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Numero do processo: 10865.900270/2008-61
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2001
BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE.
Equiparam-se aos descontos concedidos incondicionalmente a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as bonificações perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que negava provimento.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/10/2001 BASE DE CÁLCULO. SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparam-se aos descontos concedidos incondicionalmente a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as bonificações perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SAÍDAS DE PRODUTOS EM BONIFICAÇÃO NÃO DEPENDENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE QUALQUER CONDIÇÃO. EXCLUSÃO PERMITIDA. PAGAMENTO A MAIOR CONFIRMADO PARCIALMENTE. Equiparamse aos “descontos concedidos incondicionalmente” a que alude a exclusão legal permitida da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS/Pasep e à Cofins as “bonificações” perfeitamente identificadas com as notas fiscais de venda a que se referiram, ainda que não tenham constado desta, mas, sim, em outro documento fiscal apartado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que negava provimento. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 70 /2 00 8- 61 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Tratase de processo que retorna a julgamento em face da conclusão da diligência que deliberáramos por meio da Resolução nº 340100.084, de 27/10/2010. Ocorreu que, em face do Despacho Decisório Eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição de parte da Cofins recolhida em março de 2000, período de apuração de dezembro de 2001, a interessada esclarecera em sua Manifestação de Inconformidade que o pagamento a maior tinha origem no fato de ter deixado de excluir da base de cálculo da contribuição daquele período o valor correspondente ao montante das “bonificações” concedidas a clientes. Naquela ocasião, invocara a aplicação da regra contida no inciso I, do parágrafo 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, segundo a qual, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, podem ser excluídos os “descontos incondicionais concedidos”, ou seja, defendeu a equiparação das “bonificações” aos “descontos incondicionais”. Após a conclusão de diligência por ela própria determinada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão PretoSP indeferiu os termos da Manifestação de Inconformidade por entender que “As bonificações concedidas em mercadorias configuram descontos incondicionais, podendo ser excluídas da receita bruta para efeito de apuração da base de cálculo da Cofins, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento”. (grifei) A decisão recorrida fundamentouse integralmente nos termos da Solução de Consulta proferida pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, de nº 183, em 27 de maio de 2009, ou seja, a pretensão da interessada [de ver reconhecido um pagamento a maior por ter incluído na base de cálculo da contribuição os valores das bonificações de mercadorias a clientes] foi rejeitada por entender aquele Colegiado que as bonificações não poderiam ter o mesmo tratamento dos descontos incondicionais (exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins) e isso pelo fato de, no presente caso, e consoante a documentação acostada ao processo em face de diligência por ela própria, DRJ, requisitada, não terem as bonificações constado da nota fiscal de venda, ou seja, por terem constado de uma nota fiscal própria [bonificação], emitida posteriormente. Depreendese do voto da DRJ que o reconhecimento da “incondicionalidade” do desconto, no caso, representado pela “bonificação”, depende fundamentalmente da inexistência de qualquer hiato entre as duas modalidades de saída de mercadorias [venda e bonificação]; isto é, para a instância de piso a bonificação somente se caracterizaria como um desconto incondicional se constasse do corpo da própria nota fiscal de venda. Por seu turno, a Recorrente argumentou que a emissão apartada dos documentos fiscais decorrera de uma questão meramente formal, não podendo tal “hiato” dar azo ao cumprimento de qualquer condição. Até porque, ressaltou ela, as notas fiscais de bonificação eram emitidas na sequência imediata à das notas fiscais de venda, dandose conjuntamente a saída das mercadorias do estabelecimento. Aduziu ainda a Recorrente que a bonificação ocorre quando há um abatimento no preço de venda normalmente praticado, ou quando é entregue mercadorias em Fl. 537DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.900270/200861 Acórdão n.º 3401001.949 S3C4T1 Fl. 522 3 quantidade superior ao pago pelo comprador, situação esta ocorrida no presente caso, em que não recebeu qualquer valor por conta das bonificações, as quais se revestiram de mero apelo comercial. Daí, a seu ver, as razões pelas quais entende que tal operação equivale a de descontos incondicionais. Outro argumento trazido pela Recorrente é o de que, nos termos do decidido pelo STF no RE nº 170.555PE, a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins é a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, de sorte que, a seu ver, a forma pela qual a concessão da bonificação é documentada tornase irrelevante, dado o fato não corresponder à hipótese de incidência dessas contribuições visto que não recebe qualquer valor nesta operação. Neste ponto, colacionou decisão do TRF da 1ª Região. Invocou, por fim, a Recorrente, que eventuais normais infralegais não poderiam alargar a hipótese de incidência constitucionalmente eleita, mormente porquanto o inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, deixa claro que devem ser excluídos da receita bruta os descontos incondicionais. Acolhendo minha proposição, esta Turma, com outra composição [o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho era o Presidente], resolveu converter o julgamento em diligencia para que se verificasse junto às notas fiscais de bonificação de que forma as mesmas se relacionavam com as notas fiscais de venda, ou seja, se havia a “incondicionalidade” reclamada pela instância julgadora. Fora então referida Resolução assim elaborada: Por todo o exposto e, em observância aos princípios da legalidade e da verdade material, e, ainda, ao disposto no artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19723, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de origem informe a este Colegiado: a) se as notas fiscais de bonificação do período de apuração em discussão estão realmente relacionadas às notas fiscais de venda emitidas no momento imediatamente anterior, ou seja, se, em relação às notas fiscais de venda a que se referem, indicam o mesmo cliente, a mesma data, o mesmo produto, o mesmo transportador, as mesmas placas dos veículos e o mesmo horário de saída; e b) para as notas fiscais de bonificação efetivamente caracterizadas como uma espécie de “descontos incondicionais” (o que se conclui a partir da resposta positiva a todos os quesitos da letra “a” acima), apurar o seu total, calcular o valor da Cofins correspondente e utilizálo no procedimento de compensação indicado pela interessada na Dcomp objeto deste processo, informando a este Colegiado o resultado do encontro de contas. O Relatório de Diligência Fiscal atestou que uma parte apenas daquele montante das bonificações preencheu aos quesitos indicados na letra “a” da Resolução, de sorte que a Cofins correspondente, no valor de R$ 2.878,161, poderia ser reconhecida em favor da interessada como originária de um recolhimento a maior. Cientificada dos termos em que elaborado o Relatório de Diligência Fiscal, a interessada não se manifestou. No essencial, é o Relatório. 1 O pleito inicial da recorrente fora pelo reconhecimento de um pagamento a maior da ordem de R$ 5.659,14. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.900270/200861 Acórdão n.º 3401001.949 S3C4T1 Fl. 523 5 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho A discussão aqui se cinge a se as “bonificações” concedidas pela empresa a seus clientes, o que se dava na forma de entrega de mercadorias em quantidade superior ao valor pago por elas e mediante a emissão de nota fiscal destacada da venda à qual se referia, podem ser equiparadas como “descontos incondicionais concedidos” para fins da exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins de que trata o inciso I, do parágrafo 2º, do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Conforme já constara do voto em que resultou na Resolução alhures mencionada, a própria Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, emitiu entendimento acerca do tratamento fiscal a ser dado para as “bonificações” em relação ao imposto de renda das pessoas jurídicas, o que se deu no Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, trechos abaixo transcritos: Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF n° 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que, se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias não será dedutível na determinação do lucro real. E a citada IN nº 51/78, dispõe: 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (..) Esse entendimento da Administração Tributária também foi estendido para o PIS/Pasep e a Cofins, consoante se verifica nas “Perguntas e Respostas”, disponibilizado no site da Receita Federal do Brasil na internet2, cujo texto transcrevo: 2 http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2004/pergresp2004/pr363a430.htm Fl. 540DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 370 As bonificações concedidas em mercadorias compõem a base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins? Os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos. Descontos incondicionais, de acordo com a IN nº 51, de 1978, são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Portanto, neste caso, as bonificações em mercadoria devem ser transformadas em parcelas redutoras do preço de venda, para serem consideradas como descontos incondicionais e conseqüentemente excluídas da base de cálculo das contribuições. (destaques do original) Para o Fisco, portanto, para que as bonificações possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, há que de serem caracterizadas como os descontos incondicionais concedidos assim definidos na IN SRF nº 51, de 1978, isto é, atenderem a duas condições: a primeira, de que constem da nota fiscal de venda dos bens; e, a segunda, de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. No presente caso, o resultado da diligência demonstra que, não obstante as bonificações não tenham constado do corpo das notas fiscais de venda, uma parte delas teve a sua emissão na mesma data, ao mesmo cliente, com numeração sequencial imediata, envolveu o mesmo produto [com ressalvas feitas pela fiscalização quanto às referências dos mesmos, o que, para mim se mostra irrelevante], o mesmo transportador e as mesmas placas dos veículos transportadores. Sob essas condições, portanto, não vejo como elas possam ter ficado na dependência de evento posterior à emissão da nota fiscal de venda, o que permite que possam ser caracterizadas como “descontos incondicionais concedidos”, mostrandose irrelevante, porquanto não fundada em lei, o preenchimento da condição de que constem da própria nota fiscal de venda e não de um documento em separado desta. De outra parte, e tendo a Recorrente quedado inerte, não se reconhece tais características para a parte das bonificações que não puderam ser relacionadas a um mesmo cliente, a um mesmo produto etc. Alem disso, não se tem notícia nos autos, ao contrário, de que a interessada tenha sido paga pelas mercadorias entregues em “bonificação”, situação essa que se lhe retira a característica de integrante da “receita bruta” a que alude a hipótese de incidência das contribuições. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso para reconhecer a existência de pagamento a maior no recolhimento da Cofins do período de apuração de dezembro de 2001 no valor original de R$ 2.878,16, nos termos da diligência fiscal. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 541DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.900270/200861 Acórdão n.º 3401001.949 S3C4T1 Fl. 524 7 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10410.000998/2004-14
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRPF – DECADÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/04-00.553
Decisão: ACORDAM os Membros da quarta turma da câmara superior de recursos fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Leila Maria Scherrer Leitão, Maria Helena Cotta Cardozo e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : IRPF – DECADÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso especial negado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da quarta turma da câmara superior de recursos fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Leila Maria Scherrer Leitão, Maria Helena Cotta Cardozo e Manoel Antônio Gadelha Dias que deram provimento ao recurso.
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Numero do processo: 14479.000081/2007-11
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória só subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes
LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-003.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN e para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO - INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória só subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN e para adequação da multa remanescente ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória só subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 00 81 /2 00 7- 11 Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado pelo artigo 173, I do CTN e para adequação da multa remanescente ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000081/200711 Acórdão n.º 2402003.184 S2C4T2 Fl. 2.195 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 28/34), a empresa TOTVS S/A, conforme Ata de Reunião de Assembléia Extraordinária, realizada em 02 de abril de 2007, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 18/05/2007, sob o numero 3725515, protocolo 071799303, incorporou a RM SISTEMAS S/A, CNPJ n.° 21.867.3871000158, onde foi efetivamente desenvolvida a ação fiscal e foram examinados todos os documentos que deram origem ao presente lançamento. Considerando a efetivação da incorporação, foi emitido em nome da TOTVS S/A o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n.° 09417145 e 09417145001 de 10/09/2007 (data da ciência). Os fatos geradores que a empresa deixou de informar em GFIP referemse à: · remuneração paga aos segurados empregados do estabelecimento matriz 21.867.387/000158, no período de 01/1999 a 12/2001, 11/2002, 12/2002 a 07/2005, 09/2005 e 11/2005, constante das folhas de pagamento, conforme planilhas em anexo. Em relação a esta omissão, em 2006, foram entregues, para as competências acima mencionadas diversas GFIP com o código FPAS 566. Com a entrega de novas GFIP ocorreu no sistema a sobreposição dos dados informados anteriormente pela empresa incorporada e conseqüentemente, a irregularidade de omissão dos fatos geradores, o que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração; · remuneração paga aos segurados contribuintes individuais (autônomos e empresários), no período de 01/1999 a 03/2007, conforme planilhas em anexo; · remuneração paga aos segurados empregados de todos os estabelecimentos do contribuinte, a titulo de Participação nos Lucros e Resultados da empresa, nas competências 02/1999, 08/1999, 09/1999 e 10/1999, conforme planilhas em anexo. · remuneração paga aos segurados empregados discriminados na planilha em anexo, a título de Ajuda de Custo Celular, no período de 01/2000 a 05/2006. Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 · remuneração paga aos segurados empregados, a titulo de Prêmio de Férias, no período de 02/1999 a 04/1999, 12/1999, 01/2000, 07/2000, 10/2000, 12/2000, 02/2001 a 04/2001 1 06/2001 a 11/2001, 01/2002 a 07/2002, 02/2003, 05/2003, 01/2004, 02/2005 a 07/2005, 02;2006, 04/2006, 05/2006 e 07/2006 conforme planilhas em anexo. · remuneração paga aos segurados empregados do estabelecimento matriz, a titulo de prêmio por produtividade, através de cartão de crédito, no período de 11/2005, 01/2006, 03/2006 e 04/2006, conforme planilhas em anexo. · remuneração paga aos segurados empregados, pela prestação de serviços na área de formação profissional da empresa, no período de 06;2000 a 02/2001, 04/2001 a 01/2002, 03/2002. 06 (2002 a 08/2002, 11/2002 a 01/2003, 05/2003, 06/2003 e 08/2004, conforme planilhas em anexo. · remuneração paga a cooperativas que prestaram serviços à empresa, no período de 03/2000 a 03/2007, conforme planilhas em anexo. · valores pagos a titulo de patrocínio de Clube de Futebol no período de 11/2002 a 01/2007, conforme planilha em anexo; · remuneração paga aos segurados contribuintes individuais (autônomos) que prestaram serviço a ADM Control Ltda, empresa incorporada pelo contribuinte RM Sistemas S/A, em 10/1999, no período de 01/1999 a 09/1999. · remuneração paga aos segurados empregados que prestaram serviço a ADM Control Ltda, empresa incorporada pelo contribuinte RM Sistemas S/A em 10/1999, na competência de 01/1999. O contribuinte teve ciência do lançamento em 14/09/2007. Autuada apresentou impugnação (fls. 1148/1176) ao presente Auto de Infração, pleiteando a nulidade da autuação, o reconhecimento de sua improcedência ou a retificação da penalidade aplicada, por meio do instrumento protocolizado sob o n°. 1902/07 (fls. 1.148 / 1.176), acompanhado dos documentos de fls. 1.177 / 1.700, alegando, em síntese, que: A incorreção apontada pela fiscalização acerca da entrega de diversas GFIP com o FPAS 566, no exercício de 2006, que acarretou a exclusão do CNIS das informações anteriormente prestadas pela RM Sistemas S/A em GFIP para as competências de 01/1999 a12/2001, 11/2002 a 07/2005, 09/2005 e 11/2005, não pode ser imputada à Defendente. vez que quem cometeu a referida impropriedade foi a empresa "O Jornal Gazeta de Alagoas Ltda.", estabelecida em Maceió, e que não guarda nenhuma relação com a RM Sistemas S/A. Deste modo, não há que se cogitar da imposição de penalidade pela impropriedade cometida por empresa diversa, como ocorreu no caso vertente. Ademais, ressaltase que para evitar qualquer espécie de prejuízo aos empregados da RM Sistemas S/A, as referidas GFIPs foram novamente transmitidas à Previdência Social. Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000081/200711 Acórdão n.º 2402003.184 S2C4T2 Fl. 2.196 5 Alega que a fiscalização não comprovou a ocorrência dos fatos geradores supostamente incorridos, utilizandose do expediente simplista do norteamento de argumentação setada em expressões genéricas e nos critérios aleatórios adotados na ação fiscal. Além disso, a autuação em foco não especifica os dispositivos legais infringidos, nem tampouco aqueles que graduam as penalidades aplicadas. Aduz que a maior parte da infração ventilada na acusação em tela decorreu de erro na apresentação de GFIP da empresa O Jornal Gazeta de Alagoas Ltda.". Ademais, é indubitável que não se pode exigir o pagamento de contribuição previdenciária sobre adiantamento de reembolso de despesas, como a ajuda de custo celular, ou sobre verbas que não têm nenhuma vinculação salarial, como a participação nos lucros, cujas regras sempre se pautaram pela legislação vigente à época. Argumenta que impera reconhecerse a prescrição quinquenal aplicável às contribuições previdenciárias, em respeito à norma veiculada pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. Assim, devem ser excluídos os montantes constituídos em relação às competências anteriores a setembro de 2002. Afirma que o levantamento denominado AJC Ajuda de Custo Celular não merece prosperar, vez que os valores pagos a este título constituem a maneira mais justa que a RM Sistemas S/A encontrou para resolver o seguinte problema: seus funcionários tinham gastos com seus celulares, relativos a assuntos profissionais; logo, estes funcionários faziam jus ao recebimento de reembolso da referida despesa; se a despesa com as ligações telefônicas efetuadas a serviço fosse maior do que o valor do reembolso pago antecipadamente, o funcionário poderia solicitar o reembolso complementar; assim, o pagamento da ajuda de custo celular possui natureza jurídica de reembolso de despesa, não se configurando em qualquer espécie de remuneração, sendo incabível cogitarse de sua inclusão em GFIP. Em relação ao levantamento intitulado AME América Futebol Clube, entende que o mesmo deve ser revisto, pois a RM Sistemas S/A. na qualidade de empresa patrocinadora, não tem condições de reter o percentual determinado, pois não tem acesso à receita bruta decorrente dos jogos de futebol do referido clube. Ademais, conforme pode ser verificado dos boletins financeiros dos jogos realizados pelo América Futebol Clube, no período consignado nesta notificação, a Federação Mineira de Futebol procedeu à retenção de 5% (cinco por cento) da receita bruta a titulo de contribuição previdenciária. Assim, não deveria ser declarado o valor do referido patrocínio em GFIP. Alega que o levantamento denominado COO Pagamento a Cooperativas não merece melhor sorte. Na realidade, a fiscalização não comprovou que as cooperativas não recolheram suas contribuições previdenciárias, sendo incabível a cobrança dos mesmos montantes em nome da Defendente, bem como a correlata declaração destes desembolsos em GFIP. No tocante ao Levantamento DFP Diferença Folha de Pagamento, afirma que a fiscalização incorreu em impropriedade, pois o crédito previdenciário constituído a este título foi extinto pelo pagamento antes da emissão da notificação, conforme comprova cópia, reprográfica da GPS respectiva em anexo à peça impugnatória. Segundo a autuada a infração relativa ao levantamento intitulado FPR — Projeto de Formação Profissional não merece provimento, pois, se alguns empregados da RM Sistemas S/A, após o regular horário de expediente, resolveram atuar como instrutores nos Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 curso de capacitação profissional de outros empregados, é indubitável que estavam imbuídos em outro cargo, exercendo função diversa para a qual foram contratados. Assim, nestes cursos de capacitação profissional, os empregados apontados pelo AuditorFiscal caracterizavamse como verdadeiros profissionais autônomos, encontrandose escorreita a qualificação jurídica empreendida pela RM Sistemas S/A, sendo despicienda a declaração em GFIP. O levantamento denominado PFE — Prêmio de Férias, de acordo com a autuada, também não deve prevalecer, pois existe regra própria para o pagamento de tal premiação, sendo que a análise detida do regulamento desta permite apreenderse sua total dissociação em relação à remuneração dos empregados beneficiários, não podendo incidir sobre a mesma qualquer contribuição previdenciária. Logo, incabível cogitarse da obrigatoriedade de declaração em GFIP desta verba. De igual forma entende que os pagamentos efetuados por intermédio de cartões de premiação em decorrência da implementação da campanha "Cumpra sua Meta" não se sujeitam à incidência das contribuições previdenciárias, não havendo previsão legal para sua necessária declaração em GFIP. De fato, nos critérios de avaliação desta campanha resta evidente que as avaliações eram empreendidas de maneira independente e com premiação anual, com base no alcance das estratégias sugeridas e aprovadas. Logo, a periodicidade do pagamento (anual) evidencia que estes valores não podem integrar o saláriodecontribuição. Ademais, os valores pagos em decorrência da implementação de campanhas de marketing de incentivo, como a intitulada "Cumpra sua Meta", não tem caráter salarial, vez que sua natureza jurídica aproximase do conceito de promessa de recompensa, regulado nos arts. 854 e ss. do Código Civil, o que afasta sua natureza remuneratória. Além disso, a Lei n° 8.212/91 não previu expressamente a incidência de contribuições previdenciárias sobre os prêmios ofertados pelos programas de incentivo. Por fim, ressaltase que as notas fiscais emitidas pela empresa Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivo S/C Ltda. contém os valores recebidos pelo desenvolvimento da campanha "Cumpra sua Meta", reforçando os argumentos insertos na impugnação. Acerca da participação nos lucros e resultados, considera que não resta dúvida de que a Impugnante observou a legislação de regência, já que houve prévia negociação de suas regras com comissão escolhida pelos empregados, tendo sido elaborado o competente "Acordo de Participação nos Lucros", sendo incabível cogitarse da incidência de contribuições previdenciárias sobre estes pagamentos, bem como do cabimento da inclusão destes montantes em GFIP. Por fim, entende que ainda que prevaleça o entendimento da validade da autuação, a Defendente pleiteia a relevação da penalidade aplicada, vez que cumpre os requisitos legalmente previstos para tanto. Pelo Acórdão nº 1722.438 (fls. 2105/2151) a 11ª Turma da DRJ/São Paulo II (SP) considerou o lançamento procedente em parte uma vez que restou comprovada que a exclusão das informações oportunamente prestadas em GFIP pela empresa RM Sistemas S/A, para as competências mencionadas, decorreu de ato praticado por terceiro, qual seja, TV Gazeta de Alagoas Ltda., não sendo cabível cogitarse da autuação em nome da primeira ou de seu sucessor. A autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 2156/2181) onde repete as alegações de defesa. Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000081/200711 Acórdão n.º 2402003.184 S2C4T2 Fl. 2.197 7 Os autos foram encaminhados a este Conselho e pela Resolução nº 2402 000.110 (fls. 2184/2186), o julgamento foi baixado em diligência para que fosse informada a existência de autuações cujos objetos seriam as contribuições incidentes sobre os fatos geradores não declarados em GFIP, bem como o destino das mesmas. Em resposta (fls. 2193), a DRF de Administração Tributária em São Paulo informou que as autuações correlatas seriam aquelas objeto dos seguintes processos: 14479.000079/200741 e 14479.000080/200776. É o relatório. Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Verificase que parte do período da autuação estaria abrangido pela decadência. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 2233DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000081/200711 Acórdão n.º 2402003.184 S2C4T2 Fl. 2.198 9 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que o direito de aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória encontrase decaído até a competência 11/2001, inclusive, uma vez que a ciência do sujeito passivo ocorreu em 14/09/2007. Assim, a multa aplicada até a competência citada deverá ser excluída da presente autuação. A recorrente questiona a ocorrência dos fatos geradores não declarados em GFIP. Fl. 2234DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A fim de evitar decisões conflitantes, foram identificadas as autuações correlatas, no caso, aquelas que continham as contribuições decorrentes dos fatos geradores em questão. No julgamento do recurso apresentado nos autos do processo nº 14479.00080/200776, apenas foi reconhecida a decadência parcial do lançamento até a competência 08/2002, pelo Acórdão nº 2402003.183. Com o reconhecimento da decadência, prevaleceu no lançamento diferenças apuradas entre o que foi declarado em GFIP e o que foi recolhido pela empresa, ou seja, nenhum fato gerador que já não tivesse sido declarado. Já a autuação correspondente ao processo nº 14479.000079/200741 teve o recurso julgado parcialmente procedente pelo Acórdão nº 2803.001395 para o reconhecimento da decadência até a competência 11/2001. No mérito, as contribuições não abrangidas pela decadência foram todas mantidas, conforme se verifica na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/01/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. AJUDA DE CUSTO CELULAR. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA PELOS BENEFICIÁRIOS. INCIDÊNCIA. O pagamento de verba destinada a cobrir gastos com telefone celular do empregado a serviço da empresa, se inexistente prestação de contas, integra a base de cálculo das contribuições sociais. PATROCÍNIO. CLUBE DE FUTEBOL PROFISSIONAL. Empresa que patrocina clube de futebol profissional deve reter e recolher o percentual de cinco por cento do valor contratado à Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. É devida, por parte da empresa tomadora (contratante), a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura relativa aos serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. SALÁRIO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL. SERVIÇO PRESTADO POR EMPREGADOS. EXAÇÃO FUNDADA NO VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Fl. 2235DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000081/200711 Acórdão n.º 2402003.184 S2C4T2 Fl. 2.199 11 A remuneração atribuída a empregados, mesmo que em decorrência do exercício de atividades não permanentes, se sujeita à tributação com base nos incisos I e II do art. 22 da Lei n°. 8.212/91. GRATIFICAÇÃO DE FÉRIAS. VINCULAÇÃO A FATORES PESSOAIS DOS EMPREGADOS BENEFICIÁRIOS. INCIDÊNCIA. O valor relativo gratificação de férias com concessão vinculada a fatores como eficiência, assiduidade, pontualidade, tempo de serviço e produção, integra a base de cálculo das contribuições sociais. NATUREZA JURÍDICA DOS PAGAMENTOS REALIZADOS POR INTERMÉDIO DE CARTÕES DE PREMIAÇÃO. Integra o salário de contribuição o pagamento reiterado de prêmios por intermédio de cartões de premiação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Portanto, prevalecendo a obrigação principal, também deve prevalecer a obrigação acessória. No que tange à multa aplicada, observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 2236DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 11/2001, inclusive, e para que a multa seja calculada acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 e comparada ao cálculo anterior, para que seja aplicado o valor mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 2237DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13766.000049/00-16
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1988 a 30/09/1995
PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
No caso, como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 09/02/2000, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/11/1988 a 30/09/1995, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 09/02/1990 por superar o prazo decenal.
Recurso extraordinário provido em parte.
Numero da decisão: 9900-000.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 09/02/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1988 a 30/09/1995 PIS. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. No caso, como o pedido administrativo de repetição de PIS foi protocolado em 09/02/2000, relativo a fatos geradores ocorridos de 01/11/1988 a 30/09/1995, está extinto o direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 09/02/1990 por superar o prazo decenal. Recurso extraordinário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 00 00 49 /0 0- 16 Fl. 704DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 09/02/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0203.681 da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 449 a 454) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em 09/02/2000, repetição de PIS referente a fatos geradores ocorridos de 01/11/1988 a 30/09/1995. A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls. 458 a 466), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13766.000049/0016 Acórdão n.º 9900000.825 CSRFPL Fl. 6 3 Para comprovar a divergência, indicou, como paradigma, o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 468 e verso, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, onde pugna pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Data do pedido: 09/02/2000. Fatos Geradores: 01/11/1988 a 30/09/1995. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 09/02/2000, referente a tributos com fatos geradores ocorridos de 01/11/1988 a 30/09/1995, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, darlhe provimento parcial para reconhecer a perda do direito de se pleitear a restituição dos tributos com fatos geradores ocorridos antes de 09/02/1990, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 707DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13766.000049/0016 Acórdão n.º 9900000.825 CSRFPL Fl. 7 5 Fl. 708DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10120.005727/99-11
Data da sessão: Tue Feb 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Feb 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 31/10/1989 a 30/04/1992
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
0 direito de pleitear o reconhecimento de credito com o
conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a
autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que
tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a
declaração de inconstitucionalidade pelo STF, ern ação direta, ou
com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada
inconstitucional, na via indireta. Ante A. inexistência de ato
especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de
2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o
pedido de restituição começa a contar a partir da edição da
Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado
do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do
recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando
em 31/08/00. 0 pedido de restituição da contribuinte foi
formulado em 05/11/99.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/03-05.307
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial
Nome do relator: Otacílio Dantas Cartaxo - Ad Hoc
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 31/10/1989 a 30/04/1992 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 0 direito de pleitear o reconhecimento de credito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, ern ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Ante A. inexistência de ato especifico do Senado Federal, o Parecer COSIT n° 58, de 2710/98, firmou entendimento de que o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar a partir da edição da Medida Provisória n° 1.110, em 31/08/95, primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial A. aliquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. 0 pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 05/11/99. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Manoel Antônio Gadelha Dias - Presidente 1 Otacilio Dan xo - Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Manoel Antônio Gadelha Dias, Otacilio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes, Luis Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bartoli e Mário Junqueira Franco Júnior. Relatório É o seguinte o relatório concernente ao acórdão recorrido: Cuidam os autos ora vergastados, do pedido de Restituição/Compensação de crédito originário de pagamentos do F1NSOCIAL efetuados com aliquotas majoradas, excedentes a 0,5%, nos períodos de apuração de 10/1989 a 04/1992, em 05 de novembro de 1999, folhas 01/04. Irresignada com a decisão denegatório de primeira instância, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade as folhas 96/101, alegando, em síntese que: 1-a decadência do direito de restituição ou compensação ocorre ultrapassados 10 anos do fato gerador, conforme jurisprudência do Conselho de contribuintes e do STJ e arts. 150, parágrafos 1° e 4', 156, inciso IV do CTIV; 2-além disso, a 1° Camara do 2° conselho de Contribuintes tem adotado como termo inicial da contagem do prazo para restituição/compensação a data da publicação da MP 1.110/95, que reconheceu o Finsocial como indevido. A DRF de Julgamento em Brasilia — DF, através do Acórdão n° 10.085 de 17/06/2004, indeferiu a pretensão da ora recorrente nos seguintes termos, que a seguir se resume: "A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. Do exame dos elementos do processo entendo que não pode prosperar a pretensão da interessada porquanto se encontra decaído o seu direito de pleitear a restituição/compensação da contribuição para o Finsocial. Com efeito, da conjunção dos artigos 165, inciso I, e 168 caput e inciso I, ambos do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n" 5.172/1966) tem-se que, conquanto a cobrança de tributo indevido confira ao contribuinte direito a sua restituição, esse direito extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contados "da data da extinção do crédito tributário". Ora, no caso sob exame, o crédito exigido pela Administração Pública extinguiu-se na data do pagamento da exação, na forma prevista pelo artigo 156, inciso I, do CTN. (Extingue o crédito tributário: I — o pagamento). Destarte, esta data constitui-se no marco inicial do respectivo prazo decadenciaL Sendo formulada a solicitação de restituição em 05/11/99 e o último pagamento indevido verificar-se ern 01.04.92, nota-se que o pleito situa-se além do mencionado qüinqüênio legal. Conseqüentemente, o direito do interessado afigura-se definitivamente extinto. 2 Processo n° 10120.005727/99-11 Acórdão n.° 03-05.307 A alegação de que o prazo para ingresso do pedido de restituição teria inicio quando do afastamento da legislação inconstitucional ou da MP 1.110/95 não procede, pois embora seja inquestionável o efeito "ex tune" e a eficácia "erga omnes" da decisão declarató ria do STF, esta não tem o condão de suspender os prazos prescricionais e decadenciais previstos na legislação. Assim, ainda que pareça injusto aos menos atentos as singularidades do direito, os atos praticados por aplicação inadequada da lei ou sob a égide de lei inconstitucional, contra os quais não comporte revisão administrativa ou judicial,seja por inviabilidade material, seja pelo vencimento dos prazos legais, são considerados válidos para todos os efeitos. Representa isto dizer que só se admite revisão daquilo que, nos termos da legislação regente, ainda seja passível de modificação, isto 6, quando não tenha ocorrido, por exemplo, a prescrição ou a decadência do direito alcançado pelo ato. Portanto, a tese defendida pelo interessado, a nosso ver, contraria um dos princípios fundamentais do estado de direito, plenamente consagrado no Constituição Federal, que é o da segurança jurídica. Com efeito, permitir sejam revistas situações jurídicas plenamente consolidadas pela aplicação inadequada da lei ou ato normativo inconstitucional, mesmo depois de decorrido os prazos decadenciais ou prescricionais, é estabelecer um verdadeiro caos na sociedade porquanto o raciocínio que se aplica ao direito do contribuinte de pedir restituição deve, por uma questão de coerência, aplicar-se igualmente ao direito da Fazenda Pública. Isso significaria dizer que, por exemplo, quando uma lei que concedesse isenção fosse declarada inconstitucional, ainda que decorressem décadas do fato gerador, a Administração poderia/deveria formalizar o crédito tributário e exigir do contribuinte o correspondentes pagamento. Isto indubitavelmente jogaria por terra o principio da segurança jurídica e submeteria o contribuinte isento a inadmissível situação de nunca saber se aquele beneficio é definitivo ou se, a qualquer tempo, poderá o Fisco vir em seu encalço para exigir-lhe o tributo. Ressalte-se, ademais, que o atendimento do interessado desconsidera também o principio da estrita legalidade que rege a Administração Pública (CF, art. 37, caput). O CTIV., norma com "status" de lei complementar, cuidou expressamente do prazo de extinção do direito de pleitear a restituição tributária. Portando, qualquer solução que não observe o disposto no artigo 165 c/c o c4) CSRF/T03 Fls. 257 3 artigo 168 do citado Código, constituirá simples criação exegética, desprovida de amparo jurídico ou legal. Dai que o contribuinte confunde modalidade de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso VII, do CTN) com direito a restituição parcial ou total do tributo, estabelecido no artigo 165 daquele Código. De outra forma, o artigo 168 diz que o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou seja, reporta-se aos inciso I e II do artigo 165 e não ao inciso VII do art. 156, modalidade de extinção. No mais, a autoridade julgadora deve observar em seus julgados o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários (art. 7" da Portaria MF 258/2001). Nesse ponto, frise-se, o Parece COSIT le 58/1998 foi suplantado em seus efeitos pelo Ato Declaratório SRF 96/1999. Quanto as decisões dos Tribunais Administrativo e Judicial, cabe observar que não existe lei que atribua eficácia normativa as decisões dos órgãos coletivos de jurisdição administrativa (art. 100, II do CTN) e que as decisões judiciais tem efeito "inter partes" e não "erga omnes". Enfim, por todos os argumentos acima despendidos, temos a convicção de que não pode prosperar a manifestação de inconformidade apresentada, por conseguinte, não merece reforma a decisão recorrida, "ex vi" do Ato Declaratório SRF le 096/1999, bem como do que preceitua o Parecer PGFN/CAT/N° 1.538/99. "Ex positis", voto no sentido de indeferir a solicitação de restituição/compensação formulada para manter o Despacho Decisório, folhas 75, constante do presente processo. Geraldo Expedito Rosso - Matricula n° 27.799". A recorrente foi intimada a tomar conhecimento dessa Decisão prolatada, através da Intimação/Oficio n° 728 (fls. 116), e que conforme AR que repousa as fls. 117, foi devidamente formalizada sua ciência em 06/08/2004, tendo apresentado Recurso Voluntário com anexos em 24/08/2004, conforme documento as fls. 119 a 155, portanto, tempestivamente. Ern seu arrazoado, a recorrente reiterou praticamente todos os argumentos apresentados a autoridade a quo, para demonstrar sua insatisfação quanto ao indeferimento de sua pretensão por tida decadência do direito de pleitear a compensação pretendida, por ser seu direito legitimo, quanto ao prazo para compensar o imposto pago a maior. Em seguida, alega a possibilidade legal de compensação dos créditos de que seria possuidor, fundado no prazo para compensar que seria de 10 anos, transcrevendo jurisprudências e diversos Acórdãos emanados pelo Conselho de Contribuintes em seu socorro, para demonstrar a garantia do seu direito ao crédito que diz ser liquido e certo. 0 Acórdão n.° 303-32123 (fls. 159/165) prolatou a decisão proferida na Sessão de Julgamento pela Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 19/07/2005, cujo entendimento encontra-se sintetizado na ementa adiante transcrita: 4 Processo n° 10120.005727/99-11 Acórdão n.° 03-05.307 CSRF/T03 Fls. 258 F INS 0 CIA L — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO EFETIVADO EM 05/11/1999 — MATÉRIA COMPREENDIDA NA COMPETÊNCIA DESTE CONSELHO - INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL — PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO — INÍCIO DA CONTAGEM DE PRAZO — MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.110/95, PUBLICADA EM 31/08/1995. — AFASTADA A ARGUIÇÃO DE DECADÊNCIA DEVOLVE-SE 0 PROCESSO A REPARTIÇÃO DE ORIGEM PARA JULGAR AS DEMAIS QUESTÕES DE MÉRITO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO In casu, o pedido ocorreu em data de 05/11/99, quando ainda existia o direito de o contribuinte de pleitear a compensação. Cientificada do acórdão retromencionado contra o mesmo insurge-se a Fazenda Nacional (fls. 168/200), aviando o seu recurso, com fulcro no art. 5°- II do RICSRF, oferecendo como paradigma de divergência o acórdão n° 302-35782. Aduz o d. Procurador: • A questão central que se discute no feito é saber qual o termo inicial e o final para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do FINSOCIAL, que veio a ser declarado inconstitucional pelo STF. • 0 v. acórdão recorrido entendeu que o direito de pleitear a restituição ou compensação do Finsocial somente começa a ser contada a partir da edição da MP n° 1.110/95, expedida em 30/08/95. • Pronuncia-se em favor da tese contida nos arts. 165-1 e 168-I, ambos do CTN que reconhece o direito ao credito tributário, entretanto, argüi que o mesmo se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção pelo pagamento (art. 156-I, CTN), ocorrendo o inicio da contagem do prazo decadencial de cinco anos no dia do pagamento espontâneo do tributo devido. • 0 art. 3 0 da LC n° 118 deixa claro que para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 0 do art. 150 do mesmo mandamus, devendo o mesmo ser aplicado retroativamente a teor do art. 106-1 do CTN. • Complementa a sua fundamentação com o ADN/SRF n° 96/99, como norma integrante da legislação tributária, de caráter vinculante para a administração tributária (arts. 100-I e 103-I, CTN), sobre o seu entendimento concernente ao prazo decadencial. • Não lid na lei qualquer autorização que justifique ser considerada a data da publicação da MP n° 1.110/95, o termo inicial da contagem do prazo para se pleitear a restituição do Finsocial, por conseguinte pra se considerar esse 5 termo inicial da contagem do prazo para restituição do indébito mais favorável para o contribuinte, em detrimento do erário público. • Requer a reforma da decisão hostilizada para que seja restituida a decisão de primeira instância. O REsp da PFN foi admitido em 22/08/2005, conforme Despacho exarado pelo Presidente da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fl. 202), mediante o reconhecimento da existência de tempestividade e de divergência entre o julgado e o acórdão paradigma apresentado. Intimado a apresentar suas contra-razões (vide AR, n.208) em 06/03/06, a interessada protocolizou as contra-razões em 22/03/06, portanto intempestivamente, motivo pelo qual delas não conheço. o relatório. Voto Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo, Relator ad hoc 0 recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional preenche os quesitos necessários à sua admissibilidade quanto aos critérios de tempestividade e de divergência. Versa a matéria trazida à apreciação desta Corte sobre o indébito tributário, em decorrência da inconstitucionalidade da majoração da aliquota do FINSOCIAL cima de 0,5%, declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do RE n° 150.764-1, DJU de 02/03/93, especificamente quanto ao marco inicial para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito. A tese esposada pela decisão de primeira instância, em relação A. matéria em foco, adotou o entendimento contido no AD/SRF n° 96/99 para, reconhecendo o direito do contribuinte ao crédito tributário (alt 165-1 cm), argüir que o mesmo prescreve após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da sua extinção (alt. 168-1, CIN) pelo pagamento (art. 156-1, CTN). De modo diverso, a decisão recorrida afastou a preliminar de decadência, argüindo que o prazo de cinco anos para a restituição de indébito deve ser contado a partir da publicação da Medida Provisória n. ° 1.110/95, devendo os autos serem remetidos à instância a quo para exame de mérito. A Fazenda Nacional enfatizou os mesmos argumentos expendidos na decisão de primeira instância, postulando pela sua restauração e pela reforma do acórdão recorrido. Observou-se, também, que a autoridade fiscal se manteve inerte por um lapso temporal de cinco anos, não se pronunciando quanto à restituição do indébito (art. 165-I, CTN). Desde logo depreende-se que o cerne da querela restringe-se a contagem do prazo prescricional de cinco anos distinguindo-se quanto ao acerto do seu marco inicial, ou seja, de restituição do indébito tributário, sob a égide dos arts. 165-1 e 168-1 do CTN, não havendo que se falar em decadência. 6 Processo n° 10120.005727/99-11 Acórdão n.° 03-05.307 CSRF/T03 Fls. 259 Inicialmente, tem-se que, com o advento da MP n.° 1.110, publicada no DOU de 31 de agosto de 1995, o Poder Executivo admitiu a inconstitucionalidade da fixação do termo a quo para contagem do prazo prescricional para fins de exigência do FINSOCIAL em percentual superior a 0,5%. Com isso, o tributo indevido ou pago a maior (art. 165-I, do CTN), relativamente ao Finsocial, passou a ser a ser assim considerado. Nesse mesmo sentido, o Parecer Cosit n.° 58, de 27/10/98, dispôs em seu item 27 que o prazo para o contribuinte não-participe de ação judicial possa pleitear a restituição/compensação se iniciou com a data da publicação da MP n.° 1.110/95, para os casos dos incisos II a VII, do art. 17, de acordo com as hipóteses previstas no art. 18 da MP n.° 1.699-40/98, in verbis: Art. 18. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e inscrição, relativamente: I — [. . . I HI — a contribuição ao Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL, exigida das empresas exclusivamente vendedoras de mercadorias e mistas, com fundamento no art 9. 0 da Lei n.° 7.689, de 1988, na aliquota superior a zero virgula cinco por cento, conforme Leis n." 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990, acrescida do adicional de zero virgula um por cento sobre os fatos geradores relativos ao exercício de 1988, nos termos do art. 22 do Decreto=Lei n.° 2.397, de 21 de dezembro de 1987. E cediço que o texto contido nas MP n.° 1.110/95 e 1.621-40/98, além de suas reedições sucessivas até o advento da lei n.° 1.522, de 19/07/01, não alude expressamente h. hipótese de restituição de tributos, bem assim que restou estabelecido consoante o § 3.°, do artigo 18 dessa lei, que o disposto neste artigo não implicará restituição ex officio. Entretanto, não se pode olvidar do permissivo oficial contido no Parecer Cosit n.° 58/98, o qual estabeleceu o marco inicial para o prazo de restituição fixado a partir da data da publicação da MP n.° 1.110/95, em 31/08/95, quando efetivamente nasceu o direito de o contribuinte postular perante a Administração Tributária a restituição/compensação de indébitos tributários. Inobstante o entendimento vazado pela Administração Tributária no Parecer Cosit n.° 58/98, foi publicado em 30/11/99 o Ato Declaratório n.° 96, arrimado no Parecer PGFN n.° 1.538/99, que pretendeu mudar o posicionamento acerca da matéria, ao dispor que o prazo para o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pagos indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso de prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário (art. 165-1 e 168-I, do CTN). A posição emanada pela SRF em relação h. repetição de indébito nos termos do art. 165-1 do CTN é ambígua uma vez que inicialmente adotou o entendimento contido no Parecer COSIT n° 58/98, de 27/10/98, cujo reconhecimento expresso naquele Parecer referenda 7 como dies a quo pra o contribuinte requerer a restituição dos valores pagos a maior que o devido, em caso de declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF, pela via incidental, é a data da publicação da MP n° 1.110/95, DOU de 31/08/95, sendo essa orientação seguida pelos seus órgãos até a edição do AD/SRF n° 96/99, de 30/11/99, ocasião em que passa a esposar o novo entendimento a se contrapor àquele adotado anteriormente. Decerto a SRF, em momentos distintos, adotou entendimentos diversos sobre a mesma matéria, desde a edição da MP n° 1.110/95. Com isso muitos contribuintes obtiveram êxito em seus pleitos no que concerne ao reconhecimento do direito creditório do Finsocial pelo simples fato de aviarem seus pedidos de restituição/compensação até a data de 30/11/99, enquanto outros tantos foram prejudicados por protocolarem seus pedidos após aquela data. Resta claro que a conduta adotada pelo Fisco atenta não apenas contra a isonomia tributária, mas contra os princípios da segurança jurídica e do interesse público. Logo, depreende-se não ser esse o parâmetro adequado para a aferição do prazo ora questionado. Ao contrário do que expôs o juizo a quo, é importante registrar que para que se cogite de um pleito da envergadura do ora analisado, faz-se necessário que o direito do contribuinte possa ser exercitável em sua plenitude. Nesse sentido, até que fosse julgada a inconstitucionalidade das majorações da aliquota do FINSOCIAL pelo STF, os recolhimentos efetuados mês-a-mês pelo contribuinte, gozavam da presunção de legalidade. Logo, não haveria como se questionar a existência de indébito tributário, não haveria como se falar em prescrição, nem mesmo em marco inicial para contagem de prazo para restituição de valores, uma vez que o seu direito de ação ainda não podia ser exercido. Não havia, ainda, a liquidez e a certeza do direito ao crédito do sujeito passivo, pressuposto este autorizativo para a realização da compensação de seus créditos com débitos próprios junto h. Fazenda Nacional (art. 170, CTN). Apenas após a publicação do trânsito em julgado da decisão judicial no DJ, ou seja, a partir dessa data é que se pode falar em contagem de prazo de cinco anos em relação 6. prescrição, análise esta pela qual a decisão de primeira instância passou ao largo. Mediante esse raciocínio, em não se pronunciando a autoridade fiscal, materializou-se o direito subjetivo de ação de o contribuinte (arts. 174 e 168-1 do CTN), para promover a ação de cobrança do crédito, ou seja, para se ressarcir do indébito tributário. Note-se que a Secretaria da Receita Federal através da IN/SRF n.° 32, de 09/04/97, em seu artigo 2.° já havia convalidado a compensação efetivada pelo contribuinte de seus créditos de Finsocial com os débitos reconhecidos e não recolhidos da Confins, com fundamento no art. 9.° da Lei n.° 7.689/88, na aliquota superior a 0,5%. Significa dizer que a Administração Tributária por meio desse ato administrativo também reconheceu o caráter indevido do já mencionado recolhimento. Com esse entendimento também se coaduna a manifestação do jurista e tributarista Ives Gandra Martins, adiante: "Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo, a questão refoge do âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTIV, para assumir os contornos de direito it plena recomposição dos danos que lhe foram caus dos pelo ato 8 Processo n ° 10120.005727/99-11 Acórdão n.° 03-05.307 CSRF/T03 Fls. 260 legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, § 6°, da CF." (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, p. 178) Considerando que o posicionamento adotado pela SRF, em todos os pedidos protocolados até 30/11/99 deu-se com base na IN/SRF n.° 32/97 e no Parecer Cosit 58/98, sob pena de se estabelecer tratamento desigual entre contribuintes em situação absolutamente igual, deve ser mantido esse entendimento para os casos ocorridos mesmo após a publicação do AD/SRF n.° 96/99, uma vez que reside na MP n.° 1.110/95 o reconhecimento do Poder Executivo, ao admitir que a exigência do Finsocial com a aliquota majorada acima de 0,5% era inconstitucional, de acordo com os dispositivos contidos no seu art. 17-III. Insubsistentes, portanto, os argumentos do d. Procurador com relação A. lide. Finalmente, tem-se que o pedido de compensação de Finsocial formulado em 05/11/99 (fls. 01/02) e que o término da contagem do prazo prescricional, sob a égide do raciocínio aqui desenvolvido, dá-se em 31/08/00, não havendo que se falar em decadência. Ante o exposto, não havendo preliminar a ser apreciada, no mérito, nego-lhe provimento, retornando os autos A DRJ para exame das demais matérias. É assi Ira voto. 11, A Otacilio D . tas Cartaxo 0 9
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001736/2001-41
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1995
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
IRRF. Tributação exclusiva e definitiva na fonte. Lançamento por homologação. Fato gerador instantâneo. Falta de pagamento. Prazo decadencial que se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do art. 174, I do CTN e jurisprudência do C.STJ, de observância obrigatória por esta Conselho. Fato gerador ocorrido em 01.08.1995 e notificação do lançamento (autuação) em 16.04.2001. Inicio do prazo em 01.01.1996 e termino em 31.12.2000. Decadência reconhecida.
Numero da decisão: 2202-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado Por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do relator
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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OCORRÊNCIA. IRRF. Tributação exclusiva e definitiva na fonte. Lançamento por homologação. Fato gerador instantâneo. Falta de pagamento. Prazo decadencial que se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do art. 174, I do CTN e jurisprudência do C.STJ, de observância obrigatória por esta Conselho. Fato gerador ocorrido em 01.08.1995 e notificação do lançamento (autuação) em 16.04.2001. Inicio do prazo em 01.01.1996 e termino em 31.12.2000. Decadência reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pela Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do relator (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 17 36 /2 00 1- 41 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Rafael Pandolfo. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13808.001736/200141 Acórdão n.º 2202002.176 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 7ª Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo/SP que manteve a autuação do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre pagamento sem causa ou operação não comprovada, com multa de 75% e juros pela taxa Selic. Termo de Constatação Fiscal (fls. 56/58) relata que a Polícia Federal rastreou a movimentação financeira das contas com remessas ao exterior e encontrou depósito do contribuinte Sempre Propaganda (IPL – 151/98 – Beneficiário Saturnino Ramires Zarate – Valor R$ 493.607,80 – Data depósito 01/08/95 – Banco 237 – Agência 1431 – Documento 6219), objeto da representação fiscal. O contribuinte foi intimado para apresentar os comprovantes da operação, a contabilização e informar a que título foi feito o referido depósito. Em resposta, apresentou diversos documentos relatando que em função da dificuldade de ordem financeira da empresa, foi negociado com alguns fornecedores pagamentos em dólares para resguardar eventuais perda pela defasagem no pagamento das faturas e o cheque foi utilizado para pagamento de dólares norte americano adquiridos, constando no verso “para pagamento de Saturnino Ramires Zarate’’ por solicitação do vendedor de dólares. Entendeu a fiscalização que a origem do dinheiro foi demonstrada, consubstanciado nos lançamentos nos livros contábeis e fiscais. Porém, a destinação do pagamento a fornecedores não foi comprovada.. Pela ausência de comprovação da operação ou da causa que deu origem ao pagamento ao beneficiário Saturnino Ramires Zarate, o valor foi objeto do auto de infração, sujeito à incidência do IRRF, à alíquota de 35% em conformidade com o art. 61, caput e par. 1º, da Lei 8.981/95. Auto de Infração (fls. 61/63), com ciência da autuação em 16/04/2001, na pessoa do sócio gerente (fls. 63). Impugnação (fls. 65/81). Decisão recorrida (fls. 100/109) com ciência em 19/08/2008 (AR fls. 119) manteve a autuação pela falta de comprovação da causa que deu origem ao pagamento a Saturnino Ramires Zarete. A decisão esta assim ementada: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 1995 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 4 PAGAMENTO SEM CAUSA OU OPRAÇÃO NÃO COMPROVADA. Nos casos em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprova com documentos hábeis e idôneos, coincidente em datas, que os pagamentos e retiradas foram destinados à atividade da empresa, legítimo o lançamento que enquadrou as operações como pagamentos sem causa ou operações não comprovadas. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. Sujeitase à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificados, bem como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócio, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Em se tratando de caso de não pagamento, o prazo decadencial somente iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado e se o lançamento foi notificado antes do prazo terminal, não há que se aventar a hipótese de decadência do direito de a Fazenda Pública apurar e lançar os seus créditos. Lançamento Procedente Recurso Voluntário (fls. 114/128) sustenta, em síntese, decadência, com fundamento no Par. 4º, do art. 150 do CTN. No mérito, alega que a origem do dinheiro foi comprovada mediante os registros constantes nos livros contábeis e fiscais, não podendo prevalecer o argumento de “pagamento a beneficiário não identificado”; por fim sustenta que a multa é indevida por padecer da inconstitucionalidade ao não observar a proporcionalidade e a razoabilidade. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13808.001736/200141 Acórdão n.º 2202002.176 S2C2T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Cuidase de autuação com exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte _ IRRF sobre pagamento sem causa Sustenta decadência e pagamento a beneficiário identificado, com existência de causa e origem. Aprecio a decadência. Cuidase de acusação com a exigência sobre Imposto de Renda com tributação exclusiva na fonte sobre pagamento sem causa ou operação de que trata o art. 61, Par. 1°, da Lei n° 8.981, de 1995, com fato gerador instantâneo, cuja ocorrência se dá no momento do pagamento. Pagamento antecipado, sem o prévio exame da autoridade administrativa, e não sujeito a compensação ou ajuste ao final do ano. Com essas condições a exigência adquire a natureza de lançamento por homologação, de que trata o art. 150, § 4°, do CTN. A jurisprudência fixada pelo C. Superior Tribunal de Justiça no Recurso Repetitivo do AgRg no REsp n° 1.203.986MG, Rel. Min. Luz Fux, j., 09.11.2010 e do REsp 973.733∕SC, de observância obrigatória por este Conselho, na forma do art. 62A, do Regimento Interno, determina a contagem do prazo decadencial no lançamento por homologação a partir da data da ocorrência do fato gerador, quando há pagamento. Não havendo pagamento a contagem do prazo obedece a regra do art. 173, I, do CTN, com inicio do prazo no ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Na hipótese, o dia 01.01.1996. A decisão recorrida, sem contrariedade, fixou que não houve pagamento de qualquer parcela do IRFonte e a Recorrente optou pelo sistema do lucro real anual no do imposto de renda da pessoa jurídica. O pagamento ou do crédito ao beneficiário do pagamento/rendimento foi realizado em 01.08.1995, conforme consta do Termo de Fiscalização, sem contrariedade. Mas com a falta de pagamento e a jurisprudência predominante, o prazo decadencial tem inicio no dia 01.01.1996, primeiro dia do exercício o seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A notificação do lançamento ocorreu em 16.04.2001 (fls. 63). Entre 01.01.1996 e 16.04.2001 transcorreu lapso temporal superior aos cinco, operandose a decadência. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES 6 A decisão recorrida não admitiu a decadência sob o entendimento de que o lançamento somente poderia ser efetuado a partir de 01.01.1996, e assim o termo inicial da decadência seria o dia 01.01.1997. Ledo engano, o fato gerador não é anual, mas instantâneo, com tributação exclusiva na fonte, de forma que o lançamento, de oficio (autuação), poderia ser efetuado a partir do mês seguinte a obrigação (cf., art. 61, § 2º, da Lei 8.991, de 20.01.1995). Assim, pela falta de pagamento e, na forma da jurisprudência pacificada pelo C.STJ, o lançamento poderia ser efetuado a partir de 01 de janeiro de 1996, tendo esta data como inicio da contagem do prazo decadencial. Entre 01.01.1996 e a notificação do lançamento em 1604.2001, o crédito tributário estava extinto pela decadência. Ante o exposto, pelo meu voto, reconheço a decadência para declarar extinto o direito de a Fazenda constitui o credito tributário pelo lançamento (autuação). (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 159DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/03/2013 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 11618.000685/2001-41
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-000.003
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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Processo n° 11618.000685/2001-41 Recurso n° 303-126.690 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.003 — 2 Turma Sessão de 17 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA USINA SÃO JOÃO Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ADA. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Ofende o Princípio da Legalidade a imposição de condição que modifique a base de cálculo, com majoração do tributo, por ato infra-legal, no caso Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes .utos. / ACORDAM os memb i i s do colegiado, i e or unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 1 À n • . OS ALBER • Í ' EITAS BA 1 L. O - Pre idente ( c y r 40' •-i 4% \ 411 - . • • , .COS CA b IDO — elattr EDITADO EM: e# e SEI a(29---— s o ' 1 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n° 303-30.809, exarado na sessão de julgamento de 02 de julho de 2003, com supedâneo no inciso II do art. 50 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época da interposição do recurso: Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 119/120.. A divergência jurisprudencial que se quer seja solucionada nos presentes autos resume-se em saber se, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural (ITR), há previsão legal para estabelecer a exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA), expedido pelo IBAMA ou órgão delegado por meio de convênio, como requisito para exclusão da área de preservação permanente. Intimada a apresentar contrarrazões, a interessada manteve-se silente. É o relatório. Passo ao voto. J r 2 Processo n° 11618.000685/2001-41 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.003 Fl. 2 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A 3' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: ITR - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. A teor do artigo 10, § T da Lei n° 9.393/1996, modificado pela Medida Provisória 2.166/2001, basta a simples declaração do contribuinte, para fim de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. Nos termos da Lei n° 9393/96, não são tributáveis as áreas de preservação permanente e de reserva legal. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente pois o contribuinte não apresentou o ADA previsto na legislação de regência, reportando-se, como paradigma de divergência, ao acórdão n° 302-35.974, de 18 de fevereiro de 2004, exarada pela 2' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes com o qual o representante da Fazenda pretende comprovar a divergência suscitada, in verbis: IMPOSTO TERRITORIAL, RURAL, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As áreas de preservação permanente, a que se refere o art 2o da Lei n° 4 771/65, estão sujeitas à comprovação para fins de gozo da isenção do ITR e, aquelas previstas no art 3o da Lei n° 4 771/65, devem ser declaradas como tal, por ato do Poder Público. Conforme visto, restou estabelecida a divergência de interpretação de lei tributária entre a 2' e 3' Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes, pelo quê o recurso especial deve ser admitido. No mérito. A discussão que se trava nestes autos cinge-se em saber se a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de exclusão das mesmas da base de incidência do ITR, depende, ou não, do cumprimento da exigência da protocolização tempestiva do ADA, a ser emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado. Vejamos a legislação de regência da matéria. 3 A legislação aplicável estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, as áreas de preservação permanente são aquelas descritas nos § 2° e § 3° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: (.) 2° A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. § 3 0 Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. A exigência do ADA como requisito para a exclusão das áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR encontra-se estabelecida no 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 41, de 1997, com redação da IN SRP n° 67, de 1997: Art 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: 1- de preservação permanente; II - de utilização limitada. (.) § 40 As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declarató rio do 4 Processo n° 11618.000685/2001-41 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.003 Fl. 3 IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: I - as áreas de reserva legal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei n°4.771, de 1965; II - o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declarató rio junto ao IBAMA; 111 - se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. A exigência da apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente, estabelecida em legislação infra-legal, contrapõe-se ao principio da reserva legal, posto que a desconsideração das áreas de preservação permanente e de reserva legal, como tal, representam sua inclusão na área tributável pelo ITR. Assim, qualquer restrição à exclusão de áreas da tributação do ITR, por corresponder a aumento de tributo, deve ser instituída por lei, ex vi do inciso II combinado com o § 1° do art. 97 do Código Tributário Nacional: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (.) II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; (.) § 1 0 Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. Tanto é assim que o art. 1° da Lei n° 10.165, de 2000 estabeleceu aquela condição ao incluir o art. 17-0 na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei ?e 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria." (NR) (-) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Portanto, se a obrigação de apresentação do ADA foi instituída posteriormente por lei, não poderia o órgão de administração tributária antecipar tal exigência, que resulta majoração de tributo, por meio de instrução normativa. Desta forma, nego provimento ao recurso especial. oieb Caio arcos Candido - Relgor 41, 6
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Numero do processo: 11080.725487/2010-91
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS NÃO COMPROVADOS. A falta de comprovação da origem dos recursos financeiros que propiciaram registros de créditos na conta empréstimos a pagar (passivo) evidencia a omissão de receitas da atividade do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS NÃO COMPROVADOS. A falta de comprovação da origem dos recursos financeiros que propiciaram registros de créditos na conta empréstimos a pagar (passivo) evidencia a omissão de receitas da atividade do contribuinte. Recurso Voluntário Negado.
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EMPRÉSTIMOS DE SÓCIOS NÃO COMPROVADOS. A falta de comprovação da origem dos recursos financeiros que propiciaram registros de créditos na conta empréstimos a pagar (passivo) evidencia a omissão de receitas da atividade do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.725487/201091 Acórdão n.º 140200.962 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório BR 290 COMERCIO E INDUSTRIA DE MADEIRAS BRASILEIRAS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Contra a interessada, antes qualificada, foram lavrados Autos de Infração com anexos para a exigência de créditos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2006 (fls. 2.495 2.551). De acordo com a descrição dos fatos, a autuação decorre da omissão de receitas da atividade, conforme consta no Relatório da Ação Fiscal (IRPJ e reflexos), de fls. 2.527 2551, destacandose o seguinte: Autuante: AFRFB Maria Cláudia Pereira da Silveira [...] esta fiscalização constatou o lançamento contábil de valores significativos correspondentes a empréstimos recebidos de pessoa física {Empréstimos PF a pagar" código 00578) e jurídica (conta "Empréstimos PJ a pagar" código 00579), sendo que alguns valores foram recebidos via Bancos e outros diretamente para pagamento de despesas e compra de equipamentos e materiais da empresa, conforme quadro demonstrativo abaixo: Empréstimos PF a pagar Empréstimos PJ a pagar Créditos Ano 2006 Ano 2007 Ano 2006 Ano 2007 entrada bancos/caixa 245.320,00 0,00 565.676,40 3.610.643,34 transf contas 973.264,30 0,00 0,00 0,00 despesas, imob 1.382.061,63 0,00 318.252,39 0,00 total créditos 2.600.645,93 0,00 883.928,79 3.610.643,34 [...] 4.1 Omissão de receitas relativa aos ingressos de recursos mediante depósitos bancários na contas "Empréstimos PF a pagar" código 00578 Na conta "Empréstimos PF a pagar", no ano de 2006, ingressaram R$ 245.320,00 mediante depósitos bancários, conforme demonstrado no quadro abaixo: Data Cód.C onta Conta Créditos Cód Contra Contrapartida 14/09/2006 00578 Empréstimo P. 63.720,00 00007 Banrisul S/A Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.725487/201091 Acórdão n.º 140200.962 S1C4T2 Fl. 0 3 Física a Paqar 02/06/2006 00578 Empréstimo P.Fisica a Paqar 80.000,00 00007 Barrisuf S/A 26/09/2006 00578 Empréstimo P.Fisica a Paqar 101.600,00 00428 Votorantim 156.099.3021 O contribuinte fiscalizado, quando intimado a comprovar as operações apropriadas na conta "Empréstimos PF a pagar"; os contratos de mútuo estabelecidos com o Sr Edgar Moraes Otero [...] não apresentou os contratos de mútuo que geraram os empréstimos [...] comprovou apenas parcialmente os recursos ingressados na referida conta mediante depósitos bancários e apresentou somente as cópias de notas fiscais contabilizadas como despesas na conta empréstimos, não apresentando a comprovação da origem dos pagamentos das despesas. Não foram comprovados os ingressos bancários dos valores de R$ 63.720.00 e R$ 101.600,00 realizados na conta "Empréstimos PF a pagar" cód 00578. [...] 4.2 Omissão de receitas relativa aos valores utilizados para pagamento de despesas e/ou compras de equipamentos e materiais contabilizados nas contas "Empréstimos PF a pagar" código 00578 e "Empréstimos PJ a pagar" código 00579 De acordo com a contabilidade apresentada pelo contribuinte, esta fiscalização constatou que foram apropriados R$ 1.382.061,63 a crédito na conta "Empréstimos PF a pagar": no ano de 2006, e R$ 318.252,39 a crédito na conta "Empréstimos PJ a pagar", no ano de 2006, para pagamento de despesas e/ou aquisição de equipamentos e materiais, conforme consta no histórico dos lançamentos contábeis, sendo que o débito foi realizado diretamente em contas de despesas, sem transitar pela conta Bancos. Intimado a comprovar a origem dos recursos utilizados para pagamento das despesas contabilizadas como empréstimos na referida conta, o contribuinte apresentou apenas cópias de notas fiscais emitidas em 2006 (folhas 657 a 1122), onde consta como destinatário/remetente o nome do próprio contribuinte fiscalizado, comprovando a ocorrência das despesas, porém não comprovou a origem dos recursos utilizados para pagamento das despesas no ano de 2006, não tendo apresentado nenhum documento que efetivamente comprovasse que o pagamento das despesas foi efetuado por pessoa física ou jurídica diversa do próprio contribuinte fiscalizado. Considerando que o contribuinte não apresentou documentos que efetivamente comprovem a origem dos recursos utilizados para pagamentos das despesas contabilizadas como pagas com os Empréstimo de Pessoa Física e Empréstimos de Pessoa Jurídica, tais como cheques, cópias de transferências bancárias, etc, porque a simples apresentação de cópias de notas fiscais não é documento comprobatório de que terceiros efetuaram o pagamento das despesas/aquisições de materiais e não o próprio contribuinte, e que os documentos apresentados pelas empresas diligenciadas Mecânica Vanzin e Ferramentas Gerais comprovam a aquisição de equipamentos pela BR 290, assim como emissão de documentos Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.725487/201091 Acórdão n.º 140200.962 S1C4T2 Fl. 0 4 (contratos e duplicatas) de compromisso de pagamento firmados pelo próprio contribuinte fiscalizado, esta fiscalização concluiu que os valores utilizados para pagamento das despesas e/ou aquisição de equipamentos e materiais contabilizados nas contas "Empréstimos PF a pagar" e "Empréstimo PJ a pagar" no ano de 2006 foram realizados com recursos oriundos do próprio contribuinte, ou seja, tratase de valores relativos à omissão de receita, os quais foram apropriados contabilmente de maneira a distorcer veracidade dos fatos. (Grifos do original) 5. Dos valores lançados De acordo com os dados apurados durante os procedimentos de fiscalização, os quais encontramse expostos neste Relatório de Ação Fiscal, esta fiscalização identificou os valores das receitas omitidas, objeto de auto de infração, conforme demonstrado no quadro abaixo, A composição individualizada dos valores informados no quadro demonstrativo se encontra nas planilhas em anexo a este relatório. Mês Ano 2006 janeiro 291.724,65 fevereiro 216.452,34 março 309.272,82 Total 1o tri 817.449,81 Abril 386.313,91 maio 48.290,91 junho 0,00 Total 2o tri 434.604,82 julho 45.000,00 agosto 0,00 setembro 165.320,00 Total 3o tri 210.320,00 outubro 318.252,39 Total 4o tr 318.252,39 (...) O total do crédito tributário do processo, até a data da autuação, é de R$315.709,59 (fl. 2.495). A autuada, por meio de seu representante legal (doc. 1), apresentou a impugnação de fls. 2.5552.558, com documentos, alegando, inicialmente, que a autoridade fiscal está equivocada, ao presumir a omissão de receitas. Com referência ao valor de R$ 318.252,39, descrito pela autuante como pagamento de despesas e/ou aquisição de equipamentos e materiais e escriturado na conta “Empréstimos PJ a pagar – código 00579”, na verdade, diz a defesa, referese a tributos federais, que teriam sido liquidados com receitas do contribuinte, o que não é verdade. Alega que esse valor se refere à utilização de crédito tributário (Crédito Prêmio de IPI) obtido, por cessão, junto à empresa SIMAB S.A., conforme consta no contrato anexo (doc. 2), para compensação de tributos federais da impugnante, fato que pode ser Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.725487/201091 Acórdão n.º 140200.962 S1C4T2 Fl. 0 5 comprovado por meio das declarações de compensação anexadas (doc. 3). Acrescenta que, posteriormente, tais pedidos foram indeferidos e os tributos, objetos dessas compensações, encontramse em processo de parcelamento, que está sendo pago. Relativamente aos valores de R$ 165.320,00 e R$ 1.382.061,63, contabilizados na conta “empréstimos PF a pagar código: 00578”, a defesa alega que decorrem de empréstimos efetuados por Edgar Morais Otero, sócio da impugnante à época dos fatos. Acrescenta que a origem desses valores é comprovada pelo contrato firmado entre a impugnante e citado sócio. Ao final, requer que os autos de infração sejam julgados improcedentes. A decisão recorrida está assim ementada: OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS NÃO COMPROVADOS. A falta de comprovação da origem dos recursos financeiros que propiciaram registros de créditos na conta empréstimos a pagar (passivo) evidencia a omissão de receitas da atividade do contribuinte. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/Pasep, COFINS e CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Procedente em Parte Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido no que tange aos empréstimos do sócio, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.725487/201091 Acórdão n.º 140200.962 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Vejamos a transcrição das alegações recursais. Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.725487/201091 Acórdão n.º 140200.962 S1C4T2 Fl. 0 7 Uma vez que a contribuinte não trouxe no recurso voluntário novas provas e considerando que os fundamentos da decisão recorrida não merecem reparos, peço vênia para tanscrevelos e adotálos com razões de decidir (verbis): Verificase pois, que a recorrente reitera a alegação de que parte dos valores depositados se referem a empréstimos efetuados por Edgar Moraes Otero, sócio da impugnante à época dos fatos, e que a prova da origem desses valores é o contrato firmado entre a autuada e citado sócio (doc. 4 fls. 2.6062.608). Registra que esses recursos eram necessários para a mutuária, pois estava iniciando sua atividade comercial. Nenhum outro documento foi apresentado nesta fase litigiosa dos autos. Consta no referido Contrato de Mútuo (item 1), que o credor entregou os valores questionados ao mutuário por meio de transferências bancárias e pagamentos de despesas realizadas pelo credor em favor do mutuário, no decorrer do ano de 2006. Notese que a data do contrato é 10 de janeiro de 2007. Não há questionamento sobre a validade do negócio jurídico realizado entre as partes, no entanto, o que continua pendente é a falta de apresentação de provas sobre essas transferências de recursos financeiros (documento bancário), bem como dos pagamentos das citadas despesas por pessoa física ou jurídica diversa da autuada (ex: cópia de cheque, ordens de pagamento, etc). Ou seja, os valores em destaque correspondem à omissão de receitas da impugnante, que foram contabilizadas de maneira a distorcer a verdade material dos fatos. A matéria já se encontra pacificada na esfera administrativa, conforme as acórdãos do Conselho de Contribuintes/MF, atualmente CARF, neste termos: PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade Fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão 10809836, Sessão de 05/02/2009, da Oitava Câmara do 1º CC) PASSIVO FICTÍCIO. A inexistência de documento hábil e idôneo de obrigação consignada em passivo fictício autoriza o lançamento de ofício da Omissão de Receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A inexistência de documento hábil e idôneo para afastar os fatos apontados pela fiscalização autoriza a exação. (Acórdão 10809800, Sessão de 18/12/2008, da Oitava Câmara do 1º CC) OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Nos termos do disposto no art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza omissão de receita. (Acórdão 10517.247, Sessão de 15/10/2008, da Quinta Câmara do 1º CC) As ementas acima estão disponíveis em: <http://carf.fazenda.gov.br> Para que não pairem dúvidas, o início das atividades mercantis da autuada ocorreu no anocalendário de 2005, conforme documentos de fls. 2.491 e 2.493. Notese que a primeira DIPJ da autuada corresponde ao período de 27/09 a 31/12/2005. Assim, o litígio não alcança a hipótese de suprimentos de recursos na fase préoperacional da autuada. Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.725487/201091 Acórdão n.º 140200.962 S1C4T2 Fl. 0 8 Diante do exposto, confirmase que não foi comprovada a origem dos recursos utilizados para depósitos bancários e pagamentos de despesas e/ou aquisição de equipamentos e materiais, que foram contabilizados nas conta “Empréstimos PF a pagar – código 00578”. Conclusão Inexistindo prova da origem dos recursos, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001805/96-93
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 1992, 1993, 1994
JULGAMENTO EM 2ª INSTÂNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS CONTIDAS NO REGIMENTO INTERNO DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES,
Se forem propostas mais de duas soluções distintas ao plenário, quando da apreciação de determinada lide, a decisão será adotada mediante votações sucessivas até que só restem duas soluções, das quais será adotada aquela que reunir maior número de votos.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3806-000.010
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para considerar o critério de arbitramento mais favorável ao contribuinte mds a mês.
Nome do relator: Valeria Pestana Marques
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1992, 1993, 1994 JULGAMENTO EM 2ª INSTÂNCIA. OBSERVÂNCIA DAS REGRAS CONTIDAS NO REGIMENTO INTERNO DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES, Se forem propostas mais de duas soluções distintas ao plenário, quando da apreciação de determinada lide, a decisão será adotada mediante votações sucessivas até que só restem duas soluções, das quais será adotada aquela que reunir maior número de votos. Recurso voluntário provido em parte.
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OBSERVÂNCIA DAS REGRAS CONTIDAS NO REGIMENTO INTERNO DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES, Se forem propostas mais de duas soluções distintas ao plenário, quando da apreciação de determinada lide, a decisão será adotada mediante votações sucessivas até que s6 restem duas soluções, das quais sera adotada aquela que reunir maior número de votos. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurs() para considerar o critério de arbitramento mais favorável ao contribuinte mds a mês,. Franc o Assi de Oliveira Júnior Pr .idente da a Câmara da 2' Seção do CARF (Sucessora da 6 Turma aecial da 3' eção do CARF) asL Valéria Pestana Marques — Relatora Participaram do julgamento, os Conselheiros: Valéria Pestana Marques, Ana Paula Locoselli Erichesen, Carlos Nogueira Nicácio e Ana Maria Ribeiro dos Reis (Presidente). FORMALIZADO EM: G 3 DEZ Relatório Trata o presente de julgamento de reexame do decidido no Acórdão n.° 106- 09.791, de 7 de janeiro de 1998, fls. 382/400, tendo em vista sua anulação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais mediante o Acórdão CSRF/04-00.478, de 13 de dezembro de 2006, fls. 543/550, assim ementado: NULIDADE E' nulo o acórdão quando em flagrante afronta às disposições contidas no art. 23 e seu parágrafo único, do regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, O julgado anulado tem como parte integrante as seguintes ementas: SIGILO BANCÁRIO NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Iniciado. o procedimento fiscal, a autoridade fiscal, poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financebas, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n" 4.595, de 31 de dezembro de 1964 (art. 8" da Lei le 8.021/90). NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - O Auto de Infragao e demais termos do processo ,fiscal só s.cio nulos nos casos previstos no art. 59 do Deem eto n" "70.235172 (Processo Administrativo Fiscal). IRPF - GASTOS INCOMPATIVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL - BASE DE CÁLCULO - TRIBUTAÇÃO MENSAL - 0 Imposto de Renda das Pessoas Físicas, a partir de 01/01/89, será devido, mensalmente, el medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se o arbitramento com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições ,financeiras (fluxo banccii io), quando .ficar comprovado, pelo Fisco, a realização de gastos incompativeis com a renda disponível do contribuinte. 1RPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA - LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITO BANCÁRIO - No arbitramento, em procedimento de oficio, efetuado corn base em depósito bancário, nos lermos do § 5" do art, 6° da Lei n° 8.021, de 12/04/90, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda 2 Processo n" 10166 001805/96-93 S3-TE06 Acerdilo n '3806-00.010 Fl 2 • consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem ,fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. 0 lançamento assim constituído só é admissivel quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimentos. Devendo, ainda, neste caso, (comparação entre depósitos bancários e a renda consumida), ser levada a efeito a modalidade que mais favorece o contribuinte. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Em assim sendo, tern -se o seguinte resultado no referido decisório: Pelo voto de qualidade, para que seja adotado o critério de arbitramento mais favorável ao contribuinte, considerando o ano-base conto todo Vencidos os conselheiros Mário Albertino NIMeS (Relator), Henrique Orlando Marconi e Rosani Romano Rosa de Jesus Cardozo, que consideravam o critério mais favorável in& a mds e os Conselheiros Wilfrido Augusto Marques e Romeu Buena de Camargo que davam provimento total por não concordarem com o lançamento feito coin base em depósito bancário, Designado para redigir o voto Vencedor o conselheiro Luiz Fernando Oliveira de Moraes. A CoIenda Câmara Superior acatou a preliminar de nulidade argüida pela relatora, consoante excerto de voto condutor a seguir transcrito: Verifica-se no Acórdão recorrido, que as conselheiros adotaram Ira posições diferentes, conforme a seguir destacado 1 - adoção do critério de arbitramento considerando todo o ano- calendário, com adesão de dois conselheiros (Luiz Fernando'. Vieira (sic) de Moraes e Dimas Rodrigues de Oliveira (presidente), com voto de qualidade). Verifica-se que essa corrente exonerava cerca de 40% da exigência 2 - adoção do critério de arbitramento ntés a me.s., corn adesão de três conselheiros (Mário Albertino Nunes, Henrique Orlando Marconi e Rosani Romano Rosa de Jesus Cardozo), Com esse critério, a redução alcança cerca de 90%. 3 - adoção do critério de prover integralmente o recurso, com adesão de dois conselheiros (Vilft'ido Augusto Marques e Romeu Buena de Camargo). No item 3, com dois votos, a redução alcança 100%. 3 Verifica- se que o provimento integral da lide também alcança o provimento parcial adotado no critério de arbitramento mês a mês. Por força regimental, a decisão a prevalecer seria o somatório dos votos contidos no item 3 mais o somatório dos votos contidos no item 2, ou seja, o provimento parcial com cinco votos, adotando-se o critério de arbitramento mensalmente. Em face do exposto, suscito a preliminar de nulidade do Acórdão 106-09.791, em total afronta ao dispositivo regimental acima transcrito, determinando o retorno dos autos a C Sexta câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para que nova decisão seja prolatada. (grifos do original) Tanto o representante da Fazenda Nacional, fl. 552, quanto a contribuinte, 11, 558, foram pessoalmente cientificados do julgado proferido pela Câmara Superior. Saliente-se que a recorrente colacionou, As fls. 532/542, cópia de sentença prolatada em 31/08/2005 pela MM. Juiza da 13' Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, em ação ordinária movida por seu cônjuge, na qual foi declarada a nulidade do administrativo de n.° 10166,001805/96-93 e do débito dele decorrente, sob o argumento de quebra ilegítima do sigilo bancário do esposo da autuada. Foi feita sustentação oral por representando legal da contribuinte, ocasião em que foram concedidas vistas ao Conselheiro Carlos Nogueira Nicácio. E. o relatório. Voto Conselheira Valéria Pestana Marques, Relatora. De plano, cumpre esclarecer que a declaração de nulidade proferida pela Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais no concernente ao Acórdão 106-09.791, fls. 382/400, decorreu, tão-somente, do apontamento pela relatora de afronta a dispositivo regimental atinente aos Conselhos de Contribuintes, do qual decorreu o incorreto registro do resultado do julgamento de 2n instância. Efetivamente, consoante o aludido Regimento Interno, se forem propostas mais de duas soluções distintas ao plenário, quando da apreciação de determinada lide, impedindo assim a formação de maioria, a decisão ser á adotada mediante votações sucessivas, das quais serão obrigados a participar todos os conselheiros presentes. Vota-se em primeiro lugar duas de quaisquer das soluções. Dessas duas, a que não lograr maioria será considerada eliminada, devendo a outra ser submetida novamente ao plenário com uma das demais soluções não apreciadas, e assim sucessivamente, até que so restem duas soluções, das quais será adotada aquela que reunir maior número de votos. Processa 10166.001805/96-93 S3-TE06 Acórao n.° 3806-00.010 Fl. 3 In castr, no acórdão recorrido, os conselheiros adotaram 3 (três) posições diferentes, quais sejam: o arbitramento considerando todo o ano-calendário, o arbitramento mês a Ines e o provimento integral do recurso, que exonerariam a recorrente, respectivamente, de 40% (quarenta por cento), 90% (noventa por cento) e 100% (cem por cento) da exação procedida. Verifica-se que o intento do referido decisório seria adotar o critério de arbitramento mais favorável à autuada. E na espécie, conforme a própria CSRF, o provimento integral do recurso - que desobrigaria a contribuinte do recolhimento da totalidade do crédito tributário constituído necessariamente teria que conter o arbitramento mês a mês, segunda opção mais favorável a ela. Ter-se-ia ai formada a maioria de votos do colegiado. Ou melhor, o que houve foi o incorreto registro do resultado do julgado naquele momento. Isto posto, VOTO no sentido de tão-só alterar o resultado do julgamento registrado As fls. 382/400 sem necessidade de outra analise das razões de mérito, ou seja, de dar provimento parcial ao recurso interposto para adotar como critério mais favorável a interessada o arbitramento mensal. UiL Valéria Pestana Marques MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10166.001805/96-93 Recurso n° : 011.675 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se .o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto it Segunda (-Amara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 3806-00.010. Brasilia/DF, 03/12/2010. ( EVELINE COÉLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, corn a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10530.720259/2005-59
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 13/02/2004 a 14/01/2005
COFINS. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE E NÃO CUMULATIVIDADE. DECORRÊNCIA DO REGIME DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.
Tendo o Primeiro Conselho de Contribuintes decidido pela legitimidade da opção da pessoa jurídica relativa à apuração do Imposto de Renda (lucro presumido ou real), deve sua decisão ser adotada no julgamento do regime de apuração do PIS (cumulatividade ou não cumulatividade).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NO REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. DECORRÊNCIA DO REGIME DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.
A pessoa jurídica que apure o imposto de renda pelo regime do lucro presumido, sujeita-se ao PIS cumulativo, caracterizando-se como indébitos os recolhimentos efetuados no regime de não cumulatividade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 13/02/2004 a 14/01/2005 COFINS. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE E NÃO CUMULATIVIDADE. DECORRÊNCIA DO REGIME DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. Tendo o Primeiro Conselho de Contribuintes decidido pela legitimidade da opção da pessoa jurídica relativa à apuração do Imposto de Renda (lucro presumido ou real), deve sua decisão ser adotada no julgamento do regime de apuração do PIS (cumulatividade ou não cumulatividade). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NO REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. DECORRÊNCIA DO REGIME DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. A pessoa jurídica que apure o imposto de renda pelo regime do lucro presumido, sujeita-se ao PIS cumulativo, caracterizando-se como indébitos os recolhimentos efetuados no regime de não cumulatividade. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE E NÃO CUMULATIVIDADE. DECORRÊNCIA DO REGIME DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. Tendo o Primeiro Conselho de Contribuintes decidido pela legitimidade da opção da pessoa jurídica relativa à apuração do Imposto de Renda (lucro presumido ou real), deve sua decisão ser adotada no julgamento do regime de apuração do PIS (cumulatividade ou não cumulatividade). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NO REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. DECORRÊNCIA DO REGIME DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. A pessoa jurídica que apure o imposto de renda pelo regime do lucro presumido, sujeitase ao PIS cumulativo, caracterizandose como indébitos os recolhimentos efetuados no regime de não cumulatividade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 02 59 /2 00 5- 59 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.720259/200559 Acórdão n.º 3302001.909 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 11/4/2005 a empresa recorrente apresentou PER/DCOMP declarando a compensação de débitos com crédito de PIS decorrente de pagamento realizado a maior ou indevidamente. A DRF em Feira de Santana BA indeferiu o pedido da recorrente, alegando a impossibilidade de mudança de regime de tributação do IRPJ/CSLL e, consequentemente, a impossibilidade de a Recorrente efetuar o pagamento do PIS pelo regime cumulativo no ano base de 2004. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1518.628, de 12/3/2009, cuja ementa abaixo transcrevo: LUCRO REAL ANUAL. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. A pessoa jurídica sujeita A tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre a base de cálculo estimada. A adoção dessa forma de pagamento será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro, e será irretratável para todo o anocalendário. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 31/3/2009, conforme AR de fl. 314, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 29/4/2009, com o recurso voluntário de fls. 315/343, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. No dia 30/7/2012 a empresa recorrente apresenta o pedido de celeridade no julgamento de fls. 375/379. A este pedido a empresa junta cópia do Acórdão nº 130200442, de 17/12/2010, da 2ªTO/3ªC/1ªSJ, cuja ementa abaixo se transcreve. Regime de apuração do IRPJ e CSLL. Tendo sido admitida a apuração do lucro pela sistemática do lucro presumido para a CSLL, este mesmo sistema de apuração deve ser admitido para o IRPJ. Também noticia que a tributação da CSLL pela sistemática do lucro presumido foi decida em julgamento realizado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do Acórdão 10196.649, de 16/4/2008. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.720259/200559 Acórdão n.º 3302001.909 S3C3T2 Fl. 4 3 No mesmo expediente, a empresa recorrente informa que o seu recurso voluntário relativo à tributação da Cofins, relacionada aos mesmos fatos deste processo, também foi julgado procedente pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do Acórdão nº 20181.711, de 3/2/2009. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário atende aos requisitos legais. Dele se conhece. Reproduzo, como razão de decidir, o voto proferido no acórdão 20181711, de 3/2/2009, da lavra do ilustre conselheiro José Antonio Francisco. A principal questão discutida no processo, que é a existência de indébitos, depende da resolução da questão relativa à opção da interessada pelo lucro presumido ou real. Isso porque a única questão discutida nos autos desde o Despacho Decisório que não homologou as compensações é o regime de apuração do IRPJ. Portanto, há que se decidir, primeiramente, se tal matéria seria de competência deste 2º Conselho de Contribuintes. A legislação da Cofins determina que, apurando a empresa o Imposto de Renda pelo regime do lucro real, a apuração da Cofins deverá ser efetuada na modalidade nãocumulativa. Entretanto, a legislação que trata do regime de apuração do Imposto de Renda e da contribuição social é especifica destes tributos. Temse, assim, que o regime de apuração é regulado pela legislação do Imposto de Renda e, conforme o regime de apuração do Imposto de Renda, fixase a modalidade de apuração da Cofins (cumulativa ou nãocumulativa). Determina o art. 20 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007: "Art. 20. Compete ao Primeiro Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação referente ao imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, adicionais, empréstimos compulsórios a ele vinculados e contribuições, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: Fl. 389DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.720259/200559 Acórdão n.º 3302001.909 S3C3T2 Fl. 5 4 I às Primeira, Terceira, Quinta, Sétima e Oitava Câmaras, os relativos à: a) tributação de pessoa jurídica; [...] d) exigência da contribuição para o Fundo de Investimento Social (Finsocial), da contribuição para o PIS/Pasep e da contribuição para o financiamento da seguridade social (Cofins), quando essas exigências estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu também para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica. [...] Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: 1 às Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Câmaras, os relativos a: [...] c) contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, quando suas exigências não estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação do imposto sobre a renda; [...]." No caso dos autos, não se trata de "exigência lastreada em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação do imposto sobre a renda" e, portanto, a competência para apreciação da matéria relativa à Cofins é deste 2º Conselho de Contribuintes. Entretanto, este 2º Conselho de Contribuintes não tem competência para apreciar o fundamento adotado pelo Despacho Decisório e pelo Acórdão de primeira instância, que é o regime de apuração do IRPJ. Em relação a declarações de compensação da contribuição social, a matéria foi objeto do Acórdão nº 10196.649, proferido no âmbito do Recurso Voluntário nº 162.606 (Processo nº 10530.720138/200698), julgado pela 1ª Câmara deste 2º Conselho de Contribuintes em sessão de 16 de abril de 2008, conforme ementa abaixo reproduzida: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: REGIME DE TRIBUTAÇÃO POSSIBILIDADE DE OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO ART. 4º DA LEI Nº 9964/2000 Em face do art. 4º da Lei nº 9964/2000, as pessoas jurídicas de que tratam os incisos I e III a V do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998, poderão optar, durante o período em que submetidas ao Refis, pelo regime de tributação com base no lucro presumido, não podendo prevalecer, em face do princípio da legalidade, a restrição da IN SRF nº 16/2000, que restringe a Fl. 390DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.720259/200559 Acórdão n.º 3302001.909 S3C3T2 Fl. 6 5 respectiva possibilidade de mudança do regime de tributação apenas ao anocalendário 2000. Recurso provido." Os fundamentos do voto, aprovado à unanimidade, foram os seguintes: "Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, Relator O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A contribuinte requereu a compensação dos valores das estimativas mensais da CSL pagas no decorrer do ano calendário de 2004, em razão da opção superveniente pelo lucro presumido, com débitos de sua responsabilidade administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Sobre a tributação da pessoa jurídica, a contribuinte poderá apurar o imposto de renda e a CSL com base no lucro real, presumido, ou arbitrado. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real anual deverá pagar o imposto de renda e CSL mensalmente, determinados sobre base de cálculo estimada. Sobre a tributação com base no lucro real, o art. 3º da Lei n° 9.430/96 determina que a sua adoção será irretratável para todo o anocalendário. No mesmo sentido, o art. 14 da Lei n° 9.718/98 determina que o pagamento da estimativa mensal condiciona a pessoa jurídica à tributação irrevogável da empresa com base no lucro real durante o anobase, nos seguintes termos: 'Art.14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: (...) V que, no decorrer do anocalendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 22 da Lei n° 9.430, de 1996.' Dessa maneira, com o pagamento da primeira parcela da contribuição social sobre bases estimadas, resta manifestada a opção da contribuinte pela tributação com base no lucro real, devendo ser esse o regime adotado para o restante do ano calendário. Essa a regra geral. Contudo, entendo que o art. 4° da Lei nº 9.964/2000, que instituiu o Programa de Recuperação Fiscal, de fato criou uma exceção à referida regra do art. 14 da Lei nº 9.718/98, ao determinar que as pessoas jurídicas que tenham efetuado recolhimento por estimativa durante o anocalendário poderão optar, durante o período em que submetidas ao Refis, pelo regime de tributação com base no lucro presumido. O art. 4º determina, expressamente, o seguinte: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.720259/200559 Acórdão n.º 3302001.909 S3C3T2 Fl. 7 6 'Art. 4º As pessoas jurídicas de que tratam os incisos I e III a V do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998, poderão optar, durante o período em que submetidas ao Refis, pelo regime de tributação com base no lucro presumido. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, as pessoas jurídicas referidas no inciso III do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998, deverão adicionar os lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior ao lucro presumido e à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido. A Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil n° 16/2000, ao disciplinar a matéria, não poderia, por meio do seu art. 4°, restringir a aplicação do art. 4° da 9.964/2000 apenas ao anocalendário de 2000. Respeitando o princípio da legalidade, a IN não poderia criar uma restrição não prevista na lei ordinária que concedeu ao contribuinte a faculdade de mudança do regime, enquanto incluído no Refis. Assim, da análise da legislação em comento, observase que enquanto a pessoa jurídica estiver regularmente inserida no Programa de Recuperação, poderá optar, a qualquer tempo, pela tributação com base no lucro presumido. Isto posto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala das Sessões DF, em 16 de abril de 2008. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO" O acórdão foi objeto de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em 17 de junho de 2008, mas rejeitados pelo Presidente da Câmara em despacho de 19 de novembro de 2008. O relator, na proposta de rejeição, concluiu o seguinte: "Entendo, portanto, que os Embargos de Declaração devem ser rejeitados por não ter ocorrido a alegada omissão. Aproveitando o presente expediente, no entanto, na forma do art. 58 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, reportome a inexatidão material do Voto e da Ementa, devido a lapso manifesto e erro de escrita, consubstanciado na indicação de que Instrução Normativa SRF nº 16 seria do Ano 2000, quando esta é 15 de fevereiro de 2001, tendo sido publicada no DOU de 16.2.2001. Requeiro, assim, a retificação da Ementa e Voto do julgamento, para a correção do respectivo erro, para que seja indicada como do ano 2001 a Instrução Normativa SRF nº 16." Nesse caso, a competência para apreciação da matéria preliminar (regime de apuração do IRPJ) era do próprio 1º Conselho de Contribuintes, que a decidiu no âmbito do acórdão acima citado especificamente em relação ao exercício de 2005. Consequentemente, aplicase tal decisão ao presente caso, para reconhecer que, sendo legítima a opção adotada pela interessada no âmbito da apuração do Imposto de Renda, ficou ela sujeita ao regime de cumulatividade da Cofins. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.720259/200559 Acórdão n.º 3302001.909 S3C3T2 Fl. 8 7 Dessa forma, os recolhimentos da Cofins efetuados no regime de não cumulatividade são indevidos, caracterizandose como indébitos. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de fevereiro de 2009. JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Tendo sido o julgamento do recurso acima realizado anteriormente a este e tratandose do mesmo contribuinte, em relação a fatos conexos, deveriam ter sido julgados em um mesmo momento, submetidos ao mesmo relator. Não tendo isto ocorrido, entendo que este colegiado deve se submeter ao decidido em relação à Cofins. Deve, portanto, este Colegiado reconhecer o direito de a recorrente recolher a Contribuição para o PIS, no anocalendário de 2004, pelo regime cumulativo e, consequentemente, os recolhimentos de PIS efetuados no regime não cumulativo são indevidos, tendo a recorrente o direito à sua repetição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 393DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/12/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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