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Numero do processo: 10166.902186/2008-60
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
Ementa:COMPENSAÇÃO: ERRO EM DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento de suposto direito creditório integralmente vinculado a pagamento de débito em DCTF depende de prova contábil, cujo ônus é do contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA - Relator.
EDITADO EM: 27/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 Ementa:COMPENSAÇÃO: ERRO EM DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de suposto direito creditório integralmente vinculado a pagamento de débito em DCTF depende de prova contábil, cujo ônus é do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA - Relator. EDITADO EM: 27/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de suposto direito creditório integralmente vinculado a pagamento de débito em DCTF depende de prova contábil, cujo ônus é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator (assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Relator. EDITADO EM: 27/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 21 86 /2 00 8- 60 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 27/05/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que manteve despacho decisório, que não homologou a PERDCOMP transmitida em 08122004, para compensar débitos no valor de R$ 3833,56, referente a IRPJ do 3º trimestre de 2001, com créditos de IRPJ 3682,57, recolhidos, equivocadamente, sob a rubrica de estimativa mensal, com vencimento em 31072001. Com efeito, consta no despacho decisório, que o alegado crédito original de R$ 3682,57 foi integralmente utilizado para o pagamento do IRPJ, PA 30/06/2000, não restando saldo a ser compensado. Inconformado o contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade alegando em síntese: Que o total declarado como devido a título de IRPJ no ano calendário de 2000 foi de R$ 34261,98 e que o total pago no período foi de R$ 47267,86. Que, portanto o crédito total utilizado na perdcomp originário, da DARF paga em 31/07/2001 está efetivamente disponível e que portanto a PERDCOMP deve ser homologada. A decisão da DRJ de Brasília manteve o despacho decisório baseandose, fundamentalmente na (i) na irretratabilidade da opção de pagamento do IRPJ e CSLL por estimativa; (ii) imutabilidade da alocação automática feita pelo sistema aos pagamentos feitos sob a rubrica de estimativa como pagamento trimestral do IRPJ/CSLL; (iii) impossibilidade de se reconhecer direito creditório calcado na soma dos pagamentos de determinado período. Intimada em 05/07/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo na data de 03/08/2011, alegando, preliminarmente a nulidade da decisão por pautar se em falsas premissas quanto a multiplicidade do crédito. No mérito pugna pelo reconhecimento do seu crédito, alegando ser líquido e certo. Alega ainda ter comprovado o recolhimento a maior e que a alocação automática das DARF´s a determinadas competências, sem sua ciência, a impede de saber quais pagamentos a maior estariam disponíveis para compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, relator. Conheço do recurso por tempestivo. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 27/05/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.902186/200860 Acórdão n.º 1801001.300 S1TE01 Fl. 3 3 Afasto as preliminares de nulidade. De fato, a apuração do alegado crédito do contribuinte depende da análise de vários pagamentos em referência a diferentes competências, que resultariam no valor pleiteado Outrossim, a alegação de não definitividade e insuficiência da DCTF para constituição do crédito tributário é questão que se confunde com o mérito, que passo a analisar. No mérito, a decisão recorrida não merece reparos. Observase que em vários outros processos a contribuinte apresentou PERDCOMP fundada em suposto erro de fato ao recolher o IRPJ e a CSLL pelo código de Estimativa, tendo declaradose como sujeita ao regime de apuração do Lucro Real Trimestral em DIPJ e DCTF. Ou seja, a contribuinte vem alegando incorrer no mesmo erro de fato, de forma contínua e repetitiva por anos seguidos. Esta conduta, por si só, já poderia desacreditar a sua boafé, pois o que alega ser mero erro de fato, em verdade se revela como sendo o padrão de sua conduta por considerável período de tempo. Além disso, em nenhum dos outros processos analisados a contribuinte apresentou prova contábil de seu crédito, alegando mera diferença entre os valores recolhidos e os informados como devidos em DIPJ. É cediço neste Tribunal que a simples alegação de erro em DCTF, não retificada a tempo, não é suficiente ao reconhecimento de direito creditório, não bastando para tanto as informações contidas em DIPJ.. Com efeito, exigese do contribuinte a prova cabal de seu crédito, evidenciado por documentação contábil idônea que o ratifique. No caso em tela o contribuinte limitase a alegar que o seu direito creditório decorre do cotejo entre os valores declarados em DIPJ e os demonstrativos de pagamento anexados aos autos, sem fazer prova contábil de seu crédito, suficientes a infirmar a DCTF, pela qual imputa seu suposto pagamento a maior ao valor declarado como devido. O ônus da prova para retificar informações constantes em DCTF é do contribuinte e na fase litigiosa demandam documentação contábil idônea, conforme tem decidido esta 1 seção: CARF 1a. Seção / 3a. Turma Especial / ACÓRDÃO 180300.315 em 09/03/2010 IRPJ E OUTRO ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRRT EMENTA Exercício: 2002 DCTF , ERRO DE PREENCHIMENTO, ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pelo contribuinte que detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 27/05/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Publicado no DOU em: 30.05.2011 Recorrente: MADESUL MADEIREIRA SUL DE MINAS LTDA. Recorrida: 2 ª TURMA/DRJJUIZ DE FORA/MG. Diante do exposto e por tudo mais que dos autos consta voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 27/05/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720157/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração.
Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991.
LIEGE LACROIX THOMASI
Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão)
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
Erro! A origem da referência não foi encontrada. - Redator designado.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. Erro! A origem da referência não foi encontrada. - Redator designado. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2398; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 12 1 11 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.720157/201081 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302001.915 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Contribuintes Individuais Recorrente MUNICÍPIO DE IGAPORÃ PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida DRJ EM SALVADOR/BA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte, devendo ser aplicado até a competência 11/1998. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 57 /2 01 0- 81 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 2 As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. LIEGE LACROIX THOMASI Presidente Substituta (na data da formalização do acórdão) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. Erro! A origem da referência não foi encontrada. Redator designado. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva e Adriano Gonzales Silverio. Relatório Peço vênia para colacionar ao presente o relatório constante do acórdão 15 25755 – 6ª Turma da DRJ/SDR [fls. 6869]: Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad n° 37.289.7142, lavrado em 23/08/2010 para constituição do crédito tributário correspondente às contribuições sociais dos segurados empregados arrecadadas mediante desconto e não repassadas a Seguridade Social, relativas ao período de 04/2006 a 12/2008, no valor atualizado de R$53.737,13 (cinqu enta e três mil, setecentos e trinta e sete reais e treze centavos), acrescido de juros e multa. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720157/201081 Acórdão n.º 2302001.915 S2C3T2 Fl. 13 3 Segundo o relatório, o contribuinte não incluiu todas as remunerações dos segurados a seu serviço, nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), transmitidas antes do início da ação fiscal. Foram omitidos valores pagos a segurados e foi informado com erro (alíquota de RAT a menor) nas GFIP de 01 a 12/2006 e de 01/2007 a 13/2008. Em função das irregularidades e inconsistências citadas, também foram lavrados Autos de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, aos segurados empregados. O crédito foi apurado através das Folhas de Pagamento e não foi declarado em GFIP. O Relatório informa que os levantamentos foram elaborados, separadamente, mediante identificação dos diversos fatos geradores de contribuição previdenciária detectados ao longo da ação fiscal, com vistas a possibilitar um melhor entendimento quanto à forma de apuração das contribuições devidas. Os valores foram lançados nos levantamentos descritos no Discriminativo do Débito DD, que explicita o débito por levantamento, por competência, itens de cobrança (rubricas), alíquotas utilizadas e valor originário. Foram considerados, na apuração dos valores devidos de contribuição previdenciária, as guias da previdência social e débitos/parcelamentos existentes, antes do início da ação fiscal, bem como, compensações (saláriofamília e salário maternidade) regularmente declaradas em GFIP. São eles: FL Diferença Folha FL1 Diferença Folha GFIP F12 Diferença Folha GFIP Diz que, no anexo SAFIS Comparação de Multas, constam as orientações sobre as mudanças na lavratura de autos de infração por descumprimento de obrigações previdenciárias, em face das alterações introduzidas na Lei n° 8.212/91, pela Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008 (D.O.U de 04/12/2008), convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009 (D.O.U de 28/05/2009). Informa que, para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP n° 449/2008, a multa aplicada deve observar o princípio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 4 gerador e a imposta pela legislação superveniente. Tal comparativo está explicitado no anexo SAFIS Comparação de Multas. Informa os Autos de Infração lavrados por descumprimento de obrigação acessória. A ação fiscal teve início com o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fls.44) com ciência em 30/03/2010. O contribuinte foi cientificado através de Aviso de Recebimento do Auto de Infração (AI) sob julgamento em 23/08/2010 e apresentou impugnação em 22/09/2010 alegando em síntese: Que em 04/06/2010, o Município através do Ofício n° 184/2010 justificou os motivos da não possibilidade de cumprir a intimação, tendo solicitado prorrogação do prazo para fazêlo. Que em 07/06/2010, através do ofício SPAF n° 90/2010, apresentou Resumo de Folhas de Pagamento impressas dos exercícios 2006, 2007 e 2008, bem como CDR com arquivos de Relação de Pagamentos de Pessoal dos exercícios 2006, 2007, 2008 e Balanço Total com Pessoal. Que apesar de todas essas informações e documentações enviadas à fiscalização o AFRFB concluiu que o autuado prestou esclarecimentos insuficientes e não retificou as GFIP. Que não incluiu todas as remunerações dos segurados a seu serviço nas Guias de Recolhimento do FGTS transmitidas antes do início da ação fiscal. Foram omitidos da GFIP valores pagos a segurados. Além disso foi informada com erro alíquota de RAT a menor, ensejando a lavratura de Auto de Infração. Como preliminar, alega nulidade do Auto de Infração sob o argumento de que a narração foi confusa e dificultou o direito de defesa. Cita o art. 37 da Constituição Federal e afirma que o auditor se valera da mesma suposta motivação e fundamentação para aplicar a sanção ao presente AI e também aos demais. Que se a "suposta" motivação e sua fundamentação é a mesma não há falar em várias penalidades como aplicara o AFRFB. Transcreve os artigos 9 o e 10° do Decreto 70.235, de 1972 e observações sobre a descrição dos fatos extraídas do site eletrônico da Receita Federal do Brasil. Pede que seja declarado nulo o auto de infração em epígrafe e os AI/DEBCAD 37.289.7088, 37.289.7096, 37.289.7100, 37.289.7118 e 37.289.7169 resultantes dos mesmos fatos geradores levantados pela ação fiscal. Cita o art. 5º da Constituição Federal e diz que, para que seja aplicada uma multa, é necessário que haja um processo administrativo em que seja garantido o contraditório e a ampla defesa, para que depois a multa seja mensurada e aplicada. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720157/201081 Acórdão n.º 2302001.915 S2C3T2 Fl. 14 5 No mérito, afirma que o Município autuado, no decorrer da ação fiscal, procurou em todo momento cumprir as exigências demonstradas nas intimações emitidas pelo Sr. AuditorFiscal. Que, apesar de todas essas informações e documentações enviadas à fiscalização, nada disso fora suficiente para que o nobre AuditorFiscal da Receita Fazendária identificasse os fatos geradores das contribuições previdenciárias perseguidas. Achou mais fácil utilizarse técnica de arbitramento do que proceder mais diligências com intuito de apurar o valor realmente devido, transcrevendo o art. 112 do Código Tributário Nacional. Argumenta que o arbitramento tem caráter excepcionalíssimo, devendo ser utilizado em casos extremos, na medida em que deve sempre prevalecer a base de cálculo originária, regramatriz de incidência tributária. Assim, havendo elementos suficientes para apuração da verdade material, não cabe o arbitramento, sob pena de ser desconstituído. Que quando os vícios forem isolados, não se exonera o Fisco de aplicar a prova indiciária, devendo o agente fiscalizador, no exercício de seu dever legal, por mais complexo que seja, encontrar a verdade material. Transcreve entendimento doutrinário de Alberto Xavier. Diz que não pode o agente do fisco simplesmente desconsiderar as escritas por meros erros que não as prejudiquem em seu conjunto. A falta de escrituração de algumas bases salariais, por exemplo, não descaracteriza o conjunto da escrituração. Deverá haver erros cumulativos, ou apenas um erro, conquanto sejam fatos necessários e suficientes para determinar a inconsistência da escrituração. Esse fato deverá ser amplamente demonstrado no processo investigatório. Em 11 de janeiro de 2011, foi prolatado Acórdão 1525755 – 6ª Turma da DRJ/SDR [fls. 6872] que julgou procedente a autuação: Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO. EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO EMPREGADO. ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO. A empresa está obrigada a arrecadar a contribuição do segurado empregado a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Os elementos constantes nos autos são suficientes para informar ao sujeito passivo, com clareza e precisão, todos os fundamentos Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 6 específicos, tanto de fato como de direito, nos quais se fundamenta o Auto de Infração. Inexiste, assim, cerceamento do direito de defesa. MULTA. Sobre as contribuições previdenciárias em atraso incide multa de caráter irrelevável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimado, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário [fls. 77/91] que, em síntese, repisa os mesmos argumentos colacionados na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. 1PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720157/201081 Acórdão n.º 2302001.915 S2C3T2 Fl. 15 7 III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 8 Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. 2Obrigatoriedade do recolhimento Em atenção ao disposto no Relatório Fiscal de fls. 35/38, o débito referese a contribuições dos segurados empregados, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas pela “Prefeitura Municipal”, descontadas e não repassadas à Seguridade Social. O item 4.1.1 do referido documento fiscal esclarece que o débito foi apurado em folhas de pagamento não declaradas em GFIP. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720157/201081 Acórdão n.º 2302001.915 S2C3T2 Fl. 16 9 De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GFIP, elaborados pela própria recorrente. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, cujos recolhimentos totais não foram comprovados, não cabendo a argüição da recorrente de que a notificação não traz os motivos que ensejaram o levantamento. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Da Retroatividade Tributária Benigna Quanto à multa, tenho o entendimento que à luz da legislação vigente, devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 10 Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, constatase que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. As multas por descumprimento de obrigação principal e acessória devem ser aplicadas isoladamente e da forma menos onerosa ao contribuinte. SELIC e multa de mora No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR Processo nº 10540.720157/201081 Acórdão n.º 2302001.915 S2C3T2 Fl. 17 11 em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, reitero os termos da decisão recorrida quanto à multa de mora, já que a mesma foi reduzida em 50%, quando do lançamento por estarem os valores declarados em GFIP, constando expressamente do Discriminativo Analítico do Débito às fls. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a multa ser aplicada na forma do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, para as competências até 11/2008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício As multas relativas às infrações de GFIP, devem ser calculadas considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR 12 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNI OR
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Numero do processo: 14479.000911/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO ADMINISTRATIVO TRANSITADO EM JULGADO. COMPETÊNCIA. Tendo em vista que já houve o trânsito em julgado do processo administrativo, os pedidos formulados e que sejam concernentes a fase de execução e cobrança do julgado devem ser analisadas, primeiramente, pela autoridade fiscal do domicílio do contribuinte.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO ADMINISTRATIVO TRANSITADO EM JULGADO. COMPETÊNCIA. Tendo em vista que já houve o trânsito em julgado do processo administrativo, os pedidos formulados e que sejam concernentes ‘a fase de execução e cobrança do julgado devem ser analisadas, primeiramente, pela autoridade fiscal do domicílio do contribuinte. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 9. 00 09 11 /2 00 7- 18 Fl. 6932DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por FUNDAÇÃO ARMANDO ÁLVARES PENTEADO, em face da Decisão Notificação (fls. 3.917) que manteve a integralidade da NFLD n. 35.469.0841, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de professores considerados pela fiscalização como segurados empregados, que não foram descontadas nem repassadas aos cofres públicos, Consta do relatório fiscal que os valores lançados foram apurados da análise dos Livros Diário e Razão dos exercícios de 1994 a 2002 e também das folhas de pagamento efetuadas pela Fundação. A fiscalização esclareceu que “A FAAP efetua normalmente a Folha de Pagamento de professores registrados como empregados. Pcrém, quando estes mesmos professores registrados ministram aulas nos chamados cursos "livres", é feita uma folha à parte sob denominação "Folha de Autônomos Registrados" em que é efetuado o desconto e o recolhimento da contribuição previdenciária dos mesmos até o limite legal, considerando, também, a remuneração normal da Folha de Pagamento. Há ainda outros professores que dão aulas identicamente nos cursos "livres", porém não são registrados. Estes fazem parte da "Folha de Autônomos não Registrados" e não têm descontadas as contribuições de Segurados. O presente levantamento referese a Segurados incluídos nesta última Folha” Diante das apurações levadas a efeito, informou o fiscal autuante que a recorrente foi orientada a incluir em GFIP todos os professores autônomos registrados ou não como empregados, o que foi atendido no curso da ação fiscal, situação, que a seu ver, corroborou “o entendimento de que a remuneração dos professores quando ministram aulas "livres" nas Centrais de Cursos é verba salarial e referese ao vínculo empregatício dos mesmos, não podendo se assinalar como prestação de serviços eventuais. Dessa forma, considerando a autoridade fiscal estarem presentes in casu da folha de pagamento de autônomos não registrados, os requisitos ensejadores da relação de emprego, fora levado a efeito o lançamento ora combatido, justificado nas seguintes premissas, verbis: O Poder Judiciário, por meio da 10a Junta de Conciliação e Julgamento de São Paulo, no Processo 541/89, constando como Reclamante Sérgio José Vignoli e como Reclamada a FAAP Fundação Armando Álvares Penteado, pronunciouse. "DOS SERVIÇOS PRESTADOS COMO AUTÔNOMO: o reclamante recebia pela sua participação em elaboração de provas vestibulares, Ministério de aulas no CENAP, em cursos de férias, cursos de verão, TCC e outros, sob a denominação de "prestação de serviços" e na qualidade de autônomo. Tal procedimento é nulo de pleno direito, nos termos do art. 9o. Consolidado. Essas importâncias deverão ser incorporadas ao salário e a reclamada pagará as diferenças salariais decorrentes en razão de seus reflexos nas demais verbas contratuais. A reclamada reembolsará o reclamante dos valores descontados a título de ISS (grifo nosso). Tal juízo foi corroborado pela 9a . Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2a Região, que confirmou o direito do reclamante. Fl. 6933DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000911/200718 Acórdão n.º 2402003.195 S2C4T2 Fl. 6.926 3 Sobre a não eventualidade dos serviços, é oportuno esclarecer que não se confunde com a freqüência em que se realizam, com a jornada ou com o horário de trabalho, pois diz respeito tão somente à natureza da atividade. Destarte, num estabelecimento d 3 ensino, o trabalho de um professor quando ministra aulas certamente é não eventual, pois é atividade fim da entidade. De forma igual, depreendese que uma bibliotecária exerce atividade de natureza não eventual, ainda que compareça ao serviço em dias alternados e não esteja sujeita ao horário e freqüência dos demais empregados. Além dos professores, outros dois segurados, tratados pela recorrente como autônomos, foram considerados como empregados, são eles: Sr. Sérgio Roberto F. S. e Marchese, Assessor Administrativo Financeiro e o Sr. Raul Edison Martinez, Assessor Acadêmico. Quanto a estes, assim foi justificado o vínculo pelo auditor autuante: [...]As funções que os mesmos exercem já denotam subordinação, pois estão sujeitos às ordens da Diretoria, e não eventualidade, pois são atividades necessárias à supervisão e gerenciamento das Roberto F. S. e Marchese atendeu apresentouse como Assessor da Mandados de Procedimento Fiscal, TIAD Termos de Intimação atividades da entidade. O Sr. Sérgio à fiscalização, em sua sala privativa, e Diretoria, assinando todos os MPF TIAF Termo de Início de Ação Fiscal e para apresentação de Documentos apresentados pela fiscalização no decorrer da ação. No sentido de configuração do vínculo destes dois de convicção presentes: a) recebem todos os meses valores iguais e constantes, corrigidos anualmente b) Há folhas em que constam os códigos AT e SV, que significam, respectivamente, descontos de adiantamento salarial e seguro de vida. c) Recebem, geralmente na folha de dezembro, discriminado como 13°. Salário, valor idêntico à remuneração do mês. O lançamento compreende o período de 01/1994 a 12/2002, tendo sido o contribuinte cientificado em 30/10/2003 (fls. 467). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário (fls. 3951), através do qual sustenta: 1. que uma parte dos valores constantes na NFLD foram pagos, tendo em vista que incluiu os valores de aulas livres pagas no total da remuneração de professores que, além de registrados, ministravam as aulas livres; 2. que o INSS é incompetente para declarar a existência de vínculo empregatício; 3. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento; Fl. 6934DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4. que é inexistente o vínculo de emprego, na medida em que todos aqueles autônomos que estão relacionados nos documentos que acompanham o relatório fiscal prestam serviços em caráter eventual, esporádico, como se percebe facilmente pelo cotejo de todas as listas mensais, de onde se extrai que os nomes dos professores, dos cursos e das faculdades não se repetem mês a mês, muito menos os valores pagos pela Recorrente, o que significa dizer que os cursos "livres" possuem as características diferenciadas, possibilitando sejam seus professores classificados como autônomos; 5. que a função que os assessores exercem é típica dos trabalhadores autônomos, que assumem nesse caso a condição de conselheiros que dão suas opiniões aos diretores de acordo com seus conhecimentos específicos e a experiência adquirida durante anos de trabalho, ou seja, a atividade que exercem é organizada pelo próprio assessor, sendo esta justamente a principal característica que o distingue do empregado. 6. ainda que considerássemos a existência de vínculo empregatício e a conseqüente necessidade de recolhimento das contribuições dos profissionais como se empregados fossem, haveriam de ser descontadas (i) as contribuições já pagas pelo profissional na qualidade de autônomo e (ii) as contribuições já pagas por terceiros (empregadores); 7. inconstitucionalidade da SELIC; Processado o recurso com contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 6.302), os autos foram enviados ao CRPS, que através de sua 4a CAJ, por unanimidade de votos, anulou a NFLD por vício formal, em razão do da não observância do prazo regulamentar previsto pelo MPF para notificação do sujeito passivo, considerando não ser possível a reabertura do procedimento. Fora então, interposto pedido de revisão do acórdão proferido pelo CRPS, sob o fundamento de negativa de vigência de Lei. Na análise do pedido de revisão, foi ao mesmo dado parcial provimento, para o reestabelecimento da imposição fiscal, com o reconhecimento do vínculo empregatício dos professores que ministravam cursos livres, bem como para, para excluir da base de cálculo os valores das remunerações pagas em montante superior ao limite máximo estabelecido na legislação, nos períodos correspondentes, para cada segurado. Fora então, realizada diligência fiscal para recálculo dos valores das competências de 01/1994 a 12/2002, em conformidade com as conclusões do v. acórdão do CRPS (fls. 6.771). Cientificado do recálculo, a contribuinte apresentou petição na qual requereu o reconhecimento da decadência no período de 01/1994 a 10/1998 com base na Súmula Fl. 6935DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14479.000911/200718 Acórdão n.º 2402003.195 S2C4T2 Fl. 6.927 5 08/STF, inclusive sustentando a nulidade da diligência, na medida em que dela n”ao constou o valor final do crédito tributário lançado em seu desfavor. Conforme despacho de fls. 6.912, referida manifestação foi enviada a este órgão para a devida análise. É o relatório. Fl. 6936DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relato CONHECIMENTO Conforme já relatado, em verdade, os autos foram enviados a este Eg. Conselho em decorrência de petição protocolada pelo contribuinte na qual sustentou ilegalidade na realização da diligência levada a efeito para acatamento das correções no crédito tributário lançado, conforme restou decidido pelo v. acórdão prolatado pelo CRPS. A meu ver, todavia, mesmo que as retificações tenham sido realizadas por ordem do antigo CRPS, quando analisou pedido de revisão protocolado pelo INSS, considerando que aquele órgão não mais detém competência para o julgamento, verificase que a irresignação do contribuinte foi levada a efeito através de mera petição, sem qualquer previsão no Decreto 70.235/72. Entendo, assim, que antes mesmo de que referido pedido venha a ser analisado por este Eg. Conselho que o mesmo seja objeto de consideração pela DRJ de origem, sob pena, ainda, de supressão de instância administrativa, tendo em vista que a execução dos acórdãos prolatados por este órgão e pelo antigo CRPS são de competência da autoridade do domicílio fiscal do contribuinte. Ante todo o exposto, voto no sentido de não conhecer da petição de fls, determinando a baixa dos autos e que sobre ela se manifeste a autoridade fiscal do domicílio da contribuinte. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 6937DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.013469/2009-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
IRPF. MOLESTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por ser viço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2802-002.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 19/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 IRPF. MOLESTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por ser viço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano
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MOLESTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por ser viço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 19/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 34 69 /2 00 9- 64 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os autos sobre Notificação de lançamento de fls. 7/10, na qual foi apurada omissão de rendimentos proveniente do Ministério da Saúde, no valor de R$ 8705,96, relativamente ao anocalendário de 2004, da qual resultou crédito tributário de R$ 2.648,59. Apreciada a Impugnação de fls.38 a 40, acompanhada dos laudos de fls. 41 e 42 e comprovantes de rendimentos de fls.43 a 45, o lançamento foi julgado procedente sob o seguinte fundamento: “Da análise dos documentos apresentados não é possível concluir que a interessada seria portadora de moléstia grave no ano de 2004. Ressaltese que o documento expedido pelo Ministério da Saúde menciona ser a interessada portadora de paralisia irreversível e incapacitante desde 01/06/2010, ano posterior ao da lide”. Nas razões de Voluntário (62/64), a Recorrente sustentou a suficiência dos documentos por ela apresentados para que fosse reconhecida da isenção por moléstia grave. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A decisão da DRJ ora recorrida sustenta a negativa no reconhecimento da isenção, pela ausência de laudo pericial a indicar se no anocalendário a Recorrente era portadora de moléstia grave, de sorte a fazer jus à isenção. De acordo com a DRJ, o documento expedido pelo Ministério da Saúde apenas: “(...) menciona ser a interessada portadora de paralisia irreversível e incapacitante desde 01/06/2010, ano posterior ao da lide”. Em que pese o decidido em 1ª instância, há à fl. 14, Laudo emitido pelo Serviço Público Estadual do Estado do Rio de Janeiro – Departamento de Perícias Médicas, na qual consta que a Recorrente foi aposentada por invalidez em 26.3.1987, nos termos da legislação estadual apontada (arts. 71, 72 e 92 da lei n. 94/79). O texto legal indicado, por seu turno, relaciona no artigo 92 doenças incapacitantes de igual modo reconhecidas pela legislação federal. Esse é o entendimento deste E. Conselho (Acórdão n. 340100.023, 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária): Os rendimentos decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão auferidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por laudo pericial emitido por ser viço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação Fl. 69DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.013469/200964 Acórdão n.º 2802002.296 S2TE02 Fl. 69 3 que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95. Logo, é de se concluir, com base na documentação apresentada, que a Recorrente é aposentada desde 87, por ser portadora de paralisia irreversível e incapacitante, conforme atesta laudo do Ministério da Saúde, de sorte a fazer jus à isenção de seus rendimentos provenientes da aposentadoria, nos termos do artigo 60, incisos XIV e XXI, da Lei n° 7.713/88, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 8.541/92, combinado com o artigo 30 da Lei n. 9.250/95. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e no mérito lhe dou provimento. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 19/06/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11128.000683/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 09/11/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3102-001.869
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 09/11/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados
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CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrado omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzé. Relatório Reproduzo uma vez mais o teor do Relatório no qual se baseou o Acórdão pelo presente embargado. Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para a cobrança de Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins e PIS/PASEP na Importação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 06 83 /2 00 8- 41 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000683/200841 Acórdão n.º 3102001.869 S3C1T2 Fl. 186 2 A interessada através das Declarações de Importação de nºs 07/15498333, 07/15503167, 07/15503272, 07/15503396, 07/15504619 e 07/15508398, todas registradas em 09/11/2007, submeteu a despacho as mercadorias descritas como Unidades Condensadoras para Ar Condicionado, classificando na Tarifa Externa Comum no código Tarifário NCM 8418.69.40. As Declarações de Importação foram registradas com a a alíquota do IPI de 0% (alíquota zero). Quando da realização do exame documental (canal amarelo), foi registrada no sistema, a seguinte exigência: RETIFICAR A ALÍQUOTA DO IPI, RECOLHENDO O IMPOSTO DEVIDO E DEMAIS ACRÉSCIMOS LEGAIS DE ACORDO COM O DECRETO nº 6225/07. Em resposta à exigência formulada, o importador juntou os extratos das retificações das declarações de importação, informando a existência do Mandado de Segurança nº 2007.61.04.0133079, onde foi deferido “parcialmente a medida liminar postulada, para suspender a exigibilidade do crédito decorrente da incidência da alíquota de 20% do Imposto sobre Produtos Industrializados veiculada pelo Decreto nº 6.225, de 05/10/2007, em relação tão somente aos “grupos frigoríficos de compressão para refrigeração ou ar condicionado”. O Decreto nº 6.225, de 04/01/2007, publicado no D.O.U. de 05/10/2007, determina a alíquota de 20% (vinte por cento) de IPI para as mercadorias enquadradas no código NCM 8418.69.40 “Ex01” desta classificação tarifária, o qual não foi recolhido pelo importador, em consequência gerando um recolhimento a menor de PIS e Cofins. Assim, a fim de prevenir a decadência, à qual se refere o artigo 173, da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional, a fiscalização da Alfândega do Porto de Santos lavrou o Auto de Infração ora impugnado. Cobrouse além do IPI, PIS e Cofins, a multa de lançamento de ofício, juros de mora e a multa regulamentar prevista no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/03. A interessada apresentou a impugnação de fls. 265/277, levantando questões não levadas ao judiciário que merecem apreciação. alegou que, apesar de o Decreto nº 6.225/07 mencionar sua vigência a partir da data de sua publicação, isto é 05/10/2007, o fato é que essa norma legal somente surtiu efeitos jurídicos a partir de 06/01/2008, em razão do que dispõe o art. 150, III, “c”, da Constituição (questão levada ao judiciário); da mesma forma que é incabível a cobrança do IPI majorado pelo Decreto nº 6.225/07, antes de 06 de janeiro de 2008, incabível também é a cobrança de PIS e Cofins reflexos da majoração deste imposto, que aumentou a base de cálculo dessas contribuições; a multa de ofício não pode prevalecer por força de disposição legal expressa do art. 63 da Lei 9.430; também é incabível a multa regulamentar imposta à Impugnante, não só em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mas também em razão da inocorrência de descrição incompleta da mercadoria importada; a descrição da mercadoria oferecida pela Impugnante foi suficiente para sua caracterização, o que se verifica, inclusive, da análise dos laudos de vistoria relativos Fl. 556DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000683/200841 Acórdão n.º 3102001.869 S3C1T2 Fl. 187 3 a cada uma das D.I. juntadas aos autos do processo administrativo, em que o engenheiro Orlando Albuquerque Gallotti, ao responder quesitos elaborados pelas autoridades fiscais, declarou que “após vistoria realizada no local, a mercadoria guarda perfeita correlação com a descrita na DI”. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do Fato Gerador: 09/11/2007 CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. MULTAS DE OFÍCIO A interposição de medida judicial posteriormente ao registro da DI, exclui a espontaneidade, nos termos do ADI SRF nº 18/04, sendo cabíveis as multas aplicadas. MULTA REGULAMENTAR. Não cabimento tendo em vista que, de acordo com a vistoria realizada no local, a mercadoria guarda perfeita correlação com a descrita na D.I. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Defende que “não há concomitância de ações (processo administrativo e judicial), e não houve procedimento administrativo anterior que justificasse a aplicação da multa de oficio”. Em face disso, volta a advogar a impossibilidade de majoração do IPI e aumento reflexo do PIS/COFINS decorrentes das disposições contidas no Decreto n° 6.225/2007 antes do dia 06 de janeiro de 2008. Protesta pela exclusão da multa de ofício. A decisão tomada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais foi assim ementada. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 09/11/2007 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela contribuinte. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DO CRÉDITO. DATA POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração para prevenção da decadência será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento Fl. 557DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000683/200841 Acórdão n.º 3102001.869 S3C1T2 Fl. 188 4 sempre que a suspensão da exigibilidade ocorrer depois do início do procedimento de ofício correspondente. Recurso Voluntário Negado Comparece, agora, a então Recorrente para apresentar Embargos de Declaração ao Acórdão. Segundo entende, há contradição no Acórdão na parte em que reconhece a concomitância entre as esferas administrativa e judicial. Assim argumenta, O reconhecimento da concomitância decorre do fato de que a esfera judicial prevalece sobre a esfera administrativa, devendo ser adotado o entendimento proferido na ação judicial. Como acima exposto, há decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região válida e eficaz a favor da Embargante, reconhecendo a inexigibilidade de qualquer crédito tributário relacionado à cobrança de IPI à alíquota majorada antes do período nonagesimal de publicação do Decreto 6.225/07. Em face disso, considera que o Acórdão caiu em patente contradição ao reconhecer a prevalência das decisões proferidas pelo Poder Judiciário e, ainda assim, manter o auto de infração guerreado. Esclarece que a decisão judicial de primeira instância, favorável aos seus interesses, foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal, cumprindo necessária condição de eficácia a que alude o art. 475 do Código do Processo Civil. Entende que o Acórdão também incorreu contradição ao conferir tratamento diverso para os tributos e a multa de ofício. É o Relatório. Voto Como fica claro no Voto condutor da decisão embargada, a concomitância foi declarada por que a Recorrente ingressou no Poder Judiciário com ação de mesmo objeto do Recurso Voluntário, na parte em que discutia o mérito do litígio, qual seja, a possibilidade ou não de o Poder Executivo majorar a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados. É o que se depreende do texto no qual os fundamentos da decisão foram apresentados. Preliminarmente, a recorrente defende não existir a concomitância declarada em primeira instância de julgamento, pois, conforme entende, “não há discussão na esfera judicial do PIS/COFINS reflexos” razão pela qual haveria “uma maior abrangência do processo administrativo comparado com o Mandado de Segurança”. Ainda mais, “que o pedido do processo administrativo é diferente do pedido do mandado de segurança”. Diante disso, volta a advogar a impossibilidade de majoração do IPI e aumento reflexo do PIS/COFINS decorrentes das disposições contidas no Decreto n° 6.225/2007 antes do dia 06 de janeiro de 2008. Não assiste razão à autuada. O objeto das causas é idêntico. Exatamente, a possibilidade ou não de o Poder Executivo majorar a alíquota do Imposto sobre Fl. 558DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11128.000683/200841 Acórdão n.º 3102001.869 S3C1T2 Fl. 189 5 Produtos Industrializados, antes do prazo nonagesimal fixado pela Constituição Federal, sendo o aumento reflexo do PIS/COFINS mera consequência da decisão que será tomada no processo judicial. Assim, não deve ser conhecido o Recurso neste particular, e confirmada a renúncia ao processo administrativo tal como decidido em primeiro grau. Por outro lado, uma vez que a pertinência da aplicação da multa de ofício não foi objeto de discussão perante o Judiciário, entendeuse que, exclusivamente em relação a esse assunto, não havia concomitância. Data máxima vênia, não há qualquer contradição nisso. Da mesma forma, não há contradição entre o reconhecimento da concomitância e a manutenção do crédito constituído no Auto de Infração. Como também esclarece o Acórdão embargado, o crédito foi constituído para prevenção da decadência, expediente previsto em Lei, do qual a administração lança mão sempre que, impossibilitada por determinação judicial de exigir o recolhimento dos valores considerados devidos na esfera administrativa, previne a decadência por meio de sua constituição mediante lançamento em auto de infração ou notificação de lançamento. VOTO POR REJEITAR os Embargos Interpostos. Sala das Sessões, 23 de maio de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Fl. 559DF CARF MF Impresso em 12/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 11080.723637/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO.
As atividades que envolvem a desmontagem, limpeza, reparação, testes, e montagem dos equipamentos, ainda que requeiram para a sua execução a instalação ou construção, por conta da pessoa jurídica prestadora dos referidos serviços, de equipamentos e estruturas que não devam permanecer no local ao final da execução dos serviços, não se caracterizam como obras de construção civil, mas sim como atividades de manutenção industrial, sujeitando-se as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido.
Numero da decisão: 1102-000.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..Votaram pelas conclusões os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: José Evande Carvalho Araujo, Marcelo de Assis Guerra, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As atividades que envolvem a desmontagem, limpeza, reparação, testes, e montagem dos equipamentos, ainda que requeiram para a sua execução a instalação ou construção, por conta da pessoa jurídica prestadora dos referidos serviços, de equipamentos e estruturas que não devam permanecer no local ao final da execução dos serviços, não se caracterizam como obras de construção civil, mas sim como atividades de manutenção industrial, sujeitando-se as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..Votaram pelas conclusões os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: José Evande Carvalho Araujo, Marcelo de Assis Guerra, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e João Otávio Oppermann Thomé.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. As atividades que envolvem a desmontagem, limpeza, reparação, testes, e montagem dos equipamentos, ainda que requeiram para a sua execução a instalação ou construção, por conta da pessoa jurídica prestadora dos referidos serviços, de equipamentos e estruturas que não devam permanecer no local ao final da execução dos serviços, não se caracterizam como obras de construção civil, mas sim como atividades de manutenção industrial, sujeitandose as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..Votaram pelas conclusões os conselheiros Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: José Evande Carvalho Araujo, Marcelo de Assis Guerra, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e João Otávio Oppermann Thomé. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 37 /2 01 2- 93 Fl. 971DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ESTRUTURAL SERVIÇOS INDUSTRIAIS LTDA, contra acórdão proferido pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Porto Alegre, que concluiu pela procedência do lançamento de ofício efetuado, cuja ementa é a seguinte: “LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. NÃO COMPROVAÇÃO DESTA ATIVIDADE. As atividades de montagem e manutenção industrial, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, não caracterizam obras de construção civil, sujeitando as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo da CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido. COMPROVAÇÃO DO EMPREGO DE TODOS OS MATERIAIS INDISPENSÁVEIS. Mesmo na atividade de prestação de serviços de construção civil sob o regime de empreitada, o percentual de presunção do lucro é de 32%, quando não houver comprovação do fornecimento de todos os material indispensáveis à execução da obra.” A infração apurada pelo fisco foi a aplicação incorreta do percentual de determinação do lucro presumido de 12% sobre as receitas tributáveis auferidas na atividade de serviços em geral, quando o correto seria de 32%, o que acarretou valores declarados e recolhidos a menor de CSLL pela contribuinte. De acordo com o Relatório da Ação Fiscal (fls. 726/743), a contribuinte alegava realizar reformas em bens imóveis (tanques de armazenamento, caldeiras, conversores, esferas e torres, bens estes que são fixados ao solo), em virtude do desgaste decorrente de seu uso, e, por força dos contratos firmados, aplicava materiais na realização de seus trabalhos. Assim, entendia que poderia adotar como coeficiente de presunção da base de cálculo do IRPJ o percentual de 8%, e para a CSLL de 12%, invocando ainda, para tanto, o entendimento expresso pela Secretaria da Receita Federal no Ato Declaratório Normativo – ADN Cosit nº 30/1999. Contudo, em pesquisa sobre as atividades da contribuinte, a fiscalização encontrou informações no site da empresa segundo as quais as atividades por ela prestadas seriam de serviços de engenharia, manutenção e montagem, todos os quais ali expressamente relacionados se enquadrariam como atividades privativas da área de engenharia mecânica, de acordo com a relação de atividades específicas daquela modalidade profissional para fins de preenchimento de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) no site do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (CREARS). Os serviços prestados pela contribuinte nos períodos objeto da ação fiscal decorreram de diversos contratos, alguns dos quais executados pela fiscalizada na condição de Fl. 972DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 4 3 sócia ostensiva em Sociedades em Conta de Participação (SCP), tendo a fiscalização, por conta deste fato, formalizado diversos processos administrativos. Analisando as cópias dos diversos contratos apresentados na fase investigativa, concluiu o Auditor Fiscal que os serviços prestados pela fiscalizada não se caracterizariam como empreitadas de construção civil, e nem se enquadrariam no conceito fixado pelo ADN Cosit 30/99, estando mais alinhados com aqueles dispostos como de competência privativa do engenheiro mecânico no art. 12 da Resolução CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura) nº 218/1973. Concluiu, portanto, que as suas receitas seriam sujeitas à aplicação do percentual de 32% para determinação da base de cálculo presumida, tanto do IRPJ, quanto da CSLL. A contribuinte, em sua peça de defesa, registra que as atividades por ela desenvolvidas no período de 01/2007 a 12/2008 e que deram origem às diferenças de CSLL apontadas no auto de infração impugnado, referemse aos serviços de manutenção no sistema do conjunto conversor nas paradas de manutenção, prestados para a empresa Petróleo Brasileiro S/A – Petrobrás, objeto do Contrato no 1400.0021525.06.2. Afirma que, não obstante o contrato disponha de forma sucinta que a prestação de serviços seria de “manutenção”, este termo deveria ser interpretado com certa dose de temperamento, diante das particularidades existentes no caso concreto. Tratase, na verdade, de contrato para a prestação de serviços em regime de empreitada global, com o emprego de mãodeobra e fornecimento de materiais, devendo a verdade material prevalecer sobre a verdade formal. Traz junto com a impugnação conjunto probatório contendo, entre outros documentos, o Anexo I (Especificação dos Serviços) do Contrato no 1400.0021525.06.2, firmado com a Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobrás, um resumo (descrição) dos serviços prestados, fotografias dos bens nos quais os serviços foram realizados, Notas Fiscais/Fatura de Prestação de Serviços e Relatórios de Medição que lhes dão suporte, e Notas Fiscais dos Materiais utilizados na prestação (amostragem), conforme o respectivo contrato. Ao final, sintetiza os seus argumentos para justificar o cancelamento da autuação, os quais abaixo reproduzimos: “a) os serviços de montagem, reparação, pintura e manutenção de caldeiras, sistemas conversores, tubulações, reatores e outras estruturas da empresa contratante (PETROBRÁS), constituemse em obras de grande vulto, executadas em bases de sustentação que estão fixadas ao solo, portanto, realizadas em "bens imóveis", caracterizandose como "prestação de serviços de construção civil"; b) doutrina e legislação conceituam "construção civil" como sendo a atividade que se exerce sobre bens imóveis, assim considerado o solo e tudo o que nele se agrega, não se podendo transportar, sem destruição, de um lugar para outro (Código Civil, arts. 79 e 81); c) de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 30, de 14.10.1999, a atividade de "construção" é gênero, da qual são espécies a "edificação", "demolição", "reforma", "reconstrução", "reparação", "pintura", "colocação de vidros e esquadrias", em bens imóveis; Fl. 973DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 5 4 d) os serviços prestados pela Impugnante, nos anos de 2007 e 2008, junto à PETROBRÁS, abrangem manutenção em sistemas conversores, montagem e desmontagem de andaimes, caldeiraria, tubulação e soldas, pintura, instalações elétricas, reforma em concretos isolantes substituição de tubos, tijolos e outros componentes, enquadrandose no conceito de "construção civil", definido pelo ADN COSIT n. 30/99, havendo, inclusive, decisões no mesmo sentido, como se vê na ementa do Acórdão 1020315, de 13.07.2009, proferido pela 7. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, e, no Acórdão n. 1202000.612, de 18 de outubro de 2011, da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); e) tanto os serviços de "engenharia" como os de "construção civil" exigem a "Anotação de Responsabilidade Técnica" (ART), não sendo esse requisito, por si só, suficiente para diferenciar ambas as atividades; f) considerando que o serviço foi prestado juntamente com o fornecimento de materiais, a apuração do IRPJ e da CSLL segue o disposto no art. 518 do RIR/99 e nos arts. 15 e 20, da Lei n. 9.249/95 (com a redação dada pela Lei n. 10.684/03), que determinam a aplicação dos coeficientes de presunção de 8% e 12% sobre a receita bruta, respectivamente; g) de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 6, de 13.01.1997, na atividade de "construção civil", o percentual de 32% sobre a receita bruta somente se aplica quando houver emprego de mãodeobra, sem o emprego de materiais; h) a retenção de 1,2%, pela fonte pagadora (PETROBRÁS), deixa claro que o percentual de presunção adotado pela recorrente nos anoscalendário de 2007 e 2008 (8% sobre a receita bruta mensal), está correto, o que é corroborado, inclusive, pelo art. 32, inc. II, da Instrução Normativa SRF n. 480/04 (na redação dada pela IN SRF n. 539/05); e, por fim, que i) a retenção efetuada pela fonte pagadora com base no percentual de 1,2%, não altera os percentuais previstos na legislação, exceto em relação aos serviços de construção civil com fornecimento de materiais, hipótese em que o coeficiente de presunção da pessoa jurídica beneficiária do pagamento, é aquele determinado no momento da retenção (no caso, 15% x 8% = 1,2%), consoante art. 32, inc. II, da Instrução Normativa SRF n. 480/04 (na redação dada pela IN SRF n. 539/05).” O acórdão recorrido, cuja ementa já ao norte transcrevemos, concluiu que as provas dos autos demonstram que a atividade desenvolvida pela fiscalizada não era de construção civil, mas sim de efetiva manutenção, na área da engenharia mecânica ou industrial. Manteve, portanto, integralmente a autuação fiscal. No recurso voluntário, a recorrente aponta que as atividades por ela prestadas, e escritas em seu “site” da internet, também abrangem a realização serviços relacionados à construção civil. No mesmo sentido, acrescenta que tampouco o CNAE fiscal informado nas DIPJ apresentadas deve causar estranheza, porque as atividades ali descritas (manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para a prospecção e extração de petróleo) também estão abrangidas no conceito de construção civil. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 6 5 Contesta ainda a análise e as conclusões a que chegou a que chegou a turma julgadora a quo ao analisar o quanto disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n. 6, de 13.01.1997, no Ato Declaratório Normativo COSIT n. 30, de 14.10.1999, e nas Instruções Normativas SRF ns. 480/2004 e 539/2005. Destaca que, de acordo com as Cláusulas 2.4.1 e 2.4.4 do Contrato de Prestação de Serviços em comento, a contratada “se obriga a fornecer os materiais, equipamentos, máquinas, veículos e ferramentas, necessários à execução de todos os serviços, conforme definido no Anexo n. 1”. Aduz que, contrariamente ao que entenderam os nobres Julgadores, os materiais relacionados nas notas fiscais juntadas aos autos não são apenas materiais de consumo, mas sim materiais essenciais às obras e que as integram fisicamente, destas não podendo ser separadas. Reitera os demais fundamentos apresentados na impugnação, e, ao final, requer a reforma da decisão de origem e o cancelamento das exigências. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, vêse que o cerne da questão gira em torno da correta natureza dos serviços prestados pela contribuinte: se são serviços de construção civil com fornecimento de materiais, como alega a recorrente, ou se são serviços em geral (manutenção), como alega o fisco. Da solução desta questão depende a fixação da alíquota de presunção do lucro para a CSLL (e também para o IRPJ, embora este não faça parte do presente processo). Em primeiro lugar, é importante registrar que a Lei nº 9.249, de 1995, no seu art. 15, § 2º, determina que, no caso de a pessoa jurídica exercer atividades diversificadas, deve ser aplicado o percentual correspondente a cada atividade. O presente litígio envolve exclusivamente o Contrato no 1400.0021525.06.2, firmado entre a recorrente e a empresa Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobrás. Portanto, as atividades a serem analisadas, no caso, são exclusivamente aquelas executadas em cumprimento ao referido Contrato, logo, não tem qualquer relevância as referências feitas a outras atividades que a empresa exerce ou alega exercer, de acordo com o que consta no sítio da internet ou em outros contratos que porventura tenha firmado. Convém reproduzir, inicialmente, o que dispõe a cláusula primeira do contrato em foco: Fl. 975DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 7 6 “CLÁUSULA PRIMEIRA – OBJETO 1.1 O presente Contrato tem por objeto a prestação, pela CONTRATADA, de serviços de Manutenção no sistema do conjunto conversor nas paradas de manutenção, de conformidade com os termos e condições nele estipulados e no Anexo nº 1 Especificação dos Serviços. 1.2 ESCOPO: 1.2.1 Serviços de Planejamento, Acompanhamento e Programação dos serviços; 1.2.2 Serviços de Caldeiraria e Solda. 1.2.3 Todos os Ensaios Não Destrutivos necessários a Garantia da Qualidade dos Serviços. 1.2.4 A montagem e desmontagem de Andaimes Tubulares ou especiais para execução dos serviços. 1.2.5 A limpeza e remoção de resíduos oriundos dos serviços, bem como a manutenção da limpeza nos locais de trabalho. 1.2.6 Serviços de Elevação de Carga. 1.2.7 Serviços de Pintura.” No referido “Anexo n° 1 Especificação dos Serviços” (efls. 833856), encontramse pormenorizadamente descritos todos os serviços a serem prestados, dividido em oito grandes grupos (planejamento inicial para negociação, planejamento definitivo da parada, serviços de caldeiraria, preparação de superfícies e pintura de equipamentos, atendimento a emergência, elevadores auxiliares, fornecimento de equipamentos, fornecimento de material de andaimes), divididos ainda, por vezes, em inúmeros itens e subitens específicos. Da leitura integral do Anexo n° 1, verificase serem todos os serviços ligados à manutenção dos equipamentos instalados na unidade da contratante (Petrobrás), com vistas a mantêlos em adequadas condições de funcionamento, não havendo como inferir tratarse de obra de construção civil, conforme pleiteia a recorrente. Se é verdade a afirmação da recorrente de que se dedica tanto aos serviços de construção das unidades petrolíferas, quanto à sua manutenção e conservação, pelo menos o contrato que ora se encontra em foco claramente referese exclusivamente à manutenção e conservação daquelas unidades. O fato de serem imóveis os equipamentos sobre os quais foram prestados os serviços em questão não desnatura o serviço que neles foi prestado. Os eventuais serviços de construção das unidades petrolíferas que tenham sido prestados pela recorrente, estes sim enquadrarseiam como obras de construção civil. Diante do quanto consta no contrato “de serviços de Manutenção no sistema do conjunto conversor nas paradas de manutenção”, a alegação recursal de que tratarseia de contrato em regime de empreitada global, com fornecimento de materiais, resta completamente descaracterizada. Conforme já bem salientara a decisão recorrida, os materiais pelos quais era responsável a contratada pelo fornecimento eram fundamentalmente aqueles consumidos no Fl. 976DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 8 7 processo de prestação dos serviços de manutenção em questão. Relevante, neste aspecto, reproduzir a especificação constante do Anexo 1 do referido Contrato, no que toca aos encargos e responsabilidades da contratada quanto a materiais, equipamentos, máquinas, veículos, e ferramentas (grifos acrescidos): “Quanto a materiais, equipamentos, máquinas, veículos, ferramentas: 5.2.1 Fornecer todos os equipamentos, ferramentas e materiais de consumo necessários e em quantidade compatível com os serviços e com o número de executantes. Apresentar, durante a fase de PréParada, relação completa dos equipamentos, ferramentas e materiais que serão usados; 5.2.2 Todas as ferramentas manuais deverão possuir qualidade compatível com a exigência dos serviços. 5.2.3 Fornecer veículos em quantidade suficiente para transporte de pessoal e materiais dentro da área das UN's. 5.2.4 Fornecer, instalar e operar elevadores auxiliares conforme descrito no item 1.5 desta Especificação de serviços. 5.2.5 Fornecer todos os equipamentos e consumíveis, necessários aos serviços de END e Garantia da Qualidade: 5.2.6 Fornecer equipamentos para informática, para atender às necessidades de todos os serviços de planejamento, programação de serviços e elaboração de desenhos em CAD. 5.2.7 Fornecer equipamentos e acessórios para jateamento abrasivo e pintura; 5.2.8 Fornecer exaustores elétricos e pneumáticos para BVs com proteção individual, nas tensões necessárias em conformidade com NR10 e Plano de Exaustão a ser elaborado pela CONTRATADA. 5.2.9 Fornecer e montar duto de descarte de materiais conforme descrito no subitem 1.3.1.12 desta Especificação; 5.2.10 Fornecer conjuntos de rádios transceptores portáteis UHF segurança intrínseca, para equipe de supervisão, coordenação, qualidade, materiais, segurança e outros de tal forma facilitar a comunicação durante a Parada. 5.2.11 Fornecer equipamentos de carga tais como talhas, tifor, cabos, anilhas e acessórios para movimentação de carga do Contrato; 5.2.12 Fornecer luminárias, extensões e transformadores de segurança em conformidade com NR10 e Plano de iluminação a ser elaborado pela CONTRATADA; 5.2.13 Fornecer equipamentos portáteis de PLASMA para corte de chaparia em quantidades compatíveis com os serviços previstos; 5.2.14 Mangotes, mangueiras, dutos e acessórios para lavagem de equipamentos, descarte de resíduos, teste hidrostático e equipamentos pneumáticos; 5.2.15 Fornecer tintas indicadoras de alta temperatura conforme normas PETROBRAS N1661 e N1514 (fundo e acabamento), solventes, consumíveis e equipamentos para pintura; Fl. 977DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 9 8 5.2.16 Fornecer painéis de distribuição de energia elétrica, em atendimento a NR10, para utilização de seus equipamentos como: maquinas de solda, equipamentos elétricos e luminárias. 5.2.17 Fornecer bombas de teste hidrostático e equipamentos pneumáticos;” Bem se vê, portanto, que os materiais os quais se obriga a recorrente a fornecer são apenas aqueles consumíveis no próprio processo de prestação do serviço de manutenção. Todos os demais itens, materiais e equipamentos listados nos itens acima referidos estão relacionados a instalações provisórias a serem utilizadas durante a prestação dos serviços, e que não permaneceriam no local após o encerramento das atividades. Como evidência da afirmativa acima, reproduzo, a título exemplificativo, trecho da cláusula 1.6 do Anexo 1, referente aos elevadores a serem fornecidos pela recorrente e instalados no local (grifo acrescido): “1.6 Elevadores auxiliares: Fornecer e instalar Elevadores Auxiliares, próximos à estrutura do elevador da Unidade, com plataformas interligadas às plataformas do Conversor nos locais de maior movimentação, que atenderá às necessidades de acesso d« pessoal e carga referentes aos serviços da CONTRATADA e serviços de terceiros. 1.6.1 Características do Equipamento (...) j) Desmontar o elevador e transportálo para a sua base de operações após o Condicionamento de Partida da Unidade.” Da mesma forma sucede com relação a todos os demais itens acima referidos, tais como luminárias, extensões, transformadores, exaustores elétricos e pneumáticos, mangueiras, dutos, acessórios, etc: nenhum deles destinase a integrar os bens sobre os quais são executados os serviços de manutenção. Por outro lado, a cláusula 6 do referido Anexo 1 categoricamente dispõe o seguinte (grifos acrescidos): “6 FORNECIMENTO PETROBRAS 6.2. QUANTO A MATERIAIS 6.2.1 Fornecer materiais de aplicação, que farão parte dos equipamentos e instalações conforme exemplos abaixo relacionados: • Ancoragens de refratários, incluídas as quantidades necessárias aos testes de aceitação do material; • Válvulas, a serem instaladas; • Tubos, acessórios de tubulações, chapas, perfis metálicos, incluindo os necessários para construção de dispositivos especiais, que são considerados propriedade da PETROBRAS; • Parafusos, porcas e juntas. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 10 9 • Fornecer caçambas para descarte de entulhos; • Fornecer tambores de 200 I para descarte de resíduos. • Fornecer escadas tipo marinheiro de cabo de aço ou de corda para acesso interno aos equipamentos, cabendo a CONTRATADA a recuperação das mesmas após a utilização. • Mangueiras para drenagens de hidrocarbonetos e injeção de vapor: • Materiais para confecção de trilhos, dispositivos facilitadores e suportes provisórios p/ substituição de componentes dos equipamentos. Verificase, portanto, que todos os materiais que de alguma forma se integrariam aos equipamentos haveria de ser fornecido pela Petrobrás. Além disto, mesmo alguns materiais para a construção de bens de utilização apenas provisória (i.e., durante a execução dos serviços) também seriam fornecidos pela Petrobrás. No esforço da recorrente de demonstrar que os serviços por ela prestados se enquadrariam na modalidade de empreitada de construção civil com fornecimento de materiais, a única nota fiscal por ela trazida junto com a impugnação que contém algum item de material que, pela sua natureza, poderia estar vinculado a uma instalação não provisória, é a nota fiscal no 266864 (efls. 895), que aponta a aquisição de quatro sacos de cimento, no valor total de R$.74,58, e de três tubos para água e esgoto, no valor total de R$.59,15. Neste caso, a ínfima representatividade destes itens no montante global do contrato não permitem, de forma alguma, respaldar a interpretação conferida pela recorrente aos serviços por ela prestados. Resta claro, portanto, que os serviços prestados pela recorrente, e que envolvem a desmontagem, limpeza, reparação, testes, e montagem dos equipamentos, caracterizamse como serviços de manutenção, e não de construção civil. O fato de que, na execução desses serviços, a recorrente tenha eventualmente se responsabilizado pelo fornecimento, montagem e instalação de equipamentos e estruturas que, contudo, não deveriam permanecer no local ao final da execução dos serviços, não faz com que os serviços se caracterizem como obras de construção civil. Os demais argumentos recursais não prosperam. Somente se se tratasse de obra de construção civil haveria qualquer sentido em se analisar o teor do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 30, de 14 de outubro de 1999 (que dispõe sobre a vedação ao exercício da opção pelo Simples aplicável às pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção de imóveis, bem como a obras e serviços auxiliares ou complementares da construção civil), ou o teor do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 6, de 13 de janeiro de 1997 (que define o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal na atividade de construção por empreitada, sendo de 8% ou de 32%, conforme haja ou não emprego de materiais). Aliás, no que toca ao ADN COSIT nº 6/1997, ainda que se admitisse que a atividade da recorrente fosse de construção civil, mesmo assim estaria correta a aplicação do percentual de 32% aos serviços prestados em cumprimento ao contrato aqui analisado, em razão do quanto acima exposto, no que toca à utilização de materiais. A alegação de que a retenção do imposto de renda na fonte, no momento em que é feita pela Petrobrás, determina o percentual de presunção que a pessoa jurídica Fl. 979DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 11 10 beneficiária do pagamento deverá utilizar, tampouco encontra respaldo na legislação citada pela recorrente, ao menos no presente caso. A Instrução Normativa SRF nº 480/2004 citada pela recorrente (a exemplo das que lhe antecederam ou sucederam) possuía a seguinte disposição: “Art. 32. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: (Redação dada pela IN SRF nº 539, de 25 de abril de 2005) I alcançam somente a retenção na fonte do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao estabelecido nos arts. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, e 34 da Lei nº 10.833, de 2003; (Incluído pela IN SRF n° 539, de 25 de abril de 2005) II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do art 1º, e aos serviços hospitalares, de que trata o art. 27. (Incluído pela IN SRF n° 539, de 25 de abril de 2005)” Sem alongarme no mérito do quanto nela disposto, observo apenas que o dispositivo é expresso no sentido de que a retenção efetuada não altera o percentual de presunção a ser aplicado pela beneficiária do pagamento. A exceção prevista na parte final do dispositivo não se conforma às circunstâncias fáticas dos autos anteriormente relatadas, em primeiro lugar, porque os serviços prestados pela recorrente não são nem de construção por empreitada, nem tampouco hospitalares. Ademais, mesmo que se admitisse tratarse de empreitada, são os seguintes os serviços de construção por empreitada a que se refere o inciso II do art 1º ali citado, verbis: “II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra.” (grifos acrescidos) Portanto, o fato de a Petrobrás ter feito as retenções do imposto de renda considerando no cálculo destas a aplicação do percentual de 8% sobre o valor das notas fiscais, é de todo irrelevante para o deslinde do litígio em questão, mesmo sob a ótica do ato normativo apontado pela recorrente em sua defesa. Em síntese e conclusão, resta claro que os serviços prestados pela recorrente em decorrência do contrato aqui analisado enquadramse como serviços gerais, submetidos ao percentual de 32% para a apuração da base de cálculo da CSLL no lucro presumido, consoante o disposto nos arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95, abaixo transcritos (grifos acrescidos): “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 12 11 § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)” Fl. 981DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 11080.723637/201293 Acórdão n.º 1102000.880 S1C1T2 Fl. 13 12 Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 982DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10730.900947/2009-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2005
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO. CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ART. 10, X DA LEI 10.833/2003. ART. 109 DA LEI 11.196/2005. ART. 3º, §§ 2º E 3º, DA IN SRF 658/2006.
O contrato por preço predeterminado não fica descaracterizado pela aplicação de reajuste nele mesmo previsto, não sendo motivo de aplicação da hipótese do § 2º do art. 3º da IN SRF 658/2006, mas configurando a ressalva referida pelo § 3º do mesmo dispositivo.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-002.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sa Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda, OAB/RJ nº 85.746.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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NÃOCUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO. CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ART. 10, X DA LEI 10.833/2003. ART. 109 DA LEI 11.196/2005. ART. 3º, §§ 2º E 3º, DA IN SRF 658/2006. O contrato por preço predeterminado não fica descaracterizado pela aplicação de reajuste nele mesmo previsto, não sendo motivo de aplicação da hipótese do § 2º do art. 3º da IN SRF 658/2006, mas configurando a ressalva referida pelo § 3º do mesmo dispositivo. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente Ivan Allegretti – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sa Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 47 /2 00 9- 78 Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Motta Brandão Minatel. Sustentou pela recorrente o Dr. Luiz Henrique Barros de Arruda, OAB/RJ nº 85.746. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte em 15.03.2006 (fl. 235), indicando como crédito o recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação ao fato gerador 30/04/2005. A homologação da compensação foi recusada por meio de Despacho Decisório Eletrônico (fl. 28) sob o fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação de débitos informados no PER/DCOMP”. A notificação aconteceu em 04.03.2009 (fl. 29). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1/9) alegando, em síntese, que houve recolhimento a maior a título de Cofins nãocumulativo, em razão de ter computado no regime nãocumulativo receitas que deveriam ter sido submetidas ao regime cumulativo, por força do art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 e arts. 2º e 3º da IN SRF nº 658/2006. Estes dispositivos prevêem o seguinte, sucessivamente: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Acórdão n.º 3403002.248 S3C4T3 Fl. 1.053 3 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Alega que, tendo percebido o erro na apuração, recalculou os valores pertinentes ao regime nãocumulativo, resultando no indébito cujo valor indicou como crédito na DCOMP, “mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente (doc. 8), fato que induziu a digna autoridade a quo a supor que inexistia crédito a restituir/compensar, conforme expôs no r. despacho decisório ora enfrentado” (itens 3.5 e 3.5.1 da manifestação de inconformidade). Informou, ainda, que havia usado o índice errado da Selic para a atualização do indébito e que também havia deixado de recolher uma diferença de valor em relação ao regime cumulativo, mas que providenciou o recolhimento destes valores por meio de DARF. Com a manifestação de inconformidade juntou cópia dos contratos firmados com FURNAS – CENTRAIS ELÉTRICAS S/A, em 05.05.1998 (Contrato 12.399, fls. 32 e seguintes), com as CENTRAIS GERADORAS DO SUL DO BRASIL – GERASUL em 20.10.1999 (Contrato 2118002 – fls. 90 e seguintes) e com a COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO RIO DE JANEIRO – CERJ em 26.06.2002 e 21.07.2003 (fls. 154 e seguintes e fls. 200 e seguintes). Todos estes contratos foram firmados pelo prazo de 20 anos. Também juntou cópia da DCTF (fls. 234) e da DCOMP (fls. 235/239) relacionada aos períodos envolvidos. Em seguida o contribuinte protocolou um aditamento à manifestação de inconformidade (fls. 248/249), promovendo a juntada de “demonstrativo da composição das corretas bases de cálculo da COFINS no período, nos regimes cumulativo e não cumulativo, acompanhado do Balancete e das folhas do Livro Razão correspondentes, que indicam (i) a receita bruta de venda de energia elétrica no mês; (ii) a parcela da receita decorrente dos contratos sujeitos ao regime cumulativo; bem como (iii) as receitas diferidas na forma do artigo 7° da Lei n° 9.718/98”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II/RJ (DRJ), por meio do Acórdão nº 1330.889, de 18 de agosto de 2010 (fls. 270/272) manteve a decisão de não homologação, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/05/2005 Preço Predeterminado. Subsistência. Até a primeira alteração. A permanência no regime cumulativo do PIS e da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei n° 10.833/03, depende do manter predeterminado do preço, que subsiste somente até a implementação, após 31/10/03, da primeira alteração do preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, salvo situações excepcionais legalmente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No voto proferido na DRJ, depois de esclarecer que a IN SRF 486/2004 foi revogada pela IN SRF 658/2006, explicou o Relator o seguinte, analisando os contratos: Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Acórdão n.º 3403002.248 S3C4T3 Fl. 1.054 5 Em juízo inicial, por meio do confronto dos dados acima sintetizados com os requisitos legais (1 a 4), acima resumidos, concluise que os mencionados contratos atendem as exigências da lei para que a contribuinte possa adotar o regime cumulativo para as receitas dai derivadas. Ocorre que há outro requisito referente a permanência no regime. A lei impõe a exclusão do regime cumulativo, quando da primeira alteração no preço do fornecimento, conforme se verifica abaixo: Instrução Normativa SRF n°658/2006 Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1° Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 22, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: 1 de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. E necessário, então, voltar a examinar cada contrato para verificar se atende ao disposto no art. 3º da IN n° 658/06, que regulou o preço predeterminado referenciado na Lei. No primeiro contrato, firmado com FURNAS, registrase na cláusula 28, pág. 33 do contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no mês de setembro, deduzindose daí ter havido em setembro de 2004 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de outubro de 2004 as receitas decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime não cumulativo, no período de janeiro de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. No segundo contrato, firmado com a GERASUL, registrase na cláusula 28, pág. 34 do contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no mês de setembro, deduzindose dai ter havido em setembro de 2004 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de outubro de 2004 as receitas decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime não cumulativo, no período de janeiro de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. No terceiro contrato, firmado com a CERJ, registrase na cláusula 12, pág. 20 do contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no dia 31/12, deduzindose dai ter havido em 31/12/03 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de janeiro de 2004 as receito decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime nãocumulativo, no período de janeiro de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. No quarto contrato, firmado também com a CERJ, registrase no parágrafo primeiro da cláusula 15, com a redação dada pelo Primeiro Termo Aditivo ao contrato, que o reajuste com base na variação do IGPM é realizado a cada 12 meses no dia 31/12, a partir de 31/12/03, que é a data de inicio conforme na cláusula 2, com a redação dada pelo Primeiro Termo Aditivo ao contrato, deduzindose dai ter havido em 31/12/04 o primeiro reajuste após a data de 31/10/03. Portanto, a partir de janeiro de 2005, as receitas decorrentes deste contrato já deveriam ser computadas no regime da nãocumulatividade. Ora, a contribuinte solicita reconhecimento de direito de crédito, em razão da adoção (equivocada segundo alega) do regime não cumulativo, no período de janeiro de 2005, posterior ao término da permanência no regime cumulativo permitido pelas regras legais constantes da Lei n° 10.833/03 e Instruções Normativas acima reproduzidas. Conclusão: Quanto aos contratos analisados, não procede o pedido, porquanto, o regime da nãocumulatividade fora adotado corretamente no período de janeiro de 2005, descabendo a troca para o regime cumulativo, não existindo, assim, o crédito que dai decorreria. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 274/293), no qual reitera os mesmos argumentos da sua manifestação de inconformidade. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Acórdão n.º 3403002.248 S3C4T3 Fl. 1.055 7 Também sustenta a nulidade do acórdão da DRJ por ter se omitido da apreciação do Ofício ANEEL nº 1431/2006, “no qual o próprio Governo Federal, por intermédio de seu órgão técnico competente, havia afirmado peremptoriamente que esses reajustes ‘visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados’, nas forma prevista nos mencionados artigos 27, § 1º, II da Lei nº 9.069/95 e artigo 109 da Lei nº 11.196/05”, argumentando, ainda, que diante desta prova incumbiria ao Fisco produzir contraprova de que os índices dos contratos seria superiores ao que corresponderiam ao acréscimo do custo de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos. Este Conselho, por meio da Resolução nº 3403000.272 (fls. 311/318e), converteu o julgamento em diligência para que fosse auditada a apuração do indébito apresentada pelo contribuinte, verificando qual o valor das receitas que envolvem cada um dos contratos em questão, e qual seria o valor do indébito, considerando os valores recolhidos e a apuração das demais receitas pelo regime nãocumulativo, se a receita destes contratos de fato devessem se sujeitar ao regime cumulativo. A Delegacia de origem, depois de levantadas as informações necessárias, lavrou TERMO DE ENCERRAMENTO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA (fls. 950/961e), ao final demonstrando o valor devido de Cofins em dois panoramas: considerando as receitas dos contratos envolvidos como sujeitas ao regime nãocumulativo (item 7.1) e como sujeitas ao regime cumulativo (item 7.2). Intimado quanto ao resultado da diligência, a Recorrente apresentou manifestação (fls. 965/972e) diz que a diligência fiscal confirmou a existência do direito creditório pleiteado. Reiterou a alegação de que os contratos em questão foram aprovados e homologados pela ANEEL, com a indicação dos índices e datas dos reajustes aplicáveis ao preço prédeterminado e apresentou precedentes da 2ªTurma da 4ª Câmara da 3ªSeção, que apreciaram os mesmos contratos, concluindo pelo reconhecimento do direito da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator. O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. A discussão gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração da Cofins as receitas decorrentes de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, desde que “com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço determinado, de bens ou serviços”. É neste texto que surge a tormentosa tarefa de definir o conceito de contrato a preço determinado. O parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006 detalha que “O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”. O texto deste dispositivo da IN 658/2006, a toda evidência, apenas pretendeu reiterar o conteúdo normativo do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, verbis: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Percebase que, embora ambos os dispositivos – da Lei e da Instrução Normativa – façam remissão ao art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, o texto desta norma em nada contribui para a definição do conceito, mas apenas repete a mesma descrição: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I omissis II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; Não há maiores detalhamentos, como visto, do que possa significar um reajuste “em função do custo de produção” ou de “variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados”. Fica claro que o legislador não pretendeu exigir que os contratantes fizessem prova de que o reajuste aplicado corresponderia ao custo específico de sua produção, ou à variação de custo dos insumos que concretamente adquiriu no período. O legislador se refere a índices de mercado, os quais reflitam a variação dos custos de produção e a variação ponderada dos custos dos insumos, de maneira geral. Assim, a aplicação de índices de mercado que de alguma forma reflitam a variação de custos de produção ou de custos dos insumos utilizados na produção, caracteriza o atendimento da exigência do parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006, de que o reajuste não pode ultrapassar tal variação. Quanto ao cerne da aplicação do parágrafo 3º do art. 3º da IN 658/2006 e do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, entendo que se destinam deliberadamente a impedir que se possa interpretar a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a “preço predeterminado”. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Acórdão n.º 3403002.248 S3C4T3 Fl. 1.056 9 Isto, aliás, justifica a determinação do parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que tal interpretação deve ser tomada em conta desde 1º novembro de 2003, ou seja, tal como se imprimisse efeito declaratório à interpretação do que seja contrato por preço predeterminado, previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03. Esta nova Lei, portanto, teve a finalidade de integrar o sentido da Lei anterior. A intenção, ao que tudo indica, foi a de alinharse à interpretação que os Tribunais já vinham pronunciando para o dispositivo da Lei nº 10.833/05, antes da Lei nº 11.196/05 ter vindo à lume. Confiramse os seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEI 10833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. EXCEÇÃO À REGRA ESTABELECIDA PELO ARTIGO 10, INCISO XI, CC. ARTIGO 15, INCISO V, DA LEI N° 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/04. ILEGALIDADE. REVOGADA PELA LEI No 11.196, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2005. 1. Discutese a validade da tributação na forma preconizada pelo artigo 10, inciso XI, cc. artigo 15, inciso V, da Lei n° 10.833/03, diante do contrato de concessão firmado com o Poder Público, antes de 31 de outubro de 2003, por período certo, superior a um ano, e a preço determinado, não se sujeitando a ilegal INSRF n° 468/04, que, desbordando do texto legal e alterando os critérios de tributação traçados pela lei, definiu o que vem a ser preço determinado. 2. A INSRF n° 468/04 conferiu interpretação equivocada ao inciso XI, alínea “c” do artigo 10 da Lei 10.833/03. 3. A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, tratou de dissipar eventual dúvida de interpretação nesse sentido, dispondo sobre o tema, em seu artigo 109, que: “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” 4. Apelação e remessa oficial improvidas. (TRF 3ª Região. Rel. ELIANA MARCELO. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007) DIREITO TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRATOS DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. ART. 10, INCISO Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 XI, ALÍNEA "B" DA LEI 10.833/03. IN 468/04. CUMULATIVIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. É ilegal a exclusão promovida pela IN 468/04 dos contratos de fornecimento de energia elétrica, com prazo superior a 1 (um) ano, celebrados antes de 31/10/2003, a preço determinado, prevista no art. 10, inc. XI, alínea "b" da Lei 10.833/03. 2. Reconhecido o direito das impetrantes de recolher o PIS e a COFINS pela sistemática da, nos contratos de fornecimento de energia elétrica com prazo superior a 1 (um) ano, celebrados antes de 31/10/2003, a preço determinado. 3. A compensação somente poderá ser implementada após o trânsito em julgado, nos termos do art. 170A do CTN. 4. A correção monetária do indébito deve se dar pela variação da taxa SELIC. 5. Apelação provida. (TRF 4ª Região. Rel. ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007) “DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRELIMINAR DE INADEQUAÇÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA. REJEIÇÃO. COFINS E PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. LEI No 10.833/03. ARTIGOS 10, XI, E 15. REGIME FISCAL ANTERIOR. CONTRATOS FIRMADOS ANTERIORMENTE A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CORREÇÃO MONETÁRIA POR CRITÉRIO PREDETERMINADO (IGPM). ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA No 468/04. INOVAÇÃO DO PRECEITO LEGAL. 1. Rejeitada a preliminar de inadequação da via eleita, uma vez que a alegação da agravada, no sentido da falta de direito líquido e certo no mandado de segurança impetrado na origem, condiz com o próprio mérito, a ser solucionado a tempo e modo, não existindo impedimento processual a seja processada a impetração, pois a "alta indagação do direito" não é incompatível com o rito célere do writ constitucional, nem se comprovou, por outro lado, a necessidade de provas além das que foram produzidas documentalmente nos autos. 2. A previsão, contida nos artigos 10, XI, e 15, da Lei no 10.833/03, de aplicação do regime fiscal anterior da cumulatividade, relativamente ao PISCOFINS, alcança os contratos firmados antes de 31/10/2003, com preços predeterminados, ainda que sujeitos a cláusulas de reajuste, desde que por criteŕio prefixado e destinado à mera recomposição monetária, como ocorre no caso concreto. 3. A IN nº 468, de 08/11/2004, cujo artigo 2o, § 2o, restringiu o benefício do regime fiscal anterior apenas ao período em que não houve reajuste, determinando que, depois do reajuste, periódico ou não, se aplique o regime da não cumulatividade, Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Acórdão n.º 3403002.248 S3C4T3 Fl. 1.057 11 restringe o alcance de norma legal, incorrendo, como aferido em juízo sumário, em ilegalidade. 4. Provimento do agravo de instrumento para a concessão de liminar, garantindo ao contribuinte a sujeição ao regime fiscal da cumulatividade do PISCOFINS, em relação ao faturamento ou receita oriundos do contrato de concessão, juntado aos autos, mesmo depois de eventuais reajustes, desde que observado o critério de correção monetária previamente fixado. 5. Agravo regimental julgado prejudicado.” (TRF 3ª Região. Rel.Des. Fed. CARLOS MUTA. AG 234522. DJU 21/03/2007 p. 189 ) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS. COFINS. PERMANÊNCIA NO REGIME DA CUMULATIVIDADE. CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. CLÁUSULA DE REAJUSTE. REQUISITOS DO ART. 10, XI, B, DA LEI 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 658/06. INADEQUAÇÃO. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. 1. A Secretaria da Receita Federal, ao editar as INs SRF 468/04 e 658/06, impediu que contratos, embora se subsumindo as hipóteses previstas na Lei 10.833/03, usufruam o regime da cumulatividade, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária acarreta mudança no preço. 2. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. 3. Essa desclassificação da natureza jurídica dos contratos com preço préestabelecido pela Receita Federal encontra óbice na inadequação do veículo utilizado: a instrução normativa. 4. Diante da evolução da legislação reguladora da compensação tributária, resta autorizada a compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS na sistemática da nãocumulatividade, corrigidos monetariamente pela taxa SELIC, com qualquer tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, ainda que o destino das arrecadações seja outro, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96. 5. Remessa oficial a que se nega provimento. (TRF 1ª Região. Rel. Des. Fed. MARIA DO CARMO CARDOSO. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007) Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Como visto, os precedentes acima fulminam a já revogada IN 468/04, justamente pelo fato de tal Instrução Normativa não contemplar a ressalva depois prevista na Lei nº 11.196/2005, e então enxertada no § 3º do art. 3º da IN 658/2006. Apóiome nos referidos precedentes judiciais, deles extraindo o mesmo critério, para entender que a aplicação de um índice de correção monetária não descaracteriza o “preço determinado” referido pelo art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003. Faço minhas as palavras da Desembargadora Federal Maria do Carmo, de que “O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado”. Assim, o reajuste por índice de correção previsto no próprio contrato original, firmado e vigente antes de 31 de outubro de 2003, não pode implicar na sua exclusão do conceito de contrato por preço determinado, prevista no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003. Entendo, por isso, que a aplicação do índice de atualização previsto no contrato não desqualificou o “preço predeterminado”, mantendose as receitas no tratamento previsto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003, devendo por isso ser provido o recurso do contribuinte, para reconhecer o direito de crédito. Destaco, ainda, que este mesmo Conselho, analisando os mesmos contratos desta mesma Recorrente, já reconheceu o mesmo direito ao contribuinte, conforme se verifica na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Cláusula de reajuste. Preço predeterminado. Regime de incidência tributária. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetemse à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de reajuste com base no IGPM. (Acórdão 3402001887, Processo 10730.900925/200916, rel. Cons. Gilson Macedo Rosemburg Filho, j. 25/09/2012) É o mesmo, pois, o entendimento aplicado ao presente caso. Voto pelo provimento do recurso. Ivan Allegretti Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10730.900947/200978 Acórdão n.º 3403002.248 S3C4T3 Fl. 1.058 13 Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/05/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16327.001307/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008/
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE.
Classificam-se no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo - BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo - BM&F e que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES.
Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior apresentará declaração de voto.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA Recorrente CREDIT SUISSE CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008/ TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F e que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008/ TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 07 /2 01 0- 65 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 808 2 As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F e que foram negociadas dentro do mesmo ano, poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários, que têm por objeto social a subscrição de emissões de ações e/ou a compra e a venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento / receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas “desmutualização”. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Júnior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior apresentará declaração de voto. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de lançamentos de ofício veiculados através de autos de infração (efls. 593/ss), lavrados em 29/09/2010 e com ciência em 30/09/2010, para a cobrança do PIS, multa de ofício e juros de mora (no montante de R$ 3.957.151,63 – efl. 593) e da COFINS, multa de ofício e juros de mora (no montante de R$ 24.351.702,60 – fl. e600), em decorrência da incidência dos tributos no processo denominado de “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, mais especificamente sobre as receitas de venda das ações recebidas. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 809 3 Neste passo, com vistas a melhor elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (efls. 723/ss), verbis: Relatório: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 228238, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, para verificação da apuração e recolhimento do PIS e Cofins incidentes no ganho decorrente das vendas das ações das bolsas de valores recebidas por ocasião da desmutualização da Bovespa e BM&F, e em eventuais vendas das ações das bolsas de valores e de mercadorias que tivesse efetuado posteriormente, verificouse que: 1. Da contribuinte A sociedade empresária CREDIT SUISSE BRASIL S.A. CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, CNPJ n° 42.584.318/000107,tem por objeto social, conforme artigo 2º de seu estatuto social (fls. 255260), exercer as atividades típicas de sociedade corretoras de valores mobiliários e câmbio, operando na compra, venda e distribuição de títulos e valores mobiliários e de câmbio. 1.1. Da propriedade dos títulos das bolsas Como corretora associada à BM&F, a CREDIT SUISSE CORRETORA possuía um (01) título de Sócio Efetivo (número 168) e um título de Corretora de Mercadorias (número 075), adquiridos da BM&F em 25/07/1985. E como associada da BOVESPA, a impugnante possuía dezesseis (016) títulos patrimoniais da BOVESPA (número 45), adquiridos em 23/03/1981 por Garantia S.A. Corretora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga denominação da impugnante. Por ocasião da desmutualização, a impugnante informou ter recebido em troca dos títulos da BM&F o total de 4.908.015 ações da BM&F S/A e, em troca, dos 16 títulos da Bovespa, o total de 11.308.192 ações da Bovespa Holding S/A (fls. 189). 1.2. Da alienação da totalidade das ações da BOVESPA HOLDING S.A. recebidas Segundo a contribuinte (fls. 192): todas as 11.308.192 ações recebidas da Bovespa Holding S/A foram alienadas na Oferta Pública Inicial de Distribuição Secundária de Ações (IPO), em 10/2007, pelo valor de R$260.088.416,00; 10% das ações da BM&F S/A, ou seja, 490.802 ações, foram alienadas em 11/2007, por R$ 4.894.713,16, para o fundo General Atlantic Latin American Investiments LLc, conforme "Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F S.A. e Outorga de Poderes" (fls. 4047); em 04/2008, a contribuinte alienou os 90% restantes das ações da BM&F S/A (4.407.213 ações) para o Credit Suisse "Próprio" Fl. 809DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 810 4 Fundo de Investimento de Ações, CNPJ 03.230.512/000132, pelo valor de R$66.460.772,04 (fls. 193). 2. Do procedimento de fiscalização A contribuinte foi intimada a apresentar documentos e informações relativos à operação de desmutualização e à contribuição ao PIS e Cofins. Após analisar a documentação, a fiscalização concluiu que: a) foram apresentados demonstrativos das ações das bolsas recebidas em substituição aos títulos patrimoniais e do ganho de capital obtido na venda das ações (fls. 189, 192 e 194); b) não restou no ativo da empresa nenhum título original das bolsas desmutualizadas; c) as ações recebidas por ocasião do processo de desmutualização da BM&F e da Bovespa foram classificadas pela contribuinte nas contas do Ativo Permanente "BM&F S.A." 2.1.5.10.20.0021 e "BOVESPA HOLDING S.A." 2.1.5.10.20.0011; d) a empresa entendeu que as alienações das ações recebidas na desmutualização foram alienações de bens classificados no Ativo Permanente e geraram receita nãooperacional, sem incidência de PIS e Cofins; e) a empresa informou ter impetrado o Mandado de Segurança n° 2009.61.00.0207292, em fase de recurso de apelação no TRF da 3ª Região. 3. Do PIS e da Cofins incidentes nas operações de venda das ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A. Conforme "Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A. e Outorga de Poderes" (fls.4047), a BM&F e a General Atlantic firmaram contrato pela qual esta adquiriria, dos detentores dos títulos patrimoniais da BM&F, 10% da ações recebidas da BM&F S.A. como devolução do patrimônio no processo de desmutualização, pelo valor de R$1.000.000.000,00 (um bilhão de reais). A empresa cumpriu o contrato e alienou 10% das ações em 11/2007, sendo o restante das ações alienado em 04/2008. Portanto, a contribuinte sabia de antemão que teria de cumprir o contrato de venda para a General Atlantic, o mesmo ocorrendo com as ações levadas ao IPO (Oferta Pública Inicial), razão pela qual tais ações deveriam ter sido escrituradas no Ativo Circulante. Porém, a empresa contabilizou as ações recebidas na conta Cosif n° 2.1.5.10.20.0021, do Ativo Permanente. A BM&F, no Comunicado Externo 082/2007DG, de 19/07/2007, registrou no item 3 que "as ações emitidas pela nova sociedade serão passíveis de negociação em mercado (...)" (fls.31). Por sua vez, a Bovespa, no Ofício Circular n° 225/2007DG, de 18/09/2007, que tratou do processo de desmutualização, foi específica ao determinar que os detentores dos antigos títulos patrimoniais da Bovespa deveriam, à sua opção, contabilizar as Fl. 810DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 811 5 ações recebidas no Ativo Circulante, conta Cosif n° 1.3.1.20, se a intenção fosse a negociação. Apesar de ter alienado o total das ações recebidas da Bovespa, evidenciando assim a natureza de Ativo Circulante dessas ações, a contribuinte contabilizou todas as ações recebidas na conta Cosif n° 2.1.5.10.20.0011, do Ativo Permanente. Contudo, embora as ações da BM&F S/A e da Bovespa Holding S/A recebidas tenham sido contabilizadas no Ativo Permanente, a parcela alienada em cumprimento ao contrato celebrado entre a BM&F e a General Atlantic, bem como a parcela levada a negociação no mercado secundário, por ocasião do IPO, devem ter o mesmo tratamento de negociação de ativo circulante (títulos disponíveis para venda). Portanto, essas receitas têm natureza "operacional", não sendo amparadas pela exclusão do § 2o do art.3° da Lei n° 9.718/98. Portanto, as vendas de ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A nos anos de 2007 e 2008 configuraram ocorrências do fato gerador do PIS e da Cofins, sendo a base de cálculo, demonstrada na tabela a seguir, o valor da receita financeira obtida, conforme art. 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. Apuração da base de cálculo do PIS e da Cofins Data Quant. Ações alienadas Valor recebido líquido (R$) Custo contábil + comissões Resultado da alienação/ Valor tributável (R$) 10/2007 11.308.192 260.088.416,00 25.102.243,04 234.986.172,96 11/2007 490.802 4.897.713,16 628.427,24 4.269.285,92 04/2008 4.407.213 66.460.772,04 4.407.213,00 62.053.559,04 O resultado da venda das ações da BM&F S/A e Bovespa Holding já estavam separadas para negociação, configura resultado operacional, sobre o qual PIS e Cofins, com aplicação de multa de 75%. 4. Da medida judicial Conforme petição inicial do Mandado de Segurança (MS) n° 2009.61.00.0207292 (fls.123134), o pedido visava o reconhecimento do pagamento indevido de PIS e Cofins sobre receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios e sobre quaisquer outras receitas que não as decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, referentes a fatos geradores ocorridos entre 09/99 até 08/2009; reconhecendose o pagamento indevido e o direito ao crédito deles decorrentes, bem como a respectiva compensação de tais créditos. A sentença de 18/11/2009 denegou a segurança e declarou existência de relação jurídica tributária vinculando a impetrante ao recolhimento do PIS e da Cofins conforme a base de cálculo do caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98 (fls.135143), afastando também a pretensão de limitar tais contribuições às receitas decorrentes de venda de mercadorias e prestação de serviços, por inadequadas e incompatíveis com a natureza da atividade econômica exercida pela empresa. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 812 6 Em 10/02/2010 a impetrante interpôs recurso de apelação, o qual foi recebido em seu efeito devolutivo e aguarda julgamento pelo TRF da 3ª Região (fls. 144167, 204 e 205). Dessa forma, não há qualquer medida restritiva aos efeitos do lançamento de ofício. Os autos de infração (fls.214220 e 221227) foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Demonstrativo do PIS Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (RS) Principal Art. 2°, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 26 e 51 do Decreto n° 4.524/02; art. 1º da MP 2.15835/2001; art. 8º, inciso I, da Lei 10.637/2002; artigos 2º e 3º da Lei 9.718/98. 1.958.508,60 Juros de Mora (até 31/08/2010) Art.61, §3°, da Lei n ° 9.430/96. 529.761,59 Multa Proporcional Art. 86, § 1°, da Lei n° 7.450/85; art.2° da Lei n° 7.683/88; art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. 1.468.881,44 TOTAL 3.957.151,63 Demonstrativo da Cofins Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (RS) Principal Art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02; art. 18 da Lei n° 10.684/03; art. 10, inciso I, da Lei 10.833/2003, artigos 2º e 3º da Lei 9.718/98.. 12.052.360,70 Juros de Mora (até 31/08/2010) Art.61, §3°, da Lei n ° 9.430/96. 3.260.071,38 Multa Proporcional Art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70/91; art. 44, I, da Lei n° 9.430/96 com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. 9.039.270,52 TOTAL 24.351.702,60 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 269289, acompanhada dos documentos de fls. 290334, em síntese alegando que: 1. Dos fatos Em 23/03/81, a impugnante (então Garantia S/A CTVM) adquiriu 16 títulos patrimoniais da Bovespa (títulos Bovespa). Posteriormente, em 25/07/85, a impugnante adquiriu 2 títulos patrimoniais da BM&F, sendo 1 título da categoria "sócio efetivo" e 1 título da categoria "corretora de mercadorias" (Títulos BM&F). A aquisição de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F, então organizadas sob a forma de associação civil sem fins lucrativos, era condição necessária para que instituições financeiras e corretoras pudessem operar nessas bolsas. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 813 7 A impugnante, observando a Circular do Banco Central do Brasil (Bacen) n° 1.273/87, que instituiu o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosit), registrava contabilmente seus títulos patrimoniais nas seguintes contas do ativo permanente: (i) Títulos Bovespa: contas n° 2.1.4.10.10.0025/Bovespa e 2.1.4.10.10.0055/Bovespa L8200 (fls. 295301); (ii) Títulos BM&F: contas n° 2.1.4.10.20.0048/Corretora Mercadoria M/Futuro e 2.1.4.10.20.0078/Corretora Mercadoria M/Futuro L8200 (fls.303308). Por ocasião da desmutualização, a Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas e tiveram parcelas de seus patrimônios representadas por ativos e passivos relacionados e/ou correlates às suas atividades de mercado, incorporados por sociedades anônimas que as substituíram no exercício de tais atividades. No caso da BM&F, seu patrimônio cindido foi integralmente incorporado pela BM&F S/A, com a consequente atribuição de ações emitidas por esta empresa aos então detentores de títulos patrimoniais da BM&F. Quanto à Bovespa, seu patrimônio cindido foi incorporado por duas empresas distintas, a Bovespa Serviços e a Bovespa Holding, atribuindose ações emitidas por tais empresas aos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa. Em seguida a Bovespa Holding incorporou todas as ações da Bovespa Serviços mantidas pelos antigos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa, sendolhes atribuídas novas ações de emissão da Bovespa Holding, que se tornou controladora integral da Bovespa Serviços. Como essas últimas operações foram realizadas num mesmo dia, em sequência, podese afirmar que, na prática, os títulos patrimoniais da Bovespa foram substituídos por ações da Bovespa Holding. As quantidades de ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A atribuídas aos possuidores de títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F foram determinadas com base nos valores contábeis desses títulos, apurados nos balancetes de 30/06/2007 e 31/08/2007, respectivamente. Com base nos respectivos valores contábeis, atualizados segundo as normas do Cosif, determinouse que: (i) cada título patrimonial da Bovespa seria substituído por 706.762 ações da Bovespa Holding; (ii) cada título patrimonial de "corretora de mercadorias" da BM&F seria substituído por 4.898.015 ações da BM&F S/A; (iii) cada título patrimonial de "sócio efetivo" da BM&F seria substituído por 10.000 ações da BM&F S/A. Assim, com as desmutualizações da Bovespa e da BM&F, a impugnante passou a deter 11.308.192 ações da Bovespa Holding S/A e 4.908.015 ações da BM&F S/A, sendo essas ações contabilizadas pelo mesmo valor dos títulos substituídos, conforme Assembleias Gerais Extraordinárias da Bovespa e da BM&F e demonstrativos contábeis (fls.310334). Fl. 813DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 814 8 Como tais ações foram recebidas em substituição a títulos patrimoniais detidos há décadas, e por representarem a continuidade dos investimentos da impugnante na Bovespa e na BM&F, as ações foram contabilizadas no ativo permanente, no qual estavam registrados os títulos, nos termos do Cosif. As ações foram alienadas e as receitas decorrentes não foram oferecidas à tributação de PIS e Cofins, pois representavam venda de bens do ativo permanente, conforme inciso IV, do § 2 o, do art.3° da Lei n° 9.718/98. 2. O conceito de ativo permanente A impugnante é sociedade corretora de títulos e valores mobiliários, estando sujeita às normas de escrituração expedidas pelo CMN e Banco Central (BC), segundo o art.4°, inciso XII, da Lei n° 4.595/64, Resolução CMN n° 1.655/89 e Parecer Normativo CST n° 78/78. O Cosif, instituído pela Circular Bacen n° 1.273/87, editada pela Lei n° 4.595/64, dispõe no capítulo 1, seção 11, item 3, que as ações e títulos patrimoniais integram o ativo permanente, em "Outros Investimentos". E nos subitens 10 e 11 do referido item 3 do Cosif consta que a intenção de permanência do investimento, que determina sua contabilização no ativo permanente, se manifesta na data de sua aquisição. Os itens 7 e 7.1 do Parecer Normativo CST n° 108/78 endossam o critério de intenção de permanência para aferir se um bem deve ser classificado no ativo permanente. Referido parecer limitouse a presumir a intenção de permanência quando a empresa não aliena seus investimentos até o término do exercício seguinte àquele da aquisição. De resto, a intenção de permanência não é incompatível com a venda do bem, pois se fosse assim, não haveria venda de bem do ativo permanente. Segundo a Solução de Consulta SRRF/7aRF/Disit n° 36/2006, a intenção de venda não impõe, para fins tributários, a reclassificação de elementos registrados em conta do ativo permanente para o circulante, devendo integrar o permanente até a hora da venda. Portanto: a) a classificação do bem no ativo permanente não depende de sua natureza, mas sim da intenção de permanência, manifestada na aquisição do bem; b) classificamse no ativo permanente os investimentos contabilizados no ativo circulante e não alienados até o final do exercício subsequente à aquisição; c) a intenção de permanência não impede a venda do bem, não havendo necessidade de reclassificálo para o ativo circulante. 3. A natureza contábil das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A recebidas pela impugnante Os títulos patrimoniais da impugnante eram bens permanentes, pois foram adquiridos há décadas, e havia intenção de mantêlos para que a corretora pudesse operar. Tais títulos foram Fl. 814DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 815 9 substituídos pelas ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A em decorrência de cisão parcial da Bovespa e da BM&F, com a incorporação subsequente das parcelas cindidas por Bovespa Holding e BM&F S/A. Nas cisões e incorporações não há alienação de bens, mas sim sucessão. A impugnante recebeu as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A pelo mesmo valor contábil de seus títulos Bovespa e BM&F. Não houve extinção ou redução de capital da Bovespa e da BM&F, seguida pela realização de novos investimentos na Bovespa Holding e BM&F S/A. As assembleias gerais da Bovespa e da BM&F é que decidiram pela desmutualização, sendo essas decisões observadas mesmo por membros que delas discordaram (fls. 310316 e 320332). As ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A recebidas não representaram aquisição de novos investimentos, representaram a continuidade dos investimentos da impugnante na Bovespa e BM&F, não havendo sentido em se reclassificar os investimentos da impugnante do ativo permanente para o circulante. Assim, o momento para se verificar a intenção de permanência dos investimentos referidos é o da aquisição dos títulos patrimoniais, e o do recebimento das ações da Bovespa Holding e da BM&F S/A. Portanto, não podem prosperar os autos de infração, pois pretendem cobrar contribuições incidentes sobre receita da venda de bens do ativo permanente, a qual é excluída da base de cálculo dessas contribuições pelo art.3°, §2°, inciso IV, da Lei n° 9.718/98. O fato de as ações da Bovespa Holding e de parte das ações da BM&F S/A terem sido alienadas depois de recebidas em substituição aos títulos patrimoniais não impõe nem permite que se desconsiderem os registros contábeis da impugnante, e se presuma que tais "novos" investimentos devessem ter sido registrados no ativo circulante. O contrato da impugnante com a General Atlantic confirma que as ações da BM&F S/A recebidas correspondiam a um desdobramento dos títulos patrimoniais da BM&F. Em relação às ações da Bovespa Holding, o fato de elas terem sido alienadas após o seu recebimento, no IPO, não autoriza presumir que a impugnante teria intenção de alienálas desde seu recebimento em substituição aos títulos patrimoniais. Quanto às ações da BM&F S/A alienadas em 04/2008, a autuação fiscal se torna mais absurda ainda, pois a impugnante poderia ter alienado suas ações já por ocasião do IPO, o que não ocorreu. A fiscalização afirmou que deveriam ser classificadas no ativo circulante "a parcela alienada em cumprimento ao contrato celebrado entre a BM&F e a General Atlantic, bem como a parcela levada a negociação no mercado secundário, por ocasião do IPO", sem fazer menção às ações da BM&F S/A alienadas no exercício seguinte. Fl. 815DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 816 10 4. Do processo judicial de PIS e Cofins ajuizado pela impugnante No MS n° 2009.61.00.0207292 a impugnante discute a constitucionalidade e a legalidade da cobrança de PIS e Cofins sobre receitas financeiras decorrentes da aplicação de recursos próprios e sobre quaisquer outras receitas não decorrentes exclusivamente de venda de mercadorias e prestação de serviços. Portanto, o processo judicial em tela tem por objeto matéria distinta daquela tratada no presente processo, não havendo óbice para a análise da autoridade administrativa. Ressaltese que, caso seja reconhecido na esfera judicial que o PIS e a Cofins somente poderão ser cobradas da impugnante sobre receitas de venda de mercadorias e prestação de serviços, os autos de infração terão de ser cancelados, pois as receitas ora em discussão não correspondem a receitas de vendas de mercadorias ou de prestação de serviços, até porque a venda das ações em causa seria atípica à atividade da impugnante, se considerada a forma como as ações foram recebidas, em virtude da desmutualização da Bovespa e BM&F. 5. Do pedido Pelo exposto, devem ser julgados improcedentes os autos, extinguindose os créditos tributários decorrentes. É o relatório. A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão n.º 1629.890 de 25 de fevereiro de 2011 (folhas 338/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008 VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas formadas após a desmutualização das bolsas de valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008 VALORES MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Devem ser classificados no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como as ações das novas sociedades anônimas Fl. 816DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 817 11 formadas após a desmutualização das bolsas de valores constituídas sob forma de associação sem fins lucrativos, subscritas pela interessada com manifesta intenção de venda, e cuja alienação efetivamente ocorreu até o curso do exercício subsequente à subscrição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/10/2007, 30/11/2007, 30/04/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – São Paulo, em 22/03/2011 (efolhas 741/743), interpôs Recurso Voluntário em 19/04/2011 (efolhas 745/ss), onde repisa os mesmos argumentos trazidos em sua impugnação, acrescentando apenas comentários e ponderações sobre o voto vencedor da decisão de primeira instância. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou “Contrarrazões” (e folhas 781/ss), onde alega em síntese: foi denominado “Desmutualização” o conjunto de alterações societárias que culminaram na transferência das atividades das Bolsas – até então desempenhadas por associações sem fins lucrativos – para companhias abertas, com propósitos econômicos; do artigo 1º da Resolução CNM nº 2.690/2000 estabelece que as bolsas de valores podem ser constituídas como associações civis ou sociedades anônimas, sendo que os artigos 6º e 7º traçam as diretrizes tanto para as que adotarem a forma da associação civil sem fins lucrativos como a que adotarem a forma de sociedade civil; os Contribuintes autuados em razão da desmutualização desejam a aplicação de dispositivos previstos apenas para quem adotou a forma de S.A. quando, indiscutivelmente, as estruturas jurídicas da Bovespa e da BM&F eram de associações civis; ao final das operações, as associações civis sem fins lucrativos estavam extintas e, em seu lugar, constituíramse sociedades anônimas; os institutos da fusão, cisão e incorporação não são de utilização permitida pelas associações por força do disposto no artigo 1.113 e seguintes do Código Civil, cuja localização topográfica indica sua aplicação somente às sociedades empresárias (Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade; Subtítulo II – Da Sociedade Personificada; Capítulo X – Da Transformação, Da Incorporação, Da Fusão e Da Cisão das Sociedades). assim, uma vez que a cisão e a incorporação não podem ser aplicadas às sociedades civis, as operações societárias resultaram, em verdade, na extinção das sociedades civis Bovespa e BM&F. Em casos como estes, a regra aplicável não é outra senão o artigo 61 do Código Civil. O artigo 61 do Código Civil veda a destinação de qualquer parcela do patrimônio das bolsas de valores, constituídas sob a forma de associações, a entes com finalidade lucrativa; caso se entenda aplicável os institutos da cisão e incorporação às sociedades civis, por força de interpretação isolada do Art. 2.033 do CC, as estipulações Fl. 817DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 818 12 próprias à natureza de sociedades civis sem fins lucrativos não podem ser desprezadas, sob pena de ofensa ao critério da especificidade, prestigiado até mesmo pelo citado artigo 2.033. Este ressalva sua aplicação em caso de legislação específica. No que se refere às associações civis, a legislação específica tratarseia da Lei nº 6.015, de 1973, que nada fala sobre tais institutos (fusão, cisão, incorporação, transformação) para as associações civis. Assim sendo, a matéria possui tratamento específico e exclusivo nos artigos 53 a 61 do Código Civil; o Contribuinte Recorrente deveria ter oferecido à tributação os valores do patrimônio das associações extintas que lhe foram devolvidos, uma vez que se tratavam de entidades isentas. Esse é o comando do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997; no Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F S.A. e Outorga de Poderes, de 13/11/2007 (fls. 40/47), é possível constatar que o contribuinte já tinha pleno conhecimento de que haveria alienação das ações recém adquiridas. Eventual argumentação no sentido de que esse documento corresponde a um contrato de adesão e que não refletiria sua intenção verdadeira, não merece ser acolhida. Isso porque, mesmo que seja considerado um contrato de adesão, o fato é que o contribuinte sabia de antemão que não poderia manter as ações em seu patrimônio. Desse modo, resta evidente que essas ações não poderiam ter sido classificadas como bens do Ativo Permanente; deste modo, a fiscalização aplicou o que preceitua o artigo 179 da Lei 6.404/76, no momento de classificar as ações subscritas e alienadas pelo contribuinte. A alienação das ações foi realizada até o final do exercício subsequente ao ingresso dos bens no patrimônio do contribuinte – ou seja, entre 2007 e o final de 2008 – conforme atestam os documentos tomados em consideração pela fiscalização. Nessa perspectiva, é plenamente aplicável o entendimento firmado no Parecer Normativo CST 108/78, que analisa especificamente o art. 179 da Lei nº 6.404, de 1976; os documentos analisados e a forma como ocorreram as transações entre o contribuinte e as emitentes das ações – BM&F S.A e a BOVESPA HOLDING S.A. – demonstram que sua intenção nunca foi de manter as ações em seu patrimônio como Ativo Permanente. Basta visualizar todo o conjunto de operações realizadas para se compreender o objetivo do negócio realizado era realmente a alienação das ações, e não a sua manutenção no patrimônio da empresa; diante disso, deve ser considerada como correta a classificação dada pela Fiscalização – e mantida pela decisão da DRJ/SP1 – de que as ações emitidas pela BM&F S.A e a BOVESPA HOLDING S.A., em benefício do contribuinte, integraram o seu Ativo Circulante; as ações recebidas pela Recorrente, classificadas como Ativo Circulante, quando alienadas devem ser tributadas pelo PIS e pela Cofins, nos termos dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, por integrarem a sua receita bruta operacional; a Recorrente é uma corretora de títulos e valores mobiliários, que possui como uma das principais atividades subscrever títulos e valores mobiliários emitidos para revendêlos posteriormente. Essa característica das corretoras está expressamente delineada no art. 2º da Resolução nº 1.655/89; a atividade de subscrever títulos e valores mobiliários e depois revendêlos consiste em operação afeta ao objeto social de corretoras, tais como o Recorrente. Nesse ponto, relevante destacar que o próprio estatuto social do contribuinte (fls. 246) confirma essa constatação; Fl. 818DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 819 13 o Banco Central do Brasil atribui às rendas obtidas por meio do desenvolvimento das atividades típicas, regulares e habituais de uma pessoa jurídica a classificação de rendas operacionais; é inquestionável que a atividade típica do recorrente envolve operações de subscrição e revenda de ações – como ocorreu no presente caso. Dessa maneira, ao alienar as ações que eram de sua titularidade, fatalmente as receitas recebidas devem ser consideradas operacionais, visto que são oriundas da atividade típica, regular e habitual do contribuinte; por fim, a FAZENDA NACIONAL requer que seja negado provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Do objeto da controvérsia A controvérsia em discussão referese aos efeitos jurídicotributários advindos do conjunto de operações societárias denominada “desmutualização” da Bovespa e da BM&F, especificamente quanto a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas de alienações das ações recebidas quando da transferência das atividades, até então desempenhadas pelas associações sem fins lucrativos, para as sociedades anônimas (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A). A autoridade fiscal alega que os referidos direitos sobre as ações deveriam compor o “ativo circulante” e quando da venda haveria a incidência das contribuições; a Recorrente entende que deveriam ser classificados no “ativo permanente”, portanto, as receitas decorrentes da venda não sofreriam a incidência das contribuições. Três questões precisam ser analisadas para definirmos quais os efeitos jurídicotributários decorrem da desmutualização das bolsas: 1ª Se a formatação adotada nessas operações societárias encontra abrigo no ordenamento jurídico brasileiro; 2º Se os títulos patrimoniais tem a mesma natureza jurídica das ações recebidas pelas corretoras no processo de desmutualização e, por conseguinte em qual grupo contábil as ações deveriam ser classificadas: Ativo Circulante ou Ativo Permanente? Fl. 819DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 820 14 3ª. E por fim, se a receita de vendas das ações recebidas pelas corretoras está sujeita a incidência do PIS e da Cofins? Antes de posicionarmonos quanto aos efeitos jurídicos da “desmutualização” da Bovespa e da BM&F mostrase necessário compreender no que exatamente consistiu esse conjunto de operações societárias que culminou com a unificação da Bovespa com a BM&F para, ao final, restarem fundidas na BM&F Bovespa S/A. Da operação denominada “desmutualização” das bolsas Inicialmente, para uma melhor elucidação dos fatos ocorridos transcrevemos trechos do detalhado relato histórico constante do artigo “A Desmutualização das Bolsas de Valores e seus Efeitos Fiscais para PIS/COFINS”, de Cassio Sztokfisz e Igor Nascimento de Souza (publicado no livro “PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF – volume 2” – coordenadores Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Junior. São Paulo: MP Editora, 2013), muito embora já adiantamos não concordar com as conclusões nele trazidas quanto ao efeito jurídicotributário da operação: A BM&F e a BOVESPA eram entidades estabelecidas na forma de associações civis sem fins lucrativos, que se enquadravam no artigo 15 da Lei n. 9.532/97. Assim, entendidos os requisitos dessa Lei, as associações eram isentas do pagamento do IRPJ e CSLL. Para que pudessem operar no mercado de capitais por meio das aludidas Bolsas, as sociedades corretoras e distribuidoras de valores mobiliários deveriam deter títulos representativos do patrimônio daquelas entidades (art. 3º, §2º, do Regulamento Anexo à Resolução n. 1.655/1989). No ano de 1997, houve a primeira operação de reestruturação da BOVESPA, pela qual foram criadas duas empresas distintas, a Clearing S.A. (“Clearing”) – posteriormente denominada Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”) – e a Bovespa Serviços e Participações S.A. (“Bovespa Serviços”). A CBLC foi criada mediante cisão de parte do patrimônio da BOVESPA e ficou incumbida de atuar como câmara de compensação e custodiar ações e títulos. Por sua vez, a Bovespa Serviços, subsidiária integral da BOVESPA, ficou com as funções de dar suporte aos serviços de informática e telefonia da BOVESPA, portanto responsável por exercer atividades relacionadas com negociação, controle, fiscalização e difusão de informações. Em 2007, visando à unificação de suas operações e à obtenção de lucro com as suas atividades, as Bolsas iniciaram mais uma reestruturação societária, que se deu mediante cisão das associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto. Nessa medida, os títulos detidos pelas sociedades corretoras na BM&F e na BOVESPA foram trocados por ações das novas companhias – BM&F S.A. e BOVESPA HOLDING S.A., respectivamente. Fl. 820DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 821 15 Em relação à BM&F, tal associação sofreu cisão parcial pela qual foi criada a sociedade anônima BM&F, em operação formalizada por meio do “Instrumento de Protocolo e Justificativa da Operação de Cisão Parcial da Bolsa de Mercadoria & Futuros BM&F, datado de 17 de setembro de 2007, e da “Ata de Assembleia Geral Extraordinária da BM&F S.A.”, de 20 de setembro de 2007, que aprovou a incorporação da parcela cindida do patrimônio da BM&F. Nos termos do Protocolo, a BM&F S.A. sucedeu a BM&F em todos os direitos e obrigações, bem como recebeu parcela de seu patrimônio. Por sua vez, a BM&F passou a exercer atividades de natureza assistencial, educacional e desportiva e ficou com um patrimônio residual. Em decorrência dessa operação, houve emissão de ações ordinárias da BM&F S.A., atribuídas aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F, com base no balanço patrimonial da BM&F apurado no balancete de 31 de agosto de 2007. É importante salientar que, nos termos do item 7.1 do aludido Protocolo, a operação em discussão não deu direito de retirada aos detentores de títulos patrimoniais da BM&F. A BOVESPA, por sua vez, teve sua cisão aprovada por Assembleias Gerais Extraordinárias (“AGE”) realizadas em 28 de agosto de 2007, aprovando versão de parte de seu patrimônio à Bovespa Serviços e à BOVESPA HOLDING S.A. Por essa operação os direitos e obrigações da BOVESPA foram transmitidos para a Bovespa Serviços e para a BOVESPA HOLDING S.A., restando a BOVESPA (associação) com capital social residual. Na ata de AGE da BOVESPA HOLDING S.A., datada de 28 de agosto de 2007, foi aprovada a incorporação da parcela cindida da BOVESPA, nos termos do “Protocolo e Justificação da Cisão Parcial da Bolsa de Valores de São Paulo com Incorporação das Parcelas Cindidas pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (“CLBC”), Bovespa Serviços e Participações S.A e Bovespa Holdinda S.A.”, celebrado em 17 de agosto de 2007. Em outra ata de AGE, da mesma empresa e com mesma data, foi aprovada a incorporação da totalidade de ações da Bolsa de Valores de São Paulo S.A. (atual denominação da Bovespa Serviços e Participações S.A.) e da CLBC. Cumpre mencionar que, nesse interregno, em relação às ações detidas junto à BM&F S.A., muitas sociedades corretoras se comprometeram, por meio da assinatura de “Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações Celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F”, a alienar 35% das ações a elas atribuídas no processo de desmutualização na Oferta Pública Inicial (“IPO”). Fl. 821DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 822 16 Além disso, grande parte das sociedades corretoras firmou, conforme “Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F S.A.”, a alienação de um percentual de cerca de 10% de suas ações ordinárias da BM&F S.A. para um fundo de investimento integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (“General Atlantic”). Em 14 de dezembro de 2007, foi constituída uma sociedade sob a denominação social de T.U.T.S.P.E. Empreendimentos e Participações S.A., com o objetivo social de participar em outras sociedades, como sócia ou acionista, no país ou no exterior (holding). Em 08 de abril de 2008, os acionistas dessa companhia aprovaram a alteração da sua denominação social, que passou a ser “Nova Bolsa S.A.”. Os Protocolos e Justificação de Incorporação celebrados em 17 de abril de 2008 entre a BM&F S.A. e a Nova Bolsa S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A. e a Nova Bolsa S.A. resumiram a reorganização societária envolvendo a BM&F S.A. e a BOVESPA HOLDING S.A da seguinte forma: i) incorporação da BM&F S.A pela Nova Bolsa S.A., mediante versão à companhia do patrimônio líquido da BM&F; e ii) emissão de novas ações ordinárias, observando a proporção de 1 (uma) ação ordinária da Nova Bolsa S.A., para cada ação ordinária da BM&F S.A. O restante foi alocado como reserva de capital, de reavaliação, de lucros e estatutárias; Os acionistas da BM&F S.A, já na qualidade de acionistas da Nova Bolsa S.A., deliberam sobre a incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. da seguinte forma: iii) incorporação das ações da BOVESPA HOLDING S.A. pela Nova Bolsa S.A., a valor de mercado, sendo parte destinada ao capital social e o restante à formação de reserva de capital; e iv) emissão de novas ações ordinárias, na proporção de 1,42485643 ação ordinária da Nova Bolsa S.A para cada ação ordinária da BOVESPA HOLDING S.A., correspondendo a 50% das ações ordinárias da Nova Bolsa S.A. (permanecendo os outros 50% sob titularidade da BM&F S.A.) e novas ações preferenciais que foram entregues aos acionistas da BOVESPA HOLDING S.A.. As ações preferenciais foram resgatadas contra reserva de capital sem redução social da Companhia. Por fim, em assembleias realizadas na data de 08 de maio de 2008 foram aprovadas as incorporações, pela Nova Bolsa S.A., da BM&F S.A. e das ações da BOVESPA HOLDING S.A., unificandose as operações das bolsas de valores e de mercadorias e futuros na Fl. 822DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 823 17 Nova Bolsa S.A., que passou a se denominar BM&F BOVESPA S.A. (negritamos) Muito bem. Elucidadas as operações societárias ocorridas, passemos a análise e compreensão de seus efeitos à luz do nosso ordenamento jurídico. De antemão ressaltamos o nosso entendimento de que com a operação de desmutualização não houve uma “mera sucessão” da associação sem fins lucrativos pelas sociedades anônimas de capital aberto, por expressa vedação legal. Não há como aceitar a tese de que houve uma singela “transformação” dos títulos patrimoniais detidos por ações das novas companhias, uma vez que se trata de direitos de naturezas jurídicas absolutamente distintas. Ao fim e ao cabo, a Recorrente recebeu novas ações, até então inexistentes, emitidas por pessoas jurídicas constituídas sob a forma de sociedade anônima (BM&F S.A. e Bovespa Holding S.A.) Vejamos o dispositivo legal prescrito pelo artigo 61 do Código Civil que trata da dissolução das Associações para fins não econômicos: Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. O artigo supramencionado prescreve que em caso de dissolução da associação o seu patrimônio remanescente será destinado à outra “entidade de fins não econômicos designada no estatuto”, ou, em caso de omissão estatutária, por deliberação dos associados o patrimônio deverá ser destinado à instituição municipal, estadual ou federal. O §1º possibilita, ainda, que por cláusula estatutária, ou no seu silêncio, por deliberação dos associados, antes da destinação do patrimônio como previsto no caput, seja restituída a parcela das contribuições que os associados tiverem prestado ao patrimônio da associação. Assim sendo, dissolvida a associação o destino do seu patrimônio deve ser aquele previsto no Código Civil, conforme dispositivo supratranscrito, não se podendo admitir destinação diversa. Não há, portanto, como reverter o patrimônio de uma Associação sem fins lucrativos a uma sociedade por ações. A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 824 18 De outro lado, o artigo 1.113 não socorre a Recorrente, uma vez que se refere especificamente ao ato de transformação das sociedades (dentro do Livro II – Do Direito de Empresa; Título II – Da Sociedade: artigos 981/1.141), não se aplicando às Associações sem fins lucrativos (tratadas nos artigos 53 a 61), verbis: Art. 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrição próprios do tipo em que vai converterse. (grifamos) Reforça este entendimento a distinção feita no artigo 44 do mesmo Código, ao relacionar (e, portanto, distinguir) as pessoas jurídicas de direito privado, verbis: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada Quanto ao artigo 2.033 do Código Civil prestase apenas a reforçar o comando de que as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas de direito privado (inclusive as associações e sociedades), bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, serão regidas pelo Código, cada uma delas por normas específicas. Como já asseverado, a dissolução de Associação sem fins lucrativos é regida pelos dispositivos legais contidos no artigo 61. Portanto, as operações societárias conduzidas com base em convenções particulares não encontram respaldo, a meu ver, nem mesmo em normas do direito civil. E mais. Não há como acatar o argumento de que se a CVM – Comissão de Valores Mobiliários aceitou tais operações societárias, também devemos convalidálas na esfera tributária. Os efeitos jurídicotributários dessas operações não se inserem na esfera de competência da CVM. Não há como negar que a alegada “transformação” pretendida – de Associação sem fins lucrativos para sociedade anônima – implica em modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos: não são equivalentes os títulos patrimoniais das associações e as ações da pessoa jurídica resultantes. Houve substancial alteração no direito em questão, uma vez que a Recorrente não era, anteriormente, detentora de ações das novas sociedades (BM&F S/A e Bovespa Holding S/A) Com isso, resta evidenciado que houve, sob a ótica de nosso ordenamento jurídico, devolução à Recorrente dos valores que correspondiam aos títulos patrimoniais que detinha, embora não devolvidos em espécie, mas utilizados na obtenção/subscrição de ações das novas sociedades (Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A). Este fato é evidente, muito embora todas as operações societárias tenham sido conduzidas para tentar contornar o negócio jurídico efetivamente ocorrido, estruturadas com a aparência de “cisão seguida de incorporação”. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 825 19 Desde modo, não procede a argumentação de que a escrituração das ações recebidas deveria, necessariamente, continuar sendo feita no Ativo Permanente, assim como eram escriturados os títulos patrimoniais (as associações sem fins lucrativos). Esse entendimento restou assentado em diversos julgados proferidos pelo TRF da 3ª Região, embora todos tratando da incidência do IRPJ e da CSLL. Transcrevese a emenda constante da Apelação Cívil nº 000870605.2008.4.03.6100/SP: TRIBUTÁRIO. DEVOLUÇÃO À IMPETRANTE DOS VALORES CORRESPONDENTES A TÍTULOS DA BOVESPA E DA BM&F. INVESTIMENTO INTEGRAL EM AÇÕES DAS MESMAS ENTIDADES, TRANSFORMADAS EM SOCIEDADES POR AÇÕES. DIFERENÇA ENTRE O VALOR INVESTIDO E O VALOR DEVOLVIDO. CARACTERIZAÇÃO DE GANHOS DE CAPITAL. INAPLICABILIDADE DO "MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL". CARACTERIZAÇÃO DE RENDA. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO ART. 17 DA LEI 9.532/97. 1. Nos termos da decisão já proferida no dia três do corrente, mantenho meu entendimento no sentido de que a matéria dos autos não se insere na competência da CVM, visto que esta não tem função de fiscalizar e exigir o pagamento de tributos, ainda que incidente sobre operações gestadas nas suas atividades típicas, pelo que deve ser indeferido o pedido de retirada do processo de pauta e o seu sobrestamento para manifestação da CVM. 2. Controvérsia sobre a aplicabilidade ou não do art. 17 e seus parágrafos, da Lei 9.532/97, para efeito de incidência do IRPJ e CSLL, sobre ganhos de capital, no tocante aos valores gerados pela atualização dos títulos patrimoniais que a impetrante detinha na BOVESPA e BM&F e que foram convertidos em ações daquelas instituições, quando da cisão em duas novas entidades, operação intitulada "desmutualização". 3. A conversão dos títulos em ações importa em reversão jurídica dos valores a que correspondiam os citados títulos, ainda que tais valores tenham sido integralmente convertidos em ações da entidade que resultou da transformação. 4. Caracterizada a disponibilidade jurídica dos ganhos de capital equivalentes à diferença entre o valor investido pela pessoa jurídica e aquele posteriormente devolvido a ela, configurando renda nos moldes do art. 43 do CTN. 5. A inocorrência de dissolução ou extinção da associação que se transformou em sociedade por ações (art. 1.113 e 2.033 do Código Civil) tem relevância apenas para a preservação da titularidade dos direitos e obrigações da própria sociedade, que não terá solução de continuidade e manterseá íntegra. 6. Todavia, é inegável que a transformação implica em modificação da natureza jurídica das participações societárias ou dos títulos de natureza similar que forem convertidos em ações da neonata pessoa jurídica. Fl. 825DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 826 20 7. Não há como ignorar o fato de que houve, do ponto de vista jurídico, a devolução à impetrante dos valores que correspondiam aos títulos que ela detinha, ainda que estes valores tenham sido inteiramente utilizados na aquisição de ações da nova sociedade 8. Não há lugar, na hipótese dos autos, para contabilização dos ganhos de capital pelo "método da equivalência patrimonial", posto que este método tem aplicação quando surge a necessidade de encontrar a expressão econômica das participações no capital social de outra pessoa jurídica. 9. Esta não é a hipótese dos autos, em que o capital da impetrante estava investido em títulos e não em participação societária na outra empresa, daí porque as diferenças entre os valores investidos e aqueles devolvidos devem ser tratadas como ganhos de capital, sofrendo incidência do art. 17 da Lei 9.532/97. 10. Não socorrem a impetrante os atos regulamentares e interpretativos editados antes da apontada lei, tal como a Portaria MF 785/77, visto que se consideram abrogados pela nova legislação, que cuida especificamente do tema em discussão. 11. Rejeitada a alegação de decadência, haja vista que o fato gerador do IRPJ e da CSLL (devolução dos títulos) ocorreu somente depois que houve a deliberação, em Assembleia Geral Extraordinária, pela transformação da BOVESPA e da BM&F em sociedades anônimas, respectivamente, em 28 de agosto e 20 de setembro de 2007, menos de um ano antes do ajuizamento do presente "mandamus". 12. Improvido o agravo retido, por ausência de verossimilhança das alegações da parte agravante. 13. Apelação improvida. No mesmo sentido, os seguintes julgados do TRF3ª Região: Apelação Cívil Nº 000812150.2008.4.03.6100/SP; Apelação Cívil Nº 000238466.2008.4.03.6100/SP e Apelação Cívil Nº 000852215.2009.4.03.6100/SP. Da natureza da escrituração das ações recebidas em decorrência da desmutualização Passemos a questão referente à escrituração das ações recebidas pelas sociedades corretoras em decorrência das operações societárias acima explanadas. Se os títulos patrimoniais eram necessários para que as corretoras pudessem exercer sua atividade de operar nas bolsas, correta está sua caracterização como Ativo Permanente em função do princípio da continuidade. Entretanto, o mesmo não acontece com as ações recebidas na desmutualização, que são valores mobiliários ordinários, possuindo características distintas dos títulos patrimoniais, não sendo necessário deter a posse dessas Fl. 826DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 827 21 ações para que a empresa opere em bolsa. Essas ações representam papéis negociáveis, e justamente por isso puderam ser vendidas pela Recorrente. Neste sentido, vejamos o que dispõe o artigo 179 da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S/A), que trata da matéria: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; Assim, tais ações recebidas deveriam ter sido classificadas no Ativo Circulante, uma vez que se referiam a direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente, como passamos a demonstrar. Como relatado pela autoridade fiscal (efolhas 608/ss), a Recorrente através de Oferta Pública (IPO) alienou todas as ações recebidas no montante de 11.308.192 ações de emissão da Bovespa Holding S/A, que passou a ser titular após o processo de desmutualização efetuado pela BOVESPA, pelo valor total de R$ 260.088.416,00. E também alienou 10% das ações da BM&F S.A. recebidas, em 30/11/2007, para o fundo General Atlantic Latin American Investiments LLc, conforme "Instrumento de Aceitação de Venda de Ações Ordinárias da Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F S.A. e outorga de poderes", que representaram 490.802 ações pelo valor de R$ 4.894.713,16. Em abril de 2008 (30/04/2008), o contribuinte alienou os restantes 90% (4.407.213) ações da BM&F S.A., para o Credit Suisse "Próprio” Fundo de Investimentos e Ações, CNPJ n° 03.230.512/000132, pelo valor de R$ 66.460.772,04, conforme recibo apresentado. Todas estas informações são confirmadas pela Recorrente, conforme pode ser atestado às efolhas 750 do Recurso Voluntário. A Bovespa Holding S.A. foi criada em agosto de 2007 e as ações recebidas pela Recorrente foi alienada em outubro de 2007, portanto, dois meses após o recebimento; do mesmo modo, a BM&F S.A foi criada em setembro de 2007 e parte das ações recebidas foi alienada em novembro de 2007 e outra parte em abril de 2008, portanto, em até sete meses após o recebimento. Não há, deste modo, como acatar a tese da Recorrente de que as ações recebidas deveriam ser classificadas no Ativo Permanente. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 828 22 A meu sentir, não há dúvidas que havia a intenção de negociar parte das ações recebidas no curso do ano subsequente, na verdade no curso do próprio ano de 2007, desde a data da criação da BM&F S.A, em setembro de 2007, e da Bovespa Holding S.A., em agosto de 2007. Aliás, esse foi o intuito dessa genial operação, sob o aspecto financeiro, ao “substituir” títulos patrimoniais de associação sem fins lucrativos em ações negociáveis por valores substancialmente superiores. Toda a moldagem das operações societárias que culminaram com a chamada desmutualização visava à obtenção de lucro com a receita da venda de parcela das ações recebidas. E não há nada de errado nisso, ao contrário é salutar, desde que se recolham os tributos devidos decorrentes da obtenção das receitas auferidas. Conforme documento anexado a efolha 414/ss, a Recorrente aderiu a proposta de venda de ações ordinárias da BM&F para “um fundo de investimentos integrante do grupo de Private Equity General Atlantic (incluindo, mas não se limitando, a GA Latin America Investments, LLC, bem como qualquer de suas Afiliadas) ("GA"), nos termos e condições previstas no Contrato de Aquisição, datado de 20 de setembro de 2007, celebrado entre Bolsa de Mercadorias & FuturosBM&F, a Companhia e a GA Latin America Investments, LLC (doravante denominado "Contrato de Aquisição)”. A Recorrente, portanto, assumiu o compromisso de alienar parte das ações recebidas, demonstrando claramente que tinha a intenção de alienar as citadas ações. No documento anexado a efolha 571/ss (Ofício Circular nº 225/2007DG, de 18/09/2007), a própria Bovespa informou que em 28/08/2007 foram realizadas as assembleias que deliberaram pela nova estrutura societária da BOVESPA e da CBLC, sendo que as ações recebidas poderiam ser escrituradas da seguinte forma: registrar o correspondente valor no Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF n° 1.3.1.20.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo "títulos disponíveis para negociação ou venda", ou manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas (conta do COSIF n° 2.1.5.10.), das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Obviamente, se a nova estrutura da Bovespa Holding S.A. foi criada em 28 de agosto de 2007 e as ações recebidas pela Recorrente foram alienadas em outubro de 2007 (apenas dois meses depois!), não há como acatar o argumento que não havia a intenção de considerar essas ações como sendo “títulos disponíveis para negociação ou venda”. Essa intenção restou confirmada com a efetivação do negócio, o que evidencia a correta classificação das ações no “Ativo Circulante”. Ademais, são fatos notórios (artigo 334, inciso I, CPC), amplamente divulgados ao público em geral, a criação da Bovespa Holding S.A. em agosto de 2007 e a Oferta Pública Inicial das ações em outubro de 2007, conforme pode ser atestado, a título ilustrativo, no informativo publicado na “Revista Bovespa”, (site www.bmfbovespa.com.br/InstSites/RevistaBovespa/104/Capa.shtml, consulta efetuada em 20/04/2013), em trechos abaixo transcritos: Com o IPO, a Bolsa é a notícia. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 829 23 Seguindo à risca um cronograma rígido, a Bolsa de Valores de São Paulo transformouse em sociedade anônima em 28 de agosto de 2007, com o nome de Bovespa Holding S.A., tornouse uma empresa de capital aberto em 23 de outubro, incluída no Novo Mercado da própria Bolsa e três dias depois seus papéis – todos eles ordinários e nominativos – começaram a ser negociados. Foi uma estreia e tanto: mais de 50% de valorização no primeiro pregão, reflexo do interesse de investidores locais e internacionais. Mais do que a maior emissão do ano e recorde histórico no País, no montante de R$ 6,625 bilhões, a oferta pública inicial – também chamada de IPO (Initial Public Offering) – pode desde já ser batizada de a mais importante mudança nos 117 anos de história da instituição. (...) Assim, um ano e meio depois de começar efetivamente a desenvolver o projeto, dois meses após o pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e encerrado um frenético roadshow de 16 dias pelo mundo, a Bovespa concluiu o processo de abertura de seu capital. A Bovespa Holding estreou no pregão exibindo conquistas que fazem justiça a todos os obstáculos dessa caminhada, permeada de minuciosos estudos, intensas negociações e acurada vigilância dos cenários macro, locais e globais. O IPO da Bolsa – como foi apelidado pela imprensa – não poderia ter sido mais bemsucedido. Foram colocadas no mercado 288 milhões de ações a um preço de emissão de R$ 23,00, o que propiciou uma captação de R$ 6,625 bilhões (cerca de US$ 3,7 bilhões), a maior da história no Brasil e a quinta do mundo, em 2007 (no topo do ranking global do ano, está a Petrochina, que levantou US$ 8,5 bilhões e estreou no começo de novembro em Xangai). A operação da Bovespa Holding representou mais que o dobro da captação da Ali Baba, empresa de internet chinesa, que ocorreu no mesmo período – equipes de ambas, por sinal, cruzaramse em Nova York, por conta dos roadshows simultâneos. Mas teve para a Bovespa ingredientes ainda mais saborosos: colocou 40,8% do capital no mercado, despertou o interesse de quase 70.000 investidores pessoas físicas (objeto de atenção especial), que ficaram com 10% do total ofertado, ao lado dos investidores institucionais brasileiros (20%) e estrangeiros (70%, porcentual em linha com os IPOs precedentes); a Bolsa de Nova York, por exemplo, levou 1%. Mais ainda, desconcentrou o capital: o maior acionista ficou com apenas 4,3% do capital da Bovespa. No dia da estreia em pregão, a ação da Bovespa Holding fechou cotada a R$ 34,99, uma alta de 52,13%. Foi “um dia de glória, sucesso e realização”, resumiu Magliano Filho, presidente da Bovespa conduzido à presidência do Conselho de Administração da nova empresa. O IPO representou um momento culminante da estratégia de ampliação da base acionária – combinada com a popularização do mercado que democratiza o capital – iniciada no começo da década, quando Magliano assumiu o comando da entidade. Fl. 829DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 830 24 (...) Já em meados deste ano, depois de dezenas de estudos, projeções, reuniões e conversações, ficou pronta a proposta. No dia 28 de agosto passado, realizouse a assembleia que aprovou por unanimidade a desmutualização e a consequente abertura de capital, incluídas todas as condições para a oferta pública e seu respectivo prospecto. Foram 3 horas e meia de uma reunião fatiada, na verdade, em sete assembleias, dada a agenda específica a ser cumprida. No dia seguinte, 29, a Bolsa apresentava à CVM o pedido de registro de companhia aberta para a Bovespa Holding acompanhado da solicitação da oferta pública (IPO). (...) No mesmo sentido, os prospectos e documentos da oferta da Bovespa Holding S.A e da BM&F S.A. (Anúncio de encerramento, prospecto definitivo, comunicado ao mercado, aviso ao mercado) que estão disponíveis para consulta pública no site da própria BM&F Bovespa S.A. (www.bmfbovespa.com.br/ptbr/mercados/acoes/ofertas publicas/bovespaholdingsa9112007). Abaixo transcrevemos a informação constante do citado site sobre o resultado das ofertas: Resultado da Oferta (Bovespa Holding S.A.): O processo de bookbuilding da oferta de ações da Bovespa Holding S.A., realizado em 24/10/2007, fixou o preço em R$ 23,00 por ação. Os pedidos de reserva de investidores de varejo considerados prioritários foram atendidos integralmente até o valor de R$ 12.098,00 que correspondem a 526 ações. Os pedidos de reserva de investidores de varejo considerados não prioritários não foram atendidos. As “Pessoas Vinculadas” foram excluídas da oferta de acordo com o Comunicado ao Mercado publicado no dia 23/10/2007. A liquidação ocorrerá no dia 30/10/2007. Resultado da Oferta (BM&F): O processo de bookbuilding da oferta de ações da Bolsa Mercadorias & Futuros S.A., realizado em 28/11/2007, fixou o preço em R$ 20,00 por ação. Os pedidos de reserva dos empregados que não são pessoas vinculadas foram atendidos integralmente até o valor de R$5.000,00, que corresponde a 250 ações. Sobre o restante foi aplicado um rateio de 40,347 %. A parcela do pedido de reserva não atendida na oferta prioritária aos empregados que possuíam prioridade de alocação (ou seja, empregados cujos pedidos de reserva foram classificados como COM PRIORIDADE DE ALOCAÇÃO) foi considerada na oferta de varejo. Os pedidos de reserva de investidores de varejo considerados como COM PRIORIDADE DE ALOCAÇÃO foram atendidos integralmente até o valor de R$ 1.820,00, que corresponde a 91 ações. Os pedidos de reserva de investidores de varejo considerados como SEM PRIORIDADE DE ALOCAÇÂO não foram atendidos. As “Pessoas Vinculadas”, inclusive os empregados de corretoras que sejam pessoas vinculadas, foram excluídas da oferta de acordo com o Fl. 830DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 831 25 Comunicado ao Mercado publicado no dia 27/11/2007. A liquidação ocorrerá no dia 4/12/2007. Em face de todos os elementos probantes acima citados, assim como em decorrência da própria formatação das operações negociais efetuadas, é de se concluir que a Recorrente obteve, com a desmutualização, ações de terceiros com a intenção (ou compromisso) de posterior alienação e que, efetivamente, como compromissado, vendeu as ações no mesmo exercício de sua aquisição (ano 2007) ou no exercício subsequente (abril/2008). Reforça, ainda, este entendimento o Parecer Normativo CST nº 108/78, editado para dirimir dúvidas quanto à classificação de determinadas contas (embora tratando especificamente sobre os efeitos da correção monetária do balanço, à época exigida), verbis: INVESTIMENTOS 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S. A., 'as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa' (art. 179, III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por 'participações permanentes' e (2) quais seriam os 'direitos de qualquer natureza'. 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem os importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior." (grifamos) No mesmo sentido a doutrina abaixo transcrita que aborda os requisitos necessários à classificação das participações permanentes em outras sociedades no Ativo: Essas participações são os tradicionais investimentos em outras empresas, na forma de ações ou de quotas. Devem ter a característica de permanente, ou seja, incluemse aqui somente investimentos em outras sociedades que tenham a característica de aplicação de capital, não de forma temporária ou especulativa, existindo efetiva intenção de usufruir dos rendimentos proporcionados por esses investimentos." (IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens; Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações. 6ª ed., São Paulo: Editora Atlas, 2006, pag. 147/148.) Fl. 831DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 832 26 Destarte, em atendimento ao artigo 179, inciso I, da Lei nº 6.404/1976 a Recorrente deveria ter contabilizado esses direitos sobre as ações no Ativo Circulante, uma vez que em decorrência da modificação da natureza jurídica dos direitos possuídos, caracterizada pela devolução dos títulos patrimoniais e o recebimento das ações, o momento da criação das sociedades anônimas é que deve ser considerado como marco inicial para se averiguar a intenção de alienar aquele determinado ativo, com vistas a classificálo no Ativo Circulante ou no Ativo Permanente. Dos efeitos jurídicotributários da operação de “desmutualização” das bolsas Como relatado, as operações societárias foram conduzidas de modo a resultar na criação, cisão, incorporação e extinção de empresas, de acordo suas conveniências negociais. Entretanto, as convenções e os contratos particulares não têm o condão de vincular os efeitos tributários decorrentes dessas operações, em homenagem ao princípio da legalidade. Muito embora as operações societárias que resultaram na desmutualização das Bolsas tenham sido engendradas pelos partícipes das referidas entidades com a finalidade de maximizar a obtenção de lucro decorrente das receitas auferidas com as vendas das ações recebidas, como já argumentado, foram feitas em descompasso com prescrito no Código Civil, mais especificamente o artigo 61, não podendo, portanto, produzir os efeitos jurídico tributários almejados, qual seja a não incidência das contribuições para o PIS e para a Cofins. Ressaltese que não se está aqui pretendendo desconsiderar os negócios jurídicos, apenas se está aplicando os efeitos jurídicotributários previstos na legislação de regência. A autoridade fiscal fez o enquadramento legal das receitas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (efolhas 157 e 162), que têm a seguinte redação: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no §1o do Fl. 832DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 833 27 art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) As ações recebidas pela Recorrente devem ser classificadas no Ativo Circulante, como já demonstrado linhas atrás, deste modo, as receitas obtidas com a alienação destas ações constituem receita bruta operacional auferida pela pessoa jurídica, sujeita à incidência do PIS e da Cofins, como passamos a demonstrar. Em nosso ordenamento jurídico encontramos os termos “faturamento” e “receita bruta” bem delineados nos seguintes dispositivos legais: DecretoLei nº 1.598/77: Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados Lei Complementar nº 70/91: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei nº 9.715/98: Art. 3º Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Também restou assentado no julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF pelo STF que o faturamento referese a “receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza” (trecho do voto do Ministro Moreira Alves). Pois bem. As ações, no caso das corretoras, são os bens/mercadorias objeto das operações de compra e venda, portanto, a receita de venda destes bens/mercadorias enquadrase perfeitamente nas definições dos dispositivos supramencionados, devendo ser considerada como receita bruta/faturamento destas empresas. A Recorrente é uma corretora de títulos e valores mobiliários que tem como objeto social “subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda” e “comprar e vender títulos mobiliários por conta própria e de terceiros, observada a regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência” (vide artigo 2º do estatuto social da Recorrente, juntado aos autos a efolha 627). Esta característica das corretoras, inclusive, está prevista expressamente no artigo 2º da Resolução nº 1.655/89 do Conselho Monetário Nacional, verbis: Art. 2º A sociedade corretora tem por objeto social: (...) Fl. 833DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 834 28 II – subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedade autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda. Deste modo, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A. de sua titularidade, decorrentes de atividade típica da Recorrente (subscrever, comprar e vender ações) devem ser enquadradas côo receitas brutas operacionais e por isso estão sujeitas à incidência do PIS e da Cofins, tanto pela caracterização destas operações como “vendas de mercadorias”, que compõem o seu faturamento, conforme dispõem o caput, dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, como pelo fato de comporem a receita bruta operacional das instituições financeiras, nos termos dos parágrafos 5º e 6º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Os mencionados §§ 5º e 6º dispõem que as exclusões seriam as mesmas do PIS, previstas na Lei nº 9.701, de 1998, que define a base de cálculo como sendo a “receita bruta operacional auferida no mês”. Da discussão judicial quanto à base de cálculo das contribuições sociais Como amplamente divulgado, no julgamento dos Recursos Extraordinários nºs 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR o STF decidiu que o faturamento das empresas compõese, apenas, de suas receitas operacionais (receita bruta da venda de mercadorias ou da prestação de serviços), ligadas a sua atividade principal, não devendo integrálo as demais receitas não operacionais. Deste modo, foi decretada a inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Ao declarar inconstitucional o §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 restou assentado pelo STF que era indevida a ampliação da base de cálculo da contribuição, até a edição da EC nº 20/98 e, assim sendo, as contribuições somente poderiam incidir sobre os ingressos patrimoniais oriundos de sua atividade empresarial típica. Entretanto, a decisão do STF não tem repercussão no presente litígio, uma vez que o enquadramento legal constante da autuação fiscal referese ao caput dos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 (estes artigos preveem que as contribuições serão calculadas com base no seu faturamento, corresponde à receita bruta da pessoa jurídica) que não foram declarados inconstitucionais pela Suprema Corte. Do processo judicial ajuizado pela Recorrente A interessada noticia em seu Recurso que, em 15/09/2009, ajuizou Mandado de Segurança Preventivo (proc. nº 2009.61.00.0207292) onde se discute a constitucionalidade e a legalidade da cobrança do PIS e da Cofins sobre receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios e sobre quaisquer outras receitas não decorrentes exclusivamente de venda de mercadorias e prestação de serviços. Entendo que o citado processo judicial não tem identidade de matéria com a discutida nestes autos, não havendo óbice para o julgamento do litígio na esfera administrativa. No mandado de segurança impetrado a interessada requer o reconhecimento do direito de sujeitarse à incidência do PIS e da Cofins tomando como base de cálculo o faturamento (o produto exclusivamente da venda de mercadoria, prestação de serviços ou da combinação de ambas), e não sobre a totalidade das receitas. Na referida ação judicial a Recorrente nada alegou quanto ao tratamento dado aos títulos e valores mobiliários, não adentrando, portanto, no mérito se se tratam de Fl. 834DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 835 29 “mercadorias”. Portanto, a discussão se tais receitas na alienação de ações representam ou não faturamento é exclusiva do presente processo administrativa, não se configurando concomitância de processos. Conclusão Deste modo, para as sociedades corretoras de câmbio e valores mobiliários, a base de cálculo é a receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas auferidas com a venda das referidas ações de terceiros (BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A.), receitas estas decorrentes de atividade típica de empresa. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Declaração de Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior Em primeiro lugar, gostaria de saudar o ilustre relator, Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, pelo seu voto bastante abrangente e profundo a respeito do tema da desmutualização da Bovespa e da BM&F. Entretanto, ouso discordar do relator em suas premissas relativas à operação de desmutualização das bolsas, o que ensejará na impossibilidade de tributação das operações em questão pelo PIS e COFINS. A fiscalização, referendada pela DRJ, entendeu que: (i) as ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A não se confundiriam com os títulos patrimoniais das Associações Bovespa e BM&F anteriormente registrados no ativo permanente; (ii) a desmutualização teria consistido na devolução do patrimônio investido nas associações civis e posterior subscrição de ações das sociedades anônimas; e (iii) no momento em que os títulos detidos pela Recorrente foram transformados em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A, estas representariam direitos novos e deveriam ser classificados no ativo circulante. Não concordo, como lançado pelo relator, que “A conversão dos títulos patrimoniais de Associação sem fins lucrativos para uma sociedade por ações, após a cisão das Associações e incorporação da parcela cindida por sociedades anônimas de capital aberto, como pretende justificar a Recorrente, vai frontalmente de encontro ao que dispõe o artigo 61 do Código Civil”. A respeito do tema já escrevi que: Fl. 835DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 836 30 Estabelece o artigo 1.113 do atual Código Civil, ao tratar da transformação das sociedades, que: "Artigo 1.113. O ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscrições próprios do tipo em que vai converterse." Vêse, portanto, que o artigo supra foi totalmente inspirado no artigo 220 da Lei das Sociedades Anônimas, cujo conteúdo é o seguinte: "Artigo 220. A transformação é a operação pela qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro. Parágrafo único. A transformação obedecerá aos preceitos que regulam a constituição e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade." José Eduardo Tavares Borba é categórico ao afirmar que: "Não se verifica, na transformação, a extinção da sociedade para a criação de outra, porquanto a sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente, apenas com uma roupagem jurídica diversa. Não ocorre, por conseguinte, o fenômeno da sucessão, pois que ninguém pode ser sucessor de si próprio; a sociedade permanece com todos os créditos e débitos anteriores exatamente porque eram e continuam sendo de sua responsabilidade. Os bens que constituem o patrimônio social não serão objeto de transmissão, uma vez que não mudaram de titular, cumprindo promover, nos registros de propriedade, uma mera averbação do novo nome da sociedade. Os preceitos da lei das sociedades anônimas sobre transformação (arts. 220 e 222) aplicavamse a todas as espécies de societárias, não apenas à S.A. Com o novo Código Civil (arts. 1.113 a 1.115), as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria, semelhante à da sociedade anônima." (11) No mesmo sentido é a lição de Modesto Carvalhosa destacando jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo acerca do tema: "A doutrina e a jurisprudência são, atualmente, pacíficas no sentido de que não há constituição de nova sociedade, seja na transformação simples, seja na constitutiva, mas tãosomente alteração da forma adotada anteriormente. Essa tendência é expressa no artigo ora comentado, que não faz, com efeito, qualquer distinção entre transformação simples e constitutiva, que em ambos os casos implicam sempre a permanência da mesma pessoa jurídica. Nesse sentido, Cunha Peixoto entende tratarse de simples modificação contratual. E Bulgarelli lembra que 'a doutrina brasileira mais atual propende, considerando a transformação como mera alteração contratual, em reconhecer a continuidade da sociedade que se modificou, mantendo a mesma personalidade jurídica adquirida'. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 837 31 ... Nesse sentido o acórdão na Apelação Civil n. 101.1422 (TJSP, 2461985), em votação unânime: '(...) Prevalece, contudo, o entendimento de que a transformação, prescindindo da dissolução e liquidação da sociedade que vai se transformar, não faz surgir nova sociedade, não se havendo falar em sucessão. É a antiga sociedade mantendo a mesma personalidade jurídica, porém com outras vestes." (12) Modesto Carvalhosa também deixa claro que, sob a égide do Código Civil anterior, as sociedades civis podiam ser transformadas em sociedades comerciais: "Perguntase se também as sociedades civis (arts. 18 a 23 do C.C) podem transformarse em sociedades comerciais. No sistema jurídico brasileiro todas as sociedades com personalidade jurídica previstas no Código Civil e no Código Comercial, e ainda nas leis especiais mencionadas (Dec. N. 3.708, de 1919, e lei societária em vigor), podem transformarse nos tipos societários comerciais acima mencionados. Podem transformarse, assim, tanto as sociedades civis com fins lucrativos, desde que o contrato social assim o preveja ou não impeça. Também poderão ser transformadas as sociedades sem fins lucrativos, como ocorre hoje em todo o mundo com os clubes e associações esportivas." (13) Com a edição do novo Código Civil, a situação não se alterou em relação às associações, sociedades simples e empresárias, havendo agora inclusive dispositivo específico regulamentando o assunto (artigo 1.113). Destaquese, outrossim, o seguinte trecho do voto do Ministro do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Gomes de Barros, no REsp 242.721SC, que tratou não incidência de ICMS na transformação de sociedades: "... As sociedades comerciais podem sofrer várias metamorfoses, a saber: a) transformação strictu sensu em que a sociedade passa de um tipo a outro (L. 6.404/76, Art. 220); b) incorporação operação pela qual a sociedade é absorvida por outra, desaparecendo como pessoa jurídica (Art. 227); c) fusão união com outra sociedade, com o aparecimento de uma nova pessoa jurídica (Art. 228); d) cisão transferência, total ou parcial do patrimônio para outra pessoa jurídica. Em sendo total, a cisão faz desaparecer a sociedade cindida (Art. 229). Estes quatro fenômenos constituem várias facetas de um só instituto: a transformação das sociedades comerciais. Todos eles guardam um atributo comum: a natureza civil. Todos eles se consumam envolvendo as sociedades objeto da metamorfose e os titulares (pessoas físicas ou jurídicas) das respectivas cotas ou ações. Em todo o encadeamento de negócios não ocorre Fl. 837DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 838 32 qualquer operação comercial. Os bens permanecem no círculo patrimonial da corporação..." (14) É de se concluir, portanto, que a transformação de sociedade não implica na sua extinção, dissolução ou liquidação. A sociedade transformada representa a continuidade da pessoa jurídica preexistente com uma roupagem jurídica diversa. Não há transmissão do patrimônio social da sociedade, havendo apenas a necessidade de observação dos preceitos reguladores da constituição e inscrição do tipo societário em que a sociedade transformada irá converterse. (Aspectos tributários da transformação de Associação sem fins lucrativos em Sociedade Simples ou Empresária. In http://www.fiscosoft.com.br/main_online_frame.php?page=/index.php?PID= 217174&key=4415884) Entendo, ademais, que o artigo 2033 do Código Civil também corrobora o que dito acima, já que ele estabelece que “as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no artigo 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código”. Ora, se verificarmos o artigo 44 do Código Civil1, temos que no rol das pessoas jurídicas de direito privado ali previsto encontramse as associações. Vêse, portanto, que as associações podem ser objeto de transformação, incorporação, cisão ou fusão. O artigo 61 do Código Civil2 apenas prevê o destino do patrimônio das associações em caso de dissolução. No entanto, não foi isso que efetivamente aconteceu na operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F. As Associações Bovespa e a BM&F foram parcialmente cindidas com incorporação da parcela cindida pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A, sendo que as Associações Bovespa e BM&F continuaram existindo. Houve, a meu ver, a mera substituição dos títulos patrimoniais por ações, decorrentes da operação societária de cisão e posterior incorporação da parcela do patrimônio cindido das Associações Bovespa e BM&F pela Bovespa Holding S/A e pela BM&F S/A. Tais 1 Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; V os partidos políticos. VI as empresas individuais de responsabilidade limitada... 2 Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, à instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1o Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2o Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 839 33 operações encontram, ademais, guarida nos dispositivos do Código Civil mencionados anteriormente. Discordo, portanto, do entendimento da fiscalização no sentido de que houve a extinção das Associações Bovespa e BM&F, já que elas continuaram a existir apenas com uma mudança em seus objetos sociais. Nesse sentido, inclusive destaco os acórdãos 3404001.734 e 3403001.757 proferidos pela 3ª Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de relatoria do Conselheiro Ivan Allegretti, senão vejamos: INCIDÊNCIA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ATIVO PERMANENTE. SISTEMÁTICA DA LEI 9.718/98. Ações recebidas a título de pagamento de parte do patrimônio vertido para sociedade nova ou existente proveniente de cisão, configura uma troca de ativos. Permanecendo contabilizados em grupo de investimento do Ativo Permanente, não configura receita operacional razão pela qual deixa de incidir contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Provido. (Acórdão 3404001.734) DESMUTUALIZAÇÃO DA BOLSA DE VALORES. INCORPORAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS POR SOCIEDADE POR AÇÕES. SUBSTITUIÇÃO DE TÍTULOS POR AÇÕES REPRESENTATIVAS DO MESMO ACERVO PATRIMONIAL. VENDA DE ATIVO IMOBILIZADO. A desmutualização, tal como ocorreu de fato, envolveu um conjunto de atos típicos das operações societárias de cisão e incorporação, com o que não houve concretamente um ato de restituição do patrimônio pela associação aos associados, tampouco um ato sucessivo de utilização destes recursos para a aquisição das ações. Houve a substituição das quotas patrimoniais da entidade sem fins lucrativos por ações da sociedade anônima, em razão da sucessão, por incorporação, da primeira pela segunda evento o qual, aliás, marca a extinção da associação e dos títulos. A substituição dos títulos patrimoniais pelas ações caracterizam a permanência do mesmo ativo, devendo ser admitida sua manutenção na conta de ativo permanente, tal como procedeu o contribuinte, de modo que sua alienação configura receita da venda de ativo permanente, a qual não compõe a base de cálculo de PIS/Cofins. Recurso provido. (Acórdão 3403001.757) Sendo assim, com a continuidade das pessoas jurídicas com as mesmas atividades, mesmos associados alçados à condição de sócios, mas apenas com alteração da forma societária para Sociedades Anônimas, entendo que a contabilização de ativos em conta do permanente baseiase na intenção de permanecer com eles no momento de sua aquisição, ou seja, em momento muito anterior à operação de desmutualização das bolsas quando os títulos patrimoniais foram “adquiridos”. Este entendimento é corroborado pelos Pareceres Normativos CST 108/78 e 3/80, que trataram, respectivamente, da classificação de determinadas contas, na escrituração Fl. 839DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 840 34 comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei nº 1.598/77, e dos ganhos de capital, tratamento tributário correção monetária do balanço, verbis: Parecer Normativo CST 108/78 7. Classificamse como investimentos, segundo a nova Lei das S.A., "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179. III). Com relação ao dispositivo transcrito, dois pontos demandam interpretação: (1) o que se deve entender por "participações permanentes" e (2) quais seriam os "direitos de qualquer natureza". 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o controle societário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos caso haja interesse de permanência ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no ativo circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido; neste caso, deverá o valor da aplicação ser transferido para o subgrupo de investimentos e procedida a sua correção monetária, considerando como data de aquisição a do balanço do exercício social anterior. (grifamos) Parecer Normativo CST 3/80 8. Em face do exposto, impõese a conclusão lógica de que a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados à utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. (grifamos) E não se diga que referidos Pareceres Normativos seriam aplicáveis somente ao IRPJ, já que os conceitos ali utilizados são aplicáveis a todos os tributos federais. Não há como dizer que os conceitos de investimentos e ativo permanente, por exemplo, são distintos para o IRPJ, PIS e COFINS, IPI E CSLL. Por fim, destaco que, em recente parecer do Professor Eliseu Martins a que tive acesso tratando da questão da desmutualização das bolsas, é de se destacar o seguinte trecho acerca da classificação contábil dos ativos que muito se coaduna com o entendimento por mim defendido nesta declaração de voto: Fl. 840DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 16327.001307/201065 Acórdão n.º 3202000.777 S3C2T2 Fl. 841 35 Quando analisamos a movimentação subsequente desses ativos e identificamos uma situação de alienação de ações em curto prazo, a primeira interpretação é a de que a classificação contábil não estava adequada. Porém essa interpretação, baseada unicamente no momento das alienações, deve ser considerada com certa restrição; afinal, a decisão de venda de um ativo pode surgir a partir de eventos isolados, e que nem sempre não previsíveis. Pode então ser comentado que a empresa já assinara compromisso de venda de parte dessas ações. Mas, de fato em nada muda a caracterização de que se tratava de um ativo adquirido, na sua origem, para poder operar nas bolsas, portanto, um ativo permanente à época, que agora fica disponibilizado para venda. Classificado no permanente ou classificado no circulante ou mesmo, à época, no realizável a longo prazo, em nada muda: tratavase de um investimento adquirido para servir como permanente que agora poderia, sim, ser colocado à venda. Nunca fora o investimento original feito com o fim de ganho por venda. Era um ativo permanente porque adquirido originariamente com o objetivo de permitir à entidade o desenvolvimento de suas atividades; e que foi trocado por outro ativo que podia agora ter sua classificação mantida, ou não, mas que, se colocado à venda, não perdia a característica de um ativo permanente colocado à venda e, por isso, passível de reclassificação. Entendo, portanto, que a isenção prevista no inciso IV, do § 2°, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/98 é plenamente aplicável ao caso concreto, motivo pelo qual não prospera a presente autuação fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 841DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/07/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11330.001077/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999
DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE ARTIGOS
45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. SÚMULA VINCULANTE STF.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional
(CTN).
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias
relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado
nos termos do art. 173, I, do CTN.
O lançamento foi efetuado em 03/07/2007, data da ciência do sujeito passivo
(fl. 01), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento
da obrigação acessória, ocorreram na competência 01/1999, o que fulmina
em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente
de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-001.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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FATOS GERADORES Recorrente PRONTODENTE ODONTOLOGIA INTEGRAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/1999 DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE ARTIGOS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. SÚMULA VINCULANTE STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. O lançamento foi efetuado em 03/07/2007, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória, ocorreram na competência 01/1999, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado e Igor Araújo Soares. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11330.001077/200766 Acórdão n.º 2402001.629 S2C4T2 Fl. 192 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, na competência 01/1999. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 06 e fls. 13/15), a empresa apresentou a GFIP sem os fatos geradores incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais. Tal remuneração foi constatada por meio de recibos de pagamentos e outros documentos contábeis apresentados pelo sujeito passivo. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 07 e fls. 16/18) informa que foi aplicada a multa no valor de R$ 9.878,25 (nove mil e oitocentos e setenta e oito reais e vinte e cinco centavos), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o, da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528/1997, e no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Essa multa aplicada correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição apurada sobre os fatos geradores não declarados, limitada, por competência, aos valores previstos no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/1991 (em função do número de segurados da empresa). O cálculo da multa encontrase detalhado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 16 a 18) e na capa do Auto de Infração de fls. 01, que discrimina, em cada competência autuada, os valores das contribuições devidas relativas aos fatos geradores não declarados, que integraram o valor final da multa aplicada. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 03/07/2007 (fl. 01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 67/68) – acompanhada de anexos de fls. 69/168 –, alegando, em síntese, que o auto de infração não é subsistente, pois a empresa entregou a GFIP da competência 01/1999, correspondente aos contribuintes individuais, informando que o montante apurado pelo Auditor Fiscal é relativo à competência dezembro de 1998 e não janeiro de 1999, por isto a GFIP apresentada, relativa a janeiro de 1999, está com valor diferente do constante no relatório da fiscalização. Requer a relevação da multa e a produção de prova documental e pericial contábil para demonstrar a correção da falta. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I (RJ) – por meio do Acórdão 1217.540 da 13a Turma da DRJ/RJOI (fls. 173/180) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no “caput” do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991. A Notificada apresentou recurso (fls. 185/187), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais solicita o cancelamento do ofício da exigência fiscal, no estrito cumprimento do Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Enunciado da Súmula 08 do STF c/c o artigo 1o do Decreto no 2.346/1997 que dispõe verbis: “Art. 1° As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem de forma inequívoca e definitiva interpretação do texto constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela administração pública federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste decreto”. A Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro (DEINF/RJO) informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 188 e 190). É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11330.001077/200766 Acórdão n.º 2402001.629 S2C4T2 Fl. 193 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente (fl. 190). Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DA PRELIMINAR: Quanto às preliminares, devemos verificar a questão da decadência tributária. Os motivos do lançamento fiscal ora analisado estão descritos no Relatório Fiscal da Infração de fls. 13 a 15, que registra que a empresa deixou de informar mensalmente ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os fatos geradores incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais para a competência 01/1999. Primeiramente, cabe esclarecer que a autuação foi motivada por descumprimento de obrigação acessória tributária. A finalidade do ato é que define a regularidade da obrigação imposta pela Administração aos administrados. No caso da presente obrigação acessória a finalidade, na esfera tributária, é a verificação do adimplemento quanto à obrigação principal. Verificase que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Contudo, a decadência tributária deve ser verificada considerandose a recente Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.(g.n.;) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 11330.001077/200766 Acórdão n.º 2402001.629 S2C4T2 Fl. 194 7 Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Com isso, o direito de constituir o crédito tributário extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, ou lavrada a autuação. Assim, como a autuação se deu em 03/07/2007, data da ciência do sujeito passivo (fl. 01), e a multa aplicada decorre de fatos que ocorreram na competência 01/1999, reconhecese que ocorreu a decadência tributária e que deverão ser excluídos os valores da multa aplicada em sua totalidade. Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelos motivos anteriores a 12/2001, pois o direito potestativo do Fisco de constituir crédito tributário – por meio de lançamento fiscal de ofício –, nas competências até 11/2001, inclusive, já estava extinto pela decadência tributária quinquenal. Por todo o exposto, acato a preliminar de decadência tributária ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo, assim, que o crédito tributário lançado em sua totalidade foi extinto pela decadência tributária quinquenal, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 20/04/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 14337.000154/2010-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
AUTUAÇÃO.MUNICÍPIO. LANÇAMENTO.
LEGALIDADE.ALEGAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. JUSTIFICATIVA NÃO ACEITA.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE FÍSICA DO PREFEITO.
PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Tendo ocorrido a autuação contra um Município, enquadrado como sujeito
passível de tributação, o lançamento só será anulado ou revisto caso haja
ausência de algum requisito formal imprescindível para o ato do lançamento.
No caso em tela, o lançamento efetuado pelo agente fazendário preenche
todas as formalidades legais do art.142 do Código Tributário Nacional,
respeitando o Princípio da Legalidade, não vingando assim a alegação do
Município em encontrar-se
impossibilitado de apresentar os documentos
solicitados em auditoria por estes estarem sob a posse da antiga gestão, por
imperar na Administração Pública o Princípio da Impessoalidade, que
consiste também na gestão do ente federativo sob a figura estatal e não
pessoal do Prefeito, motivo pelo qual a cobrança será mantida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Cid Marconi Gurgel de Souza
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LANÇAMENTO. LEGALIDADE.ALEGAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. JUSTIFICATIVA NÃO ACEITA. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE FÍSICA DO PREFEITO. PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Tendo ocorrido a autuação contra um Município, enquadrado como sujeito passível de tributação, o lançamento só será anulado ou revisto caso haja ausência de algum requisito formal imprescindível para o ato do lançamento. No caso em tela, o lançamento efetuado pelo agente fazendário preenche todas as formalidades legais do art.142 do Código Tributário Nacional, respeitando o Princípio da Legalidade, não vingando assim a alegação do Município em encontrarse impossibilitado de apresentar os documentos solicitados em auditoria por estes estarem sob a posse da antiga gestão, por imperar na Administração Pública o Princípio da Impessoalidade, que consiste também na gestão do ente federativo sob a figura estatal e não pessoal do Prefeito, motivo pelo qual a cobrança será mantida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000154/201094 Acórdão n.º 2403001.177 S2C4T3 Fl. 94 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 71 a 76 contra decisão da 5 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA (fls.59 a 64) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração n° 37.249.0654, sendo aplicada a multa no valor de R$ 243.820,00 (duzentos e quarenta e três mil e oitocentos e vinte reais). Conforme Relatório Fiscal e anexos apresentados, a autuação corresponde à atitude da empresa em apresentar declaração a que se refere a Lei n 8.212/91, art.32,IV, com a nova redação dada pela Lei n 11.941/2009, com informações incorretas ou omissas. Além disso, em 2006, não houve em GFIP a inclusão do nome dos segurados empregados e contribuintes individuais da recorrente. Em razão da conduta do Município, a fiscalização entendeu que houve infração ao disposto no art.32, IV, da Lei n 8.212/91 com a nova redação atribuída pela Lei n 11.941/2009, estando sujeita à aplicação das penalidade prevista no art.32A, caput, I, parágrafos 2 e 3, incluído pela Lei n 8.212/91. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 05/07/2010 e apresentou impugnação às fls. 21 a 32 alegando: Que ficou impossibilitado de apresentar os documentos solicitados pela auditoria, em razão destes estarem de posse da exgestão, alegando ainda que impetrou Mandado de Segurança para obrigar a exprefeita a repassar os documentos solicitados, o que não se obteve; Ter ajuizado Ação de Improbidade Administrativa e Cautelar de Busca e Apreensão; Ser necessária que a autuação seja sustada até que seja garantido o acesso aos documentos de prestação de contas de 2006, de modo que possa exercer seu pleno direito de defesa ou que fosse aguardada a conclusão da Ação de Improbidade ou ainda a apresentação de documentos ao TCM; Alternativamente, postulou que as multa fosse minorada em respeito ao art.283 do Regulamento da Previdência Social; Em caso de manutenção da cobrança, que seja o débito incluído em parcelamento pela Lei n 11.941/2009; Por fim, requereu o recebimento da impugnação para que fosse acolhida a preliminar de impossibilidade de apresentação de documentos. Alternativamente, requereu a inclusão do débito em parcelamento, caso a cobrança fosse mantida. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 5ª Turma da DRJ de Belém/PA proferiu acórdão (n° 0120.862) nos seguintes termos: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Constitui infração, apresentar GFIP, na forma estabelecida no Art. 32, IV, da Lei n° 8.212/91 e alterações posteriores, com informações incorretas ou omissas. DÉBITO REGULARMENTE LAVRADO. ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação previdenciária vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 142 do C.T.N e art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 71 a 76, ratificando todos os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000154/201094 Acórdão n.º 2403001.177 S2C4T3 Fl. 95 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA O ACOLHIMENTO DO PEDIDO: De início, vale destacar que o município, ora recorrente, encontrase vinculado ao Regime Geral da Previdência Social, de modo que o regime jurídico— previdenciário a ser adotado será o da Lei 8.212/91. Assim, após sofrer fiscalização, foi constatado que o Município apresentou declaração, a que se refere a Lei n 8.212/91, art.32,IV, com a nova redação dada pela Lei n 11.941/2009, com informações incorretas ou omissas. Além disso, em 2006, não houve em GFIP a inclusão do nome dos segurados empregados e contribuintes individuais da recorrente. O recorrente alegou tanto na impugnação como no recurso contra a decisão de 1 instância que ficou impossibilitado de apresentar os documentos solicitados pela auditoria na ação fiscal em razão destes estarem sob a posse da antiga gestão, entendendo, portanto, que a autuação não poderia prosperar. Além disso, alegou que tomou todas as providencias possíveis como o registro da ocorrência policial ao perceber que a documentação não se encontrava no prédio da Prefeitura; a convocação de Comissão de Transição de Cargo destinada a promover o lançamento das comissões administrativas; a impetração do Mandado de Segurança contra o antigo gestor; o ajuizamento da Ação de Busca e Apreensão; o ajuizamento da Ação de Improbidade Administrativa e a comunicação ao TCM/PA a situação degradante do Município, argumentando que tais fatos impediram o pleno acesso aos documentos exigidos, o que deve motivar o julgador deste Contencioso a sustar os efeitos da autuação ou a aplicação da multa minorada. Diante dos argumentos elucidados pelo recorrente, percebese que todos convergem para o mesmo ponto, qual seja, a impossibilidade de apresentar os documentos solicitados em ação fiscal por estes estarem sob a posse da outra gestão. Sobre essa alegação, entendo que seja necessário trazer aos autos alguns conceitos e postulados relativos à Administração Pública para que estes sejam aplicados no caso em tela, sendo alcançado, ao final, o objetivo maior desse julgamento pelo Contencioso Administrativo Tributário Federal, que é apreciar os litígios tributários com base na justiça fiscal e no controle da legalidade dos atos realizados pelos agentes fazendários. I.1 – DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Vale destacar que a realização de fiscalizações nos estabelecimentos escolhidos pelo fisco ou ainda nos municípios que não possuem um regime próprio de previdência, ocorre para verificar o cumprimento das obrigações tributárias exigidas pela lei. Tal fato ocorre com base no Princípio da Legalidade da Administração Pública, que determina que os atos praticados por agentes públicos (auditores fiscais) só serão praticados e exigidos se houver legislação anterior ao ato que autorize sua realização. É, na verdade, um princípio que obriga e garante direitos a ambas as partes (Administração x Administrado). De um lado o Poder Público que só atua de acordo/em respeito à lei. De outro, o administrado que só está obrigado a realizar aquilo que a regra legal exija, em face do preceito do art.5, II, da Constituição Federal, in verbis: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Assim, estando o auditor fiscal (agente público) diante de uma situação que o faça a proceder ao lançamento do crédito tributário nos moldes do art.142 do Código Tributário Nacional, referido ato será realizado por estar o fazendário obrigado a cumprir a lei, sob pena inclusive de responder por eventual omissão, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesta esteira, a parte autuada, mesmo sendo órgão responsável para execução dos fins sociais de caráter público, enquadrase como administrada ao ser equiparada como empresa, pessoa jurídica de direito privado, por não contemplar e ter na sua estrutura um regime previdenciário próprio, sujeitandose assim ao Regime Geral da Lei n 8.212/91 e 8.213/91. Portanto, sendo considerada empresa, administrada e, por consequência, contribuinte, sujeitase às obrigações impostas pelo Código Tributário Nacional, o qual determina que os livros e demais documentos exigidos pela fiscalização sejam mantidos até que ocorra a decadência e prescrição desses créditos relativos às obrigações fiscalizadas: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000154/201094 Acórdão n.º 2403001.177 S2C4T3 Fl. 96 7 comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Tratandose de contribuições sociais previdenciárias, o prazo prescricional e decadencial previsto na legislação de regência da época era de 10 (dez) anos, só tendo sido esse diminuído para 5 (cinco) com o advento da Súmula Vinculante n 8 que declarou inconstitucionais os arts.45 e 46 da Lei n 8.212/91. Desse modo, em respeito também ao Princípio da Legalidade, é dever do Município manter guardados e conservados os livros e documentos inerentes às obrigações tributárias no prazo de 05 (cinco) anos. No caso em tela, a ciência da ação fiscal deuse em 05/07/2010 e a documentação exigida referiase ao ano de 2006, ou seja, o trabalho da auditoria ocorreu corretamente dentro do prazo decadencial. I.2 – DO PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE: Sobre o período relativo ao fato gerador (pagamentos realizados aos funcionários: empregados e contribuintes individuais do Município de Igarapé Miri), alega o recorrente que corresponde à época em que a gestão era de outro prefeito (01/01/2005 a 31/12/2008), não podendo, portanto, ser penalizado. Ressalto mais uma vez que a Constituição Federal, ao preceituar no seu art.37 a base principiológica da Administração Pública, teve a intenção de assegurar, além da moralidade da gestão da coisa pública, a supremacia do interesse coletivo. Dentre esses interesses, encontrase a arrecadação tributária que consiste na função estatal do Executivo em angariar receitas para gastos públicos já definidos que visem à efetivação dos direitos e garantias do cidadão, in verbis: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte Nesse diapasão, fundamentase a Administração Pública em postulados que devem ser interpretados da melhor maneira possível dentro das possibilidades jurídicas e fáticas existentes. Na autuação em tela, o fisco, ao ter verificado a ocorrência de fato gerador, lançou o crédito tributário a um sujeito passivo determinado – Município de Igarapé Miri (pessoa jurídica de direito público) e não ao Prefeito (pessoa física), ou seja, a cobrança, no presente caso, será realizada contra o ente federativo, independentemente de estar o comando da Administração pelo Gestor A ou Gestor B, como sustentou o recorrente. Isso decorre em razão do princípio da impessoalidade, também um dos corolários da Gestão Pública, o qual estabelece, além do dever de imparcialidade do gestor para exercer o comando sobre os administrados, que a atuação dos agentes públicos é imputada ao Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Estado, demonstrando assim o caráter impessoal da Administração desvinculada da pessoa do seu gestor (Teoria da Imputação ou Teoria do órgão). Contudo, não pode o recorrente alegar a falta de cumprimento da obrigação tributária sob o argumento de que a documentação solicitada não foi apresentada por estar sob a posse da antiga gestão, tendo em vista que o fisco atuou dentro dos parâmetros legais, ou seja, lançou crédito tributário por estar obrigado legalmente e por ter verificado as condições do fato gerador realizado por uma pessoa específica, no caso, o Município e não a pessoa do prefeito. Ademais, não seria razoável tampouco proporcional o Contencioso Administrativo anular o lançamento do Auto de Infração n° 37.249.0654, haja vista que este ocorreu nos moldes legais, não ferindo nenhuma garantia constitucional do sujeito passivo. Pelo contrário, a improcedência da autuação, caso fosse acolhido o pedido do Município recorrente, representaria um clima de insegurança ad aeternum ao fisco, que nunca poderia cobrar crédito de um ou outro Município quando o atual gestor alegasse que a dívida houvesse sido contraída em gestão passada, afastando sua responsabilidade pelo pagamento. Além disso, se esse argumento fosse acolhido, a decisão poderia tornarse um precedente para os “maus administradores” que, em conluio com futuros e antigos prefeitos poderiam “armar”contra o fisco para esquivar se de suas obrigações enquanto gestores e transferirem a dívida para a gestão futura, que alegaria a impossibilidade de apresentar documentos em razão da posse encontrarse com o outro prefeito e assim sucessivamente, gerando um ciclo vicioso, sendo, ao final, a coletividade a única prejudicada. I.3 – DA INFRAÇÃO COMETIDA: Sendo assim, considerando que a conduta do fisco foi correta, deve o Município responder, em razão da infração cometida ao disposto no art.32, IV, da Lei n 8.212/91 com a nova redação atribuída pela Lei n 11.941/2009, pela penalidade prevista no art.32A, caput, I, parágrafos 2 e 3, incluído pela Lei n 8.212/91. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14337.000154/201094 Acórdão n.º 2403001.177 S2C4T3 Fl. 97 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Cabe esclarecer que possível apuração de ato ilícito por um outro gestor deverá ser apurada na esfera competente, seja no Tribunal de Contas ou no Poder Judiciário, que poderá inclusive declarar a perda de mandato do prefeito, caso tenha ocorrido as hipóteses legais para tal ato, não cabendo, portanto, a esse Contencioso pronunciarse acerca desses fatos, visto que sua competência resumese à resolução de litígio tributário. Por fim, com relação ao pedido de parcelamento regido pela Lei n 11.941/2009, tal pleito deve ser formulado à Secretaria da Receita Federal do Brasil através do sítio (www.receita.fazenda.gov.br) ou ainda, caso não consiga por essa ferramenta, através de acesso físico à Receita Federal responsável pela jurisdição de Igarapé Miri. Diante de todo o exposto, entendo que a cobrança deve ser mantida em todos os seus termos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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