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Numero do processo: 10830.002257/96-39
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 108-00.215
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José Carlos Teixeira da Fonseca
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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA : 10830.002257/96-39 : 133.410 : IRPJ e OUTRO - Exs: 1993 e 1994 : AGRíCOLA E PASTORIL SANTA CRUZ S/A : 48 TURMA/DRJ - CAMPINAS/SP : 05 de novembro de 2003 RESOLUÇÃO 108-00.215 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AGRíCOLA E PASTORIL SANTA CRUZ S/A. RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de • Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira. ~/L MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PRESIDENTE -~c-_lS-- OSÉ CARLOS TEIXEIRA ~NSEC~ ELATOR FORMALIZADO EM: o 8 DEZ 2003 Participaram ainda do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, JOSÉ HENRIQUE LONGO, KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Processo nO. : 10830.002257/96-39 Resolução n°. : 108-00.215 Recurso nO. Recorrente : 133.410 : AGRíCOLA E PASTORIL SANTA CRUZ S/A RELATÓRIO • Após o julgamento de primeira instância remanesce o crédito originado dos autos de infração do IRPJ e da CSL referentes aos períodos semestrais de 1992 e mensais de 1993. De acordo com o narrado na autuação o contribuinte deixou de reconhecer a variação monetária ativa correspondente aos depósitos judiciais de tributos federais. Inconformado com o decidido em primeiro grau o contribuinte apresentou recurso voluntário acompanhado de relação de bens e direitos para arrolamento, correspondente a todo o seu Ativo Permanente. Preliminarmente requer seja anulada a decisão recorrida, por cerceamento de defesa, à vista de ter sido negada a realização de diligência para constatação, pelo Fisco, junto à contabilidade da empresa, da ausência de atualização do passivo fiscal correspondente aos depósitos judiciais. No mérito alega que os depósitos estão à disposição da Justiça estando, portanto, indisponíveis para o contribuinte. Em suma, advoga que não houve a aqulslçao da disponibilidade econômica ou jurídica que implicasse na ocorrência do fato gerador do IRPJ, a teo;;~~ artigo 43 do CTN. 2 ~ (j.lí fii) Processo nO. : 10830.002257/96-39 Resolução nO. : 108-00.215 Em não havendo acréscimo patrimonial também não ocorreria o fato gerador da CSL, por tratar-se, no caso, de exigência conexa à do IRPJ. Defende que mesmo que as atualizações monetárias dos depósitos fossem tributáveis o seu efeito seria anulado pelo congelamento das contas representativas do passivo fiscal correspondente. Este é o Relatório. 3 Processo nO. : 10830.002257/96-39 Resolução nO. : 108-00.215 VOTO Conselheiro JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA, Relator Compulsando os autos constato que existe incerteza quanto à atualização ou não do passivo tributário correspondente aos depósitos judiciais investigados. Considero tal fato impeditivo para a formação de minha convicção quanto à matéria em litígio. De forma dirimir qualquer tipo de dúvida, manifesto-me propondo a devolução dos autos à repartição de origem, a fim de que seja efetuada diligência para « fins de: 1) intimar o contribuinte a comprovar documentalmente a constituição da provisão e a não atualização do passivo tributário relativo aos depósitos judiciais questionados, pela apresentação da escrita contábil, com identificação das contas correspondentes; 2) anexar aos autos fotocópias dos livros razão contábil que permitam identificar o procedimento do contribuinte de que trata o item anterior. Ao final da diligência, elaborar relatório conclusivo, cientificando o contribuintedo teor do mesmo,para,se assimo desejacma~a respeit~ 4 " Processo nO. : 10830.002257/96-39 Resolução nO. : 108-00.215 Após a adoção das providências solicitadas, retorne o processo para prosseguimento do julgamento. Eis como voto. Sala das Sessões - DF, em 05 de novembro de 2003. SÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA ()- 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10980.007896/96-31
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 302-01.258
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anular o acórdão n° 302-36.636, julgado em sessão de 26/01/05 e converter o julgamento em diligência ao INT, via Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO
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Numero do processo: 13955.000079/96-93
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPF - Exs.: 1992 e 1994 - Comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, o recolhimento do importo (Carnê-Leão), cancela-se o lançamento, mantida apenas a multa lançada por atraso na entrega de declarações.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 102-44.089
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Mário Rodrigues Moreno.
Nome do relator: Ursula Hansen
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Recurso n°. : 13.029 Matéria : IRPF - EXS.: 1992 a 1994 Recorrente : BRUNO MOREIRA ALVES Recorrida : DRJ em FOZ DO IGUAÇU - PR Sessão de : 27 DE JANEIRO DE 2000 Acórdão n°. : 102-44.089 IRPF - Exs.: 1992 e 1994 - Comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, o recolhimento do importo (Carnê-Leão), cancela- se o lançamento, mantida apenas a multa lançada por atraso na entrega de declarações. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BRUNO MOREIRA ALVES. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri e Mário Rodrigues Moreno. ANTONIO DEAFREITAS DUTRA PRESIDENTE /11 UR á E N RELA ORA FORMALIZADO EM: 12 MAi 2nnn Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ CLÕVIS ALVES, LEONARDO MUSSI DA SILVA, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. , - MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , -- SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Acórdão n°. :102-44.089 Recurso n°. : 13.029 Recorrente : BRUNO MOREIRA ALVES RELATÓRIO BRUNO MOREIRA ALVES, já qualificado nos autos, recorreu a este Colegiado de decisão que manteve a exigência de imposto de renda referente aos exercícios de 1992 a 1994, em valor equivalente a 1.331,43 UFIR e correspondentes gravames legais. Após revisão sumária das Declarações de Rendimentos referentes aos anos-calendário de 1991 a 1993, apresentadas somente em maio de 1995, e sendo apurado imposto complementar e lançada multa por atraso na entrega das declarações, o contribuinte, após intimado, impugnou a exigência afirmando que recolhera "Carne-leão" em todos os meses, conforme dados que relaciona, juntando cópias de DARFs. Com relação ao ano de 1991 alega que o somatório dos valores históricos atinge o montante de Cr$ 433.326,36, superior ao valor de imposto pago aceito pelo fisco, de Cr$ 362.433,00. Quanto aos recolhimentos do ano seguinte (1992), imagina que o 2 Revisor somente havia considerado os valores constantes do Campo 07 ("valor da receita"), quando na realidade recolhera também outros valores, no campo 09 ("valor dos juros e/ou encargos") totalizando 1.072,04 UF1R contra 893,44 computados. Esclarece que a legislação fiscal permitia o pagamento do imposto monetariamente corrigido pela variação da UFIR até o último dia útil do mês subsequente ao fato gerador. Interpretando a norma, consignara separadamente os valores referentes ao imposto e sua correção, correspondendo, no entanto, o seu somatório a "receita" recolhida a ser conside a. 2 ., MINISTÉRIO DA FAZENDA \•=4' . ....K), PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,-n i ',,-, SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Acórdão n°. : 102-44.089 Idêntica seda a situação referente aos recolhimentos do ano seguinte - 1993: as 3.185,66 UF1R pagas foram reduzidas. Concorda que as Declarações foram apresentadas fora do prazo, ressaltando que o fizera espontaneamente, e que o funcionário da Receita Federal em Paranavaí lhe informara haver uma Portaria que dispensava a multa nos casos em que o contribuinte assinasse um termo desistindo do direito à restituição do imposto pago a maior, o que fez. Com relação ao exercício de 1994 pagou a multa de 48,74 UFIRs que considera correta, por ter sido calculada sobre os valores de "Carnê-leão" recolhidos, que entende ter demonstrado estarem certos. Junta as cópias de DARFs às fls. 05/16. A autoridade julgadora singular, após analisar detalhadamente o que dos autos consta, nega provimento à impugnação, sob fundamento que, das cópias de DARFs juntados, somente um pode ser aceito, tendo em vista a sua autenticação mecânica. Ressalta que os pagamentos efetivamente realizados e aceitos foram confirmados por extrato "on Mede fls. 21/22 e relatórios de comprovação de pagamentos (fls. 28 e 33). Esclarece, ainda, citando e transcrevendo a legislação pertinente, que a multa fora corretamente aplicada e calculada com fulcro no artigo 8° do Decreto-lei n° 1.968/82. Irresignado, em suas Razões de recurso voluntário, acostadas aos autos às fls. 44/50, acompanhada dos anexos de fls. 51/62, o contribuinte basicamente reitera os argumentos já expendidos na fase impugnatória. Em consonância com o disposto na Portaria ME n° 260 de 24/10/95, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta suas Contra-Razões, juntadas aos autos às fls. 64/66, e, após analisar as provas dos autos à luz da legislação e4d j,c 3 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES : 9 SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Acórdão n°. :102-44.089 regência, entende adequados os lançamentos e a multa aplicada, protestando pela mantença da sentença. Submetido à apreciação deste Plenário, em sessão realizada em 15 de outubro de 1998, considerando que, na fase recursal o contribuinte carreia aos autos as segundas vias dos DARFs de recolhimento de "Camê leão" todas mecanicamente autenticadas pelos estabelecimentos bancários; Considerando que estes comprovantes não foram submetidos à apreciação da autoridade julgadora "a quo"; Considerando, ainda, que o ora Recorrente reitera o pleito de ser computado o montante total recolhido (somatório dos campos 07 e 09); Decidiram os presentes, converter o julgamento em diligência, retornando os autos à Repartição de Origem, para - verificar se os comprovantes juntados são documentos hábeis e idôneos, e se já foram incluídos nos demonstrativos de imposto pago com base nos arquivos eletrônicos do Fisco; - analisar a hipótese levantada pelo ora Recorrente no sentido de 2 que teria incorrido em erro de fato, ao inserir o valor recolhido em dois campos, destacando o montante original e sua correção no mês, conforme autorização legal em vigor à época, conforme alega; - elaborar relatório circunstanciado, visando possibilitar aos integrantes deste Plenário, a formação de convicção indispensável ao julgamento da lide. É o Relató , • . 4 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13955.000079/96-93 Acórdão n°. :102-44.089 VOTO Conselheira URSULA HANSEN, Relatora Retomam os autos para exame e decisão dos integrantes desta 20 Câmara, após cumprida a diligência requerida, conforme Resolução n° 102-1958. Após analisar os documentos juntados pelo Recorrente e confrontados os recolhimentos com as exigências da legislação vigente à época (juntada às fls. 76/78), foram elaborados os Quadro de Comprovação de Recolhimento (fls. 79) e a Relação de Pagamentos (fls. 80) que resultaram na Planilha de fls. 81, que resume o total pago (Carnê-Leão) nos anos de 1992 e 1993. Tendo sido apurados os valores recolhidos de CR$ 433.286,36, 1.072,08 UF1R e 3.206,35 UFIR nos anos de 1991, 1992 e 1993, respectivamente, coincidentes com os valores indicados pelo contribuinte, Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso, mantendo- se as multas por atraso na entrega das declarações, cujo valor deve ser adequado aos valores efetivamente apurados nas Declarações. f Sala das Sessões - DF, em 27 de janeiro de 2000. / !-• • 4 Á HANSEN 5 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 35183.003304/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Período de apuração: 01/11/1997 a 31/03/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, OMISSÃO NO ACÓRDÃO, COMPROVAÇÃO, ACOLHIMENTO.
Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração tão somente para suprir a omissão apontada, re-ratificando o resultado do julgamento levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento.
EMBARGOS ACOLHIDOS.
Numero da decisão: 2401-001.478
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão no Acórdão nº 2806-00.036, sem alteração do resultado do julgamento.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão no Acórdão ir 2806-00,036, sem alteração do resultado do julgamento, ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente „gerwcif MARCEL~EITAS DE' SOUZA COSTA - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira., 2 É o relatório. Processo n° 35183 003304/2007-97 S2-C411 Acórdão 2401-01.478 Fl 189 Relatório GAISSLER MOREIRA ENGENHARIA CIVIL LTDA, já qualificada nos autos do processo em referência teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos NFL,D, referente às contribuições sociais devidas ao INSS, com fundamento na Responsabilidade Solidária, em relação ao período de 11/1997 a 03/2000, conforme consta nos Relatórios Fiscais, às fls. .39/50 e 1041/1043. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então 6' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, conheceu do Recurso e acolher a decadência total do crédito previdenciário, com base no artigo 150, § 4°, do CTN, por unanimidade de votos. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, às fls, 1 .1183/1.1185, com fulcro no artigo 65 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pugnando pela sua reforma em virtude das pretensas irregularidades a seguir expostas. Insurge-se contra o Acórdão recorrido, por entender ter havido omissão em sua fundamentação, uma vez que não restou consignado no voto condutor do decisum a informação das razões que ensejaram a aplicação do artigo 150, § 4 0, do Código Tributário Nacional, para contagem do prazo decadencial, na forma da jurisprudência administrativa consolidada. Assevera que deve haver a aplicação do art. 173, 1 do CTN seguindo as decisões proferidas nos processos de n's, 3518.30002945/2007-24 e 16408000359/2007-19, da mesma empresa autuada, julgados pela 4 a Câmara, segunda Seção do CARF, sob relataria da Conselheira Ana Maria Bandeira. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Câmara recorrida se pronuncie a respeito da omissão apontada, capaz de justificar a conclusão levada a efeito no resultado final do julgamento,. 3 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, por ser tempestivo e comprovada a omissão apontada pela Embargante, acolho os Embargos de Declaração, pelas razões de fato e de direito a seguir esposadas. Através dos presentes Embargos pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam elucidados em quais razões se apoiou a decisão guerreada para efeito de aplicação do artigo 150, § 40, do CIN, quanto ao prazo decadencial, sobretudo ante a conduta dolosa da notificada. Conforme se depreende do voto condutor do Acórdão Embargado, o entendimento deste Conselheiro é de que a regra para aplicação do prazo decadencial em se tratando de responsabilidade solidária, é a do artigo 150, § 4 0, do CTN, que será automaticamente levado a efeito em razão da própria natureza do tributo, sujeito ao lançamento por homologação. Tal entendimento também era o predominante quando do julgamento pela então Sexta Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, que entenderam ter havido antecipação de pagamento por tratar-se de lançamento com base em responsabilidade solidária inscrita no artigo 30, inciso VI, da Lei n" 8,212/91, fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto, entendimento não compartilhado por este Conselheiro. Em decorrência desses fatos, acompanharam o voto condutor do Acórdão Embargado quanto a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN. Realmente deveria ter constado no bojo do Acórdão guerreado tais considerações, objetivando esclarecer qual o efetivo fundamento utilizado no resultado final do julgamento, o que se faz nessa oportunidade, impondo sejam acolhidos os Embargos de Declaração da Fazenda Nacional para suprir a omissão incorrida. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, para sanear a omissão apontada no Acórdão n° 2806-00.036, ora Embargado, re-ratificando o resultado do julgamento levado a efeito no decisrun guerreado, por aplicar a decadência com base no artigo 150, § 4°, do CTN. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 MARCELO F-1:41AWIS-K&COSTA Relator 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 35183.003304/2007-97 Recurso n°: 145.842 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3 0 do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão rf 2401-01.478 Brasília, 06 de Dezembro de 2010 MARIA MA ENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ J Com Recurso Especial [ J Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10711.006808/94-09
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 302-01.176
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Brasilia-DF, em II de novembro de 2004 PAULO ROB CUCCO ANTUNES Presidente em Exercí~io 2 O oE2 2;~:lor ( participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO, LUIS ANTONIO FLORA, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR, SIMONE CRISTINA BISSOTO. Ausente o Conselheiro HENRIQUE PRADO MEGDA. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional ALEXEY FABIANI VIEIRA MAIA. Ime • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • RECURSON" RESOLUCÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.078 302-1.176 SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA (Sucessora de SANDOZ S/A) DRJ FLORIANÓPOLIS - SC WALBER JOSÉ DA SILVA RELATÓRIO • • .' • • Contra a empresa SANDOZ SIA, sucedida pela empresa SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA, foi lavrado Auto de Infração para exigir Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescido de multa de oficio, juros de mora e multa do controle administrativo das importações, no valor de R$ 4.732,63 (quatro mil, setecentos e trinta e dois reais e sessenta e três centavos), por ter a autuada classificado erroneamente o produto BIODAC, desembaraçado através da DI 014019, de 12/08/94. A empresa importadora descreve o produto como sendo "BIODAC _ Fibra de papel celulose granulado", classificando-o no código TAB/NBM 4707.30.00. Fundamentado em Laudo Técnico do LABANA, que descreve o produto como sendo "uma preparação química onde foram identificadas fibras de celulose, carbonato de cálcio, caulinita e poliéster", a fiscalização classificou o produto no código NBM 3823.90.99. O Laudo Técnico do LABANA afirma, textualmente, que o produto não é "aparas, fragmentos ou desperdícios de papel ou de cartão" . Regularmente intimada, a empresa contesta a autuação por meio da impugnação de fls. 14/48, onde alega em sua defesa o seguinte, resumidamente: 1. O produto importado não pode ser considerado preparação química porque consiste em desperdícios de papéis reciclados, completamente secos e granulados e a ele nada se acrescenta; 2. O produto BIODAC é um complexo celulósico proveníente dos desperdícíos de indústrias e, não pode ser considerado uma preparação química; 3. O produto destina-se à aplicação de produtos agro-químicos no solo, previamente a aplicação de produtos químicos, que os absorve como uma esponja e, posteriormente entranhado à terra, desprende gradativamente esses produtos; • 2 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA 5- Pede diligência ao INT, formulando os quesitos de fls. 17/18. 4. O emprego do produto não o tira da posição 4707, conforme Notas explicativas dessa posição. RECURSO N° RESOLUCÃOW 126.078 302-1.176 • • • • • A DRJ do Rio de Janeiro defere o pedido de diligência ao INT, que realização a análise do produto e emite o Laudo Técnico de fls. 51/55, concluindo o seguinte: I. O produto não pode ser considerado como desperdicios e aparas de papéis e cartões, possuindo pouco vestigio de pasta mecânica; 2. O produto apresenta um teor de umidade de 4,95%, o que não significa que ele seja um complexo celulósico seco, uma vez que a amostra não foi adequadamente condicionada para o teste. 3. O produto apresenta 52% de celulose, 27,193% de caulinita, 17,871% de carbonato de cálcio e outras substâncias em pequena quantidade. A 2a Turma de Julgamento da DRJ Florianópolis - SC julgou procedente, em parte, o lançamento, para reduzir a multa de ofício de 100% para 75%, nos termos do Acórdão DRJ/FNS n° 0.961, de 07/07/02, cuja ementa abaixo transcrevo . Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 1210811994 Ementa: PRODUTO AUXILIAR DE SOLO PARA PLANTIO Produto auxiliar de solo para plantio, derivado de restos de papel moído e granulado, tratado quimicamente para torná-lo apto a exercer funções de absorção e manutenção de umidade e fertilizantes classifica-se no código TABISH 3823.90.9999. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO II Aplica-se na exigência da multa de oficio sobre o 11 o percentual mais benéfico de 75% decorrente de lei superveniente. Lançamento Procedente em Parte Dentre outros, o ilustre Relator do Acórdão fundamenta seu voto com os seguintes argumentos: 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSON" RESOLUCÃO N° 126.078 302-1.176 • • • • • • Os laudos indicam que embora aparas e desperdícios de papel entrem na composição do material (conforme indicado no desenho de fi. 39), a ele são adicionados diversos produtos químicos, de acordo com o que consta na conclusão do LABANA à fi. II e na relação maís detalhada do INT à fi. 53, onde observa-se, claramente, que a presença de celulose é de apenas 52% do composto. Dessa forma é ínadequada a classíficação fiscal empreendida pela autuada. No código TAB/SH 3823.90.9999 classificam-se as preparações genéricas das indústrias químicas e conexas, incluídos os constituídos por misturas de produtos naturais e químicos. O material em tela classifica-se, perfeitamente, nesse código, pois ao se adicionar ao papel finam ente granulado (que na mistura age como fornecedor de celulose e alguns produtos químicos) elementos (quimicos) capazes de descaracterizar a mistura da condição de pasta mecânica e aparas de papel e resultando, ainda, desse fato, produto com a função de absorvente preparador de solo para plantio, retentor de umidade, adubos etc. não há posição em que melhor se enquadre do que aquela apresentada pela fiscalização. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 26/07/02, conforme AR de fi. 70v. Discordando da referida decisão de primeira instância, a empresa SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA, CNPJ n° 60.744.463/0001-90, intitulada sucessora da autuada, postou nos Correios, no dia 20/08/02, o Recurso Voluntário de fls. 76/80, conforme envelope de endereçamento de fls. 116, onde reprisa os argumentos da impugnação e ainda: 1. Que o produto BIODAC é "desperdícios de papéis reciclados, secos e granulados" (grânulos de fibra de celulose), sendo que nada foi acrescentado durante seu processo de fabricação, cuja transformação mecânica para a forma de grânulos não lhe atribui características de uma preparação química. 2. As Notas Explicativas do SH da posição 4707 aponta que o emprego das aparas de papel para outros usos não modifica a sua classificação. 3. Traz à colocação o Acórdão nO978, de 14/06/02, da la Turma de Julgamento da DRJ Florianópolis - SC, que classificou o mesmo produto BIODAC na posição 4823, afastando a classificação utilizada pelo importador (4707) e a utilizada pela fiscalização (3824). 4. Contesta a multa de controle administrativo das importações, alegando que não houve prática de infração legal, não havendo 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° RESOLUCÃO N" 126.078 302.1.176 que se falar em débito do valor principal e muito menos de um débito de valor acessório . • • • • • Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no día 14/10/03, conforme despacho exarado na folha 119. Por meio do despacho de fls. 121, o Senhor Presidente desta Colenda Câmara, acatando sugestão deste Relator, retornou os autos à repartição de origem para que esta identificasse quem, atualmente, representa a autuada. Acatando a decisão supra, a repartição de origem carreu aos autos os documentos de fls. 136, devolvendo os autos a este Colegiado . Em 09109/04, a empresa SYNGENT A PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA, solicitou ajuntada dos documentos de fls. 139 a 189, no que foi atendida, conforme termo de juntada de fls. 189. Tais documentos tratam do processo sucessório da empresa SANDOZ S/A. Foram os autos a mim entregues no dia 16/09/04, conforme despacho de fls. 190. É o relatório . •• 5 • MINISTÉRIO DA FAZENDATERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA • RECURSO N° RESOLUCÃO N" 126.078 302-1.176 VOTO • • • • • Como relatado, trata o presente de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente para exigir-lhe o pagamento de diferença de II e de IPI, lançados na DI n° 014019, de 12/08/94, em razão de suposta errônea classificação fiscal do produto importado, denominado BIODAC. Discordando da decisão de primeira instância, que manteve parcialmente o lançamento, a empresa interessada ingressou, tempestivamente, com Recurso Voluntário perante este Colegiado sem, no entanto, cumprir o que determina os 99 2° e 3° do Artigo 33 do Decreto n° 70.235/72, com a alteração introduzida pela Lei n° 10.52212002, ou seja, sem oferecer bens para arrolamento, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão . . . . . . . . . . . . . . . . S 2º Em qualquer caso, o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão, limitado o arrolamento, sem prejuízo do seguimento do recurso, ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa fisica. (Incluído pela Lei n° 10.522, de 19/07/2002) S 3º O arrolamento de que trata o S 2º será realizado preferencialmente sobre bens imóveis. (Incluído pela Lei n° 10.522, de 19/07/2002). Devo ressaltar que o crédito tributário é de valor superior àquele previsto no 9 7°, do artigo 2°, da IN SRF nO26412002, abaixo transcrito: Art. 2" O recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a trinta por cento da exigência fiscal definida na decisão. S 7° O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de a exigência fiscal ser inferior a R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais). •• 6 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSON" RESOLUCÃO N° 126.078 302-1.176 • • • • • • • Por seu turno, a autoridade preparadora, a quem compete decidir sobre o seguimento do Recurso Voluntário, nada informou sobre o arrolamento de bens, simplesmente encaminhou os autos a este Colegiado, também ferindo o dispositivo legal acima transcrito. Para que não se venha alegar cerceamento do direito de defesa, entendo que o processo não atende as condições legais de admissibilidade e julgamento, devendo retomar a repartição de origem (ALF do Porto do Rio de Janeiro - RJ) para intimar a Recorrente SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA a, querendo, apresentar bens para arrolamento. Indicado os bens, a autoridade preparadora deverá providenciar o arrolamento . EX POSITIS e por tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, para . 1. Intimar a Recorrente a oferecer bens para arrolamento; 2. Providenciar o competente arrolamento; e 3. Concluído, devolver o processo a este Colegiado, para julgamento do lítígío. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2004 !, SILVA - Relator 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
score : 1.0
Numero do processo: 15868.000111/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Com o advento da Lei 9.430/96, a presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários adquiriu status legal e só é infirmada pela apresentação de documentação específica para cada depósito.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS INTERPOSTA PESSOA MULTA QUALIFICADA
As inúmeras provas colhidas pela autoridade fiscal são congruentes com a acusação de que o autuado movimentou recursos à margem de sua escrituração em contas de terceiros, o que legitima, uma vez não comprovada a origem dos recursos, o lançamento tributário com base em omissão presumida de receita, bem como a aplicação da sanção punitiva no seu patamar majorado.
MULTAS ISOLADAS
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo.
Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CISÃO
As empresas resultantes de cisão ou as que absorverem parte do patrimônio advindos dessas operações de reorganização societária respondem solidariamente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores pretéritos.
Numero da decisão: 1201-000.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento parcial ao recurso para afastar as multas isoladas concomitantes com a multa proporcional.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS INTERPOSTA PESSOA MULTA QUALIFICADA As inúmeras provas colhidas pela autoridade fiscal são congruentes com a acusação de que o autuado movimentou recursos à margem de sua escrituração em contas de terceiros, o que legitima, uma vez não comprovada a origem dos recursos, o lançamento tributário com base em omissão presumida de receita, bem como a aplicação da sanção punitiva no seu patamar majorado. MULTAS ISOLADAS A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem, o que ocorreu integralmente no presente lançamento. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA CISÃO As empresas resultantes de cisão ou as que absorverem parte do patrimônio advindos dessas operações de reorganização societária respondem solidariamente pelos créditos tributários relativos a fatos geradores pretéritos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.644 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento parcial ao recurso para afastar as multas isoladas concomitantes com a multa proporcional. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório DA AUTUAÇÃO E DAS IMPUGNAÇÕES Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, foi apurada omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada para os anos de 2004, 2005 e 2006. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 231240), PIS (fls. 248252), COFINS (fls. 262267) e CSLL (fls. 277281). Sobre os créditos tributários apurados foi aplicada multa qualificada (150%), em virtude da constatação de evidente intuito de fraude. Em razão das receitas omitidas apuradas, concluiuse, ademais, que houve falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL sobre base de cálculo estimada, de modo que também foram lançadas multas isoladas (50%). Conforme descrito no "Termo de Verificação de Infração Fiscal" de fls. 209230, a ação fiscal se desenvolveu no âmbito da chamada operação "Grandes Lagos", deflagrada pela Polícia Federal a partir de denúncias recebidas pela Receita Federal, dando conta de um megaesquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos. A Polícia Federal, a partir das informações colhidas no curso das investigações, produziu Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.645 3 relatório no qual está consignado que a empresa PANTANEIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES E DERIVADOS LTDA (doravante apenas PANTANEIRA) tem seu quadro social composto pelos "laranjas" Maurício Benedito de Oliveira e Antonieta Ventura Dias. Além disso, o Sr. Salvador Silva de Oliveira é procurador da contacorrente da PANTANEIRA mantida junto ao Banco Bradesco S/A. O Sr. Maurício Benedito de Oliveira, em interrogatório junto à Polícia Federal, confirmou que, a despeito de constar no quadro social da PANTANEIRA, apenas emprestou seu nome para a constituição da empresa. Afirmou, ainda, que o Sr. Salvador Silva de Oliveira é empregado da empresa FUGA COUROS em Jales/SP e reconheceu que este é procurador das contas bancárias da PANTANEIRA. A Sra. Antonieta Ventura Dias negou à Polícia Federal que a PANTANEIRA lhe pertença. O Sr. Salvador Silva de Oliveira, por sua vez, afirmou que trabalha na FUGA COUROS desde sua inauguração em 1997, estando subordinado ao Sr. Fabrício Fuga. Confirmou que recebeu procuração para assinar pela PANTANEIRA, que firmou cheques por esta empresa, sendo que tais documentos ficavam com Paulo Eduardo Manfrin Pereira. Intimado a apresentar a relação de todas as contas bancárias mantidas em seu nome (FUGA COUROS JALES LTDA), bem como a informar se tinha utilizado contas bancárias mantidas em nome de terceiros, o contribuinte afirmou que não utilizou contas de terceiros e informou apenas a contacorrente n° 23.9429, mantida por ela junto à agência de Jales/SP do Banco Bradesco S/A. A partir das informações obtidas junto às instituições financeiras, por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), constatou a autoridade autuante que o contribuinte mantinha, além da conta referida, também as contas de n° 32.6003, 32.6704 e 32.9002, todas junto ao Banco Bradesco S/A. O contribuinte reconheceu, em resposta a intimação, que a contabilidade da empresa não apresenta o registro da movimentação bancária dessas contas em rubricas específicas. Assim, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados nessas contas bancárias. Em resposta, afirmou que não foi possível atender o requerido, tendo em vista que os documentos necessários encontramse extraviados. Em seguida, por meio de Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, o contribuinte foi informado acerca • das evidências de que movimentou a contacorrente n° 32.4507 e a contacorrente n° 8399, mantidas; pela PANTANEIRA, respectivamente, no Banco Bradesco S/A e na Caixa Econômica Federal, e intimado a comprovar a origem dos valores depositados nestas contas. Em resposta, afirmou que não havia conseguido levantar os dados para prestar as informações requeridas, comprometendose a apresentálas tão logo fossem obtidas. A despeito disso, nunca apresentou as provas das origens dos recursos. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.646 4 Em resposta a intimação feita à empresa MICHELON — MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA, fornecedora da FUGA COUROS JALES LTDA, foi informado que o pedido de n° 6.222, no valor de R$ 215.000,00, foi pago por esta, no dia 04/11/2004, por meio de TED proveniente da contacorrente n° 8399, mantida pela PANTANEIRA junto à Caixa Econômica Federal, conta esta movimentada, mediante procuração, pelo Sr. Salvador Silva de Oliveira, gerente financeiro da FUGA COUROS JALES LTDA. O Sr. Salvador Silva de Oliveira foi nomeado também procurador para movimentar a contacorrente n° 32.4507, mantida pela PANTANEIRA junto ao Banco Bradesco S/A. O controle da FUGA COUROS JALES LTDA sobre esta conta está inclusive documentado em anotação constante do verso do cheque cuja cópia foi juntada às fls. 107/108 do Anexo V, nos seguintes termos: "confirmado com Salvador às 17:05 do dia 100206 pelo fone 36043090. Esta linha telefônica pertence à FUGA COUROS JALES LTDA. Há diversos outros cheques com a anotação "confirmado por Salvador". Além disso, está devidamente documentada a realização de diversas transferências de recursos entre esta conta da PANTANEIRA e contas da FUGA COUROS JALES LTDA. O Sr. Salvador Silva de Oliveira também foi nomeado procurador da PANTANEIRA para movimentar a contacorrente n° 8399, mantida junto à Caixa Econômica Federal. Conforme já ressaltado, está documentada a utilização de recursos provenientes desta conta para a aquisição de bens, pela FUGA COUROS JALES LTDA, junto ao fornecedor MICHELON — MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA. Em busca e apreensão realizada pela Polícia Federal, em 05/10/2007, na FUGA COUROS JALEIS LTDA foram colhidas diversas outras provas da realização, por este, de movimentação financeira não retratada na contabilidade, inclusive com a utilização das referidas contas bancárias da PANTANEIRA. Destacamse documentos constantes de HDs de computadores apreendidos. Há, por exemplo, uma planilha, intitulada "Demonstrativo do Custo Financeiro de Couros" do mês de setembro de 2004, no qual está indicado o valor de R$ 1.831,32 como despesas de CPMF. Este é precisamente o valor que corresponde à soma dos débitos, sob a rubrica "cobrança da CPMF", constantes, no mês de setembro de 2004, do extrato bancário da conta n° 32.4507, mantida pela PANTANEIRA junto ao Banco Bradesco S/A. Há, ainda, planilhas em que o Sr. Salvador Silva de Oliveira transmite ao Sr. Ivanor da empresa FUGA COUROS S/A informações sobre os saldos das contas correntes da empresa FUGA COUROS JALES LTDA, inclusive com indicação dos saldos constantes das referidas contas da PANTANEIRA. Há planilhas com registro do faturamento da empresa, cujos valores são maiores que os informados na DIPJ e na DACON, demonstrando a ocorrência de omissão de receitas. Finalmente, há planilhas nas quais consta o desdobramento de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.647 5 operações realizadas com e sem a emissão de notas fiscais, também revelando que houve omissão de receitas. Da análise da escrituração contábil apresentada pelo contribuinte, concluiu a autoridade autuante que não foi registrada a movimentação financeira realizada por meio das contas de n° 32.6003, 32.6704 e 32.9002 mantidas por ele junto ao Banco Bradesco S/A. Tampouco foi contabilizada a movimentação financeira por ele realizada, por intermédio de seu empregado, Sr. Salvador Silva de Oliveira, com 'a Utilização da contacorrente n° 32.4507 e da contacorrente n° 8399, mantidas pela PANTANEIRA, respectivamente, no Banco Bradesco S/A e na Caixa Econômica Federal. Tendo em vista a falta de comprovação da origem dos depósitos bancários realizados nestas contas, concluiu a autoridade autuante que ficou caracterizada a omissão de receitas, razão pela qual foram lançados os tributos devidos sobre as receitas omitidas. Sobre os créditos tributários apuradas foi aplicada multa qualificada (150%), tendo em vista que o sujeito passivo reiteradamente desviou receitas da tributação, inclusive valendose de contas bancárias tituladas em nome de terceiros (PANTANEIRA) para movimentar recursos que lhe pertenciam. A empresa FUGA COUROS S/A foi reputada sujeito passivo solidário, com base no art. 124, I, do CTN. Constatou a autoridade autuante que esta empresa é titular de 99,9% do capital social de R$ 3.000.000,00 da FUGA COUROS JALES LTDA. Além disso, a administração desta é realizada por Fabrício Fuga e ledo Claudino Fuga, que também são acionistas da FUGA COUROS S/A. Por meio da 4ª alteração e consolidação de contrato social da FUGA COUROS JALES LTDA, realizada em 03/01/2008, esta foi cindida parcialmente, com versão de patrimônio para as empresas FUGA COUROS S/A e FUGA PARTICIPAÇÕES LTDA. Após esta operação, o capital social da FUGA COUROS JALES LTDA, que era de R$ 3.000.000,00, passou a ser de R$ 52.000,00, sendo que 99,9% da diferença foi revertida à FUGA COUROS S/A. Além disso, a administração do contribuinte permanece nas mãos de Fabrício Fuga e de ledo Claudino Fuga, acionistas da FUGA COUROS S/A. Assim ficou caracterizado o interesse comum desta nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias de que trata o presente processo administrativo, razão pela qual houve a atribuição de responsabilidade solidária. Inconformados com a autuação, o contribuinte e a FUGA COUROS S/A, a quem foi atribuída responsabilidade solidária, apresentaram impugnação, respectivamente, às fls. 301343 e às fls. 392429. Na impugnação apresentada pela FUGA COUROS JALES S/A foram deduzidas as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.648 6 Houve erro na identificação do sujeito passivo, já que a parcela mais expressiva dos valores sobre os quais são exigidos os tributos correspondem a fatos geradores praticados pela PANTANEIRA. O fato de a MICHELON, fornecedora da FUGA COUROS JALES S/A, haver recebido desta com recursos provenientes da PANTANEIRA não autoriza a conclusão de que há "caixa dois". Tampouco a existência de transferências de recursos entre as empresas prova é prova disso. A lei não proíbe que uma empresa pague fornecedor por meio de importância a este diretamente entregue por outra pessoa jurídica, da mesma forma como não há proibição para mútuos entre empresas. A simulação deve ser provada com certeza e precisão. Consoante os depoimentos prestados à Polícia Federal pelos Srs. Maurício Benedito de Oliveira, Salvador Silva de Oliveira e Fabrício Fuga, a PANTANEIRA era controlada, de fato, pelo Sr. Paulo Manfrin Pereira. A PANTANEIRA, titular das contas nas quais foi constatada a parcela maior dos depósitos bancários tidos como de origem não comprovada, sequer foi intimada a esclarecer a origem dos recursos. Somente uma ação fiscal efetivada, inicialmente, no titular de direito da conta bancária poderia, em tese, conduzir à comprovação de que este não seria o titular de fato dos recursos, de modo que a PANTANEIRA necessariamente deveria ter sido intimada. Já houve o lançamento de tributos, em outro auto de infração (processo administrativo n° 16004.000383/200881), sobre toda a receita reputada omitida pela PANTANEIRA nos anoscalendário 2002 a 2006, razão pela qual, caso houvesse receita omitida, essa já teria sido tributada em outra ação fiscal. No referido processo administrativo, a PANTANEIRA'fa reputada interposta pessoa da empresa FRIGOSUL — FRIGORÍFICO SUL LTDA. Tendo em vista que .a receita considerada omitida no auto de infração lavrado contra a FRIGOSUL é maior que 'aquela considerada no presente processo administrativo, esta deveria ser considerada como parte daquela, sob pena de haver dupla tributação sobre as mesmas supostas omissões de receitas. Conforme se observa no Termo de Verificação Fiscal lavrado nos autos do processo administrativo n° 16004.000383/200881, as mesmas contas bancárias que deram base à lavratura dos autos de infração de que trata o presente processo administrativo também foram consideradas para fundamentar o elo estabelecido entre a PANTANEIRA e a FRIGOSUL, por meio da SEBO JALES, de modo que não há coerência entre os fatos constatados nos dois processos administrativos. Ademais, não há justificativa para a falta de atribuição de responsabilidade à PANTANEIRA. No tocante aos depósitos bancários constatados em suas próprias contas, afirma o contribuinte que a falta de registro desses valores em rubricas específicas não autoriza a conclusão de que correspondem a receitas omitidas, já que é usual o registro de valores que circulam em bancos diretamente na conta Caixa. O extravio de documentos impediu a prova de que os valores creditados em conta bancária correspondem a receitas contabilizadas via conta Caixa. Afirma o contribuinte que apresentará a documentação comprobatória assim que Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.649 7 possível. As importâncias já declaradas e oferecidas à tributação devem ser excluídas, sobretudo tendo em conta que as receitas reputadas omitidas são muito inferiores àquelas declaradas. Conforme consta dos próprios documentos acostados aos autos, há cheques emitidos a favor das próprias emitentes, para saques ou compensações. Conforme reconhece a jurisprudência formada no Conselho de Contribuintes, é descabida a imposição de multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL devidos por estimativa, quando houver o lançamento do IRPJ e da CSLL com imposição de multa sobre os tributos apurados. Isso porque ficaria caracterizada a imposição de dupla penalização. A aplicação da multa de 150% requer a prova do evidente intuito de fraude. O ampla acesso, pelo Fisco, às informações bancárias dos contribuintes impede que se repute como dolosa a omissão de receitas apurada a partir de depósitos bancários. Por fim, pede que seja reconhecida a nulidade das exigências. A empresa FUGA COUROS S/A, a quem foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, reproduz as alegações do contribuinte em seu recurso. Especificamente quanto à responsabilidade solidária, afirma que a autoridade autuante não a fundamentou em qualquer norma da legislação ordinária, limitandose a invocar o art. 124 do CTN. Esta norma, por ter hierarquia de lei complementar, não pode criar direitos, obrigações e responsabilidades no campo fiscal, exceto nos casos excepcionais previstos na Constituição Federal. O art. 124 do CTN apenas autoriza que a lei ordinária da entidade tributante possa atribuir responsabilidade solidária, conforme, aliás, prevê o art. 97 do CTN. Por fim, pede o contribuinte que seja reconhecida a nulidade dos lançamentos. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 541 a 551) negou provimento a ambos os recursos pelas razões que se seguem. No processo nº 16004.000383/200881, foram efetuados lançamentos em nome de FRIGOSUL, os quais foram apurados com base na receita bruta registrada nos livros de “M S Aliança” e “PANTANEIRA”, empresas que operavam como interpostas pessoas de FRIGOSUL. Já, no presente feito, o crédito foi lançado com base em depósitos em contas bancárias em nome de “PANTANEIRA”, mas para realizar movimentação financeira em nome de FUGA COUROS. Como sintetizado na decisão recorrida: (...) não há coincidência entre as bases de cálculo dos autos de infração lavrados contra a FRIGOSUL e contra a FUGA COUROS JALES LTDA. No primeiro caso, a base de cálculo foi apurada a partir dos registros constantes dos livros contábeis/fiscais da PANTANEIRA. No segundo, foram considerados os depósitos de origem não comprovada Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.650 8 constatados em contas bancárias da PANTANEIRA, mas controladas de fato pela FUGA COUROS JALES LTDA. A autoridade julgadora elencou as diversas evidências que a levaram a concluir que as contas bancárias em nome de PANTANEIRA eram controladas por FUGA COUROS LTDA, in verbis: O Sr. Maurício Benedito de Oliveira, em interrogatório junto à Polícia Federal, confirmou que, a despeito de constar no quadro social da PANTANEIRA, apenas emprestou seu nome para a constituição da empresa. Afirmou, ainda, que o Sr. Salvador Silva de Oliveira é empregado da empresa FUGA COUROS em Jales/SP e reconheceu que este é procurador das contas bancárias da PANTANEIRA. A Sra. Antonieta Ventura Dias negou à Polícia Federal que a PANTANEIRA lhe pertença. O Sr. Salvador Silva de Oliveira, por sua vez, afirmou que trabalha na FUGA COUROS desde sua inauguração em 1997, estando subordinado ao Sr. Fabrício Fuga. Confirmou que recebeu procuração para assinar pela PANTANEIRA, que firmou cheques por esta empresa. Em resposta a intimação feita à empresa MICHELON — MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA, fornecedora da FUGA COUROS JALES LTDA, foi informado que o pedido de n° 6.222, no valor de R$ 215.000,00, foi pago por esta, no dia 04/11/2004, por meio de TED proveniente da contacorrente n° 8399, mantida pela PANTANEIRA junto à Caixa Econômica Federal, conta esta movimentada, mediante procuração, pelo Sr. Salvador Silva de Oliveira, gerente financeiro da FUGA COUROS JALES LTDA. O Sr. Salvador Silva de Oliveira foi nomeado também procurador para movimentar a contacorrente n° 32.4507, mantida pela PANTANEIRA junto ao Banco Bradesco S/A. O controle da FUGA COUROS JALES LTDA sobre esta conta está inclusive documentado em anotação constante do verso do cheque cuja cópia foi juntada às fls. 107/108 do Anexo V, nos seguintes termos: "confirmado com Salvador às 17:05 do dia 100206 pelo fone 36043090. Esta linha telefônica pertence à FUGA COUROS JALES LTDA. Há diversos outros cheques com a anotação "confirmado por Salvador". Além disso, está devidamente documentada a realização de diversas transferências de recursos entre esta conta da PANTANEIRA e contas da FUGA COUROS JALES LTDA. As provas mais evidentes do efetivo controle exercido pela FUGA COUROS JALES LTDA sobre as referidas contas bancárias da PANTANEIRA foram colhidas pela Polícia Federal, em busca e apreensão realizada, em 05/10/2007, na FUGA COUROS JALEIS LTDA. Destacamse documentos constantes de HDs de computadores apreendidos. Há, por exemplo, uma planilha, intitulada "Demonstrativo do Custo Financeiro de Couros" do mês de setembro de 2004, no qual está indicado o valor de R$ 1.831,32 como despesas de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.651 9 CPMF. Este é precisamente o valor que corresponde à soma dos débitos, sob a rubrica "cobrança da CPMF", constantes, no mês de setembro de 2004, do extrato bancário da conta n° 32.4507, mantida pela PANTANEIRA junto ao Banco Bradesco S/A. Há, ainda, planilhas em que o Sr. Salvador Silva de Oliveira transmite ao Sr. Ivanor da empresa FUGA COUROS S/A informações sobre os saldos das contascorrentes da empresa FUGA COUROS JALES LTDA, inclusive com indicação dos saldos constantes das referidas contas da PANTANEIRA. Também não prosperou a alegação de que a empresa PANTANEIRA deveria ser intimada para comprovar a origem dos depósitos bancários, uma vez que a autoridade fiscal teria comprovado que esta empresa foi constituída por sócios laranjas e que a movimentação financeira em suas contas estava sob controle de FUGA COUROS LTDA. De igual sorte, a alegação de que as receitas teriam sido contabilizadas em sua “conta caixa” e apenas houve extravio de documentos e a de que as receitas já declaradas deveriam ser deduzidas do total lançado não prosperaram em razão da presunção legal de omissão de receita no caso de depósito de origem não comprovada. Em relação à multa isolada, entendeu o julgador haver previsão legal para aplicação simultânea com a multa proporcional simples ou majorada. Quanto ao patamar majorado da multa proporcional, não mereceu prosperar a alegação de que a qualificação é incompatível com a presunção legal de omissão de receita, uma vez que, dentre outras razões, houve até uso de interposta pessoa. Por derradeiro, no tocante ao responsável tributário, entendeu que não deveria prosperar a alegação da defesa de que o art. 124 do CTN não estabeleceria direitos e obrigação, mas apenas, em razão de suas condição de lei complementar, autorizaria a lei ordinária de cada ente tributante de fazêlo. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte e o responsável apresentaram recursos voluntários, respectivamente às fls. 560 a 613 e 1.611 a 1650, mediante os quais praticamente se limitaram a reiterar (aliás, na sua maioria, ipsis litteris) argumentos já trazidos nas impugnações. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.652 10 Antes de nos debruçarmos sobre o objeto da lide, cumpreme reafirmar o que já destaquei no relatório. O recurso voluntário de fls. 560 a 613 é, na verdade, uma cópia praticamente exata da impugnação de fls. 301 a 343. A defesa, em momento algum, combateu qualquer dos fundamentos da decisão recorrida. Resumiuse apenas a reproduzir ipsis litteris o que já havia apresentado na reclamação inicial, a substituir em algumas partes, o termo “impugnante” por “recorrente”, e, quando muito, a reproduzir a decisão recorrida, mas sem contrapor especificamente nenhum dos seus fundamentos. Ademais, juntou cópia do livro diário de PANTANEIRA, em relação a qual teceu apenas este singelo comentário: “deixa consignado a Recorrente mais o fato de que obteve cópia dos livros Diários da empresa PANTANEIRA, que agora anexa”. Outro procedimento não foi adotado pelo responsável tributário (FUGA COUROS S/A). Da mesma forma como a maior parte da sua impugnação correspondia à impugnação do contribuinte, o seu recurso também é, em boa medida, reprodução do recurso voluntário de FUGA COUROS LTDA, o qual, como aduzimos, também é praticamente uma cópia daquela primeira impugnação. Quanto à parte específica, a que diz respeito à sua condição de responsável tributário, apenas descreve os fundamentos da decisão recorrida e afirma estarem equivocados para então, mais uma vez, reproduzir literalmente o que já havia sido aduzido na sua defesa inaugural. Exigência concomitante Com efeito, uma vez não se comprovando que a movimentação financeira em nome de “PANTANEIRA” corresponde à receita registrada em seus livros, não há que se falar em mesmas receitas. Não merece prosperar a alegação de que as receitas registradas nos livros da PANTANEIRA deveriam absorver os valores inferidos a partir da movimentação bancária, uma vez que a lei (art. 42 da Lei nº 9.430/96) estabelece que a origem deve ser documentalmente comprovada depósito a depósito. Ademais, ainda que se identificassem com as receitas que compuseram o lançamento em nome de FRIGOSUL, tal circunstância, por si só, não seria suficiente para afastar a presente autuação, uma vez que aquele lançamento e não este poderia ter sido o incorretamente realizado. Nesse caso, seria aquele e não este o que deveria ser exonerado. Cumprenos apenas verificar a correção desta autuação em relação aos aspectos combatidos pela defesa. O controle das contas por parte da autuada A autuação é relativa à omissão de receitas presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Tais depósitos foram realizados em contasbancárias da autuada, mas também em nome da empresa PANTANEIRA, a qual se afirmar tratarse de interposta pessoal. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.653 11 Nesse caso, a acusação fiscal é a de que a autuada ocultou a receita de parte das suas operações ao movimentar valores por meio de constas bancárias em nome da empresa PANTANEIRA, mediante procuração, cujo procurador era seu empregado (Sr. Salvador Silva de Oliveira). Para chegar a essa conclusão, a autoridade fiscal aponta diversos fatos. Abaixo, reproduzi alguns que me chamaram a atenção. Primeiro fato: procurador para movimentação de contas correntes era funcionário da autuada. O fornecedor (Michelon Máquinas e Equipamentos) recebeu o valor de R$ 215.000,00 da autuada por meio de TED de contacorrente de PANTANEIRA (relatório de fl. 218). Essa movimentação foi realizada pelo Sr. Salvador Silva de Oliveira, concomitantemente, procurador em relação à conta e gerente financeiro da autuada (relatório de fl. 219). Conforme termo de verificação de fl. 222: Os documentos de fls. 44 e 59 do Anexo V comprovam que o sujeito passivo utilizou recursos mantidos na conta n.° 8399 titulada em nome de terceiros (PANTANEIRA), conta esta movimentada pelo seu gerente financeiro Sr. Salvador Silva de Oliveira, para realizar pagamento pela aquisição de bens junto ao fornecedor Michelon Máquinas e Equipamentos Ltda. Segundo fato: sócios de Pantaneira eram laranjas. Segundo a acusação, os sócios da empresa PANTANEIRA eram laranjas. Abaixo, transcrevo trecho do termo de verificação (fl. 221): os Senhores Maurício Benedito de Oliveira e Antonieta Ventura Dias, em interrogatórios na Polícia Federal, declararam que apesar de constarem como sócios da empresa Pantaneira, não são seus proprietários. Melhor dizendo, são sócios "laranjas" da Pantaneira. Terceiro fato: planilha de controle paralelo de vendas sem nota fiscal apreendida pela Polícia Federal No cumprimento de mandado de busca e apreensão, foram apreendidas mídias magnéticas com controle paralelo de vendas sem emissão de nota fiscal. A seguir transcrevo parte do relatório de fl. 224: Documentos juntados às fls. 61 do Anexo II: Referese a uma planilha intitulada Fuga Couro Jales Ltda — Estatística do preço médio de vendas do mês de setembro de 2004 de wet blue. Nesta planilha há uma coluna denominada "valor total nota fiscal", onde estão informados valores totais correspondentes ao Fl. 11DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.654 12 mercado interno, à exportação e ao total geral. Verificamos que os valores correspondentes ao mercado interno foram desdobrados em dois itens: mercado interno e "1001". O item "1001" foi desdobrado em quatro linhas: SP com nota fiscal, SP sem nota fiscal, Fora de SP com nota fiscal e Fora de SP sem nota fiscal.(meu negrito) Quarto fato: controle paralelo de custos da autuada correspondente às despesas financeiras de conta da PANTANEIRA. Em mídias magnéticas apreendidas com a autuada pela Polícia Federal, foi identificada planilha de controle de custos, os quais se referiam a despesas financeiras relativas à conta bancária em nome de Pantaneira. Nesse caso, é relevante destacar a referência ao código “1001” usado tanto para se referir a receitas sem emissão de notas, quanto às despesas decorrentes do uso da conta em nome de terceiros. Abaixo, transcrevemos parte do relatório de fl. 222: Documento juntado às fls. 49 do Anexo II: Referese a uma planilha denominada "Demonstrativo do Custo Financeiro de Couros" do mês de setembro de 2004. Num dos quadros relativos à demonstração analítica das despesas do mês verificamos que na coluna "Despesas 1001" consta o valor de R$ 1.831,32 como despesas de CPMF. Consultamos os extratos bancários da conta n.° 32.4507, titulada em nome da Pantaneira, e verificamos a existência de quatro lançamentos a débito realizados em setembro de 2004 com o histórico "cobrança da CPMF", gue totalizam R$ 1.831,32, conforme abaixo demonstrado: Quinto fato: relatório de posse da contribuinte autuada (Fuga Couros Ltda) para o responsável autuado (Fuga Couro S/A) sobre o saldo de conta bancária em nome de PANTANEIRA. Nos documentos apreendidos por ocasião do cumprimento de mandado de busca e apreensão, consta um relatório endereçado para FUGA COUROS S/A (pessoa jurídica a quem foi imputada a condição de responsável tributário) sobre saldos de contasbancárias, dentre as quais, contas em nome de PANTANEIRA. Abaixo, transcrevo parte do termo de verificação de fls. 223: Documento juntado às fls. 50 Anexo II: Referese a uma planilha em que o gerente financeiro da Fuga Couros Jales Ltda, Sr. Salvador Silva de Oliveira, transmite mensagem ao Sr. Ivanor da empresa Fuga Couros S/A com diversas informações. Intitulada como Fuga Couros Jales Ltda, contém os seguintes dizeres dentre outros: PARA/TO: FUGA COUROS S/A, AT/ATTN: SR. IVANOR, NUMERÁRIO PARA HOJE: 5 setembro, 2005, 2. PANTANEIRA IND. E COM. PROD. ANIMAIS LTDA, Saldo da conta corrente de n.° 32.4507 (BRADESCO S/A) — R$ 635.497,74 credor, Saldo da conta corrente de n.° 8399 (Caixa E. Federal) — R$ 390.526,33 credor, C/C 29998 — Banco 001 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.655 13 — Fuga Couros Jales Ltda — R$ 209.379,61 credor, C/C 23942 9 — Banco 237 — Fuga Couros Jales Ltda — R$ 148.699,86 credor. Ao final consta: ATENCIOSAMENTE — Salvador Silva de Oliveira. A despeito de todos esses fatos que são congruentes com a acusação de que a autuada realmente controlava contas bancárias em nome de PANTANEIRA e as utilizou para ocultar a movimentação financeira relativa a operações realizadas à margem de qualquer registro formal, a defesa só combate especificamente os dois primeiros, quando, por exemplo, aduz que: O fato de ser constituída empresa com participações de pessoas de algum modo ligadas a outra, com a qual a nova empresa negocie, não é e nem pode ser considerado motivo bastante para desconsiderações. Esse fato isolado realmente não poderia levar a autoridade fiscal à conclusão a que chegou, mas em conjunto com todos os demais, não há outra conclusão plausível. Nos parágrafos 58 e 59 do recurso voluntário a defesa afirma que a autoridade lançadora chegou à conclusão de que os valores movimentados nas contas bancárias em nome de PANTANEIRA exclusivamente em razão do item 4.1 do Termo de verificação fiscal, mediante o qual o agente fiscal relata que o fornecedor “Michelon” recebeu pagamento por meio de conta em nome de PANTANEIRA. Ora, a defesa praticamente faz de conta que não existe o item 4.3 do mesmo termo de verificação, por meio do qual a autoridade relata os diversos elementos probatórios do controle das contas e que foram apreendidos no cumprimento de mandado de busca e apreensão, os quais acima já indiquei como quarto e quinto fatos. Em relação a tais elementos a defesa aduz simplesmente que: Verificase que a fiscalização preferiu tomar como verdadeiros valores e mais valores inseridos em planilhas e planilhas, as quais nunca foram fornecidas à Recorrente, que com referência às mesmas pouco pode argumentar. Como assim nunca foram fornecidas à recorrente? Cópias delas constam do feito, absolutamente à disposição para vistas, sem falar do próprio inquérito policial. E como pouco pode argumentar? Tais elementos constam do termo de verificação e expressamente foram adotados pela DRJ como razão de decidir. No entanto, no recurso, preferiu nada acrescer sobre esse ponto. Seguramente para não chamar mais atenção a ele. A defesa reitera de forma literal o que havia aduzido na fase impugnatória que o titular das contas – a empresa Pantaneira – não foi intimada para prestar esclarecimentos, mas, em momento algum, rebate o ponto central da decisão recorrida, isto é, que essa empresa é de fachada, foi constituída por pessoas físicas “laranjas”. A defesa ignora – “dá de ombros” – o fato de terem sido encontrados no recinto da autuada os controles das contas bancárias em nome de Pantaneira. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.656 14 Enfim, a decisão recorrida foi minuciosa ao analisar as provas colhidas pela autoridade fiscal para afirmar que a movimentação financeira estava sob o controle da autuada, mas a defesa traz apenas argumentos genéricos e desconectados com o denso e congruente corpo probatório no sentido de que contas bancárias em nome de Pantaneira servia para ocultar as atividades da autuada. Não há, pois, razões para reforma da decisão recorrida quanto a esse ponto. A omissão relativa a depósitos em suas próprias contas Quanto aos depósitos nas constas bancárias da própria autuada, a defesa aduziu que os documentos se extraviaram e que, nesse caso, deveria ser aplicada a presunção com base em depósitos de forma “consentânea e adequadamente mitigada” ao subtrair as receitas já previamente declaradas. Em primeiro lugar, é importante destacar que as contas, cujos depósitos serviram de base para a autuação, foram mantidas totalmente à margem da escrituração e não apenas um punhado de depósitos nelas efetuados. A justificativa apresentada de que tais valores eram controlados mediante registros na conta caixa e que os documentos se extraviaram, além de não convencer em razão do conjunto probatório que nos leva à conclusão de que deliberadamente a autuada mantinha parte das suas operações à margem dos registros formais, não poderia ser acatada em razão da expressa previsão legal de que os depósitos devem ser individualmente comprovados. Multa isolada As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.657 15 Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, “pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático”. Para Delmanto, “a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste”. Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No presente feito, podemos constatar que o valor das omissões em todos os meses compuseram integralmente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL anuais, bem como a Fl. 15DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.658 16 base para a determinação das estimativas, as quais serviram para aferição das multas isoladas. Todos os valores e de forma integral repercutiram na determinação de ambas as multas, a isolada e a proporcional. Desse modo, houve integral absorção de uma pela outra. Multa qualificada Relativamente à aplicação da multa qualificada para os depósitos mantidos em conta bancaria em nome de interposta pessoa, deve ser observada a Súmula CARF nº 34 de aplicação regimentalmente vinculada: Súmula CARF No 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Quanto aos depósitos em contas próprias, não posso chegar a posição diversa em razão do enorme conjunto probatório de que o contribuinte agiu intencionalmente para ocultar do Fisco parte das suas operações. Responsabilidade solidária Os autos revelam que as atividades comerciais foram realizadas por meio de uma teia de pessoas físicas e jurídicas com o intuito de escamotear operações a fim de burlar a atividade do Fisco de lançar ou, caso tal intento não fosse bem sucedido, a de cobrar o crédito tributário. Aliás, esse foi o motivo da deflagração da operação pela Receita Federal e Polícia Federal com autorização judicial (vide trecho de fl. 211). No termo de verificação, a autoridade fundamenta a atribuição de responsabilidade no seguinte trecho (fl. 229), in verbis: O sujeito passivo apresentou no início da fiscalização cópia da 3ª alteração e consolidação de contrato social, de 02/03/2005. Nesta, verificamos que o capital social de R$ 3.000.000,00 está distribuído entre os sócios: FUGA COUROS S/A com participação equivalente a 99,90% e FUGA PARTICIPAÇÕES LTDA com participação equivalente a 0,10%. Verificamos também que a administração da sociedade é exercida pelos senhores Fabrício Fuga e ledo Claudino Fuga, que são acionistas da Fuga Couros S/A. Posteriormente, em resposta ao nosso Termo de Intimação Fiscal, de 26/01/2009, o sujeito passivo apresentou cópia da 4ª alteração e consolidação de contrato social, cisão parcial com versão de patrimônio para as sociedades FUGA COUROS S/A e FUGA PARTICIPAÇÕES LTDA, de 03/01/2008. Nesta, verificamos que houve cisão parcial da, sociedade Fuga Couros Jales Ltda, com versão de elementos ativos e passivos para os Fl. 16DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.659 17 dois sócios já mencionados e redução do capital social no montante de R$ 2.948.000,00. Assim, o capital social que era de R$ 3.000.000,00 passou a ser de R$ 52.000,00, distribuído aos sócios: FUGA COUROS S/A e FUGA PARTICIPAÇÕES LTDA na mesma proporção já anteriormente mencionada (99,90% e 0,10%). A administração da sociedade continua sendo exercida pelos senhores Fabrício Fuga e ledo Claudino Fuga, acionistas da Fuga Couros S/A. Ficou claro para esta fiscalização que a empresa FUGA COUROS S/A, detentora de 99,90% do capital social do sujeito passivo ora fiscalizado, teve interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias tratadas no presente termo, sendo, portando, solidariamente obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, de acordo com os artigos 121 e 124, inciso I, do CTN. Destarte, efetuamos o Termo de Sujeição Passiva Solidária, de 13/02/2009, que será encaminhado via postal à empresa FUGA COUROS S/A, juntamente com cópia dos autos de infração e deste termo, para sua ciência. É interessante notar, contudo, que a autoridade não fundamenta a imposição de responsabilidade à FUGA COUROS S/A por supostamente fazer parte do esquema, apesar da existência de elementos, a princípio, aptos a se fazer tal acusação. O agente fiscal talvez tenha considerado que os elementos não seriam sólidos o bastante para fazer esse tipo de acusação. O relatório sobre a movimentação de PANTANEIRA, por exemplo, apesar de dirigido a FUGA COUROS S/A, não foi encontrado na sua posse, mas sim na de FUGA COUROS LTDA. Uma outra hipótese é a de que não teria encontrado fundamento legal para tanto. O artigo 135 do CTN ao atribuir responsabilidade tributária por ato doloso não relaciona pessoas jurídicas, só físicas. Assim, lançou com base na responsabilidade solidária prevista no art. 124 do CTN. Ao fazêlo, agiu bem e em total consonância com a jurisprudência do STJ. Notese que a cisão ocorreu posteriormente a todos os fatos e, desse modo, as empresas cindidas ou que absorveram patrimônio em resultado de cisão tornamse responsáveis pelos créditos tributários. Abaixo transcrevo as ementas de dois acórdãos recentes sobre o tema: A empresa resultante de cisão que incorpora parte do patrimônio da outra responde solidariamente pelos débitos da empresa cindida. Irrelevância da vinculação direta do sucessor do fato gerador da obrigação (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão Fl. 17DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS Processo nº 15868.000111/200930 Acórdão n.º 120100.475 S1C2T1 Fl. 2.660 18 (REsp 852972/PR, 1ª Turma, Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 25/05/2010) Desse modo, ao contrário do que diz a defesa, as regras do código diretamente impõem deveres e não apenas autorizam a lei ordinária a estabelecêlos. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar as multas isoladas. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 18DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME Assinado digitalmente em 01/05/2011 por GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS ME, 09/05/2011 por CLAUDEMIR ROD RIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 13971.001592/2005-64
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
Normas gerais de direito tributário. Interpretação da legislação. Dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato definido como infração.
O adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória é fato caracterizador de infração ao ordenamento jurídico e enseja o lançamento da penalidade pecuniária cominada em norma vigente, se ausentes dúvidas quanto às circunstâncias materiais do fato definido como infração. Dúvidas relacionadas a limitações técnicas (congestionamento) do sistema transmissor de declarações do computador do sujeito passivo para a base de dados da Receita Federal afastam do contribuinte a responsabilidade pelo atraso.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.600
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de
contribuintes, Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento.
Nome do relator: Tarásio Campelo Borges
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Interpretação da legislação. Dúvida quanto As circunstâncias materiais do fato definido como infração. O adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória é fato caracterizador de infração ao ordenamento jurídico e enseja o lançamento da penalidade pecuniária cominada em norma vigente, se ausentes dúvidas quanto As circunstâncias materiais do fato definido como infração. Dúvidas relacionadas a limitações técnicas (congestionamento) do sistema transmissor de declarações do computador do sujeito passivo para a base de dados da Receita Federal afastam do contribuinte a responsabilidade pelo atraso. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento. TARÁSIO CAMPELO BORGES - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Nihon Luiz Bart° li, Vanessa Albuquerque Valente e Hero ldes Bahr Neto. Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 43 Relatório Cuida-se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Terceira Turma da DRJ Florianópolis (SC) que julgou procedente a exigência da multa infligida no auto de infração de folha 5, motivada por entrega de DCTF espontaneamente e a destempo, no valor mínimo de R$ 200,00. Segundo a denúncia fiscal, somente no dia 16 de fevereiro de 2004, segunda- feira, foi entregue a declaração relativa ao quarto trimestre de 2004 (prazo vencido em 13 de fevereiro de 2004, sexta-feira). Regularmente intimada do lançamento, a interessada instaurou o contraditório corn as razões de folhas 1 a 4. Em síntese, traz lições doutrinárias e precedentes judiciais e administrativos para alegar: DOS FATOS No dia 16 de fevereiro de 2004, foi realmente apresentada em atraso a DCTF referente ao 4° trimestre de 2003. 0 atraso ocorreu devido ao congestionamento no site da Receita Federal no dia 13/02/2004 [sic] prazo final para entrega da declaração. Dia este que era uma sexta [sic] feira e por isso, somente foi possível transmitir a declaração na segunda [sic] feira imediatamente posterior ao congestionamento, em que o site da Receita voltou a receber transmissões. Frisa-se que o atraso foi totalmente involuntário, pois foram várias tentativas de transmissão, porém devido aos problemas técnicos dos equipamentos da Receita Federal, houve congestionamento no site e este não recepcionou as transmissões da DCTF. Desta forma, logo que sanado o problema, foi feita a APRESENTAÇÃO ESPONTÂNEA da DCTF, ou seja, HOUVE DENUNCIA ESPONTÂNEA na entrega da DCTF, pois inexistiu qualquer procedimento administrativo fiscal, exigindo ou alertando sobre a obrigação da DCTF, antes que esta fosse entregue espontaneamente, descabendo assim, a imposição de multa moratória. Entendeu em contrário o fisco, que expediu o Auto de Infração. DO MÉRITO Trata-se de aplicação do Art. 138 e seu parágrafo único do CTN, segundo o qual a denúncia espontânea, desde que realizada antes de qualquer procedimento administrátivo, exclui a responsabilidade do contribuinte quando acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo e dos juros de mora. Processo 00 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 44 O órgão julgador de primeira instância considerou irreparável o procedimento administrativo, conforme voto condutor do acórdão recorrido que transcrevo em sua inteireza: A impugnação é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade; pode-se dela conhecer. No tocante A alegação expendida na peça impugnatória, equivoca-se o contribuinte ao alegar que a apresentação espontânea exclui a responsabilidade pela infração cometida pois, tratando-se no caso de obrigação acessória A qual estão sujeitos todos os contribuintes, é inaplicável o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Dispõe o § 2° do art. 113 do CTN, que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal, relativamente A penalidade pecuniária. Nesse sentido, os esclarecimentos formulados no Projeto Integrado de Aperfeiçoamento da Cobrança do Crédito Tributário, por Aldemario Araújo Castro, Procurador da Fazenda Nacional, demonstram a inaplicabilidade do instituto da denuncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória, como se depreende a seguir: Corn efeito, o objetivo da denúncia espontânea, conforme explicita previsão legal, é afastar a responsabilidade por infração contida na composição do crédito tributário impago. Quando o tributo não é pago em tempo hábil gera um crédito corn, pelo menos, os seguintes componentes: PRINCIPAL - tributo, MULTA - penalidade pecuniária e JUROS DE MORA. A denuncia espontânea afasta justamente a parte punitiva e mantém, com toda sua intensidade quantitativa, o PRINCIPAL - tributo. Esta estrutura de débito, a única referida no citado art. 138 do CTN, obviamente só existe no caso de descumprimento de obrigação tributária principal. O descumprimento de obrigação tributária acessória, não contemplado explicitamente no art. 138 do CTN, gera um débito com a seguinte estrutura: PRINCIPAL - multa (penalidade pecuniária) e MULTA - inexistente. Assim, não há como afastar a parte punitiva do crédito, simplesmente porque ela não existe. Em suma, a denuncia espontânea não afeta o PRINCIPAL do débito, e este, na obrigação principal decorrente do descumprimento de obrigação acessória é justamente a multa. Uma última ponderação parece ratificar estas considerações. Admitir a denúncia espontânea para o descumprimento de obrigação acessória significa negar, em regra, a obrigatoriedade do adimplemento da obrigação de fazer ou não-fazer, isto porque a sanção decorrente poderia ser afastada, a qualquer tempo, justamente a partir da realização daquela ação originalmente com prazo certo. 0 raciocínio seria o Ç...\ 3 Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 45 seguinte: apresento a declaração quando quiser, sendo, em principio, irrelevante o marco temporal legal, porque a apresentação depois do prazo seria denúncia espontânea e afastaria a multa, única conseqüência da intempestividade, salvo ação fiscal extremamente improvável. De toda sorte, as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei e de natureza indenizatória, nitidamente apartadas das penalidades pecuniárias. Em sessão de 13 de junho de 1997, foi julgada matéria de similar teor, prolatando-se o Acórdão no 102-41.824 da lavra da ilustre Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto. Destacamos a seguir alguns trechos do acórdão: A figura da denúncia espontânea, contemplada no artigo 138 da Lei n° 5.172/66 - Código Tributário Nacional -, arguida pelo recorrente, é inaplicável, porque juridicamente s6 é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, que não é o caso do atraso da entrega da Declaração de Rendimentos de IRPF que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a entrega tempestiva da mesma. Apresentar a declaração de rendimentos é uma obrigação para aqueles que enquadram-se nos parâmetros legais e deve ser realizada no prazo fixado pela lei. Por ser urna "obrigação de fazer", necessariamente, tem que ter prazo certo para seu cumprimento e, se for o caso, por seu desrespeito, urna penalidade pecuniária. A causa da multa está no atraso do cumprimento da obrigação, não na entrega da declaração, que tanto pode ser espontânea como por intimação, em qualquer dos dois casos a infração ao dispositivo legal já aconteceu e cabível 6, tanto num quanto noutro, a cobrança da multa. 0 Primeiro Conselho de Contribuintes freqüentemente vem se pronunciando no sentido oposto ao pretendido pelo interessado, cabendo reproduzir, a titulo de exemplificação, a ementa dos seguintes acórdãos: DENÚNCIA ESPONTÂNEA — Não se configura denúncia espontânea o cumprimento de obrigação acessória, após decorrido o prazo legal para o seu adimplemento, sendo a multa decorrente da impontualidade do contribuinte."(Ac.n° 106-10.772, de 15/04/1999, DOU de 21/07/1999). DENÚNCIA ESPONTÂNEA — Exclusão de responsabilidade pelo cometimento de infração A legislação tributária — a norma inserta no art. 138 do CTN não abrange as penalidades pecuniárias decorrentes do inadimplemento de obrigações Acessórias." (Ac. n° 102-42.801, de _ 19/03/1998, DOU de 09/04/1999). Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n. ° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 46 DENÚNCIA ESPONTÂNEA — A espontaneidade na apresentação a destempo do documento fiscal não tem o condão de infirmar a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da declaração de rendimentos, por não se constituir o gesto em ilícito tributário. FATO CONHECIDO — Não caracteriza denúncia espontânea a comunicação de fato conhecido da Repartição Fiscal." (Ac. n° 106- 10.015, de 18/03/1998, DOU de 24/05/1999). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - 0 instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar intempestivamente a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão abrangidos pelo art. 138 do CTN.(Ac. n° 102-44.383, de 17/08/2000; DOU de 29/12/2000) Igual entendimento também tem sido observado, entre outros, nos seguintes acórdãos de câmaras do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA: 102 -42.175 (DOU de 29.09.98), 106-09.354 (DOU de 31.12.97), 102-42.264 (DOU de 29.09.98), 106.09.277 (DOU de 31.12.97), 106-09.278 (DOU de 31.12.97), 106-10.382 (DOU de 26.03.99), 106-10.389 (DOU de 26.03.99), 106-10.396 (DOU de 26.03.99), 102-43.116 (DOU de 10.03.99) e 102-43.214 (DOU de 10.03.99). Não se trata, portanto, de punir com multa o pagamento espontâneo de tributo devido. Tal fato pode ocorrer no caso de o impugnante ser devedor da Fazenda Pública Federal pelo não pagamento de impostos e contribuições federais, se vier a efetuá-lo antes do inicio da correspondente ação fiscal, mas não no presente caso. Aqui, como se disse, não foi feito nenhum levantamento das operações realizadas pelo sujeito passivo ou dos rendimentos que tivesse recebido, de que brotasse a conclusão de haver crédito tributário a ser constituído de oficio. Apenas, o sistema de processamento de dados da Secretaria da Receita Federal detectou a entrega a destempo da declaração especificada e o Auto de Infração correspondente foi automaticamente emitido. A respeito da inaplicabilidade das disposições do art. 138 do CTN, ao caso dos autos, assim também se têm pronunciado o Superior Tribunal de Justiça e o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, em arestos recentes, a seguir transcritos, conforme citados em "Direito Tributário" de PAULSEN, Leandro, 3.° Ed., 2001, p. 691/692: TRIBUTÁRIO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS EM ATRASO — INCIDÊNCIA DO ART. 88 DA LEI N.° 8.981/95. 5 Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 47 A entrega intempestiva da declaração de imposto de renda, depois da data limite fixada pela Receita Federal, amplamente divulgada pelos meios de comunicação, constitui-se em infração formal, que nada tem a ver com a infração substancial ou material de que trata o art. 138 do CTN. A par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo arbítrio de cada um. Recurso especial conhecido e provido. Decisão unânime. (STJ, 2.a T., Resp 243.241/RS, rel. Min. Franciulli Netto, jun/2000). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA DE DECLARAÇÃO FORA DO PRAZO. MULTA MORATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. 0 atraso na entrega da declaração do imposto de renda não constitui infração no sentido de ilícito tributário, e, deste modo, sujeito está o contribuinte ao pagamento da multa moratória, prevista em lei (Lei n.° 8.981, art. 88).(TRF1, 3.a T. MAS 97.01.022335-3/GO, rel. Juiz Tourinho Neto, ago/1997) No mesmo diapasão é o voto do Min. José Delgado, do Superior Tribunal de Justiça, acolhido de forma unânime pela sua Turma, no julgamento do Resp 246.963/PR, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça da Unido de 5 de junho de 2000. Transcreve-se o seguinte excerto: A extemporaneidade na entrega de declaração de tributo é considerada como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. E regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem as multas decorrentes de tal procedimento. A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias Aquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador do mesmo. A multa aplicada é em decorrência do poder de policia exercido pela administração pelo não cumprimento de regra de conduta imposta a urna determinada categoria de contribuinte. 6 Processo n° 13971.001592/2005-64 AcOrdao n.° 303-35.600 CC03, CO3 Fls. 48 0 instituto da denúncia espontânea, portanto, não se aplica â espécie, razão pela qual deve prevalecer a exigência da multa lançada. Ciente do inteiro teor do acórdão originário da DRJ Florianópolis (SC), recurso voluntário foi interposto as folhas 24 a 27. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras. A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa' os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em único volume, ora processado com 41 folhas. Na última delas consta o registro da distribuição mediante sorteio. o relatório. I Despacho acostado a folha 40 determina o encaminhamento dos autos para este Terceiro Conselho de Contribuintes. 7 Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CCO3 CO3 Fls. 49 Voto Conselheiro TARÁSIO CAMPELO BORGES, Relator Conheço o recurso voluntário interposto as folhas 24 a 27, porque tempestivo e atendidos os demais pressupostos processuais. Versa a lide, conforme relatado, acerca da exigência da multa por entrega de DCTF espontaneamente e a destempo, no valor mínimo de R$ 200,00 para o fato relativo ao quarto trimestre de 2004. Da análise dos autos, para a solução deste litígio, busco apoio em quatro fatos relevantes e não controvertidos: (1) entrega da DCTF relativa ao Ultimo trimestre de 2003 no primeiro dia útil subseqüente2 ao prazo fixado em norma legal; (2) existência de norma no ordenamento jurídico vigente com previsão de multa por adimplemento extemporâneo da obrigação tributária acessória; (3) sujeito passivo da obrigação acessória alega impedimento da transmissão dos dados do seu computador para a base de dados do sujeito ativo no dia 13 de fevereiro de 2004, sexta-feira, provocado por congestionamento ou erro do sistema disponibilizado pela Receita Federal; e (4) órgão judicante de primeira instância administrativa queda-se silente no que respeita à alegada impossibilidade de adimplemento da obrigação acessória no último dia aprazado. Assim, entendo caracterizada dúvida quanto as circunstâncias materiais do fato definido como infração, porquanto é possível que a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária com um dia útil de atraso seja decorrente de dimensionamento a menor da capacidade operacional do sistema recepcionador de declarações da Receita Federal. Por outro lado, quando fixa as regras de aplicação da legislação tributária, o CTN, no seu artigo 112, inciso II, determina: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, 071 caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - A natureza ou As circunstancias materiais do fato, ou A natureza ou extensão dos seus efeitos; III - A autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - A natureza da penalidade aplicável, ou a sua graduação. 2 Data da entrega da DCTF: 16 de fevereiro de 2004, segunda-feira. 8 . Processo n° 13971.001592/2005-64 Acórdão n.° 303-35.600 CC03/CO3 Fls. 50 Com essas considerações, interpreto da maneira mais favorável ao sujeito passivo da obrigação tributária acessória a nonna jurídica que define a infração objeto deste litígio e dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2008 TARASIO CAMPELO BORGES - Relator • • 9
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Numero do processo: 10980.011890/99-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 102-02.041
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro
Conselho de Contribuintes por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Leonardo Mussi da Silva
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Numero do processo: 10680.003183/92-21
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 105-01.041
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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score : 1.0
Numero do processo: 13123.000138/2007-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 11/06/2007
REGULAR CIENTIFICAÇÃO DO MPF, TIAF, TEAF E DO LANÇAMENTO ALEGADA FALTA DE CIÊNCIA DO PROCEDIMENTO. PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fisco regularmente cientificado o sujeito passivo da ordem de fiscalização, da intimação para exibição de documentos, do resultado da ação fiscal e do próprio lançamento, não há o que se falar em prejuízo ao direito de defesa do contribuinte
PARCELAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCWAL, SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO RELATIVO À MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
O parcelamento das contribuições apuradas em ação fiscal não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 2401-001.386
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA, Tendo o fisco regularmente cientificado o sujeito passivo da ordem de fiscalização, da intimação para exibição de documentos, do resultado da ação fiscal e do próprio lançamento, não há o que se falar em prejuízo ao direito de defesa do contribuinte PARCELAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCWAL, SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO RELATIVO À MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO IMPOSSIBILIDADE.. O parcelamento das contribuições apuradas em ação fiscal não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente Assinado dIgitalmente em 28111/2010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 08/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Autenticado digthatmente em 20)1112010 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Emitido em 13/12/2010 pelo Minist g:no da FaZellda DF CARE ME FE. 2 KLEBER FERREIRA DE ARAUJO - Relato' Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Fetreira de Araújo, Wilson Antônio Souza Corrêa, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhàes de Oliveira Ausente os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa Assinado digltalmente em 28111/2010 por KLEBER FERRE-IRA DE ARAUJO 0E3/12/2010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Autenticado digitalmente em 28111/2010 por KLEI3ER FERREIRA DE ARAUJO Emitido em 13/1212010 pelo Ministério da Fazenda 2 DE CARI' ME Fl. .3 Processo n" 3123.000135/2007-49 S2-C411 Acórdão n" 2401-01386 El 130 Relatório Trata-se do Auto de Infração -- AI n,' 37,059.891-1, com Iavratura em 11/06/2007, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho A penalidade aplicada foi de R$ 11 951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos ) De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fi 02, a empresa, deixou de contabilizar em títulos próprios de sua contabilidade de forma discriminada a totalidade das folhas de pagamento relativas às competências 06/2002 a 12/2004, conforme documentos acostados A autuada apresentou impugnação, fl. 64, na qual alega que merece a atenuação da penalidade haja vista que parcelou as contribuições, requereu o beneficio dentro do prazo de defesa, saneou a infração e declarou os fatos geradores. O órgão de primeira instância declarou procedente a autuação e indeferiu o pedido de atenuação/relevação da multa, sob o fundamento de que a empresa não houvera comprovado a correção da falta, fis 79/85 Não se conformando, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 92/99, no qual alega, em síntese que não teve ciência do procedimento fiscal, fato que acarreta a nulidade da autuação. Argumenta ainda que o crédito fiscal encontra-se com a exigibilidade suspensa, haja vista que efetuou o parcelamento do mesmo, Ao final, pede pela nulidade ou improcedência do AI. É o relatório Asainado digitalmente em 28/11/2010 por KLERER FERRE 8A DE ARAUJO 08/12/2010 par ELIAS SAMPAIO FREI RE Autenticado digitalmente, em 28/11/2010 por KL EBEF FERREIRA DE ARAUJO En111do em 3112/201D pelo Ministério da Fazenda 3 DF CARF ME Fl. 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relatar O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade A alegação de falta de ciência do procedimento fiscal como causa de nulidade do AI não se sustenta. O representante pessoal da empresa foi cientificado pessoalmente da auditoria mediante o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n 09383896E00, fl. 08, em 12/03/2007 Na mesma ocasião foi feita a intimação para apresentação dos elementos necessários ao desenvolvimento dos trabalhos de fiscalização, fl. 10 Em 12/06/2007 foi entregue o remo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF, fl. 12, data em que a empresa também pessoalmente foi cientificada do presente AI, fl 01 Não vejo como acolher a alegação de falta de ciência do procedimento fiscal, até porque, a empresa compareceu tempestivamente ao processo para apresentar impugnação, a qual revela que houve a perfeita compreensão do lançamento. Quanto ao argumento de suspensão da exigibilidade do crédito, em razão de parcelamento das contribuições, esse não merece melhor sorte. Na verdade, o documento de fl. 108 comprova que a recorrente requereu o parcelamento do Lançamento de Débito Confessado LDC n. 37059896-2, o qual diz respeito a contribuições não adirnplidas no prazo legal.. A penalidade decorrente dessa autuação não foi incluída no parcelamento, portanto, não há o que se falar na suspensão da exigibilidade do valor consubstanciado no presente AI A regularização da obrigação principal, ou seja, do dever de pagar o tributo, não se confunde com o adimplemento das obrigações acessórias Mesmo a empresa tendo parcelado as contribuições apuradas na ação fiscal, remanesce a multa por descurnprimento dos deveres instrumentais legalmente previstos, mais ainda, porque o sujeito passivo sequer demonstrou haver corrigido a infração tributária, fato que poderia ensejar a reIevação da multa, nos termos da legislação vigente à época da lavratura Nesse sentido, entendendo serem carentes de razão os argumentos da recorrente, voto por conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, pelo desprovimento do recurso Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2010 KLEBER FERREIRA DE ARAUJO - Relator Aesinado digitalmente em 20111/2010 por [(LEDER FERREIRA DE ARAUJO 0/3i1212010 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Autenticado digitalmente em 20/11/20 10 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Emitido em 13/12/2010 pelo Ministério da Fazenda 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAL QUARTA CÂMARA -SEGUNDA SEÇÃO PROCESSO: 13121000138/2007-49 INTERESSADO: ESTRUTURA DE AÇO ARAGUAIA LTDA TERMO DE JUNTADA E ENCERRAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2401-01386 de folhas / e dos documentos de folhas / Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada.
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