dúvidas existentes, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes achou por bem converter novamente o julgamento em diligência, para: a) que a contribuinte juntasse declaração da Alfândega dos Estados Unidos da América, no sentido de explicar o motivo de a mercadoria em questão ter sido introduzida em seu território. b) fosse solicitada manifestação do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, quanto à comercialização de mercadoria por operador de terceiro país, membro ou não da ALADI (art. 9o da Resolução no 252 da ALADI – Decreto no 3.325/99), a fim de que respondesse aos seguintes quesitos: “b1) pode a operação estar ao amparo de preferência tarifária prevista no acordo (PTR4), no caso de a mercadoria ter sido vendida pelo produtor (México) e entregue a esse 3o país (Estados Unidos da América), e depois ter sido exportada pelos EUA para o Brasil, oportunidade em que foi emitido o Certificado de Origem com a observação de que a mercadoria foi objeto de faturamento pelos EUA? b2) nos casos da espécie, para efeitos de condição ao uso do benefício, a interveniência de operador de terceiro país afasta a obrigatoriedade do requisito de expedição direta de que trata o art. 4o da Resolução no 252? e b3) ainda quanto ao requisito de expedição direta (art. 4o, “b”, ii, da Resolução no 252): a venda da mercadoria (com emissão de fatura comercial) e sua expedição para terceiro país, e a posterior comercialização e expedição do 3o país para o Brasil (com emissão de fatura comercial), não são fatos que excluem a mercadoria da preferência tarifária, tendo em vista que o dispositivo citado veda o benefício quando se tratar de mercadorias destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito? Vale dizer, o comércio posterior da mercadoria já em poder do operador exportador do 3o país, não se caracteriza como uma expedição não direta pelo país de origem, tendo em vista que a mercadoria foi enviada para 3o país e depois foi comercializada com o Brasil?” A contribuinte manifestouse às fls. 189/205. Quanto ao pronunciamento do Departamento de Negociações Internacionais/Secex, requerido pelo Conselho de Contribuintes, contrariando a decisão daquele Colegiado e manifestando juízo de valor que não lhe era cabível, achou por bem a Alfândega do Porto de Santos encaminhar os autos à COANA, para “firmar orientação sobre o caso”(fls. 224/226). A COANA, então, asseverou que o entendimento da Receita Federal já tinha sido firmado pela Alfândega do Porto de Santos, quando do indeferimento do pedido de restituição (efls. 251/252). Às fls. 258/259, a Alfândega do Porto de Santos juntou aos autos cópia do Ofício nº. 223/2008/DEINT, onde aquele Departamento respondeu os mesmos quesitos formulados nestes autos pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, mas que se refere a outros processos administrativos, versando, no entanto, sobre idêntica matéria e cuja contribuinte é a mesma empresa Panasonic do Brasil Ltda. Cumprida a diligência requerida, retornaram os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O benefício pretendido pela recorrente, que lhe daria a redução tarifária do Imposto de Importação, decorre da aplicação do Acordo de Preferência Tarifária – APTR nº. 04, internalizado no Brasil pelo Decreto no 90.782/84, e que, em seu artigo 9º, adota expressamente o Regime de Origem da ALADI, consubstanciado na Resolução n° 252, que aprovou o texto consolidado e ordenado da Resolução no 78, do Comitê de Representantes da Associação LatinoAmericana de Integração, e que foi incorporada à legislação brasileira pelo Decreto nº. 3.325, de 30/12/99. Referido Acordo foi firmado entre Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela e estabelece preferência tarifária regional na importação de produtos similares provenientes de países de terceiros. Essa preferência estabelece uma redução percentual, que varia conforme a categoria do país que concede a redução e a do que recebe. O cerne do litígio está em se saber se há impedimento ao enquadramento do benefício previsto no Acordo da ALADI quando a mercadoria é vendida e remetida pelo México (país de origem) aos Estados Unidos da América e, depois, exportada deste país para o Brasil, com emissão de Certificado de Origem que informa o faturamento pela empresa dos EUA. Comprovado que as mercadorias em questão são originárias de país signatário do referido Acordo, por meio dos Certificados de Origem acostados às fls. 43/44, resta saber se o trânsito das mercadorias pelos Estados Unidos, país não signatário, estaria em conformidade com as disposições da Resolução/ALADI nº 252, que assim dispõe em seu art. 4º: "QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do Acordo; b)as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos de transportes; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iü) não sofram, durante o seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000309/200179 Acórdão n.º 3202000.680 S3C2T2 Fl. 265 5 Da leitura do referido dispositivo, inferese que, para gozo do benefício, as mercadorias devem ser transportadas diretamente do país exportador signatário do Acordo para o país importador também signatário (expedição direta), sendo possível efetuarse o trânsito por países não participantes do Acordo, desde que sejam preenchidas as condições estabelecidas na alínea b do referido artigo. No caso em questão, a recorrente não logrou comprovar o preenchimento de uma das condições ali impostas, qual seja: que o trânsito, nos Estados Unidos da América, deu se sob vigilância da autoridade competente naquele país. Devidamente intimada, em razão de diligência requerida pela antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito, limitandose apenas a informar que “diante do Termo de Intimação acima referido, a Requerente envidou todos seus esforços para obter o documento solicitado. No entanto, no caso dos presentes autos, apesar da colaboração do exportador no sentido de tentar resgatar o documento da alfândega dos EUA que amparou a entrada das mercadorias naquele país (documento apresentado em outros processos administrativos similares a este), não foi possível obtê lo.”(fl.192). A apresentação de tal documento mostrase de fundamental importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta e se tenha por preenchidos todas as condições impostas pelo art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. Neste ponto, passo a adotar como razões de decidir o voto do Conselheiro Jose Luís Novo Rossari, proferido nos autos do processo nº. 11128.006566/0081, o qual transcrevo abaixo: “Em resposta à intimação decorrente da diligência solicitada pela 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, o Departamento de Negociações Internacionais (Deint) da Secretaria de Comércio Exterior do MICT respondeu a cada uma das questões enunciadas no relatório, esclarecendo, de forma abrangente quanto às operações efetuadas por operador de terceiro país, verbis: “(1) Resposta: Conforme entendimento deste DEINT, a operação acima citada cumpre com o disposto na normativa que trata de exportação via operador de um terceiro país no âmbito do regime de origem da ALADI (Art. 9o da Resolução 252). Ademais, a Resolução 252 da ALADI não dispõe em contrário, no que diz respeito à possibilidade de a fatura comercial emitida no país de origem da mercadoria apresentar data posterior à da fatura emitida no país em que se encontra o terceiro operador. Cabe aqui observar, que esse mecanismo é adotado ao âmbito do APTR4, tendo em vista que em determinadas situações, o terceiro operador não tem o conhecimento prévio da quantidade/preço das mercadorias que serão destinadas para o país outorgante da preferência. (2) Resposta: A regra referente a operador de terceiro país não afasta a obrigatoriedade de observação do Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 requisito referente à expedição direta. Dessa forma, deverão ser atendidos os critérios dispostos no Art. 4, inciso b: “QUARTO. – Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para tais efeitos, considerase como expedição direta: (...) b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: (destaquei) i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. (3) Resposta: Este DEINT entende que a exportação da mercadoria para o Brasil não contraria o art. 4o, ii, tendo em vista que a expressão “não estejam destinadas ao comércio [...] no país de trânsito” diz respeito apenas aos casos em que a mercadoria é revendida internamente no país de trânsito. Esta situação não ocorre na operação via operador de um terceiro país (Estados Unidos), tendo em vista que este agente comercial reexportará a mercadoria para o país (Brasil) que concede a preferência ao país de origem da mercadoria (México).” Ao final, o Deint/SCI/MICT acrescenta que: “Diante do exposto, informamos que as operações dispostas nos Ofícios GAB/nos 193/08, 195/08, 197/08, 198/08 e 208/08 cumprem com o disposto nos artigos 4o e 9o da Resolução 252 da ALADI. No que diz respeito aos Ofícios/GAB/nos 194/08 e 196/09, entendemos que as operações dispostas nestes documentos cumprem com o art. 9o da Resolução, entretanto, com relação ao art. 4o é necessário verificar se o documento Transportation Entry and Manifest of Goods Subject to Customs Inspection and Permit ou equivalente, foi emitido pela aduana dos Estados Unidos.” (destaquei) O órgão demandado foi claro no sentido de que a operação cumpre com o disposto no art. 9o da Resolução, que trata de faturamento por parte de um operador de terceiro país, membro ou não da ALADI. Cumpre ressaltar, no entanto, que, devidamente intimada, a recorrente não apresentou o documento alfandegário dos EUA, para que ficasse provada a vigilância no país de trânsito. Tratase de exigência que foi objeto de Resolução da 1ª Câmara do 3o Conselho de Contribuintes, por ter sido considerada de fundamental Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11128.000309/200179 Acórdão n.º 3202000.680 S3C2T2 Fl. 266 7 importância para que a operação possa ser considerada como de exportação direta, em observância ao disposto no art. 4o, “b”, da Resolução 252 da ALADI. E o entendimento da Câmara foi integralmente ratificado na manifestação do Deint/SCE/MICT pertinente à mercadoria objeto de lide, quando esse órgão acrescentou, de forma expressa e clara, ser necessário verificar se o documento de que se trata foi emitido pela aduana dos EUA. As redações contidas na lei ou em tratados internacionais não contém palavras ou expressões inúteis. A existência de norma estabelecendo a vigilância de autoridade aduaneira do país de trânsito para que a operação esteja amparada no regime de origem, não pode ser desconsiderada. Destarte, contrariamente ao que defende a recorrente, o fato de a Resolução estabelecer em seu art. 4o, “b”, que “considerase como expedição direta as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes (...) sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países (...)” significa que, mesmo que não tenha sido instituído documento específico na ALADI para comprovar essa vigilância, o que é óbvio, visto que diz respeito a países que não fazem parte do Acordo – se houver necessidade de tal comprovação, essa deverá ser satisfeita, sob pena de a operação ser considerada uma expedição não direta. A recorrente foi devidamente intimada para satisfazer à exigência e não apresentou o documento requerido. A alegação de que matéria similar teve decisão favorável à recorrente em instância superior não pode ter qualquer vinculação com o caso presente, tendo em vista que este processo está enriquecido com a existência de elementos concretos e objetivos aplicáveis à matéria, principalmente das informações específicas sobre o acordo de origem trazidas pela Secretaria de Comércio Exterior do MICT, órgão incumbido do acompanhamento e aplicação dos regimes de origem nos Acordos da ALADI e do MERCOSUL (Decreto no 6.209/2007, anexo I, art. 17, V), o que o distingue daqueles alegados. Em vista dos elementos trazidos aos autos e considerando as conclusões objetivas da Secretaria de Comércio Exterior/Deint a respeito da matéria, entendo que a importação não atende aos requisitos de origem previstos no art. 4o da Resolução no 252 do Comitê de Representantes da ALADI, posta em execução pelo Decreto no 3.325, de 1999, restando descabido o direito ao benefício previsto no PTR4.” Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto Irene Souza da Trindade Torres Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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