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Numero do processo: 10880.916232/2017-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Nov 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009
PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO POSTERIOR. CRÉDITO RECONHECIDO E INTEGRALMENTE UTILIZADO. APLICAÇÃO DA DECISÃO. AUSÊNCIA DE SALDO REMANESCENTE.
Tendo havido o reconhecimento de crédito pleiteado por meio de Pedido de Restituição em processo administrativo que trata de Declaração de Compensação que utilizou integralmente o referido direito creditório, cabe tão-somente a aplicação da decisão anteriormente proferida, sem o reconhecimento de saldo remanescente passível de restituição.
Numero da decisão: 1302-005.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO POSTERIOR. CRÉDITO RECONHECIDO E INTEGRALMENTE UTILIZADO. APLICAÇÃO DA DECISÃO. AUSÊNCIA DE SALDO REMANESCENTE. Tendo havido o reconhecimento de crédito pleiteado por meio de Pedido de Restituição em processo administrativo que trata de Declaração de Compensação que utilizou integralmente o referido direito creditório, cabe tão-somente a aplicação da decisão anteriormente proferida, sem o reconhecimento de saldo remanescente passível de restituição.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO POSTERIOR. CRÉDITO RECONHECIDO E INTEGRALMENTE UTILIZADO. APLICAÇÃO DA DECISÃO. AUSÊNCIA DE SALDO REMANESCENTE. Tendo havido o reconhecimento de crédito pleiteado por meio de Pedido de Restituição em processo administrativo que trata de Declaração de Compensação que utilizou integralmente o referido direito creditório, cabe tão- somente a aplicação da decisão anteriormente proferida, sem o reconhecimento de saldo remanescente passível de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão por meio do qual se negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente acima identificada. O presente processo decorre do Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a Recorrente, pleiteou suposto pagamento a maior que o devido a título de Imposto de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 62 32 /2 01 7- 23 Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.858 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.916232/2017-23 Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido por estimativa em relação ao período de apuração de novembro de 2009. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, não foi reconhecido qualquer direito creditório, posto que o crédito pleiteado já havia sido objeto de análise, em relação a outro PER/Declaração de Compensação (DComp) anteriormente transmitido, e não teria sido reconhecido qualquer crédito remanescente. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que argumentou que: (i) o indébito pleiteado corresponderia ao valor da multa de mora que teria sido indevidamente recolhida em situação de denúncia espontânea; (ii) originariamente, teria apurado débito a título de estimativa de IRPJ em relação ao citado período de novembro de 2009, confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF); (iii) posteriormente, em procedimento de auditoria interna, teria verificado que o montante efetivamente devido seria superior, de modo que teria recolhido a diferença devida, acompanhada de multa e juros de mora, bem como transmitido DCTF retificadora, confessando o débito no valor correto; (iv) entretanto, o citado recolhimento estaria abrangido pelo instituto da denúncia espontânea, de modo que seria indevida a multa de mora, razão pela qual teria apresentado o PER sob análise; (v) diante da ausência de restituição, valeu-se do mencionado crédito para realizar a compensação por meio de DComp, a qual não foi homologada, nos autos de processo administrativo distinto, tendo sido interposta Manifestação de Inconformidade, que foi julgada improcedente e a decisão correspondente teria sido desafiada por meio de Recurso Voluntário, ainda pendente de julgamento; (vi) apesar de a referida análise ainda estar em andamento, houve o indeferimento do pedido de restituição formulado nos presentes autos; (vii) seria necessário o apensamento deste processo administrativo ao que trata da citada DComp, de modo a se evitar decisões contraditórias; (viii) na apreciação conjunta do mérito, deve ser verificada a efetiva existência do seu direito creditório. No acórdão recorrido, apontou-se que o crédito pleiteado já teria sido objeto de análise no processo que trata da DComp apresentada pela Recorrente, estando a matéria submetida ao CARF. Deste modo, teria havido a preclusão consumativa do direito à apresentação de fatos e motivos relativos à análise do crédito e seria inadmissível nova manifestação da autoridade julgadora de primeira instância, em atenção ao princípio da Segurança Jurídica. De outra parte, ante o princípio da oficialidade, seria necessário o impulso Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.858 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.916232/2017-23 dos presentes autos até a decisão final; cabendo, entretanto, a juntada dos autos em caso de apresentação de Recurso Voluntário neste processo administrativo. Após a ciência da decisão de primeira instância, foi apresentado Recurso Voluntário, no qual se reitera o já alegado, reconhecendo que a discussão acerca do crédito já é desenvolvida no processo que analisa a DComp e pugnando, mais uma vez, pela apensação dos autos. Em 20 de maio de 2021, o processo foi distribuído, por sorteio, a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 28 de maio de 2018 (fls. 159/160), tendo apresentado o seu Recurso, em 18 de junho do mesmo ano (fl. 161) dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procuradores da pessoa jurídica, devidamente constituídos nos autos (fls. 26/27). A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso I, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2 DO MÉRITO Conforme relatado, o presente processo administrativo trata de Pedido Eletrônico de Restituição (PER) relativo a crédito de suposto pagamento indevido a título de multa de mora referente ao valor devido por estimativa de IRPJ em relação ao período de novembro de 2009. Ocorre que o referido crédito foi objeto de Declaração de Compensação (DComp) tratada no processo administrativo nº 10880.933374/2013-21, sendo que a análise do referido direito creditório foi ali realizada. O Recurso Voluntário é apresentado, basicamente, para pleitear a juntada dos presentes autos ao referido processo administrativo, de modo a que se aplique a decisão ali proferida. Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.858 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.916232/2017-23 Pois bem, o Recurso Voluntário interposto no citado processo administrativo foi objeto de julgamento por parte da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Acórdão nº 1401-004.418, de 17 de junho de 2020, no qual foi reconhecido integralmente o crédito, no valor de R$ 128.684,05. A referida decisão, que não foi atacada por Recurso Especial pela Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional, implica na reforma da decisão de primeira instância proferida nos presentes autos, já que houve o reconhecimento do direito creditório. Contudo, considerando-se que o crédito foi integralmente compensado na Declaração de Compensação (DComp) tratada no processo administrativo nº 10880.933374/2013-21, não há mais qualquer providência a ser adotada nestes autos, já que não há parcela remanescente passível de restituição. 3 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.951187/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Nov 26 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PROVA. RETIFICAÇÃO DCTF. INSUFICIÊNCIA.
A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte conheceu a acusação, dela se defendeu e teve todos os argumentos enfrentados pela fiscalização.
ERRO. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO.
Demonstrada divergência entre o valor de débito a compensar indicado na DCOMP e no despacho decisório que a analisou deve prevalecer o primeiro em face do segundo.
Numero da decisão: 3401-009.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa do crédito de R$ 1.561,29.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente o Conselheiro Maurício Pompeo da Silva, substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PROVA. RETIFICAÇÃO DCTF. INSUFICIÊNCIA. A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte conheceu a acusação, dela se defendeu e teve todos os argumentos enfrentados pela fiscalização. ERRO. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. Demonstrada divergência entre o valor de débito a compensar indicado na DCOMP e no despacho decisório que a analisou deve prevalecer o primeiro em face do segundo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa do crédito de R$ 1.561,29. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente o Conselheiro Maurício Pompeo da Silva, substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva.
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RETIFICAÇÃO DCTF. INSUFICIÊNCIA. A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte conheceu a acusação, dela se defendeu e teve todos os argumentos enfrentados pela fiscalização. ERRO. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO. Demonstrada divergência entre o valor de débito a compensar indicado na DCOMP e no despacho decisório que a analisou deve prevalecer o primeiro em face do segundo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa do crédito de R$ 1.561,29. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 11 87 /2 00 8- 62 Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.719 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.951187/2008-62 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente o Conselheiro Maurício Pompeo da Silva, substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório 1.1. Trata-se de declaração de compensação de PIS apurada em janeiro de 2004. 1.2. O pedido foi parcialmente deferido por despacho decisório eletrônico da DERAT São Paulo, pois “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 1.3. Em Manifestação de Inconformidade a Recorrente alega que “apurou o valor de R$ 823.710,78, referente ao PIS do período de apuração de janeiro de 2002 [conforme DCTF e DIPJ retificadoras coligidas aos autos]. Para quitação desse valor, recolheu dois DARF nos valores de R$ 783.356,87 e R$ 185.523,86, ambos na mesma data, ou seja, soma).ndo os dois pagamentos a Requerente percebeu que efetuara um recolhimento a maior a titulo de PIS referente a janeiro de 2002” e, por tal motivo, deve ter a compensação integralmente homologada. Ademais, a DERAT abateu do valor total do crédito da Recorrente pleiteado neste processo, um valor maior do que o indicado como crédito por esta em declaração de compensação anterior (valor indicado R$ 7.909,30, valor abatido pela DERAT R$ 9.470,59. 1.4. A DRJ de São Paulo manteve a homologação parcial por insuficiência probatória, uma vez que a Recorrente trouxe aos autos apenas a DIPJ e a DCTF, ambas retificadoras. 1.5. Intimada, a Recorrente alega nulidade do despacho decisório pois deixou de apreciar informação descrita “na página 2 do PER/DCOMP n° 04921.33769.190906.1.7.04- 4708, a qual atesta que apenas o valor original de R$ 7.909,30 foi utilizado do crédito de PIS” e insiste nas demais teses descritas em Manifestação de Inconformidade. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. A Recorrente aventa NULIDADE da decisão de piso, vez que esta deixou de observar o quanto descrito na DCOMP n° 04921.33769.190906.1.7.04-4708, em especial, o valor indicado à compensação. Isto porque, (alega a Recorrente) na DCOMP final 4708 indicou Fl. 178DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.719 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.951187/2008-62 como crédito a compensar o valor de R$ 7.909,30, porém, o despacho decisório abateu da totalidade do crédito a compensar o valor de R$ 9.470,59. 2.1.1 De saída não há nulidade, a DRJ manifestou-se expressamente sobre o saldo de crédito desta DCOMP entendendo que inexistia prova suficiente do alegado. Todavia (e aqui mais um motivo para afastar a nulidade) com razão a Recorrente neste particular. De fato, na DCOMP final 4708 a Recorrente indica como crédito a compensar o valor de R$ 7.909,30, valor este que – por motivos desconhecidos – foi desconsiderado pelo despacho decisório: 2.2. Quanto ao mais, a Recorrente alega erro na apuração e recolhimento de PIS, erro que pretende demonstrar por meio de juntada de DCTF, o que é insuficiente à demonstração do direito creditório, nos termos da Súmula CARF 164: A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. 3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário, dando-lhe parcial provimento para afastar a glosa de R$ 1.561,29. (documento assinado digitalmente) Fl. 179DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.719 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.951187/2008-62 Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 180DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 35464.001705/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2006
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis
– CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. BIS
IN IDEM. CARACTERIZAÇÃO.
A autuação fiscal pela recusa de prestar informações e esclarecimentos que possibilitem a melhor compreensão dos fatos constatados pela fiscalização não se aplica à infração pela falta de apresentação de livros e documentos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-001.858
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira e Ronaldo de Lima Macedo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. DEIXAR DE PRESTAR INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS. BIS IN IDEM. CARACTERIZAÇÃO. A autuação fiscal pela recusa de prestar informações e esclarecimentos que possibilitem a melhor compreensão dos fatos constatados pela fiscalização não se aplica à infração pela falta de apresentação de livros e documentos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira e Ronaldo de Lima Macedo. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a autuação lavrada em 29/03/2007. A redução da multa se deu por equívoco da fiscalização no critério para verificação do agravante de reincidência e, por conseguinte, no cálculo da multa. O crédito é decorrente do descumprimento da obrigação acessória de prestar informações e esclarecimentos de interesse da fiscalização. Seguem transcrições do relatório fiscal da infração e do acórdão recorrido: Em ação fiscal desenvolvida na empresa FLEURY S/A, verificou se que a empresa deixou de apresentar: a) Todas as atas de assembléias gerais e de reuniões da diretoria ou conselhos; b) Cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos responsáveis legais e contador, essas solicitações foram feitas em TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos em: 22/03/2007. ... ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/03/2007 Documento: AI n.° 37.013.3064, de 29/03/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PRESTAR INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS, BEM COMO ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO. Deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, constitui infração à legislação previdenciária. REINCIDÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Comprovado que não ocorreu determinada reincidência, há que se alterar a autuação quanto à gradação da multa aplicada. RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES. PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO. Os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a Seguridade Social, por dolo ou culpa, sendo pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A relação dos diretores apresentada no Relatório REPLEG Relatório de Representantes Legais atende ao disposto em Lei, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.001705/200756 Acórdão n.º 2402001.858 S2C4T2 Fl. 117 3 na hipótese de futura inscrição do lançamento de crédito em dívida ativa. Lançamento Procedente em Parte ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Transcreve o inciso III do artigo 32, bem como § 2° do artigo 33, ambos da Lei n° 8212/91, e argumenta que os Autos de Infração n° 35.013.3046 e n° 35.013.3030 (equivocase nos números, na verdade são os Ars 37.013.3064 e 37.013.3030) foram baseados no mesmo fato (ou seja, descumprimento do TIAD de 22/03/2007), ambos fazem alusão a uma única (semelhante) obrigação do contribuinte. Deste modo, a Auditoria Fiscal aplicou mais de uma multa punitiva para uma única infração, o que é inaceitável pelo ordenamento jurídicotributário vigente. Transcreve jurisprudência. ... Portanto, não há que se falar em responsabilização solidária, sob pena de ilegalidade e inconstitucionalidade. Apresenta jurisprudência para apoiar a argumentação. De acordo com o artigo 13, parágrafo único da Lei n.° 8.620/93, a responsabilidade solidária dos diretores darseá somente quando provado pelo Fisco o inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa, sendo que tanto um como a outra jamais restaram configurados. É este o entendimento já exarado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. Transcreve trecho do voto do acórdão MPS n.° 671/2005. ... Em síntese, o recorrente contesta a validade da autuação sob argumento de que teria havido bis in idem – em duas autuações os fatos são os mesmos: deixar de apresentar documentos e que os sócios não poderiam ser responsabilizados pessoalmente pelo crédito tributário. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Das preliminares A preliminar é quanto à responsabilização pessoal dos sócios. Quanto ao tema não existe dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, Após a revogação acima o documento antes sob o título “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou à denominação de “REPLEG Relatório de Representantes Legais”. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. Portanto, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.001705/200756 Acórdão n.º 2402001.858 S2C4T2 Fl. 118 5 praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99: Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, considerando que a fiscalização, com acerto, apenas indicou os representantes legais da empresa no documento “Representantes Legais – REPLEG” o interesse do recorrente já fora atendido. Assim, voto pela rejeição da preliminar de coresponsabilidade. Do mérito A sustenta que teriam havido duas autuações pelos mesmos fatos: deixar de apresentar documentos de interesse da fiscalização: Ocorre que, baseada no mesmo fato (ou seja, descumprimento do TIAD datado de 22/03/2007), a Auditoria Fiscal lavrou o Auto de Infração n.° 35.013.3030 por ausência de apresentação de documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. A fundamentação legal da suposta infração é o artigo 33, §20 da Lei n. 8.212/91, segundo o qual "a empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Da simples leitura dos dispositivos legais que fundamentam os autos de infração n. o 35.013.3046 e n. o 35.013.3030, se Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 verifica que ambos fazem alusão a uma única (semelhante) obrigação do contribuinte. Tal assertiva é ainda mais clara no presente caso, em que as autuações fiscais estão calcadas no descumprimento do TIAD datado de 22/03/2007. Em consulta à base de dados, verifico que o referido autodeinfração corresponde ao processo n° 35464.001703/200767. A instância recorrida confirma a existência do outro autodeinfração pela não apresentação de documentos, mas entende que não teria havido bis in idem: Por sua vez, o Auto de Infração n° 37.013.3030, correspondente ao FL 38, foi lavrado, como reconhece a própria Defendente, em virtude do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 33, §§2° e 3°, da Lei n° 8.212/91, c/c os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, que dispõem: Lei n° 8.212/91 Art. 33. (...) §3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. No entanto, a descrição no autodeinfração evidencia que não se trata da recusa de prestar informações e esclarecimentos que possibilitem a melhor compreensão dos fatos constatados pela fiscalização em suas verificações in loco e no exame da documentação. Antes disso, tratase mesmo da falta de apresentação dos documentos; infração esta para a qual já havia sido lavrado autodeinfração. Segue a transcrição do relatório fiscal: Em ação fiscal desenvolvida na empresa FLEURY S/A, verificou se que a empresa deixou de apresentar: a) Todas as atas de assembléias gerais e de reuniões da diretoria ou conselhos; b) Cópia de comprovante de residência, CPF e RG dos responsáveis legais e contador, essas solicitações foram feitas em TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos em: 22/03/2007. Por essa razão, entendo que os fatos apresentados pela fiscalização se subsumem com a infração capitulada no artigo 33, §3° da Lei n° 8.212/91, caracterizandose daí um bis in idem. Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.001705/200756 Acórdão n.º 2402001.858 S2C4T2 Fl. 119 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 05/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10530.904562/2011-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Nov 26 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/1998
Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não compreendidas no conceito de faturamento.
BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO.
As bonificações em mercadorias entregues pelo vendedor ao comprador, sem vinculação com uma operação de venda, constituem receitas auferidas por quem as recebe.
Numero da decisão: 3003-002.025
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório nos termos do relatório da diligência. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcos Antônio Borges.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ariene dArc Diniz e Amaral - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente), Lara Moura Franco Eduardo, Muller Nonato Cavalcanti Silva e Ariene dArc Diniz e Amaral (relatora).
Nome do relator: Ariene d'Arc Diniz e Amaral
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 30/08/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não compreendidas no conceito de faturamento. BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. As bonificações em mercadorias entregues pelo vendedor ao comprador, sem vinculação com uma operação de venda, constituem receitas auferidas por quem as recebe. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório nos termos do relatório da diligência. Votou pelas conclusões o conselheiro Marcos Antônio Borges. (documento assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Ariene d’Arc Diniz e Amaral - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente), Lara Moura Franco Eduardo, Muller Nonato Cavalcanti Silva e Ariene d’Arc Diniz e Amaral (relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 45 62 /2 01 1- 51 Fl. 907DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 013365804, emitido eletronicamente em 02/12/2011, referente ao PER/DCOMP nº 38569.70481.070605.1.2.04-2867. O pedido de restituição, gerado pelo programa PER/DCOMP, foi transmitido com o objetivo de ver reconhecido direito creditório correspondente a(o) Pis (Código de Receita 8109), no valor original na data de transmissão de R$ 328,57, representado por Darf recolhido em 15/09/2000, no montante total de R$ 12.936,69. De acordo com o despacho decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o pedido de restituição foi indeferido. Como enquadramento legal citou-se o art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN). Cientificada do Despacho Decisório em 22/12/2011(fl.63) a Interessada apresentou, em 17/01/2012, manifestação de inconformidade para alegar o que se segue: • Inicialmente requer, em face do princípio da economia processual e da conexão, a reunião dos seguintes processos administrativos, uma vez que possuem o mesmo objeto, qual seja, a restituição de crédito decorrente do recolhimento indevido da Cofins ou do Pis, pautado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98: 10530.904851/2011-50, 10530.904850/2011-13, 10530.904860/2011-41, 10530.904865/2011-73, 10530.904869/2011-51, 10530.904873/2011-10, 10530.904871/2011-21, 10530.904862/2011-30, 10530.904836/2011-10, 10530.904845/2011-01, 10530.904557/2011-48, 10530.904867/2011-62, 10530.904855/2011-38, 10530.904856/2011-82, 10530.904848/2011-36, 10530.904568/2011-28, 10530.904852/2011-02, 10530.904837/2011-56, 10530.904840/2011-70, 10530.904872/2011-75, 10530.904875/2011-17, 10530.904859/2011-16, 10530.904864/2011-29, 10530.904835/2011-67, 10530.904854/2011-93, 10530.904863/2011-84, 10530.904870/2011-86, 10530.904876/2011-53, 10530.904877/2011-06, 10530.904858/2011-71, 10530.904857/2011-27, 10530.904844/2011-58, 10530.904561/2011-14, 10530.904841/2011-14, 10530.904853/2011-49, 10530.904566/2011-39, 10530.904874/2011-64, 10530.904846/2011-47, 10530.904834/2011-12, 10530.904866/2011-18, 10530.904838/2011-09, 10530.904878/2011-42, 10530.904849/2011-81, 10530.904868/2011-15, 10530.904839/2011-45. Fl. 908DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 • Afirma não ter sido intimada a prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito pleiteado, o que implica em desrespeito ao art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, vigente à época. • Nos termos do art. 142 do CTN, é dever da autoridade fiscal aprofundar-se no exame da situação concreta, a fim de que o lançamento e as demais glosas fiscais se baseiem na aplicação correta da lei aos fatos efetivamente ocorridos e a ela subsumidos. • No caso, a fiscalização sequer tomou conhecimento das razões que justificam o pedido de restituição, fato que impõe a reforma do despacho decisório, por contrariar o ordenamento jurídico vigente. • O parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 ampliou significativamente as bases de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ao prescrever que nelas fossem consideradas todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente o seu faturamento. • Ao assim proceder, o legislador ordinário ofendeu frontalmente o inc. I do art. 195 da Constituição Federal, bem como o art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, na definição das competências tributárias. • A discussão quanto à constitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98 encontra-se superada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade daquele dispositivo, por ocasião do julgamento do RE nº 390.840/MG, em 09/11/2005. • A matéria foi considerada como de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal, e será objeto de Súmula Vinculante, conforme Voto proferido pelo Min. Cezar Peluso no RE nº 585.235, de 10/09/2008. • Esse entendimento está de tal forma pacificado no seio da jurisprudência, que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, revogou expressamente o malsinado parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98. • A jurisprudência administrativa também já se manifestou de maneira favorável à aplicação, pelo Fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1º, art. 3º da Lei nº 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do STF. Cita jurisprudência. • O inc. I do parágrafo 6º, do art. 26-A (incluído no Decreto nº 70.235/1972 pela Lei nº 11.941/2009) determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação. • Norma de igual teor também foi prevista no Decreto nº 7.574, de 29 de novembro de 2011, que, no inciso I, parágrafo único de seu artigo 59, determina a aplicação, pelos órgãos de julgamento da administração federal, do entendimento exarado pelo Plenário da Corte Suprema, nos casos de lei declarada inconstitucional. • O caput do art. 62-A, do RICARF (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, determina que o CARF adote as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, sob o regime de repercussão geral (art. 543-B do CPC), tal como ocorreu no julgamento do RE nº 585.235. Esse dispositivo regimental reforça a demonstração de que o entendimento do STF a propósito da inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve, necessariamente, ser aplicado ao caso ora em análise. Fl. 909DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 • Nas bases de cálculo das contribuições para o Pis e da Cofins deveriam ter sido incluídos apenas os valores correspondentes ao faturamento, quais sejam, os ingressos correspondentes às receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. • O direito creditório em discussão refere-se a recolhimentos sobre receitas que não integram o faturamento e, por conseguinte, não são alcançadas pela hipótese de incidência das contribuições para o Pis e da Cofins. • Para que não restem quaisquer dúvidas são acostados, junto à manifestação de inconformidade, documentos hábeis a comprovar a existência e a higidez do crédito pleiteado. • Por fim, pede o acolhimento da manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito à plena restituição das contribuições recolhidas sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento. • Acrescenta que a matéria objeto do litígio não foi submetida à apreciação judicial e protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos.” A DRJ manteve o entendimento do despacho decisório considerando a falta de comprovação do crédito, conforme trecho do voto destacado: “No caso em exame, não obstante o reconhecimento, em tese, do direito vindicado pela Interessada, faz-se necessário examinar a certeza e a liquidez do crédito postulado, conforme exige o art. 170 do Código Tributário Nacional1. O demonstrativo “Receitas Financeiras” (fl. 45), anexado à manifestação de inconformidade, aponta as receitas sobre as quais a Reclamante pleiteia a repetição do indébito de PIS. Referido demonstrativo segue abaixo transcrito: (...) Do exame dos demonstrativos acima não é possível concluir que as receitas sobre as quais a Reclamante alega ter recolhido indevidamente as contribuições (Receitas Financeiras e Outras Receitas Operacionais) foram, de fato, consideradas na apuração das contribuições para o Pis e da Cofins. Isto porque, se o § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 dispunha que a base cálculo dessas contribuições era a receita bruta, assim compreendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, é de se esperar que o somatório das Receitas Brutas informadas mensalmente na Ficha 19A – CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP seja, por óbvio, SUPERIOR ao valor do Faturamento – auferido somente com a Revenda de Mercadorias e Prestação de Serviços – cujas informações constam da Ficha 06A – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO, da DIPJ. Todavia, no caso em exame, observa-se que o somatório dos valores informados a título de Receita Bruta, para fins de apuração das contribuições para o Pis e da Cofins, no ano-calendário 2000, é INFERIOR ao valor do Faturamento Anual, auferido com a Revenda de Mercadorias e Prestação de Serviços, informado na Ficha 06A – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO, perfazendo esta diferença o montante de R$ 1.456.459,59. Em sua manifestação de inconformidade, a Interessada acostou excertos do Balancete do mês de Agosto/2000. Nesse Balancete, as contas relativas a(o) PIS a pagar encontram-se discriminadas da seguinte forma: “PIS incidente sobre as receitas financeiras” e “PIS incidente sobre outras receitas”. Fl. 910DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 Todavia, essa documentação, per si, não constitui um conjunto probatório hábil, vez que não permite determinar o efetivo faturamento (receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços, e de mercadorias e serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica) auferido no período de apuração sub examine e, do confronto deste último com os recolhimentos efetuados, concluir pela existência do indébito postulado.” Em recurso voluntário contribuinte reitera os fundamentos da manifestação de inconformidade, pugna pela juntada de novos documentos comprobatórios do crédito, quais sejam Livro Razão e Apuração da Contribuição. O recurso foi apreciado em 19 janeiro de 2021, oportunidade na qual o colegiado resolveu por converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem (1) verifique o recolhimento efetivo dos valores indicados como recolhidos nas DCOMP; (2) verifique se as receitas financeiras foram incluídas no faturamento da PJ, com base nos documentos juntados aos autos e nas informações contábeis e Declarações diversas contidas na base de dados da Receita Federal; (3) ao final da verificação, apure o crédito disponível para o período-base de referência, apto a dar quitação aos débitos declarados na DCOMP; (4) elabore relatório conclusivo, manifestando-se objetivamente sobre a existência ou não do vindicado direito creditório. A fiscalização cumpriu a diligência e concluiu: “14. Desta análise, constatou-se que há saldo de crédito resultante de pagamento indevido ou a maior, na forma da tabela acima discriminada, ou seja, no valor original de R$194,05. Em consulta realizada nos sistemas da Receita Federal, não há DCOMPs associadas ao PER objeto desta análise”. Destaco trecho do relatório: 4. Nessa linha, o contribuinte inicialmente apresentou duas tabelas. Na primeira, denominada “Demonstrativo de Apuração”, constam os valores encontrados pela interessada a título de base de cálculo relativa a cada período de apuração, para o PIS e para a COFINS, calculando o valor pretendido do suposto pagamento a maior consignado no PER respectivo. Na outra tabela, denominada “Receitas Financeiras”, a empresa elenca quais as rubricas foram excluídas da nova base de cálculo apurada. 5. Das rubricas excluídas pela empresa, constatou-se a exclusão das denominadas “bonificações” da nova base de cálculo apurada, tendo a empresa informado as mesmas na sua tabela de “Receitas financeiras”. No entanto, as receitas percebidas a titulo de bonificações, entituladas na tabela “Receitas Financeiras” elaborada pelo contribuinte e escrituradas no Balancete contábil apresentado (Bonificação MBB Veículos, Bonificação Sprinter, Bonificação MBB Peças e Motores) não podem ser consideradas receitas financeiras, diversamente do pretendido pela interessada. 6. A teor do que dispõe o art. 373 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda – RIR) vigente à época, consideram-se receitas financeiras os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. As bonificações do presente caso não se enquadram em nenhuma dessas situações. Em verdade, constituem valores pagos como forma de incentivo à realização de operações de compras, estimulando o abastecimento do estoque das beneficiárias, caracterizando, portanto, uma verdadeira subvenção corrente efetuada pela montadora como forma de auxiliar no desenvolvimento das atividades de sua rede de concessionárias. Fl. 911DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 7. Desta forma, seja por não caracterizar receita financeira, seja por não estar submetido ao regime concentrado de cobrança da contribuição, os valores percebidos a título de bonificações devem compor a base de cálculo das referidas contribuições, não podendo ser enquadrados como receita financeira na forma pretendida pela interessada ou mesmo como “receitas estranhas ao conceito de faturamento”, tal como denominado pelo contribuinte no seu último demonstrativo apresentado”. Devidamente intimada, a Recorrente manifestou-se sobre o relatório da diligência, asseverando que as receitas de bonificações também devem ser excluídas da base de cálculo das aludidas contribuições, por serem estranhas ao conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas da pessoa jurídica, bem como: “As bonificações nada mais são do que os valores recebidos pela requerente das montadoras de automóveis como recuperação dos custos de aquisição dos bens que são revendidos pela requerente. Ou seja, a requerente adquire os automóveis ou camionetas das montadoras para revender no mercado e, para tanto, paga o preço de aquisição dos bens. Posteriormente, ela recebe as bonificações de venda, que são meras reduções do custo de aquisição dos automóveis ou camionetas, não configurando novas receitas. Vale ressaltar que há também bonificações recebidas em mercadorias, ou seja, em partes e peças. Em outras palavras, as bonificações não são receitas da requerente, mas apenas recuperação do custo de aquisição dos bens adquiridos por ela para revenda. (...) Assim, trata-se de simples reduções do custo de aquisição dos automóveis, como também de partes e peças recebidas em mercadorias a título de bonificação. (...) Realmente, dos enunciados acima expostos, extrai-se que a receita representa um ingresso de algo novo no patrimônio da pessoa jurídica. Por isso, as reposições patrimoniais, que apenas recomponham o ativo e o patrimônio ao seu estado anterior, não são receitas. E justamente esse é o caso das recuperações de custos e despesas representadas nas contas ora em análise, na medida em que elas representam recuperações de valores incorridos pela pessoa jurídica, cujo ingresso implica a recomposição do patrimônio, e não o seu incremento”. É o relatório. Voto Conselheira Ariene d’Arc Diniz e Amaral, Relatora. O presente recurso contém matéria de competência desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 912DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 Sobre a tempestividade do recurso, verifica-se que o prazo para interposição da peça recursal é de 30 (trinta) dias a contar da intimação é tempestivo. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A controvérsia dos autos cinge-se a comprovação da existência do indébito, manifestando-se a autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que o Recorrente não logrou comprovar o excesso de pagamento. Na fase de impugnação o contribuinte apresentou apenas Balancete relativo ao mês de Janeiro/2004. No recurso voluntário apresentou novos documentos: livro razão e demonstrativo de apuração. A discussão de fundo refere-se a inconstitucionalidade do §1, art. 3, da Lei nº 9718/1998, declarada pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu que não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas não compreendidas no conceito de faturamento. Lembro que a matéria é de conhecimento deste Conselho Administrativo julgada em diversos processos semelhantes, dentre os quais destaco os acórdãos de relatoria do I. Conselheiro Marcos Antônio Borges: “Acórdãonº 3801004.316–1ªTurmaEspecial Recorrente RODOBENSCAMINHÕESCUIABÁS/A Recorrida FAZENDANACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Datadofatogerador:31/01/2004 INCONSTITUCIONALIDADEDO§1O .DOART.3O .DALEI9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem comporabasedecálculodoPISedaCOFINSasreceitasnãocompreendidas noconceitodefaturamento”. “Acórdãonº 3801004.319–1ªTurmaEspecial Recorrente RODOBENSCAMINHÕESPERNAMBUCOLTDA Recorrida FAZENDANACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Períododeapuração:01/07/2002a31/07/2002 INCONSTITUCIONALIDADEDO§1O .DOART.3O .DALEI9.718/1998 Nos termos já sedimentados pelo Supremo Tribunal Federal, não devem comporabasedecálculodoPISedaCOFINSasreceitasnãocompreendidas noconceitodefaturamento. RecursoVoluntárioProvido” Destaco o entendimento do ilustre relator, com o qual concordo e adoto parcialmente como razão de decidir, considerando a similaridade com o presente caso: “A questão posta em discussão cinge-se ao direito ao crédito de PIS e COFINSpagoscombasenoart.3º,§1,daLein°9.718,de1998,queforamposteriormente declaradosinconstitucionaispeloSupremoTribunalFederal. Fl. 913DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 ALei nº 9.718/98,conversão daMedidaProvisória nº 1.724/98,estendeu o conceitodefaturamento,basedecálculodascontribuiçõesPISeCofins,definindoono§1ºdo art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotadaparaasreceitas. Todavia, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidadedo§1ºdoart.3ºdaLei9.718/98,queinstituiunovabasedecálculoparaain cidênciadePISedaCofins,nojulgamentodosRE357.950,390.840,358.273e346.084, conformeementaabaixo: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998.O sistemajurídico brasileiro nãocontempla afigura daconstitucionalidadesuperveniente. TRIBUTÁRIOINSTITUTOS- EXPRESSÕESEVOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código TributárioNacionalressaltaaimpossibilidadedealeitributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípiodarealidade,consideradososelementostributários. CONTRIBUIÇÃOSOCIAL- PISRECEITABRUTANOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADEDO§1ºDOARTIGO3ºDALEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 daCartaFederal anterior àEmendaConstitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à vendademercadorias,deserviçosoudemercadoriaseserviços. Éinconstitucionalo§1ºdoartigo3ºdaLeinº9.718/98,noque ampliou o conceito de receita bruta paraenvolver atotalidade dasreceitasauferidasporpessoasjurídicas,independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.(STF,RE390.840,j.em09/11/2005) DestaquesequeoSTF,nojulgamentodoREnº585.235,publicadonoDJE nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral da questão constitucional e reafirmouajurisprudênciadoTribunalacercadainconstitucionalidadedo§1ºdoartigo3ºda Lei9.718/98. Segueaementa,inverbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS.Alargamentodabasedecálculo.Art.3º,§1º,daLei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006;REsnos357.950/RS,358.273/RSe390.840/MG,Rel. Min.MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recursoimprovido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINSprevistanoart.3º,§1º,daLeinº9.718/98. Nestesentido,entendoestarmosdiantedahipóteseprevistanoartigo62Ado Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõequeosConselheirostêmquereproduzirasdecisõesdoSTFproferidasnasistemáticada repercussãogeral,conformecolacionadoacima. Fl. 914DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos543Be543CdaLeinº5.869,de11dejaneirode1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheirosnojulgamentodosrecursosnoâmbitodoCARF Nomais,oartigo26AdoDecretonº70.235/72,naredaçãodadapelaLeinº 11.941 de 27/05/2009eoartigo 62 doRICARF,estabelecemestar vedadoaosmembros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional,leioudecreto,sobfundamentodeinconstitucionalidade,comexceçãodoscasos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucionalpordecisãodefinitivaplenáriadoSupremoTribunalFederal,noquetambém seamoldaopresentecaso. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista,emseufavor,créditooriundoderecolhimentosefetuadosatítulodeCOFINSnaforma da Lei nº 9.718/98, excluindo-se da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceitodefaturamentonosmoldesdaLeiComplementarnº70/91enostermosdosconceitos jáfirmadospeloSupremoTribunalFederal. Nestesentido,osdocumentoscolacionadossãoindíciosdeprovadoscréditos e,emtese,ratificamosargumentosapresentados. Éimportante consignar que compete a autoridade administrativa, com base naescritafiscalecontábil,efetuaroscálculoseapurarovalordodireitocreditório. Diantedoexposto,votonosentidodedarprovimentoaoRecursoVoluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamentonadeclaraçãodeinconstitucionalidadedo§1ºdoartigo3ºdaLeinº9.718/1998.” Pautada neste entendimento e na documentação apresentada pela Recorrente no recurso voluntário, entendi, juntamente com esse colegiado, ser o caso de reconhecer o direito creditório do Recorrente caso existisse, em seu favor, oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindo-se da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de faturamento nos moldes da Lei Complementar nº70/91e nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal. Desta feita, foi determinada a realização de diligência para apuração do alegado crédito. Em reposta a fiscalização procedendo a análise da documentação, reconheceu a existência de crédito no total de R$194,05. Esclareceu ainda que nos cálculos foram mantidas as receitas de bonificação na composição da base de cálculo da contribuição, seja por não estar submetido ao regime concentrado de cobrança, seja por não poder ser enquadrados como receita financeira na forma pretendida. Por outro lado a Recorrente em sua manifestação asseverou que bonificações nada mais são do que os valores recebidos pela requerente das montadoras de automóveis como recuperação dos custos de aquisição dos bens que são revendidos pela requerente, ou seja, estariam fora da base de cálculo. As receitas de bonificação também foram analisadas por este tribunal administrativo, em diversos julgados. Filio-me, com a devida vênia, à corrente então vencida na CSRF, capitaneada no voto da Ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello, acordão n.º 9303- 010.101 e pela Ilustre Conselheira Tatiana Tatiana Midori Migiyama no acordão nº 9303- 003.515. Destaco o voto da Conselheira Vanessa Marini Cecconello, e que adoto como razões de decidir, nos termos regimentais: Fl. 915DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 1. Descontos obtidos (constantes das contas: “desconto incondicional baixa de preço”, “desconto incondicional – quebra” e “descontos obtidos fornecedores/outro”) Tendo em vista que as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram como base de cálculo para as contribuições do PIS e da COFINS, respectivamente, o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, pertinente elucidar o conceito do termo "receita". O Supremo Tribunal Federal, ao analisar o tema sob o prisma do disposto no art. 195, I, b, da Constituição Federal, no julgamento do recurso extraordinário nº 606.107/RS, de relatoria da Ministra Rosa Weber, definiu que receita é "o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". Acrescentou, ainda, a Relatora que a contabilidade constitui-se em ferramenta empregada para fins tributários, mas moldada por princípios e regras próprios do Direito Tributário. Segue abaixo transcrita a ementa do referido julgado no que interessa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS I - Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar-lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II - A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, trata-se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV - O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos -, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI - O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião Fl. 916DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida-se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII - Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar-se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam-se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII - Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX - Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. (grifou-se) Na definição consagrada pelo STF, portanto, receita é o ingresso no patrimônio sem que haja reservas ou condições a serem implementadas, nitidamente não se enquadrando no caso dos descontos pactuados pela Contribuinte e seus fornecedores. De outro lado, o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 30 (R1) - Receitas, em 19/10/2012, definindo receita como o "aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade". O pronunciamento foi referendado pela CVM por meio da Deliberação nº 692/12. Conforme consta no item 10 do CPC nº 30, as bonificações ou os descontos deverão ser deduzidos da receita pela sociedade no momento do registro contábil: Mensuração da receita 9. A receita deve ser mensurada pelo valor justo da contraprestação recebida ou a receber. 10. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente acordado entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo e é mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, deduzida de quaisquer descontos comerciais e/ou bonificações concedidos pela entidade ao comprador. (grifou-se) Ainda no âmbito das normas contábeis, o Pronunciamento Técnico CPC 16 Estoques, aprovado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) em 08/05/2009, e referendado pela CVM Deliberação nº 575/09 alt. 624/10, ao tratar dos custos de aquisição do estoque, estabelece que os "descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição", conforme se depreende da leitura dos seus itens 9, 10 e 11: Mensuração de estoque 9. Os estoques objeto deste Pronunciamento devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor. Custos do estoque 10. O valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais. Custos de aquisição 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (grifou-se) Portanto, em consonância com as definições jurídica e contábil de receita e a regulação de estoques, os descontos comerciais, por estarem vinculados às operações de aquisições, constituem-se em redutores de custos do estoque para o adquirente, sendo incabível o seu enquadramento como receitas. Fl. 917DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 Nessa esteira, uma vez que também se deve identificar a natureza jurídica das vantagens obtidas pela Recorrente nas concessões feitas pelos seus fornecedores no cumprimento dos acordos comerciais, importa estabelecer o conceito de "bonificações", as quais possuem rigorosamente o mesmo regime jurídico dos descontos comerciais. A matéria foi tratada com propriedade pelo ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, ao proferir o acórdão recorrido nº 3402002.210, o qual se reproduz em parte, passando a integrar as razões deste voto: [...] as bonificações, sejam elas veiculadas mediante abatimento de preço, em moeda com objetivo de “rebache de preço” ou em mercadoria, serão sempre descontos condicionais ou incondicionais. Ou seja, têm sempre natureza jurídica de desconto, e como tal deve ser tratadas pelo Direito, seja Privado seja Tributário, cabendo, então, aprofundar a investigação do conceito, conteúdo e alcance do que venha a ser bonificação ou desconto, e os correspondentes tratamentos determinados pelo ordenamento pátrio, para se aquilatar os efeitos tributários que deles devam emanar. [...] Conhecidas as regras contábeis vigentes no Brasil segundo os CPC nºs 16 e 30, de 2009 e Deliberações CVM nºs 575 e 597, de 05 de junho e 15 de Setembro de 2009, respectivamente, assim como as regras internacionais contábeis, às quais o Brasil está em convergência especialmente após a edição da Lei nº 11.638/07 (que promoveu significativas alterações na Lei nº 6.404/76 – LSA´s.), resta claro que as bonificações e descontos comerciais obtidos têm tratamento contábil de redução de custos, sendo que devem ser reconhecidos à conta de resultado ao final do período, se o desconto corresponder a produtos já efetivamente comercializados, ou à conta redutora de estoques, se o desconto referir-se a mercadorias ainda não comercializadas pela entidade. Não podem ser reconhecidas como receita pelo vendedor assim como não são custos pelo comprador. A pretensão de reconhecer as bonificações ou descontos como receita pelo comprador, contrariaria inteiramente os princípios contábeis geralmente aceitos, pois ao mesmo tempo seria receita do vendedor (que não a pôde deduzir por proibição fiscal – já que não trata-se de “desconto incondicional) e do comprador. Essas são, portanto, as regras que devem ser observadas no tocante aos efeitos contábeis, e, consequentemente, a nível de Direito Societário e na relação da sociedade com seus sócios e com terceiros, para fins de análise das demonstrações financeiras das entidades, decorrendo daí uma gama imensa de efeitos que permeiam todo o mercado. Ou seja, segundo as melhores práticas contábeis, os registros das bonificações e descontos comerciais devem ser tratados com redutores de custos, excluídos que estão das receitas. [...] (grifou-se) O entendimento da Ciência Contábil de que a bonificação ou desconto comercial devem ser classificados como redução de custo, exerce influência no Direito Tributário, em especial no tema quanto à incidência das contribuições para o PIS e a COFINS. Essa interpretação decorre das normas contidas nos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Portanto, o conteúdo dos institutos custo e receita, grandezas de natureza econômica, devem ser interpretados pelas regras que lhes são próprias, não podendo ser alteradas para o único fim da incidência tributária. Fl. 918DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 Nessa senda, é do Direito Privado, por meio da Legislação Societária, a competência para dar a definição de custo e receita, para isso sendo ainda relevante o disposto no Decreto-Lei nº. 1.598/77, in verbis: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial.” (grifou-se) Por sua vez, a legislação comercial ou societária, para a definição, conteúdo e alcance de seus institutos, conceitos e formas dos elementos componentes das demonstrações financeiras, ampara-se nos Princípios e Normas Contábeis, nos termos do art. 177 da Lei nº 6.404/76 Lei das Sociedades Anônimas: Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. § 1º As demonstrações financeiras do exercício em que houver modificação de métodos ou critérios contábeis, de efeitos relevantes, deverão indicá-la em nota e ressaltar esses efeitos. § 2º A companhia observará exclusivamente em livros ou registros auxiliares, sem qualquer modificação da escrituração mercantil e das demonstrações reguladas nesta Lei, as disposições da lei tributária, ou de legislação especial sobre a atividade que constitui seu objeto, que prescrevam, conduzam ou incentivem a utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou determinem registros, lançamentos ou ajustes ou a elaboração de outras demonstrações financeiras. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II – (revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º As demonstrações financeiras das companhias abertas observarão, ainda, as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários e serão obrigatoriamente submetidas a auditoria por auditores independentes nela registrados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4º As demonstrações financeiras serão assinadas pelos administradores e por contabilistas legalmente habilitados. §5º As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3o deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) § 6º As companhias fechadas poderão optar por observar as normas sobre demonstrações financeiras expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários para as companhias abertas. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) § 7º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, no exercício da competência que lhe foi outorgada pela legislação societária, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou as Deliberações CVM nºs 575 e 597/2009, que aprovaram os CPC´s nºs 16 e 30, respectivamente, estabelecendo normas sobre a definição, o conteúdo e o alcance dos institutos de direito societário de sua competência, dentre eles o custo e a receita, e determinando que as bonificações e/ou descontos comerciais não integram a receita da entidade societária, pois se trata de redução de custos dos estoques. Portanto, as bonificações e/ou descontos comerciais obtidos pela entidade não compõem a receita da pessoa jurídica, devendo, inclusive, ser deduzidas da mesma para fins de composição das demonstrações financeiras. Nessa linha relacional, importa consignar que os artigos 1ºs das Leis nºs 10.637/2002 e Fl. 919DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 10.833/2003, ao regularem as bases de cálculo do PIS e da COFINS, elegeram-na como a totalidade das receitas de pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil. Isso significa dizer que a tributação recairá sobre o que efetivamente se constitui como receita, e não sobre outra grandeza que a ela não se amolde em termos de definição, conteúdo e forma, interpretação esta que se faz em consonância com as diretrizes estabelecidas nos artigos 195, inciso I, alínea "a" e 239, ambos da Constituição Federal. Se, de um lado, a determinação contida nos arts. 1ºs das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 de que a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS dar-se-á sobre a receita, independente da classificação contábil, visa inibir fraudes eventualmente praticadas pelos Contribuintes para mascarar valores tributáveis, de outro também se presta a impedir que haja a tributação de valores que não sejam efetivamente receita nos termos da Legislação Comercial. Na análise jurídica de cada lançamento da sociedade deverá prevalecer a essência sobre a forma, que, em outras palavras, significa averiguar-se se aquela grandeza é ou não receita. A matéria vem sendo enfrentada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fazendo-se pertinente trazer a ementa e alguns trechos de decisão proferida em caso análogo ao dos presentes autos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/1999 a 30/06/2004 COFINS. MERCADORIAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. NÃOINCIDÊNCIA. O recebimento de mercadorias em bonificação implica mera redução do respectivo custo unitário de aquisição. Redução de custo não equivale a receita e, portanto, não pode ser fato gerador da COFINS, nem mesmo após a vigência da EC nº 20/98. Recurso Provido. Trechos do acórdão de relatoria do nobre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, que embora trate apenas de bonificações recebidas em mercadorias, deixa claro que o tratamento jurídico equipara-se ao fenômeno dos descontos obtidos pelo comprador do fornecedor, também discutido nos presentes autos: [...] A questão reside em saber se mercadorias recebidas como bonificação consideram-se receitas para os fins das Leis n as 9318/98 e 10,833/03. A bonificação consiste em uma política de relacionamento comercial pela qual o fornecedor entrega ao adquirente uma quantidade de itens do produto vendido maior do que a quantidade contratada, sem acréscimo do preço total. Tal se dá como forma de estimular a fidelização entre as partes, de reconhecer a relevância da compra realizada pelo adquirente, enfim, de cultivar e fomentar a relação com um parceiro comercial qualquer. Trata-se, a meu ver, de fenômeno de idêntica natureza jurídica a do desconto obtido. Neste, o fornecedor mantém a quantidade vendida, mas reduz o preço total (portanto, ajusta-se o fator "preço"). Nas bonificações, o fornecedor mantém o preço, mas aumenta a quantidade vendida (portanto, ajusta-se o fator "quantidade"). Numa e noutra hipóteses, a ocorrência relevante é a mesma: a redução do valor unitário do produto adquirido no âmbito de um mesmo negócio jurídico. E — eis o fundamental — redução de custo não equivale a geração de receita. A confusão conceitual entre redução de custo e receita não trazia maiores distorções quando apenas o resultado da pessoa jurídica era tributado. Nesse ambiente, era mesmo indiferente considerar um desconto obtido como receita ou como estorno de custo, pois qualquer desses lançamentos — receita e estorno — repercutiria igualmente na apuração do resultado tributável. Contudo, no momento em que, com a edição da EC n° 20/98, a receita passa a ser uma grandeza econômica elegível como base imponível autônoma, então a distinção rigorosa entre esses dois fenômenos torna-se imperiosa. Nesse sentido, o alerta de Hugo de Brito Machado: "Agora, porém, como existem contribuições que Fl. 920DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 incidem sobre a receita bruta, tornou-se da maior relevância a adequada identificação dos descontos obtidos dos fornecedores de bens ou serviços, posto que se escriturar esses descontos como redução de custos evita que os valores respectivos integrem a base de cálculo daquelas contribuições" (Os descontos obtidos e a base de cálculo das contribuições Pis/Cofins, in RDDT n" 134, p.45). Marco Aurélio Greco também enfatiza a necessidade de distinção teórica entre redução de custo e receita, considerando que apenas a segunda materialidade constitui base possível das contribuições securitárias: "Ou seja, não está abrangido pela competência constitucional o conjunto formado por aquelas figuras que digam respeito a despesas da pessoa jurídica (.) O conceito constitucional também não alcança aquelas eventualidades que interfiram com as despesas para diminuí-las" (Cofins na Lei 9.718/98 — Variações cambiais e regime de alíquota acrescida, in RDDT nº 50, p. 130) Ainda se disputa na doutrina o alcance semântico do termo receita, por exemplo, se o ganho deve ou não decorrer da atividade produtiva do sujeito. Mas não parece haver dúvida quanto à necessidade de que o sujeito perceba um ingresso de recursos, financeiros em sua esfera patrimonial. Nesse sentido, as definições concebidas, respectivamente, por Geraldo Ataliba, José Souto Maior Borges e José Antonio Minatel: "O conceito de receita refere-se a uma entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é a entrada que passa a pertencer à entidade" (in ISS — Base Imponível. Estudos e pareceres de direito tributário, 1' vol. São Paulo: RT, 1978, p. 85)" "Para a receita total vigora, então, um critério material e substancial infraconstitucional — é o ingresso efetivo de dinheiro ou 'variações positivas' no patrimônio das empresas, é dizer: decorrentes ou não dos seus resultados operacionais" (As contribuições sociais (Pis/Cofins) e a jurisprudência do STF, in RDDT n" 118, p. 80). "Anunciamos ser receita [_] o ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias. " (in Conteúdo do conceito jurídico de receita. São Paulo -MP Editora, 200,5, p, 124). Pois os eventos redutores de custos se afastam do conceito de receita já por lhes faltarem esse requisito essencial à figura. [...] Enfim, as mercadorias recebidas em bonificação não repercutem na base imponível da contribuição ao PIS e da COFINS no momento em que são recebidas, mas sim quando, posteriormente, são vendidas, proporcionando o ingresso de recursos financeiros representado pelo preço da venda. [...] Por tudo isso, entendo que as mercadorias recebidas como bonificações não integram a base de cálculo de PIS e de COFINS. [...] O precedente acima corrobora os argumentos expendidos nesse voto. Embora trate de bonificação em mercadorias, o regime jurídico aplicável é o mesmo dos descontos comerciais, pois ambos são tratados nos CPC´s nºs 16 e 30, referendados pelas Deliberações CVM nºs 575 e 597/2009, respectivamente, além de conterem na sua essência o fato do vendedor oferecer vantagem ao comprador para incrementar as vendas, preenchendo o conceito de bonificação. Tal conceito foi reconhecido pela própria Administração Tributária no Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982 e na IN SRF nº 51/78, nos quais está consignado que as bonificações e os descontos comerciais são vantagens ofertadas pelo vendedor ao comprador. Independente da forma como se der a vantagem (bonificação ou desconto comercial) entrega de mercadoria, em moeda para rebaixe de preço ou em desconto na duplicata a vencer está-se diante de redução de custos de aquisição de produtos, não havendo de se falar em ingresso de recursos novos no caixa da pessoa jurídica. Assim, nos termos da legislação comercial, não se constituem em receita, mas apenas reduzem o custo de aquisição do estoque naquela relação comercial que o varejista mantém com o fornecedor, possibilitando ao adquirente adotar medidas Fl. 921DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 que fomentem a venda daqueles bem, sendo atrativo também ao fornecedor que terá maior volume de vendas. Nesse diapasão, os contratos celebrados entre a ora Recorrida e os seus fornecedores, que preveem regras para aumento das vendas, atendem a objetivos mútuos das partes. São nítidos acordos comerciais que estabelecem regaras para o preenchimento de condições (ou não) para a obtenção de descontos e/ou bonificações (ou não) em operações comerciais, não havendo prestação de serviços de uma parte a outra, ou mesmo previsão de penalidade do Sujeito Passivo a ser aplicada ao fornecedor se cometer alguma infração. São instrumentos jurídicos que tratam de redução de custos, não se enquadrando no conceito de receitas. Prosseguindo-se, dos termos contratuais, nota-se haver a concessão dos descontos comerciais e/ou bonificações se atendidos os requisitos ali estabelecidos. A sistemática adotada nos contratos enquadra-se no conceito de bonificações ou descontos comerciais, os quais não estão abrangidos pelo conceito de receitas, mas delas devem ser deduzidos por serem redutores de estoque, tudo conforme disposto no art. 177 da Lei nº. 6.404/76, nos CPC´s nºs 16 e 30 e nas Deliberações CVM nºs 575 e 597/2009. De outro lado, é sabido que somente os descontos incondicionais são excluídos por lei das bases de cálculo do PIS e da COFINS, e não há pretensão de que ali também sejam incluídas as bonificações e/ou descontos comerciais. Pretende-se, outrossim, afastar da tributação pelo PIS e COFINS grandezas que não são definidas como receitas pela própria legislação comercial, estando, inclusive, excluídas do seu âmbito de incidência pelo próprio caput dos arts. 1ºs das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, pela sua natureza de redução de custos do estoque. Sob o ponto de vista econômico, o registro contábil das bonificações e/ou descontos comerciais como redutores de custo não acarreta prejuízos à arrecadação tributária, importando apenas na postergação da tributação sobre a vantagem comercial que o comerciante obteve junto ao fornecedor, isso porque quando se der a venda das mercadorias, pelo preço final, a diferença entre a compra por um preço mais baixo e o preço de venda, aumentará o valor agregado, sobre o qual se dará a tributação. Conclui-se que: (i) os contratos entabulados pela Recorrente com os seus fornecedores, por serem lícitos e livremente pactuados pelas partes, devem ter seus efeitos preservados pelo ordenamento jurídico; (ii) o conteúdo econômico dos referidos pactos consiste na redução de custos dos produtos adquiridos pelo Sujeito Passivo em decorrência dos acordos, não podendo subsistir a autuação para incidência de PIS e COFINS sobre montantes que não são receitas da pessoa jurídica e (iii) as bonificações e os descontos comerciais não possuem natureza jurídica de receita e, por isso, não devem ser tributados pelo PIS e pela COFINS na sistemática não-cumulativa. Na eventualidade de não se admitir os descontos e/ou bonificações pactuados pelo Sujeito Passivo com seus fornecedores como simples redutores de custo de estoque, a autuação não subsiste, pois os mesmos caracterizar-se-iam como descontos incondicionais. Nesse ponto, pertinente transcrever-se parte do bem lançado voto da Ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, proferido nos autos do processo administrativo nº 10480720722201062, que passa a integrar as presentes razões de decidir: [...] Eis que, no que tange aos descontos incondicionais, tem-se em síntese que, se assim forem considerados, devem ser registrados como parcelas redutoras do preço de vendas: Não compondo, portanto, a receita bruta da pessoa jurídica vendedora; Constituindo redutor do custo de aquisição para a pessoa jurídica adquirente dos bens. Dessa forma, a correta conceituação dos descontos como condicionais ou incondicionais torna-se crucial para o direcionamento tributário. Nessa seara, nota-se que, para que seja definido o desconto como desconto Fl. 922DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 incondicional, deve-se observar se a sua concessão é dependente de evento posterior, sendo concedido independentemente de qualquer condição ou situação. Ou seja, se para a sua concessão, não houve obrigatoriedade de o adquirente praticar qualquer ato subsequente ao da compra dos bens. Ademais, é de se insurgir também, independentemente de os descontos incondicionais não comporem a receita bruta da pessoa jurídica, de que os descontos incondicionais não integram a base de cálculo das contribuições, nos termos do art. 1º, § 3º, inciso V, alínea “a”, da Lei 10.637/02 e art. 1º, §3º, inciso V, alínea “a”, da Lei 10.833/03, da pessoa jurídica vendedora. E, por conseguinte, para a pessoa jurídica adquirente dos bens ou serviços, constituiriam parcela redutora do custo de aquisição, não configurando em sua natureza como receita. Nesse sentido, cabe destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituem-se em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizá-la como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” Não obstante aos critérios jurídicos a serem observados para o enquadramento do desconto como incondicional, proveitoso trazer que a Receita Federal do Brasil condiciona o referido enquadramento, à descrição desse desconto na nota fiscal de venda dos bens ou fatura de serviços independentemente de serem concedidos sem a dependência de evento posterior à emissão de nota fiscal. Tal condicionamento ao enquadramento como desconto incondicional está refletido na IN SRF 51/78 que traz expressamente que “são considerados descontos ou abatimentos incondicionais as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem, para sua concessão, de evento posterior à emissão desses documentos.” Porém, independentemente do condicionamento dado pela Receita Federal do Brasil de que, para serem enquadrados como incondicionais deverão descrever os descontos em notas fiscais, é de se constatar que o evento jurídico puro, sem contaminação, outorga a caracterização do desconto como condicional ou não – sem a remissão da vinculação e descrição do desconto em nota fiscal do bem adquirido, apenas refletindo a não dependência a evento posterior à emissão desses documentos. Tanto é assim, que a própria legislação – Lei 10.833/03 e Lei Fl. 923DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 10.637/02 também são omissas quanto à observância dessa condição ao disporem que o desconto incondicional está excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. É de se lembrar ainda que a LC 87/96 – que dispõe sobre o ICMS, traz somente que não seria base de cálculo desse imposto os descontos concedidos sob condição – não fazendo nenhuma vinculação à descrição da nota fiscal. Tanto é assim que em 2010, a 1ª turma do STJ havia aprovado súmula determinando que os descontos incondicionais concedidos nas atividades comerciais não se incluem na base de cálculo do ICMS – não trazendo também qualquer condição à descrição na nota fiscal para exclusão da base de cálculo desse tributo. Sabe-se que os dizeres da Súmula 57 contempla expressamente que “Os descontos incondicionais nas operações mercantis não se incluem na base de cálculo do ICMS”. E que tal Súmula teve como motivação o decidido, sob o rito de recurso repetitivo, em REsp 1.111.156/SP de relatoria do Ministro Humberto Martins assim ementado (Grifos Meus): “TRIBUTÁRIO – ICMS – MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO – ESPÉCIE DE DESCONTO INCONDICIONAL – INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÃO MERCANTIL – ART. 13 DA LC 87/96 – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. 1. A matéria controvertida, examinada sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, restringe-se tão-somente à incidência do ICMS nas operações que envolvem mercadorias dadas em bonificação ou com descontos incondicionais; não envolve incidência de IPI ou operação realizada pela sistemática da substituição tributária. 2. A bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda. Dessa forma, o provador das mercadorias é beneficiado com a redução do preço médio de cada produto, mas sem que isso implique redução do preço do negócio. 3. A literalidade do art. 13 da Lei Complementar n. 87/96 é suficiente para concluir que a base de cálculo do ICMS nas operações mercantis é aquela efetivamente realizada, não se incluindo os "descontos concedidos incondicionais". 4. A jurisprudência desta Corte Superior é pacífica no sentido de que o valor das mercadorias dadas a título de bonificação não integra a base de cálculo do ICMS. 5. Precedentes: AgRg no REsp 1.073.076/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 25.11.2008, DJe 17.12.2008; AgRg no AgRg nos EDcl no REsp 935.462/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe 8.5.2008; REsp 975.373/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 15.5.2008, DJe 16.6.2008; EDcl no REsp 1.085.542/SP, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 24.3.2009, DJe 29.4.2009. Recurso especial provido para reconhecer a não- incidência do ICMS sobre as vendas realizadas em bonificação. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/2008 do Superior Tribunal de Justiça.” Frise-se ainda o resultado da discussão acerca da natureza dos descontos envolvendo PIS e Cofins no STJ, dado em Agravo em Recurso Especial 556050 - RS 2014/01878520 sob a relatoria do Ministro Herman Benjamin (Grifos meus): “DECISÃO Trata-se de Agravo contra inadmissão de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim ementado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. PERÍCIA CONTÁBIL. O desconto incondicional é aquele concedido independente de qualquer condição futura, ou seja, não é necessário que o adquirente pratique ato subsequente ao de compra para a fruição do benefício. A exclusão dos descontos incondicionais concedidos a seus clientes da base de cálculo do PIS e da COFINS tem previsão legal tanto no regime comum de apuração do PIS e da COFINS, quanto na sistemática da não-cumulatividade (art. 3º, § 2º, inc. I, da Lei nº 9.718/98 e art. 1º, § 3º, inc. V, a, das Leis nº 10.637/03 e 10.833/03). No caso, restou Fl. 924DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 demonstrado, por intermédio de perícia contábil, que as vendas realizadas pela parte autora foram abrangidas pela concessão de descontos, bem como a inexistência de imposição de condição para concessão da bonificação ora discutida aos seus clientes. Logo, os valores relativos aos descontos incondicionais concedidos aos seus clientes merecem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. Os Embargos de Declaração foram acolhidos em parte, somente para fins de prequestionamento (fl. 1834). A recorrente, nas razões do Recurso Especial, sustenta que ocorreu violação do art. 535, II, do CPC, do art. 123 do CTN, do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98, do art. 1º, § 3º, V, alínea "a", das Leis 10.637/2003 e 10.833/2003. Alega, em síntese: Todavia, entende a Fazenda Nacional, com base na IN SRF 51/78, que se faz necessário o preenchimento de dois requisitos para a configuração de “descontos incondicionais”, a saber: a) que o desconto conste na nota fiscal e b) que não dependa de evento posterior à emissão desta. (...) Ora, relativamente ao requisito de constar o desconto concedido pela autora. Nesse sentido, vale, inclusive, destacar trecho do que consta da petição inicial: (...) Os fatos no caso em apreço são claros: a autora não destacou os referidos descontos incondicionais nas notas fiscais; celebrou contratos com os seus clientes para a concessão de tais descontos, ficando estes, obviamente, vinculados à pontualidade dos pagamentos das duplicatas emitidas na negociação, caso contrário não incidiriam. Bem observadas as respostas do perito judicial, é exatamente essa a conclusão que se extrai. (fls. 1843-1850, e-STJ) Contraminuta apresentada às fls. 18971906, e-STJ. É o relatório. Decido. Constato que não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como lhe foi apresentada. Não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução. Nesse sentido: REsp 927.216/RS, Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJ de 13/8/2007; e REsp 855.073/SC, Primeira Turma, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 28/6/2007. O acórdão recorrido consignou: A parte autora sustenta que, inobstante conceda desconto incondicional no preço dos produtos, emite as notas fiscais de venda das mercadorias com seu valor integral, constando tais descontos nos documentos de cobrança por ela emitidos (duplicatas de compra e venda mercantil, boletos bancários, etc.). Defende que os valores constantes nesses últimos documentos de cobrança são os que correspondem aos ingressos de receitas ao seu patrimônio e, consequentemente, base de cálculo para cobrança do PIS e da Cofins. O desconto incondicional é aquele concedido independente de qualquer condição futura, ou seja, não é necessário que o adquirente pratique ato subsequente ao de compra para a fruição do benefício. A exclusão dos descontos incondicionais concedidos a seus clientes da base de cálculo do PIS e da COFINS tem previsão legal tanto no regime comum de apuração do PIS e da COFINS, quanto na sistemática da não-cumulatividade (art. 3º, § 2º, inc. I, da Lei nº 9.718/98 e art. 1º, §3º, inc. V, a, das Leis nº 10.637/03 e 10.833/03). Frisa-se que, como bem observado pela magistrada a quo, inexiste controvérsia acerca do direito material, qual seja, a possibilidade de exclusão da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS dos valores relativos aos descontos incondicionais. O Fisco, valendo-se da legislação aplicável ao imposto de renda (IN n.º 51/78), entende necessário o preenchimento de dois requisitos: que o desconto conste na nota fiscal e que não dependa de evento posterior à emissão desta. Importante ressaltar que não há qualquer óbice a que se utilize, subsidiariamente, a referida legislação, uma vez que compatível com as contribuições ora discutidas. Relativamente ao requisito de constar o desconto concedido expressamente na nota fiscal, tenho que a questão restou superada quando do julgamento da apelação anterior, na qual se anulou a sentença para possibilitar a apresentação de outras provas para demonstrar a concessão dos descontos incondicionais, tais como duplicatas, boletos bancários, etc., nas quais se pudesse aferir os valores efetivamente cobrado nas operações de compra e venda. Com efeito, o preenchimento incorreto ou lacunoso das notas fiscais não obsta o reconhecimento dos descontos em questão, bastando a Fl. 925DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 comprovação de que estão vinculados a uma operação onerosa. Nesse sentido leciona Roque Antônio Carraza (CARRAZA, Roque Antônio. ICMS. 8ª. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.110) em caso análogo: Podem, portanto, as empresas recuperar os créditos de ICMS correspondentes ao valor das mercadorias bonificadas ainda que a vantagem dada aos adquirentes tenha sido documentada em notas fiscais em separado. Basta, apenas, que tenham como comprovar que as bonificações estão vinculadas a operações de vendas mercantis efetivamente realizadas. [..] Logo, impõe-se a reforma da sentença para reconhecer o direito da parte autora de excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos aos descontos incondicionais concedidos aos seus clientes, bem como para reconhecer o seu direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente nos 5 (cinco) anos que precederam o ajuizamento da ação. (Fls. 18071.809, eSTJ) [...]” Com efeito, essa decisão clarificou que a caracterização do desconto como incondicional, inclusive para fins de PIS e Cofins, não deve estar condicionada, tal como entende a autoridade fazendária, a descrição do referido desconto na nota fiscal de aquisição dos bens, vez que considerou ilegal a IN 51/78. Sendo assim, se os descontos incondicionais juridicamente se enquadrarem como tais, independentemente da descrição na nota fiscal, é de se permitir a exclusão da base de cálculo das contribuições para a pessoa jurídica vendedora e, por conseguinte, considerar como parcela redutora do custo de aquisição para a adquirente. Para o adquirente deve-se considerar o desconto incondicional como parcela redutora do custo de aquisição, em respeito também ao item 11 da Resolução CFC nº 1170/2009: “O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição”. Em linha eventual, para a hipótese de ser interpretar que os descontos obtidos ou as bonificações recebidas como crédito em conta seriam receitas, o que destoa da legislação comercial e tributária, deve-se abordar se podem ser considerados como receitas financeiras e, como tal, sujeitos à alíquota zero das contribuições do PIS e da COFINS. Nesse raciocínio, são compreendidos somente os descontos comerciais veiculados sob a forma de "descontos obtidos", não sendo possível a aplicação para as mercadorias bonificadas. Se os descontos obtidos fossem receitas, deveriam ser enquadrados como receitas financeiras, sujeitas à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. Para serem caracterizados os descontos como receitas financeiras basta que seja concedido um abatimento no preço a pagar de uma obrigação futura, independentemente do motivo, não sendo necessário que decorra de uma obtenção de desconto pelo cálculo de um "juro negativo". A legislação do imposto de renda pessoa jurídica, por meio do art. 373 do RIR/99, conceitua receita financeira nos seguintes termos: Receita Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Nos termos do dispositivo legal citado, não só os juros, mas também os descontos são considerados como receitas financeiras, e assim para aqueles que entenderem se Fl. 926DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 constituírem os descontos obtidos em receitas, no caso devem-se qualificar os abatimentos recebidos como receitas financeiras, e, como tal, sujeitos à alíquota zero das contribuições conforme Decreto nº 5.146/2004, vigente no período de 30.7.04 até 9.5.05 e no Decreto nº 5.442/05 (que revogou o Decreto 5.164/04) – vigente no período de 9.5.05, produzindo efeitos até 1º.7. 15. Ora, tendo em vista que o presente caso envolve o período de apuração de 01/01/2008 a 31/12/2008, deve-se considerar as disposições dos Decretos acima referidos. Segue abaixo transcrição dos termos do Decreto 5.164/04, publicado no DOU de 30.7.04: “Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Art. 2º O disposto no art. 1º aplica-se, também, às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não cumulativa. Art. 3o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 2 de agosto de 2004. Brasília, 30 de julho de 2004; 183º da Independência e 116º da República. Este texto não substitui o publicado no DOU de 30.7.2004 Edição Extra” Transcreve-se, ainda, o teor do Decreto nº 5.442/05, que revogou o Decreto 5.164/04: “Art. 1º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não- cumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I - não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II - aplica-se às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1o de abril de 2005. Art. 3º Fica revogado o Decreto no 5.164, de 30 de julho de 2004, a partir de 1º de abril de 2005. Brasília, 9 de maio de 2005; 184o da Independência e 117o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Antonio Palocci Filho Este texto não substitui o publicado no DOU de 9.5.2005 Edição extra.” Com tais dispositivos, torna-se claro também que se não fossem enquadrados como desconto incondicional – deveriam ser tratados, a rigor, como receita financeira. O que, em respeito à sistemática do PIS e Cofins observada pelo sujeito passivo, no presente caso, considerando o período em discussão, deve-se aplicar a alíquota zero dessas contribuições às referidas receitas financeiras. No entanto, no caso em concreto, as vantagens obtidas pela Recorrente caracterizam-se como “redução de custos”, devendo assim ser tratadas pelo Direito Tributário”. Reconheço, entretanto, a posição vencedora da Câmara Superior consignada nos acórdãos n.º 9303-010.101, 9303-003.515 e 9303-010.557, assim ementados: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. As Fl. 927DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3003-002.025 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.904562/2011-51 bonificações em mercadorias entregues pelo vendedor ao comprador, sem vinculação com uma operação de venda, constituem receitas auferidas por quem as recebe. Apesar disso, na análise do caso concreto em julgamento, enfatizo que é preciso verificar, no conjunto das alegações e provas apresentadas pela Recorrente, quais são as receitas não operacionais a serem passíveis de exclusão. A despeito da alegação, a Recorrente não apresentou nenhuma comprovação da natureza das operações comerciais hábeis a suportar seu direito. A Recorrente teve a oportunidade para comprovar a origem e demonstrar que as receitas não se encontravam vinculadas às atividades operacionais, contudo apenas pautou-se em teoria nada acrescentando para comprovação, como por exemplo com os contratos firmados junto à montadora. Ante a falta de provas, não é possível o reconhecimento do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito, dar parcial provimento para reconhecer o direito creditório nos termos do relatório da diligência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ariene d’Arc Diniz e Amaral Fl. 928DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 12963.000294/2007-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2005
LANÇAMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Quando a fiscalização faz constar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessárias a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como demonstra de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, não deve ser acatada a alegação de ofensa ao art. 142 do CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A
falta de apresentação de documentos requeridos pela fiscalização por meio de TIAD, sem que o contribuinte demonstre estar desobrigado a mantê-los ou mesmo a impossibilidade de fazêlo
enseja infração ao disposto no art. 33, § 3º da Lei 8.212/91, devendo ser mantido incólume a multa aplicada.
MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF
a análise de inconstitucionalidade da legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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NULIDADE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Quando a fiscalização faz constar no relatório fiscal, juntamente com os seus anexos, todas as informações de fato e de direito necessárias a plena compreensão dos fundamentos do lançamento, bem como demonstra de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, não deve ser acatada a alegação de ofensa ao art. 142 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A falta de apresentação de documentos requeridos pela fiscalização por meio de TIAD, sem que o contribuinte demonstre estar desobrigado a mantêlos ou mesmo a impossibilidade de fazêlo enseja infração ao disposto no art. 33, § 3º da Lei 8.212/91, devendo ser mantido incólume a multa aplicada. MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Igor Araújo Soares Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Domingos Ribeiro. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000294/200755 Acórdão n.º 2402001.834 S2C4T2 Fl. 176 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SUPREMA SERVIÇOS LTDA, irresignada com o acórdão de fls.149/154, por meio do qual fora mantida a integralidade do Auto de Infração n. 37.081.6390, no qual foi lançada multa em razão de ter a recorrente deixado de apresentar contratos com empresas prestadoras de serviços, comprovante de endereço do estabelecimento sede esclarecendo o local das atividades operacionais e documentos comprobatórios dos salários de contribuição discriminados no relatório, assim como pela omissão e erro de lançamentos de fatos contábeis nos Livros Caixa de 2001 a 2003 e Diário de 2004 a 04/2006, conforme consta no Relatório Fiscal da Infração de fls. 06/11. O lançamento compreende as competências de 05/2003 a 05/2005, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 08/11/2007 (fls. 01). Em seu recurso sustenta ser microempresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, estando, portanto, privilegiada pela dispensa da escrituração contábil. Acrescenta que as multas recebidas no decorrer da ação fiscal foram lavradas com fins confiscatórios, impedindo a sobrevivência da empresa e que a responsabilidade do ônus probante é da Autoridade Fiscal, uma vez que indica que o contribuinte não cumpriu a requisição no respectivo Auto de Infração. Por fim, defende que o lançamento e ocorrência do fato gerador não foram demonstrados de forma satisfatória. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. PRELIMINARMENTE Não há qualquer cerceamento de defesa a ser reconhecido em razão da não observância pela fiscalização do art. 142 do CTN. Conforme se depreende do relatório fiscal do Auto de Infração o fiscal autuante exerceu a contento as suas prerrogativas. O documento demonstra de forma clara e precisa a ocorrência do fato gerador da multa aplicada e objeto do lançamento, bem como foram apontados pormenorizadamente os fundamentos de fato e de direito considerados pela fiscalização para imputar a falta apurada, com a indicação dos fundamentos legais aplicáveis a espécie.Tais indicações, sem sombra de dúvidas, garantiram ao recorrente o pleno exercício de seu direito de defesa e do contraditório em respeito determinado no art. 142 do CTN e 37 da Lei 8.212/91. Não há que se falar em qualquer indicação genérica ou narrativa de fatos indeterminados, como pretende fazer crer a recorrente. Logo, rejeito a preliminar aventada. MÉRITO Quanto à alegação de que a fiscalização aplicou multas por demais pesadas, com fins confiscatórios, é bom que se tenha em conta que a proibição constitucional quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório deve ser dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Sobre o assunto, já foi promulgada a SÚMULA CARF N. 02, que espanca quaisquer dúvidas sobre a questão. Portanto, se há uma lei vigente, válida e eficaz determinando a aplicação de multa em determinado patamar, não resta ao Agente do Fisco, dado o caráter vinculado do lançamento, alternativa que não seja a de aplicar rigorosamente o que determina a legislação que rege o tributo. Já quanto à ausência de lançamentos contábeis nos Livros Diários de 2004, 2005 e janeiro a abril de 2006, o contribuinte tem razão ao afirmar que estava desobrigado de escriturálo. Porém, somente se escriturasse o Livro Caixa e Registro de Inventário, conforme art. 225, II, § 16 do RPS, é que comprovaria estar elidida da obrigação, e o Termo de Encerramento de Ação Fiscal — TEAF de fls. 26, se verifica que o AuditorFiscal informou que a empresa apresentou o Livro Caixa somente até 2003 e o Diário a partir de 2004. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000294/200755 Acórdão n.º 2402001.834 S2C4T2 Fl. 177 5 Com relação à falta de exibição de documentos ou livros exigida pela fiscalização, verificase que o contribuinte trouxe aos autos juntamente à defesa apenas os contratos de prestação de serviços (fls. 131/139). Os demais itens solicitados no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de fls. 25 e não entregues pelo contribuinte, quais sejam, recibos de pagamento a segurados e comprovante de endereço não foram apresentados, sendo as alegações na defesa insuficientes para elidir sua necessidade, de modo que a não apresentação de apenas um dos documentos, por si só, já enseja a manutenção da multa aplicada. A multa aplicada pela fiscalização, está, pois, de acordo com o artigo 283, inciso II, alínea "j" do RPS e a necessidade de sua aplicação foi demonstrada de forma satisfatória a não configurar qualquer ofensa ao art. 142 do CTN e 37 da Lei 8.212/91, pois restou suficientemente demonstrado a clara e precisa ocorrência da infração imputada, que não veio a ser contestada ou corrigida em sua totalidade, garantindo ao contribuinte o exercício pleno de seu direito de defesa, em respeito ao que determina a legislação tributária. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/09/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.928809/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Nov 26 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2002
PROVA. DCTF RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA. SÚMULA CARF 164.
A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação.
Numero da decisão: 3401-009.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente o Conselheiro Maurício Pompeo da Silva, substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2002 PROVA. DCTF RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA. SÚMULA CARF 164. A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente o Conselheiro Maurício Pompeo da Silva, substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva.
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DCTF RETIFICADORA. INSUFICIÊNCIA. SÚMULA CARF 164. A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Carolina Machado Freire Martins, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Ronaldo Souza Dias (Presidente). Ausente o Conselheiro Maurício Pompeo da Silva, substituído pelo Conselheiro Marcos Roberto da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 88 09 /2 00 8- 59 Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.721 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.928809/2008-59 Relatório 1.1. Trata-se de declaração de compensação de COFINS apurada em fevereiro de 2002. 1.2. O pedido foi parcialmente deferido por despacho decisório eletrônico da DERAT São Paulo, pois “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 1.3. Em Manifestação de Inconformidade a Recorrente alega que “na DCTF original, relativa ao Primeiro Trimestre de 2002, a Requerente informou o pagamento do débito de COFINS, no montante de R$ 4.232.046,63, por meio das guias DARF de R$ 4.298.845,08, que teria quitado R$ 4.232.046,63 do débito total, e de R$ 144.278,51, que teria quitado R$ 0,00 do débito total. Ocorre que, na realidade, a guia DARF de R$ 144.278,51 foi integralmente utilizada para quitação da COFINS devida em fevereiro/2002, enquanto do pagamento R$ 4.298.845,08 foi utilizado apenas o montante de R$ 4.087.768,12.”, fato que pretende demonstrar com a juntada da DCTF retificadora. 1.4. A DRJ de São Paulo manteve a homologação parcial por insuficiência probatória, uma vez que a Recorrente trouxe aos autos apenas a DIPJ e a DCTF, ambas retificadoras. 1.5. Intimada, a Recorrente reitera os pedidos e argumentos descritos em Manifestação de Inconformidade. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. A Recorrente alega erro na apuração e recolhimento de PIS, erro que pretende demonstrar por meio de juntada de DTCF e DIPJ retificadoras, o que é insuficiente à demonstração do direito creditório, nos termos da Súmula CARF 164: A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. 3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário, negando-lhe provimento. Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.721 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.928809/2008-59 (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000418/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
MANDADO DE SEGURANÇA. ESFERA ADMINISTRATIVA.
RENÚNCIA. A impetração de ação judicial, por qualquer modalidade, antes ou após o lançamento de ofício importa a renúncia da esfera administrativa.
Súmula CARF n. 01.
SIMPLES. EXCLUSÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A constituição do crédito tributário para a prevenção da decadência pode ser lavada a efeito, mesmo diante da impetração de ação judicial ou na pendência de processo administrativo de exclusão da recorrente do SIMPLES , ficando sobrestados, somente os atos tendentes a cobrança do crédito até que seja decidido o processo judicial.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ESFERA ADMINISTRATIVA. RENÚNCIA. A impetração de ação judicial, por qualquer modalidade, antes ou após o lançamento de ofício importa a renúncia da esfera administrativa. Súmula CARF n. 01. SIMPLES. EXCLUSÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. A constituição do crédito tributário para a prevenção da decadência pode ser lavada a efeito, mesmo diante da impetração de ação judicial ou na pendência de processo administrativo de exclusão da recorrente do SIMPLES , ficando sobrestados, somente os atos tendentes a cobrança do crédito até que seja decidido o processo judicial. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.000418/200802 Acórdão n.º 240201.861 S2C4T2 Fl. 897 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por INTELIGÊNCIA EMOCIONAL COLÉGIO E CURSO LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade da multa lançada no Auto de Infração 37.098.3530, por ter a recorrente deixado de apresentar os Livros Razão e Diário devidamente requeridos pela fiscalização por meio de TIAD. O lançamento compreende o descumprimento da obrigação no período de 2002 a 2006, tendo sido o recorrente cientificado do lançamento em 06/06/2008 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 873/878), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 881/893, através do qual sustenta, em síntese: 1. a necessidade de suspensão do presente processo, na medida em que a imputação da multa aplicada por meio do Auto de Infração depende do resultado de uma ação judicial, Resp 815.981, proposta pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Paraíba, a quem é filiado o defendente, tramitando perante o Superior Tribunal de Justiça e pendente de julgamento; 2. a inexistência de justa causa para a aplicação da multa, uma vez que, no período compreendido entre 2002 a 2006, ao qual se refere o presente AI, a recorrente estava vinculada ao regime do SIMPLES, não tendo, assim, a obrigação de manter os livros contábeis Diário e Razão, motivo pelo qual não os exibiu ao Fisco; 3. que o momento do início dos efeitos da exclusão do SIMPLES ocorre somente a partir do ano seguinte ao que fora determinada a sua exclusão. Registra que esteve regularmente inscrita no referido sistema até 2006, por força de decisão judicial, sendo ilegal e inconstitucional a retroação de efeitos, por meio de Ato Declaratório Executivo ADE, ao anocalendário da opção, não podendo ser penalizado pela omissão da SRF em apurar e fiscalizar o ingresso ao SIMPLES. Requer, assim, que a exclusão apenas surta efeito a partir do ano base seguinte ao referido ato declaratório ou, alternativamente, no mês em que recebeu a notificação do mencionado ADE. 4. a exorbitância do valor da multa, desproporcional e impagável, devendo ser aplicado o mínimo legal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.000418/200802 Acórdão n.º 240201.861 S2C4T2 Fl. 898 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado,Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO Da análise dos argumentos de defesa constantes nos autos do recurso voluntário tenho que nenhum deles merece guarida. Inicialmente, quanto a irresignação concernente à ilegalidade da exclusão da recorrente do regime simplificado de apuração dos impostos e contribuições a que julgava estar sujeita, bem como quanto ao momento em que a ato declaratório de exclusão produz os seus efeitos, cumpre apontar que esta Eg. Turma não detém a competência para analisar referidas alegações, as quais, em verdade, são objeto do processo administrativo que determinou sua exclusão do SIMPLES. Ademais, como bem decidiu o v. acórdão de primeira instância, mesmo que houvesse a possibilidade do presente julgamento manifestarse sobre o assunto, a impetração da ação judicial noticiada nos autos, por si só, também impediria o conhecimento de referidas alegações, a teor da Súmula CARF n. 01, a seguir: Súmula CARF nº. 01 – Importa renuncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objetivo do processo administrativo. Desta feita, em decorrência de sua exclusão do SIMPLES, foi a empresa fiscalizada para verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias a que deveria estar sujeita. Tal procedimento, não enseja o reconhecimento de qualquer nulidade, em virtude de que o lançamento fora efetuado para fins de prevenir a Fazenda Nacional dos efeitos da decadência, motivo pelo qual, a existência do processo administrativo excluindo a recorrente do SIMPLES ou mesmo a ação judicial impetrada, não possuem o condão de impedir que a autoridade fiscal levasse a efeito o lançamento. Confirase a propósito, recente julgado do Eg. Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE. CAUSAS SUSPENSIVAS DA EXIGIBILIDADE Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE ÓBICE. DECADÊNCIA. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito. Precedente: EREsp 572.603/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJ 05/09/2005. 2. O lançamento do ISS referente aos meses de Janeiro a Setembro de 1991 somente ocorreu em 27 de junho de 2001. A liminar conferida em Mandado de Segurança, anteriormente impetrado pelo contribuinte, com a finalidade de ver reconhecida isenção quanto ao tributo não impede a fluência do prazo decadencial, apenas obstando a realização de atos de cobrança posteriores à constituição. Nesse sentido: REsp 1.140.956/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 03/12/2010, julgado nos termos do artigo 543C do Código de Processo Civil. 3. Recurso especial provido. (REsp 1129450/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/02/2011, DJe 28/02/2011) Assim, não há qualquer nulidade a ser reconhecida. Também não há necessidade de que neste momento seja determinada a suspensão do presente processo para que se aguarde a conclusão da ação judicial impetrada, em razão de que houve renúncia a esfera administrativa em face da prevalência das decisões do Poder Judiciário com relação às decisões administrativas. O que deverá ocorrer, logicamente, é que a autoridade fiscal antes de levar a efeito a execução do crédito tributário lançado nos autos do presente processo, deverá observar o resultado da ação impetrada pela recorrente junto ao Poder Judiciário, quando então deverá acatar suas conclusões. Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.000418/200802 Acórdão n.º 240201.861 S2C4T2 Fl. 899 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 15586.000739/2007-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
PROVA TESTEMUNHAL – OITIVA DE TESTEMUNHA – INDEFERIMENTO – CERCEAMENTO DE DEFESA – INOCORRÊNCIA
Não representa cerceamento de defesa o indeferimento de produção de prova testemunhal por meio de oitivas face à inexistência de previsão no Decreto nº 70.235/1972 da apresentação de prova testemunhal no contencioso administrativo fiscal
DECADÊNCIA – ART 173, INCISO I, CTN – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO
Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo antecipação no recolhimento do tributo, aplica-se
o prazo decadencial previsto no art. 173, Inciso I do Código Tributário Nacional.
DISPOSITIVO LEGAL – VIGÊNCIA PARA O FUTURO NATUREZA NÃO
OCORRÊNCIA
Em geral a lei aplica-se às situações futuras. O art. 129 da Lei nº 11.196/2005 não tem natureza interpretativa uma vez que não traz essa condição expressa e, além disso, inova no sentido de possibilitar que as pessoas físicas que prestam serviços considerados de natureza intelectual possam fazê-lo na
condição de pessoas jurídicas passando a sofrer o regime de tributação relativo a estas, situação não prevista na legislação anterior.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA
É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego.
RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO
Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus
efeitos. Assim, devem ser considerados segurados empregados,
independentemente da forma adotada, as pessoas físicas que mantêm relação de emprego com o tomador de seus serviço e excluídos aqueles que regularmente prestam serviços através de empresa que, de fato, assume os riscos de sua atividade econômica.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.822
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade, em rejeitar as
preliminares. Os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues votaram pelas conclusões. No mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores pagos à pessoa jurídica MZC Produções Ltda, identificados pelo código de levantamento MZC, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo e, por maioria de votos, em manter os demais valores, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votaram pela exclusão também dos valores pagos aos profissionais de que trata o artigo 129 da Lei nº 11.196/2005, por lhe reconhecer caráter meramente interpretativo e, portanto, de aplicação retroativa. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PROVA TESTEMUNHAL – OITIVA DE TESTEMUNHA – INDEFERIMENTO – CERCEAMENTO DE DEFESA – INOCORRÊNCIA Não representa cerceamento de defesa o indeferimento de produção de prova testemunhal por meio de oitivas face à inexistência de previsão no Decreto nº 70.235/1972 da apresentação de prova testemunhal no contencioso administrativo fiscal DECADÊNCIA – ART 173, INCISO I, CTN – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo antecipação no recolhimento do tributo, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, Inciso I do Código Tributário Nacional. DISPOSITIVO LEGAL – VIGÊNCIA PARA O FUTURO NATUREZA NÃO OCORRÊNCIA Em geral a lei aplica-se às situações futuras. O art. 129 da Lei nº 11.196/2005 não tem natureza interpretativa uma vez que não traz essa condição expressa e, além disso, inova no sentido de possibilitar que as pessoas físicas que prestam serviços considerados de natureza intelectual possam fazê-lo na condição de pessoas jurídicas passando a sofrer o regime de tributação relativo a estas, situação não prevista na legislação anterior. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, devem ser considerados segurados empregados, independentemente da forma adotada, as pessoas físicas que mantêm relação de emprego com o tomador de seus serviço e excluídos aqueles que regularmente prestam serviços através de empresa que, de fato, assume os riscos de sua atividade econômica. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado por unanimidade, em rejeitar as preliminares. Os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues votaram pelas conclusões. No mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores pagos à pessoa jurídica MZC Produções Ltda, identificados pelo código de levantamento MZC, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo e, por maioria de votos, em manter os demais valores, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votaram pela exclusão também dos valores pagos aos profissionais de que trata o artigo 129 da Lei nº 11.196/2005, por lhe reconhecer caráter meramente interpretativo e, portanto, de aplicação retroativa. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2192; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.044 1 1.043 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000739/200730 Recurso nº 266.695 Voluntário Acórdão nº 2402001.822 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2011 Matéria CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO: PESSOA JURÍDICA Recorrente TELEVISÃO CAPIXABA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PROVA TESTEMUNHAL – OITIVA DE TESTEMUNHA – INDEFERIMENTO – CERCEAMENTO DE DEFESA – INOCORRÊNCIA Não representa cerceamento de defesa o indeferimento de produção de prova testemunhal por meio de oitivas face à inexistência de previsão no Decreto nº 70.235/1972 da apresentação de prova testemunhal no contencioso administrativo fiscal DECADÊNCIA – ART 173, INCISO I, CTN – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não havendo antecipação no recolhimento do tributo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, Inciso I do Código Tributário Nacional. DISPOSITIVO LEGAL – VIGÊNCIA PARA O FUTURO NATUREZA NÃO OCORRÊNCIA Em geral a lei aplicase às situações futuras. O art. 129 da Lei nº 11.196/2005 não tem natureza interpretativa uma vez que não traz essa condição expressa e, além disso, inova no sentido de possibilitar que as pessoas físicas que prestam serviços considerados de natureza intelectual possam fazêlo na condição de pessoas jurídicas passando a sofrer o regime de tributação relativo a estas, situação não prevista na legislação anterior CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO AUDITORIA FISCAL COMPETÊNCIA É atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vinculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados, se constatar a ocorrência dos requisitos da relação de emprego Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.045 2 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, devem ser considerados segurados empregados, independentemente da forma adotada, as pessoas físicas que mantêm relação de emprego com o tomador de seus serviço e excluídos aqueles que regularmente prestam serviços através de empresa que, de fato, assume os riscos de sua atividade econômica. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade, em rejeitar as preliminares. Os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues votaram pelas conclusões. No mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores pagos à pessoa jurídica MZC Produções Ltda, identificados pelo código de levantamento MZC, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo e, por maioria de votos, em manter os demais valores, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votaram pela exclusão também dos valores pagos aos profissionais de que trata o artigo 129 da Lei nº 11.196/2005, por lhe reconhecer caráter meramente interpretativo e, portanto, de aplicação retroativa. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Júlio César Vieira Gomes – Presidente e Redator Designado Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues . Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.046 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SEBRAE e INCRA). O Relatório Fiscal (fls. 164/191) informa que as contribuições lançadas incidem sobre os valores pagos através de Notas Fiscais de Serviço a trabalhadores tidos pela Contratante como Empresários e Titular de Firma Individual, porém considerados pela fiscalização como autênticos empregados da empresa, tendo em vista que prestam serviços de forma direta, habitual, remunerada, pessoal e subordinada à notificada. Os trabalhadores caracterizados como empregados e as razões que levaram a auditoria fiscal a tal conclusão são os que se seguem: Levantamento ACT Nízio César Silva Do Bem (De 10/2002 A Dez/2004) e Angela D'avila Cotta (De 10/04/2003 A 1212004) Sócios da empresa A&C Tecnologia e Serviços Ltda (Nome Fantasia Midia Phone Produções de Áudio). Contratados para apresentação do programa "SHOP MIX" que vai ao ar aos sábados no horário de 7:00 às 7:40, domingos de 8:20 às 9:00 e segundas, quartas e quintas feiras, das 13:20 às 14:00h, conforme estabelecido no item 3 (DO OBJETO) do Contrato De Parceria Comercial Para Veiculação/Apresentação De Programa, firmado em 07/08/2003, entre a Televisão Capixaba Ltda e a A&C Tecnologia E Serviços Ltda. Estabelece o subitem 3.2. do citado Contrato que "A CONTRATANTE reservase o direito de vetar o referido Programa, caso porventura, contrarie a sua linha editorial ou a legislação pertinente". O item 5 do Contrato prevê que "A Comercialização ficará a cargo da CONTRATANTE, podendo ser efetuada pela CONTRATADA mediante prévia aprovação das propostas, pela CONTRATANTE". Quanto à remuneração, o item 6, do Contrato estipula que "Fica ajustado que a CONTRATADA, receberá mensalmente o valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais), sendo R$ 1.000,00 (um mil reais) para o apresentador Nízio César do Bem e R$ 1.000,00 (um mil reais) para a apresentadora Ângela D’Ávila Cotta." É informado que apesar do Contrato só ter sido firmado em 07/08/2003, foram apuradas Notas Fiscais de Prestação de Serviço de out/2002 a ju1/2003. Levantamento ALI Adriana Valadares Pessoa (de 11/2002 a jan/2004) – sócia gerente da empresa Aliança Comunicação Integrada Ltda ME. Foi firmado entre a notificada e a empresa Aliança Contrato de Prestação de Serviços de Assessoria de Marketing, firmado em 21/10/2002 o qual prevê que para a execução dos serviços a contratante cederá sem ônus a contratada, dentro de suas dependências uma sala Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.047 4 com linha telefônica, computador e demais equipamentos que forem necessários para o bom desempenho do serviço da contratada, quando a contratada, achar conveniente, sendo de sua exclusiva decisão o local do exercício do trabalho, desde que atenda ao objeto do contrato. as dependências da contratante, cedidas para uso da contratada não poderão ser usadas pela mesma para atividades de outros clientes seus, seja para os mesmos serviços prestados para a contratante seja para outros serviços contratados para outras empresas, do mesmo ramo de atividade ou de outro. Também reza o contrato que a contratada em seus contatos usará o título de GERENTE DE MARKETING, inclusive em cartões de apresentação, constando o nome da empresa contratante, sendo que tal ato é dotado apenas para facilitar o acesso às dependências da empresa, e unicamente pa ra facilitar o desenvolvimento das atividades ora contratadas, inclusive com relação aos clientes internos e externos, que tenham que ser contatados. Relativamente à cláusula de preços, o contrato informa que a contratante pagará à contratada uma quantia mensal, a qual será paga em dobro por ocasião do mês de dezembro, para que a contratada possa arcar com despesas de gratificação natalina de seus empregados. Além disso é previsto que a contratada poderia se ausentar por vinte dois dias úteis por ano sem prejuízo dos pagamentos. Levantamento ALN André Luiz Norbim de Assis Sócio gerente da Norbim Consultoria Ltda. Contrato de Prestação de Serviços de Manutenção e Recuperação de Equipamentos, firmado em 01/05/2003, Contratado para a prestação de serviços inerentes à recuperação e manutenção técnica de todos os aparelhos elétricos de iluminação e eletrônicos, dos estúdios de transmissão, dos equipamentos de geração e trabalhos inerentes à realização de transmissão externas à medida que solicitado pelo contratante. A contratante cede sala e laboratório com linha telefônica, computador e demais equipamentos que forem necessários para o bom desempenho do serviço e o contratado, conforme previsão contratual, em seus contatos, usará o título de Supervisor Técnico e permitindo ao mesmo a utilização de cartão de apresentação, constando o nome da empresa e o cargo. Quanto ao pagamento pelos serviços, foi estipulado um valor mensal que é pago em dobro no mês de dezembro sob o argumento de possibilitar o pagamento de gratificação natalina de funcionários. Apesar do Contrato só ter sido firmado em 01/05/2003, foram apuradas Notas Fiscais de Prestação de .Serviço de dez/2002 a abril/2003. Levantamento AVR Adriana Veloso Ribeiro (de 06/2002 a 05/2003) Titular Da Firma Individual Adriana Veloso Ribeiro (Nome Fantasia Agora Publicidade). Contrato de Prestação de Serviços de Produção e Apresentação Os serviços contratos são de produção e apresentação de programas, a serem estipulados pela contratante mediante pagamento de valor mensal estipulado em contrato. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.048 5 Apesar do Contrato só ter sido firmado em 01/09/2002, foram apuradas Notas Fiscais de Prestação de Serviço de jun/2002 e ago/2002. Levantamento DTV Luiz Antonio Marques de Albuquerque (de 08/2002 a 12/2004) Sócio Gerente da DTV Assessoriae e Produçoes Ltda. Contrato de Prestação de Serviços de Gestão de Produção, Operação d Programação, firmado Em 01/08/2002, O Sr. Luiz Antônio foi empregado da notificada de 04/11/1998 a 03/05/2002, exercendo o cargo de DIRETOR PROG/PRODUÇÃO Departamento de Operações (Dep. 007). Foi posteriormente contratado como pessoa jurídica para prestação de serviços inerentes à gestão de pessoal e patrimonial nas áreas de Produção, Operação e Programação, conforme descrições de funções especificadas na Lei n°. 8.666/93 e Decreto 84.134/79. Pelo contrato, a empresa, dentro de suas dependências, disponibilizou uma sala com linha telefônica, aparelho de celular com linha, computador e demais equipamentos necessários para o bom desempenho do serviço. A empresa também assumiu a obrigação de fazer constar nos créditos da programação local da emissora o nome de Diretor de Produção, Programação e Operação do Profissional contratado. De igual forma, a empresa se compromete a pagar um valor fixo mensal e pagar a importância em dobro no mês de dezembro para fins de possibilitar o pagamento da gratificação natalina aos supostos empregados do contratado. Levantamento GIL Gilmar Belo Falcão (de 04/2004 a 12/2004) — Titular da firma Individual As Notas Fiscais de Prestação de Serviço foram emitidas em ordem seqüencial de n°s 0031 (02/04/04) a 0040 (17/12/04), com valor fixo mensal de R$ 6.218,00 (Seis mil, duzentos e dezoito reais), referentes à prestação de gerenciamento relativo a Serviços Administrativos na Televisão Capixaba Ltda. A auditoria fiscal informa que O Sr. Gilmar Belo Falcão, além de assinar como representante da Televisão Capixaba Ltda, os Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, emitidos em 27/04/2007, 17/08/2007 e 12/09/2007, acompanhou todos os trabalhos realizados durante a ação fiscal, além de prestar as informações necessárias e fornecer cópias dos documentos solicitados por esta fiscalização. Levantamento JCL José Carlos Cirino Leite (de 01/2002 a 12/2004) — Titular de Firma Individual José Carlos Cirino LeiteMe (Nome Fantasia — Carapintada). Foram firmados Contratos de Parceria Comercial para Veiculação De Programa, ambos em 01/10/2002, para apresentação do Programa "Café com Leite" e para apresentação do Programa "Stop Car". Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.049 6 O contrato estabelece que "O Programa "Café Com Leite" é uma produção, realizada em parceria da Contratante com a Contratada, tendo a contratada responsabilidade com as suas pautas e agendamento das entrevistas com prévia aprovação da contratante. A comercialização ficaria a cargo da contratante, podendo ser efetuada pela contratada mediante prévia aprovação das propostas de patrocínios pela contratante. De acordo com o item 7 do contrato, ficou ajustado que a contratada, receberia mensalmente o valor de R$ 500,00 (Quinhentos reais) a título de apresentado do Programa e mais 30% (Trinta pontos percentuais) do lucro líquido obtido pelo Programa. Quanto à apresentação do programa Stop Car, o contrato versa que para a apresentação do programa "STOP CAR" de propriedade da Contratante em formato de apresentação de automóveis de marcas e modelos indeterminados, e outras informações relacionadas e que são sujeitas à aprovação da contratante. O contrato estabelece que as matérias que irão ao ar serão gravadas na empresa do cliente, e o apresentador Carlos Leite, ficará ao vivo no estúdio de TV Capixaba chamando as matérias prégravadas e fazendo comentários. O contrato prevê que o Programa "STOP CAR" é uma produção, idealizada, produzida e dirigida pela TV CAPIXABA, sob orientação, e direção da mesma, terceirizando se as externas e a edição dos materiais gravados. Levantamento LF Luciane Araujo de Freitas Oliveira (de 04/2003 a 12/2004). Sócia gerente. da empresa LF Assessoria e Comunicação Ltda A contratada foi empregada da TELEVISÃO CAPIXABA LTDA, de 03/09/2001 a 31/01/2003, exercendo o cargo de Coord. Produção — Departamento de Operações (Dep. 007) e foi contratada como pessoa jurídica para prestação de serviços de assessoria de comunicação, firmado em 10/03/2003. O contrato dispõe que a contratada prestará serviços inerentes a produções jornalísticas da Televisão Capixaba Ltda que se compromete a disponibilizar, dentro de suas dependências, uma sala com linha telefônica, computador e demais equipamentos que forem necessários para o bom desempenho do serviço. A contratada, por disposição contratual, em seus contatos usará o título de EDITORACHEFE, inclusive em cartões de apresentação, constando o nome da empresa contratante. Quanto ao pagamento, a contratante pagará um valor mensal que será pago em dobro no mês de dezembro. Além disso há previsão de que a contratada pode se afastar durante 23 dias úteis durante o ano sem prejuízo dos pagamentos. Levantamento LGW Giovanni Cesar Silva (de 10/2002 a 12/2004) Sócio gerente da LG & W PUBLICAÇÕES LTDA (NOME FANTASIA "QUALITY PRESS") Não foi apresentado Contrato de Prestação de Serviços, porém a auditoria fiscal informa que a natureza dos serviços prestados, que ensejaram a caracterização do empresário como segurado empregado da TV CAPIXABA LTDA foi verificada na discriminação dos serviços constante das Notas Fiscais de Serviços, no caso de apresentador e entrevistador do PROGRAMA PRIMEIRA HORA e do PROGRAMA "ESPAÇO CAPIXABA" (de segunda a sextafeira às 13:00h). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.050 7 Levantamento MCC MARCELO SANTOS CRESPO (Competências compreendidas entre jun/2002 e dez/2004) Sócio gerente da MC CONSULTING LTDA. Contratado para prestação de serviços inerentes à gestão financeira da Notificada, utilizando o titulo GERENTE FINANCEIRO, com pagamento mensal fixo de R$ 6.198,00 (Seis mil, cento e noventa e oito reais). De igual forma, recebe em dobro no mês de dezembro. Levantamento MIL Lucila Magalhães Lopes Gonçalves (De 11/2002 a 12/2004) — Sócia Gerente da Milane Auditores e Consultores Associados Ltda. Contrato de Prestação de Serviços de Assessoria de Recursos Humanos O contrato prevê que a contratante, em suas dependências, cederá uma sala com linha telefônica, computador e demais equipamentos que forem necessários para o bom desempenho do serviço e que a contratada usará o título de Gerente de Recursos Humanos, inclusive em cartões de apresentação, constando o nome da empresa contratante. O contrato versa sobre o pagamento de um valor mensal a ser pago em dobro do mês de dezembro tal qual previsto nos contratos dos demais contratados. A auditoria fiscal informa que a Sra. Lucila assinou, como representante da notificada, um TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, além de ter acompanhado o trabalho da fiscalização prestando informações necessárias. Levantamento MIR LUIZ PAULINO TREVISAN (01/2002 a 12/2004) — Sócio gerente da MIRANTE ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO LTDA Não foi apresentado contrato de prestação de serviços e a natureza dos serviços prestados foram verificadas na discriminação dos mesmos constante nas Notas Fiscais de Serviço, quais sejam, redação e apresentação de texto Jornalístico para o JORNAL CAPIXABA", no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2004. Levatamento MZC Thaissa Costa Duarte (de 10/2002 a 12/2004) Sócia da MZC Produções Ltda. Contrato de Prestação de Serviços de Apresentação, Os trabalhos da contratada compreendem exemplificativamente, a apresentação de programas a serem estipulados pela contratante, especialmente o programa Shopping Mix, mediante um pagamento mensal. Levantamento PCC Jean Carlos Walcher Modolo (10/2004 a 12/2004) – Sócio gerente da empresa Programa Country & Cia Produções, Promoções e Eventos Ltda – ME. Contratado para a apresentação do programa Country e Cia que é um é uma produção, idealizada pela Contratante e produzida pela Contratada, sob orientação da Contratante, terceirizandose as externas e a edição dos materiais gravado. O contrato dispõe que a contratante reservase o direito de vetar o referido Programa, caso porventura, contrarie a sua linha editorial ou a legislação pertinente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.051 8 O contrato prevê ainda que a comercialização do programa ficará à cargo da contratante, podendo ser efetuada pela contratada mediante prévia aprovação das propostas, pela contratante. A contratante pagará um valor mensal à contratada e ter sido celebrado 'em 19/03/2003, a primeira Nota Fiscal de Serviço (n° 0001) só foi emitida em 13/10/2004. Levantamento VIV VIVIANE ANSELMÉ DA SILVA (de 05/2003 a 12/2004) Titular da firma individual VIVIANE ANSELMÉ DA SILVA — ME Contrato de Parceria Comercial para Veiculação/Apresentação de Programa, firmado em 01/12/2002, para apresentação dos programas Acontece Aqui e Saúde Mulher. O contrato estabelece que os programas "ACONTECE AQUI" e "SAÚDE MULHER" são produções, idealizadas e produzidas pela Contratante, junto com a Contratada, sob orientação, e direção da Contratante; terceirizandose as externas e a edição dos materiais gravados. A contratante reservase o direito de vetar os referidos programas, caso porventura, contrarie a sua linha editorial ou a legislação pertinente. A Comercialização ficará a cargo da contratante, podendo ser efetuada pela contratada mediante prévia aprovação das propostas, pela contratante. A contratante pagará à contratada um valor fixo mensal. A auditoria fiscal concluiu que haveria uma subordinação jurídica destes trabalhadores (sócios/titulares) para com a TELEVISÃO CAPIXABA LTDA, a qual é claramente identificada nos CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS analisados eis que os mesmos trabalham dentro da empresa usando toda sua estrutura, à disposição do empregador e subordinados às determinações da administração da notificada. Observa que as funções exercidas pelos sócios/titulares das contratadas fazem parte da estrutura organizacional da empresa e, consequentemente, as atividades por eles desempenhadas são essenciais à política administrativa/produtiva/econômica da mesma, estando estes profissionais subordinados às orientações e determinações da administração da empresa contratante. A auditoria fiscal observa que os trabalhadores não poderão fazerse substituídos por outro trabalhador, sem o consentimento do empregador, durante a vigência do contrato, caracterizando assim, a pessoalidade . A onerosidade ficou demonstrada pelas cláusulas contratuais relativas ao pagamento, bem como a não eventualidade, uma vez que os serviços eram diretamente relacionados às atividades normais da empresa. É informado que para o cálculo das contribuições de cada segurado foi aplicada a alíquota de acordo com as faixas salariais, respeitando o valor do limite máximo do salário de contribuição do período: 7,65%; 8,65%; 9% e 11%. A notificada teve ciência do lançamento em 04/10/2007. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.052 9 A notificada apresentou defesa (fls. 766/791 – Vol IV) onde alega que ocorreu a decadência de parte do lançamento. No mérito, argumenta que pela natureza dos serviços prestados aplicase o art. 129 da Lei nº 11.196/2005 que dispõe que: “Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil." Aduz que as empresas, cujos sócios ou titulares foram considerados segurados empregados, como se denota dos contratos carreados aos autos pela própria fiscalização, prestavam serviços relacionados à produção, desenvolvimento e criação de programas televisivos, ou seja, tais trabalhadores são apresentadores de programas de televisão ou desenvolvem atividades relacionadas à sua produção. Alega que em que pese o dispositivo legal citado ser posterior aos fatos geradores do presente lançamento, por possuir caráter de norma meramente interpretativa, deve ser aplicada de forma retroativa, nos termos do art. 106, Inciso I do Código Tributário Nacional. Não obstante a alegação acima, a notificada entende que não existe vínculo empregatício entre esta e os sócios e titulares de pessoas jurídicas. Afirma que em momento algum são informadas no relatório fiscal as situações concretas que demonstrariam a efetiva existência dos elementos caracterizadores do vínculo, situação que; por si só, já enseja a nulidade do presente lançamento. Tece considerações a respeito das características da prestação de serviços das empresas contratadas a fim de demonstrar a inexistência do vínculo. Pelo Acórdão nº 1221.071 (fls. 967/1003 – Vol V), a 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (RJ) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 1012/1039 – Vol VI) em que considera que houve cerceamento de seu direito de defesa pelo indeferimento do requerimento de produção de prova testemunhal consubstanciada na oitiva dos sócios e titulares da empresas envolvidas na presente autuação. Relativamente à decadência, discorda da decisão recorrida que entendeu que pela aplicação do art. 173, inciso I, do CTN não haveria decadência. Considera que se houve entrega de GFIP e conseqüente recolhimento de contribuições, se verifica a antecipação de pagamento necessária à caracterização do lançamento por homologação. Assim, entende que o correto seria a aplicação do art. 150, § 5º do CTN. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.053 10 Alega que não há ilicitude na terceirização promovida pela recorrente e que a menção da Súmula nº 331 do Superior Tribunal do Trabalho na decisão recorrida não se coaduna com a legislação previdenciária que trata a matéria de forma diversa. No mais efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.054 11 Voto Vencido Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente manifesta seu inconformismo pelo indeferimento do pedido de produção de prova testemunhal consubstanciada na oitiva dos sócios e titulares da empresas envolvidas na presente autuação. Como bem salientou a decisão recorrida, o Decreto nº 70.235/1972 não prevê produção de prova testemunhal no processo administrativo fiscal. O citado decreto trata do processo administrativo fiscal e traz os procedimentos, condições para a instauração do contencioso, prazos a serem adotados e outras questões relativas. Verificase no artigo 16, inciso IV que o decreto menciona a realização de diligências e perícias, cuja necessidade deve restar demonstrada, nada mencionando no que tange à apresentação de prova testemunhal. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Além disso o Decreto nº 70.235/1972 prevê expressamente a possibilidade de juntada de prova documental nos §§ 4º e 5º do mesmo artigo § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 11DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.055 12 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Além disso, o art. 18 do Decreto determina que seja submetida à autoridade administrativa a decisão quanto à realização ou não de perícia ou diligência. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Como se vê não é possível considerar cerceamento de defesa o indeferimento do pedido de produção de prova testemunhal por ausência de previsão legal para o procedimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que não merece acolhida pelas razões que se seguem. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.056 13 Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 01/2002 a 12/2004 e foi efetuado em 04/10/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.057 14 "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." Fl. 14DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.058 15 (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase do lançamento contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, pela aplicação do art. 173, inciso I do CTN, não se operou decadência, pois só seria possível considerar decadentes contribuições referentes a fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive, período anterior às competências que compõem o presente lançamento. Quanto ao mérito, a recorrente solicita a aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido em período anterior a sua edição, sob o argumento de que tal dispositivo legal teria caráter interpretativo. Asseverese que nem todos os serviços prestados pelas empresas cujos sócios e titulares foram caracterizados como segurados empregados poderiam ser enquadrados na situação em que se aplicaria a referida lei que no art. 129 expressamente dispõe que: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. O art. 106, inciso I, do Código Tributário Nacional prevê que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando "expressamente interpretativa" excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados. A lei interpretativa não poderia inovar mas apenas se limitaria a esclarecer dúvidas atinentes ao dispositivo anterior. Assim, se a lei inova vale como lei nova, sujeita ao princípio da irretroatividade. É certo que a questão da retroatividade da lei tributária é assunto não pacificado pela doutrina. Há os que entendem pela impossibilidade jurídica da retroação da lei, ou mesmo aqueles que entendem que a lei poderia retroagir desde que expressamente mencionasse no texto legal tal prerrogativa. Segundo ensina Hugo de Brito Machado: “a rigor não se devia falar em aplicação retroativa, pois na verdade a lei não retroage... Surgindo uma lei nova para regular fatos do mesmo tipo, ainda assim, aqueles fatos acontecidos durante a vigência da lei anterior foram por ela qualificados juridicamente e a eles, portanto, aplicase a lei antiga1 1 Hugo de Brito Machado, Curso de Direito Tributário – 25ª Ed. Malheiros Editores Ltda. São Paulo. 2004, pg. 107 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.059 16 Sobre a irretroatividade das leis tributárias encontramos valiosa lição trazida pelo Ilustre Roque Antônio Carrazza para o qual “A regra geral, pois, é no sentido de que as leis tributárias devem sempre dispor para o futuro. Não lhes é dado abarcar o passado, ou seja, alcançar acontecimentos pretéritos. É isso que confere estabilidade e segurança às relações jurídicas entre o fisco e o contribuinte... É certo que, por razões ideológicas, que nosso direito encampou, admitese que algumas leis tributárias retroajam, desde que elas assim o estipulem... Essas leis, porém, só retroagirão se contiverem cláusula expressa de retroação.” 2 Portanto, não se pode dizer que o art. 129 da Lei nº 11.196/2005 é uma lei interpretativa, uma vez que não há a expressa disposição nesse sentido, como também era certo pela lei anterior que os valores recebidos serviços prestados por pessoas físicas ainda que os serviços fossem considerados intelectuais eram considerados remuneração. Além disso, vale a pena citar que no âmbito deste Conselho, a questão da retroatividade da aplicação do art 129 da Lei nº 11.196/2005 já foi tratada, conforme se verifica no acórdão nº 10422.408 da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, do qual transcrevo trecho: Na fase recursal, o Contribuinte argumenta que a Lei nº 11.190/2005, no art. 129, teria efeito meramente interpretativo, devendo ser aplicada ao caso concreto, o que fulminaria o lançamento. Dispõe o art. 129:(...) Em duas oportunidades esta Câmara pronunciouse sobre o assunto, em excelentes votos do Conselheiro Nelson Mallmann, nos acórdãos nºs 10421.583 e 10421.954, do ano de 2.006, ambos do mesmo teor. Tomo a liberdade de adotar em parte o voto proferido no primeiro precedente, passando a transcrever alguns dos seus tópicos: “Não há dúvidas, que o artigo 129 foi editado para resolver problemas relacionados à tributação dos rendimentos produzidos em decorrência da prestação de serviço de natureza pessoal, oferecido ao mercado por intermédio de uma sociedade com personalidade jurídica (‘empresas unipessoais’). Entretanto, no caso em discussão, o crédito tributário constituído se reporta a fato gerador ocorrido antes da vigência da mencionada lei, razão pela qual se faz necessária a verificação se o referido dispositivo legal faz inovação ou criação de regime jurídico novo, ou apenas expressa entendimento sobre legislação já existente, ou seja, é esta norma meramente interpretativa? Indiscutivelmente a lei interpretativa não pode inovar, limitase a esclarecer dúvida a respeito de dispositivo de lei anterior. No meu entendimento o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005 traz inovação e cria as ‘empresas unipessoais’ para fins de 2 in Curso de Direito Tributário, volume 1, 3a edição, Editora CEJUP, coordenado por Ives Gandra da Silva Martins, pg. 130 Fl. 16DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.060 17 tributação como pessoas jurídicas, antes consideradas pessoas físicas perante a legislação tributária. Entretanto, a norma acima não possui caráter interpretativo, sendo incorreto alegar aplicação retroativa com base no art. 106, inciso I, do CTN. O art. 106, inciso I, do CTN assim dispõe: ‘Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;’ Segundo Eduardo Espinola e Eduardo Espinola Filho, ‘denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas’ (A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, atualizado por Silva Pacheco, 3ª ed., Ed. Renovar, 1999, vol. 1, p.294). Portanto, para que uma lei seja considerada interpretativa, são necessários os seguintes requisitos: 1. o caráter interpretativo tem que ser expresso; 2. indicação da lei anterior que está sendo interpretada; 3. existência de lei anterior disciplinando a matéria tratada na lei interpretativa; e 4. existência de dúvida quanto ao sentido de uma lei anterior. ... Do texto acima transcrito é possível se concluir que as atividades exercidas por pessoas físicas abaixo relacionadas não se caracterizam como empresa individual, ainda que, por exigência legal ou contratual, encontremse cadastradas no CNPJ ou que tenham seus atos constitutivos registrados em Cartório ou Junta Comercial: (1) a pessoa física que, individualmente, exerça profissões ou explore atividades sem vínculo empregatício, prestando serviços profissionais, mesmo quando possua estabelecimento em que desenvolva suas atividades e empregue auxiliares, a exemplo de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas; (2) a pessoa física que explore, individualmente, contratos de empreitada unicamente de mãodeobra, sem o concurso de profissionais qualificados ou especializados; Fl. 17DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.061 18 (3) a pessoa física receptora de apostas da Loteria Esportiva e da Loteria de Números (Lotomania, Supersena, MegaSena etc) credenciada pela Caixa Econômica Federal, ainda que, para atender exigência do órgão credenciador, esteja registrada como pessoa jurídica, e desde que não explore, no mesmo local, outra atividade comercial; (4) representante comercial que exerça exclusivamente a mediação para a realização de negócios mercantis, como definido pelo art. 1º da Lei nº 4.886, de 1965, uma vez que não os tenha praticado por conta própria; (5) pessoa física que faz o serviço de transporte de carga ou de passageiros em veículo próprio ou locado, mesmo que ocorra a contratação de empregados, como ajudantes ou auxiliares. Como se observa, a legislação tributária nunca permitiu que as pessoas físicas que, individualmente, exerçam profissões ou explorem atividade de médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas, tributassem seus rendimentos como se fossem pessoas jurídicas. Ora, não há dúvidas que os valores recebidos pelo suplicante são decorrentes de natureza eminentemente pessoal, ou seja, decorrem do fruto de seu desempenho pessoal. ... Da mesma forma, é sabido que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada são tributadas pelo imposto de conformidade com as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Entretanto, estas sociedades civis devem preencher determinadas condições, tais como: (a) a natureza de suas atividades e dos serviços prestados deve ser exclusivamente civil; (b) todos os sócios devem estar em condições legais de exercer a profissão regulamentada para a qual estiverem habilitados, ainda que diferentes entre si, desde que cada um desempenhe as atividades ou prestem os serviços privativos de suas profissões e esses objetivos estejam expressos no contrato social; (3) as receitas da sociedade devem provir da retribuição ao trabalho profissional dos sócios ou empregados igualmente qualificados; (4) as sociedades civis são aquelas em que todos os sócios estejam legalmente capacitados a atender às exigências dos serviços por elas prestados, etc.. Como se vê, nunca houve dúvidas que salários e rendimentos provenientes de serviços personalíssimos seriam tributados na pessoa física, tendo como única exceção a sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, o que não é o presente caso. O legislador sempre foi inequívoco no sentido de que, em Fl. 18DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.062 19 relação a salários e rendimentos produzidos pelo exercício de profissões e pela prestação de serviços de natureza não comercial, o contribuinte será a pessoa física que realiza pessoalmente o fato gerador. A jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes, em casos semelhantes, sempre se firmou no sentido de que rendimentos provenientes de serviços personalíssimos devem ser tributados na pessoa física. É nítido que o referido artigo inovou no ordenamento jurídico, pois até então, a legislação tributária acerca do imposto de renda nunca deixou dúvidas que rendimentos provenientes da exploração do serviço individualmente prestado por um artista, ou seja, serviço personalíssimo, seria tributado na pessoa física prestadora do serviço, mesmo que os serviços fossem contratados e ajustados por meio de uma pessoa jurídica, pois se verifica que, na realidade, o que foi contratado foi um serviço individual. Tenho para mim, que a referida norma tem por objetivo maior esclarecer e orientar os agentes da administração pública para que, no exercício de suas funções, não desconsiderem a personalidade jurídica de sociedades legalmente constituídas para prestação de serviços intelectuais, com a finalidade de tributar os sócios. Assim, as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais (sociedades de engenheiros, arquitetos, advogados, médicos etc) não podem ser descaracterizadas pelos agentes fiscais ao argumento de que o serviço prestado pelos profissionais aos seus contratantes seria regido pelas normas da CLT, com todos os reflexos trabalhistas e tributários daí decorrentes. Em conclusão, o art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, é lei inovadora, portanto, inaplicável a regra contida no art. 106, inciso I, do CTN, aos serviços prestados por ‘empresas unipessoais’ (caráter personalíssimo) antes da publicação da referida lei, já que a legislação tributária anterior vedava que os rendimentos oriundos da prestação de serviço em caráter pessoal fossem tributados como de pessoa jurídica.”(Acórdão nº 10421.583 negritei) Pelas razões expostas, entendo que não há que se falar na aplicação do citado dispositivo como motivo para desconstituição do presente lançamento. A recorrente alega a inexistência de relação de emprego em razão dos trabalhadores contratados ou serem apresentadores de programas de televisão ou desenvolverem atividades relacionadas à sua produção. Ainda que haja alguns prestadores de serviços nas condições mencionadas pela recorrente, não se pode olvidar que esta utilizou do mesmo procedimento, qual seja, contratação de serviços de pessoas físicas que constituíram pessoas jurídicas para trabalhadores para exercer funções comuns às demais empresas como, por exemplo, gerente de marketing, Fl. 19DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.063 20 supervisor técnico (na área de manutenção e recuperação de equipamentos), gerentes administrativo, financeiro e de recursos humanos. A recorrente afirma que em momento algum são informadas no relatório fiscal as situações concretas que demonstrariam a efetiva existência dos elementos caracterizadores do vínculo. Não assiste razão à recorrente. A auditoria fiscal verificou que, travestidos de pessoas jurídicas, prestadores de serviços pessoas físicas prestavam serviços à recorrente em atividades como se empregados fossem e agiu de acordo com o art. 118, inciso I, do Código Tributário Nacional, segundo o qual a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ressaltase que a auditoria fiscal não desconsiderou a personalidade jurídica das prestadoras de serviço, apenas utilizou a prerrogativa legal prevista no § 2º do art. 229 do Decreto nº 3.048/1999 que dispõe o seguinte: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado A auditoria fiscal apurou que alguns trabalhadores que exerciam atividades inerentes ao objeto social da recorrente ou mesmo atividades necessárias ao funcionamento da empresa prestaram serviços na forma de pessoas jurídicas. Segundo conhecida alegação do jurista Mario de La Cueva, o contrato de trabalho suplanta meras formalidades, constituindose em contrato realidade. Assim, caracterizada a existência dos requisitos da relação de emprego (subordinação, não eventualidade, pessoalidade e onerosidade) restam nulos os atos praticados com o objetivo de desvirtuálo, nos termos do art. 9º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; Da análise das informações contidas nos autos, verificase a existência de vários fatos que levam à convicção de que a relação estabelecida de fato entre a recorrente e os titulares das empresas prestadoras de serviços é de emprego, com a existência inequívoca dos pressupostos da mesma, como por exemplo, o fato dos serviços prestados fazerem parte da estrutura organizacional da empresa, serem vinculados à sua atividade fim e subordinados a sua política administrativa/produtiva/econômica. No caso dos apresentadores de programas contratados pela notificada sob a forma de pessoas jurídicas, estes prestam serviços em caráter personalíssimo à mesma, ou seja, não se coloca à disposição da notificada um mero serviço que poderia ser prestado por qualquer pessoa, mas a própria imagem do artista, não importando no caso, se essa pessoa jurídica seria unipessoal ou não. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.064 21 Além disso, se observa que por disposição contratual, os programas são de propriedade da recorrente e ainda que possam ser produzidos em parceria com os sócios das empresas contratadas, a recorrente tem o poder de veto sobre aquilo que julgar inadequado. A recorrente também contratou sua Editora Chefe e seu Diretor de Produção como pessoas jurídicas sendo que o Diretor de Produção exercia a mesma função na condição de segurado empregado anteriormente. Embora se trate de cargos situados na parte mais elevada da estrutura organizacional da empresa isso não significa que tais profissionais não estejam subordinados à política da empresa. Pouco provável seria que a Editora Chefe pudesse determinar a apresentação de qualquer matéria na programação da recorrente à revelia desta, uma vez que eventuais questionamentos ou mesmo ações judiciais a respeito seriam apresentadas à recorrente a qual não poderia alegar que se tratou de decisão de sua editora chefe a qual presta serviços como pessoa jurídica em cujo trabalho a recorrente não teria nenhuma ingerência. De igual forma, os prestadores de serviços que exercem cargos administrativos como gerentes financeiro e de recursos humanos não podem ser considerados trabalhadores autônomos pois a atividade que exercem demanda presença constante na empresa e obrigatoriedade de seguir as determinações desta na condução dos trabalhos. Além disso, em vários dos contratos firmados, a recorrente se compromete a manter sala com telefone, computador e demais equipamentos necessários à realização dos trabalhos como também se compromete a pagar o valor contratualmente previsto em dobro no mês de dezembro sob o argumento de possibilitar ao contratado arcar com despesas a titulo de gratificação natalina com eventuais empregados. Ora, a pessoa jurídica que presta serviços a outras empresas assume o risco do negócio inclusive todos os encargos decorrentes da contratação de empregados sem que os tomadores de serviços tenham qualquer obrigação nesse sentido. Ademais, a recorrente coloca em alguns contratos a possibilidade de que os prestadores de serviços deixem de prestar os serviços em períodos fixados de vinte e dois ou vinte e três dias úteis sem qualquer prejuízo nos pagamentos a serem efetuados, caracterizando o gozo de férias, benefício relacionados aos segurados empregados. A recorrente ainda determina que alguns prestadores de serviços se apresentem como prepostos da mesma na condição de Gerente de Marketing, Supervisor Técnico, Gerente Financeiro e outros, na medida em que determina que em seus cartões de apresentação contenha além no nome e cargo o nome da recorrente. E não se pode deixar de mencionar que a Gerente de Recursos Humanos e o responsável pelo gerenciamento dos serviços administrativos da recorrente foram as pessoas que deram suporte à auditoria fiscal assinando os TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, bem como prestando os esclarecimentos solicitados pela fiscalização. A recorrente alega que alguns dos programas apresentados eram desenvolvidos fora das dependências desta. No entanto, tal argumento não é suficiente para Fl. 21DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.065 22 considerar a ausência do vínculo, uma vez que não se consideram empregados apenas aqueles trabalhadores que exercem atividade nas dependências do contratante, ou seja, o lugar da prestação dos serviços é indiferente para a caracterização ou não do vínculo. Diante das questões expostas, entendo que o lançamento deve prevalecer. Nesse sentido voto por CONHECER do recurso voluntário e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 22DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.066 23 Voto Vencedor Após exame dos autos, constatei que em relação à prestação de serviço pela pessoa jurídica MZC Produções Ltda, identificada pelo código de levantamento MZC, não houve relação de emprego. Em tese, desposo do entendimento da ilustre relatora, apenas divirjo em relação ao meu convencimento no exame das provas. Antes dessa análise do caso concreto, entendo oportuno apresentar meu entendimento sobre as práticas de elisão fiscal. Para tanto, transcrevo parte de meu voto no processo n° 13629.001279/200526, julgado pela segunda turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Dos fatos Examinadas as provas trazidas aos autos ficaram comprovados todos os fatos relatados no termo de verificação fiscal, acima sintetizados, dos quais seleciono como principais: Ausência de atividade empresarial pela pessoa jurídica até mesmo diante da necessidade de administração dos imóveis por ela incorporados e locados a terceiros, considerando ser esse objeto social; O sócio da pessoa jurídica, que é o autuado, de fato ficava com todos os rendimentos de aluguéis sob a forma de retiradas, quase que diariamente, das antecipações de lucros; A incorporação dos imóveis pela pessoa jurídica se deu no curso da ação fiscal; e O interessado representava em nome próprio os interesses que envolvessem os imóveis locados a terceiros. Não se nega que os atos jurídicos praticados estejam revestidos das formalidades necessárias para sua comprovação. Sim, de fato, todos foram praticados: A pessoa jurídica foi regularmente constituída; Os bens foram transferidos à pessoa jurídica através de integralização de capital, com alteração do contrato social; e A pessoa jurídica possui escrituração contábil. O acórdão recorrido também assim considerou. Por unanimidade de votos, entendeuse que o contribuinte é o interessado, pessoa física, e não a pessoa jurídica que o tem em seu quadro social. Somente é objeto de reexame a qualificação da multa e como se constata do voto vencedor a questão se cinge ao que se considera ou não como simulação. Prevaleceu que ela não estava caracterizada sobretudo por não ter havido omissão, o interessado não escamoteou os atos praticados. Fl. 23DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.067 24 No entanto, com as devidas vênias, divirjo dessa visão do conceito. Na simulação, necessitase que a aparência seja notória para melhor escamotear a realidade; caso contrário, os verdadeiros propósitos seriam evidenciados e não se alcançariam os efeitos desejados. Existe simulação quando a aparência não coincide com a realidade. O natural é que as coisas aparentem o que são; para mudar isso é necessária a simulação. Ressaltase que nas peças recursais não se defende outro propósito dissociado da vantagem obtida em redução de tributo. Não há um propósito não tributário. A responsabilidade pela obrigação tributária não é definida pela vontade das partes, conforme dispõe o artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Da simulação A ausência de propósito negocial válido e justificável da pessoa jurídica a qual, por ato de vontade do interessado, se alterou o pólo passivo da obrigação tributária, reduzindose o tributo, evidencia simulação tributária. Ou nas palavras de Clovis Bevilaqua3 quando define a simulação nas relações jurídicas privadas: “ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” A propósito, o Código Civil traz em seu artigo 167 o que se entende por simulação, com os mesmos elementos do que apresentamos. A simulação compreende a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. Art. 167, § 1° Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados." 3 Bevilaqua, Clovis. Teoria geral do direito civil. Campinas : RED livros, 2001 Fl. 24DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.068 25 Dos preceitos constitucionais Ainda, essa vantagem econômica se perpetuou em prejuízo de terceiro estranho às operações, no caso a Fazenda Nacional; do que conduz à aplicação da desconsideração por abuso da personalidade jurídica, artigo 50 do Código Civil, instituto do direito privado que emergiu dos preceitos reclamados pela atual constituição federal: o abuso da pessoa jurídica para obtenção de vantagem pessoal estranha às finalidades da entidade e em prejuízo de terceiro. Ressaltase também que a garantia da liberdade de auto organização encontra limites nos princípios constitucionais da capacidade contributiva, da isonomia tributária e, dentre outros, da livre concorrência. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: IV livre concorrência; Art. 173 (...) § 5º A lei, sem prejuízo da responsabilidade individual dos dirigentes da pessoa jurídica, estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitandoa às punições compatíveis com sua natureza, nos atos praticados contra a ordem econômica e financeira e contra a economia popular. Nesse fundamento o ilustre relator não diverge, conforme trecho de seu voto: O contribuinte, a despeito de exercer a liberdade negocial, em face do princípio da legalidade não poderá valerse de meios ilegais para esquivarse da exação tributária, sob pena de desaguar em caso de evasão fiscal, ainda que tal ato esteja dotado da devida anterioridade ao momento da ocorrência do fato gerador. Da jurisprudência administrativa A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, desde a época dos conselhos de contribuinte, formou jurisprudência no sentido da prevalência do conteúdo sobre a forma, da investigação dos propósitos, na busca da licitude dos atos e na verdade dos fatos. Dentre tantos, citase o acórdão n° 10421.675, de 22/06/2006, que foi objeto de estudo minucioso na obra “Planejamento Tributário e o Propósito Negocial4”, que teve como coautor o Conselheiro Mauro José da Silva: Nº Acórdão 10421675 Tributo / Matéria IRPF ação fiscal (AF) 4 SCHOUERI,Luís Eduardo; FREITAS, Rodrigo de. Planejamento Tributário e o Propósito Negocial – Mapeamento de Decisões do Conselho de Contribuintes de 2002 a 2008 – São Paulo: Quartier Latin, 2010. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.069 26 Decisão Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente. No mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Remis Almeida Estol, que proviam parcialmente o recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a 75%. Ementa: SIMULAÇÃO CONJUNTO PROBATÓRIO Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. Além disso, outros elementos se prestam a comprovar que o conjunto de operações levado a cabo pelo contribuinte tinha o objetivo único de impedir a ocorrência do fato gerador, simulando situação que, por si só, é inconsistente, a saber: realização de operações em seqüência, porém com um objetivo único subjacente; operações inconsistentes entre si associação e imediata reorganização societária efetuadas em um curto espaço de tempo; análise da situação anterior e posterior à realização das operações, indicando os efeitos de uma compra e venda, e não de uma associação/reorganização societária; total ausência de motivação extratributária. A obra identificou alguns elementos freqüentes nos casos de simulação: inexistência de outro motivo que não o tributário, a forma aparente se distancia da realidade, a validade na formalização dos atos tomados isoladamente induzindo a erro de conhecimento, curto espaço de tempo na realização de todas as operações, relação de dependência entre as partes envolvidas e coincidência de interesses, incoerência das operações realizadas para convencer da existência de propósito negocial não tributário justificável, ausência de affectio societatis. Ou seja, ainda que as operações sejam diferentes em cada caso, há características objetivas comuns que denunciam a simulação. Vejase também, nesse compasso, o que se vem entendendo como planejamento fiscal válido e justificável, elisão fiscal: IRPJ. ELISÃO FISCAL. Se os negócios não são efetuados com o único propósito de escapar ao tributo, mas sim efetuados com objetivos econômicos e empresariais verdadeiros, embora com recurso às formas jurídicas que proporcionam maior economia Fl. 26DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.070 27 tributária, há elisão fiscal e não evasão ilícita. De se aceitar, portanto, a cisão como regular e legítima, no caso dos autos. Serviços prestados que se provaram necessários e efetuados. Primeiro Conselho de Contribuintes. Primeiro Câmara. Acórdão n.° 10177.837. Recurso n.° 92.319. Recorrente: Lamesa Industrial e Comercial Ltda. Recorrida: DRF em Campinas (SP). Relator: Urgel Pereira Lopes. Brasília, 11 de julho de 1988. Apresentadas as considerações sobre o tema, voltamos ao caso concreto. Em relação à pessoa jurídica MZC Produções Ltda, constatei que há prestação de serviços para outras contratantes; diferentemente das demais, as notas fiscais não são seqüenciais. Ela apresenta características de sociedade empresária. Embora a empresa preste serviço aos clientes sobretudo por intermédio dos sócios, não possua um estabelecimento tradicionalmente estruturado, ocupe reduzido espaço físico e com baixos custos e outras características, esses não são fatores determinantes que impedem a formação de uma sociedade empresarial, ainda mais nos dias de hoje em que se reconhece a figura do empresário individual. Essa tendência é parte do mundo moderno, a fragmentação das grandes estruturas tradicionais em pequenas células descentralizadas. O importante é que as relações sejam comerciais e não trabalhistas. E de fato, verifico que a fiscalização não logrou demonstrar a presença de subordinação; certamente porque realmente não existe relação de emprego. Por tudo, voto pelo provimento parcial para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos à pessoa jurídica MZC Produções Ltda, identificada pelo código de levantamento MZC. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 27DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.071 28 Declaração de Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues Analisando os autos, peço licença para divergir do voto da i. Relatora, na parte em que remete à natureza da norma contida no art. 129 da Lei nº 11.196/2005, bem como no que tange à delimitação dos elementos necessários à caracterização do vínculo empregatício. Inicialmente, com base no princípio da livre iniciativa, insculpido no art. 170 da CF/1988, cabe ressaltar que a contratação de serviços de natureza intelectual, científica, artística ou cultural, tem sido permitida em nosso ordenamento jurídico, mesmo antes do advento da Lei nº 11.196/2005. Tal conclusão não poderia ser diferente, haja vista que os próprios prestadores de serviços objetos deste processo constituíram suas empresas a fim de executar suas atividades em negócio firmado com a Recorrente. Assim, a despeito das dúvidas provenientes das relação jurídicas firmadas entre as empresas e os prestadores de serviços, notadamente no que se refere à incidência das normas fiscais e previdenciárias, foi publicada a Lei supramencionada, que assim dispôs em seu art. 129: “Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil.” Da leitura da referida norma, fica evidente que as relações jurídicas firmadas pelos prestadores dos serviços nela elencados remetem à observância da legislação aplicável às pessoas jurídicas, situação esta que colocou um ponto final nas dúvidas até então existentes, que acarretavam na indevida exigência de tributos através da simples desconsideração da personalidade jurídica da empresa contratada para a prestação de serviços, mediante a consideração de seus sócios como sendo trabalhadores empregados da empresa contratante. Considerando, assim, que antes do advento da referida norma não havia nenhuma legislação que vedasse a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, por sociedade prestadora de serviço, bem como que tal prática Fl. 28DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.072 29 já vinha sendo praticada com habitualidade, é mister que seja reconhecido o seu caráter meramente interpretativo, haja vista que não permitiu, nem proibiu, mas sim esclareceu dúvidas quanto a uma conduta. A fim de corroborar o que ora é exposto, é imprescindível destacar trecho da exposição de motivos do Projeto de Lei de Conversão – PLV nº 23/2005 que levou à inclusão do art. 129 na Lei nº 11.196/2005, onde fez constar expressamente o caráter interpretativo da norma: "Os princípios da valorização do trabalho humano e da livre iniciativa previstos no art. 170 da Constituição Federal asseguram a todos os cidadãos o poder de empreender e organizar seus próprios negócios. O crescimento da demanda por serviços de natureza intelectual em nossa economia requer a edição de norma interpretativa que norteie a atuação dos agentes da Administração e as atividades dos prestadores de serviços intelectuais, esclarecendo eventuais controvérsias sobre a matéria." Cabe ressaltar que, no presente caso, os prestadores de serviços que se encontram abarcados pela legislação acima são aqueles que apresentam programas de televisão. Assim, constatado o caráter interpretativo do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, é mister que este seja aplicado a fatos geradores pretéritos, nos termos do art. 106, inc. I, do CTN, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Não obstante o exposto acima, é importante destacar que, no âmbito tributário, os fatos geradores devem ser interpretados com base na validade e nos efeitos dos fatos efetivamente praticados pelo contribuinte, conforme determina o art. 118 do CTN5. 5 "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." Fl. 29DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.073 30 Destarte, para que haja a devida incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos aos apresentadores de programas, é necessário que os requisitos inerentes à regra matriz de incidência estejam devidamente delineados no lançamento. Posto isso, levandose em conta que a presente discussão se refere ao critério pessoal da norma de incidência tributária (tendo em vista que, para que a contribuição previdenciária seja devidamente exigida, deve restar comprovado que os apresentadores de programas são segurados empregados, e não pessoas jurídicas), é mister que o cumprimento dos requisitos previstos no art. 9, inc. I, do RPS tenha sido delimitado pelo auditor fiscal, em atenção, inclusive, ao art. 229, § 2º, do RPS6. De acordo com o art. 9, inc. I, do RPS7, para que o trabalhador seja considerado segurado empregado (tal como pretendido neste lançamento), deve restar comprovado que a relação entre o contratante e contratado possui: (i) pessoalidade; (ii) não eventualidade; (iii) subordinação; e (iv) onerosidade. Analisando os autos, vislumbro que o auditor fiscal não obteve êxito em demonstrar a existência de todos estes requisitos. Na maioria dos casos, o auditor fiscal se pautou na existência de pagamentos efetuados aos prestadores de serviços supostamente a título de gratificação natalina, bem como no fato de que determinados prestadores laboravam dentro do estabelecimento da contratante, utilizandose de recursos desta, o que configuraria sua subordinação. No entanto, é comum a prestação de serviços in loco, utilizandose de recursos do próprio contratante, não sendo possível, com base nisso, entender que há efetiva subordinação entre as partes. Quando muito, poderia se entender haver mera subordinação administrativa (tão somente pela coexistência), mas jamais subordinação funcional, motivo pelo qual entendo que não restou comprovado haver subordinação. O auditor fiscal considerou também haver continuidade dos serviços prestados pelo fato de que os mesmos estavam diretamente relacionados com as atividades normais da contratante. Contudo, tal alegação, por si só, é insubsistente, haja vista que sequer analisa o lapso temporal inerente a este requisito, se atendo somente à natureza do serviço prestado, que é insuficiente para se determinar a não eventualidade. Não obstante, como se pode verificar nos períodos que cada apresentador prestou serviços à Recorrente, estes duravam, em média, cerca de 1 a 2 anos, o que, no meu entender, não demonstra efetivamente a existência de continuidade. 6 "Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: § 2ºSe o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I docaputdo art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999)" 7 "Art.9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Icomo empregado: a)aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;(...)" Fl. 30DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.000739/200730 Acórdão n.º 2402001.822 S2C4T2 Fl. 1.074 31 Posto isso, voto pelo provimento parcial do recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos aos prestadores de serviços abrangidos pelo art. 129 da Lei nº 11.196/2005. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 31DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 18/08/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 18/08/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMI NGUES, 19/08/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923513/2018-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Nov 26 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Data do fato gerador: 27/02/2015
PESSOA JURÍDICA. ENTREGA DE DOCUMENTOS. FORMATO DIGITAL. OBRIGATORIEDADE. IMPOSSIBILIDADE NÃO COMPROVADA. ENTREGA POR VIA POSTAL. INDEFERIMENTO.
Não comprovada a impossibilidade de entrega do Recurso Voluntário em formato digital, conforme determinado pela legislação, devem ser indeferida a solicitação dos documentos apresentados e não conhecido o referido recurso.
Numero da decisão: 1302-005.807
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-005.804, de 18 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.923515/2018-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Data do fato gerador: 27/02/2015 PESSOA JURÍDICA. ENTREGA DE DOCUMENTOS. FORMATO DIGITAL. OBRIGATORIEDADE. IMPOSSIBILIDADE NÃO COMPROVADA. ENTREGA POR VIA POSTAL. INDEFERIMENTO. Não comprovada a impossibilidade de entrega do Recurso Voluntário em formato digital, conforme determinado pela legislação, devem ser indeferida a solicitação dos documentos apresentados e não conhecido o referido recurso.
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ENTREGA DE DOCUMENTOS. FORMATO DIGITAL. OBRIGATORIEDADE. IMPOSSIBILIDADE NÃO COMPROVADA. ENTREGA POR VIA POSTAL. INDEFERIMENTO. Não comprovada a impossibilidade de entrega do Recurso Voluntário em formato digital, conforme determinado pela legislação, devem ser indeferida a solicitação dos documentos apresentados e não conhecido o referido recurso. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302- 005.804, de 18 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.923515/2018- 11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 35 13 /2 01 8- 13 Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.807 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.923513/2018-13 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em relação a Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente acima identificada. O presente processo decorre de Declaração de Compensação (DComp), na qual a Recorrente compensou suposto direito creditório relativo a pagamento indevido a título de estimativa mensal de IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ), com débito de sua responsabilidade. O Despacho Decisório eletrônico emitido pela autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório invocado pela Recorrente, pelo fato de que o pagamento apontado na DComp estaria integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela Recorrente. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que alega que, após exames, retificou a Declaração de Débito e Crédito Tributário federal (DCTF) relativa ao citado período de apuração, pois havia confessado débito, mas, de acordo com o art. 35 da Lei nº 9.430, de 1996, e o art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, poderia suspender o recolhimento da(o) IRPJ, conforme comprovaria a sua Escrituração Contábil Fiscal (ECF). Na decisão de primeira instância, registrou-se que, apesar de haver alegado erro no preenchimento da DCTF e evidenciado, por meio da ECF, que o valor de IRPJ recolhido excedia o valor devido no período subsequente, com base no Lucro Real, a Recorrente teria excluído débito confessado na DCTF, sem maiores explicações do motivo para tanto e do erro de fato que provocou a retificação. Apontou-se, ademais, que o ônus de comprovar o seu direito creditório recaia sobre a Recorrente, e que os relatórios do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) trazidos aos autos não teriam o condão de, por si só, fazer prova a favor da Recorrente, além de não conter a data em que ocorreu a transmissão da ECF, de modo a atestar que sua apresentação foi contemporânea aos fatos em discussão. Após a ciência, foi apresentado Recurso Voluntário no qual a Recorrente reitera o já alegado na Manifestação de Inconformidade, acrescentando a alusão à Súmula CARF nº 84 e o argumento de que a DCTF retificadora que excluiu o débito anteriormente confessado foi apresentada junto com a ECF antes do Despacho Decisório que analisou a DComp. Alegou que estaria apresentando elementos de prova adicionais, entendendo plenamente comprovado o seu direito creditório, contudo, subsidiariamente, pugnou pela realização de diligência. É o Relatório. Voto Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.807 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.923513/2018-13 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, em 02 de março de 2020 (fls. 67/68), tendo remetido o seu Recurso por via postal, o qual teria sido recepcionado na Unidade preparadora, em 15 de setembro de 2020 (fl. 71). Nos termos do art. 6º da Portaria RFB nº 543, de 20 de março de 2020, ficaram suspensos os prazos para a prática de atos processuais no âmbito da Receita Federal Brasil até 29 de maio de 2020. A data final da referida suspensão foi sucessivamente adiada, por Portarias do Secretário Especial da Receita Federal do Brasil, até 31 de agosto de 2020, conforme teor da Portaria RFB nº 4.105, de 30 de julho de 2020. Deste modo, antes da suspensão dos prazos, por força da Portaria RFB nº 543, de 2020, haviam transcorridos 20 dias do prazo recursal. Com o reinício da contagem, em 1º de setembro de 2020, tem-se que a data final do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, esgotou-se em 10 de setembro de 2020. Nos termos do art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.782, de 2018, Art. 3º A entrega de documentos pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado será realizada obrigatoriamente no formato digital, exclusivamente por meio do Centro Virtual de Atendimento (e-CAC), na forma disciplinada por esta Instrução Normativa. § 1º Em caso de falha ou indisponibilidade dos sistemas informatizados da RFB que impeça a transmissão dos documentos por meio do e-CAC, a entrega poderá ser feita, excepcionalmente, mediante atendimento presencial, em unidade da RFB, observado o disposto no art. 6º. § 2º No ato do atendimento presencial a que se refere o § 1º, a pessoa jurídica deverá comprovar a ocorrência de falha ou indisponibilidade dos sistemas informatizados que impediu a transmissão dos documentos por meio do e-CAC. § 3º A solicitação de juntada de documentos feita no atendimento presencial em desacordo com a condição prevista no § 2º deverá ser indeferida quando de sua análise. A referida forma de entrega, inclusive, não foi alterada ao longo da suspensão de prazos processuais acima referida, conforme se observa do art. 4º da Portaria RFB nº 543, de 2020: Art. 4º A pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado deverá, em relação a entrega de documentos e solicitação de serviços, observar o disposto nas Instruções Normativas RFB nº 1.782, de 11 de janeiro de 2018, e nº 1.783, de 11 de janeiro de 2018. Ou seja, a Recorrente poderia, mesmo durante o período de suspensão dos prazos processuais, haver apresentado o seu Recurso por meio do e-CAC. De outra banda, após o reinício do transcurso do prazo recursal, a entrega do Recurso deveria ter sido realizada por meio o e-CAC. Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.807 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.923513/2018-13 Somente em caso de “falha ou indisponibilidade dos sistemas informatizados da RFB que impeça a transmissão dos documentos por meio do e-CAC” é que poderia ser aceita a entrega presencial do Recurso Voluntário. A Recorrente alega a ocorrência de falha, mas não junta qualquer comprovação. O extrato de fl. 91 não atesta qualquer falha. Apenas que a Recorrente havia iniciado o procedimento de transmissão de algum documento em relação ao presente processo, mas que tal documento estaria ainda em fase de rascunho. Assim, não tendo sido comprovada o impedimento para a transmissão do recurso pelo meio previsto na legislação, não pode ser conhecido o Recurso apresentado. Isto posto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916231/2017-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Nov 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2018
PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO POSTERIOR. CRÉDITO RECONHECIDO E INTEGRALMENTE UTILIZADO. APLICAÇÃO DA DECISÃO. AUSÊNCIA DE SALDO REMANESCENTE.
Tendo havido o reconhecimento de crédito pleiteado por meio de Pedido de Restituição em processo administrativo que trata de Declaração de Compensação que utilizou integralmente o referido direito creditório, cabe tão-somente a aplicação da decisão anteriormente proferida, sem o reconhecimento de saldo remanescente passível de restituição.
Numero da decisão: 1302-005.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-005.858, de 20 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.916232/2017-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2018 PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO POSTERIOR. CRÉDITO RECONHECIDO E INTEGRALMENTE UTILIZADO. APLICAÇÃO DA DECISÃO. AUSÊNCIA DE SALDO REMANESCENTE. Tendo havido o reconhecimento de crédito pleiteado por meio de Pedido de Restituição em processo administrativo que trata de Declaração de Compensação que utilizou integralmente o referido direito creditório, cabe tão-somente a aplicação da decisão anteriormente proferida, sem o reconhecimento de saldo remanescente passível de restituição.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2018 PAGAMENTO INDEVIDO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO POSTERIOR. CRÉDITO RECONHECIDO E INTEGRALMENTE UTILIZADO. APLICAÇÃO DA DECISÃO. AUSÊNCIA DE SALDO REMANESCENTE. Tendo havido o reconhecimento de crédito pleiteado por meio de Pedido de Restituição em processo administrativo que trata de Declaração de Compensação que utilizou integralmente o referido direito creditório, cabe tão- somente a aplicação da decisão anteriormente proferida, sem o reconhecimento de saldo remanescente passível de restituição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-005.858, de 20 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.916232/2017-23, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 62 31 /2 01 7- 89 Fl. 320DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.859 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.916231/2017-89 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em relação ao Acórdão por meio do qual se negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente acima identificada. O presente processo decorre do Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a Recorrente, pleiteou suposto pagamento a maior que o devido a título de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) devido por estimativa em relação ao período de apuração de novembro de 2009. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, não foi reconhecido qualquer direito creditório, posto que o crédito pleiteado já havia sido objeto de análise, em relação a outro PER/Declaração de Compensação (DComp) anteriormente transmitido, e não teria sido reconhecido qualquer crédito remanescente. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que argumentou, em síntese, que: - Foi efetuado um pagamento de CSLL, PA nov/2009, em atraso, no dia 30/06/2010. Ocorre que a DCTF que informou o débito relativo àquele pagamento foi apresentada em data posterior ao pagamento, sendo que foi efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. - Assim, ao realizar o recolhimento integral do tributo espontaneamente antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, teve configurada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN e, portanto, faz jus à restituição da multa moratória recolhida. - Alega também que o fundamento para o indeferimento não procede, pois o mesmo crédito foi analisado na Dcomp nº 42926.01091.250711.1.3.04-8203, cuja não homologação foi contestada, estando em julgamento no CARF, nos autos do processo nº 10880.933377/2013-65. Assim, por ainda estar pendente de julgamento, não pode ser fundamento para o indeferimento do presente PER. No acórdão recorrido, apontou-se que o crédito pleiteado já teria sido objeto de análise no processo que trata da DComp apresentada pela Recorrente, estando a matéria submetida ao CARF. Deste modo, teria havido a preclusão consumativa do direito à apresentação de fatos e motivos relativos à análise do crédito e seria inadmissível nova manifestação da autoridade julgadora de primeira instância, em atenção ao princípio da Segurança Jurídica. De outra parte, ante o princípio da oficialidade, seria necessário o impulso dos presentes autos até a decisão final; cabendo, entretanto, a juntada dos autos em caso de apresentação de Recurso Voluntário neste processo administrativo. Fl. 321DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.859 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.916231/2017-89 Após a ciência da decisão de primeira instância, foi apresentado Recurso Voluntário, no qual se reitera o já alegado, reconhecendo que a discussão acerca do crédito já é desenvolvida no processo que analisa a DComp e pugnando, mais uma vez, pela apensação dos autos. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 28 de maio de 2018 (fls. 159/160), tendo apresentado o seu Recurso, em 18 de junho do mesmo ano (fl. 161) dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por procuradores da pessoa jurídica, devidamente constituídos nos autos (fls. 26/27). A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso I, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Conforme relatado, o presente processo administrativo trata de Pedido Eletrônico de Restituição (PER) relativo a crédito de suposto pagamento indevido a título de multa de mora referente ao valor devido por estimativa de IRPJ em relação ao período de novembro de 2009. Ocorre que o referido crédito foi objeto de Declaração de Compensação (DComp) tratada no processo administrativo nº 10880.933374/2013-21, sendo que a análise do referido direito creditório foi ali realizada. O Recurso Voluntário é apresentado, basicamente, para pleitear a juntada dos presentes autos ao referido processo administrativo, de modo a que se aplique a decisão ali proferida. Pois bem, o Recurso Voluntário interposto no citado processo administrativo foi objeto de julgamento por parte da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Acórdão nº 1401-004.418, de 17 de junho de 2020, no qual foi reconhecido integralmente o crédito, no valor de R$ 128.684,05. A referida decisão, que não foi atacada por Recurso Especial pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, implica na reforma da decisão de primeira instância proferida nos presentes autos, já que houve o reconhecimento do direito creditório. Fl. 322DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.859 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.916231/2017-89 Contudo, considerando-se que o crédito foi integralmente compensado na Declaração de Compensação (DComp) tratada no processo administrativo nº 10880.933374/2013-21, não há mais qualquer providência a ser adotada nestes autos, já que não há parcela remanescente passível de restituição. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 323DF CARF MF Documento nato-digital
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