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Numero do processo: 12268.000376/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa.
PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO.
O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO. O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
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MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO. O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 76 /2 00 9- 17 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 12268.000376/200917 Acórdão n.º 2202004.730 S2C2T2 Fl. 347 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12268.000376/200917 em face do acórdão nº 0240.721, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 27 de setembro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “De acordo com o Relatório Fiscal de fl. 27, a empresa infringiu ao disposto na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso II, c/c o artigo 225, inciso II, e §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, porque, segundo a fiscalização, deixou de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade, e a partir de julho de 2005, os custos referentes às obras de construção civil, em especial as obras objeto da ação fiscal (Conjunto Habitacional Joinville, Escola Professora Nair S. Pinheiro e Cine Teatro Imperial da Lapa). Os custos incorridos na execução das referidas obras foram contabilizados em contas do grupo 41602 custo dos serviços prestados (custos da mãodeobra direta, encargos sociais e materiais aplicados nas obras), sendo que, nessas contas, estão lançados os custos de todas as obras executadas para terceiros, indistintamente. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. A multa foi aplicada no valor de R$ 13.291,66 (treze mil e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), consoante a Lei nº 8.212, de 1991, artigo 92 e 102, e com o Regulamento da Previdência Social RPS, artigo 283, inciso II, “a”, e artigo 373, com o valor atualizado pela Portaria MPS 48, de 12.02.2009 (DOU de 13.02.2009). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 12268.000376/200917 Acórdão n.º 2202004.730 S2C2T2 Fl. 348 3 O sujeito passivo apresentou impugnação com os seguintes argumentos, às fls. 33/39: De início, alega a nulidade da autuação dizendo que a mesma limitouse a indicar o valor a ser recolhido sem trazer qualquer informação objetiva sobre o cálculo que levou ao montante aplicado. Fala que a peça de autuação seria contraditória, apresentando de maneira genérica diferentes condutas atribuídas à impugnante. Assim, por faltar exatidão e clareza, entende ter ocorrido cerceamento ao contraditório e ao direito de defesa, devendo ser declarado nulo o auto de infração. Analisando os dispositivos da peça acusatória, fala que nenhum deles versa sobre a necessidade de manutenção de folha de trabalho separada por obras, e sobre quais as pessoas que estariam sujeitas a tal obrigação. Com base em Acórdão proferido pela 6a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que trata da ausência de fundamentação legal, a impugnante ainda conclui pela ilegalidade da penalidade aplicada. Quanto à alegação fiscal de que a impugnante teria deixado de observar os títulos próprios e por obra de construção civil, a partir de julho de 2005, diz que não merece prosperar, porque os seus lançamentos contábeis estão contabilizados por centros de custo que constam dos cabeçalhos das páginas dos livros razão e diário cópia inserta no anexo II. Além disso, para o período de 01.07.2005 a 31.12.2005, fala que elaborou um livro razão auxiliar no qual os lançamentos foram feitos por obra, sendo que este livro, entretanto, foi desconsiderado pela fiscalização em seu trabalho cópia constante do anexo III. Em relação ao período de 01/2006 a 12/2006, comenta que os lançamentos foram organizados por centros de custo que constam dos cabeçalhos das páginas cópias dos livros insertas no anexo IV. Com mais essas razões, afirma que deve ser afastada a cobrança vertida no auto de infração ora impugnado. Em seu pedido, requer a improcedência do auto de infração determinando o seu arquivamento. Requer, ainda, a produção de prova pericial contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fim de comprovar a regularidade de seus lançamentos contábeis. Por fim, protesta pela apresentação de razões complementares tendo em vista que no exíguo prazo de impugnação não foi Fl. 348DF CARF MF Processo nº 12268.000376/200917 Acórdão n.º 2202004.730 S2C2T2 Fl. 349 4 possível ultimar os trabalhos técnicos que visavam contestar as conclusões contidas no auto de infração. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, tendo em vista a Portaria SUTRI nº 3.237, de 12.08.2011, publicada no DOU de 15.08.2011.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 204/213, reiterando as alegações expostas em impugnação. Junta, em anexo ao recurso voluntário, documentos de fls. 215/344. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Documentos juntados em fase recursal. A perícia e as diligências requeridas foram indeferidas pela DRJ de origem, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Ademais, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, ainda, a inversão do ônus da prova. Os documentos juntados pelo contribuinte em fase recursal, às fls. 458/762, demandariam análise pela primeira instância, podendo inclusive, antes do julgamento de primeira instância, ser determinada perícia ou diligências. No entanto, a chegada aos autos de documentos, com mais de 300 páginas, que demandariam uma análise contábil, impedem que sejam recebidos como prova do alegado. Ocorre que o Decreto nº 70.235/72 estabelece no 4º do seu art. 16 que: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 12268.000376/200917 Acórdão n.º 2202004.730 S2C2T2 Fl. 350 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (grifouse) Não sendo demonstrado pela contribuinte alguma das hipóteses das alíneas acima, entendo por não receber os documentos nesta fase recursal, por preclusão. No presente caso, não há como superar o disposto no art. 16, §4º, do Decreto 70.235/72 em razão do princípio da verdade material ou do formalismo moderado, haja vista a complexidade da prova juntada, que deveria ter sido previamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, sob pena de violação inclusive do duplo grau de jurisdição. 2. Multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 34) Nos termos do artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991 combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 ao 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, a empresa é obrigada a lançar, mensalmente, em título próprio de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Tendo em vista que restou comprovado nos autos o efetivo cometimento da infração, a aplicação da penalidade ao caso presente encontrase perfeitamente legal. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Portanto, deve ser negado o recurso quanto a este ponto. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002005/2010-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos a tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantém-se o lançamento.
FALTA DE PROVAS. DECISÃO MANTIDA.
A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados.
Numero da decisão: 2002-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos a tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantém-se o lançamento. FALTA DE PROVAS. DECISÃO MANTIDA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados.
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Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos a tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. FALTA DE PROVAS. DECISÃO MANTIDA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 20 05 /2 01 0- 36 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11543.002005/201036 Acórdão n.º 2002000.302 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.66) contra decisão de primeira instância (fls.55/60), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 09 a 12, em 12/07/2010, referente ao exercício 2009, anocalendário de 2008, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto de Renda Suplementar ( Sujeito à Multa de Ofício) 4.987,45 Multa de Ofício 75% (Passível de Redução) 3.740,58 Juros de Mora calculados até 30/07/2010 548,61 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (Não Passível de Redução) 0,00 Juros de Mora calculados até 30/07/2010 0,00 Total do crédito tributário apurado 9.276,64 Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2009, anocalendário de 2008, quando foram verificadas as seguintes infrações: Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, relativos ao exercício 2009, anocalendário 2008. Fonte Pagadora: Cretovale Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Trabalhadores. Valor: R$ 23.870,88. Os enquadramentos legais encontramse às fls. 10 dos autos. Conforme AR (Aviso de Recebimento) de fl. 14, o impugnante foi cientificado da autuação em 23/07/2010. Em 03/08/2010, apresentou impugnação (fls. 03/05) a o lançamento alegando, em síntese: que reafirma as justificativas apresentadas nos processos nº 2007/607435084492037 e 2005/607435192612081, que vai além da legalidade da aplicação dos normativos da SRF, pois esta é uma questão de legitimidade, pois a Constituição Federal protege os cidadãos e cidadãs dos efeitos tributários injustos e acima de suas possibilidades financeiras; que, por conclusão, pede a isenção fiscal, prevista na legislação, pois a sua esposa, Sônia Sampaio Vidal, dependente do contribuinte e sem renda própria, foi acometida de doença grave (câncer de mama), do que Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11543.002005/201036 Acórdão n.º 2002000.302 S2C0T2 Fl. 4 3 decorreu esvaziamento de toda a poupança familiar e reflexos na economia doméstica; que em momento algum do seu pleito fez referência às rendas informais de sua esposa Sônia, que como um grande contingente de brasileiras, ajudam na renda familiar produzindo bolos e doces para festas de aniversários; que os transtornos orçamentários foram agravados pela perda do emprego e aposentadoria precoce do impugnante; que a atividade cooperativista é de cunho altruístico, haja vista que o rendimento auferido, inferior à remuneração de mercado, não suporta as despesas ferais inerentes ao cargo; Ao final, requer também que a isenção tenha seus efeitos retroativos a junho de 2000, época da cirurgia da esposa, que seja calculada e devolvida toda a contribuição feita ao fisco neste período, onde temos também um ônus advindo de outro auto de infração não contestado e parcelado em sessenta meses. Pugna pelo cancelamento do débito fiscal reclamado. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. ISENÇÃO. São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e do Distrito Federal. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES SEM PROVA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. São inadmissíveis no processo meras alegações desacompanhadas de provas que as justifiquem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11543.002005/201036 Acórdão n.º 2002000.302 S2C0T2 Fl. 5 4 Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi notificado em 31/08/2012 (fl.65); Recurso Voluntário protocolado dia 06/09/2012 (fl.66), assinado pelo próprio contribuinte. O recorrente em seu Recurso Voluntário, lança uma preliminar de mérito que confundese com o mérito e, com ele será analisado. O recorrente em sua peça de resistência, não juntou aos autos, a comprovação que os valores recebidos tinham natureza jurídica de ajuda de custo, para custeio de despesas extras, assim, neste sentido, sua defesa fica apenas no campo das alegações, e em direito quem alega deve provar seu fato constitutivo. Outra alegação do recorrente, é que sua esposa é portadora de moléstia grave, portanto faz jus à isenção do imposto de renda, neste aspecto razão não assiste ao recorrente, pois não é o próprio interessado que é acometido pela moléstia. Além de toda a argumentação, verificase que a própria fonte pagadora considerou os valores pagos como rendimentos tributáveis (fl.40). Quanto ao pedido de isenção fiscal, deixo de analisar eis que o mesmo não é cabível nesta oportunidade, até porque foge da competência deste CARF. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724836/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2012
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.505
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2012 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 48 36 /2 01 2- 26 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10830.724836/201226 Acórdão n.º 3402005.505 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 05039.152, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10830.724836/201226 Acórdão n.º 3402005.505 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.907591/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/04/2006
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/04/2006 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 75 91 /2 00 9- 97 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1439.112 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (Cofins código de receita: 5856) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório[...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, [...} interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2005 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 356.049,60 (trezentos e cinqüenta e seis mil, quarenta e nove reais e sessenta centavos), conforme demonstrada na ficha 17, Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 238.600,74 (duzentos e trinta e oito mil, seiscentos reais e setenta e quatro centavos), conforme ficha 17 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 117.448,86 (cento e dezessete mil, quatrocentos e quarenta reais e oitenta e seis centavos), conforme ficha 17, da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 4 3 5 Consta no Despacho Decisório em epigrafe, que foi localizado o recolhimento informado na PER/DCOMP, porem o mesmo foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte. 6 Esse pagamento foi feito para CSLL em 31/10/2005, esse recolhimento foi feito por estimativa, porem com o levantamento de Balanço, para pagamento do IRPJ e CSLL, pelo lucro real foi constado que a CSLL foi feito a maior, portando foi feito a PER/DCOMP, para a sua devida compensação. 7 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n . 40273.68783.13042009.1.3.04.7720, enviada em 22/03/2006, a mesma tinha um saldo suficiente para fazer a compensação do Valor de RS 922,07 (novecentos e vinte e dois reais e sete centavos). 8 Esse valor R$ 922,07 (novecentos e vinte e dois reais e sete centavos)!, foi compensado através da PER/DCOMP. N .35017.86095.130406.1.3.04.2049, transmitida em 13/04/2006. Sem mais para o momento e nos colocando a disposição para qualquer outro esclarecimentos ou informações. Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP[...]. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de setembro de 2005, no valor de R$ 23.510,11, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de setembro de 2005, no valor de R$ 23.510,11, assim declarado na DCTF de setembro de 2005 e apresentada pela declarante, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 5 4 Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 6 5 expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do Balanço Patrimonial apurado em 31/12/2005, de um demonstrativo denominado de Resultado do Exercício que compreenderia o período de 01/01/2005 a 31/12/2005, DARF relativo ao mês de setembro de 2005 e da própria DIPJ/2006, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 7 6 recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)." É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.780, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.903033/2009 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.780): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 9 8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou se correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.723156/2016-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO
A Contribuição para o PIS/Pasep mensal, devidas pelas pessoas jurídicas de direito público interno, é calculada mediante aplicação da alíquota de 1% (um por cento) sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas apenas as transferências efetuadas a outras entidades públicas com personalidade jurídica própria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 31 56 /2 01 6- 36 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 643 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 616 a 626) interposto pelo Contribuinte, em 27 de março de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0441.959 (fls. 602 a 607), de 8 de fevereiro de 2017, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação (fls. 581 a 592). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de Auto de Infração relativo à falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, fls. 02 a 07, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor total de R$ 4.837.405,72, somados o principal, multa e juros de mora, referente ao período de 01/2012 a 12/2012. Segundo o Auditor autuante, conforme consta do Relatório Fiscal de fls. 20 a 30, as contribuições lançadas não foram informadas pela contribuinte em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Esclarece o Auditor que "o procedimento fiscal abrangeu o exame da regularidade das contribuições para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP da pessoa jurídica do Município do Recife, representado pela Prefeitura Municipal (CNPJ 10.565.000/000192), e dos demais entes destituídos de personalidade jurídica própria e vinculados ao Poder Executivo Municipal", descritos no Relatório. No Relatório Fiscal o autuante, inicialmente, cita um breve histórico sobre a contribuição e cuida da definição de sua base de cálculo, dada pela Lei no 9.715/98: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: ................... III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. ................... Art. 7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Observa ainda que a norma tributária utilizouse de termos do Direito Financeiro, e busca na Lei no 4.320/64 aqueles conceitos, encontrando o seguinte, sobre as receitas que compõem a base de cálculo da Contribuição para o Pasep devida pelas pessoas jurídicas de direito público interno: Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 644 3 Receitas correntes: assim entendidas todas aquelas destinadas à manutenção e ao funcionamento dos serviços dos órgãos da Administração Direita e Indireta; Transferências correntes: recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender a despesas de manutenção e funcionamento; Transferências de capital: recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinados à formação de um bem de capital. Esclarece que ficam excetuadas, portanto, da incidência da contribuição, tão somente as demais receitas de capital, que não se constituírem em transferências de capital. Demonstra a origem dos valores das bases de cálculo mensais apuradas, nos anexos de I a XIV e consolidadas no anexo XV, informando que foram utilizados os "dados constantes dos Balancetes Mensais das Receitas Orçamentárias do ano de 2012, apresentados pelo sujeito passivo durante o procedimento fiscal, relativos à Administração Direta e aos demais entes destituídos de personalidade jurídica própria e vinculados ao Poder Executivo Municipal". Especifica ainda algumas características específicas dos fundos RECIFIN e RECIPREV. Informa ainda que "sobre as bases de cálculo mensais, foram apurados, mediante a aplicação da alíquota de 1%, prevista no art. 8o, inciso III, da Lei no 9.715/98, os valores totais mensais devidos pelo município, a título de contribuição ao PASEP, consoante discriminado no Anexo XV". Além de terem sido deduzidos os valores retidos a título de contribuição ao PASEP por ocasião dos repasses das transferências efetuadas pela União ao Município (valores das retenções obtidos mediante consulta ao sítio do Banco do Brasil S/A na Internet). Foram também "deduzidos os valores declarados pelo Município, antes do início da ação fiscal, a título de contribuição ao PASEP, mediante Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, obtidos através de consulta ao banco de dados da RFB". Irresignada, a autuada apresentou impugnação ao lançamento, alegando , em síntese, que a autuação fincouse, "basicamente em valores vinculados a dois fundos, o RECIPREV (Fundo Previdenciário) e o RECIFIN (Fundo Financeiro), voltados a custear os benefícios previdenciários dos servidores públicos municipais". Alega ainda que a autoridade autuante "expressa e confessadamente apontou essa Edilidade como legitimada passiva da exação por analogia, por entender que o art. 37, da Lei no 17.142/2005 aduz que é de responsabilidade do município , "englobando suas autarquias e fundações", o dever de complementar eventuais insuficiências do regime próprio de previdência". Classifica o auto de infração como nulo, "porque lavrado contra quem não é o sujeito passivo da exação". No mesmo sentido, informa a existência de legislação municipal (Lei Municipal no 16.729/2001), especificamente aquela que criou o RECIPREV, autarquia previdenciária municipal, integrante da administração pública indireta, dotada de autonomia administrativa e financeira, responsável pela gestão dos fundos RECIPREV e RECIFIN, que aduz ser de tal ente a titularidade, dentre outras receitas, daquelas decorrentes das contribuições previdenciárias e compensações financeiras entre os regimes próprios e geral e de remuneração de depósito bancário. Salientou também que a "Lei Municipal 17.142/2005, citada pela autoridade autuante, ao seu turno, criou os fundos RECIPREV (mesmo nome da autarquia) e Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 645 4 RECIFIN, dispondo expressamente que os mesmos serão geridos pela entidade autárquica previdenciária municipal". Ressaltou ainda que, "conforme disposto no art. 71 da Lei no 4.320/64, constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que por lei se vinculem à realização de determinados objetivos ou serviços", o, em sua opinião, que significa dizer que "as receitas que integram os fundos públicos são, em verdade, titularizadas pela entidade a quem a lei atribuiu tais receitas" e se a "lei expressamente atribuiu à RECIPREV a titularidade das receitas em comento e posteriormente criou dois fundos (RECIPREV e RECIFIN) a ela vinculados, não restam dúvidas de que é da entidade previdenciária municipal a titularidade e disponibilidade de tais receitas". Diante de tudo que expôs, requer a autuada a anulação ou a improcedência do auto de infração impugnado. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2 Turma da DRJ/CGE o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário com o intuito de reformar a referida decisão, extinguindo o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0441.959 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO A Contribuição para o PIS/Pasep mensal, devidas pelas pessoas jurídicas de direito público interno, é calculada mediante aplicação da alíquota de 1% (um por cento) sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas apenas as transferências efetuadas a outras entidades públicas com personalidade jurídica própria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 646 5 Por meio do Recurso apresentado o Contribuinte traz argumentos alegando ser ilegítima a inclusão do município de Recife no polo passivo da presente autuação, mais especificamente no que tange os fundos RECIPREV e RECIFIN, que são autarquias previdenciárias integrantes da administração indireta. Nesse sentido cito os seguintes trechos do Recurso para melhor elucidar o que aduz o Contribuinte (fls. 618 a 620) No caso dos fundos RECIPREV e RECIFIN, a autoridade autuante, com base no art. 37 da Lei Municipal n. 17.142/2005, entendeu, por analogia, que as receitas a eles relativas são imputáveis ao Município do Recife, e não à autarquia previdenciária municipal. Data vênia, tratase de um equívoco! Inicialmente, cumpre anotarse que por expressa vedação do art. 108, §1º, do CTN, a analogia, que só pode ser invocada em caso de ausência de disposição legal expressa, “não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei”! Ora, como o tributo é definido pela conjugação dos cinco aspectos indispensáveis à incidência (material, temporal, espacial, subjetivo e quantitativo), temse que a vedação do §1º, do art. 108, do CTN, obstaculiza o emprego da analogia para a integração da legislação tributária em qualquer desses aspectos, ou seja, não se pode utilizar da analogia para identificar fato gerador, local e momento de sua ocorrência, sujeição passiva ou base de cálculo e alíquota da exação, vez que todos esses elementos são adstritos aos princípios da legalidade estrita e da tipicidade, encampados no art. 150, I, da CF e no art. 97, do CTN. (...) Secundariamente, e aqui reside o maior equívoco da autuação, o Ilmo. Auditor, além de empregar analogia “in mallam partem”, para “presumir” e definir sujeito passivo da exação, fêlo em situação não permitida, porque, com cediço e legalmente determinado no caput do art. 108, do CTN, o uso de tal técnica de integração da legislação tributária apenas é possível em caso de omissão legal, inexistente na espécie. Além disso, o Contribuinte cita normas municipais que demonstram a autonomia administrativa e financeira dos respectivos fundos e que, portanto, é dessas autarquias a titularidade das receitas decorrentes das contribuições previdenciárias, compensações entre os regimes próprio e geral, e de remuneração de depósitos bancários. Em que pese os argumentos do Contribuinte, na análise da legislação aplicável ao caso, entendo correto o entendimento da DRJ/CGE que assim se pronunciou (fls. 607): (...) Foram deduzidas do PASEP devido, os valores retidos a título de contribuição ao PASEP por ocasião dos repasses das transferências efetuadas pela União ao Município, além daqueles valores declarados pelo Município, antes do início da ação fiscal, mediante Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. A contestação formalizada pela contribuinte, através da impugnação apresentada, diz respeito, fundamentalmente, à inclusão na base de cálculo da contribuição, dos Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 647 6 valores pertencentes aos fundos municipais RECIFIN, CNPJ 07.749.692/000114 e RECIPREV, CNPJ 07.749.668/000185 (ambas cadastradas no sistema CNPJ da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB com o código "1120 Autarquia Municipal", fls. 73 e 74), valores esses constantes respectivamente dos anexos XIII e XIV. Alegou também a contribuinte que o sujeito passivo da obrigação tributária foi determinado pelo autuante através de utilização de "analogia". Salientese, porém, que a mera inclusão da palavra "analogia" pelo Auditor autuante não inviabiliza sua análise, uma vez que a determinação do sujeito passivo da obrigação tributária foi determinada de forma objetiva e com base nas hipóteses previstas em Lei. Já a fim de chegarmos à conclusão sobre a correta apuração da base de cálculo da contribuição, revejamos o que dispõe a Lei no 9.715/98, sobre esta questão (grifos meus): Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: ................... III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. ................... Art. 7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Como se vê, tratase de um sistema que faz incidir a Contribuição para o PIS/Pasep uma única vez sobre as receitas, de sorte que o ônus seja suportado pela pessoa jurídica de direito público que detém o registro contábil da receita própria arrecadada e das transferências correntes e de capital recebidas. Em outras palavras, a pessoa jurídica que recebe a transferência a inclui em sua base de cálculo, enquanto a pessoa jurídica de onde parte a transferência a deduz. Isso com o propósito de coibir o bis in idem, ou seja, a tributação da mesma receita em dois entes públicos. Exemplos de entidades públicas são as autarquias e as fundações públicas, que são contribuintes, ao contrário dos fundos meramente contábeis, sem personalidade jurídica própria, como é o caso do FUNDEB e de diversos outros. Cabe agora analisar se os fundos RECIFIN e RECIPREV dispõem da personalidade jurídica necessária à sua caracterização como sujeitos passivos da obrigação tributária relativa ao PIS/PASEP. A Lei municipal nº 17.142 de 2005, fls. 549 a 574, citada pelo autuante, que reestruturou o regime próprio de previdência social do município do Recife (PE), criou, através de seu art. 32, o Fundo Previdenciário RECIPREV, de natureza contábil e caráter permanente, para custear na forma legal, as despesas previdenciárias relativas aos servidores admitidos a partir de 17 de dezembro de 1998. Criou também, através de seu art. 33, o Fundo Financeiro RECIFIN, de natureza contábil e caráter temporário, para custear as despesas previdenciárias relativas aos segurados admitidos até 16 de dezembro de 1998. Além disso, através dos mesmos artigos, esclarece que os respectivos fundos têm como entidade gestora a Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 648 7 Fica claro, então, que a Lei não concedeu personalidade jurídicas aos fundos RECIFIN e RECIPREV, que são entes meramente contábeis. Os valores que os compõem pertencem ao Município de Recife, inclusive sendo contabilizado por este (balancetes de fls. 425 a 473) e são somente geridos pela Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores, cadastrada nos sistemas da Receita Federal do Brasil sob o CNPJ 05.244.336/000113. Essa sim com personalidade jurídica, possuindo inclusive receita própria, conforme esclarecido pelo autuante no item 3.15 do Relatório Fiscal. A personalidade jurídica da Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores não se transmite aos fundos por ela administrados. Assim, as receitas constantes dos anexos XIII e XIV, pertencentes respectivamente aos fundos RECIFIN e RECIPREV, são receitas do Município de Recife, devendo compor a base de cálculo da contribuição devida por este ente, conforme corretamente incluídas pelo Auditor autuante no anexo XV.(grifouse). Na observância dos argumentos expostos pelo Contribuinte e na decisão ora recorrida, constatase que de fato a RECIFIN e a RECIPREV são entes meramente contábeis, visto que a Lei Municipal nº 17.142/2005 não concedeu a esses fundos personalidade jurídica, estando, portanto, vinculadas a pessoa jurídica de direito público interno do Município de Recife, o que leva ao entendimento de que o município é o legitimado no polo passivo para a cobrança das referidas contribuições. No sentido de melhor observar a legislação e o correto entendimento da matéria citase trechos do Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 25 e seguintes): 3.10 No que diz respeito aos entes Fundo Financeiro – RECIFIN – CNPJ 07.749.692/000114 e Fundo Previdenciário – RECIPREV – CNPJ 07.749.668/000185, objeto de apuração respectivamente nos anexos XIII e XIV, observamos, a partir do exame dos respectivos balancetes da receita (anexos), que os mesmos registram receitas inerentes ao financiamento do Regime Próprio de Previdência Social do Município do Recife, reestruturado pela Lei Municipal no 17.142/2005 (anexa), quais sejam: • as contribuições dos servidores ativos, inativos e pensionistas para o regime próprio de previdência; • as remunerações dos recursos do regime próprio de previdência depositados em instituições bancárias (rendimentos de aplicações financeiras) e • as compensações financeiras entre o regime próprio de previdência e o regime geral de previdência social – RGPS. 3.11 As receitas mencionadas no subitem 3.10 configuram, portanto, receitas correntes do Município do Recife, destinadas essencialmente a custear os benefícios a serem pagos pelo regime próprio de previdência. Tais receitas integram o Fundo Financeiro – RECIFIN e o Fundo Previdenciário – RECIPREV, fundos de natureza contábil e que possuem como entidade gestora a Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores – CNPJ 05.244.336/000113, consoante estabelecido nos arts. 32 e 33 da Lei Municipal no 17.142/2005 (anexa). Os referidos recursos não constituem receitas da aludida autarquia, que apenas os gerencia para pagamento das correlatas despesas, mas sim da pessoa jurídica do Município do Recife, instituidora do regime próprio de previdência social. Da mesma maneira que os benefícios previdenciários pagos pelo mencionado regime próprio não constituem despesas da autarquia, mas sim do Município do Recife, Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 649 8 custeadas com recursos previstos na Lei Orçamentária (receitas tributárias, por exemplo, que fornecem recursos para o pagamento das contribuições do Município para o regime próprio). A desvinculação entre as receitas referidas no subitem 3.10 e a autarquia que as administra encontrase retratada, por exemplo, nos arts. 35 e 37 da Lei Municipal no 17.142/2005 (anexa), os quais transcrevemos: “Art. 35 Os recursos dos Fundos Previdenciário e Financeiro deverão ser depositados em contas distintas das contas da entidade gestora e com inscrições próprias e individuais no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda – CNPJ. “Art. 37 O Município, englobando os Poderes Legislativo e Executivo, suas autarquias e fundações, é responsável pela cobertura de eventuais insuficiências financeiras do Regime Próprio de Previdência Social do Município do Recife, decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários.” 3.12 Vemos que o art. 37 da Lei Municipal no 17.142/2005 expressamente preconiza que eventuais insuficiências financeiras do regime próprio de previdência devem ser supridas pela pessoa jurídica do Município do Recife, e não pela autarquia que gerencia os recursos do aludido regime, donde, por analogia, concluímos que as receitas que custeiam o regime não pertencem à autarquia gestora, mas sim ao Município, na condição de instituidor do seu regime próprio de previdência social. 3.13 Examinando os comprovantes de inscrição no CNPJ do Fundo Financeiro – RECIFIN – CNPJ 07.749.692/000114 e do Fundo Previdenciário – RECIPREV – CNPJ 07.749.668/000185 (anexos), observamos que a natureza jurídica dos mesmos impropriamente consta como “1120 – AUTARQUIA MUNICIPAL”, quando o correto seria “1201 – FUNDO PÚBLICO”, nos ditames dos arts. 1o e 2o da Instrução Normativa RFB no 1.143/2011 c/c o art. 71 da Lei no 4.320/1964. Não se deve confundir a natureza jurídica dos fundos, meramente contábeis e destituídos de personalidade jurídica, com a da entidade que os administra, no caso a autarquia municipal, esta sim dotada de personalidade jurídica própria. A autarquia previdenciária municipal tem a atribuição de gerir os recursos que integram os fundos públicos meramente contábeis (financeiros), sendo estes integrados por recursos vinculados, pertencentes ao Município. 3.14 O DecretoLei no 200, de 1967, que dispõe sobre a organização da administração federal e estabelece diretrizes para a reforma administrativa, em seu art. 5o, define autarquia nos seguintes termos: “Art. 5o Para os fins desta lei, considerase: I – Autarquia – o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.” 3.15 Pela definição acima, revelase inconteste a personalidade jurídica própria das autarquias, bem como a razão de sua criação, qual seja o desempenho de atividades e a prestação de serviços característicos da Administração Pública, mas que, por uma questão de conveniência, visando a uma maior eficiência no exercício da atividade, resolve o ente federativo (Município) não fazêlo diretamente, mas por intermédio de uma entidade descentralizada. Ressalta ainda o fato das autarquias possuírem patrimônio e receitas próprios para o exercício de suas atividades. No caso da autarquia previdenciária do Município do Recife, suas receitas próprias no ano de 2012 foram Receitas de Serviços, no valor de R$ 16.422.245,30 e Receitas Patrimoniais, no montante de R$ 229.105,81, conforme o demonstrativo apresentado pelo Município durante o procedimento fiscal “DESDOBRAMENTO Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 650 9 DA RECEITA POR UNIDADE ORÇAMENTÁRIA” (anexo). Sobre tais receitas, evidentemente, não estão sendo lançadas contribuições para o PASEP na presente ação fiscal, pois que, estas sim, são contribuições devidas pela autarquia previdenciária municipal, pessoa jurídica de direito público interno distinta da pessoa jurídica do Município do Recife, nos termos do art. 41, inciso IV, da Lei nº 10.406/02 (Código Civil), e, portanto,também sujeito passivo das contribuições para o PASEP, nos ditames do art. 2o, inciso III, da Lei n 9.715, de 25 de novembro de 1998. 3.16 Em que pesem as considerações formuladas nos subitens 3.10 a 3.15, decidimos, por cautela, consultar os sistemas informatizados da RFB com vistas a verificar se houve declaração de contribuições devidas ao PASEP mediante Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ou recolhimento de contribuições ao PASEP (Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARF – código da receita “3703 – PASEP – Pessoa Jurídica de Direito Público), no período de 01/2012 a 12/2012, por parte da Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores – CNPJ 05.244.336/000113, do Fundo Financeiro – RECIFIN – CNPJ 07.749.692/000114 ou do Fundo Previdenciário – RECIPREV – CNPJ 07.749.668/000185. As consultas efetuadas revelaram que não houve nenhuma declaração de débito ou recolhimento relativo às contribuições para o PASEP, no citado período, em nome das mencionadas entidades, circunstância essa que, somada a todo o exposto, corrobora e ratifica o lançamento das contribuições em questão, incidentes sobre as receitas detalhadas nos anexos XIII e XIV, na pessoa jurídica do Município do Recife. Portanto, diante do exposto pelo Contribuinte e no Relatório Fiscal do Auto de Infração acima citado, entendo correto a decisão da DRJ. Assim tendo em vista a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.721807/2014-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/2014 a 25/08/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEÇA APRESENTADA COMO SE RECURSO FOSSE. CARÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Carece de competência do Colegiado deste CARF para analisar peça apresentada como se recurso fosse, devendo retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3401-005.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso, por carência de competência do colegiado para análise inaugural da matéria, devendo tal peça retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso, por carência de competência do colegiado para análise inaugural da matéria, devendo tal peça retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2014 a 25/08/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEÇA APRESENTADA COMO SE RECURSO FOSSE. CARÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Carece de competência do Colegiado deste CARF para analisar peça apresentada como se recurso fosse, devendo retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso, por carência de competência do colegiado para análise inaugural da matéria, devendo tal peça retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 18 07 /2 01 4- 37 Fl. 305DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório do Despacho Decisório de piso por bem retratar a situação dos autos: Trata o presente de declaração de compensação de créditos decorrentes da ação judicial nº 2002.61.00.0065831, que reconheceu o direito da autora de compensar os valores recolhidos a maior a título de PIS, com débitos do próprio PIS. 2. O sujeito passivo apresentou o formulário Declaração de Compensação, no dia 25/08/2014, com o propósito de compensar débitos de PIS não cumulativo (código 6912) no valor original de R$ 91.058,30, indicando como origem do crédito o Processo de Restituição nº 13884.721716/201311. Para justificar a ausência de apresentação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), o sujeito passivo alegou falha do programa ao não permitir a compensação de créditos habilitados independentemente do tempo transcorrido entre a data do trânsito em julgado e a data da declaração de compensação. 3. Conforme o Despacho Decisório SEORT nº 406/2014, de fls. 74 a 81, a autoridade administrativa considerou não declarada a compensação, pelo fato de não ter sido utilizado o programa PER/DCOMP para declarála, nos termos do §1º do art. 46 da IN RFB nº 1.300/2012. Concluiu que não houve falha no programa PER/DCOMP que impedisse a sua utilização no caso, mas sim impossibilidade legal de compensação de créditos prescritos detectada pelo sistema. 4. O interessado foi cientificado do Despacho Decisório precitado, em 06/12/2014, conforme cópia de AR à fl.87. 5. Inconformado com a decisão consubstanciada no Despacho Decisório SEORT nº 405/2014, o sujeito passivo apresentou recurso hierárquico, de fls. 88 a 129, alegando em síntese que: 1) O trânsito em julgado da ação judicial nº 2002.61.00.006583 1 ocorreu em 09/08/2007; 2) Apresentou, em 30/07/2008, o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Transitada em Julgado, conforme Processo Administrativo nº 13884.001551/200808; 3) A RFB deferiu a habilitação do crédito em 19/06/2009 e autorizou a compensação; 4) Utilizou, no período de 11/2009 a 08/2011, o valor inicialmente habilitado, no montante histórico de R$ Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13884.721807/201437 Acórdão n.º 3401005.303 S3C4T1 Fl. 260 3 1.587.235,10, mês a mês, até o seu exaurimento, e aguardou a análise definitiva do montante de seu crédito; 5) Recebeu em 11/2013, o Termo de Comunicação SEORT nº 806/2013, reconhecendo o crédito de R$ 2.286.301,74, atualizado até a data da transmissão da primeira Declaração de Compensação, realizada em 25/11/2009, bem como homologou as compensações inicialmente declaradas; 6) Após a dedução dos valores compensados até então, calculou o saldo remanescente em 03/2014, no montante de R$ 847.220,74; 7) Entregou a Declaração de Compensação em formulário, no dia 25/08/2014, em razão de falha demonstrada no programa PER/DCOMP, a qual impediu a geração da declaração eletrônica de compensação em virtude da ocorrência do trânsito em julgado da ação em data superior a cinco anos; 8) O artigo 42 da IN RFB nº 1.300/2012 permitiria a utilização do saldo remanescente, uma vez que o pedido inicial de restituição foi efetivado pelo sujeito passivo em 11/2009, dentro do prazo de cinco anos do trânsito em julgado; 9) O Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Transitada em Julgado foi apresentado decorridos onze meses do trânsito em julgado; 10) O recurso teria efeito suspensivo por força do inciso III, do artigo 151, da Lei nº 5.172/1966, Código Tributário Nacional – CTN; 11) A glosa do crédito teria decorrido da demora na análise do pedido de habilitação, uma vez que o real crédito foi aferido no momento da análise das compensações, quatro anos depois. 6. Após apresentar seus argumentos, o sujeito passivo requer o provimento do recurso, reformando a decisão administrativa para: 1) Homologar a compensação no valor de R$ 91.058,30, referente ao PIS não cumulativo, do período de apuração de 31/07/2014; 2) Anular integralmente o Termo de Intimação DRF/SJC/SEORT e da cobrança do DARF que o acompanha; 3) Suspender a exigibilidade do crédito tributário. Sobreveio o Despacho Decisório nº 2 – GAB/DRF/SJC, efl. 133, de 30 de março de 2016, o qual julgou improcedente o Recurso Hierárquico, a teor da conclusão abaixo transcrita: 24. Com base nos fatos e informações acima analisados, e em atenção ao estabelecido no artigo 302, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, e no Fl. 307DF CARF MF 4 artigo 56, § 1º, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, decido pelo NÃO PROVIMENTO do recurso hierárquico em pauta, para manter a decisão questionada que considerou não declaradas as compensações apresentadas no presente processo. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário em 03/05/2016 (efls. 147 e seguintes), após ser cientificada da decisão em 04/04/2016. Nas razões do recurso aduziu, em síntese: 1. Problema do sistema, motivo pelo qual teve de requerer a compensação por meio de formulário; 2. Que a RFB utilizou o Parecer Normativo Cosit 11/2014 para embasar a negativa por prescrição do crédito e que esta norma inexistia à época dos fatos; 3. Segundo a instrução normativa 900/08 e 1300/08, vigentes quando do pedido de habilitação do crédito, não estabeleciam prazo para utilização do crédito após o deferimento do pedido de habilitação; 4. O Delegado da RFB utilizou a alteração da IN 1300/08 de 2015, realizada 7 meses após o pedido de compensação, para negar o pedido de compensação; 5. Que o Delegado RFB fez confusão entre o prazo prescricional destinado ao pedido de habilitação do crédito (art. 82, §4º da IN 1300/2012) com o novo prazo determinado pela IN 1557/15; 6. Sustenta o cabimento de recurso voluntário; 7. Da impossibilidade da IN 1557/15 retroagir; 8. Ao final requer a reforma integral da decisão recorrida, representada pelo despacho decisório no 1/2016, e anular integralmente o Termo de Intimação DRF/SJC/SEORT. É o relatório. . Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O ponto central diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, acumulados mensalmente, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar de uma questão de ordem. A Contribuinte apresentou peça como se recurso fosse, faltando competência a este Colegiado para a análise inaugural da matéria. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13884.721807/201437 Acórdão n.º 3401005.303 S3C4T1 Fl. 261 5 Temse que tal peça deve retornar à unidade preparadora, devendo ser processada e sucessivamente julgada pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. Nestes termos, voto por não conhecer do recurso voluntário, não conhecendo da peça apresentada a título de recurso, por carência de competência do colegiado para análise inaugural da matéria, devendo tal peça retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725720/2009-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-007.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 20 /2 00 9- 06 Fl. 287DF CARF MF 2 Relatório Tratavase, inicialmente, de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. A citada verba corresponde a diferenças de remuneração verificadas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV, em 1994. Na apuração da exigência não foram considerados valores com origem em décimo terceiro salário e em abono de férias. A forma de cálculo aplicada foi a determinada no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda no DOU de 11/05/2009, que dispõe sobre rendimentos recebidos acumuladamente, levando em conta as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, sendo o cálculo mensal e não global (Auto de Infração de fls. 2 a 10). Em sessão plenária de 06/06/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 220201.185 (fls. 141 a 153), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.725720/200906 Acórdão n.º 9202007.235 CSRFT2 Fl. 288 3 dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo (Relator) e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.." Cientificada do acórdão em 23/04/2013 (AR Aviso de Recebimento de fls. 169), a Contribuinte opôs, em 26/04/2013 (carimbo de fls. 162), os Embargos de Declaração de fls. 162 a 168, rejeitados conforme despacho de 06/11/2013 (fls. 174/175). Intimada da rejeição dos Embargos em 29/02/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. fls. 180), a Contribuinte interpôs, em 14/03/2016 (carimbo de fls. 182), o Recurso Especial de fls. 182 a 217, com fundamento no art. 64 e seguintes, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação à matéria “URV – parcelas de natureza indenizatória", conforme despacho de 23/09/2016 (fls. 263 a 272). Intimado, o Contribuinte não apresentou Agravo. Relativamente à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte apresenta as seguintes alegações: a origem dos pagamentos da Lei Estadual n° 8.730, de 2003, e da Lei Complementar n° 20, de 2003, foi o desfecho desfavorável à Fazenda Pública baiana nos autos da AO 613BA e 614BA julgadas pelo STF, de forma que o Estado da Bahia utilizou de sua própria receita originária para compensar seus Servidores Públicos em razão das diferenças havidas por conta da URV; a decisão recorrida contradiz o quanto já foi decidido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, que já analisou idêntico assunto ao aqui discutido, tendo concluído pelo caráter indenizatório da parcela recebida a título de URV (processo n° 10580.726058/20090, que originou o Acórdão n° 210201.746); por fim, cumpre destacar as conclusões fornecidas pelo Parecer do Jurista Marco Aurélio Greco, tendo tal estudo sido empreendido em resposta à consulta formulada pelas Associações de Classe dos Membros do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e da Magistratura do Estado da Bahia: Fl. 289DF CARF MF 4 "(...) Embora se trate de matéria controvertida, o exame das circunstâncias e do contexto vigorante à época da edição das leis estaduais mostra existirem elementos para considerar que o abono variável previsto na Lei Federal englobou a parcela correspondente à diferença de URV resultante da lei n. 8.880/94. Na medida em que o Supremo Tribunal Federal emitiu pronunciamento afirmando a natureza jurídica da verba, inclusive à vista de precedentes do próprio Tribunal, é no mínimo razoável entender que a verba contemplada nas leis estaduais comunga da mesma natureza jurídica daquela prevista pela lei federal." Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, reconhecendose a improcedência do lançamento, em razão da natureza indenizatória da parcela em exame. O processo foi encaminhado à PGFN em 1º/02/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 277) e, na mesma data (Despacho de Encaminhamento de fls. 286), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 278 a 285, contendo os seguintes argumentos: o abono variável foi instituído inicialmente para os membros da Magistratura Federal, nos termos da Lei nº 9.655, de 1998, alterada pela Lei 10.474, de 2002; em 27/06/2002, foi editada a Lei nº 10.477, que, dispondo sobre a remuneração do Ministério Público da União, estendeu o abono variável concedido aos membros da Magistratura Federal, bem como a forma de cálculo e pagamento, aos membros do Ministério Público da União; em 12/12/2002, o Presidente do Supremo Tribunal Federal editou a Resolução nº 245, que previu que o abono variável possui natureza indenizatória; na mesma linha do quanto decidido administrativamente pelo Supremo Tribunal Federal, o ProcuradorGeral da República em 23/12/2002, emitiu despacho estendendo a interpretação contida na Resolução nº 245, de 2002, ao abono variável concedido aos membros do Ministério Público da União; após essa sequência de leis e despachos, vieram dois Pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (Parecer 529/2003 e 923/2003) que reconheceram a não incidência tributária sobre o abono variável percebido pelos membros da Magistratura e Ministério Público Federal; ocorre que o contribuinte não integra o quadro de nenhuma das duas carreiras e os referidos pareceres reconheceram a não incidência tributária apenas aos membros da Magistratura e Ministério Público Federal, conforme os estritos limites traçados pela Resolução 245 do Supremo Tribunal Federal; não há que se falar em ofensa ao princípio da isonomia; com efeito, nenhuma das leis que dispõem sobre o tema ora tratado (Leis 9.655, de 1998, 10.474, de 2002, e 10.477, de 2002) exime a tributação de Imposto de Renda sobre a parcela discutida; tratamse de leis limitadas a instituir o abono variável e sua forma de cálculo, não havendo nenhuma norma sobre a tributação; Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.725720/200906 Acórdão n.º 9202007.235 CSRFT2 Fl. 289 5 ainda que essas leis dispusessem sobre a não incidência de IRPF sobre o abono variável, devese guardar obediência ao artigo 111 do Código Tributário Nacional, no sentido de que todo dispositivo legal que disponha sobre isenção, suspensão, exclusão de crédito tributário deve receber interpretação restritiva; cumpre registrar que a pretensão da contribuinte também viola a lei tributária, sobretudo se considerado o artigo 3º, da Lei 7.713, de 1988; o legislador foi claro ao determinar a incidência de IRPF sobre o rendimento bruto, ressalvado o teor dos artigos 9º a 14 da mesma Lei, onde não consta qualquer referência ao abono discutido no caso em apreço; ademais, pouco importa a denominação da parcela tributada, se títulos, direitos, origem, bastando que haja benefício do contribuinte de qualquer forma e a qualquer título; no caso concreto constatase que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos pelo contribuinte em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe sobre diferenças decorrentes do erro na conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, portanto não há dúvida de que o abono deve se sujeitar à incidência do IRPF. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e, na parte em que teve seguimento, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. A multa de ofício foi excluída em Segunda Instância. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Fl. 291DF CARF MF 6 Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10580.725720/200906 Acórdão n.º 9202007.235 CSRFT2 Fl. 290 7 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na sequência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação do Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta de identidade entre o abono variável tratado na Resolução e as diferenças de URV: “TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – DIFERENÇAS ORIUNDAS DA CONVERSÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL EM URV – VERBA PAGA EM ATRASO – NATUREZA REMUNERATÓRIA – RESOLUÇÃO 245/STF – INAPLICABILIDADE. Fl. 293DF CARF MF 8 1. As diferenças resultantes da conversão do vencimento de servidor público estadual em URV, por ocasião da instituição do Plano Real, possuem natureza remuneratória. 2. A Resolução Administrativa n. 245 do Supremo Tribunal Federal não se aplica ao caso, pois faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n. 9.655/98. Ademais, não se trata de decisão proferida em ação com efeito erga omnes, de modo que não pode ser considerada como fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito suficiente para influir no julgamento da presente ação. 3. Agravo regimental não provido." (STJ, AgRg no Ag 1285786/MA, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20/05/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de inúmeros julgados proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, dentre os quais o Acórdão nº 9202 004.464, de 28/09/2016, que reformou o Acórdão nº 210201.746, indicado pela Contribuinte como paradigma, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10580.725720/200906 Acórdão n.º 9202007.235 CSRFT2 Fl. 291 9 Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13405.000377/2001-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
RESTITUIÇÃOECOMPENSAÇÃO DEINDÉBITO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN.
Aopedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AplicaçãodaSúmulaCARF91aocaso.
Numero da decisão: 1301-003.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$4.916,01 de CSLL e de R$18.430,78 de IRPJ, bem como homologar as compensações declaradas até este limite, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Aopedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AplicaçãodaSúmulaCARF91aocaso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$4.916,01 de CSLL e de R$18.430,78 de IRPJ, bem como homologar as compensações declaradas até este limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 5. 00 03 77 /2 00 1- 47 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13405.000377/200147 Acórdão n.º 1301003.355 S1C3T1 Fl. 407 2 Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório GISAN COMERCIAL LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC (fls. 313 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: Pedido de Restituição/Compensação Consiste o presente processo de pedidos de restituição/compensação apresentados pela empresa acima identificada, em 10/10/2001, mediante a inicial de folhas 01a 05 e 206 a 207, de créditos de IRPJ e de CSLL, relativos aos saldos negativos apurados nas declarações de rendimentos dos exercícios de 1993, 1998, 1999 e 2000, anos calendários de 1992, 1997, 1998 e 1999, com débitos de PIS e COFINS, relativos aos períodos de apuração de março de 2001 a janeiro de 2002, relacionados nos formulários de pedido de compensação às fls. 04, 05 e 207. Despacho Decisório da DRF 2. Em 27/02/2004, a Delegacia da Receita Federal em Recife/PE, através do Despacho Decisório de folha 239 e tendo por base o Termo de Informação Fiscal de fls. 237/238 decidiu por homologar em parte a compensação efetuada pelo contribuinte, em função do reconhecimento do direito creditório do contribuinte junto à Fazenda Nacional, referente aos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados nas declarações de rendimentos dos exercícios de 1998, 1999 e 2000. 3. Ressaltouse, no Temo de Informação Fiscal, que os saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados na declaração de rendimentos do exercício de 1993, anocalendário de 1992, em nome da empresa GIBAHIA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE CONSUMO LTDA CNPJ n0 14.618.573/000198, incorporada à empresa em epigrafe, e tomados disponíveis pela Receita Federal, em 22/07/96 e 23/09/96 (fls. 41 e 42), não puderam ser restituídos nem compensados, tendo em vista o transcurso do prazo qüinqüenal. Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade, que aduziu os seguintes argumentos: 4.1. que, em virtude dos documentos de fls. 41 e 42, disponibilizando créditos relativos ao anocalendário de 1992, já havia pela Receita Federal a homologação do direito da requerente compensar os mesmos, inexistindo qualquer prazo para que a empresa o concretizasse. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 13405.000377/200147 Acórdão n.º 1301003.355 S1C3T1 Fl. 408 3 4.2. que não há decadência do direito de pleitear a restituição/compensação, pois o contribuinte conta com prazo de 5 (cinco) anos para solicitar a restituição de valores, contados da homologação, que em sendo tácita, resulta num prazo de 10 (dez) anos para o mesmo. Acrescenta que esse é o entendimento da Primeira Seção do STJ, que no Eresp 435835 uniformizou a Jurisprudência ao decidir aplicar a regra geral dos "cinco mais cinco", nos casos de prescrição de tributos sujeitos á homologação, em decorrência da aplicação dos artigos 150 e 168 do CTN. Em julgamento realizado em 16 de outubro de 2006, 3ª Turma da DRJ/REC, considerou improcedente a manifestação apresentada e prolatou o acórdão 1117127, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação, não resgatada, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados do dia seguinte à data da disponibilização do crédito tributário. Solicitação Indeferida Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 327 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: da não ocorrência da decadência do direito da recorrente de pleitear a compensação, seu direito é de 10 anos; do direito à compensação dos créditos; O processo chegou a este CARF, e em 14/08/2008, a Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução 1051.416, para que a unidade administrativa de origem verifique se os valores disponibilizados ao contribuinte em 1996 foram resgatados ou utilizados pelo mesmo e se dê ciência ao contribuinte sobre o resultado da diligência. Assim, juntouse a Informação PJ SEORT, às fls. 382. Recebi os autos por sorteio em 12/04/2018. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 13405.000377/200147 Acórdão n.º 1301003.355 S1C3T1 Fl. 409 4 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimada ao recolhimento do débito em 07/03/2007, (AR à fl. 298), e apresentou em 05/04/2007, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 302 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. A discussão se refere ao pedido de compensação dos valores de R$4.916,01 e R$18.430,78, de IRPJ e CSLL, referentes à restituição do exercício de 1992, que haviam sido disponibilizados em 22/07/96 e 23/09/96. As declarações foram apresentadas em 10/10/2001. Através da Resolução 159.266, este CARF determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem verificasse se os valores disponibilizados ao contribuinte em 1996 foram resgatados ou utilizados pelo mesmo. À fl. 361, consta a informação da SEORT, de que após consultas nos sistemas de controles de processos Comprot, não foram localizados processos administrativos versando sobre pedido de restituição/compensação de saldo credor de IRPJ 1992/1993 em favor da recorrente ou da incorporada, bem como, foi consulta do sistema SIAFI, onde também não foram detectados pagamentos de restituições ordens bancárias para os exercícios indicados. Assim, para o questionamento suscitado pela Turma a quo a resposta é de que não houve pagamentos, nos termos do inc. II, art. 26 da IN 600/2005: § 5 O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da SRF; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Ademais, em que pese o despacho decisório e a DRJ entenderem que o prazo de 5 anos já havia transcorrido para o pedido de restituição, já que a disponibilização do crédito se deu em 23/9/1996 e o ajuizamento do requerimento em 10/10/2001, fato é que temos a Súmula CARF 91, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13405.000377/200147 Acórdão n.º 1301003.355 S1C3T1 Fl. 410 5 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Dessa forma considerando que o pedido ocorreu antes da data mencionada, o prazo prescricional a ser aplicado é de 10 anos, de tal forma que no caso em tela não há que se falar em prescrição ou decadência. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE provimento para conhecer o direito à utilização do crédito adicional de R$4.916,01 e R$18.430,78, de CSLL e de IRPJ, referente ao anocalendário de 1992, bem como homologar as compensações até este limite. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 410DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000035/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 03 5/ 20 10 -3 3 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 12571.000035/201033 Resolução nº 3301000.739 S3C3T1 Fl. 458 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 459DF CARF MF Processo nº 12571.000035/201033 Resolução nº 3301000.739 S3C3T1 Fl. 459 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002132/2003-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Relatório.
Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado contra a decisão da Delegacia de Julgamento que manteve a não-homologação da compensação apresentada pelo contribuinte no presente processo, relativa a crédito de saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2001.
Passemos a transcrever o relatório da turma julgadora deste CARF quando converteu o julgamento em diligência para a apuração dos créditos do contribuinte.
Em 10/02/2003, a contribuinte protocolizou, junto à SRF, DCOMP (fls.01/02), objetivando o aproveitamento de saldo negativo de CSLL, referente ao ano-calendário de 2001, no valor de R$ 269.793,93 para compensação de débitos do mesmo tributo do período de apuração de 31/10/2002.
Em 27/07/2007, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 365/374) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP, pelos motivos expostos a seguir:
o saldo negativo do ano-calendário de 2001, provém, em parte, de compensações de estimativas com saldos negativos de exercícios anteriores. Foi utilizado pela requerente o saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 1997, o qual foi analisado pela autoridade fiscal e cujo montante reconhecido foi de R$ 1.089.945,09 (fl.367) de um total informado na DIPJ de R$ 1.093.877,47 (fl.153);
0 montante reconhecido pela autoridade fiscal de saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1998 foi de R$ 910.314,53 (fl.368) de um total informado em DIPJ de R$ 916.866,99 (fl.161) em decorrência de deduções a maior de CSLL de órgão público no valor de R$ 330.205,82 tendo sido, na verdade, comprovado apenas R$ 323.653,36; Para o ano-calendário de 1999, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 709.162,49 (fl.370) de um total informado em DIPJ de R$ 736.263,19 (fl.185). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 332.895,42 (fls.196 e 353), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 359.996,12 (fls.179/185);
Para o ano-calendário de 2000, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 139.650,15 (fl.371) de um total informado em DIPJ de R$ 599.869,86 (fl.212). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 695.052,70 (fls.214 e 354), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 769.302,78 (fls.206/211).
Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; Para o ano-calendário de 2001, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de R$ 765.250,58 (f1.372) de um total informado em DIPJ de R$ 1.367.219,58 (f1.364). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 966.559,79 (fls.355), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 966.572,23 (fls.358/363). Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; O saldo, ora reconhecido pela autoridade fiscal, não foi suficiente para a compensação do débito informado em DCOMP por ter sido o referido crédito consumido em outras compensações efetuadas pela requerente.
A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 06/09/2007 (fl. 375verso) e dela recorreu a esta DRJ em 09/10/2007 (fls. 376/389).
Analisando a questão o órgão julgador a quo entendeu por concluir pela não homologação, nos seguintes termos:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP.
Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP.
SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.
Constituem créditos a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda e CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.
Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário ora analisado, reiterando os argumentos anteriormente apresentados.
Tomando conhecimento do recurso a turma julgadora converteu o julgamento em diligência com baixa do processo á Delegacia de Origem para a realização dos seguintes procedimentos:
(a) considere, no cálculo da retenção de CSLL por órgãos públicos, os valores declarados pelas fontes pagadoras nos informes de rendimentos de fls.299 e 354; (b) verifique, à vista dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e, se for o caso, de novos esclarecimentos do recorrente, a alegação de defesa relacionada a suposto erro de preenchimento de DCTF (fls.470/473), que no entender do contribuinte conferir-lhe-ia um crédito adicional de R$233.052,34 (fl.472);
(c) verifique os efeitos decorrentes das providências acima na apuração dos saldos negativos examinados, bem como no direito creditório e compensação pleiteados; (d) descreva em relatório circunstanciado as providências adotadas; (e) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento.
Realizada a diligência o fiscal responsável apresentou relatório de diligência de fls. 958/962, no qual informa que, mesmo considerando a inclusão dos valores de retenção na fonte antes não considerados, após refazer os cálculos de compensação dos saldos negativos apurados pela empresa entre os anos de 1997 e 2001, não restou saldo de crédito suficiente no ano de 2001 para compensar o valor do débito por estimativa de CSLL de outubro/2002 declarado neste processo.
Tomando conhecimento do relatório da diligência o recorrente apresentou suas alegações quanto ao informado pro meio da petição de fls. 990/1013, no qual apresenta diversos pontos de discordância quando à apuração realizada pela fiscalização e pretende o reconhecimento total dos seus créditos.
É o relatório.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Passemos a transcrever o relatório da turma julgadora deste CARF quando converteu o julgamento em diligência para a apuração dos créditos do contribuinte. Em 10/02/2003, a contribuinte protocolizou, junto à SRF, DCOMP (fls.01/02), objetivando o aproveitamento de saldo negativo de CSLL, referente ao ano-calendário de 2001, no valor de R$ 269.793,93 para compensação de débitos do mesmo tributo do período de apuração de 31/10/2002. Em 27/07/2007, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 365/374) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP, pelos motivos expostos a seguir: o saldo negativo do ano-calendário de 2001, provém, em parte, de compensações de estimativas com saldos negativos de exercícios anteriores. Foi utilizado pela requerente o saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 1997, o qual foi analisado pela autoridade fiscal e cujo montante reconhecido foi de R$ 1.089.945,09 (fl.367) de um total informado na DIPJ de R$ 1.093.877,47 (fl.153); 0 montante reconhecido pela autoridade fiscal de saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 1998 foi de R$ 910.314,53 (fl.368) de um total informado em DIPJ de R$ 916.866,99 (fl.161) em decorrência de deduções a maior de CSLL de órgão público no valor de R$ 330.205,82 tendo sido, na verdade, comprovado apenas R$ 323.653,36; Para o ano-calendário de 1999, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 709.162,49 (fl.370) de um total informado em DIPJ de R$ 736.263,19 (fl.185). 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Não comprovada a existência de direito creditório veda-se ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem créditos a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda e CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário ora analisado, reiterando os argumentos anteriormente apresentados. 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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 02 13 2/ 20 03 -6 5 Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.017 2 Relatório. Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado contra a decisão da Delegacia de Julgamento que manteve a nãohomologação da compensação apresentada pelo contribuinte no presente processo, relativa a crédito de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2001. Passemos a transcrever o relatório da turma julgadora deste CARF quando converteu o julgamento em diligência para a apuração dos créditos do contribuinte. Em 10/02/2003, a contribuinte protocolizou, junto à SRF, DCOMP (fls.01/02), objetivando o aproveitamento de saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 2001, no valor de R$ 269.793,93 para compensação de débitos do mesmo tributo do período de apuração de 31/10/2002. Em 27/07/2007, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 365/374) NÃO HOMOLOGANDO as compensações declaradas em DCOMP, pelos motivos expostos a seguir: •o saldo negativo do anocalendário de 2001, provém, em parte, de compensações de estimativas com saldos negativos de exercícios anteriores. Foi utilizado pela requerente o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 1997, o qual foi analisado pela autoridade fiscal e cujo montante reconhecido foi de R$ 1.089.945,09 (fl.367) de um total informado na DIPJ de R$ 1.093.877,47 (fl.153); • 0 montante reconhecido pela autoridade fiscal de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1998 foi de R$ 910.314,53 (fl.368) de um total informado em DIPJ de R$ 916.866,99 (fl.161) em decorrência de deduções a maior de CSLL de órgão público no valor de R$ 330.205,82 tendo sido, na verdade, comprovado apenas R$ 323.653,36; • Para o ano calendário de 1999, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 709.162,49 (fl.370) de um total informado em DIPJ de R$ 736.263,19 (fl.185). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 332.895,42 (fls.196 e 353), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 359.996,12 (fls.179/185); • Para o anocalendário de 2000, a autoridade fiscal reconheceu o quantitativo de R$ 139.650,15 (fl.371) de um total informado em DIPJ de R$ 599.869,86 (fl.212). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 695.052,70 (fls.214 e 354), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 769.302,78 (fls.206/211). Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; Para o anocalendário de 2001, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de R$ 765.250,58 (f1.372) de um total informado em DIPJ de R$ 1.367.219,58 (f1.364). A diferença provém da glosa de IRRF de órgão público em que foi comprovado o valor de R$ 966.559,79 (fls.355), no entanto, a contribuinte deduziu R$ 966.572,23 (fls.358/363). Ademais, as compensações das estimativas com os saldos negativos de exercícios anteriores não puderam ser reconhecidos em sua totalidade em virtude dos ajustes efetuados nos referidos períodos de apurações; • O saldo, ora reconhecido pela autoridade Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.018 3 fiscal, não foi suficiente para a compensação do débito informado em DCOMP por ter sido o referido crédito consumido em outras compensações efetuadas pela requerente. A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 06/09/2007 (fl. 375verso) e dela recorreu a esta DRJ em 09/10/2007 (fls. 376/389). Analisando a questão o órgão julgador a quo entendeu por concluir pela não homologação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem créditos a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda e CSLL apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário ora analisado, reiterando os argumentos anteriormente apresentados. Tomando conhecimento do recurso a turma julgadora converteu o julgamento em diligência com baixa do processo á Delegacia de Origem para a realização dos seguintes procedimentos: (a) considere, no cálculo da retenção de CSLL por órgãos públicos, os valores declarados pelas fontes pagadoras nos informes de rendimentos de fls.299 e 354; (b) verifique, à vista dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil e, se for o caso, de novos esclarecimentos do recorrente, a alegação de defesa relacionada a suposto erro de preenchimento de DCTF (fls.470/473), que no entender do contribuinte conferirlheia um crédito adicional de R$233.052,34 (fl.472); (c) verifique os efeitos decorrentes das providências acima na apuração dos saldos negativos examinados, bem como no direito creditório e compensação pleiteados; (d) descreva em relatório circunstanciado as providências adotadas; (e) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Realizada a diligência o fiscal responsável apresentou relatório de diligência de fls. 958/962, no qual informa que, mesmo considerando a inclusão dos valores de retenção na fonte antes não considerados, após refazer os cálculos de compensação dos saldos negativos apurados pela empresa entre os anos de 1997 e 2001, não restou saldo de crédito suficiente no Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.019 4 ano de 2001 para compensar o valor do débito por estimativa de CSLL de outubro/2002 declarado neste processo. Tomando conhecimento do relatório da diligência o recorrente apresentou suas alegações quanto ao informado pro meio da petição de fls. 990/1013, no qual apresenta diversos pontos de discordância quando à apuração realizada pela fiscalização e pretende o reconhecimento total dos seus créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Tendo em vista que o presente processo cingese à apuração de saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, para a compensação de débito de estimativa de CSLL de out/2002, e diante das alegações do recorrente de que haviam valores de compensação de estimativas com créditos de exercícios anteriores ainda não considerados, foi determinada a realização de diligência para aferição dos valores compensados com créditos de mesmo tributo de exercícios anteriores e apuração dos novos créditos disponíveis. Tendo em vista que a diligência foi bem específica na apresentação de suas razões e que o recorrente contesta os termos do relatório elaborado pela fiscalização, iremos nos deter nestas duas peças para analisar o caso. Do informe de rendimentos do anocalendário 2000, relativo a retenção de órgãos públicos. Com relação à retenção de CSLL por órgão público o recorrente alega que desde o despacho decisório o valor da retenção na fonte de órgão público informada no comprovante de rendimento de fls. 726, foi incorretamente computado desde a prolação do despacho decisório inicial, que foi referendado pela diligência. Analisando o referido comprovante de fls. 726 e refazendo os cálculos de retenção conforme abaixo, verificamos que assiste razão ao recorrente. Efetivamente o valor das retenções no ano de 2000 monta de R$ 718.857,09 e não R$ 695.052,70, conforme indicado no despacho decisório às fls. 744. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.020 5 mês código rendimento retenção CSLL retida jan/00 6147 15.680.165,81 917.289,68 156.801,65 fev/00 6147 9.815.810,60 574.224,92 98.158,11 mar/00 6147 4.718.224,05 276.016,11 47.182,24 mai/00 6190 2.225.640,38 210.323,02 22.256,40 out/00 6147 8.717.250,46 509.959,15 87.172,50 nov/00 6147 23.129.238,24 1.353.060,44 231.292,38 dez/00 6147 7.599.380,11 444.563,74 75.993,80 Total da CSLL retida 718.857,09 Desta forma, verificandose a incorreção na apuração do valor do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, há de se reconhecer um direito de crédito adicional, relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000, no montante de R$ 23.804,39. Em relação aos demais itens de apuração das compensações de saldos de um períodos com débitos de estimativa de outros períodos, verificamos, pelo menos um falha no que tange à compensação de créditos de 1997, conforme demonstrado abaixo no relatório de diligência: 9. O item (b) da Resolução trata de suposto erro de preenchimento de DCTF relativo ao período de apuração janeiro/2000 (fl.572). Conforme referida DCTF, o débito apurado no valor de R$ 434.896,43 (estimativa CSLL) teria sido compensado com o saldo negativo de CSLL AC 1998. Porém a interessada alega (fl.850) que a compensação, na realidade, ocorreu da seguinte forma: 10. De fato, houve um saldo negativo CSLL AC 1997 remanescente na importância de R$ 462.491,94, conforme mencionado no item 7 deste despacho. Este montante seria suficiente para a compensação de acordo com o quadro acima. 11. Verificouse, após pesquisas nos sistemas da Receita Federal, que referido saldo remanescente não foi objeto de pedido de compensação ou restituição, pois não foi localizado processo de restituição ou de pedido de compensação com outros tributos. Também não foi localizado PERD/COMP eletrônico referente a crédito de saldo negativo de CSLL AC 1997. 12. Portanto, considerando que houve erro na informação prestada na DCTF, parte da estimativa de CSLL, período de apuração janeiro/2000, no valor de R$ 351.356,98, pôde ser compensada com o saldo remanescente de CSLL AC 1997. A outra parte, R$ 83.539,45 também pôde ser compensada com o saldo negativo de CSLL AC 1998, porém neste caso, o saldo credor AC 1998 não foi suficiente para a compensação da estimativa de novembro/2000, conforme demonstrado na planilha à fl.955. Da leitura dos termos do relatório da diligência vemos que a fiscalização, mesmo verificando que o crédito remanescente do ano de 1997 montava em cerca de R$ 462, ainda não considerando a diferença da retenção da fonte já acima apontada, apenas utilizou Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 11610.002132/200365 Resolução nº 1401000.594 S1C4T1 Fl. 1.021 6 cerca de R$ 351 nas compensações, ou seja, existem valores de créditos que não foram utilizadas nas compensações de débitos de exercícios seguintes. Assim, verificandose que: 1) Existem créditos adicionais a serem reconhecidos ao contribuinte; 2) Existem créditos de saldo negativos que não foram integralmente esgotados nas compensações com débitos de exercícios futuros; 3) Que assiste razão ao contribuinte com relação a, em obediência ao princípio da verdade material, necessidade de ser refeita toda a apuração das compensações dos saldos negativos com as compensações de estimativas nos exercícios seguintes; Entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência com baixa dos autos à Delegacia de Origem a fim de que seja refeita a apuração de acordo com os seguintes critérios: a) Utilizar, na composição do crédito de CSLL retida por órgão público, relativo ao anocalendário 1997, o valor de R$ 718.859,09, conforme comprovante de fls. 726 e confirmado na tabela constante neste voto; b) Reapurar o valor de cada saldo negativo anual, iniciando do anocalendário de 1997; c) Realizar os cálculos de compensação dos saldos negativos a partir do ano de 1997 para a compensação dos débitos de estimativa dos anos subsequentes, não se limitando apenas ao que foi informado nas DCTF e esgotando por completo o saldo de cada ano antes de passar ao ano subsequente; d) Após refazer todos os cálculos de compensação, informar se os débitos de estimativa do anocalendário 2002 foram integralmente compensados e qual o saldo final resultante das compensações em favor ou contra o recorrente. e) Cientificar o contribuinte do resultado da diligência abrindolhe prazo para manifestação. É como voto. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1021DF CARF MF
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