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Numero do processo: 10380.001718/2003-09
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PERC - REGULARIDADE FISCAL - MOMENTO DA VERIFICAÇÃO - Descabe o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas posterior à opção pelo benefício fiscal.
Recurso provido para que seja apreciado o PERC.
Numero da decisão: 105-17.344
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: José Carlos Passuello
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I 411,-1::k4 MINISTÉRIO DA FAZENDA "e;;k: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .,:ate QUINTA CÂMARA Processo n° 10380.001718/2003-09 Recurso n° 154.440 Voluntário Matéria IRPJ - EX.: 2000 Acórdão n° 105-17.344 Sessão de 13 de novembro de 2008 Recorrente NACIONAL INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida 3a TURMA/DRJ-FORTALEZA/CE Ementa: PERC - REGULARIDADE FISCAL - MOMENTO DA VERIFICAÇÃO - Descabe o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas posterior à opção pelo beneficio fiscal. Recurso provido para que seja apreciado o PERC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam ai egrar o presente julgado. ' r\ ge J 4 " . CLÓVIS ALV ...: 'ii Presiden -, /4 4,,f4eLett JOS VCARLOS PASSUELL Relator Formalizado em: 06 FEv 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA, WALDIR VEIGA ROCHA e ALEXANDRE ANTÔNIO ALICMIM TEIXEIRA. i Processo n° 10380.001718/2003-09 MUCOSa Acórdão n.° 105-17.344 ri Relatório Retoma a este Colegiado o processo após cumprida a diligência determinada pela Resolução n° 105-1.309, de 28.03.2007 com o despacho de fls. 236, onde a autoridade diligenciante esclareceu: "Trata-se de diligência solicitada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (Quinta Câmara), visando constatar se a situação fiscal do contribuinte na data da entrega da declaração de rendimentos era regular. 2. O manual de Incentivos Fiscais do ano-calendário 1999 dispõe que o objetivo do sistema PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais é atender aos contribuintes pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real, com opção de aplicação de parcela do IRPJ no FINOR, FINAM ou FUNRES, mas que não tiveram seus Incentivos Fiscais liberados no processamento da OEIF, quer no total ou em parte, por terem incorrido em alguma ocorrência de malha, cadastro ou débito. 2.1 O motivo do PERC é exatamente atender aqueles contribuintes que não tiveram os Incentivos Fiscais liberados quando do processamento de suas declarações pelos motivos acima citados e que regularizaram suas pendências para, assim, terem o direito ao incentivo. No caso em tela, mesmo com a oportunidade de regularizar suas pendências o contribuinte não as corrigiu. Motivo pelo qual foi indeferido o seu pedido. 2.2 O que foi solicitado por esse Primeiro Conselho de Contribuintes é exatamente o que o extrato à folha 02 reproduz: a situação fiscal no exato momento do processamento da DIPJ. 3. Informamos, ainda, a impossibilidade de se fazer pesquisa com relação à regularidade do contribuinte com data retroativa, uma vez que nosso sistema é estanque, só nos sendo permitido averiguar a situação na data da consulta." O resolução solicitava: "Diante do exposto, entendendo não estar o processo em condições de ser julgado, converto o julgamento em diligência para que a unidade local da Secretaria da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte preste os seguintes esclarecimentos: a) informe se na data da entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais (DIPJ), relativa ao exercício de 1999, a recorrente encontrava-se com a sua situação fiscal regular; e b) não sendo possível prestar a informação requerida na letra "a", esclareça se entre os motivos que levaram a não emissão de incentivos fiscais na forma da opção exercida pela recorrente está o fato de que ela não se encontrava regular em rela ão aos tributos e contribuiçõe federais. 2 Processo n° 10380,001718/2003-09 CCO PCO5 Acórdão n.° 1051 7.344 ns. 3 No caso da constatação da existência de débitos de tributos e contribuições federais em nome da recorrente, em qualquer dos momentos (data da entrega da declaração ou da emissão automática dos incentivos), solicitamos que se elabore demonstrativo, no qual deverão ser explicitados, de forma clara, os referidos débitos. Ao final do procedimento que ora se requer, a recorrente deverá ser intimada a tomar ciência dos seus resultados, abrindo-se prazo para que ela, querendo, se pronuncie." Não foi oferecido ao contribuinte o direito a se manifestar sobre o relatório da fiscalização (diligência) como determinado pela Resolução. Assim se apresenta o processo para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator O recurso já foi admitido na sessão de 28.03.2007, devendo prosseguir o julgamento. Conforme relatório elaborado pela autoridade diligenciante, não conseguiu ela apurar os dados na forma que foram solicitados. Alegou, ainda, que o extrato de fls. 02 reproduz a situação fiscal no exato momento do processamento da D1PJ, e deixou de oferecer ao contribuinte a possibilidade de se manifestar sobre tal afirmativa e às demais constatações constantes do relatório diligencial. Porém, o relatório de fls. 02 apresenta a data de emissão de 17.09.2002 e se refere à DIPJ/2000 — AC 1999, o que demonstra que a posição do débito apontado como existente mas sem identificação precisa somente constou dos controles da repartição em setembro de 2002. Isso se comprova pela exigência de novos documentos à recorrente em 2005 (fls. 33). Diante disso entendo não restar comprovada a existência de impedimentos à apreciação do PERC sob exame na data da entrega da declaração de rendimentos, momento da opção juridicamente válido. Diante disso, encaminho meu voto no sentido de que seja apreciado . " - o que toma irrelevante a falta de abertura do prazo para manifestação da recorre e seb - o conteúdo da diligência, já que seu direito de defesa em nada ficou prejudicado. 1(9 /A 3 Processo n° 10380.001718/2003-09 MICOS Acórdão n.° 105-17.344 Fls. 4 Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso voluntário e determinar à autoridade administrativa de jurisdição da recorrente para que promova a apreciação do PERC. Sala essõ - , em 13 de novembro de 2008. JO 'CARLOS PASSUELLO 4 Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10380.014639/98-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2002
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE DO LANÇAMENTO - O Auto de Infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72(Processo Administrativo Fiscal).
IRPF - RENDIMENTOS TRIBURÁVEIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, a partir de 01/01/89, deverá ser apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos forem percebidos, sendo, desta forma incorreta a apuração de omissão de rendimentos por intermédio de fluxo de caixa anual.
Recurso provido.
Numero da decisão: 106-12.595
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Thaisa Jansen Pereira.
Nome do relator: Luiz Antonio de Paula
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IRPF — RENDIMENTOS TRIBURÁVEIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, a partir de 01/01/89, deverá ser apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos forem percebidos, sendo, desta forma incorreta a apuração de omissão de rendimentos por intermédio de fluxo de caixa anual. Recurso provido. _ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por WANTAN LAÉRCIO. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Thaisa Jansen Pereira. IACY‘G‘ MARTINS MORAIS PRESIDENTE /Ca LUIZ ANTONIO DE PAULA RELATOR FORMALIZADO EM: 07 NOV Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÉNIA MENDES DE BRITTO, ROMEU BUENO DE CAMARGO, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, EDISON CARLOS FERNANDES e WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. , . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-12.595 Recurso n°. : 128.650 Recorrente : WANTAN LAÉRCIO RELATÓRIO Wantan Laércio, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 190/196, proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza - CE, recorre a este Conselho pleiteando a sua reforma, nos termos do recurso voluntário de fls. 202/221. Contra o contribuinte acima mencionado foi efetuado a lavratura do Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 04/10, com ciência pessoal em 18/11/98, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 169.280,33 sendo: R$ 76.353,20 de imposto, R$ 35.662,23 de juros de mora(calculados até 30/10/98) e R$ 57.264,90 de multa de ofício (75%), correspondentes aos exercícios de 1996 e 1997, anos-calendário de 1995 e 1996, respectivamente. O lançamento foi motivado pela constatação das seguintes irregularidades: 1 — RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDO DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de diversas fontes, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício. cuja infração está devidamente capitulada no Auto de Infração à fl. 09. FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL 12/95 R$ 384,55 12/96 R$ 18.972,00 49 àk\ 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-12.595 2— ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista variação patrimonial a descoberto, conforme demonstrado nas Planilhas às fls. 12/13. Enquadramento legal MI. 10. FATO GERADOR VALOR TRIBUTÁVEL 12/95 R$ 109.101,24 12/96 R$ 146.603,16 Às fls. 01/03 e 11/98 dos autos, estão juntados os documentos e demonstrativos produzidos durante os procedimentos da ação fiscal. Em sua peça impugnatória de fls. 100/107, tempestivamente protocolado. em 10/12/98, o contribuinte, por intermédio de seu procurador (Instrumento fl. 109) apresentou os argumentos de defesa que estão devidamente relatados na r. decisão. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a autoridade julgadora "a quo" concluiu pela procedência em parte da ação fiscal em causa para declarar agravada a exigência inicial, devolvendo o prazo para impugnação ao sujeito passivo, nos termos do parágrafo único, do artigo 15 do Decreto n° 70.235/72 (Decisão DRJ/FLA N° 866, de 19/10/1999 — fls. 136/144) e refazendo os cálculos (fl. 143), apurou-se para o exercício de 1996 o montante de R$ 31.170,33 de imposto e R$ 20.409,94 para o exercício de 1997, mais multa de ofício (75%) e juros de mora. Ressaltando o que consta na Ordem de Intimação (fl. 144). "A presente decisão deverá ser anexado novo Auto de Infração, tendo em vista o agravamento ora procedido". A ementa da decisão da autoridade singular que resumidamente consubstanciou os fundamentos da ação fiscal é a seguinte: j5ç 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-12.595 *Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1996 e 1997 Ementa: Acréscimo Patrimonial a Descoberto São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Ementa: Agravamento da Exigência Na hipótese de agravamento da exigência inicial decorrente de decisão de primeira instância, será devolvido o prazo de 30(trinta) dias a contar da ciência desta, para a apresentação de nova impugnação, relativa à matéria agravada. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE". Em atenção ao determinado na decisão de primeira instância, procedeu-se a lavratura do Auto de Infração, face ao agravamento da exigência. Cientificado da decisão de Primeira Instância e do Auto de Infração, em 1910612000("AR" — fl. 158), o contribuinte, por intermédio de seu procurador apresentou nova impugnação às fls. 159/172, cujos argumentos estão devidamente relatados pela autoridade julgadora *a quo", às fls. 191/193. Novamente, após resumir os fatos constantes da autuação e as razões apresentadas pelo impugnante, concluiu pela procedência do lançamento, em Decisão DRJ/FLA N° 1.709, de 18 de dezembro de 2000 (fls. 190/196), que contém a seguinte ementa: `Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1996, 1997 Ementa: Acréscimo Patrimonial a Descoberto São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Nulidade Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos atts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235172, não há que se falar em nulidade do lançamento formalizado através de auto de infração. LANÇAMENTO PROCEDENTE'n 4 V N\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-12.595 Dessa decisão, foi cientificado em 21/02/2001, 'AR' — fl. 201, o recorrente interpôs, tempestivamente (22/03/2001), por intermédio de seu representante legal (Procuração — fl. 109) o recurso voluntário de fls. 202/221, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em apertada síntese, que: - ratifica na íntegra a impugnação apresentada, às fls. 159/171 (transcrição); - a r. decisão foi totalmente desmotivada, não tendo sequer o zelo de verificar e diligenciar no sentido de esclarecer a verdade dos fatos, ou mesmo solicitando novas verificações fiscais, valendo-se de seus entendimentos equivocados, desprezando toda a realidade fática e principalmente, as decisões emanadas desse Egrégio Conselho; - ressalta que a autoridade julgadora peca pela falta de clareza, ao afirmar que as Planilhas da evolução patrimonial espelham praticamente os mesmos recursos e dispêndios existentes quando do Auto de Infração originário, e que são de fácil percepção; - a legislação exige que ao efetuar o levantamento patrimonial, recomponha as origens e aplicações dos recursos do contribuinte, e não se utilizar expressões: 'percepção', 'praticamente', advinhação ou coisa que se valha; - adiante, afirma explicitamente, que por dedução chegou a conclusão que ele já deveria ter pagado anteriormente, em outra ocasião, dentro do mesmo exercício, uma quantia de R$ 22.320,07. Não existem nos autos documentos que se pode comprovar tal assertiva, somente a Sra. Delegada Julgadora chegou a esta conclusão; - ainda, se utiliza um procedimento totalmente ilegal para manter o auto de infração, e transcreve que: 'uma vez que ao proceder à és 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-12.595 entrega de tais Declarações, o declarante está assumindo como expressão da verdade, as informações por ele prestadas e ali contidas, por elas se responsabilizando mediante "Termo de Responsabilidade.' - um mero engano de informação, jamais poderá servir de base para constituir e manter crédito tributário a favor da União; - contesta ainda, a afirmação de que foram computados os rendimentos decorrentes de aplicações financeiras, na apuração do acréscimo patrimonial, é puro sofisma, uma vez que não foi rebatida pela autoridade julgadora o Quadro Demonstrativo elaborado, com apresentação de documentação comprobatória, onde ficam claros que estes rendimentos não foram considerados pela Fiscalização, nem consta da decisão ou recomposto no novo Auto de Infração, que pudesse de alguma maneira caracterizar essa pretensão; - no final, mantém na íntegra todo os termos dos arrazoados da impugnação, que foram respaldados na documentação comprobatória. No final, o recorrente mantém na íntegra todo os termos dos arrazoados da impugnação, que foram respaldados na documentação comprobatória, e, requer que sejam acolhidas as razões apresentadas, para dar provimento ao recurso. As fls. 229/236, constam procedimentos pertinentes ao Arrolamento de Bens com fundamento no Decreto n° 3.717, de 03 de janeiro de 2001 e na Instrução Normativa SRF n°26, de 06 de março de 2001. É o Relatório. 5\ 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-12.595 VOTO Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA, Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Na preliminar suscitada em fase de impugnação, e, que no recurso voluntário mantém na íntegra todos os termos ali esposados, entende o recorrente que deve ser declarado a nulidade do lançamento, tendo em vista que: - a lavratura do Auto de Infração foi efetuada em total desacordo com as normas vigentes no Regulamento do Imposto de Renda, e em especial, as que regulam o Processo Administrativo Fiscal. - o Auto de Infração não explicita com clareza os fatos que o motivaram, apenas cita tratar-se de acréscimo patrimonial a descoberto; - as Planilhas da Evolução Patrimonial não deixam transparecer quais as fontes que compuseram o total dos recursos apurados, assim como a formação dos dispêndios; A autoridade julgadora de primeira instância ao apreciar esta preliminar fundamentou com muita propriedade a rejeição da mesma, e, por não ter trazido novas argumentações na fase recursal, para que não haja meras repetições, adoto os argumentos ali expostos uma vez que descabe a alegação de nulidade do lançamento do crédito tributário, uma vez que o Auto de Infração atende rigorosamente a todos os quesitos do art. 10 do Decreto n° 70.235172. Ademais, diz o Processo Administrativo Fiscal — Decreto n° 70.235172: t,-\ 1S\ 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-12.595 'Art. 59— São nulos: 1— Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 11 — Os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa° Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso presente, a nulidade do lançamento do crédito tributário. Ora, a autoridade singular cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Não procede a alegação do recorrente que as planilhas não explicitaram com clareza os fatos que o motivaram, uma vez que estão claramente demonstrados. Tanto é verdade, que o contribuinte entendeu com nitidez a acusação que lhe era imputada, ficando provada materialização da hipótese de incidência e/ou ilícito cometido, que de forma brilhante contestou-os. Além disso, o art. 60 do Decreto n° 70.235/72, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo diploma legal não importarão em nulidade e serão sanadas quando 1 resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Mesmo que verdade fosse, para fins de argumentações, ainda 1 assim, não haveria cerceamento do direito de defesa, já que a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante 1 extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito. 2!\\ 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-1Z595 Dessa forma, entendo como descabida a preliminar da nulidade suscitada. No mérito, o que se discute no presente processo restou tão somente a omissão de rendimentos provenientes de acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que o autuado acatou a infração pertinente à omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, tendo efetuado os devidos recolhimentos. Nas razões expostas no recurso voluntário, o recorrente contesta inicialmente pelo fato de não ter a autoridade 'a quo" diligenciado no sentido de esclarecer a verdade dos fatos, ou solicitando novas verificações fiscais, restringindo-se em seus entendimentos. É oportuno esclarecer ao recorrente que as diligências e perícias devem ser requeridas na impugnação ou no prazo desta, conforme determina o art. 16, IV e art. 18 do Decreto n°70.235112, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. E pelas disposições do caput do art. 18, a autoridade administrativa recebe a outorga de poder discricionário para avaliar e decidir sobre a conveniência, inconveniência, pertinência ou impertinência do pedido e da realização das diligências, a requerimento do impugnante, o que não foi o caso em contenda. E, tendo o julgador entendido que os fatos estavam evidenciados nos autos, tomaria desnecessárias novas verificações fiscais. Assim, não posso concordar com o recorrente de que a autoridade de primeira instância desprezou toda a realidade fática, muito pelo contrário. As presunções legais expressamente autorizadas se subordinam ao pressuposto da legalidade objetiva e estrita. Fundamento basilar da determinação e exigência de quaisquer créditos tributários em favor da União. Da qual, decorre, necessariamente, a tipificação cerrada do fato gerador da obrigação tributária. Tais preceitos liminares implicam na evidência de que, uma vez definida a hipótese legal 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-12.595 de incidência tributária, sua aplicação deve se processar sob a égide dos princípios insitos no artigo 37 da Carta Constitucional de 1988, no que respeita à ação administrativa. Ora, no que se relaciona a sinais exteriores de riqueza, neles inseridos eventuais aumentos patrimoniais a descoberto, ao contrário do entendimento recorrido, sua apuração dar-se-á em períodos mensais. Isto é, para sua mensuração devem ser consideradas todas as disponibilidades do sujeito passivo, acumulados até o mês do evento, inclusive. Portanto, desde a Lei n° 7.713/88, e legislações posteriores, os rendimentos da pessoa física são tributados, sob regime de caixa, à medida que sejam recebidos ou gastos, na presunção legal autorizada de sinais exteriores de riqueza. Exatamente porque não identificadas às origens de tais rendimentos presumidos, se recebidos de pessoas físicas, se de jurídicas, é que, mediante ato administrativo (Instrução Normativa SRF n° 46/97), embora apuráveis mensalmente, são objetos de tributação apenas na declaração de ajuste anual. O que não implica, nem desvirtua sua apuração mensal. Leva-la para o contexto do ano calendário, de um lado, desvirtua os expressos dispositivos legais em contrário, de outro , o argumento de que tal procedimento apenas beneficia ao contribuinte atenta, não só aos princípios constitucionais antes reportados (Art. 37). Também à isonomia dos direitos individuais (Art. 5°). Porquanto, nesse duplo contexto de diretrizes constitucionais - ação administrativa e direitos individuais - , mesmo a legislação tributária, definida a hipótese legal de incidência, deve, em sua aplicação, gozar de eqüidistância e absoluta isenção, nem beneficiando o sujeito passivo, nem favorecendo o pólo ativo da relação tributária Assim, muito embora o enquadramento legal utilizado no presente lançamento seja irretocável, errou a autoridade fiscal ao aplicar os mandamentos que dele emana, as omissões de rendimentos devem ser apuradas mensal e não anualmente, como procedeu a referida autoridade ao efetuar os cálculos constantes nos demonstrativos. an 4-d t\t\ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n°. : 10380.014639/98-40 Acórdão n°. : 106-12.595 Desta forma, não há como exigir do contribuinte recolhimento algum de imposto aos cofres públicos oriundo de acréscimo patrimonial a descoberto, visto que o montante do crédito tributário provém de cálculos efetuados em desacordo com a legislação em vigor. Cumpre salientar que a 4° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes vem, inclusive, mantendo esta linha de pensamento, conforme se depreende da leitura dos Acórdãos de n°s 104-15.976; 104-16.520, todos de 1998, e 104-17.153, de 1999, este assim ementado: 'O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovado pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada através de planilhamento financeiro('fluxo de caixa"), onde serão considerados todos o ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Desta forma, somente é correto apurar omissão de rendimentos através de "fluxo de caixa", quando esta operação for mensal' Assim, é fácil concluir que, inequivocamente, carece de sustentação legal a apuração anual de eventuais sinais exteriores de riqueza e/ou aumentos patrimoniais a descoberto, como perpetrado pela fiscalização, mantido o procedimento na decisão recorrida. Na esteira dessas considerações, rejeito as preliminares invocadas e, no mérito, ante o princípio da estrita legalidade, dou provimento ao recurso para excluir da exigência os acréscimos patrimoniais a descoberto, correspondentes aos exercícios de 1996 e 1997. Sala das Sessões - DF, em 19 de março de 2002 ~- LUIZ ANTONIO DE PAULA 2\1\ Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034400.PDF Page 1 _0034500.PDF Page 1 _0034600.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10280.002046/93-36
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Fri Jul 16 00:00:00 UTC 1999
Ementa: IMPUGNAÇÃO – APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA – MOVIMENTO GREVISTA – Havendo a autoridade diligenciante atestado que o movimento grevista não impediu o funcionamento regular da Repartição durante o curso do prazo para apresentação regular da impugnação, é de se ter como não cerceando o direito de defesa a decisão que a declarou intempestiva.
Numero da decisão: 103-20047
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS. NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: Victor Luís de Salles Freire
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Numero do processo: 10280.001122/2001-67
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - COMPENSAÇÃO COM OS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR NOS TERMOS DOS DLS NºS 2.445/88 E 2.449/88 - OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL - Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional - antes ou após o lançamento do crédito tributário - com idêntico objeto impõe renúncia às instâncias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via, sem apreciação do mérito. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - Segundo entendimento do STF, o PIS classifica-se como uma contribuição para a Seguridade Social e o art. 45, I, da Lei nº 8.212/91, estipula que o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - A falta de conhecimento e apreciação de argumentos estranhos a lide não caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte e nem suscita a nulidade da decisão. Preliminares rejeitadas. PIS - BASE DE CÁLCULO - A base de cálculo do PIS será o faturamento mensal, entendendo-se como tal a receita bruta da pessoa jurídica. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - Não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores pagos a terceiros. JUROS DE MORA - São exigíveis quando não há depósito judicial do crédito tributário cuja exigibilidade está suspensa. TAXA SELIC - A Taxa SELIC tem previsão legal para ser utilizada no cálculo dos juros de mora devidos sobre os créditos tributários não recolhidos no seu vencimento, ou seja, Lei nº 9.430/96, e este não é o foro competente para discutir eventual inconstitucionalidade porventura existente na lei. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-09183
Decisão: Por unanimidade de votos: I) não se conheceu do recurso, em parte por opção pela via judicial; e, II) na parte conhecida: a) rejeitou-se a argüição de decadência; b) rejeitadas as preliminares de nulidade da decisão de 1ª instância e do auto de infração; e, c) no mérito, negou-se provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Yoshishiro Miname.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
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ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS - COMPENSAÇÃO COM OS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR NOS TERMOS DOS DLS NºS 2.445/88 E 2.449/88 - OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL - Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional - antes ou após o lançamento do crédito tributário - com idêntico objeto impõe renúncia às instâncias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via, sem apreciação do mérito. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - Segundo entendimento do STF, o PIS classifica-se como uma contribuição para a Seguridade Social e o art. 45, I, da Lei nº 8.212/91, estipula que o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - A falta de conhecimento e apreciação de argumentos estranhos a lide não caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte e nem suscita a nulidade da decisão. Preliminares rejeitadas. PIS - BASE DE CÁLCULO - A base de cálculo do PIS será o faturamento mensal, entendendo-se como tal a receita bruta da pessoa jurídica. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - Não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores pagos a terceiros. JUROS DE MORA - São exigíveis quando não há depósito judicial do crédito tributário cuja exigibilidade está suspensa. TAXA SELIC - A Taxa SELIC tem previsão legal para ser utilizada no cálculo dos juros de mora devidos sobre os créditos tributários não recolhidos no seu vencimento, ou seja, Lei nº 9.430/96, e este não é o foro competente para discutir eventual inconstitucionalidade porventura existente na lei. Recurso negado.
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' • Segundo Conselho de Contribuintes Publicado no Diário Oficial da União - Ministério da Fazenda De <2 2 ‘' tooQ 22 CC-MF Fl. Segundo Conselho de Contribuintes e, -4tiere. , o Processo n : 10280.001122/2001-67 Recurso ri : 121.251 Acórdão Q : 203-09.183 Recorrente : REBELO INDÚSTRIA, COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO LTDA. Recorrida : DRJ em Belém - PA NORMAS PROCESSUAIS — COMPENSAÇÃO COM OS VALORES RECOLHIDOS A MAIOR NOS TERMOS DOS DLS N'S 2.445/88 E 2.449/88 - OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL — Ação judicial proposta pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional — antes ou após o lançamento do crédito tributário — com idêntico objeto impõe renúncia às instâncias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via, sem apreciação do mérito. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - Segundo entendimento do STF, o PIS classifica-se como uma contribuição para a Seguridade Social e o art. 45, I, da Lei n° 8.212/91, estipula que o direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele cm que o crédito poderia ter sido constituído. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — A falta de conhecimento e apreciação de argumentos estranhos a lide não caracteriza cerceamento do direito de defesa do contribuinte e nem suscita a nulidade da decisão. Preliminares rejeitadas. PIS - BASE DE CÁLCULO — A base de cálculo do PIS será o faturamento mensal, entendendo-se como tal a receita bruta da pessoa jurídica. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO — Não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores pagos a terceiros. JUROS DE MORA — São exigíveis quando não há depósito judicial do crédito tributário cuja exigibilidade está suspensa. TAXA SEL1C — A Taxa SELIC tem previsão legal para ser utilizada no cálculo dos juros de mora devidos sobre os créditos tributários não recolhidos no seu vencimento, ou seja, Lei n° 9.430/96, e este não é o foro competente para discutir eventual inconstitucionalidade porventura existente na lei. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: REBELO INDÚSTRIA, COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO LTDA. 1 2° CC-MF Ministério da FazendaWr.41 Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo e : 10280.001122/2001-67 Recurso I? : 121.251 Acórdão flQ : 203-09.183 ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: 1) em não conhecer do recurso, em parte, por opção pela via judicial; e II) na parte conhecida: a) em rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade da decisão de primeira instância e do auto de infração; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Yoshishiro Miname. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 2003 4101k. ) (»adito Dan Cartaxo Presidente e R. ator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros César Piantavigna, Maria Cristina Roza da Costa, Valmar Fonsêca de Menezes, Mauro Wasilewski, Maria Teresa Martinez López, Luciana Pato Peçanha Martins e Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva. Eaal/cf/ovrs 2 014\w. 2Q CC-MF - Ministério da Fazenda ;tu Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10280.001122/2001-67 Recurso n : 121.251 Acórdão n2 203-09.183 Recorrente : REBELO INDÚSTRIA, COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO LTDA. RELATÓRIO A empresa REBELO INDÚSTRIA, COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO LTDA. foi autuada em 23/03/2001 (doc. fls. 09/11), pela falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, nos períodos de apuração de março/1996 a dezembro/1996. Exigiu-se no auto de infração lavrado a contribuição, juros de mora e multa, perfazendo o crédito tributário o total de R5285.233,70. O autuante informou que as diferenças foram apuradas a partir do confronto entre os valores das receitas brutas consignadas nos balancetes mensais da empresa e as bases de cálculo que geraram as contribuições (PIS/FATURAMENTO) declaradas em DCTF ou recolhidas pelo contribuinte. Salienta que foram consideradas as receitas brutas de todas as atividades, exceto as de revenda de gás (GLP), cujo valor do PIS é recolhido na fonte (estas parcelas foram tratadas como exclusões de vendas de produtos). Esclareceu, ainda, que o crédito tributário lançado no presente auto de infração estava com a exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do Processo n° 98.13515-4, feito que tramitava perante a 4" Vara da Seção Judiciária do Estado do Ceará (art. 151, inciso IV, do CTN). Segundo consta às fls. 09 e 39, a contribuinte, antes do lançamento, ingressou com Ação Cautelar (n" 98.13515-4) perante a Lla Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Estado do Ceará, com o objetivo de compensar valores que diz ter pago indevidamente, a título de PIS, com base nos Decretos-Leis n"s 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas referentes ao PIS devido nos moldes da MP n° 1.212/1995, obtendo concessão de liminar para a suspensão do recolhimento do PIS devido, na forma da MP n° 1.212/1995, até o limite de seu crédito. Às fls. 45/90 a autuada apresentou impugnação, onde solicitou realização de perícia e apresentou seus argumentos contra a presente autuação. Insurgiu-se ainda contra lançamentos de tributos e contribuições que não fazem parte do presente processo. A autoridade julgadora de primeira instância excluiu da exigência a multa de oficio, em decisão assim ementada (doc. fls. 305/315): "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep 3 iS.r‘k CC-MF Ministério da Fazenda Fl. .017' Segundo Conselho de Contribuintes Processo e : 10280.001122/2001-67 Recurso n : 121.251 Acórdão ri2 : 203-09.183 Data do fato gerador: 31/03/1996, 30/04/1996, 31/05/1996, 30/06/1996, 31/07/1996, 31/08/1996, 30/09/1996, 31/10/1996, 30/11/1996, 31/12/1996 Ementa: CONCOMITÁNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO CONHECIDA EM PARTE. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial, conhecida entretanto quanto a questionamentos que não fazem parte da discussão judicial. PERÍCIA. Indefere-se pedido de perícia quando os quesitos formulados tratam, um de matéria de direito cuja resposta não depende de conhecimentos específicos de contador, especialista indicado pelo sujeito passivo; e outro, de matéria de liquidação de sentença, que, se for o caso de o juízo da ação reconhecer o direito à compensação ali pleiteado, determinará seja realizada, na via administrativa, não podendo ser considerada como objeto diferente do processo judicial. DECADÊNCIA. A Administração Tributária está impedida de negar, fora das situações referidas no artigo 77 da Lei 9.430/1996 e no Decreto 2.346/1997, vigência ao artigo 45 inciso I da Lei 8.212/1991 que estabelece o prazo de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ser constituído, em relação às contribuições a que se refere o artigo 11 inciso III alínea "d" daquela lei, criadas com base no artigo 195 da CF/I988. DESCRIÇÃO DOS FATOS. A constatação da regularidade da descrição dos fatos é corroborada pela copiosa defesa apresentada pelo sujeito passivo, que não indica com precisão os defeitos apontados. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CABIMENTO. O artigo 63 da Lei 9.430/1996 no seu texto deixa clara a legitimidade de se realizar lançamento para prevenir decadência. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR LIMINAR EM AÇÃO CAUTELAR. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFICIO. Cancela-se, por inaplicável, penalidade incidente sobre crédito tributário com exigibilidade suspensa. Lançamento Procedente em Parte". Inconformada com a decisão singular, a autuada, às fls. 241/288, interpôs recurso voluntário tempestivo a este Conselho de Contribuintes, onde alegou, em suma: 4 4 . 41, 22 CC-MF Ministério da Fazenda A. Segundo Conselho de Contribuintes Processo ng : 10280.001122/2001-67 Recurso nQ : 121.251 Acórdão11Q 203-09.183 - a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa da contribuinte, pois não apreciou todos os pontos alegados na impugnação; - que os balancetes mensais não poderiam servir de fundamento da determinação da base de cálculo da COFINS e do PIS; - que a decisão recorrida não poderia inovar e aplicar a MP n° 2.157-34, de 27/07/2001, por ser posterior ao Auto de Infração; - que houve erro no enquadramento legal da infração; - que o auto de infração não poderia ser lavrado, visto à concessão de medida liminar em sede de Mandado de Segurança suspendendo a exigibilidade do crédito tributário em questão; - que não poderia ser cobrado o PIS/Repique junto com o PIS/Faturamento nos meses de janeiro e fevereiro de 1996; - que ocorreu a decadência da contribuição ao PIS e da COFINS dos períodos anteriores a 23/03/1996; - que a empresa tinha créditos a compensar, em face do recolhimento a maior do PIS sob a égide dos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais; - que, para o cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, a fiscalização deveria deduzir da base de cálculo os valores repassados a terceiros, nos termos do inciso li do 2° do art. 3° da Lei n°9.718/98; e - que a cobrança da multa de oficio, dos juros de mora e da Taxa SELIC era ilegal. À fl. 567 o órgão local informou sobre o processamento de arrolamento de bens para seguimento do recurso. É o relatório. lz\i5\ 5 ,31i. • 2Q CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo ii 10280.001122/2001-67 Recurso re : 121.251 Acórdão n : 203-09.183 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR OTACÍLIO DANTAS CARTAXO O recurso cumpre as formalidades legais necessárias para a sua admissão. Como relatado, a empresa REBELO INDÚSTRIA, COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO LTDA. foi autuada em 23/03/2001 (doc. fls. 09/11), pela falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, nos períodos de apuração de março/1996 a dezembro/1996. No apelo apresentado a este Conselho, a recorrente alega, primeiramente, que tem direito à compensação dos débitos ora exigidos com créditos decorrentes de recolhimento a maior do PIS, sob a égide dos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais, pedido que faz judicialmente nos autos do Processo n°98.13515-4, perante a 4a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Ceará. Em conseqüência argúi que o auto de infração não poderia ter sido lavrado, visto a concessão de medida liminar em sede de Mandado de Segurança (n° 98.13515-4) que suspende a exigibilidade do crédito tributário em questão. Em sede preliminar, a autuada afirma que ocorreu a decadência da contribuição ao PIS e da COFINS dos períodos anteriores a 23/03/1996. Alega, também, a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa da contribuinte, pela falta de apreciação de todos os pontos alegados na impugnação. Aponta ainda erro no enquadramento legal no auto de infração. No mérito do recurso, contesta a base de cálculo adotada no feito. Argumenta que para o cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS a fiscalização deve deduzir da base de cálculo os valores repassados a terceiros, nos termos do inciso II do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98. Aduz, ainda, que os balancetes mensais não podem servir de fundamento da determinação da base de cálculo da COFINS e do PIS e que não pode ser cobrado o PIS/Repique junto com o PIS/Faturamento, nos meses de janeiro e fevereiro de 1996. Por fim, a recorrente afirma que a cobrança da multa de oficio e dos juros de mora é ilegal e que a decisão recorrida não pode inovar ao aplicar a MP n° 2.157-34, de 27/07/2001, por ser posterior ao auto de infração. Primeiramente, para esclarecer qualquer dúvida, segundo consta às fls. 09 e 39, a contribuinte, antes do lançamento, ingressou com Ação Cautelar (n° 98.13515-4) perante a 4 a Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Estado do Ceará, com o objetivo de compensar valores que diz ter pago indevidamente, a titulo de PIS, com base nos Decretos-Leis n's 2.445/88 e 6 .2 CC-MF t7.5-A, Ministério da Fazendaidé.razt, Fl. *r.11n 1,!'",' Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 10280.001122/2001-67 Recurso : 121.251 Acórdão n 203-09.183 2.449/88, com parcelas referentes ao PIS devido nos moldes da MP n° 1.212/1995, obtendo concessão de liminar para a suspensão do recolhimento do PIS devido, na forma da MP n° 1.212/1995, até o limite de seu crédito. Em relação à matéria discutida em ação judicial, dispõe o parágrafo único do art. 38 da Lei n°6.830/80, verbis: "Art. 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda pública só é admissivel em execução, na forma da Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição de indébito ou ação anulatoria do ato declaratorio da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." (grifei) A interposição de ação judicial produz um efeito capital, que é a perda do poder de continuar a parte a litigar na esfera administrativa, ou seja, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência de recurso por acaso interposto, como preceitua o citado dispositivo legal. A desistência da via administrativa não é um ato unilateral de vontade do contribuinte, mas uma imposição de lei em sentido estrito. Não importa que o lançamento ocorra antes ou depois do ajuizamento da ação, porquanto nenhum dispositivo legal ou principio de direito material ou processual impede o lançamento do crédito tributário, cuja única fronteira legal intransponível é a decadência. Em contrapartida, a legislação pertinente estabelece regras claras sobre as hipóteses de suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado. O lançamento do crédito e sua exigibilidade são matérias distintas e inconfundíveis e recebem cada uma o devido tratamento legal apropriado. Também vale lembrar que a decisão judicial sempre prevalecerá sobre a decisão administrava por mandamento constitucional expresso. Isso posto, não conheço da matéria discutida judicialmente. 7 Me"t. 22 CC-MF ••• Ministério da Fazenda Fl. 15,."-Rv Segundo Conselho de Contribuintes C., Processo ng : 10280.001122/2001-67 Recurso n2 : 121.251 Acórdão 112 : 203-09.183 Resta então analisar as demais matérias suscitadas pela recorrente, das quais tomo conhecimento. Preliminarmente, quanto à decadência, o Excelentíssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dr. Carlos Veloso, classifica, no voto do julgamento do RE n° 138284-8/CE, o PIS como uma contribuição para a seguridade social: "O PIS e o PASEP passam, por força do disposto no art. 239 da Constituição, a ter destinação previdenciária. Por tal razão, as incluímos entre as contribuições de seguridade social. Sua exata classificação seria, entretanto, ao que penso, não fosse a disposição inscrita no art. 139 da Constituição, entre as contribuições sociais gerais." Dessa forma, deve-se aplicar à contribuição para o PIS as regras gerais das contribuições para a seguridade social, que estão dispostas na Lei n° 8.212/91. Sobre decadência, dispõe o art. 45, I, da Lei n°8.212/91, verbis: "Art. 45. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído." Dessa forma, verifico que não houve a decadência dos créditos de COFINS relativos aos períodos exigidos no auto de infração (31 de março a 31 de dezembro de 1996), já que a ciência do feito de fls. 09/11 foi dada em 23/03/2001. Quanto à preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, vejo que não assiste razão à recorrente. Na análise dos autos verifico que a decisão de primeira instância deixa de apreciar somente os argumentos considerados ineptos, que não guardam relação de causa e efeito com a presente autuação e, portanto, estranhos à lide, como se vê à fl. 309: "Tendo tomado ciência da autuação em 23/03/2001, conforme fl. 009, o sujeito passivo apresentou impugnação em 19/04/2001, nas fls. 045/090, onde, solicita realização de perícia e apresenta argumentos contra a presente autuação e contra diversas outras referentes a diferentes outros tributos e contribuições, estes últimos ignorados para o presente processo. Vieram anexos à impugnação os documentos de fls. 091/209 e 212/301. Para sua defesa, relativamente ao PIS, não argúi preliminares e alega razões de mérito." (grifei) Em relação ao enquadramento legal da autuação, na análise da fl. 11, verifico que o autuante citou toda a legislação que a lastreia, não merecendo qualquer retificação, e afasto a nulidade do atuo de infração. 8 2 0 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 'cér. Processo e : 10280.001122/2001-67 Recurso n9 : 121.251 Acórdão n : 203-09.183 Isso posto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade da decisão de primeira instância e do auto infração, pelas razões alegadas. No mérito, a Contribuição para o Programa de Integração Social incide sobre o faturamento da empresa, não havendo permissão legal para exclusão dos pagamentos feitos às empresas terceirizadas na determinação da base de cálculo da contribuição. O art. 2° da Lei n° 9.718/98 preceitua que a base de cálculo da PIS será o faturamento mensal, entendendo-se como tal a receita bruta da pessoa jurídica (art. 3° da Lei n° 7.918/98). Já o § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 define receita bruta como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O § 2° do mesmo artigo art. 3° determina os valores que não integram a base de cálculo, os quais são: o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Resta então analisar o inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, revogado pela MP n°1.991-18/2000: "Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. 1' (omissis) á' 2' Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluem-se da receita bruta: 1— (omissis) — (omissis) III — os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo." De acordo com o Ato Declaratório SRF n° 56/2000, o inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 é norma de eficácia contida, que, por não ter sido regulamentada durante sua vigência, não teve eficácia até sua revogação definitiva, em 09 de junho de 2000, data da MP n° 1.991-18. Dessa forma, não existe previsão legal para a excluir da base de cálculo da contribuição os valores repassados a terceiros. VS\ 9 ? •••!", 22 CC-MF tr•-;_:?, Ministério da Fazenda Fl. • Segundo Conselho de Contribuintes Processo n : 10280.001122/2001-67 Recurso ng : 121.251 Acórdão n2 203-09.183 No tocante ao levantamento efetuado pela fiscalização, vejo que o mesmo não merece ressalvas. Informa o autuante às fls. 10: "DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS Diferenças apuradas a partir do confronto entre os valores das receitas brutas consignadas nos balancetes mensais da empresa e as bases de cálculo que geraram as contribuições (PIS/FATURAMENTO) declaradas em DCTF ou recolhidas pelo contribuinte. OBSERVAÇÃO: foram consideradas as receitas brutas de todas as atividades, exceto as de revenda de gás (GLP), cujo valor do PIS é recolhido na fonte (estas parcelas foram tratadas como exclusões de vendas de produtos)." Ademais, não existem obstáculos legais que impeçam o agente fiscal de verificar os documentos fiscais e contábeis obrigatórios para a apuração de débito e a conseqüente formalização de lançamento de oficio. Em relação à cobrança do PIS/Repique junto com o PIS/Faturamento nos meses de janeiro e fevereiro de 1996, vejo que se trata de matéria estranha à presente lide, que versa sobre exigência do PIS/Faturamento relativamente ao períodos de março a dezembro de 1996. No que tange à multa de oficio, vejo que a decisão a quo já a excluiu, pois trata- se de lançamento de oficio para prevenção de decadência, cuja exigibilidade está suspensa por concessão de liminar em mandado de segurança. A aplicação da MP n° 2.157-34, de 27/07/2001, dá-se em beneficio da contribuinte para a exclusão da multa de oficio, nos termos do art. 106, III, do CTN, como se esclarece às fls. 314: "A autuação, formalizada em 23/03/2001, foi anterior à MP 2.157-34, de 27/07/2001, que alterou o artigo 63 da Lei 9.430/1996, conforme transcrição acima. Mesmo assim, não se pode dar prosseguimento ao feito com a exigência de multa de oficio de 75%, tendo em vista que o disposto no artigo 106 inciso alínea "c" do C1N, abaixo transcrito, faz com que a modificação introduzida no aludido artigo 63 alcance retroativamente a multa em questão para exonerá-la." No tocante aos juros de mora, é cediço o entendimento de que são devidos, já que não existe depósitos administrativo ou judicial do crédito ora exigido. A exigibilidade do crédito tributário em lide se dá pela concessão de medida liminar em sede de Mandado de Segurança. A exigência dos juros de mora nos percentuais lançados está em conformidade com os dispositivos legais em pleno vigor. A Taxa SELIC tem previsão legal para ser utilizada no cálculo dos juros de mora devidos sobre os créditos tributários não recolhidos no seu vencimento, ou seja, Lei no 9.430/96, e este não é o foro competente para discutir eventual inconstitucionalidade porventura existente na lei. 10 2° CC-MF Ministério da Fazenda Fl. X)-Alr Segundo Conselho de Contribuintes 'fkl'Ut? Processo n' : 10280.001122/2001-67 Recurso d : 121.251 Acórdão n' : 203-09.183 Pelo exposto, nego provimento ao recurso. É assim como voto. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 2003 Xit OTACíLIO DA , 1 AS CARTAXO II
score : 1.0
Numero do processo: 10293.002049/96-09
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 1998
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - Se o mandado de segurança impetrado antes ou no curso da ação fiscal se refere às mesmas partes, à mesma causa de pedir e ao mesmo pedido constantes da impugnação, caracteriza-se a renúncia do impetrante em postular na instância administrativa. É, por conseguinte, nula a decisão de primeiro grau que conheceu da impugnação do contribuinte.
Preliminar acolhida.
Numero da decisão: 106-10367
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS ACOLHER PRELIMINAR, DE NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA LEVANTADA PELO RELATOR.
Nome do relator: Luiz Fernando Oliveira de Moraes
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É, por conseguinte, nula a decisão de pri- meiro grau que conheceu da impugnação do contribuinte. Preliminar acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso inter- posto por MARIA NEUSA DE ASSIS SOUZA. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de nulidade da de- cisão de primeira instância levantada pelo Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. DIMAsi- DRIIE OLIVEIRA ...:"--n°7 E 5 a LUIZ FERNANDO7 IFtA DE ORAES RELATOR FORMALIZADO EM: 2 O DEZ 1999 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros ANA MARIA RIBEIRO DOS REIS, VVILFRIDO AUGUSTO MARQUES, HENRIQUE ORLANDO MARCONI, RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÃO, ROMEU BUENO DE CAMARGO e ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO. dpb .1 _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10293.002049/96-09 Acórdão n° : 106-10.367 Recurso n°. : 14.184 Recorrente : MARIA NEUSA DE ASSIS SOUZA RELATÓRIO MARIA NEUSA DE ASSIS SOUZA, já qualificada nos autos, res- ponde por crédito tributário relativo a imposto de renda, por prática de infrações qua- lificadas como omissão de rendimentos, variação patrimonial a descoberto e sinais exteriores de riqueza, nos exercícios de 1994 e 1995, anos-calendários de 1993 e 1994, tudo conforme fatos narrados e normas citadas na peça de fls. 06/20. Paralelamente à ação fiscal, tramita, atualmente em segunda instân- cia, mandado de segurança impetrado por Construtora Mendes Carlos Ltda. e outros litisconsortes, entre eles a autuada, perante a Justiça Federal do Estado do Acre, até aqui sem êxito para os impetrantes. Em sua impugnação, a autuada alega que a exigência está baseada unicamente em extratos bancários, prática rechaçada pela jurisprudência adminis- trativa e súmula 182 do TFR e aponta falhas na instrução processual. 1 O Delegado de Julgamento de Manaus, entendendo que o presente feito poderia prosseguir normalmente, não obstante o mandado de segurança impe- trado, visto serem diferentes os objetos do processo judicial e do processo adminis-- trativo, julgou procedente a ação fiscal, em decisão assim ementada: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Não ocorre pre- terição ou cerceamento do direito de defesa na lavratura de atos e termos, entre os quais se inclui o Termo de Intimação e o Auto de Infração. Preterição do direito de defesa somente re- sulta de despachos e decisões. 2 3 íri - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10293.002049/96-09 Acórdão n° : 106-10.367 NORMAS PROCESSUAIS - As irregularidades, incorreções e omissões que não importem em nulidade do lançamento serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. EXTRATOS BANCÁRIOS - Tributa-se como rendimentos omi- tidos os depósitos bancários em valores incompatíveis com os declarados pelo Contribuinte. LANÇAMENTO (PROVA EM CONTRÁRIO) - Mantém-se o lan- çamento quando o contribuinte, na fase litigiosa, não apresenta qualquer elemento de prova capaz de elidi-lo. O recurso interposto pela defendente reproduz, em linhas gerais, os argumentos expendidos na impugnação, insistindo em alegar que está sofrendo constrangimento e coação por parte do fisco, com motivação política. iÉ o relatório. 4 i 1 1 3 »f MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10293.002049196-09 Acórdão n° : 106-10.367 VOTO Conselheiro LUIZ FERNANDO OLIVEIRA DE MORAES, Relator Cumpre-nos reexaminar de ofício, com prejuízo do mérito, a ques- tão, suscitada em preliminar na decisão de primeiro grau, e que diz respeito ao co- nhecimento do recurso. Entendeu o julgador singular não ter havido renúncia à esfe- ra administrativa, porque o mandado de segurança impetrado pela autuada, em litis- consórcio com outros contribuintes, teria objeto diferente ao da impugnação que ofertou no feito fiscal. Discordo, permissa venia, do ilustrado Delegado de Julgamento. Não vejo como enquadrar a espécie no item b do Ato Declaratório Normativo COSIT n° 03/96, à vista do que dispõe o art. 302, § 2°, do Código de Processo Civil, verbis: ; Art. 302 (omissis) § 2° Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas par- i tes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. Dois dos pressupostos apontados na norma transcrita são facilmente verificáveis: • a impugnação e o mandado de segurança têm as mesmas partes: em um polo, a Recorrente (respectivamente, como im- pugnante e como uma das impetrantes), no polo oposto os Au- ditores Fiscais autuantes (autoridades cujos atos se quer anu- lar); • na defesa administrativa e no mandamus, a interessada for- mula essencialmente o mesmo pedido: para que seja declara-i da a total NULIDADE do Auto de Infração, bem como o seu ar- ' quivamento, no primeiro (fls. 93); para anular, ab Inibo, as ações fiscais empreendidas contra Impetrante e seus Litiscon- a sortes e todos os atos delas deco ntes, no segundo (inicial, cópia a fls. 114). I 4 c?)\7 _ _ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10293.002049196-09 Acórdão n° : 106-10.367 Dúvidas podem surgir, à primeira vista, quanto à identidade da cau- sa de pedir e nesse ponto deve-se ter presente a pertinente observação do Ministro SMA/10 DE FIGUEIREDO, verbis: Segundo esmerada doutrina, causa petendi é o fato ou con- junto de fatos suscetível de produzir, por si, o efeito jurídico pretendido pelo autor. (STJ, 48 Turma, R. Esp 2.430-RS, ac. de 28.08.90, DJU 24.09.90, p. 9.983) Nesse sentido, a causa de pedir não se confunde com os argumen- tos expandidos pela partes, mas a ratio que os reveste e paira sobre eles. Como ressalta o Ministro ATHOS GUSMÃO CARNEIRO, importam as razões das preten- sões porque transformadas em questões, mas não necessariamente e argumenta- ção das partes (STJ, 48 Turma, Ag. 5.540-MG, ac. de 18.12.90, DJU de 11.03.91, p. 2.397). Por conseguinte, não obstante o mandado de segurança esteja cen- trado em contundentes argumentos que apontam para a prática de ilícitos penais e administrativos e a impugnação fiscal fira questões de Direito Tributário, em ambos a causa de pedir, a saber, a questão diretamente relacionada com a pretensão da au- tuada em ver declarada a nulidade do lançamento, é rigorosamente a mesma, má- 1 1 xime porque expressamente citada nas peças de defesa: o excesso de exação prati- cado pelos autuantes. z Presentes os pressupostos que caracterizam a identidade de objeto - á dos feitos fiscal e judicial, não se pode deixar de reconhecer que, na espécie, a au- tuada renunciou tacitamente ao direito de postular na esfera administrativa, por força E da presunção legal absoluta estabelecida pelo art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/80. A teor do ato normativo citado na decisão recorrida, a renúncia só não se consuma quando o intento do contribuinte, ao buscar o provimento judicial, é de ver assegurado o devido processo legal na instância administrativa. Ao revés, quando o propósito do contribuinte é de que o provimento judicial substitua a decisão adminis- B 5 /46 _ . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10293.002049/96-09 Acórdão n° : 106-10.367 trativa e a ela se sobreponha, não há como resguardar-se a convivência de ambas as instâncias. Tais as razões, voto por declarar a nulidade da decisão de primeiro grau, por haver conhecido da impugnação de fls. 82/138, face a impugnante haver renunciado à instância administrativa. Ressalte-se que, se a apelação ao mandado de segurança, de que se tem notícia a fls. 142, houver sido recebida apenas no efeito devolutivo, o que cumpre à autoridade preparadora averiguar, em gestões junto à Procuradoria da Fazenda Nacional competente, poder-se-á prosseguir na cobrança do crédito tributário lançado nestes autos. Sala das Sessões - DF, em 19 de agosto de 1998. p.9 40/ LUIZ FERNANDOfV64A D MORAES 6 (17 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n° : 10293.002049/96-09 Acórdão n° : 106-10.367 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada na Resolução supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno dos Conse- lhos de Contribuintes, Anexo II da Portaria Ministerial N° 55, de 16/03/98 (D.O.U. de 17/03/98). Brasília - DF, em 20 DEZ 1999 "...17 Dl 44árás - 12.:: DE OLIVEIRA s ' "Ilriteg TE DA SEXTA CÂMARA Ciente em 20 DEZ 1999 PROCURAD el . P • FAZE Li A 10NAL 7 Page 1 _0011900.PDF Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10380.012531/2003-22
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2006
Ementa: IRPF - DECADÊNCIA - Por determinação legal o imposto de renda das pessoas físicas será devido mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo percebidos, cabendo ao sujeito passivo a apuração e o recolhimento independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, o que caracteriza a modalidade de lançamento por homologação, cujo fato gerador ocorre em 31 de dezembro de cada ano, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar eventuais lançamentos, nos termos do § 4º do art. 150, do Código Tributário Nacional. Precedentes da CSRF.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ATIVIDADE RURAL - LIVRO CAIXA - Para que os registros constantes do Livro Caixa do empreendimento rural possam ser aceitos como prova hábil de depósitos bancários, é necessário que o contribuinte comprove a veracidade das receitas e das despesas nele escrituradas, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência e a prescrição, nos termos do artigo 18, da Lei nº 9.250, de 1995.
IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ATIVIDADE RURAL - A tributação mais benigna, própria para a atividade rural somente se aplica aos depósitos bancários de origem não comprovada quando reste comprovado, de forma inquestionável, ser essa a única atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, inclusive por ele declarada, não tendo o Fisco demonstrado em sentido contrário.
JUROS - TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula 1º CC nº 4)
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 104-21.959
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Heloísa Guarita Souza
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ementa_s : IRPF - DECADÊNCIA - Por determinação legal o imposto de renda das pessoas físicas será devido mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo percebidos, cabendo ao sujeito passivo a apuração e o recolhimento independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, o que caracteriza a modalidade de lançamento por homologação, cujo fato gerador ocorre em 31 de dezembro de cada ano, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar eventuais lançamentos, nos termos do § 4º do art. 150, do Código Tributário Nacional. Precedentes da CSRF. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ATIVIDADE RURAL - LIVRO CAIXA - Para que os registros constantes do Livro Caixa do empreendimento rural possam ser aceitos como prova hábil de depósitos bancários, é necessário que o contribuinte comprove a veracidade das receitas e das despesas nele escrituradas, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência e a prescrição, nos termos do artigo 18, da Lei nº 9.250, de 1995. IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ATIVIDADE RURAL - A tributação mais benigna, própria para a atividade rural somente se aplica aos depósitos bancários de origem não comprovada quando reste comprovado, de forma inquestionável, ser essa a única atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, inclusive por ele declarada, não tendo o Fisco demonstrado em sentido contrário. JUROS - TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula 1º CC nº 4) Preliminar rejeitada. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-14T16:13:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-14T16:13:23Z; Last-Modified: 2009-07-14T16:13:23Z; dcterms:modified: 2009-07-14T16:13:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-14T16:13:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-14T16:13:23Z; meta:save-date: 2009-07-14T16:13:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-14T16:13:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-14T16:13:23Z; created: 2009-07-14T16:13:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2009-07-14T16:13:23Z; pdf:charsPerPage: 2438; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-14T16:13:23Z | Conteúdo => etel MINISTÉRIO DA FAZENDAn • '9/11 r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES :• QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Recurso n°. : 145.488 Matéria : IRPF — Ex(s): 1999 Recorrente : ELIANA MARIA MEDEIROS HOLANDA Recorrida : ia TURMA/DRJ-FORTALEZNCE Sessão de : 18 de outubro de 2006 Acórdão n°. : 104-21.959 IRPF - DECADÊNCIA - Por determinação legal o imposto de renda das pessoas físicas será devido mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo percebidos, cabendo ao sujeito passivo a apuração e o recolhimento independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, o que caracteriza a modalidade de lançamento por • homologação, cujo fato gerador ocorre em 31 de dezembro de cada ano, tendo o fisco cinco anos, a partir dessa data, para efetuar eventuais lançamentos, nos termos do § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional. Precedentes da CSRF. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996- Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ATIVIDADE RURAL - LIVRO CAIXA - Para que os registros constantes do Livro Caixa do empreendimento rural possam ser aceitos como prova hábil de depósitos bancários, é necessário que o contribuinte comprove a veracidade das receitas e das despesas nele escrituradas, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência e a prescrição, nos termos do artigo 18, da Lei n°9.250, de 1995. IRPF - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ATIVIDADE RURAL - A tributação mais benigna, própria para a atividade rural somente se aplica aos depósitos bancários de origem não comprovada quando reste comprovado, de forma MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 inquestionável, ser essa a única atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, inclusive por ele declarada, não tendo o Fisco demonstrado em sentido contrário. JUROS - TAXA SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Súmula 1° CC n° 4) Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ELIANA MARIA MEDEIROS HOLANDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ata,a.e491/4_ MARIA HELENA COTTA CARDtr PRESIDENTE frIS Ldà ITAs SOU 5— ELATORA FORMALIZADO EM: 1 3 NU 2Utib 2 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, OSCAR LUIZ MENDONÇA DE AGUIAR, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, MARIA BEATRIZ ANDRADE DE CARVALHO, GUSTAVO LIAN HADDAD e REMIS ALMEIDA ESTOL. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 Recurso n°. : 145.488 Recorrente : ELIANA MARIA MEDEIROS HOLANDA RELATÓRIO Trata-se de auto de infração (fls. 03/08) lavrado contra ELIANA MARIA MEDEIROS HOLANDA, CPF/MF n° 162.021.633-72, para exigir crédito tributário de IRPF, no valor total de R$ 353.071,09, em 05.12.2003, pela identificação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos meses do ano-calendário de 1.998, conforme descrito no Termo de Verificação de fls. 09/23. No referido Termo de Verificação constam as seguintes informações: a) que essa fiscalização decorre de outra realizada no Sr. José Holanda Cunha Filho, cônjuge da contribuinte, em que foi apurada omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, tendo sido lavrado o correspondente auto de infração (processo administrativo-fiscal n° 10380.005411/2003-79); b) que os valores dos créditos bancários autuados como de origem não comprovada foram divididos por dois, haja vista serem as contas correntes conjuntas entre os cônjuges e terem eles apresentado declaração de ajuste do imposto de renda do ano- calendário de 1998 em separado; c) do total dos créditos tidos de origem não comprovada foram deduzidos os valores de cheques devolvidos, os quais também foram divididos por dois, em função das contas bancárias serem conjuntas; d) quanto à sua conclusão final, está consignado (fls. 21/22): 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 "1. A contribuinte não apresentou documentação que comprovasse a origem dos valores tributados, tendo informado, em resposta (fl. 38) datada de 11/11/2003, que tais valores, na sua grande maioria, originaram-se na exploração de atividade rural do empreendimento denominado 'Fazenda Castanhão', administrado pelo seu marido, Sr. José Holanda Cunha Filho, cujos esclarecimentos foram por ele prestados no processo n° 10380.005411/2003-79. 2. O Sr. José Holanda Filho, no decorrer da ação fiscal autorizada mediante MPF-F 0310100-2002-00731-9 (fl. 52), não discriminou os créditos referentes à atividade rural, tampouco os documentos apresentados comprovaram as receitas oriundas desta atividade, haja visto que: 2.1. As cópias de fichas de depósitos apresentadas não comprovam a origem dos créditos, e sim, o efetivo depósito; 2.2. Não foi apresentada a documentação comprobatória, solicitada no item 5 do Termo de Intimação Fiscal n° 003 (fl. 132), dos fatos registrados no Livro Caixa (fls. 142 a 172), apresentado em 25.04.2003, não sendo comprovada, em conseqüência, a veracidade das receitas e despesas ali escrituradas, conforme o disposto no § 1°, do artigo 60, do Decreto n° 3000/1999, transcrito abaixo: 2.3. Os demais documentos apresentados, contrato de Arrendamento (fls. 116 a 118), Registro de Imóveis n° 03/464 (fls. 103 e 104), Carta de Adjudicação (fls. 105 a 114) e contas de energia rural da Fazenda Castanhão (fls. 173 a 189), não comprovam as receitas de atividade rural porventura exercida, escrituradas no Livro Caixa (fls. 142 a 172), mencionado no item anterior, conforme o disposto no § 5°, do art. 61, do Decreto n° 333, de 26.03.1999, transcrito abaixo: 3. O Sr. José Holanda Filho mais uma vez intimado, mediante Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 40 a 49) da ação fiscal autorizada pelo MPF-F 0310100-2003-00578-6 (fl. 39), a comprovar que tais créditos forma oriundos de receitas da atividade rural, informou, em resposta datada de 11/11/2003 (fl. 51), que a grande maioria dos créditos bancários são oriundos da exploração da atividade rural do empreendimento Fazenda Castanhão...', não tendo apresentado qualquer documento." 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 Intimado em 09.12.2003 (fls. 249), a Contribuinte apresentou sua impugnação em 08.01.2004 (fls. 250/274), cujos argumentos estão sintética e fielmente reproduzidos no relatório do acórdão de primeira instância, o qual adoto (fls. 278/279): "3. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 09/12/2003, fls. 04, a contribuinte apresentou impugnação em 08/01/2004, fls. 250/274, alegando, preliminarmente, a decadência do crédito tributário objeto do lançamento, conforme argumentos abaixo resumidos: 3.1. O Auto de Infração enfoca a existência de supostos rendimentos omitidos, decorrentes de movimentações financeiras, com créditos bancários não identificados no período de janeiro a dezembro de 1998. Entretanto, a notificação somente ocorreu em 09/12/2003, portanto, fora do prazo que a Fazenda Pública dispõe para cobrar os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, qual seja 5(cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador, no que tange aos supostos rendimentos do período de janeiro a novembro de 1998. 3.2. O presente caso se enquadra perfeitamente no caput e no parágrafo quarto do art. 150 do Código Tributário Nacional, pois houve o pagamento antecipado do tributo por parte da impugnante. Logo, o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado a partir do fato gerador, sendo este o entendimento do Superior Tribunal de Justiça — STJ. 4. No mérito, a contribuinte insurge-se contra a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e a aplicação da taxa Selic como juros de mora, argumentando, ainda, que a movimentação financeira objeto do presente Auto de Infração é produto de atividade rural. Assim, transcreve-se a seguir, resumidamente, suas alegações: 4.1. Inicialmente, saliente-se que o presente lançamento decorreu da Resolução DRJ/FOR n° 100/2003, relativa ao processo 10380.005411/2003- 79, no qual o interessado é José Holanda Cunha Filho, cônjuge da impugnante. Nessa Resolução, o julgamento foi convertido em diligência, tendo, assim, se iniciado a fiscalização da impugnante, haja vista que os supostos rendimentos omitidos têm origem em movimentações realizadas em contas-correntes bancárias mantidas em conjunto com seu marido. 4.2. Verifica-se do processo 10380.005411/2003-79 que desde o inicio dos procedimentos de fiscalização, que culminaram com a lavratura do Auto de Infração contra José Holanda Cunha Filho, que este tem afirmado que parte significativa das suas movimentações financeiras é decorrente da 6 9hX) MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 atividade rural mantida pela família, apresentando ao Fisco toda a documentação solicitada, quando disponível, tais como: extratos bancários, cópias dos depósitos, cópia dos cheques de sua emissão e cópia dos documentos que comprovam a exploração da atividade rural, através de Contrato de Arrendamento, Livro Caixa, e comprovantes de consumo de energia elétrica do imóvel rural denominado "Fazenda Castanhão". 4.3. É público e notório que a grande maioria da comercialização de produtos da atividade rural, principalmente em pequenas cidades do interior nordestino, que é o caso em questão, é realizada sem as formalidades exigidas nas inúmeras regras legais. 4.4. Ao apresentar o Livro Caixa do empreendimento, junto com os demais documentos, o cônjuge da contribuinte demonstrou que parte significante das movimentações financeiras teve origem na atividade rural. Querer negar que os inúmeros créditos bancários, mais de duas centenas de depósitos, praticamente um por dia, com valores fracionados, e mais, um número superior a trezentos cheques devolvidos, tiveram como origem uma atividade empresarial, seria um absurdo. 4.5. A atividade que deu origem às movimentações em foco foi a rural, mesmo sem toda a formalidade requerida, devendo sua tributação se dar na forma dos artigos 56 a 71 do RIR199. 4.6. O Fisco, durante o procedimento fiscal, deve aprofundar os estudos de todos os elementos à sua disposição, objetivando a verdade material dos fatos, e não, por acomodação, apenas presumir. 4.7. A presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 somente pode ser aplicada quando, entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (presumido), houver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação. 4.8. No caso dos autos, os depósitos bancários deveriam ser o marco inicial da investigação fiscal, cabendo à Fiscalização comprovar que a contribuinte teve seu patrimônio aumentado. A presunção legal não pode ser aplicada, já que não há correlação segura entre o montante dos depósitos e a suposta omissão de rendimentos. Ao contrário, há evidente vinculação entre os depósitos e a atividade rural exercida pelo cônjuge da contribuinte. 4.9. É confortável para o Fisco utilizar-se da presunção para realizar autuações, esquivando-se de exercer devidamente a atividade de 7 I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 fiscalização, que implica em desenvolver estudos, diligências e tudo o mais que se faça necessário para a obtenção da verdade material. 4.10. Sobre o débito apurado no Auto de Infração foi aplicada, a titulo de juros moratórios, a partir de abril de 1995, a variação da taxa Selic, tendo como fundamentação legal o artigo 13 da Lei n° 9.065, de 1995. No entanto, também nesse pormenor, o Auto de Infração merece reparos, uma vez que esse índice não é passível de utilização em matéria tributável. 5. Ressalte-se, ainda, que para reforçar seus argumentos de defesa a contribuinte transcreve em sua impugnação jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda e das Delegacias de Julgamento da Receita Federal, assim como doutrina de Ruy Barbosa Nogueira." Analisando esses fundamentos, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza, por intermédio da sua 1 a Turma, rejeitou-os e manteve integralmente o lançamento original. Tal decisão consta do acórdão n° 4.355, de 11 de maio de 2.004 (fls. 276/286), unânime, cujas razões de decidir estão condensadas na sua ementa (fls. 276/277), com o seguinte conteúdo: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ónus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 At/\ 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 Ementa: DECADÊNCIA O direito de a Fazenda constituir o crédito tributário extingue-se no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso de lançamento por homologação, o termo inicial é antecipado para a data de ocorrência do fato gerador que, tratando-se de fato gerador connplexivo anual, ocorre apenas em 31 de dezembro. JUROS MORATÓRIOS.TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC, decorre de expressa disposição legal. SENTENÇAS JUDICIAIS E DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As sentenças judiciais e as decisões administrativas só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Lançamento Procedente." A Contribuinte foi intimada de tal decisão em 12.06.2004, por AR (fis. 291) e protocolou seu recurso, de fls. 293/321, em 08.07.2004, acompanhado do respectivo arrolamento de bens (fls. 322/324), o qual foi formalizado, conforme informação fiscal de fls. 325. Na sua peça recursal, a Contribuinte insiste na preliminar de decadência do lançamento, sustentando que o prazo decadencial conta-se nos termos do § 4°, do artigo 150, do CTN, trazendo jurisprudência judicial e administrativa. No mérito, também reforça seus argumentos quanto à origem dos depósitos bancários, reafirmando tratarem-se de rendimentos da atividade rural, conforme documentos já apresentados ao longo de toda a fiscalização, em especial do Livro Caixa da Fazenda Castanhão, no qual estão registradas todas as vendas, dia a dia, do ano-calendário de 1998 e as despesas/investimentos realizados. Em assim sendo, requer, então, que se aplique a legislação vigente à época para a tributação do imposto de renda sobre resultados da atividade rural das pessoas físicas (Lei n°8.02311990, com as alterações posteriores, e IN SRF n° 17/1996 e artigos 56 a 71 do RIR/99). Trata, ainda, da impossibilidade de tributação com base em presunção, a % 9 \ MINISTÉRIO DA FAZENDA . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 que se refere o artigo 42, da Lei n° 9.430/96, e da inaplicabilidade da Taxa SELIC como juros de mora. É o Relatório. 10 W MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 VOTO Conselheira HELOISA GUARITA SOUZA, Relatora O recurso é tempestivo e preenche o seu pressuposto de admissibilidade (arrolamento de bens). Dele, pois, tomo conhecimento. A matéria central dessa exigência refere-se a depósitos bancários de origem não comprovada. Preliminarmente, a Contribuinte argüiu a decadência do direito da Fazenda lançar, pela aplicação do § 4°, do artigo 150, do CTN, tendo em vista que os fatos geradores autuados são de todos os meses do ano-calendário de 1.998 e a ciência da autuação se deu em 09.12.2003. No entanto, com a ressalva pessoal da Relatora, a jurisprudência da CSRF é no sentido de que o fato gerador do IRPF se dá em 31 de dezembro de cada ano, e não mensalmente, sendo os recolhimentos mensais mera antecipação do que será apurado e consolidado em 31 de dezembro. A propósito, veja-se o seguinte precedente: "IRPF — DECADÊNCIA — Por determinação legal o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos forem sendo percebidos cabendo ao sujeito passivo a apuração e o recolhimento independentemente de prévio exame da autoridade administrativa, o que caracteriza a modalidade de lançamento por homologação, cujo fato gerador ocorre em 31 de dezembro, tendo o fisco 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 cinco anos, a partir dessa data, para efetuar eventuais lançamentos, nos termos do § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional. Recurso Especial Negado." (Acórdão CSRF/04-00.040, de 21.06.2005, Relator Conselheiro José Ribamar Barros Penha, proferido no âmbito do Recurso do Procurador n° 104-127.408) Assim, rejeito a preliminar de decadência. Insurge-se, também, contra a exigência do IRPF , com fundamento em presunção, legalizada pelo artigo 42, da Lei n° 9.430/96, mas, apenas para as hipóteses de não comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos, no que, segundo a Recorrente, não se enquadraria o caso concreto, sendo, assim, equivocado o lançamento em questão. Realmente, o artigo 42, da Lei n° 9.430/96 1 , trata de uma hipótese de presunção relativa ("juris tantum"), que admite prova em contrário, a cargo do contribuinte. A Recorrente sustenta a impossibilidade da autuação porque os depósitos bancários estariam comprovados pelos lançamentos no Livro Caixa da Fazenda Castanhão. E, se não por isso, por si só, não caracterizariam, nem evidenciariam, aumento patrimonial do contribuinte, tão pouco demonstrariam a existência de sinais exteriores de riqueza ou de disponibilidade econômica ou jurídica de renda. Em relação a esse último argumento, de cunho mais teórico, de pronto, já se registre que não lhe cabe razão. Os acórdãos (administrativos e judiciais, inclusive a Súmula do extinto TFR) trazidos à colação referem-se à legislação anterior à Lei n° 9.430, de 1.996, a qual, sim, exigia que houvesse a vinculação entre os depósitos bancários e o aumento patrimonial do contribuinte, fazendo-se a necessária a identificação de um nexo causal entre o depósito e o fato indicativo da omissão de rendimentos; relação que não mais existe na 1 "Art. 42 - Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 vigência da nova legislação. Trata-se, então, de conclusões ultrapassadas e, por isso, não aproveitáveis ao caso concreto. Ao contrário, a jurisprudência administrativa atual, com fundamento na Lei n° 9.430/96, é unânime ao aceitar a tributação dos depósitos bancários, a título de omissão de receitas, quando o contribuinte, intimado a justificá-los, não o faz satisfatoriamente, inclusive com pronunciamentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê, exemplificativamente, do Acórdão n° CSRF/04-00.029, de 21.06.2005, que teve como Relatora a Conselheira Maria Helena Cotia Cardozo: "DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996)." O fato é que a Contribuinte, desde o início da ação fiscal, insiste na argumentação de que a grande parte dos depósitos bancários autuados — em conta conjunta dela com seu marido — têm sua origem em recursos provenientes da exploração agrícola da Fazenda Castanhão, da qual o seu marido é arrendatário. E, como prova, trouxe aos autos, já na fase de fiscalização o Livro Caixa (fls. 143/172) de tal empreendimento, o qual, todavia, não foi aceito pela Fiscalização por falta de elementos comprobatórios dos lançamentos e registros nele contidos. Então, dentro desse contexto normativo e fático é que resta perquirir se a prova apresentada pela Contribuinte é hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários autuados, cuja relação consta às fls. 10/18. Diante da existência de livro caixa de fls. 143/172, já nos autos anteriormente à autuação, inclinava-me a examiná-lo, aprofundando a investigação, dado o fato de que a atividade rural é indiscutível. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 Em alguns casos, um conjunto de elementos pode até afastar a necessidade da comprovação documental da atividade rural. Aqui, no entanto, frente ao volume da receita e das despesas, não posso aceitar que o contribuinte não tenha sido capaz de produzir uma única prova de que, efetivamente, auferiu receitas e teve gastos de tal montante. Dou um exemplo: em janeiro, o Livro Caixa registra o ingresso de R$ 16.619,00 de venda de leite. Corrigido pelo IGPM, da Fundação Getulio Vargas, esse valor representaria hoje R$ 39.068,70. No varejo, neste mês de outubro de 2006, um livro de leite comum custa em média, R$ 1,20. Teria vendido, então, 32.000 litros/mês de leite. E, quanto menor o preço no varejo de tal produto, maior a quantidade produzida. E, se esse valor é para o varejo, imagina-se que no atacado seja bem menor. Ora, mesmo não pondo em dúvida que pudesse ter alcançado essa venda, não é crivei que isso ocorresse apenas em feiras livres. O normal seria entregar uma grande parte a uma cooperativa ou a um atacadista e aí apareceria uma nota de produtor ou outro documento reconhecido pelas legislações estaduais. E, nessa hipótese, absolutamente normal o pagamento com cheque nominal e não com dinheiro em espécie. E, assim com relação aos demais produtos vendidos, sempre em grande quantidade, praticamente em todos os meses do ano. O transporte e a distribuição dessa volumosa produção demandariam gastos específicos: combustíveis, lubrificantes, pneus, mão de obra, etc. No Livro Caixa não se encontra nenhum dispêndio desse tipo. Nem o pagamento de fretes a terceiros. Concluo, então, que, nem com relação à receita, tampouco com a despesa, trouxe a Contribuinte provas consistentes. E, no entanto, estava obrigada (Lei n°9.250/1995, art. 18): 14 fr\") MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 - a apurar o resultado da atividade rural mediante escrituração do Livro Caixa, numerado sequencialmente, contendo "termos" de inicio e de encerramento; - a comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas no Livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou beneficiário, o valor e a data da operação, a qual será mantida em seu poder à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência e a prescrição. Como a Recorrente afirma que os depósitos bancários são originados da atividade rural, era seu dever trazer não apenas o Livro Caixa, mas também toda a comprovação nesse sentido, para a qual, aliás, foi intimada, para evitar a confirmação da presunção legal de que aqueles eram de origem não conhecida, e, portanto, tributáveis, como a fiscalização concluiu. Destaco um precedente, da E. 6 a. Câmara, cuja ementa assim consigna: "Por estar sujeito à tributação mais benigna, a receita bruta e as despesas respectivas inerentes a atividade rural, deverão ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos, sob pena de configurar acréscimo patrimonial a descoberto? (Acórdão n° 106-11.099, de 25.01.2000) Igualmente, da 2' Câmara: "LANÇAMENTO COM BASE EM MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA — A Lei 9.430/96 (art. 42 e §§) operou uma significativa mudança no tratamento tributário conferido conferido à movimentação bancária dos contribuintes do imposto de renda. Inverteu o ônus da prova ao atribuir ao contribuinte o ônus de provar que valores creditados não se referem a receitas omitidas, sob pena de se sujeitar a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto. A presunção criada a favor do fisco, não afasta a tese de que, em principio, depósitos bancários não representam, por si só, disponibilidade econômica de rendimentos. Faz-se mister, porém, um mínimo de esclarecimentos por AN, 15 e \ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.01253112003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 parte do contribuinte e, na espécie, o recorrente deixou passar em branco as reiteradas oportunidades a ele concedidas para tanto." (Acórdão n° 102-45.740, de 16.10.2002) Tenho para mim, pois, que não comprovada a origem dos depósitos bancários, é correta a tributação pretendida. Em assim ocorrendo, requer, ainda, a Contribuinte que lhe seja aplicada a tributação mais benéfica, própria para a atividade rural. No entanto, tal somente seria possível se restasse indubitavelmente comprovado ser essa a única atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, inclusive por ele declarada, não tendo o Fisco comprovado em sentido contrário. Porém, nos autos constam diversas manifestações da própria Contribuinte autuada, quanto de seu marido — relativas ao processo em que ele foi autuado (PAF n° 10380.005411/2003-74), no sentido de que "a grande maioria dos créditos bancários são oriundos da exploração da atividade rural do empreendimento Fazenda Castanhão..." (fls. 22). Ora, se é a "grande maioria", significa dizer que existe uma parte que os próprios contribuintes admitem ter outra origem, não justificada. E, se o Livro Caixa não pode ser aceito como prova hábil da origem dos depósitos bancários, restam eles sem comprovação efetiva, não podendo se presumir que se originam da atividade rural, para fazerem jus à tributação mais benéfica, já que não se pode afirmar ser essa atividade a única desenvolvida pelo marido da Contribuinte, com quem mantém conta bancária conjunta autuada. Por fim, quanto à alegação de ilegalidade da aplicação da taxa SELIC como juros de mora, aplicável o conteúdo da Súmula 1° CC n° 4: "A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." 16 • MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo n°. : 10380.012531/2003-22 Acórdão n°. : 104-21.959 Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 18 de outubro de 2006 LSA'GUAaSti 17 Page 1 _0036900.PDF Page 1 _0037000.PDF Page 1 _0037100.PDF Page 1 _0037200.PDF Page 1 _0037300.PDF Page 1 _0037400.PDF Page 1 _0037500.PDF Page 1 _0037600.PDF Page 1 _0037700.PDF Page 1 _0037800.PDF Page 1 _0037900.PDF Page 1 _0038000.PDF Page 1 _0038100.PDF Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038300.PDF Page 1 _0038400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10410.003116/2002-01
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2004
Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. A base de cálculo da Contribuição ao PIS é o faturamento (receita bruta) da pessoa jurídica. Empresa concessionária de veículos automotores deve recolher tais contribuições sobre sua receita bruta, não apenas sobre a margem de lucro. A concessionária de veículos novos, desde que emita nota fiscal de venda, não pode eximir-se de considerar o valor total da venda como base de cálculo da Contribuição para o PIS, como instituída por lei. Recurso negado.
Numero da decisão: 202-15814
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Ausente, o Conselheiro Raimar da Silva Aguiar.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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À"-,. ti, Ministério da Fazenda De IS- i 0‘ / n2nõ ( Fl.--.„-- 7,,,F.Nt. Segundo Conselho de Contribuintes ',:rrtitli;`)- (2,~21(411. Processo n° : 10410.003116/2002-01 a viar ` Recurso n° : 126.441 Acórdão n° : 202-15.814 Recorrente : AUTO VANESSA LTDA. Recorrida : DRJ em Recife - PE PIS. BASE DE CÁLCULO. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. A base de cálculo da Contribuição ao PIS é o faturamento ...._.............a (receita bruta) da pessoa jurídica. Empresa concessionária de.-------- '2....\ \ __ ..,__ ..j veículos automotores deve recolher tais contribuições sobre sua ....-. i i receita bruta, não apenas sobre a margem de lucro. A ERAL._ 1,,, C, ( ., ,4 Al ti{ -- , concessionária de veículos novos, desde que emita nota fiscal de C~--- venda, não pode eximir-se de considerar o valor total da venda v. te r como base de cálculo da Contribuição para o PIS, como instituída por lei. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: AUTO VANESSA LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 15 de setembro de 2004 Henrique Pinheiro tocS""r" Presidente .. DRei otor ordei iranda Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Gustavo Kelly Alencar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta e Adriene Maria de Miranda (Suplente). Ausente o Conselheiro Raimar da Silva Aguiar. cllopr 1 lkf Ministério da Fazenda CC-MF 't • Fl. .c-4,ic Segundo Conselho de Contribuintes— '— . _ _ Processo n° : 10410.003116/2002-01 ( Recurso n° : 126.441 . Acórdão n° : 202-15.814 ‘i n STO Recorrente : AUTO VANESSA LTDA. RELATÓRIO Adoto, para fins de relatar o feito, o relatório elaborado pela DRJ em Recife - PE, de fls. 113 a 117, por ocasião do julgamento do lançamento levado a efeito contra a interessada: Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04/06 do presente processo, para exigência do crédito tributário a seguir espec(icado: O procedimento fiscal que concluiu com o lançamento do crédito tributário acima, tem seu desenvolvimento descrito na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, presente à fl. 05 e Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal à. Vis. 07/09. Uma vez ciente do auto de infração, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 75 a 92 com suas razões de defesa, a seguir sucintamente transcritas: Como preliminares: 1) a presente exigência fiscal estaria escorada no fato de a empresa fiscalizada não ter sido capaz de cumprir à risca e no exíguo tempo determinado no Termo de Início de Fiscalização, o fazendo apenas em parte. Apesar de não ter ficado demonstrado no procedimento fiscal a existência de qualquer desinteresse em atender a pretensão fiscal, optou o auditor fiscal pela cobrança; 2) os valores foram extraídos aleatoriamente dos registros fiscais o que os torna imprecisos na definição e quantificação da base imponivel. Ocorreu imprecisa exação, a partir de dados aleatórios e por conseqüência inconsistentes, restou comprometida inquestionavelmente a segurança jurídica da exigência fiscal. Aponta-se a imprecisão decorrida do indevido e injustificado atropelo na conclusão da fiscalização onde foi alegada pelo autuante à empresa, a existência de exíguo prazo para conclusão dos trabalhos, o que corroborou para a sua indiscutível precariedade: a imprecisão consta da afirmação no Termo de Encerramento de que na consecução da ação fiscal a verificação efetuou-se "por amostragem". Uma exigência fiscal absurdamente elevada, equivalente a R$ 901.420,77, quando o patrimônio líquido da empresa não atinge 50% desse valor, compromete a certeza da exigência se essa não se assentar em elementos contundantemente precisos; 2 1( 2 Ministério da Fazenda '2 • 2 CC-MF Fl. `-,;( Segundo Conselho de Contribuintes cI o •••-, t 1/1 (91( Processo n° : 10410.003116/2002-01 Recurso n° : 126.441 VISTO Acórdão n° : 202-15.814 Acrescenta que a clara manifestação do Fisco de impor exigência fiscal à autuada a qualquer custo ficou o agente fiscal tolhido da racionalidade indispensável ao desempenho do seu mister, deixando de observar, desse modo, os princípios constitucionais, dentre outros, o princípio da legalidade que é a base para desempenho satisfatório do trabalho fiscal, não podendo o agente do fisco arvorar-se em legislador, tentando com o fiscalismo enérgico, ampliar as normas legais vigentes; 3) o excesso de carga tributária implica nítido agravamento da situação da empresa, fere o inciso IV, do art. 150, da Constituição Federal que proíbe às pessoas jurídicas de Direito Público a utilização de tributo, com efeito, de confisno; 4) à luz do princípio da estrita legalidade não há previsão legal para a cobrança de juros remuneratórios sobre débitos de natureza tributária. n . Menciona a posição do Ministro Franciulli Netto, para quem a utilização da taxa SELIC como fator de correção monetária dos tributos ofende os princípios da legalidade, da anterioridade, da indelegabilidade da competência tributária e, ainda, o princípio da segurança jurídica, estampado em diversos incisos do artigo 5° da Constituição; 5) a inclusão dos débitos já havia sido feita através das Declarações do Imposto de Renda (DIRPJ/DIPJ) sendo suficientes para a Fazenda Pública promover a execução fiscal, faltando os pagamentos correspondentes. Configura-se para a empresa, diante da reconhecida falta de articulação da SRF e PFIV, os seguintes problemas a resolver, quais sejam: 1) inscrição em Dívida Ativa da União dos débitos do PIS/COFINS declarados e confessados nas DCTF, haja vista constituírem-se confissão de dívida e instrumentos capazes para cobrança e execução fiscal; 2) inscrição em Dívida Ativa da União dos débitos do PIS/COFINS gerados pelo auto de infração, ora contestado; 3) inscrição provável em Dívida Ativa da União dos débitos do PIS/COFINS declarados e confessados nas DIRPJ/DIPJ. Em respaldo às suas razões, transcreve texto do Professor Zelmo Denari e cita Recursos Especiais do STF; 6) iniciando em julho de 2000, o dever de recolher a Contribuição, por substituição, é da empresa montadora (GM). Em 05/05/2002 foram apresentadas as referidas DCTF e em 13/05/2002 foram retificadas por erro inicial na quantificação das bases de cálculo mensais da contribuição. Desse modo, está injustificado o lançamento em auto de infração de valores já lançados através das DCTF; inclusive, relativamente aos meses de janeiro e fevereiro de 2002, foi feita a entrega das DCTF de forma espontânea, não cabendo neste caso, o lançamento de oficio; 3 C"-i Ministério da Fazenda 22° CC-MF Fl. "f,1--v4 it" Segundo Conselho de Contribuintes •1124 £( Processo u° : 10410.003116/2002-01 Recurso n° : 126.441 VISTO r Acórdão n° : 202-15.814 7) mais importante do que as razões expostas é o reconhecimento da necessidade de uma apuração bem mais minuciosa e cuidadosa na definição do "quantum debeatur", mensal, principalmente quando a exigência fiscal é suficiente para inviabilizar ou extinguir o negócio da autuada, conseqüência dessa tentativa da Fazenda Pública de incursão no patrimônio privado, procedimento incompatível com o constitucional direito de propriedade. Exigência de uma obrigação sem fato gerador explícito (real) é uma desapropriação sem justa causa e prévia indenização (CF/88, inc. XXIV, do art. 59; 8) na formalização da exigência fiscal restou maculado o princípio constitpcional da segurança jurídica, previsto no art. 5° da CF/88. Restam comprometidas as prerrogativas constitucionais de que desfruta o contribuinte brasileiro, de ser gravado apenas nos exatos termos em que a lei tributária especificar; Prossegue, indicando que restou comprometido o constitucional direito de ampla defesa, (art. 5°, inc. LV da CF/88), haja vista que faltou à autuada, informações e dados do trabalho fiscal, fundamentais para a elaboração de uma defesa com a consistência que o fato estaria a merecer, haja vista não constar do procedimento fiscal, um esclarecedor relatório da fiscalização ou um termo de encerramento mais circunstanciado, onde constasse como teria o fisco conseguido identificar e quantificar as bases de cálculo mensais lançadas no auto de infração. Transcreve ementas de decisões sobre o assunto. 9) além de nítidas afrontas a princípios constitucionais tributários imprescindíveis na legitimação do ato jurídico do lançamento, com respeito à legalidade, não houve no procedimento fiscal, a pertinência absoluta da obrigação fiscal, a qual restou formalizada em evidente conflito com os termos do art. 142 e seu parágrafo único, do CTIsl. Prossegue indicando que restou maculado além do principio da estrita legalidade, princípios constitucionais concernentes à certeza e segurança jurídica, da proibição de tributo, com efeito, de confisco, objeto do art. 150 inc. IV da CF/88, comprometendo o legitimo direito de defesa da autuada, nos termos do inciso LV, do art. 5° da CF/88; diante do exposto e dos insuficientes elementos de prova carreados para o procedimento fiscal, formadores da acusação, inquestionavelmente insuficientes para legitimar o lançamento fiscal em todos os seus termos, é de ser reconhecida a improcedência da autuação sendo a mesma inválida nos termos do art. 59, inc. lido Decreto 70.235/72, porquanto elaborada em desconformidade aos comandos do sistema positivo tributário brasileiro; Quanto às razões de mérito: CA,-) 4 9 Ministério da Fazenda 2 CC-MF Fl. zrf e ..tb,"" Segundo Conselho de Contribuintes — 4.-; T tç O L1, ,1/1 JIA 01 Processo n° :10410.003116/200201 • Recurso n° : 126.441 VISTO / Acórdão n° : 202-15.814 10) reconhece a possibilidade de existirem resíduos da contribuição a serem recolhidos, relativamente a alguns períodos mencionados no auto de infração, afirmando não corresponderem aos absurdos valores apontados, principalmente, porque reconhece eventuais valores não recolhidos, fazendo-os constar devidamente informados em suas DIRPJ/DCTF. Não houve a identificação e quantificação com precisão das bases de cálculo mensais dos períodos apurados; na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, restariam discriminadas divergências tidas como base de cálculo mensal do PIS, contudo é de ser reconhecido que a identificação desses valores mensais não tem qualquer base consistente, não reconhecendo a empresa qualquer semelhança com a realidade operacional; 11)na identificação e quantificação precisa das bases de cálculo foi desconsiderado que a obrigação do recolhimento da contribuição, a partir de julho de 2000, é no caso, da montadora General Motores — GM, nos termos do art. 44, da MP. 1991-16, de 11/04/2000, portanto, inexiste parcela da contr. ibuição a serem exigidas. Principalmente a partir de julho de 2000, haja vista que já houve o recolhimento correspondente, de exclusiva responsabilidade, por substituição legal, da empresa General Motores. De tal fato não consta qualquer referência no questionado auto de infração e nos seus anexos, deixando transparecer que o fato passou despercebido pelo autuante; 12)relativamente aos períodos anteriores a Julho de 2000, não reconhece pertinência nas bases de cálculo, formadas pelo faturamento bruto, haja vista que, embora as revendedoras recebam os veículos novos, não existe a efetiva e real transferência da titularidade dos veículos novos para estas, atuando as concessionárias como meras vendedoras por consignação, inclusive o art. 50 da Lei 9716/98, definiu que, relativamente à comercialização de veículos usados, a operação é de consignação, sendo à base de cálculo da contribuição, a diferença entre os custo e o preço de venda (IN/SRF n° 152/98). 13) Relato sobre a crise do setor automobilístico, sem precedentes na história econômica brasileira, fato que a impediu de cumprir alguns de seus deveres fiscais. As concessionárias de veículos têm, na sua totalidade, se insurgido contra a forma de incidência desse tributo, reconhecendo ser indevida e injusta a incidência sobre o valor bruto das vendas, porquanto se constituem em meros intermediários entre as montadoras e o consumidor final, caracterizando-se, mais uma operação de consignação e não uma operação de compra e venda de mercadoria; 14)a exigência fiscal ter-se-ia originado de uma Operação de Cobrança do Fisco, razão da existência no procedimento de confusos Demonstrativos poucos esclarecedores e tecnicamente insuficientes na definição da base de calculo do lançamento. O arbitramento das bases de 5 61°/V r 22 CC-MFta - -ri.; Ministério da Fazenda ' Fl. Segundo Conselho de Contribuintes B 1 R : )1 ott Processo n° : 10410.003116/2002-01 VISTE/026er Recurso n° : 126.441 Acórdão n° : 202-15.814 cálculo mensais do tributo se deu a partir da indicação de presumidos indícios, razão pela qual não se verifica no procedimento fiscal qualquer elemento consistente que aponte com absoluta certeza serem efetivas e reais as bases de cálculo indicadas no auto de infração. Não cuidou o Fisco em provar a ocorrência de consistentes indícios e de demonstrar a relação de causalidade entre esses indícios e o fato presumido, em decorrência do qual surgiria a inquestionável certeza da ocorrência do fato tributável. Prossegue, indicando que das bases tributáveis lançadas mensalmente, constam valores que legalmente não integram a base de cálculo do PIS (parágrafo único do art. 2° da Lei Complementar n° 70/91) (sic); a partir do mometi,to que toina o fisco federal para quantificar a base de cálculo mensal do PIS, elementos fiscais de exigência de tributo diverso, IRPJ, restou comprometida a exação fiscal, porquanto assentada em base legal indevida em razão de serem absurdamente diversas as bases de incidência desses tributos, a saber, PIS, IRPJ, ICMS, ISS, apesar de originalmente decorrentes das vendas de mercadorias dou da prestação de serviço, divergem fundamentalmente após os ajustes, através de dedução, exclusões, não incidências, próprios de cada um desses tributos; 15) a auditoria fiscal deixou de observar a exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS, de que trata a Lei n° 9718/98, art. 3°, § 2°, dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas as normas reguladoras expedidas pela Fazenda Nacional. Tal exclusão vigorou de fevereiro de 1999 a agosto de 2000, quando foi revogada pela M.P. 1991-8. Como conclusão, requer: I) caso não sejam acolhidas as preliminares, o que não se cogita, que sejam acolhidos os argumentos descaracterizadores da ilegítima exigência adicional do PIS, referente a períodos dos anos 1997 a 2000, porquanto restam demonstrada a improcedente e ilegal exigência fiscal; 2) se antes não houver sido reconhecida a improcedência da exação, a realização de diligências e de perícia contábil, art. 18, caput do Decreto 70.235/72 com a redação dada pela Lei 8748/93 com o justo e indispensável objetivo de deixar claramente identificadas as bases de cálculo mensais da contribuição para o PIS, dos períodos listados no auto de infração, maio de 1997 a janeiro de 2002. Em cumprimento à determinação constante do inciso IV, art. 16 do Decreto 70.235/72, nomeia o seu perito e formula os quesitos a serem verificados durante a auditoria pericial; o reconhecimento da absoluta improcedência da exigência fiscal, rogando inclusive, a adoção de todas as providências legais e técnicas que se fizerem ainda necessárias ao completo restabelecimento da primitiva situação fiscal da empresa;" O lançamento em comento foi julgado procedente, pela Acórdão DRJ/REC n° 4.113/2003 (fls. 111/126), pois que não só insuficiente o recolhimento do PIS, mas, também, 6 (»1° I 2aCC-MF fnt .,7, Ministério da Fazenda . . tát:s• Fl. . 1 Segundo Conselho de Contribuintes ,Á 11.4 . Processo n° : 10410.003116/2002-01 Recurso n° : 126.441 VI3TO r" -- Acórdão n° : 202-15.814 porque a defesa administrativa restou tão-somente escorada em argüição de inconstitucionalidade de lei. Inconformada, a interessada recorre a este Segundo Conselho de Contribuintes, repisando suas razões de impugnação (fls. 131 a 145). O recurso está lastreado em processo administrativo de arrolamento de bens. É o relatório. 7ct.A4 r CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes — IAProcesso n° : 10410.003116/2002-01 AjZiárRecurso n° : 126.441 VISTC Acórdão n° : 202-15.814 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA O apelo voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade e dele, portanto, conheço. Como relatado, discute-se a legalidade da autuação da recorrente em face da Lei n° 9.718/98, pois que somente seria exigível o recolhimento do PIS sobre as margens de lucro da contribuinte, sendo que, a partir de julho de 2000, a responsabilidade pelo recolhimento da aludida exação seria da General Motors do Brasil. Quanto às preliminares argüidas, tenho que as mesmas são de todo improcedentes, pois da leitura da impugnação e do recurso voluntário oferecidos, pela recorrente, denota-se que a mesma não teve seu direito de defesa cerceado, uma vez que atacou em sua integralidade o lançamento levado, a efeito, assim como o Acórdão que o manteve. Assim, em facç das preliminares argüidas, reporto-me ao acórdão recorrido como se aqui estivesse transcrito - e tão-somente neste particular -, para afastar tais preliminares, pois que descabidas e despropositadas. No que diz à alegação de que a partir de julho de 2000, a responsabilidade pelo recolhimento da aludida exação seria da General Motors do Brasil, na modalidade de substituição tributária, tenho que cabia à recorrente fazer prova de que tais recolhimentos efetivamente foram realizados na modalidade em que sustenta, pois o fato, segunda análise da legislação citada pela recorrente (art. 44 da MP tf 1.991-16), implicaria até em restrição a certos e determinados tipos de veículos, o que, na espécie, não foi realizado. Não obstante o quanto vai acima, necessário ainda se faz observar que quanto a matéria de fundo em debate, - qual seja: a forma de recolhimento da exação em discussão para as empresas revendedoras de veículos -, o posicionamento das Câmaras do Segundo Conselho, à unanimidade, sedimentou-se no sentido de que a "...Empresa concessionária de veículos automotores deve recolher tais contribuições sobre sua receita bruta, não apenas sobre a margem de lucro." (RV n° 120.254, Aárd5o n° 203-08.797, relator o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes). Nestes exatos termos ainda temos os Acórdãos IN 202-14.971 e 203-08.431. Diante do exposto, voto pelo não provimento ao recurso interposto. É como voto. ; ões, em e - iro de 2004 D,0111-9111.1)?• • : to e• IRANDA 8
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Numero do processo: 10384.003352/95-01
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 1997
Ementa: IRPF - MULTA - ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - Exs.: 1993 e 1994 - Incabível a aplicação da multa prevista no artigo 984 do RIR/94, constatada a entrega intempestiva da declaração de rendimentos de pessoa física, por não se tratar de penalidade específica. EX. 1995 - Extingue-se o crédito tributário através do pagamento.
Recurso provido.
Numero da decisão: 102-42340
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: Ursula Hansen
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EX. 1995 - Extingue-se o crédito tributário através do pagamento. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMMANUEL DE ALENCAR ARARIPE. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. -- ANTONIO DE' FREITAS DUTRA PR DENTE HANSEN RELATORA FORMALIZADO EM: 10 OEZ 1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CLAUDIA BRITO LEAL IVO e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFON I. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITO e MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10384.003352/95-01 Acórdão n°. 102-42.340 Recurso n°. : 12.145 Recorrente EMMANUEL DE ALENCAR ARARIPE RELATÓRIO EMMANUEL DE ALENCAR ARARIPE, inscrito no CPF/MF sob o n°. 226.427.733-53, recorre a este Colegiado de decisão do Delegado da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza, CE, que manteve a exigência de multa por falta de apresentação de Declaração de Rendimentos nos exercícios de 1993 a 1995, em valor equivalente a 395,00 UFIR, visando a sua reforma. A exigência, consubstanciada no Auto de Infração de fls. 01, foi impugnada às fls. 03, alegando o contribuinte que deixara de apresentar as Declarações nos exercícios citados por se considerar excluído da obrigatoriedade, de acordo com o Manual do Imposto de Renda Pessoa Física. Como enquadramento legal, foram citados os artigos 001,045, 047, 055 a 058, 887, 889, 960 e 999, 11 "a" todos do RIR/94, aprovado pelo Decreto n° 1.041 de 11/01/94, e artigo 88, 1 e II, da Lei n°8.981, de 20/01/95. A autoridade julgadora singular julga procedente a ação fiscal, por considerar insubsistentes os argumentos de defesa. Afirma que a firma individual E. de Alencar Araripe - ME, CGC n° 07,717,861/0001-34, constituída em 02/10/85 não havia requerido baixa de suas atividades, razão pela qual prevalecia a obrigatoriedade de apresentação de Declaração, nos termos da IN-SRF n° 11/93, art. 1° inciso V (para 1993), 1N-SRF n° 94/93, artigo 10 inciso VI (para 1994) e IN-SRF n° 105/94, artigo 1° inciso 111 (para 199?). 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10384003352/95-01 Acórdão n°. 102-42.340 irresignado, o contribuinte recorreu parcialmente da decisão monocrática, reiterando, em suas Razões acostadas aos autos às fls. 14, acompanhadas dos anexos de fls. 15/23, basicamente os argumentos já expendidos na fase impugnatória Em atendimento ao disposto na Portaria ME n° 180, de 03 de junho de 1996, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas Contra-razões, carreadas aos autos às fls. 25/26, requerendo a manutenção da decisão monocrática. É o Relatório, /,-/ 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA • f:,‘ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES r • , n ;"="; SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :10384.003352/95-01 Acórdão n°. :102-42.340 VOTO Conselheiro URSULA HANSEN, Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Considerando que a matéria vem sendo submetida com freqüência à apreciação e julgamento de diversas Câmara deste Conselho, sendo mansa e pacífica a jurisprudência a respeito, peço vênia para adotar o brilhante voto proferido pela ilustre Conselheira Sueli Efigênia Mendes de Britto, que se transcreve, parcialmente, a seguir. A multa questionada, pela recorrente, é a referente ao exercício 1994, ano calendário 1993, que está disciplinada pelo Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041 de 11/01/94, nos seguintes artigos: "Art. 999. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I - multa de mora: a) de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo fixado, ainda que o imposto tenha sido integralmente pago ( Decretos-lei n 1.967/82, art. 17, e 1.968/82, art. 89; li- multa: a) prevista no art. 984, nos casos de falta de apresentação de declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo fixado, quando esta não apresentar imposto devido;"(grifei) -- O citado artigo 984 assim dispéf:_„(._ 4 - MINISTÉRIO DA FAZENDA,- n-•;1=4. '"'"= • . ,;. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA- ,-1- -,-., Processo n°. : 10384.003352/95-01 Acórdão n°. :102-42.340 "Art984- Estão sujeitas à multa de 97,50 a 292,64 UF1R todas as infrações a este Regulamento sem penalidade especifica (Decreto-lei n°401/68, art 22, e Lei n°8.383191, art. 3°, 1)."(grifei) E, o Decreto-lei n° 1 967 de 23/11/82, assim preleciona : "Art. 17. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, no caso de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo devido, aplicar-se-á, a multa de de 1% (um por cento) ao mês sobre o imposto devido, ainda que tenha sido integralmente pago". (grifei) Este artigo foi repetido no art. 8° do Decreto-lei n° 1.968 de 23/11/82. Pela leitura dos dispositivos legais, acima transcritos, para o exercício de 1994 a multa própria para atraso na entrega da declaração de rendimentos é a do art. 999 do RIR/94, inicialmente transcrita, cuja base é o imposto devido, portanto, inaplicável a multa do artigo 984 do RIR/94, por ser pertinente as infrações sem penalidade específica. Examinando a declaração de rendimentos apresentada (fis.02), verifica-se que não há imposto devido, por conseqüência não pode haver multa. Com relação ao enquadramento legal apontado, têm-se que a alínea "a "do inciso II do art. 999, é inaplicável porque até 1995 não havia disposição legal que desse suporte a esta exigência. Aplicar-se a multa, sem lei anterior que a defina, é ferir o comando do art. 97 da Lei n° 5.172 de 25/10/66 Código Tributário Nacional art. 97 que assim disciplina: "Art 97 Somente a lei pode estabelecer: (--) V- a cominação de penalidades para ações ou omissões contrárias a seu dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;"(grifei). ír -L4, 5 - MINISTÉRIO DA FAZENDA '2'4' • %, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .p SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10384.003352/95-01 Acórdão n°. :102-42.340 MULTA é uma penalidade pecuniária e como tal deve estar definida em lei. O regulamento do imposto de renda não tem esta característica como bem ensina HELY LOPES MEIRELLES, em seu livro Direito Administrativo Brasileiro, 7° Edição, pág. 155: "Os regulamentos são atos administrativos, postos em vigência por decreto, para especificar os mandamentos da lei, ou prover situações ainda não disciplinadas por lei. Desta conceituação ressaltam os caracteres marcantes do regulamento: ato administrativo (e não legislativo) ; ato explicativo ou supletivo de lei; ato hierarquicamente inferior à lei; ato de eficácia externa ". Continua, ainda, o renomado autor na página 156: "Como ato inferior à lei, regulamento não pode contrariá-la ou ir além do que ela permite. No que o regulamento infringir ou extravasar da lei, é írrito e nulo. Quando o regulamento visa a explicar a lei (regulamento de execução) terá que se cingir ao que a lei contém; quando se tratar de regulamento destinado a prover situações não contempladas em lei (regulamento autônomo ou independente) terá que se ater nos limites da competência do Executivo, não podendo, nunca, invadir as reservas da lei, isto é, suprir a lei naquilo que é competência da norma legislativa (lei em sentido formal e material). Assim sendo, o regulamento jamais poderá instituir ou majorar tributos, criar cargos , aumentar vencimentos, perdoar dívidas, conceder isenções tributárias, e o mais que depender de lei propriamente dita." O fato do regulamento ser aprovado por DECRETO não lhe confere atributos de lei, como bem ensina o doutrinador, anteriormente indicado, na página 155: "Decreto independente ou autônomo é o que dispõe sobre matéria ainda não regulada especificamente em lei. A doutrina aceita esses provimentos administrativos pra eter legem para suprir a omissão do legislador, desde que não invadam as reservas da lei, isto é, as matérias que só por lei podem ser reguladas." Por outro lado, o art. 88, II, da Lei n° 8.981/95, abaixo transcrito, prev:;' 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA s— • 9,' , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. 10384.003352/95-01 Acórdão n°. :102-42.340 Art. 88 - A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica. II - à multa de duzentas UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. § 1°- o valor mínimo a ser aplicado será: a) de duzentas UFIR, para as pessoas físicas; Constata-se nos autos que o ora Recorrente anexa às suas Razões de recurso voluntário, às fls. 16, comprovante de recolhimento de valor equivalente a 200 UFIR, correspondente ao pagamento da multa por atraso na entrega de declaração referente ao exercício de 1995. Considerando o acima exposto e o que mais dos autos consta, Considerando que a multa aplicada, conforme disposto no artigo 984 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041/94, destina- se a infrações sem penalidade específica, e 2 Considerando que o ora recorrente recolheu o valor correspondente à multa relativa ao exercício de 1995, ano-calendário de 1994, extinguindo o crédito tributário, Voto no sentido de dar-se provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 12 de novembro de 1997. RSU A SEN 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10280.004942/2003-72
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência.
PRELIMINAR - NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa argumentação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Ademais, somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando lavrado em consonância com o art. 142 da Lei n°5.172, de 1966 (CTN) e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972.
LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - Incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento.
PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de ofício a contagem do prazo decadencial obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de omissão de rendimentos, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, previstos no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários, cuja origem em rendimentos já tributados, isentos e não-tributáveis o sujeito passivo não comprova mediante prova hábil e idônea.
ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA - PROCEDIMENTO - Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 - LIMITE DE R$ 80.000,00 - Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário.
Recurso negado.
Numero da decisão: 106-14.825
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que pasaam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: Luiz Antonio de Paula
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ementa_s : PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. PRELIMINAR - NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa argumentação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Ademais, somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando lavrado em consonância com o art. 142 da Lei n°5.172, de 1966 (CTN) e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - Incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de ofício a contagem do prazo decadencial obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de omissão de rendimentos, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, previstos no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários, cuja origem em rendimentos já tributados, isentos e não-tributáveis o sujeito passivo não comprova mediante prova hábil e idônea. ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA - PROCEDIMENTO - Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 - LIMITE DE R$ 80.000,00 - Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano-calendário. Recurso negado.
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SEXTA CÂMARA Processo n°. : 10280.004942/2003-72 Recurso n°. : 144.341 . Matéria : IRPF - Ex(s): 1999 Recorrente : GILBERTO NASCIMENTO BRITO Recorrida : 28 TURMA / DRJ-BELÉM - PA Sessão de : 10 AGOSTO DE 2005 Acórdão n°. : 106-14.825 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de diligência, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. PRELIMINAR - NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa argumentação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Ademais, somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o lançamento efetuado por autoridade competente no exercício da sua atividade funcional, mormente quando lavrado em consonância com o art. 142 da Lei n°5.172, de 1966 (CTN) e com o artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO - INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE - Incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFICIO. No lançamento de ofício a contagem do prazo decadencial obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTOS COM EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS — A presunção legal de omissão de rendimentos, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, previstos no art. 42, da Lei n°9.430, de 1996; autoriza o lançamento com base em depósitos bancários, cuja origem em rendimentos já tributados, isentos e não-tributáveis o sujeito passivo não comprova mediante prova hábil e idônea. it mfma MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 ÔNUS DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA - PROCEDIMENTO - Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 - LIMITE DE R$ 80.000,00 - Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do ano- calendário. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por GILBERTO NASCIMENTO BRITO. ACORDAM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que pasíam a integrar o presente julgado. 12/(lw JOSE I 'MAR' B -P—ENHA PRESIDENTE dike LUIZ ANTONIO DE PAULA RELATOR 2 • 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES (141k.s. SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 FORMALIZADO EM: 19 SET 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, GONÇALO BONET ALLAGE, JOSÉ CARLOS DA MATTA RIVITTI, ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI e ANTONIO AUGUSTO SILVA PEREIRA DE CARVALHO (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES. 3 ,;13d4;Ç(4 MINISTÉRIO DA FAZENDA it PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,;;;M.{:•,, SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Recurso n°. : 144.341 Recorrente : GILBERTO NASCIMENTO BRITO RELATÓRIO Gilberto Nascimento Brito, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau de fls. 189-211, mediante Acórdão DRJ/BEL n° 3.200, de 19 de outubro de 2004, prolatada pelos Membros da 2 a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém-PA, recorre a este Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 213-246. 1. Da autuação Contra o contribuinte acima mencionado, foi lavrado em 17/12/2003, o Auto de Infração — Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 130-153, com ciência via postal em 24/12/2003 — "AR" - fl. 154-verso, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.379.384,28, sendo: R$ 535.683,22 de imposto, R$ 441.938,65 de juros de mora (calculados até 28/11/2003) e R$ 401.762,41 da multa de ofício (75%), referente ao ano-calendário de 1998. Da ação fiscal resultou a constatação da seguinte irregularidade: 1) OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) corrente de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nestas operações, conforme consta na descrição do Auto de Infração de fls. 132- 133. Fatos Geradores: Todos os meses do ano-calendário de 1998. 4 • -;:gs111, MINISTÉRIO DA FAZENDA .1À PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 A presente autuação foi capitulada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, art. 21 da Lei n° 9.532, de 1997; art. 4° da Lei n° 9.481, de 1997, art. 43, incisos I e II da Lei n° 5.172, de 1966; §§1° e 4° do art. 3° da Lei n° 7.713, de 1988 e art. 849 do RIR/99. O Auditor Fiscal da Receita Federal, autuante, descreveu no Auto de Infração de fls. 132-133, sobre os procedimentos adotados durante a ação fiscal, dentre outros, os seguintes aspectos: - no curso da ação fiscal no contribuinte Joaquim Celin, CPF n° 752.117.427-53, visando apurar o cometimento de infrações á legislação do imposto de renda pessoa física — objeto da denominada Operação Movimentação Financeira Incompatível, constatou-se que o Sr. Joaquim mantinha a conta corrente n° 25.916-0, agência 708-0, no Banco do Brasil em conjunto com o Sr. Gilberto Nascimento Brito, segundo titular da referida conta; - em 16/09/2003, fls. 42-46, foi remetido via postal o Mandado de Procedimento Fiscal e o Termo de Inicio de Fiscalização, sendo o contribuinte instado a apresentar a documentação hábil e idônea, que comprovasse a origem dos recursos que propiciaram movimentação financeira em conta corrente de sua titularidade, no ano- calendário de 1998, mantido no Banco da Amazônia S/A e na conta corrente n° 21.916-0, mantido no Banco do Brasil, em conjunto com o Sr. Joaquim Celin; - através do processo n° 2001.50.01.007232-9 (ES — IPF n° 292/2001 — Departamento da Policia Federal/ES) foi obtida a quebra do sigilo bancário via judicial do Sr. Joaquim, tendo sido solicitado em 08/10/2003 à extensão da quebra do sigilo do contribuinte Gilberto Nascimento; - em 07/11/2003, o fiscalizado efetuou a entrega dos extratos bancários das contas correntes n° 006908-7, mantida no Banco da Amazônia e conta n° 25916-0, mantida no Banco do Brasil, em conjunto com Sr. Joaquim, juntados ás fls. 52-87; 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,,r7-,t4,-.Ü> SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 - intimou-se o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes relacionados no anexo do Termo de fls. 89-100, efetuando a juntada, às fls. 101-127, do extrato bancário da conta corrente n° 16719-3, mantida no Banco Bradesco, apresentado pelo Sr. Joaquim Celin, no curso da ação fiscal autorizada pelo MPF-F n°0210100, de 2002.002800; - apesar de intimado o contribuinte não apresentou a documentação solicitada, motivo que ensejou o lançamento previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e no art. 58 da Lei n° 10.637, de 2002, que acrescentou o parágrafo 6° ao art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; - apurou-se o valor tributável de R$ 1.963.648,09, sendo: R$ 49.502,43 no Banco da Amazônia; R$171.905,81 na conta conjunta(Sr. Joaquim) no Banco do Brasil e R$ 1.742.239,85 na conta conjunta (Sr. Joaquim) Banco Bradesco, conforme consta no demonstrativo de fl. 137-151. 2. Da Impugnação e do julgamento de Primeira Instância O autuado irresignado com o lançamento apresentou a impugnação de fls. 156-179, instruída com os documentos constantes nos anexos III, IV e V(cópia dos cadernos espirais — contendo anotações a respeito de suas operações e de seu sócio — Sr. Joaquim Celin, bem como documentos anexados às folhas dos cadernos), que após historiar os fatos registrados no auto de infração, se indispôs contra a exigência fiscal, cujos argumentos de defesa foram devidamente relatados pela autoridade julgadora a quo às fls. 192-196. O impugnante apresentou sua defesa estruturada nos seguintes tópicos, os quais foram rebatidos pela autoridade julgadora de primeira instância. E, o relator do r. acórdão assim se manifestou acerca de cada um desses. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 1)Dos Fatos da Autuação As alegações apresentadas pelo impugnante em nada o socorrem, pois verifica-se que durante a ação fiscal o interessado teve várias oportunidades de apresentar documentos, entretanto, não o fez. E, tendo o contribuinte apresentado a impugnação, demonstrando de forma inequívoca seu pleno conhecimento do processo fiscal, e não havendo no auto de infração qualquer imperfeição ou presunções técnicas capazes de viciar a exigência, não procede a argüição de desconhecimento dos fundamentos descritos no auto de infração, inocorrendo cerceamento de defesa pelo simples fato de alegar dificuldade em tomar vistas. 2)Da Nulidade de Lançamento por Erro de Identificação do Sujeito Passivo O impugnante pretendeu na defesa a sua equiparação a empresa individual com vistas a beneficiar-se de uma tributação menos gravosa, invocando o art. 127 do RIR/94. O relator do r. acórdão asseverou que o contribuinte não comprovou que as suas contas correntes serviram como instrumento de recebimento de valores oriundos de transações comerciais, e, ainda, que o titular das contas correntes é o sujeito passivo e sobre ele deve recair a tributação, como preceitua o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 3)Da nulidade do Lançamento por Cerceamento do Direito de Defesa Ao sujeito passivo, através do Termo de Início de Fiscalização de fl. 42, foi dado conhecimento de que se encontrava em poder da fiscalização toda a documentação remetida pela Justiça Federal, tendo inclusive obtido dilatação do prazo para apresentar os esclarecimentos acerca dos ditos documentos. E, ainda, ressaltou que antes da impugnação, não há litígio, não havendo contraditório.fr\ 7 •• :>n/AS:44,- MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 94,-re: SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.00494212003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Por fim, o relator deixou de acolher a pretensão do sujeito passivo quanto a tese de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, por desconhecer a existência dessa documentação em poder da Receita Federal, pois, efetivamente, disso lhe foi dado ciência pela fiscalização. 4) Irretroatividade da Lei n° 10.637/2002 O relator do voto frisou ser improfícuas as alegações do sujeito passivo, pois, se houvesse observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 antes da inclusão do § 6°, efetuado pela Lei n° 10.637, de 2002, o crédito tributário teria sido integralmente imputados ao interessado. Entretanto, com a aplicação do dispositivo supra lhe foi mais benéfico para o autuado, ao ser tributado em 50% dos depósitos mantidos em conta corrente. Assim, o relator do r. acórdão concluiu pela falta de interesse processual para o contribuinte pleitear algo que agravaria sua situação fiscal, por haver sido evidentemente beneficiado com a aplicação retroativa do dispositivo. 5)Da Inclusão Ilegal de Valores nos Depósitos Bancários Considerados Omitidos. A respeito desse tópico, o relator destacou que estando o contribuinte obrigado a comprovar a origem dos depósitos bancários, não o fazendo, dá ensejo à transformação do indício em presunção, previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Ainda, destacou que o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação comprobatória, tendo obtido a prorrogação de prazo para atender a exigência fiscal. Entretanto, não consta nos autos que tenha logrado atender ao solicitado. Assim, concluiu, pela procedência da autuação de omissão de rendimentos. 6)Da Falta de Previsão Legal para Lançamento de Imposto de Renda com Base em Movimentação Financeira 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA -•.;" Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 O relator do voto asseverou que a Lei n° 10.174, de 2001 alterou apenas a parle final do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, ou seja, eliminou somente a limitação do exercício da atividade administrativa de lançamento de outros tributos a partir de informações no âmbito da fiscalização da CPMF, restando mantida a obrigação de preservação do sigilo fiscal. Ainda, ressaltou ser um equívoco da parte do interessado quando afirmou que a Lei n° 10.174, de 2001 não poderia atingir fatos regidos pela lei pretérita, pois não versa sobre o fato gerador que deu origem ao presente lançamento, mas tão somente, sobre a forma de obtenção e utilização das informações relativas à CPMF. 7)Da decadência do Direito de lançar o IRPF — Apuração Mensal. A autoridade julgadora de primeira instância registrou na decisão que no presente caso não há que se falar em decadência do ano-calendário de 1998, visto que o contribuinte não fez pagamento antecipado, cabível, portanto, a aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN, assim, somente ocorrendo à decadência somente a partir de 31 de dezembro de 2004. 8)Provas, Meios de Comprovação. Livre Convicção da Autoridade Julgadora Acerca de tópico, o relator destacou que é de suma importância observar que as presunções júris tantum, muito embora admitam prova em contrário, dispensa do ónus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidi-las. E, ainda, não comprovada as alegações do sujeito passivo, tem a autoridade fiscal o pode/dever de efetuar o lançamento do imposto correspondente com base nos extratos bancários entregue à Receita Federal pela Justiça Federal, cujas cópias foram juntadas aos autos de fiscalização. 9)Pedido de Diligência 9 ír MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 O relator concluiu que não pode pretender o contribuinte transferir referida competência à autoridade administrativa, podendo ser considerado o pleito como medida meramente procrastinatória. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Exercício: 1999 Ementa: Nulidade do Lançamento — Erro de Identificação do Sujeito Passivo. Cerceamento do Direito de Defesa. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Não há que se falar em nulidade processual por utilização de documentos cobertos pelo sigilo bancário, quando eles são trazidos aos autos com autorização judicial e remetido pela Justiça Federal. Aplicação da Lei no Tempo. Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Omissão de Rendimentos Caracterizado por Valores Creditados em Conta Corrente de Depósito ou Investimento Mantida em Instituição Financeira. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Decadência. 1RPF. Não havendo pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário por intermédio do lançamento de ofício cessa após o decurso do prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido efetuado. Provas. Meios de Comprovação. Livre Convicção da Autoridade Julgadora. As alegações devem ser comprovadas com documentos io MINISTÉRIO DA FAZENDA NILH-a-:" t" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .;7744-,',t SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 ou outra forma prevista em lei que não deixe dúvida da fidedignidade dos fatos, sendo apreciadas, aceitas ou não, segundo a livre convicção da autoridade administrativa. Pedidos de Diligência e Perícia. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência e perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente 3. Do Recurso Voluntário O impugnante foi cientificado dessa decisão em 03/12/2004 ("AR" — fl. 212-verso), e, com ela não se conformando, interpôs dentro do tempo hábil (31/12/2004), o Recurso Voluntário de fls. 213-246, repisando os termos impugnados, requerendo o cancelamento do crédito tributário, ou alternativamente, que seja anulado o processo a partir do Termo de Início de Ação Fiscal, por cerceamento do direito de defesa, e, ainda, pelo fato de o processo estar calcado em provas ilícitas, que pode assim ser resumido, seguindo os mesmos tópicos apresentados pelo recorrente: I) Resumo sobre a autuação - repisou sobre os procedimentos adotados durante a ação fiscal, da impugnação e do julgamento de primeira instância. No final, comentou que por ter o r. acórdão combatido item por item como apresentado na impugnação, seguirá agora em recurso, os comentários conjuntamente; II)Fundamentos de fato e de direito 1) Dos Fatos da Autuação - sempre reclamou e continuou reclamando que a auditoria, no curso da ação fiscal e no julgamento de primeira instância, veio agindo com um rigor maior do que a legislação prevê; ( ,A.'1•4.4:- MINISTÉRIO DA FAZENDA -- • .3;;•:-Ne' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES d? SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 - destacou que o STF acaba de decidir que, mesmo em inquéritos sigilosos, os advogados têm direito de acesso aos autos; - repisou que foi constatada a falta de entrega ao contribuinte de cópia de inteiro teor do presente processo, o que impediu de conhecer todos os argumentos do auto de infração, obtendo-as somente próximo à data limite para a apresentação da defesa inicial; - é restringir-lhe o direito de defesa, quando não lhes foram fornecidas cópias de todos os documentos, planilhas, Termo de Constatação, etc, produzido no curso da fiscalização; - não teve acesso ao estoque de documentos coletados na repartição, salvo prova de que lá esteve e conseguiu vista dos autos ou, em petição se revelou conhecedor dos demonstrativos, papéis e termos do lançamento antes de lhe ser notificado, o que não aconteceu; 2) Da nulidade do Lançamento Por Erro Na Identificação do Sujeito Passivo - dizer que o autuado pretendeu equiparar-se a empresa individual com vistas a beneficiar-se de uma tributação menos gravosa é no mínimo afrontar a inteligência; - descabe na legislação brasileira a previsão legal expressa da sociedade de fato, mesmo assim, é indubitável que a mesma é inerente ao Sistema Tributário Nacional e aos seus objetivos; - a decisão deve referir-se expressamente às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências ( art. 31 do Decreto n° 70.235, de 1972); - a decisão de primeira instância, mesmo diante de tantas razões alegadas, silenciou a respeito das alegações apresentadas de NULIDADE DO LANÇAMENTO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO; 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA tV".:.S.-;:rei!.: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4k- Jfj%te)›- SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 - em função da omissão do julgador a quo, a fim de que não se caracterize cerceamento do direito de defesa, requer que o Conselho de Contribuintes examine o conteúdo dos argumentos constantes da impugnação, acerca desse tópico. 3) Nulidade do Lançamento Por Cerceamento do Direito de Defesa - de forma idêntica, requereu que o Conselho de Contribuintes analise os argumentos constantes da impugnação a respeito desse item; - fundamentou seu argumento nos ensinamentos de José Afonso da Silva, para concluir que o principio do contraditório representa a garantia de qualquer pessoa para a defesa de seus direitos e compete a todos, indistintamente, inclusive em processo administrativo. 4) Da Irretroatividade da Lei n° 10.637/2002 - segundo o tributarista Luciano Amaro, a lei não pode retroagir, aplicando-se tão somente aos fatos futuros, isto é, "pospostos cronologicamente ao momento da entrada em vigor da lei de tributação.". - o que se deve discutir, não é esse conceito de irretroatividade, mas sim os critérios que permitiram a repartição do ônus tributário entre os titulares de conta de depósito e investimento, ou seja, se os depósitos bancários deveriam ser integralmente imputados ao interessado ou não; - na vigência do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, sem os parágrafos 5° e 6°, o agente fiscal não dispunha da faculdade de promover a divisão ficta dos depósitos entre os correntistas detentores de conta conjunta, para o efeito de calcular o crédito tributário; - assim, o que se argúi é o fato de a mudança da forma de calcular o crédito, determinado pela nova lei, importar alteração real do valor do imposto; 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 - a fiscalização, sem saber qual o montante real das receitas a ser atribuído exatamente a cada correntista, imputou a cada dos titulares da conta 50% do valor dos rendimentos (considerados de origem não comprovada, em tese); - o autuante não determinou qual o valor exato de suas cotas que faziam parte integrante dos valores movimentados nas duas contas titulada em conjunto, o que na verdade, representa uma forma anômala de majoração do quantum do imposto para um dos correntistas; - assim, o § 6° da Lei n° 9.430, de 1996 não aplica à situação referente aos créditos apurados nas contas bancárias conjuntas, pela inexistência de comando legal na época de sua prática; - e, ainda, o § 6° menciona que "declaração de rendimentos ou de informações dos titulares apresentadas em separado", entretanto, os titulares das contas, estavam omissos quanto à apresentação das declarações de rendimentos da pessoa física no ano-calendário, sendo essa mais uma razão pela qual esse § 6° não se aplica ao caso; 5) Da Inclusão Ilegal de Valores nos Depósitos Bancários Considerados Omitidos - da análise dos demonstrativos de valores — extratos bancários de fls. 138-151, comparados com a descrição dos fatos, constatou-se certa controvérsia, ou seja, as provas acostadas aos autos não esclarecem se tais transferências são entre contas do próprio contribuinte; - indagou, caso negativo, então quem seria o titular das contas movimentadas em outras agências? Caso idêntico para os "depósitos em cheque"; - cumpre observar que todo o trabalho fiscal nesse sentido deveria ser obrigatoriamente fundamentado, no mínimo pelo imperativo de ordem legal (§ 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996); 14 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 - ainda, reiterou o fato de a fiscalização de buscar os elementos necessários ao lançamento por conta própria não justifica que se soneguem informações ao autuado, como no caso, em que soube da existência de dois anexos I e II, constituídos de 569 cópias de cheques do período de janeiro a dezembro de 1998, apenas teve conhecimento no o dia 21/04/2004, quando obteve acesso ao inteiro teor do presente processo. 6) Da Falta de Previsão Legal para Lançamento de Imposto de Renda com Base em Movimentação Financeira - no art. 29 do Decreto n° 70.235, de 1972 consta que "na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção", assim, fica parecendo que o empecilho para que haja o reexame da situação parte da própria Receita Federal através de seus órgãos superiores, em detrimento dos interesses do contribuinte, que, em princípio, ignora quanto se passa na repartição; - pelos termos incisivos do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.174, de 2001, a nova regulação da matéria permitiu que se utilizassem os valores creditados em conta de depósito e de investimento mantida junto à instituição financeira para lançamento, como omissão de rendimentos; - trata-se de disposição do Direito Material, que vem estabelecer a substância, a matéria da norma agendi, fonte geradora e asseguradora de todo direito. E, assim se diz para contrapor-se ao Direito Formal, que vem instituir o processo ou forma de proteger; - não poderá a fiscalização ater-se às informações colhidas junto aos bancos, para efetuar o lançamento do crédito tributário; - requereu que seja apreciado sobre a aplicação da retroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, com o apoio do art. 144, caput do CTN, na Constituição Federal, art. 150, III, "a"; /rà 15 ,;,.121:Z4,, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,ZtiP,,Y, SEXTA CÂMARAn„;:. Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 7) Da decadência do Direito de Lançar o Imposto de Renda Pessoa Física — Apuração Mensal - é que no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e em se tratando de imposto de renda pessoa física em que a apuração é mensal, a administração dispõe de prazo fatal de 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador para efetuar o lançamento tributário para os fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a novembro; - contraponto ao argumento da autoridade julgadora de primeira instância de que pela falta do pagamento antecipado, não havendo o que se homologar, está superada, pois em tal hipótese a falta de pagamento do imposto ou o pagamento insuficiente não se prestam a interromper a decadência, segundo a regra do art. 173, do CTN; 8) Provas, Meios de Comprovação. Livre Convicção da Autoridade Julgadora - esqueceram os julgadores de primeira instância que a figura prevista no art. 3° da Lei n° 7.713, de 1988, há de ser aplicada, no caso vertente, em conjunto com o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, pois a hipótese imponivel trata de depósitos em bancos sem origem justificada; - somente após a materialização da omissão ensejada pela manutenção de créditos bancários quando não demonstrada a origem é que se pode falar em omissão de rendimentos nos termos da Lei n° 7.713, de 1988; - de acordo com o Decreto-lei n° 5.844, de 1943, art. 79, § 1°, "os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão". III) Da solicitação de diligências - para espancar qualquer dúvida quanto à alegada inidoneidade e inabilidade dos 04 cadernos pequenos em espiral onde o seu sócio anotava somas e subtrações de 16 ;??„, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .1PÇ SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 valores e anexava os comprovantes de depósitos em suas contas e transferências a terceiros é consentir na realização de diligência e perícias que levem à análise dos citados "cadernos" e dos comprovantes que os respaldam e à emissão de parecer conclusivo sobre a validade ou não desses elementos de prova; - adiantou-se e formulou pedido junto ao Instituto de Criminalistica do Estado e a Auditores Independentes, buscando a realização de perícia nos aludidos cadernos, de maneira a atestar a idoneidade dos mesmos bem como sua validade como documentos contábeis; - ressaltou que os cadernos originais foram apresentados na Receita Federal e foram devolvidos pela Agência de Castanhal, que alegou não poder juntar os cadernos originais, tendo extraído cópias dos mesmos. De modo que os cadernos originais estão à disposição do Conselho de Contribuintes; O Recorrente instruiu o presente recurso com o Laudo de Exame Pericial Grafotécnico de fls. 247-293. À fl. 294, consta extrato-consulta com a informação da existência do processo n° 10280.001129/2004-21, referente ao arrolamento de bens/direitos. É o relatório. 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4?-1;t4,: SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280,004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 VOTO Conselheiro LUIZ ANTONIO DE PAULA, Relator O presente Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos no art. 33 do Decreto n° 70.235/72, inclusive quanto à tempestividade e garantia de instância, portanto, deve ser conhecido por esta Câmara. Conforme já anteriormente relatado, o Recurso Voluntário tem por objeto reformar o Acórdão prolatado no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém que, por unanimidade de votos os Membros da 2 a Turma acordaram em julgar procedente o lançamento, no ano-calendário de 1998, relativo à omissão de rendimentos consubstanciada em depósito bancário de origem não comprovada. A seguir, passo ao exame das preliminares argüidas, conforme os seguintes tópicos: 1) Pedido de Diligência Inicialmente, quanto ao pedido de diligência formulado genericamente pelo contribuinte, cabe transcrever o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: IV- as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação 18 i.t;4:?: MINISTÉRIO DA FAZENDA• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 profissional do seu perito. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93); § 1° Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (introduzido pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). (..)" Além dos requisitos previstos no art. 16, supra, deve ser analisado se o pedido de realização de diligência é considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, de acordo com o que dispõe o art. 18 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n°8.748, de 1993: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis observados o disposto no art. 28, 'in fine'. A realização de diligências e/ou perícias tem por finalidade a elucidação das questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. In casu, além do pedido de diligência não ter atendido aos requisitos previstos na lei, entende-se que sua realização é prescindível, sendo o exame dos autos são suficientes e bastante para a elucidação da lide, como se verá. E, ainda, cabe ressaltar que as autoridades precedentes esclareceram que da análise dos autos do processo n° 10280.004965/2003-87, em nome de Joaquim Celin, outro titular das contas correntes, que dos comprovantes de depósitos e as meras somas e subtrações de valores constantes nos 04 cadernos espirais apresentados pelo fiscalizado não são documentos hábeis para comprovar as operações a crédito em contas bancárias, pois não guardam qualquer correlação com os recursos depositados. 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA.„; Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Por ser oportuno, cabe transcrever, ainda, a manifestação das autoridades lançadoras, descrita no auto de infração lavrado em nome de Joaquim Celin, à fl. 414, quando da análise dos documentos apresentados pelo fiscalizado no decorrer dos procedimentos da ação fiscal: b. no tocante à ORIGEM dos recursos utilizados, não se pode aceitar como comprovada somente coma a simples identificação nas guias de depósitos do elemento subjetivo — QUEM efetuou os depósitos — mas a que titulo dos mesmos foram realizados, ou seja, perquire-se também a ORIGEM-CAUSA dos valores depositados, visando verificar tratar-se da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos tributáveis ou não, ou já tributados. Desta forma, e, em conformidade com o art. 16, IV, combinado com o art. 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972, indefiro o pedido de realização de diligência por considerá-la prescindíveis para o presente julgamento. 2) Nulidade do Lançamento — Cerceamento do direito de defesa A respeito deste tópico não posso concordar com a manifestação do recorrente de que não tiveram suas alegações referidas pela autoridade julgadora de primeira instância, pois o relator do voto condutor de forma clara discorreu sobre os procedimentos fiscalizatórios, donde concluo que não há vício que comprometa a validade do lançamento. Como já mencionado no relatório, o autuado se insurge, em preliminar, contra a exigência fiscal por entender que houve flagrante cerceamento do direito de ampla defesa e do contraditório, com os meios e recursos a eles inerentes, argüindo, para justificar o alegado, que não pode ter contra ele constituído o crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para, tendo acesso à gênese do mesmo, demonstrar que é indevido. Não há como acolher esta preliminar de nulidade do lançamento do crédito tributário por cerceamento ao direito de defesa argüida pelo recorrente, 20 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMA RA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 amparada neste frágil argumento, pois o contribuinte teve diversas oportunidades, entretanto, não conseguiu comprovar mediante documentação hábil e idônea os créditos efetuados em suas contas correntes no ano-calendário de 1998, trazendo apenas as meras anotações em cadernos aspirais. Ora, não há como acatar as premissas de cerceamento do direito de defesa nas formas propostas pelo recorrente neste processo, já que o presente lançamento preencheu a todos os requisitos legais necessários. Mesmo que verdadeiro fosse, admitido somente para fins de argumentação, ainda assim, não haveria cerceamento do direito de defesa, já que a jurisprudência é mansa e pacifica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Ademais, diz o Processo Administrativo Fiscal - Decreto n° 70.235/72: Art. 59 - São nulos: / - Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.". A autoridade lançadora cumpriu os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre o contribuinte, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Assim, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. 1:9 21 MINISTÉRIO DA FAZENDA -- • .-;;;.• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 3) Erro na identificação do Sujeito Passivo Em grau de recurso o recorrente asseverou que a autoridade julgadora de primeira instância silenciou a respeito das razões alegadas em sua impugnação, quanto a este tópico. Neste sentido, solicitou que o Conselho de Contribuintes tome por razões de defesa os argumentos suscitados na peça vestibular. O recorrente manifestou-se no sentido de que é necessário uma fundamentação mínima do ponto de vista do pronunciamento administrativo pelo indeferimento da tese da existência de uma sociedade de fato formada por ele e seu sócio Joaquim Celin, uma vez que no caso concreto a matéria tributável apurada pela fiscalização não guarda qualquer sinal de percepção de rendimentos do trabalho ou por outra forma sujeita à incidência do IRPF, mas preponderantemente, fortes indícios de intermediação de gado e veículos (compra e venda). Dando seguimento à análise dos argumentos apresentados, o sujeito passivo pleiteou a sua equiparação à pessoa jurídica nos termos do art. 127 do Decreto n° 1.041, de 1994 — RIR/94 e do PN CST n°. 39/77, haja vista que desempenhava a atividade de comércio e intermediação de negócios de gado de veículos(compra e venda). Tanto no referido artigo do regulamento, quanto no Parecer mencionado e transcrito pelo sujeito passivo em sua defesa, impõem, como condição para a equiparação à pessoa jurídica, a exploração habitual e profissional • de atividade econômica de natureza civil ou comercial. Os únicos documentos comprobatórios trazidos aos autos, que servem como indícios dos negócios realizados pelo sujeito passivo, são as meras anotações (adições e subtrações de valores) em 04 cadernos espirais, que como já devidamente acima exposto, não são documentos hábeis para comprovar que as 22 .;13;4),_,; MINISTÉRIO DA FAZENDA .:7.7:1,1;; PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 operações a crédito em contas correntes foram oriundas da intermediação na venda de gado e veículos. Assim, a meu ver não foi demonstrada a habitualidade exigida em lei, consequentemente, nada autoriza sua equiparação à pessoa jurídica. Desta forma, considero não atendida a condição para a equiparação do sujeito passivo à pessoa jurídica, para fins de apuração do imposto com base em lucro arbitrado. E, para concluir, não posso concordar com a assertiva do recorrente de que a fiscalização não procurou ver nos cadernos se havia alguma coisa de interesse para a instrução do processo. Ao contrário, basta verificar na descrição dos procedimentos adotados durante a ação fiscal constantes no auto de infração. Desta forma, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. 4) Da irretroatividade da Lei n° 10.637/2002 O recorrente, novamente, insurgiu contra a irretroatividade da Lei n° 10.637, de 2002, que alterou o art. 42 da Lei n°9.430, de 1996, aditando-lhe os parágrafos 5° e 6°, sendo que este último estabeleceu a repartição do ônus tributário entre os titulares de conta de depósitos e investimento que apresentarem declaração de rendimentos em separado. Primeiro, argumentou que a Lei n° 10.637, de 2002 instituiu novo regime tributário, ou seja, a mudança de forma de calcular o crédito, determinado pela nova lei, sendo que esta passou a produzir efeitos a partir de 30/12/2002, consequentemente, não podendo ser aplicada aos fatos gerados ocorridos no ano- calendário de 1998. 23 ,z;';.¡It4:.9.- MINISTÉRIO DA FAZENDA tC PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 45;:klik.4, SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 E, segundo, não se aplica o § 6° da Lei n° 9.430, de 1996, pois, no caso em questão, não houve apresentação da declaração de ajuste anual em separado, pelo contrário não apresentou a declaração de rendimentos. Por ser oportuno, cabe ressaltar que o princípio da irretroatividade das leis é atinente aos aspectos materiais do lançamento, não alcançando os procedimentos de fiscalização ou formalização, o que é o caso em questão. Ou seja, o Fisco só pode apurar impostos para os quais já havia a definição do fato gerador, como é o caso do imposto de renda, não havendo ilicitude em repartir o ônus tributário entre os titulares de conta de depósito e investimento que apresentarem declaração de rendimentos em separado. Ademais, o § 6° do artigo 58 da Lei n° 10.637, de 2002, é cristalino que caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Como se vê, o texto legal, acima citado, não prestigia nenhuma exceção, não cabe sequer a alegação de se tratar de conta bancária de marido e mulher, isto porque os elementos constantes dos autos demonstram claramente que ambos possuem rendimentos próprios que são declarados separadamente. Nestas condições, não tenho dificuldades em concluir que os depósitos levantados e objeto de tributação, devem ser considerados na proporção de 50% para cada titular das referidas contas bancárias. Ainda se faz necessário ressaltar, que o auto de infração e demais termos do processo fiscal só são nulos nos casos previstos no artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. 24 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES e(4,1:5.t:,• SEXTA CÂMARA .~1 Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Pelo exposto, rejeito as preliminares argüidas pelo recorrente. A seguir, passo à análise das questões de mérito. 1. Da decadência do Direito de Lançar o Imposto de Renda Pessoa Física — Apuração Mensal. O recorrente argüiu a decadência do lançamento efetuado em relação aos períodos de janeiro a novembro de 1998 por entender que o imposto de renda pessoa física tem apuração mensal e a combatida exigência somente ocorreu depois de passado 05(cinco) anos contados da ocorrência dos fatos geradores. Em diversos acórdãos tenho defendido que a partir do exercício de 1991, o imposto de renda pessoa física se processa por homologação, cujo marco inicial para a contagem do prazo decadencial é 31 de dezembro de cada ano- calendário em discussão, a despeito de entrega da declaração de ajuste anual só se concretizar no último dia útil do mês de abril subseqüente. A decadência é a perda do direito, por parte da Fazenda Pública, no sentido de promover o lançamento do tributo, por inércia no tempo. Neste aspecto a legislação de regência diz o seguinte: Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 25 MINISTÉRIO DA FAZENDA :,;$ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 4° . Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Depreende-se, desse texto, que o prazo decadencial é único, ou seja, de cinco anos e o tempo final é um só, o da data da notificação regular do lançamento, porém, o termo inicial, ou seja, a data a partir da qual flui a decadência é variável. 26 ;. MINISTÉRIO DA FAZENDA *:.a." PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Assim, não tenho dúvidas de que a base de cálculo da declaração de rendimentos de pessoa física abrange todos os rendimentos tributáveis, não tributáveis e tributados exclusivamente na fonte recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Em consonância com a definição dada pelo art. 2° da Lei n°7.713/88 e Lei n° 8.134/90, o § 1° do art. 42 da Lei n° 9.430196 estabelece que o valor depositado seja considerado auferido no mês do crédito. E, o contido no § 4° deste último diploma legal citado, só tem aplicação, nos casos em que a fiscalização realizar a atuação dentro do próprio ano-calendário. Por ser oportuno, cabe ainda correlacionar o presente caso com os relativos à infração denominada de acréscimo patrimonial a descoberto, que integra o rendimento bruto a ser tributado na medida em que percebidos. E, o entendimento consolidado pela jurisprudência deste Conselho de Contribuintes é de que a apuração deve ser mensal e os valores apurados em cada mês são somados e aplicados à tabela progressiva anual. Assim, é que o prazo qüinqüenal para que o fisco promovesse o lançamento tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 1998, começou, então, a fluir em 31/12/98, exaurindo-se em 31/12/2003. Tendo o contribuinte tomado ciência do Auto de Infração em 24/12/2003, conforme "AR" de fl. 154-verso, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Em assim sendo, correto está a Fazenda Nacional constituir crédito tributário com base em imposto de renda pessoa física, relativo ao ano-calendário de 1998. In 27 MINISTÉRIO DA FAZENDA it PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,r4it: SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 2. Da inclusão ilegal de valores nos Depósitos Bancários considerados omitidos A respeito deste tópico também não cabe razão ao recorrente, pois foi devidamente evidenciado pela autoridade lançadora da exclusão dos valores decorrentes de transferências de recursos da conta corrente, conforme consta dos demonstrativos de fls. 140-151 e de cheques devolvidos. Desta forma, verifica-se o cumprimento do previsto no art. 42, § 30 , inciso II da Lei n°9.430, de 1996. 3. Da falta de previsão legal para lançamento de imposto de renda com base em movimentação financeira Presume-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme preceitua o artigo 42 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. O legislador federal pela redação do inciso XVIII, do artigo 88, da Lei n° 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5° do artigo 6°, da Lei n°8.021, de 1990 até porque o artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo. Destarte, para os lançamentos com base em depósitos bancários, a partir de fatos geradores de 01/01/97, não há que se falar em Lei n° 8.021/90, já que a mesma não produz mais seus efeitos legais. A argumentação de que uma autuação fundamentada apenas em depósitos bancários não pode prosperar, porque depósitos não são fatos geradores de imposto de renda, carece de sustentação, já que atinente a lançamento realizado sob a égide do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c art. 4° da Lei n°9.481 de 1997. 28 MINISTÉRIO DA FAZENDA Na-:*-rik PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Assim, com o advento da Lei n° 9.430/96, a partir do ano de 1997, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como omissão de rendimentos. Para uma melhor compreensão, transcrevem-se os dispositivos legais pertinentes acerca desta matéria, ou seja: Lei n°9.430 de 27 de dezembro de 1996 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° - O valor das receitas ou rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2°. Os valores cuja origem houve sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculos dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3°.- Para efeito de determinação de receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I — Os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4° - Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado crédito pela instituição financeira. 29 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4#: SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997 Art. 4° - Os valores a que se refere o inciso lI do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Dos dispositivos legais acima transcritos, pode-se extrair que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto às instituições financeiras, ou seja: primeiro, os créditos deverão ser analisados um a um; segundo, não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais; terceiro, excluindo-se as transferências entre contas do mesmo titular. No caso em discussão, verifica-se que esses limites foram devidamente observados nos termos da legislação vigente, mesmo porque o somatório global dentro dos anos-calendário era bem superior ao valor de R$ 80.000,00. Assim, denota-se que o procedimento fiscal está lastreado das condições impostas pelas leis (Leis n°s 9.430/96 e 9.481/97), o que acarretará ao recorrente o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Do dispositivo legal, acima citado, verifica-se que foi estabelecida uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, descabe a alegação de falta de previsão legal. 30 • . . ,;M:.;t, MINISTÉRIO DA FAZENDA tZT ;cri -k't& PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES S.91C SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos e não meros indícios de omissão; razão por que não há obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita ou alguma variação patrimonial, como pretendeu o recorrente. A presunção legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem, pois, afinal, trata-se de presunção relativa, passível de prova em contrário, entretanto, como o recorrente nada provou, não elidiu a presunção legal de omissão de rendimentos. Portanto, para elidir a presunção legal de que depósitos em conta corrente sem origem justificada são rendimentos omitidos, deve o interessado, na fase de instrução ou na impugnatória, comprovar sua, conforme disposto no art. 16, III e § 4°, que foi acrescido ao artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, pelo artigo 67 da Lei n. 09.532, de 10 de dezembro de 1997: Art. 16. A impugnação mencionará: III •.. — os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e provas que possuir; § 4° - A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (destaques postos) 31 . . - MINISTÉRIO DA FAZENDA :--* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ..,,sçr'fr=w • SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Destarte, se o contribuinte não apresentou documentos, apesar de devidamente intimado, que comprovassem inequivocamente possuir os depósitos, em questionamentos, a origem já submetida à tributação ou isenta, materializa-se à presunção legal formulada de omissão de receitas, por não ter sido elidida. 4. Da Irretroatividade da Lei n°10.174, de 2001. Também, em grau de recurso, o recorrente não logrou a apresentar qualquer documentação hábil e idônea que pudesse comprovar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, voltando a repisar os argumentos de defesa já apresentados em sua peça impugnatória. Não cabe qualquer alteração da decisão recorrida, uma vez que a mesma ateve com propriedade e observância às normas legais atinentes à matéria e a razão apresentada pelo contribuinte, conseqüentemente deve ser mantida o lançamento, ora combatido. A respeito da quebra do sigilo bancário, cabe ressaltar que se não bastasse à quebra do sigilo bancário por ordem do Juízo Federal da 5 3 Vara da Seção Judiciária do Espírito Santo — ES — fls. 13-17, ainda assim, os procedimentos fiscais foram regularmente instaurados, conforme previsto na Lei n° 10.174/2001 e Lei Complementar n° 105/2001, que ampliou os poderes de investigação da fiscalização, sendo, portanto, legítimos os dados obtidos relativos à CPMF que deram origem ao crédito tributário em questão. Os fundamentos apresentados pelo relator do voto condutor, ora combatido, estão adequados, não merecendo qualquer reforma. Desta forma, esclarece-se que não houve nenhuma ilicitude na obtenção dos extratos bancários, os quais foram fornecidos pelas instituições financeiras, por ordem judicial e também apresentados pelo próprio contribuinte. 32 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 O recorrente trouxe, novamente, em grau recursal a argumentação da irretroatividade das leis. A este respeito, cabe mencionar que a Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38 da Lei n° 4.595/64 e em seu artigo 6° autorizou ao fisco a quebra o sigilo bancário dos contribuintes mediante processo administrativo regular, quando indispensável à presença de tais dados para o seguimento. Esse dispositivo legal veio confirmar a interpretação anterior de que a quebra de sigilo bancário, após a promulgação da CF/88, sempre pôde ser efetuada pelo fisco, quando presente à necessidade desses dados para o seguimento da ação fiscal. Então, desde a publicação da Magna Carta, o fisco teve acesso aos dados bancários independente da autorização judicial. Essa interpretação, além da LC 105, de 2001, tem suporte no RIR/99, artigo 918. A utilização de dados bancários anteriores à alteração da Lei n° 9.311, de 1996, dada pela Lei n. ° 10.174, de 2001, não constitui causa de nulidade do feito, motivada no principio da irretroatividade das leis. Esse argumento já foi muito bem enfrentado pelo colegiado de primeira instância, que informou tratar-se tal dispositivo de norma de caráter processual, de aplicação imediata aos fatos futuros e os pendentes, enquanto o feito teve por fundamento o artigo 42 da Lei n. ° 9430/96. Apenas, para argumentar sobre este tópico, apresentam-se as seguintes explicações, abaixo a seguir. O art. 105 do CTN limita a irretroatividade das leis para os aspectos materiais do lançamento. 33 .414:4.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .:1,P;i"-:12'');T. SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 Código Tributário Nacional — Lei n°. 5172, de 1966 •• • Art. 105. A legislação tributária aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa nos termos do artigo 116. (..) ••• Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, consideram-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I — tratando-se de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II — tratando-se da situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Parágrafo acrescentado pela Lei Complementar n° 104, de 10/01/2001) Em relação aos aspectos formais ou simplesmente procedimentais a legislação a ser utilizada é a vigente na data do lançamento, pois para o critério de fiscalização, aspectos formais do lançamento, o sistema tributário segue a regra da retroatividade das leis do art. 144, § 1°, do CTN: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 1° Aplica-se ao lançamento a leqislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (destaque posto) .,19 3 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4 . SEXTA CÂMARA erf. Processo n° : 10280.00494212003-72 Acórdão n° : 106-14.825 A retroatividade dos critérios de fiscalização está expressamente prevista no Código Tributário Nacional, desde a sua edição, não tendo sido suscitado incompatibilidade dessa norma com o texto constitucional. Por outro lado, a fiscalização por meio da transferência de extratos bancários diretamente para a administração tributária, prevista na Lei Complementar n° 105 e na Lei n° 10.174, ambas de 2001, não representa uma inovação dos aspectos substanciais do tributo. No presente caso, o art. 42 da Lei n°9.430, de 1996, já previa desde janeiro de 1997, que depósitos bancários sem comprovação de origem eram hipótese fática do IR; a publicação da Lei Complementar n° 105 e da Lei n° 10.174, em 2001, somente permitiu a utilização de novos meios de fiscalização para verificar a ocorrência de fato gerador de imposto já definido na legislação vigente no ano- calendário da autuação. Assim, concluo que as provas utilizadas são perfeitamente licitas, pois o fato gerador em questão estava marcado com a Lei n° 9.430, de 1996, portanto, lei anterior ao período analisado de 1998. A jurisprudência judicial já possui diversos julgados que decidiram conforme o entendimento exposto. Exemplo da decisão unânime em apelação em Mandado de Segurança, referente ao processo 2001.61.00.022952-5 dada pela Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3 a Região, relatado pela juíza Consuelo Yoshida, cuja ementa abaixo se transcreve: CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO À PRIVACIDADE E À INTIMIDADE SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. IRRETROATIVIDADE DA LEI. CONSTITUCIONALIDADE. 35 MINISTÉRIO DA FAZENDA 'M PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 0(.44---t. • SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 1. O alegado sigilo bancário não pode ser interpretado como direito absoluto, desvinculado de outras garantias constitucionais, havendo de compatibilizar-se, pois, com os demais princípios, voltados à consecução do interesse público. 2. É plenamente legítimo que a autoridade competente (Fisco), uma vez detectados indícios de falhas, incorreções, omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, requisite as informações e os documentos de que necessita para a consecução de seu dever legal de constituir crédito tributário. 3. Não há que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade da lei tributária, porquanto a Lei Complementar n° 105/01, bem como a Lei n° 10.174/01, não criaram novas hipóteses de incidência, a albergar fatos econômicos pretéritos, mas apenas a agilização e o aperfeiçoamento dos procedimentos fiscais. 4. Precedentes desta Turma. 5. Apelação impro vida. Outro exemplo é a decisão unânime em agravo de instrumento, referente ao processo 200104010437531, dada pela Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4a Região, relatado pelo juiz João Surreaux Chagas, cuja ementa abaixo se transcreve: TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. 1. O acesso da autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidada da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5°, incisos X e XII da CF/88, conforme entendimento sedimentado no TribunaL 2. No plano infraconstitucional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas informações para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito 36 : MINISTÉRIO DA FAZENDA w;t:/.."1-1» PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311/96, Lei 10.174/2001, Lei Complementar n° 105/2001). 3. As disposições da Lei 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da Lei, pois, nos termos do art. 144, § 1°, do CTN, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. 4. Agravo desprovido. O Superior Tribunal de Justiça, também, já se manifestou a respeito dessa discussão, no julgamento do Recurso Especial, confirmando o entendimento de decisões de juízes singulares e de alguns Tribunais Regionais. Veja-se o voto do Relator, Min. Luiz Fux: 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar n° 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3° da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6° dispõe: "Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituiçõesfina ceiras, inclusive 37 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ali.?4, SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente". 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial provido. Data da Decisão 02/12/2003. O Ministro Relator bem ressaltou a prevalência do princípio da juridicidade frente a qualquer outro e o dever de fiscalizar inerente ao administrador tributário, mostrando que a nova lei veio apenas instrumentalizar esse dever, concedendo-lhe eficácia. Assim, também não há prosperar os argumentos apresentados pelo recorrente a respeito deste tópico. 4. Provas. Meios de Comprovação. Livre Convicção da Autoridade Julgadora. O recorrente asseverou que os julgadores de primeira instância se esqueceram que a figura prevista no art. 3° da Lei n° 7.713, de 1988 há de ser -{) 38 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f .:pk,..e) • SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 aplicada, no caso vertente, em conjunto com o art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, pois a hipótese imponível trata de depósitos em bancos sem origem justificada. E, ainda, argumentou que a presunção de omissão de rendimentos com base no art. 42, supracitado, não se aplica ao presente caso em que a fiscalização se recusou aceitar como prova hábil e idônea a documentação apresentada, sem apresentar qualquer justificativa para isso. Não é verdadeira esta assertiva, para tanto, basta verificar a descrição dos procedimentos adotados durante a presente ação fiscal, onde ali estão devidamente apresentados os motivos da não aceitação das anotações apresentadas, pois não comprova as operações a crédito em contas correntes bancárias, mantidas pelo contribuinte em instituições financeiras. Não há dúvidas, que a Lei n° 9.430, de 1996, definiu, portanto, que os depósitos bancários, de origem não comprovada, efetuados a partir do ano- calendário de 1997, caracteriza omissão de rendimentos e não meros indícios de omissão, estando, por conseguinte, sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 3°, § 4°, da Lei n° 7.713, de 1988. Uma vez que não logrou o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais — o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Ou seja, na espécie, a partir da edição e da vigência da Lei n° 9.430/96, passou caber aos contribuintes fiscalizados refutar a presunção contida no supra citado diploma legal, pois a previsão legal em favor do Fisco transferiu ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos 39 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4=. SEXTA CÂMARA Processo n° : 10280.004942/2003-72 Acórdão n° : 106-14.825 créditos bancários questionados. Trata-se, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. De Plácido e Silva assim definiu a presunção juris tantum, em seu "Vocabulário Jurídico": PRESUNÇÃO VURIS TANTUM I. É a presunção condicional ou relativa, também denominada de simples. E é apelidada de lanturrr, porque prevalece 'até que se demonstre o contrário'. E a destruição dela não cabe a quem a tem em seu favor por determinação legal, mas aquele que não a quer ou não se conforma com a sua determinação." De todo o exposto, voto por rejeitar o pedido de diligência, as preliminares argüidas, para no mérito negar-lhe provimento. Sala das Sessões - DF, em 10 de agosto de 2005. Aa1/10-_ LUIZ ANTONIO DE PAULA 40 Page 1 _0025800.PDF Page 1 _0025900.PDF Page 1 _0026000.PDF Page 1 _0026100.PDF Page 1 _0026200.PDF Page 1 _0026300.PDF Page 1 _0026400.PDF Page 1 _0026500.PDF Page 1 _0026600.PDF Page 1 _0026700.PDF Page 1 _0026800.PDF Page 1 _0026900.PDF Page 1 _0027000.PDF Page 1 _0027100.PDF Page 1 _0027200.PDF Page 1 _0027300.PDF Page 1 _0027400.PDF Page 1 _0027500.PDF Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1 _0028300.PDF Page 1 _0028400.PDF Page 1 _0028500.PDF Page 1 _0028600.PDF Page 1 _0028700.PDF Page 1 _0028800.PDF Page 1 _0028900.PDF Page 1 _0029000.PDF Page 1 _0029100.PDF Page 1 _0029200.PDF Page 1 _0029300.PDF Page 1 _0029400.PDF Page 1 _0029500.PDF Page 1 _0029600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.017252/2002-74
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO - ART. 56, § 1º, LEI 9.784/99 - O art. 56, § 1º da Lei n. 9.784/99 não estabelece qualquer obrigação, mas a mera possibilidade de a autoridade que proferiu a decisão reconsiderar sua decisão, no prazo máximo de cinco dias, e, em não o fazendo, no aludido prazo, o dever de encaminhar o processo para a autoridade superior.
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - ART. 150, § 4° DO CTN - AUSÊNCIA DE PROVA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue, pela decadência, a partir do quinto ano seguinte ao da ocorrência do respectivo fatos gerador, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o quinqüênio legal se contará a partir do primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do art. 173, I do CTN. Não basta à comprovação do dolo, fraude ou simulação o fato de se ter lançado multa de ofício qualificada, com base no art. 44, II da Lei n. 9430/96, ou mesmo de haver Representação Fiscal para Fins Penais, sendo necessária a prova e a demonstração, no auto de infração, da existência de dolo, fraude ou simulação.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA A SEGURIDADE SOCIAL - DECADÊNCIA - APLICAÇÃO DO CTN - PRAZO QUINQUENAL - JURISPRUDÊNCIA DO STF - O prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo à contribuição social para a seguridade social é de 5 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, contados do fato gerador, conforme antiga jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Aplicação do art. 1º do Decreto n. 2.346/97.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - PROVA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - QUALIFICAÇÃO E INDIVUALIZAÇÃO DA CONDUTA NOS TIPOS DOS ARTS. 71, 72 e 73 DA LEI 4.502/64 - NECESSIDADE - ART. 112 DO CTN - APLICAÇÃO - É improcedente o lançamento de multa de ofício quando não restar provado o evidente intuito de fraude pelo contribuinte ou quando não qualificada e individualizada sua conduta em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. A tributação com base em omissão de receita não implica, de per se, na configuração do evidente intuito de fraude autorizador da aplicação da penalidade exasperada, que não se presume. Ademais, havendo dúvida quanto à autoria do fato e, ainda, quanto às suas circunstâncias matérias, impõe-se a aplicação do princípio in dúbio contra fiscum, positivado no art. 112 do CTN.
Recurso provido.
Numero da decisão: 105-15.402
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de retorno do processo à DRJ para que examinasse pedido de retratação formulado pelo contribuinte. Por unanimidade de votos, ACOLHER o pedido de juntada de memorial e documentos
formulado pelo PFN. Por maioria de votos ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao PIS e a COFINS, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero, Cláudia Lucia Pimentel Martins da Silva e Luís Alberto Bacelar Vidal. Por maioria de votos, AFASTAR a qualificação da multa e ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao IRPJ E CSLL. Vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero, Cláudia Lúcia Pimentel Martins da
Silva e Luis Alberto Bacelar Vidal.
Nome do relator: Eduardo da Rocha Schmidt
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QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Recurso n° :138.738 Matéria : IRPJ e OUTROS - EX.: 1997 Recorrente : EMPREENDIMENTOS PAGUE MENOS S/A Recorrida : 38 TURMA/DRJ em FOTALEZACE Sessão de :10 DE NOVEMBRO DE 2005 Acórdão n° :105-15.402 PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO - ART. 56, § 1°, LEI 9.784/99 - O art. 56, § 1° da Lei n. 9.784/99 não estabelece qualquer obrigação, mas a mera possibilidade de a autoridade que proferiu a decisão reconsiderar sua decisão, no prazo máximo de cinco dias, e, em não o fazendo, no aludido prazo, o dever de encaminhar o processo para a autoridade superior. DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS Â LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - ART. 150, § 4° DO CTN - AUSÊNCIA DE PROVA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue, pela decadência, a partir do quinto ano seguinte ao da ocorrência do respectivo fatos gerador, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando o quinqüênio legal se contará a partir do primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do art. 173, I do CTN. Não basta à comprovação do dolo, fraude ou simulação o fato de se ter lançado multa de ofício qualificada, com base no art. 44, II da Lei n. 9430/96, ou mesmo de haver Representação Fiscal para Fins Penais, sendo necessária a prova e a demonstração, no auto de infração, da existência de dolo, fraude ou simulação. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PARA A SEGURIDADE SOCIAL - DECADÊNCIA - APLICAÇÃO DO CTN - PRAZO QUINQUENAL - JURISPRUDÊNCIA DO STF - O prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo à contribuição social para a seguridade social é de 5 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, contados do fato gerador, conforme antiga jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Aplicação do art. 1° do Decreto n. 2.346/97. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - PROVA DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - QUALIFICAÇÃO E INDIVUALIZAÇÃO DA CONDUTA NOS TIPOS DOS ARTS. 71, 72 e 73 DA LEI 4.502/64 - NECESSIDADE - ART. 112 DO CTN — APLICAÇÃO - É improcedente o lançamento de multa de ofício quando não restar provado o evidente intuito de fraude pelo contribuinte ou quando não qualificada e individualizada sua conduta em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. A tributação com base em omissão de receita não implica, de per se, na configuração do evidente intuito de fraude autorizador da aplicação da penalidade exasperada, que não se presume. Ademais, havendo dúvida quanto à autoria do fato e, •P15 a abat o • MINISTÉRIO DA FAZENDA .-.• fr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ,f4-4; • QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 ainda, quanto às suas circunstâncias matérias, impõe-se a aplicação do principio in dúbio contra fiscum, positivado no art. 112 do CTN. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por EMPREENDIMENTOS PAGUE MENOS S/A ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de retorno do processo à DRJ para que examinasse pedido de retratação formulado pelo contribuinte. Por unanimidade de votos, ACOLHER o pedido de juntada de memorial e documentos formulado pelo PFN. Por maioria de votos ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao PIS e a COFINS, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero, Cláudia Lucia Pimentel Martins da Silva e Luís Alberto Bacelar Vidal. Por maioria de votos, AFASTAR a qualificação da multa e ACOLHER a preliminar de decadência em relação ao IRPJ E CSLL. Vencidos os Conselheiros Nadja Rodrigues Romero, Cláudia Lúcia Pimentel Martins da Silva e Luis Alberto Bacelar Vidal. fr— • óVIS AL S SIDENTE EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT RELATOR FORMALIZADO EM: 02 FEV 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: DANIEL SAHAGOFF, IRINEU BIANCHI e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. 2 L à • • 1 S.L:*, MINISTÉRIO DA FAZENDA I' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 Recurso n° :138.738 Recorrente : EMPREENDIMENTOS PAGUE MENOS S/A RELATÓRIO Versa o processo sobre auto de infração de IRPJ e autos de infração reflexos de CSL, PIS e COFINS, lavrados em 18.12.2002 e cientificados à contribuinte autuada em 26.12.2002, ante a alegada constatação, pela fiscalização, de omissão de receita caracterizada pelo recebimento de cheque não contabilizado. A alegada falta de comprovação, pela contribuinte autuada, com documentação hábil e idônea, do motivo do recebimento deste cheque e de sua regular contabilização, é o que, em síntese, provocou as autuações. O contexto fático que ensejou as autuações está bem descrito na "descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(is)" do auto de infração de IRPJ, folhas 4 a 7, e pode ser assim sintetizado: • A fiscalização foi provocada pelo Ministério Público Federal, que alertou quanto à necessidade de "verificação das circunstâncias em que diversas empresas sediadas no Estado do Ceará foram recebedoras de recursos financeiros originados da pessoa jurídica PRATA REPRESENTAÇÕES LTDA., tida constatadamente como empresa 'fantasma', instrumento de operacionalização e facilitação do fluxo financeiro que chegava, exatamente a cada beneficiário de recursos, ou mediante Documentos de Ordens de Crédito (DOC) ou mediante cheques nominativos com conseqüente depósito em conta corrente bancária titularizada por cada beneficiário"; • em diligência constatou-se que a contribuinte autuada foi beneficiária de cheque, emitido pela empresa PRATA, no valor de R$ 224.000,00 (duzentos e vinte quatro mil reais), depositado em sua conta n. 51.352-2, mantida no BICBANCO; 3 s! e MINISTÉRIO DA FAZENDA_E. • c, (t PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. '"? • 4, ,,;(.0:W• QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 • intimada a prestar esclarecimentos, informou a contribuinte autuada, em expediente datado de 25.03.2002 (folha 35), que referido cheque não teria sido recebido por conta de "venda mercantil", por apontar valor que não caracteriza "operação de varejo farmacêutico", mas que provavelmente teriam sido recebidos por força de contrato de prestação de serviços de transporte de valores firmado com a empresa LOCK Segurança e Transporte de Valores Ltda., pelo qual teria sido autorizada, "em caso de necessidade", a substituição "de numerário por cheques emitidos por LOCK ou por terceiros, sob sua integral responsabilidade"; • em resposta à nova intimação, por expediente datado de 16.10.2002 (folha 39), a contribuinte autuada apresenta instrumento público de contrato de prestação de serviços e de recolhimento de malotes firmado com Accontour Câmbio e Turismo Ltda., documento que, alega, permitiria concluir "que a operação estava amparada por garantia real e pública". Esclarece, adicionalmente, que a guia de transporte de valores (GTV), perderia sua finalidade "após encerrado o ciclo a que se reporta, no máximo de 72 horas, se considerado o final de semana", justificando assim a falta de registros a respeito. Informa, por fim, que a empresa PRATA nunca foi sua cliente; Segundo a autoridade lançadora, a prevalecer a tese da contribuinte, esta teria recebido o cheque "de modo absolutamente irresponsável', por não haver "qualquer forma visível no cheque vinculando o alegado entregador do documento". Aduz, ainda a propósito, que a operação configuraria "permuta de valor de ABSOLUTA LIQUIDEZ (LIQUIDEZ DE GRÁU MÁXIMO), ou seja, dinheiro em espécie, por outro valor de !LIQUIDEZ EXTREMAMENTE DUVIDOSA, ... QUASE ABSOLUTA, se se considerar que o emitente do cheque NÃO É A EMPRESA QUE LHE TERIA ENTREGUE O CHEQUE", e que não existe endosso "emitido e aposto por terceiro, legitimando, por qualquer interessado, a posse anterior do titulo de crédito" (destaques no original). Por conta deste contexto, a prevalecer a tese defensiva, a contribuinte autuada teria recebido o cheque renunciando a todas as garantias próprias do direito cambiário. Registra, ainda, a autoridade lançadora que o contrato apresentado pela contribuinte em nada lhe socorreria, na medida em que firmado com Accontour Câmbio e 4 2 5 i s is , '..• MINISTÉRIO DA FAZENDA4 . ' •;" ff PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 2.;ict:w. QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 Turismo Ltda., e não com a empresa LOCK, que seria aquela com quem teria efetuado a permuta do cheque e que lhe prestaria serviços de transporte de valores. Assim, concluiu, facultada à contribuinte a oportunidade "ampla de comprovação da origem e motivação da operação", e não tendo esta apresentado justificativas razoáveis, teria restado "configurado o acréscimo patrimonial, o fato gerador, dado que a operação que deu pelo recebimento do cheque não foi satisfatoriamente confirmada pelo sujeito passivo, de modo a afastar o entendimento do Fisco de que tal recebimento decorre de fato tributável'. A autuação recebeu a seguinte fundamentação legal: arts. 195, inciso II, 197 e parágrafo único, e 226 do RIR/94; art. 24 da Lei n. 9.249/95; arts. 43 e 118 da Lei n. 5.172/66. Foi lançada multa qualificada, com base no art. 44, II, da Lei n. 9.430/96, com a seguinte fundamentação: "Da análise de todos os fatos já expostos é lícito concluir pela participação ativa do contribuinte no esquema que se utilizava de empresas fantasmas, para a operacionalização do recebimento de recursos, na qualidade de BENEFICIÁRIO, que fluíram pela PRATA REPRESENTAÇÕES LTDA., cuja caracterização não reconheceu o contribuinte como de natureza tributável ou sujeito ao imposto de renda. Tal fato acarretou omissão do recolhimento do tributo incidente sobre o exato montante recebido da empresa fantasma já citada, dado que não logrou o contribuinte apor justificativa consistente acerca do acréscimo patrimonial decorrente do recebimento de crédito." (destaques no original, à folha 7). Impugnação às folhas 106 a 158. Acórdão, proferido por maioria, julgando o lançamento procedente às folhas 163 a 181, com a seguinte ementa: 15 5 . .1. • „ . . . MINISTÉRIO DA FAZENDA -c • 'ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE CHEQUE EMITIDO POR EMPRESA 'FANTASMA'. Configura omissão de receitas a ocorrência de valor depositado, emitido por empresa "fantasma" em conta bancária para os quais a contribuinte, titular da conta, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% quando comprovada a ocorrência de omissão de receitas com evidente intuito de fraude. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. Aplica-se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias procedidas de oficio, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1996 Ementa: LUCRO REAL. DECADÊNCIA. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto de renda das pessoas jurídicas segue o regime dos tributos lançados por homologação. Sendo assim, o prazo decadencial de 05 (cinco) anos conta-se da data de ocorrência do fato gerador (art. 150, § 40, do CTN). Ocorrendo, porém, dolo, fraude ou simulação, o termo inicial do referido prazo deslocar-se-á para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I, do CTN). DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para as contribuições sociais, a decadência ocorre após dez anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE. A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciar-se a respeito da 6 1c) • e MINISTÉRIO DA FAZENDA ft PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. tT QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 conformidade da lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O afastamento da aplicação de lei ou ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando a sua inconstitucionalidade. MULTA. ARGÜIÇÃO DE CONFISCO. A alegação de que a multa em face de seu elevado valor é confiscatória não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, uma vez que se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual este julgador é vinculado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de abril de 1995, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia —SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic está em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina. Lançamento Procedente." Amparam-se, os julgadores de 1° grau, em síntese, nos seguintes argumentos de fato e de direito: i) que não haveria de se falar em decadência do direito de constituir o crédito tributário, na medida em que, com relação ao IRPJ, tendo o ocorrido o fato gerador em 31.12.1996, e configurados nos autos os "elementos caracterizadores de fraude", a contagem do prazo decadencial se faria na forma do art. 173, I do CTN, começando o qüinqüênio legal em 01.01.1998, com o que o lançamento, cientificado ao contribuinte em 26.12.2002, seria tempestivo. Quanto às contribuições o prazo aplicável seria de 10 (dez) anos, nos termos da Lei n. 8.212/91; ii) quanto à omissão de receita, que o lançamento seria conseqüência °da constatação, pela autoridade fiscal, da ocorrência de lançamento na conta-corrente 7 .• c.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA ft PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. Nt QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 bancária da Interessada, em 01.04.1996, sem que a empresa esclarecesse a origem dos créditos, apesar de devidamente intimada"; iii) que a jurisprudência administrativa não só admitiria "a presunção como meio de prova", mas, também, a admitiria "para a determinação do auantum omitido", com o que, nada impedindo "a utilização de presunção humana como meio de prova", não tendo sido comprovada a origem dos recursos depositados, seria "pedeitamente correto presumir que os respectivos valores são provenientes de receitas omitidas"; iv)que o lançamento da multa de ofício qualificada se justificaria pelo fato de "a ilação que se tira dos fatos através da presunção simples é que, dado que a fiscalizada não comprova que o cheque ... depositado em sua conta bancária, emitido por empresa fantasma", é que teria se fortalecido "a presunção de intuito de fraude na suposta operação contabilizada pela fiscalizada", sendo que as ações da contribuinte autuada, "no sentido de utilizar-se de depósitos em sua conta advindos de empresa fantasma", caracterizariam "o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador", "além de procurar impedir a ocorrência ou modificar a característica essencial do fato gerador", ajustando sua conduta, assim, aos tipos dos artigos 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. Foi proferido voto vencido reconhecendo a decadência do direito de lançar o IRPJ, ante a ausência de prova de que a contribuinte teria agido com dolo, e, ainda, no mérito, a improcedência da autuação, ante o reconhecimento de que as justificativas apresentadas pela contribuinte seriam razoáveis e verossímeis. Recurso voluntário às folhas 187 a 257, alegando, em apertadíssima síntese, o seguinte: 25 8 is, •.. . 1 .4,, MINISTÉRIO DA FAZENDA 'ft PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES FL „;70; • QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 i) que seria indevido, consoante jurisprudência do STJ, o lançamento com base em simples depósito bancário não comprovado; ii) que o crédito tributário de IRPJ e os de CSL, PIS e COFINS estariam extintos pela decadência; iiii) que não estada provada a omissão de receita; Despacho da autoridade preparadora à folha 261, propondo o encaminhamento do processo a este Conselho, atestando a tempestividade do recurso voluntário e a regularidade do arrolamento de bens apresentado É o relatório. 9 • • .• • •. MINISTÉRIO DA FAZENDA. Ni • : ft PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. •sup QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 VOTO Conselheiro EDUARDO DA ROCHA SCHMIDT, Relator Presentes os pressupostos recursais, passo a decidir. 1. Preliminar de remessa do processo às autoridades julgadoras que proferiram o acórdão recorrido: Examino, preliminarmente, o pedido formulado no apelo voluntário e repisado em petição apresentada no dia do julgamento, para que se devolva o processo às autoridades julgadoras para que se manifestem sobre o pedido de retratação apresentado no recurso, com base no art. 56, § 1° da Lei n. 9.784/99. O pedido não merece acolhida, na medida em que o dispositivo estabelece a mera possibilidade de a autoridade julgadora, após sua decisão, por provocação do interessado, reconsiderar sua anterior decisão. A redação do dispositivo não deixa margem à dúvida: "Art. 56. Omissis. § 1°. O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior." O dispositivo é claro, estabelecendo a possibilidade de a autoridade que proferiu a decisão reconsiderar sua decisão, no prazo máximo de cinco dias, e, em não o fazendo, no aludido prazo, o dever de encaminhar o processo para a autoridade superior. 10 , ,ts 40, MINISTÉRIO DA FAZENDA %" PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. -st .. 'se.1)e' QUINTA CÂMARA >=4».. Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 No caso concreto, preferiram as autoridades julgadoras não reconsiderar a decisão, observando a parte final do dispositivo e encaminhando o processo para julgamento do recurso. Rejeito, pois, a preliminar, por não vislumbrar qualquer violação ao art. 56, § 1° da Lei n. 9.784/99. 2. Decadência: Registro, para começar, a data do fato gerador do IRPJ e da CSL — 31.12.1996 —, a data do fato gerador do PIS e da COFINS — 31.04.1996 —, e a data das autuações — 26.12.2002. Como adoto a tese, que prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual a contagem do prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação se dá a partir da ocorrência do respectivo fato gerador, nos termos do art. 150, § 4° do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando será aplicável a regra especial do art. 173, 1 do CTN, contando-se ai o qüinqüênio legal "do primeiro dia seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; no caso, em sendo aplicável a regra geral, segundo o entendimento aqui defendido, estarão extintos, pela decadência, os créditos tributários de IRPJ e CSL. Com relação aos créditos tributários de PIS e COFINS, cujos fatos geradores são mensais, mesmo que se conclua pela aplicabilidade do art. 173 do CTN, ainda assim terá se consumado a decadência, pois o termo final para formalização do lançamento teria sido 01.01.2002. f li L. MINISTÉRIO DA FAZENDA •-rri: PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES EL str ,,;(4r QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 Abro, aqui, parêntese, para justificar a aplicação do art. 150, § 40 do CTN ao PIS e a COFINS e a CSL. Registro aqui a existência de entendimento, acolhido em alguns julgados do STJ, no sentido de que a decadência das contribuições sociais para a seguridade social é regulada pela Lei n. 8.212/91, que fixa em 10 (dez) anos o prazo aplicável. Tal tese tem em Roque Antonio Carraza seu maior defensor, que defende que apesar de a prescrição e a decadência tributárias deverem ser regulamentadas por lei complementar (art. 146, III, "b", CF188), não caberia a esta fixar os prazos aplicáveis, mas apenas a forma pela qual deverão ser verificadas e os seus efeitos, cabendo à lei ordinária do ente tributante, no caso a União Federal, fixar tais prazos'. Ou seja, segundo o renomado autor, poderia a União, relativamente às contribuições sociais para a seguridade social, fixar prazos de prescrição e decadência mais largos do que aqueles fixados pelo CTN. Apesar da enorme profundidade da obra daquele eminente tributarista, bem como do inegável conhecimento dos eminentes Ministros que proferiram os julgados do STJ em que a tese acima foi acolhida, penso, data maxima venia, que tal solução não prevalece à luz de uma interpretação sistemática da Constituição, principalmente por não se conformar com o princípio da segurança jurídica. A necessidade de se fixar, em lei complementar, lei nacional, normas gerais sobre legislação tributária, visa evitar, no que se refere aos prazos de prescrição e decadência tributárias, que a legislação ordinária fixe prazos distintos para os diversos tributos existentes e que podem vir a ser criados por cada um dos entes tributantes, com o que a desejada racionalidade do sistema tributário nacional estaria definitivamente perdida. ' CARRAZA, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 812 e seguintes. 12 . , . . . . • , MINISTÉRIO DA FAZENDA je. rt''. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. &;;>:» QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 A doutrina majoritária afirma que o CTN foi recepcionado como lei complementar em matéria de legislação tributária, sendo aplicável às contribuições na parte em que dispõe sobre os prazos de prescrição e decadência tributários2. O Supremo Tribunal Federal (STF) já teve a oportunidade de se manifestar a esse respeito em julgado posterior à Lei n. 8.212/91, tendo decidido pela aplicabilidade dos prazos de decadência e prescrição do CTN às contribuições, como se infere do seguinte trecho do voto proferido pelo Ministro Carlos Velloso no RE 138.284-8/CE3: "A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios de lei complementar de normas gerais (art. 146, III, b). Quer dizer, os prazos de decadência e prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTN) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (CF, art. 146, III, h; art. 149)." Tal entendimento, aliás, está de acordo com antiga jurisprudência do STF, que se firmou no sentido de que, sob a égide da Constituição pretérita, no período anterior à Emenda Constitucional n. 8/1977, quando a natureza tributária das contribuições era z MARTINS, lves Gandra da Silva. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. In: MACHADO, Hugo de Brito. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. São Paulo: Dialética. Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários — ICET, 2003, p. 348; MATTOS, Aroldo Gomes de. As Contribuições Sociais no Sistema Tributário Brasileiro, In: MACHADO, Hugo de Brito. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. São Paulo: Dialética. Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários — ICET, 2003, p. 107; MELO, José Eduardo Soares de. Contribuições no Sistema Tributário, In: MACHADO, Hugo de Brito. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. São Paulo: Dialética. Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários — ICET, 2003, pp. 358-359; PAULSEN, Leandro. Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro, In: MACHADO, Hugo de Brito. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. São Paulo: Dialética. Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários — ICET, 2003, p. 379; GAMA, Tácio Lacerda. Contribuição de Intervenção no Domínio Económico, São Paulo: Quartier Latin, 2003, p. 199; GRECO, Marco Aurélio. Contribuições (uma figura "sui generis", São Paulo: Dialética, 2000, p. 171; SEGUNDO, Hugo de Brito Machado. MACHADO, Raquel Cavalcanti Ramos. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro, In: MACHADO, Hugo de Brito. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. São Paulo: Dialética. Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários — ICET, 2003, p. 303; SOUZA, Ricardo Conceição. As Contribuições no Sistema Tributário, In: MACHADO, Hugo de Brito. As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro. São Paulo: Dialética. Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários — ICET, 2003, p. 509; SPAGNOL, Werther Botelho. As Contribuições Sociais no Direito Brasileiro, Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 116; TÔRRES, Heleno Taveira. Pressupostos Constitucionais das Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico. In: ROCHA, Valdir de Oliveira. Grandes Questões Atuais de Direito Tributário, 7° Volume. São Paulo: Dialética, 2003, p. 131. 3 RE 138.284-8, Rel. Min. Carlos Velloso, j. 01.07.1992, DJ 28.08.1992, p. 13.456. 725 13 . • MINISTÉRIO DA FAZENDA vf PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. -40p z.1/4 ,,ezfirt QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 reconhecida pela jurisprudência constitucional, o prazo prescricional para a cobrança de créditos tributários de contribuições era qüinqüenal, conforme previsto no artigo 174 do CTN, em detrimento do prazo mais largo estabelecido na legislação ordinária. Neste sentido, confira-se o seguinte julgado: "Contribuições previdenciárias. Período anterior à Emenda Constitucional n. 8/1977. Orientação do STF, no sentido de considerar, no referido período, como de caráter tributário as mencionadas contribuições. Prescrição qüinqüenária. Recurso Extraordinário não conhecido." (RE 104.097-SP, Rel. Min. Néri da Silveira,], em 04.09.1987) Do voto do Ministro Néri da Silveira colhe-se a seguinte passagem: "Sucede, porém, que o Plenário do STF, no RE 86.595-BA, a 07.6.1978, por unanimidade, reconheceu a natureza tributária das contribuições previdenciárias, no período entre o Decreto-lei n. 27, de 1966, e a Emenda Constitucional n.8, de 1977. O eminente Ministro Moreira Alves, acompanhando o voto do Relator, ilustre Ministro Xavier de Albuquerque, assim se manifestou (RTJ 87/273-274): '1. Pedi vista para examinar a natureza jurídica da contribuição, em causa, devida ao FUNRURAL.' 2.Do exame a que procedi, concluo que, realmente, sua natureza é tributária. 3. Já o era, aliás, desde o Decreto-lei 27, que alterou a redação do art. 217 do Código Tributário Nacional, para ressalvar a incidência e a exigibilidade da contribuição sindical, das quotas de previdência e outras exações para-fiscais, inclusive a devida ao FUNRURAL. Nesse sentido, é incisiva a lição de Baleeiro (Direito Tributário Brasileiro, 9a. ed. , págs. 69 e 584). Reafirmou- o a Emenda Constitucional n. 1/69, que, no capitulo concernente ao sistema tributário (art. 21, § 2°, I), aludiu às contribuições que têm em vista o interesse da previdência social. Por isso mesmo, e para retirar delas o caráter de tributo, a Emenda Constitucional n. 8/77 alterou a redação desse inciso, substituindo a expressão 'e o interesse da previdência social' por' e para atender diretamente à parte da União no custeio dos encargos da previdência social", tendo, a par disso, e com o mesmo objetivo, acrescentado um inciso — o X — ao art. 43 da Emenda n. 1/69 ('Art. 43. Cabe ao 14 1 C- , . . . ,y.n MINISTÉRIO DA FAZENDA -" ft PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES FE tp, ,e QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente: ... X — contribuições sociais para custear os encargos previstos nos arts. 165, itens II, V, XIII, XVI e XIX, 166, § 1°, 175, § 4°, e 178') o que indica, sem qualquer dúvida, que essas contribuições não se enquadram entre os tributos, aos quais já aludia, e continua aludindo, o inciso I desse mesmo art. 43. Portanto, de 1966 a 1977 (Do Decreto-lei n. 27 à Emenda Constitucional n. 8), as contribuições como a devida ao FUNRURAL tinham natureza tributária. Deixaram de tê-la, a partir da Emenda n. 8. 3. No caso, a questão versa contribuições relativas a 1967 e 1968. Por isso, concordo com o eminente relator em considerar que tinham elas natureza tributária, aplicando-se-lhes, quanto à prescrição e decadência, o Código Tributário Nacional. 4. Em face do exposto, também não conheço do presente recurso.' Ora, no caso concreto, os créditos referentes às contribuições previdenciárias, objeto da execução fiscal, foram constituídos em 1968 e 1973. Dessa maneira, embora ressaltando meu ponto de vista pessoal, no sentido de não se aplicar, mesmo no período de 1966 a 1977, o art. 174 do CTN, em se tratando de contribuições previdenciárias, cuja prescriçãoi está regulada, ademais, expressamente, em lei, não conheço do recurso extraordinário, em obséquio à jurisprudência da Corte, referida no voto do ilustre Ministro Relator? Vejam-se, ainda no mesmo sentido, os seguintes julgados: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COBRANÇA. PRESCRIÇÃO QUINQUENÁRIA. DÉBITO ANTERIOR A E.C. N. 8/77. Antes da E.C. N. 8/77 a contribuição previdenciária tinha natureza tributária, aplicando-se quanto a prescrição o prazo estabelecido no C.T.N.. Recurso extraordinário não conhecido? (RE 110.830-PR, r T., Rel. Min. Djaci Falcão, j. em 23.09.1986) "EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM DATA ANTERIOR À EMENDA 8. NATUREZA TRIBUTÁRIA. As contribuições previdenciárias constituídas em data anterior à Emenda 8/77 sesubmetem as normas pertinentes aos tributos, inseridas no 15 1 5 . ,1. 411. 4, MINISTÉRIO DA FAZENDA m". ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. t .;;41).:r QUINTA CÂMARA Processo n° : 10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 CTN, pois eram especies tributárias. Recurso extraordinário não conhecido." (RE 99.848, i a T., Rel. Min. Rafael Mayer, j. em 10.12.1984) O voto condutor do Ministro Rafael Mayer neste precedente é conclusivo: A partir da citada Emenda n. 8, mediante a reformulação do citado dispositivo constitucional, combinadamente com a adição do item X ao art. 43, da Carta Magna, pertinente às atribuições do Poder Legislativo, tem-se deduzido haverem sido as contribuições sociais ai enumeradas, dentre as quais se incluem as contribuições previdenciárias, subtraídas à regência do sistema tributário, comno resultante de propósito inequívoco do legislador constituinte. De conseguinte, as obrigações referentes às contribuições previdenciárias que se constituíram no período anterior à vigência da reforma constitucional, se submete, quanto à constituição e exigibilidade do crédito, às normas gerais inseridas no Código Tributário. Essa disciplina diz inclusivamente, com a decadência e a prescrição dos créditos resultantes de tais contribuições, que se verificam nos prazos qüinqüenais estatuídos, respectivamente, nos arts. 173 e 174 do CTN, que, posteriores, revogaram a prescrição trintenária prevista no art. 144 da LOPS (Lei 3.807/60). A CSRF firmou entendimento de que o prazo decadencial para constituir créditos tributários relativos às contribuições sociais para a seguridade social é de 5 (cinco) anos, contados na forma do artigo 150, § 4° ou 173 do CTN, conforme o caso. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: "CSSL — DECADÊNCIA - A Contribuição Social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n°7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE n° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma, a contagem do prazo decadencial da (75 16 • • • e Ce .01 MINISTÉRIO DA FAZENDA rt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES EL wfr ^sir .;;It* QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4°." (Acórdão CSRF 01-04.189) "DECADÊNCIA — CSSL — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — LEI 8.383/91 — Na vigência da Lei 8.383/91 e a partir daí o lançamento do IRPJ se amolda às regras do art. 150, parágrafo 4° do CTN e opera-se assim por homologação. A aplicação da regra do artigo 45 da Lei 8.212/91 é incompatível com o CTN." (Acórdão CSRF 01-04.631) "CSSL — Decadência — É de 5 anos o prazo do Fisco para lançar, nos termos da legislação maior." (Acórdão CSRF 01-04.516) "CSSL — LANÇAMENTO — PRAZO DE DECADÊNCIA — É de cinco anos contados da data do fato gerador o prazo de lançamento da contribuição social sobre o lucro não vingando neste aspecto o art. 45 da Lei 8.212/91." (Acórdão CSRF 01-04.387) "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — PRELIMINAR DE DECADÊNCIA — HOMOLOGAÇÃO - ART. 45 DA LEI N 8.212/91 — INAPLICABILIDADE — PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 40 DO CTN, COM RESPALDO NO ART. 146, III, b, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL: A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSSL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173 do CTN) para encontrar respaldo no § 4o do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável ao caso o artigo 45, da lei n 8.212/91, que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social Sobre o Lucro assegura a aplicação do § 4o do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, III, b, da Constituição Federal." (Acórdão CSRF 01-04.508) O entendimento aqui defendido está plenamente conforme as disposições do Decreto 2.346/97, cujo artigo 1° estabelece o seguinte: Ir 17 (—`) MINISTÉRIO DA FAZENDA 'S. PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. iz•fr QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.01725V2002-74 Acórdão n° :105-15.402 "Art. 1°. As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto." O dispositivo é claro. Fixada de forma definitiva e inequívoca a interpretação do texto constitucional pelo STF, a orientação do intérprete maior da Constituição deverá ser observada pela Administração Pública Federal. Na hipótese dos autos, como demonstrado, é antiga a jurisprudência da Corte Suprema no sentido de que, dada a natureza tributária das contribuições sociais para a seguridade social, os prazos de decadência e prescrição que lhes são aplicáveis são aqueles do CTN, em detrimento de outros mais largos fixados pela legislação ordinária. Penso, ademais, que a interpretação emprestada por alguns ao artigo 4°, p. único, deste mesmo Decreto, no sentido de que a não aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, por órgão julgador, singular ou coletivo, da Administração Fazendária, só é possível quando houver a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo pelo STF, não é a que prevalece a luz de uma interpretação sistemática e conforme à Constituição. Sua melhor interpretação é aquela pela qual, quando houver a declaração de inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo federal pelo STF, o órgão julgador deve afastar-lhe a aplicação. O dispositivo veicula um mandamento peremptório, de observância obrigatória e inafastável. Declarada a inconstitucionalidade, pelo STF, do dispositivo, fica vedada sua aplicação pelo órgão julgador. O art. 4°, p. único, há de ser interpretado de forma sistemática e integrada ao art. V. As hipóteses tratadas nos citados dispositivos são diversas. Enquanto o art. 40 trata de hipótese de declaração de insconstitucionalidade, o art. 1° refere-se à mera interpretação do texto constitucional, o que impede se os trate como disposições inconciliáveis, conforme antiga lição de Carlos Maximiliano: ()18 ( • kfr' 1. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n° : 10380.017252/2002-74 Acórdão n° 105-15.402 "Verifique se os dois trechos se referem a hipóteses diferentes, espécies diversas. Cessa, nesse caso, o conflito; porque cada um tem sua esfera de atuação especial, distinta, cujos limites o aplicador arguto fixará precisamente." Disso resulta que, segundo as disposições do Decreto n. 2.346/97, declarada a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo federal pelo STF, fica vedado ao órgão julgador aplicá-lo (art. 4°, p. único), devendo-se este mesmo órgão julgador observar em seus julgados a orientação fixada pela jurisprudência da Corte Suprema. Penso também, que o entendimento ora adotado não está em contradição com o artigo 22A do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que veda se afaste, no julgamento de recurso voluntário, a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor, quando tal inconstitucionalidade não tiver sido declarada pelo STF. Não obstante entender que referido dispositivo regimental há de ser interpretado consoante as disposições do Decreto 2.346/97, que neste particular é seu fundamento de validade, tenho que o art. 45 da Lei n. 8.212/91, além de ser formalmente inconstitucional, por tratar de matéria reservada à lei complementar, é, também, ilegal, por contrariedade aos artigos 150, § 40 e 173 do CTN. Daí porque, sendo perfeitamente possível afastar a aplicação do art. 45 da Lei n. 8.212/91 com fundamento em sua ilegalidade, não há se falar em violação ao mencionado dispositivo regimental. Superada a questão sobre a aplicabilidade do CTN às contribuições, resta saber, pois, se é aplicável ao caso concreto a norma especial do art. 173, I do CTN, o que 4 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 135. 2 19 (0" - „ . . . to e 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA fl PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl.-r 2:4-4,je QUINTA CÂMARA Processo n° : 10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 reclama a comprovação de que a contribuinte autuada agiu com dolo, com o intuito de fraudar ou se socorreu de simulação. Com efeito, tenho que a não aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, pressupõe prova inequívoca de dolo, fraude ou simulação; sem essa prova, o dispositivo será aplicável e a decadência contada a partir do fato gerador. Tal prova não foi produzida pela fiscalização, tanto assim que a autuação se funda em presunção de omissão de receita, pelo fato de a contribuinte autuada não ter logrado comprovar a regular origem do cheque depositado em sua conta, situação que, por si só, tenho como suficiente para determinar a aplicação do art. 150, § 4° do CTN ao caso concreto. Como destacou o prolator do voto vencido, que admitiu como verdadeira a hipótese defensiva, baseado na experiência "advinda do julgamento de empresas deste grupo, que a ACCARD, empresa de prestação de serviços que oferece aos clientes o pagamento de seus funcionários por meio de cartões magnéticos de crédito, por necessidade de abastecer seus caixas eletrônicos de dinheiro em espécie, principalmente no período da tarde, recorria à LOCK SEGURANÇA E TRANSPORTE DE VALORES, que recolhia milhares de reais diariamente, em dinheiro vivo, junto aos clientes e trocava cheques por dinheiro". Tal entendimento está em perfeita sintonia com os elementos de prova carreados aos autos do processo administrativo n. 10380.011572, que também trata de autos de infração de IRPJ e reflexivos de CSL, PIS e COFINS lavrados contra EMPREENDIMENTOS PAGUE MENOS S/A, por conta de cheques oriundos de "contas- fantasmas" supostamente depositados em sua conta corrente do BICBANCO, onde a contribuinte, como matéria de defesa, alega que os cheques também teriam origem na empresa LOCK que os teria trocado por dinheiro em espécie coletado em seus 20 25 • 4' I. ,N MINISTÉRIO DA FAZENDA :*4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 111 ' QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.01725212002-74 Acórdão n° :105-15.402 estabelecimentos, hipótese que contou, no aludido processo, com expressa concordância da LOCK. Assim é que — sem adentrar na questão de fundo, sobre o cabimento da tributação com base em presunção de omissão de receita no caso concreto —, o material probatório carreado a este processo e o fato de a empresa LOCK, no processo n. 10380.01157212003-00, ter declarado, reiteradas vezes, que obteve os cheques com suas coligadas e com clientes desta e, com base em contrato de transporte de valores, os teria trocado por numerário coletado nos diversos estabelecimentos da autuada, e, depois, os depositado na conta corrente bancária objeto da autuação, tomam, pelo menos, verossímil a hipótese defensiva. Forte no exposto, por entender não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tenho por aplicável o art. 150, § 4° do CTN, acolhendo a preliminar de decadência para julgar extintos os créditos tributários de IRPJ, CSL PIS e COFINS. 3. Multa de ofício. Como reforço de argumento quanto à inocorrência de dolo na contribuinte, reveladorado da decadência do direito fazendário de constituir o crédito tributário, passo a examinar o lançamento da multa de ofício qualificada, demonstrando seu igual descabimento na espécie. Neste sentido, conforme exposto no item pertinente à decadência, penso que o material probatório carreado a este processo e o fato de a empresa LOCK, no processo n. 10380.011572/2003-00, ter declarado, reiteradas vezes, que obteve os cheques com suas coligadas e com clientes desta, e, com base em contrato de transporte de valores, os teria trocado por numerário coletado nos diversos estabelecimentos da autuada e depois os depositado na conta corrente bancária objeto da autuação, tomam, pelo menos, verossímil a hipótese defensiva. ,925 21 , . MINISTÉRIO DA FAZENDA +, • br PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fi. QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.01725212002-74 Acórdão n° :105-15.402 Assim é que, havendo dúvida quanto à "natureza e às circunstâncias materiais do fato" e sua 'autoria", impõe-se a aplicação do art. 112, II e III, do CTN, que positiva o princípio in dúbio contra fiscum, determinando que a interpretação do artigo 44, incisos I e II, da Lei n. 9.430/96, se faça de forma mais favorável à contribuinte autuada. Sobre o art. 112, destaco, por oportuno, a autorizada lição de Aliomar Baleeiro5, para quem "o CTN dispôs, por outras palavras, que, em relação às penalidades, observe-se o caráter restrito do Direito Penal, infenso, salvo opiniões isoladas, à analogia. A máxima in dúbio pro réu vale aqui também". Comentando o dispositivo, ensina Sacha Calmon Navarro Coelho(' que: "Ao contrário do que pensam os órgãos administrativos que processam os contenciosos fiscais, os preceitos do art. 112 se endereçam principalmente a eles e só depois aos juízes. Por outro lado, este artigo relativiza a objetividade do ilícito fiscal, que dispensa para sua caracterização a pesquisa do elemento subjetivo. Com efeito, qualquer dúvida ou imperfeita caracterização da ilicitude redunda em vantagem para o contribuinte. A decisão há de ser, necessariamente, em seu favor." Ainda a propósito do art. 112 do CTN, desiaco os comentários de Hugo de Brito Machado', nos seguintes termos: "Realmente, com o inciso II do art. 112, o Código deixou claro que a lei tributária que define infrações, ou lhes comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos. Evitou, assim, a utilidade de possível interpretação restritiva da norma do inciso I. Preservou o alcance da BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 694. COELHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2004, p. 690. MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional. Artigos 96 a 138. Volume Il. São Paulo: Atlas, 2004, p. 280. 22 3 „ 4, MINISTÉRIO DA FAZENDA it PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. 1” 4. QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 norma do art. 112, inspirada nos princípios do Direito Penal, contra a interpretação restritiva do inciso I, segundo a qual a dúvida capaz de ensejar a sua incidência seria apenas aquela residente na norma. Deixou claro que a dúvida a ser resolvida a favor do acusado pode ser também aquela residente no fato. Em sua natureza ou suas circunstâncias materiais, e ainda na natureza e a extensão de seus efeitos." Sergio Feltrin Clirrea9, no mesmo sentido, ensina que "a regra a ser observada ... é que, em existindo dúvida, e sendo esta justificada, beneficia-se o contribuinte". Ademais, não só a ausência de prova de dolo na conduta da contribuinte autuada, bem como a falta de qualificação e individualização de sua conduta, necessariamente dolosa, em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, também a improcedência do lançamento da multa de oficio qualificada. Neste sentido, destaco a lição de Edmar Oliveira Andrade Filho9: "... o pressuposto de aplicação em concreto da norma jurídica citada é a ocorrência de sonegação, fraude e conluio, consoante definição contida na Lei n. 4.502/64. Em decorrência, toda norma individual e concreta de aplicação desse preceito deve individualizar qual das três condutas foi adotada no caso concreto e as provas respectivas, já que os conceitos normativos de sonegação, fraude ou conluio não podem — validamente — ser permutados pelo aplicador da lei em face do princípio da estrita legalidade e na exigência de decisão com base na verdade material. Logo, o fundamento legal da infração não pode ser unicamente o preceito da Lei n. 9.430/96; é indispensável e necessária a produção de provas inequívocas de que tenha ocorrido pelo menos uma das condutas referidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. A indicação, pura e simples, do preceito normativo citado, sem a correspondente prova, sem a sua qualificação e individualização da conduta, implica cerceamento do direito de defesa e toma ilegítima a aplicação da multa qualificada." CORREA, Sergio Feltrin. In: FREITAS, Vladimir Passos de. Código Tributário Nacional Comentado. São Paulo: RT, 2004, p. 541. ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Infrações e Sanções Tributárias. São Paulo: Dialética, 2003, p. 121. 97 23 c 5 o e' • .(41A 41 MINISTÉRIO DA FAZENDA, • -:* rft PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl.t QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 A jurisprudência administrativa é farta ao negar a aplicação da multa qualificada quando não comprovado o dolo, o evidente intuito de fraude, ainda que reconhecida a procedência do lançamento com base em omissão de receita, presumida ou comprovada. Destaco, nesta linha, os seguintes julgados: "PERÍCIA - A realização de perícia só se justifica quando o exame do fato litigioso não puder ser feito pelos meios ordinários de convencimento, dependendo de conhecimentos técnicos especializados. Não é de ser deferida, pois, quando é possível a apresentação de prova documental sobre as questões controversas. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS -Autorizam a presunção de omissão de receitas os valores de pagamentos efetuados e não contabilizados, bem como os valores creditados em conta bancária junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por serem presunções legais, compete ao contribuinte apresentar a prova para elidi-las. OMISSÃO DE RECEITAS- DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. A acusação de omissão de receitas em razão de pagamentos não contabilizados e em falta de comprovação da origem de depósitos em conta corrente bancária, se os pagamentos foram contra a mesma conta corrente, implica duplicidade de tributação. PIS- CSLL- COFINS - DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos litígios decorrentes, quanto à mesma matéria fática. MULTA QUALIFICADA - Ausentes os pressupostos de evidente intuito de fraude, falsidade ideológica e dolo específico, que autorizariam a aplicação da multa qualificada, deve a mesma ser reduzida ao percentual normal." (Acórdão 101-94483, Rel. Cons. Sandra Maria Faroni) "IRPF - DECADÊNCIA - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física extingue- se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). IRPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - Constituem rendimento bruto sujeito ao IRPF todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda, os proventos de 24 2.1* 4.1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. );Tkiit;t QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°, § 1°). IRPF - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS - Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, serão acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, § 3°). IRPF - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - INDISPENSÁVEL A DESCRIÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS CIRCUNSTÂNCIAS QUE DEMONSTREM O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Para que a multa de oficio de 150% seja aplicada, exige- se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71,72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, devendo as circunstâncias que autorizam a sua aplicação serem minuciosamente justificadas e comprovadas nos autos. A simples omissão total ou parcial de rendimentos, representada pela falta de apresentação de declaração ou de declaração inexata, enseja a aplicação da multa de oficio normal de 75%, não caracterizando evidente intuito de fraude, nos termos do inc. I, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e do inc. II, do art. 957, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26/03/1999. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido." (Acórdão 102-46184, Rel. Cons. José Oleskovicz) "MPF. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. Na hipótese de prorrogação tempestiva do prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal, a legislação prevê a manutenção da mesma autoridade fiscal responsável pela execução do mandato prorrogado. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento tributário nos casos de tributos enquadrados na modalidade "homologação". PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, comprovar a ocorrência do fato gerador tributário. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERSAS PRESUNÇÕES. Duas ou mais omissões de receitas identificadas com base em presunções podem ter origem no mesmo fato e significar múltipla e indevida imposição tributária. Cabe à Fiscalização demonstrar inocorrência de tal hipótese 25 /2 5 r • ta Sot • • MINISTÉRIO DA FAZENDA v 4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. ,,I.Lf;' • QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 ou, não logrando fazê-lo, apontar a que melhor reflete o montante da receita subtraída da tributação, excluindo as demais. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. A demonstração da ocorrência de saldo credor de caixa autoriza a presunção de omissão de receitas, resguardada ao contribuinte a apresentação de prova contrária. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES. A lavratura do auto de infração deve contemplar clara descrição das infrações nele indicadas. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A despesa é dedutível desde que necessária à atividade da pessoa jurídica, relativa à contraprestação de algo recebido e comprovada com documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude." (Acórdão 103-21576, Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva) "IRPF - MULTA QUALIFICADA - FRAUDE - Simples omissão de receitas ou declaração inexata não representam, por si só, intuito evidente de fraude, que não se presume, sendo necessária a demonstração cabal de conduta material suficiente para sua caracterização. Recurso provido." (Acórdão 104-19825, Rel. Cons. Remis Almeida Restol) "MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. A qualificação da multa exige que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A falta de inclusão de rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores depositados em contas correntes ou de investimentos pertencentes ao contribuinte fiscalizado, sem comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza mera presunção de omissão de rendimentos e não evidente intuito de fraude, nos termos do Inciso II do art. 992, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n. 1.041, de 1994. DECADÊNCIA - AJUSTE ANUAL - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independentemente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano-calendário questionado. 26 72 (---) .4 e É *4 4 • NILt • • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA f, .1:1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. :41?'": . QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.01725V2002-74 Acórdão n° : 105-15.402 PERÍCIA/DILIGÊNCIA FISCAL - AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - INDEFERIMENTO - A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. NULIDADE DO LANÇAMENTO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - A responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal, não cabendo a determinação de diligência de oficio para a busca de provas em favor do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS - O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente. Recurso de ofício negado. Preliminares rejeitadas. Recurso voluntário negado." (Acórdão 104-20273, Rel. Cons. Nelson Mallmann) "PRATICA DE ATO DOLOSO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PROVA - A falta de registro na declaração de ajuste anual de rendimentos considerados omitidos por presunção legal (depósitos bancários) não evidencia, por si só, dolo do contribuinte a permitir aplicação de multa qualificada de 150%, pelo que inaplicável a multa de oficio. Recurso de ofício negado." (Acórdão 106-13818, Rel. Cons. José Carlos Matta Rivitti) 27 , e r ' ) ,. °Jia—..4 - . MINISTÉRIO DA FAZENDA... .,• • : ri PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fl. QUINTA CÂMARA Processo n° :10380.017252/2002-74 Acórdão n° :105-15.402 Como conseqüência da ausência de prova de dolo na conduta da contribuinte autuada, bem como da falta de qualificação e individualização de sua conduta, necessariamente dolosa, em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64, e, ainda, tendo em conta o disposto no art. 112, II e III do CTN, julgo improcedente o lançamento da multa de oficio qualificada, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada com base no art. 44, II da Lei n. 9.430/96. 4. Conclusão: Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido, julgar os lançamentos iniciais improcedentes e extinguir os respectivos créditos tributários. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 10 de novembro de 2005. g EDUARÓ0 DA ROCHA SCHMIDT 28 Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1 _0016000.PDF Page 1 _0016100.PDF Page 1 _0016200.PDF Page 1 _0016300.PDF Page 1 _0016400.PDF Page 1
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