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Numero do processo: 10680.000608/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA. EMPRESA INAPTA. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO. SÚMULA CARF Nº 44.
Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração - Súmula CARF n° 44.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-000.793
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: José Evande Carvalho Araujo
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V Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente SUSANA ROSALI C PACHECO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA. EMPRESA INAPTA. DESCABIMENTO DA MULTA POR ATRASO. SÚMULA CARI N D 44. Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração - Súmula CARF n° 44. Recurso Voluntário Provido.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Caio Marcos Candido Presidente. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo- Relatar, EDITADO EM: 05/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. 1DC r 2 1)1 1:ARI NU' Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fi. 02, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência de multa no valor de R$165,74 IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (11. 01), acatada como tempestiva, onde alegou que não tinha condições para pagar a multa, e que a empresa da qual era proprietário estava inativa havia mais de 25 anos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 2" Turma da DRI/Belo Horizonte/MG julgou procedente o lançamento com base, em síntese, nas seguintes considerações (11s, 15 a 17): No exercício de 2004, a Declaração de Ajuste Anual deveria ser entregue até o dia 30 de abril de 2004, conforme Instrução Normativa tf 393, de 02 de fevereiro de 2004, que dispõe sobre a apresentação pela pessoa física, residente no Brasil, da referida Declaração.. ) Com efeito, a entrega da declaração do exercício de 2004 se deu no dia 30/11/2004, consoante documento de fls. 07 Consta da tela do sistema on une da SRF "Guia, Vic, Visão Integrada do Contribuinte", anexada à fl 14, que o CPF da contribuinte está vinculado ao CNN n° 19.907.153/0001-45 "Boutike Bauzinito Ltda". A situação cima descrita obrigaria a interessada a apresentar a DIRPF/2004, a teor do disposto na:IN/Rd acima, art. 1', inciso 111, segundo o qual está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual, referente ao exemicio de 2004, a pessoa física residente no Brasil que, no ano-calendário de 2003, participou do quadro societário de empresa, como titular ou sócio Esclareça-se que, nesta hipótese, não se cogita se a empresa iniciou ou não suas atividades, está ou não paralisada. Ressalte-se, ainda, que, segundo o artigo 136 do Código Tributário Nacional, "Salvo di,sposição de lei em contrário, a responsabilidade por infraçães da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARE) Cientificado da decisão de primeira instância em 16/03/2009 (II. 20), o contribuinte apresentou, em 30/03/2009, o recurso de fl. 21, postulando perdão da multa, pois a empresa da qual era proprietário foi a falência em 1977, e não foi dado baixa. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 23, que também trata do envio dos autos a.0 então Primeiro Conselho de Contribuintes. ii 26 Processo n" I 0680 000608/2005-07 S2-CITI Acórdão n° 2101-00..793 Fl 25 É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator.. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há argüição de qualquer preliminar. O contribuinte apresentou, no dia 30 de novembro de 2004, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física - DIRPF do exercício de 2004 (fl. 7).. A Instrução Normativa SRF IV .393, de 2 de fevereiro de 2004, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art 1°, inciso 111, que estava obrigado a declarar quem participou do quadro societário de empresa como titular ., sócio ou acionista, ou de cooperativa, e fixava o prazo de entrega para 30 de abril de 2004 (art. 3 0). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste por ser sócio da empresa BOUTIQUE BAUZ1N110 LTDA, CNPT 19,.907,153/0001-45 (fl. 14), e por fazê-lo em atraso, recebeu a multa no valor mínimo de R$165,74. Em análise do extrato de fi. 14, observa-se que a empresa da qual o contribuinte é sócio está na situação de inapta desde 31/08/1997, pelo fato de ser omissa contumaz. Ora, a Súmula CARF if 44 possui o seguinte enunciado: Descabe a aplicação da multa por falta ou atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando o sócio ou titular- de pessoa jurídica inapta não se enquadre nas demais hipóteses de obrigatoriedade de apresentação dessa declaração. A essa súmula foi atribuído 'efeito vinculante aos órgãos da administração tributária federal pela Portaria MF n° .383, de 12 de julho de 2010, Assim, como a declaração que provocou a multa por atraso deste processo é referente ao ano de 2003, período em que a empresa já estava na situação de inapta, e corno os rendimentos tributáveis declarados foram de R$8,368,78 (11, 7), valor inferior ao limite de isenção do período (R$ 12.696,00, IN 393/2004, art. 1°, inciso I), não se verificando outra hipótese de obrigatoriedade de apresentação de DIRPF, há subsunção perfeita com a situação da súmula, o que impende considerar a multa aplicada como indevida, Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário, José Evande Carvalho Araujo I I 3 1)1. C...A R V ',vil Ë : 4
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916230/2016-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.770
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra Acórdão da DRJ que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo a não homologação da compensação pretendida, face a inexistência do direito creditório nela informado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 16 23 0/ 20 16 -5 3 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.916230/201653 Resolução nº 3401001.770 S3C4T1 Fl. 3 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, argumenta que equivocadamente ofereceu à tributação do PIS e da Cofins, pela sistemática não cumulativa, receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, que estavam sujeitas ao regime cumulativo, o que resultou em recolhimento a maior que o devido. Diz que o Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, talvez por falta de processamento da DCTF retificadora, já que o pagamento foi localizado, mas estava integralmente utilizado para quitação de seus débitos. Contudo, a desconsideração dessa DCTF, transmitida anteriormente ao Per/Dcomp, implica violação às disposições do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2, de 28/08/2015, inclusive com a emissão do Despacho Decisório sem que houvesse lhe oportunizado a prestação de esclarecimentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Tributação de receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem sujeitas ao regime cumulativo; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.758, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.916217/201602, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.758): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.916230/201653 Resolução nº 3401001.770 S3C4T1 Fl. 4 3 de R$ 820.394,55, correspondente ao Darf de COFINS NÃO CUMULATIVA (código 5856), recolhido em 18/04/2008, no valor de R$ 1.790.611,36, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente ao revisar seus procedimentos fiscais entendeu que deveria retificar as informações prestadas à RFB (DCTF), pois verificou que estava oferecendo equivocadamente à tributação pela sistemática nãocumulativa receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, sujeitas ao regime cumulativo. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que seja elucidado qual o procedimento foi adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 03/2008 foi retida para análise? Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.916230/201653 Resolução nº 3401001.770 S3C4T1 Fl. 5 4 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período discutido foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720005/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1990, 1991, 1992
EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INCLUSÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. COISA JULGADA.
No âmbito do processo administrativo decorrente da valoração dos créditos e débitos para fins de compensação autorizada judicialmente, a inclusão de expurgos inflacionários somente é possível se a decisão judicial transitada em julgado não decidiu expressamente sobre essa matéria, sob pena de ofensa a coisa julgada.
No caso, como a inclusão dos expurgos inflacionários foi questão discutida e decidida em caráter definitivo no processo judicial, deve prevalecer o critério de atualização monetária determinado na sentença do mandado de segurança.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.669
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1990, 1991, 1992 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. INCLUSÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. COISA JULGADA. No âmbito do processo administrativo decorrente da valoração dos créditos e débitos para fins de compensação autorizada judicialmente, a inclusão de expurgos inflacionários somente é possível se a decisão judicial transitada em julgado não decidiu expressamente sobre essa matéria, sob pena de ofensa a coisa julgada. No caso, como a inclusão dos expurgos inflacionários foi questão discutida e decidida em caráter definitivo no processo judicial, deve prevalecer o critério de atualização monetária determinado na sentença do mandado de segurança. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 00 05 /2 00 9- 89 Fl. 150DF CARF MF 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre as Dcomps nºs 36876.00249.210704.1.3.542446 e 41175.43673.141204.1.3.545440, transmitidas em 21/07/2004 e 14/12/2004, respectivamente, para compensação de débitos da contribuinte com crédito, no valor de R$ 24.010,13 (vinte quatro mil, dez reais e treze centavos), decorrente do Processo Judicial no 2000.38.00.034216 7, distribuído à 2ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais visando a declaração de inconstitucionalidade das sucessivas majorações de alíquota do Finsocial e compensação do crédito apurado com débitos de qualquer espécie. Conforme consta na Informação Fiscal (fls. 17/19), a sentença do referido mandado de segurança transitou em julgado favoravelmente à empresa em 16/12/2003, no seguinte sentido: 1. As autoras obtiveram o direito de compensar os valores recolhidos do FINSOCIAL em alíquota superior a 0,5% (meio por cento), no período de 09/10/1990 a 03/1992, de acordo com as regras traçadas no art. 66 da Lei 8.383/91 e na legislação vigente na época em que se deu o procedimento, com a atualização do indébito pela variação da OTN, BTN, INPC e UFIR, desde a data dos recolhimentos indevidos. A partir de 01/01/1996, deverseá observar o disposto no seu artigo 39, parágrafo 40, da Lei 9.250195 (taxa SELIC); 2. É devida aplicação do expurgo inflacionário, conforme Súmula 41 do TRF 1ª região, somente em relação ao índice de 21,87% referente ao mês de fevereiro/1991; 3. Devese observar a prescrição decenal na compensação dos créditos das impetrantes. Assim os valores recolhidos além do decênio anterior ao ajuizamento desta ação, ou seja, 09/10/2000, estão prescritos; 4. Não constam dos autos a existência de depósito judicial; (...) Sobre os cálculos efetuados para a compensação, esclareceu a fiscalização na Informação Fiscal que: (...) Já com relação à contribuinte W. V. R. Indústria de Calcados Ltda. (CNPJ 25.275.5951000119), efetuamos os cálculos dos valores devidos a título de FINSOCIAL, em consonância com os parâmetros determinados pela referida decisão judicial transitada em julgado, cotejando com os valores efetivamente recolhidos pela contribuinte. Acerca dos cálculos efetuados pelo Grupo de Ações Judiciais desta DRF, convém tecermos os seguintes comentários: 1) a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região considerou prescritas as parcelas pagas anteriormente a 09/10/1990, quando da apreciação da Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10660.720005/200989 Acórdão n.º 3402006.669 S3C4T2 Fl. 151 3 Apelação em Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0342167/MG (fls. 97 a 107), tendo em vista que a demanda foi ajuizada em 09/10/2000; 2) as bases de cálculo foram extraídas das DIRPJ de fls. 38 a 45 e das informações contidas nos documentos de recolhimento — DARF's de fl. 50 a 56 relativamente aos períodos de apuração 0911990 a 0311992; 3) os DARF's considerados foram apresentados pela contribuinte às fls. 50 a 56, sendo devidamente confirmados em microfichas e no sistema SINCOR/TRATAPAGTO; 4) no tocante à correção monetária das parcelas a serem restituídas/compensadas, foi deferido tão somente o índice expurgado de 21,87% (Súmula 41 do TRF 1ª região), referente ao mês de fevereiro/1991, bem como a incidência de juros de mora à taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, parágrafo 4º , da Lei n° 9.250/95; 5) utilizouse o software denominado CTSJ (Crédito Tributário Sub Judice, versão 2.03.28.44, Módulo Crédito Tributário Sub Judice do Sicalc, Cálculo único versão 44); (...) Foi proferido o Despacho Decisório das fls. 25/27, no qual se reconhece o crédito no valor de R$ 4.873,56, atualizado até 31/12/1995, homologando as compensações pleiteadas até esse limite. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) os critérios de correção aplicados ao crédito estão aquém daqueles conferidos pelo Poder Judiciário; b) há possibilidade de inclusão de outros índices de expurgos inflacionários além daqueles fixados pelo poder judiciário; e c) a atualização do indébito deve se dar desde a data do recolhimento indevido até o dia em que ocorrer a efetiva devolução do indébito. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante sob os seguintes argumentos principais: Se o Acórdão negou provimento ao apelo das impetrantes, uma delas a ora manifestante, que era no sentido de incluir na atualização do indébito os “expurgos inflacionários, relativos aos meses de julho e agosto de 1994, nos percentuais de 37,44% e 5,32%, respectivamente”, obviamente que esses índices não podem compor a atualização e permanece apenas o estabelecido na sentença de 1º grau, qual seja, “o expurgo inflacionário de fevereiro de 1.991, nos termos da Súmula 41 do TRF da 1ª Região”, ou seja, 21,87% como aplicado pela autoridade administrativa. Quanto à alegada possibilidade de inclusão de outros índices de expurgos inflacionários além daqueles fixados pelo poder judiciário, o entendimento da RFB é que não se aplicam os chamados expurgos inflacionários quando da atualização de créditos a serem restituídos. A Instrução Normativa SRF nº 210/2002 estabelece em seu artigo 28 que “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Assim fica claro que na compensação a atualização do indébito por meio da selic deve se dar desde a data do recolhimento indevido até a data da transmissão da Dcomp respectiva, como nos presentes Fl. 152DF CARF MF 4 cálculos e não “na data em que a Autoridade Administrativa homologa definitivamente as compensações” como quer a manifestante. Cientificada dessa decisão em 19/07/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/08/2012, mediante a qual reitera seu direito de inclusão dos expurgos inflacionários não contidos da decisão judicial. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. A sentença transitada em julgado é declaratória da inexistência de relação jurídica entre as impetrantes e a União que as obrigasse ao recolhimento do Finsocial em alíquota superior a 0,5%, bem como do direito de compensarem os valores recolhidos a tal título atualizados monetariamente na forma ali especificada. Diante dessa decisão judicial, a ora recorrente apresentou as duas Declarações de Compensação, que foram submetidas à análise da autoridade administrativa estritamente quanto à valoração dos débitos e créditos a serem compensados. Como se vê, após a decisão judicial transitada em julgado, ainda há um conteúdo decisório na esfera administrativa acerca da valoração dos débitos e créditos a compensar, especialmente quanto à atualização monetária dos créditos, que é a questão ora submetida a este Colegiado. Nessa, digamos, "etapa administrativa" da compensação autorizada judicialmente, desde que não descumprida a declaração contida na sentença, a autoridade administrativa ou o julgador tem a prerrogativa de decidir motivadamente acerca da valoração dos créditos reconhecidos judicialmente e dos débitos. Dessa forma, tratase de hipótese de análise de pleito da contribuinte atinente "etapa administrativa" da compensação cujo direito foi reconhecido judicialmente, relativamente à valoração dos créditos e débitos indicados para compensação. A questão que se coloca é se poderia a autoridade administrativa decidir de forma mais favorável à interessada do que decidiu o próprio Poder Judiciário em relação à atualização do crédito a ser compensado. Entendo que a matéria merece tratamento semelhante àquele dado à questão da possibilidade de inclusão de expurgos inflacionários no cumprimento de sentença, eis que a "etapa administrativa" da compensação assemelhase a uma "execução administrativa" da sentença. A autoridade administrativa, assim como o juízo da execução, está sujeita aos institutos da coisa julgada e da preclusão, devendo limitarse a decidir sobre matérias específicas que não foram discutidas no processo judicial, ainda com o agravante de que a Administração Pública não detém poder jurisdicional. Dispõe o inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal que "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito", o que consagra o princípio da Unidade de Jurisdição, segundo o qual somente o Poder Judiciário detém o poder jurisdicional, inclusive sobre as decisões administrativas. Se a mera propositura de ação judicial com mesmas partes e objetos do processo administrativo já Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10660.720005/200989 Acórdão n.º 3402006.669 S3C4T2 Fl. 152 5 impede a autoridade administrativa de apreciar a matéria concomitante (Súmula CARF nº 01), com maior razão ainda está impossibilitada de analisar matérias preclusas, cobertas pelo manto da coisa julgada. Dessa forma, adotase aqui a jurisprudência consolidada no STJ no sentido de que a inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária não representa ofensa aos institutos da coisa julgada e da preclusão somente quando essa questão não tenha sido debatida no processo de conhecimento, conforme demonstram as ementas colacionadas abaixo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. EXCESSO À EXECUÇÃO. INCLUSÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. SENTENÇA OMISSÃO. VIOLAÇÃO À COISA JULGADA. INOCORRÊNCIA. PRECATÓRIO COMPLEMENTAR. INCLUSÃO DE JUROS MORATÓRIOS. NÃOINCIDÊNCIA, SE O PAGAMENTO OCORRE DENTRO DO PRAZO CONSTITUCIONAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INOCORRÊNCIA. 1. A violação da coisa julgada referente aos cálculos pressupõe indicação expressa dos mesmos de índices de correção na sentença. 2. A omissão na conta tem conseqüência diversa da "exclusão deliberada da conta", porquanto nesse último caso, há decisão e, a fortiori, preclusão e coisa julgada. 3. Consolidouse a jurisprudência no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que não constitui ofensa aos institutos da coisa julgada e da preclusão a inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo da correção monetária, em conta de liquidação de sentença, quando essa questão não tenha sido debatida no processo de conhecimento. Precedentes: (REsp 603.441/DF, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 28.2.2005; REsp 824.210/MG, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 14.8.2006; AgRg no Ag 722.207/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 14.12.2006; RESP 329455/MG, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 27.09.2004; REsp 463118, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 15/12/2003.) 4. O thema decidendum restou decidido com significativa juridicidade pelo Ministro Hamilton Carvalhido, no voto condutor do RESP 445.630/CE, litteris: "(...)Outrossim, sobre a aplicação do instituto da correção monetária e os denominados expurgos inflacionários na fase de execução de sentença, a jurisprudência desta Corte Superior distingue as hipóteses em que a sentença do processo de conhecimento, transitada em julgado, indicou o critério de correção monetária a ser utilizado, daqueles casos em que não houve tal previsão. Quando houver expressa indicação, na sentença exeqüenda, do critério de correção monetária a ser utilizado, não é possível a aplicação, na fase de execução, de expurgos inflacionários não adotados pela sentença, sob pena de violação da coisa julgada. No segundo caso, não estabelecendo, a sentença, os índices de correção monetária a serem utilizados, e pleiteada a incidência dos expurgos quando iniciado o processo de execução, é firme o entendimento deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de que sua inclusão, na fase de execução, não viola a coisa julgada, mesmo que não discutidos no processo de conhecimento. Gizese, entretanto, que, pleiteada a inclusão dos expurgos na fase de execução e, tratandose de hipótese em que já homologados os cálculos de liquidação por sentença transitada em julgado, orientase a jurisprudência desta Corte Superior no sentido de que não mais pode ser alterado critério de atualização judicialmente reconhecido, para inclusão de índices expurgados relativos a períodos anteriores à Fl. 154DF CARF MF 6 prolação da sentença de liquidação. Podem, entretanto, ser incluídos os índices relativos a períodos posteriores ao trânsito em julgado da sentença homologatória de cálculos, que poderão, assim, integrar o chamado precatório complementar. (grifo nosso) 5. A imposição dos juros de mora e, a fortiori, o precatório complementar para consagrálos, afigurase incabível nas hipóteses em que o pagamento do precatório originariamente expedido se realiza no prazo constitucional (art. 100, § 1º da redação anterior à EC 30/2000), ou seja, o final do exercício seguinte ao da apresentação do mesmo. Desatendendo a Fazenda o mencionado prazo, a partir do dia seguinte ao término deste é que incidirão os juros moratórios (1º de janeiro subseqüente). 6. Os juros moratórios não incidem no período compreendido entre a homologação da conta de liquidação e o registro do precatório. Precedentes: AgRg no Ag 540760/DF, DJ 30.08.2004; AgRg no Ag 600892/DF, DJ 29.08.2005) 7. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 8. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 981.911/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2008, DJe 15/10/2008) TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS E DA TAXA SELIC. OFENSA À COISA JULGADA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. BASE DE CÁLCULO. VALOR REFERENTE AO EXCESSO DE EXECUÇÃO. 1. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, a inclusão de expurgos inflacionários em liquidação ou execução de sentença só é lícita se a decisão transitada em julgado na fase de conhecimento não decidiu expressamente sobre essa matéria, sob pena de ofensa a coisa julgada. 2. Só se admite a inclusão da Taxa SELIC se a decisão que transitou em julgado for anterior a entrada em vigor da Lei n. 9.250/95, que a instituiu. Precedentes. 3. A base de cálculo dos honorários advocatícios, em embargos à execução, deve corresponder, necessariamente, ao montante alegado como excessivo. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1239463/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/04/2011, DJe 26/04/2011) Com efeito, no caso, como a inclusão dos expurgos inflacionários foi questão discutida e decidida no processo judicial, deve prevalecer, em obediência à coisa julgada, a determinação contida na sentença do mandado de segurança, não reformada nesta parte pelos tribunais, no sentido de que devem compor a atualização monetária do crédito o expurgo inflacionário de fevereiro de 1991 (Súmula 41 do TRF 1ª região) e a incidência de juros de mora à taxa Selic a partir de 01/01/96. Dessa forma, em face do entendimento acima, de que o pleito da recorrente encontra óbice no instituto da coisa julgada, restam prejudicados os demais argumentos por ela apresentados. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10660.720005/200989 Acórdão n.º 3402006.669 S3C4T2 Fl. 153 7 Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.916229/2016-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.769
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo.
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra Acórdão da DRJ que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo a não homologação da compensação pretendida, face a inexistência do direito creditório nela informado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 16 22 9/ 20 16 -2 9 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.916229/201629 Resolução nº 3401001.769 S3C4T1 Fl. 3 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, argumenta que equivocadamente ofereceu à tributação do PIS e da Cofins, pela sistemática não cumulativa, receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, que estavam sujeitas ao regime cumulativo, o que resultou em recolhimento a maior que o devido. Diz que o Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, talvez por falta de processamento da DCTF retificadora, já que o pagamento foi localizado, mas estava integralmente utilizado para quitação de seus débitos. Contudo, a desconsideração dessa DCTF, transmitida anteriormente ao Per/Dcomp, implica violação às disposições do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2, de 28/08/2015, inclusive com a emissão do Despacho Decisório sem que houvesse lhe oportunizado a prestação de esclarecimentos. Regularmente cientificada do teor do acórdão de piso apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização em momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Tributação de receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem sujeitas ao regime cumulativo; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.758, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.916217/201602, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.758): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, a autoridade administrativa não homologou a compensação declarada, uma vez que o “VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO INICIAL” informado na Dcomp, Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.916229/201629 Resolução nº 3401001.769 S3C4T1 Fl. 4 3 de R$ 820.394,55, correspondente ao Darf de COFINS NÃO CUMULATIVA (código 5856), recolhido em 18/04/2008, no valor de R$ 1.790.611,36, estava totalmente utilizado para quitação de débito da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. A recorrente ao revisar seus procedimentos fiscais entendeu que deveria retificar as informações prestadas à RFB (DCTF), pois verificou que estava oferecendo equivocadamente à tributação pela sistemática nãocumulativa receitas auferidas com a prestação de serviços de concretagem, sujeitas ao regime cumulativo. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte se houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que seja elucidado qual o procedimento foi adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 03/2008 foi retida para análise? Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.916229/201629 Resolução nº 3401001.769 S3C4T1 Fl. 5 4 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período discutido foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721777/2017-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS.
A pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
O fundamento da obrigação alimentar muda com a maioridade civil do alimentando, deslocando-se do "dever de sustento" próprio do poder de família para o dever de solidariedade resultante do parentesco, quando os filhos maiores provam não estarem em condições de prover a respectiva subsistência ou, se até os 24 anos de idade, frequentarem curso técnico ou de graduação universitária (Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput e § único, incisos I a V; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e § 1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e § único).
Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. ÓBITO DA ALIMENTANDA.
Com o falecimento da alimentanda extingue-se o dever alimentar, incabível, portanto, a dedução dos valores pagos após a data da ocorrência do óbito, restando afastada a necessidade da prestação alimentar, devendo ser mantida a glosa efetuada.
Numero da decisão: 2003-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wilderson Botto (relator), que lhe deu provimento parcial para restabelecer a dedução com pensão alimentícia, declarada, mantendo-se a glosa apenas sobre o valor de R$ 5.151,47, referente à pensão paga a ex-esposa Elza Cabral de Souza nos meses de novembro e dezembro, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2015, exercício 2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente
(assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
(assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Redator designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. A pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A. O fundamento da obrigação alimentar muda com a maioridade civil do alimentando, deslocando-se do "dever de sustento" próprio do poder de família para o dever de solidariedade resultante do parentesco, quando os filhos maiores provam não estarem em condições de prover a respectiva subsistência ou, se até os 24 anos de idade, frequentarem curso técnico ou de graduação universitária (Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput e § único, incisos I a V; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e § 1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e § único). Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. ÓBITO DA ALIMENTANDA. Com o falecimento da alimentanda extingue-se o dever alimentar, incabível, portanto, a dedução dos valores pagos após a data da ocorrência do óbito, restando afastada a necessidade da prestação alimentar, devendo ser mantida a glosa efetuada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wilderson Botto (relator), que lhe deu provimento parcial para restabelecer a dedução com pensão alimentícia, declarada, mantendo-se a glosa apenas sobre o valor de R$ 5.151,47, referente à pensão paga a ex-esposa Elza Cabral de Souza nos meses de novembro e dezembro, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2015, exercício 2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto Relator (assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. A pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. O fundamento da obrigação alimentar muda com a maioridade civil do alimentando, deslocandose do "dever de sustento" próprio do poder de família para o “dever de solidariedade” resultante do parentesco, quando os filhos maiores provam não estarem em condições de prover a respectiva subsistência ou, se até os 24 anos de idade, frequentarem curso técnico ou de graduação universitária (Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput e § único, incisos I a V; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e § 1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e § único). Mantémse a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. IRPF. GLOSA DE DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. ÓBITO DA ALIMENTANDA. Com o falecimento da alimentanda extinguese o dever alimentar, incabível, portanto, a dedução dos valores pagos após a data da ocorrência do óbito, restando afastada a necessidade da prestação alimentar, devendo ser mantida a glosa efetuada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 17 77 /2 01 7- 77 Fl. 194DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Wilderson Botto (relator), que lhe deu provimento parcial para restabelecer a dedução com pensão alimentícia, declarada, mantendose a glosa apenas sobre o valor de R$ 5.151,47, referente à pensão paga a exesposa Elza Cabral de Souza nos meses de novembro e dezembro, da base de cálculo do imposto de renda, anocalendário 2015, exercício 2016. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco Ibiapino Luz. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente (assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator (assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 170/188) interposto contra o acórdão nº 0967.142 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA (fls. 152/162), que julgou improcedente impugnação da Notificação de Lançamento nº 2016/048576204468272, objeto do presente feito – na qual foi apurado crédito tributário no valor de R$ 47.761,06 – mantendose o crédito remanescente de imposto suplementar no valor de R$ 10.663,89, reconhecido no Despacho Decisório nº 202/2018/EFI06Sefis/DRF/NIT, de 15/05/2018 (fls. 123/129). A decisão de primeira instância, por meio dos excertos a seguir transcritos, assim contextualizou os fatos envolvidos (fls. 153/158), cujas infrações remanescentes apuradas, ao final, referemse a deduções indevidas de pensão alimentícia judicial da base de cálculo do imposto de renda: Para o contribuinte retro qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento – IRPF de fls. 8/13, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$ 47.761,06, sendo, consoante ali discriminado, R$ 25.307,90 de imposto suplementar e o restante de acréscimos legais correspondentes. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA/2016, entregue à RFB pelo interessado, cujo resultado era de imposto a restituir no valor de R$746,79 fl. 12. De acordo com a Descrição dos Fatos de fls. 10/11, pela justificativa fiscal: "regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a intimação até a presente data", foram consideradas Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 195 3 indevidas as deduções de: 1) despesas médicas, no valor de R$ 11.214,32; e 2) pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 83.530,00. O notificado, cientificado em 08/06/2017 AR fl. 42, apresentou, em 30/06/2017, por meio de seu procurador nomeado conforme instrumento de fls. 6/7, a impugnação de fls. 4/5, instruída com os documentos de fls. 14/40. Nessa oportunidade, contesta o feito fiscal da seguinte forma: (...). Os elementos apresentados juntamente com a peça contestatória foram analisados mediante revisão de ofício, promovida pela Fiscalização da DRF/Niterói/RJ em cumprimento à Instrução Normativa RFB nº 958/2009, em seu artigo 6ºA, com nova redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1061/2010, no propósito de se observar a adequação desses documentos aos termos que estampa a pertinente legislação tributária. A par disso, foi lavrado o Despacho Decisório SEFIS/DRF/NIT nº 275/2017, anexado às fls. 47/50, cuja conclusão foi pela procedência parcial do lançamento em foco, passando da exigência de crédito tributário para imposto a restituir no valor de R$160,07. A justificativa da autoridade fiscal que procedeu a revisão de ofício foi: 8. Assim, de acordo com a documentação juntada ao presente processo e as pesquisas efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse que: 8.1) DESPESAS MÉDICAS, no valor de R$ 11.214,32. A Glosa da Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 11.214,32 deve ser cancelada, tendo em vista a conclusão da análise dos documentos apresentados para a comprovação dos pagamentos informados na declaração de ajuste, conforme demonstrativo a seguir, consoante o disposto no art. 8º, inciso II, alínea “a”, e parágrafos 2º e 3º da Lei nº 9.250/95; arts. 73 e 80 do Decreto 3.000/99 – RIR/99 e arts. 43 e 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001: 8.2) PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Dedução Indevida no valor de R$83.530,00. A Glosa da Dedução Indevida de Despesas com Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$83.530,00 deve ser mantida em parte, no valor de R$ 81.396,47, devendo ser cancelada a parcela de R$ 2.133,53, tendo em vista a conclusão da análise dos documentos apresentados para a comprovação dos pagamentos informados na declaração de ajuste (fl. 19), bem como a decisão judicial em que foi estabelecida a referida pensão (fls. 14 a 17), conforme demonstrativo a seguir: Após a análise das alegações e documentos apresentados restaram mantidos os seguintes valores: R$ 2.133,53 a título de Pensão Alimentícia Judicial. O interessado após cientificado do referido Despacho Decisório fl. 57, não se manifestou sobre seu resultado, tendo sido, então, o presente processo encaminhado para esta DRJ. Fl. 196DF CARF MF 4 Da análise dos autos foi proferido por esta 4ª Turma de Julgamento o Acórdão DRJ/JFA nº 0965.669, de 8 de fevereiro de 2018, anexado às fls. 74/77, que considerou improcedente a impugnação apresentada com relação à matéria remanescente nos autos, confirmando o resultado constante daquele Despacho Decisório, com intuito de se resolver o processo. Porém, no Acórdão proferido foi registrada a discordância do relator quanto ao cancelamento de parte da glosa da dedução a título de pensão alimentícia vinculada à Sra. Elza Cabral de Souza, haja vista ter sido verificado, na análise procedida, o falecimento da referida senhora durante o ano calendário de 2015, ano da DAA/2016, o que apontaria para um cancelamento indevido de um valor superior ao que deveria ter sido realizado. Além disso, foi constatado também que o contribuinte na DAA/2017, ano calendário de 2016, se beneficiou indevidamente da mesma dedução. Em complementação ao registro feito naquele Acórdão, foi encaminhada uma representação fiscal fls. 98/99, via comunicação interna da RFB, ao Delegado da DRJ/JFA/MG para que fossem repassados os fatos verificados à DRF/Niterói/RJ, no propósito de que esta DRF, entendendo da mesma forma, procedesse à reanálise do decidido no Despacho Decisório SEFIS/DRF/NIT nº 275/2017, e retificasse, se fosse o caso, a situação do IRPF/2016 em litígio, por meio de um novo procedimento de ofício, bem como regularizasse também o IRPF/2017 do contribuinte. Em razão do exposto, a SEFIS/DRF/Niterói/RJ optou por refazer a revisão de ofício, após solicitar o reexame do período fiscalizado ao DRF/Niterói/RJ despachos a fls. 100/101. Foi, então, lavrado o Termo de Intimação Fiscal de fl. 118, por meio do qual foi solicitada a apresentação da certidão de óbito da Sra. Elza Cabral de Souza, beneficiária da pensão alimentícia questionada. O interessado, em atendimento, ofereceu a certidão de fl. 118 e os documentos de fls. 119/122. A reanálise realizada acerca do IRPF/2016 do contribuinte resultou na elaboração do Despacho Decisório nº 202/2018/EFI06SEFIS/DRF/NIT, datado de 15/05/2018 e apensado a fls. 123/129, do qual se extrai de seu bojo os seguintes fragmentos: Confrontando os documentos acostados ao presente processo e os documentos constantes no Dossiê 10010.041270/041543, referente à Solicitação de Antecipação da análise da DAA14, observouse um documento não trazido aos autos anteriormente pelo sujeito passivo: Termo de Audiência e Conciliação, exarado em 16051980, pelo Juízo de Direito da 2a Vara de Família do Estado da Guanabara, acostado às fls. 06 e 07 do presente Dossiê. Após breve análise, constatouse que o referido documento teria o condão de alterar a decisão anteriormente proferida, tendo em vista as condições acordadas judicialmente no que tange aos beneficiários da pensão alimentícia paga pelo contribuinte ora em análise. Assim, em atenção ao determinado pela autoridade julgadora no que concerne à apreciação de fato não conhecido por ocasião da revisão de ofício realizada anteriormente, e após autorização expressa do titular Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 196 5 desta Unidade acostada à fl. 101 do presente processo, será feita uma reanálise dos documentos e alegações apresentados por Célio Sampaio de Souza, CPF 041.399.41715, no que tange à dedução relativa à Pensão Alimentícia Judicial constante na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2016 (§3o, do art. 18, do Decreto 70.235/02, por analogia; inciso VIII, do art. 149 da Lei 5.172/66, por analogia; art. 906 do Decreto 3.000/99). Em tempo, ressaltese que a presente revisão tem por base a obediência aos princípios basilares do regime jurídicoadministrativo, tais como legalidade, indisponibilidade do interesse público e supremacia deste sobre o interesse privado, os quais se baseiam na qualidade de autotutela do Estado que pode, a qualquer momento, por motivos de ilegalidade, conveniência e oportunidade, confirmar, anular, revogar ou modificar a decisão recorrida, sem vincularse à pretensão das partes. * PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Dedução Indevida no valor de R$83.530,00. O contribuinte apresentou documentos comprobatórios da dedução referente à pensão alimentícia judicial os quais foram acostados às fls. 14 a 25 do presente processo, constam contracheques emitidos pela fonte pagadora Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento com os descontos referentes à referida pensão (fls. 20 a 25), comprovante anual de rendimentos emitido pela citada fonte pagadora (fl. 19), documento extraído dos autos judiciais da obrigação alimentar referente a Sra. Isis de Mattos Campra (fl. 17) e documentos extraídos dos autos judiciais da obrigação alimentar referente a Sra. Elza Cabral de Souza (fls. 14 a 16). Após análise da documentação supra, podemos constatar que: 1) Contracheques referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2015 – observase haver dois descontos referentes à pensão alimentícia vinculado à obrigação alimentar com Isis de Mattos Campra e Elza Cabral de Souza; 2) Comprovante de Rendimentos referente ao anocalendário de 2015 – consta informação acerca do valor anual descontado do contribuinte no que concerne à pensão alimentícia no montante de R$81.396,47, sendo R$65.117,24 pago à Elza Cabral de Souza e R$16.279,23 pago à Isis de Mattos Campra (valor já excluído 13o salário); 3) Ofício nº 815/2011/OF, emitido em 10052011 pelo Cartório da 4a Vara de Família relativo à fixação de alimentos em favor de Leonardo de Mattos Sampaio de Souza e Isabela de Mattos Sampaio de Souza (Representante Legal: Isis de Mattos Campra), o qual estabeleceu o desconto dos proventos em folha de pagamentos do contribuinte em tela (alimentos definitivos), a título de pensão alimentícia definitiva, a quantia correspondente a 10% dos seus rendimentos brutos, com dedução apenas dos descontos obrigatórios (IRRF e Previdência Social), sendo 5% para cada autor; 4) Termo de Audiência de Conciliação, datado de 18 de junho de 1979, o qual estabeleceu que o contribuinte em tela pensionaria a esposa e os sete filhos do casal com o equivalente a 40% de seus ganhos líquidos, considerando estes como a diferença entre os seus ganhos brutos a qualquer título e tão somente os descontos legalmente obrigatórios, ou seja, os previdenciários e fiscais. Fl. 198DF CARF MF 6 5) Termo de Audiência e Conciliação, datado de 16 de maio de 1980 (documento posteriormente trazido aos autos extraído do dossiê de malha fiscal número 10010.041270041543 – fls. 106 e 107), o qual estabelece que dos 40% dos ganhos líquidos do contribuinte, 19% seria destinado a Elza Cabral de Souza e os 21% divididos em partes iguais pelos filhos do casal. Do documento citado no item 5 supra, constatase, pelas datas de nascimentos dos filhos do casal, que todos eles, no anocalendário que ora se analisa, seriam maiores de 24 anos. Cumpre mostrar que as normas do Direito de Família, art. 1694 do Código Civil, tem entre os pressupostos essenciais da obrigação de prestar alimentos, a existência do vínculo de parentesco entre o alimentando e o alimentante, porém, com relação aos filhos que atingem a maioridade, a ideia preponderante é que os alimentos cessam com ela. A doutrina e boa parte da jurisprudência admitem que tal pagamento se dê até os 24 anos de idade, devendo ser comprovado, nessa hipótese, que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência ou que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença, existindo um caráter obrigacional claro de sustento. De todo o exposto, fica claro que o direito à redução da base de cálculo do imposto de renda mediante dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia judicial abrange os valores correspondentes ao dever de sustento, vale dizer, até que o alimentando atinja a maioridade civil, e desde que atendidos os requisitos legais e comprovado o efetivo pagamento. Exceção a essa regra é o caso de filhos maiores inválidos e de maiores com até 24 anos de idade que comprovadamente estejam em curso superior ou técnico de segundo grau, tendo por base o art. 77 do RIR/1999. Ademais, registrese que também não constam nos autos qualquer documento judicial que ateste que os valores referentes aos sete filhos do casal seriam revertidos para Sra. Elza, após completarem a maioridade civil. Destarte, concluise que a glosa da Dedução Indevida de Despesas com Pensão Alimentícia Judicial relativa à Elza Cabral de Souza seria 19% x R$162.678,24 (rendimento líquido), totalizando R$30.908,86. Ocorre que foi constatado nos sistemas informatizados desta RFB que Elza Cabral de Souza faleceu no ano de 2015. Ante essa informação, intimouse o contribuinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 75/2018 acostado à fl. 118 do presente processo a fim de que apresentasse a Certidão de Óbito de sua exesposa. Em resposta à intimação supra, o contribuinte apresentou a referida Certidão de Óbito em que consta como data do falecimento 27/10/2015. Destarte, tendo em vista que a dedução, a título de Pensão Alimentícia Judicial, referente ao pagamento à Elza C. de Souza seria de R$30.908,86 para o anocalendário de 2015, ao realizar os cálculos até a data do seu falecimento, verificase que o valor total a ser deduzido seria de R$25.757,39. Com relação à pensão alimentícia paga à Sra. Isis de Mattos Campra, entendese estar de acordo com texto da legislação regente da matéria, devidamente enquadrada dentro das normas do Direito de Família (fl. 39). Assim, a glosa de R$16.279,23 relativo ao pagamento de pensão alimentícia judicial à Isis de M. Campra deve ser cancelada. Diante de todo o exposto, concluise que a Glosa da Dedução Indevida de Despesas com Pensão Alimentícia Judicial no valor de Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 197 7 R$83.530,00 deve ser mantida em parte, no valor de R$41.493,38, devendo ser cancelada a parcela de R$42.036,62, tendo em vista a conclusão da análise dos documentos apresentados para a comprovação dos pagamentos informados na declaração de ajuste, bem como os termos constantes nas decisões judiciais em que foram estabelecidas as referidas pensões, conforme preceitua o art.8.º, inciso II, alínea "f", da Lei n.º 9.250/95; arts. 73, 78 e 841, inciso II do Decreto n.º 3.000/99 – RIR/99 e arts. 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n.º 15/2001. (...). Após tomar ciência do resultado da revisão de ofício acima fl. 133, o contribuinte, a fls. 136/137, apresenta manifestação de inconformidade sobre a glosa da dedução a título de pensão alimentícia ora mantida, nos seguintes termos: Na 1º Ação, de 18 de junho de 1979, Elza Cabral de Souza requereu uma \Pensão Alimentícia de 40% dos meus vencimentos, e ficou estabelecido, também, que eu seria responsável pelo pagamento das prestações do apartamento que ficou para ela, bem como as despesas com mensalidades escolares, material didático e uniforme. Na 2ª Ação, datada de 18 de maio de 1980, Elza Cabral de Souza requereu Separação Judicial, sendo mantida a pensão de 40%. Ocorre, porém, que o Juiz, por sua conta, determinou que à mãe caberia 19% e aos filhos a diferença (21%). Determinou, ainda, que a mim caberia pagamento da prestação do apartamento de residência da família, bem como o reembolso das despesas escolares, etc. não especificando a idade limite para os filhos deixarem de participar dos 3% estipulados para cada um. E fez anexar os documentos de fls. 138/144. A impugnação apresentada foi julgada improcedente (fls. 152/162), resultando da cobrança de imposto suplementar remanescente no valor de R$ 10.663,89 (fls. 164/165). Devidamente intimado, por AR, da decisão proferida (16/07/2018) (fls. 166/167), apresentou (em 03/08/0218) Recurso Voluntário (Fls. 170/188), insurgindose contra a dedução glosada, repisando as alegações da impugnação, pugnando, ao final, pela reforma da decisão recorrida com o cancelamento do débito fiscal reclamado. Instruiu a peça recursal, com cópia dos comprovantes de rendimentos recebidos no ano de 2015 (fls. 177/188). Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Wilderson Botto – Relator Fl. 200DF CARF MF 8 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. MÉRITO 1 Da glosa da despesa com pensão alimentícia judicial: No que tange a glosa remanescente mantida e que importou no imposto suplementar lançado, o Recorrente deduziu o valor de R$ 65.117,24, relativo a despesas com pensão alimentícia pagas a sua exesposa (Elza Cabral de Souza) e aos seus sete filhos (Valéria, Lincoln, André, Jeferson, Célio, Patrícia e Rodolfo) com o equivalente a 40% de seus ganhos líquidos, considerando este como a diferença entre os seus ganhos brutos a qualquer título, e os descontos legalmente obrigatórios, ou seja, os previdenciários e fiscais. Dos 40% dos ganhos líquidos, 19% seria destinado a exesposa e 21% divididos em partes iguais pelos sete filhos do casal, ou seja, 3% para cada um deles. (fls. 105/107). A DRJ/JFA, por sua vez, entendeu que a dedução foi indevida (fls. 152/162): A exigência tributária remanescente nos autos se deu em razão da manutenção da glosa da dedução pleiteada a título de pensão alimentícia, referente à Sra. Elza Cabral de Souza, no valor de R$41.493,38, pelas justificativas já relatadas. O interessado se manifesta contrariamente à glosa mantida alegando que a obrigação alimentar determinada na primeira sentença judicial foi na proporção de 40% de seus vencimentos, e na segunda sentença a autoridade judicial distribuiu aquele percentual entre sua exesposa, que ficou com 19%, e seus sete filhos, os restantes 21% 3% para cada um, mas, não foi estipulada a idade limite destes para o recebimento da parte correspondente. Sobre o assunto o RIR/1999 assim dispõe: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II)... (grifei) Desse modo, a regularidade da dedução de pensão alimentícia judicial depende do atendimento de dois requisitos, a serem comprovados pelo contribuinte: que o pagamento decorre de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente em face das normas do Direito de Família e seu efetivo pagamento. O exame da situação que ora se apresenta não pode ficar adstrito à interpretação literal das normas pertinentes, sendo necessário, também, determinar a natureza dos pagamentos efetuados pelo contribuinte e verificar, por meio de interpretação finalística e sistemática das normas tributárias e de direito de família, o alcance da dedução de pagamentos a título de pensão alimentícia. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 198 9 (...). Patente que não há como interpretar o dispositivo tributário regente da matéria, como se fosse norma isolada no sistema, é importante identificar a natureza dos pagamentos efetuados por meio de sentenças ou acordos judiciais, pois nem todos têm a natureza jurídica de pensão alimentícia, embora possam ter sido assim denominados como no presente caso. Cabe registrar que no Termo de Audiência e Conciliação de fls. 105/106, datado de 16/05/1980, foram discriminados como alimentantes a ex esposa do contribuinte e seus sete filhos, cujas datas de nascimentos estão ali informadas, tendo o mais novo nascido no ano de 1972, portanto, em 2015, este estaria com idade superior a 42 (quarenta e dois) anos e o mais velho acima de 54 (cinquenta e quatro) anos idade. Neste ponto, necessário se faz analisar dispositivos do Código Civil, para esclarecimento das condições de dedutibilidade da pensão alimentícia. Seguem textos legais, os quais contêm grifos ou destaques no original: Art. 1.590. As disposições relativas à guarda e prestação de alimentos aos filhos menores estendemse aos maiores incapazes.[...] Art. 1.630. Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores.[...] Art. 1.635. Extinguese o poder familiar: I pela morte dos pais ou do filho; II pela emancipação, nos termos do art. 5o, parágrafo único; III pela maioridade; IV pela adoção; V por decisão judicial, na forma do artigo 1.638.[...] Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2o Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Pelos dispositivos legais expostos, a dedução lançada não pode ser aceita como proveniente de pensão alimentícia judicial devida em face das normas de Direito de Família, condição principal para a dedução da base de cálculo do imposto de renda. Não se está afastando a possibilidade de celebração de acordos, visto que podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. É o que determina o art. 1694 do Código Civil, entretanto, entre os pressupostos essenciais da obrigação de prestar alimentos consta a existência do vínculo de parentesco entre o alimentando e o alimentante, Fl. 202DF CARF MF 10 porém, com relação aos filhos que atingem a maioridade, a idéia preponderante é que os alimentos cessam com ela. (...) A doutrina e boa parte da jurisprudência admitem que tal pagamento se dê até os 21 anos de idade, admitido até os 24 anos de idade, devendo ser comprovado, nessa hipótese, que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência ou que ficasse comprovada a sua incapacidade para o trabalho ou a falta de condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença. (...) De todo o exposto, fica claro que o direito à redução da base de cálculo do imposto de renda mediante dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia judicial abrange os valores correspondentes ao dever de sustento, vale dizer, até que o alimentando atinja a maioridade civil, e desde que atendidos os requisitos legais e comprovado o efetivo pagamento. Exceção a essa regra é o caso de filhos maiores inválidos e de maiores com até 24 anos de idade que comprovadamente estejam em curso superior ou técnico de segundo grau, tendo por base o art. 77 do RIR/1999. Portanto, pagamentos efetuados a filhos que não se enquadrem na condição de menoridade, ou nas situações especiais previstas na legislação, não geram direito a redução da base de cálculo do IRPF mediante dedução. Esse é o caso que ora se apresenta, visto que os filhos do contribuinte com sua exesposa, no ano calendário de 2015, se encontravam com idades entre 42 e 54 anos, situação que tem como condição imprescindível, para fins de dedução, que, em face das normas do Direito de Família, os alimentos sejam devidos quando o(s) pretendente(s) não tenha(m) bens e nem possa(m) prover, pelo trabalho, a própria mantença, existindo um caráter obrigacional claro de sustento, condição essa que não foi comprovada nos presentes autos. (...) Concluise, pois, que o pleito do impugnante é indevido em relação aos seus filhos, e, da mesma forma, em relação à sua ex esposa, haja vista que não foi apensado aos autos algum documento judicial determinando que as pensões alimentícias vinculadas aos seus filhos, ao atingirem a maioridade civil, fossem revertidas para a Sra. Elza Cabral de Souza Neste ponto, vale transcrever o bem fundamentado voto vencedor trazido Acórdão nº 2201003.406, proferido nos autos Processo nº 13014.720475/201501, cujas razões de decidir perfilho – e que se amolda ao caso concreto – onde a ilustre Conselheira Redatora designada, Dione Jesabel Wasilewski, com percuciência assim manifestou suas convicções: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 199 11 Presto minha homenagem à percuciente construção feita pelo relator em seu voto, contudo não concordo com os seus termos e conclusões. Este voto trata da possibilidade de dedução de pensão alimentícia paga a filho com mais de 21 anos e que não comprove curso em faculdade ou ensino técnico superior ou impossibilidade para trabalho ou para prover a própria mantença. As atividades legislativa e executiva são expressões do poder político do Estado, a primeira responsável pela edição de normas de caráter geral e abstrato que inovam na ordem jurídica e a segunda, vocacionada a resolver os casos concretos de acordo coma ordem jurídica vigente. Mesmo o poder regulamentar conferido ao executivo deve ser exercido dentro dos estreitos limites impostos pelas leis, sendo pacífico o entendimento de que ele não é autorizado, sob pena de se configurar invasão de competência, a extrapolar essas fronteiras criando regras inovadoras. Se o poder regulamentar está contido pela rigidez desses contornos, que se dirá da atividade da Administração Pública, já definida como aquela a quem compete aplicar a lei de ofício. Na hipótese em questão, a norma que confere ao contribuinte o direito à dedução da pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda tem a seguinte redação (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil; (...) Essas regras são diferentes daquelas relativas à dedução dos filhos como dependentes. Para cada uma dessas situações, dedução como dependente ou dedução de pensão alimentícia, existem condições legais próprias a serem atendidas, que expressam verdadeiros ônus para os contribuintes, mas são também expressões de direitos a serem respeitados pela Administração. Ao estender as regras criadas textualmente para as situações de dependência para as de dedução da pensão alimentícia, a Fl. 204DF CARF MF 12 Administração onera os contribuintes nesta situação de forma que extrapola os limites impostos pela investigação sintática (literalidade). E este é o critério fixado pelo Código Tributário Nacional como o adequado para a interpretação das normas dessa natureza (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 111), que tanto serve para limitar o exercício do direito, como para definir o ônus imposto como condição para ele. Ou seja, a literalidade da norma tanto serve para impedir a extensão, como a redução do seu significado. É certo que o CTN autoriza o emprego da analogia quando houver ausência de disposição expressa" (art. 108, I), ressalvando que, do emprego da analogia, não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei (art. 108, § 1º). Mas, ao se indagar sobre a possibilidade de integração da norma, por analogia, no caso concreto em análise, não é possível superar nem o primeiro obstáculo estabelecido pelo CTN, pois, indubitavelmente, há norma específica regulando a matéria. A meu ver, criar condições que não podem ser extraídas do texto legal significar inovar no ordenamento jurídico, e inovar no ordenamento jurídico é legislar sobre direito tributário, atividade estranha à esfera de competência desse órgão. Isso não quer dizer que a administração está fadada a admitir as deduções a título de pensão alimentícia sem qualquer valoração do caso concreto. Pelo contrário, há um espaço a ser preenchido na verificação da adequação do caso concreto ao preceito geral e abstrato. Assim, para que haja o direito à dedução não basta, por exemplo, que haja um acordo homologado judicialmente. É necessário investigar quais foram as condições estabelecidas como pressupostos para sua validade e se essas condições ainda se mantém (aplicação da cláusula rebus sic stantibus). De forma que, se a pensão foi justificada pelo estado de desemprego involuntário, ou pelo fato do filho estar se dedicando à formação acadêmica, ou pelo casal estar separado de fato, ou por doença do beneficiário da pensão ou de seu filho/cônjuge a exigir atenção integral daquele, pode ser feita a verificação da continuidade dessas condições como pressuposto de eficácia do acordo ou da sentença. A fiscalização também pode e deve conferir se há efetivamente pagamento da pensão. Para tanto, é necessário que haja prova da transferência dos recursos e que estes foram integrados de forma definitiva ao patrimônio do beneficiário. Não comprovado pagamento, não há direito à dedução. A verificação do atendimento dessas condições deve ser feita pela fiscalização e caso constate a existência de irregularidade, ela deve estar suficientemente escrita no auto de infração, com a demonstração dos seus elementos de fato e de direito. Se o lançamento não aponta esses elementos, faltalhe fundamentação. Na hipótese em questão, o auto utilizou como fundamento para glosa da dedução com pensão judicial (fls 34) o não atendimento aos critérios estabelecidos para dedução de dependente. Esse Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 200 13 critério não é idôneo para fundamentar essa glosa e outro não pode ser manejado nessa sede recursal sob pena de cerceamento do direito de defesa. Dessa forma, com todo respeito àqueles que pensam de maneira diferente, entendo que, em relação à dedução da pensão alimentícia, a atividade fiscal está limitada a verificar: a existência do acordo/sentença/escritura pública; se seus pressupostos de validade continuam a existir (condições expressamente fixadas em seu texto) e se houve efetivo pagamento. Se as normas existentes não forem boas o suficiente para regular as situações concretas da vida, especialmente considerando as grandes mudanças verificadas nas últimas décadas em relação à organização e funcionamento familiar, o caminho a ser trilhado é provocar o debate em sociedade e a criação, via legislativa, de regras mais adequadas aos fins visados pelo Estado. Em vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, reformando a decisão recorrida e restabelecendo o direito à dedução da pensão alimentícia no valor de R$ 9.682,53. No caso dos autos, vislumbro que a DRJ/JFA buscou suprir o que o lançamento deveria ter feito, ou seja, investigar a situação vivenciada pelos filhos/alimentados Valéria, Lincoln, André, Jeferson, Célio, Patrícia e Rodolfo, no intuito de fundamentar a razão da recusa ao direito à prestação alimentar, uma vez que não basta haver vínculos com o Direito de Família, há que existir a indispensável necessidade de se pagar a pensão pelo Direito de Família. Esse entendimento, que reputo essencial, não ficou explicado na autuação e nem no acórdão recorrido, cuja indedutibilidade está escorada apenas no argumento de que os alimentados “são maiores de 24 anos e não ficou não terem bens e nem possam prover, pelo trabalho, a própria mantença, existindo um caráter obrigacional claro de sustento, condição essa que não foi comprovada nos presentes autos” (fls. 162). Destarte, em relação aos filhos/dependentes, a quem foram destinados 21% dos rendimentos líquidos a título de pensão alimentícia, restando demonstrado que o lançamento não apresentou elementos fáticos mínimos para que o contribuinte pudesse ter se defendido da autuação, deve ser afastada a glosa efetuada. Por outo lado, em relação a pensão paga a exesposa Elza Cabral de Souza, no percentual de 19% dos rendimentos líquidos, deverá ser mantida a glosa no valor de R$ 5.151,47, relativa aos meses de novembro e dezembro de 2015, diante de seu falecimento, ocorrido em 27/10/2015 (fls. 119). CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe, para restabelecer a dedução com pensão alimentícia, declarada, mantendose a glosa apenas sobre o valor de R$ 5.151.,47, referente a pensão paga a exesposa Elza Cabral de Souza nos meses de novembro e dezembro, da base de cálculo do imposto de renda, anocalendário 2015, exercício 2016. Fl. 206DF CARF MF 14 (assinado digitalmente) Wilderson Botto Voto Vencedor (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Peço especial vênia ao nobre relator para discordar da inferência de que a fiscalização deveria investigar a situação vivenciada pelos filhos maiores de idade, como também da conclusão, embora concordando com a tese paradigmática do eminente voto. Como se há verificar, a presente análise tratará de indagações acerca das circunstâncias em que o pagamento de pensão alimentícia a filho maior de idade estará resguardado pelas normas do Direito de família, condição necessária para a dedutibilidade pretendida pelo recorrente. Nessa perspectiva, verificando a jurisprudência deste Conselho sobre reportado assunto, constatamos haver três suposições postas como respostas possíveis para a problemática suscitada, as quais guiarão as diretrizes do diagnóstico que se busca realizar. Assim entendido, o escopo do presente estudo está a compreender aquilo que efetivamente diz reportada norma tributária, como se passa o que alí está dito e de que modo a situação fática a ela se subsume. A primeira hipótese, representada pelo Acórdão nº 2201003.406 da 1º Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em síntese, infere: A administração não dispõe de competência para estender as regras da dedução com dependente às de pensão alimentícia, estando a atividade fiscal limitada a certificarse do efetivo pagamento e do cumprimento das normas do Direito de família. Eis as evidências que sustentam patenteada inferência: 1. a administração pública deverá aplicar a lei de ofício, sendolhe vedado exceder aos limites por ela impostos, porquanto legislar sobre direito tributário se traduz atividade estranha à sua esfera de competência; 2. a Lei impõe regras próprias e distintas para a dedutibilidade de dependente e pensão alimentícia, cujo ônus atribuído ao contribuinte também implica direitos que lhes deve ser respeitados pela administração pública; 3. ao estender as regras da dedução com dependente para a de pensão alimentícia, a administração onera os contribuintes, por ultrapassar os limites legais impostos, contexto vedado pelo art. 111 do CTN, já que a legalidade ali imposta tanto serve para limitar direitos do contribuinte, como para definir o ônus a ele imposto pela administração; 4. a administração deverá valorar a adequação do caso concreto ao preceito legal abstrato, aí se incluindo as motivações por que referida pensão foi concedida. A exemplo: formação acadêmica, desemprego involuntário, incapacidade laborativa, etc. Por conseguinte, a atividade fiscal está limitada a verificar: a existência do acordo/sentença/escritura pública; se seus pressupostos de validade continuam a existir (condições expressamente fixadas em seu texto) e se houve o efetivo pagamento. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 201 15 A segunda hipótese, representada pelo Acórdão nº 9202007.117 da 2ª Turma da CSRF do CARF, em síntese, afirma: Enquanto não cancelada judicialmente, a despesa com pensão alimentícia concedida dentro das normas do Direito de família é dedutível, independentemente da idade atingida pelo alimentando. Eis suas evidências de origem: 1. no Direito de família, a pensão alimentícia se conforma com a necessidade do alimentando e a possibilidade do alimentante, definidas caso a caso, independentemente da idade de seu beneficiário; 2. ainda que afastadas as causas justificadoras de sua concessão, a pensão alimentícia deverá continuar sendo paga até a respectiva exoneração judicial Súmula 209 (sic) do STJ; 3. não havendo limite de idade para o Direito Civil, não há que se exigila para fins de dedução tributária. Portanto não se deve confundir limite de idade para fins da relação de dependência no imposto de renda com aquele destinado à concessão de pensão alimentícia. A terceira hipótese, representada pelo Acórdão nº 2401005.793 da 1º Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em síntese, sustenta: A pensão alimentícia concedida conforme normas do Direito de família, assim como o abatimento com dependentes estão vinculadas à concepção de dependência econômica, motivo por que a dedução da primeira está condicionada à observância das regras de dedutibilidades da segunda, ainda que vigente o comando judicial. Eis seus fundamentos: 1. mencionada dedução não está condicionada apenas ao decidido ou ratificado judicialmente, já que afasta a interpretação isolada do dispositivo legal; 2. a lei tributária pressupõe a prestação de alimentos como sendo obrigação alimentar decorrente do poder familiar ou derivado da relação de parentesco ou conjugal; 3. a conferência do cumprimento de requisitos estipulados na legislação tributária para a dedução da pensão alimentícia não implica negação de validade do decidido ou acordado judicialmente. Oportuno registrar que a acepção do enfrentamento das reportadas questões se dará apenas em tese, não sendo os respectivo casos concretos abordados, porquanto alheios ao escopo do presente estudo. Dessa forma definida, entendemos razoável sistematizar a pensão alimentícia sob os seguintes horizontes: 1. da legislação tributária Lei nº 9.250, de 1995, arts. 4º, inciso III; 8º, inciso II, alíneas "a", "b", "c" e "f", §§ 2º, inciso II, e 3º, e 35, caput; e Decreto nº 3.000, de 1999, art. 78, §§ 4º e 5º (vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018); Fl. 208DF CARF MF 16 2. do Direito Civil Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.694, caput; 1.695 e 1.708, caput e § único. Pensão alimentícia na perspectiva da legislação tributária Posta assim a questão, confirase o ordenamento presente na Lei nº 9.250, de 1995, arts. 4º, inciso III; 8º, inciso II, alíneas "a", "b", "c" e "f", §§ 2º, inciso II, e 3º, e 35, caput: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] III a quantia, por dependente, de: [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados [...] a médicos [...]; b) pagamentos de despesas com instrução [...]; c) à quantia, por dependente, de: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; [...] Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 202 17 § 3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes [...]. (grifo nosso) Registrese, ainda, que o Decreto nº 3.000, de 1999, art. 78, §§ 4º e 5º vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018 ao regular o mandamento legal presente no § 3º acima disposto, esclarece: Art. 78. Na determinação [...], poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia [...]. [...] § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Consoante interpretação literal do ordenamento legal acima, a dedutibilidade atinente à pensão alimentícia judicial na apuração do imposto de renda devido terá de acatar tão somente os seguintes requisitos: 1. a comprovação do efetivo pagamento da obrigação (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f"); 2. a comprovação do atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f"); 3. as quantias pagas a título de despesa médica e de educação dos alimentandos, quando em virtude de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, podem ser dedutíveis desde que em suas respectivas "rubricas", obedecido o limite legal anual desta última, e não como pensão alimentícia propriamente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Fl. 210DF CARF MF 18 Nessa concepção, plausível evidenciar as 03 (três) rubricas distintas apropriadas para a declaração das deduções com alimentando, quais sejam: 1. "pensão alimentícia judicial", destinada para declaração do pagamento da obrigação de alimento propriamente (art. 8º, inciso II, alínea "f"); 2 "despesa médica", destinada para a declaração do pagamento dos dispêndios a tal título, em cumprimento das normas do Direito de família (art. 8º, inciso II, § 3º); 3. "despesa com educação", destinada para a declaração do pagamento dos dispêndios dessa designação, em cumprimento das normas do Direito de família (art. 8º, inciso II, § 3º). Conforme se depreende do até então exposto, aludida ordem legal somente vai além do objeto da presente análise pensão alimentícia exclusivamente quanto às despesas médica e com educação de alimentando (art. 8º, § 3º). Nesse panorama, remete tais deduções para os preceitos dispostos nas alíneas "a" e "b" do apontado art. 8º, II, respectivamente, quedando silente quanto à alínea "c" desse mesmo artigo, que trata da dedução com dependentes. Ademais, de igual modo, não se observa qualquer referência direta ao art. 35 da citada matriz legal, o qual define quem poderá ser dependente para fins de dedutibilidade do imposto devido. A par disso, é forçoso crer ser razoável interpretação sistêmica que pretenda condicionar a dedutibilidade de pensão alimentícia ao cumprimento das regras destinadas àquela com dependentes, porque inexistente correlação entre uma e a outra. Afinal, o comando funcional ali presente art. 8º inciso II, alínea "f", § 3º assim o quis, já que extremamente preciso ao remeter a disciplina da primeira ao cumprimento das normas do Direito de família, excepcionando apenas as condicionantes para a dedutibilidade das despesas médica e de instrução com alimentando. Como visto, a vinculação da dedução de pensão alimentícia ao atendimento das condições de dependência não está estabelecida no supracitado art. 8º, inciso II, alínea "f", o qual preserva sua autonomia normativa. Assim sendo, embora pareça que ela ali está parcialmente prevista, via § 3º, a isso fazendo referência indireta, crível se interpretar tratarse do pagamento de despesas médica e com educação de alimentando, e não da dedução de dependente. Logo, a referência indireta apontada mediante especificado parágrafo (§ 3º) sujeita pretendidas dedutibilidades somente à obrigatoriedade de serem declaradas em suas próprias rubricas, como também ser respeitado o limite anual da despesa com instrução própria ou de dependente. Pensão alimentícia na perspectiva do Direito Civil Assimilado o que efetivamente disse citada norma tributária, oportuno trazer a configuração que a Lei nº 10.406, de 2002, arts. 5º, caput e § único, incisos I a V; 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I; 1.635, inciso III; 1.694, caput e § 1º; 1.695; 1.703; e 1.708, caput e § único; dá ao referenciado assunto. Nestes termos: Art. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. (grifo nosso) Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 203 19 I pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II pelo casamento; III pelo exercício de emprego público efetivo; IV pela colação de grau em curso de ensino superior; V pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da família. (grifo nosso) Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: [...] IV sustento, guarda e educação dos filhos; (grifo nosso) Art. 1.630. Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores. (grifo nosso) Art. 1.631. Durante o casamento e a união estável, compete o poder familiar aos pais; na falta ou impedimento de um deles, o outro o exercerá com exclusividade. (grifo nosso) Art. 1.632. A separação judicial, o divórcio e a dissolução da união estável não alteram as relações entre pais e filhos senão quanto ao direito, que aos primeiros cabe, de terem em sua companhia os segundos. (grifo nosso) Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos: I dirigirlhes a criação e a educação; (grifo nosso) Art. 1.635. Extinguese o poder familiar: [...] III pela maioridade; (grifo nosso) Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. Fl. 212DF CARF MF 20 § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. (grifo nosso) Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (grifo nosso) Art. 1.703. Para a manutenção dos filhos, os cônjuges separados judicialmente contribuirão na proporção de seus recursos. Art. 1.708. Com o casamento, a união estável ou o concubinato do credor, cessa o dever de prestar alimentos. Parágrafo único. Com relação ao credor cessa, também, o direito a alimentos, se tiver procedimento indigno em relação ao devedor. (grifo nosso) Igualmente relevante, seguem excertos da Lei nº 5.478, de 1968, que dispõe sobre a ação de alimentos: Art. 15. A decisão judicial sobre alimentos não transita em julgado e pode a qualquer tempo ser revista, em face da modificação da situação financeira dos interessados. Art. 21. O art. 244 do Código Penal passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 244. Deixar, sem justa causa, de prover a subsistência do cônjuge, ou de filho menor de 18 anos ou inapto para o trabalho ou de ascendente inválido ou valetudinário, não lhes proporcionando os recursos necessários ou faltando ao pagamento de pensão alimentícia judicialmente acordada, fixada ou majorada; deixar, sem justa causa, de socorrer descendente ou ascendente gravemente enfermo: Pena Detenção de 1 (um) ano a 4 (quatro) anos [...]; Art. 27. Aplicamse supletivamente nos processos regulados por esta lei as disposições do Código de Processo Civil. Preliminarmente, como se há verificar, a solução do imbróglio está em saber até onde o pagamento de pensão alimentícia resulta do cumprimento da obrigação de alimentos, e não de liberalidade do alimentante. Aquela, dedutível na apuração do imposto devido, porque decorrente do atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública referida na Lei nº 5.869, de 1973; esta, indedutível, por falta de previsão legal. Nessa ótica, apropriome do entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável por uniformizar a interpretação da lei federal, solucionando definitivamente os litígios civis e criminais, exceto quando a contenda envolva matéria constitucional ou da justiça especializada. Confirase: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 204 21 AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIVÓRCIO. ALIMENTOS. FILHA MAIOR DE IDADE. LEGITIMIDADE ATIVA. PEDIDOS. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 568/STJ. ART. 538 DO CPC/1973. MULTA. CABIMENTO. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 1973 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ).2. A filha maior de idade tem legitimidade ativa para postular alimentos do seu genitor.3. A obrigação alimentar do pai em relação aos filhos não cessa automaticamente com o advento da maioridade, a partir da qual subsiste o dever de assistência fundada no parentesco sanguíneo, devendo ser dada a oportunidade ao alimentando de comprovar a impossibilidade de prover a própria subsistência ou a necessidade da pensão por frequentar curso técnico ou universitário. Precedentes.4. [...]. 6. Agravo interno não provido. (STJ AgInt no Agravo em Recurso Especial Nº 970.461 RS (2016/02205013), 3ª Turma do STJ, Rel. Ricardo Vilas Bôas Cuevaghi. j. 27.02.2018, unânime, DJe 08.03.2018) (grifo nosso) CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ALIMENTOS. LITISCONSÓRCIO PASSIVO NECESSÁRIO. EXISTÊNCIA. CURSO SUPERIOR CONCLUÍDO. REALIZAÇÃO DE PÓS GRADUAÇÃO. NECESSIDADE/POSSIBILIDADE. Os alimentos devidos em razão do poder familiar ou do parentesco, são instituídos, sempre, intuitu personae, para atender os ditames do art. 1.694 do Código Civil que exige a verificação da necessidade de cada alimentado e a possibilidade do alimentante, razão pela qual, quando fixados globalmente, ainda assim, consistem em obrigações divisíveis, com a presunção salvo estipulação da sentença em sentido contrário que as dívidas são iguais, 2. O advento da maioridade não extingue, de forma automática, o direito à percepção de alimentos, mas esses deixam de ser devidos em face do Poder Familiar e passam a ter fundamento nas relações de parentesco, em que se exige a prova da necessidade do alimentado. 3. O estímulo à qualificação profissional dos filhos não pode ser imposto aos pais de forma perene, sob pena de subverter o instituto da obrigação alimentar oriunda das relações de parentesco, que tem por objetivo, tão só, preservar as condições mínimas de sobrevida do alimentado. 4. Em rigor, a formação profissional se completa com a graduação, que, de regra, permite ao bacharel o exercício da profissão para a qual se graduou, independentemente de posterior especialização, podendo assim, em tese, prover o próprio sustento, circunstância que afasta, por si só, a presunção iuris tantum de necessidade do filho estudante. 5. Persistem, a partir de então, as relações de parentesco, que ainda possibilitam a percepção de alimentos, tanto de descendentes quanto de ascendentes, porém desde que haja prova de efetiva necessidade do alimentado. 6. Recurso especial não provido. (STJ Recurso Especial nº 1505079/MG (2015/00015001), 3ª Turma do STJ, Rel. Nancy Andrighi, 13.12.2016, unânime, DJe 01.02.2017) (grifo nosso) Fl. 214DF CARF MF 22 RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. FAMÍLIA. ALIMENTOS. MAIORIDADE. SÚMULA Nº 358/STJ. NECESSIDADE. PROVA. CONTRADITÓRIO. 1. O advento da maioridade não extingue, de forma automática, o direito à percepção de alimentos, os quais passam a ter fundamento nas relações de parentesco, em que se exige a prova da necessidade do alimentado, que não foi produzida no caso concreto. 2. Incumbe ao interessado, já maior de idade, nos próprios autos e com amplo contraditório, a comprovação de que não consegue prover a própria subsistência sem os alimentos ou, ainda, que frequenta curso técnico ou universitário. 3. Recurso especial parcialmente conhecido e nesta parte provido para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem. (STJ REsp 1587280 / RS Recurso Especial 2014/03329230, 3ª Turma do STJ, Rel. Ricardo Vilas Bôas Cuevas, 05.05.2016, unânime, DJe 13.05.2016) (grifo nosso) PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ALIMENTOS. CURSO SUPERIOR CONCLUÍDO. NECESSIDADE. REALIZAÇÃO DE PÓSGRADUAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. O advento da maioridade não extingue, de forma automática, o direito à percepção de alimentos, mas esses deixam de ser devidos em face do Poder Familiar e passam a ter fundamento nas relações de parentesco, em que se exige a prova da necessidade do alimentado. 2. É presumível, no entanto, presunção iuris tantum , a necessidade dos filhos de continuarem a receber alimentos após a maioridade, quando frequentam curso universitário ou técnico, por força do entendimento de que a obrigação parental de cuidar dos filhos inclui a outorga de adequada formação profissional. 3. Porém, o estímulo à qualificação profissional dos filhos não pode ser imposto aos pais de forma perene, sob pena de subverter o instituto da obrigação alimentar oriunda das relações de parentesco, que tem por objetivo, tão só, preservar as condições mínimas de sobrevida do alimentado. 4. Em rigor, a formação profissional se completa com a graduação, que, de regra, permite ao bacharel o exercício da profissão para a qual se graduou, independentemente de posterior especialização, podendo assim, em tese, prover o próprio sustento, circunstância que afasta, por si só, a presunção iuris tantum de necessidade do filho estudante. 5. Persistem, a partir de então, as relações de parentesco, que ainda possibilitam a percepção de alimentos, tanto de descendentes quanto de ascendentes, porém desde que haja prova de efetiva necessidade do alimentado. 6. Recurso especial provido. (STJ Recurso Especial nº 1218510/SP (2010/01846617), 3ª Turma do STJ, Rel. Nancy Andrighi, 27.09.2011, unânime, DJe 03.10.2011) (grifo nosso) Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 205 23 AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS. MAIORIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE. REVISÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, em se tratando de filho maior, a pensão alimentícia é devida pelo seu genitor em caso de comprovada necessidade ou quando houver frequência em curso universitário ou técnico, por força do entendimento de que a obrigação parental de cuidar dos filhos inclui a outorga de adequada formação profissional. Porém, é ônus do alimentado a comprovação de que permanece tendo necessidade de receber alimentos. Precedentes. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ AgRg nos EDcl no AREsp 791322 / SP. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2015/02473118 , Terceira Turma do STJ, Relator Marco Aurélio Bellizze, 19/05/2016, unânime, DJe 01/06/2016) (grifo nosso) Súmula 358 O cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos. (Súmula 358, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/08/2008, DJe 08/09/2008, REPDJe 24/09/2008) Oportuno ressaltar que a doutrina não diverge do STJ, conforme se pode verificar nos excertos transcritos na sequência, da lavra de Maria Berenice Dias e de Flávio Tartuce. Confirmase: Flávio Tartuce Manual de Direito Civil, 2015: No caso de menores, a obrigação alimentar é extinta quando atingem a maioridade. Entretanto, por questão de justiça, essa extinção não ocorre de forma automática, sendo necessária uma ação de exoneração. (grifo nosso) Maria Berenice Dias Manual de Direito das Famílias, 2015: Distingue a doutrina obrigação alimentar do dever de sustento, que se vincula ao poder familiar e diz respeito ao filho menor de idade (CC 1.566 III e 1.568). Uma vez cessado o poder familiar, pela maioridade ou emancipação, termina o ciclo do dever de sustento e começa o vínculo da obrigação alimentar. Dita mudança de natureza, no entanto, não enseja o fim da obrigação, que precisa ser desconstituída judicialmente. No entanto, para persistir o encargo, indispensável a prova da necessidade do credor. [...] Fl. 216DF CARF MF 24 Enquanto o filho se encontra sob o poder familiar, o pai não lhe deve alimentos, o dever é de sustento. Tratase de obrigação com assento constitucional (CF 229): os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores. Esses são os deveres inerentes ao poder familiar (CC 1.634 e ECA 22): sustento, guarda e educação. Entre sustento e alimentos há considerável diferença. A obrigação de sustento é imposta a ambos os pais. Tratase de obrigação de fazer que não possui relação com a guarda. Normalmente a obrigação alimentar é imposta ao não guardião [...]. O encargo de prestar alimentos é obrigação de dar, representada pela prestação de certo valor em dinheiro. Os alimentos estão submetidos a controles de extensão, conteúdo e forma de prestação. Fundamentalmente, achamse condicionados pelas necessidades de quem os recebe e pelas possibilidades de quem os presta (CC 1.694, § 1º). Enquanto os filhos são menores, a presunção de necessidade é absoluta, ou seja, juris et de jure. Tanto é assim que, mesmo não requeridos alimentos provisórios, deve o juiz fixálos (LA 4º). O adimplemento da capacidade civil, aos 18 anos (CC 5º), ainda que enseje o fim do poder familiar, não leva à extinção automática do encargo alimentar. Após a maioridade é presumível a necessidade dos filhos de continuarem a perceber alimentos. No entanto, a presunção passa a ser juris tantum, enquanto os filhos estiverem estudando, pois compete aos pais o dever de assegurarlhes educação (CC 1.694). Posta assim a questão, consoante os preceitos transcritos anteriormente, sintetizase, abaixo, o modo como se apresentam as normas do Direito de família, para as quais a legislação tributária remeteu a disciplina da pensão alimentícia dedutível: 1. o casamento, a união estável ou o concubinato do alimentando, como também seu comportamento indigno em relação ao alimentante são as únicas hipóteses previstas em lei de supressão automática do pagamento da pensão alimentícia. Logo, nas demais circunstâncias, manifestada cessação estará condicionada, obrigatoriamente, à prévia ponderação entre a necessidade do alimentando e a possibilidade do alimentante (art. 1.708, caput e § único); 2. há duas categorias autônomas de obrigação alimentar a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos, independentemente da situação conjugal estabelecida, quais sejam: (a) a suportada na obrigação legal de exercício do poder familiar atinente aos filhos menores de idade, aí se incluindo o dever de sustento, guarda e educação (arts. 1.565; 1.566, inciso IV; 1.630; 1.631, caput; 1.632; 1.634, inciso I e 1.703); (b) a padecida no dever de solidariedade entre parentes, que a lei impõe aos pais, no sentido de prestarem assistência aos filhos maiores de idade que ainda careçam da ajuda para sobreviver (arts. 1.694, caput e § 1º, e 1.695); Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 206 25 3. citadas obrigações têm naturezas distintas, pois enquanto a fundamentada no "dever de sustento" dos filhos menores de idade carrega em si a presunção da necessidade dos alimentos em virtude da incapacidade civil do alimentando; aquela assentada no "dever solidário" do parentesco demanda prévia prova de sua efetiva necessidade por parte do suposto necessitado; 4. a maioridade do alimentando cessa o poder familiar, implicando extinção da causa justificadora do dever obrigacional de sustento, mas o cancelamento de reportada imposição carece de decisão judicial, mediante contraditório (STJ, Súmula nº 358); 5. afastada a causa da obrigação de sustento pela maioridade do credor da pensão, cabe ao seu devedor peticionar mencionado cancelamento em ação exoneratória autônoma ou incidentalmente nos próprios autos onde foram convencionados os alimentos; 6. o devedor da pensão tem o direito de optar por não provocar o judiciário em face da maioridade civil do filho que completou 18 (dezoito) anos de idade, caracterizando se como sendo decorrentes de mera liberalidade os pagamentos efetivados dali em diante. Afinal, quem decide acerca do binômio "necessidade" x "possibilidades" é o juiz, ainda que se trate do maior com até 24 (vinte e quatro) anos frequentando curso técnico ou graduação universitária; 7. entendese como prova suficiente para afastar citada liberalidade a comprovação do pedido exoneratório, em ação autônoma ou nos próprios autos, onde o encargo foi fixado, enquanto o magistrado não decidir a questão; 8. a jurisprudência e a doutrina se alinham no sentido de que o filho maior com até 24 (vinte e quatro) anos de idade tem direito à assistência baseada no dever de solidariedade entre parentes, desde que prove a impossibilidade de prover a própria subsistência ou a necessidade da pensão por frequentar curso técnico ou de graduação universitária; 9. dita pensão no dever de solidariedade entre parentes não alcança o capaz com 25 (vinte e cinco) anos ou mais de idade, como também aquele maior com até 24 (vinte e quatro) anos, já graduado, mas cursando pósgraduação; 10. autorizada judicialmente a continuidade do pagamento de pensão alimentícia ao credor maior de idade por impossibilidade de prover a própria subsistência ou porque frequentando curso técnico ou de graduação universitária muda o fundamento da obrigação alimentar, que deixa de ser decorrente do “dever de sustento” (arts. 1.565 e 1.566, inciso IV); e passa a ter como base o “dever de solidariedade” resultante do parentesco (arts. 1.694, caput e § 1º, e 1.695); 11. na dedutibilidade de pensão alimentícia paga a filho maior de idade, quando a autoridade fiscal intima o contribuinte a comprovar o cumprimento das normas do Direito de família, estar se exigindo a validação do encargo decorrente do dever de solidariedade entre parentes, e não no de sustento, já afastado com a maioridade civil. A título de exemplo, intimação supostamente expedida em 2014 exigindo a comprovação de pensão declarada em 2010, época em que o credor já tinha atingido a maioridade, referese ao decidido ou acordado a partir de análise do binômio "necessidade x possibilidade" por parte do magistrado em face de petição exoneratória do alimentante, nada se referindo ao dever de sustento próprio do filho menor. Fl. 218DF CARF MF 26 Admitida a compreensão dada pelo Direito de família à presente questão, quanto às hipóteses representativas dos entendimentos dados ao assunto neste Conselho, com todas as vênias que possam nos dar os ilustres julgadores que pensaram diferente, inferimos por discordar das teses apontadas nas segunda e terceira proposições. Nestes termos: 1. Contrapondo a tese da segunda hipótese, temse: (a) a restrição para a dedutibilidade se apresenta perante a natureza da pensão concedida (no dever de sustento ou de solidariedade entre parentes), e não sobre o pagamento em si, pois este ocorre por mera liberalidade do alimentante, quando o filho atinge a maioridade civil e o devedor opta por não peticionar judicialmente anunciada exoneração; (b) somente existe pensão alimentícia de duas naturezas, a fixada no dever de sustento do menor cuja necessidade é legalmente presumida e aquela decorrente do dever de solidariedade entre parentes em que a determinação é precedida de ponderação do binômio "necessidade" x "possibilidade" por parte do juiz. A primeira não se transmudando automaticamente para a segunda, porquanto dependente de petição exoneratória do alimentante. Logo, afastados os dois contextos, um pelo alcance da maioridade do credor (pensão no dever de sustento); o outro pela ausência de provocação judicial para a ponderação do já citado binômio (pensão no dever de solidariedade entre parentes), para a legislação tributária, nada mais ocorreu, senão pagamento continuado por mera liberalidade do devedor; (c) há, sim, limite de idade para o pagamento de pensão alimentícia no Direito Civil, definido pelo atingimento da maioridade do filho que completa 18 anos (dever de sustento). Contudo, a jurisprudência do STJ tem acatado a extensão do citado encargo até o limite de 24 (vinte e quatro) anos, excepcionalmente no caso do credor frequentar curso técnico ou de graduação universitária. Esta não mais no dever de sustento, em que a necessidade é presumida, mas, sim, no dever de solidariedade se provada ser necessária; 2. Contrapondo a tese da terceira hipótese, temse: (a) o eixo conceitual presente no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, por si só já afasta o condicionamento da dedução de pensão alimentícia ao cumprimento dos preceitos específicos na relação de dependência; (b) considerando que a definição legal deve abranger o todo definido e tão somente ele, como correlacionar pensão alimentícia com relação de dependência, se a própria Lei assim não se pronunciou; (c) pensar de modo diverso implicaria considerar perfeito o lançamento fiscal com enquadramento legal de pensão alimentícia deduzida indevidamente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f") e descrição dos fatos apontando descumprimento das regras de dependência, cujo enquadramento legal está na alínea "c" dos mesmos artigo e inciso. Visto o que efetivamente disse a norma tributária e como se dá o que lá foi dito, oportuno o entendimento do modo como a situação fática se subsume aos preceitos legalmente estabelecidos. Nesse mister, conforme se observa na Notificação e Lançamento (fls. 52), a glosa discutida na presente lide está fundamentada na falta de atendimentos das normas do Direito de família, porquanto o acordo homologado judicialmente apresentado, datado de 30/04/2002, tratava de obrigação alimentar prestada no dever de sustento à alimentanda menor de idade Bruna Rossi, já com 27 anos na data do fato gerador da reportada autuação (ano calendário de 2013). Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10730.721777/201777 Acórdão n.º 2003000.069 S2C0T3 Fl. 207 27 A esse respeito, entendemos que a "investigação" transcorreu dentro do modo esperado, pois, consoante já se mencionou, na dedutibilidade de pensão alimentícia paga a filho maior de idade, quando a autoridade fiscal intima o contribuinte a comprovar o cumprimento das normas do Direito de família, estar se exigindo a validação do encargo decorrente do dever de solidariedade entre parentes, e não no de sustento, já afastado com a maioridade civil. Por conseguinte, no caso, o recorrente teria de ter apresentado nova decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, decorrente de parametrização do binômio "necessidade" do alimentando maior de idade versos "possibilidade" do alimentante, o que não existe nos autos. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso interposto. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Redator designado Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.001913/2009-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE ORGANISMO INTERNACIONAL.
Caso comprovado o recebimento de valores por técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não há isenção do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2001-001.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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Caso comprovado o recebimento de valores por técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não há isenção do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 19 13 /2 00 9- 58 Fl. 85DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, anocalendário de 2005. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada Omissão de Rendimentos do Trabalho Recebidos de Fontes no Exterior: omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismo Internacional (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura Unesco) apurado em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais – DERC. Valor: R$ 22.046,65. A base legal do lançamento encontrase nos autos. A contribuinte, apresentou tempestivamente a impugnação, em petição de fls. 02/05, acompanhada dos documentos de fls. 04/31, na qual alega, resumidamente, que a informação de que teria recebido rendimentos no valor de R$41.146,65 está equivocada. No exercício de 2006 recebeu o total de R$19.100,00, o qual resta comprovado através de comprovante de rendimentos emitido pela UNESCO, contrato , dentre outros documentos. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não assiste razão a Contribuinte eis que o valore recebido não seria insento, e deveria ser levado a tributação. Traz Súmula Carf 39 para ratificar o quanto corrobora. Em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte sustenta primeiramente que a DRJ nem se deu ao trabalho de ler a sua impugnação, pois em nenhum momento ela alegou isenção dos rendimentos recebidos por órgão internacional. O que ela sustentou em sede de impugnação e ratificou claramente em sede de Recurso Voluntário foi que o documento utilizado pela Receita para efetuar o lançamento (provavelmente DIRF ou DERC) está visivelmente equivocado, pois o valor recebido por ela no ano calendário de 2005 foi o total de R$19.100,00. Comprova o quanto alegado através de contrato, de comprovantes de rendimentos no seu nome emitido pela própria Unesco e ainda junta uma declaração emitida Gestão de projetos especiais UNIGP/GGGAF/ANVISA detalhando o total de rendimentos recebidos pela Contribuinte no ano em análise. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11618.001913/200958 Acórdão n.º 2001001.252 S2C0T1 Fl. 3 3 O Contribuinte sustenta primeiramente que a DRJ nem se deu ao trabalho de ler a sua impugnação, pois em nenhum momento ela alegou isenção dos rendimentos recebidos por órgão internacional. O que ela sustentou em sede de impugnação e ratificou claramente em sede de Recurso Voluntário foi que o documento utilizado pela Receita para efetuar o lançamento (provavelmente DIRF ou DERC) está visivelmente equivocado, pois o valor recebido por ela no ano calendário de 2005 foi o total de R$19.100,00. Comprova o quanto alegado através de contrato, de comprovantes de rendimentos no seu nome emitido pela própria Unesco e ainda junta uma declaração emitida Gestão de projetos especiais UNIGP/GGGAF/ANVISA detalhando o total de rendimentos recebidos pela Contribuinte no ano em análise. Pela análise minuciosa das informações apresentadas pela Recorrente bem como todos os documentos juntados ao processo, verificase que de fato está de boa fé e declarou exatamente o que está informando na sua declaração de rendimentos emitida pela Unesco. Se houve equivoco de informação, provavelmente foi da Unesco, na emissão da DIRF/DERC. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade Fl. 87DF CARF MF 4 material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Por tudo o quanto exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para o exonerar o lançamento fiscal de omissão de rendimentos lavrado contra a Recorrente. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO recurso voluntário, conforme acima detalhado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11853.001292/2008-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil, informe, detalhadamente, as competências relativas ao período lançado para as quais houve pagamento antecipado, especificando, segundo os levantamentos aqui tratados (a contribuição da empresa, a contribuição do empregado e a contribuição destinada ao INCRA e ao FNDE), bem como se se referem aos segurados considerados neste lançamento, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal, que deverá ser cientificada à Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Thiago Duca Amoni (suplemente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Relatório.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil, informe, detalhadamente, as competências relativas ao período lançado para as quais houve pagamento antecipado, especificando, segundo os levantamentos aqui tratados (a contribuição da empresa, a contribuição do empregado e a contribuição destinada ao INCRA e ao FNDE), bem como se se referem aos segurados considerados neste lançamento, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal, que deverá ser cientificada à Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Sergio da Silva, Denny Medeiros da Silveira (presidente), João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Thiago Duca Amoni (suplemente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório. Cuida o presente de Recurso Voluntário em face da Decisão Notificação DN nº 23.401/0072/2001, que considerou procedente o lançamento efetuado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 53 .0 01 29 2/ 20 08 -4 9 Fl. 5617DF CARF MF Processo nº 11853.001292/200849 Resolução nº 2402000.749 S2C4T2 Fl. 5.617 2 Para uma melhor compreensão do caso e entendimento do até então aqui processado, passo a colacionar parte do despacho de efls. 1050/1052, na medida que cumpre bem esse objetivo. Fl. 5618DF CARF MF Processo nº 11853.001292/200849 Resolução nº 2402000.749 S2C4T2 Fl. 5.618 3 O Relatório Fiscal encontrase às efls. 161/171, datado de 1/8/00,. A ciência do lançamento deuse em 4/8/00, consoante se extrai de efl. 27, com débitos originais no período de 8/1989 a 3/2000. Fl. 5619DF CARF MF Processo nº 11853.001292/200849 Resolução nº 2402000.749 S2C4T2 Fl. 5.619 4 Na sequência, o feito foi encaminhado à Fiscalização, que encaminhou o TIF nº 1 ao sujeito passivo em 16/10/08, para que fossem apresentados os seguintes documentos (efl 1054), no prazo de 5 (cinco) dias úteis: À efl. 1.056, o contribuinte apresentou diversos documentos, que se encontram se acostados às efls. 1057/1572. Por sua vez, a Fiscalização produziu a Informação Fiscal às efls 1573/1576, que, no intuito de apresentar "documentos adicionais e elementos caracterizados do vínculo empregatício, relativos aos prestadores de serviços autônomos denominados "Grupo 2 Serviços prestados sem discriminação (anexo II)", assim se pronunciou: Em função da informação encimada, aduziu o recorrente (efls 1581/1587): * que foi considerado, para fins de decadência, o prazo decenal à luz do artigo 45 da Lei 8.212/91, julgado inconstitucional pelo STF. Fl. 5620DF CARF MF Processo nº 11853.001292/200849 Resolução nº 2402000.749 S2C4T2 Fl. 5.620 5 * que os documentos apresentados por ocasião da diligência já eram do conhecimento da autoridade julgadora, que os entendeu como insuficientes à caracterização da relação de emprego sustentada. * que o autuante limitouse a reproduzir os conceitos jurídicos de pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, sem, todavia, relacionálos a evidências concretas. Os anexo I ao XVIII, instruídos com documentos probatórios, foram juntados aos autos às 1624/5603. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator. O recurso já havia sido conhecido quando do julgamento em segunda instância em 20.08.2003 (efl 935). Prejudicial de decadência. Nesse ponto, sustenta a recorrente o desacerto na utilização do prazo decenal para a contagem prazo. Assistelhe razão. Como é sabido e consabido, o prazo decadencial regese pelas normas do CTN. Foram lançados os tributos devidos à União pela empresa, pelos segurados (não retido na fonte), ao financiamento do SAT e a terceiros (INCRA, SEBRAE e FNDE). Não obstante, a decisão de piso aplicou a qüinqüídio legal apenas para as contribuições cobradas relativas a terceiros (INCRA e SEBRAE) e ao FNDE, valendose da regra posta no artigo 173, I do codex tributário, vale dizer, até 11/1994. Adiante, no mesmo julgamento, decidiuse excluir da parcela de terceiros, aquela relativa ao SEBRAE. No caso em tela, não há prova cabal nos autos de que tenha havido pagamento antecipado a reclamar a aplicação do artigo 150 daquele diploma, em que pese o procedimento de oficio ter tido como motivação, Pedidos de Restituição do contribuinte. É o que se pode inferir, inclusive, do Recurso Voluntário de efls. 861/905, no qual não se afirma, textualmente ao tratar da matéria, a existência de recolhimentos a esse título, no que toca às contribuições aqui tratadas. Por sua vez, é categórico o relato fiscal no sentido de que não teria sido elaborada folha de pagamento concernente às pessoas físicas abordadas neste procedimento, o que me faz inferir que sobre a remuneração a elas paga não teriam sido apuradas e recolhidas as contribuições aqui envolvidas. Fl. 5621DF CARF MF Processo nº 11853.001292/200849 Resolução nº 2402000.749 S2C4T2 Fl. 5.621 6 Frente a isso, VOTO no sentido da conversão deste julgamento em diligência para que a unidade de origem informe, detalhadamente, as competências, relativas ao período lançado, para as quais houve pagamento antecipado, especificandoos segundo os levantamentos aqui tratados (cota empresa, empregado, INCRA e FNDE), bem como se se referem aos segurados considerados neste lançamento, consolidando o resultado da diligência em Informação Fiscal, que deverá ser cientificada à Contribuinte para que, a seu critério, apresente manifestação em 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 5622DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.732005/2012-77
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
Numero da decisão: 2003-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A. Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Mantémse a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 20 05 /2 01 2- 77 Fl. 164DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 9.608,33, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2011, anobase de 2010, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de glosa de pensão alimentícia judicial no montante de R$ 35.546,94, por falta de comprovação do atendimento das normas do Direito de Família, eis que é dedutível apenas a obrigação paga em dinheiro a título de prestação de alimentos provisionais ou de pensão alimentícia propriamente (fls. 10/13). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, fazendo juntada da documentação que supostamente ampara a dedução pretendida, oportunidade em que manifesta em síntese (fls. 02/07): 1. a dedução atende aos preceitos estabelecidos pela legislação regente, pois decorrente do cumprimento de acordo homologado judicialmente; 2. alimentos "in natura" também são dedutíveis (gás, luz, telefone, Net TV, Curso Martins, Sociedade Brasileira de Cultura Inglesa, etc.); 3. discorre sobre a doutrina que trata do assunto. Julgamento de Primeira Instância A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília, por unanimidade, julgou procedente em parte a pretensão externada por meio de mencionada contestação, conforme abaixo (fls. 130/136): 1. restaram afastadas as glosas de R$ 2.232,00, correspondente à pensão alimentícia judicial; e de R$ 5.661,68 atinente despesa com instrução de alimentando; 2. embora comprovado o pagamento da quantia de R$16.057,62 a título de mensalidades escolares das duas alimentandas, tal dispêndio será dedutível como despesa com instrução, obedecendo ao limite individual anual de R$ 2.830,84, e não como despesa com pensão judicial; 3. os demais pagamentos apresentados curso de língua estrangeira, gás, Tv a cabo, luz, etc. embora comprovados e previstos na decisão judicial, não são dedutíveis, por ausência de previsão legal. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, argumentando em síntese: 1. a pensão alimentícia foi paga em cumprimento de decisão judicial; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 12448.732005/201277 Acórdão n.º 2003000.042 S2C0T3 Fl. 164 3 2. a concepção jurídica de alimentos é muito mais ampla do que o considerado na decisão recorrida, aí se incluindo habitação, vestuário, etc; 3. as quantias pagas decorrentes de sentença judicial para cobertura de despesas com instrução destacadas da pensão são dedutíveis sob forma de despesas com instrução dos alimentandos, desde que obedecidos os requisitos legais; 4. a RFB não tem competência legal para adentrar em situações afetas à relação familiar no bojo do acordo de alimentos; 5. os pagamentos efetuados se traduzem em dinheiro gasto pelo recorrente com pensão alimentícia judicial; 6. uma instrução normativa não pode se sobrepor aos termos do Código Civil, nem sobre decisão judicial; 7. a lei deve ser interpretada em favor do menos favorecido; 8. finaliza requerendo a dedutibilidade da pensão alimentícia judicial paga "in natura". É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 28/04/2016 (fls. 141), e a Peça recursal foi recebida em 20/05/2016 (fls. 144), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Mérito Consoante visto no Relatório, o recorrente logrou êxito parcial perante o julgamento de primeira instância, nestes termos: 1. por ocasião do lançamento, foi glosada a despesa de R$ R$ 35.546,94, referente a pagamento de pensão alimentícia judicial; 2. no julgamento da impugnação, a DRJ considerou plenamente comprovada a quantia de R$ 2.232,00, correspondente à pensão alimentícia judicial; e de R$ 5.661,68 atinente despesa com instrução de alimentando; 3. restou em litígio o montante de R$ 27.653,26, conforme abaixo: Fl. 166DF CARF MF 4 (a) o valor remanescente de R$ 10.395,94 correspondente à diferença entre o valor comprovado de despesas com instrução (R$ 16.057,62) e a glosa afastada a tal título na decisão de origem (R$ 5.661,68); (b) o valor remanescente das despesas não dedutíveis de R$ 17.257,32, por falta de amparo legal (R$ 35.546,94 R$ R$ 16.057,62 R$ 2.232,00). Despesa com instrução de alimentando A Lei nº 9.250, de 1995, impões dois pressupostos legais distintos, mas complementares, para a dedução de despesa com educação de alimentando, quais sejam: 1. que o pagamento derive das normas do direito de família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A (art. 8º, inciso II, alínea "f"); 2. atendido o pressuposto acima, terá de ser respeitado o limite individual de despesa dedutível com instrução do contribuinte ou de seu dependente (art. 8º, inciso II, alínea "b" e § 3º). É de se verificar que o primeiro pressuposto disposto acima não carece de análise nesta oportunidade, porque já superado pela decisão de origem, a qual acatou todos os pagamentos de despesas com instrução como comprovados e decorrentes do direito de família. Por conseguinte, hábeis a provar o que se propuseram. Assim sendo, restou controvertida apenas a glosa que excedeu o limite legal anual dedutível segundo pressuposto visto. Nesse cenário, perfilhamos com a decisão de piso, fundamentado na legislação ali disposta (Lei nº 9.250, de 1995). Nestes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: [...] 4. R$ 2.830,84 (dois mil, oitocentos e trinta reais e oitenta e quatro centavos) para o anocalendário de 2010; (Redação dada pela Lei nº 12.469, de 2011 [...] Fl. 167DF CARF MF Processo nº 12448.732005/201277 Acórdão n.º 2003000.042 S2C0T3 Fl. 165 5 § 3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. À vista disso, mantémse a glosa das despesas com instrução de alimentando, nos exatos termos decididos pela DRJ. Pensão alimentícia judicial É de se verificar que, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Nestes termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] § 3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. Fl. 168DF CARF MF 6 Nos termos da legislação regente, regra geral, as importâncias pagas relativas ao suprimento de alimentos, em face do Direito de família, são aquelas em dinheiro e somente a título de prestação de alimentos provisionais ou de pensão alimentícia, sendo essas as dedutíveis como pensão alimentícia judicial ou por escritura pública. Contudo, exceção a isso se apresenta no transcrito § 3º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995, a qual autoriza a dedução das despesas médicas e com de instrução nos termos ali definidos. Nesse sentido, o eixo conceitual presente no referido comando legal, por si só já rebate o argumento do recorrente de que as prestações "in natura" estabelecidas em decisão judicial são dedutíveis, já que: 1. quando o legislador pretendeu estender o benefício para os pagamentos realizados com despesas médicas e de instrução, ele assim o fez legalmente; 2. para autorizar mencionadas deduções despesa médica e com instrução de alimentando teve de ser introduzido o § 3º no art. 8º da aludida Lei, o que seria desnecessário caso qualquer pagamento decorrente do Direito de família previsto em decisão judicial ou escritura pública fosse dedutível; 3. mencionada excepcionalidade legal se apresenta razoável, na medida em que faculta dedução em parâmetros semelhantes àqueles a que estão sujeitos todos os contribuintes. De outro modo, prevalecesse o entendimento do recorrente, restaria criada uma casta de contribuintes dotados de privilégios especiais, caracterizados pela suposta faculdade do gozo de benefício não disponível para os contribuintes em geral. À vista disso, mantémse a glosa das diversas despesas não dedutíveis por falta de amparo legal, nos exatos termos decididos pela DRJ. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, restando mantida a glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 27.653,26. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910735/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/12/2008
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.024
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 24/12/2008 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 24/12/2008 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 35 /2 01 2- 07 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13888.910735/201207 Acórdão n.º 3401006.024 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.910735/201207 Acórdão n.º 3401006.024 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.910735/201207 Acórdão n.º 3401006.024 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.667939/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/12/2002
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/12/2002 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 79 39 /2 01 1- 13 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10880.667939/201113 Acórdão n.º 3402006.404 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS cumulativo relativo a recolhimento a maior, que restou indeferido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de inconformidade, julgada improcedente, nos termos do Acórdão DRJ nº 14052.641. Intimado desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a necessidade de se reconhecer o crédito decorrente de pagamento indevido valores de COFINS não incluídas no conceito de receita; e (ii) a não incidência de PIS/COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, por não configurarem receita. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.396, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.667929/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.396): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. De pronto, vale consignar que, em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10880.667939/201113 Acórdão n.º 3402006.404 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho2. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que o contribuinte alegou que a origem do crédito decorreria de equívoco cometido no pagamento de processo de parcelamento n.º 10880.014298/200110, no qual teria apurado e recolhido a COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, valores que não correspondem à Receita. Contudo, para demonstrar a existência do seu crédito, a Recorrente não acostou ao seu Recurso Voluntário qualquer documento que poderia respaldar o seu crédito. Com efeito, não constam dos autos sequer a cópia do pedido de parcelamento referenciado na defesa, a planilha com a composição das bases de cálculo que respaldariam o valor do crédito ou mesmo quaisquer documentos fiscais ou contábeis suscetíveis à respaldar o crédito pleiteado. E aqui frisese que a Recorrente pretende a restituição integral do valor recolhido na guia DARF sob a alegação de pagamento indevido da COFINS de forma parcial, vez que recolhido com base no conceito de receita inconstitucionalmente alargado. Contudo, não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de comprovar a origem do parcelamento, quais os valores que teriam sido pagos naquele processo que estariam corretos e quais os valores que teriam sido indevidamente recolhidos a maior naquele processo. 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014 43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10880.667939/201113 Acórdão n.º 3402006.404 S3C4T2 Fl. 5 4 A impossibilidade de verificação da validade do crédito por ausência de respaldo probatório foi indicada na r. decisão recorrida, sendo que a empresa permaneceu trazendo alegações de mérito gerais e sem substrato probatório em seu Recurso Voluntário: "Mesmo que se concorde com o argumento da recorrente, quanto ao entendimento do STF sobre a ampliação da base de cálculo, a verdade é que qualquer juízo de valor, no caso, dependeria da apresentação de provas. Esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse. No presente, a interessada não apresentou qualquer documentação que lastreasse seu pedido, o que impediria a análise da referida liquidez e certeza, além de consumar a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º." (efl. 29 grifei) Assim, considerando que não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de evidenciar, nem mesmo de forma indiciária, o direito creditório apontado pelo sujeito, não é possível confirmar a validade das alegações trazidas pela Recorrente. Ainda que se coadune com as alegações de direito genericamente trazidas em sua peça de defesa, a empresa deixou de juntar aos autos elementos de prova da existência do direito. Com isso, face a ausência de provas, deve ser mantida a conclusão alcançada pela decisão de primeira instância no sentido da inexistência de qualquer direito creditório na hipótese. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10880.667939/201113 Acórdão n.º 3402006.404 S3C4T2 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 47DF CARF MF
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