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Numero do processo: 10280.904439/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.057
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontá-los com o recolhido, apurando-se, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. (SUCESSORA DE BELÉM DIESEL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Campinas que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: (...) AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 43 9/ 20 11 -2 9 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10280.904439/201129 Resolução nº 3402001.057 S3C4T2 Fl. 186 2 A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de restituição de crédito de contribuição não cumulativa, o qual foi indeferido pela DRF de origem, em razão de o recolhimento indicado ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte em outro PER/DCOMP. A interessada apresentou a manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório na inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 (RE nº 390.840/MG e RE nº 585.235, com repercussão geral). O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, sob os seguintes fundamentos: A autoridade a quo procedeu corretamente ao indeferir o pleito da interessada, eis que existem débitos, confessado pela própria contribuinte por meio de DCTF e outro PER/DCOMP, no valor igual ao do recolhimento objeto do pedido de restituição, de forma que inexiste saldo passível de restituição. Seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada. Tampouco se questiona a vinculação do CARF à decisão proferida no RE julgado na sistemática de repercussão geral, conforme prevê seu regimento. Sobre a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, pela Lei nº 11.941, apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise. Ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10280.904439/201129 Resolução nº 3402001.057 S3C4T2 Fl. 187 3 Cientificada, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando e requerendo o que se segue: a) Requer a recorrente a reunião dos processos apontados de modo a haver seu julgamento conjunto em face da existência de conexão entre os mesmos. b) Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12. A DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. Nem o art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. c) Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado. O valor recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, nos termos do art. 230 do RIR/99. d) Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea "c" do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nesse passo, para corroborar os fatos já demonstrados pela documentação carreada à manifestação de inconformidade, e também com vistas a contrapor os argumentos da decisão recorrida, requer a juntada do livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado. e) Quanto ao mérito, a discussão encontrase totalmente superada na jurisprudência do STF que, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no julgamento do RE nº 390840/MG em 9.11.2005. Não há dúvida de que esse entendimento do STF, com repercussão geral reconhecida, deve ser aplicado ao caso dos autos. Assim é que na base de cálculo do PIS e da Cofins somente deveriam ter sido incluídos pela recorrente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem as suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, razão pela qual a decisão a quo deve ser reformada a fim de que seja deferido o direito creditório pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.050, de 27 de setembro de 2017, proferida no julgamento do processo 10280.900096/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.050: Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10280.904439/201129 Resolução nº 3402001.057 S3C4T2 Fl. 188 4 "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como se sabe, é obrigatória aos membros deste CARF a reprodução do conteúdo de decisão definitiva de mérito proferida pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Também não se desconhece que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal, tendo sido reconhecida a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal nesse sentido1. Em consequência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins enquanto aplicável aquele ato legal2 . No que concerne à possibilidade de reconhecimento do direito creditório independentemente da retificação da DCTF, este CARF já decidiu favoravelmente à própria contribuinte, mediante o Acórdão nº 3302004623 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 27 de julho de 2017, no processo nº 10280.905792/201126, no qual foi apurado, em diligência, que a recorrente demonstrou cabalmente a existência do crédito. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 3ª Seção/4ª Câmara/1ªTurma Ordinária, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, não obstante a 1 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). 2 Acórdão nº 9303002.444– 3ª Turma, de 08 de outubro de 2013 Relator: JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS PIS E COFINS. ALARGAMENTO. EMPRESAS INDUSTRIAIS E DE SERVIÇOS. Nos termos do quanto decidido pelo Pleno do STF no julgamento dos recursos extraordinários nºs 357.950, 390840, 358273 e 346084, deve ser repudiada a ampliação do conceito de faturamento intentado pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Em conseqüência, para as empresas que se dedicam à venda de mercadorias comerciais e industriais e/ ou à prestação de serviços, é ao total das receitas oriundas dessas atividades que corresponde a base de cálculo das contribuições PISe PASEP enquanto aplicável aquele ato legal. Acórdão nº 3401003.828– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 29 de junho de 2017 Relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ART. 3º, § 1º, LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. As receitas que não se caracterizam como próprias da atividade da entidade, tal como estabelecido pelo estatuto ou contrato social, não compõem o seu faturamento, conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ao declarar a inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita bruta promovida pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Devese, assim, ser acolhido o resultado da diligência constante no Relatório de Diligência Fiscal. Considerando a comprovação documental da validade do crédito, consistente em recolhimento indevido ou a maior de Cofins sobre receitas financeiras, deve o sujeito passivo ter atendido o seu pleito creditório. Recurso Voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10280.904439/201129 Resolução nº 3402001.057 S3C4T2 Fl. 189 5 preclusão do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. No presente processo, embora a recorrente não tenha produzido a prova necessária por ocasião da apresentação de seu pedido ou da manifestação de inconformidade, apresentou, posteriormente, no Recurso Voluntário, outros documentos na tentativa de comprovação do direito alegado. Assim, resguardando eventual julgamento posterior do Colegiado na linha dos entendimentos acima apontados, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela contribuinte ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, elaborando, ao final, um Relatório Conclusivo com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido, apurandose, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo das contribuições. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 206DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.003577/97-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Exercício: 1994
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do
Decreto n° 70.235/72 (Súmula CARF n" 37).
A falta de comprovação da regularidade fiscal relacionada a períodos anteriores à entrega da DIRPI impede o deferimento do PERC.
Numero da decisão: 1401-000.315
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 1994 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72 (Súmula CARF n" 37). A falta de comprovação da regularidade fiscal relacionada a períodos anteriores à entrega da DIRPI impede o deferimento do PERC.
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CARI . \'11 . 1' 1 SI-C4TI 11 415 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10830,003577/97-04 Recurso n" 166,722 Voluntário Acórdão n" 14014)0.315 — 4" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2010 Matéria PERC - INCENTIVOS FISCAIS Recorrente SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S,A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 1994 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72 (Súmula CARF n" 37). A falta de comprovação da regularidade fiscal relacionada a períodos anteriores à entrega da DIRPI impede o deferimento do PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner — Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro - Relator I I) ror Er:RARD0rAR .PNS NEVA r.-1()HTEIFR"..) 21/0.:.2010 VIV;;ME VIE)AL pc,r aniA•Do mAr:i f,..1(.',4‘i I IHRO Faze:Ildc,; 2 .DF (..A RI MI H 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vida! Wagner, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Ananim Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias, Relatório Trata-se de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, protocolizado em 13/06/97, acompanhado de cópias do contrato social e alterações; cartão CGC; DARF; DIRPJ 94 e Atas de Assembleias. O contribuinte foi intimado em 26/03/04 a regularizar sua situação fiscal e a apresentar certidões negativas relacionadas à Divida Ativa da União, bem como Certificado de Regularidade quanto ao FGTS (f1.77), Em 07/08/07 o Delegado da DERAT (SP) indeferiu o pleito (f1362), vez que naquela data havia pendências fiscais, conforme relatório de it361. A DRJ-SPOI manteve tal decisão, conforme Acórdão if 16-15.971 (fis.385/394) que recebeu a seguinte ementa: "INCENTIVO FISCAL. FINAM REQUISITOS A situação de irregularidade fiscal do contribuinte apurada pela Autoridade Administrativa perante a SRE, PGFN ou no CADIN impede o reconhecimento ou a concessão de beneficias ou incentivos fiscais VIOLAÇÃO DE PRINCíPIOS CONSTITUCIONAIS A apreciação de matérias que questionam constitucionalidade/legalidade de legislação tributária é de competência reservada ao Poder Judiciário" Em tal julgamento ressaltou-se que "...a análise da regularidade fiscal deve ser feita no instante em que se está proferindo a decisão que lhe confere ou reconhece o beneficio, pois a decisão deve espelhai . ' e estar em harmonia com a regularidade fiscal no momento em que é proferida", Devidamente cientificado, o contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário (fls.404/413), em que alega: - o art60 da Lei IV 9.069/95, conforme art,6°, I, da LICC, não poderia retwagir, devendo incidir a legislação à época da apresentação da DTP], quando fez a opção pelo incentivo fiscal; - o momento de aferição da regularidade fiscal seria o da manifestação da opção pela aplicação no fundo de investimento, conforme já decidira a Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes; - a decisão de primeira instância seria nula, vez que a legislação à época não previa a obrigatoriedade de apresentação de Certidão Negativa de Débitos - CND como requisito para deferimento do incentivo fiscal, não podendo responder por débitos posteriores ao ano de 1993; - de acordo com relatório emitido pela Receita Federal, não existiriam débitos a impedir a emissão da CND; - os débitos seriam referentes à empresa incorporadora e aos anos de 2005 e 2007; I , . I.: H 3 Processo rl" 10830 003577/97-04 S1-C4T1 Acórdão n "1401-00315 El 416 - por falta de previsão legal não poderiam também ser exigidas certidões do INSS, PGFN e FGTS; - teria juntado à impugnação CND expedida em 2004, quando o PERC foi apreciado. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Inicialmente, cabe afastar a alegação de nulidade da decisão de primeira instância, vez que proferida em consonância com os ditames legais, tendo sido devidamente fundamentada. A existência de débitos na Receita Federal (controlados nos sistemas SIEF e PROFISC) e na PFN (inscritos em dívida ativa), de inscrições no SISBACEN, bem como a falta de comprovação de regularidade quanto ao FGTS e a ausência de certidão negativa expedida pelo INSS impediram o deferimento do pleito, conforme despacho da DERAT — SP: "Após análise do pedido e verificação da regularidade fiscal, constatou-se a existência das irregularidades tais COMO: - Débitos inscritos na Dívida Ativa da União, conforme tela do sistema SINCOR/TRATAN1 agis. 165 a 257 e tela do SISBACEN às fly. 261 a 272. - Débitos em aberto no sistema CONTA CORPJ e PRORSC, confbrine telas à 17 1.26, - Pendências junto ao FGTS, confbrine telas às tis 277 a 287 Na presente data, fin ftita nova verificação e constatado que o contribuinte continua com várias pendências conforme relatórios à!! 361 Como colocado no julgamento de primeira grau, de acordo com o art60 da Lei n° 9.069/95, " a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". Mas qual o momento em que a regularidade fiscal deve ser comprovada e, ainda, relativamente a qual período? Responder a tais questionamentos é o primeiro passo à resolução da controvérsia. O segundo, consiste em verificar se existem débitos relacionados ao período objeto de verificação a impedir a concessão do benefício. Após reiteradas decisões, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, editou a Súmula CARF n° 37, que responde a tais indagações. Assim, especificamente "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação da regularidade fiscal deve se atei- ao período a que se P.emilwqmifg egiJâs-,e deu a opção pela pur EDUARDO I €NS n , !HP, A MONTHR,:.) Emnido in Rawnda 33 1)1' ( ARI M F 1 I =I incentivo, admitindo-se a prova de quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos lermos cio Decreto n°70 235/72", De acordo com os precedentes de tal enunciado, fica claro que o contribuinte deve estar com sua situação regular até a data da entrega da Declaração de Rendimentos, conforme demonstram, por exemplo, as seguintes decisões: Acórdão n" 198-00080, de 09/12/08 ) A posição do Primeiro Conselho de Contribuintes tem se consolidado no sentido de que a regularidade fiscal deve ser analisada co: relação à data de apresentação da DIPJ, onde o contribuinte manifesta sua opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos Colho o fundamento para este entendimento no acórdão 101- 96204, proferido em 13/06/2007 pela Prime/ia Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. "Para a solução da lide fiz-se necessário identificar qual o momento em que o sujeito passivo deveria provar sua regular idade fiscal com o „fito de aproveitar o beneficio fiscal para o qual fez a opção, sob pena de impossibilitar ao sujeito passivo efetuar a prova de tal regularidade". Diferentemente do defendido pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que o momento em que se deve verificar a regularidade fiscal do sujeito passivo, quanto à quitação de tributos e contribuições federais, é a data da opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos, na declaração de rendimentos, portanto na data da apresentação de sua DIRPJ. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC, deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo. Débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito daquele ano-calendário, podendo influenciar a concessão do benefício em anos calendários subseqüentes". Dos elementos apurados, destaco em primeiro lugar que não há nos autos- comprovação de pendências fiscais LIO momento em que O contribuinte manifestou sua opção pelo incentivo fiscal (data da entrega da DIPJ)".(destaquei) Acórdão n°107-09202, de 18/10/07 ) E não poderia a autoridade administrativa negar validade às certidões negativas, ou, em /ice da demora na análise do pedido, exigir nova quitação de ti ibutos com validade na data do (b,;11U::;ImEnt,;: nDespaoho: Deaisóritiouraindap: indejèrko PERG emyface.:da. VID•L. A l K : r i 1H.; 1 ;;3 c..,+Y):2;i Í,ct El;',H ;,i0H I Ljnojc; ick; iii 4 DF 1 .0 :\11 . 1.1 5 Processo n" 10830 003577/97-04 SI-C4T1 Acórdão n " 1401-0(),315 1I 417 existência de débitos posteriores à data de protocolo do pedido. Isso traria insegurança . jurídica, ficando o contribuinte à mercê da administração, que poderia indeferir o pleito assim que verificasse a fálta de pagamento de qualquer parcela de tributo ou contribuição. Primeiramente, entendo que a exigência de quitação dos tributos e contribuições está vinculada ao momento em que o contribuinte faz a opção pelo incentivo, portanto, a data da entrega da declaração de rendimentos". Por sua vez, a comprovação da regularidade fiscal pode ser feita em qualquer fase do processo Considerando que aquele enunciado passou a ter efeitos vinculantes em relação à Administração tributária federal, conforme Portaria MF n° .383, de 12/07/2010, na solução da controvérsia não cabe maiores discussões, como a relativa à retroatividade da norma estatuída na Lei IV 9,069/95, mas tão-só aplicá-lo. Fixado que a D1P1 foi entregue em 28/02/94, cabe verificar se as informações constantes do relatório da DERAT (SP) (11.361), relativas a todos os estabelecimentos da sociedade, em conjunto com as provas carreadas pelo recorrente quanto à regularidade até aquela data, impedem realmente o deferimento do pedido. Com relação aos "Débitos exigíveis — NEP' (fls,311/312), referem-se a períodos a partir de janeiro/2000, razão pela qual não influenciam na análise. Acerca dos "Débitos em cobrança .final — PROFISCC' (f1s.306/307), pode-se afirmar apenas que estão sendo controlados por processos protocolizados após junho de 1994. Tal informação não permite conhecer o período de apuração dos respectivos débitos.. Assim, a priori, não se poderia, sem maiores informações obtidas perante a Receita Federal, considerar tais débitos como impeditivos do deferimento do PERC. Quanto às inscrições no SISBACEN (fls,345/349), não possibilitam saber os períodos a que se referem os respectivos débitos, No tocante à situação perante o FGTS (fls.350/360), consultas realizadas em 01/08/07 não atestavam a regularidade do reconente, haja vista a seguinte mensagem: "As Mfbrinações disponíveis não são suficientes para a comprovação automática da regularidade do empregador perante o FGTS" Com relação a "inscrições em Cobrança na PGFN" (fls.313/321), há informação de que algumas foram anteriores à data da entrega da DIRP,J, Também é possível afirmar que para determinadas inscrições os débitos referem-se a períodos de apuração anteriores àquela data, a exemplo dos processos administrativos n° 13808.209341/96-57 (débitos de 1991 - f1.131) e if 10880 206778/95-32 (débitos de 1991 e 1992 — 11.141), 13802.208990/95-64 (débitos de 1991 — 11.143), além de outras mencionadas pela Receita Federal e de conhecimento do contribuinte. 0 1:CF EnuARoo r,,UkrV111-5-3 I1EEIVA RklE.íRO2 , I)9i20 -10 por VIVIi; NE VIDAL o pu t EDUARDO K.1APULf , ft: I E.IRO Emitido ?., cr, :;.1:r.0:2;;; "'.r Fazrmiirl 55 1)1 CARI :\11 11 O requerente, por sua vez, anexou apenas certidão positiva de débitos com efeitos de negativa, emitida em 06/10/03, exclusivamente com relação aos débitos controlados pela Receita Federal, Mesmo após ser intimado pela DERAT (SP), deixou de comprovar a sua regularidade fiscal mesmo que apenas relativamente ao período anterior à data da entrega da DIRPI. Podia, também, tê-la demonstrado na manifestação de inconformidade ou no recurso voluntário. A informação sobre a existência de inscrições em Dívida Ativa da União em data anterior à entrega da declaração de rendimentos, não infirmada pelo recorrente, já basta ao indeferimento do pleito à luz da Súmula CARE n° 37. Ademais, o contribuinte não carreou aos autos certidão negativa expedida pelo INSS, bem como a prova da regularidade perante o FGTS. Por fim, não há notícia de que a irregularidade fiscal que impediu o deferimento do pleito refere-se à uma suposta pessoa .jurídica incorporadora, como sustenta a defesa . Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE. RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 10830.003577/97-04 Interessado : SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE. BEBIDAS S/A TERMO DE JUNTADA Seção/4" Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401-00.315, assinado digitalmente, às fls. ( ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em para ciência do interessado e demais providências. Brasília, Chefe da Secretaria
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000146/2001-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 31/07/1997, 31/12/1997, 30/04/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 30/11/1998, 31/03/1999, 30/04/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/10/2000, 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Decisões tomadas à luz de circunstâncias fáticas distintas não preenchem o requisito mínimo necessário à demonstração de divergência na interpretação da legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-005.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSUAGRO AGROINDUSTRIAL S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 31/07/1997, 31/12/1997, 30/04/1998, 30/06/1998, 31/07/1998, 30/11/1998, 31/03/1999, 30/04/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/10/2000, 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Decisões tomadas à luz de circunstâncias fáticas distintas não preenchem o requisito mínimo necessário à demonstração de divergência na interpretação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 01 46 /2 00 1- 89 Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 13974.000146/200189 Acórdão n.º 9303005.842 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº 156.364, proferido pela 2º Segunda Câmara/ 2º Turma Ordinária Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, para anular o lançamento em razão de ausência de comprovação de infração imputável à autuada. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "As autuações decorreram de haver a empresa realizado nos anos de 1997, 1998, 1999 e 2000 exclusão das bases de calculo de ambas as contribuições decorrente de "exportações". Objeto de verificações mais detalhadas, constatou a fiscalização tratarse, cm verdade, de vendas a empresas exportadoras. Dentre estas havia empresas comerciais exportadoras definidas no decretolei n° 1.248/72 (trading companies) e exportadoras que não cumpriam os requisitos daquele diploma legal. Nas verificações empreendidas, procurou a autoridade fiscal confirmar a efetividade das exportações declaradas, mediante o confronto entre os documentos fiscais de saída da autuada e memorandos de exportação emitidos pelas adquirentes. São dela as palavras que seguem, em Relatório da Atividade Fiscal de fls. 264 a 272: Os parâmetros desta fiscalização, para desconsiderar a documentação apresentada e incluílas na "PLANILHA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS" são: desconsideração, por entender ilegal, conforme fundamentação abaixo, das vendas a Comerciais Exportadoras e/ou Exportadoras que deixaram de cumprir o fim especifico de exportação ao exterior e sim, revenderam, no mercado interno, as mercadorias adquiridas da fiscalizada a outras Comerciais Exportadoras e/ou exportadoras; 2) Compatibilidade entre os Memorandos de Exportação (emitidos pelas Exportadoras e/ou Comerciais Exportadoras à CEREAGRO LTDA) as respectivas Notas Fiscais de Venda no mercado interno (emitidas pela fiscalizada ás Exportadoras e/ou Comerciais Exportadoras). Logo, os parâmetros desta .fiscalização, para considerar a documentação apresentada e não na PLANILHA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS' são: Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 13974.000146/200189 Acórdão n.º 9303005.842 CSRFT3 Fl. 4 3 1) Notas fiscais de Vendas a Exportadoras e/ou Comerciais Exportadoras que: 2) Exportaram para o exterior mercadorias adquiridas da fiscalizada sem qualquer intermediação e que 3) Remeteram à fiscalizada Memorando de Exportação sem irregularidades." Em seguida, a autoridade fiscal passa a explicitar a sua interpretação do art. 7º da Lei Complementar n° 85/96, que entende fundamentar a autuação de COF1NS. Ai diz: "...O benefício fiscal da isenção, para o caso em comento, pressupõe que a mercadoria necessariamente deve ser exportada diretamente pela adquirente (comprador/exportador), sem qualquer intermediação. Se assim não o fosse, o legislador não teria inserido no texto legal o termo 'especifico'... ...Portanto, tais vendas, para serem objeto de exclusão da base de cálculo da COFINS, pressupõem uma 'condição resolutiva' implícita na própria lei: venda, da mercadoria, pela exportadora adquirente a comprador no exterior (exportação). descumprimento da condição ...desautoriza as exclusões da base de cálculo da COFINS por parte da beneficiária vendedora (fiscalizada), devendo esta providenciar o pagamento do tributo, com os acréscimos legais, porque o crédito tributário havia sido extinto definitivamente." (Já sublinhado no original) Portanto, a fundamentação da autuação de COFINS foi a não comprovação de que a adquirente dos produtos (fosse ela comercial exportadora definida no art. 1" do Decreto lei n° 1.248/72 ou mera exportadora) os tenha efetivamente exportado. Ou seja, o motivo determinante não era nem: a) o descumprimento das condições que definem a remessa com o fim especifico de exportação pela remetente autuada; nem b): a não ocorrência de exportação posterior. Bastava que a adquirente direta da autuada não tivesse, ela mesma, promovido tal exportação, ainda que tal exportação pudesse ter ocorrido por outra empresa adquirente da que os comprou da autuada. Vale dizer que essa fundamentação foi expendida apenas em relação a COFINS porque os autos foram, originalmente, lavrados em separado e constituíram dois processos distintos, somente sendo reunidos por determinação da autoridade julgadora cm respeito à determinação da Portaria SRF 6.129/2005. Ainda de se destacar que a autoridade autuante não expendeu considerações acerca da legislação superveniente a Lei Complementar n° 85/96, ainda que a tenha citado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal cio auto de infração (fls. 256/257). No que tange ao PIS, Relatório semelhante se encontra as fls. 1547/1554. Nele se vê que a fiscalização adotou critério semelhante, isto 6, exigir a comprovação da efetividade da exportação, mas restringindo ainda mais o beneficio para aceitar apenas as vendas as empresas comerciais Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 13974.000146/200189 Acórdão n.º 9303005.842 CSRFT3 Fl. 5 4 exportadoras definidas no decretolei n" 1.248/72 (trading companies). Em outras palavras, foi sumariamente descartada a exclusão de receitas provenientes de vendas a outras exportadoras, sequer se apurando a efetividade das exportações. O acórdão recorrido restou assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS.6NUS DA PROVA. Nos termos do art. 333 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, compete ã autoridade autuante a prova da infração que torne exigível o tributo. COFINS. ISENÇÃO. EXPORTAÇÕES INDIRETAS. VENDAS A COMERCIAIS EXPORTADORAS. O requisito objetivo previsto em lei para gozo de isenção, pelo remetente de mercadorias a trading companies definidas no decretolei 1248/72 ou comerciais exportadoras regularmente inscritas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior que a remessa se de com "fim especifico de exportação", o que significa que a mercadoria deve ser remetida para embarque direto ou para recintos alfandegados onde aguarde a futura exportação. Não cabe ao remetente dos produtos a prova da efetiva exportação, nem, muito menos, de que ela se deu pela empresa adquirente. PIS. ISENÇÃO. EXPORTAÇÕES INDIRETAS. VENDAS A COMERCIAIS EXPORTADORAS. A partir de fevereiro de 1999, o requisito objetivo previsto em lei para gozo de isenção da contribuição PIS/PASEP, pelo remetente de mercadorias a trading companies definidas no decretolei 1248/72 ou a comerciais exportadoras regularmente inscritas na Secretaria de Comercio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comercio Exterior (5 que a remessa se de com "fim especifico de exportação", o que significa que mercadoria deve ser remetida para embarque direto ou para recintos alfandegados onde aguarde a futura exportação. Não cabe ao remetente dos produtos a prova da efetiva exportação, nem, muito menos, de que ela se deu pela empresa adquirente. Recurso provido". Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "correto fora o lançamento efetuado pela autoridade fiscal, e sobre o qual trata o presente processo. A Fiscalização, acertadamente, identificou a responsabilidade do contribuinte para o recolhimento dos débitos, e em face dele os constituiu. Não há lei, nos termos do artigo 128 do CTN, que dispense o contribuinte em epígrafe do pagamento das contribuições para o Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 13974.000146/200189 Acórdão n.º 9303005.842 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS e a COFINS, devidas em razão da não comprovação da efetiva saída das mercadorias". Para comprovar a divergência jurisprudencial, aponta como paradigma o acórdão nº 20312.920. Em seguida, por ter sido comprova a divergência o Presidente da 4º Câmara deu seguimento ao Recurso, fls. 3043/3045. A Contribuinte apresentou contrarrazões ao Recurso interposto,fls. 3054/3070, requerendo o seguinte: "seja negado conhecimento ao Recurso, tendo em vista a intempestividade do Recurso, a inexistência de divergência entre a decisão recorrida e o acórdão utilizado como paradigma, ausência da comprovação da similitude fática, a existência de divergência fática entre os acórdãos, não apresentação da cópia da publicação da ementa e a ofensa ao princípio da dialeticidade; caso seja conhecido o recurso, que seja negado provimento interposto pela Recorrente, pelos fundamentos de fato e de direito, mantendose o acórdão proferido em sede de Recurso Voluntário inalterada". É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator Com efeito, a Contribuinte em suas contrarrazões, sustenta que o Recurso interposto pela Fazenda Nacional, não deve ser conhecido, considerando que a Fazenda foi cientificada do acórdão recorrido em 15 de setembro de 2009, fls. 2877, e o Recurso foi interposto em 05 de outubro de 2009, fls. 2878, logo intempestivo. Aduz ainda que, o Recurso não atende os pressupostos de admissibilidade, por inexistência de divergência entre a decisão recorrida e o acórdão utilizado como paradigma, ausência de similitude fática entre os acórdãos, e pela não apresentação de cópia da publicação da ementa do acórdão paradigma. Quanto aos requisitos de admissibilidade, verifico que Recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, considerando que a Fazenda tem prazo em dobro para recorrer. No que tange ao seu conhecimento, em atenção ao Despacho de Admissibilidade, fls.3043/3045, entendo ter sido comprovada a divergência jurisprudencial apontada, portanto, tomo conhecimento do Recurso e passo a decidir. O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, nos termos do despacho de admissibilidade. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 13974.000146/200189 Acórdão n.º 9303005.842 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Peço vênia ao i. Relator do processo para dizer que, segundo entendo, o recurso não pode ser admitido, pois, como a seguir se verá, não foi demonstrada a necessária divergência na interpretação da legislação tributária. Antes, contudo, releva descartar que as razões para inadmissão do mesmo não têm ressonância com os argumentos dos quais a contrarazoante lançou mão para defender a ausência do dissenso jurisprudencial. Segundo sustentou em sede de contrarrazões, a "União deveria apresentar acórdão paradigma demonstrando que a autuação fiscal poderia ser resumida à indicação de que a Recorrida (contribuinte) não realizou a exportação direta"; contudo, não vejo porque devesse ser exigida decisão circunscrita a essa particularidade. Uma vez que discutase no processo (i) a possibilidade de que os tributos isentos sejam cobrados do fabricante; (ii) os requisitos de adimplemento da condição para fruição do benefício (se a efetiva exportação ou apenas a venda para comercial exportadora...) e (iii) as obrigações das partes, por que razão a União deveria apresentar acórdão paradigma que decidisse sobre uma autuação restrita ao fato de o contribuinte não ter realizado ele próprio as exportações? Me parece claro que a dissenso se mostra presente se a decisão paradigma for contrária ao recorrido em relação a, pelo menos, uma das três premissas acima listadas. A simplificação sugerida pela contrarrazoante não tem razão de ser. Isto posto, inobstante, creio que, como já dito, o recurso não pode ser admitido. O acórdão recorrido desenvolveu o assunto nos seguintes termos: (...) Nesses termos, têm prevalecido o entendimento de que a empresa vendedora, para se beneficiar da isenção da COFINS, deve remeter o produto para "tradings" ou simples exportadoras, mas que essa remessa deve ser feita diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados (entrepostos, na expressão do DL) onde aguardem futura exportação. Notese que, nos termos da LC e da MP, não há sequer a exigência de que o remetente seja estabelecimento industrial. Se essa exportação não se confirmar, a responsabilidade passa a ser da recebedora, não mais da empresa remetente. Assim, a comprovação da futura exportação — argumento mais usado para tentar validar saídas que não cumpram aqueles requisitos nos processos aqui discutidos — não tem prevalecido. Para esses casos, têm prevalecido o entendimento de que a futura exportação apenas beneficia a compradora, que não passa a ser responsável pelo pagamento dos tributos que seriam devidos pela remetente. (...) Já o paradigma, tal como resumido na ementa correspondente, assentou que: Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 13974.000146/200189 Acórdão n.º 9303005.842 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 COFINS E PIS. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA INDUSTRIAL VENDEDORA. A isenção do PIS Faturamento e Cofins concedidas nas operações de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. Descumpridos tais requisitos e não comprovada a efetiva exportação, a responsabilidade pelas Contribuições é da empresa produtora vendedora. (grifos acrescidos) Recurso negado. Ou seja, o paradigma trata de uma situação na qual dois entraves se opõe ao reconhecimento do benefício fiscal, quais sejam: 1) o fabricante descumpriu a condição de remeter as mercadorias diretamente para o exterior ou para depósito em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora; e 2) não foi comprovada a efetiva exportação. Já no recorrido, não se discute se o fabricante remeteu ou não as mercadorias nas condições e termos exigidos por lei. Observese. (...) Por isso, não posso concordar, data máxima vênia, com a afirmação da autoridade julgadora a quo no sentido de que a empresa não comprovou o cumprimento daquele requisito. Como poderia, se nem a isso foi intimada? (...) Como conclusão, ressalto que, neste caso concreto, ate mesmo a exportação posterior foi comprovada. O que se diz é que não restou adequadamente comprovada a exportação pela empresa adquirente. Essa é a acusação fiscal. Nesses termos, considero que a infração que poderia ser imputada remetente dos produtos, o descumprimento do "específico fim de exportação", não está adequadamente comprovada nos autos. Aliás, sequer foi tentada, visto que o que se tentou desde o primeiro momento demonstrar foi que a exportação não ocorreu ou, quando muito, foi realizada por empresa diferente daquela que comprou as mercadorias. (grifos meus) E, de fato, a glosa, no caso vertente, ocorreu porque a comercial exportadora não exportou as mercadorias e não porque o fabricante não as vendeu a quem deveria. É até possível cogitar da possibilidade de que paradigma e o recorrido não concordassem acerca da extensão da responsabilidade do fabricante sobre os tributos devidos; contudo isso não é suficiente para que o recurso seja admitido. Não se vê divergência no âmago da controvérsia posta pela recorrente, qual seja, se os tributos podem ser exigidos do fabricante mesmo quando ele cumpre a sua parte no negócio. Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 13974.000146/200189 Acórdão n.º 9303005.842 CSRFT3 Fl. 9 8 A conclusão é a de que ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, apontam o mesmo entendimento: a isenção do PIS Faturamento e Cofins concedidas nas operações de exportação contempla apenas aquelas efetuadas com fins específicos de exportação, assim consideradas quando as mercadorias forem diretamente embarcadas para o exterior ou depositadas em entreposto, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, por conta e ordem de empresa comercial exportadora; só que se debruçam sobre situações fáticas diferentes. No paradigma não se comprovou o cumprimento do fim específico de exportação, ao passo que, no recorrido, discutese a comprovação da exportação por parte das empresas adquirentes com o fim específico de exportação. Com base nos apontamentos acima, voto pelo não conhecimento do recurso. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 3121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001178/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2007
Ementa:
DEPÓSITO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO.O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontra-se constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR.Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídico-tributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ julgado sob o rito de repetitivo REsp 1.140.956/SP.
Numero da decisão: 1402-002.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte em que se caracterizou a concomitância com a ação judicial e, na parte conhecida, dar-lhe provimento para cancelar o lançamento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Ausente, justificadamente, Caio César Nader Quintella.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DO LANÇAMENTO.O depósito judicial configura verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há que se falar em necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedente do STJ no EREsp nº 898.992/PR.Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração. Precedente no STJ julgado sob o rito de repetitivo REsp 1.140.956/SP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso na parte em que se caracterizou a concomitância com a ação judicial e, na parte conhecida, darlhe provimento para cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 78 /2 00 9- 71 Fl. 330DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Ausente, justificadamente, Caio César Nader Quintella. Relatório Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16327.001178/200971 Acórdão n.º 1402002.735 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela DRJ de São Paulo/SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente ISOLDI S/A CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS, mantendo o crédito tributário exigido ante a lavratura de auto de infração por tributos devidos em decorrência dos ganhos obtidos no processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F. Adoto como ponto de partida o relatório da r. DRJ, complementandoo com aquilo que julgar necessário: Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.120/131, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada, o AuditorFiscal constatou os fatos a seguir relacionados: 1. A contribuinte, de acordo com o contrato social vigente, tem como objeto social operar em Bolsas de Valores, de Mercadorias e de Futuros, negociar e distribuir títulos e valores mobiliários, por conta própria ou de terceiros, e exercer a intermediação em operações de câmbio e demais atividades permitidas e regulamentadas pelo Banco Central do Brasil BACEN. 2. A empresa apurou ganhos originados pelas substituições de títulos patrimoniais da BOVESPA por ações da BOVESPA IIOLDING S.A., e pela substituição de titulos patrimoniais da BM&F por ações da BM&F S.A., substituições estas que ocorreram no âmbito dos processos denominados desmutualização da BOVESPA e desmutualização da BM&F, conforme descrito a seguir. 3. A Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos. No momento de sua constituição, foram emitidos titulos patrimoniais representativos de seu patrimônio, que foram adquiridos pelas sociedades corretoras a ela associadas. 3.1. A desmutualização da BOVESPA teve como objetivo transferir as atividades compreendidas no objeto social da associação civil sem fins lucrativos BOVESPA, para outra entidade, organizada sob a forma de sociedade anônima, a BOVESPA I IOLDING S.A. 3.2. É certo que os títulos patrimoniais da BOVESPA detidos pelas corretoras apresentavam dois aspectos distintos. O primeiro, de conteúdo patrimonial, refletia o valor da participação das corretoras no capital da BOVESPA. O segundo, de natureza operacional, davalhes o direito de operar na Bolsa. 3.3. Com a desmutualização, ocorreu a separação entre o conteúdo operacional do título e os direitos patrimoniais, que passaram a estar corporificados em ações da BOVESPA HOLDING S.A. 4. A Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F foi constituída sob a forma de associação civil sem fins lucrativos. No momento de sua constituição, foram emitidos títulos de quatro categorias, representativos de seu patrimônio, que foram adquiridos pelas sociedades corretoras/distribuidoras associadas a ela. A emissão inicial dos títulos suas categorias, quantidades e preços está representada no quadro a seguir: Fl. 332DF CARF MF 4 4.1. A desmutualização da BM&F teve como objetivo transferir as atividades compreendidas no objeto social da associação civil sem fins lucrativos BM&F, para outra entidade, organizada sob a forma de sociedade anônima, a BM&F S.A. 4.2. É certo que os titulos patrimoniais da BM&F detidos pelas corretoras/distribuidoras apresentavam dois aspectos distintos. O primeiro, de conteúdo patrimonial, refletia 0 valor da participação das corretoras/distribuidoras no capital da BM&F. O segundo, de natureza operacional, permitia a elas o chamado “Direito de Acesso”, ou seja, davalhes o direito de operar na Bolsa. 4.3. Com a desmutualização, ocorreu a separação entre o conteúdo operacional do titulo e os direitos patrimoniais, que passaram a estar corporificados em ações da BM&F S.A. 5. Na Solução de Consulta Cosit n° 10/2007, proposta pela Comissão Nacional de Bolsas de Valores, ficou clara a aplicação, ao processo de desmutualização, da tributação prevista no art.l7 da Lei n° 9.532/97, que determina o cômputo, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, da diferença entre o valor em dinheiro, ou o valor dos bens recebidos a título de devolução de patrimônio de instituição isenta, e o valor em dinheiro, ou 0 valor dos bens e direitos entregues para a formação do patrimônio, no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real. 5.1. Portanto, o entendimento da Receita Federal do Brasil é de que, nos processos de desmutualização, houve a devolução da maior parte do patrimônio da BOVESPA para as corretoras associadas, na forma de ações da BOVESPA HOLDING S.A., o mesmo acontecendo com a BM&F. 5.2. Isso porque, ao serem conferidas ações da BOVESPA HOLDING S.A. em troca da substancial redução do valor do título patrimonial da BOVESPA, a corretora passa a ser sócia de uma empresa que ostenta finalidade de lucro. Fenômeno semelhante ocorreu na BM&F. 5.3. O valor a ser tributado é o representado pela diferença entre o valor recebido pela corretora/distribuidora na forma de ações da BM&F S/A e BOVESPA HOLDING S/A, e o valor por ela entregue para a formação do patrimônio da BM&F e BOVESPA, ou seja, a valorização dos titulos patrimoniais ocorrida ao longo do tempo. 6. O art.9° do Anexo à Resolução CMN n° 2.690/2000 determina que, ao final de cada exercicio social, haja a apuração do valor do patrimônio social da bolsa de valores com base nas demonstrações financeiras, adotandose os mesmos procedimentos e critérios usados pelas sociedades anônimas. 6.1. O valor do patrimônio, apurado anualmente, era dividido pelo número de titulos patrimoniais existentes, chegandose ao valor nominal atualizado dos títulos patrimoniais. 7. A forma de contabilização dos titulos patrimoniais está prevista no cap.l, item 11, subitem 3, §3°, do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional Cosif. Observese que a contabilização da atualização dos titulos patrimoniais detidos pelas corretoras/distribuidoras não afetava o resultado do exercício, uma vez que a contrapartida da atualização do valor era registrada em conta de reserva de capital. Logo, essa mais valia jamais foi tributada anteriormente. 7.1. A previsão legal para a não tributação desse acréscimo patrimonial dos titulos ao longo do tempo, não distribuidos e incorporados ao capital das corretoras/distribuidoras, foi dada pela Portaria MF n° 785/77. 8. A contribuinte ingressou com a ação ordinária n° 2007.61.00.0349090 (cópia da petição inicial às fls.72/89), distribuída à 14° Vara Civel da Subseção Judiciária de São Paulo por dependência à ação cautelar n° 2007.61 .000329080 (cópia da petição inicial às fls.90/101), contra a União, requerendo que fosse afastada a incidência do IRPJ e da CSLL sobre o valor correspondente à atualização do valor dos titulos patrimoniais que possuiu das referidas bolsas, espelhados pela conta “Reserva de atualização de títulos patrimoniais” e que foram convertidos em ações. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16327.001178/200971 Acórdão n.º 1402002.735 S1C4T2 Fl. 1.113 5 8.1. Na citada ação declaratória, a contribuinte requereu, subsidiariamente (fls.88/89): i) por imperativo de segurança jurídica, que seja reconhecida a não incidência de IRPJ e de CSLL sobre o valor correspondente às atualizações procedidus até o advento da Solução de Consulta n” 10/07, da C OS1 T, a qual alterou o entendimento da Re' quanto aos efeitos tributários dessas atualizações; ii) caso assim não se entenda, que seja reconhecida a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a todas as atualizações levadas a efeito até o ano de 2002; iii) ainda subsidiariamente, que seja reconhecido que ainda não ocorreu a hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL no caso dos autos, o que só virá a ocorrer por força de potencial e futura alienação desses titulos convertidos em ações, declarandose, em consequência, o direito de crédito da Autora correspondente: iii. a) aos juros e à multa de mora depositados em juízo na conexa ação cautelar para o fim de suspender a exigibilidade dos créditos tributários objeto da presente controvérsia; iii. b) ao IRPJ e à CSLL correspondentes às ações que não forem alienados até o trânsito em julgado da presente ação, o que deverá ser apurado posteriormente, em sede de liquidação de sentença por artigos. 8.2. Foi concedida liminar na ação cautelar, nos seguintes termos (Íls.63/65): Assim sendo, DEFIRO A LIMINAR, pleiteada para o fim de admitir o depósito do credito tributário indicado nos autos e, por conseguinte, com fulcro no artigo 151, II, do CTN, suspender a sua exigibilidade até a solução final da demanda principal, assegurado o direito de a autoridade competente efetuar o lançamento para fins de sustar o prazo decadencial. Ressalvese, contudo, que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do art.1 5 1 , Il, restringirseá aos valores efetivamente depositados, facultandose à Fazenda Pública a verificação da suficiência dos depósitos e a exigência de eventuais diferenças. 8.3. A contribuinte efetuou, em 04/l2/2007, os depósitos judiciais de fls.l07/ 108, em valores suficientes para suspender a exigibilidade dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, oriundos dos ganhos obtidos no processo de desmutualização da BOVESPA e da BM&F. As ações judiciais, tanto a cautelar, quanto a declaratória, encontravamse conclusas para julgamento em 12/1 l/2009. 8.4. Tendo em vista a suficiência dos depósitos judiciais efetuados, o lançamento de ofício foi efetuado com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. l5l, II, do CTN, sem a exigência da multa de ofício. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 12/ l l/2009 Q foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls.l42/146) e CSLL (fls.l47/151), com os valores a seguir discriminados: Fl. 334DF CARF MF 6 DA IMPUGNAÇAO Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de t1s.l57/178, acompanhada dos documentos de fls.179/229, alegando em síntese que: 1. O Fisco não poderia ter lavrado o auto de infração para a constituição dos créditos tributários ora exigidos, mas apenas notificação de lançamento. 1.1. Os créditos tributários lançados por meio dos autos de infração estão com a exigibilidade suspensa, por força dos depósitos judiciais integrais realizados nos autos da ação cautelar n° 2007.61.00.0329080, incidental à ação declaratória n° 2007.61.00.0349090. 1.2. Assim, a impugnante não cometeu nenhuma infração à legislação tributária que desse causa ao lançamento via auto de infração, nos termos dos artigos 9” e 10 do Decreto n° 70.235/72. 1.3. A lavratura de auto de infração só se justifica quando há necessidade de aplicação de penalidades às infrações cometidas pela contribuinte. Não havendo tais infrações, o Fisco tem outro instrumento para garantir a constituição do crédito, qual seja, o da notificação de lançamento prevista nos artigos 9° e 11 do Decreto n° 70.235/72. 2. Encontrandose a matéria objeto do presente processo sub judice e com sua exigibilidade suspensa em razão de medida liminar e depósitos judiciais efetuados, não há que se manter a exigência dos juros de mora, razão pela qual a impugnante requer que o cancelamento da cobrança dos juros moratórios. 3. A operação de desmutualização implica mera reclassificação de um direito ou, quanto muito, uma permuta de ativos, pela qual um determinado bem (título) do substituído por outro de igual valor (ações). Inexiste devolução, o que ocorre é simples substituição. 3.1. Ausente o pressuposto da devolução do patrimônio, é impossível a aplicação do artigo 17 da Lei n° 9.532/97 ao caso. 3.2. A autoridade fiscal reconheceu às fls.126/127 que a atualização dos títulos patrimoniais não poderia ser tributada, por previsão da Portaria MF n° 785/77. 3.3. Uma vez que a nãoincidência prevista pela Portaria MF n° 785/77 foi expressamente reconhecida pela autoridade fiscal e o artigo 17 da Lei n° 9.532/97 é inaplicável ao caso, não resta fundamento legal hábil a justificar a incidência dos tributos exigidos por meio dos autos de infração. 3.4. A atualização dos mencionados títulos estava sujeita ao método da equivalência patrimonial, previsto na Lei n° 6.404/76, ou seja, os títulos que as corretoras detinham eram avaliados tendo como parâmetro a oscilação do patrimônio líquido das bolsas, sem que tais acréscimos passassem pelo resultado. 3.5. Aplicamse ao presente caso os preceitos legais que versam sobre o tratamento tributário das avaliações procedidas pelo método da equivalência patrimonial (art.225 e 389 do RIR), que estabelecem a não incidência do IRPJ e da CSLL sobre a atualização dos títulos das bolsas. 3.6. Ainda que se entenda que, no momento da substituição das ações, essa atualização do valor dos títulos pelo regime Jurídico da Equivalência Patrimonial representasse ganho de capital, é certo que esse ganho não foi realizado, uma vez que não ocorreu a disponibilidade econômica desse valor passível de ser tributada. 3.7. Não houve qualquer ganho por parte da impugnante, uma vez que inexiste qualquer pagamento em dinheiro em razão da substituição das ações. Daí porque a reserva de atualização dos títulos anteriormente contabilizada, se for entendida Fl. 335DF CARF MF Processo nº 16327.001178/200971 Acórdão n.º 1402002.735 S1C4T2 Fl. 1.114 7 como tributável, não foi realizada nesse momento, e por conseguinte, não deve ser oferecida à tributação na desmutualização. 4. Considerandose a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora. Considerando a concomitância de instâncias administrativa e judicial a DRJ empreendeu precisa identificação da ação judicial ajuizada pela recorrente a partir de seu objeto consistente no pedido levado ao Poder Judiciário de natureza declaratória de inexistência de relação jurídica tributária em função do que restou conhecido como "desmutualização da BOVESPA & BMF. O acórdão da DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE: A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não é obstáculo à formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem cabe o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUD1CE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo na hipótese de crédito tributário sub judíce. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente apresentou então o presente Recurso Voluntário em que sustenta preliminarmente a impossibilidade de a autoridade fiscal lavrar auto de infração em decorrência do depósito integral realizado nos autos da ação cautelar n° 2007.61.00.0329080, incidental à ação declaratória n° 2007.61.00.0349090, e que, portanto, seria desnecessário o lançamento em conformidade com a jurisprudência do STJ, além do que “no presente caso, está claro que os autos de infração não tiveram a finalidade de prevenir a decadência, pois, repitase, o depósito realizado já havia constituído os créditos de IRPJ e CSLL e, caso a Recorrente não tenha êxito na demanda judicial, converterseá o valor depositado em renda da União, extinguindose os créditos”. Afirma subsidiariamente que a Recorrente não cometeu nenhuma infração à legislação tributária que desse ensejo ao lançamento via auto de infração, nos termos dos artigos 9° e 10 do Decreto n° 70.235/72 (na redação da Lei n° 8.748/93). Que deveria ter sido Fl. 336DF CARF MF 8 utilizada a notificação de lançamento. Alega ainda que não há renúncia a esfera administrativa, vez que a ação foi proposta antes da lavratura do auto de infração. No mérito reitera os argumentos aduzidos na Impugnação, anteriormente relacionados. É o breve relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso Voluntário é tempestivo e assinado por patrono competente. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 16327.001178/200971 Acórdão n.º 1402002.735 S1C4T2 Fl. 1.115 9 Em sede de RV o recorrente sustenta uma série de razões pertinentes a não incidência de IRPJ e CSLL na operação conhecida como "desmutualização da BOVESPA e BMF". Temse, no entanto, que antes mesmo da autoridade fiscal empreender o lançamento ora hostilizado temse que o contribuinte já havia ajuizado Ação Declaratória de inexistência de relação jurídica tributária alcançando, inclusive, provimento cautelar a suspender a exigibilidade do crédito tributário. A ação ajuizada se encontra em fase de apreciação de recursos excepcionais interpostos pela ora recorrente em face de decisão proferida pelo TRF3 sob relatoria da Desembargadora Consuelo Yoshida: AGRAVO LEGAL. HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DO ART. 557, DO CPC. IRPJ. CSSL. INCIDÊNCIA SOBRE OPERAÇÕES DE DESMUTUALIZAÇÃO. 1 Em 2.007, a BOVESPA e a BM&F passaram por processo de desmutualização, com a alteração de suas estruturas societárias, antes associações sem fins lucrativos, para tornaremse sociedades anônimas. Como consequência, houve substituição dos referidos títulos patrimoniais por ações da Bovespa Holding S/A e a BM&F S/A. 2. É certo que o imposto de renda, previsto no art. 153, inciso III da Constituição Federal, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I) de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II) de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior, conforme dicção do art. 43, incisos I e II, do CTN. 3. Portanto, referido tributo só pode recair sobre riqueza nova, oriunda do capital, do trabalho ou mesmo da conjugação de ambos. Pressupõe sempre um acréscimo patrimonial sobre o qual incide o tributo. 4. É inegável que o processo de desmutualização e a consequente alteração estrutural da Bovespa e da BM&F, com a substituição dos títulos patrimoniais em ações, implicaram percepção de acréscimo patrimonial por parte das corretoras associadas. 5. In casu, houve a devolução à autora dos valores correspondentes aos títulos que detinha e a aquisição de ações das novas sociedades, operação que, efetivamente, trouxe ganhos patrimoniais à autora, que passou de mera associada à acionista. 6. Com efeito, aplicável à espécie o art. 17 da Lei nº 9.532/97, que determina a tributação da diferença entre o valor de devolução de patrimônio (consubstanciado em ações) e o valor que houver entregue para a formação do referido patrimônio 7. Não há como se reconhecer a decadência, conforme suscitado pela apelante, pois os créditos tributários do IRPJ e da CSLL decorreram da substituição dos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F por ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S/A., operações que ocorreram somente após a aprovação em Assembleia Geral Extraordinária realizadas em 28/08/2007 e 20/09/2007, poucos meses antes do ajuizamento da presente ação, que se deu em 19/12/2007. 8. Os honorários advocatícios são devidos no percentual de 10% sobre o valor da causa, com fulcro no art. 20, § 4º, do Código de Processo Civil, limitado, contudo, ao montante de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), consoante entendimento desta E. Sexta Turma. 9. Não há elementos novos capazes de alterar o entendimento externado na decisão monocrática 10. Agravo legal improvido. O fato da ação ter sido proposta antes ou após a lavratura do auto de infração é indiferente implicando do mesmo modo a renúncia à instância administrativa nos termos da a Súmula 1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do Fl. 338DF CARF MF 10 processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante das bem lançadas razões de decidir da DRJ peço venia aos colegas para incorporálas em meu voto ao que não conheço do recurso voluntário no que respeita às questões já judicializadas atinentes à "desmutualização BOVESPA & BMF" na medida em que correspondem à renúncia da instância administrativa. Considerando a simultaneidade da discussão judicial empreendida e a prejudicialidade daquela em função dessa remanescem passíveis de apreciação perante esta instância administrativa apenas as seguintes questões: legitimidade do lançamento de ofício enquanto o crédito tributário teve sua exigibilidade suspensa ante ao depósito judicial em montante integral e aplicação de juros de mora. 2. NO MÉRITO: Entende a recorrente que uma vez suspensa a exigibilidade do crédito tributário não poderia a autoridade fiscal empreender seu lançamento sendolhe facultado tão apenas a notificação fiscal. Argumenta o contribuinte que nem mesmo a justificativa de lançamento para evitar a decadência estriba o procedimento empreendido pela autoridade fiscal na medida em que o depósito, nos tributos submetidos à lançamento por homologação, corresponde ao lançamento colacionando como estribo à sua pretensão vasta doutrina e jurisprudência. De fato a jurisprudência do E. STF é pacífica no sentido de que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o contribuinte, ao realizar o depósito judicial com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, promove a constituição deste, tendo como resultado, a desnecessidade do ato formal de lançamento pela autoridade administrativa no que se refere aos valores depositados. Há, também, sólida doutrina com destaque para as lições Hugo de Brito Machado a indicar que o depósito judicial desde que realizado em montante integral implica em suspensão automática da exigibilidade do crédito tributário obstando, assim, a atividade da fiscalização. Esse mesmo colegiado em acórdão de relatoria do d. Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto decidiu por unanimidade que é prescindível o lançamento em casos de depósito do montante integral (Acórdão 1402001.570, sessão de 12 de fevereiro de 2014). Naquela assentada assim consignou o d.Conselheiro: [...] a Primeira Seção do STJ já pacificou a matéria no julgamento EREsp n. 898.992/PR (acórdão publicado no DJ 27/08/2007), sob a relatoria do Ministro Castro Meira, de modo unânime, exarando o entendimento de que: [...] com o depósito do montante integral temse Fl. 339DF CARF MF Processo nº 16327.001178/200971 Acórdão n.º 1402002.735 S1C4T2 Fl. 1.116 11 verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Eis a sua ementa: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. 3. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente à conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equiparase ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de ofício pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito" (Leandro Paulsen, "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7ª ed, p. 1227). 4. Embargos de divergência não providos. Por fim, temse que o STJ julgou em sede de repetitivo, cujo entendimento vincula este CARF (art. 62, §2º, do Anexo II do RICARF) orientação no mesmo sentido, vejamos: Fl. 340DF CARF MF 12 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. [...] 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. [...] (REsp 1.140.956/SP, Relator Ministro Luiz Fux, sessão de 24/11/2010, DJe 03/12/2010) Portanto, insubsistente o lançamento realizado na medida em que a própria autoridade fiscal autuante concluiu que havia depósito do montante integral, e que o STJ pacificou o entendimento de que o lançamento estaria impedido em tal hipótese, há de se cancelar integralmente a presente exigência. 4. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso na parte em que se caracterizou a concomitância com a ação judicial e, na parte conhecida, darlhe provimento para cancelar o lançamento. É o meu voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 341DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.903281/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
Não se encontrando mais pendente de julgamento, com manutenção integral do lançamento efetuado, verifica-se a ausência de liquidez e certeza do crédito a que se pleiteou a compensação/restituição.
As estimativas do tributo que compõem a apuração do contribuinte de saldo negativo no ajuste anual e que já tenham sido aproveitadas na apuração do lançamento de ofício relativamente à apuração do mesmo tributo não mais podem ser aproveitadas na pretensa compensação do saldo negativo.
A apuração de ofício de tributo para o mesmo período de apuração para o qual o contribuinte pleiteia compensação de pretenso crédito caracteriza a ausência de liquidez e certeza de tal crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1301-002.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. Não se encontrando mais pendente de julgamento, com manutenção integral do lançamento efetuado, verificase a ausência de liquidez e certeza do crédito a que se pleiteou a compensação/restituição. As estimativas do tributo que compõem a apuração do contribuinte de saldo negativo no ajuste anual e que já tenham sido aproveitadas na apuração do lançamento de ofício relativamente à apuração do mesmo tributo não mais podem ser aproveitadas na pretensa compensação do saldo negativo. A apuração de ofício de tributo para o mesmo período de apuração para o qual o contribuinte pleiteia compensação de pretenso crédito caracteriza a ausência de liquidez e certeza de tal crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 32 81 /2 01 3- 29 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10680.903281/201329 Acórdão n.º 1301002.635 S1C3T1 Fl. 296 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10680.903281/201329 Acórdão n.º 1301002.635 S1C3T1 Fl. 297 3 Relatório SAMARCO MINERAÇÃO S.A., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC (fls. 176/194), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas através dos PER/DComps 41903.64569.220313.1.7.024255, fls. 99 a 111, e 00386.21102.251111.1.3.028704. Valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: 1. A interessada acima qualificada transmitiu, em 22/03/2013 e 25/11/2011, as declarações de compensação de débitos, através dos PER/Dcomp, respectivamente, 41903.64569.220313.1.7.024255, fls. 99 a 111, e 00386.21102.251111.1.3.02 8704, fls. 112 a 115. No PER/Dcomp 41903.64569.220313.1.7.024255 declarou “Valor do Saldo Negativo” de IRPJ, do anocalendário de 2010, no valor de R$ 7.975.823,79, e o mesmo valor de “Crédito Original na Data de Transmissão”, e que após atualização e compensação de débitos, com utilização de um crédito de R$ 1.148.460,01, restariam, como Saldo do Crédito Original, R$ 6.827.363,78. 1.1. No PER/Dcomp 00386.21102.251111.1.3.028704 declarou “Valor do Saldo Negativo” de R$ 6.509.545,31, com origem também no Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário de 2010, sendo o PER/Dcomp inicial 36004.49472.071011.1.3.02 7189, que foi retificado pelo PER/Dcomp 16983.71226.100512.17.020809, por sua vez retificado pelo de n. 41903.64569.220313.1.7.024255, que é a aquele citado no parágrafo anterior e também objeto do presente julgamento administrativo. Foi declarado no PER/Dcomp 00386.21102.251111.1.3.028704 que o “Crédito Original na Data de Transmissão” teria o valor de R$ 5.361.085,30 e que, após atualização e compensação de débitos, com utilização do valor total crédito original na data de transmissão, restaria R$ 0,00 de Saldo do Crédito Original. 2. O Despacho Decisório, fl. 98, informa que foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação, não saneadas pelo sujeito passivo, e que, considerando que a soma das parcelas de crédito demonstradas em PER/Dcomp é insuficiente para comprovar sequer a quitação do imposto de renda devido, não há direito creditório a ser reconhecido, razão pela qual não homologa as compensações objeto dos PER/Dcomp 41903.64569.220313.1.7.024255 e 00386.21102.251111.1.3.028704. O valor original do saldo negativo informado no PER/Dcomp com demonstrativo de crédito foi de R$ 7.975.823,79. O Somatório das parcelas de crédito demonstradas no PER/Dcomp é de R$ 649.152.917,64 e o Imposto devido foi de R$ 657.133.194,32. 3. Cientificada do Despacho Decisório, em 12/09/2013, conforme fl. 116, argumenta, a contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, fls. 02 a 06, apresentada em 11/10/2013, conforme carimbo na fl. 02, que: 3.1. foi surpreendida com o Despacho Decisório que não homologou integralmente as compensações declaradas nos PER/Dcomp 41903.64569.220313.1.7.024255 e 00386.21102.251111.1.3.028704, justificando que a soma das parcelas de crédito Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10680.903281/201329 Acórdão n.º 1301002.635 S1C3T1 Fl. 298 4 demonstradas no PER/Dcomp é insuficiente para comprovar sequer a quitação do imposto de renda devido e que não haveria direito creditório a ser reconhecido; 3.2. de acordo com o relatório o valor do saldo negativo informado no PER/Dcomp é de R$ 7.975.823,79, sendo as parcelas de crédito de IRPJ ano calendário 2010 de R$ 849.152.917,64 e o imposto devido de R$ 857.133.194,32, tendo as compensações através dos PER/Dcomp 41903.64569.220313.1.7.024255 e 00386.21102.251111.1.3.028704 sido consideradas improcedentes, não sendo homologadas, e a RFB exigindo o recolhimento de R$ 6.599.470,45 de imposto não recolhido, acrescido de R$ 1.718.825,40 de multa e R$ 1.338.385,38 de juros, no entanto, como será demonstrado, não deve prosperar a não homologação relacionada ao saldo negativo de imposto de renda de 2010; 3.3 ao longo de 2010 efetuou recolhimento do IRPJ por estimativas mensais e na DIPJ transmitida em 29/06/2011 identificou recolhimento por meio das estimativas mensais a maior que o devido e verificou que possuía um saldo negativo do IRPJ de R$ 3.531.338,53; 3.4. posteriormente, constatou um erro de apuração, retificando a DIPJ em 07/10/2011, que passou a ter saldo negativo de R$ 6.509.544,31. Em 07/10/2011 enviou o PER/Dcomp 36004.49472.071011.1.3.027189, no qual demonstrou a composição do saldo negativo de IRPJ de 2010 no valor de R$ 6.509.544,31 e efetuou a compensação do valor original de crédito no valor de R$ 1.148.460,01; 3.5. em 25/11/2011, enviou o PER/Dcomp nº 00386.21102.251111.1.3.028704, no qual efetuou a compensação do remanescente do saldo negativo, no valor de R$ 5.361.085,30; 3.6. o PER/Dcomp 36004.49472.071011.1.3.027189 foi objeto de duas retificações. Na primeira datada de 10/05/2012, os valores de crédito e compensado não se alteraram, mas na segunda, de nº 41903.64569.220313.1.7.024255, transmitida em 22/03/2013, houve as seguintes modificações significativas: 3.6.1. havia observado o limite de valor de refeição por empregado previsto na IN 267/02 em relação às despesas dedutíveis do PAT, reduzindo assim as despesas dedutíveis e aumentando o seu lucro, porém a jurisprudências dos tribunais pátrios entendeu ser a citada IN ilegal, sendo expedido Ato Declaratório PGFN 13/2008 reconhecendo a inconstitucionalidade de tal limite e dispensando a Fazenda Pública de apresentação de recursos sobre o tema; 3.6.2. diante de tal equívoco na apuração do IRPJ efetuou planilha de cálculo para comparar o valor das despesas com o PAT que deveriam ter sido consideradas em sua DIPJ, tendo o saldo negativo do IRPJ 2010, com base no novo valor de dedução do PAT, passado para R$ 7.975.823,79; 3.6.3. em nova retificação de PER/Dcomp demonstrativo do crédito, indicou o novo valor a ser compensado, mas por equívoco, efetuou a retificação do PER/Dcomp antes da retificação de sua DIPJ demonstrando o novo valor do saldo negativo do IRPJ de 2010. Constatado o erro, a DIPJ 2011 foi retificada e enviada em 08/10/2013. Está juntando uma planilha demonstrativa dos valores que compõem o saldo compensado; 3.6.4. a compensação de R$ 5.503.317,24 indicada na coluna OUTRAS COMPENSAÇÕES da planilha foi efetuada por meio dos PER/Dcomp 40445.51119.181110.1.3.042003, 41630.84431.191110.1.3.041510 e Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10680.903281/201329 Acórdão n.º 1301002.635 S1C3T1 Fl. 299 5 05816.40022.251110.1.3.090605. As compensações por meio destes PER/Dcomp deveriam ter sido informadas no PER/Dcomp com demonstrativo do crédito 41903.64569.220313.1.7.024255, porém este erro não pode ser corrigido, pois com a edição do Despacho Decisório ora contestado, a retificação do PER/Dcomp está vedada; 3.7. requer a homologação das compensações efetuadas pelos PER/Dcomp 41903.64569.220313.1.7.024255 e 00386.21102.251111.1.3.028704, considerando o valor de R$ 7.975.823,79 para saldo negativo de IRPJ de 2010. Em julgamento realizado em 18 de setembro de 2015, a 4ª Turma da DRJ/REC, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e prolatou o acórdão 11051130, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. As estimativas do tributo que compõem a apuração do contribuinte de saldo negativo no ajuste anual e que já tenham sido aproveitadas na apuração do lançamento de ofício relativamente à apuração do mesmo tributo não mais podem ser aproveitadas na pretensa compensação do saldo negativo. A apuração de ofício de tributo para o mesmo período de apuração para o qual o contribuinte pleiteia compensação de pretenso crédito caracteriza a ausência de liquidez e certeza de tal crédito pleiteado. Encontrandose o contencioso do lançamento de ofício ainda pendente de julgamento administrativo em segunda instância — isso após manutenção integral do lançamento no julgamento de primeira instância, este que, no caso, ocorreu por unanimidade de votos —, temse mantida, no julgamento de primeira instância administrativa do contencioso da compensação, a ausência da liquidez e certeza do crédito do mesmo tributo e período de apuração pleiteado pela contribuinte para a referida compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 226/260, atendose aos seguintes pontos: Da liquidez e certeza do crédito de saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2010 e do direito da Recorrente à sua compensação; Da relação de prejudicialidade entre o presente processo administrativo e o PTA n. 10600.720019/201393; Recebi os autos por sorteio em 04/07/2017. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10680.903281/201329 Acórdão n.º 1301002.635 S1C3T1 Fl. 300 6 É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/REC e intimada ao recolhimento do débito em 12/12/2015, sábado (Abertura do documento fl. 223), e apresentou em 12/01/2016, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 226/260. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O presente caso trata de indeferimento do direito creditório e não homologação das compensações declaradas nas PER/DComps 00386.21102.251111.1.3.02 8704 e 41903.64569.22313.1.7.024255, fls. 99/115, relativos ao IRPJ do anocalendário de 2010 e transmitidas em 25/11/11 e 22/03/2013, no valor de principal de R$6.599.470,45. Através da DIPJ 2011/2010, verificouse que a recorrente possuía um saldo negativo de IRPJ de R$3.531.338,53, posteriormente, após retificações, passou a apresentar um saldo negativo de R$7.975.823,79. Ressaltese que a última retificação foi realizada já no prazo da manifestação de inconformidade da contribuinte, fls. 76 e ss, ou seja, após a ciência do despacho decisório. Entretanto, em razão de Auto de Infração lavrado em 01/10/2013 PTA 10.600.720019/201393, houve a recomposição do lucro real do ano de 2010, de tal forma que a recorrente deixou de possuir o saldo negativo. A decisão da DRJ baseouse na falta de liquidez e certeza de tal crédito, em razão de sua utilização total no lançamento ocorrido no referido PA: 12. Se o crédito em discussão judicial não goza de liquidez e certeza, muito menos aquele cujo tributo e anocalendário foram objeto de apuração de Saldo Devedor em Auto de Infração, ainda que este se encontre em discussão administrativa em processo diverso ao processo de compensação. Já caracterizada está a ausência de liquidez e certeza no momento do julgamento administrativo. 13. De toda sorte, repitase, os valores das estimativas do anocalendário de 2010, responsáveis pela apuração da contribuinte do Saldo Negativo de tal anocalendário, já foram deduzidos na apuração do Auto de Infração do IRPJ desse mesmo anocalendário de 2010. 14. Com relação à informação da contribuinte de ter apresentado DIPJ retificadora em 08/10/2013, observase que esta não é espontânea, tem em vista, entre outros, a ciência do Despacho Decisório em 12/09/2013, conforme fl. 116, e a ciência do Auto de Infração relativamente à apuração do IRPJ para o mesmo anocalendário (de 2010), que ocorreu em 01/10/2013, não sendo, portanto, aqui apreciada tal retificação de DIPJ. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10680.903281/201329 Acórdão n.º 1301002.635 S1C3T1 Fl. 301 7 Alega a recorrente que no momento da transmissão das referidas DComps, ainda possuía tais créditos, e que o fundamento do despacho decisório havia sido a inexistência de saldo negativo de IRPJ, ademais, que o processo administrativo ainda estaria em julgamento. Da análise do despacho decisório verificase que a homologação foi negada em razão da contribuinte não ter saneado as informações contidas na Dcomp, já que ela havia apurado um crédito de 7.975.823,79, sendo que o crédito de era de 649.152.917,64 e IR devido de R$657.133.194,32. Há também nos autos a informação de que naquele ano de 2010, a Fiscalização procedeu à apuração do IRPJ a pagar e efetuou o lançamento devido, tendo inclusive aproveitado os valores das estimativas de 2010, não restando nenhum saldo negativo de IRPJ. De fato, entendo que apesar do conteúdo do despacho decisório, e da retificação da DIPJ posterior à entrega da PerdComp, e também posterior à ciência do próprio despacho, em sede daquele auto de infração, os valores de IRPJ pagos por estimativas foram reconhecidos, num total de R$665.648.608,60, sendo que o devido conforme despacho era de R$657.133.194,32. Em situações como esta, tem sido adotado o procedimento de se sobrestar o feito até julgamento daquela matéria em igual instância. Em pesquisa no site do CARF para verificar o andamento daquele PTA, verifico que houve o julgamento do Recurso Voluntário, onde por maioria de votos foi negado provimento, e em 10/05/2017, com decisão publicada em 12/07/2017, em sede de Recurso Especial da contribuinte, também teve negado seu provimento por voto de qualidade. Assim, não mais pendente de julgamento, aquela decisão do PTA 10600.720019/201393, talvez somente do trânsito em julgado, e uma vez que os valores relativos ao ano de 2010 já foram utilizados naquele PA, já que o seu resultado foi desfavorável à contribuinte, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE provimento. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10680.903281/201329 Acórdão n.º 1301002.635 S1C3T1 Fl. 302 8 (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001595/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PARTE DISPOSITIVA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO PARA ESPELHAR A EMENTA E O VOTO
Verificado que a ementa e o voto analisaram e concluíram sobre a incidência de juros de mora e de multa de ofício sobre parte da exação não depositada em juízo, a parte dispositiva do acórdão deve refletir a mesma abrangência.
Numero da decisão: 1302-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos inominados da PFN, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins De Sousa - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos César Candal Moreira Filho.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PARTE DISPOSITIVA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO PARA ESPELHAR A EMENTA E O VOTO Verificado que a ementa e o voto analisaram e concluíram sobre a incidência de juros de mora e de multa de ofício sobre parte da exação não depositada em juízo, a parte dispositiva do acórdão deve refletir a mesma abrangência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos inominados da PFN, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos César Candal Moreira Filho.
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MULTA DE OFÍCIO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado PORTO SEGURO SEGURO SAÚDE S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PARTE DISPOSITIVA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO PARA ESPELHAR A EMENTA E O VOTO Verificado que a ementa e o voto analisaram e concluíram sobre a incidência de juros de mora e de multa de ofício sobre parte da exação não depositada em juízo, a parte dispositiva do acórdão deve refletir a mesma abrangência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos inominados da PFN, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins De Sousa Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado e Carlos César Candal Moreira Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 95 /2 01 0- 58 Fl. 559DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional face ao Acórdão n° 1302001.502, de 23/09/2014 que, por maioria de votos, conheceu do recurso voluntário, na matéria estranha ao mandado e segurança impetrado pela Recorrente para reconhecer a dedutibilidade da base tributável do IRPJ do PISRepique recolhido e limitar a incidência dos juros de mora a parcela do IRPJ não depositado em juízo, registrado na seguinte ementa: AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, versando sobre o mesmo objeto do processo administrativo, importa em renúncia a instância administrativa. No entanto a discussão deve seguir em relação às demais matérias. APURAÇÃO DO MONTANTE TRJBUTÁVEL DE IRPJ. DEDUÇÃO DE PISREPIQUE RECOLHIDO. CABIMENTO. Restou comprovado nos autos o recolhimento do PISREPIQUE, com o colacionamento de DARFs, com código de receita, CNPJ, período de apuração, data do vencimento e autenticação bancário do pagamento. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. DEPÓSITO DE MONTANTE NÃO INTEGRAL. CABIMENTO. Não se pode descaracterizar o pagamento efetuado através de depósito judicial. Porém como os depósitos foram parciais a exigência deve incidir apenas sobre os valores não abrangidos pelos depósitos. Encaminhados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 28/04/2015, para fins de ciência do acórdão, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF. n° 256/2009, à época, restou configurada a intimação do Procurador da Fazenda Nacional em 27/05/2015, nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs embargos em 26/05/2015, alegando omissão do acórdão recorrido, verbis: Trata o presente processo, entre outras questões, da incidência de juros de mora e multa de ofício no caso de depósito judicial parcial. O v. acórdão embargado deu provimento ao recurso voluntário para a incidência dos juros de mora sobre o total da exação, devendo ser excluído apenas do montante devido, a parcela depositada em juízo, conforme dispositivo da ementa, constante na certidão de julgamento: "Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso voluntário, na matéria estranha ao mandado de segurança impetrado pela recorrente, para reconhecer a dedutibilidade da base tributável do IRPJ do PIS Repique recolhido e limitar a incidência dos juros de mora à parcela do IRPJ não depositada em juízo. Vencido o conselheiro Alberto Pinto que mantinha a incidência dos juros de mora inclusive sobre a parcela do IRPJ depositado em juízo." Fl. 560DF CARF MF Processo nº 16327.001595/201058 Acórdão n.º 1302002.330 S1C3T2 Fl. 3 3 Ocorre que, conforme a ementa do julgado e o voto condutor do acórdão recorrido, a questão da incidência da multa de ofício a ser cobrada sobre a totalidade da exação ou sobre parte do crédito tributário que não objeto de depósito também foi objeto de discussão, verbis: Ementa: “(...) MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. DEPÓSITO DE MONTANTE NÃO INTEGRAL. CABIMENTO. Não se pode descaracterizar o pagamento efetuado através de depósito judicial. Porém como os depósitos foram parciais a exigência deve incidir apenas sobre os valores não abrangidos pelos depósitos." Trecho do voto condutor: Voto (...) Existindo o depósito judicial de parcela do débito, deve ser afastada incidência dos juros de mora em relação a este montante, pois sobre o valor depositado incide remuneração própria. Em relação à suspensão da exigibilidade em vista dos depósitos judiciais, imperiosa é a exclusão da multa e dos juros sobre tais valores, se tivessem sido integrais, conforme prevê o inciso II do art. 151 do CTN. Porém os depósitos foram parciais e assim devem a multa e os juros de mora, incidir apenas sobre os valores que não foram depositados judicialmente, tendo em vista, não apenas a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como também a ausência de infração ou de inadimplemento. Assim, sendo, voto no sentido (sic) de reconhecer a concomitância parcial e dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relato?' Verificase, assim, omissão no dispositivo da ementa do acórdão, o qual transita em julgado, no tocante ao decidido pela e. Turma quanto à incidência da multa de ofício, pois o dispositivo da ementa se refere apenas aos juros de mora. Em face da omissão apontada, ficou prejudicado o conhecimento pelas partes sobre o entendimento firmado pelo órgão colegiado acerca da multa de ofício e sua incidência sobre a totalidade do crédito tributário ou sobre o valor não objeto de depósito judicial. Nessa senda, fazse necessária a correção da omissão, para que seja viabilizado eventual recurso pela União. Feito este breve relatório, passo a análise. São tempestivos os embargos, portanto, devem ser conhecidos. De fato. em que pesem o voto condutor e a ementa do acórdão embargado mencionem a discussão sobre a incidência da multa de ofício e dos juros de mora sobre os créditos tributários lançados, o dispositivo do Fl. 561DF CARF MF 4 acórdão restou limitado à discussão sobre os juros de mora. revelandose omisso quanto à incidência da multa de ofício. Ante ao exposto, admito os embargos interposto, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF Ricarf. aprovado pela Portaria MF. n° 343/2015. Encaminho à Secam desta 3a Câmara para inclusão em lote de sorteio para conselheiro desta turma de julgamento, tendo em vista que o relator original não mais exerce mandato neste colegiado. nos termos do § 5° do art. 49 do Anexo II do Ricarf. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente da 2a Turma da 3a Câmara Primeira Seção de Julgamento do CARF É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Nos termos do despacho de admissibilidade, os embargos de declaração da Fazenda Nacional são tempestivos e foram admitidos, face à indicação de que há omissão na parte dispositiva do acórdão de recurso voluntário, quanto à incidência da multa de ofício: se devida sobre todo o valor da exação, ou se somente sobre o valor não depositado em juízo, assim como se consignou, em relação aos juros de mora. Na forma já observada no próprio despacho de admissibilidade, a ementa e o voto contemplaram análise e conclusão a respeito, não só dos juros de mora, mas também da multa de ofício. A ementa registrou que os juros de mora e a multa de ofício deveriam incidir apenas sobre os valores não abrangidos pelos depósitos em virtude de o depósito judicial ter sido efetuado em valor parcial, não suficiente à garantia de pagamento integral do valor total da exigência. O voto destacou que, existindo depósito judicial de parcela do débito, deve ser afastada incidência dos juros de mora em relação a este montante, pois sobre o valor depositado incide remuneração própria. Em sequência, registrou que, em função da suspensão da exigibilidade, em vista dos depósitos judiciais, era necessária a exclusão da multa e dos juros sobre tais valores, tendo em vista, não apenas a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como também a ausência de infração ou de inadimplemento. Por esses fundamentos, voto no sentido de que os embargos de declaração sejam acolhidos para que a parte dispositiva do acórdão seja complementada para que passe contemplar os seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso voluntário, na matéria estranha ao mandado de segurança impetrado pela recorrente, para Fl. 562DF CARF MF Processo nº 16327.001595/201058 Acórdão n.º 1302002.330 S1C3T2 Fl. 4 5 reconhecer a dedutibilidade da base tributável do IRPJ do PIS Repique recolhido e limitar a incidência dos juros de mora e da multa de ofício à parcela do IRPJ não depositada em juízo. Vencido o conselheiro Alberto Pinto que mantinha a incidência dos juros de mora inclusive sobre a parcela do IRPJ depositado em juízo. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.001764/2006-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/10/2002
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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V. HOLDING S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/10/2002 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 17 64 /2 00 6- 69 Fl. 300DF CARF MF 2 Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1444.829 fls. 108/114) nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/10/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/10/2002 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando a legitimidade do seu crédito, bem como a submissão do Poder Executivo ao precedente vinculante do STF veiculado no âmbito do julgamento do RE n. 390.840/MG. 5. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10850.001764/200669 Acórdão n.º 3402004.787 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. O mérito da compensação realizada 7. A juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a sua origem decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) Fl. 302DF CARF MF 4 8. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 9. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tãosomente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 10. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. 11. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001475/2005-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2005
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.633
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2005 REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA BAZAN S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2005 REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 14 75 /2 00 5- 06 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10840.001475/200506 Acórdão n.º 9303005.633 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.271, da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para, na parte que interessa ao presente julgamento: · reconhecer o direito de crédito sobre as despesas com o transporte de funcionários; · reconhecer o direito de crédito sobre os gastos com combustíveis e lubrificantes para o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto ao reconhecimento do direito de crédito sobre os itens relacionados acima. Em síntese, argumenta a Recorrente que tais bens/serviços não são consumidos diretamente em contato com o produto em elaboração, não fazendo jus, portanto, ao creditamento das contribuições. Mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentados pelo sujeito passivo, requerendo o não provimento do recurso. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial apontando divergência quanto à possibilidade de aproveitar o crédito presumido da agroindústria em pedidos de restituição e compensação. Todavia, mediante despacho do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi negado seguimento ao Recurso Especial do sujeito passivo. Em agosto de 2017 foi juntado aos autos Memorando e Termo de Desistência. Nesse último, o contribuinte reclama da não inclusão de parte dos débitos do presente processo na consolidação do parcelamento da Lei 12.996/14, conforme pedido apresentado em 18/06/2014. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.631, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10840.000403/200533, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10840.001475/200506 Acórdão n.º 9303005.633 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.631): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas. Recordo apenas que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional traz discussão acerca da constituição ou não de crédito sobre gastos com transporte de funcionários e com combustíveis e lubrificantes." Do Mérito "(...)1 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da contribuição para o PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS sobre despesas com serviços de transporte de funcionários utilizados no corte da canadeaçúcar e com as aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados diretamente no processo produtivo. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais itens integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. 1 Deixouse de transcrever o voto da relatora do paradigma, que defendia o direito ao creditamento dos bens/serviços objeto do recurso, pois esse entendimento foi vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do presente litígio (íntegra do voto no acórdão do processo paradigma). Transcrevese, como mencionado, apenas o entendimento que prevaleceu. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10840.001475/200506 Acórdão n.º 9303005.633 CSRFT3 Fl. 5 4 A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotado pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO); IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007); X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...). Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10840.001475/200506 Acórdão n.º 9303005.633 CSRFT3 Fl. 6 5 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as despesas com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes não foram utilizadas diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Tais gastos foram incorridos com o custeio agrícola da canadeaçúcar, mais especificamente com o maquinário utilizado no corte e transporte da canadeaçúcar e no transporte de pessoas (trabalhadores rurais) entre a sede da empresa e a lavoura. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos (açúcar e álcool) não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens e serviços que não foram utilizados diretamente no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no custeio agrícola da canadeaçúcar, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10840.001475/200506 Acórdão n.º 9303005.633 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 268DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003852/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
ARTIGO 30 DA LEI Nº 10.833/2003. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO.
Não se sustenta a incidência do artigo 30 da Lei nº 10.833/2003, caso a Fiscalização não comprove a efetivação de pagamento a pessoas jurídicas pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mão-de-obra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, ou pela remuneração de serviços profissionais.
Numero da decisão: 1301-002.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Milene de Araújo Macedo acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO. Não se sustenta a incidência do artigo 30 da Lei nº 10.833/2003, caso a Fiscalização não comprove a efetivação de pagamento a pessoas jurídicas pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, ou pela remuneração de serviços profissionais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Milene de Araújo Macedo acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 52 /2 00 9- 23 Fl. 643DF CARF MF Processo nº 19515.003852/200923 Acórdão n.º 1301002.564 S1C3T1 Fl. 644 2 Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Jose Eduardo Dornelas Souza, Flávio Franco Corrêa e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Trata se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ/São Paulo, que julgou improcedente a impugnação apresentada para hostilizar autos de infração de PIS/Pasep, Cofins e CSLL retidas na fonte, quando do pagamento a pessoas jurídicas de direito privado por prestação de serviços. Pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 28/07/2009, às fls. 38/39, a Fiscalização deixou consignado seguinte: "No exercício dos funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, durante a execução do procedimento de Verificações Obrigatórios, relacionados com a fiscalização em curso, cujo objeto principal é o IRPJ do anocalendário 2005, CONSTATAMOS as diferenças abaixo apontadas e, com fulcro nos artigos 904, 905, 907, 91 1 e 927, todos do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, e do §1° do art. 71 da MP 2.15835/2.001, vimos por meio do presente INTIMAR o contribuinte em epígrafe para que, no prazo de 05 (cinco) dias úteis a contar do ciente aqui exarado, apresente os documentos e/ou esclarecimentos abaixo: 1) Justificativa das diferenças encontradas entre a contabilização, declaração em DCTF e pagamento em DARF das retenções das contribuições sociais (CSLL. PIS e COFINS) nos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas de direito privado pela prestação de serviços, conforme tabela abaixo: Fl. 644DF CARF MF Processo nº 19515.003852/200923 Acórdão n.º 1301002.564 S1C3T1 Fl. 645 3 2) Apresentar o razão da conto contábil n° 0212415219 OB. CPCSLL, PlS, COFlNS (MP 135) S/ SERV.TERC. assinado e rubricado pelo representante legal do empresa ou procurador." A resposta da fiscalizada à intimação acima está inserida às fls. 43/44, verbis: “A empresa deparouse com dificuldade de demonstrar os pagamentos efetuados frente aos valores provisionados tendo em vista que houve desencontro das informações conforme passamos a explicar: A Lei 10.833/03 no seu art. 30 traz o seguinte texto: Art. 30. Os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, Fl. 645DF CARF MF Processo nº 19515.003852/200923 Acórdão n.º 1301002.564 S1C3T1 Fl. 646 4 gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, bem como pela remuneração de serviços profissionais, estão sujeitos a retenção na fonte da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. (Vide Medida Provisória n° 232, 2004). (grifos nossos) Sendo assim a referida empresa adotou como procedimento reter os tributos no momento do pagamento ao fornecedor. Entretanto, em obediência ao Princípio da Competência provisionou integralmente o valor devido aos seus fornecedores e os respectivos tributos pelo valor total. Um fornecedor provisionado em janeiro pode ter concedido prazo de 30, 60 e 90 dias para pagamento. Dessa forma, o valor do imposto registrado integralmente no ingresso da nota fiscal foi pago parceladamente no momento do pagamento ao fornecedor. Como a baixa precisa ser feita com o registro do DARF e estes deverão ser contabilizados no mês do efetivo pagamento, fica difícil a conciliação [...] Na conciliação que a empresa apresentou a essa fiscalização, podese perceber claramente essas divergências pois, há meses em que a empresa apura saldo credor e outros em que apura saldo devedor. [D]O confronto entre os valores a crédito e [a]débito restou um saldo, supostamente, a recolher de R$ 77 mil. Entretanto não temos como afirmar tratarse de valores que não foram pagos tendo em vista a dificuldade de conciliação acima mencionada. A conciliação a que se refere a recorrente nos parágrafos acima consta às fls. 067/084 destes autos.” Mais adiante, prosseguiu a Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 91/92: "... Da explicação prestada pela empresa podemos constatar que ocorreu um descontrole entre apuração e pagamento/declaração dos valores. No termo de constatação e intimação fiscal, lavrada em 28/07/09, o contribuinte foi intimado a apresentar a justificativa para as diferenças apuradas na tabela ali apresentada. Em números arredondados, constatamos que houve registro na contabilidade da retenção de R$ l.353.000, pagamento[s] de R$ 912.000 e declaração em DCTF de R$ 927.000. Só considerando valores originais, sem levar em consideração eventuais penalidades moratórias a diferença entre o retido e o declarado em DCTF montaria em R$ 426.000. Mesmo o sujeito passivo alegando dificuldades na conciliação dos valores não há como negar a vultosa diferença entre o valor apresentado na justificativa anterior à intimação e o valor acima citado: [(426.000/ 77.000)l] x l00 = 453% Ao demonstrar insegurança no controle e recolhimento dos valores retidos, o contribuinte não nos deixa outra opção senão a de sermos conservadores na preservação dos direitos do Erário. Portanto, nos baseamos na planilha apresentada na intimação lavrada em 28/07/2009 para efetuar o lançamento das contribuições para o PIS, a COFINS e a CSLL. Considerando os valores da coluna “Lançamento” como a retenção de 4,65%, os dividimos na proporção de 1,00%, 3,00% e 0,65% conforme disposto no caput do art. 31 da Lei 10.833/2003. Não consideramos os valores recolhidos ou declarados a maior nas linhas onde a coluna “Lançamento" apresentou o valor zero. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 19515.003852/200923 Acórdão n.º 1301002.564 S1C3T1 Fl. 647 5 Imprimimos de nosso sistema informatizado os valores declarados em DCTF para as contribuições sociais retidas na fonte CSRF (fls. 085 a 089) e as totalizamos por quinzena na folha seguinte." Os valores das contribuições lançadas estão demonstrados na tabela abaixo, que é parte integrante deste auto de infração Apenas para finalidade de edição do respectivo Auto de Infração agrupamos trimestralmente os valores retidos de CSLL.Este procedimento não causou nenhum prejuízo ao sujeito passivo, uma vez que resultou em menor cobrança de juros moratórios. Também por características do programa emissor dos autos de infração, alertamos que: onde se lê “COFINS apuração cumulativa", leiase “COFINS CSRF": onde se le “PIS apuração cumulativa", leiase “PIS CSRF": onde se lê “CSLL lucro presumido", leiase "CSLL CSRF"; O escopo do presente trabalho foi apenas fazer a verificação dos valores retidos na contabilidade versus os valores pagos ou declarados e a isto nos limitamos. Não checamos os documentos fiscais, apenas o livro diário e os controles internos da RFB no tocante a valores recolhidos e declarados. Face ao grande volume de cópias das folhas do livro diário que seriam necessárias para a documentação dos lançamentos, juntamos ao presente processo o razão da conta contábil em questão rubricado e assinado pelo procurador do contribuinte (fls. 045 a 066)." Impugnação às fls. 195/225. Decisão de primeira instância às fls. 244/249, assim ementada: "Assumo: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 19515.003852/200923 Acórdão n.º 1301002.564 S1C3T1 Fl. 648 6 Anocalendário: 2005 ESCRITURADO X DECLARADO/RECOLHIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não há que se acatar alegação de mero erro, uma vez que ausente a comprovação da ocorrência, bem como do efetivo recolhimento, declaração ou estorno contábil dos valores lançados à conta de passivo." Ciência de decisão de primeira instância no dia 17/03/2010, à fl. 258. Recurso a este Colegiado com entrada da repartição de origem no dia 16/04/2010, às fls. 265/280, para o lançamento de COFINS; às fls. 282/297, para o lançamento de PIS/PASEP e às fls. 299/314, para o lançamento de CSLL. Nessa oportunidade, alega (i) constituição de créditos tributários mediante lançamentos de ofício calcados em meras presunções pessoais, (ii) lançamentos efetuados com base em valores que não constituíam receitas da atividade da recorrente; (iii) dispensa de retenção para pagamento igual ou ineferior a R$ 5.000,00. Ao final, pugna pelo recebimento de documentos até o julgamento, requerendo, ainda, que se reconheça a improcedência total dos lançamentos de ofício. Em sessão realizada em 21/10/2014, esta Turma deliberou pela conversão do julgamento em diligência “para verificar a integralidade dos pagamentos das contribuições retidas na Fonte.” No curso da diligência requerida, a Fiscalização reuniu os documentos de arrecadação (DARF) apresentados pela recorrente sob a intimação de fl. 524, juntandoos a uma relação de outros DARF que constam do sistema de dados da Receita Federal, embora não exibidos pela pessoa jurídica intimada, conforme explica a autoridade fiscal às fls. 518/519. Ao término da diligência, a autoridade fiscal concluiu, considerando tanto os DARF apresentados quanto os DARF não entregues, de acordo com o exposto no parágrafo precedente, que os recolhimentos efetuados pela recorrente foram considerados pela Fiscalização, na apuração do valor da contribuição devida A autoridade diligenciante ainda arremata com a seguinte anotação, à fls. 522/523: “Com relação aos valores das contribuições lançadas no auto de infração, a cópia do razão contábil da conta 212415219 não é um documento novo trazido ao processo. Nas folhas 54 a 92 do processo constam as páginas do razão contábil da conta 212415219, inclusive com a planilha consolidada dos valores debitados e creditados, assinado pelo responsável pela Controladoria de seu departamento fiscal. Nos documentos anteriormente anexados é possível verificar a data do documento e a data do lançamento, rechaçandose prontamente a tese de que se tratam de provisões contábeis. O próprio responsável, na ocasião, relacionou os valores creditados na conta PIS, Cofins e CSLL retidos na fonte, e que foram excluídos dos valores lançados nos autos de infração. (grifei) Com relação a constante afirmação de que a empresa estaria dispensada de reter as contribuições em notas iguais ou inferiores a cinco mil reais, dentro de um Fl. 648DF CARF MF Processo nº 19515.003852/200923 Acórdão n.º 1301002.564 S1C3T1 Fl. 649 7 mesmo mês, por força do parágrafo 3° do artigo 31 da Lei n° 10.833/03, verificamos que: a) o parágrafo 4° do artigo 31 da Lei n° 10.833/03 determina que os valores devem ser somados dentro do mesmo mês conforme segue: “§ 4o Ocorrendo mais de um pagamento no mesmo mês à mesma pessoa jurídica, deverá ser efetuada a soma de todos os valores pagos no mês para efeito de cálculo do limite de retenção previsto no § 3o deste artigo, compensandose o valor retido anteriormente.” b) não houve a apresentação das notas fiscais relativas aos serviços prestados por pessoas jurídicas no ano fiscalizado; b) não verifico no razão contábil a situação em que, dentro de um mesmo mês, existiram pagamentos de notas fiscais cuja soma fosse igual ou inferior a cinco mil reais. c) ainda que fosse possível localizar uma nota, para a mesma empresa, em valores iguais ou inferiores a cinco mil reais, uma vez retidas as contribuições, os valores devem ser recolhidos. Concluo, portanto, que as contribuições sociais retidas na fonte, por serviços prestados por pessoas jurídicas, não foram integralmente recolhidas e as divergências correspondem aos valores lançados nos autos de infração lavrados.” A recorrente não se manfestou sobre a diligência supra, não obstante intimada para tal, às fls. 637/639. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente recurso, foram atendidos os pressupostos de recorribilidade. Dele conheço. Segundo a Fiscalização, a recorrente não justificou as diferenças havidas entre os valores (i) contabilizados, (ii) lançados em DCTF e (iii) os que constam em DARF, referentes às contribuições sociais retidas na fonte, a teor da planilha abaixo, reproduzida do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 38/39: Fl. 649DF CARF MF Processo nº 19515.003852/200923 Acórdão n.º 1301002.564 S1C3T1 Fl. 650 8 Na verdade, para fins de lançamento de ofício, a Fiscalização apenas considerou as diferenças entre (a) os valores contabilizados e (b) os lançados em DCTF, quando os primeiros (a) superavam os últimos (b). Por sua vez, as diferenças favoráveis aos valores lançados em DCTF [isto é, quando (b) > (a)] foram desprezadas. Isso também está claro no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 91, no trecho em que o agente fiscal relata que, “durante o procedimento de verificações obrigatórias”, pôde constatar que “o contribuinte em epígrafe registrou na conta contábil nº 0212415219 – OB. CP. – CSLL, PIS, COFINS (MP 135) S/SER. TERC valores a maior que os recolhidos e declarados em DCTF.” Também é preciso ter em vista que a planilha acima resultou de uma outra, às fls. 67/84, elaborada pela recorrente para apresentar ao agente do Fisco o que ela – a recorrente chamou de “conciliação”, conforme traduz o Termo de Verificação Fiscal1, às fls. 91/92, 1 "Na conciliação que a empresa apresentou a essa fiscalização, podese perceber claramente essas divergências pois, há meses em que a empresa apura saldo credor e outros em que apura saldo devedor. [D]O confronto entre os valores a crédito e [a]débito restou um saldo, supostamente, a recolher de R$ 77 mil. Entretanto não temos como afirmar tratarse de valores que não foram pagos tendo em vista a dificuldade de conciliação acima mencionada. A conciliação a que se refere a recorrente nos parágrafos acima consta às fls. 067/084 destes autos." Fl. 650DF CARF MF Processo nº 19515.003852/200923 Acórdão n.º 1301002.564 S1C3T1 Fl. 651 9 referindose aos regitros contábeis da conta nº 0212415219 – OB. CP. – CSLL, PIS, COFINS (MP 135) S/SER. TERC. Tal “conciliação” almejou clarificar os lançamentos contábeis registrados na ficha do Razão da conta nº 0212415219 – OB. CP. – CSLL, PIS, COFINS (MP 135) S/SER. TERC, às fls. 46/66, repletos – e não havia como ser diferente – de números representativos de diversas contas contábeis que integram o plano de contas. Como se vê, a “conciliação” agrupa os registros contábeis em períodos quinzenais de cada mês, mencionando os números dos documentos que dão lastro a cada registro no Razão da conta contábil nº 0212415219 – OB. CP. – CSLL, PIS, COFINS (MP 135) S/SER. TERC, bem como as datas desses registros contábeis e dos respectivos documentos e, ainda, os valores relacionados a cada lançamento efetuado naquela ficha do Razão. Além desses dados, cada registro contábil transcrito na “conciliação” dispõe de uma resumida indicação dos fatos que emprestam fundamento a esses registros e os sinais de “D” ou “C”, representativos de lançamento a débito ou a cédito, conforme o caso, na conta contábil nº conta nº 0212415219 – OB. CP. – CSLL, PIS, COFINS (MP 135) S/SER. TERC. Por exemplo, o texto “0053072, LOGICTEL S/A, 70066” sugere a realização de prática negocial entre a recorrente e a fornecedora LOGICTEL S/A, registrada na contabilidade no dia 15/03/2005, pelo valor de R$ 615,24 (fl. 68), a crédito da precitada conta contábil. Ora, tratandose de uma conta do passivo para registros de obrigações tributárias, como efetivamente se trata, não se pode esperar que o registro a crédito nela consignado, tal e qual o antecedente, reflita algo distinto de uma provisão para pagamento de uma dívida reconhecida. O que ainda não se tem por revelado é se o reconhecimento dessa dívida tributária mediante lançamento contábil decorreu da concomitante constituição, na contabilidade, da dívida negocial com a LOGICTEL, ou se o reconhecimento dessa dívida tributária mediante lançamento contábil decorreu do concomitante registro na contabilidade do pagamento daquela dívida negocial. Na primeira hipótese, não há que se falar em fato gerador das contribuições objeto do lançamento tributário de ofício, ao passo que, na segunda hipótese, podese dizer que ocorreu o fato gerador. Sustenta a recorrente que os autos de infração não podem subsistir, “pois o próprio fiscal anota que correlacionou os valores contabilizados em provisionamento com os declarados (DCTF) e com os pagos (DARF)”. Em outro ponto da tese defensiva, salienta que o Fisco, com estes autos de infração, pretende “simplesmente tributar uma conta de provisão contábil, como se esta fosse, por si só, “pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado, nos termos exigidos pelo art. 30 da Lei nº 10.833/03.” Assim, desconsidera que a obrigação de retenção “apenas incide (sic) quando da efetiva realização dos pagamentos.” Desde a resposta à Fiscalização, às fls. 43/44, a recorrente manifesta que “adotou como procedimento reter os tributos no momento do pagamento ao fornecedor. Entretanto, em obediência ao Princípio da Competência provisionou integralmente o valor devido aos seus fornecedores e os respectivos tributos pelo valor total. Um fornecedor provisionado em janeiro pode ter concedido prazo de 30, 60 e 90 dias para pagamento. Dessa forma, o valor do imposto registrado integralmente no ingresso da nota fiscal foi pago parceladamente no momento do pagamento ao fornecedor. Como a baixa precisa ser feita com o registro do DARF e estes deverão ser contabilizados no mês do efetivo pagamento, fica difícil a conciliação.” Entendo que a recorrente está com a razão. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 19515.003852/200923 Acórdão n.º 1301002.564 S1C3T1 Fl. 652 10 O essencial para a manutenção dos lançamentos em foco se situa na comprovação inequívoca de pagamentos a pessoas jurídicas pela prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção, segurança, vigilância, transporte de valores e locação de mãodeobra, pela prestação de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, ou pela remuneração de serviços profissionais, na forma do artigo 30 da Lei nº 10.833/2003. Percebase, pois, que, ainda que a “conciliação” espelhasse a realização de pagamentos – o que efetivamente não se tem por provado – os autos carecem de mínimas evidências de que teriam sido efetuados para remunerar prestadores dos serviços do rol inscrito no suprarreferido artigo 30 da Lei nº 10.833/2003. Em face do exposto, provejo o recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 652DF CARF MF
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Numero do processo: 36624.004803/2007-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 28/02/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 48 03 /2 00 7- 28 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 36624.004803/200728 Acórdão n.º 9202006.127 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 183DF CARF MF Processo nº 36624.004803/200728 Acórdão n.º 9202006.127 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 36624.004803/200728 Acórdão n.º 9202006.127 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 36624.004803/200728 Acórdão n.º 9202006.127 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 186DF CARF MF Processo nº 36624.004803/200728 Acórdão n.º 9202006.127 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 187DF CARF MF Processo nº 36624.004803/200728 Acórdão n.º 9202006.127 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 188DF CARF MF Processo nº 36624.004803/200728 Acórdão n.º 9202006.127 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 189DF CARF MF
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