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Numero do processo: 16327.001506/2010-73
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2006, 2007
COOPERATIVAS. RESULTADO DE OPERAÇÕES COM NÃO COOPERADOS. DESPESAS NÃO LEVADAS EM CONTA NO LANÇAMENTO.
Demonstrado que o resultado de operações com não cooperados, sujeito à incidência tributária, foi influenciado por despesas que não foram levadas em conta no levantamento do Fisco, e que, ao serem consideradas tais despesas, não resta base tributável, correta a decisão que afastou as exigências.
Numero da decisão: 1302-000.933
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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RESULTADO DE OPERAÇÕES COM NÃO COOPERADOS. DESPESAS NÃO LEVADAS EM CONTA NO LANÇAMENTO. Demonstrado que o resultado de operações com não cooperados, sujeito à incidência tributária, foi influenciado por despesas que não foram levadas em conta no levantamento do Fisco, e que, ao serem consideradas tais despesas, não resta base tributável, correta a decisão que afastou as exigências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Marcos Rodrigues de Mello – Presidente Waldir Veiga Rocha – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Cristiane Silva Costa e Marcos Rodrigues de Mello. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL DOS PLANTADORES DE CANA DA ZONA DE GUARIBA, já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 9.505.513,75, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 01. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada à interessada acima identificada, por meio dos autos de infração de imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, de fls. 170/175, no valor de R$3.104.992,48 de imposto e R$2.328.744,35 de multa, e da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, de fls. 176/181, no valor de R$1.135.077,29 de contribuição e R$851.307,96 de multa, ambos acrescidos, ainda, de juros de mora. Integra os autos de infração o Termo de Verificação Fiscal de fls. 184/201. 2. O procedimento é decorrente de ação fiscal promovida pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras da 8ª Região Fiscal – Deinf / SP, a partir da qual se apurou que a interessada, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL referente aos fatos geradores consumados em 31/12/2005 e 31/12/2006, efetuou exclusões indevidas dos resultados positivos provenientes de operações com não associados, conceituadas como atos não cooperativos, implicando redução do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 3. Os enquadramentos legais mencionados nos autos de infração são os seguintes: 3.1. IRPJ: artigos 182 e 250, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99); 3.2. CSLL: art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 37 da lei nº 10.637/2002. 4. Sobre as diferenças de imposto apuradas se fez incidir a multa de ofício no percentual de 75%, conforme determina o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. 5. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 184/201 o autuante relata o seguinte: 5.1. Que a fiscalização teve por objeto a verificação dos recolhimentos de IRRF nos períodos de apuração de janeiro de 2005 a julho de 2010, destacandose a conformidade dos depósitos judiciais efetivados no curso da ação declaratória de n° 1999.61.02.0098737, impetrada na 6a VARA da Justiça Federal de Ribeirão Preto SP, bem como a tributação de valores distribuídos a título de "sobras" apuradas no encerrando de cada anocalendário; 5.2. Que a interessada é uma cooperativa de crédito rural legalmente constituída como instituição financeira e tem como objeto social, entre outros, proporcionar, através da mutualidade, assistência financeira aos cooperados em suas atividades específicas, bem como o desenvolvimento de programas de poupança, de Fl. 336DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 3 3 uso adequado do crédito e de prestação de serviços. Sua atividade é regulamentada atualmente pela Resolução n° 3.442/2007 do Conselho Monetário Nacional, e por ser instituição financeira organizada sob a forma de cooperativa, está sujeita a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica pelo Lucro Real inciso II do artigo 14 da Lei 9.718/98; 5.3. Que a interessada obtém seus recursos de três fontes: das quotas parte subscritas pelos associados, dos depósitos a vista e a prazo também captados junto a seus associados e de obrigações por empréstimos e repasses captados junto a instituições financeiras oficiais e privadas e instituições participantes do sistema cooperativo nacional. Na ponta da aplicação destes recursos disponíveis, concede financiamentos/operações de crédito a seus associados e aplica os recursos excedentes tanto em instituições do sistema cooperativo nacional como em instituições financeiras oficiais e privadas; 5.4. Que há excesso de captação de recursos em relação ao crédito demandado pelos cooperados, o que gera uma "liquidez", que é aplicada em instituições financeiras privadas, alheias ao sistema cooperativo. Tal conclusão teria sido extraída do Relatório Anual Coopecredi Exercício 2009, disponível no endereço http://www.coplana.com/gxpsites/hgxpp001.aspx?l,9,663,O,P,0 que, apesar de se referir a anos calendário diferentes dos autuados, ajudam a formar a convicção em relação a forma de operação da interessada; 5.5. Que a estratégia de gestão financeira da interessada seria de possuir uma relação de 1:1 entre empréstimos tomados e recursos aplicados junto aos bancos privados, levando à conclusão que o seu interesse principal é a apropriação do diferencial de taxas de juros pagos na captação de linhas de crédito destinadas ao setor rural, com encargos subsidiados 3% (Securitização) e 6,75% (Custeio), conforme fls. 38 do Relatório Operacional, às fls. 71 e os auferidos nas aplicações financeiras no mercado de títulos públicos federais, aplicações estas que alcançaram, no encerramento de 2009, o montante de 30,2% de seus Ativos; 5.6. Que estaria caracterizado que parte das operações da interessada são consideradas como atos não cooperativos, conforme afirmado por ela própria em resposta à Intimação Fiscal n° 02 fls. 94/95 item 5.3 de sua resposta fls. 99 a seguir transcrito: "5.3 Na Coopecredi não é diferente, os Bancos cooperativos não conseguem atender as suas necessidades, obrigandoa a recorrer as Inst ituições Finance iras não cooperat ivas na captação de recursos (grifo nosso) para complementar os financiamentos rurais de seus cooperados. Nas negociações dessa captação a Cooperativa é obrigada a oferecer garantias, e reciprocidade, entre elas apl icações f inance iras (gr i fo no origina l) . É importante esclarecer que essas apl icações f inanceiras não tem f inal idade especulativa (gr ifo nosso) , pois são feitas através de CDI Certificado de Depósitos Interfinanceiros, sendo sua remuneração idêntica a praticada pelos Bancos Cooperativos." 5.7. Que ao contrário do afirmado pela interessada, estas aplicações são claramente especulativas, uma vez que afirmou no item 5.4 do mesmo expediente que "Os recursos para suprir essas aplicações financeiras em Bancos Privados e Cooperativos são oriundos de depósitos à vista e a prazo dos cooperados, que já sofrem Retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre seus rendimentos." A fiscalização apresenta, à fl. 188, tabela elaborada a partir dos demonstrativos financeiros de fls. 101/104, que compara o volume de recursos aplicados nos anos calendário de 2005 e 2006 em atividades financeiras em relação às atividades de Fl. 337DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 4 4 crédito, concluindo que, verbis, “não pode prosperar qualquer alegação por parte da COOPECREDI de que eventuais aplicações de recursos no mercado financeiros sejam atividades esporádicas, oriundas de "sobras de caixa" e caracterizadas como tal como atividades cooperativas: os percentuais de 68% e 64% de recursos totais disponíveis, conforme o ano calendário, aplicados no mercado financeiro ao invés de destinados à atividade fim da COOPECREDI, caracterizam uma deliberada estratégia de atuação e não mera gestão de eventuais sobras de recursos captados junto aos cooperados e no mercado financeiro” (Grifo do original); 5.8. Que o raciocínio lógico é o de que um cooperado que possua recursos para aplicação em depósitos a prazo que depois são reaplicados no mercado financeiro não precisaria tomar empréstimos na proporção de 1:1, a não ser com a finalidade especulativa de apropriação de diferenciais de taxas. Este mesmo raciocínio se aplica ainda que as aplicações financeiras sejam efetuadas com os próprios recursos captados como empréstimos, situação esta ainda pior por caracterizar o desvio do objetivo de subsidiar e incentivar a produção agrícola nacional; 5.9. Que regularmente intimada quanto ao tratamento tributário dispensado aos rendimentos financeiros auferidos junto a instituições financeiras não cooperadas item 7 da Intimação Fiscal n° 01, à fl. 04 – a interessada alegou, à fl. 93, que “o tratamento tributário aplicado aos rendimentos financeiros em Bancos não cooperados é considerado por todo o sistema cooperativo com sendo ato cooperativo, e, portanto, não sujeito à incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social. As receitas de aplicações financeiras com Bancos não cooperativos encontramse demonstradas nos Balanços Patrimoniais que estão sendo apresentados (2005 a 2009), mais especificamente na Demonstração de Sobras e Perdas, na conta "Valores Mobiliários". O embasamento legal encontrase previsto no artigo 79 da Lei n° 5.764/1971, consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial n° 717.126. Insta ressaltar que os valores das receitas em Bancos não cooperados, que constam separadamente no Demonstrativo de Sobras e Perdas, na conta valores mobiliários, estão sem a dedução das despesas de intermediação e outras despesas operacionais, para fins de apuração do lucro líquido. As cópias das escriturações contábeis estão sendo apresentadas, constando Inclusive juntamente a este protocolo as cópias das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (2005 a 2009), a qual contam na linha 57, ficha 09B, a exclusão do resultado líquido, por se tratar de valor totalmente isento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, dado ser ato essencialmente cooperativo. Finalmente observamos que sobre os rendimentos obtidos em Bancos não cooperativos, inexiste a retenção do Imposto de Renda na Fonte, por ser a cooperativa considerada por Lei como Instituição Financeira autorizada pelo Banco Central." 5.10. Que uma análise preliminar das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ apresentadas pela interessada referente aos anoscalendário de 2005 e 2006 fls. 105 a 152 indica que a totalidade do resultado anual é excluída na apuração do Lucro Real Ficha 09B fls. 111 e 135, respectivamente sob a rubrica de "Resultados não Tributáveis de Sociedades Cooperativas"; 5.11. Que há incidência do IRPJ sobre as rendas de aplicações financeiras em instituições não cooperativas, nos termos do artigo I o da Instrução Normativa SRF n° 333/03, Súmula STJ n° 262/2002 e Parecer Normativo CST n° 4 de 14 de fevereiro de 1986; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 5 5 5.12. Que foram efetuados ajustes na apuração do resultado de cada ano calendario, mediante segregação dos valores relativos às rubricas "Rendas de Títulos de Renda Fixa", "Despesas de Obrigações por Empréstimos e Repasses" e "Resultado não Operacional" dos demais itens da ficha 06B das respectivas DIPJ's, observando que as despesas operacionais foram rateadas conforme o disposto no Parecer Normativo CST n° 73/1975, o qual determina em seu item 6 que após a identificação dos custos diretos, os custos e despesas indiretos devem ser apropriados proporcionalmente ao valor das duas receitas brutas, a saber, receitas das atividades próprias da cooperativas e as receitas derivadas das operações por ela realizadas com terceiros; 5.12. Que as despesas com depósitos a prazo todas foram consideradas como decorrentes de captações junto aos seus associados, na forma de norma expedida pelo Banco Central do Brasil determinando que “As sociedades de crédito, financiamento e investimento podem captar recursos por meio de RDB de pessoas físicas e jurídicas e as cooperativas de crédito de seus associados. (Res 3442 art. 311; Res 3454 art. 2oI, II)"; 5.13. Que antecipando possível alegação da interessada de que as despesas de intermediação financeira decorrentes de captação de recursos junto ao mercado de capitais também devem ser deduzidas na apuração de resultado das atividades com não cooperados, a fiscalização sustenta que os valores lançados na rubrica 7.1.5.10.000 "RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" já contempla a receita efetiva auferida pela instituição no período, conforme disposto no Plano Contábil das Instituições do SFN COSIF Capítulo 2, Seção 2.2, Função e Funcionamento das Contas; 5.14. Que deve ser atribuído tratamento especial às despesas de obrigações por empréstimos e repasses, uma vez que parte destas despesas são devidas a instituições financeiras do sistema cooperativo. Assim, a partir da Escrituração Contábil Digital ECD apresentada extraiuse planilha (fl. 162) identificando estes valores para cada período de apuração. Devidamente intimada, a interessada confirmou os valores apurados a partir da ECD e apresentou as planilhas de fls. 167 e 168 com a segregação dos valores lançados na linha “Despesas de Obrigações de Empréstimos e Repasses” indicados nas respectivas DIPJ em “Operações de Mercado” e “com Cooperado”; 5.15. Que as tabelas a seguir elaboradas pela fiscalização (fls. 198/199) demonstram os ajustes efetuados para cada um dos anoscalendário analisados: ANO CALENDÁRIO 2005 AC 2005 TOTAL DIPJ COOPERADO NÃO COOPERADO despesas de depósitos de aviso prévio 13.366.619,88 13.366.619,88 despesas de depósitos a prazo despesas de obrigações por empréstimos e repasses 6.358.971,34 381.894,78 5.977.076,56 DESPESAS DE ATIVIDADES FINANCEIRAS 19.725.591,22 13.748.514,66 5.977.076,56 rendas de adiantamentos a depositantes 176.707,98 176.707,98 rendas de empréstimos e títulos descontados 3.447.934,35 3.447.934,35 rendas de financiamentos 17,05 17,05 rendas de financiamentos rurais 4.886.472,99 4.886.472,99 rendas de títulos de renda fixa 19.690.120,79 457.744,40 19.232.376,39 recuperação de créditos baixados como prejuízo rendas de repasses interfinanceiros 31.619,44 31.619,44 RECEITAS DA ATIVIDADE FINANCEIRA 28.232.872,60 9.000.496,21 19.232.376,39 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 6 6 RESULTADO DA ATIVIDADE FINANCEIRA 8.507.281,38 (4.748.018,45) 13.255.299,83 rendas de prestação de serviços 176.127,52 176.127,52 reversão dos saldos de provisões operacionais 174.049,75 174.049,75 outras receitas operacionais 2.301.784,13 2.301.784,13 () despesas com Provisões para Operações de Crédito* (415.770,36) (415.770,36) () demais despesas operacionais rateáveis* (6.030.482,30) (1.922.487,09) (4.107.995,21) () total despesas operacionais* (6.446.252,66) (2.338.257,45) (4.107.995,21) LUCRO OPERACIONAL 4.712.990,12 (4.434.314,50) 9.147.304,62 RESULTADO NÃO OPERACIONAL 30.182,00 30.182,00 SOBRA/LUCRO DO EXERCÍCIO 4.743.172,12 (4.434.314,50) 9.177.486,62 ANO CALENDÁRIO 2006 AC 2006 TOTAL DIPJ COOPERADO NÃO COOPERADO despesas de depósitos de aviso prévio 14.775.055,55 14.775.055,55 despesas de depósitos a prazo - despesas de obrigações por empréstimos e repasses 10.145.515,39 655.955,47 9.489.559,92 DESPESAS DE ATIVIDADES FINANCEIRAS 24.920.570,94 15.431.011,02 9.489.559,92 rendas de adiantamentos a depositantes 156.310,29 156.310,29 rendas de empréstimos e títulos descontados 3.323.974,99 3.323.974,99 rendas de financiamentos 232,94 232,94 rendas de financiamentos rurais 8.207.916,51 8.207.916,51 rendas de títulos de renda fixa 16.082.993,02 16.082.993,02 recuperação de créditos baixados como prejuízo - rendas de repasses interfinanceiros 23.401,85 23.401,85 RECEITAS DA ATIVIDADE FINANCEIRA 27.794.829,60 11.711.836,58 16.082.993,02 RESULTADO DA ATIVIDADE FINANCEIRA 2.874.258,66 (3.719.174,44) 6.593.433,10 rendas de prestação de serviços 263.49,1,28 263.491,28 reversão dos saldos de provisões operacionais 862.790,68 862.790,68 outras receitas operacionais 8.471.542,43 8.471.542,43 () despesas com Provisões para Operações de Credito* (640.985,22) (640.985,22) () demais despesas operacionais rateáveis* (5.626.040,46) (2.370.630,34) (3.255.410,12) () total despesas operacionais* (6.267.025,68) (3.011.615,56) (3.255.410,12) LUCRO OPERACIONAL 6.205.057,37 2.867.034,39 3.338.022,98 RESULTADO NÃO OPERACIONAL 96.460,38 96.460,38 SOBRA/LUCRO DO EXERCÍCIO 6.301.517,75 2.867.034,39 3.434.483,36 * DESPESAS OPERACIONAIS INDIRETAS RATEADAS CONFORME DISPOSTO NO PN CST 73/75. 5.16. Que os valores a serem tributados pelo IRPJ e CSLL decorrentes da apuração do lucro real com os ajustes promovidos e demonstrados nos exercícios de 2006 e 2007, anoscalendário de 2005 e 2006, é de, respectivamente, R$9.177.486,62 e R$3.434.483,36. 6. Inconformada com a exigência, a interessada interpôs a petição de fls. 205/234, na qual alega, em síntese, o seguinte: 6.1. Preliminarmente, requer seja declarada a nulidade do lançamento fiscal, uma vez que o mesmo desrespeitaria cláusula formal constante no artigo 142 do CTN, baseado no seguinte: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 7 7 6.1.1. Porque o ajuste da base de cálculo realizada pela fiscalização teria majorado o tributo, por não deduzir das rendas de título de renda fixa as correspondentes despesas de depósito de aviso prévio que delas se originam, que são dedutíveis, tal como previsto no Regulamento do Imposto de Renda (artigo 226, inciso I, do RIR), incorrendo desta forma, independentemente do conceito de ato cooperativo ou não, na violação do disposto no artigo 142 do CTN; 6.1.2. Porque a incidência do IRPJ e da CSLL sobre as rendas de títulos de renda fixa na cooperativa implica bitributação sobre o mesmo fato imponível, considerando que os depósitos de aviso prévio são dos cooperados e que a aplicação dos mesmos junto ao mercado financeiro visa remunerar o capital deste cooperado, que já sofre a incidência do Imposto de Renda na Fonte sobre os juros pagos, os quais são os mesmos juros remunerados à cooperativa pela renda fixa nas instituições bancárias privadas. A renda é do cooperado, e não da cooperativa, já que a cooperativa não obtém qualquer sobra ou lucro sobre tais movimentações financeiras, mesmo tratandose de aplicações pela cooperativa junto ao mercado financeiro; 6.2. Que é improcedente o lançamento fiscal, uma vez que a base de apuração do lucro real é trimestral e o auto de infração foi lavrado pelo regime anual. Entende a interessada que desde a entrada em vigor da Lei n º 9.430/96 tornouse direito subjetivo do contribuinte escolher a forma de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, sendo certo que não efetuou a opção pela apuração anual, visto não ter efetuado o pagamento da estimativa de janeiro, que seria a forma de opção pela apuração anual prevista na Lei. Assim, jamais poderia a fiscalização, ao perpetrar o lançamento do tributo, exercer tal escolha sponte própria, mesmo porque a variação de regime importa em significativas alterações na base de cálculo do tributo; 6.3. Que, de forma subsidiária ao argumento formulado no item anterior e seguindo o raciocínio acima descrito a respeito da tributação trimestral, alega a interessada que estaria atingido pela decadência o lançamento referente aos três primeiros trimestres do anocalendário 2005, haja vista que somente tomou ciência do auto de infração no dia 30/11/2010; 6.4. Que é improcedente o lançamento, porque toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, nos termos da remansosa jurisprudência do STJ, seguida administrativamente pelo CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e pela Câmara Superior. Complementa dizendo que a doutrina utilizada bem como a súmula 262/2002 do STJ esboçam interpretação jurídica acerca do "ato cooperativo" e seu alcance, em se tratando de "cooperativas de produção", que não é o seu caso; 6.5. Que a multa deve ser reduzida o patamar máximo de 20%, assim como cancelada a cobrança de juros sobre a multa. A 6ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I / RJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1237.349, de 19/05/2011 (fls. 308/321), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Exercício: 2006, 2007 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 8 8 COOPERATIVAS. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES COM NÃO COOPERADOS. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, se caracterizam como atos não cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado positivo obtido pela cooperativa nessas operações. Descabe exigência de crédito tributário, entretanto, quando os custos e as despesas dos atos não cooperativos são superiores às receitas advindas de tais atos, gerando prejuízo nas operações com não cooperados. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fl. 01), verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, o recurso de ofício é cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, a Autoridade Julgadora em primeira instância firmou entendimento de que as operações financeiras efetuadas pela autuada com instituições do mercado financeiro, não cooperadas, não constituem ato cooperativo e estão, desta forma, sujeitas à incidência do IRPJ e da CSLL. Não obstante, da análise das razões de impugnação, foi possível constatar que a base de cálculo apurada pelo Fisco não levou em consideração parcela expressiva das despesas incorridas com a modalidade de aplicação financeira de renda fixa denominada Depósitos de Aviso Prévio. Ao serem consideradas tais despesas, não há qualquer resultado positivo sobre o qual incida a tributação de IRPJ e CSLL, motivo pelo qual foi afastada a exigência. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo quanto aos fundamentos adotados, e peço vênia para transcrevêlo: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 9 9 11. Da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL: 11.1. A interessada contesta o valor tributável apurado na auditoria fiscal, alegando que o ajuste da base de cálculo teria majorado o tributo, por não deduzir das rendas de título de renda fixa as correspondentes despesas de depósito de aviso prévio que delas se originam, que seriam dedutíveis, tal como previsto no Regulamento do Imposto de Renda (artigo 226, inciso I, do RIR). 11.2. A matéria foi previamente suscitada no Termo de Verificação Fiscal, no qual a fiscalização justifica que não deduziu as despesas de intermediação financeira decorrentes de captação de recursos junto ao mercado de capitais na apuração de resultado das atividades com não cooperados, por entender que os valores lançados na rubrica 7.1.5.10.000 "RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" já contemplaria a receita efetiva auferida pela instituição no período, conforme disposto no Plano Contábil das Instituições do SFN COSIF Capítulo 2, Seção 2.2, Função e Funcionamento das Conta. 11.3. Sobre o Depósito de Aviso Prévio – DAP, em particular, é certo que o mesmo é semelhante à aplicação CDB de Longo Prazo oferecida no mercado financeiro. Seu objetivo principal é possibilitar a renovação de aplicações sem a correspondente passagem do resgate pela conta corrente com conseqüente recolhimento de IOF/CPMF. Tratase de uma aplicação a prazo, inicialmente fixado para 360 dias, com repacto periódico de taxas. É, portanto, modalidade de aplicação de renda fixa. 11.4. Segundo o Plano Contábil das Instituições do SFN – COSIF, a conta “7.1.5.10.000 RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" teria como função registrar as rendas de títulos de renda fixa, que constituam receitas efetivas da instituição no período, e seu funcionamento se daria pelo creditamento pelo valor das rendas auferidas, recebidas ou não, sendo debitadas por ocasião do balanço, para apuração do resultado. 11.5. Por sua vez, o Plano Contábil das Instituições do SFN também contempla a conta “8.1.1.25.007 DESPESAS DE DEPÓSITOS DE AVISO PRÉVIO”, indicando que se refere a despesa de captação de recursos cuja função é a de registrar as despesas de depósitos de aviso prévio no período, que constituam custo efetivo da instituição. Seu funcionamento, ainda segundo o Cosif, seria de ser debitada pelo valor das despesas incorridas, pagas ou não, de conformidade com o Regime de Competência, sendo creditada por eventuais estornos, de conformidade com as NBC Normas Brasileiras de Contabilidade e com o previsto no art. 2º do DecretoLei 486/69 (art. 269 do RIR/99) e por ocasião do balanço, para apuração do resultado. 11.6. A motivação da fiscalização para não deduzir as despesas relacionadas a depósitos de aviso, ao apurar o resultado das operações com títulos de renda fixa, seria o de que a rubrica "RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" já contemplaria a receita efetiva auferida pela instituição no período. Pela motivação dada pela fiscalização, depreendese que o termo “receita efetiva” foi entendido como sinônimo de receita líquida, o que me parece inadequado. 11.7. Ocorre que o termo “receita efetiva”, como esclarecido pelas notas constantes do Plano Contábil das Instituições do SFN, seriam as rendas auferidas, recebidas ou não, e, ademais, a conta somente seria debitada por ocasião do encerramento do resultado. Não há qualquer referência no Cosif de que o saldo da conta representaria a receita líquida, já descontado das despesas relacionadas, Fl. 343DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 10 10 mesmo porque a conta não deve ser debitada no valor dos custos ou despesas relacionados às receitas, mas somente quando do encerramento do resultado. 11.8. A interessada deixou evidente seu entendimento de que as receitas efetivas auferidas com renda fixa não deve ser considerada a receita líquida, pois ao apurar o resultado do anocalendário de 2005 (Ficha 06B da DIPJ/2006 fl. 110) havia informado na linha 11 as rendas de títulos de renda fixa do anocalendário de 2005 no valor de R$19.690.120,79 e deduzido na linha 34 da mesma Ficha 06B as despesas de atividades financeiras no valor de R$19.725.591,22, sendo certo que no valor das despesas financeiras ali deduzido está embutido o valor de R$13.366.619,88, correspondente às despesas de depósitos de aviso prévio, conforme detalhamento das despesas financeiras constante da Ficha 04B da DIPJ/2006, à fl. 108. 11.9. Procedeu a interessada da mesma forma no anocalendário de 2006, informando na linha 11 da Ficha 06B da DIPJ/2004 as rendas de títulos de renda fixa no valor de R$16.082.993,02 e deduzindo na linha 34 da mesma Ficha 06B as despesas de atividades financeiras no valor de R$24.920.570,94, no qual já está considerado o valor de R$14.775.055,55, correspondente às despesas de depósitos de aviso prévio, segundo composição das despesas financeiras constante da Ficha 04B da DIPJ/2007, à fl. 108. 11.10. Considerando que a DIPJ, até prova em contrário, é mera transcrição da escrituração do contribuinte, vale citar os artigos 923 e 924 do RIR/99, segundo os quais a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos nela registrados. 11.11. Assim, além da pouco convincente motivação dada pela fiscalização de que a rubrica "RENDAS DE TÍTULOS DE RENDA FIXA" já contemplaria a receita líquida auferida, também não foi apresentada qualquer prova por parte da fiscalização de que a interessada teria registrado indevidamente as despesas de depósitos de aviso prévio na apuração do resultado do exercício. 11.12. Neste sentido, considerando que todas as receitas advindas de aplicações em títulos de renda fixa foram atribuídas pela fiscalização como decorrentes de operações com não cooperados, temse que as despesas também relacionadas a operações com títulos de renda fixa devem ser abatidas das receitas correlatas, e seu valor integralmente deduzido na apuração do resultado com não cooperados. 11.13. Procedendo desta forma, tanto nos anoscalendário de 2005 e 2006 devese diminuir dos valores tributáveis apurados pela fiscalização (R$9.177.486,62 em 2005 e R$3.434.483,36 em 2006) as despesas de depósitos de aviso prévio dos respectivos períodos (R$13.366.619,88 em 2005 e R$14.775.055,55 em 2006), o que resulta, em ambos períodos de apuração analisados, em prejuízos nas operações com não cooperados. 11.14. Por óbvio, se da apuração de operações com não cooperados não resulta valor tributável, não há que se exigir qualquer valor a título de crédito tributário devido a título de IRPJ ou CSLL. Não faço reparos ao quanto decidido em primeira instância. Demonstrado que o resultado de operações com não cooperados, sujeito à incidência tributária, foi influenciado por despesas que não foram levadas em conta no levantamento do Fisco, e que, ao serem Fl. 344DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 16327.001506/201073 Acórdão n.º 130200.933 S1C3T2 Fl. 11 11 consideradas tais despesas, não resta base tributável, correta a decisão que afastou as exigências. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Waldir Veiga Rocha Fl. 345DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.903551/2008-11
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTOS RECOLHIDOS DIANTE DA INOVAÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO POSITIVO APÓS IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. É ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos do disposto em decisão judicial, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes.
Numero da decisão: 1301-000.550
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1505; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.903551/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 130100.550 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2011 Matéria Compensação Recorrente Fundação de Seguridade Social Brasilight Recorrida 1ª Turma DRJ Rio de Janeiro ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSTOS RECOLHIDOS DIANTE DA INOVAÇÃO NO SISTEMA JURÍDICO POSITIVO APÓS IMUNIDADE RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL. É ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos do disposto em decisão judicial, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente. (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR – Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Paulo Jackson da Silva Lucas, Waldir Weiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo sobre o PER/DCOMP n° 18742.29751.150604.1.3.047204 (fls. 1/7)., do qual resultou o Despacho Decisório de folha 06, que diante da verificada inexistência do crédito apontado pela recorrente não homologou a compensação declarada. Devidamente notificada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que o crédito indicado decorria de pagamento realizado por equívoco, em face da coisa julgada (trânsito em julgado em 22/08/1991) proferida no Mandado de Segurança no qual se reconheceu sua imunidade à incidência de todos os impostos, tendo direito, na forma da legislação, à utilização de créditos decorrentes de pagamentos indevidos, acrescidos de taxa Selic. A 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ indeferiu a solicitação fundamentando, em resumo, que a recorrente não teria comprovado ser indevido o pagamento com base no qual alega ser detentor de direito creditório. Devidamente notificada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, argumentando que seria imune conforme reconhecido por provimento jurisdicional transitado em julgado e, portanto, os pagamentos efetivados foram flagrantemente indevidos, dando lastro às restituições/compensações pleiteadas. É o relatório. Voto Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, admitoo para julgamento. Cuidase como visto, de apresentação de DCOMPs cujo crédito seria oriundo de pagamentos efetivados indevidamente porquanto a recorrente, na qualidade de ente imune, pagou impostos à União. Argumentou a recorrente que a referida imunidade teria sido reconhecida por provimento jurisdicional transitado em julgado, decorrendo daí, diante de pagamento espontâneo de impostos, o seu direito creditório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 15374.903551/200811 Acórdão n.º 130100.550 S1C3T1 Fl. 2 3 A decisão recorrida, reportandose aos fundamentos também contidos no Despacho Decisório, refutou o crédito pleiteado já que os recolhimentos foram efetivados pela recorrente espontaneamente em 2002 e decorreram das disposições contidas na MP nº 2.222, de 04 de setembro de 2001. A recorrente, por seu turno, insiste que tem reconhecida a imunidade por decisão judicial transitada em julgado, e diante disso, ainda que tenha efetivado os recolhimentos, esses se revestiriam de caráter de “tributo pago indevidamente”. Temse, portanto, que o deslinde do caso concreto passa necessariamente pelo cotejo dos efeitos da norma individual e concreta obtida pela recorrente. Inegavelmente (“vide” documentos de folhas 35 a 52 – cópias do processa judicial, incluindo certidão de trânsito em julgado), a recorrente obteve do Poder Judiciário, posicionamento no qual se assinalou que entidades fechadas de previdência privada (como seu caso), embora cobrando dos seus associados contribuições mensais a título de remuneração pelos serviços prestados, gozam de imunidade tributária. Por essa razão é que se reafirma que o enfrentamento da questão da recorrente deve ser realizado à luz da eficácia das decisões do Poder Judiciário, já que não se discute a efetividade dos pagamentos, como também não se discute o mandamento legal que impôs a superveniente obrigação à recorrente, tampouco, a mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca das entidades fechadas de previdência. Relembrese, portanto, que o óbice encontrado pela decisão recorrida consiste no fato de o Supremo Tribunal Federal, em caso alheio ao processo da ora recorrente, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (sendo este o fundamento da imunidade da recorrente), e que a lei inovadora não encontra limites na sua eficácia em razão de decisão judicial anterior, evitando eternizarse os efeitos da coisa julgada. Tem razão a decisão recorrida. Por óbvio não se olvida que em determinado período, cotejando a legislação e a jurisprudência que vigoravam, a recorrente obteve do Poder Judiciário declaração de ser ente imune, ocorre, que também na se pode olvidar, que o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o posicionamento do Poder Judiciário, evoluíram para os fins de obrigar a recorrente, ao pagamento do imposto tido por ela como indevido. Confirase, nesse propósito, o teor do artigo 1º da Medida Provisória nº 2.222/2001, convertida na Lei nº 11.053/2004, e cuja disciplina hospedou os recolhimentos efetivados pela ora recorrente, in verbis: Art. 1º A partir de 1º de janeiro de 2002, os rendimentos e ganhos auferidos nas aplicações de recursos das provisões, reservas técnicas e fundos de entidades abertas de previdência complementar e de sociedades seguradoras que operam planos de benefícios de caráter previdenciário, ficam sujeitos à incidência do imposto de renda de acordo com as normas de tributação aplicáveis às pessoas físicas e às pessoas jurídicas nãofinanceiras. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 Parágrafo único. O imposto correspondente à parcela do rendimento ou ganho apropriada ao participante ou assistido pelo plano não pode ser compensado com qualquer imposto ou contribuição devido pelas pessoas jurídicas referidas neste artigo ou pela pessoa física participante ou assistida. Como bem observou a decisão recorrida, a recorrente gozou incontinente da reconhecida imunidade, até que sobreveio alteração no sistema jurídico vigente, fato que a obrigou ao pagamento do imposto, como de fato o fez nos recolhimentos por ela considerados, posteriormente, como se indevidos fossem. Ademais, é ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. Dito isso, verificase que os pagamentos realizados pela recorrente, não se revestem do caráter de “pagamento indevido”, motivo pelo qual, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 (assinado digitalmente) EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 21/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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Numero do processo: 18471.000318/2005-22
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRECLUSÃO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, na redação dada pela Lei 9.532/97, operando-se
a preclusão.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2000
LANÇAMENTO DE OFÍCIO PENALIDADE MULTA DE OFÍCIO.
Tratando-se de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96 é cabível a multa de ofício de 75%.
Numero da decisão: 1402-000.065
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do
recurso em relação à discussão sobre o arbitramento do lucro, por preclusão, e no mérito negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72, na redação dada pela Lei 9.532/97, operandose a preclusão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LANÇAMENTO DE OFÍCIO PENALIDADE MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96 é cabível a multa de ofício de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação à discussão sobre o arbitramento do lucro, por preclusão, e no mérito negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 180 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Ana de Barros Fernandes, Marcos Shigueo Takata, José Ricardo da Silva e Carmen Ferreira da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário contra a decisão da 6ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, que considerou procedentes os lançamentos do IRPJ e CSLL do anocalendário de 2000. Conforme Termo de Constatação Fiscal de fls. 92/93, a contribuinte não apresentou o Livro de Registro de Inventário dos produtos em elaboração e produtos acabados, informou não ter escriturado o Livro mencionado e não possui sistema de apuração de custo integrado com a contabilidade, o que segundo a fiscalização inviabilizou a manutenção do lucro real como base de cálculo do imposto de renda, em razão de o lucro líquido não poder ser apurado corretamente, impondose o arbitramento do lucro com base nas receitas constantes da DIPJ. A base legal para o arbitramento é o art. 530, III, do RIR/99. Na impugnação, a contribuinte não se contrapôs ao arbitramento do lucro, discordou da multa de 75% e dos juros de mora calculados pela taxa selic e pediu prazo levandose em conta a capacidade e viabilidade de pagamento para o parcelamento da dívida, e pediu uma reunião para que as partes pudessem conciliar em relação à multa. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 13.09.2006 e o recurso foi apresentado em 13.10.2006. No recurso, a contribuinte discute o arbitramento do lucro. Argumenta que sua contabilidade atende ao disposto nas Resoluções 563/83 e 597/85 do Conselho Federal de Contabilidade, razão pela qual sua contabilidade não poderia ser descartada ante a ausência de um dos livros obrigatórios; que sua contabilidade é hábil para prestar as informações à fiscalização, tanto que os autos foram lavrados com base nas informações da DIPJ; argumenta que a fiscalização utilizouse de dois pesos e duas medidas porque não aproveitou a contabilidade para apurar a correção dos lançamentos efetuados com base no lucro real, mas aproveitoua para apurar as receitas e impor o arbitramento do lucro, o que feriria o princípio da isonomia e da busca da verdade material. Cita o art. 846 e §§ 1º a 4º do RIR/99, para concluir que a legislação do imposto de renda determina que em caso de arbitramento, o lançamento deve ser feito considerandose as receitas após as deduções legalmente autorizadas, mas que a fiscalização não procedeu a qualquer dedução, implicando em base de cálculo dissociada da realidade, com afronta ao art. 43 do CTN. Requer, caso o colegiado não fique convencido desses argumentos que seja o recurso baixado em diligência para que seja procedida nova fiscalização, com o objetivo de aferição do lucro, mesmo sem o Livro Registro de Inventário, em homenagem ao princípio da Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 181 3 verdade material, para verificar se houve a ocorrência do fato gerador (142 do CTN), em observação ao princípio da estrita legalidade (art. 5º, II, c/c art. 150, I, da CF/88). Acrescenta que o lançamento tem natureza de declaração e como tal, pode apenas declarar algo realmente ocorrido, o que não comportaria presunções, principalmente em se tratando de tributo, exigível apenas em decorrência da lei. Salienta que para que seja possível o arbitramento do lucro de determinada empresa é necessário que a mesma tenha desrespeitado algumas normas contábeis/fiscais, de modo a tornar impossível a verificação por parte do fisco de qual foi a real base de cálculo utilizada para a apuração de determinado tributo, o que não seria o presente caso, uma vez que apenas deixou de apresentar o Livro Registro de Inventário e não, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, de que trata o art. 530, III, do RIR/99. Ademais o fisco poderia ter feito a fiscalização com base nos demais livros e documentos apresentados e poderia ter colhido informações junto à entidade de classe da qual faz parte a recorrente, ou seja, SIMEFRE – Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários, que disponibiliza em seu site, o índice de custo padrão por período. Salienta que o Conselho já se manifestou no sentido de aceitar essa informação (acórdão 10247.475, IRPF), mas que a fiscalização ignorou toda a contabilidade, para arbitrar o lucro, de forma contrária ao princípio da verdade material. Cita jurisprudência. Destaca que os valores apurados pelo fisco para o arbitramento do lucro são exorbitantes e que no anocalendário objeto do lançamento a empresa encerrou o exercício com perdas. Argumenta que não pretende com tais alegações demonstrar a ilegalidade pura e simples do arbitramento do lucro da empresa e da conseqüente base de cálculo para apuração do imposto de renda, visando, simplesmente, não arcar com qualquer tributo apesar de devido, segundo entendimento do fisco, mas sim demonstrar que o declarado é a mais estrita realidade, devendo ser considerados os dados constantes da DIPJ para apuração de qualquer tributo. Também discute a ofensa ao direito de propriedade, em razão do lançamento da multa de 75%. Argui que a CF proíbe a utilização de tributos com efeito confiscatório (art. 150) e que esse princípio também está assegurado pelo art. 5º, XXII, e pelo art. 170, II, da CF. Salienta que atribuir à recorrente o pagamento de multa de 75% afronta também o direito de propriedade, e que ademais, após cinco anos de estabidade econômica do País, cuja inflação anual sequer chega a dois dígitos, significa que atribuise à exigência em combate o efeito confiscatório. Cita doutrina. Aduz que mesmo sob o enfoque do direito constitucional positivo, moralidade, pelo menos a administrativa, e justiça, não podem ser mais desconsiderados, uma vez que expressas no texto da CF, a primeira no art. 37 e a segundo no art. 3º. Diz que nos dias presentes o jurista, se quiser continuar jurista e não se converter em um emasculado repetidor da lei, deve mergulhar de cabeça nas questões atinentes à justiça, que não pode mais ser ignorada no exame da juricidade das normas. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 182 4 Finaliza esse tópico, fazendo as seguintes considerações: (i) o princípio da vedação ao confisco tem como fundamento, em primeiro lugar, a proteção ao direito de propriedade, e em segundo a concretização da justiça fiscal; (ii) a lei reguladora de exigência fiscal, que não levar em conta o princípio da vedação ao confisco é injusta, (iii) pode lei injusta, por força do art. 3º, I, da CF ser inconstitucional, (iv) é inconstitucional a lei reguladora de exigência de fiscal que não observa o princípio da vedação ao confisco. Com base nessas considerações requer que a multa seja reduzida para os patamares da multa de mora, por ser no grau em que se encontra, confiscatória. Também discute a aplicação dos juros de mora com base na taxa selic. Argumenta ser incontestável o seu direito à utilização de juros de mora de 1% ao mês para atualização de seus débitos, pois a taxa selic que a lei pretende equiparar a juros moratórios, possui natureza remuneratória, e a sua utilização desobedece a regra contida nos art. 161, § 1º do CTN, 150, I, e 192, § 3º da CF. Cita jurisprudência judicial. Em síntese, pede: a) que o auto de infração seja considerado nulo, porque não teria se configurado a hipótese de arbitramento e que a fiscalização tinha outros meios para apurar os tributos combatidos; b) Se não for esse o entendimento do colegiado, requer seja o presente recurso baixado em diligência para aferir o IRPJ e CSLL devidos pelo lucro real, na medida em que a contabilidade da recorrente permitiria aferir tais informações; c) caso não sejam acatados os pedidos anteriores, requer a redução da multa aplicada de 75% para 20%, tendo em vista que à recorrente não deve ser imputada a penalidade tão alta; d) requer a substituição da taxa de juros com base na selic para juros de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1º do CTN. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 183 5 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, Relatora O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ e CSLL do anocalendário de 2000. A contribuinte não escriturou o Livro Registro de Inventário dos produtos em elaboração e produtos acabados, e não possuía sistema de apuração de custo integrado com a contabilidade, o que segundo a fiscalização, teria inviabilizado a manutenção do lucro real como base de cálculo do imposto de renda, visto que o lucro líquido não poderia ser apurado corretamente, impondose o arbitramento do lucro com base nas receitas constantes da DIPJ. Na impugnação, a contribuinte discute a aplicação da multa de ofício por falta de proporcionalidade e razoabilidade e a exigência dos juros de mora calculados com base na taxa selic. Já no recurso, discute essas matérias e também o arbitramento do lucro. Vejamos o seguintes trecho de sua impugnação: (...) A empresa está, aos poucos, recuperando seus arquivos e refazendo sua contabilidade. A falta de pessoal habilitado e preparado decorreu desses problemas, ora aduzidos. Basta verificar que, o Sistema de Custos era feito, insatisfatoriamente, de forma rudimentar, tudo isso, em função da crise, ora historiada. Assim, a convicção é de que, o Sistema de apuração de Custos integrado com a Contabilidade inviabilizou a apuração do Lucro Real. Ao final da impugnação requereu: a) desconsideração das PENALIDADES aplicadas; b) concessão de prazo, considerando a capacidade e viabilidade de pagamento, para o parcelamento da dívida; c) designação de uma reunião especial ou audiência, nos moldes do judiciário, para que as partes possam conciliar em relação à MULTA (PENALIDADES), podendo dirimir o conflito estabelecido. Portanto, não há dúvidas de que nos termos art. 17 do Decreto 70.235/72, na redação dada pela Lei 9.532/97, ocorreu a preclusão quando à discussão sobre o arbitramento do lucro, o que abrange o pedido de diligência para aferimento do IRPJ e CSLL devidos pelo lucro real. Conseqüentemente, tratase de matéria que não deve ser conhecida. Quanto à discussão sobre a redução da multa de ofício de 75% para 20% (multa de mora), tratandose de lançamento de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/96 é cabível a multa de 75%. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 18471.000318/200522 Acórdão n.º 140200.065 S1C4T2 Fl. 184 6 Quanto ao seu argumento de que na aplicação da multa de 75% estaria configurado o efeito de confisco e a inconstitucionalidade de lei, e em relação ao argumento de inconstitucionalidade de lei, na discussão sobre a exigência da taxa selic, cabe aplicar a súmula nº 2 do 1º CC. Súmula 1ºCC nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda em relação à discussão sobre a taxa de juros calculada com base na taxa selic, de que deveria ser aplicada a taxa de juros de 1% ao mês, cabe aplicar a súmula nº 4 do 1º CC. Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso em relação à discussão sobre o arbitramento do lucro, por preclusão, e no mérito negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10880.022929/99-16
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.436
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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Numero do processo: 10580.721984/2008-00
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRRF.
Constatado que sobre os rendimentos percebidos incidiu o IRRF, este deve ser considerado para fins de apuração do imposto devido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para fins de que seja realizado o recálculo do imposto de renda devido, tendo em vista a retenção de imposto de renda constatada.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRRF. Constatado que sobre os rendimentos percebidos incidiu o IRRF, este deve ser considerado para fins de apuração do imposto devido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para fins de que seja realizado o recálculo do imposto de renda devido, tendo em vista a retenção de imposto de renda constatada. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.816 1 1.815 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721984/200800 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.660 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente AUGUSTO JOSE JOAQUIM DE SANTANA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. IRRF. Constatado que sobre os rendimentos percebidos incidiu o IRRF, este deve ser considerado para fins de apuração do imposto devido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 84 /2 00 8- 00 Fl. 143DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para fins de que seja realizado o recálculo do imposto de renda devido, tendo em vista a retenção de imposto de renda constatada. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10580.721984/200800 Acórdão n.º 2402005.660 S2C4T2 Fl. 1.817 3 Relatório Examinase recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano calendário 2005. Tratandose de retorno de diligência, peço a devida vênia para reproduzir o seguinte trecho do relatório da Resolução que demandou tal feito: A autuação decorreu de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude processo trabalhista movida contra a Petrobrás, bem como de compensação indevida a título de IRRF. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 02 a 04, 61 e 62), alegando, em apertada síntese, que não recebeu a integralidade dos rendimentos tributáveis considerados omitidos no lançamento no anocalendário 2005. Ponderou que parcelas foram recebidas nos anos de 2001 e 2004. A 3ª Turma/DRJSalvador/BA, conforme acórdão de fls. 75 a 78, analisando os argumentos e elementos de prova trazidos aos autos pelo contribuinte, julgou parcialmente procedente o lançamento, eis que entendeu que os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual recebidos no anocalendário 2005 foram aqueles declarados. Por outro lado, ponderou que, no exercício em exame, não era cabível a compensação de IRRF incidente sobre os valores recebidos em decorrência da ação judicial. Assim, restou mantida a glosa de compensação indevida do IRRF, porém com a redução da multa de ofício (75%) para a multa de mora (20%). Cientificado da decisão de primeira instância em 05/05/2009 (fls. 79), o contribuinte apresentou, em 29/05/2009, o Recurso de fls. 80 e 81, solicitando, em síntese, que o lançamento seja revisto. Argumenta que, se nos documentos 8, 9 e 10 (fls. 87, 88 e 83, respectivamente. Cópias dos documentos de fls. 28, 29 e 22, respectivamente) o saldo remanescente foi corrigido monetariamente, acrescidos dos juros e calculado o desconto do imposto de renda, faria jus à compensação de IRRF proporcional à parcela recebida em 2005. Além disso, em 23/09/2008, no setor Malha Fiscal, após a análise da documentação apresentada, foi excluída a parcela de FGTS da base de cálculo do imposto. Inclusive a funcionária que o atendeu informou o número do recibo da retificadora realizada: 331406049635. Este fato não foi mencionado na análise do processo. Por tal motivo, junta certidão da 2ª Vara do Trabalho de Salvador informando que diferença de FGTS foi incluída na base de cálculo do IR com reflexo no pagamento de 2005. Assim, pede que sejam considerados a compensação de IRRF proporcional à parcela recebida em 2005, devidamente corrigido, bem como o reflexo do FGTS na base de cálculo. Por fim, autoriza que saldo de imposto a restituir apurado em outras declarações sejam utilizados para abater o imposto que venha a ser apurado neste processo. Os documentos de fls. 82 a 92 são cópia de: carteira de identidade do contribuinte, alvará judicial nº 182/2005, certidão da 2ª Vara do Trabalho de Salvador, planilhas referentes à ação trabalhista e cópia do acórdão recorrido. Fl. 145DF CARF MF 4 A extinta 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, expôs, na prolação da Resolução nº 2801000.037, em 24/9/2010, seu entendimento no sentido de que não houve a apresentação de documentos suficientes para corroborar as alegações recursais, decidindo, então, determinar a conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Portanto, a fim de formar um juízo acerca da matéria em litígio, entendo que se faz necessário que os autos retornem à DRF de origem a fim de que o interessado seja intimado: • a apresentar, no prazo de trinta dias, as cópias devidamente identificadas das planilhas de fls. 5353/5354 a que se refere a certidão de fls. 84, bem como quaisquer outras memórias de cálculo contidas no processo judicial que julgar necessárias, com o propósito de demonstrar, inequivocamente, que valor de FGTS compôs o montante percebido no anocalendário 2005; • tendo em vista a percepção de parcelas da ação judicial nos anos calendário 2001 e 2004, a informar que proporções do IRRF em decorrência da ação judicial foram compensadas nos exercícios 2002 e 2005, juntando cópias das declarações de rendimentos apresentadas ou das notificações de lançamento correspondentes; • a esclarecer a que exercício se referia ao afirmar que, em 23/09/2008, no setor Malha Fiscal, após a análise da documentação apresentada, foi excluída a parcela de FGTS da base de cálculo do imposto, juntando elemento de prova de sua alegação. Por oportuno, as informações que o interessado vier a prestar acerca de compensação do IRRF e exclusão de parcelas de FGTS nas declarações dos exercícios 2002 e 2004 devem ser ratificadas (ou retificadas) pela autoridade preparadora, após a consulta aos bancos de dados administrados pela RFB e/ou outros instrumentos de controle interno. Na hipótese de haver divergência entre as informações do contribuinte e as da repartição, o interessado deverá ser cientificado dessas divergências, reabrindose prazo para sua manifestação. Realizada tal providência, conforme documentos de fls. 118/136, e devidamente cientificado o contribuinte do resultado (fls. 137/140), retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10580.721984/200800 Acórdão n.º 2402005.660 S2C4T2 Fl. 1.818 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, motivo pelo qual passo direto ao seu exame. O Termo de Encerramento de Diligência (fls. 137/138) elaborado pela fiscalização assim concluiu acerca das questões levantadas quando da Resolução: (...) após análise da documentação apresentada pelo contribuinte em resposta à intimação datada de 19/09/2012 constatamos que: 1Nas folhas 5353/5354 do processo trabalhista nº 02660 199800205001 , fls 122 a 128 do processo impugnação nº10580.721984/200800, não há nenhuma coluna discriminando as verbas, não sendo possível afirmar se houve ou não valores referentes ao FGTS. Fazse necessário apresentar a planilha de verbas com valores discriminados mês a mês. 2 Em relação a proporção do IRRF apresentada pelo Contribuinte temos a informar que o valor líquido correto do 3º levantamento é R$2.881,94 como pode ser verificado nas fls 122 a 128 do processo impugnação citado no item 1 , passando o cálculo do IRRF ser o constante no Demonstrativo anexo a este Termo de Intimação. O contribuinte, consoante já mencionado, não apresentou divergência quanto a essas conclusões, a despeito de ter sido devidamente intimado para realizar as manifestações que entendesse cabíveis. Desse modo, não prosperam suas pretensões no que tange ao suposto reflexo do FGTS na base de cálculo da infração, à míngua de respaldo probatório. Noutro giro, temse que a omissão de rendimentos constatada, após a reforma no lançamento realizada pela instância recorrida, foi de R$ 2.854,37, correspondentes a "Rendimentos Petrobrás (parcela da ação judicial", de acordo com o demonstrativo de fl. 77, integrante da decisão guerreada. Não obstante, a fiscalização reconheceu, face à diligência efetuada, que sobre tais rendimentos houve a incidência de IRRF no montante de R$ 1.241,89 (ver fl. 138), o que deve ser levado em consideração na apuração do imposto devido. Fl. 147DF CARF MF 6 Ante o exposto, voto no sentido dar parcial provimento ao recurso voluntário para fins de que seja realizado o recálculo do imposto de renda devido, tendo em vista a retenção de imposto de renda constatada. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016785/2003-35
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO
CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E
PRORROGAÇÃO. EFEITO.
A prorrogação de procedimento fiscal regulainiente cientificado
ao contribuinte dá-se mediante registro eletrônico disponível na
internet, a teor do art. 13, § 1°, da Portaria SRF n° 3.007, de 2001,
e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de fornecimento do
Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de
Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento.
MULTA POR FALTA / ATRASO NA ENTREGA DA
DECLARAÇÃO SOBRE TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA.
Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre
Operações Imobiliárias (DOI), a falta ou a sua apresentação fora
do prazo fixado sujeita o serventuário da justiça à multa
equivalente a 0,1% ao mês ou fração sobre o valor da operação
imobiliária, limitada a 1%, observado o limite mínimo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-00.633
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: JANAÍNA MESQUITA LOURENÇO DE SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO. A prorrogação de procedimento fiscal regulainiente cientificado ao contribuinte dá-se mediante registro eletrônico disponível na internet, a teor do art. 13, § 1°, da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento. MULTA POR FALTA / ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a 0,1% ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a 1%, observado o limite mínimo. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-03-30T11:47:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-03-30T11:47:47Z; Last-Modified: 2011-03-30T11:47:47Z; dcterms:modified: 2011-03-30T11:47:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:505f4c85-5f26-408e-a89a-956bf18634c3; Last-Save-Date: 2011-03-30T11:47:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-03-30T11:47:47Z; meta:save-date: 2011-03-30T11:47:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-03-30T11:47:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-03-30T11:47:47Z; created: 2011-03-30T11:47:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2011-03-30T11:47:47Z; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-03-30T11:47:47Z | Conteúdo => provimento ao recurso, nos term vs d a Relat CISCO SSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR - Presidente S2-C2T 1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680.016785/2003-35 Recurso n° 163.078 Voluntário Acórdão n° 2201-00.633 — 2 Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2010 Matéria IRPF - Ex(s).: 2001 a 2003 Recorrente CARLOS FERNANDO VICTOR BOLIVAR MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 MPF. PRORROGAÇÃO. NÃO ENTREGA AO CONTRIBUINTE DO DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO. EFEITO. A prorrogação de procedimento fiscal regulainiente cientificado ao contribuinte dá-se mediante registro eletrônico disponível na internet, a teor do art. 13, § 1°, da Portaria SRF n° 3.007, de 2001, e não pela ciência ao fiscalizado. A falta de fornecimento do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade do lançamento. MULTA POR FALTA / ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a 0,1% ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a 1%, observado o limite mínimo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os mei bros do Colegiado, or unanimidade de votos, negar JA AINA MESQUITA LOURENÇO DE SOUZA - Relatora EDITADO E Participaram d p esente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo , Tadeu Farah, J\an ina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. 2 Processo n 0 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.633 Fl. Relatório 0 contribuinte foi autuado através de ação fiscal na qual apurou-se falta ou atraso na apresentação das Declarações sobre Operação Imobiliária — DOI, e correção em declarações apresentadas pelo Cartório do 3° Oficio de Registro de Imóveis de Belo Horizonte, cujo contribuinte em epígrafe é o titular, de acordo com descrição contida no Auto de Infração de fls.03/284, depurando-se um crédito tributário no valor de R$ 579.641,24. Cabe ressaltar que, quando intimado, o contribuinte apresentou as declarações constantes das fls. 48 a 250 que instruem os autos. Devidamente intimado da autuação fiscal, o contribuinte apresentou impugnação As fls. 299/357, trazendo os seguintes argumentos: a) que o procedimento fiscal foi ilegal devido à supressão da ampla defesa e do contraditório, pleiteando pela sua extinção por ter ultrapassado mais de 120 dias sem que o impugnante tivesse conhecimento de qualquer MPF complementar; alem de ter sido o mesmo auditor fiscal que iniciou o procedimento e que lavrou o auto de infração b) afirma que se os documentos não caracterizarem aquisição ou alienação de imóveis, não existe obrigação de comunicar A. Receita, sendo que referidos documentos são atos de averbação de formais de partilha e de adjudicações "mortis causa", ou decorrentes de partilhas amigáveis ou judiciais de bens de casais, conforme certidões que alega anexar; A Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/ MG, apreciou a impugnação do contribuinte e julgou o lançamento procedente em parte, conforme acórdão abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL 0 Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. MULTA POR FALTA / ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO SOBRE TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA. Estando o contribuinte obrigado a apresentar a Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), a falta ou a sua apresentação fora do prazo fixado sujeita o serventuário da justiça à multa equivalente a 0,1% ao mês ou fração sobre o valor da operação imobiliária, limitada a 1%, observado o limite mínimo. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em matéria de infrações e penalidades, a lei nova retroage para alcançar fatos ainda não definitivamente julgados. Lançamento Procedente em Parte" 3 O contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância administrativa, de acordo corn AR juntado as fls. 460, recebido em 27/08/2007. Todavia, inconformado com a decisão "a quo", o contribuinte ingressou corn Recurso Voluntário de fls. 461/482, aduzindo em sua defesa os seguintes argumentos: 1. A invalidade do procedimento fiscal por desobediência aos arts. 10, § 1 0, 12, I, 13 § 2°, 15, II, 16, § único, e 20 c/c 4° da Portaria 3007 de 26/11/2001, bem como do art. 23 do Dec. 70.235/72, com relação à formalidades do MPF; 2. Alega violação ao principio da legalidade administrativa, corn violação do art. 37 da CF/88 e da segurança jurídica, devido à. ausência dos demonstrativos de prorrogação do MPF nos autos, e não observância do período de 120 dias para realização do MPF. Requer, portanto, a extinção do MPF; 3. Aduz a inexistência de suporte fático para aplicação da pena, pois a penalidade é cabível para quem deixar de entregar as DOI's relativas às operações descritas no art. 154, do RIR/99, que são hipóteses taxativas, acarretando na obrigação descrita no art. 940 do RIR/99. Contudo, segundo o contribuinte alega, nenhuma das hipóteses mencionadas na lei teria ocorrido, o que o isenta da obrigação de comunicar à Secretaria da Receita Federal. Portanto, para aplicação da penalidade do art. 976 do RIR/99 seria necessária a ocorrência dos elementos fáticos. 4. Em continuidade, o impugnante aduz nunca ter deixado de apresentar as declarações sobre operações imobiliárias com relação aos atos descritos no art. 154 do RIR/99, portanto, não poderiam ser aplicadas referidas penalidades, devendo o auto de infração ser anulado com relação às mesmas (fls. 11 a 40 item 1 do termo de verificação fiscal); 5. Alega que não foi observado o conceito legal de aquisição e alienação, previstos na legislação pertinente, sendo que as transações realizadas pelo impugnante tratam-se de atos de averbação de formais de partilha e de adjudicações "causa mortis" ou decorrentes de partilhas amigáveis ou judiciais de bens de casais (fls. 19). 6. Argumenta que as instruções nonnativas que fundamentaram a autuação, quais sejam, 56/2001 e 473/2004 não rechaçam o argumento utilizado pelo impugnado, além do que, a ultima não pode ser aplicada ao caso, pois os fatos geradores são anteriores à sua publicação. 7. Ademais, alega que instruções normativas são atos inferiores em relação ao Regulamento do Imposto de Renda, pois tais atos se submetem também aos Decretos. 4 Processo n° 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.633 Fl. 3 8. Por fim, requer seja reformada a decisão da primeira instancia administrativa, sendo integralmente anulado o auto de infração. o relatório. 5 Voto Conselheira JANAINA MESQUITA LOURENQO DE SOUZA, Relatora Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da d. 5' Turma da DRJ de Belo Horizonte-MG que julgou o lançamento procedente em parte na autuação fiscal que apurou-se falta ou atraso na apresentação das Declarações sobre Operação imobiliária — DOI, e correção declarações apresentadas pelo Cartório do 3° Oficio de Registro de Imóveis de Belo Horizonte, cujo contribuinte em epígrafe é o titular, de acordo corn descrição contida no Auto de Infração de fls.03/284. A priori, conheço do presente Recurso Voluntário por ser tempestivo, atendendo ao requisito legal de admissibilidade constante no Decreto n° 70.235/72. Preliminarmente o recorrente alega irregularidades quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal. Aduz invalidade do procedimento fiscal por desobediência aos arts. 10, § 1', 12, I, 13 § 2°, 15, II, 16, § único, e 20 c/c 4° da Portaria 3007 de 26/11/2001, bem como do art. 23 do Dec. 70.235/72, com relação à formalidades do MPF. Alega, ainda, violação ao principio da legalidade administrativa, corn violação do art. 37 da CF/88 e da segurança jurídica, devido à. ausência dos demonstrativos de prorrogação do MPF nos autos, e não observância do período de 120 dias para realização do MPF. Requer, portanto, a extinção do MPF Entende-se, entretanto, que os fatos arguidos não dão ensejo a nulidade do Auto de Infração pelo que passamos a justificar. 0 Mandado de Procedimento Fiscal foi constituído pela Secretaria da Receita Federal do Brasil como medida de planejamento e controle das ações fiscais em execução e passou a ser considerado um importante instrumento de transparência da administração tributária, pois o contribuinte passou a ter conhecimento das ações fiscais levadas a efeito por auditores-fiscais da RFB: agentes fiscais designados, local, abrangência da auditoria e período examinado. Instituído pela Portaria SRF n° 1.265, de 22 de novembro de 1999, o MPF estava à época de que trata o caso em análise, regrado pela Portaria SRF n° 3.007, de 2001, com as alterações das Portarias SRF n' 1238, 1432 e 1.468, de 2003, cujos arts. 2°, 7°, 12 e 13 assim dispõem: Art. 2°- Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, 071 nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal — AFRF e instaurados mediante ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal — MPF. Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização (MPF-F), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal - Diligência (MPF-D). 6 Processo ri° 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 Acárciiio n.° 2201-00.633 Fl. 4 • Art. 7" 0 MPF-F, o MPF-D e o MPF-E conterão: I - a numeração de identificação e controle, composta de dezessete dígitos; - os dados identificadores do sujeito passivo; III - a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV - o prazo para a realização do procedimento fiscal; V - o nome e a matricula do AFRF responsável pela execução cio mandado; VI - o nome, o ntimero cio telefone e o endereço funcional do chefe cio AFRF a que se refere o inciso anterior; VII - o nome, a matricula e a assinatura da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato; VIII - o código de acesso à Internet que permitirá ao sujeito passivo, objeto do procedimento .fiscal, identificar o MPF. Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I - cento e vinte dias, nos casos de MPF-F e de MPF-E; II - sessenta dias, no caso de MPF-D. Art. 13. A prorrogação do prazo c/c que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de trinta dias. I" A prorrogação de que trata o caput far-se-6 por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 70, inciso VIII. 2" Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento ,fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de oficio praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, corzforme modelo constante do Anexo VI. Portanto, é forçoso afirmar que o Auto de Infração está condenado pela existência de um vicio insanável gerado pela inobservância de um procedimento "interna corporis" estabelecido pela própria administração pública em seu próprio prejuízo. Não me parece coerente, motivo pelo qual rejeito a argüição de nulidade do lançamento. Abaixo, reproduz-se jurisprudência administrativa acerca da matéria: IRPJ. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. 0 MPF-Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. A \_7. 7 extrapolação no prazo de sua prorrogação não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento. [1" CC Ac. n°103-21.933, de 14/04/2005] MPF — FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR — NULIDADE — INOCORRENCIA —O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. [CSRF/01-05.189, de 14/03/2005] MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. 0 Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. Assim, o fato de haver contradição entre as datas em que houve a prorrogação do MPF e aquelas em i que deste ato foi intimado o contribuinte não implica em nulidade cio lançamento. Também, esta não se verifica se o Agente Fiscal responsável pelo MPF prorrogado for o mesmo daquele responsável pelos MPFs posteriores e pela autuação. 0 art. 16 da Portaria n" 3.007/2002, ainda que fosse vinculante, seria aplicável somente ãs situações em que houve extinção do Mandado de Procedimento Fiscal, o que não ocorreu no presente caso. [1° CC Ac. n°107-07.268, de 13/08/2003] NORMAS PROCESSUAIS - INOCORRÊNCIA DE NULIDADE - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - O MPF, primordialmente, presta-se como um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência ã relação Fisco-contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente .fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executor aquela ação .fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. 0 MPF sozinho não é suficiente para demarcar o inicio do procedimento .fiscal, o que reform o seu caráter de subsidiariedade aos atos de fiscalização e implica em que, ainda que ocorram problemas com o MPF, não teria como efeito tornar inválido os trabalhos de .fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respahlar o lançamento de créditos tributários apurados. A prorrogação após o vencimento do prazo do mandado de procedimento fiscal (MPF) 11a0 se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. [2" CC Ac. 203-09205, de 14/10/2003] E diante da alegação de nulidade, cumpre notar que não se verifica nesses autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: "Art. 59. Sao nulos; I — os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; ii — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." 8 Processo n° 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 Accird5o n.° 2201-00.633 Fl. 5 Sendo, os atos e termos, lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade do auto de infração. DOI Quanto ao mérito da autuação fiscal, vejamos: A legislação pertinente ao assunto encontra-se citada na decisão "a quo", todavia, peço vénia para reproduzi-la: "A matriz legal do lançamento encontra-se no Decreto-lei no 1.510, de 1976, art. 15 e seus parágrafos: "Art. 15 Os serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos, ficam obrigados a fazer comunicação a Secretaria da Receita Federal dos documentos lavrados, anotados, averbados ou registrados em seus Cartórios e que caracterizem aquisição ou alienação de imóveis por pessoas físicas, conforme definido no art. 2°, § 1° , do Decreto-lei no 1.381, de 23 de dezembro de 1974. § 1 ° A comunicação deve ser efetivada em formulário padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal. § 2" 0 não cumprimento do disposto neste artigo sujeitara o infrator a multa correspondente a 1% (tun por cento) do valor do ato." A partir de I" de janeiro de 1998, coin o advento da Lei n°9.532, de 1997 (art. 71), também passou a ser obrigatória a informação de aquisição de imóveis por pessoas jurídicas. Essa fundamentação legal foi compilada nos arts. 976 e 1.010 do RIR/1994 e reproduzida nos arts. 940 e 976 do RIR/1999. Por sua vez, o art. 8" da Lei n°10.426, de 2002 (conversão da MP n°16, de 2001) estabelece: "Art. 8" Os serventuários da Justiça deverão informar as operações imobiliárias anotadas, averbadas, lavradas, matriculadas ou registradas nos Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos sob sua responsabilidade, mediante a apresentação de Declaração sobre Operações Imobiliárias (DOI), em meio magnético, nos termos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1" A cada operação imobiliária corresponderá tuna DOI, que deverá ser apresentada até o ultimo dia útil do mês subseqüente ao da anotação, averbação, lavratura, matrícula ou registro da respectiva operação, sujeitando-se o responsável, no caso de falta de apresentação, ou apresentação da declaração após o prazo fixado, multa de 0,1% ao mês-calendário ou .fração, sobre o valor da operação, limitada a um por cento, observado o disposto no inciso III do § 2 " . 9 ,ss' 2°A multa de que trata o ssç I": I - terá como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de infração; II - será reduzida: a) a metade, caso a declaração seja • apresentada antes de qualquer procedimento de oficio; b) a setenta e cinco por cento, caso a declaração seja apresentada no prazo fixado em intimação; III — será de, no minim, R$ 20,00 (vinte reais). (Redação dada pela Lei n°10.865, cie 2004) 3" 0 responsável que apresentar DOI com incorreções ou °mini:7es será intimado a apresentar declaração retificadora, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitar-se-á à multa de R$ 50,00 (cinqüenta reais) por informação inexata, incompleta ou omitida, que será reduzida em cinqüenta por cento, caso a retificadora seja apresentada no prazo fixado." Assim, a multa de que trata o art. 8" da Lei n° 10.426, de 2002, será reduzida it metade se a entrega da DOI foi efetuada espontaneamente, ou seja, antes do inicio de qualquer procedimento de oficio, ou será reduzida a 75% se apresentada dentro do prazo fixado em intimação. Tal dispositivo não torna obrigatória a intimação que ocorrerá nos casos em que a autoridade fiscal julgar necessário. Frise-se que após iniciado o procedimento de oficio o contribuinte perde a espontaneidade. A Lei n" 10.865, de 30 de abril de 2004, mantém os mesmos dispositivos legais, reduzindo a multa minima pela falta ou atraso na apresentação da DOI de R$500,00 para R$20,00. Merece destacar, quanto aos prazos de entrega da DOI e as transações abrangidas pela obrigatoriedade de entrega, o que dispunha a Instrução Normativa SRF n" 4, de 12 de janeiro de 1998: "Prazo e Local de Entrega Art. 4°A declaração deverá ser apresentada até o dia 20 (vinte) do inês subseqüente ao que ocorrer a operação que caracterize a aquisição ou alienação do imóvel. Art. 5" A entrega deverá ser feita na unidade da Secretaria chi Receita Federal que jurisdiciona o Cartório. Limite de Valor para Apresentação da Declaração Art. 6" Os Cartórios estão obrigados a apresentar a DOI, quando o valor de alienação do imóvel for superior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). 10 Processo n° 10680.016785/2003-35 S2-C2T1 AcOrd5o n •° 2201-00.633 Fl. 6 Parágrafo único. Será considerado como valor .fiscal o valor da operação imobiliária informado entre as partes ou, na ausência deste, o valor que serviu de base para o cálculo do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis - ITBI. (..) Multa por Atraso na Entrega Art. 9" 0 atraso na entrega da declaração ou a não comunicação de operação imobiliária no prazo previsto no artigo 4", sujeitará o serventuário da justiça à multa correspondente a 1% (um por cento) do valor da operação (Decreto-lei n" 1.510 de 1976, art. 15, ,sç 2)." 0 art. 4" da IN SRF n°4, de 1998, estabeleceu o prazo de entrega das DOls; o art. 9", a muita por atraso na entrega ou a falta de comunicação, em peifeita consonância coin o ssç 1" do art. 15 do Decreto-lei n°1.510, de 1976, que disciplinou que a comunicação deve ser efetivada em formulário padronizado e em prazo a ser fixado pela Secretaria da Receita Federal. A multa por atraso é decorrência do não cumprimento do prazo de entrega. Com o advento da IN SRF n" 163, de 23 de dezembro 1999, o prazo de entrega das DOls foi alterado, a partir de 01/01/2000, para o último dia útil do Ines subseqüente ao da lavratura, anotação, averbação, matricula ou registro do documento. mesmo diploma legal estabeleceu que os cartórios estão obrigados a apresentar a DOI, independente do valor da operação imobiliária e que a declaração deverá ser apresentada sempre que ocorrer operação que caracterize aquisição ou alienação de imóvel, realizada por pessoa fisica ou jurídica, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados, matriculados ou registrados em seus cartórios. 0 recorrente repetindo o argumento da impugnação aduz a inexistência de suporte fático para aplicação da pena, pois a penalidade é cabível para quem deixar de entregar as DOI's relativas As operações descritas no art. 154, do RIR/99, que são hipóteses taxativas, acarretando na obrigação descrita no art. 940 do RIR/99, afirmando, ainda, que nenhuma das hipóteses mencionadas na lei teria ocorrido, o que o isenta da obrigação de comunicar A Secretaria da Receita Federal. Portanto, para aplicação da penalidade do art. 976 do RIR199 seria necessária a ocorrência dos elementos fáticos. Em continuidade, repete nunca ter deixado de apresentar as declarações sobre operações imobiliárias com relação aos atos descritos no art. 154 do RIR/99, portanto, não poderiam ser aplicadas referidas penalidades, devendo o auto de infração ser anulado com relação As mesmas (fls. 11 a 40 item 1 do termo de verificação fiscal). Alega que não foi observado o conceito legal de aquisição e alienação, previstos na legislação pertinente, sendo que as transações realizadas pelo impugnante tratam-se de atos de averbação de formais de partilha e de adjudicações "causa mortis" ou decorrentes de partilhas amigáveis ou judiciais de bens de casais (fls. 19). Quanto as afirmações que se resumem em não ter cometido infração a legislação que dispõe sobre a DOI, cabe avocar as seguintes Instruções Normativas. 11 "Instrução Normativa SRF n°56, de 31 de Maio de 2001 DOU de 4.6.2001 Aprova o programa gerador de Declaração sobre Operações Imobiliárias - DOI, versão 4.0, define regras para a sua apresentação e dá outras providências.Revogada pela IN SRF n" 324 , de 28 de abril de 2003. (.) Art. 2" A declaração deverá ser apresentada sempre que ocorrer operação imobiliária de aquisição ou alienação, realizada por pessoa física ou jurídica, independente de seu valor, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados, matriculados ou registrados no respectivo cartório. (..) ssç 2" 0 preenchimento da DOI deve ser feito: (..) III - pelo Cartório de Registro de Imóveis, quando o documento tiver sido: celebrado por instrumento particular;b) celebrado por autoridade particular com força de escritura pública;c) emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública;d) lavrado pelo Cartório de Oficio de Notas e não constar a expressão "EMITIDA A DOI". (.) Dispensa de Apresentação da Declaração Art. 6" Os cartórios ficam dispensados de preencher a DOI, quando: I - se tratar de desapropriação para fins de reforma agrária, conforme disposto no 6Ç 5" do art. 184 da Constituição Federal; II - a lavratura, a anotação, (1 matricula, o registro e a averbação decorrerem de instrumentos celebrados há mais de cinco anos, contados: a) da data de lavratura, se instrumento público,) da data do registro, se instrumento particular;c) da data da emissão do documento, se emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública; 111 - a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação tiverem sido comunicados a SRF e no documento apresentado constar a expressão "EMITIDA A DOI"; IV- o imóvel financiado retornar ao agente.financeiro; V -a transferência do imóvel se der por usucapião. Instrução Normativa SRF n°473, de 23 de novembro de 2004 DOU de 24.11.2004 Aprova o programa e as instruções para preenchimento da Declaração sobre Operações Imobiliárias, versão 6.0, define regras para a sua apresentação e dá outras providências. (..) 12 Processo n° 1 0680.0 1 6785/2003-35 S2-C2T1 Acórddo n.° 2201-00.633 Fl. 7 Art. 2° A declaração deverá .ser apresentada sempre que ocorrer operação imobiliária de aquisição ou alienação, realizada por pessoa fisica ou jurídica, independentemente de seu valor, cujos documentos sejam lavrados, anotados, averbados, matriculados ou registrados no respectivo cartório. (..) sss' 3" 0 preenchimento da DOI deve ser feito: (..) II - pelo Serventuário da Justiça titular ou designado para o Cartório de Registro de Imóveis, quando o documento tiver sido: a) celebrado por instrumento particular; b) celebrado por autoridade particular coin força de escritura pública; c) emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou 711eaça o); d) decorrente de arrematação ern hasta pública; ou e) lavrado pelo Cartório de Oficio de Notas e não constar a expressão "EMITIDA A DOI". (..) Dispensa de Apresentação da Declaração Art. 5° Os Serventuários da Justiça .ficam dispensados de preencher a DOI, quando: I - tratar-se de desapropriação for para fins de reforma agrária, cor?forme disposto no § 50(10 art. 184 da Constituição Federal; II - a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação decorrerem de instrumentos celebrados há mais de cinco anos, contados da data: a) da lavratura, se instrumento público; b) do registro, se instrumento particular; ou c) da emissão do documento, se emitido por autoridade judicial (adjudicação, herança, legado ou meação) ou em decorrência de arrematação em hasta pública. III - a lavratura, a anotação, a matricula, o registro e a averbação tiverem sido comunicados a SRF e no documento apresentado constar a expressão "EMITIDA A DOI"; IV- o imóvel financiado retornar ao agente financeiro; V- a transferência do imóvel se der por usucapião." (grifos não são do original) Portanto, a hipótese aventada pelo recorrente em sua defesa quanto não haver hipótese legal de apresentação da DOI nos casos de aquisição e alienação, pois as transações realizadas pelo impugnante tratam-se de meros atos de averbação de formais de partilha e de adjudicações "causa mortis" ou decorrentes de partilhas amigáveis ou judiciais de bens de casais, não pode ser acatada. \ ,t 13 Cabe ressaltar que as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal n"s 56/2001 e 473/2004 não prevêem dispensa da apresentação da DOI nos casos acima citados pelo recorrente. Desse modo não lhe cabe razão pois a operação imobiliária de aquisição ou alienação obriga aos serventuários da Justiça responsáveis por Cartórios de Notas ou de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos a informarem a Secretaria da Receita Federal através da Declaração sobre Operações Imobiliárias — DOI. Pelo exposto vo sent de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. .- JA INA MESQUITA LOURENQO DE SOUZA 14
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Numero do processo: 13808.000641/99-70
Data da sessão: Tue May 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1996
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS — PASSIVO FICTÍCIO- O passivo
fictício (contabilização de obrigações inexistentes ou manutenção no passivo de obrigações já pagas) caracteriza presunção legal de omissão de receitas prevista no Decreto-lei n° 1.598/1977. Ao fisco basta provar o fato indício para que fique autorizado a presumir a omissão de receita.
Numero da decisão: 1804-000.072
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Especial da
Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.gado
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Selene ferreira de Moraes
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Ao fisco basta provar o fato indício para que fique autorizado a presumir a omissão de receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara, Primeira Turma Especial da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, a - termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. o Oy )e RC INICIUS NEDER DE LIMA Pr- idente '""'Ir- E FERREIRA DE MORAES Relatora A rn 2009 Participaram,Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Leonardo Lobo de Almeida. Processo n° 13808.000641/99-70 S1-TE04 Acórdão n.° 1804-00072 Fl. 2, Relatório Trata-se de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS E IRRF, relativos ao ano de 1995, no valor total de R$ 50.031,30. A fiscalização apontou os seguintes fatos em seu Termo de Verificação Fiscal:• • Verificamos que o valor de R$ 27.000,00 foi indevidamente registrado como passivo, no Balanço Patrimonial levantado em 31/12/1995, como sendo crédito da sócia Maria Inês Caruso. . • Conforme documentação acostada aos autos, a empresa protocolou junto ao Banco Bamerindus, solicitação e autorização de transferência da quantia em questão da conta corrente da pessoa jurídica para a conta de titularidade da sócia Maria Inês Caruso. Irresignada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, em que alegou em síntese que: a) Inobstante como escriturado, tal valor foi transferido à conta da mencionada sócia, a título de distribuição de lucros. De forma a comprovar tal distribuição, declara a impugnante, que foi emitido cheque na mesma importância para o outro sócio. b) O equivoco se deu no Balanço Patrimonial, onde ao invés de levado à conta "Passivo Circulante — Fornecedores", foi escriturado como crédito da sócia. • c) O mesmo valor foi também levado a débito da rubrica Fornecedores, em razão de o contador ter presumido que o valor debitado na conta corrente da impugnante no Banco Bamerindus tratava-se de pagamento a fornecedores. d) Inexistiu passivo fictício, visto ter se dado, em realidade, equivoco quando da escrituração. e) Anexa cópia de DARF, através do qual informa haver procedido ao recolhimento do IRRF incidente sobre a alegada distribuição. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) A impugnação se limitou ao mero campo das alegações, nada trazendo aos autos aléin do DARF, que isoladamente não tem o condão de comprova-las. b) Ainda que tenham ocorrido referidos equívocos, quando de tais contabilizações, no momento em que levantado o Balanço Patrimonial, referidos erros teriam que ser, inevitavelmente sanados, visto que, sem tais providências, o mesmo não fecharia ou bateria, e não se poderia concluir com exatidão mencionado demonstrativo contábil. c) Correta a exigência quando o contribuinte mantém como obrigações, em seu Balanço Patrimonial, valores pagos (ou incomprovados) em datas anteriores àquela em que levantado referido demonstrativo contábil. ' Processo n° 13808.000641/99-70 S1-TE04 Acórdão n.° 1804-00072 Fl. 3 Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Levando-se em conta o previsto no parágrafo único do art. 228 do RIR, a recorrente reitera não haver qualquer omissão de receita e sim, escrituração contábil equivocada, urna vez que fez constar da "conta passivo — outros débitos", o valor de R$ 27.000,00, quando na verdade tratava-se de débitos com fornecedores, portanto devendo constar da conta "passivo circulante — fornecedores". É o relatório. Voto Conselheira - SELENE FERREIRA DE MORAES, Relatora A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 07/12/2007 (AR de fls. 90 verso). O recurso foi protocolado em 28/12/2007, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O art. 228 do RIR/1994 assim dispõe: "O fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa ou a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção". O dispositivo legal em comento consiste numa presunção legal. As presunções legais, assim como as humanas, extraem, de um fato conhecido, fatos ou consequências prováveis, que se reputam verdadeiros, dada a probabilidade de que realmente o sejam. Se, presente "A", "B" geralmente está presente; reputa-se como existente "B" sempre que se verifique a existência de "A", o que não descarta a possibilidade, ainda que pequena, de provar-se que, na realidade, "B" não existe. Como preleciona o insigne mestre José Luiz Bulhões Pedreira "o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume — cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." Na presente presunção legal, temos o seguinte: A = existência de valor registrado como passivo no Balanço Patrimonial levantado em 31/12/1995, que já havia sido pago em 3/11/1995. R)- 3 Processo n° 13808.000641/99-70 S1-TE04 Acórdão n.° 1804-00072 Fl. 4 B = configuração de omissão de receitas ou de rendimentos. A fiscalização, utilizando-se de todos os meios de prova admitidos em direito, comprovou que a o crédito da sócia Maria Inês Caruso já havia sido quitado antes do levantamento do Balanço Patrimonial. Por sua vez, a recorrente apenas anexou Darf relativo a IRRF sobre lucros distribuídos. Ocorre porém, que a base de cálculo lá discriminada não coincide com o valor da obrigação mantida no passivo, sendo que não foi anexado nenhum outro documento hábil a comprovar que o valor da dívida estaria contido nesta distribuição. Tampouco restou comprovado que o valor de R$ 27.000,00 referia-se a débitos com fornecedores. Não foram anexados extratos bancários, nem notas fiscais relativas a bens adquiridos que justificassem o alegado equívoco contábil. Por conseguinte, o crédito tributário foi apurado com estrita observância ao art. 228 do RIR11994, devendo ser mantida a exigência. Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 26 de maio de 2009. n-• NE FERREIRA DE MORAES • 4
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Numero do processo: 10209.000081/2001-54
Data da sessão: Tue Aug 11 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Importação -II
Data do fato gerador: 13/07/2000, 26/07/2000, 08/08/2000
MULTA POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DA FATURA COMERCIAL NO
PRAZO DETERMINADO EM TERMO DE COMPROMISSO. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Comprovado que o sujeito passivo deixou de apresentar a via original da fatura, no prazo determinado em termo de compromisso, era perfeitamente cabível a aplicação da multa de 10% do valor do imposto de importação devido. Todavia, como o dispositivo
legal que previa essa penalidade foi revogado, por força do princípio da retroatividade benigna, deve-se exonerar infrator dessa penalidade.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-000.162
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Nanci Gama. Esteve presente ao julgamento o Dr. Igor Vasconcelos Saldanha, OAB/DF 20.191
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 13/07/2000, 26/07/2000, 08/08/2000 MULTA POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DA FATURA COMERCIAL NO PRAZO DETERMINADO EM TERMO DE COMPROMISSO. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Comprovado que o sujeito passivo deixou de apresentar a via original da fatura, no prazo determinado em termo de compromisso, era perfeitamente cabível a aplicação da multa de 10% do valor do imposto de importação devido. Todavia, como o dispositivo legal que previa essa penalidade foi revogado, por força do princípio da retroatividade benigna, deve-se exonerar infrator dessa penalidade. Recurso Especial do Procurador Negado
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III, alínea "a", do RA/85 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRÁS Assunto: Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 13/07/2000, 26/07/2000, 08/08/2000 MULTA POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DA FATURA COMERCIAL NO PRAZO DETERMINADO EM TERMO DE COMPROMISSO. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Comprovado que o sujeito passivo deixou de apresentar a via original da fatura, no prazo determinado em termo de compromisso, era perfeitamente cabível a aplicação da multa de 10% do valor do imposto de importação devido. Todavia, como o dispositivo legal que previa essa penalidade foi revogado, por força do princípio da retroatividade benigna, deve-se exonerar infrator dessa penalidade. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Tu a da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provim; J to ao recurso especial da Fazenda Nacional. Declarou-se impedida de votar a Conselhe a Nanci Gama. Esteve presente ao julgamento o Dr. Igor Vasconcelos Sal'', a, OAB/DF 20.191. Wile~ CARLOS ALBERTO F ITAS BARRE 10 Presidente 1, 1 HENRIQUE PINHEIRO " S Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz (Substituto convocado), José Adão Vitorino de Morais (Substituto convocado), Maria Teresa Martinez López e Leonardo Siade Manzan (Vice-Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Trata-se de Auto de Infração lavrado pelo Fisco para exigir do contribuinte o recolhimento da multa regulamentar pela falta de apresentação de fatura comercial no prazo fixado, e de multa por infração ao Regulamento Aduaneiro para a qual não haja previsão de multa específica, conforme especificações dos fatos, valores e capitulação legal discriminados às fls. 01/03. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, em síntese, o seguinte: - embora tenha estabelecido o prazo de 90 dias para a apresentação dos originais, a Instrução Normativa não estabeleceu penalidades para a sua eventual ultrapassagem, não existindo sanção expressamente prevista em lei, razão pela qual não há que se falar em aplicação da penalidade, seja ela administrativa ou pecuniária, pois vale a máxima nulla poena sine lege; - a capitulação feita pelo Fisco resulta de dedução meramente subjetiva, não apropriada ao caso em concreto, salientando-se que a norma tributária deve ser entendida restritivamente, descabendo ao intérprete desvios ou ampliações; - trata-se de obrigação acessória de apresentar os originais do Conhecimento de Carga, da Fatura Comercial e do Certificado de Origem no prazo máximo de 90 dias a contar da data do registro da DI e, embora o prazo haja sido extrapolado em poucos dias, os documentos foram apresentados antes mesmo do início de qualquer procedimento fiscal, aplicando-se à hipóteses o instituto da denúncia espontânea, de acordo com o artigo 138 do CIN, além de ficar demasiado relevante que a adimplência da obrigação, ainda que a destempo, não trouxe prejuízo ao Fisco. Na decisão de Primeira Instância Administrativa, a autoridade julgadora entendeu ser procedente o lançamento, pois conforme as normas administrativas que regem as importações brasileiras, o despacho de importação será instruído com a apresentação da Fatura Comercial, dos Certificados de Origem e dos Conhecimentos de Carga, pelo que se torna cabível a multa por infração administrativa ao controle das importações quando da falta da apresentação dos citados documentos no prazo fixado em termo de responsabilidade. Devidamente intimado da decisão supra, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde são reiteradas as razões aduzidas na Impugnação. 2 Processo n° 10209.000081/2001-54 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.162 Fl. 147 Assim sendo, os autos foram encaminhados a este Conselho para julgamento. A Câmara a quo deu provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: MULTA. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. Documentos originais apresentados a destempo à Fiscalização Aduaneira para instrução do despacho de importação; não deve prosperar o argumento de que não foi comprovada a regularidade da importação. PRINCIPIO DA TIPICIDADE DA NORMA LEGAL. Para a aplicação de qualquer penalidade em matéria tributária mister se faz a observância do principio da estrita legalidade, e não havendo pena especifica para a conduta tida por cometida, deve ser afastada a aplicação das penalidades. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO PELO VOTO DE QUALIDADE. A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração alegando obscuridade, vez que, da decisão constou que o recurso fora provido pelo voto de qualidade, quando houve unanimidade de votos. Os embargos foram acolhidos, o que resultou em nova decisão proferida por meio do Acórdão tf 301-32.931, que recebeu a seguinte ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Designado o Conselheiro José Luiz Novo Rossari para redigir acórdão n° 301-30.517, sanando assim a obscuridade relativa à inexistência de voto-vencido. EMBARGOS ACOLHIDOS E PROVIDOS. A União (Fazenda Nacional) dissentiu da decisão que lhe foi desfavorável e apresentou recurso especial por contrariedade à lei, fls. 111/117, por meio do qual requereu a reforma do acórdão vergastado para que se restabelecesse a decisão da Primeira Instância Administrativa. O recurso foi admitido pelo Presidente da 1' Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, despacho às fls. 118/120, quanto à contestação da multa de 10%. O sujeito passivo apresentou contrarrazões às fls. 129/132. É o Relatório. f 3 Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão trazida a debate gira em tomo do fato de a contribuinte haver apresentado as faturas comerciais fora do prazo fixado em Termo de Responsabilidade firmado pela autuada. Dos autos consta que a Fatura Comercial, Certificados de Origem e dos Conhecimentos de Carga foram apresentados após o Prazo Fixado no Termo de Responsabilidade de fl. 15, posto que se consignou nesse termo o prazo de 90 dias contado a partir do registro da DI, e os documentos só foram entregues à repartição aduaneira após o exaurimento do mencionado prazo, como atestado pela Informação Fiscal de fl. 12. A apresentação de fatura comercial para o despacho aduaneiro é exigida pelo caput do art. 425 do RA185. Já o conhecimento de transporte encontra respaldado no art. 422, e o certificado de origem, no parágrafo único do mencionado Regulamento. "Art. 425 — O despacho de importação será instruído também com fatura comercial, Pl ••• "Art. 422 - O despacho de importação será instruído com o conhecimento de carga ou documento equivalente, como prova de posse ou propriedade da mercadoria." Art. 434- (.) Parágrafo único —Tratando-se de mercadoria importada de pais-membro da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com o modelo aprovado pela citada Associação. O descumprimento da obrigação relativa à fatura comercial implica infração apenada com a multa de 10% do valor do imposto devido, conforme norma inserta na alínea "a" do inciso III do art. 521. Art. 521 — Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: 1— (.); II — de 10% (dez por cento): a) pela inexistência da fatura comercial ou falta de sua apresentação no prazo fixado em termo de responsabilidade; 4 Processo n° 10209.000081/2001-54 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.162 Fl. 148 O descumprimento em relação à não apresentação do conhecimento de transporte e do certificado de origem representa infração sancionada com a multa trazida no art. 522, IV, do RA/85. Todavia, contra essa parte do lançamento, a PGFN não apresentou recurso, limitando a lide, então, apenas ao caso da penalidade de 10% sobre o valor do imposto devido. A entrega a destempo é incontroversa, já que a própria autuada reconhece isso em seu recurso voluntário, nos termos seguintes: E os fatos que deram origem ao Auto de Infração devem ser avaliados no contexto do prejuízo causado à arrecadação. No caso que se cuida, foi tempestivamente cumprida a obrigação principal (o pagamento do imposto de importação). Ficou restando apenas o cumprimento da obrigação acessória, que era a apresentação, no prazo de 90 dais, do original da fatura comercial, prevista na Instrução Normativa n° 97/94. Com a entrega desse original, ainda que a destempo, cumpriu-se a obrigação. Sendo incontroversa o descumprimento da obrigação acessória, a meu sentir, não há como deixar de aplicar a sanção prevista na alínea a do inciso III do art. 521. do RA/85, posto que a conduta da autuada, descrita na denúncia fiscal, adequa-se, perfeitamente, ao tipo descrito no dispositivo legal acima mencionado — pela inexistência da fatura comercial ou falta de sua apresentação no prazo fixado em termo de responsabilidade. Todavia, esse tipo, cuja matriz legal era a alínea "a" do inciso IV do art. 106 do Decreto-Lei n° 37/1966 foi expressamente revogado pelo inciso I do art. 94 da Lei n° 10.833/2003. Nesse caso, aplica-se o princípio da retroatividade benigna, positivado, em relação às penalidades tributárias, no inciso II do 106 CTN. Assim, deve-se exonerar o sujeito passivo dessa penalidade. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 11 de agosto de 2009. T,&(.. HE QUE PINHEIRO S
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Numero do processo: 10580.010303/2006-12
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2004
DECISÃO DEFINITIVA. É definitiva a decisão de primeira instância
quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1801-000.252
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro André Almeida Blanco,
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004 DECISÃO DEFINITIVA. É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente o Conselheiro André Almeida Blanco, ( ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora EDITADO EM: 12 KV 2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Polastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes, Relatório I - Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls.. 03/10, com a exigência do crédito tributário no valor de R$38.117,43, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, juros de mora e multa proporcional, referente ao período de janeiro a dezembro de 2003, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples. O lançamento fundamenta-se nas infrações que se seguem: Item 1 - Diferença na Base de Cálculo - Apuração efetivada a partir dos valores escriturados no Livro Caixa, fls. 82/140, na movimentação financeira junto ao Banco do Brasil S/A, agência n° 2957-2, conta corrente n° 18.513-1, fis, 141/184, na Declaração de Apuração Mensal de ICMS, fls. 185/197 e aqueles informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica - Simples - DSPJ n" 6590958, fls. 62/79; Item 2 - Insuficiência de Recolhimento - Em decorrência da omissão de receitas houve aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica - Simples - DSPJ n" 6590958, fls, 62/79. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art, 24 da Lei n" 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2" do art. 2", alínea "a" do § 1 0 do art. 3', art. 5°, § do art. 7° e art. 18, todos da Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 3" da Lei n" 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186 e art, 188 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto n" 3.000, de 26 de março de 1999- RIR, de 1999. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II - O Auto de Infração às fls. 11/18, com a exigência do crédito tributário no valor de R$38.117,43 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea "b" do art. 3' da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1" da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2", art. 3" e art. 9° da Medida Provisória n" L249, de 14 de dezembro de 1995, § 2" do art, 2°, alínea "b" do § I' do art. 3", art. 5°, § 1" do art. 70 e art. 18, todos da Lei n°9.317, de 1996 e ainda art. 3" da Lei n" 9.732, de 1998, III - O Auto de Infração às fls. 19/26 a exigência do crédito tributário no valor de R$58.642,22 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, juros de mora e multa proporcional. Para tanto, fOi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1" da Lei n°7.689. de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2" do art., 2 0, alínea "c" do § 1" do art. 3", art. 5", § 1 0 do art. 7°c art. 18, todos da Lei n°9.317, de 1996 e ainda art. 3" da Lei n°9.732, de 1998, IV - O Auto de Infração às fls. 27/34, com a exigência do crédito tributário no valor de R$117,284,55 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social 2 Processo n" 10580 010303/2006-12 SI-T E01 Acórdão n " 1801-00,252 Fl. 258 Cofins, juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art 1° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2° do art. 2°, alínea "d" do § 1° do art. 3°, art. 5°, § I° do art, 7° e art 18, todos da Lei n° 9.317, de 1996 e ainda art. 3° da Lei n°9.7.32, de 1998. V - O Auto de Infração às fls. 35/42 com a exigência do crédito tributário no valor de R$220,.314,9.3 a título de Contribuição para a Seguridade Social - INSS, juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2' do art. 2 0, alínea "f' do § 1° do art. 3°, art. 5 0, § I" do art. 7°c art. 18, todos da Lei n° 9.317, de 1996 e ainda art. .3° da Lei n°9732, de 1998. Inconformada com as exigências fiscais, das quais teve ciência em 27/11/2006, fls. 03, 11, 19, 27, 35 e 43, a Recorrente apresentou a impugnação de fls. 199/201, argumentando em síntese que houve cerceamento do direito de defesa. Suscita que há incorreções em sua escrita fiscal, uma vez que há valores que não foram excluídos, tais corno: doações, trocas, devoluções e substituições de mercadorias. Argúi que os valores das receitas brutas mensais apuradas de oficio contêm incorreções. Assim, requer a realização de diligência pra comprovar suas alegações. Está registrado como resultado do Acórdão da 4" TURMA/DRJ/Salvador/BA n° 15-1.3.22.3, de 24/07/2007, fls. 227/232: "Lançamento Procedente". Consta DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO, Caracteriza omissão de base de cálculo do Simples a diferença a maior entre valores de receita escriturados em Livro Caixa e valores de receita declarados na DSPJ-Simples do período PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Constando nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-e, por prescindível, o pedido de diligência. Notificada em 18/12/2007, fl. 244, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fls. 247/250, em 12/03/2008, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade, nos termos do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que foi intimada em domicílio fiscal inválido, porque estava em inatividade, Esclarece que somente em 20/02/2008 teve ciência do Acórdão da 4" TURMA/DRJ/Salvador/BA n° 15-1.3.223, de 24/07/2007. Com o objetivo de sustentar o argumento jurídico de que quer se socorrer interpreta a legislação que rege a questão litigiosa e cita princípios constitucionais que supostamente foram violados. Conclui Destarte, sendo, pois, parcialmente insubsistente o lançamento contestado, a fim de assegurar a efetiva recepção dos princípios 3 constitucionais do contraditório e da ampla defesa, pugna a empresa recorrente pelo conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário de modo que, reformando a decisão ora recorrida, considerando, pois, tempestivo o presente apelo, determine a devolução dos autos à instancia de origem a fim de que seja possibilitado à recorrente o regular • exercício da ampla defesa e contraditório com a realização das diligencias requeridas na impugnação feita junto à DRJ 1 SDR de Salvador- - BA. É o Relatório. 4 Processo n 10580 010303/2006-12 SI-TE01 Acórdão n " 1801-00,252 F 1 259 Voto Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA Em preliminar, a Recorrente suscita que a petição foi apresentada de acordo com a legislação processual, O Decreto IV 702.35, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina: Art. 5" Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...1 Art, 23. Far-se-á a intimação: [' ] II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n" 9.532, de 1997) 2° Considera-se feita a intimação: II - no caso do inciso II do captet deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; ,sç 4' Para fins de intimação, considera-se domicílio tributário do sujeito passivo • (Redação dada pela Lei n" 11. 196, de 2005) 1 - o endereço postal por ele fornecido, para .fins cadastrais, à administração tributária; [ Art. 28, Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, [ T. 1 5 Ar 33. Da decisão caberá recluso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. [1 Art. 42, São definitivas as decisões • 1 - de primeira instância esgotado o prazo para reciu•so voluntário sem que este tenha sido inteiposto; Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF no 09, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Adminis trativo de Recursos Fiscais -CARF) É válida a ciência da notUicação por via postal realizada no domicílio .fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Está registrado no Despacho SECAT/DRFISDR if 982, de 17/02/2008, fl 255: Após julgamento da DRJ, Acórdão 15-13.233 de 24/07/2007, o contribuinte . fbi cientificado para o endereço cadastral, fis. 233, sendo a correspondência devolvida ao remetente, fls.238 Foi então efetuada nova tentativa de ciência para o responsável legal, constante no CNPJ, ,fis.239/244 e 251/253, efetivada em 18/12/2007 O contribuinte apresentou em 12/03/2008, após emissão de termo de perempção .11s. 246, Recurso Voluntário , .11s. 247/250, no qual questiona como preliminar a tempestividade Tendo em vista ar! 35 do Decreto n° 70 235 de 06/03/1972, o Ato Deciaratório 1nterpretativo RFB n° 09 de 05/06/207, proponho encaminhamento do presente processo ao 3° Conselho de Contribuintes de acordo com a Portaria SRF n° 1,769, de 12 de julho de 2005 É ônus da Recorrente a apresentação tempestiva da peça de defesa, que por ser prazo legal peremptório, não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes no processo (art. 182 do Código de Processo Civil), Verifica-se no presente caso que a Recorrente foi cientificada do Acórdão da 4a TURMA/DM/Salvador/BA ri' 15-11223, de 24/07/2007 em 18/12/2007, fl. 244, no endereço postal por ela fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária e apresentou o recurso voluntário, fls.. 247/250, em 12/03/2008.. Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornou-se definitiva., Não cabe, assim, o julgamento das demais alegações por serem questões incompatíveis (art.. 28 do Decreto IV 70,235, de 06 de março de 1972). Em face do exposto voto não conhecer o recurso voluntário por ter sido interposto fora do prazo legal, CARMEN FERREIRA SARAIVA - Relatora Ierf 6
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000369/2006-79
Data da sessão: Fri May 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. INTERESSE ECOLÓGICO.
Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.534
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo Bouet Allage que davam provimento parcial para excluir da tributação a área de preservação permanente declarada
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. INTERESSE ECOLÓGICO. Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T14:01:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T14:01:59Z; Last-Modified: 2010-07-13T14:01:59Z; dcterms:modified: 2010-07-13T14:01:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:22a23716-858f-4b82-9a6d-c550e3bcbca0; Last-Save-Date: 2010-07-13T14:01:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T14:01:59Z; meta:save-date: 2010-07-13T14:01:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T14:01:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T14:01:59Z; created: 2010-07-13T14:01:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-07-13T14:01:59Z; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T14:01:59Z | Conteúdo => S2-C1T1 F 1 . 150 41/4,4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • ç' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13603.000369/2006-79 Recurso n° 339.905 Voluntário Acórdão n° 2101-00.534 — i a Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2010 Matéria 1TR Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S/A MBR Recorrida P TURMA DA DRJ BRASÍLIA/DF Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. INTERESSE ECOLÓGICO. Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter específico, para determinadas áreas da propriedade particular. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Odmir Fernandes e Gonçalo BouerAllage que davam provimento parcial para excluir da tributação a área de preservação pendanente\declarada. r•-• 1 N / CAIO MARCOS CÂNDI I S - Presidente A fr 4 JOSÉ RA 4V DO TOSTA SANTOS - Relator EDITADO EM: 1 8 juN 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage e Odmir Femandes. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 03-21.126, proferido pela 1' Turma da DRJ Brasília (fls. 97/107), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o Auto de Infração às fls. 01/11. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Da Autuação Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 14/03/2006, o Auto de Infração/anexos de fls. 01/11, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 116.169,80, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural -- TTR, do exercício de 2002, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais calculados até 24/02/2006, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda da Cachoeira", cadastrado na SRF, sob o n° 5.454.642-7, com área de 1.293,0 ha, localizado no Município de Brumadinho/MG. A ação fiscal é proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2002 incidentes em malha valor. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada ' e das informações constantes da DITR/2002, a fiscalização resolveu glosar totalmente as áreas declaradas como sendo de preservação permanente de 405,5 ha, as de utilização limitada de 737,5 ha e as utilizadas como pastagens de 35,0 ha. Desta forma, foi aumentada a área tributável do imóvel, juntamente com a sua área aproveitável, com redução do Grau de Utilização da área utilizável. Conseqüentemente, foi aumentado o V'TN tributado — devido à glosa das áreas ambientais -, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 05. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 04, 06 e 09/11. Da Impugnação - Cientificada do lançamento, em 29/03/2006 (documento "AR" de fls. 19), a Irnpugnante, por meio de procurador legalmente constituído, doc. de fls. 50/57, protocolou em 27/04/2006, fls. 20, a impugnação de fls. 20/37, lida nesta Sessão. Apoiada nos documentos de fls. 39/48, 51/54, 55/56, 59, 61 e 63/94, alegou e requereu o seguinte, em síntese: • apresenta um breve resumo do auto de infração concluindo que este teve, como único motivo, a apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA); • informa que o imóvel objeto da autuação tem área total de 1.293,0 hectares, dos quais - - _ 405,5 hectares correspondem à área de preservação permanente e 837,5 hectares correspondem à _ área de utilização limitada (interesse ecológico); iLes' 2 Processo n° 13603.000369/2006-79 S2-C 1T1 Acórdão n.° 2101-00.534 Fl. 151 • tais dados são corroborados pelo Ato Declaratório Ambiental do imóvel, apresentado pela Recorrente ao órgão ambiental competente, em 03.12.2003, e que, no entanto, não foi considerado pela Secretaria da Receita Federal como idôneo a comprovar a existência das referidas áreas declaradas na DITR do exercício de 2002, em virtude da data em que foi protocolado; • a fim de comprovar as medidas informadas em sua DITR, a hnpugnante apresenta cópia autenticada do Laudo Técnico elaborado, em 22.11.2005, pelo Engenheiro Agrônomo Tiago Corta de Carvalho; • apresenta a descrição do imóvel rural contida no referido laudo técnico para concluir que a única diferença entre o ADA e o declarado para fins de pagamento é a utilização a menor do beneficio; • destaca o conceito de área de preservação permanente previsto nos artigos 1° e 2° da Lei n°4.771, de 1965; • a existência das áreas de preservação permanente não é reconhecida unicamente mediante a apresentação de Ato Declaratório Ambiental, protocolizado junto ao IBAMA ou órgão conveniado, no prazo de seis meses, a contar da entrega à Secretaria da Receita Federal da Declaração do ITR, conforme previsão do artigo 10, §4°, II, da IN SRF n° 43/1997, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF n° 67/1997; • a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, assim como das de utilização limitada, pode ser realizada através de qualquer documento hábil a tal demonstração, inclusive Ato Declaratório Ambiental apresentado ao IBAMA fora do prazo previsto na IN SRF n° 43/1997, sendo permitido ao contribuinte valer-se de diversos meios para fundamentar as informações prestadas na sua DITR e cita posicionamentos do E. Terceiro Conselho de Contribuintes; • não há como prevalecer a autuação em tela, cujo fundamento único é a intempestividade do protocolo do Ato Declaratório Ambiental apresentado pela Recorrente; • em relação às áreas de declarado interesse ecológico (837,5 hectares), o Decreto do Estado de Minas Gerais n° 35.624, de 08.06.1994, e posteriormente a Lei Estadual de Minas Gerais n° 13.960, de 26.07.2001, declararam como área de proteção ambiental a região denominada APA SUL RMBH, situada nos Municípios de Belo Horizonte, Caeté, Ibirité, .- Itabirito, Nova Lima, Raposos, Rio Acima, Santa Bárbara e Brumadinho - no qual está situado o imóvel autuado; • o artigo 2° do Decreto elenca os objetivos do ato, quais sejam, proteger e conservar os sistemas naturais essenciais à biodiversidade, especialmente os recursos hídricos necessários ao abastecimento da população dessa região e áreas adjacentes, com vistas à melhoria de qualidade de vida da população local, à proteção dos ecossistemas e ao desenvolvimento sustentável; • com a edição do referido Decreto, a região em que está localizado o imóvel Fazenda Jangada passou a se enquadrar no conceito de área de utilização limitada, de acordo com o artigo 10, § 1°, `11', da Lei n° 9.393/1996 e o cita, bem como, o quê dispõe o artigo 10, § 3°, da Instrução Normativa SRF n° 43/1997, com a redação da IN SRF n° 67/1997; • conclui_ que, a Fazenda da Cachoeira, estando contida na região denominada APA SUL RMBH, em que se encontra o Município de Brumadinho, por determinação do Decreto Estadual n° 35.624/1994, foi declarada de interesse ecológico para proteção dos ecossistemas da 3 respectiva região, constituindo-se, em decorrência, como de utilização limitada, e portanto, como área não-tributável; • no ano de 1996 foi promulgado o Decreto Estadual de Minas Gerais n° 37.812, que alterou alguns artigos do anterior Decreto n° 35.624, mas manteve seu objetivo de proteção ao ecossistema da região APA SUL RMBH; • transcreve os arts.1° e 2° da Lei Estadual de Minas Gerais n° 13.960, promulgada em 26 de julho de 2001, que tem o mesmo objetivo dos mencionados Decretos; • em vista do disposto nos Decretos Estaduais il.% 35.624/1994 e 37.812/1996, bem como na Lei Estadual n° 13.960/2001, e, ainda, considerando-se o ADA, datado de 03.12.2003, apresentado pela Recorrente à Fiscalização, restou demonstrada a existência de 837,5 hectares de área de utilização limitada e de 405,5 hectares de área de preservação permanente no imóvel Fazenda Jangada, razão pela qual deve a presente impugnação ser julgada totalmente procedente; • o artigo 3° da Medida Provisória n° 2.166-67, de 2001, alterou a redação do artigo 10 da Lei n° 9.393/96, tornando desnecessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental no prazo acima referido para comprovação das informações prestadas pelo contribuinte na DITR e o cita; • a Medida Provisória em análise, ao dispor que a DITR independe de prévia comprovação, cabendo ao contribuinte do imposto recolher eventuais diferenças caso não logre demonstrar a veracidade de sua declaração, prevê norma mais benéfica ao contribuinte em relação à comprovação da existência de áreas excluídas da tributação pelo 1TR e às penalidades cabíveis pela não comprovação; • é aplicável ao caso o artigo 106, alínea 'c', do CTN, que prevê a aplicação da lei tributária a fato pretérito sempre que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei 7`ç. vigente ao tempo de sua prática; • mostra entendimentos C. Terceiro . Conselho de Contribuintes, em diversos pronunciamentos, e do Colendo Superior Tribunal de Justiça, em favor de sua tese; • acrescenta, ainda, voto do Ministro Relator Luiz Fux e conclui que a não apresentação ou apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental não pode determinar a glosa efetuada pela Fiscalização; • a exigência de apresentação do ADA no prazo previsto configura obrigação acessória, a qual, se infringida, não pode ensejar o pagamento de I suplementar. No máximo, poderia ter sido cobrada eventual multa isolada, O que apenas se admite a titulo de argumentação, por descumprimento de obrigação acessória, o que não foi feito, já tendo, inclusive, decorrido o prazo qüinqüenal para a constituição de tal crédito tributário, sendo este o entendimento manifestado pelo E. Terceiro Conselho de Contribuintes e o cita; • é assente na doutrina o entendimento de que posições jurisprudenciais pacificadas não podem ser ignoradas, pelo bem dos princípios da economicidade e da segurança jurídica, corolários constitucionalmente previstos e mostra palavras do ilustre Professor Ricardo Lobo Torres; • em vista de tudo quanto foi exposto e levando em consideração: (0 o disposto no Decreto n° 35.624/94, que declarou como área de proteção ambiental a região onde está situado o imóvel autuado; e, principalmente, (ii) a desnecessidade de ser apresentar o Ato Declaratório Ambiental da Fazenda Jangada (sic), a Impugnante espera e confia seja cancelada a exigência - - fiscal Cbristárite- no- auto -de infração em questão e, em decorrência, seja o mesmo julgado - improcedente; 4 Processo n° 13603,000369/2006-79 S2-C1T1 Acórdão o.° 2101-00.534 Fl. 152 • alternativamente, caso não seja julgada suficiente a prova feita pelo laudo apresentado, o que somente se admite para fim de argumentação, pleiteia a Impugnante pela realização de PERÍCIA; • atendendo ao disposto no artigo 16, IV2, do Decreto n° 70.235/72 a Impugnante, desde logo, nomeia como seu perito o Sr. Tiago Cotta de Carvalho, engenheiro agrônomo, inscrito no CREA/MG n°. 41.277/D, e com endereço na Rua Gonçalves Dias, 1.745, apartamento n°.601, CEP.: 30.140-092, Lourdes, Belo Horizonte, Minas Gerais; • apresenta quesitos suplementares, que se mostrarem eventualmente necessários, em face dos exames procedidos, a Impugnante requer que sejam respondidos; • solicita ainda, que o perito preste quaisquer infoimações adicionais que lhe pareçam relevantes para o deslinde da demanda. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador a gila manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APA. Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico ou como de preservação permanente as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, como os situados em APA, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter especifico, para determinadas áreas da propriedade particular. As áreas de preservação permanente e de Utilização Limitada (Interesse Ecológico), para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgã o conveniado, ou, pelo menos, que seja providenciada a protocolização, dentro do prazo, do seu requerimento (do ADA). Lançamento Procedente Cientificado da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 112/126. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. - Do exame dm peças processuais, filmo convencimento de que o -lançamento — e a decisão de primeiro grau não merecem reparos. ' 5 Segundo dispõe o § 7 0, do artigo 10, da Lei n° 9.393/96, na redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/01 (DOU de 25/08/01), "a declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas 'a' e 'd', do inciso II, § 1 0, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte da declarante". Ao dispensar a prévia comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de gozo da isenção, o dispositivo não inovou, o que é próprio do lançamento por homologação, conforme disposto no caput do artigo. Quando necessário, a comprovação das condições para fruição de beneficio fiscal será feita posteriormente, mediante intimação da fiscalização. Como todos os demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, as informações prestadas na DITR estarão sujeitas à verificação. O que podemos entender da leitura desse parágrafo é que está dispensada a apresentação dos documentos comprobatórios simultaneamente com a Declaração do ITR, porém, não está o contribuinte dispensado de comprovar, quando assim solicitado pelo Fisco, o que foi declarado. E, se as informações forem inexatas, ficará ele sujeito ao pagamento do imposto suplementar, com os devidos acréscimos legais. Inaplicável ao caso o artigo 106, alínea 'c', do CTN, que prevê a aplicação da lei tributária a fato pretérito sempre que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática O litígio decorre da glosa integral das áreas de preservação permanente (405,5 ha) e de utilização limitada (737,5 há), por não ter sido apresentado tempestivamente o requerimento do ADA ao IBAMAJórgão conveniado e pela ausência de ato específico em relação à APA. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Com efeito, o prazo para requerimento solicitando o competente Ato Declaratório Ambiental expirou em 31 de março de 2003, ou seja, seis meses após o termo final para a entrega da DITR/2002 (30 de setembro de 2002, de acordo com a IN SRF n° 187, de 06/08/2002). No presente caso, o requerente comprovou nos autos a protocolização do requerimento/ADA em 03 de dezembro de 2003 (fl. 61), sendo, portanto, intempestivo para a finalidade de exclusão das áreas ambientais do ITR/2002. Mais recentemente, a discussão a respeito sobre a necessidade do ADA para fins de isenção do ITR foi objeto de intenso debate na r Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, prevalecendo ao final o entendimento de que, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, o protocolo do pedido do ADA (no prazo de seis meses a contar da data para apresentação da DITR) é condição para o reconhecimento dessas áreas como isentas de tributação pelo ITR (Acórdão n° 9202-00.194, sessão de 18/08/2009). A obrigatoriedade de utilização do ADA, anteriormente consignada em Instrução Natinativa da SRF, tem amparo legal através do artigo 17-0 da Lei 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1°, cuja atual redação foi dada pelo art. 1° da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, a seguir transcritos: Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lhama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n' 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) ssç P-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá_exceder a dez -por_cento _do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei n° 10.165, de 2000). (1-\ 6 Processo n° 13603.000369/2006-79 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.534 Fl. 153 § 1° - A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Convém citar, aqui, decisão judicial nesta entendimento. Em sentença denegatória de segurança, datada de 15 de dezembro de 2005, no âmbito do MS n° 2005.36.00.008725-0, impetrado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso — FAMATO, o Dr. Jeferson Schneider, Juiz da 2' Vara Federal de Mato Grosso, asseverou pela legalidade da exigência do ADA, sob a égide do art. 17-0 da Lei 6.938/81, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10.165, de 27/12/2000, vigente à época do fato gerador do tributo (DITR/2002): "(...) Seguem os dois artigos para perfeita análise da questão controvertida: (transcreve art. 17-0 da Lei n°. 6.938/81 e art. 10, 7°, da Lei n° 9.393/96) Os dois dispositivos acima colacionados são perfeitamente compatíveis, ao contrário do que sustenta a impetrante. A Receita Federal em nenhum momento está exigindo previamente a declaração, para fins de isenção do ITR, a comprovação dessa declaração por meio do ADA — Ato Declaratório Ambiental. Como estatui a Lei n° 9.393/96, que trata do Imposto Territorial Rural — ITR, com a redação da Medida Provisória n° 2.166-67/01, a apuração e o pagamento do ITR são efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento administrativo. () Assim, nenhum óbice há em que a administração exija do contribuinte o ADA, no prazo razoável de até em seis meses após o pagamento do tributo, pois é a partir desse Ato que poderá definir a exata dimensão da área tributada, assim como o acerto do valor pago. O que a impetrante pretende é que seja permitido aos substituídos reduzirem as áreas de tributação, mediante a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal do total da área, sem que a administração tenha qualquer espécie de controle sobre essa redução. Ora, qual o problema que existe para o contribuinte em declarar ao IBAMA a dimensão da área de preservação permanente e a área de reserva legal mediante o ADA. Nenhum. (...) • Daí a necessidade de apresentação do Ato Declarató rio Ambiental para verificação posterior pelo Fisco, por tratar-se de lançamento por homologação (...)" (grifamos) No que tange à área de utilização limitada (interesse ecológico) situada em Área de Proteção Ambiental (APA), entendo que somente após o reconhecimento desta como sendo de interesse ambiental pelo órgão competente, especificando a área do imóvel rural sujeita a determinado tipo de restrição, é que o beneficio fiscal pode ser usufruído. O decreto ou a lei que estabelece a APA o faz sem especificar os imóveis rurais, apenas indica os municípios da região abrangidos. É evidente que tais instrumentos normativos não podem ser considerados atos específicos a que se refere o artigo 10, inciso II, alíneas b e c, da Lei n°9.393, de 1996. Não há como considerar, em caráter geral, todas as áreas dos imóveis rurais comprovadamente localizados dentro dos limites da referida APA SUL RMBH, como de - interesse- ambiental,- para -fins- de exclusão-do- ITR, mas tão -somente aquelas áreas assim declaradas, em caráter específico, seja ela de preservação permanente ou de utilização limitada (Reserva Particular do Patrimônio Natural, Imprestável para a atividade produtiva, declarada 7 como de interesse ecológico, ou de Reserva Legal). O Regulamento do ITR aprovado pelo Decreto n°4.382, de 2002, assim dispõe: Art. 15. São áreas de interesse ecológico aquelas assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que (Lei n° 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II, alíneas "h" e I - se destinem à proteção dos ecossistemas e ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput do art. 10; ou - sejam comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Resta claro, portanto, que a exclusão do ITR apenas se aplica a áreas especificas da propriedade particular reconhecidas de interesse ambiental, através de ato especifico, por imóvel, expedido pelo IBAMA (Ato Declaratório Ambiental - ADA). Acrescente-se ainda que este entendimento tem suporte no § 6°, art. 10, da IN/SRF n° 043/1997, com a redação dada pela IN/SRF n° 67/1997, que assim estabeleceu: "§ 6° Para efeito de exclusão do ITR, não serão aceitas como de interesse ecológico as áreas declaradas, em caráter geral, por região local ou nacional, mas, sim, apenas as declaradas, em caráter especifico, para determinadas áreas da propriedade particular". Por fim, cumpre ressaltar que a apresentação de laudo Técnico não substituem as exigências legais estabelecidas para fruição do beneficio fiscal. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 14 de maio de 2010. •• José • árin Vai ta Santos - 8
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