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Numero do processo: 10630.720315/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010
COMPENSAÇÃO.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.É possível a compensação de créditos oriundos do pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas creditadas aos empregados à título de 1/3 de férias e licença médica (15 primeiros dias de afastamento), já que o STJ já decidiu, em sede de representativo de controvérsia, pela não incidência de contribuições sobre tais verbas. RESP nº 1.230.957.
MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP.
CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. MUNICÍPIOS. A alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é definida em função da atividade preponderante do sujeito passivo. O anexo V do Decreto 3048/1991 estabelece a alíquota SAT de 2% para toda a administração pública.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja reconhecido o direito de compensação dos recolhimentos sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias e auxílio-doença nos primeiros quinze dias de afastamento, bem como afastada a multa isolada.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE RESPLENDORMG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2010 COMPENSAÇÃO.CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.É possível a compensação de créditos oriundos do pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas creditadas aos empregados à título de 1/3 de férias e licença médica (15 primeiros dias de afastamento), já que o STJ já decidiu, em sede de representativo de controvérsia, pela não incidência de contribuições sobre tais verbas. RESP nº 1.230.957. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS ACIDENTES DE TRABALHO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. MUNICÍPIOS. A alíquota da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é definida em função da atividade preponderante do sujeito passivo. O anexo V do Decreto 3048/1991 estabelece a alíquota SAT de 2% para toda a administração pública. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 03 15 /2 01 1- 75 Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja reconhecido o direito de compensação dos recolhimentos sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias e auxíliodoença nos primeiros quinze dias de afastamento, bem como afastada a multa isolada. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.720315/201175 Acórdão n.º 2402004.201 S2C4T2 Fl. 2.065 3 Relatório Tratamse de autuações decorrentes do descumprimento de obrigações principais: 1) AI DEBCAD 37.335.9535 – não recolhimento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa em razão dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre valores indevidamente excluídos da folha de pagamento, bem como as contribuições relativas aos empregados (contratados, comissionados, efetivos e agentes políticos), contribuintes individuais e transportadores autônomos; 2) AI DEBCAD 37.335.9519 – contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais não repassadas à Seguridade Social em época certa; 3) AI DEBCAD 37.335.9527 não recolhimento de contribuições destinadas a outras entidades conveniadas, denominadas ‘terceiros’, incidentes sobre valores pagos a transportadores autônomos; 4) AI DEBCAD 37.335.9500 autuação referente às glosas de compensação indevidamente consideradas pelo contribuinte; E acessórias: 5) AI DEBCAD 37.335.9462 deixar de incluir parcelas pagas a segurados empregados e contribuintes individuais em folhas de pagamento; 6) AI DEBCAD 37.335.9543 – deixar de arrecadar as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, mediante desconto das remunerações; 7) AI DEBCAD 37.335.9470 – divergências nas planilhas das folhas de pagamento; 8) AI DEBCAD 37.335.9446 – deixar de registrar na guia de recolhimento do FGTS e GFIP os valores pagos aos segurados e declarar incorretamente a alíquota do SAT; 9) AI DEBCAD 37.335.9489 – informar valor indevido no campo “salário família” da GFIP, bem como informar NIT indevido de segurado; 10) AI DEBCAD 37.335.9497 – registrar no campo “remuneração” da GFIP valores maiores do que os realmente pagos aos segurados; Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 11) AI DEBCAD 37.335.9454 – apresentar GFIP com incorreções ou omissões, relacionadas a fato gerador de contribuição previdenciária e recolhida ou não relacionadas a fato gerador; Relatório Fiscal às fls. 60/74. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 891/919, que restou improcedente às fls. 1996/2018 , sob os seguintes fundamentos: 1) A citação foi válida, já que feita por via postal e recebida no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não é exigência da legislação tributária que a mesma seja feita na pessoa do Prefeito ou seu procurador; 2) O prazo para pleitear restituição ou efetuar a compensação das contribuições previdenciárias recolhidas sob o fundamento do art. 12, I, “h”, da Lei nº 8.212/91, declarado inconstitucional pelo STF, é de cinco anos a contar da data da extinção do crédito tributário, ou seja, da data do pagamento; 3) Não compete a autoridade administrativa declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Judiciário; 4) O conceito de salário de contribuição de empregados, trazido pela Lei nº 8.212/91 em seu art. 28, assim como a descrição da base de cálculo das contribuições de empresas e entidades equiparadas, trazido pelo art. 22 da mesma Lei, são abrangentes o suficiente para abarcar qualquer valor recebido pelo segurado, a qualquer título, inclusive o adicional de 1/3 (um terço) de férias; 5) O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/ 99, expressa o entendimento que a remuneração adicional de férias integra o salário de contribuição (§ 4º do art. 214); 6) As decisões judiciais citadas pela fiscalização relativas a servidores regidos pelo RPPS não se aplicam aos funcionários vinculados ao RGPS (Regime Geral da Previdência Social); 7) A autuada não cumpriu a exigência de apresentar as GFIPs que originaram os créditos compensados. Sendo assim, entendese que o contribuinte compensou créditos inexistentes; 8) As declarações de compensação tiveram como único propósito reduzir o montante das contribuições a serem recolhidas pela empresa; 9) Os valores pagos aos funcionários relativos aos primeiros quinze dias de afastamento (auxílio doença), não constituem benefício previdenciário e, portanto, tratamse de rendimentos que integram o salário de contribuição; 10) Correto foi o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao efetuar o lançamento para exigência das contribuições arrecadadas pela empresa e não repassadas aos cofres públicos; Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.720315/201175 Acórdão n.º 2402004.201 S2C4T2 Fl. 2.066 5 11) A autuada deveria observar o percentual de 2% fixado no art. 202, II, do Decreto nº 3.048/99, para recolhimentos relativos aos fatos geradores ocorridos a partir de junho/2007; 12) No que tange o recolhimento a maior, caberá ao contribuinte pleitear sua restituição em processo específico, ou realizar a compensação em GFIP; 13) Os órgãos públicos da administração direta estão sujeitos à multa de mora por recolhimento em atraso em relação às contribuições sociais cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir da competência fevereiro de 2007; 14) Negada a perícia requerida pelo contribuinte. Ciente do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 2028/2059 alegando, em síntese: 1) A decisão cerceou o direito de defesa do Município ao não autorizar o trabalho pericial; 2) Segundo expressa disposição do art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72, a citação deve ser feita diretamente ao sujeito passivo, ou seja, na pessoa do Prefeito ou seu Procurador, nos termos do art. 12 do CC/02; 3) O prazo prescricional nas ações de repetição de indébito ou compensação tributária iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos, quando a homologação for tácita, de mais cinco anos, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação – tese dos “cinco mais cinco”. Nesse sentido, se a compensação dos valores apurados entre jan/1999 a set/2004 teve início em out/2007, concluise que os procedimentos foram realizados a contento; 4) O argumento de que o STF não avaliou a condição dos empregados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social é claramente retórico, porquanto o que está em discussão é a natureza da verba e não o regime previdenciário; 5) Não houve qualquer indício de engodo ou manipulação, tanto é que a própria Administração Pública Municipal contratou empresa especializada para apuração dos valores e compensação, visando à realização de procedimentos transparentes. A demonstração do dolo específico é fundamental à aplicação da sanção (multa); 6) A multa aplicada possui clara feição confiscatória, incompatível com os princípios da razoabilidade e moralidade e com a CF/88; 7) A parcela relativa ao afastamento nos 15 (quinze) primeiros dias por motivo de doença não tem natureza remuneratória e, portanto, não compõe o salário de contribuição. Dessa forma, dada sua natureza indenizatória, não há qualquer ilegalidade na suspensão de seu recolhimento, posto que indevida; 8) Compulsandose as GFIP apontadas como irregulares, identificase a informação à Receita Federal, inclusive com o pagamento através da retenção no Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 próprio FPM, conforme comprovam as movimentações do Banco do Brasil daquele período; 9) A majoração do SAT (anualmente RAT) ocorreu de maneira explicitamente ilegal. O município simplesmente agiu no seu legítimo interesse diante de uma arbitrariedade; 10) A redação do art. 10 da Lei 10.666/03 impôs uma sanção ao Município ao elevar seu RAT pela inclusão do FAP. E, como sabido, sanção não pode ser aplicada por meio de tributo; 11) A progressividade do tributo exige norma constitucional expressa e a CF/88 não contemplou a progressividade do RAT, que não pode ser admitida por Lei Ordinária; 12) Por se tratar de tributo, nos termos do art. 154, I, c/c art. 195, § 4º da CF/88, a criação do FAP só poderia ocorrer através de Lei Complementar. Como o FAP foi criado pela Lei 10.666/03, não pode prosperar a sua cobrança, por vício constitucional no nascedouro; 13) O FAP está se constituindo em tributo com fato gerador “secreto”, no qual o contribuinte não tem meios de conferir a alíquota que majora o tributo porque não tem acesso aos elementos aa matriz do tributo; 14) A multa tributária só pode retroagir para beneficiar o contribuinte e não o seu contrário; Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.720315/201175 Acórdão n.º 2402004.201 S2C4T2 Fl. 2.067 7 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Preliminar Cerceamento de Defesa Pretende a Recorrente seja declarada nula a i. decisão proferida pela DRJ sob o fundamento de que teria ferido o contraditório, ampla defesa e devido processo legal. De acordo com a Recorrente, requerida em sede de impugnação, o julgador tinha por obrigação funcional acatar o pleito de perícia. Não merece guarida. O Decreto n° 70.235/72, em seu art. 16, prevê: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Em complemento, o artigo 18 do mesmo diploma assim dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Nos termos dos dispositivos supra, a prova documental e o requerimento de diligências eventualmente dadas como necessárias devem ser realizados no momento da impugnação, a pedido da empresa autuada. À autoridade julgadora cabe, tão somente, a prerrogativa de realização de diligências quando julgálas necessárias. A lei de processo administrativo fiscal, portanto, dá à autoridade a opção – não a obrigação – de solicitar diligências para esclarecer questões que a impugnante deixa de trazer, com exceção das questões de ordem pública, que independem de requerimento da parte interessada. Neste sentido o CARF se manifesta: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2006 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não é nulo acórdão de primeira instância que exaure a matéria contida na Impugnação. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação. SUJEITO PASSIVO DO ITR. A Fazenda Pública está autorizada a exigir o tributo do proprietário do imóvel, no caso, o interessado, em nome de quem foi apresentada a DITR que serviu de base para o presente lançamento, enquanto não for comprovada a efetiva transferência do imóvel e/ou erro no preenchimento da declaração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal, e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. Fl. 2071DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.720315/201175 Acórdão n.º 2402004.201 S2C4T2 Fl. 2.068 9 (CARF, PAF 10218.720050/200881, Acórdão 2201002.391, Relator Eduardo Tadeu Farah, Sessão de 16/04/2014) Nulidade do Auto de Infração Alega a Recorrente que o Auto de Infração padece de nulidade, tendo em vista a citação não ter sido feita na pessoa do Prefeito ou seu Procurador. Não merece guarida tal pretensão. O Decreto n° 70.235/72, ao tratar das intimações do sujeito passivo da obrigação tributária estabelece: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; [...] Notese que o dispositivo não estabelece regra específica para intimação de órgãos públicos na pessoa do dirigente, sendo cabível a intimação pela via postal, se comprovado o recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo. Sendo assim, não há que se falar em nulidade neste ponto. Mérito Prescrição O Supremo Tribunal Federal sedimentou a tese de que para as ações ajuizadas após a entrada em vigência da Lei Complementar n. 118/2005 (09/06/2005), o prazo prescricional para repetição do indébito, também aplicável aos processos de compensação, é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Das verbas de caráter indenizatório A este julgador cabe tratar individualmente das verbas julgadas em sede de repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça como não incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de salários. São elas: terço constitucional de férias e afastamento nos 15 primeiros dias de auxílio doença e auxílio acidente: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; Fl. 2072DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . [...] 2.2. Aviso Prévio Indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp Fl. 2073DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.720315/201175 Acórdão n.º 2402004.201 S2C4T2 Fl. 2.069 11 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3º, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. 3. Conclusão. Recurso especial de HIDRO JET EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS LTDA parcialmente provido, apenas para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de férias (terço constitucional) concernente às férias gozadas. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ.” (STJ, REsp 1.230.957, S1 – Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 18/03/2014) Em complemento, assim dispõe o Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, considerando que o STJ reconheceu a não incidência das contribuições sobre os valores pagos a título de terço de férias e afastamento, dou provimento a esta parte do recurso voluntário, nos termos do art. 62A do RICARF, para excluir estes valores da base de cálculo. Fl. 2074DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Das contribuições descontadas e não repassadas Aduz a Recorrente que foi informado à Receita Federal do Brasil que o pagamento das contribuições descontadas no período apontado como irregular foi feito através de retenção no FPM Fundo de Participação dos Municípios. Todavia, não há qualquer prova juntada nos autos que demonstre que as alegações da Recorrente mereçam acolhimento. Portanto, mantenho o crédito tributário neste ponto. Dos valores relativos ao SAT/RAT O Decreto n. 6.042 /2007, em seu Anexo V, reenquadrou a Administração Pública em geral no grau de periculosidade médio, majorando a alíquota do Seguro de Acidentes de Trabalho SAT para 2% (dois por cento), o que se aplica, de todo, aos municípios. Alega a Recorrente que o aumento do SAT só ocorreu por força de um suposto aumento no grau de acidentabilidade ocorrido nos Municípios, o que segundo ela não teria ocorrido no Município. Neste aspecto, o recurso não merece prosperar, pois nesse sentido, a orientação do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido da legalidade do enquadramento, por decreto, para fins de fixação da contribuição para o Seguro de Acidentes de Trabalho SAT, sendo que o grau de risco médio deve ser atribuído à Administração Pública em geral. Confirase: “TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO PARA O SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO (SAT) – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA – ALÍQUOTA DE 2% – DECRETO 6.042∕07 – LEGALIDADE. 1. O grau de risco médio, para fins de cálculo da alíquota da contribuição para oseguro de acidentes do trabalho (SAT), deve ser atribuído à Administração Pública em geral. 2. Recurso especial não provido.” (REsp 1.338.611∕PE, Segunda Turma, Relatora Ministra Eliana Calmon, DJe de24.9.2013) “TRIBUTÁRIO. MUNICÍPIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEGURO DE ACIDENTES DO TRABALHO SAT. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. DECRETO N. 6.042∕2007. LEGALIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. O Decreto n. 6.042∕2007, em seu Anexo V, reenquadrou a Administração Pública em geral no grau de periculosidade médio, majorando a alíquota do Seguro de Acidentes de Trabalho SAT para 2% (dois por cento), o que se aplica, de todo, aos municípios. 2. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido da legalidade do enquadramento, mediante decreto, das atividades perigosas desenvolvidas pela empresa, escalonadas em graus de risco leve, Fl. 2075DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.720315/201175 Acórdão n.º 2402004.201 S2C4T2 Fl. 2.070 13 médio ou grave, com vistas a fixar a contribuição o SAT (art. 22, II, da Lei n. 8.212∕1991). Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 1.345.447∕PE, Segunda Turma, Relator Ministro Humberto Martins, DJe de 14.8.2013) “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SAT. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA. DECRETO 6.042∕2007. INVERSÃO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS. HONORÁRIOS FIXADOS EM 10% SOBRE O VALOR DA CAUSA. 1. Hipótese em que o acórdão recorrido concluiu que a contribuição do Município de Pesqueira para o SAT deveria permanecer à alíquota de 1%, uma vez que suaatividade é preponderantemente burocrática. 2. Ocorre que o Decreto 6.042∕2007, em seu Anexo V, reenquadrou a Administração Pública em geral consequentemente, o Município de Pesqueira no grau de periculosidade médio, majorando alíquota do SAT para 2%. 3. A jurisprudência do STJ é no sentido de que "o enquadramento, via decreto, dasatividades perigosas desenvolvidas pela empresa escalonadas em graus de riscoleve, médio ou grave objetivando fixar a contribuição para o Seguro de Acidentes do Trabalho SAT (art. 22, II, da Lei n. 8.212∕91) não viola o princípio da legalidade (art. 97 do CTN)." (REsp 389.297∕PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, DJ 26.5.2006). 4. Já a Fazenda Nacional alega que, não obstante o provimento de seu RecursoEspecial, houve omissão quanto ao arbitramento do valor dos honorários advocatícios decorrentes da inversão dos ônus da sucumbência. Procede tal afirmação. Tendo em vista que o Município de Pesqueira ficou vencido, deverá ele arcar integralmente com o ônus da sucumbência. Assim, condenoo ao pagamento das custas judiciais e estabeleço os honorários advocatícios em 10% sobre o valor da causa, observado o disposto no art. 20, §§ 3º e 4º, do CPC e a orientação do STJ de que, nos casos em que não há condenação, os honorários advocatícios devem ser arbitrados sobre o valor da causa. Precedentes do STJ. 5. Agravo Regimental do Município de Pesqueira não provido. Agravo Regimental da Fazenda Nacional provido para fixar os honorários em 10% sobre o valor da causa." (AgRg no AgRg no Resp 1.356.579∕PE, Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, DJe de 9.5.2013) Especificamente no que diz respeito às alegações da Recorrente sobre eventuais ilegalidades e inconstitucionalidades relacionadas à aplicação do SAT e FAP, não cabe aos órgãos administrativos o julgamento de constitucionalidade de qualquer que seja a Fl. 2076DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 legislação vigente, uma vez que a esfera administrativa está adstrita à correta aplicação da norma em plena vigência. Registrese que a instância administrativa não possui competência legal para manifestarse sobre questões em que se alega eventual colisão da legislação face à Constituição Federal, tendo em vista ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal (art. 102, I, a, e III, b; art. 103, § 2°; EC n° 3/1993). Assim, na esfera administrativa, a competência limitase a afastar aplicação de leis já declaradas inconstitucionais definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a determinação do Secretário da Receita Federal. Ante o exposto, mantenho a autuação em relação aos valores devidos de contribuições ao SAT e ao FAP. Da multa isolada De acordo com a autoridade fiscal, ao compensar créditos inexistentes, inserindo informações falsas e/ou inexatas nas GFIPs do período fiscalizado, o Recorrente agiu de forma fraudulenta, conforme descrito pelo art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Do mesmo modo entendeu a DRJ. Discordo de tal entendimento. Para que se configure fraude na compensação indevida, é necessário que reste demonstrado pela fiscalização a intenção do contribuinte em se beneficiar das informações equivocadas dolosamente. Assim, apesar de as declarações em GFIP do Recorrente não estarem de acordo com o quanto efetivamente devido (em razão da ausência de decisão judicial transitada em julgado que assim reconhecesse), não há prova de que as compensações tenham sido feitas com dolo/fraude. No mesmo sentido é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por intermédio da Súmula n° 25: “Súmula CARF n° 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos , por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64” Ainda o CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004 MULTA ISOLADA DE 150% SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A aplicação da multa de 150% prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, somente poderá ser exigida se restar devidamente caracterizado o dolo especifico do contribuinte, evidenciando a intenção da fraude.” (CARF, PAF n° 14041.000268/200835, Acórdão n° 1201 000.724, Relator João Carlos de Lima Junior) Fl. 2077DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10630.720315/201175 Acórdão n.º 2402004.201 S2C4T2 Fl. 2.071 15 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 MULTA ISOLADA DE 150% SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A aplicação da multa de 150% prevista no art. 89, § 10o da Lei 8.212/91c/c o inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, somente poderá ser exigida se restar devidamente caracterizado o dolo especifico do contribuinte, evidenciando a intenção da fraude. Recurso Voluntário Provido.” (CARF, PAF n° 13116.002457/201083, Acórdão n° 2803 001.496, Terceira Turma Especial/Segunda Seção de Julgamento, Relator Helton Carlos Praia de Lima, Sessão 17/04/2012) Não havendo comprovação de fraude, dolo ou simulação, aplicável ao caso a multa comum aos lançamentos de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, são aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...)” Em resumo, verificada falsidade nas informações prestadas quanto a eventuais créditos passíveis de compensação, obrigatória a aplicação de multa isolada de 150% sobre o valor indevidamente compensado. No caso em tela, entendo que não se trata de hipótese de falsidade da declaração apresentada, mas de compensações de créditos relativos a verbas cuja incidência de contribuições sociais era controversa, existindo inúmeros precedentes judiciais e administrativos, incluindo deste Conselho, em favor do contribuinte. Sendo assim, afasto a aplicação da multa isolada. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou provimento parcial para reconhecer o direito à compensação dos valores recolhidos relativos às verbas de terço constitucional de férias e auxílio doença, limitado ao prazo de cinco anos da data do pagamento indevido, bem como para afastar a aplicação da multa isolada. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 2078DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Fl. 2079DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 15/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13888.901663/2011-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 3803-006.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 16 63 /2 01 1- 18 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A contribuinte transmitiu o Per/DComp em 17/05/2005 (fl. ), referente ao período de apuração de 31/01/2005, sob a alegação de haver recolhido Cofins a maior, proveniente da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins (§1, art. 3º, Lei 9.718/98), portanto oriundo da inclusão indevida de ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A autoridade administrativa, por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 916042453, ao proceder o exame desse fato verificou a inexistência de crédito para à satisfação da compensação declarada, não a homologando. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte arguiu que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal, assim considerando a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Aduziu que ao realizar as vendas de seus produtos efetuou o recolhimento de ICMS, imposto esse que repassa ao seu preço, incluindoo por tal razão em seu faturamento, com isso o ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins e, embora não seja faturamento, não se constitui como receita operacional da contribuinte, como também que o ICMS, como tributo estadual, é considerado como despesa do sujeito passivo da Cofins e, concomitantemente, receita do erário estadual, sendo injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência do PIS e da Cofins. No mais, o STF decidiu que o ICMS não é receita da venda de bens ou da prestação de serviços (RE nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, DJ de 06/02/2006), Ciente da inconstitucionalidade da aplicação dessa sistemática, dissociada da real base de cálculo do PIS/Cofins, requereu a compensação do valor recolhido indevidamente em 17/05/2007, eis que o ICMS não deve fazer parte da base de cálculo do PIS/Cofins, forçandose concluir por sua exclusão, mencionando, outrossim jurisprudência que trata do alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins, com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (18471.000899/200683). A contribuinte também fundamentou acerca da impossibilidade da cobrança do crédito tributário sob a égide do§ 1º do art. 475L, do CPC, com a redação dada pela Lei nº 11.232/05, in verbis: § 1º Para efeito do disposto no inciso II do caput desta artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.901663/201118 Acórdão n.º 3803006.203 S3TE03 Fl. 20 3 incompatíveis com a Constituição Federal (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005). Explicitou a interessada a maneira como apurou o direito creditório no mês 01/2005, mediante a realização do levantamento do ICMS total para o período que, multiplicado pela alíquota da Cofins, chegase ao montante do crédito a receber, pois pago sobre base de cálculo estranha à contribuição. Ao final requereu a anulação do despacho decisório impugnado e o reconhecimento do direito creditório, com fulcro no art. 26 do Dec. nº 70.235/72 e, não sendo este o entendimento profligado, requer a suspensão da cobrança do crédito até a prolação da decisão em definitivo pelo STF. Os autos foram conclusos para apreciação pela 6ª Turma da DRJ/RPOSP, que por meio do Acórdão nº 1442.262, proferiu decisão, cuja síntese encontrase na ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/05/2005 BASE DE CÁLCULO. ICMS. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS O valor do ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativa. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O voto condutor do acórdão em questão, ao se pronunciar acerca da suspensão do processo aduziu que o pleito não encontra amparo na legislação mencionada, pois o rito processual em tela se aplica às controvérsia acerca de pedido de restituição e compensação formalizados perante a RFB, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/96, com a redação da Lei nº 10.833/2003, bem assim que o art. 265, IV, do CPC, estabelece a hipótese de suspensão aplicáveis a processos judiciais, conforme preceitua o art. 1º do próprio CPC, portanto rejeitando o pleito da manifestante. Relativamente à juntada posterior de documentos aos autos pela contribuinte entendeu a referida decisão que ocorreu a preclusão temporal, consoante o disposto no art. 15 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 do Dec. nº 70.235/72, bem assim que o requerimento nesse sentido foi genérico, ausentes os requisitos previstos no art. 16, § 4º, do mesmo diploma legal, rejeitando também este pleito. A discussão acerca do mérito pautouse sob dois aspectos, quais sejam: (i) a questão da comprovação da liquidez e certeza do direito creditório alegado, estando o ônus da prova sob a responsabilidade da manifestante e, quanto a este aspecto não laborou a parte interessada em demonstrar por meio de prova hábil e idônea o alegado, eis que não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior no período resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele período de apuração e o débito apurado, de acordo com o disposto no art. 923 do RIR/99; e (ii) a questão da exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Neste sentido também não logrou êxito a contribuinte, eis que nos termos do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, com redação da Lei nº 11.941/09, como também do art. 18 da Portaria RFB nº 10.875/07, DOU de 24/08/07, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Em consonância com essas premissas, complementarmente, aduziu que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento, englobando a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, diminuído das deduções ex vi do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que somente a lei pode estabelecer a hipótese de exclusão, que tais possibilidades estão elencadas diploma legal retromencionado e que tais exclusões não contemplam a exclusão do ICMS incluído no preço da venda, nesse sentido se manifestando o enunciado da Súmula 94 do STJ. Por entender não haver a contribuinte comprovado nos autos a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação nos termos do art. 170 do CTN, não há se cogitar reparos no despacho decisório, nem tampouco nos procedimentos de cobrança levados a efeito pela autoridade administrativa. Cientificada do Acórdão nº 1442.262 em 23/07/2013, por decurso de prazo, haja vista a data de disponibilização em sua caixa postal em 08/07/2013, dele recorreu aduzindo sucintamente: Em relação à suspensão do presente processo até o julgamento final pelo STF do afastamento do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, a decisão a quo não observou o condito no art. 543B do CPC, que trata do reconhecimento da repercussão geral e do sobrestamento dos autos quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, nem mesmo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 62A, do RICARF/09. A CF/88, por meio do art. 195, I, 'b', ao tratar do financiamento da seguridade social por toda a sociedade, mediante recursos: do empregador, na forma da lei, incidentes sobre a receita ou o faturamento, ex vi do decidido no PAF nº 18471.000899/200683, pelo afastamento da exigência relativa ao alargamento da base de cálculo PIS/COFINS, declarado inconstitucional pelo STF. No mais a contribuinte reitera os termos expendidos na exordial, minudentemente, resumidamente que o ICMS não traduz em receita do contribuinte, porém do Estado, na medida em que o contribuinte apenas participa da operação como substituto tributário. Ou seja, IMPOSTO NÃO É FATURAMENTO OU RECEITA. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.901663/201118 Acórdão n.º 3803006.203 S3TE03 Fl. 21 5 Requer ao final pela suspensão do presente processo em decorrência da repercussão geral reconhecida no RE nº 574.706, nos termos da Portaria MF nº 586; ou, alternativamente, o provimento do recurso para reforma da decisão a quo e para o reconhecimento do direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Fl. 109DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.901663/201118 Acórdão n.º 3803006.203 S3TE03 Fl. 22 7 Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no Fl. 110DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.901663/201118 Acórdão n.º 3803006.203 S3TE03 Fl. 23 9 § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.901663/201118 Acórdão n.º 3803006.203 S3TE03 Fl. 24 11 “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.901663/201118 Acórdão n.º 3803006.203 S3TE03 Fl. 25 13 § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e) quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.901663/201118 Acórdão n.º 3803006.203 S3TE03 Fl. 26 15 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.901663/201118 Acórdão n.º 3803006.203 S3TE03 Fl. 27 17 e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.901663/201118 Acórdão n.º 3803006.203 S3TE03 Fl. 28 19 No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10240.001856/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2006
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO.
Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e
administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN.
MATÉRIA DE FATO.
Não colacionados aos autos documentos que comprovam as alegações do contribuinte quanto à ilegitimidade das acusações fiscais, impõe-se a manutenção dos lançamentos.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO.
Auferir vultosas receitas sem declará-las à administração tributária e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71 da Lei n. 4.502/64, justificando-se a qualificação da penalidade.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
Ante sua natureza eminentemente constitucional, a discussão sobre o potencial caráter confiscatório de penalidades pecuniárias previstas em lei para as hipóteses de indeferimento de compensação refoge ao âmbito de competência desse Tribunal, a teor da Súmula Vinculante STF n. 10 e a Súmula CARF n. 2.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-000.842
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso interposto pelo coobrigado, vencidos o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) e a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto, que cancelavam o Termo de Responsabilidade Tributária Solidária lavrado com fundamento no art. 124, I, do CTN e permitiam à Fazenda Nacional, redirecionar ao recorrente eventual execução fiscal proposta contra a contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135 do CTN. Redator designado: João Otavio Oppermann Thomé
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: I MPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2006 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. MATÉRIA DE FATO. Não colacionados aos autos documentos que comprovam as alegações do contribuinte quanto à ilegitimidade das acusações fiscais, impõe-se a manutenção dos lançamentos. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declará-las à administração tributária e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71 da Lei n. 4.502/64, justificando-se a qualificação da penalidade. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. Ante sua natureza eminentemente constitucional, a discussão sobre o potencial caráter confiscatório de penalidades pecuniárias previstas em lei para as hipóteses de indeferimento de compensação refoge ao âmbito de competência desse Tribunal, a teor da Súmula Vinculante STF n. 10 e a Súmula CARF n. 2. Recurso voluntário negado. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso interposto pelo coobrigado, vencidos o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) e a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto, que cancelavam o Termo de Responsabilidade Tributária Solidária lavrado com fundamento no art. 124, I, do CTN e permitiam à Fazenda Nacional, redirecionar ao recorrente eventual execução fiscal proposta contra a contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135 do CTN. Redator designado: João Otavio Oppermann Thomé. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho- Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barretto, João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por pessoa física tida por responsável solidária pelo adimplemento do crédito tributário contra acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belém do Pará - PA assim ementado, verbis: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2005 EMENTA INFORMAÇÕES ESTADUAIS. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestar-se- ão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 4 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata o processo de lançamentos (fls. 01/80), ciência em 25/12/2009 (fl. 364), decorrentes do SIMPLES (AC 2005) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 1.764.537,67, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora calculados até 30/11/2009. 2. Segundo Relatório de Fiscalização (fls. 64/74) as infrações (omissão de receitas e insuficiência de recolhimento) constatadas redundaram de receitas de vendas extraídas da GIAM apresentada pelo contribuinte ao Estado de Rondônia, que somaram R$ 4.699.966,62, enquanto a declarada à Receita Federal somou R$ 5.993,05, para o ano de 2005 (os destaques são do Relator). a) Procedimentos: "Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal- MPF n° 025010012008100124-7, instaurou-se o procedimento de Diligência Fiscal mediante o encaminhamento do Termo de Início de Diligência Fiscal pela via postal, em 10 04 2008, com objetivo de verificar junto ao contribuinte a utilização de benefícios fiscais e eventuais inconsistências com as compras informadas pela Superintendência da Zona França de Manaus-Suframa, através da analise da escrituração contábil/fiscal Para tanto, foi solicitado o Livro Caixa, Registro de Inventario e Notas Fiscais de Entrada relativos ao anocalendário 2005. Devido à inexistência do endereço declarado a RFB não se logrou êxito na intimação da empresa(AR827861456RL). Em 24 062008 foi encaminhado Termo de Solicitação de Esclarecimentos a sócia o responsável Avani de Souza Lopes, CPF no 626 260 352-20, porém a mesma não foi localizada pela mesma razão inexistência do endereço declarado a RFB (AR972766900RL). A diligência Fiscal foi encerrada e concluída pela imediata instauração do procedimento de Fiscalização, tendo em vista a inaptidão por inexistência de fato declarada ein 13 07.2006 nos autos do processo administrativo n° 10240000473200631 e as inconsistências surgidas em função das informações prestadas pela própria empresa na Declaração Simplificada - PJ, assim como nas informações transmitidas por terceiros — SUFRAMA - a Receita Federal Fl. 551DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 5 4 3.2 — Fiscalização O procedimento de Fiscalização foi instaurado sob MPF 170 025010012008100466-1, tendo sido encaminhado o Termo de, Inicio de Procedimento Fiscal, em 17 09 2008, via postal para apresentação no prazo de 20(vinte) dias dos seguintes documentos Livro Caixa, Livro Registro de Inventario, Notas Fiscais de Entradas e Saídas, todos relativos aos AC 2005, a lei do Contrato Social e Alterações Sem êxito na intimação haja vista a inexistência do endereço declarado a RFB(AR987278364RL). Em diligência fiscal no endereço declarado a RFB (Av Castelo Branco, n° 479, Itapuã do Oeste/RO) constatamos a inexistência do n° 479 na Av. Castelo Branco, bem como a inexistência do contribuinte nas imediações onde poderia encontrar-se a empresa, conforme Termo de Constatação anexo. Tendo em vista encontrar-se em local incerto e não sabido, intimamos o contribuinte, via edital, em 29.04.2009, tomar ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal. Outras intimações foram realizadas por edital: 22.07.2009: Termo de Ciência e Continuação de Procedimento Fiscal para apresentar o Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultado; 28.09.2009: Termo de Ciência e Continuação de Procedimento Fiscal para apresentar a GIAM- Guia de Informação e Apuração do ICMS Mensal; 01.12.2009: Termo de Ciência e Continuação de Procedimento Fiscal. Todas infrutíferas. A inexistência de falo do contribuinte declarada em 13 07 2006 nos autos do processo administrativo n° 10240000473200631, bem copio a inércia do mesmo em atender as intimações impôs a Fiscalização a busca de documentos e informações junto a órgãos públicos cartórios extrajudiciais fornecedores e empregados, obtendo-se os seguintes documentos: Declaração de Firma Mercantil Individual, Comunicação de Enquadramento na condição de Microempresa, datada em 12 07 2002, e Alterações de Firma Individual, fornecidas pela Junta Comercial do Estado de Rondônia, Relatório Sintético de GIAM- Guia de Informação e Apuração do ICMS Mensal, Relatório de Demonstrativo de Entradas e Saídas de GIAM e Relatório de Notas Fiscais por Remetente/Destinatário relativos ao AC 2005, emitidos pela Secretaria de Estado de Finanças -RO; Fl. 552DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 6 5 Documentos comprobatórios de pagamento de mercadorias adquiridas pelo contribuinte, apresentados pelas empresas fornecedoras, no curso dos procedimentos de Diligência Fiscal, Processo administrativo fiscal — DFE n° 20082500600004, fornecido pela Secretaria do Estado de Finanças—RO; Termo de esclarecimentos de Maria Nislene Xavier, CPF 775.348.162-20, Zulinha de Arai do, CPF 325.813.002-72, Lenilda de Souza, CPF n' 709.889.272-6; Procurações registradas perante o Cartório de 1' Oficio de Notas e Registro Civil da Comarca de Ariquemes/RO, outorgando poderes para terceiros representarem a AS LOPES, Com base nos documentos obtidos identificou-se o administrador da empresa Jose Geraldo dos Santos Alves Pinheiro para quem foi encaminhado o Termo de Solicitação de Esclarecimentos em 18 11 2009, via postal (AR4 7 71 65 735RL) tendo sido recebido 19 11 2009. Não houve comparecimento do mesmo A responsabilidade solidariedade restou comprovada conforme demonstrado no Item 8 do presente Termo. b) Multas aplicadas: "7. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO e AGRAVAMENTO As condutas descritas abaixo adotadas pelo sujeito passivo demonstram o ânimo de fraude e/ou sonegação, pois de forma reiterada , omitiu e ocultou deliberadamente do conhecimento do Fisco os fatos geradores de tributos/contribuições, zorra vez que: >A empresa inexiste de fato, tendo sido declarada inapta nos autos no processo n°10240000473200631; > Utilizou-se de interposta pessoa, Avani de Souza Lopes, com objetivo de ocultar o administrador de fato, conforme os fatos demonstrados a seguir no item 8; >Prestou informações falsas na Declaração Simplificada — AC 2005 —apresentada em 30.05.2006, ao declarar Receita bruta em valores menores que os auferidos e declarados ao Fisco Estadual; >Insuficiência de recolhimento dos impostos/contribuições incidentes sobre a receita declarada na Declaração Simplificada AC 2005; > Deixou de atender as intimações da Fiscalização; Fl. 553DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 7 6 Tais condutas configuram, em tese, os crimes previstas nos incisos 1 e II, do art. 1' da Lei n° 8.137/90 e dos arts.. 71 e 72 da Lei 4.502164, o que será objeto de Representação Fiscal para Fins Penais em atendimento ao previsto no artigo 1º da Portaria RFB n° 665, de 24 de abril de 2008, e impõem a aplicação da multa de oficio e agravamento do multa, totalizando 225% (duzentos e vinte e cinco por cento) sobre as impostos/contribuições apuradas com base na Receita Omitida, consoante os termos dos dispositivos abaixo: c) Responsabilidade Solidária de José Geraldo Santos Pinheiro: "Além das receitas omitidas, as informações prestadas por terceiros corroboradas com às constantes do banco de dados da RFB, revelaram: (1) a interposição de pessoa na empresa, com objetivo de ocultar o administrador, de fato, e, por conseguinte, fingir ao cumprimento das obrigações tributárias e dificultar o conhecimento e a exigência dos créditos tributários devidos por parte do Fisco; (2) a realização de operações comerciais mediante a utilização de estrutura física de outras empresas e sob a gerência do administrador destas, conforme passamos a expor: De acordo com informações da SEFIN/RO, nos autos do Processo Administrativo Fiscal Estadual n° 20082500600004, Avani Souza Lopes figurava como responsável legal da empresa A S LOPES apenas para acobertar a pessoa do verdadeiro responsável e administrador, José Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF n° 288.120.002-82, também sócio-gerente da empresa RONDÔNIA MERCANTIL DISTRIBUIDORA IMPORTADORA E ---EXPORTADORA DE GENEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 06.2.13.390/0001-07. O Fisco Estadual tomou conhecimento destes fatos a partir da busca e apreensão judicial de lodos documentos, livros e equipamentos de informática e ocasião em que foram apreendidos também vários documentos da empresa AS LOPES, conforme constam do Auto de Apresentação de Apreensão" e "Laudo de Constatação Contábil n° 0322/SMC12007" anexos, a saber: (1) "Lote 002 - Caixa de Papelão contendo em seu interior: um livro de registro de entrada A.S LOPES COM ATACADO E DIST. contendo 5 o fls. com lançamentos até a Folha 38. Protocolo n°20030501200055 "; (2) "Lote — 005, caixa com Notas Fiscais, referentes a Empresa ÀS LOPES'– (3) Lote 07 — "sala da Adriana": Divisória 02: - identificação A.S.LOPES, 26790, BRADESCO, contendo em seu interior: 46 (quarenta e seis) folhas de cheques n° 000814 a 000817; 000843 a 000881, conta 026790, Agência 1448, na cidade Ariquemes-RO, em nome de A.S LOPES COMATACADO E DISTRIBUIDORA, CNPJ 05.162.57910001-02, CONTA DESDE 0512003 ", (4) Lote Fl. 554DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 8 7 07— "Divisória 16 Identificação A.S Lopes, 071.296-3, BASA, contendo em seu interior: 20 (vinte) folhas de cheques n' 559930; 559872 a 559890, Ag. 0100, Conta 071.296-3, Banco da Amazônia, cidade de Ariquemes-RO, ' em nome de A.S LOPES COM ATACADO E DISTRIBUIDORA, CNPJ 05.162.57910001-02, CONTA DESDE 0212003"; (5) Lote 07 — "Divisória 20 Sem identificação, contendo em seu interior AUTORIZAÇÃO DE ENTREGA DE TALÃO DE CHEQUES, em nome de A.S LOPES COM ATACADO E DISTRIBUIDORA, BRADESCO, ag. 1448-6, conta 026.790, parte elo talonário 6236-SW 000001120, 0D8ZS--SW 000081100, G97J-SY 000121140 e G97J-SY 000141160 etc. Entre os documentos apreendidos, destacamos a apreensão dos talonários de cheques da empresa AS LOPES, referente aos bancos Bradesco e Amazônia, como provas cabais de que José Geraldo exercia total controle e administração da empresa, mesmo dentro do estabelecimento da RONDÔNIA MERCANTIL Após perícia nos equipamentos de informática apreendidos na RONDÔNIA MERCANTIL, os peritas puderam afirmar que entre tantas outras empresas administradas pelo grupo RONDÔNIA MERCANTIL, a empresa AS LOPES constava como filial" da RONDONIA MERCANTIL no "Arquivo Impresso "denominado "Relação Completa de Empresas ", extraído do sistema Mastermaq Informática, anexo do "Laudo de Exame Pericial de Constatação de Equipamento de Microinformática ". Atestou que a RONDÔNIA MERCANTIL, através de seu sócio José Geraldo, mantinha o controle das contas bancárias das empresas pertencentes ao grupo, inclusive das contas da empresa AS LOPES, conforme "Relatório de contas bancárias oriundas da base de dados do software Midas". Durante o procedimento fiscal, constatou-se que Jose Geraldo possuía amplos poderes para controlar e administrar a empresa AS LOPES, através de procuração registrada perante o Cartório de 1' Oficio de Notas e Registro da Comarca de Ariquemes (Livro 29 às fs.161) anexa, inclusive, substabeleceu procurações aos outorgados Cleiton Vieira Lopes e Lenilda de Souza (Livro 31, fls 44, Livro 33, fls 19), anexas. Os fornecedores, intimados, comprovaram que Jose Gemido tinha o poder de decidir sobre a realização ou não dos pagamentos de mercadorias adquiridas pela AS LOPES. mediante a apresentação dos seguintes documentos (1) solicitação de pagamento expedida pela empresa Quhnica Amparo Ltda a AS LOPES "ATT Sr GERALD" (MPF 250100200800857-8) (2) Oficio expedido pela empresa Industrias Químicas Melyane S/A Fl. 555DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 9 8 endereçado a AS LOPES "Alt. Sr. Geraldo. e respectivos comprovantes de pagamentos (MPF 250100200 0917). Os fornecedores comprovaram, ainda, que as dividas da AS LOPES eram cobradas no endereço da empresa RONDÔNIA MERCANTIL estabelecida a Rod BR 364, Kni 515, nuS17, Bairro Trevo, Ariquemes/RO, conforme duplicatas emitidas pela empresa Angelo Auncchio Companhia Ltda (MPF 250100200800895-0). O Cadastro Nacional de Informações Sociais - CNIS, alimentado por informações da GFIP-Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social, de preenchimento exclusivo do Contribuinte, revelou que desde a abertura da empresa o estabelecimento matriz jamais contratou empregados para realização das operações comerciais. O estabelecimento-filial manteve durante o AC-2005 o registro de 6(seis) empregados mensais, dos quais, 3(três) prestaram informações a RFB (Mana Nislene Xavier, Zulmira de Araújo e Lenilda de Souza) Maria Nislene Xavier, CPF 775 348 162-20, esclareceu que durante o período em que exerceu a função de auxiliar de escritório na empresa AS LOPES (01 01 2005 a 12 122007), não conheceu Avani Souza Lopes. Disse que suas funções não eram exercidas no endereço do empregador, mas no endereço da empresa COMERCIO DE GÉNEROS ALIMENTÍCIOS CENTRAL NORTE (CNPJ 05.807.20610001-41), estabelecida a Av. Presidente Dutra, Centro, não sabendo informar o n°, tidas sócias, Elci Dias dos Santos (CPF n 522 134 126-34) e Maria Geralda dos Santos (CPF n° 056 476 976-23), são, respectivamente, sogra e irmã de Jose Geraldo Santos Alves Pinheiro. Com o fechamento da CENTRAL NORTE, foi trabalhar para a empresa RONDÔNIA MERCANTIL DI,STR IMP EXP LTDA(CNPJ 06 243 390/0001-07), gerenciada por Jose Geraldo, onde se mantinha ate a data em que prestou esclarecimentos, em 24.04.2009. Zulinha de Araújo, CPF 325.813.002-72, disse ter sido contratada, mediante registro de CTPS, pela empresa A S LOPES, permanecendo durante o período de 01 03 2006 a 3112 2007, porem não conheceu Avani Souza Lopes. Acrescentou que suas funções também não eram exercidas no estabelecimento da AS LOPES, mas no estabelecimento da empresa W DA SILVA VEIGA (CNPJ 07 06168710001- 14), tendo conhecido o Sr Jose Geraldo Santos Alves Pinheiro. Após 31.12.2007, foi trabalhar para empresa RONDÔNIA MERCANTIL, porém sem registro de carteira. Lenilda de Souza, CPF tio 709.889.272-6, foi admitida em 01.11.2004 nela AS LOPES, conforme informações extraídas do CAIS - Cadastro Nacional de Informações Fl. 556DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 10 9 Sociais, tela "Consulta Vínculos Empregatícios do Trabalhador". Questionada, não confirmou o vinculo empregatício e disse ter trabalhado no período de 2006 a 13.12.2007 para a empresa CENTRAL NORTE pertencente aos parentes de José Geraldo com estabelecimento na Av. Presidente Dutra Centro, não sabendo informar o número. A partir de 13.12.2007 foi contratada pela RONDONIA MERCANTIL. Não conheceu Avani Souza Lopes. Embora tenha negado o vínculo empregatício com a AS LOPES, Lenilda de Souza foi inclusive Procuradora da AS LOPES e responsável pela internação de mercadorias naquela Área de Livre Comercio, conforme comprovam a procuração registrada perante o Cartório de 1' Oficio de Notas e Registro da Comarca de Ariquemes/RO (Livro 33, fls 19), substabelecida por Jose Geraldo anexa, e as informações fornecidas pela SUFRAMA — Guarajá Mirim/RO através do Oficio n° 033/2008- SEDAMIALCGNI. O "Relatório de funcionárias oriundo da base de dados do software MIDAS extraído dos equipamentos de informática apreendido na RONDÔNIA MERCANTIL comprova que Lenilda de Sotiza foi admitida em "01 112004 ", na função de "Auxiliar de Escritório portanto sua conduta perante a RFB demonstra a intenção de ocultar informações sobre o sujeito passivo fiscalizado Entre os sei-viços prestados pelas empregadas incluía o recebimento de mercadorias para AS LOPES, conforme comprovam os documentos apresentados pelos fornecedores, anexos aos MPF's Diligência onde consta a assinatura de Lenilda de Souza nos comprovantes de recebimentos MPF's n° 25 01 002 0080083 1-4 (GDC Alimentos SIA), 2501002008008322 (Massas Viccari Lida) 250100200800835-7 (Alimentos Dallas Industria e Comercio Lida) 250100200800838-1 (Hipermarcas S/A) 250100200800852-7 Brasfrigo S/A 2501 00200800870- 5(Dori Alimentos Ltda.). Pelos esclarecimentos das funcionarias, restou comprovada a contratação pela AS LOPES mediante registro de CTPS, Pias a prestação de serviços no estabelecimento de outras empresas vinculadas a Jose Geraldo. Quanto a GFIP, importante ressaltar que a empresa RONDÔNIA MERCANTIL e a responsável pelo envio de informações Prensais da empresa AS LOPES a Receita Federal, tendo ambas como contador o Sr. Edes de Jesus Santana, conforme comprova o relatório da GFIP: "Informações do Responsável ", anexo. A responsável legal pela empresa, Anani Souza Lopes, não foi localizada para prestar- esclarecimentos sobre a empresa Sua declaração de rendimentos ''Simplificada" — Fl. 557DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 11 10 AC 2005 apresentada junto a RFB contraria o disposto art.6º, inciso V da Instrução Normativa SRF 616, de 3 1.12.2006, e art. 6º, inciso V, da IN SRF 716, de 05 022007, pois, na condição de titular- de empresa, deveria ter apresentado a "Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Revida" na forma do art. 1º das referidas IN's, e informado seus rendimentos e participação no capital social, porem apresentou-a apenas para alterar o endereço, que já se sabe inexistente Jose Geraldo Santos Alves Pinheiro também foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a RONDÔNIA MERCANTIL, mediante ciência do "Termo de Solicitação de Esclarecimentos " em 23 01 2009, via postal (AR 126072648RL), haja vista a apreensão dos documentos da AS LOPES no estabelecimento de sua empresa. Em resposta, protocolizou solicitação de prorrogação de 30(trinta) dias do prazo estabelecido justificando problemas de saúde e comprometendo-se a comparecer espontaneamente 'para prestar esclarecimentos que venham a ser necessários, a fim de sanar dúvidas, pendências ou divergências junto a Receita Federal do Brasil ". Não obstante o compromisso firmado, deixou de comparecer para prestar esclarecimentos. Foi novamente intimado em 19.11.2009, via postal (AR477165735RL), a prestar esclarecimentos sobre a AS LOPES, porém não compareceu. Em síntese, depreende-se dos esclarecimentos e provas até aqui coletadas que Avani Souza Lopes figurava apenas nominalmente como titular da empresa, pois não era conhecida por seus próprios empregados, não comparecia na empresa, não a administrava nem mantinha o controle das atividades desenvolvidas, ficando estas funções a cargo de José Geraldo Santos Alves Pinheiro. Restou, portanto, caracterizada a Responsabilidade Passira Solidária de Jose Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF no 288 120 002-82, em face do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa AS LOPES, haja vista o exercido efetivo de gerência e administração sobre os negócios da empresa, constatadas durante o período em que foram verificadas as omissões e a falta de declaração de fatos geradores de tributos federais ora apontados. Tal situação, tipificada nos artigos art. 124 da Lei n— 5172, de 1966 (Código Tributário Nacional), foi materializada em Termo de Responsabilidade Tributaria Solidária". 3. O interessado Jose Geraldo Santos Alves Pinheiro apresentou impugnação (fls. 375/401), de 14/01/2010, em que alega, em resumo: Fl. 558DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 12 11 a) Nenhuma prova foi produzida no sentido de configurar a responsabilidade passiva solidária de José Geraldo Santos Alves Pinheiro; b) Houve inobservância da Portaria 11.317/07, que regulamenta o MPF, no que se refere à ciência de prorrogação dos MPFs, c) Sustenta a autoridade fiscal nos seguintes termos: "A responsabilidade solidária do sujeito passivo restou caracterizada em face do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa, nos termos do Inciso 1 do art. 124, da Lei n2 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), haja vista o efetivo exercício de gerência e administração sobre os negócios da empresa, constatadas durante o período em que foram verificadas as omissões e a falta de recolhimento dos tributos federais, conforme demonstrado no TERMO DE VERIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO N° 0250100/2008/00466-1". Não há sustentação jurídica e fática que possa eleger José Geraldo Santos Alves Pinheiro como responsável tributário, pois como restará demonstrada não há o interesse comum na situação do fato gerador, nem tão pouco restou provado que tenha exercício efetivo de gerência e administração sobre os negócios da empresa ora autuada. apontado deve ser resultado de processo administrativo prévio, em que seja apurada nos termos dos pressupostos estabelecidos por lei, sendo esta a condição essencial que irá determinar a futura legitimidade passiva daquele na respectiva execução fiscal, caso não haja pagamento oportuno do crédito fiscal. e) A responsabilidade tributária solidária de que cuida o inciso I do art. 124 do CTN é um dos temas onde grassa a maior confusão. Basta à interdependência entre as empresas, caracterizada pela composição do capital ou pela identidade de pessoas que compõem as sociedades para concluir-se pela responsabilidade tributária solidária. Isso é um grande equívoco. Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, 1 do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas, ou mesmo por membros dessas empresas. Para que isso ocorra é indispensável a configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. A solidariedade dos membros de um mesmo grupo econômico está condicionada a que fique devidamente comprovado: a) o interesse imediato e comum de seus membros nos resultados decorrentes do fato gerador; e/ou b) fraude ou conluio entre os componentes do grupo. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 13 12 f) Há interesse comum mediato em decorrência do resultado do fato gerador quando mais de uma pessoa se beneficiam diretamente com sua ocorrência; g) A autoridade fiscal sustenta a responsabilidade solidária do autuado nas informações da SEFIN/Ro, nos seguintes termos: "De acordo com as informações da SEFIN/RO, nos atos do Processo Administrativo Fiscal Estadual n 20082300600004, Avani Sozrza Lopes figurava como responsável legal da empresa A S LOPES apenas para acobertar a pessoa do verdadeiro responsável e administrador, Jose Geraldo Santos Alves Pinheiro, CPF n° 288.120.002-82, também sócio-gerente da empresa RONDÔNIA MERCANTIL DISTRIBUIDORA IMPORTADORA E EXPORTADORA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 06.243.390.0001-07". Antes de qualquer analise da questão aqui posta é necessário ressaltar que o fisco estadual bem como a autoridade fiscal entende tratar-se de um mesmo grupo econômico. Em relação a tais argumentos, é necessário entender quando se aborda a questão da solidariedade entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico, e as pessoas que a compõe é preciso tomar cuidado para não confundir interesse jurídico comum na situação que constitua o tato gerador de que cuida o inciso I do art. 124 do CTN, com o interesse econômico no resultado que constitui o fato gerador da obrigação tributária, Uma coisa é a empresas coligadas terem interesse econômico comum na exploração da atividade. Outra coisa bem diversa é o fato de as empresas coligadas terem interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária, isto é; que participem entre si da mesma situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Exemplificando, a empresa `A' participa da situação que constitua fato gerador para a empresa `B'. h) Importante distinguir, pois, interesse comum no resultado da exploração da atividade econômica ensejadora do fato gerador da obrigação tributária, com o interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador. Aquele é irrelevante para gerar da responsabilidade solidária. Este acarreta a responsabilidade solidária, porque as pessoas envolvidas praticam conjuntamente a atividade tipificada pela norma tributária. i) No presente Auto não tem elementos comprobatórios, ou seja, prova material, de que o Impugnante tenha praticado atos de gestão empresarial ao ponto de figurar como responsável tributário. j) Na procuração apresentada consta data diversa do período fiscalizado. A mera lavratura de procuração Fl. 560DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 14 13 outorgando poderes não será suficiente para provar que o Impugnante administrou a empresa. k) Os documentos dos clientes que fazem referência a um Geraldo não servem de prova da solidariedade, pois poderia estar se referindo a qualquer um que se chame Geraldo. l) A Sra Maria Nislene Xavier não declara que o José Geraldo tenha participado ou praticado qualquer ato de gestão na empresa; m) Nobre Julgador, não há no ordenamento jurídico nada que proíba uma pessoa de prestar serviços para mais de um empregador. É cediço que muitas pessoas hoje em nosso país preste serviços para mais de uni empregador, inclusive sem carteira registrada. Note-se que a autoridade fiscal utiliza diversas vezes a fala de que as pessoas acima citadas prestavam serviços para outras empresas vinculadas a José Geraldo. Ora, o impugnante não foi citado ora nenhuma como sendo a pessoa que determinava ordens à Nislene, Zulinha e Lenilda nem tão pouco que seja sócio de referidas empresas. Nos depoimentos prestados nenhuma das depoentes afirma que era funcionaria de José Geraldo ou mesmo, se dele recebia ordens, Ainda há que se mencionar que "Lenilda" tinha poderes de gerência outorgados em procuração, não se subordinando a terceiros. Em seu depoimento Zulinha Araújo (fis. 115) perguntada sobre o nome de gerente ou responsável (de fato) pelas empresas, responde como sendo o escritório de contabilidade. Em que pese em seu depoimento dizer que trabalhou para Rondônia Mercantil, empresa que tem como um dos sócios José Geraldo, não trouxe nenhuma comprovação da relação empregatícia, mas, ainda que viesse a trabalhar, não há nenhuma ilegalidade, ou liame que torne José Geraldo responsável tributário da empresa autuada. n) Nislene Xavier Silva, em seus esclarecimentos às fis. 123/125 diz que veio a trabalhar para a empresa Rondônia Mercantil em 01/03/2008. O fato de vir a trabalhar na empresa Rondônia na qual o impugnante é sócio, não pode ser de elemento para responsabilizá-lo pela empresa "AS Lopes". Insta consignar que em seu depoimento diz que somente veio a ser contratada pela empresa Rondônia Mercantil após sair da empresa "A S Lopes". Quando perguntada sobre a gerência da empresa "A S Lopes", respondeu que esta era feita por Lenilda Souza. Quanto ao depoimento de Lenilda de Souza, está em momento nenhum se referiu a José Geraldo como gerente ou responsável pela empresa "A. S Lopes". Fl. 561DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 15 14 o) INOBSERVÂNCIA DO DISPOSTO NO ARTIGO 112 DO CTN. Por outro lado também não foi observado pela autoridade fiscal o disposto no art. 112 do CTN A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta—se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida. Havendo dúvidas quanto aos praticados pelo contribuinte e, em face de suas características, ou seja, de não ter sido apurada a infração de modo consistente pelo fisco de modo a ensejar convicção quanto à ocorrência e características da infração, não se aplique a penalidade ou o agravamento que pressupões tal infração. p) Insta consignar que em nenhum momento o impugnante foi notificado a prestar esclarecimento referente a presente empresa ora autuada, pois conforme se observa no processo às fls, 97, o impugnante foi chamado aprestar esclarecimento referente ao MPF n. 02.50100-2008- 001033-5 da empresa RONDONIA MERCANTIL DISTRIBUIDORA IMPORTAÇAO E EXPORTAÇÃO DE GENEROS ALIMENTICIOS. Ora, a autoridade fiscal de forma abusiva, utiliza documentos de outros procedimentos fiscais para usa-los induzindo ao julgador que o impugnante não atendeu às suas solicitações. q) Aduz a autoridade fiscal que: "a empresa A S Lopes constava como "filial" da Rondônia Mercantil no arquivo impresso denominado "Relação Completa de Empresas" extraído do sistema Mastermaq Informática (..)", fato esse que encontra em discussão na defesa em processo administrativo fiscal estadual. Se observar o documento de fls. 397, vê-se que ali se trata de um simples cadastro de empresas, pessoas físicas e prestadores de serviços, tanto que consta o nome do contador que prestava serviços e outras empresas de outro ramo de atividade (enxovais); Ou seja, não se trata de cadastro de empresas que são ou foram gerenciadas pelo impugnante como insiste o fisco, mas sim um simples cadastros de diversas empresas que vendem ou compram da empresa Rondônia Mercantil. O mesmo raciocínio se impõe a relação de contas bancarias (fls. 400), pois é natural que empresas tenham cadastros de outras empresas e números de contas bancarias de seus fornecedores para possíveis transações. r) A autoridade fiscal utiliza como elemento, meio de prova, os argumentos utilizados pela autoridade fiscal estadual, Não há óbice que se valha de tais documentos, porém, os fatos ali articulados pelo fisco estadual encontram—se sub judice e não são verdades incontestáveis. Ademais todo o articulado pelo fisco Fl. 562DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 16 15 estadual foi objeto de impugnação também no fisco estadual. Entendemos que a autoridade fiscal federal até poderia se valer de tais provas, mas os argumentos ali aduzidos se encontram em processo, ou seja, não configurou definitivamente a responsabilidade do impugnante. s) A multa aplicada teve por fundamento na Lei 9,430/96, art 44, inciso 1 e § 1º e 2º no montante de 225%, inevitavelmente tem efeito de confisco do patrimônio do contribuinte. t) Insta consignar que o impugnante não foi notificado a prestar esclarecimentos no presente MPF. Como se apurou no procedimento fiscal, nos depoimentos prestados e na procuração outorgada e demais documentos, quem gerenciava/administrava, sendo seu representante legal era a Sra. Lenida de Souza, que atendeu as intimações da autoridade fiscal. Não é cabível o agravamento da multa sob o argumento de que não houve atendimento às solicitações do fisco. A multa qualificada de 112,5% sobre os impostos/contribuições apurados com base na Receita Bruta declarada, aplicada de acordo com o art. 44, inciso e II da Lei 9.430/96 também é indevida, pois o fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que comprove que o contribuinte tenha praticado qualquer ato que nos termos da lei possa ser caracterizado como fraude. O fisco declarou como verdadeiros os documentos fornecidos pela Secretária da Receita do Estado de Rondônia e os utilizou através de presunção para apurar suposto crédito devido. Sendo verdadeiros e hábeis para realizar o lançamento, não podem ao mesmo tempo, serem considerados fraudulentos para qualificar a multa.” Em síntese, o acórdão recorrido rejeitou preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, julgou improcedente a impugnação da Contribuinte, sob os fundamentos de que: (i) não houve mero aproveitamento das provas produzidas em âmbito estadual, pois a Fiscalização diligenciou exaustivamente na contribuinte e nas empresas com ela envolvidas nas transações em foco. Ademais, a cooperação entre os entes tributantes é prevista em lei, nos termos do art. 199 do CTN; (ii) quanto à sujeição passiva, está comprovada a solidariedade entre a empresa (contribuinte) e o gerente que detinha amplos poderes na empresa, com vantagem econômica para ambos. A prova dos autos demonstra que o Sr. José Geraldo Santos Pinheiro detinha privativamente poderes de administração e negociação na empresa no ano-calendário de 2005; Fl. 563DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 17 16 (iii) as falhas na emissão do MPF não existiram, pois as prorrogações respectivas estão todas registradas no sítio eletrônico da RFB, conforme prevê o caput do art. 9 o da Portaria RFB n. 11.371, de 2007. Contudo, ainda que existissem, tais falhas não teriam o condão de tornar nulos os lançamentos tributários, já que o MPF é mero instrumento de controle administrativo; (iv) a hipótese para qualificação da multa encontra-se configurada no caso, caracterizada pela conduta dolosa da Contribuinte de “sonegar e fraudar” os tributos devidos à Administração Tributária mediante (a) utilização fraudulenta de interpostas pessoas e (b) falsidade das informações prestadas nas Declarações entregues à RFB (declaração de receita bruta em valores muito inferiores aos declarados ao Fisco Estadual); (v) a hipótese para agravamento da multa de ofício também está configurada, caracterizada pela ausência de atendimento às intimações da Fiscalização que prejudicaram o procedimento de Fiscalização. No caso, os lançamentos apenas puderam ser lavrados por força de informações obtidas perante terceiros; (vi) não procede a alegação da Recorrente de que não foi intimado para prestar esclarecimentos sobre a autuada (A S Lopes), como pode se observar do teor do documento de fl. 108. (vii) não cabe a aplicação do art. 112 do CTN, pois no caso não há dúvida a respeito da penalidade a ser aplicada. (viii) as alegações de vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade não podem ser oponíveis às autoridades administrativas, posto que a multa de ofício aplicada encontra previsão na legislação tributária (art. 44 da Lei n° 9.430/96); Em sede de recurso voluntário, a pessoa física Recorrente reproduz suas razões de impugnação, especificamente no que se refere: (i) nulidade dos lançamentos por (a) por irregularidades na emissão do MPF e (b) cerceamento do direito de defesa por defeito no ato de intimação; (ii) à deficiente caracterização de sujeição passiva por insuficiência das provas colhidas pela Fiscalização; (iii) inobservância ao art. 112 do CTN, pois há dúvida relevante sobre a prática das infrações imputadas ao Recorrente; (iv) à inadequada utilização do procedimento fiscal estadual como meio de prova; (v) à inconstitucionalidade da multa aplicada por violação aos princípios do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Ao final, reitera pedido de produção de todos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. Voto Vencido Fl. 564DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 18 17 Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. (i) Preliminarmente: da nulidade do Auto de Infração por inobservância da Portaria n. 11.371/07 Sustenta o Recorrente que o “termo de início de diligência fiscal n. 0250100/2008/00124-7, parte integrante do processo administrativo fiscal n. 10240.001856/2009-70 utilizados para lavraturas dos autos de infração que compõe referido processo do qual ora se impugna, iniciou-se em 09/04/2008 (fls. 83), e, somente em 29/08/2008 (fls. 89) foi feito o termo de encerramento de referida diligencia fiscal. Consigna-se que não houve nenhum termo que prorrogasse tal diligência, assim, ultrapassou o prazo previsto nos art. 12 e 13 da Portaria acima referida. Prevê o art. 14, II que o MPF se extingue pelo decurso dos prazos previstos nos arts. 11 e 12 da referida portaria”. Com base nesse fundamento, sustenta a nulidade dos lançamentos. A preliminar de nulidade merece ser rejeitada. A uma, pois a alegada irregularidade na emissão do MPF não ocorre, já que as prorrogações respectivas são feitas via internet, conforme cientificado ao contribuinte no início do procedimento fiscal e na própria legislação de regência; a duas, pois a própria Portaria n. 11.371/2007 rechaça a nulidade dos atos praticados na hipótese, conforme disposto no artigo 15 do referido ato legal, verbis: “Art. 14. O MPF se extingue: I - pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II - pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 11 e 12. Parágrafo único. A ciência do sujeito passivo de que trata o inciso I do caput deverá ocorrer no prazo de validade do MPF. Art. 15. A hipótese de que trata o inciso II do art. 14 não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal.” (grifamos). (ii) Do mérito (ii.1) Da sujeição passiva Conforme salientado em sede de relatório, o Recorrente impugna o termo de responsabilidade tributária solidária (“Termo”) sob o fundamento de que as provas colhidas pela Fiscalização seriam insuficientes para caracterização de tal responsabilidade. De acordo com o Termo (fls. 79/80), “a responsabilidade solidária do sujeito passivo José Geraldo Santos Alves Pinheiro restou caracterizada em face do interesse comum na situação que constituiu o fato gerador ocorrido na empresa, nos termos do Inciso I do art. 124, da Lei n° 5.172, de 1966 (CTN), haja vista o efetivo exercício de gerência e administração sobre os negócios da empresa, constatados através dos documentos Fl. 565DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 19 18 apresentados por órgãos públicos, cartórios extrajudiciais, fornecedores e empregados do contribuinte, durante o período em que foram verificadas as omissões de receita, conforme demonstrado no TERMO DE VERIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO Nº 0250100/2008/00464-5”. Não procede a pretensão da Fiscalização de atribuir responsabilidade solidária entre a Contribuinte e o Recorrente à luz do art. 124, I do CTN. Dispõe o art. 124, I do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;”. Dada a amplitude e generalidade da expressão “interesse comum”, esta (expressão) não pode ser tomada em acepção vulgar ou identificada em situações em que se aponte popularmente a existência de “interesse comum”. Fosse admitida a responsabilidade dos sócios/administradores apenas por alegado “interesse comum no fato gerador”, seria desnecessária a previsão do art. 135 do CTN, por exemplo, pois se desconhece hipótese em que sócios ou administradores não tenham “interesse” nas operações realizadas pelas empresas por eles administradas. A expressão “interesse comum” há de ser considerada somente nas situações em que existente a comunhão da posição jurídica das pessoas em relação direta com o fato gerador da obrigação tributária, tal como ocorre, por exemplo, entre condôminos em relação aos tributos incidentes sobre o imóvel de sua propriedade ou entre herdeiros em relação aos tributos devidos pela sucessão causa mortis. Em outros termos, somente pode ser responsabilizado solidariamente com base na lei o participante do fato gerador que tenha ocupado o mesmo pólo ou exercido a mesma atividade efetivada pelo contribuinte eleito pela lei. Nesse sentido, é o entendimento do Prof. PAULO DE BARROS CARVALHO 1 sobre o conceito de “interesse comum”, verbis: “O interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. I, o aparecimento da solidariedade entre os devedores. A expressão empregada, sobre ser vaga, não é um roteiro seguro para a identificação do nexo que se estabelece entre os devedores da prestação tributária. Basta refletirmos na hipótese do imposto que onera as transmissões imobiliárias. No Estado de São Paulo, a lei indica o comprador como o sujeito passivo do gravame. Entretanto, quer ele quer o vendedor estão diretamente ligados à efetivação do negócio, havendo indiscutível interesse comum. (...) Aquilo que vemos repetir-se com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale, sim, para 1 “Curso de Direito Tributário”, 12ª ed., São Paulo: Saraiva, 1999, p. 309/310, grifamos. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 20 19 situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributário, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre os sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.” Compartilhando deste entendimento, LUIZ ANTONIO CALDEIRA MIRETTI 2 afirma: “Cabe ressaltar que a disposição genérica, ‘interesse comum’, adotada pelo legislador do CTN, não é suficientemente, adequada para revelar com precisão e segurança a exata medida da condição em que figuram os participantes da concretização do fato gerador, já que existem hipóteses nas quais pessoas com interesse comum estão presentes e contribuem para a ocorrência do fato jurídico tributário, mas apenas uma delas é o sujeito passivo da obrigação. Exemplo dessa situação ocorre na prestação de serviços em que haja incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS, sendo o prestador e o tomador dos serviços partícipes do correspondente fato gerador, com evidente interesse comum na realização e obtenção dos serviços, respectivamente, e assim mesmo o sujeito passivo está somente na pessoa do prestador de serviços. Portanto, há interesse comum na situação que constitui o fato gerador, mas não há solidariedade passiva, visto que não existe mais de um sujeito passivo na relação tributária. Feita essa breve ressalva quanto à imprecisão da utilização da expressão ‘interesse comum’, faz-se necessário abordar situação em que fica configurada a solidariedade passiva. Também em relação ao próprio ISS, há situação que evidencia a solidariedade, consubstanciada na existência de uma ou mais pessoas na qualidade de prestadoras de um único serviço para o mesmo tomador, ficando nítida nesse caso a presença de vários sujeitos passivos na mesma relação tributária, solidariamente obrigados em relação ao cumprimento da prestação tributária.” Na mesma linha de entendimento, o Prof. SACHA CALMON DE NAVARRO COELHO 3, ao comentar o art. 124, I do CTN, ensina, verbis: “Em direito tributário, têm-se dois tipos de solidariedade. O inciso I noticia a solidariedade natural. É o caso dos dois irmãos 2 “Comentários ao Código Tributário Nacional”, São Paulo: Saraiva, 1998, p. 203, grifamos. 3 “Comentários ao Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25.10.66)”, Rio de Janeiro: Forense, 1997,p. 285, grifamos. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 21 20 que são co-proprietários ‘pro-indiviso’ de um trato de terra. Todos são, naturalmente, co-devedores solidários do imposto territorial rural (ITR).” LUCIANO AMARO 4 também é taxativo em relação às situações que importam no reconhecimento do interesse comum previsto no art. 124, I do CTN, verbis: “(...) o fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex., a alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sê-lo, mas isso dependerá de expressa previsão em lei (já agora nos termos do item II do art. 124). Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição.” (...) O interesse comum no fato gerador põe os devedores solidários numa posição também comum. Se, em dada situação (a co- propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio como contribuinte, nenhum dos co-proprietários seria qualificável como terceiro, pois ambos estariam ocupando, no binômio Fisco-contribuinte, o lugar do segundo (ou seja, o lugar do contribuinte).” O Superior Tribunal de Justiça ratificou tal entendimento ao atestar que o “interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”, conforme julgado abaixo, verbis: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídico-tributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato - a co-propriedade - é-lhes comum. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: ... 7. Conquanto a expressão ‘interesse comum’ - encarte um conceito indeterminado, é mister proceder-se a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, tem-se que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque 4 “Direito Tributário Brasileiro”, 3ª edição, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 295, grifamos. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 22 21 feriria a lógica jurídico-tributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: ‘... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.’ (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220). 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). 11. In casu, verifica-se que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tão-somente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deu-se entre o tomador e a empresa arrendadora. ... 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.” (REsp 884.845/SC (2006/0206565-4), STJ, 1ª Turma, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 05/02/2009, DJe 18/02/2009 – grifos nossos). Fl. 569DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 23 22 A responsabilização pessoal dos dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado – sejam eles de fato ou de direito – é excepcional e condicionada à presença dos requisitos estabelecidos no art. 135, III do CTN, qual seja: prática de atos com excesso de poder ou infração da lei, estatuto ou contrato social. Diferentemente do que ocorre com o art. 124, I do CTN, tal responsabilização tem natureza subsidiária em relação ao devedor principal e, portanto, não permite à Fazenda Nacional inserir o nome do sócio/administrador originariamente na CDA em litisconsórcio com o contribuinte. Não se trata, pois, de mera remissão equivocada do Termo a dispositivo de lei, mas de opção pela Fiscalização por regime (de responsabilidade) inaplicável à espécie. Por tais fundamentos, o Termo merece ser anulado. Por decorrer de fato estranho à (im)procedência dos fatos alegados pela Fiscalização ao longo do procedimento fiscal, o cancelamento do Termo não impede a Fazenda Nacional de, se o caso, redirecionar ao Recorrente eventual execução fiscal proposta contra a Contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135, III do CTN e na legislação processual vigente. (ii.2) Da imputação de multa agravada e qualificada Sustenta-se a ilegitimidade da imputação de multa agravada e qualificada, nos termos do art. 44, inciso II e §2º da Lei n. 9.430/96. Filiei-me no passado à corrente jurisprudencial que assentava o entendimento de que a apresentação de declaração “zerada” pelo contribuinte, por si só, não seria suficiente para justificar a qualificação da multa de ofício aplicada no lançamento, independentemente do montante dos valores omitidos ou da quantidade de anos-calendário, em vista do fato de esta se caracterizar em mera “declaração inexata”. Contudo, refletindo melhor sobre a questão, parece-me que a prática de ocultar do fisco, mediante apresentação de declaração de valor muito inferior ao do efetivo montante da obrigação tributária principal, para eximir-se de seu pagamento, sem qualquer justificativa pelo contribuinte, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 71 da Lei n. 4.502/64. No caso, constatou-se (i) prestação de informações falsas na Declaração Simplificada — AC 2005 — apresentada em 30.05.2006, mediante dados de receita bruta em valores muito inferiores aos auferidos e declarados ao Fisco Estadual; e (ii) a insuficiência de recolhimento dos impostos/contribuições incidentes sobre a receita declarada na Declaração Simplificada AC 2005. Citada conduta conduziu a Fiscalização a (acertadamente) lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96, lavrar a autuação com multa qualificada, nos termos do art. 44, II da Lei n. 9.430/96 c/c art. 71 da Lei n. 4.502/64. Esse entendimento encontra respaldo em precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE. - Os argumentos da autuada para sustentar nulidade dos lançamentos devem ser rejeitados, quando as provas dos autos mostrarem o Fl. 570DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 24 23 contrário do alegado. Da mesma forma este Colegiado não acolhe alegações de nulidade, quando os argumentos destoam de pacífica e conhecida jurisprudência da casa. IRPJ - DECADÊNCIA - CONTAGEM DO PRAZO - Na existência de dolo, a regra de decadência do IRPJ, desloca-se do art. 150 do CTN para o art. 173 do CTN, hipótese em que o prazo tem início no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo era exigível. Para os fatos geradores trimestrais, entende-se por exercício, para fins de contagem do prazo de decadência a que se refere o art. 173 do CTN, o ano-calendário seguinte àquele em que ocorrido o fato gerador. Assim, as exigências relativas aos fatos geradores trimestrais ocorridos em 31.03.99; 30.06.99 e 31.10.99 devem ser canceladas. O tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31.12.99, poderia ser exigido a partir de 1º de janeiro de 2000, logo o prazo decadencial inicia- se 1º de janeiro de 2001. CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4º, da Constituição Federal, têm natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE Nº 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4º. IRPJ/CSLL - ARBITRAMENTO DO LUCRO - RECEITA BRUTA CONHECIDA A PARTIR DE DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO - VALIDADE - É válido lançamento fiscal para exigência dos tributos e contribuições tendo como base o lucro arbitrado a partir de receitas auferidas, provadas por regulares documentos de exportação (Notas Fiscais, Conhecimentos de Embarque e Registros no Siscomex), não tendo o contribuinte apresentado elementos materiais capazes de afastar a conclusão fiscal. MULTA QUALIFICADA - SONEGAÇÃO PATENTE - Auferir vultosas receitas de exportação sem declará-las à administração tributária e sem qualquer pagamento de tributos e contribuições, escondendo- as mediante apresentação de Declaração de Inatividade é conduta dolosa que se amolda perfeitamente à figura delituosa da sonegação, justificando a qualificação da penalidade. Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade e por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do IRPJ nos três primeiros trimestres de 1999. Pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência da CSLL nos três primeiros trimestres de 1999, vencidos os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Luiz Martins Valero (Relator) e Jayme Juarez Grotto. Designado para redigir Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 25 24 o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Marcos Vinicius Neder de Lima - Presidente. O agravamento da multa de ofício – estabelecido no art. 44, § 2º da Lei n. 9.430/96 – também merece ser mantido, pois presentes os requisitos previstos na citada legislação para sua aplicação, quais sejam: (i) ausência de resposta às intimações da Fiscalização e (ii) prejuízo ao procedimento de fiscalização causado em decorrência da falta de resposta referida. No ponto, diga-se que os lançamentos apenas puderam ser lavrados por força de diligências da Fiscalização perante terceiros, inclusive à Fazenda do Estado. (ii.3) Da alegação de violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco Por sua índole constitucional, o conhecimento das razões da Recorrente relativas à violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco encontra óbice na Súmula n. 2 do CARF, que assim dispõe, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. (ii.4) Da inobservância ao art. 112 do CTN Improcede a alegação do Recorrente sobre a pretensa inobservância ao art. 112 do CTN. Conforme bem ressaltado pelo acórdão recorrido, não há dúvida a respeito da natureza e montante da sanção a ser aplicada no caso. De fato, os lançamentos impuseram multa de ofício prevista em lei para a hipótese de: (i) ausência de recolhimento de tributo em hipótese em que caracterizada a sonegação/fraude na conduta da contribuinte; (ii) embaraço ao procedimento de fiscalização, caracterizado pela ausência de resposta às intimações e pelas forçosas diligências perante terceiros para a conclusão dos trabalhos e lançamento dos tributos. (ii.5) Da utilização de informações prestadas em GIA/ICMS Afirma o Recorrente expressamente que a “autoridade fiscal utiliza como elemento, meio de prova, os argumentos utilizados pela autoridade fiscal estadual”. Não obstante afirme que “não há óbice que se valha de tais documentos”, alega que “os fatos ali articulados pelo fisco estadual encontram-se sub judice e não são verdades incontestáveis”, pois “todo o articulado pelo fisco estadual foi objeto de impugnação também no fisco estadual”. Nesse passo, requer a “análise com ponderações” dos fundamentos trazidos pela autoridade fiscal. A par de o Recorrente não ter impugnado os elementos colhidos pela Fiscalização perante perante a Fazenda Nacional, o que por si só já seria suficiente para afastamento da impugnação nessa parte, diga-se que (i) os lançamentos foram baseados nas informações prestadas pela própria Contribuinte ao Fisco Estadual; (ii) a Fiscalização não se serviu apenas de elementos obtidos perante a Fazenda Estadual, mas também promoveu longo trabalho e diligências para apurar e lançar o crédito tributário. Esta Corte já firmou o entendimento de que, havendo pagamento na esfera estadual e completa ausência de argumentações, demonstrações e provas que possam inquinar Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 26 25 a imputação de omissão de receita em si, deve-se manter o lançamento na área federal. Veja-se, nesse sentido, v. acórdão de relatoria da I. Conselheira Sandra Maria Dias Nunes, verbis: Número do Recurso: 115712 Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10120.003119/93-59 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: CEREALISTA POMARINO LTDA Recorrida/Interessado: DRJ-BRASÍLIA/DF Data da Sessão: 18/08/1998 00:00:00 Relator: Sandra Maria Dias Nunes Decisão: Acórdão 103-19535 Resultado: OUTROS – OUTROS Texto da Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECUSO PARA EXCLUIR A EXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E EXCLUIR A INCIDÊNCIA DA MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - OMISSÃO DE RECEITA - APURAÇÃO DO FISCO ESTADUAL - LEVANTAMENTO QUANTITATIVO - Em princípio, admite-se o empréstimo da prova levantada pelo fisco estadual do ICMS desde que relativa a fatos que tenham relevância também para o imposto de renda, como é o caso de omissão de receita. Havendo pagamento na esfera estadual e completa ausência de argumentações , demonstrações e provas que possam inquinar a imputação de omissão de receita em si, deve-se manter o lançamento na área do imposto de renda. No mesmo sentido: “Omissão de Receita – Valores lançados a menor para efeito de apuração do devido ao Fisco Federal, em relação ao informado ao Fisco Estadual, sem prova de que estes e que estariam errados, pelo que não prevalece, ainda, a pretensão de declaração de nulidades”. Trecho do voto condutor: “O lançamento deve ser mantido. Tem com certa freqüência se apresentado, neste CC, procedimento como o adotado pela Recorrente, de registrar a menor o seu movimento, em relação aos documentos fiscais onde lançados para fins de cálculo do ICMS, isto é, nos livros fiscais. Como emerge dos autos, foi a Recorrente intimada a apresentar a sua escrita fiscal. Tendo-a entregue, apurou o Fisco Federal que os valores lançados nas mesmas era superior ao declarado para fins de apuração do IRPJ e reflexos. Lavrou o auto de infração. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 27 26 A reclamação é no sentido de que deveria o Fisco ter pedido explicações, não procede. É que, mesmo passado tanto tempo do lançamento de ofício, nada explicou a Recorrente. Se tivesse feito, desde que plausível o seu reclamo, por certo, agora, estaria sendo considerado. O Fisco se baseou, não em conjecturas ou suspeitas, mas sim sobre algo real, concreto, efetivo, ou seja, a escrita fiscal do sujeito passivo. O que mais seria preciso? Era de prova que necessitava a Recorrente, a qual, nunca, em tempo algum cuidou. O Código Tributário Nacional estabeleceu o ônus da prova nos lançamentos de ofício, que recairá sobre o Fisco. Cabe-lhe a comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). É ao Fisco que cabe o ônus da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, o Fisco não só tem o poder de efetuar de ofício o lançamento, como também o dever. É ainda o Código Tributário Nacional quem estabelece que o lançamento de ofício poderá ser objeto de contestação pela impugnação do sujeito passivo. É este o momento que o contribuinte, inconformado com o lançamento, poderá opor as alegações de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito alega ter; sob pena de serem considerados não alegados. Estabelece o Código de Processo Civil: Art. 333 – O ônus da prova incumbe: I. ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II. ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) O ônus que recai sobre o contribuinte é de fazer prova positiva direta ou indireta das suas alegações, no caso, se o Fisco, de alguma maneira não aceita esta prova, cabe-lhe mostrar os fatos que possam inutilizar a prova do Impugnante. Como não fez prova a Recorrente, cai no vazio as suas lamúrias por nulidades.” (Proc. n. 10435.001693/99-79, Primeira Câmara, Rel. Celso Alves Feitosa, sessão 03.12.2003). (ii.6) Do pedido de dilação probatória No recurso interposto, pede-se a realização de diligência para colheita de depoimentos que poderiam, no entender do Recorrente, atestar o “verdadeiro dono da pessoa jurídica”. Alega ainda a ocorrência de cerceamento de direito de defesa, em face do indeferimento do seu pedido de produção de prova testemunhal, juntada de novos documentos, realização de perícia pelo acórdão recorrido. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 28 27 Tais alegações encontram óbice no Decreto n. 70.235/72, que não prevê fase instrutória destacada no procedimento administrativo, tal como ocorre com os procedimentos judiciários previstos no Código de Processo Civil. Ademais, ao longo da fase recursal, a Recorrente não produziu qualquer das provas pela qual protestou em sua petição. (iii) Dispositivo Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, dar-lhe parcial provimento apenas para cancelar o Termo de Responsabilidade Tributária Solidária (fls. 107/108) lavrado com fundamento no art. 124, I do CTN, permitindo-se à Fazenda Nacional de, se o caso, redirecionar ao Recorrente eventual execução fiscal proposta contra a Contribuinte com base nesses mesmos fatos, a teor do disposto no art. 135 do CTN. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Voto Vencedor Conselheiro João Otavio Oppermann Thomé Colhidos os votos em sessão, restou o ilustre relator vencido no tocante à atribuição de responsabilidade solidária ao sócio José Geraldo Santos Alves Pinheiro. Em que pese o seu bem fundamentado voto neste aspecto, ouso dele discordar, pelos fundamentos a seguir expostos. O art. 124 do CTN declara peremptoriamente a possibilidade da existência de múltiplos sujeitos passivos no lançamento tributário, ficando claro que, nesta hipótese, nada impede que alguns constem do lançamento na condição de contribuintes, e outros, na condição de responsáveis, exigindo-se apenas a demonstração do “interesse comum na situação que constitua o fato gerador”. Nesta seara há que se reconhecer que é muito forte a corrente jurisprudencial e doutrinária no sentido de que o interesse comum, a que alude o dispositivo, somente se aplicaria às pessoas que se encontram no mesmo polo da situação que constitui o fato jurídico tributário, ou seja, jamais haveria solidariedade, por exemplo, entre comprador e vendedor. Esta, aliás, é a tese esposada pelo relator. Corolário deste entendimento, costuma-se alegar também que pessoas físicas não poderiam jamais revelar interesse comum, portanto, em fato gerador de tributo devido pela pessoa jurídica. Noutro giro, argumenta-se ainda que, acaso não fosse assim entendido, ou seja, se o “interesse comum” a que alude o dispositivo fosse analisado a partir de uma perspectiva meramente circunstancial ou econômica (interesse de Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 29 28 fato), chegar-se-ia ao absurdo de se considerar haver “interesse comum” também por parte de empregados, e até mesmo de credores, da pessoa jurídica. Ademais, nesta hipótese, os sócios sempre teriam interesse nas situações que constituem fatos geradores de tributos. Nada obstante a força dos argumentos, ouso pensar diferente. Em primeiro lugar, destaco não haver dúvidas de que as pessoas no mesmo polo da situação que constitui o fato jurídico tributário podem ser solidariamente coobrigadas, como no clássico exemplo do IPTU devido pelos condôminos de uma mesma propriedade. Por outro lado, entendo que não se possa reduzir o termo “interesse comum” apenas a esta singela hipótese, nem que se possa afirmar peremptoriamente que o art. 124 do CTN exclua a possibilidade de que pessoas físicas possam ser consideradas devedoras solidárias de tributos devidos pela pessoa jurídica, ou de que pessoas situadas em posições contrapostas no negócio jurídico (comprador e vendedor, por exemplo) possam ser consideradas devedoras solidárias de tributos devidos apenas por uma delas. O dispositivo não contém esta restrição, e permite outras interpretações. Penso que o fato de o responsável indicado lograr proveito próprio (econômico) das situações que constituem os fatos geradores das obrigações principais revelam sim o seu interesse comum naquelas situações. Em outras palavras, o “interesse comum” a que alude o art. 124 do CTN pode ser entendido como sendo o interesse econômico, ou seja, o interesse em lograr proveito próprio daqueles atos. Contudo, para que não se caia no absurdo, antes mencionado, de estender tal proposição de forma indiscriminada a todo e qualquer sócio da pessoa jurídica, há que se fazer certa construção jurisprudencial. Isto porque, conforme também ressaltou o nobre relator, dúvidas não há de que a responsabilização pessoal de dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado é procedimento excepcional, e que somente pode ser aplicado, portanto, ante a presença de fatos cuja gravidade justifique tal imputação. No caso dos autos, restou suficientemente demonstrado que a empresa A S LOPES COMERCIO ATACADO E DISTRIBUIDORA encontrava-se constituída em nome de interpostas pessoas, quando na verdade o Sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro detinha todo o poder de gestão comercial, administrativa e financeira da empresa, constituindo-se em verdadeiro sócio e administrador de fato. Não se trata, portanto, de mero inadimplemento de tributo, ou de simples interesse indireto e mediato (que todos os sócios de direito por princípio teriam) nos resultados econômicos advindos de pessoa jurídica regularmente constituída. Trata-se de toda uma forma de organização e de procedimento da pessoa jurídica, engendrada com o evidente intuito de frustrar toda e qualquer possibilidade de realização do crédito tributário devido sobre as operações praticadas Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 30 29 (fatos geradores de tributos) por meio da atuação direta de seu proprietário de fato naquelas operações. Em casos de tal gravidade, que foi reconhecida por todo o colegiado (a multa qualificada foi mantida por unanimidade), a responsabilidade pode (deve) ser atribuída ao sócio de fato, de forma solidária, também com base no art. 124, I, do CTN. Digo também, porque, ao discorrer sobre a responsabilidade tributária prevista no art. 135 do CTN, dispositivo o qual, no caso, não foi mencionado pela fiscalização, destacou o nobre relator que tal responsabilização teria natureza subsidiária em relação ao devedor principal. Contudo, conforme tenho manifestado em diversos julgados em que esta questão se encontra em discussão, entendo que a responsabilização prevista no referido dispositivo também possui caráter solidário em relação ao contribuinte. Neste aspecto, poder-se-ia até mesmo discutir a questão aventada pelo relator, de que não se trataria de mera remissão equivocada da fiscalização a dispositivo de lei, mas sim de uma opção sua por um regime de responsabilidade que seria inaplicável à espécie dos autos. Esta discussão poderia ter lugar porque, pelo teor das acusações, minudentemente descritas pela fiscalização em seu relatório fiscal, entendo que não incorreria em erro a fiscalização se também mencionasse o referido dispositivo legal. Contudo, tal ponto não foi objeto de efetivo debate pelo colegiado, e nem é necessário aqui adentrar em sua análise, em vista dos demais fundamentos antes expostos. Na mesma linha do presente voto, destaco os seguintes julgados desta Corte, em situações envolvendo a administração de pessoas jurídicas por sócios gerentes de fato, em que o CARF entendeu restar demonstrado, nesses casos, o interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Demonstrado de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do C.T.N. (Acórdão 108-08.467, relator José Carlos Teixeira da Fonseca, sessão de 12 de setembro de 2005) RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTAS-DE-FERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. (Acórdão 203-11.330, relator Emanuel Carlos Dantas de Assis, sessão de 20 de setembro de 2006) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Art. 124, I, do CTN. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal são solidariamente obrigadas em relação ao crédito tributário, pois os atos Fl. 577DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10240.001856/2009-70 Acórdão n.º 1102-000.842 S1-C1T2 Fl. 31 30 da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes formais ou informais, posto que todos ganham com o fato econômico. (Acórdão 203-12.270, relator Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de julho de 2007) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A responsabilidade solidária pressupõe o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e/ou deveres comuns de pessoas situadas do mesmo lado de uma mesma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. A existência de sócios de fato que movimentavam recursos em conta corrente de pessoa jurídica é prova do interesse comum das pessoas físicas que movimentaram os recursos omitidos em beneficio próprio. (Acórdão 1202-00.037, relatora Karem Jureidini Dias, sessão de 13 de maio de 2009) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, gerindo, na prática, seus negócios e suas contas-correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1202-001.034, relatora Viviane Vidal Wagner, sessão de 8 de outubro de 2013) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado que terceiro era o verdadeiro proprietário da empresa, demonstrado está o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta a responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. (Acórdão 1102-001.034, relator José Evande Carvalho Araujo, sessão de 13 de março de 2014) Em conclusão, no caso dos autos, deve ser mantida a responsabilidade solidária do sr. José Geraldo Santos Alves Pinheiro, por força do seu interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Fl. 578DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 04/ 08/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900370/2009-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 70 /2 00 9- 79 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900370/200979 Acórdão n.º 3801004.059 S3TE01 Fl. 8 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica, transmitida, por meio da qual a contribuinte solicita a compensação de débito com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para O Programa de Integração Social (PIS). Na apreciação do pleito, manifestouse a D elegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP pela homologação da compensação declarada, mediante Despacho decisório, fazendo o com base na contestação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, descriminado na Dcomp, não foi localizado no sistema. Inconformada com a nãohomologação da compensação, contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que o Darf não foi localizado porque, à época, o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data da arrecadação. Esclarece que a data da arrecadação é a data do vencimento informada, a qual poderá ser consultada nos sistemas da Receita Federal, confirmando o crédito pretendido. Informa que junta aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp, para análise. A contribuinte passa, então, a apresentar os fundamentos legais e tecer considerações sobre o prazo para pleitear restituição. Defende a interessada que tratandose de contribuição sujeita a lançamento por homologação, o prazo decadencial só começa a fluir após decorridos 5 (cinco) anos da data do fato gerador, somados mais 5(cinco) anos se a homologação se der de forma não expressa. Assim, argumenta, dispõe de 10ª nos para pleitear a restituição, sem prejuízo dos acréscimos e demais cominações. A DRJ de Florianópolis (SC) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900370/200979 Acórdão n.º 3801004.059 S3TE01 Fl. 9 3 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADÊNCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Contudo, a contribuinte vem aos autos, consoante requerimento, juntando ainda documentos comprobatórios de capacidade postulatória, requerer o cancelamento do processo. É o sucinto relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900370/200979 Acórdão n.º 3801004.059 S3TE01 Fl. 10 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Como relatado, a Recorrente apresentou requerimento de cancelamento do pedido de compensação. Foi encaminhado a este relator o presente processo com o seguinte Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Considerando que o contribuinte apresentou requerimento de desistência da compensação, que o mesmo apresentou Recurso Voluntário referente ao crédito objeto de Restituição e que não houve o cumprimento da Intimação para comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário, encaminho o processo ao CARF/MF/DF para julgamento O pedido foi formulado pelo sócioadministrador da empresa, consoante pode ser verificado no art. 8º do contrato social da empresa. Deste modo, entendo que o requerimento de cancelamento do pedido formulado pela contribuinte configurase claramente como desistência do pedido a qual ele se funda. Logo, compreendo que ocorreu desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário ora em julgamento. Assim, entendo que no caso de desistência manifestada através de petição nos autos do processo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900370/200979 Acórdão n.º 3801004.059 S3TE01 Fl. 11 5 Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Desse modo, estão configurados todos os requisitos do não conhecimento do Recurso, quais sejam: apresentação de pedido expresso por escrito, sob a forma de petição, em qualquer tempo por representante legítimo do contribuinte. Logo, operamse de imediato e irrevogavelmente todos os efeitos do pedido de desistência: renúncia à pretensão do direito e não conhecimento do recurso. Ante ao exposto, em observância ao disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/7/2009, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955968/2008-26
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 01/01/2000
Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.
Numero da decisão: 3802-003.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negar-lhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 01/01/2000 Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do presente recurso e negarlhe provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 68 /2 00 8- 26 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13a Turma da DRJ/SPO I, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada, tendo em vista que sua protocolização fora feita fora do prazo legal. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico (PER/DCOMP nº 40802.57245.220904.1.3.04 9657), na data de 22/09/2004, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, na data de 01/01/2000, no valor de R$ 725,41, no código de recita: 8109, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/2000 Manifestação de Inconformidade Intempestiva Efeitos A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa dôo procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à: (i) comprovação da existência do crédito para fins de compensação, (ii) existência do direito constitucional do direito de petição, (iii) não existência de natureza litigiosa no processo administrativo de compensação, e (iv) prevalência do princípio da verdade material no processo administrativo. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Admito o presente Recurso Voluntário em virtude do preenchimento dos requisitos regulares para o seu desenvolvimento positivo. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente Recurso Ordinário para que este Órgão analisasse novamente suas pretensões. Porém, razão alguma assiste a ele, porquanto o processo administrativo está morto desde sua fase inaugural de apresentação da manifestação de inconformidade. Explico! Para minhas convicções como Julgador administrativo, o fato que determinou sua não admissão está centrado na ocorrência da preclusão temporal, quando da apresentação intempestiva da impugnação administrativa, alcunhada de manifestação de inconformidade. Veja, a Lei nº 10.822/2003 incluiu o § 9º ao artigo 74 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 e, assim, facultou ao sujeito passivo, no prazo de 30 dias, o exercício do direito subjetivo de apresentar a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação requerida. Além disso, o § 7º da referida legislação determinou também que, em Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.955968/200826 Acórdão n.º 3802003.057 S3TE02 Fl. 112 3 casos de não homologação da compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, ao pagamento dos débitos indevidamente compensados. Portanto, cruzando as normas extraídas do instrumento legal de regência, o contribuinte deveria apresentar sua manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, contado da intimação do ato que não homologou seu pedido de compensação, caso quisesse discutir a decisão contrária aos seus interesses. De modo que, em termos de prova concreta existente nos autos, se verifica que o contribuinte foi notificado dos Despachos Decisórios em 02/12/2008, e vindo somente a apresentar sua manifestação de inconformidade no dia 07/10/2009. Ou seja, quase um ano depois. Portanto, para fundamentar e noticiar os termos que me levaram a concluir pelo não conhecimento do presente recurso, trago aqui o que dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996: “a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo caracterizada ou suscitada tempestividade, como preliminar”. Nesse sentido, tendo em vista o que dos autos consta e pelas razões por mim aqui expostas, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo, assim, em sua integralidade, a decisão a quo que reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, portanto, não foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000208/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Tendo a recorrente, espontaneamente, optado pelo lucro presumido, perfeito o lançamento que respeitou a modalidade de apuração escolhida e aplicou o percentual de presunção do lucro estabelecido em lei para a compra e venda de mercadoria, uma vez comprovado, nos autos, ser esta a atividade da contribuinte.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri e Hélio Araújo.
.
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Tendo a recorrente, espontaneamente, optado pelo lucro presumido, perfeito o lançamento que respeitou a modalidade de apuração escolhida e aplicou o percentual de presunção do lucro estabelecido em lei para a compra e venda de mercadoria, uma vez comprovado, nos autos, ser esta a atividade da contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS.
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Recorrente Pescarimarcar Distribuidora de Pescados Ltda ME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Tendo a recorrente, espontaneamente, optado pelo lucro presumido, perfeito o lançamento que respeitou a modalidade de apuração escolhida e aplicou o percentual de presunção do lucro estabelecido em lei para a compra e venda de mercadoria, uma vez comprovado, nos autos, ser esta a atividade da contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. . Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 08 /2 00 8- 11 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte (doc. a fls. 343 e segs.) em face do Acórdão n˚ 1230.532 (doc. a fls. 325 e segs.), proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJI, pelo qual foi negado provimento à impugnação do contribuinte e, consequentemente, mantidos os lançamentos do IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, se não vejamos como dispõe a sua ementa, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO. CABIMENTO. O lançamento com base em presunção é completamente aceitável em nosso ordenamento jurídico. Nas presunções “juris tantum”, incumbe ao sujeito passivo o ônus de infirmar o fato indiciário caracterizador da presunção. IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INDEDUTIBILIDADE DE PIS E COFINS LANÇADOS EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. A dedução dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do lucro real, alcança de imediato os valores constantes da escrituração comercial. Quanto aos valores da contribuição para o Pis e da Cofins lançados de oficio, a dedução obedecendo ao regime de competência deve ser efetivada na apuração do lucro real do período de apuração em que se opera a constituição definitiva do crédito tributário lançado. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2004 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Ao subsistir em parte o Auto de Infração principal, igual sorte colherão os Autos de Infração reflexos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. Quando a infração que deu origem ao lançamento principal não mais subsiste, a mesma sorte colherão os lançamentos dele decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Saliento que, não obstante o que informa a Ementa acima sobre a tributação reflexa de PIS e COFINS, foram mantidos in totum os lançamentos dessas contribuições, se não vejamos a parte dispositiva do referido Acórdão: “Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, por maioria de votos, DEIXAR DE ACOLHER A IMPUGNAÇÃO, para considerar devidos os tributos e contribuições que abaixo se seguem, acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o julgador Marcelo Franco de. Matos, que entendeu serem dedutíveis as contribuições de PIS e de COFINS da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Consideramse devidos, portanto, os seguintes valores, acrescidos da multa de oficio de 75% e dos juros de mora: a) IRPJ —R$ 171.771,42 b) PIS — R$ 61.149,37 c) COFINS — R$ 282.228,12 d) CSLL —R$ 101.601,11” Fl. 387DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000208/200811 Acórdão n.º 1302001.471 S1C3T2 Fl. 387 3 Tendo tomado ciência do referido acórdão em 24/11/2010 (AR a fls. 346), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 10/12/2010 (doc. a fls. 350), no qual sustenta os seguintes argumentos de defesa: a) que a Fiscalização Federal concluiu que teria havido omissão de receita, caracterizada por alegada falta de comprovação da origem dos valores creditados em conta bancária, por ela, mantida no Unibanco — União de bancos Brasileiros S.A., relativa ao ano calendário de 2004 , exercício de 2005; b) que, a partir de 1° de janeiro de 2008, carece de fundamentação legal qualquer lançamento fiscal pautado em informações colhidas junto das instituições financeiras acerca dos recolhimentos da CPMF, tendo em vista a inequívoca extinção da cobrança da referida contribuição e consequ ̈ente revogação tácita dos dispositivos legais insertos na LC 105/2001 e Lei 10.174/2001, que autorizavam o lançamento do IRPF e do IRPJ com base nesses informes; c) que tem como atividade principal a intermediação da compra e venda de pescados que se realiza entre as empresas de pesca (donos das embarcações pesqueiras) e pequenos varejistas do produto (feirantes, titulares de microempresas e consumidor final); d) que a prestação dos serviços descritos, aufere remuneração, a título comissão, que varia de 5% a 8% sobre o total obtido com pescado comercializado, consoante informado, com todas as letras, na Declaração, em anexo, prestada pela Associação que reúne as empresas e os profissionais que atuam no setor; e) que o valor da receita efetivamente auferida pela Recorrente nas referidas transações comerciais cingese, tão somente, às aludidas comissões pela intermediação na venda do pescado, que representa o correto valor da receita a ser contabilizado na empresa, como de fato o faz; f) que, como de praxe no setor pesqueiro, recebe, em caráter de transitoriedade nunca superior a 15 (quinze) dias, cheques dos comerciantes adquirentes para repasse a empresas pesqueiras vendedoras com quem mantêm relações comerciais; g) que se trata de uma atividade de transição não caracterizada como etapa comercial distinta, tanto que não rende nenhuma remuneração adicional aos comerciantes, além da comissão auferida pela intermediação da venda do pescado; h) que, assim sendo, a quantia arrecadada pela venda do pescado é depositada na conta da empresa de intermediação, no caso a Recorrente, para repasse imediato às empresas pesqueiras vendedoras, sendo esta a origem da maior parte dos depósitos feitos na conta bancária questionada pelo Fisco; i) que a veracidade dos fatos podem ser confirmada pelos extratos bancários apresentados à Fiscalização, nos quais pode ser observado que a receita líquida efetivamente auferida pela Recorrente, corresponde ao valor dos depósitos deduzidos dos cheques emitidos para as empresas fornecedoras, cujo resultado e exatamente aquele constante de suas declarações de ajuste do IRPJ e da sua escrita fiscal e comercial; j) que a maior parte das embarcações pesqueiras, que atuam no pólo vendedor, são de propriedade de pessoas fisicas e, por isso dispensados da emissão de documentos fiscais para os pregoeiros ou mesmo para os compradores; l) que parcela considerável dos varejistas adquirentes do produto, de igual modo, são pessoas físicas (feirantes) ou titulares de microempresas, e como tal, dispensados dessas obrigações acessórias; Fl. 388DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 m) que, tendo em vista escassa emissão de documentação fiscal nesse ramo de negócio e, considerando especialmente, o fato de os depósitos apurados pelo Fisco não pertencerem à Recorrente, a reconstituição a sua escrituração contábil com a inclusão dos referidos valores, tal qual intimada pelo Fisco é de todo irreal e equivocada. n) que todas as despesas financeiras incidentes sobre a movimentação bancária resultante dessa intermediação fica ao encargo da ora Recorrente, na condição de intermediária, além das despesas totais inerentes ao funcionamento da empresa, custos estes que são suportados exclusivamente pela receita auferida a título de comissão , por ser esta a única receita da empresa nas atividades que exerce; o) que a Fiscalização, de outro lado, não se deu ao trabalho de aprofundar suas investigações , pelo menos junto aos maiores vendedores, com vistas a verificar se os mesmos contabilizavam como receita os valores que lhe eram repassados e como custo as comissões pagas à Recorrente, optando pelo caminho mais prático, embora errôneo, da presunção, não prevista em Lei, de considerar que a Suplicante era a compradora direta das mercadorias , imputandolhe, via de consequ ̈ência , a prática de omissão de receitas , considerando como tal o valor total dos depósitos bancários que transitaram em sua conta; p) que, ainda que omissão de receitas houvesse, caberia o lançamento de oficio apenas em relação ao resultado obtido, abatendose o valor das vendas repassadas para os efetivos vendedores (armadores de pesca), tal qual determinado não só a legislação de regência, como também a Jurisprudência dominante no E. Conselho de Contribuintes; q) que, com vistas a possibilitar a conferência da efetiva transferência dos valores supra aos fornecedores do pescado, a Recorrente elaborou quadros demonstrativos em anexo, detalhando os cheques emitidos contra a conta bancária que serviu de suporte à autuação, os quais podem ser conferidos pelo simples exame dos correspondentes extratos bancários. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito pela representante legal da recorrente, conforme Cláusula Quarta do seu Contrato Social a fls. 136, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, cabe ressaltar que estes autos ficaram sobrestados enquanto vigente o §1º do art. 62A do RICARF, conforme determinado pela Resolução nº 1302000.213, a fls. 381. Com a revogação do aludido parágrafo pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, voltam os autos para julgamento deste Colegiado. Equivocase a recorrente quando alega que os dados da CPMF não poderiam mais ser utilizados pela Fiscalização a partir de 2008, pois, primeiramente, a extinção da CPMF a partir de 2008 não implica em qualquer óbice ao uso, pelo Fisco, dos dados de arrecadação de anos anteriores para seleção de contribuintes a serem fiscalizados; segundo, a autuação se pautou em dados de extratos bancários obtidos por meio de requisição de movimentação financeira, a qual encontra fundamentação legal no vigente art. 6º da Lei Complementar nº 105/2002. Da mesma forma, são descabidas as alegações de que presta serviços e aufere remuneração, a título de comissão, entre 5% a 8%, primeiro, porque a recorrente se contradiz, pois assume que sua atividade é compra e venda de pescados, segundo porque o próprio Fl. 389DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 18471.000208/200811 Acórdão n.º 1302001.471 S1C3T2 Fl. 388 5 documento, por ela trazido, a fls. 290, declara que tais percentuais se referem a margem de lucro da atividade. Bem, tendo optado a recorrente pelo lucro presumido, verificamos que, o percentual de presunção do lucro no caso de compra e venda de mercadorias (8%) está compatível com a margem de lucro que a Associação de classe diz ter a atividade. De qualquer sorte, lucro presumido é uma opção, sempre restando ao contribuinte o direito de optar pelo lucro real, caso o percentual de presunção do lucro estabelecido em lei seja superior à margem de lucro da atividade. Logo, tendo a recorrente, espontaneamente, optado pelo lucro presumido, perfeito o lançamento que respeitou a modalidade de apuração escolhida e aplicou o percentual de presunção do lucro estabelecido em lei para a compra e venda de mercadoria. Aliás, ressaltese que, pela aplicação do percentual de presunção do lucro de 8%, a legislação fiscal presume, em verdade, custos diretos e despesas no montante de 92% da receita omitida pela recorrente, não cabendo, assim, na modalidade de apuração escolhida pela recorrente, efetuar a dedução de qualquer outro custo ou despesa no cálculo da base tributável, inclusive despesas com pagamento de tributos. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 390DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900267/2012-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 67 /2 01 2- 78 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 40/43 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de COFINS, no valor de R$ 424,26, referente ao mês de set/2005, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900267/201278 Acórdão n.º 3802003.621 S3TE02 Fl. 124 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 45). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 47/52, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 45). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 125DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.900267/201278 Acórdão n.º 3802003.621 S3TE02 Fl. 125 5 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.923677/2009-45
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido para resumir o caso. “O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, a ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. O processo foi encaminhado à fiscalização, a qual contatou que houve falta de lançamento de IPI por ter o estabelecimento, em operações que o caracterizava como equiparado a industrial, promovido a saídas de produtos tributados, sem o devido destaque. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 23 67 7/ 20 09 -4 5 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.923677/200945 Resolução nº 3801000.761 S3TE01 Fl. 3 2 Conseqüentemente, foi refeita a escrita fiscal em decorrência do auto de infração lavrado no processo nº 10830.720891/201166. Diante disso, apenas parte do direito creditório foi reconhecido e parcialmente homologadas as compensações declaradas. Tempestivamente, o sujeito passivo manifestouse reportandose à impugnação do indigitado lançamento argumentando, em síntese, que sua defesa administrativa contra o Auto de Infração culminaria pelo retorno do saldo credor e que, pela decorrente suspensão da exigibilidade dos débitos lançados no processo nº 10830.720891/201166, as compensações declaradas no presente processo deveriam ser homologadas.” A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU O SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de ofício que reduziu o saldo credor do IPI, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito.” Após, a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual transcreve as alegações apresentadas no processo nº 10830.720891/201166, que trata do auto de infração formalizado para exigência de IPI e consectários legais. Ao final, solicita que “seja acolhido integralmente o Recurso Voluntário interposto, para o fim de serem decretadas insubsistentes as exigências tributárias com o decorrente cancelamento da exigência fiscal, legitimando o procedimento de compensação adotado pela Recorrente...” É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. São apresentados argumentos apenas em relação às exigências contidas no auto de infração, objeto do processo nº 10830.720891/201166. Nada foi dito com relação à DRJ ter assentado não se poder considerar líquidos e certos os créditos pleiteados, o que impediria a homologação da compensação. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.923677/200945 Resolução nº 3801000.761 S3TE01 Fl. 4 3 Apesar disto, verifico no voto da decisão recorrida e no recurso voluntário que a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal da contribuinte, de modo que os créditos dos períodos de apuração foram consumidos pelos débitos normais dos períodos e pelos débitos apurados na ação fiscal, tendo concluído a autoridade fiscal pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento nos anos de 2006 a 2010. O pedido de ressarcimento que se discute neste processo fundase em saldo credor da contribuinte que só passou a ser questionado pelo Fisco com a instauração de procedimento fiscal que resultou na lavratura de auto de infração e instauração do processo nº 10830.720891/201166. Assim, a incerteza e a falta de liquidez dos créditos estão baseadas nos fatos e direito discutidos naquele processo administrativo. Não se pode julgar sobre o direito de crédito aqui pleiteado sem o conhecimento do que finalmente decidido no processo administrativo nº 10830.720891/201166. Em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, verifiquei que foi interposto recurso voluntário contra a decisão de primeira instância proferida naquele processo, logo, ele não se encontra definitivamente julgado na esfera administrativa. Por estas razões, voto por baixar o processo em diligência para que a unidade de origem aguarde decisão administrativa definitiva do CARF no processo administrativo nº 10830.720891/201166; após, junte a estes autos cópias das decisões proferidas pelo CARF naquele processo; finalmente, devolva os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 702DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000265/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007
CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, no prazo estabelecido na legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que sejam excluídos os valores indicados no resultado da diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007 CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, no prazo estabelecido na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que sejam excluídos os valores indicados no resultado da diligência. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e, Lourenço Ferreira do Prado.
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E DES. INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2007 CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. OBRIGAÇÃO DE RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, no prazo estabelecido na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para que sejam excluídos os valores indicados no resultado da diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e, Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 65 /2 00 8- 01 Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração de obrigação principal lavrado em face da empresa Recorrente, referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa e alíquota para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT, incidentes sobre remunerações pagas ou creditados a segurados registrados na folha de pagamento da empresa e contribuintes individuais, relativas aos estabelecimentos matriz, filiais e a obras de construção civil. A empresa Recorrente presta serviços na área de construção civil e, por isso, destaca em suas notas fiscais o percentual de 11% sobre a mão de obra aplicada, não só nas obras de terceiros como também nas obras próprias. Relatório Fiscal às fls. 310/311. Serviram de base para o levantamento fiscal as folhas de pagamento de salários de empregados e de contribuintes individuais, valores confrontados com as GFIP da empresa. Ante a autuação efetuada, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 377/396, na qual alegou, em síntese: Decadência dos créditos relativos ao período de 01/1999 a 05/2003; Que teria sido autuada por efetuar compensação utilizando créditos oriundos de retenções efetuadas em notas fiscais de obras completamente encerradas, contrariando o disposto na IN SRP n. 03/2005. Para comprovação do encerramento das obras, anexou certidões de acervo técnico emitidas por CREA de vários estados e DF, além de atestados de execução assinados por várias contratantes; Que para que possa ser realizada compensação nos termos por ela realizados não é necessária baixa formal da obra, sendo suficiente que a obra tenha simplesmente se encerrado; Que a compensação de créditos (saldo de retenção) é admitida ao estabelecimento responsável pelo faturamento da obra; Que houve lançamento indevido de débitos quitados através de GPS; Que há equívocos na apuração das bases de cálculo em várias competências, em razão de soma de valores em duplicidade e/ou sem incidência de contribuições a terceiros; Foram lançadas diferenças em centavos entre o valor devido e o valor recolhido. Ao final, pleiteou pela total improcedência do auto de infração. Às fls. 1148/1149, a Recorrente foi intimada a apresentar os originais ou cópias autenticadas dos documentos acostados às fls. 399/1147 e esta, tempestivamente, esclareceu que os referidos documentos foram emitidos através de seu sistema informatizado, não havendo como processálos de outro modo. Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15889.000265/200801 Acórdão n.º 2402003.814 S2C4T2 Fl. 1.436 3 Ante a impugnação da Recorrente, a fiscalização se manifestou através de Informação Fiscal de fls. 1156/1165, abordando a decadência qüinqüenal trazida pela Súmula Vinculante n. 8 do STF e concluindo pela decadência do crédito tributário referente ao período de 01/1999 a 05/2003. Esclareceu também que a variação de centavos apontada pela Recorrente, em verdade, decorre do programa oficial da RFB, qentoue considera os valores apurados, deles deduzindo os recolhimentos, apontando as diferenças, se existentes, bem como analisou os documentos apresentados na impugnação, detalhando as retificações a serem feitas e concluiu pela redução de valores em função dos documentos trazidos pela Recorrente. Ciente da Informação Fiscal, a Recorrente apresentou nova impugnação (Fls. 1171/1181) reiterando os termos da primeira impugnação, apenas acrescentando ser equivocada a informação da Autoridade Fiscal de que não foram juntadas folhas de pagamento e GFIP nas épocas próprias. Levado a julgamento, a 7a turma da DRJ/RPO decidiu, através da Resolução de fls. 1183/1186, pela realização de nova diligência, solicitando clara demonstração dos valores compensados que não foram acatados, com a devida justificativa, pelo fato de que a legislação vigente à época previa a possibilidade, para o caso de construção civil, de compensação de saldo de retenção em estabelecimento ao qual está a obra vinculada. Em atendimento, o auditor esclareceu que, por se tratar de ação fiscal restrita à verificação de folhas de pagamento e GFIP, não foram analisados os encerramentos de obras e, por conseqüência, não fora verificada a existência de saldos porventura não compensados. Em face da manifestação fiscal, a Recorrente novamente se manifestou, através de impugnação de fls. 1235/1250, reafirmando todos os argumentos das impugnações anteriores. Posteriormente, apresentou aos autos informação de adesão ao parcelamento previsto na Lei n. 11.941/09 (REFIS IV) ressaltando, entretanto, a não inclusão da totalidade dos débitos. Foram apurados quais débitos seriam objeto de parcelamento e quais seriam mantidos em impugnação. Os autos foram remetidos à DRJ para julgamento das impugnações. Às fls. 1361/1374 foi proferido acórdão que julgou procedente em parte a pretensão da Recorrente para: Excluir do lançamento as contribuições relativas às competências de 01/1999 a 05/2003; Retificar o valor do crédito tributário em questão em razão de duplicidades constatadas e parcelamento (REFIS IV) informado pela Recorrente às fls. 1339. Em relação à compensação com uso de créditos de obras encerradas, entendeu pela impossibilidade de apreciação dos documentos acostados pela Recorrente vez que a matéria fugia ao objeto da fiscalização discutida; Manter os créditos remanescentes descritos na planilha localizada às fls. 1370/1371, esclarecendo que a Recorrente em momento algum apresentou documentos que Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pudessem corroborar com suas reiteradas afirmativas de terem sido quitados. Ressaltou, ainda que a produção de provas no processo administrativo deve ocorrer no momento da impugnação, nos termos do art. 5o da Portaria Ministerial 10.875/07. Diante do acórdão acima descrito, a Recorrente interpôs o recurso ora em análise (Fls. 1401/1410), reiterando os termos das impugnações, mais especificamente no que diz respeito à compensação de créditos decorrentes de obras já encerradas e inexistência de preclusão para juntada de documentos no processo administrativo. Certificada a tempestividade (Fls. 1432), o recurso foi remetido ao CARF para julgamento e, às fls. 1435/1441, o julgamento fora convertido em diligência para apuração dos valores passíveis de compensação pela Recorrente. Em atendimento à diligência, às fls. 1528/1530, os autos retornaram com informação fiscal em que se esclareceu a existência de valores a compensar e ressaltou que, em relação à competência 08/2003, em relação ao estabelecimento 50.007.7027470, restou diferença a recolher no importe de R$ 1.742,49. Os autos retornaram ao CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15889.000265/200801 Acórdão n.º 2402003.814 S2C4T2 Fl. 1.437 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Sem preliminares. Mérito Da análise do recurso voluntário em discussão, constatouse que, em suma, a controvérsia gira em torno de créditos previdenciários que, segundo a Recorrente, foram indevidamente lançados, os quais a mesma alega ter quitado mediante utilização de créditos de obras encerradas para sua compensação. O recurso, ainda, levanta discussão acerca da impossibilidade de lançamento de créditos tributários já extintos por pagamento, bem como de supostas divergências da base de cálculo e diferenças em centavos observadas em razão de utilização de sistema informatizado da Previdência Social. Por último, entende pela inexistência de preclusão para produção de provas em sede de processo administrativo. Das divergências na base de cálculo das contribuições previdenciárias Alegou a Recorrente ter havido divergências no cálculo das contribuições ora lançadas uma vez que, segundo a mesma, foram inclusos na base de cálculo valores sobre os quais não deveriam incidir contribuições de terceiros. Todavia, como se pode observar do Recurso, bem como de todas as impugnações apresentadas ao longo do processo administrativo, em momento algum a Recorrente apontou quais seriam estes valores ou, ao menos, quais os fundamentos que justificariam a não incidência das contribuições sobre tais verbas. Sendo assim, entendo pela regularidade no cálculo das contribuições devidas, devendo o crédito tributário em comento ser mantido nos termos do acórdão da DRJ, às fls. 1361/1374. No que tange as divergências decorrentes de cálculo em duplicidade, não há o que analisar, uma vez que os lançamentos já se submeteram a todas as revisões cabíveis, sendo inclusive reconhecida a necessidade de retificação do lançamento (Fls. 1368/1369). Da preclusão do direito de produção de provas no processo administrativo O Decreto n. 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal prevê: Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso em tela, não sendo vislumbradas quaisquer das hipóteses de exceção do artigo 16, parágrafo 4o, precluso o direito da Recorrente em produzir provas fora do prazo da impugnação. Da Compensação de Créditos Decorrentes de Obras Encerradas O art. 203, parágrafo 8o, da IN SRP n. 3/2005 – vigente à época da fiscalização e dos fatos geradores permitia a utilização, através de compensação, de saldo de retenção em notas fiscais relativas a construção civil com as contribuições referentes ao estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. Esta possibilidade, entretanto, é delimitada às obras já encerradas que, quando de seu término, possuam créditos decorrentes da retenção passíveis de utilização. Melhor explicitando, os créditos referentes a uma obra, decorrentes das retenções realizadas em notas fiscais, não podem ser utilizados para fins de compensação de contribuições previdenciárias de obra diversa ou da própria contratada: Art. 203. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arts. 140 e 172, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. (...) § 6º A compensação do valor retido deverá ser feita no documento de arrecadação do estabelecimento da empresa que sofreu a retenção, sendo vedada a compensação em documento de arrecadação referente a outro estabelecimento. (...) § 7º A empresa contratada para execução de obra de construção civil mediante empreitada total, compensará o valor eventualmente retido na forma do art. 191, em documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI da obra para a qual foi efetuado o faturamento, vedada a compensação em documento de arrecadação referente a outra obra. Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15889.000265/200801 Acórdão n.º 2402003.814 S2C4T2 Fl. 1.438 7 § 8º No caso de obra de construção civil, é admitida a compensação de saldo de retenção com as contribuições referentes ao estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. No entanto, quando finda a obra e verificado saldo de crédito decorrente das retenções realizadas, possível o aproveitamento destes créditos pelo estabelecimento responsável pelo faturamento da obra, nos termos do parágrafo 8o supra transcrito. No caso em tela, verificase que quando da fiscalização, o auditor desconsiderou a necessidade de verificar eventuais créditos em favor da empresa decorrentes de obras já encerradas, pautandose apenas nos créditos relativos à matrícula fiscalizada, conforme esclareceu às fls. 310: ‘As retenções efetuadas nas obras com matrícula em nome da empresa, obras próprias, foram objetos de compensações somente na própria matrícula, não sendo utilizados eventuais saldos positivos em outra matrícula. Já as retenções ocorridas nas notas emitidas para obras de terceiros serviram para compensação na matriz e nos estabelecimentos filiais CNPJ 0002 e 0003’. Ocorre, entretanto, que conforme já explicitado em julgamento anterior (Resolução de fls. 1435/1441), a verificação das sobras referentes a outros estabelecimentos é de sua importância para se concluir o quanto efetivamente devido pela Recorrente a título de contribuições. Sendo assim, diante da informação fiscal acostada às fls. 1528/1530, mantenho a autuação apenas em relação ao saldo relativo à competência 08/2003, no valor de R$ 1.742,49. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento nos termos do voto. É o voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 08/08/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10909.005550/2008-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. VALORES GLOBAIS. UTILIZAÇÃO PELA RFB PARA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. POSSIBILIDADE.
A legislação tributária faculta à RFB a utilização de informações relativas à identificação dos contribuintes e dos valores globais das operações por eles realizadas para instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, de crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no9.430/1996.
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO PELO CONTRIBUINTE. SIGILO. QUEBRA. INEXISTÊNCIA.
A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontra-se pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. Se assim é, descabe falar em quebra de sigilo quando o titular de conta bancária, no bojo de processo administrativo regularmente instaurado, sponte sua, fornece informações bancárias ao Fisco e este as utilizada para apuração de infrações à legislação tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em conta de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS POR INTERPOSTA PESSOA.
Comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.
Preliminar Rejeitada
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. VALORES GLOBAIS. UTILIZAÇÃO PELA RFB PARA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. POSSIBILIDADE. A legislação tributária faculta à RFB a utilização de informações relativas à identificação dos contribuintes e dos valores globais das operações por eles realizadas para instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, de crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no9.430/1996. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO PELO CONTRIBUINTE. SIGILO. QUEBRA. INEXISTÊNCIA. A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontra-se pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. Se assim é, descabe falar em quebra de sigilo quando o titular de conta bancária, no bojo de processo administrativo regularmente instaurado, sponte sua, fornece informações bancárias ao Fisco e este as utilizada para apuração de infrações à legislação tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em conta de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS POR INTERPOSTA PESSOA. Comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado
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VALORES GLOBAIS. UTILIZAÇÃO PELA RFB PARA INSTAURAÇÃO DE PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. POSSIBILIDADE. A legislação tributária faculta à RFB a utilização de informações relativas à identificação dos contribuintes e dos valores globais das operações por eles realizadas para instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, de crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no9.430/1996. INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTO PELO CONTRIBUINTE. SIGILO. QUEBRA. INEXISTÊNCIA. A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. Se assim é, descabe falar em quebra de sigilo quando o titular de conta bancária, no bojo de processo administrativo regularmente instaurado, sponte sua, fornece informações bancárias ao Fisco e este as utilizada para apuração de infrações à legislação tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO PELO IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 55 50 /2 00 8- 19 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 149 2 regulares e os depósitos dos recursos em conta de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS POR INTERPOSTA PESSOA. Comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Preliminar Rejeitada Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 124/126 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de Auto de Infração emitido contra o contribuinte acima identificado, onde foi lançado o valor de R$ 279.439,82 a título de Imposto de Renda, acrescido de juros de mora, no valor de R$ 77.404,83 e da multa proporcional, no valor de R$ 209.579,86, relativo ao anocalendário de 2005. Conforme descrição dos fatos pela autoridade fiscalizadora, o contribuinte incorreu na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Consta no Termo de Verificação de Infrações e de Encerramento, em síntese, que o procedimento de fiscalização teve início junto à contribuinte Graciane Zicatto, em razão da Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 150 3 incompatibilidade entre os rendimentos declarados e a movimentação financeira da mesma. No atendimento à fiscalização, a contribuinte alegou que as contas nos bancos HSBC e Sudameris eram relativas às operações realizadas pelo seu companheiro, Sérgio dos Santos, fornecendo os dados para a localização do mesmo. Este prestou depoimento em 18/08/2008 junto à DRF/Itajaí, confirmando as informações prestadas pela referida contribuinte, acrescentando que as contas dos bancos HSBC e Sudameris foram utilizadas no exercício da atividade de compra e venda de veículos para pessoas físicas e que teria possuído uma empresa de comércio de veículos denominada Jangada Veículos Ltda., fora de operação no ano de 2005. Segundo observações da autoridade fiscalizadora, em consulta à tela dos sistemas da RFB, a empresa Jangada Veículos foi declarada inapta em 17/07/2004, pelo motivo "Omissa não localizada". Em vista destes fatos, foi iniciado um procedimento de diligência junto ao contribuinte Sérgio do Santos, onde o mesmo foi intimado a comprovar a origem dos recursos creditados nas contas do HSBC e Sudameris, cuja titular era Graciane Zicatto, tendo o mesmo informado não ter localizado os documentos comprobatórios. O procedimento de diligência foi convertido em procedimento de fiscalização, visto ter o contribuinte assumido a movimentação bancária relativa às contas em nome de Graciane Zicatto. Após regularmente intimado a comprovar a origem dos créditos efetuados nas contas bancárias no anocalendário 2005, o contribuinte não apresentou documentos hábeis para comprovação da origem dos valores, sendo estes considerados como receitas omitidas nos termos do art. 42 da Lei n°. 9.430/96. Do total dos créditos, foram descontados os estornos identificados, conforme planilhas às fls. 93/95. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, em virtude da ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária. Na impugnação (fls. 107/113), o contribuinte alega, inicialmente, que a autuação é nula por ilicitude da prova. Argumenta que as informações utilizadas para impulsionar o procedimento fiscal são protegidas por sigilo bancário, instituído pelo art. 5º, X, da Constituição Federal e não poderiam servir de base investigativa. Entende que a quebra do sigilo bancário prescinde de autorização judicial, o que não foi feito no presente caso, sendo ilegal a prova que deu origem ao procedimento fiscal. Requer, em sede de preliminar, que seja declarada a nulidade da prova obtida através da violação do sigilo bancário da contribuinte Graciane Zicatto, anulandose o presente feito. No mérito, alega ter havido identificação errônea da suposta infração e do consequente erro de autuação; que os depósitos se referem às transações relativas à atividade de intermediação na Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 151 4 compra e venda de veículos, uma vez que deu continuidade à atividade da empresa Jangada Veículos Ltda., de fato, unicamente como pessoa física, pois esta mantinha restrições junto aos órgãos de proteção ao crédito; que os valores movimentados não se constituem integralmente em rendimentos auferidos por este, uma vez que o comerciante de veículos recebe apenas as comissões, repassando os valores da alienação aos proprietários. Remete ao Princípio da Verdade Real e da Tipicidade para alegar que o fato gerador do tributo deve ser justificado de forma inconteste, o que afasta a possibilidade de aplicação da presunção de omissão de receita sobre a totalidade dos recursos movimentados pelo impugnante, uma vez que não há provas que indiquem que aquela movimentação correspondia ao seu efetivo rendimento no anocalendário de 2005. Argumenta que a ausência da documentação referente aos depósitos decorre de motivos de força maior, alheios à vontade e às possibilidades do impugnante; que poderiam ser reivindicados junto às instituições bancárias, às financiadoras dos veículos, e, principalmente, aos próprios alienantes dos bens. Termina por afirmar, então, ser justo que o impugnante apresenteos posteriormente, conforme autoriza o art. 16, § 4º, letra "a", do Decreto n°. 70.235/72. Concluindo, traz, em síntese, o elenco de todas as suas discordâncias com o Fisco: quebra de sigilo bancário e a consequente nulidade da autuação por ilicitude da prova; identificação errônea da suposta infração e do consequente erro da autuação; atuação do impugnante como empresa de fato; impossibilidade de reconhecimento da presunção de omissão de receita; justa causa para não apresentação de documentos; inversão do ônus da prova. Por fim, requer, em sede de preliminar, que seja declarada a nulidade da prova obtida através da violação do sigilo bancário da contribuinte Graciane Zicatto. Vencida a preliminar, que seja reconhecida a impossibilidade de omissão de receita sobre a totalidade dos recursos movimentados, declarandose a anulação, ou, alternativamente, a revisão da autuação e redução do credito tributário apurado; que seja deferida a apresentação de documentos; e que seja declarada a inversão do ônus da prova. A impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 108/114 deste processo digital) foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 123/129, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 152 5 Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, de forma individualizada. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Estando presentes nos autos a motivação, o adequado fundamento legal do lançamento e a comprovação da infração que lhe deu causa, na medida em que exige a lei, descabe a arguição de nulidade. SIGILO BANCÁRIO. ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA A disponibilização das informações relativas à movimentação bancária para a autoridade fiscal está amparada por dispositivos legais e não configura quebra do sigilo bancário, sendo o seu acesso e utilização restritos ao exercício da atividade tributária. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/01/2010 (fl. 133 deste processo digital), o Interessado interpôs, em 10/02/2010, o recurso de fls. 134/146. Na peça recursal reitera as alegações lançadas na peça impugnatória e aduz, em complemento, que: PRELIMINAR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO EM DESACORDO COM O ART. 6° DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 E A CONSEQÜENTE NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL POR ILICITUDE DA PROVA A ação fiscal foi iniciada somente após a constatação da existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados por GRACIANE ZICATTO, ou seja, a Receita Federal, muito antes da instauração do Procedimento de Fiscalização, teve acesso à movimentação bancária da referida contribuinte. A Delegacia de Julgamento desconsiderou indevidamente tal ocorrência, na medida em que reconheceu a legalidade da utilização de informações financeiras por parte do Fisco, com base no art. 6°, da Lei Complementar n° 105/2001. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 153 6 Embora seja franqueado à Autoridade Fiscal o exame de informações financeiras dos contribuintes, a própria norma que autoriza o Fisco a fazêlo condiciona tal ato à prévia existência de Processo Administrativo ou de Procedimento Fiscal. Esta condição não foi observada, uma vez que a ação fiscal foi iniciada após a constatação da existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados por GRACIANE ZICATTO. Prova disto se retira do Termo de Inicio de Fiscalização, o qual foi lavrado em 10/03/2008 com explícita menção à incompatibilidade entre a movimentação financeira da contribuinte GRACIANE ZICATTO no anocalendário de 2005 e os rendimentos declarados por ela neste período. Qualquer um pode perceber que já havia sido constatada a incompatibilidade entre a movimentação financeira da contribuinte e os rendimentos por ela declarados, quando fora instaurado o presente Procedimento Fiscal. E é aí que repousa a ilegalidade, uma vez que, segundo imposição do art. 6°, da Lei Complementar n° 105/2001, a prévia existência de Processo Administrativo ou de Procedimento Fiscal em face do contribuinte autuado é condição sine qua non ao exame da sua movimentação financeira. O Procedimento Fiscal que correu contra o Recorrente só se iniciou, de fato e de direito, com a lavratura do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), datado de 10/03/2008, o qual manifesta ciência prévia da existência de incompatibilidade entre a movimentação financeira da contribuinte GRACIANE ZICATTO no anocalendário de 2005 e os rendimentos declarados por ela no período. Temse certo, portanto, que a Autoridade Fiscal, em nítida transgressão ao previsto no art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, se utilizou indevidamente das informações financeiras da referida contribuinte anteriormente à instauração do competente Procedimento Fiscal. Em sendo viciada a instauração do Procedimento Fiscal, se torna viciada também, por derivação, a prova colhida no seu decorrer, conforme orienta a bem conhecida e aceita Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada. Por força da aplicação da Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada, o vício que está a macular o principal objeto probatório, o qual corresponde ao exame da movimentação financeira da contribuinte GRACIANE ZICATTO, transmitese a todos os demais dele resultantes, atingindo, por certo, a apresentação dos extratos bancários da mesma. Ao vasculhar a movimentação financeira da contribuinte GRACIANE ZICATTO, em busca de divergências com os rendimentos declarados no anocalendário 2005, sem qualquer autorização judicial e sem observar a condição prevista pelo art. 6°, da Lei Complementar n° 105/2001, a RFB acabou por promover a quebra ilegal do seu sigilo bancário. MÉRITO Fl. 160DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 154 7 No mérito, o Interessado reitera os fundamentos expostos na impugnação, que se encontram descritos no “Relatório” deste voto, motivo pelo qual me abstenho de transcrevêlos novamente. PEDIDOS Ao final, requer seja recebido e acolhido o presente recurso voluntário para: Que seja declarada a nulidade da prova obtida através da violação do sigilo bancário da contribuinte GRACIANE ZICATTO, promovida em desacordo com o art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, anulandose in totum o presente feito, em especial a autuação do Recorrente e o correspondente lançamento de oficio. Vencida a preliminar, que seja reconhecida a impossibilidade de aplicação da presunção de omissão de receita sobre a totalidade dos recursos movimentados pelo Recorrente, declarandose, com isto, a anulação do Auto de Infração e do correspondente lançamento de oficio. Alternativamente, que seja procedida a revisão da autuação, mediante nova análise dos dados bancários tidos no presente Procedimento Fiscal, a fim de deduzir, da movimentação financeira observada, os valores transferidos à terceiros em período coincidente com a efetivação daqueles depósitos considerados pelo Fisco como rendimentos omitidos, possibilitando, com isto, a redução do crédito tributário apurado. Que seja deferido provar o alegado através da documentação produzida no Procedimento Fiscal instaurado contra a contribuinte GRACIANE ZICATTO (MPF 0920600 2008000943), sendo, para tanto, oficiada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Itajaí/SC a fim de apresentar tais informações, especialmente àquelas correspondentes ao exame da sua movimentação financeira procedida pela Fiscalização. Que seja declarada a inversão do ônus da prova em desfavor da respeitável Delegacia da Receita Federal de Itajaí/SC. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. PRELIMINAR Inexistência de quebra de sigilo bancário e a consequente validade da autuação fiscal Sustenta o Recorrente que embora seja franqueado à Autoridade Fiscal o exame de informações financeiras dos contribuintes, a própria norma que autoriza o Fisco a fazêlo (art. 6º da Lei Complementar nº 105) condiciona tal ato à prévia existência de “processo Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 155 8 administrativo” ou de “procedimento fiscal” e que esta condição não foi observada, uma vez que a ação fiscal foi iniciada após a constatação da existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados por Graciane Zicatto. Observo, por primeiro, que a Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, que instituiu a CPMF, já havia determinado, no § 2º do seu art.11, que “As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda”. O § 3º do mesmo artigo vedava a utilização das informações prestadas, à RFB, para constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos (“A Secretaria da Receita Federal do Brasil resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outros contribuições ou impostos”). Registro, no entanto, que a Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001, alterou o § 3º do artigo 11 da Lei nº 9.311/1996, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal com o objetivo de cobrar eventuais créditos tributários referentes a outros tributos, inclusive fazendo expressa referência ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que disciplinou a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Confira: Lei nº 9.311/1996 Art. 11. (...) § 3oA Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) Assim, é preciso diferenciar a prestação de informações necessárias à identificação dos contribuintes e dos valores globais das operações por eles realizadas, que deverão ser fornecidas pelas instituições financeiras e que poderão ou não servir à instauração do processo administrativo fiscal (faculdade da Administração Tributária), das informações constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, cujo exame reclama, necessariamente, a prévia instauração de processo administrativo ou a existência de procedimento fiscal em curso. Esta diferenciação foi feita, inclusive, pela Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, que em seu art. 5º previu que o Poder Executivo disciplinasse a prestação, pelas instituições financeiras, de informações que poderiam ser utilizadas para realização de fiscalização com o escopo de se apurar fatos relacionados ao cometimento de ilícito fiscal, e que em seu art. 6º estabeleceu os requisitos para o exame de documentos, livros e registros de Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 156 9 instituições financeiras, vale dizer, a existência de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Confira: Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. (...) Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Verificase, assim, que não merece acolhida a pretensão do Interessado de inquinar o lançamento de nulidade porque o Fisco teve acesso à movimentação bancária da contribuinte Graciane Zicatto antes da instauração do procedimento de fiscalização, haja vista que já existia previsão legal de acesso aos dados globais da CPMF mesmo sem procedimento fiscal instaurado (Lei nº 9.311/1996, art. 11, § 3º), bem como das operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços bancários (Lei Complementar 105/2001, art. 5º, § 2º), mediante a transferência compulsória à RFB, pelas instituições financeiras, dos montantes globais mensalmente movimentados. Anoto, por oportuno, que o tema já está pacificado no STJ há bastante tempo: A título exemplificativo, multifários precedentes: TRIBUTÁRIO. CPMF. SIGILO. FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA DE OUTROS TRIBUTOS. LEI 9.311/1996. LEI 10.174/2001. LC 105/2001. ART. 144, § 1º, DO CTN. (...) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 157 10 2. É possível a utilização de informações provenientes da arrecadação da CPMF para a instauração de procedimento administrativofiscal objetivando a cobrança de créditos relativos a outros tributos, inclusive quanto a fatos geradores anteriores a 2001, nos termos do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/1996, com a redação dada pela Lei 10.174/2001, do art. 6º da Lei Complementar 105/2001, e do art. 144, § 1º, do CTN. 3. Precedentes: EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, DJ 05.03.2007, EREsp 608053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJ 04.09.2006, AgRg no Ag 775.069/SP, Rel. Ministro José Delgado, DJ 23.11.2006, REsp 529.818/PR, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, DJ 19.03.2007. 4. Embargos de Divergência providos. (EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6º DA LC 105/01 E 11, § 3º, DA LEI Nº 9.311/96, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. (...) 2. A Lei nº 9.311/96 instituiu a CPMF e, no § 2º do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis pela retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federal, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3º, a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 3. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3º do artigo 11 da Lei nº 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas para a instauração de procedimento administrativofiscal, a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. (...) 8. Embargos de divergência não conhecidos." (EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007) "DIREITO TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LC 105/2001 E LEI 10.174/2001. USO DE DADOS DE MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS PELAS AUTORIDADES FAZENDÁRIAS. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. APLICAÇÃO IMEDIATA. PRECEDENTES. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 158 11 1. A Lei 9.311/1996 ampliou as hipóteses de prestação de informações bancárias (até então restritas art. 38 da Lei 4.595/64; art. 197, II, do CTN; art. 8º da Lei 8.021/1990), permitindo sua utilização pelo Fisco para fins de tributação, fiscalização e arrecadação da CPMF (art. 11), bem como para instauração de procedimentos fiscalizatórios relativos a qualquer outro tributo (art. 11, § 3º, com a redação da Lei 10.174/01). (...) 4. Embargos de divergência a que se dá provimento." (EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006) Demais disso, a matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso direto às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105/2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 159 12 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: "Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo observada a legislação tributária." 8. O lançamento tributário, em regra, reportase à data da ocorrência do fato ensejador da tributação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada (artigo 144, caput, do CTN). 9. O artigo 144, § 1º, do Codex Tributário, dispõe que se aplica imediatamente ao lançamento tributário a legislação que, após a ocorrência do fato imponível, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 160 13 10. Consequentemente, as leis tributárias procedimentais ou formais, conducentes à constituição do crédito tributário não alcançado pela decadência, são aplicáveis a fatos pretéritos, razão pela qual a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, legitimam a atuação fiscalizatória/investigativa da Administração Tributária, ainda que os fatos imponíveis a serem apurados lhes sejam anteriores (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 806.753/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 22.08.2007, DJe 01.09.2008; EREsp 726.778/PR, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 14.02.2007, DJ 05.03.2007; e EREsp 608.053/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 09.08.2006, DJ 04.09.2006). 11. A razoabilidade restaria violada com a adoção de tese inversa conducente à conclusão de que Administração Tributária, ciente de possível sonegação fiscal, encontrarseia impedida de apurála. 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. 15. In casu, a autoridade fiscal pretende utilizarse de dados da CPMF para apuração do imposto de renda relativo ao ano de 1998, tendo sido instaurado procedimento administrativo, razão pela qual merece reforma o acórdão regional. 16. O Supremo Tribunal Federal, em 22.10.2009, reconheceu a repercussão geral do Recurso Extraordinário 601.314/SP, cujo thema iudicandum restou assim identificado: "Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial. Art. 6º da Lei Complementar 105/2001." Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 161 14 17. O reconhecimento da repercussão geral pelo STF, com fulcro no artigo 543B, do CPC, não tem o condão, em regra, de sobrestar o julgamento dos recursos especiais pertinentes. 18. Os artigos 543A e 543B, do CPC, asseguram o sobrestamento de eventual recurso extraordinário, interposto contra acórdão proferido pelo STJ ou por outros tribunais, que verse sobre a controvérsia de índole constitucional cuja repercussão geral tenha sido reconhecida pela Excelsa Corte (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 863.702/RN, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 13.05.2009, DJe 27.05.2009; AgRg no Ag 1.087.650/SP, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 18.08.2009, DJe 31.08.2009; AgRg no REsp 1.078.878/SP, Rel Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.06.2009, DJe 06.08.2009; AgRg no REsp 1.084.194/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 05.02.2009, DJe 26.02.2009; EDcl no AgRg nos EDcl no AgRg no REsp 805.223/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 04.11.2008, DJe 24.11.2008; EDcl no AgRg no REsp 950.637/MG, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 13.05.2008, DJe 21.05.2008; e AgRg nos EDcl no REsp 970.580/RN, Rel. Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, julgado em 05.06.2008, DJe 29.09.2008). 19. Destarte, o sobrestamento do feito, ante o reconhecimento da repercussão geral do thema iudicandum , configura questão a ser apreciada tão somente no momento do exame de admissibilidade do apelo dirigido ao Pretório Excelso. 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Ora, se a RFB está autorizada a solicitar diretamente às instituições financeiras as informações sobre movimentações bancárias, por força da Lei Complementar 105/2001 e do entendimento do STJ firmado em julgamento submetido ao rito do art.543C do CPC, e a partir daí constituir os créditos tributários porventura existentes, o que dizer então da hipótese em que a titular de uma conta bancária, no bojo de processo administrativo regularmente instaurado, fornece as informações bancárias ao Fisco e este identifica valores que não guardam correspondência com aqueles lançados na declaração de ajuste anual da contribuinte! Nesta hipótese, seria até surreal que a Administração Tributária, mesmo tendo ciência de tal situação, ficasse impedida de apurála. Noutros termos: não seria crível supor que o ordenamento jurídico criasse proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ressalto, ainda, por importante, que o plenário do STF tomou decisões antagônicas sobre o mesmo assunto em menos de um mês. No dia 24/11/2010, ao julgar a AC Fl. 168DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 162 15 33/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. p/ acórdão Min. Joaquim Barbosa, o Tribunal autorizou que o Fisco quebrasse o sigilo bancário de uma pessoa jurídica de direito privado sem a intervenção do Poder Judiciário. No dia 15/12/2010, ao contrário, no julgamento do RE 389.808/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, o plenário do STF não permitiu a quebra de sigilo bancário diretamente pela autoridade fiscal. Neste último julgamento, decidiuse que somente por meio de decisão judicial é possível quebrar os sigilos bancários e fiscais. O interessante é que na decisão tomada no dia 24/11/2010 o plenário contava com a presença de dez ministros e o resultado do julgamento da AC 33/PR foi de seis votos contra quatro, admitindo a quebra de sigilo fiscal e bancário diretamente pelo Fisco. A decisão tomada no dia 15/12/2010, de sua vez, contou com a presença de nove ministros. Em relação ao julgamento anterior, estava ausente o Ministro Joaquim Barbosa. Nesta última decisão, contrariamente ao que havia sido decidido anteriormente, o Pleno do STF, por cinco votos a quatro, deliberou pela impossibilidade de quebra de sigilo bancário diretamente pelo Fisco, só devendo ocorrer mediante autorização judicial (o Ministro Gilmar Mendes alterou o seu entendimento). Em nenhum dos dois julgamentos a composição plenária estava completa, de modo que não se pode afirmar, com precisão, qual é, atualmente, a posição do STF sobre o tema. A matéria será definida no julgamento das várias ADI ajuizadas no Supremo versando sobre o tema e no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, até que o STF decida a questão de forma definitiva, o entendimento do STJ é de observância obrigatória pelos julgadores do CARF, a teor do que dispõe o art. 62 A do Regimento Interno do Conselho, verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, descabe falar em prova viciada por derivação, tampouco em aplicação da “Teoria dos Frutos da Árvore Envenenada”, porquanto, além de o procedimento administrativo ter sido instaurado nos termos da lei, que foi validada pela jurisprudência do STJ, a entrega dos extratos bancários à Fiscalização ocorreu de forma espontânea, não havendo qualquer mácula no procedimento administrativo iniciado em face da excompanheira do Recorrente e estendido a ele por força dos depoimentos de fls. 68 e 80, tampouco no lançamento fiscal. Nesse contexto, sou pela rejeição da preliminar suscitada pelo Interessado. MÉRITO Depósitos bancários com origem não comprovada Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 163 16 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao titular da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção legal relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Por outro lado, o § 5º do art. 42 regula a hipótese de utilização da conta de depósito ou de investimento por terceira pessoa não titular da conta, nos seguintes termos: Art. 42. (...) § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro evidenciando interposição de pessoa,a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Nesse cenário normativo, evidenciado que o terceiro se utilizou da conta de depósito de outrem e caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao terceiro demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévia operação regular e os depósitos dos recursos na conta movimentada, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. No caso concreto, o Recorrente compareceu à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itajaí e afirmou que "Durante o ano de 2005 morava com Graciane Zicatto, sua companheira, e nesse período utilizava as contas bancárias dela para desenvolver suas atividades comerciais com veículos, pelo motivo de não poder possuir conta bancária em seu próprio nome, pois estava com problemas junto ao Serasa; as contas bancárias utilizadas foram as de n° 23.60002, da agência 0139 do Banco HSBC, e n° 8.0004755, da agência 1620 do Banco Sudameris, ambas em nome de Graciane Zicatto; ela recebia salário através de sua conta do Banco Itaú e esta não era utilizada por mim; anos atrás eu possuía uma empresa de compra e venda de veículos em Itajaí, com a denominação Jangada Veículos Ltda., mas em 2005 a empresa já se encontrava fora de operação e todas as operações com veículos realizadas em 2005 foram feitas através da minha pessoa física; a Graciane era quem assinava todos os cheques de movimentação de suas contas" (Termo de Depoimento à fl. 80). Também declarou que “As operações referiamse a compra e venda de veículos, realizadas pela minha pessoa física, e não pela minha antiga pessoa jurídica, Jangada Veículos Ltda., a qual se encontrava em inatividade no ano de 2005” (declaração à fl. 91). Fl. 170DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 164 17 Assim, comprovado que os valores creditados nas contas bancárias de Garciane Zicatto pertenciam ao ora Recorrente, correta a sua identificação como efetivo titular das contas, devendo, por isso mesmo, figurar na condição de sujeito passivo da infração apurada, na forma estabelecida pelo § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Observo, ainda, que o próprio Interessado declarou que não conseguiu “levantar documentos hábeis para comprovação dos valores depositados nas contas bancárias em nome de Graciane Zicatto, mas ratifico as informações de que os valores são relativos a operações realizadas por mim” (declaração à fl. 91) Assim, na completa ausência de prova material da origem dos recursos, é razoável presumir que os valores creditados nas contas bancárias configuram renda, na medida em que o fato descrito na norma que contém a presunção (depósito sem origem) é relevante, enquanto hábil a revelar a capacidade contributiva relacionada com o fato previsto na norma que cria a obrigação tributária principal (renda). Dessa forma, diante da não demonstração da origem dos valores depositados nas contas bancárias, bem como da ausência de qualquer início de prova material que fundamente a explicação para o significativo volume de recursos que transitaram pelas mesmas, mostrase legítima a tributação dos valores como se rendimentos omitidos fossem, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. O contribuinte remete ao art. 16, § 4º, letra "a", do Decreto nº 70.235/1972 para argumentar que a ausência de documentação referente aos depósitos bancários decorre de motivos de força maior, alheios à sua vontade, alegando ser justo que apresente posteriormente. Nada obstante, decorridos mais de cinco anos da lavratura do Auto de Infração, não colacionou aos autos nenhum documento capaz de desconstituir o lançamento fiscal. Afasto, por fim, o pedido do Recorrente para “provar o alegado através da documentação produzida no Procedimento Fiscal instaurado contra a contribuinte GRACIANE ZICATTO (MPF 09206002008000943)”, uma vez que o conjunto probatório acostado aos autos é suficiente para demonstrar a regular procedência da autuação. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 171DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10909.005550/200819 Acórdão n.º 2801003.583 S2TE01 Fl. 165 18 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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