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Numero do processo: 10880.684411/2009-86
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 44 11 /2 00 9- 86 Fl. 115DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 01424.94228.140607.1.3.04-0437 em 14/06/2007 (fls. 01/02), pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de CIDE (código de receita 8741), decorridos de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 15/01/2007. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 03, emitido em 23/10/2009, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05/11/2009 (fl. 05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/12/2009 (fls. 06/09) alegando, em síntese, que: 3.1 Em procedimento de auditoria e verificação interna, verificou-se que a empresa pagou CIDE, calculado sobre remuneração que não envolve transferência de tecnologia (Lei n° 10.168/2000), a maior. 3.2 Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar. 3.3 Desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. 3.4 Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. 3.5 A Receita Federal considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de CIDE informado em DCTF, o que não ocorreu. 3.6 A impugnante, ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriou-se integralmente do valor recolhido indevidamente. 3.7 A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. 3.8 Considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A 6ª Turma da DRJ em São Paulo I proferiu decisão, negando provimento à impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Ano-calendário: 2007 DCTF. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA. Fl. 116DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 A retificação da DCTF pelo contribuinte, que exclui o valor devido de CIDE originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual alega, em síntese: - a existência do direito creditório pleiteado, pois teria efetuado pagamento indevido a título de CIDE, referente ao período de apuração de dezembro de 2006. Neste caso, o débito de CIDE confessado em DCTF não seria devido, pois, segundo a recorrente, estava-se diante de caso de não incidência daquela contribuição, tendo vista o disposto no § 1º - A, do artigo 2° da Lei n° 10.168/00, o qual prevê a não incidência da CIDE sobre remuneração pela "licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia"; - que não deve prevalecer a exigência da decisão recorrida de "juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou quantum satis que a RFB, em seu despacho decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor". Sustenta, ainda, que "impõe-se o reconhecimento dos documentos ora apresentados para afastar a indevida argumentação de falta de provas do direito creditório corretamente pleiteado através da PERDCOMP em tela, sob pena de afrontar o direito à ampla defesa e contraditório e causar a correspondente nulidade do julgamento". Não traz, contudo, qualquer documento comprobatório junto ao recurso. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento desta Turma. Inicialmente, importa lembrar que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito alegado pelo sujeito passivo. Nesse contexto, a comprovação do direito creditório mostra-se fundamental para a efetivação do instituto da compensação. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior da CIDE, período de apuração de dezembro de 2006. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação do débito da contribuição social apurado em DCTF. Foi, então, emitido Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou que o débito de CIDE declarado em DCTF original inexiste, pois o pagamento de royalties, naquele caso, consistia em hipótese de não incidência, por força do § 1º - A, do artigo 2° da Lei n° 10.168/00, tendo sido, então, retificada a DCTF, após o despacho decisório, para refletir tal situação. Em sua impugnação, a recorrente deixou de apresentar documentos para comprovar o direito creditório alegado, em especial, o valor da CIDE apurada no período de dezembro de 2006, de maneira que, ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, nos termos do voto condutor, transcrito, em parte, a seguir (grifei partes): (...) 10. Observe-se, que na forma da legislação específica, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com crédito líquido e certo do contribuinte, conforme acima exposto. 11. Desta forma, a não comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado obsta a homologação da compensação. E como veremos adiante, no presente caso, o crédito pleiteado não foi comprovado pela defesa. 12. A defesa afirma que o contribuinte pagou CIDE referente ao mês de dezembro de 2006 a maior, e que realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar, ingressando com Declaração de Compensação. (...) Fl. 118DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 16. O contribuinte, em 04/12/2009, após a emissão do Despacho Decisório, retificou a DCTF referente ao mês de dezembro de 2006 (fls. 35/61), na qual não constam débitos de CIDE, e pleiteia a compensação dos valores supostamente indevidos, ou recolhidos a maior. 17. Ocorre, que a retificadora apresentada, que exclui o valor devido de CIDE, não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte à declaração. 18. A defesa apresentou apenas a retificadora de DCTF, porém não acostou aos autos documentos, livros fiscais e contábeis, objetivando respaldar a retificação efetuada. 19. Desta forma, torna-se inconsistente a afirmação do contribuinte de possuir crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. O crédito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea.(...) 24. A defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. 25. Portanto, descabe cogitar a respeito de homologação de compensação, em face da falta de demonstração de crédito líquido e certo do sujeito passivo. Da leitura dos excertos transcritos, depreende-se que o aresto recorrido negou provimento à impugnação porque não restou comprovado, por meio de documentação contábil- fiscal, o direito creditório alegado, em especial, o erro da DCTF original, com a apuração da CIDE no período de dezembro de 2006. O colegiado de primeira instância entendeu que meras alegações e a DCTF retificadora não foram suficientes para demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório utilizado na declaração de compensação. Analisando os autos, observa-se que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), escrituração contábil-fiscal apta a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado. Com efeito, pela análise dos documentos então apresentados com a manifestação de inconformidade, não há como afirmar que o débito de CIDE realmente é inexistente, uma vez que estaria relacionado a pagamento de royalties que constitui hipótese de não incidência daquela contribuição, de modo a resultar em crédito por pagamento indevido. Importa lembrar que a compensação tributária, conforme estabelece o art. 170 do CTN, pressupõe a existência créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Em casos como o presente, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente apenas declarações. Faz-se necessário que alegações e declarações sejam embasadas em escrituração contábil-fiscal e documentação hábil e idônea que as lastreiem. Fl. 119DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 Há que se lembrar que, em casos de compensação, recai sobre o contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito utilizado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação - como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente eximiu-se do ônus de produzir provas cabais para sustentar suas alegações. Não há, junto ao recurso voluntário, documentos para demonstrar a certeza e liquidez dos pretensos créditos de CIDE, originados, segundo a recorrente, de pagamento de tributo indevido. Com efeito, a recorrente não apresentou escrituração contábil-fiscal, com documentos que a lastreie, a fim de demonstrar o suposto equívoco na apuração dos débitos de CIDE informados em DCTF, constituídos, lembre-se, pela referida declaração - de maneira que, para afastá-la, necessário se faz a prova de erro, lembrando, neste caso, que a DCTF retificadora foi transmitida, conforme enunciado no aresto atacado, após o despacho decisório. Sem os registros contábeis e os documentos que os suportam - contratos de serviços e comprovantes de pagamentos, entre outros elementos aptos para comprovar se o pagamento de royalties se refere a hipóteses de não incidência de CIDE - , não há como ser afastada a CIDE constituída na DCTF original. Fl. 120DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 Diante do exposto, considerando a ausência de documentos hábeis e idôneos para demonstrar o suposto erro na apuração da CIDE constante da DCTF sobre a qual se baseou o despacho decisório, entendo que a decisão recorrida deve prevalecer. A recorrente deveria ter trazido documentos pertinentes, suficientes e necessários, a fim de comprovar o crédito utilizado na compensação não homologada: escrituração contábil- fiscal, demonstrando a apuração da CIDE devida no período de apuração de dezembro de 2006, juntamente com todos os demais documentos que suportam sua escrituração - contratos, comprovantes de pagamento, notas fiscais, etc. Não tendo logrado êxito em provar suas alegações, manifesta-se improcedente o pleito da recorrente. Sublinhe-se que, em casos como o presente, em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.905971/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.010
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação demanda a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 05 97 1/ 20 09 -9 7 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13609.905971/200997 Resolução nº 3402002.010 S3C4T2 Fl. 3 2 Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário alegando a procedência de seu pedido de restituição e compensação, pela existência do direito creditório pleiteado, mesmo considerado o erro no preenchimento da DCTF já retificada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.002, de 21 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13609.905963/200941. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessária a diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.002): "A questão trazida ao julgamento referese a alegado direito creditório decorrente de recolhimento a maior de COFINS, referente a um DARF pago em 31/03/2005, com o objetivo de liquidar o débito de COFINS nãocumulativa (código receita 5856) relativo ao período de apuração março/2005. O valor devido da contribuição para o período em questão, conforme declarado pelo contribuinte na DCTF retificadora, transmitida pelo contribuinte em 07/10/2009, perfaz R$ 125.807,35. Considerando o valor do montante recolhido e o valor do débito informado na DCTF retificadora, o valor original do crédito pleiteado perfaz R$43.048,55 que, acrescidos da correção pela SELIC, totaliza, à época da transmissão, R$66.600,41, montante utilizado na PERDCOMP em apreciação. Segundo o entendimento da recorrente, a origem de seu direito creditório foi devidamente demonstrada através dos seguintes documentos: (i) DCTF retificadora (fls. 122 a 124); (ii) Comprovante de arrecadação (fls. 129); e (iii) planilhas, apresentadas no próprio corpo do recurso. A turma julgadora a quo não reconheceu o direito creditório da recorrente por entender que haveria divergência entre os valores informados na DCTF retificadora e na DACON (R$138.445,35). A recorrente alega que tal divergência jamais existiu, tratandose de erro crasso cometido pela DRJ/BHE quando da análise do processo. Segundo seu entendimento, corroborado com as informações declaradas na DACON, o valor devido de COFINS no montante de R$138.445,35 tratavase da soma dos valores apurados da COFINS nãocumulativa (R$125.807,35) e da COFINS cumulativa Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13609.905971/200997 Resolução nº 3402002.010 S3C4T2 Fl. 4 3 (R$12.638,00), conforme demonstrado no recorte da própria DACON reproduzido em seu recurso: Dessa forma, segundo a alegação da recorrente, os valores devidos de COFINS apurado pelo regime nãocumulativo demonstrado na DACON não divergia do valor da DCTF retificadora (R$125.807,35). Ainda que possa ser dado razão à recorrente acerca dos valores constantes na DACON, entendo que a unidade de origem deve se manifestar acerca da retificação das declarações processadas pelo contribuinte, e o correspondente lastro dos valores declarados com base na escrita contábil e fiscal. Ainda que a recorrente tenha apresentado uma planilha com os valores que entendiam ser devidos, ou seja, a demonstração de seu alegado direito creditório, tal demonstrativo não é suficiente para tal comprovação. Também entendo que é necessário verificar se o valor informado como sendo referente à COFINS cumulativa (R$12.638,00) foi devidamente declarado em DCTF e recolhido/compensado, por integrar ao valor originalmente declarado como devido e recolhido como sendo COFINS nãocumulativa. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a recorrente a apresentar os registros contábeis e fiscais que lastrearam a retificação da DCTF e ampararam os valores objeto da compensação pleiteada; (ii) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação à retificação das declarações transmitidas pela recorrente, o lastro contábil e fiscal dos valores retificados, o recolhimento/compensação do valor da COFINS cumulativa anteriormente enquadrado como não cumulativo; (iii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13609.905971/200997 Resolução nº 3402002.010 S3C4T2 Fl. 5 4 É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a recorrente a apresentar os registros contábeis e fiscais que lastrearam a retificação da DCTF e ampararam os valores objeto da compensação pleiteada; (ii) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação à retificação das declarações transmitidas pela recorrente, o lastro contábil e fiscal dos valores retificados, o recolhimento/compensação do valor da COFINS cumulativa anteriormente enquadrado como nãocumulativo; (iii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001739/2008-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
Numero da decisão: 2002-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente JOAO BOSCO DE SOUSA CORREIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 17 39 /2 00 8- 41 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13736.001739/200841 Acórdão n.º 2002001.178 S2C0T2 Fl. 69 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 9/15), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2006. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$6.040,10 para saldo de imposto a restituir de R$89,57. A notificação noticia omissão de rendimentos recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$21.638,28, . Impugnação Cientificada ao contribuinte em 21/5/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 28/5/2008, às fls. 3/35 dos autos, na qual o contribuinte contestou a autuação, alegando que, a teor da lei nº 8.852, de 1994, os valores recebidos a título de adicional de tempo de serviço e compensação orgânica não seriam tributáveis. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/RJOII que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 45/53): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 18/6/2009 (fl. 57), o contribuinte, em 14/7/2009 (fl. 59), apresentou recurso voluntário, às fls. 59/65, no qual repete o teor de sua impugnação, alegando que os valores recebidos a título de adicional por tempo de serviço e compensação orgânica seriam isentos a teor da Lei nº 8.852, de 1994. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13736.001739/200841 Acórdão n.º 2002001.178 S2C0T2 Fl. 70 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente do Comando da Marinha, os quais ele alega seriam isentos, fundamentando sua pretensão na Lei nº 8.852, de 1994. Não há reparos a se fazer à decisão de piso. Como esclarecido pelo colegiado de primeira instância, todos os rendimentos, abstraindose de sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não elencados no rol das isenções. A classificação dos rendimentos, para efeitos fiscais, será definida por sua natureza jurídica confrontada com a legislação tributária. As verbas isentas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física são aquelas expressamente previstas no art. 39 do RIR/1999, então vigente. A Lei nº 8.852, de 1994, dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1º, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. Nesse sentido, cabe trazer a Súmula CARF nº 68, de observância obrigatória por este colegiado: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.001188/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 30/09/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. É legitimo o pagamento de PLR nos estritos termos da Convenção Coletiva de Trabalho celebrada com Sindicatos que detém competência territorial para representar categoria determinável de empregados.
Numero da decisão: 2301-006.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 30/09/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. É legitimo o pagamento de PLR nos estritos termos da Convenção Coletiva de Trabalho celebrada com Sindicatos que detém competência territorial para representar categoria determinável de empregados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-30T01:30:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-30T01:30:23Z; Last-Modified: 2019-06-30T01:30:23Z; dcterms:modified: 2019-06-30T01:30:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-30T01:30:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-30T01:30:23Z; meta:save-date: 2019-06-30T01:30:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-30T01:30:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-30T01:30:23Z; created: 2019-06-30T01:30:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-06-30T01:30:23Z; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-30T01:30:23Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16832.001188/2009-05 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-006.040 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de maio de 2019 Recorrente SOTREL EQUIPAMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 30/09/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. É legitimo o pagamento de PLR nos estritos termos da Convenção Coletiva de Trabalho celebrada com Sindicatos que detém competência territorial para representar categoria determinável de empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 11 88 /2 00 9- 05 Fl. 152DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 124/127) interposto em face do Acórdão nº 12-36.532 (e-fls 112/116), prolatado pela 10ª Turma da DRJ/RJ1, em sessão de julgamento realizada em 5 de abril de 2011. 2. Faz-se a transcrição do relatório1 contido na decisão recorrida: início da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 12-36.532 Trata-se de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.215.331-3, consolidado em 28/12/2009), no valor de R$ 2.529,08, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 39/43 2 ), refere-se às contribuições sociais correspondentes à parte da empresa; bem como às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho. 2. O lançamento teve por fato gerador o pagamento de valores a título de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a Lei 10.101/2000. 3. Consoante relatório fiscal, apenas uma pequena minoria dos funcionários era beneficiado com a Participação nos Lucros e Resultados, pelo que tal pagamento passou a ser considerado como complemento dos seus salários. DA IMPUGNAÇÃO 4. A interessada interpôs impugnação às fls. 47/87 3 , alegando em suma: 4.1. Que a ora defendente concedeu a seus empregados, conforme cláusula 12 da Convenção Coletiva Participação nos Lucros, consoante art. 2º, da Lei 10.101/2000; 4.2. Que a referida Convenção se restringe a parte dos empregados que são atingidos por ela, não se estendendo à totalidade dos trabalhadores da empresa que são beneficiados por outras convenções que não a do Sindicato de Duque de Caxias; 4.3. Que não houve o descumprimento do texto legal, eis que todos os empregados abrangidos pela Convenção Coletiva foram beneficiados; 4.4. Que requer produção de prova documental e o acolhimento da presente defesa para que seja declarada a insubsistência do Auto de Infração ora defendido. DA APENSAÇÃO 5. Consoante Termo de Juntada de Processo (fls. 44), foram apensados ao presente processo os de nº 16832.001190/2009-76, 16832.001189/2009-41 e 16832.001192/2009-65. final da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 12-36.532 1 E-fls. 114. 2 E-fls. 44/48. 3 Impugnação: e-fls 52/54, acompanhada da documentação de e-fls 55/102. Fl. 153DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 2.1. Ao julgar improcedente a impugnação, o acórdão tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 30/09/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. Tratando-se de parcela cuja não-incidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. 3. Interposto o recurso voluntário (e-fls 124/127) este se cinge a repisar as alegações deduzidas na impugnação. 3.1. Diz (e-fls 125): No caso sob exame temos que a Convenção Coletiva que estabeleceu o direito a PLR (participação nos lucros e resultados) foi assinada pelo " Sindicato dos trabalhadores nas indústrias da construção, montagem industrial e do mobiliário de DUQUE DE CAXIAS, ....SITICOMMM" e "Sindicato das empresas de engenharia de montagem e manutenção industrial do Estado do Rio de Janeiro - SINDEMON", sendo aplicável aos empregados abrangidos pelo primeiro Sindicato, não sendo extensível a outras categorias. 3.2. Sustenta ter havido integral observância aos requisitos da Lei nº 10.101/2000. Diz (e-fls 126): Não paira dúvida que o enquadramento da parcela PLR como parte do salário dos empregados que receberam a PLR, não encontra amparo legal, vez que foi paga em inteira observância do disposto na referida Lei 10.101 de 19/12/2000. Realmente o texto legal foi observado na íntegra, vez que todos os empregados abrangidos pela Convenção Coletiva foram beneficiados, conforme se depreende da própria redação do auto de infração. 3.3. Ao final pede o cancelamento de débito fiscal (e-fls 127). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 154DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 5. A solução do litígio consiste, em breve síntese, em verificar a possibilidade da Recorrente proceder o pagamento de verbas a título de PLR com base em Convenção Coletiva de Trabalho (e-fls 76/102) ao estipular normas de aplicação exclusiva na base territorial compreendida na chamada “Área da Reduc”. De um lado, a Recorrente sustenta que ter havido integral observância aos requisitos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. De outra parte, a fiscalização, assim como a decisão recorrida, tem entendimento de que a situação fática configura um privilégio a uma parcela dos empregados, e o pagamento em desacordo com a legislação de regência estaria sujeito à tributação. 6. Afigura-se importante trazer uma visão do Relatório Fiscal: (e-fls. 44) (e-fls. 45) 7. Também se mostra elucidativo transcrever trecho do voto inserto na decisão de primeira instância: Da Participação nos Lucros ou Resultados Fl. 155DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 11. O direito dos empregados à Participação nos Lucros ou Resultados da empresa é uma garantia constitucional prevista no inciso XI do art. 7º da Carta Maior. No entanto, o direito às referidas parcelas, sem vinculação à remuneração, não é auto-aplicável, como quer parecer a interessada, sendo sua eficácia limitada à edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso apontado, abaixo transcrito: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei”; (grifei) 12. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória n.º 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências. A aludida Medida Provisória foi reeditada várias vezes, culminando na Lei 10.101/2000. 13. Assim, a participação nos lucros estará desvinculada da remuneração, se atender às determinações da lei citada. 14. Nesse contexto, a legislação previdenciária também excluiu da incidência da contribuição previdenciária a participação nos resultados quando paga ou creditada de acordo com a Lei específica, como se observa na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991. 15. Consoante o Relatório Fiscal (fls. 39/43), da análise da documentação apresentada pela empresa, verificou-se que esta optou por distribuir valores a título de Participação nos Resultados, adotando a modalidade de Convenção Coletiva prevista na Lei nº 10.101/2000. 16. Todavia, a Convenção Coletiva, consoante cópia de fls. 62/88, apenas prevê a participação dos empregados que prestam serviços na base territorial “Área da REDUC”. 17. Ainda que os termos da Convenção Coletiva não tenham sido descumpridos, como alega a impugnante, o art. 2º, “caput”, da Lei 10.101/2000 foi sim maculado, eis que os empregados prestadores de serviços em outras bases territoriais não participaram de qualquer negociação referente a plano de participação nos lucros ou resultados. 18. O dispositivo legal acima mencionado faz referência à negociação feita entre empresa e seus empregados e não entre empresa e parte de seus empregados. Em assim sendo, ao privilegiar apenas os empregados prestadores de serviço da área da REDUC, deixou de se enquadrar na hipótese legal de não- incidência das contribuições previdenciárias, sujeitando o pagamento das verbas a título de participação nos lucros à tributação. 8. Parece-nos que há um equívoco na análise perpetrada pela decisão de primeira instância, destacadamente, nas proposições expostas nos itens 17 e 18 do voto transcrito no item precedente. Fl. 156DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 9. Por decorrer de Convenção Coletiva de Trabalho celebrada com os Sindicatos enumerados às e-fls 102 que detém competência territorial para representar os trabalhadores da empresa ora Recorrente, é legitimo o pagamento de PLR nos estritos termos da Convenção assinada. 10. Por esse modo, o pagamento feito aos empregados que prestam serviços na base territorial “Área da REDUC”, amparados pela Convenção Coletiva não descaracteriza a natureza da verba paga a título de PLR. 11. Considero, portanto, adequado o posicionamento adotado pelo Recorrente ao proceder o pagamento somente aos trabalhadores da citada base territorial, pois se optasse por estender o pagamento da verba (PLR) à integralidade dos empregados, aí, sim, haveria inobservância aos preceitos da Lei nº 10.101/2000, situação que já foi muito bem analisada pela instância especial deste CARF. ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO ÀS DEMAIS LOCALIDADES DA EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical, em sua territorialidade, e da interpretação restritiva da legislação que leva à exclusão da tributação, não é aceitável um sindicato reger o acordo de PLR dos trabalhadores da mesma empresa em locais que são territorialmente abrangidos por outro sindicato. (Acórdão 9202-007.292 Data da Sessão 23/10/2018). ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO ÀS DEMAIS LOCALIDADES DA EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical, em sua territorialidade, e da interpretação restritiva da legislação que leva à exclusão da tributação, não é aceitável um sindicato reger o acordo de PLR dos trabalhadores da mesma empresa em locais que são territorialmente abrangidos por outro sindicato. (Acórdão 9202-005.979, Data da Sessão 26/09/2017) 12. Conclui-se que, no caso dos autos, estão satisfeitos os requisitos estabelecidos no artigo 2º, “caput”, da Lei 10.101/2000, não se configurando pagamento de verbas a título de PLR em desacordo com a legislação de regência. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 13. Em vista do exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 157DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.903554/2008-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. GLOSAS. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO.
Impossibilidade de aproveitamento de crédito de IPI vinculado a nota fiscal emitida por contribuinte baixado.
Inexistindo direito creditório no período de apuração em análise, não há que se falar em homologação das compensações declaradas.
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO SELIC.
A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.
Numero da decisão: 3001-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. GLOSAS. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Impossibilidade de aproveitamento de crédito de IPI vinculado a nota fiscal emitida por contribuinte baixado. Inexistindo direito creditório no período de apuração em análise, não há que se falar em homologação das compensações declaradas. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO SELIC. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.
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COMPENSAÇÃO. GLOSAS. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Impossibilidade de aproveitamento de crédito de IPI vinculado a nota fiscal emitida por contribuinte baixado. Inexistindo direito creditório no período de apuração em análise, não há que se falar em homologação das compensações declaradas. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO SELIC. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 35 54 /2 00 8- 14 Fl. 204DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Adoto, por transcrição, o bem elaborado relatório constante do v. Acórdão recorrido (fls. 164/171), verbis. Tratase de Manifestação de Inconformidade de fls.103/117, contra o Despacho Decisório nº de rastreamento 804846756, da DRF/Santo André, fls.96/102, que deferiu parcialmente o crédito no valor de R$ 76.181,61, o qual fora solicitado através do PER nº 33377.77991.290404.1.1.010560, no valor de R$77.199,09, referente ao 3º trimestre/2003. Ao crédito foram vinculadas as PER/DCOMP's nº 33377.77991.290404.1.1.010560; 05505.18961.260804.1.3.01 8832; 06166.95453.310504.1.3.016618; 17209.11231.260307.1.7.016012 e 35394.56039.090804.1.3.01 0404, e, tendo o crédito solicitado sido inferior ao utilizado, em razão da glosa de créditos considerados indevidos, homologou se parcialmente a compensação objeto da DCOMP vinculada PER/DCOMP 05505.18961.260804.1.3.018832, inexistindo valor a ser ressarcido. O despacho decisório, no demonstrativo da Relação de Notas Fiscais com créditos indevidos – créditos por entradas no período, de fl.99, discriminou a glosa do valor do IPI creditado na nota fiscal 147603, emitida pelo estabelecimento 61.150.561/001133, em 02/07/2003, no valor de R$1.171,58, pelo motivo da irregularidade da notação 4 Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal na situação de CANCELADO no cadastrado CNP). A empresa foi cientificada do despacho decisório em 17/11/2008 (fl.158), e em 17/12/2008 (fl.155), postou nos Correios sua manifestação de inconformidade, alegando que: • o estabelecimento emitente da Nota Fiscal ensejadora do crédito da Recorrente promoveu a baixa de seu CNPJ (ate então sob o n° 61.150.561/001133), por ter sido elevado à condição de matriz da pessoa jurídica, conforme comprova a anexa Certidão de Baixa (doc. 06), na condição de matriz, o CNPJ 61.150.561/000161, o qual foi baixado em 30/04/2003 em razão de incorporação, conforme também se verifica pela anexa Certidão de Baixa (doc. 07). Tal incorporação foi procedida pela Indústria Nacional de Aços Laminados INAL S/A, assumindo a anterior razão social da pessoa jurídica em questão, a qual mantém até hoje, conforme Certidão anexa (doc. 08); • quanto a suposta insuficiência dos créditos, tendo em vista que o valor pleiteado de R$77.199,09 (do qual foi reconhecido R$ 76.181,61) é inferior ao somatório dos débitos reportados em Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 3 3 DCOMP, verifica que possui o crédito referente ao valor compensado, tendo • consoante se depreende da DCOMP originária do presente processo (doc. 04), o valor pleiteado a titulo de crédito decorre de saldo credor de IPI acumulado no 1º Trimestre do ano de 2004, consoante página 2 do referido documento, mas ao preencher o campo relativo ao n° do PER/DCOMP inicial, a Recorrente acabou informando, apenas, o PER/DCOMP n° 33377.77991.290404.1.1.010560, o qual dizia respeito ao saldo credor de IPI relativo ao 3° Trimestre de 2003; • tal equivoco decorre da circunstância de a Recorrente ter pretendido aproveitar parte do saldo credor do 3° Trimestre de 2003 e o saldo credor do 1° Trimestre de 2004, equivocandose, todavia, quanto à correta forma de preenchimento; • diante de sua pretensão em utilizar parte do saldo credor remanescente do 3° Trimestre de 2003, reportado no PER/DCOMP n° 33377.77991.290404.1.1.010560, e o saldo credor acumulado no 1º Trimestre de 2004, objeto do PER/DCOMP n° 23390.67484.260804.1.1.013231 (doc. 09), a Recorrente procedeu ao preenchimento da DCOMP ora em exame de modo a refletir ambos os processos administrativos; • assim o fez ao preencher da seguinte forma os campos da DCOMP (doc. 04, página 2): — N° do PER/DCOMP Inicial: 33377.77991.290404.1.1.010560 e — N° do Último PER/DCOMP: 23390.67484.260804.1.1.013231; • acreditou que os sistemas da RFB comporiam o crédito mediante levantamento dos valores de ambos os PER/DCOMP informados; • apesar da impropriedade no preenchimento da aludida DCOMP, é detentora de saldo credor suficiente para abatimento integral dos débitos compensados, nos períodos em questão; • conforme reconhece o próprio Despacho Decisório, sobrariam, do PER/DCOMP n° 33377.77991.2290404.1.1.010560, R$ 18.650,49 (sem considerar o crédito da Nota Fiscal indevidamente desconsiderada) para abatimento dos débitos informados na DCOMP em discussão (doc. 05); • após esta compensação, a Recorrente ainda teria mais R$ 75.684,21 de créditos, relativos ao saldo do IPI acumulado no 1º Trimestre de 2004, para abatimento de seus débitos, consoante PER/DCOMP n° 23390.67484.260804.1.1.013231. • embora o procedimento adotado pela Recorrente possa ter causado certa confusão nas autoridades fiscais, é fora de dúvida que se pretendeu, efetivamente, compensar os débitos em questão com créditos relativos ao 3° Trimestre de 2003 e ao 1º Trimestre de 2004, devendo prevalecer a comprovação material da existência do direito creditório em detrimento dos aspectos meramente formais do processo; Fl. 206DF CARF MF 4 • tanto a doutrina especializada, quanto a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes apregoam que o Processo Administrativo Tributário é informado pelo denominado principio da verdade material, conforme excertos que transcreve; • pode a D. Autoridade Julgadora, em homenagem ao principio da verdade material, considerar as razões ofertadas na presente defesa, bem como apreciar os documentos ora colacionados e deliberar sobre a existência ou não do direito creditório da Recorrente, superando, nessa medida, os equívocos existentes quando da entrega da declaração de compensação ora sob análise. • diante de qualquer impasse no tocante a verificação dos créditos compensados, a RFB pode se valer do disposto no artigo 4° da Instrução Normativa SRF n° 600/2005 para exigir da Recorrente documentação complementar ou esclarecimentos que se fizessem necessários, o que não ocorreu; • sendo assim, uma vez demonstrado que no processo administrativo tributário vigora o principio da verdade material, bem como comprovada a existência do crédito utilizado na declaração de compensação sob comento, há que ser homologada a compensação declarada pela Recorrente; • merece ser reformado o Despacho Decisório no tocante a valoração dos créditos a que fazia jus a Recorrente, os quais foram deferidos em seus valores históricos (sem correção monetária), importante esclarecer que no caso a aplicação da Taxa SELIC visa apenas a atualizar o poder de compra da moeda, atingida pelo processo inflacionário, acolhimento da manifestação de inconformidade, homologação da compensação com a consideração do crédito a que faz jus a recorrente. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº453, de 11 de abril de 2013 e no art.2º da Portaria RFB nº1006, de 24 de julho de 2013, conforme definição da Coordenação Geral de Contencioso Administração e Judicial da RFB, o processo foi encaminhado a DRJ Salvador. As pretensões da empresa constante de sua Manifestação de Inconformidade (fls. 104/118) foram indeferidas pelo v. Acórdão recorrido, resumidamente, por três argumentos principais, a saber (fls. 168/171), verbis. a) Em primeiro lugar verificase que consta no Sistema da RFB CNPJ, Consulta, que a empresa de CNPJ 61.150.561/000161 – Indústria Nacional de Aços Laminados INAL S/A está com a situação cadastral BAIXADA, motivo por incorporação, data da situação 30/04/2003. Por sua vez, a filial 001133, fora baixada, por ter sido elevada a categoria de matriz, na data de 31/12/2002. Ambas informações estão exatamente como fora informado pelo interessado. Ocorre que, à data da emissão da nota fiscal nº 147603, emitida pelo estabelecimento 61.150.561/001133, no valor de R$1.171,58, em 02/07/2003, o estabelecimento não mais existia de fato, pois já tinha sido efetuado o cancelamento do CNPJ, e Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 4 5 portanto, correta a glosa efetuada, não havendo nenhuma retificação a ser feita, pois incabível considerar nota fiscal de estabelecimento inexistente de direito (fls. 168/169). .........................................(omissis)......................................... b) Com relação a não homologação da compensação em razão da insuficiência do crédito informado, a interessada alegou em sua Manifestação de Inconformidade que cometeu um equívoco no preenchimento da DCOMP, pois de fato pretendeu utilizar parte do saldo credor remanescente do 3° Trimestre de 2003, reportado no PER/DCOMP n° 33377.77991.290404.1.1.01 0560, e o saldo credor acumulado no 1º Trimestre de 2004, objeto do PER/DCOMP n° 23390.67484.260804.1.1.013231. E acrescentou o v. Acórdão em debate (fls. 168), verbis. Em primeiro lugar, deve ser registrado, por relevante, que todos os valores considerados nos PER/DCOMP decorrem das informações contidas nos diversos campos da declaração PER/DCOMP e também dos registros constantes dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no caso o Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC). Ademais, as conclusões apresentadas seguem a lógica definida pela RFB para a verificação eletrônica da legitimidade dos pedidos de ressarcimento/compensação. As demonstrações do saldo credor apurado devem ser o espelho fiel dos assentamentos contábeis, Livros Registro de Apuração do IPI, Livros Registro de Entrada e Saída de mercadorias, em confronto com os documentos disponíveis. A certificação do crédito compreende o conjunto de operações que objetiva validar o valor a ser ressarcido. .........................................(omissis)......................................... c) Com relação a valoração do crédito, se este fosse passível de ressarcimento, deve ser assinalado que a atualização pela taxa SELIC não se aplica aos pedidos de ressarcimento a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações. A aludida norma abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária na restituição, nos casos em que menciona, não se aplicando ao ressarcimento (fls. 169/170). Cientificada do teor do Acórdão recorrido através da Intimação nº 387/2014 (fls. 175), conforme ciência eletrônica efetivada em 24 de setembro de 2014 (fls. 181), ingressou a empresa com Recurso Voluntário em 24 de outubro subsequente (fls. 186/200), em que (i) reiterou os argumentos e documentos trazidos com a Impugnação; (ii) suscitou preliminares de violação ao princípio da verdade material (fls. 189), da Motivação (fls. 190), e da prova em segunda instância (1992); e, (iii) no mérito, insistiu na tese de que faz jus aos créditos e às compensações pretendidas, sob três aspectos principais, a saber. 1) não pode prosperar a glosa dos créditos decorrentes da nota fiscal nº 147602, emitida em 02.07.2003, no valor de 1.171,58, posto que, embora cancelado o CNPJ Fl. 208DF CARF MF 6 como filial, esta fora guinada à condição de matriz e, portanto, assumindo, cumulativamente, todos os direitos e obrigações, como resumidamente esclarece a empresa (fls. 196), verbis. Gostaríamos de reforçar que primeiramente houve a transformação à condição de matriz da pessoa jurídica, passando ao CNPJ 61.150.561/000161, o qual foi baixado em 30.04.2003 em razão de incorporação. Na incorporação foi procedida pela Indústria Nacional de Aços Laminados INAL S/A, assumindo a anterior razão social da pessoa jurídica em questão, a qual mantém, até hoje, o seu cadastro perante a Receita Federal do Brasil, conforme certidão apresentada no Doc. 8 da Impugnação; Evidente que estas operações societárias são expressas no Código Civil (Lei nº 10.406/2002) e das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/76), em que determina que na operação de incorporação, a incorporadora sucede a incorporada em direitos e obrigações. 2) Com relação à alegada insuficiência de saldo, insiste o contribuinte que apenas laborou em erro material meramente formal e já demonstrado na impugnação, onde ficou patente que "os referidos créditos são legítimos e que ocorreu apenas o erro formal de preenchimento da declaração e são suportados em essência contábil, Livros Registro de Apuração do IPI e Livro Registro de Entrada e Saída de mercadorias", e conclui este tópico (fls. 198), verbis. Assim, a recorrente, apesar do inadequado preenchimento da PER/DCOMP é evidente detentora de saldo credor relativo ao 3º trimestre de 2003 e ao 1º trimestre de 2004, devendo prevalecer a comprovação material da existência do direito creditório em detrimento dos aspectos meramente formais do processo, sendo necessária abatimento integral dos débitos compensados, nos períodos em questão (sic). 3) Finalmente, insurgese a recorrente quanto a não incidência de correção monetária dos créditos em debate, sustentando que a aplicação da taxa SELIC visa apenas a atualizar o poder de compra da moeda, atingida pelo processo inflacionário, sendo utilizado pelo fisco na cobrança dos tributos, razão pela qual é direito também do contribuinte relativamente às restituições e compensações, por uma questão de isonomia de tratamento. Em defesa de sua tese, cita o Acórdão nº 20312.004, proferido em 25 de abril de 2007, pela Terceira Câmara deste colegiado (fls. 198), para finalmente pedir a homologação (i) do pedido de ressarcimento eletrônico, PER Nº 33377.77991.290404.1.1.010560, em que consta as notas fiscais nº 147603, emitida pelo estabelecimento 61.150.561/001133, no valor de R$ 1.171,58; (ii) a PER/DCOMP nº 23390.67484.260804.1.1.01.3231, no valor de R$ 75.684,21, relativo ao saldo credor de IPI acumulado no 1º Trimestre do ano de 2004; e (iii) a atualização do crédito pela taxa Selic (fls. 190). É o relatório. Voto Vencido Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 5 7 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Conhecimento O recurso é tempestivo, uma vez que a empresa foi notificada do teor da decisão recorrida no dia 10 de setembro de 2012 e no dia 21 daquele mesmo mês e ano fez protocolar na repartição da Receita Federal o seu Recurso Voluntário, razão pela qual tomo conhecimento do apelo. Considerações introdutórias Como posto no relatório, três são os aspectos discutidos nos autos e que ensejaram a glosa dos créditos e negaram guarida às compensações de débitos oferecidos com os créditos pretendidos, ou seja, (1º) glosa da Nota Fiscal nº147602, emitida em 02.07.2003, no valor de 1.171,58, posto que, embora cancelado o CNPJ como filial, esta fora guinada à condição de matriz e, portanto, assumindo, cumulativamente, todos os direitos e obrigações daquela; (2º) o alegado erro material meramente formal e já demonstrado na impugnação, onde ficou patente que "os referidos créditos são legítimos e que ocorreu apenas o erro formal de preenchimento da declaração e são suportados em essência contábil, Livros Registro de Apuração do IPI e Livro Registro de Entrada e Saída de mercadorias"; e (3º) a não incidência de correção monetária dos créditos em debate. Sopesando os argumentos constantes do v. acórdão recorrido com os fundamentos trazidos à colação no Recurso Voluntário, documentalmente instruído, entendo que a melhor e mais adequada interpretação das normas tributárias postas em confronto encontrase com o contribuinte. Senão, vejamos. Glosa da NF 147602 & Incorporação Com efeito, as normas jurídicas seja no campo do direito constitucional, do direito civil, do direito comercial, do direito administrativo e do direito tributário têm que ser interpretadas de forma integrada, e nunca de forma isolada para este ou aquele ramo do direito. Por isto mesmo que, em 2010, foi alterado o nome da Lei de Introdução ao Código Civil (aprovada pelo DecretoLei nº 4.657/1942), para Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (aprovada através da Lei nº 12.376, de 30 de dezembro de 2010). Ou seja, no dizer dos doutrinadores, a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro é uma norma de 'sobredireito', isto é, uma norma jurídica que visa regulamentar outras normas, razão pela qual deixou de ser uma norma exclusiva do direito civil para passar a vigorar como uma norma infraconstitucional do direito pátrio, com a abrangente denominação de "Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro", excluindose do ordenamento jurídico, consequentemente, qualquer dúvida acerca da amplitude do seu campo de atuação. Posta assim a questão, não se pode desprezar as disposições de que cuidam os arts. 1.116 do novel Código Civil vigente desde 2003 (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), Fl. 210DF CARF MF 8 conjugadamente com o art. 227 da chamada Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), verbis. Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprovála, na forma estabelecida, para os respectivos tipos (Código civil de 2002). (Destaque nosso). Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações (Lei 6.404/1976). (Destaque nosso). Pelos mesmos motivos, na interpretação das normas tributárias também não se pode excluir as expressas recomendações da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, especialmente aquelas transcritas pelos arts. 4º e 5º, verbis. Art. 4º. Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Art. 5º. Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Ora, no caso em comento temse como extreme de dúvida que, com a incorporação, os direitos e obrigações da sucedida (GT do Brasil S/A Indústria e Comércio, foram indiscutivelmente transferidos para a sucessora (Indústria Nacional de Aços Laminados INAL S/A, significando dizer que os créditos (direitos) da sucedida foram absorvidos pela nova razão social (sucessora), independentemente do número do CNPJ que, por óbvio, não poderia ser também objeto de sucessão, mantendose o CNPJ da sucessora e baixandose o da sucedida que, por isto mesmo, deixou de existir com a incorporação. Data vênia, não parece lógico, razoável e nem legal que a sucessora seja obrigada a responder por todas as obrigações da sucedida (débitos tributários, obrigações trabalhistas, previdenciária, etc.), mas fique impedida de beneficiarse dos seus direitos, de seus haveres, de seus créditos, dos saldos bancários, etc. Aliás, essa é a regra expressa pelo art. 132 do Código Tributário Nacional, verbis. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (Destaque nosso). Desta forma, com relação a este item, VOTO no sentido de dar provimento ao apelo do contribuinte, relativamente ao crédito oriundo da Nota Fiscal nº 147602, emitida em 02.07.2003, no valor de 1.171,58. Erro material & verdade material O item seguinte da pendenga diz respeito à alegada insuficiência de saldo, decorrente da não aceitação pelo v. Acórdão recorrido da tese do que a empresa recorrente denominou chamar de "erro material meramente formal", e por ela já demonstrado na impugnação, sobre o qual o contribuinte assim se manifesta, verbis. Assim, a recorrente, apesar do inadequado preenchimento da PER/DCOMP é evidente detentora de saldo credor relativo ao 3º Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 6 9 trimestre de 2003 e ao 1º trimestre de 2004, devendo prevalecer a comprovação material da existência do direito creditório em detrimento dos aspectos meramente formais do processo, sendo necessária abatimento integral dos débitos compensados, nos períodos em questão (sic). Como é de todos sabido, tenho sempre me posicionado no sentido de que errar é coisa próprio da pessoa humana (no caso, dos dirigentes e colaboradores da empresa), e que a verdade material deve sempre prevalecer sobre a verdade formal, esta decorrente da literal e intransigente interpretação das normas tributárias. Por isto mesmo, sempre me causou espécie a não aceitação dos erros na interpretação do direito brasileiro, posto que, numa linguagem mais própria do direito processual civil, temos que até aos Juízes, quando da prolação de suas sentenças, é juridicamente permitido corrigir seus erros, seja por iniciativa própria, seja por provocação das partes via embargo declaratórios, nos exatos termos da norma insculpida no inciso I, art. 494, do NCPC, verbis. Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterála: I para corrigirlhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros materiais de cálculos. Segundo a melhor exegese do art. 394I do CPC, a doutrina tem defendido que por inexatidão material entendese o erro, perceptível sem maior exame, que traduz desacordo entre a vontade do julgador e a expressa na decisão. Restou assentado na doutrina e na jurisprudência pátrias, inclusive, que em caso de inexatidão ou erro, a correção pode ser feita por despacho retificador, a qualquer tempo, mesmo depois de transitada em julgado a sentença. Ora, Senhores Conselheiros. Se uma sentença transitada em julgado pode ter seus erros corrigidos por mero despacho retificador, por que não se admitir que os erros materiais dos contribuintes não possam também ser corrigidos por outros meios, por outros documentos, posteriormente à sua ocorrência? No caso em análise, temse que o erro da empresa está manifestamente comprovado e reconhecido pela autoridade recorrida. Todavia, o v. Acórdão recorrido entendeu que, encaminhadas as informações pela empresa ao Fisco, estas devem ser definitivas, não se admitindo a sua correção sob o argumento de erro material. Por não aceitar a conclusão desse tipo de interpretação, ouso também discordar do ilustre julgador singular no particular, até mesmo por uma questão de coerência com manifestações anteriores, como por diversas vezes tenho expressado o entendimento de que a VERDADE MATERIAL deve sempre prevalecer sobre a verdade formal (escrita erradamente pelo contribuinte), desde que efetiva e comprovadamente verdadeira, como entendo ser o caso constante deste processo. Registrese, em derradeiro, que tenho posicionamento firmado, no âmbito desta Turma, no sentido de aceitar que, em se tratando de erro material, devase mitigar a aplicação da legislação para priorizar a aceitação da verdade material sobre os aspectos formais. Refirome ao voto constante do Acórdão nº 3001000.731, proferido em 19 de fevereiro de 2019, do qual passo a transcrever trecho pertinente ao tema, verbis. Fl. 212DF CARF MF 10 Cotejando os dois argumentos (do Fisco e do Contribuiinte), entendo que o melhor direito encontrase com a empresa, tendo em vista que em nenhum momento os órgãos da Receita Federal da jurisdição do contribuinte negaram que de fato fora efetuada a retificação através da DACON. O fundamento decisório, pois, reside no fato de que o erro não fora adequadamente corrigido através de uma DCTF retificadora. Todavia, não me parece razoável que um mero erro burocrático (retificar através da DACON ao invés de fazêlo via DCTF) possa ter a força de negar um direito líquido e certo da empresa que, por equívoco, pagou imposto a maior. Consequentemente, entendo razoavelmente demonstrada a pretensão da empresa recorrente, fundamentada em erro material, tal como posta no seu apelo (fls. 96/97) e reiterada no Recurso Voluntário, verbis. Como se vê, absolutamente equivocado o entendimento manifestado pela C. Turma Julgadora. Não obstante, para que dúvidas não pairassem com relação ao direito creditório da ora requerente, esta procedeu à retificação de suas DCTFs (doc. anexo), fazendo refletir nesta declaração, também, os valores efetivamente devidos, fazendo coincidir, exatamente, os valores declarados em ambas declarações, DCTF e DACON. Desta forma, resta cabalmente comprovado que a não homologação do pedido de compensação formalizado nos presentes autos, decorreu de mero equívoco da recorrente no preenchimento de documento fiscal DCTF, eis que a mesma não fora retificada, deixando de refletir os valores efetivamente devidos e declarados em DACON, equívoco posteriormente sanado com a entrega da DCTF retificadora (doc. anexo). Em se tratando, assim, de mero erro no preenchimento da DCTF, absolutamente equivocada a r. decisão proferida pela C. Turma Julgadora, que contraria o entendimento pacificado pelo extinto Conselho de Contribuintes. Os Conselhos de Contribuintes (antecessores deste CARF) também já enfrentaram questões semelhantes, como ressaltado pelo próprio recorrente, merecendo a transcrição de algumas ementas, verbis. DIPJ CONFISSÃO DE DÍVIDA A DIPJ, comunicando a existência do crédito tributário não informado na DCTF, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, devendo, assim, ser afastada a multa de oficio aplicada pela falta de declaração, na DCTF, dos mesmos valores, se já confessados na DIPJ, anteriormente ao lançamento. (1º CC Proc. l0640.003009/200694 Recurso 161290 (Acórdão 10196.464) 1ª Câmara. Rel. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho DOU 13.05.2008 p. 22) DCTFERRO DE PREENCHIMENTO Erros de preenchimento em DCTF s originais e complementares não podem justificar a procedência do auto de infração quando se verifica que o pagamento do crédito tributário foi devidamente efetuado pelo contribuinte. Recurso de ofício negado. (1º CC Proc. 13819002506/200331 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 7 11 Rec. 159178 ( 10249301) Rel. Alexandre Naoki Nishioka DOU 10.12.2008 p. 25) DCTF ANO CALENDÁRIO 1997 EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO Comprovado tratarse de mero erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, afastase o lançamento. Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, por verificação de erro de fato no preenchimento da DCTF. (1º CC Proc. 10768.00977 1/200214 Rec. 153693 (Ac. 10248770) 2º CC. Rel” Silvana Mancini Karam DOU 08.02.2008 p. 18) Resulta demonstrado, pois, que no entender deste Colegiado, os chamados 'erros materiais escusáveis' por não causarem quaisquer prejuízos às partes, seja ao Fisco, seja ao Contribuinte podem ser relevados para se considerar a verdade real que, neste caso concreto, é a retificação dos valores que resultaram no crédito perseguido e alhures referenciado. .............................................(omissis)............................................. Registrese, por derradeiro, que as recomendações dirigidas aos intérpretes e julgadores e constantes dos arts. 4º e 5º da famosa Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (nova e abrangente nomenclatura que foi atribuída à antiga Lei de Introdução ao Código Civil, através da Lei 12.376/2010), recomendam o uso da analogia, dos costumes e dos princípios gerais de direito, bem assim, que, "na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". Verificase do exame do processo que a prevalecer o entendimento esposado pelo v. Acórdão guerreado, os aspectos sociais e o bem comum restariam fulminados, na medida em que, por mero erro material escusável, o contribuinte estará deixando de ter reconhecido o seu direito de ser restituído de significativa quantia decorrente de tributo que inolvidavelmente pagou a maior. Assim, também nesta parte VOTO no sentido de dar provimento ao apelo, e considerar comprovado o erro material e, por isto mesmo, privilegiar a verdade material. Correção pela taxa SELIC Finalmente, também discordo da decisão quando negou guarida a pretensão de correção monetária dos valores corroídos pela inflação, no tempo e no espaço, posto que, como reiteradamente já decidiram nossos Tribunais Superiores, a correção monetária e os juros legais não se configuram como multa ou punição, mas tão somente com a reposição do poder de compra da moeda. Com efeito, a aplicação da Taxa SELIC (ou a atualização monetária mais juros de mora) visa apenas a atualizar o poder de compra da moeda, atingida pelo processo inflacionário, sendo utilizado também pelo Fisco na cobrança dos tributos em atraso, não devendo ser negada a mesma faculdade aos contribuintes quando das restituições e/ou das Fl. 214DF CARF MF 12 compensações. Neste sentido, vejamos o que já decidiu a 3ª Câmara do CARF, em julgamento de 25.04.2007, através do Acórdão 20312.004, verbis. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. PEDIDO POSTERIOR. POSSIBILIDADE. Se o direito ao ressarcimento foi reconhecido em momento anterior ou mesmo em processo administrativo anterior, no qual não houve discussão quanto ao direito à aplicação da taxa SELIC, é cabível que se busque tal direito em pedido subsequente. ...(omissis)... O contribuinte tem direito ao valor da atualização, pela taxa SELIC, que deveria ter sido aplicada sobre o ressarcimento de IPI, quanto ao período compreendido entre a data do protocolo do pedido do processo que pleiteou o ressarcimento e a data em que foi pago o valor do ressarcimento do IPI. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, igualmente, também já se pronunciou favoravelmente à incidência de correção pela taxa SELIC (ou pela correção monetária mais juros de mora), a teor dos Acórdãos CSRF Nºs 9303006.521, em sessão de 15 de março de 2018, e 9303002.889, de 20 de fevereiro de 2014, respectivamente, pelos fundamentos sintetizados nas seguintes ementas, verbis. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária pela taxa SELIC deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543 do CPC e da Resolução 8/STJ. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. .............................................(omissis)............................................ Além disso, deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Com efeito, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese em violação aos princípios da razoabilidade e da isonomia. Portanto, aplicase a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento ou até a data da consolidação das compensações a ele vinculadas. (Destaques e grifos nossos). Outro não é o entendimento consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, como se extrai da parte pertinente ao assunto constante da ementa do Agravo Regimental em Recurso Especial nº 433.415/PR (2013/03751506), julgado em 12 de maio de 2015, verbis. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO COM OUTRO ÍNDICE DE JUROS OU Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 8 13 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA Nº 07/STJ. INCIDÊNCIA. I. É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça, firmado no Recurso Especial n. 1.251.993, sob o rito do art. 543 C do Código de Processo Civil, segundo o qual desde que aplicada isoladamente, isto é, não cumulada com outro índice de juros ou atualização monetária, incide a taxa SELIC na correção do débito tributário. (Destaque do original). Salientese, de outra parte que, a prevalecer o entendimento esposado pelo v. Acórdão recorrido, estarseá permitindo o enriquecimento ilícito, na medida em que, como já frisado, a atualização monetária pela taxa SELIC é uma obrigação legal de ambas as partes, seja do Fisco quando cobra débitos atrasados dos contribuintes, seja destes quando tem haveres a receber do Fisco, a qualquer título. Assim, dou provimento ao apelo, também nesta parte para, reformando o Acórdão recorrido no particular, conceder a pretensão da empresa relativamente à incidência da taxa SELIC sobre os seus créditos para fins de compensação. Conclusão final Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento para dar provimento integral ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva Redator designado Considerando o bem redigido voto do ilustre Conselheiro Relator Francisco Martins Leite Cavalcante, ouso divergir do seu entendimento, como será visto a seguir. Conforme descrito no relatório e no voto vencido, a presente demanda versa sobre três pontos a serem abordados no presente voto: 1) Glosa do crédito no valor de R$1.171,58 constante da Nota Fiscal nº 147603, emitida em 02.07.2003 pela filial da Recorrente (CNPJ no 61.150.561/001133); 2) Nãohomologação decorrente de ausência de crédito; e, por fim, 3) a incidência ou não de correção monetária dos créditos. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que, apesar de a Nota Fiscal nº 147603 ter sido emitido por CNPJ baixado em 30/04/2003, o mesmo foi elevado à condição Fl. 216DF CARF MF 14 de matriz da pessoa jurídica, assumindo a razão social desta e, portanto, gerando direito ao crédito. Não assiste razão à Recorrente. A inscrição no CNPJ no 61.150.561/001133 foi baixado em 31/12/2002, conforme certidão constante da efl. 146, cujo motivo foi a “Elevação a matriz”. Outra certidão de baixa de inscrição no CNPJ, agora do no 61.150.561/000161, constante da efl. 148, e mostra como motivo de baixa “INCORPORAÇÃO” ocorrida em 30/04/2003. Diante destes dados verificase que na data da emissão da nota fiscal em questão, 02/07/2003, nem a filial 61.150.561/001133, emitente da nota, nem a sua matriz 61.150.561/000161 não mais existiam. Portanto, entendo correta a glosa dos créditos correspondentes à nota fiscal nº 147603, devendo ser negado provimento ao Recurso Voluntário neste particular. O segundo ponto sob análise se refere à não homologação de parte da compensação declarada no PER/DCOMP no 05505.18961.260804.1.3.018832, tendo em vista que foi reconhecido o crédito de R$76.181,61 de um total solicitado de R$77.199,09 no PER/DCOMP no 33377.77991.290404.1.1.010560. A Recorrente alega que, apesar da ocorrência do erro formal no preenchimento da PER/DCOMP no 05505.18961.260804.1.3.018832, citando como último PER/DCOMP a de número 23390.67484.260804.1.1.01.3231, deve prevalecer o princípio da verdade material na qual de fato a recorrente possui direito creditório, em detrimento dos aspectos meramente formais. Este Tribunal Administrativo, incluindose o posicionamento desta Turma, tem buscado respeitar o Princípio da Verdade Material. Contudo, com a devida vênia ao entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, o referido princípio não pode ser aplicado de maneira irrestrita. No controle do crédito tributário, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui um sistema próprio para esta atividade denominado Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC) que compila os dados informados pelo próprio contribuinte por intermédio dos Pedidos de Restituição, Ressarcimento e Declaração de Tributos Federais (PER/DCOMP). O SCC trata dos pedidos desde a sua validação (recepção e verificação inicial da consistência das informações), passando pela análise do direito creditório pleiteado, editando intimações, conforme o caso, e, por fim, na emissão dos despachos decisórios. Conforme a própria Recorrente reconhece, houve erro na informação prestada por intermédio da PER/DCOMP no 05505.18961.260804.1.3.018832. Com base neste erro, a Receita Federal emitiu um Termo de Intimação (efl. 92) informando que o período de apuração objeto de análise é o 1º Trimestre / 2004 entretanto, no PER/DCOMP indicado como crédito (33377.77991.290404.1.1.010560) o período correspondia ao 3º Trimestre de 2003. Diante desta constatação, intimou a Recorrente nos seguintes termos: Solicitase apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o PER/DCOMP em que o crédito foi detalhado ou, sendo o caso, apresentando o demonstrativo do crédito. Não sendo retificado o PER/DCOMP, será considerado o período de apuração do PER/DCOMP indicado. A Recorrente tomou ciência da intimação em 04/09/2006 conforme aviso de recebimento efl. 94, contudo mantevese inerte. Na análise do direito creditório, a DRF de Santo André emitiu despacho decisório em 07/11/2008 homologando parcialmente a compensação declarada na Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 9 15 PER/DCOMP no 05505.18961.260804.1.3.018832, na qual considerou para fins de crédito a ser utilizado nesta compensação tão somente aquele constante da PER/DCOMP no 33377.77991.290404.1.1.010560 tendo em vista que o período de apuração informado corresponde ao crédito constante do 3º Trimestre/2003. Retomando a discussão a respeito da aplicação do princípio da verdade material, no presente caso, aspectos formais são indispensáveis para a análise, apuração e controle do direito creditório. Apesar de poder haver direito creditório no período de apuração 1º Trimestre/2004, formalidades estabelecidas pela própria norma devem ser cumpridas e, dentro deste contexto, corroboro com o entendimento externado pela decisão de piso que assim dispôs: De acordo com a legislação vigente, a apuração do montante dos créditos ressarcíveis deve ser feita por trimestrecalendário e não se admite que o contribuinte pleiteie num mesmo documento, créditos referentes a mais de um trimestrecalendário. Ou seja, cada pedido de ressarcimento é relativo ao trimestre calendário de referência, inexistindo possibilidade de uma mesma declaração de compensação estar vinculada a pedidos de ressarcimento de períodos distintos. A Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, assim dispõe: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. (...) § 3 º São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do §1º, apurados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz, e os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário neste particular. O último ponto a ser debatido neste voto condutor referese à incidência ou não de correção monetária dos créditos de IPI objeto da presente análise, caso fossem passíveis de ressarcimento. Destaquese que a decisão recorrida afirmou que o art. 66, §3º da Lei no 8.383/91 prevê a possibilidade de atualização monetária somente nos casos de restituição de indébito, não sendo possível a sua aplicação para os casos de ressarcimento. Em seu Recurso Voluntário a recorrente afirma o seguinte: Diante da ausência de previsão legal para efetuar a atualização de créditos constantes em pedidos de ressarcimento, não há que se conceder o pedido veiculado pela Recorrente. Adicionalmente a este entendimento, reproduzo posicionamento do STJ constante do REsp nº 1.035.847/RS, de 03/08/2009, com base na sistemática dos recursos repetitivos nos Fl. 218DF CARF MF 16 termos do art. 543C do CPC, de reprodução obrigatória nos julgamentos deste Conselho conforme determinado pelo §2º do art. 62 do RICARF: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp nº 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 03/08/2009) Em relação ao que venha a ser considerado oposição ilegítima do Fisco que enseja a incidência da atualização monetária, a CSRF deste Conselho já firmou seu entendimento por intermédio do Acórdão nº 9303006.885, do qual corroboro, no qual restou consignado pelo seu Relator, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que " (...) a oposição estatal ilegítima somente se dá quando uma decisão denegatória da Unidade de Origem é revertida nas instâncias administrativas de julgamento (...)". Portanto, no presente caso não restou caracterizada a reversão da decisão da DRF Santo André, descaracterizando, por conseguinte, a oposição ilegítima que poderia ser invocada para a atualização do pedido de ressarcimento do IPI. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 10 17 Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.911331/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA POR DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. RETIFICAÇÃO DE DCTF EM DATA POSTERIOR Á EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. LEGITIMIDADE. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DE ERRO MATERIAL, NECESSIDADE DE REVISÃO DO DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO.
Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, a correção do erro de preenchimento acompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF deve ser aceita, como comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado em DCOMP.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apresentadas provas hábeis e idôneas que comprovem a liquidez e certeza do crédito, deve a decisão que não acatou tais requisitos ser revista, para aceitar o direito creditório pleiteado.
DIREITO CREDITÓRIO E HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DECLARADA
Compete ao CARF apenas o reconhecimento do direito creditório, sendo competência da unidade de origem a revisão do despacho decisório eletrônico e a devida análise para, ao final, decidir pela homologação ou não da compensação declarada.
Numero da decisão: 3301-006.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, sendo competência da unidade de origem a revisão do Despacho Decisório Eletrônico e a devida análise para, ao final, decidir pela homologação ou não da compensação..
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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RETIFICAÇÃO DE DCTF EM DATA POSTERIOR Á EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. LEGITIMIDADE. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DE ERRO MATERIAL, NECESSIDADE DE REVISÃO DO DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, a correção do erro de preenchimento acompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF deve ser aceita, como comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado em DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apresentadas provas hábeis e idôneas que comprovem a liquidez e certeza do crédito, deve a decisão que não acatou tais requisitos ser revista, para aceitar o direito creditório pleiteado. DIREITO CREDITÓRIO E HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DECLARADA Compete ao CARF apenas o reconhecimento do direito creditório, sendo competência da unidade de origem a revisão do despacho decisório eletrônico e a devida análise para, ao final, decidir pela homologação ou não da compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 13 31 /2 00 9- 28 Fl. 149DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, sendo competência da unidade de origem a revisão do Despacho Decisório Eletrônico e a devida análise para, ao final, decidir pela homologação ou não da compensação.. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação – DCOMP de nº 05530.59968.310107.1.3.044794 onde se pleiteia a compensação de crédito oriundo de pagamento a maior de CIDEREMESSAS, no valor de R$ 86.670,93, referente a DARF recolhido no código 8741 (CIDE REMESSAS), no valor de R$ 162.379,29, com débitos da própria CIDE. 2. Em análise da Declaração de Compensação transmitida, a unidade de origem (DRF/BARUERI/SP) emitiu o Despacho Decisório de Eletrônico nº de rastreamento 848666333 (fls. 07 dos autos digitais), tendo como resultado a não homologação da compensação. Contra este despacho decisório eletrônico a recorrente apresentou manifestação de conformidade. 4. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do Acórdão da DRJ/RIO DE JANEIRO : Trata se de Declaração de Compensação (PER/DCOMP Nº 05530.59968.310107.1.3.044794) transmitida no dia 31/01/2007, envolvendo crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de CIDE – Código da Receita 8741 Data de Arrecadação – 15/12/2006, e Valor Original de Crédito Inicial de R$86.670,93 (fls. 3). Mediante o Despacho Decisório de fls. 7, emitido em 07/10/2009 – Nº de Rastreamento 848666333, a autoridade competente não homologou a compensação declarada, com a seguinte fundamentação: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$86.670,93. A partir das características do Darf discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13896.911331/200928 Acórdão n.º 3301006.124 S3C3T1 Fl. 150 3 relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O enquadramento legal foi o seguinte: Arts. 165 e 170 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório citado, por via postal, em 19/10/2009 (fls. 8). Irresignada, apresentou, por intermédio de seu representante legal, em 18/11/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 10/23, acompanhada de documentos de fls. 24/96, na qual solicita o reconhecimento do direito creditório, bem como homologada a compensação declarada, alegando que: • O Despacho Decisório, com o devido respeito, negou o direito de crédito independentemente da adoção de qualquer providencia no sentido de aferir a existência do credito pleiteado — mormente a sua intimação para esclarecimentos. • Após a transmissão do PER/DCOMP — formulário eletrônico padronizado que não permite a introdução de informações pormenorizadas a respeito da origem do crédito e da compensação — foi surpreendida com a prolação do r. Despacho Decisório que concluiu, peremptoriamente, pela inexistência do direito creditório reclamado, deixando de homologar a compensação declarada. • O sistema eletrônico para transmissão do PER/DCOMP apresenta inúmeras limitações probatórias, que inviabilizam a prestação imediata de quaisquer informações úteis ou necessárias à comprovação de plano do direito creditório, não se podendo sustentar que teria "faltado" com o dever de apresentar todas as provas do seu crédito (uma vez impossibilitada de fazêlo). • A prolação do r. Despacho Decisório sem o detido exame do direito creditório alegado deixou de observar o disposto no artigo 65 da IN RFB n° 900/2008, o qual estabelece o poder dever de a autoridade administrativa determinar a realização de diligências necessárias ao esclarecimento do direito creditório. • A disposição em exame não deixa dúvidas quanto ao dever de a autoridade administrativa proceder a verificação da exatidão das informações prestadas, como condição para negar o pleito do contribuinte, sendo inadmissível o seu indeferimento de plano. • Nem se argumente que a referência ao vocábulo poderá estaria a induzir uma discricionariedade da Administração Tributária em proceder ou não à intimação do contribuinte, uma vez que este dispositivo deve ser lido e cotejado com o artigo 195 do Código Tributário Nacional. Portanto, mostrouse prematura a prolação do r. Despacho Decisório independentemente de se abrir o direito de comprovar o seu direito creditório, o que se faz nesta oportunidade. • O crédito tem origem em pagamento indevido de CIDE (código de receita 8741) referente ao mês de novembro de 2006, sendo que a DCTF (doc. 05) do período, transmitida em 03/09/2007, informava os seguintes valores: Tributo Competência Débito (RS) DARF (R$) CIDE Novembro/2006 162.379,29 162.379,29 Fl. 151DF CARF MF 4 • Conforme se depreende acima, segundo os dados reportados pela própria, não haveria, de fato, qualquer crédito em seu favor, uma vez que o DARF gerador do crédito teria sido integralmente utilizado para o pagamento de CIDE devida no período. • Ocorre, porém, que os valores informados na DCTF transmitida em 03/09/2007 estão equivocados, uma vez que não refletem a apuração efetuada no período. Com efeito, após a realização de revisão de seus documentos fiscais do período de apuração relativo ao direito creditório em questão, verificou que, por um equivoco, acabou efetuando pagamento indevido de CIDE. • Isso porque, em 14 de novembro de 2006, remeteu ao exterior o montante de U$ 292.836,97 (duzentos e noventa e dois mil, oitocentos e trinta e seis dólares norte americanos e noventa e sete cents), conforme se verifica da "Invoice" n°06100011684 (doc. 6) relativa à remessa do referido montante. • Para efetuar o cálculo dos tributos incidentes sobre a remessa do montante acima descrito, dentre eles, a CIDE, efetuou a sua conversão para o Real, multiplicando ao valor da remessa em dólares pelo índice da cotação do dólar referente ao dia 14/11/2006 (2,1448) dia em que se efetivou a remessa chegando ao valor de R$ 628.379,39 (U$ 292.836,97 x 2,1448), conforme se comprova pela planilha anexa (doc. 07). • De fato, o valor de R$ 628.379,39 é o valor que deveria ter sido considerado para servir como base para se efetuar o cálculo do montante devido a titulo de CIDE, nos termos da Lei n° 10.168/2000 (artigo 725 do Regulamento de Imposto de Renda — RIR). • Contudo, por um equivoco na apuração da base de cálculo, acabouse aplicando novamente a cotação do dólar referente ao dia 14/11/2006 (2,1448) ao montante de 628.379,39, chegando ao incorreto valor de R$ 1.347.748,12 (628.379,39 x 2,1448) conforme se comprova pela tabela anexa (doc. 08). • Conforme se verifica do relato, considerou o montante de 628.379,39 (que já refletia o valor em reais — R$) como sendo o valor em dólares (U$) da remessa realizada ao exterior, ocasião em que, por um lapso, novamente aplicou a taxa de câmbio do dia (2,1448) chegando ao valor de R$ 1.347.748,12. Diante do mencionado equivoco, considerou para fins de cálculo de IRRF ("Gross up" — art. 725 do RIR) o montante de R$ 1.347.748,12, ensejando um recolhimento a maior de CIDE, no valor total de R$ 162.379,29. • Contudo, como já esclarecido, o valor correto que deveria ter sido considerado como base para o cálculo da Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13896.911331/200928 Acórdão n.º 3301006.124 S3C3T1 Fl. 151 5 CIDE era o de R$628.379,39, a gerar um montante para recolhimento de R$75.708,36, a titulo de CIDE. Era o valor devido no período. Notese que o crédito informado no PER/DCOMP (R$86.670,93) é exatamente a diferença entre o pagamento a maior efetuado a titulo de CIDE (R$162.379,29) e o valor efetivamente devido (R$75.708,36) não restando dúvidas, portanto, que o crédito utilizado na PER/DCOMP, de fato, existe. • A despeito disso, por equivoco, deixou, à época, de retificar sua DCTF de modo a permitir a detecção do crédito pela Receita Federal do Brasil. Tal equivoco, certamente, teria sido facilmente sanado caso tivessem as Autoridades Administrativas lhe concedido o direito de se manifestar. • Assim, imediatamente após a ciência do despacho decisório, a Requerente, com lastro em seus documentos fiscais (doc. 05), retificou sua DCTF para fazer constar a informação correta acerca do direito creditório reclamado (doc. 09). Portanto, diante do esclarecimento apresentado, é de rigor o reconhecimento do direito creditório. • Apesar dos equívocos cometidos por ocasião da apresentação da DCTF, não se pode desconsiderar que o crédito informado, além de lastrearse na sua contabilidade, se mostra suficiente para a quitação do débito declarado. Ressaltese que em relação à DCTF retificada, o procedimento em questão está sendo devidamente suportado por farta documentação contábil e fiscal, devendo, portanto, ser considerada a documentação no tocante a comprovação do crédito. • Neste caso, deve se abrandar o rigor formal, observandose o principio da verdade material, buscandose a essência dos fatos postos em discussão, em detrimento dos aspectos formais, conforme tem ressaltado a doutrina especializada. • E, completamente alinhada aos fundamentos acima, é a maciça jurisprudência dos antigos CONSELHOS DE CONTRIBUINTES, muitos dos quais tratam incisivamente os erros cometidos no preenchimento de declarações dos contribuintes (1° CC, P Câmara, PA n° 10768.100409/200368, Rel. Valmir Sandri, j. em 27/06/2008, 1° CC, 5' Câmara, PA n° 10283.009117/9951, Rel. Wilson Fernandes Guimarães, j. em 14/09/2007 ) e dos órgãos julgadores da Receita Federal do Brasil (5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, Acórdão n° 0524644 de 21 de Janeiro de 2009). • Notese que a Administração Pública já reconheceu a possibilidade de retificação da DCTF após a entrega da Declaração de Compensação, o que importa no reconhecimento Fl. 153DF CARF MF 6 do credito pleiteado com a consequente homologação da compensação declarada pelo contribuinte. • Por certo, pode a D. Autoridade Julgadora, em homenagem ao principio da verdade material, superar os equívocos cometidos, única e tão somente quanto à ausência de retificação da DCTF em momento anterior a prolação de despacho decisório, mormente em razão do fato de o procedimento adotado não ter gerado qualquer prejuízo ao Erário. Após análise da tempestividade da manifestação de inconformidade, o Seort da DRF/Barueri/SP, encaminhou os autos para a DRJ/Campinas. Nos termos do disposto no § 4º, do art. 2º, da Portaria RFB nº 999, de 19 de julho de 2013 (BP nº 29 19/07/2013), e com redação alterada pelas Portarias RFB nº 1.892, de 30 de dezembro de 2013 (BP nº 53 – 31/12/2013) e RFB nº 56, de 15 de janeiro de 2014 (BP nº 03 – 17/01/2014), e em atendimento a solicitação do Delegado desta DRJ, os autos foram encaminhados para julgamento. 5. A DRJ/RIO DE JANEIRO I, julgando tais argumentos, exarou o Acórdão nº 1264.189, assim ementado : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PAGAMENTO A MAIOR NÃO COMPROVADO. CIDE. Nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 6. Entenderam os julgadores da DRJ/RIO DE JANEIRO I por considerar improcedente a manifestação da hoje recorrente, fundamentando suas razões da seguinte forma : Quanto ao mérito, a interessada alega que o crédito objeto da Dcomp sob análise decorre de pagamento indevido de CIDE (código de receita 8741) referente ao mês de novembro de 2006, uma vez que o valor de R$628.379,39 (U$ 292.836,97 x 2,1448) é o valor que deveria ter sido considerado para servir como base para se efetuar o cálculo do montante devido a titulo de CIDE, nos termos da Lei n° 10.168/2000 (artigo 725 do Regulamento de Imposto de Renda — RIR), mas, por um equivoco, acabou aplicando novamente a cotação do dólar referente ao dia 14/11/2006 (2,1448) ao montante de 628.379,39, chegando ao incorreto valor de R$1.347.748,12 (628.379,39 x 2,1448), valor esse que considerou para fins de cálculo, ensejando um recolhimento a maior de CIDE, no valor total de R$162.379,29. Em consulta ao banco de dados administrados pela RFB, mais especificamente, a DCTF MENSAL – 1.3 do Mês de NOV 2006 – Retificadora/Ativa apresentada no dia 29/12/2009 (fls. 99), verificase que para o Darf no valor de R$162.379,29 foi informado o débito de R$75.708,36(fls. 100). Ocorre que a Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13896.911331/200928 Acórdão n.º 3301006.124 S3C3T1 Fl. 152 7 retificação da DCTF MENSAL em foco ocorreu após a ciência do Despacho Decisório de forma que, após instaurada a controvérsia em relação à matéria, compete à peticionante o ônus da formação da prova do direito creditório, no caso,com a apresentação documental dos fatos que determinaram a dita retificação, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do pleito, exigida conforme art. 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Examinando os documentos trazidos pela impugnante, identifica se na cópia do Invoice 06100011684 como “Total Invoice" um valor de USD 292.836,97 (fls. 80),conforme alegado na impugnação como sendo o valor da remessa sobre a qual incidiu a CIDE. Entretanto, compulsando os extratos dos registros contábeis às fls. 91 e 93, observase como Valor da Remessa o total de U$ 292.978,08 (valor diverso do constante do referido Invoice), sobre o qual foi aplicada a taxa de 2,1448 que totalizou em R$628.379,39, valor tal que a interessada defende ser a base do cálculo correta da CIDE apurado no valor de R$75.708,36. Assim sendo, considerando a divergência verificada quanto à informação do valor da remessa para o exterior, dado necessário para fins do cálculo correto da CIDE, além da falta de apresentação de qualquer outra documentação que respalde a operação e o valor da aludida remessa e, como assinalado acima, sendo da contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica o seu direito creditório, o que não ocorreu no presente caso, entendo que a impugnante não logrou comprovar o equívoco alegado, e, conseqüentemente, o pagamento a maior objeto do PER/DCOMP em foco, no valor de R$86.670,93. 7. Irresignada com tal decisão, a hoje recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos expendidos na sua impugnação apresentada a DRJ/RIO DE JANEIRO, além de outros, da seguinte forma : I – DOS FATOS descreve os fatos referente aos autos II – DO DIREITO II.1 – Da Nulidade da R. Decisão Recorrida – defende a nulidade da decisão de piso por, diante de erro de escrituração contábil, apontou divergência de US$ 141,00 entre o valor da Invoice apresentada (US$ 292.839,97) e os extratos dos registros contábeis (US$ 292.978,08) utilizados para o cálculo dos tributos incidentes na operação, justificando que, diante deste fato, não seria possível aferir a base de cálculo utilizada para apuração do tributo. Portanto, a decisão recorrida por conter grave vício de motivação, fundamentando a manutenção do indeferimento do direito creditório no erro cometido na apuração dos tributos incidentes na importação, cujo único defeito foi a diminuição dos valores efetivamente recolhidos. Além disso, a decisão de piso afirma que a recorrente não teria apresentado qualquer outra documentação que respalde a operação e o valor da aludida remessa, entretanto a recorrente acostou todos os documentos necessários. Também a decisão de piso se caracteriza por ter cerceado a defesa da recorrente, Fl. 155DF CARF MF 8 em afronta a dispositivo constitucional e promovido prejuízo a recorrente. II.2 – DA CONFIRMAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO II.2.1 Considerações iniciais sobre os elementos apresentados no presente recurso voluntário – ausência de preclusão – não se pode alegar que estaria preclusa a apresentação de elementos para corroborar os argumentos sustentados pela recorrente, pois deve prevalecer o princípio da verdade material. O direito creditório é legítimo e deve ser reconhecido ou que o julgamento seja convertido em diligência se não for reconhecido o direito. II.2.2 – Da comprovação do pagamento indevido efetuado a título de CIDE (código 8741) em 14/11/2006, a recorrente efetuou a importação de serviços amparada pela Invoice n° 0610011684, no valor total de US$ 292.836,97. Na contabilidade, registrou esta operação mediante crédito na contacontábil n°8102106000, e débito na contacontábil n° 9101016600, o valor de US$ 213.950,48, correspondente à diferença entre o valor total da Invoice (US$ 292.836,97) e o desconto concedido pelo exportador (US$ 78.888,49). Para o cálculo dos tributos incidentes na importação, aplicou ao valor total da Invoice n° 06100011684 (US$ 292.836,97) o índice de conversão de moeda praticado no dia da operação (2,1448), totalizando o valor de R$ 628.379,39. além de ter considerado o valor total da Invoice (sem o desconto concedido pelo exportador), por equívoco, a recorrente aplicou novamente a taxa de conversão de moeda (2,1448), desta vez sobre o valor já expresso em Reais (R$ 628.379,39), chegando ao valor total de R$ 1.347.748,12, que foi indevidamente utilizado como base de cálculo dos tributos incidentes na importação. Diante disso, utilizando base de cálculo manifestamente indevida, a recorrente apurou a CIDE incidente na importação (código 8741) no valor de R$ 162.379,29, efetuando seu recolhimento via DARF, e registrando o débito em sua contabilidade, na contacontábil n°2106010008. O valor recolhido a título de CIDE incidente na importação (código 8741) foi calculado utilizando base de cálculo superior ao efetivamente pago pela importação de serviços (R$ 628.379,39), o que resultou no pagamento indevido do tributo. caso a recorrente tivesse utilizado a correta base de cálculo dos tributos incidentes na importação, teria apurado o valor de R$ 162.379,29 a título de CIDE incidente na importação (código 8741). daí porque a diferença entre o montante indevidamente recolhido a título de CIDE (código 8741), relativo ao fato gerador ocorrido em 14/11/2006 (R$ 162.379,29), e o valor efetivamente devido na operação (R$ 75.708,36), configura pagamento indevido, nos termos do artigo 165 do Código Tributário Nacional. no entanto, a par de toda a documentação acostada à manifestação de inconformidade e os esclarecimentos prestados sobre a origem do direito creditório, a r. decisão recorrida manteve o indeferimento do direito creditório da recorrente em razão da imaterial diferença (US$ 141,00) entre o valor total da Invoice n° 0610011684 (US$ 292.836,97) e o valor indicado nos registros contábeis apresentados (US$ 292.978,08), olvidou a 6ª Turma da DRJ/RJ1 que a diferença apontada (US$ 141,00) teria somente o efeito de aumentar a base de cálculo da CIDE incidente na importação e, por consequência, o crédito decorrente do pagamento indevido. Considerandose a Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13896.911331/200928 Acórdão n.º 3301006.124 S3C3T1 Fl. 153 9 documentação acostada aos autos, é cristalino o direito de crédito da recorrentet decorrente do pagamento indevido de CIDE incidente na importação (código 8741), relativo ao fato gerador ocorrido em 14/11/2006, no valor original de R$ 86.670,93, de modo que o recurso voluntário deve ser provido, reformandose integralmente a r. decisão recorrida. II.3 – DA POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO E DA SUFICIÊNCIA DO SALDO A COMPENSAR no caso, o direito creditório pleiteado, além de lastrearse na documentação juntada aos autos, que confirma a existência do pagamento indevido efetuado a título de CIDE (código 8741), relativamente ao fato gerador ocorrido em 14/11/2006, no valor original de R$ 86.670,93, bem como as questões alegadas, se mostra suficiente para homologação da compensação declarada. Assim, deve ser observado o princípio da verdade material, buscandose a essência dos fatos postos em discussão. II.4 – DA DILIGÊNCIA FISCAL na remota hipótese de se entender que as informações e documentos apresentados não são suficientes para a confirmação da integralidade do direito creditório pleiteado pela recorrente, deverá, então, ser determinada a realização de diligência, nos termos do inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, sob pena de cerceamento do direito de defesa. III – CONCLUSÕES pelo exposto, concluise que: (I) a r. decisão recorrida é nula, por preterição ao direito de defesa da recorrente; (II) os documentos (fiscais e contábeis) apresentados pela recorrente comprovam o pagamento indevido efetuado a título de CIDE (código 8741), relativamente ao fato gerador ocorrido em 14/1 1/2006; e (III) na remota hipótese de se entender que as informações e documentos apresentados não são suficientes para a confirmação da integralidade do direito creditório pleiteado deverá, então, ser determinada a realização de diligência, nos termos do inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, sob pena de cerceamento de defesa. IV – DO PEDIDO é o presente para requerer o provimento integral do recurso voluntário, para: (I) anular a decisão recorrida e, se o caso, também o despacho decisório, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, determinandose que o direito crédito pleiteado seja devidamente analisado pela autoridade administrativa competente, nos termos do artigo 76 da Instrução Normativa n° 1300/2012, mediante diligência e análise dos documentos que se fizerem necessários, e, ao final, integralmente reconhecido, com a consequente homologação da compensação declarada; ou, (II) tendo em vista o disposto no §3° do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, reformar a r. decisão recorrida, reconhecendose integralmente o direito creditório pleiteado, com a consequente homologação da compensação declarada. por fim, na remota hipótese de se entender que as informações e documentos apresentados não são suficientes para a confirmação da integralidade do direito creditório, deverá, então, ser determinada a Fl. 157DF CARF MF 10 realização de diligência, nos termos do inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, sob pena de cerceamento do direito de defesa. 8. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini O recurso voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, assim dele conheço. PRELIMINAR – NULIDADE DA DECISÃO 9. Alega a recorrente a nulidade da decisão de piso, com o seguinte argumento : “ diante de erro de escrituração contábil, apontou divergência de US$ 141,00 entre o valor da Invoice apresentada (US$ 292.839,97) e os extratos dos registros contábeis (US$ 292.978,08) utilizados para o cálculo dos tributos incidentes na operação, justificando que, diante deste fato, não seria possível aferir a base de cálculo utilizada para apuração do tributo. Portanto, a decisão recorrida por conter grave vício de motivação, fundamentando a manutenção do indeferimento do direito creditório no erro cometido na apuração dos tributos incidentes na importação, cujo único defeito foi a diminuição dos valores efetivamente recolhidos. Além disso, a decisão de piso afirma que a recorrente não teria apresentado qualquer outra documentação que respalde a operação e o valor da aludida remessa, entretanto a recorrente acostou todos os documentos necessários. 10. Não cabe razão á recorrente, a decisão de piso foi devidamente fundamentada, tanto que a recorrente teve condições de se defender plenamente, sem dificuldades para entender tais fundamentos. Quanto ao cerceamento de defesa alegado, também não podemos concordar, a decisão de piso foi clara em seus argumentos, demonstrando os fundamentos de suas razões de decidir, propiciando á recorrente oportunidade para contrapor seus próprios argumentos de defesa. 11. Há que se destacar que não ocorreram os motivos de nulidade elencados no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, texto legal que disciplina o processo administrativo fiscal, portanto, não deve ser admitida a nulidade suscitada. 12. Por tais razões, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. NO MÉRITO 13. A questão central dos autos se prende ao fato de que a recorrente efetuou remessa de valor ao exterior, recolhendo valor que alega ter sido calculado erradamente, por ter utilizado a taxa de câmbio a uma sobre o valor total da Invoice e, após isto, a duas aplicou a mesma taxa sobre o resultado da primeira operação, além de registrar valor diverso em seus registros contábeis, todos estes fatos levaram a DRJ a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13896.911331/200928 Acórdão n.º 3301006.124 S3C3T1 Fl. 154 11 14. Para o deslinde da questão entendemos necessário trazer a este voto os documentos que derem origem ao confronto. 15. Folha de rosto da Invoice de nº 0610011684 : Fl. 159DF CARF MF 12 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 13896.911331/200928 Acórdão n.º 3301006.124 S3C3T1 Fl. 155 13 16. Registros contábeis referentes á operação originada pela Invoice. Fl. 161DF CARF MF 14 17. Documento DARF objeto do recolhimento do tributos Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13896.911331/200928 Acórdão n.º 3301006.124 S3C3T1 Fl. 156 15 18. DCTFs relativas ao mês da operação (novembro de 2006) : 19. O seguinte trecho da decisão de piso esclarece os motivos de convencimento dos julgadores : Examinando os documentos trazidos pela impugnante, identificase na cópia do Invoice 06100011684 como “Total Invoice" um valor de USD 292.836,97 (fls. 80),conforme alegado na impugnação como sendo o valor da remessa sobre a qual incidiu a CIDE. Entretanto, compulsando os extratos dos registros contábeis às fls. 91 e 93, observase como Valor da Remessa o total de U$ 292.978,08 (valor diverso do constante do referido Invoice), sobre o qual foi aplicada a taxa de 2,1448 que totalizou em Fl. 163DF CARF MF 16 R$628.379,39, valor tal que a interessada defende ser a base do cálculo correta da CIDE apurado no valor de R$75.708,36. 20. Pois bem, verificase que, realmente a Invoice tem valor total de US$ 292.836,97, conforme documento acostado pela recorrente aos autos, portanto o que ocorreu foi erro de registro contábil efetivado pela recorrente, que registrou em sua escrita contábil o valor de US$ 292.978,08, o que, no entender deste relator, configurase um mero erro material, pois o documento apresentado tem valor diverso, sendo erro plenamente corrigível, diante das melhores técnicas contábeis. 21. Quanto aos valores em discussão, conforme descreve a recorrente, a sequencia de fatos assim ocorreu : 1 – 14/11/2006 remessa ao exterior USD 292.836,97 Invoice nº 06100011684 2 – para calcular os tributos utilizada taxa de câmbio de 2,1448 para conversão para Real USD 292.836,97 X 2,1448 = R$ 628.379,39 BASE DE CÁLCULO DA CIDEREMESSAS 3 – EQUÍVOCO : considerou o montante de R$ 628.379,39 como se fosse o valor da remessa em USD e aplicou sobre o total obtido de R$ 628.379,39, novamente a taxa de câmbio de 2,1448 R$ 628.379,39 x 2,1448 = R$ 1.347.748,12 4 – diante deste valor, de R4 1.347.748,12, que considerou a base de cálculo da CIDE, recolheu a CIDE, em DARF no valor de R$ 162.379,29 5 – entretanto, o valor correto da base de cálculo da CIDE era de R$ 628.379,39 e o valor correto a ser recolhido de CIDE era de R$ 75.708,36 6 – efetuou o cálculo a diferença recolhida a maior a título de CIDEREMESSAS R$ 162.379,39 (valor recolhido via DARF) – R$ 75.708,36 (valor devido) = R$ 86.670,93 (crédito informado na COMP) 7 – após ter ciência do Despacho Decisório não homologando a compensação, retificou a DCTF para constar o valor correto como devido de R$ 75.708,36 22. Como se pode verificar dos documentos acostados aos autos e trazidos a este voto, os valores dos documentos mencionados (Invoice, DARF, registros contábeis) e, ainda, o valor do crédito indicado na DCOMP de fls. 03 dos autos digitais (página 2 da DCOMP nº 05530.59968.310107.1.3.044794) estão corretos e conforme com os documentos. 30. Concluíse, diante destes fatos e das provas carreadas aos autos, que realmente houve erro material, ou vários erros materiais, tanto na contabilização do documento Invoice, como no cálculo do tributo CIDE REMESSAS recolhido. 24. Portanto, existindo o pagamento a maior do tributo, ocorre a hipótese descrita no artigo 165, I do Código Tributário Nacional (Lei nº 5,172/1966) : Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 25. Também ocorre a hipótese legal descrita no artigo 74 da Lei Nº 9.430/1996 : Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13896.911331/200928 Acórdão n.º 3301006.124 S3C3T1 Fl. 157 17 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 26. Assim, não há dúvida de que o direito creditório deve ser reconhecido. 27. Quanto a sua utilização, uma vez declarado em DCTF constituise confissão de dívida, conforme preceitos legais e jurisprudenciais, mas em nenhum momento a mesma legislação proíbe que se retifique essa informação, dentro do limite temporal de 05 anos do fato gerador e desde que tal retificação esteja devidamente sustentada por documentos hábeis e idôneos a comprovar os novos valores que se pretenda espelharem a realidade dos fatos. 28. A própria Secretaria da Receita Federal, em seu Parecer Normativo COSIT nº 2, de 28/08/2015 admite a legitimidade da retificação da DCTF, mesmo após o recebimento de despacho decisório eletrônico que não homologou compensação declarada em DCOMP. Transcrevemos seus itens 15 a 18.1 : 15. Caso o contribuinte não tenha seu pedido deferido ou a compensação integralmente homologada, está garantido seu direito de manifestar inconformidade sob o rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), com esteio no art. 74, § 9º, da Lei nº 9.430, de 1996. Na hipótese de discordância da análise preliminar acima referida, concluindo o sujeito passivo ser incabível a retificação de declarações ou o cancelamento do PER/DCOMP no prazo a ele conferido para autorregularização, é por ocasião da manifestação de inconformidade que deve apresentar justificativas ou documentos comprobatórios que julgar pertinentes. Não se concebe aqui, a princípio, que na oportunidade da autorregularização o contribuinte deixe de retificar a DCTF quando esta era o único motivo para que o crédito do PER/DCOMP fosse reconhecido. Entretanto, existe a hipótese de que o contribuinte não tenha feito essa retificação e só a efetue depois do despacho decisório que indeferiu o PER ou não homologou a DCOMP. 16. Ainda conforme a Nota Corec nº 30, de 2013, há que se esclarecer que a análise preliminar do “PER/DCOMP – Autorregularização” não gera efeitos jurídicos, configurando apenas uma etapa do processo de reconhecimento do direito creditório, criada com o objetivo estratégico de redução dos litígios tributários: O conhecimento da análise preliminar pelo contribuinte é considerado uma etapa do processo de reconhecimento de direito creditório. Não se iguala a uma intimação ou, menos ainda, a um despacho decisório. É mera oportunidade para que o contribuinte, ao identificar erros na Fl. 165DF CARF MF 18 prestação das informações à RFB, possa corrigilos a tempo de prevenir o avanço dessa discussão para o contencioso administrativo ou judicial. 17. A disponibilização desse serviço apenas confirma a possibilidade de retificação da DCTF após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora nem todos os créditos passíveis de restituição, de ressarcimento ou de compensação estejam contemplados pela autorregularização. 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do PAF, a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. 29. Pelo já analisado, concluíse, por derradeiro, que houve erro material na contabilização do documento e no cálculo e recolhimento do tributo, devidamente comprovados pelos documentos acostados aos autos, sendo portanto existente o direito creditório defendido. 30. Portanto, diante do pronunciamento da própria Secretaria da Receita Federal, é legítima a retificação da DCTF após o recebimento do Despacho Decisório que não homologou compensação declarada, desde que devidamente respaldada por documentos hábeis e idôneos, a Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13896.911331/200928 Acórdão n.º 3301006.124 S3C3T1 Fl. 158 19 recorrente não cometeu irregularidade ao efetivar a retificação da DCTF, para espelhar o valor do tributo devido, tornando o crédito recolhido a maior disponível para utilização. Conclusão 31. Diante de todo o exposto, considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, a correção do erro de preenchimento acompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF deve ser aceita, como comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado em DCOMP, cabendo ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Apresentadas provas hábeis e idôneas que comprovem a liquidez e certeza do crédito, deve a decisão que não acatou tais requisitos ser revista, para aceitar o direito creditório pleiteado. 32. Neste diapasão, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, sendo competência da unidade de origem a revisão do despacho decisório eletrônico e a devida análise para, ao final, decidir pela homologação ou não da compensação declarada. É o meu voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.002316/2002-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Mo-calendário: 1997
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabida a argüição de cerceamento do direito de defesa, quando presentes nos autos todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício e o sujeito passivo teve conhecimento dos documentos que o embasaram e a oportunidade de contestá-los,
PROVAS ENCAMINHADAS PELO PODER JUDICIÁRIO. VALIDADE.
Incabível o questionamento a respeito da licitude de prova encaminhada pela autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo
crime poderia ser utilizada pelo fisco.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA, RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL,
O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em .31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação,
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO E REGIME DE TRIBUTAÇÃO,
A omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto deve ser, necessariamente, apurada pelo confronto mensal das mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos. Os valores apurados em cada mês devem ser somados e adicionado a base de cálculo do ajuste anual para fins de tributação.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA
No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações eiou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS.
Simples transferência de numerário não pode ser considerada como aplicação de recursos quando não vinculada efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não for comprovada sua destinação, sua aplicação ou seu consumo.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIO GLOBAL CRITÉRIO DE APROPRIAÇÃO.
O valor global de um dispêndio realizado pelo contribuinte, na falta de elementos que permitam averiguar ou presumir os valores gastos em cada mês, deve ser apropriado no final do ano-calendário para fins de apuração da evolução patrimonial do contribuinte.
Numero da decisão: 2202-000.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Henrique Rocha, OAB/SP n°. 205,889.
Nome do relator: Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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INOCORRÊNCIA. Descabida a argüição de cerceamento do direito de defesa, quando presentes nos autos todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício e o sujeito passivo teve conhecimento dos documentos que o embasaram e a oportunidade de contestá-los, PROVAS ENCAMINHADAS PELO PODER JUDICIÁRIO. VALIDADE. Incabível o questionamento a respeito da licitude de prova encaminhada pela autoridade .judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA - IRPF Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA, RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL, O direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em .31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO E REGIME DE TRIBUTAÇÃO, A omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto deve ser, necessariamente, apurada pelo confronto mensal das mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos. Os valores apurados em cada mês devem ser somados e adicionado a base de cálculo do ajuste anual para fins de tributação, ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DISPÊNDIOS. ()NUS DA PROVA No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações eiou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte demonstrar que possui recursos com origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS. Simples transferência de numerário não pode ser considerada como aplicação de recursos quando não vinculada efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não for comprovada sua destinação, sua aplicação ou seu consumo.. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIO GLOBAL CRITÉRIO DE APROPRIAÇÃO, O valor global de um dispêndio realizado pelo contribuinte, na falta de elementos que permitam averiguar ou presumir os valores gastos em cada mês, deve ser apropriado no final do ano-calendário para fins de apuração da evolução patrimonial do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. Henrique Rocha, OAB/SP n°. 205,889. _ , 1•• N son i r '' _nn- e<de,nte--.. 1 i • ,tct - it ce,c,1 ---)--V) .)e..,..._— Maria Lúcia Moniz de Aragão .aloná Astorga - Relatora. ''/,', o AG G 2e1UEDITADO EM: 2 n A r' n 2°1° Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassulli Júnior, Antonio Lopo Martinez, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmarm (Presidente), Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Júnior e Helenilson Cunha Pontes, n-------47 2 Processo n"10830.002316/2002-97 S2-C2T2 Acórdão n." 2202-00.616 H. 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 8 a 10 - volume I, integrado pelos demonstrativos de fls. 11 e 12 - volume I, pelo qual se exige a importância de RS141,606,93, a título de Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário 1997, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 13 a 15 - volume I, segundo o qual foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto no ano-calendário 1997 como se depreende da parte conclusiva do referido termo (fl, 15 — volume I): Nestas condições, elaboramos unia planilha de "Demonstração Mensal de Evolução Patrimonial" consignando todas. as entradas de numerários cujos valores )(Oram infbrmados a esta Repartição, através das fontes retentoras do imposto de renda, e, ainda, os valores informados pelo contribuinte, através da sua Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física, e, a seguir, intbrinamos os dispêndios ou aplicações de recursos, listando os montantes de Imposto de Renda Retido na Fonte, os montantes de carne leão pagos, as doações efetuadas, as remessas de numerários para Meiri Importadora e Exportadora de Manufaturados Lida e para Ismael Benitez, bem como os dispêndios com a aquisição dos veiculas acima descritos, a compra do imóvel registrado em Rio Claro, e, consignamos, também, os saldos mantidos em banco em 31/12/97, rateamos as importâncias gastas com a construção das 10 (dez) casas, pelos 12 (doze) meses do ano, uma vez que o declarante não comprovou tais dispêndios, resultando, assim, em "Variação Patrimonial a Descoberto" em 11 (onze) meses do ano de 1997, razão pela qual procedemos à lavratura do indispensável AUTO DE INFRAÇÃO, de acordo com a legislação vigente, que é integrado, também, pelo presente TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls, 115 a 135 - volume I, cujo resumo de extrai da decisão de primeira instância, prolatada em 06/05/2009 (fls. 309 a 312 — volume II): Cientificado do lançamento em 28/02/2002 (fl. 109), o contribuinte apresentou a impugnação de fls.. 115 a 135 em 01/04/2002, alegando, em síntese, que: -Já haveria se operado a decadência em relação ao mês de .janeiro de 1997 no momento do lançamento, pois já hakiam transcorrido cinco anos da data do lato gerador (art. 150, § 40, do CTN); 3 -O lançamento seria nulo, pois haveria cerceamento do direito de defesa do contribuinte, caracterizado pela intimação do fisco para que o interessado comprovasse a origem dos gastos com a construção de imóveis sem explicitar a razão; -A nulidade do lançamento também se manifestaria por não haver previsão legal para o rateio mensal das despesas com construção feito pelo fisco; -Gastos não poderiam ser considerados acréscimo patrimonial; -Revelando-se atônito com o que chama de "devassa bancária deslavadamente confessada pelo fisco", argumenta que também aí haveria cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois o fisco não informou como obteve acesso a informações sobre cheques emitidos pelo contribuinte, de conta-corrente mantida no Banco do Brasil, nominais a uma empresa, Meiri Importadora e Exportadora de Manufaturados Ltda.; -Em relação a esses cheques contra o Banco do Brasil, emitidos pelo interessado e nominais à empresa Meiri Importadora e Exportadora de Manufaturados Ltda.., o fisco afirmaria que os valores teriam sido remetidos ao exterior, sem apresentar prova de tais fatos, caracterizando cerceamento do direito de defesa, pois o autuado não teria como se defender daquilo que não lhe foi dado a conhecer — ademais se a empresa remeteu recursos ao exterior, caberia a ela a responsabilidade pela remessa; -Cheques emitidos seriam decréscimo patrimonial, não acréscimo patrimonial; -Os cheques seriam prova ilícita, uma vez que era vedada a utilização de dados originados do recolhimento da CPMF e o uso de provas ilícitas fere o inciso LVI, do art. 50, da Constituição Federal; -A aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105/2001 seria ilegal; -Ainda que fosse legal a aplicação retroativa da Lei Complementar n° .105/2001, não haveria motivação para a quebra do sigilo bancário do contribuinte, exigida pela legislação; -Cheques emitidos não sustentariam a presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto expressa pela Lei tf' 9.430/96 (que não foi base para a presente autuação, salienta o interessado); -Os recursos mantidos em conta-corrente teriam origem conhecida e comprovada nas declarações de rendimentos apresentadas em anos anteriores — ressalta a declaração do ano de 1996, em que estaria comprovado o recebimento de R$ 245.100,00 referente à venda de uma propriedade e a quantia de R$ 769382,17 recebidos a título de remuneração do capital próprio e de distribuição de lucros da empresa Tecnol (li. 128), sendo que R$ 136,000,00 foram pagos ao interessado em 23/12/1996 por meio do cheque n° 337125, sacado contra o Banco do Brasil — além desses rendimentos, o fisco teria ignorado os saldos remanescentes de anos anteriores, limitando-se a considerar os recursos percebidos no ano de 1997; -O interessado relata ter deixado de mencionar em sua declaração de 1997 a conta-corrente mantida no Banco do Brasil S/A, mas afirma estar tomando as medidas necessárias para obter as informações relativas a tal conta-corrente — ressalta que o próprio fisco atesta a existência da conta-corrente em questão, pois a autuação baseia-se em cheques emitidos pelo contribuinte contra o Banco do Brasil e o fisco cita inclusive o número da conta-corrente e da agência; -Sendo assim, como a autuação baseia-se em cheques emitidos contra o Banco (...\\N„.„do Brasil e a autuação menciona até o número da conta-corrente e a agência na -1 Processo ri° 10830.002316/2002-97 S2-C212 Acórdão o!' 2202-00,616 Fl. 3 é mantida (respectivamente, 11,800-1 e 2913) e os dados dessa conta-corrente teriam sido utilizados "com o intuito de prejudicar o impugnante", o próprio interessado pondera que os saldos finais de cada mês sejam utilizados para comprovar que o interessado possuía os recursos necessários para Os gastos efetuados por meio dos cheques mencionados na autuação (documentos de fls. 140 a 145). Conclui que os extratos parciais comprovariam que o interessado movimentou somas elevadas, mas não que tais somas constituiriam seus rendimentos. Informa que solicitou os extratos completos das contas em questão, mas que os mesmos não foram entregues pelos bancos em tempo de serem anexados à impugnação. Finalmente, infere que o fisco teria se equivocado ao questionar a origem dos recursos gastos pelo impugnante (que saíram de sua conta bancária), deveria, na opinião do interessado, fiscalizar aqueles que receberam os recursos, para verificar se configuraram rendimentos e foram tributados; -Argumenta que o acréscimo patrimonial das pessoas físicas somente pode ser apurado anualmente, visto que a declaração de rendimentos leva em conta a situação patrimonial em 31/12 de cada ano (argumenta que se "fosse o desejo do fisco analisar a evolução mensal do patrimônio das pessoas físicas, deveria a declai ação do imposto de renda estar de acordo com essa forma de apuração", 11. 131); -Argumenta, também, no mesmo sentido, que de outra forma não seriam considerados possíveis empréstimos contraídos pelo contribuinte e pagos durante o ano-calendário; -Afirma que a movimentação financeira não é base de cálculo do imposto de renda; -Conclui afirmando que a metodologia de apuração mensal adotada pelo fisco apura variação patrimonial a descoberto para todos os meses com exceção de dezembro, de tão incoerente; -Questiona o fisco ao considerar que o impugnante iniciou o ano de 1997 sem nenhuma disponibilidade financeira, sendo que seu patrimônio declarado em 31/12/1996 era de R$ 11.707.976,66, sendo improvável que alguém com tamanho patrimônio não tivesse recursos financeiros, nem mesmo crédito bancário; -Em relação ao demonstrativo mensal de evolução patrimonial elaborado pelo fisco questiona o rateio mensal dos gastos com construção, sem o qual, afirma, não haveria variação patrimonial a descoberto e a remessa de recursos ao exterior que o fisco afirmou ter havido, pois afirma desconhecê-la e que o fisco não comprovou a inexistência de recursos do impugnante para a emissão dos respectivos cheques (fl. 134) — assim, excluindo-se os valores que teriam sido, a seu ver, incorretamente incluídos pelo fisco, não haveria evolução patrimonial a descoberto em nenhum mês; -A cobrança de encargos tendo por base a taxa Selic seria ilegal; -Finalizando, pede pelo reconhecimento da imprestabilidade do lançamento de ofício, sendo decretada a improcedência da exigência fiscal. Do JULGAMENTO DE 1" INSTÂNCIA Conforme despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP), anexado à fl, 151 — volume I, com a finalidade de instruir melhor o presente processo, os autos foram encaminhados "ao SECAT/DRF/CAMPINAS/SP, para que informe a origem das informações sobre os cheques relacionados no Termo de Verificação Fiscal, 'i yfl r-'0 5 13, bem como a origem dos próprios cheques, anexando, se possível, cópias dos respectivos documentos " Foi determinado, ainda, que o contribuinte fosse cientificado das informações solicitadas, oportunizando-lhe prazo para aditar a impugnação anteriormente apresentada. Esclarece o autuante, à fl. 213 — volume II, que: Em atendimento ao despacho de fls. 151 do presente processo informo que a origem dos cheques relacionados no Termo de Verificação Fiscal, às fls.. 13: Em 06/09/2000 foi recebido pela DIVF1S/DRF/CPS representação do Grupo Especial de Fiscalização - Portaria COFIS N° 06/2000 - contendo o nome dos Titulares das contas bancárias que receberam crédito do contribuinte acima identificado, bem como a data das operações e os valores. As cópias dos documentos comprobatórios foram obtidas junto aos respectivos Inquéritos Policiais - IPL, cuja quebra de sigilo bancário foi estendida para Secretaria da Receita Federal conforme decisão .judicial. Anexei ao presente processo às fls. 153 a 200 os seguintes documentos: a) Representação Fiscal no.: 1139/2000 b) Decisão judicial de quebra de sigilo bancário do remetente dos valores para o exterior ("titular da conta bancária") e autorização para rastreamento das operações.. c) Decisão judicial da extensão da quebra de sigilo bancário para a Secretaria da Receita Federal d) Decisão judicial que excluiu o segredo de justiço do inquérito policial para Secretaria da Receita Federal, e) Documentos cornprobatórios das operações bancárias mencionadas no Anexo 1 da Representação Fiscal no, 1139/2000. Cientificado dos novos documentos acostados aos autos, o contribuinte aditou sua impugnação, alegando, em síntese que (fls. 210 a 212 volume II): • não há qualquer relação entre o contribuinte e as pessoas investigadas pela Polícia Federal; o trata-se de investigação é genérica, baseada apenas em indícios, não havendo prova concreta de que o contribuinte tenha efetuado remessas ao exterior; • o contribuinte nunca possuiu nenhuma relação com a empresa Meiri Importadora e Exportadora de Manufaturados Ltda, nem com os Srs. Pedro Ramires ou Ismael Benitez, não havendo como confirmar que recursos seus tenham ido parar na conta dessas pessoas, pois o fisco não juntou aos autos a cópia dos cheques que teriam sido por ele emitidos; o os comprovantes de depósitos juntados às fls. 196/197 não foram preenchidos pelo contribuinte, argumentando que os possíveis depósitos podem tratar-se de cheques emitidos para um determinado ti e 6 Processo n" 10830.002316/2002-97 S2-C212 Acórdão n." 2202-00.616 Fl. 4 endossados por terceiros em favor das pessoas investigadas, com a finalidade de "escapar" da tributação pela CPMF; • não há comprovantes de remessas para o exterior em nome do contribuinte, e mesmo que houvessem, não sustentariam a presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto; • os recursos mantidos em conta pelo contribuinte têm origem conhecida, declarada e comprovada, entendo que a fiscalização deveria recair sobre aqueles que receberam os recursos. Apreciando a impugnação apresentada e demais documentos acostados posteriormente aos autos, a 6" Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo 11 (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão n 17-18.764 (fls. 215 a 234 - volume II), de 20/06/2007, assim ementado: ASSUNTO; IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÉVICA - IRPF Ano-calendário. 1997 PRELIMINAR DECADÊNCIA RELATIVA AO LANÇAMENTO DO IRPF/1998 (ANO-CALENDÁRIO 1997). Não configurado, no presente caso, dolo, o prazo para que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário decorrente de tributo sujeito ao lançamento por homologação extingue-se após .5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador Preliminar rejeitada. PRELIMINAR NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Face aos elementos constantes dos autos, fica sem fiendamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o interessado, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, teve oportunidade de carrear aos autos documentos, infOrmações, esclarecimentos, no sentido de elidir a tributação contestada. A tipificação legal consta do auto de infração e refere-se à matéria tributada A omissão do interessado quanto a essa providência, com a justificativa de não saber a motivação do fisco na fase de autuação, não pode beneficiá-lo com a caracterização do cerceamento de defesa Preliminar rejeitada PRELIMINAR NULIDADE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IMPROPRIEDADE DO RATEIO MENSAL DOS GASTOS COM CONSTRUÇÃO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO LEVANTAMENTO ANUAL As planilhas de evolução patrimonial têm como objetivo detectai', no período examinado, a ocorrência de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais não justificados Trata-se de presunção legal em que o valor dos rendimentos omitidos é calculado de fbrma aproximada, a depender das informações disponíveis acerca dos recursos e dos k 7 dispêndios do conu ibuinte fiscalizado e do período considerado no levantamento. Caracteriza-se, ainda, este lançamento pelo desconhecimento cio Fisco da origem dos rendimentos omitidos, se I ecebidos de pessoa física ou jurídica, se sujeitos ao ajuste ou de tribulação exclusiva na fOnte. Assim, em face destas peculiaridades, a ocorrência do faio gerador não está vinculada à obrigatoriedade de levantamentos mensais Considera-se ocorrido o fato gerador quando detectado o acréscimo patrimonial, seja por levantamentos mensais ou anuais PRELIMINAR LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPiVIF) IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 105/2 001 Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituido novos critérios de apuração ou processos deliscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas Preliminar rejeitada PRELIMINAR DESCUMPRIMENTO DO DECRETO N° 3 724/2001 Uma vez que a fiscalização não usou dos mecanismos previstos no dee, elo em comento, não há que se falar em descumpt cio mesmo Preliminar rejeitada DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou fui idica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, ou na conta de interposta pessoa Assim sendo, é de se manter o lançamento em análise, uma vez constar dos autos elementos que demonstram ser o contribuinte o real beneficiário dos depósitos bancários que foi am objeto da presente autuação. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida Do RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 20/07/2007 (vide AR de fi 237 - volume II), o contribuinte apresentou, em 20/08/2007, tempestivamente, o recurso de fls. 238 a 278 - volume II, acompanhada dos documentos de fls. 279 a 284 — volume II, argüindo, preliminarmente a nulidade do acórdão de primeira instância, pela ausência de análise da integralidade de suas razões de 'mpugnação. No mais, repete os mesmos argumentos já apresentados na fase impugnatória. 8 Processo o" 10830 002316/2002-97 ,52-C2T2 Acórdão o," 2202-00.616 Fl 5 Do JULGAMENTO DE 2 a INSTÂNCIA Em sessão plenária de 05/11/2008, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, proferiu o Acórdão n° 104-23.584 (fls. 287 a 296 - volume II), anulando a decisão de primeira instância, por unanimidade de votos, sendo oportuno transcrever a parte em que o voto condutor analisa as preliminares argüidas pelo recorrente: O voto condutor do acórdão de primeira instância — fls. 219/234 — está estruturado da seguinte forma: 1, Das Preliminares: a) da preliminar de decadência do lançamento; b) da preliminar de nulidade por impropriedade no rateio dos gastos com construção. A partir desse tópico, passa a analisar, detalhadamente, o mecanismo de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto; c) da preliminar de nulidade por ilegalidade da prova utilizada, em que examina a questão da aplicação retroativa da Lei Complementar n" 105/2001 e do Decreto n° 3724/2001;d) da preliminar de nulidade por aplicação retroativa da Lei tr 10.174/2001, 2. Do Mérito: a) a presunção legai do artigo 42 da Lei n° 9430/96; b) da aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora. Do conteúdo dessas razões, destaco as seguintes constatações: 1a iniciar a tratativa da preliminar de nulidade por impropriedades no rateio dos gastos com construção, a autoridade julgadora ponderou, expressamente, que para o deslinde dessa questão, "é necessário esclarecer o mecanismo da apuração do acréscimo patrimonial a descoberta.," (11s., .221), Porém, apesar de ter nos itens 15 a .33, detalhada e teoricamente esclarecido tal mecanismo, não mais voltou ao centro do questionamento do contribuinte, qual seja, o equívoco em se ratear ao longo dos doze meses os seus gastos com construções.. 2"• Ao tratar nos seus itens 54 e seguintes da presunção legal do artigo 4.2, da Lei n° 9460/96, a autoridade julgadora se equivoca, de (orna flagrante, ao fazer constar que "a presunção legal do art, 42 da Lei a' 9.430/96 embasou o auto de infração aqui contestado". Da mesma forma ao afirmar que o contribuinte teria suscitado tal dispositivo legal, "que embasou o auto de infração ora combatido," Se, por um lado é certo que o contribuinte trouxe à baila tal dispositivo legal, por outro é certo que consta expressamente da sua impugnação (Os, 127 dos autos) que "essa não é a hipótese dos autos, tanto que não foi indicado o artigo 42 da Lei n'9430/96 como ,fundamento da autuação.," E, a partir da premissa equivocada, então, a autoridade julgadora passa a examinar essa questão, concluindo que o contribuinte não produziu provas capaz de ilidir a presunção legal. Porém, não é essa a temática que está em jogo, no caso concreto. Tal argumentação veio, apenas, como um reforço de raciocínio na linha de defesa do contribuinte, qual seja: a impossibilidade de utilização de seus dados bancários, sejam as entradas, sejam as saídas, para compor o seu fluxo de caixa para fins de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, .3": Efetivamente, não há qualquer manifestação quanto às alegações de mérito em si, trazidas pelo contribuinte, especialmente, no que diz respeito aos critérios de composição do seu fluxo de caixa. Destaco, entre outros: a) a questão do rateio pelos doze meses dos seus gastos com construções; b) a inclusão como gastos dos ditos depósitos no exterior que teriam sido feitos pelo contribuinte; c) o fato de que os recursos mantidos pelo contribuinte em sua conta corrente bancária teriam origem comprovada nas suas declarações de imposto de renda anteriores, especial= ' e,,,, quanto à apuração de ganho de capital e recebimento de juros sobre o capital próprio, no ano de 1996, tendo sido ignorados, assim, os saldos existentes em 31.12.1996; d) a necessidade de inclusão da sua conta no Banco do Brasil, tanto nas entradas, quanto nas saídas; e) os possíveis equívocos e inconsistências existentes no quadro demonstrativo de fluxo mensal do acréscimo patrimonial (item 4, da impugnação, fls. 133/135). Também verifico que nenhuma das considerações do contribuinte, produzidas após a diligência realizada e que esclareceu a origem da fiscalização, mereceu qualquer manifestação pela autoridade julgadora de primeira instância. Portanto, entendo que o acórdão de primeira instância é nulo, pois, deixou de examinar argumentos de impugnação trazidos pelo contribuinte, enquadrando-se no contexto do artigo 31 (que determina que a decisão deverá se referir expressamente às razões de defesa suscitadas p;) impugnante„,), c/c o artigo 59, inciso II, ambos do Decreto n u 70.235/72, em evidente prejuízo ao contraditório, ao duplo grau de jurisdição, à ampla defesa e à busca da verdade material. Em 06/0512009, a 6" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP) proferiu novo Acórdão, sob o n' 17-31392 (fls.. 306 a 332 — volume II), mantendo o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário 1997 PRELIMINAR DECADÊNCIA RELATIVA AO LANÇAMENTO DO IRPF/1998 (ANO-CALENDÁRIO 1997) Não configur ado, no presente caso, dolo, o prazo par a que a Fazenda Nacional exerça o direito da constituição do crédito tributário decorrente de tributo sujeito ao lançamento por homologação extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do falo gerador Preliminar rejeitada PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Face aos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o interessado, tanto na fase de autuação, quanto na fase impugnatória, teve oportunidade de carrear aos autos documentos, informações, esclarecimentos, no sentido de ilidir a tributação contestada. A tipilicação legal consta do auto de infração e refere-se à matéria tributada Preliminar rejeitada. PRELIMINAR INOBSERVÁNCIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E, EM DECORRÊNCIA, CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fimdamento as alegações de inobserváncia do devido processo legal e de decorrente cerceamento do direito de defesa, na medida em que o processo em análise, até o presente momento, ccuacterizou-se pelo cumprimento de todas as fases e prazos processuais. dispostos no Processo Administrativo Fiscal e o interessado, ciente dos cheques que Iam, earam a presente ação ,fiscal, teve, tanto na fase de autuação, regida pelo princípio inquisitório, quanto na interposição da impugnação, que inaugurou a fase do contraditório, amplo direito ao exercício do contraditório e da \ rsk`‘ 1 o Processo n" 10830.002316/2002-97 S2-C2T2 Acórdão o' 2202-0CL616 Fl 6 ampla defesa, tendo oportunidade de carrear aos autos dementas/comprovantes no sentido de tentar ilidir, parcial ou totalmente, a tribulação em análise Preliminar rejeitada PRELIMINAR NULIDADE OMISSÃO DE RENDIMENTOS IMPROPRIEDADE DO RATEIO MENSAL DOS GASTOS COM CONSTRUÇÃO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO LEVANTAMENTO MENSAL As planilhas de evolução patrimonial têm COMO objetivo detectar, no período examinado, a ocorrência de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimos patrimoniais não justificados Trata-se de presunção legal em que o valor dos rendimentos omitidos é calculado de forma aproximada, a dependei' das informações disponíveis acerca dos recursos e dos dispêndios do contribuinte .fiscalizado e do período considerado no levantamento. Caracteriza-se, ainda, este lançamento, pelo desconhecimento do Fisco da origem dos rendimentos omitidos, se recebidos de pessoa física ou jurídica, se sujeitos ao ajuste anual ou de tributação exclusiva na Jante os levantamentos mensais da variação patrimonial estão previstos no art .2" da Lei 7.713/88. Assim, considera-se ocorrido o .fato gerador quando detectado o acréscimo patrimonial, apurado mensalmente Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREA DO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTA çÃo BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N" 10.5/2 001 Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fido gerador da obrigação, lenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas Porém, no presente processo, os dados sobre a movimentação financeira do interessado originaram-se de processo judicial, não havendo aplicação da Lei Complementar n° 105/2001. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR DESCUMPRIMENTO DO DECRETO N" 3 724/2001 Uma vez que a fiscalização não usou dos mecanismos previstos no decreto em comento, não há que se falar em descumprintento do mesmo Preliminar rejeitada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse acréscimo não fOr justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva ro.,.)2s/.JUROS DE MORA TAXA REFERENCIAL SELIC 1 i Havendo previsão legal da aplicação da taxa SEUL'', não cabe à Autoridade Julgador a exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida Cientificado no novo Acórdão de primeira instância, em 15/06/2009 (vide AR de fl. 335— volume II), o contribuinte interpôs, em 14/07/2009 (vide despacho de fl. 389 — volume II), tempestivamente, novo recurso de fls. 336 a 374 - volume II, no qual, reitera expressamente todas as razões já apresentadas e aduz os argumentos a seguir resumidos, 1. O recorrente questiona qual o dispositivo legal que autoriza a apuração da evolução patrimonial com valores arbitrados subjetivamente pelo Fisco. Defende que o arbitramento é medida extrema que somente pode ser utilizada em situações excepcionais, não podendo a fiscalização optar por arbitrar a divisão cru parcelas mensais dos gastos declarados pelo próprio contribuinte. 2. Em relação aos saldos credores existentes nos meses de janeiro a junho do ano-calendário 1997, invoca o princípio da legalidade imposto à administração tributária (art.. 2, inciso I, da Lei na 9384, de 1999) que não pode deixar de reconhecer a realidade fática documentalmente comprovada nos autos. No recurso voluntário apresentado em 20/08/2007, o Recorrente anexou cópia dos demonstrativos de saldos bancários existentes nos meses de julho a agosto de 1997 ignorados na decisão ora recorrida. 3. Afirma que o relatar a quo se equivoca, pois nos documentos por ele mencionados não há nenhuma cópia de cheque que indique o nome do recorrente. 4.. Considera leviana a conclusão de "que os valores foram remetidos ao exterior por meio de pessoas interpostas, mas seus verdadeiras titulares seriam outros, tais como o interessado" (fl. 321 — volume II), uma vez que não existe nenhuma prova que vincule o recorrente com a empresa Meiri Importadora e Exportadora de Manufaturados Ltda, nem com os Srs. Pedro Ramires ou Ismael Benitez, mencionados nos documentos trazidos pela Administração aos autos. 5. Noticia que, 01/06/2009, a Sexta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, julgou procedente o Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte no processo administrativo na 10830.009331/2003-47, relativo também ao ano-calendário de 1997, afastando a acusação de acréscimo patrimonial a descoberto, apurado com base em supostas remessas de valores para o exterior. No mesmo sentido, transcreve outros precedentes administrativos sobre o assunto,. 6. Embora conste na ementa do acórdão ora combatido que a fiscalização não usou dos mecanismos previstos no Decreto na 3324, de 2001, contesta a aplicação retroativa da referida Lei Complementar n a 105, de 2001, pois entende que o procedimento fiscal que deu origem à autuação teve início com o uso indevido das informações relativas à CPMF. 7. Afirma que a alegação do relatar a quo de que "provar a inexistência é um absurdo, até mesmo pois seria a, assim chamada, prova diabólica" (fl. 329 — volume II) aplica-se a fiscalização quando solicitou a comprovação de supostas operações com a empresa Meiri Importadora e Exportadora de Manufaturados Ltda e com Srs. Pedro Ramires ou Ismael Benitez, pois o contribuinte esclareceu em resposta à diligência que desconhecia completamente estas pessoas.. 8. Sustenta que, ao contrário do alegado pelo julgador de primeira instância de que os documentos apresentados indicam que "valores para os quais não há origem são ainda Processo n" 10830 002316/2002-97 S2-C2T2 Acórdão n."2202-00..62 6 F1 7 superiores ao apurado pelo fisco" (fl. 322 — volume II), existe disponibilidade para as operações do recorrente. 9. Em relação à incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício, entende que o termo "débito" empregado no artigo 61 da Lei IP 9.4.30, de 1996, deve ser interpretado restritivamente, por força do disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional, referindo-se à receita pública esperada pelo sujeito ativo, o que não é o caso da multa de ofício, que tem caráter penal, cujo ingresso não é esperado, Reporta-se as julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes nos quais a incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício foi afastada. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote ri. 06, sorteado e distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 02/12/2009, veio numerado até à fl. .389 - * volume II (última). 13 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Em síntese, na peça recursal argúem-se, como preliminares: (i) decadência em relação ao mês de janeiro de 1997; (ii) o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, caracterizado pela intimação do fisco para que o interessado comprovasse a origem dos gastos com a construção de imóveis sem explicitar a razão; (iii) falta de previsão legal para o rateio mensal das despesas com construção feito pelo fisco; (iv) cerceamento do direito de defesa, pois o fisco não informou como obteve acesso a informações sobre os cheques por ele emitidos de conta-corrente mantida no Banco do Brasil; (iv) os cheques seriam prova ilícita, uma vez que era vedada a utilização de dados originados do recolhimento da CPMF (v) ilegalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar Dg 105, de 2001, e, ainda que fosse admitida sua aplicação, não haveria motivação para a quebra do sigilo bancário do contribuinte; e (vi) ausência de tipificação legal, uma vez que dispositivos legais citados não tratam da tributação de variação patrimonial a descoberto,. No mérito discorda do procedimento utilizado pela fiscalização para apuração do acréscimo patrimonial a descoberto que, no seu entender, deveria ser anual e não mensal, questionando, em resumo: (i) as remessas para o exterior, consideradas pela fiscalização como um gasto do contribuinte; (ii) o rateio mensal dos gastos com construção; (iii) a não consideração de possíveis empréstimos contraídos e pagos durante o ano-calendário, além de recursos provenientes de anos anteriores e saldos de janeiro a junho da conta mantida junto ao Banco do Brasil, Por fim, discorda da incidência da Taxa Selic sobre a multa de ofício. A alegação de falta de previsão legal para o rateio mensal das despesas com construção feito pelo fisco, por estar diretamente relacionada à apuração da matéria tributável, será apreciada junto com as demais questões de mérito, 1 Decadência O contribuinte argúi a decadência em relação ao mês de janeiro de 1997, entendendo que já havia transcorrido cinco anos da data do fato gerador (art.. 150, § 4 0, do CTN). De se dizer de início, que o Imposto de Renda Pessoa Física — TRU é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4». deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador). Cumpre lembrar. que o parágrafo 4'. do art. 150 exclui expressamente do seu escopo os casos em que seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicando-se, por conseguinte, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso 1. 14 Processo n" 10830.002316/2002-97 82-C2 T2 Acórdão n." 2202-00,616 Fl. 8 Uma vez que a autoridade lançadora não qualificou a multa de ofício e, portanto, não caracterizou a ocorrência de dolo fraude ou simulação, aplica-se a regra geral para o prazo decadencial prevista para os tributos sujeitos a lançamento por homologação (cinco anos da data da ocorrência do fato gerador). Resta apenas determinar o fato gerador do imposto. À época da edição da Lei ri' 7..71.3, de 22 de dezembro de 1988, os rendimentos e ganhos de capital eram apurados e tributados mensalmente, conforme disposto no art. 20: Art .2 - O Imposto sobre a Renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos Com o advento da Lei ng 8.134, de 27 de dezembro de 1990, voltou-se a apurar o imposto de renda anualmente, tendo como base de cálculo todos os rendimentos recebidos ao longo do ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte, como se depreende dos seus arts. 2°, 90 1.0 e 11, a seguir transcritos (grifos nossos). Art 2 O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital fbrern percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no ar! 11. [.1 Ar! 9 As pessoas físicas deverão apresentar- anualmente declaração de rendimentos, na qual se de.terminará o .saldo do imposto a pagar ou a restituir Parágrafb único A declaração, em modelo aprovado pelo Departamento da Receita Fede.ral, deverá ser apresentada até o dia .25 (vinte e cinco) do mês de abril do ano subsequente ao da percepção dos rendimentos ou ganhos de capital Ar! 10. A base de cálculo do imposto, na declaração uniu:!, será a diferença entre as somas dos . seguintes valores I - de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o ano-base, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte, e II - das deduções de que trata o art 8". Art. 11 O saldo do imposto apagar ou a restituir mi declaração anual ('ai'!. 9°) será determinado com observância das seguintes normas - 1 - será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art 10), 11 - .será deduzido o valor original, excluída a correção monetária do imposto pago ou retido na lbitte durante o ano- base, corres ridente a rendimentos incluídos na base de cálculo (art 10); I 5 [ 1 Atente-se que no art. 2-' acima transcrito foi suprimida a palavra "mensalmente" que constava anteriormente na redação do art. 2" da Lei ri 7.713, de 1988, acrescentando-se a ressalva, "sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11", retornando, assim, a tributação a bases anuais.. O imposto de renda retido na fonte (exceto os casos de tributação exclusiva) e o carnê-leão, previstos nos arts 7' e 8' da Lei n." 7,713, foram mantidos na Lei n 8:134, de 1990 (arts.. 3 0 e 40), como antecipações do imposto apurado anualmente, corno se observa pelo teor do art, 5 0 da citada lei (grilos nossos): Ai! 52 Salvo disposição em contrário, o imposto retido na fbnte (art 32) ou pago pelo contribuinte (ar t 4, será considerado redução do apurado nuforma do art, 11, inciso L Conclui-se, assim, que apenas no ano-base 1989 houve a incidência de imposto de renda somente em bases mensais,. A partir do ano-base 1990, os rendimentos recebidos ao longo do ano-calendário, exceto os isentos, os tributáveis exclusivamente na fonte e os de tributação definitiva, voltaram a ser tributados em bases anuais. Importante destacar que, não obstante um determinado rendimento esteja sujeito à retenção na fonte ou ao carnê-leão, isto por si só não o exclui da tributação anual. Apenas os rendimentos para os quais a lei estabeleça a isenção ou determine a tributação definitiva ou exclusiva na fonte é que estão excluídos da base de cálculo anual. Por sua vez, o Imposto de Renda Pessoa Física, seja na época em que era apurado em bases mensais ou hoje quando a apuração se dá em bases anuais, possui fato gerador complexivo, ou seja, só se completa após o transcurso de um determinado período de tempo e abrange um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Atualmente, no caso do Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, os rendimentos auferidos ao longo do ano-calendário (declarados ou omitidos) devem ser somados para, só então, se calcular o tributo a ser exigido. Desta forma, o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, momento em que se verifica o termo final do período, para efeitos de determinação da base de cálculo do imposto, nos termos da lei. Se assim não o fosse, não existiria restituição de imposto de renda retido na fonte a maior ou carnê-leão pago a maior. Ora, como a apuração é anual, apenas com o encerramento do ano-calendário é que se pode saber efetivamente o montante a ser tributado no ajuste anual e apurar se existe saldo de imposto a pagar ou a restituir. Se o imposto de renda retido na fonte ou o carnê-leão não fossem meras antecipações, não poderiam ser deduzidos do imposto apurado no ajuste anual e resultar ., se fosse o caso, em saldo de imposto a restituir. Conclui-se, assim, que afora os casos em que a lei estabeleça a isenção ou determine a tributação definitiva ou exclusiva na fonte, todos rendimentos auferidos pela pessoa física estão sujeitos ao ajuste anual e possuem fato gerador anual. No caso dos autos, trata-se de tributação de omissão de rendimentos decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto que, apesar de serem quantificados mensalmente, sujeita-se ao regime de tributação anual, como adiante se demonstrará em tópico específico, 16 Processo n" 10830.002316/2002-97 82-C212 Acórdão n•" 2292-00,616 Fl 9 Assim, como a presente autuação abrange o ano-calendário 1997, o prazo decadencial para este ano para começou a fluir em 31.12.1997, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2002 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração fbi cientificado em 28/02/2002 (vide AR de fl. 109 - volume I), não havia decaído ainda o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário, 2 Cerceamento do direito de defesa Inicialmente cumpre esclarece que o procedimento de fiscalização constitui uma etapa anterior à instauração do litígio e de caráter inquisitório, na qual, apesar existirem regramentos específicos, é facultado à Administração Tributária uma certa liberdade na coleta informações a fim de verificar o cumprimento da legislação tributária, podendo contar com uma participação maior ou menor do contribuinte. Compulsando-se os autos, verifica-se que a ação fiscal visou averiguar a regularidade da evolução patrimonial do contribuinte, fazendo diversas intimações em relação aos rendimentos declarados, às aquisições e/ou alienações, aos gastos e demais operações que importassem na alteração do patrimônio do contribuinte, ao longo do ano-calendário fiscalização. Essas intimações estão previstas de forma explica no art. 51, §P, da Lei rf- 4.069, de 11 de junho de 1962 (reproduzido no art. 855 do RIR/94, aprovado pelo Decreto n' L041, de 11 de janeiro de 1994), segundo o qual: Ari 51[ .1 A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessárias acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do património. [ 1 Nesse contexto, encontra-se a intimação do fisco para que o interessado comprovasse a origem dos gastos com a construção de imóveis, não havendo porque alegar cerceamento do direito de defesa. Quanto à origem das informações sobre os cheques emitidos pelo contribuinte de conta mantida no Banco do Brasil, verifica-se que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II (SP) devolveu os autos para que a autoridade fiscal informasse a origem das informação sobre os referidos cheques e juntasse cópia dos respectivos documentos. Em cumprimento, foram juntados os documentos de fls. 153 a 200 — volume I, os quais foram cientificados ao contribuinte que, exercendo seu direito de defesa, aditou sua impugnação, com os argumentos expostos às fls. 210 a 212 — volume II. Dessa forma, entendo que foi saneada a falta inicialmente apontada na instrução do presente processo, não se podendo alegar cerceamento do direito de defesa por esse motivo. O questionamento quando ao critério adotado pela fiscalização para apropriar no demonstrativo da evolução patrimonial os gastos declarados pelo contribuinte na construção dos imóveis, assim corno a valoração da prova acostada às fls. 153 e 200 — volume I, serão (.\\)tratados quando da análise do demonstrativo da evolução patrimonial do contribuinte. 17 3 Prova ilícita O recorrente argúi a licitude das provas (cheques), alegando, sem síntese, que era vedada a utilização de dados originados do recolhimento da CPMF, bem como a irretroatividade da Lei Complementar n 105, de 2001. Aduz que, ainda que fosse admitida a aplicação retroativa da referida lei, não haveria motivação para a quebra do sigilo bancário do contribuinte nos termos da legislação pertinente (Lei Complementar n2 105, de 10 de janeiro de 2001, Lei n' 10474, de 9 de .janeiro de 2001 e Decreto n° 3.724, de 10 de .janeiro de 2001). Em análise do argüido, não assiste razão ao contribuinte. Primeiro, porque o fisco somente teve acesso aos documentos relacionados aos cheques emitidos pelo interessado mediante autorização judicial, conforme se depreende dos documentos juntados às fls. 153 a 200 — volume I (Representação Fiscal ri" 1139/2000, decisão judicial de quebra de sigilo bancário do remetente dos valores para o exterior e autorização para rastreamento das operações, decisão judicial da extensão da quebra de sigilo bancário para a Secretaria da Receita Federal, decisão .judicial que excluiu o segredo de justiça do inquérito policial para Secretaria da Receita Federal, documentos comprobatórios das operações bancárias mencionadas no Anexo 1 da Representação Fiscal n1139/2000), Dessa forma, no âmbito do processo administrativo fiscal, não há que se questionar eventual mácula da prova trazida aos autos, eis que esta foi encaminhada pela autoridade judicial, a qual, constitucionalmente, tem o monopólio da condução do processo criminal e entendeu que a prova colhida no processo crime poderia ser utilizada pelo fisco.. Segundo, porque os documentos juntados, em especial as guias de depósitos anexadas às fls. 196 a 200 — volume 1, não se referem à movimentação financeira do contribuinte, mas às contas de titularidade das pessoas investigadas no inquérito policial, cujo sigilo bancário foi quebrado judicialmente. Nesses documentos foram identificados cheques de titularidade do contribuinte depositados nas contas investigadas. Por conseguinte, não há que se falar em quebra do sigilo bancário do contribuinte, perdendo o sentido a discussão acerca da irretroatividade da Lei Complementar nu 105, de 2001, ou da Lei n° 10:174, de 9 de .janeiro de 2001, assim como sobre os requisitos previstos no Decreto nu 1724, de 2001. Tais questionamentos seriam apropriados se tivessem sido juntados documentos bancários diretamente relacionados às contas do contribuinte, o que não ocorreu. Assim, legítimo foi o acesso do fisco às provas carreadas aos autos. 4 Tributação baseada acréscimo patrimonial a descoberto O lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto está fundamentado nos arts.. 2' e 3' da Lei n u 7,713, de 22 de dezembro de 1988, a seguir transcrito (grifas nossos): Ari 2' O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. AH 3' O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer é • ducão, ressalvado o disposto nos ar Is 9" a 14 desta Lei. 18 Processo n" 10830.002316/2002-97 S2-C21-2 Acórdão o." 2202-00416 El 10 _sç 1° Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [ .sç - A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores tia renda, e da fbrma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo Da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, depreende-se que se devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. Trata-se de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), pois, demonstrada pelo fisco a existência de acréscimos patrimoniais a descoberto presume-se a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva., Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção relativa de que provêem de fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraí-las à tributação devida, Como se vê, o ônus da prova atribuída a cada uma das partes envolvidas na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto está bem delimitado no texto legal. À fiscalização compete comprovar as aplicações e/ou dispêndios efetuados pelo contribuinte que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal, e, por outro lado, ao contribuinte cabe demonstrar que tais aplicações tiveram origem em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, para que estes recursos sejam considerados como origem no referido demonstrativo. Os dispositivos acima transcritos encontram-se indicados na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do Auto de Infração à fl. 9 — volume I, além do art. 12 da Lei n9 7.713, de 1988, dos arts. 1 9 e 29 da Lei n9- 8.134, de 1990 e arts, 3 0 e 11, da Lei n9 9,250, de 1995, que versam sobre a tributação em geral dos rendimentos recebidos pelas pessoas físicas. Demonstrada a legitimidade do lançamento, rejeita-se a preliminar de ausência de tipificação 5 Apuração da matéria tributável Resta agora analisar qual o procedimento correto a ser adotado na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto. O contribuinte defende que a apuração deveria ser anual, entretanto, com o advento da Lei n9 7.713, de 1988, a omissão de rendimentos embasada na presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto, passou a. er apurada mensalmente, conforme disposto em seus arts, 29 e 3 2 anteriormente transcritos, 19 Mesmo com a edição da Lei rrQ, 8134, de 27 de dezembro de 1990, que revogou expressamente os arts. 23 e 24 da Lei rig 7313, de 1988, retornando a tributação a bases anuais de todos os rendimentos recebidos ao longo do ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte, conforme disposto em seus arts. 9, 10 e 11, a determinação da matéria tributável com base em acréscimo patrimonial continuou sendo apurada mensalmente, embora sujeita ao ajuste anual. A apuração mensal determina apenas o lapso temporal a ser considerado para fins de quantificação da matéria tributável a ser submetida a tributação, e não o fato gerador em si. No caso cio acréscimo patrimonial a descoberto, esta quantificação é feita pela confronto, mês a mês, das origens e aplicações, caracterizando-se a omissão naqueles meses em que a variação patrimonial for negativa (quando as aplicações forem maiores do que origens). O valor tributável será a soma dos acréscimos patrimoniais a descoberto mensais, o qual deverá ser adicionado aos demais rendimentos e omissões apurados no ano-calendário para fins de determinação do imposto devido no ajuste anual. Por exemplo, suponha que seja apurado acréscimo patrimonial a descoberto em único mês e em valor superior ao limite de isenção mensal e inferior' ao limite de isenção anual. Se a base de cálculo anual declarada pelo contribuinte somada à omissão apurada for inferior ao limite de isenção anual, nenhum imposto será devido pelo contribuinte. Isto porque a obrigação tributária só nasce, em 31 de dezembro de cada ano, quando se tem disponível o total dos rendimentos recebidos no ano e das deduções permitidas na legislação para que se possa apurar a base de cálculo anual e, aplicando-se a respectiva tabela progressiva, verificar se existe ou não imposto devido. Corroborando nosso entendimento, o Decreto n" 1000, de 26 de março de 1999 — RR/99, consolidando a legislação vigente à época, assim dispõe em seu art.. 55: Art 55 São também tributáveis (Lei n2 4 506, de 1964, ar! 26, Lei n2 7 713, de 1988, art. 3 2, ,sç 42, e Lei n2 9 430, de 1996, arts 24, § 22, inciso IV, e 70, § 32, inciso I)• [ XIII - as quantias coirespondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa .fisica, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não .fbr justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [ .1 Parópafir único Na hipótese cio inciso XIII, o valor apurado sei á acrescido ao valor dos rendimentos tributáveis na declaração de rendimentos, submetendo-se à aplicação das aliq notas constantes da tabela progressiva de que trata o ar! 86 1 Resta claro, portanto, que depois da apuração mensal, devem os acréscimos patrimoniais a descoberto em cada mês serem totalizados e adicionados à base de cálculo anual para efeito de cálculo do imposto anual devido. Neste sentido, também já se manifestou a Câmara Superior de Recursosk Fiscais: ""k O art. 86 do RIR/99 refere-se ao imposto apurado na declaração anual. 20 Processo IV 10830.00231612002-97 82-C212 Acórdão 2292-00..616 Fl 11 IRPF — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — CRITÉRIOS DE APURAÇÃO A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos Tributam-se na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal Interpretação sistemática das Leis nos 7.713/88 e 8 134/90. (CSRF/04-00.510, de 20/03/2007) Assim, correto o procedimento adotado pela fiscalização, que somou o total dos acréscimos patrimoniais a descoberto mensais e submeteu-os a tributação no ajuste anual. Passa-se agora a analisar os questionamentos em relação aos itens que compuseram ou que deveriam compor o Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial (fl.. 16 — volume Em relação às remessas de numerários para o exterior computadas pela fiscalização como dispêndios na apuração da evolução patrimonial, o contribuinte sustenta que não existe nenhuma prova que o vincule à empresa Meiri Importadora e Exportadora de Manufaturados Ltda, nem com os Srs. Pedro Ramires ou Ismael Benitez, mencionados nos documentos trazidos pela Administração aos autos, alegando desconhecer tais pessoas. Afirma que os comprovantes de depósitos juntados às fls. 196 e 197 — volume I não foram por ele preenchidos, argumentando que os possíveis depósitos podem tratar-se de cheques emitidos para um determinado fim e endossados por terceiros em favor das pessoas investigadas, com a finalidade de "escapar" da tributação pela CPMF. Aduz, ainda, que os recursos depositados nessa conta teriam origem em rendimentos declarados no ano-calendário 1996, em particular, o recebimento de R$245100,00 referente à venda de uma propriedade e da quantia de R$769.382,17 recebida a título de remuneração do capital próprio e de distribuição de lucros da empresa Tecnol (fl. 128 — volume I). Embora o julgador a quo afirme, à fl. 319 volume II, que "-se encontram nos autos os documentos, em especial as cópias dos cheques que deram ensejo à presente autuação (fls. 196 a 200) e os documentos que esclarecem como tais cheques e outros documentos chegaram à Receita Federal Uls. 153 a 195)" e que "da leitura da documentação acima citada é forçoso concluir-se que os valores foram remetidos ao exterior por meio de pessoas interpostas, mas seus verdadeiros titulares seriam outros, tais COMO o interessado" (f 1. 321 — volume II), não é o que se depreende dos autos. Os documentos de fis. 196 a 200 — volume 1 não são cópias de cheques, mas cópia de comprovantes de depósitos nas contas das pessoas investigadas no processo criminal, nos quais há referência a depósito de cheques de conta do Branco do Brasil que o próprio interessado admite ser de sua titularidade. Esses documentos atestam tão somente a existência de cheques depositados nas contas das pessoas investigadas pela polícia, mas não permite concluir que eles teriam sido emitidos em nome dessas pessoas ou se teriam sido endossados, repassados e posteriormente depositados. Além disso, os demais documentos (fls. 156 a 195 — volume I) correspondem a decisões judiciais que autorizaram a quebra de sigilo bancário de diversas contas de 21 titularidade das pessoas referenciadas na representação de fls. 153 e 154 — volume I, sem que exista qualquer vinculação ao nome do contribuinte. Outrossim, ainda que não restassem dúvidas quanto às operações imputadas ao contribuinte pela fiscalização, o Auto de Infração não poderia prosperar, pois simples transferência financeira não pode ser considerada corno aplicação de recursos na elaboração dos demonstrativos de variação patrimonial quando não se demonstra sua destinação. No caso de acréscimo patrimonial a descoberto, como .já se demonstrou, a comprovação dos dispêndios ou aplicações fica a cargo do fisco. Assim, para se conformar a presunção de omissão de rendimentos, além de comprovar que as operações financeiras foram de fato efetuadas pelo contribuinte, caberia a fiscalização demonstrar que estas estariam vinculadas a aumento patrimonial ou consumo em prol da fiscalizada, o que não ocorreu. Em situação semelhante, utilização de saques em contas correntes sem demonstração da despesa ou acréscimo patrimonial efetivamente ocorrido, já se firmou jurisprudência no âmbito deste Tribunal de que é necessária a comprovação do gasto suportado pelo contribuinte para que tais valores possam compor o demonstrativo da evolução patrimonial. A exemplo cite-se: IRPF — ACRESCIAM PATRIMONIAL A DESCOBERTO — SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA — Na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, mediante confronto mensal de "origens" e "aplicações" imprescindivel a comprovação efetiva de gastos, não subsistindo valores lançados como aplicações baseados exclusivamente em saque bancário pois não constituem, por si só, prova de gasto, sendo necessária a apt olimdação Invest igatória . (Acórdão n 104-17.538, 13/07/2000) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL MENSAL - FLUXO DE RECURSOS E APLICAÇÕES - SAQUES BANCÁRIOS - Os saques bancários, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrem lançamento fiscal Mero indício de que foram consumidos não conduz à alocação dos mesmos a titulo de aplicação, no fluxo de caixa. Cabe à fiscalização aprofundar seu poder investigatório a fim de demonstt ar que os cheques emitidos representam efetivamente gastos suportados pelo contribuinte (Acórdão n 104-17.359, de 28/01/2000). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL MENSAL FLUXO DE RECURSOS E APLICAÇÕES SAQUES BANCÁRIOS Incabível o lançamento fiscal fórinalizado em mera presunção de que saques bancários constituem-se em aplicação de recursos quando não vinculados efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não comprovada sua destinação, aplicação ou consumo (Acórdão n' 106-15 820, de 20/09/2006) Destarte, há que se excluir do cômputo da evolução patrimonial do contribuinte os valores referentes às remessas para o exterior. Passa-se agora a anali ar o rateio dos gastos com construção efetuados pelo contribuinte no ano-calendário 1997. 22 iProcesso n" 10830 002316/2002-97 S2-C2T2 Acórdão n ." 2202-00,616 F 1 12 Intimado a comprovar os gastos . declarados de R$278.500,00 (fl. 105 – volume I) na construção de 10 casas na Rua Jorge Figueiredo Corrêa, n" 1000 – Chácara Primavera, o contribuinte encaminhou os documentos da Prefeitura de Campinas de fls. 58 e 59 que confirmam a execução da referida obra, alegando que não teria sido possível localizar os comprovantes dos gastos (fl. 23 – volume l). Diante da impossibilidade de identificar os valores despendidos mês a mês pelo contribuinte, a fiscalização rateou o valor declarado ao longo do ano. Assim, não existe controvérsia quanto ao total efetivamente gasto no ano- calendário 1997 com as construções, uma vez que a fiscalização acatou o valor declarado pelo contribuinte. Entretanto, o rateio puro e simples do valor global reconhecidamente despendido, não encontra amparo na legislação. No caso, diante da falta de elementos que permitissem averiguar ou presumir os valores efetivamente gastos em cada mês, deve-se aplicar o disposto no art. 6', §6", da Lei 8.021, de 12 de abril de 1990, segundo o qual "Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte", apropriando o custo total no final do ano-calendário. Destarte, o valor global declarado como despesas na construção das casas pelo contribuinte deve ser considerado como dispêndio no mês de dezembro de 1997. Importa destacar que, efetuadas as duas alterações acima descritas – exclusão do item "Remessas para exterior" e apropriação dos gastos com construção em dezembro de 1997 – no Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial (fl. 16 – volume l), não há acréscimo patrimonial a descoberto a ser tributado, pois as variações negativas apuradas nos meses de maio e dezembro de 1997 se justificam pela sobra de recursos dos meses anteriores, conforme abaixo demonstrado, razão pela qual, deixo de apreciar os demais argumentos trazidos pelo recorrente.. — . ---, V: lores Lm :idos Altera ões Valor es recalculados Construção Excluir Excluir Apropriar Variação Recursos Aplicações APD Saques rateio em dezembro, Aplicações Mensal Acumulado' _.....,.. . _. - an/97 r 5.628,20 24.479,87 18.851,67 23.208,33 1.271,54 4 356,66 4.356,66 ifev/97 10.320,50 25.220,59 14.900,09 23.208,33 2.012,26 8.308,24 12.664,90 mar/97 24.437,77 25.293,49 855,72 23 .208,33 2.085,16 22.352,61 35.017,51 abr/97 14.912,37 25.448,44 10.536,07 21208,33 2.240,11 1 2.672,26 47.689,77 . em 14.8W,64 65.647,61 50.839,97 23 208,33 42.439,28 -27.631,64 20.058,13 me 1.5.267,3 36.198,55 20.931,02 23.208,33 12.990,22 2.277,31 22.335,44 ileffil 13391,73 423.208,83 409.417,10 387.200,00 23 208,33 12.800,50 991,23 23.326,67 a o/97 14.099,17 25.675,91 11.576,74 23 208,33 2.467,58 11.631,59 34.958,26 set/97 : 14.513,27 25.626,49 11.113,22 21208,33 2.418,16 12.095,11 47.053,37 out/97 17.389,54 25.873,63 8.484,09 23.208,33 2.665,30 14.724,24 61.777,61 nov/97 17.364,72 26.286,73 8.922,01 23 .208,33 3.078,40 14.286,32 76.063,93 dez/97 365.214,76 189.423,33 0,00 ' 15.000,00 23 208,33 278.500,00 429,715,00 -64.500,24 .. 11.563,69_ ' ,.../ 23 6 Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. ) aL,LCt U-9 17 P. Maria Lúcia oniz de Aragão Cal mino storga 24 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2" CAMARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": 10830.002310/2002-97 V Recurso n": 161.925 v. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no ti 3" do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2202-00.616. Brasília/DE, 2 O A G o 2Q1: EVELINE COÊLHO DE ELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902860/2015-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2012 a 31/05/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, não sendo nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar a compensação por não haver investigado a origem do crédito pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 28 60 /2 01 5- 58 Fl. 71DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Diferentemente da hipótese de lançamento de ofício, em que o Fisco deve comprovar a infração cometida, no caso de pedido de restituição ou ressarcimento cabe à parte interessada, que pleiteia o crédito, provar que possui o direito invocado. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma de decisão de primeira instância para que seja declarada a nulidade do despacho decisório por haver sido proferido com ausência de fundamentação e homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.261, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10865.901009/201427. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.261): "A Recorrente acusa o despacho decisório que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, por ausência de fundamentação, uma vez que este não teria indicado as razões da inexistência de crédito disponível. Ora, verificase que a referida decisão deixou de homologar a compensação pelo fato de o valor do DARF ter sido integralmente alocado à quitação de outro débito. Este fundamento era suficiente para a negativa, sobretudo porque, como a própria Recorrente veio a informar na Manifestação de Inconformidade, a DCTF só fora retificada Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10865.902860/201558 Acórdão n.º 3401006.285 S3C4T1 Fl. 3 3 posteriormente e o DACON também, de sorte que os sistemas da Receita Federal não dispunham de outra informação que não aquela constante do DCTF original. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade do despacho decisório por carência de fundamentação, visto que analisou acertadamente o direito creditório à luz da circunstância fática vigente à época, que incluía a confissão do débito em DCTF no seu valor original.. Ademais, a posterior retificação da DCTF com o fito de reduzir o valor do débito não tem, per si, o condão de comprovar o direito creditório da Recorrente se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que suportem as alterações realizadas. Em se tratando de pedidos de compensação/ressarcimento, o ônus probatório incumbe ao postulante, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) "“CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a Fl. 73DF CARF MF 4 respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.” (Acórdão 3401005.460 – paradigma, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 26.nov.2018) Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente veiculou genericamente a alegação de ter se valido de uma base de cálculo ampliada para o PIS/COFINS, com a inclusão de receitas que não comporiam o faturamento, o que ensejara a retificação da DCTF, sem carrear aos autos qualquer documentação que comprove o alegado, desejando transferir à fiscalização o ônus de perscrutar a origem do crédito pleiteado. No presente Recurso Voluntário, limitase à alegação de nulidade do despacho decisório, mesmo ciente de que o mesmo foi proferido antes da retificação que promovera na DCTF, o que já se refutou, silenciando quanto à origem e quantificação do crédito. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10865.902860/201558 Acórdão n.º 3401006.285 S3C4T1 Fl. 4 5 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13054.001686/2008-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
COFINS. GASTOS COM INSUMOS. ÓLEO DIESEL. DIREITO AO CRÉDITO.
O direito ao crédito de COFINS sobre insumos e outros gastos deve estar vinculado à necessidade do gasto para a produção do bem ou serviço vendido.
No caso concreto, deve ser afastada a glosa do crédito sobre gastos com óleo diesel consumido em caminhão da frota da empresa empregado no transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens, tratadas na decisão recorrida como componentes dos insumos, entre seus estabelecimentos.
Numero da decisão: 9303-008.728
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. GASTOS COM INSUMOS. ÓLEO DIESEL. DIREITO AO CRÉDITO. O direito ao crédito de COFINS sobre insumos e outros gastos deve estar vinculado à necessidade do gasto para a produção do bem ou serviço vendido. No caso concreto, deve ser afastada a glosa do crédito sobre gastos com óleo diesel consumido em caminhão da frota da empresa empregado no transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens, tratadas na decisão recorrida como componentes dos insumos, entre seus estabelecimentos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-12T10:54:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-07-12T10:54:08Z; Last-Modified: 2019-07-12T10:54:08Z; dcterms:modified: 2019-07-12T10:54:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:3e50cf02-2d4a-4411-8134-e628aa9bf3af; Last-Save-Date: 2019-07-12T10:54:08Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-12T10:54:08Z; meta:save-date: 2019-07-12T10:54:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-12T10:54:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-07-12T10:54:08Z; created: 2019-07-12T10:54:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-12T10:54:08Z; pdf:charsPerPage: 1708; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-12T10:54:08Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13054.001686/200838 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.728 – 3ª Turma Sessão de 12 de junho de 2019 Matéria PIS/COFINS Insumos Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MINUANO ESTOFADOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS. GASTOS COM INSUMOS. ÓLEO DIESEL. DIREITO AO CRÉDITO. O direito ao crédito de COFINS sobre insumos e outros gastos deve estar vinculado à necessidade do gasto para a produção do bem ou serviço vendido. No caso concreto, deve ser afastada a glosa do crédito sobre gastos com óleo diesel consumido em caminhão da frota da empresa empregado no transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens, tratadas na decisão recorrida como componentes dos insumos, entre seus estabelecimentos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 00 16 86 /2 00 8- 38 Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13054.001686/200838 Acórdão n.º 9303008.728 CSRFT3 Fl. 0 2 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa que não foi integralmente reconhecido, nos termos do Despacho Decisório carreado aos autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual argumentou que a transferência de créditos de ICMS não caracteriza receita e que o combustível é utilizado nas atividades da empresa, portanto caracteriza crédito. Além disso, apesar de admitir parte das glosas pela aquisição de pessoas físicas, aponta a existência de erro na sua apuração. A DRJ de jurisdição manteve parcialmente as glosas havidas. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, no qual, em resumo: a) rechaçou a aplicação subsidiária do conceito de insumo do IPI, para o cálculo do crédito da contribuição; b) reiterou os argumentos da impugnação, relativos: i. à transferência de créditos de ICMS; e ii. ao combustível utilizado nas atividades da empresa. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3403002.915, que reconheceu (a) a não incidência da contribuição em relação a créditos de ICMS transferidos a terceiros (reproduzindo decisão definitiva do STF no RE nº 606.107/RSRG) e (b) os créditos da contribuição em relação ao óleo diesel utilizado para abastecer caminhão da frota da empresa, empregado no transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em face do reconhecimento, pela decisão recorrida, do créditos relativos ao óleo diesel utilizado em veículos sem ligação direta ao processo produtivo, o que não foi admitido no acórdão paradigma. O então Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do recurso especial de divergência da Fazenda e de seu despacho de admissibilidade, a contribuinte apresentou suas contrarrazões. Naquele arrazoado, traz diversas decisões administrativas e judiciais para retomar seu posicionamento quanto à possibilidade do aproveitamento de créditos em face do consumo de combustível. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13054.001686/200838 Acórdão n.º 9303008.728 CSRFT3 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.725, de 12 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13054.01682/200850, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.725): "O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Antes de entrar no mérito do recurso, esclareço que, para elaboração do presente voto, adoto o entendimento esposado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05, de 17 de dezembro de 2018. Ressalvo não comungar de todas as argumentações nele postas, entretanto, concordo com suas conclusões. Daí, cabe explicitar que o citado parecer defende que os combustíveis podem se enquadrar no conceito de insumo, para fins de creditamento, se manifestando no seguinte sentido: 10. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES 138. Conforme se explanou acima, o conceito de insumos (inciso II do caput do art. 3º Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, se de um lado é amplo em sua definição, de outro restringese aos bens e serviços utilizados no processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, não alcançando as demais áreas de atividade organizadas pela pessoa jurídica. 139. Daí, considerando que combustíveis e lubrificantes são consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos de qualquer espécie, e, em regra, não se agregam ao bem ou serviço em processamento, concluise que somente podem ser considerados insumos do processo produtivo quando consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens ou de prestação de serviços. ... 141. Todavia, com base no conceito de insumos definido na decisão judicial em voga, devese reconhecer que são considerados insumos geradores de créditos das Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13054.001686/200838 Acórdão n.º 9303008.728 CSRFT3 Fl. 0 4 contribuições os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens ou de prestação de serviços, inclusive pela produção de insumos do insumo efetivamente utilizado na produção do bem ou serviço finais disponibilizados pela pessoa jurídica (insumo do insumo). 142. Sem embargo, permanece válida a vedação à apuração de crédito em relação a combustíveis consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados nas demais áreas de atividade da pessoa jurídica (administrativa, contábil, jurídica, etc.), bem como utilizados posteriormente à finalização da produção do bem destinado à venda ou à prestação de serviço. Destaquese que o aproveitamento de créditos sobre óleo diesel utilizados para abastecer caminhão da frota da empresa é empregado no transporte de matérias primas, produtos intermediários e embalagens entre seus estabelecimentos. Há que se salientar, ainda, que, na decisão recorrida, as embalagens foram tratadas como elementos componentes dos insumos utilizados na produção dos bens vendidos e não foi apresentada divergência quanto a esse entendimento. Portanto, o combustível em análise está utilizado em etapas da produção e, assim, pode gerar créditos da contribuição. Dessarte, as razões acima me levam afastar as glosas relativas a esses créditos. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para negarlhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13054.001686/200838 Acórdão n.º 9303008.728 CSRFT3 Fl. 0 5 Fl. 321DF CARF MF
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Numero do processo: 13736.001904/2008-65
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. SÚMULA CARF Nº 68.
O adicional por tempo de serviço tem natureza de rendimento tributável; como tal, sujeitando-se à incidência do IRPF, porquanto as exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n" 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência do referido imposto, as quais, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, requerem previsão legal federal específica para viabilizar o respectivo exercício.
SÚMULA CARF Nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 2003-000.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. SÚMULA CARF Nº 68. O adicional por tempo de serviço tem natureza de rendimento tributável; como tal, sujeitandose à incidência do IRPF, porquanto as exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n" 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência do referido imposto, as quais, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, requerem previsão legal federal específica para viabilizar o respectivo exercício. SÚMULA CARF Nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conformePortaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 19 04 /2 00 8- 65 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 884,35, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2007, anobase de 2006, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 19.316,52 (fls. 08/12). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese (fls. 02/04): 1. o valor tido por omitido na cifra de R$ 10.134,63 se refere a rendimentos não tributáveis, correspondentes ao adicional por tempo de serviço; 2. mencionada quantia foi informada como rendimento tributável pela fonte pagadora de forma indevida; 3.requer, como preliminar, a desconsideração da informação prestada pela fonte pagadora, já que tais rendimentos são não tributáveis; 4. no mérito, afirma que a Lei nº 8.852, de 1994, art. 1º, inciso III, alínea "n", ampara o direito requerido. Julgamento de Primeira Instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação por falta de amparo legal, conforme abaixo (fls. 42/50): 1. o Impugnante quedou silente quanto à omissão de rendimentos originária da fonte pagadora CNPJ nº 42.491.993/000191 no montante de R$ 9.181,89, restando consolidado administrativamente o crédito tributário dela decorrente; 2. o artigo 1° da Lei 8.852/94 apenas define o que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração, nada se referindo a isenção ou não incidência tributária; 3. as exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, argumentando exatamente aquilo que foi questionado na Impugnação (fls. 60/62). É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13736.001904/200865 Acórdão n.º 2003000.101 S2C0T3 Fl. 69 3 Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 03/07/2009 (fls. 58), e a Peça recursal foi recebida em 08/07/2009 (fls. 60), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Não há argüição de qualquer preliminar no Recurso interposto, pois os argumentos dispostos no tópico qualificado como "Preliminares" são, em verdade, de mérito, os quais serão analisados na sequência. Mérito Consoante visto no Relatório, a lide está em saber se há ou não incidência de IRPF sobre o adicional por tempo de serviço pago a ocupante, entre outros, de cargo, emprego ou função pública. Por conseguinte, a presente problemática será enfrentada na cronologia a seguir: (i) primeiramente, vaise caracterizar a "isenção" tributária (CF, de 1988, art. 150, § 6º, e CTN, de 1966, art. 111, inciso III); (ii) na sequência, vem a contextualização da Lei nº 8.852/94; e (iii) finalizando, tratarseá da tributação, em si, do IRPF (Lei nº 7.713, de 1988 e Decreto nº 3.000, de 1999). Como se há verificar, a conformação da exclusão do crédito tributário mediante outorga de isenção é condicionada a que sua concessão ocorra por lei específica, a qual deverá ser interpretada literalmente. Confirmase: 1. CF, de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias [...] [...] § 6º Qualquer subsídio ou isenção,[...] só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição [...] (grifo nosso) 2. CTN, de 1966: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (grifo nosso) [...] II outorga de isenção; Fl. 70DF CARF MF 4 Avançando ao ponto seguinte, é pertinente se compreender de que modo a alínea "n" do inciso III do art. 1º da Lei nº 8.852, de 1994, está inserida no ordenamento jurídico brasileiro. Nestes termos: Lei nº 8.852, de 1994: Ementa: Dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal [...]. (grifo nosso) Art. 1º Para os efeitos desta Lei, a retribuição pecuniária devida na administração pública direta, indireta e fundacional de qualquer dos Poderes da União compreende: (grifo nosso) [...] III como remuneração, a soma dos vencimentos com os adicionais de caráter individual e demais vantagens,[...], sendo excluídas: [...] n) adicional por tempo de serviço Art. 3º O limite máximo de remuneração, para os efeitos do inciso XI do art. 37 da Constituição Federal, corresponde aos valores percebidos, em espécie, a qualquer título, por membros do Congresso Nacional, Ministros de Estado e Ministros do Supremo Tribunal Federal. (grifo nosso) Ainda no mesmo raciocínio, cabe ver o que diz o comando constitucional regulado por aludida Lei (arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da CF, de 1988). Nestes termos: Art. 37. A administração pública direta e indireta [...] obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...] XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes [...], não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite [...]; (grifo nosso) XII os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo; Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de administração e remuneração de pessoal [...] § 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais componentes do sistema remuneratório observará [...]: Posta assim a questão, consoante os preceitos transcritos anteriormente, sintetizase, abaixo, as razões por que reportada Lei foi editada, como também a extensão da matéria por ela regulada em seu art. 1º, inciso III: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13736.001904/200865 Acórdão n.º 2003000.101 S2C0T3 Fl. 70 5 1. regular mandamentos constitucionais que cuidam de política e limites de remuneração para os ocupantes, entre outros, de cargos, funções e empregos públicos da administração direta autárquica e fundacional; 2. exclusivamente para os efeitos que lhes são próprios, define vencimento básico (art. 1º, inciso I), vencimento (art. 1º, inciso II) e remuneração (art. 1º, inciso III); 3. não faz menção à matéria "isenção tributária" nem ao IRPF. Superada a contextualização da Lei nº 8.852, de 1994, evoluímos no tema indo ao modo como se apresentam as normas que tratam da tributação, em si, do IRPF (Lei nº 7.713, de 1988 e Decreto nº 3.000, de 1999). Em tal perspectiva, a Lei nº 7.713, de 1988, assevera, em síntese, que dito imposto incidirá sobre a totalidade do rendimento auferido (art. 3º, § 1º, regulado pelos arts. 37 e 38 do Decreto nº 3.000, de 1999), exceto aqueles cuja isenção está legalmente prevista (quarenta e sete espécies), aí não se incluindo o adicional por tempo de serviço pago a ocupante de cargo, emprego ou função pública. Confirmase: Lei nº 7.713, de 1988: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: Fl. 72DF CARF MF 6 I a ajuda de custo destinada a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XX); [...] XLVII os ganhos líquidos auferidos por pessoa física em operações no mercado à vista de ações nas bolsas de valores e em operações com ouro, ativo financeiro, cujo valor das alienações realizadas em cada mês seja igual ou inferior a quatro mil, cento e quarenta e três reais e cinqüenta centavos para o conjunto de ações e para o ouro, ativo financeiro, respectivamente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, § 8º). Refutando mais contundentemente a pretensão do recorrente, junto com o adicional por tempo de serviço, citado inciso III da Lei nº 8.852, de 1994, igualmente exclui da remuneração, entre outros, o 13º salário (alínea "f") e os adicionais de férias e noturno (alíneas "j" e "m" respectivamente), todos notoriamente rendimentos tributáveis. Ademais, inconcebível se pensar de modo distinto, admitindo, por um lado, a suposta isenção de tais verbas quando auferidas por ocupantes de cargo, emprego ou função pública; porém; por outro, impingindo tributação a tais rendimentos se recebidos pelos demais trabalhadores brasileiros, já que a Constituição proíbe tratamento desigual entre os iguais e igual entre os desiguais, via princípio da isonomia tributária. Confirmase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza [...], nos termos seguintes: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos Como visto, considerando que a tributação do IRPF independe da denominação dos rendimentos, bastando o contribuinte auferir os benefícios por qualquer forma e seja qual for o título a eles atribuído, mencionado adicional por tempo de serviço tem natureza de rendimento tributável. Outrossim, as exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n" 8.852/94, não constituem hipóteses de isenção ou não incidência do referido imposto, as quais, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, requerem previsão legal federal específica para viabilizar o respectivo exercício. Assim entendido, incide IRPF sobre o adicional por tempo de serviço recebido pelo recorrente, pois a Lei n° 8.852/94 não cuida da matéria isenção tributária nem do tributo IRPF. Além do mais, fosse o caso, ainda teria de ser respeitada a limitação imposta pela interpretação literal exigida para dito benefício fiscal. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13736.001904/200865 Acórdão n.º 2003000.101 S2C0T3 Fl. 71 7 Nesse sentido, apropriado registrar ser esse o entendimento deste Conselho e do STJ responsável por uniformizar a interpretação da lei federal, solucionando definitivamente os litígios civis e criminais, exceto quando a contenda envolva matéria constitucional ou da justiça especializada. Confirmase: REsp 1339596, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 15/10/2012: TRIBUTÁRIO. ADICIONAL OU GRATIFICAÇÃO POR TEMPO DE SERVIÇO. IMPOSTO DE RENDA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. O acórdão recorrido encontrase em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de que o adicional ou gratificação por tempo de serviço possui natureza remuneratória e reflete "acréscimo patrimonial" sujeito à incidência do Imposto de Renda (RMS 23.970/ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21.10.2010; REsp 976.226/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 3.10.2007, p. 195; AgRg no REsp 848.413/SP, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ 20.11.2006, p. 289). 2. Recurso Especial não provido. RMS 23970 / ES, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21/10/2010: TRIBUTÁRIO. LEGALIDADE DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE GRATIFICAÇÃO NATALINA, ADICIONAL DE ASSIDUIDADE, ABONO E ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. 1. A controvérsia consiste em saber se incide imposto de renda sobre as seguintes importâncias devidas ao impetrante, ora recorrente, na condição de servidor aposentado no cargo de escrivão [...]: a) décimoterceiro salário; b) gratificação ou adicional de assiduidade [...]; c) abono; d) gratificação ou adicional por tempo de serviço. 2. Em conformidade com o § 1º do art. 43 do CTN, incluído pela Lei Complementar 104/2001, e o § 4º do art. 3º da Lei 7.713/88, a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando [...]. Portanto, o abono, o décimoterceiro salário [...], e o adicional por tempo de serviço estão sujeitos ao imposto de renda, visto que configuram acréscimo patrimonial e não estão beneficiadas por isenção. Especificamente em relação ao décimoterceiro salário, também denominado gratificação natalina, a incidência do imposto de renda sobre o seu pagamento está reafirmada nos arts. 26 da Lei 7.713/88 e 16 da Lei 8.134/90. 3. Recurso ordinário não provido. (grifo nosso) SÚMULA CARF Nº 68: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 74DF CARF MF 8 Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso interposto, restando mantidas a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$ 19.316,52. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 75DF CARF MF
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