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Numero do processo: 16682.904220/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente.
NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA, REBOCAGEM E SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INADMISSIBILIDADE.
Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, haja hipótese permissiva para o creditamento.
FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
Numero da decisão: 3402-002.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama D'Eça e João Carlos Cassuli Junior, que reconheceram os custos com frete de produtos acabados. Fez sustentação oral o Dr. João Manuel Martins Vieira Rolla, OAB/MG nº 78122.
Assinatura Digital
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente.
Assinatura Digital
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA, REBOCAGEM E SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, haja hipótese permissiva para o creditamento. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas.
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CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA, REBOCAGEM E SERVIÇOS PORTUÁRIOS. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, haja hipótese permissiva para o creditamento. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. PRODUTOS ACABADOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, as despesas com transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do próprio contribuinte não geram direito ao crédito das contribuições sociais não cumulativas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama D'Eça e João Carlos Cassuli Junior, que reconheceram os custos com frete de produtos acabados. Fez sustentação oral o Dr. João Manuel Martins Vieira Rolla, OAB/MG nº 78122. Assinatura Digital AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 42 20 /2 01 1- 83 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente. Assinatura Digital MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo Exportação PER/DCOMP nº 37313.86588.291009.1.1.089830, de 29/10/2009, nos termos do artigo 5o, I e § 2o, da Lei 10.637/2002, relativo ao 2° Trimestre/2005, no montante de R$ 4.539.456,87, que foi indeferido pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJO), pela inexistência do direito ao crédito pleiteado. Por retratar os fatos que sucederam no presente processo até a apresentação da Manifestação de Inconformidade, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida, objeto do Acórdão nº 0733.466 4ª Turma DRJ/FNS: (...) Termo de verificação fiscal Com o intuito de verificar os valores informados no Dacon, a contribuinte foi intimada a apresentar arquivos digitais relativos à contabilidade e às notas fiscais do período, outubro de 2004 a dezembro de 2005 (Anexo 3). Por intermédio dos Termos de Intimação n.º II e n.º III (Anexo 5), foram solicitados: arquivos digitais referentes a notas fiscais de entrada; descrição do processo produtivo da empresa; os percentuais de rateio utilizados em cada mês; memórias de cálculo dos créditos; cópia de notas fiscais de aquisição de energia elétrica; e demonstrativo mensal das receitas de exportação. Na verificação do valor do crédito alegado foram glosados da base de cálculo os valores que seguem. Dos montantes informados em Dacon a título de Bens Para Revenda foram os valores referentes às diferenças positivas entre os montantes informados no Dacon e os apurados nos arquivos digitais de notas fiscais e informados nas memórias de cálculo apresentadas pela contribuinte Dos montantes informados a título de Bens Utilizados como Insumo, foram glosados os valores referentes às aquisições de produtos adquiridos para uso e consumo, conforme informação prestada pela fiscalizada através das planilhas fornecidas pelo sujeito passivo (arquivos: 02. Bens Utilizados com Insumos_parte1_2005.xlsx, 02. Bens Utilizados com Insumos_parte2_2005.xlsx, 02. Bens Utilizados com Insumos_parte3_2005.xlsx), de onde consta a segregação dos Fl. 246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 246 3 bens entre os utilizados na industrialização e os para uso e consumo. Relata a autoridade fiscal que em análise ao arquivo contendo a memória de cálculo dos Serviços Utilizados como Insumo, verificou que foram computados vários serviços que não se enquadram no conceito de insumo, os quais foram glosados da base de cálculo do crédito. Cita os serviços de: transporte realizado entre estabelecimentos; projetos e estudos de engenharia e geologia; hospedagem e lavagem de roupas comuns; serviços de chaveiro; serviços de cozinha; manutenção de equipamentos ferroviários; limpeza e manutenção prediais; serviços portuários. Informa que na planilha Serviços Utilizados como Insumos 2º trim 2005 glosados relaciona as notas fiscais e os serviços glosados de ofício (Anexo 9). Das Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, e dos créditos sobre Bens do Ativo Imobilizado, foram glosadas as diferenças positivas entre os valores informados no Dacon e os apurados conforme demonstrado na memória de cálculo correspondente apresentada pela. Foram aceitos os créditos relativos às despesas com Energia Elétrica e Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda informados no Dacon para o trimestre em análise. Considerando os valores apurados de ofício na presente ação fiscal, a autoridade fiscal apurou os totais de crédito de contribuição não cumulativa para o PIS, os quais foram integralmente utilizados na dedução dos valores das contribuições a recolher apuradas no 4º trimestre de 2004. Não remanescendo crédito disponível para ressarcimento, o pedido foi indeferido. Manifestação de inconformidade Preliminarmente, a recorrente suscita a nulidade do feito fiscal, seja por não exaurir a matéria tributável, nos moldes ditados no artigo 142 do CTN, seja por violar a garantia constitucional da ampla defesa. A recorrente, em síntese, argumenta no sentido de que o Fisco baseouse em mera presunção, pois não teria apurado exaustiva e concretamente a natureza das despesas que glosou da base de cálculo do crédito, como manda o artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Nesse sentido diz que o Fiscal, “além de não ter explicitado de forma contundente as razões objetivas que levaram à caracterização das irregularidades, em que pese ter tido acesso a diversos fluxogramas descritivos do processo produtivo”, ainda deixou de realizar as necessárias diligências a fim de verificar/confirmar a procedência e legitimidade das informações por ela prestadas durante o procedimento fiscal acerca dos valores informados no Dacon, em “flagrante ofensa ao princípio da verdade material”. Aduz que, ainda persistindo dúvidas, cabia ao Fisco buscar obter outras informações, junto ao contribuinte ou relevar qualquer Fl. 247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 irregularidade que, eventualmente, poderia existir, ex vi o artigo 112, II, do CTN. Por conta disso, conclui que “o fundamento do despacho decisório se assenta na mera análise de alguns documentos fiscais e planilhas apresentadas pelo contribuinte, distante da análise da adequação das hipóteses de creditamento à realidade do contribuinte”, que “em hipótese alguma, poderia [o Fisco] encerrar seus trabalhos sem ter efetiva convicção de suas altercações” e que ante essa “análise subjetiva e superficial” restou prejudicado em seu direito à ampla defesa. Na sequência, a recorrente, com fundamento na Constituição Federal, tece suas considerações sobre a não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins para concluir, em síntese, que “o direito aos créditos da contribuição está atrelado aos custos, despesas e encargos de tudo o que contribua para a obtenção de receitas...”. No que concerne à glosa de valores da base de cálculo do crédito, a recorrente inicia contestando a glosa de aquisições de bens para uso e consumo. Alega que ao contrário do que ocorre no caso ICMS e do IPI, não se aplica à contribuição para o PIS o critério do contato físico ou da vinculação/incorporação física entre as mercadorias adquiridas (insumo) e aquelas objeto de saída. Defende que o que importa é se o bem ou serviço é diretamente aplicado no processo produtivo, como é o caso dos produtos e serviços adquiridos que, conforme justificado pela descrição dos itens apresentados pela fiscalização, bem como as descrições dos itens e Notas Fiscais de aquisição ora anexadas aos autos e/ou respectivas telas do sistema da empresa trazidas (doc. 03, anexo), são indispensáveis ao processo produtivo, por serem aplicados diretamente no seu processo produtivo e indispensáveis a este, o que poderá ser demonstrado pela prova pericial cuja produção pleiteia. Como exemplo de bens cuja qualificação como insumos resta plenamente evidenciada, destaca partes e peças de páscarregadeiras, perfuratrizes e outros equipamentos destinados à própria atividade de lavra. Aduz que os bens em questão de algum modo estão diretamente relacionados ao processo produtivo, e que se assim se tivesse atentado a Autoridade Administrativa, ao invés de se basear em critérios eminentemente equivocados, teria concluído que a classificação destes como insumos e que estes conferem direito aos créditos da contribuição estaria correto, como se infere da Solução de Divergência COSIT n.° 35, de 07/10/2008. No que concerne aos valores inseridos no montante informado a título de Serviços Utilizados como Insumo, contesta a glosa dos valores referentes aos serviços de operação portuária. Alega que, ainda que não se trate, especificamente, de serviços de transporte ou armazenagem, integram etapa indissociável do transporte da mercadoria, sem a qual restaria inviabilizada a venda do produto final. Traz a transcrição da descrição técnica dos serviços portuários constantes do contrato celebrado entre ela e a prestadora de tais serviços, a COMPANHIA PORTUÁRIA BAÍA DE SEPETIBA. Acrescenta que legislação permite o crédito em relação ao frete na venda e argumenta que se tal frete, dadas as peculiaridades da operação, não se completa sem a fase intermediária, deve a norma ser interpretada de forma a estender o direito ao crédito a todas as despesas que, Fl. 248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 247 5 além de ensejarem a fabricação do produto ou realização do serviço, permitam a entrega do bem ao comprador final, no que se enquadrariam os mencionados serviços portuários. Defende que, de qualquer forma, o direito aos créditos sobre tais serviços existe, dada a natureza do regime não cumulativo da contribuição, que permite a geração de crédito em relação a todos os custos necessários e inerentes à atividade produtiva geradora da receita. Traz excertos de decisões do CARF a fim de corroborar o tal entendimento. Alega que também não foram levadas em consideração despesas de frete na operação de venda. Menciona, as despesas incorridas com serviços de transporte ferroviário de minério entre a mina e o Porto, prestados pela MRS LOGÍSTICA S/A, e com serviços de transporte marítimo do produto, prestados pela LOGIN LOGÍSTICA INTERMODAL S/A. Explica que Tratase de despesa essencial e diretamente relacionada à efetivação do processo produtivo da Suplicante. E diz que tendo em vista o elevado volume de Notas Fiscais envolvidas, traz à colação telas do seu sistema, por amostragem, que representam o lançamento contábil de Notas Fiscais que não foram incluídas no cálculo do crédito reconhecido no despacho decisório (doc. 06, anexo), evidenciando que créditos legítimos deixaram de ser computados, o que, por si só, demonstra a inexatidão do trabalho fiscal e, por outro lado, autorização a realização de prova pericial. Reclama, ainda, que também deixaram de ser considerados os créditos relativos ao transporte realizado entre estabelecimentos. Explica trataremse de serviços de transporte inerentes à venda do produto final, compõe o ciclo de comercialização superveniente à produção do bem demandado, derivado da logística adotada pela Suplicante, equivalente à formação de "corredores" de exportação através dos quais uma determinada mina transfere o produto acabado para outra, que centraliza as vendas seja para o exterior, seja para o mercado interno. Contesta a glosa das despesas com energia elétrica alegando que o Fisco admitiu, apenas, o montante informado na DACON sem apurar a exatidão das informações prestadas pelo sujeito passivo. Ao final, a recorrente requer o deferimento de prova pericial técnica e contábil, apresentando quesitos e indicando assistente técnico. É o relatório. (...) Mediante o Acórdão nº 0733.466, da 4ª Turma da DRJFlorianópolis, de 29/11/2013, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, não tendo sido reconhecido o direito creditório, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 ANOCALENDÁRIO: 2005 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ANOCALENDÁRIO: 2005 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da contribuição para o PIS são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da contribuição para o PIS, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os Fl. 250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 248 7 produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. A empresa autuada foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância, por meio eletrônico, mediante consulta do arquivo correspondente no sistema e processo efetuada em 28/01/2014. Em 26/02/2014, a contribuinte apresentou suas razões de defesa no Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), sintetizadas a seguir: 1) DA NULIDADE DA AUTUAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA (ANTE A NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DA PERÍCIA) Deve ser reconhecida a nulidade do Procedimento Fiscal que embasou o indeferimento do ressarcimento pleiteado, por ausência de cotejo técnico e analítico sobre a natureza dos bens e serviços adquiridos que originaram o crédito objeto do pedido de ressarcimento. Conquanto a auditoria fiscal tenha concluído que se deve ter por insumos na fabricação ou produção de bens "as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da sua aplicação direta no processo produtivo do bem destinado a venda", inexiste, no Relatório Fiscal, uma análise técnica dos bens e serviços adquiridos, no que toca seu papel no processo produtivo da Recorrente, em especial, para concluir se eles (i) são aplicados no processo industrial; (ii) sofrem desgaste em ação exercida para a fabricação do produto final, à luz do conceito normativo adotado. Até porque o exame fiscal não foi acompanhado de qualquer diligência no sentido de averiguar, concretamente, tais nuances fáticas, com flagrante ofensa ao princípio da verdade material. O artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN) impõe à autoridade lançadora a delimitação exaustiva da matéria tributável, sob pena de violação à garantia da estrita legalidade. Com efeito, sem dados técnicos capazes de refutarem as informações prestadas pelo Contribuinte, perde qualquer sustentação a afirmação no sentido de que tais bens e serviços não podem ser considerados como insumos ou produtos intermediários, assim como pretendido pelo Relatório Fiscal e mantido pela decisão recorrida. Sobretudo porque, ao desconsiderar os créditos indicados com base em análise subjetiva e superficial, resta a Recorrente impedida de contrapor, adequadamente, os argumentos fiscais, justamente pela ausência de elementos concretos e objetivos a justificar o indeferimento do pedido de ressarcimento, com afronta à garantia constitucional da ampla defesa. Nesse sentido foi que a Recorrente requereu, em sua defesa, que fosse determinada a realização de perícia, nos termos do art. 5º, LIV e LV da Constituição Federal, do art. 18 do Decreto n° 70.235/72 e do art. 35 do Decreto 7.574/2011, o que não foi deferido pela autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Destarte, seja por não exaurir a matéria tributável, nos moldes do artigo 142 do CTN, seja por violar a garantia constitucional da ampla defesa, o Procedimento Fiscal em tela merece ser anulado ou, sucessivamente, seja determinado o retorno dos autos à DRJ para que, ao menos, seja deferida a realização da perícia técnica suscitada. 2)DA REGULARIDADE DA BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS NO TOCANTE A BENS E SERVIÇOS "UTILIZADOS COMO INSUMOS" Ao indeferir o ressarcimento dos créditos de PIS relativos à aquisição de bens e serviços utilizados como insumos ou produtos intermediários no processo produtivo da Recorrente, entendendo, por conseguinte, que estes não estariam intrínseca e diretamente associados ao processo produtivo dos bens destinados à venda, a Fiscalização se valeu dos conceitos previstos nas Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, os quais foram ratificados pelo acórdão recorrido. No entanto, o conceito do termo insumo não pode ser dissociado daquele utilizado pelo artigo 3º, II da Lei n° 10.637/2002, sendo que as instruções normativas se destinam a somente regulamentar este dispositivo. A não cumulatividade do PIS consiste em regra constitucional imperativa, trazida pelo artigo 195, § 12°, introduzido pela Emenda Constitucional n° 42, norma esta que, quanto ao tema, dispôs caber ao legislador ordinário somente a definição dos "setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas". Em outras palavras, é a Constituição que dita ao legislador a disciplina jurídica dos créditos de contribuições sociais, e não o inverso. E tanto é assim que, ao revés do que ocorre com o ICMS, o constituinte não outorgou ao legislador infraconstitucional competência para regular o regime da compensação. Interpretandose o conceito de insumos do artigo 3º, II da Lei n° 10.637/2002, deve este incluir não só os produtos fisicamente incorporados nas mercadorias produzidas, mas todo e qualquer item que onera diretamente o custo do produto final e, portanto, está diretamente vinculado, por causa e efeito, à sua obtenção. O que melhor se compatibiliza com o conteúdo específico da nãocumulatividade, em relação às contribuições sociais. Sobredito regime guarda relevante distinção em relação àquele aplicável ao IPI e ao ICMS. No caso do PIS, a regramatriz de incidência está vinculada a elemento diverso dos referidos impostos. Enquanto o critério material das contribuições é a receita, o IPI e o ICMS estão vinculados, de uma forma ou outra, à mercadoria, objeto de operação de circulação jurídica. É o que se infere do artigo 1º da Lei n° 10.637, pois as contribuições "com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil". É dizer, o que deve ser observado, neste caso, é a vinculação entre a receita verificada na etapa anterior do ciclo econômico, que representou custo ou despesa para o adquirente ou tomador de serviço, e a receita auferida, ao final, por aqueles. O critério da vinculação física entre as mercadorias adquiridas e aquelas objeto de saída, aplicável ao IPI e ao ICMS e objeto das INs 247 e 404, não pode ser transplantado para o caso vertente, pois se baseia em elemento próprio contido na regra matriz destes impostos (a mercadoria). É irrelevante, desse modo, a incorporação de insumos aos produtos finais, seu contato físico com aqueles, e a intensidade de desgaste físico de determinados bens. Não se pode afastar do conceito de insumos (ou de produtos intermediários, espécie daquela) aquelas mercadorias que, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 249 9 embora não incorporadas ao produto final, são indispensáveis à geração da receita, no sentido de que esta, sem os mesmos, não seria auferida. Conforme justificado pela descrição dos itens apresentados pela fiscalização, bem como as descrições dos itens e Notas Fiscais de aquisição apresentadas na Manifestação de Inconformidade, além das respectivas telas do sistema da Recorrente, é fácil perceber a vinculação entre a receita obtida com a venda do produto final e aquela que originou a entrada do bem no estabelecimento, bem como a relação de dependência entre ambos. A este respeito, destacamse, a título ilustrativo, os bens cuja qualificação como insumos resta plenamente evidenciada, como partes e peças de páscarregadeiras, perfuratrizes e outros equipamentos destinados à própria atividade de lavra. O pressuposto que ora se aplica é o mesmo ilustrado na Solução de Divergência COSIT n° 35/2008 (DOU de 07.10.2008), através da qual restou firmado que todas as peças e equipamentos que sofram desgaste em razão da sua inserção no processo produtivo geram direito ao crédito do PIS e da COFINS. Percebese, por conseguinte, que o Fisco deixou de se atentar para a natureza dos equipamentos, partes, peças e serviços adquiridos e sua aplicabilidade, aspectos primordiais para verificar se a despesa está atrelada à geração de receita, preponderantemente decorrente das operações de exportação. Notadamente porque o objeto social da Recorrente é por demais amplo, iniciandose o processo produtivo com a extração da matéria prima mineral e prosseguindo por diversas etapas de beneficiamento, até a colocação do produto final no mercado. Ao assim fazer, o Fisco, acaba, ainda, por anular indevidamente o efeito pretendido pela norma, impondo distinção não albergada pela norma matriz do benefício. Evidente, portanto, o desacerto do acórdão ao manter a desconsideração dos créditos tratados neste item, que ora se requer sejam admitidos para fins do pedido de ressarcimento. 3) DO DIREITO AO CRÉDITO EM RAZÃO DAS ATIVIDADES DESCRITAS COMO SERVIÇOS PORTUÁRIOS No que tange aos créditos tomados pela Recorrente com relação aos denominados serviços portuários (capatazia, rebocagem, movimentação de container e serviços prestados a bordo de navio), o acórdão entendeu que "não encontram suporte na legislação de regência". A descrição técnica dos citados serviços portuários, constante do contrato celebrado entre a Recorrente e a prestadora de tais serviços, a COMPANHIA PORTUÁRIA BAÍA DE SEPETIBA, é a seguinte: Constitui objeto deste CONTRATO a prestação de serviços de operação e movimentação portuária de minério de ferro pela CPBS para a CVRD, de agora em diante designados "SERVIÇOS", através do Terminal Portuário de Sepetiba TPS, situado na Estrada Ilha da Madeira, s/n°, Município de Itaguaí, Estado do Rio de Janeiro, de agora em diante designado "TERMINAL", que compreendem, mas não se limitam, a Fl. 253DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 execução das seguintes atividades: descarga de vagões ferroviários, empilhamento, manuseio, quando necessário carregamento nos navios do minério de ferro da CVRD destinados ao mercado externo, e amostragem. Ainda que não se trate, especificamente, de serviços de transporte ou armazenagem, é claro que a atuação da prestadora de serviço, ao recepcionar os vagões, desembarcar e agrupar o minério e, inclusive, embarcálo diretamente nos navios, consiste etapa indissociável do transporte da mercadoria, cuja ausência inviabilizaria própria venda do produto final da Recorrente, razão pela qual, por corolário lógico, é de se tratar a despesa respectiva como parcela do custo do transporte, sem a qual sequer será a mercadoria entregue ao comprador final. Destacase, a respeito, o teor do artigo 3º, IX da Lei n° 10.833/2003, que, apesar de não constar na Lei n° 10.637/2002 norma idêntica à do inciso IX do artigo 3º da Lei n° 10.833/2003, esse dispositivo também se aplica à apuração dos créditos da contribuição para o PIS por força do disposto no artigo 15, inciso II da referida Lei. Não se pode contestar que, se o frete na venda confere direito de crédito, e que, se o transporte remunerado por este frete, dadas às características peculiares da operação (necessidade de transbordo para continuidade do transporte pela via marítima), não se completa sem a etapa intermediária realizada no porto, deve a norma ser interpretada de forma a entender o direito ao crédito a todas as despesas que, além de ensejarem a fabricação do produto ou realização do serviço, permitam a entrega do bem ao comprador final, no que se enquadrariam os mencionados serviços portuários. Ainda que não se admita o crédito, sob este ponto de vista, há que se considerar a natureza intrínseca do regime não cumulativo do PIS, a qual está atrelada ao critério material das respectivas hipóteses de incidência, qual seja, a receita. Por conseguinte, como já registrado, há que se verificar quais os custos resultados de anterior receita, auferida por terceiros, devidamente tributada são necessários e inerentes à geração de nova receita, isto é, que estão ligados à atividade produtiva da qual resulta, igualmente, receita. Assim, o direito ao créditos há de ser conferido aos custos, despesas e encargos tais como os serviços portuários da CPBS que, efetivamente, contribuam para a geração de receita, sendo este o caso de sobreditos serviços, vez que, conforme já destacado, sem eles não haveria entrega do bem ao comprador, não se aperfeiçoando a venda do minério de ferro. Na mesma linha, o CARF já acolheu, no Acórdão n° 930301.035 3ª Turma, sessão de 23.08.2010, a tese de que as despesas essenciais e diretamente relacionadas à atividade, em si, do contribuinte são equiparados a insumos, sendo devido, portanto, o creditamento. Extraise do referido Acórdão que o direito de crédito está vinculado ao fato de tal bem contribuir para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços), viabilizando a produção da receita. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 250 11 Não restam, portanto, dúvidas quanto à vinculação entre as despesas com o Contrato acima e as demais de mesma natureza e a obtenção de receitas pelo contribuinte, ensejando, uma vez mais, o direito ao crédito que foi glosado. 4) DOS CRÉDITOS DERIVADOS DO PAGAMENTO DE FRETE Nessa mesma linha, também não foram levadas em consideração despesas de frete na operação de venda, cujo direito de crédito advém de expressa disposição legal (arts. 3o, IX e 15, II, da Lei n° 10.833/03). Dentre elas podemos relacionar as incorridas por serviços prestados pela MRS LOGÍSTICA S/A, a saber, no transporte de minério no modal ferroviário, entre a mina e o Porto, bem como à LOGIN LOGÍSTICA INTERMODAL S/A, responsável pelo transporte marítimo do produto. Tratase de despesa essencial e diretamente relacionada à efetivação do processo produtivo da Recorrente, na sistemática da não cumulatividade do PIS acima abordada, cujo fundamento máximo é a desoneração da cadeia de circulação dos bens. Tendo em vista, uma vez mais, o elevado volume de Notas Fiscais envolvidas, a Recorrente trouxe à colação telas do seu sistema, por amostragem, que representam o lançamento contábil de Notas Fiscais que não foram incluídas no cálculo do crédito reconhecido no despacho decisório, evidenciando que créditos legítimos deixaram de ser computados, o que, por si só, demonstra a inexatidão do trabalho fiscal e, por outro lado, reforça a necessidade de realização da prova pericial. Além do que, deixaram de ser considerados os créditos relativos ao "transporte realizado entre estabelecimentos". Na verdade, tratase de despesa inerente à venda do produto final, pois a aludida transferência compõe o ciclo de comercialização superveniente à produção do bem demandado, derivado da logística adotada pela Recorrente, equivalente à formação de "corredores" de exportação através dos quais uma determinada mina transfere o produto acabado para outra, que centraliza as vendas seja para o exterior, seja para o mercado interno. De forma que, o transporte entre estabelecimentos é uma etapa indissociável do transporte do produto como um todo, composta de várias etapas que, ao cabo, tem por fim a entrega da mercadoria ao consumidor. O intuito do legislador, ao permitir a apuração do crédito decorrente do frete na operação de venda, era beneficiar essa operação independentemente da logística adotada da para sua realização. Em assim sendo, ao desconsiderar os créditos decorrentes de tais condições, o acórdão recorrido está contrariando a finalidade da norma, uma vez que o custo do transporte para realizar a transferência do produto acabado entre o estabelecimento produtor e o estabelecimento exportador da Recorrente está diretamente relacionado à operação de venda desses produtos, posto que é suportado pelo contribuinte justamente para facilitar a logística de suas vendas e gerar receita. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 Ao final de Recurso Voluntário, requereu a Recorrente o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, para decretar a nulidade do Procedimento Fiscal que ensejou o indeferimento do crédito pleiteado, determinandose a realização de perícia técnica na forma em que requerida na Manifestação de Inconformidade ou, sucessivamente, caso se entenda que o feito esteja em condição de julgamento, seja dado provimento ao Recurso, reformandose o acórdão recorrido, a fim de que seja deferido o seu pedido de ressarcimento. É o breve relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Por atender aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Conforme já pronunciado pelo julgador de primeira instância, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, são definitivas, por não terem sido contestadas, as glosas dos valores referentes às diferenças positivas verificadas entre os montantes informados no Dacon e os apurados nos arquivos digitais de notas fiscais e informados nas memórias de cálculo apresentadas pela contribuinte em relação a Bens Para Revenda, Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas e Bens do Ativo Imobilizado. Também não integra a lide a questão da energia elétrica, pois não houve glosas referente a essa rubrica. Em síntese, além da preliminar de nulidade da decisão recorrida, a recorrente contestou genericamente a interpretação restrita de insumos da fiscalização e da autoridade julgadora para a análise do direito ao crédito sobre os bens e serviços, e, em caráter especial, as glosas dos serviços portuários e despesas de frete na operação de venda, que foram requeridos sob a rubrica de serviços utilizados como insumos. Delimitada a lide no que concerne às glosas dos bens e serviços utilizados como insumos, passemos, então, a análise das alegações do recurso voluntário. 1) Preliminar de nulidade da autuação e da decisão recorrida Nada há a reparar no procedimento fiscal que embasou o indeferimento do pleito de ressarcimento da recorrente, eis que efetuado com as informações, planilhas e documentos por ela apresentados em respostas às intimações da fiscalização. As glosas da fiscalização foram devidamente motivadas sob diversas rubricas, em conformidade com a legislação aplicável, observandose o processo produtivo da recorrente e contendo todas as informações necessárias e suficientes para a sua adequada contestação, não havendo que se falar em cerceamento do seu direito de defesa. No que concerne aos créditos de bens utilizados como insumos, por exemplo, classificados pelo contribuinte como utilizados na industrialização ou de uso e consumo, a fiscalização glosou as importâncias relativas ao uso e consumo, sob o argumento de que "os produtos adquiridos para uso e consumo, os quais não se incorporam à mercadoria ou ao serviço final, não possibilitam a apuração de créditos na sistemática da não cumulatividade". Fl. 256DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 251 13 Quanto aos serviços utilizados como insumos, por exemplo, consta, na informação fiscal, a seguinte motivação para a glosa dos créditos dessa rubrica: Serviços utilizados como insumos Em relação à aquisição de serviços utilizados como insumos, cabe praticamente o mesmo entendimento aplicado aos bens de insumo. Ou seja, conforme determina a Instrução Normativa SRF n.º 404, de 2004, a pessoa jurídica pode obter créditos oriundos de aquisições efetuadas no mês, de serviços utilizados como insumo na produção ou na prestação de serviços. Em outras palavras, geram créditos a aquisição de serviços utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pela contribuinte. Na memória de cálculo fornecida pela contribuinte, arquivo 04. Serviços Utilizados como Insumos_2005.xlsx (Código de Autenticação SVA – 1cacf0def5c86c75 1c7cf577c93e7ad1), os valores mensais apurados pela contribuinte a esse título são para os meses de Abril a Junho, respectivamente, R$ 125.600.060,88; R$ 122.745.835,13; e R$ 119.047.755,74 . Entretanto, a análise do referido arquivo revela que a empresa computou vários serviços que não se enquadram nos dispositivos da IN SRF n.º 404, de 2004, dentre os quais, podem ser citados: transporte realizado entre estabelecimentos; projetos e estudos de engenharia e geologia; hospedagem e lavagem de roupas comuns; serviços de chaveiro; serviços de cozinha; manutenção de equipamentos ferroviários; limpeza e manutenção prediais; serviços portuários e etc. Por exemplo, serviços portuários, como: capatazia; rebocagem; movimentação de container; e serviços diversos prestados a bordo de navio, não podem ser considerados insumos de produção dos bens produzidos pela interessada. Isso porque, os serviços de movimentação de container e os serviços prestados a bordo de navio, como as próprias denominações esclarecem, não possuem qualquer relação com a produção de minério. Tratase de serviços auxiliares executados em momento posterior, quando da venda ou escoamento do que foi produzido. Da mesma forma, os serviços de capatazia (movimentação de mercadorias nas instalações portuárias, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega) e rebocagem (serviços executados por rebocadores para cumprir as manobras de atracação e desatracação de navios) não se subsumem em serviços que possam ser considerados insumos “aplicados ou consumidos” na fabricação. O entendimento exposto no exemplo para os serviços portuários aplicase às outras aquisições relacionadas, motivo pelo qual os correspondentes valores devem ser desconsiderados no computo dos créditos da contribuição nãocumulativa de PIS. (...) Fl. 257DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 De forma que caberia à recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo na decisão que indeferiu o seu pleito, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil. O fato de as glosas terem sido feitas sob determinadas rubricas, eis que a motivação das glosas era idêntica para todos os itens que as compunham, não representou qualquer óbice à recorrente para produzir a argumentação contrária, acompanhada da produção pertinente de provas, relativamente à eventual pertinência e essencialidade de cada item no seu processo produtivo e à existência efetiva de seu direito creditório. O art. 142 do Código Tributário Nacional não pode socorrer a recorrente, pois não tratam os autos de lançamento do crédito tributário, mas de pedido de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep, no qual caberia à requerente o ônus da prova do seu direito creditório, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do art. 333 do Código de Processo Civil. Também não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, a qual debateu, em conformidade com a legislação atinente à espécie, todos os argumentos apresentados pela recorrente em sua manifestação de inconformidade. A autoridade julgadora de primeira instância considerou a diligência e a perícia prescindíveis ao caso concreto, conforme lhe faculta o art. 18 desse Decreto, sob os seguintes fundamentos: 2.1 Perícia e diligência Notese que as normas transcritas acima prevêem a possibilidade de realização de diligências, todavia, a critério da autoridade da RFB competente para decidir sobre o crédito pleiteado pelo contribuinte, a quem cabe a verificação da exatidão das informações por ele trazidas e declaradas em Dacon. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria Fl. 258DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 252 15 impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo contribuinte. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase à busca da verdade, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu onus probandi. Pela mesmas razões da decisão recorrida, que passam a ser parte integrante do presente Acórdão, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.794/99, entendo que a diligência ou perícia não são necessárias à solução da lide também no presente momento processual, devendo o pedido do recorrente nesse sentido ser indeferido. 2) Bens e serviços utilizados como insumos: Insurgiuse, genericamente, a recorrente em face da interpretação da fiscalização e da autoridade julgadora de primeira instância do conceito restrito de insumos para o reconhecimento dos créditos do PIS/Pasep, levando em consideração a regulamentação das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. Acredita a recorrente que dariam direito ao crédito como insumo, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002, não só os produtos fisicamente incorporados nas mercadorias produzidas, mas todo e qualquer item que onera diretamente o custo do produto final e, portanto, estaria diretamente vinculado, por causa e efeito, a sua obtenção. Ocorre que, de forma diversa, este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, como ora requer a recorrente, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403 002.656, julgado em 28/11/2013, cujo Relator foi Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARAO PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 16 ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste colegiado que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Há de se ressaltar, no entanto, com relação à insurgência genérica de recorrente ao conceito de insumo aplicado nas glosas, que o fato de este Colegiado ter Fl. 260DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 253 17 entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/Pasep não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas, mas somente a análise das matérias expressamente recorridas no âmbito deste Carf. Não há se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Por certo, não basta ao contribuinte contestar genericamente a interpretação da legislação adotada pela fiscalização e pela Delegacia de Julgamento, sem apresentar todas as razões de fato e de direito com que contesta as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pelo órgão julgador de primeira instância. Não há como acolher a pretensão da recorrente de, em sede de julgamento, ter reconhecido o direito ao crédito sobre todos os bens e serviços sob o entendimento de que todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa gerariam o referido direito creditório. O direito ao crédito do PIS/Pasep não é tão abrangente como quer a recorrente e deve ser interpretado com as peculiaridades e restrições que lhe são próprias, dispostas no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, abaixo transcrito, e demais normas aplicáveis à espécie. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 18 II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) A não cumulatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins está totalmente regulamentada por lei ordinária, na qual houve a opção de enumerar, de forma exaustiva, os custos, encargos e despesas que são capazes de gerar o direito ao crédito. Ao contrário do que acredita a recorrente, não são todos os custos ou despesas necessários à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, que geram o direito ao crédito do PIS/Cofins, havendo que se analisar o aspecto da pertinência e da essencialidade no processo produtivo para a qualificação como insumo que gera direito ao crédito do PIS/Cofins. Com efeito, no presente caso concreto, incumbe a análise por este Conselho Administrativo, dentro do seu livre convencimento racional, das glosas que foram especificamente contestadas pela recorrente. A título ilustrativo de bens cuja qualificação como insumos restaria plenamente evidenciada nos autos, com a constatação de vinculação entre a receita obtida com a venda do produto final e aquela que originou a entrada do bem no estabelecimento, bem como a relação de dependência entre ambos; cita a recorrente as partes e peças de pás carregadeiras, perfuratrizes e outros equipamentos destinados à própria atividade de lavra, em conformidade com a interpretação contida na Solução de Divergência COSIT n° 35/2008, mediante a qual restou firmado que todas as peças e equipamentos que sofram desgaste em razão da sua inserção no processo produtivo geram direito ao crédito do PIS e da Cofins. Também nesse ponto não merece reparo a decisão de primeira instância que manteve a referida glosa sob o argumento de que a ora recorrente não apresentou documentos hábeis a reformar a decisão da Demac/RJO, pois as telas do sistema informatizado da empresa juntadas (doc. 03) não são consideradas um documento fiscal ou contábil, bem como as notas fiscais apresentadas não comprovam que as aquisições seriam utilizadas no processo industrial e que não tenham sido incorporadas ao ativo imobilizado, conforme trecho do voto condutor do acórdão abaixo transcrito: (...) A contribuinte acrescenta, ainda, que uma parcela dos bens adquiridos se refere a partes e peças de páscarregadeiras, perfuratrizes e outros equipamentos utilizados na atividade de Fl. 262DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 254 19 lavra, bens que, segundo defende, lhe dariam direito a crédito a teor do entendimento exarado na Solução de Divergência COSIT n.° 35, de 07/10/2008. Em sua defesa, junta cópias de notas fiscais e cópia de telas de sistema informatizado utilizado pela empresa. Quanto às telas de sistema, não se caracterizam como elemento de prova capaz de reformar a decisão recorrida, uma vez que não se trata de documento fiscal ou contábil. Quanto às notas fiscais, não há comprovação nos autos de que as aquisições se refiram a partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados no processo industrial e que tais partes e peças não tenham sido incorporadas ao ativo imobilizado, condição para que o referido custo possa gerar crédito. Notese que tal condição encontrase claramente expressa na Solução de Divergência Cosit nº 35/2008, citada pela própria contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Diante do exposto, considerandose que não foram apresentados documentos com força probatória capaz de reformar a decisão proferida, devem ser tidas como corretas as glosas efetuadas pela autoridade administrativa relativa a despesas que não se enquadram no conceito de insumo fixado pela legislação de regência. (...) Pela natureza das partes e peças de páscarregadeiras, perfuratrizes e dos outros equipamentos destinados à própria atividade de lavra, eles seriam, salvo comprovação em sentido contrário, de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda/99, seja em face do prazo de vida útil ou em razão de serem utilizados em conjunto com bens de mesma natureza: Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 15, Lei n º 8.218, de 1991, art. 20, Lei n º 8.383, de 1991, art. 3 º , inciso II, e Lei n º 9.249, de 1995, art. 30). § 1 º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2 º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei n º 4.506, de 1964, art. 45, § 1 º ). A recorrente, que têm ônus da prova quanto a fato constitutivo do seu direito creditório, não logrou êxito em demonstrar, por ocasião da manifestação de inconformidade, que as referidas partes, peças e equipamentos não seriam de ativação obrigatória. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 20 Conforme já foi decidido por este Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3403002.648, de 27/11/2013, cujo Relator foi o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, para fins de creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do art. 3º, II da Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, o bem deve ser aplicado no processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória, sendo que, na hipótese de o bem ser de ativação obrigatória, o crédito deveria ser apropriado com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. 3) Serviços Portuários: Com relação aos denominados serviços portuários (capatazia, rebocagem, movimentação de container e serviços prestados a bordo de navio), alega a recorrente que, embora não se trate, especificamente, de serviços de transporte ou armazenagem, consistiria etapa indissociável do transporte da mercadoria, cuja ausência inviabilizaria própria venda do produto final, razão pela qual, deveria essa despesa ser tratada como parcela do custo do transporte, sem a qual sequer seria a mercadoria entregue ao comprador final. Acredita a recorrente que, se o frete na venda confere direito de crédito, e que, se o transporte remunerado por este frete não se completa sem a etapa intermediária realizada no porto, deveria a norma ser interpretada de forma a entender o direito ao crédito a todas as despesas que, além de ensejarem a fabricação do produto ou realização do serviço, permitam a entrega do bem ao comprador final, no que se enquadrariam os mencionados serviços portuários. Sabedora que os referidos serviços não se tratam especificamente de serviços de transporte ou armazenagem, a interessada tinha pleiteado o crédito correspondente aos serviços portuários, nos termos do art. 3º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, na linha 03 do Dacon, a título de serviços utilizados como insumo, e não com base no inciso IX do art. 3º c/c o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, na linha 07 do Dacon, sob a rubrica de despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. No entanto, a pretensão da recorrente não encontra respaldo no art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002, pois os referidos serviços não são "utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" pela recorrente, nem tampouco no inciso IX do art. 3º c/c o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, eis que não se trata de "armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor". Conforme demonstra o contrato com a Companhia Portuária Baía de Sepetiba, juntado pela recorrente, os denominados serviços portuários, decorrentes de "descarga de vagões ferroviários, empilhamento, manuseio, quando necessário carregamento nos navios do minério de ferro da CVRD destinados ao mercado externo, e amostragem", trata se de serviços anteriores ao transporte, que o viabilizam, podendo ser caracterizados como uma despesa com vendas. No entanto, não há o permissivo legal para a tomada de crédito do PIS ou da Cofins pertinente a esse tipo de despesa com vendas. O fato de haver a desoneração do PIS/Pasep no contexto produtivo, nos termos do art. 3º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e na armazenagem e frete na operação de venda, em conformidade com o disposto no inciso IX do art. 3º c/c o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, não autoriza o intérprete ou o aplicador da norma a entender pelo direito ao creditamento relativo a etapa intermediária, como pretende a recorrente. Também a interpretação mais abrangente do Carf, sem a restrição do conceito de insumo veiculado pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, conforme Fl. 264DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 255 21 Acórdão nº 930301.035, citado pela recorrente, não a socorre, pois, conforme já explanado, no presente caso, os serviços portuários não guardam relação de pertinência com o seu processo produtivo. No que concerne a serviços da mesma natureza dos serviços portuários descritos recorrente, o entendimento deste Conselho Administrativo tem sido no sentido de não haver direito ao creditamento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme ementas de Acórdão que se seguem: Acórdão nº 3403002.139, j. 25/04/2013, Rel. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: COFINS NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVA. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, o artigo 3° da Lei n° 10.833/03 contenha hipótese permissiva para o creditamento da COFINS, apurada segundo o regime não cumulativo. (...) Acórdão nº 3403003.097, j. 22/07/2014, Rel. Alexandre Kern, unânime: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 22 O ressarcimento de saldos credores da contribuição social não cumulativa não enseja atualização monetária nem juros sobre os respectivos valores. 4) Frete Por fim, nessa mesma linha, reclama a recorrente que também não foram levadas em consideração despesas de frete na operação de venda, cujo direito de crédito advém de expressa disposição legal (arts. 3o, IX e 15, II, da Lei n° 10.833/03). Dentre as referidas despesas, destaca aquelas incorridas por serviços prestados pela MRS LOGÍSTICA S/A, no transporte de minério no modal ferroviário entre a mina e o Porto, bem como à LOGIN LOGÍSTICA INTERMODAL S/A, responsável pelo transporte marítimo do produto, que se trataria, a seu ver de despesa essencial e diretamente relacionada à efetivação do seu processo produtivo. Destaca também a recorrente o transporte realizado entre estabelecimentos, que seria inerente à venda do produto final, pois compõe o ciclo de comercialização superveniente à produção do bem demandado, derivado da logística adotada equivalente à formação de "corredores" de exportação, através dos quais uma determinada mina transfere o produto acabado para outra, que centraliza as vendas para o exterior ou para o mercado interno. No que concerne ao serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento i) sobre o frete pago quando o serviço de transporte quando utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inciso II do art. 3° das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03; e ii) sobre o frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme os arts. 3o, IX e 15, II da Lei n° 10.833/03. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com iii) fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda; bem como de iv) fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. No entanto, o transporte de produto acabado, tais como os fretes indicados pela recorrente neste tópico, entre as minas da recorrente ou entre a mina e o Porto que ocorrerá a exportação, depois de concluído o processo produtivo, que não se refere ao transporte do produto vendido entre o estabelecimento do produtor e o do adquirente, não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas de creditamento acima mencionadas. Nesse sentido, já foi decidido no Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e de perícia e negar provimento ao recurso voluntário mantendo, por conseguinte, o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16682.904220/201183 Acórdão n.º 3402002.666 S3C4T2 Fl. 256 23 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 10/03/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10830.909561/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
CONEXÃO. REGRA APLICÁVEL.
O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º).
Numero da decisão: 1103-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/2010-53, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 CONEXÃO. REGRA APLICÁVEL. O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/2010-53, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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REGRA APLICÁVEL. O Regimento Interno do CARF (Anexo II) dispõe que em caso de conexão os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio (art.47 e 49, §7º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/201053, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 95 61 /2 01 0- 37 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.909561/201037 Acórdão n.º 1103001.022 S1C1T3 Fl. 386 2 Relatório Tratase de PER/Dcomp de 16/11/10 (fl.74), sendo a origem do direito creditório saldo negativo de CSLL, apurado em 31/12/06. Inicialmente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) proferiu eletronicamente o Despacho Decisório de fl.68, com o seguinte teor: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CRÉDITO IR EXTERIOR RETENÇÕES FONTE PAGAMENTOS ESTIM. COMP. SNPA ESTIM. PARCELADAS DEM. ESTIM. COMP. SOMA.PARC. CRÉD. PER/DCOMP 0,00 6.581,78 4.435.671,33 0,00 0,00 2.477.016,14 6.919.269,25 CONFIRMADAS 0,00 6.581,78 4.435.671,33 0,00 0,00 1.873.816,46 6.316.069,57 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$6.076.095,96 Valor na DIPJ: R$ 6.076.095,96 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 6.919.269,25 CSLL devida: R$ 843.173,29 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) – (CSLL devida) limitado ao menor valor entre o saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 5.472.896,28 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 31908.17073.250608.1.3.037121 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 20038.60443.220410.1.3.031050” Posteriormente, em procedimento de revisão de ofício, a DRF – Campinas (SP), por meio do Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS nº 0487/11 (fls.118/119), de 10/5/11, cientificado ao contribuinte em 19/5/11 (fl.141), cancelou o despacho decisório anterior e não homologou as compensações declaradas. In verbis: “[...] Pelo que encerra o processo em foco, cumpre inicialmente analisar a existência do alegado indébito. ..... Entretanto, analisandose o disposto no Sistema SAPLI, que reproduz os resultados de ações de fiscalização sobre o prejuízo fiscal e as bases de cálculo negativas do IRPJ e da CSLL apurados pelos contribuintes, observase que, por meio do Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.909561/201037 Acórdão n.º 1103001.022 S1C1T3 Fl. 387 3 procedimento fiscal constante dos autos do processo administrativo nº 16643.000274/201053, a autoridade administrativa responsável pelo feito adicionou R$99.177.173,93 à rubrica Base de Cálculo Antes da Compensação da Base de Cálculo Negativa do Próprio Período (Ficha 17, Linha 33), passando tal conta a ter o valor de R$133.030.628,71. Por outro lado, alterou o campo Compensação de Base de Cálculo Negativa de P.A Anteriores – Atividades em Geral P.A. 1996 a 2006 (Ficha 17, Linha 37) de R$10.156.036,43 para R$33.793.662,50. Do Termo de Verificação Fiscal extraído dos autos da aludida peça administrativa, temse que as supracitadas alterações advieram de redução tributária ocasionada por indevidas escriturações de despesas de amortização de ágio nos anos calendário 2005, 2006, 2007 e 2008. Como conseqüência, no que tange ao anocalendário em foco (2006), constatouse que a base de cálculo da CSLL, apurada na respectiva DIPJ, estava maculada, inferior à real. ..... Dessa forma, o saldo de CSLL apurado passa de um valor negativo (creditório) de R$ 6.964.271,07, para um positivo (devedor) de R$18.768,01. Conseqüentemente, concluise inexistir, de fato, saldo negativo de CSLL para o anocalendário em questão, pelo que não há se falar em crédito compensável e, por conseguinte, em homologação de compensação.” (destaquei) Em primeira instância, a Quarta Turma da DRJ – Campinas (SP) considerou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão de fls.327/338, que recebeu a seguinte ementa: SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Se até mesmo em caso de pendência de decisão definitiva no Poder Judiciário, instância superior e autônoma em relação à esfera administrativa, descabe o sobrestamento do processo administrativo, igual conclusão se impõe quando há pendência de decisão administrativa definitiva relativa à exigência formalizada de ofício no período. BASE DE CÁLCULO. No âmbito do processo de compensação de saldo negativo, não cabe a reapreciação do mérito de lançamento de ofício, relativo à base de cálculo do tributo no mesmo período, objeto de julgamento em outro processo. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. VERDADE MATERIAL. Não sendo possível verificar a certeza e liquidez do crédito em litígio, condição sine qua non para a homologação das compensações em análise, conforme dicção do art. 170 do Código Tributário Nacional, resta inviável o reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.909561/201037 Acórdão n.º 1103001.022 S1C1T3 Fl. 388 4 Devidamente cientificado da decisão em 30/8/12 (fl.341), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 28/9/12 (fls.343/358), em que sustenta, em síntese, a necessidade de apensamento dos autos ao processo nº 16643.000274/201053 ou o sobrestamento do julgamento. Consta dos autos petição protocolizada em 1º/11/13 (fls.368/372), em que o Recorrente requereu a distribuição dos autos ao Cons. Valmir Sandri, relator do processo nº 16643.000274/201053, ou o sobrestamento do julgamento: “[...] Como é possível observar, o presente feito guarda evidente conexão por continência com o processo n" 16643.000274/2010 53, motivo este que faz necessária a análise e o julgamento em conjunto, em clara observância ao principio da eficiência da Administração Pública. ..... Diante do acima exposto, a Recorrente requer que seja o presente processo administrativo distribuído ao Dr. Valmir Sandri da Primeira Turma, da Terceira Câmara, da 1ª Seção deste E. Conselho para julgamento conjunto com o processo administrativo 16643.000274/201053 (auto de infração), evitandose assim a prolação de decisões administrativas inconsistentes. Caso assim não entenda V.Sa., a Recorrente requer que seja determinado o sobrestamento do julgamento do presente processo apensado até o julgamento final do processo administrativo prejudicial (16643.000274/201053).” Em 17/3/14, o Recorrente reiterou seus pedidos alternativos de redistribuição dos autos ao Cons. Valmir Sandri ou de sobrestamento até o julgamento final do processo administrativo nº 16643.000274/201053 (fls.378/381). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Como relatado, na apuração de 31/12/06 a fiscalização adicionou o montante de R$ 99.177.173,93 à base de cálculo e procedeu a ajustes na compensação de bases negativas apuradas em períodos pretéritos, o que resultou em uma CSLL a pagar de R$ 18.768,01, em vez do saldo negativo pleiteado. Vêse, portanto, que a presente controvérsia, relacionada às compensações requeridas, não se resolve sem que antes a apuração ao final do anocalendário 2006 esteja integralmente equacionada, o que inclui a apreciação das glosas de despesas, matéria objeto de apreciação no processo nº 16643.000274/201053. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.909561/201037 Acórdão n.º 1103001.022 S1C1T3 Fl. 389 5 Ou seja, a análise do direito creditório pleiteado, a ser empregado nas compensações declaradas, apenas poderá ser realizada após a decisão proferida naquele mencionado processo, especificamente no que concerne às glosas de despesas com amortização de ágio que impactaram exatamente na apuração daquele anocalendário 2006. É possível se entender, na espécie, pela caracterização de conexão por prejudicialidade, no caso homogênea (infração tributária apurada em um determinado ano calendário a influenciar na apreciação de compensações com direito creditório relacionado ao mesmo período de apuração, objeto de outro processo administrativo tramitando no mesmo órgão). Conforme consulta ao sistema eprocesso, o processo nº 16643.000274/2010 53 foi distribuído em 7/12/12 ao Cons. Valmir Sandri, bem antes, portanto, do sorteio dos presentes autos. Isto posto, duas soluções apresentamse para o presente caso: ou se aguarda o desfecho daquele processo na Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara para se analisar os efeitos da decisão que vier a ser proferida, o que implicará o sobrestamento quanto às compensações; ou se encaminha os presentes autos para julgamento conjunto, considerando que o processo nº 16643.000274/201053 foi distribuído antes para aquele colegiado, tendo o respectivo Relator, Cons. Valmir Sandri, conhecido primeiro da matéria. Em que pese a adoção da primeira solução ser defensável, depõe contra a garantia constitucional da razoável duração do processo, pois apenas após o trânsito em julgado do acórdão proferido naquele processo é que se poderá destravar o curso da análise das compensações. A seu turno, a segunda possibilidade permite, por exemplo, que os processos tramitem conjuntamente e que as decisões sejam proferidas pelo mesmo colegiado, sem o risco de serem conflitantes, tudo em prestígio à segurança jurídica. O Regimento Interno do CARF (Anexo II), ao tratar da conexão, dispôs que em tal situação os processos devem ser distribuídos ao mesmo Relator, independentemente de sorteio. O processo relativo às compensações deveria, então, ter sido distribuído juntamente com aquele que tratou especificamente das glosas de despesas e do ajuste nas bases de cálculo negativas acumuladas, a repercutirem diretamente na apuração ao final do anocalendário 2006. Vejamos: “Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. ..... Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10830.909561/201037 Acórdão n.º 1103001.022 S1C1T3 Fl. 390 6 colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc.” (destaquei) Pelo exposto, com fulcro no artigos 47 e 49, §7º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, VOTO no sentido de encaminhar os autos à Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento em razão da conexão com o processo nº 16643.000274/201053. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.901885/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2001
INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO.
A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindíveis, sem que isso gere a nulidade do processo.
PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL.
Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço.
Numero da decisão: 3401-002.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2001 INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindíveis, sem que isso gere a nulidade do processo. PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindíveis, sem que isso gere a nulidade do processo. PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 18 85 /2 00 9- 74 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 22/11/2005 (fls.02/06) pela qual a Contribuinte pediu o ressarcimento de crédito do PIS, supostamente recolhido a maior em 14/09/2001, referente ao período de apuração de agosto de 2001, para compensar com débitos do IRPJ de outubro de 2005. O crédito foi indeferido. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls.11/22), mas a DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve o indeferimento (fls. 57/60). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 08/06/2010 (fl.62) e interpôs recurso voluntário em 01/07/2010 (fls.63/84). Na primeira análise do recurso voluntário, sob a relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, o debate era acerca da base de cálculo aplicável, em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98. O julgamento foi convertido em diligência para que fosse averiguada a existência do crédito (fls.94/98). A conclusão da diligência está presente nas fls. 113/114. A Contribuinte foi intimada, mas não se manifestou. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O valor requerido pela Recorrente para ressarcimento era de R$ 10.515,89. No recurso voluntário, preliminarmente, alegouse a nulidade do acórdão da DRJ por indeferir a realização de diligência. No mérito, alegou que o recolhimento a maior ocorreu porque cincluiuse na base de cálculo valores de receitas não operacionais. Argumentando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Lei nº 9.718/98, a Recorrente pediu que o crédito fosse calculado utilizandose a correta base de cálculo. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10840.901885/200974 Acórdão n.º 3401002.959 S3C4T1 Fl. 123 3 1 Da nulidade do acórdão da DRJ A Recorrente alega que o acórdão da DRJ é nulo em razão de aquela instância ter negado a realização de perícia contábil. Ocorre que o indeferimento de diligência por parte da DRJ não torna o julgamento nulo, haja vista que, nos termos do art. 18, combinado como art. 29, do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligência é questão de livre convicção do julgador. A autoridade julgadora pode negar a realização de diligência se entendêla prescindível, senão, vejamos: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine”. “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Portanto, o acórdão da DRJ não é nulo. 2 Da base de cálculo do PIS faturamento A Recorrente alega que a base de cálculo disposta no art. 3o da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional, porque amplia indevidamente o campo e incidência do PIS. A base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98 pode ser observada pela leitura conjunta do art. 2o e art. 3o, da aludida lei, in verbis: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Ocorre que o STF, em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, prolatou a seguinte decisão: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) (grifo nosso) Um dos precedentes utilizados pelo Supremo para chegar ao julgamento do RE 585.235 e reconhecêlo na sistemática de repercussão Geral foi o seguinte: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 0109 2006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (grifos nosso) Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10840.901885/200974 Acórdão n.º 3401002.959 S3C4T1 Fl. 124 5 Em suma, o STF julgou que o PIS e a COFINS, tributados na forma da Lei nº 9.718/98, incidem somente sobre as receitas oriundas de venda e de prestação de serviço. Portanto, seguindo a linha do STF, o PIS só incide sobre as receitas que sejam originadas em vendas, prestação de serviço ou vendas e prestação de serviço, de modo que os recolhimentos feitos sobre outras receitas são indevidos. A diligência, aplicando a base de cálculo correta, isto é, somente as receitas oriundas de vendas, concluiu que existe um saldo credor em favor da Contribuinte no montante de R$ 4.162,82. Como a Recorrente não se manifestou contra o resultado da diligência, presumese que o novo cálculo está correto, devendo ser reconhecido o direito creditório encontrado durante a diligência. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório no montante de R$ 4.162,82 e homologar as compensações até o limite do crédito. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 18 /05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13822.000012/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Aug 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002.
Numero da decisão: 3401-002.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/2005-05 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que auto-designei-me para a tarefa, no que valho-me das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 12 /2 00 7- 97 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori (Relatora) e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Este recurso voluntário, juntamente com outros quinze da mesma empresa e que versavam as mesmas matérias deste, foi julgado na sessão de 18 de março de 2015 com base em relatório, voto e ementa únicos, elaborados pela Relatora, Conselheira Angela Sartori, lidos na sessão com respeito apenas ao processo 13822000177/200505 aqui transcritos na íntegra. A Conselheira renunciou ao mandato antes que pudesse formalizar os acórdãos correspondentes, motivo pelo que autodesigneime para a tarefa, no que valhome das peças por ela elaboradas e entregues à Secretaria. Relatório O Relatório a seguir é o que foi entregue à Secretaria pela relatora Angela: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos apurados pela sistemática da não cumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP: Crédito: PIS não cumulativa, Período de apuração: 4º trimestre de 2005 cujo Valor pleiteado: R$ 295.007,33. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, dado pelo art. 8º, § 4º c/c § 9º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004 a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado – o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha “Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007” e no Fl. 460DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 123 3 DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere à aquisição de insumos, matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindo se a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 b) Do método da apropriação do crédito presumido. Verificou que o interessado informou que o método de determinação dos créditos foi com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Assim, intimou o interessado a comprovar que os valores dos créditos informados nos DACON e nos livros auxiliares do PIS e Cofins são referentes apenas aos custos, despesas e encargos vinculados à receita sujeita ao regime não cumulativo da exportação. Examinando a documentação apresentada, verificouse que, no preenchimento dos DACON, o interessado não utilizou o método de apropriação direta, uma vez que todo o custo da cana de açúcar (insumo), do preparo e processamento da cana, da extração do caldo e do suporte a produção industrial foram apropriados, na sua totalidade, para o produto açúcar, ou seja, todos os custos comuns, vinculados ás receitas sujeitas aos regimes cumulativos e não cumulativo foram aproveitados integralmente como sendo regime não cumulativo. Em resumo, nos DACON entendeu o interessado apropriar todo o gasto com a aquisição do insumo cana de açúcar para o produto açúcar, independentemente se dela foi produzido álcool. Verificou, também: a) Que a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON, para o que somou valores de materiais em estoque. conforme resumo de fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); b) Inconsistências nas informações das planilhas apresentadas, demonstrando que os Razões não comprovam o método de apropriação direta e nem condizem com os valores dos DACON, pois: b.1) conforme esclarecimento do interessado, no valor dos insumos informados nos DACON está incluído o valor da cana adquirida de pessoas jurídicas e na planilha de fls 24 a 26 (numeração constante no relatório do Auto de Infração), não consta a conta correspondente a tal insumo; b.2) a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON (e diferente do valor da cana adquirida de pessoa jurídica) e para chegar ao valor informado nos DACON, o interessado somou o valor dos materiais em estoque, conforme consta no resumo apresentado às fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); e b.3) na planilha há contas estranhas ao conceito de insumo, tais como “Consultoria”, Copa, cozinha e limpeza”, Gêneros Fl. 462DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 124 5 Alimentícios”, Lanches e Refeições”, “Uniformes” e “Seguros Gerais”. Pelos fatos expostos, constatase que o método de aproveitamento dos créditos, informado nos DACON, não pode ser caracterizado como de apropriação direta, pois os custos comuns á receita sujeita ao regime não cumulativo e ao cumulativo foram informados integralmente como sendo de receita de exportação e os Razões apresentados não comprovam o declarado nos DACON e nas planilhas com a descrição dos insumos e, considerando que o interessado aufere receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação, com base no disposto nos arts. 3º, §§ 7º e 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, deve ser utilizado o método de rateio proporcional da receita bruta. Assim, calculou os percentuais aplicáveis a cada regime de tributação e aplicou os aos valores dos gastos considerados como insumos, apurando o valor do crédito a aproveitar no período. b.1) Energia Elétrica e Contraprestações de arrendamento mercantil. Considerando a utilização do método de rateio proporcional para a apuração dos créditos, recalculou os valores dos gastos com energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil considerados como créditos apurados no regime não cumulativo. c) Base de cálculo do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado– com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita A legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc, contrariando o disposto no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso II, da Lei nº 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 2º da Lei 11.051, de 2004, e demais dispositivos legacia acima citados; Fl. 463DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 d) bens vinculados ás receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, meã alimentadora, etc. Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens “a” a “d” acima. Aos valores referentes ao item “e”, aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. d) Créditos presumidos – Atividades Agroindustriais. d.1) Apuração Conforme destacado no item “A”, e de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa (IN) SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON. Assim, relativamente aos valores das aquisições de cana efetuadas junto a pessoas jurídicas, aplicouse o percentual apurado para o rateio proporcional entre as receitas sujeitas aos regimes cumulativo e não cumulativo da contribuição. d.2) Forma de utilização do crédito Ressalta que, com base no disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006, o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, e que a apreciação desse item será feita pela Saort da DRF. e) Outros Créditos a descontar (linha 25 da ficha 12 do DACON Verificou que o interessado registrou créditos da contribuição, referente a valor do frete nas operações de venda, pago a pessoas físicas, contrariando as disposições do inciso IX, do art. 3º c/c art 15, ambos da Lei n º 10.833, de 2003. PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração e propôs o deferimento do valor de R$ 190.764,88, como direito creditório do interessado passível de compensação. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 125 7 Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (MI), onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações onde, preliminarmente, alega que os créditos objeto do presente processo já foram apreciados nos autos do processo 15868.000039/201084 e, assim, constatase a duplicidade das glosas de créditos e da cobrança dos valores atinentes às referidas glosas. Junta cópia do Auto de Infração que seria objeto do referido processo. Em seguida, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, em totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois o bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esse insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003., que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3º, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão Fl. 466DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 126 9 para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Do método de Apuração de Créditos (Créditos Presumidos da CanadeAçúcar) Que a fiscalização, ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação de créditos elaborado pelo contribuinte, optando pelo mais oneroso, argumentando que todos os custos de cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar, e que os Razões não permitem identificar quais os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, bem como há Razões em que as notas fiscais e fornecedores não constam dos livros auxiliares de PIS/Cofins. Que a legislação é clara quanto ao direito do contribuinte optar entre o método de apropriação direta e o método de rateio proporcional, no caso de existência de receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação Que o sistema de custo integrado separa os custos destinados à fabricação de açúcar e álcool, de modo que os insumos destinados a cada processo sejam diretamente direcionados a seus respectivos centros de requisição contábeis. Que todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial são exatamente custos de fabricação de açúcar, vez que cem pro cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar e que para a fábrica de álcool somente é destinado o “mel final” que resulta do processo de fabricação de açúcar, o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial, e que não houve fabricação de álcool direto da cana. Quanto a outra alegação, de falta de identificação de fornecedores, produtos, insumos dos custos apropriados, alega que adota há trinta anos tal procedimento, nunca senso questionado pela fiscalização e que tal procedimento é reconhecido a adotado como parte integrante das melhores técnicas de escrituração, que todas as requisições e notas fiscais foram apresentadas, o que deu margem à discussão sobre o conceito de insumos. Quanto a argumentação de que há Razões nos quais notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, Fl. 467DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 que tais livros não são obrigatórios e não possuem regramento específico para se preenchimento. Que inexistem custos comuns que são apropriados somente para a parte de produção não cumulativa, conforme mostra o trabalho pericial anexo que o processo de fabricação de açúcar e de álcool são independentes e partem de pontos totalmente distintos e que deve ser respeitado o sistema de custo integrado existente e mantido pelo interessado, e que a fiscalização obteve acesso a todos os documentos atinentes aos créditos. Da energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil Nesses itens, reitera as alegações acima quanto a apropriação do crédito presumidos. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados á venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto a limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maiô e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja vista o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Da utilização do crédito presumido Que a requerente sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições sociais, de modo que a acusação dos autos improcede. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 127 11 PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO RERATIFICADO– A DRF em Araçatuba, através do Parecer, reformulou o Parecer anteriormente exarado, para ressaltar que o crédito presumido de atividades agroindustriais somente pode ser utilizado para dedução do valor devido da contribuição, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento, á vista do disposto no art. 8º, caput, da Lei nº 10.925,de 2004, e no art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, glosouse o valor do crédito presumido da agroindústria – R$ 116.236,43 reduzindo o direito creditório anteriormente deferido, R$ 190.764,87, para R$ 74.528,44, Através do Despacho Decisório (DD), acatouse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido, abrindose prazo para o interessado para a apresentação de nova manifestação de inconformidade (MI). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (MI) – fls. 337188 Na sua nova MI, inicialmente, o interessado reafirma a preliminar anteriormente esposada, a respeito da apreciação anterior dos créditos no processo 15868.000039/201084. No mérito, também reafirma que sempre se utilizou dos referidos créditos para compensar com débitos das próprias contribuições, conforme pode se verificar nas próprias PER/DCOMP utilizadas no presente processo, e que o art. 74 da Lei nº 9.430/96 serve a garantir ao contribuinte o direito de compensar quaisquer créditos fiscais que possua com quaisquer débitos federais. A DRJ decidiu em síntese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo Fl. 470DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 128 13 produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃOCUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Os créditos presumidos da agroindústria somente podem ser utilizados para a dedução dos valores devidos das contribuições para o PIS/Cofins, vedada a sua utilização para ressarcimento ou compensação com demais tributos. ADN SRF nº 15 de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” A Recorrente apresentou recurso voluntário, com as mesmas alegações acima. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Como acima indicado, transcrevo, ipsis litteris, o voto entregue pela relatora à Secretaria. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os pressupostos para sua admissibilidade, por isso, dele conheço. No presente caso, o feito fiscal contém todos os elementos necessários para seu prosseguimento, inexistindo nos autos qualquer dúvida de ordem técnica que dependa de novas ações a fim de aferir dados factuais. A argumentação da interessada encontrase desprovida de qualquer elemento concreto de sua Fl. 471DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 necessidade. Logo, diante do convencimento da desnecessidade de quaisquer esclarecimentos adicionais para o julgamento em tela, concluo pelo indeferimento do pedido de perícia. Das alegações de inconstitucionalidade Quanto à alegação de inconstitucionalidade da IN SRF nº 247, de 2002, e das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 cabe esclarecer que não cabe a apreciação dos dispositivos legais sob o ponto de vista de sua constitucionalidade pela autoridade administrativa. Dos Bens utilizados como insumos Da glosa dos bens utilizados como insumos A recorrente é uma empresa agroindustrial que tem por objeto social a produção e comercialização de açúcar, de álcool, de canadeaçúcar e demais derivados desta, entre outras atividades. Da análise do exposto nos prolegômenos acima, concluo que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3o, II, da Lei 10.637, de 2002, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/2005, considero "insumos", para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação do açúcar e dos outros produtos não cumulativos, como o álcool industrial. Também entendo que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo que produz açúcar e álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. Mas os dispositivos legais que estabelecem o PIS e a COFINS não invocaram a legislação do IPI ou do IRPJ para subsidiar a determinação do direito de creditamento. Por todas essas considerações feitas, proponho que não pode prosperar a argumentação da recorrente de que os custos e despesas de operação orientados pelo entendimento do Imposto de Renda sejam critérios suficientes para justificar o creditamento. E também que não deve prevalecer a motivação da autoridade fiscal quando ela aplica apenas os conceitos da legislação do IPI para justificar as glosas. Cabe esclarecer qual o conceito de insumos para as contribuições não cumulativas: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 129 15 Em relação a Cofins não cumulativa, o inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Definido o conceito de insumos, cabe analisar se os itens glosados estão enquadrados no conceito legal. Foi glosado partes e peças de manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus, gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas. Foi glosado também o frete relativo a transporte de pessoas e a transporte de equipamentos do ativo permanente. A legislação adota, para fins de apuração de créditos na modalidade da não cumulatividade, a enumeração exaustiva dos bens e serviços capazes de gerar crédito e os vinculou a determinadas atividades, assim como ao modo de produção, no que respeita à questão do insumo. Dessa forma, a aquisição de um bem ou serviço poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. Para qualquer análise sobre aquisições de bens e serviços que vise determinar a geração de crédito são indispensáveis o exato conhecimento da atividade e a forma de aplicação, em especial no caso de insumo. A Recorrente produz açúcar bruto e álcool carburante. Considerando a atividade da Recorrente é possível concluir que os itens glosados não se enquadram como insumos de sua produção. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Os itens relacionados no Auto de Infração, referente ao Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc, não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita, porquanto não se tratam de matérias primas ou materiais de embalagem e tampouco utilizado no processo produtivo da recorrente portanto, mantenho a glosa. Em relação à glosa efetuada referente ao item Material Intermediário – Serviços de Manutenção Industrial, foram contabilizadas despesas referentes a gastos com construção civil, reparação de caminhões, reboques, e com tintas, vernizes e diluentes, e cimento que também não podem efetivamente ser enquadrados na conceituação de insumos acima transcrita. O mesmo se aplica ao frete relativo a transporte de pessoal e de ativo permanente, que também não se enquadram no conceito acima. Quanto à alegação de que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, cabe esclarecer que: Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o legislador, além de permitir a apuração de créditos calculados sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passou a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3o, caput, e incisos I, II e IX. O art. 15 da citada Lei no 10.833, de 2003, estendeu o benefício previsto no inciso IX do citado art. 3º acima transcrito também para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep. Conforme já visto, tratase do direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com armazenagem de mercadorias e frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 130 17 A fiscalização juntou lista e Notas fiscais (fls. 217/220). Verifica se que as Notas se referem a transporte com pessoal e de ativo imobilizado, que não geram crédito, por não se tratar de operações de venda de mercadoria. A interessada não comprova ou aponta quais Notas seriam referentes à venda e tampouco foi identificada qualquer nesta condição que tenha sido glosada. Portanto mantenho a glosa neste item. Do método de apuração do crédito comum O §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003 regulamentam a matéria e nos casos em que a pessoa jurídica se sujeita a incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas, deverá ser adotado um dos dois métodos em relação aos custos, despesas, e encargos comuns. O Recorrente informou no DACON que teria utilizado a apropriação direta e a fiscalização desconsiderou o critério adotado e aplicou o rateio proporcional já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. Apurouse também que foram incluídos valores que não são insumos. Inicialmente cabe esclarecer que apurado o custo do produto sujeito à sistemática da não cumulatividade pelo custeio por absorção, deve ser apurado o percentual deste perante o custo total. Apurado o percentual que representa o produto sujeito à sistemática não cumulativa, este percentual deve ser aplicado nos custos, encargos, despesas comuns que dão direito ao crédito da não cumulatividade. Assim, não será o custo apurado na contabilidade que irá gerar crédito, mesmo porque compõe o seu valor os custos fixos e variáveis, que abrangem elementos que não geram credito. Ressalte – se também que tal sistemática somente se aplica se existem custos, encargos ou despesas comuns e a pessoa jurídica se sujeita à incidência não cumulativa em relação a parte de suas receitas. A interessada produz açúcar, produto sujeito à sistemática não cumulativa, e álcool, produto sujeito a sistemática cumulativa. Assim, cabe apurar se existem custos, encargos ou despesas comuns aos dois produtos. A Recorrente alega que os processos produtivos são independentes, na primeira etapa é produzido o açúcar, este processo gera um resíduo chamado de “mel pobre”. A partir do mel se produz o álcool. Os custos incorridos numa produção conjunta até o ponto de cisão (inclusive), são chamados de custos conjuntos. É possível concluir que o processo produtivo da interessada é uma produção conjunta até o ponto de cisão, ou seja, até o momento que é produzido o açúcar e o mel final, a Fl. 475DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 partir daí, o processo produtivo segue em relação ao mel final sendo considerado um processo único até a fabricação do álcool. Não é possível considerar que o mel final (matéria prima) do álcool seja apenas resíduo, mesmo porque este é produto que não tem mercado certo, o que não ocorre com o mel final. A produção do mel final é onde ocorre o ponto de cisão da produção do açúcar e do álcool. Assim a produção do álcool somente é possível se realizado todo o processo produtivo desde a extração do caldo da cana. Estabelecido que se trata de processo de produção conjunta, cabe relatar brevemente o que seria o custeio por absorção. Na obra citada acima assim se define o custeio por absorção: Custeio por absorção é um processo de apuração de custos, cujo objetivo é ratear todos os seus elementos (fixos ou variáveis) em cada fase da produção. Logo um custo é absorvido quando for atribuído a um produto ou unidade de produção, assim cada unidade ou produto receberá sua parcela no custo até que o valor aplicado seja totalmente absorvido pelo custo dos produtos vendidos ou pelos estoques finais. Concluise que a produção da Recorrente é uma produção conjunta, e como tal, possui custos, encargos e despesas comuns, então o contribuinte poderia optar entre as duas formas de rateio quais sejam: custeio direto por absorção ou o rateio proporcional a receita. Para optar pelo custeio direto por absorção a interessada deve ter o sistema de custos integrado e coordenado com o restante da contabilidade. Contudo, analisando a contabilidade da interessada, constatouse que os custos da produção conjunta foram integralmente direcionados para a produção do açúcar, portanto, não houve um rateio, não sendo possível aceitar que tal sistemática seja considerada custeio por absorção, já que neste processo a empresa utilizase de métodos (valor das vendas, volume produzido, igualdade do lucro bruto, etc.) para atribuir os custos conjuntos aos produtos. Para a fabricação do álcool, é absolutamente necessária a existência da matéria prima, no caso, a cana, assim como todos os demais produtos e bens utilizados no processo. Sem a cana e todo o processo posterior para a produção do “mel final” não haveria a produção de álcool que gera receitas significantes para a empresa. Assim, sendo a cana de açúcar insumo necessário para a fabricação tanto do álcool como do açúcar, inferese que tal custo é comum, e deve ser apropriado proporcionalmente, uma vez que não há possibilidade de distinção de custos no Fl. 476DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 131 19 processamento para fabricação de ambos os produtos. Tal entendimento aplicase a todos os custos, despesas e encargos envolvidos na produção de tais produtos. Quanto à verificação nos Razões, que não permitiram identificar quais os produtos, insumos, ou fornecedores dos custos apropriados, a empresa alega que adota há trinta anos tal procedimento e nunca foi questionada. Nos termos da lei, toda a escrituração deve ser fundamentada com documentação hábil e idônea e as aquisições de produtos e insumos devem ser comprovadas com a apresentação das notas fiscais correspondentes. Quanto às alegações a respeito da escrituração dos livros auxiliares, que não registraram dados a respeito de produtos, fornecedores e notas fiscais constantes dos Razões, o fato de tais livros não serem obrigatórios e não possuírem regramento específico para o seu preenchimento não muda o fato de que, se são complementares à escrituração e base para apuração de bases de cálculo de créditos das contribuições, obrigatoriamente os seus registros deverão ser baseados em documentação hábil e idônea. A falta de registros os inabilita para o objetivo a que se pretende – a comprovação da correta contabilização dos custos, despesas e encargos para apropriação por sistema integrado com a contabilidade. Correto, portanto, a decisão da DRJ de desqualificação do método de apropriado direta utilizado pelo interessado, pelas irregularidades na escrituração e pela inadequação do sistema adotado à vista do processo fabril da empresa, que tem uma única matéria prima(cana), que passa por procedimentos também únicos, para gerar, ao final, dois produtos tributados por sistemáticas diferentes. Em função da apropriação dos créditos da agroindústria pelo método do rateio proporcional, cujo percentual foi calculado de acordo com as normas legais, correta a glosa dos valores dos créditos referente aos gastos com insumos, energia elétrica, e demais custos comuns considerados na verificação fiscal. Cabe destacar que não foram alterados os valores da linha despesas de contraprestação de arrendamento mercantil Ressaltese que bens de natureza permanente, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes, correios e malotes, comunicações, outros serviços, serviços de manutenção e reparos, não se enquadram no conceito de Fl. 477DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 insumo, portanto, não geram crédito, conforme já tratado neste voto. Do aproveitamento do crédito presumido das atividades industriais. O art. 8º da Lei nº 10.925/2004, assim dispõe: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 , e 10.833, de 29 de dezembro de 2003 , adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ). O crédito presumido aplicase sobre o valor dos bens do inciso II do art. 3º da Lei 10.637 e 10.833, isto é, bens utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, adquiridos de pessoa física. Portanto, não se aplica ao frete adquirido de pessoa física, já que frete não é insumo, e somente é possível apurar crédito em relação ao frete na venda se adquirido de pessoa jurídica, conforme art. 3º,inciso IX e §3º da Lei 10.833/2003 c/c art. 15 da mesma lei. Dos encargos de depreciação do ativo Nesse item, temos duas situações distintas – (i) a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos, e (ii) a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – edificações, veículos, motos , microonibus, caminhões, etc, rádios motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc não deixa duvidas que os mesmos não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por Fl. 478DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13822.000012/200797 Acórdão n.º 3401002.971 S3C4T1 Fl. 132 21 infringência ao dispositivo legal acima transcrito, devem ser glosados. Correta, também, a glosa dos encargos de depreciação dos bens vinculados a receitas sujeitas ao regime cumulativo da contribuição – destilaria, fábrica de álcool, tanque de álcool – uma vez que não podem gerar créditos relativamente à apuração no regime não cumulativo. As disposições legais são expressas quanto aos períodos de aproveitamento dos créditos referentes aos encargos de depreciação, vedando expressamente, a partir de 1º de agosto de 2004, o desconto referente à depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquirido até 30/04/2004 e autorizando o aproveitamento desse tipo de crédito para os bens adquiridos a partir de 01/05/2004 (art. 31 e § 1º, da Lei nº 10.865). O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada, somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 (art. 2 º e § 2º, da Lei nº 11,051, de 2004). Por todo exposto, mantenho a decisão da DRJ e nego provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o colegiado, em sua integralidade, o voto acima, negando provimento, por unanimidade, ao recurso do contribuinte. Esse o acórdão que me exigi redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Redator Fl. 479DF CARF MF Impresso em 05/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 04/08/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10580.725282/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CANCELAMENTO. EXTINÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES.
Tendo sido o Ato Cancelatório de Isenção baixado, é mister que sejam extintas as contribuições previdenciárias e penalidades exigidas em decorrência dele.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.610
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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CANCELAMENTO. EXTINÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES. Tendo sido o Ato Cancelatório de Isenção baixado, é mister que sejam extintas as contribuições previdenciárias e penalidades exigidas em decorrência dele. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 52 82 /2 00 9- 78 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo. Ausente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10580.725282/200978 Acórdão n.º 2402004.610 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 21/09/2009 (fl. 02) para exigir multa por ter a entidade entregue a GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, no período de 01/2005 a 12/2006. De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 45), a autuação foi lavrada em virtude da emissão do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 02/2009. O Recorrente interpôs Impugnação (fls. 81/411) requerendo a total improcedência do auto de infração. A DRJ em Salvador/BA, ao analisar o presente caso (fls. 420/431), julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, entendendo, em suma, que: (i) a inexistência de decisão definitiva no processo administrativo no qual se discute o cancelamento da isenção da entidade não constitui óbice à constituição do crédito tributário; (ii) a decisão definitiva no processo de isenção é requisito apenas para que a União proceda à cobrança das contribuições lançadas; e (iii) a instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. O Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 435/500), no qual sustenta, em síntese, que: (i) o auto de infração é nulo por ofensa ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal; (ii) a autuação é nula pois não existia Ato Regulatório Cancelatório regular antes da sua lavratura; (iii) é detentora do direito à imunidade tributária; (iv) os fatos instigados que levaram à lavratura do ato Cancelatório ocorreram em período prescrito; (v) a informação fiscal que deu origem ao cancelamento da isenção tem como objeto fatos que já estão sendo analisados pela Receita Federal do Brasil, o que configura litispendência administrativa e, consequentemente, dupla condenação da Instituição, por idênticos fatos e fundamentos; (vi) é inviável a rediscussão da matéria, pois o extinto Conselho de Recursos da Previdência Social já tinha dado ganho de causa à Instituição em relação ao cancelamento da isenção; (v) a multa é confiscatória; e (vi) a multa não pode ser cumulada com a SELIC. É o relatório. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica à fl. 45, o presente lançamento decorreu da lavratura do Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Previdenciárias nº 02/2009, objeto do processo administrativo nº 18050.001428/200813. Assim, a exigência do presente débito previdenciário está atrelada ao desfecho da discussão acerca do referido Ato Cancelatório. Nesse sentido, destacase que foi dado provimento ao recurso voluntário interposto nos autos nº 18050.001428/200813, determinandose, consequentemente, a baixa do Ato Cancelatório nº 02/2009. Desta forma, tendo o Ato Cancelatório sido cancelado, não há mais que se falar na exigência das contribuições previdenciárias e penalidades decorrentes. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, a fim de que a multa ora exigida seja baixada. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 11516.007294/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004, 2005
INOCORRÊNCIA DE NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES.
Créditos bancários sem origem justificada caracteriza omissão de receita, por força de presunção legal, e se constitui em prática reiterada de infração à legislação tributária se tal situação se verificou por dois anos calendário, ensejando situação passível de excluir empresa do Simples.
ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. LUCRO ARBITRADO
Constatado que a escrituração contábil continha vícios e deficiências que a tornam imprestável para a determinação do lucro real, correto o arbitramento de lucro, com base na receita bruta conhecida. Excluída do Simples, os lucros foram arbitrados e os impostos e contribuições sociais foram apurados sob esta forma de tributação, deduzindo-se os valores recolhidos pelo Simples. A ciência destes lançamentos e do ato de exclusão do Simples podem se dar na mesma data, não havendo assim qualquer preterição de direito de defesa, pois tanto a exclusão como os lançamentos tributários são objeto do mesmo processo administrativo, julgados, portanto, de forma simultânea.
IRPJ, CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL.
O arbitramento do lucro não é urna penalidade ou sanção tributária. É uma modalidade de lançamento necessária à apuração do lucro tributável, obrigatória quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 527 do RIR.
OMISSÃO DE RECEITAS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentá-las espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se houve dissolução irregular da sociedade.
MULTA QUALIFICADA. DEVIDA
Configurada a conduta proativa da Recorrente, bem como em face da utilização de interpostas pessoas no quadro societário, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da infração à lei.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação de IRPJ, em função da relação de causa e efeito que os une, com exceção do que foi tratado no corpo do voto em relação à decadência parcial do crédito tributário.
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98.
Reputa-se correto o lançamento relativo à Cofins quando inexiste qualquer vínculo entre o feito fiscal e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo dessa contribuição.
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. Reputa-se correto o lançamento relativo à contribuição para o PIS quando inexiste qualquer vínculo entre o feito fiscal e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo dessa contribuição
ADICIONAL DE IRPJ- FALTA DE INDICAÇÃO DO FUNDAMENTO LEGAL ESPECÍFICO - Quanto ao lançamento de adicional do IRPJ, quando fundamentada a exigência do IRPJ, a falta de indicação do dispositivo legal que especificamente autoriza sua exigência não a compromete.
JUROS À TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4).
Numero da decisão: 1401-001.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar e, no mérito, NEGARAM provimento aos Recursos Voluntários interpostos.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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Recorrente R & N INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA e JUCELINO ROMANA GRASSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005 INOCORRÊNCIA DE NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. Créditos bancários sem origem justificada caracteriza omissão de receita, por força de presunção legal, e se constitui em prática reiterada de infração à legislação tributária se tal situação se verificou por dois anos calendário, ensejando situação passível de excluir empresa do Simples. ESCRITURAÇÃO. DEFICIÊNCIAS. LUCRO ARBITRADO Constatado que a escrituração contábil continha vícios e deficiências que a tornam imprestável para a determinação do lucro real, correto o arbitramento de lucro, com base na receita bruta conhecida. Excluída do Simples, os lucros foram arbitrados e os impostos e contribuições sociais foram apurados sob esta forma de tributação, deduzindose os valores recolhidos pelo Simples. A ciência destes lançamentos e do ato de exclusão do Simples podem se dar na mesma data, não havendo assim qualquer preterição de direito de defesa, pois tanto a exclusão como os lançamentos tributários são objeto do mesmo processo administrativo, julgados, portanto, de forma simultânea. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 72 94 /2 00 8- 72 Fl. 644DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 2 IRPJ, CSLL ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. O arbitramento do lucro não é urna penalidade ou sanção tributária. É uma modalidade de lançamento necessária à apuração do lucro tributável, obrigatória quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, de acordo com o disposto no parágrafo único do art. 527 do RIR. OMISSÃO DE RECEITAS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentálas espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. Os mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são responsáveis solidários pelos créditos correspondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, ou, ainda, se houve dissolução irregular da sociedade. MULTA QUALIFICADA. DEVIDA Configurada a conduta proativa da Recorrente, bem como em face da utilização de interpostas pessoas no quadro societário, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da infração à lei. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação de IRPJ, em função da relação de causa e efeito que os une, com exceção do que foi tratado no corpo do voto em relação à decadência parcial do crédito tributário. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. Reputase correto o lançamento relativo à Cofins quando inexiste qualquer vínculo entre o feito fiscal e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo dessa contribuição. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3º, §1º DA LEI Nº 9.718/98. Reputase correto o lançamento relativo à contribuição para o PIS quando inexiste qualquer vínculo entre o feito fiscal e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo dessa contribuição ADICIONAL DE IRPJ FALTA DE INDICAÇÃO DO FUNDAMENTO LEGAL ESPECÍFICO Quanto ao lançamento de adicional do IRPJ, quando fundamentada a exigência do IRPJ, a falta de indicação do dispositivo legal que especificamente autoriza sua exigência não a compromete. JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa Fl. 645DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 3 3 referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1º CC nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, REJEITARAM a preliminar e, no mérito, NEGARAM provimento aos Recursos Voluntários interpostos. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 4 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS como consequência da exclusão da Recorrente do Simples com efeitos desde 01/01/2004, por meio do qual a Autoridade Fiscal identificou omissão de receitas a partir de extratos bancários, aplicandose a presunção do art. 42 da lei nº 9.430/96, lançados por arbitramento, acrescido de multas qualificadas de 150% ou 75%, a depender do caso. Por bem detalhar o trabalho fiscal que embasa a presente autuação, adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida, in verbis: Por meio dos Autos de Infração acostados às folhas 313 a 379, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 12.556,70, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS , de R$ 118.516,77 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, de R$ 43.275,55 a título de Contribuição para o PIS/Pasep, de R$ 182.795,84 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e de R$ 70.372,17, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, acrescidas de multa de oficio de 150% e/ou de 75% e encargos legais devidos à época do pagamento, referentes aos fatos geradores trimestrais ocorridos nos anos calendário de 2004 e 2005. Considerado também no pólo passivo dos autos, o Sr. Jucelino Romagna Grasso, conforme TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, acostados às fls.309 a 310, nos termos do art.124 do Código Tributário Nacional (CTN). Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", às folhas 335, e ao "Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento da Ação Fiscal" às folhas 385, verificase que a autuação se deu em razão de: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte apresentava a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — SIMPLES e foi excluído deste sistema pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 59, de 24 de outubro de 2008, com efeitos desde 01/01/2004. Enquadramento Legal: Art.530, inciso I do RIR/99. 2.4. ARBITRAMENTO A fiscalizada omitiu as informações sobre a movimentação financeira, não as registrando nos livros obrigatórios (caixa). Deste modo foi excluída do Simples e sua contabilidade tendo sido considerada imprestável para a tributação pelo lucro real, resta a tributação pelo arbitramento. O arbitramento teve como base a receita bruta conhecida, sendo apurado, ainda, omissão de receita por conta de Fl. 647DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 4 5 depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 (art.849 do RIR/99) consignado no Auto (fl.337) e detalhadamente descrito no Termo Fiscal, item 3.2. Os Fatos: Os Créditos Bancários Não Contabilizados São Parte da Movimentação Financeira Paralela — "Caixa 2". Do Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento da Ação Fiscal" às folhas 383 a 407, extraise, em resumo: 2.3. EXCLUSÃO DO SIMPLES Em 20/10/2008, foi proposta (fls.01/02) a exclusão do SIMPLES, a partir de 01/01/04, conforme o inciso V do artigo 196 do RIR/99, da contribuinte fiscalizada, por: a) O Livro Caixa, não registrar toda movimentação financeira, inclusive bancária, conforme determina o art. 7°, §1°, alínea "a" da Lei n° 9.317/96 ou art. 190, parágrafo único, inciso I, do RIR/99. b) PRÁTICA REITERADA da infração à legislação tributária denominada de OMISSÃO DE RECEITA, pois no anocalendário de 2004 declarou uma receita de R$ 222.073,83 enquanto sua movimentação financeira em créditos bancários foi de R$ 2.162.489,42 e no ano calendário de 2005 declarou uma receita de R$ 342.537,77 enquanto sua movimentação financeira de foi R$ 4.637.844,66, conforme o "QUADRO 01 — R & N — MOVIMENTAÇAO FINANCEIRA EM 2004 E 2005" (fls.02), portanto, enquadrandose no inciso V, do artigo 195, do RIR/99. Pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 59, de 24 de outubro de 2008, o Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, SC declarou o contribuinte R & N INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ 04.609.689/000107, excluído do [...] — SIMPLES (Ils.302 — Volume 2). 2.4. ARBITRAMENTO A fiscalizada omitiu as informações sobre a movimentação financeira, não as registrando nos livros obrigatórios (caixa). Deste modo foi excluída do SIMPLES e sua contabilidade tendo sido considerada imprestável para a tributação pelo lucro real, resta a tributação pelo arbitramento. 2.5. QUALIFICAÇÃO DA MULTA A fiscalizada omitiu receita conforme está provado neste termo. Não registrou a sua real movimentação financeira. Também é importante registrar que a empresa admitiu que forneceu informações falsas (f15.230) ao BANCO SUDAMERIS/REAL com o objetivo de conseguir um financiamento. Assim, a sua conduta denota o elemento subjetivo da prática dolosa de enganar o fisco, portanto enseja a Fl. 648DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 6 aplicação da MULTA QUALIFICADA, conforme o artigo 44, inciso fie §1° da Lei 9.430/96. 2.6 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA • Nos termos dos artigos 124 da Lei n° 5.172, de 1996 (Código Tributário Nacional) ficou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr. JUCEL1NO ROMAGNA GRASSO CPF 552.312.09953, assim exposto: Art.124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; — OS PASSOS PARA CARACTERIZAR O SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO 2.6.1 — A HISTÓRIA DA EMPRESA Os sete quadros a seguir mostram a história oficial da contribuinte, através dos seus registros na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina — JUCESC. 2.6.2 — FALTA DE REGISTRO CONTÁBIL DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Como a empresa respondeu à fiscalização que possuía conta bancária apenas no Banco do Brasil e na CEF (fis.24) e no livro caixa o registro era feito de modo globalizado e por um valor bem pequeno, foi solicitada a requisição de informação sobre movimentação financeira nos bancos do Brasil, CEF, Safra e Sudameris/Real (fIs.26/32). Ao receber as informações, o Banco do Brasil encaminhou cópias de procurações (fls.110/113) em que a empresa conferia amplos poderes para administrar todos os seus negócios, bens, assuntos e interesses selam eles de que natureza forem, a JUCELINO ROMA GNA GRASSO. 2.6.3 EMPREGADOS DE SI MESMO Vislumbrando a possibilidade de que os sócios poderiam ser interpostas pessoas e considerando a possibilidade de que o Sr. JUCELINO ROMAGNA GRASSO fosse o verdadeiro proprietário da R & N, foi solicitado ao Ministério da Previdência informações sociais dos sócios constantes no contrato social e nas suas alterações (lis. 33/34). 2.6.4 — EXPLICAÇÕES MAL FEITAS 2.6.5 — JUCELINO É O ÚNICO EMPRESÁRIO QUE ACUMULA CAPITAL Pelas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos sócios das duas empresas — R & N e BOCCONE — o único empresário com evolução patrimonial é o Sr. Jucelino Romagno Grasso. 3. OMISSÃO DE RECEITA — FATOS CARACTERIZADORES Fl. 649DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 5 7 • 3.1. OS FATOS: CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS; TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 01/2008, N° 02/2008 e N° 03/2008. Pelo Termo de Início de Fiscalização (fls.03/04), em 18/02/2008, a fiscalizada foi intimada, entre outros, a apresentar os extratos bancários e os livros e documentos. Como a empresa respondeu à fiscalização que possuía conta bancária apenas no Banco do Brasil e na CEF (fls.24) e no livro caixa o registro era feito de modo globalizado e por um valor bem pequeno, foi solicitada a requisição de informação sobre movimentação financeira nos bancos do Brasil, CEF, Safra e Sudameris/Real (lis. 26/32). Em 03/06/2008, pelo TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL N° 01/2008 — TIF 01/2008 (fls.64/225) foi solicitado "Comprovar com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, a origem dos recebimentos dos valores correspondentes aos créditos e/ou depósitos realizados nas suas contas correntes, conforme os quadros: (...) Em 14/07/2008 a fiscalizada respondeu ao Termo de Intimação Fiscal 01/2008 (fls.229/252). 3.2. OS FATOS: OS CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS SÃO PARTE DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA PARALELA — "CAIXA 2" Considerando que a empresa fiscalizada teve todas as oportunidades de comprovar a origem dos depósitos/créditos em sua contacorrente bancária e não o fez com quaisquer documentos hábeis e idôneos; Considerando que cabe ao contribuinte comprovar a origem, com documentos hábeis e idôneos, de depósitos relacionados pela fiscalização, sob pena de serem considerados tais valores omissão de receita, por expressa presunção legal (art.42 da Lei 9.430/96); Deste modo, não é ônus da fiscalização promover cruzamento de depósitos bancários e operações que não estejam reportadas nos livros contábeis e fiscais ; e Os depósitos/créditos bancários cujas origens não foram comprovadas, por presunção legal, é sua receita. 4. OMISSÃO DE RECEITA — VALORES APURADOS O QUADRO 01— RESUMO DOS CRÉDITOS EM 2004 E 2005, a seguir mostra os créditos/depósitos bancários não contabilizados e sem comprovação da sua origem, dos anoscalendário de 2004 e 2005 (...) 4.1. COMPENSAÇÃO DOS VALORES PAGOS COMO SIMPLES Fl. 650DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 8 Os valores recolhidos pela fiscalizada, como SIMPLES, serão compensados, conforme os percentuais atribuídos pela Lei do SIMPLES, para cada tributo ou contribuição. A contribuinte R & N Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. apresentou sua impugnação às folhas 415 a 441, nas quais expõe suas razões de irresignação que a seguir se resume: DAS PREMISSAS BÁSICAS DE ANÁLISE JURÍDICA II— PRELIMINARMENTE apesar de ter tido ciência do presente processo, não teve vista do mesmo, pois este não se encontra no domicilio fiscal da impugnante, mas em andamento, cuja última movimentação ocorreu em 17/10/2008; para apresentar sua defesa de forma eficiente e efetiva, necessário que tenha vista de todos os documentos carreados no processo, em cumprimento do principio da ampla defesa e contraditório; assim, desde já requer seja dada vista dos autos dos processos acima epigrafados à impugnante, deferindose novo prazo para manifestação ou apresentação de aditamento à presente impugnação; II. Da invalidade da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal e da nulidade dos autos de infração/lançamentos de oficio; que não há qualquer hipótese de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, e mesmo que houvesse só poderia ser prorrogado pelo Delegado; que o Mandado de Procedimento Fiscal foi prorrogado quatro vezes sem qualquer justificativa do fisco e sem proceder a necessária notificação ao sujeito passivo da prorrogação; observase, assim, a invalidade na alteração e prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal e a nulidade da ação fiscal, tendo em vista que esta se deu após o término do prazo previsto no Mandado de Procedimento Fiscal originário; portanto, inexistindo alteração válida do Mandado de Procedimento Fiscal para inclusão dos tributos PIS e COFINS e, inexistindo, outrossim, prorrogação válida desse mandado fiscalizatório, é nula a ação fiscal dela decorrente, e, por corolário, nulos os autos de infração/lançamento de oficio do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL; ressalta que, quanto à CSLL, não houve Mandado de Procedimento Fiscal, sendo assim nulo o respectivo auto de infração; quanto à exclusão da Impugnante do SIMPLES, cabe apontar que esta não recebeu qualquer informação de que o procedimento fiscal abrangeria tal hipótese, o que denota a invalidade do ato declaratório que a excluiu do SIMPLES; Fl. 651DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 6 9 11.2 Da ilegalidade do procedimento fiscalizatório e dos atos decorrentes por violação ao sigilo bancário da contribuinte; que o agente fiscal requisitou diretamente a movimentação financeira da contribuinte, sem proceder a intimação da impugnante da RMF, violando o §2°, artigo 4° do Decreto 3.724/2001; além disso, o agente fiscal não fundamentou, na forma dos §§ 5° e 6°, art.4° do Decreto 3.724/2001, pois não houve nenhum relatório circunstanciado elaborado pelo auditor demonstrando com precisão e clareza a motivação da aludida requisição para quebra do sigilo bancário, o qual só pode ser quebrado com autorização judicial; deste modo, o artigo 6° da LC 105/2001 e o Decreto 3.724/2001 são incompatíveis com a Carta Magna, pois não há fundamento constitucional para quebra do sigilo bancário pelo fisco sem autorização judicial; 11.3 Da ausência do enquadramento legal para fiscalização e lançamento das Contribuições; que todo o procedimento de fiscalização se referiu apenas ao IRPJ, tanto que o termo de verificação refere a auto de infração — IRPJ e seus Reflexos, que nenhum tributo pode ser considerado reflexo do outro, todos são regulados por legislação própria e possuem diferentes hipóteses de incidência; deste modo, vêse, ante a ausência da ciência da contribuinte do procedimento fiscalizatório sobre a CSLL; ante a invalidade de possível alteração do MPF inicial para incluir COFINS e PIS, e, ante a ausência do enquadramento legal dessas contribuições, os autos de infração restam ilegais; 11.4 Da invalidade dos autos de infração do IRPJ, PIS, COFINS e CSLL; os autos de infração foram lavrados sob o pressuposto de que a impugnante foi excluída do Simples através do Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS n° 59, de 24/10/2008; apesar deste ato, é de se notar que a impugnante somente tomou ciência deste ato juntamente com a ciência do presente processo; não foi oportunizado defenderse primeiro da exclusão do SIMPLES, para, então, se mantida a exclusão, após o devido processo legal, efetivar se o auto de infração; portanto, até que seja julgada definitivamente a exclusão do SIMPLES, não pode o fisco considerar a impugnante fora deste sistema de tributação com data retroativa. III — DO MÉRITO III.1 DA INDEVIDA EXCLUSÃO DO SIMPLES 111.1.1 Ausência de devido processo legal; Fl. 652DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 10 ainda, que a exclusão é indevida também porque foi proposta com base em presunção de infração à legislação tributária; presunção porque ainda depende de julgamento, se for confirmado pela instância administrativa superior; diante disso, até que seja julgado o auto de infração atribuído à Impugnante, ela não deve ser considerada devedora do fisco e tão pouco (sic) ser considerada como praticante de reiteradas infrações à legislação tributária; 111.1.2 Da Ausência de justificativa válida para exclusão do SIMPLES que a alegada ausência de registro de movimentação financeira não é causa para exclusão do SIMPLES, consoante regra prevista no art.14 da Lei 9.317/96; além disso, o inciso V do art.195 do RIR/99 não prevê a hipótese de exclusão do SIMPLES, somente a legislação pertinente a este sistema de tributação é que pode veicular tal hipótese; também não serve de argumentação para a exclusão a alegada prática reiterada à legislação tributária; data vênia, não se vê qualquer documento que comprove a alegada prática reiterada da impugnante em infração à legislação tributária; essa prática somente poderia ser comprovada se o fisco juntasse no processo em exame, cópias de notificações de vários outros autos de infração; a única vez que a impugnante foi notificada de alegada prática à legislação tributária é a presente; a alegada omissão de receita não denota reiterada prática de infração à legislação tributária, quando muito, apenas uma; destarte, não merece a impugnante ser excluída do SIMPLES com data retroativa, na forma posta; 111.2 DA INDEVIDA APLICAÇÃO DO LUCRO ARBITRADO que não há qualquer justificativa para considerar a contabilidade da impugnante imprestável; se era optante pelo SIMPLES, não tinha qualquer obrigação de manter a contabilidade como se estivesse no Lucro Real; que mesmo que não houvesse a devida escrituração contábil, como dito pelo agente fiscal, ainda assim, não se poderia aplicar o regime de tributação pelo Lucro Arbitrado ao presente caso, porquanto, notando que não houvesse escrituração, deveria o auditor intimar a contribuinte e conceder, por escrito, prazo razoável para que a mesma assim procedesse; que não se pode olvidar ainda, que, mesmo se fosse possível o arbitramento do lucro, este não poderia ser em razão dos valores devidamente apresentados e declarados pela contribuinte; não havendo qualquer razão que dê ensejo para tal situação, pois se a receita considerada "omissa" não o fosse, o regime de tributação seria o mesmo; se os valores já foram devidamente recolhidos, razão não há para aplicar o Lucro Arbitrado, somente sendo possível sobre os valores hipoteticamente desconhecidos; Fl. 653DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 7 11 Ademais, o agente fiscal não menciona o período do arbitramento do Lucro, não podendo o mesmo ser presumido; 111.3 APLICAÇÃO INDEVIDA DA MULTA NA FORMA QUALIFICADA que o argumento do fisco para aplicação da multa qualificada não procede, pois tratase de alegada omissão de receita e ausência de registro, e, quando muito, apenas falta de declaração ou de declaração inexata, onde é cabível a multa simples e não a qualificada; que o inciso II do art.44 da Lei 9.430/96 prevê multa de 50% e o auditor aplicou multa de 150%, de efeito confiscatório; ainda, que não se vê razão legal e jurídica para aplicar se multa de 75% sobre os valores declarados pela contribuinte e já tributados; 111.4 — ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO • 111.4.1 Quebra do sigilo fiscal destaca que as demonstrações de renda apresentadas pelo agente fiscal dos sócios da impugnante e do alegado sujeito passivo, denota quebra do sigilo fiscal, pois traz à tona informações confidenciais que não podem ser relevadas (sic) a terceiros; no caso em exame, a fiscalizada foi a empresa, não seus sócios e terceiro estranho à sociedade; os sócios da impugnante não tem direito de saber da situação patrimonial particular dos demais sócios, e essas informações não podem ser relevadas (sic) a ninguém, a não ser que houvesse ordem judicial devidamente fundamentada, e, ainda assim, de forma sigilosa; destarte, vêse in casu, quebra ilegal do sigilo fiscal dos sócios da impugnante e de terceiro estranho à sociedade, o que vicia todo o procedimento fiscalizatório, invalidando o; 111.4.2 Indevida eleição do sujeito passivo que o agente fiscal, sob o argumento da subsunção da regra capitulada no artigo 124, I, do CTN, considerou como sujeito passivo solidário da impugnante Jucelino Romagna Grasso; porém, temse a destacar que o caso em apreço não denota a hipótese normativa do mencionado preceptivo legal; não há nos autos demonstração de que haja interesse comum da pessoa apontada na constituição do fato gerador da obrigação principal; Jucelino Romagna Grasso não é e nunca foi sócio da empresa impugnante; o próprio quadro explicativo elaborado pelo auditor fiscal demonstra esse fato; está devidamente demonstrado que a impugnante é administrada pelo sócio Márcio Machado; Fl. 654DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 12 quanto à procuração outorgada a Jucelino Romagna Grasso, consoante já devidamente explicado anteriormente, ocorreu em razão da relação comercial havida entre a empresa deste e a empresa impugnante; a procuração foi outorgada pelo sócio administrador da impugnante à Jucelino; como bem demonstrou o agente fiscal, o administrador da impugnante não possui elevada experiência na condução administrativa dos negócios e ao invés de contratar um administrador para essa função, preferiu a ajuda do representante da empresa a que mantém relação comercial; não há nenhuma objeção legal para que isso ocorresse e não pode por isso, ser eleito como sujeito passivo solidário quem nunca sequer foi sócio da empresa impugnante; em relação às declarações de renda dos sócios da impugnante e do terceiro, Juscelino, temse a destacar que não prova o fato alegado pelo agente fiscal; ora, vêse nessas declarações que Márcio possui rendimento maior ainda de que Jucelino e não há nenhuma irregularidade nisso; quanto ao capital, é cediço que esse não é formado apenas de rendimentos, mas de outros ganhos, como doações, heranças, etc; o fato de ter um capital maior que o do outro não demonstra o fato apontado pelo agente fiscal como ensejador de solidariedade passiva solidária, mas a quebra ilegal de sigilo fiscal; que todo o quadro social da impugnante não demonstra nenhuma irregularidade; é comum na história dos grandes empresários começarem sua vida profissional como empregados e a partir dai adquirir conhecimentos e coragem para constituir o próprio negócio; deste modo deve ser afastada a sujeição passiva solidária apontada pelo agente fiscal; 111.5 DA ALEGADA OMISSÃO DE RECEITA o que há é apenas presunção de omissão de receita; se realmente houvesse omissão de receita, a receita dita "omissa", por óbvio, deveria aparecer em algum lugar; que receita é mera entrada, não é renda; da receita serão deduzidos os custos e as despesas; se realmente a impugnante tivesse auferido receita, haveria, após as deduções com despesas e custos, um aumento patrimonial, signo de riqueza nova; no entanto, o agente fiscal não demonstrou nenhum sinal de riqueza nova da impugnante; movimentação financeira, extratos bancários etc, não denotam sinal de riqueza; DOS AUTOS DE INFRAÇÃO E LANÇAMENTO EM ESPÉCIE 111.6 DO AUTO DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO DO IRPJ 111.6.1 Da indevida incidência do IRPJ sobre presunção de receita que foi considerado como receita os valores encontrados em informações colhidas diretamente nas instituições financeiras, através de mera presunção; e Fl. 655DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 8 13 assim, penalizando a contribuinte com o regime do Lucro Arbitrado, aplicou o coeficiente de 9,6% sobre a presunção de receita da contribuinte, para alcançar a base de cálculo arbitrada; no entanto, temse a considerar que a hipótese de incidência (fato gerador) do Imposto de Renda não é a receita, mas a renda, assim considerada nos termos do artigo 153, III, da CF/88 e do art.43 do CTN; deste modo, a incidência do IRPJ sobre a presunção de receita viola os mencionados dispositivos, constitucional e legal; 111.6.2 Da indevida aplicação da base de cálculo que mesmo que se considerasse correta a tributação pelo Lucro Arbitrado, ainda assim, a base de cálculo não foi corretamente aplicada, consoante artigo 27 da Lei 9.430/96 (que transcreve às fls.427); que deveriam ser observados os coeficientes de que tratam os incisos II, III e IV do art.51 da Lei 9.981/95, o que não se fez; 111.6.3 Da ausência de fundamentação legal para a cobrança do adicional do IRPJ que nos termos do art.10, inciso IV do Decreto 70.235/72, deve o auto de infração conter a disposição legal infringida e penalidade aplicável e, sendo ausente a fundamentação legal para cobrança do adicional do IRPJ, é nulo o lançamento; 111.6.4 Da multa indevida (fls.428 a 429, são os mesmos já relatoriados); 111.6.5 Dos juros ilegais os juros de mora no presente caso foram aplicados com base na Taxa SELIC, do art.61, §3° da Lei 9.430/96; mas que deve ser aplicado o percentual previsto no art.161 do CTN; demais, somente poderá incidir juros a partir da constituição definitiva do crédito tributário, não neste momento; 111.7 DO AUTO DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) 111.7.1 Da invalidade do auto de infração reitera que não teve ciência de que o procedimento fiscalizatório abrangeria também a CSLL, portanto é nulo o auto de infração; 111.7.2 Da não incidência da CSLL que por ser o lançamento de IRPJ inválido, então também é inválido o lançamento da CSLL; não obstante, temse a notar que a CSLL tem incidência apenas sobre o lucro obtido em determinada atividade; lucro esse efetivamente auferido após dedução de todos os custos e prejuízos fiscais; que a hipótese de incidência do IRPJ é diferente da hipótese de incidência da CSLL; enquanto aquele tem Fl. 656DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 14 como critério material o fato jurídico de auferir renda (art.43 do CTN), esta tem como critério material o fato jurídico de auferir lucro, portanto, no caso em comento não incide essa contribuição; 111.7.3 da indevida aplicação da base de cálculo que mesmo que se considerasse o regime de tributação pelo Lucro Arbitrado, a base de cálculo da CSLL não cumpriu a regra do artigo 29 da Lei 9.430/96, tendo o auto de infração considerado apenas a receita entendida por "omissa", que não é o critério quantitativo da regra matriz de incidência deste tributo; 111.7.4 Da multa indevida (fls.432 a 433, são os mesmos já relatoriados); 111.7.5 Dos juros ilegais (fl.433, são os mesmos já relatoriados); 111.8 DO AUTO DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO DA COFINS 111.8.1 Da invalidade do auto de infração (fl.433, mesmo argumento já relatoriado) 111.8.2 Da inconstitucionalidade do enquadramento legal que define a base de cálculo da COFINS que o enunciado do §1° do art.3° da Lei 9.718/98, que possui a mesma redação do caput do art.10 do Decreto 4.524/04 foi declarado inconstitucional pelo STF, através do julgamento dos recursos Extraordinários que menciona a fl.435; 111.8.3 Da invalidade da base de cálculo que a impugnante é contribuinte do ICMS, deste modo o ICMS que recolhe não pode servir como base de cálculo da COFINS, tendo em vista que o ICMS não denota receita; 111.8.4 Da multa indevida (fls.435 a 436, são os mesmos já relatoriados); 111.6.5 Dos juros ilegais (fl.436, são os mesmos já relatoriados); 111.9 DO AUTO DE INFRAÇÃO PARA LANÇAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 111.9.1 Da invalidade do auto de infração (f1.437, mesmo argumento já relatoriado) 111.9.2 Da inconstitucionalidade do enquadramento legal que define a base de cálculo do PIS/PASEP que o enunciado do §1° do art.3° da Lei 9.718/98, que possui a mesma redação do caput do art.10 do Decreto 4.524/04 foi declarado inconstitucional pelo STF, através do julgamento dos recursos Extraordinários que menciona a fl.438; 111.9.3 Da invalidade da base de cálculo • que a impugnante é contribuinte do ICMS, deste modo o ICMS que recolhe não pode servir como base de cálculo Fl. 657DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 9 15 do PIS/PASEP, tendo em vista que o ICMS não denota receita; 111.9.4 Da multa indevida (fl.439/440, são os mesmos já relatoriados); 111.9.5 Dos juros ilegais (fl.440, são os mesmos já relatoriados); Das fls.463 a 490 consta a impugnação apresentada por Jucelino Romagna Grasso, tido como responsável solidário, por intermédio de seu procurador (mesmo da Impugnante), cujos argumentos são os mesmos que aqueles apresentados pela Contribuinte fiscalizada, incluindo apenas uma nova argumentação, a de que seria necessário a emissão de um MPF específico para o sujeito passivo apontado como responsável solidário. Julgado o feito em primeira instância, entendeu a DRJ de Florianópolis manter integralmente o auto de infração, assim como a responsabilidade solidária, razão pela qual houve a interposição de recurso voluntário pela empresa e pelo responsável solidária, reafirmando as razões de impugnação. É o relatório, no necessário. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 16 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. Recurso Voluntário da Contribuinte O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. PRELIMINAR – CERCEAMENTO DE DEFESA Quanto à preliminar de nulidade do processo por afronta ao princípio da ampla defesa, tenho que não assiste razão à contribuinte, posto que foi concedida à Recorrente a absoluta possibilidade de contraposição de provas e argumentos do Fisco, tanto em relação à autuação em si, quanto ao ato de exclusão do SIMPLES. Aliás, tal assunto foi abordado pela DRJ com maestria, e não merece reparos, nos termos que se seguem: Como se verifica dos dispositivos acima transcritos, a ciência do contribuinte em relação ao MPFF e de eventuais alterações se dá por intermédio de seu código de acesso à internet, para que o fiscalizado possa não só identificar o mandado, mas também as posteriores prorrogações de prazo e/ou inclusão de tributos/contribuições, mesmo que as alterações efetuadas não lhe tenham cientificadas pelo AuditorFiscal responsável pelo procedimento. Veja que no Termo de Inicio de Fiscalização às fls.03/04, consta o número do MPF e o respectivo Código de Acesso, portanto, bastava ao contribuinte acessar, como ora feito, e verificar a existência da emissão do correspondente MPFF e de eventuais alterações, que ora se acosta aos autos à fl.498. Aliás, o MPFF e o Demonstrativo de Prorrogações (fl.498) sequer possui campo próprio para que seja consignada a ciência do sujeito passivo diferentemente do que ocorria anteriormente à Portaria supracitada , cuja ciência, atualmente, é feita por intermédio do acesso à internet, conforme estabelecido no parágrafo único do art.4° da Portaria RFB de n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, supra transcrito. E as prorrogações de prazo do MPF são também procedidas pela autoridade outorgante do MPF, conforme art.9° supra. • Assim, contrariamente ao alegado, as alterações eventuais que possam ser incluídas no MPFF não necessitam de intimação pessoal do fiscalizado. (...) O fato de ter tomado ciência do ato de exclusão do Simples e dos autos de infração na mesma data, não traz qualquer prejuízo à defesa da Impugnante. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 10 17 A Fiscalização apontou, em seu entendimento, as irregularidades tributárias que deram causa aos lançamentos de oficio, as quais, pela sua natureza — que adiante serão comentadas quando da apreciação da impugnação às exigências fiscais — ensejaram a exclusão da contribuinte do Simples. Estas irregularidades estão minudentemente expostas no Termo de Verificação, Constatação e Encerramento da Ação Fiscal, acostado às fls.383 a 111 407, do qual a contribuinte tomou ciência e recebeu uma via (fl.408). A Fiscalização, ao constatar, na sua ótica, que as infrações apuradas eram causa suficiente de exclusão da contribuinte do Simples, providenciaram à autoridade competente a Representação Fiscal Para Fins de Exclusão do Simples (fls.01 a 02), que a acatou e procedeu à emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 59, em 24/10/2008 (f1.308). No referido ato encontrase a fundamentação para a exclusão: inciso V, do art.14 da Lei n°9.317/96, a saber: Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária; Como se vê, as causas de exclusão do Simples foram, sim, devidamente apontadas e, reiterese, o fato de a ciência do ato de exclusão e dos autos de infração daremse na mesma data não prejudicou em nada a contribuinte no seu direito de defesa, tanto que o está exercendo agora, por meio de sua impugnação, direito, aliás, lhe assegurado no referido ato de exclusão (fl.308), como determina o §3° do art.15 da Lei 9.317/96. No presente caso, o ato de exclusão foi assinado pela autoridade fiscal competente da jurisdição da Interessada, o Delegado da Receita Federal em Florianópolis (fl.308), com a devida motivação, sendo assegurado o contraditório e foi o instrumento que deu ensejo aos lançamentos de oficio por outra forma de apuração dos impostos e contribuições sociais, no caso sob o regime do Lucro Arbitrado. È o que basta, portanto, não havendo vícios 111 formais em sua emissão, contrariamente, assim, ao alegado. De se rejeitar, portanto, a preliminar de nulidade aventada. Inclusive, em fase de impugnação poderia ter apresentado documentos que afastassem a referida irregularidade, no entanto, quedouse inerte, não sendo capaz de afastar a presunção consolidada. Deste modo, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando visto que, depois da lavratura do Auto de Infração, a contribuinte e o responsável tiverma acesso às informações relativas à intimação da fiscalização, do que se denota que, durante o prazo de impugnação, ela teve acesso às informações e documentos utilizados pela fiscalização. Não foi verificado, portanto, o cerceamento ao direito à defesa da Recorrente, vez que ela, desde a sua impugnação, tendo conhecimento dos fundamentos da exação e dos trabalhos fiscais realizados, poderia ter apresentado provas que afastassem a exação Fl. 660DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 18 estabelecida, comprovando a origem para os recursos creditados em sua conta bancária, bem como apresentando documentos contábeis e fiscais que pudessem afastar a cobrança. Não cabe agora simplesmente argüir a nulidade do crédito tributário por cerceamento do direito de defesa, quando ela mesma não demonstrou qualquer interesse em participar dos trabalhos fiscais, não apresentando, sequer, satisfatoriamente,documentos solicitados pelo AFRFB. Pelos fundamentos expostos acima, não merece acolhida a preliminar suscitada pela Recorrente de cerceamento ao seu direito de defesa. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO. LUCRO DO PERÍODO PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E CSLL. A apuração do lucro para fins de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, no presente caso, após exclusão do SIMPLES,deuse por arbitramento por meio do qual a lei defere à autoridade administrativa, na ausência das informações e escriturações contábeis e fiscais suficientes, a aplicação de um percentual sobre a receita bruta da empresa. Nos casos de arbitramento, não há falarse em contraposição de receitas e despesas ou custos, pois o lucro, como o próprio nome diz, é arbitrado nos termos e percentuais definidos pela lei. O regime de tributação pelo lucro arbitrado, no qual a parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revelase apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL na ausência de informações precisas da composição do lucro, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita. Isso porque, o que se visa tributar é a renda e o arbitramento do lucro cumpre essa função, eis que, conhecida a receita, presumemse as despesas incorridas na atividade, encontrandose o lucro tributável, sobre o qual devem recair as exigências de IRPJ e CSLL. O arbitramento nada mais é do que uma das formas de apuração do lucro tributável, quando da impossibilidade de utilização ou opção pelo Lucro Real ou Presumido, não tendo efeito de penalidade. Inclusive, é interessante destacar que, embora o arbitramento seja uma modalidade mais gravosa de apuração do lucro, o que se pretende, na verdade, é identificar com razoabilidade o lucro tributável, sobre o qual irá incidir o IRPJ e a CSLL. Com esses fundamentos, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. PRELIMINAR AUSÊNCIA DO ENQUADRAMENTO LEGAL PARA A FISCALIZAÇÃO E LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INVALIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DO IRPJ, PIS, COFINS E CSLL. Quanto à arguição de que não haveria enquadramento legal para a fiscalização e lançamento da CSLL, PIS e COFINS, tenho que não assiste razão à Recorrente, visto que, uma vez apurada a omissão de receitas, tributável pelo IRPJ em razão do ato de exclusão do regime do SIMPLES, os mesmos fatos geradores são passíveis de lançamentos decorrentes de tais contribuições. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 11 19 Em casos similares, pronuncieime nesse sentido, vide aresto a seguir: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. (Acórdão 1401000.806 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Processo n° 18471.001702/200623.13 de junho de 2012) Nesse sentido, deixo de acolher a preliminar arguida, para manter válidos os lançamentos decorrentes de tributação reflexa da receita bruta omitida pela Recorrente nos anoscalendário de 2004 e 2005. MÉRITO EXCLUSÃO DO SIMPLES Voltase a contribuinte contra o ato de exclusão do SIMPLES, arguindo a impossibilidade de exclusão retroativa e cerceamento de defesa. Contudo, não merece acolhimento o pleito da Recorrente. Com efeito, o ordenamento jurídico permite a exclusão de ofício do regime do SIMPLES na hipótese de não fornecimento de informações sobre movimentação financeira e em caso de prática reiterada de infração à legislação tributária, senão verifiquese o disposto no Art. 195 do RIR99: Art. 195. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses (...) II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); (...) V prática reiterada de infração à legislação tributária; Constatouse, em sede de fiscalização, que a Recorrente, durante os anos calendário de 2004 e 2005, teve movimentações financeiras relevantes em conta bancária, as quais não foram escrituradas, o que resultou na caracterização de omissão de receitas. Nesse sentido, verifiquese o disposto no Relatório da DRJ, que faz referência ao TVF, no qual restou fundamentado o ato de exclusão: Fl. 662DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 20 Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", às folhas 335, e ao "Termo de Verificação, Constatação e de Encerramento da Ação Fiscal" às folhas 385, verificase que a autuação se deu em razão de: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte apresentava a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — SIMPLES e foi excluído deste sistema pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 59, de 24 de outubro de 2008, com efeitos desde 01/01/2004. Enquadramento Legal: Art.530, inciso I do RIR/99. 2.3. EXCLUSÃO DO SIMPLES Em 20/10/2008, foi proposta (fls.01/02) a exclusão do SIMPLES, a partir de 01/01/04, conforme o inciso V do artigo 196 do RIR/99, da contribuinte fiscalizada, por: a) O Livro Caixa, não registrar toda movimentação financeira, inclusive bancária, conforme determina o art. 7°, §1°, alínea "a" da Lei n° 9.317/96 ou art. 190, parágrafo único, inciso I, do RIR/99. b) PRÁTICA REITERADA da infração à legislação tributária denominada de OMISSÃO DE RECEITA, pois no anocalendário de 2004 declarou uma receita de R$ 222.073,83 enquanto sua movimentação financeira em créditos bancários foi de R$ 2.162.489,42 e no anocalendário de 2005 declarou uma receita de R$ 342.537,77 enquanto sua movimentação financeira de foi R$ 4.637.844,66, conforme o "QUADRO 01 — R & N — MOVIMENTAÇAO FINANCEIRA EM 2004 E 2005" (fls.02), portanto, enquadrandose no inciso V, do artigo 195, do RIR/99. Pelo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 59, de 24 de outubro de 2008, o Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, SC declarou o contribuinte R & N INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ 04.609.689/000107, excluído do [...] — SIMPLES (Ils.302 — Volume 2). (...) 2.6.2 — FALTA DE REGISTRO CONTÁBIL DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Como a empresa respondeu à fiscalização que possuía conta bancária apenas no Banco do Brasil e na CEF (fis.24) e no livro caixa o registro era feito de modo globalizado e por um valor bem pequeno, foi solicitada a requisição de informação sobre movimentação financeira nos bancos do Brasil, CEF, Safra e Sudameris/Real (fIs.26/32). Deveras, o ato de exclusão do SIMPLES levou em conta a infração (omissão de receitas) ocorrida em dois anoscalendário distintos, o que caracteriza prática reiterada passível de levar à exclusão da contribuinte do regime. É, inclusive, nesse sentido a jurisprudência deste Conselho, in verbis: Fl. 663DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 12 21 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES DATA DO FATO GERADOR: 13/10/1997 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANTÉMSE A DECISÃO QUE RATIFICOU O ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES POR RESTAR FARTAMENTE COMPROVADA NOS AUTOS A CAUSA DA EXCLUSÃO, A CONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA POR INTERPOSTAS PESSOAS QUE NÃO ERAM OS VERDADEIROS SÓCIOS . (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ.ANOCALENDÁRIO: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004(...) OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.CARACTERIZA OMISSÃO DE RECEITAS OS VALORES CREDITADOS EM CONTA DE DEPÓSITO OU DE INVESTIMENTO MANTIDA JUNTO A INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, EM RELAÇÃO AOS QUAIS A INTERESSADA, REGULARMENTE INTIMADA, NÃO COMPROVOU, MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, A ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS.OMISSÃO DE RECEITAS. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Acórdão nº 130200615 do Processo 1093500298820057. 29/06/2011) Nesse sentido, não acolho o pedido do Recorrente, quanto à ilegalidade da exclusão do simples. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE EFETIVO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL – ARBITRAMENTO – BASE DE CÁLCULO Aduz, a Recorrente, a impossibilidade de lançamentos por arbitramento com base em depósitos bancários sem comprovação de efetivo acréscimo patrimonial. Sem razão, nesse particular. In casu, aplicase especificamente a hipótese de presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: Art.42. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Fl. 664DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 22 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. (...) Com a edição da referida lei, a existência de depósitos bancários não identificados, e cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte, adquiriu status de presunção legal juris tantum de omissão de receita, e, por tal razão, transferiuse ao contribuinte o ônus da prova da inexistência de correspondência entre os depósitos bancários e a receita alegadamente omitida. No caso concreto, após procedimento fiscal instaurado, e cumprido o devido procedimento fiscal, a autoridade fiscal requereu a apresentação de extratos bancários às instituições financeiras às quais a Contribuinte estava vinculada. Tal é o que consta do Relatório da DRJ, em referência ao procedimento de fiscalização: 2.4. ARBITRAMENTO A fiscalizada omitiu as informações sobre a movimentação financeira, não as registrando nos livros obrigatórios (caixa). Deste modo foi excluída do Simples e sua contabilidade tendo sido considerada imprestável para a tributação pelo lucro real, resta a tributação pelo arbitramento. O arbitramento teve como base a receita bruta conhecida, sendo apurado, ainda, omissão de receita por conta de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96 (art.849 do RIR/99) consignado no Auto (fl.337) e detalhadamente descrito no Termo Fiscal, item 3.2. (...) Assim, a apuração do lucro para fins de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, no presente caso, após exclusão do SIMPLES,deuse por arbitramento por meio do qual a lei defere à autoridade administrativa, na ausência das informações e escriturações contábeis e fiscais suficientes, a aplicação de um percentual sobre a receita bruta da empresa. Nos casos de arbitramento, não há falarse em contraposição de receitas e despesas ou custos, pois o lucro, como o próprio nome diz, é arbitrado nos termos e percentuais definidos pela lei. O regime de tributação pelo lucro arbitrado, no qual a parcela de custos e despesas é implícita e automaticamente computada mediante a aplicação dos coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, revelase apropriado, legal e mais realista para a determinação da correta base de cálculo do IRPJ e da CSLL na ausência de informações precisas da composição do lucro, evitando a mera e ilegal incidência direta desses tributos sobre a receita. Isso porque, o que se visa tributar é a renda e o arbitramento do lucro cumpre essa função, eis que, conhecida a receita, presumemse as despesas incorridas na atividade, encontrandose o lucro tributável, sobre o qual devem recair as exigências de IRPJ e CSLL. Aliás, verifiquese que tanto o Poder Judiciário, quanto este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), admitem a possibilidade de lançamento no caso Fl. 665DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 13 23 de ausentes elementos probatórios que afastem a presunção legal de omissão de receitas, com base em extratos bancários, senão vejase: CONSTITUCIONAL, TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL AGRAVO REGIMENTAL AGRAVO DE INSTRUMENTO TUTELA ANTECIPADA INDEFERIDA PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL AUTO DE INFRAÇÃO SUPOSTA OMISSÃO DE RECEITAS PROVENIENTES DE VALORES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, E DE NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS ACESSO DE DADOS BANCÁRIOS DOS CONTRIBUINTES PELO FISCO CONTROVÉRSIA JURISPRUDENCIAL REQUISITOS DA TUTELA ANTECIPADA AUSENTES. 1. Na hipótese vertente, a autoridade administrativa deflagrou procedimento administrativo fiscal n 10580722.273/200844 para apuração de atos atribuídos à parte autora (omissão de receitas provenientes de valores de depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, e de notas fiscais não escrituradas, relativamente ao anocalendário de 2005, assim como por ter ultrapassado o limite de receita bruta previsto para empresas de pequeno porte neste mesmo ano) e concluiu pela prática das infrações capituladas no art. 24, da Lei n. 9.249/95, no art. 2, § 22, art. 3, § l, "a", art. 52, art. 42, da Lei n. 9.430/96, dispositivos da Lei n. 9.317/96, art. 3, da Lei n. 9.732/98, arts. 186, 188 e 199, do RIR/99, tendolhe aplicado multa punível com sanção pecuniária prevista em lei. 2. Os atos administrativos praticados por autoridade competente gozam de presunção de validade e somente se justifica a intervenção do Poder Judiciário para afastarlhes os efeitos quando constatados vícios capazes de deflagrar o reconhecimento de sua nulidade. Ao menos neste primeiro exame de vista, não há nada que desautorize a atuação administrativa, eis que não se fazem presentes elementos de prova contundentes que conduzam ao convencimento acerca da verossimilhança da nulidade alegada. Precedentes. 3. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico no sentido de ser possível a quebra do sigilo bancário com fulcro na Lei Complementar n.º 105/01 e na Lei n.º 10.174/01, sem necessidade de prévia autorização judicial e com aplicação imediata, ainda que recaiam sobre fatos geradores ocorridos em data anterior à vigência das referidas normas. Assim, sendo constatado que a requisição de informações à instituição bancária foi devidamente precedida do respectivo procedimento fiscal exigido pelo art. 6º, da LC n.º 105/01, não há que se falar, em princípio, em qualquer ilegalidade na conduta do Fisco destinada à apuração de ilícito fiscal. 4. Ainda que existam precedentes dando pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo pelo Fisco, sem autorização judicial (RE 389808, Relator Min. MARCO AURÉLIO, DJe086 de 10052011, a matéria ainda não se encontra pacificada no Judiciário e o RE nº 601314 /SP (repercussão geral) ainda está pendente de julgamento, circunstâncias que não autorizam a liminar na linha do bom senso. Precedentes deste Tribunal. 5. O exame das condições concretas da manutenção da empresa no Simples é matéria que Fl. 666DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 24 exige dilação probatória. 6. Agravo regimental não provido. Decisão mantida. (TRF1. AGA 002332497.2013.4.01.0000 / BA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.550 de 04/10/2013) O arbitramento nada mais é do que uma das formas de apuração do lucro tributável, quando da impossibilidade de utilização ou opção pelo Lucro Real ou Presumido, não tendo efeito de penalidade. Inclusive, é interessante destacar que, embora o arbitramento seja uma modalidade mais gravosa de apuração do lucro, o que se pretende, na verdade, é identificar com razoabilidade o lucro tributável, sobre o qual irá incidir o IRPJ e a CSLL. O arbitramento do lucro é uma forma de tributação que deve ser adotada quando concretize uma das hipóteses previstas no art. 530 do RIR Ante a não apresentação dos documentos solicitados, apesar das diversas intimações, e a constatação da imprestabilidade da escrituração do autuado para determinação da receita no regime do SIMPLES, não restou outra alternativa à Autoridade Fiscal senão o arbitramento do lucro. Neste sentido, no tocante à omissão de receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovadas, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Portanto, não tendo sido afastada a presunção relativa à omissão de receitas, mantenho o auto de infração, em conformidade com a jurisprudência deste Conselho. IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DO SIGILO FINANCEIRO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL A Recorrente alega ser inconstitucional e ilegal a “quebra de sigilo bancário” levado a efeito pela Autoridade Fiscal. Segundo seu entendimento a Lei Complementar nº 105/2001 seria inconstitucional ao permitir, à Fazenda Pública, o acesso às informações bancárias no curso do processo de fiscalização sem a interveniência do Poder Judiciário. Vejamos. A Recorrente é uma empresa que apurava a tributação por meio do SIMPLES, competindolhe a identificação da ocorrência do fato imponível, apuração do tributo devido, e a realização do seu respectivo pagamento. Ainda, fica o mesmo obrigado a manter escrita fiscal regular, com a identificação da origem dos recursos apresentados à tributação. Assim, é imperioso que a Autoridade Fiscal seja dotada de poderes para, em cada uma destas etapas, identificar os elementos formadores da relação jurídicotributária, de forma a confirmar ou infirmar a regularidade dos pagamentos realizados pelo contribuinte. Tanto que o art. 195 do CTN garante que “para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos”. Com isso, a Autoridade Fiscal deverá, no procedimento de fiscalização, identificar as entradas financeiras da empresa para, em um segundo momento, contrapondoas Fl. 667DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 14 25 à escrita fiscal ou à documentação hábil e idônea apresentada pelo contribuinte, identificar a receita bruta da pessoa jurídica fiscalizada. No caso dos autos, a questão levantada nos recursos se refere à legalidade do procedimento adotado na identificação das entradas financeiras da pessoa jurídica, tendo em vista ter havido a requisição administrativa de informações bancárias, ante a recusa, por inércia, da apresentação dos extratos bancários pela Recorrente. Segundo entendimento da Recorrente, tal requisição consistiria violação ao dever de sigilo que alberga os dados financeiros da empresa, pelo que a constituição do crédito tributário em apreço estaria eivado pelo vício na forma de aquisição das informações acerca da receita bruta da empresa. Importa saber, assim, se houve 1) quebra de sigilo bancário e 2) ilegalidade na eventual quebra de referido sigilo. O sigilo bancário pode ser conceituado como o dever legalmente imposto a pessoa que possua informação acerca da movimentação bancária de outra de não tornar públicos referidos dados, sob pena de responsabilização pessoal. A questão é regulada, no direito pátrio, pela Lei Complementar nº. 105, de de 10 de janeiro de 2001, firmando, logo em seu art. 1º, que “as instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados”. A referida lei complementar, por outra vez, relaciona 1) hipóteses em que o intercâmbio de informações bancárias não constitui quebra de sigilo bancário e 2) hipóteses em que será realizada a quebra do sigilo bancário. A quebra do sigilo bancário, nos termos do parágrafo quarto do artigo 1º, poderá ser decretada “quando necessária para apuração de ocorrência de qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial”. Ainda, “a quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis” (art. 10 da LC 105/2001). Resta saber se a requisição administrativa de informações bancárias por Autoridade Fiscal, no curso do processo administrativo, consistira a tal quebra de sigilo bancário. Dispõe, a lei complementar nº 105/2001, o seguinte: Art. 1º (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; Fl. 668DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 26 IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. (sem grifos no original) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Ainda, segundo o disposto no art. 197 do CTN: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; A dicção do art. 1º, parágrafo 3º, inciso VI e do art. 6º da LC 105/2001, c/c o art. 197 do CTN torna evidente não ser, a disponibilização de informações bancárias à Autoridade Fiscal no curso de procedimento administrativo de fiscalização, quebra de sigilo bancário a impedir a utilização de referidas informações. Tenho, assim, que a requisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal, ao contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensando, nesta ordem, a interveniência do Poder Judiciário para a aquisição de referidas informações. Importante ressaltar que as informações fiscais também estão albergadas, ao lado das informações bancárias, por dever de sigilo, nos termos do art. 198 do CTN. Desta feita, a aquisição de informações bancárias no curso de procedimento fiscal não tornam públicos os dados da pessoa jurídica. De fato, se se pensasse que a disponibilização das informações ao Fisco tornassem públicos os dados bancários da empresa, estaríamos diante da ilegal quebra do sigilo definida na lei complementar nº 105/2001. Mas não é este o caso: o dever de sigilo fiscal protege as informações bancárias apuradas no curso do procedimento de fiscalização. Ainda, verifico que o acesso às informações bancárias da empresa é essencial para o exercício da atividade de fiscalização tributária. De fato, não se pode restringir o acesso Fl. 669DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 15 27 do Fisco à identificação das entradas financeiras, de forma a permitir a verificação da veracidade da receita bruta apresentada à tributação pela pessoa fiscalizada. Este é o entendimento sufragado no âmbito deste 1º Conselho de Contribuintes, ressaltandose os seguintes precedentes: PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO FUNDAMENTAÇÃO ILEGAL PRELIMINAR SIGILO BANCÁRIO Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário, aqui não se trata, de quebra de sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. (Acórdão 10614199 SEXTA CÂMARA rec. 140.882) No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento pela possibilidade de requisição administrativa de informações bancárias no curso de processo administrativo tributário. Vejamos a jurisprudência daquela casa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. LEI 8.021/90 E LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. VIOLAÇÃO DO ART. 535, I e II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O Codex Tributário, ao tratar da constituição do crédito tributário pelo lançamento, determina que as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata (artigo 144, § 1º, do CTN), pelo que a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, atingem fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a vigência dos aludidos dispositivos legais. Precedentes da Corte: AgRg nos EDcl no REsp 824.771/SC, DJ 30.11.2006; Resp 810.428/RS, DJ 18.09.2006; EREsp 608.053/RS, DJ 04.09.2006; e AgRg no Ag 693.675/PR, DJ 01.08.2006). (...) 4. A LC 105/2002 dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinando que não constitui violação do dever de sigilo, entre outros, o fornecimento à Secretaria da Receita Federal de informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações artigo 11, § 2º, da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF , e a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos Fl. 670DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 28 nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º, e 9º, da lei complementar em tela (artigo 1º, § 3º, III e VI). 5. Em seu artigo 6º, o referido diploma legal, estabelece que: "As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.". 6. Nesse segmento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal." (REsp 685.708/ES, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 20.06.2005). 7. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurála. 8. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 9. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. A regra do sigilo bancário deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. (...) (Resp nº. 943.304/SP, 1a Turma do STJ, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 06/05/2008). Por outro lado, não vejo ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa quando da requisição administrativa de referidas informações. É certo que as entradas financeiras identificadas na movimentação bancária da empresa podem não constituir, em sua totalidade, em receita bruta integrante da base para incidência do percentual definido para a identificação do lucro presumido. Assim, os dados bancários não autorizam, em um primeiro Fl. 671DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 16 29 momento, a imputação direta de que todas as entradas na conta corrente seriam receita tributável da empresa. Ao contrário, a autoridade fiscal, diante das informações bancárias, deve contrapôlas à escrita fiscal da empresa e demandar, no caso de divergências, a comprovação da origem dos recebimentos por meio de documentação hábil e idônea. E este procedimento foi seguido no caso destes autos: a empresa foi intimada e reintimada a apresentar sua escrituração fiscal e documentos hábeis e idôneos que comprovassem a origem dos depósitos identificados na conta corrente. E, em todas as oportunidades, a Recorrente furtouse a apresentar qualquer documentação. Por fim, no que toca à arguição de inconstitucionalidade da lei complementar, afasto a sua verificação, seja pela ausência de pronunciamento neste sentido por parte do Supremo Tribunal Federal, seja pela aplicação da súmula nº 2 do CARF. Com entendimento reflexo, não vejo a possibilidade de questionar a constitucionalidade da requisição realizada pela Autoridade Fiscal, posto que 1) o direito ao sigilo bancário não é absoluto, sendo permitidas exceções definidas em lei; e 2) o procedimento em apreço seguiu o procedimento definido na lei complementar nº 105/2001. Assim, rejeito a argumentação apresentada pela Recorrente. INAPLICABILIDADE E EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA QUALIFICADA. Defende a Contribuinte ser inaplicável ao caso concreto a multa aplicada porquanto esta tenha caráter supostamente confiscatório. No entanto, não há razão em suas alegações. Isto porque, ao fundamentar a aplicação da multa de ofício, na sua modalidade qualificada (150%), a fiscalização ponderou que a contribuinte teve a intenção de ocultar do Fisco o conhecimento da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições, mediante a ausência de escrituração de consideráveis quantias depositadas junto a contas bancárias da pessoa jurídica, assim como a constituição de pessoa jurídica por pessoas interpostas, e omitir a existência de conta corrente perante uma instituição bancária, o que caracterizou a fraude, e justificou a exigência da penalidade mais gravosa, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Demais disso, a própria reiteração da omissão de receitas vultosas por dois anoscalendário seguidos constitui intuito doloso e o claro objetivo de evitar o pagamento de tributos federais, razão pela qual configura o dolo da contribuinte e enseja a qualificação da multa de ofício (Acórdão 140100.743 11634.720068/201130). Portanto, os valores omitidos e a totalidade de operações financeiras não refletidas na escrituração deixam claro que a Recorrente ocultou dolosamente tais informações com intenção de não pagar tributo. Assim, configurado está o animus, isto é, a vontade de Fl. 672DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 30 querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo. Tal conduta justifica a aplicação da multa qualificada de 150% prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996. No meu entendimento, a multa por infração somente deve ser qualificada, nos termos do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, quando ficar efetivamente comprovada a existência de uma das condutas especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, isto é, fraude, dolo ou simulação, condutas estas que exigem provas diretas e objetivas, não admitindo presunção. É dizer: para que seja tolerada a qualificação da multa de ofício, é preciso que haja a efetiva comprovação da autoria da prática do fato delituoso. Isso porque, em matéria de delito não é admissível a presunção: ou existe prova concreta da autoria quanto à prática do fato delituoso ou, na dúvida, aplicamse as disposições do artigo 112, III, do CTN que determina que quando a lei tributária define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). De fato, tenho que a Recorrente incorreu em prática dolosa ao omitir da base da tributação a totalidade de suas movimentações bancárias; deixar de proceder à escrituração de suas receitas; omitir a existência de conta corrente perante uma instituição bancária, e a constituição de pessoa jurídica por pessoas interpostas, mantendo procurador com amplos poderes de gestão (administrador de fato), como Relatado pela DRJ: 2.4. ARBITRAMENTO A fiscalizada omitiu as informações sobre a movimentação financeira, não as registrando nos livros obrigatórios (caixa). Deste modo foi excluída do SIMPLES e sua contabilidade tendo sido considerada imprestável para a tributação pelo lucro real, resta a tributação pelo arbitramento. 2.5. QUALIFICAÇÃO DA MULTA A fiscalizada omitiu receita conforme está provado neste termo. Não registrou a sua real movimentação financeira. Também é importante registrar que a empresa admitiu que forneceu informações falsas (f15.230) ao BANCO SUDAMERIS/REAL com o objetivo de conseguir um financiamento. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 17 31 Assim, a sua conduta denota o elemento subjetivo da prática dolosa de enganar o fisco, portanto enseja a aplicação da MULTA QUALIFICADA, conforme o artigo 44, inciso fie §1° da Lei 9.430/96.2.6 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. 2.6.2. — FALTA DE REGISTRO CONTÁBIL DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Como a empresa respondeu à fiscalização que possuía conta bancária apenas no Banco do Brasil e na CEF (fls. 24) e no livro caixa o registro era feito de modo globalizado e por um valor bem pequeno, foi solicitada a requisição de informação sobre movimentação financeira nos bancos do Brasil, CEF, Safra e Sudameris/Real (f Is. 26/32). Assim, configurada a conduta proativa da Recorrente, entendo correta a aplicação da multa qualificada de 150% sobre os tributos apurados em decorrência da omissão de receita. INCONSTITUCIONALIDADE DO AUMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS PELA LEI 9.718/98 Alega a Recorrente a inconstitucionalidade do aumento da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei 9.718/98. No entanto, não prospera a alegação da contribuinte, visto que no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é devida a discussão sobre inconstitucionalidade de lei ou preceito normativo. Tal é o disposto na Súmula n° do CARF: Súmula n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, não acolho o argumento da contribuinte. A INDEVIDA INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS Aduz o Contribuinte que o ICMS não deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Tenho que, neste ponto, não assiste razão à contribuinte. Com efeito, em decisão recente do Plenário do STF, a Suprema Corte pronunciouse no sentido de que é inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, no RE 574.706. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 32 No entanto, por se tratar de julgamento não dotado de repercussão geral, a decisão só se tem efeito inter partes, aplicandose somente às partes envolvidas naquele processo. Demais disso, confronta com a jurisprudência deste Conselho, in verbis: (...).ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINSPERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/2000 A 31/05/2000BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS, IMPOSSIBILIDADE,O ART. 3°, § 2°, III, DA LEI Nº 9.718/98, AO PREVER A EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS FATURAMENTO DE VALORES QUE, COMPUTADOS COMO RECEITA, HOUVESSEM SIDO TRANSFERIDOS A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS, CONSTITUIU NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA À REGULAMENTAÇÃO PELO PODER EXECUTIVO, QUE NÃO PRODUZIU EFEITOS PORQUE REVOGADA ANTES DE REGULAMENTADA, BASE DE CÁLCULO, ICMS, INCLUSÃO. A BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS FATURAMENTO É O FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA, SEM EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DEVIDO, DESTACADO NAS NOTAS FISCAIS DE SAÍDA E QUE COMPÕE O PREÇO TOTAL DO PRODUTO. RECURSO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS.ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, EM NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, NOS TEMOS DO VOTO DO RELATOR. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 3ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Acórdão nº 340100992 do Processo 11080906457200869. 30/09/2010. Com efeito, a base de cálculo da COFINS e do PIS é o faturamento ou receita bruta, sem exclusão do valor do ICMS devido, o qual é destacado nas notas fiscais de saída e compõe o preço total do produto. Nestes termos, deixo de acolher a súplica da Contribuinte. A INAPLICABILIDADE DA SELIC No que tange à aplicação da Taxa SELIC como juros de mora, o Código Tributário Nacional, no §1 0 do art. 161, estabelece que os juros moratórios serão de 1% quando não houver lei tributária que disponha em sentido contrário. Com fulcro na citada norma, foi elaborada a Lei n°, 9.430/96, que dentre outras medidas, estabeleceu, no § 3° do art. 61, a Taxa SELIC como os juros que seriam aplicados, a partir de 01 de janeiro de 1997, aos débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal. Neste diapasão, a jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça é unânime e pacífica em afirmar que "é legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários AgRg nos EREsp 579565/SC, I" S., Min. Humberto Martins, DJ de 11.09.2006; AgRg nos EREsp 83I564/RS, 1" S Min. Eliana Calmon, DJ de 12.02.2007" (REsp ir 665,320/PR, 1" Turma do STJ, Rel. Min. Teorí Albino Zavaseki, DJ de 03/03/2008) Fl. 675DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 18 33 Ademais, é importante ressaltar que no entendimento daquela Colenda Corte a Taxa SELIC não pode ser acumulada com nenhum outro índice inflacionário, vez que "inclui, a um só tempo, o índice de inflaçylo do período e a taxa de juros real" (REsp n° 861.777/SP, 1" Turma do STJ, Rel. Min, Teori Albino Zavascki, DJ de 12/03/2008). Por fim, a Súmula n° 4 do 1° Conselho de Contribuintes dispõe que "a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Diante o exposto, face à inovação proposta pela Lei tr. 9.430/96, a Taxa SELIC pode ser utilizada como indicadora dos juros moratórios, porquanto excepciona a regra contida no §1" do art. 161 do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO PROCURADOR Aduz, ainda, a Contribuinte, a impossibilidade de o procurador figurar como responsável pelos débitos da empresa. Nesse particular, não entendo que tenha, a Contribuinte, legitimidade para pleitear e postular em nome de terceiros. De fato, o termo de verificação fiscal, ao atribuir responsabilidade aos sócios da empresa por sua extinção irregular, atribuiu aos mesmos uma acusação que somente pode ser defendida pessoalmente, e não por intermédio de terceiros. É farto, nesse sentido, o posicionamento deste Conselho. Vejase: EMENTA: (...) DIREITOS DE TERCEIROS Inadmissível a pretensão, por falta de legitimidade, de uma empresa pleitear restituição e/ou compensação em nome de outra. (...)Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 20176666 do Processo 108250015069818. Data:28/01/2003 Diante do exposto, rejeito a arguição da empresa. ADICIONAL DE IRPJ Quanto à alegação de ausência de apontamento no auto de infração do dispositivo legal que autoriza a cobrança de adicional de IRPJ, não prospera o argumento da Recorrente. Isto porque, em se tratando de parcela decorrente do IRPJ, basta a indicação de fundamentos e dispositivos legais atinentes a este, para que seja possível a cobrança de adicional. Desta forma já se pronunciou este Conselho: Fl. 676DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 34 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Acesso aos dados bancários no âmbito de procedimentos administrativos regularmente instaurados para esse fim específico, em consonância com as disposições da Lei Complementar n. 105/2001, da Lei n. 10.174/2001 e do Decreto n. 3.724/2001, cuja presunção de constitucionalidade não foi afastada. (...) ADICIONAL DE IRPJ FALTA DE INDICAÇÃO DO FUNDAMENTO LEGAL ESPECÍFICO Integrando do adicional o lançamento do IRPJ, não constituindo parcela autônoma, a falta de indicação do dispositivo legal que especificamente autoriza sua exigência, quando fundamentada a exigência do IRPJ, não compromete a exigência. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10515485 do Processo 13312000838200382. 25/01/2006) Assim, é possível o lançamento de ofício pelo Fisco de adicional de IRPJ, quando verificada a sua exigibilidade. Recurso Voluntário do Responsável Solidário A par das questões já julgadas que se identificam com o Recurso Voluntário da Contribuinte, passase à apreciação das matérias exclusivamente arguidas no Recurso do Sr. JUCELINO ROMANA GRASSO, responsável solidário. CERCEAMENTO DE DEFESA AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL CONTRA O ALEGADO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO Quanto à tese de cerceamento de defesa por ausência de mandado de procedimento fiscal contra o responsável solidário, tenho que não lhe assiste razão. Com efeito, desde o início do procedimento fiscal, foram analisados em conjunto os dados e documentos relativos à empresa contribuinte e seus sócios, e, ao final, lavrado Termo de Verificação Fiscal (VF), no qual restaram consignadas as razões da sujeição passiva do procurador, e, ainda, concedido direito de impugnação, devidamente exercido, e interposição de recurso, ora em análise. Senão verifiquese o constante do Relatório da DRJ, que faz referência ao TVF: Considerado também no pólo passivo dos autos, o Sr. Jucelino Romagna Grasso, conforme TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA, acostados às fls.309 a 310, nos termos do art.124 do Código Tributário Nacional (CTN). (...) 2.6 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nos termos dos artigos 124 da Lei n° 5.172, de 1996 (Código Tributário Nacional) ficou caracterizada a sujeição passiva Fl. 677DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 19 35 solidária do Sr. JUCEL1NO ROMAGNA GRASSO CPF 552.312.09953, assim exposto: Art.124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) 2.6.2 — FALTA DE REGISTRO CONTÁBIL DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Como a empresa respondeu à fiscalização que possuía conta bancária apenas no Banco do Brasil e na CEF (fis.24) e no livro caixa o registro era feito de modo globalizado e por um valor bem pequeno, foi solicitada a requisição de informação sobre movimentação financeira nos bancos do Brasil, CEF, Safra e Sudameris/Real (fIs.26/32). Ao receber as informações, o Banco do Brasil encaminhou cópias de procurações (fls.110/113) em que a empresa conferia amplos poderes para administrar todos os seus negócios, bens, assuntos e interesses selam eles de que natureza forem, a JUCELINO ROMA GNA GRASSO. (...) 2.6.5 — JUCELINO É O ÚNICO EMPRESÁRIO QUE ACUMULA CAPITAL Pelas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos sócios das duas empresas — R & N e BOCCONE — o único empresário com evolução patrimonial é o Sr. Jucelino Romagno Grasso. Desta forma, rejeito a preliminar, em razão do disposto no Art. 135, II e III do CTN, e teço a seguir considerações a respeito da responsabilidade tributária do Recorrente. QUEBRA DE SIGILO FISCAL Argui o Recorrente a nulidade do lançamento contra si em razão da quebra de sigilo fiscal, decorrente de ter sido levada em conta para fins de responsabilização solidária as Declarações de Ajuste de Imposto de Renda Pessoa Física do Sr. Jucelino. No entanto, não prospera a alegação do Recorrente, visto que as Declarações analisadas são de posse da RFB, e foram utilizadas em procedimento fiscal sigiloso pela DRFB, sem divulgação e sem tornálas acessíveis ao público. Assim, não há se falar em quebra de sigilo do Recorrente, uma vez que se tratam de informações que são, por direito, de propriedade do Fisco, fornecidas pelo contribuinte, no caso, responsável tributário solidário. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 36 MÉRITO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DO PROCURADOR – ADMINISTRADOR DE FATO DA EMPRESA Com efeito, o Art. 135 do CTN traz disciplina própria, específica do instituto da responsabilidade tributária. Mencionado dispositivo do CTN dispõe, in litteris, que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Conforme disposto no art. 135, caput, e incisos II e III, os mandatários são, em tese, pessoalmente responsáveis por créditos tributários gerados por atos praticados com infração à lei. No caso em comento, foi identificada, após procedimento fiscal regular, que a contribuinte incorreu, por dois anos calendário seguidos em omissão de receitas vultosas com origem em movimentações bancárias, que resultaram na exclusão do SIMPLES; que a contribuinte omitiu dolosamente a existência de contas bancárias onde haveria grande movimentação financeira não escriturada; e que a empresa era adminstrada de fato pelo Sr. Jucelino, que continha poderes conferidos por procuração pública para representar a pessoa jurídica contribuinte e gerila com poderes amplos. Nesse sentido, tanto para fins de verificação da sujeição passiva do Recorrente, quanto para apuração de sua responsabilidade, necessário se faz investigar o alcance dos poderes a si conferidos pela sociedade e pelos sócios desta. Uma vez atestada a sujeição passiva do Recorrente quanto aos lançamentos realizados, cumpre analisar se estes praticaram fraude e atos infracionais à lei que permitem a responsabilização tributária destes, inclusive, solidariamente, devido ao interesse comum. Restou consignado, no Termo de Sujeição Passiva Solidária de Fls. 311312 que: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n° 09.2.01.002008 002117, executei procedimento de fiscalização no sujeito passivo supra caracterizado, trabalhos que ora estão sendo encerrados. No curso das verificações implementadas foram constatados fatos que têm implicações no âmbito da sujeição passiva. Os fatos evidenciados foram abordados no Termo de Verificação, Constatação e Encerramento da Ação Fiscal lavrado na conclusão dos trabalhos, Fl. 679DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 20 37 precisamente no item 2.6 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Restou ao final configurado que a empresa submetida à fiscalização, com passivo tributário potencialmente elevado, ante aos ilícitos efetivamente praticados, foi administrada, com amplos poderes, por JUCELINO ROMAGNA GRASSO, com fortes indícios de que seja o verdadeiro proprietário da empresa. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária, nos termos dos artigo 124 da Lei n2 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Destarte, fica o sujeito passivo solidário supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que tratam os Autos de Infração lavrados contra o sujeito passivo também supra referido, relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, e Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS. Cópias dos Autos de constituição das exações estão sendo encaminhadas para seu domicílio fiscal, juntamente com o Termo de Verificação, Constatação e Encerramento da Ação Fiscal e este termo em anexo. Outrossim, informamos ainda que a ação fiscal culminou na formalização do processo administrativo n° 11516.007294/200872, no qual consta cópia deste termo, feito onde estão compendiados todos os elementos que instruem a constituição do crédito tributário apurado, ao qual, na condição de sujeito passivo solidário, poderá ter vista, na unidade local da Receita Federal, cidade de Tubarão/SC. Nesse sentido, verifiquese o constante do Relatório da DRJ a omissão reiterada de receitas vultosas da pessoa jurídica, e a respeito da existência de administrador de fato (vide Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 310311), demonstrados por documentos e declarações dos sócios e responsáveis e a constituição de pessoa jurídica com utilização de pessoas interpostas, e a existência de procuração com amplos poderes de representação conferidos ao Recorrente (fls. 111112), cujo teor descreve o seguinte: Fl. 680DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA 38 Em que pese à alegação de que os responsáveis procuradores não tinham poder de gestão, mas apenas poder de representação perante instituições financeiras, não prospera, senão verifiquese o teor do Termo de Verificação, Constatação e Encerramento da Ação Fiscal. A fiscalizada omitiu as informações sobre a movimentação financeira, não as registrando nos livros obrigatórios (caixa) Além desta infração há forte indício de que o verdadeiro proprietário seja o Sr. JUCELINO ROMAGNA GRASSO — CPF 551.312.09953, também proprietário da empresa BOCCONE INDÚTSRIA E COMÉCRIO DE ALIMENTOS LTDA. — CNPJ 03.570.665/000129. Este indício é reforçado porque a empresa R & N usa as instalações da empresa BOCCONE e os sócios da R&N são funcionários da R & N ou da BOCCONE, portanto, prováveis "laranjas". (...) 2.6.2. — FALTA DE REGISTRO CONTÁBIL DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA Como a empresa respondeu à fiscalização que possuía conta bancária apenas no Banco do Brasil e na CEF (fls. 24) e no livro caixa o registro era feito de modo globalizado e por um valor bem pequeno, foi solicitada a requisição de informação sobre movimentação financeira nos bancos do Brasil, CEF, Safra e Sudameris/Real (f Is. 26/32). Ao receber as informações, o Banco do Brasil encaminhou cópias de procurações (fs. 110/113) em que a empresa conferia amplos poderes para administrar todos os seus negócios, bens assuntos e interesses sejam eles de que natureza forem, a JUCELINO ROMAGNA GRASSO. Demais disso, a existência de poderes representação da sociedade representa de maneira inequívoca a capacidade para direcionar um sem número de negócios e atos de direção da sociedade, procuração esta que tem prazo indeterminado, visto que ausente qualquer ressalva em sentido oposto. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA Processo nº 11516.007294/200872 Acórdão n.º 1401001.404 S1C4T1 Fl. 21 39 No caso, foi demonstrado pela fiscalização que o Recorrente tomouas vezes de gerentes da sociedade, e na condição de administrador de fato desta, o que permite aplicar se o disposto nos Arts. 135 e 124 do CTN, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nesse sentido, devese imputar ao mandatário e gestor de fato da contribuinte a responsabilidade tributária nos termos previstos no art. 135 do CTN, em virtude da prática de atos de infração à lei sob a gestão de fato e por mandato da sociedade, como a manutenção de sede fictícia, a constituição de pessoa jurídica com utilização de pessoas interpostas, e a conduta próativa no sentido de fraudar a fiscalização tributária e omitir reiteradamente vultosa das receitas da sociedade apurada em movimentação bancária no período citado. Desta feita, voto pelo desprovimento dos Recursos Voluntários. (Assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 682DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ALEXANDRE ANTONIO AL KMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10860.001691/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 27/10/1988
PROGRAMA BEFIEX – DECADÊNCIA
O Terceiro Conselho de Contribuintes analisou em 2000 a legalidade do primeiro lançamento, ocorrido em 1995. Esse lançamento se mostrou improcedente por existir causa de suspensão do crédito tributário, qual seja, a existência de solução de consulta ainda pendente de exame no período em que houve a exigência tributária. Por ser espécie de erro formal, o prazo decadencial não foi interrompido pelo primeiro lançamento. Assim, uma vez decorridos mais de 5 (cinco) anos entre o fato gerador e o segundo lançamento, decaiu o direito do Fisco de exigir o crédito tributário.
Recurso de voluntário provido.
Crédito tributário exonerado
Numero da decisão: 3102-00.818
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do direito de promover o lançamento. Vencidos os conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes e Luis Marcelo Guerra de Castro. Fez sustentação oral o advogado José Lence Carluci, inscrito na OAB/SP n° 113.486.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/10/1988 PROGRAMA BEFIEX – DECADÊNCIA O Terceiro Conselho de Contribuintes analisou em 2000 a legalidade do primeiro lançamento, ocorrido em 1995. Esse lançamento se mostrou improcedente por existir causa de suspensão do crédito tributário, qual seja, a existência de solução de consulta ainda pendente de exame no período em que houve a exigência tributária. Por ser espécie de erro formal, o prazo decadencial não foi interrompido pelo primeiro lançamento. Assim, uma vez decorridos mais de 5 (cinco) anos entre o fato gerador e o segundo lançamento, decaiu o direito do Fisco de exigir o crédito tributário. Recurso de voluntário provido. Crédito tributário exonerado
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-31T16:29:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2696661_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-31T16:29:26Z; Last-Modified: 2011-01-31T16:29:26Z; dcterms:modified: 2011-01-31T16:29:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2696661_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:97e2af97-8f51-44c3-a514-ec62c70e2c23; Last-Save-Date: 2011-01-31T16:29:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-31T16:29:26Z; meta:save-date: 2011-01-31T16:29:26Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2696661_0.doc; modified: 2011-01-31T16:29:26Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-31T16:29:26Z; created: 2011-01-31T16:29:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-01-31T16:29:26Z; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-31T16:29:26Z | Conteúdo => S3-C2T1 Fl. 1 1 S3-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.001691/2005-13 Recurso nº 517.795 Voluntário Acórdão nº 3102-000.818 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de dezembro de 2010. Matéria Regimes Aduaneiros Recorrente Fanta Plastic Indústria e Comércio Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/10/1988 PROGRAMA BEFIEX – DECADÊNCIA O Terceiro Conselho de Contribuintes analisou em 2000 a legalidade do primeiro lançamento, ocorrido em 1995. Esse lançamento se mostrou improcedente por existir causa de suspensão do crédito tributário, qual seja, a existência de solução de consulta ainda pendente de exame no período em que houve a exigência tributária. Por ser espécie de erro formal, o prazo decadencial não foi interrompido pelo primeiro lançamento. Assim, uma vez decorridos mais de 5 (cinco) anos entre o fato gerador e o segundo lançamento, decaiu o direito do Fisco de exigir o crédito tributário. Recurso de voluntário provido. Crédito tributário exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do direito de promover o lançamento. Vencidos os conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes e Luis Marcelo Guerra de Castro. Fez sustentação oral o advogado José Lence Carluci, inscrito na OAB/SP n° 113.486. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10860.001691/2005-13 Acórdão n.º 3102-000.818 S3-C2T1 Fl. 2 2 LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para a exigência de crédito tributário do II e do IPI, (fls. 47/63) lavrados em 23/05/2005, para a cobrança do II — Imposto sobre Importação e do IPI — Imposto sobre Produtos Industrializados, multas de oficio e juros de mora em decorrência do não reconhecimento do beneficio fiscal previsto no programa BEFIEX, referente ao ano de 1988. Por bem resumir os fatos e o direito pertinente à lide, adoto parte do relatório do v. acórdão regional (fls. 88-90): Segundo consta da "Descrição dos Fatos" (fls. 48/51 e 56/59) a Fiscalização apurou que: - o importador, por meio das DIs 002190, 002191 e 002192 (registradas em 27/10/1988), submeteu a despacho 1 conjunto laminador para calandragem de PVC. Foi solicitada a aplicação dos benefícios previstos no programa BEFIEX (Termo de Compromisso no. 512/89) que previam redução de 90% para o imposto de importação e o IPI; - o citado programa BEFIEX estabelecia que, em contrapartida aos benefícios concedidos, o beneficiário deveria exportar valor FOB mínimo de US$ 9.634.000,00 e apresentar saldo global acumulado de divisas não inferior a US$ 8.660.000,00; - impossibilitada de cumprir os compromissos assumidos, a empresa solicitou o encerramento do programa, materializado com a revogação do regime através da Portaria SNE/DIC no. 49 de 18/05/1992; - em 23/06/1992 a empresa protocolou petição encaminhando consulta fiscal pretendendo a aplicação de alíquota zero para o II e isenção para o IPI, alegando isonomia tributária com base na lei 8.028/90 (folhas 8 e 80 do processo apensado de No. 10314.002794195-91); - em resposta à consulta formulada foi exarada, em 19/04/1993, a Decisão 10804/DT 194/93 pela SRRF RF desfavorável ao pleito do consulente (folhas 82 a 85 do processo apensado de No. 10314.002794/95-91) - foi lavrado Auto de Infração em 26/06/1995 para constituição do crédito tributário devido (folhas 86 a 97 do processo apensado de No. 10314.002794/95-91); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10860.001691/2005-13 Acórdão n.º 3102-000.818 S3-C2T1 Fl. 3 3 - a empresa apresentou impugnação ao citado Auto de Infração (folhas 99 a 117 do processo apensado de No. 10314.002794/95-91); - em 22/11/2000 foi proferida a Decisão no. 004408, pela DRJ — São Paulo, acolhendo a alegação de nulidade do Auto de Infração em virtude de que a matéria nele tratada se achava sob consulta na data da sua lavratura, uma vez que o contribuinte apresentou, em 01/07/1993, recurso à Decisão de Consulta 10804/DT 194/93, sem solução até 31/12/1996 (folhas 168 a 176 do processo apensado de No. 10314.002794/95-91); - houve recurso de oficio da Decisão no. 4408 da DRJ-São Paulo, sendo que o 3° Conselho de Contribuinte proferiu o Acórdão no. 301-30.021, em 21/11/2001, negando provimento ao citado recurso; - considerando que o primeiro Auto de Infração (lavrado em 26/0. 1995) foi declarado nulo por vício formal nos termos da Decisão no. 004408 / DRJ- SPO, de 22/11/2000, e que o julgamento do recurso de oficio, pelo 3º Conselho de Contribuintes, tomou definitiva a decisão administrativa em 21/11/2001 foi lavrado novo Auto de Infração em 23/05/2005; - a matéria tratada no presente Auto de Infração já foi exaustivamente analisada e, em conseqüência, as argumentações levantadas pelo contribuinte quanto ao mérito já foram refutadas em todas as instâncias administrativas; - havendo nulidade por vício formal, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que tomar-se definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anteriormente efetuado, nos termos do artigo 173, inciso II, do CTN. A decisão definitiva de anulação do Auto de Infração ocorreu em 21/11/2001, assim, o prazo decadencial terá termo final em 21/11/2006. Em 04/04/2005 o interessado, por intermédio de seu procurador recebeu cópias de todas as peças constantes do processo administrativo no. 10314.002794/95/91 (folhas 202 e 203). O processo no. 10314.002794/95/91 foi apensado ao processo no. 10860.001691/2005-13. Ciente da exigência fiscal em 31/05/2005 (fl.47 e 55), a autuada apresentou tempestivamente, em 27/06/2005, a Impugnação de fls. 67/83, onde aduz em síntese: - há nulidade dos Autos de Infração lavrados por padecerem de vício formal, pelo fato de que a decisão anterior que havia anulado por vício formal o lançamento anteriormente efetuado não se tomou definitiva, uma vez que a definitividade somente ocorreria quando o contribuinte tivesse sido notificado do Acórdão no. 301-30021. Afirma que nunca foi expedida e nem entregue ao contribuinte notificação do Acórdão 301-30021 exarado pelo 3°. Conselho de Contribuintes; - houve a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Entende que a decisão (Acórdão do 3° CC) efetivamente ocorreu em 21/11/2001, porém a decisão anulatória somente se toma definitiva com a notificação válida ao contribuinte, o que alega não ter ocorrido. Assim, não havendo definitivamente ocorrida a anulação do lançamento anterior, o prazo decadencial não se conta pela aplicação do art. 173, 11, do CTN, devendo se pautar pelo disposto no artigo 173, 1, ou artigo 150, parágrafo 4° do CTN; - o Fisco inovou nos presentes Autos de Infração no que respeita às multas aplicadas; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10860.001691/2005-13 Acórdão n.º 3102-000.818 S3-C2T1 Fl. 4 4 - não é aplicável a multa do artigo 364, II, do RIPI/82, lançado no Auto de Infração anulado, por lhe faltar tipicidade no confronto entre a situação fática e a hipótese descrita, na norma. O citado dispositivo exige para sua aplicação a falta de recolhimento do imposto lançado na Nota Fiscal ou mesmo falta de lançamento na Nota Fiscal, O IPI vinculado à importação é objeto de declaração de importação, que não é Nota Fiscal; - a multa do imposto de importação também não pode prosperar. O lançamento anteriormente anulado não havia nenhuma multa de oficio, apenas multa de mora. Nos presentes Autos de Infração foi cominaria a multa de 75% prevista no art. 44, 1, da Lei 9.430/96 por ser menos gravosa que a prevista no artigo 4°, I, da Lei 8.218/91. Tal penalidade não cabe ao caso, tendo em vista o que dispõe o artigo 71 do Decreto 96.760/88, em vigor por ocasião da concessão dos benefícios do BEFIEX, esta por sua vez, penalidade de natureza administrativa imposta pela quebra de cláusulas contratuais com o poder público; - conclui, pleiteando que as presentes razões de impugnação sejam conhecidas, para preliminarmente declarar a extinção do crédito tributário e, no mérito, a improcedência dos Autos de Infração lavrados, cancelando-se os créditos tributários exigidos. A DRJ de São Paulo julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão assim ementado (fl. 97): ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/10/1988 Programa BEFIEX Nos termos do que dispõe o artigo 173, inciso II, do CTN, o direito do Fisco constituir o crédito tributário, através de novo lançamento de oficio, será de 5 (cinco) anos da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, lançamento anteriormente efetuado. A beneficiária do programa Befiex não cumpriu os compromissos assumidos, logo, não poderia utilizar-se dos benefícios previstos. As importações efetuadas passaram a ter tratamento tributário de importações comuns, onde a regra é a incidência dos tributos devidos, que deixou de recolher aos cofres públicos. Lançamento procedente. Em face da decisão da DRJ, os autos subiram a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em sede de recurso de voluntário. Nele o Recorrente reitera, em síntese, a argumentação exposta na impugnação. É o relatório. Voto Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10860.001691/2005-13 Acórdão n.º 3102-000.818 S3-C2T1 Fl. 5 5 Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário preenche os requisitos externos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. - Preliminar de nulidade por falta de ciência do acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes O Recorrente argüi nulidade por falta de ciência do acórdão do Terceiro Conselho de Contribuintes que anulou o auto de infração lavrado em 1995, uma vez que o Contribuinte teria sido intimado por edital. Entendo que a preliminar não merece prosperar, pois o Contribuinte teve acesso pessoalmente à decisão do Conselho, em momento posterior, sanando eventual nulidade que porventura a intimação por edital viesse a acarretar. A interessada, em 04/04/2005, por meio de seu procurador, recebeu cópia de todas as peças do processo no. 10314.002794/95-91, entre as quais constava cópia do acórdão n. 301- 30.021 proferido em 21/11/2001 pelo 3°. Conselho de Contribuintes (anexado às folhas 186/188), conforme atesta a autoridade fiscal às folhas 202 e 203 do processo no. 10314.002794/95-91, que foi devidamente apensado ao processo no. 10860.001691/2005-13 (folha 204). Portanto, foi dada ciência do acórdão 301-30.021 ao Contribuinte em 04/04/2005. Por outro lado, não houve a interposição de recurso a este acórdão por parte do interessado. Uma vez que o novo lançamento foi realizado em 23/05/2005, a preliminar de nulidade por ausência de intimação é improcedente. - Decadência Conforme relatado, uma vez que o primeiro Auto de Infração (lavrado em 1995) foi declarado nulo, nos termos da Decisão no. 004408/DRJ-SPO, de 22/11/2000, e que o julgamento do recurso de oficio, pelo 3º Conselho de Contribuintes, tomou definitiva a decisão administrativa em 21/11/2001 (ou em 2005, a considerar a data em que o Contribuinte recebeu intimação), foi lavrado novo Auto de Infração em 23/05/2005. Quanto a este tópico, argumenta a Recorrente que se afigura equivocada a DRJ, ao afirmar que "...será de cinco anos da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado por vicio formal o lançamento anteriormente efetuado. A decisão definitiva de anulação do primeiro auto de infração ocorreu em 04/04/2005, assim, o prazo decadencial terá termo final em 03/04/2010." Isso porque não se aplicaria o prazo decadencial para vícios formais de lançamento previstos no art. 173, inciso II, do CTN. De acordo com o Recorrente, o vício seria material. Em 26/06/1995 foi lavrado auto de infração para a constituição do crédito tributário devido em razão do cancelamento do regime BEFIEX em 18/05/1992. Antes disso, o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10860.001691/2005-13 Acórdão n.º 3102-000.818 S3-C2T1 Fl. 6 6 Contribuinte solicitou consulta fiscal em 23/06/1992, sobre a qual obteve solução definitiva somente em 31/12/1996. Em 22/11/2000 foi proferida a Decisão n° 004408, pela DRI — São Paulo, acolhendo a alegação de nulidade do Auto de Infração em virtude de que a matéria nele tratada se achava sob consulta na data da sua lavratura. Conforme relatado, o contribuinte apresentou, em 01/07/1993, recurso à Decisão de Consulta 10804/DT 194/93, sem solução até 31/12/1996. Contra essa decisão houve recurso de oficio. Em resposta, o 3° Conselho de Contribuinte proferiu o Acórdão no. 301-30.021, em 21/11/2001, negando provimento ao recurso. Uma vez definitiva a decisão administrativa em 21/11/2001, foi lavrado novo Auto de Infração em 23/05/2005. Não obstante o Terceiro Conselho de Contribuintes tenha afirmado, ao longo de seu acórdão, que o primeiro Auto de Infração (lavrado em 1995) foi declarado nulo por vício formal, nos termos da Decisão no. 004408 / DRJ-SPO, de 22/11/2000, é certo que o vício apontado foi de ordem material. De fato, o que foi analisado naquela ocasião foi a legalidade do lançamento, que se mostrou improcedente por existir causa de suspensão do crédito tributário, qual seja, a existência de solução de consulta ainda pendente de exame no período em que houve a exigência tributária. Assim, o prazo decadencial não foi interrompido pelo primeiro lançamento. Decorridos mais de 5 (cinco) anos entre o fato gerador e o segundo lançamento, decaiu o direito do Fisco de exigir o crédito tributário. Destaco que contra a afirmação do Terceiro Conselho de Contribuintes de que o vício seria formal não havia como o Contribuinte insurgir-se, na medida em que não possuía interesse de agir. A decisão lhe foi integralmente favorável. Cumpre frisar, ainda, que a decisão efetivamente mantida pelo Terceiro Conselho de Contribuintes foi o acórdão proferido pela DRJ, o qual não declarou expressamente a natureza do vício detectado, mas o identificou. Se a decisão proferida pelo Terceiro Conselho de Contribuintes declarou a existência de vício material, o prazo para realização de novo lançamento não foi interrompido. Há, portanto, decadência a ser declarada. Por isso, dou provimento ao recurso. - Conclusão Isso posto, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 9 de dezembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10860.001691/2005-13 Acórdão n.º 3102-000.818 S3-C2T1 Fl. 7 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 16/02/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO
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Numero do processo: 12719.000127/2005-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 13/06/2000 a 24/05/2003
ATO DE LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO FATOS GERADORES PRETÉRITOS INAPLICABILIDADE
A modificação introduzida, de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, somente será aplicado em relação aos Fatos geradores futuros (art. 146 do CTN).
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ATO DE HOMOLOGAÇÃO DE EXPRESSA NATUREZA JURÍDICA.
O ato administrativo de homologação expressa que ratifica a atividade exercida pelo contribuinte, no âmbito do lançamento por homologação, extingue em definitivo o crédito tributário e define o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. Na ausência do referido ato, inexiste definição de critério juridico (art. 150, caput, c/c o art. 146, do CTN),
DESPACHO ADUANEIRO ATO DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NATUREZA JURÍDICA
O ato que formaliza a exigência de crédito tributário, realizado no curso do despacho aduaneiro, tem natureza de lançamento tributário e define o critério jurídico da autoridade administrativa. Se concernente a aspecto tributário e
sujeito passivo idênticos ao objeto de lançamento ou ato de ato de homologação expressa anterior, implica mudança critério jurídico, sendo vedado a sua aplicação em relação aos fatos geradores pretéritos
DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO) FATOS GERADORES OCORRIDOS NA VIGÊNCIA DO ADN COSIT Nº 10, DE 1997. DESCRIÇÃO COMPLETA DA MERCADORIA, 1NAPLICABILIDADE.
Na vigência do Ato Declaratório Normativo Cosit n" 10, de 1997, se inexistente dolo ou má-fé do importador e desde que completamente descrita, a errônea classificação fiscal da mercadoria na NCM não caracterizava a infração por declaração inexata, apenada com a Multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), fixada no art. 44 da Lei n" 9,430, de 1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 13/06/2000 a 24/05/2003 ATO DE LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO FATOS GERADORES PRETÉRITOS INAPLICABILIDADE A modificação introduzida, de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, somente será aplicado em relação aos Fatos geradores futuros (art. 146 do CTN). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ATO DE HOMOLOGAÇÃO DE EXPRESSA NATUREZA JURÍDICA. O ato administrativo de homologação expressa que ratifica a atividade exercida pelo contribuinte, no âmbito do lançamento por homologação, extingue em definitivo o crédito tributário e define o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. Na ausência do referido ato, inexiste definição de critério juridico (art. 150, caput, c/c o art. 146, do CTN), DESPACHO ADUANEIRO ATO DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NATUREZA JURÍDICA O ato que formaliza a exigência de crédito tributário, realizado no curso do despacho aduaneiro, tem natureza de lançamento tributário e define o critério jurídico da autoridade administrativa. Se concernente a aspecto tributário e sujeito passivo idênticos ao objeto de lançamento ou ato de ato de homologação expressa anterior, implica mudança critério jurídico, sendo vedado a sua aplicação em relação aos fatos geradores pretéritos DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO) FATOS GERADORES OCORRIDOS NA VIGÊNCIA DO ADN COSIT Nº 10, DE 1997. DESCRIÇÃO COMPLETA DA MERCADORIA, 1NAPLICABILIDADE. Na vigência do Ato Declaratório Normativo Cosit n" 10, de 1997, se inexistente dolo ou má-fé do importador e desde que completamente descrita, a errônea classificação fiscal da mercadoria na NCM não caracterizava a infração por declaração inexata, apenada com a Multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), fixada no art. 44 da Lei n" 9,430, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-01T22:37:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-01T22:37:58Z; Last-Modified: 2010-09-01T22:37:59Z; dcterms:modified: 2010-09-01T22:37:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:07687cc5-d765-45cf-ab51-c2fd7151c126; Last-Save-Date: 2010-09-01T22:37:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-01T22:37:59Z; meta:save-date: 2010-09-01T22:37:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-01T22:37:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-01T22:37:58Z; created: 2010-09-01T22:37:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; Creation-Date: 2010-09-01T22:37:58Z; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-01T22:37:58Z | Conteúdo => S3-C112 220 'Oja‘fi""x'Lt,, MINISrl'ERIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RL'CURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO Dl JULGAMENTO Processo n" 12719,000127/2005-34 Recurso n" 344 510 Voluntário Acórdão n° 3102-00.684 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2010 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL Recorrente CONTROLLER COMÉRCIO E SERVIÇO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONA , ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 13/06/2000 a 24/05/2003 ATO DE LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO FATOS GERADORES PRI I'ÉRITOS IN A PLICABI.LIDADE A modificação introduzida, de oficio, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, somente será aplicado em relação aos .Fatos geradores fui LIFO S (art. 146 do crN). LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ATO DE HOMOLOGAÇÃO DE EXPRESSA NATUREZA JURIDICA. O ato administrativo de homologação expressa que ratifica a atividade exercida pelo contribuinte, no âmbito do lançamento por homologação, extingue em definitivo o crédito tributário e define o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. Na ausência do referido ato, inexiste definição de critériojuridico (art. 150, caput, c/c o art. 146, do CTN), DESPACHO ADUANEIRO ATO DE EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NATUREZA JURÍDICA O ato que formaliza a exigência de crédito tributário, realizado no curso do despacho aduaneiro, tem natureza de lançamento tributário e define o critério jurídico da autoridade administrativa. Se concernente a aspecto tributário e sujeito passivo idênticos ao objeto de lançamento ou ato de ato de homologação expressa anterior, implica mudança critério jurídico, sendo vedado a sua aplicação em relação aos fatos geradores pretéritos DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA DE OFÍCIO DE 75% (SETENTA E CINCO POR CENTO) FATOS GERADORES OCORRIDOS NA VIGÊNCIA DO ADN COSIT N" 10, DE 1997. DESCRIÇÃO COMPIETA DA MERCADORIA, 1NAPLICABILIDA DE, Na vigência do Ato Declaratório Normativo Cosit n" 10, de 1997, se inexistente dolo ou má-fé do importador e desde que completamente descrita, a errônea classificação fiscal da mercadoria na NCM não caracterizava a infração por declaração inexata, apenada com a Multa de ofíçio de 75% (setenta e cinco por cento), fixada no art. 44 da Lei n" 9,430, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. I .urs- arce -mura de Lastro - Presidente _ - José Fernandes,do Nascimento - Relator EDITADO EM: 18/06/2010 cipara m do presente julwimento os Conselheiros Luis Marcelo Guert a de Castro, José Fernandes do Nascimento, M alia Regina Godinho (Suplente), Nanci Gama, • Beatriz Veríssimo de Sena e Elias Fernandes Eufrasio (Suplente). Relatório • Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela autuada, no intuito de ver reformado o Acórdão n" 07-14.896 (tis. 180/186), proferido pela 1" Turma de Julgamento da DR1 Florianópolis/SC, cuj a ementa restou assim redigida: A s sunto (I'lasilicação de Mercadorias Período de apuração I3/06/2000 a 24/05/200.3 :MUDANÇA DL CRITÉRIO JUIÚDICO /Vão constitui mudança de critério jur idico a alteração de ofício procedida pela autoridade ./iscai, em ato de TVViSãO aduaneira, no código NCM declarado pela imporladoi a, com base na descrição da mercadoria, constante na fatura comercial, na Declaração de Impor lay70 e no Licenciamento de Impor tação INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA 40 CONTROLE DAS' IMPORTAÇÕES IMPORTAÇÃO DE,SAMPARADA DE GUIA DE IMPORIA (:;1-0 OU DOCUMLN7'O EQUIVA11;',N1L. DER A RA1T,RIZA ÇÃO DES`ClUÇ A-0 DA ME RCADOI?lA LICENCIAM-ENIO DA IMPORTAÇÃO 2 Processo n e 12719 000127/2005-34 S3-( 1T2 Acórdão n 0 3102-00.684 Fl. 221 Não constitui a infração administrativa ao controle das inrportações, disposta CO/no importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente.', O declaração de importação de rnercadoria com classificação /isca/ errônea, desde que o produto eshjo correánnente descrito, Com todos o_s elementos necessários a sua identif icação e ao enquadramento /01 U io pleiteado, e que não se constate intuito doloso ou rnál por parte do declarante Para uns de de.verição da mercadoria devem ser consideradas as infOrmações constantes do Licenciamento da Importação. Lançamento Procedente em Parte. Informa a Descrição dos Fatos (fls. 03/06), que integra o Auto de Infração de fls. 01/17, que a fiscalizada importou o produto de nome comercial "Faixa Ortopédica Sintética. Rígida de Poliéster", que foi submetido a despacho aduaneiro por meio das Declarações de importação (UI) de fls. 22/61, sendo Classificado em um dos seguintes códigos da N-CM-.: 9021.10.20 e 9021.19.20. Com base na Solução de Consulta SRRE7 -10" RE/DIANA n" -151, de 20 de maio de 2004 (fls. 98/102), a autoridade fiscal reclassificou o produto para. o código NCM 3005.90.90, lavrando o referido Auto de Infração, para cobrança dos seguintes créditos tributários: (i) Imposto sobre a Importação (II), acrescido dos juros moratórios e da da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), por erro de classificação e declaração inexata; (ii) multa por Palia de Licença. de Importação (LI); e (iii) multa por Classificação fiscal incorreta... Em 18/0.3/2005, a fiscalizada foi cientificada, por via postal (fls. 120), do Auto de Infração litigado. Inconformada, em 08/04/2005, apresentou a impugnação de fls. 121/139, cujas razões defesa Coram assim resumidas no relatório integrante do Acórdão recon ido, In verbis: A impugnank' alega que, das seis Declaraçôes de Importação (Dl) autuadas, duas foram desembaraçadas no canal vermelho, uma no canal amarelo e três em canal verde, sendo que uma dessas foi submetida a controle revisional. Em relação a cya DI, de número 03/0436300-0, a revisão aduaneira promovida pela Delegaeia. da Receita Federal de !tripó, concluiu que a mercadoria estava declarada corretamente, fato que estabeleceu um "cr itério jurídico para a aquela natureza de importação, ou seja, Gesso Sintético, se,L,Qindo aquele critério jurídico, estava corretamente declarado e enquadrado na posição tarifária 9021.10,20 Assim, eld' (':wde que, de acordo com a doutrina e a .jurisprudencia, a revisão aáraneira realizada extinguiu o crédito tributário em relação /iqw'iaDI e estabeleceu um critério jurídico em relação às importaçãe_s de mesmo objeto e exportador, pelo mesmo importador. Alega que todas as DI autuadas . firram importadas sob o amparo de licemjamentas de importação não-automáticos e, portanto, ao contrário do que afirma a fiscalização, as mercadorias . finam impo) toldas- ao amparo de guia de importação Ou documento de eleito equivalente, não configurando a infração imputada Defende que, a de..selição da mercadoria apo.s-ta nas Licenças de Importação, "Faixa para moldagem ortopédica •1...1i2gia (7ast Gesso Sintético, composição do produto fibras de poliéster, rolo de .3,6 m de comprimento nas- seguintes larguras. 5/7, 7/10 e 12,5 em -, descreve cor reta mente a mercadoria, de forma que as multas de ofício do artigo 44, 1, da Lei n" .9.430/1996 inaplicáveis, (1.5.51 /1) como a multa por inflação ao controle administrativo das importações, confOrme Ato Declinatório Cosa n" 12/1997, e, tampouco a multa proporcional do inciso 1 do artigo 84 da Medida ProlYisória n" 2. 158-3..5/200:1 . .1. -±dirrça a alegação de que a mercadoria estava bem descria, pois, conforme Portaria IVIP/MICP ir' 291/1996, as inprmações prestadas e acvnas pelo Siscomex "serão aproveitadas para fin.s de processamento do despacho aduaneiro da mercadoria, de forma automática ou mediante indicação, pelo importador, do respectivo 111:Uner0 da licença de importação, no momento de fim-mula, a declaração de importação- Portanto, a autoridade fiscal está vinculada é análise da Licença não-Automática de Importação. Defo:?rule que a.s importações anteriores, na.s . quais adotou a classificação . fiscal posteriormente alterada, /Oram .submetidas 00 crivo da fiscalizaç."ão, que as aceitou e, portanto, estabeleceu um critério jurídico ao qual se vincula. Tal critério jurídico foi confit mordo com a revisão aduaneira da 1)1 ri" 03/0436300-0, que confir moa estai a mel autor ia corretamente declarada, homologando o lançamento, nos termos do parágrafo.) .1" do artigo 150 do Cl 'N Depois de ser intimada a alterar o classificação . fiscal da Mei' cadmia, no curso do despacho de iinportou . ão, amparado pela D1 ri" 04/0080770-4, protocolou processo de consulta, do qual foi exarado' a Solução de Consulta ,SRRP/9" R»/DIANA n" 1.51/2004 que definiu ser correta a classificação fiscal na ATCAI n" 3005 90 90 Alega, assim, que .somente a partir de.s-sa data foi adotado novo critério inrídico, ou .seja, paro importações 1)0w:crimes à consulta mencionada, conforme art. 14, 6' e 7", da IN SRP' ¡I" 230/2002 e art .146 do Código Tributário Nacional. Requer seja declarado insubsistente o auto de infração e extinto o crédito tributário exigido, afastando as multas lançadas Após a referida im.pugna.ção, sobreveio O mencionado .A.cordão, em que os membros da Turma julgadora consideraram procedente, em parte, o lançamento, com base tios fundamentos expostos resumidamente no corpo da ementa anteriormente transcrita. fnu 10/02/2009, a interessada foi cientificada, por via postal (11s. 218), do mencionado Acordã.o. Irresignada, em 06/03/2009, apresentou o R.ecurso Voluntário de Os.. 195/217, em que reafirmou as taZÕCS de delesa aduzidas na peça impugnatória, especialmente, a questão atinente a mudança de critério jurídico, que entende está devidamente configurado na presente autuação,. Ao final, requereu declarado a insubsistência integral do Auto de Inflação guerreado, extinguindo o crédito tributário lançado, bem COMO as multas de oficio e por classi ficação fiscal incorretas aplicadas.. 4 • • , Processo n" 1 2719 000127/2005-34 S3-C1-12 Acórdão ri.' 3102-00.684 F1 y).) Em cumprimento ao despacho de í1 219 (Ultima), os presentes autos foram enviados a este e.. Conselho. Na Sessão de 03/12/2009, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro., É o Relatório.. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. No peça reeursal em apreço não roi suscitada ,nenhurna questão preliminar, por conseguinte, passo diretamente à análise das questões de mérito suscitadas. I- DO .M[ÉRITO Inicialmente, cabe esclarecer que, embora o presente procedimento fiscal trate da correta classificação fiscal do produto importado pela recorrente na. Nomenclatura. Comum do Mercosul (NCM), com base nos elementos colacionados aos autos, verifica-se que não há litígio em relação a esta matéria.. Com efeito, em resposta a consulta formulada pela recorrente, a autoridade competente da Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10" Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta SRR.F/10" RF/D1ANA n' 151, de 20 de maio de 2004 (fils. 98/ 02), concluiu que o produto importado pela autuada, denominado comercialmente de "Faixa Ortopédica Sintética Rígida de Poliéster", classifica-se no código NCIV1 3005.90.90.. Em relação a esse entendimento não há controvérsia nos presentes autos, haja vista que não há manifestação de discordância por parte da recorrente. No caso, o cerne da presente controvérsia gira em torno da existência ou não de amparo legal, para que a autoridade fiscal, após a fase de despacho aduaneiro, procedesse ao lançamento do crédito tributário e à aplicação de penalidade, com base em nova classificação fiscal do produto na. "NCM, atribuído pela dita Solução de Consulta, que fora expedida. posteriormente às infrações às datas de registro e desembaraço das DT revisadas. No entendimento da recorrente, somente as importações realizadas apás 20 de maio dc 2004, data da edição da. referida Solução Consulta, estariam sujeitas à nova classificação fiscal, pelo lato de que, na referida data, fora estabelecido um novo critério jurídico, diverso daquele até então adotado pela fiscalização aduaneira da Unidade de despacho (Delegacia da Receita Federal em Itajaí/SC). Por conseguinte, segando a recorrente, o novo critério .jurídico, por força do disposto no art. 146 do CTN, não poderia rettuagir para alcançar crédito tributário _já constituído de acordo com critérios jurídicos adotados anteriormente e em relação ao mesmo sujeito passivo e objeto. Da mudança dos critérios jurídicos. .\ \5. Previamente, a anái.i.SC do argurnento trazido pela recorrente, é oportuno fazer urna rápida digressão acerca do que seja mudança de critério jurídico, denominado pela doutrina de princípio da proteção da confiança. Instituto que, embora abordado por muitos e entendido por poucos, tem suscitado fortes controvérsias no seio da doutrina e da jurisprudência. Recomenda a boa doutrina que o primeiro passo para unia adequada compreensão de um instituto de direito positivo é analisar o preceito legal em que veiculado. Assim, seguindo essa trilha, começo analisando o conteúdo veiculado pelo art. 146 do CTN, que tem o seguinte teor, ipsis til ter is: Art. 146 Á modificação introduzida, de oficio ou em conseqüência de decisão adnzinistrativa OU judicial, nos critérios jurídicos adotados . pela autoridade administrativa no exercício do lançamento .somente pode ser efetivada, em relação a UM MeSITT O sujeito passivo, quanto a fato ,s.,,-erador ocorrido poqcriorinente à .5-1.1a introdução (grifos não originais) É inquestionável que o dispositivo em apreço trata de modificação critério jurídico adotado em relação à prévio ato de lançamento tributário, realizado pela autoridade administrativa (lançamento de ofício), que a alteração do critério jurídico aplicado anteriormente seja introduzida por meio de ato de autoridade administrativa (ato de ofício) ou de decisão administrativa ou judicial, e que tanto o lançamento quanto o ato de oficio ou decisório refiram-se a um mesmo sujeito passivo. Assim, com base no conteúdo jurídico do referido preceito legal, verifica-se .:• que três condições deverão ser atendidas para que haja a configuração da mudança do critério jurídico, no âmbito do lançamento tributário: • a) a primeira: haja um prévio ato de lançamento de oficio, em que a autoridade administrativa tenha adotado um determinado critério jurídico; b) a segunda: a modificação do critério jurídico anteriormente aplicado seja introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de oficio) ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial (por meio de decisão administrativa ou judicial); e c) a terceira: tanto o ato de lançamento quanto o ato de ofício e as decisões administrativa e judicial refiram-se a um mesmo sujeito passivo. Atendidas as referidas condições, o novo critério jurídico terá efeito apenas prospectivo (ex nunc), ou seja, somente poderá ser aplicado aos latos jurídicos tributários ou fatos geradores frituros, Neste sentido a doutrina do Prof. José Souto Maior Borges' que, ern relação ao significado jurídico inserto no preceito legal em comento, assim se manifestou tio exceli() a seguir transcrito, in verbis: L.1.5C dispositivo poderia Yer assim deserdo em proposições cientificas adequadas à fixação de Yuri inteligència: urna vez adotada qualquer das alternativas de aplicação dos normas gerais e alisltatas direta ou indiretamente relacionadas com o lançamento, a autoridade administrativa não mais poderá substinii-ia por Outra alternativa se essa .substituição estiver Mu/cimentada na simples modificação dos critérios »lúdicos cy',7 I BORGES, José Souto Maior Lam,:ániento tributário 2 ci.] Brasil: Malheiros, 1999, p 285-286 \ . 13 /\: Processo n" I 2719.000127/2005-34 S3-C112 Acórdão n 3102-00.684 Fl 22.3 estabelecidos para a prática do lançamento. 1 .‘; não o pode porque somente pode relativamente a .fato jurídico tributário posterior à introdução dessa modificação inovadora . í.; norma, portanto, sobre inalterabilidade do lançamento, antes que sobre sua modificabilidade. (grifos não origi nai s) Em outras palavras, o novo critério jurídico não poderá ser aplicado para rever lançamento (lançamento velho) nem para lançamento novo, atinente a evento tributário ou fato gerador ocorrido antes da sua introdução no mundo jurídico. Nesta direção, é o entendimento doutrinário de Luciano Amaro2, conforme trecho de sua autoria a seguir reproduzido, ipsis litteris: O que o texto legal de modo expresso proíbe não é a mera revisão de lançamento com base CM tu) vos critérios pirídiC0.; a aplic(tção des ses nows critérios a . fatos geradores ocorridos antes de sua introdução (que não neeesuiriamente lerão sido já objeto de lançamento) Se, quanto ao jato gerador de ontem, a autoridade não pode, hoje, aplicar novo critério jurídico (dift-Tenie do que, no passado, tenha aplicado em relação a outros fatos geradores atinentes- ao mesmo sujeito passivo), a questão ilãO se rdere(on não se resume) à revisão de lançamento (velho), mas abarca a consecução de lançamento (novo) É claro que, não podendo o novo critério ser aplicado para lançamento novo com base em fato gerador ocorrido antes- da introdução do critério, com maior razão este também não poderá ser aplicado para rever lançamento velho. Todavia, o que o preceito resguardaria contra a mudança de critério não .seriam apenas lançamentos anteriores, mas fatos geradores. passados (grifos do original) Em suma, as duas relevantes doutrinas apresentam, na essência, o mesmo entendimento, entretanto, a partir de pontos de vistas distintos. Uma segundo o ângulo da permissão e a outra pelo lado da proibição. Dos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento tributário. Embora o art. 142 do CTN que expressamente diga que a atividade de lançamento é privativa da autoridade administrativa, não se pode olvidar de que o art, 150 do mesmo diploma legal, no âmbito do lançamento por homologação atribui ao sujeito passivo competência para realizar a atividade semelhante, com exceção do ato final, que Ficou reservado a autoridade administrativa, Portanto, ao invés da atividade de lançamento, no meu entendimento, o que é privativo da autoridade administrativa é o ato final do referido procedimento, ou seja, o ato de lançamento tributário, que varia contOrme a modalidade de lançamento. No lançamento oficio, como todo o procedimento de lançamento e o ato final (normalmente, o auto de infração) são realizados pelo Pisco, não há dúvida. de que o critério jurídico adotado na sua feitura é da autoria da autoridade administrativa, AMARO, 1 miam Direito tributário Emasileiro 13 ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p 351 O mesmo não pode ser dito em relação ao lançamento por homologação, haja vista que, nos ternos do cuim/ do art. 150 do CTN, embora o procedimento ou atividade do lançamento esteja a cargo do sujeito passivo, sem a participação do Fisco, a sua eficácia jurídica somente opera-se pelo ato de homologação expressa realizado pelo autoridade administrativa. Em suma, é por meio do ato de homologação expressa que a autoridade administrativa manifesta a sua concordância com a atividade exercida previamente pelo sujeito passivo, aprovando-a e lhe conferindo eficácia jurídica definitiva, com extinção incondieionada do crédito tributário.. Neste sentido, o entendimento do Prof. José Souto Maior Borges'', para quem: "Basicamente, a homologação consiste no exercício de uma. função administrativa cuja eficácia é, em sentido amplo, a. aprovação da atividade exercida no procedimento de lançamento pelo sujeito passivo". Assim, fica evidenciado que é por meio do ato de h.o.m.ologação expressa que a autoridade administrativa confere à atividade anteriormente exercida pelo sujeito passivo o requisito de eficácia de lançamento tributário e, com a sua anuência, incoipora como seu o critério ..jurldico anteriormente aplicado pelo sujeito passivo na realização do prévio procedimento de lançamento, Esse entendimento também está em consonância com a relevante doutrina do Prol: José Souto Maior 13orges 4 . Segundo este autor . "Praticada a homologação expressa ocorre o respectivo lançamento". Ern outro trecho deixa ainda consignado que: "A homologação beta, peio decurso do prazo qiiinqüenat-do-art. -1:50,-§ 4", não é lançamento. Da-se a eficácia de acontecido a algo que efetivamente não aconteceu.".. No caso, como se trata de definição de critério jurídico adotado pela autoridade administrativa, no âmbito do lançamento por homologação, somente o ato de homologação expressa passa a ser relevante, posto que na efetivação do ato de homologação lida ou tácita, que se dá pela omissão da autoridade administrativa durante o prazo qüinqüenal de decadência, inexiste qualquer manifestação de concordância ou anuência por parte da dita autoridade. Em síntese, pode-se concluir que, na esfera do lançamento tributário, o ato que define o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa varia conforme a modalidade de lançamento. No lançamento de oficio dar-se-á COM a expedição do ato de lançamento, enquanto que no lançamento por homologação ocorrerá com o ato de homologação expressa expedido pela autoridade administrativa. No presente contraditório, como a questão de fundo gira em torno do lançamento por ,homologação, recairá sobre esta modalidade de lançamento o foco da. presente análise, especialmente, o lançamento por homologação concernentes aos tributos devidos na operação de importação. Do ato de homologação expressa no lançamento dos tributos incidentes na operação de importação. É cediço que os tributos incidentes na operação de importação, bem como as penalidades por infração ao controle aduaneiro, estão sujeitas ao lançamento por homologação. Além disso, ficou demonstrado que, neste modalidade de lançamento, é o ato de homologação expressa, expedido pela autoridade administrativa, que lhe confere eficácia jurídica, 3 BORGES, José Souto Maior..I. ançamento tributário 2 ed. Btasit Malliciros, 1999, p 388 BORGES, José Souto Maior Lançamento tributário 2. cd Malbeiros, .1999, p 388 Processo n" 12719.000127/2005-34 S3-01.1-2 A.córdão o 3102-00.684 VI 224 produzindo os seguintes efeitos jurídicos: (i) extinção em definitivo o crédito tributário; e (ii) definição do critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. Entrementes, cm thce das peculiaridades das etapas que envolvem a atividade de controle do procedimento de lançamento dos tributos incidentes na operação de importação, cabe analisar a natureza dos atos que são exarados pela autoridade administrativa no curso do processamento do despacho aduaneiro de importação, que tem n como documento base a Declaração de importação (Dl), elaborada e registrada pela pelo importador no Siscomex, e se desenvolve em (luas etapas distintas: a) a. fase conferência aduaneira, que se inicia com registro da RI e se encerra com o ato de desembaraço aduaneiro, pio ferido pela autoridade fiscal; e b) a fase de revisão aduaneira, que se inicia com o ato de desembaraço aduaneiro e se encerra com o ato de homologação expressa ou tácita do lançamento, que consiste no ato de conclusão tanto do procedimento de revisão quanto o próprio despacho aduaneiro.. A homologação tácita, como é sabido, dar-se-á com o transcurso do prazo de- 5 (cinco) anos contado a partir do registro da Dl, sem que haja qualquer manifestação da autoridade fiscal„ Este forma de homologação é irrelevante para a presente análise, que envolve a definição de critério .juridico.. Por sua vez, o ato de homologação expressa materializa-se com a. manifestação da autoridade administrativa, quando concorda com o procedimento adotado pelo importador. Por este ato, entendo que o critério jurídico adotado pelo importador passa ser o mesmo aplicado pela autoridade administrativa. Não havendo a dita homologação e apurada diferença de crédito tributário, o ato que formaliza a exigência do crédito tributário, seja proferido na fase de conferência ou fase de revisão aduaneira, com a ciência do importador, define o critério .jurídico adotado pela autoridade administrativa em relação a matéria analisada. Ademais, se proferido no âmbito do processo de revisão aduaneira, põe fim, simultaneamente, ao procedimento de revisão e ao despacho aduaneiro (art. 570, § 3", do RA/2002). Da natureza do ato de desembaraço aduaneiro. Nos termos do art. 504 do RA/2002, a conferência aduaneira na importação tem por finalidade identificar o importador, verificar . a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza., classificação fiscal, quantificação e valor, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da importação. O dito procedimento encerra-se com o ato de desembaraço aduaneiro, autorizando a. liberação da. mercadoria (art. 511 do RA/2002).. Na prática., em rarissimas oportunidades, nesta Case do despacho aduaneiro, a autoridade aduaneira, tem a oportunidade de expedir o ato de homologação expressa, principalmente, em relação à classificação fiscal adotada pelo importador, haja vista que, a partir da implantação do Siscomex importação, em 01/01/1997, em conformidade com estabelecido no art. 508 do RA/2002, a conferência aduaneira passou a ser realizada segundo critérios de seleção e amostragem, mediante a seleção da Dl para um dos seguintes canais: verde, amarelo, vermelho c cinza_ - 9 Dessa forma, dependendo do canal de seleção da D1, varia o grau de participação da autoridade fiscal no procedimento conferencia aduaneira, indo desde a. completa omissão até a implementação de procedimento especial, conforme estabelecido fie art. 20 da Instrução Normativa SIZE 206, de 25 de setembro de 2002, a seguir transcrito: Ar! 20 Após O registro, a Dl será .sohmehda a análisv fiscal e .selecionada para dos- .seguintes cariais de conferência aduaneira.. (Revogado pela IN SR1'' n ü 680, de O 2/10/ 2006) .1 - verde, pelo qual o sistema registrará r) desembaraço automático da mercadoria, di.spen.Nodo o exame documental e a verificação da mucadoi ia, II - amarelo, pelo qual .seró realizado () exame documental, e, não sendo Con.5 ta fada inegularidade, efi.luado O desembaraço aduaneiro, dispensada ff verificação da mercadoria, .111 - vermelho, pelo qual a mei cadoria .somente será desembaraçada após a realização do exame documental e da verificação da mercadoria; e .1t - cima, pelo qual será realizado o exame documental, a velificação da mercadoria e a aplicação de pi ocedimento especial de controle aduaneiro, para verificai (:.lerilernos. indiciários de fraude, inclusive no que .se refere ao preço • • declarado da mercadoria, conlivine estabelecido -i-705' • a ri, s. 65 a • • • • • • 69. Em suma, o ato de desembaraço aduaneiro na importação, que encerra a fase dc conretê1leia ad mineira, pondo a mercadoria a disposição do importador ., 'por si só, não tem o caráter de ato de homologação expressa do procedimento lançamento realizado pelo importador, materializado na Dl, por motivo óbvio, ele apenas finmaliza a autorização de entrega da mercadoria ao importador. Nada obstante, isso não significa que, fase da conferência aduaneira, conforme anteriormente assentado, a autoridade fiscal não possa se manitéstar conclusiva ou expressamente acerca de alguns dos aspectos do despacho aduaneiro, especialmente, sobre a classificação fiscal adotada pelo importador,. Caso isto ocorra, entendo que está lixado um critério jurídico no â.mbi.to do lançamento tributário. Da natureza do ato finai de revisão aduaneira. DeStia forma, somente quando a autoridade fiscal se pronunciar de modo expresso sobre qualquer aspecto do despacho aduaneiro, inclusi.VC a classificação fiscal adotada pelo importador, estará configurada a fixação de um critério jurídico por parte da autoridade administrativa no âmbito do lançamento por homologação dos tributos incidentes na im.portação. Sem tal manifestação, enquanto não precluso o direito de o fisco realizar o lançamento, mediante procedimento de revisão aduaneira, definido pelo art.. 54 5 do "Decreto-lei n" 37, de 1966, com redação dada pelo Decreto-lei ri." 2.472, de 1988, a autoridade fiscal poderá rever qualquer' aspecto tributário ou aduaneiro do despacho, especialmente a classificação Art.54 A. apuração da regular .idade do pagamento do imposto e demais gravames devidos ã. Fazenda "Nacional ou do beneficio fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na .I.Onna que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decrete-Lei. (Rechição dada pelo Decteto-Lei n" 2 472, de 01/09/1988) \ Puoce.sso n" 1 2719 0M127/2005-34 S3-C1 12 .Acórao n " 3102-00.684 E 225 fiscal adotada pelo importador, e se apurada diferença de crédito tributário a maior, deverá proceder ao lançamento da diferença apurada, conforme previsto no art.. 570 1 Al2002, a seguir transcrito: Art. 570 Revisão Aduitneira O alo pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício /isca/ c da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto-lei ri!' .37, de 1966 art .54, com a redação dada pelo Deerelo-lei n" 2 472, de 1988, art. .2', e Decreto-lei n I .578, de 1977, a; t. 8'). I' Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazo.s referidos nos arts 668 e 669. .sÇ 2" A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I - do registro da declaração de importação correspondente (Decreto-lei d. 37, de 1966, art. ..54, com a redação dada pt.1(..) Deercto-lei n" 2.472, de 1988, art. 2'), e - do registro de exportação. § 3 Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. (grifos nâo originais). Dessa forma, o ato final da autoridade fiscal que encerra o procedimento de revisão aduaneira tem a natureza de ato de homologação expressa. do lançamento por homologação dos tributos incidentes na importação, fixando o critério .jurídico aplicado pela autorida.d.e fiscal no âmbito do referido lançamento. No presente caso, a manifestação expressa do Auditor-Fiscal responsável pela revisão aduaneira da 1)1 n° 03/04.36300-0 (consignada no Relatório de Revisão de DI de 150, com data de 05/06/200.3), no sentido de que a mercadoria descrita na dita Dl estava corretamente declarada, ao meu sentir, representa a adoção de um critério jurídico, que define como correto o código "N"CM 9021 10..20, atribuído ao produto importado pela recorrente, comercialmente denominado "Faixa Ortopédica Sintética Rígida de Poliéster". Dos atos introdutores da modificação dos critérios juridieos Conforme já mencionado, a alteração nos critérios .jurídicos tem duas fontes distintas, a saber: a) o ato de oficio prolatado pela autoridade administrativa do órgão encarregado da administração do tributo; b) a decisão administrativa ou judicial, prolatada pelo Órgão judieante administrativo ou pelo Poder Judiciário., Em relação aos dois -últimos atos, é indiferente se a decisão é de órgão julgador de primeiro ou segundo grau ou de instância superior ou especial, a condição que se exige é que ela seja definitiva e se refira ao mesmo sujeito passivo.. i No que tange ao ato de oficio prolatado pela autoridade administrativa, em relação aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Rf -B), há três modalidades de atos administrativos que podem alterar o critério jurídico anteriormente definido. Ao sentir, são os seguintes: a) o ato de revisão do lançamento tributário, proferido nos lermos do art. 1.49 do CTN; b) o novo ato de lançamento de oficio ou ato de homologação expressa, concernente a idêntico aspecto tributário e mesmo sujeito passivo; ou e) a solução de consulta formulada pelo sujeito passivo, nos termos do capta do art 46 do Decreto n" 70.235„ de 6 de marco de 1.972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF) federal. Em relação a esta última hipótese, em emnprimento ao disposto no § 12 do art. 48 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por meio do § 6" do art.. 14 da Instrução Normativa fi." 230, de 25 de outubro de 2002 (vigente no período dos tatos), a administração tributária já se manifestou, cru caráter geral, em consonância com a vedação expressa no art. 146 do CT-N. Neste diapasão, confira o teor o citado preceito normativo a seguir transcrito: Art 14. A consulta eficaz impede a aplicação de penalidade relativamente à mató ia consultada, a partir da data de .sua prolocolizaç..ão até o trigésimo dia . .seguiple ao da ciência. pelo corisidente, da Solução (.1e Consulta. 6'' Na hipótese de alteração de entendimento (...-.A:presso em Solução de Consultar, a nova orientação alcança apenas os faros geradores que ocorrerem após a sua publicação na inzprensa oficial ou após a ciência do consulente, exceto .se a nova orientação lhe foi- mais- favorável. caso em que esta atingirá, também., o período abrangido pela YollAç:ào ante; iormente dada. No que se refere ao ato de revisão do lançamento tributário, ele deverá ser proferido nas hipóteses prevista no art.. 149 do CTN. Quanto ao novo ato de lançamento de oficio Ou ato de homologação expressa, só se configura a mudança de critério jurídico se houver alteração do entendimento mitcriormente fixado em relação à idêntica questão latica e concernente ao mesmo sujeito passivo. No presente caso, foi exatamente o que ocorreu, conforme a seguir exposto.. Com efeito, por ocasião da conferência aduaneira da Dl IV 04/0080770-4, registrada em 27/01/2004, a autoridade fiscal manifestou o entendimento de que produto importado pela recorrente estava incorretamente classificado no código NCM 9021.10.20 e que o enquadramento tarifário correto do referido produto seria no código NCM 3005.90.90, formalizando a exigência do crédito tributário, de acordo com as aliquotas definidas para o novo enquadramento. Dessa forma, entendo que, a partir da ciência do importador, ora FeCOFIC111C, referido ato introduziu de ofício um novo critério jurídico em relação a classificação do produto ern tela, haja vista que a nova exigência fiscal teve por base -idêntica questão fálica (no 7-(7caso, o mes-mo produto a. ser classificado) e mesmo sujeito passivo (a recorrente). 12 1 Processo n 2719 000127/2005-34 S3-C112 Acórdão " 3102-00.684 1;1 226 Assim, discordo do entendimento da recorrente de que o novo critério jurídico [Ora introduzido pela Solução de Consulta SRRF/10 a Rf/DIA.NA n" 151, de 2004, resultado da consulta por ela formulada.. Na verdade, antes da expedição da referida Solução de Consulta, a autoridade fiscal da Unidade de despacho (Saana da DR -F/Itajal), já definira, por meio do ato exigência. da diferença de crédito tributário, formalizada no curso da conferência aduaneira da D1 n" 04/0080770-4, o novo critério jurídico, o qual foi apenas ratificado pela citada Solução de Consulta. Das alegações da recorrente. Alegou a recorrente que a Dl IV 03/0436300-0, registrada em 24/05/2003, foi submetida, na Unidade de despacho, a procedimento de revisão aduanei ta, tendo a autoridade fiscal revisora concluído que a mercadoria nela descrita estava corretamente declarada. Com base no resultado desse procedimento, entende a recorrente que a autoridade administrativa adotou um critério jurídico, definindo como correto o enquadramento tarifário do produto por ela importado no código NCM 902 -1.10..20, extinguindo em definitivo o crédito tributário, pela homologação expressa, Por conseguinte, segundo a recorrente, o novo critério jurídico introduzido pela Solução dc Consulta SRRE/ .10" RF/D1ANA n" 151, de 2004, que alterou o anterior, atribuindo novo enquadramento tarifário para o produto (código NCM 3005,90.90), não pode ser aplicado às Dl registradas anteriormente a data de sua edição (20/05/2004), mas somente às importações do referido produto realizadas após a referida data. De fato, consta do citado Relatório de Revisão Aduaneira de fl. 150, elaborado, em 05/06/2003, que o Auditor-Fiscal responsável pela revisão da. DI n" 03/0436300- 0, a informação de que a mercadoria descrita na dita DI estava corretamente declarada.. No meu entendimento, tal relatório veicula o ato de hornologação expressa da atividade de lançamento anteriormente realizada pelo sujeito passivo, confirmando a atividade de constituição do crédito tributário, extinguindo-o em definitivo, nos termos do inciso VII d.o art. 156 do CTN.. Cabe destacar que, em relação a esse especifico ponto (ato de homologação expressa) não há dissenso, conforme excerto a seguir transcrito, extraído do voto do Relator: "(...) em relação à Declaração de importação n" 03/0436300-0 há que se afastar as exigências, pois foi submetida a revisão aduaneira conclusiva, sendo considerada homologada". Dessa. forma, no caso em tela, tenho por atendidas todas condições necessárias e suficientes para aplicação da norma proibitiva inserta no ali, 146 do CTN, posto que: a) o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa diz respeito à prática do ato de lançamento tributário, no caso, ato de homologação expressa formalizado por meio do Relatório de Revisão de Dl de ft 150; b) a alteração do ei itério „jurídico anterior .fbi introduzida pela autoridade administrativa (mediante ato de oficio), por meio do ato de exigência do crédito tributário, formalizada no curso da conferência aduaneira da DI n" 04/0080770-4; e \ c) tanto o ato de conclusão da revisão aduaneira da n" 03/0436300-0 quanto o ato de exigência do crédito tributário realizado no curso da conferência aduaneira da Di n" 04/0080770-4, referem-se ao mesmo sujeito passivo (à ora recorrente) e a idêntica questão latica, no caso a importação a Classificação fiscal do produto denominado comercialmente de "f'aixa Ortopédica Sintética Rí gida de Poliéster".. Entretanto, há uma ressalva importante a ser feita. Por ocasião do procedimento de revisão aduaneira, a autoridade fiscal só se -manifestou quanto ao correto enquadramento tarifário do produto no códi go NCN.1 9021.10.20.. Acontece que o presente lançamento também alcançou às Dl de ii"s 00/0533795-4/001, 00/1037064-6/001, 00/1223695-5/001 e 01/1113330-5/001, onde o referido produto foi classificado no código NCM 9021.19..20, Especificamente, sobre esta classificação fiscal, não há noticias nos autos de que houve manifestação da autoridade fiscal a respeito. Consequentemente, em relação a tais Dl, não há que se tilar CM. mudança de critério jurídico. Por tal motivo, entendo que assiste razão, em parte, a recorrente, pois, no caso em tela, só houve mudança de critério jurídico em relação às Dl de .n"s 02/0999471-6/001 e 03/0436300-0/001, onde o referido produto foi classificado no código NCM 9021.10..20. Como no Acórdão recorrido já foi afastado os créditos atinentes a última Dl, 'no 'presente julgamento, resta ser excluídos do lançamento em apreço apenas os créditos relativos à 1/1 de n" 02/0999471-6/001. Da aplicação da multa de ofício de 75% (seteuta e cinco por cento). No que concerne a aplicação da multa de ofício em epígrafe, como produto foi corretamente descrito na Dl e não ficou comprovado dolo ou má-fé do importador, ela deve ser afastada, pois encontram-se atendidas as circunstância excludentes estabelecidas no item do Ato Declatatório Normativo (AD.N) Cosit n." 10, de 16 de janeiro de 1997, que se encontrava vigente na data do registro das DI de n"s 00/0533795-4/001, 00/1037064-6/001, 00/1223695-5/001 e 01/li i 3330-5/001. Cabe esclarecer que o referido ADN vigeu até 27/08/2001, quando fbi tacitamente revogado pelo § 2°7 do aut. 84 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de agosto de 2001.. Ademais, em cumprimento ao disposto no referido preceito legal, em 11 de setembro " O item 1 do referido ADN tem a seguinte redação: " O COORDENADOR-GERAL DO SIS.I.PMA DL TREM" AÇA(.), no uso das atribuições que lhe confere o item .1.1. da Instrução Normativa n" 34,de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n" 91,030, de 5 de março de 1985, e ali. 107, inciso I, do Regulamento do bnposto soim e Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto ri' 87.981, de 23 de dezembro de 1982, • Declara, em caráter noimativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da. Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no iirt 4 da Lei n" S.21S, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da 1 ,ei ri 9.439, de -27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual. negociada ern acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com iodos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, illalítO doloso 01.1 Má lê por parte do declarante.. § 2" A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9 430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis N ikt Processo n'' 1 2719 000127/2005-34 S3.-c 1.1-2 Acórdão n ' 3102-00..684 H 227 de 2002, o citado AD -N foi expressamente revogado pelo art. 2" 8 do Ato Deelaratório Interpretativo (AD1) SRF n" 13, de 2002. Assim, considero indevida a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta cinco por cento), por declaração inexata, incidente sobre a diferença dos impostos lançados, com base em fatos geradores anteriores a 27/08/2001, data da vigência do § 20 do art. 84 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 2001, caso em que se enquadra as Dl - mantidas no presente lançamento. Da aplicação da multa por classificação incorreta. A penalidade em epígrafe, foi introduzida no mundo jurídico em 27/08/2001, por meio do inciso 1 do art. 84 da Medida Provisória n" 2.158-35, de 24 de, agosto de 2001, a seguir transcrito: Art. 84..Aplica-„se a multa de UM por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria. J . classificada incorretarnente na Nomenclatura Comum do Mereosul, nas nomenclaturas complementares ou ern outros detalhamento_s instituídos para a identificação da mercadoria, ( .) (grifos não originais) Dessa forma, como da data do registro das D1 de n"s 00/0533795-4/001, 00/1037064-6/001, 00/1223695-5/001 e 01/1113330-5/001, ainda se encontrava em vigor a referido preceito legal, é indevida a aplicação da referida multa. Da cobrança dos juros moratórios. Nos termos dos arts. 106 e 242 do RA/2002, o vencimento dos impostos devidos na operação de importação (II e IPI) ocorre no dia do registro da 1) -1. Senão, confira o teor dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Au! .106. O imposto .será pago na data do reistro da dechtra<ito de importação (Decreto-lei No 37/66, ali 27). -) 242 imposto „será recolhido por ocasdío do registro da dé.vlaração de importação (Lei n" 4.502, de 1964, ar! 26, inciso 1) No que tange ao cálculo dos citados juros moratórios, a partir de l ú de janeiro de 1997, foi fixado percentual da taxa Selie, conforme exposto no § 3" do art.. 61 da Lei n" 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Ari 61. Os débitos para corn a União, decorrentes de tributos c c..'ontribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujo_s finos geradores ocorrerem a partir de I" de lanCi70 /997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, • •-•-•-\ s, Art 2" 1^ ic a revogado o Alo Deelitratório (Normativo) Cosit ri ô 10, de 16 de jiinciro (le 1997 5 serão acrescidos de multa de mora, calculada à laxa de (finta e li 'és centésimos por cento, por dia CIC ciIr CI.V) .3" Sobre us débitos a que se rclei e esie artigo incidirão juro dE mora calculados à laxa a que se rjere o ‘; :.;" do ((ri 5, a par ta do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do p1 a: até o mês anterior ao do pagamento e de uni por evnto no mês de pagamento Com tais considerações, fica cabalmente demonstrado que é devida a cobrança dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, sobre o valor dos impostos exigidos no presente lançamento, a partir do mês seguinte a data do registro das mencionadas DI, que corresponde ao dia de vencimentos dos impostos devidos H- DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de DAR PROVIM KNTO PARCIAL ao presente Recurso Voluntário e reformar o Acórdão recorrido, para excluir do presente an çz.in lento: a) o Imposto sobre a Importação (11), referente a Dl de n" 02/099947.1- 6/001, com respaldo no aut. 146 do CTN., b) a multa de oficio de 75% (setenta cinco por cento), com amparo no entendimento exarado no ADN Cosit n" 10, de 1997; e c) a multa por classificação incorreta do produto na NCM, por falta de ...prCiSão legal. José--Ferna\ides-do Nascimento
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000087/2008-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA.
Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO.
Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2225; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 11 SS33TTEE0011 MMIINNIISSTTÉÉRRIIOO DDAA FFAAZZEENNDDAA CCOONNSSEELLHHOO AADDMMIINNIISSTTRRAATTIIVVOO DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS TTEERRCCEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO PPrroocceessssoo nnºº 13053.000087/200815 RReeccuurrssoo nnºº Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3801005.274 – 1ª Turma Especial SSeessssããoo ddee 18 de março de 2015 MMaattéérriiaa COFINS RESSARCIMENTO RReeccoorrrreennttee MITA LTDA RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins não cumulativa. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM FRETES. DIREITO A CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. Os fretes nas operações de venda somente dão direito a crédito da contribuição se contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM ARMAZENAGEM.. DIREITO A CRÉDITO. Os gastos com armazenagem somente dão direito a crédito da contribuição se identificados e comprovados. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃO COMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 87 /2 00 8- 15 Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira (Relator). Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Cássio Shappo. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13053.000087/200815, contra acórdão da 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), de 25 de outubro de 2012, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/POA, que assim relatou: “Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativa referente ao quarto trimestre de 2007, no valor de R$ 187.462,98. O pedido eletrônico (PER), transmitido de acordo com as orientações normativas, consta às fls. 05 a 08 dos autos. Com referência neste crédito, a empresa transmitiu declarações de compensação (Dcomp s), fls. 474 a 534. O pedido de ressarcimento foi apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (DRF/SCS) através do Despacho Decisório DRF/SCS n 050/2012 (fl. 289), com base no Parecer DRF/SCS/Safis n 009/2012 (fls. 280 a 288). Foi reconhecido parcialmente o direito creditório no valor de R$ 60.633,36. Foram glosados valores em dois itens da apuração dos créditos do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições) entregue pela empresa. Da Linha 3 ( serviços utilizados como insumos ) foram excluídos os valores pagos para Tergrasa Terminal Graneleiro S/A, referentes a armazenagem e demais serviços prestados no porto de Rio Grande até o embarque no navio para a remessa ao exterior, por encontraremse em desacordo com a previsão do art. 3o da Lei 10.833/03. O auditorfiscal responsável registra ainda que os gastos também não se referem a armazenagem prevista no inciso IX do mesmo artigo, pois os produtos são vendidos após a prestação do serviço, além dos pagamentos não contemplarem apenas gastos de armazenagem. Também foram glosados valores da Linha 7 do Dacon ( despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda ) referentes aos pagamentos para Navegação Aliança que transporta os cavacos de madeira de Taquari até Rio Grande, pois, neste, a carga é formada por produtos acabados e é depositada em nome de Mita LTDA, sendo vendidos posteriormente de acordo com as notas fiscais. A empresa foi cientificada em 05/03/2012 (fl. 290), tendo apresentado manifestação de inconformidade em 03/04/2012 (fls. 293 a 473), cujos argumentos serão relatados logo abaixo. Com referência no deferimento parcial do crédito, foram homologadas parcialmente as compensações e indeferido o pedido de ressarcimento, através do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 169 (fls. 535 a 536), abrindose o prazo para o contraditório. A ciência se deu em 06/06/2012 (fl. 543). A empresa apresenta nova manifestação de inconformidade em 05/07/2012 (fls. 544 a 726). Na primeira manifestação, contesta integralmente a glosa do crédito. Preliminarmente, alega a tempestividade. Descreve a sua atividade, destacando que a empresa Mita foi formada a partir de acordo de joint venture entre Mitsubishi Corporation (sediada no Japão) e Setapar, com objetivo de exportar cavacos de madeira (acácia negra) para o Japão. Informa que o contrato era válido por 10 (dez) anos, com cláusula de exclusividade. No mérito, em resumo, aponta que a mercadoria, por força do contrato, encontrase vendida ao único comprador desde a sua saída na empresa e que deve ser entregue em condições para embarcação no porto de Rio Grande. Em função do volume e condições, é necessário o transporte com a contratada Navegação Aliança até o porto, a armazenagem e a utilização de Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 5 4 outros serviços portuários para deixar a mercadoria em condições de embarque, sendo todas as despesas suportadas pela vendedora. A emissão da nota fiscal é posterior por obrigação contratual, questões legais e pela natureza da carga. Em apoio ao argumento, cita a IN SRF 28/94, arts. 27 e 49, que exigem que a pesagem ou arqueação dos navios, nos casos de mercadorias a granel, deve preceder a emissão dos documentos de embarque. Sendo todos os custos decorrentes da operação de venda, entende plenamente enquadrada no art. 3 , IX, da Lei 10.833/03. Cita autores e solução de consulta da 9a Região Fiscal da RFB que forneceriam suporte à tese. Adicionalmente, entende que as operações também poderiam ser abarcadas no conceito de insumo do art. 3 da referida Lei. Alega que as INs da RFB restringem o conceito legal de insumo. Indica que a Lei não aplica o conceito do IPI e que a diferente materialidade da Cofins, incidente quando se aufere receitas, implica em utilizar o conceito de custos necessários. Cita doutrina e jurisprudência sobre o assunto. Argumenta que o entendimento adotado pela DRF implica em resultados opostos ao esperado pela política de fomento às exportações. Requer a reforma do despacho decisório para reconhecimento integral do crédito. Na segunda manifestação de inconformidade entregue, a empresa, basicamente, argumenta no mesmo sentido da primeira. Acrescenta alegação de nulidade do Despacho Decisório DRF/SCS/Saort n 16, que homologou parcialmente as compensações e procedeu a cobrança dos valores indevidamente compensados, uma vez que lastreado em decisão não definitiva. Indica que a manifestação anterior referente ao crédito encontrase pendente de apreciação, devendo o processamento das compensações aguardar o julgamento. Requer a suspensão da cobrança decorrente da não homologação das compensações até julgado o recurso no processo de crédito, e, alternativamente, o reconhecimento da existência integral do crédito e da homologação das compensações. A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para apreciação desta DRJ.” A DRJ/POA decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Colaciono a ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que a decisão administrativa foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Cofins não cumulativa incidente em suas aquisições. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS PRONTOS. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins não cumulativa sobre valores relativos a fretes Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 6 5 realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem de mercadoria na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, só geram direito ao desconto de créditos na apuração não cumulativa da Cofins quando comprovadas de forma individualizada. Entende se por armazenagem estritamente a guarda de mercadoria, não se incluindo nesse conceito operações portuárias diversas.” Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 A recorrente não vende apenas cavados de madeira. Ela também é responsável por agregarlhe todo o aparato logístico necessário para que os mesmos sejam exportados para o Japão; 2 As operações analisadas na decisão recorrida não podem ser tidas como isoladas, mas compreendidas dentro de uma mega estrutura montada para uma finalidade específica: produzir cavacos de madeira para serem exportados para o Japão; 3 As despesas glosadas devem ser enquadradas como insumos ou como inerentes à operação de venda; 4 O conceito de insumo trazido como premissa para interpretar a legislação invocada e discorrer sobre a origem da nãocumulatividade das contribuições para PIS/COFINS; 5 Entendese que o legislador não é livre para definir o conteúdo da não cumulatividade do PIS/COFINS. Deve, sim, aterse ao que determina a Constituição Federal, que apenas estabeleceu a definição de setores econômicos a que seria aplicável, não fazendo qualquer referência a uma possível restrição de insumos; 6 A sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS difere daquela aplicável ao IPI e ao ICMS, eis que não se limita ao valor das contribuições recolhidas na operação anterior, mas sim permite a tomada de créditos calculados mediante aplicação das suas respectivas alíquotas sobre os custos com bens e serviços utilizados como insumos na atividade principal da empresa. É o sucinto relatório. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Da existência de direito de crédito a ser pleiteado O pedido de compensação formulado pelo Contribuinte se funda em matéria polêmica na jurisprudência do CARF. No presente caso requer o aproveitamento das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. O CARF tem adotado diversos entendimentos sobre a matéria, dentre os quais três posicionamentos se destacam: o insumo como todo bem fisicamente integrado ao produto ou serviço; como necessários à atividade ou como necessários à fabricação ou produção de bens e serviços. Esse primeiro entendimento compreende que geram créditos de PIS e Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Utilizase, nesse caso, utilazase o IPI como modelo no aproveitamento de créditos. O segundo entendimento adotase uma perspectiva diversa. Podemos citar como exemplo de decisão nesse sentido o Acórdão 3402001.661 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, que decidiu que o aproveitamento de insumos abrange também os insumos utilizados na produção de serviços, designando cada um dos elementos necessários ao processo produtivo de bens e serviços, imprescindíveis à existência, funcionamento, aprimoramento ou à manutenção da atividade produtiva. Aproximase este modelo daquele utilizado pelo Imposto de Renda. Por último, partilhamos do entendimento de que o conceito de insumo de ser buscado de modo autônomo ao preceituado no IPI, no ICMS e mesmo no IRPJ, visto que os tributos mencionados possuem materialidade distinta da PIS e COFINS. Diferenciase do IPI porque a base de cálculo do PIS não abrange somente atividades de industrialização, nem se dirige apenas a comercialização. Esta envolve outras atividades de produção, além da industrialização. De outro lado, não se identifica ao modelo de tributação pelo Imposto sobre a Renda porque esta não procura verificar disponibilidade econômica ou jurídica do contribuinte, o seu acréscimo patrimonial e nem tampouco aferir a sua capacidade contributiva. Tampouco se admitiria a utilização do conceito de insumo previsto no IPI, ICMS ou IR sob pena de se constituir na utilização indevida de analogia, pelo uso de vedada Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 8 7 ampliação da base de cálculo do tributo. Determina o art. 108 do CTN que: “(...) § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei”. O conceito de insumo utiliza critério de aferição diverso da mera verificação dos i) gastos necessários à industrialização (IPI); ii) dos bens consumidos ou integrados à mercadoria ou iii) daqueles necessários à atividade (IR). Este conceito deve estar vinculado à essência do tributo em questão, ou seja, abranger todos os bens e serviços necessários à industrialização ou produção. Os gastos de materiais de escritório, por exemplo, não são usualmente necessários à produção e, portanto, não geram créditos de PIS/Cofins, apesar de necessários à atividade, abatendo da base de cálculo do IR. Nesse sentido entende a 3a Turma da CSRF que são insumos todos os dispêndios “relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social.”. Vejase a ementa do presente acórdão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3o LEI 10.637/02. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado.” (grifouse) (Acórdão no 930301.741, P.A. 13053.000211/200672, 3a Turma da CSRF, Rel. Com. Nanci Gama, julgado em 09.11.2011) A confusão sobre o conceito de insumo surge com a edição da Instrução Normativa 247/02, na redação da pela IN SRF 358/03. Estas limitaram a extensão do referido termo à interpretação conferida pela legislação do IPI. Cabe observar que não podem normas infralegais limitar o alcance da aplicação das leis, sob pena de ofensa à legalidade. De outro lado, deve prevalecer o entendimento de que inexistindo limitação por parte da legislação, não se cogita tal limitação por normas infralegais, de tal modo que toda a despesa necessária à produção ou prestação de serviços permitirá o seu aproveitamento em prol Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 9 8 do princípio da nãocumulatividade. Cabe por fim afirmarse que interpretar restritivamente este conceito implicaria em diversas violações normativas, tais como: i) ofensa à proibição do uso de interpretação analógica (analogia com o IPI); ii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto (ao não se ler a expressão “produção”); iii) proibição de interpretação restritiva com redução de texto pelo recurso a mens legislatoris (“intenção do legislador em restringir o uso do aproveitamento de créditos”) e iv) proibição de interpretação restritiva com base em interpretação finalística, quando dentre as diversas interpretações possíveis escolhese a mais restritiva utilizando uma análise econômica não autorizada expressamente pelo texto. O presente caso versa sobre a apropriação de créditos de fretes e armazenagem. Entendemos que o princípio da nãocumulatividade permite a tomada de créditos sobre despesas com fretes e armazenagem, quando pagos a pessoas jurídicas compondo valor de aquisição de tal bem. Estes passam a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem. Poderseá admitir igualmente o aproveitamento desses créditos, de frete e armazenagem, por serem insumos necessários no contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. Demonstra o contribuinte que as despesas de frete e armazenagem decorrem da localização geográfica da planta industrial, bem como da logística necessária à exportação. Assim devese admitir o aproveitamento desses créditos, tanto pela ótica do conceito de insumo, quanto por serem considerados como despesas de venda. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003. A Lei nº 10.833, de 2003, determina: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, ou no inciso IX deste artigo. Em primeiro lugar, a recorrente defende um conceito de insumo bem abrangente, que seja mais amplo do que o utilizado na legislação do IPI ou do ICMS, pois, segundo ela, todos os gastos essenciais ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da Cofins, seja da Contribuição para o PIS/Pasep. Subsidiariamente, alega que os gastos glosados podem enquadrarse no inciso IX acima. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 11 10 Sobre a abrangência do termo “insumo”, é verdade que várias turmas de julgamento do CARF adotam um entendimento para o conceito de “insumo” mais amplo para a aferição de quais gastos ensejam direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep do que o adotado em relação aos créditos de IPI. Entretanto, esta Turma, por voto de qualidade, tem decidido em sentido contrário, entendendo que o conceito de “insumo” é bem mais restritivo, senão vejamos. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, Cofins e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como Cofins e contribuição para o PIS/Pasep, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 12 11 Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 13 12 ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004 adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 14 13 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Esta turma tem decidido no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 15 14 sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Gastos com fretes e armazenagem. Os gastos com fretes e armazenagem em discussão, relativos a produtos acabados, não se enquadram no conceito de insumo, conforme entendimento aqui adotado, pois Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13053.000087/200815 Acórdão n.º 3801005.274 S3TE01 Fl. 16 15 não se referem a matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos. Os argumentos subsidiários expostos no recurso voluntário também não são suficientes para afastar as razões que conduziram à decisão de primeira instância administrativa, com as quais estou de acordo. Conforme assentado na decisão recorrida, não foi comprovado que os gastos que a contribuinte afirma serem relativos a serviços de armazenagem se referem apenas a estes serviços. Há evidências de que se referem também a despesas com serviços portuários de movimentação e expedição de mercadorias, as quais não podem gerar direito ao crédito pleiteado. Por falta de individualização e comprovação dos gastos com armazenagem propriamente dita, devese manter a decisão recorrida. Despesas com fretes de bens enquadrados como insumos integram o custo destes insumos e não necessitam do inciso IX para gerarem direito ao crédito. Os fretes referentes a transporte de produtos acabados só dão direito a crédito se vinculados a operações de vendas, ou seja, apenas os gastos com transportes de produtos contratados para a entrega ao comprador geram o crédito Estabelecer um alcance maior para o enunciado do citado inciso IX implicaria estender um direito além do previsto em lei, o que é vedado aos membro do CARF. As diversas Soluções de Consulta citadas no acórdão recorrido amparam a conclusão assentada pela turma da DRJ/POA de que “somente os valores da despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos cliente adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela vendedora e o pagamento feito para pessoa jurídica no país, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida”. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.001867/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início e incluindo-se o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso não conhecido
Numero da decisão: 3302-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o recurso interposto após os 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início e incluindose o do vencimento, ao teor dos arts. 5º e 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 67 /2 00 9- 57 Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 96/101) lavrado em 18/05/2009, para a cobrança da contribuição ao PIS no período de 01/10/2003 a 31/12/2007 em razão de débitos declarados e não pagos desta contribuição. Cientificada em 29/05/2009 (fl. 104), a Recorrente interpôs em 26/06/2009, impugnação administrativa (fls. 106/123), sob os seguintes argumentos: (i) a notificação lhe causou perplexidade, visto que sempre foi pontual no cumprimento de suas as obrigações tributárias; (ii) apresentou todos os documentos solicitados pela fiscalização; (iii) violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, o que a seu ver teria acarretado “a nulidade absoluta da autuação” (fl. 115), (iv) que, como as autoridades fiscais não lhe possibilitaram a produção de provas, especialmente de perícia contábil — “o procedimento profligado eivouse de mais uma nulidade absoluta”, (v) “quanto ao mérito, fazse curial, elementar e palmar que os Senhores Agentes Fiscais Autuantes, quando muito a partir de quizílias e questiúnculas de somenos, de todo irrelevantes, obtiveram, arbitrária, absurda e aleatoriamente, uma suposta dívida gigantesca, apta a derrocar as atividades da Suplicante” (fl. 117), (vi) diz que trouxe “um resumo detalhado no qual comprova cabalmente, que a empresa nada deve ao Fisco, bem como cópia de todos os documentos a corroborarem o alegado” (fl. 123) e, por fim, (vii) requereu que o órgão julgador anulasse preliminarmente a autuação, em face dos “vícios insanáveis que a conspurcaram” (fl. 123), ou, no mérito, acolha a defesa e julgue improcedente o lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo mediante o Acórdão n. 1636.094 da 6 ª Turma da DRJ/SP1 julgou a impugnação nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007 FALTA DE DECLARAÇÃO E PAGAMENTO. Procede o lançamento das diferenças não declaradas nem pagas pelo sujeito passivo, apuradas por meio do confronto entre os valores Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.001867/200957 Acórdão n.º 3302002.867 S3C3T2 Fl. 11 3 declarados e/ou pagos e os escriturados, visto estar em perfeita conformidade com a legislação de regência. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tendo em vista tratarse de matéria de ordem pública, cabe à autoridade julgadora reconhecer de ofício a decadência do direito de constituir o crédito tributário, sempre que fique comprovada nos autos. DECADÊNCIA. No que respeita às contribuições sociais, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 anos, consoante a Súmula Vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da lei nº 8.212/91. Segundo o Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, havendo pagamento antecipado da contribuição — ainda que parcial — o termo a quo será a data de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, parágrafo 4°, do CTN. Por outro lado, não havendo pagamento ou verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início do prazo decadencial se dará no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, conforme dispõe o art. 173, I, do referido código. SÚMULAS VINCULANTES. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A Administração Pública está sujeita à estrita observância das súmulas vinculantes editadas pelo STF, devendo darlhes imediato cumprimento a partir de sua publicação, como dispõem o art. 103ª da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004, e o art. 2º da Lei n° 11.417/2006. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. IRRELEVÂNCIA DA SITUAÇÃO FINANCEIRA DO SUJEITO PASSIVO. O instituto da capacidade contributiva, atribuída pelo legislador a quem tenha relação pessoal e direta com a hipótese de incidência, não se confunde com a capacidade financeira da empresa. A alegação de que passa por dificuldades financeiras não a isenta do lançamento de ofício nem tampouco do recolhimento dos tributos devidos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 12, I, do Decreto nº 7.574/2011. AÇÃO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicamse apenas ao processo administrativo tributário, tendo em vista que o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitória, nos moldes do inquérito policial. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não tem cabimento a alegação de cerceamento do direito de defesa quando se verifica que a contribuinte não atendeu à Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 intimação para justificar as diferenças apuradas pela autoridade autuante nem se dignou esclarecêlas na impugnação apresentada. DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Às delegacias de julgamento cabe julgar apenas a impugnação ao auto de infração apresentada pelo sujeito passivo, não lhes competindo pronunciarse a respeito de supostos créditos aos quais a suplicante teria direito, cuja liquidação deve darse mediante procedimento administrativo próprio. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A IMPUGNAÇÃO. A apresentação de novos documentos após a protocolização da impugnação está sujeita às restrições previstas nos parágrafos 4°, 5° e 6° do art. 57 do Decreto nº 7.574/2011. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. INDEFERIMENTO. Os pedidos de perícia, quando prescindíveis ou em desacordo com os requisitos previstos no art. 36 do Decreto nº 7.574/2011, deverão ser sumariamente indeferidos. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL E OITIVA DE TESTEMUNHAS. INDEFERIMENTO. É inadmissível na esfera administrativa por absoluta falta de previsão legal a produção de sustentação oral na fase de julgamento de primeira instância, bem como a oitiva de testemunhas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” Em 04/07/2012 (fls. 1128), a Recorrente teve ciência desta decisão e interpôs recurso voluntário (fls. 1129), em 06/08/2012, onde reiterou os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso não atende a um dos pressupostos de admissibilidade, qual seja o da tempestividade, razão pela qual não o conheço. Conforme se verifica dos autos, às fls. 1128 consta cópia do Aviso de Recebimento entregue na sede da empresa à Rua Augusto Ferreira de Morais, 618, Socorro, São Paulo, CEP: 04763 001 em 04/07/2012 (quartafeira). Verificase, entretanto, às fls. 1129 que o recurso foi apresentado na Unidade preparadora em 06/08/2012 (segundafeira). De efeito, o art. 33 do Decreto no 70.235/72 dispõe verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 19515.001867/200957 Acórdão n.º 3302002.867 S3C3T2 Fl. 12 5 Por sua vez, o art. 5º do mesmo Decreto disciplina a forma como deve ser realizada feita a contagem dos prazos processuais na esfera administrativa, verbis: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Deste modo, considerandose que a ciência se deu em 04/07/2012, uma quartafeira, a contagem do prazo teve seu início no dia 05/07/2012, primeiro dia subseqüente de expediente normal, quintafeira, expirando em 30 dias, ou melhor 03/08/2012 (sextafeira), dia útil. Ocorre que o protocolo do recurso ocorreu em 06/08/2012 (segundafeira), extemporaneamente, o que torna o recurso apresentado intempestivo. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244), razão pela qual, com o mero decurso in albis do lapso temporal respectivo, extinguese, pleno jure, como sucedeu na espécie, o direito de o interessado deduzir o recurso pertinente: "Os prazos recursais são peremptórios e preclusivos (RT 473/200 RT 504/217 RT 611/155 RT 698/209 RF 251/244)” MS 24.274 AgR Rel. Min. Celso de Mello. Desta feita, impõese a conclusão de que a decisão a quo já se tornou definitiva, nos termos do art. 42 do Decreto no 70.235/72, verbis: “Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto;” Tendo em vista a intempestividade, o recurso não preenche os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual NÃO O CONHEÇO, deixando, portanto, de analisar o mérito. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 25/0 5/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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