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Numero do processo: 10882.004004/2003-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002
Ementa:
PIS – BASE DE CÁLCULO – LEI 9718/98 – FATURAMENTO –
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL PREEXISTENTE.
De acordo com a Súmula 1 do CARF, “importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por
qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício,
com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a
apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da
constante do processo judicial.”
Numero da decisão: 3302-001.091
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por não conhecer do recurso, nos termos
do voto da Relatora.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 Ementa: PIS – BASE DE CÁLCULO – LEI 9718/98 – FATURAMENTO – CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL PREEXISTENTE. De acordo com a Súmula 1 do CARF, “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 Ementa: PIS – BASE DE CÁLCULO – LEI 9718/98 – FATURAMENTO – CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL PREEXISTENTE. De acordo com a Súmula 1 do CARF, “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por não conhecer do recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 11/11/2011 Fl. 603DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente). Relatório 1. Tratase de Auto de Infração (fls. 268/282), constituindo crédito de PIS relativo às competências 02/1999 a 11/2002, apurados sobre receitas financeiras, em especial variações cambiais ativas sobre contratos de mútuo firmados com pessoas no exterior. O crédito foi constituído com fundamento na Lei nº 9.718/98. 2. Foi dada ciência à ora Recorrente que, intimada do lançamento, apresentou sua Impugnação (fls. 317/333), na qual requer o cancelamento integral do Auto de Infração, sob os seguintes fundamentos: (i) Impossibilidade do lançamento tendo em vista a suspensão da exigibilidade do crédito, por força da existência de medida liminar em processo judicial; (ii) Ilegalidade do lançamento pela impossibilidade de incidência do PIS e da COFINS sobre valores que não configuram faturamento, mas mera receita financeira, inclusive com jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. 3. A DRJ (fls. 367/373) manteve o lançamento, por entender que é dever do Fisco promovêlo para prevenção da decadência, tendo sido no presente caso realizado com suspensão da exigibilidade do crédito. No mérito entendeu que a matéria está sob análise do judiciário, razão pela qual não deve se manifestar. 4. Sobreveio o Recurso Voluntário da Recorrente (fls. 380/399), no qual reiterou os argumentos apresentados em sua Impugnação. 5. Vieramme, então, os autos para decidir. 6. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme registrado no relatório, tratase de auto de infração lavrado para o fim de evitar a decadência de valores referentes a tributo que está sendo discutido judicialmente. A matéria em análise neste vai administrativa é exatamente a mesma que está sendo discutida nos autos do processo judicial. Fl. 604DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10882.004004/200393 Acórdão n.º 330201.091 S3C3T2 Fl. 2 3 Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF consolidou entendimento sobre a concomitância das esferas administrativas e judiciais em sua súmula no 1, segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Ante o exposto e, uma vez que a matéria em análise está sendo discutida judicialmente, ADMITO o presente recurso por atender aos pressupostos de admissibilidade para deixar de conhecêlo quanto ao mérito. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Fl. 605DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000013/2007-76
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e
contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com créditos adquiridos de terceiros (art. 74 da Lei n. 9.430/96 e IN SRF n. 210/00, IN SRF n. 460/04, IN SRF n. 600/05 e IN RFB 900/08).
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SIMPLES. CRÉDITOS JUDICIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA Será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito
seja de terceiros (§12, inciso II, alínea "a" do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 11.051/04).
Numero da decisão: 1802-000.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com créditos adquiridos de terceiros (art. 74 da Lei n. 9.430/96 e IN SRF n. 210/00, IN SRF n. 460/04, IN SRF n. 600/05 e IN RFB 900/08). DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SIMPLES. CRÉDITOS JUDICIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA Será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros (§12, inciso II, alínea "a" do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 11.051/04).
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SIMPLES. CRÉDITOS JUDICIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA Será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros (§12, inciso II, alínea "a" do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 11.051/04). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 19991.000013/200776 Acórdão n.º 180200.962 S1TE02 Fl. 78 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, André Almeida Blanco (ausência justificada), Marcelo Baeta Ippolito e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 19991.000013/200776 Acórdão n.º 180200.962 S1TE02 Fl. 79 3 Relatório TRIANY MODAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora – MG, que por unanimidade de votos, não reconhece o direito creditório para compensação de débitos de SIMPLES efetuada pela Recorrente, com créditos de terceiros, obtidos mediante decisão judicial transitada em julgado. No caso, a Recorrente protocolizou Declaração de Compensação (fls. 16), em 02/10/03, para compensar débitos de SIMPLES, do período de abril, maio, agosto e setembro de 2003. O crédito, conforme declarado na DCOMP é originário de decisão judicial pronunciada em apelação do Mandado de Segurança n. 2001.38.00.148257/MG, transitada em julgado em 25/09/02 (fls 6567), relativa à cobrança considerada inconstitucional da alíquota de FINSOCIAL, no período de apuração compreendido entre 01/04/90 e 30/04/92, em nome da Sra. Diomar Teodoro Ferraz, no valor total de R$ 61.295,10. Em despacho decisório às fls. 12/17, a DRF/Poços de Caldas/MG não homologou a compensação pleiteada, apresentando os seguintes argumentos: (a) a Recorrente não confirmou o direito creditório por não apresentar a certidão de inteiro teor do processo n. AMS200138000148, expedida pela Justiça Federal; e (b) é vedada por lei a compensação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil mediante créditos cedidos por terceiros. Por seu turno, cientificada do despacho decisório em 01/08/07, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade com os seguintes argumentos: (a) o crédito reconhecido pela sentença pertence à sua sócia administradora; e (b) tratase de título judicial líquido e certo, executável contra a União que dentro das normalidades legais seria crédito perfeitamente compensável em face da existência dos débitos à época. Diante da impugnação do contribuinte a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais decidiu: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO A personalidade e o patrimônio da pessoa jurídica não se confundem com a personalidade e o patrimônio de seus sócios, daí porque, tendo em vista a proibição de compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, não é possível Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 19991.000013/200776 Acórdão n.º 180200.962 S1TE02 Fl. 80 4 compensarse um débito da pessoa jurídica com um crédito de seu sócio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Tal decisão teve por fundamento o artigo 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 10.637/02, que permite apenas a compensação com créditos apurados pelo próprio sujeito passivo, não cabendo compensar créditos de terceira pessoa. Nesta mesma linha a DRJ expõe a vedação expressamente descrita no artigo 30 da Instrução Normativa SRF n. 210/02 (IN SRF 210/02) que estabelece que “é vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros”. O contribuinte foi notificado da decisão da DRJ, em 16 de dezembro de 2009 e inconformado apresentou Recurso Voluntário a este Conselho, em 15 de janeiro de 2010. Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte alega que o procedimento de compensação é uma das possibilidades de extinção dos créditos tributário descritas no artigo 170 do CTN. Ademais, esclarece que este procedimento “foi adotado, posto que, a beneficiária da decisão judicial é sócia da empresa ora Recorrente” tendo, em seu entender, direito de compensar referido crédito. Por fim, argumenta que, em nome da celeridade processual, frente a real existência do crédito adquirido pela sócia e com fulcro no artigo 171 do CTN, a homologação deveria ser aceita. Ao final requer: Sejam homologadas as compensações efetuadas em pagamento de débitos junto a Receita Federal do Brasil, em face do título executivo judicial, transitada em julgado no Processo 2001.38.00.0148257. Sejam desconstituídas as cartas de cobrança objeto desse processo administrativo. Seja formalizada representação ao SAFIS com a finalidade de lançar o débito da Cofins, tendo em vista o efeito suspensivo atribuído ao recurso conforme preceitua o artigo 33 do Decreto n. 70.235 de 06/03/1972. É o relatório, passo a decidir Fl. 82DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 19991.000013/200776 Acórdão n.º 180200.962 S1TE02 Fl. 81 5 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a contribuinte insurgese face à decisão de primeira instância que indeferiu seu pedido de Compensação de débitos do SIMPLES, sob o argumento de ser incabível a utilização de créditos de terceiros. Este argumento não deve prosperar, uma vez que, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) determina que “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” O legislador, por sua vez, ao disciplinar a utilização do instituto da compensação no âmbito tributário, por intermédio do art. 74 da Lei n. 9.430/96, posteriormente alterado pelas Leis ns. 10.637/02, 10.833/03 e 11.051/04, considerou não declarada a compensação na hipótese em que o crédito utilizado seja de terceiros, vejamos: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: II em que o crédito a) seja de terceiros". Impende observar que o caput do artigo acima citado autoriza exclusivamente a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB com crédito decorrente de apuração do próprio sujeito passivo, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, sendo vedada a compensação com a utilização de créditos de terceiros. Ainda, cumpre assinalar que o §12, do artigo 74 da Lei n. 9.430/96, alterado pela Lei n. 11.051/04, não trouxe qualquer inovação ao caput do aludido artigo tendo em vista que a compensação de tributos e contribuições sociais com a utilização de créditos de terceiros não era permitida anteriormente à sua modificação. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 19991.000013/200776 Acórdão n.º 180200.962 S1TE02 Fl. 82 6 Nesta linha, com a edição da IN SRF n. 210/02, a RFB disciplinou a nova sistemática das compensações de créditos tributários em seu âmbito de atuação e vedou expressamente a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros, conforme segue: “Art. 30. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de terceiros.” Cumpre destacar que esta vedação foi reafirmada pelas Instruções Normativas que sucederam a IN SRF n. 210/02, quais sejam, IN SRF n. 460/04 (revogada), IN SRF n. 600/05 (revogada) e a IN RFB 900/08 que atualmente regulamenta os procedimentos para restituição e compensação de tributos. Ainda que sócio da pessoa jurídica, a personalidade e patrimônio das pessoas jurídicas não se confundem com a personalidade e patrimônio dos seus sócios; em outras palavras a pessoa jurídica possui personalidade e patrimônio próprios, distintos da personalidade e patrimônio dos seus sócios. Logo, por se tratarem de pessoas distintas, a sócia pessoa física e a Recorrente, não resta dúvida de que o crédito utilizado na compensação efetuada tratase na realidade de crédito de terceiros, o que, por si só, já é suficiente para afastar a pretensão suscitada. Neste sentido, se faz referência a diversas decisões deste Conselho, a exemplo das que seguem: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com créditos de natureza não tributária adquiridos de terceiros (art. 74 da Lei no 9,430/96 e IN SRF no 41/2000).” (CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 3a. Câmara / ACÓRDÃO 1301 00.293 em 08/04/10) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a tributos e contribuições federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com créditos de natureza não tributária adquiridos de terceiros (art. 74 da Lei no 9.430/96 e IN SRF no 41/2000). CRÉDITO DE NATUREZA NÃOTRIBUTÁRIA E DE TERCEIROS. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 19991.000013/200776 Acórdão n.º 180200.962 S1TE02 Fl. 83 7 NÃOHOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Será considerada não declarada a compensação na hipótese em que o crédito seja de terceiros (§12, inciso II, alínea "a" do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei ti. 11.051/2004). (ACÓRDÃO 1301 00.254 CARF 1a. Seção 1a. Turma da 3a. Câmara Posto isto, a compensação não cumpriu os requisitos legais para a sua efetivação, porquanto em desacordo com o art. 74 da Lei n. 9.430/96. Pelas razões expostas, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida que não reconheceu o direito creditório pleiteado e a conseqüente não homologação. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 08 /12/2011 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15196.000006/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2007
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO
Constitui infração deixar de inscrever segurado empregado.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL.
DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR.
É competente para verificação da escrituração contábil o Auditor-fiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador.
LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO
O local da verificação da falta expresso no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 não deve ser interpretado como no estabelecimento físico do contribuinte, estando mais precisamente ligado ao conceito de domicílio tributário do contribuinte, ou seja a circunscrição da Delegacia da Receita Federal competente para fiscalizá-lo.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que
foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento
do contribuinte.
Súmula nº 6 do CARF
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.883
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO Constitui infração deixar de inscrever segurado empregado. COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o Auditor-fiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO O local da verificação da falta expresso no art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 não deve ser interpretado como no estabelecimento físico do contribuinte, estando mais precisamente ligado ao conceito de domicílio tributário do contribuinte, ou seja a circunscrição da Delegacia da Receita Federal competente para fiscalizá-lo. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Súmula nº 6 do CARF Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO Constitui infração deixar de inscrever segurado empregado. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o AuditorFiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO O local da verificação da falta expresso no art. 10 do Decreto n ° 70.235/1972 não deve ser interpretado como no estabelecimento físico do contribuinte, estando mais precisamente ligado ao conceito de domicílio tributário do contribuinte, ou seja a circunscrição da Delegacia da Receita Federal competente para fiscalizálo. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.Súmula n.º 6 do CARF Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 15196.000006/200799 Acórdão n.º 230200.883 S2C3T2 Fl. 152 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em26/06/2007, em desfavor do sujeito passivo acima qualificado, pela falta de inscrição dos segurados empregados constantes da relação de fls. 80/81, no período de 12/2004 a 02/2007, conforme constatado em ação fiscal Após a impugnação, Acórdão de fls. 131/135, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, arguindo em síntese: a inexigibilidade do depósito recursal; a nulidade do AI por ter sido lavrado fora do estabelecimento da recorrente; que a auditoria não podia ter sido efetuada pelo fiscal, que não é contador; que inexiste nos autos o Termo de Início da Fiscalização; que a NFLD apontou diferenças, mas a notificada não foi intimada a apresentar documentos; que recolheu a maioria das parcelas, mas não foi intimada a apresentálas. Requer a anulação do processo, ou a reforma da decisão para julgar improcedente o débito. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares A recorrente argúi a inexigência do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria n ° 256/2009 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1º e 2º do art. 126 da Lei n ° 8.212. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72., verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Quanto à alegação de nulidade por ter sido o Auto de Infração lavrado fora do estabelecimento do contribuinte, faço referência à Súmula n.º 06 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 15196.000006/200799 Acórdão n.º 230200.883 S2C3T2 Fl. 153 5 Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta expresso no art. 10 do Decreto n ° 70.235/1972 não deve ser interpretado como no estabelecimento físico do contribuinte, estando mais precisamente ligado ao conceito de domicílio tributário do contribuinte, ou seja a circunscrição da Delegacia da Receita Federal competente para fiscalizálo. Desse modo, nada impede que as providências preliminares de elaboração sejam feitas na repartição fiscal, pois o ato em si somente se aperfeiçoa com a regular intimação do contribuinte, quando efetivamente se pode afirmar que a autuação foi lavrada. É inócuo o argumento de que o Auditor Fiscal da Previdência Social não tem competência para efetuar o lançamento em virtude de não estar credenciado junto ao CRC – Conselho Regional de Contabilidade, porque tal competência é decorrente de lei, não se sujeitando a qualquer habilitação em curso superior específico ou ao requisito de registro junto ao CRC. Nesse sentido já se posicionou o STJ por meio do Agravo Regimental no Recurso Especial n ° 291937, cujo Relator foi o Ministro Francisco Falcão, publicado no DJ em 27 de agosto de 2001, com a seguinte ementa: ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. FISCAL DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – INSCRIÇÃO EM CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DESNECESSIDADE. "O fiscal de contribuições previdenciárias prescinde de inscrição em Conselho Regional de Contabilidade para desempenhar suas funções, dentre as quais a de fiscalização contábil das empresas. Recurso improvido."(REsp 218.406/RS, Relator Ministro Garcia Vieira, D.J.U 25.10.1999, Pág. 63.) Agravo regimental improvido. E, no mesmo sentido firmou entendimento o 2º Conselho de Contribuintes por meio da Súmula de n ° 5, nestas palavras: SÚMULA NO 5 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Portanto inócuas as alegações da recorrente neste sentido, bem como as alegações de que procedeu a maioria de recolhimentos lançados, eis que o presente processo se refere a auto de infração pelo descumprimento da obrigação acessória de inscrever segurado na Previdência Social., não havendo aqui que se falar em recolhimento de contribuição previdenciária. O auto de infração foi lavrado porque a fiscalização constatou que a autuada não procedeu à inscrição dos segurados empregados que lhe prestavam serviço. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 Também são improcedentes as argüições acerca da falta de intimação para apresentar recolhimentos e falta de termo de inicio de fiscalização, eis o presente processo não se refere à falta de recolhimento de contribuições previdenciárias e que às fls. 82, consta o Mandado de Procedimento Fiscal, onde constam todas as informações acerca da ação fiscal a ser desenvolvida na empresa e às fls. 83 a 86, constam os TIAD’s – Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, sendo que o da fl.86, especificamente, solicita o registro de empregados para verificar a regularidade da situação dos segurados que prestam serviço à autuada, onde se baseou a fiscalização para lavrar este auto de infração, uma vez que constatou que os segurados não estavam inscritos. Ao não proceder à formalização do contrato de trabalho pelo registro no Livro Registro de Empregados, a empresa infringiu a Lei n° 8.213, de 24/07/1991, artigo 17 combinado com artigo 18, I e § 1° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, sujeitandose a multa imposta pelo artigo 133 e 134 da Lei n.º 8.213/91 e artigo 283, caput, combinado com o § 2º e artigo 273, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Pó todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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Numero do processo: 11330.001188/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
DECADÊNCIA
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2301-001.993
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO – APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM INFORMAÇÕES INEXATAS EM RELAÇÃO AOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido.
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DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplicase, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio De Souza Correa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.001188/200772 Acórdão n.º 230101.993 S2C3T1 Fl. 94 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 17/05/2007, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV e § 6º, do art. 32, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Segundo Relatório Fiscal da Infração (fls. 18), a empresa informou em GFIP, no período de 01/99 a 09/99, alguns dados incorretos, como FPAS, categoria, código de rescisão, além de ter omitido informações como NIT de segurado, código de rescisão, entre outros listados na planilha anexa ao AI. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1217.210, da 15a Turma DRJ/RJOI (fls. 55), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 65 e seguintes), alegando, entre outras coisas, decadência do lançamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. A recorrente alega que o auto está extinto, de acordo com o inciso V do artigo 156 do Código Tributário Nacional, pela decadência, de acordo com o § 4° do artigo 150 do citado diploma legal. Verificase que a fiscalização lavrou o AI discutido com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11330.001188/200772 Acórdão n.º 230101.993 S2C3T1 Fl. 95 5 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Entretanto, o caso em tela se trata de Auto de Infração, ou seja, de lançamento de ofício, para o qual se a aplica o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O Auto de Infração foi lavrado em 17/05/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu 01/06/2007, conforme documento de fls. 31. Dessa forma, considerando que o auto se refere à infração cometida nas competências compreendidas entre 01/1999 a 09/1999, constatase que se operara a decadência total do direito de constituição do crédito. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer a decadência total do lançamento. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006842/2007-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA
TRIBUTÁVEL
A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é
receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.902
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto
apresentou declaração de voto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins. Recurso Voluntário Negado
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TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL A receita relativa ao crédito presumido do ICMS, instituído por lei estadual, é receita operacional e deve ser oferecida à tributação da Cofins. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 11/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. Fl. 375DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 2º trimestre de 2006, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas de créditos e da inclusão, na base de cálculo, da receita de crédito presumido do ICMS. Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade contestando unicamente a inclusão, na base de cálculo da exação, do valor do crédito presumido do ICMS, que não considera receita, nos termos da doutrina e da jurisprudência judicial que cita. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão nº 1025.434, de 20/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. O crédito presumido do ICMS integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não existe previsão legal para a exclusão do crédito presumido de ICMS da base de cálculo do tributo. MATÉRIA NÃOIMPUGNADA A matéria que não for expressamente contestada tornase definitiva na esfera administrativa. Ciente desta decisão em 23/06/2010 (AR de fl. 336), a empresa ingressou, no dia 22/07/2010, com o recurso voluntário de fls. 337/344, no qual repisa os argumentos de que o valor do crédito presumido do ICMS não é receita (representa recuperação de custos). Cita doutrina e jurisprudência. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando que o valor do crédito presumido do ICMS não integre a base de cálculo da Cofins não cumulativa e, consequentemente, que seja reconhecido o crédito pleiteado e glosado em face a inclusão, feita pela RFB, do referido valor na base de cálculo da exação. Sem razão a recorrente. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006842/200723 Acórdão n.º 330200.902 S3C3T2 Fl. 354 3 Não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto integralmente. Devo acrescentar, no entretanto, sobre a tributação da receita de crédito presumido de ICMS autorizado por Lei Estadual, que os dispositivos do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, reproduzidos nas decisões da RFB, não deixam dúvidas de que a base de cálculo da Cofins é a totalidade da receita bruta mensal auferida. A autorização legal dada pelo Estado para o contribuinte creditarse de valores presumidos de ICMS resulta, sim, em aumento patrimonial da beneficiária e, portanto, é receita operacional e, consequentemente, tributada pela Cofins. Para corroborar esse entendimento, a partir de 01/01/2009, apenas um tipo de receita de crédito presumido do ICMS ou de ISS teve a alíquota do PIS e da Cofins reduzida a zero, com a edição da Lei nº 11.945/08: são as “receitas decorrentes de valores pagos ou creditados pelos Estados, Distrito Federal e Municípios relativos ao ICMS e ao ISS, no âmbito de programas de concessão de crédito voltados ao estímulo à solicitação de documento fiscal na aquisição de mercadorias e serviços” (art. 5º). Portanto, todas as demais receitas decorrentes de valores creditados pelos Estados, relativos a ICMS, sofrem a incidência da Cofins não cumulativa, antes e depois da edição da Lei nº 11.945/08. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Acolhido o Recurso, e submetido este à apreciação deste órgão colegiado, peço licença para discordar do voto do ilustre relator. Fl. 377DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Como bem salientado, a questão diz respeito à inclusão do fisco na base de cálculo do PIS e da COFINS dos créditos presumidos de ICMS. De acordo com as autoridades fiscalizadoras, tal benefício do ICMS seria uma receita e, como tal, deveria compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, pois que se classificaria como receita bruta toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil (EC no 20/1998, Lei no 9.718/98, Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003). Entretanto, vejo que este entendimento, para o caso em análise, não é adequado, eis que o crédito presumido do ICMS em análise corresponde a incentivo do Governo para a redução do custo tributário do contribuinte, em razão de subvenção para custeio ou para suprir a impossibilidade de apuração de créditos decorrentes das aquisições efetuadas pelo recorrente, seja decorrentes da denominada “guerra fiscal”, seja por desejo do legislador estadual em “descontar” do crédito valor estipulado economicamente em função de presunção da carga tributária incidente na etapa anterior da cadeia. Certo é que é crédito de ICMS, constitucionalmente não cumulativo, cuja dedução é também constitucionalmente garantida. Não é receita portanto. Vejamos: A escrituração mercantil é a ação ou efeito de reunir, classificar, avaliar e assentar em registros permanentes, com a observância da técnica contábil, mutações patrimoniais relativas à organização e ao funcionamento de uma unidade de produção. Uma das funções da escrituração mercantil é a arrecadação de tributos2. A arrecadação de diversos tributos baseiase nessa escrituração, e a legislação da maioria dos impostos impõe aos contribuintes a escrituração de livros fiscais, além de comerciais. A Lei n° 6.404/76 dispõe que a escrituração mercantil e as demonstrações financeiras que a companhia está obrigada a elaborar e publicar devem obedecer exclusivamente a lei comercial, segundo Bulhões Pedreira, e os princípios contábeis. Para esse autor, se a legislação tributária, ou prescrevendo métodos ou critérios contábeis diferentes dos da lei comercial, ou determinando a elaboração de outras demonstrações financeiras, seus preceitos deverão ser observados em registros auxiliares, sem modificação da escrituração comercial e das demonstrações financeiras reguladas pela lei. A exposição de motivos da referida lei explica essa situação, quando disse que “a omissão na lei comercial, de um mínimo de normas sobre demonstrações financeiras levou à crescente regulação da matéria pela legislação tributária, orientada pelo objetivo da arrecadação de impostos. A proteção dos interesses dos acionistas, credores e investidores do mercado, recomenda que essa situação seja corrigida, restabelecendose a prevalência – para efeitos comerciais – da lei da sociedade por ações na disciplina das demonstrações financeiras da companhia”. Quanto ao interesse do legislador, ressalva deve ser feita quanto à sua interpretação, uma vez que os princípios de hermenêutica jurídica nos ensinam que a intentio legis apenas existe até o momento da positivação da norma. A partir de então, esta evolui a partir de seu conteúdo e dos efeitos trazidos à sua interpretação pela realidade, pelo ambiente, ao longo do tempo. E essa visão é atualmente permanente e consistentemente confrontada pelo fisco. 2 BULHÕES PEDREIRA, J.L. Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia. Ed. Forense. Pg. 214 Fl. 378DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006842/200723 Acórdão n.º 330200.902 S3C3T2 Fl. 355 5 Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito à natureza jurídica das “receitas”. Nesse sentido, importante continuar reproduzindo os conceitos de Bulhões Pedreira, que se não o único, certamente dos melhores e mais aclamados tributaristas. Julgo importante tecer alguns comentários de ordem contábil, como objetivo precípuo de, mais adiante, analisar juridicamente a pretensão da fazenda pública, prevalecente no Acórdão recorrido, no qual ficou decidido que os créditos presumidos deveriam ser incluídos na base de cálculo da Contribuição em epígrafe, não apenas por estarem englobadas no conceito de receita bruta, constante da Lei nº 9.718/98, mas também por não se enquadrarem nas hipóteses de exclusão, previstas de modo taxativo no art. 3º, § 2º, da referida lei. Cabível também, introdutoriamente, rememorar o disposto no Decretolei n° 1.598/77, em seus art. 6º, 7º c/c o art. 9º, norte sempre presente ao julgador que pretenda bem aplicar a legislação tributária respeitando a realidade econômica pátria: “Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. § 1º O lucro líquido do exercício é a soma algébrica de lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial.” Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. § 1º A falsificação, material ou ideológica, da escrituração e seus comprovantes, ou de demonstração financeira, que tenha por objeto eliminar ou reduzir o montante de imposto devido, ou diferir seu pagamento, submeterá o sujeito passivo a multa, independentemente da ação penal que couber. e Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (grifos nossos) A NPC nº 14, norma contábil diretiva à escrita contábil, assim conceitua o que seja “receita” : “Receita inclui somente a entrada bruta dos benefícios econômicos recebidos e a receber pela empresa em transações Fl. 379DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 6 por conta própria. Importâncias cobradas por conta e em favor de terceiros, tais como impostos sobre vendas, mercadorias e serviços e impostos de valor agregado, não são benefícios econômicos que fluem para a empresa e não resultam em aumentos no patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita. Semelhantemente, no contexto de um relacionamento como agente ou administrador, a entrada bruta dos benefícios econômicos inclui as importâncias cobradas em favor de quem outorgou os poderes para cobrar e que não resultam em aumentos no patrimônio líquido da empresa(...)” Dessa forma, no caso concreto dos créditos presumidos relacionados ao ICMS, qualquer que seja, ocorre o fato gerador do tributo, que deveria ser (e o foi) contabilizado em conta própria de resultado de exercício. Para que tais incentivos observem a legislação complementar do ICMS, no caso, dentre outras a LC n° 24/75, o ente federado “financia” o pagamento desse tributo devido, cujo saldo, quando devedor, acumulase no passivo pelo tempo previsto na legislação estadual de regência. Ao final do período, o passivo é liquidado de alguma forma, e resulta em um ganho financeiro ao contribuinte. Esse denominado “crédito presumido” pode ou não estar condicionada ao cumprimento de requisitos ou de metas, o que a distinguirá das “subvenções”. Muito embora exista tal orientação contábil, é de se observar que, no entendimento atual das autoridades tributárias, deve classificarse como receita bruta toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação contábil (EC 20/1998, Leis n° 9.718/98 e arts. 1º da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002). Sendo estas leis ordinárias, suas normas prevaleceriam sobre a classificação contábil retromencionada – esposada por Deliberação do IBRACON, norma infralegal – em respeito aos princípios da legalidade e da hierarquia das leis, respectivamente regidos pelos arts. 5º, II; e 59 c/c art. 69, todos da CF/88. Destarte, o “ganho” auferido por essa subvenção estaria açambarcado no conceito de receita bruta para fins contábeis. A questão que nos propomos a analisar é se as leis tributárias em comento, leis, portanto hierarquicamente superiores a atos normativos, em particular se o conteúdo dos dispositivos do art. 1º das Leis n° 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03 (cujo texto reproduzimos adaptado) alcançaria esse “ganho”, o que ocorrerá se “receita” esse ganho for. Importante ab inito ressaltar que não é intenção desse julgador discorrer sobre o conceito de receita, ou se esse conceito alcançaria esse “ganho” como se receita fosse, mas objetivamente decidir se esse “ganho” é ou não receita. Negar portanto a subvenção com sendo receita. “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep (COFINS) tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep (COFINS) é o valor do faturamento, conforme definido no caput” (adaptação nossa) A solução para a controvérsia decorrerá da análise acima, visavis as questões jurídicas e principiológicas, adiante elencadas. Fl. 380DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006842/200723 Acórdão n.º 330200.902 S3C3T2 Fl. 356 7 A escrituração mercantil é a ação ou efeito de reunir, classificar, avaliar e assentar em registros permanentes, com a observância da técnica contábil, mutações patrimoniais relativas à organização e ao funcionamento de uma unidade de produção. Uma das funções da escrituração mercantil é a arrecadação de tributos3. A arrecadação de diversos tributos baseiase nessa escrituração, e a legislação da maioria dos impostos impõe aos contribuintes a escrituração de livros fiscais, além de comerciais. A Lei n° 6.404/76 dispõe que a escrituração mercantil e as demonstrações financeiras que a companhia está obrigada a elaborar e publicar devem obedecer exclusivamente a lei comercial, segundo Bulhões Pedreira, e os princípios contábeis. Para esse autor, se a legislação tributária, ou prescrevendo métodos ou critérios contábeis diferentes dos da lei comercial, ou determinando a elaboração de outras demonstrações financeiras, seus preceitos deverão ser observados em registros auxiliares, sem modificação da escrituração comercial e das demonstrações financeiras reguladas pela lei. A exposição de motivos da referida lei explicita essa situação, quando disse que “a omissão na lei comercial, de um mínimo de normas sobre demonstrações financeiras levou à crescente regulação da matéria pela legislação tributária, orientada pelo objetivo da arrecadação de impostos. A proteção dos interesses dos acionistas, credores e investidores” (e porque não dizer, dos reguladores, enquanto fiadores do equilíbrio econômicofinanceiro de concessões de serviço público, no extremo) “do mercado, recomenda que essa situação seja corrigida, restabelecendose a prevalência – para efeitos comerciais – da lei da sociedade por ações na disciplina das demonstrações financeiras da companhia”. Quanto ao interesse do legislador, ressalva deve ser feita quanto à sua interpretação, uma vez que os princípios de hermenêutica jurídica nos ensinam que a intentio legis apenas existe até o momento da positivação da norma. A partir de então, esta evolui a partir de seu conteúdo e dos efeitos trazidos à sua interpretação pela realidade, pelo ambiente, ao longo do tempo. E essa visão é atualmente permanente e consistentemente confrontada pelo fisco. Outro aspecto que deve ser considerado diz respeito à natureza jurídica das “receitas”. Nesse sentido, importante continuar reproduzindo, muitas vezes literalmente, os conceitos proferidos por Bulhões Pedreira, (a quem este julgador humildemente, e através desse voto, rende homenagem) que se não o único, certamente dos melhores e mais aclamados tributaristas pátrios, em especial pelo domínio do Direito, mas também da ciência contábil e da ciência econômica. Para ele, a receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do seu resultado. O recebimento da receita, em regra, ocorre mediante entrada no patrimônio de um fluxo que compreende a transferência de valor financeiro positivo, do objeto de direito que contém esse valor e do respectivo direito patrimonial. O processo de recebimento da receita consiste, portanto, na aquisição de um direito patrimonial e de poder sobre o objeto desse direito, que tem valor financeiro. O resultado positivo pode, entretanto, ser recebida sob a forma de extinção da obrigação previamente assumida pela sociedade empresária, se esta dá em pagamento bem do 3 BULHÕES PEDREIRA, J.L. Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia. Ed. Forense. Pg. 214 Fl. 381DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 8 patrimônio ou serviço, compensa crédito de receita com obrigação sem pagamento, ou com pagamento inferior ao valor da obrigação extinta. Nesses casos, a aquisição da propriedade de valor financeiro, que caracteriza esse resultado positivo, para o autor, ocorre depois de adquirido o direito patrimonial que confere poder sobre o bem que tem valor financeiro: o valor cuja propriedade é adquirida já se encontrava no ativo da sociedade empresária como capital de terceiros (correspondente a obrigação do passivo exigível). Sobre esse capital a sociedade exercia apenas poder de usar e a extinção da obrigação e transfere para a sociedade empresária a propriedade desse capital. As receitas podem ser classificadas segundo tenham origem no exercício da função empresarial ou nas demais fontes de resultado da sociedade empresária, ou, ainda, como recuperação de custo que, segundo Bulhões Pedreira, é a quantidade de valor financeiro cuja propriedade a sociedade empresária adquire em reposição, no patrimônio, de valor que anteriormente havia perdido como custo. Importante ressaltar, também, a influência das receitas nos resultados das empresas. Resultado da sociedade empresária é a conseqüência financeira do seu funcionamento, ao exercer as atividades próprias das funções econômicas que desempenha. A sociedade empresária é subsistema do grupo social da empresa, mas os conceitos de resultado da empresa e da sociedade empresária são essencialmente diferentes a) resultado da empresa é renda (econômica) produzida é o output líquido da empresa, que consiste em bens econômicos; e b) resultado da sociedade empresária é renda financeira é input líquido da sociedade empresária, que consiste em ganho financeiro. Esses dois conceitos são analisados com muita propriedade por Bulhões Pedreira. Para esse autor, o conhecimento acerca de dois conceitos são necessários para qualquer análise relacionada à resultado, e por conseguinte da receita. Distingue ainda o autor a renda efetivamente produzida do que decorre de trocas externas: a) Renda Produzida o efeito da atividade da empresa, para o autor, é renda produzida, medida pelo valor dos bens econômicos que cria: é o resultado líquido da produção – a diferença entre o valor dos bens produzidos e dos destruídos ou desgastados no processo produtivo b) Trocas Externas a empresa é sistema aberto, de acordo com o autor, que exerce a função de produzir bens econômicos mediante trocas com o ambiente: (a) importa serviços de recursos ( humanos, naturais e de capital) e produtos de outras empresas (bens de capital, matériasprimas e demais insumos), entregando em troca moeda; e (b) exporta os produtos que cria (bens econômicos materiais ou imateriais), recebendo em troca moeda. Os objetos trocados pela empresa com seus ambientes podem ser classificados em duas categorias: uma, que compreende serviços produtivos e produtos, a que o autor se refere como “serviços” (porque os produtos são fontes de serviços) e outra que abrange apenas moeda. E, conforme o sentido do deslocamento dos serviços e da moeda, as trocas externas da empresa são de duas espécies: de importação de serviços, nas quais recebe serviços e entrega moeda, e de exportação de serviços, nas quais entrega serviços e recebe moeda. Fl. 382DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006842/200723 Acórdão n.º 330200.902 S3C3T2 Fl. 357 9 Duas são, portanto, as relações inputoutput que a empresa mantém com seu ambiente: uma de serviços ( importa e exporta serviços) e outra de moeda ( importa e exporta moeda). A relação principal é a de serviços, pois seu fim é criar bens econômicos: a relação inputoutput de moeda é instrumental – a moeda é meio para facilitar as trocas de serviços. Prossegue Bulhões Pedreira, distinguindo e classificando os fluxos econômicos (e contábeis) da atividade empresarial. a) Transformação Interna a atividade da empresa compreende, para o autor, além de trocas externas, o processo interno de transformação em novos bens econômicos dos serviços produtivos e produtos importados do ambiente. Esse processo – que não implica trocas com exterior, mas ocorre no interior da empresa – é alimentado por fluxos de serviços produtivos, de produtos importados o ambiente e de serviços originários dos recursos naturais e de capital que compõem a empresa. b) Fluxos de Serviços de Moeda para o autor, a visão de conjunto das trocas externas e da transformação que ocorre no interior da empresa nos leva a descrever o efeito da sua atividade como dois fluxos coletivos (ou conjuntos de fluxos singulares) em sentidos opostos – um de serviços e outro de moeda: b.1) o fluxo de serviços entra na empresa sob a forma de serviços produtivos ou produtos, a atravessa enquanto os serviços são transformados, e sai sob a forma de bens econômicos exportados; b.2) o fluxo de moeda entra na empresa nas trocas de exportação de bens econômicos e sai nas de importação de serviços e produtos. Não houve, no caso concreto, transformação interna ou fluxo de serviços ou de moeda. Não houve renda produzida ou trocas externas, há uma recuperação do valor anteriormente perdido como custo, ao seu patrimônio. Disso podemos preliminarmente concluir que eventual resultado auferido pela contribuinte decorrente da transferência de recursos do ente público para o privado, independentemente da forma adotada para tanto, a subvenção, independentemente da espécie, não poderia ser considerada como “receita” tributável. Adicionalmente, é sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera os de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar, para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. Do contrário, resulta o ICMS a Pagar De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, 6ª edição, página 334, “o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pelas diferenças entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, Fl. 383DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 10 ou para serem revendidas.” Prossegue, “por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador.”. Exemplifica os respectivos cálculos e arremata afirmando que apesar de não haver recolhimento do ICMS (em casos de apuração de saldo credor), em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa. Traduzindo, na apuração do resultado do exercício, o valor que constará do demonstrativo contábil será sempre o valor do “débito” do ICMS, sem que seja cotizado com os “créditos” decorrentes das aquisições. Aqueles créditos já foram “débitos” de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e pela COFINS, está no preço da mercadoria pago pelo contribuinte. Os créditos serão ativo seu, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que o ganho decorrente da realização do ativo, ou da baixa do passivo seria receita, seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem, o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil, e consequentemente jurídico, à vista do Decretolei n° 1.598/77. Assim, em verdade, tal operação não transitou, ou pelo menos não deveria, em contas de resultado, e tampouco representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação patrimonial. Ora, apenas se houvesse algum efetivo ganho nesta operação (e ainda assim discutível, se de natureza financeira ou não) é que se poderia cogitar em receita, e se discutir a eventual incidência de PIS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS e COFINS. Latorraca afirma que “as isenções ou reduções tributárias não se confundem, juridicamente, com subvenção. Todavia, quando concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, por ficção legal, equiparamse às subvenções para investimento, gozando de idêntico tratamento tributário”. Quanto ao art. 33 da Lei n° 4.506/64, afirma o doutrinador que este fora revogado pelo decretolei n° 1.598/77. Conseqüentemente, as transferências de recursos promovidas pelo poder público, de qualquer espécie (para investimentos ou correntes), atendidas as condições impostas, não mais poderiam ser consideradas receitas operacionais. Resumindo, para Bulhões Pedreira, a receita é a quantidade de valor financeiro, originário de outro patrimônio, cuja propriedade é adquirida pela sociedade empresária ao exercer as atividades que constituem as fontes do seu resultado. O recebimento da receita, em regra, ocorre mediante entrada no patrimônio de um fluxo que compreende a transferência de valor financeiro positivo, do objeto de direito que contém esse valor e do respectivo direito patrimonial. O processo de recebimento da receita consiste, portanto, na aquisição de um direito patrimonial e de poder sobre o objeto desse direito, que tem valor financeiro. As receitas podem ser classificadas segundo tenham origem no exercício da função empresarial ou nas demais fontes de resultado da sociedade empresária, ou, ainda, como recuperação de custo que, segundo Bulhões Pedreira, é a quantidade de valor financeiro cuja propriedade a sociedade empresária adquire em reposição, no patrimônio, de valor que anteriormente havia perdido como custo. Tenho que, no caso em epígrafe, é patente a condição de subvenção para custeio, o que difere de recuperação de custo, não se configurando em receita. De qualquer forma, ainda que o fosse, não poderia ser tributado pelo PIS e pela COFINS, pois se trataria de recuperação de custos e despesas, os quais são excluídos da base de cálculo das referidas contribuições, nos termos da legislação que rege a matéria. Fl. 384DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 11080.006842/200723 Acórdão n.º 330200.902 S3C3T2 Fl. 358 11 Além disso, o art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, ao tratar do assunto quanto ao imposto de renda, assim dispõe: “Regulamento do Imposto de Renda – Decreto no 3.000/99 Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” Está explícito que é a própria legislação ordinária que possibilita ao contribuinte a contabilização das subvenções em contas de patrimônio líquido, o que resta claro que elas não podem ser igualadas a receitas, como intenta o Fisco. Aliás, este nada mais parece querer do que adotar essa classificação para justificar, digase indevidamente, o seu intento de glosa. E como se os argumentos até aqui apontados já não fossem suficientes, constato que a tese defendida pela autoridade fiscalizadora decorre de ter a mesma entendido que não foi incluído o crédito presumido do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Contudo, a operação em questão é meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. Assim, não há que se falar em receita. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de débitos supera os de créditos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Pagar. Ora, apenas em se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS e COFINS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS e COFINS. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário interposto, para reformar a v. Acórdão recorrido, para excluir da base de cálculo do PIS os valores auferidos a título de crédito presumido de ICMS. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 385DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO 12 Gileno Gurjão Barreto Fl. 386DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/04/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 05/05/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10830.006689/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício:2002.
OMISSÃO DE RECEITAS. SISTEMÁTICA DE TRIBUTAÇÃO.
Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem
como a sua emissão com valor inferior ao da operação (Lei n° 8.846, de 1994, art. 2°).
Verificada a omissão de receita, a autoridade deve determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes.
ASSUNTO: SANÇÃO
Exercício: 2002.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE
A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata.
In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
Ademais, esta instância recursal administrativa não é competente para julgar argüição de inconstitucionalidades.
Numero da decisão: 1202-000.489
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:2002. OMISSÃO DE RECEITAS. SISTEMÁTICA DE TRIBUTAÇÃO. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação (Lei n° 8.846, de 1994, art. 2°). Verificada a omissão de receita, a autoridade deve determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: SANÇÃO Exercício: 2002. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor. Ademais, esta instância recursal administrativa não é competente para julgar argüição de inconstitucionalidades.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2043; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.006689/200661 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202000.489 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ Recorrente INTRADE PINHAL EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício:2002. OMISSÃO DE RECEITAS. SISTEMÁTICA DE TRIBUTAÇÃO. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação (Lei n° 8.846, de 1994, art. 2°). Verificada a omissão de receita, a autoridade deve determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: SANÇÃO Exercício: 2002. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Fl. 380DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 14/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 2 In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. Ademais, esta instância recursal administrativa não é competente para julgar argüição de inconstitucionalidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Flávio Vilela Campos, Valéria Cabral Géo Verçoza, Jaci de Assis Júnior, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Versam os presentes autos sobre lançamento de ofício, relativamente ao IRPJ e reflexos acompanhados de multa de ofício, realizado em razão da apuração de suposta omissão de receitas praticada pela Recorrente durante o anocalendário de 2001, caracterizada pela falta de contabilização de valores informados por instituição financeira localizada no exterior, informados pela autoridade policial federal, totalizando 12 operações financeiras que não tiveram as suas respectivas tributações comprovadas nos autos. A autoridade administrativa procedeu o lançamento de ofício com base nos seguintes argumentos: Em atendimento, a empresa formaliza resposta em 08.12.2006, onde reitera todas as afirmações efetuadas através da correspondência de 11.09.2006, não apresentando nenhuma informação adicional, acrescentando apenas uma relação de contratos de câmbio, com liquidações parciais, cujos valores em dólares, não coincide em nenhum momento, com os valores constantes nas duas intimações efetuadas por este Serviço de Fiscalização. Os valores das liquidações dos contratos de câmbio, contabilizadas na conta contábil "113020004Clientes Estrangeiro Ribeiro Brother's Coffee Co", do livro Razão, fichas O a 4, e Diário número 7, as quais foram abertas e relacionadas por liquidações parciais na correspondência datada de 08.12.2006, não comprovam a contabilização dos valores disponibilizados à fiscalizada no CBC Bank of New York. Não existe qualquer relação de datas e valores entre as liquidações dos contratos de câmbio contabilizados para o cliente Ribeiro Brother's e os valores recebidos através da conta 30171903PALMETO S/A, do MTBHudson Bank. Fl. 381DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 14/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10830.006689/200661 Acórdão n.º 1202000.489 S1C2T2 Fl. 2 3 Assim sendo, como a empresa não comprovou a natureza das operações, nem a sua regular contabilização, os valores constantes nos termos de intimação lavrados em 22.08.2006 e 30.11.2006, convertidos em moeda corrente nacional, conforme disposto na INSRF n° 41, de 19.04.99, os quais encontramse abaixo relacionados, são considerados omissão de receitas à luz dos artigos 249,inciso II, 251 e § único, 278, 279, 280, 283 e 288 do Decreto 3.000/99 (RIR/99), sobre os quais incidirãos os tributos devidos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), que deixaram de ser recolhidos aos cofres da Fazenda Nacional, os quais serão constituídos de ofício, através do competente Auto de Infração. Em sede de impugnação pretendeu a Recorrente a nulidade do lançamento, alegando, em síntese, a impossibilidade da simples presunção realizada pelo Fisco, porquanto o único documento que apontaria a ocorrência da omissão de receitas é a indicação de sua razão social em extrato que aponta as movimentações financeiras da empresa Palmeto S/A que alega não ter conhecimento. Além disso, aduz que o Fisco ao apurar as supostas receitas desconsiderou o prejuízo financeiro apurado no primeiro trimestre do período investigado; bem como alegou a inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada, a qual violaria o princípio da isonomia tributária. A autoridade julgadora “a quo” julgou parcialmente procedente a impugnação supramencionada, retificando os valores da base negativa de CSLL apurada no anocalendário de 2001, bem como a base de cálculo do IRPJ relativo ao 2º trimestre mesmo anocalendário; admitindo assim a compensação do saldo da base de cálculo negativa da CSLL do 1º trimestre de 2001 com a base tributável da CSLL. Abaixo a ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001 PROVA. MÍDIAS ELETRÔNICAS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS NO EXTERIOR. Válidas as informações veiculadas em relatório da Secretaria da Receita Federal SRF, elaborados a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Comissão Parlamentar de Inquérito/CPMI do Banestado e cuja regularidade foi atestada por Laudos Técnicos do Instituto Nacional de Criminalística INC. OMISSÃO DE RECEITAS. SISTEMÁTICA DE TRIBUTAÇÃO. Caracteriza omissão de receita ou de rendimentos, inclusive ganhos de capital, a falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente, no momento da efetivação das operações de venda de mercadorias, prestação de serviços, operações de alienação de bens móveis, locação de bens móveis e imóveis ou quaisquer outras transações realizadas com bens ou serviços, bem como a sua emissão com valor inferior ao da operação (Lei n° 8.846, de 1994, art. 2°). Verificada a omissão de receita, a autoridade deve determinar o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de Fl. 382DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 14/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 4 tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. Havendo saldo de prejuízo fiscal, mesmo depois de descontadas as infrações passíveis de tributação apuradas em procedimento fiscal, há que se reconhecer, à contribuinte, o direito de utilizar esse saldo na compensação de base tributável de período posterior, observandose o limite de 30% de redução do lucro tributável, previsto na legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001 RECOMPOSIÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL. Tendo a contribuinte apurado base de cálculo negativa de CSLL, deve a auditoria fiscal proceder à recomposição da base tributável, descontando o valor das infrações apuradas exofficio da base de cálculo apurada pela contribuinte no respectivo período. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS DE CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES Havendo saldo de base de cálculo negativa de CSLL, mesmo depois de descontadas as infrações passíveis de tributação apuradas em procedimento fiscal, há que se reconhecer, à contribuinte o direito de utilizar esse saldo na compensação de base tributável de período posterior, observandose o limite de 30% de redução do lucro tributável, previsto na legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 383DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 14/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10830.006689/200661 Acórdão n.º 1202000.489 S1C2T2 Fl. 3 5 O Recurso Voluntário interposto reiterou os argumentos esposados na impugnação, requerendo a reforma da decisão recorrida e, a consequente declaração de nulidade do lançamento de ofício. É o relatório Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os requisitos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. A situação fática resumese a constatação de 12 (doze) ordens de pagamento emitidas por instituição financeira localizada no exterior, nas quais a Recorrente figura como beneficiária, realizada por empresa que mantém relações comerciais com a beneficiária,cuja efetivação do pagamento, no entanto, foi feita por uma terceira empresa. Intimada, a Recorrente não logrou êxito na identificação das mencionadas operações financeiras, trazendo aos autos notas fiscais cujos valores e datas não se relacionam com as ordens de pagamentos. De acordo com o artigo 923 do Regulamento do Imposto de Renda, a escrituração contábil mantida em consonância com as disposições legais faz prova em favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Nesse sentido, devem ser acolhidas as operações em que restar demonstrado as datas e valores consignados nas ordens de pagamentos constatadas. Todavia, a não comprovação destas informações faz prova contra o contribuinte. Portanto, as operações acostadas aos autos não guardam correspondência com as datas ou valores ordens de pagamentos constatadas pelo Fisco, inexistindo qualquer outro elemento que vincule os recebimentos registrados pelas mencionadas ordens de pagamento, situação que enseja o lançamento de ofício realizado. O lançamento tributário encontrase carreado com documentos suficientes à comprovação do auferimento de renda, porquanto há a existência de ordens de pagamento produzidas por instituição financeira localizada no exterior, as quais chegaram ao conhecimento do Fisco após decisão judicial que autorizou a utilização de documentos fornecidos por determinadas instituições financeiras, dentre os quais a instituição financeira que forneceu as ordens de pagamento em foco. Além disso, constam nos autos Laudos Técnicos emitidos por órgão da Policia Federal, elaborados com base nas mídias eletrônicas fornecidas pela promotoria de estado estrangeiro. Desta sorte, a documentação acostada no presente processo administrativo fiscal é suficiente para comprovar a omissão de receitas apurada no caso em tela, posto que a Fl. 384DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 14/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 6 Recorrente não logrou êxito na comprovação da origem das ordens de pagamento de fls. 37 a 47. Este é o entendimento corroborado por diversos julgados ocorridos neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A saber: DOCUMENTOS EXTERNOS. PROVA EMPRESTADA Se os documentos que serviram de base para o lançamento tributário, originários de fonte externa, tiveram a sua validade corroborada por investigações complementares promovidas pela autoridade fiscal, há que se manter as imputações infracionais deles decorrentes. 1º CC. / 5a. Câmara / ACÓRDÃO 10516.113 em 08.11.2006. Publicado no DOU: 09.04.2008 DOCUMENTAÇÃO ENCAMINHADA À FISCALIZAÇÃO POR ORDEM JUDICIAL A documentação encaminhada ao Fisco com respaldo de decisão judicial constitui prova lícita utilizada para fins de instrução de processo administrativo tributário. Não cabe à autoridade julgadora administrativa acolher questionamento sobre a legalidade do repasse de documentação e informações com amparo em autorização judicial. 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.662 em 16.04.2008. Publicado no DOU em: 08.08.2008. DOCUMENTÁRIO FISCAL E ARQUIVOS MAGNÉTICOS O documentário fiscal e arquivos magnéticos encaminhados pelo Departamento de Polícia Federal constitui prova lícita para a formalização da exigência de créditos tributários. Não cabe a autoridade julgadora administrativa julgar a legalidade ou não dos mandados expedidos pela autoridade judicial para a ação dos policiais federais. 1º CC. / 5a. Câmara / ACÓRDÃO 105 16.397 em 25.04.2007. Publicado no DOU em: 11.04.2008 PROVAS ENCAMINHAMENTO PELO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL ADMISSIBILIDADE Não há que se falar em ilicitude de provas quando estas foram, de forma regular, encaminhadas pelo Ministério Público Federal, órgão que, no exercício de suas atividades institucionais, tem a incumbência legal de requisitar à autoridade competente a instauração de procedimentos administrativos, podendo, para isso, produzir as provas necessárias. 1º Conselho de Contribuintes / 5a. Câmara / ACÓRDÃO 10516.235 em 24.01.2007. Publicado no DOU em: 09.04.2008. PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL PROVA EMPRESTADA POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO O fisco pode se valer de prova emprestada, produzida em outro processo administrativo fiscal ou mesmo processo judicial, inclusive em processo criminal. Não há necessidade de que a prova do Processo Administrativo Fiscal seja produzida por AuditorFiscal da Receita Federal. Peças incidentais em língua estrangeira, as quais não criaram qualquer dificuldade para a defesa do recorrente, estando, Fl. 385DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 14/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10830.006689/200661 Acórdão n.º 1202000.489 S1C2T2 Fl. 4 7 ressaltese, nos pontos que interessam à solução da presente lide, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Polícia Federal, não inquinam de nulidade o lançamento em debate. 1º Conselho de Contribuintes / 6a. Câmara / ACÓRDÃO 106 17.029 em 07.08.2008. Publicado no DOU em: 18.11.2008. Além disso, cumpre realizar manifestação atinente à alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada nos termos do artigo 44, I, da Lei 9430/96. Neste diapasão, falece competência a este órgão julgador para analisar o mérito relativo à constitucionalidade ou inconstitucionalidade da legislação nacional, razão pela será mantida a penalidade aplicada no presente caso. Neste sentido, é oportuno trazer à baila o disposto na súmula 2, consolidada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, sou por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Fl. 386DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, 14/03/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000697/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência dos fatos geradores.
ENTIDADE QUE SE ENQUADRA COMO ISENTA. RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS. DESCONSIDERAÇÃO PARA EFEITO DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL.
Não são considerados como antecipação de pagamento da contribuição da empresa, para fins de aferição do prazo decadencial. os recolhimentos relativos à parte dos segurados efetuados pelas entidades que se consideram isentas do recolhimento da cota patronal previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE
INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30,
inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. Somente fará jus à
isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que
cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, constatação que à época da ocorrência dos fatos geradores era procedida em processo próprio apartado, com reflexo nas notificações decorrentes.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os
artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso de Oficio Provido em Parte e Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.672
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) por maioria de votos, dar
provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer as competências 01 a 03/2003. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Marcelo Freitas
de Souza Costa, que negavam provimento. II) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira
de Araújo.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência dos fatos geradores. ENTIDADE QUE SE ENQUADRA COMO ISENTA. RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS. DESCONSIDERAÇÃO PARA EFEITO DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. Não são considerados como antecipação de pagamento da contribuição da empresa, para fins de aferição do prazo decadencial. os recolhimentos relativos à parte dos segurados efetuados pelas entidades que se consideram isentas do recolhimento da cota patronal previdenciária. CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, constatação que à época da ocorrência dos fatos geradores era procedida em processo próprio apartado, com reflexo nas notificações decorrentes. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso de Oficio Provido em Parte e Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, I) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer as competências 01 a 03/2003. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que negavam provimento. II) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2379; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 369 1 368 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10240.000697/200813 Recurso nº 506.883 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 240101.672 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS; DECADÊNCIA Recorrentes ASSOCIAÇÃO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DO ESTADO DE RONDÔNIA EMATER/RO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência dos fatos geradores. ENTIDADE QUE SE ENQUADRA COMO ISENTA. RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS EMPREGADOS. DESCONSIDERAÇÃO PARA EFEITO DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. Não são considerados como antecipação de pagamento da contribuição da empresa, para fins de aferição do prazo decadencial. os recolhimentos relativos à parte dos segurados efetuados pelas entidades que se consideram isentas do recolhimento da cota patronal previdenciária. CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. PREVIDENCIÁRIO. ISENÇÃO COTA PATRONAL. Somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias a contribuinte entidade beneficente de assistência social que cumprir, cumulativamente, os requisitos inscritos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91, constatação que à época Fl. 373DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 da ocorrência dos fatos geradores era procedida em processo próprio apartado, com reflexo nas notificações decorrentes. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso de Oficio Provido em Parte e Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer as competências 01 a 03/2003. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Marcelo Freitas de Souza Costa, que negavam provimento. II) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 374DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.672 S2C4T1 Fl. 370 3 Relatório ASSOCIAÇÃO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DO ESTADO DE RONDÔNIA EMATER/RO, contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.116.8759, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2001 a 12/2006, conforme circunstanciadamente demonstrado no Relatório Fiscal, às fls. 121/125. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 22/04/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 39.572.248,54 (Trinta e nove milhões, quinhentos e setenta e dois mil, duzentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e quatro centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário ora exigido fora lançado em decorrência da perda da isenção da cota da patronal da contribuinte, tendo em vista o descumprimento dos requisitos de referido benefício fiscal, especialmente o inciso III, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 206, inciso IV, do RPS; devidamente examinado nos autos de processo administrativo próprio em trâmite perante a 4a Câmara do CRPS, já transitado em julgado, conforme Ato Cancelatório nº 001/2005, mantido pelo Acórdão n° 2115/2005 do Colegiado suso mencionado. Após regular processamento, interposta impugnação contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a 4ª Turma da DRJ em Belém/PA, achou por bem julgar procedente em parte o lançamento, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0112.510, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 DÉBITO REGULARMENTE LAVRADO. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação previdenciária vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 37, da Lei 8.212/91 e alterações posteriores c/c art. 142 do C.T.N. DECADÊNCIA. O direito de constituir o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias, em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da Súmula Vinculante n° 08 de 12/06/2008, publicada no DJ de 20/06/2008, de observância obrigatória por força do disposto no art. 103A da Constituição Federal de 1988, regulamentado pelo art. 2° da Lei n° 11.417/2006, extinguese em 5 (cinco) anos. Fl. 375DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 CONSOLIDAÇÃO ADMINISTRATIVA DE MATÉRIA JÁ APRECIADA. EFEITOS. Não é permitido em processo administrativo reabrirse a discussão de mérito já apreciado em outro processo. MATÉRIA PRECLUSA Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e que somente vem a ser demandada posteriormente, em peça impugnatória de processo administrativo diverso daquele em que ocorreu a consolidação administrativa da matéria, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. Lançamento Procedente em Parte.” Em observância ao disposto no artigo 366, inciso I, §§ 2o e 3o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c o artigo 1° da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 359/365, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a decisão de primeira instância arguindo a incompetência do INSS para outorgar e, por conseguinte, cancelar isenções, cabendo à legislação previdenciária tão somente regulamentar os requisitos da imunidade constitucional contemplada pelo artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, especialmente após a declaração da inconstitucionalidade do § 4º, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal. Em defesa de sua pretensão, infere que a contribuinte não pretende rediscutir a matéria contemplada no Ato Cancelatório, mas, sim, a improcedência/insubsistência da presente notificação. Assevera que tratandose de dois processos distintos, não é defeso a recorrente invocar como fundamento à sua defesa a decisão proferida pelo STF nos autos da ADI n° 2.0285/DF, a qual suspendeu a eficácia do art. 1o, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei n° 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhes os §§ 3°, 4° e 5°, bem como dos arts. 4o, 5o e 7o, da Lei n° 9.732, de 11/12/198. Neste sentido, sustenta que, ao não conhecer das razões de defesa da contribuinte relativamente a aludido tema, incorreu a autoridade julgadora de primeira instância em cerceamento do seu direito de defesa, não podendo se cogitar em preclusão na forma aventada pelo julgador recorrido. Opõese, ainda, ao Acórdão guerreado, defendendo que o insurgimento da contribuinte recai sobre a totalidade da exigência fiscal, sobretudo quanto à inexistência de norma válida e eficaz outorgando competência ao INSS para cancelar a isenção/imunidade que lhe foi legitimamente conferida, nos termos da lei de regência. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.672 S2C4T1 Fl. 371 5 Não houve apresentação de contrarrazões ao recurso voluntário da contribuinte. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator RECURSO DE OFÍCIO Consoante se positiva do Relatório Fiscal, a lavratura da Notificação Fiscal deveuse a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela contribuinte ao INSS, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais. Após apresentação da impugnação da notificada, o lançamento fora julgado procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0112.510, da 4ª Turma da DRJ em Belém/PA, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 366, inciso I, §§ 2o e 3o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 A DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem retificar o lançamento, excluindo as contribuições previdenciárias alcançadas pelo instituto da decadência, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, em face da existência de antecipação de pagamentos, consoante se extrai do excerto do Acórdão recorrido abaixo transcrito: “[...] Assim, para fins de cômputo do prazo de decadência, no caso em análise, independentemente de ter ocorrido ou não qualquer recolhimento (pagamento) parcial de tributo, temse que o período anterior à competência 11/2002, inclusive, encontrase decadente (artigo 173, I, do CTN) Analisei ainda a ocorrência de recolhimento (pagamento) parcial de tributo para as competências do período de 12/2002 a 03/2003, para verificar a decadência nos termos do artigo 150, §4°, do CTN (lançamento por homologação). Para tanto, verifiquei os recolhimentos constantes do RDA — Relatório de Documentos Apresentados (fls. 73/75), onde constatei ter havido recolhimento parcial para todas as competências, tendo sido, portanto, também as mesmas (período de 12/2002 a 03/2003) alcançadas pela decadência. Este entendimento encontra respaldo no Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda nacional PGFN/CAT n.° 1.617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, em 18/08/2008. Diante do exposto, é decadente o período até 03/2003, inclusive, permanecendo os valores lavrados nas demais competências. Portanto, temse totalmente atendido o pleito da suplicante no que tange à decadência. [...]” Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida, quanto a este tema, apresentase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude, pelas razões de fato e de direito a seguir desenvolvidas. Fl. 378DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.672 S2C4T1 Fl. 372 7 O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: Fl. 379DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Fl. 380DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.672 S2C4T1 Fl. 373 9 Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, conforme se extrai do Anexo do RDA, às fls. 72/101, constando as guias que foram registradas. Fl. 381DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Assim, ocorrendo à comprovação de recolhimentos, em virtude dos fatos encimados, concordam os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua unanimidade, pela aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de pagamento, devendo ser acolhido o pleito da contribuinte para restabelecer a ordem nesse sentido. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 22/04/2008, com a devida ciência da contribuinte consoante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos até a competência 03/2003, inclusive, os quais se encontram fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, eis que agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, promovendo a retificação do crédito previdenciário nos termos encimados. Em vista do exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido, nesse ponto, em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. RECURSO VOLUNTÁRIO No mérito, em suma, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte a exigência fiscal em comento, suscitando a incompetência do INSS para outorgar e, por conseguinte, cancelar isenções, cabendo à legislação previdenciária tão somente regulamentar os requisitos da imunidade constitucional contemplada pelo artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, especialmente após a declaração da inconstitucionalidade do § 4º, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal. A fazer prevalecer seu insurgimento, infere que a contribuinte não pretende rediscutir a matéria contemplada no Ato Cancelatório, mas, sim, a improcedência/insubsistência da presente notificação, sobretudo tratandose de dois processos distintos, não sendo defeso, por conseguinte, a recorrente invocar como fundamento à sua defesa a decisão proferida pelo STF nos autos da ADI n° 2.0285/DF, a qual suspendeu a eficácia do art. 1o, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei n° 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhes os §§ 3°, 4° e 5°, bem como dos arts. 4o, 5o e 7o, da Lei n° 9.732, de 11/12/198. Observase, que a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da matéria, suscitando questões a propósito do Ato Cancelatório nº 001/2005, o qual não é o cerne da discussão no processo administrativo em epígrafe. Aliás, referidas matérias já foram objeto de apreciação por parte da 4a Câmara do CRPS, que manteve a íntegra de aludido ato, cassando a isenção da contribuinte, em face da inobservância ao inciso III, do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, 206, inciso IV, do RPS, sendo defeso a apreciação de temas alheios a presente demanda. Como se verifica, a recorrente em momento algum se insurge contra as contribuições previdenciárias ora lançadas, se limitando a defender que possui a isenção da cota patronal, bem como que o INSS não detém competência para cassála. Fl. 382DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.672 S2C4T1 Fl. 374 11 Destarte, o artigo 195, § 7º da Constituição Federal, ao conceder o direito à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, assim prescreveu: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como se verifica, o dispositivo constitucional encimado é por demais enfático ao determinar que somente terá direito à isenção em epígrafe as entidades que atenderem as exigência definidas em lei. Ou seja, a CF deixou a cargo do legislador ordinário estipular as regras para concessão de tal benefício, a sua regulamentação. Por sua vez, o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, veio aclarar referida matéria, estabelecendo que somente fará jus à isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, a contribuinte/entidade que cumprir, cumulativamente, todos os requisitos ali elencados, senão vejamos: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido.” Fl. 383DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Na hipótese vertente, conforme se extrai dos elementos que instruem o processo, especialmente Relatório Fiscal e Acórdão recorrido, a contribuinte em momento algum logrou comprovar ser efetivamente entidade isenta, cumpridora de todos os requisitos para tanto, inobstante as inúmeras alegações nesse sentido, especialmente em relação à promoção de assistência social beneficente, como restou circunstanciadamente assentado no Acórdão n° 2115/2005, às fls. 300/307, demonstrando infringência ao inciso III da norma legal supratranscrita. Quanto aos argumentos da contribuinte a respeito da inaplicabilidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, para regulamentação da isenção sob análise, peço vênia para me reportar aos substanciosos fundamentos de fato e direito insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado nos autos do processo n° 36624.002167/200708, tendo em vista rechaçarem de uma vez por todas a pretensão da contribuinte a propósito da matéria, como se extrai do excerto abaixo transcrito: “ […] 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no Fl. 384DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.672 S2C4T1 Fl. 375 13 qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes Fl. 385DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade doa RT. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nélson Jobim. Na oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PR” CEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que Fl. 386DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.672 S2C4T1 Fl. 376 15 o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Fl. 387DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Apelação improvida. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Conheço do agravo e o desprovejo. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência sócia, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Fl. 388DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.672 S2C4T1 Fl. 377 17 Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. […]” (14ª Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 16 13.990 – Processo n° 36624.002167/200708) A simples leitura dos elementos constantes dos autos é capaz de refutar as alegações da recorrente, não deixando margem de dúvida quanto à aplicabilidade do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, contemplando os requisitos para concessão e manutenção da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, devendo ser mantido o lançamento, eis que a autoridade lançadora, corroborada pelo julgador de primeira instância, agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 389DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação a ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida e/ou macular o crédito previdenciário ora exigido, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas/rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Fl. 390DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10240.000697/200813 Acórdão n.º 240101.672 S2C4T1 Fl. 378 19 Assim, no mérito, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Malgrado a bela fundamentação apresentada pelo Ilustre Conselheiro Relator, ouso divergir do seu entendimento no que diz respeito à delimitação do período abarcado pela decadência no presente crédito fiscal. Nas minhas ponderações deixarei de transcrever textos legais e jurisprudenciais, uma vez que o voto do Relator já apresenta com amplitude os subsídios necessários a que eu possa oferecer as conclusões sobre essa questão. Pela análise do voto do Relator, o qual coincide com o posicionamento da DRJ, o período que medeia as competências 01/2001 a 03/2003 seria decadente, haja vista que o contribuinte houvera efetuado antecipação de pagamento para todo esse lapso, devendose aplicar a norma inserta no § 4. do art. 150 do CTN. Observo que, de acordo com o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento, as competências de 01/2001 a 12/2002 seriam decadentes, quer se aplique a norma do art. 150, § 4. do CTN, quer se lance mão da regra do art. 173, I, do mesmo Código. É que na data do lançamento, 22/04/2008, já houvera transcorrido o prazo de cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Para as competências 01 a 03/2003, o meu posicionamento é de que, em se tratando de entidade que se considerava isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias, a qual recolhia apenas a contribuição dos segurados, não há o que se falar em antecipação do pagamento, posto que a contribuição exigida na presente NFLD diz respeito à contribuição patronal, a qual a empresa nem declarava na GFIP, tampouco efetuava qualquer recolhimento no período sob questão. Verificase dos autos que o sujeito passivo apresentou nessas competências a Guia da Previdência Social – GPS quitada com o “código de pagamento – 2305”, o que me deixa à vontade para afirmar que somente houve recolhimento da contribuição dos segurados. Fl. 391DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Nessa toada, para a contagem do prazo decadencial para as competências 01 a 03/2003, considerandose que inexistiu antecipação de pagamento, deve ser aplicada a norma do art. 173, I, do CTN, pela qual esse período somente seria alcançado pela decadência em 31/12/2008, não havendo assim o que se falar em caducidade do direito do fisco de lançar as contribuições sob relevo para essas competências. Quanto ao período de 04 a 12/2003, o Discriminativo Analítico do Débito DAD está a mostrar que houve recolhimentos além daqueles relativos a contribuição dos segurados, ver fls. 08/09, pelo que se conclui que transcorreu o prazo decadencial para as mesmas, nos termos do art. 150, § 4. , do CTN. Diante de todo o exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso de ofício, de modo que sejam restabelecidas as competências de 01 a 03/2003. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 392DF CARF MF Emitido em 04/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 25/03/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 26/03/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 01/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10530.002025/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 14/06/2007
CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP DIRIGENTE PÚBLICO AUTUAÇÃO PESSOAL MEDIDA PROVISÓRIA 449/2008
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-001.939
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 14/06/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP DIRIGENTE PÚBLICO AUTUAÇÃO PESSOAL MEDIDA PROVISÓRIA 449/2008 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontra-se revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Recurso Voluntário Provido
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A responsabilidade pessoa do dirigente público pelo descumprimento de obrigação acessória no exercício da função pública, encontrase revogado pela lei 11.941/2009, passando o próprio ente público a responder pela mesma. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 179DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Walter Murilo Melo Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.002025/200798 Acórdão n.º 240101.939 S2C4T1 Fl. 180 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências 03/2006 a 07/2006, mais especificamente não informou . Destacase que o presente auto foi lavrado diretamente na pessoa do recorrente, em virtude de sua condição de dirigente de órgão público, respondendo, em função dessa condição, pessoalmente pela multa aplicada nos termos do art. 41 da Lei 8.212/91. Não conformado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação, fls. 56 a 57. Foi emitida DecisãoNotificação – DN, fls. 110 a 119, mantendo procedente a autuação, mas relevando a multa em sua totalidade. O recorrente não concordando com a DN emitida interpôs recurso, fl. 119 a 126 É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 151. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Tratase de auto de infração relacionado diretamente a sorte de notificações lavradas sobre fatos geradores de mesmo fundamento, sendo que a procedência destas, determina o resultado dos autos de infração correlatos. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Para a legislação previdenciária não havia responsabilidade por descumprimento de obrigação acessória imposta à pessoa jurídica de direito público. Havendo o descumprimento da obrigação, a aplicação da penalidade pecuniária, auto de infração, será imposta pessoalmente ao dirigente do órgão ou entidade, conforme dispõe o art. 41 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.41.O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Contudo a procedência ou não do lançamento em questão encontrase prejudicada, tendo em vista que o dispositivo legal que determinava a autuação pessoal do dirigente público foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, passando a responsabilidade pelo descumprimento de obrigações acessórias aos próprios entes públicos. CONCLUSÃO: Fl. 182DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.002025/200798 Acórdão n.º 240101.939 S2C4T1 Fl. 181 5 Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para DARLHE PROVIMENTO nos termos da pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que afastou do polo passivo da obrigação o dirigente de órgão público. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 183DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10875.000709/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001
DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo
a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO INOCORRÊNCIA
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não
constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150, da Constituição Federal.
ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril
de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2201-001.177
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO PARCIAL para acolher a preliminar de decadência em relação ao ano-calendário 1998.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO INOCORRÊNCIA A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150, da Constituição Federal. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
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MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO CARÁTER CONFISCATÓRIO INOCORRÊNCIA A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150, da Constituição Federal. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL para acolher a preliminar de decadência em relação ao ano calendário 1998. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Sérgio Ricardo Abreu de Souza recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 4ª Turma da DRJ – São Paulo/SP II, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Tratase de Auto de Infração (fls. 143/146), relativo ao IRPF, exercícios 1999, 2000, 2001, que se exige imposto no valor total de R$ 171.347,02, já acrescido de multa de ofício e de juros de mora. A fiscalização apurou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta Impugnação (fl. 01), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: preliminarmente, alega a extinção dos créditos tributários relativos a 1998 e anteriores a março de 1999 por decurso do prazo decadencial, uma vez que o impugnante tomou ciência das autuações ocorridas em 1998 e 1999 somente em março de 2004, argumentando o seguinte: a regra geral da decadência está contida no art. 173 do CTN e os lançamentos por homologação estão regrados pelo art. 150 do CTN; imposto de renda é tributo cujo lançamento é feito por homologação, portanto disciplinado pelo art. 150 do CTN; cita doutrina; segundo o art. 39 do RIR/94, os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, ou seja, a periodicidade de apuração do IRPF é mensal e não anual; logo, os valores referentes ao anocalendário de 1998 e aos meses anteriores a março de 1999 não podem mais ser exigidos, com fulcro no art. 150, § 4º, do CTN; mesmo que equivocadamente se aplicasse a regra do art. 173, I, do CTN, tais valores já estariam decaídos; cita jurisprudência administrativa e doutrina. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.000709/200410 Acórdão n.º 220101.177 S2C2T1 Fl. 2 3 segundo o art. 39 do Decreto nº 1.041/94 e o art. 38 do Decreto nº 3.000/99, os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, ou seja, a tributação do IRPF é de periodicidade mensal; há mês em que o valor mensal ficou aquém do considerado tributável na tabela progressiva mensal. Cita jurisprudência administrativa. a autuação fiscal baseouse em informações colhidas de arrecadação de CPMF, o que afronta a Lei nº 9.311/96, art. 11, § 3º, não podendo a alteração trazida pelo art. 1º da Lei nº 10.174/2001 ser aplicada retroativamente. inconstitucionalidade e ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, citando jurisprudência judicial: é indevida a utilização da taxa Selic por possuir natureza de juros moratórios e caracterizar nova hipótese de incidência tributária; a taxa Selic afronta o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, configurando enriquecimento sem causa do Poder Público; não há previsão legal do que seja a taxa Selic. Não anexa à impugnação nenhum documento. A 4ª Turma da DRJ – São Paulo/SP II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. APURAÇÃO MENSAL. OBRIGATORIEDADE DE AJUSTE ANUAL. A partir do anocalendário de 1991, o imposto de renda das pessoas físicas continuou a ser exigido mensalmente, à medida que os rendimentos fossem sendo auferidos, sem prejuízo, contudo, do ajuste anual estabelecido pela Lei nº 8.134/90, razão pela qual o fato gerador somente se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. O lançamento de tributo é procedimento exclusivo da autoridade administrativa. Tratandose de lançamento de ofício, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A inexistência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos valores depositados em conta de depósito ou investimento autoriza o lançamento do imposto correspondente. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, à exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão. DOUTRINA. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 25/09/2007, conforme aviso de recebimento à folha 186, Sérgio Ricardo Abreu de Souza apresenta Recurso Voluntário em 09/10/2007, fls. 188/201, sustentando, essencialmente, verbis: ... concluindo, assim, o acórdão que o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 30.04.99, sendo 01.01.2000 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o auto de infração poderia ter sido lavrado. Assim, diante de tal raciocínio, "data vênia" equivocado, entendeu os DD Julgadores que tendo o Recorrente ciência do Auto de Infração ocorrido em 15.03.04 (fls 149), não ocorreu o instituto da decadência quanto ao direito de lançar o crédito tributário relativo aos anoscalendário de 1.998 e 1.999. (...) (b) A impugnação do Recorrente, quanto ao mérito, sustenta que a autuação encontrase eivada de vícios, comprometendo a sua validade, especialmente no que tange à fórmula de cálculo anual procedida na autuação fiscal contrariando disposição legal constante do artigo 39, do Decreto n° 1.041, de 11.01.94, combinada com o disposto no parágrafo único do Decreto n° 3.000/99, cujos dispositivos legais são uníssonos, no sentido de que a tributação do imposto de renda pessoa física é de periodicidade mensal. Nesse sentido a autuação fiscal também deve ser declarada nula pelos vícios que contém, uma vez que a forma de autuação consubstanciada na autuação leva no seu bojo fatos que não possuem base legal, uma vez que inexiste preceito dispondo sobre a apuração anual do imposto de renda pessoa física... (...) Entre as garantias que compõem o devido processo legal estão o contraditório e ampla defesa, que pressupõe regras previamente definidas, neste particular, o Decreto n° 3.724/01 que regulamentou o art. 6° da Lei Complementar n° 105/0, traz, em seu art. 3°, em perfeita técnica legislativa, as hipóteses Fl. 213DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.000709/200410 Acórdão n.º 220101.177 S2C2T1 Fl. 3 5 autorizadoras do indispensável exame de informações constantes em instituições financeiras. (...) Questionou, também, o Recorrente na sua peça impugnatória a respeito da forma pela qual, digase ilegal, da colheita das informações da arrecadação da CPMF para a lavratura do Auto de Infração guerreado, tendo sito ela levada à efeito através de colheitas de informações pelas arrecadações da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira, conhecida como "CPMF", fato que ofende de morte o "Principio da Legalidade", porquanto não decorreu o Auto de Infração seguramente de Exame de Escrita, ou seja, revisão de contas, de lançamentos, de números que compõem o conjunto real dos assentos e lançamentos, bem como do exame dos documentos que lhes deram origem válida, mas utilizandose de mecanismos e instrumentos governamentais sem motivação para a finalidade utilizada pelo ente fiscal ensejando, irregularmente o Auto guerreado. (...) Como bem asseverou o Recorrente junto à sua peça de Impugnação o Superior Tribunal de Justiça, admitiu o incidente de inconstitucionalidade na aplicação da taxa SELIC na exigência tributária vencida, (j. Rec. Esp. n° 193.681, p. D.J. de 20.03.2000, p.65 ), reconhecendo a excessiva carga que representa a taxa SELIC ao patrimônio dos contribuintes, afrontando o dispositivo constitucional colacionado no artigo 150, inciso I e IV; No presente caso, o montante da multa exigido, conduz ao confisco tributário, que os citados dispositivos constitucional veda; e tal vedação sendo norma maior, não pode ser desconhecida pela Administração Pública, nem ofendido pela legislação ordinária invocada pelo auto e mantida pela decisão recorrida, nomeadamente porque o servidor público não é obrigado a cumprir normas ilegais ou leis inconstitucionais (inteligência do art. 116, inciso I e III dos Estatutos, Lei n° 8.112/90). (...) É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Sustenta preliminarmente o contribuinte a ocorrência da decadência, em relação aos fatos geradores ocorridos anoscalendário de 1.998 e 1.999, na forma do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN. Asseverando, ainda, que “... a autuação encontra se eivada de vícios, comprometendo a sua validade, especialmente no que tange à fórmula de cálculo anual procedida na autuação fiscal contrariando disposição legal constante do artigo 39, do Decreto n° 1.041, de 11.01.94, combinada com o disposto no parágrafo único do Decreto n° 3.000/99, cujos dispositivos legais são uníssonos, no sentido de que a tributação do imposto de renda pessoa física é de periodicidade mensal”. De início, cabe o registro que as alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa física e jurídica a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificase na modalidade de lançamento por homologação, cujo fato gerador se completa no enceramento do anocalendário. E o § 4º, do art. 150, do Código Tributário Nacional CTN fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Transcrevese o § 4º do art. 150, do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, o lançamento por homologação se consolida quando o sujeito passivo identifica a ocorrência do fato gerador, determinando a matéria tributável e, conseqüentemente, o montante do tributo devido. Neste diapasão, durante o anocalendário o sujeito passivo submete à tributação os rendimentos de forma antecipada, cuja apuração definitiva somente se dará quando do acerto por meio da declaração de ajuste anual, ou seja, no encerramento do ano calendário, só então, o imposto que será apurado em definitivo nos termos dos artigos 9º e 11 da Lei nº 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda resta concluído, por ser do tipo complexo (complexivo), completando, desta feita, no último dia do ano. Portanto, diferentemente do que defende o insurgente, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual estipulouse que “o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos”, há que se ressaltar a importância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas físicas. Ressaltese que, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda Fl. 215DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.000709/200410 Acórdão n.º 220101.177 S2C2T1 Fl. 4 7 n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Com efeito, o STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que nos casos em que houver pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, o termo inicial será contado a partir do fato gerador, ainda que parcial, na forma do § 4º do art. 150 do CTN (Recurso Especial nº 973.733). Outrossim, no caso dos autos, como houve pagamento antecipado, conforme se colhe pela DIRPF/1999, fl. 03, devese utilizar a regra prevista no § 4º do art. 150, do CTN. Portanto, o fato gerador do IRPF relativo ao anocalendário de 1998 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 1999 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2003. Destarte, como a ciência do lançamento ocorreu em 15/03/2004, fl. 149, o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1998 já havia sido atingido pela decadência. Em outra preliminar alega o insurgente que “... digase ilegal, da colheita das informações da arrecadação da CPMF para a lavratura do Auto de Infração guerreado, tendo sito ela levada à efeito através de colheitas de informações pelas arrecadações da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira, conhecida como "CPMF", fato que ofende de morte o "Principio da Legalidade". Relativamente à argüição supra, invoco a Súmula Carf nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Portanto, não é ilegal a utilização das informações da CPMF para a constituição do crédito tributário. Quanto à alegação de “... o montante da multa exigido, conduz ao confisco tributário...” deve ser esclarecido que a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Com efeito, a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito tributário e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. Da mesma forma, não há como acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no Fl. 216DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 8 presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais – SELIC (Súmula CARF nº 4). Ante ao exposto, voto por acolher a preliminar de decadência em relação ao anocalendário 1998 e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10875.000709/200410 Fl. 217DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10875.000709/200410 Acórdão n.º 220101.177 S2C2T1 Fl. 5 9 Recurso nº: 164.283 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.177. Brasília/DF, 07 de junho de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 218DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/06/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/06/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13706.002290/2004-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXTINTO PELO PAGAMENTO.
Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.190
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, para que seja restituído ao contribuinte o valor de R$ 518,49 com os acréscimos legais pertinentes.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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Incabível a exigência por procedimento de ofício de crédito tributário já extinto nos termos do art. 156 do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, para que seja restituído ao contribuinte o valor de R$ 518,49 com os acréscimos legais pertinentes. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13706.002290/200462 Acórdão n.º 210201.190 S2C1T2 Fl. 108 2 Relatório Contra MARCIANO DE ALMEIDA CARVALHO foi lavrado Auto de Infração, fls. 13/17, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 10.424,14, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até junho de 2004. As infrações apuradas pela autoridade fiscal encontramse assim discriminadas no Auto de Infração: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica ou física, decorrentes de trabalho com vinculo empregatício. Inclusão de diferença de rendimentos tributáveis conforme informado por: Hospital dos Servidores do Estado R$ 57.028,40 IRRF R$ 6.017,63. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho sem vinculo empregatício. Inclusão de rendimentos tributáveis conforme informado por: Banco do Brasil R$ 14.144,20 IRRF R$ 865,22. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/RJOII nº 1318.857, de 12/02/2008, fls. 85/88. Decidiuse, por unanimidade de votos, pela procedência em parte do lançamento, para considerar isentos os rendimentos de aposentadoria recebidos a partir de setembro de 1999. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 11/04/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 90, o contribuinte apresentou, em 05/05/2008, recurso voluntário, fls. 91/94, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Merece reforma a decisão de 1° grau, pois, embora julgando procedente em parte a impugnação interposta, não concedeu ao recorrente o direito de compensar os valores das quotas já anteriormente recolhidas antes da apresentação da Declaração Retificadora, no valor total de R$ 2.222,16. Se os valores recolhidos fossem considerados pela decisão recorrida, ao invés do imposto a pagar de R$ 1.703,68, resultaria a favor do recorrente o montante a ser restituído de R$ 589,42. É o Relatório. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13706.002290/200462 Acórdão n.º 210201.190 S2C1T2 Fl. 109 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O contribuinte apresentou tempestivamente sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 1999, exercício 2000, fls. 53/55, com rendimentos tributáveis de R$ 60.806,96 e saldo de imposto a pagar de R$ 2.222,17. Em 01/03/2003, o contribuinte apresentou DAA retificadora, fls. 49/51, alterando os rendimentos tributáveis para R$ 38.761,40 e apurando saldo de imposto a restituir de R$ 3.840,36. A DAA retificadora foi revisada gerando Auto de Infração, fls. 13/17, que foi impugnado. A decisão recorrida considerou o lançamento procedente em parte, para considerar devido o saldo de imposto a pagar de R$ 1.703.68. No recurso, o contribuinte alega que para o cálculo do saldo do imposto a pagar deixouse de considerar as quotas recolhidas em razão da DAA original. Frisese que constam dos autos cópias autenticadas de seis DARF, fls. 100/102, mediante os quais foram recolhidas as seis quotas de R$ 370,36, cujo somatório perfaz a quantia de R$ 2.222,17, que corresponde ao saldo de imposto a pagar apurado na DAA original. De fato, tanto no Auto de Infração quanto na decisão recorrida deixouse de considerar os pagamentos efetivados pelo contribuinte. De acordo com o inciso I do art. 156 do CTN o pagamento extingue o crédito tributário e estando o mesmo extinto não pode, por óbvio, ser exigido do contribuinte mediante lançamento de ofício. Assim, considerando que após decisão de primeira instância o imposto devido remanescente é de apenas R$ 1.703,68, devese reconhecer que assiste razão ao contribuinte quando afirma ter direito à restituição no valor de R$ 518,49. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso, para que seja restituído ao contribuinte o valor de R$ 518,49 com os acréscimos legais pertinentes. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 138DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13706.002290/200462 Acórdão n.º 210201.190 S2C1T2 Fl. 110 4 Fl. 139DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
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