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Numero do processo: 13161.720122/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE
Acatado o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural, apresentado pelo Contribuinte a fiscalização, em resposta a intimação, com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, apenas um novo Laudo Técnico teria o condão de alterar o Valor da Terra Nua - VTN mínimo, desde que revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo que seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 VTN. MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE Acatado o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural, apresentado pelo Contribuinte a fiscalização, em resposta a intimação, com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, apenas um novo Laudo Técnico teria o condão de alterar o Valor da Terra Nua - VTN mínimo, desde que revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo que seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas - ABNT. Recurso negado.
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MODIFICAÇÃO. LAUDO TÉCNICO. OBSERVÂNCIA NORMAS ABNT. IMPRESCINDIBILIDADE Acatado o Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural, apresentado pelo Contribuinte a fiscalização, em resposta a intimação, com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, apenas um novo Laudo Técnico teria o condão de alterar o Valor da Terra Nua VTN mínimo, desde que revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo que seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 01 22 /2 00 8- 81 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Camilo Balbi (Suplente Convocado), Guilherme Barranco (Suplente Convocado), Pedro Anan Júnior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13161.720122/200881 Acórdão n.º 2202002.455 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, FRANCISCON AGROPECUÁRIA S/A foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 55 a 59. por meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 91.422,79, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Quiterói, com área de 7.972,1 ha., NIRF 0.377.4201, localizado no município de Anaurilândia/MS. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não logrou comprovar o valor da terra nua declarado; que a matrícula comprova que a área total do imóvel é 7.972,1 ha.; e que o laudo técnico apresentado avaliou o VTN do imóvel em R$ 1.878,87 por hectare, relativamente ao valor de mercado em I o de janeiro do ano de exercício da DITR, totalizando para o imóvel o VTN de R$ 14.978.539,53, que foi utilizado para o cálculo do imposto. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 01 a 54. Cientificada do lançamento, por via postal, em 06/10/2008 (fls. 100), a interessada apresentou a impugnação de fls. 61 a 66, em 04/11/2008, acompanhada dos documentos de fls. 67 a 97, onde argumentou, em suma, o que segue: • O valor da terra informado no laudo técnico é do mês de julho/2008, quando de sua elaboração; não nega o valor constante do laudo, porém, no ano de 2005 o valor era menor, posto que tudo aumentou de valor desde então, inclusive o preço da terra, razão pela qual não se pode adotar o preço de hoje; • Várias informações demonstram a subida dos preços, conforme segue: 05/01/2005, a arroba do boi gordo era cotada ao preço médio de R$ 60,00 e em julho/2008 chegou a R$ 94,00; um novilho valia R$ 600,00 e atualmente vale R$ 1.000,00; a inflação acumulada no período de 01/01/2005 a 30/09/2008, medida pelo INPC/IBGE foi de 19,50% e a variação da Taxa Selic chegou a 51,17%; a terra teve aumento de preço significativo no Estado do Mato Grosso do Sul nos últimos anos, principalmente a partir do ano 2006, dada a erradicação do surto de Febre Aftosa e expansão da área de plantio de cana, com instalação de diversas usinas de beneficiamento no Estado; • Sempre informou na DITR o valor de mercado do imóvel; se a autoridade administrativa supôs que o valor declarado estava abaixo do de mercado, deveria diligenciar antes de efetuar o lançamento e demonstrar o valor real do imóvel em 01/01/2005, mas, não produziu nenhuma prova nesse sentido: • O lançamento contraria a parte final do art. 14 da Lei n.° 9.393/1996. que determina que o valor seja apurado em procedimento de fiscalização, o que exige que a administração fazendária produza as provas dos fatos constitutivos de seu direito, ou seja , que demonstre que a declaração entre pelo contribuinte não merece fé; segundo o art. 2o da Lei n.° 9.784/1999 os atos administrativos deverão ser motivados, em observância aos princípios da legalidade e da verdade material que orientam o direito tributário; consoante entendimento Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 expresso em Acórdão do (antigo) 3° Conselho de Contribuinte, o ITR está sujeito ao lançamento por homologação, cabendo ao fisco o ônus da prova quanto ao valor real do imóvel, caso discorde do declarado; A falta de laudo técnico referente ao Exercício 2005 não dá à autoridade administrativa o direito de adotar o valor de mercado do imóvel em 2008 para efetuar o lançamento suplementar do ITR/2005, posto que contraria o art. Io da Lei n.° 9.393/1996, que diz que o ITR tem como fato gerador a propriedade do imóvel em I o de janeiro de cada ano; • Para demonstrar que o valor do laudo não pode ser considerado para 2005, apresenta informações sobre preços de terras avaliados pela Fazenda Pública Municipal de Anaurilândia nos anos de 2004 e 2005; • No ano de 2005, o imóvel foi medido pelo sistema de georreferenciamento, instituído pela Lei n.° 10.267/2001, e não teve tempo de providenciar a retificação da DITR/2005, já que o procedimento estava em fase de conclusão junto ao Incra. A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: SUJEITO PASSIVO DO ITR. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural, assim definido em lei. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua aceito pela fiscalização, com base no laudo técnico apresentado em atendimento à intimação, se não for apresentada comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. Enfatiza três pontos 1) que a autoridade administrativa não produziu nenhuma prova que o VTN do imóvel em 01/01/2005 era maior que o declarado; 2) que a autoridade julgadora não aceitou o argumento de que o valor da Terra Nua em 2005 era menor em 2005 e 3) que é dever do fisco provar que o VTN declarado estava abaixo do preço do fisco. Reitera que demonstrou que o preço da terra era menor em 2005, a partir de vária evidências tais como o preço da arroba do boi, a inflação acumulada e a variação da taxa selic. Enfatiza a não produção de provas pelo fisco para comprovar a suposta subavaliação. Indica que fisco não produziu provas que a recorrente subavaliou o VTN/ha do imóvel em 01/01/2005, nem observou que o fisco não levou em consideração os valores inclusos no SIPT, já que não apontou qual o VTN/ha do imóvel em 01/01/2005. A decisão recorrida não levou em consideração a defesa da recorrente quando ela apontou que o 1TR tem como fato gerador a propriedade do imóvel em I o de janeiro de cada ano, ao manter o crédito tributário constituído com base em valores de 2008, a Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13161.720122/200881 Acórdão n.º 2202002.455 S2C2T2 Fl. 4 5 decisão recorrida contrariou as disposições do art. I o e 8o , § II da Lei Federal n° 9393/96 que determinam "que o ITR tem fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel em Io de janeiro de cada ano e que o VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em Io de janeiro do ano a que se referir o DIAT. É o relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A lançamento referese exclusivamente a alteração do VTN, que foi realizado pela fiscalização com base no laudo entregue pelo interessado, como resposta a intimação de fiscal para apresentação de laudo que comprove o valor da Terra Nua. A autoridade recorrida ao apreciar os argumentos do recorrente sintetiza: “No caso ora tratado, em trabalho de malha da Declaração de ITR/2005 do imóvel, a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar o VTN declarado mediante a apresentação de Laudo de Avaliação elaborado em conformidade com norma da ABNT, conforme Termo de Intimação Fiscal de fls. 0 1 a 03, onde constou também a informação de que, na falta de comprovação do valor declarado, o VTN seria arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, que indicava o VTN/ha. de R$ 2.257,50 para terras classificadas como "outras"* no município de localização do imóvel. A administração tributária alimentou o SIPT com informação fornecida pela Prefeitura do Município de Anaurilândia/MS e a autoridade fiscal, antes do lançamento, cientificou o contribuinte do valor contido no SIPT, ficando demonstrado que foram cumpridas as exigências previstas na legislação tributária para arbitramento do VTN. Após receber o Termo de Intimação Fiscal com informações necessárias para comprovação do VTN do imóvel no Exercício em questão, o contribuinte apresentou o laudo técnico de fls. 15 a 40, acompanhado da respectiva ART, onde o profissional habilitado, engenheiro agrônomo, informou que avaliou o VTN/ha. do imóvel em R$ 1.878,87 e que o laudo foi elaborado para "Atender ao solicitado no Termo de Intimação Fiscal 01402/00055/2008, lavrado em 16/06/2008. pela Unidade da DRF/Dourados(MS)". A autoridade fiscal acolheu o VTN/ha. indicado em tal laudo e, dessa forma, após multiplicar esse valor pela área total do imóvel registrada na matrícula imobiliária e no laudo técnico, de 7.972,1 ha., alterou o VTN do imóvel para R$ 14.978.539,53 e refez o cálculo do imposto devido. E, com a exclusão do VTN correspondente às áreas isentas, apurou o VTN tributável de R$ 11.260.630,85. Como razão fundamental para votar, autoridade recorrida reitera que não há prova que permita no recurso invalidar o lançamento com base no laudo elaborado pelo recorrente em atendimento a um intimação específica. Cabe destacar que, conforme comprovantes de fls. 80 a 82, para fins de ITBI. a Prefeitura Municipal de Anaurilândia/MS aceitou Fl. 140DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13161.720122/200881 Acórdão n.º 2202002.455 S2C2T2 Fl. 5 7 avaliação de imóveis rurais por valores correspondentes a R$ 2.100,00, R$ 1.690,96 e R$ 2.433,09 por hectare, nos anos de 2004 e 2005, e nessas guias do ITBI não houve destaque de valor de benfeitorias existentes nesses imóveis. E, com relação ao ano a que se referem os valores considerados no laudo técnico, apesar de constar informação de que são de 2008, não foram apresentados comprovantes efetivos nesse sentido e nem das características efetivas e das benfeitorias efetivamente existentes nos elementos amostrais considerados pelo profissional para justificar que o imóvel ora tratado possuía VTN/ha. inferior ao dos paradigmas. Assim, apesar dos questionamentos da contribuinte, impõese reconhecer que não há nos autos comprovação efetiva que justifique reconhecer que o VTN efetivo do imóvel é menor do que o considerado pela fiscalização. Da análise do lançamento, não identifico qualquer vício no mesmo. Fundamentalmente não há provas nos autos, que demonstrem existir outro valor que não aquele consignado por um laudo trazido ao processo pelo próprio recorrente. Com fulcro nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, notadamente artigo 3º, § 4º, da Lei nº 8.847/1995, vigente à época da ocorrência do fato gerador, entendo que apenas um novo Laudo Técnico de avaliação de imóvel rural teria o condão de alterar o Valor da Terra Nua – VTN, naturalmente na hipótese de encontrarse revestido de todas as formalidades exigidas pela legislação de regência, impondo seja elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, além da observância das normas formais mínimas contempladas na NBR 14.653 da Associação Brasileiras de Normas Técnicas ABNT. Em suma caberia ao recorrente trazer novo laudo demonstrando a imprecisão do anterior. Entendo que as alegações do recorrente ainda que verossímeis, não são suficientes, pois é indispensável a apresentação de laudo consignando o valor almejado. Ante ao exposto, voto negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 141DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13433.000526/2010-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/04/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA.
A decisão recorrida foi realizada em estrita observância da legislação de regência, em especial os arts. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.234/72, não havendo, portanto, margem para qualquer dúvida. O lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.984
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ILEGALIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão recorrida foi realizada em estrita observância da legislação de regência, em especial os arts. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.234/72, não havendo, portanto, margem para qualquer dúvida. O lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 05 26 /2 01 0- 21 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000526/201021 Acórdão n.º 2803002.984 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000526/201021 Acórdão n.º 2803002.984 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente à contribuições sociais destinadas a Terceiros (FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, decorrentes de obra de construção civil, matrícula CEI 70.000.54443/62, apurada por meio de aferição indireta. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 08 de julho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 30/04/2009 AFERIÇÃO INDIRETA DE MÃO DE OBRA. CUB. Na falta de prova regular e formalizada acerca da remuneração dos segurados, pela execução de obra de construção civil, esta pode ser obtida e lançada de ofício mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Fazenda Pública. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Ao procurar a Receita Federal, a fim de obter a certidão negativa do INSS CND, processo administrativo, requerendo os efeitos decadenciais, tendo em vista a construção ser de 1991, apresentando documentos comprobatórios de licenciamento legais. Todos os argumentos de defesa foram desconsiderados pelo voto do conselho. O auto de infração é ilegal, pois não foi oferecido o total direito de defesa ao contribuinte. Como pode ser observado na decisão deste processo, não houve fundamentação na decisão, cerceando o direito de defesa do contribuinte. Tendo o sujeito passivo protocolado a defesa referente ao reconhecimento da decadência, os lançamentos são errôneos, considerando que tal cobrança deverá ser suspensa. O imóvel não pertence mais ao impugnante e sim a sua ex cônjuge que durante o divórcio judicial houve esta transmissão. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000526/201021 Acórdão n.º 2803002.984 S2TE03 Fl. 5 4 O requerente tem legitimidade para obter certidões. Ocorre que a construção foi em 1991, conforme documentos anexos, ou seja, a mais de 10 (dez) anos e no contexto das regras próprias aplicáveis ao regime de lançamento por homologação, que, se a Fazenda não fizer o lançamento até antes de transcorrido 10 anos da data da ocorrência do fato gerador do tributo, o crédito tributário será definitivamente extinto. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamando. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000526/201021 Acórdão n.º 2803002.984 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso o contribuinte reedita os mesmos argumentos contidos na impugnação. Alega, inicialmente, que procurou a Receita Federal com objetivo de obter a CND relativamente a imóvel construído em 1991, mas que foi surpreendido com o auto de infração ora em discussão. Afirma ainda que apresentou os documentos comprobatórios de licenciamento legais. Contudo, apesar da defesa apresentada (impugnação), todos os argumentos foram desconsiderados pelo Fisco. Assevera que a decisão recorrida não esta fundamentada, situação que caracteriza efetivo cerceamento de defesa do contribuinte e que o crédito encontrase fulminado pela decadência, tendo em vista terse passado mais de 10 (dez) anos, pois a construção é de 1991. Por último, diz o contribuinte que o imóvel não lhe pertence, tendo sido transferido a sua excônjuge por ocasião do divórcio judicial. Os argumentos do contribuinte estão totalmente divorciados da realidade, conforme se pode observar das abalizadas argumentações do julgador a quo, in verbis: Conforme ARO (fls. 20/22), a referida obra iniciouse em 16/02/2009, sendo mencionada data corroborada pelo alvará de licença para construção, à fl. 29 do presente processo. Logo, a constituição do crédito em comento, ocorrida em 07/07/2010, fezse no prazo legal, a que alude o art. 173, I, do CTN. Por sua vez, a licença trazida à fl. 46, que remonta a 13/08/1991, foi emitida por outro Município (Prefeitura Municipal de Grossos), não havendo qualquer comprovação de que se refira à obra em questão. Quanto à acusação de erro no cálculo da área a regularizar, a impugnante não trouxe aos autos prova de suas alegações. Como já frisado, a área de 70 m2, a que alude o alvará de fl. 46, não pode ser deduzida, pelas razões expostas no parágrafo anterior deste voto. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13433.000526/201021 Acórdão n.º 2803002.984 S2TE03 Fl. 7 6 De igual sorte, a planta baixa (fl. 48), carreada ao feito pela defesa, não está assinada pelo responsável técnico que a elaborou. Tampouco consta tenha a mesma sido aprovada pela prefeitura de Tibau / RN. Sequer possibilita saber a área dos alpendres, dado que não especifica a alegada área coberta, correspondente aos quartos/sala/cozinha e banheiros. Também, não há na referida planta baixa, qualquer comprovação de que a mesma seja atinente à obra em discussão, porque não há nela qualquer referência neste sentido. Não há, igualmente, nos autos qualquer comprovação de não seja o Sr. Antônio Silveira Albano legitimado a compor o polo passivo da exigência em questão, mesmo porque todos os documentos relativos à citada obra, integrantes do presente processo, encontramse em seu nome. Como se pode observar, o lançamento foi realizado em estrita observância da legislação de regência, em especial os arts. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.234/72, não havendo, portanto, margem para qualquer dúvida. Portanto, o lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 9/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902708/2008-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/08/2002
DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO.
O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/08/2002 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
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AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Vencidas as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. A Conselheira Susy Gomes Hoffmann votou pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 27 08 /2 00 8- 56 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902708/200856 Acórdão n.º 9303002.598 CSRFT3 Fl. 0 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em suposto pagamento a maior da COFINS. O alegado direito creditório é decorrente de haverem sido incluídos, na base de cálculo da contribuição recolhida, valores recebidos pelo veículo de comunicação, mas repassados às agências de publicidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, (...), a manifestação de inconformidade de fls. (...), na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. (...) Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902708/200856 Acórdão n.º 9303002.598 CSRFT3 Fl. 0 3 (...) Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos (...)” A DRJ indeferiu o pedido de perícia formulado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Ao recurso voluntário interposto foi negado provimento, nos termos do Acórdão 310201.301, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/08/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos. DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso especial, onde postula a reforma do acórdão em foco, para que lhe seja reconhecido o direito a excluir da base de cálculo da Cofins as receitas repassadas às agências de publicidade, e, com isso, seja homologada a compensação declarada. O especial do sujeito passivo foi, por mim, admitido. Em suas contrarrazões, a PGFN defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate diz respeito à base de cálculo da Cofins devida pelo veículo de divulgação. De um lado, a Fazenda entende que a Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902708/200856 Acórdão n.º 9303002.598 CSRFT3 Fl. 0 4 contribuição incide sobre o total da receita proveniente do faturamento constante das Notas Fiscais emitidas pela reclamante, enquanto esta defende a exclusão do desconto padrão pago por ela às agências de propaganda. A meu sentir, não merece reparo o acórdão recorrido, pois a Cofins, diferentemente do que acontece com o IRPJ e a CSLL, à época da ocorrência dos fatos geradores objeto destes autos, incidia sobre o total do faturamento, assim entendido, as receitas provenientes da venda de mercadorias, de serviços ou de ambos, e não sobre o lucro ou a diferença entre as receitas e as despesas, como acontece com esses dois tributos. No caso sob análise, dúvida não há que a Fiscalização tributou, tãosomente, as receitas oriundas do faturamento realizado pela recorrente, com base nas Notas Fiscais de serviços por ela emitidas, como determinava a legislação dessa contribuição, vigente à época dos fatos geradores objeto do lançamento em análise. É incontroverso nos autos que os valores lançados correspondem aos das faturas emitidas pela Fiscalizada. A discórdia entre ela e o Fisco reside na pretensão de se excluir da base de cálculo os valores correspondentes aos pagamentos de desconto padrão às agências de propaganda. A defesa socorrese do art.19 da Lei 12.232/2010 que dispõe sobre a interpretação da legislação de regência sobre os valores correspondentes ao desconto padrão de agência. Acontece, porém, que essa lei, conforme explicitado linhas abaixo, aplicase, exclusivamente, às relações dos serviços de publicidade com a Administração Pública. Não dispõe sobre o tratamento tributário das pessoas que menciona, como não poderia ser. A incidência das contribuições devidas pelas agências publicitárias e pelos veículos de divulgação, à época dos fatos em análise, obedecia à regra geral das demais pessoas jurídicas, sem qualquer regalia ou diferenciação. No caso em exame, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e, após, a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. Uma entre o veiculo de divulgação e o anunciante e outra entre a agência de propaganda e o veículo de divulgação. E cada uma dessas relações negociais haverá repercussão financeira, e, por conseguinte, tributária. No caso específico dos autos, a relação entre anunciante e veiculo de divulgação gera receita para este, no valor total da fatura por ele emitida contra àquele. Já na relação estabelecida entre a agência de propagada e o veículo de divulgação, a receita gerada será da agência, também, no valor da fatura comercial emitida contra o veículo anunciante. Quanto à tributação dessas receitas em relação ao PIS e à Cofins, não há novidade: comporão o faturamento tanto da agência quanto do veículo de divulgação, e, por conseguinte, integrarão a base de cálculo dessas contribuições, devidas por essas duas pessoas jurídicas. Assim, a receita referente à fatura emitida pelo veículo de divulgação deverá ser, por ele, oferecida à tributação dessas duas contribuições. O mesmo procedimento é esperado da agência de publicidade, em relação à receita recebida do veículo de divulgação. Notese que as faturas emitidas, tanto pelo veículo de divulgação contra a anunciante, quanto a da agência contra o veiculo de divulgação, referemse a serviços prestados por duas pessoas jurídicas distintas, e cada uma delas foi remunerada pelo serviço prestado. Essa remuneração, qualquer que seja a classificação adotada, contábil, fiscal, econômica, não importa, representa faturamento da prestadora do serviço, e como tal está sujeita à incidência do PIS e da Cofins. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902708/200856 Acórdão n.º 9303002.598 CSRFT3 Fl. 0 5 Poderseia argumentar, como de fato o fez a recorrente, que os valores correspondentes ao descontopadrão não seriam receitas do veículo de divulgação, a teor do disposto no 1art. 19 da Lei nº 12.232/2010. Acontece, porém, que, conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único desse dispositivo legal, a norma nele incerta somente disciplina as relações de publicidade com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das Normas Padrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Diante disso, dúvida não há de que a norma trazida no art. 19 da Lei nº 12.232/2010, é inaplicável ao caso sob exame, por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. As atividades publicitárias entre particulares permanecem regidas com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965, que não dispõe sobre exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, do descontopadrão pago às agências de publicidade pelos veículos de divulgação. 1 Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10783.902708/200856 Acórdão n.º 9303002.598 CSRFT3 Fl. 0 6 Em outro giro, o que a recorrente pretende, na realidade, é tributar apenas a receita líquida, deduzindo as despesas incorridas com a prestação dos serviços. Essa pretensão poderia encontrar abrigo se estivéssemos tratando de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou ainda da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, onde a incidência está associado ao conceito de lucro, grosso modo, receitas menos despesas, mas não sobre as contribuições incidentes sobre o faturamento, como é o caso da Cofins, que tem como base de cálculo as receitas oriundas da venda de bens, de serviços ou de ambos. As exclusões permitidas são somente aquelas listadas, numerus clausus, na lei instituidora da contribuição, in casu, a Lei Complementar 70/1991, e nas demais que alteraram o texto original, sobretudo a Lei 9.715/1998 e 9.718/1998. Dentre as exclusões legais não se encontra a pretendida pelo sujeito passivo. Assim, à mingua de previsão legal autorizativa para se proceder à exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago às agências de publicidade pelo veículo de comunicação, preditos valores devem, necessariamente, compor a base de cálculo das contribuições citadas. Além das razões enumeradas nas linhas precedentes, peço emprestado os argumentos da nobre relatora do acórdão recorrido, que deixo de transcrever porque já consta dos autos e a transcrição alongaria ainda mais este voto, mas fica o registro das merecidas homenagens à ilustre Conselheira. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 256DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10074.000684/2009-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 07/07/2004 a 29/11/2005
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO DOMICÍLIO DO ADMINISTRADOR DA SOCIEDADE.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio do administrador da sociedade. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (inteligência da Súmula CARF nº 2)
AUTO DE INFRAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. LINHA DE ARGUMENTAÇÃO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se exige que as razões de decidir no julgamento de primeira instância sejam idênticas às encontradas no auto de infração. A introdução de novas considerações acerca do assunto não constitui inovação nem modificação do critério jurídico adotado pela Fiscalização.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Período de apuração: 07/07/2004 a 29/11/2005
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA.
Constitui dano ao Erário a importação realizada por conta e ordem de terceiros com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
A operação de importação realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. Recurso Ordinário Negado e Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.511
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alexandre Kern
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Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao domicílio do administrador da sociedade. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (inteligência da Súmula CARF nº 2) AUTO DE INFRAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTAÇÃO. LINHA DE ARGUMENTAÇÃO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se exige que as razões de decidir no julgamento de primeira instância sejam idênticas às encontradas no auto de infração. A introdução de novas considerações acerca do assunto não constitui inovação nem modificação do critério jurídico adotado pela Fiscalização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 07/07/2004 a 29/11/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constitui dano ao Erário a importação realizada por conta e ordem de terceiros com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 06 84 /2 00 9- 86 Fl. 2351DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 2 de responsável pela operação, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. A operação de importação realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Recurso Ordinário Negado e Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório PRINCIPAL DO BRASIL COMERCIAL ATACADISTA LTDA teve lavrado contra si o Auto de Infração de fls. 03 a 52, por meio do qual é feita a exigência de R$ 3.427.234,63 relativa à multa substitutiva da pena de perdimento de mercadoria que não foi localizada, foi transferida a terceiro ou consumida, nos termos do art. 23, inc. V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 (art. 618 e §1° do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – RA/2002). Transcrevo as informações prestadas pela autoridade autuante no curso da ação fiscal, extraídas do Relatório da decisão recorrida: I. A presente ação fiscal se originou dos elementos colhidos no curso da "Operação Dilúvio", desencadeada pela Policia Federal e Receita Federal, na 9ª RF/RFB —Paranaguá, documentada no processo nº 10980.005074/200784 com 50 anexos e embasada pelo IPL 009/2006 — Paranaguá/DPF e pela ação ordinária 2006.70.00022436. II. Os elementos colhidos no local de busca demonstram que as empresas do GRUPO PRINCIPAL agiram em conluio com as empresas do GRUPO MAM para a prática sistemática de importações na qual ocultavam a condição de real adquirente das empresas do GRUPO PRINCIPAL mediante o uso de documentos ideologicamente falsos. III. Dentre as empresas do GRUPO PRINCIPAL se incluem a PRINCIPAL COMERCIAL ATACADISTA LTDA., a PLENA COMERCIAL ATACADISTA LTDA. e a RANGER ASSESSORIA Fl. 2352DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.352 3 EM VENDAS, TREINAMENTO E PARTICIPAÇÃO, sendo que todas estas empresas possuem em seu quadro societário as mesmas pessoas. IV. O presente auto de infração se refere unicamente às operações da "Principal" em que atuaram como interpostas pessoas as empresas CLAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e MTRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. V. Em linhas gerais, o esquema fraudulento consistia na negociação pelo Grupo Principal dos produtos diretamente com o exportador estrangeiro para revenda no Brasil. Na seqüência orientava seus exportadores a emitirem a documentação que instruiria o despacho de importação diretamente no nome das tradings que contratava para figurarem como adquirentes na declaração de importação. VI. A autuada foi habilitada no comércio exterior a partir de 06/02/2006 no valor de R$ 2.385.269,36, sendo que tal habilitação foi suspensa em 09/02/2007. VII. As operações do GRUPO PRINCIPAL (PLENA E PRINCIPAL) podem ser dividas em duas partes; uma relativa à importação de copiadoras, impressoras multifuncionais da marca SHARP e os suprimentos a elas relativos (toner, cartuchos e peças de reposição) e a outra relativa a produtos eletrônicos de consumo como aparelhos de DVD, home theather, TVs de plasma, todos produzidos na China. VIII. A referida ocultação tinha como principal vantagem permitir ao real adquirente fugir da condição de empresa equiparada a estabelecimento industrial. Também eram objetivos do Grupo Principal ocultar a questão da suposta integralização em moeda corrente da PRINCIPAL DO BRASIL e não se submeter aos controles referentes à importação por conta e ordem de terceiros, evitando demonstrar a origem dos recursos empregados em suas operações de comércio exterior. IX. As folhas 3537, apresenta elementos referentes as importações procedidas pela CLAC, apresentando tabela com adiantamentos. Cita como exemplo de provas: a) planejamento realizado pelo Grupo Principal das operações envolvendo CLAC e RIO LAGOS, conforme folha 182 do Anexo II; b) no anexo XXXVI (fls. 184190) e no anexo XXXV (fls. 102104 e 131), há espelhos de faturas em elaboração dentro das dependências do Grupo Principal para efetuar a internação através da trading CLAC das cargas adquiridas junto a CBM TRADING; c) no anexo XXXV (fls. 132168), há recibos emitidos pela CLAC em que atesta o recebimento de valores referentes ao Fl. 2353DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 4 desembaraço de cargas para ULTRANAKAGAWA (uma das empresas anteriormente utilizadas nas operações do GRUPO PRINCIPAL), sendo que tais recibos atestam o recebimento de empréstimos da PRINCIPAL para a CLAC. X. As folhas 3738, apresenta elementos referentes às importações procedidas pela MTRADING e planilha com notas fiscais das mercadorias repassadas a Principal e os adiantamentos obtidos. Dentre outros elementos, argumenta a fiscalização que a Sra. Renata Cury do Grupo Principal informa a Marta Hand da MTRADING sobre a existência de erro de endereço na fatura de n° 0093388, carga vinculada ao HAWB M373101, emitida pelo exportador FUTURE GRAPHICS dos EUA e determina a correção necessária. Ou seja, uma funcionária do GRUPO PRINCIPAL contata diretamente o exportador e determina a forma de preenchimento da fatura comercial em que a MTRADING é a importadora e adquirente, o que evidencia que MTRADING não negociou a carga e nunca foi adquirente da mercadoria. Há também negociações quanto a pedido de descontos sobre o valor FOB de aparelhos de DVD entre MIZUDA e PRINCIPAL, por ordem de Sérgio Adler. XI. A empresa continuamente se negou a cumprir integralmente as 18 intimações da fiscalização, sendo que a mesma alega que seus livros contábeis e notas fiscais foram apreendidos pela Policia Federal, sendo que não há documento que comprove retenção na Operação Dilúvio (IPL 009/2006). XII. Lançamento no valor de R$ 700.000,00 a débito da conta caixa tem como contrapartida um crédito na conta de passivo denominada Ranger Ltda. (fl. 28 do Livro Diário) historiada da seguinte forma "Pagamento de fornecedores empréstimos de sócios". Intimada a comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos aportados na empresa na forma de empréstimos de sócios mediante apresentação de extratos bancários que demonstrassem a saída do numerário da suposta supridora (RANGER), a fiscalizada não apresentou qualquer documento e informou que desconhece os números apresentados. XIII. A empresa RANGER, suposta supridora dos recursos utilizados nas primeiras importações da fiscalizada através de interpostas pessoas não possuía recursos suficientes para suportar empréstimos em favor da fiscalizada no valor total de R$ 879.750,00, sendo que a RANGER não apresentou DIPJ2005. XIV. Intimada a justificar o saldo credor de caixa de mais de R$ 600.000,00 encontrado no Razão em 27/10/2004 e a informar como foi pago o valor de R$ 275.000,00 a titulo de adiantamento para importação a CLAC, a fiscalizada informou que não sabe esclarecer o saldo credor e o pagamento efetuado. XV. Em 31/10/2004, o total de Adiantamentos de Importação no valor de R$ 435.985,84 foi transferido para a conta intitulada "fornecedores" de forma a apagar o fato de a impugnante PRINCIPAL ser a real adquirente das mercadorias importadas por interpostas pessoas. Fl. 2354DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.353 5 XVI. Na 10ª Intimação, foi a fiscalizada notificada a justificar o saldo credor de caixa de mais de R$ 600.000,00 encontrada no Livro Razão em 27/10/2004 e a informar como foi pago à CLAC, a titulo de adiantamento para importação, o valor de R$ 275.000,00 (fl. 24 do Livro Diário). A fiscalizada informou que não sabia esclarecer o saldo credor e o pagamento efetuado à CLAC, já que os Livros e notas fiscais da empresa foram apreendidos pela Operação Dilúvio. XVII. Conforme folhas 3537, a fiscalizada efetuou pagamentos a CLAC IMPORTAÇÃO em datas anteriores a de sua constituição. O feito foi impugnado, fls. 5076 a 5128. Seguem as razões de defesa, também extraídas do Relatório da decisão recorrida: 1. Apesar de a fiscalização discorrer por várias páginas sobre a formação do patrimônio liquido da impugnante (operação de ágio), bem como sobre alguns registros contábeis da conta "Caixa" relativos aos meses de outubro e novembro de 2004, na vã tentativa de impingir alguma irregularidade na conduta da impugnante, o cerne da autuação é a suposta ocultação do real adquirente das mercadorias importadas pelas empresas CLAC e MTRADING. 2. Mesmo que se admita apenas a titulo de argumentação que os registros contábeis não foram efetuados da melhor forma, não se autoriza a aplicação da pena de perdimento e da sua multa de conversão. Para este fato, a infração é de omissão de receitas, que não é punida com a pena de perdimento, sendo que competia à fiscalização provar que a impugnante esteve fraudulentamente oculta em operações de comércio exterior. 3. A impugnante não praticava operações por conta e ordem de terceiros. Com efeito, a impugnante utilizavase da estrutura de importação por encomenda. Além disso, também eram realizadas aquisições no mercado interno. 4. Os documentos apresentados pela fiscalização não dizem respeito às operações praticadas com a CLAC ou com a MTRADING, e sim, em sua grande maioria, referemse a fatos relativos a MERCOTEX DO BRASIL e a SAB COMÉRCIO INTERNACIONAL. Esta tentativa de imputar irregularidade na conduta da impugnante nas operações efetuadas com a CLAC e/ou MTRADING é perceptível ao se cotejar as informações constantes no relatório de fiscalização de folha 34 com os documentos de folhas 281598, onde não há nenhum documento que diga respeito a CLAC ou MTRADING. 5. Protesta pela inexistência de tradução de grande parte dos documentos constantes dos volumes acostados ao processo em tela. 6. A fiscalização juntou notas fiscais completamente ilegíveis às folhas 87, 104, 120, 133, 139, 144, 149 e 150, o que torna impossível apurar se as mercadorias descritas nas DIs da MTRADING foram destinadas à impugnante. Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 6 7. Não é licito ou razoável aplicar multa de R$ 1.447.304,52 (total das importações MTRADING fl. 11) se não há prova de que a impugnante adquiriu os produtos. 8. A fiscalização utiliza uma DI de R$ 504.939.99 (fl. 88) para aplicar pena de perdimento, sendo que a nota fiscal que supostamente comprovaria que as mercadorias importadas foram destinadas à impugnante, além de estar ilegível, possui valor de apenas R$ 18 mil (fl. 87). O mesmo acontece em relação à NF de folha 120 (R$ 3.000,00) em comparação com a DI de folha 121 (R$ 531.665,57). 9. Em diligência à empresa, a fiscalização apenas conseguiu uma planilha com indicação de notas fiscais no valor total de R$ 213.637,44. Já o auto de infração em relação a tais mercadorias (excluindo a CLAC) totaliza R$ 1.447.304,52. 10. Jamais alegou que sua capacidade financeira advinha do ágio referente a RANGER. Em respostas prestadas à fiscalização, demonstrou que sua capacidade financeira provinha de empréstimos bancários, financiamentos com fornecedores internacionais e das próprias operações mercantis. Transcreve exemplos às folhas 5088 5089. 11. Várias alegações/acusações da fiscalização dizem respeito à atuação da ULTRANAKAGAWA, com a qual nem a PRINCIPAL nem a PLENA ou qualquer dos proprietários possuem relação societária. Além disso, irregularidades praticadas pela ULTRANAKAGAWA devem ser a esta imputada. Igualmente, parte dos fatos alegados pela fiscalização diz respeito à PLENA e não à impugnante (PRINCIPAL). 12. A fraude fiscal não pode ser presumida, devendo ser provada. 13. Apesar de não ser a justificativa para a autuação fiscal, não há comprovação de adiantamento de recursos para a MTRADING ou a CLAC. Da análise de folhas 281598, localizase somente um único comprovante de transferência da impugnante para a MTRADING no valor de R$ 150.526,17, sendo que não há qualquer comprovante de transferência em favor da CLAC. Não é razoável a autuação em mais de 3 milhões se há prova de no máximo R$ 150.526,17. 14. Não houve adiantamento de recursos para as tradings, e sim pagamento antecipado pelas mercadorias já importadas (i.e., com processo de importação/desembaraço já concluído), prática extremamente comum no mercado de comércio exterior. 15. Os Srs. Marco Antonio Mansur Filho, Márcio Morikoshi, Rubens Barcellos e Karina Paganelli não trabalham para as empresas PLENA, PRINCIPAL, CLAC ou MTRADING. O documento de fl. 429 que supostamente indica a atribuição de Karina não está assinado, vistado ou rubricado para atestar sua idoneidade. A Sra. Karina assessora da Sharp, não consta em RAIS e em ficha de empregados da impugnante. 16. A conta "Adiantamento a Importação" foi aberta e fechada no mesmo mês. Houve um erro contábil que é extremamente factível, principalmente porque a antiga empresa de contabilidade prestou um Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.354 7 péssimo serviço à impugnante e por isto foi processada. A partir destes fatos, é extremamente fantasiosa a alegação de que tal estorno foi para "apagar" o fato de que a impugnante era a real adquirente das mercadorias importadas. 17. Os livros fiscais foram apreendidos pela Policia Federal, sendo que Termo de apreensão indica documentos fiscais e contábeis, sendo que os livros fiscais são os documentos fiscais citados no Termo. Equivocadamente, a fiscalização entende que livros fiscais não são os documentos citados no Termo. Na tentativa de entregar o maior número possível de documentos à fiscalização, a impugnante solicitou ao Juízo da 3ª Vara Criminal de Curitiba e à Policia Federal a restituição dos documentos apreendidos, mas não foi atendida até este momento. 18. A fiscalização não questiona a capacidade financeira das tradings. As tradings tinham capacidade financeira para efetuar as importações. Para que ficasse provado que a impugnante financiava as tradings seriam necessários documentos como transferências bancárias acrescidas de contratos de fechamento de câmbio, declarações de importação e notas fiscais de saída. Seria irracional imaginar que uma trading que tem uma receita liquida de praticamente R$ 216 milhões estaria sendo financiada pela impugnante no valor de aproximadamente R$ 350 mil, 0,16% da receita liquida. 19. Os pagamentos supostamente feitos à CLAC com base em planilha por ela fornecida não estão embasados em nenhum documento. A fiscalização alega que os pagamentos foram feitos mediante depósito bancário, mas não junta o comprovante dos mesmos. Além disso, se a planilha estivesse correta, haveria depósitos anteriores à constituição da PRINCIPAL. 20. Os pagamentos se referiam a processos de importação já concluídos. Exemplo, a NF n° 5650, emitida em 08/11/2004, foi liquidada com pagamentos de 09/11/2004, 05/01/2005 e 29/03/2005, todos pagamentos posteriores à emissão da NF. Isto não é adiantamento, e sim pagamento de mercadoria já importada. 21. Alega discrepância nas alegações do Fisco entre o valor das operações de R$ 213.637,44 e a multa de R$ 1.447.304,52. 22. O montante de IPI pretensamente não recolhido pela impugnante seria de R$ 45 mil, o que é desproporcional perante multa de R$ 3,5 milhões do auto de infração. 23. A multa aplicada possui patente feição confiscatória. O julgamento de primeira instância foi convertido em diligência à unidade autuante, para prestação de esclarecimentos, respondendo os quesitos (fls. 2.001 e 2.002: 1. Documento de fls. 87, nota fiscal n° 002287, data de emissão 04/11/2004, valor de R$ 20.710,79. Fls. 88/102, cópia da DI n° Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 8 04/11020859, registrada em 29/10/2004, cujo valor aduaneiro considerado no cálculo da penalidade aplicada foi de R$ 504.939,65. Quesito 1 — Demonstrar o valor aduaneiro apurado. 2. Documento de fls. 104, nota fiscal n° 005650, data de emissão 08/11/2004, valor de R$ 189.355,90. Fls. 105/118, cópia da DI n° 04/11179564, registrada em 04/11/2004, cujo valor aduaneiro considerado no calculo da penalidade aplicada foi de R$ 344.682,76. Quesito 2 — Demonstrar o valor aduaneiro apurado. 3. Documento de fls. 120, nota fiscal n° 005880, data de emissão 24/11/2004, valor de R$ 3.570,75. Fls. 121/131, cópia da DI n° 04/11813565, registrada em 19/11/2004, cujo valor aduaneiro considerado no calculo da penalidade aplicada foi de 531.665,25. Quesito 3 — Demonstrar o valor aduaneiro apurado. 4. As fls. 24/25, quadro intitulado "Cliente: Principal do Brasil". Quesito 4 — Indicar As folhas no processo onde constam os documentos a que se referem a coluna "Liquidações" (LIQ. POR ADTO EFET. EM ...). 5. As fls. 38 consta: "Como resultado da diligência efetuada através do Mandado de Procedimento Fiscal acima mencionado, a empresa Mtrading Importação Exportação Ltda., apresentou a planilha abaixo, contendo as notas fiscais das mercadorias repassadas ã Principal e os adiantamentos obtidos, juntamente com cópias das respectivas notas fiscais". Quesito 5 Indicar As folhas no processo onde constam os documentos a que se referem os adiantamentos efetuados em favor da empresa Mtrading. Os esclarecimentos foram prestados nos termos das fls. 2.184 a 2.187. O autuado manifestouse a respeito das conclusões da diligência, fls. 2.189 a 2.198. O lançamento foi julgado parcialmente procedente pela 2ª Turma da DRJ/FNS, para dele cancelar R$ 1.240.585,65 referentes a três DIs que a Fiscalização admitiu terem sido autuadas equivocadamente. O Acórdão nº 0725.321, de 15 de julho de 2011, fls. 2.200 a 2.223, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/07/2004 a 29/11/2005 CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas mediante interposição fraudulenta que não sejam localizadas ou que tenham sido consumidas. Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.355 9 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 07/07/2004 a 29/11/2005 MEIOS DE PROVA. LIVRE CONVICÇÃO. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito. Independente da natureza do elemento probatório, o julgamento deve se pautar sobre o elemento que demonstre a verdade dos fatos apurados. DOCUMENTO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. VALIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira, cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão de que não é razoável negarlhe eficácia de prova. NULIDADE. IMPROPRIEDADE. Ilógica a declaração de nulidade quando os elementos de prova que embasaram o julgamento estão em Língua Portuguesa. QUESTIONAMENTO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. RESPONSABILIDADE ADUANEIRA POR INFRAÇÕES Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presidente da 2ª Turma da DRJ/FNS recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Cuidase também de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 2.239 a 2.301, após síntese dos fatos relacionados com a lide, ofereça alegações assim sintetizadas pelo próprio recorrente (grifos do original): 1. O auto de infração ora impugnado foi lavrado por ter a fiscalização entendido que a Recorrente, no período de julho de 2.004 até novembro de 2.005, comprou mercadorias de forma fraudulenta, em razão de suposta ocultação do real importador das mercadorias (mercadorias importadas pelas empresas CLAC Importação e Exportação Ltda. e MTRADING Importação e Exportação Ltda.). Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 10 2. Todas as operações praticadas pela Recorrente eram (e são) regulares, sendo que a Recorrente sempre recolheu os tributos devidos e inerentes às suas operações mercantis. 3. Apesar de inseridas no mesmo grupo empresarial, tanto a Recorrente, quanto a PLENA, são pessoas jurídicas distintas, com CNPJ diversos, contabilidade, operações e clientes próprios, além de produtos diferenciados. No presente caso, foi autuada a PRINCIPAL, mas o auto de infração contempla negócios que poderiam ter sido praticados apenas pela PLENA ou outras empresas, jamais pela Recorrente (vide fls. 141). Temse, pois, incorreta indicação do sujeito passivo. 4. A Recorrente nunca realizou importações diretas. Sempre foi utilizada estrutura de importação por encomenda para realizar suas operações. 5. As tradings adquiriram a propriedade das mercadorias, e por elas pagaram o exportador sem qualquer adiantamento por parte da Recorrente. Portanto, as operações praticadas não poderiam ser taxadas de "por conta e ordem". Não há sequer uma prova nos autos que leve à conclusão diversa. Antes de 2.006 (data das operações autuadas), sequer havia qualquer restrição nesse sentido. 6. A fiscalização tenta, levianamente, mudar o foco da autuação, ao induzir à conclusão de que eventuais irregularidades nos lançamentos contábeis da Recorrente seriam justificativas para aplicação da pena de perdimento. Porém, as justificativas reais dadas para aplicação da pena de perdimento são basicamente duas: a) Existência de relação comercial entre a Recorrente e o fornecedor estrangeiro (o que não é irregular ou proibido, haja vista a previsão legal do parágrafo 3o, do artigo 11, da Lei 11.281/06, que é uma norma interpretativa (conforme demonstrado nessa defesa e inclusive já manifestado pelo Poder Judiciário, por meio do da apelação cível 2006.72.08.0012938/SC TRF da 4a Região), esclarece que, na importação por encomenda, o encomendante pode (ou não) participar das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. Isso infirma um dos pilares da argumentação fazendária, que é a existência de relação comercial entre a Recorrente e o fornecedor estrangeiro. b) Falta de indicação do nome da Recorrente nas declarações de importação (o que não poderia ser exigido, muito menos poderia ser inquinado de ato fraudulento, tendo em vista que essa obrigação apenas foi instituída em 27 de março de 2.006, com a edição da IN SRF 634/06. Data, portanto, posterior às operações autuadas – que se referem a 2.004 e 2.005). 7. A pena de perdimento não pode ser aplicada pela eventual (e não comprovada) existência de erros nos registros contábeis da Recorrente. Para esse fato, a infração seria tratada como omissão de receitas, e nunca punida com a pena de perdimento (pena máxima do regulamento aduaneiro). a.) Competia à fiscalização, para motivar a pena aplicada, provar que a Recorrente ocultouse em operação de comércio exterior. E essa prova não foi feita. E a RFB deveria provar isto em todas as operações. Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.356 11 8. Além dos vários documentos em língua estrangeira, desprovidos de tradução juramentada, também existem diversos documentos completamente ilegíveis (fls. 87, 104, 120, 133, 139, 144, 149 e 150, que são exatamente as notas fiscais aparentemente emitidas pela MTRADING em face da Recorrente), o que caracteriza patente violação aos princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa. 9. A Recorrente não tem qualquer relação societária com a empresa chamada UltraNakagawa Comércio e Serviços Ltda. Se esta empresa cometeu alguma irregularidade, esse problema é de exclusiva responsabilidade da referida pessoa jurídica e de seus quotistas. Em que pese isso, o auto de infração traz diversas informações e acusações pertinentes a esta pessoa jurídica. 10. A fiscalização em momento algum questiona (ou impugnou) a capacidade financeira das tradings. Seria absurdo imaginar que a Recorrente financiou a CLAC, cuja receita líquida em 2.006 foi de R$ 216 milhões, e as operações com a Recorrente totalizaram a pífia quantia de R$ 350 mil (ou seja, 0,16% da receita líquida da CLAC). 11. Não houve subfaturamento nas operações realizadas no exterior, o que demonstra que as importações não trouxeram qualquer prejuízo ao fisco brasileiro. 12. Falaciosamente tenta a fiscalização imputar irregularidade na constituição do patrimônio líquido da Recorrente, especificamente na reestruturação societária e fiscal que originou a formação do ágio, sendo que essa operação não tem qualquer relação com a suposta ocultação do real adquirente das mercadorias. a) A capacidade financeira da Recorrente não é decorrente do ágio, e sim, conforme provado nessa impugnação, de empréstimos bancários, linhas de crédito com as tradings e as próprias operações mercantis praticadas. 13. Dúvidas não restam no sentido de que (i) a operação de geração do ágio é lícita e foi praticada segundo os ditames da legislação brasileira, não existindo qualquer irregularidade nessa operação; (ii) não há qualquer relação da contabilização do ágio com as atividades de comércio exterior praticadas pela Recorrente. Transcrevo também os requerimentos finais: Diante do exposto, requer dignemse Vossas Senhorias de conhecer e dar provimento ao presente recurso, reformandose a decisão guerreada, para os fins de anular integralmente o auto de infração e imposição de multa. Requer, outrossim, o deferimento de realização de sustentação oral do presente recurso, intimandose, para tanto, a Recorrente acerca da data do julgamento do feito, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 12 Requer, por fim, que todas as futuras intimações/notificações referentes ao presente feito sejam endereçadas, sob pena de nulidade, para a residência do administrador da sociedade, Sr. Luiz Augusto Paulo, situada na Rua Iwajiro Takahashi, 219, Bairro do Tremembé, CEP 02315000, Município de São Paulo, Estado de São Paulo. Em petição de fls. 2308 a 2318, protocolada em 31/10/2012, diante da decisão definitiva no Habeas Corpus 142.045/PR, a recorrente requer o desentranhamento de todas as provas produzidas pela Fiscalização, posto que tiveram origem nas escutas telefônicas declaradas ilegais e o consequente provimento do recurso, em face da falta de provas. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator ADMISSIBILIDADE Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 2.239 a 2.301 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS2ª Turma nº 0725.321, de 15 de julho de 2011. A decisão recorrida julgou o lançamento de ofício parcialmente procedente, para excluir do lançamento R$ 1.240.585,65 referentes a três DIs que a Fiscalização admitiu que foram autuadas equivocadamente. Exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor superior ao fixado pela Portaria MF nº 03, de 2008, conheço do recurso de ofício impetrado pelo presidente da 2ª Turma da DRJ/FNS. Recurso voluntário REQUERIMENTOS Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento para que toda a comunicação com a recorrente seja feita no endereço do administrador da sociedade, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio do administrador da sociedade. Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.357 13 Pedido de desentranhamento de provas O recorrente noticia o julgamento proferido pela 6ª Turma do STJ no HC 142.045/PR, em que figuram como pacientes MARCO ANTÔNIO MANSUR e MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO, sócios de empresas do Grupo MAM. Eis a ementa do julgado: Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Principio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindo se, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei n° 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. lnexistindo, na Lei n° 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei n° 9.296/96 (art. 5°), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2°) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explicita ou implícita violação do art. 5° da Lei n° 9.296/96, evidente violação do principio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar ás mãos do Juiz originário para determinações de direito. A propósito das provas consideradas ilegais, o Juiz Federal Substituto Tiago do Carmo Martins, interpretando o decidido no HC 142045/PR (fls. 2.347), estabeleceu que: Em relação ao referencial temporal adotado por aquela Corte, ante a leitura dos votos proferidos naquele julgamento, tenho que o julgado limitou a utilização dessa técnica investigativa ao prazo de 60 (sessenta) dias. Assim, permanecem hígidas as provas colhidas durante o primeiro período de interceptação telefônica autorizada, bem como nas três prorrogações que lhe foram subsequentes. Os demais elementos de prova obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também permanecem hígidos, pois derivaram de prova obtida licitamente. De outra parte, segundo os termos do julgado, as interceptações telefônicas realizadas a partir da quarta prorrogação autorizada encontramse maculadas pelo vicio insanável da ilicitude. São, portanto, imprestáveis para fins de utilização de prova no processo penal. Correlatamente, os demais elementos de prova Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 14 obtidos a partir dos dados colhidos nessa fase da investigação também encontramse eivado de ilicitude, pela aplicação da "teoria dos frutos da árvore envenenada", agora expressamente adotado pelo CPP (art. 157, §1°, do CPP). Em face do julgamento do HC, o recorrente requer o desentranhamento de todas as provas produzidas pela Fiscalização, tidas como ilegais por derivarem de comunicações telefônicas interceptadas ao arrepio da Lei nº 9.296, de 1996. A petição de fls. 2308 a 2318, em que o recorrente veicula a matéria, foi protocolada somente em 31/10/2012, depois de findo o trintídio recursal. Deixo de conhecêla por terse operado a preclusão consumativa. Não se alegue tratarse de fato novo. O próprio recorrente informa que a decisão aventada foi proferida no ARE 659.387 — STF, transitada em julgado em 9 de janeiro de 2.012, antes, portanto, de ser intimado da decisão recorrida, e, mesmo assim, o recorrente não a ventilou na peça recursal. Incidentalmente, esclareço ao recorrente que mesmo que assim não fosse, a decisão proferida no HC 142045/PR não lhe aproveitaria. Em primeiro lugar, nem os sócios de Principal do Brasil Comercial Atacadista Ltda., muito menos a própria pessoa jurídica, são os pacientes da referida Ordem (o próprio impugnante insiste, o paciente Marco Antonio Mansur Filho, não trabalha para as empresas PLENA, PRINCIPAL, CLAC ou MTRADING). Aliás, os sócios da PJ, Sérgio Eduardo Adler e Mauro Luiz Zynijier, nem mesmo são réus em qualquer das ações penais que decorreram da REPRESENTAÇÃO CRIMINAL N° 2006.70.00.0224370/PR. E ainda que fossem, a Ordem silencia quanto à extensão de seus efeitos aos demais cor réus. Ainda, no arrazoado de fls. 2308 a 2318, o recorrente refere que as apreensões que motivaram a elaboração do ‘Relatório de Triagem de Documentos Apreendidos no Local de Busca SPC 29' ocorreram somente em 16 de agosto de 2006, razão por que já estaria contaminado pela ilicitude das interceptações telefônicas. Perceba o recorrente, a prova dos presentes autos não guarda qualquer relação com as interceptações telefônicas malsinadas. Repito: nenhum dos elementos de prova que instruem o Auto de Infração ora sub judice foi extraído das transcrições das escutas telefônicas. Mesmo que houvesse algum elemento de prova, indiciário que fosse¸ extraído dessas transcrições, o recorrente não logrou comprovar que derivariam da fase ilegal das interceptações. O fato de as apreensões terem sido feitas em 16 de agosto de 2006 não significa guardem relação com escutas telefônicas realizadas depois do prazo validado judicialmente. Finalmente, e ainda por argumentar, mesmo que se considerasse que algum dos elementos de prova do presente processo fosse decorrente de interceptações telefônicas realizadas após a quarta prorrogação, haveria de incidir a norma do § 1º do art. 157 do Código de Processo Penal, Decreto Lei nº 3.689 de 03 de Outubro de 1941 – CPP: Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.358 15 uma fonte independente das primeiras. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) Os elementos de prova constantes do presente processo, expressamente mencionados no Relatório de Ação fiscal (fls. 15 a 66), entre outros, são: a) balanços patrimoniais de RANGER ASSESSORIA LTDA.; b) demonstrativos de movimentação financeiras de PRINCIPAL DO BRASIL, nos AC 2004, 2005 e 2006; c) demonstrativos dos montantes de empréstimos obtidos junto a instituições financeiras por de PRINCIPAL DO BRASIL, nos AC 2004, 2005 e 2006; d) demonstrativos de CPMF retida por instituições financeiras em nome de PRINCIPAL DO BRASIL, nos AC 2004, 2005 e 2006; e) demonstrativos de movimentações em cartões de crédito de titularidade de PRINCIPAL DO BRASIL, nos AC 2004, 2005 e 2006; f) demonstrativos de informações de terceiros sobre compras efetuadas por PRINCIPAL DO BRASIL, nos AC 2004, 2005 e 2006; g) análise da evolução das alterações no contrato social de PRINCIPAL DO BRASIL, nos AC 2004, 2005 e 2006; h) relatórios de diligências fiscais realizadas junto à sede de PRINCIPAL DO BRASIL em São Paulo, onde houve retenção de documentos e coleta de declarações de administradores de Principal do Brasil, senhores Rafael Goldemberg, Luiz Augusto Paulino e Sérgio Luiz Adler; i) esquema descritivo dos processos de atuação de PRINCIPAL DO BRASIL, acompanhado dos documentos que comprovam o funcionamento desses processos, nas fls. 287 a 602: i. processo 1: de planejamento de compras e vendas, do follow up de suprimentos, de pesquisas de preços ao consumidor e de pesquisas de mercado; ii. processo 2: Embarque, controle de Importação – follow Up acompanhamento de carga, previsão de embarque e data de chegada; iii. processo 3: solicitação de numerários das tradings à Principal, a titulo de adiantamentos de câmbio e os repasses dos saldos finais das despesas de importação quando, então, são emitidas as Notas Fiscais de Saídas; iv. processo 4: Desembaraço – Controle e acompanhamento da DI, sua parametrização e desembaraço. Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 16 v. processo 5: processo de entrega de mercadorias e encaminhamento, números da Nota Fiscal de Entrada e data da entrega dos produtos. vi. processo 6: processo de finalização (recebimento de documentos, saldos do processo, pagamento final, envio ao arquivo, informe de fechamento de câmbio, número de contrato de câmbio, encerramento processo). j) planejamento realizado pelo Grupo Principal das importações envolvendo CLAC e RIO LAGOS; k) Espelhos de faturas” em elaboração dentro das dependências do Grupo Principal para efetuar a internação através da trading CLAC de cargas que adquiriram junto a CBM TRADING conforme demonstra email impresso de contato direto e negociação entre PRINCIPAL e CBM TRADING; l) recibos emitidos nos anos de 2003 e 2004 onde a CLAC atesta o recebimento de valores referentes ao desembaraço de cargas para ULTRANAKAGAWA; m) relatório de diligência fiscal realizada junto à sede de CLAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. n) planilha apresentada pela CLAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., apontando a existência de recursos aplicados no comércio exterior pela Principal do Brasil que são anteriores a data de constituição da empresa; o) relatório de diligência fiscal realizada junto à sede de MTRADING IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA.; p) documentos de importação para SUPLLY e OPTIMPORT, ambas pertencentes ao Grupo MGO, do qual a MTRADING participa; q) registros de emails de MTRADING que demonstram o estrito controle das importações desde o seu embarque no exterior através de funcionários do Grupo Principal; r) planilha apresentada pela MTRADING IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO LTDA., contendo as notas fiscais das mercadorias repassadas a Principal e os adiantamentos obtidos, juntamente com cópias das respectivas notas fiscais; s) 18 (dezoito) termos e intimações expedidos ao longo do procedimento fiscal (Termo de Intimação – em 29/11/2007; termo de Intimação em, 29/01/2008; Termo de Intimação de 30/07/2008; Termo de Constatação de 02/07/2008; Termo de Ciência no 02/2008/IRF/RJO GABINETE em 29/07/2008; Termo de Intimação de 02/07/2008; Termo de Intimação de 24/09/2008 assinado em 24/09/2008; Termo de Intimação outubro de 2008; Termo de Intimação de 17/11/2008; Termo de Intimação de 08/12/2008; Termo de Intimação de 05/03/2009; Termo de Intimação de 01/04/2009; Termo de Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.359 17 Comunicação de 08/04/2009; Termo de Comunicação de 14/04/2009; Termo de Intimação de 27/05/2009;) t) análise dos livros contábeis, documentos e esclarecimentos prestados pela autuada em resposta a essas intimações. Faço esse rol de provas no intuito de demonstrar que não há nexo de causalidade entre elas e as escutas telefônicas, para que se pudesse concluir que se trata de provas derivadas. Se há, o recorrente não logrou comprovar. Ademais, ainda que se tratasse de provas derivadas, o que, mais uma vez, admito apenas para argumentar, todas elas foram obtidas de fonte independente da considerada ilegal – e, se não foram, poderiam ter sido – aplicandose, no caso, a Teoria da Limitação da Fonte Independente1. Essa mitigação da Teoria da Árvore dos Frutos Envenenados foi formalmente incorporada ao ordenamento jurídico, em 2008, com a edição da Lei nº 11.690, e é adotada pela jurisprudência do STF, da qual é exemplo o HC 839215/RJ, cuja ementa transcrevo para maior clareza (negrito meu): EMENTA: HABEASCORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO . RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO NA FASE INQUISITORIAL. INOBSERVÂNCIA DE FORMALIDADES. TEORIA DA ÁRVORE DOS FRUTOS ENVENENADOS. CONTAMINAÇÃO DAS PROVAS SUBSEQÜENTES. INOCORRÊNCIA. SENTENÇA CONDENATÓRIA. PROVA AUTÔNOMA. Eventuais vícios do inquérito policial não contaminam a ação penal. O reconhecimento fotográfico, procedido na fase inquisitorial, em desconformidade com o artigo 226, I, do Código de Processo Penal, não tem a virtude de contaminar o acervo probatório coligido na fase judicial, sob o crivo do contraditório. Inaplicabilidade da teoria da árvore dos frutos envenenados {fruits of the poisonous tree). Sentença condenatória embasada em provas autônomas produzidas em juízo. Pretensão de reexame da matéria fáticoprobatória. Inviabilidade do writ. Ordem denegada. Com essas considerações, não conheço da petição de fls. 2308 a 2318. MATÉRIAS INCONTROVERSAS A recorrente insiste no foco da autuação, qual seja, a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas para rechaçar o que chama de tentativa leviana da Fiscalização de mudar o foco da autuação, tentando induzir a conclusão de que eventuais 1 A "independent source limitation” foi alegada no caso Bynum v. U.S., 1960, em que a corte suprimiu a identificação datiloscópica feita no momento da prisão ilegal do “acusado” Bynum. Ocorre que, quando novamente “processado”, o órgão persecutório lançou mão de um conjunto de planilhas datiloscópicas provenientes de crime anteriormente cometido por ele (acusado). Dado este fato, procedeuse o julgamento de Bynum pelo crime anterior com base em prova independente da ilegalmente conseguida. Essa teoria já é adotada pelo STF (HC 83.921 e RHC 90.376) e passou a constar de maneira expressa no art. 157, §§ 1º e 2º, do CPP. Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 18 irregularidades nos lançamentos contábeis da recorrente seriam justificativas para aplicação da pena de perdimento. Na análise da preliminar de nulidade da decisão recorrida, esclarecerseá que o colegiado a quo não conheceu, por impertinentes ao litígio, os documentos referentes à atuação das tradings MERCOTEX e SAB COMPANY e rejeitou, expressamente, o controle dos elementos da compra e venda internacional de mercadorias e a negociação comercial, procedidos pela autuada, como elementos configuradores da real importação por conta e ordem de terceiros em seu favor, em detrimento da ostensiva.importação direta pelas tradings. Da mesma forma, deixou de conhecer a digressão sobre a integralização de capital social ou da comprovação pela impugnante da origem de seus recursos, constante do libelo fiscalizatório, por entender prescindível para a confirmação da acusação de interposição fraudulenta. Portanto, tais matérias não foram devolvidas para a apreciação desta Turma Recursal e sobre elas não há litígio. Por essa razão, deixo de conhecer as refutações constantes do item II.7 DA TOTAL IRRELEVÂNCIA DAS ALEGAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO da peça recursal, que se ocupa dessas matérias. MATÉRIAS PRECLUSAS A recorrente inova seus argumentos de defesa vis à vis a impugnação quando inquina o Auto de Infração de nulidade por não figurarem, no seu pólo passivo, as tradings citadas como importadoras ostensivas. Por preclusa, deixo de conhecêla, haja vista que em nenhum momento da peça reclmatória o impugnante tratara dessa matéria. Vejase, a propósito, o teor do artigo 473 do CPC, verbis: "é defeso à parte discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito se operou a preclusão." Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que:2 ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade.” A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. 2 MARINONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè, 1993, vol. 3, p. 233. Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.360 19 No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que a recorrente teve para questionar a matéria. Ultrapassada aquela etapa, extinguese o direito de levantála agora, nesta fase recursal. PRELIMINARES Nulidade da decisão recorrida A recorrente argúi a nulidade da decisão recorrida por inovação do fundamento da autuação. Aduz que, observando que a motivação do Auto de Infração estava equivocada, “...optou a DRJ por "convalidar" o lançamento, desviando a atenção para pontos que não foram provados pela fiscalização, como os supostos adiantamentos de recursos para as tradings,” (fl. 2247). Compulsando a decisão recorrida, constato que, em seu item III, que o voto condutor da mesma toma como fundamento da autuação a acusação de que a autuada é “... beneficiária e real interessada em um sistema fraudulento de importações formalmente procedidas pelas Tradings CLAC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e MTRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA por CONTA E ORDEM da contribuinte autuada (PRINCIPAL DO BRASIL COMÉRCIO ATACADISTA LTDA).” (fl. 2214). Em seguida, analisa a legislação de regência, compara os requisitos para a configuração de importações por conta e ordem de terceiros e de importação por encomenda, rejeita, por impertinentes ao litígio, os documentos referentes à atuação das tradings MERCOTEX e SAB COMPANY e, finalmente, afasta o controle dos elementos da compra e venda internacional de mercadorias e a negociação comercial, procedidos pela autuada, como elementos configuradores da real importação por conta e ordem de terceiros em seu favor em detrimento da ostensiva.importação direta pelas tradings. Da mesma forma, deixa de conhecer a digressão sobre a integralização de capital social ou da comprovação pela impugnante da origem de seus recursos, constante do libelo fiscalizatório, por entender prescindível para a confirmação da acusação de interposição fraudulenta. Nada obstante, na continuação do voto, prosseguese na análise do preenchimento do requisito “conta”, por considerar que o elemento “ordem” não é controverso, tudo isso no escopo de analisar a procedência da acusação fiscal, isso é, de que CLAC e MTRADING realizaram operações de importação aparentemente diretas, mas, na realidade, por conta e ordem da autuada. Não houve portanto a inovação arguida. Rejeito a preliminar. Nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa – falta de tradução juramentada de documento em língua estrangeira A arguição foi apreciada pela decisão recorrida nos seguintes termos: Os documentos aos quais a impugnante alega consistirem em "cerceamento de defesa" são "emails" trocados entre as empresas participantes das transações comerciais efetuadas entre elas, além de documentos relativos ao comércio internacional, como catálogos de produtos, "Commercial Invoice", "Proforma Invoice", "Bill of Landing" etc. Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 20 Ademais, todos esses documentos foram obtidos nas dependências da autuada, o que, por si só, demonstra a familiaridade que a empresa possui com o idioma inglês, além da habitualidade com o uso do mesmo. Neste caso especifico, o argumento é incabível ou inócuo, constituindose mera formalidade haja vista que demonstra o conhecimento de língua inglesa pela impugnante a utilização repetida pela mesma de documentos em tal idioma. Destarte, a interpretação literal do art. 224 do Código Civil (Lei n° 10.406, de 2002 — dispositivo trazido pela impugnante) não deve prevalecer em prejuízo da interpretação sistemática ou mesmo da teleológica. Neste diapasão foi o voto proferido pelo Ministro Teori Albino Zavaslci, do Superior Tribunal de Justiça, em 14/09/2004, abaixo colacionado: PROCESSUAL CIVIL. DOCUMENTO REDIGIDO EM LÍNGUA ESTRANGEIRA, DESACOMPANHADO DA RESPECTIVA TRADUÇÃO JURAMENTADA (ART 157, CPC). ADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. 1. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira, cuja validade não se contesta e cuja tradução não é indispensável para a sua compreensão, não é razoável negarlhe eficácia de prova. O art.157 do CPC, como toda regra instrumental, deve ser interpretado sistematicamente, levando em consideração, inclusive, os princípios que regem as nulidades, nomeadamente o de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resulta prejuízo para acusação ou para a defesa (pas de nulitté sans grief). Não havendo prejuízo, não se pode dizer que a falta de tradução, no caso, tenha importado violação ao art. 157 do CPC.(RESP 616.103, Primeira Turma, Relator Teori Albino Zavaski, julgamento em 14/09/2004). Assim, no caso em análise, a existência de documentos não vertidos para o vernáculo não trouxe nenhum prejuízo à recorrente, sendo que a impugnante habitualmente utiliza documentos em inglês em sua atividade comercial. Além disso, os principais elementos de prova para este Voto estão no vernáculo. Em razão do exposto, rejeito a preliminar de nulidade arguida pela recorrente. Forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto os fundamentos da decisão recorrida e rejeito a preliminar. Nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa – ilegibilidade de notas fiscais A recorrente inquina as cópias da notas fiscais constantes dos autos, às fls. 87, 104, 120, 133, 139, 144, 149 e 150, de ilegibilidade a cercearlhe o exercício pleno do direito de defesa. Vou às referidas folhas e constato que se trata, indubitavelmente, de notas fiscais emitidas por Mtrading Importação e Exportação Ltda. contra a ora recorrente e que, efetivamente, o carimbo de numeração das folhas do processo, aposto pela IRJ/RJO, prejudica a leitura do número da NF. Ainda assim, coletei as seguintes informações: FOLHA DATA DA EMISSÃO VALOR TOTAL DA NOTA ITENS 87 (89e) 04/11/2004 R$ 20.710,79 3 (2 toner e 1 cilindro) Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.361 21 104 (106e) 08/11/2004 R$ 189.345,98 9 (4 tinta para impressão e 5 papel para impressão) 120 (122e) 24/11/2004 R$ 3.570,75 2 (tonalizantes) 133 (135e) 25/05/2005 R$ 18.028,28 2 (cartuchos de toner) 139 (141e) 08/06/2005 R$ 15.679,42 2 (DVD players) 144 (146e) 17/10/2005 R$ 14.352,54 2 (cartuchos de toner) 149 07/12/2005 R$ 52.361,63 Mercadorias diversas cfe. romaneio em anexo 150 06/02/2006 R$ 1.442,07 Mercadorias diversas cfe. romaneio em anexo O recorrente entende que, sem cópias legíveis das referidas notas fiscais, seria impossível apurar se as mercadorias descritas nas declarações de importação emitidas em nome da MTRADING foram destinadas à Recorrente, o que implicaria violação ao princípio constitucional da ampla defesa. É compreensível que o autuado não tenha tolerância com documentos que apresentam falhas de legibilidade. Mas o fato é que todos as referidas notas fiscais permitem sim distinguir o destinatário como sendo Principal do Brasil Comercial Atacadista S/A – CNPJ 06.933.720/000277. Mais do que isso, os itens eventualmente ilegíveis em nada prejudicaram a defesa, que foi plena e eficaz, a ponto de ter permitido o cancelamento de R$ 1.240.585,65 da multa aplicada, referente ao valor aduaneiro de 3 DI’s. Assim, não havendo prejuízo para a defesa – se houve, a recorrente não o demonstrou – não se pode dizer que eventual ilegibilidade de um ou outro dado das referidas notas fiscais, que, inquestionavelmente, permitem a identificação do destinatário das mercadorias, tenha importado em preterição do direito de defesa. Rejeito a preliminar. MÉRITO Implicações do cancelamento parcial do lançamento A recorrente pondera que a constatação de que parte das mercadorias importadas pela MTRADING terem sido destinadas a outras pessoas jurídicas, impõe o cancelamento do AI, tendo em vista que a premissa fazendária utilizada para construir a autuação é que a Recorrente agiu como interposta pessoa na importação de bens. Efetivamente, a diligência empreendida sob demanda da autoridade julgadora de primeira instância findou por retirar da base de cálculo da penalidade R$ 1.240.585,65, referentes a três DI’s que a Fiscalização admite terem sido autuadas equivocadamente, pois as mercadorias importadas não se destinaram à recorrente. No entanto, o fato de três DI’s destinaremse a terceira pessoa, em absoluto, significa que todas as demais importações listadas na fl. 12 também o foram. Ao contrário, excluídas as três DI’s, todas as demais importações foram por encomenda, como pretende a recorrente, ou por conta e ordem, no entendimento da Fiscalização, de Principal do Brasil Comercial Atacadista S/A. É o que se decidirá na continuação deste voto. Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 22 As operações praticadas pela recorrente A recorrente refere as generalizações constates do Termo de Encerramento da ação fiscal, que reporta fatos de terceiros, para daí concluir pela regularidade de seus procedimentos de importação. Em primeiro lugar, insiste na tese de que efetuou importações por encomenda às tradings CLAC e MTRADING. A importação por encomenda é aquela feita por pessoa jurídica importadora, com recursos próprios, para posterior revenda a encomendante predeterminado. Portanto, o cerne de sua diferenciação da operação por conta e ordem é, justamente, a utilização de recursos do terceiro encomendante. Compartilho com a decisão recorrida o entendimento de que o fato de PRINCIPAL cotar preço das mercadorias, contatar e manter vínculos comerciais com fornecedores estrangeiros, manter correspondência comercial com o vendedor das mercadorias, elaborar considerações sobre o mercado internacional etc., muito embora denotem seu controle sobre a operação de importação e sejam indícios da infração, não são necessários e suficientes para caracterizar uma operação por conta e ordem. Importador por conta e ordem de terceiro é a pessoa jurídica que promove, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial, na dicção do art. 1°, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002. Assim, a importadora por conta e ordem de terceiro prescinde, para sua caracterização, da realização de tomada de preços ou do exercício de intermediação comercial, que podem ser executados, indistintamente, pela importadora formal ou pela compradora das mercadorias importadas. Conforme relatado, a Fiscalização imputa à autuada a prática de interposição fraudulenta de terceiro em operações de importação formalmente procedidas pelas tradings CLAC e MTRADING. A configuração da importação por CONTA E ORDEM de terceiros desdobrase em dois elementos fundamentais: a ordem, quando a importação é efetuada a favor de uma terceira pessoa, e a conta, quando o pagamento da importação é efetuado com recurso deste terceiro. O pressuposto ordem é incontroverso nos autos. O recorrente inclusive pugna por que se reconheça que praticava a modalidade de importação por encomenda, que comunga com a importação por conta e ordem este segundo elemento. Comprovação dos adiantamentos às tradings CLAC e MTRADING A configuração do pressuposto conta se constata pelas transferências financeiras da recorrente a CLAC e a MTRADING: a) recibos da CLAC referentes a empréstimos que lhe foram concedidos por PRINCIPAL (folhas 133140 do Anexo XXXV, processo apensado 10980.005074/200784), nos valores de R$ 280.483,24, R$ 89.000,00, R$ 31.500,00, R$ 4.000,00, R$ 201.000,00, R$ 240.000,00, R$ 99.221,30 e R$ 66.728,00 na datas de 03/06/2004, 21/06/2004, 17/05/2004, 04/06/2004, 05/07/2004, 06/07/2004, 12/07/2004 e 13/07/2004, totalizando quase Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.362 23 R$ 1 milhão, com correspondência entre as datas dos recibos e as datas das declarações de importação; b) informação de CLAC de que as duplicatas emitidas contra PRINCIPAL não terem aceite pelo fato de a liquidação ocorrer mediante adiantamentos (folha 2.156); c) Cópia do Livro Razão da CLAC, conta "adiantamento de clientes", bem como cópia dos extratos bancários (fls. 2171 a 2173); d) a informação de quitação por adiantamento, sendo citada, inclusive, a data de quitação, constante do verso de algumas duplicatas (fls. 2.115 a 2.152); e) os diversos valores de adiantamentos registrados nos extratos das contascorrentes mantidas por CLAC nos bancos Safra e Bradesco (2174 a 2183); f) os diversos adiantamentos de PRINCIPAL para MTRADING, fl. 40 do Termo de Encerramento, não impugnados; g) diversas solicitações de numerário feitas por MTRADING a PRINCIPAL (anexos VII a XII, processo apensado 10980.005074/200784); h) conta Adiantamento a Importação, mantida por PRINCIPAL em sua escrituração comercial, com existência reconhecida pela recorrente, que faz prova definitiva contra ela; Por fim, as solicitações de numerário que MTRADING fez a PRINCIPAL, documentadas nas fls. 2042, 2096 e 2102 (assinaladas com "Numerário para Fechamento de Câmbio"), destinamse a fechamento de câmbio, o que comprova cabalmente que era a recorrente quem efetuava o pagamento das mercadorias ao fornecedor estrangeiro e refuta o argumento recursal de que se referiam à contrapartida da compra das mercadorias. Tais documentos revelam que as transferências ou os pagamentos efetuados pela autuada em favor da MTRADING não são em decorrência de venda de mercadorias, e sim para efetuar o fechamento do câmbio. O fato de as tradings, eventualmente, possuírem recursos suficientes para suportar os encargos financeiros das operações de importação não invalida a autuação fiscal haja vista que a infração de ocultação de real comprador se configura pelo repasse de recursos da adquirente PRINCIPAL as tradings CLAC e MTRADING. Vêse que o conjunto indiciário é amplo e forte. As objeções apresentadas pela recorrente, por outro lado, não foram hábeis para infirmálo. Por exemplo: não há qualquer prova nos autos de que a conta “Adiantamento a Importação”, mantida pela recorrente em suas escrituração comercial, seja resultante de erro do contabilista. A alegação é vazia. Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 24 Julgo bem configurado o pressuposto conta, na medida em que os recursos utilizados para o pagamento ao fornecedor estrangeiro, mediante fechamento de câmbio, seja por adiantamento seja por transferência para fechamento de câmbio, foram fornecidos pela recorrente. As tradings neste caso somente servem como meros intermediários, disponibilizando a sua conta corrente para transações financeiras. Tenho como caracterizada a importação por conta e ordem em que PRINCIPAL figura como adquirente oculta, haja vista não ter sido declarada como tal nas declarações de importação, e CLAC e MTRADING como importadoras ostensivas Quanto à presunção de conduta fraudulenta Sobressai, ademais, que os adiantamentos são anteriores à primeira importação de qualquer uma das tradings (CLAC e MTRADING), denotando a utilização desses recursos para que fossem concluídas, incidindo, no caso, a presunção legal constante do artigo 27 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Portanto, no caso concreto, inversamente do alegado pela recorrente, ficou sobejamente demonstrado a falsidade das informações prestadas nas declarações de importação com o intuito de ocultar o real adquirente das mercadorias. O artifício fraudulento empregado não foi presumido, ao contrário, foi cabalmente demonstrado. E se algo foi presumido – como a natureza das operações de importação ser por conta e ordem – foi em decorrência da autorização legal acima referida. Regular recolhimento dos tributos incidentes nas operações Necessário sublinhar que a tipificação da infração por dano ao Erário não se vincula aos efeitos do ato ou à sua extensão. Se extrai do texto legal que a ocultação intencional do sujeito passivo, do vendedor, do comprador ou do responsável, caracteriza, por si só, a conduta sancionada. Desnecessário que a fiscalização se esforce em provar a efetiva ocorrência de prejuízo aos cofres públicos. Com efeito, o que a norma legal intenta coibir é forma de agir do administrado, potencialmente lesiva ao interesse coletivo. E nem se diga que, assim determinando, a legislação esteja hostilizando indistintamente o negócio jurídico indireto e interferindo na liberdade de escolha do particular, na opção pela forma que melhor atende suas necessidades. Em lugar disso, buscase prevenir o negócio atípico, sem efeito prático aparente e de conformação reconhecidamente lesiva ao interesse público. Seja por razões econômicas, financeiras, operacionais ou de qualquer outra natureza, o que se espera é que seja perceptível alguma vantagem lícita a justificar a opção pelo caminho menos provável na obtenção de fins equivalentes. A recorrente acusa a União Federal de enriquecimento ilícito, na medida em que a pena de perdimento se somaria ao montante dos tributos pagos por ocasião do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas. A esse respeito, devese salientar que a pena de perdimento não representa qualquer ganho à União. Tratase, isso sim, de ressarcimento ao Erário dos danos provocados pela importação fraudulenta. Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10074.000684/200986 Acórdão n.º 3403002.511 S3C4T3 Fl. 2.363 25 Ademais, ainda que se pudesse falar em eventual ganho, não haveria como tachálo de ilícito, haja vista sua expressa previsão no DecretoLei nº 1.455, de 1976. Caráter confiscatório da penalidade aplicada A apreciação da arguição de confiscatoriedade da multa implicaria discutir a constitucionalidade da base legal dessa penalidade, cominada no art. 23, inc. V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976. Tais considerações estão vedadas em sede de julgamento administrativo, consoante a Súmula CARF nº 2: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É defeso a esta corte administrativa, salvo nas hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, deixar de aplicar dispositivo legal formalmente válido sob pretexto de violação constitucional ou princípios nela resguardados. Deixo de conhecer a arguição. Recurso de ofício A autuada, enquanto impugnante, acusou a existência de disparidade entre o valor de notas fiscais e os de algumas DIs. Em atendimento à diligência requerida pelo colegiado de piso, a Fiscalização admitiu a disparidade. Ato contínuo, a decisão recorrida cancelou a aplicação da multa em R$ 1.240.585,65, referentes a três DIs, no valor defendido pela impugnante. Fêlo bem. Conclusões Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Sala de sessões, em 26 de abril de 2013 Alexandre Kern Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN 26 Fl. 2376DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/09/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 14774.000086/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
CSLL. DECADÊNCIA.
Para os tributos sujeitos à homologação do lançamento, decai em cinco anos, a partir da data do fato gerador, o direito de a fazenda constituir crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-001.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
JORGE CELSO FREIRE DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos à homologação do lançamento, decai em cinco anos, a partir da data do fato gerador, o direito de a fazenda constituir crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta e Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarouse impedido de votar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 77 4. 00 00 86 /2 00 9- 71 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Relatório Tratase de recurso de ofício, apresentado pela 3ª Turma da DRJ Recife, em face do Acórdão nº 1134.347, de 13/07/2011, que por unanimidade de votos, considerou procedente a impugnação, para exonerar integralmente o crédito, em face de decadência. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL (fls. 02 a 05), lavrado para formalização e exigência de crédito 410 tributário no montante de R$ 13.292.708,61. 2. De acordo com o Termo de Encerramento (fls. 09 e 10), o lançamento decorreu de falta de recolhimento 'de contribuição declarada, de forma indevida, em DCTF, com exigibilidade suspensa por força de liminar em Mandado de Segurança, e posterior supressão por meio de DCTF retificadora. 3. Apresentouse impugnação (fls. 14 a 31) contrapondose, em síntese, que não existiria relação jurídico tributaria a obrigar o recolhimento da CSLL e que seria descabida a aplicação de multa isolada concomitantemente com a aplicação de multa por falta de recolhimento. A 3ª Turma da DRJ Recife, por unanimidade, proferiu decisão assim ementada (fls. 147): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIEITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 CSLL. DECADÊNCIA. Para os tributos sujeitos à homologação do lançamento, decai em cinco anos, a partir da data do fato gerador, o direito de a fazenda constituir crédito tributário. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório Fl. 226DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 14774.000086/200971 Acórdão n.º 1401001.020 S1C4T1 Fl. 3 3 Voto O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. A decisão da DRJ Recife foi vazada nos seguintes termos: 5. Consoante Quadro da Descrição dos Fatos e Enquadramento legal — o que se renova no Termo de Encerramento —, o interessado, em 04/10/2001, apresentou DCTF Complementar (n° 0000.100.2001.10767621) informando a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, devida no ano de 1998, no valor de R$ 3.960.760,59, com exigibilidade suspensa por força de liminar em Mandado de Segurança (Processo n° 9000020700). Em 16/07/2004, apresentou DCTF retificadora (n° 0000.100.2004.8176388), eliminando o referido débito. 6. A vista desses fatos, por considerar que houvera constituição do crédito por confissão e levando em conta que a Receita Federal tem cinco anos pra apreciar DCTF, a partir da data de apresentação, a fiscalização concluiu pela feitura de lançamento relativo ao débito da contribuição informado na DCTF complementar, malgrado ter reconhecido a existência de decisão judicial (Acórdão do TRF), com trânsito em julgado em 03/09/1992, a favor do interessado, dispensandoo do pagamento da contribuição — entendeuse, a decisão judicial só surtira até 03/09/1992, haja vista as alterações da Lei n° 7.698/88, tais como as implementadas pelas Leis nº's 9.430/96, 9.481/97 e 9.532/97. 7. Na impugnação contrapôsse, em substância, não teria havido modificação da situação fáticojurídica protegida pela decisão judicial tramitada em julgado, de modo que o lançamento teria sido indevido. 8. Independentemente das razões da defesa — que se deixam de apreciar à conta do que dispõe o art. 17 da Portaria MF n° 58, de 17 março de 2006 —, o lançamento não pode prosperar, porquanto, relativamente ao fato gerador da autuação, operou se a decadência — entre a data de sua ocorrência, ou seja, 31/12/1998, e a data da ciência do lançamento, em 22/06/2009 (fl. 12), transcorreram mais de cinco anos, exatamente: 10 anos, 06 meses e 22 dias. 9. A apresentação de DCTF, sua retificação, bem assim as particularidades das informações que se declaram, não são causas de suspensão ou interrupção do instituto. Não existe previsão legal nesse sentido. De sorte que a prerrogativa de apreciarse a declaração em cinco anos — proposição da qual partiu a autuação — não autoriza a constituição de crédito relativo a fato gerador ocorrido em data anterior a esse prazo. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 10. Assim, ante o exposto, voto no sentido de exonerar integralmente o crédito. Analisandose as razões de decidir adotadas pela decisão de piso, constato que foi correta a interpretação das regras da decadência. Conforme bem apontado pelo voto condutor daquela decisão, decorreram mais de 10 anos entre a data de ocorrência do fato gerador (31/12/1998) e a data de ciência do auto de infração (22/06/2009). Tal prazo supera em muito o prazo legal de 5 anos que a Fazenda dispunha para constituição do lançamento. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao presente recurso de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 1/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 10980.017339/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DECISÃO. FALTA DE EXAME INDIVIDUALIZADO DAS ALEGAÇÕES DE DEFESA. VALIDADE. É válida a decisão que adotou fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos de defesa. ALEGAÇÃO DE PRÉ-JULGAMENTO. 0 convencimento do julgador em sentido contrario ao entendimento da autuada, consubstanciado em doutrina e jurisprudência, não se enquadra dentre as hipóteses que, previstas na legislação, comprometem a validade da decisão por interesses subjacentes.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE. Somente em aquisição onerosa de investimentos por terceiros forma-se ágio passível de amortização. Não se caracteriza como tal a valorização reconhecida internamente, ainda que fundada em laudo de rentabilidade futura e associada ao reconhecimento de ganho de capital por parte dos sócios. ALEGAÇÃO DE ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. EFEITOS DO DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL AUFERIDO PELOS SÓCIOS. A reavaliação do investimento pelos sócios não gera ágio passível de amortização redutora das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de forma que a possibilidade de tributação futura daquele ganho esperado não se presta a dispensar os tributos que deixaram de ser recolhidos em razão do registro de despesa indedutivel.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária
principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.404
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida e, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e José Ricardo da Silva, que fardo declarações de voto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.017339/2008-78 Recurso n° 511.527 Voluntário Acórdão n° 1101-00.404 — la Camara / la Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2011 Matéria IRPJ - Amortização de ágio Recorrente BARIGUI VEÍCULOS LTDA Recorrida l a Turma da DRJ/Curitiba ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DECISÃO. FALTA DE EXAME INDIVIDUALIZADO DAS ALEGAÇÕES DE DEFESA. VALIDADE. É válida a decisão que adotou fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos de defesa. ALEGAÇÃO DE PRÉ-JULGAMENTO. 0 convencimento do julgador em sentido contrario ao entendimento da autuada, consubstanciado em doutrina e jurisprudência, não se enquadra dentre as hipóteses que, previstas na legislação, comprometem a validade da decisão por interesses subjacentes. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE. Somente em aquisição onerosa de investimentos por terceiros forma-se ágio passível de amortização. Não se caracteriza como tal a valorização reconhecida internamente, ainda que fundada em laudo de rentabilidade futura e associada ao reconhecimento de ganho de capital por parte dos sócios. ALEGAÇÃO DE ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. EFEITOS DO DIFERIMENTO DA TRIBUTAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL AUFERIDO PELOS SÓCIOS. A reavaliação do investimento pelos sócios não gera ágio passível de amortização redutora das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de forma que a possibilidade de tributação futura daquele ganho esperado não se presta a dispensar os tributos que deixaram de ser recolhidos em razão do registro de despesa indedutivel. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos A. taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 it.W.0 DELI PEREIRA BES A - Relatora Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-C IT I Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida e, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e José Ricardo da Silva, que fardo declarações de voto. ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO — Vice- Presidente no exercício da Presidência. EDITADO EM: 08/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Ede li Pereira Bessa, José Ricardo da Silva, Marcos Vinícius Barros Ottoni (suplente convocado) e Plinio Rodrigues Lima (suplente convocado). Ausente, por afastamento legal, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente). Relatório BARIGUI VEICULOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela l a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR, que por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE lançamento formalizado em 03/12/2008, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 16.464.416,14. Durante o procedimento fiscal, constatou-se que a empresa contabilizou no Ativo Permanente Diferido o montante de R$ 57.043.000,00, tendo como origem o ágio na aquisição do investimento por cisão total da empresa Marumbi Investimentos e Participações Ltda, ocorrida em 15/12/2004. Antes da referida cisão, a empresa Marumbi Investimentos e Participações detinha 100% do capital social da autuada e, depois do evento, seus sócios passaram a ser Bordin Administração e Incorporação Ltda (60%), Pine Participações Ltda (35%) e Gralha Azul Participações. Ltda (5%). Analisando o histórico dos tiltimos acontecimentos que culminaram com a incorporação do patrimônio cindido da Marumbi pelas empresas que detinham o controle societário, constatou a Fiscalização que os sócios controladores da Bangui Veículos Ltda já eram, até 30/11/2004, Bordin Administração e Incorporação Ltda (60%), Pine Participações Ltda (35%) e Gralha Azul Participações. Ltda (5%). Contudo, suas quotas foram cedidas A. empresa Marumbi Investimentos e Participações Ltda, passando eles a sócios controladores da Marumbi Investimentos e Participações Ltda, a qual se extinguiu em 27/12/2004, mediante cisão total que verteu patrimônio em favor da Bangui Veículos Ltda, na mesma data em que esta readmite seus antigos sócios. e 2 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 3 Registrou a fiscalização que o valor atribuído às quotas da Bangui Veículos Ltda (R$ 71.043.000,00) na sua conferência à Marumbi Investimentos e Participações Ltda estava suportado por laudo da consultoria Deloitte Touche Tohmatsu. Descreveu, então, os lançamentos contábeis realizados na Marumbi Investimentos e Participações Ltda, bem como na Bangui Veículos Ltda, destacando especificamente para esta que a conta de Agio em Investimentos no valor de R$ 57.043.000,00 foi acompanhada de redutor no valor de R$ 37.648.380,00, correspondente A. Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Liquido, resultando na diferença de R$ 20.149.108,00 registrada a titulo de capital, em razão do patrimônio vertido com a cisão. O ágio em Investimentos assim contabilizado passou a ser amortizado a partir de 31/12/2004, ao passo que a receita contabilizada em razão da realização da Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Liquido foi excluída do lucro real. Diante deste contexto, a fiscalização glosou as despesas decorrentes da amortização do ágio, argumentando que: 1) as alterações contratuais citadas ocorreram em seqüência, a partir da Avaliação Econômico-Financeira apresentada pela consultoria citada; 2) o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 trata de reavaliação de participações societárias e, inclusive, já se encontrava revogado desde 2005; 3) o ágio foi criado artificialmente por intermédio da constituição de sociedades que surgem ou são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação; 4) houve incorporação as avessas da controladora pela controlada; 5) a situação verificada se coaduna com o descrito no Acórdão DRJ/RJOI n° 10.007/2006 (ÁGIO DE SI PRÓPRIO NA INCORPORAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. ABUSO DE DIREITO) e no Acórdão DRJ/RJOI n° 9.283/2005 (AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃ 0 INDEVIDA); 6) inexiste fator econômico na configuração do ágio na aquisição de investimento; 7) a dedução do ágio a custo zero não é possível, haja vista que não se extinguiu o investimento anteriormente realizado; e 8) as despesas seriam desnecessárias à atividade da empresa e manutenção da respectiva fonte produtora. Para maior clareza, transcreve-se excertos do capitulo Da admissibilidade da dedução do ágio, contido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 29/36: Conforme demonstramos e dissertamos anteriormente a Marunibi Investimentos e Participações Lida era uma empresa constituída pouco tempo antes de sua incorporação, ou seja em 04/11/2002. Já na edição da 4' Alteração Contratual, em 30/09/2004, a Marumbi passou a totalidade do controle societário para três pessoas jurídicas, também pertencentes ao grupo. Ingressaram na sociedade as empresas Pine Participações Ltda e Gralha Azul Participações Ltda. Essas duas empresas ingressantes foram também constituídas na iminência da incorporação da Marumbi, ambas em 20/09/2004 als. 261 a 282 do Mexo I), cuja integralização do capital ocorreu, basicamente, com quotas de capital que os sócios, pessoas físicas, possuíam em outras empresas pertencentes ao grupo, entre as quais a Bangui Veículos Ltda. Por sua vez a Bangui Veículos Ltda, empresa ora em procedimento fiscal, e que tendo como únicos sócios as empresas Bordin Administração e Incorporação Lida, Gralha Azul Participações Ltda e Pine Participações Ltda, teve a totalidade de suas quotas transferidas, sem ônus, com a edição da .38v Alteração Contratual, de 30/11/2004 (fis. 03 a 09 do Anexo I), para a Maruinbi Investimentos e Participações Ltda. Verificamos na seqüência, com a edição da 39' Alteração Contratual, de 27/12/2004 (fls. 10 a 17 do Anexo I), aprova-se a absorção do patrimônio cindido por cisão total da Marumbi e também admissão corno novas sócias da Bangui as Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 4 ex-sócias, até 30/11/2004, empresas Pine, Gralha Azul e Bordin. Observe-se que todas as alterações contratuais acima citadas ocorreram na seqüência da Avaliação Econômico-Financeira da Bangui Veículos Lida, apresentada pela empresa de consultoria Deloitte Touche Tohniatsu, em 29/09/2004 (fls. 46 a 110 do Anexo I). Ao se compulsar a legislação tributária, verificamos a Lei n° 10.637/02, sancionada em 30/12/2002, que em seu art. 36 admite, para fins tributários, a reavaliação de participações societárias, quando da integral ização de subscrição, com o diferimento da tributação do IRPJ e da CSLL. De verdade, dito dispositivo legal foi revogado pela Lei n°11.196/05, art. 133, inciso Reproduzimos, a seguir, referido dispositivo legal: [...] Em verdade, o que se observa é unia sucessão de negócios com empresas do mesmo grupo que originou ágio, criado artificialmente por intermédio da constituição de sociedades que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação. De fato, o que efetivamente ocorreu com a incorporação da Marumbi pela Bangui, foi a incorporação às avessas, a primeira que era controladora foi incorporada pela segunda que era controlada. Coin efeito, podemos buscar jurisprudência no Acórdão DRJ/RJOI n° 10.007, de 30 de março de 2006: "Ementa: INCORPORAÇÃO As AVESSAS. EMPRESA CONTROLADA INCORPORANDO A EMPRESA CONTROLADORA. ÁGIO DE SI PRÓPRIO NA INCORPORAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. ABUSO DE DIREITO. O ágio se origina de uma contraposição de receita (para o vendedor) e custo (para o comprador). Os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. Na operação de incorporação as avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora, cujo controle acionário havia se originado de uma subscrição anterior de capital (subscrição com quotas do capital), não se justifica a contabilização, por parte do incorporador de ágio de si próprio, por faltar os pressupostos do ágio. A contabilização pelo incorporador deste valor chamado de ágio em conta de ativo diferido, em contrapartida de uma conta de reserva (patrimônio liquido), configura uma duplicação do ágio já contabilizado pelo investidor original. No ativo diferido são contabilizadas despesas incorridas que contribuirão para a formação de resultados de exercícios futuros. Despesas, pela legislação tributária, são dispêndios necessários as atividades e A. manutenção da empresa São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa Estas despesas devem ser usuais ou normais nos tipos de transações, operações ou atividades da empresa A posterior transferencia desse valor denominado de ágio para conta de resultado configura uma despesa indedutivel, por faltar-lhe os pressupostos de ágio e despesa, bem como caracterizar um abuso de direito, por distorcer a aplicação da lei." Ainda com relação à absorção do patrimônio cindido por cisão total da Marumbi Investimentos e Participações Lida, percebe-se que a Bangui Veículos Ltda antes mesmo de receber parcela do patrimônio cindido, tinha como únicas sócias as empresas Bordin Administração e Incorporação Ltda, Gralha Azul Participações Lida e Pine Participações Lida (381 Alteração Contratual), sendo que essas empresas transferiram a totalidade de suas quotas, sem "onus, para a Marzunbi Investimentos e Participações Lida (39 2 Alteração Contratual, de 27/12/2004). 4 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CI Ti Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 5 Nesse contexto, citamos o entendimento exarado no Acórdão DRJ/RJOI n° 9283, de 28 de dezembro de 2005: "Ementa: LUCRO REAL TRIMESTRAL. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE, AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO. DEDUÇÃO INDEVIDA. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controladora por sua controlada, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este titulo, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária." O que evidencia-se, de verdade, é a inexistência do fator econômico na configuração do ágio na aquisição de investimento. Isto posto, examinando a escrituração contábil da empresa Bangui Veículos Ltda encontramos, nos anos-calendário examinados e contabilizados em contas de resultados "Outras Despesas - conta razão 361002000015 corno amortização de ágio em investimentos, os seguintes valores (razão "Is. 03 a 220 do Anexo [...1 Os valores de R$ 950.716,67 contabilizados mensalmente em despesas como amortização de ágio em investimentos, tem como contrapartida a dedução de um sessenta avos mensais, de um total de R$ 57.043.000,00 contabilizado no Ativo Permanente - Diferido na conta "Ágio em Investimentos - Cisão Marumbi". Finalizando, a aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada não comporta a dedução de ágio, a custo zero, como perda, pela incorporadora, haja vista que não se extinguiu o investimento anteriormente realizado. A mera amortização do ágio não pode gerar efeitos fiscais, devendo o mesmo ser controlado à parte, para fins de cálculo do ganho de capital em eventual alienação do investimento. Assim, constatada a contabilização do valor de R$ 950.716,67 mensais em conta de resultados, a partir do mês de dezembro/2004 até dezembro/2006, como amortização de ágio em investimentos, sem que ficasse demonstrado o ajuste (adição) desses mesmos valores na Demonstração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (DIPJ 2005, 2006 e 2007- Anexo III), necessário se faz a glosa desses valores mediante ajuste do lucro liquido, por se considerar despesas não necessárias a atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte pagadora, conforme previsto nos arts. 249, inciso 1, 251 e parágrafo único, 299 e 300, do RIR/99. {...] Exigiu, assim, Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, ambos com acréscimo de multa de oficio no percentual de 75%, e juros de mora. Da decisão recorrida consta o seguinte relato acerca das razões de impugnação apresentadas pela autuada: - relata que no ano de 2004 promoveu uma reorganização societária rigorosamente dentro dos limites estabelecidos pela legislação comercial e fiscal vigentes, cujos passos foram formalizados em instrumentos legais e adequados, devidamente registrados na Junta Comercial do Estado do Parana; (-2P 5 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CI T1 Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 6 - enfatiza que o aumento de capital na empresa Marumbi Investimentos e Participações Lida foi efetivado pelas empresas Bordin Administração e Incorporações Lida, Pine Participações Lida e Gralha Azul Participações Lida, e não pela própria autuada, e que seu procedimento tem amparo no art. 36 da Lei n° 10.637/2002, regra que abrange o ágio resultante desse aumento de capital, correspondente a diferença entre o valor atribuído na integralização e o valor que se encontrava registrado na escrituração de cada uma dessas pessoas jurídicas; - observa que a operação de transmissão ou versão da participação societária por ocasião da cisão da Maruinbi Investimentos e Participações, por força do sç 20 do aludido artigo, é forma excludente de realização da participação societária. Enfatiza, portanto, que a tributação do ganho de capital apurado pelas empresas somente deverá ocorrer por ocasião da efetiva realização de suas participações; - relata a extinção da empresa Marumbi Investimentos e Participações Lida, reporta-se ao patrimônio que foi vertido em seu favor e afirma que "agiu ao abrigo dos artigos 7° e 8° da Lei n°9.532/1997, que prevê a possibilidade de amortização do ágio formado nas circunstâncias sob apreciação. "; - em amplo arrazoado, enumera as razões pelas quais entende que seu procedimento se coaduna as normas legais. Finaliza requerendo o cancelamento integral dos autos de infração. o relatório. A Turma Julgadora recorrida afastou tais alegações acolhendo o voto do I. Relator Wanaldir Aparecido Maia, do qual, após a abordagem dos motivos da autuação, constam as denominadas considerações iniciais para facilitar a compreensão: De sua parte, a contribuinte aduz que seu procedimento encontra respaldo nos art. 7° e 8° da Lei n°9.532, de 1997. Instaurado o dissenso, passemos ao atento exame dos fatos, enfatizando que seus efeitos não repercutem apenas nesta impugnante, e sim, de modo uniforme em três empresas distintas: I) BARIGVI VEÍCULOS LTDA (CNPJ n° 79.638.884/0001-96), 2) CENTER AUTOMÓVEIS LTDA (CNPJ N° 03.402.181/0001-70) e 3) ESPAÇO AUTOMÓVEIS LTDA (CNPJ n° 05.796.221/0001-31). Para facilitar a compreensão, a partir de agora, em regra, essas três empresas serão referidas como "EMPRESA BARIGUI", "EMPRESA CENTER" e "EMPRESA ESPAÇO". Até determinado momento anterior à deflagração do conjunto de fatos que a impugnante denomina de 'reorganização societária', essas três empresas pertenciam a: I) Sr.Antônio Bordin Neto (CPF n°780.956.709-87); 2) Sr. Ivo Luiz Roveda (CPF n° 355.086.559- 72); e 3) a pessoa jurídica Bordin Administração e Incorporações Ltda, na seguinteproporção: sócro EMPRESA BARIGUI EMPRESA CENTER EMPRESA ESPAÇO ANTONIO BORDIN 5% 20% 20% IVO LUIZ ROVEDA 35% 40% 40% BORDIM ADM. INC. 60% 40% 40% TOTAL 100% 100% 100% Na sequência, cada uma das duas pessoas físicas constituiu uma empresa. Antonio Bordin Neto constituiu a empresa GRALHA AZUL PARTICIPA COES LTDA (CNN n° 07.047.051/0001-18, contrato as fls. 269-276 do Anexo I), de cujo capital detém 99,99% das quotas. Ivo Luiz Roveda constituiu a empresa PINE PARTICIPA ÇOES 6 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI -CI TI Acórdão n.° 1101 -00.404 Fl. 7 LTDA (CNPJ n° 07.047.014/0001-00, contrato social as fls. 261-268 do Anexo I), de cujo capital detém 99,99% das quotas. Não sendo viável a existência por tempo indeterminado de sociedade unipessoal, cada um deles detém o percentual de 0,1% do capital da empresa do outro, ou seja, Antonio Bordin Neto detém 0,01% na empresa PINE PARTICIPAÇÕES LTDA e, reciprocamente, Ivo Luiz Roveda detém 0,01% na empresa Gralha Azul Participações Ltda. Abro um parêntese para enfatizar a inequívoca identificação de cada empresa com o proprietário de 99,99% de seu capital. Por tal razão - e para melhor compreensão dos fatos-, a partir deste momento passarão a ser referidas juntamente com seu proprietário, da seguinte forma "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto e PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda". Fechando o parêntese, esclareço que, já na constituição, transferiram para essas novas pessoas jurídicas suas participações societárias aludidas. Assim, o quadro de sócios das três, empresas - que na essência nada mudou - passou a ser o se uinte: SÓCIO EMPRESA BARIGUI EMPRESA CENTER EMPRESA ESPAÇO GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto 5% 20% 20% PINE PART/Ivo Luiz Roveda 35% 40% 40% BORDIM ADM INC. 60% 40% 40% TOTAL 100% 100% 100% Registre-se, portanto que, ao tempo da primeira das ocorrências que realmente interessam para os fins perseguidos nestes autos, as sociedades "EMPRESA BARIGÜI": "EMPRESA CENTER" e "EMPRESA ESPAÇO" pertenciam apenas a essas três pessoas/jurídicas: "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto", "PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda" e "BORDIN ADMINISTRAÇÃO E INCORPORAÇÕES LTDA". Não existiam outros sócios. Naquele mesmo momento, as três pessoas referidas em primeiro lugar, a saber: 1) Antonio Bordin Neto (pessoa fisica); 2) Ivo Luiz Roveda (pessoa física) e 3) Bordin Administração e Incorporações Ltda, eram também os únicos sócios de uma outra pessoa jurídica: MAR UMBI INVESTIMENTOS E PARTICIPA COES LTDA (CNPJ n° 05.369.093/0001-40), a partir de agora eventualmente referida como "empresa veiculo". Pois bem, por meio da quarta alteração do contrato social da empresa veiculo, MAR UMBI INVESTIMENTOS E PARTICIPA ÇOES LTDA, de 30/09/2004 (f1s. 32- 38 as mencionadas pessoas jurídicas "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto" e "PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda" ingressaram na empresa veiculo, onde já se encontrava a empresa Bordin Administração e Incorporações Ltda, e as pessoas físicas de Antonio Bordin Neto e Ivo Luiz Roveda. Por força desse instrumento contratual, as proprietárias das empresas "BARIGUI", "CENTER" e "ESPAÇO", transferiram suas participações societárias nestas empresas para a empresa veiculo. Por consequência, a partir desse momento, cada unia das empresas "BARIGU1", "CENTER" e "ESPAÇO", passou a ter como sócia exclusiva a empresa veiculo, MAR UMBI INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. No caso especifico destes autos, que diz respeito Zi "EMPRESA BARIGOI", esse evento ficou registrado na 38a Alteração Contratual (fis. 03-09), cabendo chamar a atenção para a cláusula 8a assim vertida: "8) A sociedade recomporá a pluralidade de sócios no prazo legal de 180 dias (artigo 1033,IV, Lei 10.406/2002)." 7 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-Cl TI Acórdão n.° 1101-00.404 FL 8 Para a formação do melhor juizo a respeito da controvérsia, mesmo incorrendo no risco de me tomar repetitivo, insisto ser imperioso o minucioso exame desse 'negócio juridico', que corresponde ao núcleo do planejamento tributário implementado. 0 primeiro ponto a ser enfatizado é que se tratou de um 'negócio' que as partes fizeram exclusivamente entre si. Repito: em nenhum momento contou coin a participação de alguém estranho. Visualizem-se ás fls. 32 as pessoas que participaram desse 'negócio', comparando as pessoas que 'alienaram' as quotas das empresas "BARIGOI", "CENTER" e "ESPAÇO", com a composição da empresa veiculo, que as 'adquiriu': ALIENANTES DAS QUOTAS (EMPRESA COMO RESPECTIVO PROPRIETÁRIO) COMPOSIÇÃO DA EMPRESA VEICULO, MARUMBI, ADQUIRENTE DAS COTAS GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto ANTONIO BORDIN NETO (pessoa física) e GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda IVO LUIZ ROVEDA (pessoa física e PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda BORDIN ADM INCORPORAÇÕES LTDA BORDIN ADM INCORPORAÇÕES LTDA Está evidente, portanto, que se tratou de mera movimentação intestina nos patrimônios dos titulares. As quotas que o senhor Antonio Bordin Neto possuía nas empresas "BARIGÜI", "CENTER" e "ESPAÇO", que já haviam sido transferidas para a sua empresa "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto", agora foram transferidas para a empresa veiculo, MAR UMBI, da qual já era sócio direto como pessoa física e passou a ser sócio indireto, pelo seu alter ego, a empresa "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto". Da mesma forma, as quotas que o senhor Ivo Luiz Roveda possuía nas empresas "BARIGer, "CENTER e ESPAÇO", que já haviam sido transferidas para a sua empresa "PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda", agora foram transferidas para a empresa veiculo, da qual também já era sócio direto como pessoa física e passou a ser sócio indireto, pelo seu alter ego, a empresa "PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda". 0 mesmo ocorre com a empresa Bordin Administração e Incorporações Ltda. As quotas que possuía diretamente nas empresas "BARIGÜI", "CENTER e "ESPAÇO" também foram transferidas para a empresa veiculo, da qual já participava. Nenhuma alteração ocorreu, portanto, com relação a efetiva titularidade patrimonial das cotas. 0 aspecto mais relevante desse 'negócio jurídico', sobre o qual se assenta todo o planejamento, é que as quotas das empresas "BARIGÜI", "CENTER" e "ESPAÇO" foram transferidas por valor muito superior - em média 450,89% - àquele que constava nas contabilidades das 'alienantes', conforme se vê no q uadro a seguir, que compara os valores: INVESTIDA NA ALIENANTE NA ADQUIRENTE , NOME NOME VALOR VALOR %VAR. BARIGUI BORDIN ADM. E INCORP. LTDA 8.400.000,00 42.625.800,00 407,45% BARIGUI "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto" 700.000,00 3.552.150,00 407,45% BARIGUI "PINE PARTICIP/Ivo Luiz Roveda" 4.900.000,00 24.865.050,00 407,45% CENTER BORDIN ADM. E INCORP. LTDA 1.400.000,00 8.561.600,00 511,54% CENTER "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto" 700.000,00 4.280.800,00 511,54% CENTER "PINE PARTICIP/Ivo Luiz Roveda" 1.400.000,00 8.561.600,00 511,54% ESPAÇO BORDIN ADM. E INCORP. LTDA 880.000,00 7.576.800,00 761,00% ESPAÇO "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto" 440.000,00 3.788.400,00 761,00% ESPAÇO "PINE PARTICIP/Ivo Luiz Roveda" 1.400.000,00 7.576.800,00 441,20% a 8 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-C I Ti Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 9 1TOTAIS 20.220.000,00 111.389.000,00 450,89% Cabe informar que os valores originals constantes da escrituração da empresa Bordin Administração e Incorporações Ltda foram colhidos de seu Livro Diário n° 13, espelhado às fls. 222 do Anexo I. Os valores pelos quais as empresas "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto" e "PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda" adquiriram as quotas são aqueles pelos quais seus capitais foram integralizados, conforme contratos sociais (fls. 261-28) do Anexo I. Para justificar essa assombrosa 'valorização' que as quotas sofreram no átimo de sua transferência para a sociedade veiculo (MARUMBI INVESTIMENTOS PARTICIPAÇÕES LTDA), foram apresentados "Relatórios de Avaliação Econômico e Financeira", elaborados por uma das maiores empresas do nnindo na área de consultoria, Delloitte Touche Tohmatsu. Referindo-se à totalidade das quotas desta impugnante, o relatório respectivo (fls. 46-110), estima que seu valor justo de mercado é de R$ 71.043.000,00 (fls. 49). É essa, portanto, a gênese do 'ágio' que deu azo ao lançamento. Reitero que esse ágio não decorreu de uma operação que implicasse a alienação das quotas a terceiros, e tampouco envolveu algum pagamento. Pelo contrário, o que aconteceu foi que as empresas "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto" e "PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda" ingressaram na sociedade veiculo (Marumbi Investimentos e Participações Ltda), levando as quotas que possuíam, enquanto a empresa Bordin Administração e Incorporações Ltda - que já participava da sociedade veiculo - também trouxe suas quotas, com a particularidade de que, nesse momento, se atribuiu às quotas uma nova e mais significativa expressão monetária. Que fique claro, portanto, que ninguém pagou — ou recebeu - mais de cento e onze milhões de reais pela totalidade das quotas das empresas "BARIGÜI", "CENTER" e "ESPAÇO". Não é essa a origem do ágio. A origem do ágio é que as mesmas três pessoas, Bordin Administração e Incorporação Lida, "GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto" e "PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda", na dupla e simultânea condição de alienantes e adquirentes, negociando consigo mesmos, resolveram que as quotas das empresas deveriam ser aceitas na sociedade veiculo por valor médio 450% superior àquele que apresentavam no momento anterior. Assim, no dia 30 de setembro de 2004, em um passe de mágica, por força exclusiva de seus próprios desígnios, sem despender ou receber um centavo sequer de fonte alheia, esses felizes negociantes viram sua riqueza comum crescer de R$ 20.220.000,00 para R$ 111.389.000,00. Impende reconhecer sua modéstia, contentando-se coin enriquecimento de, apenas 450%, porquanto nada os impedia de estabelecer percentual infinitamente superior, talvez de bilhões de reais, já que dependiam apenas deles próprios para dimensionar a expressão numérica de sua riqueza. A operação seguinte, também fundamental à implementação do planejamento fiscal, ocorreu no dia 27 de dezembro de 2004 e se encontra documentada, com relação às três empresas, na Sexta Alteração Contratual e Extinção por Cisão Total da empresa veiculo, Marumbi Investimentos e Participações Ltda 43-45 do Anexo I); e com relação exclusiva à impugnante, na sua 39" Alteração Contratual (17s. 10-23 do Anexo Nesse novo 'negócio jurídico', ocorreu a extinção, por cisão total, da empresa veiculo (Marumbi Investimentos e Participações). Seu patrimônio verteu seletivamente para cada unia das três empresas: "BARIGUI", "CENTER" e "ESPAÇO", conforme descrito no Protocolo e Justificativa de Cisão Total, estampado às fls. 18-23 do Anexo I. 9 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 10 0 ponto relevante a ser destacado é que, corn exceed() da "EMPRESA BARIGÜI", que também recebeu imóveis que se encontravam em nome da sociedade veiculo, cada uma dessas três empresas recebeu da sociedade veiculo apenas o patrimônio representado por ela própria, devidamente acrescido do 'ágio' surgido na operação anterior. Por essa razão, a "EMPRESA BARIGÜI", por exemplo, contabilizou em seu ativo a existência de um ágio de R$ 57.043.000,00 (fls. 03 do anexo II). Conforme se vê às fls. 04 do Anexo II, o capital desta impugnante era de R$ 14.000.000,00. Contudo, no dia 27/12/2004, sem que alguém tivesse adicionado um centavo sequer ao seu capital, este passou para R$ 34.149.108,00, tudo por obra e graça da mesma alquimia que possibilitou o surgimento do ágio. Para encerrar, registro que essas operações não surtiram qualquer efeito, nem mesmo entre as partes, unia vez que a distribuição do capital de cada uma das três empresas "BARIGCI", "CENTER e ESPAÇO" voltou a ter a mesma distribuição percentual anterior: [...] Na seqüência, a autoridade julgadora expressa considerações sobre o significado contábil de ágio, o qual considera um conceito de conteúdo puramente econômico. Não sendo, portanto, um conceito espiritual ou metafisico, suscetível de ser livremente utilizado em qualquer acepção que lhe queira atribuir cada interessado. Reproduz as lições do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI destacando que o surgimento de ágio pressupõe aquisição onerosa de terceiros, de sorte que, no caso sob exame, o 'ágio' criado artificialmente nas três empresas, por carecer de substância econômica, não comporta tal qualificação. E, diante deste contexto, conclui: O MÉRITO DO LANÇAMENTO. Pelo que até aqui se viu, resta inequívoco que estamos diante de uma estratégia de planejamento tributário da modalidade conhecida como "ágio de si mesmo". Isso porque, na essência, o ágio que a impugnante excluiu de sua base imponível do JRPJ e da CSLL não diz respeito a eventual participação dela em outra sociedade, mas é um ágio sobre ela própria, sobre sua própria rentabilidade. Dai a expressão ágio de si mesmo. Acrescenta, ainda, hipóteses tratadas na doutrina, para destacar que no caso concreto a situação é mais preocupante na medida em que o ágio foi simplesmente estipulado pelos proprietários do empreendimento, com a pretensão de se pagar menos tributos em razão de estar amortizando ágio sobre si mesmas, valendo-se do que disposto no art. 7° da Lei n° 9.532/97. Cita palestra do Dr. Mário Junqueira Franco Junior proferida em 06/04/2006, que destaca a nova visão do Conselho de Contribuintes em busca da essência dos negócios jurídicos, admitindo-se apenas planejamentos tributários que respeitem a finalidade dos institutos de Direito Privado. Reproduz ementas do Acórdão n° 103-23.290 quanto necessidade de propósito negocial, e do Acórdão n° 105-17.219, quanto à necessidade de efetiva existência do ágio (seu pagamento pelo adquirente e recebimento pelo alienante). Por fim, cita o Oficio Circular CVM/SNC/SEP n ° 01/2007, acerca do "ágio" gerado em operações internas, no qual se firmou que essas transações não se revestem de 1 0 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.404 FL 11 substância econômica e da indispensável independência entre as partes para que seja passível de registro, mensuração e evidencia ção pela contabilidade. Por todo o exposto, o voto condutor da decisão recorrida expressa as seguintes conclusões acerca do lançamento em debate: 0 fato, portanto, é que, nos termos postos pela CVIVI, as reorganizações societárias das três empresas "BARIGOI", "CENTER e ESPAÇO" não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, requisitos indispensáveis para que fossem passíveis de registro, mensuração e evidencia ção pela contabilidade. Entretanto, tais desatinos foram contabilizados e as amortizações desse ágio esdrúxulo foram abatidas do lucro tributável. Evidente, portanto, que a solução deve ser a glosa dos valores debitados a titulo de despesa com ágio, uma vez que tais valores carecem de, substancia econômica. de se reconhecer que a legislação autorizava a amortização do ágio. Contudo, evidentemente a legislação se referiu a ágio constituído coin substancia econômica, em decorrência de transações efetivas entre partes negociantes autônomas. A toda evidência, essa grandeza criada artificialmente nas contabilidades das empresas "BARIGÜI", "CENTER" e "ESPAÇO" é simplesmente um absurdo, um abuso que não pode ser considerada como ágio para os fins do inciso III do art. 7° da Lei n° 9.532, de 1997, ou para outro fim qualquer. Por outro lado, ainda que se considerasse esse ágio aloprado como unia despesa, não seria dedutível em face de ser absolutamente desnecessário à atividade da empresa, à manutenção de suas atividades e geração de suas receitas Em face de todo o exposto, entendo que o lançamento deve ser mantido integralmente. como voto. Cientificada da decisão de primeira instância (fl. 116), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 19/05/2009 (fls. 117/163). Nele esclarece que a reorganização societária promovida em 2004 ocorreu num contexto em que a empresa decidiu se ajustar as exigências comerciais ditadas pelo processo de globalização da economia e preparar-se para responder a duas possibilidades de venda da empresa que se apresentavam potencialmente realizáveis, buscando seus proprietários condições de otimização de seu patrimônio com vistas a essa venda. Defende a regularidade formal da reorganização assim procedida, consoante as exigências da Lei de Registros Públicos de Empresas Mercantis e Atividades Afins, o que lhe confere plena vigência e oferece a garantia dos seus efeitos jurídicos. Ressalta que a Fiscalização teve em conta apenas parte da operação realizada, sem observar as alterações jurídicas e societárias também nas três empresas que ao final restaram participando da autuada na qualidade de sócios, além de não se ter apontando qualquer descumprimento A. lei nestes procedimentos. Em suas palavras: Cumpre lembrar que a autuada prestou todos os esclarecimentos acerca dos efeitos contábeis e fiscais em todas as empresas participantes da reorganização societária, inclusive quanto à receita de ganhos de capital nelas apurada, colaborando de forma integral com a fiscalização. Essa atitude de colaboração da empresa possibilitou à fiscalização desenvolver seu trabalho sem qualquer dificuldade e II Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 12 com a máxima transparência e conhecimento pleno de todos os detalhes econômicos e financeiros, não só da empresa, mas também de todo o grupo. Descreve a composição de seu capital em 30/07/2004 (R$ 5.000.000,00), a avaliação procedida pela empresa Deloitte Touche Tohmatsu em 30/09/2004 (R$ 71.043.000,00 com base no "justo valor de mercado", pela metodologia do "Fluxo de Caixa Descontado", considerando o valor de rentabilidade com base em previsão dos resultados de exercícios futuros), a composição societária em 27/09/2004 (R$ 14.000.000,00), o registro do ágio pelas empresas participantes do capital social da autuada, entendendo que tal, como demonstrado à Fiscalização, evidencia o acerto legal da reorganização da apuração dos seus resultados e seu registro adequado no Livro de Apuração do Lucro Real das empresas participantes da reorganização. Reporta-se à alteração contratual da empresa Marumbi Investimentos e Participações em 30/09/2004, cujo capital foi aumentado mediante alienação das quotas da autada detidas por suas sócias, representando esta participação a parcela de R$ 71.043.000,00 do referido aumento de capital. Ressalta que o aumento de capital na empresa Marumbi Investimentos e Participações Lida foi efetivado pelas empresas Bordin Administração e Incorporações Lida, Pine Participações Ltda e Gralha Azul Participações Ltda e não pela autuada e seu procedimento tem amparo no artigo 36 da Lei no 10.637/2002. Entende que a referida regra alcança as empresas que participaram do capital da autuada, e representa apenas a possibilidade de diferimento da tributação perante o IRPJ e a CSLL uma vez que o parágrafo 1° determina que tal diferença deve ser controlada na parte B do Lalur e será obrigatoriamente computada na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social quando ocorrer a realização da participação societária especialmente à luz da Lei no 9.532/97 e Lei n°10.637/2002. Por sua vez, a norma citada excepciona, como hipótese de realização, a transferência da participação societária em razão de fusão, cisão ou incorporação, de forma que no presente caso mantiveram-se beneficiadas pelo diferimento as empresas Bordin Administração e Incorporações Lida, Pine Participações Ltda e Gralha Azul Participações Ltda. Junta à sua defesa documentos que evidenciam, por parte de tais empresas, o procedimento de manterem na parte B do Lalur os valores mencionados no parágrafo 10 do artigo 36, mas antecipadamente requer a conversão do julgamento em diligência caso paire dúvidas quanto à sua idoneidade. Retomando as operações realizadas, descreve a cisão total da empresa Marumbi Investimentos em 27/11/2004, com a versão de patrimônio nos seguintes termos: a parcela cindida que se compõe de ativo circulante, ativo imobilizado, investimento com ágio na Banigiii e passivo circulante, no valor total de R$ 34.685.009,70 (), sera reduzida pelo valor do investimento e a importância liquida de R$ 20.149.108,26 (.), sera incorporada pela, própria Barigiii, com equivalente aumento de capital que aproveitará aos novos sócios da Barigiii na proporção ajustada na respectiva alteração contratual. Nesta versão estavam incluídas disponibilidades da Marumbi no valor de R$ 5.554,87 e imóveis no valor liquido de R$ 4.460.072,82. Sob a ótica da Bangui Veículos Ltda, invoca a aplicação do art. 7 ° da Lei n° 9.532/97, dado estar ali expresso possibilidade de a empresa absorver patrimônio de outra em 12 Processo no 10980.017339/2008-78 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 13 virtude de incorporação de bens vertidos em decorrência de cisão de outra empresa, sendo o elemento patrimonial representado por participação societária que contenha o registro de ágio apurado em uma das formas definidas no artigo 20 do Decreto-lei n° 1.598/77. Mais precisamente defende a aplicação de seu inciso III, por se tratar ali de ágio com fundamento em rentabilidade futura ou, como no caso presente, com base na previsão de resultados dos exercícios futuros. Opõe-se A. afirmação fiscal de que a amortização do ágio somente seria possível pela pessoa jurídica que absorve o patrimônio de outra na qual detivesse participação societária, na medida em que o art. 8 ° da Lei n° 9.532/97, em sua alínea b, também autoriza a amortização quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária, permitindo às empresas o exercício de seu direito de livre associação e de liberdade de contratar. Acrescenta, mais à frente, que a Fiscalização busca criar uma limitação inexistente no referido dispositivo, ao afirmar que ele só se aplica se a cindida fosse aquela que detinha a propriedade da participação societária; mas não poderia ser da própria empresa que a incorpora. Reporta-se aos conceitos de incorporação e cisão presentes na Lei n° 6.404/76 e A sucessão nos direitos e obrigações da incorporada/cindida, presente na medida em que confirmada a emissão das quotas da autuada ern favor de suas sócias, o que lhe permite se valer de toda a sistemática do artigo 7°, em sua plenitude. Esclarece que a constituição de PMIPL — Provisão p/ Manutenção da Integridade do Patrimônio Liquido decorreu da observância A. Instrução CVM n° 319/99, alterada pela Instrução CVM n° 349/2001, dado o alcance expresso em seu art. 1 °, parágrafo único, que no seu entender abarca todas as empresas que realizaram operações de incorporação, fusão ou cisão. E acrescenta: Como consta do processo e está de passagem mencionado no termo de verificação, essa provisão foi adicionada na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro na empresa Marumbi Investimentos e Participações Ltda (incorporada), controlada na parte B do Lalur, também da Marumbi Investimentos e Participações Ltda, como definido nas regras de apuração do IRPJ e da Instrução mencionada. Advindo, mais tarde a Cisão com versão de elementos patrimoniais para as empresas Bordin Administração e Incorporações Ltda, Pine Participações Lida e Gralha Azul Participações Ltda, essa provisão foi incorporada aos controles fiscais dessas empresas, mediante os registros contábeis e fiscais que reproduziam os encargos e direitos auferidos na incorporação de tais elementos patrimoniais vertidos, e, como conseqüência disso passou a constar do registro na sua parte B do Lalur, onde passou a ser baixado mensalmente na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social, na proporção da reversão contábil efetuada mensalmente. Apesar de a Instrução CVM n° 247, em ser artigo 14, par. 3°, definir que o prazo máximo de amortização do ágio era de dez anos, a autuada promoveu sua amortização no prazo definido no artigo 7°, inc. III, da Lei n° 9.532/97, ou seja, de cinco anos ou sessenta meses. Apesar de não constar no termo de verificação, a autuada cumpriu também o disposto na alínea a do par. 1° da Instrução CVM n° 319/99 com a redação dada pela Instrução n° 349/2001 da CVM 13 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 14 E esse valor corresponde ao valor dos tributos (IRPJ e CSLL) a ser recolhido pelas empresas sócias Bordin Administração e Incorporações Ltda, Pine Participações Ltda e Gralha Azul Participações Ltda, que incidirá sobre o ganho de capital registrado em suas contabilidades quando da realização dos investimentos em participações societárias no capital da autuada. Conclui que o procedimento de reorganização societária se desenvolveu regularmente, ponderando, ainda, que a presente exigência provoca tributação em dobro relativamente ao IRPJ e a CSLL porquanto o ganho de capital está sendo controlado na parte B do Lalur das empresas Bordin Administração e Incorporações Ltda, Pine Participações Ltda e Gralha Azul Participações Ltda e, tão logo ocorram os eventos que caracterizarem a realização das participações societárias estarão elas recolhendo o IRPJ e a CSLL devida. Destaca que o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 foi revogado pela Lei n° 11.196/2005, mas isto somente alcança procedimentos de reorganização societária realizados a partir de 01/01/2006. Aborda o contexto econômico no qual foi editada a Lei n° 10.637/2002, bem como a alvancagem de negócios decorrente do inciso III do art. 7 ° da Lei no 9.532/97. Discorre, ainda, sobre o conceito de ágio e das causas de sua amortização, e destaca sua necessidade para a aquisição ou reorganização, inexistindo qualquer lesão ao patrimônio público, na medida em que previsto nas normas contábeis e nos princípios contábeis geralmente aceitos. Reitera que na vigência do art. 36 da Lei n° 10.637/2002 não pode ser imputada qualquer irregularidade legal à operação realizada. Mais à frente, consigna que a revogação deste dispositivo não se deu de forma interpretativa, mas por visível efeito modificativo marcados pela revogação do texto. Classifica de conservador o laudo aprovado e adotado na reorganização societária, porquanto, a projeção dos lucros que embasaram a apuração do ágio revelou-se inferior aos resultados efetivamente apurados de 2004 a 2006, já que a amortização do ágio em nenhum período eliminou o pagamento do IRPJ e da CSLL. Registra que o único beneficio que o grupo empresarial usufrui é eventual postergação no recolhimento do IRPJ e CSLL. Na medida em que o ganho auferido pelas empresas detentoras do capital está controlado na parte B do LALUR, é certo que haverá, sem qualquer sombra de dúvida a tributação dos ganhos na operação de reorganização societária. Isto pode se dar em breve prazo como em longo prazo, sem que possa a recorrente prever quando isso acontecerá. Conclui, dai, que o verdadeiro beneficiário da operação em questão são seus sócios. E a presente exigência representará dupla tributação em relação A. incidência que se verificará quando realizados os investimentos por seus sócios. No seu entender: Até o presente momento a única vantagem mensurável são os eventuais juros apropriáveis entre as amortizações do ágio e o tempo em que ocorrerá a realização dos investimentos. Invoca, assim, o art. 112 do CTN, se presente dúvida quanto ao legitimo direito da empresa, destacando a aplicação de seu inciso II. 14 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CI TI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 15 Reproduz trechos da decisão recorrida para afirmar que as expressões ali usadas não indicam um exame equilibrado do processo, mas um verdadeiro pré-julgamento, pré-concebido para a tentativa desaconselhável de manutenção da exigência. Discorda da afirmação de que o ágio foi estipulado pelos proprietários do empreendimento, porque há laudo técnico que o suporta, e não lhe foi imputado qualquer erro ou impropriedade técnica. Acrescenta que a apuração de lucros superiores aos resultados projetados no laudo já havia sido consignada na impugnação, como transcreve, e pede a análise do acerto de sua expressão econômica. Entende que as referências a palestra de ex-Conselheiro caracteriza inovação, menciona que ali não foi tratado o caso concreto em tela, e que neste não foi demonstrado que a legislação foi contrariada. Registra que a autoridade julgadora de l a instancia omitiu-se quanto aos efeitos da operação em relação aos seus reais beneficiários, bem como em relação à possibilidade de dupla tributação. Entende que o tratamento dado à operação na decisão recorrida induz A. criação de uma riqueza artificial sem a incidência de tributo, o que não é o caso, ante o registro dos valores correspondentes na parte B do LALUR para tributação futura. Por estas razões, e também porque os argumentos sobre a legitimidade da opera cão não foram atacados, nem mesmo os dispositivos legais apontados pela recorrente foram comentados, entende nula a decisão recorrida, por evidente cerceamento ao seu direito de defesa. E, quanto ao exame de mérito, entende que a autoridade julgadora não abordou os aspectos citados pois isto demonstraria a nulidade do lançamento, na medida em que restaria caracterizado o erro de eleição do sujeito passivo, que ao invés da recorrente, são os beneficiários: BORDIN ADMINISTRADORA/Félix Bordim; GRALHA AZUL/Antonio Bordin Neto e PINE PARTICIPAÇÕES/Ivo Luiz Roveda. A autoridade julgadora, sem dúvida se deparou com séria dúvida, pois só tinha dois caminhos a trilhar. Ou reconhecia a integral validade dá reorganização societária e teria que cancelar a exigência ou, como fez, entendeu que se tratou de simulação e teria que cancelar o lançamento, da mesma forma, por erro de eleição do sujeito passivo. Apresenta argumentos para concluir que a decisão recorrida, como o ato do lançamento, refletem verdadeira desconsideração de ato jurídico, simulação ou negócio jurídico indireto. Contudo, antes de se opor as conclusões da autoridade julgadora, classifica de superficiais suas considerações, que não definiram qual dos três tipos citados viciaria a reorganização societária. Assevera que a desconsideração do ato jurídico teria ocorrido por se considerar efeitos diametralmente opostos aqueles buscados na reorganização societária, a imputação de simulação se verificaria por atribuir aos fatos jurídicos uma inadequada intenção em confronto com a sua expressão literária e econômica. E seguramente admitiu-se haver negócio jurídico indireto por ter a recorrente se utilizado de forma jurídica diferente daquela que conduziria a conclusão do negócio à forma pretendida pela empresa. 15 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 16 Do exame fiscal, porém, não exsurgiu qualquer incoerência, irregularidade ou vicio formal, tanto que a Junta Comercial do Paraná acolheu todos como legais e adequados. A concretização dos resultados esperados se mostra pela regular contabilização nas empresas sócias que participaram da reorganização societária, os quais sequer foram questionados pela fiscalização ou pela autoridade julgadora. Não bastaria a simples suspeita de fraude para a desconsideração do negócio jurídico. Ao se apoiar em circunstância que inexistiu nos autos, a autoridade julgadora desrespeitou a tipicidade cerrada, criando figura tributária inexistente e tentando introduzir a interpretação econômica que não está prevista no sistema jurídico pátrio. Argúi, ainda, a nulidade por erro de eleição do sujeito passivo, pois, se as conclusões do julgamento são no sentido de que os sócios da recorrente manipularam ilegalmente as alterações societárias de forma a convolarem os efeitos jurídicos em ganhos patrimoniais que produziram a omissão no recolhimento de tributos, tal beneficio somente pode ser atribuído Aqueles sócios, já que foram eles que absorveram e registraram contabiltnente os ganhos com a opera cão. Somente a estes pode ser imputada a responsabilidade pela evasão ou elisão de tributos. Em seu entendimento, a tributação somente poderia recair sobre o valor dos resultados apurados nas empresas sócias da recorrente, que apuraram e contabilizaram os ganhos correspondentes. Ou seja, se houve irregularidade, bastaria a fiscalização exigir o pagamento do IRPJ e da CSLL sobre o ganho apurado e contabilizado pelos sócios da recorrente que com isso eliminaria a possibilidade de dupla exigência dos tributos. Ataca, ainda, os juros aplicados sobre a multa lançada de oficio, cuja cobrança somente surgiu no momento da ciência da decisão recorrida. Reproduz acórdãos dos Conselhos de Contribuinte contra tal aplicação, e conclui que deve ser o processo saneado, mediante a determinação de que as parcelas de juros moratórios incidentes sobre a multa de oficio não podem ser exigidos da recorrente. Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A prova da ciência da decisão recorrida, constante de fl. 116, está danificada e não é possível identificar a data na qual a correspondência foi entregue à destinatária. Considerando que os DARFs que a acompanharam tiveram seus valores consolidados até 30/04/2009, supõe-se, a partir da parte legível do carimbo constante do aviso de recebimento de fl. 116, na qual se lê o dia da postagem como sendo "06", que a correspondência foi, minimamente, postada em 06/04/2009. Desta forma, a teor do art. 23, §2 °, inciso II do Decreto n° 70.235/72, considera-se a contribuinte cientificada quinze dias após a data da expedição da intimação. E, nestas condições, o recurso voluntário apresentado em 19/05/2009 é tempestivo. Preliminarmente deve-se analisar a argüição de nulidade da decisão recorrida. 16 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-C1T1 Acórclâo n.° 1101-00.404 Ft. 17 Entende a recorrente que a autoridade julgadora de 1a instancia não abordou todos os efeitos da operação em relação aos seus reais beneficiários, bem como em relação possibilidade de dupla tributação, concluindo incorretamente pela criação de uma riqueza artificial sem a incidência de tributo. Deixou, assim, de apreciar os argumentos sobre a legitimidade da operação, ensejando cerceamento ao seu direito de defesa. Complementa que, se todos os seus argumentos de mérito fossem apreciados, a autoridade julgadora não teria outra opção send() reconhecer a integral validade da reorganização societária, ou, então, declarar a nulidade do lançamento porque restaria caracterizado o erro de eleição do sujeito passivo. Contudo, constata-se do exame da referida decisão uma abordagem aprofundada das operações que ensejaram as despesas glosadas, concluindo-se, validamente, pela sua não conformação ao conceito de ágio, aspecto tido como suficiente para a manutenção da glosa, por afastá-las do âmbito de aplicação das normas que admitem os efeitos de sua amortização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. A parte final da decisão recorrida deixa claro que a autoridade julgadora admitiu a possibilidade legal de amortização do ágio, para fins fiscais. Negou, porém, validade ao ágio constituído na forma aqui apresentada por não vê-lo contemplado no inciso III do art. 70 da Lei n° 9.532, de 1997, ou para outro fim qualquer, o que já se presta a afastar, também, as mencionadas disposições do art. 36 da Lei n° 10.637/2002. Demais disto, acrescentou a autoridade julgadora que, na hipótese de se admitir a contabilização desta operação como origem de ágio, e conseqüentemente de sua amortização como despesa, sua indedutibilidade ainda assim se justificaria, por ser ele absolutamente desnecessário à atividade da empresa, à manutenção de suas atividades e geração de suas receitas. Ou seja, a glosa seria cabível ainda que se admitisse a possibilidade e a regularidade da reorganização societária promovida. Relevante destacar que esta conclusão não se afasta daquela A. qual chegou a autoridade lançadora, consoante expresso na parte final do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 35: Assim, constatada a contabilização do valor de R$ 950.716,67 mensais em conta de resultados, a partir do 111éS de dezembro/2004 até dezembro/2006, como amortização de ágio em investimentos, sem que ficasse demonstrado o ajuste (adição) desses mesmos valores na Demonstração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (DIPJ 2005, 2006 e 2007- Anexo III), necessário se faz a glosa desses valores mediante ajuste do lucro liquido, por se considerar despesas não necessárias a atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte pagadora, conforme previsto nos arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo 299 e 300, do RIR/99. Para maior clareza, os dispositivos legais citados são, a seguir, transcritos: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro liquido do período de apuração (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 6°, sç 2°): I - os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro liquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutiveis na determinação do lucro real; [-.] 17 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CITI Acórcldo n.° 1101-00.404 Fl. 18 Art. 251. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 7°). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei n°2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2°, e Lei n°9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias atividade da empresa e et manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n°4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 1°). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, 2°). § 3° 0 disposto neste artigo aplica-se também as gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Art 300. Aplicam-se aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei n° 4.506, de 1964, art. 45, § 2°). Destaque-se que é pacifico, na jurisprudência, o entendimento acerca da desnecessidade de a decisão conter referência expressa a cada um dos argumentos tecidos pela interessada, desde que adotada fundamentação suficiente para decidir a controvérsia. Veja-se, a respeito, manifestação do Superior Tribunal de Justiça: Não viola os artigos 165, 458, II, e 535, II, do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. (Recurso Especial n° 687.417-RS, Relator: Ministro Teori Albino Zavascki). Na mesma linha, é o voto da Ministra Eliana Calmon: O Tribunal não está obrigado a responder questionários formulados pelas partes, tendo por finalidade os declaratórios dirimir dúvidas, obscuridades contradições ou omissões realmente existentes, pois existindo fundamentação suficiente para a composição do litígio, dispensa-se a análise de todas as razões adstritas ao mesmo fim, uma vez que o objetivo da jurisdição é compor a lide e não discutir as teses jurídicas nos moldes expostos pelas partes. (EDcl na Ação Rescisória n°770 — DF) A recorrente também infere que na decisão recorrida se cogitou de desconsideração de ato jurídico, simulação ou negócio jurídico indireto, e assim aponta imprecisão no seu conteúdo, na medida em que não se definiu, ali, qual dos três tipos citados viciaria a reorganização societária. Porém, como já se pôde ver do relatório, e será exposto com mais detalhes adiante, na análise do mérito, tanto no lançamento, como no julgamento de 1a instância, nada mais se fez além de afirmar que as despesas contabilizadas pela empresa não correspondiam a 18 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101 -00.404 SI -CITE Fl. 19 amortização de ágio, e assim não cumpriam os requisitos para sua dedutibilidade na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Não se tratou, em qualquer momento, de desconsideração de ato jurídico, simulação ou negócio jurídico indireto, de modo que não se configura a alegada superficialidade no julgamento administrativo de l a instancia. Registre-se, também, que não prejudicam a validade da decisão as expressões que, nela contidas, denotariam, no entender da recorrente, um verdadeiro pré-julgamento, pré- concebido para a tentativa desaconselhável de manutenção da exigência. 0 voto expressa o entendimento do julgador a respeito do que veiculado nos autos sob julgamento, mas esta concepção forma-se no confronto dos fatos concretos com outros conhecimentos adquiridos em doutrina, bem como no estudo de circunstancias semelhantes, ou mesmo na análise indireta de outros casos concretos expressos na jurisprudência. Logo, sempre há um pré-julgamento ou uma pré-concepção a respeito do que, ao final, é expresso no voto. A legislação prevê os casos nos quais a validade da decisão é comprometida por interesses subjacentes e, certamente, o convencimento do julgador em sentido contrário ao entendimento da autuada, consubstanciado em doutrina e jurisprudência, não se enquadra nestas hipóteses, a seguir transcritas: Portaria MF n° 58, de 17 de maw() de 2006 Disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DRJ Art. 19. Os julgadores esteio impedidos de participar do julgamento de processos em que tenham: I -participado da age-4o fiscal; II - cônjuge ou parentes, consangüíneos ou afins, até o terceiro grau, inclusive, interessados no litígio. Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de julgador nos termos do art. 20 da Lei n2 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Lei n°9.784, de 19 de janeiro de 1999 Art. 18. É impedido de atuar em processo administrativo o servidor ou autoridade que: I - tenha interesse direto ou indireto na matéria; II - tenha participado ou venha a participar como perito, testemunha ou representante, ou se tais situações ocorrem quanto ao cônjuge, companheiro ou parente e afins até o terceiro grau; III - esteja litigando judicial ou administrativamente coin o interessado ou respectivo cônjuge ou companheiro. Art. 19. A autoridade ou servidor que incorrer em impedimento deve comunicar o fato a autoridade competente, abstendo-se de atuar. Parágrafo único. A omissão do dever de comunicar o impediniento constitui falta grave, para efeitos disciplinares. 19 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórddo n.° 1101-00.404 SI-C IT! Fl. 20 Art. 20. Pode ser arguida a suspeição de autoridade ou servidor que tenha amizade intima ou inimizade notória coin algum dos interessados ou coin os respectivos cônjuges, companheiros, parentes e afins até o terceiro grau. Por tais razões, rejeita-se a argüição de nulidade da decisão recorrida. No mérito, a recorrente constrói sua defesa, basicamente, em duas linhas: defende a regularidade da operação que ensejou a formação do ágio amortizado, e subsidiariamente aduz que, se algum crédito tributário há para ser exigido, este deveria ser constituído contra os reais beneficiários da operação: seus sócios. Na primeira vertente, apresenta as justificativas econômicas para a operação realizada, defende a regularidade formal das alterações contratuais devidamente registradas e suportadas por laudo de empresa de auditoria independente, ressalta a transparência na prestação das informações solicitadas pela autoridade lançadora, inclusive quanto aos registros contábeis da operação nas demais empresas do grupo envolvidas, e assim entende que seu procedimento se conforma àquele previsto no art. 36 da Lei n° 10.637/2002. Por sua vez, a autorização legal para amortização do ágio ai gerado estaria expressa no art. 7 °, inciso III, da Lei n° 9.532/97, senda certa a extensão de seus efeitos também nos casos em que a controladora é extinta por incorporação pela controlada, a teor de seu art. 8 ° . A decisão recorrida expressa com clareza o conceito de ágio na legislação comercial e na doutrina: 0 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP), elaborado por Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbcke, 7 Edição, dedica à matéria o item "11.7 ÁGIOS OU DESÁGIOS E AMORTIZAÇÃO", com ênfase para os subitens seguintes, verbis: 11.7.1 — Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou desigio. Veja-se, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de uma empresa já existente, pode surgir esse problema. 0 conceito de ágio ou desigio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, hi ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, deve-se, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e, o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta(..) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Desigio 20 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CIT1 Fl. 21 a) GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na data- base da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, preferencialmente na mesma data-base da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATA-BASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, As vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A data-base da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens • patrimoniais.(.) 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Desigio (.) c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta especifica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO V —Amortização do ágio (desigio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio.0 fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio liquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(...) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (...). 11.7.6 Ágio na Subscrição (.-.) 21 Processo no 10980.017339/2008-78 Acórd "do n.° 1101-00.404 SI-C1T1 Fl. 22 b) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou desigio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor papo a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não, pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreva aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa. a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor, patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma mais-valia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso, o valor pago a mais tem substância econômica bem fundamentada e deveria ser registrado como um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B."(Grifei e sublinhei). Da lição dos mestres fica claro que, para efeitos contábeis e societários, o surgimento de ágio pressupõe aquisição onerosa de terceiros, de sorte que, no caso sob exame, o 'ágio' criado artificialmente nas três empresas, por carecer de substancia econômica, não comporta tal qualificação. Da mesma forma, na legislação tributária, o ágio está concebido, apenas, para as operaçôes de aquisição de investimentos, como se vê nos dispositivos a seguir transcritos: Decreto-lei n° 1.598, de 30 de dezembro de 1977 Art.20 - O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I - valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e lI - ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° - 0 valor de patrimônio liquido e o ágio ou descigio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° - O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. 22 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CI TI Fl. 23 sç 3 0 - O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 20 deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4° - As normas deste Decreto-lei sobre investimentos ern coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio liquido aplicam-se às sociedades que, de acordo com a Lei n°6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio liquido da coligada ou controlada. [...1 Art. 73. [...] § 5° - Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização de ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos ern sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no Pais. Lei 9.532, de 10 de dezembro de 1997 Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deseigio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I - deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; - deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mis do período de apuração; (Redação dada pela Lei 9.718, de 27/11/98) IV - deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos- calendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no minim, para cada mês do período de apuração. § 1° 0 valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. sç 2° Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso b) o descigio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. 23 Processo n° 10980.017339/2008-78 S 1-C 1T1 Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 24 ,sS' 30 0 valor registrado na forma do inciso lido caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. sS' 4° Na hipótese da alínea "h" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. sç 5° 0 valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8° 0 disposto no artigo anterior aplica-se, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio liquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária." (negrejou -se) É, portanto, o ágio pago na aquisição de investimentos que pode ser amortizado. Refere-se o art. 7° da Lei n° 9.532/97 ao ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e este, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio liquido na época da aquisição. Assim, se houver uma efetiva aquisição, e o patrimônio liquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida. Acrescente-se que, de fato, o art. 8°, alínea "h" da Lei n° 9.532/97, acima citado, estende estes mesmos efeitos em favor da investida que incorpora a investidora, esta titular da participação societária adquirida naquela com ágio. Todavia, é relevante observar que a assertiva fiscal questionada pela recorrente se fez em acréscimo As demais evidências de anormalidade da operação realizada, de forma que a admissibilidade deste tipo de operação pela lei não é suficiente para desqualificar as demais conclusões expressas no lançamento. Interessante reproduzir, a este respeito, as ponderações trazidas na decisão recorrida: Calha o magistério de Marco . Aurélio Greco, cuja obra "Planejamento 'Tributário" (Editora Dialética), cujo "Capitulo XVI — Operações Preocupantes" enumera algumas modalidades de planejamentos tributários com escassas chances de oposição contra o Fisco, dentre as quais afigura do ágio sobre si mesmo. Eis a síntese dos pontos mais relevantes: "Capitulo XVI— Operações Preocupantes XVI.1. Razão desta Denominação 24 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI -C ITI AcórcIdo n.° 1101 -00.404 Fl. 25 A experiência no campo do Direito Tributário mostra que, muitas vezes, surgem casos em que são desenhadas determinadas operações, que exigem uma particular atenção do intérprete antes de emitir um pronunciamento quanto A sua oponibildade ou não contra o Fisco. Como reiteradamente exposto, uma conclusão só pode ser emitida A vista de cada caso concreto e diante das múltiplas circunstâncias que o cerca, não apenas no plano da formulação abstrata da operação, mas, também, A vista da história que cerca aquele determinado contribuinte (seu perfil e relevância, o empreendimento concreto, condutas anteriores que tenha realizado etc) Não obstante as conclusões dependam do caso concreto, existem algumas situações que, por si só, recomendam especial atenção, pois geram preocupação aos que diante delas se encontram. Por isso, será feita uma singela enumeração destas situações, sem que isto esgote o conjunto de hipóteses que podem gerar preocupação aos que atuam nessa Area. (...) XV1.2. Operações Estruturadas em Seqüência Sob esta denominação estão as step transactions, vale dizer, aquelas sequências de etapas em que cada um corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa s6 tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Nestes casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. Dai uma questão de caráter metodológico. Qual o objeto a ser analisado e enquadrado na legislação tributária? Diante de reorganizações societárias que tenham o efeito de reduzir o impacto da carga tributária incidente sobre as atividades ou os resultados de determinada pessoa jurídica, é frequente encontrarmos estudos que procuram examinar separadamente cada um dos aspectos envolvidos ou — quando se trata de uma reorganização que envolva um conjunto de etapas sucessivas — cada um dos passos adotados no âmbito de uma operação mais ampla. Esta não me parece ser a postura mais adequada. Diante de uma situação complexa, é essencial considerar a figura como um todo, examinando ao mesmo tempo os vários aspectos que a cercam, pois o conhecimento e o enquadramento de determinada realidade será a resultante das diversas circunstâncias reunidas no caso concreto. Assim, a postura metodológica mais adequada é aquela que — sem perder de vista as peculiaridades de cada etapa ou dos segmentos de que a operação se compõe — visualiza o conjunto assim formado e busca determinar o enquadramento que este, globalmente considerado, deve ter perante o ordenamento tributário brasileiro. Vale dizer, ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante interpretar a estória (conjunto). (...). XV1.10. Ágio de si Mesmo 25 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101 -00.404 SI -CITI Fl. 26 Por vezes, quando uma pessoa adquire determinada participação societária o faz com ágio, pois o valor da aquisição é superior ao respectivo valor de patrimônio liquido. Ocorre que, num momento posterior A aquisição, por vezes sucede de ser feita uma incorporação As avessas que gera uma situação curiosa em relação ao ágio pa aquisição da participação societária. Com efeito, o ágio tem por objeto uma participação societária de titularidade da controladora, que representa fração do capital da pessoa jurídica controlada à qual ele se reporta. Na medida em Que a controlada incorpora a controladora, desaparece o sujeito jurídico titular da participação societária. Assim, caso preservado, o montante do ágio passaria a estar dentro da incorporadora (antiga controlada), possuindo como origem um elemento que agora integra a própria incorporadora. Seria um 'ágio de si mesmo', o que sugere uma preocupação quando se analisa caso concreto que apresente este feitio." (Grifei e sublinhei). Nenhuma dúvida, portanto, de que se trata de estratégia de planejamento tributário, com a agravante de que, no exemplo de Marco Aurélio Greco, existe de fato o ágio, pago por alguém que adquiriu de outrem determinada participação societária, o que não acontece neste caso concreto, onde o ágio foi simplesmente estipulado pelos proprietários do empreendimento. A própria impugnação, ao apegar-se apenas aos aspectos formais da operação, deixa inequívoco, que se trata apenas de planejamento fiscal. Ocorre, entretanto, que o aspecto formal não é o ponto relevante para o deslinde da questão. A decisão recorrida também se reporta As manifestações da Comissão de Valores Mobilidários — CVM, a respeito de operações desta espécie: Dada a sua absoluta pertinência coin o caso sob exame, clama por ser referido o OFÍCIO-CIRCULAR/CVM/SNC/SEP n° 01/2007 de 14/02/2007, da Comissão de Valores Mobiliários. "20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, inicia-se com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizar-se do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários do ponto de vista econômico-contábil é preciso esclarecer que o ágio surge (mica e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial supera o valor patrimonial desse investimento. E mais prego ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim não há do ponto de vista econômico geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda 26 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CI TI Fl. 27 que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido A legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para que seja passível de registro. mensuraedo e evidenciação pela contabilidade." (Sublinhei. Os grifos constam do original). relevante destacar o teor da introdução do aludido OFICIO-CIRCULAR/ CVM/SNC/SEP n°01/2007, verbis: "A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACOIV, FIPECAFIXSP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), José Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szuster (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis - CPC, recentemente instalado". (Grifei). Como se vê, ao emitir tal juizo de valor, a Comissão de Valores Mobiliários contou com o respaldo da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRA CON e FIPECAF/USP, ou seja, de todas as entidades representativas da classe contábil. Também é de se acrescentar que a circunstancia de o Oficio-Circular ter sido emitido somente no ano de 2007— posteriormente, portanto, às reorganizaçães societárias aqui apreciadas — não significa que os fatos ocorridos antes de sua edição sejam legais ou que possuam substancia econômica. O procedimento não passou a ser mais escandaloso e/ou antiético do que era antes da edição do Oficio- circular. A única alteração foi que a CVM, respaldada pelas entidades encarregadas de 'pensar' as normas contábeis, proferiu uma condenação pública acerca do abuso que antes já era digno de reproche. De fato, como demonstrado na autuação, e detalhado na decisão recorrida, não houve efetiva aquisição de participação societária. Não há terceiros envolvidos e a titularidade da participação societária apenas transitou entre os próprios sócios, de forma a ter seu valor alterado nestas operações, e assim gerar, internamente, um ágio cuja amortização reduziu o lucro real e a base de calculo da CSLL de dezembro/2004 a dezembro/2006. Não se deve dar valor, portanto, ao discurso da recorrente acerca da necessidade econômica de configuração do ágio para a aquisição ou reorganização, na medida em que, por tudo acima exposto, existe sim lesão ao patrimônio público, bem como ofensa ao que previsto nas normas contábeis e nos princípios contábeis geralmente aceitos. No mesmo sentido são as conclusões do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães ao analisar caso semelhante, expressas no Acórdão n° 1301-00.058 e acolhidas por unanimidade pela l a Turma Ordinária da 3 a Camara desta 1a Seção de Julgamento, em sessão de 13 de maio de 2009: 0 que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em uni prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível 27 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CITI Fl. 28 do seu patrimônio, aproveitaram-se de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como ÁGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto 6, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. Como salientado pela autoridade fiscal, o ágio objeto de amortização por parte da Recorrente, na forma como foi criado, representa a sua própria expectativa de lucro, nascida em decorrência da avaliação solicitada ã empresa ERNST & YOUNG. 0 que salta aos olhos 6. que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. Note-se que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado corno fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarando-os ilegais ou ilegítimos. Apenas e tão-somente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiar-se de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária. Em conseqüência, se não há ágio resultante de aquisição de participação societária, nenhum efeito opera sobre a exigência o fato de sua contrapartida, no patrimônio dos sócios da autuada, ser o reconhecimento de um ganho de capital, segundo as disposições da Lei n° 10.637/2002, a seguir transcritas: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. (Revogado pela Lei n°11.196, de 2005) § I0 valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido: (Revogado pela Lei n°11.196, de 2005) - na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; (Revogado pela Lei n°11.196, de 2005) II - proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. (Revogado pela Lei n° 11.196, de 2005) 28 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CIT1 FL 29 sç 2Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do ssr r.(Revogado pela Lei n°11.196, de 2005) Cogita-se, neste dispositivo, de uma mais valia entre o valor patrimonial da participação societária detida por uma pessoa jurídica e o valor patrimonial do bem que a substitui, qual seja, a participação em outra sociedade, cujo capital foi integralizado com a transferência da participação societária inicialmente detida. A tributação deste ganho foi diferida para o momento de realização da participação subscrita ou da realização da antiga participação societária pela nova titular, excetuada como hipótese de realização a transferência da participação em razão de fusão, cisão ou incorporação. certo que, no caso presente, para promover internamente a valorização do investimento, verificou-se a hipótese citada no caput do art. 36: as empresas Bordin Administração e Incorporações Ltda, Pine Participações Lida e Gralha Azul Participações Lida aumentaram o capital de Marumbi Investimentos e Participações Ltda, no valor de R$ 71.043.000,00, mediante a entrega de participação societária detida na Bangui Veículos, cujo valor patrimonial representava R$ 14.000.000,00. Ou seja, no patrimônio de Bordin Administração e Incorporações Lida, Pine Participações Lida e Gralha Azul Participações Ltda houve um acréscimo patrimonial total de R$ 57.043.000,00 na troca da participação societária detida na Bangui Veículos pela participação societária em Marumbi Investimentos e Participações Ltda. Porém, em contrapartida, aquela participação societária integrou o ativo da Marumbi Investimentos e Participações Ltda por um valor superior ao patrimônio liquido da Bangui Veículos, classificando-se a diferença de R$ 57.043.000,00 como ágio, muito embora os titulares destas ações continuassem sendo os mesmos proprietários iniciais, mas agora de forma indireta. Ao final, com a cisão da Marumbi Investimentos e Participações Ltda e versão do ativo circulante, ativo imobilizado, investimento com ágio na Barigiii e passivo circulante, no valor total de R$ 34.685.009,70, reduzidos pelo valor do investimento e a importância liquida de R$ 20.149.108,26, em favor da Bangui Veículos, o aumento de capital correspondente aproveita aos sócios iniciais desta empresa, sem que os percentuais de participação societária deles sejam alterados, em relação aqueles anteriores as operações mencionadas. No entanto, o denominado ágio na Bangui passou a compor o patrimônio desta empresa, e ensejar as amortizações aqui glosadas. De outro lado, verifica-se o diferimento da tributação da valorização registrada no patrimônio de Bordin Administração e Incorporações Lida, Pine Participações Lida e Gralha Azul Participações Lida, na medida em que a transferência da participação societária, em razão da versão de patrimônio decorrente da cisão promovida na Marumbi Investimentos e Participações Ltda, não caracteriza hipótese de realização na forma do art. 36, §2 ° da Lei n° 10.637/2002. Tal acréscimo patrimonial não guarda qualquer semelhança com o ágio previsto no art. 20 do Decreto-lei n° 1.598/77. Como dito, a valorização não restou caracterizada em uma efetiva operação de aquisição de investimentos e, ainda que fundamentado em rentabilidade futura, o diferencial assim apurado não é passível de 29 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CITI FL 30 amortização dedutivel, na forma do art. 7 ° da Lei n° 9.532/97, mesmo depois da cisão da investidora, e versão do patrimônio em favor da investida. Irrelevante, assim, a defesa em favor da avaliação procedida pela empresa Deloitte Touche Tohmatsu em 30/09/2004 (R$ 71.043.000,00 com base no 'justo valor de mercado", pela metodologia do "Fluxo de Caixa Descontado", considerando o valor de rentabilidade com base em previsão dos resultados de exercícios futuros), com vistas a evidenciar o acerto legal da reorganização da apuração dos seus resultados e seu registro adequado no Livro de Apuração do Lucro Real das empresas participantes da reorganização. Ainda que se possa admitir como conservador o laudo aprovado e adotado na reorganização societária, o fato é que a projeção dos lucros nele contida não se prestou A. apuração de ágio, mas sim de mera reavaliação interna do investimento. Do disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/2002 infere-se que o legislador instituiu ali um beneficio na tributação do ganho auferido na transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificando-se esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão s6, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 29 a edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: 0 art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio liquido, ainda que a contra partida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial não poderá diferir a tributação da contrapartida. 0 diferimento da tributação só possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP n° 66, de 29-08- 2002, convertido no art. 36 da Lei n° 10.637, de 30-12-2002, dispondo: [.-.] A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio liquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio liquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio liquido sem tributação. 30 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórddo n.° 1101-00.404 SI-CI TI Fl. 31 A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade 6, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei especifica não foi revogado. Correto, portanto, o entendimento da autoridade lançadora que se reportou ao art. 36 da Lei n° 10.637/2002 como hipótese de reavaliação de participações societárias e não de ganho em razão da alienação destas participações. Claro está, no cenário exposto, que a mencionada alienação das quotas da autuada mediante integralização de capital na Marumbi Investimentos e Participações teve seus efeitos anulados pela posterior cisão desta, com versão de patrimônio em favor da autuada. Logo, a invocada aplicação dos conceitos de incorporação e cisão presentes na Lei n° 6.404/76, bem como das regras de sucessão nos direitos e obrigações da incorporada/cindida, em razão da alegada a emissão das quotas da autuada em favor de suas sócias, somente tem lugar se as operações forem analisadas isoladamente, desconsiderando-se o efeito final com elas obtidos, após os eventos subseqüentes. Imprópria, assim, a pretensão da recorrente de se valer de toda a sistemática do artigo 7°, em sua plenitude, bem como inócuas são as referências A. observância, pela autuada, do limite máximo de amortização do ágio previsto na Instrução CVM n° 247. E, pelas mesmas razões, é desnecessário discutir os efeitos ou os motivos da revogação, em 2005, do art. 36 da Lei no 10.637/2002, se ele em nada altera a inexistência de ágio formado nas operações societárias realizadas. Veja-se que a própria recorrente afirma que o objetivo da operação era a otimização de seu patrimônio com vistas a duas possibilidades de venda da empresa que se apresentavam potencialmente realizáveis. Ou seja, decidiram os sócios adequar o valor do patrimônio liquido da empresa e assim antecipar os efeitos que a sua posterior alienação a terceiros traria a estes: a contabilização de ágio na aquisição de investimentos, cuja amortização seria dedutivel do lucro real e da base de cálculo da CSLL, em caso de futura extinção da investidora por incorporação, fusão ou cisão. Ao reavaliar o investimento por meio destas operações, e considerando o diferimento estabelecimento pelo art. 36 da Lei n° 10.637/2002, as investidoras sujeitaram-se ao mesmo encargo tributário que experimentariam em caso de alienação a terceiros — dado que a valorização registrada nestas operações somente será oferecida A tributação em caso de transferência da participação societária a terceiros —, mas já anteciparam a dedução de amortizações previstas apenas em favor do adquirente, e, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, somente quando verificada a hipótese do art. 7 °, inciso III da Lei n° 9.532/97. Embora semelhantes, porque fundamentadas em rentabilidade futura do investimento, o efeito da sua valorização em ambas as hipóteses é tratado de forma distinta no âmbito tributário: a mais-valia verificada na aquisição, por terceiro, do investimento, é conceitualmente determinada ágio e passível de amortização se cumpridas as demais determinações legais; a mais-valia internamente apropriada, por decisão dos próprios investidores, é mera reavaliação de investimento, cuja contrapartida em resultado não se justifica se o investimento continua a existir depois de transitar por empresas do mesmo grupo e retornar aos sócios iniciais. 31 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CI TI Fl. 32 Por estas razões, são irrelevantes os argumentos apresentados pela recorrente no sentido da validade do laudo que reflete a expectativa de rentabilidade futura, bem como mostra-se desnecessária a análise do acerto de sua expressão econômica. Como bem concluiu a decisão recorrida, ainda que lastreada em laudo técnico, a reavaliação foi estipulada pelos proprietários do empreendimento, na medida em que não ha terceiros envolvidos. Da mesma forma, a aceitação do registro das operações societárias apenas revela a regularidade formal para sua transcrição nos assentamentos do Registro do Comércio, e somente se presta a confirmar que as pessoas jurídicas e naturais envolvidas eram as mesmas que, desde o inicio, detinham a participação societária valorizada. A diferenciação assim estabelecida também demonstra que correta estava a Fiscalização ao desconsiderar os resultados registrados pelas demais pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os ganhos de capital ali registrados não decorreram da aquisição de investimento com ágio, mas sim da reavaliação interna do investimento inicialmente detido, e, demais disto, sequer foram oferecidos A. tributação, justamente em razão do diferimento estabelecido pelo art. 36 da Lei n° 10.637/2002, expressamente reconhecido pela recorrente em sua defesa. Desnecessária, assim, a diligência cogitada pela recorrente, com vistas a confirmar o procedimento das empresas Bordin Administração e Incorporações Ltda, Pine Participações Ltda e Gralha Azul Participações Lida, no sentido de manterem na parte B do Lalur os valores mencionados no parágrafo 10 do artigo 36. Acrescente-se, apenas, que este fato está ligado à alegação de tributação em dobro relativamente ao IRPJ e à CSLL porquanto o ganho de capital está sendo controlado na parte B do Lalur das empresas Bordin Administração e Incorporações Ltda, Pine Particzpações Ltda e Gralha Azul ParticiPações Ltda e, tão logo ocorram os eventos que caracterizarem a realização das participações societárias estarão elas recolhendo o IRPJ e a CSLL devida. Contudo, laborou em equivoco a recorrente ao construir esta argumentação de forma simplista. 0 presente lançamento nada mais fez do que recompor a riqueza tributável nos períodos autuados, desconsiderando os efeitos de uma operação interna que se prestou, justamente, a anular parte da rentabilidade futura que integraria o patrimônio liquido da contribuinte, constituindo-a como ágio amortizável. De outro lado aquele grupo patrimonial foi resguardado do antecipado acréscimo correspondente à rentabilidade futura, em razão da PMIPL — Provisão p/ Manutenção da Integridade do Patrimônio Liquido, cuja constituição foi assim concebida no art. 6° da Instrução CVM n° 319/99, com a nova redação dada pelo art. 1° da Instrução CVM n° 349/2001: DO TRATAMENTO CONTÁBIL DO ÁGIO E DO DESÁGIO Art. 6° 0 montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora sera contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: I - nas contas representativas dos bens que lhes deram origem — quando o fundamento econômico tiver sido a diferença entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contábil (Instrução CVM n°247/96, art. 14, 6S I°); 32 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CITI FL 33 II - em conta especifica do ativo imobilizado (ágio) — quando o fundamento econômico tiver sido a aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público (Instrução CVM n°247/96, art. 14, § 2°, alínea b); e III - em conta especifica do ativo diferido (ágio) ou em conta especifica de resultado de exercício futuro (deságio) — quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro (Instrução CVM n° 247/96, art. 14, § 2°, alínea a). § I° 0 registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio liquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento; a) constituir provisão, na incorporada, no minim, no montante da diferença entre o valor do ágio e do beneficio fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b) registrar o valor liquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; c) reverter a provisão referida na letra a acima para o resultado do período, proporcionalmente a amortização do ágio; e d) apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor liquido referido na letra a no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização. §2 0 A reserva referida no parágrafo anterior somente poderá ser incorporada ao capital social, na medida da amortização do ágio que lhe deu origem, em proveito de todos os acionistas, excetuado o disposto no art. 7° desta Instrução. § 3° Após a incorporação, o ágio ou o descigio continuará sendo amortizado observando-se, no que couber, as disposições das Instruções CVM n° 247, de 27 de março de 1996, e n°285, de 31 de julho de 1998. Em conseqüência deste procedimento, ao final da amortização contábil do alegado ágio, o acréscimo no patrimônio liquido seria representado pelos lucros efetivamente auferidos e, também, pela economia tributária pretendida com a operação. Assim, não se tratando de ágio, como antes exposto, ao provisionar os tributos aqui lançados, a contribuinte anularia aquele efeito residual impropriamente presente em seu patrimônio liquido. De outro lado, em caso de efetiva alienação das quotas da empresa autuada, ausente alteração na distribuição da participação societária entre os sócios, o investimento se apresentaria no patrimônio destes em valor majorado pela reavaliação, reduzindo o ganho de capital efetivamente auferido, a ser recomposto pela realização dos valores diferidos na operação realizada. Logo, a exigência em debate constitui os tributos incidentes sobre a renda efetivamente auferida pela Bangui Veículos Ltda, e distorcida pela amortização do alegado ágio, e por si só não inibe a tributação do ganho de capital que possa vir a ser auferido pelos sócios em alienação do investimento a terceiros. Eventualmente outras ocorrências societárias poderiam ter este efeito, mas este não é o espaço para discuti-las em tese e, assim, avaliar se haveria mera posterga cão no recolhimento do IRPJ e CSLL caso a tributação do ganho de capital viesse a se efetivar em momento futuro, cuja ocorrência a própria recorrente reconhece não poder prever. 33 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI -C I TI Fl. 34 0 lucro real e a base de cálculo da CSLL foram indevidamente reduzidos nos períodos autuados, e até o momento da autuação nenhuma outra incidência se materializou de forma a reduzir o prejuízo do Fisco com a operação em debate. Impróprio, assim, afirmar que até o presente momento a única vantagem mensurável são os eventuais juros apropriáveis entre as amortizações do ágio e o tempo em que ocorrerá a realização dos investimentos, se este evento futuro era e é incerto. Logo, não há dupla tributação, ou erro na identificação do sujeito passivo, mostrando-se correta a exigência, como formalizada, além de inaplicáveis as disposições do art. 112, inciso lido CTN. Acrescente-se, com referência à PMIPL — Provisão p/ Manutenção da Integridade do Patrimônio Liquido, que o procedimento fiscal demonstrou sua neutralidade em relação 6. apuração do lucro real, evidenciando, assim, a desnecessidade de qualquer ajuste em razão da citada observância à Instrução CVM no 319/99, alterada pela Instrução CVM no 349/2001. Por fim, ante todo o exposto, resta evidente que não se discute, aqui, desconsideração de ato jurídico, simulação ou negócio jurídico indireto. Apenas divergiu o Fisco da conceituação contábil adotada pela autuada para registrar a valorização patrimonial atribuída por suas investidoras, no que foi corroborado pela autoridade julgadora. Ao assim proceder, não se está a introduzir a interpretação econômica, mas sim a respeitar conceitos expressos na lei para definição do lucro liquido contábil, ponto de partida para apuração da riqueza tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Por conseqüência, atendido está o principio da tipicidade cerrada. Relevante destacar que operações desta espécie decorreram, em regra, da edição do art. 36 da Lei n ° 10.637/2002, que induziu as empresas a entenderem que seria ágio o reverso da reavaliação da participação societária procedida dentro de um mesmo grupo de empresa. Todavia, as expressões doutrinárias e jurisprudenciais acerca do tema direcionaram- se em sentido contrário, culminando, em 2007, na citada manifestação da CVM, que acolheu as considerações do mercado e da profissão contábil no sentido de definir que não se tratava de ágio o diferencial formado na entrega da participação societária para integralização em capital de empresa do mesmo grupo. Ressalte-se, inclusive, que a própria CVM reconheceu, no referido Oficio, que embora essas operações atendam integralmente os requisitos societários do ponto de vista econômico-contábil, a interpretação de que ali se forma um ágio não pode ser admitida econômica e contabilmente, o que impede o seu registro, mensuração e evidencia ção pela contabilidade. Assim, quando a autoridade fiscal se vê frente a operações societárias formalizadas neste contexto, e inclusive sem qualquer vicio em sua formalização, é admissivel que não vislumbre, ali, uma simulação, mas sim uma interpretação equivocada acerca da formação do ágio, e mediante lançamento imponha, desta forma, o seu entendimento de que outra é a natureza daquele valor, a impedir a sua amortização contábil com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo negativa da CSLL. Registre-se, por oportuno, que inexistindo dispositivo legal vedando expressamente deduções desta espécie, o enquadramento legal da exigência é exatamente 0 34 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101 -00.404 SI -C1TI Fl. 35 aquele adotado no lançamento, qual seja, o art. 249, inciso I do RIR199 que determina a adição, ao lucro liquido, das despesas cuja dedutibilidade não é admitida no Regulamento; combinado com o art. 251 do RIR199 que determina a observância das leis comerciais e fiscais na escrituração base do lucro real, e assim implicitamente já veda a classificação, como ágio, do valor contabilizado pela empresa fiscalizada; e com o art. 299 do RIR/99 que especifica as despesas consideradas operacionais, excluindo aquelas que não forem pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, ou que não forem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Pode-se até vislumbrar que a autoridade julgadora de l a instância acrescentou algumas referências quanto à necessidade de se observar a essência dos negócios jurídicos, especialmente ao mencionar palestra de ex-Conselheiro. Todavia, nenhuma irregularidade há neste arrazoado, na medida em que a essência do lançamento foi regularmente debatida naquela instância, mostrando-se suficiente para a manutenção da exigência aqui formalizada. Veja-se também que os tributos foram exigidos com o acréscimo de multa de oficio no percentual de 75%, o que afasta a cogitação de suspeita defraude. Eventualmente a autoridade julgadora de l a instância pode ter vislumbrado a possibilidade de se imputar autuada a ocorrência de simulação ou de planejamento tributário abusivo, o que autorizaria a exigência dos tributos com multa de oficio qualificada em 150%, mas como assim não entendeu a autoridade lançadora, estes aspectos estão fora do escopo deste julgamento. Da mesma forma, não cogitou a autoridade lançadora que os sócios da recorrente manipularam ilegalmente as alterações societárias de forma a convolarem os efeitos jurídicos em ganhos patrimoniais que produziram a omissão no recolhimento de tributos. Firmou-se, apenas, que o lucro real e a base de cálculo da CSLL foram reduzidos por despesas indedutíveis, e neste caso é a pessoa jurídica que auferiu a riqueza não tributada que se sujeita A. autuação, inexistindo motivo para ser imputada a responsabilidade pela evasão ou elisão de tributos às sócias da autuada. Acrescente-se que tributar o ganho apurado e contabilizado pelos sócios da recorrente, como pretendido em seu recurso, não legitimaria como ágio o efeito decorrente da reavaliação do investimento por aqueles sócios, e assim não tornaria dedutiveis as amortizações aqui glosadas. Assim, também por este ângulo de visão, não há que se falar, aqui, de nulidade do lançamento por erro de identificação do sujeito passivo. Por fim, quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio, adotam- se as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner, expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão n° 9101-00.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante it questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, - o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTIV, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratários sobre débitos decorrentes de tributos e 35 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101 -00.404 SI-CI TI FL 36 contribuiçOes, pode levar et equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, unia norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da total idade do d ire ito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, quando entendida ern profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendê-los sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. Selo Paulo:Malheiros, 200.2,p. 74). Dai, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. 0 art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu - vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "6 o vinculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Converte-se em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1 ° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" at)• Assim, no momento do lançamento, ao tributo agrega-se a multa de oficio, tomando-se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tein natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. 36 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CI Ti Fl. 37 Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da Unido. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n°9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 0 art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de - tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n°9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada A. taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n°9.430, de 1996, art. 61). § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 - previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, § 1 0). § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, § 2 °). § 3° A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de oficio passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/04-00.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA— MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PR INICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. 0 crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora 6. taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "Sao devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." 37 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórddo n.° 1101 -00.404 SI -CIT1 FL 38 Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, busca-se na legislação ordinciria a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, tem-se a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/0239572-8 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte Die 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. I. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão-somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em divida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legitima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos et taxa Selic. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. ynJtil 4P-WA- LI PEREIRA BE A — Relatora 38 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CITI Fl. 39 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO. Existe na presente lide uma característica bastante significativa que é a circunstância de que o Fisco e o contribuinte concordarem integralmente quanto aos eventos ocorridos. No entanto, como fica patente no relatório apresentado pela I. Conselheira e nos autos, embora as partes concordem quanto aos eventos, discordam dos efeitos tributários desses eventos ou, dito de outro modo, das conseqüências jurídicas desses eventos. De um lado o contribuinte entende que os atos praticados resultam em um ágio passível de amortização e que atuou licitamente para reduzir a carga tributária. De outro lado, o Fisco entende que não existe este ágio e que, portanto, sua amortização deve ser considerada uma despesa desnecessária. Abstraindo-se da contradição interna da tese sustentada pelo Fisco (afirmar que o ágio não existe, para considerá-lo uma despesa desnecessária), o que por si só implica na nulidade da autuação, ate por cerceamento de defesa, fica evidente que o litígio decorre de desacordo quanto ao direito aplicável ao caso. Assim, para o deslinde da questão, é preciso determinar as regras jurídicas as quais os eventos ocorridos se submetem. Porém, imbricado com esta questão, existe um outro aspecto que deve ser analisado, pois é relevante para aquilatar a validade da autuação, no que tange a clareza ou obscuridade com que a acusação foi feita e na decorrente a possibilidade ou impossibilidade de defesa. Trata-se de analisar, além da contradição interna da tese do Fisco, a forma pela qual o fiscal autuante, partindo dos fatos constatados, explica e fundamenta sua conclusão de que o ágio inexiste e/ou que sua amortização é desnecessária. Por essas razões, cabe iniciar a análise pelo auto de infração. Observando-se a descrição dos fatos constante do auto de infração, os eventos constatados pela fiscalização são os seguintes: 1°) as empresas que possuem as quotas da Bangui criam uma outra empresa chamada Marumbi; 2°) a Debite Touche Tohmatsu faz uma avaliação econômico-financeira da Bangui, entendendo que o justo valor de mercado das quotas da Bangui é de R$ 71.043.000,00; 3°) as empresas quotistas da Bangui integralizam aumento de capital na Marumbi com suas quotas da Bangui e, em conseqüência, o ativo permanente da Marumbi passa a registrar na conta "investimento Bangui Ltda" o montante de R$ 14.000.000,00 e na conta "ágio investimento Bangui Ltda" o montante de R$ 57.043.000,00; 4°) é feita cisão total da Marumbi e incorporação de parte dela pela Bangui, implicando na transferência do ágio para o ativo da Bangui; 5°) é feita a amortização do ágio (considerando a redução decorrente da provisão do PL) a razão de 1/60, levada a resultado na Bangui. Os fatos constatados são estes e é a partir deles que a fiscalização conclui que o ágio é inexistente e que sua amortização deve ser tratada como uma despesa desnecessária. No entanto, é preciso considerar que não há regra jurídica que determine a inexistência de ágio surgido em tais circunstâncias, muito menos que determine a não necessidade de sua 39 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 S I-C I TI Fl. 40 amortização. Assim, é preciso que o fiscal explique como que, a partir dos fatos descritos, chegou a conclusão da inexistência do ágio e/ou da não necessidade de sua amortização. Ou seja, como não existe presunção legal que sustente a inferência feita pelo fiscal, é preciso que ele demonstre e explique com clareza porque o ágio inexiste e/ou porque sua amortização deve ser considerada não necessária. Sem isso, não é possível ao Fisco simplemente dizer que aos fatos se aplicam os arts. 249, inciso I, 251, parágrafo único, 299 e 300 do RIR/1999 e pretender estarem presentes no auto de infração a descrição dos fatos e a base legal. Mas, de fato, o fiscal tenta explicar suas conclusões. Conforme os autos, o fiscal procura justificar e fundamentar sua conclusão dizendo que o ágio foi criado artificialmente e que foi feita uma incorporação As avessas (controlada incorporar a controladora). No entanto, cabe notar que a primeira afirmação (ágio ser criado artificialmente) precisa ter seu significado esclarecido e precisa ser demonstrada, sem o que se torna vazia de conteúdo e mera alegação que não conduz a conclusão da inexistência do ágio. Também, é preciso destacar que a segunda afirmação (ter sido feita uma incorporação As avessas) é mera constatação dos fatos e, ao contrário de ter o condão de tornar o ágio inexistente ou sua amortização desnecessária, é situação prevista em lei, inclusive, para fins de transferência e amortização de ágio. Dessarte, por cautela, cabe examinar a forma pela a qual a autoridade fiscal fundamenta suas conclusões, na sua literalidade. Essas afirmações (de que o ágio foi criado artificialmente e de que foi feita uma incorporação As avessas) constam do termo de verificação fiscal do seguinte modo: "Em verdade, o que se observa é uma sucessão de negócios com empresas do mesmo grupo que originou ágio, criado artificialmente por intermédio da constituição de sociedades que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação. De fato, o que efetivamente ocorreu com a incorporação da Marumbi pela Bangui, foi a incorporação as avessas, a primeira que era controladora foi incorporada pela segunda que era controlada." 0 texto transcrito mostra que o fiscal, a par de não fundamentar suas conclusões, manifestou-se de modo confuso, tornando quase impossível compreender qual é o fundamento da acusação que dá margem a autuação. Com isso o auto de infração deixa de atender aos requisitos estabelecidos no art. 10 do Decreto 70.325, de 1972, e causa irreparável prejuízo à defesa. Observe-se que dizer que o "ágio é criado artificialmente por meio de sociedades que surgem e são extintas em curto espaço temporal" não diz absolutamente nada sobre o modo como o ágio surgiu, nem sobre o que o viciaria, e nem porque deveria ser considerado inexistente ou mesmo artificial. Tal afirmação apenas sugere que no entender do fiscal o "surgimento e extinção de sociedades em urn curto espaço temporal" poderia de algum modo afetar o reconhecimento da existência do ágio. 40 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CITI Fl. 41 Do mesmo modo, dizer que "o que se observa é uma sucessão de negócios com empresas do mesmo grupo que originou ágio, criado artificialmente", além de sugerir erroneamente que o ágio surge em razão de diversos negócios, apenas faz supor que o vicio vislumbrado pelo fiscal decorre das operações terem sido feitas entre empresas do mesmo grupo. Também, não há qualquer informação útil na simples declaração de que "o que efetivamente ocorreu foi a incorporação ás avessas". Isso não diz absolutamente nada, e muito menos implica em tornar o ágio inexistente ou sua amortização desnecessária. Ao contrário, a incorporação às avessas é permitida pela legislação fiscal, inclusive para fins de transferência, absorção e amortização de ágio, tal como determina os arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, in verbis (grifos não são do original): Art. 7 0 A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I- deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2° do art. 20 do Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; sS 1° 0 valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Art. 8° 0 disposto no artigo anterior aplica-se, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio liquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Portanto, neste ponto do relatório de verificação fiscal, que deveria ser nevrálgico e esclarecedor, não é explicado o que levou o fiscal a considerar o ágio inexistente e nem o que o motivou a considerar sua amortização desnecessária. Quando muito, pode-se imaginar que o fato do ágio surgir de operações de empresas do mesmo grupo, criadas e extintas em um curto lapso temporal, e/ou que o fato de ter havido uma incorporação reversa, seja(m) o(s) fundamento(s) do fiscal. Deste modo, só por isso, a autuação precisa ser considerada nula, por cerceamento de defesa, já que não é informado ao contribuinte, sequer vagamente, qual é a razão para não admitir o ágio e sua amortização. Inclusive, se percebe na impugnação apresentada pelo contribuinte que o mesmo não compreendeu (e nem poderia) qual era a razão de ser da acusação feita, pois ele se defende relatando exatamente os fatos descritos pelo fiscal. 41 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-C ITI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 42 necessário notar que seria plenamente possível que fiscal fundamentasse suas conclusões de modo claro, a despeito de puderem ou não serem refutadas ou de estarem ou não corretas. Ou seja, era possível que a imputação fosse clara e objetiva, atendendo aos requisitos do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972, sobrando apenas a discussão do mérito. 0 fiscal poderia dizer com clareza, se de fato era assim que pensava, que não admitia a existência do ágio ou que considerava desnecessária sua amortização: 1°) porque o ágio surgiu na Marumbi em razão de uma integralização com quotas da Bangui, ao invés de surgir em razão de compra de compra das quotas desta por aquela; 2°) e/ou porque eram as mesmas pessoas que controlavam a Morumbi e a Bangui; 3°) e/ou porque o ágio foi transferido para a Bangui por meio de uma incorporação as avessas da Marumbi. Inclusive, para a autuação ser clara, deveria constar se essas situações afetam a existência do ágio ou se afetam a necessidade da amortização. Também seria necessário indicar se essas situações afetam isoladamente ou em conjunto, quer a existência, quer a necessidade. Mas, na forma como se apresenta o termo de verificação, nada disso fica claro e não é possível saber como se interligam as possíveis causas com as conseqüências apontadas. Sem isso, e considerando não haver determinação legal que permitam inferir dos fatos descritos a conclusão tomada pelo Fisco, a acusação não está clara e, portanto, não permite a defesa. Continuando a análise do termo de verificação fiscal, constata-se que na seqüência o fiscal transcreve as ementas de dois acórdãos da DRJ/RJ, pelas quais, aparentemente, pretenderia lastrear suas conclusões. Vale a transcrição "Ementa: INCORPORAÇÃO AS AVESSAS. EMPRESA CONTROLADA INCORPORANDO A EMPRESA CONTROLADORA. ÁGIO DE SI PRÓPRIO NA INCORPORAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. ABUSO DE DIREITO. O ágio se origina de uma contraposição de receita (para o vendedor) e custo (para o comprador). Os pressupostos do ágio são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico. Na operação de incorporação as avessas, na qual o controlado incorpora a sua controladora, cujo controle acionário havia se originado de uma subscrição anterior de capital (subscrição corn quotas do capital), não se justifica a contabilização, por parte do incorporador de ágio de si próprio, por faltar os pressupostos do ágio. A contabilização pelo incorporador deste valor chamado de ágio em conta de ativo diferido, em contrapartida de urna conta de reserva (patrimônio liquido), configura uma duplicação do ágio já contabilizado pelo investidor original. No ativo diferido são contabilizadas despesas incorridas que contribuirão para a formação de resultados de exercícios futuros. Despesas, pela legislação tributária, são dispêndios necessários as atividades e manutenção da empresa. Seio necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Estas despesas devem ser usuais ou normais nos tipos de transações, operações ou 42 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 S1-C1T1 Fl. 43 atividades da empresa. A posterior transferência desse valor denominado de ágio para conta de resultado configura uma despesa indedutivel, por faltar-lhe os pressupostos de ágio e despesa, bem como caracterizar um abuso de direito, por distorcer a aplicação da lei." "Ementa: LUCRO REAL TRIMESTRAL. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇA -0 DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. FALTA DE EFETIVO PAGAMENTO DEDUÇÃO INDEVIDA. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de sociedade controladora por sua controlada, se efetivamente ocorre o desembolso do valor pago a este titulo, do mesmo modo que se exige o efetivo pagamento para toda e qualquer dedução pleiteada no âmbito fiscal, ainda que a incorporação realizada tenha observado os ditames da legislação societária." É interessante notar que no final da primeira ementa se consigna que a amortização do ágio na controlada que faz uma incorporação As avessas seria um abuso de direito, por distorcer a lei. Deste modo se pretende justificar o afastamento a lei, com base conceito de abuso de direito. Já a segunda ementa, também ao final, registra que não deve ser admitida a amortização do ágio, mesmo que a incorporação As avessas tenha observado a legislação societária. Dessa forma, também pretende estabelecer efeitos diferentes dos estabelecidos em lei. Conforme adiante se demonstra, as ementas estão em pleno desalinho com a lei e nenhuma das alegações nelas presente é apta a demonstrar o contrário. Talvez por isso, o derradeiro esforço delas seja no sentido de afastar as próprias normas legais que regem a matéria. Mas, essa oposição das ementas ao determinado em lei é equivocada e por isso é improcedente o que elas declaram. Além disto, como se percebe, as ementas padecem da mesma falta de clareza constatada no termo de verificação. De fato, elas não esclarecem se a razão do que propõem 6: 1 0) pelo ágio surgir em decorrência de integralização de capital de uma empresa com quotas de outra empresa (e não pela compra das quotas); 2°) ou porque o ágio é transferido para a controlada por meio de uma incorporação da controladora, a chamada incorporação As avessas; 3°) ou ainda pelas duas razões cumuladas. Também, não dizem como tais situações violam os pressupostos do ágio e, assim, a alegação de inexistência e/ou de não necessidade da amortização continua sem fundamentação. Ademais, as ementas confundem os pressupostos do nascimento do ágio com os pressupostos de transferência do ágio. Também confunde o fundamento econômico do ágio com a contrapartida de uma das formas de aquisição de investimento. Por isso, essas ementas não se prestam a esclarecer as razões do Fisco. Ao contrário, reforçam a idéia de cerceamento de defesa e de que o auto de infração não atendeu aos requisitos do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972, por tornar mais confusa a acusação. No entanto, para bem demonstrar a inadequação destas ementas, cabe aprecia- Ias individualmente e em detalhe. 43 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CIT1 Fl. 44 A primeira ementa sustenta que a incorporação As avessas não permite a transferência do ágio existente na controladora, surgido em razão de subscrição, porque faltariam os pressupostos do ágio (aquisição de participação societária e fundamento econômico) e porque haveria uma duplicação do ágio. Refere-se ao ágio transferido em razão da incorporação As avessas, cuja origem foi a integralização de capital da controladora/incorporada com ações/quotas da controlada/incorporadora, como ágio de si mesmo. Conclui não ser cabível a amortização do ágio na incorporadora porque essa amortização seria uma despesa indedutivel (não necessária) por faltar os pressupostos de ágio (não ser ágio) e por caracterizar um abuso de direito, por distorcer a aplicação da lei. A segunda ementa afirma que, nos casos de incorporação As avessas, s6 é admissivel a amortização de ágio que tenha surgido em razão de compra (com o decorrente pagamento) das quotas da controlada. Ou seja, a ementa não admite a amortização de ágio que tenha surgido em razão de integralização de capital com quotas de empresa. Para sustentar tal posição, diz que qualquer dedução do resultado depende de ter havido o pagamento daquilo que se pretende deduzir. Os equívocos nas duas ementas são evidentes. Na primeira ementa, salta aos olhos, o equivoco de se alegar que haveria uma duplicação do ágio na incorporação As avessas, pois é evidente que o que ocorre é a transferência do ágio e não sua duplicação. Assim, não existe o óbice levantado na ementa e, portanto, não está ai a razão para não haver transferência de ágio. Inclusive, como já consignado, esta transferência é expressamente prevista nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. Também é flagrante o equivoco da ementa em sustentar que na incorporação As avessas não cabe a transferência do ágio (surgido por integralização com quotas), por faltar os pressupostos do ágio (aquisição de participação societária e fundamento econômico). Mas, para bem demonstrar este equivoco da ementa, é preciso antes esclarecer a situação, pois o texto da ementa se presta a confundir questões diferentes. Em primeiro lugar, é preciso distinguir o nascimento do ágio da transferência do ágio. O ágio nasce em decorrência de uma aquisição de investimento por valor maior que o patrimonial. A transferência de ágio ocorre em razão de uma incorporação (As avessas ou não). A legislação fiscal é bastante clara a respeito do nascimento do ágio, inclusive definindo seus pressupostos (aquisição da participação e fundamento econômico), como se percebe no art. 385 do RIR!! 999, in verbis (grifos não são do original): Art. 385. 0 contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de património liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 20): I - valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II - ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. _ 44 Processo n° 10980.017339/2008-78 Acórdão n.° 1101-00.404 SI-CITI Fl. 45 ,sç 1 2 0 valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 20, § 19. § 22 0 lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 20, § 22): I - valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II - valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III -fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. 32 0 lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 20, § 39. Já transferência do ágio decorre de uma incorporação (as avessas ou não), nos casos previstos em lei. Na transferência, obviamente, não cabe falar em pressupostos do ágio, mas sim em pressupostos da transferência. As condições da transferência estão descritas nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, já transcritos anteriormente. Portanto, não é pertinente exigir presentes os pressupostos do nascimento do ágio na transferência deste, por conta de uma incorporação Os avessas ou não). Para nascer o ágio, devem estar presentes os seus pressuposto (art. 385 do RIR/1999). Para haver a transferencia de ágio, devem estar presentes os seus pressupostos (art. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997). Diga-se desde já que no caso concreto estão presentes os pressupostos do nascimento do ágio, quando da integralização, e da transferência dele, quando da incorporação As avessas. Feito estes esclarecimentos, cabe voltar ao texto da ementa. Ora a alegação constante na ementa, de que na incorporação às avessas não existem os pressupostos do ágio, é totalmente equivocada. Como visto, na incorporação (às avessas ou não) não nasce ágio. 0 que ocorre na incorporação é a transferência do ágio. Esta transferência, independe dos pressupostos do ágio. Esta transferência é regrada nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. A leitura dos dispositivos legais mostra que no caso concreto é permitida a transferência do ágio, que poderá ser amortizado na incorporadora. De outra banda, se a ementa se refere ao nascimento do ágio na empresa controladora, que foi incorporada, e se ela afirma que não nasce o ágio porque não há os pressupostos do ágio, obra em forte engano. E que o ágio surge na aquisição de quotas/ações por valor maior que o patrimonial. 0 art. 385 do RIR1 1999, acima transcrito, regra o registro do ágio e é dele que se infere os pressupostos do ágio. No que tange ao pressuposto aquisição, tanto faz que esta aquisição decorra de uma compra, como se ela decorre da aceitação que uma a subscrição seja feita por entrega de quotas/ações, recebidas pelo valor de mercado. A aquisição é gênero, do qual a compra ou a 45 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 46 troca são espécies. Por isso, se a integralização na empresa B é feita, por terceiros, pela entrega de quotas da empresa A, por valor superior ao valor patrimonial das quotas da empresa A, a empresa B adquire essas quotas do mesmo modo que as adquiriria se as estivesse comprando. Dessarte, este pressuposto do ágio (aquisição de participação societária) está plenamente atendido no caso em concreto. Pretender dizer que só ocorre aquisição se houver a compra da participação é um grave equivoco, baseado em uma alteração arbitraria e sem fundamento do conceito de aquisição. No que tange ao pressuposto do fundamento econômico, ele decorre das situações previstas no art. 20, § 22 , Decreto-Lei n2 1.598, de 1977. E um grave equivoco confundir fundamento econômico com pagamento. Pagamento é a contrapartida da compra e venda, uma das formas de aquisição da participação. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões). No caso presente o fundamento econômico foi o valor de mercado avaliado por laudo da Debite Touche Tohmatsu. Portanto, no caso concreto existe o fundamento econômico do ágio. Inclusive, é preciso destacar que a avaliação da Debite Touche Tohmatsu não foi questionada em nenhum momento pela fiscalização. De fato, apesar da ementa alegar a inexistência de fundamento econômico, ela o faz se referendo ausência de pagamento, já que a aquisição foi por meio de aceitação das quotas da investida como integralização de capital. De qualquer modo, fica evidenciado o grande equivoco teórico constante na ementa (confundir pagamento da aquisição com fundamento econômico do ágio). Mas, também, fica consignado mais uma confusão presente na acusação que é prejudicial a defesa. Afinal, se o Fisco consigna na autuação que suas razões para não admitir o ágio seja a ausência de fundamento econômico, além de se esperar que a avaliação da Debite Touche Tohmatsu fosse atacada no relatório fiscal (o que não foi), é de se esperar que o contribuinte se defenda alegando a licitude da avaliação e apenas isso. Cabe notar que a segunda ementa também está na contramão da legislação, ao sustentar não ser admitido a transferência e amortização de ágio que tenha surgido em razão de integralização de capital com quotas de empresa. De fato, como já visto, o art. 385 do RIR/1999, não faz esta restrição para o nascimento do ágio e os arts 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, não faz esta restrição para a transferência do ágio. Mas, ainda falta outro ponto que é trazido na primeira ementa que precisa ser esclarecido e afastado. Trata-se da alegação de que na operação em tela existe abuso de direito e que isso poderia afastar a legalidade da operação. Ora, não existe na legislação tributária nacional a previsão de lançamento de oficio com base no afastamento de lei por entender que houve abuso de direito. Ao contrário, o lançamento se rege pelo principio da estrita legalidade e é atividade vinculada à lei. Ademais, não tem o executivo o poder de afastar a lei, mas sim de executá-la. Portanto, não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. 46 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CIT I Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 47 Além disso o parágrafo único do art. 116 do CTN, que talvez pudesse ser alegado em favor da autuação, ainda não foi regulado por lei. Portanto, não estaria ai o fundamento para o Fisco pretender afastar a Lei alegando que houve abuso de direito. Enfim, o conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela justiça para solução de alguns litígios. No entanto, não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. Ao contrário, o lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. Retomando ao texto constante no termo de verificação fiscal, nota-se que após a transcrição das ementas acima analisadas, é afirmado que: "0 que evidencia-se, de verdade, é a inexistência do fator econômico na configuração do ágio na aquisição de investimento." Assim, mais uma afirmação é lançada no auto sem que tenha com clareza os seus fundamentos, nem a quais conseqüências se liga. Quando muito, pode-se supor que, alinhado ao conteúdo das ementas, o fiscal esteja a afirmar que, em razão da aquisição ser feita em decorrência de integralização, não existiria o fator econômico na configuração do ágio. Mas, isto é apenas uma suposição sobre qual seria o teor da frase, já que o texto não é claro e nem objetivo. No entanto, se foi este o raciocínio do fiscal, vê-se que ele está enganado e que deve estar confundindo as formas de aquisição com fundamento econômico, tal como as ementas confundiram. Como já esclarecido, o nascimento do ágio está regrado no art. 385 do RIR11999. Este dispositivo legal prevê o registro de ágio nas aquisições por preço acima do valor patrimonial e indica os diferentes fundamentos econômicos (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) que ele deve ser classificado. Um desses fundamentos é o valor de mercado e, no caso concreto, o próprio Fisco indicou que havia um laudo informando o valor de mercado, que foi considerado no registro do ágio. Este laudo não foi posto sob suspeita em nenhum momento e, assim, não se pode questionar o fundamento econômico do ágio registrado na Marumbi. De outra banda, se a alegação de ausência de fator econômico decorre de que a aquisição se deu em razão da Marumbi receber quotas como integralização, ela está equivocada por pretender restringir o conceito de aquisição (gênero) a uma das formas pela qual a aquisição pode ocorrer (compra do investimento). Assim, fica claro que a decisão das autoridades autuantes esta errada quanto ao mérito da questão. Mas, também fica flagrante o prejuízo que a defesa sofreu, pois não se pode nem afirmar ao certo qual é a acusação e quais são seus fundamentos. Porém, a seqüência do termo de verificação torna os fundamentos da acusação mais confusos ainda e, por isso, precisa ser transcrita (grifos não são do original): Finalizando, a aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada não comporta a dedução de ágio, a custo zero, como perda, pela incorporadora, haja vista que não se ..------ t----=------ 47 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.404 FL 48 extinguiu o investimento anteriormente realizado. A mera amortização do ágio não pode gerar efeitos fiscais, devendo o mesmo ser controlado it parte, para fins de cálculo do ganho de capital em eventual alienação do investimento. Ora, após as imprecisões na formulação dos fundamentos, já mencionadas, a frase acima destacada em negrito, pretendendo se apresentar como um esclarecimento final, torna a acusação absolutamente incompreensível. Neste ponto do termo de verificação fiscal, termina a fundamentação/explicação da conclusão do fiscal autuante. Ou seja, é com as afirmações acima transcritas que a autoridade fiscal explica porque considerou o ágio inexistente e a amortização desnecessária. Mas, conforme análise acima, ficou evidente que nem as conclusões (inexistência do ágio e não necessidade da amortização) foram fundamentadas ou explicadas. Também, fica claro que a legislação de regência permite o nascimento, transferência e amortização do ágio, tal como fez o contribuinte. Ainda fica demonstrado os equívocos da acusação e que nenhum dos argumentos apresentados pelo Fisco tem o condão de afastar o ágio e/ou a amortização. Por isso o lançamento já seria improcedente. Ao contrário, além dos argumentos do Fisco serem improcedentes, são apresentados de modo tão confuso que não permitem compreender a acusação, mas apenas fazer um juizo de probabilidade do que se esteja a falar. Por isso, o lançamento já seria nulo. 0 próximo passo do auto de infração 6: 1 0) consignar que a Bangui considerou no seu resultado a amortização; 2°) registrar que não houve adição deste valor no LALUR; 3°) glosar o valor da amortização por considerá-la despesa desnecessária a atividade da empresa. Agora, cabe analisar a contradição interna da acusação constante na afirmação de que não existe o ágio e de que a amortização é uma despesa desnecessária. Ora, se o ágio não existe, não cabe falar em necessidade ou não de sua amortização. Ou seja, se a acusação é de que o ágio não existe, as amortizações deveriam ser desconsideradas do resultado. Jamais se poderia tratar a amortização como uma despesa e muito menos aventar da sua necessidade ou não. Bastaria declarar a inexistência da amortização, em razão da inexistência do ágio. É incompreensível porque as autoridades fiscais, após afirmar a inexistência, preferiram discutir a necessidade, ao invés de desconsiderar as amortizações. Em termos de lógica, só se poderia falar em necessidade ou não da amortização do ágio, se este fosse admitido como existente. Dessarte, caso se pretendesse dizer que a "despesa", referente a amortização do ágio é desnecessária, seria preciso antes admiti-lo como existente. Assim, fica patente a contradição que existe na acusação fiscal. Porém, além do erro de lógica, há também mais um erro de direito. É que dizer que uma amortização pode ser tratada como despesa é algo incompatível com a própria natureza da amortização e com a legislação-fiscal. A legislação diz 48 e„ Processo n° 10980.017339/2008-78 S1-C1T1 Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 49 o que pode ou não ser amortizado e define os percentuais desta amortização. Assim, a contabilização da amortização na apuração da base de cálculo é um direito do contribuinte e não está sujeito a juizo de necessidade ou não. As amortizações não são tratadas como despesas e por isso não se submetem ao juizo de necessidade. Este juizo já está feito pelo legislador ao autorizar a amortização de determinados bens. Ou seja, novamente aqui a autuação se coloca acima da lei e, apesar da permissão legal para que o contribuinte considere na base de cálculo a amortização do ágio, propõe a glosa da amortização, alegando que não é necessária. Talvez, o pecado lógico-jurídico da autuação (afirmar a inexistência do ágio e a não necessidade de sua amortização), seja uma tentativa de evitar explicar como afastar uma amortização, cujo exercício decorre de lei, usando o artificio de dizer que seria uma despesa desnecessária. Mas, fica evidenciado o fracasso da tentativa. Além dos problemas de consistência jurídica e lógica da autuação, cabe analisar como ela afeta o direito de defesa do contribuinte. Isso porque, facilmente se percebe que mais do que uma simples contradição interna, o auto de infração apresenta duas acusações, que apesar de serem incompatíveis entre si, obrigam que o contribuinte refute as duas. De fato, esta forma de acusação obriga a defesa apresentar duas defesas distintas para uma só acusação. De um lado o contribuinte deveria se defender de uma acusação de inexistência de ágio que, além de confusa, é equivocada e em desacordo com a lei (art. 385 do RIR/1999 e arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997). De outro lado o contribuinte deveria se defender da afirmação, absolutamente incompatível com a primeira afirmação e em desacordo com a lei, que seria a não necessidade da amortização do ágio, em razão da inexistência deste. Ainda vale notar que, como no auto de infração a afirmação da não necessidade decorre da afirmação da inexistência e como as duas afirmações, ao invés de estarem ligadas como causa e efeito, são absolutamente incompatíveis, a afirmação da não necessidade restaria posta sem um fundamento. Assim, temos uma conclusão (da não necessidade) que é feita sem se alicerçar nos fatos constatados e baseada em uma série de conclusões não justificadas, equivocadas e em desacordo com a lei. Ou seja, a bem da verdade, a acusação de que a amortização não é necessária é simplesmente feita e não é explicada. Assim, o que existe no auto de infração é uma sucessão de afirmações soltas, sem fundamentação, e contrárias a lei e A. lógica. Frente a este lançamento, o contribuinte se defendeu reafirmando os fatos descritos no termo de verificação, mencionando a base legal para a transferência do ágio, e afirmando que tudo foi feito legalmente. No julgamento de la instância, a DRJ repete os mesmos equívocos da autuação, confundindo forma de aquisição de investimento com fundamento econômico e insistindo nas mesmas razões apresentadas no auto. A DRJ ainda destaca o fato das operações envolverem pessoas ligadas e sintetiza sua posição afirmando que se trata de uma operação de ágio de si mesmo, como se isso fosse o suficiente para sustentar o lançamento. Suas palavras foram as seguintes: 49 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 50 Pelo que até aqui se viu, resta inequívoco que estamos diante de uma estratégia de planejamento tributário da modalidade conhecida como "ágio de si mesmo". Isso porque, na essência, o ágio que a impugnante excluiu de sua base imponivel do IRPJ e da CSLL não diz respeito a eventual participação dela em outra sociedade, mas é uni ágio sobre ela própria, sobre sua própria rentabilidade. Dai a expressão ágio de si mesmo. Com base neste ponto de vista, cita algumas manifestações contrárias a operação efetuada pelo contribuinte e mantém o lançamento. A I. Relatora, Conselheira Edeli Bessa, resume a posição da DRJ com a seguinte transcrição: 0 fato, portanto, é que, nos termos postos pela CVM, as reorganizações societárias das três empresas "BARIGÜI", "CENTER e ESPAÇO" mio se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, requisitos indispensáveis para que fossem passíveis de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Entretanto, tais desatinos foram contabilizados e as amortizações desse ágio esdrúxulo foram abatidas do lucro tributável. Evidente, portanto, que a solução deve ser a glosa dos valores debitados a titulo de despesa com ágio, uma vez que tais valores carecem de, substância econômica. de se reconhecer que a legislação autorizava a amortização do ágio. Contudo, evidentemente a legislação se referiu a ágio constituído com substância econômica, em decorrência de transações efetivas entre partes negociantes autônomas. A toda evidência, essa grandeza criada artificialmente nas contabilidades das empresas "BARIGÜI", "CENTER" e "ESPAÇO" é simplesmente um absurdo, um abuso que não pode ser considerada como ágio para os fins do inciso III do art. 7° da Lei n° 9.532, de 1997, ou para outro fim qualquer. Por outro lado, ainda que se considerasse esse ágio aloprado como unia despesa, não seria dedutivel em face de ser absolutamente desnecessário à atividade da empresa, à manutenção de suas atividades e geração de suas receitas Em face de todo o exposto, entendo que o lançamento deve ser mantido integralmente. como voto. Como se observa, a DRJ sustenta a pertinência do auto de infração cometendo exatamente os mesmos erros de lógica e de direito flagrados na autuação. Além disso, a DRJ traz manifestações da CVM (orgdo com preocupação bastante distinta daquela existente na legislação fiscal), muito posteriores aos eventos. Com isso, há uma verdadeira inovação na acusação. Além disso, no correr do processo, é posta a idéia de que tudo o que ocorreu seria uma reavaliação e que a tributação deveria ser como tal. No entanto, se essa idéia surge após a autuação, é uma inovação da base legal, já que não foi mencionada pela autoridade autuante. Se o Fisco quisesse considerar as operações como uma reavaliação feita dissimuladamente, deveria ter feito esta acusação, para permitir a defesa adequada. Mas, isso não foi feito e não pode ser feito no julgamento do litígio pelos órgãos julgadores. 50 Processo n° 10980.017339/2008-78 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.404 Fl. 51 0 rito do Decreto 70.235, de 1972, define a discussão administrativa como um processo de julgamento, que visa o controle da legalidade do ato administrativo e que se coloca como um método alternativo de solução de litígios. Deste modo, não cabe a revisão do lançamento, entendido como aperfeiçoamento, mas apenas seu julgamento. Assim, a autoridade julgadora não pode inovar na acusação, não podendo trazer fatos novos e nem alterar a fundamentação jurídica. 0 regimento interno dos órgãos de julgamento, também impede que eles inovem, já que isso equivale a revisar (=refazer) o lançamento. Porém, abstraindo-se das regras processuais, a acusação de que teria ocorrido uma reavaliação dissimulada é totalmente improcedente. E que a circunstância de haverem efeitos semelhantes não equipara a situação em tela a uma reavaliação. Ressalte-se que em ambas as situações (caso presente e uma reavaliação) existe um efeito final de atualizar o valor do ativo. Mas, também existe, em ambas, situações a tributação equivalente ao que a amortização/depreciação/baixa deste novo valor pode reduzir na tributação. Na operação em tela existe a tributação do ganho de capital daqueles que integralizam com quotas pelo valor de mercado e na reavaliação ocorre a tributação na medida da realização do novo valor. A circunstancia da legislação fiscal temporariamente ter permitido a não tributação do ganho de capital na operação em tela (art. 36 da Lei n° 10.637, de2002), não permite descaracterizá-la e tratá-la como uma reavaliação. A Administração não deve questionar a Lei, mas, sim, cumpri-la. Por estas razões, a atuação é nula, como também seria a decisão da DRJ. Mas, em razão do disposto no art. 59, do Decreto 70.235, de 1972, o recurso voluntário é procedente, devendo ser cancelada toda a exigência. CARLOS EDUARDO'D ALMEIDA GUERREIRO 51
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Numero do processo: 10166.722648/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/12/2009
SALÁRIO INDIRETO - AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO E PRODUTIVIDADE
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
PRODUTIVIDADE - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria.
Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS
A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores oriundos de auxílio alimentação pagos in natura, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva que votou em negar provimento ao Recurso nesta questão; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento desta multa, até 11/2008; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008. para que seja aplicada a multa referente o previsto no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da produtividade, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao recurso na questão dos levantamentos FO, FP e SI, nos termos do voto da Relatora; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/12/2009 SALÁRIO INDIRETO - AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO E PRODUTIVIDADE REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN PRODUTIVIDADE - PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. MULTA DE MORA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN PRODUTIVIDADE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. MULTA DE MORA As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 26 48 /2 01 0- 81 Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 LISTA DE CORESPONSÁVEIS A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.722648/201081 Acórdão n.º 2301002.795 S2C3T1 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os valores oriundos de auxílio alimentação pagos in natura, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva que votou em negar provimento ao Recurso nesta questão; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento desta multa, até 11/2008; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008. para que seja aplicada a multa referente o previsto no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em dar provimento ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira que votaram em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da produtividade, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao recurso na questão dos levantamentos FO, FP e SI, nos termos do voto da Relatora; c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e ao SAT. Conforme Relatório do AI, o débito apurado se refere a contribuições incidentes sobre os pagamentos habitualmente efetuados a segurado empregado, a título de auxílio alimentação sem inscrição no PAT (levantamentos AA e AL) e produtividade (levantamentos PR e PT) , considerados remuneração pela auditoria fiscal, verificados em Folha de Pagamentos e na Contabilidade, e não declarados em GFIP, bem como outros pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, declarados em folha de pagamento (levantamentos FO e FP), e não declarados na FP (levantamento SI). Segundo relato fiscal, integram também o lançamento a contribuição incidente sobre a remuneração paga ou creditada a contribuintes individuais que prestaram serviços à autuada, incluídos ou não em folhas de pagamento (CI, CO, C1 e C2). A autoridade lançadora informa que a apuração dos valores de remuneração foi feita a partir das Folhas de Pagamentos, dos registros contábeis e de planilhas fornecidos pelo Contribuinte em meio digital. Esclarece que, ao se comparar o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, verificouse condição de penalidade menos severa ao Contribuinte quando aplicada a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0342.881, da 7a Turma da DRJ/BSB, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, alegando, em síntese, o que se segue. Em relação ao auxílio alimentação concedido in natura (cartão magnético), argumenta que não há que se falar em ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, uma vez que a ausência de renovação de inscrição no PAT e mesmo a ausência da própria inscrição não afasta a natureza não salarial de tal verba. Relativamente a verbas pagas a título de produtividade, alega que tratase de pagamentos realizados com base na Lei 10.101/2000 e não de remuneração que ensejasse incidência de contribuição previdenciária. Observa que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa constitui garantia constitucional prevista no inciso XI do art. 7o, da CF, que exclui, de forma expressa, a natureza remuneratória da referida verba, e que nenhuma norma Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.722648/201081 Acórdão n.º 2301002.795 S2C3T1 Fl. 4 5 infraconstitucional teria o condão de fazer incidir a contribuição previdenciária sobre o pagamento realizado a esse título. Afirma que a premiação paga pela empresa aos seus empregados atende perfeitamente a regra matriz de exclusão da incidência da contribuição previdenciária, não se caracterizando como salário de contribuição e cita a jurisprudência do STJ para demonstrar que é pacífico o entendimento de que não incide contribuição sobre a participação nos lucros a empregados Quanto ao valor de R$13.300,00 que, segundo a fiscalização, corresponderia a pagamento de remuneração à segurada empregada Vilma, sustenta que, de fato, tratase de valor pago pela empresa a título de adiantamento no dia 10/09/2008, mas que, ao contrário do que restou consignado no relatório fiscal, há sim comprovação de sua devolução à empresa no dia 11/09/2008, conforme registrado nos Livros Razão e Diário. Da mesma forma, relativamente ao pagamento feito pela empresa ao sócio Valmir Antônio Amaral, a título de adiantamento no dia 10/09/2008, tratase de distribuição de lucros futuros, configurando, assim, despesa salarial, o que afasta a exação pretendida. Com relação aos pagamentos realizados a segurado contribuinte individual pelos serviços prestados à empresa, defende que é relevante considerar, no ponto, é que não houve emissão de nota fiscal pelo suposto prestador dos serviços, não restando caracterizado, por conseguinte, o fato gerador da obrigação previdenciária, pois, para a deflagração da incidência tributária em questão, não basta o mero reconhecimento contábil da despesa pela empresa. Entende que considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal, em relação à empresa, no mês em que for paga ou creditada a remuneração, sendo certo que se considera creditada a remuneração na data da emissão do documento comprobatório, qual seja, a nota fiscal de prestação de serviços. Requer que seja afastada, ou ao menos reduzida, a multa de ofício aplicada no percentual de 75% do tributo a pagar, por ser excessivo e desproporcional e possuir caráter confiscatório, sob pena de afronta ao princípio da vedação ao confisco, previsto no art. 150, IV, da CF. Solicita que seja afastada a responsabilização pessoal dos sócios pelas dívidas tributárias da empresa, ressaltando que não restou demonstrado, pela autoridade fiscal, a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Finaliza concluindo que impõese a reforma do acórdão, julgandose improcedente o auto de infração em todos os seus termos, e requerendo que seja julgado improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a autuada insurgese contra o lançamento de contribuição sobre a concessão de auxílio alimentação in natura, argumentando que não há que se falar em ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, uma vez que a ausência de renovação de inscrição no PAT e mesmo a ausência da própria inscrição não afasta a natureza não salarial de tal verba. Em relação a essa matéria, é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não integrar o salário de contribuição, independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT. Relativamente a verbas pagas a título de produtividade, a recorrente alega que tratase de pagamentos realizados com base na Lei 10.101/2000 e não de remuneração que ensejasse incidência de contribuição previdenciária. No entanto, o conceito de salário de contribuição expresso no art. 28 inciso I da Lei 8.212/91 é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Portanto, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora ou do empregador em, com aquele pagamento, assalariar ou não Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.722648/201081 Acórdão n.º 2301002.795 S2C3T1 Fl. 5 7 seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar a verba paga da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. No presente caso, não resta dúvida que a verba intitulada “produtividade”, não está incluída nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. De fato, a alínea “j”, do § 9º, do art. 28 da Lei 8.212/91, isenta de contribuição previdenciária apenas a participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada de acordo com a lei específica, no caso a Lei nº 10.101/99, o que não é o caso em tela, já que a fiscalização constatou que a referida verba foi paga pela autuada em desacordo com o mencionado diploma legal, integrando, portanto, o salário de contribuição. Assim, está correto o procedimento fiscal em incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos pela recorrente a título de produtividade, como está correta a decisão recorrida em manter tal rubrica no lançamento. A recorrente argumenta que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa constitui garantia constitucional prevista no inciso XI do art. 7o, da CF, que exclui, de forma expressa, a natureza remuneratória da referida verba, e que nenhuma norma infraconstitucional teria o condão de fazer incidir a contribuição previdenciária sobre o pagamento realizado a esse título. Porém, como exposto acima, o legislador isentou da contribuição previdenciária apenas os PLR pagos de acordo com lei específica que, no caso, é a Lei 10.101/00. Dessa forma, para que não incida a contribuição social, a empresa deve, sim, observar o disposto na Lei 10.101/00. Esse também é o entendimento da ministra Eliana Calmon, do STJ, que se manifestou no sentido de que, para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a questão. Para a ministra, ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. A fiscalização constatou que os pagamentos eram mensais, o que contraria o disposto no § 2o, do art. 3o, da Lei 10.101/00, além de não constar, no texto das Convenções Coletivas de Trabalho, regras claras e objetivas quanto às metas a serem alcançadas ou quanto periodicidade da distribuição, conforme exige o § 1º do art. 2º , do mesmo diploma legal. Cumpre observar ainda que, ao contrário do que defende a autuada, a não vinculação da participação nos lucros à remuneração não é auto aplicável, já que a Constituição Federal remeteu à lei a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador, ao editar a Lei 10.101/00. Nesse sentido, não é a simples previsão em acordo coletivo ou o pagamento de parcelas intituladas pelo empregador de PRL é que vai retirar a natureza salarial da verba em comento. Em que pese o entendimento da recorrente de que as Convenções Coletivas de Trabalho, conforme a CLT, produzem efeitos de lei entre as partes, conforme o art. 7o, XXVI da CF, vale esclarecer que a doutrina há muito já consagrou a autonomia científica do Direito Previdenciário em face do Direito do Trabalho. O conceito de saláriodecontribuição não se confunde com o conceito de remuneração retirado do Direito Laboral. Segundo Wladimir Novaes Martinez (Comentários à Lei Básica da Previdência Social), “O conceito previdenciário de saláriodecontribuiçao não tem de coincidir exatamente com a definição trabalhista de remuneração ou, com mais razão, com a descrição de salário. Para isso é necessário o tipo legal circunscrever o fato gerador, impondo suas condições”. Ademais, os efeitos indenizatórios pactuados em acordos coletivos somente repercutem na esfera da relação de emprego, não atingindo terceiros estranhos à relação laboral, entre os quais, a Previdência Social. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” (grifei). Assim, a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional não agride a garantia constitucional do reconhecimento das convenções e acordos coletivos, prevista no inciso XXVI, art. 7º, da Constituição Federal, vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Em conseqüência, os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas nas Leis 8.212/91 e 10.101/00. Ademais, a própria autuada afirma que os valores pagos pela empresa a título de produtividade possui a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falarse, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Portanto, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.722648/201081 Acórdão n.º 2301002.795 S2C3T1 Fl. 6 9 E, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, ao constatar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e o não recolhimento do valor devido, lavrou o competente AI, em estrita observância aos ditames legais. Dessa forma, não há amparo legal para a nãoincidência de contribuição previdenciária sobre a verba intitulada “produtividade”, pago pela empresa em favor de seus empregados. A fiscalização constatou, ainda, que a empresa pagou à empregada Vilma e ao sócio Valmir Amaral, a quantia de R$13.300,00 que, segundo a fiscalização, corresponde a pagamento de remuneração. A recorrente não nega tais pagamentos, mas apenas se justifica alegando tratarse, no caso da empregada Vilma, de adiantamento pago no dia 10/09/2008, e devolvido pela beneficiária no dia 11/09/2008. Contudo, não prova o alegado. Ou seja, a empresa apenas insiste em afirmar que não houve o fato gerador da contribuição social sem, contudo, apresentar provas. O art. 333 do Código de Processo Civil estatuiu que o ônus da prova cabe a quem alega, ou seja, aquele que alega um fato é quem deve provar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Em que pese a autuada insistir em afirmar que a devolução da quantia citada está registrado nos Livros Razão e Diário, não juntou cópia dos referidos registros para provar suas alegações, ou outros elementos para serem analisados por este Conselho, não havendo, portanto, que se falar em cancelamento das exigências lançadas por meio do AI ora discutido. Da mesma forma, relativamente ao pagamento feito pela empresa ao sócio Valmir Antônio Amaral, a título de adiantamento no dia 10/09/2008, não traz provas de que tratase de distribuição de lucros futuros, conforme alegado. Já os registros contábeis fazem prova de que tais pagamentos não se tratam de adiantamento de remuneração ao de distribuição de lucros futuros, devendo, dessa forma, serem mantidos os lançamentos relativos à contribuição incidente sobre os valores pagos a título de adiantamento. É ainda objeto do lançamento objeto do presente processo administrativo fiscal a contribuição incidente sobre os pagamentos realizados a contribuinte individual que prestou serviços à empresa. Observase que a recorrente não nega que tenha tomado os serviços do segurado citado no Relatório Fiscal, mas apenas alega que, por não ter sido emitida nota fiscal de serviços, não restou caracterizado o fato gerador da obrigação previdenciária, pois entende que, para a deflagração da incidência tributária, não basta o mero reconhecimento contábil da despesa pela empresa, mas considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 principal em relação à empresa no mês em que for paga ou creditada a remuneração, sendo certo que se considera creditada a remuneração na data da emissão do documento comprobatório, qual seja, a nota fiscal de prestação de serviços. Contudo, a IN 03/2005 e a IN 971/2009, vigentes à época da ocorrência do fato gerador, deixam claro que considerase ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos, em relação à empresa, no mês em que for paga ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, ao segurado contribuinte individual que lhe presta serviços e considerase creditada a remuneração na competência em que a empresa contratante for obrigada a reconhecer contabilmente a despesa ou o dispêndio ou, no caso de equiparado ou empresa legalmente dispensada da escrituração contábil regular, na data da emissão do documento comprobatório da prestação de serviços. No caso da empresa recorrente, não há a dispensa da escrituração contábil regular, e seus livros contábeis registraram as despesas com os pagamentos ao referido contribuinte individual, devendo ser mantida a contribuição previdenciária incidente devida. A recorrente insurgese, ainda, contra a multa e a correção aplicada. Contudo, é oportuno salientar que a utilização da taxa para atualizações e correções dos débitos apurados e a multa aplicada encontram respaldo nos art. 34 e 35, da Lei 8.212/91 vigentes à época da ocorrência do fato gerador (multa mais benéfica ao contribuinte). Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” E sendo a atividade administrativa vinculada aos ditames legais, a fiscalização lavrou o competente Auto, fazendo incidir juros e multa, em observância à legislação que rege o lançamento. Em relação ao argumento de ausência de prejuízo, mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário, e é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. A empresa autuada requer, ainda, que seja afastada a responsabilização pessoal dos sócios pelas dívidas tributárias da empresa, ressaltando que não restou demonstrado, pela autoridade fiscal, a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido no AI em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.722648/201081 Acórdão n.º 2301002.795 S2C3T1 Fl. 7 11 se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório do AI, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, entendo que deva ser deixado consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, a fim de afastar a coresponsabilidade dos representantes legais. Pelo exposto e Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito os valores relativos ao Auxílio Alimentação, por improcedência, e para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relatora Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Redator DO CORESP Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa RÁPIDO BRASÍLIA TRANSPORTE E TURISMO LTDA em face da decisão que manteve o lançamento referente às contribuições devidas e não pagas a Terceiros e Fundos (FNDE, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT). No caso em análise, não obstante o bom arrazoado trazido pela nobre Conselheira Relatora, no sentido de que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, que pode servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional, tenho como certo que a responsabilidade da pessoa física não pode decorrer da simples falta de pagamento de tributo. Além disso, é inquestionável que o lançamento tributário tem sua exigibilidade em face da sociedade contribuinte. O que é questionável é a exigibilidade de tais créditos perante o administrador dessa sociedade. A sujeição passiva da obrigação principal no direito tributário, como é sabido, se dá de duas formas: por contribuição (CTN 121, parágrafo único, inciso, I) ou por responsabilização (CTN 121, parágrafo único, inciso II). No caso em tela, inegável a condição de contribuinte da sociedade. De outro lado, é completamente dúbia a condição de responsável do administrador por esses créditos. O que o sistema tributário prevê é a responsabilidade tributária do administrador por atos irregulares – atos ultra vires –, seja este administrador sócio ou não. A forma da responsabilização daquele que exerça cargo de administração ou gerência encontrase presente no art. 135, inc. III do CTN, que dispõe: “Art. 135 – São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” De maneira que, sem a presença dos requisitos do art. 135, não há de se falar em responsabilidade do sócio administrador. Nesse sentido leciona o prof. Luciano Amaro: “Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver prática de ato para qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. Se inexistir esse ato irregular, não cabe a invocação do preceito em tela”(in Direito Tributário Brasileiro. 9 ed. São Paulo: Saraiva, 2003. P.319). In casu, o fisco não colacionou aos autos nenhuma manifestação que delimite a ter havido a prática de ato para o qual os relacionados não detivessem poderes, ou de ato que tenha infringido a lei, o contrato social ou o estatuto da empresa. Nesse sentido, uníssono é a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. SÓCIO. RESPONSABILIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EXCEÇÃO DE PRÉEXECUTIVIDADE. CABIMENTO. ART. 135, III. DO CTN. PRECEDENTES.1. A arguição da exceção de pré executividade com vista a tratar de matérias de ordem pública em processo executivo fiscal – tais como condições da ação e pressupostos processuais – somente é cabível quando não for necessária, para tal mister, dilação probatória. 2. A imputação da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN não está vinculada apenas ao inadimplemento da obrigação tributária, mas à comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos.3. Recurso especial provido”[g.n] Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.722648/201081 Acórdão n.º 2301002.795 S2C3T1 Fl. 8 13 (REsp 426.157/SE, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 18.08.2006 p. 361).” Assim, ante a impossibilidade de responsabilização tributária dos administradores da recorrente pelos créditos lançados (art. 135 do CTN), ante a ausência de provas no sentido da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei contrato social ou estatutos, devem ser excluídos da relação de vínculos as pessoas nele relacionadas, no que dou provimento ao recurso voluntário nesta parte. DA MULTA E no que se refere à multa aplicada, tornase importante apreciar, de ofício, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. No mais, acompanho as doutas considerações da relatora em seu voto condutor. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, nos seguintes termos: a) preliminarmente, voto no sentido de afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente inseridos na lista do anexo CORESP; b) aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, até A COMPETÊNCIA 11/2008, se benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 19515.003751/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/07/2010
PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE.
A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, conquanto que observados os limites impostos na sentença judicial que garantiu o crédito e o direito a compensar.
Os valores compensados a maior ou indevidamente ensejam a manutenção da exigência fiscal relativa à diferença entre esse valor e aquele garantido na sentença judicial.
Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos-NFLD/Auto de Infração.
AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL GLOSA DE COMPENSAÇÃO DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES LANÇAMENTO CONSUBSTANCIADO EM GFIP AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE NOVA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES.
O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, refere-se ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. NULIDADE ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, I) por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade argüida pelo relator. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Carolina Wanderley Landim, que anulavam o lançamento. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente; e b ) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/07/2010 PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, conquanto que observados os limites impostos na sentença judicial que garantiu o crédito e o direito a compensar. Os valores compensados a maior ou indevidamente ensejam a manutenção da exigência fiscal relativa à diferença entre esse valor e aquele garantido na sentença judicial. Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos-NFLD/Auto de Infração. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL GLOSA DE COMPENSAÇÃO DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES LANÇAMENTO CONSUBSTANCIADO EM GFIP AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE NOVA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, refere-se ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. NULIDADE ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade argüida pelo relator. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Carolina Wanderley Landim, que anulavam o lançamento. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente; e b ) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire - Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/07/2010 PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO CRÉDITOS LÍQUIDOS E CERTOS. NECESSIDADE. A compensação levada a efeito pelo contribuinte extingue o crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso II, do CTN, conquanto que observados os limites impostos na sentença judicial que garantiu o crédito e o direito a compensar. Os valores compensados a maior ou indevidamente ensejam a manutenção da exigência fiscal relativa à diferença entre esse valor e aquele garantido na sentença judicial. Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de DébitosNFLD/Auto de Infração. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL GLOSA DE COMPENSAÇÃO DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES LANÇAMENTO CONSUBSTANCIADO EM GFIP AUSÊNCIA DE NECESSIDADE DE NOVA DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, referese ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 51 /2 01 0- 96 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE 2 encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. NULIDADE ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade argüida pelo relator. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator) e Carolina Wanderley Landim, que anulavam o lançamento. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar as preliminares suscitadas pelo recorrente; e b ) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE Processo nº 19515.003751/201096 Acórdão n.º 2401003.176 S2C4T1 Fl. 286 3 Relatório INDÚSTRIA MECÂNICA SAMOT LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP I, Acórdão nº 1636.081/2012, às fls. 211/221, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas pela autuada ao INSS, apuradas a partir da glosa de compensações procedidas pela empresa e suas filiais em GFIP’s, em relação ao período de 06/2007 a 07/2010, conforme Relatório Fiscal, às fls. 73/75 e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração (Obrigação principal), lavrado em 16/11/2010, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário devidamente consignado na folha de rosto da autuação. De acordo com o Relatório Fiscal, a contribuinte efetuou compensações em GFIP’s, com créditos de terceiros, o que não se apresenta como forma de extinção do crédito tributário, razão da glosa procedida pela fiscalização. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 227/241, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade da decisão recorrida, com arrimo no artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, por entender ter incorrido em preterição do direito de defesa da contribuinte, ao deixar de determinar a diligência requerida em sede de impugnação, indispensável ao deslinde da controvérsia, bem como não apreciando todas as alegações suscitadas na sua peça inaugural, contrariando os princípios da legalidade, verdade material, razoabilidade e do devido processo legal administrativo. Reitera o pedido de realização de perícia, aduzindo para tanto ser indispensável à análise da demanda, por se tratar de prova essencial, sobretudo quanto a aplicabilidade dos juros, na forma que fora proposta na peça impugnatória, uma vez atendidos os pressupostos legais para tanto. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo, insurgese contra a exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, notadamente em relação à incidência de juros Selic sobre a multa de mora/ofício, por entender inexistir previsão legal na legislação de regência que ampare referida cobrança. Sustenta que os juros incidem sobre os valores decorrentes de obrigação tributária principal não pagos no vencimento, não podendo incidir sobre a multa aplicada em razão do lançamento. Em defesa de sua pretensão, assevera que muito embora não haver suscitado aludida questão em sede de impugnação, por se tratar de matéria de ordem pública, é dever desta instância administrativa contemplála em julgamento. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE 4 Contrapõese ao crédito tributário objeto do lançamento, aduzindo para tanto que a contagem dos juros encontrase em descompasso com a legislação de regência, uma vez adotar como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, enquanto o correto seria somente após a lavratura do auto de infração, na forma que prescrevem os artigos 114 e 115 do Código Tributário Nacional. Defende que na hipótese vertente a obrigação tributária teve seu termo de mora definido a partir do LANÇAMENTO, ou seja, do Ato Administrativo externado pela lavratura do Auto de Infração e Imposição de Multa, que ocorreu em Novembro/2010, não se cogitando, portanto, na exigência de juros antes da constituição do crédito tributário, uma vez inexistir mora até referido momento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE Processo nº 19515.003751/201096 Acórdão n.º 2401003.176 S2C4T1 Fl. 287 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal e, bem assim, as razões das autoridades lançadora e julgadora em defesa da manutenção do feito, há nos autos vício material, capaz de ensejar a improcedência do lançamento, impossibilitando, assim, a análise meritória da demanda. Destarte, em que pese a contribuinte não ter aventado em sua peça recursal, impõese reconhecer de ofício que o fiscal autuante deixou de demonstrar/descrever os fatos geradores e os suportes legais das contribuições previdenciárias ora exigidas. Com efeito, a lavratura do Auto de Infração deveuse a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela empresa ao INSS, apuradas a partir de glosas de compensações procedidas pela empresa a partir da aquisição de créditos de terceiros, com esteio em decisões judiciais. Antes mesmo de adentrar a nulidade propriamente dita, mister ressaltar que a glosa de compensações deve ser levada a efeito quando estas não foram promovidas nos moldes e limites inscritos na legislação de regência e/ou decisões judiciais. Dessa forma, a glosa de compensações tem a finalidade de exigir o tributo não recolhido em época própria ou a menor, hipótese que se amolda ao presente caso. Melhor elucidando, a glosa de compensação se apresenta como um procedimento tendente à constituição do crédito tributário, o qual deverá estar devidamente motivado, indicandose os fatos geradores, base de cálculo, etc. Não se pode confundir o procedimento (glosa de compensação) com as próprias contribuições previdenciárias lançadas. Tanto um quanto outro, por independentes, devem estar circunstanciadamente motivados/justificados na legislação de regência. Nestes casos, cabe à fiscalização lançar referidos tributos, especificando clara e precisamente no Relatório Fiscal os fatos geradores das contribuições previdenciárias exigidas, inserindo, igualmente, no anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD os dispositivos legais que as fundamentam. Na hipótese dos autos, além de a autoridade lançadora não elencar no anexo FLD, às fls. 19/20, os fundamentos legais das contribuições previdenciárias, o que por si só seria capaz de ensejar a nulidade do feito, incorreu, ainda, em vício mais grave, ao deixar de discriminar clara e precisamente quais seriam os fatos geradores dos tributos lançados. Destarte, a simples leitura dos anexos DD e Relatório Fiscal, às fls. 04/18, 73/75, corrobora a nulidade do feito, não deixando margem de dúvidas em relação às omissões incorridas pela fiscalização, ao deixar de elucidar quais seriam os fatos geradores e base de Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE 6 cálculo dos tributos ora exigidos, conforme se extrai do item II, do Refisc, nos seguintes termos: “[...] 1. Iniciamos a presente Auditoria Fiscal, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal, intimando o sujeito passivo a apresentar diversos documentos. 2. Analisamos todos os documentos apresentados. Confrontamos as Folhas de Pagamento com as GFIP apresentadas. Verificamos também a compatibilidade destes dados com os seguintes documentos: RAIS, DIPJ, e DIRF. Identificamos que o sujeito passivo declarou compensações em suas GFIP no período 06/2007 a 07/2010. Intimamos o sujeito passivo a apresentar os documentos que suportaram estas compensações. O sujeito passivo nos apresentou: Processo Judicial em que foram reconhecidos créditos previdenciários de terceiros; Sentença Judicial com a autorização de compensação de créditos com terceiros; Contrato de Cessão dos créditos entre as partes; Protocolo de Processo Administrativo de habilitação destes créditos junto a Receita Federal do Brasil. Ocorre que, o crédito de terceiros não é forma de extinção do crédito tributário. Considerando a iminente prescrição e decadência na cobrança destes tributos, optamos por constituir os créditos tributários pelo seu regular lançamento, conforme descrito no Anexo I, parte integrante deste Relatório e demais documentos. Verificamos também que o sujeito passivo deixou de declarar as GFIP das filiais 0002 e 0004 para a competência 01/2006. 3. Os valores consolidados nestes Autos de Infração encontram se relacionados no Discriminativo do Débito DD, em anexo, e referemse ao seguinte levantamento, cujas bases de calculo foram identificadas nas Folhas de Pagamento, GFIP e na Contabilidade: 3.1. DEBCAD:37.016.551 9 Glosa de Compensação; 3.2.Período do lançamento do crédito previdenciário: Junho de 2007 a julho de 2010. 4. A empresa tem por objeto social: Usinagem e produção de peças em geral. 5. O crédito lançado encontrase fundamentado na legislação constante no anexo "Fundamentos Legais do Débito FLD". Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE Processo nº 19515.003751/201096 Acórdão n.º 2401003.176 S2C4T1 Fl. 288 7 6. Os responsáveis legais do sujeito passivo encontramse discriminados no Relatório de Vínculos, em anexo. [...]” Como se verifica, o nobre fiscal autuante adotou como fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas o procedimento de compensação com créditos adquiridos de terceiros, sem conquanto observar não se tratar de fato gerador de tributo. Aliás, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, a título de exemplo, os fatos geradores das contribuições previdenciárias são as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou por cooperativas, dentre outros. Entrementes, a fiscalização em momento algum informou qual seria o fato gerador, propriamente dito, dos tributos exigidos, se as remunerações dos empregados, dos contribuintes individuais, ou prestação se serviços mediante cessão de mãodeobra, etc, malferindo o disposto no artigo 37 da Lei nº 8.212/91, que assim prescreve: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (grifamos) Referida omissão afronta de forma flagrante, igualmente, os preceitos contidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional que, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Na mesma linha de raciocínio, o Código Tributário Nacional, em seus artigos 201 a 204, determina que após o trâmite regular, a notificação será inscrita em dívida ativa que indicará, entre outros elementos essenciais, a “origem e a natureza do crédito tributário, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado”. A falta desses requisitos ocasiona a nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, não gozando a CDA da presunção de certeza e liquidez, por não ter sido regularmente inscrita. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE 8 Consoante se infere dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo. A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Autuação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal por vício material. Outro não é o entendimento do ilustre Dr. Manoel Antônio Gadelha Dias, ex presidente do 1º Conselho de Contribuinte, conforme se extrai do excerto de sua obra “O Vício Formal no Lançamento Tributário”, nos seguintes termos: “[...] O defeito na descrição do fato, por exemplo, não pode caracterizarse mero vício formal, pois a descrição do fato está intimamente ligada à valoração jurídica do fato jurídico, requisito fundamental do lançamento. A descrição do fato defeituosa tanto pode configurar nulidade de direito material como de direito processual. Estaremos diante da primeira situação quando o vício atinge o motivo do ato, ou seja, o seu pressuposto objetivo, que corresponde à ocorrência dos fatos que ensejaram a sua prática.” (Tôrres, Heleno Taveira et al. – coordenação – “Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados – São Paulo : Quartier Latin, 2005, p. 348) A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se positiva dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência.” (1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº 132.213 – Acórdão nº 10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) “LANÇAMENTO – NULIDADE VÍCIO MATERIAL – DECADÊNCIA Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vício de natureza material. Aplicável o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN.” (2ª Câmara do 1º Conselho, Recurso nº 138.595 – Acórdão nº 10247201, Sessão de 10/11/2005) No caso sub examine, com mais razão deveria a autoridade lançadora demonstrar a ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, uma vez que a glosa de compensação nada mais é do que o lançamento de contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas em época própria, a pretexto da existência de créditos utilizados na compensação procedida pela contribuinte, como já explicitado alhures. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE Processo nº 19515.003751/201096 Acórdão n.º 2401003.176 S2C4T1 Fl. 289 9 Observese, por fim, que o Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu a fiscalização na constituição do crédito previdenciário, devendo, dessa forma, ser claro e preciso relativamente aos procedimentos adotados pelo fisco ao promover o lançamento, concedendo ao contribuinte conhecimento pleno dos motivos ensejadores da notificação, possibilitandolhe o amplo direito de defesa e contraditório. Nesse contexto, deve ser declarada de ofício a nulidade do feito, por vício material, em observância a legislação de regência, mais precisamente dos artigos do CTN, das Leis 8.212/91 e 9.784 encimados, uma vez que essas omissões contaminam a exigência fiscal, tornandoa precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e por cercear o direito de defesa da recorrente. DEMAIS ALEGAÇÕES RECURSAIS Vencido na preliminar de nulidade do lançamento, acima alinhavada, eis que esta Egrégia Turma, por maioria de votos, entendeu não ter havido a nulidade suscitada de ofício, conforme voto divergente vencedor, parte integrante do Acórdão, passo à análise das questões meritórias, consoante preceitua as disposições regimentais. PRELIMINAR NULIDADE DECISÃO RECORRIDA E REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Em sede de preliminar, requer a autuada a decretação da nulidade da decisão recorrida, por entender que a autoridade julgadora de primeira instância deixou de apreciar parte das alegações inseridas em sua defesa inaugural, mormente em relação ao pedido de realização de perícia, em total preterição do direito de defesa da contribuinte. Muito embora a contribuinte lance referida assertiva, não faz prova ou indica qual omissão que o julgador atacado teria incorrido, capaz de ensejar a preterição do seu direito de defesa. Como se observa do decisum guerreado, de fato, a autoridade julgadora não adentrou a todas as alegações suscitadas pela então impugnante. Tal fato isoladamente, porém, não tem o condão de configurar preterição do direito de defesa da contribuinte, especialmente quando esta não afirma qual teria sido o prejuízo decorrente da conduta do julgador de primeira instância. Ademais, a jurisprudência de nossos Tribunais Superiores, a qual vem sendo seguida à risca por esta instância administrativa, entende que o simples fato de o julgador não dissertar a propósito de todas as razões recursais da contribuinte não implica em nulidade da decisão, mormente quando a recorrente lança uma infinidade de argumentos desprovidos de qualquer amparo legal ou lógico, com o fito exclusivo de protelar a demanda, o que se vislumbra no caso vertente. A corroborar esse entendimento, cumpre trazer à baila Acórdão exarado pela 5ª Turma do STJ, nos autos do HC 35525/SP, com sua ementa abaixo transcrita: “HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. NEGATIVA DE AUTORIA. NULIDADE DA SENTENÇA. LIVRE CONVICÇÃO MOTIVADA DO MAGISTRADO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADA. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE 10 [...] 2. O só fato de o julgador não se manifestar a respeito de um ou outro argumento da tese defendida pelas partes não tem o condão de caracterizar ausência de fundamentação ou qualquer outro tipo de nulidade, por isso que não o exigem, a lei e a Constituição, a apreciação de todos os argumentos apresentados, mas que a decisão judicial seja devidamente motivada, ainda que por razões outras (Princípio da Livre Convicção Motivada e Princípio da Persuasão Racional, art. 157 do CPP). [...]” (Julgamento de 09/08/2007, Publicado no DJ de 10/09/2007) Nesse sentido, basta que o julgador adentre às questões mais importantes suscitadas pela recorrente, decidindo de forma fundamentada e congruente, para que sua decisão tenha plena validade. No presente caso, extraise da defesa inaugural que a contribuinte traz à colação inúmeras alegações, inclusive, a propósito de inconstitucionalidade de leis, as quais não são oponíveis na esfera administrativa, bem como outras que não são capazes de rechaçar a pretensão fiscal. Assim, não se pode exigir que o julgador exponha e refute tais razões infundadas ou ilógicas. Pugna, ainda, a recorrente pela decretação da nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que a autoridade julgadora se baseou nas informações e documentos constantes dos autos, mais precisamente Relatório Fiscal da Autuação, privilegiando tal documentação em detrimento dos argumentos e elementos colocados a sua disposição na impugnação, impondo a conversão do julgamento em diligência para produção de provas indispensáveis ao deslinde da controvérsia. Em que pese o esforço da recorrente, sua irresignação, contudo, não merece acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pela então impugnante. Observese, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte, que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão, tendo em vista que cabe exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante do processo serve justamente para formar a convicção do julgador, podendo interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. Aliás, é o que determina o artigo 29 do Decreto 70.235/1972, como segue: “ Seção VI Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim, o pleito da recorrente não tem o condão de macular a decisão recorrida, porquanto o julgador de primeira instância procedeu da melhor forma, exarando decisão fundamentada, debatendo acerca das razões pertinentes lançadas pela contribuinte, formando livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE Processo nº 19515.003751/201096 Acórdão n.º 2401003.176 S2C4T1 Fl. 290 11 Quanto ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova, igualmente, decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despiciendo a produção de prova pericial. Com efeito, a produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. MÉRITO No mérito, pretende a contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, o qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que a contagem dos juros encontrase em descompasso com a legislação de regência, uma vez adotar como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, enquanto o correto seria somente após a lavratura do auto de infração, na forma que prescrevem os artigos 114 e 115 do Código Tributário Nacional. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE 12 A fazer prevalecer seu entendimento, defende que na hipótese vertente a obrigação tributária teve seu termo de mora definido a partir do LANÇAMENTO, ou seja, do Ato Administrativo externado pela lavratura do Auto de Infração e Imposição de Multa, que ocorreu em Novembro/2010, não se cogitando, portanto, na exigência de juros antes da constituição do crédito tributário, uma vez inexistir mora até referido momento. Inobstante as substanciosas alegações da contribuinte, no mérito, igualmente, seu inconformismo não tem o condão de macular a exigência fiscal consagrada pelo lançamento. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida apresentase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude. A rigor, como muito bem delineado pelo julgador de primeira instância, a contribuinte faz uma verdadeira confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, para amparar seu pleito. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente, o que se vislumbra na hipótese vertente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação de regência de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. No primeiro caso (obrigação principal), o contribuinte tem o dever de efetuar o recolhimento do tributo devido dentro do prazo legal, contandose daí os juros na hipótese de inadimplemento. Por sua vez, no caso de descumprimento de obrigações acessórias, a legislação de regência estabelece multas como forma de punição pela inobservância de procedimentos periféricos exigidos do contribuinte. In casu, diante das compensações efetuadas pela contribuinte, as quais foram glosadas nestes autos, a empresa deixou de realizar os recolhimentos dos tributos devidos em época própria, incorrendo, assim, em mora, fazendo incidir os juros a partir do momento do seu inadimplemento, nos termos do artigo 34 da Lei n° 8.212/91, para os fatos geradores ocorridos até a MP n° 449/2008, e artigo 35 daquele mesmo Diploma Legal, após a edição de referida Medida Provisória. Em verdade, a contribuinte, ao manifestar seu insurgimento, confunde, também, a multa aplicada por ocasião do lançamento fiscal, a qual anteriormente à MP n° 449/2008 era aquela prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e, posteriormente à sua edição, a inscrita no artigo 44 da Lei n° 9.430/96. No que concerne às demais alegações da contribuinte, mormente em relação à incidência de juros sobre a multa, não merece aqui tecer maiores considerações a respeito do tema, uma vez já atingidas pela preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação. É o que se extrai do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, como segue: “ Decreto nº 70.235/72 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE Processo nº 19515.003751/201096 Acórdão n.º 2401003.176 S2C4T1 Fl. 291 13 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. [...] (Primeira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 149.545, Acórdão nº 20181255, Sessão de 03/07/2008) “PROCESSO ADMINISTRATISVO FISCAL PRECLUSÃO Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, operase a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidandose a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. COFINS CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Constatada, em procedimento de fiscalização, a falta de cumprimento da obrigação tributária, seja principal ou acessória, obrigase o agente fiscal a constituir o crédito tributário pelo lançamento, no uso da competência que lhe é privativa, vinculada e obrigatória. JUROS DE MORA O artigo 161 do CTN autoriza, expressamente, a cobrança de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mêscalendário, se a lei assim o dispuser. TAXA SELIC Correta a cobrança da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e de Custódia SELIC como juros de mora, a partir de 01/01/1997, para débitos com fatos geradores até 31/12/1994, não pagos no vencimento da respectiva obrigação. Recurso a que se nega provimento.” (Terceira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 111.167, Acórdão nº 20307328, Sessão de 23/05/2001) (grifamos) Dessa forma, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a parte do lançamento não contestada, operando a constituição definitiva do crédito tributário com relação a esses levantamentos, mormente em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. Registrese, que a própria fiscalização ao notificar o contribuinte do Auto de Infração tem o cuidado de informar, mediante o anexo “Instruções para o Contribuinte – IPC”, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE 14 que a defesa poderá ser parcial ou total, considerando confessada a matéria que não fora objeto de contestação. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais argumentações da contribuinte, não se cogita em analisá las, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, declarar de ofício a nulidade material do feito, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida, do lançamento e de realização de perícia e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a exigência fiscal em sua plenitude, pelas razões de fato e de direito esposadas alhures. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE Processo nº 19515.003751/201096 Acórdão n.º 2401003.176 S2C4T1 Fl. 292 15 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora Designada Divirjo do entendimento do ilustre relator apenas quanto a nulidade avençada de ofício em função da ausência de descrição dos fatos geradores, bem como falta de fundamentação para o lançamento quanto ao lançamento referente a GLOSA de compensação indevida. Primeiramente, observase que o valor do lançamento referente a GLOSA tem por base valores declarados em GFIP em campo próprio de compensação. Todavia, considerou o auditor que dita compensação não foi realizada nos moldes devidos, razão porque procedeu ao lançamento dos valores. Dessa forma, entendo que a posição do relator quanto a nulidade pela ausência de descrição dos fatos geradores não deve prevalecer. O documento GFIP nada mais é que um documento que descreve de forma pormenorizada os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim, como falar em ausência de descrição de fatos geradores, se os mesmos foram informados no próprio documento GFIP que consubstanciou o lançamento. O valor lançado à título de GLOSA, referese ao valor declarado pelo recorrente no campo próprio de compensação, sendo que esse valor declarado, por não encontrar respaldo legal para abater o montante da contribuição devida, enseja lançamento na modalidade GLOSA. Entendo que a exigência do relator não há como ser efetivada, uma vez que implicaria em nova informação de fatos geradores (digase já informados na competência própria), implicando duplicidade de informação. Não há nem mesmo como identificar quais os fatos geradores que foram compensados, para que se determinasse novo lançamento, posto que o valor da compensação é informado pelo recorrente, sendo abatido do montante da contribuição devida, tendose por base todos os fatos geradores informados e a aplicação das correspondentes alíquotas. A única coisa que fez o auditor foi lançar o valor abatido indevidamente (informado pelo recorrente no documento GFIP), devendo, portanto, descrever de forma detalhada os motivos pelos quais entendeu ser indevida a compensação realizada, como bem o fez. Notese que o relatório fiscal, conforme transcrito pelo próprio relator, demonstrou a impossibilidade de realização do procedimento de compensação nos moldes como o foi, razão porque procedeu ao lançamento. Dessa forma, entendo que não existe a nulidade avençada pelo relator uma vez que os fatos geradores já foram descritos anteriormente pelo próprio recorrente no seu documento GFIP, que digase, foi o documento que consubstanciou o lançamento. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE 16 CONCLUSÃO Face o exposto, voto por afastar a NULIDADE descrita pelo relator. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO F REIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10950.907772/2011-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1822; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 94 1 93 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.907772/201150 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.202 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente CASTANHEIRA DISTRIBUIDORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 72 /2 01 1- 50 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907772/201150 Acórdão n.º 3803005.202 S3TE03 Fl. 95 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre ingressos (ICMS) não abrangidos pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCTF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/12/2001 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907772/201150 Acórdão n.º 3803005.202 S3TE03 Fl. 96 3 ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 17 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal 1 ADC n° 18/DF Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907772/201150 Acórdão n.º 3803005.202 S3TE03 Fl. 97 4 Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907772/201150 Acórdão n.º 3803005.202 S3TE03 Fl. 98 5 tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Além disso, mesmo que houvesse previsão legal do direito à exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo (escrituração contábilfiscal e documentos fiscais) foi apresentado para comprovar o direito arguido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907772/201150 Acórdão n.º 3803005.202 S3TE03 Fl. 99 6 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 16327.720491/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.425
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Arruda Coelho Júnior, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Luciana de Souza Espindola Reis e Fabio Pallaretti Calcini.
Relatório
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Arruda Coelho Júnior, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Luciana de Souza Espindola Reis e Fabio Pallaretti Calcini. Relatório
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(assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Arruda Coelho Júnior, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Luciana de Souza Espindola Reis e Fabio Pallaretti Calcini. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 49 1/ 20 11 -2 7 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16327.720491/201127 Resolução nº 2301000.425 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório A autuação trata de três autos de infração: AI DEBCAD nº 37.234.0318 referente a descumprimento de Obrigação Acessória, relacionadas aos fatos geradores lançados na ação fiscal sem a devida informação. AI DEBCAD n.º 37.234.0326, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I, II e III, e parágrafo 1º da Lei n.º 8.212/1991, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP e não recolhidas, relativas a competências de 01/2006, 03/2006, 05/2006, 08/2006, 10/2006 a 12/2006, 01/2007, 03/2007 a 07/2007, 09/2007 a 12/2007, 02/2008 a 04/2008, 08/2008 a 12/2008, 03/2009 a 12/2009, 01/2010 a 03/2010. AI DEBCAD n.º 37.234.0334, referente a contribuições devida a Terceiros: Salário Educação e INCRA, – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP e não recolhidas, relativas a competências de 01/2006, 03/2006, 05/2006, 12/2006, 03/2007 a 07/2007, 11/2007 a 12/2007, 04/2008, 08/2008 a 09/2008, 03/2009 a 07/2009, 09/2009 e 03/2010. Há de ser informado ainda que o Banco Daimlerchrysler S/A, foi incorporado em 31/08/2006 pelo Banco Mercedes Benz do Brasil, razão pela qual este último herdou os débitos previdenciários do primeiro. A Recorrente tem como controlador principal a Daimler AG, com sede na Alemanha e, que no quadro funcional da empresa há diversos estrangeiros que prestam serviço no Brasil, os chamados expatriados. O grupo econômico estipula uma política global de remuneração (Going Global) para incentivar empregados e diretores a trabalhar no exterior em suas controladas, estabelecendo um pacote de remuneração e benefícios equilibrado e global aos contratos de expatriação. Constatou a existência de planos de políticas internas relacionados a remuneração variável para certo grupo de funcionários baseado em resultados locais e mundiais, sem a devida incidência previdenciária, e que foram objeto dos levantamentos SD (Stock Option Diretor), SO (Stock Option Empregados), BO (Bônus) e GE (Gratificação). Após vigência da Lei 11941/2009, restou constatado o pagamento de incentivos realizado pelo contribuinte aos seus empregados, ora sob título de participação nos lucros ou resultados PLR, ora sob título de gratificação espontânea ou a título de bônus , com valores acima do previsto em Convenção Coletiva de Trabalho CCT, para pagamento de remunerações variáveis, sendo que a empresa usufruiu da isenção previdenciária contemplada pela Lei nº 8.212/91 e Lei nº 10.101/00 que regulamentam a Participação nos Lucros ou Resultados para efeitos de incidência previdenciária. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16327.720491/201127 Resolução nº 2301000.425 S2C3T1 Fl. 4 3 Foi requerido os regulamentos em que se basearam os pagamentos dos bônus sem incidência previdenciária no período fiscalizado e a Recorrente declarou que além do plano de participação nos lucros ou resultados instituído pela Convenção Coletiva de Trabalho CCT, a empresa mantinha um plano próprio "REACH PROGRAM", e que era pago o maior valor entre as duas regras ao empregado. Quanto ao seus PLR, estes estavam em inglês, sem a participação do sindicato da categoria e foram elaborados de forma unilateral pela empresa, sem, também, a participação da categoria. Há ainda o pagamento aos seus diretores estrangeiros um prólabore e alguns benefícios aqui no Brasil cujas verbas constam das folhas de pagamento e, através de um "invoice", paga a matriz no exterior a remuneração assegurada pela política global aos seus expatriados, sendo que a despesa deste complemento salarial é suportada pelo contribuinte. A empresa pagava ainda gratificação espontânea a alguns funcionários, mormente diretores expatriados, além de Stock Option Diretor, Stock Option Empregados. Impugnou o lançamento, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem a autuação. Entretanto, pagou integralmente o AI DEBCAD n° 37.234.0318 (multa) e parcialmente o AI DEBCAD n° 37.234.0326, referente ajuda de custo. Em 14.AGO.2012 foi noticiada da decisão e em 13.SET.2012 aviou o presente remédio recursivo alegando: i) decadência relativa ao período de janeiro a março de 2006; ii) não incidência das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas a título de PLR; iii) da não incidência das contribuições previdenciárias sobre as despesas com expatriados; iv) da não incidência das contribuições previdenciárias sobre as gratificações espontâneas; v) da não incidência das contribuições previdenciárias sobre a oferta de ‘Stock Option’; vi) da não incidência das contribuições previdenciárias FNDE e INCRA. É a síntese do necessário. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16327.720491/201127 Resolução nº 2301000.425 S2C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço, passando à análise requerida, com a final decisão. Após aviar o Recurso Voluntário a Recorrente atravessou uma petição informando que aderiu ao parcelamento junto a SRF com fulcro ao que dispõe a Lei 11.941/2009. Segundo inteligência do artigo 78 do Regimento Interno do CARF o recorrente pode a qualquer tempo desistir do seu recurso, cuja conseqüência maior é a desistência do recurso, nos termos abaixo: Art. 78.Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º Na hipótese de acórdão passível de recurso pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, a desistência de recurso deverá ser precedida de renúncia do requerente ao direito sobre o qual se funda o recurso por ele anteriormente interposto. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (Redação dada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Entretanto, nos autos do processo há tão somente a informação por parte da Recorrente, cuja qual deverá ser confirmado pela DRJ de origem, afim de manter a ordem jurídica. Assim, converto em diligência para DRJ de origem, afim de que ela verifique se de fato há o parcelamento e, em caso de realmente existir o parcelamento, que se extinga o presente feito, eis que a confissão é irretratável e irrevogável, reconhecendo o débito, e em caso de não pagamento cabe execução fiscal. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como há a informação de que a Recorrente aderiu o parcelamento insculpido pela Lei 11.941/2009, converto em diligência o presente feito para o fim de a autoridade julgadora de piso verificar se realmente há a dita adesão e em caso de havendo não deverá mais ser devolvido a este Colegiado, eis que com o pedido o recurso Fl. 881DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16327.720491/201127 Resolução nº 2301000.425 S2C3T1 Fl. 6 5 voluntário não atende os pressupostos de admissibilidade, dele não conheço, devendo ser extinto. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Fl. 882DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 29/01/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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