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Numero do processo: 12448.731194/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. RENDIMENTO DE ALUGUEL. BASE DE CÁLCULO.
Incide imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica.
DESPESAS MÉDICAS OU HOSPITALARES REALIZADAS NA RESIDÊNCIA DO PACIENTE. DEDUTIBILIDADE.
As despesas com internação hospitalar efetuada na própria residência do paciente somente são dedutíveis se integrarem fatura emitida por estabelecimento hospitalar.
Numero da decisão: 2402-007.245
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação às despesas médicas.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. RENDIMENTO DE ALUGUEL. BASE DE CÁLCULO. Incide imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica. DESPESAS MÉDICAS OU HOSPITALARES REALIZADAS NA RESIDÊNCIA DO PACIENTE. DEDUTIBILIDADE. As despesas com internação hospitalar efetuada na própria residência do paciente somente são dedutíveis se integrarem fatura emitida por estabelecimento hospitalar.
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RENDIMENTO DE ALUGUEL. BASE DE CÁLCULO. Incide imposto de renda da pessoa física sobre rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica. DESPESAS MÉDICAS OU HOSPITALARES REALIZADAS NA RESIDÊNCIA DO PACIENTE. DEDUTIBILIDADE. As despesas com internação hospitalar efetuada na própria residência do paciente somente são dedutíveis se integrarem fatura emitida por estabelecimento hospitalar. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial ao recurso para cancelar o lançamento em relação às despesas médicas. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 11 94 /2 01 2- 61 Fl. 391DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 392 2 Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amon (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 348 a 353) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou improcedente impugnação apresentada contra lançamento de IRPF no valor de R$ 20.174,89 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica e glosa de dedução indevida de despesas médicas, nos termos da DIRPF do exercício 2011. Em 30.03.2011 o contribuinte apresentou impugnação (fls 02 a 04), tendo a autoridade de piso relatado da seguinte forma os fatos verificados até então: Fl. 392DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 393 3 Em 10.02.2015, após analisar os argumentos do impugnante, entendeu a autoridade de piso que, de fato, houve omissão de rendimentos de aluguel e dedução indevida das despesas médicas apontadas pela fiscalização, decidindo pela improcedência da impugnação. Irresignado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário, trazendo em síntese as seguintes alegações da impugnação: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 394 4 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 395 5 Ao final de sua peça recursal, o contribuinte confundese e apresenta pedido totalmente desconexo com o restante da defesa, razão entendese que o recorrente requereu a improcedência geral do lançamento discutido. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Dos Rendimentos recebidos da empresa Quiosque Pertaqui LtdaEPP Quanto ao argumento do contribuinte de que não recebeu rendimento de aluguel da empresa Quiosque Pertaqui LtdaEPP, ao ser inquerida sobre tal matéria em procedimento de diligencia realizado por ordem da autoridade de piso, a empresa ratificou a informação de que os indigitados pagamentos foram de fato pagos à pessoa física do recorrente (inclusive consta dos autos cópia de DIRF, onde consta o referido pagamento (fls 91 e seguintes)), motivo pelo qual entendese que não há razão na alegação do contribuinte. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 396 6 Dos Rendimentos recebidos da empresa Damásio Educacional S/A Em relação ao pedido do contribuinte para que seja excluída da base do tributo lançado o valor de R$ 28.312,74, tal pleito não deve ser atendido, pois restou demonstrado nos autos que houve apenas uma empresa locadora do imóvel envolvido, tendo havido apenas alterações sucessivas no nome dessa pessoa jurídica (ABEC Ltda., ABECE S/A ou DAMÁSIO Educacional S/A), restando provado nos autos que o contribuinte recebeu de fato o apontado valor e omitiu tal rendimento do ajuste anual do exercício de 2011. Das despesas médicas Quando à possibilidade de dedução das despesas previstas no art. 8º, inc. II, alínea ‘a’, da Lei 9.250/95, envolvendo a área de saúde (médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, e as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias), cabe destacar que para o gozo desse direito, nos termos do Inc. III, do §1º, do art. 73, do Regulamento do Imposto de Renda Decreto 9580/2018, o contribuinte deve provar a efetiva ocorrência desse tipo de despesa: Fl. 396DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 397 7 § 1º Para fins do disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) III limitase aos pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, do endereço e do número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu, e, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Sobre essa matéria, vale ressaltar, inclusive, que o manual de perguntas e respostas sobre IRPF da RFB, referente ao exercício envolvido e versões posteriores, ao tratar da matéria, esclarece que as despesas com internação hospitalar efetuada em residência somente são dedutíveis se integrarem fatura emitida por estabelecimento hospitalar. Esse também é o entendimento desta Turma do CARF, conforme bem destacou a autoridade de piso ao tratar da matéria: No caso concreto, ao analisar os comprovantes de despesa juntados pelo recorrente, verificase que a empresa contrata (ILZE DO CARMO MATOS (CNPJ 06.968.567/000132 fls 12 a 84) é uma pessoa jurídica individual, não classificável como instituição hospitalar, circunstância que desatende o art. 73 do RIR (Decreto 9580/2018), bem como orientações da Administração Tributária, além de entendimento anterior tomada por esta mesma Turma (Acórdão 2402005.342, de 14.06.2016), não cabendo, portanto, razão ao contribuinte. Sendo assim, quanto às despesas de serviços de enfermagem domiciliar, não há fundamento para aceitar o pedido do recorrente. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 12448.731194/201261 Acórdão n.º 2402007.245 S2C4T2 Fl. 398 8 Especificamente em relação às despesas com fisioterapia, em razão de o contribuinte não haver apresentado documentos ou fatos capazes de alterar a decisão de piso, deve ser mantido o entendimento exposto no acórdão recorrido: Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.722374/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO.
Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada.
Numero da decisão: 1302-003.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.722205/2014-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO. Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.722205/2014-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente WEIDMANN TECNOLOGIA ELÉTRICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVAS. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. INDEFERIMENTO. Não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa, o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual pleiteado em outra DCOMP já homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.722205/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 23 74 /2 01 4- 05 Fl. 875DF CARF MF Processo nº 13888.722374/201405 Acórdão n.º 1302003.547 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão da 4ª Turma da DRJRecife, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado em PER/DCOMP referente a pagamento indevido ou a maior de CSLL pago por estimativa em 29/06/2007, conforme sintetizado na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, no qual alega, em síntese: a) que o Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o crédito pleiteado, respaldado em pagamento indevido, não foi comprovado pela contribuinte; b) que apresentou manifestação de inconformidade esclarecendo que é optante do regime de recolhimento de IRPJ/CSLL por estimativa mensal, e que no período de apuração de maio de 2007, por um equívoco em sua apuração, recolheu valor acima do efetivamente devido, gerando um pagamento a maior de R$ 17.189,86; e, que os lançamentos estão em consonância com os seus documentos fiscais e que o artigo 165 do Código Tributário Nacional concede ao sujeito passivo o direito à restituição total ou parcial do tributo no caso de pagamento espontâneo indevido. d) que em atendimento à diligência determinada pela DRJ, a Autoridade Fiscal apresentou “Informação Fiscal”, aduzindo que, segundo seu entendimento, não seria possível reconhecer o direito creditório, pois haveria divergência entre o Lucro Líquido informado no LALUR e no Livro Diário, bem como que a contribuinte teria informado o crédito em duplicidade, vez que todo o recolhimento do valor pleiteado foi informado na estimativa que compôs o Saldo Negativo de CSLL, compensado em outro PERD/DCOMP n°, discutido em outro processo administrativo. e) que manifestouse, esclarecendo que a divergência apontada pela Autoridade Fiscal não pode impedir o reconhecimento do direito creditório, visto que a apuração se deu com base no valor do Lucro Líquido e, também, demonstrou que os valores recolhidos de forma indevida ou a maior não foram compensados em duplicidade no processo de Saldo Negativo. f) que, contudo, a DRJ não acatou os argumentos apresentados e a manifestação de inconformidade foi indeferida pela DRJ, com base na informação fiscal de diligência; g) que não pode ter seu direito creditório obstado por meros equívocos no preenchimento do PER/DCOMP ou em outros documentos, devendo a Autoridade Fiscal possibilitar a retificação das informações, com o escopo de convalidar eventuais erros no preenchimento do documento informativo do crédito, conforme a jurisprudência do CARF; Fl. 876DF CARF MF Processo nº 13888.722374/201405 Acórdão n.º 1302003.547 S1C3T2 Fl. 4 3 h) os valores recolhidos de forma indevida ou a maior não foram compensados em duplicidade; i) que em diversos meses a Recorrente recolheu o CSLL em valor superior ao das estimativas apuradas, como no mês em referência; j) que os valores lançados a título de CSLL para o período sempre foram aqueles constantes da DIPJ, uma vez que esta nunca foi retificada, concluindose, assim, que o imposto devido nunca restou incontroverso; k) que todos os lançamentos efetuados estão em consonância entre Livro Diário, Balancetes e LALUR, juntados ao autos e evidenciam que as estimativas apuradas em DIPJ pela Recorrente estão corretas e decorrem de cálculo baseado no lucro de cada período; l) que apesar disso, o crédito pleiteado não foi homologado, sob a premissa equivocada de que o valor integrou o Saldo Negativo do ano calendário de 2007, o qual foi reconhecido e utilizado para compensação dos débitos informados em outro PER/DCOMP; m) que não houve compensação em duplicidade, pois consta do Despacho Decisório que o montante total do crédito pleiteado no outro PER/DCOMP em que se compensou o Saldo Negativo, não inclui o valor dos recolhimentos feitos à maior no período de apuração ora em discussão; n) que, do total recolhido no ano calendário de 2007, apenas uma parte se refere ao pagamento efetivamente alocado de acordo com as estimativas mensais devidas e, portanto, passíveis de compensação de Saldo Negativo. Logo, todo o excedente de efetivamente não compôs a formação do Saldo Negativo de CSLL de 2007, sendo relativa tão somente aos pagamentos indevidos ou a maior feito durante o ano e, portanto, os pagamentos a maior, não integrantes do Saldo Negativo, foram compensados mensalmente pela contribuinte, como no caso em questão; o) que a Recorrente faz jus ao crédito pleiteado neste processo administrativo, visto que restou comprovado que houve recolhimento indevido ou a maior do CSLL, não havendo que se falar que o crédito foi compensado em duplicidade, devendo ser integralmente reformado o acórdão recorrido, em respeito ao princípio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal, mesmo havendo erros formais no preenchimento do PER/DCOMP; e p) que o acórdão recorrido não deve prevalecer, vez resta demonstrado que o direito de compensação não se encontra extinto, uma vez que o que houve, em verdade, foi a declaração equivocada da apuração de débitos maiores do que o realmente existente em DCTF. É o relatório. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 13888.722374/201405 Acórdão n.º 1302003.547 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.540, de 17/04/2019 proferido no julgamento do Processo nº13888.722205/201467, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.540): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. O acórdão recorrido indeferiu a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o crédito pleiteado como pagamento indevido ou a maior no recolhimento da estimativa mensal foi integralmente utilizado na apuração do Saldo Negativo do tributo, pleiteado por meio da PER/DCOMP nº 30498.58765.111209.1.3.029897, cujo crédito restou integralmente reconhecido, homologandose as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. Ou seja, nas parcelas indicadas na referida PER/DCOMP, a interessada incluiu na composição do crédito apurado como saldo negativo, o valor integral da estimativa mensal recolhida no mês de apuração, ora em discussão, de sorte que, o valor indicado como recolhido à maior já foi integralmente utilizado naquela DCOMP. A recorrente alega que o que houve, em verdade, foi a declaração equivocada da apuração de débitos maiores do que o realmente existente em DCTF e que o pagamento indevido ou a maior restou efetivamente demonstrado. De fato, ao se analisar individualmente os valores informados mensalmente na DIPJ e na DCTF (retificadora), resta evidenciado que no período de apuração em discussão a interessada recolheu à maior exatamente o valor pleiteado na PER/DCOMP. O valor informado no LALUR como resultado acumulado do período também está em consonância com os dados da DIPJ. A única divergência que se observa na apuração do período é o montante do lucro líquido informado no balancete mensal apresentado que registra um valor menor que o informado no Lalur (o que, aparentemente, é desfavorável ao contribuinte que, inexplicavelmente, partiu de um valor maior para apurar o lucro real). Ocorre que, conforme observou a decisão de primeiro grau, ao indicar as parcelas que compunham o saldo negativo anual apurado, a recorrente informou o pagamento integral do período de apuração objeto da DCOMP ora discutida e este restou integralmente homologado. Desta feita, não é possível, sob pena de aproveitamento em duplicidade, deferir à recorrente o mesmo crédito já utilizado na apuração do saldo negativo anual, a despeito da possibilidade de, eventualmente, ter deixado de aproveitar Fl. 878DF CARF MF Processo nº 13888.722374/201405 Acórdão n.º 1302003.547 S1C3T2 Fl. 6 5 parcelas quitadas em outro períodos de apuração mensais e não utilizadas em outras compensações Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 879DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.906607/2008-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DE CANCELAMENTO DE DCOMP. COMPETÊNCIA REGIMENTAL DAS DRF.
Por força de dispositivos regimentais, a apreciação primária de DCOMP, pedido de restituição e de cancelamento de declarações não compete à DRJ ou ao CARF, mas às Delegacias da Receita Federal de jurisdição fiscal do contribuinte.
Numero da decisão: 1002-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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COMPETÊNCIA REGIMENTAL DAS DRF. Por força de dispositivos regimentais, a apreciação primária de DCOMP, pedido de restituição e de cancelamento de declarações não compete à DRJ ou ao CARF, mas às Delegacias da Receita Federal de jurisdição fiscal do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 66 07 /2 00 8- 41 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10830.906607/200841 Acórdão n.º 1002000.649 S1C0T2 Fl. 126 2 Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/FOR: "Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada na DCOMP nº 38628.91523.020704.1.3.046092 (42/46). 2. O contribuinte requereu a compensação de seu(s) débito(s) com alegado crédito de pagamento indevido de CSLL (cód. 6012), referente ao período de apuração 08/08/1980, realizado em 02/07/2004, no valor de R$4.126,00, dos quais R$3.361,43 são utilizados para extinguir o(s) débito(s) compensado(s). Por sua vez, o despacho decisório não homologou a compensação, já que o referido pagamento não fora localizado nos sistemas. 3. Cientificado do decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 30/10/2008 (fls. 02/06), na qual alegou o cometimento de erro de fato na informação da data de pagamento do DARF objeto do crédito, já que a data correta é 30/08/2002. 4. Posteriormente, em 28/12/2009, o administrado ingressou com a petição de fls. 74/75, na qual requereu a 'desistência da compensação declarada nos autos do presente processo administrativo'. Também assinalou que 'a presente desistência referese tão somente à Declaração de Compensação já mencionada, não importando renúncia ao direito creditório pleiteado no Pedido de Restituição de pagamento indevido'." A Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/FOR, conforme acórdão n. 0828.086 (efl. 82), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. MERO INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DO DÉBITO. COMPETÊNCIA. DRF. O pedido de cancelamento da declaração de compensação transformaa em simples instrumento de confissão de dívida, que tem por único objeto o débito confessado, de modo que a apreciação do referido pleito de cancelamento compete, regimentalmente, à Delegacia da Receita Federal do Brasil. INOVAÇÃO DO PEDIDO. DCOMP. PER. Importa em inovação do objeto litigioso a pretensão de convolar declaração de compensação em pedido de restituição. O pedido de restituição de tributos deve observar a forma legalmente prevista do PER, sob pena de se tornar sem efeito. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10830.906607/200841 Acórdão n.º 1002000.649 S1C0T2 Fl. 127 3 Irresignado, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 96), no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados (grifos do original). Como preliminar, o Recorrente alega nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, consignando que "a DRJ/FOR entendeu ser incompetente para apreciação do pedido de desistência da declaração de compensação apresentada, com fulcro no art. 224, XXII, da Portaria MF n° 203/12", entendendo o Recorrente que "Respeitado tal dispositivo legal, uma vez apresentada manifestação de inconformidade e assim instaurado este processo administrativo fiscal, concluise pela legítima competência da DRJ/FOR para apreciação das matérias alegadas pela Recorrente. Quanto ao mérito, diz ser "...necessário frisar a inexistência de mudança de pedido, uma vez já sabido que a declaração de compensação corresponde à modalidade de utilização de um crédito existente perante o Fisco", afirmando que "o direito creditório da Recorrente a ser analisado neste processo administrativo fiscal não é matéria nova, mas um fundamento inequívoco da pretensão da Recorrente, inclusive corretamente efetuado pelo programa PER/DCOMP". Aduz que "não renunciou o direito creditório referido, mas tão apenas quitou sua obrigação tributária, demandando ainda a análise de seu direito creditório" e que "... apresentou petição de desistência da compensação declarada, em cumprimento ao art. 13, §§ 3o e 4° da Portaria Conjunta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e Receita Federal do Brasil PFN/RFB n° 6 de 2009, que determina a desistência parcial do processo administrativo nos casos de pagamento nos termos da Lei n° 11.941/09". Salienta que "Uma vez coerente perante a condição elencada no §4°[da Portaria Conjunta PFN/RFB n° 6 de 2009], restase claro o caráter parcial da desistência peticionada" e que "... a DRJ/FOR, no v. acórdão, optou por não analisa o crédito existente neste processo, sob o frágil argumento de que não está determinado o direito creditório exigível pela Recorrente, uma vez não apresentado o Pedido de Restituição". Ao final requer o acolhimento do presente recurso para o fim de análise e reconhecimento do direito creditório que entende fazer jus. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329/2017. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10830.906607/200841 Acórdão n.º 1002000.649 S1C0T2 Fl. 128 4 Demais disso, observo que o recurso é tempestivo porém, não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele não se conhece. Como dito no preâmbulo, a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela DRJ/FOR, sob o argumento de que a competência regimental para análise da matéria era da Delegacia da Receita Federal do Brasil. De fato, por força do artigo 224 caput e de seu inciso XXII elencados na Portaria MF nº 2031, de 14/05/2012, a competência regimental para apreciação de pedidos de compensação, de restituição e de cancelamento de declarações é da Delegacia da Receita Federal de jurisdição fiscal do contribuinte, falecendo às DRJ competência para apreciação de convolação da declaração de compensação em pedido de restituição, conforme artigo 233 da mesma Portaria (grifos nossos): Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: I de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II de infrações à legislação tributária das quais não resulte exigência do crédito tributário; III relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. 1 Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (...) XXII proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10830.906607/200841 Acórdão n.º 1002000.649 S1C0T2 Fl. 129 5 Ademais, como bem pontuado no acórdão recorrido, a desistência do pedido de compensação foi extemporânea, eis que ocorreu em data posterior à de emissão do Despacho Decisório Eletrônico de indeferimento, em clara violação ao art. 62 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005. De outro lado, não ocorre o suposto cerceamento do direito de defesa do Recorrente fundado no entendimento de que a DRJ/FOR seria competente para análise do pleito por força do artigo 224, XXII, da Portaria MF n° 203/12. Isto porque, como visto alhures, este artigo dispõe sobre as competências das DRF e não das DRJ, configurando argumento de natureza sofismática, sendo despiciendas maiores digressões. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e por não conhecer do recurso voluntário, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720085/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. ERRO DE FATO. IMÓVEL LOCALIZADO INTEGRALMENTE NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. POSTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INTERESSE ECOLÓGICO.
A revisão de oficio de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato.
In casu, observada a legislação aplicada à matéria, não estando comprovado que toda a sua área, à época do fato gerador do imposto, estava inserida dentro dos limites do Parque Nacional Grande Sertão Varedes, impossível considerar a área do imóvel como de preservação/interesse ecológico.
Numero da decisão: 2401-006.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ERRO DE FATO. IMÓVEL LOCALIZADO INTEGRALMENTE NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. POSTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INTERESSE ECOLÓGICO. A revisão de oficio de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato. In casu, observada a legislação aplicada à matéria, não estando comprovado que toda a sua área, à época do fato gerador do imposto, estava inserida dentro dos limites do Parque Nacional Grande Sertão Varedes, impossível considerar a área do imóvel como de preservação/interesse ecológico.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
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ERRO DE FATO. IMÓVEL LOCALIZADO INTEGRALMENTE NO INTERIOR DE PARQUE NACIONAL. POSTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. INTERESSE ECOLÓGICO. A revisão de oficio de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato. In casu, observada a legislação aplicada à matéria, não estando comprovado que toda a sua área, à época do fato gerador do imposto, estava inserida dentro dos limites do Parque Nacional Grande Sertão Varedes, impossível considerar a área do imóvel como de preservação/interesse ecológico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 00 85 /2 00 8- 58 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10540.720085/200858 Acórdão n.º 2401006.533 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório FABRICIO COELHO RESSTEL, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do arbitramento do valor da terra nua VTN. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, explicitando que, em que pese o fato dos documentos já acostados pelo Recorrente aos presentes autos demonstrem de modo inequívoco que o imóvel se encontra na área do Parque Nacional Grande Senão Veredas, e está sob processo de desapropriação, o documento oficial da União Federal acostado ao presente recurso, põe, em caráter definitivo, fim à discussão, não havendo mais que se perquirir acerca de tal fato, citando doutrina e jurisprudência para defender sua tese. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10540.720085/200858 Acórdão n.º 2401006.533 S2C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Na análise das peças do presente processo, verificase que não obstante as áreas de preservação permanente e de utilização limitada declaradas, respectivamente, de 156,0 ha e l.025,0 ha, para efeito de apuração do ITR/2003, não terem sido objeto de glosa, o recorrente, invocando a hipótese de erro de fato, pretende que toda a área do imóvel seja considerada como de preservação permanente/interesse ecológico, por estar localizada dentro dos limites ampliados do Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em conformidade com o Decreto s/n° de 21/05/2004, nos termos do Decreto n° 97.658, de 12/04/1989. Assim, cabe analisar a hipótese de erro de fato, observandose aspectos de ordem legal. Caso fosse negada essa oportunidade ao contribuinte, estaria sendo ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja, o da estrita legalidade e, como decorrência, o da verdade material. Porém, na hipótese levantada, o lançamento regularmente impugnado somente poderá ser alterado, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, em caso de evidente erro de fato, devidamente comprovado através de provas documentais hábeis e idôneas. De fato, nos termos da Lei n° 9.985, de 18.07.2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, os Parques Nacionais constituem Unidades de Proteção Integral, em razão das restrições de uso das terras localizadas dentro dos seus limites (artigos 7°, § 1°, 8° e ll, da citada Lei). Para maior entendimento do significado quanto a natureza da intervenção na propriedade decorrente da criação do Parque Nacional, transcrevemos o disposto do §1º e do caput do art. 11 da Lei nº 9.985/2000. Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. Pois bem, o presente caso é de fácil deslinde, uma vez que o próprio contribuinte alega que, com a ampliação dos limites do Parque Nacional Grande Sertão Veredas de uma área estimada de 84.000,0 ha para 231.668,0 ha , em conformidade com o Decreto s/n° de 21/05/2004, nos termos do Decreto n° 97.658, de 12/04/1989, todo a área do seu imóvel passou a integrar a nova área delimitada do referido Parque Nacional e, conseqüentemente, considerada como de preservação permanente/interesse ecológico para proteção do referido ecossistema. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10540.720085/200858 Acórdão n.º 2401006.533 S2C4T1 Fl. 5 4 Ocorre que, mesmo entendendo não haver necessidade da desapropriação para fazer jus a isenção, é preciso admitir que essa ampliação de limites somente ocorreu em 21/05/2004, portanto, após a data do fato gerador do ITR em questão, sendo incabível falarse em direito a isenção. No que diz respeito à data do fato gerador do imposto, cabe levar em consideração que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN, enquanto o art. 1°, caput, da Lei n°. 9.393/1996, estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1° de janeiro de cada ano, no caso, 1°/01/2003. Neste diapasão, só faria jus o contribuinte só faria jus a isenção pleiteada para os fatos geradores após 21/05/2004, data do Decreto de ampliação do Parque Nacional. Diante da análise da documentação acostado aos autos, especialmente da afirmação do contribuinte e da data do processo de desapropriação, não merece guarida a pretensão do recorrente. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.902669/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas.
Numero da decisão: 1302-003.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DCOMP. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a liquidez e a certeza do crédito informado em declaração de compensação, não se homologam as compensações vinculadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 90 26 69 /2 01 1- 42 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10435.902669/201142 Acórdão n.º 1302003.553 S1C3T2 Fl. 55 2 Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão 1139.146 – 4ª Turma da DRJ/REC, complementandoo ao final: A interessada acima qualificada apresentou Declarações de Compensação –PER/DCOMPs, por meio das quais compensou crédito de oriundo de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 165.696,42, apurado em 31/03/2007, com débitos de sua responsabilidade. 2. Através do Despacho Decisório de fl. 14, homologouse parcialmente o PER/DCOMP nº 25030.45727.080507.1.3.020354 e não se homologou o PER/DCOMP nº 32480.62373.131207.1.3.025586, ao fundamento de que o crédito apurado foi insuficiente para comprovar a quitação do imposto devido e apuração do saldo negativo. Os valores de imposto retido na fonte foram bem inferiores aos informados na DIPJ e no PER/DCOMP. 3. No prazo legal, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls.2/6 do processo administrativo nº 10435.720114/201265, apenso ao principal), por meio d aqual sustenta: 3.1. A decisão merece ser reformada, porque o crédito foi efetivamente retido na fonte, como comprovam notas fiscais, relatório de faturamento e DIPJ do período; 3.2. A fiscalização lançou multa de 50% sobre os valores compensados, com fundamento nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pelo art. 62 da Lei nº12.249, de 2010. Tal penalidade revelase verdadeiro obstáculo ao direito de petição insculpido no art. 5º, XXXIV, da Constituição Federal. Da análise do caso apresentado, foi proferido o seguinte acórdão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10435.902669/201142 Acórdão n.º 1302003.553 S1C3T2 Fl. 56 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2007 PROVAS DOCUMENTAIS. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. Conforme preconiza o § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, é na impugnação que as provas documentais devem ser apresentadas, precluindo o direito de fazêlo posteriormente, salvo se ocorrentes as hipóteses excepcionais previstas nas alíneas do mesmo parágrafo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual foi alegado, em síntese, a mesma tese oposta quando da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. A recorrente apresentou Declarações de Compensação – PER/DCOMPs, por meio das quais compensou crédito oriundo de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 165.696,42, apurado em 31/03/2007, com débitos de sua responsabilidade. Através do Despacho Decisório de fl. 14, homologouse parcialmente o PER/DCOMP n.º 25030.45727.080507.1.3.020354 e não se homologou o PER/DCOMP n.º 32480.62373.131207.1.3.025586, ao fundamento de que o crédito apurado foi insuficiente para comprovar a quitação do imposto devido e apuração do saldo negativo. Os valores de imposto retido na fonte foram bem inferiores aos informados na DIPJ e no PER/DCOMP. A glosa parcial do crédito vindicado – o saldo negativo do IRPJ apurado no 1º trimestre de 2007 – deveuse unicamente ao fato de que os valores declarados de Imposto de Renda na Fonte – IRRF não foram confirmados na totalidade, o que contesta a recorrente, sob o fundamento de que, além de provado por notas fiscais, relatório de faturamento e DIPJ do períodobase, a multa aplicada é incompatível com o Texto Magno. Contudo, no caso em tela, a recorrente restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na PERDCOMP, aparentemente comprovado por notas fiscais, relatório de faturamento e DIPJ do períodobase, sem no entanto ter apresentado nenhum documento que demonstrasse a correção do IRRF informado na DIPJ e nos PERCOMPs. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10435.902669/201142 Acórdão n.º 1302003.553 S1C3T2 Fl. 57 4 Tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não confirmação da parcela referente ao IRRF noticiada pelo contribuinte em sua DIPJ. Correta a decisão recorrida quanto a análise do caso. Vejamos passagem do decisium: 5. A primeira das alegações carece de comprovação, pois nada se trouxe aos autos que demonstrasse a correção do IRRF informado na DIPJ e nos PER/DCOMPs, apesar de ser na impugnação (leiase aqui manifestação de inconformidade) o momento adequado para que as provas sejam apresentadas pela defesa, em conformidade com o que dispõe o § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972. 6. Ademais, o só fato de compor a DIPJ – que, como se sabe, tem hoje caráter meramente informativo – não confere a certeza quanto direito pleiteado, requisito essencial para autorizar a compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Os documentos carreados aos autos não são hábeis e idôneos à comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Ademais, forçoso esclarecer que o documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Destaquese, uma vez mais, que cabe ao contribuinte demonstrar de forma cabal e plena seu direito à compensação, não tendo, no caso concreto, se desincumbido de tal ônus. Logo, improcedente o pedido do contribuinte. Por sua vez, com relação à alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança da multa de 50% nos casos de indeferimento de pedidos de ressarcimento e compensação, não pode ser apreciada por este Conselho porque não é objeto da presente lide. Conclusão Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10435.902669/201142 Acórdão n.º 1302003.553 S1C3T2 Fl. 58 5 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.720384/2017-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015
PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, no tocante à matéria discutida judicialmente, o lançamento torna-se definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo tem prosseguimento normal no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Nessa hipótese, ocorrendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
Numero da decisão: 3301-006.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, no tocante à matéria discutida judicialmente, o lançamento torna-se definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo tem prosseguimento normal no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Nessa hipótese, ocorrendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, no tocante à matéria discutida judicialmente, o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo tem prosseguimento normal no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Nessa hipótese, ocorrendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Ainda que se refira a crédito tributário objeto de depósito judicial, não é nulo o lançamento de ofício realizado para fins de prevenção da decadência, com o expresso reconhecimento da suspensão da sua exigibilidade e sem a aplicação de penalidade ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 03 84 /2 01 7- 01 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 395 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Ausente a Conselheira Liziane Angelotti Meira. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "DO LANÇAMENTO Cuida o presente feito de Auto de Infração – AI, às fls. 0217, lavrado em 03/04/2017, pela IRF BELO HORIZONTE, referente à exigência do adicional de 1% (um por cento) da COFINSImportação, previsto no § 21 do art.8º da Lei nº 10.865/2004, e juros de mora correspondentes, com base no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/1996, decorrente de 09 (nove) Declarações de Importação registradas, no período de 07/2015 a 12/2015 (referentes a aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM e de suas peças), no montante total de R$ 10.191.126,47, sendo R$ 8.533.116,48 a título de adicional de alíquota de 1% da Cofins Importação e R$ 1.658.009,99 a título de juros de mora, em face do sujeito passivo AZUL LINHAS AÉREAS BRASILEIRAS S.A., CNPJ: 09.296.295/001301, doravante, apenas AZUL LINHAS AÉREAS, conforme excertos do relato da autoridade tributária e aduaneira autuante, constantes do Relatório de Fiscalização (às fls. 1417), a seguir reproduzidos: (...) 2. Entre 09/07/2015 e 29/12/2015, a contribuinte desembaraçou as mercadorias documentadas pelas DIs infra, para consumo, sem recolher o adicional de 1% referente à COFINSImportação, previsto no § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865/04, por força de medida judicial : Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 396 3 3. Em 03/04/2017 instaurouse o presente procedimento fiscal para prevenir a decadência dos créditos tributários, cuja hipótese de incidência está prevista no § 21 do art. 8º da Lei nº 10.865/04, adicional de 1% da COFINS importação e cujos fatos geradores foram as importações de mercadorias documentadas pelas DI's supra listadas. 4. Esses são os fatos. 2. FUNDAMENTAÇÃO 5. Os Art. 5º, II e Art. 37 da Constituição Federal obrigam a administração pública e o particular à observância da estrita legalidade em todos os seus atos e negócios jurídicos. Para o servidor público essa disciplina está esculpida no Art. 116, II da Lei 8.112. Forçoso concluir que a administração pública, seus servidores e Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 397 4 o particular devem agir nos estritos limites da Lei. Ou, em outras palavras, devem obediência ao Estado Democrático de Direito. 6. O Art. 149, § 2º, II da CRFB autoriza a União a instituir contribuições sociais cujo fato gerador seja a importação de bens ou serviços estrangeiros. Para tanto, publicou a Lei 10.865/04, cujo Art. 1º institui as contribuições sociais PISImportação e COFINSImportação e cujo Art. 8º, VI e VII fixa, para as aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM e suas peças, a alíquota de 0 (zero) por cento, a qual deve, conforme § 21 dessa norma, ser acrescida de 1 (um) por cento. Por essa razão, para as importações de mercadorias classificadas na posição 88.02 e registradas 90 dias após a publicação da lei que instituiu o adicional, Lei 12.844 de 19/07/2013, deve ser constituído e exigido o crédito tributário correspondente à COFINSImportação. 7. Embora a medida judicial determine a inexigibilidade desses créditos tributários, a sua constituição é obrigatória por expressa determinação do Art. 142, § único do CTN, com o objetivo de prevenir a sua decadência. Os valores estão infra informados: 8. Incidem ainda sobre o valor original proporcional juros moratórios, conforme Art. 61, § 3º da Lei 9.430 e do Art. 56, § 2º IN 1600/15. E, nos termos do Art. 63 da Lei 9.430/96, não cabe lançamento da multa de ofício na hipótese de tributos suspensos por força de medida judicial. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 398 5 (...) DA CIÊNCIA A ciência da autuação à AZUL LINHAS AÉREAS se deu em 04/04/2017, por via eletrônica, pela abertura de mensagem em sua Caixa Postal (conforme Termo de Ciência, à fl. 22). DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo AZUL LINHAS AÉREAS, irresignado com a autuação, apresentou Peça Impugnativa (às fls. 2655), e anexos (às fls. 56310) em 04/05/2017 (ver Termo de Análise de Solicitação de Juntada, às fls.2324), conforme síntese a seguir: I — DA TEMPESTIVIDADE • Que, tomou ciência da lavratura do Auto de Infração no dia 04/04/2017, terçafeira. E, considerando o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de Impugnação, previsto pelo art. 15 do Decreto no 70.235/1972, afigurase plenamente tempestiva sua defesa; II — DOS FATOS • Que, no regular exercício de suas atividades, nos anos de 2014 a 2016, importou aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM e motores para aeronaves classificadas na posição 88.02 da NCM, por meio de regime especial aduaneiro de admissão temporária para utilização econômica com suspensão parcial dos tributos, previsto pelo art. 75 do DecretoLei no 37/1966, art. 79 da Lei nº 9.430/1996, artigos 353 e seguintes do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009), regulada pela Instrução Normativa IN nº 1361/2013 e, atualmente, pela IN nº 1600/2015; • Que, não obstante a Impugnante importe as aeronaves e os motores com base no regime de admissão temporária com suspensão parcial dos tributos incidentes na importação, em relação à COFINSImportação, entende que não existem valores a serem recolhidos, uma vez que a alíquota é zero. Isso porque, de acordo com o art. 8º, §12, incs. VI e VII da Lei nº 10.865/2004, a alíquota da COFINS na importação de aeronaves, classificadas na posição 88.02, e de partes e peças de aeronaves, é zero; • Que, no mês de outubro do ano de 2014, alguns despachos aduaneiros das aeronaves e partes e peças de aeronaves por ela importadas foram interrompidos pelos Agentes da Receita Federal do Brasil RFB, ao fundamento de que a importação estaria sujeita à incidência do adicional da alíquota de 1% da COFINSImportação, nos termos do § 21, art. 8º da Lei nº 10.865/2004 com a redação dada pela Lei nº 12.844/2013; • Que, diante desse cenário, impetrou Mandados de Segurança questionando a ilegalidade do pagamento do adicional de 1% da COFINSImportação, bem como questionando a ilegalidade do procedimento de interrupção do despacho aduaneiro para cobrança do adicional de 1% da COFINSImportação, nos termos da Súmula no 323 do STF; • Que, seu entendimento interpretativo encontrava respaldo nas normas complementares emitidas pela RFB, em especial, no Decreto nº 5.171/2004, que, ao regulamentar a aplicação da alíquota zero para aeronaves, partes e peças, não prevê, Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 399 6 até hoje, a aplicação do adicional de 1% da COFINSImportação, bem como no documento "DIPJ 2014 – Perguntas e Respostas", divulgado pela RFB no seu sítio eletrônico, que, na ficha "Contribuição para o PISPasepImportação e a Cofins Importação", até novembro de 2014, fazia constar a orientação aos contribuintes de que a alíquota seria zero em relação aos produtos relacionados no §12, art. 8º da Lei nº 10.865/2004; • Que contudo, posteriormente, foi editado pela RFB o Parecer Normativo nº 10 de 20/11/2014 que afirma que o adicional de 1% da COFINSImportação deve ser recolhido mesmo nas hipóteses de importações sujeitas à alíquota zero da COFINSImportação. Assim, considerando o entendimento formalizado no Parecer Normativo nº 10 de 20/11/2014, impetrou Mandados de Segurança preventivos com o objetivo de afastar o recolhimento do adicional de 1% da COFINS nas operações de importação das aeronaves e motores para que seja reconhecida a aplicação da alíquota zero de COFINS em tais operações, conforme as disposições do art. 8º, §12, inciso VI da Lei no 10.865/04, alegando, em breve síntese, que: (i) o §12, inc. VI e VII do artigo 8º da Lei 10.865/04 que previu a aplicação da alíquota zero da COFINS para a importação de aeronaves e partes e peças é lei específica, isto é, apenas aplicável às aeronaves e suas partes e peças; (ii) já a norma que criou a incidência de adicional de 1% a título de COFINS importação tem caráter geral, uma vez que tratou da majoração de alíquota para todas as operações de importação de bens e serviços, alterando a norma do caput e incs. I e III do art. 8º da Lei nº 10.865/04 no tocante às alíquotas aplicáveis a todas as operações de importação de bens e serviços realizadas do exterior; (iii) assim, como aduz o art. 2º, §2º da LINDB, a norma especial não é revogada por norma geral, ainda que posterior, salvo menção expressa; (iv) tanto é verdade que não houve revogação da alíquota zero que o Decreto nº 5.171/2004, que regulamentou a aplicação da alíquota zero para aeronaves, partes e peças, permanece com a mesma redação até os dias atuais, indicando a manutenção da desoneração tributária para as aeronaves; e, (v) violação ao acordo GATT que prevê a impossibilidade de tratamento fiscal diferenciado entre produtos importados e similares nacionais. • Que, a título subsidiário, nos Mandados de Segurança, questiona (i) a ilegalidade do procedimento de interrupção do despacho aduaneiro para cobrança do adicional de 1% da COFINSImportação, nos termos da Súmula no 323 do A. STF, bem como, (ii) a inconstitucionalidade do §1ºA do art. 15 da Lei no 10.865/04, incluído pela MP nº 668/15, convertida na Lei no 13.137/2015 que vedou a apropriação do crédito em relação ao adicional de 1% da COFINSImportação; • Que, foram impetrados os seguintes Mandados de Segurança preventivos vinculados às DIs que compõem o auto de infração ora impugnado: Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 400 7 • Que, no entendimento do Fisco, com as alterações introduzidas pela Lei nº 12.844/2013, as mercadorias compreendidas nas posições NCM 8411 e 8802 atenderiam às disposições previstas pelo §21 da Lei nº 10.865/2004 e, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do adicional de 1% da COFINS Importação; • Porém, demonstrará que o presente auto de infração não deve prosperar, uma vez que houve a revogação da incidência do adicional de 1% da COFINS Importação pela MP 774/2017 e, as importações das aeronaves e dos motores objeto da presente autuação não estão sujeitas à incidência do mesmo, nos termos do art. 112 do CTN; • Caso se supere o acima exposto, também será demonstrada a ilegalidade que reveste a cobrança do adicional de 1% da COFINSImportação na importação das aeronaves classificadas na posição NCM 88.02 e dos motores para aeronaves; • Que, por fim, será demonstrado que, no mínimo, devese reconhecer a nulidade parcial da presente autuação em relação às aeronaves e motores que têm depósito judicial para suspender a exigibilidade do adicional de 1% da COFINS Importação; III — DO DIREITO III.1 — DA ILEGITIMIDADE DA INCIDÊNCIA DO ADICIONAL DE 1% DA COFINSIMPORTAÇÃO A — Contexto Normativo — breve histórico da legislação aplicável • Que, todas as alterações promovidas na legislação desde o início da incidência das contribuições ao PIS e COFINS foram sempre no sentido de ampliar o benefício de desoneração do setor de transporte aéreo, de sorte que a alíquota zero alcançasse o maior número de operações realizadas pelos agentes do setor; • Que, no contexto normativo vigente, estão reduzidas a zero as alíquotas de PIS e COFINS incidentes tanto na importação de aeronaves (classificação NCM 88.02) e suas partes e peças, como na receita de venda no mercado interno dos mesmos bens e equipamentos; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 401 8 • Que assim, importava regularmente as aeronaves e partes e peças de aeronaves para desenvolvimento de suas atividades sem a incidência de qualquer contribuição. Entretanto, como visto, os agentes da RFB passaram a exigir o adicional de 1% de COFINS na importação das aeronaves, partes e peças, justificando a exigência na suposta aplicação do art. 8º, §21 da Lei nº 10.865/2004, com redação dada pela MP nº 612/2013, convertida posteriormente na Lei nº 12.844/2013; • Destaca o fato de que, apesar da legislação referente ao adicional estar vigente desde julho de 2013, apenas em outubro de 2014, os agentes da RFB iniciaram a cobrança do adicional na importação das aeronaves e parte e peças de aeronaves pela Impugnante. Diante desse cenário, quer parecer que, em razão das divergências existentes na própria RFB acerca da incidência do adicional da COFINSImportação na importação de aeronaves, foi editado o Parecer Normativo nº 10 de 20/11/2014 com o objetivo de firmar este novo entendimento, no sentido de que o adicional de 1% da COFINSImportação deve ser recolhido mesmo nas hipóteses de importações sujeitas à alíquota zero da COFINS Importação; • Que, com a edição da MP 774 de 30 de março de 2017, foi expressamente revogado o adicional de 1% da COFINSImportação; • Assim, o entendimento originalmente adotado pelas autoridades fiscais de que as importações de aeronaves e partes e peças não estão sujeitas à incidência do adicional de 1% da COFINSImportação é o que deve prevalecer. B – Da inexistência de simetria com a CPRB e da revogação do adicional de 1% da COFINSImportação pela MP 774/2017 • Que, a RFB, por seus agentes, sustenta que o adicional de 1% da COFINS Importação teria sido instituído com o objetivo de manter a isonomia tributária em relação à importação de determinados produtos com a incidência da contribuição substitutiva da folha de salários CPRB instituída pela Lei nº 12.546/2011, resultante da conversão da MP nº 540/2011, para os mesmos produtos, conforme se observa das exposições de motivos da MP nº 540/2011; • Ocorre que não há que se falar em simetria no tratamento entre as empresas optantes pela CPRB e àquelas sujeitas à incidência do adicional de 1% da COFINS Importação; • Como sabido, a CPRB foi instituída pela Lei nº 12.546/2011 em substituição às contribuições patronais previstas nos incisos I e III do caput do art. 22 da Lei no 8.212/1991. O que se observa é que a CPRB é uma contribuição substitutiva, isto é, o contribuinte passou a recolher a CPRB ao invés de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários e que houve a substituição de uma contribuição por outra contribuição. Ou seja, não houve a criação de uma contribuição adicional incidente sobre a receita bruta — CPRB. Assim, os contribuintes deixaram de recolher a contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários e passaram a recolher a CPRB; • Desse modo, não há que se falar que o adicional de 1% da COFINS Importação foi criado com o intuito de manter a simetria entre o produto nacional e o importado, pelo simples motivo de que quando os contribuintes recolhiam a contribuição incidente sobre a folha de salários não havia a incidência do adicional de 1% da COFINSImportação; • Que, assim, quando da substituição da contribuição incidente sobre a folha de salários pela CPRB não se mostra coerente e simétrico exigir o adicional de 1% Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 402 9 da COFINSImportação. Se a CPRB fosse uma contribuição adicional daí sim estaria presente a necessidade de criação de um adicional de 1% para os produtos importados para manutenção da simetria, o que apenas demonstra a ilegitimidade da cobrança do adicional de 1% da COFINSImportação; • Assim, considerando a revogação da CPRB e, consequentemente, do adicional de 1% da COFINSImportação, devese reconhecer a ilegitimidade da sua incidência nas importações das aeronaves e dos motores objeto da presente autuação; C — Da aplicação do art. 112 do CTN • Que, com a revogação do adicional de 1% da COFINS Importação pela MP 774/2017, devese reconhecer que as importações das aeronaves e dos motores objeto da presente autuação não estão sujeitas à incidência do mesmo, nos termos do art. 112 do CTN; • Que, sempre existiu uma dúvida objetiva acerca da aplicação do adicional de 1% para essa situação; • Que mesmo com a instituição do adicional de 1% da COFINSImportação, ainda assim permaneceu vigente os incs. VI e VII do art. 8º da Lei nº 10.865/2004 com a mesma redação determinando a redução a zero a alíquota da COFINS na importação de aeronaves e parte e peças de aeronaves. Inclusive, o Decreto nº 5.171/2004, que regulamentou a aplicação da alíquota zero para aeronaves, partes e peças, também permaneceu com a mesma redação, comprovando de maneira inequívoca a manutenção da desoneração tributária para os produtos. Ou seja, não houve a alteração do Decreto em referência para que fosse prevista a incidência do adicional de 1% da COFINImportação; • Que, como visto, foi necessária a edição do Parecer Normativo nº 10 em outubro de 2014 pelos agentes da RFB para que fosse reconhecida a aplicação do adicional de 1% da COFINSImportação; • Ocorre que, considerando a existência de dúvida quanto à aplicação do adicional de 1% da COFINSImportação para as hipóteses das importações sujeitas à alíquota zero, o correto é que a interpretação da norma tivesse sido feita de forma favorável à Impugnante. Ou seja, o correto seria reconhecer que o adicional de 1% da COFINSImportação não se aplica para as importações sujeitas à alíquota zero que permaneceram com a alíquota zero. É isso o que prevê o artigo 112 do CTN, sendo certo que, na dúvida, devese aplicar a norma mais favorável ao contribuinte. Principalmente, nos casos em que o contribuinte agiu de boa fé, como no presente caso; • Que assim, a presente autuação deve ser cancelada, em razão da aplicação do artigo 112 do CTN que resulta na aplicação da norma tributária favorável ao contribuinte; D Da inexistência de norma válida que obrigue ao recolhimento do adicional de 1% da COFINS lei geral posterior não revoga lei especial anterior • Que, em nosso ordenamento jurídico, editada disposição geral, não ficam prejudicadas as disposições especiais editadas anteriormente. É isso que determina o §2º do artigo 2º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro LINDB, que dispõe acerca da manutenção das disposições especiais, mesmo depois da promulgação de leis gerais posteriores; • Que, não se pretende defender aqui a impossibilidade de lei especial anterior ser revogada por lei geral posterior. A revogação pode sim ter lugar, mas não pode ser presumida e depende de expressa disposição e evidência da intenção do Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 403 10 legislador de, com a nova norma geral, afastar também as disposições anteriores de caráter especial; • Que, a interpretação da autoridade administrativa e do próprio Parecer Normativo nº 10/2014 viola, assim, não só a lei, mas o próprio Decreto nº 5.171/2004 que permanece válido até a presente data em relação à aplicação da alíquota zero para as aeronaves e partes e peças. Tivesse sido a intenção do legislador alterar a carga tributária nas operações de importação de aeronaves, partes e peças, o Decreto teria sido revogado ou mesmo alterado, expressando a determinação quanto à aplicação do adicional de 1% a título de COFINSImportação para os bens em questão; • Que, não se pode deixar de mencionar que o art. 111 do CTN prevê a interpretação literal da legislação que trata de suspensão ou exclusão do crédito tributário; • Desta feita, a interpretação que se apresenta como a única juridicamente possível é a de que permanece em vigor a regra específica estabelecida para o setor aeronáutico, a qual não foi alterada pela inclusão do § 21 àquele artigo (e nem pela alteração da redação do dispositivo) e que prevê a aplicação da alíquota zero da COFINS Importação, devendo, pois, ser cancelada a presente autuação; E – Da violação ao acordo GATT • Que, para as empresas aéreas, tais como a Impugnante, a incidência do adicional de 1% da COFINSImportação viola o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio da Organização Mundial do Comércio (Acordo GATT), uma vez que a receita de venda de aeronaves e partes e peças no mercado interno está sujeita à alíquota zero da COFINS; • Que, o próprio Ministério do Desenvolvimento, em relação às operações de comércio exterior, já se manifestou sobre o princípio do tratamento nacional previsto no Acordo GATT, caracterizandoo como o princípio que impede o tratamento diferenciado de produtos nacionais e importados, quando o objetivo for discriminar produto importado para desfavorecer a competição com o produto nacional; • Que, podese afirmar que o princípio do Tratamento Nacional veda a utilização de tributos, como, por exemplo, a COFINS, em alíquotas superiores àquelas incidentes nas operações internas com produtos iguais ou similares de origem nacional; • Que, quando se analisa o mesmo tributo, constatase que a indústria aeronáutica brasileira, fabricante de aeronaves e demais produtos aeronáuticos, está sujeita à incidência da alíquota zero da COFINS sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção nacional. Que o artigo 28 da Lei no 10.865/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.727/2008, estabelece a incidência da COFINS à alíquota zero sobre as receitas das pessoas jurídicas decorrentes da venda, no mercado interno, de aeronaves e produtos aeronáuticos. Já os produtos similares importados pela Impugnante da Irlanda, segundo a interpretação combatida, estariam sujeitos à incidência do adicional de 1% da alíquota da COFINS quando da importação; • Que, essa pretensão de tratamento não equânime viola o Acordo GATT e, consequentemente, o art. 5º, §2º da CF/1988, além do art. 98 do CTN, que determina que a legislação tributária deve observar os tratados e as convenções internacionais, tendo prevalência sobre elas; Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 404 11 • Por mais esse motivo, a presente autuação deve ser integralmente cancelada; III.2 — DA NECESSIDADE DE SER DECLARADA A NULIDADE DO PRESENTE LANÇAMENTO PARA A DI Nº 15/22163354 DEVIDO A EXISTÊNCIA DE LANCAMENTO ANTERIOR — DEPÓSITO JUDICIAL EM MANDADO DE SEGURANÇA • Que, caso se supere os fundamentos acima expostos, o que se admite apenas a título eventual, deve ser reconhecida a nulidade da presente autuação para a aeronave objeto da DI nº 15/22163354, em razão da existência de depósito judicial para suspender a exigibilidade do adicional de 1% da COFINSImportação; • Que, em 17/12/2015, a Impugnante impetrou Mandado de Segurança distribuído sob o nº 6584280.2015.4.01.3800 com o objetivo de, liminarmente, assegurar o seu direito líquido e certo ao não recolhimento do adicional de 1% de COFINS nas operações de importação da aeronave EMBRAER ERJ 190200 IGW, número de série do fabricante 19000699, prefixo brasileiro PRAUQ, objeto da DI no 15/22163354, reconhecendose a aplicação da alíquota zero de COFINS em tal operação; • Que, subsidiariamente, requereu fosse determinado o prosseguimento do desembaraço aduaneiro das referidas mercadorias independentemente do pagamento do adicional de 1% da COFINS, sem prejuízo de ulterior constituição do crédito tributário através do lançamento; • Contudo, a liminar pleiteada no Mandado de Segurança em referência foi indeferida e, assim, a fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário, a Impugnante realizou o depósito judicial referente aos valores do adicional de 1% da COFINSImportação incidentes na importação da aeronave objeto da DI 15/22163354 no importe de R$ 1.421.650,73; • Assim, considerando que (i) os valores depositados no Mandado de Segurança nº 6584280.2015.4.01.3800, correspondem, exatamente, a parte dos valores que estão sendo exigidos no presente Auto de Infração e, (ii) esses valores já foram constituídos pela Impugnante por meio do depósito integral, não há dúvidas quanto à nulidade do lançamento em relação à aeronave objeto da DI 15/22163354; • Que assim foi acolhida a tese que era defendida pela própria Fazenda, no sentido de que ela não estaria obrigada a efetuar o lançamento para constituir os créditos tributários, uma vez que esses créditos já haviam sido constituídos pelo depósito judicial do montante integral, sendo totalmente contraditória e desprovida de fundamento legal a atitude do Fisco em lavrar o presente Auto de Infração em relação à aeronave objeto da DI 15/22163354 quando já restou sedimentado no Superior Tribunal de Justiça que o depósito do montante integral constitui o crédito tributário; • É inconteste que, caso a União Federal saia vitoriosa no Mandado de Segurança, ocorrerá a conversão em renda dos depósitos efetuados, nos termos do artigo 156, inciso VI do CTN. Do contrário, caso a Impugnante logre êxito no Mandado de Segurança em questão, da mesma forma, nos termos do artigo 156, inciso X do CTN, estarão extintos os créditos tributários, e os valores objeto dos depósitos judiciais serão por ela levantados; • Por fim, é importante ressaltar que sequer haveria a possibilidade da Impugnante, durante o processo judicial e, portanto, antes da decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário, de proceder ao levantamento das quantias controversas, o que poderia justificar, em tese, o presente lançamento para se prevenir a decadência; Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 405 12 • Diante do exposto, considerando que já houve o lançamento dos créditos tributários ora exigidos por meio dos depósitos judiciais realizados pela Impugnante, deve ser reconhecida a nulidade do presente Auto de Infração em relação à DI 15/22163354, com o seu consequente cancelamento dessa parte por essa D. Delegacia; VI — DO PEDIDO • Diante de todo o acima exposto, a Impugnante requer o reconhecimento da ilegitimidade dos créditos tributários ora exigidos por meio do integral cancelamento do Auto de Infração, por quaisquer um dos fundamentos expostos ao longo desta peça; • Por fim, em caráter sucessivo e em homenagem ao princípio da eventualidade, a Impugnante requer seja ao menos reconhecida a nulidade do Auto de Infração em relação à DI 15/22163354. É o relatório. Passo ao voto." Em 28/08/17, a DRJ não conheceu parcialmente da impugnação e, em relação à parte conhecida, julgou improcedente. O Acórdão n° 08040.186 foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, no tocante à matéria discutida judicialmente, o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, ficando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo tem prosseguimento normal no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Nessa hipótese, ocorrendo conexão ou interdependência entre ambos os processos, a eficácia da decisão administrativa ficará subordinada ao resultado definitivo do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. Diante de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário o lançamento deve ser realizado com a finalidade de prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública. Sendo que o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, porém, não importa nulidade do correspondente Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 406 13 lançamento de ofício realizado pela autoridade tributária e aduaneira, ficando assegurado ao sujeito passivo não ser iniciado qualquer procedimento executório enquanto subsistir o depósito. DO ARTIGO 112 DO CTN. NÃO APLICABILIDADE. Diante da inexistência de dúvidas quanto: à capitulação legal dos fatos; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; nem à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, não há falar da aplicação do art. 112 e incisos do CTN. DA APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. DESCABIMENTO. A Administração Tributária deve se pautar pelo princípio da estrita legalidade, assim como pela presunção relativa de constitucionalidade das leis e atos normativos, não competindo à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, incumbindo ao Poder Judiciário tal mister, seja no controle difuso, diante de um caso concreto, seja no controle concentrado, exercido pelo Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 09/07/2015 a 29/12/2015 COFINSIMPORTAÇÃO. AERONAVES E PEÇAS (POSIÇÃO 88.02 DA NCM). ADICIONAL DE ALÍQUOTA. CABIMENTO É devido o recolhimento do adicional de 1% da COFINS Importação mesmo nas hipóteses de importações sujeitas à alíquota zero da COFINSImportação, conforme se extrai do Parecer Normativo COSIT nº 10, de 20/11/2014. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Tratase de auto de infração para cobrança do Adicional de 1% da COFINS Importação, referente a importações de aeronaves realizadas no período de 09/07/15 a 29/12/15 e amparadas por nove Declarações de Importação, como segue: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 407 14 As mercadorias foram desembaraçadas sem o pagamento do tributo, sob o amparo de medidas judiciais. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência e, por conseguinte, compreendeu apenas principal e juros de mora. Concomitância O colegiado de primeira instância identificou a ocorrência de concomitância parcial entre o presente processo e as medidas judiciais que ampararam o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Abaixo, apresento sumário das alegações e destaco que a contida na letra "c" não foi apreciada pela DRJ, pelo motivo apontado no parágrafo anterior: Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 408 15 a) "Impossibilidade de se falar em simetria com a CPRB e revogação do adicional de 1% da COFINS importação pela MP n° 774": Na Exposição de Motivos da MP n° 540/11 (convertida na Lei n° 12.546/11), que instituiu o Adicional de 1%, consta que o objetivo era o de manter uma isonomia tributária em relação a determinados produtos cuja venda estava sujeita à CPRB. Contudo, a CPRB não era uma contribuição adicional sobre a receita bruta, mas substitutiva da contribuição previdenciária sobre a folha. Dada esta falta de simetria entre o Adicional de 1% e a CPRB, a cobrança do primeiro deve ser afastada. A MP n° 774/17 revogou o Adicional de 1% da COFINS Importação. Foi revogada pela MP 794/17, a qual, todavia, não teve o condão de reintroduzir o Adicional de 1% da COFINS Importação, pois o fenômeno jurídico da repristinação não é admitido em nosso ordenamento jurídico (§ 3° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro "LINB"). Destaquese que a MP n° 774/17 foi publicada em 30/03/17 e produziu efeitos a partir de julho de 2017. E o período autuado é de 09/07/15 a 29/12/15. b) "Da aplicação do art. 112 do CTN": diante da dúvida acerca de qual dispositivo legal seria o correto § 21 do art. 8° da Lei n° 10.865/04, que prevê a incidência do Adicional de 1%, ou, isoladamente, o § 12, que reduz a zero a alíquota, em importações de aeronaves deve ser adotado o mais favorável ao contribuinte, isto é, o que dispõe sobre a alíquota zero. c) "DA ILEGITIMIDADE DO RECOLHIMENTO DO ADICIONAL DE 1% DA COFINSIMPORTACÃO" / "D Da inexistência de norma válida que obrigue ao recolhimento do adicional de 1% da COFINS" / "D.1 Lei geral posterior não revoga lei especial anterior": em síntese, invoca o § 2° do art. 2° da LINDB, que dispõe que a lei geral nova não revoga ou modifica lei especial anterior, para sustentar que estava reduzida a zero a alíquota da COFINS Importação sobre aquisições de aeronaves no mercado externo realizadas no período de 09/07/15 a 29/12/15 (inciso VI do § 12 do art. 8° da Lei n° 10.865/04). d) "Violação do GATT": é ilegal e inconstitucional a cobrança do Adicional de 1%, porque o GATT, que prevalece sobre a legislação interna, veda que seja conferido a produtos nacionais tratamento tributário mais benéfico do que aos importados. e) "Da necessidade de ser declarada a nulidade do presente lançamento para a DI n° 1522163354, devido a existência de lançamento anterior depósito judicial em mandado de segurança": Deve ser reconhecida a nulidade da auto, no que tange à parcela do crédito tributário que havia sido previamente depositada nos autos do MS n° 6584280.2015.4.01.380, referente à DI n° 15/22163354, posto que o depósito já é suficiente para a constituição de crédito tributário. O entendimento foi pacificado por meio do REsp n° 1.140.956/SP, sob o rito dos recursos repetitivos, e confirmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão CARF n° 9101003.061. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 409 16 Passo ao exame da possível ocorrência de concomitância e sua abrangência, A Lei n° 10.865/04 criou o PIS/COFINS Importação. No art. 8°, definiu as alíquotas, mas, em situações específicas, tais como as das mercadorias em tela, reduziuas a zero, por meio do inciso VI do § 12: "Art. 3° O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. (. . .) Art. 8° As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas: I na hipótese do inciso I do caput do art. 3o, de: (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) a) 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento), para a Contribuição para o PIS/PasepImportação; e b) 9,65% (nove inteiros e sessenta e cinco centésimos por cento), para a CofinsImportação; e II na hipótese do inciso II do caput do art. 3o, de: a) 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para a Contribuição para o PIS/PasepImportação; e b) 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a Cofins Importação. (. . .) § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: (. . .) VI aeronaves, classificadas na posição 88.02 da NCM; (. . .) § 21. As alíquotas da CofinsImportação de que trata este artigo ficam acrescidas de um ponto percentual na hipótese de importação dos bens classificados na Tipi, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, relacionados no Anexo I da Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013, em vigor desde agosto de 2013) (Vigência)" Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 410 17 Concordo com a DRJ, em cujo voto trouxe excertos das decisões proferidas em de cada um dos processos judiciais. Não há dúvida de que há concomitância em relação à alegação mencionada na letra "c" retro, pois o objeto das ações judiciais é exatamente o mesmo: afastar a incidência do Adicional de 1% da COFINS Importação, previsto no § 21 do art. 8° da Lei n° 10.865/04, em razão de entender que o mesmo não revoga ou modifica a alíquota zero fixada pelo inciso VI do art. § 12 do art. 8°. Por conseguinte, não podemos nos pronunciar sobre tal questão, então já entregue ao Poder Judiciário. Por outro lado, a DRJ concluiu que os demais argumentos de defesa não integram os objetos das ações judiciais e, por conseguinte, não abrangidos pela concomitância. E, então, apreciouos. Concordo com a DRJ, quanto à necessidade apreciarmos o argumento concernente à suposta nulidade da parte do auto de infração cujo crédito tributário encontrava se depositado em juízo. Tratase de prejudicial de mérito, cuja procedência ocasionaria o cancelamento de parte do ato administrativo original, isto é, o auto de infração, por meio do qual foi efetuado o lançamento de ofício. Contudo, divirjo, com relação às alegações restantes. A concomitância fundamentase no "Princípio Constitucional da Jurisdição Única (art. 5º, XXXV, da CF)", segundo o qual é o judiciário o órgão competente para julgar a controvérsia em caráter definitivo. E foi positivada, por meio dos artigos 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/79, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, e objeto da Súmula CARF n° 1: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Ora, se caberá ao Judiciário a palavra final acerca da exigibilidade ou não do tributo, não cabe à via administrativa apreciar argumentos, ainda que inéditos, que eventualmente possam vir a contradizer a decisão judicial. Isto posto, voto por não conhecer dos argumentos defesa sumariados nas letras "a" a "d", em face da ocorrência de concomitância entre o objeto do processo administrativo em comento e os das medidas judiciais propostas. Passo, então ao exame do único argumento de defesa que reputo não estar contidos nos objetos das referidas ações judiciais, o qual, destaco, preencher os demais requisitos legais de admissibilidade. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 411 18 "Da necessidade de ser declarada a nulidade do presente lançamento para a DI n° 1522163354, devido a existência de lançamento anterior depósito judicial em mandado de segurança" Nos termos da síntese anteriormente apresentada, aduz a recorrente que o depósito judicial supre a necessidade de o Fisco lançar o crédito e, por conseguinte, seria nula a autuação, no que concerne à DI n° 15/22163354, cujo desembaraço ocorreu sem o pagamento do tributo em questão, escudado pelo MS n° 6584280.2015.4.01.380. Cita o REsp n° 1.140.956/SP, julgado no rito dos recursos repetitivos, e o Acórdão CARF n° 9101003.061, de 13/09/17. O cabimento ou não do lançamento de ofício para prevenir decadência, sem o lançamento da multa de ofício, nos casos em que o crédito tributário foi integral e tempestivamente depositado em juízo, é matéria ainda controversa no CARF, Em pesquisa ao sítio virtual do CARF, encontrei os seguintes acórdãos favoráveis à aplicação do REsp n° 1.140.956/SP e, portanto, ao cancelamento do auto de infração: i) 3201001.032 ( 28/06/12); 1302002.294 (22/06/17); 9101003.061 (13/09/17); e 2201004.562 (06/06/18). Por outro lado, no sentido de que o REsp n° 1.140.956/SP não trata da situação em que é lavrado auto de infração exclusivamente para prevenir a decadência: 9101 003.474 (07/03/18); 1101001.135 (05/06/14); e 9202004.303 (20/07/16). Com a devida vênia, filiome à corrente que entende que o REsp n° 1.140.956/SP não tratou dos lançamentos de ofício para prevenir decadência e, portanto, não se aplica à lide em debate. Por conseguinte, nego provimento ao argumento, adotando como minha razão de decidir o voto condutor do Acórdão n° 9101003.474, de 07/03/18, do i. Conselheiro Rafael Vidal do Araújo: "Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator (. . .) Assim, passo a expor meu voto a respeito do mérito da questão questionada no recurso especial da PGFN. De plano, julgo prudente esclarecer que não entendo aplicável ao presente caso o mandamento insculpido no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 412 19 nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Nos processos administrativos em que se discute a (im)possibilidade de realização de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial, é frequente a alegação, por parte dos sujeitos passivos, de que a questão já teria sido decidida de maneira definitiva pelo STJ no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. O julgamento de tal recurso judicial efetivamente seguiu o rito previsto no art. 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC), em virtude de aquela Corte Superior ter considerado o recurso como representativo de controvérsia. Portanto, tal julgado se enquadraria, em tese, entre as hipóteses elencadas no § 2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015. Ocorre que o caso concreto enfrentado nos presentes autos não é alcançado pelo teor daquele julgado, de forma a vincular a decisão deste Colegiado. A 2ª Turma da CSRF teve recentemente a oportunidade de deliberar a respeito do alcance do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Dispôs a respeito do assunto o voto condutor do Acórdão nº 9202004.303: 'A esse respeito, o Contribuinte alega a existência de decisão do Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil, que vincularia os Conselheiros de CARF, conforme o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF. Tratase do Recurso Especial 1.140.956SP, que no entender desta Conselheira de forma alguma autoriza a conclusão de que deveriam ser declarados nulos os Autos de Infração lavrados em presença de depósito do montante integral do débito. Assim, embora não seja imprescindível a lavratura de Auto de Infração nos casos em que haja depósito do montante integral do crédito tributário, não há base legal para que os lançamentos efetuados nessas condições sejam considerados nulos ou sejam cancelados. Nesse sentido, trago à colação e aqui incluo em minhas razões de decidir o voto proferido pela Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101001.135, de 05/06/2014, que analisou o Recurso Especial 1.140.956SP, citado pelo Contribuinte em seu apelo, concluindo que o efeito repetitivo não contempla a tese esposada pelo Contribuinte: 'A recorrente invoca a observância do art. 62A do RICARF em razão da manifestação do Superior Tribunal de Justiça assim consolidada na ementa do Recurso Especial nº 1.140.956SP: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 413 20 crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidadeautuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: 'Depois da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica suspensa a exigibilidade do crédito. (...) Ao promover a ação anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30 dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente, convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p. 205/206).' Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 414 21 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: 'A verossimilhança do pedido é manifesta, pois houve o depósito dos valores reclamados em execução, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, de forma que concedo a liminar pleiteada para o fim de suspender a execução até o julgamento do mandado de segurança ou julgamento deste pela Turma Julgadora.' 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: " O depósito do valor do débito impede o ajuizamento de ação executiva até o trânsito em julgado da ação. Consta que foi efetuado o depósito nos autos do Mandado de Segurança impetrado pela agravante, o qual encontrase em andamento, de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até solução definitiva. Assim sendo, a Municipalidade não está autorizada a proceder à cobrança de tributo cuja legalidade está sendo discutida judicialmente." 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Porém, observase que a discussão, naqueles autos, tinha em conta execução fiscal promovida em face de sujeito passivo que promovera depósito judicial classificado como insuficiente pela Municipalidade e, assim, inábil a suspender a exigibilidade do crédito tributário. Aqui, o lançamento foi formalizado sem aplicação de penalidade e com o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, inexistindo qualquer questionamento acerca da suficiência do depósito judicial. Por sua vez, o voto condutor do julgado antes mencionado principia observando que: 'Entrementes, dentre os multifários recursos especiais relacionados à questão da impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal, ante a existência de ação antiexacional Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 415 22 conjugada ao depósito do crédito tributário, grande parte refere se à discussão acerca da integralidade do depósito efetuado ou da existência do mesmo, razão pela qual impõese o julgamento da controvérsia pelo rito previsto no art. 543C, do CPC, cujo escopo precípuo é a uniformização da jurisprudência e a celeridade processual. (destaques do original)' Sob esta ótica, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse acerca da implementação da suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão de depósito judicial, asseverando que sua implementação, quando integral, impede “atos de cobrança”, dentre os quais inseriu a “lavratura do auto de infração e aplicação de multa”, sem apreciar a possibilidade de lançamento sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade. É nesse contexto específico que exsurge o impedimento à lavratura do auto de infração em face de depósito judicial integral do tributo. No mais, o Superior Tribunal de Justiça teve em conta apenas a extinção do crédito tributário em razão da conversão do depósito em renda da Fazenda Pública, bem como a suficiência do depósito judicial no caso concreto em análise, determinando a extinção da execução fiscal em curso. Concluise, do exposto, que o Superior Tribunal de Justiça não decidiu, no rito do art. 543C, acerca da impossibilidade de lançamento, sem aplicação de penalidade e com suspensão da exigibilidade, de tributo depositado judicialmente. Por tais razões, deve ser REJEITADO o pedido de vinculação ao julgado antes referido, por força do art. 62A do RICARF." (...) Assim, resta claro que o julgado ora analisado de forma alguma autoriza a interpretação no sentido de que o Auto de Infração lavrado apenas para prevenir a decadência, adotando todas as cautelas legais, no sentido da manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, lavrado por pessoa competente e sem qualquer cerceamento de direito de defesa, deva ser declarado nulo, por haver o Contribuinte efetuado depósito do montante integral do débito." (grifouse) Acompanho as razões expostas no julgado transcrito para concluir que a tese construída no acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP não se aplica indistintamente a qualquer hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário objeto de prévio depósito judicial. A i. Conselheira Relatora do Acórdão nº 9202004.303, fazendo remissão ao Acórdão nº 1101001.135, conclui que o Egrégio STJ somente apreciou, por ocasião do julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, hipótese em que o sujeito ativo promove o lançamento de crédito tributário acompanhado de penalidade, em razão de entender se, no momento do lançamento, pela não integralidade dos depósitos judiciais por meio dos quais o sujeito passivo pretendeu suspender a exigibilidade o crédito tributário, valendose da previsão legal do inciso II do art. 151 do CTN. Não estão contempladas na manifestação exarada pelo STJ hipóteses como a encontrada nos presentes autos, em que a Fiscalização reconhece no auto de infração Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 416 23 a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos e realiza o lançamento sem a imputação de penalidade alguma, com o propósito de prevenção da decadência. Tal conclusão é corroborada pela declaração feita no início do voto condutor do acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP. Ao justificar a necessidade de julgamento da controvérsia pelo rito do art. 543C do CPC então vigente, o i. Ministro Relator faz referência à existência de grande quantidade de recursos especiais em que se discute acerca da integralidade ou mesmo da existência de depósito judicial e dos seus efeitos em relação à impossibilidade de ajuizamento de executivo fiscal. Além disso, quando mencionou os atos de cobrança cuja realização estaria inibida pela existência do depósito judicial, o voto condutor do acórdão judicial fez menção apenas à "lavratura do auto de infração e aplicação de multa", não abordando a hipótese de lançamento realizado sem a aplicação de qualquer penalidade em virtude do reconhecimento da integralidade do depósito judicial e da consequente suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante de tais fatos, considero que o STJ, ao construir sua decisão no julgamento do REsp nº 1.140.956/SP, não contemplou hipóteses fáticas em que a autoridade tributária realiza lançamento de ofício com a exclusiva finalidade de prevenir a decadência, reconhecendo expressamente a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos em virtude da existência de depósitos judiciais e corretamente se abstendo de aplicar penalidade ao sujeito passivo. Assim, concluise que, embora o STJ tenha proferido o acórdão de julgamento do REsp nº 1.140.956/SP seguindo o rito estabelecido no art. 543C do CPC então vigente, não há que se falar em vinculação dos conselheiros desta Turma, no presente julgamento, àquela decisão. Em decorrência, não se subsume o presente caso ao inciso II do parágrafo 12 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, abaixo transcrito: § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 329, de 04 de junho de 2017) (...) II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 329, de 04 de junho de 2017) Desse modo, voto no sentido de CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Passase então ao desenvolvimento das razões de decidir aplicáveis ao caso ora submetido ao julgamento desta 1ª Turma da CSRF. Filiome ao grupo dos julgadores administrativos que entendem não haver impedimento à lavratura de autos de infração para prevenção da decadência de Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 417 24 obrigação tributária que já seja objeto de depósito vinculado a uma demanda judicial. A autoridade tributária tem entre suas atribuições a atividade administrativa de lançamento, que, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, é vinculada e obrigatória. In verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Identificando, portanto, a ocorrência de fato gerador de obrigação tributária, aquela autoridade tem como dever funcional a realização do lançamento tributário, que se completa com as etapas de determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível, se for o caso. O dispositivo é expresso ao definir a atividade administrativa de lançamento como vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não trazendo qualquer previsão de tratamento diferenciado para hipóteses de crédito com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Na hipótese de existência de depósito judicial relacionado à obrigação identificada pela autoridade tributária, poderseia discutir a necessidade de realização do lançamento. Isso porque existe a tese de que a efetivação de tal depósito seria análoga ao pagamento antecipado do tributo pelo sujeito passivo, figura encontrada na sistemática adotada para os tributos submetidos ao lançamento por homologação. Os defensores de tal tese entendem que o depósito judicial seria suficiente para a constituição do crédito tributário (sujeita à posterior homologação do sujeito ativo), sendo desnecessária a realização de lançamento de ofício pela autoridade tributária. Tal entendimento, todavia, não leva à conclusão de que os lançamentos de ofício realizados neste contexto sejam nulos ou passíveis de cancelamento. O Decreto nº 70.235/1972 trata da seguinte forma as hipóteses de nulidade no processo administrativo tributário: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Lançamentos de ofício como o praticado nos presentes autos não se enquadram em nenhuma das situações de nulidade prescritas. O auto de infração foi Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 418 25 lavrado por autoridade competente (AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) e não houve qualquer preterição de direito de defesa. Após a formalização do lançamento, o contribuinte pôde exercer plenamente seu direito de defesa assegurado por lei, impugnando o auto de infração e provocando o contencioso administrativo, que inclusive nos trouxe até a presente fase de julgamento de recurso especial. Os requisitos formais dos autos de infração, cujo descumprimento poderia, em tese e em último caso (impossibilidade de saneamento), levar a uma declaração de sua nulidade, são objeto do art. 10 do mesmo Decreto nº 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O auto de infração que originou os presentes autos cumpriu rigorosamente todas as formalidades que dele são exigidas, não se podendo cogitar de sua nulidade em razão de alguma mácula neste sentido. Sendo assim, não se identifica qualquer vício ou irregularidade que possa provocar a nulidade do lançamento realizado. A autuação, embora possa ser considerada desnecessária por alguns, se deu de forma completamente regular, notadamente diante de seu propósito de prevenir a decadência, do reconhecimento da suspensão da exigibilidade do crédito constituído em virtude da existência de depósito judicial e da não imputação de penalidade ao sujeito passivo. Acrescentese que não acarretou qualquer prejuízo para o contribuinte o lançamento realizado com a finalidade de prevenção da decadência (e tampouco provocará prejuízo sua manutenção neste julgamento). Quando um sujeito passivo suspende a exigibilidade de crédito tributário mediante a realização de depósito judicial integral, nenhuma exigência lhe é feita até o trânsito em julgado da demanda judicial. Somente com o trânsito em julgado da ação é que o sujeito passivo é autorizado a levantar os valores depositados, devidamente corrigidos (caso obtenha êxito no mandado de segurança), ou observa a conversão do depósito judicial em renda a favor da União (caso a decisão judicial seja favorável à Fazenda Nacional). Diante do exposto, quanto ao mérito do recurso especial da Fazenda Nacional, voto por DARLHE PROVIMENTO para restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos. (. . .) Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10611.720384/201701 Acórdão n.º 3301006.065 S3C3T1 Fl. 419 26 Desse modo, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer integralmente o lançamento objeto dos presentes autos e determinar o retorno dos autos à Turma a quo para apreciação da tese contida no recurso voluntário que teve seu julgamento prejudicado, após ser dada ciência às partes desta decisão. Em síntese, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial." Conclusão Conheço parcialmente do recurso voluntário e, com relação à parte conhecida, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 419DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.015533/2007-05
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Após a lavratura do auto de infração, instaura-se a fase litigiosa, entre o Fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa e recurso
administrativos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO PELA DRJ COM VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE.
“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2).
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO.
A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.558
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e (b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Eivanice Canário da Silva e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que davam provimento ao recurso. Foi requisitada preferência no julgamento do recurso. Foi realizada sustentação oral pelo patrono do contribuinte, Dr. Schübert de Farias Machado - OAB-CE 5213. Redator designado: Conselheiro José Raimundo Tosta Santos.
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Após a lavratura do auto de infração, instaurase a fase litigiosa, entre o Fisco e o contribuinte, sendo, portanto, a partir deste momento, possível a aplicação dos preceitos constitucionais e legais relativos à ampla defesa e ao contraditório. Antes de cientificado o contribuinte a respeito da lavratura do auto de infração, portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa, especialmente porque teve o contribuinte acesso a todos os documentos acostados aos autos, suficientes, pois, para sua defesa e recurso administrativos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. JULGAMENTO PELA DRJ COM VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 244 2 ACORDAM os Membros do Colegiado: (a) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e (b) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Eivanice Canário da Silva e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, que davam provimento ao recurso. Foi requisitada preferência no julgamento do recurso. Foi realizada sustentação oral pelo patrono do contribuinte, Dr. Schübert de Farias Machado OABCE 5213. Redator designado: Conselheiro José Raimundo Tosta Santos. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Redator designado (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator vencido Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 224/230) interposto em 12 de setembro de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Fortaleza (CE) (fls. 207/217), do qual o Recorrente teve ciência em 28 de agosto de 2008 (fl. 223), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/10, lavrado em 13 de dezembro de 2007, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 245 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO – MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não restando configurados os alegados vícios no procedimento fiscal, descabe a nulidade do lançamento pleiteada pelo sujeito passivo. Na fase procedimental do processo administrativo fiscal predomina o princípio da inquisitoriedade; o princípio do contraditório e da ampla defesa somente pode ser invocado na fase processual seguinte, depois de formalizada a acusação fiscal. Caracteriza rendimento tributável, o pagamento de investimentos imobiliários realizados pelo contribuinte no anobase, com a utilização de recursos oriundos de contas bancárias tituladas por pessoa jurídica para a qual o interessado prestou serviços de gerência nos correspondentes períodos de apuração. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Lançamento Procedente ” (fl. 207). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 224/230, repetindo, basicamente, quanto à parte da exigência mantida, os argumentos contidos na impugnação, mais precisamente os atinentes à nulidade do procedimento fiscal, à ausência de provas, à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e à manutenção da qualificação da multa no anocalendário de 2002. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Preliminarmente, alega o Recorrente que: “1. Conforme alegou em sua impugnação, o auto de infração de que deu origem à presente ação fiscal é nulo de pleno direito, porque lavrado sem obediência às regras do procedimento administrativo fiscal e sem que fosse assegurada ao autuado, ora impugnante, a mais mínima chance de defesa. Tudo se deu no âmbito de um procedimento de fiscalização instaurado contra uma pessoa jurídica pertencente a uma parenta do impugnante, como se este fizesse parte daquela pessoa jurídica. Aliás, ainda que realmente essa participação existisse, ainda assim não seria válido um auto de infração contra a pessoa física sem obediência dos procedimentos legais próprios, inclusive com o competente termo de início de fiscalização, e com as intimações necessárias a assegurar ao fiscalizado o direito de defenderse. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 246 4 2. Nulo, também, foi o julgamento contra o qual ora se interpõe o presente recurso, porque não foi assegurado ao recorrente o direito de assistilo. Em outras palavras, o julgamento se deu em sessão secreta, sem que o recorrente tivesse ao menos ciência de sua realização. Com indiscutível lesão ao princípio da publicidade, expressamente assegurado pelo art. 37, da Constituição Federal.” Entendo, todavia, que as preliminares devem ser afastadas, pois o contribuinte teve acesso a todos os documentos que embasaram a lavratura do auto de infração, tanto por ocasião da apresentação da impugnação, como da interposição do recurso voluntário, não tendo havido, no presente caso, qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. A despeito da alegação de cerceamento de defesa, fato é que quando o contribuinte teve ciência da autuação, apresentou sua impugnação, que foi conhecida pela DRJ, tendo sido analisadas as razões e documentos nela apresentados. Outrossim, a própria interposição do recurso voluntário, ora em análise, consubstanciou nova oportunidade para apresentação de todas as provas que entendesse cabíveis, em prol da busca pela verdade material. Nesse sentido, ainda que nulidade houvesse, o que se admite apenas para fins de argumentação, não haveria qualquer prejuízo para a defesa do Recorrente nos presentes autos, eis que, como se disse, teve acesso a todos os documentos dos autos, sem dizer que todos os documentos por ele acostados estão sendo objeto de análise. Além disso, da análise dos presentes autos, não se infere em nenhum momento qualquer prejuízo à sua defesa, vez que, pela defesa e recurso apresentados, verifica se que o contribuinte entendeu corretamente os fatos imputados e as infrações a ele atribuídas, aplicandose, pois, ao presente caso, o brocardo pas de nullité sans grief, ou, em vernáculo, não há nulidade sem prejuízo. No que se refere à violação ao princípio da publicidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal, tratase de questão que este CARF não pode analisar, seja em virtude do disposto no artigo 26A do Decreto 70.235/72, seja em decorrência do enunciado contido na Súmula CARF n. 2. No que tange ao mérito, propriamente dito, do recurso voluntário, entendo que a matéria cingese à aferição da efetiva titularidade dos recursos provenientes das contas bancárias mantidas junto ao Banco Industrial e Comercial S/A e Banco Panamericano S/A, utilizados para o pagamento de obrigações do Recorrente, notadamente no que tange aos investimentos feitos junto à empresa Fiduccia Incorporadora Ltda. (em proveito do contribuinte, como se logrou demonstrar com as respostas à fiscalização por parte desta última e do “Instrumento Particular de Rescisão de Negócio, Acerto Financeiro e Outorga de Quitação”, firmado entre o contribuinte e a Fiduccia Incorporadora Ltda.) e, bem assim, à compra de imóvel entabulada com o Sr. Paulo Roberto Uchoa do Amaral. Conforme alega a fiscalização, nesse sentido, o contribuinte teria se apropriado de recursos pertencentes à CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., transferidos de contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica para o adimplemento de obrigações do próprio contribuinte, o que consistiria em omissão de rendimentos deste último recebidos da citada pessoa jurídica, durante o anocalendário de 2002. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 247 5 Em que pese à concentração de esforços, por parte da fiscalização, exclusivamente nos negócios jurídicos citados (compra do imóvel e investimento junto à Fiduccia Incorporadora Ltda.), pareceme que a valoração dos fatos, refletida na atuação in casu, não corresponde ao ocorrido na espécie. De fato, conforme se extrai dos documentos acostados, o presente auto de infração tem origem na fiscalização realizada na pessoa jurídica CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., consubstanciada no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n.º 03.1.01.002007.002242. Nesse esteio, analisandose o Termo de Verificação Fiscal anexo ao referido MPF (fls. 82/100), observase que, a par da efetiva demonstração de que os recursos utilizados pelo contribuinte nas operações jurídicas questionadas no presente feito foram provenientes de contas bancárias de titularidade da CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., o auditor fiscal demonstrou que as operações realizadas com referidos recursos eram, de fato, para proveito do Sr. Antônio Jatay Pedrosa. Com efeito, conforme se infere do TVF anexo ao MPF nº 03.1.01.00 2007.002242, as provas produzidas pela fiscalização não permitiriam a mera dedução de que o Sr. Antônio Jatay Pedrosa teria se apropriado de recursos pertencentes à CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., utilizados no pagamento de operações realizadas pelo Recorrente, mas, de outra sorte, que os próprios recursos movimentados nas referidas contas bancárias seriam, efetivamente, de sua titularidade. Em outras palavras, a CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., conforme demonstrou a própria fiscalização, figuraria como interposta pessoa em diversas relações jurídicas envolvendo o contribuinte, que se mantiveram à margem de suas declarações de imposto de renda (DIRPF), nas quais, por meio da citada simulação relativa, ocultavam o efetivo contratante, que vem a ser o próprio Recorrente. Com efeito, consoante se extrai do Termo de Verificação fiscal anexo ao MPF originário, a fiscalização logrou demonstrar, em profunda análise da relação existente entre as partes (Sr. Antonio Jatay Pedrosa e CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda.), além da utilização dos recursos da sociedade para o investimento realizado na “Fiduccia”, e daquele relativo à compra de bem imóvel em proveito do Recorrente, os seguintes indícios de interposição fictícia: a) a sede da CRAL – Comércio e Representações Ltda. situase em propriedade do Sr. Antônio Jatay Pedrosa; b) os sócios da pessoa jurídica, Sr. Manoel José de Sousa, e Sra. Arnaldina Jataí Pinheiro, não possuíam, à época da fiscalização, rendimentos compatíveis com os recursos movimentos nas contas bancárias das pessoas jurídicas, sendo certo que o primeiro, até o ano de 2002 (primeiro exercício após a constituição da “CRAL”), se apresentava como isento do imposto de renda logo após a criação da pessoa jurídica, e a segunda como possuidora de parcos bens em seu nome; c) a Sra. Arnaldina Jataí Pinheiro, irmã do Recorrente, além do patrimônio declarado não condizente com a movimentação financeira, era funcionária do contribuinte em uma de suas empresas (JaysaJatay Pedrosa Automóveis Ltda.); Fl. 236DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 248 6 d) a pessoa jurídica possui, apenas, dois funcionários contratados, sendo sua sede enxuta para o volume de operações realizado; e) as receitas declaradas pela pessoa jurídica em DIPJ (R$ 114.135,25), no anocalendário 2002, são absolutamente incompatíveis com o volume de recursos movimentado em suas contascorrentes (R$ 15.198.830,76); f) a pessoa jurídica deixou de apresentar os pertinentes livros e registros, contábeis e fiscais, relativos ao exercício em referência; g) diversas compras de açúcar de fornecedores assinada e autorizada pelo Sr. Antonio Jatay Pedrosa, com a movimentação de recursos mantidos à margem da escrituração da sociedade em contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica. A este respeito, aliás, como se observa do próprio Termo de Verificação Fiscal acostado ao MPF n.º 03.1.01.002007.002242, que acabou por originar a cobrança realizada no auto de infração, ora objeto de análise, a própria fiscalização, com fundamento no robusto conjunto probatório produzido, afirmou que “os rastreamentos das operações bancárias em apreço, também nos trouxeram informações valiosas acerca do mentor dessas atividades “paralelas”, praticadas em nome da fiscalizada, na medida em que nos apontou o verdadeiro beneficiário econômico desses negócios, na pessoa do Sr. Antonio Jatay Pedrosa (...)”. Por força dos citados indícios de interposição fictícia, demonstrados pela própria fiscalização, entendo que as contas bancárias de titularidade da CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., na realidade, eram utilizadas para movimentar recursos próprios do Sr. Antonio Jatay Pedrosa, mantidos à margem de sua declaração de imposto de renda. De fato, ao contrário do que restou consignado no auto de infração, parece me que a utilização de recursos provenientes das citadas contas bancárias, no bojo das provas realizadas pela fiscalização, não é capaz de induzir ao entendimento de que teria havido, na espécie, omissão de rendimentos, por parte do contribuinte, recebidos de pessoa jurídica (CRAL Comércio e Representações de Alimentos Ltda.), mas, de outra sorte, que os próprios valores movimentados nas contas bancárias, cuja titularidade aparente seria da pessoa jurídica, eram de titularidade do Recorrente. Ora, se referidos recursos, na realidade, eram pertencentes ao próprio Recorrente e, destarte, não à pessoa jurídica, a sua utilização para investimento em empreendimento firmado pelo contribuinte em conjunto com a Fiduccia, e, igualmente, a sua movimentação para a aquisição de bem imóvel, tal como narrado no auto de infração objeto de análise, não constituem fato gerador do imposto de renda do Recorrente, mas, de outra sorte, dispêndios de recursos próprios. Nesse esteio, pois, ainda que se entenda ter restado comprovada a ampla disposição de recursos nas citadas contas bancárias por parte do contribuinte, especificamente para a utilização em empreendimento conjunto com a Fiduccia e para a aquisição de imóvel, não se afigura cabível a incidência de imposto de renda sobre pagamentos efetuados com recursos do contribuinte. Por outro giro, a comprovação da mera utilização de recursos por Fl. 237DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 249 7 parte do contribuinte, isto é, pagamentos ou creditamentos, não importa em qualquer acréscimo patrimonial para quem deles dispõe, mas, sim decréscimo patrimonial. Na esteira deste entendimento, como se sabe, a simples remessa de valores, pois, à exceção das hipóteses em que feita a não residente (art. 685 do RIR/99), não é fato gerador do imposto de renda, a menos que a fiscalização comprove, adequadamente e por meio de demonstrativo de variação patrimonial mensal, a ocorrência de gastos superiores aos recursos declarados. Notese bem: o acréscimo patrimonial a descoberto, previsto pelo art. 3º, §1º da Lei n.º 7.713/88, não se traduz em um fato gerador sobre pagamentos, mas em uma presunção de omissão de rendimentos, na medida em que o contribuinte deve suportar os gastos efetuados, via de regra, com rendimentos auferidos. Por esta razão precípua, verificandose que o auto de infração em referência não possui qualquer demonstrativo de variação patrimonial, apto a comprovar dispêndios feitos em dissonância com os recursos declarados pelo contribuinte, afigurase absolutamente nulo, eis que sem fundamento legal a base de cálculo apurada in casu. A respeito da necessidade de demonstrativo de variação patrimonial mensal para a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, cumpre conferir os seguintes precedentes, in verbis: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIOS DE APURAÇÃO A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributamse na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal. Interpretação sistemática das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 143.035, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, sessão de 05/07/2007) “IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO CRITÉRIOS DE APURAÇÃO A variação patrimonial do contribuinte deve, necessariamente, ser levantada através de fluxo financeiro onde se discriminem, mês a mês, as origens e as aplicações de recursos. Tributamse na declaração de ajuste anual os acréscimos patrimoniais encontrados através da apuração mensal. Interpretação sistemática das Leis nos 7.713/88 e 8.134/90.” (1º Conselho de Contribuintes, 6ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 139.288, relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, sessão de 17/03/2005) Com fulcro no exposto, portanto, restando comprovado, como admite a própria fiscalização no TVF anexo ao MPF n.º 03.1.01.002007.002242, que os recursos movimentados nas contas bancárias da CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda. eram, de fato, de titularidade do contribuinte, e, igualmente, que a citada pessoa jurídica participou dos negócios jurídicos questionados, mantidos à margem de sua contabilidade, como interposta pessoa, entendo que a verificação de imposto de renda, na hipótese, cingirseia à aferição da origem dos recursos depositados nas citadas contas bancárias, na forma do art. 42, da Lei n.º 9.430/96, matéria esta objeto de outro auto de infração, oriundo do mesmo MPF. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 250 8 Nesse sentido, pois, tratandose de recursos, comprovadamente, movimentados pelo próprio Recorrente, a despeito da titularidade formal das contas bancárias, entendo não haver pressuposto legal para a tributação do mero dispêndio dos recursos, na medida em que, como se verificou, não restou apurado qualquer acréscimo patrimonial por parte da fiscalização. Por esta razão, entendendo restar demonstrada a interposição fictícia da pessoa jurídica em negócios realizados pelo próprio contribuinte, inclusive com a movimentação de recursos do Recorrente por meio de contas bancárias da CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda., entendo descabida a exigência de imposto de renda a título de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, na medida em que, como se verificou, as operações contestadas se referem à aplicação de recursos por parte do Recorrente. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Em que pese o brilhantismo e a coerência do entendimento manifestado pela i. Conselheiro Relator, peço vênia para divergir em relação à análise do mérito. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal constante do Processo n° 10380.015532/200752 (acostado por cópia aos presentes autos fls. 82/100), elaborado com base em conjunto probatório formado durante o procedimento de investigação, em que a fiscalização realizou diversas diligências junto a terceiros (fls. 17/75), constatouse que recursos depositados nas contas bancárias da pessoa jurídica CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda. foram utilizados em investimentos imobiliários realizados por Antonio Jatay Pedrosa. Constatadas as situações que relacionavam o autuado com a movimentação financeira da empresa CRAL, a fiscalização o intimou a explicar as correspondentes operações descritas no Termo de fls. 11/12. Em sua resposta, às fls. 15/16, o autuado informa não ser titular das contas bancárias (em nome da CRAL), não ter movimentado nem ser proprietário dos respectivos recursos mantidos pela empresa, que não realizou as operações de compra de açúcar, que não lembra da transação imobiliária perquirida na Intimação, e que não tem qualquer responsabilidade com os negócios realizados pela CRAL. Entretanto, os documentos de fls. 17/75 comprovam, indubitavelmente, o fato apontado pela Fiscalização – o pagamento pela CRAL de investimentos imobiliários realizados pelo autuado – através de cheques e documentos de crédito (DOC E), sem que fossem Fl. 239DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 251 9 declarados os correspondentes rendimentos pelo beneficiário, consoante DIRPF/2003, às fls. 76/80. Diferentemente do entendimento manifestado pela defesa, penso que não se pode conceber que tais recursos foram auferidos a título de distribuição de lucro, pois inexistente qualquer escrituração fiscalcontábil a esse respeito e principalmente porque o autuado não integra o quadro societário da empresa CRAL. A tese da distribuição de “lucro de fato”, discutida durante a sessão de julgamento, poderia se coadunar para uma empresa sem atos constitutivos registrados, com existência apenas de fato, circunstância que não ocorre no presente caso, pois a CRAL – Comércio e Representações de Alimentos Ltda. encontrase regularmente constituída. Da mesma forma, inexiste contrato de mútuo, informação na DIRPF do autuado ou lançamento fiscalcontábil na escrituração da CRAL a dar suporte à tese subsidiária de que a utilização de recursos da referida empresa poderia decorrer de empréstimos, nem há qualquer elemento de prova em relação a pagamentos efetuados pelo autuado à mutuante, a título de devolução de mútuo. Por outro lado, o lançamento em exame não trata de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. Aplicase este método indireto de apuração da renda omitida quando não se conhece a origem, datas e valores da renda omitida. No presente caso, resta sobejamente comprovado os recursos auferidos pelo autuado da empresa CRAL, não informados em sua DIRPF do exercício de 2003, razão pela qual a infração indicada no lançamento é de omissão de rendimentos auferidos de pessoa jurídica. Incumbe ao autor do feito (à fiscalização) comprovar o benefício auferido pelo contribuinte, indicando precisamente a origem, valor e data, possibilitando ao acusado o regular exercício do seu direito de defesa. Confirase a esse respeito a descrição dos fatos no Auto de Infração (fls. 04/05), efetuada com suporte no Termo de Compromisso às fls. 58/62 (e respectivos comprovantes de pagamento às fls. 19/20, 22, 28, 32, 36, 53/54), relacionados aos investimentos realizados pelo autuado na Fidúcia Incorporadora Ltda, e nos documentos às fls. 73/74, relacionados à transação imobiliária entre o autuado e Paulo Roberto Uchoa do Amaral: “001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA (...) 1) Investimentos feitos junto à empresa Fidúcia Incorporadora Ltda (exFiduccia Empreendimentos e Participações Ltda.), com recursos sacados das contas bancárias mantidas em nome da CRAL junto ao Banco Industrial e Comercial S/A BIC e Banco Panamericano S/A, através das ordens de crédito a seguir relacionadas, destinados à compra de terreno e construção do empreendimento imobiliário denominado "Catamarã Condominium", conforme Termo de Compromisso celebrado em 15/03/2002, fornecido a esta fiscalização pela empresa tomadora dos recursos, como segue: Meio de Pagamento Conta/Banco Sacado Data ValorR$ DOC n° 340199 140524205Ag.006BIC 02/04/2002 1.293.000,00 DOC n° 340200 140524205Ag.006BIC 02/04/2002 1.471.135,00 DOC n° 316066 140524205Ag.006BIC 25/04/2002 246.572,45 DOC n° 702337 22201Ag.2Panamericano 27/05/2002 630.000,00 CH. n° 245865 140524205Ag. 006BIC 25/06/2002 152.737,97 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 252 10 2) Compra de imóvel feita ao Sr. Paulo Roberto Uchoa do Amaral, com cláusula de retrovenda, cujo pagamento se deu, em parte, através de recurso sacado da conta bancária mantida pela CRAL junto ao BIC, através do , DOCBIC BANCO de n° 318578, de 08/04/2002, no valor de R$ 32.162,44, conforme informação prestada a esta fiscalização pelo vendedor, acompanhada do respectivo registro imobiliário, passado nesta mesma data, no Cartório da 1ª Zona desta capital. Conforme se infere pelo conteúdo do Termo de Compromisso firmado com a Fiduccia e pela documentação trazida pelo Sr. Paulo Roberto Uchoa do Amaral, resta indubitável a utilização, em proveito pessoal do Sr. Antonio Jatay Pedrosa, dos recursos acima discriminados, oriundos das contas bancárias mantidas em nome da CRAL Comércio e Representações de Alimentos Ltda. (...)” O contribuinte, por sua vez, deve apresentar os elementos de prova relacionados a fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do autor. De fato, o autuado não conseguiu descaracterizar a infração imputada no lançamento, ou seja, não conseguiu comprovar que os recursos auferidos têm origem em fatos jurídicos isentos ou não tributáveis pelo imposto de renda. Importa ressaltar que não descaracteriza a natureza tributável dos valores recebidos da CRAL, se estes são investidos em outra pessoa jurídica e posteriormente geram prejuízos. A autuação em exame não trata dos rendimentos produzidos pelo investimento, nem dos bens recebidos em decorrência da rescisão do negócio no ano de 2006, conforme descrito à fl. 67/68, mas do recebimento de recursos pelo autuado, provenientes da empresa CRAL, no anocalendário de 2002. Nos termos do artigo 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Em relação à autorização para reexame de período já fiscalizado, pacífico o entendimento deste Colegiado de que a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF torna desnecessária a autorização para segundo exame prevista no artigo 906 do RIR, aprovado pelo Decreto 3000, de 1999. De fato, mostrarseia redundante a dupla exigência, na medida em que as autoridades competentes para a emissão do MPF também o são para a autorização do segundo exame. No que tange ao pedido do recorrente para exclusão da penalidade, sob o argumento de que o Poder Executivo Federal não cumpriu o dever que lhe impõe o artigo 212 do Código Tributário Nacional, entendo que referida norma não comina a conseqüência almejada pela defesa. Ademais, tratandose de matéria sob reserva legal, nos termos do artigo 97, inciso V, do CTN, a imposição da penalidade está condicionada, tãosomente, às circunstâncias estabelecidas em lei. Em face ao exposto, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 241DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10380.015533/200705 Acórdão n.º 210101.558 S2C1T1 Fl. 253 11 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/04/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 13/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10855.911802/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.080
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
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(assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP), transmitida eletronicamente, com base em créditos relativos à Contribuição. Conforme consta do relatório que subsidiou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, na referida DCOMP a contribuinte declarou a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando as características do DARF correspondente. Por sua vez, o processamento eletrônico do pedido teria apontado que, a partir das características do DARF, foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 11 80 2/ 20 09 -9 6 Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10855.911802/200996 Resolução nº 3302001.080 S3C3T2 Fl. 3 2 integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Cientificado eletronicamente do Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, sintetizada, no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Em suma, esclarece que teria declarado indevidamente o valor da contribuição do período e que teria retificado a DCTF no intuito de demonstrar a existência do crédito pleiteado. Ao final, solicita a homologação da compensação. A 4ª Turma da DRJ Brasília (DF) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa parcialmente reproduzida a seguir: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) O despacho decisório eletrônico foi proferido sem a prévia intimação do recorrente para prestar os esclarecimentos necessários, cerceando o direito de defesa; b) Houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, o qual foi devidamente sanado por meio da apresentação de DCTF retificadora. Com base na retificadora pode ser verificado que o real valor apurado é zero, diferentemente do alegado; Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10855.911802/200996 Resolução nº 3302001.080 S3C3T2 Fl. 4 3 c) É totalmente lícito e legítima a retificação de DCTF nos casos de erro de fato, em virtude da observância ao princípio da verdade material; e d) É imprescindível a realização de diligência para averiguação de seu direito creditório. Termina petição recursal requerendo o provimento do recurso voluntário para fins de que seja reconhecido o direito creditório e integralmente homologada a compensação declarada. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 24 de abril de 2019. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.076, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10855.911798/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.076): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Logo, a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação. As informações prestadas à RFB por meio de declarações ou demonstrativos previstos na legislação (DCTF, DIPJ, Dacon ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo já citado artigo 16, inciso III, do PAF. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No caso em concreto, a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10855.911802/200996 Resolução nº 3302001.080 S3C3T2 Fl. 5 4 competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. O recorrente, em sede de recurso voluntário, também não apresentou um único documento que comprovasse seu direito creditório. Ocorre que cerca de um ano e oito meses depois da interposição do recurso voluntário,em 02/06/16, o recorrente apresentou petição requisitando a análise de diversos documentos, entre eles: planilha com a apuração do PIS e da Cofins, planilha com comparativo do SINTEGRA e os livros fiscais, os lançamentos no sintegra, os lançamentos nos livros fiscais, a listagem das notas fiscais, a composição das receitas de exportação, a composição das receitas de projetos de longo prazo, a composição das devoluções de vendas, o balancete mensal de setembro de 2005 e o balancete analítico. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que depende do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário. Conforme já mencionado, foram acostados aos autos documentos que embasariam seu pedido de restituição. Acontece que os documentos acostados, caso autênticos, podem sugerir que o sujeito passivo efetuou recolhimentos indevidos. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10855.911802/200996 Resolução nº 3302001.080 S3C3T2 Fl. 6 5 Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie os documentos acostados às efls. 140/728, analise a existência do indébito tributário pleiteado, inclusive podendo intimar o sujeito passivo a apresentar documentos que ache necessário. Caso exista o indébito, informar se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após realizados os procedimentos, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie os documentos citados/trazidos na petição, analise a existência do indébito tributário pleiteado, inclusive podendo intimar o sujeito passivo a apresentar documentos que ache necessário. Caso exista o indébito, informar se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após realizados os procedimentos, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 582DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.722253/2016-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada.
MULTA COM EFEITO DE CONFISCO.
É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de efeito confiscatório.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO.
Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS.
A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES. AFASTAMENTO.
Ausência dos requisitos para atribuição de responsabilidade nos termos do art. 135, III do CTN.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
Numero da decisão: 1402-003.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) negar conhecimento às alegações de inconstitucionalidade, i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, i.iii) dar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários Hilton Kappaun, Henrique Duarte Campestrini e Alexandre Strohscoen; e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, vencido o Relator, acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Eduardo Morgado Rodrigues, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora ad hoc
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de efeito confiscatório. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES. AFASTAMENTO. Ausência dos requisitos para atribuição de responsabilidade nos termos do art. 135, III do CTN. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) negar conhecimento às alegações de inconstitucionalidade, i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, i.iii) dar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários Hilton Kappaun, Henrique Duarte Campestrini e Alexandre Strohscoen; e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, vencido o Relator, acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Eduardo Morgado Rodrigues, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora ad hoc (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias- Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de efeito confiscatório. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 22 53 /2 01 6- 13 Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.518 2 não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES. AFASTAMENTO. Ausência dos requisitos para atribuição de responsabilidade nos termos do art. 135, III do CTN. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: i) por unanimidade de votos: i.i) negar conhecimento às alegações de inconstitucionalidade, i.ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade, i.iii) dar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis tributários Hilton Kappaun, Henrique Duarte Campestrini e Alexandre Strohscoen; e ii) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, vencido o Relator, acompanhado pelos Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Eduardo Morgado Rodrigues, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Redatora ad hoc (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, substituído pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.519 3 Relatório (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o relatório apresentado na sessão de julgamento de 19 de fevereiro de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019). Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face da r. decisão proferida pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro que decidiu: (i) Por unanimidade REJEITAR AS PRELIMINARES DE NULIDADE argüidas pelos Diretores, responsáveis solidários tributários; ACOLHER a apensação deste processo aos de números 13005.001065/200911; 13005.722696/201353 e 13005.721718/201449, aguardando julgamento no E. CARF, sem, no entanto acolher o sobrestamento do feito, pelo princípio da oficialidade do processo administrativo para, no mérito,; (ii) Por maioria DEIXAR DE ACOLHER A IMPUGNAÇÃO e considerar devidos os autos de infração de IRPJ e CSLL, respectivamente nos valores de R$ 8.523.807,89 e R$ 2.591.173,67, acrescidos das multas de ofício qualificada de 150% e juros de mora, e multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas nos valores de R$ 5.523.344,09 para o IRPJ e de R$ 1.630.094,51 para a CSLL. Adoto o relatório da r. DRJ em sua integralidade, complementandoo ao final no que entender necessário. Versa a controvérsia instaurada, em razão da lavratura dos Autos de Infração de IRPJ (fls. 2.641/2.662), no valor de R$ 8.523.807,89 e de CSLL (fls. 2.663/2.681), no valor de R$ 2.591.173,67, acrescidos das multas de ofício de 75%, dos juros de mora e das multas isoladas por não recolhimento das estimativas no valor de R$ 5.523.344,09 e R$ 1.630.094,51 para a CSLL. Foram atribuídas ainda a responsabilidade tributária solidária às seguintes pessoas físicas: Hilton Kappaun (Hilton); Henrique Duarte Campestrini (Henrique) e Alexandre Strohschoen (Alexandre). As razões da autuação encontramse descritas no Relatório Fiscal (fls. 2.683/2.703), cujo teor, em síntese, a seguir, reproduzo: a) Este procedimento tem como marco inicial ação fiscal realizada no ano de 2009, que apurou infrações à lei tributária cometida nos anos de 2005, 2006 e 2007 e procedeu autuação da contribuinte, através da lavratura de autos de infração do IRPJ e CSLL, conforme processo administrativo fiscal nº 13005.001065/200911, o qual foi levado à discussão até a última instância administrativa e mantido integralmente, inclusive com a qualificação da multa de ofício. O processo encontra se definitivamente julgado na esfera administrativa; b) No procedimento fiscal realizado durante o ano de 2009, a fiscalização constatou que, através de um ato simulatório de venda da participação acionária detida por sua controladora à época (INTABEX) para empresa MERIDIONAL TABACOS LTDA. (incorporada), a ALLIANCE gerou um ágio interno fictício no ano de 2005e logo após procedeu a incorporação reversa da sua recém controladora fictícia, MERIDIONAL. Com essa operação, o ágio interno gerado através de simulação de compra e venda passou a ser aproveitado a razão de 1/60 por mês na redução ilícita do lucro real e da base de cálculo da CSLL; c) Comprovouse que o ágio interno foi gerado a partir de fatos materialmente inexistentes. Sua criação derivou de ato simulatório de compra e venda de quotas da incorporadora pela incorporada, com posterior incorporação reversa da sociedade Fl. 3520DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.520 4 controladora. Por força de ato de reorganização empresarial materialmente existente e realizado no exterior, que produziu efeitos direto no Brasil, a fiscalização apurou que a sociedade sucessora no Brasil (ALLIANCE) já se encontrava definida em data anterior ao ato de compra e venda entabulado pela controadora no exterior com a sociedade a ser incorporada no Brasil. A reorganização societária apresentada no Brasil no ano de 2005 que gerou o ágio, antes da incorporação formal já previamente definida no exterior, foi de encontro com a verdade material apurada e teve como fins específicos: gerar um ágio interno na própria incorporadora para ser aproveitado imediatamente; implementar uma condição exigida pela Lei Tributária para usufruir a amortização fiscal; por consequência, apenas reduzir ilicitamente os tributos devidos a partir da criação artificial da compra e venda da participação societária – ato simulado; d) Após a referida autuação, a contribuinte iniciou a fase litigiosa administrativa do processo através da apresentação da impugnação aos autos de infração lavrados. A impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário foi mantido integralmente, conforme Acórdão nº 18.11872 – 1ª Turma da DRJ/STM, exarado em 25/02/2010 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS; e) A contribuinte manteve sua irresignação ao julgamento de primeira instância administrativa e interpôs recurso voluntário contra a referida decisão. Em 03/10/2012, a Terceira Câmara da Segunda Turma do CARF exarou o Acórdão nº 1302000991 que negou provimento ao recurso voluntário e manteve, integralmente, o crédito tributário e a qualificação da multa; f) A contribuinte, após a rejeição de dois embargos declaratórios interpostos contra o Acórdão nº 1302000991 interpôs recurso especial em 01/09/2015 à CSRF do CARF. A Presidente da Primeira Seção do CARF deu seguimento parcial ao recurso em 18/09/2015; g) Em sessão realizada em 03/05/2016 foi exarado o Acórdão 9101002311 que conheceu e negou provimento ao recurso do contribuinte e manteve integralmente a autuação: h) Em 15/06/2016, o contribuinte foi devidamente cientificado da decisão e interpôs embargos de declaração, o qual foi declarado improcedente pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais e não admitiu os respectivos embargos; i) Foi o contribuinte devidamente cientificado de tais embargos e, em 22/07/2016, apresentou novos embargos de declaração. Através do Despacho Decisório DRF/SCS nº 493/2016, a DRF/SANTA CRUZ DO SUL negou seguimento aos novos embargos declaratórios, já que não havia previsão para esse tipo de recurso nos termos do Regimento Interno do CARF; Fl. 3521DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.521 5 j) Apresentou ainda o contribuinte o pedido de reanálise do Despacho Decisório DRF/SCS 493 de 2016. Entretanto a DRF/SCS ratificou o despacho anteriormente exarado; k) Esgotadas todas as instâncias administrativas no curso do processo (o qual aguarda prazo para a cobrança amigável) a interessada impetrou Mandado de Segurança com pedido de liminar contra o Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul que negou seguimento aos novos embargos declaratórios, para que os mesmos fossem processados em seguimento ao CARF (suspendendose a cobranaça do crédito); l) A liminar foi indeferida em 22/09/2016. O processo judicial aguarda a sentença. Irresignada, a contribuinte interpôs Agravo de Instrumento junto ao TRF 4ª Região com fins de ver atendido seu pleito; m) O Tribunal indeferiu o pedido de antecipação recursal em 11/10/2016 e o recurso encontrase no aguardo da pauta para julgamento; n) Na esteira da fiscalização anterior, outro procedimento fiscal foi realizado no contribuinte para fins de averiguação dos anos 2008, 2009 e 2010; o) Apesar de autuada em 25/11/2009 pelos fatos expostos no PAF 13005.001065/200911, cuja exação fiscal referiase aos anos de 2005, 2006 e 2007, a contribuinte não desfez os efeitos tributários da conduta infratora no ano de 2008 e, ainda, não obstou os efeitos da conduta infratora nos anos de 2009 e 2010; p) Por manter a mesma conduta do procedimento anterior, aliada a nova infração identificada por indedutibilidade de juros sobre o capital próprio, o fisco procedeu a autuação dos fatos decorrentes do ano de 2008 (processo 13005.722696/201353); q) Além da amortização fiscal do ágio interno originado em ato simulado de compra e venda, a fiscalização também constatou que a interessada calculou juros sobre o capital próprio sobre um patrimônio líquido irreal de 01/01/2008 a 31/12/2008 e ainda não respeitou os limites legais exigidos para a sua dedutibilidade na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os juros sobre o capital próprio pagos/creditados em desconformidade com os limites legais estabelecidos não são dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; r) Os autos de infração de IRPJ e da CSLL foram lavrados sem a constituição do crédito tributário (processo 13005.722696/201353) e tiveram como fim proceder de ofício os ajustes na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL para a redução do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL apurados no ano de 2008; s) Em razão disso, foi a interessada cientificada da infração e dos efeitos tributários que a redução provocaria em períodos futuros se houvesse através de compensação, do prejuízo fiscal e da base que foram majorados artificialmente através de uma conduta prévia dolosa, inclusive com qualificação da multa de ofício; t) Após a autuação a interessada impugnou os autos de infração lavrados. A impugnação foi julgada improcedente e as reduções do prejuízo fiscal e da base negativa foram mantidas integralmente conforme decisão da DRJ/POR (13ª Turma); u) Em que pese ter apresentado Recurso Voluntário, a matéria encontrase pendente de julgamento no CARF; v) No mesmo procedimento amparado pelo MPF nº 10.0.01.002013000200, a interessada foi novamente autuada (processo 13005.721718/201449) pelos fatos apurados nos anos de 2009 e 2010, em razão da constatação pelas fiscalização das mesmas infrações à legislação do IRPJ e da CSLL que as já apuradas no procedimento fiscal executado em 2009. Em suma, constatouse a redução das bases de cálculo dos tributos IRPJ e CSLL dos anos de 2009 e 2010 através da amortização fiscal do ágio interno gerado a partir de simulação de compra e venda e participação acionária, com incorporação reversa da controladora. O crédito tributário foi constituído com a qualificação da multa de ofício e com a imputação de Fl. 3522DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.522 6 responsabilidade solidária aos diretores da contribuitne que implementaram a fraude tributária; w) Irresignados com a autuação, a interessada e os responsáveis tributários apresentam impugnações. Entretanto a DRJ/Ribeirão Preto (3ª Turma) considerou improcedente a impugnação e manteve integralmente o crédito com a qualificação da multa; x) Também foi apresentado recurso ao CARF pela interessada, que nesse caso também manteve o lançamento, dando provimento parcial, afastando a qualificação da multa de ofício e afastar a imputação da responsabilidade solidária; y) Entretanto, sobre tais afastamentos a PFN apresentou recursos especiais que ainda aguardam julgamento no CARF; Da Autuação Propriamente Dita: a) Do ano de 2005 até meados do ano de 2010 e mesmo depois de ter sido autuada em meados de 2009, a contribuinte procedeu sucessivas reduções ilícitas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL por ato continuado da infração tributária; b) Quando essas infrações não promoveram reduções das bases de cálculo dos tributos que deveria recolher, passaram a majorar indevidamente os prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, formando um saldo irreal registrado na Parte B do LALUR e de Apuração da CSLL, passível de aproveitamento fiscal em anos seguintes para a redução da base de cálculo; c) Nos anos de 2011, 2012 e 2013, anos seguintes ao esgotamento da amortização fiscal do ágio interno criado de forma fraudulenta e simulada, a contribuinte usou de prejuízos fiscais e base negativa que foram inflados pelas sucessivas infrações combatidas pela fiscalizaçõa nos processos anteriormente mencionados, reduzindo o lucro real e a base de cálculo da CSLL; d) Assim, o presente procedimento fiscal tem por objetivo constituir o crédito tributário relativo aos tributos IRPJ e CSLL que foram reduzidos ilicitamente por infração ao disposto nos artigos 15 e 16 da Lei nº 9065/1995, caracterizados como aproveitamento ilícito de benefício fiscal da compensação tributária nos anos de 2011, 2012 e 2013, de saldos fictícios de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL mantidos pela contribuinte; e) Nesse sentido, foram glosadas as compensações realizadas no Lucro Real e na CSLL por inexistência de saldo de prejuízo fiscal acumulado em exercícios anteriores, que foi majorado ilicitamente a partir de reiteradas infrações à legislação tributária nos anos de 2005 a 2010; Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.523 7 Do Direito de a Fazenda Realizar o Lançamento Fl. 3524DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.524 8 a) Nos casos de lançamento por homologaçõa o prazo decadencial do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese em 5 anos contados a partir da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; b) Restou evidenciada ao longo do presente relatório a conduta simulada do contribuinte no que diz respeito aos fatos apurados em 2005; c) A fraude, o dolo e a simulação foram fartamente demonstrados ao longo dos processo administrativos 13005.001065/200911; 13005.722696/201353 e 13005.721718/201449. A primeira autuação julgada definitivamente na última instância administrativa do Ministério da Fazenda firmou posicionamento pela manutenção da qualificação da multa a partir da conduta do contribuinte, maculada pelo dolo e pela simulação; d) Somase à conduta dolosa e simulada do contribuinte o fato de que mesmo depois de autuada por utilizarse de ato simulado para alcançar benefícios fiscais que não estariam disponíveis ao seu desfrute, não ter obstado os reflexos tributários ilícitos que a conduta atacada provocava nas apurações das bases de cálculo dos tributos devidos durante os anos de 2011, 2012 e 2013. Por sua livre iniciativa manteve os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL majorados ilicitamente; e) Por fim, após derrota na última instância do CARF, insistiu na discussão da coisa julgada, através da interposição reiterada de embargos para retardar a cobrança do crédito tributário e, por certo, ver os períodos futuros alcançados pela decadência; f) Isto posto, a fiscalização aplica o disposto no artigo 173, inciso I do CTN pelo qual o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados somente do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, por ter incorrido em conduta dolosa, fraudulenta e simulatória na redução ilegal dos tributos de IRPJ e CSLL apurados nos anos de 2011, 2012 e 2013; g) O Fisco qualificou ainda a multa de ofício no percentual de 150%, em função da apuração de forma contundene que os agentes que participaram da operação de compra e venda não eram os verdadeiros interessados na operação. Foram usados, tiveram a vontade manipulada em favor de terceiro. O poder de mando conferido aos Diretores pelos contratos sociais que dão foram à operação em nome da interposta MERIDIONAL já se encontrava deturpado. Foi provado que nem a PJ que implementa a condiçoa necessária ao aproveitamento fiscal do ágio gerado, nem seus representantes, estavam à frente da condução do negócio apresentado ao FISCO. Não havia qualquer interesse econômico ou mesmo capacidade financeira para que uma empresa à beira da extinção implementasse uma operação de grande monta sem ter qualquer objetivo econômico ou financeiro ou simplesmente para realizar o seu objeto através de terceiros; h) Foi uma conduta continuada que se refletiu em diversos períodos de apuração até finalmente ser ultimada nos anos de 2011, 2012 e 2013, provocada pela interposição do ato societário simulado em 2005, que gerou o ágio interno e, por 60 meses consecutivos provocou reduções ilícitas nas bases de cálculo dos tributos e/ou majorou ilicitamente so saldos dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, usados para erodir as bases de cálculo dos tributos dos perídos subseqüentes, cujo crédito tributário é agora constituído por iniciativa do FISCO, por ter constatado a inércia do contribuinte frente à irreversível matéria definitivamente julgada no âmbito administrativo; i) Também foi aplicada a multa pelo não recolhimento das estimativas no período de 50%. Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.525 9 Fl. 3526DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.526 10 j) Foi lavrada ainda a Representação Fiscal para Fins Penais e Termos de Responsabilidade Solidária aos Diretores da fiscalizada que detinham o poder de administração no momento da confecção das operações que fizeram nascer o ágio interno através da simulação da compra e venda de participação societária em mão contrária à reorganização societária concretizada no exterior, onde a relação de controle entre as empresas ALLIANCE e MERIDIONAL já administradas pelos mesmos foi criada e desfeita num curto espaço de tempo, com fins de criar artificialmente condições dispostas na Lei Tributária para amortizar o ágio interno, e reduzir os tributos e/ou majorar ilicitamente os saldos de prejuízos e bases negativas de CSLL que foram objeto de compensação nos anos de 2011, 2012 e 2013, incorrendo em clara infração ao artigo 7º da Lei nº 9.532/1997; k) Os seguintes diretores foram relacionados como Responsáveis Tributários Solidários: Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.527 11 Devidamente cientificada em 20/10/2016 (fls. 2.717), a interessada, em 17/11/2016 apresentou impugnação (fls. 2.880/2.939), bem como seus Diretores, nomeados pelo fisco como responsáveis solidários, cujas defesas foram apresentads em 18/11/2016. I Da impugnação apresentada pela empresa Alliance One Brasil Exportadora de Tabacaria Ltda. a) Na autuação o Fisco sustenta que, em razão da amortização do ágio interno criado de forma supostamente fraudulenta e simulada pela interessada nos anos de 2005 a 2010, foram apurados prejuízos e bases de cálculo negativas os quais foram indevidamente compensados e resultaram no recolhimento a menor de IRPJ e de CSLL nos anos de 2011, 2012, 2013; b) Considerando que o presente lançamento fiscal tem por fundamento a glosa de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL realizada nas autuações que estão sob questionamento na esfera administrativa, não há dúvida de que a solução deste processo depende, diretamente, do resultado das referidas autuações; c) Apesar de as questõe prejudicial e prejudicada estarem divididas em processos separados, nunca é demais lembrar que a administração pública é uma, e portanto, com base nos princípios reguladores das suas atividades, tem a administraçõa a obrigação e o contribuinte o direito de receber uma só soluçõa para as matérias em disputa; d) Nesse contexto, é cristalina a vinculação deste processo aos demais processos administrativos 13005.001065/200911; 13005722696/201353 e 13005.721718/201449, razão pela qual devem ser reunidos para julgamento simultâneo ou alternativamente deve ser sobrestado o presente processo até o julgamento final da glosa das despesas com amortização do ágio; II – Da impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada a) Além da aplicação equivocada da multa de 150% sobre os valores de IRPJ e CSLL considerados como não recolhidos pela impugnante, o Fisco aplicou multa isolada de 50% pela suposta insuficiência de recolhimentos mensais por estimativas; b) Esses percentuais não são razoáveis e possuem caráter confiscatório; c) Assim, diante da clara impossibilidade de aplicaçõa concomitante das multas de ofício e isolada, cumpre analisar qual delas seria, em tese, aplicável no presente caso, na remota hipótese de manutenção das infrações acima; d) Nesse contexto, na possível existência de infração tanto à obrigação de pagamento de estimativas mensais quanto à obrigação de pagamento anual do IRPJ e da CSLL em virtude dos mesmos fatos, é evidente que a segunda infração se sobrepõe à primeira, sendo ela a única punível mediante a aplicação da multa de ofício; Fl. 3528DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.528 12 III – Da inexistência de simulação e da impossibilidade de aplicação da multa agravada a) A mera leitura dos autos de infração é suficiente para concluir que o Fisco está sustentando a apuração da multa qualificada com base nos fatos que tratam a amortização de ágio e não na suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativaa da CSLL, a qual é matéria efetivamente autuada no presente processo; Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.529 13 Fl. 3530DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.530 14 b) Da leitura do referido comparativo vêse que para justificar a aplicação da multa qualificada na presente autuação o Fisco simplesmente copiou os mesmos argumentos que trata da amortização de ágio; c) A infração de ágio é totalmente autônoma e dissociada da suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL; d) Isso porque é possível haver a suposta amortização indevida de ágio sem a compensaçõa de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL e viceversa; e) Se o Fisco optasse por exigir nas autuações o recolhimento dos tributos (IRPJ e CSLL) correspondentes à amortizaçõa do ágio sem aproveitamento do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL detido pela Alliance One, não teria havido qualquer repercussão tributária nos anos de 2011, 2012 e 2013 e, por conseqüência, a presente autuação sequer existiria; f) Da mesma forma, a interessada poderia, por exemplo, ter amortizado o ágio e optado por não utilizar o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL resultante dessa amortizaçõa na apuração do IRPJ e da CSLL nos anos seguintes; g) Não há como trazer os fatos pertinentes à amortização do ágio para tratar da multa qualificada pela compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, pois este ato não é uma mera decorrência daquele outro; h) Deveria o fisco demonstrar qual foi a fraude no caso da presente autuação; i) Vale dizer que o efetivo propósito negocial das operações que engendraram o registro e a amortização do ágio foi legítimo; j) Cada uma das operações realizadas no âmbito da reestruturação societária das atividades da impugnante refletiu exatamente a vontade entre as partes envolvidas e foi baseada em documentos válidos e declarações verdadeiras; k) A justificativa do Fisco para explicar a ocorrência de suposta simulação no caso em exame nõa se funda em qualquer hipótese de simulação indicada no artigo 167 do Código Civil; l) O auto de infração não tem fundamento no instituto da simulaçõa, estando baseado, estritamente, em uma análise subjetiva das operações em exame sob o enfoque da “substância sobre a forma”, o que não só não tem respaldo na legislação fiscal, como certamente nõa autoriza a aplicação de multa agravada; m) O evidente intuito de fraude deve ser comprovado pela autoridade fiscal; n) As operações envolvendo a impugnante foram realizadas sob o estrito amparo da legislação tributária e comercial, com claro e evidente intuito negocial e em absoluta transparência perante as autoridades fiscais; o) Não deverá prevalecer, portanto, a multa agravada; p) Por fim, considerandose que não se está diante de caso de aplicação inequívoca da multa agravada, fazse necessária a aplicação do artigo 112 do CTN (interpretação benigna); Neste sentido, requer sejam esses autos apensados aos demais processos administrativos; ou alternativamente o sobrestamento do feito e ainda requer o cancelamento das multas isoladas e a redução da multa qualificada para 75%. Quanto às impugnações dos responsáveis solidários, seguem as razões reunidas no texto abaixo, dado que as três impugnações possuem as mesmas alegações defensivas. Dos Responsáveis Solidários I – Da nulidade dos autos de infração Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.531 15 a) As razões apresentadas pelo Fisco para justificar a responsabilidade solidária do impugnante não tem qualquer pertinência lógica com o objeto da autuação ora sob análise; b) Há ausência de nexo causal entre a infração tributária ora apontada e a justificativa apresentada para responsabilizar os Diretores (aqui impugnantes) por tal infração; c) Embora a autuação tenha por fundamento a compensação indevida de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, a motivação para responsabilizar os impugnantes pelo crédito tributário está totalmente embasada na criação de ágio interno; d) Tal fato é evidenciado pelo quadro comparativo apresentado a seguir, no qual os impugnantes transcrevem a motivação apresentada pelo Fisco para responsabilizálo: Fl. 3532DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.532 16 Fl. 3533DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.533 17 e) Contudo, a suposta infração de registro e amortização de ágio é totalmente autônoma e dissociada da suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL; f) Isso porque é possível haver a suposta amortizaçõa indevida de ágio sem a compensação de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL e viceversa; g) Não houve a demonstração pelo fisco qual foi a participação dos diretores na suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL; h) Evidente, portanto, a nulidade dos autos de infração; i) Quanto ao mérito, entendem os diretores que, ao contrário do que sustenta o Fisco, o simples fato de que a reorganização societária que ensejou o registro e a amortização do ágio, em 2005, quando eram Diretores da Meridional, não seria Fl. 3534DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.534 18 suficiente para justificar a responsabilidade tributária dos fatos gerados de 2011, 2012 e 2013; j) Para a imputação da responsabilidade solidária, seria imprescindível que as pessoas indicadas tivessem praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos e que tal prática tenha resultado no surgimento da obrigação tributária (artigo 135 do CTN); k) A responsabilização constante no artigo 135 do CTN é uma medida de exceção, cabível tão somente em situações em que os requisitos lá previstos são exaustivamente comprovados; l) Vejase o Parecer PGFN/CRJ/CAT/nº 55/2009: m) A responsabilidade deve ser rejeitada, considerando que em nenhum momento foram indicadas e comprovadas as razões pelas quais o impugnante deveria ser responsabilizado pela suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL; n) No que toca à simulação, entendem os diretores que inexiste nas operações em comento. Isso porque cada uma das operações mencionadas no Relatório Fiscal, realizadas no âmbito da reestruturação societária das atividades das Alliance One e da Meridional, refletiu exatamente a vontade entre as partes envolvidas e foi baseada em documentos válidos e declarações verdadeiras; o) As justificativas do Fisco não encontram respaldo no artigo 167 do Código Civil, para caracterizar a simulação; Fl. 3535DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.535 19 p) Os autos de infração encontramse baseados estritamente em uma análise subjetiva das operações em exame sob o enfoque da “substância sobre a forma”, o que não só tem respaldo na legislação fiscal, como certamente não autoriza a aplicação de multa agravada, nem a responsabilização dos diretores da impugnante; q) Também inexiste sonegação, fraude à lei, ou mesmo o dolo, pois o fisco não esclarece qual foi a conduta dolosa ativa ou omissiva dos diretores; r) O fisco imputa graves acusações sem sequer apresentar os mínimos esclarecimentos necessários para motiválas em evidente desrespeito aos princípios da legalidade, da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa; s) Assim, no caso em que o contribuinte organiza suas atividades estritamente de acordo com a lei e não utiliza de artifícios na tentativa de evitar ou de esconder qualquer elemento da obrigação tributária, devese concluir que a acusação de sonegação não é cabível, mesmo que as autoridades fiscais divirjam quanto à forma de tributação de tais atividades; t) Com base no acima exposto, fica evidente que todos os atos da Alliance One e da Meridional no contexto da unificação de suas atividades no Brasil foram praticados nos estritos termos da legislação aplicável à época, sem ocorrência de simulação, fraude ou dolo; u) Os atos foram praticados de forma transparente, aprovados pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e registrados perante as autoridades fiscais (Receita Federal) e comerciais (JUCERGS); v) Se o fisco, cinco anos depois da realização das operações de unificação das atividades dos grupos Dimon e Standard – e cujos resultados operacionais persistem até hoje – resolveu questionar os efeitos fiscais de tais operações, com base em argumentos sequer previstos na legislação nacional, isso certamente não significa que os atos tenham sido originalmente praticados com excesso de poderes ou infração da lei; w) O prório CARF afastou a responsabilidade solidária dos diretores nos autos do processo 13005.721718/201449, razão pela qual se requer a improcedência das imputações de responsabilidade solidária sobre os Diretores impugnantes. A r. DRJ em Brasília proferiu decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Deixa de se considerar a alegação de cerceamento ao direito de defesa da interessada, quando inexiste demonstração de prejuízo causado, bem como a interessada contesta todas as razões aventadas no instrumento administrativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012, 2013 OPERAÇÕES DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SIMULAÇÃO. COISA JULGADA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As operações de reorganização societária, para serem legítimas, devem possuir causa negocial real, inalterável ao arbítrio de quem as pratica e decorrer de atos efetivamente existentes e não serem artificiais e apenas formalmente registrados nos contratos sociais e na escrituração contábil. Quando o fato que deu origem a autuação já teve seu deslinde apreciado, prestigiase a coisa julgada, não mais podendo se decidir de forma diversa no âmbito da primeira instância administrativa. ÁGIO. SIMULAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. COISA JULGADA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Constatada a simulação na criação de ágio, e em prestígio à coisa julgada, a simulação de ato continuado deve ser mantida. Fl. 3536DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.536 20 GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DA CSLL. PROCEDÊNCIA. A interessada, ao realizar reduções ilícitas em suas bases de cálculo de forma continuada e sobre elas apurar prejuízos e bases negativas, deve sofrer as respectivas glosas na forma da lei. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. MULTA COM EFEITO DE CONFISCO. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade de lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais da razoabilidade e da vedação de efeito confiscatório. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO.CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIRETORES. É solidária a responsabilidade dos diretores pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração à lei. Respeito à COISA JULGADA na efera administrativa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2011, 2012, 2013 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Mantida a glosa de prejuízos, pelos mesmos fatos e conclusões, devem ser mantidas as glosas de base negativa da CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário para contestar o lançamento tributário e a decisão recorrida em relação à aplicação da multa qualificada de 150% e à cobrança cumulativa das multas de ofício e de multa isolada por suposta. Quanto à multa qualificada, afirma que não houve ato simulado, seja na compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSL, seja nas operações que resultaram no registro e amortização de ágio. Afirma que as autoridades utilizaram como motivação para manutenção da multa qualificada, os mesmos argumentos mencionados na autuação que trata da amortização indevida de ágio, como se fossem autuações idênticas. Enquanto se tratam de autuações autônomas e dissociadas da suposta compensação indevida de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 3537DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.537 21 Sustenta que embora o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL tenham sido aumentados em razão da amortização do ágio, a decisão por compensálos é autônoma e não pode ser considerada como uma decorrência direta da amortização. E que, portanto, deveriam as autoridades fiscais ter demostrado qual a fraude, sonegação ou conluio que justifica a multa qualificada. Afirma ainda que não merece guarida a decisão da DRJ no que afirma que a Recorrente havia conhecimento acerca da impossibilidade de manter os prejuízos fiscais em sua escrituração, pois as autuações fiscais que englobam grande parte do período aqui tratado são posteriores ao aproveitamento do crédito. Sustenta ainda que o fato de compensar créditos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, ainda que estejam em litígio, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de simulação descritas no art. 167 do Código Civil. E acentua que os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da CSLL, bem como as compensações sempre foram declaradas às autoridades administrativas na parte B do Lalur. E que mesmo as operações que deram ensejo ao ágio não seriam simuladas. Defende que o art. 112, do CTN deveria levar as autoridades administrativas a interpretarem o art. 44 da Lei nº 9.430/96 de maneira mais favorável à Recorrente. Sustenta ainda a impossibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e isolada, na medida em que sua aplicação conjunta resultaria em multa no monte de 200%, o que violaria os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Defende a aplicabilidade da Súmula 105 do CARF. Os responsáveis Henrique Duarte Campestrini, Hilton Kappaun e Alexandre Strohscoen, apresentaram Recurso Voluntário em que alegou a nulidade dos autos de infração, porque as autoridades fiscais não teriam apresentado a motivação necessária para fundamentar a responsabilidade tributária, invés disso fazendo constar as justificativas utilizadas na autuação que resultou na glosa do ágio amortizado. Além disso, os responsáveis Henrique Duarte Campestrini e Hilton Kappaun teriam deixado a empresa em 2008 e junho de 2006, respectivamente, de sorte que não poderia ser responsabilizado por atos realizados em 2011, 2012 e 2013. O que teria inclusive sido reconhecido pelas autoridades julgadoras. Acrescenta que não estão presentes os requisitos do art. 135 do CTN, haja vista que não poderia ter praticado atos com excesso de poderes após sua saída. Afirmam que não foi indicada qual a conduta sonegatória ou fraudulenta do responsável. Sustenta que as autoridades administrativas não se desincumbiram do ônus de provar a conduta infracional, nem a conduta dolosa. Sustentam, por fim, que não houve simulação na relação tributária que deu ensejo ao ágio. É o relatório. Fl. 3538DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.538 22 Voto Vencido (Na condição de redatora hoc, designada na forma do art. 17, inciso III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, reproduzo o voto apresentado na sessão de julgamento de 19 de fevereiro de 2019 pelo Relator original, Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, dispensado do mandato de Conselheiro junto a este Colegiado por meio da Portaria ME/SE nº 713, publicada no Diário Oficial da União de 29 de abril de 2019.) 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. – MÉRITO Desde logo pontuo que não serão analisadas as razões aduzidas pautadas nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois demandaria uma análise acerca dos fundamentos da norma aplicável e eventual afastamento em decorrência de sua inconstitucionalidade. Tal medida, entretanto, não é possível em âmbito administrativo, no CARF sendo vedada por força da Súmula 2 do CARF que assim preceitua: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Gostaria de anotar também que as operações subjacentes que deram ensejo ao aumento dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL foram objetos de processos próprios, motivo pelo qual não me manifestarei sobre o tema, adotando como premissa o resultado daqueles julgamentos que reconheceram a existência de simulação. Vejamos as ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídico tributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformamse em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Fl. 3539DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.539 23 Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. ALIENAÇÃO FICTÍCIA. INEXISTÊNCIA DE INVESTIDOR OU INVESTIDA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Alienação fictícia no qual o alienante é o financiador do adquirente, passa a integrar o quadro societário do adquirente e a gerir indiretamente o investimento que já era de sua propriedade, descaracteriza por completo a operação. A valorização do investimento deuse especificamente para o registro do ágio, meramente escritural e sem nenhum pagamento. Tratase de caso em que não há que se falar de investidor ou investida, inexistindo subsunção aos arts. arts. 385 e 386 do RIR/99. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. Operações empreendidas que desvirtuaram o instituto de alienação, com reorganizações fictícias, que viabilizaram uma reavaliação no investimento meramente escritural, registro de ágio e posterior amortização, sem sacrifício de ativos e sem pagamento pelo sobrepreço, implicam na presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e é apenado com a qualificação da multa de ofício. (Processo Administrativo nº 13005.001065/200911, acórdão nº 9101002.311, relator André Mendes de Moura, sessão: 03/05/2016) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 SIMULAÇÃO. Desencontro entre a verdade declarada e a verdade real satisfaz ao conceito de simulação. No caso, a vontade real era a criação de ágio amortizável, ao passo que a vontade declarada era a de aquisição de pessoa jurídica. Fl. 3540DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.540 24 ÁGIO INTERNO. RAZOABILIDADE. Não é razoável o argumento de reconhecimento de valor de mercado da empresa ante o benefício e consequente prejuízo a terceiro decorrente da criação fictícia do ágio. ÁGIO INTERNO. É rechaçada a criação de ágio por operações societárias dentro do mesmo grupo econômico, em especial quando não há movimentação financeira, apenas havendo alterações na escrituração contábil e notarial. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). PATRIMÔNIO LÍQUIDO. CORREÇÃO DO BALANÇO. O registro de supostos equívocos na escrita contábil de ano anterior nas notas explicativas às demonstrações financeiras de 2008, feitos por auditoria independente, por si só, não permite a desconsideração do balanço patrimonial do ano de 2007 pela fiscalização, sem o aprofundamento e detalhamento dos motivos da autoridade fiscal. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO (JCP). INEFICÁCIA DE AUMENTO DE PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Tendo sido considerado no resultado aumento de patrimônio líquido decorrente de operação cuja ineficácia tributária foi reconhecida (ágio inoponível ao Fisco), há que se corrigir os cálculos efetuados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A simulação de operação societária operada dentro do mesmo grupo econômico com a criação de ágio amortizável caracteriza fraude, por atitude dolosa tendente a reduzir o montante do tributo devido, e justifica a aplicação da multa qualificada. (Processo Administrativo nº 13005.722696/201353, acordão nº 1302002.387, relator CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO, sessão: 17/10/2017) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MATÉRIA PREJUDICADA NO JULGAMENTO DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS. RESTABELECIMENTO DA MULTA QUALIFICADA. CESSAÇÃO DA QUESTÃO PREJUDICIAL. NECESSIDADE DE JULGAMENTO DO MÉRITO. Uma vez restabelecida a aplicação da multa de ofício qualificada, deixa de existir questão implicitamente considerada como prejudicial pela Turma a quo por ocasião do julgamento dos recursos voluntários dos sujeitos passivos. Naquela ocasião, a responsabilidade solidária foi afastada em decorrência da desqualificação da multa de ofício. Tendo sido restabelecida, em sede de julgamento de recurso especial, a multa de ofício ao seu percentual qualificado de 150%, fazse necessário o retorno dos autos à Turma a quo para julgamento quanto ao cabimento da responsabilidade tributária solidária imputada aos exdiretores da contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição. Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico e estarem submetidos a controle comum, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito Fl. 3541DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.541 25 negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio que pretendeu criar. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. (Processo Administrativo nº 13005.721718/201449, acórdão nº 9101003.442, relator Rafael Vidal de Araújo, sessão: 06/03/2018) Passo a análise dos argumentos aduzidos no Recurso Voluntário. 2.1 DA MULTA QUALIFICADA Como dito, adoto como premissa a existência de ato simulado, conforme o quanto disposto nos processos acima. Assim, resta saber se o aproveitamento de prejuízos fiscais e bases negativas advindas de operação simulada é por ela contaminada ou não. A meu ver, ainda que as duas ações – registro do ágio e compensação – não estejam necessariamente vinculadas, quando se utiliza de ato simulado para a produção do ágio, não é possível que se visualize outro objetivo que não sua amortização ou compensação. Desta forma, não há como ignorar a origem dos valores compensados indevidamente quando se analisa a existência dos elementos necessários exigidos pelo art. 44 da Lei nº 9.430/96 para a qualificação da multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 3542DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.542 26 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Bem apontou o relator na r. DRJ: De forma alguma as autuações são dissonantes. Uma é decorrente da outra. Em função do resultado reiterado de amortizar um ágio advindo de atos simulatórios, de onde surgiram prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL apurados de forma ilícita e mantidos na contabilidade, mesmo após as decisões proferidas em julgados nos respectivos processos administrativos, não há como se dissociar as infrações e muito menos deixar de qualificar a multa de ofício. Assim, estando provada a ocorrência de conduta lesiva ao erário, dolosa, da autuada, justificase a aplicação da multa de ofício com o percentual de 150%, conforme enquadramento legal citado nos autos. Nessa toada, reconhecida a fraude na operação que origina o pretenso crédito a ser compensado, resta contaminada a própria compensação. A operação de ágio interno caracterizada como simulada não pode dar azo a compensação ou amortização que não sofram do mesmo vício na origem. Pelo exposto, concluo pela manutenção da multa qualificada. 2.2 DA CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO Apesar de constante a discussão nessa turma, insisto na aplicabilidade da Súmula 105 deste e. CARF aos casos de concomitância de multa isolada e de ofício quando em razão do não pagamento de estimativas: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. É importante ressaltar que a própria C. Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que a multa hoje prevista no art. 44, II, b da Lei nº 9430/96 corresponde a multa prevista no art. 44, §1º, IV da mesma Lei. Ou seja, a mera alteração geográfica da multa não é suficiente para afastar o racional subjacente da Súmula: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Fl. 3543DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.543 27 Não há dúvida quanto à possibilidade de aplicação da multa isolada após o fim do anocalendário a que corresponde a estimativa faltante. O texto da lei diz que a pessoa jurídica que deixar de recolher estimativa fica sujeita à multa isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. REVOGAÇÃO DE NORMA LEGAL. INOCORRÊNCIA. A Lei nº 11.488/2007 não implicou em qualquer revogação da norma que prevê a aplicação de multa isolada para o caso de falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Houve apenas uma nova disposição do texto normativo, que não se confunde com a norma que dele se extrai. A referida norma legal, antes prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/1996, apenas passou a constar do art. 44, II, “b”, da mesma lei, com um percentual menor do que o anteriormente previsto (50% e não mais 75%). CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Em relação à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, devem ser aplicados à CSLL os mesmos fundamentos adotados para o IRPJ. (Processo administrativo nº 10980.016269/200750, acórdão nº 9101003.869, relatoria do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, julgado em 04/10/2018) A alteração da legislação em 2007, a meu ver, não altera o raciocínio subjacente à súmula. Assim, entendo que deva ser afastada a multa isolada. 2.3 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES Entendo que assiste razão aos responsáveis solidários quando alegam a nulidade do auto de infração, no que imputa a responsabilidade, por ausência de motivação. O fato de eles terem sido os diretores em cargo quando da operação que ensejou o ágio apontado como simulado, não pode ensejar responsabilização por compensação levada a cargo inclusive após sua retirada da empresa. Peço vênia para transcrever o excerto do acórdão da r. DRJ em relação à matéria: E, assim sendo, diante da falta de demonstração do prejuízo causado à sua defesa, e verificando que o interessado contestou de forma precisa todos os pontos tanto da Representação Administrativa quanto do Ato Declaratório de exclusãose, não há como sustentar que tenha sido maculado o ato administrativo, sob a alegação de que estaria cerceado o interessado no seu direito de defesa, razão pela qual REJEITO a presente alegação. Fazse oportuno enfatizar que HILTON KAPPAUN e HENRIQUE DUARTE CAMPESTRINI foram sóciosadministradores da "DIMON do Brasil Ltda. no período da incorporação internacional e exerciam o cargo de Diretor Presidente e Diretor Financeiro, respectivamente, conforme Contrato Social, alteração de 12/05/2004. Na alteração contratual de 16/05/2005, momento em que a DIMON DO BRASIL assumiu a identidade do novo grupo internacional com a mudança de seu nome para ALLIANCE ONE EXPORTADORA, ainda mantinham a qualidade de sócios administradores e o cargo de Diretor Presidente e Diretor Financeiro. Fl. 3544DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.544 28 Na alteração contratual de 18/08/2005, cedem sua(s) quota(s) à INTABEX (controladora estrangeira), porém continuam a exercer a administração da empresa nos cargos antes mencionados. Nessa data, ainda são promovidos os ajustes para que seja implementada a alteração contratual que admitiu a MERIDIONAL como sócia da ALLIANCE pela "venda" das quotas pela INTABEX com ágio. Quanto a Alexandre Strohscoen, foi administrador eleito da MERIDIONAL DE TABACOS Ltda. no período da incorporação internacional. Exercia o cargo de Diretor Financeiro da MERIDIONAL conforme ata de eleição de administradores de 16/06/2004. Assinou a alteração contratual de 30/08/2005, da ALLIANCE EXPORTADORA DE TABACOS LTDA e representou a MERIDIONAL formalmente no ato que criou o ágio interno por ato de simulação de compra e venda de quotas sociais e que teve por objetivo a criação artificial da relação de controle entre a futura incorporada com a sua futura incorporadora. Ressaltese que não possuía poderes emanados pelo contrato social para representar a empresa em negócios alheios ao seu objetivo social. Após o ato de incorporação da MERIDIONAL pela ALLIANCE foi o único diretor da MERIDIONAL que assumiu cargo de DIRETOR na ALLIANCE ONE, conforme alteração contratual de 30/09/2005. Portanto, ato contínuo aos fatos de criação artificial do ágio interno da ALLIANCE e da relação de controle, e após a incorporação reversa concretizada, foi nomeado administrador e responsável pela área financeira, no exercício do cargo de Diretor Financeiro da empresa que se beneficiou da redução tributária de forma ilícita. Mantevese no cargo de Diretor Financeiro da ALLIANCE até 01/08/2008, momento em que assumiu o cargo de Diretor Financeiro Regional para América do Sul, compondo a administração regional do grupo ALLIANCE, cargo que manteve até 01/08/2010, momento que assumiu o cargo de Diretor Regional para a América do Sul. conforme alteração do contrato social de 01/08/2010, compondo a administração do início ao final dos efeitos tributários que a beneficiaram. A participação do Diretor nos atos societários das MERIDIONAL que viabilizaram a criação do ágio interno e a sua imediata nomeação no cargo de DIRETOR FINANCEIRO da ALLIANCE, demonstra que possuía plena ciência dos fatos que fez nascer o pseudo direito ao benefício fiscal sem obstar seus efeitos no futuro. A fiscalização identificou que a administração local do Grupo Alliance foi a responsável pela contratação e avaliação do seu próprio capital, conforme revela a exposição de motivos no Laudo de Avaliação exarado por PricewaterhouseCoopers, que gerou o ágio e contribuiu decisivamente para implementar uma condição fictícia necessária ao uso da Lei (a futura incorporada se tornasse controladora para, em ato contínuo, fosse incorporada pela sua controlada com ágio interno gerado da incorporadora já eleita), e assim, a contribuinte se enquadrasse no permissivo legal que dava vazão a dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL nos sessenta meses posteriores ao ato, materializando a redução ilícita dos tributos que são constituídos no presente auto de infração. As pessoas apontadas como responsáveis eram diretores e estavam à frente da administração regional do grupo ALLIANCE, que efetivamente implantou a reorganização de forma a criar o ágio e a relação fictícia de controle da ALLIANCE pela MERIDIONAL no reduzido lapso temporal. Apesar de terem deixado o cargo em 06/06/2007 e 01/08/2008, os atos implementados sob sua administração em 2005 tiveram reflexos continuados até 09/2010. Diante do exposto, temse que HILTON KAPPAUN, HENRIQUE DUARTE CAMPESTRINI e ALEXANDRE STROHSCOEN, no exercício de suas funções de diretores, infringiram deliberadamente a lei tributária, mais especificamente o art. 7º da Lei 9.532/1997, criando artificialmente, por meio de simulação, condições exigidas Fl. 3545DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.545 29 pela lei para usufruir do benefício fiscal, inalcançável se a formalidade da incorporação no Brasil retratasse a materialidade da incorporação internacional, o que caracterizou a conduta sonegatória e fraudulenta. Dessa forma, mantémse a imputação de responsabilidade solidária às referidas pessoas físicas, feita nos termos do art.135, III, do CTN. O próprio acórdão emanado pela d. DRJ é confuso nesse tópico, mas acentua a saída dos responsáveis em momento anterior a compensação glosada. De sorte que impossível se vislumbrar o nexo causal suficiente para lhes atribuir responsabilidade. Não bastasse isso o art. 135 do CTN é claro ao afirmar que são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Embora eu entenda que a simulação fraudulenta que deu origem ao crédito pleiteado contamine a compensação para o contribuinte, este mesmo elemento não é suficiente para a atribuição de responsabilidade no que concerne fatos geradores ocorridos após a saída dos pretensos responsáveis do cargo de gerência. A meu ver, estão ausentes os requisitos para atribuição de responsabilidade. Isto posto, acolho a preliminar de nulidade suscitada pelos responsáveis, e caso não seja o entendimento compartilhado por essa c. Turma, no mérito, entendo estarem ausentes os requisitos para atribuição de responsabilidade nos termos do art. 135, III do CTN. 3. Conclusões Isto posto, encaminho voto no sentido de: 1) manter as multas qualificada e de ofício; e 2) afastar multa isolada, 3) afastar a responsabilidade dos três diretores. É como voto. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora ad hoc Fl. 3546DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.546 30 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, entendeu pela aplicabilidade da Súmula 105 deste e. CARF aos casos de concomitância de multa isolada e de ofício quando em razão do não pagamento de estimativas, motivo pelo qual concluiu que deveria ser afastado a multa isolada no caso concreto. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário em relação à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO IMPOSTA AO FINAL DO ANOCALENDÁRIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DO CSLL A questão a ser dirimida diz respeito à possibilidade de serem aplicadas, simultaneamente, a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais, e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. Em relação à possibilidade de aplicação cumulativa das multas de ofício e isolada cumpre salientar, preliminarmente, que não se aplica à espécie a Súmula CARF nº 105, segundo a qual “a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Isso porque a cumulação entre as multas só é vedada pela referida súmula em relação às autuações relativas a períodos anteriores a 22 de janeiro de 2007, data da entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou significativamente o art. 44 da Lei nº 9.430/96, confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 3547DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.547 31 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Observase que o art. 44 da Lei nº 9.430/96 foi alterado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; deixando claro que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Ressaltase que as bases de cálculo das citadas multas foram diferenciadas, afastandose, dessa forma, qualquer alegação de bis in idem. Com efeito, segundo texto dado pela Lei nº 11.488/2007, a base de cálculo da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, no percentual de 75%. Por fim, cabe registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais sinalizou ser possível a cobrança concomitante da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas após a entrada em vigor da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. Confirase, por oportuno, o que ficou registrado no Acórdão nº 910102.438: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário:2008, 2009 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. No caso em apreço, não tem aplicação a Súmula CARF nº 105, eis que a penalidade isolada foi exigida após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto e considerando que restou plenamente configurado o desrespeito do recorrente ao disposto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430/96 e, ainda, que o fato gerador do presente feito é posterior ao advento da MP nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), não há qualquer dúvida sobre a possibilidade/necessidade de cobrança da multa isolada, exigida em face do não pagamento do tributo devido pelo regime de estimativa. Fl. 3548DF CARF MF Processo nº 13005.722253/201613 Acórdão n.º 1402003.737 S1C4T2 Fl. 3.548 32 Concluise que é possível a cumulação entre multa de ofício e multa isolada, pois são penalidades distintas que incidem sobre bases de cálculo diversas, mormente em face da alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, o que já foi acatado pelo colegiado, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 3549DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.904583/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.
Numero da decisão: 1401-003.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/200937, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 83 /2 00 9- 81 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.904583/200981 Acórdão n.º 1401003.224 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DComp por meio do qual o contribuinte pediu a restituição de pagamento a maior ou indevido e declarou a compensação de débitos. A Delegacia da Receita Federal indeferiu o pedido e não homologou a compensação declarada em face de o DARF indicado pelo contribuinte ter sido inteiramente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade no qual aduziu que, sendo um consultório de odontologia, enquadraseia na regra que prevê a tributação de serviços hospitalares, com percentual de presunção do IRPJ de 8% e da CSLL de 12%, ao invés do percentual de 32% dos serviços em geral. Contudo, os débitos originalmente declarados em DCTF foram apurados com o percentual de 32%. Assim, a diferença entre os montantes calculados com o percentual de 32%, efetivamente recolhidos, e o montantes devidos com a aplicação do percentual mais benéfico configurariam pagamento indevido ou a maior. Esta diferença é que estaria sendo pleiteada no PER/DComp sob análise. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não acolheu a manifestação de inconformidade do contribuinte. O fundamento utilizado pela DRJ para indeferir o pedido de reforma do Despacho Decisório da DRF foi a ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Alegou a DRJ que a DCTF constitui confissão de dívida e que, portanto, para que o débito declarado, que não foi retificado pelo contribuinte, seja desconstituído é preciso que sejam apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. Destacou a DRJ que o ônus de comprovar o direito creditório é do contribuinte, mas que este não detalhou a composição da receita auferida no período e não trouxe nenhuma comprovação de que se enquadre na prestação de serviços hospitalares de que trata o artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 (notas fiscais de serviço, relatórios). Irresignado, o contribuinte manejou o recurso voluntário ora sob análise, no qual reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.904583/200981 Acórdão n.º 1401003.224 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.220, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904582/2009 37, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.220): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Conforme relatado, a DRJ delineou de forma correta a controvérsia posta para solução. Tratase de matéria probatória. Tratase de determinar a liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de repetição, com declaração de compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. No recurso voluntário, o contribuinte fez longa defesa da interpretação do artigo 23 da IN SRF nº 306/2003, vigente à época dos fatos, de forma a enquadrar sua atividade consultório de odontologia como serviço hospitalar. Com isso, defendeu o direito a apurar o lucro presumido conforme a alíquota mais benéfica e não a alíquota aplicável aos serviços em geral. Contudo, esta não é a questão posta. Nem a DRF no Despacho Decisório, nem a DRJ no Acórdão de Manifestação de Inconformidade fundamentaram suas decisões na inaplicabilidade do disposto no artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 ao contribuinte. A questão posta desde o início é a desconstituição de débito constituído por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. Em outras palavras, se o contribuinte equivocouse na DCTF e na DIPJ e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar qual o montante efetivamente devido e, por consequência, comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na manifestação de inconformidade "os motivos de fato e de direito em que se Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.904583/200981 Acórdão n.º 1401003.224 S1C4T1 Fl. 5 4 fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Não é demais lembrar, também, que a determinação da aplicação do percentual de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) é dirigido à atividade e não à pessoa que desenvolve serviços hospitalares. É o que se depreende da dicção do artigo 15, § 1º, III, "a", e § 2º, da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...)”. grifei. Assim, não basta que o contribuinte faça prova, por meio do contrato social, de que desenvolve atividades enquadradas no conceito de serviços hospitalares para que, automaticamente, toda a receita operacional auferida seja enquadrada nos percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). É preciso que o contribuinte junte elementos para vincular a receita à atividade de serviço hospitalar. Daí a DRJ mencionar notas fiscais e relatórios. Também é preciso juntar elementos de prova da contabilidade para se determinar se as receitas declaradas estão de acordo com a escrita comercial (ou Livro Caixa). Sem a apresentação de tais elementos probatórios, o pedido do contribuinte carece de liquidez e certeza. Conclusão. Portanto, não tendo o contribuinte logrado apresentar elementos mínimos de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.904583/200981 Acórdão n.º 1401003.224 S1C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 89DF CARF MF
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