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Numero do processo: 10680.912445/2009-22
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2002
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL
O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, afastando-se alegação de cerceamento de defesa uma vez comprovada sua prescindibilidade.
Numero da decisão: 3801-001.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 12/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, afastando-se alegação de cerceamento de defesa uma vez comprovada sua prescindibilidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CARACTERIZAÇÃO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, afastandose alegação de cerceamento de defesa uma vez comprovada sua prescindibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 24 45 /2 00 9- 22 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 12/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.912445/200922 Acórdão n.º 3801001.663 S3TE01 Fl. 66 3 Relatório Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator Por descrever bem os fatos, o relatório da DRJ de origem é suficiente para compreensão do caso. “A contribuinte aqui identificada transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito proveniente de pagamento a maior de Cofins, relativo ao fato gerador de 30/11/2002. A Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos da contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignada com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificada em 30/04/2009 (fl. 25), a contribuinte apresentou, em 29/05/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 01/04, com os argumentos a seguir resumidos. Alega que o crédito utilizado para compensar decorre de recolhimento indevido de Cofins sobre receitas financeiras, como comprova a planilha anexa. Assim, o montante original realmente devido em novembro de 2002 era de R$155.738,54, e não de R$ 161.097,12, o gera um crédito original de R$ 5.358,58. Explica que o seu direito creditório advém do julgamento da inconstitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, pelo plenário do STF. As receitas financeiras e demais receitas não integram a base de cálculo da contribuição até o mês de janeiro de 2004, ou seja, enquanto não entrou em vigor a Lei n° 10.833, de 2003. Sobre a questão, transcreve julgados do antigo Conselho de Contribuintes. Assim, a compensação efetuada deve ser homologada, pois é evidente o direito de crédito decorrente de recolhimento indevido da Cofins sobre receitas financeiras. Afirma que os dados indicados na planilha já foram declarados, podendo ser conferidos pela Administração Tributária. Mas, se houver necessidade, autoriza a realização de perícia contábil, para a qual indica quesitos e perito. Por fim, requer a homologação da compensação e a "anulação do lançamento''". A DRJ em Belo Horizonte MG, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 28/31, considerando a Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP. Devidamente intimado para tanto (fls. 36), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 37/62 em 09/05/2012, e que se vale basicamente dos mesmos argumentos perpetrados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10680.912445/200922 Acórdão n.º 3801001.663 S3TE01 Fl. 67 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Analisando os presentes autos verificase que a Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, com o fito de demonstrar seu direito creditório, limitouse a apresentar os seguintes documentos: 1. Despacho decisório que indeferiu a compensação pleiteada 2. Guia DARF referente a COFINS, supostamente recolhida à maior no valor de R$ 155.738,54 (cento e cinqüenta e cinco mil setecentos e trinta e oito reais e cinqüenta e quatro centavos) 3. Planilha demonstrativa do crédito apurado 4. DCTF originalmente transmitida, onde constam débitos de COFINS no valor de R$155.738,54 (cento e cinqüenta e cinco mil setecentos e trinta e oito reais e cinqüenta e quatro centavos) 5. Pedido de Compensação Diante da ausência de documentação capaz de comprovar as alegações da Recorrente, a DRJ de origem procedeu à análise dos sistemas da RFB, constatando haver sido transmitida DCTF retificadora, no entanto, somente após decorridos 5(cinco) anos da data do fato gerador, sendo, no entendimento da turma julgadora, intempestiva, não podendo, destarte, produzir os efeitos legais, assim emendando o acórdão: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 28/02/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL COMPENSAÇÃO INDEFERIDA O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No entanto, independentemente da retificação ter ou não ocorrido, a discussão fundase no fato da Recorrente objetivar a comprovação de seu suposto crédito decorrente de recolhimento à maior a título da COFINS sobre receitas financeiras, simplesmente acostando aos autos uma planilha denominada “Base Calculo da Cofins 09/2002”. Deveria a Recorrente haver providenciado a juntada da documentação comprobatória da origem dos valores informados na planilha, no entanto, a própria reconhece em seu Recurso Voluntário que: “...a prova documental que eventualmente fosse juntada aos autos não traria certeza da existência e do montante do crédito...” Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Ora, estamos diante de um pedido de compensação e cabe exclusivamente ao contribuinte, nos termos do inciso I do artigo 333 do Código Civil, apresentar as provas do seu direito creditório, sendo imprescindível que estas sejam carreadas aos autos revestidas de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento, sendo certo de que não é o que se verifica no presente caso, haja visto que a Recorrente se vale apenas de mera planilha, reconhecendo, ainda, que, toda e qualquer prova que viesse a ser produzida, não seria capaz de comprovar seu direito. Sendo assim, após constatar que produção de provas é fator determinante para comprovação de seu direito,. a Recorrente pretende sejam estas produzidas através da realização de Perícia Contábil, sendo certo de que não se trata da via correta. A matéria já foi insistentemente examinada por esse Conselho e a jurisprudência unânime é no sentido de que a perícia não serve para produzir prova que a parte deveria produzir, conforme se vê no acórdão que restou assim ementado: “IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF. ANO CALENDÁRIO 2007. PEDIDO DE PERÍCIA – INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo (Acórdão nº 2202001.996 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 18 de Setembro de 2011) Além disso, alega que o indeferimento do pedido formulado caracteriza cerceamento de defesa, tendo sido a matéria, inclusive, examinada pelo acórdão da DRJ de origem, bem como por este Conselho de Contribuintes no acórdão que restou assim ementado: PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. (Acórdão nº 2302002.176 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2012) Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para INDEFERIR o pedido de perícia formulado, bem como para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl. Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722558/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 31/10/2000
SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE.
A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços.
CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR.
A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND.
AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 31/10/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente BANCO DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 31/12/1998, 01/01/1999 a 31/10/2000 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Se não comprovar com documentação hábil a elisão da responsabilidade solidária, o proprietário de obra, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, conforme dispõe o inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR. DESNECESSIDADE. A solidariedade não comporta benefício de ordem no âmbito tributário, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS (CND). PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não impede o lançamento de contribuições sociais devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. PREVISÃO EM ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual estabelecido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 58 /2 01 0- 01 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722558/201001 Acórdão n.º 2402003.269 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), referente ao período de 11/1996 a 12/1998 e 01/1999 a 10/2000. O Relatório Fiscal (fls. 21/33) informa que o crédito lançado é decorrente da responsabilidade solidária imputada à notificada, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente à época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil, RP&M ENGENHARIA DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA, CNPJ: 93.219.459/000161, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD) n°s 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2), por meio dos Acórdãos no 2.338/2005 e 2.339/2005, conforme ementa da 4ª CAJ CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram mantidos todos os lançamentos constantes das NFLD originais, referentes à solidariedade com os prestadores de serviços e empreiteiros não cobertos por auditoria fiscal no fato gerador (Auditoria total com contabilidade ou na obra específica), conforme registros do sistema Cadastro Nacional de Ações Fiscais (CNAF); O instituto da decadência foi aplicado na forma do artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172/1966). Após a nulidade formal dos lançamentos originais, a ciência do novo lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/08/2010 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 93/108) – acompanhada dos anexos de fls. 109/132 –, alegando, em síntese, que: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1. deve ser feito o chamamento ao processo da empresa executora, para se apurar a real existência dos débitos autuados, tudo em estrita observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material, pois diversos documentos probantes estão em posse da empresa que executou os serviços; 2. a matrícula era de responsabilidade da prestadora de serviços, cabendo a ela promover os recolhimentos e, mesmo assim, à luz da legislação, a matrícula não seria necessária, vez tratarse de simples reparos, manutenção e ampliação de dependência da Impugnante, serviços esses que não necessitavam nem mesmo de profissional técnico habilitado; 3. o Banco/Impugnante, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, estava respaldado pela Lei de Licitações, em que tais dispositivos transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Cita STJ (REsp. 417.794/RS); 4. há pagamentos, comprovadamente efetuados pela empresa contratada, cujos demonstrativos se encontram inclusos nos processos originários das NFLD 35.067.6682 e 35.067.6690; 5. as Certidões Negativas de Débito (CND), expedidas à época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente; 6. o Fisco deve cobrar primeiramente da contratada e, além disso, a omissão na fiscalização da empresa contratada importa em cerceamento de defesa e possibilidade de pagamento em duplicidade, em latente prejuízo ao Impugnante. Ao menos até 10.12.1997, a impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, apenas com o advento da Lei 9.528/97, ou seja, a partir de 10.12.97, foi alterada a redação do inciso VI, do art. 30 e, consequentemente, afastada a aplicação do benefício de ordem; 7. ao menos até fevereiro/99 a Impugnante tem o direito de exigir que o Fisco promova a cobrança de eventual crédito previdenciário, primeiramente, das empresas contratadas. Isso porque, a redação original do art. 31 da Lei 8.212/91 (que vigeu até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei 9.711/98), não vedava a aplicação do benefício de ordem; 8. a Diretoria Colegiada do INSS, ao expedir a IN DC/INSS 18/2000, arbitrou, ilegal e abusivamente, a forma de apuração da base de cálculo da contribuição previdenciária devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados para execução de obras de construção civil; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722558/201001 Acórdão n.º 2402003.269 S2C4T2 Fl. 4 5 9. a prova documental produzida nos autos dos processos administrativos 11686.000242/200813 (NFLD 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD 35.067.6690) deverá ser aproveitada no presente feito, apensando este processo àqueles autos, tudo em nome, dentre outros, dos princípios da eficiência e economicidade processual. 10. REQUER: seja acolhida a preliminar suscitada, para chamar ao processo a empresa contratada e, ultrapassada essa, no mérito, seja acolhida a presente Impugnação, para se reconhecer a improcedência da autuação e desconstituir o lançamento fiscal, declarando insubsistentes os créditos constituídos pois, além de indevidos, não restou caracterizada a hipótese de incidência tributária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0345.268 da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 167/180) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, uma vez que foi declarada a decadência até a competência 11/1996. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que deveria ser aplicado o instituto do chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, visando apurar a real existência dos créditos lançados, bem como seja trazida aos autos a documentação comprobatória da quitação dos mesmos, que estão em posse da empresa contratada. Tal alegação não será acatada pelas razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. Cumpre esclarecer que o chamamento ao processo é uma modalidade de intervenção de terceiro provocada pelo réu, cabível apenas no processo de conhecimento dentro do âmbito judicial e não administrativo, tendo como finalidade ampliar o campo de defesa dos fiadores e dos devedores solidários, possibilitandolhes chamar o responsável principal, ou corresponsáveis ou coobrigados, para que assumam a posição de litisconsorte, ficando todos submetidos à coisa julgada. Assim, o chamamento ao processo é criado em benefício do réu dentro de um processo que corre no âmbito do Poder Judiciário e previsto exclusivamente nos artigos 77 a 80 do Código de Processo Civil (CPC). O Processo Administrativo Fiscal (PAF), quer seja nas regras estabelecidas pelo Decreto 70.235/1972, quer seja nas regras da Lei 9.784/1999, não prevê essa modalidade de intervenção de terceiros. Contudo, no presente caso, tal requerimento se torna desnecessário, eis que a empresa devedora, contratante direta dos segurados empregados, já figura no polo passivo do lançamento fiscal e foi devidamente notificada, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária no 1, lavrado em 25/08/2010. Isto é, a empresa executora da obra de construção civil também já está inserida na relação material da obrigação tributária e na constituição do crédito tributário. No presente caso, estamos diante do instituto da solidariedade, formado por um litisconsórcio necessário, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 236DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722558/201001 Acórdão n.º 2402003.269 S2C4T2 Fl. 5 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (g.n.) Além disso, os argumentos apresentados pela Recorrente como justificativa para requerer o chamamento ao processo não se aplicam ao presente processo, uma vez que os documentos probantes dos recolhimentos efetuados pela empresa executora da obra de construção civil (RP&M ENGENHARIA DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA) foram aproveitados pelo Fisco, quando do relançamento, conforme registro no Relatório Fiscal (fl. 22) de que foram mantidas apenas as competências (meses) não alcançadas por Auditoria Fiscal Previdenciária, nos seguintes termos: “(...) foram excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário (Auditoria Fiscal Total com contabilidade ou Auditoria específica na obra identificada no levantamento)”. Também não há que se falar em cobrança em duplicidade, pois o Relatório Fiscal informa que foi verificado se a contratada havia sido submetida ao procedimento de auditoria fiscal, com exame de contabilidade, no período abrangido por este lançamento, ou se as obras que foram objeto dos lançamentos, efetuados em desfavor da Recorrente, sofreram fiscalização específica. Assim, no caso de ter havido fiscalização específica ou auditoria fiscal com exame da contabilidade, o Relatório Fiscal informa que foram realizados os ajustes necessários e exclusão dessas competências analisadas. Ressaltase que o conceito de obra, para efeitos previdenciários, é bastante amplo, abrangendo a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação ou outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo. Com esse conceito amplo, a obra de construção civil funciona como se fosse um estabelecimento ou filial da empresa construtora e, por consectário lógico, necessita de matrícula com uma numeração básica que é o Cadastro Específico do INSS (CEI), sendo que essa matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de trinta dias contados do início de sua atividades, ou poderá ser feita de ofício pelo Fisco. Diante disso, a alegação de que a responsabilidade pela matrícula junto ao INSS caberia a empresa executora da obra também se torna irrelevante, pois não altera nem influencia o lançamento fiscal. Logo, entendemos que não é cabível aplicação de chamamento ao processo em face do devedor contratante dos segurados empregados, pois este e a Recorrente já são integrantes do polo passivo do presente lançamento fiscal. Após isso, passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: A Recorrente alega que o Fisco não apropriou no lançamento fiscal os valores pagos pela contratada. Tal alegação não será acatada, eis que os pagamentos efetuados pela empresa contratada foram devidamente observados à época do procedimento de auditoria fiscal, e apropriados nas respectivas NFLD originais (35.067.6682 e 35.067.6690), não tendo a Recorrente, nem a empresa contratada, trazido aos autos novos elementos probatórios que demonstrassem quaisquer outros recolhimentos efetuados. Por outro lado, verificase que o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratado a empresa para a execução global (total) de obra de construção civil e não haver solicitado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária, quais Fl. 237DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 sejam: (i) cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante; ou (ii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal, fatura ou recibo correspondente aos serviços executados, corroborada quando for o caso, por escrituração contábil; e (iii) comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas por arbitramento nos termos, forma e percentuais previstos na legislação previdenciária. A execução de obra na área de construção civil, mediante a empreitada total, enseja a solidariedade do contratante para com as contribuições previdenciárias incidentes sobre a mãodeobra aplicada, nos termos do art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/19911. No que interessa ao presente processo, temse que a responsabilidade tributária solidária exsurge quando o responsável é chamado para adimplir o crédito tributário concomitantemente com o contribuinte, arcando, independentemente deste, com o pagamento integral do crédito tributário. O art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, define como devedores solidários: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (g.n.) Segundo a previsão do inciso II do preceptivo legal acima citado, ocorre a solidariedade quando a lei expressamente designa os sujeitos que irão responder pela obrigação tributária. Neste caso, é necessária a previsão em lei, e isso foi disciplinado pelo art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em que o proprietário ou dono (que é a Recorrente) de obra de construção civil é solidário com o construtor pelo cumprimento das contribuições sociais previdenciárias. No mesmo sentido, o art. 220 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, estabelece a solidariedade entre o proprietário e o executor da obra de construção civil, nos seguintes termos: Art. 220. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária cuja contratação da construção, reforma ou acréscimo não envolva cessão de mãodeobra, são solidários 1 Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722558/201001 Acórdão n.º 2402003.269 S2C4T2 Fl. 6 9 com o construtor, e este e aqueles com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1º Não se considera cessão de mãodeobra, para os fins deste artigo, a contratação de construção civil em que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. § 2º O executor da obra deverá elaborar, distintamente para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante, folha de pagamento, Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e Guia da Previdência Social, cujas cópias deverão ser exigidas pela empresa contratante quando da quitação da nota fiscal ou fatura, juntamente com o comprovante de entrega daquela Guia. § 3º A responsabilidade solidária de que trata o caput será elidida: I pela comprovação, na forma do parágrafo anterior, do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando corroborada por escrituração contábil; e II pela comprovação do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, aferidas indiretamente nos termos, forma e percentuais previstos pelo Instituto Nacional do Seguro Social. III pela comprovação do recolhimento da retenção permitida no caput deste artigo, efetivada nos termos do art. 219. (Incluído pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (g.n.) Percebese, então, que a apresentação de folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas é uma das formas que a contratante, no caso a Recorrente, tem de elidirse de imediato da responsabilidade solidária por contribuições de responsabilidade do executor de obra de construção civil porventura não recolhidas, sendo que, em caso do salário de contribuição correspondente às guias apresentadas ser inferior aos percentuais estabelecidos na legislação previdenciária, a contratante deverá exigir também a comprovação de que a contratada possui contabilidade formalizada. Logo, não há como considerar a alegação retromencionada, pois o lançamento foi efetuado pelo fato da Recorrente haver contratada a empresa executora de obra de construção civil e não haver apresentada a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária. Dentro desse contexto da solidariedade imputada à Recorrente, esta alega que o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma a não aplicabilidade da responsabilidade solidária em relação à sociedade de economia mista. Essa alegação não Fl. 239DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 procede para o caso ora analisado, além dela ser também impertinente para o deslinde da controvérsia instaurada, eis que o conteúdo do acórdão do STJ – proferido no REsp 417.794 RS, Relator Min. Luiz Fux, 1ª Turma – trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme se extrai do Voto condutor a seguir reproduzido: “[...] Por seu turno, conheço do recurso no tocante à alegada afronta ao art. 31 da Lei 8.212/91. A questão sub judice é saber se incide a responsabilidade solidária prevista no art. 31, da Lei 8.212/91 sobre o Banco do Brasil S/A, sociedade de economia mista, integrante da administração indireta, no período em que contratou empresa para instalação de sistema online nos terminais de sua filial em suas dependências. O referido comando legal, à época do serviço prestado pela empresa (junho/1995), antes, portanto, das inúmeras alterações introduzidas, dispunha o seguinte: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 [...].” (g.n.) Constatase que o lançamento fiscal ora analisado é decorrente da solidariedade existente entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor (chamada de contratada), conforme ficou devidamente delineado no Relatório Fiscal (fls. 21/33) e nas planilhas anexas. Esses documentos (Relatório Fiscal e planilhas) demonstram que os valores lançados no presente processo são decorrentes dos seguintes levantamentos originais: 1. SC1– SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999 (NFLD 35.067.6682) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período anterior a 01/1999; e 2. SC2 – SOLIDA. CONST. CIVIL APÓS 1999 (NFLD 35.067.6690) à Remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Período a partir de 01/1999. Assim, não acatamos o argumento da Recorrente ora analisado, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária oriundo da execução de contrato de cessão de mãodeobra – conforme estabelecia o art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.528/19972 –, mas de responsabilidade solidária oriunda de serviços de construção civil, conforme estabelece o art. 30, VI, da Lei 8.212/1991. 2 Art. 31 da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.528/1997, posteriormente a regra estampada neste artigo foi revogada: Fl. 240DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722558/201001 Acórdão n.º 2402003.269 S2C4T2 Fl. 7 11 Ainda dentro desse contexto da relação obrigacional solidária tributária previdenciária, registrase que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, diploma que institui normas gerais para licitação e contratos da Administração Pública – ao estabelecer que a inadimplência do contratado com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento –, não tem o condão de afastar a regra específica da legislação previdenciária – estampada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991 –, eis que a regra da legislação licitatória (art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993) é norma geral a ser aplicada, nos contratos firmados entre a Recorrente (contratante) e a contrata, caso não houvesse uma norma específica disciplinado a matéria como um preceito de direito público. Assim, a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com as normas pertinentes à legislação tributária previdenciária, que são normas essencialmente de natureza pública –, não possuindo o arrimo de afastar a solidariedade da relação obrigacional para com a Seguridade Social estabelecida entre o proprietário ou dono de obra de construção civil e o construtor, prevista no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991. Essa interpretação é corolário das normas constitucionais, pois depreendese do art. 173, § 2º, da Constituição Federal que a empresa pública exploradora de atividade econômica, que é o caso da Recorrente, está sujeita ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações tributárias e trabalhistas, salvo se a lei estabelecer estatuto jurídico especial para a empresa nos termos do § 1º desse artigo. Constituição Federal de 1988: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 1º A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços, dispondo sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) II a sujeição ao regime jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributários; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (...) § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. (g.n.) Esse entendimento de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro "Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)". Fl. 241DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 também é extraído da regra prevista no art. 54 dessa mesma lei, eis que esta regra afirma que “(...) os contratos administrativos de que trata esta Lei regulamse pelas suas cláusulas e pelos preceitos de direito público (...)”, grifamos. Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a regra do art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993 estabeleceria uma responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas – elidindo a sua responsabilidade da obrigação solidária tributária apurada pelo Fisco –, uma vez que há regra mais específica tratando da matéria no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, sendo que esta regra especial tributária disciplina a respectiva matéria em consonância e em obediência às normas constitucionais. Além disso, essa regra prevista no art. 71, § 1o, da Lei 8.666/1993, que transferiria a responsabilidade fiscal exclusiva para as empresas contratadas, não pode ser aplicada ao caso porque prevalece a regra constitucional, hierarquicamente superior, já que a empresa enquadrada como sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Por sua vez, entendese que não há espaço jurídico para aplicação do enunciado no Parecer AGU nº AC055, de 17/11/2006, cujo teor, em síntese, registra não haver solidariedade da Administração Pública em relação às contribuições para a Previdência Social cujo fato gerador está previsto no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, eis que o seu conteúdo não tem o condão de mudar o que a lei dispõe de forma específica (art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991). A mudança na lei só se admite via outra lei. Ademais, tal enunciado do Parecer AGU nº AC055/2006 não prever a sua aplicação para a sociedade de economia mista exploradora de atividade econômica, que é caso da Recorrente, pois não poderá haver concessão de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado, nos termos do art. 173, § 2º, da Constituição Federal. Esse entendimento retromencionado está em conformidade com o princípio da conformidade funcional – segundo o qual a interpretação não deve subverter o mandamento funcional criado pela Constituição – e com o princípio da interpretação conforme a constituição – segundo o qual a interpretação de uma norma deverá ser aquela que apresenta maior compatibilidade com as normas constitucionais, excluindose a pertinência dos demais sentidos que colidirem com a constituição. Com relação à responsabilidade solidária no âmbito tributário, cumpre esclarecer que ela não comporta benefício de ordem, podendo o Fisco escolher de quem será cobrada a dívida de forma integral, nos termos do art. 124, parágrafo único, do CTN. Assim, não acatamos a alegação da Recorrente de que antes da Lei 9.528/1997, que deu nova redação ao inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/19913, não havia vedação à aplicação do benefício de ordem e, consequentemente, somente a partir da entrada em vigor desse dispositivo, em 10/12/97, é que seria possível afastar a aplicabilidade do benefício de ordem e exigir da contratante os valores devidos por responsabilidade solidária. 3 Artigo 30, inciso VI, da Lei 8.212/1991, em sua redação original: “VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou o condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações;” Fl. 242DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722558/201001 Acórdão n.º 2402003.269 S2C4T2 Fl. 8 13 Com isso, entendemos que a inserção promovida pela Lei 9.528/1997 no inciso VI do art. 30 da Lei 8.212/1991 não implicou qualquer inovação interpretativa com relação à não aplicação do benefício de ordem no âmbito tributário, tornando apenas a sua inaplicabilidade mais evidente, eis que essa inserção deve ser interpretada sistematicamente com as demais normas do ordenamento jurídico brasileiro – inclusive com a regra estampada no parágrafo único do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, não procedem os argumentos da Recorrente de que deveria ter sido cobrado primeiramente da empresa contratada os débitos anteriores à entrada em vigor dessa lei. Com relação à apresentação da Certidão Negativa de Débito (CND) pela contratada, entendemos que a emissão da CND não configura uma modalidade de extinção do extinção do crédito tributário, pois não está registrada nas hipóteses do art. 156 do Código Tributário Nacional (CTN)4, que disciplina o assunto. Assim, a concessão da CND não implica nem comprova garantia absoluta de não existência de crédito tributário a ser lançado, tanto que no corpo da própria CND está ressalvado ao Fisco o direito de cobrança de qualquer valor apurado posteriormente à sua emissão, nos termos do § 1º do art. 47 da Lei 8.212/1991, in verbis: Art. 47. É exigida Certidão Negativa de Débito CND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). (...) § 1º A prova de inexistência de débito deve ser exigida da empresa em relação a todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, independentemente do local onde se encontrem, ressalvado aos órgãos competentes o direito de cobrança de qualquer débito apurado posteriormente. (g.n.) Com isso, não acatamos a alegação da Recorrente de que a emissão da CND para a empresa contratada caracteriza uma forma de elidir a sua responsabilidade solidária da obrigação tributária apurada pelo Fisco. Isso decorre do fato de que a CND não é causa de 4 Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 extinção do crédito tributário, mas um mero documento que corrobora, até aquele momento de sua emissão, a inexistência de valores devidos ao Fisco. Quanto à apuração da base de cálculo por meio da aplicação do percentual de 40%, incidente sobre as notas fiscais, entendemos que se trata de uma técnica de aferição indireta para apuração dos valores devidos à Previdência Social e encontrase devidamente motivada, eis que a Recorrente não apresentou os documentos que comprovassem que a contratada cumpriu as obrigações previdenciárias referentes ao serviço prestado. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, §§ 3° e 6°, da Lei 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 244DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.722558/201001 Acórdão n.º 2402003.269 S2C4T2 Fl. 9 15 § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (g.n.) Em perfeita consonância com o lançamento em tela, colacionase julgado do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, que muito bem elucida a legalidade da aferição indireta, e a razoabilidade do percentual de 40% incidente sobre as notas fiscais para se aferir a base de cálculo das contribuições previdenciárias. “[...] TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TOMADORA DE SERVIÇOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. (...) 2. Tratandose de contribuições previdenciárias, prestado o serviço, por disposição legal, a tomadora se incorpora ao pólo passivo da obrigação como devedora solidária e só se exime do cumprimento da obrigação se comprovar que a outra devedora adimpliu – pagou o tributo –, pois assim extinguira a obrigação tributária. Ainda que admitida a inserção da tomadora no pólo passivo da obrigação pelo descumprimento do dever de exigir comprovação do pagamento do tributo, tal ocorreria – com o pagamento da nota fiscal ou fatura relativa à prestação do serviço – antes do lançamento de ofício, pois tratase de tributo no qual a lei atribui ao sujeito passivo a apuração e pagamento do débito tributário sem qualquer intervenção prévia da administração. 3. Incluída a tomadora, por lei, no pólo passivo da obrigação, a comprovação do pagamento pode ser dela exigida a qualquer tempo, tanto na apuração do débito quanto na cobrança dos valores lançados, já que o Fisco pode – como qualquer credor, em matéria de solidariedade – voltarse contra ela ou contra a prestadora, ou contra ambas as devedoras, já no lançamento, já na execução. 4. Segundo a legislação do período no qual ocorreram os fatos geradores (05/1995 a 01/1999), cabia à tomadora, quando da quitação da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, exigir da prestadora cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e folha de pagamento dos empregados postos a seu Fl. 245DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 serviço, dever do qual não se desincumbiu integralmente, restando solidariamente responsável pelo débito tributário. 5. A aferição indireta só incide naquilo em que a tomadora não se desincumbiu de ônus expressamente previsto em lei – exigir as folhas de pagamentos dos empregados postos a seu serviço. 6. É razoável a fixação de percentual (40%) sobre o valor da nota fiscal ou fatura como representativo do custo da mãode obra, e, em conseqüência, do valor dos salários sobre os quais deve incidir o tributo. Com isso, não se desnatura a contribuição, mas apenas se obtém, de modo indireto, na falta da documentação apropriada para a apuração direta (cujo ônus, no caso, era da tomadora) o valor dos salários, base de cálculo do tributo. Inversão do ônus da prova (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91), estabelecendo presunção relativa em favor do INSS; caberia, portanto, à tomadora, demonstrar que o percentual é excessivo. 7. Embargos infringentes improcedentes. (TRF 4ª R; EIAC Embargos Infringentes na Apelação Cível; Processo: 200271000090415/RS; Órgão Julgador: Primeira Seção; Data da decisão: 01/09/2005; DJU Data:28/09/2005; Página: 681; Relator DIRCEU DE ALMEIDA SOARES) [...].” (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16327.904318/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 12/02/2003
OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ALÍQUOTA. LIMITE DE INCIDÊNCIA. EXTRAPOLAÇÃO. CRÉDITO.
O valor do imposto recolhido sobre operações de crédito que exceder àquele correspondente ao resultante da aplicação da alíquota máxima legalmente estabelecida é considerado como pagamento a maior e passível de restituição/compensação.
DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. EXTRATOS COMPROVANDO O DEPÓSITO DO VALROS OBJETO DO MÚTUO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator.
EDITADO EM: 28/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder kanamaru.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 12/02/2003 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ALÍQUOTA. LIMITE DE INCIDÊNCIA. EXTRAPOLAÇÃO. CRÉDITO. O valor do imposto recolhido sobre operações de crédito que exceder àquele correspondente ao resultante da aplicação da alíquota máxima legalmente estabelecida é considerado como pagamento a maior e passível de restituição/compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. EXTRATOS COMPROVANDO O DEPÓSITO DO VALROS OBJETO DO MÚTUO. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO - Relator. EDITADO EM: 28/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder kanamaru.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 100 1 99 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.904318/200884 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.716 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2013 Matéria IOF LIMITE DE INCIDÊNCIA Recorrente Banco Citibank S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 12/02/2003 OPERAÇÕES DE CRÉDITO. ALÍQUOTA. LIMITE DE INCIDÊNCIA. EXTRAPOLAÇÃO. CRÉDITO. O valor do imposto recolhido sobre operações de crédito que exceder àquele correspondente ao resultante da aplicação da alíquota máxima legalmente estabelecida é considerado como pagamento a maior e passível de restituição/compensação. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. EXTRATOS COMPROVANDO O DEPÓSITO DO VALROS OBJETO DO MÚTUO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. EDITADO EM: 28/02/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 43 18 /2 00 8- 84 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder kanamaru. Relatório O recurso voluntário visa a reforma do acórdão nº 0531.273 da 3ª Turma da DRJ/CPS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo procedência parcial do lançamento. Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Antes da demonstração da origem do crédito, cabe uma explicação sobre as Operações de Crédito efetuadas entre a Requerente e seus clientes, bem como a incidência do 10F sabre tais operações. A Requerente, Instituição Financeira, efetuou operações de crédito (empréstimo) com diversos clientes (pessoas jurídicas). Para tais operações, o art. 7°, I, 'b', do Decreto n° 4.494/02 previu a incidência do 10F: Art.7° A base de cálculo e respectiva alíquotas reduzida do IOF são (Lei n° 8.894, de 1994, art. 1°, parágrafo único, e Lei no 5.172, dc 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: () b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada urna das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 0 mesmo Decreto, no art. 7°, § 1°, limitou a incidência do I0F sobre as operações de crédito financiamento ao 'valor resultante Fl. 580DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.904318/200884 Acórdão n.º 3102001.716 S3C1T2 Fl. 101 3 da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias (365 dias x 0,0041%). Tal limitação ocorre, inclusive, quando há prorrogação da operação de crédito. o que diz o § 7º do art. 7° do Decreto n°4.494/02: § 7º Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de divida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que não haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar à anteriormente feita, aplicandose a aliquota em vigor it época da operação inicial. Conclusão: nas operações de crédito (empréstimos) efetuadas pela Requerente com seus clientes, o IOF devido é aquele relativo ao valor objeto do empréstimo a alíquota diária de 0,0041% (limitada a 365 dias). 0 referido recolhimento a maior ocorreu sobre operações de crédito (...), onde a Requerente recolheu valor de I0F em montante superior à aliquota máxima prevista no decreto citado no item anterior. 0 valor original indevidamente retido a titulo de 10F foi de: Danzas Logist Armazéns Gerais (R$ 3.335,10), (R$ 1.312,00), R$ 1.128,32), (R$ 600,90), General Mills (R$ 7.462,00) (R$ 5.457,76) (Vide planilha de cálculo do IOF e extrato da conta corrente demonstrando a retenção do IOF — Doc. 4). Tal equivoco ocorreu por erro de sistema, que considerou novamente o IOF em cada prorrogação do prazo da operação, dessa forma não limitou o cálculo do IOF até a alíquota máxima de 0,0041% x 365 dias (Vide comprovantes da prorrogação — Doc. 5). Diante disso, para que pudesse fazer jus ao direito de restituição/compensação dos créditos decorrentes dos pagamentos a maior de I0F, a Requerente apurou os pagamentos efetuados a maior, ou seja, aqueles cuja alíquota aplicada ultrapassou o limite de 0,0041% x 365 dias, previsto no Decreto do I0F. Por ser mera responsável pela retenção do I0F, a Requerente providenciou, ainda, a devolução dos valores indevidamente retidos aos clientes, acrescidos de juros e correção monetária (Vide extrato da conta corrente — Doc. 6). Logo, a Requerente demonstra que, de fato, assumiu o encargo financeiro do recolhimento a maior do I0F indevidamente recolhido, razão pela qual tem direito a sua restituição/compensação. Vale ressaltar que, o IOF recolhido a maior no montante de R$ 19.296,08 foi recolhido em conjunto com outros débitos de I0F decorrerdes de diversas retenções ocorridas no mesmo período de apuração, o qual resultou no recolhimento de R$ 677.627,87 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Analisada a impugnação ao auto de infração e a informação fiscal, decidiu a 3ª Turma da DRJ/CPS, pela improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 12/02/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na fundamentação do acórdão recorrido, observase que dentre os documentos apresentados não se identifica o extrato bancário o qual comprovaria o depósito inicial dos recursos emprestados, e quanto ao cliente Danzas Logist Armazéns, não há o extrato que estaria registrado a cobrança do IOF pretendido, o que teria comprometido a comprovação do próprio empréstimo, bem como a identificação da renovação que seria objeto do próprio crédito. Inconformada com a decisão acima o contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que: 1) Decorre o presente de DECOMP formulada pela recorrente visando compensar crédito de IOF com débito do mesmo imposto, a qual não foi homologada por inexistência de crédito; 2) O crédito é proveniente do recolhimento realizado com base em alíquota superior à prevista na legislação de 0,0041% (limitada a 365 dias), em operações de crédito realizadas junto a cliente pessoas jurídicas; 3) Realizou a retificação de sua DCTF para excluir R$ 19.296,08(dezenove mil, duzentos e noventa e seis reais e oito centavos), indicados erroneamente como débito do IOF, entretanto esse valor não foi reconhecido, pois a decisão recorrida entendeu necessária a comprovação do depósito inicial dos recursos emprestados. 4) Preliminarmente argui a necessidade do julgamento ser realizado em conjunto com dos emais processos administrativos referentes a compensação de IOF, Fl. 582DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.904318/200884 Acórdão n.º 3102001.716 S3C1T2 Fl. 102 5 decorrentes de operações de mútuo bancário cujo o prazo ultrapassou 365 dias, relacionando todos os processo decididos pela DRJ/CPS, os quais se identificam quanto à matéria e aos elementos de prova, e foram julgados simultaneamente pela DRJ, obstando assim decisões distintas sobre a mesma matéria; 5) No mérito alega que foi reconhecida pela DRJ a limitação de 365(trezentos e sessenta e cinco) dias para a aplicação da alíquota diária do IOF, e que na respectiva decisão restou consignado que os valores guardam coerência numérica com as alegações formuladas, entretanto, a decisão de piso, entendeu que não é possível identificar a concessão do empréstimo pela fatal de apresentação dos extratos constando o depósito inicial dos recursos emprestados e no tocante a empresa Danzas também por não haver o comprovante do débito do próprio IOF, fundamentação essa que não poderia prosperar, já que a documentação é capaz de demonstrar o empréstimo e as renovações; 6) Em 04/02/2002, 05/11/2001, 07/12/2001 e 03/09/2001 foram celebrados contratos de mútuo com a empresa Danzas, nos valores respectivamente de R$ 458.000,00; R$ 2.542.000,00; R$ 860.000,00; e R$ 1.000.000,00., situação semelhante ocorreu com a empresa General Mills. 7) O IOF foi recolhido de acordo com cada período da seguinte forma “R$[valor do contrato] x 0,0041% x quantidade de dias de cada período contratado”, assim após os 365(trezentos e sessenta e cinco dias) não há mais o que recolher, entretanto continuou erradamente a debitar de sua cliente. 8) Percebido o erro o IOF deduzido da empresa foi devolvido acrescido de SELIC, e assim a recorrente apresenta autorização nos termos do art. 166 do CTN para requerer o IOF recolhido a maior; 9) As planilhas, as declarações, os contratos e extratos analisados em conjunto, são capazes de comprovar o empréstimo, independentemente prova da materialização do empréstimo e do débito do imposto na conta do cliente. Após os argumentos acima busca a recorrente a reforma decisão recorrida para homologar integralmente a declaração de compensação. Encaminhado o presente processo para julgamento o patrono da recorrente demonstrou que protocolou, em 06/10/2011, extratos que comprovariam o contrato de mutuo Fl. 583DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 firmado com as empresas Danzas e General Mills, sendo convertido o processo em diligência para juntada dos aludidos documentos e posterior intimação da Procuradoria da Fazenda Nacional. Ao analisar a documentação a Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que no mês de fevereiro 2003 não houve recolhimento dos valores apontados como indevidos, e assim refuta o pedido de compensação. Defende ainda, que por ter sido a documentação colacionada em sede de recurso, seria necessário o retorno dos autos à instância inferior, evitando assim a supressão de instância. É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e por tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado o cerne do recurso é o reconhecimento do crédito de IOF sob o argumento de que há elementos nos autos capazes de comprovar o empréstimo realizado com as empresas Danzas Logist Armazéns e General Mills., no qual teria ocorrido um recolhimento a maior de IOF no montante de R$ 19.296,08(dezenove mil, duzentos e noventa e seis reais e oito centavos). Ora, a Constituição Federal, no inciso V art. 153, atribuiu competência a União para instituir imposto sobre operações financeiras, o qual já havia sido instituído através do Código Tributário Nacional, recepcionado como lei complementar, nos termos do art. 63 a 67 do CTN. O critério material do IOF é a formalização das operações definidas nos incisos do art. 63 do CTN, já a base de cálculo é o valor da respectiva operação, cabendo ao poder executivo alterar as alíquotas e base de cálculo nos limites legais, objetivando os ajustes a política monetária, dentro desta ótica, foi editado o decreto 4.494/2002, em vigor a época dos fatos, o qual quanto à alíquota e ao limite legal sobre as operações de crédito assim disciplinava : Art.6º O IOF será cobrado à alíquota máxima de um vírgula cinco por cento ao dia sobre o valor das operações de crédito (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º). Art.7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são: Ina operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: ... b)quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à Fl. 584DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.904318/200884 Acórdão n.º 3102001.716 S3C1T2 Fl. 103 7 sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; §1º O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores diários, não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias, ainda que a operação seja de pagamento parcelado.(grifo nosso) §2º No caso de operação de crédito não liquidada no vencimento, cuja tributação não tenha atingido a limitação prevista no §1º, a exigência do IOF fica suspensa entre a data do vencimento original da obrigação e a da sua liquidação ou a data em que ocorrer qualquer das hipóteses previstas no §7º. §3º Na hipótese do §2º, será cobrado o IOF complementar, relativamente ao período em que ficou suspensa a exigência, mediante a aplicação da mesma alíquota sobre o valor não liquidado da obrigação vencida, até atingir a limitação prevista no §1º. ... §7º Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que não haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar à anteriormente feita, aplicandose a alíquota em vigor à época da operação inicial. Observando as normas acima, no tocante incidência do IOF nas hipóteses de renovação de contrato com o mesmo mutuário, a decisão singular concluiu que: Nesses termos, o disposto no referido artigo regulamentar citado define a aplicação de tratamento de tributação complementar à renovação do contrato junto ao mesmo mutuário, sem a liberação de novo valor. Nessa hipótese, o § 7º do art. 7º, acima transcrito, aplicase a alíquota vigente à época da operação originária multiplicada pelo número de dias pactuados na renovação. Esse cômputo dos dias repactuados, para efeitos de determinação de alíquota, fica limitado a um total de 365 (trezentos e sessenta e cinco), levados em conta os dias do prazo já vencido e já objeto da tributação originária. Vale dizer, a tributação, incluída a originária e a complementar, não pode ultrapassar o limite máximo de 365 dias multiplicados pela alíquota vigente. Como a prorrogação se trata, na realidade, de uma extensão da mesma operação de crédito, o limite máximo também inclui a tributação complementar, que é apenas a correção do aumento Fl. 585DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 de prazo em relação à tributação originalmente prevista. Esse aumento de prazo não traz nenhuma repercussão em termos de IOF se o prazo original sobre o qual foi pago o imposto for superior a 365 dias. A partir da premissa acima referida, a DRJ passou a examinar todos os créditos de IOF requeridos pela recorrente, observando se a documentação apresentada permite identificar os empréstimos da contribuinte com renovação/prorrogação, sem a substituição do devedor e que tenham ultrapassado o limite de 365(trezentos e sessenta e cinco) dias com a dedução do IOF e concluiu que: Examinada, a documentação apresentada padece de duas importantes lacuna, que são a falta do extrato bancário que apresente o depósito inicial dos recursos que teriam sido emprestados e, no caso das operações realizadas com o cliente Danzas Logist Armazéns Gerais, nem mesmo o extrato bancário em que estaria registrada a cobrança do IOF reivindicado como indevido foi juntado aos autos. Percebese que utilizando a documentação até então anexa aos autos, em especial as planilhas anexas às declarações de fls. 437 e 462 assinadas pelas clientes Danzas e General Mills, a DRJ não conseguiu identificar a provar dos mútuos, entretanto em atenção a diligência foram anexados aos autos extratos bancários com os depósitos iniciais decorrentes dos mútuos realizados em 12/03/2001(R$ 2.000.000,00 e 06/11/2003(R$ 1.462.815,28) na conta da General Mills, e os extratos relativos a DANZAS referente aos empréstimos realizados em 05/11/2001(R$ 2.542.000,00), 03/09/2001(R$ 1.000.000,00), 07/12/2001 (R$ 860.000,00) e 04/02/2002(458.000,00), resta analisar se tais provas são capazes de evidenciar a operação. Observando a documentação colacionada nos autos, juntamente com os juntado em diligência, constatase que: Danzas 1– O contrato celebrado no valor de R$ 2.542.000,00(fls. 121/151), a restituição dos valores indevidamente deduzidos relativos ao IOF(314/321). Identificase na nova documentação colacionada o ingresso do valor do empréstimo de R$ 2.542.000,00(referência 4291565), realizado em 05/11/2001. Danzas 2 – Contatase o contrato celebrado no valor de R$ 860.000,00 (fls. 186/221), a restituição dos valores indevidamente deduzidos relativos ao IOF(314/321). Identificase na nova documentação colacionado o ingresso do valor do empréstimo de R$ 860.000.000,00(referência 4366505), realizado em 07/12/2001. Danzas 3 – Contatase o contrato celebrado no valor de R$ 1.000.000,00 (fls. 153/183), a restituição dos valores indevidamente deduzidos relativos ao IOF(314/321). Identificase na nova documentação colacionado o ingresso do valor do empréstimo de R$ 1.000.000,00(referência 4166293), realizado em 09/09/2001. Danzas 4 – Contatase o contrato celebrado no valor de R$ 458.000.000,00 (fls. 92/119), a restituição dos valores indevidamente deduzidos relativos ao IOF(314/321). Identificase na nova documentação colacionado o ingresso do valor do empréstimo de R$ 458.000.000,00(referência 4476862), realizado em 04/02/2003. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.904318/200884 Acórdão n.º 3102001.716 S3C1T2 Fl. 104 9 O mesmo acima delineado quanto aos documentos ocorre com as operações da General Mills, já que consta nos autos o contrato, a prova da restituição de valores deduzidos, o ingresso do valor do empréstimo. Percebese assim, que dentre a documentação colacionada o contribuinte atendeu a diligência comprovando através dos extratos o ingresso dos valores. Ora, o mútuo consiste em um empréstimo onde mutuante transfere a propriedade de um bem fungível ao mutuário, o qual fica obrigado à devolução da coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, nos termos do art. 5861 do Código Civil. Ao apresentar as características do mútuo o autor Arnaldo Rizzado2, destacao como contrato real ao afirmar que: Tratase de um contrato real, pois só existe o empréstimo uma vez entregue a coisa ao mutuário pelo mutuante. É a entrega requisito da constituição do mútuo. Sem ela, configurase apenas a promessa de empréstimo, como se verifica com a abertura de um empréstimo, ou a subscrição de obrigações. Tornamse mútuos tais atos quando o crédito é utilizado ou o importe das obrigações vem a ser pago;(Grifamos) Percebese que o mútuo só se torna perfeito com a entrega da bem fungível a outra parte, assim no caso em tela restou provado que ocorreu o empréstimo, com a efetiva transferência dos valores, e acrescido dos demais elementos probatórios acima referidos, constatase o pagamento de IOF a maior, razão pela qual conheço do recurso voluntário para dar provimento, reconhecendo o direito ao crédito tributário no montante de R$ 19.296,08(dezenove mil, duzentos e noventa e seis reais e oito centavos). Sala de sessões 29 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator 1 C. Civil Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. 2 Rizzardo, Arnaldo, 1942 – Contratos – Rio de Janeiro: Forense, 2006. P 599 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 28/02/2013 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 16095.000322/2010-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. VALORES RECOLHIDOS ANTECIPADAMENTE. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Ainda que correta a formalização da exigência mediante auto de infração em relação a valores do imposto pagos mas não confessados, descabe a imposição da multa de ofício se o pagamento ocorreu antes de iniciado o procedimento fiscal. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2005 Ementa: CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratando-se de lançamentos decorrentes, aplica-se à CSLL, PIS e Cofins, o resultado do julgamento referente à exigência tida como principal. PIS. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. Descabe a tributação do PIS e da Cofins sobre receitas financeiras na modalidade cumulativa dessas contribuições, tendo em vista o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, no que tange à ampliação do conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 1402-001.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. VALORES RECOLHIDOS ANTECIPADAMENTE. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Ainda que correta a formalização da exigência mediante auto de infração em relação a valores do imposto pagos mas não confessados, descabe a imposição da multa de ofício se o pagamento ocorreu antes de iniciado o procedimento fiscal. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2005 Ementa: CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de lançamentos decorrentes, aplicase à CSLL, PIS e Cofins, o resultado do julgamento referente à exigência tida como principal. PIS. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. Descabe a tributação do PIS e da Cofins sobre receitas financeiras na modalidade cumulativa dessas contribuições, tendo em vista o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, no que tange à ampliação do conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000322/201067 Acórdão n.º 1402001.186 S1C4T2 Fl. 2 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto Fl. 406DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000322/201067 Acórdão n.º 1402001.186 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente de Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins formalizados para o anocalendário de 2005, no valor total de R$ 25.447.357,20; aí incluídos multa de ofício e juros de mora. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades, a fiscalizada adotou, para o anocalendário de 2005, a opção do lucro presumido como forma de tributação do IRPJ. Tal opção foi demonstrada pelo pagamento da primeira cota do imposto apurado sob essa modalidade e, logo após, pela apresentação da DIPJ também sob esse regime. Apurouse que a autuada entregou declaração retificadora alterando a forma de tributação do lucro presumido para lucro real. Considerando que, nos termos da legislação, a opção pelo lucro presumido nos moldes efetuados é definitiva para todo o anocalendário a autoridade lançadora buscou e não encontrou qualquer situação que enquadrasse a interessada na obrigatoriedade de apuração do resultado pelo lucro real. Além disso, a fiscalizada, ainda que intimada a fazêlo, não apresentou qualquer amparo judicial ou legal para assim proceder. Diante dos fatos, não foi acatada a retificação efetuada e procedeuse à apuração dos tributos devidos (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) sob a sistemática do lucro presumido, utilizandose como base de cálculo as receitas indicadas no livro Razão. Tendo em vista que a DIPJ foi entregue zerada, todas as receitas foram incluídas na base de cálculo tributável. O sujeito passivo apresentou impugnação ao feito suscitando que a DIPJ na qual altera o regime de apuração foi recebida como original e não como retificadora. Sustenta que a apuração pelo lucro real está de acordo com a legislação e informa pagamentos do imposto a título de estimativas, quitadas mediante compensação, para corroborar seus argumentos. Afirma que não foi analisado devidamente a escrituração contábil da empresa, visto que os registros provariam os cálculos do IRPJ e CSL com base no Lucro Real e o PIS e COFINS, com base na não cumulatividade. Por fim, reclama que não se poderia calcular os impostos devidos pelo lucro presumido e ignorar todas as declarações e formalizações já relatadas e, mais ainda, não abater os recolhimentos efetuados, independente de código, onde deverseia iase verificar também a natureza dos recolhimentos, visto que teria recolhido todos os impostos com códigos de opção pelo Lucro Real. E ainda mais, aplicouse a multa de 75% sobre o total, sem abater esses recolhimentos, o que descaracterizaria o auto de infração. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000322/201067 Acórdão n.º 1402001.186 S1C4T2 Fl. 4 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas prolatou o Acórdão 0531.029 acolhendo parcialmente a impugnação apresentada. Entendeu como acertado o procedimento do Fisco em rejeitar a retificação no regime de apuração, mas excluiu da exigência: • O valor do IRPJ e da CSLL referentes ao 1º (integralmente) e ao 2º trimestre de 2005 (parcialmente) considerados confessados e que já haviam sido recolhidos anteriormente ao procedimento fiscal; • O valor do PIS e da Cofins que incidiu sobre receitas de variação cambial; e: • A multa de ofício e juros de mora exigidos sobre o PIS e a Cofins, em relação aos períodos de apuração nos quais o sujeito passivo efetuou o recolhimento dessas contribuições sem confessalas formalmente. Em relação à parcela exonerada, o Órgão julgador apresentou recurso de ofício a este Colegiado, que será agora analisado. Quanto à exigência remanescente, foi apartada destes autos para procedimento de cobrança específico. É o Relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000322/201067 Acórdão n.º 1402001.186 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Trata o presente de recurso de ofício interposto contra o Acórdão 0531.029 prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas SP, em relação à parte exonerada da exigência formalizada em Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao anocalendário de 2005. No entendimento da decisão recorrida, está correta a autoridade lançadora em considerar como definitiva a opção exercida pelo sujeito passivo quanto à apuração do resultado pelo lucro presumido, opção essa manifestada pelo pagamento do IRPJ e da CSLL relativos ao primeiro trimestre do anocalendário sob essa modalidade. Por outro lado, o acórdão hostilizado manifestouse pela exclusão dos valores já pagos do IRPJ e da CSLL, referindose justamente aos recolhimentos mencionados no parágrafo anterior. De fato, se a decisão entendeu que a forma correta de apuração do resultado é sob o lucro presumido, os pagamentos feitos a esse título devem ser excluídos da exigência, pois tempestivos e anteriores ao procedimento fiscal. Correta a decisão recorrida nesse ponto. Também foi excluída a exigência da multa de ofício e dos juros de mora sobre os valores do PIS e da Cofins, recolhidos espontaneamente ao longo do anocalendário. Nesse caso, o posicionamento do acórdão recorrido vai no sentido de que está correta a formalização da exigência mediante auto de infração dos valores das contribuições que não foram confessados, para que se efetive o lançamento do tributo. Entretanto, o pagamento tempestivo inibe a incidência dos consectários legais. Nesse ponto, mais uma vez agiu corretamente o acórdão recorrido. Quanto à exclusão das receitas de variação cambial na base de cálculo do PIS e da Cofins, é conseqüência natural do entendimento consolidado no STF em relação à inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 no que ampliou o conceito de receita bruta, correspondente ao faturamento base de cálculo dessas contribuições, para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas. Assim, de todo o exposto voto por negar provimento ao recurso de ofício. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 409DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16095.000322/201067 Acórdão n.º 1402001.186 S1C4T2 Fl. 6 6 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/09 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000366/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE 11%. PRECLUSÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO.
A restituição de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do sujeito passivo.
O prazo de que dispõe o sujeito passivo para requerer a restituição de pagamentos indevidos é de 5 (cinco) anos, contados da data do vencimento para recolhimento da retenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE 11%. PRECLUSÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. A restituição de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do sujeito passivo. O prazo de que dispõe o sujeito passivo para requerer a restituição de pagamentos indevidos é de 5 (cinco) anos, contados da data do vencimento para recolhimento da retenção. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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RETENÇÃO DE 11%. PRECLUSÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. A restituição de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do sujeito passivo. O prazo de que dispõe o sujeito passivo para requerer a restituição de pagamentos indevidos é de 5 (cinco) anos, contados da data do vencimento para recolhimento da retenção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 03 66 /2 00 8- 18 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.000366/200818 Acórdão n.º 2402003.411 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade (MI) em face de deferimento parcial do Requerimento de Restituição da Retenção (RRR) de importâncias retidas a título de contribuições previdenciárias na forma do art. 31 da Lei 8.212/1991, que consiste nos valores relativos à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra, para as competências 04/2002, 06/2002, 09/2002, 10/2002, 11/2002 e 12/2002. O requerente justificou o pedido de restituição afirmando tratarse de valores excedentes das retenções sofridas sobre Notas Fiscais de Prestação de Serviços, em relação aos valores devidos sobre as folhas de pagamento. Em 02/03/2011 foi expedido o Despacho Decisório nº D/19001/2011/0158 (fls. 73/74), deferindo parcialmente a restituição o valor de R$289,33 (duzentos e oitenta e nove reais e trinta e três centavos), referente às competências 01 e 02/2003. Quanto às competências 04/2002, 06/2002 e 09/2002 a 12/2002, a restituição foi indeferida por ter ocorrido a prescrição. No Despacho Decisório consta que a empresa foi optante pelo Simples Federal a partir de 14/02/2000, tendo sido excluída do referido sistema em 30/06/2007. Cientificado da decisão, em 08/07/2011 (fl. 75), o requerente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 76/80), alegando, em síntese, que: 1. não procede o indeferimento por “intempestividade” do pedido (direito de pleitear a restituição), tendo em vista que este não trata de créditos tributários ou previdenciários, e sim de retenções sobre o valor do trabalho; 2. requer, ainda, a reforma do Despacho Decisório, pois não concorda com indeferimento pela RFB da restituição dos valores retidos, ainda mais porque estes valores se referem a créditos do contribuinte, de retenções efetuadas indevidamente por fontes pagadoras que não observaram, para o período em questão, a inexistência de obrigação de retenção sobre serviços realizados por empresas optantes pelo Simples. Alega que até 01/12/2003 não possuía empregados, os serviços eram realizados por ele, e era optante pelo sistema Simples Federal e Simples Nacional sendo indevidas as retenções sofridas; 3. Insurgese contra a cobrança de diferenças de contribuições geradas a partir das retificações efetuadas nas GFIPs por solicitação da Receita Federal do Brasil, alegando ser ato que ofende o seu direito constitucional, pois não recebeu a relação dos débitos que estão sendo cobrados. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Porto Alegre/RS – por meio do Acórdão no 1036.921 da 6a Turma da DRJ/POA (fls. 110/114) – considerou a manifestação de inconformidade (pedido de restituição) improcedente. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 126/150), manifestando seu inconformismo pela improcedência de seu pedido de restituição e no mais efetua as alegações da peça de manifestação de inconformidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas/RS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.000366/200818 Acórdão n.º 2402003.411 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Nos termos dos autos, a Recorrente requer a restituição de contribuições previdenciárias recolhidas em seu nome relacionadas à retenção de 11% (onze) do valor bruto da nota fiscal e/ou fatura de prestação de serviços, prevista no artigo 31 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 9.711/1998, para as competências 04/2002, 06/2002, 09/2002, 10/2002, 11/2002 e 12/2002. De forma resumida, a Recorrente alega cumprir todas as exigências para a restituição de valores de retenção, uma vez que, por ser à época empresa optante do SIMPLES, ela estaria dispensada de tal retenção. Dentro do contexto fático e jurídico, constatase que a Recorrente solicitou o pedido de restituição em 14/01/2008, assim não é cabível a restituição de valores recolhidos ao Fisco para o período de 04/2002 a 12/2002, pois este período foi abarcado pela prescrição quinquenal. Isso está em consonância com o art. 168 do CTN, que prescreve o prazo de 5 (cinco) anos para realização do direito de pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art. 3o da LCp nº 118, de 2005) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (g.n.) Por sua vez, a Lei Complementar (LCp) 118/2005 trouxe regra interpretativa, direcionada exclusivamente para esse art. 168, I, do CTN. Art. 3o. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento de homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. (g.n.) Art. 4º. Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. É bom registrar que o Supremo Tribunal Federal (STF) manifestouse no sentido de que os dispositivos da Lei Complementar (LCp) 118/2005, registrados acima, são regras válidas com aplicação do novo prazo de 5 anos para as ações ajuizadas após 120 dias da publicação da lei (a partir de 09/06/2005), nos termos do seu Informativo no 634, de 1º a 5 de agosto de 2011: “[...] Prevaleceu o voto proferido pela Min. Ellen Gracie, relatora, que, em suma, assentara a ofensa ao princípio da segurança jurídica – nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º, XXXV, da CF – e considerara válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005. Os Ministros Celso de Mello e Luiz Fux, por sua vez, dissentiram apenas no tocante ao art. 3º da LC 118/2005 e afirmaram que ele seria aplicável aos próprios fatos (pagamento indevido) ocorridos após o término do período de vacatio legis. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que davam provimento ao recurso. RE 566621/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 4.8.2011. (RE 566621Repercussão Geral)” No mesmo sentido, a legislação previdenciária dispõe que o direito de pleitear a restituição extinguese em 5 (cinco) anos, contados do pagamento ou recolhimento indevido, conforme art. 253 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. DECRETO 3.048/1999: Art. 253. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos, contados da data: I do pagamento ou recolhimento indevido; (...) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11080.000366/200818 Acórdão n.º 2402003.411 S2C4T2 Fl. 5 7 A Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005, vigente a época do protocolo do presente pedido de restituição, em 14/01/2008, previa que: Art. 218. O direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos contados da data: (...) IV do vencimento para recolhimento da retenção efetuada com base na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Atualmente a restituição de valores referentes à retenção de contribuições previdenciárias na cessão de mãodeobra e na empreitada está normatizada pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, a saber: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932. (g.n.) Considerando os elementos fáticos e probatórios, entendese que a Recorrente não cumpriu todos os requisitos previstos na legislação previdenciária para solicitar a restituição almejada nas competências 04/2002, 06/2002, 09/2002, 10/2002, 11/2002 e 12/2002, já que essas competências foram atingidas pela prescrição quinquenal. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação da decisão de primeira instância, eis que ela se encontra revestida das formalidades legais. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/03/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000610/2007-45
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.110
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/SP1/SP. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Em decorrência de revisão sumária da declaração de contribuições e tributos federais DCTF, correspondente ao 2º trimestre do ano calendário de 2004, a empresa acima qualificada foi autuada e notificada por via postal a recolher a título de multa de mora não paga o crédito tributário no valor de R$ 52.045,75 (fls. 28 e 29). Segundo os demonstrativos de fls. 30 e 31, a interessada pagou o tributo devido após o vencimento legal da obrigação, sem o acréscimo da multa moratória. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/05/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 16327.000610/200745 Resolução n.º 2801000.110 S2TE01 Fl. 2 2 Inconformada com a exigência fiscal, a interessada, por meio de seu representante legal, apresenta a impugnação de fls. 01 a 18, protocolizada em 19/04/2007, na qual, alega, em apertada síntese, que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea nos exatos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 48/53, que restou assim ementado: DCTF. REVISÃO INTERNA. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 22/03/2011 (fl. 60), o interessado, representado por seu advogado (fls. 81/83), interpôs o recurso de fls. 61/73, em 25/04/2011. Em sua defesa, alega que o recolhimento do IRRF foi efetuado antes da declaração original ou retificadora, motivo pelo qual sustenta que o seu direito aos benefícios da denúncia espontânea é inquestionável, a teor do que estabelece o art. 138 do CTN e jurisprudência consolidada tanto em âmbito judicial como administrativo. É o relatório. VOTO Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. No caso, não é possível aferir a tempestividade do recurso de fls. 61/73, eis que o carimbo de recepção aposto pela unidade de origem (fl. 61) não mostra com clareza a data em que o recurso foi recepcionado. À fl. 94, a autoridade preparadora certifica que a data constante no carimbo da petição do recurso voluntário é 25/04/2011. Ocorre que a recepção não poderia ter ocorrido na data de 25/04/2011 domingo, considerando que não se trata de dia útil. Dessa forma, proponho a conversão do julgamento em diligência, com o retorno dos autos à DEINF/SPO, a fim de que seja informada a data em que foi recepcionado o recurso voluntário de fls. 61/73. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser dada ciência ao sujeito passivo do teor dos esclarecimentos a serem prestados pela autoridade fiscal, abrindo prazo para sua manifestação Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/05/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900966/2006-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO / RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO – LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem compensação como forma de extinção da obrigação tributária, devem estar revestidos de liquidez e certeza. IRPJ – RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. A lei pode nas condições que estipular autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, não se admitindo, portanto, o desrespeito ao princípio da competência positivado na legislação de regência do imposto de renda que garante que as retenções inclusas no cálculo do saldo negativo do IRPJ devam se referir a receitas auferidas no próprio ano-calendário correspondente às retenções.
Numero da decisão: 1401-000.729
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso em relação ao IRRF sobre o JCP, no valor de R$2.545.903,31 (Cód. 5706), a ser corrigido com base na legislação de vigor; bem assim homologar parcialmente as compensações de débitos no limite desse valor corrigido.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO / RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO – LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem compensação como forma de extinção da obrigação tributária, devem estar revestidos de liquidez e certeza. IRPJ – RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. A lei pode nas condições que estipular autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, não se admitindo, portanto, o desrespeito ao princípio da competência positivado na legislação de regência do imposto de renda que garante que as retenções inclusas no cálculo do saldo negativo do IRPJ devam se referir a receitas auferidas no próprio ano-calendário correspondente às retenções.
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Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem compensação como forma de extinção da obrigação tributária, devem estar revestidos de liquidez e certeza. IRPJ – RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA. A lei pode nas condições que estipular autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, não se admitindo, portanto, o desrespeito ao princípio da competência positivado na legislação de regência do imposto de renda que garante que as retenções inclusas no cálculo do saldo negativo do IRPJ devam se referir a receitas auferidas no próprio anocalendário correspondente às retenções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso em relação ao IRRF sobre o JCP, no valor de R$2.545.903,31 (Cód. 5706), a ser corrigido com base na legislação de vigor; bem assim homologar parcialmente as compensações de débitos no limite desse valor corrigido. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Fl. 670DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 612 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, João Carlos de Figueiredo Neto e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 613 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1620.214, da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “A contribuinte apresentou Declarações de Compensação a fim de compensar os débitos tributários discriminados na tabela de fls.295 e 350, com o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002. Ocorre que a DIORT/DEINF/SP, por meio do Despacho Decisório de fls.350/363, apurou a existência de incorreções quanto ao referido saldo negativo de IRPJ, alegando o seguinte: Referente à Prestação de serviços (códigos 1708, 6188 e8045), vale observar: i) para o código 1708 (serviços prestados) a planilha de rendimentos de fls. 141 a150 indica que o contribuinte alegou comprovar um IRRF de R$ 431.281,26, tendo apresentado apenas alguns comprovantes de rendimentos – ficando o restante a comprovar, conforme indicado na planilha de rendimentos não comprovados de fls. 154 a 157. Posteriormente, o contribuinte entregou a planilha complementar de fls. 242 a 245, alegando comprovar o montante maior, com novos comprovantes de rendimentos (fls. 246 a 293). Entretanto, verificase que estes últimos, comprovantes referemse a anoscalendário anteriores a 2002, de forma que não podem ser aceitos na presente análise. Uma vez que não se pode conferir certeza e liquidez ao crédito através da citada comprovação de rendimentos, será considerado nesta análise o valor encontrado em DIRF; ii) para o código 6188 (pagamento a órgãos públicos) a planilha de rendimentos indica como documentos comprobatórios às fls. 158 a 159, que são cópias da DIRF. Dessa forma, somente pode ser aceito o valor de R$ 418.722,54; iii) para o código 8045 (outros rendimentos), vale destacar que o IRRF é recolhido pelo próprio beneficiário – conforme orientação do Manual de Imposto de Renda Retido na Fonte (Mafon) para este tipo de receita. Em consulta ao sistema DCTF GERENCIAL às fls. 328 a 331, verificase que o contribuinte confessou em DCTF um débito total de R$ 540.554,85 de IRRF em 2002, integralmente pagão com DARF. Este valor está confirmado pelo sistema SIEF/Fiscalização Eletrônica (fls. 332 a 334), que localizou os pagamentos recolhidos à fls. 153 que comprovou e ofereceu à tributação o rendimento referente ao Fl. 672DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 614 4 IRRF de R$ 429.274,85 na linha 37 da Ficha 06B da DIPJ, sendo este valor o montante que deve ser considerado. iv) Referente ao código 5232 (Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento Imobiliário), o contribuinte utilizou R$43.456,65 para compor o saldo negativo de IRPJ em PER/DCOMP. Entretanto, este montante não está comprovado em DIRF e nem por comprovantes de fontes pagadoras, devendo ser desconsiderado nesta análise – pois não é possível se concluir pela liquidez e certeza do referido crédito, como exige o art. 170 do CTN. v) Referente ao IRRF de Juros sobre Capital Próprio (código 5706) a análise foi feita de maneira individualizada para cada fonte pagadora, em função da relevância deste código na composição do crédito em tela (fls.358): v.1) em Relação ao item 2, CNPJ nº02.105.040/000123 – o mesmo valor de R$54.318,23 é encontrado em DIRF e no comprovante da fonte pagadora, sendo portanto considerado. Assim, o valor de R$ 67.897,78 pleiteado pelo contribuinte em PER/DCOMP é parcialmente glosado; v.2) em Relação ao item 5, CNPJ nº03.410.855/00189 – o aviso de crédito em conta de fl. 100 apresenta um valor parcial do crédito solicitado. Além disto, tal documento não é comprovante da fonte pagadora em conformidade com o exigido pela IN SRF nº119, de 2000, e este IRRF não foi localizado em DIRF e nem no FISCEL (fl. 336). Solicitado novamente a comprovar esta retenção, o contribuinte não apresentou novos documentos (fl.231). Este IRRF deve então ser desconsiderado nesta análise – pois não é possível se concluir pela liquidez e certeza do referido crédito, como exige o art. 170 do CTN; v.3) em Relação ao item 6, CNPJ nº33.098.518/000169 – não há comprovante da fonte pagadora e nem valor declarado em DIRF, assim o IRRF é glosado; v.4) em Relação ao item 7, CNPJ nº33.166.158/000195 –o valor pleiteado em PER/DCOMP coincide com os comprovante das fontes pagadoras. Entretanto, este valor não foi encontrado em DIRF. Após solicitação de esclarecimentos, o contribuinte apresentou cópia de DARF’s e o demonstrativo de fls. 239, alegando uma retenção total de R$ 4.472.267,02. Sendo este valor coincidente com declarado na Ficha 42A da DIPJ, e considerando que os pagamentos foram confirmados pelo FISCEL (fl 337), este último valor é aceito; v.5) em Relação ao item 11, CNPJ nº50.654.920/000100 – o montante pleiteado em PER/DCOMP coincide com o comprovante da fonte pagadora de fls. 120. Entretanto, este valor não foi encontrado em DIRF (fl.340). Em consulta ao sistema CNPJ, constatouse que esta fonte pagadora foi incorporada pelo interessado em 30/04/2004 (fl. 341). Após solicitação de esclarecimentos, o contribuinte informou à fl. 231 que este valor foi compensado pela fonte pagadora em Fl. 673DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 615 5 julho/2002. Entretanto, esta compensação não foi declarada em DCTF, uma vez que não há informação sobre débitos de JCP no FISCEL para o período em tela (fl. 340). Como não há informação disponível sobre a origem do crédito de tal compensação, e considerando que o ônus da prova cabe ao próprio interessado que incorporou a fonte pagadora, não se pode concluir pela liquidez e certeza do referido crédito, como exige o art. 170 do CTN. Portanto esta retenção deve ser glosada. Concluindo a análise do crédito de IRPJ para o ano de 2002, a Tabela 8 sintetiza a composição do saldo deste período conforme declarado pelo contribuinte em DIPJ (coluna “Declarado”) e a recomposição deste saldo credor após a análise ora realizada (coluna “Confirmado”). Resulta um saldo credor (negativo) de IRPJ de R$ 14.334.250,70, como segue: APURAÇÃOA DO SALDO DO IRPJ ANO CALENDÁRIO DE 2002 (valor Original R$) Descrição Declarado Confirmado Base de Cálculo 0,00 0,00 Total do IR Devido 0,00 0,00 Dedução de incentivos fiscais 0,00 0,00 Imposto mensal por estimativa 0,00 0,00 IRRF na apuração anual (subtotal) 17.546.377,42 13.915.528,16 Código do IRRF 1708 514.284,46 Código do IRRF 8045 429.274,85 Código do IRRF 5706 12.971.968,85 IRRF na apuração anual (org.Públ.) cod.6188 893.016,80 418.722,54 IRPJ a pagar 18.439.394,22 14.334.250,70 Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ declarado pela contribuinte na DIPJ/2002, fls. 299, cujo montante era de – 18.439.394,22 (R$), foi ajustado pela DIORT/DEINF/SP para o valor de –14.334.250,70 (R$), conforme se depreende da conclusão de fls.360, acima reproduzido. DEMONSTRATIVO DOS VALORES POR CÓDIGO DE RETENÇÃO Fl. 674DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 616 6 Códigos de IRRF Declarado(fl.355) Confirmado(fl.360) Diferença Glosada 1708 1.432.448,37 514.284,46 918.163,91 5232 43.456,65 0,00 43.456,65 5706 15.627.972,09 12.971.968,85 2.656.003,24 8045 442.500,34 429.274,85 13.225,49 Subtotal 17.546.377,45 13.915.528,16 3.630.849,29 0,00 6188 893.016,80 418.722,54 474.294,26 Código 5706 Declarado(fl.358) Confirmado(fl.358) Diferença Glosada Item 2 67.897,78 54.318,23 13.579,55 Item 5 95.022,42 0,00 95.022,42 Item 6 506,55 0,00 506,55 Item 7 4.472.877,83 4.472.267,02 610,81 item 11 2.546.283,91 0,00 2.546.283,91 7.182.588,49 4.526.585,25 2.656.003,24 Em conseqüência da redução do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, houve a homologação parcial da compensação dos débitos tributários de fls.295 e 350, restando ainda o saldo devedor especificado nas Cartas Cobranças de fls.377/382. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada com o Despacho Decisório e com as cartas de cobranças em comento, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls.386/402, alegando em síntese que: DO DIREITO AO INTEGRAL CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO NO ANOCALENDÁRIO DE 2002LIQUIDEZ E CERTEZA DO IRF SOBRE RECEITAS DE JCP –R$2.656.003,24 (Cód. 5706) Em relação ao item 11, CNPJ nº50.654.920/000100 (Unipart) no valor de R$2.546.283,91, foi compensado em julho/2002, conforme se comprova no anexo registro contábil no valor de R$2.912.036,32 (doc. 03). Fl. 675DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 617 7 O comportamento do manifestante não implicou e prejuízo para o fisco visto que as receitas de JCP no anocalendário de 2002 foram integralmente submetidas à tributação, sendo ilegítima a glosa pretendida pelo Despacho Decisório. DA GLOSA DO ITEM 5 –IRRF SOBRE JCP RECEBIDO DE CP CIMENTOS E PARTICIPAÇÕES – R$95.022,42 A elaboração da DIRF é responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, sendo um absurdo pautar o crédito de IRF a existência de DIRF, uma vez que o IRRF foi registrado e seu ônus foi suportado pelo Manifestante, conforme se verifica nos anexos registros contábeis (doc. 02). DA GLOSA DOS ITENS 6 E 7 – IRRF SOBRE JCP RECEBIDO DE BANCO FININVEST S/A E UNIBANCO AIG SEGUROS S/A –R$ 506,55 e R$ 610,81 Tendo em vista que as receitas de que derivam os créditos de IRRF foram oferecidos à tributação e que a exatidão das informações na elaboração da DIRF é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, sendo que qualquer óbice ao exercício do direito creditório com essa premissa é violação ao art. 9º da Lei nº9249/95 e art. 165 do CTN. DO CRÉDITO DE IRRF SOBRE RENDIMENTOS RELATIVOS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS –CÓDIGOS 1078, 6188 E 8045 – R$1.210.799,24 (sic) Verificase que o único argumento utilizado pela autoridade administrativa para glosar a dedução do IRF em foco no valor de R$ 1.210.799,24, é que o Manifestante desrespeitou o princípio da competência para dedução do IRF relativo aos anoscalendário anteriores, incidente sobre rendimento de prestação de serviços (1708) e recebimentos de órgãos públicos (6188), cuja composição analítica é melhor demonstrada na anexa planilha (doc. 04). ... In casu, da análise das DIPJs referente aos anoscalendário em questão, verificase que o Manifestante não logrou utilizar o IRF, assim como respeitou o prazo de cinco anos para tanto. De forma que, toda e qualquer óbice, a bem da verdade, revela manifesto cunho de ilegalidade, visto ser direito amparado na Constituição Federal e no art. 165 do CTN. De qualquer maneira. Sobre o regime de competência, as regras fiscais que disciplinam como o fisco deve agir quando o contribuinte, em sua escrita fiscal, deixa de registrar uma despesa pelo regime de competência, quais sejam, artigo 273 do Regulamente do Imposto de Renda e normas correlatas. DO PEDIDO DE PERICIA Fl. 676DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 618 8 O manifestante requer seja baixado o presente processo em diligência para que se elabore perícia contábil, caso pairem dúvidas sobre os argumentos discorridos. DA OPOSIÇÃO QUANTO A NÃO SUSPENSÃO DO VALOR DE R$ 619.866,50 DO PEDIDO Diante do exposto, requerse: i) ante as razões de mérito levantadas, requerse o RECONHECIMENTO integral do crédito do Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário de 1998, com a conseqüente HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL das compensações atreladas; e ii) Outrossim, requer seja reconhecido o imediato CANCELAMENTO da cobrança notificada à Manifestante via cartas de cobrança nº136, 137 e 138 de 2008. É o relatório.” A DRJ, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O saldo negativo do IRPJ não comprovado não possui os atributos de liquidez e certeza exigidos pelo CTN para que possa ser objeto de compensação. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. Não trazendo aos autos documentos e alegações capazes de elidir, no todo ou em parte, a cobrança fiscal, esta fica mantido em sua integralidade. PEDIDO DE PERICIA NÃO FORMULADO Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 16, do Decreto nº70235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário correspondente a matéria que não tenha sido contestada especificamente.” Fl. 677DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 619 9 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação., sem contestar, no entanto, a nulidade do lançamento. Esta Quarta Câmara baixou o julgamento em diligência para verificar a liquidez e certeza do Crédito. Às fls. 579/580, consta pronunciamento da Fiscalização em sentido quase totalmente favorável à Recorrente. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência, mas deixando de se insurgir contra o mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Objeto da lide A contribuinte apresentou Declarações de Compensação a fim de compensar os débitos tributários discriminados na tabela de fls.295 e 350, com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002. Porém, a DIORT/DEINF/SP, por meio do Despacho Decisório de fls.350/363, apurou a existência de incorreções diversas quanto à liquidez e certeza do referido saldo negativo de IRPJ. Delimitação da Lide Já na fase impugnatória a contribuinte se conformou com parte da autuação: Eis as palavras da própria DRJ a esse respeito: Pela leitura do Despacho Decisório e das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, verificase que não houve contestação em relação a: código 5232 (Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento Imobiliário) de R$43.456,65; código 5706, item 2, CNPJ nº02.105.040/000123 – do valor de R$ 67.897,78 pleiteado pelo contribuinte em PER/DCOMP foi aceito o valor de R$54.318,23. Ressaltese que embora a contribuinte tenha indicado o valor glosado de R$13.579,55 no demonstrativo de fls. 391 não trouxe alegações especificas quanto a este item. código 8045 (Prestação de Serviços) – do valor indicado na DIPJ de 442.500,34, foi confirmado às fls. 357 o valor de R$ 429.274,85. Logo a diferença de R$ 13.225,49 não foi contestada Fl. 678DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 620 10 (embora mencionado no título às fl. 396, não trouxe alegação específica). Portanto, tais matérias estão fora da lide do saldo negativo de 2002 porquanto não contestadas já em fase impugnatória. SALDO NEGATIVO DE IRPJ GERADO NO ANOCALENDÁRIO DE 2002LIQUIDEZ E CERTEZA 1) IRRF SOBRE RECEITAS DE JCP –R$2.656.003,24 CNPJ nº50.654.920/000100 UNIPART (Cód. 5706) A DRF através do despacho de fls. 359/360 assim se pronuncia sobre a falta de comprovação dessa retenção: “item 11 – o montante pleiteado em PER/DCOMP coincide com o comprovante da fonte pagadora de fl. 120. Entretanto, este valor não foi encontrado em DIRF (fl.130). Em consulta ao sistema CNPJ, constatouse que esta fonte pagadora foi incorporada pelo interessado em 30/04/2004 (fl.341). Após solicitação de esclarecimentos, o contribuinte informou à fl.231 que este valor foi compensado pela fonte pagadora em junho de 2002. Entretanto essa declaração não foi declarada em DCTF, uma vez que não há informação sobre débitos de JCP no FISCEL, para o período em tela (fl.340). Como não há informação disponível sobre a origem do crédito de tal compensação, e considerando que o ônus da prova cabe ao próprio interessado que incorporou a fonte pagadora, não se pode incluir pela liquidez e certeza do respectivo crédito, como exige o art. 170 do CTN. Portanto, esta retenção deve ser glosada.” Ou seja, a DRF glosou por falta de provas da retenção. Não tendo sido apresentado o informe de rendimentos, buscou a retenção na DIRF sem sucesso. Tendo rechaçado por fim a alegação de compensação do IRF por parte da fonte pagadora através da verificação de inexistência dessa declaração de compensação em DCTF, bem assim em sistema correlato, (informação sobre débitos de JCP no FISCEL para o período em tela, fl. 340). A DRJ por sua vez manteve a glosa desse item, nos seguintes termos: Cumpre observar que o Doc.03, fls. 417, juntado à manifestação de inconformidade, é constituído pelo razão contábil da empresa, documento interno, que de acordo com o art. 923 do RIR/99 deverá ser acompanhado de documento hábil para que possa fazer prova a favor do contribuinte. Em fase recursal, cuida a interessa de reforçar sobremaneira a prova contábil da compensação efetuada internamente, com base na IN n.º 21, de 1997, que permitia à época compensação. Eis as suas palavras: Fl. 679DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 621 11 “Na oportunidade da manifestação de inconformidade, o Recorrente trouxe aos autos uma copia do razão contábil de julho de 2002 da fonte pagadora UNIPART (fls. 417), no qual procurou demonstrar a compensação do IRRF retido no valor de R$ 2.546.283,91, consoante consta no detalhamento do registro contábil correspondente no valor de R$ 2.912.036,32, cuja composição é a seguinte: Composição do IRRF s/TJLP UNIBANCO 2.546.283,90 ICATU 3.716,10 Total 2.550.000,00 Comp. IR S/mutuo 362.036,32 Total contabilizado – Conta 18845.10.111748.4 2.912.036,32 Convém frisar que o comportamento da fonte pagadora UNIPART não merece reparos, pois, conforme o então vigente art. 14 da IN/SRF 21/97, a compensação entre tributos da mesma espécie não dependia de qualquer formalização prévia ao Fisco, devendo ser feita diretamente por lançamento contábeis. Nesse sentido, para efeito de atendimento do requisito do art. 923 do RIR/99, o ora Recorrente translada aos autos as anexas folhas do Livro Diário da UNIPART (Doc. 01), cujo qual convalida os lançamentos contábeis antes demonstrados pelo razão contábil não aceito pela DRJSPOI, de modo que resta evidenciado que a fonte pagadora dos JCP registrou à conta de Passivo – 4.9.4.20.10.014074.0 – “IRRF Terceiros” o valor de R$ 2.912.036,32, composto de R$ 2.550.000,00 de IRRF sobre JCP e R$ 362.036,32 de IRRF sobre mútuo, consoante quadro supra. Ato contínuo, para compensação do valor retro, a fonte pagadora contabilizou a débito à conta de Passivo (4.9.4.20.10.014074.0 – “IRRF Terceiros”) e a crédito da conta de Ativo (“IRPJ a Compensar” – 1.8.8.45.10.111748.4) o IRRF em voga, cuja composição do respectivo crédito de IRPJ referia se a IRPJ de Saldo Negativo e IRRF de anos anteriores, que no momento da compensação apresentava saldo, em 31 de julho de 2002, de R$ 65.457.221,22 (doc. 01), cuja origem de parciais R$ 33.124.484,84 (em 31.01.2002), comprovase mediante a juntada das DIRF da instituição financeira ora Recorrente (doc. 02), mas que o beneficiário dos aludidos rendimentos foi a UNIPART. Do mesmo livro contábil da UNIPART (doc. 01), extraise a contabilização, em 28.06.2002, do lançamento à conta 8.1.9.55.10.016669.1 – “Juros Remuneração de Capital Fl. 680DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 622 12 próprio” – da referida despesa com o JCP pago ao Recorrente no valor de R$ 14.450.000,00. Desta feita, fica cabalmente demonstrado que a fonte pagadora houve por bem sim “recolher” o IRRF incidente sobre o JCP recebidos pelo Recorrente mediante a compensação contábil do aludido IRRF com créditos de IRPJ que compunham o ativo circulante da UNIPART na oportunidade (julho de 2002) Reiterese que tal compensação era permitida à época, pois o permissivo do artigo 14 da IN 21/97, apenas foi revogado pela positivação do art. 45 da IN 210/2002, que entrou em vigor somente em 1º de outubro de 2002. Pelo que, não se cogitando reparos ao comportamento da UNIPART, carece de ser totalmente reconhecido o crédito do IRRF incidente sobre os JCP recebidos pelo Recorrente no anocalendário de 2002, no importe de R$ 2.546.283,91.” A recorrente logra reforçar a sua prova de uma forma tal que traz até mais substância do que a simples apresentação de um Informes de Rendimentos, que é a prova de praxe aceita sem qualquer outro tipo de perquirição a respeito do efetivo recolhimento da fonte pagadora, por limitações até operacionais O caso que se cuida, por ter sido a fonte pagadora incorporada à recorrente facilitou o oferecimento de elementos probatórios fartos que me convenceram da efetiva compensação do IRRF e como tal do fim maior a que se propõe qualquer tipo de checagem para efeito de restituição do beneficiário. Patente, portanto, que se demonstra por documentos hábeis a efetiva contabilização tanto pela UNIPART quanto pela Recorrente do JCP à conta de resultado, sendo para o primeiro uma se constituindo uma despesa e para o último uma receita. Também se demonstrou a contabilização como do IRRF ora pleiteado como obrigação (passivo) da UNIPART e direito (Ativo) pela recorrrente. Finalmente, demonstrouse também a compensação do IRRF na UNIPART mediante lançamento a débito à conta de “IRPJ a compensar”, em conformidade com o art. 14 da IN 21/97. Ademais a própria autoridade fiscal reconheceu que as receitas de JCP do anocalendário de 2002 foram integralmente submetidas à tributação, in verbis: “Entretanto, a composição apresentada pelo contribuinte aponta um rendimento de JCP no valor de R$ 103 452.481,04 (fl.137) na Linha 45. Assim, pelo princípio da verdade material, considerase nesta análise que o rendimento de R$ 103.452.481,04 foi oferecido à tributação para JCP, mesmo tendo sido incluído em linha errada na DRE.” Com essas considerações estava prestes a DAR provimento ao recurso nesta parte, porém, em meio aos debates fui convencido pelo colegiado que o provimento neste momento seria ainda prematuro, pois a recorrente cometeu várias faltas que levantam naturalmente suspeitas: não trouxera o Informe de Rendimentos, não estava informado na Fl. 681DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 623 13 DIRF as referidas retenções e nem na DCTF constava a compensação mencionada feita pela fonte pagadora. Porém, também trouxera indícios fortes no sentido de demonstrar que a compensação foi efetuada pela fonte pagadora em sua própria contabilidade. Nesse sentido, este colegiado baixou o feito em diligência através da Resolução n. 1401.00035 de 20 de maio de 2010, com o seguinte teor abaixo transcrito, naquilo que é relevante: (...) Sendo assim, em nome do princípio da verdade material informador do Processo Administrativo Fiscal e também em respeito sobretudo ao dever de cautela em face da inexistência da Prova considerada mais adequada (Informe de Rendimentos, Dirf e DCTF), tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja averiguada se a compensação referida foi feita de acordo com a legislação de vigência e se havia crédito suficiente para comportála. Caso se logre êxito na tarefa acima, recalcular a parcela confirmada, refazendo todas as imputações necessária utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. Às fls. 579/580 consta relatório da DIORT, com o retorno de diligência, não trazendo nada contra a Recorrente naquilo que lhe foi solicitado, ou seja, aprofundar melhor as investigações quanto à efetiva retenção do IRF: O presente processo foi encaminhado a esta DEINF/SPO/DIORT em diligência pela Quarta Câmara, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme resolução n° 1401.00.035, de fls. 566 a 572, "para que seja averiguada se a compensação referida foi feita de acordo com a legislação de vigência e se havia crédito suficiente para comportála. Caso se logre êxito na tarefa acima, recalcular a parcela confirmada refazendo todas as imputações necessárias, utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil". Ora, a resolução do Conselho reconhece o recebimento pela recorrente de juros sobre o capital próprio no anocalendário de 2002, de sua incorporada CNPJ 50.654.920/000100, no valor de R$ 2.546.283,91 nos seguintes termos: "A recorrente logra reforçar a sua prova de uma tal forma que traz até mais substância do que a simples apresentação de um Informe de Rendimentos, que é a prova de praxe aceita sem qualquer outro tipo de perquirição a respeito do efetivo recolhimento da fonte pagadora, por limitações até operacionais". Entretanto tais juros sobre o capital próprio só podem ser aceitos até o montante de R$ 2.545.903,31 para que seja mantida a proporcionalidade dos juros sobre o capital próprio com o rendimento correspondente que foi oferecido à tributação, no valor de R$ 103.452.481,04 conforme tabela 7 de fls. 358. (R$ 103.452.481,04 x 0,15 = (R$ 2.545.903,31 + R$ 12.971.968,85)). Fl. 682DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 624 14 Considerando este novo valor de juros sob capital próprio no cálculo do Saldo Negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, obtemos um novo valor de crédito reconhecido: R$ 16.880.154,01. Atendendo ao solicitado pelo Conselho efetuamos uma revisão dos cálculos de fls. 347 a 349 com o novo valor de crédito reconhecido, utilizando o Sistema de Apoio Operacional (SAPO). Apresentamos listagem completa de tal sistema nas fls.573 a 578. O seguinte débito não teve seu saldo zerado: CNPJ DEBITO PA DATA VENCIMENTO SALDO . CALCULO FL. 33.700.391/000140 7987 COFINS 08/2003 15/09/2003 2.430.612,16 578 Por todo o exposto, dou provimento parcial a este item para considerar o acréscimo no saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 2.545.903,31, conforme calculado pela Delegacia. DA GLOSA DOS ITENS 6 E 7 – IRRF SOBRE JCP RECEBIDO DE BANCO FININVEST S/A E UNIBANCO AIG SEGUROS S/A –R$ 506,55 e R$ 610,81 A recorrente nesse item parte do argumento falacioso de que oferecera à tributação as receitas de que derivam os créditos de IRRF e que a exatidão das informações na elaboração da DIRF é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, sendo que qualquer óbice ao exercício do direito creditório com essa premissa é violação ao art. 9º da Lei nº9249/95 e art. 165 do CTN. Ora, a tentativa de checar a DIRF é apenas um procedimento subsidiário favorável à recorrente no sentido da busca da verdade material. É sabido que o direito à restituição seguido ou não de compensação requer que o crédito seja líquido e certo, conforme reza o artigo 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Por óbvio que o ônus da comprovação da certeza e liquidez do suposto crédito cabe ao interessada e não à Fazenda Nacional ou aos Órgãos julgadores, pois não se trata de lançamento, mas de pedido de restituição/compensação. Como já se disse, a fiscalização envidou os esforços necessários na tentativa de aliviar a carga da prova que a princípio é da recorrente. Portanto, não pode a recorrente se valer de argumento combatendo esse procedimento que lhe é favorável a título de enfraquecer o motivo da glosa. Portanto, deveria a requerente ter instruído sua petição inicial, bem assim sua defesa com documentos que respaldassem suas afirmações, como por exemplo, comprovantes de retenções emitidos em seu nome. É consagrado na jurisprudência administrativa, em regra geral, que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser Fl. 683DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 625 15 compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa física ou jurídica, se a interessada possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Outrossim, o Informe de Rendimentos além de ser considerado a prova legal da retenção admitida pela Receita Federal do Brasil, existe obrigatoriedade de a fonte pagadora fornecer ao beneficiário (recorrente) Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, de acordo com o disposto nos artigos 942 e 943 do RIR/99: “Beneficiário Pessoa Jurídica Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86). Subseção III Disposições Comuns Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).” (destaquei) O Art. 4º IN SRF nº 142, de 09/12/99, bem assim as Instruções de Preenchimento da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do Exercício de 2000, não discrepam desse entendimento. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 626 16 Portanto, não trazendo a prova de praxe aceita (informe de rendimentos) nem se tratando de caso particular, que ensejasse o cabimento da substituição da prova de praxe por prova substancial do efetivo recolhimento da fonte pagadora, devese manter a glosa. DAS ALEGAÇÕES DA GLOSA DO ITEM 5 –IRRF SOBRE JCP RECEBIDO DE CP CIMENTOS E PARTICIPAÇÕES – R$95.022,42 Alega a Recorrente: A Recorrente logrou reconhecer a receita de JCP líquida de IRF (...) Contudo, na hipótese vertente, não procede a premissa utilizada pela DIORT/DEINF/SPO para sustentar a glosa vergastada, de que o IRRF sobre os JCP recebidos da fonte pagadora CP CIMENTOS E PARTICIPAÇÕES não foi localizada em DIRF, pelo que não poderia o respectivo IRF ser deduzido no anocalendário de 2002. Isso porque, tal assertiva é um descalabro! Visto que, a elaboração da DIRF é responsabilidade EXCLUSIVA da fonte pagadora, sendo um absurdo pautar o crédito de IRF a existência de DIRF, sendo que, reiterese tal exação foi integralmente suportada e registrada contabilmente pela recorrente, conforme se verifica nos anexos registros contábeis de fls., bem como no item 100, da ficha 43, da DIPJ/2003, cujo oferecimento da receita de JCP à tributação se revela inquestionável, pois assim já reconheceu a DIORT/DEINF/SPO (linha 45/ficha 6BDIPJ2003). Em Relação a esse item, alega assim se pronuncia o autuante: O aviso de crédito em conta de fl. 100 apresenta um valor parcial do crédito solicitado. Além disto, tal documento não é comprovante da fonte pagadora em conformidade com o exigido pela IN SRF nº119, de 2000, e este IRRF não foi localizado em DIRF e nem no FISCEL (fl. 336). Solicitado novamente a comprovar esta retenção, o contribuinte não apresentou novos documentos (fl.231). Este IRRF deve então ser desconsiderado nesta análise – pois não é possível se concluir pela liquidez e certeza do referido crédito, como exige o art. 170 do CTN. Tudo que foi dito no item anterior cabe aqui novamente ser dito. O ônus da prova é da recorrente na medida em que não apresentou o documento de praxe e definido em lei como forma de se fazer a prova (Informe de Rendimentos). A pesquisa na DIRF e no FISCEL é apenas a demonstração do empenho do fiscal de aprofundar as investigações em busca da verdade material. Mas, de forma estrita, o ônus é do contribuinte. Tendo sido intimado e reintimado a fazer a prova e não logrando êxito, não se pode acolher sua argumentação por absoluta falta de prova. DA ALEGAÇÃO DO CRÉDITO DE IRRF SOBRE RENDIMENTOS RELATIVOS À PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS –CÓDIGOS 1708, 6188, 8045 e 5232 – (R$1.210.799,24+R$625.200,64=R$ 1.835.999,85) Fl. 685DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 627 17 Cabe a princípio esclarecer que o código 5232 (Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento Imobiliário) de R$43.456,65, está fora da lide, conforme já consignado no item “Delimitação da lide” no início do voto, uma vez que não foi contestado em primeira instância, sendo, portanto, matéria preclusa. Trata o presente item de tentativa de recuperar no saldo negativo de 2002, créditos referentes a competências de anos anteriores (1996 a 2001). Vejamos as palavras da própria recorrente a esse respeito: “Ocorre que, apesar do presente crédito de IRRF não ter sido objeto de dedução nos anosbase em que os rendimentos foram creditados e tributados pela recorrente, tal fato por si só não tem o condão de obstar o exercício do direito creditório em testilha, visto que tal fora feito dentro do prazo quinquenal para tanto, ficando claro que o Recorrente não utilizou esse crédito de IRRF como antecipação do devido nos respectivos anoscalendário em que as receitas foram percebidas e tributadas. Conforme relatado, o litígio prendese ao inconformismo da recorrente em ver negada a restituição da parcela referente ao IRRF retido em anos anteriores poder constituir o saldo negativo do IRPJ do ano ora em litígio: anocalendário de 2002. A DRF, benevolentemente, deferiu em parte o pleito, negando provimento apenas em relação aquilo que não foi comprovado através de informe de rendimentos ou DIRF. A recorrente, em seu recurso, limitase singelamente a clamar pelo desprezo de formalidades ligadas a aspectos temporais, clamando pelo direito constitucional a restituição de pagamento indevido (art. 165 do CTN). Embora a princípio entenda que o Processo Administrativo Fiscal, entre outros princípios, é informado pelo princípio da informalidade, entendo que tal princípio ao longo da história evolutiva do Processo Administrativo Fiscal vem sendo mitigado, se impondo na prática principalmente em questões secundárias. Mas, de somenos importância é esse princípio para o caso que se cuida, pois não estamos diante de aspectos formais do PAF, mas aspectos materiais de suma importância da legislação de regência do IRPJ: fato gerador, princípio contábil da competência, autonomia dos exercícios, etc. O pedido de compensação é uma permissão legal pontuada por todo um regramento, ex vi art. 170 do Código Tributário Nacional que determina que “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifei) Nesse sentido, a legislação abaixo deu o tom da compensação para o caso que se cuida: RIR99: Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos mensais será (Lei nº Fl. 686DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 16327.900966/200608 Acórdão n.º 1401000.729 S1C4T1 Fl. 628 18 8.981, de 1995, art. 76, incisos I e II, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, § 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado;(grifei) Art. 837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº 94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). A legislação de regência deixa bem claro que as retenções devem ser confrontadas com o IRPJ devido em cada período de apuração, pois o fato gerador do imposto de renda pessoa jurídica é anual. Outrossim, deixa também claro a observância do regime de competência em que as retenções devem ser confrontadas no período em que os rendimentos sobre os quais houve as retenções estejam presentes. Vêse que a legislação impõe certas condições para que se dê a compensação sem as quais tornaria inexeqüível o controle das restituições e compensações. Por outro lado, não existe pedido de restituição de IRRF, mas tãosomente de saldo negativo do IRPJ, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A recorrente parece confundir esses conceitos. Portanto, nego provimento a este item. Por todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso apenas do IRRF sobre o JCP, no valor de R$2.545.903,31 (Cód. 5706), a ser corrigido pela Selic com base na legislação de vigor; bem assim homologar parcialmente as compensações de débitos no limite desse valor corrigido. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Fl. 687DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 11618.003264/2007-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2801-000.081
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Claudio Farina Ventrilho. RELATÓRIO Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 2.931,73, referente ao exercício de 2005, a título de imposto (R$ 1.422,55), acrescido da multa de ofício equivalente a 75% do valor do tributo apurado (R$ 1.066,91), além dos juros de mora (R$ 442,27). O lançamento é decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, que foi aposentado por invalidez decorrente de acidente de trabalho e que os rendimento auferidos no anocalendário de 2004, junto a SAELPA S/A, CNPJ 09.095.183/000140, no valor de R$ 14.296,64, são Fl. 79DF CARF MF Impresso em 21/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11618.003264/200768 Resolução n.º 2801000.081 S2TE01 Fl. 75 2 isentos, porquanto provenientes da pensão vitalícia arbitrada a titulo de indenização por danos materiais decorrente de acidente de trabalho, conforme sentença judicial prolatada nos autos da ação de trabalho em anexo. A 1ª Turma da DRJ/REC/PE julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 54/59, que restou assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS BASE EM DIRF. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente são isentos de tributação apenas os rendimentos relativos à aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. RETIFICAÇÃO APÓS O INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A retificação não será aceita quando for apresentada durante o procedimento fiscal, visto que excluída a espontaneidade do sujeito passivo. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 11/05/2010 (fl. 62), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 67/70, em 10/06/2010. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. VOTO Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o processo de lançamento de imposto de renda de pessoa física decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte da fonte pagadora Sociedade Anôninia Eletrificação Paraiba SAELPA S/A – CNPJ 09.095.183/000140, no valor de R$ 14.296,64. O recorrente sustenta que tais rendimentos são isentos, porquanto provenientes da pensão vitalícia arbitrada a titulo de indenização por danos materiais decorrente de acidente de trabalho, conforme sentença judicial em anexo, haja vista que ele foi aposentado por invalidez decorrente de acidente de trabalho. Consta dos autos, à fl. 14, a Declaração do Instituto Nacional do Seguro Social que atesta que o contribuinte é titular do Aposentadoria por Invalidez Acidentária, E/NB 92/109.603.3914 desde 01/12/1999. Às fls. 17/27, foi juntada cópia da Sentença prolatata nos Autos nº 20020000263042, que cuida de ação de indenização por perdas e danos materiais c/c reparação de danos morais ajuizada pelo contribuinte contra SAELPA Sociedade Anônima de Fl. 80DF CARF MF Impresso em 21/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11618.003264/200768 Resolução n.º 2801000.081 S2TE01 Fl. 76 3 Eletrificação da Paraíba, tendo em vista que, no dia 12/05/99, ele foi vítima de acidente de trabalho, ocorrido nas dependências de uma das subestações de energia elétrica da ré, consistente em descarga elétrica de 13,8 KV, que lhe deixou como sequela, queimaduras e cicatrizes em quase 50% do corpo, bem como a amputação no 1/3 superior do braço e do dedo mínimo do pé esquerdo, além de trombose venosa profunda do membro inferior esquerdo. A conclusão da referida decisão segue transcrita: “Pelo exposto e por tudo mais que consta dos autos, JULGO PROCEDENTE o pedido exordial, condenando a Saelpa —Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraiba ao pagamento: 1. Pelos danos materiais, a pensão acima especificada, além das despesas médicohospitalares, todas as cirurgias reparadoras e prótese para substituição do membro superior direito; 2. Pelos danos morais, a quantia de R$ 150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais), observandose que "a satisfação de um dano moral deve ser paga de uma só vez, de imediato" (STJ – lª T. REsp. Rel. Astor Rocha j. 20.03.95 RSTJ 76/257), ao autor Isaías Pessoa de Araújo, devidamente atualizada à época da execução.” Eu entendo que os rendimentos em questão, se pagos em cumprimento à citada decisão judicial, são isentos, consoante o disposto no artigo 39, inciso XVII do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XVII a indenização por acidente de trabalho (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso IV); Ocorre que tal informação não consta dos autos, razão pela qual é necessário converter o presente julgamento em diligência, para que a fonte pagadora Sociedade Anôninia Eletrificação Paraiba SAELPA S/A – CNPJ 09.095.183/000140, seja intimada a informar: • Se o contribuinte Isaías Pessoa de Araújo era funcionário da empresa, no anocalendário de 2004; • Qual a natureza dos rendimentos que lhe foram pagos neste período, considerando o montante de rendimentos trivutáveis informados na DIRF (R$ 14.296,64); • Se, no anocalendário de 2004, foram pagos ao contribuinte rendimentos de pensão em cumprimento de decisão judicial constante dos Autos nº 20020000263042 do Tribunal da Justiça do Estado do Paraíba. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 09/12/201 1 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por TANIA MARA PASCHOA LIN
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915456/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.
DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
Numero da decisão: 3401-002.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso quanto à matéria não arguida na primeira instância, e na parte conhecida negar provimento, nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
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LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III Recorrente BOMBARDELLI COMPONENTES LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRERS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso quanto à matéria não arguida na primeira instância, e na parte conhecida negar provimento, nos termos do voto do Relator. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 54 56 /2 00 9- 09 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, que mantendo despacho decisório eletrônico da origem julgou improcedente Manifestação de Inconformidade relativa à Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito alegado é da Cofins. O direito creditório não foi reconhecido na origem em razão de o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior constar como integralmente aproveitado para quitação do respectivo débito. Na Manifestação de Inconformidade a empresa alega que o indébito tem origem em recolhimento indevido, por terem sido computados na base de cálculo da Contribuição valores repassados a terceiros. Afirma que deixou de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, especialmente aquela prevista no inciso III do referido parágrafo, arguindo que a inexistência de norma regulamentadora não pode restringir as deduções. Transcreve decisões judiciais favoráveis às exclusões apontadas, citando o art. 66 da Lei 8.383, de 1991, e defendendo o direito à compensação. A DRJ manteve o indeferimento, levando em conta, primeiro, que a restituição ou compensação tributária está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do indébito, o que não ocorreu neste processo, e segundo, que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP nº 1.991, de 2000. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, introduzindo alegação nova ausente da Manifestação de Inconformidade ao afirmar que o indébito decorre de recolhimento indevido a título de PIS, apurado com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega se tratar de indébito com origem em recolhimento indevido a título de PIS, cuja apuração teria se dado com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988. Ao defender, apenas na peça recursal, que o pagamento indevido teria tal origem, a contribuinte introduz matéria que não deve ser conhecida nesta segunda instância. Por ter sido abordada apenas em sede recursal, resta impossibilidade o seu conhecimento em face da preclusão. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11020.915456/200909 Acórdão n.º 3401002.154 S3C4T1 Fl. 55 3 Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:1 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que o contribuinte teve para tratar, já que na Manifestação de Inconformidade alegou origem diversa para o indébito – teria deixado de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. Caso não incorresse em preclusão e tivesse repetido na peça recursal a alegação escorada no citado inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de todo modo não assistiria razão à Recorrente, como já decidiram o órgão de origem e a DRJ. É que o referido inciso foi revogado pelo art. 47, IV, "b", da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, antes de ter sido regulamentado. O poder atribuído ao Executivo para regulamentar o inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nada tem de ilegal ou inconstitucional. Neste sentido já assentou o STJ, inclusive, como se observa no julgado abaixo: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEI N.º 9.718/98, ARTIGO 3º, § 2º, INCISO III. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 97, IV, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESPROVIMENTO. 1. Se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000. Não comete violação ao artigo 97, IV, do Código 1 MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 2. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 3. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp n° 445.452 RS (2002∕00836607) DJ de 10/03/2003, Relator Min. José Delgado). A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente – até ter sido revogado pelo art. 47, IV, "b", da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001 , em virtude da ausência de regulamentação. Vem, a interpretação do STJ, ao encontro do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 56, de 20/07/2000, segundo o qual a norma veiculada pelo III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é ineficaz, para fins de eventual exclusão de valores que, computados como receita bruta, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Por fim, ressalto que em pedido de restituição ou ressarcimento o ônus de provar a existência do indébito é do sujeito passivo. Sendo assim, a alegação genérica de pagamento indevido ou a maior precisava ser esclarecida. Cabia à Recorrente evidenciar com precisão e de modo não contraditório a origem do indébito, para que esse pudesse ser reconhecido e a compensação homologada. Tendo acontecido o contrário, a compensação não deve ser homologada. Pelo exposto, em face da preclusão não conheço da alegação de que o indébito teria tido origem em recolhimentos indevidos do PIS, e na parte conhecida nego provimento ao Recurso Voluntário. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000079/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
ÁGIO INTERNO. EFETIVO DISPÊNDIO E FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESCARACTERIZAÇÃO.
Verificado que as negociações de reorganização societária ocorreram com empresas de diferentes grupos econômicos e que houve o efetivo desembolso financeiro na operação de aquisição da empresa incorporada, é de se afastar os fundamentos utilizados pelo agente fiscal quanto à falta de propósito negocial e do efetivo dispêndio de recursos nas operações de aquisição/reestruturação societária.
ÁGIO. SURGIMENTO. TRANSFERÊNCIA. AMORTIZAÇÃO.
O ágio nasce quando uma empresa adquire participação relevante em outra sociedade e somente se transfere por incorporação reversa, cisão ou fusão (art. 386 do RIR/99).
A transferência de quotas na integralização de capital não implica em transferência do ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de um novo ágio na adquirente.
O ágio gerado no aumento de capital da fiscalizada mediante conferência de quotas da investida, com atendimento dos requisitos do art. 385 do RIR/99, é um ágio novo e pode ser amortizado a partir da incorporação dessa última, nos termos do art. 386 do RIR/99.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
A ausência de elementos que demonstrem o evidente intuito de fraude, a partir de uma conduta dolosa, ensejam a desqualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1202-000.884
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. EFETIVO DISPÊNDIO E FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Verificado que as negociações de reorganização societária ocorreram com empresas de diferentes grupos econômicos e que houve o efetivo desembolso financeiro na operação de aquisição da empresa incorporada, é de se afastar os fundamentos utilizados pelo agente fiscal quanto à falta de propósito negocial e do efetivo dispêndio de recursos nas operações de aquisição/reestruturação societária. ÁGIO. SURGIMENTO. TRANSFERÊNCIA. AMORTIZAÇÃO. O ágio nasce quando uma empresa adquire participação relevante em outra sociedade e somente se transfere por incorporação reversa, cisão ou fusão (art. 386 do RIR/99). A transferência de quotas na integralização de capital não implica em transferência do ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de um novo ágio na adquirente. O ágio gerado no aumento de capital da fiscalizada mediante conferência de quotas da investida, com atendimento dos requisitos do art. 385 do RIR/99, é um ágio novo e pode ser amortizado a partir da incorporação dessa última, nos termos do art. 386 do RIR/99. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. A ausência de elementos que demonstrem o evidente intuito de fraude, a partir de uma conduta dolosa, ensejam a desqualificação da multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner.
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Recorrentes JOHNSON CONTROLS DO BRASIL AUTOMOTIVE LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 ÁGIO INTERNO. EFETIVO DISPÊNDIO E FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. DESCARACTERIZAÇÃO. Verificado que as negociações de reorganização societária ocorreram com empresas de diferentes grupos econômicos e que houve o efetivo desembolso financeiro na operação de aquisição da empresa incorporada, é de se afastar os fundamentos utilizados pelo agente fiscal quanto à falta de propósito negocial e do efetivo dispêndio de recursos nas operações de aquisição/reestruturação societária. ÁGIO. SURGIMENTO. TRANSFERÊNCIA. AMORTIZAÇÃO. O ágio nasce quando uma empresa adquire participação relevante em outra sociedade e somente se transfere por incorporação reversa, cisão ou fusão (art. 386 do RIR/99). A transferência de quotas na integralização de capital não implica em transferência do ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de um novo ágio na adquirente. O ágio gerado no aumento de capital da fiscalizada mediante conferência de quotas da investida, com atendimento dos requisitos do art. 385 do RIR/99, é um ágio novo e pode ser amortizado a partir da incorporação dessa última, nos termos do art. 386 do RIR/99. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. A ausência de elementos que demonstrem o evidente intuito de fraude, a partir de uma conduta dolosa, ensejam a desqualificação da multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 79 /2 00 9- 90 Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.748 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.749 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário, este interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que deferiu parcialmente a impugnação contra o lançamento de IRPJ e CSLL referente aos anoscalendário de 2004 a 2007, decorrente de glosa do encargo de amortização de ágio, com acusação de ter sido gerado internamente ao grupo econômico da Johnson Controls, acrescido de multa qualificada de 150%, em razão de detecção de procedimento fraudulento, enquadrado no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Foram lançados: I Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 667 a 670), no total de R$ 15.534.152,32, com multa de 150% e juros de mora, calculados até 30/11/2009, com fundamento legal no art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995, arts. 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324 §§ 1º, 2º e 4º, 325, 385, 386, do RIR/99; e II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 676 a 679), no total de R$ 5.039.162,27, com multa de 150% e juros de mora, calculados até 30/11/2009, com fundamento legal no art.2º, e §§, da Lei nº 7.689/88, art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; e art. 37 da Lei nº 10.637/2002. Os fundamentos fáticos da autuação, consoante o Termo de Verificação Fiscal (fls. 712/725), em suma, foram: (i) a fiscalizada (JCBA) reconheceu, no balanço do ano de 2002, um investimento permanente de R$ 4.249.936,98 em coligadas/controladas (fls. 216) e no balanço de 2003, esse investimento aumentou para R$ 38.090.019,30 (fls. 217); (ii) o aumento foi provocado pela transferência, para a JCBA (fiscalizada), do total das quotas que a empresa Hoover Universal INC (HOOVER), sua controladora, possuía da empresa JCAE do Brasil (JCAE); (iii) a transferência ocorreu com um ágio de R$ 75.759.917,68 (fls. 217), cuja contrapartida foi o aumento de capital de R$ 109.600.000,00; (iv) não houve qualquer desembolso (saída de caixa) da JCBA (fiscalizada) (ou de qualquer outra empresa do grupo) para aquisição do ágio. O lançamento contábil (fl. 51) na JCBA (fiscalizada) do recebimento das quotas da HOOVER foi a débito de investimento (R$ 33.840.082,32) e ágio (R$ 75.759.917,68) e a crédito de capital subscrito (R$ 109.600.000,00); (v) as empresas envolvidas JCBA (fiscalizada), HOOVER e JCAE pertencem ao mesmo grupo econômico (fls. 33 a 50); (vi) em 18/10/2002, o capital da empresa JCAE do Brasil era dividido entre os sócios Johnson Controls Automotive Eletronics (46.974.358 quotas), Johnson Controls Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.750 4 Holding (8.311.168 quotas) e Nicolas Donjon (1 quota), com quotas ao valor nominal de R$ 1,00; (vii) em 10/12/2003, a Johnson Controls Holding cedeu sua participação na JCAE para a HOOVER (fls.57/68); (viii) em 17/12/2003, a Johnson Controls Automotive Eletronics e o Sr. Nicolas Donjon também cederam sua participação na JCAE para a HOOVER (fls.69/71); (ix) no mesmo dia a HOOVER cedeu e transferiu para a JCBA (fiscalizada), todas as quotas que detinha na JCAE, as quais foram incorporadas ao capital social da JCBA (fiscalizada) por R$ 109.600.000,00, ou seja, com um ágio de R$ 75.759.917,68 (fls.72/74); (x) o laudo da avaliação (fls. 85 a 144), que serviu de base para a avaliação das quotas da JCAE do Brasil Ltda, empregou a metodologia do fluxo de caixa futuro descontado. O valor de mercado, atribuído pela empresa avaliadora foi de R$ 109.600.000,00, baseado na posição da JCAE em 30/11/2003; (xi) em 31/08/2004, a JCBA (fiscalizada) incorporou a sua controlada JCAE e começou a amortizar o ágio de R$ 75.759.917,68, a razão de 1/60 por mês, a partir de setembro de 2004. A autoridade fiscal glosou o ágio criado pela operação e exigiu multa qualificada de 150%, a teor do art. 72 da Lei nº 4.502/64, considerando ter havido fraude no procedimento da fiscalizada. Na impugnação, a autuada apresentou as razões de inconformidade , alegando que a autuação é improcedente, pois a operação completa, da qual o auditor fiscal relatou apenas parte, envolveu a aquisição de controle de empresas que pertenciam ao grupo Sagem, que não tem qualquer vinculação com o grupo econômico da fiscalizada. Descreveu, em suma, as transações realizadas: (1) O grupo JCI adquire, por intermédio da JCH SAS, braço francês do grupo, a totalidade das ações da SAGEM SAS, situada na França, mediante pagamento de Є525.000.000,00, e que, por sua vez, controlava a SAGEM (EUA) e a SAGEM (BR). Após a venda os nomes das empresas foram alteradas para JCAE SAS, JCAE Inc e JCAE do Brasil, respectivamente; (2) A empresa JCHC e a empresa HOOVER , ambas controladas pela JCI, adquirem a totalidade das quotas da JCAE do Brasil por U$ 37.202.650,00, sendo que a empresa JCHC pagou US$ 31.611.092,00 e a HOOVER US$ 5.591.558,00. (3) Redução do capital da JCHC, no valor de US$ 31.611.092,00, mediante a transferência das quotas da JCAE do Brasil para a JCI, sua controladora. (4) Aumento do capital da HOOVER em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização pela JCI das quotas da JCAE do Brasil. (5) Aumento do capital da fiscalizada, JCBA (fiscalizada) em R$ 109.375.791,00 mediante subscrição e integralização das quotas da JCAE do Brasil, feita pela sua controladora HOOVER, representando esse valor a mera conversão do valor em dólares (US$ 31.611.092,00) para a moeda nacional, à taxa de câmbio da época (R$ 2,94). Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.751 5 (6) A JCBA (fiscalizada) incorpora a JCAE do Brasil, mediante avaliação de seu acervo liquido, incorporado a valores contábeis e, a partir daí a fiscalizada começou a amortizar o ágio relativo à expectativa de resultados futuros da JCAE do Brasil, à razão máxima de 1/60, considerando a despesa correspondente dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Contestou a alegação que o ágio teria sido gerado apenas quando da conferência das quotas da JCAE do Brasil ao capital da JCBA (fiscalizada), pois a operação inicial foi feita entre partes independentes e que no valor total pago pelo grupo JCI (Є 525.000.000,00) estaria o valor de Є42.192.265,00 que corresponderia ao valor de US$ 37.202.780,00, valor este equivalente ao valor do custo que a HOOVER incorrera para adquirir as quotas da JCAE do Brasil (R$ 109.375.791,00). Alegou que não é o valor das quotas que determina o custo de aquisição e que a partir da aquisição da empresa SAGEM SAS e suas subsidiárias, pelo grupo JCI, o valor das quotas da SAGEN BR passa a não ter qualquer relação com o custo de aquisição que passa a ser o valor pago pela JCI. Discorreu sobre a inexistência de lesão ao Fisco para alegar que independentemente da forma pela qual a operação fosse feita o resultado alcançado teria sido o mesmo, com a geração de ágio no valor de R$ 75.759.917,68, sendo o efeito o mesmo para o Fisco. Alegou que não podem ser aplicados aos fatos os atos emitidos pela CVM mencionados no Termo de Verificação Fiscal, uma vez que os atos normativos não se aplicariam a fiscalizada pelo fato de ela não ser constituída na forma de sociedade anônima de capital aberto e sim na forma de sociedade limitada e, além disso, os atos somente foram emitidos em 2007 e 2008 e os fatos fiscalizados ocorreram em anos anteriores. Contestou a alegação de que o ágio apurado pela fiscalizada não é passível de contabilização, devido à ausência de custo histórico, argumentando que a operação foi feita entre partes não relacionadas e houve desembolso financeiro, afirmando ainda que não é correta a alegação que por não ter ausência de saída de caixa quando da aquisição de um ativo, o seu custo de aquisição seria inexistente. Discorreu sobre a não obrigatoriedade haver saída de caixa para que o custo de aquisição possa ser reconhecido, citando resoluções do CFC que embasariam sua tese, argumentando que vários negócios, tais como incorporações, permutas, contribuições ao capital, aquisição de investimentos via transferência por sucessão universal, etc não envolvem saída de caixa, o que não prejudica o fato de que houve efetiva transferência de titularidade da participação societária, citando ainda Instrução CVM nº 247/1997, doutrina e acórdãos do Conselho de Contribuintes. Alegou que é improcedente a afirmação que o valor de amortização de ágio não pode ser considerado como despesa incorrida, repetindo a argumentação que o ágio não foi gerado entre empresas relacionadas e que cumpriu todos os requisitos para que fosse reconhecido contabilmente. Alegou que a metodologia de ágio guarda relação direta com observância do regime de competência que seria de adoção obrigatória na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, discorreu sobre o regime de competência e ainda afirmou que o art. 386 do Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.752 6 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) não faz qualquer restrição a respeito da forma que a empresa foi adquirida, ao dispor das regras para amortização de ágio. Alegou que em nenhum momento a autoridade fiscal questionou o laudo de avaliação que fundamentou o ágio relativo à expectativa de rentabilidade futura da JCAE do Brasil. Discorreu longamente contra a imposição da multa qualificada, citando tributaristas, exposição de motivos na edição de medida provisória, acórdãos do Conselho de Contribuintes para concluir que não houve fraude, dolo ou simulação nas operações efetuadas. Requereu a improcedência total dos autos de infração ou, ao menos, que fosse afastada a multa qualificada de 150%. O acórdão nº 1624.709, da 5ª Turma da DRJ/SPOI, teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/12/2005, 31/12/2006, 31/12/2007 INCORPORAÇÕES DE SOCIEDADES. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de compra ou incorporação entre sociedades do mesmo grupo econômico, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este título, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária. MULTA QUALIFICADA. CRITÉRIOS Se não é evidente a ocorrência de dolo, fraude ou simulação que justificasse a aplicação da multa qualificada de 150% sobre o lançamento efetuado, exonerase o acréscimo correspondente, mantendose a multa de oficio de 75%. Em razão do montante exonerado, a DRJ recorreu de ofício ao CARF. Cientificado em 20/05/2010 (fl.1527), o contribuinte, inconformado, interpôs recurso voluntário ao Carf, em 21/06/2010 (fls.1528/1597), contestando a decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação, em suma, pelos seguintes motivos preliminares: (i) o principal argumento utilizado pelo órgão julgador de primeira instância para manter a glosa da dedução da despesa de amortização do ágio relativo ao investimento realizado na empresa JCAE BR foi a suposta ausência de dispêndio financeiro na referida operação; (ii) o julgador se baseou em série de equívocos, como, por exemplo: (i) confundiu o custo de aquisição das quotas da JCAE BR com o valor nominal destas quotas; e (ii) manteve o entendimento equivocado da autoridade autuante de que a operação em questão Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.753 7 se deu entre partes relacionadas, e que, portanto, o ágio relativo ao investimento realizado na JCAE BR teria sido gerado internamente; (iii) a decisão recorrida confundiu diversos conceitos, bem como parte de um entendimento completamente distorcido dos fatos; (iv) em relação à multa qualificada de 150%, a decisão recorrida determinou, com acerto, o seu afastamento, em virtude do fato de não ter havido dolo, fraude ou simulação por parte da Recorrente. A seguir, relembra os fatos descritos na Impugnação (parágrafos 15 a 42), sintetizando a sequência das operações: Passo 1 — Grupo JCI, por intermédio da JCH SAS, adquire a totalidade das ações da SAGEM SAS, mediante pagamento de US$ 525.000.000,00 Passo 2— Aquisição, pela JCHC e pela HOOVER, da totalidade das quotas da JCAE BR (antiga SAGEM BR), por US$ 31.611.092,00 e US$ 5.591.558,00, respectivamente, totalizando US$ 37.202.650,00 Passo 3— Redução do capital da JCHC, no valor de US$ 31.611.092,00, mediante transferência das quotas da JCAE BR para a JCI Inc. Passo 4— Aumento do capital da HOOVER em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização, pela JCI Inc., das quotas da JCAE BR de sua titularidade Passo 5— Aumento do capital da JCBA (fiscalizada) em R$ 109.375.791,00 (correspondentes a US$ 37.202.650,00), mediante subscrição e integralização, pela HOOVER, das quotas da JCAE BR de sua titularidade Passo 6— Incorporação da JCAE BR pela JCBA (fiscalizada) Critica a conclusão do julgador de que seria possível realizar a agregação das duas entidades jurídicas de imediato, pelos seguintes motivos, entre outros: (i) as diferenças culturais entre as gestões de dois grupos econômicos totalmente distintos (SAGEM e JCI); (ii) o fato de a operação de aquisição em si só ter sido concretizada no ano seguinte à assinatura do primeiro contrato entre as partes, quando da formalização, em fevereiro de 2002, do Termo de Acordo (doc. 06 da Impugnação); e (iii) o fato de que todos os sistemas operacionais e administrativos de ambas as empresas (tais como de venda, de faturamento, de controle de estoques, de compras, de recursos humanos etc.) eram diferentes, e independentes, havendo a necessidade de integrálos em momento anterior à efetiva absorção de uma sociedade por outra. Apresenta as seguintes razões para a reforma parcial da decisão recorrida: (i) das inconsistências fáticas: a autoridade autuante não considerou a sequência de operações de transferência das quotas da empresa JCAE BR para glosar o ágio apurado, mas apenas considerou os dois últimos passos implementados (passo 5 e passo 6); em 18 de fevereiro de 2002, o capital social da JCAE BR permanecia sendo R$ 23.894.162,00, e não R$ 55.285.527,00, conforme consta da decisão recorrida. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.754 8 o capital social da JCAE BR não "pulou" inexplicavelmente de R$ 23.894.162,00 para R$ 55.285.527,00, em 10 de dezembro de 2003. De fato, em 18 de setembro de 2002, houve um aumento de capital que elevou o capital social da JCAE BR em R$ 31.391.365,00. Foram completamente omitidas na decisão recorrida, que: (i) houve uma operação efetiva de compra e venda; (ii) que houve efetivo pagamento em recursos financeiros; e (iii) que o valor total pago foi de US$ 37.202.650,00 (parágrafos 22 e 27 da Impugnação); não especifica suposta "discrepância de valores e datas entre os contratos firmados no Brasil e os contratos traduzidos do original inglês". não faz qualquer sentido a comparação de fatos e valores que se tenta demonstrar, já que os R$ 46.974.358,00 correspondem ao valor nominal das 46.974.358 quotas e os US$ 31.611.092,00 referemse ao valor efetivamente pago pela JCHC pelas 46.974.358 quotas da empresa JCAE BR, ou seja, representa o custo de aquisição dessas quotas para os seus titulares, não sendo o valor nominal das quotas que determina o valor do seu custo de aquisição; omitiu o fato de que o ágio originouse de operação entre empresas de grupos distintos, em diversas etapas; houve, sim, saída de caixa na operação, mas não é necessário que haja dispêndio de recursos financeiros para que seja apurado ágio em aquisições de participações societárias ou qualquer ato ou negócio que resulte na transferência da titularidade de uma participação societária; as 55.285.526 quotas da JCAE BR foram, em todas as etapas da operação (desde a aquisição das empresas do Grupo SAGEM até a conferência de tais quotas ao capital da JCBA), transferidas pelo valor total de US$ 37.202.650,00, jamais pelo valor nominal total de R$ 55.285.527,00, ou R$ 1,00 por quota (que, convertido para dólares pela taxa média de R$ 2,90, por exemplo, corresponderia a US$ 19.063.974,82, ou US$ 0,34 por quota). (i) uma operação de aquisição de participações societárias realizadas entre empresas não relacionadas entre si, na qual houve pagamento de ágio decorrente da expectativa do retorno financeiro que esse novo investimento geraria; e, em seguida (ii) a unificação das sociedades adquiridas (entre elas, a SAGEM BR, posteriormente, JCAE BR) com as entidades já existentes que desenvolviam atividade semelhante (no caso, a JCBA (fiscalizada), e o não reconhecimento do ágio no investimento na JCAE BR traria implicações adversas às demonstrações contábeis da Recorrente submetida ao regime contábil da "competência". Aponta as seguintes inconsistências decorrentes das considerações abstratas contidas na decisão recorrida: o julgador ao "raciocinar abstratamente" sobre a real motivação dos atos e negócios ora examinados, em alguns pontos não observa os fatos concretamente ocorridos; a recorrente sempre afirmou que não houve prática elisiva alguma, que os negócios não foram feitos com a intenção de pagar menos imposto; a decisão recorrida desvia o foco da questão, indevidamente, para discussões teóricas sobre "planejamento" e "elisão", mas a Administração Tributária não pode desconsiderar os fatos, desde que observados os procedimentos mencionados no parágrafo único do artigo 116 do CTN; Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.755 9 decisão insiste, indevidamente, que a operação em questão se deu entre partes relacionadas; não aponta o real entendimento da finalidade da Instrução CVM nº 349/2001, já que esta apenas se aplica a (i) incorporação reversa; e (ii) que envolva a incorporação de empresa veículo; julgador verificou abuso de direito em razão da (i) a inexistência de causas reais que justificasse a operação; bem como (ii) a operação envolvendo a Recorrente não teria observado o ordenamento jurídico, porque foi feita com a finalidade predominante de pagar menos imposto. Cita ainda o Pronunciamento Técnico CPC 15 para sustentar que nas operações em que há "combinação de negócios", como no caso, entre outros, de aquisição de participações societárias mediante compra e venda, incorporações e conferência de quotas ou ações ao capital de outra entidade, o ágio gerado na operação deve ser registrado pela entidade que obtém o controle do negócio ou negócios obtidos por meio da operação, sendo que, no caso, a real "adquirente contábil" das quotas da SAGEM BR (posteriormente JCAE BR) é a JCBA (fiscalizada), e que tal escolha não se deu em virtude da busca dos efeitos tributários decorrentes da amortização do ágio gerado. Afirma que, independentemente da forma pela qual a operação fosse implementada, o resultado alcançado teria sido o mesmo: haveria a apuração de ágio no investimento na JCAE BR, passível de amortização e dedução na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Aduz que, ao embasar seu entendimento no artigo 187 do Código Civil de 2002, a autoridade julgadora pretende imputar à Recorrente a prática de um ilícito civil. Ao afirmar que a autoridade fiscal, em sua essência, desconsiderou negócio praticado pela Recorrente sem propósito negocial, a própria decisão recorrida demonstra com toda a clareza a aplicação do parágrafo único do artigo 116 do CTN ao presente caso, pois tal regra destinouse a coibir, justamente, os atos ou negócios praticados pelo contribuinte com a intenção de economizar tributo mediante abuso de forma ou falta de propósito negocial. Assim, conclui pela ilegalidade do lançamento fiscal. Ao final, pede que a decisão de primeira instância seja julgada parcialmente improcedente, mantendose apenas a redução da multa qualificada. Em contrarrazões, a PGFN defende a validade integral do lançamento, inclusive da multa qualificada, pelos fundamentos sintetizados abaixo. Sustenta a indedutibilidade do ágio criado pelo contribuinte, apontando que a criação de um ágio fictício, simulado, que não apresenta qualquer propósito negocial e substrato econômico a justificar a sua existência real, não permite a dedução da despesa com sua amortização nos termos previstos pela legislação tributária nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (arts. 385 e 386 do RIR/99). Alega, em seguida, que: (i) após a aquisição da empresa francesa SAGEM SAS pelo Grupo JCI em 25/07/2001, todas as operações societárias realizadas no Brasil e no exterior com as quotas da JCAE BR foram promovidas por empresas pertencentes ao Grupo JCI e que, quando da alienação das quotas da JCAE BR à JCBA (fiscalizada), a empresa norteamericana HOOVER Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.756 10 ocupou simultaneamente os dois polos do negócio firmado comprador e vendedor, cobrando o ágio de si mesma; (ii) muito antes do aumento do capital da JCBA (fiscalizada), com a totalidade das quotas da JCAE BR, com a criação do ágio, o objetivo final da reestruturação societária a ser realizada sempre foi a reunião dessas duas empresas brasileiras em uma só e que o investimento de R$ 109.600.000,00 realizado pela empresa HOOVER na JCBA (fiscalizada), teve um curtíssimo tempo de vida; (iii) o resultado líquido da engenharia societária adotada pelo grupo econômico do qual o contribuinte faz parte é igual à incorporação direta da JCBA (fiscalizada), pela JCAE BR, com exceção do direito à amortização do ágio na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSSL a serem recolhidos pela empresa resultante. Sobre a indedutibilidade do ágio fictício (ágio cobrado de si mesmo) e a ausência de propósito negocial e substrato econômico, aponta os fundamentos dos arts. 385 e 386 do RIR/99 para aduzir que o ágio ou deságio deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e um substrato econômico (transação comercial), decorrente da efetiva aquisição de um investimento oriundo de um negócio comutativo, onde as partes contratantes, interdependentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e deveres proporcionais, além de importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante. Sustenta que devem ser observados o OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, emitido pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM, e o item 50 da Orientação Técnica OCPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Sobre a ausência de propósito negocial, aponta que, por meio de uma visão global da reestruturação adotada, evidenciase que o resultado conjunto das duas operações fora a simples unificação das atividades da JCBA com as da JCAE BR, o que poderia ter sido alcançada desde o início somente com a incorporação de uma sociedade pela outra, tal como foi feito por meio da segunda operação. Nesse sentido, sustenta que: (i) o ágio decorrente da aquisição de um investimento deve ser registrado por quem o efetivamente suporta, e quem adquiriu a JCAE BR com ágio não foi a recorrente, em 18/12/2003, mas sim o Grupo JCI, em 25/07/2001, quando da aquisição da empresa francesa SAGEM SAS, não podendo ser aplicada a autorização contida no artigo 386, inciso II, do RIR/99; (ii) o propósito negocial foi eminentemente fiscal, já que, em razão da incorporação realizada, o investimento adquirido pela JCBA (fiscalizada), de sua controladora HOOVER fora integralmente cancelado, sendo, mantido, porém, o ágio pago por ele. Com isso, a previsão da rentabilidade futura da empresa que não mais existia, contudo, permaneceu registrada. Não poderia a JCBA (fiscalizada), em 2003, ao adquirir a JCAE BR pelo mesmo preço pago pelo Grupo JCI em 2001, registrar o mesmo ágio como se a JCAE BR tivesse mantido a mesma projeção de rentabilidade futura. Sobre a ausência de substrato econômico, aduz que: (i) tanto a JCBA (fiscalizada) como a JCAE BR eram controladas diretamente pela sua única sócia: a empresa norteamericana HOOVER (a qual, por sua vez, Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.757 11 fazia parte do Grupo JCI) e, em razão disso, não houve dispêndio de qualquer espécie de recurso; (ii) a partir da análise global da reorganização societária realizada, o único substrato econômico existente é aquele oriundo da amortização do ágio na conta de resultado da JCBA (fiscalizada) após a incorporação e que o ágio criado, por ser inexistente de fato, não é válido e nem eficaz para ser amortizado na conta de resultado do recorrente; (iii) assim, a despesa amortizada pelo sujeito passivo na apuração de seu lucro líquido não se enquadra em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade previstas pelos artigos 324 a 327 do RIR/99. Quanto ao RECURSO DE OFÍCIO, defende a qualificação da multa de ofício em razão da simulação cometida pelo contribuinte, sustentando, em suma, que: (i) existe contradição no acórdão prolatado pela DRJSão Paulo I/SP, pois, em um primeiro momento, reconhece que o ágio registrado pelo contribuinte fora criado de forma simulada, ou seja, sem qualquer propósito negocial e substrato econômico, e em seguida, ao tratar da qualificação da multa, diz que as operações que o sujeito passivo declarou realmente ocorreram; (ii) a despesa amortizada pelo contribuinte autuado fora criada de forma simulada, por meio de um evidente intuito doloso de fraudar o Fisco, razão pela qual a qualificação da multa deve ser mantida; (iii) a própria confissão do contribuinte de que o ágio foi criado para transferir para si um investimento com ágio realizado anteriormente pelo Grupo JCI e de que não houve qualquer dispêndio financeiro tornam incontestável o intuito doloso do contribuinte na criação de um ágio que nunca existiu; (iv) de fato, a ausência de propósito negocial e de substrato econômico, da mesma forma que impedem a existência material do ágio, atestam a simulação praticada pelo contribuinte; (v) existiram a) uma vontade declarada de aquisição de um investimento com ágio pela JCBA (fiscalizada) traduzido no valor de mercado da integralidade das quotas da JCAE BR calculado na previsão de rentabilidade futura da empresa; e b) uma vontade real de criação de um investimento artificial a fim de gerar um ágio que seria utilizado pela JCBA (fiscalizada) para reduzir a tributação a ser paga após a incorporação. Essa diferença entre a vontade declarada e a vontade real caracteriza a simulação praticada, nos termos do art. 167, parágrafo 1º, inciso II, do Código Civil Brasileiro, in fine; (vi) a operação realizada pelo contribuinte autuado não traduziu a aquisição de um investimento com supedâneo na previsão de rentabilidade futura da JCAE BR. Com a incorporação, esse investimento foi anulado, porém o direito à amortização do ágio mantido; (vii) a criação do ágio fictício foi iniciada com a aquisição do investimento pela JCBA (fiscalizada) e concluída com a incorporação dessa sociedade com a JCAE BR; (viii) o evidente intuito doloso do contribuinte nos ilícitos tributários cometidos pelo contribuinte resta caracterizado pelo fato de ele saber desde o início que a JCAE BR seria incorporada por ele; Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.758 12 (ix) reforçam o evidente intuito do contribuinte: a) o fato de a reorganização societária em tela ter sido planejada desde o ano de 2001, juntamente com a ajuda de consultoria especializada, b) por meio de laudo de avaliação da JCAE BR (fls. 86/144), procurou dar uma aparência de legalidade a uma operação não prevista na legislação; (x) de forma inexplicável, o contribuinte trouxe aos autos um laudo elaborado pela CF Solutions, pelo qual é apurado o valor de mercado da JCAE BR com base em sua rentabilidade futura antes da aquisição de suas quotas pela JCBA (RECORRENTE). Em nenhum momento o laudo cita o negócio realizado em 2001 entre o Grupo SAGEM e o Grupo JCI, tendo analisado aspectos intrínsecos e extrínsecos da JCAE BR, e projetado a rentabilidade de empresa no lapso de 5 anos e 1 mês após a sua elaboração; (xi) a simulação resta inequívoca uma vez que havia motivos à sua realização (criação de um benefício fiscal indevido), assim como, com a incorporação, o negócio realizado (aumento de capital decorrente de um investimento) não foi executado materialmente; (xii) a fraude, correspondente à atitude dolosa do contribuinte em reduzir o montante do imposto devido, está mais do que comprovada, sendo inegável o conluio, este é inegável uma vez que a reorganização societária envolveu todas as pessoas jurídicas que fazem/faziam parte do grupo econômico internacional JCI. Pede, ao final, que seja provido o recurso de ofício e negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.759 13 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO VOLUNTÁRIO Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso merece ser conhecido. Como relatado, o lançamento de IRPJ e CSLL, referente aos anoscalendário de 2004 a 2007, decorre de glosa do encargo de amortização de ágio. Diante dos fatos relatados e elementos juntados aos autos, cumpre perquirir sobre o direito à amortização do ágio gerado pela integralização de participações societárias e sua posterior incorporação, considerando os motivos da acusação fiscal e os argumentos da defesa. Inicialmente, porém, cabe tecer algumas considerações sobre o tema ágio. O ágio é formado na aquisição de uma participação societária por valor superior ao valor do patrimônio líquido. Na época das privatizações das empresas públicas, o legislador brasileiro criou uma norma para beneficiar as adquirentes, as quais, na maioria das vezes, adquiriam as participações societárias nas empresas privatizadas por valor superior ao do patrimônio líquido, gerando um ágio, seguido de uma operação de incorporação, fusão ou cisão. A Lei nº 9.532/97 disciplinou os efeitos fiscais do ágio posteriormente à realização das operações societárias, nos seguintes termos (art. 385 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 – RIR/99): Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.760 14 lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Do texto legal se extrai que se houver uma efetiva aquisição e o patrimônio líquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento, surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.761 15 O referido art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77 (art. 385 do RIR/99), dispõe: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Como se vê, de acordo com o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598/77, o ágio pode ter fundamento econômico nas seguintes hipóteses: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Assim, para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. No presente caso, a fiscalização detectou que as quotas da JCAE foram cedidas à fiscalizada, ora recorrente, com um ágio de R$ 75.759.917,68, em 2003 (fls. 217), cuja contrapartida foi o aumento de capital de R$ 109.600.000,00. A glosa foi efetuada por ter sido considerado que a transação se deu entre empresas do mesmo grupo econômico e que não houve efetivo dispêndio financeiro, inexistindo propósito econômico real e efetivo substrato econômico. Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.762 16 Caracterizada a operação entre partes relacionadas, temse o ágio gerado internamente, cujo reconhecimento não é admitido pela Teoria da Contabilidade. Sobre o tema, vale mencionar a posição da Comissão de Valores Mobiliários — CVM, embora destinada às sociedades de capital aberto, com a emissão do Oficio Circular/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 visando esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Gerais de Contabilidade. No texto, abaixo transcrito, são destacadas situações semelhantes ao do presente caso, em que empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio artificialmente, sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial), o que é rechaçado pelo órgão administrativo: OFICIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas Prezados Senhores, Os OficiosCirculares emitidos pela área técnica da CVM tem como objetivo principal divulgar os problemas centrais e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse oficiocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas as normas internacionais emitidas pelo IASB. A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACON, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), Jose Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szus ter (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, recentemente instalado. [...] 20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.763 17 Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o prep (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando hit o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (destaquei) Ainda nesse sentido, registrese o item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis: [...] só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Logo, a necessidade de uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio deve ser considerada no exame das operações de reorganização societária, para fins de incidência tributária, já que tais operações podem ser utilizadas como instrumento de Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.764 18 planejamento tributário, desde que demonstrem os fundamentos econômicos da operação (benefícios operacionais), o que não ocorre quando se adquire de partes interligadas. Sobre o fato das empresas HOOVER, JCAE e a recorrente pertencerem ao mesmo grupo econômico não existe dúvida, como demonstram os organogramas (fls. 33 a 50), apresentados pela recorrente. O que a recorrente sustenta, em seu recurso, é que a operação que deu origem ao ágio posteriormente deduzido foi realizada com o grupo francês SAGEM, não se enquadrando como operação entre partes relacionadas. Em outros termos, a recorrente sustenta que a fiscalização se concentrou, indevidamente, apenas em parte da operação, a qual teria se iniciado com a aquisição de controle de empresas que pertenciam ao grupo SAGEM, que não tem qualquer vinculação com o grupo econômico da recorrente. Segundo ela, cronologicamente, ocorreram as seguintes operações: Passo 1 — Grupo JCI, por intermédio da JCH SAS, adquire a totalidade das ações da SAGEM SAS, mediante pagamento de US$ 525.000.000,00 O grupo JCI (grupo econômico da fiscalizada, cuja controladora está situada no EUA JCI) adquire, por intermédio da JCH SAS, braço francês do grupo, a totalidade das ações da SAGEM SAS mediante pagamento de Є525.000.000,00., situada na França, e que, por sua vez, controlava a SAGEM (EUA) e a SAGEM (BR). Após a venda os nomes das empresas foram alteradas para JCAE SAS, JCAE, Inc e JCAE do Brasil, respectivamente. Passo 2— Aquisição, pela JCHC e pela HOOVER, da totalidade das quotas da JCAE BR (antiga SAGEM BR), por US$ 31.611.092,00 e US$ 5.591.558,00, respectivamente, totalizando US$ 37.202.650,00 A empresa JCHC e a empresa HOOVER , ambas controladas pela JCI, adquirem a totalidade das quotas da JCAE do Brasil por U$ 37.202.650,00, sendo que a empresa JCHC pagou US$ 31.611.092,00 e a HOOVER US$ 5.591.558,00. Passo 3— Redução do capital da JCHC, no valor de US$ 31.611.092,00, mediante transferência das quotas da JCAE BR para a JCI Inc. Redução do capital da JCHC, no valor de US$ 31.611.092,00, mediante a transferência das quotas da JCAE do Brasil para a JCI, sua controladora. Passo 4— Aumento do capital da HOOVER em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização, pela JCI Inc., das quotas da JCAE BR de sua titularidade Aumento do capital da HOOVER em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização pela JCI das quotas da JCAE do Brasil. Passo 5— Aumento do capital da JCBA em R$ 109.375.791,00 (correspondentes a US$ 37.202.650,00), mediante subscrição e integralização, pela HOOVER, das quotas da JCAE BR de sua titularidade Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.765 19 Aumento do capital da fiscalizada, JCBA em R$ 109.375.791,00 mediante subscrição e integralização das quotas da JCAE do Brasil, feita pela sua controladora HOOVER. A contribuinte alega que foi assim que o valor de R$ 109.375.791,00 foi formado pois se trataria de mera conversão do valor em dólares (US$ 31.611.092,00) para a moeda nacional, à taxa de câmbio da época (R$ 2,94). Passo 6— Incorporação da JCAE BR pela JCBA A JCBA incorpora a JCAE do Brasil, mediante avaliação de seu acervo liquido, incorporado a valores contábeis e, a partir daí a fiscalizada começou a amortizar o ágio relativo à expectativa de resultados futuros da JCAE do Brasil, à razão máxima de 1/60, considerando a despesa correspondente dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Segundo a recorrente, o ágio cobrado no investimento realizado pela HOOVER, em 18/12/2003, decorreu do preço efetivamente pago pelas quotas da JCAE BR quando da aquisição da SAGEM SAS (controladora à época da JCAE BR) pelo Grupo JCI em 25/07/2001. Assim, a HOOVER teria transferido à recorrente, em 2003, um investimento adquirido com ágio pelo Grupo JCI em 2001, com a manutenção do referido ágio pago. Segundo ela, tal ágio deve ser registrado pela empresa que absorveu por final a participação societária então adquirida pelo grupo empresarial. Notase que, após a operação de aquisição da francesa SAGEM SAS pelo Grupo JCI, em 25/07/2001, todas as demais operações societárias realizadas no Brasil e no exterior com as quotas da JCAE BR foram promovidas por empresas pertencentes ao Grupo JCI, do qual faz parte a recorrente. Independentemente de o ágio original ter sido gerado numa operação entre partes não vinculadas, o alegado ágio foi gerado no exterior entre empresas estrangeiras. Considerandose que a legislação brasileira do imposto de renda destinase a nacionais, por falta de previsão legal, eventual ágio gerado naquela primeira transação, realizada no exterior, não poderia ser aproveitado pela recorrente, a quem teria sido transferido em momento posterior (2003), ainda que parte desse montante (US$ 37.202.650,00) estivesse relacionado à posterior aquisição da subsidiária brasileira daquele Grupo (SAGEM), como aduz a recorrente. Ademais, para se considerar a hipótese da tese da recorrente terseia que admitir a transferência de ágio a empresa que não foi responsável pelo desembolso respectivo. Ocorre que, interpretandose conjuntamente o art. 7º, inciso III, da Lei nº 9.532/97 com o art. 20, caput, do Decretolei nº 1.598/77, compreendese que, no caso de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, se o custo referente ao ágio deve ser segregado, somente quem adquiriu a participação societária com sobrepreço terá a faculdade de amortizar o ágio antes segregado. Nesse sentido decidiu o CARF no acórdão nº 130200834, de março de 2012. O ágio em análise teve por fundamento a rentabilidade futura, com lastro no laudo de avaliação apresentado pela recorrente, referente ao patrimônio da controlada. Todavia, em que pese referir sempre o Grupo SAGEM, com o qual se deu a primeira operação, o laudo Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.766 20 apresentado, embora mencione o negócio realizado em 2001 entre o Grupo SAGEM e o Grupo JCI, apenas analisa os aspectos intrínsecos e extrínsecos da JCAE BR, projetando a rentabilidade futura dessa empresa. A recorrente se insurge contra a conclusão da DRJ e da fiscalização de que o objetivo final da reestruturação societária a ser realizada sempre foi a reunião das duas empresas brasileiras (recorrente e JCAE BR) em uma só. Todavia, esse parece ter sido, de fato, o propósito da operação de reorganização societária, visto que, diante das provas dos autos, são evidentes a ausência de propósito negocial e substrato econômico para justificar o reconhecimento e aproveitamento do ágio pela recorrente. Cabe destacar que, no momento em que a recorrente adquiriu a participação societária da JCAE BR da empresa norteamericana HOOVER, esta detinha a quase totalidade das quotas da recorrente, conforme contrato social (fl.18) e também detinha a totalidade das quotas da JCAE BR. Diante disso, constatase que a HOOVER representou o papel de compradora e vendedora quando da alienação das quotas da JCAE BR à recorrente, cobrando ágio de si mesma. Evidenciase, assim, nesse momento, a ocorrência de ágio gerado internamente. O papel do laudo de avaliação não é relevante, nesse caso, pois não é o documento que gera o ágio. A rentabilidade futura deve ser passível de ser verificada no caso concreto, o que fica prejudicado quando se tratam de empresas vinculadas. Ademais, o investimento de R$ 109.600.000,00 realizado pela HOOVER na JCAE BR teve um curtíssimo tempo de vida. Nesse sentido, as operações realizadas em datas muito próximas, além de denotar ausência de propósito negocial e de substrato econômico, reforçam o vínculo entre as envolvidas no processo de reestruturação societária que deram ensejo ao ágio sob exame. O presente caso envolve ágio formado a partir de operação entre empresas do mesmo grupo, sem dispêndio de recursos e tendo como rentabilidade futura os lucros da própria empresa incorporada. Acrescentese a isso a ausência de um intervalo mínimo entre as operações e se está diante de um ágio formado sem qualquer propósito negocial e sem substrato econômico. Logo, indedutível, por ausência dos requisitos de dedutibilidade. Diante de todo o exposto, outra não pode ser a conclusão senão que a única diferença em relação ao resultado líquido obtido pela incorporação direta da Recorrente pela JCAE BR com o que o grupo econômico alcançou com esse conjunto de alterações societárias é justamente o direito à amortização do ágio na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSSL na empresa final. Assim, por lhe faltar propósito negocial e fundamentação econômica, a reestruturação entre empresas do mesmo grupo econômico, engendrada com o objetivo de reduzir a tributação, não pode ser oponível ao Fisco, como é o caso dos autos. Neste ponto, a jurisprudência do CARF é pacífica. Como fundamento subsidiário, cabe transcrever as conclusões do voto do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães quando apreciou a questão do ágio interno gerado mediante reorganização Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.767 21 societária envolvendo apenas empresas sob controle comum, no Acórdão n° 130100.058, decidido à unanimidade pela lª Turma Ordinária da 3ª Câmara da lª Seção de Julgamento do Carf, em sessão de 13 de maio de 2009, litteris: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como AGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. Como salientado pela autoridade fiscal, o ágio objeto de amortização por parte da Recorrente, na forma como foi criado, representa a sua própria expectativa de lucro, nascida em decorrência da avaliação solicitada da empresa ERNST & YOUNG. O que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. Notese que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarandoos ilegais ou ilegítimos. Apenas e tãosomente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária. Cumpre, ainda, afastar a alegação de validade do procedimento na vigência do art. 36, da Lei nº 10.637, de 2002. Até sua revogação, a partir de 1º de janeiro de 2006, o referido dispositivo previa: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.768 22 valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado;(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Notase que o ágio previsto pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, assim como pelos arts. 385 e seguintes do RIR/99, não visa refletir a reavaliação de uma participação societária por equivalência patrimonial, mas decorre da mais valia embutida no preço pago por um investimento. À vista disso, o acréscimo patrimonial correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital e o valor contábil dessa participação societária, deverá ser levado à tributação somente por ocasião da alienação, liquidação, baixa, ou conferência de capital em outra pessoa jurídica, nas condições estabelecidas no dispositivo. Em não havendo interesse em alienar, liquidar ou baixar a participação societária em jogo no caso concreto, por pertencer às mesmas pessoas, nunca haverá tributação. Nesse sentido, é precisa a fundamentação contida no voto da ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa dado no processo administrativo n° 10980.017339/200878, que, embora vencido, representa a melhor interpretação da norma: Do disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um beneficio na tributação do ganho auferido na transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.769 23 E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 290 edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: O art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio liquido, ainda que a contra partida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial não poderá diferir a tributação da contrapartida. O diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP n° 66, de 2908 2002, convertido no art. 36 da Lei n° 10.637, de 30122002, dispondo: 1...1 A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio liquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio liquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio liquido sem tributação. A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei especifica não foi revogado. Diante de todos os argumentos até aqui expostos, considerase que o aproveitamento de ágio gerado internamente para fins tributários deve ser rechaçado. Em complemento à posição aqui demonstrada, cabe, ainda, tecer algumas considerações sobre o recente julgado que se afastou da jurisprudência sedimentada nessa matéria, consubstanciado na decisão proferida no acórdão nº 110100708, de 11/04/2012, Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.770 24 aprovado por maioria de votos, no processo mencionado anteriormente, devido à sua grande repercussão. Entendese, com a devida vênia da maioria daquele colegiado, que os fundamentos apontados no voto vencedor verificamse frágeis, como se demonstrará. Sobre o tema de interesse, ficou consignado na ementa: ÁGIO INTERNO. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. Como um dos principais argumentos favoráveis à tese da possibilidade de amortização do ágio interno, foi referido o artigo “Incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade”, de autoria dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, disponível no endereço da Internet http://www.congressousp. fipecafi.org/artigos42004. Os autores desse estudo, renomados profissionais da área contábil, abordaram a modalidade de incorporação reversa que toma por base o ágio gerado internamente, analisando e concluindo que, contabilmente, referido evento, do ponto de vista estritamente técnico, não é admissível, mas, do ponto de vista tributário, haveria previsão legal para sua consecução de acordo com o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. As conclusões do referido trabalho, literalmente, foram: O surgimento do ágio em operações de combinação de negócios, realizadas dentro de um mesmo grupo societário, não tem sentido econômico. A Contabilidade, sabiamente, expurga essa informação ao considerar o grupo societário uma entidade única, quando reporta suas demonstrações consolidadas. O correto, contabilmente, é fazer o mesmo nas demonstrações individuais também. Entretanto, o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferida do Estado para o grupo via renúncia fiscal. É bem verdade que referido respaldo legal concorre, ainda que indiretamente, para o retrocesso do estágio avançado de desenvolvimento em que se encontra a Contabilidade Brasileira. A bem da verdade, pavimenta um caminho tortuoso: o fomento à indústria do ágio. Enquanto desenvolviam o assunto dentro de sua área de especialização, a contabilidade, os doutrinadores reconheceram categoricamente que o ágio gerado internamente não tem sentido econômico. De outro lado, ao adentrarem no campo tributário, concluíram que a legislação tributária, mais especificamente, o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, é que daria sentido econômico à operação de geração de ágio interno. Todavia, a interpretação dada pelos ilustres contabilistas é passível de críticas, quando analisada sob a ótica tributária. Por oportuno, transcrevese outro trecho do Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.771 25 voto vencido no acórdão nº 110100.708, em que a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa aponta a contradição presente no referido artigo: Consignou esta Relatora a contradição presente em referido artigo, que de um lado conceitua ágio como resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas, e repudia o reconhecimento de resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade, concluindo ser inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico, mas de outro infere que a Fazenda Pública admite a dedução as amortizações deste valor como sendo ágio. Dizem Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior que o artigo 36 da Lei no 10.637/2002 permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem, artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de "sociedades veiculo", que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas "casca", com finalidade meramente elisiva. Mas, como visto, o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 deixa claro que não há renda tributável nestas operações, e determina o diferimento de eventual ganho de capital contabilizado. Para manter a coerência com este entendimento, o ágio eventualmente contabilizado em razão desta mesma operação não pode ser classificado como tal, nem ter os mesmos efeitos de uma mais valia paga pela aquisição de um investimento entre partes não relacionadas. Repudiase, portanto, a afirmação contida naquele artigo, no sentido de que a Fazenda Pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL, pois nenhum ato normativo da Receita Federal admite tal dedução. A resposta dada pela Fazenda Pública a estas ocorrências está expressa em reiterada jurisprudência administrativa deste Conselho, citada pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, a qual manteve, até agora, todas as exigências formalizadas em razão da glosa do ágio gerado neste tipo operações. Na medida em que o lucro real tem por base o lucro contábil, devese aplicar aqui o entendimento doutrinário acerca do que pode ser admitido conceitualmente como ágio, até porque, o art. 110 do CTN não permite à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. E, como extensamente demonstrado neste voto, não so o artigo em destaque, como também a mais abalizada doutrina contábil, reafirmada pela Comissão de Valores Mobiliários, sempre repudiou a classificação da maisvalia gerada em operações intragrupo como ágio. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.772 26 Em síntese, como dito por esta Relatora durante a sessão de julgamento, não há o que se falar, aqui, em operações envolvendo entidades "A", "B" e "C", na medida em que o resultado final desta reorganização é a manutenção do controle de "A" sobre "B", que apenas transitoriamente passou a indireto, sob a titularidade da empresa veiculo "C". Inexiste aquisição entre "A" e "C", inexiste ágio. Assim, verificase que não há que se falar em ágio quando não existe alteração patrimonial decorrente de aquisição. Ainda no voto vencedor do referido acórdão, a artificialidade da conduta foi descrita como uma expressão genérica, a qual seria insuficiente para caracterizar a irregularidade da operação de criação de ágio, por se considerar que o tudo o que é realizado de modo intencional (pelo contribuinte) é artificial e que “o fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio” [à operação]. A afirmação de que tudo que é intencional é artificial parece se espelhar na tese do escritor inglês Thomas Browne, que, no século XVII, escreveu: “tudo é artificial, uma vez que a Natureza é a arte de Deus”. Em outras palavras, tudo o que o homem constrói, seja de ordem material ou imaterial, é artificial. Sob esse prisma, a equiparação entre conduta intencional e conduta artificial faz sentido. Ocorre que, dentro do ordenamento jurídico pátrio vigente no século XXI, intencionalidade não se confunde com artificialidade. Para fins tributários, é artificial a conduta (intencional, obviamente), mas que busca subterfúgios ou caminhos alternativos para escapar à tributação correta. Corresponde à intenção de se evadir à tributação criando mecanismos irregulares. Vejase o exemplo do art. 285 do RIR/99: Art. 285. É facultado à autoridade tributária utilizar, para efeito de arbitramento a que se refere o artigo anterior, outros métodos de determinação da receita quando constatado qualquer artifício utilizado pelo contribuinte visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento (Lei nº 8.846, de 1994, art. 8º). (destaquei) Nesse caso, como em tantos outros, o termo “artifício” utilizado pelo legislador referese a um procedimento em desacordo com o que seria esperado na situação, com vistas a obter indevida desoneração tributária. Em outras palavras, a busca pela redução da carga tributária não pode se dar “a qualquer preço”. Distinguese, contudo, conduta artificial de conduta dolosa, pois nesta se configura a presença do ilícito. Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, com o único propósito de reduzir a base tributável pelo aproveitamento de despesas de amortização do respectivo ágio. Todavia, é incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, pois, como não há transferência de controle entre as empresas, logicamente, não há aquisição de nova propriedade. A lei não permite o ágio interno, porque deve ser interpretada de modo a se evitar a conduta abusiva, tendo em conta as exigências do bem comum e a função social da empresa, prevista no art. 170 da Constituição Federal. Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.773 27 A segurança jurídica, no caso, decorre da interpretação racional e lógica do ordenamento jurídico, pautado em orientações consistentes de órgãos normativos e na jurisprudência consolidada deste órgão de julgamento. Como a Recorrente, em sua defesa, não logrou desconstituir os argumentos da autoridade fiscal, e diante da evidente caracterização de ágio formado internamente, outra não pode ser a conclusão senão pela indedutibilidade das despesas de ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidas no período fiscalizado. Assim, diante dos elementos dos autos, entendese que restou caracterizada a existência de ágio criado pela recorrente dentro do grupo econômico, indedutível para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, devendo ser mantida a autuação. RECURSO DE OFÍCIO Para fins de reexame necessário, a decisão recorrida atende aos requisitos definidos pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/72, e alterações introduzidas pela Lei nº 8.748/93 e Lei nº 9.532/97, e pela Portaria MF nº 03, de 2008, visto que o crédito tributário exonerado em razão do montante exonerado na desqualificação da multa de ofício excede a R$ 1.000.000,00. A desoneração decorreu do entendimento de que inexistiu comprovação da intenção fraudulenta na conduta da recorrente, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/64. Segundo a autoridade fiscal, houve caracterização de fraude, consoante se extrai do TVF (fl.724), literalmente: 48. Especial atenção deve ser dedicada ao que dispõe o §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, acima transcrito. Nele citado, o art. 72 da Lei n° 4.502/64 assim define fraude: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. 49. 0 procedimento adotado pela fiscalizada está compreendido na hipótese prevista na norma acima. Não cabe à companhia invocar desconhecimento ou prática de erro escusável: nem quando foi criado o ágio, nem quando ele começou a ser amortizado, nem em qualquer outro momento anterior ou posterior, o ágio interno foi aceito pela Contabilidade, pela CVM ou pelas regras tributárias. Vale relembrar que o custo histórico como base de valor já há muito está consagrado pela Contabilidade e, por extensão, pela legislação do imposto de renda, que apura o lucro real com observância dos preceitos das leis comerciais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, §1°). 50. A fiscalizada estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado internamente, registrado apesar da ausência de custo. O intuito fraudulento tornase ainda mais evidente quando se verifica que todas as transferências das quotas da JCAE efetuadas no exterior (v. Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.774 28 Tabela 1) foram feitas por seu valor patrimonial, padrão quebrado tãosomente quando internalizadas no Brasil — pais onde se admite em determinadas condições, diferentes da ora analisada, a amortização de ágio pago. A "reavaliação" das quotas se deu, pois, por razões unicamente tributárias, sem qualquer propósito negocial. 51. Pelo exposto, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada. (destaquei) A DRJ afastou a qualificação da multa por considerar não ter havido prova de dolo, fraude ou simulação por parte da Recorrente. Em contrarrazões ao recurso voluntário, aponta a PGFN que a situação verificada nos autos enquadrase como negócio jurídico simulado, nos termos do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil). Ocorre que, da acusação fiscal, não é isso o que se infere. A qualificação da multa é medida extrema que exige a demonstração do evidente intuito de fraude a partir de uma conduta dolosa. Inexiste, nos autos, a demonstração de que houve a utilização de algum mecanismo ou instrumento fraudulento a ensejar a qualificação da multa, mas apenas a acusação de que o contribuinte tinha consciência da falta de propósito negocial. Nesse caso, é de se concordar com a conclusão da DRJ, pois o direito de defesa da recorrente restaria prejudicado, em razão dos termos da acusação não permitirem o alcance pretendido pela PGFN. Dispositivo Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.775 29 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Redator designado Em que pese os sólidos argumentos trazidos pela ilustre relatora do voto vencido, peço vênia para discordar do seu entendimento em relação à legalidade da dedução do ágio registrado, matéria que restou vencida na votação do presente acórdão. Por oportuno, necessário deixar consignado que foram mantidos, por esta turma julgadora, os fundamentos trazidos pela ilustre relatora no que se refere à matéria relativa à qualificação da multa, uma vez não caracterizada a utilização de mecanismo fraudulento a ensejar a referida qualificação, de modo que essa matéria encontrase fora de discussão no presente voto. Conforme amplamente exposto pelo Relatório de Verificação Fiscal, a fiscalização constatou que quotas da empresa denominada JCAE do Brasil foram transferidas/cedidas à fiscalizada JCBA, pela sua controladora HOOVER, cuja contrapartida foi o aumento de capital na segunda empresa. A glosa foi efetuada por ter sido considerado que a transação se deu entre empresas do mesmo grupo econômico e que não houve efetivo dispêndio financeiro, o que caracterizaria a inexistência de substrato econômico e negocial. O acórdão de primeira instância e o voto vencido seguiram na mesma linha de fundamentação, ou seja, para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho, hipóteses que não teriam se confirmado no presente caso. Para melhor entendimento da matéria, convém relembrar os principais pontos da reestruturação societária que resultou no surgimento do ágio ora discutido: (1) O grupo JCI (USA) adquire, em 25/07/2001, por intermédio da JCH SAS, braço francês do grupo JCI, a totalidade das ações da SAGEM SAS (França), mediante pagamento de Є 525.000.000,00. A SAGEM SAS (França) controlava a SAGEM (EUA) e a SAGEM (BR). Após a venda, os nomes das empresas foram assim alterados: SAGEM SAS (França) para JCAE SAS; SAGEM (EUA) para JCAE Inc; e SAGEM (BR) para JCAE do Brasil; (2) Em 17/12/2003, a empresa JCHC (USA) e a empresa HOOVER (USA), ambas controladas pela JCI (USA), adquirem da JCI (USA), a totalidade das quotas da JCAE do Brasil por U$ 37.202.650,00, sendo que a empresa JCHC pagou US$ 31.611.092,00 e a HOOVER US$ 5.591.558,00. (3) Na mesma data, em 17/12/2003, ocorreu a redução do capital da JCHC (USA), no valor de US$ 31.611.092,00, mediante a transferência das quotas da JCAE do Brasil para a JCI (USA), sua controladora. Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.776 30 (4) Em 18/12/3003, ocorreu o aumento do capital da HOOVER (USA), em US$ 31.611.092,00, mediante subscrição e integralização pela JCI (USA) das quotas da JCAE do Brasil. (5) Em 18/12/2003, houve o aumento do capital da ora fiscalizada JCBA, em R$ 109.375.791,00, mediante conferência das quotas da JCAE do Brasil, feita pela sua controladora HOOVER, representando esse valor a conversão do valor em dólares (US$ 37.202.650,00) para a moeda nacional à taxa de câmbio da época (R$ 2,94). (6) Baseado em laudo de avaliação de 18/12/2003 fls. 91, chegouse a um valor de mercado da JCAE do Brasil, em 30/11/2003, de R$ 109.600.000,00, com um ágio de R$ 75.759.917,68. (7) Em 31/08/2004, a JCBA (fiscalizada) incorpora a sua controlada, a JCAE do Brasil, começando a amortizar o ágio de R$ 75.759.917,68 relativo à expectativa de resultados futuros da JCAE do Brasil, à razão de 1/60 ao mês, considerando a despesa correspondente dedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A fiscalização sustenta que o ágio teria sido gerado apenas em 18/12/2003, quando da conferência das quotas da JCAE do Brasil ao capital da JCBA (fiscalizada), dentro do mesmo grupo econômico (ágio interno), portanto, sem propósito econômico e sem o efetivo desembolso financeiro. Entretanto, a descrição das reorganizações societárias relatadas acima, demonstram que essas reorganizações se iniciaram em data anterior ao que foi considerado pela fiscalização (18/12/2003). Conforme descrito acima, as operações de aquisição das empresas envolvidas, dentre elas a aquisição do controle societário da SAGEM (BR) (denominação depois alterada para JCAE do Brasil (incorporada pela fiscalizada JCBA), iniciaramse em 25/07/2001, quando a empresa JCI (USA) adquire, por intermédio da JCH SAS, braço francês do grupo JCI, a totalidade das ações da SAGEM SAS (França), mediante pagamento de Є 525.000.000,00. A SAGEM SAS (França), por seu turno, detinha o controle da SAGEM (BR). Em consequência dessas transações, podese facilmente verificar que no valor pago de Є 525.000.000,00, encontravase o ativo representado pelas quotas da SAGEMBR (JCAE do Brasil) pertencentes à empresa adquirida, a SAGEM SAS (França). Essa situação, aliás, foi também descrita no relatório deste Acórdão, nos seguintes termos: “ (...) pois a operação inicial foi feita entre partes independentes e que no valor total pago pelo grupo JCI (Є 525.000.000,00) estaria o valor de Є 42.192.265,00 que corresponderia ao valor de US$ 37.202.780,00, valor este equivalente ao valor do custo que a HOOVER incorrera para adquirir as quotas da JCAE do Brasil (R$ 109.375.791,00).” De acordo com o descrito acima, a primeira conclusão a que se chega é que a fiscalização não levou em consideração a origem da negociação que levou à reorganização societária das empresas envolvidas. O agente fiscal desenvolveu seu raciocínio a partir das operações realizadas em 18/12/2003, e não em 25/07/2001, data em que se iniciou todo o processo de aquisição da empresa SAGEMBR (JCAE do Brasil) e da reorganização societária levada a efeito no grupo JCI (USA) e, por consequência, na JCBA (fiscalizada). Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.777 31 Além disso, outros dois fatos mostramse cruciais para o deslinde do presente litígio. Em primeiro lugar, verificase que as negociações ocorreram com empresas de diferentes grupos econômicos, JCI (USA) e SAGEM (França). Em segundo lugar, constatase que ocorreu o efetivo desembolso financeiro na operação, aí incluído o desembolso pela aquisição da empresa antes denominada SAGEMBR, que passou a ser denominada JCAE do Brasil, incorporada pela fiscalizada JCBA. Esses fatos afastam, de imediato, a hipótese da ocorrência de simulação, situação, aliás, sequer aventada pela fiscalização. Essas constatações enfraquecem toda a fundamentação utilizada pelo agente fiscal, e pelo acórdão recorrido, quanto à falta de propósito negocial e do efetivo dispêndio de recursos nas operações de aquisições/reestruturação societária. Não bastasse o equívoco cometido quanto às premissas iniciais, é preciso também analisar o aspecto relativo à disciplina legal do ágio, que parece não ter sido bem aplicado pela autoridade lançadora. A autoridade fiscal afirma que o ágio amortizado na JCBA (autuada) é o ágio da JCAE Brasil que já existia na HOOVER (controladora da autuada), e que teria ocorrido a transferência desse ágio para a JCBA por ocasião do aumento de capital nesta última, feito mediante conferência das quotas da JCAE do Brasil. Tal afirmação é equivocada. Não se pode confundir o pretenso ágio que teria surgido na investidora HOOVER quando do aumento do seu capital com quotas da JCAE do Brasil (18/12/2003), com o ágio que nasce na JCBA, quando do aumento do capital nesta última (18/12/2003), mediante entrega, pela HOOVER, de quotas da JCAE do Brasil. São ágios diferentes. O primeiro ágio surgiu com as negociações realizadas entre a HOOVER(USA) e a JCI (USA). O segundo, quando do aumento de capital realizado pela HOOVER(USA) em sua controlada, a JCBA (fiscalizada). Para bem compreender a regulamentação do ágio, é preciso identificar e distinguir com clareza a situação que dá nascimento ao ágio e nas hipóteses que implicam na transferência do ágio. Para melhor compreensão, necessário que se transcreva a legislação que trata da matéria, em especial os arts. 385 e 386 do RIR/99: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.778 32 § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 1º). § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, § 2º): Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.779 33 I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. (...) § 6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (destaques meus) Conforme se vê, o art. 385 do RIR/99 define o que é ágio, disciplina o seu registro e é dele que se infere os pressupostos do ágio. O ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações/quotas adquiridas. Além disso, conforme a legislação tributária, para fins fiscais, o ágio surge na aquisição de ações/quotas por valor maior que o patrimonial. Indiferente que a aquisição decorra de uma compra ou da conferência de quotas/ações (troca) para a integralização(aumento) de capital recebidas por valor acima do valor patrimonial. A aquisição é gênero, do qual a compra ou a troca, por exemplo, são espécies. No caso dos autos, a JCBA (fiscalizada) efetuou o aumento do seu capital com a conferência de quotas da JCAE do Brasil por um valor acima do valor patrimonial desta última, de modo que o valor total do investimento precisa ser desdobrado e registrado em sub contas distintas (art. 385 do RIR/99): i) o valor patrimonial das ações/quotas recebidas; e o valor do ágio. Por seu turno, o ágio nasce quando uma empresa adquire participação relevante em outra sociedade e somente se transfere por incorporação reversa, cisão ou fusão (art. 386 do RIR/99). Não se pode confundir a transferência das ações/quotas, por meio de aquisições (conferência de ações/quotas), com a transferência do ágio. A transferência das ações/quotas não implica em transferência de ágio, mas em extinção do ágio que havia na alienante e surgimento de um novo ágio na adquirente. Partir da premissa que existe transferência de ágio, quando na verdade existe um novo ágio conduz a interpretações equivocadas. Assim, por exemplo, se o dono de investimento adquirido com ágio efetuar a alienação desse investimento, terá que dar baixa do seu investimento (extinguindo o ágio) e o novo adquirente registrará o seu investimento com ágio. As ações/quotas podem ser as mesmas, mas os ágios são diferentes. Em outras palavras, quando as ações/quotas da investida são alienadas/transferidas, na sequência, a cada alienação nascerá um novo ágio registrado na contabilidade da adquirente. Percebese que são as ações/quotas que estão sendo transferidas e Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000079/200990 Acórdão n.º 1202000.884 S1C2T2 Fl. 1.780 34 não o ágio. Nessas operações o ágio não se transfere. Este se extingue (na alienante) e nasce (na adquirente), a cada operação. No presente caso, ao se efetuar o aumento do capital da HOOVER, com quotas da JCAE do Brasil (18/12/2003), pode ou não ter surgido um ágio. Esse fato em nada interessa para a JCBA (fiscalizada). Já quando surge o ágio na JCBA, pelo aumento do seu capital com a conferência de quotas da JCAE do Brasil (18/12/2003), este é um novo ágio. Isso se deve porque ocorreu uma alienação de quotas da HOOVER para a fiscalizada (conferência de quotas pela HOOVER), quotas que foram precificadas por um Laudo de Avaliação da empresa objeto da conferência de quotas, a JCAE do Brasil, nos exatos termos do que dispõe o art. 385 do RIR/99. A HOOVER, ao adquirir, mediante aumento do seu capital, as quotas da JCAE Brasil, passou a ser investidora desta última. Já ao fazer o aumento de capital na JCBA, com as quotas da JCAE do Brasil que detinha, a investidora HOOVER dá baixa no antigo investimento (JCAE) e registra um novo/aumento do seu investimento na JCBA. De outra banda, no momento da aquisição das quotas da JCAE do Brasil, em razão da operação de aumento de capital na JCBA (investidora), esta registra no seu ativo as quotas da JCAE do Brasil pelo valor patrimonial e indica como ágio a diferença desse valor com o valor do Laudo de Avaliação com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, nos termos do art. 385 do RIR/1999. Nesse momento, surge um novo ágio. É esse novo ágio, na JCBA (fiscalizada), que poderá ser amortizado em razão da incorporação da investida (JCAE do Brasil), na proporção de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, com fundamento no art. 386 do RIR/1999. Em síntese, do ponto de vista jurídico, o ágio registrado na JCBA é um novo ágio que nasce apenas no momento em que ela aumenta o seu capital com quotas da JCAE do Brasil. Não existe uma transferência jurídica do ágio que havia na antiga investidora HOOVER para a JCBA. O que foi transferido foi a titularidade das quotas. Dessa forma, forçoso concluir que o ágio gerado no aumento de capital da JCBA (fiscalizada), mediante conferência de quotas da JCAE do Brasil, é um ágio novo e atendeu aos requisitos do art. 385 do RIR/99, podendo ser amortizado a partir da incorporação dessa última (investida) nos termos do art. 386 do RIR/99 e ser excluído da base de cálculo na apuração do IRPJ e da CSLL, exatamente como procedido pela autuada. Em face do exposto, é de se dar provimento ao recurso voluntário quanto à matéria relativa à dedutibilidade do ágio na apuração do IRPJ e da CSLL. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Ass inado digitalmente em 29/03/2013 por NELSON LOSSO FILHO
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