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Numero do processo: 19515.002257/2006-28
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Verificada a existência de omissão no
julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados. MULTA DE OFÍCIO PERCENTUAL A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em
que implica descumprimento da norma tributária definidora dos
prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em
havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos.
Incabível aredução do percentual da multa de oficio, sem previsãolegal para tal, vez que lançamento tributário deve ser
estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingirse às determinações da lei para
efetuálo ou alterálo. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE EXAÇÃO FISCAL Estando a exação em conformidade com as normas legais, e,
tratando se de dispositivos vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observância e aplicação
dos mandamentos por ela veiculados.
Embargos acolhidos.
Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2202-002.418
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para, rerratificar o Acórdão n.º
220201.155, de 12/05/2011, sanando a omissão apontada.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Verificada a existência de omissão no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados. MULTA DE OFÍCIO PERCENTUAL A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. Incabível aredução do percentual da multa de oficio, sem previsãolegal para tal, vez que lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingirse às determinações da lei para efetuálo ou alterálo. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE EXAÇÃO FISCAL Estando a exação em conformidade com as normas legais, e, tratando se de dispositivos vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observância e aplicação dos mandamentos por ela veiculados. Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado.
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MULTA DE OFÍCIO PERCENTUAL A inadimplência da obrigação tributária principal, na medida em que implica descumprimento da norma tributária definidora dos prazos de vencimento, tem natureza de infração fiscal, e, em havendo infração, cabível a infligência de penalidade, desde que sua imposição se dê nos limites legalmente previstos. Incabível a redução do percentual da multa de oficio, sem previsão legal para tal, vez que lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingirse às determinações da lei para efetuálo ou alterálo. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE EXAÇÃO FISCAL Estando a exação em conformidade com as normas legais, e, tratando se de dispositivos vigentes cuja inconstitucionalidade não foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal, cabe aos órgãos da Administração Pública a observância e aplicação dos mandamentos por ela veiculados. Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos apresentados para, rerratificar o Acórdão n.º 220201.155, de 12/05/2011, sanando a omissão apontada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 22 57 /2 00 6- 28 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002257/200628 Acórdão n.º 2202002.418 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte, relativo ao Acórdão n° 220201.155, de 12/05/2011 sob alegação de existência de omissão no acórdão. Aduz o Embargante, que a questão da desproporcionalidade da multa aplicada não foi analisada no voto, embora tenha sido suscitada no recurso voluntário. Registrese por pertinente que a decisão no acórdão embargado foi, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência relativo aos anos calendários de 2002 e 2003 os valores de R$ 100.00,00 e R$ 150.000,00, respectivamente, bem como excluir a exigência relativo ao ano calendário de 2004, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Margareth Valentini, que negava provimento ao recurso. O relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento pelo fato da omissão ser evidente. O acórdão não apreciou a questão da desproporcionalidade da multa aplicada de 75%. A presidência da Câmara, às fls. 441, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Câmara quanto à omissão existente no acórdão embargado. Assiste razão ao Contribuinte, o acórdão não apreciou a questão da desproporcionalidade da multa aplicada de 75%. Isto posto, o vício apontado é evidente e deve ser saneado. Entendo, portanto, devam ser acolhidos os embargos para corrigir essa omissão.. No recurso voluntário indicase que a autoridade julgadora de primeira instância teria fundamentado a sua decisão no fato de que as multas foram aplicadas de acordo com a previsão da Lei. 9430/96, em seu artigo 44, entretanto enfatiza a desproporcionalidade da multa aplicada. Afirma que o STF tem aplicado o princípio da proporcionalidade no controle da constitucionalidade da lei que comine penas desproporcional à infração. O STF deixou claro que o principio da proporcionalidade deve funcionar como limite constitucional para o excesso cometido pelo legislador ao fixar as penalidade tributárias. Complementa que o STJ também tem aplicado o principio da proporcionalidade. Inobstante o respeitável entendimento do recorrente, a multa de oficio aplicada no lançamento de 75%, teve esteio a Lei 9430, de 27/12/1996, e a redução do seu percentual, como pleiteado pelo recorrente, não encontra guarida, vez que não há previsão legal para tal. O lançamento tributário deve ser estritamente balizado pelos ditames legais, devendo a Administração Pública cingirse às determinações da lei para efetuálo ou alterálo. Nesse passo, não é inoportuno lembrar que a vedação do confisco, inscrita no artigo 150, IV, da Constituição Federal, é dirigida aos tributos e não às multas, que como demonstrado, são penalidades por infração tributária. De outra banda, descabida a alegativa de que a aplicação da multa deixou de observar o princípio da proporcionalidade, pois que a exação se deu nos exatos termos da lei, e, se há reclamações no tocante ao teor da norma legal, como já afirmado, as instâncias julgadoras administrativas, não são o foro para tal discussão, pois que não possuem competência legal para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis, atribuição reservada ao Poder Judiciário, conforme dispõe a Constituição Federal. Citese,ainda, a súmula n 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os Embargos apresentados para, rerratificar o Acórdão n.º 220201.155, de 12/05/2011, sanando a omissão apontada. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002257/200628 Acórdão n.º 2202002.418 S2C2T2 Fl. 4 5 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por HIULY RIBEIRO TIMBO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 07/10/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 12689.000437/00-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3202-000.027
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. José Luiz Novo Rossari Presidente Irene Souza da Trindade Torres – Relatora Editado em 24/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior e Paulo Sérgio Celani . Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Tratase de Autos de Infração, fls. 02/12, visando a cobrança do Imposto de Importação, com base nos arts. 1º; 77, inciso I; 80, inciso I, alínea “a”; 83; 86; 87, inciso I, alínea “a”; 89, inciso II; 90; 99; 100; 103; 111; 112; 220; 314, inciso I; 315; 317; 318; 319, com redação dada pelo Decreto n.º 636, de 1992; 328; 499; 500, incisos I e Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Resolução n.º 3202000.027 S3C2T2 Fl. 1.706 2 IV; 501, inciso III; 508 e 542 do Regulamento Aduaneiro (RA), aprovado pelo Decreto n.º 91.030, de 05 de março de 1985, e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, com base nos arts. 29, inciso I; 55, inciso I, alínea “r”; 63, inciso I, alínea “a”; 112, inciso I do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), aprovado pelo Decreto n.º 87.981, de 1982, ambos acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora. A autuação baseouse no fato de a contribuinte ter perdido o direito ao incentivo do Drawback Suspensão pelo não cumprimento das obrigações assumidas nos Atos Concessórios n.º 695/0042, 6 94/0152, 694/0441, 694/0506 e 694/1383, conforme informação de fls. 03 e 10 e xerocópias de documentos, fls. 11/416. Consta na informação de fls. 02/04 e no Relatório de Fiscalização, fls. 14/39, e anexos, fls. 40/45, que, ao proceder a auditoria fiscal do Regime de Drawback suspensão dos retrocitados atos concessórios, constatouse que: 1. Os RE’s n.º 95/0408180001, 95/0464166001, relativos ao Ato Concessório n.º 695/0042, e n.º 96/0020596001, relativo ao Ato Concessório n.º 695/0152, não foram efetivados no sistema SISCOMEX ou não pertencem ao importador; 2. Diversos RE’s, constantes do Anexo 1, fl. 40, não foram enquadrados como sendo parte de uma operação de drawback, mas sim como uma operação normal; 3. Os RE’s constantes do Anexo 2, fl. 41, não foram vinculados aos respectivos Atos Concessórios que tentam comprovar, em desrespeito ao disposto no art. 325 do Regulamento Aduaneiro, que determina que a utilização do benefício de drawback deve ser averbada no documento comprobatório de exportação; 4. Os RE’s constante do Anexo 3, fls. 42/43, foram utilizados na comprovação de dois atos concessórios distintos; A contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração em 28/04/2000 (fls.02 e 09) e, inconformada com a exigência, apresentou, em 29/05/2000, impugnação, fls. 388/395, descrevendo os fatos que originaram a lavratura da peça fiscal, alegando, em síntese: 1. Efetivamente cumpriu o compromisso assumido nos atos concessórios, objeto do litígio, ao exportar os produtos previstos nestes atos, na quantidade, valor e prazos definidos; 2. Todos os RE’s foram devidamente averbados no SISCOMEX, os códigos de identificação das operações, como sendo parte de um drawback, já foram corrigidos para 81.101, comprovando a vinculação das exportações com os respectivos atos concessórios a que se referem, conforme Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Resolução n.º 3202000.027 S3C2T2 Fl. 1.707 3 comprovam os documentos anexados, fls. 01/711, dos Anexos 1 a 3; 3. O Ato Concessório n.º 695/0506 está parcialmente comprovado pelas exportações vinculadas e documentadas, restando cerca de 129.97ton. do produto a nacionalizar, cujo Imposto de Importação está sendo recolhido; 4. A solicitação aposta no final é que o Auto seja julgado parcialmente improcedente, com a homologação da parcela já recolhida. Em 15/06/2000, a autuada apresenta xerocópias dos DARF’s pagos, nos valores de R$ 5.092,88 e R$ 43.124,34 (fls. 401/402), para homologação posterior.” A DRJSalvador/BA julgou procedente o lançamento fiscal efetuado (fls. 409/414), nos termos da ementa transcrita adiante: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 25/01/1995, 06/04/1995, 19/05/1995, 22/06/1995, 28/07/1995, 04/08/1995, 23/11/1995 Ementa: COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime drawback registros de exportação devidamente vinculados a apenas um ato concessório, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de drawback . REGISTROS DE EXPORTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Não serão considerados para efeito de comprovação de drawback os registros de exportação utilizados na comprovação de dois atos concessórios distintos. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO NÃO EFETIVADO NO SISCOMEX. Somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver efetivado no SISCOMEX, e, para registros de exportações não efetivados, não há como se proceder ao despacho de exportação, não se considerando a mercadoria como exportada. EXPORTADOR CONSTANTE DO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. As mercadorias exportadas por pessoa jurídica diferente daquela constante do ato concessório como beneficiária do regime de drawback suspensão não serão consideradas para efeito de comprovação do drawback. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 02/08/1995 Ementa: COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Resolução n.º 3202000.027 S3C2T2 Fl. 1.708 4 Somente serão aceitos para comprovação do regime drawback registros de exportação devidamente vinculados a apenas um ato concessório, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de drawback . REGISTROS DE EXPORTAÇÃO EM DUPLICIDADE. Não serão considerados para efeito de comprovação de drawback os registros de exportação utilizados na comprovação de dois atos concessórios distintos. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO NÃO EFETIVADO NO SISCOMEX. Somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver efetivado no SISCOMEX, e, para registros de exportações não efetivados, não há como se proceder ao despacho de exportação, não se considerando a mercadoria como exportada. EXPORTADOR CONSTANTE DO REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. As mercadorias exportadas por pessoa jurídica diferente daquela constante do ato concessório como beneficiária do regime de drawback suspensão não serão consideradas para efeito de comprovação do drawback. LANÇAMENTO PROCEDENTE Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls.421/424), aduzindo, em suma: que o objetivo do drawback – que é a criação de um saldo favorável de divisas para o país – foi amplamente superado, levandose em conta todas as exportações realizadas; que todos os Registros de Exportação foram devidamente averbados no Siscomex, bem como os respectivos códigos de identificação foram corrigidos para 81.101, concernente a importação com suspensão de imposto, comprovando, de forma cabal, a vinculação das exportações com os seus respectivos Atos Concessórios; e que o Ato Concessório nº. 695/0506 foi parcialmente cumprido, restando ainda cerca de 129.978 toneladas de produto a nacionalizar, cujo Imposto de Importação já foi recolhido e homologado na decisão a quo. Ao final, requereu fosse a autuação julgada parcialmente improcedente, com a homologação da parcela já recolhida Em 05 de novembro de 2003, por meio da Resolução nº. 3011.257 (fls. 474/478), a então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência, para que fosse verificado se, diante das informações prestadas às fls. 431/434, teria havido ou não a comprovação do cumprimento dos Atos Concessórios. Às fls. 482/484 (v. II), foram prestados os esclarecimentos julgados pertinentes pela Alfândega do Porto de Salvador, tendo sido encaminhados os autos ao Terceiro Conselho de Contribuintes. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Resolução n.º 3202000.027 S3C2T2 Fl. 1.709 5 Em 03/08/2005, a contribuinte requereu a juntada nos autos de substabelecimento, bem como apresentou novas razões de defesa (fls. 494/514), alegando encontrarse amparada pelos princípios da verdade material, da instrumentalidade e da informalidade do processo administrativo. Afirmou que não lhe foi dado ciência do resultado da diligência determinada pelo Terceiro Conselho de Contribuintes e, assim, não lhe fora oportunizado apresentar contrarazões. Naquela ocasião, suscitou, preliminarmente, a nulidade do Auto de Infração em razão de, no seu entender, haver excesso de falhas, o que prejudicaria a sua compreensão. Aduziu que inexatidões dos demonstrativos e dos critérios do agente autuante maculariam seu direito ao contraditório e ampla defesa, pois caracterizariam a ausência de requisitos essenciais e legais de validade do ato administrativo. No mérito, alegou, em suma: que a infração apontada no item 3.1 da autuação é inexistente, pois não se utilizou dos RE ali indicados para o cumprimento dos Atos Concessórios discriminados pelo Auditor Fiscal; que todos os RE relacionados na infração 3.2 do Relatório Fiscal do Auto de Infração estão expressamente vinculados aos seus respectivos Atos Concessórios, por meio da informação consignada no campo 24, tendo faltado, apenas, o código correto da exportação, relativa a drawback; que não há outra falha nos documentos senão o código da operação, que é uma falha de natureza secundária, sem substancialidade suficiente para invalidar o incentivo do drawback; que, tão logo tomou ciência do lapso cometido, procedeu, imediatamente, à correção dos códigos em todos os seus RE que se encontravam nesta situação ; que os incentivos fiscais do drawback decorem de exportações que são operações de procedimentos complexos e que exigem atendimento a diversos requisitos, dentre os quais o código do RE é apenas mais uma obrigação meramente escritural, de forma que a aposição de outro código, o equívoco, não deve ter o condão, por si só, de invalidar toda a operação; que, além disso, “todos os RE’s estavam desde a origem das informações no SISCOMEX, vinculadas aos Atos Concessórios a que ser (sic) referiam (campo 24 do RE)”; que “o RE 96/0489094001 constante do Anexo I do Auto de Infração também consta da Infração 3.3, caracterizando o defeso bis in idem, uma vez que compôs o cálculo do Imposto de Importação sobre as duas infrações, isto é, o mesmo fato está duplamente autuado pelo AFTN” que a infração do item 3.3 é descabida, pois todos os RE estão devidamente vinculados aos Atos Concessórios por meio da informação constante do campo 24. Afirma que os documentos acostados pelo autuante “pulam” do campo 23 para o campo 26, “saltando” os campos 24 e 25, onde se encontram as averbações exigidas pelo art. 325 do Regulamento Aduaneiro; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Resolução n.º 3202000.027 S3C2T2 Fl. 1.710 6 que “a Autuada, “por falha de controle interno das comprovações de drawback, justificada pela grande quantidade de Atos Concessórios e exportações sob a responsabilidade de sua Administração Central (...), inadvertidamente apresentou alguns RE’s para comprovação de mais de um AC. Porém, tais fatos isolados, tão logo detectados, foram prontamente reportados ao Autuante, que ainda sob fiscalização in loco, e por solicitação da Autuada, calculou, informalmente, os tributos devidos, acrescidos dos respectivos encargos, os quais foram, de imediato, recolhidos aos Cofres Públicos através de DARF, cuja Xerox foi anexada ao Recurso Voluntário (...)”; e que a “utilização de tais RE para comprovar mais de um Ato Concessório justificase pelo fato de tratarse de produto final em cujo processo industrial foram utilizadas mais de uma matéria prima incentivada pelo drawback, mediante a emissão de um Ato Concessório para cada uma delas, ou para várias”; Ao final, requereu fosse declarada a nulidade do Auto de Infração. Não sendo acatada tal preliminar, fosse dado provimento ao recurso, sendo julgado improcedente o lançamento. Em razão da juntada de novos documentos, foi ouvida a Fazenda Nacional, que se manifestou às fls. 1.690/1.694. Em sessão de 04 de dezembro de 2007, o julgamento foi novamente convertido em diligência, para que a Alfândega do Porto de Salvador se pronunciasse sobre os novos documentos apresentados e esclarecesse demais questões (fls. 1.697/1.702). Cumprida a diligência requerida (fl. 1.704), retornam os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres , Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Em sessão de 04 de dezembro de 2007, a então Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Alfândega do Porto de Salvador/BA se manifestasse sobre os documentos juntados pela interessada (fls. 491/1.688), a fim de que fossem elucidadas as seguintes questões: se a contribuinte havia cumprido os compromissos pactuados nos Atos Concessórios; se todos os RE estavam vinculados a um respectivo Ato Concessório; e se houve as correções dos códigos de drawback aludidos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 12689.000437/0069 Resolução n.º 3202000.027 S3C2T2 Fl. 1.711 7 A Fiscalização manifestouse à fl. 1.704. Após, foram os autos encaminhados a este Colegiado. Acontece que, do resultado da diligência, não foi dado ciência à interessada, que, anteriormente, já havia alegado cerceamento do seu direito de defesa em razão de fato análogo, quando da realização da primeira diligência determinada pelo Conselho de Contribuintes. Naquela oportunidade, a interessada assim se manifestou (fl. 492): Em primeiro lugar, houve Cerceamento ao Direito de Defesa da Recorrente, cuja quantidade de ocorrências, vista em conjunto, requerem a NULIDADE DA AUTUAÇÃO, por duas razões fundamentais: o Processo foi baixado em Diligência através da REcolução nº 301 1.257, de 05/11/2003, desta Colenda Câmara, onde apenas a ALF do Porto de Salvador foi ouvida e se pronunciou nos Autos sem que a Recorrente tivesse a oportunidade de conhecer as alegações dos Dignos AFTN’s e apresentar suas contrarazões. A Autuada teve cerceada a possibilidade de elaborar uma argüição adequada em sua defesa (...) De outro lado, a Fazenda Nacional requereu nova vista dos autos à União, caso fosse determinada diligência para manifestação da Alfândega do Porto de Salvador acerca da nova documentação juntada pela parte (fls. 1.690/1.694). Desta forma, para que se evitem maiores entraves processuais, entendo de bom alvitre seja dada ciência do resultado da diligência à Fazenda Nacional, conforme requerido à fl. 1694, e, após, à recorrente, para que, querendo, manifestemse. Ressaltese que qualquer manifestação das partes devese limitar às questões levantadas pela diligência, não se constituindo em nova oportunidade de aditamento ao recurso voluntário já interposto ou de contrarazões ao recurso. Isto posto, voto no sentido de que SEJA CONVERTIDO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora tome as providências acima requeridas. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 27/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000360/2007-14
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/12/1999
Ementa: DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.156
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
No presente julgamento foi adotado o procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, regulamentado pela Portaria CARF n° 83, de 24/09/2009 publicada no DOU de 29/09/2009 página 50, que trata dos recursos repetitivos. Ressalta-se que no campo "Data do fato gerador:" foi apresentada a competência de ocorrência do fato gerador mais recente do lançamento. A data de 20/12 correspondente ao décimo terceiro salário.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/12/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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score : 1.0
Numero do processo: 11516.004192/2009-86
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em
que não foi contestado.
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refer-ese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A exclusão da empresa do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL implica a
exigência imediata das diferença contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas pelo contribuinte diante do regime diferenciado e cujos fatos geradores foram declarados em GFIP.
Numero da decisão: 2301-002.035
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 06/2004,
anteriores a 07/2004, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou
pela aplicação do inciso I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por
unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator(a).
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputa-se não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refer-ese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A exclusão da empresa do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL implica a exigência imediata das diferença contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas pelo contribuinte diante do regime diferenciado e cujos fatos geradores foram declarados em GFIP.
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN quando verificado que o lançamento refere se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. EXCLUSÃO DO CONTRIBUINTE DO SIMPLES E SIMPLES NACIONAL. EXIGÊNCIA DAS DIFERENÇAS DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A exclusão da empresa do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL implica a exigência imediata das diferença contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas pelo contribuinte diante do regime diferenciado e cujos fatos geradores foram declarados em GFIP. Fl. 155DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 230102.035 S2C3T1 Fl. 135 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 06/2004, anteriores a 07/2004, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator(a). Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do inciso I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do Fisco com o início da fiscalização; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Leonardo Henrique Pires Lopes Relator. Participaram, ainda, da presente sessão os Conselheiros, MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZALES SILVERIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, MAURO JOSE SILVA e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase de Auto de Infração em desfavor de EMBRACONT PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA ME, do qual foi intimada em 31/07/2009, tendo em vista o não recolhimento de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). O Relatório Fiscal de fls. 35/39 elucida que as contribuições previdenciárias, referentes às competências de 01/2004 a 12/2007, foram lançadas tendo como base de cálculo as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, mais as rubricas que constavam nas folhas de pagamento e não contidas naquelas. Outrossim, fora ressaltado que a empresa recolheu apenas as contribuições descontadas dos segurados a seu serviço, bem como parcialmente a parte patronal através da DIRF, sendo o recolhimento parcial da parte patronal deduzido como crédito. Inconformada, a ora Recorrente apresentou Impugnação de fls. 53/63, tendo a decisão de fls. 74/79 julgado improcedente a defesa e mantido o crédito tributário, consoante se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AIOP DEBCAD N° 37.202.9108 Fl. 156DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 230102.035 S2C3T1 Fl. 136 3 BASE DE CÁLCULO APURADA ATRAVÉS FOLHA DE PAGAMENTO. Presumemse verdadeiros os valores lançados pela autoridade fiscal fundamentados nas folhas de pagamento da empresa, cabendo a esta o ônus da prova em contrário. DECADÊNCIA Quando não se verifica a antecipação de pagamento por parte do contribuinte, aplicase o prazo decadencial previsto no inciso I do art. 173 do CTN. PRINCÍPIO DA LEGITIMIDADE. ÔNUS DA PROVA. O ato administrativo se presume legítimo, cabendo à parte que alegar o contrário a prova correspondente. A simples alegação contrária a ato da administração, sem carrear aos autos provas documentais, não tem o condão de desconstituir o lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com o acórdão, a EMBRACONT interpôs Recurso Voluntário tempestivo de fls. 83/96, alegando, em síntese: a) Que o prazo de decadência para efetuar cobrança de contribuições previdenciárias é de 5 (cinco) anos conforme se depreende no art. 150, §4°, do CTN, a contar da ocorrência do fato gerador razão por que todos os tributos cobrados até a competência de agosto de 2004 encontramse decaídos; b) Que não deveria ser utilizado como termo inicial o disposto no art. 173, II, do CTN, haja vista que foram efetivados, mesmo que minimamente, recolhimento do tributo via SIMPLES e SIMPLES NACIONAL; c) Que durante o curso de tempo em que estava enquadrada no SIMPLES e no SIMPLES NACIONAL, foram recolhidos, através de pagamento mensal unificado, na forma do art. 3° da Lei 9.317/1996, valores relativos às Contribuições para a Seguridade Social, requerendo a nulidade do auto de infração; d) Que, em virtude da aplicação do art. 146 do CTN, deveria ser decretada a insubsistência integral do auto de infração, eis que uma mudança no critério de interpretação da Receita Federal não pode ensejar a aplicação o período em que a empresa esta submetida ao regime jurídico do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL; e) Que não foram compensadas as quantias pagas pela empresa; f) Por fim o afastamento de multa imposta, tendo em vista as alterações no sistema de imposição de multas pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias acarretadas na Lei 11.941 de 27 de maio de 2009. Fl. 157DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 230102.035 S2C3T1 Fl. 137 4 Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preliminarmente Preclusão sobre matérias não impugnadas O presente Auto de Infração referese ao não recolhimento de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE). Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Fl. 158DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 230102.035 S2C3T1 Fl. 138 5 Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Da decadência No caso em apreço, a decisão recorrida aplicou corretamente o entendimento fixado na Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, que determinavam o prazo decenal da decadência. Contudo, afirma a instância administrativa a quo que o prazo é de cinco anos, nos termos do art. 173, I do CTN. Isto porque, com o afastamento do art. 45 da Lei n° 8.212/91, coube ao Código Tributário Nacional CTN disciplinar a decadência para o lançamento das contribuições previdenciárias. Ocorre que este Código prevê a aplicação de duas regras, aparentemente conflitantes, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 159DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 230102.035 S2C3T1 Fl. 139 6 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando as normas acima transcritas, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 160DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 230102.035 S2C3T1 Fl. 140 7 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No caso dos autos, verificase que o contribuinte pagou parcela das contribuições previdenciárias referentes ao período do lançamento, tanto que a presente notificação somente se refere à cobrança da diferença entre os valores recolhidos pela empresa na sistemática do SIMPLES, e aqueles efetivamente devidos, como uma empresa excluída daquele regime jurídico. Ademais, não tendo sido constatado dolo, fraude, ou simulação na conduta da Recorrente, constituise circunstância necessária à aplicação do art. 150, §4º do CTN e, conseqüente, afastamento do seu art. 173, I. Deste modo, considerando que o crédito previdenciário foi constituído em 31/07/2009, envolvendo as competências de 01/2004 a 13/2007, encontramse decaídos os períodos de 01 a 06/2004, anteriores a 07/2004. Da exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL. Exigência das diferenças. A Recorrente insurgese contra a exigência de contribuições previdenciárias devidas em decorrência da sua exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, afirmando que a mudança no critério de interpretação da Receita Federal não poderia ensejar na tributação em tela. Com tais argumentos, a empresa insurgese, na verdade, contra a sua exclusão daquelas sistemáticas, o que foi determinado em conclusão aos processos administrativos 11516.002116/200936 e 11516.002117/200981. Fl. 161DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 230102.035 S2C3T1 Fl. 141 8 Assim, caberia à empresa esgotar os questionamentos sobre a sua exclusão nesses processos administrativos, não cabendo, agora, nestes autos, revisitar a matéria, sob pena, inclusive, de decisões conflitantes. De qualquer forma, não se verifica uma simples mudança de critério de interpretação, mas sim a verificação de que a declaração da receita bruta da empresa, na sua Declaração do Imposto de Renda, não corresponderia à verdade dos fatos. Assim, deve ser exigido da empresa as contribuições previdenciárias relativas à diferença entre os valores recolhidos conforme regime de tributação diferenciado e aqueles efetivamente devidos pela empresa, considerando o regime jurídico aplicável às empresas em geral. Não há que se falar, portanto, em ausência de compensação das quantias pagas pela empresa. Isto porque o que o Fisco está a exigir é exatamente a diferença, como se depreende do DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO (fls. 02/12), que tomou em consideração os documentos apresentados pela empresa, discriminados no RDA – RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS (fls. 27/28) e no RADA – RELATÓRIO DE APROPRIAÇÃO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS (fls. 29/33). Por tais razões é que não podem ser acolhidas as alegações da Recorrente, nos termos da decisão recorrida. Da multa aplicada A decisão recorrida acolhe o procedimento adotado pela fiscalização para verificar qual a multa mais benéfica a ser aplicada ao contribuinte. Afirma a decisão recorrida que deve ser comparada a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, com o somatório das multas por descumprimento da obrigação principal (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores) e por descumprimento de obrigação acessória (art. 32, §§4º, 5º e 6º da Lei nº 8.212/1991, com redação anterior à da Lei nº 11.941/2009). Entretanto, o comparativo que deve ser feito para fins de verificar a multa aplicada os fatos geradores ocorridos antes do advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, deve ser entre as multas de mesma natureza, da seguinte forma: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA POR NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP: Art. 32, §§4º, 5º e 6º da Lei nº 8.212/1991, com redação anterior ao advento da Lei nº 11.941/2009 X Art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação posterior à edição da Lei nº 11.941/2009 Fl. 162DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 230102.035 S2C3T1 Fl. 142 9 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com redação anterior ao advento da Lei nº 11.941/2009 X Art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 No caso dos autos, a multa aplicada decorre do descumprimento da obrigação principal. Tendo a MP nº 449/2008 convertida na Lei nº 11.941/2009, sido publicada em dezembro/2008, aos fatos geradores ocorridos até novembro/2008 deve ser aplicada a multa que for mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 106, I, c do CTN, a partir do comparativo acima indicado. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Fl. 163DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11516.004192/200986 Acórdão n.º 230102.035 S2C3T1 Fl. 143 10 Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para afastar as contribuições previdenciárias cujos fatos geradores tenham ocorrido até 06/2004, isto é, anteriores a 07/2004. É como voto. Sala das Sessões, em 11 de maio de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 164DF CARF MF Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP20.0919.10481.NN35. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES em 17/08/2011 17:51:34. Documento autenticado digitalmente por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES em 17/08/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCELO OLIVEIRA em 13/10/2011 e LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES em 17/08/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 20/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP20.0919.10481.NN35 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F673B5CFF2C9176A55503575318B05CE99CFB067 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11516.004192/2009-86. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.000043/2004-84
Data da sessão: Mon Aug 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa: PIS. COFINS, BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS.
Até o ano-calendário de 2002, inclusive, as receitas financeiras não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, tendo em vista a inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3°, da Lei nº 9.718/98. (STF/RE 585235 RG-QO / MG — Repercussão Geral.)
Numero da decisão: 9101-000.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, nos termos do presente julgado.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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A or unanimidade de votos, em negar s do relatório e voto que integram o CARLOS ALBER ITAS BA -\, RETO - Presidente. CSRF-T1 Fl Processo n° 16327.000043/2004-84 Recurso n" 142.592 Especial do Procurador Acórdão n" 9101- 00.647 — 1 Turma Sessão de 30 de agosto de 2010 Matéria PIS E COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CREDCORP FOMENTO MERCANTIL LTDA. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: PIS. COFINS, BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. Até o ano-calendário de 2002, inclusive, as receitas financeiras não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, tendo em vista a inconstitucionalidade do § 1°, do art. 3°, da Lei rf 9.718/98. (STF/RE 585235 RG-QO / MG — Repercussão Geral.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Relator. EDITADO EM: 08 1\ OV 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto, Ausente, ,justificadamente o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Trata o presente de recurso especial de divergência (Es. 390/427) interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 101-95,758 (Es. 372/387) proferido pela antiga 1' Câmara do 1° CC que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo e cancelou a exigência do PIS e da COFINS. No entendimento da decisão recorrida, após o STF ter se pronunciado pela inconstitucionalidade do § 1 0, do art. 30, da Lei n° 9,718/98, não caberia a incidência das contribuições ao PIS e à COHNS sobre receitas financeiras. A recorrente sustenta que esse posicionamento contraria manifestação de outros julgados, segundo os quais este Colegiada só poderia afastar a aplicabilidade de norma caso exista decisão do STF em ação direta de inconstitucionalidade ou Resolução do Senado Federal que suspender lei declarada inconstitucional em controle difuso. Afirma que nenhum desses casos ocorreu no caso concreto. Através do despacho PRES1 n° 101-77/2007 (Es. 428/431) o Sr. Presidente da 1" Câmara do 1° CC entendeu como cumpridos os pressupostos de admissibilidade do recurso interposto. É o Relatório. 2 Processo n° 16327.00004 .3/2004-84 Acórdão n 9101- 00,647 CSRF-T1 Fl 2 Voto Conselheiro LEONARD O DE ANDRADE COUTO O principal argumeMo da recorrente pela aplicabilida de do § 1°, do art. 3 0, da Lei n° 9.718/98 ao caso em tela, o que daria respaldo às exigências do PIS e da COFINS, prende-se ao fato de que o STF teria se pronunciad o quanto à inconstitucionalidade do dispositivo em controle difuso, com eficácia apenas entre as partes. Tal situação modificou-se pois o Pretória Excelso reconheceu a repercussão geral do tema, conforme abaixo transcrito (RE 585235 RG-QO / MG — Minas Gerais — Relator Ministro Cesar Peluso — Sessão de 10/09/2008): Decisão : O Tribunal mor unanimidade resolveu cuestão de ordem no sentido de reconhecer a reeercussão g eral da tuestão constitucional, reafjr_sx_aricka ! do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do • 1 0 do adiar) 3 0 da Lei 9.718 98 e 'negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator, Vencido, parcialmente , o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser ;necessária a inclusão do processo em pauta, Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relatar para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo !teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes, Ausentes, J ustificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Grade e, neste julgamento, o Senhor. Ministro 3oaquim Barbosa. Plenário, 10,09.200B. Tal fato implica em não mais se efetuar a distribuição naquele Tribunal de qualquer recurso que trate da matéria, nos termos dos parágrafos 2° e 3 0, do art. 543-B, do Código de Processo Civil (CPC). Em termos simplistas, a repercussão geral solidifica o entendimen to pois aplica-se a repercussão geral a novos recursos que, dessa forma, deixam de ser apreciados pelo STF, Tanto é assim que no bojo da decisão consta a aprovação de proposta para edição de súmula vinculante. Mesmo que tal súmula ainda não tenha sido editada, não vejo como negar eficácia universal ao entendimento do STF, Sob essa ótica, a decisão recorrida não merece reparo por estar em perfeita sintonia com o posicionamento da Corte Suprema, Do exposto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, salientando que esta decisão envolve exclusivamente os lançamento s do PIS e da COF1NS, pois o restante da exigência foi mantido pelo acórdão recorrido (já considerand o o provimento parcial pela decisão de primeira instância). Sala das Sessões, 30 de agosto de 2010. CkÁt LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Relatar 3
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Numero do processo: 11853.001108/2007-80
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS
O não lançamento, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, dos fatos geradores de todas as contribuições constitui infração ao art. 32 da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-000.573
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS O não lançamento, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, dos fatos geradores de todas as contribuições constitui infração ao art. 32 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/01/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS O não lançamento, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, dos fatos geradores de todas as contribuições constitui infração ao art. 32 da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Votaram pelas conclusões os conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Edgar Silva Vidal e Damiã or, - 'ro de Moraes. ki,.(4,91 JULIO C Aiti IEIRA GOMES President --,, fz_-) O L, - t,. — BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora • Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n° 11853.001108/2007-80 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.573 Fl. 178 Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 15/12/2006, por ter deixado a empresa acima identificada deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/99, c/c o art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme consta do Relatório Fiscal da Infração (fls. 28 a 31), a recorrente lançou, na mesma conta contábil, as remunerações .dos contribuintes individuais e os valores referentes à prestação de serviços por pessoa jurídica. A autoridade autuante informa que algumas notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços, Ipanema, não foram contabilizadas em conta própria, bem como os valores referentes à aquisição do cartão alimentação foram lançados em competências diversas das de aquisição. Conclui que a contabilidade da Empresa Juiz de Fora não apresenta, de forma clara e precisa, os fatos geradores da contribuição previdenciária. Segundo o Relatório de Aplicação da Multa, fls. 32 a 33, foi constatada a ocorrência da circunstância agravante prevista no inciso V, do art. 290, do RPS, ou seja, a reincidência genérica da infração, acarretando a elevação da multa em duas vezes, conforme disposto no art. 292, inciso IV, do RPS. A empresa autuada impugnou o débito via peça de fls. 73 a 107 e Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN 23.401.4/204/2007 (fls. 111 a 117), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 122 a 133), requerendo, inicialmente, que o recurso seja recebido sem o depósito recursal e, no mérito, insistindo na natureza confiscatória da multa aplicada. Colaciona julgados e doutrina para demonstrar o descabimento da aplicação de multa exurbitante e confiscatória, argumentando que multa excessiva e desproporcional não atende ao objetivo de refrear o atraso no pagamento dos impostos e contribuições tributárias. Argumenta que o presente AI, da forma como foi lançada, fatalmente não servirá de base para uma emissão de uma CDA apta a embasar uma futura Execução Fiscal, devendo, portanto, ser declarado nulo. Às fls. 149 a 158, a recorrente juntou suas razões adicionais, alegando que o fornecimento de tickets-alimentação e os repasses feitos à Ipanema não constituem fato gerador da contribuição previdenciária. 3 Esclarece que, no caso em tela, não se cuida de falta de escrituração de fatos geradores de contribuições previdenciárias, mas tão-somente da escrituração equivocada, seja porque feita com atraso, seja porque feita em conta inadequada, o que não impediu a apuração dos respectivos fatos pela fiscalização, e insiste no entendimento de que a multa imposta está revestida de evidente caráter confiscatório. Por fim, requer a realização de perícia, apontando os quesitos a serem respondidos e indicando o perito. É o relatório. • 4 Processo n° 11853.001108/2007-80 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.573 Fl. 179 Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. O auto objeto da discussão administrativa foi lavrado por ter a empresa registrado, em uma mesma conta contábil, as remunerações dos contribuintes individuais e os pagamentos referentes à prestação de serviços por pessoa jurídica. Ou seja, o agente autuante constatou que a recorrente não registrou, em títulos próprios de sua contabilidade, ou seja, em contas separadas, os pagamentos de valores a pessoas fisicas, que constitui fato gerador da contribuição previdenciária, e os pagamento realizados a pessoas jurídicas, sobre os quais não incide a referida contribuição. Verificou-se, ainda, que a autuada, a partir da competência 07/2003, não contabiliza os valores das compensações relativas às retenções sofridas e utilizadas nos meses anteriores, bem como não foram contabilizadas, em contas específicas, algumas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela prestadora Ipanema. E, ainda, constatou-se que algumas notas fiscais referentes à aquisição de cartão-alimentação foram contabilizadas em competências diferentes das de sua emissão. A recorrente, em sua peça recursal, que vem prestando todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis e que mesmo assim a fiscalização não aceitou como atendido o que está disposto na Lei 8.212/91. No entanto, o auto em tela não foi lavrado pela não apresentação de todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, como entendeu a recorrente, e sim por descumprimento da obrigação acessória de lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, consoante determinação contida no art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a 1— (..) II - lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Assim, houve infração à legislação previdenciária. E, como não é facultado ao servidor público eximir-se de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, auto-de-infração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A autuada alega nulidade do AI ao argumento de que, da forma como foi lançado, fatalmente não servirá de base para uma emissão de uma CDA apta a embasar uma futura Execução Fiscal. Contudo, não existem dúvidas no presente AI. Verifica-se que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. A autuada insurge-se, ainda, contra a multa aplicada, alegando que é exorbitante e possui natureza confiscatória. Todavia, reitera-se que a aplicação da multa, bem como sua gradação, está muito bem fundamentada no Relatório da Multa Aplicada, às fls. 32/33 que descreve com clareza as circunstâncias agravantes constatadas e transcreve os dispositivos legais aplicados. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17. ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: "o tradicional principio da legalidade, previsto no art. 5°, II, da CF, aplica-se normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coaduna-se com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservar-se a ordem jurídica" Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração, não podendo ser atenuada ou relevada, tendo em vista a não ocorrência das circunstâncias atenuantes previstas no art. 292, inciso V, do Decreto 3.048/99, ou o preenchimento dos requisitos previstos no §1°, do art. 291, do mesmo normativo legal. Em relação ao entendimento defendido pela autuada de que a sanção aplicada não atende ao objetivo de refrear o atraso no pagamento dos impostos e contribuições tributárias, cumpre esclarecer que a penalidade pecuniária imposta pelo legislador ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta tem como objetivo o melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa. Dessa forma, não pode a legislação dar tratamento igual a um contribuinte que é diligente, cumpre os prazos procedimentais e apresenta, quando solicitado, todas as informações e documentos necessários à fiscalização, a um outro contribuinte que não cumpre obrigações acessórias e dificulta a administração tributária ao deixar de registrar, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária. 1") 6 e Processo n° 11853.001108/2007-80 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00373 Fl. 180 Em 14/11/2008, a notificada apresentou recurso adicional, do qual eu não conheço tendo em vista sua intempestividade. • Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Voto por CONHECER DO RECURSO para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009 frs ‘.9." BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora 7
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Numero do processo: 10510.720034/2007-01
Data da sessão: Thu Aug 26 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.162
Decisão: RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Daniel Mariz Gudino, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Alan Fialho Gandra (Suplente) e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente), Processo n' 10510 720034/2007-01 S3-C2 T11 Resolução n 3201-00.162 ii. 1 102 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata-se de Manifestação de Inconformidade da interessada contra o Despacho Decisório n" 399, de 27 de abril de 2007, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju (DRF/AJU), que não homologou as compensações apresentadas, que pretendiam extinguir débitos diversos utilizando-se de créditos de pagamentos a maior ou indevidos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, referentes aos periodos de apuração de dezembro de 2003 a . julho de 2004, outubro e novembro de 2004, e junho de 2005, no montante original de R$ 4.343,779,60 No Despacho Decisório «is, 135/138), a autoridade .fiscal da DRF/ARI apresenta uma tabela em que demonstra que os créditos de "pagamentos indevidos ou a maior" informados pela interessada remetem, na verdade, a períodos em que houve compensações. Assim, .foram considerados improcedentes os créditos reivindicados pela contribuinte, por várias razões. Primeiro porque não existiriam os pagamentos informados nas declarações de compensação. Segundo porque, ainda que os pagamentos tivessem sido realizados, não haveria saldo a restituir, visto que os pagamentos estariam em consonância com os débitos confessados pela própria contribuinte em DCTF. Por último, porque as compensações . feitas anteriormente não se converteriam em pagamentos indevidos, pois compensação não é modalidade de pagamento e sim de extinção do crédito tributário. Cientificada do despacho decisório em 09.05.07, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade «Is. 145/166) em 29,05,07, sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: No despacho decisório não foi considerado que a base de cálculo utilizada e os recolhimentos. efetuados foram feitos nos termos da Lei n" 9.718, de 1998, que alargou a base de cálculo do PIS e da Co fins, distorcendo o conceito de .faturamento e tendo parte de seus dispositivos declarados inconstitucionais,- No julgamentos dos Recursos Extraordinários n" 357950, 390840, 358273 e 346084, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo I" do artigo 3" da Lei n" 9.718, de 1998; O alcance dos efèitos da declaração de inconstitucionalidade no tempo é retroativo, operando efeito ex ill11C; Todos os recolhimentos a título de Cofins, efetivados pela recorrente a partir delevereiro de 1999, cuja base de cálculo tenha obedecido o disposto no ,sç 1" do art 3" da Lei n" 9.718, de 1998, devem ser recalculados conforme as regras previstas pela Lei n" 9.718, de 1998 considerando, para tanto, a receita bruta, como aquela decorrente da prestação de serviços da recorrente, 2 Processo n" 10510 720034/2007-01 S3-C2T1 Resolução n." 3201-00.162 Fl 1.103 Assim, face à declaração de incon,stitucionalidade, mesmo que operada inter partes, tal ato é suficiente para que os recolhimentos efetivados pela recorrente sejam revistos e recalculados de alicio para o reconhecimento tanto do crédito decorrente das diferenças apuradas nos recolhimentos de Colins, como para a imediata homologação das compensações realizadas pela recorrente valendo-se desses créditos; Embora haja uma exigência fbrmal em relação à necessidade de edição de uma Resolução do Senado Federal para declarar a inaplicabilidade e assim atribuir efeitos erga °nines à decisão do STF, já existe posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em relação ao prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição dos valores recolhidos e posteriormente declarados inconstitucionais pela via de controle difuso; Sobre os valores originais dos créditos devem ser aplicados os juros à taxa Selic a partir do mês subseqüente ao pagamento até a data da efetiva utilização cio crédito. Embora não cite textualmente na Manifestação de Inconformidade, entre os documentos anexos à referida manifestação a interessada incluiu informações a respeito de uma ação judicial própria transitada ell1 julgado (II& 193/202) em que discutiu a base de cálculo da Cqfins, com destaque para o julgamento do Recurso Extraordinário n" 505.071-8 (Mandado de Segurança originário n" 99.0002365-0), em que o STF decidiu favoravelmente à contribuinte no que diz respeito a alegada inconstitucionalidade do no ,sç 1" do art. 3" da Lei n" 9 718, de 1998. Dando seguimento ao rito administrativo, a manifestação de inconformidade da interessada foi analisada por esta Delegacia de Julgamento de Salvador (DRJ/SDR) na sessão de 03 de julho de 2007, tendo sido emitido o Acórdão-DRJ n" 15-13.061 (fis_209/211), onde acordaram os membros da 4" Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não homologar as compensações apresentadas, mantendo a decisão da DRFIAJU exarada no despacho decisório, muna vez que se concluiu que não havia pagamento a maior ou indevido, e se considerou o pleito da contribuinte ilegítimo. Contra o Acórdão-DRJ citado, a interessada apresentou Recurso Voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes (lis 220/241), basicamente reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, isto é, a declaração de inconstitucionalidade do § 1" do art. .3" da Lei n" 9.718, de 1998 pelo STF, e o conseqüente surgimento de créditos relativos a recolhimentos (na verdade, prévias compensações) feitos anteriormente com base na referida lei, Através do Acórdão-CC n" 203-12.967, de 04 de junho de 2008 (j1s. 368/371), entendeu a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que deveria anular a decisão recorrida, nos seguintes termos.- NORMAS PROCESSUAIS. SUPRESSÃO DE INSTÁNCIA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. Processo n 10510 720034/2007-01 S3-C2T1 Resolução ri " 3201-00.,162 Fi 1 104 Processo anulado a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÁMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular os atos processuais, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr Durval Portela OAB/SP n" 169118-A. Assim, determinou a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes o retorno dos autos para esta DRJ/SDR apreciar qual a efetiva base de cálculo da contribuição, visto que não teria havido a exata delimitação da base de cálculo, tratando em números os valores da Cqfins que foram objeto da primeira compensação. De volta a esta DRJ/SDR, este processo fbi encaminhado à DRF/AJU, em diligência (fls. 374/375), para recalcular a base de cálculo da Co fins, tendo como parâmetro a decisão judicial exarada no RE n" 505 071-8, e confrontar os possíveis créditos daí advindos com as compensações pretendidas pela contribuinte, além de manifestar-se acerca de possível crédito decorrente da primeira compensação (ver tabela fl, 137). Em atendimento ao requerido por esta DRJ/SDR, a DRF/AJU realizou a diligência junto à interessada, emitindo o Relatório de Diligência (fls• 459/464), onde apresenta uma tabela com a nova base de cálculo mensal recomposta excluindo as receitas não operacionais (considerando a inconstitucionalidade do I" do art. 3" da Lei n" 9.718, de 1998), e indicando os créditos apurados, no total de R$ 35. 853,16 O fiscal diligente, atendendo ao requisitado, também procede à uma análise das primeiras compensações, manifestando-se quanto a possíveis créditos daí decorrentes, apresentando o resultado na tabela &folha 460. Cientificada do encerramento da diligência, a interessada apresenta sua Manifestação Acerca do Relatório de Diligência (fls. 468/500), onde reafirma pontos já abordados na manilátação de inconformidade, aos quais acrescenta estes, em síntese: Da nulidade da diligência. a autoridade .fiscal extrapolou sua competência, não perseguindo o escopo delimitado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e olvidam rdo-se em demonstrar a efetiva apuração da base de cálculo da Cotins e do crédito _fiscal, Não foi apresentada uma planilha evidenciando, mês a mês, as receitas consideradas operacionais e as consideradas não operacionais, A competência atribuída em uma diligência fiscal restringe-se à simples apuração de fatos e valores, com vistas a subsidiar a decisão a ser proferida pelo órgão responsável; Não cabe à autoridade _fiscalizadora emitir juízo de valor, sugerindo ou induzindo a autoridade julgadora à realização de procedimentos determinados, 4 Processo n" 10510 720034/2007-01 S3-C2TI Resolução n 3201-00.162 Fl. 1 105 Assim, a diligência em análise em momento algum elucida a composição do crédito fiscal, apresentando-se omissa e precária, violando o princípio da verdade material e acarretando cerceamento do direito de defesa da requerente, o que leva à nulidade, nos termos do ar• 59, II, do Decreto n°70.235, de 1972, Da apuração do crédito primeiras compensações: a autoridade fiscal arbitrariamente afastou o direito de crédito em questão, com base em duas incompreensíveis justificativas; a) de que não existiria crédito disponível sto`iciente à extinção dos valores da Cotins, objeto de compensações não homologadas ou não declaradas, b) que os valores da Cotins, constantes da I" compensação, que foram consideradas não homologadas ou não declaradas, seriam ajustados no processo original, sob pena de a União ser prejudicada e o sujeito passivo ser beneficiado pela compensação no presente processo e com a exclusão da base de cálculo alargada constante do processo administrativo 11" 10510.000911/2005-53; Porém, analisando as declarações de compensação (primeira compensação), resta observar que nenhum destes valores (indevidamente recolhidos) encontra-se indeferido ou definitivamente não homologado, uma vez que a requerente interpôs recurso administrativo; Assim, todos os valores encontram-se extintos por pagamento ou compensação, ou encontram-se com a exigibilidade suspensa; Outrossim, apurado o crédito no valor de R$ 35.853,16, a autoridade .fiscal negou o direito creditório sob o fundamento de que as receitas indevidamente consideradas (não operacionais) seriam oportunanzente excluídas da base de cálculo quando da cobrança da contribuição nos processos originais, nos quais as compensações foram não declaradas ou não homologadas; Mas o direito de crédito da contribuinte não pode ser tolhido sob a justificativa de um procedimento passível de ser adotado em processo diverso; Primeiro, porque não há certeza acerca da cobrança da Cotins, porquanto a Administração ainda pode rever seu entendimento e homologar as compensações que estão com a exigibilidade suspensa; Em segundo lugar, em razão da possibilidade de exigência da totalidade dos valores da Cofins declarados em DCTF e Dcomps, sem qualquer ajuste da base de cálculo, uma vez que nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o crédito tributário será considerado constituído pela simples declaração da contribuinte; Finalmente, em relação às compensações consideradas como não declaradas, importa mencionar que todas dizem respeito a compensações que foram realizadas nos estritos termos da lei, com créditos de Finsocial e CSLL 1988, obtidos através de medidas judiciais,. A autoridade fiscal olvidou-se do seu dever de obediência ao princípio da verdade material, na medida em que sequer analisou a origem dos créditos em questão; Dezembro 2003 — decadência: a autoridade fiscal, ao realizar a diligência, alega ter encontrado zuna suposta diferença de valores de receitas escrituradas nos balanços mensais do Livro Diário, e os valores constantes das planilhas de base de cálculo da Cotins elaboradas pela requerente, gerando um suposto recolhimento a menor 5 Processo n" 10510.720034/2007-01 S3-C2I1 Resolução n ° 3201-00,162 El 1 106 da Colins, no período de apuração de dezembro 2003, no montante de R$ 386.502,82; Contudo, não deve prosperar tal entendimento, pois a apuração da Coibis relativa a dezembro de 2003 declarada na DCTF não é passivel de revisão pela autoridade fiscal, uma vez que . já transcorreu o prazo decadencial de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4 0, do CTN; Ainda que se considerasse o disposto no art. 173, I, do CTN, a decadência restaria constituída, Incorreção na composição da base de cálculo. em relação aos parâmetros da decisão judicial transitada em julgado no Mandado de Segurança n" 99.0002365-0, o relatório de diligência equivocadamente conclui que a requerente apenas poderia excluir da base de cálculo da Cofins as receitas não operacionais, permanecendo as receitas oriundas do exercício da atividade empresarial; Mas a requerente tem o direito de não se submeter à incidência de Cofins sobre qualquer receita não compreendida no conceito de faturamento; Independente da sua condição de instituição financeira, deve-se observar, para fins de apuração e recolhimento da Cofins, o conceito de .faturamento previsto na Lei Complementar n°70, de 1991, atribuído a todas as outras pessoas jurídicas, qual seja, "receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza" (o que não inclui as receitas ,financeiras); O conceito de ,faturamento é único, e não deve sofrer variações de acordo com a qualificação do sujeito passivo,- Portanto, considerando que as instituições ,financeiras auferem, em regra, i) receitas decorrentes da prestação de serviços bancários a seus clientes (serviço de cobrança de duplicata, serviço de atendimento ao cliente, serviço de emissão de talão de cheques e outros), ii) receitas oriundas da atividade típica das instituições financeiras (receitas financeiras e assemelhadas), e iii) outras receitas (indenizações recebidas, etc), a Cqfins somente deve incidir sobre as primeiras, pois apenas tais receitas se subsumem ao conceito de faturamento; A despeito do direito da requerente de recuperar os valores indevidamente recolhidos, a Receita Federal do Brasil criou uma série de óbices para a realização do procedimento de compensação, motivo pelo qual a requerente impetrou o Mandado de Segurança n" 2007 _85.00.005835-9, onde o Poder Judiciário reconhece à requerente o direito de não se submeter à incidência da Cqfins sobre outras receitas não compreendidas no conceito de faturamento, a partir de .julho de 2005; Impossibilidade de modificacâo de critério jurídico de lançamento; a diligência realizada possui a nítida intenção de alterar o critério , jurídico adotado anteriormente para manter a decisão que negou o direito creditório pleiteado, sob novo fundamento de que o eventual direito da requerente estaria restrito à exclusão das receitas não operacionais da base de cálculo da Cofins; Não há fato novo que .justifique um novo critério de julgamento, consoante determina o artigo 146 do CTN 6 S3-C2T1 Fl 1.107 PI messe n" 10510 720034/2007-01 Resolução n " 3201-00.162 Conforme despacho de 25.06.09 à folha 775, o presente processo foi encaminhado à esta DRJ/SDR para apreciação. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA julgou improcedente o pedido da recorrente, conforme Decisão DRJ/SDR nõ 20.178, de 05/08/2009, fls, 775/785: Assunto. • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins Data do filio gerador: 08/11/2006, 10/11/2006, 14/11/2006, 16/11/2006, 20/11/2006, 23/11/2006, 27/11/2006, 30/11/2006, 07/12/2006_28/12/2006, 29/12/2006 PER/DCOMP. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não será homologada a compensação, quando constatada a inexistência do crédito pleiteado oriundo de pagamento a maior ou indevido. Ao manter um recolhimento integralmente vinculado a um débito declarado em DCTF, a própria contribuinte afasta a possibilidade de se caracterizar parte desse recolhimento como pagamento indevido ou a maior COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Compensação e pagamento são modalidades de extinção de crédito tributário, mas não se confundem. Não há como se falar eu: créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior quando não há pagamentos anteriores, mas tão somente prévias compensações. CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. É pré-requisito para a realização de compensação a liquidez e certew dos créditos informados. INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. LEI N" 9.718, de 1998. AÇÃO JUDICIAL, COISA JULGADA. Em relação à matéria levada ao Poder Judiciário, cujo processo transitou em .julgado, não há que se .falar em alteração da coisa .julgada, sendo soberana a decisão judicial, que deve ser prontamente observada pela Administração Pública Federal. DILIGÊNCIA NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Diligência não é ato de julgamento e não vincula os Julgadores, de forma que a alegação de nulidade da diligência realizada e o pleito para realização de nova diligência são indeferidos 7 Processo n' 10510720034/2007-01 S3-C211 Resoluçào n '3201430.162 Fl. 108 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO RECEITAS FINANCEIRAS. O conceito de receita bruta sujeita à Coibis envolve não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais Rest,'Ress. Indeferido. — Comp. Não homologada O contribuinte é intimado da decisão às fls. 7911v, e, em face da decisão proferida, interpõe recurso voluntário de fis. 797/844. Às fis. 1051/1052 a recorrente desiste parcialmente do recurso voluntário quanto aos créditos lá listados, que em nada prejudicam o julgamento deste processo. Assim, é dado seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator, O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Antes de adentrarmos no julgamento do recurso interposto, entendo deva ser baixado em diligência o presente processo. Como vemos, a discussão travada nos autos reside na busca da recorrente em compensar valores recolhidos a maior de COFINS com outros débitos, sob fundamento de que, forte na declaração de inconstitucionalidade da Lei n.° 9.718/98, surgiu o crédito que agora pretende utilizar. A decisão recorrida não aceitou os argumentos da recorrente, alegando a inexistência de créditos, já que: e Os valores pagos de COFINS através do instituto da compensação inexistem, já que as declarações foram tidas corno não homologadas, não declaradas ou ainda estão em análise; e, o Das declarações parcialmente homologadas, não há créditos a serem repetidos, já que não alcançam o montante total devido, isto porque aqui há a discussão se as receitas financeiras das instituições financeiras são ou não entendidas como "operacionais". Neste sentido bem esclarece a diligência de fls. 460/465: Ficou constatado no demonstrativo que as DC0111Ps foram julgadas como homologadas (fevereiro/2004), homologada parcialmente (dezembro/2003), não homologadas (janeiro/2004- processo 10510.900023/2008-85, fevereiro/2004-processo 10510 900001/2009- 04, março/2004- processo 10510.901258/2008-94), não declaradas (março, abril, maio, junho/2004, todos do processo 5 Processo n" 10510 7200.34/2007-01 S3-C2T1 Resolução n " 3201-00.162 Fl 1 109 10510..000911/2005-53, e outubro e novembro de 2004 - processo 10.510.000910/200547) e em análise administrativa Oulho de 2004 e junho de 200.5). Ternos aqui então duas questões a debater, a possibilidade de aceitar a repetição de valores com base em declarações de compensação não aceitas e a definição do conceito de faturamento das instituições financeiras para fins de apuração da base de cálculo da COFINS. Entretanto, para podermos analisar a segunda questão, necessário se faz tenhamos a solução dos questionamentos quanto aos créditos utilizados que determinaram, alegadamente, os valores a maior de COFINS ora questionados.. Temos então questão prejudicial e preliminar a ser resolvida para que possamos analisar o mérito deste processo, qual seja, ter cópia das decisões finais dos processos que analisam os créditos das compensações preliminares utilizadas para a compensação da COFINS ora pleiteada para utilização, Assim, entendo devam os autos baixar em diligência para que sejam juntadas neste a integralidade das decisões administrativas relativas aos processos iniciais das chamadas "primeiras compensações". Somente após o cumprimento desta diligência que deverá ser dado prosseguimento ao processo. Assim, após realizada integralmente a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada, Por fim, devem os autos rEftornar a este Conselheiro para fins de julgamento, LUCIANO LOPES DE ~EMA MORAES 9
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720025/2008-53
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. NÃO COMPRAVA A EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal sobre pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito pleiteado recai sobre o contribuinte autor pedido. Se este não comprova a certeza e liquidez do crédito pleiteado, resta impossibilitada o reconhecimento do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.372
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OBRIGATORIEDADE. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. NÃO COMPRAVA A EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal sobre pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito pleiteado recai sobre o contribuinte autor pedido. Se este não comprova a certeza e liquidez do crédito pleiteado, resta impossibilitada o reconhecimento do direito creditório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 25 /2 00 8- 53 Fl. 704DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado na Resolução nº 3401000.539, de 17 de junho de 2012 (fls. 650/656), que segue transcrito: Em 18.10.2007, a contribuinte Rohden Portas e Painéis Ltda. protocolou Pedido de Ressarcimento no valor de R$ 51.004,40, referente a PIS nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado externo, relativo ao final do terceiro trimestre de 2007. Em 17.10.2008, a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC emitiu Despacho Decisório deferindo parcialmente o pleito, não acatando a apuração dos créditos relacionados às seguintes operações: a) Aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos sem emissão de nota fiscal: a autoridade fiscal glosou o valor de R$ 318.272,12 referente à despesa ocorrida no trimestre, que a contribuinte, em resposta a intimação fiscal (fl.70), justificou como sendo decorrente de “exaustão de reflorestamento de Pinus, conforme contratados com a L. Schmaedecke Com. E Ind. Ltda. e com a Serraria São Pasquel Ltda.”, tendo em vista que a aquisição de insumo não encontrar respaldo na escritura fiscal da requerente, dado que ocorreu sem a emissão de nota fiscal pelo fornecedor e, por conseguinte, sem a incidência de tributação. b) Aquisição de serviços utilizados como insumos: b.1) quantia informada a maior: foram excluídos da base de cálculo dos créditos apurados no DACON, os valores referentes às despesas e taxas de importação de vidro, conforme esclarecimento prestado pela contribuinte em resposta à intimação fiscal; b.2) aquisição de serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessada, intimada a apresentar a memória do cálculo para os créditos referentes à linha três (Serviço Utilizado com Insumo), informou o CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Informa a autoridade fiscal que glosou todos os valores referentes às notas com esse CFOP, “considerando que a requerente não especificou – entre as notas fiscais com CFOP 1.949 que estão no LRE – quais estariam compondo os valores solicitados, já que todos os registros estão com campo de créditos de PIS/Pasep e Cofins zerados; considerando que esse CFOP, por referirse a “outras entradas não previstas” nos Fl. 705DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3302004.372 S3C3T2 Fl. 705 3 demais CFOP, a princípio, não corresponde a serviço utilizado como insumo”. c) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores relativos à despesa com locação de caminhões e carrocerias reboque, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeira Ltda., em razão de caminhão ser “espécie do gênero veículos e não do gênero máquina”, a teor da NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul. Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 25.11.2008, alegando, em síntese, que: a) Quanto à glosa de R$ 313.540,39 referentes à aquisição no mercado interno de bens utilizados como insumos, realizada sem emissão de nota fiscal, alegando que tal valor tratase de “amortização, eis que a aquisição da floresta se deu por contratos com prazo indeterminado, restando evidente o direito ao crédito à recorrente, nos termos do art. 3º, §1º, III da Lei 10.637/2002”. O valor referente à floresta adquirida gera direito de crédito, pois “foi utilizada como insumo no processo produtivo”, e ainda, mesmo que se trate de exaustão, a Solução de Consulta nº 254 de 19.7.2007, da SRF, prevê a possibilidade de crédito de formação de floresta. Conclui que a glosa não é consistente “eis que comprou o insumo, conforme faz prova os contratos e notas fiscais em anexo”. b) Quanto às aquisições de serviços não especificados, argumenta que os valores de entrada com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, já que se tratam de importâncias relativas a serviço de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Quanto à ausência de escrituração fiscal, esclarece que os prestadores de serviço não possuem inscrição estadual, mas somente municipal, motivo pelo qual “tais notas não podem ser lançadas nos livros fiscais, sendo lançadas apenas nos livros contábeis. Assim, por mais que não estejam lançadas no Livro de Registro de Entrada, tais notas foram devidamente contabilizadas”. Reclama que a autoridade fiscal, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. Ao final, requer que “caso este órgão julgador entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos” que seja determinado o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito. Em 2.7.2010 a 2ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: a) A interessada acatou as glosas dos valores referentes: às devoluções de compra para industrialização, à quantia informada a maior no DACON, referente aos valores de despesas e taxas de importação de vidro, e à locação de maquinas e equipamentos. Fl. 706DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 b) Quanto à aquisição de serviços não especificados, a contribuinte anexou aos autos as notas fiscais que diz comprovar direito ao crédito pleiteado, entretanto não há como identificar se estas se referem de fato a serviços aplicados no processo produtivo da empresa, ou mesmo se consiste de serviço aplicado na aquisição de insumos da empresa; c) Mesmo que não houvesse tal falha de comprovação, o serviço de extração de madeira não geraria crédito por não constituir um serviço utilizado como um insumo, por ter sido aplicado em uma fase anterior ao início do processo produtivo da empresa; d) Quanto aos serviços de manutenção, nenhuma das notas fiscais apresentadas, a julgar pelas descrições dos serviços nelas contidas, referese a serviços de manutenção de máquinas; e) O pedido de retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito não pode ser deferido, dado que o ônus de comprovar a natureza dos créditos é da contribuinte. Assim, não é lícito ao julgador, propiciar ao pleiteante a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista legal, já deve compor o seu pleito desde a sua formalização inicial. Em 18.8.2010 a contribuinte foi cientificada da decisão, e em 17.9.2010, apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) O ônus da prova na comprovação da existência do direito creditório não é absoluto da contribuinte, uma vez que esta situação deve ser interpretada sistematicamente como o principio do contraditório e da ampla defesa. Se a contribuinte falhou na comprovação dos fatos que a autoridade julga pertinentes, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruíla, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado; b) Quanto aos “serviços não especificados”, não há como repudiar a ideia de que tais valores contribuem para um resultado ou obtenção de uma mercadoria ou produto até o consumo final. c) No que tange ao serviço de extração de madeira, tal procedimento não se constitui em etapa anterior ao processo produtivo da empresa, uma vez que o corte da madeira é efetuado com base nas exigências feitas pela recorrente. Nesse sentido, a partir do momento em que a árvore está sendo cortada já se iniciou o processo produtivo da empresa; d) Considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente e indispensáveis à obtenção do resultado final, a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção de máquinas e veículos; e) Quanto á glosa referente a aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda de árvores de pinus em pé, deve ser esclarecido que os créditos referemse a bens do ativo Fl. 707DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3302004.372 S3C3T2 Fl. 706 5 imobilizado, na medida que os contratos dão direito à exploração da floresta, configurando uma espécie de arrendamento da área, onde a recorrente obrigouse a abater as árvores compradas no prazo de 24 meses. Seguindo a instrução dada Decreto 3000/99, que regulamenta o Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza, a recorrente vem fazendo a amortização mensal do montante referente ao valor dos contratos, sendo assim, a quota que gera o crédito é mensal e tem como base de cálculo a proporção do valor do contrato, conforme prevê o Decreto supracitado. Por fim, a contribuinte requer o direito de ressarcirse dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep, relativos ao 3º trimestre do ano de 2007, no tocante as despesas realizadas com a aquisição de floresta com contrato e exploração de floresta e manutenção de máquinas. Na Sessão de 17 de julho de 2012, os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por meio da referida Resolução, converteram o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB de origem averiguasse o montante referente à madeira proveniente da floresta adquirida que foi utilizada no processo produtivo, durante o período de vigência do contrato, bem como os valores gastos na manutenção do maquinário e na extração da madeira. Por meio dos despachos de fls. 659/660, os autos foram devolvidos a este Conselho, sem cumprimento da diligência, sob o argumento de que a recorrente havia ajuizado ação ordinária, em trâmite no Juízo Federal da 1ª VF do Rio do Sul, processo nº 5003581 24.2013.404.7213, autuado em 30/9/2013, que tratava da matéria objeto do presente recurso voluntário. Em 11/11/2013, foi colacionado aos autos (fls. 664/669), a petição inicial que deu origem a ação ordinária de que trata o citado processo judicial. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser parcialmente conhecido, pelas razões a seguir aduzidas. De acordo com o recurso voluntário (fls. 636/647), o litígio remanescente cingese aos seguintes pontos: a) ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte, que tratam do ressarcimento de direito creditório; e b) direito à tomada de créditos calculados sobre (i) os custos com os serviços de extração de madeira, (ii) os custos com aquisição de peças e serviços de manutenção de máquinas e veículos e (iii) os encargos de amortização do valor dos contratos de aquisição de florestas. Fl. 708DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Por meio do processo judicial nº 500358124.2013.404.7213, em tramitação perante a 1ª Vara Federal do Rio do Sul, em 30/9/2013, a recorrente deu início a ação ordinária, em que pleiteou provimento judicial, que lhe assegurasse o direito aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado –aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Em caráter especial, a autora da ação requereu que lhe fosse reconhecido o direito aos créditos discutidos na peça exordial de fls. 664/669, os quais foram glosados pela autoridade fiscal, dentre outro, no presente processo administrativo, corrigidos monetariamente pela taxa referencial Selic, deste a data do protocolo dos correspondentes pedidos administrativos. Do simples cotejo entre o teor do recurso voluntário em apreço e dos pedidos consignados na citada petição inicial, resta cabalmente demonstrado que a recorrente levou ao crivo do Poder Judiciário os pontos controvertidos remanescentes objeto do recurso em apreço. Essa circunstância implica renúncia tácita à instância administrativa, dada a identidade entre a matéria litigiosa submetida à apreciação deste Colegiado e a que foi submetida ao crivo do Poder Judiciário. E tal efeito decorre a incidência direta e imediata do princípio da unicidade ou inafastabilidade de jurisdição, insculpido no inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (CF/88), que veicula a seguinte mensagem normativa: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Por força desse princípio, sabidamente, o monopólio do exercício da jurisdição cabe ao Poder Judiciário, a quem incumbe o pronunciamento definitivo sobre os conflitos originários da aplicação da legislação tributária. No caso presente, como as matérias litigiosas objeto do recurso em apreço foi submetida à análise do Poder Judiciário, obviamente, carece de sentido e efeito jurídico concreto e efetivo a manifestação deste Colegiado acerca das correspondentes questões, haja vista se corroborasse ou dissentisse da decisão judicial seria inócua, porque sempre há prevalecer o que for decidido em caráter definitiva na esfera do Poder Judiciário. Além disso, em consonância com o referido princípio, há na legislação infraconstitucional preceito legal determinando, expressamente, a proeminência do resultado do julgamento proferido no âmbito do Poder Judiciário em relação ao que decidido na esfera administrativa, a exemplo do artigo 1º, § 2º, do Decretolei 1.737/79, e do art. 38, parágrafo único, da Lei 6.830/1980. Com efeito, segundo os referidos comandos legais, a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou após à autuação, com o mesmo objeto, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, com a edição da Súmula CARF nº 1, de adoção obrigatória por todos os Conselheiros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação Fl. 709DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3302004.372 S3C3T2 Fl. 707 7 judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por todas essas razões, não se toma conhecimento da matéria controvertida que trata do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, suscitada no recurso em apreço, por ser idêntica a que foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, no âmbito da referida ação judicial. Assim, remanesce passível de conhecimento apenas à questão referente ao ônus da prova no âmbito dos processos administrativos de iniciativa do contribuinte, especialmente, os processos administrativos que tratam de pedido de ressarcimento de direito creditório. Em relação a esse ponto a recorrente alegou que o ônus da prova na comprovação da existência do direito creditório não era absoluto do contribuinte, pois, essa situação devia ser interpretada sistematicamente com o principio do contraditório e da ampla defesa. E complementou a sua alegação, com a apresentação dos seguintes argumentos, in verbis: Se a contribuinte falhou na comprovação dos fatos que a autoridade reputa pertinente, deverá remeter os autos a quem tem competência para novamente instruílo, elencando objetivamente o que precisa ser demonstrado. Ademais, a Administração Pública não possui a faculdade de instruir o feito. No estrito cumprimento do principio da eficiência deve abrir ao contribuinte a possibilidade de produzir provas que auxiliem em seu convencimento. Como não há regramento específico sobre o ônus da prova no Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, a este aplicase, subsidiariamente, as disposições sobre a matéria estabelecidas na Lei 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, e no Código do Processo Civil (CPC), instituído pela Lei 13.105/2015. Na Lei 9.784/1999, o assunto encontrase disciplinado nos arts. 36 e 37, que tem o seguinte teor, in verbis: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (grifos não originais) Da leitura dos referidos preceitos legais, extraise que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o ônus da prova cabe a parte que alega os fatos constitutivos do seu Fl. 710DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 direito. No âmbito do processo administrativo fiscal, que trata de pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, inequivocamente, recai sobre o contribuinte formulador do pedido de ressarcimento. Nessa modalidade processual, o ônus probatório só será assumido pelo órgão da Administração tributária, na hipótese excepcional, de o postulante declarar e demonstrar que os fatos e dados estão em documentos existentes no órgão da própria Administração, situação que, obviamente, não se vislumbra no caso em tela. No mesmo sentido, dispõe o art. 373 do CPC (Lei 13.105/2015), a seguir transcrito: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou, à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. [...] (grifos não originais) Verificase que o citado preceito legal também atribui ao autor do feito ou pedido o ônus da prova constitutiva do seu direito. E assim como o preceito legal que rege o processo administrativo federal, a atribuição do ônus probatório de modo diverso somente ocorrerá nas hipóteses excepcionais (i) previstas em lei ou (ii) diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade da parte de desincumbirse do encargo probatório ou (iii) se houver maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, todas situações, que, induvidosamente, não se vislumbra no caso em tela. Da interpretação sistemática dos referidos preceitos legais que, por força do disposto no art. 15 do CPC, regem subsidiariamente o ônus da prova no processo administrativo fiscal, embora não admitida como regra geral absoluta, verificase que os casos excepcionais restringemse às situações estabelecidas nos citados preceitos legais, o que, inexoravelmente, conduz a conclusão de que, em regra, o ônus probatório cabe ao interessado na “prova dos fatos que tenha alegado”, ou ao autor, quanto “ao fato constitutivo de seu direito”. Em suma, é prevalência no esfera do processo administrativo fiscal da regra geral, segundo a qual o ônus da prova cabe a quem alega. Com base nessas considerações, fica demonstrado que o entendimento esposado pela recorrente, de que se o “contribuinte falhou na comprovação dos fatos” caberia a autoridade julgadora baixar os autos perante a unidade da RFB de origem, para que esta comprovasse os fatos controversos, além de conflitar com os referidos preceitos legais, implicaria clara inversão do ônus da prova sem respaldo legal. Ademais, a obrigatória conversão dos autos em diligência, nos casos em que o contribuinte, não comprovasse os fatos alegados, deixaria de ser uma prerrogativa da autoridade julgadora, expressamente consagrada Fl. 711DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13971.720025/200853 Acórdão n.º 3302004.372 S3C3T2 Fl. 708 9 no art. 29 do Decreto 70.235/1972, para se converter num direito absoluto do contribuinte. E, pragmaticamente, implicaria na inversão do significado dos comandos legais que dispõe sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, de sorte que, a regra geral viraria a exceção e exceção vira a regra geral. Um completo nonsense! Saindo do plano abstrato e aplicando o regramento sobre o ônus da prova em comento aos processos que tratam da restituição, do ressarcimento ou da compensação, em que o contribuinte informa a existência de direito creditório a ser restituído, ressarcido ou compensado, chegase a conclusão que, fora os casos excepcionais estabelecidos na legislação, o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito pleiteado ou compensado, inequivocamente, recai sobre o contribuinte postulante. Dessa forma, nos presentes autos, era da recorrente o ônus de provar o direito creditório pleiteado, com os meios de provas adequados, estabelecidos na legislação, especialmente, no art. 76 da Instrução Normativa RFB 1.300/2012 (e nos correspondentes preceitos normativos das IN anteriores), bem como no momento oportuno, ou seja, até a fase de manifestação de inconformidade, conforme exige o art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/1972, sob pena da concretização da preclusão consumativa. Alem disso, essa disposição contraria o argumento da recorrente de que no “estrito cumprimento do principio da eficiência deve abrir ao contribuinte a possibilidade de produzir provas que auxiliem em seu convencimento” a qualquer momento. Enfim, também não encontra respaldo jurídico, alegação da recorrente de que “a Administração Pública não possui a faculdade de instruir o feito”, pois, ao contrário do alegado, expressamente, o art. 36 da Lei 9.784/1999, atribui ao órgão público competente o dever instrução do processo administrativo. Com base nessas considerações, ficam demonstradas a improcedência das alegações apresentadas pela recorrente. Por todo exposto, votase pelo não conhecimento dos pontos controversos atinentes ao restabelecimento dos crédito da Contribuição para o PIS/Pasep glosados, por concomitância com à matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, e, na parte conhecida, referente ao ônus probatório, negase provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 712DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.1021.09229.6506. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 07/07/2017 15:02:00. Documento autenticado digitalmente por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 07/07/2017. Documento assinado digitalmente por: PAULO GUILHERME DEROULEDE em 07/07/2017 e JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 07/07/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 15/10/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.1021.09229.6506 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 79BD03A338EEBDC228616957A5B79CD8BC4020B441B3738F3D0721A2B5C2E06E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13971.720026/2008-06. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13855.001212/2006-07
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2101-000.063
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para juntada de documentos aos autos. Vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, para juntada de documentos aos autos. Vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva (suplente), Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Em desfavor de MARIO VACA JIMENEZ, médico, foi emitido o Auto de Infração às fls. 5 a 10 (eprocesso), no qual é cobrado imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2002 (exercício 2003), no valor de Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13855.001212/200607 Resolução n.º 2101000.063 S2C1T1 Fl. 112 2 R$ 6.597,80 (seis mil, quinhentos e noventa e sete reais e oitenta centavos) que, acrescido de multa de lançamento de ofício e juros de mora calculados até abril de 2005, perfaz um valor total exigido de R$ 13.788,08 (treze mil, setecentos e oitenta e oito reais e oito centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 6), consta que a Fiscalização apurou ter havido dedução indevida das seguintes despesas médicas: Leandra Kroll R$ 2.800,00 Maisa Roque R$ 2.000,00 Sérgio José Martins R$ 6.492,00 José Ferreira Neto R$ 4.000,00 Anaelisa Liporoni Martins R$ 4.300,00 Ana Paula de Araújo R$ 4.400,00 O contribuinte impugnou o lançamento, apresentando os argumentos assim sintetizados pelo órgão julgador a quo: “ os recibos apresentados estão formalmente perfeitos; cabe ao fisco provar a inidoneidade dos recibos, o que não foi feito; o pagamento em dinheiro é lícito e o contribuinte possuía caixa suficiente para fazêlo, como comprova a própria declaração que deu origem ao AI; o contribuinte não tem obrigação de guardar qualquer outro documento de prova, pois a legislação fiscal requer especificamente os recibos; o fisco deveria checar junto aos prestadores dos serviços a autenticidade dos recibos; o auto de infração somente deve ser elaborado quando o fisco tiver em mãos elementos provando a materialidade e a autoria da infração; constituise em ameaça à segurança jurídica autuar e transferir para o cidadão de bem o ônus de provar que ele não é culpado; não existe amparo legal para se exigir prova de como se pagou os valores constantes nos recibos, nem para considerálos inaptos; não há como comprovar o pagamento se este foi feito em moeda corrente.” Ao examinar o pleito, a 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília decidiu pela improcedência da Impugnação, por meio do Acórdão n.º 0325.658, de 3 de julho de 2008. Em 31 de outubro de 2008, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 39 e seguintes), no qual, entre outros argumentos, o contribuinte alega que fez todos os pagamentos Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13855.001212/200607 Resolução n.º 2101000.063 S2C1T1 Fl. 113 3 relativos a suas despesas médicas em espécie, sustentando que, na própria declaração que deu origem ao Auto de Infração, constatase que ele possuía caixa suficiente para tal fim. É o Relatório. Voto O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Trata o presente processo de Auto de Infração, no qual foram feitas glosas de deduções de despesas médicas, tendo em vista a falta de comprovação, com documentação hábil e idônea, solicitada por intimação (fls. 49), do efetivo pagamento em dinheiro dos valores referentes aos recibos de serviços dos seguintes profissionais da área de saúde: (i) Leandra Kroll; (ii) Maisa Roque; (iii) Sérgio José Martins; (iv) José Ferreira Neto; (v) Anaelisa Liporoni Martins; e (vi) Ana Paula de Araújo. No seu Recurso Voluntário, o contribuinte sustenta que, na declaração de ajuste que deu origem ao Auto de Infração constante deste processo, constatase que ele possuía caixa suficiente para fazer todos os pagamentos das despesas médicas deduzidas em dinheiro. No entanto, tal afirmativa não pode ser verificada, haja vista que a declaração de imposto sobre a renda de ajuste, correspondente ao exercício 2003, objeto da ação fiscal levada a efeito neste processo, não se encontra anexada aos autos. Sendo assim, voto pela a conversão do julgamento em diligência, a ser realizada pela repartição de origem, para o fim de juntar aos autos deste processo, em sua íntegra, a declaração de imposto sobre a renda de ajuste do Recorrente, correspondente ao exercício 2003 e intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que possam fortalecer sua prova, tais como, por exemplo, laudos e pedidos médicos, cópias de resultados de exames e de fichas odontológicas, e ainda cópias de comprovantes de transferências bancárias ou de extratos bancários nos quais fiquem identificados saques em valores e datas compatíveis com os pagamentos declarados, ou qualquer outro documento hábil e idôneo apto a reforçar o conjunto probatório contido nos autos. Finda a diligência, os autos devem retornar a este Relatora para o fim de proferir voto. (assinado digitalmente) ________________________________ Celia Maria de Souza Murphy – Relatora. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 03/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 15536.000031/2007-74
Data da sessão: Mon Dec 14 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL.
Eventual deficiência do instrumento de autuação quanto à descrição do critério empregado na aferição indireta da base de cálculo da contribuição configura vício formal, e não material.
ERRO NA BASE DE CÁLCULO.
Eventual erro na base de cálculo não enseja nulidade do lançamento, constituindo-se matéria de mérito a ser examinada como tal.
Numero da decisão: 9202-009.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para que o vício seja considerado de natureza formal, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz e João Victor Ribeiro Aldinucci, que negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cota Cardozo Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso (suplente convocado(a)), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL. Eventual deficiência do instrumento de autuação quanto à descrição do critério empregado na aferição indireta da base de cálculo da contribuição configura vício formal, e não material. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. Eventual erro na base de cálculo não enseja nulidade do lançamento, constituindo-se matéria de mérito a ser examinada como tal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para que o vício seja considerado de natureza formal, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz e João Victor Ribeiro Aldinucci, que negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cota Cardozo – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Marcelo Milton da Silva Risso (suplente convocado(a)), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Cuida-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201-003.792, proferido na Sessão de 8 de agosto de 2017, que deu provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do dispositivo a seguir reproduzido: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 53 6. 00 00 31 /2 00 7- 74 Fl. 1401DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.266 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15536.000031/2007-74 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2003 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. ERRO NA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES E NA BASE DE CÁLCULO. VÍCIO MATERIAL DO LANÇAMENTO. NULIDADE. Com relação aos autônomos, constatou-se a ausência de descrição correta do fato gerador, no relato da fiscalização e seus anexos, diante da incidência da contribuição previdenciária sobre a compra de ardósia, a compra de estrume, a compra de grama, a remessa de Sedex, produtos e serviços fornecidos por pessoas jurídicas, e a compra de materiais diversos. No que se referem aos empregados, houve erro na base de cálculo, em razão da consideração de valores que não integram a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, decorrente de diferenças constatadas entre as folhas de pagamentos e os registros contábeis contidos nos livros diários. O recurso visa rediscutir as seguintes matérias: a) erro na descrição do fato gerador - consequência jurídica; e b) erro na composição da base de cálculo - consequência jurídica. Em exame preliminar de admissibilidade a presidência da Câmara de origem deu seguimento ao apelo. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que em nenhum momento “nem mesmo na decisão hostilizada, ficou reconhecida a ausência do motivo do lançamento”; que a ausência ou a deficiência na descrição ou prova do fato gerador, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estar-se-ia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; que uma eventual ausência ou mesmo imprecisão na descrição completa do fato gerador não pode ser considerada como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos; que o fato gerador ocorreu, em que pese poder-se considerar como não instruído ou mal instruído o respectivo Auto de Infração; que o mesmo raciocínio pode ser aplicado para a constatação de erro na matéria tributável; que sequer se poderia cogitar que houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo, tendo em vista que o próprio afirma que foi submetido à ampla ação fiscal redundando inclusive na lavratura de Auto de Infração; que não há que se confundir falta de motivo com falta de fundamentação/motivação; que a primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram; que a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato; que se trata de suposto vício decorrente da ausência ou imprecisão na descrição e prova do fato gerador e erro na base de cálculo que, em nada interferiu na configuração do crédito tributário; que se se cogitar de vício no lançamento, deve-se ter como vício formal; que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo, pode ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784/99. Cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 29/12/2017 (e-fls. 1.391), o contribuinte apresentou, em 08/01/2018 (e-fls. 1.392), as Contrarrazões de e-fls. 1.392 a 1.397) na quais Fl. 1402DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.266 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15536.000031/2007-74 defende, inicialmente, o não conhecimento do recurso por ausência de similitude fática entre recorrido e paradigmas e, acaso conhecido o recurso, que seja mantida a decisão recorrida com base, em síntese, nos seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Como visto, duas matérias foram devolvidas ao Colegiado, e para ambas a Fazenda Nacional trouxe paradigma em que, examinando-se situações semelhantes as turmas julgadora deram distintos desfechos. Não procede, portanto, a objeção feita pela contribuinte em sede de Contrarrazões. Conheço, pois, do Recurso. Quanto ao mérito, como se colhe do relatório, foi devolvido ao Colegiado o exame de duas matéria, assim descritas: a) erro na descrição do fato gerador - consequência jurídica; e b) erro na composição da base de cálculo - consequência jurídica. Sobre a primeira matéria, o que se discute na verdade é a natureza do vício que ensejaria o lançamento, caracterizado pela eventual ocorrência de erro na descrição dos fatos, se formal ou material. Pois bem, sobre este ponto, convém trazer à colação trecho do voto condutor do julgado em que a questão está posta: Observa-se, pelas várias diligências realizadas, nos presentes autos, que o Relatório Fiscal se omitiu na descrição clara e precisa dos fatos geradores considerados no lançamento (no caso concreto, houve dúvida sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre compra de ardósia, compra de estrume, compra de grama, remessa de Sedex, produtos e serviços fornecidos por pessoas jurídicas, compra de materiais diversos); existiu, conforme conclusão da diligência, erro na base de cálculo, quando a autoridade efetuou o lançamento decorrente de diferenças constatadas entre as folhas de pagamentos e os registros contábeis contidos nos livros diários, pois, nas diferenças constatadas, foram considerados valores que não integram a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Portanto, pelo teor das diligências constantes dos autos, verificam-se claras dúvidas sobre aspectos relevantes da autuação (fato gerador e base de cálculo), tais dúvidas, em parte, foram esclarecidas pela última diligência, constatando-se o erro na base de cálculo; mas ainda permanecem dúvidas no que se referem aos recibos apresentados, tendo em vista que a resposta a diligência não solucionou a controvérsia, como se extrai do trecho abaixo transcrito: [...] Diante desse contexto, mostra-se evidente o vício material do lançamento. Como se vê, a relatora fala em imprecisões na descrição dos fatos e dúvidas sobre a incidência da contribuição. Ora, imprecisões na descrição dos fatos são aspectos que dizem respeito à formalização da exigência, à exteriorização do ato administrativo e, portanto, aos aspectos formais da exigência. Logo, se vício há quanto a esse aspecto, este é de natureza formal. Vícios dessa natureza podem ser sanados com a mera repetição do ato, com a simples alteração Fl. 1403DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.266 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15536.000031/2007-74 da sua forma, com a melhor descrição dos fatos, sem que seja necessário acrescentar outros elementos ao lançamento, e sem alteração no seu aspecto material. Daí o art. 173, II do CTN prevê a possibilidade de refazimento do ato, no prazo de cinco anos contados da decisão que declarou a nulidade do lançamento por vício formal. Penso, portanto, que assiste razão à Fazenda Nacional e se vício houve no presente lançamento quanto à clareza na descrição dos fatos, este é de natureza formal. Sobre a segunda matéria, dúvidas ou erros quanto à base de cálculo ou eventual falta de comprovação da incidência da contribuição, trata-se a meu juízo de questão que diz respeito ao mérito do lançamento e deve ser examinado como tal, corrigindo-se a base de cálculo, quando for o caso e excluindo-se da exigência a parcela do lançamento não comprovada. Não se trata, com a devida vênia, de vício que possa ensejar a nulidade de todo o lançamento. Assim, se em relação a parte do lançamento a autoridade lançadora não logrou comprova a incidência do imposto, afasta-se a exigência quanto a essa parte do lançamento; se em relação a outra parte do lançamento a autuação trouxe uma base de cálculo maior do que a devida, ajusta-se a base de cálculo. É o que se faz ordinariamente nos muitos julgamentos realizados no âmbito do CARF em que se dá provimento parcial ao recurso. Sob esse aspecto, a prevalecer o entendimento esposado no Recorrido, os julgamentos do CARF limitar-se-iam a dar ou negar provimento ao recurso, sem a possibilidade do provimento parcial. Também sob esse aspecto, portanto, penso que assiste razão à Fazenda Nacional. Em conclusão, entendo que se vício houve o lançamento, este é de natureza formal. Verifico, contudo que, de a Fazenda Nacional, embora questione a natureza do vício, o seu pedido final é pela manutenção do lançamento em sua integralidade. Assim, deve ser dado provimento parcial ao recurso para que seja declarada a natureza formal do vício. E no caso de eventual repetição do lançamento, com fundamento no art. 173, II do CTN, e em caso de impugnação, deve ser apreciado o mérito, no que se refere a eventual erro na apuração da base de cálculo. Ante o exposto, conheço do Recurso especial da Procuradoria e, no mérito, dou- lhe parcial provimento para que seja declarada a nulidade do lançamento por vício formal. (documento assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1404DF CARF MF Documento nato-digital
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