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Numero do processo: 10825.901236/2017-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.607
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.901236/201771 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.607 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto PIS. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 23 6/ 20 17 -7 1 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901236/201771 Resolução nº 3201001.607 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.901236/201771 Resolução nº 3201001.607 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10825.901236/201771 Resolução nº 3201001.607 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35348.005534/2006-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Verificada omissão no acórdão de recurso voluntário, cabe o correspondente saneamento via embargos, sem modificação, in casu, quanto ao resultado do julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini que acolheram os embargos, com efeitos infringentes, dando provimento ao recurso voluntário quanto ao plano de previdência.
Julgamento iniciado na sessão de 18/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada omissão no acórdão de recurso voluntário, cabe o correspondente saneamento via embargos, sem modificação, in casu, quanto ao resultado do julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini que acolheram os embargos, com efeitos infringentes, dando provimento ao recurso voluntário quanto ao plano de previdência. Julgamento iniciado na sessão de 18/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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OMISSÃO. Verificada omissão no acórdão de recurso voluntário, cabe o correspondente saneamento via embargos, sem modificação, in casu, quanto ao resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci e Renata Toratti Cassini que acolheram os embargos, com efeitos infringentes, dando provimento ao recurso voluntário quanto ao plano de previdência. Julgamento iniciado na sessão de 18/1/19, com início às 9h, e concluído na sessão de 12/2/19, com início às 9h. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 34 8. 00 55 34 /2 00 6- 80 Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.394 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos por SEARA ALAIMENTOS S/A (fls. 1.147), por meio do qual se alega a existência de omissão no Acórdão de Recurso Voluntário nº 20601.013 (fls. 862), cuja ementa transcrevese: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei n° 8.212/91, o qual. deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA. A indicação dos sócios da empresa no anexo da notificação fiscal denominado CORESP não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente no artigo 13, parágrafo único, da Lei n° 8.620/1993, c/c artigo 660, inciso X, da Instrução Normativa n° 03/2005. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Os embargos de declaração foram interpostos com esteio no art. 65, § 1º, inciso III, do Anexo II do RICARF, sendo nele alegada omissão no julgado em relação a três matérias, a saber: * Omissão em relação à Previdência Complementar – BUNGEPREV; Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.395 3 * Omissão em relação à Bolsa de Estudos; e * Omissão em relação à Desistência da discussão em relação a parte dos valores autuados. Mediante despacho de fls. 1.240/1.246, os embargos foram parcialmente admitidos para apreciação da omissão referente à previdência complementar. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Da tempestividade Nos termos do Despacho de Admissibilidade, tendo em vista que ciência do contribuinte ocorreu em 20/3/12, terçafeira, temse pela tempestividade dos embargos, nos termos do RICARF, Anexo II, art. 65, § 1º, haja vista terem sido apresentados em 26/3/12, segundafeira. Da alegada omissão quanto à Previdência Complementar Neste ponto, aduz a Embargante que: Conforme se depreende dos autos, em relação aos pagamentos a título de Previdência Complementar, o Agente Fiscal e a DRJ entenderam que o respectivo plano não seria extensivo a todos os empregados, por não guardarem identidade entre os valores depositados mensalmente, razão pela qual entenderam estar sujeito à incidência das contribuições previdenciárias. Contudo, restou demonstrado no Recurso Voluntário que o plano de Previdência Complementar firmado pela Embargante é, de fato, extensível a todos os seus funcionários, havendo apenas distinção quanto à possibilidade de alguns trabalhadores (com maior remuneração) efetuarem depósitos nas contas de previdência complementar. [...] A única ressalva, que não se confunde com restrição, se refere à forma de custeio do plano de previdência complementar. Para os empregados cuja remuneração fosse inferior a 10 Unidades de Referência, o plano era custeado apenas com contribuições da empresa e, para os empregados cuja remuneração fosse superior a 10 "URs", o custeio do plano ocorria por intermédio da contribuição da empresa e de eventuais contribuições do próprio empregado. Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.396 4 Segundo se infere dos embargos, ao concluir que a previdência complementar não teria sido estendida à totalidade dos empregados, entendendo que foi paga somente àqueles com salário superior a 10 Unidades de Referência (URs), a decisão embagada teria se omitido quanto ao fato de que para empregados cuja remuneração fosse inferior a 10 URs, o plano era custeado apenas com contribuições da empresa, e para os empregados cuja remuneração fosse superior a 10 URs, o custeio do plano ocorria por intermédio de contribuição da empresa e de eventuais contribuições dos próprios empregados. Para melhor análise da questão, vejamos, primeiramente, o que restou consignado na decisão embargada: Voltando à análise do caso sub examine, passamos a contemplar individualmente as verbas concedidas pela recorrente aos seus funcionários: a) Previdência Complementar BUNGEPREV verificase dos autos que a contribuinte pagou importâncias a título de plano de previdência complementar, impondo condições restritivas fazendo com que não fosse estendida à totalidade dos funcionários, malferindo o disposto no artigo 28, § 9º, alínea "p", da Lei n° 8.212/91. Melhor elucidando, somente os funcionários que recebem salário superior a 10 UR, após o cumprimento de período de experiência, fará jus a tal benefício; Como se vê na transcrição acima, para a decisão embargada, a previdência complementar teria sido paga apenas aos empregados com salário superior a 10 URs, descumprindo o disposto no art. 28, § 9º, alínea “p” da Lei 8.212/91. Cabe destacar que nada mais foi dito, na decisão, quanto à previdência complementar. Diante desse quadro, impõese verificar quais foram as alegações constantes do Recurso Voluntário, fls. 816 a 841: PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR Conforme apontado pela Auditoria Fiscal no relatório que fundamenta a presente autuação, a Recorrente {patrocinadora) criou um plano de previdência complementar disponível a todos os seus empregados. Com efeito, a Recorrente adota a seguinte política: todos os empregados podem aderir ao plano de previdência. Porém, para os empregados cuja remuneração é inferior a 10 URs, o plano de previdência é composto apenas pelas contribuições da empresa, enquanto o plano de previdência para os empregados cuja remuneração é superior a 10 URs, também é composto por contribuições dos empregados. No entanto, esta diferenciação realizada pela Recorrente que visa tão somente proteger o equilíbrio das relações não autoriza concluir que deixou de disponibilizar o plano de previdência para todos os seus empregados, já que não desatende a norma contida no artigo 16, da Lei Complementar n° 109/2001: Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.397 5 "Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores", o que foi amplamente atendido pela Recorrente, como a própria Auditoria Fiscal constatou. Notese, que a obrigatoriedade de abrangência dos planos de previdência se refere exclusivamente ao seu oferecimento para todos os empregados, o que em absolutamente nada se confunde com quem financia tal benefício ou o valor do benefício concedido. Realmente, não há neste artigo ou em qualquer outro da legislação que versa sobre o tema, vedação ou limitação de quem contribui para o plano, desde que todos os empregados recebam o benefício. [...] Portanto, o fato da Recorrente autorizar contribuições adicionais apenas pelos empregados que recebam mais de 10 URs não modifica o objetivo do plano de previdência, não exclui qualquer empregado deste benefício, bem como não altera a natureza desta verba, que é iminentemente não salarial. [...] [...] os pagamentos realizados a título de previdência complementar também se enquadram à hipótese de isenção prevista na alínea " p ", do parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 [... ]. (Grifos no original) Conforme se observa nas alegações recursais, o Recorrente disse, expressamente, que a previdência complementar foi estendida a todos os empregados, sendo que para os empregados com remuneração inferior a 10 URs, apenas a empresa realizava as contribuições, e para empregados com remuneração superior a 10 URs, as contribuições eram pagas também pelos empregados. Ademais, segundo o Recurso Voluntário, tal política de previdência complementar não encontraria óbice na “legislação que versa sobre o tema”, uma vez que “todos os empregados receberam o benefício”. Ocorre que, apesar da coerência e razoabilidade das razões recursais neste particular, o Recorrente nada apresentou para comprovar suas alegações. Registrese, pela sua importância, que a Nota Administrativa de fls. 486/491, documento que tem por objetivo estabelecer os procedimentos para orientação das funções e controles da Previdência Privada – BUNGEPREV/SEARAPREV, nada dispõe acerca da participação dos empregados com remuneração inferior a 10 URs no referido plano de previdência complementar. Sobre a matéria, a fiscalização destacou no Relatório Fiscal que: Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 35348.005534/200680 Acórdão n.º 2402006.918 S2C4T2 Fl. 1.398 6 3.11. Para se ter uma ideia de quantos trabalhadores estão excluídos do plano de previdência complementar da empresa (que não podem ser contribuintes), colocamos a seguinte relação: na folha de pagamento de 01/2004, de um total de 12.847 trabalhadores, apenas 514 tiveram valores lançados na rubrica "164 – Bungeprev Normal" em torno de 4% — e em 12/2005 apenas 595 de um total de 16.342 — em torno de 3.6,%. Ou seja, poderíamos dizer que mais de 96% dos trabalhadores não satisfazem as condições exigidas pela empresa, citadas no item anterior. Diante de tais considerações, em que pese o esforço argumentativo da Contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de macular a exigência fiscal em comento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador de primeira instância, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, não se cogitando na improcedência do lançamento na forma requerida pela Recorrente. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos, sem efeitos modificativos, para que, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 20601.013, a fundamentação do presente voto passe a integrar a fundamentação da decisão embargada. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1398DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.001443/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO. ALÍQUOTA REDUZIDA. POSSIBILIDADE.
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-003.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ALÍQUOTA REDUZIDA. POSSIBILIDADE. À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 14 43 /2 00 5- 11 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 204 2 Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ que, segundo informações da empresa, foram realizados em razão da aplicação da alíquota de 32% enquanto que, no seu entender, seria aplicável a alíquota de 8% para as empresas de serviços hospitalares como de radiologia. Os créditos referiamse a pagamentos a maior realizados entre janeiro de 1999 e janeiro de 2000. O pedido foi indeferido pela delegacia de origem em razão de referirse a pagamentos a maior realizados a mais de cinco anos em função da aplicação da norma restritiva do art. 168, I do CTN. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia não só em razão do decurso do prazo de cinco anos, como, também pela inexistência do direito de cálculo do IRPJ com as alíquotas do lucro presumido de 8%. Cientificado do acórdão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa as argumentações da manifestação no tocante à possibilidade de restituição dos valores pagos a maior nos últimos cinco anos e, também, em razão de entender ter direito à aplicação da alíquota de lucro presumido reduzida no percentual de 8%. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Voto Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 205 3 Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Conforme relatado acima o recurso prendese à análise de dois pontos específicos: 1) O direito à solicitação de restituição após o decurso de cinco anos do pagamento que extinguiu o crédito tributário; 2) O direito de a empresa, prestadora de serviços de endoscopia, ter seu lucro presumido calculado pela alíquota de 8%. Passemos à análise. 1) Decadência do direito de requerer a restituição Em relação à análise da decadência do direito de pedir a restituição temos que os valores pagos a maior referemse a pagamentos realizados entre janiero de 1999 e janeiro de 2000. O pedido de restituição do contribunte foi realizado apenas em 12/05/2005. Assim é que entendeu a delegacia de origem que estava decaído o direito do pedido de restituição por se referir a pagamentos realizados a mais de cinco anos. Ocorre, no entanto, que com a instituição da Lei Complementar nº 118/2005, foi estabelecida uma interpretação ao art. 168, I, do CTN, que colidiu com as decisões judiciais até então existentes que, em relação aos lançamentos por homologação, considerava a decadência como contada a partir da homologação tácita do lançamento, ou seja o prazo seria de 10 anos do pagamento. Vejase a norma da Lei Complementar: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ora, com a nova disposição legal interpretativa que, em teoria, seria aplicada aos processos ainda pendentes, a contagem da decadência deveria se iniciar a partir do recolhimento indevido e não da homologação do lançamento. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 206 4 Assim, instado a se pronunciar, o STJ decidiu no sentido de que os efeitos da Lei Complementar somente se produziriam a partir da entrada em vigor da lei, ou seja, 09/06/2005, permanecendo o entendimento anterior em relação aos pedido protocolados anteriormente a esta data. Vejase o decidido pelo STJ. Desta forma, consoante orientação com efeitos erga omnes do STJ a contagem do prazo de decadência relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o presente caso, mantémse na contagem de 10 anos para os pedidos protocolados até 09/06/2005. Neste sentido, levandose em consideração que o pedido do contribuinte foi protocolado em 12/05/2005, há de se considerar o direito de pedir restituição do mesmo posto que dentro do decência admitido pelo STJ para os casos de lançamento por homologação. Assim, voto no sentido de acatar o pedido e considerar firme o direito a pedir restituição na data apresentada pelo contribuinte em obediência ao entendimento formado em sede de recurso repetitivo firmado pelo STJ. 2) O direito de a empresa, prestadora de serviços de endoscopia, ter seu lucro presumido calculado pela alíquota de 8%. A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8% em razão do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 207 5 no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ................... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ......... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 208 6 Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 209 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10920.001443/200511 Acórdão n.º 1401003.257 S1C4T1 Fl. 210 8 Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía direito aos créditos em razão da decadência do direito de pedir a restituição em nada tratando acerca da impossibilidade de utilização da alíquota por não se enquadrar como atividade hospitalar. Ora, no caso em exame os serviços realizados pela empresa não podem se enquadrar como de simples consultas, vez que tem, obrigatoriamente ser realizados em hospitais ou clínicas por necessitar de materiais, equipamentos e, em alguns casos até mesmo anestesia para sua realização. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20, devendo lhe ser reconhecido o crédito relativo aos valores recolhidos que superarem o imposto devido calculado com estas alíquotas, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.730837/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OMISSÕES. NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE DEFESA.
Deve ser reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa que deixa de analisar argumentos da contribuinte expostos em impugnação.
Numero da decisão: 2202-004.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à DRJ para novo julgamento, devendo nesse, também, serem apreciadas as alegações da contribuinte no que diz respeito: I) aos efeitos da consulta formulada pelo recorrente em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/92-70; II) à exclusão das penalidades, com base nos artigos 100 e 146 do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OMISSÕES. NÃO APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE DEFESA. Deve ser reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa que deixa de analisar argumentos da contribuinte expostos em impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à DRJ para novo julgamento, devendo nesse, também, serem apreciadas as alegações da contribuinte no que diz respeito: I) aos efeitos da consulta formulada pelo recorrente em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/9270; II) à exclusão das penalidades, com base nos artigos 100 e 146 do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 08 37 /2 01 2- 59 Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.276 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12448.730837/201259, em face do acórdão nº 1462.554, julgado pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 29 de agosto de 2016, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação apresentada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado, em 21/08/2012, contra o contribuinte acima identificado relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), relativo aos anos calendário 2006 e 2007, no valor de R$ 204.490,31 (fl. 491), acrescido de juros de mora à taxa SELIC e multa de ofício de 150%, formalizando o crédito tributário de R$ 625.328,81. Na descrição dos fatos, a autoridade fiscal fundamenta que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de Imposto de Renda na Fonte nos últimos anos, deixando de descontar e recolher o imposto de renda sobre os rendimentos pagos a título de prêmios turfísticos, justificando tal procedimento com o Parecer Coordenação do Sistema de Tributação (CST) nº 102/1982. O procedimento fiscal iniciouse, em 29/03/2012, com a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, no qual a autuada foi intimada a apresentar alguns documentos, dentre eles os livros contábeis, os comprovantes de recolhimentos do IRRF dos rendimentos pagos, a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e cópia dos comprovantes de retenções de imposto de renda na fonte do Sr. Dalmir Pereira Barbosa, CPF 693.476.70715. Em resposta informou que pagou rendimentos de prêmios turfísticos nos anos de 2005, 2006 e 2007 ao Sr. Dalmir Pereira Barbosa, entretanto, tais rendimentos não compuseram a DIRF dos respectivos anos, e não há comprovantes de recolhimentos de imposto de renda na fonte, sob alegação que os prêmios turfísticos não são tributáveis. Em 31/05/20012, a fiscalizada foi intimada a apresentar cópias do estatuto social, do regimento interno, e de algumas atas específicas. Quando da apresentação de tais documentos, justificou a não retenção e o não recolhimento do imposto de renda sobre prêmios de apostas vencedoras, com base no Parecer CST nº 102/1982. A autoridade autuante esclarece no Termo de Verificação Fiscal, que “o referido Parecer, assinado pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB) e datado de 19/01/1982, fundamentase legitimamente, em legislação vigente à época de sua emissão”. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.277 3 Entretanto, alterações legislativas posteriores e vigentes quando da ocorrência do fato gerador, deixaram de dar suporte legal à conclusão do Parecer. Embora não tenha ocorrido revogação expressa, fato é que o Parecer deixou de ter eficácia normativa. O item 6 do citado Parecer menciona que o regulamento da Lei nº 4.096, de 18/07/1962, aprovado sucessivamente pelos Decretos n.° 51.816, de 11/03/1963, e 84.395, de 16/01/1980, traz distinção expressa entre as modalidades de apostas feitas mediante aquisição direta (bilhetes simples ou “poules”) ou indireta (bilhetes acumulados) e aquelas denominadas de concursos turfísticos propriamente dito. Entretanto todos os dispositivos legais mencionados foram expressamente revogados. A Lei n° 4.096/62 foi revogada pela Lei n° 5.971, de 11/12/1973, que por sua vez foi revogada pela Lei n° 7.291, de 19 de dezembro de 1984. Esta é a lei que dispõe atualmente sobre atividades da equideocultura, incluindo as atividades relativas ao turfe, e está regulamentada pelo Decreto nº 96.993, de 17/10/1988, que dispõe no art. 17 o conceito de apostas, que engloba todas as modalidades de jogos a dinheiro efetuadas sobre corridas de cavalos patrocinadas por entidades legalmente autorizadas, nela também compreendendose os concursos, jogos lotéricos, remates ou leilões de apostas. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante prossegue afirmando que os itens 11 e 12 do Parecer CST n° 102/82 mencionam as Leis n° 4.154, de 28/11/1962 e a 4.269, de 22/10/1963. A primeira trata da legislação de rendas e proventos de qualquer natureza, e a segunda promove alteração na primeira, dando nova redação ao art. 19. De fato, ambas produzem alterações no art. 96 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 47.373/1959, excluindo da tributação os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em turfe em modalidades que não sejam “bettings”. Amparado por esse dispositivo o contribuinte deixou de descontar e recolher o imposto de renda sobre o valor dos prêmios em diversas modalidades de aposta. A autoridade autuante esclarece que o Decreto nº 47.373/1959, que ao final fundamentava o Parecer CST nº 102/82, foi expressamente revogado pelo Decreto de 25/04/1991 (decreto sem número) e que na legislação pertinente posterior não há ressalvas, como a que constava no art. 96 do Decreto nº 47.373/59. Portanto, o Parecer CST nº 102/82 deixou de produzir efeitos, uma vez que a legislação superveniente não dá mais suporte à conclusão nele contida. Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, nos arts. 99, 101 e 102 do DecretoLei nº 5.844, de 23/09/1943, há disposição expressa atribuindo à fonte pagadora o dever de reter e recolher o imposto de renda na fonte, no ato do crédito ou pagamento do rendimento. Nesse contexto, no regime de retenção exclusiva, quando a responsabilidade do contribuinte é excluída, a fonte pagadora Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.278 4 substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. Embora o encargo econômico seja suportado pelo contribuinte, a sujeição passiva é exclusiva da fonte pagadora. Subsistindo a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, ainda que ela não tenha retido o imposto. Diante do exposto, a autoridade autuante, mediante informações prestadas pela fiscalizada, procedeu, neste processo, ao levantamento dos valores dos prêmios pagos, dos valores apostados e do prêmio líquido, exclusivamente ao Sr. Dalmir Pereira Barbosa, no período de 01 de janeiro de 2006 a 31 de dezembro de 2007. Considerando que a autuada reiteradamente não reteve, não recolheu, assim como não informou à Fazenda Nacional o IRRF devido, fundamentando tal decisão em Parecer, que na ocasião não possuía mais validade jurídica, ficou demonstrada a ocorrência, em tese, de sonegação fiscal, ensejando a aplicação de multa de 150% e a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (Processo nº 12.448731564/2012600). O auto de infração atribui, ainda, a responsabilidade solidária, fundamentada no art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN), ao Sr. Dalmir Pereira Barbosa, CPF 693.476.70715, por ter interesse comum no fato que causou prejuízo à União. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 27/08/2012 (fl. 523). Irresignada, a autuada apresentou, representada por seus advogados, a impugnação de fls. 598 a 736, protocolizada em 26/09/2012, alegando improcedência do lançamento em virtude de decadência parcial do crédito tributário em discussão, tendo em vista que o imposto de renda retido na fonte é tributo submetido ao sistema de lançamento por homologação, e que por essa razão tem seu prazo de decadência sujeito à disciplina estabelecida no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), aplicável aos tributos para os quais a lei impõe ao contribuinte o dever de antecipar a atividade de apuração do montante devido, sem o prévio exame da autoridade administrativa, ressalvando que a contagem do prazo decadencial não é afastada na hipótese de os cálculos demonstrarem que não há imposto a pagar. Justifica esse argumento, citando a lição de Hugo de Brito Machado, que afirma que “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo”. Nesse mesmo sentido, menciona a posição defendida por Zuudi Sakakihara, para o qual o pagamento antecipado é insuscetível de homologação. Seguindo essa linha de raciocínio, a impugnante alega que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou entendimento de que o prazo decadencial dos tributos sujeitos à homologação é de cinco anos e contase a partir da ocorrência do fato gerador, salvo nas hipóteses de fraude, dolo ou simulação, caso em que se Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.279 5 aplica regra estabelecida no art. 173, I do CTN, deixando claro também que “o objeto da homologação não é, e nem pode ser, o pagamento, mas sim a atividade de apuração desenvolvida pelo contribuinte.”. Transcreve acórdãos exarados pelos antigos Conselhos de Contribuintes, para sustentar a irrelevância do pagamento antecipado do tributo, para a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Por fim, nesse tópico de decadência, a autuada alega que o Fisco Federal teve cinco anos para lançar os valores referentes a janeiro de 2006 a agosto de 2007, todavia, não o fez. Considerandose que a ciência do auto de infração ocorreu em 27/08/2012, o crédito tributário estaria parcialmente atingido pela decadência, em virtude do art. 150, § 4º do CTN. A fiscalizada prossegue alegando que o Parecer CST nº 102/82, que determina de forma expressa a ausência de tributação das apostas realizadas sob a modalidade de pules, continua vigente. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade autuante evidencia que a Lei nº 4.096/62, mencionada no item 6 do Parecer e aprovada sucessivamente pelos Decretos n.° 51.816/63 e 84.395/8, trazia distinção expressa entre as diferentes modalidades de apostas, porém tal lei estaria revogada e a lei atualmente em vigor, Lei nº 7.291/84, regulamentada pelo Decreto nº 96.993/88, não disporia acerca das diferentes modalidades de apostas. O art. 17 do referido decreto, no qual a autoridade fiscal fundamentou a infração, dispõe de forma expressa que as apostas seriam conceituadas como “todas as modalidades de jogos a dinheiro efetuadas sobre corridas de cavalos”, de forma que não haveria que se falar em distinção entre diferentes modalidades de jogos sobre corridas de cavalos. Ocorre, que segundo alega a autuada, a redação completa do artigo em questão, transcrito abaixo, deixa claro que existem diversas modalidades de apostas, sendo os concursos apenas uma delas, tal como estabelecido no atual Plano Geral de Apostas, aprovado pela Instrução Normativa 48/2008 do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Art. 17. Apostas são todas as modalidades de jogos a dinheiro efetuadas sobre corridas de cavalos, patrocinadas por entidades legalmente autorizadas, nelas também compreendendose os concursos, jogos lotéricos, remates ou leilões de apostas. § 1º As apostas poderão ser feitas de acordo com as modalidades previstas no Plano Geral de Apostas, devidamente homologado pela CCCCN. A impugnante argumenta que o Parecer CST nº 102/82 somente mencionou a Lei nº 4.096/62 e os Decretos n.° 51.816/63 e 84.395/8 de forma a demonstrar que a distinção entre as diversas modalidades de apostas sempre se encontrou prevista Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.280 6 na legislação turfística, e que as menções buscavam meramente traçar um panorama histórico da legislação existente sobre a matéria. Prossegue informando que os itens 11 e 12 do Parecer CST, citados no Termo de Verificação Fiscal, fazem referência às Leis nº 4.154/62 e 4.269/63, que excluíram da tributação os lucros decorrentes de prêmios em dinheiro obtidos em turfe em modalidades que não sejam “bettings”, e, que segundo a autoridade fiscal, tais leis não poderiam ser consideradas para fins de interpretação do art. 14 da Lei nº 4.506/64, uma vez que o referido Parecer estaria baseado no Decreto nº 47.373/59, que foi expressamente revogado pelo Decreto de 25/04/1991. Contesta a afirmação da autoridade autuante, esclarecendo que o Decreto 47.373/59 regulamentava a cobrança e fiscalização do imposto de renda no ano de 1959 e compilava a legislação tributária vigente à época. Dessa forma, o fato de o regulamento ter sido revogado e atualmente encontrarse em vigor o RIR/99 não significa que as Leis n.° 4.154/62 e 4.269/63 não possam ser consideradas vigentes para fins de interpretação do art. 14 da Lei nº 4.506/64, que serve de fundamento para o art. 676, inciso I, do atual Regulamento do Imposto de Renda. Segue argumentando que o Parecer CST “realizou uma análise histórica da legislação referente à tributação de apostas turfísticas, de forma a estabelecer uma interpretação a ser conferida ao art. 14 da Lei nº 4.506/64, dispositivo legal que atualmente rege a tributação de concursos turfísticos. Nesse contexto, o parecer chegou à conclusão de que os concursos, segundo linguagem própria do turfe, se distinguiriam das demais modalidades de apostas, de forma que somente poderiam ser tributados os concursos propriamente ditos, sendo isentas de tributação as demais modalidades.” Segundo a autuada o Parecer esclareceu que a Lei nº 4.154/62 determinava que os concursos de turfe compreendidos na regra de tributação eram os concursos e as acumuladas (exclusive as “poules” de ponta, de “placé” e de duplas). Entretanto, posteriormente este dispositivo foi alterado pela Lei nº 4.269/63, que passou a estabelecer que seriam tributados apenas os concursos, excluindo da tributação as “poules”, simples e acumuladas, de ponta, de “placé”, e de duplas. A impugnante ressalta que a Lei nº 4.269/63 não sofreu revogação expressa até o presente momento, o que, segundo infere, fortalece ainda mais as conclusões do Parecer CST 102/82. Acrescenta, ainda, que se a Lei nº 4.506/64 tivesse revogado o dispositivo legal constante na Lei nº 4.269/63 tal revogação teria ocorrido de forma expressa. Alega que não se pode, em face do Princípio da Não Presunção da Derrogação, pretender que a intenção do legislador tenha sido a de revogar o dispositivo legal constante na Lei nº 4.269/63, uma vez que se assim desejasse, poderia têlo feito Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.281 7 facilmente, da mesma forma em que o fez em relação a dezenas de outros dispositivos legais regulamentares. Cita a lição de Luiz Maria DiezPicaso, que afirma que “...na dúvida a derrogação não se presume e sobre o Legislador pesa o ônus da derrogação expressa.”. Transcreve posicionamento de Arnold Wald, no sentido de que sempre que houver a possibilidade de manter em vigor, paralelamente, as duas normas, não há que se falar em revogação. Invoca o que na doutrina constitucionalista se denomina o silêncio eloqüente da lei, isto é, a intencional nãoinclusão de determinado dispositivo – no caso a conceituação de concurso turfístico constante da Lei nº 4.269/63 , justamente com o objetivo de alcançar o fim pretendido, qual seja, manterlhe a vigência. Justifica dessa forma que não há qualquer incompatibilidade entre o comando contido no art. 14 da Lei nº 4.506/64 e aquele previsto na Lei nº 4.269/63, capaz de autorizar o alegado entendimento equivocado de que ouve revogação tácita do dispositivo regulamentar. Ressalta que o parecer “foi elaborado pela Coordenação do Sistema de Tributação (CST), órgão responsável pela interpretação da legislação tributária no âmbito da RFB, de forma que a interpretação conferida ao art. 14 da Lei nº 4.506/1964 que a autoridade fiscal pretende afastar foi realizada pelo próprio órgão administrativo competente para dirimir controvérsias referentes à interpretação de normas tributárias”. E, portanto, não poderia a autoridade fiscal, desconsiderar o entendimento constante no Parecer CST n º 102/82. Cita a lição de Vittorio Cassone, que afirma que os assim chamados pareceres normativos compreendem os atos normativos. Nesse contexto, segundo a autuada, os pareces possuem natureza de norma complementar, e a eles se aplica o art. 100, I do CTN, e, portanto, integram a legislação tributária e vinculam a administração. Recorre ao princípio da vedação do comportamento contraditório (nemo potest venire contra factum proprium), que se relaciona diretamente à boafé objetiva, e fundamentase na proteção da confiança nas relações processuais, impedindo a ruptura das legítimas expectativas suscitadas no administrado pela Administração Pública, vinculandoa às suas condutas precedentes, sendo, portanto, instrumento de tutela da segurança jurídica. Nesse contexto, alega que não pode ser prejudicada por ter observado a interpretação conferida ao art. 14 da Lei nº 4.506/64 pelo Parecer CST nº 102/82, que continua em vigor, segundo seu entendimento. Destaca que os artigos 100 e 146 do CTN respaldam a observância ao princípio da confiança legítima do contribuinte. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.282 8 Enquanto o art. 146 dispõe que as alterações nos critérios jurídicos adotados pela autoridade fiscal somente podem ser aplicáveis a fatos geradores ocorridos posteriormente à introdução do novo critério adotado pelo Fisco, o art. 100 determina que a observância das normas complementares – como são os pareceres normativos – contrárias à legislação, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Prossegue alegando que formulou consulta ao Fisco tendo por objeto o esclarecimento quanto à tributação de duas modalidades de apostas denominadas “bolo milionário do vencedor” e “bolo milionário das duplas”. No primeiro tipo de aposta, sob a modalidade de concursos, a arrecadação era destinada à premiação de quem acertasse todos os páreos. Caso não houvesse ganhador, o prêmio era acumulado até que tal fato ocorresse. O segundo tipo consistia em aposta sob a modalidade de rateio, no qual a arrecadação era destinada ao pagamento do ganhador ou ganhadores do dia. Nessa modalidade não ocorreria acumulação do prêmio, pois sempre haveria um ganhador, efetuandose o rateio entre aqueles que acertassem o maior número de páreos. Segundo alega, o Fisco afirmou que não obstante as referidas apostas serem realizadas em um mesmo bilhete por motivo de economia, tratavase, na verdade, de dois jogos distintos, sendo possível apurar isoladamente os prêmios decorrentes de cada uma das modalidades de apostas, aplicandose o tratamento mencionado a cada uma delas, conforme descrito no Parecer CST nº 102/82. O entendimento esposado pelo Fisco foi de tributar as apostas do “bolo milionário do vencedor”, por conferir prêmios bancados pela contribuinte aos vencedores, e não tributar as apostas do “bolo milionário das duplas”, posto que é realizado um rateio dos valores apostados entre os ganhadores. Argumenta que as decisões proferidas em processos de consulta, tal como o Parecer discutido nesse processo, são consideradas normas complementares e, portanto, vinculam a administração e devem obedecer ao princípio da confiança legítima do contribuinte, de forma que quaisquer mudanças de entendimento da administração tributária somente poderão produzir efeitos em fatos geradores futuros. Respalda esse raciocínio citando o art. 48, § 12 da Lei nº 9.430/96. Nesse mesmo sentido, cita a lição de Hugo de Brito Machado e a jurisprudência. Ambas adotam o posicionamento de que a resposta oferecida pela Administração Pública constitui norma, que vincula as partes na relação tributária. E caso ocorra modificação no entendimento adotado na resposta oferecida, o contribuinte deve ser informado e somente a partir de então estará obrigado a qualquer agravamento de ônus tributário daí decorrente. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.283 9 Portanto, segundo alega “o parecer e a decisão proferida no processo de consulta não podem ser desconsiderados pela autoridade fiscal o que descaracteriza qualquer responsabilidade do impugnante pela retenção e recolhimento de imposto no caso em comento.”. Ressalta que as apostas que deram origem ao auto de infração decorrem de rateios que são calculados pelo total de todas as apostas efetuadas, dividido esse somatório pelo total da aposta vencedora, gerando a pule de rateio. Conforme prossegue, o Parecer CST exclui essa modalidade de aposta da tributação de forma expressa. Ademais, a decisão proferida no processo de consulta igualmente já assim estabelecia. Alega que os livrosrazão apresentados, no curso da fiscalização atestam que os pagamentos realizados referemse a rateios de corrida e que a escrituração mantida pelo impugnante faz prova a seu favor, cabendo à autoridade administrativa a prova de inveracidade dos fatos registrados. Quanto a esse último aspecto, transcreve os arts. 923 e 924 do RIR/99 e a lição de Sérgio André Rocha, e ao final argumenta que a jurisprudência administrativa já se encontra pacificada. Prossegue argumentando que constitui ônus da autoridade fiscal demonstrar de forma clara e irrefutável a prática da infração pela impugnante, não sendo suficiente a simples alegação de suposta infração, sem a devida análise da documentação apresentada durante o procedimento de fiscalização. Por fim, contesta a aplicação da multa de 150%, alegando, após extensa reflexão, que a multa é improcedente posto que o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 dispõe que a multa será exigida nesse percentual nos casos de sonegação, fraude ou conluio, práticas que assevera não foram adotadas. Ainda menciona que houve afronta aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, uma vez que a multa foi fixada em valor vultoso. Inconformado com a imputação de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, o Sr. Dalmir Pereira Barbosa apresenta a impugnação de fls. 528 567, na qual alega nulidade do auto de infração, posto que a ação fiscal deveria ser realizada direta e externamente junto ao contribuinte, com o comparecimento do auditorfiscal no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo quanto aos aspectos tributários, e não através de meras intimações, via postal. Contesta a sujeição solidária do crédito tributário, fundamentada pelo art. 124, inciso I do CTN. Aduz que o art. 14 da Lei nº 4.506/64, consolidado no art. 676, I do RIR/99, transferiu total e completamente a responsabilidade pelo pagamento do tributo para a fonte pagadora, desonerando, expressamente, o contribuinte pelo pagamento do tributo caso a fonte não o retenha e/ou não o repasse para a União. Cita ementas de decisões proferidas no âmbito da RFB, assim como a jurisprudência administrativa e judicial, todas nesse sentido. Também transcreve trechos de artigos publicados na internet Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.284 10 que corroboram a tese aqui encampada e reproduz o Parecer Normativo nº 1, de 24 de setembro de 2002, que trata da responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente exclusivamente na fonte. Por fim, com fundamento no art. 100, parágrafo único, do CTN, se o auto subsistir, requer a exclusão da exigência da multa e a cobrança de juros de mora. O impugnante argumenta, com base no art. 150, § 4º , do CTN, a impossibilidade da exigência de parte dos tributos, tendo em vista o instituto da decadência, em relação aos créditos apurados entre janeiro de 2006 a agosto de 2007, posto que a ciência do lançamento ocorreu em 24 de agosto de 2012. Afirma ainda que não há que se falar na decadência prevista no art. 173, do CTN, pois inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude estabelecidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, únicas razões para a ampliação do prazo decadencial. Ademais, segundo alega, não teve qualquer participação na alegada falta de retenção e recolhimento do imposto aqui discutido. Contesta a aplicação da multa de 150%, argumentando que o crédito tributário resultou da falta de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo legal da obrigação, no caso o Jockey Clube Brasileiro. Requer, no caso de mantida a exigência fiscal, o afastamento da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada. Cita acórdãos exarados pelo CARF, e a lição de Ricardo Conceição Souza e Maristela Miglioli Sabbag que atestam o afastamento de tal incidência. Por último, protesta pela juntada de novas provas, demonstrativos e outros elementos que venham se demonstrar necessários à comprovação de suas alegações, inclusive a realização de diligências.” A DRJ de origem entendeu pela parcial procedência da impugnação apresentada, reconhecendo a decadência do direito da Fazenda em exigir o tributo correspondente aos fatos geradores ocorridos em 2006, mantendo, no entanto, o crédito apurado para os fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário 2007 e a multa qualificada de 150% sobre estes. Ainda, entendeu a DRJ de origem por afastar a responsabilidade solidária de Dalmir Pereira Barbosa. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário, reiterando suas alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.285 11 A decisão primeira instância administrativa deixou de se manifestar em relação aos seguintes pontos da impugnação, os quais prejudicam a análise deste recurso voluntário, sob pena de ocorrer supressão de instância: 1º ponto: A contribuinte alega no tópico V de sua impugnação que houve a “Desconsideração dos Efeitos da Consulta formulada pelo Impugnante”, às fls. 623/626 do processo, itens 71 a 83. Ainda, em Doc. 05 da impugnação (fls. 692/693) a contribuinte trouxe aos autos cópia da consulta regularmente formulada pelo ora Impugnante em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/9270. No entanto, nada refere o acórdão da DRJ sobre a Solução de Consulta formulada pelo ora Impugnante em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/9270, a qual, se vigente, poderia afastar o lançamento em questão. Há, portanto, clara omissão no julgado. 2º ponto: Conforme relatado. contribuinte alega que os artigos 100 e 146 do CTN respaldam a observância ao princípio da confiança legítima do contribuinte. Enquanto o art. 146 dispõe que as alterações nos critérios jurídicos adotados pela autoridade fiscal somente podem ser aplicáveis a fatos geradores ocorridos posteriormente à introdução do novo critério adotado pelo Fisco, o art. 100 determina que a observância das normas complementares – como são os pareceres normativos – contrárias à legislação, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Assim, verificase que os itens 53 a 70 da impugnação (fls. 615/622) e item 129 (fl. 641) apresentam um arrazoado para que, caso mantido o lançamento, sejam excluídas as penalidades, referindose a cobrança de juros de mora e atualização monetária. Esta matéria também não foi apreciada pela decisão de primeira instância, razão pela qual o acórdão também é omisso neste ponto. Ponto obscuro: Muito embora conste no relatório da DRJ que a contribuinte tenha requereu, em impugnação, no caso de mantida a exigência fiscal, o afastamento da exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, verificase que nada consta no voto da DRJ a respeito da apreciação deste pedido. Ademais, tornase obscura tal referência no relatório da DRJ, haja vista que não localizo na impugnação tal alegação. Pois bem. Diante da existência de duas relevantes matérias não apreciadas pela DRJ, impõese que seja declarada a nulidade da decisão de primeira instância, pois causam prejuízo à defesa do contribuinte, que deixa de ter seus argumentos analisados, prejudicando, ainda, a análise destes pela segunda instância administrativa (CARF), pois estaria ocorrendo indevida supressão de instância. Ante o exposto, voto por declarar a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à DRJ para novo julgamento, devendo nesse, também, serem apreciadas as alegações da contribuinte no que diz respeito: I) aos efeitos da consulta Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 12448.730837/201259 Acórdão n.º 2202004.956 S2C2T2 Fl. 1.286 12 formulada pelo recorrente em 1992, a qual deu origem ao processo administrativo nº 10768.025.054/9270; II) à exclusão das penalidades, com base nos artigos 100 e 146 do CTN. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.721276/2016-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2012, 2013
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVO.
Não tendo cumprido o requisito da intempestividade, não há como analisar o Recurso Voluntário.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. RITO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE.
Anula-se o lançamento de ofício decorrente de exclusão do Simples Nacional formalizado antes da ciência do ato declaratório de exclusão.
Numero da decisão: 1302-003.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado) , Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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INTEMPESTIVO. Não tendo cumprido o requisito da intempestividade, não há como analisar o Recurso Voluntário. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. RITO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. Anulase o lançamento de ofício decorrente de exclusão do Simples Nacional formalizado antes da ciência do ato declaratório de exclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, e em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 12 76 /2 01 6- 31 Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.378 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado) , Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão n.º 1289.685 DRJ/RJO, complementandoo ao final: Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.379 3 Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.380 4 Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.381 5 Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.382 6 Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.383 7 Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.384 8 Fl. 1384DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.385 9 Fl. 1385DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.386 10 Fl. 1386DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.387 11 Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.388 12 Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.389 13 Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.390 14 Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.391 15 Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.392 16 Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.393 17 Após a análise das razões de impugnação, a DRJ/RJO, por unanimidade, a) reconheceu a nulidade, por vício formal, dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos ao anocalendário de 2012; e b) julgou a impugnação improcedente em relação a 2013, mantendo os valores exigidos: IRPJ (R$2.294.444,01); CSLL (R$692.237,41); COFINS (R$714.010,32) e PIS (R$154.702,20), acrescidos da multa de ofício (150%) e dos juros de mora. Segue a transcrição da ementa do Acórdão n.º 1289.685 – 3ª Turma da DRJ/RJO: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012, 2013 PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada junto com a peça de impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012, 2013 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É válido o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e sem prejuízo do direito de defesa. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. RITO. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. Anulase o lançamento de ofício decorrente de exclusão do Simples Nacional formalizado antes da ciência do ato declaratório de exclusão. Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.394 18 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013 ARBITRAMENTO. É cabível o arbitramento quando a escrituração contábil se revela imprestável. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à CSLL, PIS e COFINS, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento do IRPJ, em face da íntima relação de causa e efeito entre ambos. MULTA QUALIFICADA. Da parcela exonerada, a DRJ/RJO recorreu de ofício a este Conselho. Mantémse o agravamento da multa se resultar evidente a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade fazendária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Às fls. 1299/1300 consta Requerimento de substituição de garantia extrajudicial. Às fls. 1326/1367 consta petição de Recurso Voluntário do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Do Recurso Voluntário Consta às fls. 1326/1367 petição de Recurso Voluntário do contribuinte, insurgindose quanto à parcela que restou vencido, ou seja: a parcela referente aos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anocalendários de 2013. Verificase nos autos, a partir do relato constante no Despacho de Encaminhamento de fl. 1375, que o contribuinte, optante pelo DTE Domicílio Tributário Eletrônico foi devidamente cientificado da intimação de Resultado de Julgamento de fl. 1.291, conforme mensagem gravada no Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 1.296, na data de 21/12/2017, data em que se considerou feita a intimação nos termos do art. 23, § 2º, inciso III, alínea 'b' do Dec. nº 70.235/72. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.395 19 Assim, tendo em conta que o contribuinte foi cientificado em 21/12/2017, acerca da decisão de 1ª instância administrativa e apresentou recurso voluntário apenas em 02/04/2018 (cf. Extrato do Processo, fls. 1369/1374), fica configurada a intempestividade do apelo, razão pela qual não conheço do recurso voluntário. Do Recurso de Ofício Face à exoneração do crédito tributário pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo, em cumprimento às disposições do art. 34, inc. I, Dec. nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A matéria objeto de Recurso de Ofício trata da nulidade do lançamento, por vício formal, em relação ao anocalendário 2012. A decisão recorrida afirma que a Autoridade Fiscal não respeitou o correto procedimento de exclusão do SIMPLES NACIONAL e posterior lançamento de ofício, previsto nos termos dos artigos 196 e 197 do Decret0 3.000/99. Por não vislumbrar a necessidade de reparos, lanço mão do art. 57, § 3º do RICARF, para adotar como razão de decidir o acórdão da DRJ, que abaixo transcrevo: (...) 72. Passando a análise do mérito, consta nos autos que o interessado era optante do regime do Simples Nacional no ano calendário 2012, tendo sido excluído de tal regime pelo ADE da DRF/PAL nº 6, de 05 Abril de 2017, com efeitos a partir do dia 1º de Janeiro de 2012, até o dia 31 de Dezembro de 2012. 73. A ciência do ADE de exclusão do Simples Nacional se deu através da caixa postal eletrônica, em 24.04.2017, não tendo o interessado se manifestado a respeito da sua exclusão ou mesmo impugnado nos autos que tratam desse tema. 74. No entanto, no presente Processo Administrativo Fiscal, o interessado impugna o lançamento, questionando sua exclusão do Simples Nacional. 75. Noto que a lavratura do presente auto de infração se deu em 18.11.2016, conforme efls. 2/77. O Relatório Fiscal é datado de 02.12.2016, conforme e fls. 104. 76. Os artigos 196 e 197 do Decreto 3.000 de 1999 (RIR 99) versam sobre os efeitos da exclusão do Simples Nacional, situação fática do interessado em 2012: Art.196. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 194 e 195 surtirá efeito (Lei nº 9.317, de 1996, art. 15): I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 194; Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.396 20 II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude da constatação excludente prevista nos incisos II a XVIII do art. 192 (Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º); III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 194; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 192; V a partir do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Parágrafo único. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo (Lei nº 9.317, de 1996, art. 15, §3º e Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º). Art 197. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (Lei nº 9.317, de 1996, art. 16). 77. Notase portanto, que a lavratura do auto de infração, em relação ao ano calendário 2012, não observou e não respeitou o rito de exclusão do interessado do Simples Nacional, para posterior lançamento dos tributos devidos, somente após a exclusão de tal regime, ocasionando, assim, um vício formal do lançamento em relação ao ano de 2012. 78. O interessado deveria ter sido intimado da exclusão de tal regime, antes do lançamento de ofício realizado no presente PAF. 79. Somente após o prazo regulamentar de defesa da exclusão extrapolado, a autoridade fiscal tinha o direito de realizar o lançamento de ofício. Ademais, conforme reza o artigo 197 do RIR 99, acima transcrito, o interessado somente iria se sujeitar as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (lucro presumido, lucro real, lucro arbitrado) após se processarem os efeitos da exclusão do Simples Nacional. 80. E como o auto foi lavrado e cientificado antes mesmo da exclusão do Simples Nacional, voto por reconhecer a nulidade do lançamento em relação ao ano calendário 2012, por vício formal. 81. O lançamento de ofício realizado para o ano calendário 2012 não respeitou também o que consta na Resolução CGSN nº15/07, que determina ser necessária a intimação do interessado da exclusão do Simples Nacional, fato que só ocorreu após a lavratura do presente auto de infração. Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.397 21 82. Desse modo, a declaração de nulidade da presente autuação, face ao calendário 2012, é medida que se faz necessária em respeito ao que determina o Decreto 70.235/1972 transcrito abaixo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. 83. Ressalto o fato do poder dever do Fisco, dentro do prazo decadencial, renovar o ato de lançamento de ofício, com nova autuação. 84. Pelo exposto, voto por declarar a nulidade do lançamento em relação ao ano 2012. Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário por ser intempestivo e em relação ao Recurso de Ofício, NEGO PROVIMENTO, ao tempo que mantenho a decisão recorrida em todos seus termos. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10746.721276/201631 Acórdão n.º 1302003.389 S1C3T2 Fl. 1.398 22 Fl. 1398DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901963/2009-82
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 19 63 /2 00 9- 82 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 172 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Em prestígio aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 04863.49760 021006.1.7.040852, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de CSLL (código de receita: 2484) e de IRJP (2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484) (fls. 84/88). Por intermédio do despacho decisório de fl. 97, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 02, na qual alega, em síntese, que: A Per/Dcomp a qual se refere o despacho está correta, porém não constava a informação na DCTF ref. 4° Trimestre/2004, onde agora após a retificação efetuada podese perceber claramente o valor do crédito utilizado na Perdcomp. Segue cópias dos documentos: DCTF Ref.: 4° Trimestre/2004 retificadora transmitida em 22/04/2009; e Per/Dcomp 04863.19760.021006.1.7.04852. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da cobrança, espera e requer a impugnação, cancelandose o débito reclamado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1440.918, de 25 de março de 2013 (efl. 103), que recebeu a seguinte ementa: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 173 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 02/10/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Irresignada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 114), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (grifos do original). Registra que " ...é pessoa jurídica de direito privado que apura e recolhe o IRPJ e a CSSL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa Mensal, com apresentação de balancetes mensais de suspensão...". Diz que "No mês de dezembro de 2004, a Recorrente apurou, por estimativa, um débito de CSLL no montante de R$ 44.749,55 (quarenta e quatro mil setecentos e quarenta e nove reais e cinqüenta e cinco centavos), tendo promovido o regular recolhimento do tributo em questão conforme faz prova o comprovante de arrecadação expedido pela própria Receita Federal do Brasil...". Aduz "....que o tributo efetivamente devido no mês de dezembro de 2004 redundou ser de R$ 24.025,94 (vinte e quatro mil vinte e cinco reais e noventa e quatro centavos), conforme claramente se verifica pelo balancete do referido mês/ano, pela DIPJ e pela DCTF...". Conclui que "...é credora do Fisco em R$ 20.723,61 (vinte mil setecentos e vinte e três reais e sessenta e um centavos), o qual, corrigido, montava em R$ 21.671,97 (vinte e um mil seiscentos e setenta e um reais e noventa e sete centavos), tendo utilizado referido crédito em uma única Per/Dcomp, no montante de R$ 21.201,30(vinte e um mil duzentos e um reais e trinta centavos)". Ao final, requer o integral provimento do recurso para o fim de homologar a compensação declarada. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 174 4 Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 04863.49760 021006.1.7.040852, transmitido em 02/10/2006, sob a alegação de que o crédito original de R$ 21.201,30 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento de outro débito, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Como se observa, o crédito informado no PER/DCOMP nº 04863.49760 021006.1.7.040852 decorre de pagamento indevido ou a maior, e a circunstância fática que motivou seu indeferimento está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 2484 (CSLL Demais PJ que Apuram o IRPJ com base em Lucro Real Estimativa Mensal), do período de apuração de 31/12/2004. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 175 5 Em suas razões de defesa, o Recorrente afirma que apura e recolhe o IRPJ e a CSLL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa mensal, com a apresentação de balancetes mensais de suspensão ou redução dos tributos, e que no mês de dezembro de 2004 apurou um saldo credor correspondente a R$ 20.723,61, o qual foi utilizado para compensação no PER/DCOMP nº 04863.49760 021006.1.7.040852. Vejo que o Recorrente não trouxe provas suficientes ou fundamentos de fato e de direito tendentes a infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o então manifestante apresentou, tão somente, DIPJ/2005 e DCTF retificadora do 4º trimestre de 2004 enviada após a ciência do despacho decisório de não homologação da compensação, ocorrida em 01/04/2009 (efls 98), ambas desacompanhadas de provas documentais provenientes de sua escrituração contábilfiscal; agora, no Recurso Voluntário, limitouse a apresentar fichas de DRE, de Balanço patrimonial encerrado em 31/12/2004, e de balancete analítico do mês 12/2004 emitidas em 08/08/2013 (efls. 129), data posterior à de ciência do despacho decisório. Além disso, o Recorrente ignorou por completo o registro do voto condutor do acórdão recorrido alertando para a necessidade de apresentação de outros documentos e livros contábeis/fiscais do períodobase examinado para a comprovação do suposto crédito, tais como: Livros Diário, Razão e Lalur. Este arcabouço probatório seria imprescindível ao batimento dos dados constantes das declarações com os da escrituração do contribuinte, para efeito de comprovar a regular transcrição, idoneidade e identidade dos registros e atestar o oferecimento à tributação de receitas que ensejaram retenções legais do período, de modo a permitir, assim, a formação de juízo conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório postulado. Concluo, portanto, não haver reparos a fazer na decisão recorrida, motivo porque reproduzo, na sequência, os trechos principais dela extraídos, adotandoos como razões de decidir, de acordo com o §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57, do RICARF (grifos do original): (...) Com efeito, no que diz respeito à CSLL, informada como origem do crédito na PER/Dcomp, observo que a contribuinte declarou, em sua DCTF, como débito apurado de CSLL (código de receita: 2484), no mês de dezembro/2004, o valor de R$44.749,55, extinto mediante DARF, no mesmo valor, ou seja, o indébito fiscal objeto de compensação no presente processo foi utilizado integralmente para pagamento do débito de CSLL do mês de dezembro de 2004 (Telas de sistema de controle, ora anexadas). Dessa forma, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba (fl. 97) não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte (período de Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 176 6 apuração: 31/12/2004), não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. A contribuinte, por sua vez, em 22/04/2009 (fl. 03), retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da dívida originariamente declarada, para R$24.025,94, período de apuração de dezembro de 2004, de modo a delinear o crédito pretendido (fl. 65). Tenhase presente, ainda, que referido ato ocorreu somente em 22/04/2009 (fl. 03), ou seja, após a ciência do despacho decisório que ocorreu em 05/04/2009 (fl. 98), embora tenha promovida diversas retificações anteriores da mesma declaração original, conforme comprova tela de sistema ora anexada. Em comprovação de suas alegações, a interessada trouxe aos autos unicamente as cópias da DCTF retificadora. Malgrado o intento da contribuinte, cabe assinalar que para fins de repetição tributária, a certeza e a liquidez do crédito apurado não se configuram em razão do quantum do tributo declarado, mas em relação ao quantum comprovado pela contabilidade e outros documentos fiscais. Daí porque é imprescindível que venham aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica sujeita ao regime do Lucro Real, para a qual a lei exige contabilidade regular, nos termos do artigo 7º do Decretolei nº 1.598, de 1977. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeito ao regime de apuração dos tributos com base no lucro real, este deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do tributo, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7º e seu § 4º, e 8º, inciso I, ambos do Decreto Lei nº 1.598, de 1977. Assim, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL do mês de dezembro de 2004, a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido devida em meses anteriores e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Dentre essas provas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), tudo a dar sustentação à veracidade da CSLL apurada no mês de dezembro de 2004. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 177 7 (...) No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentação hábil a comprovar suas alegações, limitandose a tãosomente apresentar cópia de DCTF retificadora, conforme já citada. Nesse prisma, salientese que ambas as Declarações são preenchidas pela própria contribuinte e devem retratar os dados da escrituração da pessoa jurídica. Contudo, a simples alegação de erro no preenchimento da DCTF, sem apoio nos registros contábeis e fiscais da interessada, não é suficiente para se comprovar o direito creditório pleiteado. Em vista disso, importante também registrar que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, não o fato. A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado e seus fundamentos estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria. Acrescento que os requisitos de liquidez e certeza do crédito são exigências legais para deferimento da homologação da compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. É de se ressaltar, ainda, que não compete a este relator sanar possíveis erros de preenchimento de PER/DCOMP ou demonstrar que a não homologação da compensação foi equivocada, a uma, porque há comprovação evidente e insofismável nos autos de que o suposto crédito foi alocado a outro débito e, a duas, porque o ônus probatório do direito vindicado é do Recorrente, conforme prevê a legislação1 e de acordo com forte corrente jurisprudencial deste CARF, da qual colaciono, como exemplos, os Acórdãos 3201002.303 e 3001000.312: ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 1 Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 178 8 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. À vista do exposto, o improvimento do recurso impõese. Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o suposto crédito de R$ 21.201,30 constante do PER/DCOMP de nº 04863.49760 021006.1.7.04 0852 fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 2484 de período de apuração de 31/12/2004; e, ainda, que o Recorrente não traz elemento de prova capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 179 9 Aílton Neves da Silva Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.901945/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 45 /2 01 5- 16 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.110, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000148/2002-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/10/2002
EMBARGOS INOMINADOS. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. CABIMENTO.
De acordo com o artigo 66 do RICARF, no caso de embargos inominados o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, trata-se de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Até a edição do Decreto nº 7.574, de 2011, tais correções podiam ser promovidas por meio de despacho do Presidente da Câmara. Entretanto, após o referido decreto, que em seu artigo 67 determina que as inexatidões materiais deverão ser corrigidas "mediante a prolação de um novo acórdão", houve uma integração ao conteúdo dos artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72, devendo ser prolatado novo julgamento Colegiado para a correção de tais pontos.
Dessarte, trata-se de instrumento que pode ser manejado para a anulação de julgamento em duplicidade do recurso voluntário, situação de lapso manifesto constatada pelo Tribunal.
Numero da decisão: 3402-006.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, para o cancelamento do Acórdão n. 3402-002.040.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: Relator Thais De Laurentiis Galkowicz
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/10/2002 EMBARGOS INOMINADOS. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. CABIMENTO. De acordo com o artigo 66 do RICARF, no caso de embargos inominados o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, trata-se de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Até a edição do Decreto nº 7.574, de 2011, tais correções podiam ser promovidas por meio de despacho do Presidente da Câmara. Entretanto, após o referido decreto, que em seu artigo 67 determina que as inexatidões materiais deverão ser corrigidas "mediante a prolação de um novo acórdão", houve uma integração ao conteúdo dos artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72, devendo ser prolatado novo julgamento Colegiado para a correção de tais pontos. Dessarte, trata-se de instrumento que pode ser manejado para a anulação de julgamento em duplicidade do recurso voluntário, situação de lapso manifesto constatada pelo Tribunal.
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FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. CABIMENTO. De acordo com o artigo 66 do RICARF, no caso de embargos inominados o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, tratase de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Até a edição do Decreto nº 7.574, de 2011, tais correções podiam ser promovidas por meio de despacho do Presidente da Câmara. Entretanto, após o referido decreto, que em seu artigo 67 determina que as inexatidões materiais deverão ser corrigidas "mediante a prolação de um novo acórdão", houve uma integração ao conteúdo dos artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72, devendo ser prolatado novo julgamento Colegiado para a correção de tais pontos. Dessarte, tratase de instrumento que pode ser manejado para a anulação de julgamento em duplicidade do recurso voluntário, situação de lapso manifesto constatada pelo Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, para o cancelamento do Acórdão n. 3402002.040. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 01 48 /2 00 2- 14 Fl. 602DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard. Relatório Tratase de embargos inominados opostos em tempo hábil pelo Conselheiro então presidente desta Presidente da 2ª Turma Ordinária, sob o pressuposto de lapso manifesto no Acórdão embargado. Isto porque o Presidente da 3ª Seção noticiou que o Acórdão nº 3402 002.040, prolatado em 26 de março de 2013, foi proferido em duplicidade, vez que o mesmo recurso voluntário já havia sido objeto de julgamento, em 1° de junho de 2011, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção, resultando no Acórdão nº 3101000.763. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Pelo relato acima, de pronto constatase que houve, no presente processo, error in procedendo do Tribunal ao proferir o Acórdão 3402002.040 (fls 587 a 600). Afinal o mesmo recurso voluntário já havia sido objeto de julgamento anteriormente, por meio do Acórdão 3101000.763 (fls 581 a 586), não havendo justificativa processual ou material alguma para que nova decisão viesse aos autos. Na realidade, segundo o despacho de fls 571, o Acórdão original fora excluído dos autos provavelmente porque continha erros. "Porém, SECOJ, ao invés de providenciar correções necessárias, determinou a distribuição por sorteio. E como nele não havia mais o acórdão, nem esta Secretaria nem o Conselheiro relator perceberam a falta." Constatado tal equívoco,vêm a julgamento os embargos inominados. Vejamos o teor do artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que disciplina tais embargos: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Do texto supra transcrito constatase que, no caso de embargos inominados, o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, tratase de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Até a edição do Decreto nº 7.574, de 2011, tais correções podiam ser promovidas por meio de despacho do Presidente da Câmara. Entretanto, após a edição do referido decreto, que em seu artigo 67 determina as inexatidões materiais deverão ser corrigidas "mediante a prolação de um novo acórdão", houve uma integração ao conteúdo dos Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402006.222 S3C4T2 Fl. 603 3 artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72, devendo ser prolatado novo julgamento do Colegiado para a correção de tais pontos. Ou seja, os embargos inominados tem função bastante singela e específica, nunca podendo ser manejado como forma de rever o quanto decidido pelo acórdão embargado. Quotidianamente vemos a utilização dos embargos inominados pra os fins que lhe são próprios no CARF, como a adequação da ementa ao conteúdo do acórdão; a correção de determinados números que foram objeto de erros de digitação; dentre outros. No presente caso o que se busca é a utilização do instrumento para justamente um dos fins a que se destina: sanar lapso manifesto constatado nos autos, qual seja, a duplicidade de Acórdãos proferidos para o mesmo recurso voluntário. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de acolher os embargos inominados, para o cancelamento do Acórdão n. 3402002.040. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901255/2017-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.626
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 25 5/ 20 17 -0 6 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901255/201706 Resolução nº 3201001.626 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.901255/201706 Resolução nº 3201001.626 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10825.901255/201706 Resolução nº 3201001.626 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 138DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.904016/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.862
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 04 01 6/ 20 15 -9 2 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 561DF CARF MF
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