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Numero do processo: 10680.723378/2010-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.421
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes- Relator.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira- Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes- Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Bianca Delgado Pinheiro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Redator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em analisar e decidir o recurso. Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Bianca Delgado Pinheiro. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 23 37 8/ 20 10 -1 5 Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 1.196 ___________ Relatório 1. Tratase de recursos voluntários interpostos pelos responsáveis solidários, tendo um recurso interposto pelo BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A e outro pelo seguinte grupo: BANCO MERCANTIL DE INVESTIMENTOS S/A; MERCANTIL DO BRASIL IMOBILIÁRIA S/A; MERCANTIL DO BRASIL ADMINISTRADORA E CORRETORA DE SEGUROS S/A; SANSA – SERVIÇOS E NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS S/A; MERCANTIL DO BRASIL LEASING S/A; MERCANTIL DO BRASIL CORRETORA S/A – CÂMBIO, TÍTULOS E VALORES IMOBILIÁRIOS; ELETRODADOS CORRETORA DE SEGUROS E PREVIDÊNCIA PRIVADA S/A; MERCANTIL DO BRASIL FINANCEIRA S/A – CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS; MERCANTIL ADMINISTRAÇÃO E CORRETAGEM DE SEGUROS S/A; MERCANTIL DO BRASIL DISTRIBUIDORA S/A – TÍTULOS E VALORES IMOBILIÁRIOS; ZURICH MINAS BRASIL SEGUROS S/A (atual COMPANHIA DE SEGUROS MINAS BRASIL); ZURICH VIDA E PREVIDÊNCIA S/A; E ZURICH AMÉRICA LATINA SERVIÇOS BRASIL LTDA ( atual MINAS BRASIL PROMOTRA DE SERVIÇOS S/A). 2. Os recursos foram interpostos contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário relativo ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja: não informou todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), apurado no período de 01/01/2003 a 31/12/2006. 3. Conforme consta no relatório fiscal (fls.19/29), o auto de infração AI 37.289.5042, COMPROT 10680723.378/201015, foi lavrado em substituição ao AI 15504.021486/200881, DEBCAD 37.199.5469, que havia sido julgado parcialmente procedente o lançamento, exonerando a multa, tendo o acórdão restado ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 PRAZO REVISÃO DE LANÇAMENTO ANULADO. O Fisco tem o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento em revisão ao lançamento anulado. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES A apresentação de GFIP com omissão de fatos geradores é tipificada como infração à legislação tributária tanto na legislação vigente à época dos fatos geradores, como na legislação superveniente. CÁLCULO DA MULTA NA HIPÓTESE DE OMISSÃO DE FATOS GERADORES CUMULADA COM FALTA DE REOCLHIMNTO DO TRIBUTO. Na hipótese de omissão de fatos geradores em GFIP cumulada com falta de pagamento do tributo devido, o cálculo comparativo para apuração da multa Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.197 3 mais benéfica ao contribuinte é ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que, de acordo com a legislação superveniente, encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas do mesmo grupo econômico respondem solidariamente entre si pelas obrigações decorrentes legislação previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. 4. Após ciência do referido acórdão, tempestivamente, todos apresentaram recurso voluntário, tendo a síntese deles a seguir: 5. O BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A. apresentou seu recurso (fls.1139/ 1157) e arguiu: a) decadência do período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, decotandose, assim, a multa aplicada neste período; b) a determinação da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/91 ao crédito tributário remanescente; e c) não se atendendo as hipóteses descritas nos itens a e b, que se confira sobrestamento destes autos até a prolação da decisão transitada em julgado nos autos que tratam dos AI 37.199.5469, AI 37.199.5507 e AI 37.199.5531 6. O grupo que interpôs o segundo recurso voluntário, juntamente com BANCO MERCANTIL DE INVESTIMETNOS S/A (fls. 1130/1138), arguiu a impossibilidade de se atribuir responsabilidade solidária, por não ter ocorrido, no caso concreto, fraude à lei ou abuso por representantes das pessoas jurídicas listadas, tampouco não restou comprovado o interesse entre as pessoas na situação que supostamente constitua o fato gerador da respectiva obrigação. 7. A Receita não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.198 4 1. Conheço dos recursos voluntários, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído encontrase decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional, pois o Supremo Tribunal Federal, por meio da Súmula Vinculante 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do CTN. 3. Para o julgador da primeira instância administrativa, a aplicação deve ser a determinada no inciso II, porquanto considerou que a decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/BHE, por meio do Acórdão 0226.720, transitada em julgado em 06.05.10, anulou o auto de infração por vício formal. 4. Transitada em julgada a decisão que anulou o auto de infração, é o caso de se aplicar o art. 173, II, do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5(cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado (destaquei) 22. Entretanto considero que o lançamento fiscal referente às contribuições do período de 01/01/2003 a 31/12/2006, somente se consolidou com o recebimento pelo contribuinte do novo lançamento em 28/09/2010 (fls. 24). 23. Assim, ficam alcançados pela decadência os valores relativos às competências 01/2003 a 11/2004 e 13/2004, uma vez que o 13º deve ser lançado, obrigatoriamente, até 20 de dezembro, no caso concreto, 20/12/2004, conforme a MP 447/2008. 24. Porém, a competência 12/2004 não é atingida pela decadência, porquanto esta, sim, pode ser lançada em 01/2005, que, no caso, não decaiu, nos termos do art. 173, II, do CTN, mantidas as competências 12/2004 a 12/2006. 23. Dessa forma, como a decadência não abriga todo o período abrangido pelo levantamento, passo ao exame as demais questões recursais. DA CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO 24. Na peça acusatória, nos itens 5 a 7 (fls. 21 e 22), que o auto foi lavrado contra a pessoa jurídica do BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A, sendo as demais empresas cientificadas como sujeitos passivos solidários, nos termos do art. 124, I, do Código Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.199 5 Tributário Nacional (CTN) que identifica a obrigação solidária as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 25. Segundo o auditor fiscal, a responsabilidade atribuída obriga as empresas integrantes do grupo econômico às obrigações decorrentes de leis ou outra norma autorizada legalmente, conforme Lei nº 8.212/91, art. 30, caput, IX, e Regulamento da Previdência Social (RPS), art. 222: Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Regulamento da Previdência Social Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. 26. A legislação trabalhista, apresentada pela instância julgadora a quo, deixa ainda mais claro o conceito de grupo econômico, conforme art.2º, § 2º, da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT): como a composição de duas ou mais empresas, submetidas à direção única, a principal, controladora das demais, in verbis: Art.2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 2. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. 27. Com tal respaldo verifico que o agente que lavrou o auto de infração bem fundamentou juridicamente a hipótese do grupo econômico e a respectiva obrigação solidária entre os seus integrantes. Não obstante não consta a situação fática que identificasse de forma inequívoca a mencionada obrigação. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.200 6 28. Isto é, não basta trazer à baila a legislação que trata da responsabilidade solidária entre as pessoas jurídicas que compõem o grupo econômico, é necessário comprovação da hipótese elencada pelo fisco no inciso I do art. 124 do CTN, qual seja: o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o que não ocorreu nestes autos. 29. Lembro os nobres Conselheiros que, muito embora este dispositivo seja autoaplicável, não significa dizer que dispensa a descrição da relação dessas pessoas jurídicas para a ocorrência do fato gerador. Segundo Fábio Pallaretti Calcini, em Responsabilidade tributária e solidariedade (RDDT 167/36, ago/09): Solidariedade tributária, no caso do grupo econômico, não decorre, simplesmente, da caracterização deste, cujo ônus da prova é do Fisco...É preciso também demonstrar o cumprimento dos requisitos estampados no art. 124, do Código Tributário Nacional... Por fim, o art. 30, inciso IX, da Lei n. 8.212/91 deve ser interpretado, conjuntamente, com o art. 124, do Código Tributário Nacional, em especial, no tocante ao inciso I, o qual há de ser considerado o núcleo fundamental e irradiador das diretrizes essenciais em matéria de responsabilidade tributária, de maneira que todos os requisitos devem ser preenchidos, principalmente, o interesse comum no fato gerador da obrigação principal. 30. Assim, é de competência do auditor fiscal, ao realizar o lançamento, demonstrar claramente a identificação do sujeito passivo, conforme o art. 142, parágrafo único do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 31. A mera identificação dos integrantes do grupo econômico, relacionando os em tabela por CNPJ não permite concluir, de plano, a responsabilidade solidária. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por sua vez, ressaltou essa questão, como abaixo colaciono dois trechos de acórdãos ementados: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. (...) Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.201 7 (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REEXAME FÁTICOPROBATÓRIO. SÚMULA 07/STJ. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA (...) 2. A jurisprudência desta Corte consolidouse no sentido de que inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do "interesse comum" previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. (STJ, 2ª T. AgRg em REsp 1102894/RS, publicado no DJE em 05/11;2010, Ministro Relator Castro Meira. ) 32. Compulsando os autos, não restou comprovado o interesse comum, ou seja, a existência de duas ou mais pessoas jurídicas cooperando mutuamente para atos que implicassem na ocorrência do fato gerador da incidência tributária, sendo, portanto, inviável atribuir responsabilidade das pessoas jurídicas que foram apenas listadas pelo auditor fiscal como integrantes do grupo econômico. 33. Assim, por não terem sido juntados aos autos qualquer documentação capaz de ratificar o lançamento realizado tampouco a explanação clara e precisa no relatório fiscal, voto pelo provimento ao recurso voluntário interposto pelo grupo acompanhado do BANCO MERCANTIL DE INVESTIMNTOS S/A, para afastar a responsabilidade solidária dessas pessoas jurídicas. DO LANÇAMENTO DO VÍCIO MATERIAL 34. No que diz respeito ao mérito, verifico primeiramente que o fiscal procedeu ao lançamento em razão de nulidade do auto anterior por cerceamento ao direito de defesa e, em substituição àquele, no novo lançamento afirmou que a contribuinte recorrente não apresentou dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias: 2 – Desta forma, emitese o presente AI pela infração da empresa em apresentar a Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, notadamente quanto à remuneração para os segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, conforme discriminado no Anexo I do AI 15504.021486/200881 DEBCAD 37.199.5469, emitido em 16/12/08. (Sic) (fls. 19) Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.202 8 35. Além deste item, quando o auditor fez o relatório da multa aplicada, apenas demonstrou sobre o que a multa recairia e o valor mínimo atualizado em Portaria para o resultado do crédito tributário por esta infração, sem demonstrar os elementos correspondentes à obrigação principal, ou seja, as hipóteses de incidência de contribuição previdenciária, sendo essa informação trazida pela recorrente quando trouxe os Informativos do Comprot que comprovariam os processos relativos a tais contribuições ainda não terem transitado em julgado: 15504.021486/200881, 15504.021487/200826 e 15504.021488/200871. 7. 37. Como se pode perceber, o auditor fiscal não trouxe informação essencial para análise s hipóteses de incidência de tributo para que contribuinte pudessem apresentar sua defesa. É dizer, tratouse de grave prejuízo ao contribuinte, por não poder rebater ante à imprecisão fiscal em sua motivação no lançamento. 38. O prejuízo ocasionado pelo erro na autuação é perfeitamente presumível, sendo prescindível a valorização em demasia de eventual avaria causada pelo ato atípico. Trago novamente a premissa de o controle de legalidade ser feito pela administração pública, um ato declarado nulo resultará, inevitavelmente, em prejuízo, por impedir o exercício do direito ao princípio constitucional do contraditório. 39. De toda sorte, relembro os nobres Conselheiros que no relatório fiscal devem estar presentes todos os requisitos contidos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN e do art. 37 da Lei 8.212, de 1991. 40. Ou seja, há o dever legal da autoridade lançadora em informar não só a legislação aplicável à sanção supostamente verificada, mas descrever, de forma clara e precisa, a situação concreta que fez concluir a existência de fatos geradores de incidência tributária não contidos nas GFIP, pois, se assim não o for, indubitavelmente seria causa de nulidade ante a patente visualização da hipótese trazida no art. 59, II, §§ 1º e 2ºdo Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 41. Por essa razão, entendo que o fisco não cometeu um mero equívoco que pudesse ser sanado, mas sim erro de conteúdo, por não estar devidamente motivado o auto de infração, sendo inviável sua modificação, pois seria revisão do próprio motivo ensejador do lançamento, maculando toda a estrutura normativa do poder de tributar. 42. Tratase, portanto, de vício material, sendo, inclusive, causa impeditiva de novo lançamento diante dos mesmos fatos geradores considerados. Esse também é o entendimento deste Conselho, como constatei no julgamento do Recurso Voluntário 137.477, Acórdão 30239.444 julgado em 19 de maio de 2008, na Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes cuja decisão restou ementada nos seguintes termos: Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.203 9 Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/05/2001 a 08/08/2001 (...) NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material de motivo ocorre quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o auto de infração, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido, ou seja, quando o fato narrado pela autoridade fiscal não ocorreu ou ocorreu de maneira distinta daquela lançada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (Acórdão 30239.444, Relator Marcelo Ribeiro Nogueira) 43. Esta decisão foi posteriormente confirmada pela Câmara Superior, como se verifica no Acórdão 9303002.64, proferido pela Terceira Turma em 11 de julho de 2012, in verbis: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE MATERIAL POR VÍCIO DE MOTIVO. (...) Caracterizouse, nos autos, evidente vício de motivo, o que compromete a validade material do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão 9303002.064 – Relatora Nanci Gama) 44. Dessa feita, voto para que seja anulado o auto de infração por estar eivado de vício material quando o agente fiscal lavrouo sem, contudo, evidenciar adequadamente o motivo necessário para aplicação da penalidade prevista em legislação própria. Assim, fica impossibilitada nova fiscalização referente ao mesmo fato e à mesma matéria. CONCLUSÃO 45. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para: a) reconhecer a decadência 01/2003 a 11/2004 e 13/2004, uma vez que o 13º deve ser lançado, obrigatoriamente, até 20 de dezembro, no caso concreto, 20/12/2004, conforme a MP 447/2008. Porém, a competência 12/2004 não é atingida pela decadência, porquanto esta, sim, pode ser lançada em 01/2005, que, no caso, não decaiu, nos termos do art. 173, II, do CTN, mantidas as competências 12/2004 a 12/2006; b) afastar a responsabilidade solidária das empresas que impugnaram e recorreram juntamente com BANCO MERCANTIL DE INVESTIMENTOS S/A; e Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.204 10 c) ANULAR o auto de infração pela existência de vício material. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva: Correta formalização dos processos. Portaria Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) 666/2008. Dispõe a Portaria RFB 666/2008 sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RF): Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: a) ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e aos lançamentos dele decorrentes relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o PIS/Pasep ou à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); b) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, que não sejam decorrentes do IRPJ; c) à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins devidas na importação de bens ou serviços; d) ao IRPJ e à CSLL; ou e) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). e) às Contribuições Previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos; ou ( Redação dada pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010 ) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010 ) f) ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); (Incluída pela Portaria RFB nº 2.324, de 3 de dezembro de 2010 ) (Vide art. 2º da P RFB nº 2.324/2010 ) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.205 11 III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada. § 1 º O disposto no inciso I aplicase inclusive na hipótese de inexistência de crédito tributário relativo a um ou mais tributos. § 2 º Também deverão constar do processo administrativo a que se referem os incisos I, II e III as exigências relativas à aplicação de penalidade isolada em decorrência de mesma ação fiscal. § 3 º Sendo apresentadas pelo sujeito passivo manifestação de inconformidade e impugnação, as peças serão juntadas aos processos de que tratam os incisos II e III. § 4 º As DComp baseadas em crédito constante de pedido de restituição ou ressarcimento indeferido ou em compensação não homologada pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), apresentadas após o indeferimento ou nãohomologação, serão objeto de processos distintos daquele em que foi prolatada a decisão. § 5 º Para efeito do disposto nos incisos II e III, havendo lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ou da Contribuição Previdenciária, estes deverão constituir processos distintos. (...) Art. 3 º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1 º , serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. A norma acima em destaque prevê, portanto, que, em relação a todos os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB) inclusive contribuições previdenciárias da empresa, dos segurados e para outras entidades e fundos , a partir de 28/04/2008, as exigências de créditos tributários que estejam fundadas nos mesmos elementos de prova devem constituir o mesmo processo, aplicandose tal determinação igualmente para as penalidades isoladas decorrentes dos mesmos fatos (§2º do art. 1º da IN 666/2008). No presente caso, entretanto, o processo foi formalizado após 28/04/2008 sem obedecer a tais prescrições normativas e, posteriormente, foi distribuído sem obedecer o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), como veremos adiante. Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.206 12 Conexão Todos os fatos que afetam a aplicação da penalidade estão relacionados com outro processo que trata do lançamento da obrigação principal respectiva. Naquele processo constam a integralidade dos documentos apresentados pela fiscalização e dos argumentos da recorrente. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) determina que seja feita a distribuição dos processos conexos para a mesma Câmara (art. 47, caput) e para o mesmo Relator (art. 49, § 7º). Vejamos o teor dos dispositivos: Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. (...) Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. (...) § 7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. (...) O desafio para a interpretação de tais dispositivos é estabelecer em que situações ocorre a conexão entre processos. Para enfrentálo, buscamos a disciplina existente no Processo Civil. No Código Processual temos os arts. 103 a 106 que tratam da matéria: Art. 103. Reputamse conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Art. 104. Dáse a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Art. 106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considerase prevento aquele que despachou em primeiro lugar. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.207 13 O art. 103 do CPC, acima transcrito, exige, portanto, que haja objeto comum ou causa de pedir comum entre duas ou mais ações para que lhes seja reconhecida a conexidade. Tomando a lição de Cândido Rangel Dinamarco, assumimos que objeto do processo consiste no pedido formulado pelo demandante (Cf. DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. Vol. II. 2ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 184). A causa de pedir, segundo o mesmo autor, é a descrição dos fatos caracterizadores da crise jurídica lamentada( op. cit., p. 126). Em resumo, portanto, há conexão quando há um pedido comum ou os fatos narrados são comuns a dois processos. Ou, nas palavras de Cândido Rangel Dinamarco: ”ocorre conexidade quando duas ou várias demandas tiverem por objeto o mesmo bem da vida ou forem fundadas no contexto de fatos”(op. cit., p. 149) No caso do processo administrativo fiscal, as situações mais comuns de conexão advirão da identidade de fatos narrados. Em situações nas quais determinados fatos dão ensejo a lançamento para cobrança da obrigação principal e penalidade por descumprimento de obrigação acessória teremos nítida conexão. Outro exemplo comum diz respeito a fatos que estão capturados na hipótese de incidência de mais de um tributo. Caso do IRPJ e da CSLL, por exemplo. A jurisprudência deste Colegiado já acolheu em diversos julgados a existência de conexão em situações similares a essas. Vejamos: Acórdão nº 20401549 do Processo 13364000073200375 Data 27/07/2006 Ementa PIS. COMPETÊNCIA DO 1º CONSELHO DE CONTRIBUINTES. Quando lastreada, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviu para determinar a prática de infração à legislação pertinente à tributação de pessoa jurídica, a competência para julgamento do recurso do PIS conexo será do Primeiro Conselho de Contribuintes. Acórdão nº 20401655 do Processo 13603002864200370 Data 22/08/2006 Ementa NORMAS PROCESSUAIS. Havendo matéria idêntica a ser decidida em processos conexos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, a responsabilidade pelo crédito tributário sob exação, mesmo que estes últimos decorram de lançamento isolado, oriundas de mesma base fática e decorrentes de mesma verificação fiscal, a competência para análise e julgamento dos mesmos é de mesmo órgão julgador do Primeiro Conselho de Contribuintes. Recurso não conhecido. Acórdão nº 20212088 do Processo 138080049149630 Data 09/05/2000 Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.208 14 Ementa NORMAS PROCESSUAIS CONEXÃO PROCESSUAL DECORRÊNCIA: O exame da exigência principal e da acessória, quando processadas em autos distintos, deve observar os efeitos da prevenção a fim de evitar decisões contraditórias em processos nitidamente conexos, cabendo à exigência acessória o mesmo destino da exigência principal, em face da inquestionável relação de causa e efeito que as entrelaça. Recurso provido. o Acórdão nº 20500720 do Processo 37284007953200410 Data 04/06/2008 Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/200. Ementa(...) AUTO DE INFRAÇÃO CONEXO À NFLD. Sendo o descumprimento de obrigação acessória conexo a matéria tratada em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, deve seguir a decisão emanada para aquela. Processo Anulado Acórdão nº 10708449 do Processo 16327000591200242 Data 22/02/2006 Ementa MULTA ISOLADA Considerada não cabível a exigência do próprio Imposto de Renda Pessoa Jurídica, formalizada em processo conexo, incabível a aplicação da multa isolada, por falta de recolhimento do IRPJ, sobre base de cálculo estimada, referente ao mesmo períodobase de apuração. Recurso provido. Acórdão nº 10808585 do Processo 10680000555200435 Data 10/11/2005 Ementa IRPJ e CSL DEDUÇÕES DE OFÍCIO PIS E COFINS JUROS DE MORA Deve se admitir a dedução, das bases tributáveis do IRPJ e da CSL, dos valores do PIS e da COFINS lançados de ofício, assim como dos juros de mora sobre eles incidentes até o encerramento do período de apuração dos tributos, de forma a se adequar o lançamento de ofício ao valor que efetivamente influiu na apuração do lucro líquido. ADESÃO AO PAES Não logrando o contribuinte correlacionar os débitos informados no PAES com os valores autuados não há como se exonerar os valores pleiteados. LANÇAMENTOS CONEXOS PIS E COFINS Os efeitos do decidido no lançamento principal do IRPJ, se estendem, por decorrência aos processos conexos. Da leitura dos julgados acima podemos observar que a identidade de causa de pedir, de fatos narrados, não precisa ser completa, podendo ser parcial. Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.209 15 Identificada as situações ensejadoras da conexidade, restanos identificar as conseqüências processuais daí advindas . Ocorrendo a conexão, o CPC determina a distribuição por dependência: Art. 253. Distribuirseão por dependência as causas de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; (Redação dada pela Lei nº 10.358, de 2001) (...) De modo similar, o RICARF, como já ressaltamos, determina a distribuição por dependência para a Câmara e para o Relator. Mas deveria tal distribuição por dependência ocorrer em todos os casos? Ou haveria casos nos quais esta seria dispensável? A doutrina de Cândido Rangel Dinamarco (op. cit., p. 151) aponta a utilidade como critério suficiente para impor a reunião dos processos. Tal utilidade está presente naquelas situações nas quais as providências a tomar (reunião de processos) sejam aptas a proporcionar a harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Ainda que a identidade dos fatos seja parcial, a utilidade da providência de reunião dos processos se justifica. De modo similar ao que acontece no processo civil, no processo administrativo a reunião dos processos tem por objetivo evitar a contradição de julgados e está sujeita à avaliação do julgador de sua utilidade. Ressaltamos que a utilidade não se esgota na possibilidade ou não de decisões contraditórias, mas diz respeito também ao interesse das partes. Assim, se nos autos não constam todos os elementos que permitem a compreensão da crise jurídica a ser sanada, permitindo que seja prejudicado o fisco na sua pretensão de cobrança do crédito tributário ou o contribuinte na sua ampla defesa, há utilidade na indicação de reunião dos processos. Nesses casos, diante do eminente prejuízo para uma das partes, a reunião dos processos é obrigatória, sob pena de nulidade do decisum que a desconsiderar. Situação diversa temos quando não há prejuízo possível para quaisquer das partes advindo diretamente do trâmite separado dos processos, mas subsiste a possibilidade de decisões contraditórias. Nesses casos, a reunião dos processos para julgamento simultâneo é providência que tem óbvio apelo para a segurança jurídica, na medida em que assegura que não haverá decisões contraditórias. A mesma situação contribui para a concretização da eficiência que está consagrada no art. 37 como princípio da administração pública, pois evita que as análises sejam totalmente refeitas por relatores distintos. Porém, nessa situação, caso não tenha ocorrido a reunião dos processos não haveria nulidade processual a ser declarada. No caso em análise, continuarmos com o julgamento isolado do presente poderá resultar em prejuízo para a defesa, ou para o fisco, se optássemos pela nulidade ou provimento por falta de provas nos autos, uma vez que, em geral, o processo que cuida da obrigação principal traz a totalidade dos documentos citados pela fiscalização. Como cuidamos de julgamento de penalidade por problemas na GFIP, a identidade com o contexto dos fatos que envolvem a NFLD é óbvio de modo a restar evidenciada a conexão. Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10680.723378/201015 Resolução nº 2301000.421 S2C3T1 Fl. 1.210 16 Pelo exposto, VOTAMOS POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para regularizar a formalização do processo e , posteriormente, verificar os procedimentos de conexão, conforme determina o RICARF. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/12/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/01/2014 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 13738.001263/2002-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
IPI. RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Ausente a comprovação do direito creditório, incabível a acolhida de pleitos de ressarcimento de IPI.
Numero da decisão: 3403-002.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Ausente a comprovação do direito creditório, incabível a acolhida de pleitos de ressarcimento de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de créditos do IPI (fl. 07)1, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 8. 00 12 63 /2 00 2- 33 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 no valor de R$ 162.983,12, referente a insumos utilizados na fabricação de produtos exportados (DecretoLei no 491/1969, art. 5o e Lei no 8.402/1992, art. 1o, II), e a créditos decorrentes da Lei no 9.826/1999, relativos ao 3o trimestre de 2002 (cf. planilhas de fls. 77/78, cópias de registro de apuração do IPI fls. 39 a 76), cumulados com declaração de compensação (fl. 05, no valor de R$ 9.363,28). Em 03/04/2007 foram juntados por anexação ao presente os processos administrativos no 13738.001317/200261 (fls. 127 a 145) e no 13738.001344/200233 (fls. 146 a 163), cf. despacho de fl. 126. O primeiro se refere a compensação no valor de R$ 9.606,96 (fl. 127). E o segundo trata de compensação no montante de R$ 89.005,23 (fl. 146). No parecer de fls. 171 a 175, datado de 03/04/2007, informase que o contribuinte possui diversos pedidos de ressarcimento de IPI no período de 01/01/2001 a 02/04/2007 (tabela ilustrativa à fl. 170), e que foi solicitada por meio de intimação (fls. 90/91) a apresentação dos livros de apuração do IPI, modelo 8, e a relação de entradas que geraram crédito e saída dos produtos do estabelecimento por item contendo número de Nota Fiscal, nome, CFOP e outras informações. A ciência à intimação ocorreu em 05/12/2006 (AR à fl. 98). Foi solicitada prorrogação do prazo inicialmente concedido (30 dias) por mais 60 dias em 22/12/2006 (fl. 101), tendo o prazo total expirado em 05/03/2007, sem que houvesse qualquer manifestação por parte do contribuinte, pelo que se indefere o pleito de ressarcimento, com base no art. 928 do Decreto no 3.000/1999 e no art. 40 da Lei no 9.784/1999, ensejando a não homologação das compensações (despacho decisório de fl. 175). Cientificada do despacho decisório em 11/04/2007 (AR à fl. 177), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 11/05/2007 (fls. 180 a 190), argumentando basicamente que: (a) em que pese a não apresentação dos documentos exigidos, a autoridade fiscal deixou de analisar os que já figuravam no processo; (b) que o despacho decisório é carente de motivação; e (c) os créditos devem ser reajustados pela Taxa SELIC (ou por outro índice que reflita a inflação no período). Requer, por fim, a juntada posterior de documentos e informações, a realização de perícia, e diligência, para apresentação dos documentos. Em 25/01/2008 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 238 a 243), acordando unanimemente o tribunal de piso pela improcedência da manifestação de inconformidade, indeferindo a juntada posterior de documentos e os pedidos de diligência/perícia. Destacase, na DRJ, que o despacho decisório resulta de imposição legal decorrente da preclusão ocorrida, que os documentos solicitados são exatamente aqueles cuja boa guarda e ordem é de responsabilidade do sujeito passivo, e que não há previsão legal para atualização do ressarcimento. Cientificada do julgamento da DRJ em 26/08/2010 (cf. documento de fl. 247), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 27/09/2010 (fls. 248 a 264), no qual alega: (a) “malferimento aos princípios que regem a administração tributária” (razoabilidade, proporcionalidade e interesse público); (b) desconsideração dos documentos apresentados; e (c) necessidade de “correção monetária dos créditos”. Reitera, por fim, a necessidade de diligência e perícia. É o relatório. Voto Fl. 297DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13738.001263/200233 Acórdão n.º 3403002.869 S3C4T3 Fl. 297 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como sintetizado no relatório, a empresa solicitou ressarcimento de IPI, cumulado com compensações. Para tanto, anexou ao processo (afora estatutos, procurações, documentos de identidade e certidões negativas/positivas com efeito de negativas) tão somente duas planilhas (fls. 77/78) e cópias de documento intitulado “registro de apuração do IPI” (fls. 39 a 76). E, intimada a apresentar documentos adicionais, não os apresentou, nem durante o procedimento fiscal, nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário. Ou seja, o processo permanece com a carga probatória que estava quando foi apreciado pela unidade local, que emitiu despacho decisório indeferindo o pleito, no que foi acompanhada pela DRJ, ambas registrando que a empresa, ao descumprir seu dever de prestar informações ao fisco, deixando de atender a intimação, deixou à míngua a certeza e a liquidez de seu direito creditório. Enfim, o processo, na forma em que se encontra para julgamento, não oferece um mínimo de certeza e liquidez sobre o crédito pleiteado. E isso por culpa exclusiva do próprio requerente, que jamais carreou aos autos elementos mínimos necessários à análise do direito creditório (e, digase, a parca documentação anexada sequer oferece a dúvida ao julgador, a ponto de demandar diligência ou perícia, que, recordese, não se presta a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Não há a mínima possibilidade de análise do pleito unicamente com a documentação carreada ao processo, sendo no mínimo irrazoável a argumentação em sede de recurso voluntário de que a autoridade fiscal recusouse a analisála. Não houve, assim, desconsideração dos documentos apresentados. Houve, sim, insuficiência/inconclusividade, que demandou a apresentação de documentos complementares, não entregues pela interessada. Em relação a eventual violação de princípios que regem a Administração Pública, não se discorda substancialmente dos juristas citados no recurso voluntário. Contudo, seus ensinamentos não guardam correspondência com a situação existente no presente processo. Já de início (fl. 251), aduz a recorrente: “verificase que o princípio da razoabilidade ficou sobrepujado ante alegada aplicação da norma, visto que, a recorrente apresentou todas as informações necessárias à formalização e demonstração de seu direito ao pedido de ressarcimento de crédito presumido IPI”(sic). Em primeiro lugar, o princípio da razoabilidade não tem a mínima conexão com a situação concreta (ou, com visão alargada, tem conexão com qualquer coisa que se deseje). Em segundo, salta aos olhos a insuficiência probatória, e ainda assim insiste a empresa em dizer que estão nos autos todos os documentos necessários à análise do pleito. Parece claro que se estivessem, não teriam sido solicitados à recorrente outros (que ela deixou integralmente de apresentar). Segue a recorrente, ainda na fl. 251, dizendo que “ademais, não foi disponibilizado prazo complementar à apresentação dos documentos solicitados, fato que, igualmente, vai de encontro aos princípios em estudo”. Vejase que a intimação foi efetuada em 05/12/2006. Considerada atendida a solicitação de prorrogação de prazo, este encerraria em Fl. 298DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 05/03/2007. E o despacho decisório somente foi emitido em 03/04/2007. Só aí são praticamente cinco meses para que a empresa, em sua manifestação de inconformidade (datada de 11/05/2007), eventualmente os apresentasse. Mas isso não ocorre (pelo contrário, a recorrente pede a baixa em diligência justamente para que anexe os processos que já deveria ter anexado há cerca de seis meses). O processo é julgado pela DRJ em 2008, sendo a empresa cientificada do teor do julgamento apenas em 26/08/2010. E, agora, em seu recurso voluntário apresentado em 27/09/2010, a empresa sequer acrescenta um documento, e novamente pede a baixa em diligência para que agregue aqueles documentos que lhe foram solicitados há cerca de 4 anos. Parece que, no caso, a razoabilidade não está do lado da recorrente. E nem a proporcionalidade, ou o interesse público. Vejase qual a visão que a recorrente tem dos referidos princípios, a partir dos ensinamentos dos juristas: “Razoável, proporcional e condizente com o interesse público, seria conceder prazo condizente ou realizar nova intimação para apresentação dos documentos”. Ocorre que não resta dúvida a este julgador de que nos presentes autos foi efetivamente concedido prazo condizente, conforme aqui exposto. Improcedente, assim, as considerações recursais principiológicas. Desnecessária, por fim, a análise da demanda por correção monetária, visto que sequer existem créditos a serem ressarcidos. Tendo em conta o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 299DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002359/2001-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1989
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA.
Rejeitam-se os embargos opostos quando não restarem configuradas a
existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1202-001.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos para negar-lhe provimento.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. Rejeitam-se os embargos opostos quando não restarem configuradas a existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. Rejeitamse os embargos opostos quando não restarem configuradas a existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos para negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002359/200131 Acórdão n.º 1202001.054 S1C2T2 Fl. 4.086 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão n° 1202 000.919, prolatado na sessão de 04 de dezembro de 2012 nos autos do processo nº 10909.002359/200131, que por unanimidade de votos negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989 Ementa: RESTITUIÇÃO. CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os valores objeto de restituição/compensação devem ser acrescidos de juros aplicados pela taxa Selic, que deve ser calculada nos exatos termos do art. 39, §4º da Lei nº 9.250/95. Dessa forma, o cálculo deve ser efetuado pela soma aritmética das taxas mensais a partir de janeiro de 1996 até o mês anterior ao da restituição ou compensação, acrescido do percentual de 1 % (um por cento) no mês da restituição ou compensação, adotandose a sistemática financeira de juros simples. Cientificada em 26 de fevereiro de 2013, a então Recorrente opôs tempestivamente os presentes Embargos de Declaração, alegando, em síntese, omissão no julgado pela ausência de juízo de valor acerca dos pontos alegados no Recurso Voluntário que abaixo transcrevese: “24. A recorrente apresentou cálculos atualizados utilizando o valor de 45.870,36 UFIR aplicando atualização monetária desde o período de 1995 até a data do pedido de restituição, conforme determinação judicial dos autos do processo n°9820017068. 25. Ocorre que a recorrente analisou novamente os valores levantados como devido e constatou uma diferença no total do valor apresentado inicialmente que também não foi levada em consideração pela autoridade administrativa. 26. É cediço que o procedimento adotado pela Recorrente (compensação para ulterior homologação) foi realizado há muito tempo atrás, e, portanto, em uma nova análise, foi constatada diferença na atualização do crédito original. 27. Dessa forma, considerando que o processo administrativo tem como alicerce a busca pela verdade material, a empresa apresenta novo cálculo (documento anexo), o qual demonstra que o valor a ser restituído soma a monta de 1.879,14 UFIR (crédito em 01/01/1996), conforme apresenta planilha em anexo. 28. Assim, podese afirmar que o crédito da empresa é superior ao reconhecido pela administração, sendo que a mesma deveria ter procedido a verificação do referido cálculo na forma apresentada neste momento pela Recorrente, e consequentemente reconhecido o direito creditório da empresa e homologado as compensações efetuadas. Fl. 4086DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002359/200131 Acórdão n.º 1202001.054 S1C2T2 Fl. 4.087 3 29. Por fim, importante repisar que nos cálculos apresentados pela SRF, apesar de aceitar como corretos os valores especificados em UFIR, não aplicou a atualização monetária desde o começo do período. Isto é, em seu parecer, aceito como devido o valor de 32.140,11 UFIR mais a diferença de 13.730,25 UFIR referente a atualização monetária, porém este somente incluído posteriormente nos cálculos, perfazendo assim um valor a menor devidos a ser restituído.” Tendo sido designado Relator do acórdão proferido nos autos do Recurso Voluntário interposto pela Embargante, requisitei a inclusão em pauta para julgamento dos presentes Embargos de Declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto Em que pesem os argumentos da Embargante, não se vislumbra a existência de omissão no Acórdão ou de qualquer outro vício na decisão recorrida. Ademais, a pretensão de uma nova manifestação por parte da Turma Julgadora e de rediscutir a matéria posta nos autos deve ser afastada, considerandose que eventual equívoco ou desacerto da decisão embargada não constitui pressuposto de recorribilidade, conforme dispõe o art. 535, do Código de Processo Civil e artigos 65 e 66 do RICARF. Vale lembrar que a decisão de primeira instância abordou a análise acerca da forma de atualização dos valores pleiteados pela então Recorrente e ora Embargante e de forma unânime negou provimento ao pleito então formulado nos seguintes termos: “A questão dos autos cingese aos cálculos efetuados pela Recorrente ao apurar o seu crédito de CSLL reconhecido judicialmente, que se encontram transcritos nas planilhas de fls. 489 e 490. Na planilha de fls 489 a Recorrente efetuou o cálculo correto para aplicação da taxa de atualização Selic, qual seja, aquele previsto no artigo 39, parágrafo 4º da Lei nº 9.250/1995, abaixo transcrito: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Fl. 4087DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002359/200131 Acórdão n.º 1202001.054 S1C2T2 Fl. 4.088 4 O descompasso ocorreu na planilha de fls. 490, por ter deixado de observar o artigo acima transcrito e utilizado como atualização do seu crédito as determinações contidas na decisão judicial (fls. 488). O cálculo efetuado pela Recorrente acabou por aplicar a taxa SELIC até a data da compensação. Ocorre que, conforme dispõe a legislação de regência, acima transcrita, o correto seria acrescer de juros SELIC (i) até o mês anterior ao da compensação e de (ii) um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, conforme mencionado pela decisão da DRJCuritiba (fls. 2394). Conforme se observa, a discussão no presente caso se limita apenas a averiguar a forma de aplicação da taxa SELIC pela Recorrente para atualizar os créditos de CSLL que possui perante a RFB. Em vista do Princípio da Legalidade, a forma de atualização dos valores pleiteados em compensação ou restituição deve ser aquela prevista expressamente na legislação de regência, que no presente caso encontrase disposta no artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/1995. Dessa forma, tendo em vista que a Recorrente deixou de observar o mencionado artigo, concordo com a decisão recorrida no sentido de considerar como passível de compensação ou restituição o montante apurado no Parecer SAORT/DRF/ITJ nº 075/2005, itens 63 e 64, disposto às fls. 2.274 dos autos. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário.” Ademais, o fato de a então Recorrente, ora Embargante, ter analisado novamente os valores tidos como devidos e constatados diferença, em nada altera o processe em discussão. Como bem relatou em seu Recurso Voluntário, “é cediço que o procedimento adotado pela Recorrente (compensação para ulterior homologação) foi realizado há muito tempo atrás, e, portanto, em uma nova análise, foi constatada diferença na atualização do crédito original”. Assim, além de o objeto em discussão já ter sido definido desde o início, eventual inconformismo quanto ao resultado do julgamento não constitui supedâneo para o oferecimento de Embargos Declaratórios. Vale lembrar, a esse respeito, que o E. Superior Tribunal de Justiça já se posicionou nesse sentido. Vejase, a propósito: “Não pode ser conhecido recurso que, sob o rótulo de embargos declaratórios, pretende substituir a decisão recorrida por outra. Os embargos declaratórios são apelos de integração, não se substituição”. (Superior Tribunal de Justiça – 1ª Turma, REsp. 15.774OSPEdcl., Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJU de 22.11.93). Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 4088DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10909.002359/200131 Acórdão n.º 1202001.054 S1C2T2 Fl. 4.089 5 Geraldo Valentim Neto Relator Fl. 4089DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11020.722690/2011-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA AGROINDÚSTRIA - FUNDAMENTAÇÃO LEGAL
A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 Da Lei 8.212/1991 é de: dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade.
QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS.
Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea a da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas.
MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991
Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, a do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009.
MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO.
A multa de ofício prevista no novel artigo 35-A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.357
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para a competência até 11/2008, excluir dos lançamentos a multa de ofício e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.841/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Ivacir Júlio de Souza - Relator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA AGROINDÚSTRIA - FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 Da Lei 8.212/1991 é de: dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS. Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea a da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, a do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO. A multa de ofício prevista no novel artigo 35-A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA AGROINDÚSTRIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A contribuição devida pela agroindústria, definida como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 Da Lei 8.212/1991 é de: dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; e zero AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 26 90 /2 01 1- 09 Fl. 982DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. QUADRO COMPARATIVO DE MULTAS. MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI N. 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPARAÇÃO DE MULTAS POR INFRAÇÕES DE NATUREZAS DISTINTAS. Para fins de aplicação do artigo 106, II, do CTN, não se deve comparar a multa de ofício atualmente prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, com o somatório da multa de mora antes prevista no art. 35, II, alínea “a” da Lei nº 8.212/91 com a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no revogado §5o do art. 32 da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), por se tratar de penalidades de naturezas distintas. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOVA REDAÇÃO DO ART. 35 DA LEI N. 8.212/1991 Em respeito ao princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN, a multa de mora aplicada com base no revogado inciso II, ‘a’ do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, deve ser limitada a 20%, conforme nova redação do artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, dada pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI N. 8.212/1991. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. CANCELAMENTO. A multa de ofício prevista no novel artigo 35A da Lei n. 8.212/1991 não pode ser aplicada retroatividade, por não se tratar de penalidade mais benéfica ao contribuinte. Necessidade de cancelamento da multa de ofício aplicada retroativamente, em face da impossibilidade de sua conversão em multa de mora pelo órgão julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 983 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para a competência até 11/2008, excluir dos lançamentos a multa de ofício e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.841/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari. Designado para redigir o voto o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Ivacir Júlio de Souza Relator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 984DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – RASIP AGROPASTORIL S.A. contra Acórdão nº 1035.859 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações: Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.325.3737, parte empresa, com valor inicial de R$ 2.155.733,75; AIOP nº. 37.325.3729, destinado a Terceiros, com valor inicial de R$ 192.817,30; e Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº. 37.325.3745, CFL 68, com valor inicial de R$ 60.977,20. Os Autos de Infração acima descritos e referese às contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre o valor da receita proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros para destinatários do mercado interno, bem como das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros SENAR1). O Relatório Fiscal apresenta o objeto social da empresa: Conforme Estatuto social, o objeto da empresa é a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; a criação de rebanhos de diversas espécies; a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e, a prestação de serviços inerentes e essas atividades. Conforme Estatuto Social, bem como da análise da situação fática vimos que a empresa enquadrase no conceito de agroindústria. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa acima identificada, na condição de agroindústria, foi autuada por descumprimento de obrigação principal (falta de pagamento), sendo reclamadas as contribuições previdenciárias da quota patronal (Auto de Infração Debcad nº 37.325.3737) e de terceiros – Senar (AI Debcad nº 37.325.3729), incidentes sobre o valor da receita proveniente da comercialização da produção rural no mercado interno (produção rural adquirida de terceiros). Integra também o processo, o Auto de Infração nº 37.325.3745 por descumprimento de obrigação acessória (omissão em GFIP das informações relacionadas aos fatos geradores das contribuições previdenciárias reclamadas), exclusivamente em relação às GFIP dos meses 09/2008 e 10/2008. Nas demais GFIP, a infração foi penalizada nos Autos de Infração da obrigação principal, em conjunto com a falta de pagamento (multa de ofício), por força da sistemática atual, implementada pela MP 449, de 03/12/2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009) ou, em período anterior, por se tratar de Fl. 985DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 984 5 multa mais benigna que a prevista ao tempo da infração (aplicação do disposto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN), conforme demonstrativo da folha 365. Em relação aos fatos geradores, aponta o Relatório Fiscal: 5.1 Analisando os documentos e a contabilidade do contribuinte ora autuado, a fiscalização constatou que a empresa não recolheu as contribuições devidas sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros (mercado interno). 5.2. As atividades desenvolvidas pelo sujeito passivo (descritas no item 3.3, supracitado) o enquadram como AGROINDÚSTRIA, portanto, conforme determina a legislação, a fiscalização considerou o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros (mercado interno) para fins de apuração da base de cálculo dos créditos lançados através dos autos de infração relacionados ao presente processo. LEI N° 8212/91 "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei n° 10.256, de 2001). 5.3. Diante do acima exposto, a fiscalização apurou as contribuições devidas sobre a comercialização da produção rural adquirida de terceiros (mercado interno) com base nos valores das vendas destacados nas notas fiscais emitidas com CFOP 5102 e 6102, discriminados nos demonstrativos a seguir descritos: 5.3.1. DEMONSTRATIVO DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL (MAÇÃ ADQUIRIDA DE TERCEIROS) NO MERCADO INTERNO NOTAS FISCAIS DE VENDAS EMITIDAS COM CFOP 5102 E 6102; 5.3.2. DEMONSTRATIVO DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL (SOJA, LEITE, VINHO, MEL) NO MERCADO INTERNO NOTAS FISCAIS DE VENDAS EMITIDAS COM CFOP 5102 Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, a fiscalização realizou um comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, considerando se a Lei 11.941/2009, de forma que aplicou a legislação vigente à época dos fatos geradores: 6.1.5.6. Tendo em vista o exposto nos subitens antecedentes, foram aplicadas as seguintes multas sobre as contribuições lançadas nos autos de infração acima descritos: Fl. 986DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 6.1.5.6.1. Para as competências cujas GFIPs válidas foram entregues até 03/12/2008 (competêncL J de 01/2007, 02/2007, 04/2007 a 08/2007, 01/2008 a 04/2008, 06/2008, 09/2008 3 10, 08), efetuouse a comparação dos valores de multa resultantes da aplicação da legislação anterior e posterior à MP n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941/ 2009, com base nas contribuições apuradas sobre a comercialização da produção rural adquirida de terceiros para destinatários do mercado interno. Em observância ao art. 106, inciso II, alínea 'c\,a Lei 5.172/66, do Código Tributário Nacional, elaboramos o "Demonstrativo do Valor da Contribuição Previdenciária Omitida em GFIP e do Cálculo do Valor da Multa Aplicada" (em anexo), onde resta demonstrado que para as competências de 09/2008 e 10/2008, a multa prevista na legislação anterior à MP 449/2008 multa de mora de 24% das contribuições previdenciárias em atraso (art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91) é a que comina penalidade menos severa e, para as competências de 01/2007, 02/2007, 04/2007 a 08/2007, 01/2008 a 04/2008 e 06/2008, a multa mais benéfica é a prevista na legislação posterior à publicação da já citada Medida Provisória, que corresponde à multa de 75% do tributo devido. 6.1.5.6.1.1. Assim, pelo descumprimento de obrigação acessória pela apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (competências 09/2008 e 10/2008), foi lavrado o Auto de Infração DEBCAD n° 37.325.3745 (CFL 68), a seguir descrito. 6.1.5.6.2. Para as contribuições apuradas nas competências de 03/2007, 09/2007 a 12/2007, 05/2008, 07/2008, 08/2008 e 11/2008, cujas GFIPs válidas foram entregues após 03/12/2008, a penalidade aplicável pelo descumprimento da obrigação principal é aquela prevista na legislação anterior à MP n° 449/2008 (vigente a partir de 04/12/2008), convertida na Lei n° 11.941, de 2009 multa de mora de 24% das contribuições previdenciárias em atraso (art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91). 6.1.5.7. As informações sobre a data de entrega das GFIPs válidas (Status exportada), relativas às competências mencionadas nos itens supracitados, foram obtidas através de Consulta ao sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, "GFIP WEB" relatório "Informações de remessa/Responsável" campo "Data de Envio", em anexo. 6.1.5.8. Para os fatos geradores ocorridos após a publicação da MP 449/2008, ou seja, a partir de 12/2008 (competências de 12/2008 a 12/2009), foi aplicada a multa do lançamento de ofício, que corresponde a 75% do tributo devido, aplicável ao descumprimento tanto da obrigação principal (não recolhimento) quanto da obrigação acessória (não declaração em GFIP). 6.1.6. As bases de cálculo, as alíquotas aplicadas, a relação das rubricas apuradas, bem como os períodos dos lançamentos dos Fl. 987DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 985 7 créditos, as contribuições originárias objeto da apuração, os valores dos créditos, os valores líquidos dos débitos apurados, assim como os juros e a multa e os valores consolidados encontramse demonstrados nos "DD Discriminativos do Débito", anexos a cada um dos Autos de Infração lavrados, os quais contém informações por competência e tipo de levantamento. Em relação ao AIOA nº 37.325.3745 CFL 68, informa o Relatório Fiscal: ".2.1.1. A ora autuada apresentou a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, incorrendo na infração de que trata o art. 32, inciso IV, e § 3o , da mesma Lei n° 8.212/91, na redação anterior à publicação da MP n° 449, de 2008, combinado com o art. 225, inciso IV e § 4o , do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. 6.2.1.2. A fiscalização constatou que o sujeito passivo deixou de informar em GFIP, contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural adquirida de terceiros para destinatários do mercado interno, o que implica omissão das correspondentes contribuições por ele devidas. As informações sobre os fatos geradores das contribuições omitidas em GFIP encontramse narradas nos itens 5.1 a 5.5, do presente relatório fiscal. 6.2.1.3. Conforme explicitado no "Demonstrativo do Valor da Contribuição Previdenciária Omitida em GFIP e do Cálculo do Valor da Multa Aplicada" e demais esclarecimentos dos itens 6.1.5.1 a 6.1.5.6.1, acima descritos, para as competências de 09/2008 e 10/2008 a penalidade mais benéfica ao contribuinte, para fins de aplicação da multa, é a prevista na legislação anterior à publicação da MP 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/09. 6.2.1.4. Diante do acima exposto, a fiscalização lavrou o Auto de Infração (CFL 68)pela omissão dos valores relativos à comercialização da produção rural adquirida de terceiros para destinatários do mercado interno em GFIP (competências de 09/2008 e 10/2008), em observância ao princípio da retroatividade benigna, insculpido no art. 106, inciso II, alínea 'c', do Código Tributário Nacional (CTN). A Recorrente teve ciência dos Autos de infração em 07/2011, conforme Aviso de recebimento AR. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, é de 01/2007 a 12/2009. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Fl. 988DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Inconstitucionalidade do art.22A da Lei nº 8.212/91 – ausência de previsão constitucional para se tributar o resultado da comercialização da produção rural. Assim, a nova fonte de custeio deveria estar estabelecida em lei complementar; Da criação de um única contribuição para cada hipótese constitucional – mesmo que a conclusão do intérprete fosse no sentido de que a norma constitucional trata de faturamento ou receita indistintamente, não possui validade a tributação pois a base oponível já é objeto de outros tributos: a citar a COFINS; Violação a precedente do STF – ADIN 1.103DF– Reedição de norma inválida –O STF declarou inconstitucional a tentativa de cobrança do tributo previsto na Lei nº 8.870/94, em seu art. 25, § 2º; STF – Recente declaração de inconstitucionalidade da contribuição sobre comercialização rural em repercussão geral – O STF, no dia 1º de agosto do corrente ano realizou o julgamento do RE 596.177/RS, que trata da matéria a nível de repercussão geral, confirmando a declaração de inconstitucionalidade da contribuição sobre a comercialização rural prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/91, proferida no RE 363.852/MG. Um dos argumentos utilizados pelo STF é o de que não poderia haver cobrança de duas contribuições sobre o faturamento: COFINS E “FUNRURAL”; Da ausência de amparo na CF/88 – A lei ordinária nº 8.212/91, no art. 22A, faz incidir o percentual da contribuição “FUNRURAL” sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção. Da desconsideração dos pagamentos efetuados – atrelado a todos os argumentos de inconstitucionalidade demonstrados na presente, temos ainda o fato de que a cobrança pretendida desconsiderou por completo todos os pagamentos efetuados pela autuada sob o código 2607. Isto porque quando a autuada compra produto de fornecedoresterceiros, ela possui o encargo de reter a contribuição sobre a comercialização rural e depois repassar ao fisco o total retido. Tal situação revela a ocorrência de enriquecimento sem causa por parte do INSS, na medida que sobre um mesmo produto, no caso presente: maçã, é cobrada a mesma contribuição, apenas com variação de alíquota, no momento da aquisição pela autuada, e depois novamente quando ela comercializa o produto, sem que haja qualquer alteração na composição do produto. Assim, o custo da aquisição deve ser deduzido da base tributável. Frente o exposto, a autuada requer o cancelamento das exigências fiscais por força do disposto no inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto 70.235/72,ou ainda que assim não se entenda, seja realizada diligência no período objeto da presente para dedução do montante apurado das contribuições recolhidas via GPS mediante código 2607, para evitar a “bitributação” e enriquecimento ilícito da autarquia previdenciária. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1035.859 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, conforme Ementa a seguir: Fl. 989DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 986 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Autos de Infração Debcad nº 37.325.3737, 37.325.3729 e 37.325.3745 AGROINDÚSTRIA. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO ADQUIRIDA DE TERCEIROS. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PAGA EM OPERAÇÃO ANTERIOR. O art. 22A da Lei nº 8.212/91 está vigente no ordenamento jurídico para dar suporte à cobrança das contribuições. Os órgãos judicantes da Administração Fazendária não possuem competência para apreciar e/ou julgar a presunção de constitucionalidade das leis. A agroindústria, na condição de adquirente, é obrigada a arrecadar e recolher a contribuição do produtor rural pessoa física (obrigação por responsabilidade), o que não se confunde com a sua contribuição (obrigação própria) incidente sobre a receita auferida pela comercialização dessa produção adquirida. Incomunicabilidade das contribuições do produtor rural pessoa física e da agroindústria para fins de dedução do que fora pago em operação anterior. Ambos participam do financiamento da seguridade social, cada qual com a sua contribuição sobre a receita auferida na comercialização da produção (princípio da universalidade de custeio). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimese para pagamento do crédito, no prazo de 30 dias da ciência, ressalvado o direito de parcelar, nas hipóteses legais, ou, no mesmo prazo, interpor recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Sala de Sessões, em 29 de novembro de 2011. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação e combatendo a decisão de primeira instância, em apertada síntese: Fl. 990DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 (i) Da violação do precedente do STF RE 363.852/MG e RE 596.177/RS O Supremo Tribunal Federal nos julgamentos do RE n° 363.852/MG e RE n° 596.177/RS (esse em sede de Repercussão Geral), declarou inconstitucional a contribuição social sobre comercialização rural (conhecida como "FUNRURAL") prevista no art. 25, da Lei n° 8.212/91, e exigida dos produtores rurais pessoa física. Ocorre que, inobstante as decisões referidas não digam respeito à norma descrita no art. 22A, da Lei n° 8.212/91, que prevê a cobrança de idêntico tributo das agroindústrias, OS FUNDAMENTOS ADOTADOS PELA SUPREMA CORTE SE APLICAM DE FORMA INCONTINENTI AO CASO EM DEBATE, a citar o argumento central utilizado pelo STF DE QUE NÃO PODERIA HAVER COBRANÇA DE DUAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE O FATURAMENTO: COFINS E "FUNRURAL (ii) Das decisões do STF efeitos quanto à presente cobrança Colocando fim à disputa tributária que perdurou por mais de uma década, o Supremo Tribunal Federal ao julgar o Recurso Extraordinário n° 363.852/MG, no dia 03.02.2010, decidiu pela inconstitucionalidade da contribuição social incidente sobre a comercialização de produtos rurais prevista no art. 25, da Lei n° 8.212/91, no que se refere à imposição do produtor pessoa física. (ii.1) Da criação de uma única contribuição para cada hipótese constitucional vedada a bitributação O STF declarou a inconstitucionalidade da contribuição exigida do produtor pessoa física, argumentando que falece validade à tributação, na medida em que a base oponível já é objeto de outros tributos: a citar a COFINS. (ii.2) Da ausência de fato gerador afronta ao princípio da legalidade A Lei n° 8.212/91 ao prever no art. 25, a contribuição do produtor rural pessoa física deixa de apontar o FATO GERADOR do tributo, descrevendo apenas a base de cálculo a ser adotada, em nenhum momento descreve qual seria o fenômeno que concretizaria a norma tributária. Assim, como o art. 22A repete o mesmo erro, deixando de prever o fato gerador da norma impositiva, deve ser extinta a cobrança pretendida pela clara inconstitucionalidade do tributo in concreto, eis que conforme já referido pelos julgadores do STF a norma impositiva não prevalece pela ausência de previsão do Fato Gerador, conflitando com o princípio da legalidade que determina que somente a lei pode prever os elementos essenciais do tributo, competindo aos instrumentos normativos da administração apenas regulamentar a previsão legal, jamais criar onde a lei se omite. Portanto, revelase imoral, ineficaz e ilegal o ato do agente administrativo no sentido de manter cobrança que pelas Fl. 991DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 987 11 similitudes com o leading case analisado pelo STF, já possui decisão que declara sua inconstitucionalidade, e, portanto, absurdo qualquer ato na tentativa de carrear tributo aos cofres públicos. (iii) Da desconsideração dos pagamentos efetuados Atrelado a todos os argumentos de inconstitucionalidade demonstrados na presente, temos ainda o fato de que a cobrança pretendida desconsiderou por completo todos os pagamentos efetuados pela autuada sob o código 2607. Isto porque quando a autuada compra produto de fornecedores terceiros, ela possui o encargo de reter a contribuição sobre comercialização rural (cf. art. 30, Lei n° 8.212/91) e depois repassar ao fisco o total retido. Tal situação revela a ocorrência de enriquecimento sem causa por parte do INSS, na medida em que sobre um mesmo produto, no caso presente: maçã; é cobrada a mesma contribuição, apenas com variação de alíquota, no momento da aquisição pela autuada, e depois novamente quando ela comercializa o produto. (...) Tal situação revela a premente inconstitucionalidade do tributo, eis que a Lei n° 10.256/01 vem a distorcer o conceito de faturamento, revelando uma cumulatividade não albergada pela CF/88, NOTADAMENTE quando diz respeito a produtos rurais, que diferentemente de outras categorias de produto, seus preços não podem ser manejados pelo empresário a seu bel prazer, de forma a cobrir todos os custos de produção, eis que existe interferência estatal como forma de regular o mercado e o acesso da população aos alimentos. Atentese para o fato de que o próprio §8°, do art. 195, da CF/88 deixa claro que deverá ser levado à tributação da contribuição rural, o resultado da comercialização, que pressupõe o abatimento das despesas com insumos, como no caso em tela. Neste sentido, reitera pedido de que seja deferida diligência para apuração do saldo devedor após a dedução de todos os recolhimentos efetuados sob o código 2607 no período autuado, evitando dessa forma a ocorrência de "bitributação", eis que o custo da aquisição deve ser deduzido da base tributável. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 992DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Voto Vencido Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos a partir da data de ciência do Acórdão da decisão de primeira instância e a data de protocolo do Recurso Voluntário. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – RASIP AGROPASTORIL S.A. contra Acórdão nº 1035.859 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações: Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.325.3737, parte empresa, com valor inicial de R$ 2.155.733,75; AIOP nº. 37.325.3729, destinado a Terceiros, com valor inicial de R$ 192.817,30; e Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº. 37.325.3745, CFL 68, com valor inicial de R$ 60.977,20. Os Autos de Infração acima descritos e referese às contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre o valor da receita proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros para destinatários do mercado interno, bem como das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros SENAR1). Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados AIOPs e AIOA que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Fl. 993DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 988 13 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das Fl. 994DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose os AIOPs e o AIOA, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (i) Da violação do precedente do STF RE 363.852/MG e RE 596.177/RS (ii) Das decisões do STF efeitos quanto à presente cobrança (ii.1) Da criação de uma única contribuição para cada hipótese constitucional vedada a bitributação Fl. 995DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 989 15 (ii.2) Da ausência de fato gerador afronta ao princípio da legalidade Analisemos conjuntamente os tópicos (i), (ii), (ii.1) e (ii.2). Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011: Fl. 996DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, conforme o Relatório Fiscal e o Relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, a autuação fiscal tem fundamentação no art. 22A, Lei 8.212/1991, sendo que o Supremo Tribunal Federal, conforme reconhece a própria Recorrente, não se manifestou acerca deste artigo (22A, Lei 8.212/1991) nos Recursos Extraordinários (RE n° 363.852/MG e RE n° 596.177/RS ) elencados pela Recorrente: O Supremo Tribunal Federal nos julgamentos do RE n° 363.852/MG e RE n° 596.177/RS (esse em sede de Repercussão Geral), declarou inconstitucional a contribuição social sobre comercialização rural (conhecida como "FUNRURAL") prevista no art. 25, da Lei n° 8.212/91, e exigida dos produtores rurais pessoa física. Ocorre que, inobstante as decisões referidas não digam respeito à norma descrita no art. 22A, da Lei n° 8.212/91, que prevê a cobrança de idêntico tributo das agroindústrias, OS FUNDAMENTOS ADOTADOS PELA SUPREMA CORTE SE APLICAM DE FORMA INCONTINENTI AO CASO EM DEBATE, a citar o argumento central utilizado pelo STF DE QUE NÃO PODERIA HAVER COBRANÇA DE DUAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE O FATURAMENTO: COFINS E "FUNRURAL. Embora a Recorrente requeira que o julgador administrativo aprecie a inconstitucionalidade da lei tributária, tal não se configura possível conforme se depreende da Fl. 997DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 990 17 Súmula nº 02 do CARF, na qual é expressamente vedado ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Da desconsideração dos pagamentos efetuados Atrelado a todos os argumentos de inconstitucionalidade demonstrados na presente, temos ainda o fato de que a cobrança pretendida desconsiderou por completo todos os pagamentos efetuados pela autuada sob o código 2607.(...) Analisemos. Em relação á apreciação de inconstitucionalidade, tal tópico já foi apreciado acima, conforme a Súmula nº 02 do CARF. Ora, também não há que se confundir a obrigação própria da agroindústria, relativa à comercialização de sua produção (nos termos do art. 22A, Lei 8212/1991), com a contribuição do empregador rural pessoa física (cuja contribuição está prevista no art. 25, Lei 8212/1991), conforme inclusive já debatido em sede de primeira instância, na qual transcrevo às fls. 883: Assim, é a forma de custeio da seguridade social e terceiros (SENAR) vigente no ordenamento jurídico para a agroindústria em questão, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, ainda que adquirida de terceiros. Nesse particular, cumpre observar que a agroindústria, na condição de adquirente, subrogase nas obrigações do produtor rural pessoa física, devendo arrecadar e recolher as contribuições. Portanto, essa contribuição do produtor rural pessoa física não se confunde com a obrigação própria da agroindústria, relativamente à comercialização de sua produção. “Responsável tributário” e “contribuinte” são sujeições passivas distintas, de obrigações diferenciadas, não se aplicando, portanto, a comunicabilidade dos valores para fins de dedução do que fora pago em operação anterior. Ambos (agroindústria e produtor rural pessoa física) participam do financiamento da seguridade social, cada qual com a sua contribuição, na forma da lei (princípio da universalidade de custeio). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (B) Das multas aplicadas Fl. 998DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Analisemos. Quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, a fiscalização realizou um comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, considerando se a Lei 11.941/2009. Diante do exposto, considero que, em relação à aplicação das multas, a autuação considerou a situação mais favorável ao contribuinte nos termos da Lei 11.941/2009. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 999DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 991 19 Voto Vencedor Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Redator Designado Conforme já informado no voto do eminente relator, Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, quanto à aplicação dos acréscimos moratórios, a fiscalização realizou um comparativo de multas visando a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte, considerandose a Lei 11.941/2009, de forma que aplicou a legislação vigente à época dos fatos geradores. Inicialmente, em relação às competências até 11/2008, inclusive, o fiscal autuante, com o intuito de identificar a penalidade aplicável ao presente processo, efetuou a comparação entre as multas previstas na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as previstas após as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009. Para tanto, efetuou planilha comparativa, através da qual somou à multa de mora prevista no art. 35, II, alínea “a” da Lei nº 8.212/91 a multa por falta de declaração dos valores apurados em GFIP prevista no art. 32, §5o da Lei n. 8.212/1991 (CFL 68), comparando o seu resultado com as penalidades previstas na legislação atual – multa de ofício de 75%, somada à multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no atual art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (CFL 78). Como resultado desse confronto, a Fiscalização concluiu ser a sistemática antiga mais benéfica em determinadas competências, lançando a multa de mora de 24% prevista no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, enquanto que, em outras competências, entendeu ser a sistemática nova mais favorável, tendo, por conseguinte, lançado a multa de 75% sobre os créditos tributários apurados na competência. A autoridade lançadora considerou, portanto, que a sanção progressiva prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, daí porque a comparou com a multa de 75% inserida no regime jurídico das contribuições previdenciárias em dezembro de 2008, pela inclusão do art. 35A na Lei nº 8.212/91, promovida pela MP 449/2008. No entanto, entendo ser equivocado o procedimento eleito pela Auditoria Fiscal para quantificação das sanções, seja porque cumulou penalidades referentes a infrações distintas: multa de mora por falta de recolhimento da contribuição previdenciária somada à multa por falta de declaração em GFIP, comparando o seu resultado à soma da multa de ofício prevista no atual artigo 35A da Lei n. 8.212/1991 com a multa por omissões ou incorreções em GFIP prevista no atual art. 32A da Lei n. 8.212/1991 (CFL 78); seja porque considerou que a multa de 24% teria natureza de multa de ofício, entendimento com o qual não coaduno. Vejamos. Antes das alterações introduzidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a multa moratória encontrava previsão no art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vejamos o que dispunha o referido dispositivo, com a redação vigente à época dos fatos geradores: Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinquenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Como se infere da norma acima colacionada, a multa moratória incluída em notificação fiscal de lançamento ou Dívida Ativa era progressiva, aumentando a depender da fase em que se efetivasse o pagamento ou parcelamento do crédito tributário, podendo alcançar o patamar de 100% caso parcelada depois de ajuizada a execução fiscal. Ocorre que, atualmente, se encontra em vigor norma punitiva da mora mais benéfica, já que o art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação veiculada pela Lei nº 11.941/2009, Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11020.722690/201109 Acórdão n.º 2403002.357 S2C4T3 Fl. 992 21 passou a determinar a aplicação do art. 61 da Lei nº 9.430/96 aos débitos previdenciários, segundo o qual a penalidade moratória não pode ultrapassar o percentual de 20%. Ou seja, a multa de mora deve ser limitada a 20%, em observância ao quanto disposto no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, e não mais ser elevada em função da fase em que o pagamento se efetivasse, até o patamar de 100%. Isto porque, apesar de a lei tributária de regência ser aquela em vigor à época da ocorrência do fato gerador, adotase a retroatividade benigna quando a lei posterior comine à infração penalidade da mesma natureza e menos gravosa, nos termos do art. 106, II, ‘a’ do CTN (Código Tributário Nacional). Com o advento da MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, não só foi alterada a redação do art. 35 da Lei 8.212/91, que trazia as regras de aplicação das multas de mora progressiva, mas também foi acrescentado à Lei nº 8.212/91 o art. 35A, o qual passou a apenar a falta de recolhimento do tributo com a multa de ofício correspondente a 75% do crédito tributário objeto de lançamento, penalidade essa até então inexistente no ordenamento jurídico. Dessa forma, em relação à multa de ofício, aplicada no montante de 75% nas competências até 11/2008, inclusive, estas devem ser canceladas, por não existir na legislação vigente à época do fato gerador multa de ofício em decorrência da falta de pagamento da contribuição previdenciária, mas tãosomente multa de mora. Vale notar que a exclusão da multa de ofício de 75% ora realizada é a única medida que pode ser efetuada por esse órgão julgador, que não tem competência para convertê la em multa de mora, pois isso demandaria um novo lançamento para constituição de crédito tributário relativo à penalidade de natureza distinta, atividade essa privativa da autoridade administrativa, nos termos do art. 142 do CTN. O CARF vem se posicionando no sentido de ser incabível a conversão de multas de naturezas distintas, a uma porque, tratandose de penalidade, não se pode adotar o princípio da fungibilidade; a duas porque, para a cobrança da multa de mora seria necessário novo lançamento, que não pode ser realizado pela autoridade julgadora. Vejamos o trecho da ementa e voto proferido em sede de Recurso Voluntário nº 160.001 nos autos do processo 10380.1007171200338 (Decisão publicada em 04.02.2009): CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de oficio isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso parcialmente provido. (...) “Quanto à decisão de primeira instância, importa salientar que esta, a pretexto de mitigar a multa de oficio aplicada por meio de Auto de Infração, na verdade converteua em multa de mora, promovendo assim um novo lançamento, o que é vedado à Autoridade Julgadora. Ademais, em se tratando de penalidades, é inaplicável o principio da fungibilidade, tendo em vista a Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 tipicidade cerrada que cerca essa espécie de exigência tributária.” Dessa forma, a atividade do lançamento é privativa da autoridade administrativa, sendo defeso ao órgão julgador, seja ele administrativo ou judicial, a mudança de classificação ou de enquadramento ao suporte normativo estabelecido pela autoridade competente. O que pode a autoridade julgadora, com respaldo no artigo 106 do CTN, é apenas reduzir a penalidade aplicada, caso lei posterior comine a determinado fato penalidade menos severa. A mudança da natureza da multa aplicada,contudo, não é permitida. Assim, a multa de mora por descumprimento de obrigação principal da nova sistemática deve ser comparada com multa de mora por descumprimento de obrigação principal da sistemática anterior; do que resulta a necessidade de limitar a 20% a penalidade aplicada até a competência 11/2008, inclusive, e excluir a multa de 75% sobre o crédito tributário apurado até a competência 11/2008, inclusive. Ressalto que, em relação às competências posteriores a 12/2008, inclusive, mantenho a multa aplicada no percentual de 75%, visto que, à época dos fatos geradores, tal penalidade já se encontrava em vigor. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto pelo: (i) cancelamento da multa de ofício de 75% aplicada até a competência de 11/2008, inclusive; e (ii) para determinar, até a competência de 11/2008, inclusive, o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por IVACIR JU LIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10950.003408/2009-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
DECADÊNCIA. REGRA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. TOTALIDADE DA REMUNERAÇÃO.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, possui como base de cálculo o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
No presente caso, ficou demonstrado que houve recolhimento parcial da contribuição calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do Código Tributário Nacional (CTN).
Numero da decisão: 9202-003.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. DECADÊNCIA. REGRA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. TOTALIDADE DA REMUNERAÇÃO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, possui como base de cálculo o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. No presente caso, ficou demonstrado que houve recolhimento parcial da contribuição calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do Código Tributário Nacional (CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire.
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ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. DECADÊNCIA. REGRA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. TOTALIDADE DA REMUNERAÇÃO. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. 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No presente caso, ficou demonstrado que houve recolhimento parcial da contribuição calculada sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, motivo da aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150, do Código Tributário Nacional (CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.003408/200902 Acórdão n.º 9202003.060 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0230, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0218, que decidiu dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 APURAÇÃO FISCAL COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA E NA ESCRITA CONTÁBIL. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o arbitramento das contribuições sociais quando a apuração fiscal se dá com esteio em documentos de pagamento de remuneração e na escrita contábil. COMPENSAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Somente podem ser compensados na apuração fiscal os créditos que o contribuinte comprove possuir. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco mencionou toda a documentação que deu embasamento à apuração fiscal, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo, quando as peças que compõem o lançamento lhe fornecem os elementos necessários ao pleno exercício da faculdade de impugnar a exigência. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESE PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de nulidade e por indeferir os pedidos para realização perícia técnica e análise contábil II) por maioria de votos declarar a decadência até a competência 06/2004, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não acolhia a decadência; e III) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso Como esclarecimento, o litígio trata da regra decadencial, expressa no CTN, a ser aplicada ao caso. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisão divergente, pois não houve recolhimento na rubrica exigida no lançamento; 2. Como não há recolhimento na rubrica exigida, deve ser aplicado ao caso a regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10950.003408/200902 Acórdão n.º 9202003.060 CSRFT2 Fl. 4 5 3. Dessa forma, concluise que a decadência não alcançou nenhum período lançado, já que a ciência do auto se deu em 27/07/2009; 4. Ante ao exposto, solicita o acolhimento e o rpovimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0233, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, devidamente cientificado, não apresentou contra razões e recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e com divergência comprovada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual regra decadencial, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento nas rubricas lançadas. Para o acórdão recorrido devese aplicar a regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida, pois há Súmula do CARF que trata da questão: Súmula 99 (DOU, 18/12/2013, Seção I, fls. 032): Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Cabe destacar que a própria recorrente afirma que não houve recolhimento, somente, sobre a rubrica. Portanto, deve ser mantida a decisão, pela aplicação da regra decadencial expressa no Art. 150 do CTN. CONCLUSÃO: Pelo motivo exposto, nego provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 301DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 12571.000198/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
Ementa:
IPI - CREDITO PRESUMIDO - LEI Nº 9.363/96 - REGIME ALTERNATIVO - Lei n° 10.276/2001 - COMBUSTÍVEIS - TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA EM FROTA PRÓPRIA - SÚMULA 19 DO CARF - OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DAS SÚMULAS PELOS MEMBROS DO CARF - ART. 72 DO RI/CARF.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário
Numero da decisão: 3402-001.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos negou-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designada Silvia de Brito Oliveira para redigir voto vencedor.
GILSON MCEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
Redatora designada
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. , Fernando Luiz da Gama Lobo DEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Helder Massaaki Kanamaru (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva..
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa: IPI - CREDITO PRESUMIDO - LEI Nº 9.363/96 - REGIME ALTERNATIVO - Lei n° 10.276/2001 - COMBUSTÍVEIS - TRANSPORTE DE MATÉRIA-PRIMA EM FROTA PRÓPRIA - SÚMULA 19 DO CARF - OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DAS SÚMULAS PELOS MEMBROS DO CARF - ART. 72 DO RI/CARF. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário
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Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 Ementa: IPI CREDITO PRESUMIDO LEI Nº 9.363/96 REGIME ALTERNATIVO Lei n° 10.276/2001 COMBUSTÍVEIS TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA EM FROTA PRÓPRIA SÚMULA 19 DO CARF OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA DAS SÚMULAS PELOS MEMBROS DO CARF ART. 72 DO RI/CARF. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designada Silvia de Brito Oliveira para redigir voto vencedor. GILSON MCEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 98 /2 00 9- 82 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12571.000198/200982 Acórdão n.º 3402001.793 S3C4T2 Fl. 3 2 Relator SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Redatora designada Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ... Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. , Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Helder Massaaki Kanamaru (Suplente), Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 347/355) contra o Acórdão DRJ/RPO nº 1431.584 de 19/11/10 constante de fls. 336/341 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 301/309, mantendo o Despacho Decisório nº 172/09 de fls. 297/300 da DRF de Ponta Grossa – PR, que indeferiu parcialmente (reconhecimento de R$ 19.709,93) o Pedido de Ressarcimento Eletrônico de n° 36755.00901.171007.1.1.010056, retificado pelo de n° 04397.11192.090609.1.5.015670, relativo ao Crédito Presumido de IPI do 3º trimestre do ano de 2003, no valor de R$ 32.961,47, apurado através do regime alternativo, em conformidade com a Lei n° 10.276/01, pretendendo utilizarse do suposto crédito nas compensações realizadas através das PERDCOMP n° 28879.86839.171007.1.3.01 0914. Por seu turno, o r. Despacho Decisório nº 172/09 de fls. 297/300 da DRF de Ponta Grossa – PR esclarece os motivos da glosa nos seguintes termos: “VERIFICAÇÃO DO CRÉDITO A verificação do crédito foi realizada através da auditoria dos arquivos eletrônicos apresentados pelo contribuinte, da conferência física por amostragem dos documentos fiscais, e da confirmação das exportações. O crédito presumido analisado no processo foi o da empresa, matriz e filial. Na auditoria dos arquivos eletrônicos foram auditados todos os componentes do cálculo dos créditos: Receita Bruta Operacional, Receita de Exportação, e Custos dos Insumos. As exportações informadas, todas realizadas de forma direta, foram confirmadas nos sistemas da RFB . Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12571.000198/200982 Acórdão n.º 3402001.793 S3C4T2 Fl. 4 3 DO RESULTADO A auditoria realizada constatou que o cálculo do crédito presumido do período foi realizado levandose em conta diversas aquisições e custos indevidos. Foram consideradas indevidamente as aquisições de diversos produtos que não podem ser considerados insumos, conforme legislação citada (Fundamentos Legais) combinada com a descrição do processo produtivo da empresa. Nas fichas de controle de estoques dos insumos foram apropriados diversos custos que não pode m ser caracterizados com o insumos, que são relativos a prestações de serviço de pessoas físicas, ou que não sofreram a incidência das contribuições. Referidas aquisições e custos, e que foram objeto de glosa, constam dos relatórios denominados "Relatório das Notas Fiscais de Entrada Glosadas" (fls. 294), relativas às entradas registradas através de Notas Fiscais de Entradas, e "Glosa de Outros Custos" (fls. 295), relativas às entradas lançadas nas fichas de controle de estoque dos insumos. Também foram objeto de glosa os valores dos combustíveis, tendo em vista que os mesmo s são utilizados exclusivamente para o transporte de insumos, não sendo utilizados no processo produtivo. Além dos fatos relacionados acima foram encontradas também impropriedades nos "Custos das MatériasPrimas". Alguns valores constantes das "Fichas de Controle dos Custos de Produção" divergem dos valores dos custos das matériasprimas (aplicados no mês) apontados nas Fichas de Controle de Estoque, sendo considerados, portanto, os valores constantes destas últimas. Em conclusão, com as considerações acima, o cálculo do crédito presumido foi refeito, conforme o documento intitulado "Memória de Cálculo do Crédito Presumido de IPI – 3º Trimestre de 2003" (fls. 296), constatandose que o crédito do período deve ser reconhecido parcialmente no valor de R$ 19.709,93 (...). CONCLUSÃO De acordo com o parecer, faço uso da competência delegada pela Portaria DRFB/PT G n° 72, de 18 de novembro de 2008, publicada no DO U de 21 de novembro de 2008, para: deferir parcialmente o Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI do 3º trimestre do ano de 2003; reconhecer o direito creditório no valor de R$ 19.709,93 (...), sem a incidência de juros compensatórios, conforme o disposto no § 5º do art. 72 da IN SR F n° 900/08; e homologar as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12571.000198/200982 Acórdão n.º 3402001.793 S3C4T2 Fl. 5 4 ORDEM DE INTIMAÇÃO Deste despacho decisório cabe manifestação de inconformidade, da parte que lhe foi desfavorável, a ser apresentada pelo interessado no prazo de trinta dias contados a partir do 1º dia útil subsequente àquele em que dele tomar ciência, mediante requerimento dirigido à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Cientifiquese o interessado, mediante entrega de cópia do presente ato. Após, encaminhese a SAORT para proceder ao implemento das providências necessárias e os acertos dos sistemas de controle desta Secretaria.” Por seu turno, a r. decisão de fls. 336/341 da 3ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP, houve por bem “julgar improcedente” a Manifestação de Inconformidade de fls. 301/309, mantendo o Despacho Decisório nº 172/09 de fls. 297/300 da DRF de Ponta Grossa – PR, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL PARA TRANSPORTE . Os valores referentes às aquisições com combustível para o transporte, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 347/355) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista que: a) a redução no valor de seu crédito presumido seria conseqüência de interpretação restritiva da legislação, razão pela qual seriam “legítimos” os créditos de IPI e o ressarcimento pleiteado nos termos da legislação de regência e da Jurisprudência que cita; b) os gastos com combustíveis em sua frota própria no transporte da matériaprima (madeira) até seu estabelecimento fabril são despesas diretamente incorridas no processo produtivo absolutamente imprescindíveis para sua atividade de beneficiamento de madeiras, destinando sua produção ao mercado exterior, o preparo do seu produto final englobando etapas de produção que vão desde o cultivo, passando pela extração da matériaprima, seleção, tratamento, beneficiamento, processamento, embalagem, estocagem até a exportação. É o relatório. Voto Vencido Fl. 372DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12571.000198/200982 Acórdão n.º 3402001.793 S3C4T2 Fl. 6 5 Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade mas, no mérito não merece provimento. Como já assentou o E. STJ, que “o motivo da existência” do crédito presumido do IPI “são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrialexportador” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no R.Esp. 813280SC, Reg. nº 2006/00173989, em sessão de 06/04/06, REl. Min. JOSÉ DELGADO, publ. in DJU de 02/05/06 pág. 271), sendo certo que “o benefício outorgado (...) pela Lei 9.363/96, atinge diretamente as empresas produtoras e exportadoras, consideradas dentro desse contexto também as suas filiais, sob pena de inviabilizar os efeitos pretendidos pelo aludido benefício, na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja igualmente responsável na referida operação” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no R.Esp. nº 499935RS, Reg. nº 2003/00146211, em sessão de 03/03/05, rel. MIn. FRANCISCO FALCÃO, publ. in DJU de 28/03/05 pág. 188). A Lei n° 10.276/2001, veio dispor em seu art. 1º que: Art. 1º. Alternativamente ao disposto na Lei n 9.363. de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação cio Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º. A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo: Por sua vez, a IN SRF n° 69/01, ao disciplinar o regime alternativo previsto na Lei n° 10.276/2001, dispôs que: Art. 1° Alternativamente ao disposto na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996 o crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), de que trata a Medida Provisória nº 2.2021, de 26 de julho de 2001, como ressarcimento relativo às contribuições pura os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e para a Seguridade Social (Cofins), incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos correspondentes a matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e Fl. 373DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12571.000198/200982 Acórdão n.º 3402001.793 S3C4T2 Fl. 7 6 combustíveis, utilizados no processo industrial, e do valor correspondente à prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto, poderá ser determinado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. Da opção Art. 2° A opção pelo regime alternativo de que trata esta Instrução Normativa abrangerá: I o último trimestrecalendário do ano de 2001, se exercida neste ano; II todo o anocalendário, se exercida nos anos subsequentes; III o período remanescente do anocalendário, na hipótese de exercício quando do início de atividades da pessoa jurídica. Art. 3º A opção de que trata o art. 2° será formalizada na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), correspondente ao: I último trimestrecalendário do ano de 2001, na hipótese do inciso I; II último trimestrecalendário do ano anterior, na hipótese do inciso II; III primeiro trimestrecalendário de atividades, na hipótese do inciso III.” Entende a r. decisão recorrida que quando o contribuinte optar pela base de cálculo da Lei n° 10.276/01, “admitese o combustível na apuração do crédito presumido, (...), tão somente quando empregado no processo de industrialização do produto, não no transporte de insumos ou mercadorias” (sic r. decisão recorrida). Embora entenda que os gastos com combustíveis utilizados em sua frota própria para obtenção e transporte da matériaprima (madeira) até o estabelecimento fabril, sobre o qual incidem as contribuições do PIS e da COFINS, estão inexoravelmente vinculados ao custo do processo produtivo do produto destinado à exportação, com a ressalva de minha convicção pessoal, a r. decisão mostrase conforme com a Jurisprudência deste E. Conselho cristalizada na Súmula CARF nº 19 e recentemente aprovada, segundo a qual “não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário” Isto posto, considerando a observância obrigatória das Súmulas pelos membros do CARF (cf. art. 72 do RI/CARF) e com a ressalva de minha convicção pessoal, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 12571.000198/200982 Acórdão n.º 3402001.793 S3C4T2 Fl. 8 7 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Voto Vencedor Conselheira Sílvia de Brito Oliveira – Redatoradesignada Da sessão ocorrida no Plenário desta 2ª Turma Ordinária, em 24 de maio de 2012, foi formalizada ata em que constou o julgamento deste, com o seguinte resultado: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Designada Silvia de Brito Oliveira para redigir o voto vencedor. Por essa razão, foramme remetidos estes autos para redigir o voto vencedor, conforme designação constante da ata da sessão em que foi julgado. Ocorre que, ao examinar o relatório e o voto supostamente vencido, verifiquei que o Relator, com efeito, ao contrário do resultado do julgamento consignado na ata, votou por negar provimento ao recurso, fato que afasta as razões para dele dissentir. Destarte, tendo em vista que o voto supostamente vencido coincide com o voto vencedor, resta esvaziado o voto vencedor, razão pela qual cabe aqui apenas esse esclarecimento para posterior apresentação de embargos de declaração, com base no disposto no art. 64, inc. I, do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 – Regimento Interno do Carf, para que seja sanada a contradição entre o voto do Relator e o resultado do julgamento. Sílvia de Brito Oliveira Fl. 375DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 10/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016054/2008-02
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. Se apresentados documentos pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, cabe à Fiscalização aprofundar a investigação para submeter os valores depositados, se for o caso, às normas previstas no referido dispositivo legal.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo do imposto lançado para R$ 101.667,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. Se apresentados documentos pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, cabe à Fiscalização aprofundar a investigação para submeter os valores depositados, se for o caso, às normas previstas no referido dispositivo legal. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte
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TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. Se apresentados documentos pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal, ou seja, antes da constituição do crédito tributário, cabe à Fiscalização aprofundar a investigação para submeter os valores depositados, se for o caso, às normas previstas no referido dispositivo legal. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo do imposto lançado para R$ 101.667,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 60 54 /2 00 8- 02 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 285 2 Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 228/231 deste processo digital), reproduzido a seguir: Cuidase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, que formalizou a exigência do crédito tributário assim discriminado: Imposto (2904) R$ 246.194,31 Multa de Ofício R$ 184.645,73 Juros de Mora (até 28/11/2008) R$ 157.244,30 Valor do Crédito Tributário Apurado R$ 588.084,34 No Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 10/15 a autoridade autuante relata que no curso da fiscalização, iniciada em 20/11/2008, levada a efeito no contribuinte José Fernando de Almeida Júnior, foi informada pela Caixa Econômica Federal de que a conta n° 1533.001.79005, tinha os seguintes titulares em 2003: José Fernando de Almeida Júnior, CPF 057.473.08696, Maria Aparecida Moura de Almeida, CPF 605.353.69620, e Annie Moura Almeida, CPF 057.505.05600, documento anexo à fl.51. O contribuinte, José Fernando de Almeida Júnior, tomou ciência do início da fiscalização e da primeira intimação fiscal em 22/12/2007. Por estar fora do país, fezse representar pelo seu pai José Fernando de Almeida que encaminhou o extrato bancário da conta corrente de n° 79005 da agência 1533 da Caixa Econômica Federal, ano calendário de 2003. A Sra. Annie Moura Almeida também tomou ciência da mesma intimação, fls. 16/17 e o termo de resposta é o mesmo apresentado conforme item anterior. O autuante, após análise e tabulação dos dados da conta corrente, encaminhou ao Sr. José Fernando de Almeida Júnior a Relação de Créditos (depósitos) anexa às fls. 31/34, ocorridos no período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 2003, e o intimou a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos depositados/creditados na sua conta bancária no valor de R$ Fl. 285DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 286 3 2.741.139,45(dois milhões setecentos e quarenta e um mil cento e trinta e nove reais e quarenta e cinco centavos) conforme termo de intimação fiscal. O Sr. José Fernando solicitou por escrito prorrogação de prazo por não ter conseguido a documentação solicitada junto a CEF. Em 02/07/2008, por meio de advogados constituídos, foi apresentado Termo de Resposta à intimação n° 036/2008 (fls. 29/30), acompanhado de documentos, dentre os quais cópia de contrato de prestação de serviços firmado entre o contribuinte e diversos contratantes, cujo objeto foi a "prestação de serviços na administração de recursos destinados à ampliação, adaptação e reforma no imóvel sito a Av. Raja Gablaglia, 2895, bairro São Bento, B.Hte., cuja posse pertence aos contratantes". O fiscalizado foi reintimado por meio do Termo de intimação n° 253/2008, fls. 72/73, onde foram repetidas requisições da intimação anterior e solicitada a comprovação de que o contrato foi implementado e que houve acerto de contas com os diversos signatários. Em 13 de outubro de 2008, trouxe novo termo de resposta (fls. 74/75), acompanhado de declarações dos diversos contratantes (fls. 76/85) com informação dos valores depositados na conta corrente do contribuinte. Prossegue a fiscalização relatando que por diversas vezes solicitou do contribuinte documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados para créditos na conta corrente acima citada. Considera que as declarações apresentadas desacompanhadas de documentação comprobatória não demonstram a transferência dos recursos para a conta do contribuinte. Acrescenta que as declarações não se sustentam e exemplifica que com poucas verificações nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constata que a contratante Maria das Mercês Almeida da Silva, não possuía em sua Declaração de Ajuste Anual simplificada, do exercício de 2004, anocalendário 2003, recursos declarados no montante necessário para fazer os depósitos no valor de R$ 305.000,00 (trezentos e cinco mil reais). Diante da falta de comprovação da origem dos recursos depositados em sua conta corrente, os valores creditados, excluídos aqueles já mencionados anteriormente, foram levados à tributação com base no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996. Nos termos da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o imposto total apurado foi proporcionalizado entre José Fernando Almeida Júnior, Annie Moura Almeida e Maria Aparecida Moura de Almeida em razão de serem os titulares da conta corrente em conjunto mantida na Caixa Econômica Federal. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 287 4 Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a peça de defesa acostada às fls. 160/183, acompanhada dos documentos de fls. 184/225. Com base no inciso III do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972 aponta o que seria vício formal, pois os fatos que ensejaram o lançamento não teriam sido descritos no auto de infração e sim no termo de fiscalização. Entende este fato como negligência, já que dificultou a defesa em afronta ao princípio da ampla defesa, bem como o princípio da eficiência da administração pública, parecendo que o auditor preocupouse apenas com a possível prescrição do suposto crédito tributário, não observando suas funções legais. Assevera que no auto de infração, não consta na descrição dos fatos qual a multa aplicada e tampouco sua fundamentação legal. Destaca que apesar de constar do auto de infração, não houve a devolução de todos os documentos apresentados, em especial a declaração da Caixa Econômica Federal, na qual informa acerca da impossibilidade de fornecer documentos exigidos pelo Fisco. Do Mérito As razões de mérito foram construídas com base em fartos excertos doutrinários, jurisprudenciais e julgados administrativos e dividemse em: impossibilidade do lançamento fundamentado em presunção; da multa aplicada; dever de prova; necessidade de diligência; da base de cálculo do imposto de renda inexistência de acréscimo patrimonial e; do pedido de reforma. Tais argumentos foram sintetizados conforme se segue. Conduz sua argumentação informando que não se admite um lançamento fundamentado em presunção quando se é possível verificar por outros meios a ocorrência dos fatos jurígenos suficientes e necessários ao surgimento da obrigação tributaria, muito menos quando as provas indiretas (indícios) não permitem a conclusão sólida e convicta da ocorrência do objeto da prova. Por meio de simples verificação do relatório fiscal, constata que o lançamento é nulo, haja vista que o agente fiscal, ao afirmar que o impugnante não apresentou documentos idôneos para comprovar todos os créditos lançados em sua conta corrente e com isto os caracterizou como renda, tendo em vista que foram apresentados documentos, declarações e informações de instituições financeiras suficientes para demonstrar lastro e indícios para a busca da verdade real. A defesa indica que bastava ao autuante verificar todas e não apenas uma das informações contidas nas declarações apresentadas, ou solicitar informações para a Caixa Econômica Federal, ou ainda, se ocorreu acréscimo patrimonial em favor do contribuinte. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 288 5 Como o objeto da prova é a origem dos créditos e a comprovação veio por meio da juntada de contrato de prestação de serviço, tal como das declarações dos contratantes, adverte que se o auditor fiscal duvida das declarações, deveria intimar os declarantes e posteriormente oferecer denúncia ao Ministério Público por falsa declaração, mas jamais poderia lançar crédito tributário a quem não tem relação com o fato gerador. Com a exigência irrestrita para que o contribuinte prove sua inocência a fiscalização acaba impedindo o exercício da ampla defesa e do contraditório, pois não aceita a comprovação por documentos idôneos dos créditos lançados na conta corrente ou por empréstimo entre particulares. Observa que o artigo 148 do Código Tributário Nacional somente autoriza o arbitramento da base de cálculo do tributo quando sejam omissos ou não mereçam fé os esclarecimentos prestados ou dos documentos expedidos pelo sujeito passivo. A defesa entende que a fiscalização perseguiu o contribuinte na medida em que concluiu o lançamento em data incomum, às vésperas do natal. Com amparo no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 justifica a necessidade de diligência por discordar das presunções que levaram a fiscalização a considerar em duplicidade créditos e empréstimos como base de cálculo, devendo ser apurada a real situação dos lançamentos e suas origens com as informações contidas nas declarações de imposto de renda dos contratantes, indicando a abertura de fiscalização contra os mesmos. Como a renda foi utilizada pela Constituição Federal para limitar a competência tributária da União, não pode o legislador ordinário ou ente arrecadador alargar sua abrangência de forma que desnature o seu conceito técnicojurídico. Afirma com firmeza que não existe renda tributável em decorrência da alegada omissão de receita, já que o imposto de renda exigido neste auto de infração foi apurado apenas porque a fiscalização utilizou como base de cálculo o somatório de todas as movimentações creditadas na conta bancária, tendo ocorrido, muitas vezes duplicidade e até triplicidade de créditos. Verifica pela leitura do auto de infração a inexistência da multa aplicada, vindo a observála no que tange ao cálculo do valor a ser pago, o que dificulta a defesa. Entende que a penalidade deve ser retirada porque sempre colaborou com a fiscalização e não utilizou nenhum mecanismo de fraude ou simulação. Ao final requer: a) A nulidade do lançamento em razão dos vícios que maculam o ato administrativo; b) Reabertura de prazo com devolução imediata de todos os documentos apresentados na fase de investigação, em especial a declaração da Caixa Econômica Federal; Fl. 288DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 289 6 c) Conversão do julgamento em diligência para comprovação de forma idônea e plena a origem dos créditos; d) Caso superada a nulidade, seja o contribuinte desobrigado do pagamento do tributo e seus acréscimos legais pela comprovação da origem dos créditos; e) A concessão de prazo para juntar comprovantes e comprovar a origem dos créditos e os reais sujeitos passivos. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 227/239, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer conduta da fiscalização durante o procedimento fiscal que tenha prejudicado o contribuinte. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte. Sendo concedida, na fase impugnatória, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos é improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/01/2012, a Interessada interpôs, em 23/02/2012, o recurso de fls. 246/279. Na peça recursal reitera os argumentos expendidos na impugnação e aduz, em complemento, que: O lançamento referese a valores, em sua grande maioria, confiados ao irmão da Recorrente, pelo acompanhamento do desenvolvimento do restaurante “Porcão”, Fl. 289DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 290 7 conforme Contrato de Prestação de Serviços juntado aos autos e com autenticidade confirmada pelos subscritores. Mesmo comprovada a origem dos recursos, destinação e ainda confissão do responsável exclusivo pelos depósitos, a decisão recorrida entendeu pela manutenção do lançamento contra a Recorrente, sem enfrentar as alegações de defesa, em especial no que tange a responsabilidade exclusiva de José Fernando de Almeida Júnior pela maioria das movimentações. Todos os documentos apresentados foram considerados idôneos, ou seja, a Administração reconhece que o titular da conta, José Fernando de Almeida Júnior, recebia os valores em sua contacorrente para aplicar, exclusivamente, no investimento de seus contratantes, não auferindo nenhum benefício ou renda não declarada com tal prática. A Recorrente apresentou todas as provas possíveis, comprovando qual parte da movimentação era de sua responsabilidade. Contudo, as mesmas foram desconsideradas pela Fiscalização e pelo acórdão recorrido, sendolhe imputado um terço dos supostos créditos sem origem. A decisão recorrida desconsiderou as declarações e documentos apresentados para comprovar a origem dos recursos. Não houve nenhuma investigação detalhada de todos os depositantes. Não se pode transferir à Recorrente as obrigações do Fisco, em especial quando juntado aos autos declarações consideradas pela própria Fiscalização como comprovadoras da origem e destinação dos recursos. A decisão deve ser reformada, em virtude da omissão da Fiscalização pela busca da verdade real. A Administração deve coletar todas as provas necessárias e possíveis para se chegar o mais próximo possível da verdade material, haja vista que a ausência de provas impede a efetivação do lançamento. A afirmação, constante do acórdão recorrido, de que a Recorrente apresentou documento idôneo, mas não hábil a comprovar todos os créditos lançados, é um completo absurdo. O acórdão recorrido entendeu que a necessidade de disposição legal para incidência da multa é apenas para os casos de agravamento, sem apontar lastro na legislação para tal entendimento ou excludente da obrigação. A recusa por parte do Fisco na realização de perícia contábil violou o devido processo legal e a necessidade de busca pela verdade real. O suposto crédito tributário diz respeito somente ao Sr. José Fernando de Almeida Júnior, e não a seus dependentes. De fácil constatação que quase todas as movimentações na conta conjunta foram realizadas somente por ele e para a finalidade do contrato de prestação de serviços. Pugna, ao final, pelo provimento do recurso, com a consequente reforma da decisão recorrida e a improcedência do lançamento fiscal. Voto Fl. 290DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 291 8 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade (procuração outorgando poderes ao patrono da Recorrente acostada aos autos em fl. 184 deste processo digital). PRELIMINARES Quanto ao suposto vício formal do Auto de Infração, ao suposto cerceamento do direito de defesa e à necessidade de diligência utilizo, como razões de decidir, os fundamentos bem lançados na decisão de piso, cujos excertos são reproduzidos a seguir: Inexistência de vício formal É de clareza sem igual a informação descrita tanto no documento de fl. 06 (descrição dos fatos e enquadramento legal), quanto no Termo de Verificação Fiscal de fls. 10/15. Nestes documentos a fiscalização destacou o motivo do lançamento, qual seja a falta de comprovação da origem dos valores depositados na conta bancária da contribuinte. Descreveu que por diversas vezes, José Fernando foi intimado a apresentar a origem dos recursos e destacou que do imposto total apurado, houve divisão proporcional entre a impugnante e outras duas pessoas, Maria Aparecida Moura Almeida e José Fernando de Almeida Júnior, por serem titulares solidários da conta bancária 1533.001.7900.5 mantida na Caixa Econômica Federal. Pelo teor da intimação de fls. 16/17, a contribuinte teve ciência de que o Sr. José Fernando não comprovou a origem dos recursos depositados na referida conta e foi instada a comprová los, o que não ocorreu. Do ponto de vista formal do lançamento, a descrição dos fatos, por mais que o contribuinte pense o contrário, indica todos os procedimentos adotados pela fiscalização, inclusive os motivos para a não aceitação dos documentos trazidos aos autos pelo contribuinte. O fato de o contribuinte entender que a fiscalização não poderia deixar de considerar o que estava descrito nos documentos produzidos durante o procedimento fiscal não é motivo de nulidade do lançamento. Isto porque, o exame de que tais documentos são aptos a comprovar a origem dos recursos será feito quando da análise do mérito da questão em discussão. Inexistência de cerceamento ao direito de defesa Acrescentese que tanto a autuada quanto os outros dois titulares da conta bancária tiveram pleno conhecimento do procedimento fiscal, com o exercício do mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, ainda na fase de instrução do processo, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização, não podendo prosperar, por conseguinte, as alegações de cerceamento do direito de defesa. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 292 9 Desnecessidade de Diligência Quanto ao pedido para que os autos sejam baixados em diligência, os argumentos expendidos pela defesa são insuficientes para o deferimento do pleito. Alega a defesa a existência de valores considerados em duplicidade pela fiscalização, mas não os aponta. A autoridade fiscal identificou a existência de R$ 3.179.502,41 (três milhões cento e setenta e nove mil quinhentos e dois reais e quarenta e um centavos) na conta corrente da contribuinte e outros dois titulares, depurou esse valor na forma dos incisos I e II do § 3º do artigo 42 da Lei 9.430/1996, remetendo ao contribuinte, por meio de termo de intimação a relação dos depósitos no montante de R$ 2.741.139,45 (dois milhões setecentos e quarenta e um mil cento e trinta e nove reais e quarenta e cinco centavos) para que fosse comprovada a origem dos recursos, o que, repitase, não foi feito pelo contribuinte. Desse modo, com fundamento nos artigo 18 e 29 do Decreto nº 70.235/1972 indefiro o pedido de diligência, por considerar que os elementos contidos nos autos são suficientes e esclarecedores. MULTA APLICADA Ao contrário do afirmado pela Recorrente, o acórdão recorrido não entendeu que a necessidade de disposição legal para incidência da multa é apenas para os casos de agravamento, sem apontar lastro na legislação para tal entendimento ou excludente da obrigação. Confira: Como no caso de lançamento de ofício a imposição da multa no percentual de 75% decorre somente de lei e não de qualquer atitude da autoridade autuante, deve apenas constar do auto de infração a forma de seu cálculo e a fundamentação legal, a exemplo do que está demonstrado à fl. 05. Obviamente que, quando a fiscalização agrava a penalidade, seja por ausência de atendimento à intimação, seja por utilização da fraude, do dolo ou da simulação pelo contribuinte, devem constar os motivos do agravamento no Termo de Verificação Fiscal, o que não é o caso dos autos. Ademais, no “Demonstrativo de Multa e Juros de Mora” (fl. 5 deste processo digital) está escrito: Enquadramento Legal MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 75,00% Art. 44, inciso I, da Lei n°9.430/96. JUROS DE MORA A PARTIR DE JANEIRO DE 1997 (p/Fatos Geradores a partir de 01/01/97): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para titulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61, § 3o, da Lei n° 9.430/96. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 293 10 MÉRITO Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao(s) titular(es) da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo(s) contribuinte(s), da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Assim, uma vez caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao(s) contribuinte(s) demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e o depósito dos recursos em conta de sua titularidade, pena de ser este reputado como rendimento omitido. No caso concreto, a Interessada buscou comprovar a origem dos depósitos mediante a apresentação de declarações firmadas por pessoas que confirmam a realização dos depósitos em decorrência do contrato de prestação de serviços de fls. 44/45 deste processo digital. Nesse contexto, caberia à Autoridade fiscal, a meu ver, em caso de dúvida quanto ao conjunto probatório apresentado, aprofundar a investigação de forma a evidenciar que a origem dos depósitos não era aquela apontada pela contribuinte. Este aprofundamento poderia ser feito, por exemplo, por meio de intimação aos depositantes para que os mesmos apresentassem os documentos comprobatórios das transferências bancárias (os extratos de fls. 88/152 revelam um volume expressivo de depósitos efetuado mediante transferência proveniente dos bancos 001, 237 e 399 (CRED TED), transferências estas que, necessariamente, são feitas com o preenchimento de um formulário que identifica emitente e destinatário). Observo, no entanto, que o aprofundamento da investigação ocorreu tão somente em relação a uma das pessoas que declarou ter depositado R$ 305.000,00 na conta conjunta em que a Recorrente era uma das titulares, mediante pesquisa nos sistemas informatizados da RFB, com a juntada, aos autos, do documento de fls. 68/70 deste processo digital. Tal documento não deixa nenhuma dúvida de que a suposta depositante não era detentora de recursos suficientes para fazer, no ano de 2003, depósitos no valor total de R$ Fl. 293DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10680.016054/200802 Acórdão n.º 2801003.413 S2TE01 Fl. 294 11 305.000,00, motivo pelo qual entendo que, em relação a esta quantia, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada. Em relação ao restante dos valores depositados na conta, não houve qualquer aprofundamento de investigação por parte da Fiscalização, tampouco consta dos autos qualquer elemento de prova que indique que as demais declarações apresentadas não são verdadeiras, de forma que tais valores devem, a meu juízo, serem decotados da base de cálculo do lançamento. Registro ainda, por oportuno, que o § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabelece que no caso de contas bancárias mantidas em conjunto, cujas declarações de rendimentos dos titulares tenham sido apresentadas em separado, inexistindo a comprovação da origem dos recursos depositados devese imputar a omissão de rendimentos a cada um dos titulares, mediante a divisão do total dos valores depositados pela quantidade de titulares. Portanto, em relação aos valores não comprovados descabe a alegação de que pertenciam a este ou aquele titular, haja vista que o montante atribuído a cada um já está previamente definido em disposição literal de lei. No presente caso, entendo que a base de cálculo apurada pela Autoridade lançadora, no valor de R$ 913.713,50, deve ser reduzida para R$ 101.667,00, que corresponde a um terço dos depósitos cuja origem não foi comprovada (R$ 305.000,00 dividido por 3 co titulares). Face ao exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo do imposto lançado para R$ 101.667,00. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 294DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10925.900906/2008-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 09 06 /2 00 8- 13 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Tratase da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 12293.00416.111104.1.3.040901 (fls.99/101), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débitos de Cofins (código de receita: 5856), e PIS (código de receita: 6912), referentes ao período de apuração: agosto/2004, vencimento: 15/09/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004, Valor: R$ 2.893,65). Por intermédio do despacho decisório de fl.06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado com o referido decisório, o contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu fato gerador de CSLL, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.071, de 30 de junho de 2011 (fls.108/109). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 02/09/2011 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 28/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente conclui que, restando comprovado nos documentos acostados aos autos que houve recolhimento de tributos sem a ocorrência do fato gerador da obrigação, tais valores hão de ser declarados de direito da recorrente, para ser deferido o pedido de compensação protocolado, sob pena de se perpetuar o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.279, de 06/08/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900906/200813 Acórdão n.º 1802002.104 S1TE02 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Joaçaba/SC, após a diligência efetuada elaborou Informação Fiscal conclusiva para a análise cientificada ao sujeito passivo em 23/10/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR). Transcorrido o prazo legal sem a manifestação do interessado, os autos retornaram ao CARF para prosseguir o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802000.279, de 06/08/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 12293.00416.111104.1.3.040901 (fls.99/101), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débitos de Cofins (código de receita: 5856), e PIS (código de receita: 6912), referentes ao período de apuração: agosto/2004, vencimento: 15/09/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004, Valor: R$ 2.893,65). Conforme relatado, pelo despacho decisório de fl.06, emitido em 09/05/2008, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 16/06/2008 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0725.071, de 30 de junho de 2011 (fls.108/109) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. O Recorrente em 28/05/2008, após a expedição do despacho decisório de 09/05/2008, cientificado ao contribuinte em 21/05/2008 (fl.105) e, antes de apresentar a manifestação de inconformidade (16/06/2008), retificou a DCTF do 1º trimestre Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 de 2004 (fl.08) na qual altera para “zero”, o débito da CSLL – estimativa mensal. relativa ao mencionado trimestre. A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade e repisada no recurso voluntário é que, no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu o fato gerador de CSLL, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. O crédito aventado nos presentes autos referese a pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004, Valor: R$ 2.893,65. É cediço, que a CSLL determinada mensalmente com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução deve ser paga até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996). Apesar de a DPJ/2005 – Ficha 16 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido Mensal por Estimativa discriminar a FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO DA CSLL “Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução”, o Recorrente não juntou aos autos os balanços ou balancetes mensais transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. O contribuinte requer a compensação do valor pago por estimativa mensal e vincula seu pleito a saldo negativo da CSLL em 2004, apresentando a DIPJ/2005 com base de cálculo negativa em todos os meses do ano calendário de 2004. Cabe verificar: a) se o pagamento efetuado de CSLL à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004, Valor: R$ 2.893,65, foi utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2004; b) se o pagamento da CSLL foi calculado com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução e, c) se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Joaçaba/SC, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor da CSLL por estimativa a maior, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900906/200813 Acórdão n.º 1802002.104 S1TE02 Fl. 4 5 ... Da Informação Fiscal apresentada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC consta o seguinte: (...) Para responder as indagações formuladas pela digna autoridade julgadora, foi regularmente intimada a contribuinte para esclarecer a apuração do saldo negativo bem assim apresentar os Livros Diários em que foram transcritos os balanços ou balancetes que teriam sido utilizados para cálculo das estimativas mensais de 2004, bem como as memórias de cálculo respectivas, enfim qualquer outro elemento que pudesse demonstrar e comprovar a apuração do saldo negativo. A contribuinte, em resposta, apenas esclareceu que os recolhimentos teriam sido efetuados de forma "equivocada e aleatória, não se baseando em memórias de cálculo especificas", e por esta razão, "não há que se falar em apresentação dos livros diários". Em razão da interessada se negar a apresentar os livros diários do período não há como se responder, com base nos registros contábeis, se os recolhimentos a título de estimativa mensal foram utilizados na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do ano de 2004. Na DIPJ apresentada (ficha 11) informa que optou pelos recolhimentos da estimativa com base nos balanços ou balancetes de suspensão, sem qualquer outro registro. Na DCTF (original) informou débito da CSLL com base na receita bruta e acréscimos, porém posteriormente retificoua, zerando o valor. Relativamente à segunda questão (se o pagamento da CSLL foi calculado com base na receita bruta e acréscimo ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução), a reclamante informou, apenas que "os recolhimentos foram equivocados e aleatórios". ... Quanto a terceira indagação: se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da lei n° 8.981 de 1995, não se pode responder, dada a recusa da contribuinte em apresentar o respectivo livro. (...) Cientificado da Informação Fiscal, após a realização da diligência, a Recorrente nada contraditou. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Como se vê, a Recorrente apresentou PERDCOMP no qual sustenta crédito a título de CSLL por estimativa mensal paga a maior mas não comprova tal crédito, ainda que oportunizada pela diligência realizada. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a existência e o exato valor do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 2.893,65, adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de CSLL (código de receita: 2484 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 29/02/2004, Data de Arrecadação: 31/03/2004. A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de verificar a existência do pagamento indevido pleiteado. A autoridade fiscal foi além e tentou junto ao contribuinte que lhe fosse apresentado livros e documentos para saber da existência de saldo Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900906/200813 Acórdão n.º 1802002.104 S1TE02 Fl. 5 7 negativo no ano calendário de 2004. No entanto, a pessoa jurídica em nada colaborou para tal desiderato. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 11/11/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 09/05/2008, (fl.06), e apresentou a manifestação de inconformidade em 16/06/2008 (fls.01/05). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 12448.736471/2011-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2006, 2007
BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO. UTILIZAÇÃO DISTORCIDA.
REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA ARTIFICIAL. MULTA
QUALIFICADA. DOLO.
Não obstante uma serie de atos empreendidos aparentemente no sentido de promover reorganização societária, restou evidente que tiveram a intenção deliberada de majorar custo de investimento que logo em seguida seria alienado, tudo em consonância com acordo previamente celebrado entre as partes envolvidas. A emissão dos bônus de subscrição serviu especificamente para majorar o valor das ações que seriam alienadas logo na seqüência, distorcendo a sua utilização, vez que em nenhum momento restou demonstrada a intenção de se angariar investimentos para a capitalização da empresa, ou mesmo de se admitir o ingresso de um novo sócio. Atos sucessivos de compra e venda de participações entre sócios, inclusive com
valores artificiais, celebração de pacto anterior entre envolvidos prevendo todas as etapas da operação e emissão de bónus de subscrição descontextualizada e sem fundamento caracterizam completa ausência de propósito negocial e conduta dolosa, o que autoriza a qualificação da multa de oficio.
Numero da decisão: 1103-000.957
Decisão: Acordam os membros do colegiado, negar provimento, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero (Relator), Marcos Shigueo Takata e Fabio Nieves Barreira, que afastaram a qualificação da multa de oficio, reduzindo-a ao seu percentual ordinário de 75%. A exigência principal foi mantida por decisão unânime.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura.
Nome do relator: Hugo Correa Sotero
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006, 2007 BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO. UTILIZAÇÃO DISTORCIDA. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA ARTIFICIAL. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Não obstante uma serie de atos empreendidos aparentemente no sentido de promover reorganização societária, restou evidente que tiveram a intenção deliberada de majorar custo de investimento que logo em seguida seria alienado, tudo em consonância com acordo previamente celebrado entre as partes envolvidas. A emissão dos bônus de subscrição serviu especificamente para majorar o valor das ações que seriam alienadas logo na seqüência, distorcendo a sua utilização, vez que em nenhum momento restou demonstrada a intenção de se angariar investimentos para a capitalização da empresa, ou mesmo de se admitir o ingresso de um novo sócio. Atos sucessivos de compra e venda de participações entre sócios, inclusive com valores artificiais, celebração de pacto anterior entre envolvidos prevendo todas as etapas da operação e emissão de bónus de subscrição descontextualizada e sem fundamento caracterizam completa ausência de propósito negocial e conduta dolosa, o que autoriza a qualificação da multa de oficio.
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Acórdão no 1103-000.957 — la Câmar3 Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de Matéria IRPJ -0 ("" It** Recorrente CASTILIVNGENHARIA E EMPREENDIMENTOS S.A Recorrida FAZEka NACIONAL ",C) 4s+ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006, 2007 BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO. UTILIZAÇÃO DISTORCIDA. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA ARTIFICIAL. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Não obstante uma serie de atos empreendidos aparentemente no sentido de promover reorganização societária, restou evidente que tiveram a intenção deliberada de majorar custo de investimento que logo em seguida seria alienado, tudo em consonância com acordo previamente celebrado entre as partes envolvidas. A emissão dos bônus de subscrição serviu especificamente para majorar o valor das ações que seriam alienadas logo na seqüência, distorcendo a sua utilização, vez que em nenhum momento restou demonstrada a intenção de se angariar investimentos para a capitalização da empresa, ou mesmo de se admitir o ingresso de um novo sócio. Atos sucessivos de compra e venda de participações entre sócios, inclusive com valores artificiais, celebração de pacto anterior entre envolvidos prevendo todas as etapas da operação e emissão de bónus de subscrição descontextualizada e sem fundamento caracterizam completa ausência de propósito negocial e conduta dolosa, o que autoriza a qualificação da multa de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero (Relator), Marcos Shigueo Takata e Fabio Nieves Barreira, que afastaram a qualificação da multa de oficio, reduzindo-a ao seu percentual ordinário de 75%. A exigência principal foi mantida por decisão unânime. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura. Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS . ...--- Aloysi o Presi ente Co eia Soter elator .. Processo n° 12448.736471/2011-41 Acórdão n.° 1103-000.957 Si -Cl 13 Fl. 2.371 André endes de Mou R dator Designad Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percinio da Silva. Relatório Em face da Recorrente foi formalizado lançamento de oficio para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), ancorando-se a exigência na ausência de adição ao lucro liquido pertinente aos exercícios de 2006 e 2007 de ganho de capital obtido na alienação de participação acionária detida na sociedade Univias Participações S/A, afirmando a autoridade lançadora a prática de operações simuladas em conluio com outros interessados. De acordo com o que se extrai do "Relatório da Ação Fiscal" (fls. 1738/1770), em janeiro de 1998, foram constituídas as pessoas jurídicas Metrovias, Convias e Sulvias, tendo como objeto social a exploração, sob o regime de concessão, dos complexos rodoviários denominados pólos Metropolitano, Caxias do Sul e Lajeado, possuindo a Recorrente participação no capital social dessas empresas correspondente a 24,49%. Em 29/12/2004, a BGPAR, a Construtora Sultepa e a Pedrasul, transferiram para CP Construções e Participações Ltda., em aumento de capital, parte das ações que detinham na Metrovias, na Convias e na Sulvias. Dos sócios originais das concessionárias, apenas a Castilho não transferiu ações para a CP, mantendo inalterada sua participação direta nas referidas concessionárias. Em 15/09/2006, foi efetuada uma cisão parcial da CP, que resultou na saída da sócia Monte Bérico e na redução da participação da Construtora Sultepa. A Monte Bérico se retirou da CP recebendo ações da Metrovias, da Convias e da Sulvias, que foram transferidas diretamente para a TBPAR, controlada pela Monte Bérico (99,99%). A Construtora Sultepa reduziu a participação na CP (apesar de ter aumentado em termos percentuais, pela saída da Monte Bérico), recebendo ações da Sulvias e da Metrovias, que foram transferidas diretamente para a Sultepa Construções e Comércio. 2 Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n°12448.736471/2011-41 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.372 A cisão da CP Construções e Participações Ltda, segundo afirma a autoridade lançadora, foi a primeira etapa de uma sequência de atos objetivando a alienação do controle das concessionárias para a Robina Empreendimentos e Participações Ltda. A saída da Monte Bérico do quadro societário da CP ocorreu porque o grupo Toniolo Busnello não tinha a intenção de se desfazer de sua participação nas concessionárias. Assim, saiu da CP e voltou a ter participação direta nas três concessionárias, através da TBPAR, permitindo que os sócios remanescentes (grupo Sultepa e Brasilia Guaiba) alienassem para a Robina suas participações nas concessionárias. A Castilho Engenharia também alienou sua participação nas concessionárias para a Robina, mas não o fez através da CP. A etapa seguinte foi a utilização da Univias Participações S/A, que havia sido constituída em 11/04/2006 sob a denominação de EDSR19 Participações e Empreendimentos Imobiliários S/A, com capital de R$ 1.000,00. Segundo a autoridade lançadora, EDSR19 era uma típica empresa de gaveta, criada por Eduardo Duarte, atualmente responsável por mais de duzentas empresas perante a Receita Federal, muitas denominadas com números e já envolvidas em fraudes. A EDSR19 teve sua denominação alterada para Univias Participações S/A em 18/09/2006, quando ingressaram na sociedade a Pedrasul, a BGPAR, a Castilho e a CP. A Castilho, que não havia ingressado no quadro da CP, ingressou diretamente na Univias, recebeu 342 ações com valor total de R$ 342,00. Em 10/06/2006 ocorreu um aumento de capital na UNIVIAS, integralizado pelos quatro sócios através da conferência pelo valor contábil de ações das concessionárias, resultando, para a Recorrente, participação correspondente a 34,22% do capital. Em sequência, no dia 10/10/2006 foram realizadas quatro assembléias da UNI VIAS, tendo as empresas PEDRASUL, BGPAR, CASTILHO e CP, em cada uma dessas, subscrito ações para aumento do capital social no valor de R$ 1.000.000,00 e reserva de capital (ágio na emissão de ações) de R$ 66.689.036,74. Nessas operações, identificou a autoridade lançadora distorção em relação ao valor subscrito pela Recorrente (R$ 135,1109 por lote de 1.000 ações) e pela CP (R$ 972,2413 por lote de 1.000 ações), indicando a autoridade lançadora que tal distorção decorreria do intento das partes de compensar disparidade no valor contábil das participações originais de cada parte e manter o percentual desejado de participação (34,22% da Recorrente e 64,77% da CP). Na etapa seguinte, 11/10/2006, a Univias emitiu bônus de subscrição (fls. 962), conferindo ao titular desses bônus o direito de subscrever 80.000.800 ações ao preço total de R$ 20.618.627,53. 0 prêmio a ser pago A. Univias pela subscrição do bônus foi estabelecido em R$ 118.322.660,47. Na mesma assembléia, os acionistas renunciaram ao direito de preferência para subscrição do bônus e aprovaram que a subscrição fosse efetuada pela Robina. De acordo com o Boletim de Subscrição de 11/10/2006, o bônus foi pago pela Robina da seguinte forma: R$ 17.400.391,24 no ato, em moeda corrente nacional, e R$ 100.922.269,22 por duas notas promissórias de R$ 50.461.134,61, com vencimento em 26/02/2007, emitidas por Empate Engenharia e Comercio Ltda. e Heber Participações Ltda., controladores da Robina. As notas promissórias foram resgatadas antecipadamente, em 16/11/2006. 3 Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 SI-CIT3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.373 Os valores recebidos pela Univias referentes a subscrição do bônus foram repassados aos sócios CP, BGPAR, Castilho e Pedrasul, por conta de mútuo. A Castilho recebeu R$ 40.745.819,54 (R$ 5.932.130,45 em 10/2006 e R$ 34.813.689,09 em 11/2006). Esse procedimento todo foi a primeira etapa da venda, apesar de não ter sido formalmente tratada pelos alienantes como venda de ações, mas sim dissimulada sob suposta reorganização societária (emissão de bônus, pagamento de bônus pela Robina e repasse dos valores recebidos pela Univias aos sócios, através de mútuo, para quitação com futuro resgate de ações). Como a Robina não exerceu de imediato o direito de subscrever as 80.000.800 ações, não houve alteração no quadro societário da Univias em 11/10/2006. Esse artificio permitiu que a Castilho majorasse o custo de seu investimento na Univias através da equivalência patrimonial, já que o PL da Univias foi inflado com o recebimento do Bônus de Subscrição (fls. 1029), mas não foi registrada de imediato a participação da Robina, que somente em 2007 viria a exercer o seu direito de subscrever as ações. A Castilho, que detinha 34,22% da Univias, registrou uma equivalência patrimonial de R$ 59.174.736,07 em 31/10/2006 (fls. 35). 0 investimento, registrado originalmente por R$ 4.624.039,25, passou para R$ 63.798.775,32, majorando o custo do investimento, na tentativa de evitar o ganho de capital na alienação da participação societária. Em 16/11/2006 foi celebrado um contrato de compra e venda entre Robina e os sócios da Univias, relativo a 18,622% das ações da Univias, divididos proporcionalmente A participação de cada um dos sócios (Castilho 34,22%), pelo valor total de R$ 35.212.734,80. A Castilho coube uma parcela de R$12.050.326,04, transferidos pela Robina em 16/11/2006 (fls. 1362). A Castilho contabilizou o valor a débito de bancos, baixou uma parcela de R$11.881.118,33 como custo de venda (equivalente a 18,62% do custo total de R$63.798.775,32) e contabilizou um ganho de capital de R$ 169.207,71 (fls. 29, 35 e 39), muito inferior ao verdadeiro ganho apurado, porque o valor contábil do investimento estava indevidamente majorado pela equivalência patrimonial efetuada em 01/11/06. Em 28/12/2006 foi efetuada uma redução de capital na CP, com o cancelamento de 6.895.914 ações dos sócios BGPAR, Pedrasul e Construtora Sultepa, que receberam em troca 3.362.020 ações da Univias. A BGPAR recebeu 1.743.604 ações preferenciais da Univias e as vendeu de imediato para a Brasilia Guaiba, juntamente com outras 32.738 ações preferenciais que já detinha anteriormente, por R$ 11.620.000,00. Em 28/03/2007 foi efetuado um resgate parcial de 64.759.233 ações da Univias, quando as sócias CP, Castilho, BGPAR e Pedrasul receberam um total de R$ 119.064.979,27, proporcionalmente ao número de ações resgatadas. Na Univias o resgate foi efetuado A conta reserva de capital e a contrapartida foi a baixa do mútuo que havia sido concedido aos acionistas anteriormente (fls. 1075). A Castilho coube o valor de R$ 40.745.819,54, contabilizado a crédito do investimento na Univias e a débito da conta de empréstimo (fls. 35 e 37). Em 05/06/2007 ocorreu nova redução de capital na Univias, acarretando a saída da BGPAR e da CP, e a redução da participação da Castilho e da Pedrasul (fls. 976). Na mesma data a Robina subscreveu 80.800.800 ações por R$ 22.565.618,44, exercendo o direito de subscrição pelo qual havia pagado anteriormente o bônus. Os recursos provenientes da subscrição das ações pela Robina foram utilizados para o resgate de ações. A Castilho coube uma parcela de R$ 7.458.127,53, contabilizados a crédito da conta de investimento na Univias (fls. 35), e a contrapartida em bancos (R$ 7.307.714,21) e empréstimos de controladas t ço Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.374 Univias Participações (R$ 150.413,32) — fls. 30 e 37. Nessa data (05/06/2007) a Robina segregou um ágio de R$ 114.020.009,66, que, somado ao ágio de R$ 494.448,54 contabilizado anteriormente quando da aquisição de 18,62% das ações, resultou num total de R$ 114.514.458,20 (fls. 1429). Esse ágio foi transferido para a univias em 01/12/2008 (fls. 1089), quando da incorporação da Robina, e repassado para as concessionárias Metrovias, Sulvias e Convias em 02/12/2008, pela cisão total da Univias (fls. 1212), sendo, nas concessionárias dedutivel por força do art. 7 0 da Lei n°. 9.532, de 1997. Com isso, conclui-se que o suposto planejamento, na verdade tratou de uma Simulação com o objetivo de evitar o ganho de capital para os alienantes, mas preservou o ágio dedutivel para os adquirentes. Posteriormente, outros atos complementaram a operação de aquisição do controle das concessionárias pela Robina. Ainda, em 05/06/2007, a Robina adquiriu as ações que a Construtora Sultepa e a Sultepa Construções detinham diretamente na Sulvias e na Metrovias (fls. 1521). Em 01/12/2008 a Univias incorporou a Robina, e a CIBE, que detinha 100% da Robina, recebeu as ações da Univias que eram de titularidade da Robina. No dia 02/12/2008 a Univias foi extinta por cisão total, sendo seu acervo vertido para as concessionárias Sulvias, Convias e Metrovias. Em troca de sua participação na sociedade extinta, os sócios da Univias receberam ações das concessionárias, que passaram a ser controladas diretamente pela CIBE (71,94% da Metrovias; 71,72% da Convias e 72,03% da Sulvias). Em razão dos fatos acima descritos, a autoridade lançadora afirmou que a posição final do quadro societário das concessionárias demonstra a saída dos grupos Sultepa, Brasilia Guaiba e Castilho, substituídos pela CIBE. Os dois primeiros utilizaram a CP e a Univias para reduzir indevidamente o ganho de capital auferido na operação. A Castilho não participou da CP, mas também se utilizou da Univias para o mesmo fim (redução indevida do ganho de capital). A operação, afirma a autoridade lançadora, embora revestida de aparente legalidade formal, consistiu em uma simulação. A sequência de atos praticados, por si só evidencia um descompasso entre a real intenção do negócio e o aspecto formal conferido A. operação. A utilização do bônus de subscrição como mero recurso para a majoração do custo do investimento detido pela Castilho na Univias, seguido da imediata alienação da participação, parte através de verdadeiro contrato de compra e venda de ações e parte através de resgate de ações, caracteriza uma distorção daquele instrumento do direito societário. Para a autoridade lançadora, a simulação seria irrefutável diante do documento "Acordo de Investimentos e Outros Pactos" de 27/09/2006 (fls. 614/658), firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. Em tal documento ficaria a inexistência de interesse na admissão de um novo sócio (ou "investidor", como foi denominada a Robina no acordo), mas sim se retirar da Univias e, indiretamente, alienar a participação societária detida nas concessionárias. 0 Acordo de Investimentos exporia de tal forma a simulação, que o documento foi sonegado da Receita Federal por todos os envolvidos na operação, que, intimados, informaram não ter localizado o documento em seus arquivos. Somente depois de tomarem conhecimento de que a Receita Federal poderia obter o documento diretamente no CADE, a Metrovias entregou o referido documento, ainda que sem os diversos anexos nele 5 Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.375 referidos, alegando não dispor dos documentos e que os mesmos não constavam no processo do CADE. No "Acordo de Investimentos" a operação foi previamente detalhada, garantindo As partes o efeito final desejado, qual seja, a alienação das ações sem ganho de capital para os alienantes e com ágio para o adquirente. O detalhamento da operação, que foi dividida em três etapas, denominadas "primeiro pré-fechamento", "segundo pré-fechamento" e "fechamento", descrevendo as condições do negócio, desde os procedimentos junto A Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul, DAER/RS, BNDES, a realização das assembleias, a emissão de bônus de subscrição e o repasse dos recursos como mútuo, acompanhamento pela Robina dos negócios das concessionárias, possibilidade de rescisão do contrato caso a operação não fosse aprovada pelo DAER, contratos de compra de ações, enfim, todos os passos que culminaram com a extinção da Univias e com o controle acionário das concessionárias pela CIBE. A capitalização inexistiu de fato, afirma a autoridade lançadora, visto que, comparando o patrimônio da Univias em 10/10/2006, imediatamente anterior A subscrição do bônus, representado unicamente pelos investimentos junto As concessionárias, e o patrimônio no momento imediatamente posterior A conclusão da operação, em 30/06/2007, representado pelos mesmos investimentos. A Univias emitiu o bônus, mas os recursos foram pagos diretamente aos sócios, sob a forma de um mútuo simulado, cuja liquidação, através de resgate de ações, já estava previamente acordada. 0 ganho foi dos sócios e não da Univias. A classificação como reserva de capital do valor recebido a titulo de alienação do bônus de subscrição e, ato continuo, resgatar ações a débito dessa mesma conta, mostra que a intenção não era receber aquele valor como verdadeiro prêmio de emissão e mantê-lo como recurso A disposição da Univias, mas sim repassá-lo de imediato aos sócios, por se tratar de produto de alienação das ações. A distorção da utilização da figura do bônus fica evidente também diante da redução de capital que já estava previamente definida no acordo de investimentos. Foi emitido um bônus vinculado A emissão de ações para uma suposta capitalização, quando, na verdade, o resultado final previsto era a manutenção aproximada do número de ações e a entrega do produto da "pseudo" capitalização para os sócios. No momento da emissão do bônus, o capital da Univias era representado por 100.001.000 de ações, com previsão de emissão de mais 80.000.800 ações, a serem subscritas pela Robina, o que totalizaria 180.001.800 ações. Isso nunca ocorreu, porque quando a Robina subscreveu as 80.000.800 ações em 05/06/2007, já haviam sido resgatadas pelos antigos sócios 76.187.332 ações (parte em 28/03/2007 e parte na própria assembleia de 05/06/07). Ao final, o capital da Univias restou representado por 103.814.468 ações, muito próximo das 100.001.000 ações originais, ainda que distribuído de forma diversa entre ações ordinárias e preferenciais. Com o pagamento do bônus de subscrição pela Robina, a Recorrente, que detinha 34,22% da Univias, registrou uma equivalência patrimonial de R$ 59.174.736,07, resultando num valor contábil de R$ 63.798.775,32. Os fatos acima descritos revelam que a verdadeira intenção da Recorrente teria sido, desde o inicio, alienar para a Robina sua participação direta na Univias, e, por consequência, sua participação indireta nas concessionárias. A vontade formalmente externada não é verdadeira, ocultando, de forma deliberada, a real intenção das partes, qual seja, a alienação da participação societária com ganho de capital sujeito à tributação na forma dos arts. 418 e 426 do RIR/99. 6 Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 SI-CIT3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.376 0 crédito tributário foi lançado com a multa de 150%, prevista no § 1° do art. 44 da Lei n°9.430, de 1996. A Recorrente apresentou impugnação ao lançamento As fls. 1778/1814, arguindo: a) nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora, pois o primeiro Termo de Intimação Fiscal foi formalizado pela Delegacia da Receita Federal de Caxias do Sul, tendo pertinência a sociedade sediada em São Paulo (UNI VIAS), o que tornaria incompetente autoridades vinculadas A Delegacia de Porto Alegre; b) legalidade dos procedimentos adotados segundo entendimento deste Conselho, tendo sido observado adequado intervalo entre as operações, independência da partes envolvidas e existência de várias condições suspensivas, o que descaracterizaria a operação como simples alienação de ações; c) o ingresso de ROBINA como investidora e a emissão de bônus de subscrição foram forma de capitalização da empresa UNIVIAS, que não dispunha de recursos necessários continuidade da exploração da respectiva atividade; d) a realização completa da reestruturação societária levou quase um ano, o que demonstra que os atos praticados não eram meros atos formais, desprovidos de qualquer substrato econômico ou motivação negocial; e, e) inexistiu fraude ou conluio na operação, o que torna impossível a qualificação da multa de oficio, visto que não houve tentativa de ocultar o fato gerador ou seus elementos. O lançamento foi julgado procedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (RS) por acórdão assim ementado: "IRPJ/CSLL NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL AUTUANTE. INOCORRÊNCIA. A competência territorial do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é nacional. Informações colhidas em procedimentos fiscais podem ser compartilhadas entre as diversas unidades administrativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, independentemente da sua jurisdição territorial. No caso dos autos, os fatos que deram origem ao lançamento foram identificados em jurisdição diversa da jurisdição do contribuinte, entretanto, foi a autoridade administrativa de sua jurisdição que primeiro tomou conhecimento da infração (não tributação do ganho de capital) e efetuou o lançamento. Il?PJ/CSLL SIMULAÇÃO. As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. A alienação de participação societária utilizando-se De artifícios que, ao final, resultaram em redução do ganho de capital obtido na operação, deve ser desconsiderada, recompondo-se as bases de cálculo desconsiderando-se os fatos dissimulados. IRPJ/CSLL MULTA AGRAVADA cabível o agravamento da multa de lançamento de oficio nos casos em que ficar demonstrada a conduta dolosa do sujeito passivo visando o escamoteamento da base de cálculo tributável. 7 Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.377 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Contra a decisão interpôs o contribuinte recurso voluntário (fls. 2235/2274), reproduzindo as razões de impugnação. Memorial apresentado, sintetizando as razões de recurso. o relatório. Voto Vencido Hugo Correia Sotero - Relator Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Não suscitando a Recorrente preliminares, analiso o mérito do lançamento. Malgrado a extensa descrição da operação de "reestrutução societária", a questão essencial do lançamento consiste na análise do procedimento de reavaliação do investimento por equivalência patrimonial realizado pela Recorrente em relação As ações que detinha da sociedade UNI VIAS e a posterior tributação do ganho de capital obtido na alienação de sua participação acionária, tendo a autoridade lançadora, através de minuciosa análise dos atos de "reorganização societária" afirmado que o intuito da Recorrente era, desde o inicio, proceder à alienação de suas ações e reduzir o ganho de capital auferido na alienação. Como dito, deliberaram os acionistas de UNIVIAS, em 11/10/2006, o aumento do capital da sociedade, emitindo bônus de subscrição de 80.000.800 ações ao preço total de R$ 20.618.627,53, tendo sido estipulado ágio no valor de R$ 118.322.660,47. Na assembleia que aprovou o procedimento de capitalização os acionistas, todos, renunciaram ao direito de preferência à subscrição dos bônus, sendo estes adquiridos por empresa estranha ao quadro acionário (ROB1NA). Subscritos os bônus de subscrição e adimplido o ágio estipulado (R$ 118.322.660,47), os recursos correspondentes foram escriturados na conta reserva de capital (art. 13, § 2°, da Lei n°. 6.404/76) e imediatamente remetidos aos acionistas através de contratos de mútuo, procedimento previsto no "Acordo de Investimentos e Outros Pactos" (fl. 637 — item 5.2.4) firmado em momento anterior (27/09/2006). 0 ingresso do ágio previsto nos bônus de subscrição importou em sensível aumento do patrimônio liquido da sociedade UNI VIAS, realizando a Recorrente procedimento de reavaliação do investimento (art. 248 da Lei n°. 6.404/76) de sorte a majorar o custo de aquisição das ações que detinha de R$ 4.624.039,25 para R$ 63.798.775,32. A questão 6: na data da reavaliação do investimento — operação indubitavelmente licita, prevista na Lei das Sociedades Anônimas (art. 248) e sem repercussão tributária relativa ao ganho de capital, conforme a regra do art. 225, § 1°, 4o Decreto n°. 8 Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.378 3.000/99 — a Recorrente já havia firmado compromisso de alienação das suas ações (item 5.3.1 do "Acordo de Investimentos e Outros Pactos" — fls. 637/638) e deliberado, no mesmo "Acordo de Investimentos e Outros Pactos", sucessivas reduções do capital social da empresa controlada (itens 5.3.4 — fl. 641; 5.4.1.1 — fls. 642/643; 5.4.3 — fl. 644) para resgate das ações que detinha. Ademais, inquestionável a assertiva da autoridade lançadora no sentido de que não se fazia necessário o procedimento de capitalização da sociedade UNI VIAS realizado através da emissão dos bônus de subscrição adquiridos por ROBINA, visto que no "Acordo de Investimentos e Outros Pactos", celebrado em momento anterior à capitalização, já estavam previstas operações sucessivas de redução do capital (resgate de ações) e os recursos auferidos pela sociedade em razão do pagamento do ágio na subscrição foram imediatamente remetidos aos acionistas em função da celebração de contratos de mútuo que seriam quitados, também de acordo com as disposições inscritas no -Acordo de Investimentos e Outros Pactos", quando do resgate das ações. Se inexistia necessidade de capitalização da sociedade — e isto se extrai da sequência de procedimentos adotados e do que restou deliberado no "Acordo de Investimentos e Outros Pactos" — é de se supor ter se destinado a operação de "reorganização societária" se destinou a possibilitar a alienação das ações de propriedade da Recorrente com redução do ônus tributário atinente ao ganho de capital. Deve-se ressaltar inexistir qualquer questionamento quanto A. legalidade dos atos realizados, vez que, em tese, abstraindo-se o contexto especifico da operação prevista no "Acordo de Investimentos e Outros Pactos", os atos societários de aumento de capital, de renúncia do direito de subscrição pelos acionistas originais, de reavaliação do investimento por equivalência patrimonial e de resgate de ações, são permitidos e possíveis de acordo com a legislação tributária. Por essa razões, acho que o caso é de se negar provimento ao recurso, mas não para se manter a multa qualificada. 0 caso seria de erro de proibição no limite. Houve divulgação em comunicado ao mercado pela Sultepa S.A., foi registrado no CADE, também houve comunicado e aprovação pelo DAER. Nada foi escondido. Por outro lado, o argumento da necessidade de recursos pelas concessionárias, mediante novo investidor, rui porque os recursos captados por meio do prêmio dos bonus de subscrição foram imediatamente drenados aos sócios, mediante mútuo concedido pela receptora, mútuo esse liquidado por resgate de ações da Univias (que controla as concessionárias) contra a baixa do ativo de mútuo. Ou seja, os recursos foram drenados e não retornaram As concessionárias, à investida. Por estas razões, conheço do recurso voluntário para dar-lhe parcial provimento. 9 Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.379 Voto Vencedor Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir unicamente quanto à apreciação das alegações do contribuinte referente á qualificação da multa de oficio. Na autuação, restou demonstrada uma serie de operações, que resultaram em uma diminuição de ganho de capital apurado na venda de ações, manobra viabilizada mediante majoração artificial do valor contábil do investimento. A Recorrente era uma das acionistas das pessoas jurídicas Metrovias, Sulvias e Convias, que foram constituídas em janeiro de 1998 para a exploração dos complexos rodoviários denominados pólos Metropolitano, Caxias do Sul e Lajeado. Ocorre que, em seguida, deu-se vazão a uma série de operações, para viabilizar a alienação da participação societária que a Recorrente detinha nas concessionárias. Ora, a empresa goza de autonomia para gerir seus negócios, desde que inseridos em um contexto negocial, sem manipulações. Contudo, não é o que se verifica nos autos. A empresa de gaveta, a EDSR19, com capital social de R$1.000,00, teve a sua denominação alterada para Univias Participações S/A, em 18/09/2006, ocasião em que ingressaram na sociedade a Castilho (Recorrente, com 34,22%), a Pedrasul (0,38%), a BGPAR (0,63%) e a CP (64,77%). Em 10/06/2006 foi promovido aumento de capital na Univias, em condições peculiares, conforme esclarece o Relatório da Ação Fiscal: As ações das concessionárias, conferidas por Pedrasul, BGPAR, Castilho e CP no aumento de capital, foram entregues à Univias pelo valor contábil. Os investimentos da Castilho nas concessionárias estavam avaliados pelo valor de PL, sem ágio, ao contrário da CP, que tinha seus investimentos registrados já corn ágio, surgido por ocasião do aumento de capital ocorrido na própria CP em dezembro de 2004 (fl. 587). Como todos os subscritores do aumento de capital na Univias entregaram ações pelo valor contábil, o valor registrado na Castilho era proporciona/mente muito inferior ao registrado pela CP. Isso exigiu um esforço de engenharia societária para que se mantivesse a proporção real, baseada no valor aproximado de mercado das concessionárias. Para tanto, foram realizadas quatro assembléias na Univias em 10/10/06 (fls. 941 a 961), num curto espaço de tempo (9:00h, 9:30h, 10:00h e 10:30h). Em cada uma das assembléias subscreveram capital, respectivamente, Pedrasul, BGPAR, Castilho e CP. Cada sócio pagou um prep diferente por ação, e a CP pagou o maior prep justamente por estar entregando ações ao valor mais próximo do real. No total a Univias 10 Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 SI-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.380 contabilizou aumento de capital social de R$ 1.000.000,00 e reserva de capital (ágio na emissão de ações,) de R$ 66.689.036,74 (fls. 1025 e 1026). Observa-se que a Castilho (R$ 135,1109 por lote de mil ações) pagou valor sete vezes inferior do que a CP (R$ 972,2413 por lote de mil ações) na subscrição das ações, para manter o percentual desejado de sua participação na Univias (34,22%). Não foi por acaso. Vale recorrer novamente ao Relatório Fiscal: A engenharia societária seria desnecessária se todos conferissem as participações a valor de mercado, mas nesse caso a Castilho apuraria indesejado ganho de capital. Na verdade, o que ocorreu foi o aumento de capital concomitante pelos quatro sócios, e a Castilho deveria ter contabilizado deságio na operação, porque o PL da Univias após a capitalização era de R$ 67.690.040,12, sendo que o percentual da Castilho de 34,22% representava R$ 23.164.535,43. Como a Castilho 'Pagou" R$ 4.623.697,25 na subscrição (valor contábil das ações das concessionárias entregues a Univias), deveria contabilizar deságio de R$ 18,5 milhões na subscrição. Observe-se que na mesma operação de capitalização a CP segregou ágio de R$ 17,1 milhões 587). Isso porque, logo em seguida, a Univias promoveu a emissão de bônus de subscrição no qual conferia ao titular o direito de subscrever 80.000.800 ações ao preço total de R$ 20.618.627,53. Por sua vez, o prêmio a ser pago à Univias pela subscrição do bônus foi estabelecido em R$ 118.322.660,47. Ocorre que, na mesma assembléia, os acionistas renunciaram ao direito de preferência para subscrever o bônus e foi aprovada a subscrição pela Robina. Os valores recebidos pela Univias foram repassados aos sócios, a Recorrente, CP, BGPAR e Pedrasul, por conta de mútuo. A Recorrente, pela sua participação (34,22%, mantida artificialmente no aumento de capital de 10/06/2006) recebeu R$40.745.819,54 (R$5.932.130,45 em outubro de 2006 e R$34.813.689,09 em novembro de 2006. Conclui a autoridade autuante: Como a Robina não exerceu de imediato o direito de subscrever as 80.000.800 ações, não houve alteração no quadro societário da Univias em 11/10/06. Esse artificio permitiu que a Castilho majorasse o custo de seu investimento na Univias através da equivalência patrimonial. Isso ocorreu porque o PL da Univias foi inflado com o recebimento do bônus de subscrição (tl. 1029), mas não foi registrada de imediato a participação da Robina, que somente em 2007 viria a exercer seu direito de subscrever as ações. A Castilho, que detinha 34,22% da Univias, registrou uma equivalência patrimonial de R$ 59.174.736,07 em 01/11/06 (fl. 35). 0 investimento registrado originalmente por R$ 4.624.039,25 passou para R$ 63.798.775,32. Esse artificio majorou o custo do investimento, na tentativa de evitar o ganho de capital na alienação da participação societária. Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.381 Na seqüência, deu-se seqüência a uma serie de atos que culminaram na aquisição do controle das concessionárias pela Robina. Contudo, o mais perturbador é constatar a existência do "Acordo de Investimento e Outros Pactos", firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária, conforme esclarecer a autoridade autuante: Não bastassem os atos indicando que o verdadeiro objetivo não era receber um novo investidor através da emissão de bônus, mas sim alienar as ações, a simulação se torna irrefutável diante do "Acordo de Investimentos e Outros Pactos" (tl. 614), firmado previamente entre os adquirentes e os alienantes da participação societária objeto da negociação. Nunca houve, por parte dos alienantes, a intenção de admitir um novo sócio (ou "investidor", como foi denominada a Robina no acordo), mas sim de se retirar da Univias e, indiretamente, alienar sua participação nas concessionárias. O conteúdo do "Acordo de Investimentos" explica o receio das partes em fornece-lo à Receita Federal. A operação foi previamente detalhada, garantindo às partes o efeito final desejado, qual seja, a alienação das ações sem ganho de capital para os alienantes e com ágio para o adquirente. A implementação da operação através de uma sequência complexa de atos societários exigia garantias prévias de que todas as etapas seriam cumpridas por cada uma das partes, sob pena de prejuízo indevido para a outra parte. A operação foi dividida em três etapas, denominadas "primeiro pré-fechamento", "segundo pré-fechamento" e 'fechamento", conforme documento na fl. 614, firmado em 27/09/06 por Castilho, CT, BGPAR e Pedrasul, na condição de "acionistas" das concessionárias (na verdade deveriam ser denominados "alienantes"), Robina , na condição de "investidor" (na verdade, "adquirente"), Empate Engenharia e Heber Participações, como controladores da Robina, além dos intervenientes anuentes Convias, Sulvias, ltietrovias, Univias e Construtora Sultepa. O acordo completo encontra-se nas fls. 614 a 658. 0 confronto das etapas previstas no acordo coin os fatos descritos no item "3" desse relatório demonstra cabahnente que a operação foi previamente detalhada e que a intenção dos antigos controladores das concessionárias, signatários do acordo (CP, Castilho, BGPAR e Pedrasul), em nenhum momento foi receber a Robina corno um novo parceiro no investimento, mas sim alienar sua participação. (grifei) Relevante discorrer que ate determinado momento da autuação o "Acordo de Investimento e Outros Pactos" não havia sido disponibilizado por nenhuma das partes envolvidas, não obstante as intimações da Receita Federal. Apenas quando se soube que a Fiscalização tomou conhecimento da existência de uma via em um processo arquivado no 12 Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Processo n° 12448.736471/2011-41 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-000.957 Fl. 2.382 CADt, a Metrovias, após três intimações, apresentou o "acordo", que detalha, com precisão, todos os passos fielmente executados pelas partes envolvidas, que moldaram o suporte fatico da presente autuação. Apreciando os fatos narrados, entendo que não há como afastar a presença do elemento doloso. Trata-se de uma sucessão de operações, que tinha por objetivo final reduzir o ganho de capital a ser auferido na alienação da participação societária da Recorrente das concessionárias. Foi utilizado artificialmente o instituto dos bônus de subscrição, primeiro, porque o "Acordo de Investimentos e Outros Pactos", celebrado em momento anterior capitalização, já previa a redução de capital, mediante resgate de ações, e, segundo, as receitas advindas do pagamento do ágio da subscrição foram transferidas aos acionistas por meio de contratos de mútuo. Ora, fica evidente que em nenhum momento houve, por parte da Recorrente e seus sócios, a intenção de angariar investimentos para a capitalização da Univias, ou mesmo de se admitir o ingresso de um novo sócio. A emissão dos bônus de subscrição serviu especificamente para majorar o custo do investimento que a Recorrente (Castilho) detinha na Univias, procedimento que foi útil para reduzir a base tributável. Indiscutível, portanto, que a real intenção sempre foi de alienar a participação nas concessionárias, sem, contudo, a disposição de se oferecer á tributação o verdadeiro ganho de capital auferido na operação. Irrepreensível a conclusão da autoridade fiscal: Os fatos descritos nesse relatório demonstram que o contribuinte fiscalizado, em conluio com os demais subscritores do acordo de investimentos, buscou ocultar do fisco a ocorrência de verdadeira operação de compra e venda com ganho de capital, dissimulando-a sob um aparente processo de reorganização societária, que ensejou a majoração indevida do custo de aquisição da participação detida pela Castilho na Univias. A definição prévia de todos os passos da operação demonstra cabalmente a intenção de venda, e não de parceria para capitalização da Univias e exploração conjunta das concessionárias. A utilização da figura do bônus de subscrição de forma distorcida buscou transmitir ao fisco a falsa idéia de que a operação não acarretaria ganho de capital tributável. Não bastasse a própria sequência de atos a caracterizar uma simulação, o "acordo de investimentos" não deixa qualquer dúvida sobre o caráter doloso da operação, sendo, por esse motivo, sonegado da fiscalização por todos os participantes, até o momento em que tomaram conhecimento, através da própria fiscalização, da existência do documento no CADE e da possibilidade de obtenção pela Receita Federal. O fato dos valores estarem lançados na contabilidade e informados na DIPJ não indica que houve transparência na operação. A utilização de equivalência patrimonial transmite uma falsa idéia de resullado não tributável. A DIPJ tem campo Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS Pro cesso n° 12448.736471/2011-41 S1-C1T3 AcOrcldo n.° 1103-000.957 Fl. 2.383 próprio para o resultado obtido na alienação de bens do ativo permanente. Incluir os valores em linha da DIPJ destinada ao "resultado positivo de participa coes societárias" induz o fisco a interpretar a informação como não passível de tributação. O intuito de fraude foi manifestado desde o inicio da operação, através do "acordo de investimentos", e corroborado pelo preenchimento da DIPJ que induziu a conclusão de que teria ocorrido operação sem efeitos tributários. Culminou com a ocultação, enquanto possível, do principal documento da opera cão, solicitado pela Receita Federal aos diversos signatários do acordo, inclusive a Castilho. Entendo, portanto, que a qualificação da multa mostrou-se acertada. Diante de todo o exposto, voto do sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 0,41 ndré N7ndes de Mo 49ur 14 Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 19/03/2014 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS
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Numero do processo: 10950.005030/2007-10
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. FORMALIDADES.
As possíveis dúvidas do contribuinte quanto ao Simples Nacional não prorrogam o prazo do contribuinte para o pedido de inclusão na forma da Lei Complementar nº 123, arts. 3°, 17 e 29, bem como das resoluções expedidas pelo Comitê Gestor do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1802-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. FORMALIDADES. As possíveis dúvidas do contribuinte quanto ao Simples Nacional não prorrogam o prazo do contribuinte para o pedido de inclusão na forma da Lei Complementar nº 123, arts. 3°, 17 e 29, bem como das resoluções expedidas pelo Comitê Gestor do Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. FORMALIDADES. As possíveis dúvidas do contribuinte quanto ao Simples Nacional não prorrogam o prazo do contribuinte para o pedido de inclusão na forma da Lei Complementar nº 123, arts. 3°, 17 e 29, bem como das resoluções expedidas pelo Comitê Gestor do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 50 30 /2 00 7- 10 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.005030/200710 Acórdão n.º 1802002.169 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “1. Trata o processo de impugnação ao indeferimento (fls. 19/20) de Pedido de Inclusão no Simples Nacional (fl. 01), em razão de ausência de opção por meio da Internet. 2. Cientificada em 07/11/2008 (fl. 22), a empresa interessada apresentou impugnação (fls. 23/37), em 09/12/2008 (fl. 23), acolhida como tempestiva pelo órgão preparador (fl. 92), acompanhada dos documentos de fls. 38/90, alegando, em síntese, que: a) Após o rito normal de inicio de atividades (elaboração do contrato social, 12/09/2007; registro do contrato social junto a Junta Comercial do Paraná, 19/09/2007; comunicado A Jucepar de enquadramento como Micro Empresa, 19/09/2007; inscrição no CNPJ, 19/09/2007 e; obtenção de Alvará de Localização junto ao Município de Maringá, 01/10/2007), no prazo legal, o presente processo pleiteando enquadramento no SIMPLES NACIONAL foi protocolado; por excesso de zelo, eis que a impugnante sabia da existência de formulário próprio, via internet. Assim agiu pelo fato de que, conforme se pode observar da clausula segunda de seu contrato social, a empresa tem por objeto social a atividade de "Prestação de Serviço de Consultoria em Tecnologia da Informação", a qual, conforme o anexo II, da Resolução n° 20/2007, do Comitê Gestor do SIMPLES NACIONAL, é uma atividade concomitantemente impeditiva e permitida ao Simples Nacional. Por conta disso, com a intenção de se preservar e de suscitar uma manifestação expressa da SRFB quanto à possibilidade ou não de seu enquadramento no SIMPLES NACIONAL, bem como, de demonstrar sua mais completa boafé na opção a tal sistemática fiscal, a impugnante protocolou em 09 de outubro de 2007 o ora recorrido processo administrativo fiscal, optando expressamente pelo SIMPLES NACIONAL. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.005030/200710 Acórdão n.º 1802002.169 S1TE02 Fl. 38 3 b) Surpreendentemente, o pedido foi indeferido, apesar do preenchimento dos Requisitos Legais para a Opção ao SIMPLES NACIONAL. c) Como já suscitado, a impugnante optou pelo SIMPLES NACIONAL através do presente processo administrativo, por não estar certa de que sua atividade consultoria em tecnologia da informaçõo era ou não vedada a tal sistemática. Entretanto, não obstante o fato de tal processo ter sido indeferido em primeira instância, houve o reconhecimento de que a atividade da impugnante não é vedada à opção ao SIMPLES NACIONAL, conforme se pode observar da transcrição de trecho de seu despacho abaixo, sendo vejamos: "Como visto pelas datas e condições apresentadas pelo contribuinte, dentro dessas incluído seu CNAE que a partir da Res CGSN n° 20/2007 para anexo I para o anexo II Res CGSN n° 6/2007, dessa forma deixando de ser impeditivo – ele teria todas as condições para ingresso no Simples Nacional". O preenchimento dos requisitos materiais para ingresso no Simples Nacional, destarte, é matéria incontroversa, tendo a autoridade administrativa fiscal reconhecido expressamente sua adequação. d) Como se prova pela própria existência do presente recurso, a impugnante preencheu o requisito formal, uma vez que, conforme se denota do comprovante de autuação do recorrido processo administrativo, em 09/10/2007 ela optou explicitamente por sua "INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL LC 123 DE 2006". Para ser válida, a opção não deveria ter sido exercitada exclusivamente através da internet, sendo vejamos: 1º Se realmente a forma pela qual se dá a opção fosse definidora da inclusão do optante no SIMPLES NACIONAL, não haveria, em hipótese alguma, a possibilidade de enquadramento retroativa em tal sistema, situações essas nas quais nem sequer houve qualquer tipo de opção expressa, apenas tácita, conforme se pode observar dos acórdãos do Conselho de Contribuintes com cópias em anexo; 2º Se realmente não fosse permitida a manifestação expressa da opção ao SIMPLES NACIONAL através da interposição de processo administrativo junto à SRFB, como equivocadamente entende a SACAT/MARINGA, não haveria, quando da tentativa de protocolo do pleito, sequer, no campo "Assunto" do respectivo formulário, um código Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.005030/200710 Acórdão n.º 1802002.169 S1TE02 Fl. 39 4 especifico para tal matéria. No entanto, como se pode observar do Comprovante de Autuação do presente processo, nele consta clara e especificamente o seguinte: "01.271322 – PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL LC 123 DE 2006"; 3° Por derradeiro, mas não menos contundente, afirmar, como o fez a SACAT/MARINGA, quando do indeferimento da inscrição da impugnante no SIMPLES NACIONAL, que o único meio de manifestar tal opção, seria via internet, é contraditório a própria metodologia adotada pela SRFB na grande maioria das vezes em que ela exige dos contribuintes, qualquer tipo de declaração. Por exemplo, no cumprimento da obrigação acessória de declaração do IRPF, os contribuintes têm a sua disposição, tanto a possibilidade de o fazerem via internet, quanto através de formulário impresso próprio. Inobstante tal fato, essa contradição fica ainda mais evidente se levarmos em consideração a possibilidade da ocorrência de uma eventualidade que tire o site da Receita do ar. Perguntase, nessa eventualidade os contribuintes não poderiam optar por outro meio? e) Admitindose o não preenchimento do requisito formal, ou seja, embora tenha havido opção expressa à inclusão ao SIMPLES NACIONAL, tal opção não se deu pelo meio apropriado, via interne. Ainda assim, a impugnante mantém seu direito a inclusão no SIMPLES NACIONAL, desde o inicio de suas atividades e, portanto, ao deferimento da presente impugnação, sendo vejamos. O que não se pode negar, é que a impugnante OPTOU EXPRESSAMENTE POR SUA INCLUSÃO AO SIMPLES NACIONAL, DESDE INÍCIO DE SUAS ATIVIDADES FATO INCONTROVERSO. No entanto, a impugnante cometeu um erro de fato ao eleger meio inapropriado de externar tal opção, quando interpôs o presente processo administrativo fiscal. Nesta situação, ou seja, havendo erro de fato quando da opção ao SIMPLES, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo nº 16, de 02/10/2002, é permitido, tanto ao Delegado da Receita Federal, quanto ao Inspetor da Receita Federal, retificar de oficio tal opção, com o fito de inclusão no SIMPLES. Houve intenção inequívoca do contribuinte de aderir a tal sistemática, comprovada através do pagamento de DARF SIMPLES e da apresentação da Declaração Anual Simplificada (GPS, código 2003; arrecadação mediante Fl. 135DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.005030/200710 Acórdão n.º 1802002.169 S1TE02 Fl. 40 5 Documentos de Arrecadação do Simples Nacional DAS; e apresentação de Declaração Anual do Simples Nacional DASN). Não bastassem todos esses documentos para provar de forma inequívoca a intenção de opção da impugnante ao SIMPLES NACIONAL, outra prova ainda mais contundente existe nos presentes autos o próprio comprovante de autuação do processo no qual consta, explicitamente, seu "PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL LC 123 DE 2006". Por tudo isso, a impugnante faz jus à sua inclusão no SIMPLES NACIONAL, desde o inicio de suas atividades e, portanto, ao deferimento da presente impugnação, com completa reforma do Despacho n° 3233/2008. Esse também é o entendimento unanime da jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. f) Pede a retificação do Despacho n° 3233/2008, exarado no presente processo administrativo fiscal e a declaração do preenchimento de todos os requisitos materiais e formais para inclusão no SIMPLES NACIONAL, desde o início das atividades da empresa. Alternativamente, pede a retificação de oficio da opção pelo Simples Nacional, determinando a inclusão desde o inicio das atividades. Protesta provar os fatos alegados por todos os meios de provas em direito admitidos, em especial pela juntada dos documentos anexos e demais documentos que eventualmente se fizerem necessários. g) Por fim, requer que todas a notificações sejam entregues aos cuidados de seu procurador jurídico em seu endereço profissional constante do rodapé da impugnação.” A DRJ de Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. FORMALIDADE ESSENCIAL. O Pedido de Inclusão no Simples Nacional, lastreado em suposta dúvida quanto ao exercício ou não de atividade impeditiva, não supre a formalidade essencial de solicitação da opção por meio da internet no Portal do Simples Nacional, momento em que se formaliza a necessária declaração de não incursão em qualquer das Fl. 136DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.005030/200710 Acórdão n.º 1802002.169 S1TE02 Fl. 41 6 situações impeditivas A opção pelo Simples Nacional previstas nos artigos 3°, 17 e 29 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, em especial daquele que exerce atividades previstas no Anexo II da Resolução CGSN n° 6, de 2007. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 22/09/2011, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 14/10/2011, onde reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua manifestação de inconformidade, explicitando que, ao contrário do que entendeu a DRJ/CTA, a opção foi feita tempestivamente, não observando apenas o requisito de transmissão via internet. Este é o Relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.005030/200710 Acórdão n.º 1802002.169 S1TE02 Fl. 42 7 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase o processo de pedido de inclusão no Simples Nacional, após o início da atividades da empresa, onde as autoridades administrativas da SACAT/Maringá e, posteriormente da DRJ de Curitiba entenderam que a Recorrente não utilizou o meio correto (programa específico na internet) para efetuar o seu pleito, embora tivesse atividades compatíveis com a opção. Primeiramente cumpreme destacar que o tratamento simplificado, aplicável às microempresas e as empresas de pequeno porte, no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, está regulado na Lei Complementar nº 123/06, in verbis: “Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. E nesse ponto o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) expediu a Resolução CGSN n° 4/07. “Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional;” Reconhecendo que sabia que a opção pelo Simples Nacional se dava por meio da intenet, a Recorrente afirma que preferiu optar pelo Simples Nacional através do presente processo administrativo, por não estar certa que a sua atividade (CNAE 62.040/00 Consultoria em tecnologia da informação) era impeditiva ou não ao Simples Nacional. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.005030/200710 Acórdão n.º 1802002.169 S1TE02 Fl. 43 8 A partir da Resolução CGSN n° 20, de 15 de agosto 2007, a atividade da Recorrente deixou de ser impeditiva para abranger concomitantemente atividade impedida e permitida ao Simples Nacional. O protocolo do pedido de inclusão no Simples Nacional foi efetuado em 09/10/2007 (efls. 02), sem que fosse prestada a declaração de que a Recorrente prestaria tão somente atividades permitidas no Simples Nacional, conforme estipulado na Resolução CGSN no 04, de 2004, art. 7°, § 2°. Também não foi prestada a declaração de não incursão em qualquer das situações impeditivas à opção pelo Simples Nacional previstas na Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, arts. 3°, 17 e 29. De fato, ao contrário do que afirma a Recorrente, o chamado de “pedido de inclusão no Simples” afigurase mais como uma consulta a respeito do seu possível enquadramento, ao invés de um pedido na forma da legislação a época regente sobre a matéria. Sendo assim, não vislumbro um erro de fato (premissa do ADE n° 16, de 2002, e da jurisprudência administrativa invocada primeiramente na impugnação e reiterada no recurso voluntário ambos relativos ao Simples Federal), mas em descumprimento de forma essencial prescrita em lei (Lei Complementar n° 123, de 2006, art. 16; e Resolução CGSN n° 04, de 2007, art. 7°). O processo autuado como "PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL LC 123 DE 2006" e a viabilidade de tal pedido vinculase à demonstração da impossibilidade fática da solicitação por meio da internet (Resolução CGSN n° 04, de 2007, art. 7°), o que não se configura aqui. Vale ressaltar que a intenção inequívoca de aderir ao Simples Nacional decorrente do pagamento de GPS’s, código 2003; arrecadação mediante DAS; e apresentação de DASN não supre a formalidade essencial de solicitar a opção por meio da internet, momento em que se formaliza a necessária declaração do não exercício de atividade impeditiva, em especial daquele que exerce atividades previstas no Anexo II da Resolução CGSN n° 6, de 2007. Assim sendo voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10950.005030/200710 Acórdão n.º 1802002.169 S1TE02 Fl. 44 9 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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