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Numero do processo: 11065.720365/2017-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Nov 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2015
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
A classificação de mercadorias, no âmbito da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), é realizada com o emprego das seis Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH), como também das Regras Gerais Complementares (RGC) e das Notas Complementares (NC).
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SILOS PLÁSTICOS AGRÁRIOS. RESERVATÓRIO DE GRÃOS. POSIÇÃO NCM 39.25.
Os Silos Plásticos Agrários devem ser classificados no código da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM n.º 3925.10.00 -- Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros.
COMPETÊNCIA. ICMS. RFB. CONFLITO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste conflito de competência entre a RFB e demais órgãos públicos, no que se refere à finalidade precípua de classificação fiscal de mercadorias. A competência originária dessa atividade é da Receita Federal.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2015
NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE.
Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento.
ARGUMENTOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DELIMITAÇÃO DA LIDE. OBTER DICTUM NÃO COMPÕE A DECISÃO.
Os motivos ou razões de decidir não fazem coisa julgada mas apenas o dispositivo da sentença ou do acórdão tem esse condão. Hipótese em que argumentos apresentados a título de obter dictum, pelo relator, não integram a decisão recorrida.
PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de perícia que, apesar de apresentar seus motivos e conter a formulação de quesitos e indicar seu perito, seja prescindível para a composição da lide.
Numero da decisão: 3201-008.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas. No mérito, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior acompanhou pelas conclusões. Vencidos o Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo que negou provimento ao Recurso, e os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira, que acompanharam o relator pelas conclusões. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo em reunião anterior. Designou-se Redator ad hoc para formalização do acórdão (voto vencido), conforme a minuta depositada no diretório corporativo do CARF, o Presidente da Turma, Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, tendo em vista que o Relator original não mais integra o CARF. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Laércio Cruz Uliana Junior manifestaram intenção de declarar voto. Julgamento iniciado na sessão de 18/02/2020, período da manhã.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Laercio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: Leonardo Correia Lima Macedo
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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A classificação de mercadorias, no âmbito da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), é realizada com o emprego das seis Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH), como também das Regras Gerais Complementares (RGC) e das Notas Complementares (NC). CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. SILOS PLÁSTICOS AGRÁRIOS. RESERVATÓRIO DE GRÃOS. POSIÇÃO NCM 39.25. Os Silos Plásticos Agrários devem ser classificados no código da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM n.º 3925.10.00 -- Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros. COMPETÊNCIA. ICMS. RFB. CONFLITO. INEXISTÊNCIA. Inexiste conflito de competência entre a RFB e demais órgãos públicos, no que se refere à finalidade precípua de classificação fiscal de mercadorias. A competência originária dessa atividade é da Receita Federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2015 NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento. ARGUMENTOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DELIMITAÇÃO DA LIDE. OBTER DICTUM NÃO COMPÕE A DECISÃO. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 03 65 /2 01 7- 72 Fl. 887DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Os motivos ou razões de decidir não fazem coisa julgada mas apenas o dispositivo da sentença ou do acórdão tem esse condão. Hipótese em que argumentos apresentados a título de obter dictum, pelo relator, não integram a decisão recorrida. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de perícia que, apesar de apresentar seus motivos e conter a formulação de quesitos e indicar seu perito, seja prescindível para a composição da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas. No mérito, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior acompanhou pelas conclusões. Vencidos o Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo que negou provimento ao Recurso, e os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira, que acompanharam o relator pelas conclusões. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, a conselheira Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo em reunião anterior. Designou-se Redator ad hoc para formalização do acórdão (voto vencido), conforme a minuta depositada no diretório corporativo do CARF, o Presidente da Turma, Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, tendo em vista que o Relator original não mais integra o CARF. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Os Conselheiros Mara Cristina Sifuentes e Laércio Cruz Uliana Junior manifestaram intenção de declarar voto. Julgamento iniciado na sessão de 18/02/2020, período da manhã. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Laercio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório Fl. 888DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Inicialmente, esclareço que me designei redator ad hoc, nos termos do art. 58, § 13 do do RICARF 1 , para formalização do acórdão relatado pelo Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, que renunciou ao mandato. O relatório a seguir reproduzido foi apresentado pelo Relator em sessão de julgamento. “Trata-se de Recurso Voluntário, e-fls. 434 a 485 contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 10-61.097 - 3ª Turma da DRJ/POA e-fls. 403 a 428, que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcreve-se a seguir o referido relatório: Trata-se de auto de infração lavrado em 30 de junho de 2017 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS (fl. 186 e seguintes), em conformidade com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – nº 1010700.2017.00100, para exigir Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 1.627.930,14, acrescido de juros de mora no valor de R$ 529.747,92, multa proporcional de R$ 1.220.947,49, no percentual de 75%, e multa exigida isoladamente no valor de R$ 2.725.638,14, totalizando o crédito tributário de R$ 6.104.263,69, na data da autuação. Foi apontado no auto de infração que o estabelecimento industrial promoveu a saída de produtos sem o lançamento de IPI devido, em virtude de erro de classificação fiscal e alíquota do IPI. Fazem parte do auto de infração os demonstrativos de apuração do IPI não lançado, dos juros de mora e multa proporcional, da multa de IPI não lançado com cobertura de crédito, acompanhados da devida fundamentação legal, a Reconstituição da Escrita Fiscal, e demonstrativo das diferenças a cobrar. Também acompanha o Auto de Infração o Relatório de Ação Fiscal, que a seguir será sintetizado. Informa a Fiscalização que a Ação Fiscal teve início em razão dos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (PER) solicitados por iniciativa do contribuinte, correspondentes aos Períodos dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres dos anos-calendário 2013, 2014 e 2015. Que se verificou, a partir da análise das notas fiscais eletrônicas de venda (NFe) e Escrituração Fiscal Digital (SPED Fiscal - EFD), as saídas do produto “PACIFILBAG” (Silo Bolsa), classificado pelo contribuinte em suas saídas/vendas sob a NCM 3925.10.00 e descrito nos documentos fiscais como “SILO PLÁSTICO BPF”, em suas diversas medidas. Que, de acordo com a Regra Geral de Interpretação -1 (RGI-1 - Nota 8 do Capítulo 39 e texto da posição 3917) e Regra Geral de Interpretação-6 (texto da subposição 3917.32) e Regra Complementar -1 (RGC-1 –texto do item 3917.32.90) do Sistema Harmonizado (SH), a mercadoria produzida e comercializada pelo contribuinte sob o nome comercial “PACIFILBAG” classifica-se no código 3917.32.90 da TIPI, o que levou à conclusão de que a saída desses produtos se deu com erro de classificação fiscal e de aplicação de alíquota do IPI, em todo o período analisado (anos-calendário 2013, 2014 e 2015). Com base no levantamento desses dados, iniciou-se a Ação Fiscal sob o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal - TDPF nº 10.107.00-2017-00100-5. Foi emitido o Termo de Intimação Fiscal (TIF nº55/2017), cuja ciência a fiscalizada tomou em seu domicílio eletrônico fiscal (DTE), e que deu início ao procedimento fiscal, apresentando constatações e solicitando esclarecimentos, em relação aos créditos e débitos de IPI dos anos calendário 2013, 2014 e 2015. O contribuinte já havia sido objeto de procedimento anterior, referente ao mesmo indício de irregularidade quanto à classificação fiscal de seus produtos, relativamente aos anos-calendário 2011 e 2012 (processo nº 11065.720066/2015-76). 1 § 13. Na ocorrência de afastamento definitivo do relator, ou provisório por período superior a 2 (dois) meses, sem que tenha sido concluído o julgamento do recurso, o processo permanecerá em pauta e o Presidente da Turma de Julgamento deverá designar redator ad hoc, escolhido, preferencialmente, dentre os conselheiros que adotaram o voto exarado pelo relator afastado. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Fl. 889DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 No Termo de Intimação Fiscal foram apontadas as divergências de classificação fiscal e apresentadas as saídas do produto "Pacifilbag" identificadas nas notas fiscais e na escrituração fiscal (SPED Fiscal - EFD) do contribuinte, acompanhadas de tabela demonstrativa dos dados levantados. Foi oportunizado ao contribuinte apresentar detalhes de seu produto, seus critérios de classificação e outras alegações que lhe conviessem. Em resposta ao Termo, a fiscalizada apresentou descritivos e catálogos do produto e de sua produção e alegações de seu entendimento sobre a classificação do produto. A contribuinte não se pronunciou a respeito dos valores relacionados no Termo de Intimação Fiscal e que representavam as saídas do produto "Silobolsa/Pacifilbag" registrados em sua escrituração fiscal - SPED Fiscal - e notas fiscais eletrônicas - NFe, todas sob o código fiscal NCM 3925.10.00 e descrição "Silo Plástico". Após análise da documentação obtida (incluindo aquela constante do procedimento fiscal do processo nº 11065.720066/2015-76) e da apresentada pelo contribuinte nas respostas anexadas ao presente processo, o entendimento da Fiscalização foi de que o produto de nome comercial "Pacifilbag" corresponde aos produtos classificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sob o código 3917.32.90 da TIPI. Esse entendimento foi exarado com base na aplicação das seguintes normas: Regras Gerais para Interpretação do SH (RGI) 1 (Nota 8 do Capítulo 39 e texto da posição 3917) e 6 (texto da subposição 3917.32), bem como na Regra Geral Complementar (RGC) 1 (texto do item 3917.32.90). A metodologia aplicada no trabalho de classificação desse produto foi transcrita (fls. 219 a 221) do Relatório da Ação Fiscal do processo nº 11065.720066/2015-76, do mesmo sujeito passivo e de mesma matéria. Esse processo abriga o Auto de Infração relativo aos anos-calendário 2011 e 2012, cuja ciência se deu em 10/02/2015 e contra o qual o contribuinte apresentou impugnação, ainda pendente de análise. Nesse relatório constam, passo a passo, as etapas sucessivas e requisitos necessários para a análise e comparação entre a classificação fiscal pretendida pelo interessado e a classificação determinada pela RFB. São critérios determinados no Sistema Harmonizado (TEC/NCM/SH) e obedecem a regras específicas. Com base nessa análise, restaram comprovados os motivos pelos quais o produto "Pacifilbag" não se enquadra na posição pretendida e utilizada pelo contribuinte. E, em conformidade com esses critérios, chegou-se à classificação fiscal determinada pela Fiscalização. Além da transcrição do método adotado para classificação do produto "Pacifilbag”, a Fiscalização informa, em seu relatório, que esse produto foi objeto de Solução de Consulta exarada em 2008 - Solução de Consulta nº 53-SRRF10/Diana, de 19 de setembro de 2008- tendo a Receita Federal, de posse de todas as descrições e informações técnicas necessárias, concluído pela mesma classificação fiscal adotada no procedimento fiscal em análise. Essa consulta foi formulada pela requerente Plásticos Suzuki Ltda., CNPJ 89.188.973/0001-00, atual fornecedora de insumos da Pacifil Brasil Ind Com. de Silos Plásticos, CNPJ 10.940.896/0001-42. A consulta da classificação fiscal do produto “Pacifilbag” (fabricado pela empresa uruguaia Pacifil S/A, e cujas especificações técnicas são exatamente iguais às especificações técnicas dos catálogos de produtos e descrições fornecidas pela Pacifil Brasil) foi formulada alguns meses antes da constituição da empresa Pacifil Brasil Ind Com. de Silos Plásticos, CNPJ 10.940.896/0001-42. Ressalta a Fiscalização que a Pacifil Brasil Ind Com. de Silos Plásticos, CNPJ 10.940.896/0001-42 guarda estreita relação técnica e operacional com a Pacifil S/A Tashiro-Takata, sediada em Montevidéu, no Uruguai, tendo a primeira surgido como a operação brasileira da empresa uruguaia, atuando ambas conjuntamente como centros produtores e exportadores para o restante do mercado mundial, conforme atestam as informações contidas nos catálogos compartilhados pelas duas empresas fornecidos pela fiscalizada. Fl. 890DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 No curso da ação fiscal o estabelecimento pleiteou realização de perícia, com objetivo de esclarecer “elementos técnicos”, e relacionou os quesitos que pretendia ver respondidos no procedimento. Todos os itens do seu pedido de perícia não se relacionavam diretamente com a classificação fiscal do produto (objeto da ação fiscal), mas sim com o uso a que ele se destina. Da constatação de verossimilhança entre o produto denominado "Pacifilbag" fabricado pela empresa uruguaia com o produto fabricado no Brasil pela empresa Pacifil Brasil, e tendo em vista a análise e classificação prévias do produto, conduzida por equipe especializada da Receita Federal, com base na aplicação das regras de interpretação de classificação fiscal, e que culminou na publicação da Solução de Consulta n°53 –SRRF10/Diana, de 19 de setembro de 2008, o autor do procedimento fiscal entendeu ser desnecessária realização de perícia ou de nova visita ao estabelecimento do contribuinte, concluindo não haver dúvidas quanto às características do produto analisado nem quanto à sua classificação fiscal. Ainda no curso da ação fiscal, visando à manutenção da classificação fiscal por ela adotada, a autuada apresentou argumentos e referências jurisprudenciais, com intuito de desconstituir a linha de atuação da Fiscalização. Para isso citou o Acórdão nº 3101- 000.527 da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, que havia decidido que o ônus da prova para a desclassificação de produto industrializado é das autoridades fiscais, bem como mencionou Acórdãos do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) que citaram a aplicação da Regra Geral de Interpretação 4 (RGI-4 /SH), a qual permitiria a classificação por analogia com artigos semelhantes, comparando elementos como a denominação e a utilização. Esses argumentos foram refutados pela Fiscalização, com base em condicionantes legais e materiais que impediriam sua aplicação ao caso concreto, tendo sido devidamente justificados em seu relatório, à fl. 219. A empresa, ainda no curso da ação fiscal e com intuito de embasar a classificação fiscal adotada, apresentou outros argumentos/documentos legais, que pretendeu serem suficientes para balizar a classificação fiscal de seu produto. São eles a Portaria MF nº 154 de 1994, cujos efeitos cessaram em 31/12/1994, e o Convênio ICMS 52/91, Anexo II, itens 2 e 2.1( alterado pelo Convênio ICMS 89, de 2009). Em ambos os casos, a Fiscalização também refutou os argumentos apresentados. O primeiro por não ter efeitos para classificação de mercadorias, além de já estar revogado à data dos fatos. E por descrever, em seu corpo, no campo relativo à classificação fiscal pretendida pela autuada, um produto com características diferentes das características do produto em análise. O segundo por seu objeto se restringir à redução da base de cálculo do ICMS nas operações com equipamentos industriais e suplementos agrícolas, sendo imprestável para fins de classificação de mercadoria. Reforçando sua convicção sobre a classificação correta do produto “Pacifilbag”, a Fiscalização constatou ser a Silobolsa um produto cuja classificação é pacificada e incontroversa dentro da Receita, sendo o código 3917.32.90 da TIPI aplicado aos concorrentes da fiscalizada. Constatou que a RFB tem, reiterada, uniforme e consistentemente, classificado e tributado as silobolsas da Pacifilbag e de seus concorrentes no código NCM 3917.32.90. Por fim verificou, em consulta aos sistemas aduaneiros, que a fiscalizada tem importado, com freqüência, produtos com esse código fiscal de sua análoga uruguaia. Com base nos dados levantados, e com fundamento nos artigos 24, II e III do Decreto nº 7.212/10 (RIPI2010) e arts. 15,16, 17, 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea”b” e inciso II, alínea “c”, 186,§§2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10(RIPI/10), a Fiscalização autuou o interessado. A ciência do Auto de Infração se deu em 4 de julho de 2017, por meio de abertura de mensagem em sua caixa postal. Irresignado, o sujeito passivo impugnou a exigência, em 31 de julho de 2017, por meio do arrazoado das fls. 265 a 311, e instruído com os documentos das fls.312 a 399. As alegações de defesa vêm adiante sintetizadas. Fl. 891DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Inicia sua manifestação com breve histórico do processo de ensilagem, principalmente no que se refere à função que os silos exercem no desenvolvimento da atividade agrícola. Informa ser empresa que tem como objeto social a indústria, o comércio, a importação e a exportação de silos plásticos para acondicionamento de grãos e que vem implementando tecnologia inovadora para o setor agrícola nacional. Faz um breve resumo da Ação Fiscal que culminou com o Auto de Infração, informando que o principal fundamento do Auto de Infração impugnado toca em divergência relacionada à classificação fiscal dos silos plásticos que são produzidos pela empresa. A partir dessa introdução, passa a discorrer sobre os critérios por ela adotados na obtenção da classificação fiscal de seu produto, informando que, para isso, considerou “não apenas a natureza específica e a finalidade própria desses produtos, como também os princípios constitucionais que devem direcionar a ação do cidadão e do Estado”. Em sua longa manifestação, abordou, de forma recorrente, diversos argumentos, que serão subdivididos em tópicos, a fim de facilitar sua compreensão e transcrevê-los de forma sucinta e clara, a bem de facilitar a análise do pleito. .Do convênio firmado com o ICMS-Informa que uma das fontes que utilizou para obter a classificação fiscal de seu produto foi “a orientação fixada pelo Convênio ICMS 52/91, Anexo II, itens 2 e 2.1 (alterado pelo Convênio ICMS 89 de 25 de setembro de 2009)”, que, a seu entender, “regula a presente situação, com máxima clareza”. Transcreve parte de planilha do Anexo II do citado convênio, onde consta a seguinte descrição: ANEXO II (CLÁUSULA SEGUNDA DO CONVÊNIO ICMS 52/91) MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS 2 SILOS SEM DISPOSITIVOS DE VENTILAÇÃO OU AQUECIMENTO INCORPORADOS, MESMO QUE POSSUAM TUBULAÇÕES QUE PERMITAM A INJEÇÃO DE AR PARA VENTILAÇÃO OU AQUECIMENTO NCM/SH 2.1 Silos de matéria plástica artificial ou de lona plastificada, com capacidade superior a 300 litros 3925.10.00 Entende que, consideradas a natureza específica e a finalidade própria dos silos produzidos pela empresa, não restariam dúvidas de que se tratam de “Silos de matéria plástica artificial ou de lona plastificada, com capacidade superior a 300 litros”, descritos na tabela do Anexo do Convênio ICMS 52/91. Junta laudo volumétrico elaborado por engenheiro químico, e informa que vem utilizando o código de classificação 3925.10.00 em suas operações com o Fisco Estadual, sob a égide do convênio firmado. Nesse aspecto, alega inclusive haver óbice operacional para adoção da classificação definida pela Fiscalização Federal, pois há impedimento legal/sistemático em classificar o produto distintamente para a SEFAZ (NCM 3925) e para a RFB (NCM 3917), já que o SPED/NFe não admite duas classificações distintas para o mesmo produto. Acrescenta que, ainda que o Convênio de ICMS tratasse exclusivamente de redução da base de cálculo do imposto estadual, os agentes fiscais federais não poderiam desprezar seu teor, em virtude da simetria dos dois tributos-IPI e ICMS-, bem como pela força normativa cogente dos convênios, que atuariam como norma tributária complementar. .Da Portaria MF nº 154/94(vigente até 31 de dezembro de 1994)- alega que também a Portaria MF nº 154/94, vigente até 31 de dezembro de 1994(invocada no decurso do procedimento fiscal) teria determinado a classificação dos silos plásticos produzidos pela empresa na posição 3925.10.00 – EX001. Além disso, busca socorro no Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, que entende ter “promovido no passado a classificação correta e coerente dos silos plásticos por ela produzidos”. .Do cerceamento de defesa-Alega cerceamento ao direito de defesa, em razão da rejeição ao pedido de realização de perícia, requerido durante o procedimento fiscal, com o objetivo de esclarecer os “elementos fundamentais à correta interpretação e aplicação da legislação tributária”. Entende que a rejeição ao seu pedido foi arbitrária e infundada, tendo o Fiscal desconsiderado, de antemão, as respostas que viessem a ser dadas pelo profissional técnico acerca da melhor caracterização dos silos por ela Fl. 892DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 produzidos. Argui que, mesmo que as informações dadas pelo profissional técnico não viessem a ser úteis na presente análise, poderiam ser úteis em recursos futuros, não sendo a cabível o afastamento de sua importância pelo Fiscal autuante. Alega que a rejeição ao seu pedido foi desacompanhada de motivação apropriada e junta excertos de julgados do CARF e do TRF4 para ilustrar seu argumento e reforçar sua tese de cerceamento de defesa. Com base nesses argumentos, pleiteia a nulidade do Auto de Infração ou o retorno do Processo Administrativo à instância de origem, para realização da referida diligência. .Do mérito da classificação fiscal do produto-Defende que sua interpretação partiu de “considerações técnicas e objetivas acerca da efetiva natureza e finalidade dos Silos Plásticos por ela produzidos, como também se escora em justificação plenamente coerente com o restante do Sistema Tributário, na medida em que o critério classificatório utilizado mostra-se compatível com um número expressivo de outras normas tributárias relevantes ao caso, como o Princípio Constitucional da Seletividade, o artigo 155, parágrafo 2º, inciso XI, da CF/88, o Convênio ICMS 52/91 e o artigo 110 do Código Tributário Nacional”. Junta excertos de doutrina, de Acórdão exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais(CARF) e de Acórdão exarado pelo Tribunal Federal da 4ª Região(TRF4), para corroborar sua tese de que a classificação fiscal deverá se dar com a observância do critério finalístico do produto. Afirma que o método utilizado na interpretação feita pela Fiscalização teria o “propósito de manipular a classificação, na TIPI, dos itens produzidos pela Impugnante, visando, com isso, a impor, artificialmente, imposto em montante superior ao devido no caso”. Entende que os agentes fiscais desprezaram por completo a efetiva finalidade dos produtos e também fundamentaram a autuação em “critério que nega a validade e vigência de princípios constitucionais e outras disposições tributárias cogentes”. Argumenta que a interpretação das características do produto feita pelo Fiscal foi de leitura restritiva, realizada por meio de interpretação “isolada e incoerente”, além de ser “excessivamente genérica”, e “infiel à efetiva natureza e as características de um silo”. E que, por esse motivo, teria “violado o dever de coerência que todo aplicador do direito deve observar”. Quanto à correta classificação fiscal do produto “silo plástico destinado ao armazenamento de grãos e cereais”, fez uma abordagem comparativa entre a classificação adotada por ela e a classificação definida pela Fiscalização, tendo sua análise adotado como ponto inicial a natureza e a finalidade do produto. Entende que o que melhor se coaduna com a função de “armazenamento” do silo seria a que parte da posição 39.25 (Artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos noutras posições) e que se desdobra na subposição 3925.10.00 contendo o descrito “Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 l”. Acrescenta que “a classificação de determinado produto industrializado na TIPI observa os parâmetros fixados na Nomenclatura Comum do Mercosul. Cabe ao aplicador do direito, portanto, observar as classificações estabelecidas por meio das NCMs quando da identificação da alíquota do IPI incidente sobre o produto que industrializa. Diante de tais critérios objetivos, as autoridades fiscais jamais possuem liberdade para escolherem o caminho classificatório que entenderem mais vantajoso para os interesses do Erário.” .Do Dever de Coerência das Autoridades Fiscais na Interpretação e Aplicação da Legislação Tributária – Afirma que a classificação que vem adotando é a única coerente com os atos normativos invocados anteriormente (Decreto nº 4.070/2001, dos Convênios ICMS 52/1991 e 117/96 e da Portaria MF nº 154/94). Entende que “tais enunciados normativos, mesmo que não estejam mais vigentes, exercem, sim, força vinculante e cogente no que diz respeito ao resgate da melhor interpretação possível da TIPI, uma vez que, como já defendido antes, deve o operador do direito sempre privilegiar aquela interpretação que melhor se compatibilizar com os demais textos normativos presentes no ordenamento jurídico”. Cita doutrina para concluir que “no Fl. 893DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 caso de conflito interpretativo de determinado conjunto de dispositivos jurídicos passíveis de aplicação a um mesmo contexto fático, é obrigação do intérprete identificar aquela opção exegética que garanta maior coerência formal e substancial dentre as alternativas disponíveis, ou seja, aquela que for capaz de evitar contradições com outros enunciados, que for capaz de ser reconduzida ao restante do sistema como um todo, que for capaz de justificar uma relação de dependência com outras regras e princípios (principalmente de hierarquia superior, e.g. normas constitucionais) e que for capaz de demonstrar uma grande gama de conexões comuns com outros elementos jurídicos. De outro lado, deve ser rechaçada a interpretação que manifestar contradições com outros dispositivos e que não for capaz de efetivar o conteúdo do restante do sistema jurídico.” Sob esse argumento, combate e classifica de equivocado o método adotado pela Fiscalização para obtenção da classificação fiscal, cujas etapas encontram-se descritas no Relatório do Auto de Infração. Repisa a acusação de ofensa a atos normativos anteriores (Decreto nº 4.070/2001, atualmente revogado), e a outros atos oficiais que, segundo seu entendimento, tinham o objetivo de determinar a correta classificação desse mesmo bem (e.g., Convênio ICMS 52/91, Portaria MF nº 154/1994, enquadramento promovido pelo BNDES, quando de liberação de linha de crédito para seu produto). Anexa compilação evolutiva da TIPI quanto a NCM 3925.10.00 e o “ex” Tarifário 01, e cópia dos atos oficiais acima citados, para ilustrar seus argumentos. Argui que não se pode considerar irrelevante, para fins de classificação fiscal aplicável ao IPI, os elementos adotados pela legislação do ICMS-no caso específico, o convênio, que resultou no enquadramento de seu produto no código NCM 3925.10.00. Entende que “ICMS e IPI são impostos que, mesmo sendo de competência de entes federativos distintos, mantém estrita proximidade normativa, manifestando, inclusive, uma relevante simetria no que se refere ao tratamento jurídico que deve ser direcionado a mercadorias e produtos industrializados que assumem mesmas propriedades”. Por esse motivo, argumenta que o fiscal do IPI, por dever de coerência, não deveria “desconsiderar os regramentos jurídicos objetivos de ICMS, que efetivamente podem regular de modo supletivo os casos de IPI, principalmente nas hipóteses de divergências interpretativas que, em tese, permitam mais de uma postura classificatória”. Traz excerto doutrinário que exalta a função supletiva da legislação atinente ao ICMS na elucidação de questões pertinentes ao campo do IPI, para reforçar sua tese de força cogente do Anexo II do Convênio ICMS 52/91 para classificação de seu produto no código NCM 3925.10.00. Acrescenta que esse convênio, além de ser fonte do Direito Tributário, vincularia os atos da União Federal, uma vez ter sido avalizado e subscrito pelo então Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, não podendo ser descartado pela autoridade fiscal em seus atos. .Do histórico da TIPI-Traz o histórico da TIPI, criada com base na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), assim como da posição 3925, que conteria a seguinte descrição: 3925 ARTEFATOS PARA APETRECHAMENTO DE CONSTRUÇÕES, DE PLÁSTICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3925.10.00 - Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros Ex 01 Silos sem dispositivos de ventilação ou aquecimento incorporados, mesmo que possuam tubulações que permitam a injeção de ar para ventilação ou aquecimento. Assevera que o legislador tributário, “ao especificar o enquadramento que entendia correto para silos” veio expressamente a submeter tais produtos ao código 3925.10.00, ao prever o Ex Tarifário da subposição 01. Desse modo, não deveria haver mais qualquer divergência quanto à efetiva natureza dos silos plásticos, estando perfeitamente caracterizados como espécie de “reservatório ou recipiente análogo de capacidade superior a 300 litros”. Fl. 894DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 E defende que a supressão desse ex tarifário - efetivada pelo Decreto nº. 4.396, de 27 de setembro de 2002 – não é argumento relevante para a desqualificação da natureza própria dos silos. Conclui que, em decorrência dessa supressão, o produto nele antes previsto passaria obrigatoriamente a ser classificado pela Seção, Capítulo e subcapítulo imediatamente superior, ou seja, 3925.10.00.” Não admite que seja atribuído outro enquadramento ao produto sem que tenha havido expressa previsão do legislador tributário, pois a mera supressão do “ex” tarifário da posição não teria o condão de levar o mesmo produto para qualquer outra posição. Defende “não poder ser ignorada a Tabela Base da TIPI (Decreto 7.212/2010), vigente desde o ano 2001 até os dias atuais, que AINDA prevê o ex tarifário de silos plásticos na NCM 3925.10.00. .Da semântica aplicada na classificação fiscal- Retorna à acepção da palavra “silo”, para qual busca a interpretação semântica no intuito de defender a tese de que a classificação correta do produto é aquela que vem adotando. Confronta as notas explicativas das duas posições (3917 e 3925), para concluir que a Nota Explicativa nº 11, reforça sua interpretação, ao dispor que aquela posição aplica-se exclusivamente aos artefatos lá relacionados, dentre os quais se inserem “Reservatórios, cisternas (incluindo as fossas sépticas), cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 l”. Argui que isso lhe permite, com perfeição, identificar o enquadramento dos silos plásticos por ela produzidos como sendo “reservatórios” ou “recipientes análogos” de capacidade superior a 300l. Contrapõe o método interpretativo utilizado pela Fiscalização na classificação fiscal do seu produto, por entender que houve um “salto interpretativo” que deixou lacunas não explicadas no procedimento e que conduziu à conclusão da impossibilidade do produto ser incluído no código 3925.1000. Entende que não foi cabalmente provado o motivo pelo qual o produto não foi considerado “silo”, mas sim, “tubo”, e que, ao ter concluído dessa forma, a Fiscalização agiu com arbitrariedade. Argui pela necessidade da apresentação de provas para a autoridade promover a desclassificação de produto industrializado, e junta excerto de Acórdão nº 3101- 000.527, exarado pela 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária do CARF, para fundamentar seu raciocínio e argumento. Prossegue, buscando interpretar os dispositivos da Nota Explicativa nº 08 da posição 39.17- utilizada para fundamentar o enquadramento feito pela Fiscalização-, para concluir que não há identidade entre os produtos ali descritos (“tubos”) com o seu produto, cuja finalidade precípua é de armazenamento de grãos. Entende que essa finalidade está melhor abrigada pelo termo “reservatório”(para o qual estende o significado de “silo”), da posição 39.25. Discorre sobre a semântica e etimologia do termo “silo”, transcrevendo definições contidas em dicionários. Acrescenta que “os agentes autuantes acabaram desprezando o fundamental critério classificatório, qual seja aquele pautado na finalidade, na função e na destinação do produto industrializado, o qual deve complementar o enquadramento na TIPI de qualquer produto industrializado”. E que, ao agir assim, afastaram-se da doutrina e jurisprudência, que teriam como eixo principal a adoção de critério finalístico e funcional na classificação de produtos industrializados na TIPI. Junta excertos de Acórdãos exarados pelo Carf e pelo TRF4, que teriam baseado suas decisões sobre classificação de mercadorias adotando como fundamento principal a finalidade do produto e não sua natureza.Conclui que a “incontroversa a finalidade dos silos plásticos” por ela fabricados, impõe que “seja aplicado o critério finalístico e funcional no enquadramento desses produtos na TIPI, motivo pelo qual deve ser revisto o enquadramento proposto no Relatório Fiscal que acompanha a Autuação impugnada”. .Da mudança de entendimento fiscal- Alega que, no caso em análise, houve “mudança de entendimento fiscal”, contra o que invoca a regra protetiva prevista no parágrafo único do artigo 100, do CTN – exclusão da imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo-na Fl. 895DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 hipotética situação em que seja refutada a classificação fiscal que vem sendo utilizada para seu produto e que -segundo seu entendimento- está sob o manto de instruções e orientações recebidas, mais especificamente o Convênio ICMS 52/91. Nesse sentido, requer que, se mantida a autuação quanto à classificação fiscal, sejam excluídos os juros moratórios e as multas aplicadas pela Fiscalização no procedimento fiscal. Acrescenta que sua tese também encontraria abrigo no artigo 1º da extinta “Portaria MF nº 154, que veio a regular expressamente a alíquota a ser aplicável aos produtos abarcados pela NCM 3925.10.00, determinando a incidência de zero por cento” e que adotou o “seguinte descritivo perfeitamente aplicável aos Silos Plásticos produzidos pela Impugnante: 3925.10.0000 “Ex” 001 – Silo flexível em lona sintética reforçada, antiaderente, com capacidade igual ou superior a vinte metros cúbicos, controle eletrônico do nível acionado pela deformação elástica da estrutura de sustentação. Além disso, ilustra sua tese de seus argumentos com transcrição de dados que preencheu para obtenção de linha de crédito para fabricação de seu produto, junto ao BNDES. Nesses dados constam a descrição do produto como sendo “silo bolsa para armazenagem de grãos de silagem”, o que, segundo sua lógica, reforça a tese de que seu produto deve ser entendido, prioritariamente, como sendo um “silo”. .Da ofensa aos Princípios da Isonomia e Seletividade- Entende que, caso seja rejeitado o método de classificação com fundamento na função exercida pelo produto, estaria sedimentada ofensa ao Princípio da Isonomia previsto na Constituição Federal, já que silos metálicos e estáticos, classificados nos códigos 7309.00.10 e 8479.89.40, pela TIPI, recebem alíquota zero. Entende que, por força do inciso II do art. 150 da Constituição Federal, não poderia haver tratamento tributário desigual entre seu produto e os silos metálicos, produzidos por outros contribuintes do IPI. Junta excertos de doutrina, em que são listadas as circunstâncias autorizadoras para instituição e aplicação de tratamento desigual entre contribuintes, para concluir que o enquadramento diferenciado do seu produto ofende a Isonomia, o que o torna ilegítimo. Invoca o Princípio da Seletividade e entende que “a classificação pretendida (...) representa interpretação que melhor efetiva o princípio da seletividade que a Constituição impõe como de observância obrigatória relativamente ao IPI”, posto que seu produto teria comprovada eficiência no armazenamento dos grãos e melhor performance quanto à sustentabilidade ambiental, beneficiando toda a cadeia produtiva de alimentos no país, sendo essenciais para o setor agrícola. Defende que esses quesitos necessariamente conduziriam à redução da alíquota de IPI aplicável sobre seu produto.Cita programas do governo federal que classificam a ensilagem como atividade essencial. .Das Soluções de Consulta exaradas pela RFB- Alega que conhece e se opõe ao teor das Soluções de Consulta citadas no Relatório de Ação Fiscal anexo ao Auto de infração combatido, por entender que o que lá restou decidido mostra-se inconstitucional e ilegal, exatamente porque não promove a classificação fiscal adequada e coerente dos Silos Plásticos por ela produzidos no Brasil. Argui que essa Impugnação também deve ser entendida como contestação às decisões exaradas nas referidas Soluções de Consulta. Acrescenta que, ainda que seja conhecido e verdadeiro o fato do quadro societário da empresa Plásticos Suzuki - autora do processo de consulta antes referido-ter composição societária semelhante a da Impugnante, trata-se de “duas empresas com sócios distintos, que atuam em setores econômicos distintos, endereços distintos, clientes distintos e produtos distintos”, e que o cerne da discussão não está na estruturação societária de ambas, que essas “alegações não contribuem em nada para a resolução do efetivo problema jurídico em pauta, qual seja, no sentido de definir a correta classificação fiscal de silos plásticos.” Entende que o fato relevante nessa seara é que a empresa que formulou a consulta fiscal em 2008- Plásticos Suzuki- efetivamente não é a empresa Impugnante (Pacifil Brasil- Fl. 896DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Indústria, Comércio, Importação E Exportação De Silos Plásticos Ltda – constituída no ano 2009), motivo pelo qual “não está autorizada a Administração Tributária a impor efeitos vinculantes a esta empresa em razão de Consulta formulada por outra empresa que – para todos efeitos jurídicos – é distinta e autônoma.”Acrescenta que, caso persista essa argumentação de identidade entre os administradores das duas empresas, seriam extrapolados os limites da personalidade jurídica, levando a Fiscalização para o campo da autuação ilegal. Por esse motivo, entende que deve ser rejeitada a suposta força vinculante das Soluções de Consulta citadas no Relatório de Ação Fiscal. .Do pedido de realização de perícia técnica- Reitera, com base no art. 16, inciso IV, e 18 do Decreto nº 70.235/72, o pedido de realização de perícia técnica, para elucidação da natureza e finalidade dos silos plásticos por ela fabricados. Finaliza requerendo que: i) seja decretada a nulidade do Auto de Infração, por cerceamento de defesa, decorrente do indeferimento do pedido de perícia formulado durante o procedimento fiscal, ou então que seja promovida a devolução dos autos à origem para realização da perícia; ou, sucessivamente; ii) no mérito, seja declarada a insubsistência do Auto de Infração, com a conseqüente declaração de nulidade e extinção do crédito tributário por ele constituído; iii) com base no artigo 100, parágrafo único do Código Tributário Nacional, seja julgada parcialmente procedente a impugnação, para se excluir do montante lançado no Auto de Infração a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. É o relatório. O Acórdão n.º 10-61.097 - 3ª Turma da DRJ/POA está assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2015 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A classificação de mercadorias, no âmbito da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), é realizada com o emprego das seis Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH), como também das Regras Gerais Complementares (RGC) e das Notas Complementares (NC). Assim, a classificação fiscal de determinado produto é inicialmente levada a efeito em conformidade com o texto da posição e das notas que lhe digam respeito. Uma vez classificado na posição mais adequada, passa-se a classificar o produto na subposição de 1o nível (5o dígito) e, dentro desta, na subposição de 2o nível (6o dígito). O sétimo e oitavo dígitos referem-se a desdobramentos atribuídos no âmbito do MERCOSUL. COMPETÊNCIA. ICMS. RFB. CONFLITO. INEXISTÊNCIA. Inexiste conflito de competência entre a RFB e demais órgãos públicos, no que se refere à finalidade precípua de classificação fiscal de mercadorias. A competência originária dessa atividade é da Receita Federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2013 a 31/12/2015 NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de perícia que, apesar de apresentar seus motivos e conter a formulação de quesitos e indicar seu perito, seja prescindível para a composição da lide. O julgamento na primeira instância foi no sentido de julgar improcedente a impugnação. Fl. 897DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 A Recorrente protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente repete os argumentos da impugnação. Requer ao final da peça recursal: IV - REQUERIMENTO 4.1 Por todo o exposto, REQUER dignem-se Vs. Sas. a julgar integralmente procedente o presente Recurso Voluntário, para o efeito de: (i) declarar a nulidade do Acórdão n° 10-61.097, por cerceamento ao direito de defesa do contribuinte e por violação ao devido processo legal, ao deixar de enfrentar argumentos de defesa fundamentais, bem como ao deixar de apreciar pedido de realização de prova pericial formulado pelo Recorrente, devendo, nesse caso, ser determinada a baixa dos autos à instância de origem para a realização da referida diligência que demonstre a inexistência de crédito tributário a cobrar no presente caso, já que houve retenção a maior realizado a título de contribuições no período da Autuação; ou, sucessivamente, (ii) reformar integralmente o Acórdão n° 10-61.097, declarando a insubsistência do Auto de Infração n° 11065.720.365/2017-72 (vinculado ao Procedimento Fiscal nº 1010700.2017.00100), com a consequente declaração da nulidade e extinção do correspondente crédito tributário por ele constituído, nos termos do inciso IX do artigo 156 do Código Tributário Nacional, com os devidos registros nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, face adequada classificação fiscal adotada pelo contribuinte, qual sejam NCM 3925.10.00; ou ainda sucessivamente; (iii) reformar parcialmente o Acórdão n° 10-61.097, para se excluir do montante lançado no Auto de Infração n° 11065.720.365/2017-72 (vinculado ao Procedimento Fiscal nº 1010700.2017.00100) “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”, na medida em que a Recorrente promoveu o enquadramento dos Silos que produz em estrita observância ao que dispõe o Convênio ICMS 52/91, de modo a se beneficiar do disposto no artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório.” Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator ad hoc Como Redator ad hoc e nos termos do art. 58, § 13 do RICARF, sirvo-me da minuta de voto apresentada na sessão de fevereiro de 2020 pelo Relator Leonardo Correia Lima Macedo: “Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em apertada síntese, trata o presente processo de disputa quanto a classificação fiscal para a mercadoria “silo plástico”. A fiscalização entende que a classificação correta seria na NCM 39.17.32.90 correspondente a alíquota ad valorem de 5% para o IPI, enquanto a Fl. 898DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Recorrente defende a classificação fiscal na NCM 3925.10.00 que corresponde a alíquota ad valorem de 0% de IPI. Passo a análise do Recurso. Preliminares 3.1 – Nulidade do Acórdão – Ausência da Fundamentação A Recorrente defende a ausência de fundamentação quando da análise dos argumentos da impugnação, e-fl. 446. 3.1.3 Um aspecto que deve ser destacado é que a r. Decisão proferida possui um total de 21 folhas, sendo que, dessas, apenas 14 folhas são dedicadas à fundamentação do Decisum, das quais ainda a maior parte consiste em meras transcrições do Auto de Infração e de atos normativos. Tal postura, certamente, dificulta a defesa técnica da empresa contribuinte, uma vez que a fundamentação da decisão se delonga em textos que em nada contribuem para a solução do caso e, nos pontos em que deveria efetivamente manifestar-se sobre os argumentos concretos e sobre a análise dos aspectos particulares do caso, atém-se a exposição de pouquíssimas frases, as quais ainda estão marcadas por afirmações genéricas, lacunosas e, inclusive, circulares. Sobre o assunto, entendo, entretanto, que não assiste razão a Recorrente. Os julgadores de primeira instância são livres para formar seu convencimento, externada nas razões de decidir que pode reproduzir em parte ou na totalidade as razões do auto de infração. Os fundamentos ou razões de decidir estão identificados na peça fiscal e no acórdão da DRJ. CARF, Acórdão nº 3202-001.112 do Processo 10831.011104/2004-52 Data 25/03/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO JULGADOR APRECIAR, PONTO A PONTO, TODAS AS TESES DE DEFESA. LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos. Não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar ponto a ponto as teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir. CARF, Acórdão nº 3002-000.786 do Processo 10855.912713/2009-67 Data 16/07/2019 PRELIMINAR. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 899DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Não há que se cogitar o cerceamento ao Direito de Defesa, quando o julgador deixa de analisar eventuais provas apresentadas, quando estas, por decorrência lógica das suas razões de decidir, não são aptas a alterar o resultado do julgado. A Recorrente não demonstra a existência de erro in procedendo ou in judicando, a merecer a declaração de nulidade da decisão ou a sua reforma. O desejo de aperfeiçoamento das razões de decidir não é motivo para a nulidade do acórdão de primeira instância. Não conheço da preliminar de nulidade. 3.1 – Nulidade do Acórdão – Cerceamento do direito de defesa A Recorrente alega que houve cerceamento do direito de defesa por rejeição arbitrária de prova pericial, e-fl. 450. 3.2.7 Aliás, a mera rejeição de prova pericial ao argumento de que essa somente deve ser realizada quando necessária para a formação do convencimento da autoridade fiscal acaba sendo autorização irrestrita para o arbítrio dos agentes públicos, na medida em que absolutamente todos os pedidos de perícia formulados pelos contribuintes poderão ser sempre sumariamente rejeitados sob alegação de que não serão necessários para a formação do convencimento subjetivo daqueles que são responsáveis pela própria autuação que se questiona. Ora, no caso concreto, a perícia se mostra necessária para comprovar precisamente que a formação do convencimento dos agentes fiscais está equivocada, na medida em que está partindo de dados e informações inverídicas, imprecisas e falsas. Sobre o assunto entendo que não assiste razão a Recorrente. Em que pesem os argumentos da Recorrente, a jurisprudência de CARF é ampla quanto a possibilidade de indeferir o pedido de perícia técnica. CARF, Acórdão nº 2003-000.159 do Processo 11060.720054/2007-81 Data 24/07/2019 PAF. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO. IMPROCEDENTE. A perícia não se presta para substituir provas que deveriam ter sido apresentadas pelo sujeito passivo por ocasião da impugnação, pois sua realização pressupõe a necessidade do julgador conhecer fato que demande conhecimento especializado. Portanto, não há que se falar em nulidade da decisão que a considerou prescindível, já que presentes nos autos elementos de convicção suficientes à satisfatória solução da controvérsia. Fl. 900DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 CARF, Acórdão nº 3202-001.112 do Processo 10831.011104/2004-52 Data 25/03/2014 INDEFERIMENTO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O indeferimento do pedido de diligência pelo julgador de primeira instância, por entendê-la desnecessária ao deslinde do litígio, não se configura cerceamento do direito de defesa, posto que o livre convencimento da autoridade julgadora é assegurado no processo administrativo fiscal, na forma do art. 29 do Decreto nº. 70.235/72. Dessa forma, o indeferimento do pedido de perícia técnica não é caso para se falar em nulidade da decisão. O julgado de primeira instância considerou a perícia prescindível, já que presentes nos autos elementos de convicção suficientes à satisfatória solução da controvérsia. Não conheço da preliminar de nulidade. Mérito 3.3 – O Dever de Coerência das Autoridades Fiscais A Recorrente alega haver um conflito normativo gerado por divergência interpretativa relativamente à correta classificação na TIPI de produtos industrializados fabricados pela Recorrente, e-fl. 452. 3.3.1 Está-se diante de uma situação de conflito normativo gerado por divergência interpretativa relativamente à correta classificação na TIPI de produtos industrializados fabricados pela Recorrente. E nesse contexto, jamais se poderia dar prevalência à opção exegética que se atém apenas a regras formais e subsidiárias de classificação, desprezando-se por completo os outros critérios que devem participar da definição da natureza do produto a ser enquadrado na TIPI. Exatamente por isso, diante da divergência interpretativa que se instaurou, deve-se privilegiar a proposta classificatória que melhor combina todos esses fatores, justificando uma leitura coerente e integrada dos elementos que se compatibilizam com a real complexidade do produto industrializado que se pretende tributar. Sobre o assunto entendo que não assiste razão a Recorrente. Ocorre que no caso concreto não há que se falar em conflito normativo para o IPI. O IPI é tributo federal e a competência para a classificação de mercadorias na TIPI é da Receita Federal. Nesse ponto compete esclarecer que a classificação fiscal de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é matéria de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do disposto nos arts. 48 a 50 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, nos arts. 46 a 53 do Decreto nº 70.235, de 6/03/1972, no art. 1º do Decreto nº 97.409, de 22/12/1988, no art. 2º do Decreto nº 766, de 3/03/1993, nos arts. 88 a 102 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, e nos arts. 2º a 4º do Decreto nº 7.660, de 23/12/2011. A NCM toma por base a Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Convenção do SH) administrado pelo Conselho de Fl. 901DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Cooperação Aduaneira (CCA), também conhecido como Organização Mundial de Aduanas (OMA), cuja sede fica em Bruxelas. A Convenção do SH é a base de todos os Acordos de comércio negociados na Organização Mundial do Comércio (OMC) e em outros organismos internacionais. Tal instrumento possui atualmente 157 partes contratantes dentre países territórios e uniões econômicas. O Brasil é signatário da referida Convenção desde 31/10/1986, tendo ratificado sua adesão em 08/11/1988. A promulgação da Convenção do SH foi feita por meio do Decreto n° 97.409, de 22/12/1988. CARF, Acórdão nº 3101-000.915 do Processo 10926.000344/2006-34 Data 10/11/2011 CLASSIFICAÇÃO. COMPETÊNCIA. NORMAS JURÍDICAS VINCULADAS. A classificação de mercadorias é assunto da competência de órgãos do ministério da Fazenda, independentemente do tipo e da natureza da mercadoria cuja classificação se busca. Normas relacionadas à identificação das mercadorias têm aplicação limitada à fase de identificação da mercadoria. Daí por diante, a solução do litígio se dá mediante fiel observância às Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado bem como às regras Gerais Complementares. CARF Acórdão nº 3201-004.252 do Processo 10480.723802/2010- 70 Data 26/09/2018 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. COMPETÊNCIA DA RFB. ANÁLISE TÉCNICA. COMPETÊNCIA DE ÓRGÃOS CREDENCIADOS PELA RFB. A classificação de mercadorias é atividade cuja atribuição é de competência exclusiva da RFB. Empresa não credenciada pela RFB para realizar a identificação fiscal de mercadorias, ainda que competente para identificar mercadoria para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, não tem competência e não tem previsão legal para identificar mercadoria para fins de re-classificação fiscal. A análise de mercadoria, realizada por empresa não credenciada pela RFB, de forma isolada, não deve servir de subsídio para a re-classificação fiscal, por não possuir autorização legal ou tecnicidade suficiente para analisar a classificação de mercadorias em observação às Regras de Classificação de Mercadorias estabelecidas pelo Sistema Harmonizado. Diante do exposto, não há que se falar em conflito de competências, tendo em vista que a competência é única e exclusiva da Receita Federal. Os Convênios do ICMS, as normas da SUFRAMA, e tantos outros que aparecem neste CARF, são incompetentes para definir a classificação fiscal de mercadorias no âmbito da Convenção do SH complementada por dois dígitos adicionais dando origem a NCM. Nego provimento. Mérito 3.4 – Da Classificação Fiscal de Silos Plásticos Fl. 902DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 No mérito a Recorrente alega que a fiscalização classificou de forma incorreta a mercadoria com o objetivo de aumentar a arrecadação, e-fl. 456. 3.4.1.1 Conforme antes narrado, os agentes fiscais, forçando o reenquadramento normativo que hoje já é dado aos Silos Plásticos produzidos pela Recorrente, com o propósito evidente de, artificialmente, aumentar a sua arrecadação, mesmo que com base em tributação indevida, vieram a classificar tais produtos industrializados na posição 39.17.32.90, rejeitando a classificação correta adotada pelo contribuinte na posição 39.25.10.00 e, insista-se, anteriormente já adotada pelo Fisco Federal. Em que pesem os argumentos da Recorrente, a classificação fiscal de mercadorias é matéria internacional onde os códigos devem ser harmonizados entre todas as partes contratantes do Sistema Harmonizado. Tais códigos servem a diversos fins, tais como o controle das mercadorias no comércio internacional, as estatísticas para a formulação de políticas comerciais e, evidente, a tributação quando exista alíquota positiva para a mercadoria. A Receita Federal é competente para harmonizar dentro da sua jurisdição, o território brasileiro, tais códigos para que sejam os mesmos utilizados internacionalmente. Nesse sentido, há em muitos casos um entendimento equivocado da classificação fiscal como sendo uma matéria nacional. Isto é um engano, pois a classificação é uma matéria essencialmente internacional, onde os 6 primeiros dígitos da classificação devem ser os mesmos para as mesmas mercadorias entre todas as partes contratantes da Convenção do SH. Apenas os dois últimos dígitos, que correspondem ao Mercosul são de fato uma matéria regional internacional ou nacional. No caso concreto, a Recorrente defende a classificação na NCM 39.25.10.00, enquanto a fiscalização sustenta que a mercadoria está classificada na NCM 39.17.32.90. A dúvida está no nível internacional, pois a divergência tem início na posição, ou seja, nos quatro primeiros dígitos da classificação. Nesse ponto, não assiste razão a Recorrente. A interpretação da fiscalização utiliza como ponto de partida a posição 39.17, enquanto a Recorrente parte da posição 39.25. A Recorrente acredita que a fiscalização se engana quando interpreta que a posição 39.25 se aplicaria apenas a uma mercadoria que fosse “um apetrecho de plástico para construção”. Engana-se a Recorrente, pois é possível verificar que tal interpretação é utilizada em todas as Soluções de Consulta da Receita Federal que abrangem a posição 39.25. Para tanto reproduzo a seguir o resumo das Soluções de Consulta na posição 39.25 divulgadas pelo Centro de Classificação de Mercadorias (Ceclam) por meio do seu Compêndio de Ementas atualizado até fevereiro de 2019 (disponível em http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/classificacao-fiscal-de- mercadorias/compendio-ceclam-fev2019) Fl. 903DF CARF MF Documento nato-digital http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/classificacao-fiscal-de-mercadorias/compendio-ceclam-fev2019 http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/classificacao-fiscal-de-mercadorias/compendio-ceclam-fev2019 Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 A leitura leva ao entendimento que as mercadorias da posição 39.25 são utilizadas na construção civil. Entendo ser esta não apenas a harmonização nacional, mas também a internacional. Por outro lado, neste mesmo documento é possível encontrar Soluções de Consulta que abrangem a posição 39.17. Tais Soluções de Consulta indicam mercadorias utilizadas em outras áreas, sendo a primeira da lista, constante da Solução de Consulta 98.316/2018 – Cosit uma mercadoria assemelhada a da Recorrente. Fl. 904DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Nesse sentido, para auxiliar no entendimento da lide reproduzo a Solução de Consulta 98.316/2018 – Cosit, de 25/10/2018. Fl. 905DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Fl. 906DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Da leitura da Solução de Consulta nº 98.316 – Cosit, de 25/10/2018 é possível concluir que a classificação adotada pela Receita Federal para a mercadoria assemelhada é a NCM 39.17.31.00. Ocorre que outras silo bolsa também estão abrangidas pela mesma posição 39.17, a saber: NCM 39.17.32.00 e 30.17.33.00. As diferenças entre tais classificações são referentes ao silo bolsa ter ou não acessórios. A mercadoria da Recorrente seria desprovida de acessórios, portanto, na NCM 39.17.32.00. Nego provimento. Mérito 3.4.2 – Da Interpretação Semântica A Recorrente faz menção a interpretação semântica argumentando que os silos plásticos poderiam estar enquadrados como “reservatórios” ou “recipientes análogos”, e-fl. 462. 3.4.2.2 Ocorre que, como se viu, para promover tal interpretação alternativa da TIPI valeram-se as autoridades tributárias de definição semântica de “silo”, a qual se mostra absolutamente equivocada e infiel à realidade. No entanto, mesmo que assim seja, os agentes fiscais não realizaram nenhum esforço para explicar Fl. 907DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 porque os silos plásticos não poderiam legitimamente ser enquadrados como “reservatórios” ou “recipientes análogos” de capacidade superior a 300l, tal como defendido pela Recorrente. Em verdade, conforme já demonstrado, chegaram eles em conclusão per saltum em que simplesmente rejeitam a classificação proposta pelo contribuinte. Novamente não assiste razão a Recorrente. Conforme debatido no item anterior a interpretação harmônica internacional da classificação fiscal exige que apenas um código seja o correto para cada tipo de mercadoria transacionada no comércio internacional. A interpretação vigente para a mercadoria objeto deste processo está na posição 30.17, sendo a posição 39.25 inadequada para os silo bolsa de armazenamento de grãos. Nesse ponto, apesar de entender a inconformidade da Recorrente, entendo que não há como admitir a classificação equivocada. Importante destacar que para as dúvidas quanto a classificação existe o rito do processo de consulta fiscal de mercadorias previsto na Lei. 9430/96. Mérito 3.4.3 – Da Interpretação funcional A Recorrente defende uma interpretação funcional para a classificação fiscal, e-fl. 465. 3.4.3.1 Conforme antes relatado, o órgão julgador – atendo-se supostamente às Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) – entendeu que seria irrelevante no caso a análise funcional e finalística do produto a ser classificado na TIPI! Tal postura, no entanto, é incompatível com melhor técnica de interpretação do direito, pois, conforme já defendido, o esforço classificatório deve buscar aplicar a metodologia formal extraída das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) do modo mais coerente possível com o restante do sistema jurídico, de modo a harmonizá-la com todos os elementos normativos que estejam disponíveis ao intérprete, incluindo-se, nesse campo de análise, considerações semânticas, funcionais e finalísticas. Sobre este ponto não assiste razão a Recorrente. A interpretação quanto a classificação fiscal segue a estrutura de regras do Sistema Harmonizado. A funcionalidade, compreendida nas hipóteses da regra 4, é utilizada apenas para os casos onde não houve êxito na aplicação das Regras Gerais 1, 2, e 3. No presente caso a classificação fiscal aplica-se a RG 1, ou seja, o caso não demanda a funcionalidade. Mérito 3.4.4 – Princípio da Seletividade A Recorrente discorre sobre a aplicação do princípio constitucional da seletividade, CF Art. 153, e-fl. 468. 3.4.4.1 Novamente, a r. Decisão recorrida defendeu que seria imprestável no caso a invocação do princípio constitucional da Fl. 908DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 seletividade, uma vez que esse teria destino apenas o legislador tributário e não se prestaria como critério de interpretação. No entanto, mais uma vez divergindo da postura formalista e restritiva adotada pelo órgão julgador, a Recorrente defende que a correta classificação na TIPI será sempre aquela que melhor efetiva o princípio da seletividade que a Constituição impõe como de observância obrigatória relativamente ao IPI, ex vi o disposto no artigo 153, § 3º, inciso I, da Constituição: Art. 153 (…) § 3º - O imposto previsto no inciso IV: I - será seletivo, em função da essencialidade do produto; A apreciação de argumentos constitucionais foge a competência deste CARF. Nesse sentido, deve-se aplicar a Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nego provimento. Mérito 3.5 – A classificação fiscal de silos plásticos em coerência com outros atos normativos 3.5.1 – Histórico da TIPI A Recorrente defende a interpretação alinhada com outros enunciados normativos mesmo que não estivessem vigentes a época dos fatos, e-fl. 470. 3.5.1.2 Pois bem, se tudo isso não bastasse, cabe ainda demonstrar que o enquadramento fiscal realizado pela Recorrente mantem a mais perfeita coerência com outros atos normativos que tiveram, no passado, a pretensão idêntica de classificar especificamente os silos plásticos por ela produzidos. De início, impõe-se ressaltar que, diferentemente do sustentado pela r. Decisão recorrida, tais enunciados normativos mesmo que não estejam mais vigentes exercem sim força vinculante e cogente no que diz respeito ao resgate da melhor interpretação possível da TIPI, uma vez que, como já defendido antes, deve o operador do direito sempre privilegiar aquela interpretação que melhor se compatibilizar com os demais textos normativos presentes no ordenamento jurídico. Entendo que não assiste razão a Recorrente. Conforme reconhece a Recorrente os atos normativos não estavam vigentes a época. Além disso, a exceção “Ex” citado pela Recorrente, dentro da posição 39.25, diz respeito a silos para ventilação ou aquecimento, sendo inadequada a conclusão de que seriam silos para armazenamento de grãos. Sobre o Sistema Harmonizado cabe esclarecer que o mesmo é internacionalmente revisado em média a cada cinco anos. A última revisão entrou em vigor em 2017 e a próxima entrará em vigência em 2022. A cada revisão as partes contratantes da Convenção fazem modificações de acordo com as demandas das partes contratantes, de organismos internacionais e as estatísticas internacionais. O comércio internacional é dinâmico e a todos momento mercadorias ganham ou perdem importância, sendo necessário acompanhar a evolução da classificação para a correta aplicação dos códigos. Fl. 909DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Nego provimento. Mérito 3.5.2 – Convênio ICMS A Recorrente defende que a classificação fiscal na NCM 3925.10.00 com base no Convênio CONFAZ 52/91, e-fl. 473. 3.5.2.1 Conforme inicialmente relatado, a Recorrente, quando veio a promover o enquadramento na TIPI dos silos plásticos que produz, pesquisou a legislação tributária em vigor para localizar elementos técnicos e objetivos que permitissem identificar a efetiva natureza dos produtos por ela fabricados. E assim procedendo deparou-se com os itens 2 e 2.1. do Anexo II do Convênio CONFAZ 52/91, os quais, com máxima clareza, indicaram que “Silos de matéria plástica artificial ou de lona plastificada, com capacidade superior a 300 litros” deveriam receber o enquadramento na NCM 3925.10.00. Assim qualificados os seus silos plásticos, a Recorrente não teve qualquer dúvida de que deveria localizar na TIPI a alíquota de IPI aplicável aos bens que seguiriam a NCM 3925.10.00, alcançando, desse modo, a conclusão normativa de que deveria submeter seus produtos industrializados à alíquota zero, conforme determinado no Decreto no 7.660/2011. Observemos a identidade univitelina da classificação! Entendo que não assiste razão a Recorrente. Em primeiro o Convênio CONFAZ não tem competência para determinar a classificação de mercadorias no Sistema Harmonizado. Em segundo, a mercadoria mencionada no Convênio CONFAZ 52/91 “Silos de matéria plástica artificial ou de lona plastificada, com capacidade superior a 300 litros” podendo ser aplicada para diversos fins, não correspondendo a mercadoria para armazenamento de grãos. Nego provimento. Mérito 3.5.3 – Portaria MF nº 154 de 25 de março de 1994 A Recorrente defende que a classificação fiscal na NCM 3925.10.00 com base na Portaria MF nº 154 de 25/03/1994, sem vigência a época, e-fl. 479. 3.5.3.5 Antes de mais nada, cabe destacar que a invocação da Portaria MF nº 154/1994 dá-se com o propósito de reforçar e tornar mais coerente a interpretação sendo aqui defendida, na medida em que tal ato normativo, somado a tudo que se comprovou até aqui, presta-se a demonstrar que o legislador tributário já promoveu o correto enquadramento de Silos Plásticos, estando, em verdade, os agentes responsáveis pela autuação ora atacada divergindo de interpretação oficial antes adotada. E, ao assim agirem, as autoridades fiscais acabaram adotando postura absolutamente incoerente, criando dois critérios opostos aplicáveis no tratamento jurídico de um mesmo produto industrializado. Fl. 910DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Entendo que não assiste razão a Recorrente. Em primeiro a Portaria não estava em vigor. Em segundo, conforme já assinalado anteriormente, o Sistema Harmonizado é dinâmico e revisado em média a cada cinco anos. Em terceiro, a coerência buscada no Sistema Harmonizado é internacional para com as partes contratantes. Diante do exposto, nego provimento. Mérito 3.5.4 – BNDES A Recorrente cita de forma ilustrativa o pedido de abertura de financiamento junto ao BNDES que teria aceito o seu código, e-fl. 480. 3.5.4.3 Como se vê, portanto, tal interpretação foi aceita pelo BNDES, o qual, como órgão público também necessita fazer controle de legalidade dos próprios atos, o que reforça a postura classificatória que sempre foi defendida pela Recorrente. 3.5.4.4 Com efeito, tal elemento ilustrativo adicional também reforça a pretensão da Recorrente de obter a declaração de nulidade do Auto de Infração lavrado. Entendo que não assiste razão a Recorrente. A questão de órgãos externos, sem competência sobre o assunto classificação fiscal, já foi tratada em itens anteriores. Nego provimento. Mérito 3.5.5 – Princípio da Isonomia A Recorrente discorre sobre a aplicação do princípio constitucional da isonomia, CF Art. 150, e-fl. 480. 3.5.5.1 Admitindo-se, ad argumentandum tantum, que seja irrelevante o fato de todos os demais atos normativos antes citados estarem enquadrando os silos plásticos produzidos pela Recorrente na NCM 3925.10.00, ainda assim deverá ser promovida uma leitura da TIPI que garanta coerência interna perante os demais itens classificados pela mesma tabela como sendo Silos, sob pena de violação ao princípio da isonomia. A apreciação de argumentos constitucionais foge a competência deste CARF. Nesse sentido, deve-se aplicar a Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nego provimento. Mérito 3.5.6 – Soluções de Consulta Fl. 911DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 A Recorrente reconhece que sabia da existência da Solução de Consulta nº 18, de 25/02/2011, a qual já teria classificado os silos plásticos produzidos pela Recorrente na posição 3917.32.90, sendo que optou por se insurgir contra a dita Solução de Consulta, e-fls. 483 e 484. 3.5.6.1 Por fim, cabe apreciar a alegação contida no r. Acórdão no sentido de que a classificação dos silos plásticos produzidos pela Recorrente já teria sido resolvida por meio da Solução de Consulta nº 53, de 19 de setembro de 2008, a qual teria sido formulada por outra empresa (Plásticos Suzuki), mas que possui quadro societário com composição entendida por semelhante à da empresa ora fiscalizada e que a mesma classificação fiscal estaria sendo imposta pela Receita Federal do Brasil a outras empresas que atuam no mesmo setor de mercado da Recorrente, o que se veria das Soluções de Consulta nº 18/2011 e nº 38/2009 (fl. 424). 3.5.6.2 Ora, a Recorrente não desconhece o teor das mencionadas Soluções de Consulta e é precisamente contra o conteúdo definido por tais atos administrativos que mobiliza ela os seus argumentos na presente Impugnação, entendendo que o que restou lá decidido mostra-se inconstitucional e ilegal, exatamente porque não promove a classificação fiscal adequada e coerente dos Silos Plásticos por ela produzidos no Brasil. Com efeito, a invocação de tais atos não chega a ser contra-argumento ao aqui defendido, pois são eles efetivamente o alvo de ataque na presente defesa. Sobre este ponto não assiste razão a Recorrente. Mesmo ciente da Solução de Consulta, a Recorrente assumiu o ônus de incorrer na classificação equivocada. Não há como ajudar a Recorrente que assumiu todos os riscos decorrentes de uma classificação errônea em um sistema de classificação internacional. Nego provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo” É o que se reproduz do voto do relator original. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Voto Vencedor Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Redator designado. Fl. 912DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros Titulares, conforme Portaria de Condução e Regimento Interno, apresenta-se este Voto. O produto em questão é um tipo de Silo Plástico Agrário, como pode ser constatado nas imagens reproduzidas a seguir: Nesses Silos o contribuinte acumula grãos, cereais e alimentos semelhantes. Esse tipo de Silo serve para preservar o alimento e protegê-lo da fauna e do clima, em um ambiente anaeróbico. Aparentemente, são novas e sustentáveis alternativas aos conhecidos Silos de aço. O contribuinte classificou o produto no código da Nomenclatura Comum do Mercosul -NCM 3925.10.00 (artigos para apetrechamento de construções, de plástico, utilizados como reservatórios): “39.25 - ARTEFATOS PARA APETRECHAMENTO DE CONSTRUÇÕES, DE PLÁSTICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3925.10.00 -- Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros (grifos nossos)” Fl. 913DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 O produto foi reclassificado pela fiscalização para o código NCM 3917.32.90 (tubo de plástico, não reforçado por outras matérias, sem acessórios), com base no conteúdo da Solução de Consulta nº 18/2011 (6ª RF/Diana) e no entendimento de que silo-bolsa é um tubo contínuo, flexível e sem reforço. No entanto, remanesceu inalterado nos autos o fato de que não há nenhuma descrição da NESH ou produto que se assemelhe ao produto do contribuinte no código adotado pela fiscalização. Os “tubos de plástico” do capítulo 39.17 (adotado pela fiscalização) são utilizados para outras atividades e de outras formas, conforme a própria NESH registrou em suas notas explicativas: “Na acepção da Nota 8 do presente Capítulo, entende-se por “tubos”: 1) os artigos ocos, quer se trate de produtos semi-acabados ou de produtos acabados (por exemplo, mangueiras de jardim estriadas e tubos perfurados) do tipo utilizado geralmente para conduzir ou distribuir gases ou líquidos, desde que apresentem seção transversal interna redonda, oval, retangular (de comprimento não superior a 1,5 vezes a largura) ou de forma de um polígono regular; e 2) os invólucros tubulares para salsichas ou outros enchidos (mesmo atados ou trabalhados de outro modo) e outros tubos planos. Incluem-se igualmente na presente posição os acessórios de plástico para tubos (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges). Os tubos e seus acessórios podem ser rígidos ou flexíveis e podem ser reforçados ou combinados de outro modo com outras matérias. (No que respeita à classificação dos tubos, etc., de plástico combinado com outras matérias, ver as Considerações Gerais do presente Capítulo).” A principal função do Silo de Plástico é de reservatório e sua essência deve prevalecer à sua forma, até mesmo porque o Silo de Plástico somente atinge um formato depois de preenchido com os grãos. A posição adotada pela fiscalização não possui o mesmo nível de flexibilidade, pois são meros tubos de plástico e, independentemente do quanto forem flexionados, jamais perderão o formato de tubo. Basta conferir os exemplos da NESH citados acima. O código que mais se aproxima do produto em questão (“Silo Plástico”) é o código adotado pelo contribuinte, justamente porque o código NCM 3925.10.00 descreve a sua essência, que é a capacidade de ser um reservatório. Pela Regra Geral n.º 1 não foi possível classificar o produto em nenhum dos códigos existentes na época em razão da ausência da descrição do produto no texto da posição. Logo, de forma correta, o contribuinte utilizou-se da Regra Geral n.º 2, “a”, para classificar o produto de acordo com sua essência: Fl. 914DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 “A classificação das mercadorias na Nomenclatura rege-se pelas seguintes Regras: 1.Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2.a)Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar.” Somente com base nas razões expostas já seria possível manter a classificação do contribuinte, mas existem ainda mais razões. O ex-tarifário 01 da posição 3925.10.00, definiu a alíquota zero ao “silo flexível em lona sintética reforçada, antiaderente, com capacidade igual a superior a vinte metros cúbicos. O Decreto nº 4.070/2001, igualmente, , definiu no ex-tarifário 01 a classificação 3925.10.00 para os “Silos sem dispositivos de ventilação ou aquecimento incorporados, mesmo que possuam tubulações que permitam a injeção de ar para ventilação ou aquecimento”. Ou seja, somente a partir da criação dos ex-tarifários foi que surgiu um texto capaz de descrever o produto do contribuinte, que é exatamente o mesmo produto descrito no ex- tarifário. Essa evolução, na classificação do produto em questão, somente confirmou a assertividade da utilização do código 39.25 para a classificação dos Silos Plásticos agrários. Logo, a conclusão não pode ser outra se não a que aponta como correto o código NCM 3925.10.00 (artigos para apetrechamento de construções, de plástico, utilizados como reservatórios) para o produto em questão. Diante de todo o exposto e fundamentado, deve ser DADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Declaração de Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Fl. 915DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Durante o julgamento acompanhei o Relator em sua posição que restou vencida, por ter ocorrido empate e por força art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, deu-se provimento ao Recurso Voluntário. Por oportuno, e com a finalidade de enfatizar a classificação fiscal na NCM 3917.32.90, reproduzo voto por mim proferido no acórdão nº 3401-007.294, em 13/03/2020, nas partes que interessam à classificação fiscal dos Silos Plásticos, denominado “silobolsa”. Um silo de plástico nada mais é que um silo comum, com estrutura metálica e armazenagem em um tanque plástico, sendo esse tanque normalmente fabricado por rotomoldagem. Os “silos plásticos” possuem como única diferença um reservatório feito de plástico, tendo como característica comum serem um tipo de construção impermeável. Já em relação ao processo de fabricação ele se dá através de equipamentos de extrusão, procedimento mecânico utilizado na fabricação de produtos contínuos, principalmente tubos. A recorrente classifica as geomembranas no código 3925.10.00 da TIPI: 39.25 - ARTEFATOS PARA APETRECHAMENTO DE CONSTRUÇÕES, DE PLÁSTICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3925.10.00 -- Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros (grifos nossos) Seguindo as regras gerais de interpretação do sistema harmonizado, na ordem em que se apresentam temos que a Regra 1 especifica: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Pela aplicação da Regra 1 a classificação é determinada pelo texto das posições, levando a entender que para que o “silobolsa” seja enquadrada na posição 39.25 ele deve ser um “artefato para apetrechamento de construção”, deve ser “de plástico” e “não pode estar especificado e nem compreendido em outras posições”. Portanto se houver uma posição que identifique melhor a mercadoria ela deve ser utilizada, já que pelo texto da posição 39.25, essa é uma posição de exceção, ela só deve ser utilizada caso não seja possível a utilização de outras posições, conforme pode ser concluído da leitura do texto da posição. O primeiro ponto a ser observado é que a posição 39.25 fala de “artefato para apetrechamento de construção”. Na versão em inglês do Sistema Harmonizado, acessível no site da OMA – Organização Mundial de Aduanas, órgão responsável pelo Sistema Harmonizado, (http://www.wcoomd.org/-/media/wco/public/global/pdf/topics/nomenclature/instruments-and- tools/hs-nomeclature-2017/2017/0739_2017e.pdf?la=en), temos que a posição está assim descrita: 39.25 Builders' ware of plastics, not elsewhere specified or included O que necessariamente é traduzido como: 39.25 Artigos de plástico para construtores, não especificados nem compreendidos em outras posições Na versão em francês, acessível também no site da OMA, temos a seguinte descrição: Fl. 916DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 39.25 Articles d'équipement pour la construction, en matières plastiques, non dénommés ni compris ailleurs. Que é traduzido como: 39.25 Artigos de equipamento para construção, de materiais plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições. Atente-se que o inglês e o francês são as duas línguas oficiais da OMA, seus documentos são produzidos nessas duas línguas e traduzidos para as demais línguas dos países membros. Os documentos em português são traduzidos conjuntamente pelos países de língua portuguesa, em comum acordo entre todos, buscando palavras e definições que atendam as similaridades da língua portuguesa praticada em cada país. Por isso a tradução para o português ficou: 39.25 - ARTEFATOS PARA APETRECHAMENTO DE CONSTRUÇÕES, DE PLÁSTICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES Urge observar que por todas as versões analisadas, inglês, francês e tradução para o português em vigor, o que a posição especifica é que são artigos ou artefatos para construção. A partir daí podemos concluir que o silobolas, se for considerado como um reservatório, como quer entender a recorrente, deve ser um reservatório que seja um “artigo para a construção”. Veja que não se está falando de qualquer artigo de plástico, mas especificamente de um artigo de plástico que seja destinado à construção. A lógica nos leva a concluir que o artigo de plástico a que se refere à posição 39.25 deve ser parte de uma construção, já que a definição faz referência à destinação do artigo com o uso da preposição “para”. Ora se é parte de uma construção não é o todo. Não se trata de uma construção completa. Para enfatizar essa conclusão a respeito da posição 3925 fazer referência apenas a artigos para construção, ou seja, partes de construção podemos observar o desdobramento da posição: 39.25 -Artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos noutras posições. 3925.10.00 -- Reservatórios, cisternas, cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 l 3925.20.00 -- Portas, janelas e seus caixilhos, alizares e soleiras 3925.30.00 -- Postigos, estores (incluindo as venezianas) e artefatos semelhantes, e suas partes 3925.90 -- Outros 3925.90.10 -De poliestireno expandido (EPS) 3925.90.90 -Outros Todos os itens e subitens desdobrados da posição referem-se a partes de uma construção, ou seja, artigos, apetrechos para construção, tais como portas, janelas, soleiras, etc... A recorrente afirma que comercializa silos de plástico para acondicionamento de grãos e cereais, tecnologia inovadora no setor agrícola nacional. Fl. 917DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Como se pode verificar se se considerar o silo plástico com um “reservatório”, como quer entender a empresa, então ele não seria parte de uma construção, mas a construção em si, completa e acabada. Assim é que os reservatórios referidos na Nota 11 são aqueles que apetrecham uma construção, como uma caixa d’água ou uma estrutura para armazenamento de líquidos em uma indústria. Não se referem, portanto, às obras de construção civil que se caracterizam per si como reservatórios. O que leva a conclusão de não ser possível o enquadramento na posição 39.25, por faltar-lhe a característica essencial de ser um artigo para construção. Efetuando o raciocínio inverso, se se considerar o silo plástico como componente e não como um todo, ele poderia ser considerado um artigo para a construção de um reservatório. Entretanto isso nos leva a leitura das notas do capítulo, já que a Regra 1 determina que a classificação seja efetuada pelos textos das notas de seção e de capítulo. No capítulo 39 existe a Nota 11 importante para a nossa análise. A nota mostra que a posição 39.25 é uma posição restrita, sendo que somente podem ser classificada nessa posição as mercadorias que fazem parte da lista exaustiva exposta na Nota. Veja que a nota fala que se aplica exclusivamente, o que restringe a aplicação da posição à lista apresentada. Não sendo possível incluir nessa posição uma mercadoria que não corresponda aos itens enumerados: 11 – A posição 39.25 aplica-se exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do Subcapítulo II: a) reservatórios, cisternas (incluídas as fossas sépticas), cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros; b) elementos estruturais utilizados, por exemplo, na construção de pavimentos, paredes, tabiques, tetos ou telhados; c) calhas e seus acessórios; d) portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras; e) gradis, balaustradas, corrimões e artigos semelhantes; f) postigos, estores (incluídas as venezianas) e artefatos semelhantes, suas partes e acessórios; g) estantes de grandes dimensões destinadas a serem montadas e fixadas permanentemente, por exemplo, em lojas, oficinas, armazéns; h) motivos decorativos arquitetônicos, tais como caneluras, cúpulas, etc.; i) acessórios e guarnições, destinados a serem fixados permanentemente em portas, janelas, escadas, paredes ou em outras partes de construções, tais como puxadores, maçanetas, aldrabas, suportes, toalheiros, espelhos de interruptores e outras placas de proteção. Verifica-se que se o silo plástico for um reservatório ele não atende a descrição da posição 39.25 e se for um componente ele não se inclui nas restrições da nota 11. O que nos leva a concluir pela impossibilidade de enquadramento na posição 39.25, como quer a recorrente. Superada a possibilidade de enquadramento na posição defendida pela recorrente passemos a classificação decidida pela fiscalização. Em consulta à literatura técnica e site da empresa na internet, tem-se que o Silo Bolsa consiste em um tubo de polietileno, com abertura em suas duas extremidades, produzido Fl. 918DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 33 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 pelo processo de extrusão tubular ou balão. Ele é fabricado em dupla face, preta e branca, sendo que a face externa é branca e se destina a proteger o ensilado contra o calor e proteger o plástico contra os raios UV. A face preta é a face interna, que se destina a proteger o ensilado da proliferação de fungos, mantendo o ambiente escuro e anaeróbico. A bolsa é coextrusada, multicamada, de cor preta no lado interno e branca no lado externo, ou branca em ambos lados. Nossa tecnologia de produção garante qualidade na resistência mecânica, e somada a proteção contra raios UV, garantem a durabilidade do silo bolsa, que se corretamente utilizada, pode durar até dois anos, mesmo exposta a condições climáticas adversas ou extremas. O enchimento do tubo se faz através de uma embutidora por uma de suas extremidades abertas e posteriormente fechadas e amarradas para manter o ambiente sem oxigênio, já o esvaziamento através de uma extratora. Eles são próprios para armazenagem de grãos de cereais, fertilizantes ou silagens (forragens) para pecuária. Após o enchimento, sua(s) boca(s) é (são) lacrada(s) e cria-se uma atmosfera modificada (sistema anaeróbico) que garante a conservação do material. Fotos retiradas do site da empresa https://pacifil.com.br/, em 2021. O produto sai da indústria com uma configuração própria para o armazenamento de grãos, etc. Eles se diferem das lonas plásticas utilizadas na impermeabilização de silos. E não é instalado em uma obra civil específica, mas acomodado sobre a superfície de um terreno. Efetuando a análise dos SILOS BOLSA partindo da Regra 1 que especifica: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Assim analisando a TIPI para as posições do capítulo 39 temos as seguintes possibilidades: Fl. 919DF CARF MF Documento nato-digital https://pacifil.com.br/ Fl. 34 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 39.15 Desperdícios, resíduos e aparas, de plásticos. 39.16 Monofilamentos cuja maior dimensão do corte transversal seja superior a 1 mm (monofios), varas, bastões e perfis, mesmo trabalhados à superfície, mas não trabalhados de outro modo, de plásticos. 39.17 Tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticos. 39.18 Revestimentos de pisos (pavimentos), de plásticos, mesmo auto-adesivos, em rolos ou em forma de ladrilhos ou de mosaicos; revestimentos de paredes ou de tetos, de plásticos, definidos na Nota 9 do presente Capítulo. 39.19 Chapas, folhas, tiras, fitas, películas e outras formas planas, auto-adesivas, de plásticos, mesmo em rolos. 39.20 Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos não alveolares, não reforçadas nem estratificadas, sem suporte, nem associadas de forma semelhante a outras matérias. 39.21 Outras chapas, folhas, películas, tiras e lâminas, de plásticos. 39.22 Banheiras, boxes para chuveiros, pias, lavatórios, bidés, sanitários e seus assentos e tampas, caixas de descarga e artigos semelhantes para usos sanitários ou higiênicos, de plásticos. 39.23 Artigos de transporte ou de embalagem, de plásticos; rolhas, tampas, cápsulas e outros dispositivos para fechar recipientes, de plásticos. 39.24 Serviços de mesa e outros artigos de uso doméstico, de higiene ou de toucador, de plásticos. 39.25 Artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos noutras posições. 39.26 Outras obras de plásticos e obras de outras matérias das posições 39.01 a 39.14. De acordo com a Nota 8 do Capítulo 39, temos a definição do termo tubos: Na acepção da posição 39.17, o termo tubos aplica-se a artigos ocos, quer se trate de produtos intermediários, quer de produtos acabados (por exemplo, as mangueiras de rega com nervuras e os tubos perfurados) dos tipos utilizados geralmente para conduzir ou distribuir gases ou líquidos. Esse termo aplica-se igualmente aos invólucros tubulares para enchidos e a outros tubos chatos. Todavia, com exclusão destes últimos, os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos, mas sim como perfis. (os sublinhados não são do original). O que esta de acordo com a definição dos silos bolsa identificada para o produto da recorrente que consiste em um tubo de polietileno, com abertura em suas duas extremidades, produzido pelo processo de extrusão tubular ou balão. Pela aplicação da RGI 1 3917. Dentre as subposições da posição 3917, estão descartadas as 3917.10, 3917.2 e 3917.40 e seus desdobramentos, já que não estamos analisando tripas artificiais, tubos rígidos ou acessórios. Assim, resta a subposição 3917.3 e seus desdobramentos. 39.17 Tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plásticos. 3917.10 - Tripas artificiais de proteínas endurecidas ou de plásticos celulósicos 3917.2 - Tubos rígidos: 3917.3 - Outros tubos: Fl. 920DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 35 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 3917.31.00 -- Tubos flexíveis podendo suportar uma pressão mínima de 27,6 MPa 3917.32 -- Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios 3917.32.10 De copolímeros de etileno 3917.32.2 De polipropileno 3917.32.21 Tubos capilares, semipermeáveis, próprios para hemodiálise ou para oxigenação sanguínea 3917.32.29 Outros 3917.32.30 De poli(tereftalato de etileno) 3917.32.40 De silicones 3917.32.5 De celulose regenerada 3917.32.51 Tubos capilares, semipermeáveis, próprios para hemodiálise 3917.32.59 Outros 3917.32.90 Outros 3917.33.00 -- Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, com acessórios 3917.39.00 -- Outros 3917.40 - Acessórios Não se trata de tubos com capacidade de suportar altas pressões no nível de 27,6 Mpa, portanto está descartado o código 3917.31.00. Não sendo reforçado nem associado de outra forma com outras matérias, e sem acessórios, o Silo Bag ou Silo Bolsa de polietileno classifica- se na subposição de segundo nível 3917.32. Como já referido, o produto é fabricado a partir de polietileno, assim, não estando especificado nem compreendido nos itens 3917.32.10 a 3917.32.5, o silo bolsa em análise classifica-se no item 3917.32.90, com base na Regra Geral Complementar n° 1 (RGC-1) da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). A RFB se manifestou sobre a classificação dos Silos Bolsa pela solução de Consulta Diana/10ª RF n° 38/2009, onde chegou na mesma classificação apontada pela fiscalização: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código TEC: 3917.32.90 Mercadoria: Tubo chato de polietileno, próprio para armazenagem de grãos de cereais, fertilizantes ou silagens (forragens) para pecuária, com 60 metros de comprimento, 235 mícrons de espessura, 331m3 de capacidade e tensão de ruptura de 27,5Mpa, comercialmente denominado "Silo Bag ou Silo Bolsa " Dispositivos Legais: RGI-1 (Nota 8 do Capítulo 39 e texto da posição 3917) e 6 (texto da subposição 3917.32), e RGC-1 (texto do item 3917.32.90), da TEC aprovada pela Resolução Camex n° 43, de 2006. Portanto, entendo que a classificação correta para o Silo Bolsa é na NCM 3917.32.90. Mara Cristina Sifuentes (assinado digitalmente) Declaração de Voto. Fl. 921DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 36 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior. Trata-se de auto de infração decorrente da classificação fiscal de mercadorias envolvendo Silo-bolsa. Inicialmente aduz a fiscalização que a contribuinte teria classificado seus produtos na NCM 3925.10.00 (artigos para apetrechamento de construções, de plástico, utilizados como reservatórios), de outra banda, a fiscalização entende como correta a NCM 3917.32.90 (tubo de plástico, não reforçado por outras matérias, sem acessórios). Fato que a fiscalização, não logrou êxito em sua classificação fiscal, pois a classificação adota pela fiscalização trata-se, conforme consta na NESH 2 : 39.17 - Tubos e seus acessórios (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges, uniões), de plástico. 3917.32 -- Outros, não reforçados com outras matérias, nem associados de outra forma com outras matérias, sem acessórios Na acepção da Nota 8 do presente Capítulo, entende-se por “tubos”: 1) os artigos ocos, quer se trate de produtos semi-acabados ou de produtos acabados (por exemplo, mangueiras de jardim estriadas e tubos perfurados) do tipo utilizado geralmente para conduzir ou distribuir gases ou líquidos, desde que apresentem seção transversal interna redonda, oval, retangular (de comprimento não superior a 1,5 vezes a largura) ou de forma de um polígono regular; e 2) os tubulares para salsichas ou outros enchidos (mesmo atados ou trabalhados de outro modo) e outros tubos planos. Incluem-se igualmente na presente posição os acessórios de plástico para tubos (por exemplo, juntas, cotovelos, flanges). Os tubos e seus acessórios podem ser rígidos ou flexíveis e podem ser reforçados ou combinados de outro modo com outras matérias. (No que respeita à classificação dos tubos, etc., de plástico combinado com outras matérias, ver as Considerações Gerais do presente Capítulo). De qualquer sorte, conforme apontado pela contribuinte e pelas informações prestadas, o produto ele é utilizado para armazenamento de grãos, tendo seu funcionamento como reservatório ou silo, de outra banda, o posicionamento adotado pela fiscalização não é correto, uma vez que a classificação utilizada sem sua utilização para escoamento de líquido ou invólucro, conforme constante na NESH. Ainda é de rememorar o posicionamento adotado pelo relator Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, assim compreendeu: Da leitura da Solução de Consulta nº 98.316 – Cosit, de 25/10/2018 é possível concluir que a classificação adotada pela Receita Federal para a mercadoria assemelhada é a NCM 39.17.31.00. Ocorre que outras silo bolsa também estão abrangidas pela mesma posição 39.17, a saber: NCM 39.17.32.00 e 30.17.33.00. As diferenças entre tais classificações são referentes ao silo bolsa ter ou não acessórios. A mercadoria da Recorrente seria desprovida de acessórios, portanto, na NCM 39.17.32.00. Dessa forma, a classificação adotada pela fiscalização seria incorreta, e não sendo possível manter o lançamento, na qual irei dialogar adiante. 2 https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/assuntos/aduana-e-comercio-exterior/classificacao-fiscal-de- mercadorias/nesh-in-1788-2018.pdf Fl. 922DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 37 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 No que tange, a classificação adotada pela contribuinte, o argumento de que o convênio CONFAZ ICMS 52/91, compreendeu que a correta classificação fiscal é por ela indicada, não merece guarida, pois, as decisões tomadas no âmbito do CONFAZ não vinculam a RFB e demais órgãos somente aqueles no âmbito do CONFAZ. Em sua defesa, a contribuinte enfatiza que de acordo com o Convênio ICMS 52/91, tanto o Ministério da Fazenda quanto o Estado deram aval à classificação fiscal 3925.10.00 para o silo-bolsa. Ao meu ver, não trata-se de tubo conforme apontado pela fiscalização, e sim sendo uma espécie de saco (silo bag), em que pese o argumento da contribuinte, a correta classificação seria a NCM 3923.2990, vejamos: 39.23 Artigos de transporte ou de embalagem, de plástico; rolhas, tampas, cápsulas e outros dispositivos para fechar recipientes, de plástico. 3923.2 - Sacos de quaisquer dimensões, bolsas e cartuchos: 3923.29 -- De outro plástico Compreendo que o silo bag é uma espécie de bolsa ou saco de outro plástico, não existindo NCM específica, essa melhor se enquadra na descrição e utilização do produto. Ainda consta na NESH: A presente posição abrange os artigos de plástico que sirvam correntemente para embalagem ou transporte de qualquer tipo de produtos. Entre eles, podem citar-se: a) Os recipientes tais como caixas, caixotes, engradados, sacos (incluindo os de pequeno porte, os cartuchos e sacos de lixo), tambores, garrafões, bidões, garrafas e frascos. (...) Excluem-se, entre outros, da presente posição certos artigos de uso doméstico, tais como cestas de lixo e os copos para serviços de mesa ou de toucador que não tenham características de recipientes para embalagem e transporte, mesmo que possam ser, por vezes, utilizados para esse fim (posição 39.24), os recipientes classificados na posição 42.02, bem como os recipientes flexíveis para produtos a granel da posição 63.05. Nesse modo, adoto como sendo correta a NCM 3923.2990. Como apontado, a classificação fiscal adotada pela fiscalização é incorreta, conforme debatido pela turma julgadora. Ao passo quando a fiscalização atribui uma classificação fiscal ao produto, ela tem o condão de aplicar ou afastar o critério estabelecimento pela contribuinte, em discordando, deve se atribuir a classificação correta. A fiscalização divergindo da classificação adotada pela contribuinte, por dever de ofício deve ser apontado qual é a motivação do auto de infração passando a carregar consigo um o “correto critério jurídico” sobre a classificação da mercadoria declarada na importação. Diante disso, passa lavra o auto de infração, trata-se de um ato administrativo vinculado no qual estabelece um critério jurídico sobre a classificação e o debate acerca (tese “A” da contribuinte e “B” da fiscalização), se reconhece que a fiscalização adotou de determinado critério do Sistema Harmonizado, as quais estabelecem os padrões de classificação para que se aplique a correta regra. Fl. 923DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 38 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 Nesse passo, devemos rememorar as lições de Ruy Barbosa Nogueira, que descreve sobre a tridimensionalidade do direito “fato-norma-valor”: Quando se diz que o Direito é tridimensional, quer-se esclarecer que o jurídico se compõe de fato-norma-valor, indissociavelmente: valor corresponde à demonstração da ligação, vínculo, "tensão" ou subjunção da norma ao fato ou subsunção do fato à norma. (...) Sem a ocorrência ou realização dos elementos de fato (fonte real), não súrge a obrigação tributária, ainda que ela já esteja prevista in abstracto na lei. Sem a previsão legal também não nasce o fato gerador: é a realização em concreto da situação de fato previamente descrita na lei que dá nascimento à obrigação tributária. Por isso que na interpretação científica do Direito Tributário não se pode ter em conta .apenas o texto da lei, o sentido puramente gramatical, mas para se chegar ao sentido completo é preciso fazer-se a apreciação também do estado de fato ou, em outras palavras, compreender a "situação" descrita pela lei como "necessária e suficiente" para a ocorrência do fato gerador. É exatamente neste sentido que a legislação alemã, dispondo sobre a interpretação, manda se faça a "apreciação" não só da legislação (fonte formal), como dos "estados de fato" (fonte real) descritos na lei. 3 No entanto, para que seja mantida a autuação com as suas respectivas infrações sanções, o auto deve estar lastreado pela dicção do art. 2º, parágrafo único, I, da Lei 9.784/99, quais sejam, estando dentro da legalidade e motivação. O fato do auto de infração apontar qual a ilicitude que a contribuinte teria incorrida, não afasta o dever da fiscalização estar motivando com “fato-norma-valor” sobre a tese correta a ser aplicada, carregando consigo os conceitos legais, no caso as regras do Sistema Harmonizado. Com isso, na dicção do art. 50, da Lei 9.784/99, a motivação ela tem de ser explicita, assim, se a fiscalização alega que a classificação adotada pela contribuinte é errada, ela tem de demonstrar que por ela adotada – fiscalização – é a correta, assim, para que se possa apresentar sua defesa. Nesse sentido Sérgio André Rocha leciona: Como dito, a principal função da exigência de motivação dos atos administrativos decisórios praticados no âmbito do processo e do procedimento administrativos consiste na possibilidade de controle da legalidade das decisões proferidas pelos seus destinatários, isso por intermédio da verificação dos fundamentos externados pela Administração Publica, a justificar a sua pratica. (...) No âmbito do processo administrativo federal encontra-se o principio da motivação estabelecido, como regra geral, no art. 2o, VII , da Lei no 9.784/99, que determina a obrigatoriedade da “indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão”. Estabelece o art. 50 do citado diploma legal, de forma explicita, a tipologia dos atos que devem, necessariamente, ser motivados, prevendo ainda, em seu § 1o, que “a motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 4 3 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Curso de Direito Tributário. Saraiva. 1993,p. 43-47. 4 ROCHA, Sérgio André. Processo Administrativo Fiscal. 2018. Almedina. p.143-145. Fl. 924DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 39 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 De tal perspectiva, se a fiscalização ao aplicar o Sistema Harmonização de forma equivocada, trata-se de aparente vício, devendo o auto ser anulado por sua integridade: Ademais, são igualmente nulos os atos administrativos em geral praticados em desconformidade com os princípios que regem a atuação da Administração Publica e, no âmbito dos processos administrativos, aqueles atos que não se coadunem com os princípios processuais que decorrem do clausulado devido processo legal. Note‑se que a nulidade relativa não representa faculdade da Administração em anular seus atos dotados de tal vicio, mas sim a possibilidade de que a anulação seja evitada, por intermédio da convalidação. 5 Nessa esteira, é notório que a fiscalização ao realizar o lançamento o ato por ela praticado deve demonstrar e comprovar qual seria a hipótese correta, caso contrário, estaríamos diante de um vício formal, que impactaria em nulidade do auto de infração: Isso porque o erro sempre resulta do contraste com o caso correto. Assim, a indicação da classificação fiscal aplicável é inerente ao dever de motivação dos atos administrativos. Se o Auditor-Fiscal indica uma NCM igualmente equivocada, o auto de infração é nulo por falta de fundamentação adequada. 6 Nessa mesma esteira em declaração de proferida no Acórdão CSRF n.º 9303- 006.331 pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: “Declaração de Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza No presente caso, segundo o acórdão recorrido, o Fisco, no ato lançamento, e a contribuinte, quando da importação, igualmente equivocaram-se ao promover a classificação fiscal do produto importado. Donde a integral exoneração dos valores lançados, inclusive da multa de um por cento em face do erro de classificação fiscal, entendimento contra a qual, especificamente quanto ao cancelamento desta última, insurgiu-se a Recorrente, a douta Procuradoria da Fazenda Nacional. (...) Segundo o il. Conselheiro LUÍS EDUARDO BARBIERI, a "autoridade fiscal, ao efetuar o lançamento, deve demonstrar e comprovar que a situação fática (fato jurídico relatado) se enquadrou perfeitamente no pressuposto de direito (dispositivo legal). Deve-se, portanto, demonstrar a subsunção entre o evento, ocorrido no mundo fenomênico e relatado na linguagem competente – fato jurídico, à hipótese de incidência tributária" (BARBIERI, Luís Eduardo Gorrossino, Lançamento tributário: vícios e seus defeitos, São Paulo: Novas Edições Acadêmicas, 2015, p. 226). Um dos equívocos apontados, na mesma obra, quanto à motivação do lançamento, e com a qual concordamos, é a ausência, insuficiência ou o erro na descrição dos fatos do auto de infração (p. 227), erro como o que ora constatamos no presente lançamento, uma vez que, na sua motivação, a autoridade fiscal deveria ter demonstrado, como antes defendemos, o equívoco em que laborou a contribuinte, mediante a análise das regras de interpretação que seriam aplicáveis ao caso e a indicação, em face dessas mesmas regras, da classificação correta. 5 ROCHA, Sérgio André. Processo Administrativo Fiscal. 2018. Almedina. p.308. 6 SEHN, Solon. Comentário ao regulamento aduaneiro: infrações e penalidades. Aduaneiras, 2019. p. 245. Fl. 925DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 40 do Acórdão n.º 3201-008.926 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11065.720365/2017-72 A nosso juízo, portanto, a autoridade fiscal cometeu um vício de motivação no lançamento, do qual resulta, pura e simplesmente, a sua nulidade por vício material. Ainda que persista o erro de classificação – e isso não está em discussão –, há um defeito no ato administrativo que não admite convalidação. Ante o exposto, somos por negar provimento ao recurso especial da PFN.” Ademais a mais, ao passo que é reconhecida que a classificação utilizada pela contribuinte e fiscalização estão equivocada, não se pode manter tal multa diante da alteração de critério jurídico, encontrando limite nos termos dos artigos 146 e 149 do CTN. Nesse sentido: Tem-se, no artigo 146 do Código Tributário Nacional, um mesmo valor jurídico - a segurança jurídica - que agasalha tanto a legalidade tributária como a proteção da boa-fé do contribuinte37. Como já foi visto no Capítulo II, regular as limitações constitucionais ao poder de tributar inclui-se entre as incumbências da lei complementar (artigo 146 da Constituição Federal). Daí que se essa tensão é resolvida pela lei complementar, que dá prevalência à proteção à boa-fé, não se pode invocar a legalidade para a revisão do lançamento por erro de direito. Afinal, o Principio da Legalidade foi inserido entre as limitações ao poder de tributar, sendo acertado, daí, não o fazer prevalecer em prejuízo do próprio contribuinte que se quis proteger. 7 Diante do exposto, voto em acompanhar o relator pelas conclusões e dar provimento ao recurso. (assinatura digital) Laércio Cruz Uliana Junior 7 SCHOEURI, Luís Eduardo. Direito Tributário. Saraiva. 2016. p. 644 Fl. 926DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15521.000127/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3402-000.386
Decisão: RESOLVEM os membros da terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILSON MACEDO RESENBURG FILHO
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Numero do processo: 10675.902038/2013-62
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/07/2009
INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO.
Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o principio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/07/2009
ESTIMATIVA MENSAL. MULTA DE MORA. ALEGAÇÃO DE INAPLICABILIDADE SOBRE DÉBITOS DE ESTIMATIVA.
Os valores devidos mensalmente a título de estimativa de IRPJ e CSLL, consoante disposto no art. 2º. e 6º; caput da Lei no. 9.430, de 1996, são débitos decorrentes da sistemática de apuração do IRPJ e da CSLL estabelecida pelo referido dispositivo e, assim, sujeitos à incidência da multa de mora quando extintos após o vencimento, na forma prevista pelo art. 61 da mesma Lei no. 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 1001-002.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas quanto à alegação de inaplicabilidade de multa de mora sobre débitos de estimativa e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: Sérgio Abelson
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2009 INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o principio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2009 ESTIMATIVA MENSAL. MULTA DE MORA. ALEGAÇÃO DE INAPLICABILIDADE SOBRE DÉBITOS DE ESTIMATIVA. Os valores devidos mensalmente a título de estimativa de IRPJ e CSLL, consoante disposto no art. 2º. e 6º; caput da Lei no. 9.430, de 1996, são débitos decorrentes da sistemática de apuração do IRPJ e da CSLL estabelecida pelo referido dispositivo e, assim, sujeitos à incidência da multa de mora quando extintos após o vencimento, na forma prevista pelo art. 61 da mesma Lei no. 9.430, de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas quanto à alegação de inaplicabilidade de multa de mora sobre débitos de estimativa e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
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PRECLUSÃO. Questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, e somente vêm a ser demandadas na petição de recurso, constituem matérias preclusas das quais não se toma conhecimento, por afrontar o principio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2009 ESTIMATIVA MENSAL. MULTA DE MORA. ALEGAÇÃO DE INAPLICABILIDADE SOBRE DÉBITOS DE ESTIMATIVA. Os valores devidos mensalmente a título de estimativa de IRPJ e CSLL, consoante disposto no art. 2º. e 6º; caput da Lei no. 9.430, de 1996, são débitos decorrentes da sistemática de apuração do IRPJ e da CSLL estabelecida pelo referido dispositivo e, assim, sujeitos à incidência da multa de mora quando extintos após o vencimento, na forma prevista pelo art. 61 da mesma Lei no. 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas quanto à alegação de inaplicabilidade de multa de mora sobre débitos de estimativa e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 20 38 /2 01 3- 62 Fl. 132DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.597 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.902038/2013-62 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 30/36) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 05, que indeferiu o pedido de restituição de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior no valor informado de R$ 6.231,75, tendo em vista que o valor recolhido mediante o DARF de período de apuração 31/07/2009, data de arrecadação 30/10/2009, código de receita 2362 (IRPJ- PJ Obrigadas ao Lucro Real - Entidades Não Financeiras - Estimativa Mensal) e valor total de R$ 38.237,14, informado como origem do crédito, foi integralmente utilizado para quitação do referido débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 09/17), a contribuinte alegou, em síntese, ser improcedente a cobrança de multa sobre a estimativa paga em atraso, pois que é impossível imputar multa de mora ao sujeito passivo que recolher estimativa em atraso, por tratar-se de antecipações mensais, não havendo, portanto, fato gerador de tributo. No acórdão a quo não foi reconhecido nenhum direito creditório. Ciência do acórdão DRJ em 23/10/2019 (folha 39). Recurso voluntário apresentado em 21/11/2019 (folha 40). A recorrente, às folhas 42/46, em síntese do necessário, repisa as alegações anteriores e acrescenta a de que teria ocorrido denúncia espontânea (art. 138, CTN), “posto que a recorrente apurou diferenças de recolhimento do IRPJ com base estimada após o vencimento e prontamente recolheu esse montante devido, antes de qualquer procedimento fiscalizatório”. Apresenta, para comprovação, as cópias de DCTF, original e retificadora, relativas a julho/2009, às folhas 47/129. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.597 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.902038/2013-62 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, contudo, houve inovação quanto ao argumento de ocorrência de denúncia espontânea, que não foi apresentado na manifestação de inconformidade. O Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal (PAF), estabelece que: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Portanto, por determinação legal, na conformidade do que prevê o art. 17 transcrito, não podem ser conhecidas as matérias não expressamente veiculadas na manifestação de inconformidade. Como tais, consideram-se preclusas. Não conheço, portanto, dos argumentos inovadores apresentados em sede de recurso voluntário relativos à ocorrência de denúncia espontânea. Quanto á aplicabilidade da multa de mora aos débitos de estimativa mensais, alinho- me ao posicionamento exarado no acordão recorrido, que reproduzo parcialmente e adoto como minhas razões de decidir: 11. De início destaque a razão lógica, pois, não houvesse incidência de juros e multa sobre o débito de estimativa, bastaria ao contribuinte deixar de recolhe-las e aguardar o momento do fato gerador, em 31/12, mas isso faria com que a sistemática das antecipações restasse inócua, o que não se pode conceber como razoável. 12. Outrossim, deve-se evidenciar a previsão do art. 2º, I, §1º da IN RFB nº 900/2008, vigente à época da transmissão do PER, que assim estabelecia, verbis: Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a titulo de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I- cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; (...) Fl. 134DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.597 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.902038/2013-62 § 1º Também poderão ser restituídas pela RFB, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a titulo de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos administrados pela RFB. (grifos nossos) Consoante a previsão acima, poderiam ser restituídas "as quantias recolhidas a titulo de multa e de juros moratórios" se, e somente se, o principal (tributo) fosse pago indevidamente ou a maior, todavia, in casu, o pagamento foi efetuado corretamente, ou seja, não existiu pagamento indevido ou a maior da estimativa, como já verificado; desse modo, e por esse prisma, não há que se falar em pagamento indevido da multa de mora. 13. Inobstante esse fator, de se mencionar que o art. 61 da Lei nº 9.430/96, prevê o termo inicial para o cômputo dos juros e aplicação de multa de mora como sendo a data do vencimento do débito, e não a data do fato gerador, pelo quê, deve-se afastar as alegações da Interessada de que não haveria incidência de multa pela inocorrência do fato gerador, a saber: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (grifos nossos) 14. Nesse sentido, as estimativas, ainda que se revistam do caráter de antecipação, são decorrentes de tributo e/ou contribuições administradas pela RFB, o que se lhes impõe a incidência dos respectivos juros. 15. Ademais, (...), a multa de mora não possui natureza de penalidade, mas de compensação pelos danos causados ao erário pelo atraso no recolhimento do tributo devido, cabendo salientar que sua exigência decorre de mandamento expresso na lei, (...). Desta forma, é integralmente aplicável aos valores devidos a título de estimativas mensais de IRPJ e CSLL o teor do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96 já reproduzido, uma vez que os débitos a este título, antes da data de ocorrência do fato gerador (complexivo, no caso do IRPJ e da CSLL), existem como decorrência legal da sistemática de apuração realizada conforme previsto pelos art. 2º e 6º, caput, da referida lei. Note-se, ainda, que, em linha com a fundamentação Fl. 135DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.597 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10675.902038/2013-62 estabelecida pelo acórdão recorrido, o § 1º do referido art. 61 é expresso em estabelecer a incidência da multa de mora a partir do vencimento do prazo para recolhimento do débito de estimativa. Quanto aos julgados de que se valeu a inconformada, ainda que aproveitassem às suas teses, não possuem efeito vinculante. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas quanto à alegação de inaplicabilidade de multa de mora sobre débitos de estimativa e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 136DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13502.720333/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3402-000.381
Decisão: RESOLVEM os membros deste Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'eça Designado conselheiro João Carlos Cassuli Junior para redigir voto vencedor.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D' EÇA
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Recorrida DRJ SALVADOR - BA RESOLVEM os membros deste Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D Eça. Designado conselheiro João Carlos Cassuli Junior para redigir voto vencedor. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Designado (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Redator Designado (assinado digitalmente) Fernando Luiz Da Gama Lobo D’eça – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Monica Monteiro Garcia De Los Rios (Suplente), Fernando Luiz Da Gama Lobo D’eça, Silvia De Brito Oliveira, Francisco Mauricio Rabelo De Albuquerque Silva. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digital mente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13502.720333/2009-96 Resolução n.º 3402-000.381 S3-C4T2 Fl. 1.335 2 Relatório: Trata-se de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/SDR nº 15-26.505 de 16/03/11 constante de fls. 181/183 exarado pela 4ª Turma da DRJ de Salvador – BA que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 128/140, mantendo o Despacho Decisório (fls. 122) e respectivo Parecer SARAC/DRF/CCI (fls. 108/118) da DRF de Camaçari - BA, que indeferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento/Compensação de COFINS não-cumulativo apurado no 4º Trimestre de 2006 no valor de R$ 75.627,34. O r. Despacho Decisório (fls. 122) e respectivo Parecer SARAC/DRF/CCI (fls. 108/118) da DRF de Camaçari - BA, indeferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento/Compensação de COFINS não-cumulativo, aos seguintes fundamentos:aos fundamentos: “16. Ao longo da análise das notas fiscais apresentadas, do Livro Registro de Entradas, da descrição do processo produtivo e das contas do Razão, verificou-se que algumas contas incluídas nesse item do DACON não se enquadram no conceito de insumos, citado no parágrafo 13, como: ferramentas perecíveis, contas de água, frete sobre compras, navalhas, navalhas conserto, manutenção e reparos, material auxiliar e de consumo, custo material de consumo, clichês e conservação predial e patrimonial. Entre as notas fiscais apresentadas para cada conta dessa, apresentamos alguns exemplos na tabela abaixo: Contas Razão Itens nas Notas Fiscais apresentadas FERRAMENTAS PERECÍVEIS Maçarico soldador, caixa ferramentas 03 gavetas, martelo, talhadeira, chaves Allen, chave teste, alicate, chave fenda, lima, trena, torneira, cola silicone, parafusos, porcas, arruelas, correias. CONTAS DE ÁGUA Não faz parte do processo .produtivo. Além disso, foram apresentadas notas fiscais de garrafões de água mineral 201 FRETES/COMPRAS Só pode ser considerado como insumo se tiver embutido no valor total da nota fiscal da mercadoria. As notas apresentadas para essa conta foram de transportadoras pagas a parte. Além disso, ainda constavam notas de transportadoras dando saída a mercadoria. MANUTENÇÃO E REPAROS Válvula sorveteira, arame, lixa d'água, calhas de luminária, reator, tintas, rebobinamento de motor, óleo, correias, fita isolante, engrenagem, porcas, parafusos capacitor, rolamentos, material elétrico, cantoneira NAVALHAS/NAVALHAS CONSERTO/CLICHÊS Não atendem ao conceito de insumos. MATERIAL AUXILIAR E DE CONSUMO Aluguel de toalha, tambor plástico, bandeja, cargas de isqueiro, revelações de tela. CUSTO MATERIAL DE CONSUMO Não foi apresentada comprovação alguma. CONSERVAÇÃO PREDIAL E PATRIMONIAL Limpeza de fossa, tintas. 17. Já em relação a outro item da tabela apresentada no parágrafo 15, "compra para industrialização" (CFOP 1101, 2101, 2122), que Fl. 273DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digital mente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13502.720333/2009-96 Resolução n.º 3402-000.381 S3-C4T2 Fl. 1.336 3 compõe a maior parte dos valores lançados no DACON a título de "bens utilizados como insumos", verificou-se, por meio das notas fiscais e do Livro Registro de Entradas, que os valores lançados referem-se a insumos que fazem parte do processo produtivo da empresa. No entanto, constatou-se que o interessado não apresentou uma série de notas fiscais. 18. Dessa forma, tendo por base a glosa dos itens que não se enquadram no conceito de insumos e considerando-se as notas fiscais efetivamente apresentadas pelo contribuinte, foi elaborada, pelo Auditor-Fiscal responsável pela análise do presente pleito, planilha que demonstra os valores lançados, e efetivamente comprovados a título de "compras para industrialização (CFOP 1101,2101, 2122), vide doc. às fls. 101 a 106. Assim, tem-se para a nova composição da linha 02 da Ficha 16A - "Bens utilizados como insumos" do DACON os seguintes valores: Nova Composição da linha 16.02 "Bens utilizados com o insumos " do DACON ........ DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA (LINHA 16 04 DO DACON) 19. Segundo memória de cálculo do DACON apresentada, à fl. 59, e confirmado pelas informações do Balancete e das notas fiscais/contas de energia elétrica, cópias às fls. 63 a 72, os valores correspondentes, nos meses de outubro e novembro, às despesas de energia elétrica, equivalem aos valores que foram lançados na linha 16.04 do DACON. Já no mês de Dezembro, houve uma divergência entre o valor lançado no balancete e no DACON, do valor comprovado por meio da nota fiscal, conforme tabela abaixo: ....... 20. Dessa forma, para o mês de dezembro, só foi confirmado na recomposição da Ficha 16A do DACON, apenas o valor que consta na nota fiscal/conta energia elétrica, conforme fl. 70. Despesas Aluguéis Máquinas e Equipamentos locados de PJ (linha 16.06 do DACON) 21. Conforme contas do Razão, fl. 62, verifica-se que os valores lançados nessa linha do DACON referem-se apenas a locação de veículos. Esta informação foi constatada por meio apenas das descrições dos lançamentos na conta razão, pois o interessado não apresentou os comprovantes fiscais das respectivas despesas. Além disso, "veículos" não se enquadram no conceito de máquinas e equipamentos. Com isso, deve-se glosar o valor total lançado em cada mês no DACON, conforme tabela abaixo: ..... Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado (linha 16.09 do DACON) Fl. 274DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digital mente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13502.720333/2009-96 Resolução n.º 3402-000.381 S3-C4T2 Fl. 1.337 4 22. Após análise das planilhas e dos balancetes apresentados, constata-se que os valores de depreciação registrados no DACON, referentes aos meses de outubro a dezembro de 2006, no valor total de R$ 19.962,44 (R$ 2.678,51 + R$ 3.542,13 + R$ 13.741,80, conforme fls. 22, 25 e 28, respectivamente), não correspondem aos lançados nas contas de depreciação presentes nos balancetes às fls. 82 a 96. No período em questão, conforme balancetes, consta na conta retificadora do ativo permanente imobilizado, a título de depreciações acumuladas, o montante de R$ 11.094,31 (vide fls. 82, 87 e 92), enquanto na conta de resultado - outras despesas industriais - depreciações, o valor acumulado corresponde a R$ 11.459,17 (vide fls. 84, 89 e 94). 23. Ademais, o interessado, mesmo após duas intimações (vide fls. 31/32 e 97/98), não apresentou demonstrativo com os valores que foram levados para o DACON referentes à depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado, nem as notas fiscais dos respectivos bens. 24. Devido a falta de comprovação, deve ser glosado o valor total que foi levado para a linha 16.09 do DACON "Sobre Bens do Ativo Imobilizado (com base nos encargos de depreciação)" em cada mês, conforme tabela abaixo: .......... Outras Operações com Direito a Crédito (linha 16.13 do DACON) 25. Os valores declarados nesta linha, a cada mês, correspondem a operações de industrialização, conforme esclarecimento do interessado, anexado à fl. 58. Ao se analisar as notas fiscais apresentadas, juntamente com o Livro Registro de Entradas, pode-se confirmar a informação e os valores lançados na memória de cálculo (CFOP 1124 e 2124). Vale salientar que foi verificado, mediante os livros fiscais se, ao lançar no livro de apuração essas notas fiscais de entrada, a empresa havia separado os valores referentes à matéria prima que foi enviada para industrialização (lançados em um respectivo CFOP 1902 - 2902), dos valores da industrialização propriamente dita. No entanto, ao se elaborar a planilha com as notas fiscais de entrada, fls. 101 a 106, verifica-se, também, que não havia sido apresentada uma série de notas fiscais. 26. Diante do exposto no parágrafo anterior, em que pese os lançamentos estarem corretos em relação ao Livro Registro de Entradas, foram confirmados apenas os valores que foram devidamente comprovados por meio das notas fiscais de entrada, conforme tabela abaixo: (...). 27. Após as glosas efetivadas, a Ficha 16A do DACON, referente aos meses de outubro a dezembro de 2006, conforme planilha de recomposição à fl. 107, fica assim: ...... Fl. 275DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digital mente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13502.720333/2009-96 Resolução n.º 3402-000.381 S3-C4T2 Fl. 1.338 5 28. Face ao anteriormente exposto e com base nas verificações e glosas efetuadas, demonstradas nos quadros inseridos no presente Parecer, restou apurado, no regime de não-cumulatividade, como crédito da COFINS (Exportação) passível de ressarcimento/compensação, relativo ao 4º trimestre de 2006, o valor de R$ 59.870,07, conforme abaixo demonstrado: (...) CONCLUSÃO 29. Diante do relatório e da fundamentação apresentada, de tudo mais que consta do presente processo, PROPONHO: a) O RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO em favor da empresa CALÇADOS MALU BAHIA LTDA, CNPJ n° 07.020.906/0001-17, no valor de R$ 59.870,07 (cinqüenta e nove mil, oitocentos e setenta reais e sete centavos), a título de ressarcimento de créditos da COFINS, apurados no 4º trimestre de 2006, objeto do Pedido de Ressarcimento Eletrônico (PER) n.° 15366.17130.050307.1.1.09-5662, cópia às fls. 11 a 13. b) A HOMOLOGAÇÃO da compensação do débito discriminado no parágrafo 02 do presente Parecer, e objeto da DCOMP eletrônica n° 27632.68004.310108.1.3.09-4477, observado o limite do crédito reconhecido e, ainda, as datas de transmissão do Pedido de Ressarcimento Eletrônico (PER) e de apresentação da DCOMP, bem como de vencimentos do débito nela discriminado; c) O PROSSEGUIMENTO na cobrança da parcela do débito cuja compensação não seja homologada em razão da insuficiência de créditos, observando-se o disposto nos parágrafos 6º a 11, do art. 74, da Lei n.° 9.430, de 1996, incluídos pelo art. 17 da Medida Provisória (MP) n.° 135, convertida na Lei n.° 10.833, ambas de 2003, e, ainda, o prescrito no art. 66, da atual Instrução Normativa (IN) RFB n.° 900, de 30 de dezembro de 2008. 30. Ressalte-se ter sido a presente análise realizada com base apenas nas informações contidas nas declarações prestadas pelo próprio contribuinte, quais sejam, DCTF e DACON, e na documentação por ele apresentada no curso do processo, podendo a autoridade administrativa competente determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimento do interessado com o fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas, nos termos do art. 65 da IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008. À consideração superior. (...) DESPACHO DECISÓRIO DRF/CCI N° 0089/2009 No uso da competência de que trata o art. 280, inciso VI, e art. 285, inciso II, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n.° 125, de 04 de março de 2009 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digital mente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13502.720333/2009-96 Resolução n.º 3402-000.381 S3-C4T2 Fl. 1.339 6 O (DOU de 06/03/2009), a mim delegada pelo art. 4°, inciso I, da Portaria DRF/CCI n° 26 de 02 de junho de 2009 (DOU de 03/06/2009), aprovo o PARECER SARAC/DRF/CCI N° 240/2009, o qual passa a fazer parte integrante deste despacho, e, nos termos dos seus argumentos, DECIDO: 1) DEFERIR PARCIALMENTE o direito creditório contra a Fazenda Nacional e a favor da CALÇADOS MALU BAHIA LTDA, CNPJ n° 07.020.906/0001-17, no valor de R$ 59.870,07 (cinquenta e nove mil, oitocentos e setenta reais e sete centavos), a título de ressarcimento de créditos da COFINS, apurados no 4° trimestre de 2006, objeto do Pedido de Ressarcimento Eletrônico (PER) n.° 15366.17130.050307.1.1.09¬5662, cópia às fls. 11 a 13. 2) HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação do débito indicado pelo contribuinte e registrado no sistema PROFISC, conforme demonstrativo indicado abaixo: (...) 3) DETERMINAR que sejam adotados os procedimentos necessários à cobrança da parcela do débito cuja compensação não foi homologada em razão da insuficiência de crédito.” Por seu turno, a r. decisão de fls. 181/183 da 4ª Turma da DRJ de Salvador – BA, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 128/140, mantendo o Despacho Decisório (fls. 122) e respectivo Parecer SARAC/DRF/CCI (fls. 108/118) da DRF de Camaçari – BA, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE INSUMOS. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista: a) depois de tecer considerações sobre as diferenças da não-cumulatividade no IPI, ICMS e nas contribuições sociais sobre o faturamento e sua aproximação ao conceito de custo e despesas operacionais, que os referidos créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de insumos, na Fl. 277DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digital mente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13502.720333/2009-96 Resolução n.º 3402-000.381 S3-C4T2 Fl. 1.340 7 conceituação da legislação do PIS e da COFINS conforme reconhecido nas decisões de consulta e decisões da própria SRF e do Poder Judiciário que cita; c) a legitimidade dos créditos referentes a despesas com Ferramentas perecíveis (brocas, parafusos, buchas, maçaricos, soldador, durepox e tomada), Contas de Água, Frete s/compras, Manutenção e Reparos (lâmpada, parafusos, fusíveis, filtro de óleo, óleo lubrificante, correia, material elétrico), Mão-de-obra de Terceiros, Manutenção e Navalha, Material auxiliar de consumo, Custo Material Expediente, Custo Material de Consumo, e Conservação Predial e Patrimonial (tintas) É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digital mente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13502.720333/2009-96 Resolução n.º 3402-000.381 S3-C4T2 Fl. 1.341 8 Resolução: Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Redator Designado. Preliminarmente, entendo necessária a baixa dos autos à origem para que seja realizada diligência, a fim de esclarecer melhor o processo produtivo do contribuinte, bem como a participação de cada item (“bem ou direito”) adquirido pelo contribuinte e por ele considerado na apropriação dos créditos ora analisada. De acordo com o relatório do processo acima resumido, além de questões como a comprovação, por meio de notas fiscais dos créditos informados no DACON, o cerne da discussão cinge-se, efetivamente, no conceito de insumos a ser considerado para a apreciação destas questões, por mim entendidas como conseqüência do efetivo crédito a que o contribuinte tenha direito. Na análise dos autos pude verificar que as instâncias anteriores desconsideraram os créditos apropriados pelo contribuinte, ensejando a glosa dos mesmos relativamente aos seguintes bens, e conforme a seguinte justificativa: * Ferramentas Perecíveis (Maçarico soldador, caixa ferramentas 03 gavetas, martelo, talhadeira, chaves Allen, chave teste, alicate, chave fenda, lima, trena, torneira, cola silicone, parafusos, porcas, arruelas, correias); * Contas de água (Não faz parte do processo .produtivo. Além disso, foram apresentadas notas fiscais de garrafões de água mineral 20L) ; * Frete sobre Compras (Só pode ser considerado como insumo se tiver embutido no valor total da nota fiscal da mercadoria. As notas apresentadas para essa conta foram de transportadoras pagas a parte. Além disso, ainda constavam notas de transportadoras dando saída a mercadoria); * Navalhas, Navalhas Conserto (Não atendem ao conceito de insumos); * Manutenção e Reparos (Válvula sorveteira, arame, lixa d'água, calhas de luminária, reator, tintas, rebobinamento de motor, óleo, correias, fita isolante, engrenagem, porcas, parafusos capacitor, rolamentos, material elétrico, cantoneira); * Material auxiliar e de Consumo (Aluguel de toalha, tambor plástico, bandeja, cargas de isqueiro, revelações de tela); * Custo material de Consumo (Não foi apresentada comprovação alguma); * Conservação Predial e Patrimonial (Limpeza de fossa, tintas). Tenho, entretanto, que o conceito de insumo utilizado pelo legislador na apuração dos créditos a serem descontados das contribuições aos PIS e a COFINS, denota Fl. 279DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digital mente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 13502.720333/2009-96 Resolução n.º 3402-000.381 S3-C4T2 Fl. 1.342 9 maior abrangência do que aquela relacionada à legislação do IPI (MP, PI e ME), mas que também, porém, não é tão abrangente quanto aquele conceito interpretado à luz da legislação do IRPJ, a ponto de que sejam abarcados todos os custos de produção e/ou despesas necessárias à atividade da empresa. Nesta esteira, entendo que o processo administrativo que trouxer discussão acerca do conceito de insumos na tomada dos créditos relativos à não-cumulatividade do PIS e da COFINS, deve ter em sua análise vinculada a cada item (bem ou direito) relacionado pelo contribuinte interessado como sendo “insumos”, devendo-se considerar sua efetiva relação, e seu estreito envolvimento no processo produtivo da mesma, para que seja então definida a possibilidade de aproveitamento dos créditos. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não encontra-se em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que seja esclarecida a participação de cada item (“bem ou direito”) acima relacionado, no processo produtivo da empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final, e não apenas desconsiderar a apropriação do crédito do contribuinte pela simples falta de comprovação, sem que se tenha conhecimento daquele item – bem ou direito – no efetivo processo produtivo da mesma. Ao efetuar estas constatações, peço que a autoridade preparadora elabore um parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Após, seja dado oportunidade para que a Recorrente se manifeste, querendo, sobre Relatório Conclusivo acima mencionado, para que após, sejam retornados os autos ao CARF, para prosseguimento do rito processual. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Fl. 280DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/0 6/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/07/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digital mente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
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Numero do processo: 13629.901251/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2005
DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO.
A homologação da compensação declarada pela contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que só é possível com a apresentação de elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado.
LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS.
As receitas relativas às atividades de construção civil no regime de empreitada com emprego de materiais estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL somente nos casos em que o empreiteiro fornecer todos os materiais, os quais devem ser incorporados à obra. Não sendo possível identificar com clareza que a totalidade dos materiais foi incorporada à obra, não se pode reconhecer percentual reduzido.
Numero da decisão: 1401-005.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, André Luis Ulrich Pinto, Daniel Ribeiro Silva, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Itamar Artur Magalhães Ruga e André Severo Chaves.
Nome do relator: Itamar Artur Magalhães Alves Ruga
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, André Luis Ulrich Pinto, Daniel Ribeiro Silva, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Itamar Artur Magalhães Ruga e André Severo Chaves.
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DIREITO CREDITÓRIO. A homologação da compensação declarada pela contribuinte está condicionada ao reconhecimento do direito creditório pela autoridade administrativa, o que só é possível com a apresentação de elementos que comprovem a liquidez e certeza do direito alegado. LUCRO PRESUMIDO. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. As receitas relativas às atividades de construção civil no regime de empreitada com emprego de materiais estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL somente nos casos em que o empreiteiro fornecer todos os materiais, os quais devem ser incorporados à obra. Não sendo possível identificar com clareza que a totalidade dos materiais foi incorporada à obra, não se pode reconhecer percentual reduzido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, André Luis Ulrich Pinto, Daniel Ribeiro Silva, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Itamar Artur Magalhães Ruga e André Severo Chaves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 90 12 51 /2 01 1- 39 Fl. 823DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.845 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a Decisão da 4ª Turma da DRJ/SP1 (Acórdão 16-52.491, fls. 57 e ss.) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente. A recorrente apresentou a DCOMP nº 32201.51117.191007.1.3.04-8773, que foi objeto de Despacho Decisório (fl. 44), o qual não homologou a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. O DARF discriminado na referida DCOMP possui: período de apuração – 4º trimestre de 2005; data de arrecadação – 31/01/2006; código de receita – 2372 (CSLL - PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO PRESUMIDO OU ARBITRADO); valor original total R$ 9.694,23. A Recorrente alega que é tributada pela modalidade do Lucro Presumido e vinha aplicando o percentual equivocado de 32% para determinação de sua base tributável, quando o correto seria de 12%, porquanto presta serviço de construção civil com fornecimento integral dos materiais. Desta diferença se originaria seu direito creditório. Escora sua pretensão nos dispostos da IN 480/2004 que determinou a base da CSLL de 12% para as receitas provenientes das atividades de construção civil e na Solução de Consulta n° 077 SRRF/6ª RF/Disit de 15 de Junho de 2007, relativa ao processo nº 13629.000405/200797 (interessado: Engecel Construções e Comércio Ltda – CNPJ: 17.840.083/000120), cuja conclusão segue abaixo transcrita: Conclusão 11. À vista do exposto, respondo à consulente que, a partir da vigência da IN SRF nº 480/2004, as receitas relativas às atividades de construção civil no regime de empreitada com emprego de materiais estão sujeitas ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL somente nos casos em que o empreiteiro fornecer todos os materiais, sendo que tais materiais devem ser incorporados à obra. Na hipótese de o material ser fornecido, em parte ou no todo, pelo contratante da obra, o percentual a ser aplicado será de 32% (trinta e dois por cento). A Decisão da DRJ entendeu que a Recorrente não trouxe elementos suficientes que demonstrassem a subsunção de suas atividades aos requisitos expostos para o gozo do percentual de presunção reduzido. Expõe o julgador de origem: 8.4. Ou seja, no presente caso, caberia ao Contribuinte indicar os motivos fáticos que ensejaram a redução da CSLL, bem como demonstrar documentalmente o cumprimento do disposto na referida Solução de Consulta nº 077 - SRRF/6ª RF/Disit de 15 de Junho de 2007. Fl. 824DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.845 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 8.5. Ademais, conforme o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco consubstanciado em ato da Administração finda no prazo previsto para a apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazê-lo em outra oportunidade. A Recorrente trouxe em seu recurso (fls. 775 e ss.) diversos documentos novos para comprovar o preenchimento dos requisitos necessários (Contrato Social, Livro Diário, Livro Razão, Contratos de Empreitadas e Declarações Fiscais), todos referentes ao período do crédito apontado. Após apreciar os documentos, esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, cujas razões seguem transcritas abaixo: Conforme narrado a Decisão de piso bem apontou que a Recorrente falhou em carrear aos autos elementos que demonstrassem a subsunção de suas atividades aos requisitos supra expostos para o gozo do percentual de presunção reduzido. Diante deste cenário, tendo a presente lide desembocado em questões exclusivamente fáticas e probatórias, a Recorrente trouxe em seu recurso diversos documentos novos para comprovar o preenchimento dos requisitos necessários. São eles: Contrato Social, Livro Diário, Livro Razão, Contratos de Empreitadas e Declarações Fiscais, todos referentes ao período do crédito apontado. Inclusive, se faz oportuno considerar também como prova neste feito os documentos apresentados no bojo do processo nº 13629.900806/2011-25 e nº 13629.900730/2011- 38, autos correlatos ao presente que são objetos desta mesma sessão de julgamento. Os contratos apresentados (fls. 442 a 608) se compreendem em uma série de obras contratadas por licitação com a Prefeitura Municipal de Coronel Fabriciano/MG incluindo diversas obras de construção, manutenção e reparos em vias, prédios e demais componentes da infra-estrutura pública. Outrossim, também há contratos com a empresa CAF Santa Bárbara LTDA, do Grupo Arcelor, para a construção de fornos de alvenaria. Em todos estes contratos há a previsão expressa de fornecimento dos materiais necessários para a consecução de cada objeto por parte da Recorrente. Ainda, apresenta a Recorrente os seus livros Diários (fls. 250 a 439 do presente processo; e fls. 376 a 584 do processo nº 13629.900806/2011-25) e Razão (fls. 70 a 247 do presente processo; e fls. 156 a 373 do processo nº 13629.900806/2011-25) visando demonstrar tanto a aquisição dos materiais utilizados em cada empreitada, quanto as origem das receitas obtidas. As cópias do Livro Razão que foram digitalmente protocoladas neste processo estão absolutamente ilegíveis, não permitindo a este julgador que as apreciem. Já os Livros Diários mostram vultuosas quantias gastas com diversos fornecedores de materiais e insumos típicos da construção civil. Igualmente, há registros de receitas provenientes de seus contratantes. Em primeira análise as comprovações trazidas pelo Interessado parecem corroborar com suas pretensões. Contudo, penso que a DRF de origem possui melhor condições para realizar a verificação de todos os novos documentos, cotejar com seus próprios registros e cálculos e, por fim, opinar quanto ao eventual direito creditório do Contribuinte. Outrossim, insta salientar que, se tratando de documentação trazida pela Recorrente apenas nesta fase recursal, deve-se proporcionar ao Fisco a oportunidade do contraditório. Fl. 825DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.845 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 Portanto, para maior convicção e segurança da decisão, entendo que se faz oportuno a baixa do feito em diligência para verificações e confirmação dos novos elementos carreados ao processo. Desta forma, pelo exposto, VOTO por CONVERTER o presente julgamento em diligência para que a autoridade fiscal competente proceda às verificações pertinentes de todo material probatório apresentado pela Recorrente no bojo dos Recursos Voluntários dos Processos nº 13629.901251/2011-39, 13629.900806/2011-25 e 13629.900730/2011-38, podendo, se for necessário, intimar a Recorrente a reapresentar novamente o Livro Razão de forma legível, e elabore termo circunstanciado esclarecendo quanto a suficiência dos materiais adquiridos e receitas obtidas dos contratos de empreitada em relação aos declarados ao fisco para a determinação do direito ao percentual reduzido para presunção de receita tributável. Após, a Recorrente deve ser cientificada, com reabertura de prazo de 30 dias para complementar as suas razões do recurso. Realizada a diligência (cf. Relatório de fls. 814 e ss.), cientificou-se a interessada em 04/03/2021 (fl. 819), retornando o processo para julgamento, sem manifestação da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Em síntese, o direito creditório pleiteado decorre da diferença do percentual de Lucro Presumido aplicado na determinação da base tributável. Para fazer jus ao percentual de 12% na determinação da base de cálculo da CSLL, a empreiteira deve fornecer todos os materiais, os quais devem ser incorporados à obra, nos termos da Solução de Consulta n° 077 SRRF/6ª RF/Disit de 15 de Junho de 2007, relativa ao processo nº 13629.000405/2007-97 (interessado: Engecel Construções e Comércio Ltda – CNPJ: 17.840.083/000120. A recorrente apresentou os documentos para comprovar seu direito, os quais foram analisados pela unidade de origem. A Autoridade Local elaborou o relatório conclusivo (fls. 814 e ss.), expondo: 5. Entretanto, nos Balancetes Analíticos do 4º trimestre de 2005 (fls. 296, 304 e 312) constam registros de CSLL a recolher no valor total de R$ 9.694,24, mesmo valor declarado na DIPJ AC 2005 e DCTF referente ao PA 4ºT/2005 (fls. 797/810). 6. Conforme descrito na própria Resolução do CARF, os contratos apresentados (fls. 442/496 e 499/608) englobam uma série de obras de construção civil, reformas, manutenções e limpezas contratadas por licitação. Fl. 826DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.845 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 7. Dos contratos apresentados, não se enquadrariam na hipótese contida na Solução de Consulta, processo nº 13629.000405/2007-97, os contratos de fls. 499/507, com a empresa CAF Santa Bárbara, por não contemplarem ao fornecimento de todo o material necessário para o serviço contratado (fabricação de fornos de alvenaria para produção de carvão e locação de equipamentos). 8. O contrato de fls. 495/496, com o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Coronel Fabriciano/MG – SINTTROCEL, refere-se à obra contratada no ano-calendário de 2003. 9. Os contratos de fls. 442/475, 480/494, 543/548 e 551/608, com o Município de Coronel Fabriciano/MG, referem-se a obras contratadas nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004. 10. Assim, os contratos citados nos itens 8 e 9, em princípio, não poderiam ser considerados nesta análise, a qual se trata do ano-calendário de 2005, sendo necessária a comprovação dos pagamentos. 11. Os demais contratos apresentados se referem a obras do ano-calendário de 2005 e se pode depreender que há o dever de fornecimento dos materiais necessários para a consecução de cada objeto por parte da Recorrente, havendo, inclusive, menção expressa na maioria deles. 12. A recorrente apresentou ainda os livros Diário (fls. 250/349 e 352/439) e Razão (fls. 70/144 e 147/247) visando demonstrar tanto a aquisição dos materiais utilizados nas empreitadas, quanto a origem das receitas obtidas. Os Livros Diário e Razão apresentados mostram quantias gastas com diversos fornecedores de materiais e insumos típicos da construção civil. Igualmente, há registros de receitas provenientes de serviços prestados. 13. Entretanto, não foram apresentadas as notas fiscais, planilhas e demonstrativos que relacionassem as compras dos materiais e as receitas recebidas aos contratos apresentados a serem considerados nesta análise. Assim sendo, não é possível identificar com clareza a suficiência dos materiais adquiridos e receitas obtidas dos contratos de empreitada em relação aos valores declarados ao fisco. 14. Por tudo apresentado, não é possível comprovar a alegação de redução do débito de CSLL – 2372, PA 4ºT/2005, para R$ 4.499,27, que justificaria o valor utilizado como crédito da DCOMP nº 32201.51117.191007.1.3.04-8773 (R$ 5.194,96). Vale destacar que o pagamento permanece alocado ao débito declarado em DCTF (fls. 811/813). 15. Sendo essas as informações a serem prestadas, dê-se ciência ao interessado desta Informação, para que, caso entenda necessário, adicione manifestação no prazo de 30 (trinta) dias a contar de sua ciência. [...] [grifo nosso] Como visto no Relatório acima, a Autoridade Fiscal analisou os documentos e concluiu que não é possível comprovar a alegação de redução de débito de CSLL de modo a justificar o valor utilizado na DCOMP em litígio. Fl. 827DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.845 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13629.901251/2011-39 Conclusão Desta forma, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator Fl. 828DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008239/2007-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2007
RECURSO DE OFÍCIO PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO.
A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se
pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte.
Recurso de Ofício Negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO.
Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo.
AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratando-se de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA.
A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da
criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN.
A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN.
Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007
RECURSO DE OFÍCIO PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO.
A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se
pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte.
Recurso de Ofício Negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO.
Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo.
AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratando-se de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA.
A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a
Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN.
A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN.
Numero da decisão: 3402-001.699
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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NULIDADE DO PROCESSO. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratando-se de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN. A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007 RECURSO DE OFÍCIO PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO. A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratando-se de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN. A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN.
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REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIËNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO. A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO. Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a Fl. 1DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratando se de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTENCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN. A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007 RECURSO DE OFÍCIO PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. FALTA OU INSUFICIËNCIA DE RECOLHIMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS CRÉDITOS REGISTRADOS PELO CONTRIBUINTE. OBRIGATORIEDADE DE CONSIDERAÇÃO. A legislação de regência das contribuições ao PIS e à COFINS (Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03) prevê que do valor das contribuições apuradas sobre as receitas tributáveis (art. 2º), podem ser descontados os créditos legalmente permitidos (art. 3º), para com isso se evitar a cumulatividade tributária que se pretendeu coibir e justificar o aumento das alíquotas levado a efeito, de modo que agiu com acerto a decisão que cancelou parcialmente o crédito tributário por aceitar o desconto dos referidos créditos, apurados conforme os livros e registros do contribuinte. Recurso de Ofício Negado. RECURSO VOLUNTÁRIO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PERÍCIA CONTÁBIL. NULIDADE DO PROCESSO. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa em razão da denegação de perícia. Constando do processo todos os elementos de prova necessários à livre convicção do julgador é de ser denegada a perícia suscitada pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos termos do art. 333, II, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ao acusado a prova de circunstância impeditiva do exercício do direito do autor. Tratando se de auto de infração, compete ao Poder Público o ônus da prova da ocorrência do fato jurídico tributário, já que constitutivo de seu direito, competindo ao sujeito passivo a produção da prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito ao crédito tributário objeto do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF. DECADÊNCIA. INEXISTENCIA OU NÃO COMPROVAÇÃO DE ANTECIPAÇÕES DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DA CONTAGEM DO PRAZO REGIDA PELO ART. 173, I DO CTN. A argüição da existência de antecipações de pagamento não encontradas pela fiscalização e não verificadas pela DRJ deve ser comprovada pelo contribuinte, de modo que em não sendo encontradas, merecem ser analisadas como inexistentes, e portando, regidas pela contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, I do CTN. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 3DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (suplente), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.336 5 Relatório Foram lavrados, em desfavor do contribuinte, Autos de Infração para cobrança de valores referentes a Pis, relativos aos períodos 01.05.2002 a 31.05.2002, 01.07.2002 a 31.10.2002 e 01.12.2002 a 30.04.2007 e, ainda, de Cofins relativos aos períodos de apuração de 01.05.2002 a 31.05.2002, 01.07.2002 a 31.10.2002, 01.12.2002 a 30.06.2003 e 01.08.2003 a 30.04.2007. Para ambas as contribuições, a autoridade fiscal justificou os lançamentos, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal como “Diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago”. Os valores dos créditos tributários exigidos, já acrescidos juros de mora (calculados até 29/06/2007) e multa, são R$24.535.049,20 (vinte e quatro milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, quarenta e nove reais e vinte centavos) para a Cofins e R$6.244.018,43 (seis milhões, duzentos e quarenta e quatro mil, dezoito reais e quarenta e três centavos) para o Pis. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 15.08.2007, a empresa insurgese contra os lançamentos em 14.09.2007, entendendo que devem, os autos de infração, serem revistos, pedindo, ao final, a anulação destes, requerendo instauração de um novo procedimento de fiscalização, onde se possa averiguar corretamente a existência de débitos de Pis e Cofins. DO RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA Por meio do Despacho Decisório nº. 286, os autos foram encaminhados à unidade de origem para que fossem solucionadas algumas diligências, resultando no Relatório de Encerramento de Diligência, do qual o contribuinte tomou ciência em 19.10.2009. Cientificado do referido Relatório de Encerramento de Diligência, o qual foi ordenado pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº. 04.1.01.002009004611, o interessado apresentou, tempestivamente, Manifestação acerca do referido relatório, às fls. 975/984, em 17.11.2009 alegando, em síntese: Inicia apontando equívoco cometido pela autoridade fiscal, haja vista que o auto de infração aborda, apenas, exigência sobre COFINS, desconsiderando os supostos débitos de PIS. Argumenta que a diligência é inconclusa pois não deixaria expresso, em momento algum, o montante devido em virtude do auto de infração em discussão, alegando, ainda, inexistência do débito ali formalizado, posto que não se consideraram créditos resultantes de devolução de mercadorias sobre as quais já houve tributação e estornos de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 provisões a maior de Cofins desconsideradas na apuração da contribuição da contribuição a recolher. Mais especificamente no que tange os documentos apresentados, alega que foi elaborado planilha considerando apenas o Livro Razão, sendo desconsiderada, na diligência, o Conjunto Documental 3, que demonstraria o valor apurado e devidamente recolhido, por meio de DARF e PER/DCOMP. Desenvolve argumentação, pautado em doutrina e jurisprudência, sobre a imprescindibilidade de realização de perícia contábil, visando esclarecer seis situações elencadas. Ao fim, requer “(i) julgamento da procedência da impugnação para ser anulado o auto de infração em tela; (ii) caso entenda a impossibilidade da anulação, que seja deferido o pleito de realização da perícia contábil solicitada; (iii) seja julgado infundado o lançamento de ofício que foi devidamente adimplido através de PER/DCOMP e/ou DARF. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, proferiu o Acórdão de nº. 1128.591, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/04/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As informações da contabilidade fazem prova contra o sujeito passivo, cabendo a ele demonstrar a sua inveracidade. A autuação está devidamente fundamentada quando baseada em dados colhidos junto à própria contabilidade. DECADÊNCIA. Havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. Não havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do não confisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 30/06/2003, 01/08/2003 a 30/04/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.337 7 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. As informações da contabilidade fazem prova contra o sujeito passivo, cabendo a ele demonstrar a sua inveracidade. A autuação está devidamente fundamentada quando baseada em dados colhidos junto à própria contabilidade. DECADÊNCIA. Havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. Não havendo recolhimento das contribuições do PIS, para fins de ser declarada decadência, deve ser seguida a regra do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), para contagem do prazo decadencial. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do não confisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inicia esclarecendo que foi anexado, aos autos, o processo nº. 19647.009607/200762, existindo, assim, dois autos de infração, sendo que o constante no referido processo trata de PIS. Preliminarmente, analisou a questão da decadência e concluiu que aplicando se, tanto a regra do art. 173, quanto o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, os prazos de que a Fazenda Pública dispunha para efetuar os lançamentos tributários iniciavam em dezembro de 2007 e teriam seu fim em março de 2012. Como a ciência dos lançamentos se deu em 15.08.2007, entende estar, todos os períodos analisados, dentro do prazo, não havendo como acolher a tese da decadência tributária oferecida pela contribuinte em sede de impugnação. Quanto ao pedido de anulação do lançamento, não vislumbra ausência dos pressupostos formais previstos em lei, que pudessem, eventualmente, inquinar nulidade dos lançamentos efetuados, motivo pelo qual nega provimento ao pleito. Destaca que a empresa autuada alega que a sua contabilidade não poderia ser utilizada como base para que a autoridade autuante efetuasse o lançamento tributário, onde afirma, a impugnante, ser ineficaz a utilização apenas do balancete contábil. Rebate informando, preliminarmente, que o lançamento fiscal é atividade vinculada (art. 142 do CTN), não lhe cabendo fazer juízo de valor. Após discorrer acerca da possibilidade de utilização de documentos extraídos da contabilidade de empresas, aduz estar, a impugnante, no campo das suposições, pois não trouxe ao autos elementos suficientes para sustentar os valores extraídos de sua escrituração contábil. No que tange o pedido de perícia efetuado pela impugnante, entende que o mesmo não se faz necessário, pois o objeto das indagações é possível de ser obtido, uma vez que a Fiscalização utilizouse dos registros contábeis da própria autuada. Acerca da reclamação de que a multa seria exorbitante e teria caráter confiscatório, ressalta que tal vedação constitucional se aplica tão somente ao tributo, não à Fl. 7DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 penalidade. Destaca, novamente, sua atividade administrativa plenamente vinculada, que não lhe permite exercer juízo valorativo acerca da conveniência do lançamento, cabendolhe somente executar a lei. No que tange os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, entende que estes são improfícuos, posto que estes, mesmo que proferidos por órgão colegiado, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constitui norma complementar de Direito Tributário e, assim como no aresto judicial, se aplica somente às partes envolvidas naquele litígio especifico, não podendo ser estendidos genericamente a outros casos. Ao fim, concluiu por rejeitar as preliminares argüidas e, no mérito, dar procedência parcial, para manter em parte os créditos contidos nos Autos de Infração, da seguinte maneira: I – alterar os valores dos créditos tributários do PIS, utilizandose da coluna “Valores do PIS alterados (neste voto)” do demonstrativo do item 68 deste voto; II – alterar os valores dos créditos tributários da Cofins, utilizandose da coluna “Valores da Cofins alterados (neste voto)” do demonstrativo do item 69 deste voto; III – declarar insubsistentes as cobranças do PIS em relação aos seguintes períodos: dez/2002, jul/2004, ago/2004, set/2004, out/2004, nov/2004, dez/2004, jan/2005, fev/2005, mar/2005, jun/2005, ago/2005, out/2005, dez/2005, jan/2006, fev/2006, mar/2006, abr/2006, mai/2006, jun/2006, jul/2006, set/2006, out/2006 e abr/2007; IV – declarar insubsistentes as cobranças da Cofins em relação aos seguintes períodos de apuração: jul/2004, nov/2004, dez/2004, jan/2005, fev/2005, mar/2005, jun/2005, ago/2005, out/2005, dez/2005, mai/2006, jun/2006, jul/2006, ago/2006, set/2006, out/2006, dez/2006 e abr/2007; V – manter os demais valores do PIS exigidos no auto de infração citado, conforme a coluna “Valores do PIS mantidos (lançados pela Fiscalização)” do demonstrativo do item 68 deste voto; VI manter os demais valores da Cofins exigidos no auto de infração citado, conforme a coluna “Valores da Cofins mantidos (lançados pela Fiscalização)” do demonstrativo do item 69 deste voto; VII – os valores discriminados nos itens I, II, V e VI deverão ser exigidos com os acréscimos legais (multa de ofício de 75% e juros de mora). DO RECURSOS I. DO RECURSO DE OFÍCIO De acordo com o art. 34 do Decreto nº. 70.235/72 e alterações, recorre de ofício ao CARF, por força de recurso necessário, pois o valor em discussão excede o limite de R$1.000.000,00 (um milhão de reais), destacando que a exoneração do crédito, prevista no acórdão, só será definitiva após julgamento em segunda instância. II . DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 8DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.338 9 Ciente em 13/08/2010 do Acórdão acima mencionado, o contribuinte apresentou em 14/09/2010 Recurso Voluntário a este Conselho, buscando demonstrar que os critérios de apuração utilizados não são suficientes para determinação do real montante devido a título de Pis e Cofins. Alega em seu recurso, fundamentado com jurisprudência e doutrina, em síntese: Preliminarmente, entende ter ocorrido cerceamento de seu direito de defesa, quando do indeferimento da perícia contábil e pede, portanto, que seja decretada a nulidade do julgado em discussão. Ultrapassada a preliminar, ataca, assim como o fez em sede de impugnação, o critério adotado pela Fiscalização na verificação de regularidade fiscal, quando lavrou o Auto de Infração a partir “de mera comparação nos montantes escriturados contabilmente com o declarado pela RECORRENTE na DCTF, DACON ou DIPJ”, quando, no seu entender, a atividade fiscalizatória deveria ser pautada no Princípio da Realidade dos Fatos, sendo imprescindível a efetiva ocorrência do fato gerador, de modo que possíveis equívocos em sua escrituração contábil não podem significar a referida ocorrência do fato gerador de Pis e Cofins, quando estes foram devidamente corrigidos meses depois. Após explanações acerca da “Metodologia de cálculo para a apuração do PIS e da COFINS” e anexar a seu recurso exemplos de como deveria ter sido efetuado o cálculo dos débitos e créditos de Pis e Cofins, chegou a conclusão de que realizou pagamentos a maior referente aos referidos tributos, não havendo que se falar em débitos perante o Fisco, devendo ser cancelada a autuação em discussão. Traz à baila novamente a situação da multa no percentual de 75%, a qual entende exorbitante e descabida, entendendo ser plausível a aplicação de multa de 30% (trinta por cento) do valor do imposto, qualquer índice acima deste, considera ter caráter confiscatório. Reitera, antes de finalizar seu Recurso Voluntário, seu entendimento acerca da decadência, nos mesmos moldes que o fez em sede de impugnação. Pede, ao fim, a reforma imediata do acórdão, pugnando pela anulação do lançamento de débitos de Pis e Cofins ou, alternativamente, em nome ao princípio da eventualidade, seja anulado ao lançamento para deferimento da perícia contábil no intuito de apurar o real montante por ele devido. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 08 (oito) Volumes, numerado até a folha 1.490 (um mil, quatrocentos e noventa), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Havendo recursos tanto de ofício quanto voluntário, analiso as questões motivadoras das irresignações separadamente. I. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício é invocado por ter a decisão da Delegacia Regional de Julgamento de Recife (PE), cancelado a exigência fiscal em valores que excedem ao valor de alçada (atualmente em R$ 1.000.000,00) pelo que dele conheço. Verificase que o cancelamento da exigência decorre do fato de que, ao ser lavrado o Auto de Infração, no que se refere aos períodos de apuração das contribuições ao PIS e à COFINS, submetidos ao regime da não cumulatividade, foram apenas consideradas as receitas auferidas pelo contribuinte, sem, no entanto, serem abatidos os créditos que poderiam ser descontadas as contribuições, ou ainda, sem serem efetuados os descontos legalmente previstos. Os valores foram encontrados pela Fiscalização atendendo determinação de diligência deflagrada pela Administração, sendo que do resultado da referida diligência foi a constatação de que a autuação fiscal não havia levado em consideração na base de cálculo tributável as deduções legalmente permitidas, bem como os créditos regularmente apurados, propondo então sua exclusão, o que foi acatado pela DRJ mencionada. Revisitando as Leis nºs. 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, temos o art. 3º que dispõe o seguinte: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)” (grifo nosso). Sem precisar adentrar em cada um dos incisos alinhados nos arts. 3º, das citadas Leis de regência das contribuições em tela, verificase que foram simplesmente aplicados seus ditames, usando de forma completa as regras de apuração não cumulativa, pois que, se assim não fosse, se teria aplicado alíquotas maiores (7,60% e 1,65%) do que aquelas vigentes pelo regime cumulativo (3,00% e 0,65%), sem considerar os créditos respectivos, o que é essencial no regime que busca evitar justamente o efeito em cascata dos tributos em questão. Assim, agiu bem a DRJ/Recife ao contemplar os créditos registrados e apurados pelo próprio contribuinte, fazendo que esses créditos refletissem sobre os valores lançados, pois que assim zelou pela correta aplicação das regras da não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.339 11 II. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Em apertada síntese, a celeuma tratada nos presentes autos, restringese à comprovação da base de cálculo tributável, relativa ao PIS e a COFINS, de todos os períodos autuados pela Autoridade Administrativa (PIS 01.05.2002 a 31.05.2002, 01.07.2002 a 31.10.2002 e 01.12.2002 a 30.04.2007 e COFINS 01.05.2002 a 31.05.2002, 01.07.2002 a 31.10.2002, 01.12.2002 a 30.06.2003 e 01.08.2003 a 30.04.2007) Desde o lançamento (fls. 35 a 55 do processo), o sujeito passivo insurgese quanto à base de cálculo utilizada pelo Fisco na autuação, alegando que na receita tida como tributável foram inobservados os descontos legalmente previstos, bem como os créditos regularmente apurados dentro do regime da nãocumulatividade. Em atenção aos fundamentos suscitados pela então impugnante, houve a realização de diligência no processo, cujo resultado propôs o cancelamento de determinados valores e períodos. A DRJ competente houve por bem em acolher o resultado da diligência e cancelou parcialmente o lançamento, mantendo apenas os valores e períodos cujas deduções, considerou, à sua ótica, como não comprovadas (devoluções de vendas e transferências referentes a estornos de provisões a maior de PIS a recolher e COFINS a recolher). Alegou preliminarmente o cerceamento de seu direito de defesa em razão do indeferimento de perícia contábil, pelo que passo a expor meu entendimento a este respeito também de forma inicial: 1. Preliminar de Cerceamento do direito de defesa, indeferimento do pedido de perícia: De forma absolutamente sucinta, tenho que, em respeito às normas de regência do Processo Administrativo Fiscal (arts. 16, 18 e 28 do Decreto 70.235/72), a perícia contábil é elemento posto à disposição da Administração Pública – e também dos contribuintes, quando, observada a existência indícios pelo menos contundentes, o processo careça de análise especializada da matéria, para que se tenha um resultado justo. Entretanto, tal possibilidade é condicionada ao deferimento por parte da autoridade julgadora, que irá observar a (im) prescindibilidade de tal designação. No caso dos autos, deve ser observado que as bases de calculo consideradas na autuação refletem exatamente as informações prestadas pela contribuinte, das quais constam todos os dados considerados pela fiscalização, inclusive, após a diligência, as exclusões legais, razão pela qual não seriam, em absoluto, prescindíveis novos elementos. Tendo sido a documentação fornecida pela própria empresa, bem como também a sua declaração, suficientes o bastante para ensejaram tanto a autuação, quanto a sua reforma pela DRJ, não vejo necessidade de realização de perícia contábil, pelo que rejeito a preliminar aventada. 2. No mérito: exclusão das devoluções de vendas e dos estornos de provisões de CONFINS a recolher e PIS a recolher: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 O contribuinte mantevese ainda inconformado com relação à consideração das receitas relativas à devoluções de vendas e transferências de estornos de provisões de PIS e COFINS a recolher (contabilizados, segundo sua fundamentação, a maior), nas bases tributáveis, e recorreu apresentando novos documentos, que por amostragem, pretendem a demonstração da real base a ser utilizada nos valores mantidos. Ocorre, entretanto, que em momento algum os documentos apresentados pelo contribuinte conseguem dar, pelo menos, indícios de que houveram, de fato, as devoluções aventadas, ou ainda, os motivos que ensejaram os estornos contabilizados. Acaso houvesse qualquer início de prova neste sentido, que permitisse à esta Casa Julgadora vislumbrar que as receitas incluídas na base de cálculo utilizada pela fiscalização, representavam de fato, receitas nãotributáveis, seria plausível a conversão deste julgamento em diligência, para que fossem apresentados os documentos que comprovassem tais alegações, tornando assim possível a constatação dos fatos alegados e a conseqüente exclusão destas receitas da base de cálculo utilizada na autuação. Ocorre, entretanto, que além do fato de que os documentos já acostados ao processo não demonstram qualquer início de prova neste sentido, os argumentos do contribuinte também não convergem a seu favor. Em inúmeras oportunidades do processo foi solicitado ao contribuinte que esclarecesse a origem das receitas ditas como “estornos de provisionamento de PIS e COFINS a recolher”, sendo que a autuada não fez qualquer explicitação neste sentido. Dos autos podese ter acesso à inúmeros livros do contribuinte, que, digase de passagem, fazem prova tanto a seu favor, quanto contra, e mesmo tendo ao alcance praticamente toda a contabilidade registrada pela empresa, não foi possível vislumbrar que as receitas consideradas na base de cálculo dos períodos autuados, provinham de devoluções de vendas, ou ainda de estornos de provisões não esclarecidas. É de suma importância dizer ainda que as declarações elaboradas pelo próprio contribuinte contradizem os fundamentos rebatidos em sua defesa, por que em determinados períodos analisados por amostragem, nem mesmo existem créditos relativos à devoluções de mercadorias confirmando todo o alegado. Assim, denotase que o sujeito passivo em questão permanece nos campo apenas das suposições, não conseguindo comprovar os argumentos trazidos desde a impugnação até seu recurso. Sabidamente que em matéria de distribuição do ônus da prova em processo, é claro que o ônus da prova compete, em regra, a quem alega. Essa é a dicção que se extrai do art. 333, do Código de Processo Civil, aplicável supletivamente ao processo administrativo tributário. Além disso, nessa mesma esteira, compete ao autor a prova do fato constitutivo de seu direito, enquanto que ao réu, a prova desconstitutiva do direito contra o qual resiste. É o que se colhe do art. 333, II, do CPC. Vejamos: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 12DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.340 13 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” No caso em concreto, a prova carreada aos autos, isoladamente, não é hábil a comprovar que a receita declarada pelo contribuinte contém parcela proveniente de devoluções de vendas (não comprovadas por qualquer documento apresentado, ou ainda, em certos períodos, nem declaradas tais devoluções), bem como, de tratamse de estornos de provisões de PIS e COFINS contabilizados a maior, os quais nem sequer foram devidamente explicitados. E o contribuinte teve oportunidade para trazer ao processo esses referidos documentos, primeiramente na impugnação, quando alegou serem equivocadas as bases utilizadas na autuação, bem como ainda por meio do recurso ora analisado, considerando que até mesmo a DRJ competente para o julgamento de 1ª instancia fundamentou corretamente seu entendimento, mencionando ainda quais elementos seriam necessários à produção da prova pretendida pelo sujeito passivo. Assim sendo, em que pese os argumentos trazidos pelo contribuinte gozam de plausibilidade jurídica, ante a ausência de prova, cujo ônus estava a seu encargo, pois que tendentes em infirmar os fatos suscitados pelo Fisco com base nas próprias alegações trazidas em sede de impugnaçãom bem como àquelas apresentadas em Manifestação à diligência, não há como acatar seus fundamentos, desprovidos que estão de elemento de prova capaz de respaldar seus argumentos. Assim sendo, à míngua da produção de provas a cargo do contribuinte, não cabe dar guarida aos seus argumentos. 3. Da Multa Confiscatória: A recorrente insurgiuse ainda quanto à multa aplicada na autuação discutida, pois que considera o percentual na qual foi aplicada (75%), confiscatório. No que tange a essa matéria, tenho que a fixação dos percentuais da multa é “ato político”, ou seja, privativo do ente público com Poder Legiferante, normalmente o Poder Judiciário, ainda que a iniciativa seja do Poder Executivo. Em qualquer caso, as hipóteses de aplicação de penalidades, assim como o percentual respectivo, é matéria que cabe ao Legislador. Assim sendo, como todo o ato do Poder Legislativo, mormente num Estado Democrático de Direito, no qual vigora o Princípio da Inafastabilidade da Prestação Jurisdicional (art. 5º, XXXV, da CRFB/88), é o Poder Judiciário que deverá avaliar se os fatos descritos como lesivos e passíveis de sanção, são efetivamente reprováveis no nosso ordenamento, e mais, poderá também corrigir distorções que acabem transformando o percentual ou mesmo a base de cálculo da penalidade, em nítido e vedado confisco. Já ao Poder Executivo, do qual o Ministério da Fazenda e, consequentemente, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil e mesmo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, são órgãos, cabe apenas e unicamente aplicar a Lei, não podendo se manifestar sobre argumentos de ilegalidade ou inconstitucionalidade de norma legal, pena de invadir competência reservada ao Poder Judiciário. Evidentemente que quando houver margem para interpretações, todas dentro do manto da legalidade ou mesmo da constitucionalidade, pode e deve a Administração Fl. 13DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 14 Pública exercitar a “autotutela dos atos administrativos”, sendo que o CARF se insere num desses veículos de revisão. No entanto, não pode o órgão decretar a inconstitucionalidade de Lei. E isso se aplica plenamente no que diz respeito ao percentual da multa lançada no caso dos autos, que é no patamar de 75% (setenta e cinco por cento). Se, por outro lado, houvesse agravamento da penalidade, por fundamentar a autoridade lançadora em suposto ilícito de ordem mais grave, praticado com dolo, fraude ou sonegação, aí sim poderão as Autoridades revisoras, dentre as quais está o CARF, revisar o lançamento, podendo reinterpretar e aplicar a legislação tributária, inclusive para, se o caso, reduzir a penalidade. Mas sempre para patamar que está previsto igualmente na legislação, e que melhor se subsuma ao caso em concreto sob análise. Não é demais afirmar, igualmente, que a prática do fato gerador do tributo, preenchendo todos os contornos da hipótese e do conseqüente tributário, faz nascer a obrigação tributária, que tem por objeto o pagamento de um valor em “pecúnia”, que não constitua sanção de ato ilícito, nos termos do art. 3º, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, igualmente a norma que veicula a aplicação de uma sanção, tem sua “regra matriz”, de modo que, praticado o ilícito descrito no antecedente da norma, “deverá ser” a sanção descrita no conseqüente da norma legal que estipula penalidades. É a chamada regramatriz da norma que impõe penalidade. Assim sendo, no ato que o contribuinte pratica o fato gerador do tributo, mas deixa de recolhêlo na forma da legislação de incidência, essa omissão por parte do contribuinte quanto ao dever de efetivar o recolhimento do tributo é exatamente o “fato gerador” da norma que determina a aplicação da penalidade. Ou seja, “omitido” o dever de recolhimento do tributo, “dever ser” a multa de ofício. No caso em concreto, é o que se vislumbra ter acontecido, na medida em que a ausência/insuficiência de recolhimento da recorrente a fez incorrer na “hipótese” de incidência da multa de ofício, a qual a legislação descreve no art. 44, da Lei nº 9.430/96 (e legislações posteriores), seja no patamar de 75% (setenta e cinco por cento), e o qual a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar, nos termos do art. 142, do CTN. Evidentemente que, cancelandose a exigência do principal, cancelarseá a multa correspondente, de modo que, devido o tributo, aplicável a multa. Portanto, a discussão quanto ao efeito confiscatório da multa de ofício aplicada somente seria passível de se discutir no âmbito Político, junto ao Legislativo, ou então, no âmbito da legalidade ou constitucionalidade, perante o Poder Judiciário. Ao Executivo, vinculado que está a Lei, não é dado deixar de aplicar uma legislação vigente, sob o argumento de que a entende inconstitucional ou ilegal. Deve ele aplicála, de forma cogente e vinculada, ressalvandose, obviamente, as interpretações legais que comumente têm margem para serem travadas, mas sempre dentro do poder dever de autotutela dos atos administrativos, em sede de aplicação da legalidade. Por essas e outras razões que vigora a Súmula nº 02, do CARF, pela qual: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4. Da decadência: Fl. 14DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.341 15 Finalmente, passo à análise dos argumentos trazidos pela recorrente quanto à decadência parcial do lançamento. Antes, porém, é de suma importância mencionar, que a despeito da contagem oferecida pelo contribuinte, acompanhada por sua vez da alegação de que houve sim, antecipações de pagamento (diferentemente do que concluiu a DRJ), a recorrente continuou neste tocante, também no campo das suposições, de modo que não comprovou as antecipações ditas como ocorridas, merecendo a análise da decadência ser aquela tratada amplamente no ordenamento jurídico pela regra do art. 173, I do CTN. Diz o referido dispositivo: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim, pautando o julgamento ainda no dever deste Conselho em observar as reiteradas decisões judiciais em uma determinada matéria, o entendimento emanado pelo Superior Tribunal de Justiça é luz que clareia este entendimento: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (STJ EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR ‘2004/01099782’. Rel. Min. Mauro Campbell Marques. Dt. Jul. 09/02/2010) “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 16 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a Fl. 16DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19647.008239/200735 Acórdão n.º 3402001.699 S3C4T2 Fl. 1.342 17 constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido.” (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.203.986 MG ‘2010/01395597’. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 09/11/2010). Considerando que a autuação referese a períodos de maio/2002 a abril/2007, que a ciência ao contribuinte foi realizada em 15/08/2007 e que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” seria o ano de 2003 (para, por ex., o período inicial do auto de infração), tenho que não ocorreu a decadência do direito da Autoridade Administrativa efetuar o lançamento, nos termos da legislação de regência e dos precedentes acima colacionados. Neste sentido, correto o julgamento da DRJ, que acabou por concluir seu voto nestas palavras: “A ciência dos lançamentos ocorreu no dia 15 de agosto de 2007. Destarte, em todos os períodos de apurações analisados o lançamento foi efetuado dentro do prazo, não havendo, por conta disso, como acolher a tese de decadência tributária proposta na peça de defesa. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento nos termos do voto acima. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 4/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10855.722810/2017-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 04 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16027.720387/2017-11, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Denise Madalena Green Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente)
Nome do relator: Não se aplica
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL 2. CRÉDITO INDEVIDO RReeccoorrrreennttee WOBBEN WINDPOWER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. RReeccoorrrriiddaa FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16027.720387/201711, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (assinado digitalmente) Denise Madalena Green Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1472.664 – 8º Turma de DRJ/RPO (fls.529/568) que indeferiu a manifestação de inconformidade em relação ao pedido de ressarcimento de IPI da interessada relativo ao 2º trimestre de 2015 (PER nº 41857.71379.270815.1.1.013020). RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .7 22 81 0/ 20 17 -7 0 Fl. 948DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 949 2 O Recurso é Tempestivo (Despacho de Encaminhamento de fls. 529/604: ciência do AC recorrido em 13/11/2017 (fls. 573) Recurso apresentado em 12/12/17 (fls. 576/806). Consta da Informação Fiscal que o Auditor reconstituiu a escrita fiscal do contribuinte, e considerou indevidos créditos relativos as saídas de cabos fixadores das torres, denominados cordoalhas, bem como tributadas as saídas do produto denominado emodule, classificandoo do no Código 8504.40.90, submetido ao regime de tributação normal, ao invés do adotado pela Recorrente, contemplado com alíquota zero, no Código 8502.31.00. Os motivos fundantes do indeferimento do ressarcimento de IPI da interessada são, resumidamente: I. Crédito tomado indevidamente em relação às entradas de insumos empregados na industrialização do produto designado “cabo de cordoalha”, que é utilizado na fixação das torres montadas fora do estabelecimento da Recorrente. No entendimento da autoridade lançadora, como a fixação das torres ao solo é uma atividade fora do campo de incidência do IPI, em razão do estatuído pelo art. 5º, inciso VIII, do Regulamento, referidos créditos são indevidos, dado que alusivos à materiais aplicados na montagem realizada no local da instalação, operação não tributada e não com alíquota zero. II. Classificação indevida como contemplado com alíquota zero do produto denominado “emodule” (NCM 8502.31.00). O entendimento esposado pela autoridade lançadora está secundado em Parecer exarado na solução de consulta formulada pela própria Recorrente, cuja conclusão é pela classificação do referido produto na NCM 8504.40.90, por se tratar de um conversor de energia, e, como tal, sujeito ao regime normal de tributação. Cientificada do Despacho Decisório em 27/07/2017 (fls. 154), a interessada apresentou em 24/08/2017, a manifestação de inconformidade (Fls.158/272), alegando, em síntese: Preliminarmente, sustenta que a autoridade administrativa refazendo sua escrituração fiscal, nos períodos de 02/2012, 04/2012 a 06/2012, 02/2013, 04/2014, 07/2017, 03/2015 a 05/2015, dentre eles o discutido nos autos, apurou débito de IPI, incidente sobre as saídas do sistema e module (suas funções, necessidade sob o ponto de vista dos aerogeradores etc) e às cordoalhas utilizadas para sustentação das torres, procedendo com o lançamento do Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 16027.720387/201711. Em decorrência disso, requer o sobrestamento do presente feito, até a decisão final dos autos em epígrafe, sucessivamente o julgamento em conjunto. Os produtos acima (II e III) compõem o aerogerador e que por questões de logística são transportados separadamente, constituindo Fl. 949DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 950 3 se, no entanto, em partes indispensáveis ao funcionamento do produto final, bem assim que é irrelevante que sejam produzidos no próprio estabelecimento fabril ou que sejam incorporados ao mesmo no local onde devam funcionar, ou, ainda, nas unidades fabris móveis (está demonstrado nos autos que parte das torres são fabricadas em unidades industriais móveis), suscetíveis de locomoção e que são deslocadas para locais próximos à construção das usinas. Não há discussão quanto aos cálculos e dados numéricos constantes do lançamento tributário. Da leitura do despacho decisório, através do qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade, verificase que a DRJ acolheu a integralidade dos argumentos do Auditor Fiscal, in verbis: Pela leitura dos parágrafos acima, constatase que os componentes do Emodule (módulos de gerenciamento e controle de energia) têm a sua classificação fiscal no código 8504.40.90. Isto é indicado tanto no Processo de nº 10855.720958/201346 da DRJ/Ribeirão Preto/SP como no próprio Processo de Consulta de nº 0855.000178/201114 (Solução de Consulta SRRF/8º RF/DIANA Nº 50, de 31 de julho de 2013). O fato do Emodule (NCM 8504.40.90) fazer parte do aerogerador (NCM 8502.31.00) não modifica a sua classificação fiscal para a da máquina a que se destina (no caso, a máquina a que se destina é o próprio aerogerador – NCM 8502.31.00). Isto porque, aplicando a Nota 2 a) da Seção XVI da NESH (Normas Explicativas do Sistema Harmonizado), encontrase a classificação do Emodule na posição do Capítulo 85, não importando a máquina a que se destina. Assim, não se confunde a classificação fiscal do aerogerador e do emodule. Oportuno informar que a alíquota de IPI da NCM 8504.40.90 para o período aqui analisado é de 15%, devendo ser aplicada nas saídas das mercadorias que compõe o emodule, conforme se verá adiante. (fls. 575/576) Prosseguindo, sustenta: Assim, como o produto é um inversor (transformando corrente contínua em alternada), pela aplicação da Nota 4 da Seção XVI, em combinação com a Nota 2 da mesma Seção, o produto deve se classificado na posição 85.04(...) No âmbito dessa posição, encontrase compreendido na subposição 8504.40, específica para os conversores estáticos. Por ser um inversor e, por falta de item específico, classificase, finalmente, no código 8504.40.90. Fl. 950DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 951 4 O Auditor entendeu, portanto, que o denominado emodule é um inversor e como tal deve ser classificado separadamente da máquina a que se destina, por falta de item específico. Como mencionado, a autoridade invoca a solução de Consulta nº 50/2013, que concluiu que o referido “Emodule” deve ser classificado na NCM 8504.40.90, de modo que, ainda que integrante do aerogerador, continua classificável no seu código original, não acompanhando o equipamento ao qual se incorpora. Quanto aos cabos de cordoalha, a impossibilidade do crédito do imposto tem como supedâneo o fato de serem aplicados na montagem das torres, o que atrai a regra da não incidência do imposto, prevista no art. 5º, inciso VIII, do RIPI. Se a norma é da não incidência e não da alíquota zero, não existe possibilidade de ressarcimento, conforme concluiu. A 8º TURMA DA DRJ/POR indeferiu o pedido, entendo que os créditos requeridos não dão direito a ressarcimento, adotando quase integralmente os fundamentos constantes da Informação Fiscal, mas dando ênfase a algumas questões, como o caráter meramente complementar do Laudo Técnico. Menciona solução de consulta, no mesmo sentido da formulada pela empresa autuada. O Acórdão recorrido faz referência ao processo nº 16027720.387/201711 da mesma empresa, versando sobre situação fática e jurídica idêntica. Resumidamente os argumentos da decisão são os seguintes: Detendose no exame dos pareceres exarados nas soluções de consulta que menciona, relacionados com a classificação dos produtos de que tratam o presente processo, os quais, segundo afirma, são vinculantes para os integrantes da Administração Tributária Federal, conforme legislação que menciona, as referidas soluções de consulta não podem ser postas de lado, devendo ser seguidas pelas autoridades fiscais nos procedimentos de fiscalização. 1) A propósito do Laudo Pericial, afirma a decisão: “Neste sentido, os laudos técnicos apresentados, ao afirmarem que não é possível definir a classificação fiscal do emodule por sua função principal, contrariam frontalmente as disposições da NESH sobre a posição 85.04 acima citada, não podendo ser aceitas no que tange à determinação da classificação fiscal do produto em comento. Tais laudos são válidos para sanear dúvidas sobre a situação fática envolvida, mas não para determinar os efeitos legais decorrentes destes fatos, matéria de direito e alheia ao escopo das perícias, conforme determina o já citado art. 64, §1º, do Decreto nº 7.574/2011.” Fl. 951DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 952 5 Dos argumentos da recorrente: No Recurso a contribuinte volta e invocar os argumentos aduzidos ao ensejo da discussão alusiva ao Auto de Infração através do processo administrativo nº 16027 720.387/201711, no qual levantou as seguintes questões: (I) a parcela substancial do crédito tributário exigido no auto de infração (fatos geradores ocorridos em 02/2012, 04/2012 a 06/2012) está extinta pelo advento da decadência, nos termos do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional; (II) a negativa do ressarcimento é baseado exclusivamente em presunções, ignorando por completo orientações anteriores da própria Receita Federal do Brasil e laudos técnicos sobre o assunto, em clara violação ao art. 142 do CTN; (III) o lançamento viola o entendimento firmado no Processo Administrativo nº 10855.720958/201346, no qual se decidiu que, no contexto do fornecimento de aerogeradores, suas partes, peças e componentes devem ter classificação fiscal correspondente à função desempenhada pelo conjunto do qual integram; (IV) diferentemente do entendimento adotado pela fiscalização, o sistema emodule é parte integrante e indissociável dos aerogeradores, sendo que, como tal, é sujeito à alíquota zero, sendo equivocada a classificação fiscal do equipamento na posição NCM 8504.40.90; e, (V) em relação às cordoalhas, a montagem e instalação das torres, pelo que são necessários os referidos bens, se inserem dentro do contexto do fornecimento dos aerogeradores, sendo que a própria Receita Federal do Brasil já reconheceu que as torres são partes indissociáveis dos produtos comercializados pela Recorrente (aerogeradores). Aduz, ainda: Contrapondose ao argumento expendido pela Autoridade Lançadora, secundados pela decisão recorrida, a Recorrente insiste na prevalência do Parecer Técnico emitido a pedido da própria RFB (Processo Administrativo nº 16027.720387/201711, fls. 69) do qual destaca o seguinte trecho: Fl. 952DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 953 6 (... dentre os seus componentes, estão os gabinetes de potência (Gabinete de potência 300Kw V3 Facts) e controle (Gabinete de controle CS48a V2 STD), transformador e controle de UPS (uninterruptible power suplies – Gabinete UPS Enercon V1.0 STD) que, juntos, formam o sistema emodule, parte integrante e essencial dos aerogeradores, conforme resposta ao Quesito X.” Insiste na aplicação do art. 146, do CTN e pondera que a decisão proferida, anteriormente no processo referido, não distinguiu peças e partes de máquinas e aparelhos, sufragando o entendimento geral de que todos os componentes do gerador, independentemente de terem saído totalmente montados dos seus estabelecimentos, parcialmente montados ou separadamente, não altera a classificação fiscal. Insiste que o emodule não é um simples conversor de energia, mas é o próprio “cérebro” do gerador. Também rechaça o argumento de que se trata de construção civil, indicando inclusive decisão da RFB que a desclassificou como construtora. Sobre este tópico, pede atenção para as folhas 81 e 82 (Processo Administrativo nº 16027.720387/201711), na resposta do Perito ao quesito X, da consulta formada pela RFB, com detalhamento dos componentes do aerogerador. Na fl. 82 o Perito afirmou: “Sim, no caso de ausência de algum desses elementos, a eficiência na captação da energia cinética dos ventos resta comprometida.” È o relatório. Voto Conselheira Denise Madalena Green, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Primeiramente, com relação ao pedido de sobrestamento do presente processo administrativo até ulterior decisão definitiva nos autos do Processo Administrativo nº 16027.720387/201711, tendo em vista que o julgamento por este Conselho tanto do processo administrativo de lançamento de ofício nº 16027.720387/201711 quanto deste processo se dará nesta mesma sessão de julgamento, não haverá qualquer prejuízo ou possibilidade de decisões conflitante. I – DO PEDIDO DE PROVA PERICIAL: Fl. 953DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 954 7 A Recorrente invocou a previsão contida no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72 , tendo, já na defesa, formulado quesitos e indicado seu assistente técnico, objetivando esclarecer a finalidade do sistema emodule e fornecer elementos essenciais para possibilitar o seu correto enquadramento na sua classificação fiscal, bem como fornecer subsídios de ordem técnica acerca das torres dos aerogeradores e da utilização das cordoalhas no contexto de sua montagem e instalação. Contudo, consta no processo perícia realizada na data de 24/03/2014 e juntada às fls. 440/456 solicitada pela MF/SRF/Delegacia da Receita Federal do Brasil de Sorocaba/SECAT e Laudo Técnico Complementar elaborado em 04/11/2014 às fls. 508/512, contendo apontamentos a cerca da composição e funcionamento dos aerogeradores eólicos. Tais esclarecimentos, deixam claro o enquadramento na classificação fiscal dessas partes e peças a definir o tratamento tributário dos aerogeradores. Portanto, entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário, pois a perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Nos termos do Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). Com efeito, a matéria objeto do presente litígio não demanda nova realização de qualquer diligência ou perícia. Além do mais, indeferimento do pedido de perícia também não configura cerceamento ao direito a ampla defesa por entender suficiente a prova já existente. Restando motivado o indeferimento da perícia e escorado na legislação de regência, afasto, de plano, a arguição da nulidade suscitada. II DA DECADÊNCIA: A Recorrente pede que seja reconhecido a decadência do parcela do crédito tributário de IPI decorrente das saídas do sistema emodule (fatos geradores ocorridos em Fl. 954DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 955 8 28/02/2012, 30/04/2012, 31/05/2012 e 30/06/2012), por força da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, em razão da existência de pagamento antecipado do imposto nos períodos fiscalizados (existência de saldo credor – art. 183, parágrafo único, III, do RIPI/2010). Para a Recorrente, o direito do Fisco constituir o crédito tributário estaria parcialmente decaído, pois possuía créditos acumulados do IPI que foram utilizados na quitação do próprio imposto declarado na escrita fiscal, atraindo a regra do art. 150, § 4º do CTN. Essa tese não pode prosperar. Vejamos. Primeiramente, cabe esclarecer que trata os autos de PER/DCOMP´s apresentadas pela Recorrente (Declarações de Compensação). No presente processo não há qualquer discussão sobre lançamento de IPI ou constituição de crédito tributário. Não podemos confundir a apreciação de direito creditório vinculado a compensação de débitos com o lançamento de tributo pela Administração Tributária. A Declaração de compensação (DComp), instituto consagrado no art. 74 da Lei 9.430/96, tem autonomia e independência em relação às espécies de tributos ali declarados, seja os (i) débitos ou (ii) créditos. Para esclarecer a aparente confusão, há que se compreender a decadência aplicada no âmbito tributário. O instituto da decadência tem por objetivo último garantir a estabilidade jurídica, impedindo que direitos permaneçam latentes ad eternum no plano do deverser e podem se materializar a qualquer momento, invocados pelos seus titulares, produzindo efeitos para os sujeitos do polo passivo desses direitos e até terceiros envolvidos em relações jurídicas subsequentes. Assim, a decadência sempre opera no sentido de extinguir direitos do sujeito do polo ativo de uma relação obrigacional com o decurso de um prazo predeterminado. Ou seja, a decadência sempre atua contra o credor. No caso da relação obrigacional tributária usual, a Administração Tributária é o polo ativo, o credor, e, portanto, a decadência atua contra ela, impedindoa de constituir o crédito tributário pelo lançamento, após decorrido o prazo decadencial estipulado nos artigos 150, §4º, e 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Ocorre que, no caso do ressarcimento do saldo credor de IPI e de sua utilização para compensação de tributos federais, a situação é inversa. A primeira relação obrigacional Fl. 955DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 956 9 que surge a partir do saldo credor apurado ao final do trimestrecalendário é tal que a contribuinte é o polo ativo e o Fisco o polo passivo. Para essa situação também existe um prazo, porém este seria um prazo prescricional de cinco anos, conforme previsão do art. 1º do Decreto no 20.910, de 06/01/1932, consoante o Parecer Normativo CST no 515, de 10 de agosto de 1971. E esse prazo decadencial corre contra o titular do direito, ou seja, contra a contribuinte, que deve materializar seu direito dentro desse prazo por meio da formalização do correspondente pedido de ressarcimento, sob pena de perda do direito. No presente caso, os pedidos foram feitos dentro do prazo, portanto não ocorreu a decadência do direito ao ressarcimento, o que não interfere na necessária análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Superada a decadência do direito creditório da contribuinte pela formulação do pedido de ressarcimento e com a superveniente declaração de compensação que pretende a utilização desse crédito, no todo ou em parte, para quitação de tributos federais, o prazo estabelecido pelo sistema normativo para garantir a estabilidade jurídica é o prazo de homologação tácita da compensação declarada, e está disposto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430/1996 . Esse prazo, por seu turno, corre contra a Administração Tributária, tem natureza prescricional e referese ao direito de cobrar a eventual diferença a maior entre o tributo compensado e o crédito reconhecido em favor da contribuinte. Portanto, não há que se falar em decadência contra a Administração Tributária, pois o CTN, artigos 150, § 4º e 173, inciso I, se refere ao prazo para a constituição do crédito tributário mediante lançamento de ofício e o que houve de fato foi a glosa de créditos em âmbito de PER/DCOMP, ou seja, de um pedido administrativo de ressarcimento/compensação. III – DO PRECEDENTE INVOCADO: Segundo o Recurso, a classificação fiscal dos produtos objeto da presente discussão já foram resolvidas, a nível do CARF, em processo na qual a matéria foi exaustivamente examinada. O produto Emodule foi alvo de análise no Acórdão 10855.720958/201346, invocado como paradigmático. No citado processo foi julgado procedente a impugnação apresentada pela empresa ora Recorrente, em face da resposta apresentada pela perícia realizada em diligência fiscal. A DRJ, naquela oportunidade, concluiu estar correta a classificação fiscal adotada pela contribuinte, nos seguintes termos “o Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deve receber classificação fiscal na posição 8502.31.00, correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas”. Fl. 956DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 957 10 Conforme citado acima, o Parecer Técnico emitido a pedido da própria RFB (fls. 69 do Processo Administrativo nº 16027.72.0387/201711), entendeu que “(...) dentre os seus componentes, estão os gabinetes de potência (Gabinete de potência 300Kw V3 Facts) e controle (Gabinete de controle CS48a V2 STD), transformador e controle de UPS (uninterruptible power suplies – Gabinete UPS Enercon V1.0 STD) que, juntos, formam o sistema emodule, parte integrante e essencial dos aerogeradores, conforme resposta ao Quesito X.” Contrariamente ao decidido na decisão recorrida, o Acórdão do CARF, alusiva à classificação dos componentes do gerador, evidencia, que a matéria consta daquela discussão. O Acórdão nº 3201002.248, proferido no processo 10855.720958/201346, invocado pela Recorrente como paradigma, verificase que a questão do Emodule, ao contrário do afirmado na decisão em julgamento no presente processo, foi discutida naquela oportunidade, ou que pelo menos a sua existência já era conhecida. Os aerogeradores objeto da presente exigência fiscal são idênticos ou muito similares aos que deram azo à discussão daquele processo. Aqueles equipamentos, como os alvo do presente processo, continham “emodule” e torres e estas eram fixadas da mesma forma, através do produto denominado cordoalha. A circunstância das autoridades que participaram do julgamento daquele processo, citado como paradigma, não terem se detido no exame de questões tão detalhadas, como as que foram levadas a cabo na presente demanda, não é argumento suficiente para afastar a premissa de “precedente”. Não é admissível que os contribuintes sejam surpreendidos, no desempenho das suas atividades, com as mudanças interpretativas e investigativas das autoridades tributárias. Se tivesse ocorrido um fato novo, uma mudança na legislação ou outro evento alterador das questões suscitadas no referido julgamento tudo bem, que se alterasse o entendimento fiscal. O mesmo produto não pode ter uma classificação fiscal em 2013 e outra um ou dois anos depois, sem que tenha se processado qualquer alteração da legislação, ou das suas características físicas e ou funcionais. Além do art. 146 do CTN, há que se levar em conta as recentes alterações da Lei de Introdução ao Código Civil, designada atualmente de Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, da qual destaco os dispositivos abaixo: “Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em Fl. 957DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 958 11 mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) “Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. (Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018)”. Está evidente que o ressarcimento pretendido, objeto do PER ora em julgamento, foi lavrado com flagrante mudança de critério jurídico, contrariando o disposto no art. 146 do CTN, o qual se aplica a casos em que a revisão fiscal é feita, não para reparar uma ilegalidade, mas para alterar elementos que a lei deixa à escolha da Autoridade administrativa no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, quando o fato gerador ocorrido posteriormente a sua introdução. Ou seja, é impedida a migração de um critério legalmente válido para outro igualmente legítimo, porém mais gravoso. IV – DOS FUNDAMENTOS DA RECLASSIFICAÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL: Compulsando os autos, verifico que a Recorrente é uma empresa industrial de fabricação de geradores de corrente contínua e alternada, peças e acessórios, CNAE: 2710¬ 4¬01. Segundo seu site www.wobben.com.br, “A Wobben Windpower Ind. e Com. Ltda. é a primeira fabricante de aerogeradores (turbinas eólicas) de grande porte da América do Sul. Foi criada para produzir componentes e aerogeradores para o mercado interno e exportação, além de projetar, instalar, operar e prestar serviços de assistência técnica para usinas eólicas. É subsidiária da Enercon GmbH, líder mundial em tecnologia eólica de ponta e um dos líderes do mercado eólico mundial.” Conforme relatado, o auto de infração objeto dos autos nº 16027720.387/2017 11, foi emitido devido a glosas de crédito considerados indevidos nos meses 09, 10, 11 e 12/2011; 1, 2, 3, 5, 6, 7, e 8/2012, conforme fls. 350 a 353 (processo citado), bem como no mês 07/2011 (fls. 317); e, ainda, foram constatadas ocorrências de saídas tributadas sem IPI lançado, no valor de R$ 19.728.007,37 (fls. 363PC). Consta da decisão recorrida que a infração relativa ao IPI não destacado nas saídas decorreu da constatação de que os aparelhos denominados "emodule" importados pela interessada e instalados na base das torres dos aerogeradores não teriam a classificação NCM 8502.31.00, utilizada pela interessada (fls. 308), mas sim a da NCM 8504.40.90, que possuía alíquota de 15% do IPI, nos termos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados anexa ao então vigente Decreto nº 7.660/2011. Fl. 958DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 959 12 Assim, para a fiscalização, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502, grupo eletrogêneo de energia eólica é a combinação de uma roda eólica (a máquina motriz citada na nota explicativa, I¬ GRUPOS ELETROGÊNEOS) com um gerador elétrico, não cabendo a aplicação da Nota 4 da Seção XVI para agregar o aparelhos denominados "emodule" ao conjunto pás/cubo/gerador, caracterizando todo o conjunto como uma unidade funcional, destinada a produzir energia elétrica a partir do vento. Dessa forma o Sistema Pás/Cubo/Gerador e o emodule, considerado como conversor de energia, formariam subconjuntos com funções diferentes e específicas, quais sejam: a função de geração de energia elétrica (pás/cubo/gerador) e a função de converter/regular/controlar tensão e frequência vindas do gerador (Conversor de Energia). Em vista disso, a fiscalização classificou emodule no código 8504.40.90, com alíquota de IPI de 15%. A Recorrente esclarece que o "emodule" é um dos itens que integra um "aerogerador" e que, precisamente, é parte essencial daquele. Ainda, demonstra como se dá a montagem de um aerogerador completo e defende que não se pode classificar cada peça de forma individualizada, uma vez que, nas hipóteses analisadas, elas se destinavam a formação de um conjunto único e, por essa razão, a classificação NCM 8502.31.00, atendeu ao bem final (aerogerador) entregue pela Contribuinte ao seu cliente. A foto ilustrativa anexada pela Recorrente à fl. 221 revela, mesmo para quem não seja especialista, que o emodule não pode ser confundido com um simples transformador ou inversor. Aliás, o mesmo, entre outros componentes, tem um transformador, corroborando o Laudo Técnico. Cumpre apontar que consta no “Compêndio de Ementas do Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (CECLAM)”, que o grupo eletrogêneo para a geração de energia elétrica a partir de energia eólica (gerador eólico), apresentado por montar e incompleto, composto por gerador elétrico a ser associado, em corpo único, ao rotor de três pás, acompanhado de sistema de lubrificação, instrumentos de medição e controle e de outros equipamentos vinculados à função do grupo gerador (geração de energia), classificado em 8502.31.00: 8502.31.00 Grupo eletrogêneo para a geração de energia elétrica a partir de energia eólica (gerador eólico), com potência nominal de saída de 1.500 a 1.580 kW, com frequência variável a uma velocidade de rotação compreendida entre 919 rpm, podendo trabalhar com velocidades de vento entre 325 m/s, apresentado por montar e incompleto, composto por gerador elétrico a ser associado, em corpo único, ao rotor de três pás, acompanhado de sistema de lubrificação, instrumentos de medição e controle e de outros equipamentos vinculados à função do grupo gerador (geração de energia). Fl. 959DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 960 13 SD 29/20017 Comitê Fonte:http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/classificaca ofiscal¬de¬mercadorias/compendio¬ceclam¬fev2019/view Entendo que a SD 29/2017 é mais uma constatação que aponta o desacerto da fiscalização na reclassificação. Sobre o tema, deixou a DRJ de analisar as elucidações trazidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH em relação aos conceitos de grupo eletrogêneo e de unidade funcional, o que se constitui em elemento subsidiário de caráter fundamental para interpretação do conteúdos das Notas de Seções, Capítulos, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, nos termos do parágrafo único do art. 1º do Decreto nº. 435/1992. Com relação ao Acórdão, objeto de discussão em outro processo de interesse da Recorrente, concordo inteiramente quando sustenta serem meramente auxiliares os laudos periciais. Não há a menor dúvida que cabe ao operador do direito extrair dos fatos a sua consequência jurídica. O que não se pode admitir é que a conclusão do jurista, como no presente caso, se sustente em negativa do dado técnico fulcrado na perícia. A autoridade lançadora afirma que o aerogerador pode gerar energia sem o “e module”. O laudo pericial diz que não. Não se trata, como afirmado no Acórdão citado, de extrair a consequência legal de um determinado fato, mas de contestar a existência do próprio fato. Outra conclusão, que não tem nada de jurídica, é quanto ao fato, incontroverso, porque demonstrado exaustivamente no Laudo, por descrição expositiva e por fotos, de que o emodule é fabricado exclusivamente para colocação na base da torre do aerogerador, o que atrai a norma da posição 85403.00. Não tem nenhuma serventia a não ser esta. Igualmente relevante é que o “emodule”, segundo o laudo pericial, é composto de vários equipamentos e que exerce várias funções e diversamente do alegado na autuação, é fundamental para o funcionamento do aerogerador. A foto juntada no Recurso (fls. 784) está repetida no Laudo Pericial às fls. 92 do Processo Administrativo nº 16027.720387/201711, sendo visível, mesmo para quem não domina as técnicas envolvidas, que se trata de um equipamento complexo, integrado por vários componentes, entre os quais um transformador. Ao responder o Quesito XI o Perito foi contundente: “Qualquer ausência dos citados elementos compromete a eficiência e captação da energia cinética dos ventos”. Inegável, portanto, que o transformador, é o único dos componentes do Emodule suscetível de enquadramento no item 2, das notas explicativas, citadas pela autoridade lançadora, e que seria, Fl. 960DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 961 14 portanto, passível de enquadramento na exclusão pretendida, hipótese em que o lançamento deveria ter determinado, com precisão, o respectivo valor em relação ao todo. Está bem claro, no Laudo, que um dos equipamentos que integram o emodule é um computador, verdadeiro cérebro do aerogerador. Da forma como foi elaborado o lançamento, está sendo incluído na base de cálculo do imposto inclusive o referido computador. Por último, quanto à classificação fiscal, na dúvida, deve se aplicar o disposto no item 3, das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, integrante da TIPI: REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO “3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria.” “Ex 01 Partes utilizadas exclusiva ou principalmente em aerogeradores classificados no código 8502.31.00 – 0”. Não há como negar que dentre duas classificações possíveis (Outros – 8504.90) e o Código 8502.31.00, o último é muito mais específico que aquele. Quando às soluções de consulta e a impossibilidade deste Conselho contrariar o nelas decidido, não é matéria nova, conforme Acórdão 3403.003, citado às fls. 183, pela Recorrente. Oportuno esclarecer que a tese aqui debatida já foi objeto de discussão tanto pela Delegacia Regional Tributária da Receita Federal Tributária, quanto por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos autos do processo de nº 10855.720958/201346 (Acórdão 1451.727 2ª Turma da DRJ/POR), cujas ementas passo a transcrever abaixo: Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL AEROGERADOR Fl. 961DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 962 15 O Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deve receber classificação fiscal na posição 8502.31.00, correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO – IRREGULARIDADE. A falta de aprofundamento nas circunstâncias e elementos veritativos da hipótese de incidência, revela falha no elemento nuclear constitutivo da relação jurídicotributária, desatendendo o preceito do art. 142, do CTN. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Entendo que a matéria foi analisada com propriedade pela DRJ nos autos do processo acima citado e, por essa razão, admito integralmente aos termos: Compulsando os autos, verifico que a Interessada é uma empresa industrial de fabricação de geradores de corrente contínua e alternada, peças e acessórios, CNAE: 2710¬ 4¬01. Assim sendo, a operação fiscal que melhor satisfaz esta condição é a venda para entrega futura (CFOP 6922), cuja base legal encontrase definida pelo Art. 127 e seguintes do ICMS/SP:” A autoridade fiscal entendeu, à fl. 329, que: “De acordo com a Nota Explicativa da NESH (85.02 – Grupos Eletrogêneos e Conversores Rotativos, Elétricos), abaixo reproduzido, e os esclarecimentos acima apresentados, entendemos que a Classificação Fiscal correta para os Produtos Fabricados e Vendidos (CFOP 6116) pela empresa, deveriam ser os seguintes: a)Aerogerador E481 completo – 800 KM transmissão: NCM código 8502.31.00 (De energiaeólica) – alíquota 0% (zero) para o conjunto Gerador / Rotor; e NCM código 8503.00.90 (Outros – Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502) – alíquota 10% (dez), para os demais elementos (fundação, torre, segmentos de aço, pás etc); b) Segmentos E48 – acabado: NCM código 8503.00.90 (Outros – Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas das posições 8501 ou 8502) – alíquota 10% (dez); c) Rotor completo E48: NCM código 8502.31.00 (De energia eólica) – alíquota 0% (zero); d) Máquina E48 completo (produção) ou Nacele: NCM código 8502.31.00 (De energia eólica) – alíquota 0% (zero).” Assim, após confecção do Anexo I que detalha o trabalho fiscal, lavrouse Auto de Infração sob a motivação de erro de classificação fiscal. Fl. 962DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 963 16 O Anexo II trás a recomposição da escrita fiscal. A Nota 4 da Secção XVI assim disciplina: “4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha.” (grifouse) Não resta dúvida para este julgador, que o Aerogerador, constituído de uma combinação de máquinas, que conjuntamente desempenham função específica, deva receber a classificação fiscal correspondente a esta função, independentemente de como tais máquinas sejam transportadas. Não importa se transportadas de uma única vez, ainda que isso seja praticamente impossível, à vista que, um Aerogerador, é composto de fundação (base), torre de aproximadamente 70 metros e pesar algumas dezenas de toneladas. O fato de serem transportadas, separadamente, por notas fiscais de simples remessa, não descaracteriza as orientações emanadas para fins de classificação fiscal. De certo, o esclarecimento de que o componente faz parte de um “Sistema Eólico” ou “combinação de máquinas” no próprio documento de simples remessa é medida salutar e preventiva. Estas são as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 85.02.5.02 Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos. I. GRUPOS ELETROGÊNEOS A expressão “grupos eletrogêneos” aplicase à combinação de um gerador elétrico com uma máquina motriz, que não seja um motor elétrico (turbina hidráulica, turbina a vapor, roda eólica, máquina a vapor, motor de ignição por centelha (faísca), motor diesel, etc.). Quando a máquina motriz e o gerador formam um só corpo ou quando, separados mas apresentados ao mesmo tempo, as duas máquinas são concebidas para formar um só corpo ou ser montadas em uma base comum (ver as Considerações Gerais desta Seção), o conjunto classificase na presente posição. (grifouse) Fl. 963DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 964 17 Os grupos eletrogêneos para soldadura só se classificam aqui se apresentados isoladamente, desprovidos das suas cabeças ou pinças de soldadura; caso contrário, classificamse na posição 85.15. II. CONVERSORES ROTATIVOS ELÉTRICOS As máquinas deste tipo consistem essencialmente em associação de um gerador elétrico e de uma máquina motriz de motor elétrico, que podem ser montados de modo solidário em uma base, armação ou suporte comum (grupos conversores), ou simplesmente ligados por meio de dispositivos apropriados; estas máquinas são utilizadas para transformar a natureza da corrente (conversão de corrente alternada em corrente contínua ou viceversa) ou para modificar algumas características da corrente, tais como potência, freqüência ou fase da corrente alternada (por exemplo, levar a freqüência de 50 a 200 ciclos ou transformar uma corrente monofásica em trifásica). Algumas destas máquinas denominamse, às vezes, transformadores rotativos. PARTES Ressalvadas as disposições gerais relativas à classificação das partes (ver as Considerações Gerais da Seção) as partes das máquinas da presente posição classificamse na posição 85.03. Assim, para estes não há outra classificação a adotar senão a 8502.31.00, tributados a alíquota zero. 85.02 Grupos eletrogêneos e conversores rotativos elétricos. 8502.1 Grupos eletrogêneos de motor de pistão, de ignição por compressão (motores diesel ou semidiesel): 8502.11 De potência não superior a 75 kVA 8502.11.10 De corrente alternada 0 8502.11.90 Outros 0 8502.12 De potência superior a 75 kVA, mas não superior a 375 kVA 8502.12.10 De corrente alternada 0 8502.12.90 Outros 0 8502.13 De potência superior a 375 kVA 8502.13.1 De corrente alternada 8502.13.11 De potência inferior ou igual a 430 kVA 0 8502.13.19 Outros 0 8502.13.90 Outros 0 8502.20 Grupos eletrogêneos de motor de pistão, de ignição por centelha (motor de explosão) 8502.20.1 De corrente alternada 8502.20.11 De potência inferior ou igual a 210 kVA 0 8502.20.19 Outros 0 8502.20.90 Outros 0 8502.3 Outros grupos eletrogêneos: Fl. 964DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 965 18 8502.31.00 De energia eólica 0 Assim, para estes não há outra classificação a adotar senão a 8502.31.00, tributados a alíquota zero. As regras de interpretação são, tão somente, aquelas contidas na TIPI –Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. Isso não afasta, em tese, a tributação das saídas de partes, peças e componentes do “sistema eólico”, quando tais saídas estiverem desassociadas do “conjunto”, do “grupo eletrogêneo”. Por óbvio, dependerá da classificação fiscal e previsão de alíquota na TIPI. Mas, para alguns destes, Segundo a Solução de Consulta nº 50 – SRRF08/Diana, de 31 de Julho de 2013, da própria Interessada, adotarseá a classificação fiscal posição 8504.40.90 e não a pretendida pela autoridade fiscal. Aliás, conforme noticiado pela Impugnante em suas respostas às intimações, à data do procedimento fiscal e do lançamento tributário, tal matéria, classificação fiscal do componente EModule, estava pendente de apreciação administrativa e, portanto, insuscetível de procedimento fiscal, nos termos do Art. 89 do Decreto nº 7574. de 29 de Setembro de 2011. A Impugnante asseverou por diversas vezes que os Aerogeradores, embora composto por um conjunto de sistemas e máquinas, são comercializados como único produto tributado à alíquota zero. E segue a Impugnante, à fl. 360. “Nesse contexto, a fiscalização segregou, baseandose exclusivamente em documentos fiscais (não realizando qualquer verificação in loco, ou outra avaliação pormenorizada do produto comercializado pela impugnante), as partes, peças e componentes dos referidos aerogeradores para tributar pelo IPI cada um desses materiais como se independentes fossem. ” A Impugnante alega, ainda, que não está devidamente identificada a “matéria tributável, calcado em presunções equivocadas e arbitramentos indevidos, em flagrante afronta ao Art. 142 do Código Tributário Nacional”. Ora, ao selecionar os produtos mencionados nas notas fiscais de simples remessa e tributandoos, simplesmente, a autoridade fiscal deixou de analisar se tais produtos foram industrializados pela Fl. 965DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 966 19 Impugnante, bem como, no caso de têlos adquiridos de terceiros, se há situação de equiparação a estabelecimento industrial, fora dos quais, não se pode falar em incidência de IPI. Analisando o Anexo I do Relatório Fiscal, verificase que exigiuse IPI da Impugnante sobre os seguintes produtos: tinta, funil de PVC, anel de vedação, arruela, parafuso, borracha para vedar, adesivo, selante, cimento, escada, dentre outros. A falta de aprofundamento nas circunstâncias e elementos veritativos da hipótese de incidência, revela falha no elemento nuclear constitutivo da relação jurídico tributária, desatendendo o preceito do art. 142, do CTN, como lembrou a Impugnante. Não é crível que a Impugnante fabrique um rol tão diversos de produtos, cuja saída pudesse ser onerada pelo IPI. Se não é estabelecimento industrial ou equiparada a industrial em relação a estes produtos remetidos, separadamente, pelas notas de simples remessa não há que se falar em incidência do IPI. Assim, como esta circunstância material não foi devidamente esclarecida nos autos, não há como afirmar, categoricamente, que realizouse a hipótese de incidência. Nos itens 70 a 75 de sua impugnação, fl. 383, alegando ferimento à ampla defesa e motivação do ato administrativo, comprova a utilização no trabalho fiscal de NCM´s inexistentes. Os itens 81 a 84 da Impugnação, demonstram a cobrança em duplicidade do IPI em algumas notas fiscais e os itens 95 a 105, classificações fiscais inadequadas no trabalho fiscal. Assim, verificase, ainda, a falta de perquirição sobre as saídas dos produtos submetidos a lançamento de ofício, objeto das notas fiscais de simples remessa. Somente teria sentido o lançamento tributário se as saídas dos produtos lançados estivessem desassociadas de uma venda de um grupo eletrogêneo, o que impõe observar se a Impugnante preencheria, para tais produtos, o conceito de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. A ausência destes cuidados e o exigência indiscriminada de IPI dos produtos constantes das notas fiscais de simples remessa, traz o trabalho fiscal para o campo das presunções. Assim, por todo exposto, voto pela procedência da Impugnação. Fl. 966DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 967 20 Esse julgamento foi confirmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Acórdão nº 3201¬002.248 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), cuja ementa transcrevo abaixo: Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Prova pericial que confirma a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Lançamento improcedente. Impossibilidade de lançamento fiscal por presunção. No julgado acima transcrito, proferido no processo 10855.720958/201346, invocado pela Recorrente como paradigma, a DRJ deixou claro que “somente teria sentido o lançamento tributário se as saídas dos produtos lançados estivessem dissociadas de uma venda de um grupo eletrogêneo, o que impõe observar se a Impugnante preencheria, para tais produtos, o conceito de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial”. Ressalto, mais uma vez, que, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a questão do emodule não passou desapercebida no referido julgamento, invocado pela Recorrente como paradigmático, ou que pelo menos a sua existência já era reconhecida e que somente a não considerou pois, na época, estava pendente de apreciação administrativa e, portanto, insuscetível de procedimento fiscal. Além do mais, a circunstância das autoridades que se debruçaram sobre aquele processo, não terem se detido no exame de questões tão detalhadas como as que foram levadas a cabo na presente demanda, não é argumento suficiente para afastar a premissa de “precedente”. Até porque, naquela oportunidade a DRJ deixou claro que devido ao fato de que independente e classificação fiscal que viesse a ser definida para o sistema emodule individualmente considerado, essa seria irrelevante para classificálo quando a saída, caso estivesse atrelada ao fornecimento do conjunto aerogerador, pois se trata de parte exclusiva e essencial. Para corroborar com o entendimento acima, cito como precedente o Acórdão nº 3301005.698, da relatoria da nobre Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, que por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, que restou assim ementado: Fl. 967DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 968 21 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/07/2011 a 31/01/2012 LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. PROVA. Nos termos do art. 30 do Decreto n° 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas à análise dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AEROGERADOR. POSIÇÃO 8502.31.00. O aerogerador constituído de uma combinação de partes, com unidade funcional, para desempenho de função específica de produção de energia elétrica, deve ser classificado na posição 8502.31.00. Recurso Voluntário Provido. Chamo a atenção para a jurisprudência acima citada pelo fato de se tratar do mesmo componente aqui debatido nesses autos o “Emodule”, mas lá descrito como “conversor de energia”, ambas com classificação de entrada considerada como código 85.04.40.90. Porém entendeu no julgado acima que por tratar de parte essencial da turbina eólica, sem o qual não há produção de energia elétrica, formando um “corpo único” com função bem delimitada que é a geração de energia elétrica, e por isso, classificados na posição 8502.31.00. No mesmo sentido das conclusões aqui esposadas (classificação fiscal de aerogerador em 8502.31.00), cito o Acórdão nº 9303003.872, in verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/11/2002 GRUPOS ELETROGÊNEOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Classificamse na posição 8502.39.00 tanto o gerador elétrico quanto a máquina motriz que compõem os grupos eletrogêneos, nos termos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado relativas à posição 8502. Como máquinas motrizes aí enquadráveis, incluemse os elementos essenciais ao seu funcionamento que com ela formem uma "unidade funcional" nos termos da Nota 4 da Seção XVI. Cito ainda, os acórdãos n° 3201002.248 e 330005.698. Fl. 968DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 969 22 No tocante à cordoalha, mais se revela indevida a exigência fiscal, haja vista que o citado inciso VIII, do art. 5, do Regulamento, adiante transcrito, não exclui a incidência do imposto nas saídas dos produtos destinados à montagem do estabelecimento do contribuinte. Confirase: “Art. 5° Não se considera industrialização: (...) VIII a operação efetuada fora do estabelecimento industrial, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte: a) edificação (casas, edifícios, pontes, hangares, galpões e semelhantes, e suas coberturas); b) instalação de oleodutos, usinas hidrelétricas, torres de refrigeração, estações e centrais telefônicas ou outros sistemas de telecomunicação e telefonia, estações, usinas e redes de distribuição de energia elétrica e semelhantes; ou c) fixação de unidades ou complexos industriais ao solo;” A norma do inciso, acima transcrito, está sujeita à limitação contida no preceito do parágrafo único do mesmo artigo, não mencionado na informação do Auditor: “Parágrafo único. O disposto no inciso VIII não exclui a incidência do imposto sobre os produtos, partes ou peças utilizados nas operações nele referidas.” Aliás, nesse tópico a exigência revela, em certa medida, uma posição contraditória do procedimento fiscal, como um todo, porque se a instalação das cordoalhas não fosse fato gerador do IPI, pelo mesmo motivo não o seria a instalação do “emodule”. Sem dúvida, nesses casos, a montagem não é fato gerador do imposto, mas a saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial é, por força do acima transcrito parágrafo único. Estando o produto classificado na posição 85.02.31.00, mesmo sendo tributável a saída, a alíquota é zero, com manutenção dos créditos derivados das entradas ou mesmo do devido no desembaraço aduaneiro. Quanto à classificação, no caso das cordoalhas, a situação é diferente do “e module”, pois a exigência não teria como fundarse na a invocação da exceção citada pela autoridade fiscal, porque não se trata de produto classificado em nenhuma posições do Capítulo 85. Neste caso, mas por força da expressa disposição contida na descrição do produto da posição 8503.00, por serem fabricadas na medida certa para fixação das torres dos aerogeradores, a única classificação possível é nesta última. Neste caso também não paira qualquer dúvida sobre o precedente invocado pela Recorrente, no processo acima referido. Fl. 969DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10855.722810/201770 Resolução nº 3302001.160 S3C3T2 Fl. 970 23 Por conseguinte, restando irrepreensível a classificação adotada pelo contribuinte em relação ao sistema Emolule e cordoalhas, não há falarse em aplicação de multa de ofício. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no processo nº 16027.720387/201711, de tal sorte o meu voto é no sentido de sobrestar o julgamento até a definitividade do processo nº 16027.720387/201711. É como voto. Denise Madalena Green Relator Fl. 970DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10675.003624/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01101/1999 a 31/1212006
RECURSO INTEMPESTIVO
definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2402-001.300
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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OLIVEIRA - Presidente AN MARIA BAND IRA — Relatora S2-C4T2 Fl 258 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SECA() DE JULGAMENTO Processo n° 10675.003624/2007-84 Recurso n" 158.046 Voluntário Acórdão n° 2402-01.300 — 4' Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2010 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente CTBC SERVIÇOS DE CALL CENTER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01101/1999 a 31/1212006 RECURSO INTEMPESTIVO definitiva a decisão de primeira instancia quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. RECURSO VOLUNTÁRIO WAD CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado corn fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei no 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5°, acrescentados pela Lei n° 9.5281 1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 40 do Decreto 11° 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP — Guia de Recolhimento do POTS e Informações Previdência Social coin dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciarias. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 17), a empresa entregou GFIPs mensais onde deixou de incluir na remuneração informada de seus segurados empregados as seguintes rubricas, que constituem fato gerador de contribuição previdencidria: - Vale Transporte pago em pecúnia aos segurados empregados; - Prêmios de incentivo à produtividade, pagas por meio de cartões, não incluidos em folhas de pagamentos e - Contribuição patronal para a previdência privada de segurados empregados de nível executivo. A autuada apresentou defesa (fls. 148/175) após o que foi emitido Acórdão no 09-18.453 (fls. 205/213) pelo qual a 5' Turma da DRJ Juiz de Fora (MG) considerou a autuação procedente. Conforme documentos emitido pelos Correios (fl. 218), a autuada foi intimada da decisão de primeira instancia em 21/02/2008. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso intempestivo (fls. 221/249 — Vol II) onde alega que o presente auto de infração é correlato à NFLD n° 37.031.210-4, onde foram lançadas as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos, Assim, entende que o julgamento do auto de infração só poderia ocorrer após ou concomitantemente com o julgamento da citada notificação. Aduz que houve decadência parcial relativamente a NFLD IV 37.031,210-4_ No mérito, entende que não incidem contribuições previdenciarias sobre os vales transportes e que não ha restrição para que o mesmo seja pago em pecUnia. De igual forma, entende que não ha incidência de contribuição sobre os valores de previdência privada oferecida. Considera que nada ha de errado no faro de haver oferecimento de planos diferenciados entre os empregados ocupantes de cargos executivos e dos não ocupantes. Alega que a multa aplicação não seria razoável e questiona se o calculo do limite da multa levaria em conta o número total de segurados da empresa ou apenas aqueles envolvidos na situação irregular, E o relatório. 2 Processo n" 10675 003624/2007-84 S2-C4T2 Acerdio 2402-01.300 Fl 259 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto à admissibilidade do recurso é necessário verificar a sua tempestividade. A recorrente teve ciência da decisão de primeira instancia em 21/02/2008 e pela contagem dos 30 dias, o prazo para interposição de recurso terminaria em 22/0.3/2008, sábado, prorrogável para 24/03/2008, segunda feira. No entanto, o recurso só foi apresentado em 26/03/2008, quarta feira . A legislação de regência quando trata da intimação via postal estabelece que a intimação sera considerada feita pelo recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. A legislação citada encontra-se no Decreto n° 70.2.35/1972, que trata da intimação via posta em seu art. 2.3, inciso H, conforme se verifica abaixo: Art.23 - Far-se-6 a intimação: (—) II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outiD meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo,. Portanto, demonstrada a intempestividade do recurso, o mesmo não pode ser conhecido. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de NÃO CONHECER dO recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 22 de outubro de 2010 atio&u.-3-2 1\tV MARIA BANE), IRA - Relatora 3 crBf LAvato • Zarb Madalena MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS — Q. 01 — BLOCO "J" — ED. ALVORADA —11° ANDAR EP: 70396-900 — BRASÍLIA (DF) Tel: (0xx61) 3412-7568 PROCESSO: 10675.003624/2007-84 INTERESSADO: CTBC SERVIÇOS DE CALL CENTER S/A TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2402-01.300 de folhas / Encaminhem-se os autos a Repartição de Origem, para as providências de sua alçada.
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902639/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO
Tratando-se de processo contencioso de compensação, é ônus do contribuinte comprovar, por meio de notas fiscais, demonstrações contábeis ou outros documentos idôneos, a certeza e liquidez do crédito.
Numero da decisão: 1302-005.759
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-005.741, de 16 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10580.902644/2013-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: CLEUCIO SANTOS NUNES
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-22T13:37:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-22T13:37:19Z; Last-Modified: 2021-10-22T13:37:19Z; dcterms:modified: 2021-10-22T13:37:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-22T13:37:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-22T13:37:19Z; meta:save-date: 2021-10-22T13:37:19Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-22T13:37:19Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-22T13:37:19Z; created: 2021-10-22T13:37:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2021-10-22T13:37:19Z; pdf:charsPerPage: 1594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-22T13:37:19Z | Conteúdo => S1-C 3T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10580.902639/2013-24 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-005.759 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2021 Recorrente PREDIAL HIGIENIZACAO LIMPEZA E SERVICOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO Tratando-se de processo contencioso de compensação, é ônus do contribuinte comprovar, por meio de notas fiscais, demonstrações contábeis ou outros documentos idôneos, a certeza e liquidez do crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302- 005.741, de 16 de setembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10580.902644/2013- 37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 26 39 /2 01 3- 24 Fl. 869DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.902639/2013-24 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa indicada acima contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Em síntese, o caso versa sobre PER/DCOMP para compensar crédito de saldo negativo de CSLL/IRPJ com débito tributários da própria empresa. De acordo com o despacho decisório o PER/DCOMP foi homologado parcialmente, tendo em vista que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. A recorrente apresentou a manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que a análise do crédito realizada pelo despacho decisório estaria equivocada. Isso porque, que eventuais inconsistências nos valores por ela informados e os detectados nos sistemas da RFB não poderiam prejudicar a empresa, pois não teria responsabilidade pelos valores declarados pelas fontes pagadoras. Invocou precedentes do Carf para corroborar seus argumentos e alertou para o fato de que ofereceu as receitas à tributação, informando-as na DIPJ. Finalizou a defesa, requerendo, em resumo, a homologação da compensação. Na decisão, a DRJ argumentou que a prova das retenções de CSLL/IRPJ não poderia depender unicamente das informações contábeis da empresa, devendo ser conciliadas com as pesquisas nos sistemas da RFB. A empresa interpôs recurso voluntário insurgindo-se contra a decisão, alegando, basicamente, que eventuais divergências entre valores constantes dos sistemas da RFB e os apurados não podem ser atribuídas à recorrente. Insistiu que as informações contábeis juntadas com a manifestação de inconformidade fariam prova de que o crédito deveria ser reconhecido em sua integralidade. Cita decisões do Carf e do Poder judiciário que entende dar abono à sua tese e junta balanços contábeis. Acrescentou alegação de prescrição intercorrente, o que não foi sustado na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 870DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.902639/2013-24 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo preenche os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. A recorrente suscita – ainda que não deixe clara essa intenção – preliminar de prescrição intercorrente. Ocorre que essa matéria, é objeto da Súmula Carf nº 11, que não reconhece esse tipo prescrição. Assim, afasto a alegação de prescrição intercorrente. Em relação ao mérito, a controvérsia se resume à comprovação dos valores de CSLL retidos sobre notas fiscais de prestação de serviços realizada pela recorrente. Conforme relatado, a recorrente informou no PER/DCOMP um crédito de saldo negativo de CSLL no montante de R$ 86.285,55, referente ao 2º trimestre de 2009. Deste montante, o despacho decisório reconheceu somente R$ R$ 61.394,09 de saldo negativo. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alega que as cópias do livro razão do período e as notas fiscais juntadas, comprovam o total das retenções o qual confirmaria os valores informados no PER/DCOMP. Conciliando as notas fiscais e livro razão juntados pela empresa e as informações nos sistemas da Receita, a DRJ confirmou o total R$ 178.754,77 de retenções, ajustando o saldo negativo remanescente de R$ 7.478,96. No recurso voluntário, a recorrente pediu o provimento do apelo para que fosse homologada a integralidade do crédito informado no PER/DCOMP, ou seja, R$ 86.285,55 e não até o montante reconhecido pela DRJ. Ocorre que com a peça recursal não é juntado nenhum outro documento que refute a análise realizada pela instância recorrida. Aliás, no recurso, as alegações da recorrente se resumem a sustentar que não pode ser responsável por eventuais divergências entre os valores por ela apurados e os constantes dos sistemas da Receita. Insiste que o livro razão e as notas fiscais juntadas com a manifestação de inconformidade, confirmariam o saldo negativo original informado no PER/DCOMP. Por fim, junta uma planilha relacionando seus fornecedores e as alegações retenções na fonte. O recurso faz um conjunto de alegações genéricas, fundadas na ausência de responsabilidade do contribuinte em relação a eventuais divergências Fl. 871DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.902639/2013-24 entre os valores de CSLL constantes dos sistemas da RFB e os que foram apurados pela recorrente. Tratando-se de processo contencioso de compensação, é ônus do contribuinte comprovar, por meio de notas fiscais, demonstrações contábeis ou outros documentos idôneos, a certeza e liquidez do crédito. Realmente, a recorrente juntou com a manifestação de inconformidade o livro razão do período com diverso lançamentos contábeis e um farto número de notas fiscais de fls. 58/468. No entanto, presume-se que a DRJ, ao informar que conciliou as provas produzidas pela recorrente com os sistemas da RFB, tenha analisado a documentação anexada, chegando à confirmação do valor de R$ 178.754,77 de CSLL retidas. No ponto, veja-se a fundamentação da DRJ: No caso em concreto, o total das parcelas computado pela interessado na composição do saldo negativo não foi confirmado pelo Despacho Decisório. No entanto, documentação comprobatória trazida aos autos e pesquisas realizadas nos sistemas da RFB, especialmente extrato de fls. 503/507, confirmam antecipações efetuadas que satisfazem em parte as deduções pretendidas, valor de R$ 178.754,77, após conciliadas divergências na identificação de códigos de receita e/ou CNPJ de fontes pagadoras. Assim, uma vez comprovada nos autos a existência de parte do direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, deve ser reconsiderada a decisão proferida pela autoridade administrativa, a fim de que seja reconhecido o valor do crédito utilizado na DCOMP em análise, de R$ 7.478,96, conforme quadro demonstrativo abaixo:. A recorrente não indica e nem comprova no recurso voluntário, em que a DRJ se equivocou com a conciliação realizada. Cabia à recorrente indicar no recurso voluntário que a DRJ não considerou, ou calculou erroneamente, os valores retidos em determinadas notas fiscais. Alegar que a documentação juntada com a manifestação de inconformidade está correta quando a DRJ afirma que a analisou e encontrou divergências, demandaria o dever do contribuinte de, no mínimo, indicar o erro de análise da DRJ, mas isso não foi feito. Nem se diga que não teria como se indicar eventual equívoco da decisão recorrida, porque a análise em questão foi feita como base nos extratos de fls. 503/507, em que constam os CNPJs, códigos da receita, valores retidos e a informação se foi total ou parcialmente confirmadas as retenções. Com base nesses extratos, a recorrente poderia comparar com suas informações contábeis e notas fiscais e indicar onde teria ocorrido o erro na conciliação feita pela decisão recorrida. Concluiu-se, portanto, que não há prova da totalidade do crédito indicado no PER/DCOMP. Diante do exposto, conheço parcialmente do recurso e voto em negar provimento. Fl. 872DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.759 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.902639/2013-24 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma adotados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 873DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10580.100113/2007-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3402-000.362
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Recorrida DRJ SALVADOR (BA) RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. NAYRA BASTOS MANATTA (Presidente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Relator) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Masaaki Kanamaru (Suplente). Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10580100113/200769 Resolução n.º 3402000362 CSRFT3 Fl. 191 2 RELATÓRIO Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Tratase de Auto de Infração (fls. 05/16) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI relativo ao 2° e 3° decêndios de janeiro de 2003; 1° e 2° decêndios de junho de 2003; 3° decêndio de agosto de 2003; 2° e 3° decêndios de setembro; 1°, 2° e 3° decêndios de novembro de 2003; 1°, 2° e 3° decêndios de dezembro de 2003; 2 quinzena de março de 2004; e janeiro de 2005. No item 001 do Auto de Infração, o autuante informa ter constatado que a contribuinte deu saída a produtos industrializados sem o respectivo destaque do IPI, objeto de 7 (sete) notas fiscais, conforme planilha às folhas 37/38 e Registro de Entradas à folha 39. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 18/21) que 2 (duas) notas fiscais (fls. 40/41) referemse a saídas para exposição, com suspensão do imposto, em que não houve a comprovação do posterior retorno; para 3 (três) notas fiscais, não foi confirmado o internamento na Zona Franca de Manaus — ZFM, o que garantiria a isenção do IPI na saída; 1 (uma) nota fiscal referese a saída como bonificação, doação ou brinde sem o destaque do IPI; e 1 (uma) nota referese a remessa em demonstração, em cuja saída também não foi destacado o IPI. O item 002 do Auto de Infração, conforme mencionado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 18/21), referese a "três pequenas diferenças de IPI não recolhido nem declarado em DCTF" referentes aos períodos 2 12/03, 203/04 e 01/05, conforme planilha à folha 42. Quanto ao item 003 do Auto de Infração, referese a glosa de "créditos básicos" indevidamente considerados pela contribuinte, conforme planilha à folha 25, os quais, segundo o autuante, decorreram da não apresentação à fiscalização de 2 (duas) notas fiscais e do lançamento equivocado de crédito a maior em 1 (uma) nota fiscal (fls. 27/28). Por fim, em relação ao item 004 do Auto de Infração, informa o autuante que a contribuinte creditouse do IPI em desacordo com o regulamento do imposto — RIPI e com os termos da decisão judicial (fls. 228/237) proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.33.00.0080984 (fls. 203/227), que permitiu o uso de créditos decorrentes das entradas de insumos não tributados, isentos e tributados à alíquota zero, conforme planilhas às folhas 25 e 29, sendo que, por tratarse de matéria ainda sob exame do Poder Judiciário, o crédito tributário foi constituído com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional CTN. No que tange à inobservância do regulamento do imposto, a contribuinte se creditou do IPI incidente sobre o consumo de energia elétrica e gás natural no ano de 2003 (fls. 30/31), utilizados, segundo a própria contribuinte (fls. 149/152), para iluminação, operação de máquinas e produção de energia térmica, não se enquadrando, portanto, no conceito de insumos "consumidos" no processo de Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10580100113/200769 Resolução n.º 3402000362 CSRFT3 Fl. 192 3 industrialização, e cujas aquisições geram direito ao crédito do IPI, conforme dispõe o Parecer Normativo CST n°65/79. Quanto ao creditamento do IPI sobre a entrada de produtos sem alíquota do imposto, segundo o autuante, tanto a contribuinte quanto o juiz deixaram claro que deveria ser adotada a alíquota incidente sobre o produto industrializado vendido pelo estabelecimento, utilizandose, por essa razão, a alíquota de 10% por cento, visto ser essa a alíquota de quase todos os produtos vendidos ("Relação de Itens que Constam no Faturamento" às folhas 48/54). Contudo, parte significativa das vendas no ano de 2003 foi de pantufas, produto NCM 6217.90.00 tributado à alíquota zero (demonstrativo às folhas 33/34). Logo, entende o autuante que no cálculo de recuperação do IPI não deveria ser considerada a parcela dos insumos especificamente destinados àquele produto, ou então calcular o IPI total, excluindose posteriormente a parcela de crédito proporcional à razão representada pela venda de pantufas sobre a venda total de produtos industrializados pela fábrica. Considerandose que a "matriz insumoXproduto" fornecida pela contribuinte em relação às pantufas (fl. 35) evidencia que os insumos aplicados são os mesmos das planilhas de cálculo do crédito judicial, que utilizaram, como referência, uma alíquota de 10%, a fiscalização, para corrigir essa inconsistência, calculou a participação percentual em relação ao total dos créditos apropriados, "corrigindo o desbalanço matemático" (demonstrativo da glosa à folha 32). Em relação à ação judicial proposta pela contribuinte, a sentença de primeiro grau, datada de 07/05/2003, contemplou o pedido da contribuinte em sua totalidade, sendo em 26/06/2003 os autos remetidos ao TRF da l a Região. Destaca o autuante que a contribuinte efetuou seu levantamento, num total de R$ 717.308,76, e se creditou no RAIPI sob as rubricas — ainda que, segundo o autuante, "um tanto impróprias" — de "créditos extemporâneos" e "crédito presumido" (fls. 116/120), conforme informação da contribuinte à folha 26. Ao final, foi efetuada a reconstituição da escrita fiscal (fls. 22/24), e os saldos devedores resultantes foram lançados de ofício. Ao presente processo foram ainda anexados os seguintes documentos: Mandado de Procedimento Fiscal — MPF (fls. 01/02); "Relação dos Insumos Utilizados no Ano de 2003" (fls. 43/47); "Relação de Itens que Constam no Faturamento" (fls. 48/54); "Demonstrativo parcial dos cálculos dos créditos judiciais 09/00 a 06/03" (fls. 55/103); Termo de Início (fls. 121/125); outros termos lavrados durante a fiscalização (fls. 126/132); Relatório de Produção (fls. 133/148); RAIPI (fls. 154/200); Termo de Encerramento (fl. 249). A contribuinte foi cientificada do lançamento em 09/04/2007 (fl. 05) e apresenta em 08/05/2007 a impugnação de folhas 254/267, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. atividade desenvolvida pela contribuinte é intensivamente dependente da utilização de energia elétrica e gás natural, ambos não Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10580100113/200769 Resolução n.º 3402000362 CSRFT3 Fl. 193 4 tributados, mas que se enquadram perfeitamente na hipótese de creditamento descrita no Regulamento do IPI; 2. O Parecer Normativo CST n° 65/79, invocado pela fiscalização para sustentar a autuação, cria exigência inexistente no RIPI, qual seja, o contato físico com o produto, exigência impossível de ser veiculada por intermédio de parecer normativo e que tem sido afastada pelas instâncias administrativas; 3. A porção de energia elétrica empregada na produção vem sendo incluída na base de cálculo do "crédito presumido" do IPI, utilizando se da mesma proporção da energia total admitida no creditamento do ICMS; 4. A fórmula adotada pela fiscalização no cálculo do crédito a ser glosado é abusiva, ao arbitrar o valor da glosa mesmo quando fornecidos todos os elementos necessários à apuração efetiva do montante dos insumos aplicados na fabricação das pantufas, e imprecisa por utilizar bases temporais discrepantes, conduzindo a grave distorção no valor do crédito glosado; 5. Segundo a impugnante, o arbitramento em matéria tributária é técnica de aferição indireta da perspectiva dimensível do fato gerador, quando os mecanismos usuais de medição não possuem credibilidade suficiente para suportar a matéria de fato jurisdicizada pelo lançamento, transcrevendo doutrina que corroboraria seus argumentos; 6. No presente caso, não há elemento algum apto a autorizar a desconsideração da escrita fiscal da empresa e a utilização excepcional do arbitramento, visto que a fiscalização em momento algum pôs em dúvida a idoneidade da escrita contábil ou a veracidade das informações prestadas, e, diferentemente do que consta no Auto de Infração, não há duas formas alternativas de apuração do crédito a ser glosado; 7. A fiscalização nem sequer alega a impossibilidade de aferição direta do crédito a ser glosado, pelo contrário, admite que lhe foram disponibilizados todos os elementos necessários ao cálculo, inclusive a matriz "insumoXproduto" das pantufas, e ainda assim optou por calcular o crédito por aferição indireta, sendo, portanto, ilegal o arbitramento e improcedente a autuação neste particular; 8. A metodologia adotada pelo autuante é falha, pois os créditos de origem judicial se originam das entradas de insumos nos anos de 2000 a 2003, enquanto que a relação "vendas totais/vendas de pantufas" se refere apenas ao ano de 2003, nada autorizando a se deduzir que a referida relação seja a mesma em todo o período em que os créditos foram levantados; 9. A produção de pantufas foi episódica, visando atender à demanda de um único cliente, e fortemente concentrada no ano de 2003, o que desequilibrou o valor do estorno para maior, sendo que nos outros anos a venda de pantufas foi percentualmente muito inferior; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10580100113/200769 Resolução n.º 3402000362 CSRFT3 Fl. 194 5 10. A impugnante elabora demonstrativos dos insumos consumidos na fabricação de pantufas no ano de 2003, com base nas fichas industriais do produto postas à disposição da fiscalização, afirmando que as matériasprimas despendidas na fabricação de pantufas totalizam R$ 248.738,69, enquanto que a venda total do produto foi de R$ 1.283.721,50, representando os insumos o percentual de 19,37% das saídas do produto no ano de 2003; 11. Das matériasprimas listadas, apenas a pelúcia é tributada à alíquota zero, e portanto foi indevidamente considerada como base de cálculo na apuração do crédito presumido judicial, visto que as demais são tributadas pelo IPI e o seu crédito pode ser perfeitamente aproveitado, independentemente de decisão judicial; 12. Assim, o único crédito a ser estornado é o que foi presumidamente calculado nas aquisições de pelúcia destinada à fabricação de pantufas, no valor de R$ 104.998,06, e dado que o crédito presumido foi calculado à alíquota de 10%, deve ser estornado o valor de R$ 10.499,81. Às folhas 273/277 constam DARF relativos a períodos de apuração de 2003 recolhidos em 30/04/2007. A Delegacia de Julgamento em Salvador proferiu decisão considerando a impugnação procedente em parte, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. Período de apuração: 20/01/2003 a 31/01/2005 CRÉDITOS DECORRENTES DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS PRIMAS ISENTAS, NÃOTRIBUTADAS OU SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal de exigência de crédito tributário, implica a renúncia da discussão na esfera administrativa, tornandose ela definitiva. GÁS E ENERGIA ELÉTRICA. GASTOS GERAIS DE FABRICAÇÃO. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos que não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. MULTA DE OFÍCIO. Cancelase, por inaplicável, penalidade incidente sobre a parcela do crédito tributário com exigibilidade suspensa por força de liminar em mandado de segurança. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual repisa todos os argumentos apresentados na manifestação de Fl. 376DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10580100113/200769 Resolução n.º 3402000362 CSRFT3 Fl. 195 6 inconformidade. Termina sua petição recursal requerendo que seja julgado procedente o recurso para cancelar o auto de infração e os débitos correspondentes. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A primeira questão a ser enfrentada diz respeito ao cálculo dos créditos dos insumos destinados a fabricação de produtos com alíquota zero do IPI na saída. O recorrente alega que elaborou planilha demonstrativa dos insumos consumidos na fabricação de pantufas no ano de 2003, com base nas fichas industriais do produto, e assegura que as matériasprimas despendidas na fabricação de pantufas totalizaram R$ 248.738,69. A fiscalização afirma que (...) a matriz insumoXproduto fornecida pelo contribuinte para suas pantufas mostra claramente que os insumos aplicados ali são os mesmos constantes das planilhas de cálculo do crédito judicial, que utilizaram, como referência, uma alíquota de 10%. Assim, para corrigir essa inconsistência, a Fiscalização calculou a participação percentual das pantufas no total de vendas e glosou o mesmo percentual em relação ao total dos créditos apropriados, corrigindo o desbalanço matemático. Notase com clareza meridiana que as afirmações são conflitantes e conduzem a decisões diferentes. É um evidente caso de matéria prejudicial a ser resolvida antes da análise do mérito. Compulsando os autos, não vejo possibilidade de resolver a prejudicial, pois não há elementos suficientes para a apuração da verdade. Assim, voto no sentido de baixar o processo em diligência para que a fiscalização informe se o sujeito passivo tem documentos probatórios que identifiquem os valores do insumos consumidos exclusivamente na fabricação de pantufas no ano de 2003. No caso positivo, informar o valor do crédito a ser glosado. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Sala das Sessões, em GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 377DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA
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