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Numero do processo: 16327.001504/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS DAS BOLSAS. TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS.
A reserva de atualização dos títulos patrimoniais das bolsas de valores não será levada à tributação desde que destinada à incorporação ao capital da pessoa jurídica, conforme estabelecido na Portaria MF n° 785/77.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora.
Numero da decisão: 1201-001.122
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: André Almeida Blanco
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score : 1.0
Numero do processo: 13804.002668/00-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE DECABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
A jurisprudência administrativa e judicial tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato.
Embargos de Declaração rejeitados.
Numero da decisão: 3201-001.943
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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HIPÓTESES DE DECABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. A jurisprudência administrativa e judicial tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, algum erro de fato. Embargos de Declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 26 68 /0 0- 70 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº. 3202001.100, de 27/02/2014 (fls. 451 e ss.), cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÃO A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, sob a sistemática do recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC, de que o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela Cofins criado via instrução normativa exorbita os limites impostos pela lei ordinária. INSUMO. ESTOQUE EM 31/12/1999. APROVEITAMENTO QUANDO OCORRER A EXPORTAÇÃO. O valor das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção de produtos não acabados e dos produtos acabados mas não vendidos existentes em estoque em 31/12/1999 deve ser acrescido à base de cálculo do crédito presumido correspondente ao primeiro trimestre de 2000, se houver exportação para o exterior. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. OPOSIÇÃO À UTILIZAÇÃO PELA ADMINSTRAÇÃO PÚBLICA. CORREÇÃO PELA TAXA SELIC. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, sob a sistemática do recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC, de que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária pela taxa Selic. Recurso voluntário provido. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.002668/0070 Acórdão n.º 3201001.943 S3C2T1 Fl. 480 3 Alega a Embargante que a decisão incorreu em obscuridade e contradição. Afirma que a Eg. Turma reconheceu a incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI, tendo em vista decisão do STJ sobre a matéria em sede de recurso repetitivo (RESP 993.164 e RESP 1150188). Todavia, analisando os presentes autos, percebese que o despacho decisório de fls. 155/158 deferiu parcialmente o crédito presumido de IPI no montante de R$ 2.208.549,29. Quanto ao valor acima referido, não houve, pois, qualquer embaraço ao recebimento do crédito, tendo a Fazenda Nacional se manifestado favoravelmente ao contribuinte no primeiro momento em que lhe coube pronunciarse no processo. Sendo assim, inexistindo qualquer ato de oposição estatal ao ressarcimento do IPI, no valor de R$ 2.208.549,29, entendese que, ao menos em relação a tal montante, não cabe a aplicação da Selic, tendo em vista o próprio pressuposto adotado pelo Superior Tribunal de Justiça. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Cabe ressaltar, inicialmente, que, como cediço, os embargos declaratórios têm a finalidade de aclarar a decisão embargada ou trazer à discussão matéria omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. É o que prevê o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao assim dispor: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Conforme doutrinam Fredie Didier Jr. e Leonardo Carneiro da Cunha, é omissa a decisão a) que não se manifestar sobre um pedido ou b) sobre argumentos relevantes lançados pelas partes e c) quando não apreciadas matérias de ordem pública, portanto cognoscíveis de ofício pelo magistrado, tenham ou não sido suscitadas pelas partes. Os mesmos autores consideram obscura a decisão quando ininteligível, portanto malredigida, faltandolhe a devida clareza. E contraditória, quando traz proposições inconciliáveis entre si, exemplificando com aquela em que há uma contradição entre os seus fundamentos e a sua conclusão (Direito processual civil: meios de impugnação às decisões judiciais e processo nos tribunais. Salvador: JusPODIVM, 2006, p. 131). Acresçase que a jurisprudência tem admitido o manejo dos embargos também para os casos em que se verifica existir, na decisão embargada, um erro de fato – uma ideia equivocada sobre o que, no plano da realidade, ocorreu. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 E, de fato, analisada a decisão embargada, constatase existir o vício da obscuridade apontado nos embargos. É que, ao serem reproduzidas, na decisão embargada, as decisões proferidas pelo Superior Tribunal sobre a matéria (a incidência da taxa Selic sobre créditos a serem ressarcidos), foram transcritas apenas aquelas que se referiam ao óbice criado por ato estatal, normativo ou administrativo, impedindo a sua utilização. Trecho decerto copiado de outra decisão administrativa semelhante. Todavia, o contexto em que se inseria o litígio era diverso. A incidência da taxa Selic se fazia necessária no caso em face não de um ato estatal, mas da demora na apreciação do pedido de ressarcimento. Como já consignado na decisão embargada, esta Corte Administrativa vem acompanhando, por imposição do art. 62A do Regimento Interno deste Colegiado (RICARF), as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no rito dos recursos repetitivos, que deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, como é exemplo o REsp n° 1.035.847/RS, cuja ementa foi transcrita na decisão embargada. Por isso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, aplicando o mesmo art. 62A do RICARF, entendeu aplicável a taxa Selic, no caso de pedido de ressarcimento de IPI, quando configurada a mora da Administração Pública: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. (CSRF, Acórdão 9303002.392, de 15/08/2013) Ocorre que, para que se verifique se houve ou não demora na apreciação do pleito, devese observar a Lei nº 11.457, de 2007, diploma legal que, dispondo sobre a Administração Tributária Federal, previu, em seu art. 24, que “É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte”. Daí a decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1489753/PR, DJ de 23/09/2014, cuja ementa é a seguinte: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. DEMORA NA ANÁLISE DO PEDIDO. MORA. TERMO A QUO. APÓS PRAZO LEGAL DE 360 DIAS. ART. 24 DA LEI N. 11.457/2007. 1. Após a vigência do art. 24 da Lei n. 11.457/2007, não há dúvida a ser dirimida, cabendo reconhecer que a "resistência ilegítima" da Fazenda Pública geradora do direito de correção Fl. 482DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 13804.002668/0070 Acórdão n.º 3201001.943 S3C2T1 Fl. 481 5 monetária de ressarcimento de créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, a contar do protocolo do pedido de ressarcimento. 2. Tal prazo legal marca também o termo inicial da mora. Precedentes. Agravo regimental improvido Assim, considerando o entendimento esposado pela CSRF e a manifesta demora na apreciação do pleito (o pedido foi apresentado em março de 14/11/2000 e o Despacho Decisório só foi cientificado à contribuinte em 18/12/2007), cabe a incidência dos juros moratórios à taxa Selic sobre o deferido, desde a protocolização do pedido de ressarcimento, conforme decidido pela Turma quando da apreciação do recurso voluntário. Pelo exposto, voto no sentido conhecer e acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para manter a decisão recorrida que reconheceu a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos desde a protocolização do pedido de ressarcimento. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 483DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 2/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10920.000935/2007-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3301-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Florianópolis (fls. 1241/1270 da cópia digitalizada do processo doravante utilizada como padrão de referência), a qual, por maioria de votos, julgou procedente o auto de infração lavrado contra o sujeito passivo Acsicomex Importação e Exportação Ltda., e seu responsável solidário, a empresa AGC Eletro Eletrônica Ltda., nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/05/2005 a 02/04/2007 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 93 5/ 20 07 -4 2 Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10920.000935/200742 Resolução nº 3301000.216 S3C3T1 Fl. 1.348 2 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/05/2005 a 02/04/2007 MEIOS DE PROVA. PROVA INDICIÁRIA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 16/05/2005 a 02/04/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Lançamento Procedente O acórdão foi proferido no seguinte sentido: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O julgador Gustavo Lima Santos Souza votou pela procedência parcial do lançamento, entendendo ser cabível a aplicação retroativa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, conforme declaração de voto. Reconhecer a solidariedade passiva entre a autuada (ACSICOMEX Importação e Exportação Ltda) e AGC Eletro Eletrônica Ltda, todos apresentados às fls. 711/712 dos autos. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993 e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Quanto à ciência da decisão da DRJ Florianópolis, a mesma só ocorreu em relação ao sujeito passivo Acsicomex Importação e Exportação Ltda., conforme Comunicado nº 290/2008 (fls. 1271), não tendo havido nenhuma notificação em relação à empresa AGC Eletro Eletrônica Ltda., muito embora esta tenha apresentado tempestiva impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10920.000935/200742 Resolução nº 3301000.216 S3C3T1 Fl. 1.349 3 Conforme relatado, vêse que a lide envolve lavratura de auto de infração contra a pessoa jurídica Acsicomex Importação e Exportação Ltda., e seu responsável solidário, a empresa AGC Eletro Eletrônica Ltda.. Não obstante, a ciência da decisão de primeira instância só ocorreu em relação ao sujeito passivo Acsicomex Importação e Exportação Ltda., conforme Comunicado nº 290/2008 (fls. 1271). Assim, a empresa AGC Eletro Eletrônica Ltda. não foi cientificada da decisão em tela, medida essa indispensável, uma vez que a decisão em questão, ao apreciar a impugnação do aludido sujeito passivo (fls. 1204/1226), manteve sua condição de responsável solidária. E digo isso mesmo ciente do conteúdo da Súmula CARF nº 71, segundo a qual "todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade". Todavia, a legitimidade de uma das partes para contestar o lançamento em sua plenitude não pode afastar o direito de um dos interessados apresentar suas próprias considerações. Diante do exposto, e para que não seja cerceado o direito de defesa do responsável solidário, voto para que o presente julgamento seja convertido em diligência, a fim de que os autos sejam devolvidos à unidade de origem para a ciência da pessoa jurídica AGC Eletro Eletrônica Ltda. quanto ao teor do acórdão de primeira instância, que, querendo, poderá apresentar seus argumentos no prazo legal para interposição do correspondente recurso voluntário. Cientificado o responsável solidário e transcorrido o prazo para apresentação do aludido recurso, deverão os autos ser devolvidos a este CARF para o julgamento do feito. É como voto. Sala de sessões, em 09 de dezembro de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 31/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012008/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1994 a 30/06/1998
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. Súmula 01 do CARF.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de renúncia tácita às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1994 a 30/06/1998 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. Súmula 01 do CARF. Recurso Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de renúncia tácita às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01. André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual verse o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme determinado pelo §3º do art. 126 da Lei no 8.213/91. Súmula 01 do CARF. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de renúncia tácita às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 20 08 /2 00 8- 81 Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15504.012008/200881 Acórdão n.º 2401004.126 S2‐C4T1 Fl. 1.521 3 Relatório Período de apuração: 01/04/1994 a 30/06/1998. Data da lavratura da NFLD: 20/11/1998. Data da Ciência da NFLD: 20/11/1998. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 32.667.6031, referente a contribuições devidas a Seguridade Social, parte patronal, inclusive a destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho – SAT/incapacidade laborativa resultante dos riscos ambientais do trabalho e parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados que prestaram serviços na condição de contratados via Direito Administrativo, no período de 04/1994 a 06/1998. Impugnado o lançamento, o crédito tributário foi julgado procedente, conforme DecisãoNotificação nº 11.601.0/069/99. Interposto recurso voluntário, os membros da 6ª Câmara de Julgamento do CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social decidiram, por unanimidade, em conhecer do recurso e negarlhe provimento, nos termos assinalados no Acórdão nº 06/03204/1999. Inconformado, o contribuinte ajuizou Ação Anulatória nº 1999.38.00.0334482, e Ação Cautelar Inominada nº 1999.38.00.031677, que determinou a suspensão da exigibilidade do crédito objeto das NFLD nº 32.667.6031 e 32.667.6040. O Acordo Judicial celebrado em 08/07/2010, pela União e pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, de um lado e o Estado de Minas Gerais, de outro, nos autos do Recurso Especial nº 1.135.162/MG, objetivou, de forma geral, encerrar a discussão instaurada nos autos do Mandado de Segurança – Processo nº 1999.38.00.0178182, cujo objeto era a vinculação previdenciária dos servidores estaduais não titulares de cargo efetivo e a exigência do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias com todos os consectários legais, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a ditos servidores. Foi considerada na elaboração do acordo a Constituição do Estado de Minas Gerais, em especial, a Emenda Constitucional nº 49, de 13 de junho de 2001, a Lei Complementar Mineira nº 64, de 25 de março de 2002, e a Lei Complementar Mineira nº 100, de 05 de novembro de 2007. Na alínea “j desse acordo havia previsão de que as partes deveriam comunicar ao juízo de cada ação a homologação do acordo celebrado nos autos do RESP nº 1.135.162/MG. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Nos termos do acordo, o IMA, em 30/08/2010, solicitou a exclusão dos valores lançados nessa NFLD, por referirse a período pré Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998. Entretanto, o IMA permaneceu inerte e não comunicou ao Juiz sobre a referida homologação. Dessa forma, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, nos autos da Ação Cautelar Inominada nº 1999.38.00.031677, bem como da Ação Ordinária nº 1999.38.00.0334482, concluiu que os “servidores ocupantes de cargo em comissão, de livre nomeação e exoneração e os trabalhadores por tempo determinado devem ser considerados segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência”. No Despacho Decisório nº 457/2014, a fls. 1207/1212, concluiuse pela manutenção do crédito tributário. Essa decisão fundamentouse na referida decisão judicial proferida pelo TRF da 1ª Região e no entendimento exarado no Parecer PGFN/CRJ/Nº 958/2012: “18. Dado o prosseguimento da ação, que concluiu por negar provimento à apelação e à remessa oficial, o crédito objeto da NFLD 32.667.6034 passou a ser exigido. O lançamento, s.m.j. deve ser mantido. Assim se manifestou a PGFN no Parecer PGFN/CRJ/Nº 958/2012: ... entendo pela subsistência da coisa julgada em favor da União (Fazenda Nacional), mesmo diante de orientações administrativas favoráveis, em tese, ao contribuinte.” Ao tomar ciência deste despacho, o IMA, sob alegação de que a autoridade administrativa havia procedido à revisão de ofício do lançamento, nos termos do art 149, inciso VIII, do CTN, apresentou o denominado “Recurso Administrativo com Pedido de Efeito Suspensivo” ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG, a fls. 1218/1231, afirmando que a manutenção do crédito contraria o trânsito em julgado da decisão homologatória do acordo, que foi prolatada em 18/10/2010, ou seja, em data anterior ao trânsito em julgado da Ação Anulatória, que somente se efetivou em 04/02/2014. Despacho do Sr. Chefe da MF/SRF/SRRF06/DRF/BHE/Secat, de 02/05/2014, a fls. 1297/1299, decidiu pela manutenção do inteiro teor do Despacho Decisório nº 457/2013, com a cobrança do crédito tributário correspondente e, nos termos do inciso II do art. 3º da Portaria DRF/BHE nº 160, de 30 de setembro de 2013, DOU de 03 de outubro de 2013, negou seguimento ao denominado recurso por não atender aos requisitos legais. Devidamente intimado, o IMA interpôs “Recurso com Efeito Suspensivo” a este CARF, a fls. 1301/1329, requerendo: 1. Concessão de efeito suspensivo; 2. Cumprimento da Medida Liminar concedida no Mandado de Segurança nº 0032.92287.2014.4.01.38.00; 3. Reconhecimento da exclusão do crédito tributário, em razão da homologação do acordo judicial celebrado entre o Estado de Minas Gerais a União e o INSS; 4. Alternativamente, exclusão das penalidades, juros e correção monetária; Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15504.012008/200881 Acórdão n.º 2401004.126 S2‐C4T1 Fl. 1.522 5 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/05/2014. Havendo sido o Recurso protocolizado em 19/05/2014, há que se reconhecer a sua tempestividade. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO O presente recurso houvese por protocolizado na DRF/Belo Horizonte/MG em 19/05/2014. Cumpre inicialmente ser destacado que a competência das Turmas de Julgamento do CARF cingese ao julgamento recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância de processos de exigência de tributos ou de contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do inciso II do art. 25 do Dec. nº 70.235/72. No caso em apreço, a questão de mérito acerca do lançamento aviado mediante a NFLD nº 32.667.6031 já foi objeto de julgamento na Primeira Instância, conforme DecisãoNotificação nº 11.601.0/069/99, assim como em grau de Recurso Voluntário, o qual houvese por realizado pela 6ª Câmara de Julgamento do CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social, cujos membros decidiram, por unanimidade, em conhecer do recurso e negarlhe provimento, nos termos assinalados no Acórdão nº 06/03204/1999. Houvese por esgotada, aqui, a Instância administrativa a respeito do mérito do lançamento aviado na NFLD nº 32.667.6031. Ao contrário do alegado pelo IMA, não houve no presente caso qualquer revisão de ofício do lançamento dos créditos tributários controlados no presente processo. O crédito ora em debate não sofreu qualquer revisão, ajuste, alteração, NADA !!! O lançamento permanece o mesmo, na forma em que se houve por lavrado por lavrado pela Fiscalização, e referendado pela DN nº 11.601.0/069/99, e pelo Acórdão nº 06/03204/1999. Dessarte, o lançamento em questão já se encontra ornado com o atributo da coisa julgada administrativa. O Despacho Decisório nº 457/2014, a fls. 1207/1212, apenas concluiu pela manutenção do crédito tributário, já tornado definitivo na Instância administrativa, nos termos do inciso II do art. 42 do Dec. nº 70.235/72, e art. 141 do CTN, não tendo ele sofrido qualquer revisão de ofício a justificar a alegada reabertura do iter procedimental. Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15504.012008/200881 Acórdão n.º 2401004.126 S2‐C4T1 Fl. 1.523 7 Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Código Tributário Nacional Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, o IMA ajuizou, em 14/05/2014, perante a Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, o Mandado de Segurança nº 0032922 87.2014.4.01.3800, em trâmite na 21ª Vara Federal, alegando as mesmas razões de fato e de Direito, e pleiteando, no tudo e no todo, a mesma pretensão aviada no recurso ora em exame. Assentado que a citada medida judicial fundamentase sobre as mesmas razões de fato e de Direito e formula as mesmas pretensões aviadas no recurso ora em apreciação, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Registrese, por relevante, que o Recorrente ab initio invoca em seu favor os frutos que lhe são positivos dimanados dos provimentos obtidos na Instância Judicial acima referida, pleiteando, inclusive, dentre seus pedidos, que: “c. Seja cumprida a medida liminar determinada nos autos «do Mandado de Segurança nº 003292287.2014.4.01.3800, para suspender a exigibilidade do crédito tributário até a decisão» (final) dos “recursos interpostos na esfera administrativa”, sob pena de responsabilidade, do agente público (Chefe do SECAT), em tese, pelos crimes de prevaricação (CP, art. 319) e desobediência (CP, art. 330)”. Merece ser citado, por relevante, que sentença proferida pela 21ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, a fls. 1514/1519, nos autos do Mandado de Segurança nº 003292287.2014.4.01.3800, assim decidiu: “3. Em face do exposto, existindo ato ilegal, concedo a segurança para, tornando definitiva a liminar, declarar a inexigibilidade dos créditos tributários objeto das NFLD 32.667.6031 e 32.667.6040 e determinar, por conseguinte, o cancelamento dos Créditos Tributários constituídos e das penalidades correlatas”. Em face de tal decisão, a União interpôs Recurso de Apelação ao TRF da 1ª Região, o qual se encontra pendente de julgamento. Diante desse quadro, atraindo para si o Recorrente os efeitos da demanda judicial, qualquer que seja a decisão proferida na esfera Administrativa, esta não surtirá qualquer consequência perante o provimento judicial. A matéria em apreço já foi reiteradamente enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesse contexto, ao ajuizar perante a Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, o Mandado de Segurança nº 003292287.2014.4.01.3800, assentado nas mesmas razões Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 15504.012008/200881 Acórdão n.º 2401004.126 S2‐C4T1 Fl. 1.524 9 de fato e de Direito e formulando as mesmas pretensões aviadas no recurso ora em apreciação, o Recorrente tacitamente renunciou às Instâncias Administrativas. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Reiterese que a renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Recorrente. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o Poder Judiciário. Diante desse quadro, inviável se torna o conhecimento, por esta Corte, do Recurso interposto a fls. 1301/1329, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º, da Lei nº 8.213/91, e em atenção à Súmula nº 1 do CARF. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso, em razão da renúncia tácita às Instâncias Administrativas. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da renúncia tácita às Instâncias Administrativas, nos termos da Súmula CARF nº 01. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10945.720481/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/05/2009 a 31/12/2011
COFINS. BENEFÍCIOS ESTADUAIS-ICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica (operacionais ou não operacionais), independentemente de sua denominação ou classificação contábil sendo irrelevante a classificação das receitas como subvenções (para custeio ou operação, ou para investimento) ou outras rubricas.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. GLOSA DE SALDO CREDOR. DIFERENÇAS.
A decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4o da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado.
Numero da decisão: 3401-003.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, nos seguintes termos: (a) em relação à caracterização de benefícios fiscais estaduais como receita - negou-se provimento, por qualidade, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e tendo o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira acompanhado o relator pelas conclusões; (b) no que se refere a insumos glosados - negou-se provimento, por unanimidade; e (c) no que se refere a saldos não comprovados de períodos anteriores - negou-se provimento, por maioria, vencido o conselheiro Elias Fernandes Eufrásio.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente Substituto.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/05/2009 a 31/12/2011 COFINS. BENEFÍCIOS ESTADUAIS-ICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica (operacionais ou não operacionais), independentemente de sua denominação ou classificação contábil sendo irrelevante a classificação das receitas como subvenções (para custeio ou operação, ou para investimento) ou outras rubricas. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. GLOSA DE SALDO CREDOR. DIFERENÇAS. A decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4o da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado.
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BENEFÍCIOS ESTADUAIS ICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.637/2002, a Contribuição para o PIS/PASEP incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, sendo irrelevante a classificação das receitas como subvenções (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”) ou outras rubricas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. GLOSA DE SALDO CREDOR. DIFERENÇAS. A decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4o da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/05/2009 a 31/12/2011 COFINS. BENEFÍCIOS ESTADUAISICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 04 81 /2 01 4- 71 Fl. 11610DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei no 10.833/2003, a COFINS incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil sendo irrelevante a classificação das receitas como subvenções (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”) ou outras rubricas. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. GLOSA DE SALDO CREDOR. DIFERENÇAS. A decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4o da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, nos seguintes termos: (a) em relação à caracterização de benefícios fiscais estaduais como receita negouse provimento, por qualidade, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e tendo o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira acompanhado o relator pelas conclusões; (b) no que se refere a insumos glosados negouse provimento, por unanimidade; e (c) no que se refere a saldos não comprovados de períodos anteriores negouse provimento, por maioria, vencido o conselheiro Elias Fernandes Eufrásio. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente Substituto. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 17/04/2014 (fls. Fl. 11611DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.720481/201471 Acórdão n.º 3401003.102 S3C4T1 Fl. 11.611 3 11199 a 11240 e 11241 a 11282)1 para exigência, respectivamente, de COFINS (crédito total original de R$ 7.741.403,69) e de Contribuição para o PIS/PASEP (crédito total original de R$ 1.640.354,89), ambas referentes ao período de junho de 2009 a dezembro de 2011, e à sistemática da não cumulatividade, por insuficiência de recolhimento, derivada de falta de inclusão de receitas na base de cálculo e de glosas de créditos, detalhada em Termo de Verificação Fiscal (TVF). No TVF (fls. 11177 a 11198) a fiscalização narra, basicamente, que: (a) não foram considerados na base de cálculo (Linha 02 das fichas 07A e 17A do DACON) os valores da conta 30110 (outras receitas operacionais, especificamente as subcontas "venda de fécula", "aluguéis recebidos", "indenização/sinistros", "incentivo fiscal ICMSMS", "crédito presumido ICMSPR" e "crédito presumido ICMSSP"), e as subvenções recebidas de governos estaduais constituem receitas, conforme art. 195A da Lei no 6.404/1976; (b) foram apuradas divergências em relação às bases de cálculo informadas na Linha 01 e (venda de produtos e venda de serviços) das fichas 07A e 17A do DACON; (c) foram glosados créditos decorrentes de aquisição de bens utilizados como insumos (Linha 02 das fichas 06A e 16A do DACON), que não se enquadram em tal conceito na legislação de regência, como "despesas com vendas" (v.g., comissão de vendas, viagens, estadias, refeições), "despesas administrativas" (v.g., assistência médica, despachante, propaganda e publicidade, seguros, serviços de alimentação), "despesas tributárias" (v.g., multas e juros, tarifas de importação, ICMS), "despesas diversas" (v.g., produtos químicos, produtos e material de limpeza, produtos de laboratório, produtos de higiene, despesas com bonificações e doações, remédios, ratoeira, recarga de extintores, materiais de construção, xerox, mensalidades, fundos, créditos de telefones, bolsas de estudos), "despesas com alimentos" (v.g., pão francês, café em pó, carne bovina, frango congelado), e "serviços diversos" (v.g., serviços com retificação PIS/COFINS/IRRF, serviços de atendimento/relacionamento, honorários advocatícios, serviços de cartório, serviços contábeis, consultas Serasa); (d) foram ainda identificadas notas fiscais para as quais a denominação apresentada não possibilitou a caracterização do produto, mesmo depois de intimação fiscal (v.g., diversos, serviços diversos, prestação de serviços, peças diversas); (e) os créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas foram glosados, admitindose o crédito presumido nos casos previstos na legislação; (f) foram glosados parcialmente créditos referentes a notas fiscais duplicadas; (g) foram ainda glosados créditos de despesas de combustíveis e lubrificantes e despesas com manutenção de veículos utilizados em frota própria; (h) houve glosa também de créditos relativos a aquisições de produtos sujeitos a incidência monofásica; (i) nas importações, o crédito foi limitado ao efetivamente recolhido no registro da declaração de importação; (j) no que se refere a serviços utilizados como insumos (Linha 03 das fichas 06A e 16A do DACON), também foram objeto de glosa aqueles que não se enquadram no conceito de insumo (v.g., 13o salário, férias, custos com manutenção e benfeitorias, manutenção de equipamentos de informática); (k) os créditos proporcionais (com base nos encargos de depreciação) de bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção de mercadorias destinadas à venda (v.g., equipamentos de comunicação, material de escritório, móveis e utensílios) foram ainda objeto de glosa; e (l) não comprovada a origem dos saldos de créditos de períodos anteriores (2006 e 2007), mesmo após intimação, estes não foram tomados em conta pela fiscalização. Cientificada das autuações em 24/04/2014 (cf. AR de fl. 11285), a empresa apresenta, em 20/05/2014, impugnação (fls. 11287 a 11364), alegando, em síntese, que: (a) os incentivos fiscais concedidos unilateralmente pelos Estados da federação consistem, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 11612DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 principalmente, em redução ou isenção da cobrança de ICMS, e não representam nem subvenções para custeio nem subvenções para investimento, mas simplesmente estorno de despesas, afastando a incidência das contribuições, como atesta a própria RFB (Solução de Divergência no 15/2003 e ADI no 22/2003); (b) mesmo tendo o TRF da 4a Região decidido pela ilegalidade das Instruções Normativas SRF no 247/2002 e no 404/2002, o fisco insistem em adotar conceito restritivo de insumos, tendo o CARF apresentado entendimento mais abrangente para o conceito, seja como despesa necessária, na legislação do IRPJ, ou ainda, a partir do critério da essencialidade ou relevância no desenvolvimento da atividade econômica, destacandose que em tais conceitos, adotados pelo CARF, não há que se falar em glosa no presente processo; (c) as "despesas com vendas", "despesas administrativas" e "despesas com alimentos" enquadramse no que o CARF (Acórdão CSRF no 9303.01.470, entre outros) tem classificado como "despesas operacionais", e, portanto, são essenciais às atividades da empresa; (d) em relação a "despesas tributárias", não são especificamente apontadas as glosas realizadas, ferindo a reserva legal e o direito de defesa; (e) as "despesas diversas" se referem a insumos ou despesas operacionais (v.g., produtos químicos, xerox, recargas de extintores); (f) os "serviços" diversos são essenciais ao desenvolvimento da atividade da empresa, afetando o resultado fim, e a empresa faz jus ao créditos sobre combustíveis, lubrificantes e despesas de manutenção de veículos, mesmo em se tratando de frete "intercompany", diante de expressa previsão legal, e de aplicação de analogia, à luz do princípio constitucional da isonomia; (g) a venda com alíquota zero em nada modifica o direito de crédito, sendo que a não cumulatividade prevista na legislação que rege as contribuições não demanda recolhimento na etapa anterior; (h) os serviços glosados são essenciais às atividades da empresa ; (i) os bens do ativo imobilizado para os quais houve glosa de créditos são essenciais à atividade operacional e produtiva da empresa; (j) o lançamento das contribuições está sujeito ao prazo decadencial de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4o do CTN, desfalecendo qualquer investidura fiscal de lançamento extemporâneo; e (k) não foi observado pelo fisco o entendimento de tribunais superiores, administrativos e judiciais, nem os conceitos de insumos e de despesas operacionais, ocasionando locupletamento ilícito. Em 13/08/2014 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 11476 a 11501), no qual se decide acorda unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que: (a) não há contestação expressa na impugnação sobre diferenças na composição da base de cálculo, à exceção da referente a incentivos fiscais; (b) os incentivos fiscais ocasionaram aumento patrimonial, caracterizandose como receita (o que é endossado no Pronunciamento Técnico CPC 07, entre outros, e em decisões do CARF); (c) o STJ entendeu regulares as Instruções Normativas SRF no 247/2002 e no 404/2002, que estabelecem a delimitação do conceito de insumos para as contribuições, de observância obrigatória pela DRJ; (d) nenhuma das despesas glosadas se amolda ao conceito de insumos previstos na citada legislação; (e) as glosas de "despesas tributárias" se referem a registros constantes em declarações da própria empresa, não sendo procedentes as alegações de cerceamento de defesa ou violação à reserva legal; (f) as despesas com combustíveis e lubrificantes não se referem ao processo produtivo e, no que se relacionam com a atividade secundária de transporte, já foram contemplados pelo fisco; (g) também os créditos glosados em relação a serviços e a ativo imobilizado refletem gastos que não estão relacionados à atividade produtiva; e, (h) em relação ao saldo de créditos, continua a empresa a não comprovar sua origem, preferindo questionar somente a possibilidade de exigência, que não encontra óbice na legislação, conforme entende o CARF. Cientificada do acórdão da DRJ em 28/08/2014 (cf. AR à fl. 11506), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 18/09/2014 (fls. 11507 a 11591), basicamente reiterando os argumentos expressos na impugnação. É o relatório. Fl. 11613DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.720481/201471 Acórdão n.º 3401003.102 S3C4T1 Fl. 11.612 5 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado atende os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A matéria que resta controversa, nos autos, em relação à base de cálculo das contribuições, referese ao cômputo de benefícios fiscais estaduais. Em relação aos créditos, há controvérsia em relação à delimitação do conceito de insumos para as contribuições, e suas consequências nas glosas em espécie, assim como no que se refere à possibilidade de lançamento em relação a saldo não comprovado de períodos anteriores. Dos benefícios fiscais estaduais Afirmase no lançamento que não foram considerados na base de cálculo das contribuições os valores da conta 30110 (outras receitas operacionais, especificamente as subcontas "venda de fécula", "aluguéis recebidos", "indenização/sinistros", "incentivo fiscal ICMSMS", "crédito presumido ICMSPR" e "crédito presumido ICMSSP"), e que as subvenções recebidas de governos estaduais constituem receitas, conforme art. 195A da Lei no 6.404/1976. A recorrente alega, em sua defesa, que os incentivos fiscais concedidos unilateralmente pelos Estados da federação consistem, principalmente, em redução ou isenção da cobrança de ICMS, e não representam nem subvenções para custeio nem subvenções para investimento, mas simplesmente estorno de despesas, afastando a incidência das contribuições, como atesta a própria RFB (Solução de Divergência no 15/2003 e ADI no 22/2003). A discussão normalmente travada neste CARF sobre as incentivos fiscais estaduais, como os aqui tratados, referese a sua classificação como "subvenção para investimento" ou "subvenção para custeio", confrontando o teor de dispositivos como o 443 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1999) e o art. 44 da Lei no 4.506/1964. Tal discussão, como afirmamos no Acórdão no 3403003.420, é a priori relevante (porque revelaria a correta contabilização, como “receita bruta operacional” ou “reservas de capital”), mas sucumbe diante de questão reflexa (se tal contabilização vai ou não afetar a tributação pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS). E é essa segunda discussão que se trava no presente processo, porque não se concentra a autuação nem a defesa simplesmente na classificação das subvenções. No TVF, a acusação fiscal (fl. 11181) é de que: 13. Assim, uma vez que para a contribuição para o PIS/Pasep e Cofins (regime de tributação nãocumulativo) o fato gerador desses tributos é o auferimento de qualquer receita por parte da pessoa jurídica, sendo irrelevante a sua classificação contábil, conforme regramento estabelecido pelo art. 1º da Lei nº 10.637, Fl. 11614DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 de 30 de dezembro de 2002 e do art. 1º Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e considerando que os incentivos fiscais, os alugueis e as indenizações recebidas classificam como receitas nãooperacionais e que tais receitas não constam da lista de exclusões do § 3º das leis supracitadas, estas serão tributáveis." (grifo nosso) E a defesa, mesmo explicando as modalidades de subvenção, trilha (fl. 11516) a linha de que: Em outro excerto da defesa, esclarecese que se está a tratar de crédito presumido de ICMS (fl. 11510): E, na sequência, fundandose em atos da RFB (Solução de Divergência no 15/2003 e ADI no 22/2003), alega a recorrente (fl. 11519) que: Ocorre que nenhum dos atos da RFB citados está a tratar dos benefícios de ICMS em análise no presente processo. E não demonstra a recorrente identidade alguma entre a matéria tratada nos atos da RFB e o caso concreto. Simplesmente colaciona atos e afirma que "os incentivos fiscais devem ser considerados como despesas". A simples leitura dos próprios atos colacionados é suficiente para verificar que em nenhum deles se está a afirmar que "os incentivos fiscais devem ser considerados como despesas", mas simplesmente que alguns podem ser considerados como despesas (e não se demonstra porque os que se está a tratar no presente processo estariam entre esses). Não se defende, assim, a recorrente, da conduta imputada na autuação, especificando qual o fundamento para exclusão das receitas com incentivos fiscais estaduais da base de cálculo das contribuições. Simplesmente alega que "os incentivos fiscais devem ser considerados como despesas", sem amparo normativo em relação aos incentivos analisados no caso concreto. Ocorre que computa tais incentivos como "outras receitas operacionais". Absolutamente inconsistente, assim, a linha de defesa. Ademais, restando incontroverso que os incentivos fiscais se referem a crédito presumido de ICMS, é inegável que constituem receita, e devem ser computados na base de cálculo das contribuições, por força do art. 1o das Leis de regência (Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003). Fl. 11615DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.720481/201471 Acórdão n.º 3401003.102 S3C4T1 Fl. 11.613 7 Na sistemática da não cumulatividade, regida por tais leis, as contribuições incidem sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil", sendo irrelevante a classificação das receitas como subvenções (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”) ou mesmo como outras rubricas (como, no caso, "outras receitas operacionais"). Assim, não prosperam as razões de defesa em relação a este tópico. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições Como exposto na Resolução no 3403000.597, e em reiterados julgados deste CARF, o termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Fl. 11616DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Há, assim, que se concluir que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo este CARF, e, mais especificamente, a turma de origem: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (na mesma linha os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, incumbe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. E a adoção do entendimento aqui exposto não representa afronta a entendimento consagrado em tribunais superiores administrativos ou judiciais. Isso porque não existe tal entendimento consagrado, ou ainda porque nenhuma das decisão citadas exerce poder vinculante sobre o julgamento no âmbito deste CARF. Assim como a recorrente anexa diversas decisões do CARF de tribunais que entende operarem em seu favor, também a DRJ anexa decisões de tribunais superiores administrativos e judiciais que se encontram em harmonia com a linha adotada na autuação. Ademais, a recorrente traz diversas menções a julgados do CARF, mas não é feliz em amoldálos ao caso concreto que aqui se analisa, como se percebe no tópico a seguir. Da aplicação do conceito de insumos às glosas em espécie As glosas em espécie relacionadas na autuação são referentes a: (a) "despesas com vendas" (v.g., comissão de vendas, viagens, estadias, refeições); (b) "despesas administrativas" (v.g., assistência médica, despachante, propaganda e publicidade, seguros, serviços de alimentação); (c) "despesas tributárias" (v.g., multas e juros, tarifas de importação, ICMS), (d) "despesas diversas" (v.g., produtos químicos, produtos e material de limpeza, produtos de laboratório, produtos de higiene, despesas com bonificações e doações, remédios, ratoeira, recarga de extintores, materiais de construção, xerox, mensalidades, fundos, créditos de telefones, bolsas de estudos), (e) "despesas com alimentos" (v.g., pão francês, café em pó, carne bovina, frango congelado); (f) "serviços diversos" (v.g., serviços com retificação PIS/COFINS/IRRF, serviços de atendimento/relacionamento, honorários advocatícios, serviços de cartório, serviços contábeis, consultas Serasa); (g) notas fiscais para as quais a denominação apresentada não possibilitou a caracterização do produto, mesmo depois de intimação fiscal (v.g., diversos, serviços diversos, prestação de serviços, peças diversas); (h) aquisições de pessoas físicas; (i) notas fiscais duplicadas; (j) despesas de combustíveis e lubrificantes e despesas com manutenção de veículos utilizados em frota própria; (k) aquisições de produtos sujeitos a incidência monofásica; (l) créditos que excedem o efetivamente recolhido, nas importações; (m) serviços utilizados como insumos (v.g., 13o salário, férias, custos com manutenção e benfeitorias, manutenção de equipamentos de informática); e (n) créditos Fl. 11617DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.720481/201471 Acórdão n.º 3401003.102 S3C4T1 Fl. 11.614 9 proporcionais (com base nos encargos de depreciação) de bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção de mercadorias destinadas à venda (v.g., equipamentos de comunicação, material de escritório, móveis e utensílios). Em relação aos itens "a", "b" e "e" ("despesas com vendas", "despesas administrativas" e "despesas com alimentos"), a recorrente alega que são "essenciais à atividade da empresa". Tal essencialidade é, por certo, questionável, porque comissão de vendas, viagens, estadias, refeições, assistência médica, despachante, propaganda, pão francês, café em pó, entre outros itens citados na autuação, indubitavelmente não são essenciais à atividade da empresa. Não se tem a mínima dúvida, para exemplificar, que seria perfeitamente possível a empresa atuar em seu objeto social sem servir cafezinho a seus funcionários ou clientes. A recorrente, ao tratar das "despesas com vendas" (fl. 11534), alega que: E, ao argumentar sobre "despesas administrativas" (fl. 11535), complementa: Parece crer a recorrente que todas as despesas operacionais são essenciais à sua atividade, e passíveis de crédito, e transcreve em seu favor excerto de decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Mas basta uma visita ao sítio web do CARF para que se perceba, inicialmente, o contexto de onde foi retirada a frase: "As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade." (sic) (grifo nosso) Além de o contexto desmentir as conclusões de que despesas operacionais seriam sempre essenciais à atividade da empresa, a frase citada no Recurso Voluntário como conclusão da CSRF sequer figura no voto do relator daquele julgamento (que trata unicamente sobre indumentária imposta pelo próprio Poder Público), ou resulta de acordo da turma. Pelo contrário, revela tão somente o posicionamento isolado de um julgador, pois a frase faz parte Fl. 11618DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 da Declaração de Voto do Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, anexada ao resultado do julgamento ao lado da Declaração de Voto da Conselheira Susy Gomes Hoffmann (que sustenta que a ausência dos uniformes, exigidos por lei, obstaria a regular atividade da empresa). Assim, registrase que a empresa parece buscar em contexto inapropriado suas conclusões. Adicionese que a negativa de crédito, no presente processo, decorre primordialmente da inadequação de tais bens ("despesas com vendas", "despesas administrativas" e "despesas com alimentos"), assim como daqueles relacionados no item "c" deste tópico ("despesas tributárias") ao conceito de insumos adotado pela turma, devendo o bem ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, atributo que não é presente em nenhum dos itens glosados. Em relação ao item "c" deste tópico ("despesas tributárias"), acrescentese, na linha do que já esclareceu a DRJ, que as glosas tomaram por base os próprios registros da recorrente, não havendo cerceamento de defesa ou violação à legalidade. Simplesmente, há inadequação da demanda de crédito em face das leis de regência (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003). No que se refere aos itens "d", "f" e "g" ("despesas diversas", "serviços diversos" e notas fiscais para as quais a denominação apresentada não possibilitou a caracterização do produto, mesmo depois de intimação fiscal), esclareçase que a demanda de crédito há que se fazer acompanhar da devida documentação de amparo. E, não sendo possível concluir que aquele bem ou serviço foi necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, ausente resta o direito de crédito. Reiterese, ainda em relação ao tema, que bastaria que a recorrente especificasse de que forma os itens glosados (v.g., remédios, honorários advocatícios, eram efetivamente utilizados no processo produtivo, serviços diversos) eram necessários ao processo produtivo, em qualquer das ocasiões em que isso foi oportunizado, pois a simples alegação genérica de essencialidade não garante o direito de crédito. A mesma carência de argumento, por parte da recorrente, existe em relação às notas fiscais duplicadas (item "i"), aos serviços utilizados como insumos (item "m") e aos créditos proporcionais de bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção de mercadorias destinadas à venda (item "n"). Também nesse casos bastaria a demonstração, nas diversas vezes em que isso foi oportunizado, da forma pela qual, v.g., material de escritório e manutenção de equipamentos de informática, são essenciais à obtenção do produto final. Novamente, são apresentados pela empresa somente alegações genéricas de essencialidade e documentos esparsos, sem vínculo necessário com o processo produtivo. Sobre o direito ao creditamento quando a aquisição é feita sem o pagamento da contribuição (itens "h" aquisições de pessoas físicas, "l" importações, e "k" regime monofásico"), a legislação estabelece (arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003): “§ 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 11619DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.720481/201471 Acórdão n.º 3401003.102 S3C4T1 Fl. 11.615 11 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.” (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004) (grifos nossos) Da leitura dos dispositivos transcritos, extraise nitidamente que é vedado o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que indubitavelmente inclui a situação de alíquota zero). Para que haja creditamento, deve ter havido efetivo pagamento. Tentar ler algo gritantemente diferente disso no texto é negarlhe vigência, o que é tarefa vedada a este tribunal por força da Súmula CARF no 2. Ademais, acrescentese a incompatibilidade em falarse de crédito na monofasia, assim como a menção ao fato de a fiscalização, no presente caso, ter acolhido (ainda que não solicitado) os créditos de aquisições de pessoas físicas como "créditos presumidos", proporcionais. Por fim, a glosa referente a despesas com combustíveis e lubrificantes e despesas com manutenção de veículos utilizados em frota própria (item "j"), como destacou o julgamento de piso, os combustíveis não são utilizados no processo produtivo, sendo incabível o direito de crédito com amparo no inciso II do art. 3o das leis de regência. E, no que se relaciona à atividade secundária de transporte, exercida pela recorrente, a autuação já a contempla no lançamento. E adicionese nossa concordância com o argumento também externado no julgamento da DRJ, de inadequação do raciocínio empreendido na defesa, para possibilitar, em interpretação alargada e analógica, um direito a crédito, que, repitase, não encontra guarida nas disposições legais que regem a matéria. Parece a defesa da recorrente, neste aspecto, ter sido prejudicada não por deficiência na autuação, mas pela crença equivocada de que a legislação assegura, sem restrições ou limitações, v.g., créditos referentes a combustíveis e lubrificantes, podendo ser concedidos créditos mediante interpretação analógica. Assim, corretas as glosas efetuadas pelo fisco, devendo ser mantido o lançamento no que se refere à matéria tratada neste tópico. Do saldo não comprovado de períodos anteriores Na autuação, informase que não foi comprovada a origem dos saldos de créditos de períodos anteriores (2006 e 2007), mesmo após intimação, o que ocasionou que tais créditos não fossem tomados em conta pela fiscalização. A recorrente insurgese contra a desconsideração de tais créditos, ao argumento de que o lançamento das contribuições está sujeito ao prazo decadencial de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, nos termos do art. 150, § 4o do CTN, desfalecendo qualquer investidura fiscal de lançamento extemporâneo. A DRJ chama a atenção para a distinção entre o instituto da decadência, relativo à constituição de crédito tributário, e a glosa de créditos da não cumulatividade, que não tem fulcro em tais dispositivos. E que os tributos que estão sendo objeto de lançamento, em abril de 2014, referemse a períodos de junho de 2009 a dezembro de 2011. Fl. 11620DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 Por certo que se a fiscalização está a lançar determinado tributo deve se sujeitar às regras decadenciais para o lançamento. E não se tem dúvida de que na presente autuação isso foi respeitado, como se percebe das datas indicadas. Ocorre que se, dentro dos períodos fiscalizados, houver alegação do contribuinte de que existe saldo credor de períodos anteriores, este deve ser comprovado, não havendo que se falar aí em decadência (ou ainda prescrição, como sugere a peça recursal). A recorrente, diante da ausência de comprovação do saldo de créditos alegado (ausência que, digase, ainda persiste, mesmo depois de oportunizada a prova, antes do e durante o contencioso), tenta, por analogia, sem qualquer fundamento normativo, comparar o não reconhecimento de saldo credor a um lançamento que se reportaria à data original do que seriam os créditos não comprovados. Não há como acatar tal alegação, que confunde saldo de crédito não comprovado com débito. Nesse sentido tem decidido este CARF, conforme transcreve o próprio julgamento de piso, destacando decisão recente sobre a matéria, no qual a turma, por unanimidade, concluiu: "GLOSA DE CRÉDITOS. DECADÊNCIA. ABRANGÊNCIA. LANÇAMENTO. O prazo decadencial vinculase direta e exclusivamente aos fatos geradores objeto do lançamento tributário, não se aplicando a elementos advindos de período de apuração anterior, ainda que este já tenha sido atingido pela decadência. Assim, constatandose que os períodos de apuração fiscalizados encontramse passíveis de revisão, é cabível o lançamento resultante da glosa de créditos indevidamente apropriados em período de apuração alcançados pela decadência." (Acórdão no 3403002.855, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 13.ago.2014) Em outras palavras, a decadência é instituto relacionado à extinção do crédito tributário (cf. art. 156 do CTN), e tanto o comando do art. 173, I, quanto o contido no art. 150, § 4o da mesma codificação são referentes a lançamento de crédito tributário, e não a glosa de saldo credor indevido ou não comprovado. No caso, a fiscalização não lançou nenhum crédito de 2006, ou 2007. Mas, diante da informação prestada pelo contribuinte de que havia saldo credor de tais anos transportados para o período fiscalizado (2009 a 2011), oportunizou que este os comprovasse. E, diante da ausência de comprovação, desconsiderou corretamente os saldos credores. Somente haveria que se falar em decadência se, a partir da tentativa de comprovação de tais saldos credores de 2006 e 2007, o fisco apurasse que, de fato, tratavamse de saldos devedores, havendo valores de contribuição a serem exigidos para 2006 e 2007. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 11621DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10945.720481/201471 Acórdão n.º 3401003.102 S3C4T1 Fl. 11.616 13 Fl. 11622DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10410.006044/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS
O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação contábil idônea, prova que os valores depositados em suas contas bancária eram de propriedade de terceiros. No caso, não foi descaracterizada a presunção.
DIRPF. VALORES LANÇADOS A TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Os valores devidamente informados na Declaração de Ajuste devem ser afastados da presunção de rendimentos omitidos, porquanto já lançados a tributação.
DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF Nº 29. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a tributação dos rendimentos relativos a depósitos em conta corrente conjunta, sem a intimação dos cotitulares, e deduzir do total de depósitos o valor de rendimentos já oferecidos à tributação em DIRPF, de R$ 923.426,02, R$ 51.861,00, R$ 215.068,31, R$ 360,00 e R$ 17.469,86. Vencido o Conselheiro Daniel Pereira Artuzo. Designado o Conselheiro Eduardo de Souza Leão para redação do voto vencedor.
(assinatura digital)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
Responsável pela formalização ad hoc do acórdão
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação contábil idônea, prova que os valores depositados em suas contas bancária eram de propriedade de terceiros. No caso, não foi descaracterizada a presunção. DIRPF. VALORES LANÇADOS A TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores devidamente informados na Declaração de Ajuste devem ser afastados da presunção de rendimentos omitidos, porquanto já lançados a tributação. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF Nº 29. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação contábil idônea, prova que os valores depositados em suas contas bancária eram de propriedade de terceiros. No caso, não foi descaracterizada a presunção. DIRPF. VALORES LANÇADOS A TRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores devidamente informados na Declaração de Ajuste devem ser afastados da presunção de rendimentos omitidos, porquanto já lançados a tributação. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF Nº 29. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 60 44 /2 00 9- 11 Fl. 829DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a tributação dos rendimentos relativos a depósitos em conta corrente conjunta, sem a intimação dos cotitulares, e deduzir do total de depósitos o valor de rendimentos já oferecidos à tributação em DIRPF, de R$ 923.426,02, R$ 51.861,00, R$ 215.068,31, R$ 360,00 e R$ 17.469,86. Vencido o Conselheiro Daniel Pereira Artuzo. Designado o Conselheiro Eduardo de Souza Leão para redação do voto vencedor. (assinatura digital) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Responsável pela formalização ad hoc do acórdão Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em 2009 foi lavrado o Auto de Infração de efls. 05/12 para a exigência de IRPF acrescido de juros e multa de ofício. Após o procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pelo sujeito passivo, a fiscalização entendeu que haveria omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, durante o anocalendário de 2004. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de efls. 649/665, alegando, em síntese que do valor de R$ 13.257.233,68, tido como não comprovado pela Fiscalização, R$ 11.449.526,68 referemse a valores de terceiros e R$ 1.807.707,00 são relativos a rendimentos auferidos e oferecidos à tributação. Ao apreciar o litígio, a DRJ de Recife julgou procedente o lançamento (acórdão de efls. 795/807), resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 10 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10410.006044/200911 Acórdão n.º 2101002.733 S2C1T1 Fl. 830 3 Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DO VALOR OMITIDO. A omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada não se confunde com a omissão de rendimentos por variação patrimonial a descoberto, por se tratarem de infrações distintas, apuradas de formas distintas, pois na primeira não é procedido ao levantamento das origens e aplicações de recursos do contribuinte em cada mês; cada depósito, individualizadamente, deve ser objeto de comprovação pelo contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE QUE OS VALORES PERTENCEM A TERCEIROS. A alegação de que os depósitos bancários sujeitos à comprovação de origem pertencem a terceiros somente pode ser aceita se for comprovada com documentos que possibilitem demonstrar o fato, inequivocamente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com o resultado do julgamento de primeiro grau, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 811/823), alegando, em síntese, os mesmos argumentos já expendidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Redator Ad Hoc Inicio esclarecendo que, apesar de ter participado da sessão em que o presente acórdão foi proferido, não fui o relator nem o conselheiro designado para a redação do voto vencedor. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O conselheiro relator, Daniel Pereira Artuzo, restou vencido, tendo votado por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto apenas para excluir do lançamento todos os valores relativos às contas bancárias que possuem mais de um titular (Banco Bradesco Ag. 0389 conta 4.1718; Banco BANESPA Ag. 0186 conta 920012205; Banco Sudameris Ag. Maceió conta 2551328242001). Entretanto, deixou os colegiados do CARF antes de assinar a minuta de voto que havia trazido para a sessão de julgamento. Por outro lado, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso em maior extensão, para: afastar a tributação dos rendimentos relativos a depósitos em conta corrente conjunta, sem a intimação dos cotitulares, e deduzir do total de depósitos o valor de rendimentos já oferecidos à tributação em DIRPF, de R$ 923.426,02, R$ 51.861,00, R$ 215.068,31, R$ 360,00 e R$ 17.469,86. Ocorre que o conselheiro Eduardo de Souza Leão, designado para redação do voto vencedor, também deixou os colegiados do CARF antes da formalização do acórdão. Em que pese o Conselheiro Eduardo de Souza Leão ter deixado sua minuta de voto vencedor, o acórdão não foi formalizado justamente pela falta da assinatura do conselheiro relator vencido, Daniel Pereira Artuzo. Assim, eu, como presidente do colegiado, formalizo o acórdão, com base no que foi discutido na sessão pública de julgamento e nas minutas apresentadas pelo conselheiro relator e pelo conselheiro redator do voto vencedor. A seguir, reproduzo os termos do voto vencido, conforme consta da minuta do relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em relação a alegação de que parte dos depósitos bancários seriam de titularidade de terceiros, e parte relativos a rendimentos próprios já oferecidos à tributação, entendo que não assiste razão ao recorrente. O caput do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 determina que caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A jurisprudência mansa e pacífica deste CARF deu ensejo ao enunciado da Súmula CARF nº 26, com o seguinte teor: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Entretanto, dado o caráter relativo, tal presunção poderia facilmente ser desconstituída caso o recorrente comprovasse que Fl. 832DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10410.006044/200911 Acórdão n.º 2101002.733 S2C1T1 Fl. 831 5 os montantes depositados não podem ser caracterizados como renda auferida ou que os valores não pertencem a ele. Ora, o Recorrente poderia ter apresentado todas as provas que considerasse necessárias à sua defesa no momento da apresentação da sua impugnação e, até mesmo, em fase de recurso voluntário, na hipótese de ter conseguido a documentação hábil nesse momento da sua defesa. Contudo, somente foram trazidos aos autos documentos emitidos por sistema informatizados de controle do cartório, sem demonstrar os supostos vínculos e repasses supostamente realizados. No caso concreto, o contribuinte alegou que de um total de R$ 13.257.233,68 de depósitos considerados de origem não comprovada, R$ 11.449.526,68 se referem a valores de terceiros e que a diferença de R$ 1.807.707,00 já teria sido oferecida à tributação. Em sua DIRPF, verificase que o contribuinte declarou R$ 360,00 de rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas, R$ 923.426,02 de rendimentos de pessoas físicas, com despesas de livro Caixa no montante de R$ 380.838,84, e mais R$ 51.861,00 de resultado tributável da atividade rural com receita bruta anual de R$ 259.308,00, havendo declarado rendimentos declarados tributáveis no montante de R$ 975.647,62, e não de R$ 1.807.707,00 como alegado em sua defesa, além de ter declarado R$ 215.068,31 como rendimentos isentos e não tributáveis e mais R$ 17.469,86 como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva. Caso a recorrente tivesse comprovado através de documentação idônea que os valores depositados em suas contas bancária eram de propriedade de terceiros e decorrentes das suas atividades como tabelião, não restariam dúvidas de que o lançamento tributário deveria ser anulado. Conforme bem decidido pela DRJ (efl 803), no caso em apreço, a fiscalização, mesmo após intimar o contribuinte e este não trazer comprovação das origens, mas apenas alegações, juntamente com o relatório de Movimento Financeiro, que se constitui apenas de uma listagem desacompanhada de qualquer escrituração contábil formal que lhe desse amparo, ainda assim tentou, a fiscalização, verificar a relação entre os pagamentos dos títulos e os créditos dos depósitos, conforme descrito, ao que chamou de conciliação, conforme se depreende, não conseguindo, entretanto, estabelecer tal relação entre os pagamentos referidos pelo contribuinte como repasses de pagamentos de títulos recebidos pelo Cartório em nome de terceiros e os créditos questionados. Assim, devem ser rechaçadas as afirmações genéricas feitas pelo recorrente de que os valores depositados em suas contas bancárias já teriam sido objeto de tributação ou seriam de Fl. 833DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 propriedade de terceiros, uma vez que não foram comprovadas tais alegações. DEPÓSITO BANCÁRIO. CONTA CONJUNTA. SÚMULA CARF Nº 29. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Analisando o lançamento tributário, verificamos que a fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada em contas conjuntas, conforme se vê do Termo de Intimação Fiscal de efls. 357/358: Banco do Brasil Ag 132 conta 14.413X; Banco HSBC Ag 0285 conta 0100824; Banco BICBANCO Ag Maceió conta 07.0003313; Banco Rural Ag 0035 conta 80 0003168; Banco UNIBANCO Ag 293 conta 2611193; Banco Safra Ag 06500 conta 008405; Banco Itaú Ag 0369 conta 108444; Banco Bradesco Ag. 34118/16888 conta 140; justificar a conta poupança; Banco Bradesco Ag. 0389 conta 4.1718; (conta conjunta mas o extrato não nomina o outro titular); Banco BANESPA Ag. 0186 conta 920012205; (conjunta com Lourdes Otilia Breda Fortes); Banco Sudameris Ag. Maceió conta 2551328242001; (conta conjunta com Maria P Socorro B Breda). Ora, apesar de ter ciência da existência de vários titulares não existe prova nos autos de que os outros cotitulares foram intimados para explicar a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias. A falta de intimação de todos os titulares da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários resulta em vício no lançamento, por inobservância do disposto no parágrafo 6º do artigo 42 da Lei n° 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas Fl. 834DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10410.006044/200911 Acórdão n.º 2101002.733 S2C1T1 Fl. 832 7 em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Forçoso reconhecer que não se pode imputar responsabilidade a quem não foi oportunizado o direito de infirmar a presunção. A prévia intimação dos titulares da conta bancária para explicar e comprovar a origem dos créditos bancários é, portanto, condição sine qua non para que a presunção possa ser validamente aplicada. Assim, a intimação a apenas um dos titulares não supre a imposição legal de intimar os demais cotitulares das contas bancárias mantidas em conjunto, pois a presunção de omissão de rendimentos, baseada em créditos bancários, somente se consuma na medida em que todos os titulares, regularmente intimados, não comprovam, com documentação hábil e idônea, a origem dos referidos créditos. Neste sentido, após a pacificação da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi editada a Súmula CARF nº 29, que possui o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Dessa forma, reconheço a existência de vício no lançamento relativo às contas bancárias de titularidade conjunta e voto no sentido de excluir do presente lançamento todos os valores respectivos. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para excluir do presente lançamento todos os valores relativos às contas bancárias que possuem mais de um titular (Banco Bradesco Ag. 0389 conta 4.1718; Banco BANESPA Ag. 0186 conta 92 0012205; Banco Sudameris Ag. Maceió conta 2551328242001). Assim o conselheiro relator, Daniel Pereira Artuzo, votou na sessão de julgamento. Em seguida, reproduzo o voto do Conselheiro designado para redação do voto vencedor, Eduardo de Souza Leão. Avultam dos autos que o contribuinte já teria oferecido a tributação em sua DIRPF, os valores de R$ 360,00 referente a rendimentos tributáveis de pessoas jurídicas, R$ 923.426,02 de Fl. 835DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 rendimentos de pessoas físicas, R$ 51.861,00 de resultado tributável de atividade rural, além de ter declarado R$ 215.068,31 como rendimentos isentos e não tributáveis e mais R$ 17.469,86 como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva. Neste sentido, entendo que tais valores não podem ser considerados rendimentos omitidos, devendo ser deduzidos do total de depósitos tributados, porquanto já lançados à tributação, assim como os valores relativos às contas bancárias que possuem mais de um titular, apontados no voto precedente. Assim, nos termos do voto do conselheiro designado para redação do voto vencedor, o colegiado entendeu por dar provimento ao recurso em maior extensão do que aquela originalmente proposta pelo conselheiro relator, afastando também da tributação os valores tributáveis já informados pelo contribuinte em sua declaração anual de ajuste do IRPF. (assinatura digital) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 836DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 30/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15983.000817/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. SUSPENSÃO.
REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. VEDAÇÃO.
Restou provado que a entidade imune estava remunerando seus dirigentes, ao se demonstrar que as empresas constituídas pelos seus dirigentes para prestar serviços exclusivamente a ela: não tinham empregados; distribuíram lucros no montante de quase 70% do faturamento delas; recebiam, a título de pagamento por consultorias, aproximadamente, 25% do faturamento da entidade imune. Some-se a isso, o fato de que não foi demonstrado qual o serviço efetivamente prestado por tais empresas, ou seja, qual, a vinculação de tais despesas com as atividades e projetos desenvolvidos pela entidade imune.
APLICAÇÃO DE RECURSOS EM ATIVIDADES ESTRANHAS
Cofigura a aplicação de recursos em atividades estranhas ao objeto da entidade imune, quando ela transfere recursos para a Associação Educacional Santa Cecilia, empresa desprovida de capacidade econômica, para que esta empreste a clube profissional de futuebol, presidido por um dos dirigentes da entidade imune, sendo que o pagamento do empréstimo se daria anos depois sem qualquer acréscimo de juros.
Numero da decisão: 1302-001.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do ato por vício no MPF, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à remuneração de dirigentes; e 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de recursos em fins estranhos ao objeto social da recorrente
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto S. Jr Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Declarou-se impedido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Suspensão Recorrente INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO SANTA CECÍLIA ISESC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. SUSPENSÃO. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. VEDAÇÃO. Restou provado que a entidade imune estava remunerando seus dirigentes, ao se demonstrar que as empresas constituídas pelos seus dirigentes para prestar serviços exclusivamente a ela: não tinham empregados; distribuíram lucros no montante de quase 70% do faturamento delas; recebiam, a título de pagamento por consultorias, aproximadamente, 25% do faturamento da entidade imune. Somese a isso, o fato de que não foi demonstrado qual o serviço efetivamente prestado por tais empresas, ou seja, qual, a vinculação de tais despesas com as atividades e projetos desenvolvidos pela entidade imune. APLICAÇÃO DE RECURSOS EM ATIVIDADES ESTRANHAS Cofigura a aplicação de recursos em atividades estranhas ao objeto da entidade imune, quando ela transfere recursos para a Associação Educacional Santa Cecilia, empresa desprovida de capacidade econômica, para que esta empreste a clube profissional de futuebol, presidido por um dos dirigentes da entidade imune, sendo que o pagamento do empréstimo se daria anos depois sem qualquer acréscimo de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do ato por vício no MPF, divergindo a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à remuneração de dirigentes; e 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 08 17 /2 00 9- 85 Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 2 recurso voluntário relativamente à aplicação de recursos em fins estranhos ao objeto social da recorrente (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente (assinado digitalmente) Alberto Pinto S. Jr –Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Eduardo de Andrade, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Declarouse impedido o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0534.054 da 2ª Turma da DRJ/CPS (a fls. 2513), cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Imunidade. A imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal alcança somente as entidades que atendam aos requisitos previstos no art. 14, da Lei n° 5.172/1966 (CTN) e art. 12, da Lei n° 9.532/1997; o nãocumprimento de tais requisitos implica a suspensão, pela autoridade competente, daquele beneficio fiscal tributário. Consequências da Suspensão da Imunidade. Declarada a suspensão da imunidade pela autoridade competente, a entidade sujeitase às regras de tributação aplicáveis As pessoas jurídicas em geral. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0534.054 (vide AR a fls. 2601), interpôs recurso voluntário, no qual alega o que se segue: a) que teve iniciada contra si ação fiscal, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF n.° 08.1.06.002008002083, já juntado aos autos, inicialmente datado de 12/2/2008, com validade até 11/6/2008, tendo como objeto a apuração de Contribuições Previdenciárias e para outras entidades de 05/2000 a 11/2003 e COFINS de 01/98 a 01/1999, destinado aos fiscais Maria Raquel Pedroso Meloni e Eraclito de Oliveira Jordão, sendo que o MPF autorizador da presente fiscalização teve ao todo 05 alterações, verdadeiras metamorfoses do seu objeto, do período a ser fiscalizado, dos fiscais titulares do procedimento, mas em momento algum houve qualquer prorrogação da validade do MPF; sendo importante caracterizar como ficou o MPF em cada modificação: 1ª alteração datada de 9/4/2009 (após vencimento do prazo de validade do MPF alterado), com validade inalterada até 11/6/2008, tendo como incluído no objeto a Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000817/200985 Acórdão n.º 1302001.772 S1C3T2 Fl. 2.604 3 apuração das Contribuições Previdenciárias e para outras entidades e Fundos de 12/2003 a 12/2007, e passando a ter como responsável o fiscal Francisco Pedro Reis Júnior; 2ª alteração datada de 23/6/2009, com validade inalterada até 11/6/2008, tendo como incluído no objeto o IRPJ de 1/2005 a 12/2007, continua como responsável o fiscal Francisco Pedro Reis Júnior; 3ª alteração datada de 30/10/2009, com validade inalterada até 11/6/2008, tendo como incluído no objeto o IRPJ de 1/2003 a 12/2004, continua como responsável o fiscal Francisco Pedro Reis Júnior; 4ª alteração datada de 19/11/2009 (realizada após a notificação do contribuinte sobre o presente processo, fato ocorrido em 11/11/2009), com validade inalterada até 11/6/2008, tendo como incluído no objeto Contribuições Previdenciárias e para outras entidades e Fundos de 05/2000 a 11/2003, continua como responsável o fiscal Francisco Pedro Reis Júnior; 5ª alteração datada de 24/11/2009 (realizada após a notificação do contribuinte sobre o presente processo, fato ocorrido em 11/11/2009), com validade inalterada até 11/6/2008, tendo como incluído no objeto IOF de 12/2008 a 11/2009, continua como responsável o fiscal Francisco Pedro Reis Júnior; b) que não se tente afirmar que como outrora feito pela fiscalização, que a vigência foi prorrogada conforme demonstrativos de prorrogações, pois tais fatos não constam dos documentos de alteração do MPF; c) que o presente MPF é decorrência de fiscalização anulada pela 2a Câmara do 2 o Conselho de Contribuintes, no processo n° 10845.003687/200146, por meio do Acórdão n° 20217.155, que indicou vícios no MPF n° 0810600/00418/01, vícios que além de se repetirem no presente procedimento (como se demonstrará oportunamente),ganham dimensão de afronta maior ao devido processo legal, quando se percebe a tentativa de dar solução de continuidade a ato anulado; d) que fiscalização resultante do presente MPF ocasionou, além do presente processo, mais 08 autos de infração, que cobram contribuições sociais; e) que a fiscalização pretendeu afastar a aplicação dos comandos da decisão judicial emanados do processo n° 1999.61.04.0052998, ato que reconhece a imunidade da impugnante às contribuições sociais e impediriam os lançamentos realizados naqueles autos de infração; e também para tentar cassar a condição do ISESC de entidade beneficente de assistência social; f) que o presente ato cancelatório se equivoca e tem por escopo declarado a cassação da imunidade do artigo 150, VI, "C" da CF/88, que nem é objeto do MPF, nem tampouco se refere às contribuições sociais ora lançadas em conjunto com o presente Processo; g) que a imunidade objeto da cassação (art. 150, VI, "c") não possui correlação com o escopo do ato praticado de "cassação do CEAS" e de "suspensão da imunidade tributária", correlata aos Autos de Infração lançados em concomitância ao presente processo, seu único escopo juridicamente possível, inclusive, o contexto temporal do MPF n° 08.1.06.002008002083 é a cassação da imunidade do artigo 195, §7°, de modo que há inúmeras nulidades processuais advindas deste erro, como será exposto; h) que é necessário situar que a representação ora combatida pretende a cassação da imunidade do artigo 150, VI, "c" da Constituição, objetivando justificar os demais Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 4 lançamentos feitos concomitantemente, sob o argumento de descumprimento do artigo 14 do CTN, por entender haver supostas distribuições disfarçadas do patrimônio da entidade para associados e desvio de finalidade institucional, adotando para tanto o procedimento do artigo 32 da Lei n° 9532/97; i) que, nesse contexto, afirmese que o acórdão ora vergastado não merece prosperar porquanto nele vislumbramse as seguintes situações: i.1) procedimento nulo por ser praticado fora da validade do MPF; i.2) procedimento nulo por fiscalizar imunidade do artigo 150, VI, "c 'fora do escopo do MPF; relativo a contribuições sociais e imunidade do artigo 195, 7°; i.3) MPF que funda o presente processo é nulo por conter ilegalidade, relativa à autorização de fiscalização de períodos decaídos; i.4) nulidade, por vício de legalidade, por aplicação de norma equivocada ao caso concreto (artigo 150, VI, "c" da Constituição), com cerceamento de defesa, nos termos do artigo 53 da Lei n°9.784/99 e e 59 do DL 70235/72 (com precedentes); i.5) nulidade, por ilegalidade, em face da adoção do procedimento normativo errado, não sendo o caso de aplicação do artigo 32 da Lei 9532/97 , mas do §8° do artigo 206 do Decreto 3048/99, por se tratarem de contribuições sociais e não de impostos; i.6) impossibilidade de cancelamento administrativo da imunidade, pois há decisão judicial no bojo da ação n° 1999.61.04.0052998. Só em juízo poderia se cassar tal imunidade, inclusive há pronunciamento da AGU pugnando a impossibilidade de discussão da matéria administrativamente; i.7) decadência do direito de cancelar a imunidade de períodos anteriores a 11/11/4; i.8) a questão do cancelamento da imunidade do período fiscalizado foi resolvida pela MPV 446/08 ao renovar os CEAS que abrangem o período de forma incondicional ao cumprimento dos requisitos legais com reflexos sobre a imunidade; i.9) pelo art 31 da Nova Lei 12.101/2009, a entidade possuidora do CEAS, como a impugnante, tem direito à imunidade das contribuições sociais; j) que, no mérito, impõese considerar que: j.1) as relações entre o ISESC e as empresas prestadora de serviço que a fiscalização denomina pejorativamente de "complexo Santa Cecília" são dentro de padrões de mercado, pois há qualificação das empresas prestadoras de serviço para a atividade que oferecem a impugnante e há serviço efetivamente prestado à mantida; j.2) a instituição tem o CEAS regular e demonstrou no período aplicar 20% de sua receita bruta em filantropia, sendo de forma inatacável entidade beneficente de assistência social; j.3) não há ilegalidade na remuneração de associados de filantrópica por outras atividades diferentes das estatutária, efetivamente prestadas, pessoalmente ou por empresa que seja sócio, à entidade mantida da instituição filantrópica, ou seja havendo outro vínculo que não o estatutário não há razão para cancelar a imunidade; j.4) os relatórios de atividade reconhecidos pela fiscalização e as notas fiscais demonstram a existência efetiva de serviço prestados pelas empresas, denominado pela fiscalização "complexo Santa Cecília"; j.5) inexiste perícia para sustentar afirmações da fiscalização sobre dúvidas técnicas a respeito da origem dos documentos apresentados; Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000817/200985 Acórdão n.º 1302001.772 S1C3T2 Fl. 2.605 5 j.6) as empresas questionadas pela fiscalização como sendo fachada para remunerar associados também prestam serviço para outras pessoas que não só o ISESC, como reconhece o próprio relatório fiscal, o que desmonta a argumentação de que tais empresas existiriam apenas em face da impugnante; e j.7) inexiste desvio de finalidade, os mútuos foram remunerados em taxas mais lucrativas que a renda fixa, independente da instituição financeira. Além de estarem sendo efetivamente pagos, o resultado deles foram reinvestidos nos objetivos institucionais do ISESC. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Tomo o recurso voluntário por tempestivo, em razão do despacho da DRF/Santos a fls. 2602, já que a rasura no AR a fls. 2601 causa dúvida se a ciência do acórdão recorrido se deu em 22/12/11 ou em 23/12/11. Sendo o recurso voluntário tempestivo e tendo sido subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1699, dele conheço. Inicialmente, ressalto que o objeto dos presentes autos restringese à suspensão da imunidade tributária da recorrente declarada no ADE nº 72/2009, a fls. 1551, não sendo assim conhecidos os argumentos de defesa que versem sobre o tributos lançados após a referida suspensão nem sobre a questão relativa a isenções tributária em razão do PROUNI, assuntos que serão tratados em outros processos. Ademais, vale ressaltar que o ADE nº 72/2009 suspendeu a imunidade prevista no art. 150, VI, "c", da CF/88, ou seja, a imunidade de impostos, sendo impertinente qualquer argumento de defesa que verse sobre imunidade de outra espécie tributária (por exemplo, contribuições). Desta forma, é impertinente ao objeto dos presentes autos a alegação de que a fiscalização pretendeu afastar a aplicação dos comandos da decisão judicial proferida nos autos do processo n° 1999.61.04.0052998, pois tal processo tinha por objeto o pedido da recorrente para o afastamento da cobrança de contribuições previdenciárias, o que lhe foi concedido, desde que obedecesse os requisitos do art. 14 do CTN. Ora, o ADE 72/09 suspendeu a imunidade tributária de impostos, prevista no art. 150, VI, c, da CF/88, logo, irrelevante qualquer análise ou julgamento que tenha sido feito, nos autos do processo n° 1999.61.04.0052998, acerca de imunidade de contribuição previdenciária, a qual encontra amparo em outro dispositivo constitucional (art. 195, § 7º, CF/88). Com relação à alegação de que o procedimento é nulo por ser praticado fora da validade do MPF, ressalto que, ao meu juízo, ainda que fossem inválidas as prorrogações do MPF expressamente informadas no MPF a fls. 701, nenhuma consequência teria sobre o procedimento de fiscalização realizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, para orientar a decisão do Delegado da Receita Federal sobre a suspensão da imunidade tributária da recorrente. Isso porque a atribuição privativa para executar procedimentos de fiscalização é do AuditorFiscal por força de Lei (art. 6º, I, c, da Lei 10.593/02), razão pela qual o descumprimento de qualquer procedimento estabelecido em norma infralegal não teria o Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 6 condão de macular os atos praticados pela Autoridade Fiscal com base na sua competência legal . Nesse sentido, vejamos o que se segue. O MPF surge, incialmente, com o art. 2º do Decreto nº 3.724, de 2001, o qual assim dispõe: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ( Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007 ). § 1º Omissis… § 2º Entendese por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. ( Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007 ) § 3º Omissis… § 4º O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. ( Redação dada pelo Decreto n o 6.104, de 30 de abril de 2007 ) § 5º Omissis… § 6º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de seus administradores, garantirá o pleno e inviolável exercício das atribuições do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. Notese que o dispositivo infralegal acima transcrito é uma norma imperfeita, pois, pela sua violação, não impõe qualquer sanção ou consequência jurídica. Ademais, ressalto que a própria norma diz que o MPF é uma “ordem específica”, logo, deveria ter como destinatário apenas o AuditorFiscal, pois se trata de instrumento de controle administrativo, apenas isso. Dessas premissas, não deveria desbordar a Secretaria da Receita Federal ao instituir o MPF. Do ponto de vista formal, o art. 59 do Decreto 70.235/72 só prevê a nulidade do lançamento tributário quando lavrado por pessoa incompetente. Ora, se esse Decreto, como já decidido pelo Supremo Tribunal Federal, tem força de Lei, somente outra Lei poderia dispor sobre outras hipóteses de nulidade do lançamento tributário por vício de norma procedimental. Assim, seja porque ouve as regulares prorrogações dos MPF, seja porque, ainda que não tivessem ocorrido, não seria fundamento para anular o procedimento de fiscalização que serviu para instruir o processo de suspensão de imunidade pelo Delegado da Receita Federal, logo não há falar em nulidade do procedimento sub examine. Por esse mesmo motivo, não procede a alegação de que o procedimento é nulo por fiscalizar imunidade do artigo 150, VI, "c 'fora do escopo do MPF. Ademais, se verificarmos com mais atenção o que dispõe o art. 1º do Decreto nº 3.724/01, verificaremos que a emissão de MPF é para "procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil", razão pela qual, ou não se faz necessária a expedição de MPF para a verificação de requisitos para o gozo de imunidade, ou Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000817/200985 Acórdão n.º 1302001.772 S1C3T2 Fl. 2.606 7 tal verificação se inclui automaticamente dentro do escopo dos procedimentos de fiscalização de impostos. Neste ponto, vale ressaltar, como a própria recorrente informa na sua peça de defesa, a 2ª alteração do MPF datada de 23/6/2009, incluiu no objeto da fiscalização o IRPJ de 1/2005 a 12/2007. Com relação à alegação de que o ADE nº 72/09, datado de 22/12/2009, não poderia ter suspendido a imunidade de períodos anteriores a 11/2004, cabe, inicialmente, esclarecer que o referido ADE apenas declara qual o período em que foi verificado o descumprimento pelo fiscalizado dos requisitos para o gozo da imunidade. Além disso, não se aplica ao ADE a regra de decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento tributário. Assim, não é nestes autos que verificaremos o efeito prático de tal declaração, pois, a suspensão da imunidade tributária abre a porta para a Fiscalização efetuar os lançamentos dos tributos que deixaram de ser pagos nos períodos em que o contribuinte se considerou imune, mas sem afastar a regra de decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento tributário. Por esses motivos, a preliminar de decadência tributária deverá ser analisada nos autos cujos objetos sejam os lançamentos tributários decorrente de tal suspensão de imunidade. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES No mérito, a primeira questão reside em saber se resta demonstrado nos autos que a recorrente remunerou, de forma indireta, seus diretores, via pagamentos a empresas das quais os mesmos fazem (ou faziam) parte como sócios, pois, se assim restar comprovado, é legítima a suspensão da imunidade com base no art. 14, § 1º, do CTN, já que tal conduta ofende, a um só tempo, o art. 12, § 2º, "a", da Lei 9.532/97 e o art. 14, I, do CTN. É verdade que o art. 13. caput, da Lei 9.532/97 está com sua eficácia suspensa desde 27/08/1998, pela ADInMC nº 1802/DF, o que poderia levar à conclusão de que haveria um obstáculo à suspensão da imunidade tributária em tela pela RFB. Todavia, uma leitura mais cuidadosa da referida decisão em medida cautelar afasta tal entendimento, pois o que o Ministro Relator decidiu, cautelarmente, foi a suspensão da aplicação do caput do art. 13 como forma de penalidade por ato que constitua infração à legislação tributária, sendo que, no presente caso, a suspensão se deu por infração a requisito para o gozo da imunidade, previsto no parágrafo único do art. 13, o qual não teve a sua eficácia suspensa pela referida decisão. Por esse mesmo motivo, há que se entender que a decisão cautelar de suspender a aplicação do art. 14 da Lei 9.532/97 não é obstáculo à aplicação do procedimento previsto no art. 32 da Lei 9.430/96 nos processos de suspensão da imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF/88, pois também ali o que se pretendeu não foi afastar os procedimentos do art. 32 da Lei 9.430/96 quando houvesse descumprimento de requisito para o gozo da imunidade, mas quando a Fiscalização se valesse da suspensão da imunidade como forma de penalidade por ato que constitua infração à legislação tributária. A referida ADIN 1802/DF questiona a constitucionalidade do art. 12 da Lei 9.532/97 em face da reserva de lei complementar prevista no art. 146, II, da CF/88. Caso o STF decida pela constitucionalidade do art. 12, poderseá até considerar inaplicável o art. 14 do CTN para a imunidade em tela, uma vez que o art. 12 da Lei 9.532/97 é norma posterior e regulou inteiramente a matéria. É verdade que pela decisão do Min. Pertence, na referida medida cautelar, a matéria reservada à lei complementar é apenas a que diz respeito aos lindes da imunidade, sendo que normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune podem ser veiculadas por lei ordinária. Ora, a vedação à remuneração de dirigentes é norma sobre funcionamento da entidade imune, pois não põe Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 8 limite à imunidade, já que não exclui do campo de imunidade qualquer bem, renda ou serviço da entidade de educação ou assistência. Assim, até que tenhamos uma decisão final do STF na aludida ADIn 1802/DF, continua aplicável à imunidade do art. 150, VI, "c", da CF/88 tanto o art. 14 do CTN como o art. 12 da Lei 9.532/97 (exceto o § 1º e a alínea f do § 2º, que tiveram a eficácia suspensa pela ADInMC 1802/DF). Logo, a possibilidade de suspensão da imunidade das entidades de educação e assistência social, prevista no art. 150, VI, c, da CF/88, quando descumprida a vedação de não remunerar dirigente, prevista no art. 12, § 2º, "a", da Lei 9.532/97 e no art. 14, I, do CTN, encontra respaldo legal no art. 14, § 1º, do CTN, conforme fundamentou o despacho decisório a fls. 1527 e segs.. Feita tais observações, cabe agora verificar a questão fática e o respectivo conjunto probatório constante dos autos. Inicialmente, vale a transcrição do seguinte quadro constante do relatório fiscal a fls. 549, o qual deixa bem claro a relação dos dirigentes da recorrente com empresas por ela contratadas: Quadro Diretivo do Instituto Superior de Educação Santa Cecilia — ISESC: a) Marcelo Pirilo Teixeira — Diretor Administrativo b_ Maria Cecilia P. Teixeira — Diretora Superintendente c) Nilza Maria Pirilo Teixeira — Diretora Coordenadora d) Milton Teixeira — Fundador e Chanceler e) Lúcia Maria Teixeira Furlani — Diretora Presidente f) Silvia Angela Teixeira Penteado — Diretora Executiva e Reitora Empresas Contratadas e que tem como sócios, dirigentes do ISESC: Empresa CNPJ Sócios NCM Promoções e Eventos Ltda. 06.989.443/000133 Nilza, Maria Cecilia e Marcelo NM Consultorias Ltda 03.563.279/000100 Nilza e Maria Cecilia TSL Assessoria Educacional Ltda. 07.006.967/000120 Milton, Silvia e Lúcia L S Assessoria Escolar Ltda. 07.006.967/000120 Lúcia e Silvia Teixeira Consultorias Ltda. 03.515.218/000177 Milton e Marcelo Até aí nada de mais, pois não há qualquer vedação legal à constituição de empresas por tais dirigentes. Assim, não está equivocado o recorrente quando alega que não há ilegalidade na remuneração de associados de filantrópica por outras atividades diferentes das estatutária, efetivamente prestadas, pessoalmente ou por empresa que seja sócio. No entanto, o quadro fático começa a se modificar, quando constatada a relação entre as referidas empresas com a recorrente. Segundo a Fiscalização: "Com base também em informações constantes em nossos sistemas , constatouse que essas empresas prestadoras de serviços, que em média, receberam aproximadamente R$ 15 milhões por ano, do Instituto Santa Cecília e, em função disso, declararam terem distribuído lucros de mais de R$ 10 milhões por ano a seus sócios, apresentam, entre si, as seguintes características comuns (Anexos 6 e 7) : Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000817/200985 Acórdão n.º 1302001.772 S1C3T2 Fl. 2.607 9 Não constaram em DIRFs de outras empresas, sendo então um indicativo de que prestaram serviços com exclusividade ao Instituto Santa Cecilia; Declararamse sem empregados Estavam cadastradas num mesmo endereço à Rua José Lins do Rego 65. Vila Melo. em São Vicente. onde. apurouse, funciona até hoje o escritório de contabilidade da empresa Objetiva Serviços Contábeis Ltda — CNPJ 01.947.052/000132 pertencente ao Sr. José Sergio Fernandes de Mattos, CPF 033.004.05882. que manteve vinculo empregatício e foi o responsável pela contabilidade do ISESC até 2004. Distribuíram valores de grande magnitude a titulo de participação nos lucros as seus respectivos sócios — forma de pagamento que isenta as pessoas físicas do Imposto de Renda Apesar da alta lucratividade, após o período em atividade, encontramse todas encerradas". Ora, tratase assim de empresas constituídas, pelos dirigentes da recorrente, unicamente para prestarem serviços à recorrente, sendo que não tinham empregados e distribuíram lucros no montante de quase 70% do faturamento. É verdade que a recorrente afirma que o relatório fiscal teria sustentado que tais empresas prestaram serviços para outras pessoas jurídicas, porém, não encontrei qualquer referência a isso no relatório fiscal a fls. 539. Ademais, a decisão recorrida expressamente afirma que tais empresas prestavam serviços exclusivamente para a recorrente e esta, em seu recurso, não apresenta qualquer prova ou sequer aponta alguma página dos autos que constasse prova em contrário. Vale a transcrição do seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido ( a fls. 2537): "A realidade, insofismável, foi que a NCM Promoções e Eventos Ltda., a NM Consultorias Ltda., a TSL Assessoria Educacional Ltda., a LS Assessoria Escolar Ltda. e a Teixeira Consultorias Ltda., foram contratadas com exclusividade para prestarem serviços ao ISESC e só ao ISESC, algumas delas, ainda que altamente lucrativas, sendo desativadas logo após o recebimento dos valores contratados.". Noutro ponto, como bem apontado pelo relatório fiscal a fls. 553, as despesas da recorrente com o pagamento de tais serviços eram desproporcionais, pois, apenas para ilustrar, no ano de 2004, quando o faturamento da recorrente foi de R$ 61 milhões, o gasto com pessoal foi de R$ 22 milhões e o déficit de R$ 1,4 milhão, sendo que as despesas com as empresas dos seus dirigentes foi no montante de R$ 17 milhões. Ora, é desproporcional o gasto de R$ 17 milhões com serviço de assessoria e consultoria , mormente quando as contratadas sequer tinha empregados, quando o gasto total com pessoal da recorrente (contratante) foi de R$ 22 milhões no ano de 2004. Essa mesma desproporção é verificada nos anos de 2005 a 2007. Quais serviços foram prestados pelas empresas dos seus dirigentes. para fazerem jus a tão elevados pagamentos (R$ 17 milhões em 2004, R$ 15 milhões em 2005, R$ 13 milhões em 2006 e R$ 13 milhões em 2007)? A recorrente alega que os relatórios de atividade reconhecidos pela fiscalização e as notas fiscais demonstram a existência efetiva de serviço prestados pelas empresas. No entanto, o relatório fiscal alega que: Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 10 "22. Intimado a apresentar os Contratos e as Notas Fiscais emitidas por essas cinco empresas e esclarecimentos sobre a natureza, a forma e a finalidade dos serviços, o local e a periodicidade da prestação, a identificação das pessoas que realizaram os serviços, a forma ajustada de remuneração (por hora trabalhada, por obra ou projeto, evento ou tarefa), o ISESC apresentou Termo de Esclarecimentos discriminando os projetos e programas que teriam sido o objeto dos serviços tomados e uma farta quantidade de relatórios confeccionados sem assinaturas, vários sem referência de data ou expediente de encaminhamento. Juntou também abrangentes currículos dos seus sócios. (Anexos 10 e 11) 23. Informou ainda " a inexistência de subcontratação de outras empresas para realização dos serviços realizados, bem como contratação de trabalho" e esclareceu também que "a remuneração foi efetivada em função dos serviços realizados de acordo com o objeto contratual de cada empresa e pela notória condição técnica de seus sócios". 24. Não houve a apresentação de contratos associados aos projetos e programas relacionados, de modo que ficou prejudicada a verificação se as contratações de serviços de tão alta significação financeira ocorreram em caráter permanente ou por tarefa, qual a forma ajustada da remuneração, se havia prazos para a execução dos mesmos, se havia cláusulas penais pela sua não realização, quais as obrigações das partes, etc. 25. Também as Notas Fiscais apresentadas. emitidas em ordem numérica sequencial, impossibilitam qualquer associação aos projetos e programas elaborados sob a responsabilidade técnica dos sócios das empresas e apenas denotam um preenchimento rotineiro, com informações sucintas e genéricas no campo discriminação dos serviços", expressos sempre como "serviços de consultoria esportiva , "serviços de assessoria educacional" ou "serviços de assessoria de comunicação". 26. Quanto aos projetos e programas em si, vários deles confeccionados em não mais que duas folhas de papel digitadas, resumemse alguns a estabelecer uma simples programação; outros são cópias de regimentos internos e outros ainda têm corno objeto finalidades corriqueiras como por exemplo: "Karatedo 2003/2004", "Formaturas", "Assessoria de Comunicação para o evento de palestra da Jornalista Cláudia Matarazzo", "Assessoria de Comunicação para o evento de cobertura do Desfile das Escolas de Samba de Praia Grande". Configurase aqui o despropósito da instituição em contratar os próprios diretores para elaborálos, ao invés de atribuílos ao seu quadro de colaboradores. (Anexo 12). 27. Por outro lado, há que se considerar que o objeto de serviços como os de assessoria e consultoria prestase indubitavelmente ao provimento de subsídios para a tomada de decisões por parte de gestores. 28. Seria, portanto, um contrasenso a contratação dos diretores para, dentre outras, traçar diretrizes e normas para departamentos e diretorias, elaborar regimentos e normas de procedimento ou, ainda, delinear projetos pedagógicos, trabalhos esses que praticamente se confundem com atos de gestão que desempenham. E como se os dirigentes estivessem prestando assessoria a eles mesmos. Ou, dito de outra forma, é como se os dirigentes cobrassem da instituição por cada decisão que tomam." Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000817/200985 Acórdão n.º 1302001.772 S1C3T2 Fl. 2.608 11 Ora, estamos tratando de despesas no montante anual em torno de R$ 15 milhões e que representam aproximadamente 25% do faturamento da recorrente e ela não consegue sequer demonstrar qual o serviço efetivamente prestado, ou seja, qual a vinculação de tais despesas com as atividades e projetos desenvolvidos por ela. Além disso, em sua peça recursal, a recorrente não traz prova de que efetivamente houve a prestação de serviços por parte das empresas dos seus dirigentes, pois limitase a fazer contestação retórica, quando o caso se deslinda tãosomente no campo fático, com a apresentação de provas, razão pela qual, neste ponto, há que se negar provimento ao recurso voluntário. APLICAÇÕES DE RECURSOS EM ATIVIDADES ESTRANHAS A concessão de empréstimos por uma instituição de educação imune não se configura necessariamente uma ofensa ao art. 14, II, do CTN e ao art. 12 , § 2º, b, da Lei 9.532/97, desde que os rendimentos auferidos na operação (juros) sejam revertidos em prol do seu objeto social. No presente caso, no entanto, a Fiscalização verificou que havia concessões de empréstimos sem a incidência de juros ou de qualquer outro acréscimo, se não vejamos os seguintes excertos do relatório fiscal: 56. Por outro lado, o montante vultoso de mais de RS 25 milhões concedido a Associação Educacional Santa Cecilia — AESC chama a atenção, por tratarse a beneficiária de uma escola, repitase, de nível médio, e que atua, conforme suas declarações do imposto de renda, em condições quase deficitárias como as demonstradas em relação aos anoscalendário abaixo, não dispondo assim, teoricamente, de recursos para quitação de tal dívida: Dados extraidos das Declarações Imp. Renda — DIR1 da 2003 2004 2005 AESC. 2003 2004 2005 Faturamento corn Serviços Educacionais 2.991.367,08 2.551.656,18 2.218.310,72 Superavit/Defic it Operacional (472.466,06) 107.631,39 (190.762,12) 57. essa medida, surpreendeu que a conta de mútuos favorecendo a AESC", apresentasse, por exemplo, no ano de 2004. os seguintes lançamentos: • a débito. em 01/10/2004. representando concessão de empréstimo , no valor de R$ 900.000,00 • a crédito. em 13.09.2004, denotando quitação de empréstimo, no valor de R$ 6.210.000,00 • a crédito, em 03/02/2005, referente também à quitacdo de empréstimo no valor de R$ 12.484.284,75. (...) 59. Intimada à apresentação dos Livros Diário e Razão dos anos de 2000 a 2008 e demais documentos e esclarecimentos relativos aos empréstimos, a AESC apresentou somente os livros contábeis de 2003 a 2007 e prestou os seguintes esclarecimentos a respeito da destinação que deu aos recursos: "... os recursos tomados junto ao ISESC foram em parte utilizados no custeio das despesas necessárias para a manutenção da própria empresa e em parte emprestados ao Santos Futebol Clube, conforme se denota dos lançamentos contábeis realizados e constantes dos Livros Diário e Razão e contratos de mútuo que estão sendo Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 12 disponibilizados a V.Sa. no endereço especificado" (grifo nosso). (Anexos 20 e 21). 60. As ligações da família Teixeira com o Santos Futebol Clube são públicas e notórias, uma vez que o Sr. Marcelo Pirilo Teixeira, Diretor Administrativo do Instituto Santa Cecilia e sócioproprietário da Associação Educacional Santa Cecilia, é também presidente do clube desde o ano de 2000, exercendo no momento o seu 5° mandato consecutivo. Anteriormente, na década de 80, seu pai, Milton Teixeira, também havia exercido o mesmo cargo. 61. Em reportagem do jornal A Tribuna de Santos, publicada em 16.08.2009, comentase entrevista dada pelo presidente do Santos F.C., Sr. Marcelo Teixeira, em que ele declara "...ter de utilizar seu patrimônio pessoal para fechar as contas do clube neste ano. No inicio de sua primeira gestão, em 2000, o mandatário alvinegro chegou a colocar RS 20 milhões do próprio bolso para montar o time. No final do ano passado, o Balanço Orçamentário do clube já apontava a Universidade Santa Cecilia como credora do Peixe em razão de um empréstimo de RS 2 milhões"(grifo nosso) (Anexo 22) 62. Além de contratos e notas promissórias pactuadas com o Santos F.C., apresentou também uma carta do Sr. Marcelo, endereçada aos associados e conselheiros do clube e datada em 21.05.2008, em que comunica que, por atitude sua e de sua família, o novo empréstimo concedido pela Associação, no valor de R$ 2.050.000,00, deverá ser pago em 01/2010, "sem a incidência de juros, correção monetária ou qualquer outro acréscimo". (Anexo 23) (...) 71. Os fatos relatados puderam também ser confirmados em consulta ao sitio aberto na internet do Santos Futebol Clube, cujas demonstrações contábeis expostas ao público informam, nas Demonstrações comparativas dos anos de 2004/2005, na Nota Explicativa de n° 10, que, dentre os Credores Diversos do clube, encontrase a Associação Educacional Santa Cecilia, com um saldo, ao final de 2004, liquidado pelo clube no exercício de 2005, por um valor que se aproxima daquele que retornou ao caixa do ISESC, R$ 12.531.910,00. Segundo a mesma Nota, consta ainda uma divida, na rubrica "Administradores , no valor de R$ 11.075.668,00 também liquidada pelo clube em 2005. (Anexo 33) 72. Por outro lado, balanço e os balancetes do clube referentes a 2004, confirmam a quitação pelo clube dos já citados R$ 6.210.000.00 junto à Associação Educacional , bem como a tomada do empréstimo de R$ 900.000,00, valores que coincidem exatamente com os lançados na contabilidade do ISESC e da AESC naquele ano. E esses mesmos demonstrativos discriminam em sub títulos contábeis próprios, como "Administradores" financiadores do clube, o Sr. Marcelo Pirilo Teixeira e seu pai, Sr. Milton Teixeira, expresidente do clube e SócioFundador e Chanceler da Universidade Santa Cecilia. (Anexos 34)". Diante de tais fatos, a recorrente alega que: "143. Deixemos de lado as suposições, vamos aos fatos: a) legal e legítimo que as instituições filantrópicas invistam seus recursos excedentes em dinheiro por meio de contratos que emprestando dinheiro a terceiros (bancos ou não) recebam remuneração sobre este e assim crie uma nova fonte de renda para sua manutenção; Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15983.000817/200985 Acórdão n.º 1302001.772 S1C3T2 Fl. 2.609 13 b) os contratos de mútuo celebrados pela ISESC com as empresas citadas foram devidamente formalizados, contabilizados e têm remuneração melhor que o oferecido no mercado; c) os empréstimos vêm sendo devidamente quitados com a remuneração combinada, gerando uma excelente fonte de renda para a impugnante.". Ora, a recorrente alega que os empréstimos geravam uma boa fonte de renda para ela, mas não demonstra o alegado. Além disso, também não explica porque o seu dirigente, Sr. Marcelo, endereçou carta aos associados e conselheiros do clube, datada em 21.05.2008, para comunicar que, por atitude sua e de sua família, o novo empréstimo concedido pela Associação, no valor de R$ 2.050.000,00, deveria ser pago em 01/2010, "sem a incidência de juros, correção monetária ou qualquer outro acréscimo". O que se confirma do Instrumento de confissão de dívida a fls. 493, celebrado pela Associação com o Santos F.C., se não vejamos como dispõe o seu objeto: "II OBJETO C) por este instrumento particular, com força probante de escritura, o primeiro outorgante, na melhor forma do direito cambial, reconhece e se confessa devedor da outorgante credora da importância de R$ 2.050.000,00 (dois milhões e cinqüenta mil reais), conforme relatório contábil em anexo, que acompanha e fica fazendo parto deste instrumento para todos os fins e efeitos de direito; Que o outorgante devedor emitirá duas notas promissórias correspondentes a cada uma das parcelas que totalizam a quantia acima expressa, a ser repassada nos seguintes valores e datas: I) R$ 1.050.000,00 (hum milhão e cinqüenta mil reais) na data de hoje; e II) R$ 1.000.000,00 (hum milhão de mats) em 09/06/2008. Ill — PRAZO d) A divida ora confessada terá seu vencimento aos sete dias do mês de janeiro de dois mil e dez, observados os termos da lei cambial;" Ou seja, recursos que eram da recorrente são transferidos para a Associação, para que ela empreste ao Santos F.C. no ano de 2008, para que este pague em 2010 sem qualquer acréscimo de juros. É essa a operação que a recorrente qualifica como excelente fonte de renda? Só se for para o Santos F.C.. Dessa forma, é perfeito o entendimento da Fiscalização quando afirma que: a Associação Educacional Santa Cecilia, empresa desprovida de capacidade econômica, limita se a desempenhar papel de testadeferro, servindo como pilar de uma ponte, num plano simulado de desvio de recursos milionários do Instituto Santa Cecilia, para atender única e exclusivamente os interesses pessoais dos dirigentes que têm em comum. Fica evidente assim, que também houve aplicação de recursos da recorrente para fins estranhos ao seu objeto social, razão pela qual há que se negar provimento ao recurso voluntário também neste ponto. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA 14 Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 2/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 13628.720150/2011-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADA.
Não comprovadas as despesas médicas glosadas pela fiscalização com documentação hábil e idônea, deve-se manter a glosa relativa às deduções indevidas de despesas médicas.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
José Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADA. Não comprovadas as despesas médicas glosadas pela fiscalização com documentação hábil e idônea, devese manter a glosa relativa às deduções indevidas de despesas médicas. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) José Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Nathalia Correia Pompeu. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 8. 72 01 50 /2 01 1- 79 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Contra a contribuinte acima qualificada, foi lavrada notificação de lançamento, em 20/06/2011 (fl. 13/17), anocalendário 2007, que resultou em crédito total apurado de R$ 14.412,41. O enquadramento legal consta na notificação de lançamento. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 02/03), instruída com documentos (fls. 04/11), alegando que as despesas médicas declaradas estão corretas já que teriam sido incluídas em DIRF e que a Receita Federal tem todos esses dados. Acrescentou que o ônus da prova incumbe a quem alega. Contesta em parte a glosa da contribuição para a Previdência Oficial, pois, segundo ela, essa contribuição estaria inserida nas DIRF apresentadas. A contribuinte concordou parcialmente com a glosa efetuada relativa à contribuição para a Previdência Oficial da fonte pagadora "Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão CNPJ 05.461.142/000170, no valor de R$ 2.100,00, tendo sido o imposto correspondente no valor de R$ 550,00, transferido para cobrança no processo 13628.720161//201159 (fl. 24/25). Em conformidade com a instrução Normativa RFB nº1.061 de 04/08/2010, o presente processo foi encaminhado à autoridade lançadora para que fossem analisadas as questões de fato apresentadas pela impugnante. Após análise dos autos, a autoridade lançadora concluiu que a exigência deveria ser parcialmente mantida ( fls. 29/31), reestabelecendose a dedução relativa aos valores da contribuição para a previdência oficial descontados sobre os rendimentos recebidos pela interessada, no valor de R$ 3.516,16, mantendose a glosa de despesas médicas por falta de comprovação. A interessada foi cientificada em 04/01/2013 (fl. 32/36) acerca do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, porém não se manifestou, A Turma de Primeira Instância, julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: "DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, o ônus probatório recai sobre o sujeito passivo. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à existência de previsão legal e à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados com o tratamento do contribuinte e/ou de seus dependentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" A contribuinte foi cientificada do Acordão nº 0943.268 6ª Turma da DRJ/JFA, em 03/04/2013 ( fl. 44). Fl. 52DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13628.720150/201179 Acórdão n.º 2301004.545 S2C3T1 Fl. 52 3 Sobreveio recurso voluntário em 16/04/2013 ( fl. 46), repisando a tese de que o ônus da prova incumbe a quem alega e que a partir da nova Constituição Federal do Brasil, ninguém é obrigado por lei a produzir prova contra si mesmo. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Sobre as deduções da base de cálculo na declaração de ajuste anual, o decreto nº 3.000/99, em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. [...] Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1°O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Compulsando os autos, verificase que a contribuinte não logrou comprovar a dedução com despesas médicas, deixando de acostar qualquer documentação, como recibos médicos, a fim de provar o dispêndio dos valores. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Limitouse a contribuinte a alegar na impugnação e no presente recurso que o ônus da prova incumbe a quem alega, quedandose inerte quanto a efetiva comprovação das despesas médicas declaradas. Nesse sentido, cabe transcrever excertos da decisão a quo, os quais ratifico e utilizo como razões para julgar. A interessada alegou apenas que as despesas médicas foram corretamente declaradas por ela sem, no entanto apresentar os devidos comprovantes. Pelo entendimento da contribuinte, a Receita Federal teria em seus sistemas informatizados todas essas informações, provenientes das DIRF apresentadas pelas empresas. Devese esclarecer que esse tipo de informação não é declarado em DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte), mas sim através da DMED (Declaração de Serviços Médicos e de Saúde). Entretanto, a DMED só tornouse obrigatória para as empresas prestadoras de serviços de saúde e operadoras de planos privados de assistência à saúde a partir do ano calendário de 2010. Portanto, no período em questão (ano calendário de 2007) a Receita Federal não dispunha desse tipo de informação. Aliás, mesmo que já estivesse em vigor a obrigatoriedade da entrega da DMED para aquele ano, não eximiria a contribuinte de apresentar ao fisco federal os documentos comprobatórios das despesas médicas por ela declaradas. Acrescentese que, no que tange à glosa das despesas médicas, cumpre esclarecer que a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física prova a declaração, mas não o fato declarado. Compete ao contribuinte o ônus de provar o fato, quando intimado pela fiscalização, a qual tem atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Portanto, tudo que é colocado na declaração está sujeito à comprovação. [...] Assim, não havendo comprovação das deduções através de documentação hábil e idônea, deve ser mantida a glosa de despesas médicas declaradas. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Relatora Alice Grecchi Fl. 54DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13628.720150/201179 Acórdão n.º 2301004.545 S2C3T1 Fl. 53 5 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000807/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.469
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, por CONVERTER o julgamento em diligência fiscal, para que se aguarde o resultado do julgamento do Ato Cancelatório que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração ou, caso o julgamento já tenha sido concluído, que sejam prestadas as respectivas informações.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Resolvem os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, por CONVERTER o julgamento em diligência fiscal, para que se aguarde o resultado do julgamento do Ato Cancelatório que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração ou, caso o julgamento já tenha sido concluído, que sejam prestadas as respectivas informações. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 52 .0 00 80 7/ 20 10 -3 3 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11052.000807/201033 Resolução nº 2401000.469 S2C4T1 Fl. 391 2 RELATÓRIO O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n° 37.307.6789, tem fundamento na redação anterior do art. 32, IV, § 3 e § 5° da Lei 8212/91 c/c art. 225, IV, e § 4º, do Regulamento daPrevidência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048/99, no montante de R$ 1.302.928,90. Segundo os Relatórios Fiscais de fls. 07/14, o crédito lançado tem origem na declaração incorreta em GFIP da totalidade do valor das contribuições previdenciárias patronais devidas, em razão de erro de preenchimento no campo FPAS. Informa o autor do lançamento que a autuada, no período fiscalizado, enquadrouse como entidade isenta da contribuição previdenciária correspondente à cota patronal – FPAS 639 , conforme informações prestadas em GFIP, desconsiderando a cassação de sua imunidade realizada através do Ato Cancelatório n. 17.001/002/2005. Consta ainda que a empresa interpôs recurso tempestivo ao CRPS contra o Ato Cancelatório, com efeito suspensivo, o qual até a data da lavratura fiscal ainda não havia sido julgado. O lançamento foi realizado já na vigência da Lei 11.941/2009, a qual modificou a forma de cálculo da multa para a infração objeto deste lançamento. Assim, em obediência ao artigo 106, II, “c” do CTN e ao artigo 44, I da Lei 9.430/97, foi feito o comparativo entre os valores de multa apurados de acordo com a sistemática anterior e aqueles apurados pelo critério do artigo 35A da Lei 8.212/91 (após a alteração pela MP 449/2008), verificandose qual a mais benéfica ao contribuinte. Constatou a fiscalização, conforme planilha constante no item 10 do Relatório Fiscal (fls.13), que a multa vigente à época do fato gerador é mais benéfica ao contribuinte em todas as competências do lançamento, sendo por isto lavrado este Auto de Infração com base nesta legislação. Não foram relatadas agravantes nem atenuantes. Não conformada com a autuação, a recorrente apresentou defesa de fls. 22/36, a qual foi julgada improcedente, mantendose integralmente o crédito tributário lançado. É o relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 11052.000807/201033 Resolução nº 2401000.469 S2C4T1 Fl. 392 3 VOTO Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Considerando que o lançamento decorre do fato de a fiscalização ter considerado indevido o auto enquadramento da autuada como entidade isenta, tendo sido emitido anteriormente “Ato Cancelatório”, entendo pertinente sejam prestadas informações acerca do andamento do citado processo (Comprot 35301.000910/200503), o qual pelo que se verifica nos sistemas informatizados encontrase pendente de julgamento de Recurso Voluntário perante este Conselho. Assim, embora tenham sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial a continuidade do presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente Auto de Infração está ligado à sorte da decisão do Ato Cancelatório, que possui correlação direta com o mesmo. Assim, para evitar decisões conflitantes, fazse imprescindível primeiro, a análise do resultado do ato cancelatório, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, nos termos do artigo 12 da Portaria CARF n° 34/2015, o processo deverá aguardar condição de retorno a julgamento na Secam. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que se aguarde o resultado do julgamento do Ato Cancelatório que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração ou, caso o julgamento já tenha sido concluído, que sejam prestadas as respectivas informações. É como voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001863/2007-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35-A, penalidade única combinando as duas condutas.
Recurso Especial do Procurador provido
Numero da decisão: 9202-003.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a Representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora.
EDITADO EM: 11/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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AUTO DE INFRAÇÃO ASSOCIADO A NFLD. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. Recurso Especial do Procurador provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a Representante da Fazenda Nacional, Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 18 63 /2 00 7- 81 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 2 (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração, tendo em vista o descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048, de 1999. A empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/1999 a 08/2006. Em sessão plenária de 09/02/2012, foi julgado o Recurso Voluntário nº 271.012, prolatandose o Acórdão nº 2402002.492 (fls. 316 a 331), assim ementado: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2006 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal. O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). NULIDADE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 13005.001863/200781 Acórdão n.º 9202003.709 CSRFT2 Fl. 403 3 Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.” O processo foi encaminhado à PGFN em 03/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 332). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a data de intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 03/05/2012; portanto o Recurso Especial (fls. 333 a 346) teria como termo final 18/05/2012, tendo sido interposto em 30/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de fls. 377). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 364/2012, de 25/06/2012 (fls. 379 a 381). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias, portanto não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 4 o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; nessa linha, constatase que antes das inovações da MP nº 449, de 2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II, da Lei nº 8.212, de 1991, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32, da Lei nº 8.212, de 1991 (multa isolada). com o advento da MP nº 449, de 2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212, de 1991. o art. 32A, em sua redação dada pela MP nº 449, de 2008, dispõe que: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo.” tratase de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% ; assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; contudo, a MP nº 449, de 2008, também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” tal dispositivo remete à aplicação do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 96, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Fl. 406DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 13005.001863/200781 Acórdão n.º 9202003.709 CSRFT2 Fl. 404 5 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” a leitura do dispositivo acima transcrito corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); por certo, devesse privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991, ocorrerá quando houver tão somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212, de 1991; essa foi a conclusão a que chegou o eminente relator do acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; ressaltase que, conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito; logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96). nessa linha de raciocínio, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, no sentido de se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Intimado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento, o Contribuinte quedouse silente (fls. 386 a 394). Voto Fl. 407DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 6 Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas ContraRazões. Tratase de Auto de Infração, tendo em vista o descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei nº 9.528, de 1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048, de 1999. A empresa apresentou a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/1999 a 08/2006. Conforme o TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 203, existe NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito associada ao presente Auto de Infração. Na decisão recorrida, foi determinada a aplicação da multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, caso esta seja mais benéfica à Contribuinte. Os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que orientavam o Auto de Infração e a NFLD tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. (...) § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) Fl. 408DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 13005.001863/200781 Acórdão n.º 9202003.709 CSRFT2 Fl. 405 7 II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve exigência por meio de Auto de Infração (descumprimento de obrigação acessória, objeto do presente processo) e de NFLD (descumprimento de obrigação principal), foram aplicadas duas multas, no contexto de lançamento de ofício. Com efeito, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixa dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, a ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO 8 (...) Art. 32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício, envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, como ocorreu no presente caso, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que, na fase de execução desta decisão, se aplique a situação mais benéfica para a Contribuinte: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 13005.001863/200781 Acórdão n.º 9202003.709 CSRFT2 Fl. 406 9 a soma das duas multas, aplicadas no presente Auto de Infração e na NFLD correspondente; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 411DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO
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