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Numero do processo: 11060.003728/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DESPESAS COM CONSTRUÇÃO. NULIDADE MATERIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR MANIFESTO EQUÍVOCO EM RELAÇÃO AO SEU FUNDAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELO CARF.
Verificando-se a manifesta dissociação entre o critério utilizado para a lavratura do auto de infração e a base de cálculo erigida pela fiscalização, afigura-se nulo o lançamento, em virtude do manifesto equívoco material.
Por tais razões, sendo certo que não compete a este órgão revisor a tarefa de lançar o crédito tributário, e, igualmente correta a impossibilidade de adoção de outra base de cálculo com fundamento em documentos sequer disponibilizados ao contribuinte, afigura-se
nulo o lançamento em relação à glosa das despesas com construção.
IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE
PAGAMENTOS A TÍTULO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE.
Determinando a legislação que as despesas de custeio ou investimento dedutíveis são aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora, descabida a dedução de valores a título de IRRF, seja porque tais valores sequer possuem fundamento legal, seja, ainda, porque referida despesa não se associa, diretamente, à atividade rural explorada.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA PARCIAL DE LIQUIDAÇÃO DE CPRs MEDIANTE A DEVOLUÇÃO DO VALOR ANTECIPADO. NECESSÁRIA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF.
Havendo a comprovação, in casu, da devolução de valores relacionados a parte das CPRs apontadas pela fiscalização, com a consequente prova da falta de sua liquidação mediante a entrega dos produtos, faz-se mister a exclusão de tais valores da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSÁRIA APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF.
Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, afasta-se
a multa de ofício qualificada de 150%.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.565
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento EM PARTE ao recurso, para determinar: (i) a exclusão da base de cálculo do imposto dos valores relativos à glosa de despesas da atividade rural (“despesas com construção”), mantendo a glosa de despesas especificamente em relação ao IRRF pago, (ii) a exclusão da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos da atividade rural do valor de R$ 800.000,00, relativo a CPRs liquidadas mediante a devolução dos valores antecipados, bem
como (iii) a redução da multa aplicada sobre a omissão de rendimentos ao patamar de 75%.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DESPESAS COM CONSTRUÇÃO. NULIDADE MATERIAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR MANIFESTO EQUÍVOCO EM RELAÇÃO AO SEU FUNDAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO PELO CARF. Verificandose a manifesta dissociação entre o critério utilizado para a lavratura do auto de infração e a base de cálculo erigida pela fiscalização, afigurase nulo o lançamento, em virtude do manifesto equívoco material. Por tais razões, sendo certo que não compete a este órgão revisor a tarefa de lançar o crédito tributário, e, igualmente correta a impossibilidade de adoção de outra base de cálculo com fundamento em documentos sequer disponibilizados ao contribuinte, afigurase nulo o lançamento em relação à glosa das despesas com construção. IRPF. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. DEDUÇÃO DE PAGAMENTOS A TÍTULO DE IRRF. IMPOSSIBILIDADE. Determinando a legislação que as despesas de custeio ou investimento dedutíveis são aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora, descabida a dedução de valores a título de IRRF, seja porque tais valores sequer possuem fundamento legal, seja, ainda, porque referida despesa não se associa, diretamente, à atividade rural explorada. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA PARCIAL DE LIQUIDAÇÃO DE CPRs MEDIANTE A DEVOLUÇÃO DO VALOR ANTECIPADO. NECESSÁRIA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF. Havendo a comprovação, in casu, da devolução de valores relacionados a parte das CPRs apontadas pela fiscalização, com a consequente prova da falta de sua liquidação mediante a entrega dos produtos, fazse mister a exclusão Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 339 2 de tais valores da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NECESSÁRIA APLICAÇÃO DA SÚMULA 14 DO CARF. Não comprovado, pela autoridade fiscal, o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de redução do montante do imposto devido na tributação da pessoa física, afastase a multa de ofício qualificada de 150%. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento EM PARTE ao recurso, para determinar: (i) a exclusão da base de cálculo do imposto dos valores relativos à glosa de despesas da atividade rural (“despesas com construção”), mantendo a glosa de despesas especificamente em relação ao IRRF pago, (ii) a exclusão da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos da atividade rural do valor de R$ 800.000,00, relativo a CPRs liquidadas mediante a devolução dos valores antecipados, bem como (iii) a redução da multa aplicada sobre a omissão de rendimentos ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy e Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 340 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 296/312) interposto em 22 de junho de 2011 contra o acórdão de fls. 267/290, do qual o Recorrente teve ciência em 23 de maio de 2011 (fl. 295), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 215/218, lavrado em 09 de dezembro de 2010, em decorrência de omissão de rendimentos da atividade rural verificada nos anoscalendário de 2004 e 2005 (multa qualificada) e de glosa de despesas da atividade rural verificada no anocalendário de 2005. A Recorrida desqualificou a multa de ofício relativa ao anocalendário de 2004, bem como acolheu a preliminar de decadência em relação ao referido anocalendário. Relativamente ao anocalendário de 2005, manteve o imposto no valor de R$ 13.105,61, a título de despesas da atividade rural, e de R$ 58.795,26 (multa qualificada), a título de omissão de rendimentos da atividade rural. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. Não tendo sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, o prazo para o lançamento de ofício do imposto sobre a renda da pessoa física cujo pagamento tenha sido antecipado pelo contribuinte. ATIVIDADE RURAL. DESPESAS DE CUSTEIO. INVESTIMENTOS. Consideramse despesas de custeio e investimentos aqueles necessários à percepção dos rendimentos e à manutenção da fonte produtora, relacionadas com a natureza da atividade exercida e comprovados com documentação hábil e idônea. ATIVIDADE RURAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Constitui omissão de receitas da atividade rural a não apropriação, no livro caixa, dos valores obtidos por meio de liquidação de CPR com entrega dos produtos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício no percentual de 150% deve ser aplicada quando restar comprovada a intenção dolosa do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 267). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 296/312), pedindo a reforma da decisão recorrida, para cancelar a parte remanescente do auto de infração. É o relatório. Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 341 4 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Primeiramente, antes de adentrar na análise dos fundamentos apontados para a reforma do julgado, esclareço que o referido decisum acolheu a alegação de decadência, em relação à apontada omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural referente ao ano calendário de 2004, razão pela qual, não sendo o montante exonerado superior ao valor de R$ 1.000.000,00, na forma preconizada pela Portaria MF n.º 3/2008, não se sujeita a citada matéria ao reexame necessário. Por tais razões, cingese o mérito do recurso a aferir a correção do julgado em relação (i) à validade da glosa de despesas da atividade rural, “despesas com construção” e “demais despesas” (IRRF), lançadas em livro caixa no exercício de 2006 pelo contribuinte, bem como (ii) à existência de omissão de rendimentos concernente ao anocalendário de 2005. Com o fito de facilitar a compreensão das matérias objeto de análise recursal, as matérias serão tratadas separadamente, analisando os argumentos relativos a cada um dos fundamentos do auto de infração. Glosa de despesas da atividade rural. Despesas com construção. Em relação às despesas escrituradas no livro caixa da parceria rural (os parceiros se valiam de um único livro caixa), entendeu a fiscalização, para a lavratura do auto de infração, que os gastos com a construção de benfeitorias em terreno (4 ha.) de propriedade do Sr. Pedro Herter, bem como os relativos aos tributos como o ICMS incidente na venda da produção rural (excluído pela tributação) e do IRRF, não seriam usuais e necessários à manutenção da fonte produtora, bem como à percepção de seus rendimentos, na forma do art. 62, §1º, do RIR/99. No tocante à glosa relativa aos gastos com construção, ressaltou o contribuinte, em sua defesa administrativa, que a glosa integral da rubrica de “Despesas de construção”, apontada no livro caixa, abrangia valores em muito superiores àqueles despendidos em relação, estritamente, aos 4 ha. questionados pela fiscalização, na medida em que a parceria rural abrangia propriedades cujas áreas, somadas, chegavam a 12.226,10 ha. Pois bem. Analisando as alegações do contribuinte, então impugnante, a DRJ, muito embora tenha mantido a glosa dos valores de construção, entendeu equivocado o quantum arbitrado pela fiscalização, alterando a base de cálculo da glosa efetuada, considerando, para tanto, os valores apontados como custo de aquisição pelo contribuinte Pedro Herter, nos autos de outro processo administrativo fiscal relativo ao ganho de capital apurado na alienação do citado imóvel à Herter Cereais Ltda. No tocante ao citado ponto, pois, a decisão recorrida, valendose de prova emprestada, tomada do Processo Administrativo n.º 11060.0016822/201060, entendeu que os Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 342 5 gastos com a construção das benfeitorias no terreno de 4 ha. seria de R$ 233.700,67, tal como supostamente apontado nos autos do referido feito, reduzindo, portanto, a glosa à razão de 20% sobre o citado valor, correspondente à participação do contribuinte na parceria. Nesse sentido, em que pese ao entendimento sufragado pela DRJ de Porto Alegre, entendo que o auto de infração, especificamente no que atine à glosa dos valores de construção no terreno, afigurase nulo, em razão do manifesto equívoco material na base de cálculo eleita pela fiscalização. Com efeito, consoante salienta Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo possui função destacada no chamado consequente da regramatriz de incidência tributária, se destinando, como destaca o autor, “a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico, para que, combinandose à alíquota, seja determinado o valor da prestação pecuniária” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 18ª ed. São Paulo: Saraiva, 2007. pp. 341342). Em outras palavras, admite a doutrina, representada pelo escólio de Paulo de Barros Carvalho, o relevante papel atribuído à base de cálculo, concernente, não apenas, ao dimensionamento da hipótese de incidência (fato tributável), como, igualmente, em relação à necessária confirmação ou infirmação do verdadeiro critério material da hipótese de incidência tributária, permitindo ao aplicador verificar, na espécie, o verdadeiro objeto de tributação ou fundamento legal do auto de infração. Feitas as precedentes ressalvas, podese observar, do auto de infração objeto de análise, que, muito embora tenha o auditor fiscal apontado, para o lançamento tributário de ofício, a incorreção da dedução das despesas de construção relativas, apenas e tãosomente, ao imóvel de 4 ha., posteriormente integralizado pelo Sr. Pedro Herter na sociedade Herter Cereais Ltda., verificase que a base de cálculo eleita para a glosa não refletiu o aspecto apontado. De fato, compulsandose os termos do lançamento tributário, especificamente em relação à glosa das despesas escrituradas no livro caixa, podese observar que o auditor fiscal houve por bem desconsiderar todos os valores apontados na rubrica “Despesas de construção”, sem fazer qualquer ressalva em relação aos valores que, de fato, se referiam à construção de benfeitorias em imóvel não objeto da parceria. Assim, muito embora, alegadamente, os valores glosados se referissem, exclusivamente, aos gastos de construção relativos às benfeitorias realizadas no imóvel de 4 ha., fato é que a glosa se reportou a toda e qualquer despesa de construção relativa à parceria rural, alterando, de forma irrefutável, o fundamento do auto de infração, que, com a alteração da base de cálculo, passa a ser a desconsideração, como despesas dedutíveis, e, portanto, relacionadas à manutenção da fonte produtora, de todo e qualquer gasto com construção em imóveis destinados às parcerias rurais. É dizer, a base de cálculo infirma o critério eleito pelo auditor fiscal, acabando por glosar todas as despesas de construção escrituradas e relacionadas aos imóveis utilizados na parceria agrícola. Justamente por essa razão, aliás, procurou a DRJ refazer o lançamento, alterando a base de cálculo eleita pelo auditor fiscal, relativa a outro fundamento não utilizado, para os efetivos custos realizados com o imóvel de 4 ha., de propriedade do Sr. Pedro Herter, Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 343 6 utilizando, para tanto, prova emprestada de outro processo administrativo fiscal relativo à apuração de ganho de capital na integralização do imóvel. Em virtude do manifesto equívoco na base de cálculo, pois, admitido, por vias transversas, pela própria DRJ, tenho para mim que o lançamento não se sustenta, no que atine à manutenção da glosa das despesas de construção, na medida em que, como se sabe, não compete a este órgão julgador alterar os critérios materiais de lançamento. De fato, como se sabe, o direito pátrio, no que toca à possibilidade de revisão dos atos administrativos de lançamento tributário, estabeleceu uma profunda diferença entre as atribuições do agente fiscal, a quem incumbe lançar o crédito tributário de ofício no caso de constatar a ocorrência da hipótese de incidência do tributo, e as dos órgãos julgadores (Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), aos quais incumbe o mister de aferir a validade da constituição do crédito tributário pelo lançamento. Notese, por oportuno, que a competência dos órgãos julgadores limitase a aferir a validade do lançamento, não cabendo a eles, acaso verifiquem alguma incorreção, efetuar lançamento complementar ou acertar vícios constantes do ato administrativo apreciado. Incumbe aos órgãos julgadores, pois, com fulcro no direito de petição constitucionalmente estabelecido (art. 5º, XXXIV, ‘a’, da CF), a prática de atos secundários, reapreciando os termos do lançamento. Para que se compreenda o exposto, cumpre colacionar, muito embora extensa, a lição de Alberto Xavier, in verbis: “Nesse contexto, revestese de especial relevância no Direito Tributário brasileiro a distinção entre órgãos de lançamento e órgãos de julgamento; os órgãos de lançamento têm competência exclusiva ou reservada para a prática dos atos primários em que o lançamento se traduz; os órgãos de julgamento têm competência exclusiva reservada para a prática dos atos secundários, de reapreciação dos primeiros. “No processo de impugnação administrativa de tributos federais, a lei atribui a competência para o julgamento a órgãos destituídos do poder de praticar o lançamento (as Delegacias da Receita Federal especializadas em julgamento e os Conselhos de Contribuintes) e, como veremos, não é admissível a ‘reformatio in pejus’, pelo que a decisão do processo se reduz às alternativas da anulação ou da confirmação, não podendo jamais revestir a modalidade de substituição (na forma de lançamento suplementar). “Pode, pois, afirmarse que no processo administrativo de impugnação se exerce uma cognição restrita, visando exclusivamente a anulação do lançamento e não a sua reforma ou substituição. Tratase, porém, de figura distinta da cassação, pois nesta a reapreciação do ato impugnado é restrita a questões de direito, enquanto a revisão abrange igualmente questões de fato. (...) “Pode, pois, concluirse que o recurso de revisão pelo qual se opera a impugnação administrativa do lançamento entra nos moldes de um processo constitutivo de anulação” (XAVIER, Alberto. Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1999. pp. 311 313). Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 344 7 Exatamente por esta razão, não se pode pretender alterar, em sede recursal, o fundamento do auto de infração, descortinado pela base de cálculo utilizada pelo Ilmo. Sr. auditor fiscal. A este respeito, cumpre transcrever breve excerto do voto vencedor do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, proferido nos autos do Recurso Especial do Procurador n. 104142.441, in verbis: “Ao avaliar a prova dos autos, a Douta Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes identificou que não se tratam de depósitos bancários de origem não justificada, mas sim de rendimentos provenientes da atividade rural que foram omitidos. “Em sendo rendimentos provenientes da atividade rural, por evidente que a matéria tributável em nada se identifica com aquela que foi descrita no auto de infração. Em sendo outra a matéria tributável, por consequência, a norma de incidência tributária também é outra, no caso o artigo 5º da Lei n. 8.023, de 1990. “Não posso concordar com a decisão da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no ponto em que, verificando que a matéria tributável não é aquela que foi descrita no auto de infração, ao apreciar o recurso, faz uma verdadeira alteração da descrição dos fatos e da norma de incidência tributária para exigir o imposto com base nos fatos jurídicotributários que efetivamente ocorreram, aplicando sobre eles o artigo 5º, parágrafo único, da Lei n. 8.023, de 1990. Tal modo de agir constitui, na verdade, um novo lançamento, procedimento que a autoridade julgadora não tem competência para tal. Quem julga não pode fazer lançamento e quem faz lançamento não pode julgar. Ao agir da forma como atuou no acórdão, a Quarta Câmara fez um novo lançamento e ao mesmo tempo proferiu julgamento em relação ao seu próprio lançamento” (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Quarta Turma, Recurso Especial do Procurador n. 104142.441, Relator Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, sessão de 07/10/2008). À guisa de todo o exposto, portanto, verificase a patente nulidade do auto de infração, ao adotar base de cálculo correspondente a fundamento absolutamente distinto daquele que, alegadamente, fundamentaria o lançamento de ofício in casu. Além disso, não se pode olvidar que a adoção de critério quantitativo totalmente diverso daquele que, supostamente, suportaria o lançamento tributário acabou por cercear o direito de defesa do contribuinte, o que, como se sabe, viola direitos fundamentais adotados, expressamente, pelo legislador no art. 2º da Lei n.º 9.784/99, bem como pelos artigos 59, II, e 60 do Decreto n.º 70.235/72. Resta ainda mais evidente a ocorrência de cerceamento de defesa, na hipótese, ao se constatar que a decisão recorrida, exarada pela DRJ, ao fundamentar a alteração da base de cálculo relativa à glosa de despesas de construção com o citado imóvel, houve por bem se reportar a documentos sequer juntados ao feito, relativos a processo administrativo em que o contribuinte sequer é parte e acobertados pelo manto do sigilo fiscal. Com a devida vênia, o ordenamento jurídico brasileiro não adota, como fundamento de decidir, a livre convicção do julgador, mas, sim, a teoria do livre convencimento motivado, sendo a motivação, portanto, inerente aos órgãos administrativo e judiciário, tal como contemplado, expressamente, no art. 2º da Lei n.º 9.784/99. Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 345 8 Nessa toada, portanto, não se pode admitir, sob pena de violação aos cânones basilares do Estado Democrático de Direito, a sustentação de decisão com base em fatos sequer demonstrados, em parte alguma, e supostamente ocorridos extra autos. Por tais razões, ainda que se pudesse entender admissível, excepcionalmente, a chamada motivação per relationem no ordenamento jurídico pátrio, fazse mister, além da indicação do documento em que se baseou o julgador, anexálo aos autos de maneira a possibilitar a adequada defesa da parte, sob pena de violação ao devido processo legal. Este é o entendimento pacífico do Supremo Tribunal Federal, como se extrai do seguinte acórdão, cuja ementa ora se traz à baila: “MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM CONSTANTE DA DELIBERAÇÃO EMANADA DA COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO. Tratandose de motivação per relationem, impõese à Comissão Parlamentar de Inquérito quando esta faz remissão a elementos de fundamentação existentes aliunde ou constantes de outra peça demonstrar a efetiva existência do documento consubstanciador da exposição das razões de fato e de direito que justificariam o ato decisório praticado, em ordem a propiciar, não apenas o conhecimento do que se contém no relato expositivo, mas, sobretudo, para viabilizar o controle jurisdicional da decisão adotada pela CPI. É que tais fundamentos considerada a remissão a eles feita passam a incorporarse ao próprio ato decisório ou deliberativo que a eles se reportou.(...)”(STF, Tribunal Pleno, MS 23452, relator Ministro Celso de Mello, j. em 16/09/1999) Em razão de todo o exposto, pois, verificandose que (i) a base de cálculo apontada pelo Ilmo. Sr. auditor fiscal colheu, para a tributação, fato absolutamente diverso daquele apontado como fundamento para o auto de infração, bem como (ii) não apenas o próprio auto de infração, ao apontar base de cálculo e fundamentos desconexos, mas, igualmente, a própria DRJ, ao refazer o auto de infração alterando o cálculo com base em informações extra autos, acabaram por gerar cerceamento de defesa em relação ao contribuinte, entendo haver nulidade insanável, na hipótese, fazendose mister a anulação do auto de infração em relação à citada glosa de despesas. Consoante entende este CARF, não se faz possível a alteração de fundamento do auto de infração pelos órgãos julgadores, razão pela qual se faz mister a anulação do lançamento em relação ao citado ponto. Glosa de despesas da atividade rural. Despesas com IRRF Consoante tracejado no item anterior, apenas podem ser escrituradas no livro caixa como despesas decorrentes da atividade rural, mais especificamente da parceria, aquelas relativas ao custeio da atividade e, bem assim, as de investimento consideradas necessárias à percepção dos rendimentos, bem como à manutenção da fonte produtora (art. 62, §1º, do RIR/99). Ora, como se sabe, o IRRF, ainda que relativo às retenções feitas pelas fontes pagadoras em virtude de pagamentos efetuados à parceria (o IRRF retido em pagamentos feitos pela própria parceria rural sequer são despesas suas, mas do beneficiário dos recursos), não se refere, especificamente, à atividade rural, não podendo ser considerado, pois, despesa de custeio ou de investimento para os fins específicos do art. 62, §1º, do RIR/99. Por tais razões, sendo certo que inexiste fundamento legal para sufragar a possibilidade de consideração de tais despesas no livro caixa, entendo inexistir fundamento para a irresignação do Recorrente, devendo ser mantida, destarte, a decisão recorrida. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 346 9 Omissão de rendimentos da atividade rural No tocante à omissão de rendimentos decorrente da atividade rural, entendeu a fiscalização, no que foi seguida pela DRJ, que diversas Cédulas de Produtor Rural (CPR), relativas a valores antecipados pela fonte pagadora para entrega futura da produção, teriam sido liquidadas sem a correspondente emissão de nota fiscal de saída da produção, anteriormente paga. Em virtude de tal fato, entendendo o Ilmo. Sr. auditor fiscal que o contribuinte, na qualidade de parceiro, teria deixado de emitir a nota fiscal de saída para impedir a incidência do imposto de renda, diferido para o momento da efetiva entrega, lavrou o presente auto de infração, com a capitulação de multa qualificada. Especificamente em relação à tributação dos adiantamentos para entrega futura, dentre os quais as CPRs, o Regulamento do Imposto de Renda dispõe o seguinte: “Art. 61. A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos das atividades definidas no art. 58, exploradas pelo próprio produtorvendedor.(...) §2º Os adiantamentos de recursos financeiros, recebidos por conta de contrato de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura, serão computados como receita no mês da efetiva entrega do produto. (...) §5º A receita bruta, decorrente da comercialização dos produtos, deverá ser comprovada por documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada, nota promissória rural vinculada à nota fiscal do produtor e demais documentos reconhecidos pelas fiscalizações estaduais.” O parágrafo 2º do retro transcrito artigo, como se percebe, faz menção aos contratos de compra e venda de produtos agrícolas para entrega futura; nesse sentido, é cediço que a Cédula de Produtor Rural – CPR é um título que viabiliza o surgimento dessa relação. Sendo a CPR um título de crédito rural, regulado pela Lei n.º 8.929/94, representativo de promessa de entrega de produtos rurais, com ou sem garantia cedularmente constituída, concluise tratar de um título líquido, certo e exigível pela quantidade e qualidade do produto nela previsto. De acordo com João Luiz Coelho da Rocha “Tratase, portanto, de um título de crédito que traduz não um creditamento em dinheiro, senão um compromisso de entrega de certa qualidade de produtos rurais, em uma determinada quantidade” (ROCHA, João Luiz Coelho da. “Um título de crédito recente: A Cédula de Produto Rural”, in Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, Malheiros Editores, 2000, p. 114). Nesse sentido, Pedro Miguel Ferreira Custódio define que “A Cédula de Produto Rural, instituída pela Lei n.º 8.929/94, caracterizase como um título de crédito emitido por produtor rural ou associações de produtores rurais, incluindose as cooperativas, e, nos termos do artigo 1º da citada Lei é ‘representativa de promessa de entrega de produtos, com ou sem garantia cedularmente constituída’.” (CUSTÓDIO, Pedro Miguel Ferreira. “O Regime Tributário Aplicável às Cédulas de Produto Rural Financeira – Operações Realizadas nos Mercados Primário e Secundário”, in O Direito Tributário e o Mercado Financeiro e de Capitais, São Paulo: Dialética, 2009, p. 405). Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 347 10 Em outras palavras, a CPR representa o compromisso celebrado entre as partes, em virtude do qual o produtor se obriga a entregar um produto rural, existente ou não no tempo em que foi firmado o acordo. Ou seja, tratase de uma venda futura, na qual o produtor rural recebe um pagamento antecipado, comprometendose a entregar a mercadoria acordada. Considerando que se trata de título líquido e certo, sua liquidação poderá ser parcial, ou então, em caso de impossibilidade de cumprimento, o pagamento antecipado poderá ser ressarcido, à exceção da CPR financeira, que não é objeto de análise, pois se ampara em regime jurídico distinto. No presente caso, à luz do quanto disposto no §2º do art. 61 do RIR/99 e tendo em vista a ausência de notas fiscais que comprovassem a movimentação dos produtos no anocalendário de 2005, a fiscalização concluiu pela omissão de rendimentos do contribuinte, uma vez que, à época dos fatos, ele era integrante de uma parceria rural que emitiu diversas CPRs, considerando como database o vencimento das CPRs no ano de 2005, pois sua liquidação faz prova da entrega do produto. Ou seja, a fiscalização, diante da falta de documentação que comprovasse a liquidação ou não das CPRs, objeto de discussão, concluiu que os referidos títulos foram liquidados nas datas previstas como data de vencimento das cédulas (todas com vencimento em 2005), fazendo prova, portanto, da entrega do produto. Em que pese, in casu, o Recorrente informar que as CPRs analisadas e que ensejaram a glosa são CPRs financeiras, bem como os contratos fazerem alusão à Lei n.º 10.200/2001, que inseriu essa subespécie de CPR, a partir da leitura de tais títulos verificase que elas não cumprem os requisitos de uma CPR financeira, não podendo ser consideras como tal. De acordo com o referido diploma, a CPR financeira deve ter explicitado, em seu corpo, os referenciais necessários à clara identificação do preço ou do índice de preços a ser utilizado no resgate do título, a instituição responsável por sua apuração ou divulgação, a praça ou o mercado de formação do preço e o nome do índice, além de ser caracterizada por seu nome, seguido da expressão “financeira” (art. 4º, incisos I e III). A partir da análise dos títulos emitidos pela parceria da qual o Recorrente faz parte, verificouse que os mencionados requisitos não foram cumpridos. Diante dos esclarecimentos acima apontados, correta a autuação da fiscalização. Contudo, diante das ponderações feitas na decisão recorrida, o Recorrente trouxe aos autos novos documentos, na tentativa de comprovar as liquidações das CPRs utilizadas para fins de arbitramento da base de cálculo do imposto de renda devido à omissão de rendimentos em debate, os quais, à luz do princípio da verdade material, passo a analisar, em consonância com os demais documentos já acostados aos autos: Liquidação bancária: 14/11/2005 – CPRs 272, 274, 275, 276, 277, 12000, 235/2005, 248/2005, 25000, 260/2005, 178, 279, 002, 280, 283, 284, 033 e 042: O Recorrente acosta um recibo de transferência de valor entre contas, cuja remetente é a Sra. Maria Odila A. T. Pinto, efetuada em 14/11/2005, no valor total de R$ 800.000,00, à Herter Cereais Ltda. (fl. 325), acostando, à folha seguinte, recibo emitido pela Herter Cereais Ltda. referente ao recebimento da citada quantia como quitação de diversas CPRs, no mesmo valor de R$ 800.00,00. Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 348 11 Havendo a prova efetiva, mediante apresentação de recibo, acrescida de transferência bancária do valor, entendo restar comprovada a restituição dos valores adiantados, sem a liquidação da CPR mediante entrega do produto. A este respeito, frisese que a própria fiscalização entendeu suficiente para a comprovação da inexistência de omissão de rendimentos a prova da transferência dos recursos, somada ao recebido feito na mesma data, relativo à quitação em espécie das CPRs, como se extrai da fl. 225v. Liquidação mediante recibo: 01/09/2005 – CPRs 231, 233 (parcial) e 236, no valor de R$ 49.950,00: O Recorrente acosta um recibo assinado pela Herter Cereais Ltda., em 01/09/2005, no valor de R$ 49.950,00, relativamente à baixa total a receber, no que tange às CPRs 231 e 236, e baixa parcial a receber, no que tange à CPR 233, caracterizando um descumprimento da obrigação de entrega de produto previsto nas cédulas, com a consequente devolução do pagamento antecipado (fl. 327), o que ensejaria a não tributação dos valores anteriormente recebidos. Contudo, entendo que somente o recibo não é documento suficiente para comprovar a operação, motivo pelo qual mantenho a glosa correlata. Liquidação mediante recibo: 02/09/2005 – CPRs 233 (parcial), no valor de R$ 89.950,00: O Recorrente acosta dois recibos assinados pela Herter Cereais Ltda., em 02/09/2005, no valor total de R$ 89.950,00, relativamente à baixa parcial a receber, no que tange à CPR acima destacada, caracterizando um descumprimento da obrigação de entrega de produto previsto na cédula, com a consequente devolução do pagamento antecipado (fl. 328), o que ensejaria a não tributação dos valores anteriormente recebidos. Contudo, entendo que somente o recibo não é documento suficiente para comprovar a operação, motivo pelo qual mantenho a glosa correlata. Liquidação mediante entrega de grãos: Nota Fiscal de Produtor 977693 e Nota Fiscal de Entrada n.º 024059 de Herter Cereais – 29.10.2005 – CPRs 258, 261, 262, 263, 265, 267, 270, 272, no valor de R$ 100.784,63: O Recorrente acosta um recibo assinado pela Herter Cereais Ltda., em 29/10/2005, no valor total de R$ 100.784,63,00, relativamente à baixa total a receber, no que tange às CPRs acima destacadas, exceto pela CPR 272, cuja baixa foi parcial (fl. 329), bem como as notas fiscais do produtor e de entrada (fls. 330/331). No entanto, apurase que as notas fiscais acostadas não fazem menção às CPRs que o Recorrente defende terem sido liquidadas mediante a entrega de grãos, comprovada pelos referidos documentos. Portanto, entendo que os documentos acostados não são suficientes para comprovar a operação, motivo pelo qual mantenho a glosa correlata. Liquidação mediante entrega de grãos: Nota Fiscal de Produtor 780376 e Nota Fiscal de Entrada n.º 018545 de Herter Cereais – 27/10/2005 – CPRs 233 (parte), 241, 243 e 245, no valor de R$ 83.630,10: Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 349 12 O Recorrente acosta um recibo assinado pela Herter Cereais Ltda., em 27/10/2005, no valor total de R$ 213.643,30 (fls. 332), relativamente à baixa total a receber, no que tange às CPRs acima destacadas, exceto pela CPR 245, cuja baixa foi parcial (fl. 329), bem como as notas fiscais do produtor e de entrada (fls. 333/334). No entanto, constatase que as notas fiscais acostadas não fazem menção às CPRs que o Recorrente defende terem sido liquidadas mediante a entrega de grãos, comprovada pelos referidos documentos. Portanto, entendo que os documentos acostados não são suficientes para comprovar a operação, motivo pelo qual mantenho a glosa correlata. No mais, cumpre ressaltar que, no que atine às CPRs que o Recorrente afirma terem sido liquidadas, em 2005, mediante a entrega de grãos, aperfeiçoandose, assim, a obrigação prevista em referidos títulos, de rigor seria a contabilização dos valores recebidos como receita do referido ano; no entanto, a partir do LivroCaixa da parceria, não há como constatar se esses valores foram escriturados, ou seja, deveria o Recorrente, ainda, ter demonstrado que os valores recebidos estavam lançados no LivroCaixa do ano de 2005, sob pena de se manter o entendimento de que os valores foram omitidos. Por tais razões, portanto, entendo que, em relação a este ponto, deve ser dado parcial provimento ao recurso, excluindose da base de cálculo utilizada para o cômputo da omissão de rendimentos o montante de R$ 800.000,00, comprovadamente restituído à Herter Cereais Ltda. em virtude da impossibilidade de liquidação mediante entrega em grãos dos valores adiantados por meio das CPRs. Multa Qualificada Por fim, discordo da decisão recorrida no que tange à manutenção da multa qualificada de 150% em relação à omissão de rendimentos decorrentes da atividade rural. Isso porque, analisando os autos, entendo que a fiscalização não comprovou o evidente intuito de dolo, fraude ou simulação por parte do Recorrente. De fato, compulsandose os presentes autos, verificase que a autuação fiscal ocorreu com fundamento, exclusivamente, na data de liquidação das CPRs emitidas pelos produtores rurais, a partir das quais foi possível ao Ilmo. Sr. auditor fiscal entender que teria ocorrido a entrega da produção ao subscritor dos referidos títulos, sem a correspondente emissão das notas fiscais. Em que pese ao referido entendimento, tenho para mim que, muito embora válido o meio probatório eleito, permitindo a inferência da ocorrência da liquidação do título executivo com a consequente entrega da soja, pareceme que a mera inversão do ônus da prova proporcionada pela liquidação do título não permite inferir a existência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, entendo não haver provas suficientes de que tenha o contribuinte, dolosamente, deixado de emitir as notas fiscais para acobertar a não incidência do imposto de renda sobre os valores recebidos, antecipadamente, pela emissão das CPRs, sendo aplicável, destarte, o teor da Súmula n.º 14 deste CARF, vazada nos seguintes termos: Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.003728/201085 Acórdão n.º 210101.565 S2C1T1 Fl. 350 13 Sendo assim, voto no sentido de afastar a aplicação da multa qualificada relativa à omissão de rendimentos provenientes da atividade rural. Parte dispositiva Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para determinar: (i) a exclusão da base de cálculo do imposto dos valores relativos à glosa de despesas da atividade rural, “despesas com construção”, mantendo a glosa de despesas especificamente em relação ao IRRF pago (“demais despesas”), (ii) a exclusão da base de cálculo relativa à omissão de rendimentos da atividade rural do valor de R$ 800.000,00, relativo a CPRs liquidadas mediante a devolução dos valores antecipados, bem como (iii) a redução da multa aplicada sobre a omissão de rendimentos ao patamar de 75%. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 26/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13052.000162/2005-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS O
crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de
COFINS tem natureza de recuperação de custo. No âmbito do lucro real, o custo então recuperado deve ser adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido, devem ser observadas as condições estipuladas para a tributação ou não, conforme artigo 53 da Lei nº 9.430/96.
CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. A cessão de crédito tributário
classificado em conta própria como “ICMS a recuperar” só é passível de tributação se o valor de cessão for superior ao valor despendido para aquisição do referido crédito contabilizado no ativo (desde que este não tenha sido lançado a custo).
Numero da decisão: 9101-001.442
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI PARA RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS O crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de COFINS tem natureza de recuperação de custo. No âmbito do lucro real, o custo então recuperado deve ser adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se o contribuinte apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido, devem ser observadas as condições estipuladas para a tributação ou não, conforme artigo 53 da Lei nº 9.430/96. CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS. A cessão de crédito tributário classificado em conta própria como “ICMS a recuperar” só é passível de tributação se o valor de cessão for superior ao valor despendido para aquisição do referido crédito contabilizado no ativo (desde que este não tenha sido lançado a custo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada), Valmir Sandri. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 10517.301, proferido pela então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige Contribuição Social sobre o Lucro Líquido relativa aos anoscalendário de 2003 e 2004, em razão da ausência de cômputo na base de cálculo (lucro presumido) de receitas provenientes de transferências/cessões de créditos de ICMS para terceiros, bem como omissão parcial de receitas oriundas de créditos presumidos de IPI, vez que o contribuinte submeteu as últimas aos coeficientes de presunção. O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerado o lançamento procedente. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 10771.301, o qual, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário. A decisão restou assim ementada: Assunto: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE LUCRO LÍQUIDO – CSLL Exercício: 2004, 2005 Ementa: CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS CRÉDITOS PRESUMIDOS DE IPI INCONSTITUCIONALIDADES A autoridade administrativa cumpre, no exercício da atividade de lançamento, o fiel cumprimento da lei. Exorbita A. competência das autoridades julgadoras a apreciação acerca de suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade de ato integrante do ordenamento jurídico vigente a época da ocorrência dos fatos. JUROS SELIC A partir de l° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PEDIDO DE PERÍCIA A luz do regramento processual vigente, a autoridade julgadora é livre para, diante da situação concreta que lhe é submetida, deferir ou indeferir pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, ex vi do disposto no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972. No caso vertente, demonstradas, à evidência, a dispensabilidade do procedimento e ausência de atendimento dos requisitos impostos pela legislação de regência, há que se indeferir o pedido correspondente. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional interpôs, então, Recurso Especial, no qual alega ter o acórdão recorrido violado o disposto no artigo 2º, caput e §§ 1º e 2º da Lei nº 7.689/88; artigo 20 da Lei nº 9.249/95; artigos 28 e 29 da Lei nº 9.430/96; artigo 520 do RIR/99 e artigo 111 do Código Tributário Nacional, tendo em vista o entendimento pela não tributação dos valores oriundos da cessão de créditos de ICMS e de crédito presumido de IPI pela CSLL. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 3 3 O despacho de fls. 227/229 deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte foi intimado via edital, uma vez que a intimação postal via AR retornou sem sua localização, conforme fls. 231/233. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial foi interposto em face de acórdão não unânime, com fundamento em contrariedade à lei. A despeito de tal hipótese não mais estar prevista no atual Regimento Interno do CARF, o acórdão recorrido foi proferido em sessão anterior a 30/06/2009, quando vigente o Regimento anterior. Desta forma, conheço do Recurso Especial da Fazenda. Esclareço inicialmente que o contribuinte nos anoscalendários de 2003 e 2004 estava sujeito ao lucro presumido, sendo que nos anos anteriores (2001 e 2002) estava sujeito ao lucro real, conforme se verifica do Relatório de Ação Fiscal de fls. 09: “Em síntese, informou que os valores referentes ao Crédito Presumido do IPI e à cessão de ICMS para terceiros transitaram pelo resultado do exercício, tendo sido tributados pelo IRRI e CSLL nos anoscalendário de 2001 e 2002, quando tributado pelo lucro real. Para os anoscalendário de 2003 e 2004, tributado pelo lucro presumido, declarou ter sujeitado apenas as receitas de crédito presumido de MI ao IRRI e CSLL.” O acórdão recorrido deu provimento integral ao recurso voluntário, cancelando o auto de infração e afastando a tributação, pelas mesmas razões, da cessão de crédito de ICMS e de crédito presumido de IPI. O Recurso Especial da Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão recorrido para ambas as questões. No tocante à tributação da cessão de crédito de ICMS, descreveu o acórdão recorrido: “a contribuinte, ao promover a aquisição de bens aplicados na sua produção, pagou um determinado preço, estando embutido neste o ICMS. Diante da não cumulatividade de tal tributo, o valor de tributo pago nessa operação pode ser abatido na operação subseqüente.. Assim, tratandose, pois, de imposto recuperável, a contribuinte se creditou do montante pago nas referidas aquisições. Autorizada pela legislação, a contribuinte cedeu, de forma onerosa, tais créditos para terceiros. Como sabido, o que ocorre nas vendas para o exterior é que há uma segregação, primeiro há a venda do produto sem o tributo já custeado pelo vendedor e, em segundo, há a recuperação do tributo que deveria ter sido repassado para o adquirente”. Portanto, entendo que em referida operação houve apenas recuperação do custo e não receita, isso porque a venda de crédito é apenas uma recomposição do valor despendido com o tributo, que deveria ter sido repassado para adquirente do produto, e por razões variadas, como por exemplo a de política econômicas não o foi.” Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 5 5 Por tais razões, entendeu o referido acórdão que a cessão de crédito de ICMS não constitui “receita tributável, mas mera recomposição do valor despedido (troca de crédito por dinheiro)”. Alega a Fazenda Nacional que a transferência de créditos de ICMS se configura como espécie de alienação de direitos e, portanto, como receita tributável, mas sobre a qual não se deve aplicar o percentual para determinação do lucro presumido, mas deve ser incluída como “demais receitas, nos termos do artigo 29 da Lei nº 9.430/96, artigo 521 do RIR/99 e artigo 20 da Lei nº 9.249/95”. Assim como quanto ao crédito de ICMS, no tocante ao crédito presumido de IPI, o acórdão recorrido também entendeu que houve apenas uma recuperação do prejuízo anteriormente suportado pelo contribuinte, não havendo aumento da receita: “Isto porque o crédito presumido de IPI instituído pela Lei n ° 9363/96 tem o claro objetivo de incentivar a atividade de exportação, reduzindo a carga tributária. Assim, o contribuinte exportador de mercadorias obteve o direito a créditos presumidos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI sobre as matériasprimas, produtos industrializados e material de embalagem, adquiridas no mercado internos e utilizadas na fabricação de produtos cujo destino é o exterior. Dessa forma, ao adquirir o produto nacional e empregarlo no produto a ser exportado, o Contribuinte suporta o custo do Imposto e sua posterior utilização, nos moldes da Lei, apenas recupera o custo anteriormente suportado.” De outra parte, argumenta a Fazenda Nacional que o valor correspondente ao crédito presumido de IPI não está compreendido na definição de receita bruta, devendo ser receita classificada como “outra receita operacional” e que, portanto, deve ser adicionada diretamente à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Aduz que a recuperação de custos representa um aumento do lucro do período, conforme artigos 521 do RIR/99 e 53 da Lei nº 9.430/96. Tratarei de forma segregada as hipóteses da cessão de crédito de ICMS e de crédito presumido de IPI para ressarcimento do crédito de PIS e COFINS. Crédito Presumido de IPI para ressarcimento do PIS e COFINS De acordo com a Lei nº 9.363/96 e Lei nº 10.276/01, incentivando a atividade de exportação por meio da redução da carga tributária, foi determinado que a empresa exportadora de mercadorias nacionais faz jus à crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição ao PIS e da COFINS, nas sistemáticas das Leis nº 07/70 e 70/91, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Esse direito foi conferido inclusive no caso da empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. O crédito presumido de IPI é determinado mediante aplicação, sobre o valor total, dos valores de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do exportador. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 6 6 De longa data se discute a natureza desse crédito presumido de IPI. A natureza desse crédito presumido deve definir o tratamento fiscal a lhe ser conferido. Há respeitável entendimento, como aquele exposto no acórdão 180200.338, no sentido de que o crédito presumido de IPI, porque, quando ressarcido implica num incentivo financeiro, já que nasce a obrigação do Estado em entregar recursos ao contribuinte após o nascimento da obrigação de pagar o tributo. Essa relação jurídica de Direito Financeiro consubstanciarseia em uma forma de subvenção. Em se tratando de subvenção concedida sem condição vinculada a implantação ou expansão de empreendimento econômico e sem qualquer contrapartida do contribuinte, podendo o ressarcimento ser utilizado por diversas formas, inclusive parte sobre a dedução do IPI e parte sobre a forma de ressarcimento em dinheiro, esse incentivo financeiro, que teria natureza de subvenção para custeio (corrente), corresponderia a uma verdadeira receita do exercício e, portanto, sujeita à incidência tributária. Enquanto as subvenções para investimento possuem regras próprias de escrituração e para elas se afasta a tributação, a subvenção para custeio constitui receita operacional, nos termos do artigo 44 da Lei das S.A.. Nesse sentido o acórdão nº 10806.049, sessão de 15/03/2000: SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO — Os valores recebidos a título de subvenção para custeio integram a receita operacional. Em se tratando de subvenção para custeio, por decorrência, estarseia diante de receita operacional, pelo que assim como esclarecido no próprio manual de preenchimento da DIPJ, submetido ao cálculo das receitas operacionais, mas não se aplicando o tratamento de receita bruta, o que no lucro presumido implicaria, in casu, na não aplicação do percentual de 8% antes do cálculo do imposto, e sim de tributação direta. Da leitura atenta do acórdão que menciono, me surgiu dúvida até se, diante das razões expostas, o valor do crédito presumido limitado ao valor do débito de IPI apurado, não corresponderia tão somente a um incentivo fiscal e, nessa medida, diverso do incentivo financeiro. Como dito no acórdão mencionado, incentivo fiscal é aquele que atua na fase de apuração do tributo devido, nascendo a obrigação tributária após o cômputo do incentivo fiscal, já pelo seu valor líquido. Também respeitável entendimento, conforme bem exposto no acórdão nº 110200.318, caminhou no sentido de que o crédito presumido de IPI é uma recuperação de custo e, nos termos do artigo 53 da Lei nº 9.430/96, deveria ser incluído na apuração do lucro presumido diretamente, vale dizer, também sem a aplicação do percentual de apuração de 8%, porquanto já se configuraria a sua dedução do custo ressarcido no cálculo de presunção sobre as vendas efetuadas. De se esclarecer desde logo, que a fiscalizada submeteu o crédito presumido de IPI ao efeito redutor de 8%, conforme descrito as fls. 9 do TVF. Segundo o TVF, esse montante deveria ser integralmente acrescido à base de cálculo, conforme artigo 25 da Lei 9.430/96 e artigo 521 do RIR/99. Há também entendimento no sentido de que esse valor, mormente para efeito do lucro presumido, salvo exceção expressa em lei, sequer há que ser incluído na base de cálculo da tributação do IRPJ e da CSLL, como o acórdão recorrido, fulcrado na natureza do ingresso de mera recuperação de custo. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 7 7 Entendo que, inclusive por disposição expressa de lei, o crédito presumido de IPI corresponde à recuperação de custos, porquanto é legalmente um ressarcimento do PIS e da COFINS embutidos no custo de aquisição de insumos utilizados na fabricação de mercadorias exportadas. É uma recuperação de custos, ainda que em montante presumido. Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido para a compensação do IPI pelo exportador, nas operações de mercado interno, poderá este requerer o ressarcimento com moeda corrente, compensálo com débitos relativos a outros tributos e contribuições federais, ou transferilo para outros estabelecimentos da mesma empresa, observadas as normas pertinentes. O acórdão recorrido entendeu que, por ser uma recuperação de custos, não deveria integrar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Entendo que deve se fazer uma distinção no efeito da recuperação do custo quando se trata de tributo apurado no lucro real, daquele apurado no lucro presumido. Muito bem, no que tange ao crédito presumido de IPI que estamos a tratar, temos que a recuperação de custo é regulada no artigo 53 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art. 53. Os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, deverão ser adicionados ao lucro presumido ou arbitrado para determinação do imposto de renda, salvo se o contribuinte comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. Ora, não há dúvidas sobre a tributação pelo IRPJ e pela CSLL do crédito presumido do IPI no âmbito do imposto sobre a renda e da CSLL apurados pelo lucro real, uma vez que uma recuperação de valor correspondente a custo que, a princípio, o contribuinte já deduziu, gera, por decorrência lógica, a necessidade da tributação quando de sua recuperação. Ocorre que, no âmbito do lucro presumido, o valor recuperado de custo só deve ser adicionado ao lucro presumido para determinação do imposto de renda se o contribuinte estava, em período anterior, submetido ao lucro real e o deduziu como custo. Vale dizer, se o contribuinte recuperou o custo de período no qual tenha já se submetido à tributação pelo lucro presumido e nele permaneça, por disposição do artigo 53 da Lei nº 9.430/96, não haveria que se falar em adição à base de cálculo do Imposto sobre a Renda da recuperação de custo. O mesmo raciocínio se aplica à CSLL No mesmo sentido, o acórdão 10194.342 define que “O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificandose como recuperação de custos ou ainda em receita operacional, porém, inadmissível a sua exclusão na apuração do lucro real”. Muito bem, se estamos diante de apuração do lucro presumido, por determinação do artigo 53 da Lei nº 9.430/96, esse valor deve ser adicionado ao lucro presumido, para determinação do imposto de renda, se o contribuinte não comprovar que não deduziu o custo então ressarcido do lucro real, caso tenha adotado esse regime de tributação. Verifico que o contribuinte apurou para os dois anos anteriores – 2003 e 2004, o lucro prelo regime de apuração presumido, mas adotou o regime de tributação para o lucro real para os anoscalendário de 2001 e 2002. Tal informação consta do próprio relatório da ação fiscal. Se Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 8 8 houve no período em que passível do ressarcimento ora tratado, apuração pelo lucro real, e se, por outro lado, não houve a comprovação de que os valores ressarcidos ou não se referiam a esse período ou não foram deduzidos do custo, não há que se pleitear a não tributação desse custo. Por fim, se a recuperação do custo é tributável, quando este por presunção foi deduzido do lucro real, a tributação se dá diretamente sobre o valor, no caso do reconhecimento da recuperação do custo (antes deduzido) agora no presumido. Não pode tal valor ser tratado como receita bruta, porquanto não corresponde a venda de mercadoria e a prestação de serviço. Assim, a tributação do IRPJ e da CSLL ocorre diretamente sobre o valor do custo recuperado. O tratamento dado pelo contribuinte, como depreendo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 16) foi o seguinte: “A fiscalizada, equivocadamente, submeteu a receita oriunda do crédito presumido de IPI ao efeito redutor do coeficiente de presunção de 8%. Tal receita, sem dúvida alguma configura espécie enquadrada no conceito de demais receitas do art. 521 do RIR/99 e deve ser integralmente adicionada à base de cálculo do IRPJ, sem o efeito redutor do coeficiente.” No próprio Recurso Especial da Fazenda, às fls. 222 do processo, reproduz instrução de preenchimento da DIPJ 2003/2004, citando a alínea “c) os créditos presumidos do IPI, para ressarcimento do valor da Contribuição ao PIS/Pasep e Cofins;” que por sua vez se reporta a Linha 06A/30 — Outras Receitas Operacionais”, não se lhe aplicando o percentual de presunção. Do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional nesta parte. Cessão de Crédito de ICMS De acordo com o Termo de Verificação Fiscal: “Quanto aos créditos de ICMS, a transferência/cessão dos mesmos configura espécie de alienação, pois a empresa transfere o direito aos créditos de ICM S em troca de uma vantagem patrimonial. O caso clássico, e procedimento comum no mercado, é a aquisição de insumos para a industrialização em que a divida com o fornecedor é quitada através da cessão dos créditos. Tal negócio jurídico possibilita a capitalização da empresa, uma vez que não saem recursos do seu caixa. Não saindo recursos do seu caixa, mas havendo o fornecimento de insumos por parte do fornecedor, não resta dúvida de que a empresa obteve disponibilidade financeira e patrimonial com a cessão do crédito de ICMS.” Pensemos novamente sobre a lógica do lucro real, para que se configure a natureza desse ingresso e se verifique o tratamento fiscal também para o lucro presumido, situação versada no caso concreto. O IPI e o ICMS pagos na aquisição de mercadorias para revenda e de insumos da produção industrial (matériasprimas, materiais intermediários e embalagens) não devem integrar o custo, quando forem recuperáveis mediante crédito nos livros fiscais pertinentes. Os impostos recuperáveis pagos na aquisição de mercadorias e insumos da Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 9 9 produção podem ser contabilizados, por ocasião da aquisição desses bens, em contas próprias, classificáveis no ativo como “IPI a Recuperar” e "ICMS a Recuperar”. Do exposto, verificase que o crédito de ICMS a que faz jus o contribuinte e compõe o crédito acumulado, passível de cessão para terceiros, não compõe sequer o custo, mas é desde início um ativo da empresa que por ele pagou. É um ativo porque ao adquirir insumo, o ICMS recolhido nessa aquisição lhe gera direito a crédito para apuração do ICMS ao final devido. A manutenção desse crédito, ainda que a saída não seja tributada ou seja imune, a exemplo da exportação, e a apuração do crédito acumulado passível de cessão, decorre da disposição de lei no âmbito da competência tributária respectiva. Contabilmente, esse crédito, insisto, é um ativo, que antes implicou num sacrifício financeiro da empresa quando da aquisição do insumo. Esse ativo pode ser trocado por outro, conforme requisitos do ente tributário respectivo, na cessão do crédito do ICMS, não havendo, in casu, qualquer acréscimo patrimonial ou sequer recuperação de custo, porquanto é desde início segregado do custo do produto adquirido. No âmbito do Imposto sobre a Renda apurado pelo lucro real, a cessão desse crédito só comporia sua apuração se, por alguma razão, o montante do ICMS recolhido não implicasse em crédito e tivesse sido lançado a custo e, aí sim, estarseia diante de uma recuperação de custo anteriormente apropriada. Apesar de o acórdão recorrido ter tratado como recuperação de custo, diferenciando a natureza de tal ingresso com aquele que corresponde a uma receita, e concluindo também pela sua não tributação, ainda que por razão de decidir diversa, não divirjo da conclusão do acórdão recorrido. Se de um lado a cessão de crédito desempenha, segundo o Direito Civil, o mesmo papel da compra e venda de bens corpóreos e, em última instância, dessa transação se tenha ingresso em definitivo que possa se classificar como receita, tal natureza de crédito, por outro lado, não é classificada como receita bruta, porquanto não se trata de venda de bens nem de serviços prestados, tampouco de operação de conta alheia, hipóteses abarcadas na definição de receita bruta dada pela Lei nº 8.981/95. O que se tem, no limite, é a possibilidade de existir um ganho de capital, se o valor da cessão for superior ao valor do crédito registrado. Uma coisa é a receita que deve ser integralmente adicionada à base do imposto, outra coisa é uma eventual alienação que gere ganho de capital, sendo tão somente o resultado positivo passível de tributação. De outra parte, e como usualmente ocorre, se o valor da cessão é inferior ao crédito, esse deságio gera um ganho tributável no adquirente. Ora, no presente caso não há qualquer acusação de diferença positiva entre o valor da cessão e do crédito de ICMS, mas a mera acusação que o ICMS recuperável deveria ser tributado pelo valor integral quando de sua cessão, do que discordo frontalmente. Nesse sentido, cito trecho do acórdão nº 110200.318, sessão de 02/09/2010: Concluindo, na esteira do raciocínio antes expendido, de que o crédito de ICMS não é um custo, mas sim um direito do contribuinte, integrante do seu ativo, forçoso reconhecer que o custo de aquisição deste direito corresponde precisamente ao valor que foi registrado em sua contabilidade como "ICMS Recuperável" por ocasião das compras efetuadas, lembrando que, no momento da aquisição, conforme antes exposto, o adquirente registra em seu ativo dois valores distintos: o valor da matériaprima estocada e o valor do ICMS incidente sobre a referida compra. Tendo este crédito sido cedido a terceiros, houve receita, conforme demonstrado. Contudo, tratandose de alienação de direito pertencente à pessoa jurídica, não será esta receita que deverá ser Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13052.000162/200505 Acórdão n.º 910101.442 CSRFT1 Fl. 10 10 acrescida à base de cálculo do imposto de renda com base no lucro presumido, mas sim o resultado positivo dela decorrente, se houver. As mesmas conclusões aplicamse à CSLL, único objeto do presente processo, por força do disposto no artigo 29, II da Lei nº 9.430/96. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional nesta parte. Por todo o exposto, concluo por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda para reestabelecer a exigência fiscal, no que tange à tributação pela CSLL do crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e COFINS. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10680.009606/2004-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo.
MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA –
A multa isolada reporta-se ao descumprimento de fato jurídico de
antecipação, o qual está relacionado ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada, quando se verifica existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ao final do período.
Numero da decisão: 9101-001.455
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª turma do câmara SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A multa isolada reportase ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionado ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada, quando se verifica existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ao final do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª turma do câmara SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior. Assinado digitalmente Fl. 459DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 2 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Assinado digitalmente Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada), Valmir Sandri. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pelo contribuinte, contra o Acórdão n° 180200.292, proferido pela Segunda Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Auto de Infração exige multa isolada relativo à falta de recolhimento mensal de IRPJ referente ao período de abril de 1999, cujo lançamento foi cientificado ao contribuinte em 04/08/2004. Impugnado o lançamento, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgando o lançamento procedente em parte, a fim de reduzir os valores da multa isolada, aplicandose o percentual de 50%, previsto na nova redação da Lei nº 9.430/96. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº 180200.292, o qual, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de decadência e, no mérito, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 30/04/1999 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS – DECADÊNCIA. As estimativas mensais representam uma obrigação autônoma e de natureza diversa daquela prevista no caput do art. 150 do CTN, cujo surgimento, inclusive, independente da ocorrência do fato gerador do tributo (lucro real), e que, por isso, não se subsume às disposições do referido art. 150, mas sim à regra geral do art. 173, I, do CTN. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS LIMITE TEMPORAL O texto do inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei 9.430/96 não impõe qualquer limite temporal para o lançamento da Fl. 460DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 3 3 multa isolada, no sentido de que sua aplicação só caberia no ano em curso. Ao contrário, o texto prevê a multa ainda que a PI "tenha apurado" prejuízo fiscal no final do período. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PADRÃO – CONCOMITÂNCIA As estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. Não há previsão legal de afastamento da multa isolada em razão da aplicação da multa de oficio vinculada ao tributo anual que deixou de ser recolhido. O contribuinte apresentou, então, Recurso Especial, no qual argumenta (i) pela decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário; (ii) da impossibilidade de cobrança da multa isolada após o encerramento do exercício; (iii) da impossibilidade de aplicação cumulativa de multa de ofício e multa isolada. Em Despacho de fls. 215/220, foi dado seguimento ao Recurso Especial do contribuinte. A Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões às fls. 224/231. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento em despacho de admissibilidade. Neste ponto, é objeto do Recurso do contribuinte: (i) a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário; (ii) a impossibilidade de cobrança da multa isolada após o encerramento do exercício; (iii) a impossibilidade de aplicação cumulativa de multa de ofício e multa isolada. Quanto à decadência, verifico que o acórdão recorrido entendeu pela aplicação do artigo 173, I do Código Tributário Nacional, razão pela qual manteve o lançamento relativo ao mês de abril de 1999, tendo em vista que o auto de infração foi notificado ao contribuinte em 04/08/2004. Em se tratando de multa isoladamente aplicada, de se aplicar o artigo 173, do Código Tributário Nacional, uma vez que se trata de lançamento de ofício, e não de lançamento por homologação. Tratase de fato jurídico tributário que tem por suporte fático uma conduta ilícita (não recolhimento da estimativa) praticada pelo sujeito passivo. Desta forma, o Fl. 461DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 4 4 lançamento em questão tem natureza originariamente de ofício e não natureza de lançamento por homologação. Nessa medida, pareceme que não há como se imputar pagamento parcial da estimativa à multa isolada, pelo que aplicável a regra decadencial do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Aplicandose o artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, o termo inicial do prazo decadencial para lançamento da multa isolada será, para o período de abril de 1999, será em 01/01/2000, já que o lançamento poderia ter sido efetuado no próprio ano calendário de 1999. Uma vez que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 04/08/2004, não se constata a decadência, porquanto o prazo decadencial apenas se encerrou em 31/12/2004. Pelo exposto, não acolho a decadência requerida no Recurso Especial do contribuinte. No tocante ao mérito – possibilidade de aplicação da multa isolada após o encerramento do anocalendário e em concomitância com a multa de ofício , esclareço que o lançamento do IRPJ (principal), apurado ao final do anocalendário de 1999, foi objeto de auto de infração em separado, referente ao processo administrativo nº 10680.009608/200483, conforme se extrai das informações constantes do acórdão recorrido e do acórdão de 1ª instância. Sobre o tema, já me manifestei por diversas vezes nessa Câmara Superior de Recursos Fiscais. Neste passo, para que se firme o adequado entendimento da questão que ora se coloca, fazse necessário ponderar a natureza das penalidades e os critérios para a aplicação da multa. ESTRUTURA E NATUREZA DA SANÇÃO A sanção é instrumento jurídico utilizado pelo Estado para desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe. Significa dizer que a desobediência de um dever estabelecido por uma norma jurídica corresponde a um ilícito – negativa da observância da relação jurídica prevista no conseqüente da norma primária dispositiva que, por sua vez, é a razão da imposição de sanção (conseqüência jurídica). Segundo Sacha Calmon Navarro Coelho “os ilícitos correspondem às hipóteses de incidência das sanções” (in Teoria Geral do Tributo e da Exoneração Tributária). A norma jurídica que estabelece a sanção contém no antecedente um fato jurídico correspondente ao evento ilícito que se pretende desestimular. No conseqüente da norma primária sancionadora está a própria sanção, com as indicações precisas dos sujeitos vinculados em razão do ilícito, e da forma de cálculo da penalidade a ser imputada ou, na hipótese de aplicação de sanção não pecuniária, a determinação do dever a que estará obrigado aquele que cometeu o ilícito. A natureza jurídica da sanção está diretamente relacionada com a natureza jurídica da norma de comportamento desobedecida, já que a sanção é conseqüência jurídica da desobediência da relação jurídica prevista na norma primária dispositiva. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 5 5 SANÇÕES EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Fl. 463DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 6 6 Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis:1 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: 1 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 7 7 (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por Fl. 465DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 8 8 estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 9 9 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 10 10 Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do ano calendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº l05l39.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 11 11 Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In: “Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Por tudo quanto exposto na interpretação da norma que dispõe sobre a multa isolada em razão do não pagamento, ou pagamento a menor de antecipações, concluise que esta é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada. O mesmo ocorre com a Fl. 469DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 12 12 multa de ofício que acompanha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do anocalendário. Verifico identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte sujeito passivo e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. Inevitável, portanto, concluirse que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário e impor sanção pelo não recolhimento ou recolhimento a menor das antecipações devidas, relativamente aos mesmos tributos, é penalizar o mesmo contribuinte duas vezes por ter deixado de recolher integralmente o tributo devido. Portanto, nestes casos, uma penalidade é excludente da outra. Se o que prevalece para fins de quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração final, consolidada e definitiva do tributo – justamente porque as antecipações são apurações provisórias do mesmo tributo – também assim deve ser em relação a aplicação das penalidades: prevalece a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. Além disso, é inegável que no caso em análise a aplicação da multa isolada é mera penalização de conduta meio de deixar de recolher tributo, uma vez que, por meio do mesmo lançamento, foi constituída, também, multa de ofício pelo não recolhimento de tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida no exercício e não constituída/recolhida pelo contribuinte. Neste ponto vale destacar outro trecho do bem elaborado voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, em julgamento já referido, realizado nesta mesma Turma, a respeito da matéria ora sob análise, tratando do princípio da consunção da condutameio pela condutafim, verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa Fl. 470DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 13 13 mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. (Recurso do Procurador nº 105139.794 – Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Marcos Vinícius Neder de Lima – Sessão de 04/12/2006) Adicionalmente, vale notar que é possível valorar as duas penalidades e estabelecer qual delas deve ser aplicável porque, em casos como o ora analisado, senão em razão da identidade de critérios pessoal e material das duas penalidades, ou por força da impossibilidade de se apenar conduta meio e conduta fim, também porque a lei que estabelece as referidas multas não determina expressamente que deve haver concomitância. A lei não estabelece concomitância, não se tratando in casu de contradição. E como não há determinação legal de que ambas sejam aplicadas, o que vemos é um caso de aparente contrariedade. Ou seja, há aplicação normativa por excludência, segundo o que se determina a aplicação de uma ou de outra penalidade, a depender do caso, da valoração do bem maior a ser protegido, e das condutas incorridas pelo contribuinte. Se somente houve falta de recolhimento das antecipações esta é a conduta fim. Se, por outro lado, o contribuinte além de não recolher as antecipações, também deixou de constituir/recolher o tributo devido conforme a apuração definitiva, ocorrida após o encerramento do anocalendário, então aquela é conduta meio desta que é a condutafim. No mesmo sentido, é o entendimento outrora pacificado nesta Câmara Superior, conforme se demonstra por meio dos julgados abaixo transcritos: “PENALIDADE – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal.” (Recurso n.º RD/101134.520 Sessão de : 18/09/2006, Acórdão n.º CSRF/01 05.503). “CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 14 14 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA – Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação”. (Recurso nº 105139794, Sessão: 04/12/2006, Acórdão nº CSRF/0105.552). “PENALIDADE – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa.” (Recurso nº 107139.896 Sessão : 11/06/2007. Acórdão nº CSRF/01 05.675) No presente, o contribuinte alegou que foi também constituída multa de ofício em razão do lançamento para constituição do tributo (Processo Administrativo nº 10680.009.608/200483). A DRJ, sem mencionar o referido processo, apenas afirma que a concomitância entre multa isolada e multa de ofício é possível, não fazendo juízo conclusivo sobre a existência de fato de auto de infração com exigência do principal acompanhado de multa de ofício no mesmo anocalendário em que exigida multa isolada. Gerando dúvidas sobre a concomitância, adentro também na questão do limite da aplicação da multa, reportandome a todas as razões anteriormente expostas. Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: iii) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. iv) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do ano calendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 15 15 Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº l05l39.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em Fl. 473DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 16 16 contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In: “Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Portanto, se a legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor do tributo até aquele momento apurado, então é evidente que a multa instituída pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida em casos de prejuízo fiscal ou base negativa, sendo aplicável, somente, se não houver a apresentação do referido balancete. Significa dizer que a multa isolada deve ser aplicada em casos de apuração negativa e prejuízo fiscal desde que, no próprio anocalendário, o contribuinte não faça prova de que, mensalmente, inexiste tributo devido, o que se realiza através da apresentação dos balancetes mensais e desde que, ainda, inexistente o balanço final do período. Se a multa é de natureza tributária e, portanto, tem por base o tributo devido, o balanço final do exercício é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, no caso de apuração de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, bem como, para determinar o limite da multa – cuja base não pode ultrapassar o valor do Fl. 474DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS Processo nº 10680.009606/200494 Acórdão n.º 910101.455 CSRF‐T1 Fl. 17 17 tributo, quando devido sob pena de descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal. Neste passo, a existência de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL é verificada na DIPJ de fls. 51/62, razão pela qual voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do contribuinte. Assinado digitalmente Karem Jureidini Dias – Relatora Fl. 475DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por REGINA LUCIA GAMA PINTO BACCI ACUNHA, Assinado digitalmen te em 22/01/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por KAREM JUREIDIN I DIAS
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Numero do processo: 10325.000317/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 18/03/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 18/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pela impugnante, não há se falar em nulidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 03 17 /2 00 6- 31 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10325.000317/200631 Acórdão n.º 2102002.485 S2C1T2 Fl. 420 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 18/03/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Contra WAGNER RIBEIRO foi lavrado Auto de Infração, fls. 78/82, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2001, exercício 2002, no valor total de R$ 3.527.120,61, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 31/03/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 83/84, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 94, que foi considerada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/FOR nº 0816.744, de 03/12/2009, fls. 390/394. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 12/01/2010, Aviso de Recebimento (AR), fls. 402, o contribuinte apresentou, em 10/02/2010, recurso voluntário, fls. 403/407, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que o recorrente comprovou devidamente a origem dos recursos que transitaram por sua contacorrente, não deixando margem a dúvida quanto à sua origem e destinação. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10325.000317/200631 Acórdão n.º 2102002.485 S2C1T2 Fl. 421 3 que a alteração introduzida pela Lei nº 10.637, de 30/12/2012, ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não se aplica aos fatos geradores do anocalendário 2001. que a notificação de lançamento e a decisão recorrida são nulas e insubsistentes. É o Relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10325.000317/200631 Acórdão n.º 2102002.485 S2C1T2 Fl. 422 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade do lançamento e da decisão recorrida. Nesse sentido, cumpre esclarecer que o presente lançamento foi levado a efeito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação da impugnação e do recurso voluntário, que ora se analisa. Temse, ainda, que na lavratura do Auto de Infração foram cumpridas todas as formalidades estabelecidas no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estando o lançamento em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal. E mais, o lançamento cuida de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Ou seja, verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao sujeito passivo o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal. Nestes termos, não há que se falar em nulidade do lançamento, sendo certo que, se quando da análise das questões de mérito, restar comprovada a origem dos depósitos efetivados nas contas bancárias do contribuinte o lançamento será considerado improcedente. No que tange à argüição de nulidade da decisão de primeira instância há de se observar o que estabelece o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Acórdão DRJ/FOR nº 0816.744, de 03/12/2009, fls. 390/394, foi proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que é, no caso, a autoridade competente para examinar a impugnação apresentada pelo contribuinte. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10325.000317/200631 Acórdão n.º 2102002.485 S2C1T2 Fl. 423 5 Temse, ainda, que o referido acórdão analisou todas as argüições apresentadas pelo contribuinte em sua impugnação, não se verificando, pois, preterição do direito de defesa da contribuinte. Deste modo, não pode prevalecer a argüição de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pelo recorrente. No mérito, o contribuinte afirma que comprovou devidamente a origem dos recursos que transitaram por sua contacorrente, não deixando margem a dúvida quanto à sua origem e destinação. De imediato, cumpre dizer que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte foi intimado por duas vezes para fazer a comprovação da origem dos depósitos havidos em suas contas bancárias, conforme Termos de Intimação, fls. 13 e 19, dos quais foi cientificado em 24/02/2006 e 27/03/2006. Entretanto, o recorrente optou por não atender às intimações, silenciando quanto à origem dos recursos em questão. Quando da impugnação, o contribuinte buscando esclarecer a origem dos recurso movimentados em suas contas bancárias apresentou os seguintes documentos, fls. 95/388: i) planilhas, onde relaciona os depósitos, com indicação de um histórico; ii) recibos emitidos pelo próprio contribuinte e iii) notas fiscais. As planilhas apresentadas pelo contribuinte indicam como origem de quase todos os depósitos a atividade de compra e venda de gado e para ilustrar a questão trazse a seguir a reprodução de uma das planilhas fornecida pela defesa: Para comprovar as alegações fornecidas nas planilhas o contribuinte juntou aos autos recibos, por ele emitidos, nos valores indicados nos extratos, e também a título ilustrativo transcrevese o recibo corresponde ao primeiro valor indicado na planilha acima: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10325.000317/200631 Acórdão n.º 2102002.485 S2C1T2 Fl. 424 6 Ora, apenas um recibo de emissão do próprio contribuinte, não é suficiente para comprovar que de fato o recorrente intermediou a compra e venda de gado. Para o caso acima ilustrado seria necessário que o contribuinte trouxesse aos autos as notas fiscais de entrada do frigorífico, onde estivesse indicado o seu nome com vendedor do gado ou documentos que demonstrassem de forma cabal que a intermediação de fato ocorreu e que houve o repasse dos valores recebidos ao produtor rural mencionado no recibo emitido pelo contribuinte. É certo que o contribuinte também juntou aos autos notas fiscais. Ocorre que referidas notas, ao todo 48, não guardam qualquer relação com os depósitos, cuja origem foi investigada, sendo certo que todas foram emitidas por próprio contribuinte em número seqüencial de 0001 a 0048, e não consta em nenhuma delas carimbos de postos de fiscalização estadual. Neste contexto, impõese que, ao contrário do que afirma a defesa, a origem dos recursos depositados nas contas bancárias do contribuinte permanecem não comprovadas. Por fim, cumpre dizer que a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2012, apenas acrescentou os parágrafos 5º e 6º ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, cujo teor abaixo se transcreve: § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002). Fl. 424DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10325.000317/200631 Acórdão n.º 2102002.485 S2C1T2 Fl. 425 7 § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Como se vê, tais dispositivos cuidam do uso de interposta pessoa e de contas bancárias com titularidade em conjunto. Fatos que não foram evidenciados no presente caso. Contudo, devese acrescentar que os referidos dispositivos são meramente interpretativos e, portanto, de aplicação imediata, nos termos do art. 106, I, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Ante o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901323/2006-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PROVA. ANÁLISE. DIREITO DO CONTRIBUINTE.
A administração pública tem o dever de analisar as provas apresentadas pelos contribuintes quando da apresentação de defesa, sob pena de violação de diversos princípios constitucionais, infraconstitucionais, bem como ao próprio PAF.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-001.074
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, que deverá proferir nova decisão.
Vencidos na votação: Mércia Helena Trajano D’Amorim-relatora e Paulo Sérgio Celani.
Redator designado-Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
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PROVA. ANÁLISE. DIREITO DO CONTRIBUINTE. A administração pública tem o dever de analisar as provas apresentadas pelos contribuintes quando da apresentação de defesa, sob pena de violação de diversos princípios constitucionais, infraconstitucionais, bem como ao próprio PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular a decisão de primeira instância, que deverá proferir nova decisão. Vencidos na votação: Mércia Helena Trajano D’Amorimrelatora e Paulo Sérgio Celani. Redator designadoLuciano Lopes de Almeida Moraes. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora. Luciano Lopes de Almeida MoraesRedator Designado. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Paulo Sérgio Celani, Marcelo Nogueira, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, transmitida em 28/07/2003, por meio da qual a contribuinte acima identificada procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis manifestouse por não homologar a compensação pleiteada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação de que os créditos já teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. O valor do crédito informado foi de R$ 1.499,91, sendo que o pagamento (indevido ou a maior) discriminado no PER/Dcomp, no valor de R$ 14.305,94, já teria sido utilizado para quitar débitos (2172) relativos ao período de apuração de 30/06/2002, com data de arrecadação em 15/07/2002. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual remete, inicialmente, ao fato de que, no período de fevereiro a novembro de 2002 apurou valores a pagar de PIS e de Cofins superiores aos efetivamente devidos, visto ter considerado na base de cálculo a receita de venda de veículos tributados pelo regime de Substituição Tributária de PIS e de Cofins. Argumenta que, como não existia o Dacon à época, o equívoco só foi notado com a apresentação da DIPJ em junho de 2003, sendo então apresentadas as PER/Dcomp de cada mês que apresentou diferenças de valores e o crédito foi compensado com IRPJ e CSLL devido em julho de 2003. No mérito, alega comprovar o acima relatado anexando os seguintes documentos: planilha detalhada comprovando o recolhimento a maior e a sua correção (documento 1); planilhas dos meses com diferença, demonstrando a base de cálculo considerada na época do recolhimento original do PIS e Cofins (doc. 2 a 6); cópia da DIPJ com a informação nas fichas 19A e 20A, demonstrando os valores realmente devidos ao PIS e Cofins (documento 7); balanços mensais dos meses com a diferença, para demonstrar a receita e as deduções que foram consideradas no preenchimento da DIPJ (documentos 8 a 13); planilha demonstrando a origem das contas do balanço que originaram a Base de Cálculo do PIS e da Cofins realmente devidos (documentos 14 a 19); DCTF do 2º. trimestre de 2003, entregue em 13/08/2003, onde demonstra o valor compensado com o IRPJ (2362) e CSLL (2484) (documento 20). Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.901323/200648 Acórdão n.º 3201001.074 S3C2T1 Fl. 2 3 Requer, por fim, a homologação da compensação dos valores devidos.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FNS no 0721.338, de 01/10/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido” O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente processo de Declaração de Compensação – Dcomp, por meio da qual a recorrente procedeu à compensação de créditos resultantes de pagamento indevido ou a maior. Inicialmente, reza o art. 170 do CTN, para que a compensação seja válida, exige créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. No caso, a recorrente apresenta vários documentos com intuito de comprovar o pagamento a maior efetuado durante o ano de 2002, nos meses de fevereiro, junho, agosto, setembro, outubro e novembro. Porém, não consta que tenha apresentado as DCTF retificadoras relativas ao período em foco, ou seja, o ano de 2002, antes do procedimento de ofício. Consta que a recorrente ter retificado a DCTF relativa ao 2º. trimestre de 2003, onde restaria demonstrado o valor compensado com os seus débitos. Assim sendo, quando houve o rastreamento do pagamento (indevido), conforme o Darf discriminado pela recorrente no PER/Dcomp, observouse que não restavam créditos a compensar. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Percebese que a recorrente não teria retificado a(s) DCTF(s) relativa(s) ao período do suposto crédito antes da apresentação do PER/Dcomp transmitido, objeto do Despacho Decisório proferido pela Delegacia. A DCTF é um documento com força de confissão de dívida, onde são declarados os valores dos tributos devidos. A apresentação da Dcomp tem como objetivo a de servir para fins de extinção imediata do débito do sujeito passivo, desde que haja créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida em termos de liquidez quanto de certeza, em razão dos efeitos atribuídos à DCTF. Pois bem, a retificação poderia até produzir efeitos em relação a Dcomp apresentada posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Destarte, como prescreve o art. 170 do CTN para que os créditos sejam compensados devem gozar de liquidez e certeza. À vista do exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano DAmorim Relatora Voto Vencedor Luciano Lopes de Almeida MoraesRedator Designado. Com a devida vênia ao entendimento da Relatora, entendo que a decisão da DRJ está equivocada. Do relatório da DRJ vemos que a recorrente apresentou os documentos que, em tese, suportavam o crédito pleiteado. Como vemos daquela decisão, o pedido foi indeferido nestes termos: Por óbvio que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem. O que se afirma, e isto sim, é que só a partir da retificação da DCTF do período pelo qual afirma ter recolhimentos indevidos ou a maior, é que a contribuinte passaria a ter crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei, evitando assim a não homologação do seu procedimento compensatório. Assim, a Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10925.901323/200648 Acórdão n.º 3201001.074 S3C2T1 Fl. 3 5 retificação poderia produzir efeitos em relação a Dcomp apresentadas posteriormente a esta retificação, mas não para validar compensações anteriores. Ora, o contribuinte apresentou os documentos que comprovam o seu direito, devendo então a autoridade preparadora, ou julgadora, analisálos e proferir uma decisão de mérito. O fato de não ter retificado uma declaração apresentada não afasta o direito da recorrente. Não é a declaração que comprova o direito da recorrente, mas os documentos e a situação fática. A negativa de conhecimento e análise dos documentos não pode ser validade, sob pena de afronta de princípios constitucionais (devido processo legal, contraditório e ampla defesa), bem como infraconstitucionais, previstos na Lei n.º 9.784/99. A referida Lei n.º 9.784/99, que disciplina o processo administrativo federal, permite a apresentação de provas até o momento do julgamento. No mesmo artigo, somente permite a não apreciação da prova no caso de ilicitude, impertinência ou protelatórias, o que não é o caso: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Vemos então não haver momento de preclusão na apresentação de provas no processo administrativo. Não nos esqueçamos que os arts. 24 a 28 do novo PAF, Decreto n.º 7.574/2011, dispõem que, salvo no caso de provas ilícitas, todas as outras devem ser acatadas: Art. 24. São hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Parágrafo único. São inadmissíveis no processo administrativo as provas obtidas por meios ilícitos. O CARF possui diversas decisões favoráveis à análise de documentos apresentados pelos contribuintes em processos administrativos, como é o caso: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Acórdão nº 140200381 do Processo 10935004722200640 Data 26/01/2011 ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJANOCALENDÁRIO: 2002FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ALEGADO ERRO DE FATO. NECESSIDADE DE PROVA. PROVA NÃO REALIZADA. DECISÃO MANTIDA. Compete ao contribuinte provar suas alegações, podendo juntar provas em qualquer momento do processo administrativo. Recurso voluntário improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Urn:lex:br:conselho.administrativo.recursos.fiscais;secao.julga mento.1;camara.4;turma.ordinaria.2:acordao:201101 26;140200381 As provas trazidas no processo são suficientes para demonstrar ao menos a fumaça do bom direito da recorrente, motivo pelo qual deveria a administração pública deveria, de ofício, analisar. Lembremos, as provas foram apresentadas junto com a primeira defesa, na forma exigida pelo PAF. Assim, caberia à administração tributária analisálas, não desconsiderálas. Ademais, não devemos nos esquecer que o processo administrativo busca sempre a verdade material e que, existindo a fumaça do direito, este órgão deve buscar esclarecer o caso, como vemos, analogicamente: Terceiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 30238286 do Processo 13127000019200241 Data 06/12/2006 Ementa: SIMPLES. REVISÃO DO ATO DE EXCLUSÃO COM BASE EM PROVAS DOS AUTOS. POSSIBILIDADE. Diante da juntada de documentos que comprovam a aplicabilidade do disposto no Boletim Central Cosit nº 55 de 24 de março de 1997, bem como o atendimento dos requisitos previstos no Ato Declaratório Interpretativo nº 16, de 02 de outubro de 2002, o recurso deve ser provido. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Assim, são por todas estas razões que voto por anular a decisão recorrida, para que sejam apreciadas as provas apresentadas pela recorrente e, somente após este momento, seja apreciado o mérito da demanda. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 0/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES D E ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.905013/2009-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2008
INTEMPESTIVIDADE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-004.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/01/2008 INTEMPESTIVIDADE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern - Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Recurso Voluntário de acórdão da DRJ embasado em Manifestação de Inconformidade Intempestiva não deve ser conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP que buscou compensar créditos alegadamente pagos indevidamente de PIS/PASEP de período de apuração agosto/2005 com débitos de COFINS do período de apuração dezembro/2007 no valor de R$ 44.630,35. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 50 13 /2 00 9- 47 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Através de Despacho Decisório Eletrônico recebido em 19/10/2009, a DRF em Taubaté/SP não homologou o PER/DCOMP pois “Foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos créditos informados no Per/DCOMP” Irresignada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/12/2009, onde resumidamente alega que: a. o crédito é oriundo da exclusão do ICMS da base de calculo da COFINS b. a base de cálculo da COFINS é o faturamento, ou seja, o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. c. o ICMS não se amolda ao conceito de faturamento, sendo inconstitucional a incidência de contribuição sobre esse tributo. d. a matéria em questão que se refere a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, se encontra em repercussão geral, no STF. Ao final pede que seu PER/DCOMP seja homologado. A contribuinte protocolou pedido de desistência da ação administrativa, porem o fez com numeração estranha ao processo. A receita federal a intimou para corrigir a numeração indicada para assim proceder. Não obteve resposta da contribuinte, razão pela qual o processo teve sua continuidade. A DRJ em Campinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Em seu acórdão atenta para a correção da inclusão do ICMS na base de calculo das contribuições sociais. Destaca que a lei 9.718/98, norma que regulava a COFINS na época, não previa a exclusão do ICMS da base de cálculo. Anexa a sumula 94 do STJ, e lembra que o recurso extraordinário nº 240.7852/MG não foi julgado, portanto, afasta sua aplicação. Atesta a falta de provas anexadas para a comprovação do valor pago a maior. Inconformado o sujeito passivo protocolou recurso voluntário onde afirma que o conceito de faturamento e receita possui natureza constitucional e não pode ser modificado por legislação infraconstitucional. Fundamenta seu argumento anexando parte de voto proferido pelo Exmo. Min. do STF, Marco Aurélio Melo, e afirma que o valor correspondente ao ICMS não tem natureza de faturamento ou receita. Ao final pede que seja reconhecido seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, porem dele não tomo conhecimento. Discorrendo sobre a contagem de prazo no âmbito do processo administrativo fiscal, o artigo 5º do Decreto 70.235/72 (PAF) estabelece: Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10860.905013/200947 Acórdão n.º 3803004.105 S3TE03 Fl. 11 3 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Quanto ao prazo para apresentação da Manifestação de Inconformidade o § 9o do artigo 74 da Lei 9.430/96, combinado com o § 7o do mesmo dispositivo legal estabelece o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do ato que não homologou a compensação. Em analise dos autos verificamos que o contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 19/10/2009 (Fls. 50), considerando que o dia 19/10/2009 foi uma segundafeira, a contagem do prazo iniciouse na terçafeira dia 20/10/2009 e findouse na quartafeira dia 18/11/2009, somente em 02/12/2009 (Fls. 08) a manifestação de inconformidade foi protocolizada. Não identificamos a existência de feriados ou falta de expediente na repartição, tão pouco a recorrente defende a tempestividade em seu recurso, o que seria natural em ocorrendo situações excepcionais como motivos de força maior, greve e outros eventos. Entendemos que errou a DRJ em Campinas/SP ao atestar a tempestividade da Manifestação de Inconformidade e manifestarse sobre as questões de mérito sem ao menos justificar a sua certificação de tempestividade. Verificamos, ainda, que o contribuinte em sua manifestação de inconformidade assim escreve: “Em 20.10.2009, a ora Peticionaria foi notificada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil sobre o teor da decisão exarada pela autoridade fiscal que indeferiu o pedido de restituição formulado pela empresa, não homologando também o pedidos de compensações realizados no mesmo procedimento fiscal, conforme dados descrito a seguir:” Ora, o próprio sujeito passivo reconhece a data da notificação do despacho decisório, apesar de um dia depois do efetivo recebimento, o que em nada altera o entendimento a respeito da intempestividade da sua manifestação de inconformidade. Pelo exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/ 03/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 18050.004902/2008-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 04/08/2008
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 2803-002.056
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/08/2008 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida. Recurso Voluntário não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
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Obrigação Acessória Recorrente ACL TECNOLOGIA DE CONCRETOS E PAVIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/08/2008 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição de recurso é peremptório. A peça impugnatória apresentada após o prazo legal não deve ser conhecida. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão de sua intempestividade. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 49 02 /2 00 8- 51 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.004902/200851 Acórdão n.º 2803002.056 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.004902/200851 Acórdão n.º 2803002.056 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições a seguridade social. O r. acórdão – fls 288 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Decadência em razão do art; 150 §43º do CTN. · Desproporcionalidade do valor da multa, violação à razoabilidade e a vedação ao confisco. · Requer o acolhimento do presente recurso para julgálo procedente e declarar IMPROCEDENTE O AUTO DE INFRACAO IMPUGNADO. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18050.004902/200851 Acórdão n.º 2803002.056 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra DA INTEMPESTIVIDADE RECURSAL A tempestividade é requisito objetivo necessário para a própria legitimidade do recurso apresentado, uma vez que a impugnação intempestivamente oferecida configura ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo – CPC art. 267, IV. O prazo para a manifestação recursal é peremptório, vencido este, não há mais que se falar em demanda existente. Às fls 298, temos o AR comunicando da decisão de primeiro grau, com data de 05.04.2010. Às fls 301 temos o recurso interposto, com o carimbo do protocolo indicando 07.05.2010, portanto além da data limite, 05.05.2010. Fica assim demonstrada a intempestividade do recurso apresentado, uma vez que vencido o trintídio legal, nos termos do art. 33 do decreto 70.235/72. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do presente recurso. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008480/2001-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1987
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - IRPF - VERBAS INDENIZATÓRIAS - PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA - PDV - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - QUESTÃO JÁ ENFRENTADA NOS AUTOS PELA CSRF - MATÉRIA INDEVIDAMENTE ENFRENTADA PELA DRJ.
A questão da decadência para o pedido de restituição em apreço já fora apreciada e julgada de forma favorável ao interessado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Trata-se, portanto, de decisão definitiva, nos termos do artigo 42, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Após o retorno dos autos à origem para o enfrentamento das demais questões, instaurou-se novo contencioso, sendo que a decisão da DRJ indeferiu a pretensão do contribuinte novamente em razão da decadência. Tal acórdão é nulo, juntamente com todos os atos posteriores, pois a DRJ não tinha mais competência para enfrentar a questão da decadência.
Decisão anulada.
Numero da decisão: 9202-002.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância e todos os atos posteriores, com retorno dos autos à DRJ, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage - Relator
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1987 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - IRPF - VERBAS INDENIZATÓRIAS - PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA - PDV - RESTITUIÇÃO - DECADÊNCIA - QUESTÃO JÁ ENFRENTADA NOS AUTOS PELA CSRF - MATÉRIA INDEVIDAMENTE ENFRENTADA PELA DRJ. A questão da decadência para o pedido de restituição em apreço já fora apreciada e julgada de forma favorável ao interessado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Trata-se, portanto, de decisão definitiva, nos termos do artigo 42, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Após o retorno dos autos à origem para o enfrentamento das demais questões, instaurou-se novo contencioso, sendo que a decisão da DRJ indeferiu a pretensão do contribuinte novamente em razão da decadência. Tal acórdão é nulo, juntamente com todos os atos posteriores, pois a DRJ não tinha mais competência para enfrentar a questão da decadência. Decisão anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância e todos os atos posteriores, com retorno dos autos à DRJ, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage - Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 240 1 239 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.008480/200111 Recurso nº 138.524 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.559 – 2ª Turma Sessão de 06 de março de 2013 Matéria PDV Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JORGE LUIZ BORGO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1987 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IRPF VERBAS INDENIZATÓRIAS PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA PDV RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA QUESTÃO JÁ ENFRENTADA NOS AUTOS PELA CSRF MATÉRIA INDEVIDAMENTE ENFRENTADA PELA DRJ. A questão da decadência para o pedido de restituição em apreço já fora apreciada e julgada de forma favorável ao interessado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Tratase, portanto, de decisão definitiva, nos termos do artigo 42, inciso III, do Decreto n° 70.235/72. Após o retorno dos autos à origem para o enfrentamento das demais questões, instaurouse novo contencioso, sendo que a decisão da DRJ indeferiu a pretensão do contribuinte novamente em razão da decadência. Tal acórdão é nulo, juntamente com todos os atos posteriores, pois a DRJ não tinha mais competência para enfrentar a questão da decadência. Decisão anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância e todos os atos posteriores, com retorno dos autos à DRJ, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 84 80 /2 00 1- 11 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.008480/200111 Acórdão n.º 9202002.559 CSRFT2 Fl. 241 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em 27/01/2001 o contribuinte Jorge Luiz Borgo protocolou o pedido de restituição de fls. 0126, sob o fundamento de que aderiu a programa de demissão voluntário da empresa IBM Brasil Ltda., CNPJ n° 33.372.251/000156, com rescisão efetivada em 31/05/1986, na qual ocorreu retenção de imposto de renda sobre verbas indenizatórias. A Delegacia da Receita Federal em Curitiba (PR) e a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) indeferiram a pretensão do interessado em razão da decadência (fls. 27 e 4144, respectivamente). No entanto, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdão n° 10420.462, fls. 5664) deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte para afastar a decadência e determinar à autoridade administrativa o enfrentamento das demais questões de mérito. Tal decisão restou confirmada pelo acórdão n° CSRF/0400.229, da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 9098). Na seqüência, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba (PR) decidiu “pelo indeferimento do direito creditório pleiteado, uma vez frustrado pela ausência de documentação que dê suporte ao reconhecimento e à quantificação do crédito pleiteado.” (fls. 154159). Restou apreciado, portanto, o mérito da pretensão do contribuinte. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.008480/200111 Acórdão n.º 9202002.559 CSRFT2 Fl. 242 3 Por sua vez, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) também indeferiu a solicitação do contribuinte, mas, novamente, em razão da decadência (fls. 175182). O interessado interpôs novo recurso voluntário, que restou provido pela Quarta Turma Especial da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através do acórdão n° 380400.038 (fls. 191201), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997 RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO Estando comprovado nos autos que a verba em questão foi recebida no contexto de Programa de Desligamento Voluntário (PDV), o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição do imposto de renda indevidamente retido na fonte contase a partir da publicação, em 06 de janeiro de 1999, da Instrução Normativa, da Secretaria da Receita Federal, n°. 165, de 31 de dezembro de 1998, sendo irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. MÉRITO Afastada a decadência, cabe a restituição do Imposto de Renda retido indevidamente, adotandose as cautelas de praxe. Recurso provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, afastou a decadência e deu provimento ao recurso. Intimada do acórdão em 10/09/2009 (fls. 202), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, recurso especial às fls. 207222, acompanhado do documento de fls. 223, insurgindose com relação à decadência. Defendeu, fundamentalmente, que o prazo para apresentação do pedido de restituição de tributo indevidamente pago extinguese após cinco anos, contados da data do pagamento, trazendo como paradigma o acórdão n° 30235.782. O pedido está posto nos seguintes termos (fls. 222): Face a todo o exposto, requer a Fazenda Nacional seja dado provimento ao presente recurso, para que seja mantida integralmente a r. decisão de primeira instância, declarandose decadente o pedido de restituição feito fora do prazo legal estabelecido no art. 168 do CTN. Admitido o recurso através do despacho n° 220200.299 (fls. 224225), o contribuinte foi intimado e, devidamente representado, apresentou, intempestivamente, contrarrazões às fls. 229236, onde pleiteou, em síntese, a manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.008480/200111 Acórdão n.º 9202002.559 CSRFT2 Fl. 243 4 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Quarta Turma Especial da Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, afastou a decadência e, no mérito, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo interessado. Extraio do voto condutor da decisão de segunda instância, que teve como Relator o Conselheiro Julio Cezar da Fonseca Furtado, as seguintes passagens (fls. 197201): Da leitura do relatório, notase que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento/Curitiba, não obstante tratarse de matéria já decidida pela 4ª Câmara (Acórdão 104 20.462/2005 — fls. 56/64) e pela então Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF04.229/2006 — fls. 90/96), insiste na alegação de decadência do pleito para indeferir a solicitação do contribuinte, em manifesto desrespeito ao determinado nos citados arestos para que apreciasse, tão somente, a questão de mérito, sob o fundamento de não ter sido anulado o Acórdão recorrido n°. 4.231/2003, pelo já citado Acórdão 10420.462/2005, conforme se extrai dos seguintes trechos do Voto Vencedor: (...) Portanto, relativamente à decadência tratase matéria preclusa, conforme já decidido nos Acórdãos 10420.462/2005 — fls. 56/64) e pela então Câmara Superior de Recursos Fiscais e CSRF04.229/2006 — fls. 90/96, motivo pelo qual não merece acolhida a decisão recorrida. Quanto à questão de mérito, além de estar a decisão ora em análise em franco descumprimento ao que outrora determinou a 4ª Câmara bem como a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a mesma esta se distanciando das provas e dos fatos trazidos nestes autos. (...) Confirmandose, pois, a existência de um PDV, e, conseqüentemente a natureza indenizatória das verbas recebidas por esse incentivo à demissão, bem como, atestandose a tempestividade do seu pleito, é de se reconhecer o direito da contribuinte à restituição do IRF incidente sobre tais verbas, devendo a autoridade administrativa de primeira instância, ao executar o presente acórdão observar todas as cautelas de praxe para a efetivação desta restituição. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.008480/200111 Acórdão n.º 9202002.559 CSRFT2 Fl. 244 5 Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, afastando a decadência, darlhe provimento. A questão da decadência para o pedido de restituição, que representa o objeto do recurso especial da Fazenda Nacional, já fora enfrentada neste processo pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do acórdão n° CSRF/0400.229 (fls. 9098), cuja ementa está disposta nos seguintes termos: IRPF — DECADÊNCIA O início da contagem do prazo de decadência do direito de pleitear a restituição dos valores pagos, a título de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a programas de desligamento voluntário PDV, deve fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o seu direito ao benefício fiscal. Recurso especial negado. Tratase, portanto, de questão sedimentada nos autos, por força do artigo 42, inciso III, do Decreto n° 70.235/72, segundo o qual: Art. 42. São definitivas as decisões: (...) III – de instância especial. O afastamento da decadência, no caso, é decisão definitiva. Com a devida vênia, quando a DRJ indeferiu a pretensão do contribuinte em razão da decadência, após o acórdão da CSRF acima destacado, acabou fazendoo de forma indevida ou equivocada. A legislação que rege a matéria não lhe dá competência para analisar a questão da decadência, em manifesto confronto com decisão definitiva sobre a matéria proferida pela CSRF. Nos termos do artigo 59, inciso II e do artigo 61, ambos do Decreto n° 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua validade. Sob minha ótica, a decisão da DRJ de fls. 175182 é nula, juntamente com todos os atos posteriores, pois não tinha mais competência para julgar a questão da decadência. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10980.008480/200111 Acórdão n.º 9202002.559 CSRFT2 Fl. 245 6 Voto, portanto, no sentido de anular a decisão de primeira instância (fls. 175 182) e todos os atos posteriores, devendo os autos retornar para a DRJ a fim de que sejam apreciadas as questões apresentadas pelo interessado na manifestação de inconformidade de fls. 162167. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 267DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/03/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GONCALO BONET ALLAGE
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Numero do processo: 13808.000118/99-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 1997, 1998
Ementa:
FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO. TESE DE DEFESA.
APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. NECESSIDADE.
Revela-se violadora dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, a decisão que deixa de examinar os fundamentos do lançamento tributário relacionados diretamente com a defesa apresentada pelo contribuinte fiscalizado, bem como argumento de contestação trazido por meio de peça instauradora do litígio.
Numero da decisão: 1302-000.832
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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TESE DE DEFESA. APRECIAÇÃO PELA AUTORIDADE JULGADORA. NECESSIDADE. Revelase violadora dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, a decisão que deixa de examinar os fundamentos do lançamento tributário relacionados diretamente com a defesa apresentada pelo contribuinte fiscalizado, bem como argumento de contestação trazido por meio de peça instauradora do litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 343DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 344 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Diniz Raposo da Silva. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 345 3 Relatório Trata o presente processo de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativa aos anoscalendário de 1996 e de 1997, formalizada a partir da constatação de compensação indevida de base de cálculo negativa da referida contribuição. A 2ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, Distrito Federal, tendo exonerado parte do crédito tributário constituído, recorreu de ofício a este Colegiado administrativo. O referido julgado foi assim ementado: COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL A partir de 1° de janeiro de 1995, para efeito de determinar a base de cálculo da CSLL, o lucro líquido do exercício ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, 30%. A parcela das bases de cálculo negativas apuradas até 31 de dezembro de 1994, não compensadas em virtude desse limite, poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO CABIMENTO ESTANDO SUSPENSA A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Não cabe exigir multa de oficio na constituição do crédito tributário em que o tributo ou contribuição cuja exigibilidade haja sido suspensa na forma do inciso IV do artigo 151 do CTN. CIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão em referência, interpôs o recurso de fls. 215/238, sustentando que obteve decisão, já transitada em julgado, na qual foi declarada a inexistência de relação jurídica entre ela e o Fisco Federal no que concerne à aplicação da Lei nº 7.689/88, sem qualquer restrição quanto a um período determinado. Argumenta, ainda, que a TAXA SELIC é ilegal e inconstitucional. É o Relatório. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 346 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o processo de exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativa aos anoscalendário de 1996 e de 1997, formalizada a partir da constatação de compensação indevida de base de cálculo negativa da referida contribuição. A ação fiscal retratada nos autos, embora instaurada contra a COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS, objetivou promover verificações na empresa sucedida IMOBILIÁRIA SANTOS DINIZ LTDA., relativamente aos anoscalendário de 1993 e de 1994, conforme assinalado no Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 02. Entretanto, o que se constata, a partir do documento de fls. 105, é que a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO incorporou a empresa IMOBILIÁRIA SANTOS DINIZ LTDA. em agosto de 1994, e, como o lançamento tributário sob apreciação diz respeito a fatos geradores ocorridos em 1996 e em 1997, não estamos diante de formalização de exigência decorrente de responsabilidade por sucessão. Intimada a apresentar eventuais medidas judiciais que autorizavam o não recolhimento, por parte de IMOBILIÁRIA SANTOS DINIZ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido do período de 1991 a 1992 (fls. 03), a contribuinte esclareceu, in verbis(fls. 04): ... 2) Com relação a ações judiciais relativas à CSLL Contribuição Social sobre o Lucro, existe Medida liminar processo n° 9500555123 (cópia em anexo), perpetrada junto à Justiça Federal pela nossa incorporada Mentha Empreendimentos Comerciais S/A, C. G. C. 59.452 342/000195, o que nos garante, segundo o entendimento de nossos advogados espelhado no parecer anexado, a exclusão integral dos saldos negativos anteriores, sem a limitação de 30% imposta pela Lei n°. 8.981/95; 3) Ainda a respeito da compensação de bases negativas anteriores, conforme Lei n° 8.891/95, também obtivemos uma liminar, Processo n°. 95.00289750 (cópia em anexo); ... Ao processo, foram juntados: i) inicial apresentada por MENTHA EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS S/A em novembro de 1995, relativa à Medida Cautelar Inominada, por meio da qual foi requerido o aproveitamento integral do prejuízo fiscal relativo ao anobase de 1994 e seguintes, para que ele (o prejuízo) pudesse ser deduzido integralmente do lucro do exercício de 1995 e seguintes (fls. 05/18); Fl. 346DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 347 5 ii) decisão da 1ª Vara Federal de São Paulo, datada de 05 de dezembro de 1995, exarada no processo nº 95.00540886, deferindo a medida liminar para resguardar à contribuinte o exercício do direito de excluir, sem a limitação de 30% do lucro líquido, os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, acumulados até 31 de dezembro de 1994 (fls. 19); iii) inicial apresentada por COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO (entre outros), relativa à Medida Cautelar Inominada, por meio da qual foi requerido o aproveitamento integral do prejuízo fiscal relativo ao anobase de 1994 e seguintes, para que ele (o prejuízo) pudesse ser deduzido integralmente do lucro do exercício de 1995 e seguintes (fls. 20/32); iv) decisões do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, exarada no Mandado de Segurança nº 162066, garantindo à contribuinte a não incidência do tributo arrolado, ou quaisquer penalidades, em virtude da compensação realizada sem observância do limite de 30% (fls. 33/40); v) inicial apresentada por COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO (entre outros), relativa à Ação Ordinária Declaratória Negativa de Débito Fiscal, por meio da qual foi requerida a declaração de inexistência de relação jurídicotributária entre as partes no que concerne à aplicação do art. 42 da Lei nº 8.981/95, para a utilização do prejuízo fiscal verificado no anobase de 1994 e seguintes, a fim de que este pudesse ser deduzido integralmente do lucro do exercício de 1995 e subsequentes (fls. 42/51); vi) Parecer acerca dos efeitos processuais decorrentes da incorporação de sociedades, no qual se conclui que, em virtude da absorção dos direitos da MENTHA pela CIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO nas ações ajuizadas por aquela, os direitos declarados nas referidas ações alcançaram a esfera jurídica da Cia Brasileira de Distribuição, podendo esta aproveitálos (fls. 65/91). Às fls. 110, atendendo intimação formalizada pela Fiscalizada, a contribuinte juntou pronunciamento da 1ª Vara Federal de São Paulo, datado de 15 de dezembro de 1998, do qual releva reproduzir o seguinte excerto: C E R T I F I C A a pedido escrito de pessoa interessada que revendo na Secretaria a seu cargo, dela verificou constar os autos da MEDIDA CAUTELAR 95.555123, requerida por MENTHA EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS S/A E OUTROS contra a UNIÃO FEDERAL, distribuída em 10.11.95, objetivando a concessão de medida liminar que impeça a Ré de adotar todo e qualquer ato de constrição contra as Requerentes por aproveitarem integralmente o prejuízo fiscal relativo ao anobase de 1994 e seguintes, para cálculo e recolhimento do Imposto sobre a Renda, sem a restrição prevista no artigo 42 da Lei n° 8981/95, deles verifiquei constar que em 05.12.95, às fls. 183, foi deferida a medida liminar, com efeitos até a decisão final, para resguardar aos requerentes o exercício do direito de excluir, sem a limitação de 30% do lucro líquido, os prejuízos fiscais e a base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro, acumulados até 31 de dezembro de 1994, por ocasião da apuração dos resultados referentes ao período base de 1994 e seguintes, até a compensação total dos referidos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro, afastandose qualquer ato da fiscalização que implique sanções sobre o procedimento. CERTIFICA AINDA que os autos encontravamse conclusos para sentença desde 20.01.97, baixando em Secretaria para a expedição da presente certidão e para juntada da Fl. 347DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 348 6 petição do autor. CERTIFICA FINALMENTE que em 15.12.98 foi proferido o seguinte despacho:I "retifico a decisão de fls. 183, tendo em vista a ocorrência de erro material em relação ao número do processo, devendo figurar como número correto 95.555123". NADA MAIS. De acordo com o documento de fls. 111/113, a incorporação da MENTHA EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS pela Recorrente se deu em dezembro de 1995. No Termo de Constatação de fls. 122, a Fiscalização assinala: ... 1°) O Mandado de Segurança n° 162066 (fls. 33 a _) referente a Medida Cautelar Inominada, Processo n.° 95.00289750 (fls. 20 a 32), não contempla a Contribuição Social sobre o Lucro, já que foi específica para Imposto de Renda Pessoa Jurídica (artigo 42 da Lei n.° 8.981/95), conforme fica perfeitamente Configurado no pedido (fl. 31) e na decisão sobre o Mandado de Segurança (fl. 33 ). 2°) É absurda a pretensão do contribuinte de querer pleitear a extensão do direito da incorporada MENTHA EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS S/A, CGC 59.452.342/000195, para a incorporadora, a CBD Cia.Brasileira de Distribuição, pois: a) O Artigo 132 da CTN prevê, exclusivamente, a transferência da responsabilidade tributária por sucessão nos casos de incorporação. Não prevê a transferência dos direitos de compensação de Bases de Cálculo Negativas de Contribuições, apuradas sobre operações anteriormente realizadas pela incorporada. A lei não permite nem mesmo a compensação de Prejuízos Fiscais (artigo 509 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.° 1.041/94 e artigo 33 do Decretolei n.° 2.341/87). b) Não encontrou esta fiscalização, nenhum dispositivo legal que permitisse essa pleiteada extensão de direito. Não encontramos, inclusive, qualquer decisão do Conselho de Contribuintes que desse guarida a essa pretenção (sic). 3°) Concluindo, entende esta fiscalização, no que se refere exclusivamente aos aspectos tributários, que o direito pleiteado de compensação, amparado por medida liminar, subsistiu enquanto ocorreram operações na incorporada, as quais cessaram com a incorporação. Não há o que se discutir a respeito, uma vez que, a incorporada e incorporadora, nem mesmo tinham os mesmos objetivos sociais, sendo, portanto, a natureza das operações diversas (as operações da Mentha Empreendimentos Comerciais S/A, que tinha objetivos sociais diversos de "venda a varejo de Produtos alimentícios e outros, que é o caso da "CBD”). Autuada em 10 de fevereiro de 1999 (fls. 129), a contribuinte interpôs impugnação, alegando, em apertada síntese, que obteve decisão nos autos do Mandado de Segurança nº 162.066, em 09 de dezembro de 1995, de modo que não poderia ser penalizada em virtude da dedução das bases de cálculo negativas da CSLL. Tecendo considerações acerca da possibilidade de se deduzir, sem observância do limite de 30%, base de cálculo negativa apurada em 1995, a contribuinte, contestando a cobrança de multa e de juros de mora, alegou ainda que se encontrava desobrigada de recolher a CSLL por força de decisão judicial transitada em julgado. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 349 7 Apreciando a peça impugnatória, a Turma Julgadora de primeiro grau, por unanimidade de votos, acompanhou os fundamentos esposados pelo Relator para cancelar a multa de ofício aplicada. Transcrevo, abaixo, excertos do voto condutor da decisão de primeira instância relacionados ao cancelamento acima referenciado. ... A impugnante, mediante os documentos de folhas 157 a 166, demonstrou que, possuía em favor da autuada, medida judicial cujos efeitos suspendiam a exigibilidade do crédito. Contudo, não havia impedimento algum para a lavratura do auto de infração à luz da legislação vigente. O artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 70 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, estabelece que não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV e V do artigo 151 do CTN (a suspensão a que se refere o texto legal é a resultante da concessão de medida liminar em mandado de segurança ou da concessão de tutela antecipada). ... Cumpre, ainda, observar que o AuditorFiscal autuante, não reconheceu o direito da incorporadora em suceder os direitos da incorporada fl. 122, motivo pelo qual lançou a multa de oficio. Contudo, o art. 227, da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, dispõe: “Art. 227 A incorporação é operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações” (grifados) Além do dispositivo legal, já suficiente para derrubar a multa, temos do Resp 14.1800 SP, rel. Min. Sávio de Figueredo da 4ª turma do STJ: “III Ajuizada a causa pela incorporada, operase automática e naturalmente, a partir do posterior registro do contrato de incorporação, sua sucessão pela incorporadora, independente da anuência da parte contrária.” Assim, resta claro que a liminar tem eficácia no presente processo. ... Em face do exposto, oriento o meu voto no sentido de que seja julgada procedente em parte a ação fiscal, para derrubar a multa de oficio. Noto, primeiramente, que a contribuinte, ao impugnar o lançamento, fez referência única e exclusivamente ao Mandado de Segurança nº 162.066, ou seja, para sustentar a insubsistência da exigência, não se serviu da medida judicial impetrada por MENTHA EMPREENDIMENTOS COMERCIAIS, por ela incorporada, mas, sim, da que trata o documento de fls. 33 e 34/40. A decisão de fls. 33, datada de 07 de abril de 1995, diz respeito a Mandado de Segurança (o de nº 162.066) impetrado por PENÍNSULA PARTICIPAÇÕES S/A e Fl. 349DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 350 8 OUTROS em virtude da extinção liminar do processo correspondente à medida cautelar anteriormente ajuizada (processo nº 95.00289750). No curso da ação fiscal, a contribuinte, como já dito, juntou aos autos a inicial referente à cautelar acima mencionada. Ali, ela própria, juntamente com outras pessoas jurídicas, expressamente requereram, in verbis: VII CONCLUSÕES E PEDIDO Pelo exposto, não há dúvida que estão presentes os dois requisitos autorizadores da utilização desta tutela jurisdicional, quais sejam, o "fumus boni iuris", evidenciado por todos os argumentos acima discorridos, bem como o "periculum in mora", consubstanciado no dano que sofrerão as Requerentes por adotarem a conduta que entendem correta sem que haja autorização judicial impedindo todo e qualquer ato de constrição até que seja proferida decisão definitiva nos autos principais. Assim sendo, serve a presente para propor MEDIDA CAUTELAR INOMINADA, requerendo seja concedida medida liminar "inaudita altera pars" que impeça a adoção de todo e qualquer ato de constrição contra as Requerentes por aproveitarem integralmente o prejuízo fiscal relativo ao ano base de 1994 e seguintes, para cálculo e recolhimento do Imposto sobre a Renda, sem a restrição prevista no artigo 42 da Lei n° 8981/95. (GRIFEI) Informam que a presente medida é preparatória de futura Ação Ordinária a ser proposta no prazo legal, nos termos do artigo 801 do Código de Processo Civil, através da qual deverá ser declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre as partes no que concerne à aplicação do artigo 42 da Lei n° 8981/95, para o aproveitamento do prejuízo fiscal relativo ao anobase de 1994 e seguintes, a fim de que este (prejuízo) possa ser deduzido integralmente do lucro do exercício de 1995 e seguintes. Requerem, outrossim, a citação da União Federal, na pessoa de seu representante legal, para contestar o feito e acompanhálo até final decisão, quando deverá ser julgada procedente a demanda. Por fim, protestam pela produção de todas as provas em direito admitidas, dentre elas a juntada de documentos, a realização de prova pericial, entre outras, dandose à presente o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Termos em que, pedem deferimento. São Paulo, 16 de março de 1995. Na decisão de fls. 33, restou decidido: Concedo, pois, parcialmente a liminar a fim de que não se submetam as impetrantes ao artigo 42 da Lei nº 8981/95, garantindo às impetrantes a não incidência do tributo arrolado, ou quaisquer penalidades, em virtude da compensação realizada, sem observância do limite estabelecido, "sit et in quantum", vale dizer, até que seja distribuída a apelação nesta Corte. (GRIFEI) Fl. 350DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 351 9 Na sentença, datada de 05 de dezembro de 1995 e juntada aos autos às fls. 34/40, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos autos do processo nº 95.03.0302412, decidiu: Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Segunda Seção do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, por unanimidade, rejeitar a matéria preliminar e, no mérito, por maioria, conceder parcialmente a segurança, nos termos do voto da Sra. Juíza Relatora, com quem votaram os Srs. Juízes Diva Malerbi, Marli Ferreira, Andrade Martins Pérsio Lima, Salette Nascimento, Homar Cals, Ana Scartezzini e Américo Lacombe, vencido o Sr. Juiz Batista Pereira que denegava a ordem, na conformidade da ata de julgamento que fica fazendo parte integrante do presente julgado. (GRIFEI) No voto condutor da referida decisão, restou assinalado: ... Desta forma, mais não precisa ser dito além do que vem exposto na decisão liminar proferida neste mandado de segurança, cuja reprodução faz parte do relatório, onde, objetivamente, verifiquei presentes os pressupostos para sua concessão, e que remanescem até esta data. Aprofundarmos a análise da matéria “sub judice” em 1º grau afrontaria o devido processo legal. Posto isso, concedo parcialmente a segurança, nos exatos termos da liminar aqui proferida. Diante do que até aqui foi retratado, me parece fora de dúvida de que a decisão exarada em primeiro grau, ao excluir a multa de ofício aplicada sem tecer qualquer consideração sobre o fundamento utilizado pela Fiscalização para não considerar a medida judicial indicada pela contribuinte na sua peça de defesa como justificadora da improcedência da exigência, e, ao deixar de apreciar o argumento da contribuinte de que estaria desobrigada de proceder o recolhimento da contribuição lançada por força de decisão judicial transitada em julgado, revelase violadora dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, devendo, portanto, ser declarada nula. Assim, conduzo meu voto no sentido de decretar a nulidade da decisão de primeira instância para que, a partir da apreciação dos fundamentos do lançamento e dos argumentos de defesa a eles pertinentes, outra seja proferida em boa forma. Sala das Sessões, em 14 de março de 2012 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 351DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 352 10 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO Processo nº 13808.000118/9925 Acórdão n.º 130200.832 S1C3T2 Fl. 353 11 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MARCOS RODRIGUES DE M ELLO
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Numero do processo: 13362.720040/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2101-000.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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