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Numero do processo: 10166.000875/2005-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000
PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Nos termos do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF".
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO DE LEI. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999, 2000
COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO PREVISTA NO ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI 9.718, de 1998. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR QUE, NÃO TENDO SIDO EDITADA, IMPOSSIBILITOU A REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO.
A Lei nº 9.718, de 1998 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas.
Todavia,o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 não chegou a ter aplicabilidade, mesmo antes de sua revogação pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, em face da ausência de regulamentação pelo Executivo.
Numero da decisão: 3302-004.903
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC. Nos termos do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO DE LEI. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999, 2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO PREVISTA NO ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI 9.718, de 1998. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR QUE, NÃO TENDO SIDO EDITADA, IMPOSSIBILITOU A REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. A Lei nº 9.718, de 1998 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas. Todavia,o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 não chegou a ter aplicabilidade, mesmo antes de sua revogação pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, em face da ausência de regulamentação pelo Executivo.
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DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Nos termos do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO DE LEI. MATÉRIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE . MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 08 75 /2 00 5- 95 Fl. 580DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO PREVISTA NO ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI 9.718, de 1998. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR QUE, NÃO TENDO SIDO EDITADA, IMPOSSIBILITOU A REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. A Lei nº 9.718, de 1998 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas. Todavia,o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 não chegou a ter aplicabilidade, mesmo antes de sua revogação pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, em face da ausência de regulamentação pelo Executivo. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Pedido de Restituição formalizado em 27/01/2005 pela contribuinte, às fls. 01, para aproveitar pretenso crédito de pagamentos a maior de Cofins sobre receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, relativos ao período entre fevereiro de 1999 e setembro de 2000, no montante de R$ 3.233.886,24, conforme demonstrado na planilha de fls. 04. Posteriormente, foram transmitidos os PER/DCOMP listados na tabela de fls. 395, no qual constam como crédito exatamente o Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10166.000875/200595 Acórdão n.º 3302004.903 S3C3T2 Fl. 577 3 montante apresentado no pedido de restituição objeto deste processo. Por sua vez, a DRF/Brasília, tendo em vista os pedidos apresentados pela contribuinte, emitiu em 31/10/2008 o Despacho Decisório de fls. 416/422, no qual denega o pedido da interessada, considerandoo não formulado, com fundamento nas Instruções Normativas SRF n°.s 460, de 2004 e 600, de 2005, diante da inadequação do meio utilizado, tendo em vista que o pleito foi formalizado em formulário, e não com a utilização do Programa PER/DCOMP, acrescentando ainda ter ocorrido a decadência do prazo para a restituição dos pagamentos feitos até 26/01/2000 e não ter sido constatada a existência de pagamentos indevidos a maior para os demais períodos. Cientificada da decisão proferida pela DRF/Brasília, em 22/12/2008 ("AR" As fls. 423verso), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 426/461 e anexos, em 19/01/2009 (protocolo de recepção As fls. 426). Apoiada nos documentos já acostados aos autos, dispõe sobre os pontos elencados a seguir. Suspensão da Exigibilidade. Os débitos referentes As compensações objeto do processo devem ter sua exigibilidade mantida suspensa enquanto houver pendência de julgamento do recurso administrativo, conforme art. 151 do CTN. Da Legitimidade/Legalidade da Utilização de Formulário. No formulário previsto pelo §1° do art. 3 0 da IN 460/2004, encontrase devidamente preenchido o pedido, acompanhado com documentos com mais de vinte páginas, não havendo motivo para ter sido considerado "não formulado" pelo Chefe da Diort por não ter sido feito pelo PER/DCOMP. E óbvio que, para o caso concreto, não há qualquer possibilidade do pedido de restituição ser encaminhado via eletrônica, tendo em vista que o PER/DCOMP não aceita documentos "escaneados" que constituem prova e não consegue prever todos os casos de restituição, como os referentes a indébitos inconstitucionais e ilegais; a formalização do protocolo do pedido aceita na repartição do Fisco faz prova da devida formalização do mesmo, caso contrário, a própria repartição deveria ter recusado o seu recebimento; o próprio sistema eletrônico não atende ao Parecer Cosit nº 58/1998. Da Inexistência de Decadência. No caso de tributos sujeitos à modalidade de lançamento por homologação, como é o caso da Cofins, o prazo para pleitear restituição é de dez anos, ou seja, cinco anos depois do termo final do prazo de cinco anos concedido ao fisco para homologação tácita (art. 150 do CTN). Tal entendimento, há muito pacificado no âmbito do STJ, foi modificado somente com o advento da Lei Complementar n°. 118, de 2005, que visava no arbítrio dar efeito retroativo ao prazo de cinco anos a partir do recolhimento, e, ainda, com efeitos retroativos, estratégia que, no entanto, foi rechaçada pelo Fl. 582DF CARF MF 4 STJ, pela sua 1ª Seção, conforme se verifica nos julgados cujas ementas são transcritas na petição, que declara inconstitucional a retroatividade do novel prazo decadencial para a restituição do indébito. Do Mérito. O inciso III do §2° do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998, determinou que fossem excluídos da receita bruta os "valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo". Muito embora o Poder Executivo tenha sido omisso em regulamentar o dispositivo, é flagrante a ilegalidade de restrição do contribuinte de excluir da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, em razão da ausência de regulamentação do Poder Executivo. Desse modo, caberia à recorrente efetuar a exclusão da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, durante o período de fevereiro de 1999 a setembro de 2000, em face do prazo da vacância nonagesimal, uma vez que foi derrogado o inciso. III do § 2° do art. 3 ° da Lei n° 9.718, de 1998, pelo art. 47, inciso. IV,da Medida Provisória n° 199118, de 09/06/2000 (publicada no DOU de 10/06/2000). Além disso, não há que se falar em ausência de regulamentação pelo Poder Executivo, uma vez que a Lei n° 10.637 de 30/12/2002 e a Lei n° 10.833 de 29/12/2003, que tratam da cobrança nãocumulativa do PIS e da Cofins respectivamente, vieram ratificar e regulamentar a questão do desconto dos créditos apurados. Do Direito Liquido e Certo. Destaca a recorrente que o inciso. III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, estende o principio da nãocomutatividade As contribuições sociais descritas no art. 195 da Constituição Federal, ao possibilita a exclusão das receitas transferidas a outra pessoa jurídica na composição do faturamento, que é base de cálculo do PIS e da Cofins, evitando assim que recaia exação sobre valores não pertencentes ao sujeito passivo da relação jurídicotributária. Logo, é visivelmente perceptível a ilegalidade que se configura com a possibilidade de incidência do PIS e da Cofins sobre o valor total da venda de um produto, uma vez que tributa valores não pertencentes ao sujeito passivo (os quais, ao serem repassados comporão o faturamento de outra empresa, e por isso novamente serão tributados). O fato de o Executivo ter sido omisso em regulamentar o dispositivo legal, "por si só não tem o condão de afastar a aplicabilidade da norma, uma vez que a Lei é autoaplicável", como ensina José Eduardo Soares de Melo na obra Curso de Direito Tributário (edição, são Paulo, Dialética, 2003, p 145). Logo, concluise que o regulamento não pode diminuir o alcance Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10166.000875/200595 Acórdão n.º 3302004.903 S3C3T2 Fl. 578 5 da norma, e, assim, as disposições do inciso. III do § 2° do art. 3 ° da Lei. n° 9.718, de 1998, são aplicáveis, pois não cabe ao intérprete restringir o que a lei não o fez, sendo este o entendimento manifestado pela jurisprudência. Com este entendimento, a recorrente não pode ser afetada pela falta de regulamentação, uma vez que se tratando de exclusão do crédito tributário, sua eficácia esta condicionada A. lei formal, nos termos do art. 97, inciso IV, do CTN, que seria violado no presente caso, considerando que a lei oriunda do Legislativo possui os elementos básicos da norma de tributação. Neste sentido, a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4 a regido, em decisão proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança processo n°20071080061829 RS, publicada no DJU data: 18/12/2002, Relator: Juiz Alcides Vettorazzi entendeu ser irrelevante a ausência regulamentação emanada do Poder Executivo. Outrossim, não se tratando de decreto autônomo, a norma regulamentar ausente serviria apenas para operacionalizar a execução da lei, subordinandose aos seus mandamentos. Do Principio da Legalidade. Os regulamentos executivos devem estar adstritos a estabelecer os pormenores normativos de ordem técnica que viabilizam o cumprimento das leis _elaboradas pelo Poder Legislativo a que se referem. E o que aduziu Hely Lopes Meireles, in Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo, Ed. Malheiros, 25a. Ed., 2000. Do Principio da Capacidade Contributiva. Segundo o principio da capacidade contributiva, cada contribuinte é tributado de acordo com a sua capacidade econômica, a qual não se confunde com a capacidade financeira, de modo que arca com um ônus tributário mais elevado quanto maior for a sua capacidade de suportálo. No direito previdenciário, o principio da capacidade contributiva consagrase através do principio da solidariedade, ou seja, quem tem mais recurso é chamado a contribuir mais, para que aqueles que pouco ou nada possuem possam usufruir dos benefícios garantidos pela seguridade social. Citando lições de Hiromi Higuchi e Rui Barbosa Nogueira, conclui que é flagrante a ilegalidade do cálculo do recolhimento da Cofins e do PIS sobre o valor total das vendas, sem a exclusão dos valores que foram transferidos as outras pessoas jurídicas, colocando a recorrente em uma posição de incapacidade econômica e contributiva, lesandoa financeiramente, uma vez que foi obrigada A tributação sobre uma renda que não lhe pertence colocando em risco até mesmo a garantia de sua sobrevivência. Da Ofensa ao Principio Constitucional da Isonomia. A Constituição Federal de 1988 resguarda o Principio da Isonomia em seu art. 5°, sendo que o inciso V do parágrafo único do artigo 194, da própria Magna Carta, também garante a Fl. 584DF CARF MF 6 equidade como meio de participação de todos no custeio da Previdência Social: quer dizer, deve este custeio ser pautado pela igualdade no seu financiamento não devendo, de maneira alguma, atribuir a um determinado setor, por atos constritivos, contribuição além dos limites de sua capacidade e muito menos que exceda a mais da metade de seus ganhos. Ora; todos os demais contribuintes recolhem a Cofins e o PIS, nos termos da Lei, sobre receita real, sobre aquisições plenas de disponibilidade econômica e jurídica, o que não ocorreu, porem, com a recorrente, que recolheu essas contribuições sem a exclusão dos valores transferidos a outras pessoas jurídicas. Da Ofensa ao Principio Constitucional do NãoConfisco. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 150, VI, veda expressamente a utilização de tributos que apresentem característica de confisco. Assim , mesmo não existindo lei que defina o confisco ou trace as diretrizes de seus limites, nada impede que o contribuinte recorra à Justiça para, nos termos do artigo 5°, XXXV, da Constituição Federal, defender e proteger os seus direitos, pleitear seja reconhecida a inconstitucionalidade de lançamento que avultam a natureza do tributo, por excessivos e, afinal, confiscat6rio. Da Aplicação Retroativa das Leis n° 10.637/2002 e no 10.833/2003 Regulamentando o Art. 30, § 2°4 Inciso III, da Lei n° 9.718/1998. As Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 instituíram a nova sistemática do PIS e da Cofins, criando a chamada "nãocumulatividade" das contribuições e majorando suas alíquotas para 1,65% e para 7,6%, respectivamente. Após transcrever os dispositivos anteriormente mencionados, repete que recolheu tributo a maior e indevidamente, posto que não exerceu o seu direito de excluir da base de cálculos das contribuições ao PIS e a Cofins, os valores transferidos a outras pessoas jurídicas (inciso III do § 2° do art. 3 ° da Lei n° 93 18), uma vez que o exercício de tal direito foi condicionado a existência de regulamentação baixada pelo Poder Executivo. Afirma que tais procedimentos de exclusão vieram a ser ratificados e regulamentados pelos artigos anteriormente transcritos, mediante o reconhecimento de "créditos" das contribuições pagas sobre a receita de outras pessoas jurídicas, para fins de compensação com o débito das contribuições sobre a receita de venda da recorrente, tendo em vista que o art. 3°, § 2°, inciso III, da Lei 9.718/98, já deixava claro o conteúdo da norma, no sentido de que o contribuinte procedesse à referida exclusão dedução, preconizado a nãocumulatividade das contribuições ao PIS e a Cofins. Ressalta ainda que a lei veio regulamentar o procedimento de exclusão, e não a norma emanada do Poder Executivo, evitandose assim a afronta ao principio da legalidade. Por fim afirma que, ainda que se queira entender que as Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 não podem retroagir e serem aplicadas ao presente caso, impõese consignar o que aduz o art.106, inciso I, do CTN, segundo o qual as leis podem retroagir Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10166.000875/200595 Acórdão n.º 3302004.903 S3C3T2 Fl. 579 7 para atingir operações anteriores ao seu advento, no sentido de ser resguardada a nãocumulatividade das contribuições ao PIS e a Cofins. Traz à colação decisão sobre a matéria proferida pelo E. Superior Tribunal de Justiça, que, segundo a recorrente, acatou a plenitude da tese que ora defende. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA PARCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O prazo para pleitear restituição de eventuais indébitos encerra se após decorridos cinco anos da extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado, no caso de tributos e contribuições sujeitos ao lançamento por homologação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INDEFERIMENTO. Concluise pela manutenção do despacho decisório que indeferiu pedido de restituição, uma vez verificado que, além de ter sido alcançado parcialmente pela decadência, o pleito se fundamenta em dispositivo ineficaz, matéria Mica sem amparo legal e hipótese inexistente de retroatividade da lei. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer principio constitucional de natureza tributária. Solicitação Indeferida A Divisão de Orientação e Análise Tributária da DRF – Brasília emitiu o “Comunicado/2009”, fl.490 com vistas a dar ciência ao interessado do acórdão proferido pela DRJ, no entanto não há nos autos documento que comprove o recebimento do citado acórdão pelo contribuinte (AR – Aviso de Recebimento, dos Correios). A interessada apresentou Recurso Voluntário em 19/08/2009, fls.494/523, onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Por todo o exposto, requer o provimento do presente recurso com o reconhecimento do direito A. restituição/compensação e conseqüentemente do reconhecimento do credito à compensação dos valores pagos A maior indevidamente a titulo de COFINS, nos termos do artigo 3°, parágrafo 2°, inciso III da lei 9.718/98, Fl. 586DF CARF MF 8 durante o período de fevereiro/1999 até setembro/2000 conforme requerido nos presentes autos. Através da Resolução Carf nº 3202.000.319, de 28/01/2015, fls.565/570, o julgamento foi convertido em diligência,nos seguintes termos: (...) para que a autoridade preparadora anexe aos autos documentação probante que informe/demonstre a data em que a Recorrente foi cientificada do acórdão proferido pela DRJ – Brasília. Ao fim da instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias sobre os documentos juntados aos autos em decorrência da diligência. Presta a INFORMAÇÃO FISCAL Nº 236/2015/DIORT/DRF/BSB, fl.572 o seguinte esclarecimento: Em 29/05/2009 a 2ª Turma da DRJ/BSB emitiu o Acórdão de Manifestação de Inconformidade nº 0331.271 que indeferiu a solicitação da contribuinte identificada em epígrafe. Consta nos autos comunicado (fl. 477) datado de 16/07/2009 que informa a contribuinte do resultado do julgamento, porém não há no processo documento que ateste o recebimento deste comunicado. 2. Em 19/08/2009 a contribuinte protocolou Recurso Voluntário e o processo foi remetido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para apreciação. Este órgão decidiu por converter o julgamento em diligência e, em sua resolução nº 3202000.319, solicitou o retorno dos autos a esta DRF para providenciar documentação probante que informe/demonstre a data em que a recorrente foi cientificada do acórdão proferido pela DRJ/Brasília. 3. Ocorre que o aviso de recebimento (AR) dos Correios não retornou, e não há possibilidade de recuperação do mesmo tendo se passado mais de cinco anos da data da ciência. Apesar disso, a ciência considerase efetivada no momento em que a interessada apresenta o Recurso Voluntário, devendo este ser considerado tempestivo na ausência de evidências contrárias. 4. Diante disso, retorno o processo ao CARF para prosseguir com o julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10166.000875/200595 Acórdão n.º 3302004.903 S3C3T2 Fl. 580 9 Do pedido não formulado O item 20 do Despacho Decisório de fls.427/434, considera não formulado o pedido de restituição com os seguintes fundamentos: De acordo com a análise feita nos parágrafos 18° e 19° e observandose o determinado no art. 4° da IN SRF º 432/2004, concluímos então que o pedido de restituição da fl. 01 será considerado como nãoformulado, devido ao fato de ter sido (e ainda o ser, vide IN SRF n° 600/2005) obrigatória a sua apresentação mediante PER/DCOMP. Ocorre que, em que pese considerar não formulado referido pedido de restituição, o aludido despacho decisório adentrou em sua fundamentação a todas as questões referentes à restituição, sejam prejudicais, como a decadência, bem como o mérito, de sorte, que se tornou sem qualquer consequência para o processo essa ressalva na fundamentação, haja vista que processualmente, não conhecer de um documento ou peça processual significa não apreciála quanto ao pedido, o que não ocorreu no presente caso, de modo que restou superada essa questão procedimental. Quanto ao direito de devolução dos documentos originais anexados ao formulário de pedido de restituição, segundo suscita a recorrente, não comporta apreciação por esse colegiado, questão essa que está afeta à própria competência da unidade preparadora, podendo a recorrente a esta dirigir referido pleito. Da arguição de matéria constitucional Afirma a Recorrente que as razões recursais estão assentadas na doutrina, legislação e princípios constitucionais que norteiam o ordenamento jurídico tributário pátrio. Nesse diapasão, inconformado com a decisão recorrida, protesta quanto à violação a princípios constitucionais, notadamente o da estrita legalidade além de defender a inconstitucionalidade da revogação do inciso III, § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718. de 1998, pela MP n° 1.99118, publicada em 10/06/2000. Ressalvese que em relação à suposta violação a princípios constitucionais bem como à inconstitucionalidade arguída na peça recursal, matéria em essência de natureza constitucional, de competência decisória exclusiva do Poder Judiciário, cabe ressaltar que o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, in verbis: Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 588DF CARF MF 10 § 6.º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I–que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II–que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n.º 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Todo o parágrafo 6.o incluído pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 2009). Na esteira das referidas disposições legais o Regimento Interno deste E. Conselho prevê em seu artigo 162 que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, exceto nas hipóteses previstas no §1º do mencionado dispositivo regimental. Não se enquadrando o caso em exame em qualquer das hipóteses excepcionadas, aplicase como fundamento decisório sobre essa matéria a Súmula CARF nº 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Matéria sumulada pela CSRF O pedido de restituição foi apresentado em 27/01/2005 pela contribuinte, à fls. 01, para aproveitar pretenso crédito de pagamentos a maior de Cofins sobre receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, relativos ao período entre fevereiro de 1999 e setembro de 2000. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10166.000875/200595 Acórdão n.º 3302004.903 S3C3T2 Fl. 581 11 A matéria em exame foi decidida pela CSRF, a exemplo dos Acórdãos nºs 9303001.831, 9303001.845, 846 e 847, de 02/02/2012 e 9900000.943, 09/12/2014. Nesse sentido trago à colação o voto do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, exarado no Acórdão nº 9900000.943, de 09/12/2014, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido.(grifei). Assim, conforme acima exposto, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005. Ante o exposto, constatase na lide ora em exame que a petição ocorreu em data anterior à vigência em 09/06/2005 da LC nº 118, de 2005, de modo que, não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição dos valores recolhidos conforme planilhas de fl.07, relativos ao período entre fevereiro de 1999 e setembro de 2000. Com efeito, conforme as disposições regimentais do § 2º do art. 62 do Anexo II à Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade do prazo prescricional de 10(dez) anos a partir do fato gerador. A matéria em exame já foi sumulada por este E. Conselho conforme a seguir transcrita: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No entanto, embora reconhecido que não houve a prescrição, o mérito não lhe socorre, cabendo destacar que a decisão de piso, além da análise do prazo prescricional adentrou à questão meritória. Fl. 590DF CARF MF 12 Destaca o contribuinte no pedido de restituição: O demonstrativo do cálculo da restituição consta em Planilha anexa na qual é demonstrada o valor pago indevidamente a titulo de COFINS pela não exclusão das receitas repassadas outras pessoas jurídicas, conforme inteligência do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98, durante os exercícios de fevereiro/1999 à setembro de 2000, quando da entrada em vigor da MP 1.991/2000 em face do prazo da vacância nonagesimal. Podese inferir de todo o arrazoado da peça recursal, que a matéria nuclear em lide é de natureza eminentemente jurídica, estando portanto as razões de decidir cingidas à perquirir se a empresa tem direito líquido e certo de excluir da base de cálculo da COFINS, todas as receitas que nela tenham ingressado e, posteriormente, transferidas para outras pessoas jurídicas com escopo no inciso III, § 2º do art. 3º da Lei 9.718. de 1998, que entrou em vigor em fevereiro de 1999, sendo revogado pela MP nº 1.99118, publicada em 10/06/2000. Esclarecida a situação a fática, examinase a seguir as normas objeto da controvérsia: · Lei nº 9.718, de 1998: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(grifei) A norma em destaque foi expressamente revogada pela alínea b do inciso IV da art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 2000: • Medida Provisória nº 199118, de 09 de junho de 2000 (DOU, de 10/06/2000): Art.47.Ficam revogados: [...] IV a partir da publicação desta Medida Provisória: (...); b) o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.(grifei). Dos atos acima transcritos constatase que o inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718, de 1998 é uma norma que depende de regulamentação, tipificada portanto segundo a doutrina abalizada como norma de eficácia limitada, que é aquela que depende de uma regulamentação e integração por meio de normas infraconstitucionais. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10166.000875/200595 Acórdão n.º 3302004.903 S3C3T2 Fl. 582 13 É digno de nota que a matéria em tela foi objeto de vários precedentes nesse E. Conselho, a exemplo dos acórdãos: 380200.893, de 20/03/2012, 3302002.174, de 26/06/2013 e 3202001.051, de 20/01/2014. Nesse sentido, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão 3202001.051, de 20/01/2014, ex vi do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000 COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. EFICÁCIA CONDICIONADA À EDIÇÃO DE NORMA REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE. A Lei nº 9.718/98 admitia, em seu artigo 3º, § 2º, inciso III, a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas, exclusão esta, contudo, condicionada à edição de norma regulamentadora. Tal norma de eficácia limitada, embora vigente, nunca chegou a ter eficácia, já que não editado o decreto regulamentador.(grifei) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação, nos termos do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar arguição de inconstitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula CARF nº 02. Excertos do voto: Como visto, a decisão recorrida indeferiu o restituição solicitada e não homologou as compensações pleiteadas pela Recorrente, fundamentalmente, em decorrência da ausência de regulamentação, pelo Poder Executivo, da norma que previa a exclusão de valores computados como receitas e transferidos para terceiros (art. 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98). Por conseguinte, a declaração de compensação apresentada não pode ser homologada por falta de certeza e liquidez dos indébitos utilizados. Não há reparos a fazer na decisão recorrida. De fato, o dispositivo legal acima referenciado – que, posteriormente, foi expressamente revogado pelo artigo 47, inciso IV, alínea “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, posteriormente convertido na Medida Provisória no 2.15835, de Fl. 592DF CARF MF 14 2001 – tratava da possibilidade de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, contudo, “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, conforme se observa da simples leitura do preceito em comento, verbis: (...) Tais normas regulamentadoras, no entanto, nunca chegaram a ser editadas. Destarte, a norma em comento, embora vigente, nunca produziu efeitos.(grifei). Por esse motivo, a Secretaria da Receita Federal, inclusive, editou o Ato Declaratório nº 056, de 20 de julho de 2000, nos seguintes termos: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, declara: não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. A meu ver, o próprio Poder Legislativo, ao criar a possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins das receitas transferidas para outra pessoa jurídica, condicionando a sua aplicação à edição de normas regulamentadoras a serem expedidas pelo Poder Executivo, demonstrou sua intenção de dar ao citado dispositivo natureza de norma de eficácia limitada. Por ausência de regulamentação tal norma tornouse inaplicável, já que não acompanhada dos comandos operacionais e disciplinadores que o Poder Legislativo outorgara ao Poder Executivo para tanto.(grifei) Desse modo, não cabe a este órgão de julgamento, ao alvedrio de norma regulamentadora específica, dada sua inexistência, usurpar de competência que não é a sua para fixar, segundo seu juízo, as particularidades necessárias à eficácia do comando então previsto em lei. Nesse sentido, é remansosa a jurisprudência do CARF. Confiramse os seguintes acórdãos: nº 20180596, de 20/09/2007; nº 20218928, de 09/04/2008; nº 220100.334, de 05/06/2009; nº 3302000.725, de 08/12/2010; 380200.893, de 20/03/2012. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10166.000875/200595 Acórdão n.º 3302004.903 S3C3T2 Fl. 583 15 O mesmo cunho decisório tem sido adotado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, a exemplo do AgRg no Ag 977750 SC, Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES , SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2011, DJe 22/03/2011, cuja ementa e excertos do voto a seguir se transcrevem: PROCESSUAL CIVIL. VÍCIO DE OMISSÃO. ALEGAÇÃO EM AGRAVO REGIMENTAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA UNICIDADE RECURSAL. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, INC. III, DA LEI N. 9.718/98. NECESSIDADE DE REGULAMENTAÇÃO. 1. A via apropriada para questionar a existência de omissão, contradição ou obscuridade em decisão monocrática é a dos embargos de declaração, dirigido ao relator, e não a do agravo regimental. As finalidades dos recursos são diversas e a Segunda Turma não vem permitindo nestes casos a mescla de espécies recursais distintas, em atenção ao princípio da unicidade recursal. Precedentes. 2. O art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, que excluía da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores que, computados como receita, foram transferidos a outra pessoa jurídica , nunca teve eficácia, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, posteriormente revogado com a edição da MP 1.99118/2000. (grifei). 3. Precedentes: AgRg no REsp 1074304/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 1.7.2010; AgRg no REsp 1072533/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 25.5.2009; AgRg no REsp 969.967/RS, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 26.11.2007; AgRg no Ag 913.463/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.10.2007; e AgRg no REsp 708.619/SC, Rel. Min. Denise Arruda, DJ 23.10.2006. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido Excertos do voto: Quanto ao mérito, a decisão merece ser mantida por seus próprios fundamentos, os quais transcrevo. Dessumese do exame dos autos que o entendimento sufragado pelo Tribunal de origem está perfeitamente alinhado com o posicionamento do STJ no sentido de não ser possível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores que fossem transferidos a outra pessoa jurídica, ao integrarem a receita da empresa, pois tal procedimento dependia de regulamentação sobre a matéria, em atenção ao princípio da legalidade. (grifei). Entrementes, com o advento da MP n. 1.99118/2000, houve a revogação da norma que previa a exclusão pretendida (art. 3º, Fl. 594DF CARF MF 16 §2º, III, da Lei n. 9.718/98), o que retirou totalmente a sua eficácia no plano jurídico.(grifei). E mais recentemente no AgInt no AREsp 288345/ RN, AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2013/00189748: Data do Julgamento 02/02/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 08/02/2017 EMENTA [...]PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: [...]13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". [...] (REsp 1144469 PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2016, DJe 02/12/2016) Acrescentese ainda sobre a matéria o seguinte excerto da decisão de piso: Outro detalhe relevante, que inviabiliza o pleito da interessada, é o de que, ainda que o dispositivo em comento produzisse eficácia imediata, ainda assim o pleito da interessada não encontraria guarida, isto porque, ao discriminar a origem dos valores que pretensamente deveriam ter sido excluídos da base de cálculo da contribuição, na planilha as fls. 03/04, a interessada deixa claro que os citados montantes se referem a valores por ela pagos a pessoas jurídicas de direito público e privado, e não a valores computados como receita.(grifei). Neste aspecto, também não há reparos a fazer ao despacho denegatório. Constatase que a situação em exame tem eco nos julgados acima colacionados, visto que o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718, de 1998 nunca teve eficácia no ordenamento jurídico, em virtude da ausência de norma regulamentadora exigida em tal dispositivo, o qual foi posteriormente revogado com a edição da MP nº 1.99118, de 2000. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10166.000875/200595 Acórdão n.º 3302004.903 S3C3T2 Fl. 584 17 Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 596DF CARF MF
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Numero do processo: 11557.000804/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2003
PRESCRIÇÃO.
Durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF.
No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/91, que previa a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme RICARF.
Numero da decisão: 2401-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e dar-lhe provimento para excluir todo o crédito tributário lançado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Recorrente SERVICO SOCIAL DA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2003 PRESCRIÇÃO. Durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/91, que previa a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 7. 00 08 04 /2 00 8- 02 Fl. 242DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento para excluir todo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11557.000804/200802 Acórdão n.º 2401005.102 S2C4T1 Fl. 243 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD (Debcad 35.090.5894) lavrada contra o sujeito passivo em epígrafe, referente à contribuição social correspondente à contribuição previdenciária de 15% sobre a nota fiscal de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, no período de 03/2000 a 09/2003, conforme Relatório Fiscal (fls. 55/57). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, alegando que o dispositivo legal que baseou o lançamento é inconstitucional. Foi proferida a DecisãoNotificação (DN) 07.401/0426/2004, fls. 100/103, que julgou procedente o lançamento. Cientificado da DN em 2/12/04 (Aviso de Recebimento AR de fl. 107), o contribuinte não apresentou recurso e, após o prazo para cobrança amigável, o processo foi encaminhado para a Procuradoria. O crédito foi inscrito em dívida ativa e ajuizada a execução fiscal. Em Sentença de fls. 149/150, noticiouse que em sede de exceção de pré executividade, o Sesi informou que obteve decisão favorável no Mandado de Segurança 2005.50.01.0008499, reconhecendo o direito de interpor recurso administrativo sem garantia de instância (depósito de 30%, à época exigível). Assim, a execução fiscal foi extinta. Na decisão do mandato de segurança, fls. 154/158, determinouse que se admitisse o recurso administrativo do sujeito passivo, independentemente do oferecimento de garantia. Após processamento no qual se discutia se o contribuinte teria perdido o prazo para interposição do recurso administrativo, fls. 159/162, reabriuse o prazo para apresentação de recurso e o contribuinte foi cientificado em 25/11/13 (Aviso de Recebimento AR de fl. 186). Em 26/12/13, o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 188/191, no qual alega que ocorreu a prescrição do direito de cobrança do crédito tributário. Cita o CTN, art. 174. Entende que o processo de execução foi extinto sem julgamento do mérito em 2007, iniciandose o prazo de cinco anos para propositura de nova execução. Assim, não há que se falar em abertura de prazo para "defesa", já que o crédito perdeu sua eficácia, não podendo mais ser inscrito em dívida ativa, devendo ser reconhecido de ofício a ilegalidade da cobrança, em decorrência da prescrição. Requer seja reconhecida a prescrição. É o relatório. Fl. 244DF CARF MF 4 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR PRESCRIÇÃO A prescrição referese ao direito de ação de cobrança do crédito tributário. Este prazo começa a fluir após a constituição do crédito pelo lançamento e extinguese pelo decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que o lançamento se tornar definitivo. Tal comando normativo está previsto no art. 174 do CTN. Assim, durante o processo administrativo, não corre decadência ou prescrição, pois o crédito tributário já foi constituído e se encontra com a exigibilidade suspensa. Tendo sido concedido ao sujeito passivo, conforme pleiteado por ele, em sede de Mandado de Segurança, o direito de apresentar recurso administrativo, não há que se falar em prescrição, visto que o instituto da prescrição não se aplica aos créditos na atual fase de litígio administrativo. Não há que se falar em prescrição, pois referido prazo sequer começou a fluir. Sendo assim, descabidos os argumentos no sentido que ocorreu a prescrição e que a cobrança é ilegal. COOPERATIVAS DE TRABALHO O Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº 595.838, julgado em 23/4/14, julgou inconstitucional a cobrança da contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, sob a sistemática do art. 543B do CPC, nos seguintes termos: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11557.000804/200802 Acórdão n.º 2401005.102 S2C4T1 Fl. 244 5 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) Assim, por força do Regimento Interno do CARF (RICARF), art. 62, § 1º, II, 'b', as decisões definitivas de mérito julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B da Lei 5.869/73, devem ser seguidas e reproduzidas pelos conselheiros: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 246DF CARF MF 6 Sendo assim, devem ser excluídos os lançamentos efetuados com base na Lei 8.212/91, art. 22, IV, ou seja, os valores lançados nos levantamentos COO – COOPERPOS e UNI –UNIMED. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e darlhe provimento para excluir todo o crédito tributário lançado na NFLD ora em análise. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000248/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 7. 00 02 48 /2 00 7- 79 Fl. 255DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13887.000248/200779 Acórdão n.º 2202004.248 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 257DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.902286/2009-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.230
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 22 86 /2 00 9- 96 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10660.902286/200996 Acórdão n.º 9303005.230 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.067, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2002 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2002 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.902286/200996 Acórdão n.º 9303005.230 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.902286/200996 Acórdão n.º 9303005.230 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.902286/200996 Acórdão n.º 9303005.230 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.902286/200996 Acórdão n.º 9303005.230 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10660.902286/200996 Acórdão n.º 9303005.230 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 35462.001898/2004-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 2. 00 18 98 /2 00 4- 12 Fl. 407DF CARF MF Processo nº 35462.001898/200412 Acórdão n.º 9202006.125 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 408DF CARF MF Processo nº 35462.001898/200412 Acórdão n.º 9202006.125 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 35462.001898/200412 Acórdão n.º 9202006.125 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 410DF CARF MF Processo nº 35462.001898/200412 Acórdão n.º 9202006.125 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 411DF CARF MF Processo nº 35462.001898/200412 Acórdão n.º 9202006.125 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 412DF CARF MF Processo nº 35462.001898/200412 Acórdão n.º 9202006.125 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 413DF CARF MF Processo nº 35462.001898/200412 Acórdão n.º 9202006.125 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.724723/2013-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL
O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício.
Numero da decisão: 1001-000.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de solicitação de reenquadramento no Simples Nacional na forma de pedido de reconsideração da exclusão por comunicação obrigatória. Por bem descrever o pleito reproduzo o relatório do acórdão recorrido (efls. 73/77): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 47 23 /2 01 3- 42 Fl. 90DF CARF MF 2 A contribuinte acima qualificada apresentou contestação à exclusão do Simples Nacional em 09/10/2013 (fls. 0203), alegando em síntese, que no mês de Julho de 2013 registrou alteração contratual de nº 01, alterando o objeto social, contudo, a alteração dos CNAEs foi feita de modo incorreto, acrescentando códigos vedados ao Simples Nacional. Aduziu que, detectada a falha cometida, fez nova alteração no contrato social, de nº 2, registrada em 30/09/2013, sendo certo que não realizou quaisquer das atividades impeditivas ao Simples Nacional. Por fim, requereu seu reingresso no Simples Nacional. Juntou documentos de fls. 04 e seguintes. A DRF/SEORT/Santos/SP, por meio do Despacho de fls. 5759, decidiu pelo indeferimento do pleito, mantendo a exclusão da contribuinte do Simples Nacional. Cientificada em 08/04/2014 (AR, fls. 60), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 08/05/2014 (fls. 6263), reiterando os argumentos apresentados, alegando que não houve máfé e nem prejuízo à ordem tributária. Juntou cópias de documentos de fls. 6466. É o relatório. Após tomar ciência do contido do Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 73/77) não conheceu da manifestação de inconformidade, por entender que há falta de objeto, em razão da exclusão automática da sistemática do Simples Nacional, nos expressos termos legais, decorrente de inclusão ou alteração de atividade econômica cujo CNAE conste dentre aqueles relacionados como impeditivo de opção ao Simples Nacional no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94/2011: Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 20/09/2015 (efl. 80) a Interessada interpôs recurso voluntário, de 16/10/2015 (efl. 88), em que aduz, em resumo, que solicitou a reinclusão no Simples tendo em vista que a exclusão ocorreu em virtude de alteração contratual equivocada, em que incluiu atividade vedada pela legislação do Simples.Em seguida alterou de novo o contrato para excluir tal atividade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, mas não se pode dele conhecer. Existindo no contrato social o exercício de atividade impeditiva ao Simples Nacional operase, de pleno direito, a exclusão da empresa desta sistemática de apuração, conforme dispõem os artigos 28 e seguintes, da Lei Complementar nº 123, de 2006. Observo que o art. 39 da mesma Lei Complementar 123/2006 prevê um contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10845.724723/201342 Acórdão n.º 1001000.232 S1C0T1 Fl. 91 3 processos administrativos fiscais desse ente. Ou seja, facultase o contencioso em caso de lançamento, indeferimento da opção ou a exclusão de ofício. Não há previsão para contencioso para o caso de negativa de pedido de reinclusão na sistemática quando o próprio contribuinte demandou a exclusão obrigatória através da inclusão em seu contrato social de atividade vedada. Por fim concordamos com a conclusão da primeira instância segundo a qual não há amparo na legislação pertinente para que a alteração posterior de atividades, que retirou a atividade impeditiva ao Simples Nacional, restabeleça a tributação por essa sistemática de apuração. Por aderir ao entendimento peço vênia para reproduzir a fundamentação daquele acórdão recorrido: A exclusão por comunicação da empresa encontrase prevista nos artigos 30 e 31 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: “Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: (...) II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou (...) § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: (...) II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; (...) § 2º A comunicação de que trata o caput deste artigo darseá na forma a ser estabelecida pelo Comitê Gestor. § 3º A alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à Secretaria da Receita Federal do Brasil, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional nas seguintes hipóteses: ( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 ) (Produção de efeitos – vide art. 7º da Lei Complementar nº 139, de 2011 ) (…) II inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional;(Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) (Produção de efeitos – vide art. 7º da Lei Complementar nº 139, de 2011 ). (...) Fl. 92DF CARF MF 4 Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; (…) A norma transcrita encontrase atualmente regulamentada pelos artigos 73 e 74 da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, cujo Anexo VI relaciona os CNAE impeditivos de opção ao Simples Nacional. No caso vertente, verificase que a contribuinte foi excluída automaticamente do Simples Nacional, a partir de 01/08/2013 (fls. 20 e 48), pois efetuou alteração do contrato social e incluiu as atividades vedadas constantes dos CNAEs 78108/00 e 7820 5/00, listados no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94/2011 como CNAEs impeditivos ao Simples Nacional e consoante a 1ª alteração contratual de fls. 0709 (seleção e agenciamento de mãodeobra e locação de mãodeobra temporária). A boafé e a falta de prejuízo à ordem tributária são irrelevantes, na espécie, vez que a responsabilidade tributária é objetiva, conforme o art. 136, do Código Tributário Nacional, e tendo em vista tratarse de exclusão decorrente de comunicação da contribuinte, consoante se verá logo mais abaixo. A autoridade preparadora, no bem lançado Despacho de fls. 57 59, esclareceu com precisão a situação, a saber: Em consulta ao sistema Simples (folhas 45 a 49) observase que houve a exclusão por comunicação obrigatória do contribuinte de atividades econômicas vedadas: 78108/00 – SELEÇÃO E AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA e 78205/00 LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA, com data de efeito 01/08/2013, sendo a data do fato motivador ocorrida em 10/07/2013. Resta claro nos autos, com base nas consultas aos sistemas (folhas 50 a 56), além da informação prestada pela recorrente, que em 10/07/2013 o próprio contribuinte realizou de fato a alteração contratual, sendo esta registrada na Junta Comercial de São Paulo, num. doc. 199.992/137, informando as retrocitadas impeditivas atividades em suas atividades secundárias. (...) Fazse oportuno ressaltar que de acordo com o entendimento explicitado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional é irrelevante, para fins de exclusão por comunicação, se a empresa exerceu ou não a atividade impeditiva, conforme se extrai do sítio do Portal do Simples Nacional na internet, na parte de “perguntas e respostas”: 1.4.Se constar do contrato social alguma atividade impeditiva à opção pelo Simples Nacional, ainda que não venha a exercêla, tal fato é motivo de impedimento à opção? Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10845.724723/201342 Acórdão n.º 1001000.232 S1C0T1 Fl. 92 5 Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94, de 2011, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade Disponível em :http://www8.receita.fazenda.gov.br/SimplesNacional/Perguntas/ Perguntas.aspx Acesso em 27/03/2014 A Lei Complementar nº 123/2006, no art. 39, dispõe que o “contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa que efetuar o lançamento ou a exclusão de ofício...”. (n/g). Por sua vez, a Resolução CGSN nº 94, de 2011, no art. 109, a respeito do Contencioso Administrativo, dispõe: Art. 109. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federado que efetuar o lançamento do crédito tributário, o indeferimento da opção ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 39, caput) § 1o A impugnação relativa ao indeferimento da opção ou à exclusão poderá ser decidida em órgão diverso do previsto no caput, na forma estabelecida pela respectiva administração tributária. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 39, § 5º) (...) Desta forma, consoante se observa, a legislação do Simples Nacional é clara ao estabelecer o contencioso, instaurado pelo contribuinte com a sua manifestação de inconformidade contra o ato de indeferimento da opção (Termo de Indeferimento) ou contra o ato de exclusão de ofício (Ato Declaratório Executivo) emitidos pela Administração Tributária. Na espécie, tratase de exclusão automática da sistemática do Simples Nacional decorrente de ato volitivo praticado pela contribuinte, nos expressos termos legais acima reproduzidos, sendo instantânea a incidência da norma. Logo, a manifestação da contribuinte não tem objeto, vez que a exclusão automática, nos termos legais, decorreu de ato seu e não de ato administrativo que pudesse contestar. Com efeito, a própria contribuinte pediu a sua exclusão do Simples Nacional ao proceder à alteração contratual e incluir atividade vedada. Ainda que se trate de manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade preparadora, na verdade desde o primeiro requerimento (fls. 02) o que pretende é manifestar “sua inconformidade” contra um ato que praticou, vez que não foi excluída de ofício pelo Fisco e sim motu próprio. Fl. 94DF CARF MF 6 Ademais, a contribuinte poderá optar no ano subseqüente, caso preencha os requisitos legais. Conclusão. Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, não conheço da manifestação de inconformidade, por falta de objeto. Desta forma, voto por não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.000456/2004-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.624
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 71 .0 00 45 6/ 20 04 -2 2 Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13771.000456/200422 Resolução nº 2401000.624 S2C4T1 Fl. 74 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II (DRJ/RJOII), por meio do Acórdão nº 8.834, de 17/06/2005, cujo dispositivo tratou de considerar procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 42/45). 2. Em face do contribuinte foi lavrado Auto de Infração, relativo ao anocalendário de 2000, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a autoridade lançadora apurou omissão de rendimentos tributáveis pagos por pessoa jurídica, no importe de R$ 30.282,96 (fls. 04/11). 3. Cientificado da exigência fiscal em 13/09/2004, conforme fls. 38/39, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 03). 4. Intimado em 11/07/2005, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 46/49, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 20/07/2005 (fls. 50/51). 4.1 Em síntese, alega o peticionante que os documentos carreados ao processo administrativo são hábeis e suficientes para a comprovação da sua condição de excombatente integrante da Força Aérea Expedicionária Brasileira, o que implica reconhecer o direito à isenção dos proventos recebidos do Comando da Aeronáutica, com fundamento na Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955. 5. Mais adiante nos autos, consta que a Procuradoria da Fazenda Nacional no Espírito Santo (PFN/ES) enviou ofício à Delegacia da Receita Federal do Brasil responsável pelo domicílio do contribuinte com a solicitação de encaminhamento deste processo administrativo para fins de subsidiar a defesa em Juízo no Processo Judicial nº 2005.50.01.0023178, em trâmite no 2º Juizado Especial Federal da Seção Judiciária do Espírito Santo (fls. 64/69). 5.1 Embora o expediente (Ofício nº 1488/2008) faça menção do envio pela PFN/ES à unidade de RFB de uma cópia da petição inicial da ação ordinária, bem como da sentença nela proferida, os documentos não foram juntados aos autos do processo administrativo. 5.2 Depois de adotadas as providências pela unidade preparadora, os autos foram encaminhados, em meados do ano de 2011, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise do recurso voluntário. 6. O processo administrativo foi sorteado e distribuído a este Relator na reunião do Colegiado do mês de abril/2017. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13771.000456/200422 Resolução nº 2401000.624 S2C4T1 Fl. 75 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator 7. A despeito do tempo exagerado já transcorrido desde o protocolo do recurso voluntário pelo contribuinte, infelizmente o estágio de instrução dos autos ainda não permite o imediato julgamento do apelo recursal. 8. É que a notícia da interposição da demanda judicial pelo contribuinte, autuada sob o nº 2005.50.01.0023178, põe em dúvida a possível existência de concomitância entre processos administrativo e judicial, o que tornaria inviável o conhecimento do recurso administrativo. 9. A consulta processual pública no sítio na Internet do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF/2ª Região), na parte da Seção Judiciária do Espírito Santo, não foi conclusiva, ante a impossibilidade de livre acesso às cópias de peças e das decisões proferidas na ação judicial. 1 9.1 Nada obstante, observo que as partes, a natureza do assunto da ação judicial e o valor da causa não afastam a possibilidade de identidade de objeto entre os processos, pelo contrário reforçam as dúvidas deste julgador. Além do mais, inferese que a demanda judicial transitou em julgado, favorável, ao menos em parte, ao pedido da pessoa física. 10. Nesse passo, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com a finalidade de que a unidade preparadora da RFB providencie a juntada aos autos da cópia da inicial da ação judicial nº 2005.50.01.0023178, com tramitação no Juizado Especial Federal do Estado do Espírito Santo, assim como cópias das sentenças/acórdãos proferidos. Caso não disponha de tais documentos, deverá obtêlos com apoio da PFN/ES. 11. Após as providências da unidade preparadora, retornese os autos para julgamento no âmbito deste Conselho Administrativo. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess 1 http://www2.jfes.jus.br/jfes/portal/consulta/cons_procs.asp Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.006429/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2002, 2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL.
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, caso não haja pagamento antecipado, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, conforme regra geral do art. 173 do CTN.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS.
DIFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
No caso de empreitada ou fornecimento contratado com entidades
governamentais, é permitido o diferimento da tributação dos resultados, à medida do efetivo recebimento. Todavia, o contribuinte deve comprovar a data em que ocorreram tais recebimentos a fim de se comprovar a data de ocorrência do fato gerador.
JUROS DE MORA. SELIC.
Nos termos da Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Nos termos da Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1401-000.397
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de decadência, vencidos o Relator e a conselheira Karem Jureidini Dias. Designado o conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor nessa parte. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, caso não haja pagamento antecipado, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, conforme regra geral do art. 173 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. DIFERIMENTO. POSSIBILIDADE. No caso de empreitada ou fornecimento contratado com entidades governamentais, é permitido o diferimento da tributação dos resultados, à medida do efetivo recebimento. Todavia, o contribuinte deve comprovar a data em que ocorreram tais recebimentos a fim de se comprovar a data de ocorrência do fato gerador. JUROS DE MORA. SELIC. Nos termos da Súmula nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Nos termos da Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1463DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de decadência, vencidos o Relator e a conselheira Karem Jureidini Dias. Designado o conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos para redigir o voto vencedor nessa parte. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Presidente. (Assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmin Teixeira - Relator. (Assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Karen Jureidini Dias. Relatório Trata-se de recurso de ofício contra o Acórdão nº 15-18.992 , da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratam-se de autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica —IRPJ (fls. 08/20) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 21/29), por falta de recolhimento dos tributos devidos, nos anos-calendário de 2002 e 2003, apurados do confronto entre os valores escriturados e aqueles confessados em DCTF e/ou pagos, conforme demonstrativos de fls. 19 e 28, respectivamente. Na descrição dos fatos, o autuante aponta que, intimada a justificar as diferenças encontradas, através do Termo de Intimação Fiscal de fls. 47/60, a interessada alega que, apesar de não estar demonstrado na DIPJ, as diferenças são relativas a faturamentos postergados, conforme Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), mas tais alegações não foram aceitas, já que a legislação pertinente não prevê postergação de faturamento, e sim o diferimento da parcela correspondente ao lucro proporcional à receita não recebida, sendo que tal diferimento deveria estar devidamente registrado no Lalur, o que não ocorreu, já que o Lalur apresentado possui informações desencontradas, repetidas e não encontram correspondência com a escrita contábil nem com as declarações. Aponta, ainda, o Fl. 1464DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10510.006429/2007-99 Acórdão n.º 1401-00.397 S1-C4T1 Fl. 3 3 autuante que • o Lalur apresentado sofreu mutilações, no qual percebe-se a ausência das páginas 25 (parte "A") e 26 (parte "B"). A interessada tomou ciência dos lançamentos em 17/12/2007 e apresentou, em 16/01/2008, em relação ao IRPJ, a impugnação de fls. 133/153, acompanhada dos documentos de fls. 154/762, com as seguintes alegações, em síntese: DA DECADÊNCIA: • o tributo em questão está sujeito ao lançamento por homologação e o contribuinte antecipou o seu pagamento mediante retenções. Nesse caso, a jurisprudência é uníssona no sentido de que o lançamento de ofício deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 150, § 4º, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador (cita decisões); • o Conselho de Contribuintes também já consagrou tal entendimento, como demonstram diversas ementas reproduzidas na impugnação; • a antecipação do pagamento do tributo em comento se comprova pelos DARF anexados (fls. 179/180) e pelas retenções — modalidade de pagamento de tributo na qual o recolhimento é procedido por terceiro em substituição —promovidas pelos seus tomadores, conforme fazem prova as DIPJ anexas (fls. 181/296); • parte do crédito tributário cobrado neste auto de infração refere-se a fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 2002 e a notificação do contribuinte se deu apenas no mês de dezembro de 2007, quando já alcançados pela decadência; • embora a impugnante tenha apresentado DCTF retificadoras (fls. 298/443) para parte do período autuado, os valores do IRPJ anteriormente declarados permaneceram inalterados. Sendo assim, a retificadora apresentada não tem o condão de reiniciar a contagem do prazo decadencial, muito menos de tumultuar de alguma forma o seu curso, conforme entendimento do Primeiro Conselho de Contribuintes (cita acórdão); DA POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO PELO LUCRO DIFERIDO: • ainda que, por absurdo, não seja reconhecida a decadência suscitada, os lançamentos efetuados merecem ser revistos, uma vez que não retratam a escrita contábil da impugnante; • a interessada, logo após a autuação, analisou detidamente os procedimentos fiscais adotados no período fiscalizado, bem como os livros e documentos correspondentes, e confirmou as irregularidades apontadas pelo agente fiscal. Contudo, observou que os valores indicados na autuação foram exacerbados e não refletem a realidade da empresa; Fl. 1465DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 4 • a empresa, quando da apuração do IRPJ, diferiu o faturamento não recebido, ao invés de diferir a tributação do lucro no Lalur proporcional à receita não recebida, conforme o disposto no art. 409 do RIR11999 (reproduz); • além disso, ao preencher a DIF'J, na ficha pertinente ao IRPJ, a impugnante deixou de informar as deduções permitidas pela legislação no campo "exclusões"; • • todavia, mesmo reconhecendo os equívocos praticados, observou que os valores lançados pelo fiscal não estão de acordo com a apuração do imposto a que faz jus; • o autuante, no mesmo procedimento fiscal, fiscalizou também o PIS e a Cofins, considerando, para a base de cálculo dessas contribuições, o regime de caixa informado na DIPJ. Considerando-se que não pode haver distinção entre os regimes de apuração — competência para IRPJ/CSLL e caixa para PIS/Cofins— e considerando-se o princípio da busca da verdade material, era dever do autuante buscar a recomposição da apuração do tributo ora atacado tomando como base suas receitas efetivamente recebidas; • a legislação em vigor autoriza, como já demonstrado, a utilização da base de cálculo sobre as receitas efetivamente recebidas por empresas que contratam com entidades governamentais, como é o caso da impugnante, para que possam diferir a tributação do seu lucro é a efetiva realização (recebimento da fatura); • a impugnante, observando as irregularidades apontadas pelo autuante, refez os cálculos, valendo-se, entretanto, do beneficio trazido pelo art. 409 do RIR/1999, e considerando a totalidade de suas faturas efetivamente recebidas, conforme planilhas anexadas às fls. 445/451. Nessa apuração, foram considerados o lucro líquido e a receita obtida pelos serviços prestados para encontrar o percentual que deve ser aplicado ao faturamento não recebido, indicativo do lucro que pode ser deferido, nos termos do art. 10, § 3 0, alínea a, do Decreto-lei n° 1.598, de 1977 (reproduz); • o cálculo efetuado pela impugnante está estritamente vinculado aos termos da legislação aplicável ao caso, demonstrando, assim, a lisura dos procedimentos adotados; • a Administração Pública é regida pelo princípio da verdade material e deve perseguir a verdade dos fatos e, conseqüentemente, a legalidade e a justiça. Isso significa dizer que o agente fiscal e a autoridade julgadora, antes de lançar e confirmar um lançamento tributário, devem envidar o máximo esforço no sentido de promover as diligências necessárias para a aferição de uma eventual infração; • o agente fiscal não poderia ter deixado de apreciar os documentos físicos da impugnante, sempre na busca pela verdade dos fatos, em especial, os contratos celebrados com entidades governamentais, anexados às fls. 454/723, que demonstram o preço cobrado pelos serviços prestados; Fl. 1466DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10510.006429/2007-99 Acórdão n.º 1401-00.397 S1-C4T1 Fl. 4 5 • é notório que as entidades governamentais atrasam os pagamentos das faturas, expondo as empresas à tributação de receitas que, em verdade, não foram auferidas, devendo ser garantido à impugnante o diferimento da tributação do seu lucro até a sua efetiva realização; • assim, considerando os preços dos contratos anexados, refletidos no relatório financeiro elaborado pela impugnante (fls. 724/762), bem como as declarações apresentadas, é perfeitamente possível refazer os cálculos, nos termos previstos na legislação citada, encontrando-se os valores demonstrados nas planilhas • elaboradas pela impugnante, que seguem anexas; • a impugnante alega que as informações registradas no Lalur estão incompletas, pelo que requer, desde já, seja autorizada a sua retificação, no curso desse procedimento fiscal, para que as inconsistências detectadas possam ser sanadas. No relatório financeiro apresentado constam as notas fiscais emitidas, a data de sua emissão, o valor e a data do recebimento de cada fatura, sendo perfeitamente possível refazer o Lalur com as informações corretas; • da análise do relatório financeiro e dos demais documentos anexados, é possível concluir que o presente auto de infração é parcialmente improcedente, devendo ser acolhidos os cálculos feitos pela impugnante; DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DA SELIC COMO TAXA DE JUROS MORATÓRIOS : • as normas criadoras da Selic foram claras no sentido de conferirem-lhe natureza remuneratória, caracterizando-a como autêntico meio de remuneração do capital. A taxa de referência atua como argumento pelo uso do dinheiro e é calculada em função da variação do seu custo, que sofre a influência das flutuações da economia de mercado. Ressalte-se que a referida taxa é calculada diariamente pelo Banco Central e é resultado das negociações dos títulos públicos e da variação dos seus valores de mercado, que são publicados também diariamente; • logo, não pode o Fisco reclamar o pagamento dos juros de mora sobre tributos vencidos calculado por taxas de juros de natureza remuneratória, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios e de ferir os mandamentos contidos no § 1 0 do art. 161 do CTN (reproduz); • da simples leitura da norma citada, infere-se que apenas mediante disposição expressa em lei ordinária, acerca do cálculo de juros moratórios incidentes em obrigações tributárias, estes poderão ser superiores à taxa de 10 ao mês; • a Lei n° 9.065, de 1995, ao regular o cálculo de juros de mora, não poderia estabelecer nova modalidade de juros, mas apenas assentar a utilização de uma modalidade preexistente e de natureza moratória; Fl. 1467DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 6 • ao estipular percentuais diversos daqueles permitidos por lei complementar, • a Lei n° 9.065, de 1995, fere frontalmente direitos básicos por ela garantidos já que é hierarquicamente inferior, não podendo contrariá-los ou alterá-los (cita doutrina); • o Superior Tribunal de Justiça, recentemente, através de acórdão reproduzido na impugnação, reconheceu a inconstitucionalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic; • e que não se argumente acerca de uma suposta impossibilidade de apreciação, em sede administrativa, de inconstitucionalidade da legislação que fundamenta a exigência fiscal. Tal entendimento não encontra respaldo na mais abalizada doutrina recentemente professada pelos mais festejados mestres; COBRANÇA DE MULTA COM CARÁTER CONFISCATORIO: AFRONTA ÀS GARANTIAS CONSTITUCIONAIS: • as multas aplicadas possuem caráter nitidamente confiscatório, em afronta direta às garantias constitucionais do contribuinte, configurando-se típica violação aos direitos mais básicos assegurados pela Constituição Federal; • atualmente, já é reconhecida a ilegitimidade de multas absurdamente elevadas e as decisões do Poder Judiciário as tem reduzido, corrigindo essa distorção confiscatória imputada pela Administração. Portanto, é facultado ao julgador o poder, diante do fato concreto, de reduzir a multa excessiva aplicada pelo Fisco; • o Supremo Tribunal Federal é absolutamente explícito em reconhecer a auto-aplicabilidade do princípio da vedação do confisco em se tratando de aplicação de multa moratória fiscal (reproduz ementas); • o valor das multas aplicadas ao caso vertente é tão alto que chega a corresponder a um acréscimo de 75% do valor principal do débito supostamente devido, tendo nítido caráter confiscatório, em afronta direta ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; • a multa, por mais que assuma caráter punitivo, não pode gerar a incapacidade de agir economicamente, devendo ela ser, antes, proporcional e corresponder a um valor compatível com a realidade dos fatos; • a Carta Magna, em seis artigos 145, § 1°, e 150, IV, prescreve a vedação do confisco que, embora dirigidos literalmente aos impostos, se espraiam por todo o sistema tributário, atingindo por inteiro o crédito na sua acepção mais lata, vinculando, inclusive, a seara previdenciária; DOS PEDIDOS: Fl. 1468DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10510.006429/2007-99 Acórdão n.º 1401-00.397 S1-C4T1 Fl. 5 7 • que seja reconhecida e declarada a decadência do crédito tributário referente ao período de janeiro a dezembro de 2002, em função do disposto no art. 150, § 11 40, do CTN; • que seja declarada a improcedência parcial do presente auto de infração e reconhecida a correição dos valores apurados pela impugnante, conforme planilhas anexas; • que seja anulada ou revista a multa aplicada, diante de seu caráter abusivo, reconhecendo-se, também, a inadequação do uso da taxa Selic aos créditos tributários; • protesta, ainda, pela juntada posterior de documentos e de razões complementares e pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos. A contribuinte apresentou também impugnação específica para a CSLL, anexada às fls. 763/783 e acompanhada dos documentos de fls. 784/1386, com os mesmos argumentos apresentados contra o lançamento do IRPJ, já reproduzidos neste relatório. Ao apreciar a demanda, a DRJ houve por bem manter o lançamento, consoante se verifica da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, havendo pagamento antecipado, a contagem é iniciada na data do fato gerador, no entanto, na falta de pagamento antecipado, inicia-se a contagem no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. DIFERIMENTO. REQUISITOS. No caso de empreitada ou fornecimento contratado com entidades governamentais, é permitido o diferimento da tributação dos resultados correspondentes até sua realização, desde que efetuado espontaneamente e • observados os requisitos exigidos pela legislação de regência. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferença verificada entre o imposto apurado pelo contribuinte e o valor confessado em DCTF e recolhido. Fl. 1469DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 CONTRATOS COM ENTIDADES GOVERNAMENTAIS. DIFERIMENTO. REQUISITOS. No caso de empreitada ou fornecimento contratado com entidades governamentais, é permitido o diferimento da tributação dos resultados correspondentes até sua realização, desde que efetuado espontaneamente e observados os requisitos exigidos pela legislação de regência. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferença verificada entre a contribuição social apurada pelo contribuinte e o valor confessado em DCTF e recolhido. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador, e não ao aplicador da lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC, além de amparar-se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. O afastamento da aplicabilidade de lei ou ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando a sua inconstitucionalidade. Lançamento Parcialmente Impugnado Lançamento Procedente em Parte Discordando da decisão proferida pela DRJ, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reforçando os termos da defesa anteriormente apresentada, oportunidade em que reafirmou as alegações constantes na peça impugnatória. Voto Vencido Conselheiro ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA Fl. 1470DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10510.006429/2007-99 Acórdão n.º 1401-00.397 S1-C4T1 Fl. 6 9 Analisando-se o presente caso sob o prisma da decadência, tem-se que, por se tratar de exigência de crédito tributário de imposto de renda pessoa jurídica e demais contribuições sujeitas ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável é o previsto no art. 150, § 4° do CTN, qual seja: cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso do Imposto de Renda, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já consolidou seu entendimento no sentido de que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação e, nesta hipótese, a decadência rege-se pelo disposto no art. 150, § 4°do CTN. Veja-se: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – IRPJ – PRELIMINAR DE DECADÊNCIA – Consoante jurisprudência firmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, após o advento da Lei n° 8.383/91, o Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas é lançado na modalidade de lançamento por homologação e a decadência do direito de constituir crédito tributário rege-se pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional.” (Acórdão n° 101-95547. Recurso n° 142596. Processo n°: 10640.002763/2002-83. Sessão de Julgamento: 24/05/2006) Desta feita, havendo lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é a ocorrência do fato gerador, independentemente de ter havido pagamento ou não do tributo devido, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação. É o meio de apuração do crédito tributário que define a modalidade de lançamento e não o pagamento do tributo devido, consoante se extrai do entendimento firmando no julgado abaixo: “IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – 1° T DE 1998. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, com decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a atividade exercida pelo sujeito passivo para apurar a base de cálculo, com ou sem pagamento de tributos, está homologada e não pode mais ser objeto de lançamento. Acolhida preliminar de decadência.” (Número do processo: 10665.002223/2003-01. Número do Recurso: 144.986. Acórdão: 101-95.403. Sessão de Julgamento: 23/02/2006) Aplicando-se tudo o que foi exposto ao caso em tela, tem-se que, os fatos geradores ocorridos até dezembro de 2002, uma vez que a Recorrente foi cientificada do lançamento em dezembro de 2007. Ou seja, os 1º, 2º e 3º trimestres encontram-se decaídos. Tendo-se em vista que a decadência do 2º trimestre já fora declarada pela DRJ, reconheço a decadência parcial do crédito tributário no que diz respeito ao 1° e 3º trimestres de 2002. DA POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO PELO LUCRO DIFERIDO Alega a Recorrente que os lançamentos efetuados merecem ser revistos, uma vez que os valores indicados na autuação não retratam a correta base de cálculo dos tributos. Informa que, em consonância com o art. 409 do RIR/99, a Recorrente “diferiu o faturamento Fl. 1471DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 10 não recebido, ao invés de diferir a tributação do lucro no LALUR, proporcional à receita não recebida”. Dispõe o art. 409 do RIR/99: Art.409.No caso de empreitada ou fornecimento contratado, nas condições dos arts. 407 ou 408, com pessoa jurídica de direito público, ou empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, o contribuinte poderá diferir a tributação do lucro até sua realização, observadas as seguintes normas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 10, §3º, e Decreto-Lei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso I): I-poderá ser excluída do lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real, parcela do lucro da empreitada ou fornecimento computado no resultado do período de apuração, proporcional à receita dessas operações consideradas nesse resultado e não recebida até a data do balanço de encerramento do mesmo período de apuração; II- a parcela excluída nos termos do inciso I deverá ser computada na determinação do lucro real do período de apuração em que a receita for recebida. §1º Se o contribuinte subcontratar parte da empreitada ou fornecimento, o direito ao diferimento de que trata este artigo caberá a ambos, na proporção da sua participação na receita a receber (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 10, §4º). §2º Considera-se como subsidiária da sociedade de economia mista a empresa cujo capital com direito a voto pertença, em sua maioria, direta ou indiretamente, a uma única sociedade de economia mista e com esta tenha atividade integrada ou complementar. §3ºA pessoa jurídica, cujos créditos com pessoa jurídica de direito público ou com empresa sob seu controle, empresa pública, sociedade de economia mista ou sua subsidiária, decorrentes de construção por empreitada, de fornecimento de bens ou de prestação de serviços, forem quitados pelo Poder Público com títulos de sua emissão, inclusive com Certificados de Securitização, emitidos especificamente para essa finalidade, poderá computar a parcela do lucro, correspondente a esses créditos, que houver sido diferida na forma deste artigo, na determinação do lucro real do período de apuração do resgate dos títulos ou de sua alienação sob qualquer forma (Medida Provisória nº 1.749-37, de 1999, art. 1º). Nota-se que o diferimento da tributação é uma faculdade do contribuinte, o que, conforme se depreende dos autos, não foi exercida em tempo certo. Ainda que entendesse que fazia jus a Recorrente à faculdade estabelecida no artigo supra citado, não foi acostado aos autos nenhum comprovante da data do efetivo recebimento das faturas emitidas. Apesar de a Recorrente elaborar planilha (acostada à peça impugnatória), discriminando o mês de recebimento das faturas emitidas, não logrou êxito na efetiva Fl. 1472DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10510.006429/2007-99 Acórdão n.º 1401-00.397 S1-C4T1 Fl. 7 11 comprovação da data de recebimento, vez que a planilha elaborada não é prova com a robustez necessária a tal comprovação. Bastaria a Recorrente acostar aos autos os comprovantes de depósito ou qualquer outro meio que confirmasse a data do recebimento de tais valores. Neste sentido, entendo estar correta a apuração realizada pelo Auditor Fiscal. DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAR A SELIC COMO TAXA DE JUROS MORATÓRIOS A Recorrente pugna pelo afastamento da aplicação da SELIC. A questão enfrenta o disposto na súmula nº 4 do 1º Conselho de Contribuintes, que dispõe o seguinte: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Deve, assim, ser negado provimento ao recurso no que tange a esta alegação. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA Quanto à legalidade da multa de 75%, não assiste razão à Recorrente. Isso porque, como bem ressaltou a decisão recorrida, referida penalidade está definida na Lei nº 9.430/96 que, em seu art. 44, dispõe o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata” (...) Entretanto, o percentual a ser aplicado pela autoridade administrativa, quando verificado o descumprimento da obrigação tributária, deve ser aquele fixado na legislação pertinente, sendo incabível a apreciação de inconstitucionalidade na esfera administrativa, consoante Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. E nem há que se cogitar – como alegado pelo Recorrente – que a decisão administrativa poderia dar vazão à interpretação da norma para afastá-la por incompatibilidade com a Constituição da República ou com a legislação complementar. Isso porque o entendimento dos Tribunais Superiores do Poder Judiciário, à saciedade, têm reconhecido a legalidade da multa fixada em 75%. Veja-se excerto da jurisprudência do Colendo STJ: Fl. 1473DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 12 “In casu, o auto de infração referiu-se a acréscimo patrimonial a descoberto, e não a mero tributo declarado e não pago tempestivamente, razão pela qual não encontra motivo para reparos o entendimento do acórdão objurgado, ao subsumir a hipótese sub judice à Lei 9.430/96, fixando o percentual da multa em 75% sobre o valor do tributo não declarado”. (1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, relator Ministro Teori Albino Zavaski, no AgRg no REsp 722595, DJU 28.04.2006) Mantenho, portanto, o percentual de multa aplicado. Do exposto, dou parcial provimento ao recurso, apenas para reconhecer a decadência parcial do crédito tributário no que diz respeito ao 1° e 3º trimestres de 2002. (assinado digitalmente) ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA - Relator Voto Vencedor Conselheiro FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS O presente voto vencedor refere-se, exclusivamente, ao acolhimento da preliminar de decadência em relação ao 1º e 3º trimestres de 2002 (lançamentos de IRPJ e CSLL). No que tange à matéria em debate, o ilustre Conselheiro Relator assim se pronunciou (grifei): Analisando-se o presente caso sob o prisma da decadência, tem- se que, por se tratar de exigência de crédito tributário de imposto de renda pessoa jurídica e demais contribuições sujeitas ao lançamento por homologação, o prazo decadencial aplicável é o previsto no art. 150, § 4° do CTN, qual seja: cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso do Imposto de Renda, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já consolidou seu entendimento no sentido de que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação e, nesta hipótese, a decadência rege-se pelo disposto no art. 150, § 4°do CTN. Veja-se: [...] Desta feita, havendo lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é a ocorrência do fato gerador, independentemente de ter havido pagamento ou não do tributo devido, salvo nos casos de dolo, fraude ou simulação. É o meio de apuração do crédito tributário que define a modalidade de lançamento e não o pagamento do tributo devido, consoante se extrai do entendimento firmando no julgado abaixo: Fl. 1474DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10510.006429/2007-99 Acórdão n.º 1401-00.397 S1-C4T1 Fl. 8 13 “IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – 1° T DE 1998. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, com decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, a atividade exercida pelo sujeito passivo para apurar a base de cálculo, com ou sem pagamento de tributos, está homologada e não pode mais ser objeto de lançamento. Acolhida preliminar de decadência.” (Número do processo: 10665.002223/2003-01. Número do Recurso: 144.986. Acórdão: 101-95.403. Sessão de Julgamento: 23/02/2006) Aplicando-se tudo o que foi exposto ao caso em tela, tem-se que, como a apuração do IRPJ pelo lucro presumido é trimestral, para evitar a decadência do 2º trimestre, a Recorrente deveria ter sido intimada da lavratura do Auto de Infração até o dia 30 de junho de 2006. Contudo, ela somente foi cientificada onze dias após, em 11 de julho de 2006. Do exposto, reconheço de ofício a decadência parcial do crédito tributário no que diz respeito ao 1° e 2º trimestres de 2001, em relação ao IRPJ e à CSLL. Reconheço, também a decadência de parte do lançamento de PIS e COFINS, afastando a sua cobrança nos meses de janeiro a junho/2001. Peço vênia para divergir deste entendimento. Em relação à presente matéria, adoto o entendimento majoritário do Superior Tribunal de Justiça, o qual se encontra enunciado no seguinte Acórdão, prolatado nos autos do Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux (grifado): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 1475DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 14 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original)5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN." Esclareço, por oportuno, que a partir de 22/12/10, com a alteração do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 586, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C do CPC, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Esclareço, outrossim, que este entendimento já vinha sendo adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se observa por meio de recente julgado, da lavra do eminente Conselheiro Antonio José Praga de Souza (grifado): Processo 10120.009667/2002-35 Recurso 203-124.453 Especial do Procurador Acórdão n• 02-03.305 Sessão de 01 de julho de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMEGE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS S/A Fl. 1476DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 10510.006429/2007-99 Acórdão n.º 1401-00.397 S1-C4T1 Fl. 9 15 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 31/10/2002 Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.° 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, art. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, art. 150, § 4°). Em apertada síntese: em regra, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I do CTN). Esta regra geral é aplicável a todos os casos de lançamento de ofício, comportando apenas três exceções: a) nas hipóteses de lançamento por homologação, quando o sujeito passivo efetivamente cumpre o dever de antecipar o pagamento, ainda que de forma parcial (art. 150, § 4º do CTN); b) quando o lançamento anterior for anulado por vício formal (art. 173, II do CTN); c) quando a autoridade fiscal inicia a constituição do crédito tributário antes do primeiro dia do exercício subsequente, por meio de notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (art. 173, parágrafo único do CTN). No caso em apreço, trata-se da tributação de receitas omitidas pela contribuinte (diferença entre os valores escriturados e aqueles confessados em DCTF), em relação às quais não houve pagamento, nem mesmo parcial, para os fatos geradores ocorridos no 1º e 3º trimestres de 2002. Consequentemente, é forçoso reconhecer que, para estes fatos geradores (1º e 3º trimestres de 2002), o prazo decadencial deve seguir a regra geral, ou seja, deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente. No presente caso, se observa que os fatos geradores contidos nos diversos lançamentos não foram alçancados pela decadência, uma vez que, para todos os tributos e contribuições objeto da presente controvérsia (IRPJ e CSLL), o prazo decadencial quinquenal começou a correr no dia 01/01/2003 (art. 173, I do CTN), enquanto que os lançamentos ocorreram em 17/12/2007. Somente em relação ao 2º semestre de 2002, pelo fato de ter ocorrido pagamento parcial, houve antecipação do termo inicial de contagem do prazo decadencial, nos Fl. 1477DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER 16 termos do art. 150, § 4° do CTN. Por esta razão, a decadência referente ao 2º trimestre de 2002 foi corretamente reconhecida e declarada pelo colegiado julgador a quo. Diante do exposto, meu voto é no sentido de não reconhecer a decadência referente ao 1º e 3º trimestres de 2002, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos – Redator designado. Fl. 1478DF CARF MF Emitido em 04/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 02/02/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, 02/02/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXE, 04/02/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002018/2005-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 02/05/2001 a 12/07/2001
DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO.
Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime.
Numero da decisão: 9303-005.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/05/2001 a 12/07/2001 DRAWBACK.FALTADECOMPROVAÇÃODOADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do adimplemento da condição resolutiva do Regime Aduaneiro Especial de Drawback registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo ato concessório e que contenham o código de operação próprio do Regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 20 18 /2 00 5- 21 Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 320200.125, de 26 de maio de 2010 (efolhas 491 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 02/05/2001 a 12/07/2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. IRREGULARIDADES FORMAIS SANADAS NO CURSO DO PROCESSO. O registro de exportação RE está vinculado ao Ato Concessório que, de modo condicionado, deve ser cumprido em sua integrliidade. A comprovação de seu cumprimento ocorre, substancialmente, pela demonstração por meio das DIs e das REs correspondentes de que foram importados e exportados os produtos, objeto do ato de concessão, na qualidade e quantidade convencionadas. Não deve prevalecer o lançamento veiculado por AIIM (Auto de Infração e Imposição de Multa) que afasta o regime de Drawback por descumprimento de formalidades sanadas no curso do processo. Recurso Voluntário Provido. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 503 e segs) referese à repercussão jurídica dos equívocos praticados pelo importador no preenchimento dos Registros de Exportação, especificamente quanto ao enquadramento da operação e/ou vinculação do RE ao AC. A recorrente sustenta essas irregularidades são suficientes para que o regime aduaneiro especial de Drawback seja considerado inadimplido. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 536 e segs. Contrarrazões da contribuinte às efolhas 551 e segs. Defende a nulidade da autuação e requer o desprovimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 4 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O exame de admissibilidade é irretocável. O recurso foi apresentado dentro do prazo. Dele tomo conhecimento. As peculiaridades do vertente processo foram bem identificadas no corpo do recurso especial: Da leitura do voto condutor do acórdão impugnado, percebese que o relator, desconsiderando as irregularidades existentes nos registros de exportação sob comento, permitiu a retificação dos RE's, posteriormente a averbação do embarque das mercadorias, para reenquadramento das exportações, antes feitas no sistema geral de exportação, no regime aduaneiro especial de drawback, bem corno a vinculação das operações de exportação ao Ato Concessório. Preliminarmente, é de se dizer, com a brevidade que o assunto merece, que não há que se cogitar de nulidade da autuação por falta de amparo fático, o que, segundo sustenta a contrarrazoante, revelase nas circunstâncias identificadas e relatadas nos autos pela própria Fiscalização Federal, confirmando a efetiva exportação das mercadorias em quantidade e qualidade condizentes com o planejado. A pretensão demonstrase manifestadamente dissociada da realidade. É farta a jurisprudência acerca do tema debatido nos autos. A inocorrência de exportações, embora alguns assim defendam, não é a única razão para que se considere inadimplido o plano de exportação beneficiado pelo regime suspensivo de Drawback. Erros cometidos no preenchimento dos documentos que lhe são próprios, quando considerados lesivos ao controle das operações processadas ao amparo do Regime, tem dado ensejo a inúmeras autuações. Assim, revelase totalmente desarrazoado requerer a anulação do procedimento por falta de amparo fático. Passo ao mérito. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 5 4 Analisemos as alegações da recorrente à luz das particularidades do regime e da legislação que regulamenta sua concessão e as condições de o adimplemento da obrigação que lhe confere condição de eficácia. O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art.78 do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art.1º, inciso I, da Lei n.° 8.402/92. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX, verbis: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I restituição,total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento,ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº8.402,de 1992) (...) Na modalidade suspensiva, o Regime permite à contribuinte importar insumos com suspensão dos tributos incidentes na importação, com o compromisso firmado de, em certo prazo e condições, utilizálos no beneficiamento ou industrialização de produtos e efetivamente reexportálos. Cumprido esse compromisso aquela suspensão inicial dos tributos é convertida em uma isenção. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 6 5 Tratandose de uma isenção condicionada, portanto, reclama a aplicação dos art.111, 155 e 179 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa,em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (...) §2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor,cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: (...) Pois bem, o Registro de Exportação é o documento que comprova a exportação vinculada ao regime drawback e, por conseguinte, tanto o correto enquadramento do tipo de regime quanto a sua vinculação ao Ato Concessório são obrigações acessórias inerentes ao cumprimento do regime. Não havendo vinculação entre os Registros de Exportação apresentados e o citado Ato Concessório, resta evidenciado que a contribuinte infringiu ao disposto no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº. 91.030/85, vigente à época de ocorrência dos respectivos fatos geradores, in verbis: Art.325 – A utilização do benefício previsto neste Capítulo será anotada no documento comprobatório da exportação. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 7 6 Além disso, o Registro de Exportação que não contenha ou que contenha de forma inexata informação relativa ao código da operação de Drawback também não faz prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso ao regime Drawback e/ou a falta da indicação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação impedem o controle na utilização dos benefícios fiscais inerentes ao regime. Nesse sentido, confiramse as disposições normativas: Portaria Secex nº 01, de 25 de janeiro de 2000 Art. 35 Na comprovação ou habilitação ao Regime de Drawback, os documentos eletrônicos registrados no Siscomex utilizarão somente um Ato Concessório de Drawback. Art. 37 O Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) estabelecerá as normas e procedimentos específicos necessários à apresentação do Relatório Unificado de Drawback e à utilização do Registro de Exportação Simplificado." Comunicado Decex 02, de 31 de janeiro de 2000 COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 Modalidade Suspensão 19.1. Para comprovação do Regime de Drawback, na modalidade suspensão, as empresas utilizarão o Relatório Unificado de Drawback, identificando os documentos eletrônicos registrados no Siscomex, relativos às operações de importação e exportação, bem como as Notas Fiscais de venda no mercado interno, vinculadas ao Regime, ficando as empresas dispensadas de apresentar documentos impressos. (...) 19.4. Os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo Regime de Drawback deverão estar vinculados a apenas um Ato Concessório. 19.5. As Declarações de Importação (DI) e os Registros de Exportação (RE) indicados no Relatório Unificado de Drawback Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 8 7 deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de baixa. 19.6. Não serão aceitos para comprovação do Regime, Registros de Exportação (RE) que possuam um único CNPJ vinculado a mais de um Ato Concessório de Drawback. 19.7. Para fins de comprovação, será utilizada a data de registro da Declaração de Importação (DI), que deverá ser indicada no Relatório Unificado de Drawback. Em simples leitura da regulamentação, verificase a necessidade de constar nesses documentos eletrônicos (Registros de Exportação) o correto enquadramento da operação e também a sua vinculação ao Ato Concessório. Sem a devida averbação de tais dados no Registro de Exportação não há como o Fisco controlar a adimplemento do regime aduaneiro especial de drawback. O ônus probatório é da contribuinte. Cabe a ele comprovar que o Registro de Exportação está corretamente preenchido e devidamente vinculado aos respectivos Atos Concessórios. Ademais, o despacho de exportação é a oportunidade que a contribuinte tem de apresentar à autoridade alfandegária os produtos que estão sendo exportados com aproveitamento dos bens beneficiados com o tratamento fiscal do drawback e, desse modo, comprovar o cumprimento da condição suspensiva. E nesse momento, com base nas informações prestadas pela contribuinte no Registro de Exportação é que a Aduana vai inspecionar os produtos e, a partir dessa inspeção, manifestar sua anuência sobre a comprovação aqui em discussão. Se a contribuinte não informa corretamente à Aduana que são exportações decorrentes de regime drawback, elas não recebem o correspondente e necessário procedimento de verificação. Como se vê, a informação inexata nos Registros de Exportação não significa “mero” erro formal, como deseja crer a Recorrente, mas subtração da condição de verificação para se concluir pela extinção da obrigação tributária. Esses "erros de preenchimento" dos Registros de Exportação praticados pela contribuinte, na verdade, mascaram as correspondentes operações de exportação. De todo o exposto, constatase que é da contribuinte a obrigação de comprovar o integral cumprimento das exportações para se beneficiar do referido benefício fiscal. No meu entender, a autuada não obteve esse êxito, além de adotar procedimentos que dificultaram o controle das operações decorrentes da adoção do Drawback Suspensão, como ficou exaustivamente demonstrado no lançamento fiscal. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11065.002018/200521 Acórdão n.º 9303005.861 CSRFT3 Fl. 9 8 Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também já decidiu nesse sentido.Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303003.850, de 17/05/2016, da relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS Período de apuração:23/01/2007 a 12/12/2007 Data do fato gerador:16/07/1996 (...) DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO. Somente serão aceitos para comprovação do regime de Drawback, registros de exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação relativo ao Drawback. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Com base nessas premissas, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005334/2006-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2002
INFORMAÇÃO RETIFICADORA. INDÍCIOS. INTRODUÇÃO DE INCERTEZA. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIAS. SUPOSIÇÃO.
O órgão julgador deve determinar a realização de diligências para o esclarecimento dos fatos, quando a fiscalizada retifica a informação que serviu de base para a acusação e reúne fortes indícios do equívoco cometido na informação original, introduzindo incerteza na imputação fática. Nessas circunstâncias, não se pode admitir a procedência da acusação sem a necessária justificação da rejeição à informação retificadora, lastreando-se na apuração da veracidade dos fatos indiciários objeto da afirmação, em sede de contestação, de que seriam impeditivos ao reconhecimento da validade da tese que sustentou a conclusão da autuação fiscal, sob pena de ratificar o que não passa de mera suposição.
Numero da decisão: 9101-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2002 INFORMAÇÃO RETIFICADORA. INDÍCIOS. INTRODUÇÃO DE INCERTEZA. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIAS. SUPOSIÇÃO. O órgão julgador deve determinar a realização de diligências para o esclarecimento dos fatos, quando a fiscalizada retifica a informação que serviu de base para a acusação e reúne fortes indícios do equívoco cometido na informação original, introduzindo incerteza na imputação fática. Nessas circunstâncias, não se pode admitir a procedência da acusação sem a necessária justificação da rejeição à informação retificadora, lastreando-se na apuração da veracidade dos fatos indiciários objeto da afirmação, em sede de contestação, de que seriam impeditivos ao reconhecimento da validade da tese que sustentou a conclusão da autuação fiscal, sob pena de ratificar o que não passa de mera suposição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 122 1 121 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.005334/200631 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.268 – 1ª Turma Sessão de 5 de dezembro de 2017 Matéria SIMPLES ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CESAR BITTENCOURT EVENTOS ME ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2002 INFORMAÇÃO RETIFICADORA. INDÍCIOS. INTRODUÇÃO DE INCERTEZA. NECESSIDADE DE DILIGÊNCIAS. SUPOSIÇÃO. O órgão julgador deve determinar a realização de diligências para o esclarecimento dos fatos, quando a fiscalizada retifica a informação que serviu de base para a acusação e reúne fortes indícios do equívoco cometido na informação original, introduzindo incerteza na imputação fática. Nessas circunstâncias, não se pode admitir a procedência da acusação sem a necessária justificação da rejeição à informação retificadora, lastreandose na apuração da veracidade dos fatos indiciários objeto da afirmação, em sede de contestação, de que seriam impeditivos ao reconhecimento da validade da tese que sustentou a conclusão da autuação fiscal, sob pena de ratificar o que não passa de mera suposição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 53 34 /2 00 6- 31 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 123 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 49/56) posto em face do acórdão nº 1302 000.563 (fls. 44/47m ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. Constante do contrato social e documentos societários da empresa atividades permitidas ao SIMPLES, a exclusão da empresa somente poderá ocorrer mediante procedimento fiscalizatório que comprove, por meio de provas hábeis e legais, que a empresa exerce atividades impeditivas. Na ausência de tais provas, a exclusão é indevida “ De acordo com o respectivo voto condutor, cabia ao Fisco empreender diligências para desvendar se a fiscalizada efetivamente exercia atividade vedada, in verbis: “Ao refutar a Manifestação de Inconformidade, a decisão recorrida louvouse nas informações de que a Receita Federal dispõe e que a produção de provas em sentido contrário era ônus da parte interessada, com a seguinte afirmação: 11. Porém, cabe à interessada afastar a suspeita de que sua atividade está impedida de aderir ao Simples. No caso presente, restou sem comprovação o fato de que a ocupação da reclamante pode aderir aos benefícios do Simples. Por óbvio que ela mantém o desejo de permanecer naquela sistemática e, portanto, deixará de fornecer qualquer documento que possa depor contra si. Somente os documentos fiscais e contábeis do contribuinte podem depor a seu favor e, assim sendo, entendo que não merece reparos a análise atacada. (grifei) Assim afirmando, a decisão recorrida deixou bem claro que em nenhum momento houve qualquer preocupação com a busca da verdade material e que a vedação alinhavada nos autos tratase de mera suposição não ilidida pela contribuinte. Em tais condições, entendo que a exclusão da interessada do sistema simplificado se deu a descoberto de qualquer amparo legal.” O processo foi encaminhado à PGFN em 10/10/2011 (Despacho de Encaminhamento de fl. 46). De acordo com o disposto no artigo 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação da Portaria MF nº 39/2016, a intimação pessoal do procurador da Fazenda Nacional ocorreu em 18/10/2011 (fl. 46). Recurso Especial da PGFN interposto no dia 19/10/2011 (vide RM datada de 19/10/2011, fl. 48). Nessa oportunidade, a recorrente aduz: Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 124 3 1) a previsão no contrato social de atividade vedada à opção pelo simples é suficiente para exclusão do contribuinte do Simples; 2) ao interessado cabe o ônus da prova de que não exerce efetivamente a atividade vedada à opção pelo Simples prevista em seu documento constitutivo. Para demonstrar a divergência, a PGFN apresenta os seguintes acórdãos a) nº 20212.341, assim ementado: "Ementa: SIMPLES EXCLUSÃO – ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PERMITIDA I A caracterização da atividade econômica da pessoa jurídica, primordialmente, dáse pela verificação do registro de seu objeto social. II – A previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 90, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Recurso que se nega provimento.” b) nº 30239.613, assim ementado: "Número do Recurso: 138186 Camara: SEGUNDA CÂMARA SIMPLES. PRESENÇA DE ATIVIDADE VEDADA NO CONTRATO SOCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO EM CONTRARIO. A exclusão do Simples em razão da presença de atividade vedada no contrato social da empresa pode ser revertida, desde que a empresa comprove que nunca exerceu a atividade vedada.” De acordo com a PGFN, “acostados aos autos Declaração de Firma Mercantil Individual, restou devidamente comprovada não só a previsão contratual de atividade vedada à adesão ao regime simplificado, mas também o seu efetivo exercício pela empresa interessada. Portanto, verificase que a motivação da exclusão foi que o contribuinte exerce atividade que veda a opção pelo SIMPLES: prestação de serviços de consultoria.” E disse mais: “Observase que às fls. 02 A Declaração de Firma Mercantil é clara ao prever o serviço de consultoria gastronômica. Concluise, portanto, que a pessoa jurídica que explora atividades desses serviços está impedida de optar pelo SIMPLES, tendo em vista serem atividades atinentes à profissão de consultor, ou a essa assemelhada. Assim, não procedem argumentos da empresa interessada, posto que, à vista da legislação citada, os serviços prestados pela empresa requerem que sejam realizados com o concurso de profissional legalmente habilitado, consultor ou assemelhados, de qualquer forma, por se enquadrar nas vedações do XIII do art. 9, da Lei n° 9.317/96. Ademais, o exercício de uma atividade impeditivo já torna a opção do contribuinte irregular, qualquer que seja a participação da respectiva receita no total auferido pela pessoa juridica, acarretando, obrigatoriamente, a exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. [...] E em nenhum momento a contribuinte trouxe aos autos documentos que pudessem comprovar que sua atividade não está vedada ao SIMPLES.” (grifos no original) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 125 4 Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida para restaurar a decisão de primeira instância administrativa, de forma a manter exclusão da recorrida do regime do Simples. Contrarrazões tempestivas às fls. 63/64. Na oportunidade, a recorrida expõe os argumentos abaixo: 1) realiza trabalho de organização de festas e eventos para empresas, utilizando o próprio conhecimento adquirido ao longo dos anos, sem a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados; 2) sua atividade profissional está de acordo como Ato Declaratório SRF nº 30/2004; 3) o profissional que é o titular da empresa individual – ora fiscalizada trabalha exclusivamente sozinho; 4) jamais efetuou pagamentos de quaisquer serviços a pessoas físicas ou outras pessoas jurídicas, para a realização dos serviços que presta. Ao término, junta cópias do registro da pessoa jurídica na Junta Comercial do Estado do Paraná e do Cartão do CNPJ, pleiteando o reconhecimento da insubsistência da acusação fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Os acórdãos recorrido e paradigma são divergentes no tocante à interpretação dada ao artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996, já revogada, in verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000)." Pelo prisma do acórdão recorrido, a vedação à opção pelo Simples só poderia incidir sobre a pessoa jurídica que efetivamente prestava o serviço constante do rol previsto no texto que a veiculava. Por essa óptica, o objeto social consignado no contrato social, por si só, é insuficiente para atrair a restrição do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, tendo em conta que a Fiscalização omitiuse no desencargo do ônus de provar a realização de atividade vedada. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 126 5 Por outro lado, em conformidade com os acórdãos paradigmas, o contrato social é eficaz para fins de comprovação da atividade nele descrita, a menos que o contribuinte assuma o encargo de fazer prova em contrário. No caso concreto, percebese que a Fiscalização louvouse na Declaração de Firma Mercantil Individual, à fl. 02, na qual está consignado que a recorrida presta (i) serviços de consultoria gastronômica e seleção; (ii) serviços e organização de bufê; (iii) recrutamento de pessoal especializado em culinária. Posteriormente, na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, à fl. 03, a recorrida declarou: "SOU PROFISSIONAL DA HOTELARIA E TRABALHO COM GASTRONOMIA; CARDÁPIO E PLANEJAMENTO DE EVENTOS: CONSEGUI EM TRABALHO NUMA EMPRESA PARA FAZER CONSTANTEMENTE: ELABORAÇÃO DE CARDÁPIO E PLANEJAMENTO DE EVENTOS DIVERSOS: SÓ QUE ME EXIGIRAM NOTA FISCAL: ENTÃO TIVE QUE ABRIR UMA FIRMA: NA HORA DA DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE, O CONTADOR NÃO SABIA O QUE COLOCAR POIS NÃO ENCONTRAVA CÓDIGO: POR FIM ACHOU CONVENIENTE COLOCAR O QUE ESTA ACIMA DESCRITO: HOJE NA VERDADE O MEU SERVIÇO NÃO SE RESUME A ORGANIZAR O EVENTO; OU RECRUTAR PESSOAL; E SIM PREPARAR A PAUTA DO EVENTO E PASSAR PARA O CLIENTE ENTREGAR A UM MAITRE EXECUTAR: NO CASO SOS CARDÁPIOS OU ELABORO TUDO O QUE PRECISA E PASSO PARA UM CHEFE DE COZINHA; PRA A DEVIDA EXECUÇÃO COM MINHA ORIENTAÇÃO: ESTE É UM SERVIÇO EMINENTEMENTE BUROCRÁTICO NÃO ENVOLVENDO MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA; E NEM ASSEMELHADOS; POIS EU TRABALHO SOZINHO: SOLICITO A V: SA:; QUE RECONSIDERE VOSSA DECISÃO DE ME EXCLUIR DO SIMPLES E O CONCEDA NOVAMENTE PELOS MOTIVOS EXPOSTOS ACIMA." Vale lembrar que a recorrida é empresa individual, o que significa dizer que não existe contrato de constituição de sociedade. Portanto, não há como prevalecer o contrato, uma vez que contrato não há, mas uma declaração intitulada Declaração de Firma Mercantil Individual, apresentada à Junta Comercial do Paraná, datada de 23/04/2001. Os fatos reportados nessa Declaração são contraposto a outros fatos, também declarados pela recorrida e registrados em 30/09/2003 na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, que entregara à Receita Federal com vistas à revisão do ato administrativo que a excluiu do regime do Simples. Por que razão deve prevalecer a primeira declaração e não a segunda? A quem caberia o ônus de provar os fatos alegados na primeira e na segunda declarações? Na verdade, a Fiscalização não desconsiderou os fatos da primeira declaração; apenas promoveu a subsunção desses fatos ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Nessa subsunção, entendeuse que as atividades descritas na Declaração de Firma Mercantil Individual assemelhavamse ao serviço de consultoria, assim justificando a exclusão. Porém, a recorrida juntou cópias de cardápios e orçamento às fls. 11/16, a fim de comprovar que prestava serviços de organização de festas e eventos para pessoas jurídicas, sem a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Tal documentação sequer foi mencionada no acórdão da DRJ. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10980.005334/200631 Acórdão n.º 9101003.268 CSRFT1 Fl. 127 6 Com efeito, a segunda declaração deveria ser acompanhada de elementos comprobatórios dos fatos alegados pela recorrida, já que esses fatos se contrapunham àqueles que ela mesma registrara na primeira declaração. Até esse ponto, não divirjo do órgão fiscal. No entanto, os cardápios e o orçamento juntados aos autos antes do julgamento na DRJ são introdutores de incerteza no ato de exclusão, pois sugerem que a recorrida organizava festas e eventos, o que a afastava da prática de consultoria de que fora acusada. A recorrida ainda trouxe aos autos, já em fase de recurso voluntário, notas fiscais de sua emissão, às fls. 35/37, de prestação de serviços de organização de eventos em 2003, 2004 e 2006. Isso simplesmente confirma que o Fisco não foi prudente, ao insistir na exclusão, quando deveria ter verificado a correção do Ato Declaratório. Nada nos autos garante que a recorrida prestava consultoria. Sua primeira declaração poderia conter os comumente encontrados nas declarações prestadas por pessoas comuns, desconhecedoras das tecnicalidades jurídicas. Se o órgão estatal apontou a consequência do suposto equívoco da recorrida, a retificação da declaração equivocada, acompanhada de fortes indícios do engano cometido, não podia ser desprezada, sem motivo justificado. Por isso, a diligência mostravase imperiosa, naquelas circunstâncias. Diante do exposto, curvome ao voto condutor do acórdão recorrido, ao expressar que a realização de atividade vedada não passa de mera suposição. Conclusão: conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 127DF CARF MF
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