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4818233 #
Numero do processo: 10380.004778/88-48
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 18 00:00:00 UTC 1990
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 1990
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADES - DECISÃO - Implica preterição do direito de defesa a omissão da autoridade em consignar na decisão os argumentos que embasaram suas razões de decidir, tornando-a, em consequência, imotivada. -Não supre a ausência dos requisitos especificados no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72 e remissão a outro processo onde esses fundamentos estariam presentes. -Decisão que se anula com base no que dispões o artigo 59, II, do mesmo diploma legal.
Numero da decisão: 201-66.304
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive por ferir ao disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Ausente o Conselheiro SÉRGIO GOMES VELLOSO.
Nome do relator: ROBERTO BARBOSA DE CASTRO

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4818614 #
Numero do processo: 10425.000871/92-14
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - LANÇAMENTO - Quando feito com base em declaração de responsabilidade do contribuinte, o crédito lançado somente poderá ser reduzido se a retificação da declaração for apresentada antes da notificação impugnada (art. 147, parágrafo 1, do CTN). Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 202-08020
Nome do relator: Hélvio Escovedo Barcellos

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Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FRANCISCO DA COSTA DINIZ. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 (di: tembro de 1995 Helvio És *v -do Barc Álos Preside . e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Tarásio Campelo Borges, José Cabral Garofano e Daniel Corrêa Homem de Carvalho. /OVRS/CF 1 ' MINISTÉRIO DA FAZENDA .rNW SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10425.000871/92-14 Acórdão : 202-08.020 Recurso : 98.047 Recorrente : FRANCISCO DA COSTA DINIZ RELATÓRIO A fls. 02, Francisco da Costa Diniz foi notificado a recolher o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural-ITR, Taxa de Serviços Cadastrais e Contribuições Parafiscal e Sindical Rural CNA-CONTAG, ano 1992, referente ao imóvel "Granja Josué", localizado no Município de Conde-PB, cadastrado no INCRA sob o Código 205 060 255 645 4, com área total de 48,6 ha. Impugnando o feito a fls. 01, o Interessado alegou que: 'O local onde encontra-se localizado o imóvel é totalmente ingreme, com declividades de encosta de mais de 45 graus, tornando impraticável o desenvolvimento de qualquer cultura. O terreno é igualmente predregulhoso, tendo em sua maior totalidade pedra calcareas aflorando, imprestável à qualquer tipo de cultura."(SIC) Anexou então aos autos, cópias dos comprovantes de pagamento do ITR- 87 a 91 e da Declaração Anual de Cadastro de Imóvel Rural para lançamento do ITR - 92. A Autoridade Singular, considerando que o lançamento do ITR/92 foi baseado na Declaração Cadastral fornecida pelo próprio Contribuinte e que o mesmo seguiu todos os ditames legais, decidiu manter integralmente a ação administrativa, em Decisão de fls. 19/21, assim ementada: 'O lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural é feito de acordo com os dados declarados pelo contribuinte sob sua inteira responsabilidade. O Valor da Terra Nua - VTN declarado pelo contribuinte será rejeitado pela Secretaria da Receita Federal quando for inferior ao VTNm/ha fixado para o Município de situação do imóvel. O Fator de Redução pela Utilização - FRU e Fator de Redução pela Eficiência - FRE são calculados de acordo com os artigos 8°, 9° e 10, do Decreto N° 84.685/80 que regulamenta a Lei N° 6.746/79. Quando o Grau de Utilização da Terra for inferior aos limites 2 ,Â, MINISTÉRIO DA FAZENDA O" SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTESç ir Processo : 10425.000871/92-14 Acórdão : 202-08.020 fixados no art. 16, Decreto N° 84.685/80, a aliquota do imposto será multiplicada pelos coeficientes de progressividade estabelecidos pelo art. 14, do Decreto N° 84.685/80. AÇÃO ADMINISTRATIVA PROCEDENTE". Inconformado com a Decisão Singular, o Sujeito Passivo interpôs, tempestivamente, o Recurso de fls. 25/26, dirigido a este Segundo Conselho de Contribuintes, reiterando a razão da impugnação e ainda alegando que informações prestadas na DECLARAÇÃO ANUAL DE INFORMAÇÕES - Exercício 1992, possuía erros, que foram corrigidos na Declaração de Informações - Modelo Simplificado, enviada à DRF - João Pessoa- PB, em 24.08.94. Finalmente, em sua Peça Recursal, o Recorrente solicitou a devolução de parte do ITR-93, que o mesmo julgou ter pago a mais, referente à diferença de alíquota entre 0,4% e 3%. É o relatório. 3 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10425.000871/92-14 Acórdão : 202-08.020 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HELVIO ESCOVEDO BARCELLOS O lançamento do ITR, e acessórios, é processado com base em declaração apresentada para esse fim, pelo proprietário detentor a qualquer titulo do imóvel (Decreto n° 70.106/83, art. 21). Este Colegiado, em reiteradas decisões, firmou o entendimento de que se tratar de lançamento com base em declaração do sujeito passivo, a retificação daquela declaração, visando reduzir o imposto, somente é admissivel quando o sujeito passivo além de comprovar o erro em que se funde, apresenta o pedido antes de ser notificado do lançamento. É o que dispõe o art. 147, parágrafo 1° do CTN. Quanto ao pleito de restituição de parte do ITR/93, é matéria estranha ao presente processo, não discutida em Primeira Instância, devendo ser objeto de petição especifica dirigida à autoridade competente para tanto, ou seja, o Delegado da Receita Federal de sua jurisdição (Portaria SRF n° 4.980/94). Assim sendo, procede o lançamento do ITR/92 efetuado com base nas informações cadastrais do imóvel até então existentes, eis porque voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de s; mbro de 1995 HELVIO ES 1 DO :ARC OS 4

score : 1.0
4819006 #
Numero do processo: 10480.014364/93-39
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 1995
Ementa: IPI - A alienação à pessoa que não satisfaça os requisitos e as condições, e antes de decorridos três anos da aquisição de veículo adquirido nos termos da Lei nr. 8.199/91, acarretará o pagamento pelo alienante do tributo que tiver sido suspenso. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-02392
Nome do relator: OSVALDO JOSÉ DE SOUZA

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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: JOSÉ VALDECI DE LIMA PEREIRA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Sebastião Borges Taquary. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 1995 Os -dojosíle si. Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Ricardo Leite Rodrigues, Mauro Wasilewski, Maria Thereza Vasconcellos de Almeida, Sergio Afanasieff, Tiberany Ferraz dos Santos e Celso Angelo Lisboa Gallucci. jmija/mas-rs/ ti I MINI I bRIO LIA 1-/IGENWNtti MAIIE:$4 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ?..‘ • Processo : 10480.014364193-39 Acórdão : 203-02.392 Recurso : 97.972 Recorrente : JOSÉ VALDECI DE LIMA PEREIRA RELATÓRIO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 01/02), em decorrência de ação fiscal referente a aquisição de veiculo de aluguel beneficiado com a isenção do IPI, prevista na Lei n°8,199 de 28/06191, tendo sido verificado que. a) o Sr. JOSÉ VALCEDI DE LIMA PEREIRA, CPF 050.897.604-97, adquiriu, com os beneficios da citada lei, o automóvel de aluguel (TAXI); b) em 10112192, o Sr, JOSÉ VALCEDI DE LIMA PEIREIRA alienou o veiculo, sem autorização do Ministério da Fazenda e sem o devido recolhimento do FPI, para o Sr. Silvio Batista de Almeida, CPF 782.858.794-53, através de procuração lavrada em cartório apensa ao processo; c) o novo adquirente não atende as condições para a isenção prevista na Lei n° 8.199/91; d) o artigo 23 do PIPI/82, em seu inciso VII, aponta corno responsáveis aqueles que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a suspensão ou isenção do imposto. Tempestivamente, o interessado procedeu à Impugnação (fls. 11) alegando, em síntese, que: a) repassou o veiculo adquirido através do Plano do Governo Federal sem o prévio conhecimento da Receita Federal e sem oferecer os requisitos e normas adotadas para tal finalidade, ao Sr. Silvio Batista de Almeida; 13) tendo recebido uma notificação da Receita Federal, resolveu desfazer o repasse que fizera, já tendo inclusive revogado o instrumento procuratorio por escritura pública, estando já de posse do veículo que comprara. A Autoridade Julgadora de Primeira Instãocia, às lis. 23/26, julgou procedente a ação administrativa, resumindo o seu entendimentos nos termos da Ementa de fls. 23 que se transcreve: 2 i MINIS I b RIO U 1-0.LtNIJA k"...421> SEGUNDO CON.SELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10480.014364/93-39 Acórdão : 203-02392 "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS TAXI - CANCELAMENTO DA ISENÇÃO - A alienação de veiculo adquirido, com o beneficio da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados previsto na Lei n° 8.199/91, a pessoa que não preencha as condições para usufruir da mesma isenção, antes de decorrido o prazo de três anos, caracteriza o descumprimento das condições exigidas para gozo do incentivo, cabendo a exigência do tributo anteriormente dispensado com os acréscimos legais sobre ele incidentes." Cientificado em 26/01/95, o requerente interpôs recurso voluntário em 07/02/95 (fls. 31) onde aduz que: a) o negócio de repasse do veiculo TX não chegou a ser concretizado sendo o mesmo desfeito antes do seu final, portanto é nulo e não existe; b) prova com juntada documentos, c) a procuração feita à época foi revogada desde data antes da sua impugnação perante a Receita Federal; d) sempre fez e continua fazendo praça com o seu TX no Hotel OTHON PRAIA, conforme prova com copia de Ficha Pessoal; e) solicita que este Conselho determine uma averiguação, sendo feita por Auditor Fiscal, um Termo de Constatação, comprovando-se que sempre esteve e está na posse do recorrente, o veiculo TX. É o relatório. 3 413. MINIS I ENIO DA FAZENDA iifP711 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10480.014364/93-39 Acórdão : 203-02.392 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OSVALDO JOSÉ DE SOUZA O recurso foi apresentado dentro do prazo legal e dele tomo conhecimento. Está absolutamente claro, para mim, que a procuração passada ao senhor SILVIO BATISTA DE ALMEIDA objetivou, nitidamente, transferir ao procurador todos os direitos sobre o veiculo em questão neste processo. O caráter irrevogável e intratável da procuração passada, inclusive com poderes para "efetuar a transferência do referido veiculo para seu próprio nome", não deixa outra alternativa para quem analisa e interpreta tal documento: é urna transferência do bem. Já CLÓVIS BEVILACQUA ensinava "Na procuração em causa própria, o mandatário exerce o mandato em seu próprio interesse. É uma cláusula desnaturadora do mandato que, entre nós, tem sido capa de abusos e fonte inesgotável de contendas judiciárias." A boa doutrina nos remete, também a ARNOLD WALD que em seu livro "Obrigações e Contratos," (EDITORA REVISTA DOS TRIBUNAIS) afirma, peremptoriamente, "que a procuração em causa própria é aparente pois o que se fez foi uma compra e venda." A jurisprudência dos tribunais, além dos já citados e de outro autores, é pródiga no sentido de esclarecer que, a procuração em causa própria equivale a urna operação de compra e venda. Entendo, pessoalmente, que neste caso ocorreu uma operação de compra e venda do veiculo mencionado no processo, embora não tenha sido documentada com o instrumento próprio e adequado que é o DOCUMENTO ÚNICO DE TRANSFERÊNCIA - DUT, como seria mais consentâneo que se fizesse, e só não foi feito para, exatamente, camuflar a operação de compra e venda. A revogação da procuração feita tempos depois, através de ESCRITURA PÚBLICA DE REVOGAÇÃO TOTAL DE PRODUÇÃO, não tem o condão de elidir os efeitos tributários decorrentes da operação realizada, nem pode esconder a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. 4 LOO MINIS I bl.CIU I-ALENUA ..nt• ..547gAç': SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10480.014364193-39 Acórdão : 203-02.392 O imposto referente a este veiculo estava suspenso, mas passou a ser devido no exato momento em que a suspensão da exigência tributária se resolveu pelo descumprimento de unia das condições suspensivas. Assim, diante do exposto e por tudo o mais que consta deste processo, NEGO provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de setembro de 1995 .,<Ot OSVALI JOS i5 E Se iZA 5

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Numero do processo: 13827.001007/2010-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.410
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. EDITADO EM: 03/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente). O Presidente Substituto da Turma assina o presente acórdão em face da impossibilidade, por motivos de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. RELATÓRIO O presente processo da de dois autos de infração, constituindo créditos tributários referentes ao PIS e a Cofins dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e março de 2006. A Autoridade Fiscal efetuou glosas de créditos referentes aos seguintes custos: oficinas elétricas, arrendamento de terras, produção terceirizada de cana-de-açúcar, mecanização agrícola, desenvolvimento agronômico, transporte agrícola, armazém de açúcar, balsa, supervisão e serviços de tratos culturais, administração e controle agrícola, supervisão manutenção agrícola, materiais de manutenção que não se enquadravam no conceito de insumos, insumos indiretos, laboratório industrial e microbiológico, balança de cana, preparo e moagem, alojamento agrícola. laboratório teor sacarose, oficina mecânica, meio ambiente, recepção/armazenagem/alimentação, manutenção conservação civil, fabricação de açúcar, vinhaça, área administrativa, oficina caldeiraria, ICMS débito direto, transporte industrial, frete na compra de insumos(quando os insumos não puderam ser identificados), alugueis de veículos, depreciação do imobilizado (quando não associados aos centros de custos da produção industrial), depreciação de itens adquiridos antes de 01/05/2004, despesas com software, pernoite de técnicos, movimentações de estoque sem as datas de aquisição de bens, e os itens não relacionados à produção e nas obras de benfeitorias. O sujeito passivo inconformado com a autuação protocolou impugnação na qual refuta as glosas referentes às ferramentas operacionais - materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana de açúcar, na destilaria de álcool - referentes aos combustíveis, referente aos serviços de manutenção ligados à produção, referentes aos bens adquiridos para revenda, referente às despesas de arrendamento agrícola, referentes às benfeitorias em imóveis, referentes aos bens adquiridos de pessoa física, referentes aos alugueis de máquinas, equipamentos e prédios e referentes às peças de reposição – camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação e manteve todas as glosas efetuadas pela Fiscalização. Irresignado com a decisão da DRJ, protocolou recurso voluntário, no qual alega, em síntese, que: A Receita Federal do Brasil, a pretexto de "interpretar" e "aplicar" a legislação federal, maliciosa e ilegalmente, limitou o conceito de "insumos" na Instrução Normativa n° 247/02. Segundo o fisco federal, são "insumos" utilizados na fabricação de produtos destinados à venda, exclusivamente, a matéria- prima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também são "insumos" os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Tal restrição, porém, padece de manifesto vício de ilegalidade, na medida em que o poder regulamentador do Executivo está adstrito apenas e tão somente a assegurar a fiel execução das leis, não podendo, em hipótese alguma, inovar na ordem jurídica, seja ampliando, seja reduzindo, ou seja, alterando o sentido e conteúdo da lei; Não há como prevalecer as glosas relativas: 1) aos combustíveis adquiridos para transporte do produto para exportação; 2) ao transporte da mão de obra; 3) aos serviços prestados para obtenção dos produtos exportados, mesmo que esses serviços não se integrem ao produto final; 4) aos custos com armazenagem de álcool e açúcar; 5) aos custos com materiais utilizados em imóveis de uso da empresa, trabalhos de alvenaria, na colocação de caixilhos/portas e outros materiais de construção – todos esses materiais foram utilizados para benfeitorias em imóveis ligados à produção; 6) aos serviços prestados por pessoa física - transporte de resíduos industriais e vinhaça, para aplicação na lavoura de cana-de-açúcar como fertilizante; 7) aos alugueis de aeronaves, embarcações e veículos; 8) aos custos com a aquisição de moendas, peças de reposição – camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes; e 9) aos custos com as ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana-de-açúcar, na destilaria de álcool. A receita financeira faz parte da receita bruta sujeita à incidência das exações, logo, deverá fazer parte do rateio proporcional previsto no art. 3º § 8º da Lei nº 10.833/2003; No amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado também o arrendamento de propriedades rurais, razão pela qual é legítimo o crédito referentes a esses custos. Termina sua petição recursal requerendo a reforma da decisão de primeira instância para fins de cancelar o auto de infração e reconhecer integralmente os créditos das contribuições para o PIS e para a Cofins não cumulativa referente aos fatos geradores de 30/01/2006, 28/02/2006 e 30/03/2006. É o Relatório. VOTO
Nome do relator: Não se aplica

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A Autoridade Fiscal efetuou glosas de créditos referentes aos seguintes custos: oficinas elétricas, arrendamento de terras, produção terceirizada de cana-de-açúcar, mecanização agrícola, desenvolvimento agronômico, transporte agrícola, armazém de açúcar, balsa, supervisão e serviços de tratos culturais, administração e controle agrícola, supervisão manutenção agrícola, materiais de manutenção que não se enquadravam no conceito de insumos, insumos indiretos, laboratório industrial e microbiológico, balança de cana, preparo e moagem, alojamento agrícola. laboratório teor sacarose, oficina mecânica, meio ambiente, recepção/armazenagem/alimentação, manutenção conservação civil, fabricação de açúcar, vinhaça, área administrativa, oficina caldeiraria, ICMS débito direto, transporte industrial, frete na compra de insumos(quando os insumos não puderam ser identificados), alugueis de veículos, depreciação do imobilizado (quando não associados aos centros de custos da produção industrial), depreciação de itens adquiridos antes de 01/05/2004, despesas com software, pernoite de técnicos, movimentações de estoque sem as datas de aquisição de bens, e os itens não relacionados à produção e nas obras de benfeitorias. O sujeito passivo inconformado com a autuação protocolou impugnação na qual refuta as glosas referentes às ferramentas operacionais - materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana de açúcar, na destilaria de álcool - referentes aos combustíveis, referente aos serviços de manutenção ligados à produção, referentes aos bens adquiridos para revenda, referente às despesas de arrendamento agrícola, referentes às benfeitorias em imóveis, referentes aos bens adquiridos de pessoa física, referentes aos alugueis de máquinas, equipamentos e prédios e referentes às peças de reposição – camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação e manteve todas as glosas efetuadas pela Fiscalização. Irresignado com a decisão da DRJ, protocolou recurso voluntário, no qual alega, em síntese, que: A Receita Federal do Brasil, a pretexto de "interpretar" e "aplicar" a legislação federal, maliciosa e ilegalmente, limitou o conceito de "insumos" na Instrução Normativa n° 247/02. Segundo o fisco federal, são "insumos" utilizados na fabricação de produtos destinados à venda, exclusivamente, a matéria- prima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Também são "insumos" os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Tal restrição, porém, padece de manifesto vício de ilegalidade, na medida em que o poder regulamentador do Executivo está adstrito apenas e tão somente a assegurar a fiel execução das leis, não podendo, em hipótese alguma, inovar na ordem jurídica, seja ampliando, seja reduzindo, ou seja, alterando o sentido e conteúdo da lei; Não há como prevalecer as glosas relativas: 1) aos combustíveis adquiridos para transporte do produto para exportação; 2) ao transporte da mão de obra; 3) aos serviços prestados para obtenção dos produtos exportados, mesmo que esses serviços não se integrem ao produto final; 4) aos custos com armazenagem de álcool e açúcar; 5) aos custos com materiais utilizados em imóveis de uso da empresa, trabalhos de alvenaria, na colocação de caixilhos/portas e outros materiais de construção – todos esses materiais foram utilizados para benfeitorias em imóveis ligados à produção; 6) aos serviços prestados por pessoa física - transporte de resíduos industriais e vinhaça, para aplicação na lavoura de cana-de-açúcar como fertilizante; 7) aos alugueis de aeronaves, embarcações e veículos; 8) aos custos com a aquisição de moendas, peças de reposição – camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes; e 9) aos custos com as ferramentas operacionais, materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana-de-açúcar, na destilaria de álcool. 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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/2010­57  Resolução nº  3402­000.410  S3­C4T2  Fl. 101          2   RELATÓRIO  O  presente  processo  da  de  dois  autos  de  infração,  constituindo  créditos  tributários referentes ao PIS e a Cofins dos períodos de apuração compreendidos entre janeiro e  março de 2006.  A Autoridade Fiscal efetuou glosas de créditos referentes aos seguintes custos:  oficinas  elétricas,  arrendamento  de  terras,  produção  terceirizada  de  cana­de­açúcar,  mecanização agrícola, desenvolvimento agronômico,  transporte agrícola,  armazém de açúcar,  balsa,  supervisão  e  serviços de  tratos  culturais,  administração e  controle  agrícola,  supervisão  manutenção  agrícola,  materiais  de  manutenção  que  não  se  enquadravam  no  conceito  de  insumos, insumos indiretos, laboratório industrial e microbiológico, balança de cana, preparo e  moagem,  alojamento  agrícola.  laboratório  teor  sacarose,  oficina  mecânica,  meio  ambiente,  recepção/armazenagem/alimentação,  manutenção  conservação  civil,  fabricação  de  açúcar,  vinhaça, área administrativa, oficina caldeiraria, ICMS débito direto, transporte industrial, frete  na  compra  de  insumos(quando  os  insumos  não  puderam  ser  identificados),  alugueis  de  veículos,  depreciação  do  imobilizado  (quando  não  associados  aos  centros  de  custos  da  produção  industrial),  depreciação  de  itens  adquiridos  antes  de  01/05/2004,  despesas  com  software, pernoite de técnicos, movimentações de estoque sem as datas de aquisição de bens, e  os itens não relacionados à produção e nas obras de benfeitorias.  O sujeito passivo inconformado com a autuação protocolou impugnação na qual  refuta as glosas referentes às ferramentas operacionais ­ materiais de manutenção utilizados na  mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana de açúcar, na destilaria de  álcool ­ referentes aos combustíveis, referente aos serviços de manutenção ligados à produção,  referentes  aos bens  adquiridos para  revenda,  referente  às despesas de  arrendamento  agrícola,  referentes  às  benfeitorias  em  imóveis,  referentes  aos  bens  adquiridos  de  pessoa  física,  referentes aos alugueis de máquinas, equipamentos e prédios e referentes às peças de reposição  – camisas, bagaceiras, pares de luvas, flanges, eixos e rodetes.  A  1ª  Turma  da  Delegacia  de  Julgamento  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Ribeirão  Preto  julgou  improcedente  a  impugnação  e manteve  todas  as  glosas  efetuadas  pela  Fiscalização.  Irresignado com a decisão da DRJ, protocolou recurso voluntário, no qual alega,  em síntese, que:  a)  A  Receita  Federal  do  Brasil,  a  pretexto  de  "interpretar"  e  "aplicar" a legislação federal, maliciosa e ilegalmente, limitou  o  conceito  de  "insumos"  na  Instrução Normativa  n°  247/02.  Segundo  o  fisco  federal,  são  "insumos"  utilizados  na  fabricação de produtos destinados à venda, exclusivamente, a  matéria­  prima,o  produto  intermediário,  o  material  de  embalagem  e  quaisquer  outros  bens  que  sofram  alterações,  tais  como  o  desgaste,  o  dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida  sobre  o  produto  em  fabricação,  desde  que  não  estejam  incluídas  no  ativo  imobilizado.  Também  são  "insumos"  os  serviços  prestados  por  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País,  Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/2010­57  Resolução nº  3402­000.410  S3­C4T2  Fl. 102          3 aplicados  ou  consumidos  na  fabricação  do  produto.  Tal  restrição, porém, padece de manifesto vício de ilegalidade, na  medida  em  que  o  poder  regulamentador  do  Executivo  está  adstrito apenas e tão somente a assegurar a fiel execução das  leis,  não  podendo,  em  hipótese  alguma,  inovar  na  ordem  jurídica,  seja  ampliando,  seja  reduzindo, ou seja,  alterando o  sentido e conteúdo da lei;  b)  Não  há  como  prevalecer  as  glosas  relativas:  1)  aos  combustíveis  adquiridos  para  transporte  do  produto  para  exportação; 2) ao  transporte da mão de obra; 3) aos serviços  prestados para obtenção dos produtos exportados, mesmo que  esses serviços não se integrem ao produto final; 4) aos custos  com  armazenagem  de  álcool  e  açúcar;  5)  aos  custos  com  materiais utilizados em imóveis de uso da empresa, trabalhos  de  alvenaria,  na  colocação  de  caixilhos/portas  e  outros  materiais  de  construção  –  todos  esses  materiais  foram  utilizados para benfeitorias em imóveis ligados à produção; 6)  aos  serviços  prestados  por  pessoa  física  ­  transporte  de  resíduos  industriais  e  vinhaça,  para  aplicação  na  lavoura  de  cana­de­açúcar  como  fertilizante;  7)  aos  alugueis  de  aeronaves,  embarcações  e  veículos;  8)  aos  custos  com  a  aquisição  de  moendas,  peças  de  reposição  –  camisas,  bagaceiras,  pares de  luvas,  flanges,  eixos  e  rodetes;  e 9)  aos  custos  com  as  ferramentas  operacionais,  materiais  de  manutenção  utilizados  na  mecanização  industrial,  no  tratamento  do  caldo,  na  balança  de  cana­de­açúcar,  na  destilaria de álcool.   c)  A  receita  financeira  faz  parte  da  receita  bruta  sujeita  à  incidência  das  exações,  logo,  deverá  fazer  parte  do  rateio  proporcional previsto no art. 3º § 8º da Lei nº 10.833/2003;  d)  No amplo conceito de aluguel de prédio deve ser enquadrado  também  o  arrendamento  de  propriedades  rurais,  razão  pela  qual é legítimo o crédito referentes a esses custos.  Termina  sua  petição  recursal  requerendo  a  reforma  da  decisão  de  primeira  instância para  fins de cancelar o auto de  infração e  reconhecer  integralmente os  créditos das  contribuições  para  o  PIS  e  para  a  Cofins  não  cumulativa  referente  aos  fatos  geradores  de  30/01/2006, 28/02/2006 e 30/03/2006.  É o Relatório.      VOTO Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 103  ___________       Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.  O  recurso  foi  apresentado  com  observância  do  prazo  previsto,  bem  como  dos  demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar.  A Delegacia de Julgamento parte da premissa de que para serem considerados  insumos os  itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou  fabricação  do bem, conceito definido pelas Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004. Ressalto que a  regra é bem parecida com a esculpida no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de  1979, referente ao IPI.  Ao  meu  sentir,  o  conceito  utilizado  de  insumo  utilizado  pelo  Legislador  na  apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota  uma  abrangência  maior  do  que  MP,  PI  e  ME  relacionados  ao  IPI.  Por  outro  lado,  tal  abrangência não é  tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar  todos os custos de  produção e as despesas necessárias à atividade da empresa.  Por  isso,  entendo  que  em  todo  processo  administrativo  que  envolver  créditos  referentes a não­cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado  como  “insumos”  e  o  seu  envolvimento  no  processo  produtivo,  para  então  definir  a  possibilidade de aproveitamento do crédito.  Retornando  aos  autos,  para  uma  decisão  justa  e  precisa,  necessito  que  sejam  clareados  os  seguintes  pontos,  tendo  por  base  os  fundamentos  jurídicos  apresentados  no  Recurso  Voluntário  e  a  definição  de  “insumos”  como  sendo  aquele  bem  ou  serviço  indispensável para o processo produtivo.   1)  Quais  os  valores  das  despesas  com  combustível  aplicados  diretamente  na  produção,  seja  no  transporte  de  pessoas,  seja  na alimentação de máquinas?  2)  Quais  os  valores  referentes  a  mão  de  obra  aplicados  diretamente na produção?  3)  Quais são os serviços utilizados para a produção?  4)  Quais  foram  os  valores  dos  custos  com  benfeitorias  em  imóveis ligados à produção?  5)  Quais  foram os  valores  dos  custos  com benfeitorias  que  não  tem ligação com o processo produtivo?  6)  Qual o papel das  aeronaves,  das  embarcações  e dos  veículos  no processo produtivo?   7)  Qual  a  ligação das peças de  reposição  ­  camisas,  bagaceiras,  pares  de  luvas,  flanges,  eixos  e  rodetes  ­  com  processo  produtivo?  Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13827.001007/2010­57  Resolução nº  3402­000.410  S3­C4T2  Fl. 104          5 8)  Quais  são  as  ferramentas  operacionais,  os  materiais  de  manutenção  utilizados  na  mecanização  industrial,  no  tratamento  do  caldo,  na  balança  de  cana­de­açúcar,  na  destilaria  de  álcool  que  foram  glosados  pela  fiscalização  e  qual a participação de cada um no processo produtivo.  Ao responder essas interrogações, peço que elabore um parecer conclusivo que  possibilite identificar cada custo/despesa acima descrito para fins de uma análise jurídica deste  Colegiado.   Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte,  abrindo­lhe o  prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar­se sobre o feito.  Após  todos  os  procedimentos,  que  sejam  devolvidos  os  autos  ao  CARF  para  prosseguimento do rito processual.  Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012  GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO    Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 2/04/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Numero do processo: 13830.000508/2009-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes.
Numero da decisão: 2202-001.901
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA

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RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 10 a 13, pela qual se exige a importância de R$4.125,00, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, ano-calendário 2006, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 11 e 12, verifica-se que o lançamento decorre de glosa do despesas médicas, nos valores de R$8.000,00 e R$7.000,00, pagos a fisioterapeuta Cíntia Cristina Luiz Mas e a psicóloga Melina da Costa R Vaz, por falta de indicação do endereço de quem teria recebido os pagamentos, de identificação inequívoca dos pacientes, de comprovação dos efetivos desembolsos dos recursos financeiros necessários para os pagamentos dos valores consignados nos recibos apresentados, e de comprovação da efetiva prestação dos serviços, visto que foram apresentados tão-somente os recibos, declarações unilaterais de prestações dos serviços. A fiscalização ressalta que os tratamentos teriam sido prolongados e continuados, não se podendo cogitar urgência e/ou emergência para justificar a prestação de serviços e/ou pagamentos aos domingos (10/09 com fisioterapeuta e 24/12 com psicóloga numa véspera de Natal). DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 8, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 20): A contribuinte apresentou impugnação em 18/05/2009, anexa às fls 01 e seguintes, cujo protocolo foi considerado tempestivo, conforme consta em despacho emitido por DRF/MRA/SACAT em 20/05/2009, às fls. 18. A impugnante requer o arquivamento da Notificação de lançamento em tela, alegando, em síntese, que os pagamentos das despesas médicas foram efetuados em pecúnia, encontrando-se devidamente comprovados por meio de recibos e declarações fornecidos pelos prestadores de serviços. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 17-48.703 (fls. 19 a 23), de 23/02/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. O direito à dedução de despesas é condicionado à comprovação da relação de dependência do beneficiário dos serviços e o declarante, da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 13830.000508/2009-23 Acórdão n.º 2202-01.901 S2-C2T2 Fl. 2 3 A não comprovação por meio de documentação hábil, obsta a dedução. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 22/03/2011 (vide AR de fl. 27), o contribuinte apresentou, em 19/04/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 28 a 37, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 38), no qual, após breve relato dos fatos, reitera os termos de sua impugnação e aduz que: 1. além dos recibos preencherem os requisitos legais, especificam o tipo de tratamento realizado e o local onde o mesmo era prestado (no domicílio da recorrente, no caso da fisioterapia); 2. o fato de eventualmente de algum item de um recibo não estar preenchido não significa que o documento seja falso ou elaborado de má-fé ou qualquer outro vício que pudesse maculá-lo ao ponto de não ser aceito pelo fisco; 3. a não aceitação dos recibos como documentos legalmente hábeis assim como de que os pagamentos foram efetuados em espécie, causa e espanta e denota parcialidade de tais posicionamentos; 4. se havia dúvidas quantos aos pagamentos deveria o fisco procurar nas declarações dos respectivos profissionais emitentes para ver se eles declararam as quantias recebidas e não inverter o ônus da prova atribuindo à recorrente tal prova; 5. por fim, conclui que fica evidente a subjetividade, a pessoalidade e a conseqüente parcialidade do Auto de Infração e da decisão recorrida, em desconformidade aos princípios pelas quais toda a administração pública deve pautar-se. Conforme Termo de Juntada de Documentos de fl. 172, foram acostados aos autos pela autoridade preparadora os documentos de fls. 40 a 171, referente ao dossiê fiscal da contribuinte. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 15, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio digitalizado até à fl. 1731. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 4 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, cumpre esclarecer que não se discorda de que o ônus da prova é de quem acusa ou de quem pleiteia algo em face de outra pessoa e, por conseguinte, cabe ao fisco o ônus da prova da infração imputada ao contribuinte, demonstrando e comprovando a ocorrência do fato gerador diretamente vinculado à obrigação fiscal exigida. Contudo, em se tratando de situações em que há a redução da base de cálculo do imposto, em razão de certos privilégios ou benefícios concedidos pela legislação, compete ao contribuinte comprovar que tem direito a eles, caso contrário, está o fisco autorizado a efetuar as glosas correspondentes. É certo que toda dedução pleiteada na declaração de rendimentos está sujeita a comprovação a juízo da autoridade lançadora (art. 73 do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99). A fiscalização alega que a glosa das despesas médicas teria sido efetuada pelos seguintes motivos: (a) falta de indicação do endereço de quem teria recebido os pagamentos; (b) falta de identificação inequívoca do paciente; (c) falta de comprovação dos efetivos desembolsos dos recursos financeiros necessários para o pagamento das despesas; (d) falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços; e (e) prestação de serviços e/ou pagamentos aos domingos. No caso das despesas médicas, a Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, assim dispõe: Art. 8o A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano- calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO Processo nº 13830.000508/2009-23 Acórdão n.º 2202-01.901 S2-C2T2 Fl. 3 5 II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] De acordo com o dispositivo legal acima transcrito, podem ser deduzidos da base de cálculo do ajuste anual os pagamentos efetuados pelo contribuinte a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, bem como os pagamentos efetuados aos planos de saúde, desde que relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Ainda de acordo com a lei, o contribuinte deve comprovar as despesas médicas incorridas mediante apresentação de documento que especifique o pagamento, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Além disso, não há na legislação nada que proíba o pagamento em dinheiro e, muito menos, que obrigue o contribuinte a apresentar outra prova que demonstre a transferência efetiva de numerário (cópia de cheque, saque da conta corrente do contribuinte ou depósito feito na conta do beneficiário etc), além do próprio recibo fornecido pelo prestador do serviço. Nesse sentido, cabe invocar o art. 320 do Novo Código Civil (Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002), em que se admite o uso de instrumento particular, como os recibos ora analisados, como forma de quitação: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Parágrafo único. Ainda sem os requisitos estabelecidos neste artigo valerá a quitação, se de seus termos ou das circunstâncias resultar haver sido paga a dívida. Assim, não cabe à fiscalização fazer ilações quanto à forma de pagamento sem apresentar elementos de prova contundentes que conduzam a conclusão de que os serviços não foram efetivamente pagos. Por fim, não há nenhum óbice à utilização de recibos comuns pelos médicos, dentistas ou outro profissional da saúde, desde que contenham as informações requeridas na legislação. Além disso, a legislação não exige que o profissional discrimine o serviço prestado, até porque eles devem guardar sigilo em razão do exercício de sua profissão. Conclui-se, assim, que, até prova em contrário, atendidos os requisitos legais, os recibos fornecidos pelo profissional da área de saúde nos quais esteja consignado que o Fl. 197DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO 6 pagamento deu-se em razão de tratamento prestado ao contribuinte ou a seus dependentes são documentos hábeis para comprovar a prestação do serviço. Feitas essas digressões, passa-se à análise da documentação apresentada pela contribuinte. Os recibos anexados às fls. 51 a 56 comprovam o pagamento de serviços de fisioterapia prestados pela Sra. Cíntia Cristina Luiz Mas, no valor total de R$8.000,00, pagos ao longo do ano-calendário fiscalizado, havendo a perfeita identificação da profissional de acordo com os requisitos legais (nome, endereço e CPF ou CNPJ do prestador do serviço). Importa esclarecer que a falta da indicação do CPF da prestadora do serviço em alguns recibos não os invalida, até porque a informação é suprida pela declaração anexada à fl. 87, em que a referida profissional confirma o tratamento prestado. Ressalte-se que, pelo teor do dossiê fiscal anexado pela própria autoridade preparadora, a contribuinte já havia apresentado duas declarações médicas atestando a necessidade do tratamento fisioterápico, acompanhadas de diversos exames (fls. 105 a 109 do e-processo). A primeira foi emitida pela Dr. Flávio Maldonado, CRM 67871, mestre em Cirurgia de Quadril e Joelho, e, a segundo, pelo Dr. Antônio A. Morelatto, CRM 67699, especialista em Ortopedia Traumatológica. Da mesma forma, os recibos de fls. 58 a 63, no montante total de R$7.000,00, comprovam o pagamento referente a tratamento psicológico prestado pela Sra. Melina da Costa R. Vaz à contribuinte. Muito embora em tais recibos não haja a indicação do endereço do profissional como determina a lei, tal informação foi suprida pela declaração de fl. 99, na qual a psicóloga informa, ainda, que a contribuinte “estava sob tratamento psicológico de base Psicanalítica no ano de 2006, com a finalidade de tratar segundo o cd 10 Depressão grave.” Assim, atendidos os pressupostos legais e considerando que os argumentos apresentados pelo fisco não são suficientes para que se desconsidere os recibos e demais documentos apresentados pela contribuinte, deve-se restabelecer as despesas médicas, no total valor de R$15.000,00, conforme pleiteado. Caso duvidasse da idoneidade dos documentos apresentados pela contribuinte, caberia a fiscalização ter se aprofundado mais na ação fiscal, diligenciando junto às profissionais, consultando os órgãos representativos de classe para verificar a aptidão técnica e profissional para a execução dos serviços ou carreando outros elementos de prova que pudessem demonstrar, de forma incontestável, que tais documentos não correspondiam aos fatos neles contidos, o que não ocorreu. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALO, Assinado digitalmente e m 18/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGA O CALO

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Numero do processo: 10855.913275/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.215
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/02/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.913275/2009­54  Resolução nº 3101­00.215  S3­C1T1  202  _________          Relatório  Cuida­se de recurso voluntário contra acórdão unânime da Segunda Turma  da  DRJ  Ribeirão  Preto  (SP)  [1]  que  rejeitou  manifestação  de  inconformidade  [2]  contra  indeferimento  de  pedido  de  ressarcimento  de  imposto  sobre  produtos  industrializados  (IPI)  atrelado  a  declaração  de  compensação  com  débitos  vincendos  de  natureza  tributária  administrados pela RFB [3]. Créditos apurados no 2º trimestre de 2005.  Auto de  infração  lavrado em 1º de março de 2010, nos  autos do processo  16024.000026/2010­08, precede o  indeferimento desta demanda e  exige do contribuinte  IPI  decorrente de estorno de créditos básicos indevidamente escriturados.  Indeferido  o  pedido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  competente  [4],  a  interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade com as razões de folhas 59 a 77,  fiel  reprodução  das  razões  da  impugnação  do  lançamento  do  crédito  tributário  lançado  em  face da constatação de créditos básicos escriturados indevidamente, fato consignado nos dois  parágrafos iniciais do voto condutor do acórdão, verbis:  O  processo  n°  1604.000026/2010­08  [número  correto:  16024.000026/2010­08]  foi  julgado  por  esta  instancia  na  presente  sessão  e  foi  mantido o lançamento.  Considerando que os argumentos trazidos pela manifestante são  os mesmo  [sic]  da  impugnação  contra  o  lançamento  que  esgotou  o  saldo  credor  passo a reproduzi­los.  Os  fundamentos  do  voto  condutor  do  acórdão  recorrido  estão  consubstanciados na ementa que transcrevo:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  QUE  ESGOTOU O SALDO CREDOR DO IPI.  Comprovada a procedência do lançamento de oficio e  inexistente saldo credor do  IPI, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito.                                                              1   Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 170 a 173.  2   Manifestação de inconformidade acostada às folhas 59 a 77.  3   Pedido de ressarcimento e declaração de compensação acostados às folhas 2 a 19.  4   Indeferimento do ressarcimento às  folhas 39 a 41. Motivo do indeferimento: “Conforme Informação Fiscal  (fls 22 a 30) durante os  trabalhos de auditoria  foi verificada a existência de várias notas  fiscais  relativas  a  aquisições de  insumos de empresas optantes do Simples Federal,  aquisições estas que não geram direito a  crédito.  [...]  Foi  verificada  também  a  aquisição  de  sucata  e/ou  resíduos  de  alumínio,  (classificação  fiscal  7602.00.00  –  NÃO  TRIBUTADOS)  de  vários  fornecedores.  O  contribuinte  emitiu  nota  fiscal  de  entrada  destes resíduos utilizando base de cálculo de 50% do valor da mercadoria e alíquota de IPI de 4% baseado no  art. 148 do Decreto n° 2637/98 (Regulamento do IPI). Ocorre que a previsão  legal é que o cálculo de  tais  créditos deve ser baseado na alíquota de produto adquirido, o que não se aplica no presente caso, já que são  produtos não tributados”.  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/02/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.913275/2009­54  Resolução nº 3101­00.215  S3­C1T1  203  _________          DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI.  É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal  do  sujeito  passivo,  de  créditos  do  imposto  alusivos  a  insumos  isentos,  não  tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que  inexiste montante do imposto  cobrado na operação anterior.  IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES.  A  legislação  em  vigor  não  permite  o  creditamento  do  IPI  calculado  pelo  contribuinte sobre aquisições de estabelecimento [sic] optantes pelo SIMPLES.  DA BOA­FÉ DO ADQUIRENTE. DESCABIMENTO.  Inexistindo a cautela inerente à atividade comercial, ainda que o adquirente tenha  agido  de  boa  fé,  esta  não  confere  legitimidade  a  notas  fiscais  irregulares  com  direito ao crédito do imposto.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Credit6rio Não Reconhecido  Ciente  do  inteiro  teor  desse  acórdão,  recurso  voluntário  foi  interposto  às  folhas 176 a 195. Nessa petição, as razões iniciais são reiteradas noutras palavras.  Preliminarmente,  roga  pelo  apensamento  deste  feito  ao  processo  16024.000026/2010­08, que cuida do lançamento IPI em face de denunciada escrituração de  créditos básicos indevidos.  No  mérito,  discorre  sobre:  (1)  não  cumulatividade  do  IPI;  (2)  direito  ao  crédito de IPI nas aquisições de produtos não­tributados; e (3) as operações com fornecedores  optantes pelo Simples e a boa­fé da ora recorrente.  A  autoridade  competente  deu  por  encerrado  o  preparo  do  processo  e  encaminhou para a segunda instância administrativa [5] os autos posteriormente distribuídos a  este  conselheiro  e  submetidos  a  julgamento  em  dois  volumes,  ora  processados  com  200  folhas.  É o relatório.                                                              5   Despacho acostado à folha 200 determina o encaminhamento dos autos para o Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais.  Fl. 232DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/02/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10855.913275/2009­54  Resolução nº 3101­00.215  S3­C1T1  204  _________          Voto  Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator)  Conheço  do  recurso  voluntário  interposto  às  folhas  176  a  195,  porque  tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade.  Tratam  os  autos  deste  processo,  conforme  relatado,  de  pedido  de  ressarcimento  de  imposto  sobre  produtos  industrializados  (IPI)  apurado  no  2º  trimestre  de  2005, atrelado a declaração de compensação com débitos de natureza tributária administrados  pela Receita Federal do Brasil.  No entanto, nos autos de outro processo administrativo, litígio concernente  ao  IPI  decorrente  de  estorno  de  créditos  básicos  indevidamente  escriturados  é  precedente  jurídico  para  a  aferição  do  saldo  credor  alegado  no  pedido  referido  no  parágrafo  imediatamente anterior.  Ora,  perante  a  identidade  de  matéria  litigiosa,  período  de  apuração  e  contribuinte em processos administrativo­fiscais distintos, somente um deles pode solucionar  a controvérsia.  No  caso  concreto,  o  processo  no  qual  é  formalizada  a  exigência  fiscal  decorrente do lançamento para estornar os créditos básicos tidos como indevidos pelo fisco e  escriturados  pelo  contribuinte  tem  prevalência  sobre  o  julgamento  do  pedido  de  ressarcimento, porque este último é subordinado à existência de créditos escriturais legítimos.  Por conseguinte,  com o objetivo de enriquecer a  instrução dos autos deste  processo, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição  de origem para a autoridade competente:  (1)  aguardar  o  julgamento  definitivo  na  esfera  administrativa  do  processo  que cuida do mencionado lançamento do IPI; e  (2) instruir os autos do presente processo administrativo com o resultado do  julgamento definitivo do processo administrativo 16024.000026/2010­08.  Posteriormente,  após  facultar  à  recorrente  oportunidade  de  manifestação  quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para este colegiado.  Tarásio Campelo Borges    Fl. 233DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 29/02/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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Numero do processo: 13603.001137/2005-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001, 2002 Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO ATÉ O MOMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE. O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da área de reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável pelo ITR, obviamente com os condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis CRI é uma providência que potencializa a extra fiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Afastar a necessidade de averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente, de feições extra fiscais. De outra banda, a exigência da averbação cartorária da área de reserva legal vai ao encontro do aspecto extra fiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva legal, podendo fruir da benesse tributária. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal. ADA INTEMPESTIVO. O ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREAS COM BENFEITORIAS E OCUPADAS COM PRODUTOS VEGETAIS. COMPROVAÇÃO EM FISCALIZAÇÃO DO IBAMA. RESTABELECIMENTO. ÁREA DE PASTAGENS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO REBANHO. MANUTENÇÃO DA GLOSA. Comprovadas as áreas de benfeitorias e produtos vegetais a partir de laudos técnicos e de fiscalização do Ibama, deve restabelecer as glosas perpetradas pela fiscalização. Por outro lado, no tocante às áreas de pastagens, vê-se que, na diligência presidida pela autoridade fiscal, cumprindo Resolução desta Turma, diversos óbices para acatamento dessa área foram registrados, em essência demonstrando que o contribuinte não logrou comprovar a vinculação de rebanhos ao imóvel auditado, não sendo possível averiguar o índice de lotação da propriedade. Desses óbices o recorrente, intimado, não os contraditou, sendo de rigor manter o posicionamento da Autoridade que presidiu a diligência.
Numero da decisão: 2102-002.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para deferir para os dois exercícios auditados: 1) uma área de preservação permanente de 234,0ha; 2) uma área de reserva legal de 685,28ha; 3) uma área ocupada com benfeitorias de 53,9ha; 4) uma área ocupada com produtos vegetais de 376,6ha; 5) um VTN de R$ 500.000,00 para o exercício 2001 e de R$ 541.830,32 para o exercício 2002. Vencida a Conselheira Nubia Matos Moura que dava provimento parcial em menor extensão, mantendo a glosa da área de reserva legal.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 1          1             S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.001137/2005­57  Recurso nº  341.536   Voluntário  Acórdão nº  2102­002.090   –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de junho de 2012  Matéria  ITR  Recorrente  FAZENDA REUNIDAS MINAS GERAIS S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ­ ITR  Exercício: 2001, 2002  Ementa: ÁREA DE RESERVA LEGAL. NECESSIDADE OBRIGATÓRIA  DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL  NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. HIGIDEZ. AVERBAÇÃO  ATÉ  O  MOMENTO  ANTERIOR  AO  INÍCIO  DA  AÇÃO  FISCAL.  NECESSIDADE.  O  art.  10,  §  1º,  II,  “a”,  da  Lei  nº  9.393/96  permite  a  exclusão  da  área  de  reserva legal prevista no Código Florestal (Lei nº 4.771/65) da área tributável  pelo  ITR,  obviamente  com  os  condicionantes  do  próprio  Código  Florestal,  que, em seu art. 16, § 8º, exige que a área de reserva legal deve ser averbada  à  margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos  de  transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área,  com  as  exceções  previstas  no  Código  Florestal.  A  averbação  da  área  de  reserva  legal  no Cartório  de Registro  de  Imóveis  ­ CRI  é  uma  providência  que  potencializa  a  extrafiscalidade  do  ITR,  devendo  ser  exigida  como  requisito  para  fruição  da  benesse  tributária.  Afastar  a  necessidade  de  averbação da área de reserva legal é uma interpretação que vai de encontro à  essência do ITR, que é um imposto essencialmente, diria, fundamentalmente,  de  feições  extrafiscais. De outra banda,  a  exigência da averbação cartorária  da  área  de  reserva  legal  vai  ao  encontro  do  aspecto  extrafiscal  do  ITR,  devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o contribuinte estiver espontâneo  em  face da  autoridade  fiscalizadora  tributária,  na  forma do art.  7º,  § 1º,  do  Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do  sujeito  passivo  em  relação  aos  atos  anteriores  e,  independentemente  de  intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar  no CRI a área de  reserva  legal, podendo  fruir da benesse  tributária. Porém,  iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade  estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso  não tenha sido averbada antes do início da ação fiscal.     Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS   2 ADA INTEMPESTIVO.  O  ADA  intempestivo,  por  si  só,  não  é  condição  suficiente  para  impedir  o  contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.  ÁREAS  COM  BENFEITORIAS  E  OCUPADAS  COM  PRODUTOS  VEGETAIS.  COMPROVAÇÃO  EM  FISCALIZAÇÃO  DO  IBAMA.  RESTABELECIMENTO.  ÁREA  DE  PASTAGENS.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO DO REBANHO. MANUTENÇÃO DA GLOSA.  Comprovadas as áreas de benfeitorias e produtos vegetais a partir de laudos  técnicos e de fiscalização do Ibama, deve restabelecer as glosas perpetradas  pela fiscalização. Por outro lado, no tocante às áreas de pastagens, vê­se que,  na  diligência  presidida  pela  autoridade  fiscal,  cumprindo  Resolução  desta  Turma,  diversos  óbices  para  acatamento  dessa  área  foram  registrados,  em  essência demonstrando que o contribuinte não logrou comprovar a vinculação  de  rebanhos  ao  imóvel  auditado,  não  sendo  possível  averiguar  o  índice  de  lotação  da  propriedade.  Desses  óbices  o  recorrente,  intimado,  não  os  contraditou,  sendo  de  rigor  manter  o  posicionamento  da  Autoridade  que  presidiu a diligência.    Recurso provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  DAR  PARCIAL provimento ao recurso para deferir para os dois exercícios auditados: 1) uma área de  preservação  permanente  de 234,0ha;  2)  uma área  de  reserva  legal  de  685,28ha;  3)  uma  área  ocupada com benfeitorias de 53,9ha; 4) uma área ocupada com produtos vegetais de 376,6ha;  5) um VTN de R$ 500.000,00 para o exercício 2001 e de R$ 541.830,32 para o exercício 2002.  Vencida a Conselheira Nubia Matos Moura que dava provimento parcial em menor extensão,  mantendo a glosa da área de reserva legal.     Assinado digitalmente  GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS ­ Relator e Presidente.   EDITADO EM: 03/07/2012  Participaram do presente  julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos  André  Rodrigues  Pereira  Lima,  Giovanni  Christian  Nunes  Campos,  Núbia  Matos  Moura,  Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.    Relatório  Em face do contribuinte Fazenda Reunidas Minas Gerais S/A, CNPJ/MF nº  17.175.761/0001­87,  já  qualificado  neste  processo,  foi  lavrado,  em  28/06/2005,  auto  de  Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13603.001137/2005­57  Acórdão n.º 2102­002.090   S2­C1T2  Fl. 2          3 infração  (fls.  04  a  07),  com  ciência  postal  em  30/06/2005  (fl.  100),  a  partir  de  ação  fiscal  iniciada em 03/05/2005 (fl. 25). Abaixo, discrimina­se o crédito tributário constituído pelo auto  de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte  ao do vencimento do crédito:  IMPOSTO  R$ 285.106,06  MULTA DE OFÍCIO  R$ 213.829,54  Em revisão das DITRs – exercícios 2001 e 2002, do imóvel Fazenda Bento  Velho  e  outras, NIRF 637.755­6,  localizado  em Cordisburgo  (MG),  área  total  de  3.112ha,  a  autoridade fiscal procedeu da forma que segue:  •  glosa integral das áreas de preservação permanente (208,5ha), reserva  legal  (591,0ha),  ocupadas  com  benfeitorias  (53,9ha),  utilizadas  com  produtos  vegetais  (529,3ha)  e  pastagens  (1.410ha),  nos  exercícios  2001 e 2002;  •  glosa  integral  dos  valores  das  benfeitorias  e  culturas/pastagens/florestas em ambos os exercícios citados;   •  majoração  do  valor  da  terra  nua,  de  R$500.000,00  para  R$2.132.560,24  e  de  R$500.000,00  para  R$1.208.545,20,  nos  exercícios 2001 e 2002, respectivamente.  Pelo  que  se  apreende  do  Termo  de  Verificação  da  Infração  –  ITR  2001  e  2002,  a  autoridade  glosou  a  área  de  preservação  permanente  em decorrência  da  ausência de  apresentação de Ato Declaratório Ambiental – ADA; a área de reserva legal em decorrência da  ausência  de  apresentação  do ADA e  da  averbação  cartorária  respectiva;  e  as  demais  áreas  e  valores  pela  ausência  de  comprovação  com  mapas,  laudos  e  documentos  que  provassem  a  existência de rebanhos.   Na mesma  linha  final  acima,  considerando  a não  apresentação  de  laudo de  avaliação do imóvel rural pelo fiscalizado, a autoridade arbitrou o valor da terra nua utilizando  o VTN médio das DITRs constante no Sistema de Preços de Terra da Receita Federal – SIPT  (fls. 12 e 13).  O Termo de Início da presente ação fiscal foi notificado ao contribuinte em  03/05/2005 (fl. 23 a 25), quando lhe foi intimado a comprovar os dados das DITRs­exercícios  2001 e 2002, com  laudo  técnico e demais documentos. Em 23/05/2005 houve um pedido de  prorrogação  da  intimação  por  20  dias,  quando  a  autoridade  fiscal  deferiu  uma  dilação  até  02/06/2005. Entretanto, a intimação restou não atendida até o encerramento da ação fiscal, em  28/06/2005.  Inconformado  com  a  autuação,  o  contribuinte  apresentou  impugnação  ao  lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento.  A  1ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ­Brasília,  por  unanimidade  de  votos,  julgou procedente o lançamento, em decisão de fls. 104 a 122, consubstanciada no Acórdão n°  03­22.316, de 12 de setembro de 2007.  Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS   4 Em essência, a autoridade manteve a revisão das DITRs feita pela autoridade  autuante, pois o contribuinte não apresentou o ADA para as áreas de preservação permanente e  de reserva legal, e para esta última ainda fez a averbação cartorária a destempo (averbou uma  área de 685,28ha em 11/02/2005), bem como, para combater as demais alterações, apresentou  um Laudo de Vistoria sem assinatura do experto e sem a ART respectiva, o que impediu sua  consideração pela autoridade julgadora a quo.  O  contribuinte  foi  intimado  da  decisão  a  quo  em  17/10/2007  (fl.  127).  Irresignado, interpôs recurso voluntário em 14/11/2007 (fl. 328).  No  voluntário,  o  recorrente,  juntando  Laudo  Técnico  subscrito  pelos  Engenheiros Agrônomo e Civil, Rodrigo Octávio Monteiro de Sousa Lima e Arnaldo Mendes  Junior, datado de 06/11/2007 (fls. 211 a 327), alega, em síntese, que:  I.  não  apresentou  o  laudo  técnico  por  falta  de  tempo,  “já  que  a  notificação  conferiu  prazo  muito  apertado  para  o  trabalho  de  tamanha  complexidade,  mas  que  efetivamente  se  relacionam  com  a  “Fazenda  Bento  Velho  e  outras”,  naqueles  exercícios”  (fl.  137).  Ainda  que  “houve  um  lamentável  equívoco  ao  se  enviar  um  laudo  técnico sem assinatura, intempestivamente encaminhado, já que urgia  o tempo em função do exíguo prazo se fazer as provas” (fl. 162);  II.  há  uma  área  de  preservação  permanente  de  234ha,  conforme  comprova o Laudo que  agora  se  junta,  não  havendo necessidade  de  qualquer declaração adicional para deferimento do benefício isentivo  sobre tal área, na forma dos arts. 1º e 2º do Código Florestal (Lei nº  4.771/65) c/c com o art. 10, § 7 º, da Lei nº 9.393/96. Ainda, há uma  área  de  reserva  legal  de  685,2ha  (e  não  591,0ha  como  outrora  declarada),  conforme  o  Laudo  Técnico,  estando  competentemente  averbada à margem da matrícula do imóvel no CRI. Ambas as áreas  devem ser excluídas da área tributável do imóvel;  III.  o Ibama, por Analista Ambiental lotado na Superintendência Estadual  de  Minas  Gerais,  fez  Laudo  Técnico  de  Vistoria,  datado  de  13/11/2007,  relativo  ao  ADA  nº10731310111164,  atestando  a  existência de uma área de reflorestamento de 376,6ha, com florestas  implantadas anteriormente a 1999 e exploradas recentemente e ainda  em estágio de regeneração; de uma área de reserva legal averbada de  685,28ha, não observando nela vestígios de  exploração  florestal  nos  últimos  dez  anos;  e  de  uma  área  de  preservação  permanente  de  234,0ha (fl. 209);  IV.  o  contribuinte  havia  declarado  uma  área  utilizada  com  produtos  vegetais  em  ambos  os  exercícios  de  529,3ha. Agora,  como  se  pode  ver no Laudo Técnico  juntado, comprova­se a existência de 376,6ha  de área utilizada com plantio de eucalipto e que deve ser considerada  como utilizada na atividade agrícola, sendo certo que tal área também  foi comprovada pelo analista ambiental do Ibama;  V.  o  Laudo  Técnico  comprovou  a  existência  de  53,9ha  ocupados  com  benfeitorias, como declarado nas DITRs;  Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13603.001137/2005­57  Acórdão n.º 2102­002.090   S2­C1T2  Fl. 3          5 VI.  originalmente, o contribuinte havia declarado uma área de 1.410,0ha  como  ocupada  com  pastagens. Ocorre  que  o  Laudo Técnico  apurou  uma  área  de  pastagens  de  1.762,3ha,  como,  inclusive,  faz  prova  da  existência do pasto  a  ficha de vacinação do  rebanho apascentado na  propriedade, expedida pelo Instituto Mineiro de Agropecuária – IMA,  em nome de arrendatário da propriedade (fls. 319 a 323);  VII.  no  tocante ao preço da  terra nua,  a autoridade se valeu de avaliação  apurada  nas DITRs do  ano  imediatamente  anterior  ao  exercício,  em  flagrante  erro  material.  Ademais,  o  Laudo  Técnico  agora  juntado  corrobora  os  valores  da  terra  nua  declarados  pelo  contribuinte,  com  marginais discrepâncias.  Considerando  que  o  contribuinte  trouxe  um  largo  acervo  probatório  no  recurso voluntário, entendeu a Turma que deveria ser apreciado pela autoridade lançadora, pois  havia  plausibilidade  na  argumentação  do  recorrente  de  que  teve  dificuldade  na  produção  da  prova de seu direito no curso dos prazos assinados pela autoridade autuante, que foram curtos,  pois  necessitava  produzir  Laudo  Pericial  e  outros  documentos  de  razoável  complexidade,  somente  conseguindo  fazê­lo  no  recurso  voluntário. Assim,  o  julgamento  foi  convertido  em  diligência, para que a autoridade lançadora apreciasse os documentos de fls. 209 a 327.  A autoridade  lançadora apreciou a documentação e ofertou Parecer,  com as  conclusões que seguem (fls. 340 a 349):  §  a  área  de  preservação  permanente  (208,5  hectares)  não  poderia  ser  excluída  da  tributação,  pois  o  ADA  foi  apresentado  intempestivamente;  §  a  área  de  reserva  legal  (591,0ha)  não  poderia  ser  excluída  da  tributação,  pois  tanto  o  ADA  quanto  a  averbação  foi  feitos  extemporaneamente;  §  as áreas ocupadas com benfeitorias (53,9ha) constam no laudo técnico  apresentado e devem ser restabelecidas;  §  conforme o laudo técnico apresentado, deve­se restabelecer uma área  de 376,6 hectares utilizada com produtos vegetais;  §  apesar  de  constar  no  laudo  técnico  uma  área  de  pastagens  de  1.762,3ha, o recorrente não conseguiu demonstrar o atendimento aos  índices de lotação pecuária da região, devendo, assim, ser mantida a  glosa;  §  considerando  que  o  laudo  técnico  de  avaliação  do  imóvel  auditado  atendeu a Norma ABNT nº 14653­3, devem­se utilizar os valores nele  informados  para  o  VTN,  de  R$  500.000,00  para  o  exercício  2001  (igual ao valor declarado na DITR) e R$ 541.830,32 para o exercício  2002.   O  recorrente  foi  intimado  do  Parecer  acima  e  não  ofertou  qualquer  contrarrazão.  Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS   6 É o relatório.  Voto             Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator  Declara­se a  tempestividade do apelo,  já que o contribuinte  foi  intimado da  decisão  recorrida  em  17/10/2007  (fl.  127),  quarta­feira,  e  interpôs  o  recurso  voluntário  em  14/11/2007  (fl.  328),  dentro  do  trintídio  legal,  este  que  teve  seu  termo  final  em 16/11/2007,  sexta­feira.  Dessa  forma,  atendidos  os  demais  requisitos  legais,  passa­se  a  apreciar  o  apelo,  como discriminado no relatório.  Antes  de  tudo,  deve­se  evidenciar  que  esta  Turma  de  Julgamento  (e  a  2ª  Turma da CSRF)  entende que não há necessidade de  apresentação de ADA  tempestivo para  exclusão  das  áreas  de  preservação  permanente  e  de  utilização  limitada  (onde  se  encontra  também  a  área  de  reserva  legal)  da  incidência  do  ITR,  pois  se  o  art.  17­O,  §  1º,  da  Lei  nº  6.938/81 é expresso quanto à exigência do ADA para fruição de benefício no âmbito do ITR,  para  os  exercícios  posteriores  a  2001,  tal  Lei  não  fixou  prazo  para  apresentação  do  ADA,  parecendo  descabida  a  exigência  feita  pelo  fisco  federal  de  apresentação  do  ADA  contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o  ADA,  mesmo  extemporâneo  (precedentes:  Acórdãos  nºs  2102­00.528;  2102­00.530;  2102­ 00.640; 2102­01.704; 9202­001.907; 9202­002.105; CSRF/03­06.162).  Já a averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é  uma  providência  que  potencializa  a  extrafiscalidade  do  ITR,  devendo  ser  exigida  como  requisito  para  fruição  da  benesse  tributária.  Afastar  a  necessidade  de  averbação  da  área  de  reserva  legal  é uma  interpretação que vai de  encontro  à  essência do  ITR, que é um  imposto  essencialmente, diria,  fundamentalmente, de feições extrafiscais. Já a exigência da averbação  da  área  de  reserva  legal  vai  ao  encontro  do  aspecto  extrafiscal  do  ITR,  devendo  ser  privilegiada.   Entretanto,  apesar  de  obrigatória  a  averbação  cartorária  da  área  de  reserva  legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio  ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada  e  comprovada  por  laudos  técnicos  ou  por  atos  do  poder  público,  mesmo  com  averbação  posterior  ao  fato  gerador,  especificamente  se  anterior  ao  início  do  procedimento  fiscal  pela  autoridade  tributária,  não me  parece  razoável  arrostar  o  benefício  tributário,  quando  se  sabe  que  áreas  ambientais  preservadas  levam  longo  tempo para  sua  (re)composição, ou  seja,  uma  área  averbada  e  comprovada  em  exercício  posterior,  certamente  existia  nos  exercícios  logo  precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido  utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Lei  tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção  do ITR.   Deve­se, porém, definir um termo final de quando poderia ser implementada  a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do  ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob  pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar  o início do procedimento fiscal para fazê­la, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a  quantidade  de  imóveis  de  um  país  continental  como  o  Brasil  é  imensa,  não  sendo  razoável  imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país.  Dessa  forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade  fiscalizadora  Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13603.001137/2005­57  Acórdão n.º 2102­002.090   S2­C1T2  Fl. 4          7 tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a  espontaneidade  do  sujeito  passivo  em  relação  aos  atos  anteriores  e,  independentemente  de  intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de  reserva  legal,  podendo  fruir  dos  isentivos  tributários.  Porém,  iniciado  o  procedimento  fiscal  para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá  sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal.  O entendimento acima pode ser visto nos arestos abaixo desta Turma:  Acórdão  nº  2102­01.862,  sessão  de  12  de  março  de  2012  (excerto de ementa)  ÁREA DE  RESERVA  LEGAL.  NECESSIDADE OBRIGATÓRIA  DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL  RURAL  NO  CARTÓRIO  DE  REGISTRO  DE  IMÓVEIS.  HIGIDEZ.  AVERBAÇÃO  ATÉ  O  MOMENTO  ANTERIOR  AO  INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NECESSIDADE.  O art. 10, § 1º, II, “a”, da Lei nº 9.393/96 permite a exclusão da  área  de  reserva  legal  prevista  no  Código  Florestal  (Lei  nº  4.771/65)  da  área  tributável  pelo  ITR,  obviamente  com  os  condicionantes do próprio Código Florestal, que, em seu art. 16,  §  8º,  exige  que  a  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à  margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos  de  transmissão,  a  qualquer  título,  de  desmembramento  ou  de  retificação  da  área,  com  as  exceções  previstas no Código Florestal. A averbação da área de  reserva  legal  no  Cartório  de  Registro  de  Imóveis  ­  CRI  é  uma  providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo  ser  exigida  como  requisito  para  fruição  da  benesse  tributária.  Afastar a necessidade de averbação da área de  reserva  legal  é  uma interpretação que vai de encontro à essência do ITR, que é  um imposto essencialmente, diria,  fundamentalmente, de feições  extrafiscais.  De  outra  banda,  a  exigência  da  averbação  cartorária da área de reserva  legal vai ao encontro do aspecto  extrafiscal do ITR, devendo ser privilegiada. Ainda, enquanto o  contribuinte  estiver  espontâneo  em  face  da  autoridade  fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº  70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do  sujeito  passivo  em  relação  aos  atos  anteriores  e,  independentemente  de  intimação  a  dos  demais  envolvidos  nas  infrações verificadas), poderá averbar no CRI a área de reserva  legal,  podendo  fruir  da  benesse  tributária.  Porém,  iniciado  o  procedimento  fiscal  para  determinado  exercício,  a  espontaneidade  estará  quebrada,  e  a  área  de  reserva  legal  deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes  do início da ação fiscal.  Acórdão  nº  2102­01.815,  sessão  de  8  de  fevereiro  de  2012  (excerto)  ADA INTEMPESTIVO.  Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS   8 O ADA  intempestivo,  por  si  só,  não  é  condição  suficiente para  impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito  do ITR.  Na  linha  acima,  vê­se  que  a  autoridade  ambiental  fiscalizou  o  ADA  (nº  10731310111164), tendo registrado as seguintes conclusões (fl. 209):  §  verificou­se a  existência de uma área de preservação permanente de  234,0ha;  §  verificou­se a existência de uma área de reserva legal de 685,28ha; e   §  uma área de 376,60ha de floresta implantada.  Pelo  antes  exposto,  vê­se  que  o  ADA  intempestivo  não  pode  ser  óbice  ao  reconhecimento  das  áreas  de  preservação  permanente  e  de  reserva  legal,  devendo­se,  assim,  superar o obstáculo apontado no Parecer da Autoridade que presidiu a diligência.  Indo mais  além,  restou  comprovada  a  averbação  cartorária  de  uma  área  de  reserva legal de 685,28ha, em 10/02/2005 (fls. 256 a 258), em momento anterior ao início da  ação  fiscal  (03/05/2005  –  fl.  25),  devendo  tal  área  ser  restabelecida,  conforme  as  razões  já  expendidas.  Ainda no tocante à área de reserva legal, deve­se observar que o contribuinte  somente declarou uma área de 591,0ha nos dois exercícios  fiscalizados, porém a fiscalização  ambiental  (fl.  209)  e  a  averbação  cartorária  (fls.  256  a  258)  indicam  uma  área  ligeiramente  maior (685,28ha), tendo o Laudo Técnico de vistoria do Ibama, de 13 de novembro de 2007,  asseverado que não havia observado qualquer vestígio de exploração florestal nos últimos 10  anos,  baseado  nas  características  fisionômicas  da  área,  parecendo  claro  que  a  área majorada  existia nos  exercícios  fiscalizados  (2001 e 2002),  devendo  ser deferida  como assentado pelo  Ibama. Assim, aqui se considera que as declarações apresentadas incorreram em erro de fato,  este  que  deve  ser  sanado  a  qualquer  momento  da  via  administrativa,  pois  a  administração  tributária  não  pode  submeter  à  imposição  tributária  uma  área  que  se  comprove  de  forma  iniludível fora do campo de incidência do tributo.  Por  tudo,  aqui  não  se  acata  a  propositura  da  Autoridade  que  presidiu  a  diligência,  no  tocante  às  áreas  de  reserva  legal  e  preservação  permanente,  devendo  ser  restabelecidas a tais títulos as áreas de 234,0ha e 685,28ha, respectivamente.  Dando seqüência à apreciação recursal, pelas  razões expostas no Parecer da  Autoridade  que  presidiu  a  diligência,  aqui  se  acata  as  áreas  ocupadas  com  benfeitorias  (53,9ha), pois constou sua comprovação em laudo técnico, e com produtos vegetais (376,6ha),  que igualmente foi comprovado pelo laudo técnico e pela fiscalização do Ibama.  No  tocante  às  áreas  de  pastagens,  vê­se  que,  na  diligência,  a  Autoridade  Fiscal registrou diversos óbices para acatamento dessa área, em essência demonstrando que o  contribuinte não logrou comprovar a vinculação dos rebanhos ao imóvel auditado, não sendo  possível averiguar o índice de lotação da propriedade. Desses óbices o contribuinte, intimado,  não  os  contraditou,  sendo  de  rigor  manter  o  posicionamento  da  Autoridade  que  presidiu  a  diligência.  Por  fim,  aqui  também  se  acatam  as  conclusões  da  diligência  no  tocante  ao  VTN,  amparado  no  laudo  técnico  avaliatório  juntado  aos  autos,  deferindo  um  VTN  de  R$  Fl. 8DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13603.001137/2005­57  Acórdão n.º 2102­002.090   S2­C1T2  Fl. 5          9 500.000,00 para o exercício 2001 e R$ 541.830,32 para o exercício 2002, pois o laudo atendeu  a Norma ABNT nº 14653­3, como asseverado pela autoridade fiscal.    Ante  tudo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  DAR  PARCIAL  provimento  ao  recurso para deferir para os dois exercícios auditados:  §  uma área de preservação permanente de 234,0ha;  §  uma área de reserva legal de 685,28ha;  §  uma área ocupada com benfeitorias de 53,9ha;  §  uma área ocupada com produtos vegetais de 376,6ha;  §  um VTN de R$ 500.000,00 para o exercício 2001 e de R$ 541.830,32  para o exercício 2002.    Assinado digitalmente  Giovanni Christian Nunes Campos                                Fl. 9DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS

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Numero do processo: 13971.003674/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/08/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO RECOLHIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONFUSÃO DE DISPOSITIVOS LEGAIS NO RELATÓRIO FISCAL. CIÊNCIA PELO CONTRIBUINTE DA INFRAÇÃO IMPUTADA. Alega a Recorrente que os dispositivos mencionados pela autoridade fiscal eram confusos ou não se relacionavam com o objeto da autuação. Como se pode notar, tanto da impugnação apresentada quanto do Recurso Voluntário, a Recorrente tem plena ciência da matéria da autuação, sendo inclusive capaz de debatê-la ponto a ponto. O cerceamento de defesa é verificado nas situações em que ao contribuinte autuado não é dada a oportunidade de rebater as afirmações da autoridade autuante ou, ainda, nos casos em que o Auto de Infração como um todo impossibilita que o contribuinte verifique a razão pela qual tenha sido autuado. Precedentes: CARF, Acórdão n° 2802-001.402 e Acórdão 1402-001.029. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCALIZADORA DA MATRIZ PARA AUTUAÇÃO DE DÉBITOS DE FILIAL EM OUTRO ESTADO. Na vigência da Instrução Normativa RFB n° 3/2005, o contribuinte poderia eleger o estabelecimento centralizador de sua empresa, mediante requerimento, ou, na falta desta eleição, a SRP, atualmente RFB, uma vez constatando que os elementos necessários à realização de auditoria-fiscal se encontravam em outro estabelecimento que não o eleito, poderia promover, de ofício, a alteração do centralizador. Destarte, não há que se falar em falta de competência da Unidade da RFB de Blumenau para fiscalizar a filial em Recife, uma vez que a fiscalização foi realizada no estabelecimento matriz localizado na Unidade de Blumenau. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS RETROATIVOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ATINENTE AO REGIME GERAL. Uma vez excluída a empresa do Simples Nacional, os efeitos dessa exclusão são aplicados de forma retroativa, nos termos do art. 3°, § 10, da Lei Complementar n° 123/06. Assim, correta a autuação sobre a diferença a ser recolhida a título de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/08/2009 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO RECOLHIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONFUSÃO DE DISPOSITIVOS LEGAIS NO RELATÓRIO FISCAL. CIÊNCIA PELO CONTRIBUINTE DA INFRAÇÃO IMPUTADA. Alega a Recorrente que os dispositivos mencionados pela autoridade fiscal eram confusos ou não se relacionavam com o objeto da autuação. Como se pode notar, tanto da impugnação apresentada quanto do Recurso Voluntário, a Recorrente tem plena ciência da matéria da autuação, sendo inclusive capaz de debatê-la ponto a ponto. O cerceamento de defesa é verificado nas situações em que ao contribuinte autuado não é dada a oportunidade de rebater as afirmações da autoridade autuante ou, ainda, nos casos em que o Auto de Infração como um todo impossibilita que o contribuinte verifique a razão pela qual tenha sido autuado. Precedentes: CARF, Acórdão n° 2802-001.402 e Acórdão 1402-001.029. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCALIZADORA DA MATRIZ PARA AUTUAÇÃO DE DÉBITOS DE FILIAL EM OUTRO ESTADO. Na vigência da Instrução Normativa RFB n° 3/2005, o contribuinte poderia eleger o estabelecimento centralizador de sua empresa, mediante requerimento, ou, na falta desta eleição, a SRP, atualmente RFB, uma vez constatando que os elementos necessários à realização de auditoria-fiscal se encontravam em outro estabelecimento que não o eleito, poderia promover, de ofício, a alteração do centralizador. Destarte, não há que se falar em falta de competência da Unidade da RFB de Blumenau para fiscalizar a filial em Recife, uma vez que a fiscalização foi realizada no estabelecimento matriz localizado na Unidade de Blumenau. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS RETROATIVOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ATINENTE AO REGIME GERAL. Uma vez excluída a empresa do Simples Nacional, os efeitos dessa exclusão são aplicados de forma retroativa, nos termos do art. 3°, § 10, da Lei Complementar n° 123/06. Assim, correta a autuação sobre a diferença a ser recolhida a título de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Negado.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     2  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES  NACIONAL.  EFEITOS  RETROATIVOS.  INCIDÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  DE  ACORDO  COM A LEGISLAÇÃO ATINENTE AO REGIME GERAL.  Uma vez excluída a empresa do Simples Nacional, os efeitos dessa exclusão  são  aplicados  de  forma  retroativa,  nos  termos  do  art.  3°,  §  10,  da  Lei  Complementar n° 123/06. Assim, correta a autuação sobre a diferença a ser  recolhida a título de contribuições previdenciárias.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    Júlio César Vieira Gomes ­ Presidente    Thiago Taborda Simões ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Júlio  César  Vieira  Gomes  (presidente),  Ana  Maria  Bandeira,  Lourenço  Ferreira  do  Prado,  Ronaldo  de  Lima  Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.  Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003674/2009­77  Acórdão n.º 2402­003.327  S2­C4T2  Fl. 166          3   Relatório  Trata­se de AI DEBCAD sob o n° 37.243.745­1, consolidado em 28/09/2009,  no valor de R$ 22.555,77 (vinte e dois mil quinhentos e cinqüenta e cinco reais e setenta e sete  centavos),  decorrente  de  não  recolhimento  de  contribuições  dos  segurados  empregados,  na  competência de 08/2009.  Nos  termos  do  Relatório  Fiscal  (Fls.  31/34),  os  fatos  geradores  das  contribuições lançadas foram apurados de acordo com o seguinte lançamento:  LEVANTAMENTO OBR – OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL – referente a  remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, na obra de construção  civil  acima  identificada,  no  período  de  08/2009,  lançadas  por  arbitramento  e  apuradas  por  aferição  indireta  com  base  na  área  construída  e  no  padrão  da  obra,  com  valores  do  Custo  Unitário Básico – CUB do estado de Pernambuco, conforme detalhado no cálculo da obra em  anexo,  cujo valor devido  relativo  à  contribuição dos  segurados  empregados  está  indicado no  campo “11 – Segurados”, do DAD – Discriminativo Analítico do Débito e RL – Relatório de  Lançamentos.  Realizados os  levantamentos, considerou­se ainda, para  lavratura dos Autos  de Infração, que a empresa Recorrente fora excluída do Simples Nacional em 07/08/2003, por  meio do Ato Declaratório Executivo n° 461.462, com efeitos retroativos a 01/01/2002. Sendo  assim, os valores recolhidos de acordo com o sistema de arrecadação SIMPLES, no período de  08/2004  a  06/2006,  foram  deduzidos  do  crédito  lançado,  a  fim  de  se  evitar  pagamento  duplicado de contribuições.  A  Recorrente  foi  intimada  do  AIIM  em  28/09/2009  e,  às  fls.  40/65,  apresentou impugnação em 28/10/2009.   Recebida a Impugnação, a Delegacia da RFB de julgamento em Brasília (DF)  proferiu acórdão (Fls. 80/105), julgando improcedente a pretensão da Recorrente.  Face  ao  acórdão  proferido,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário  (Fls.  110/129), alegando, em síntese:  i)  houve  cerceamento  de  defesa,  uma  vez  que  foram  colocados  nos  fundamentos  legais  do  débito  dispositivos  revogados  ou  que  não  têm  relação  com  o  lançamento,  impedindo  que  a  Recorrente  soubesse  em  quais  fundamentos  estava  pautada  a  autuação;  ii) a unidade da Receita Federal do Brasil localizada em Blumenau (SC) não  tem  competência  para  fiscalizar  empresa  localizada  em Recife  (PE),  como  é o  caso  da  filial  fiscalizada e, portanto, o auto de infração deve ser considerado nulo;  iii)  da  empresa  optante  pelo  SIMPLES  não  se  pode  exigir  escrituração  no  molde das demais empresas;  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     4  iv) a Recorrente apresentou defesa relativa à exclusão do SIMPLES em 2003,  mas  apenas  em 2006 houve decisão,  razão pela  qual,  antes disso,  não poderia  a empresa  ser  considerada excluída do sistema;  v) Descabido o cálculo de contribuições previdenciárias com base no valor da  mão­de­obra por metro  quadrado e o padrão da  obra,  nos  termos do  art.  33,  § 4°,  da Lei n°  8.212/91, vez que contrário ao art. 195 da Constituição Federal;  vi)  Não  há  ausência  de  pagamento  de  contribuições,  uma  vez  que  a  autoridade fiscal não comprovou a ocorrência dos fatos geradores  (prestação de serviços pela  Directa Engenharia & Projetos Ltda);  vii)  A  prova  da  não  ocorrência  dos  fatos  geradores  é  feita  com  base  no  contrato  particular  de  prestação  de  serviços  firmado  entre  a  Recorrente  e  a  empresa  Reta  Engenharia;  viii) O montante referente à suposta remuneração de mão­de­obra, constante  nas  notas  fiscais  emitidas  pela  empresa Directa  Engenharia &  Projetos,  não  coaduna  com  a  realidade da obra;  ix) A exigência da retenção de 11% em face da Recorrente é ilegal, vez que  esta  não  guarda  qualquer  relação  com  o  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias  exigidas,  vez  que  a  Lei  n°  8.212/91  determina  que  o  fato  gerador  das  contribuições  é  o  pagamento de remuneração a funcionários e prestadores de serviços autônomos e, por  isso, a  responsabilidade é da empresa cedente;  x) Os  valores  constantes  na  tabela  “Remuneração  Empregados”  devem  ser  considerados na dedução dos  supostos valores devidos  e,  ainda,  que o  fato de  a  empresa  ter  descumprido obrigação acessória (declaração em GFIP dos valores retidos) não pode afastar o  direito de a contribuinte deduzir dos valores supostamente devidos na regularização da referida  obra as contribuições de 11% sobre as NFs emitidas pela Directa;  xi) Não contratou os serviços da empresa Directa Engenharia & Projetos para  construção da obra arbitrada, mas sim a empresa Reta Engenharia;  xii) a autoridade fiscal, ao lavrar o auto de infração referente às contribuições  previdenciárias  sobre  as  folhas  de  pagamento  da  obra,  deixou  de  determinar  a  matéria  tributável,  não  restando  demonstrada  a  forma  de  apuração  dos  valores  que  o  AIIM  indicou  como bases de cálculo, bem como com base em quais fundamentos e critérios foi autuada;  xiii) houve cobrança múltipla sobre os mesmos fatos geradores, ocorrendo a  tributação  em  cascata  sobre  os  mesmos  supostos  fatos  geradores,  que  sequer  restaram  comprovados;  xiv)  questiona  a  regularidade  da  contribuição  SAT  perante  o  ordenamento  jurídico vigente;  xv)  as  multas  exigidas  são  abusivas,  sendo,  ainda,  desproporcionais  às  supostas infrações, vez que a empresa não agiu com dolo, fraude ou má­fé;  xvii)  não  pode  prevalecer  a  taxa  SELIC  se  os  AIIM  forem mantidos,  nos  termos do art. 161, §1°, do CTN.  Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003674/2009­77  Acórdão n.º 2402­003.327  S2­C4T2  Fl. 167          5 Ao  final,  requer  seja  reconhecida  a  nulidade  do  acórdão  proferido  ou  o  cancelamento dos AIIM, bem como a exclusão dos valores cobrados em duplicidade e daqueles  relativos à filial, por falta de competência da autoridade fiscal.  Ainda, requer a exclusão dos valores relativos aos fatos geradores ocorridos  em 09/2004;  a  exclusão dos valores  relativos  à  retenção de 11% sobre as NFs  emitidas pela  Directa Engenharia & Projetos, bem como a exclusão das parcelas relativas ao SAT.  Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário.   É o relatório.  Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     6    Voto             Conselheiro Thiago Taborda Simões ­ Relator  Inicialmente,  o  recurso  voluntário  atende  a  todos  os  requisitos  de  admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço.  Preliminares  A Recorrente alega, em preliminares, que houve cerceamento de defesa; erro  de forma do AIIM; incompetência da autoridade fiscal autuante e decadência.  No que se refere ao cerceamento de defesa e ao vício formal apontado, não  tem razão a Recorrente. A alegação de que os dispositivos mencionados pela autoridade fiscal  eram  confusos ou não  se  relacionavam com o objeto da  autuação não  serve para  justificar a  pretensão da contribuinte.  Como se pode notar, tanto da impugnação apresentada quanto do Recurso ora  em análise, a Recorrente  tem plena ciência da matéria da autuação, sendo  inclusive capaz de  debatê­la ponto a ponto.   O cerceamento de defesa é verificado nas  situações em que  ao contribuinte  autuado não é dada a oportunidade de rebater as afirmações da autoridade autuante ou, ainda,  nos casos em que o Auto de Infração como um todo impossibilita que o contribuinte verifique a  razão pela qual tenha sido autuado.  Neste sentido, é o posicionamento do CARF:  “Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  ­  IRPF  Ano­ calendário: 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO  DE  DEFESA  INOCORRÊNCIA.  Tendo  o  fiscal  autuante  demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram  o lançamento, de sorte a oportunizar ao contribuinte o direito à  ampla  defesa,  não  há  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  INFORMAÇÕES  PRESTADAS  NA  DIRF.  RESPONSABILIDADE  DO  CONTRIBUINTE  PELA  VERACIDADE  DAS  INFORMAÇÕES  A  declaração  de  rendimentos  é  obrigação  e  responsabilidade  do  contribuinte  e  não de profissional da área contábil contratado. Ninguém pode  se  escusar  de  cumprir  a  lei  tributária,  alegando  que  não  a  conhece. (...)”   (CARF – Processo n° 10215.720249/2008­39, Acórdão n° 2802­ 001.402)  “Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ  Ano­ calendário:  2006,  2007,  2008  LANÇAMENTO.  NULIDADE.  CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O  cerceamento  de  direito  de  defesa  ocorre  quando  o  sujeito  passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual  Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003674/2009­77  Acórdão n.º 2402­003.327  S2­C4T2  Fl. 168          7 encontram­se as  informações que norteiam o  lançamento a ser  contestado,  ou  se  a  descrição  dos  fatos  é  insuficiente  ou  deficiente, de tal forma, a impedi­lo de apresentar impugnação.  Situações  estas  que  não  se  encontram  nos  presentes  autos.  Erros  na  determinação  das  bases  de  cálculos,  devidamente  comprovados,  podem  ser  corrigidos  e  não  implicam  em  nulidade  do  lançamento.  (...)  Recurso  de  Oficio  Negado.  Recurso Voluntário Provido em Parte.”  (CARF,  Proc.  n°  16327.000260/2010­12,  Acórdão  1402­ 001.029, Relator Antonio José Praga de Souza)  A Recorrente alega que a DRF de Blumenau, ao proferir o acórdão que deu  parcial provimento à sua Impugnação, agiu contrariamente à ampla defesa garantida pelo texto  constitucional.  Segundo  a  Recorrente,  a  autoridade  julgadora  deixou  de  apreciar  alguns  dos  fundamentos apresentados em impugnação, razão pela qual se impunha a nulidade do acórdão.  Todavia, é claramente verificada a manifestação da autoridade julgadora, às  fls. 150/151, à respeito das considerações feitas pela Recorrente acerca da constitucionalidade  dos arts. 31 e 33, § 4° da Lei 8.212/91. O acórdão dedicou um tópico apenas para justificar a  impossibilidade  de  análise  de  constitucionalidade  na  esfera  administrativa,  o  que  torna  descabida a pretensão de nulidade da Recorrente.  Ainda  quanto  às  preliminares,  no  que  tange  à  competência  da  autoridade  fiscal  de  Blumenau  para  autuação  de  créditos  tributários  oriundos  de  filial  estabelecida  em  Recife, não assiste razão a Recorrente.  A Lei n° 11.457/2007, em seus artigos 2° e 3°, concede à Receita Federal do  Brasil,  no  âmbito  de  sua  competência material  e  de  sua  estrutura  hierárquica  e  funcional,  a  prerrogativa de definir as regras de competência para execução da fiscalização e arrecadação,  obedecida a legislação vigente.  Importante  frisar,  ainda,  que  a mesma  lei,  através  do  art.  48,  normatizou  a  questão  da  vigência  dos  atos  dos  órgãos  então  unificados,  prevendo  a  manutenção  dos  convênios celebrados e dos atos normativos já editados quando da vigência da lei.  Com base nisso,  a  Instrução Normativa SRP n° 3,  de 14 de  julho de 2005,  vigente  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores,  tratou  do  tema  do  domicílio  tributário  e  estabelecimentos nos seus artigos 741 a 747:  Art.  741.  Domicílio  tributário  é  aquele  eleito  pelo  sujeito  passivo ou, na.falta de eleição, aplica­se o disposto no art. 127  da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN).   Art.  742.  Estabelecimento  é  uma  unidade  ou  dependência  integrante  da  estrutura  organizacional  da  empresa,  sujeita  à  inscrição no CNPJ ou no CEI, onde a empresa desenvolve suas  atividades, para os fins de direito e de fato.  Art.  743.  Estabelecimento  centralizador,  em  regra,  é  o  local  onde a empresa mantém a documentação necessária e suficiente  Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     8  à  fiscalização  integral,  sendo  geralmente  a  sua  sede  administrativa, ou a matriz, ou o seu estabelecimento principal,  assim definido em ato constitutivo.  Art.  744.  A  empresa  poderá  eleger  como  centralizador  quaisquer  de  seus  estabelecimentos,  devendo,  para  isso,  protocolizar requerimento na SRP, observado o disposto no art.  22.  Art.  745.  O  estabelecimento  centralizador  será  alterado  de  oficio  pela  SRP,  quando  for  constatado  que  os  elementos  necessários  à  Auditoria­Fiscal  da  empresa  se  encontram,  efetivamente,  em  outro  estabelecimento,  observado  o  disposto  no §2° do art. 22.  § 1° A escolha ou a alteração do estabelecimento centralizado r  levará  em  conta,  alternativamente,  o  estabelecimento  empresarial que:   I ­ possuir o maior número de segurados;  II ­ concentrar o funcionamento contábil e de pessoal;  III­  apresentar  o  maior  valor  de  contribuição  para  a  Previdência Social.  §2°  Se  o  estabelecimento  definido  como  novo  centralizador  estiver  circunscrito  a  outra  DRP,  será  providenciada,  pelo  Serviço/Seção  de  Fiscalização  da  DRP,  a  transferência  dos  documentos  e dos  registros  informatizados  da  empresa  para  a  DRP circunscricionante do novo estabelecimento centralizador  que,  no  prazo  de  trinta  dias,  comunicará  à  empresa  esta  mudança.  Art.  746. A  empresa deverá manter à disposição do AFPS,  no  estabelecimento  centralizado  r,  os  elementos  necessários  aos  procedimentos fiscais, em decorrência do ramo de atividade da  empresa e em conformidade com a legislação aplicável.  Art.  747.  É  vedado  atribuir­se  a  qualidade  de  centralizador  a  qualquer  unidade  ou  dependência  da  empresa  não  inscrita  no  CNPJ  ou  no  CEI,  bem  como  àquelas  não  pertencentes  à  empresa.  Da leitura dos dispositivos acima transcritos, conclui­se que, na vigência da  Instrução Normativa n° 3/2005, o contribuinte poderia eleger o estabelecimento centralizador  de  sua  empresa, mediante  requerimento,  ou,  na  falta  desta  eleição,  a SRP,  atualmente RFB,  uma  vez  constatando  que  os  elementos  necessários  à  realização  de  auditoria­fiscal  se  encontravam  em  outro  estabelecimento  que  não  o  eleito,  poderia  promover,  de  ofício,  a  alteração do centralizador.  Dessarte, não há que se falar em falta de competência da Unidade da RFB de  Blumenau  para  fiscalizar  a  filial  em  Recife,  uma  vez  que  a  fiscalização  foi  realizada  no  estabelecimento matriz localizado na Unidade de Blumenau.  Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003674/2009­77  Acórdão n.º 2402­003.327  S2­C4T2  Fl. 169          9 Da Decadência  Pretende  a  Recorrente  a  declaração  de  decadência  do  direito  creditório  referente à competência de setembro de 2004.  A  autuação  se  deu  em  28  de  setembro  de  2009,  conforme  AIIM  (Fl.  01).  Assim, reconhecido que houve pagamento a menor pela Recorrente, aplicou­se o disposto no  art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, segundo o qual quando do recolhimento a menor  do tributo pelo contribuinte, contar­se­á o prazo decadencial a partir da data do fato gerador.  Ressalte­se,  aliás,  que  o  acórdão  proferido  em  análise  à  impugnação  apresentada reconheceu a decadência dos créditos tributários anteriores à setembro de 2004.   Não satisfeita com o reconhecimento da decadência, a Recorrente insiste na  idéia  de  que  a  decadência  deveria,  da  mesma  forma,  ocorrer  em  relação  à  competência  de  09/2004, uma vez que a autuação ocorreu em setembro de 2009.  O  prazo  decadencial  inicia­se,  no  caso  de  recolhimento  a  menor,  na  ocorrência  do  fato  gerador.  Seu  término,  nos  termos  da  legislação  tributária,  ocorrerá  cinco  anos mais tarde, ou, para melhor demonstrar, 60 meses – completos – após o fato gerador.  Assim, não há que se  falar na decadência da competência 09/2004, vez que  não completos os cinco anos que a lei determina.  Mérito  Aferição indireta  A Recorrente insurge quanto à aferição indireta, sob a alegação de que não se  pode exigir das empresas optantes pelo SIMPLES, escrituração contábil nos moldes das demais  empresas.  A Lei n° 9.317/1996 dispunha:  “Art.  7°  A  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte,  inscritas  no  SIMPLES  apresentarão,  anualmente,  declaração  simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de  maio do ano­calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos  geradores dos  impostos  e  contribuições de que  tratam os  arts.  3° e 4°.  §  1°  A  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte  ficam  dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham,  em  boa  ordem  e  guarda  e  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes:  a)  Livro  Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  sua  movimentação financeira, inclusive bancária;  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     10  b)  Livro  de  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados  os  estoques  existentes  no  término  de  cada  ano­ calendário;  c)  todos os documentos  e demais papéis que  serviram de base  para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores.  § 2° O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por  parte  da  microempresa  e  empresa  de  pequeno  porte,  das  obrigações acessórias previstas na  legislação previdenciária e  trabalhista.”  Note­se  que,  apesar  de  haver  dispensado  as  empresas  da  escrituração  contábil, a lei não as desobrigou de manter em boa ordem e guarda todos os documentos que  serviram  de  base  para  escrituração  dos  livros  exigidos,  bem  como,  não  as  dispensou  do  cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista.  No caso em análise, não há que se falar em dispensa da escrituração contábil,  vez que no período abrangido pela fiscalização, a empresa já havia sido excluída do SIMPLES,  pois a exclusão se dera de forma retroativa a 2002.  Ainda, quanto à alegação de que a empresa apresentara defesa relativa à sua  exclusão do SIMPLES e que, até que proferida a decisão definitiva, não poderia a Recorrente  ser considerada excluída do regime especial, não há respaldo. A fiscalização da qual resultou o  AIIM ora  discutido  se  iniciou  em  28  de  julho  de  2009,  somente  dois  anos  após  proferida  a  decisão definitiva.  Assim,  não  tem  razão  a  Recorrente  em  alegar  que  as  contribuições  não  poderiam ser aferidas pelo fato de estar desobrigada da escrituração contábil.  Ademais,  quanto  à possibilidade da  aferição  indireta,  importante destacar o  quanto prevê a Lei n° 8.212/91:  “ Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título  de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.   (...)  § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade não  registra o movimento  real de  remuneração  dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão  apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.”  Nos  termos  do  dispositivo  acima  transcrito,  é  autorizado  à  fiscalização  a  apuração  de  contribuições  devidas  por  aferição  indireta  quando  verificado  que  a  empresa  fiscalizada  não  possui  escrituração  contábil  regular,  que  demonstre  o  movimento  real  da  empresa.  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003674/2009­77  Acórdão n.º 2402­003.327  S2­C4T2  Fl. 170          11 No  caso  em  questão,  a  empresa  autuada,  nos  termos  do  relatório  fiscal,  deixou de lançar em sua contabilidade todos os fatos relacionados à obra de construção civil já  mencionada, como mão de obra, notas fiscais de aquisição de materiais, serviços prestados por  empreiteiras e etc.   Além  disso,  a  empresa  deixou  de  lançar  as  notas  fiscais  emitidas  pela  empresa Directa Engenharia & Projetos Ltda  (apreendidas pela  fiscalização,  conforme  termo  de apreensão juntado às fls. 24/25) e todos os fatos geradores relativos à filial da empresa.  Ou seja, sendo verificadas  tantas  irregularidades na escrituração contábil da  empresa fiscalizada, não restaram alternativas à fiscalização senão a de aferir indiretamente o  quanto devido à título de contribuições sociais, nos termos do art. 33, § 6°, da Lei n° 8.212/91.  Vale mencionar  que,  antes  da  aferição  indireta,  a  fiscalização  cuidou­se  de  intimar a empresa a apresentar os documentos relativos à obra de construção civil, conforme  Termo de Intimação Fiscal (fls. 22/23) e esta não o fez.  Além  disso,  ao  contestar  a  aferição  indireta,  a  Recorrente  limita­se  a  fazer  alegações,  mas  não  apresenta  documentos  ou  provas  suficientes  para  desconstituir  o  lançamento, razão pela qual se impõe a manutenção do mesmo.  Portanto, correto o procedimento adotado pela fiscalização para aferição das  contribuições previdenciárias devidas pela Recorrente.  Base de Cálculo  As  contribuições  para  a  Seguridade  Social  a  cargo  do  empregador,  nos  termos da Lei n° 8.212/91, têm como base de cálculo o total de remunerações pagas, devidas  ou creditadas a qualquer título, destinadas a retribuir o trabalho:  “Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  I  ­  vinte  por  cento  sobre  o  total  das  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem  serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a  sua  forma,  inclusive  as  gorjetas,  os  ganhos  habituais  sob  a  forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste  salarial,  quer  pelos  serviços  efetivamente  prestados,  quer  pelo  tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos  termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo  coletivo de trabalho ou sentença normativa.”  A  Recorrente  alega  que  a  autoridade  fiscal,  ao  lavrar  o  auto  de  infração,  deixou de detalhar a matéria tributável.   Às  fls.  79  dos  autos  do  processo  n°  13971.003675/2009­11  é  possível  verificar que o Auditor­Fiscal  embasou o  cálculo das  contribuições  em  folhas de pagamento  verificadas nos documentos por ele analisados quando da fiscalização.  Fl. 175DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     12  Vale  dizer  que neste  demonstrativo  o Auditor,  inclusive,  detalha  o  cálculo,  discriminando os valores declarados em GFIP, os não declarados e as folhas de pagamento mês  a mês.  Portanto, não há que se  falar na impossibilidade alegada pela Recorrente de  que  não  conseguira  verificar  as  bases  para  tributação. Aliás,  tanto  foi  possível  à Recorrente  identificar a matéria tributável que esta impugnou a autuação ponto a ponto.  Caso houvesse discordância da empresa quanto aos valores discriminados no  relatório  fiscal  e  planilha  de  fl.  79,  cabia  à  Recorrente  trazer  aos  autos  provas  capazes  de  refutar os valores lançados. O que não ocorreu.  Retenção de 11% em razão de cessão de mão­de­obra  A  Recorrente  discute  a  retenção  os  11%  (onze  por  cento)  sobre  as  notas  fiscais emitias em seu nome pela empresa Directa Engenharia & Projetos Ltda.  Alega  que  o  fisco  não  comprovou  a  cessão  de  mão­de­obra;  que  o  valor  apurado  por  aferição  não  condiz  com  a  prevista  no  contrato  celebrado  com  a  empresa Reta  Engenharia S/C Ltda; que não contratou os serviços da empresa Directa Engenharia & Projetos  para construção da obra arbitrada, mas sim a empresa Reta Engenharia; e, ainda, que a empresa  não  tem qualquer  responsabilidade  pela  obrigação  tributária  decorrente  da  relação  contratual  com o prestador de serviços.  O art. 31, da Lei n° 8.212/91, trata da retenção de 11% (onze por cento) sobre  o valor bruto da nota fiscal ou fatura quando da contratação de cessão de mão­de­obra:  Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante  cessão  de  mão  de  obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  deverá  reter  11%  (onze por  cento)  do  valor  bruto  da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em  nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida  até  o  dia  20  (vinte)  do  mês  subsequente  ao  da  emissão  da  respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente  anterior  se  não  houver  expediente  bancário  naquele  dia,  observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.   § 1° O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá  ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços,  poderá  ser  compensado  por  qualquer  estabelecimento  da  empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento  das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre  a folha de pagamento dos seus segurados.   (...)  § 3° Para os fins desta Lei, entende­se como cessão de mão­de­ obra  a  colocação  à  disposição  do  contratante,  em  suas  dependências  ou  nas  de  terceiros,  de  segurados  que  realizem  serviços  contínuos,  relacionados  ou  não  com  a  atividade­fim  da  empresa,  quaisquer  que  sejam  a  natureza  e  a  forma  de  contratação.   Fl. 176DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003674/2009­77  Acórdão n.º 2402­003.327  S2­C4T2  Fl. 171          13 § 4° Enquadram­se na situação prevista no parágrafo anterior,  além  de  outros  estabelecidos  em  regulamento,  os  seguintes  serviços:   I ­ limpeza, conservação e zeladoria;   II ­ vigilância e segurança;   III ­ empreitada de mão­de­obra;   IV ­ contratação  de  trabalho  temporário  na  forma  da Lei  no 6.019, de 3 de janeiro de 1974.  No mesmo sentido, a Instrução Normativa SRP n° 3/2005, vigente na data da  ocorrência do fato gerador, em seu art. 145, III, preceitua:  “Art. 145 . Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante  cessão de mão­de­obra ou empreitada, observado o disposto no  art. 176, os serviços de:   (...)  III ­ construção civil, que envolvam a construção, a demolição,  a  reforma  ou  o  acréscimo  de  edificações  ou  de  qualquer  benfeitoria  agregada  ao  solo  ou  ao  subsolo  ou  obras  complementares  que  se  integrem  a  esse  conjunto,  tais  como  a  reparação de jardins ou passeios, a colocação de grades ou de  instrumentos de recreação, de urbanização ou de sinalização de  rodovias ou de vias públicas; (...)”  No  caso  em  tela,  conforme  se  verifica  das  notas  fiscais  apreendidas  pelo  Auditor Fiscal durante a fiscalização, a empresa Directa Engenharia & Projetos Ltda. prestou  serviços  à  Recorrente  no  período  de  abril  de  2005  a  março  de  2006,  referentes  à  obra  de  construção civil.  Os  serviços  descritos  nas  Notas  Fiscais,  apesar  de  não  detalhados  por  serviços, mas sim por medição de  serviços,  são  suficientes para demonstrar a  contratação da  referida empresa pela Recorrente para prestação de serviços relativos à construção civil.  E,  sendo  estes  submetidos  à  incidência  de  contribuições  na  forma  de  retenção, legítima a autuação com base nesses valores.  Vale  ressaltar que, apesar de a Recorrente negar a contratação de cessão de  mão­de­obra  da  empresa  Directa  Engenharia  &  Projetos  Ltda,  em  momento  algum  esta  consegue comprovar suas alegações.  Não  consegue  apresentar  explicação  plausível  ao  fato  de  haverem  notas  fiscais  emitidas  pela  empresa  em  seu  nome  e,  ainda,  afirma  que  não  foi  esta  a  empresa  contratada  para  efetivação  da  obra,  juntando  contrato  de  prestação  de  serviços  firmado  com  outra empresa – a Reta Engenharia S/C Ltda.  Fl. 177DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     14  O  já  transcrito  art.  33,  §  6°,  da  Lei  n°  8.212/91,  esclarece  que,  quando  a  fiscalização constatar irregularidades na escrituração contábil ou qualquer outro documento da  empresa que diga  respeito  à  sua  contabilidade,  a  apuração de  eventuais  valores devidos  será  feita  mediante  aferição  indireta,  cabendo  à  empresa  fiscalizada  o  ônus  da  prova  em  contrário.  Pois  bem.  Foram  localizadas  e  apreendidas  as  referidas  notas  fiscais  de  serviços  na  contabilidade  da  empresa  Recorrente.  Verificada  a  inexistência  de  retenção  dos  11%, o Auditor­Fiscal exerceu sua função, autuando a empresa.  A partir disso, cabia à empresa, nos termos do art. 33, o ônus de provar que  esses  serviços  não  foram  efetivamente  prestados  e  que,  por  isso,  a  retenção  de  11%  seria  indevida. O que não ocorreu.  A empresa fez afirmações que não pôde comprovar. Limitou­se a dizer que  não contratou a empresa Directa Engenharia & Projetos e que as notas fiscais foram emitidas  sem seu conhecimento; apresentou contrato firmado com a empresa Reta Engenharia alegando  que isso, por si só, era suficiente para comprovar a não contratação da outra empresa.  Não obstante,  contradizendo  suas próprias  alegações,  a Recorrente  requer  a  dedução  da  contribuição  de  11%  apurada  sobre  a  remuneração  despendida  na  execução  da  obra,  o  que  lhe  geraria  um  crédito  cujo  direito  não  pode  ser  reconhecido  à  vista  dos  recolhimentos e declarações em GFIP efetuados muito aquém da realidade fática.  Sem fundamento a pretensão da Recorrente. Aliás, ainda que fosse acatado o  pedido  de  dedução  dos  valores  referentes  à  retenção  de  11%,  a  empresa  teria  que  cumprir  obrigações acessórias estabelecidas na  legislação, nos  termos dos artigos 447, da  IN RFB n°  03/2005 e 355, incisos I e II, da IN RFB n° 971/2009:  “Art. 447. A remuneração relativa à mão­de­obra terceirizada,  inclusive  ao  décimo­terceiro  salário,  cujas  correspondentes  contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra,  será atualizada até o mês anterior ao da emissão do ARO com  aplicação das taxas de juros previstas no caput e na alínea "b"  do  inciso  II  do  art.  495,  e  aproveitada  na  forma  do  art.  445,  considerando­se:  I  ­  até  janeiro  de  1999,  a  remuneração  correspondente  às  contribuições  recolhidas  em  documento  de  arrecadação  identificado com o CNPJ do prestador, com o endereço da obra,  e  que  traga,  no  campo  "observações",  a  identificação  da  matrícula  CEI  e  o  número  da  nota  fiscal  ou  da  fatura  de  prestação de serviços;  II ­ a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002:  a)  a  remuneração  declarada  em  GFIP  referente  à  obra,  identificada  com  a  matrícula  CEI  no  campo  "CNPJ/CEI  do  tomador/obra",  com  comprovante  de  entrega,  emitida  por  empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra,  desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com  base  nas  notas  fiscais,  faturas  ou  recibos  de  prestação  de  serviços emitidos pela empreiteira;  Fl. 178DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003674/2009­77  Acórdão n.º 2402­003.327  S2­C4T2  Fl. 172          15 b)  a  remuneração  declarada  em  GFIP  referente  à  obra,  identificada  com  a  matrícula  CEI  no  campo  "CNPJ/CEI  do  tomador/obra",  emitida  pela  subempreiteira  contratada,  desde  que  comprovado  o  recolhimento  dos  valores  retidos  pelo  contratante  com  base  nas  notas  fiscais,  faturas  ou  recibos  de  prestação  de  serviços  emitidos  pela  empreiteira  ou  subempreiteira;  c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos  de  prestação  de  serviços  emitidos  pela  empreiteira  ou  subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada  a GFIP da contratada, conforme previsto nas alíneas "a" e "b"  deste inciso, observado o disposto no § 2º e no art. 239;  III ­ a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em  área  regularizada  as  remunerações  declaradas  em  GFIP  referente  à  obra,  com  comprovante  de  entrega,  emitidas  pelo  empreiteiro  ou  pelo  subempreiteiro,  desde  que  comprovado  o  recolhimento dos valores retidos correspondentes.  III  ­ a partir de outubro de 2002,  somente serão atualizadas e  deduzidas  da  RMT  as  remunerações  declaradas  em  GFIP  referente  à  obra,  com  comprovante  de  entrega,  emitida  pelo  empreiteiro  ou  pelo  subempreiteiro,  desde  que  comprovado  o  recolhimento  dos  valores  retidos  correspondentes.  (Redação  dada  pela  IN RFB  nº  774,  de  29/08/2007)  (Vide  art.  2º  da  IN  RFB nº 774/2007)”  “Art. 355. A remuneração relativa à mão­de­obra terceirizada,  inclusive  ao  décimo  terceiro  salário,  cujas  correspondentes  contribuições recolhidas tenham vinculação inequívoca à obra,  será atualizada até o mês anterior ao da emissão do ARO com  aplicação das taxas de juros previstas na alínea "b" do inciso II  e no inciso III do art. 402, e aproveitada na forma do art. 353,  considerando­se:  I  ­  a  remuneração  declarada  em  GFIP  referente  à  obra,  identificada  com  a  matrícula  CEI  no  campo  "CNPJ/CEI  do  tomador/obra",  com  comprovante  de  entrega,  emitida  por  empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra,  desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com  base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação  de serviços, emitidos pela empreiteira;  II  ­  a  remuneração  declarada  em  GFIP  referente  à  obra,  identificada  com  a  matrícula  CEI  no  campo  "CNPJ/CEI  do  tomador/obra",  emitida  pela  subempreiteira  contratada  por  empreiteiro  interposto,  desde  que  comprovado  o  recolhimento  dos  valores  retidos pelo  empreiteiro  contratante  com base nas  notas  fiscais,  nas  faturas  ou  nos  recibos  de  prestação  de  serviços, emitidos pela subempreiteira;”  Fl. 179DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     16  Assim, ante as alegações sem prova da Recorrente, a ausência de retenção dos  11%  (onze  por  cento)  sobre  os  valores  da prestação  de  serviços  contidos  nas  referidas  notas  fiscais, a não apresentação das GFIPs vinculadas à obra referentes a tais notas fiscais, pelo não  cumprimento  das  determinações  contidas  na  IN  SRP  n°  3/2005,  patente  o  indeferimento  do  pedido de dedução de valores das contribuições referentes à obra em questão.  Por  fim,  no  que  diz  respeito  à  alegação  da  Recorrente  de  que  não  possui  responsabilidade  pela  obrigação  tributária  decorrente  de  relação  contratual  com  prestador  de  serviços, equivoca­se.  O já mencionado art. 33, da Lei n° 8.212/91, em seu § 5°, em complemento  ao art. 31, determina:  “Art.  31.  A  empresa  contratante  de  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão  de  obra,  inclusive  em  regime  de  trabalho  temporário,  deverá  reter  11%  (onze  por  cento)  do  valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e  recolher,  em  nome  da  empresa  cedente  da  mão  de  obra,  a  importância  retida até o dia 20  (vinte) do mês  subsequente ao  da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil  imediatamente  anterior  se  não  houver  expediente  bancário  naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei.”  “Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título  de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.  (...)  §  5º O  desconto  de  contribuição  e  de  consignação  legalmente  autorizadas  sempre  se  presume  feito  oportuna  e  regularmente  pela  empresa  a  isso  obrigada,  não  lhe  sendo  lícito  alegar  omissão  para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pela  importância  que  deixou  de  receber  ou  arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.”  Assim, não tendo a empresa contratante efetuado a retenção, passa a ser sua a  responsabilidade pela importância que deixou de receber ou arrecadar nos termos da legislação  especializada e, portanto, legítima a autuação.  Multa  Pretende o  contribuinte  seja  reduzida  a multa  aplicada quando da  autuação,  por  entender  que  a multa  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  possui  caráter  confiscatório  e  desproporcional.  No  relatório  fiscal,  ao  descrever  os  levantamentos  efetivados  quando  da  fiscalização,  a  autoridade  fiscal  os  dividiu  em  “Z1  –  Transferido  Lev.  FP  (75%)”  e  “Z2  –  Transferido  do  Lev.  FPO  (75%)”.  Ambos  os  levantamentos  se  referem  a  desmembramentos  realizados para verificação da multa mais benigna ao contribuinte.  Fl. 180DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.003674/2009­77  Acórdão n.º 2402­003.327  S2­C4T2  Fl. 173          17 Note­se  que  em  algumas  das  competências  a  autoridade  fiscal  optou  pela  aplicação da multa aplicável  anteriormente  à vigência da Lei n° 11.941/2009, por  ser a mais  benigna ao contribuinte.   Assim, realizado pela autoridade fiscal estritamente o quanto previsto em lei  para aplicação de multas, indefere­se o pedido de redução de multa, bem como sua exclusão.  SELIC  O  Código  Tributário  Nacional,  em  seu  art.  161,  prevê  expressamente  a  possibilidade de lei fixar juros diversos do quanto por ele previsto:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  § 1º Se a  lei não dispuser de modo diverso,  os  juros de mora  são calculados à taxa de um por cento ao mês.  Em complemento, a Lei n° 8.212/91, em seu art. 89, § 4°, prevê:  “Art.  89.  As  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas a, b e c do  parágrafo  único  do  art.  11  desta  Lei,  as  contribuições  instituídas  a  título  de  substituição  e  as  contribuições  devidas  a  terceiros  somente  poderão  ser  restituídas  ou  compensadas  nas  hipóteses  de  pagamento  ou  recolhimento  indevido  ou  maior  que  o  devido,  nos  termos  e  condições  estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do  Brasil.   (...)  § 4° O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de  juros  obtidos  pela  aplicação  da  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  de  Custódia  –  SELIC  para  títulos  federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente  ao do pagamento  indevido ou a maior que o devido até o mês  anterior  ao  da  compensação  ou  restituição  e  de  1%  (um  por  cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.”  O Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  já  pacificou  entendimento,  inclusive mediante Súmula, a respeito da aplicação da SELIC para aplicação de juros nos casos  referentes às contribuições previdenciárias:  “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.”  Fl. 181DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES     18  Ademais, não cabe a este Conselho discutir quanto ao caráter remuneratório  da Taxa SELIC, pois a Administração Pública é regida pelo Princípio da Legalidade e, sendo  assim, deve respeito às normas vigentes.  Destarte, patente o indeferimento do pedido de redução da taxa SELIC a 1%  ao mês, bem como sua exclusão.  Conclusão  Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso vez que intempestivo e  a ele negar provimento pelos fundamentos acima expostos.  É como voto.    Thiago Taborda Simões                              Fl. 182DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES

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Numero do processo: 10768.002055/2003-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. O direito do Fisco de não homologar a compensação se extingue quando decorridos mais de cinco anos entre a formalização da DCOMP e a ciência pela Interessada do correspondente despacho decisório.
Numero da decisão: 1402-001.068
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.002055/2003­97  Acórdão n.º 1402­01.068  S1­C4T2  Fl. 340          2 Relatório  Supergasbras Indústria e Comércio S/A (atual denominação: WLM Indústria  e Comércio S/A) recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 7ª  Turma  da  DRJ  Rio  de  Janeiro  01/RJ,  pleiteando  sua  reforma,  com  fulcro  no  artigo  33  do  Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).  Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis):  “Trata o presente processo de Declaração de Compensação ­ DCOMP de fl.  28 retificadora da Dcomp de fl. 01. Apensos ao presente processo encontram­se os  processos nº 10768 .004083/2003­49 (Declaração de Compensação — DCOMP —  fl. 01), 10768.002872/2003­45 (Declaração de Compensação — DCOMP — fl. 01)  e 15374.720013/2007­11 (Declarações de Compensação — DCOMP de fls. 04/07;  de  fls.  08/11;  de  fls.  12/15;  de  fls.  16/19;  de  fls.  20/23).  Nestes,  o  interessado  objetiva liquidar débitos, mediante aproveitamento de crédito, que alega possuir, de  saldo  negativo  de  IRPJ,  referente  ao  ano­calendário  de  2002,  no  valor  de  R$  1.260.347,13.  O  Despacho  Decisório  proferido  pela  Diort/RJO  (fl.  262  do  presente  processo)  reconheceu o direito  creditório pleiteado e homologou as  compensações  efetuadas até o  limite do crédito  reconhecido, com base no Parecer Conclusivo n°  229/08  de  fls.  257/261  do  presente  processo.  A  seguir,  transcreve­se  trecho  do  referido Parecer:  Fl.  260 —  "Portanto,  diante  de  todo  o  acima  exposto,  considerando  o  que  consta dos autos e o disposto na Informação Fiscal relativa à diligência efetuada no  estabelecimento  do  contribuinte,  fls.  254,  proponho  que  SE  RECONHEÇA  O  DIREITO CREDITÓRIO pleiteado em DCOMP de  fls.  28, DCOMP constantes de  fls.  01/02  dos  processos  administrativos  nº  10768.002872/2003­45  e  10768.004083/2003­49,  e,  em  DCOMP  eletrônicas  constantes  do  processo  administrativo  apenso  15374.720013/2007­11;  de  nº  20436.82984.040603.1.3.02­ 9289,  16033.18225.010703.1.3.02­3200,  31390.40262.080703.1.3.02­2696,  34150.65468.060803.1.3.02­0224  e  01486.47373.030903.1.3.02­1292,  relativo  ao  saldo  negativo  de  IRPJ  relativo  ao  ano­calendário  de  2002,  no  valor  de  R$  1.260.347,13 (um milhão duzentos e sessenta mil trezentos e quarenta e sete reais e  treze  centavos)  e  que  SE  HOMOLOGUEM  as  compensações  pleiteadas  nas  DCOMP  acima  citadas,  em  favor  de  WLM  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  (anteriormente  denominada  SUPERGABRAS  INDÚSTRIA  E  COMÉRCIO  S/A),  CNPJ n° 33.228.024/0001­51, ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO."  A  Equipe  de  Compensação  da  Diort/RJ,  conforme Despacho  de  fl.  269  do  presente processo, lastreada no direito creditório reconhecido no despacho decisório  de fl. 262 do presente processo, efetuou a compensação dos débitos relacionados na  Declaração de Compensação de fl. 01 retificada pela fl. 28 do presente processo (fl.  264)  e  fls.  01  dos  processos  apensos  n°  10768.002872/2003­45  e  10768.004083/2003­49 vinculadas a este processo bem como nas Dcomp eletrônicas  constantes  do  apenso  15374.720013/2007­11,  nos  termos  dos  demonstrativos  de  compensação às fls. 263/268.  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.002055/2003­97  Acórdão n.º 1402­01.068  S1­C4T2  Fl. 341          3 De  acordo  com as  fls.  263/268  e 272  do  presente processo,  constata­se  que  todas  as  Dcomp's  foram  integralmente  homologadas,  exceto  a  Dcomp  n°  01486.47373.030903.1.3.02­1292,  do  processo  administrativo  apenso  n°  15374.720013/2007­11  (fls.  20/23),  que  foi  parcialmente  homologada,  já  que  do  débito  de  R$  108.451,75,  foi  compensado  o  valor  de  R$  50.795,69,  restando  um  saldo devedor de R$ 57.656,06.  Inconformado  com  a  referida  decisão,  o  interessado  apresentou,  em  17/11/2008, a manifestação de inconformidade (fls. 301/305 do, presente processo),  onde requer que seja declarada a homologação tácita da totalidade da compensação  declarada  às  fls.  20  do  processo  apenso  n°  15374.720013/2007­11,  alegando,  em  síntese, o seguinte:  a) que a compensação sobre a qual versou a última DCOMP apresentada nos  autos no citado processo n° 15374.720013/2007­11 (fls 20) foi homologada apenas  parcialmente,  remanescendo  como  não  compensado  um  saldo  de  R$  57.656,08,  relativo ao IRRF da 5ª semana de agosto de 2003.  b) que a cobrança do referido crédito tributário não pode prosperar, pois, na  data  em  que  foi  cientificada  do  despacho  decisório  sua  compensação  já  estava  homologada tacitamente.  c) que o §5º do artigo 74 da Lei n° 9.430/1996 (com redação dada pela Lei n°  10.833/2003)  estabeleceu  que  o  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da  declaração de compensação.  d) que,  tendo  a  declaração de  compensação  em  tela  sido  protocolizada  em  03/09/2003  (fls.  20  do  processo  apenso  n°  15374.720013/2007­11),  os  créditos  tributários  nela  compensados  estavam  homologados  tacitamente  e,  portanto,  definitivamente  extintos  desde  04.10.2008,  sendo  nulo  nesse  particular,  porque  carente  de  objeto,  o  Despacho  Decisório  ora  combatido,  uma  vez  que  só  foi  cientificada no dia 17/10/2008. Cita ementas de acórdãos do Egrégio Conselho de  Contribuintes.”  A  decisão  de  primeira  instância,  representada  no  Acórdão  da  DRJ  nº  12­ 22.832  (fls.  309­318)  de  11/02/2009,  por  maioria  de  votos,  indeferiu  a  solicitação  da  Interessada. A decisão foi assim ementada.  “ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). EXCESSO DE  DÉBITOS  EM  RELAÇÃO  AO  TOTAL  DE  CRÉDITO  INFORMADO PELO SUJEITO PASSIVO NAS DECLARAÇÕES  DE COMPENSAÇÃO. Uma vez comprovado excesso de débitos  em  relação  ao  total  de  Crédito  informado  nas  declarações  de  compensação  (DCOMP),  deve  ser  indeferida  a  solicitação  do  interessado  e  não  homologada  a  compensação  na  qual  se  verificou o excesso de débito.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.  INOCORRÊNCIA.  Somente  é  possível  se  falar  em  homologação  tácita  da  compensação  se  ocorrer, antes, a apresentação de declaração de compensação ­  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.002055/2003­97  Acórdão n.º 1402­01.068  S1­C4T2  Fl. 342          4 DCOMP (não apreciada em até 5 (cinco) anos contados da data  do  protocolo),  onde  esteja  demonstrada  a  compensação  de  crédito  (s),  liquido(s)  e  certo(s),  com  débito(s).  O  excesso  de  débitos em relação ao total de crédito informado na declaração  de  compensação  (DCOMP)  equivale  a  dizer  que  falta  crédito  para efetuar a compensação dos débitos declarados. Se não há  crédito para compensar o débito declarado na DCOMP não há  que se falar em compensação, a qual pressupõe a existência de  crédito  e de débito  (art.  368 do Código Civil/2002).  Se não há  compensação declarada, por ausência de crédito, não é possível  ocorrer homologação tácita.”  Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 08/05/2009 (A.R. de fl.  321),  a  interessada  interpôs  recurso  voluntário  em 08/06/2009  (fls.  322­331),  onde  repisa  os  argumentos trazidos na impugnação.  É o relatório.  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.002055/2003­97  Acórdão n.º 1402­01.068  S1­C4T2  Fl. 343          5 Voto             Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.   O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos na  legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento.  Depreende­se  do  relatório  supra  que  a  questão  controversa  refere­se  à  ocorrência  (ou  não)  de  homologação  tácita  da DCOMP  nº  01486.47373.030903.1.3.02­1292  (fls. 20 do processo apenso nº 15374.720013/2007­11).  A  decisão  recorrida  concluiu  que  não  houve  homologação  tácita  da  compensação, uma vez que somente seria possível se falar nessa espécie se ocorresse, antes, a  apresentação  de  declaração  de  compensação  ­  DCOMP  onde  estivesse  demonstrada  a  compensação de crédito, líquido e certo, com os débitos declarados.   Entendeu  aquele Colegiado  que  se  não  há  crédito  para  compensar  o  débito  declarado na DCOMP não há que se falar em compensação, a qual pressupõe a existência de  crédito e de débito (art. 368 do Código Civil/2002). Nessa esteira, não havendo compensação  declarada, por ausência de crédito, não seria possível ocorrer homologação tácita.  Discordo dos fundamentos da decisão recorrida.  Ressalte­se,  nesse  sentido,  que  a Recorrente  indicou  na  aludida DCOMP  o  direito creditório utilizado na compensação (saldo negativo de IRPJ apurado no ano­calendário  de  2002,  no  valor  original  de  R$  1.260.347,13),  crédito  esse  integralmente  reconhecido  no  despacho decisório conforme atesta a Informação Fiscal de fls. 254.  Tal circunstância  já seria suficiente para refutar a alegação de “ausência de  compensação  declarada”  e,  conseqüentemente,  afastaria  a  suposta  impossibilidade  de  homologação  tácita da  compensação postulada na DCOMP em análise,  haja vista que  foram  indicados naquele documento tanto o débito a ser compensado como o montante do crédito que  seria utilizado para esse fim.  Assim, o simples fato de o crédito informado, após sua atualização, não se ter  revelado  suficiente  para  saldar  a  totalidade  dos  débitos  compensados  não  retira  da DCOMP  apresentada  o  efeito  extintivo  previsto  no  §2º  do  artigo  74  da  Lei  nº  9.430/961.  Tampouco  obsta a  fluência do prazo qüinqüenal de homologação previsto no §5º do mesmo dispositivo  legal.  Ademais, à luz do §7o do art.74 da Lei nº 9.430/96, há que se considerar que  é a ciência  (ou a publicação) do despacho decisório que confere existência jurídica ao ato de  homologação da DCOMP.   Isso porque o ato de homologação (ou não­homologação) da DCOMP não é  próprio da autoridade administrativa, necessitando da ciência da declarante para sua existência  jurídica. Tal ciência, de  certo,  se presta para homenagear os princípios do contraditório  e da  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10768.002055/2003­97  Acórdão n.º 1402­01.068  S1­C4T2  Fl. 344          6 ampla  defesa,  permitindo  que  a  declarante  tome  conhecimento  dos  detalhes  daquele  ato  administrativo e possa contrapor seus argumentos à decisão ali contida.   Nesse  sentido,  há  que  se  considerar  a  existência  do  ato  administrativo  de  homologação  da  DCOMP  apenas  a  partir  da  ciência  pela  Interessada  do  correspondente  despacho decisório.  Conseqüentemente,  para  o  caso  estabelecido,  considera­se  ocorrida  a  homologação tácita da declaração em referência, já que decorridos mais de cinco anos entre as  datas de apresentação da DCOMP (protocolizada em 03/09/2003, conforme fl. 20 do processo  apenso  nº  15374.720013/2007­11)  e  de  ciência  do  correspondente  despacho  decisório  (17/10/2008, fl. 272).  Por  todo  o  exposto, Voto  por  dar  provimento  ao Recurso  apresentado  para  reconhecer a homologação tácita da DCOMP em foco.    (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar  ­ Relator.                                Fl. 390DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 13/07/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 19515.003808/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS Exercício: 2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE n.º 8, do STF. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 por meio da Súmula Vinculante n.º 8, do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Exercício: 2001 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. SÚMULA VINCULANTE n.º 8, do STF. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 por meio da Súmula Vinculante n.º 8, do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional. Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.521
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 1          1             S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.003808/2007­51  Recurso nº       Voluntário  Acórdão nº  3202­000.521  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de junho de 2012  Matéria  PIS/COFINS ­ FALTA DE RECONHIMENTO  Recorrente  PLATINUM LTDA.            Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS  Exercício: 2001  DECADÊNCIA.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  SÚMULA VINCULANTE  n.º 8, do STF.  Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 por meio da  Súmula Vinculante n.º 8, do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial  para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do que  dispõe o Código Tributário Nacional.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL  – COFINS  Exercício: 2001  DECADÊNCIA.  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  SÚMULA VINCULANTE  n.º 8, do STF.  Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91 por meio da  Súmula Vinculante n.º 8, do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial  para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, nos termos do que  dispõe o Código Tributário Nacional.  Recurso de Ofício negado.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,    por  unanimidade de  votos,  em negar  provimento ao Recurso de Ofício.       Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente em exercício e Relator     Fl. 409DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI   2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luís  Eduardo  Garrossino  Barbieri,  Gilberto  de  Castro  Moreira  Junior,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  Octávio  Carneiro  Silva  Corrêa,  Mônica Monteiro  Garcia  de  los  Rios  e  Leonardo Mussi  da  Silva.   Relatório  O  presente  litígio  decorre  de  Autos  de  Infração  para  a  cobrança  da  Contribuição  para o PIS  (fls.  46/ss)  e  da COFINS  (fls.  51/ss)  lavrados  em 27/11/2007,  com  ciência ao contribuinte em 29/11/2007, em decorrência de alegada falta de reconhecimento dos  tributos relativos aos seguintes períodos de apuração: 31/01/2001, 28/02/2001 e 31/03/2001.  Cientificada  da  exigência  fiscal,  a  autuada  apresentou  Impugnação  em  26/12/2007 (fls. 221/ss).   A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São  Paulo – I julgou a impugnação procedente, proferindo o Acórdão n.º 16­26.514 de 30 de agosto  de 2010 (folhas 348/ss), o qual recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Exercício: 2001  DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS  Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91  por  meio  da  Súmula  Vinculante  n.º  8,  do  Supremo  Tribunal  Federal,  o  prazo  decadencial  para  constituição  das  contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas  no Código Tributário Nacional.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Exercício: 2001  DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS  Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/91  por  meio  da  Simula  Vinculante  n.º  8,  do  Supremo  Tribunal  Federal,  o  prazo  decadencial  para  constituição  das  contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas  no Código Tributário Nacional.  Impugnação Procedente  Desta decisão foi apresentado Recurso de Ofício, nos termos do que dispõe o  inciso  II,  art.  25  do Decreto  n.º  70.235/72,  com  a  redação  dada pela  n.º  11.941/2009,  assim  como ao que dispõe a Portaria do Ministério da Fazenda (MF) n.º 3/2008.  A  interessada  foi  cientificada  do  Acórdão  da  DRJ  –  São  Paulo­I  em  03/02/2011  (folha  357  –  frente  e  verso),  entretanto,  não  consta  dos  autos  a  apresentação  de  Recurso Voluntário.  O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este  Conselheiro Relator na forma regimental.  É o relatório  Fl. 410DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 19515.003808/2007­51  Acórdão n.º 3202­000.521  S3­C2T2  Fl. 2          3   Voto             Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator.    O  Recurso  de  Ofício  apresentado  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  previstos em lei, razão pela qual dele se conhece.  Não há reparos a fazer em relação à decisão da DRJ­São Paulo I.  Como relatado, os Autos de Infração em referência pretendem exigir o PIS e  a  COFINS  referentes  ao  período  de  janeiro/2001  a março/2001. Os Auto  de  infração  foram  lavrados em 27/11/2007 e a ciência ao contribuinte foi dada em 29/11/2007.   Independente de qualquer outro assunto que esteja sendo tratado no presente  processo é indiscutível que os Autos de Infração não podem subsistir, posto que se encontram  fulminados pela decadência, nos termos do que prescreve o artigo 173, inciso I, CTN, uma das  hipóteses de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso V, do CTN).    Como  bem  destacou  o  voto  condutor  da  decisão  de  primeira  instância  administrativa, mesmo admitindo­se que, ao tempo da lavratura dos Autos de Infração, vigia o  disposto  no  art.  45  da  Lei  n.º  8.212/91,  que  dispunha  sobre  o  prazo  decadencial  para  constituição das contribuições destinadas a financiar a Seguridade Social, o Supremo Tribunal  Federal  (STF), examinando o disposto no referido art. 45, no exercício do controle difuso da  constitucionalidade de normas, concluiu que tal dispositivo violava o disposto na alínea "h" do  inciso III do art. 146 da Constituição Federal de 1988 (CF/88).  É  de  conhecimento  geral  que  o  Pleno  do  Supremo  Tribunal  Federal,  ao  analisar  os  Recursos  Extraordinários  nº  55664,  559882  e  559943,  declarou  e  reconheceu  a  inconstitucionalidade  dos  artigos  45  e  46  da  Lei  nº  8.212/91,  o  que  culminou  na  edição  da  Súmula vinculante nº 8 (publicada no DOU de 20/06/2008), in verbis:  “São  inconstitucionais  o  parágrafo  único  do  artigo  5º  do  Decreto­lei  nº  1.569/1977  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  nº  8.212/1991,  que  tratam  de  prescrição  e  decadência  de  crédito  tributário”.   A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento total  dos presentes Autos de infração. Não apenas em razão de ser uma orientação vinculante, mas  em virtude de reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em  mais 5 anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos.   Desta forma, não há meios de se manter a exigência, uma vez que todos os  fatos  geradores  ocorreram  em  meses  anteriores  a  5  anos  da  ciência  dos  Auto  de  infração  lavrados.  Ante ao exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso  de Ofício.  Fl. 411DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI   4 É como voto.     Luís Eduardo Garrossino Barbieri                                Fl. 412DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 30/06/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI

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